POTENCIAIS USOS DE SENSORES PORTÁTEIS ÓPTICOS NA CARACTERIZAÇÃO DO NITROGÊNIO E MAGNÉSIO NA CULTURA DO CAFÉ Gustavo Di Chiacchio Faulin¹; Gisele Prado Gimenez²; Larissa de Oliveira Marques²; ¹Eng. Agronômo, Doutor, Docente, FATEC Shunji Nishimura, Pompeia – SP. ²Discente, FATEC Shunji Nishimura, Pompeia –SP. Resumo: O monitoramento da quantidade de nitrogênio é uma prática extremamente importante na cultura do café, que identifica a necessidade ou não de sua aplicação, visando a máxima exploração do potencial de produção. O teor de clorofila na folha pode ser uma importante ferramenta para aumentar a precisão no processo de recomendação de adubação nitrogenada em cereais. A utilização de sensor portátil para medição de clorofila é uma ferramenta que permite esta medição de forma imediata. Neste sentido, este trabalho foi desenvolvido a fim de verificar a existência da possível correlação dos dados obtidos pelos sensores ópticos, calculando os índices ICF (Índice de Clorofila Falker) e NDVI (Normalized Difference Vegetation Index) coletados em campo, com as análises foliares, dando ênfase aos nutrientes de nitrogênio e magnésio, já que estes estão presentes na molécula de clorofila, a fim de identificar o potencial uso destes sensores e as possíveis causas da interação entre os atributos analisados. Nos resultados obtidos foram realizadas análises estatísticas descritivas e correlação dos dados. Os resultados mostraram que não houve dependência espacial entre as análises de ICF, NDVI e análises de nitrogênio e magnésio, demonstrando que as subamostras apresentaram entre elas variações muito semelhantes com a variação ocorrida no talhão. Palavras- chave: Clorofila, adubação nitrogenada, nutrientes. POTENTIAL PORTABLE OPTICAL SENSOR USES IN NITROGEN CHARACTERIZATION AND MAGNESIUM IN COFFEE CULTURE Abstract: Monitoring the amount of nitrogen is an extremely important practice in coffee culture, which identifies the necessity of its application, for maximum exploitation of the production potential. The chlorophyll content in the leaf can be an important tool to increase accuracy in nitrogen rates process in cereals. The use of portable sensor for measuring 1 chlorophyll is a tool that allows this measurement immediately. Thus, this study was conducted to verify the existence of possible correlation of the data obtained by optical sensors, calculating the ICF indices (Chlorophyll Index Falker) and NDVI (Normalized Difference Vegetation Index) collected in the field, with leaf analyzes, emphasizing the nutrients nitrogen and magnesium, as these are present in the chlorophyll molecule in order to identify the potential use of these sensors and the possible causes of the interaction between the analyzed attributes. The results obtained were carried out descriptive statistical analysis and correlation of data. The results showed no spatial dependence between analyzes of ICF, NDVI and nitrogen and magnesium analysis, showing that the subsamples showed variations between them very similar to the variation in the field. Keywords: Chlorophyll, nitrogen, nutrients. INTRODUÇÃO A cultura do cafeeiro ocupa posição de destaque na produção mundial, com aproximadamente 145 milhões de sacas no ano de 2013, segundo a Organização Internacional do Café – OIC (2013). O Brasil produziu cerca de 49,1 milhões de sacas de café no ano, e por força disto, é o maior produtor mundial e maior exportador de café. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento - CONAB (2014), a espécie de café arábica representa 75,1% da produção total (arábica e conilon) do café no país no ano de 2013, com produção de 38,29 milhões de sacas. O estado de Minas Gerais possui a maior área com produção da cultura cafeeira do país, com 1.238.270 hectares, sendo 98,89% da espécie arábica e com segunda maior área plantada do país está o estado do Espírito Santo, totalizando 489.796 hectares, com 63,38% da sua produção da espécie conilon. O cafeeiro necessita de pequenas quantidades de nutrientes na fase inicial de desenvolvimento, porém, à medida que a planta cresce, começa a produzir maior quantidade de frutos, as demandas metabólicas crescem e a planta começa a se tornar mais exigente em nutrientes. A correção do solo e a adubação representam de 25 a 30% do custo de produção da saca de café beneficiado. (GUIMARÃES, 2010 apud RODRIGUES, 2010). O uso e manejo adequados desses solos pressupõem a melhoria de sua fertilidade por meio das várias práticas que preservem e aumentem a matéria orgânica, diminuam a acidez, 2 garantam um crescimento radicular vigoroso e mantenham os nutrientes em quantidades e proporções adequadas. (GUIMARÃES, 2010 apud SANTANA, 2011). Na cultura do cafeeiro a análise foliar permite avaliar o estado nutricional da planta, detectar deficiências ou excessos nutricionais e ajustar o programa de adubação, e essa técnica assume grande importância devido à constatação de baixa relação entre a disponibilidade de nutrientes no solo, na fase que antecede o ciclo de crescimento e produção, e a produtividade da cultura. (SOUZA et al, 2000 apud ZABINI, 2010) De acordo com Tisdale et al. (1993) apud Povh, (2007), o nitrogênio (N) é um integrante da clorofila, um pigmento que é o primeiro a absorver a energia luminosa necessária para a fotossíntese. Se o N é utilizado adequadamente, juntamente com os demais nutrientes, pode acelerar o desenvolvimento da cultura. Segundo Silva et al., (2013), por serem constituintes da molécula de clorofila, o N e o magnésio (Mg) são bastante estudados em plantas cultivadas. Desta forma, determinações periódicas dos teores de clorofila nas folhas podem auxiliar no manejo nutricional, em relação ao N e Mg. (GUIMARÃES et al, 1999). O monitoramento do nível adequado dos nutrientes na planta é essencial para determinar a necessidade de aplicação e a dose correta. Faquin (2002) aponta diversos métodos de avaliação do estado nutricional das plantas, além da análise foliar também podem ser feitos diagnose visual, testes de tecidos, testes bioquímicos e teor de clorofila. Segundo Reis et al. (2006), não há um método de avaliação rápido ao alcance dos agricultores, todos demandam tempo para a conclusão da análise. Dessa forma, um benefício adicional da tecnologia de sensores para a produção agrícola é a habilidade de quantitativamente identificar a variabilidade dentro do talhão (MARTIN et al., 2007). Com o advento dos medidores portáteis, que utilizam princípios ópticos não destrutivos, baseados na absorbância e/ou refletância da luz pelas folhas, a determinação de clorofilas tornou-se fácil e rápida, podendo ser realizada diretamente a campo (RICHARDSON et al., 2002). O objetivo deste trabalho foi entender a correlação dos dados obtidos pelos sensores ópticos de clorofila e NDVI com as análises foliares feitas na cultura do café, identificando o potencial uso destes sensores e as possíveis causas de interação entre os atributos analisados. 3 MATERIAL E MÉTODOS Os dados foram coletados em uma área particular, localizada no município de Pedregulho, SP, com as coordenadas geográficas médias: latitude 20º 15’ 27” Sul, longitude 47º 28’ 39” Oeste e 1.042 metros de altitude em relação ao nível do mar. Foram utilizados 3 talhões cultivados com a espécie Coffea arábica L., descritas na Tabela 1. Tabela 1. Descrição das áreas experimentais. Descrição Área (ha) Variedade Espaçamento (m) NS03 47,00 Mundo Novo 4,0 SM04 2,95 Mundo Novo 3,5 SM01 20,93 Catuaí 3,5 A coleta dos dados foi realizada durante o período de 07 de Julho de 2014 e 11 de Julho de 2014, logo após o período de colheita. Foi utilizado o software ArcGIS 10.1 para realização da grade amostral com pontos georreferenciados dos talhões (Figura 1), sendo os pontos georreferenciados transferidos para o receptor GPS Garmin, para localização das coordenadas dos pontos amostrais a campo. a b c Figura 1. Distribuição dos pontos georreferenciados nos talhões (a) NS03; (b) SM04; (c) SM01 Para as amostragens realizadas com o sensor ClorofiLog® (Falker Automação Agrícola), que mede a absorção de luz pela folha em comprimentos de onda específicos. Por meio das relações de absorção nas diferentes frequências, é determinado o Índice Relativo de Clorofila. Como o teor de clorofila é proporcional a nutrientes fundamentais como o 4 nitrogênio, com o uso do ClorofiLOG® é possível identificar e corrigir deficiências de forma rápida e direta na lavoura. Desta forma, utilizou-se o terceiro par de folhas, do ápice para base, em ramos da altura média da planta, coletando 4 pares de folhas de cada lado, (Figura 2), totalizando 16 amostras. Utilizou-se o critério de não realizar amostragens nas nervuras das folhas, para toda a amostragem, selecionando as melhores folhas para esta etapa. As folhas coletadas para a análise laboratorial foram as mesmas utilizadas para as análises realizadas com o sensor ClorofiLOG®, sendo medidas durante a coleta das amostras e armazenadas e identificadas em sacos plásticos, separados por ponto amostral e enviadas ao Laboratório de Análises Agronômicas da Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia. Para o processo de análise foliar, as amostras foram lavadas inicialmente com água, a seguir em uma solução de detergente neutro a 0,1%, novamente em água e finalmente em água deionizada. Após este processo as amostras foram colocadas em estufa de circulação de ar forçada á temperatura de 70 a 80ºC. Posteriormente a isso, o material seco foi moído em moinho tipo willey, passando pela peneira de malha 20 de aço inoxidável. Para a análise do NDVI das plantas do cafeeiro, utilizou-se o sensor portátil GreenSeeker™ (Trimble), o sensor portátil emite pulsos de comprimentos de luz vermelha e infravermelho. O sistema mede a quantidade de cada tipo de luz que é refletida no sensor. Para isso, o gatilho permaneceu puxado pelo tempo necessário para percorrer cada faixa com uma distância de 5 metros (Figura 2), enquanto o leitor era passado a uma distância aproximada de 50 cm (Figura 2), pelo terço médio da planta (Figura 2), com um total de 4 faixas amostrais por ponto, sendo 2 faixas em cada lado, fornecendo uma média das leituras ao final de cada faixa de medição. Figura 2. Método de coleta de dados com o sensor Greenseeker. (a) faixa de 5 metros para a coleta dos dados; (b) distância de 50 cm do sensor até a planta; (c) terço médio da planta onde é feita a leitura. 5 O cálculo se dá por meio da diferença entre as reflectâncias do infravermelho próximo e a do vermelho, dividida pela soma das duas reflectâncias. O índice gerado pela equação varia de -1 a 1, onde, quanto maior o valor do índice maior a presença de vegetação, e é calculado segundo a fórmula: NDVI = (IVP - V) / (IVP + V) Onde: IVP – é o valor para a reflectância do infravermelho próximo V – é o valor para a reflectância do vermelho. Para a interpretação dos dados, utilizou-se uma a estatística descritiva e geoestatísca dos dados através do Software ArcMAP 10.1. O grau de variabilidade dos parâmetros foi analisado a partir do coeficiente de variação, com base na classificação proposta por Warrick (1998), que sugere os limites CV < 12%, 12% > CV < 60%, e CV > 60% para atributos de baixa, média e alta variabilidade, respectivamente. Foi calculada a correlação simples entre os teores nitrogênio e magnésio obtidos em laboratório e os valores de ICF e NDVI obtidos em campo. RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com os dos dados obtidos pelos sensores ópticos de Clorofila e NDVI e os resultados gerados nas análises foliares, dando ênfase aos nutrientes Mg e N (pois estes estão presentes nas células de clorofila), foi gerada uma tabela de estatística básica para as médias calculadas (Tabela 2), de forma a compreender a amplitude de variação de cada elemento. 6 Tabela 2. Estatística básica das médias dos dados brutos da análise de sensores e análise SM01 SM04 NS03 foliar. Erro Desvio padrão Padrão 0,82 0,00 60,08 60,60 Nitrogênio 26,03 Magnésio Variáveis Média Mediana Greenseeker 0,81 Clorofilog Curtose Assimetria CV Mínimo Máximo 0,03 0,70 0,84 7,59 -2,35 3,20 0,38 2,57 53,60 64,00 -0,15 -0,65 4,30 26,11 0,18 1,21 22,90 27,95 -0,29 -0,41 4,70 3,17 3,20 0,08 0,54 2,10 4,10 -0,63 -0,31 16,90 Greenseeker 0,76 0,76 0,00 0,02 0,72 0,81 0,20 0,18 2,90 Clorofilog 61,79 62,00 0,33 1,91 55,20 65,40 3,28 -1,09 3,10 Nitrogênio 27,09 27,17 0,35 2,03 21,74 33,59 3,40 0,11 7,50 Magnésio 3,45 3,45 0,10 0,59 2,55 4,70 -0,48 0,46 17,20 Greenseeker 0,75 0,75 0,00 0,03 0,70 0,81 -0,40 0,29 3,50 Clorofilog 59,02 59,45 0,57 3,48 50,00 70,00 3,04 -0,17 5,90 Nitrogênio 26,66 26,54 0,27 1,69 23,71 30,06 -0,68 0,18 6,30 Magnésio 3,52 3,45 0,12 0,76 2,50 6,40 4,11 1,46 21,60 (%) Ao analisar a tabela de estatística básica dos respectivos talhões (Tabela 2), pode-se afirmar que os valores em questão constam um coeficiente de variação baixo, exceto o magnésio que apresenta um coeficiente de variação médio, conforme classificação de Warrick (1980). Os dados indicam a existência de pouca variação entre si. As figuras 3, 4 e 5 representam a média e o desvio padrão das subamostras dos pontos coletados com os sensores de NDVI e ICF. Figura 3. Gráfico de barras com a média e o desvio padrão das sub amostras coletadas com os sensores de ICF e NDVI utilizadas na composição da amostra composta do talhão NS03 7 Figura 4. Gráfico de barras com a média e o desvio padrão das sub amostras coletadas com os sensores de ICF e NDVI utilizadas na composição da amostra composta do talhão SM04 Figura 5. Gráfico de barras com a média e o desvio padrão das sub amostras coletadas com os sensores de ICF e NDVI utilizadas na composição da amostra composta do talhão SM01 8 Comparando-se os dados com a Tabela 2 de estatística das médias calculadas para representação de cada ponto, é possível observar que os valores de subamostras variam mais entre si do que em relação à variação das amostras em todo o talhão. Ao realizar a análise de correlação simples (Figuras 6 a 8), avaliou-se que não houve correlação linear positiva entre valores de N e Mg com o sensor de NDVI - GreenSeeker™ e entre os valores de N e Mg obtidos com o sensor de ICL – ClorofiLOG®, em nenhuma das respectivas áreas amostradas. Correlação dos sensores ópticos com os respectivos nutrientes - NS03 0,9 0,87 0,85 NDVI NDVI 0,82 0,8 0,75 0,77 y = -0,0007x + 0,8279 R² = 0,001 0,72 0,7 y = -0,0067x + 0,8319 R² = 0,0195 0,65 0,6 0,67 22 24 26 28 1,5 30 2,5 4,5 Magnésio (g Kgˉ¹) Nitrogênio (g Kgˉ¹) a b 66 64 62 60 58 56 54 52 50 ICF ICF 66 64 62 60 58 56 54 52 50 3,5 y = 0,1886x + 55,174 R² = 0,0079 22 24 26 28 Nitrogênio (g Kgˉ¹) c y = -0,1779x + 60,645 R² = 0,0014 1,5 2,5 3,5 4,5 Magnésio (g Kgˉ¹) d Figura 6. Correlação do sensor de NDVI (a) com N, (b) com Mg. E correlação do sensor de ICF (c) com N, (d) com Mg 9 Correlação dos sensores ópticos com os respectivos nutrientes – SM04 0,85 0,8 0,78 0,76 NDVI NDVI 0,82 0,8 0,74 0,72 0,75 y = 0,0017x + 0,718 R² = 0,0246 0,7 0,7 y = 0,0083x + 0,7355 R² = 0,0496 0,65 20 25 30 35 2,3 Nitrogênio (g Kgˉ¹) 3,3 4,3 Magnésio (g Kgˉ¹) a 5,3 b 70 66 64 65 ICF ICF 62 60 58 y = 0,1511x + 57,701 R² = 0,0258 56 54 20 25 30 Nitrogênio (g Kgˉ¹) c 35 60 55 y = 0,8167x + 58,979 R² = 0,0641 50 2,3 3,3 4,3 5,3 Magnésio (g Kgˉ¹) d Figura 7. Correlação do sensor de NDVI (a) com N, (b) com Mg. E correlação do sensor de ICF (c) com N, (d) com Mg 10 Correlação dos sensores ópticos com os respectivos nutrientes - SM01 0,82 0,8 0,78 0,76 0,74 0,72 0,7 0,68 NDVI NDVI y = 0,0024x + 0,6866 R² = 0,0228 22 27 32 0,82 0,8 0,78 0,76 0,74 0,72 0,7 0,68 y = 0,0033x + 0,738 R² = 0,0092 2 Nitrogênio (g Kgˉ¹) 4 6 Magnésio (g Kgˉ¹) b y = 0,1944x + 53,841 R² = 0,0089 75 70 65 60 55 50 45 y = 0,9076x + 55,825 R² = 0,0395 75 70 65 ICF ICF a 8 60 55 50 22 27 Nitrogênio (g Kgˉ¹) 32 45 2 4 6 Magnésio (g Kgˉ¹) c d Figura 8. Correlação do sensor de NDVI (a) com N, (b) com Mg. E correlação do sensor de ICF (c) com N, (d) com Mg O coeficiente de determinação (R²) indica o quanto o modelo linear consegue explicar os valores observados. Seu valor varia no intervalo de 0 a 1, quanto maior o valor de R², mais explicativo e confiável é o modelo. Analisando os gráficos pode-se observar que nos diferentes talhões os dados apresentam a mesma linha de tendência, ou seja, em ambos que se diferem por tamanho e densidade amostral, não apresentaram correlação linear positiva entre os dados analisados. A correlação não foi positiva devido à peculiaridade atribuída ao NDVI que apresenta característica de rápida saturação, o que o torna insensível ao aumento da biomassa vegetal a partir de determinado estádio de desenvolvimento. Ou seja, o índice estabiliza em um patamar apresentando valores constantes, mesmo com o aumento da densidade do dossel (Moreira, 2000). Dessa forma o sensor GreenSeeker™ varia, devido à alta biomassa da cultura do café, não estimando adequadamente o teor de N presente na planta. Da mesma forma acontece na cultura do milho, Povh (2007) notou que o NDVI saturou mesmo com baixas doses de N. No 11 entanto, Povh (2008) verificou que o NDVI tem maior potencial para uso nas culturas de trigo, triticale e cevada, por serem culturas que possuem menos biomassa. A não correlação entre a leitura de ICF e o teor de N e Mg das folhas, evidência que as leituras efetuadas com o sensor ClorofiLog® , não representa de modo eficiente o que a cultura apresenta. O sensor ClorofiLog® possui uma pequena faixa de leitura, o que pode dificultar a coleta dos dados. Pressionando-o sobre a nervura da folha ou em alguma imperfeição da mesma, a leitura não correspondera com o valor real. Para França (2001) apoud Wrobel (2012), os nutrientes são absorvidos durante todo o ciclo e, as diferenças verificadas nas velocidades de absorção ocorrem em função do ciclo do genótipo e estádio em que se encontra, e na translocação das folhas e dos colmos para os órgãos reprodutivos. As folhas mais velhas são as primeiras a amarelecer, particularmente durante o crescimento dos frutos, a vegetação é rala, os galhos podem secar da ponta para a base se a colheita tiver sido grande, diminuindo a (MALAVOLTA, 1993). Desta forma sendo os dados coletados após a colheita, os valores de NDVI e ICF podem não apresentar a realidade da área, oscilando entre pontos com teor alto, médio ou baixo de N e biomassa, o que causa a diferença do valor real que pode ser analisado com melhor eficiência pela análise foliar nesta situação. CONCLUSÕES Não houve correlação entre os valores de ICF e NDVI obtidos com os sensores ópticos ClorofiLog® e GreenSeeker™ com os teores de N e Mg obtidos pela análise foliar determinados em laboratório, demonstrando que as subamostras apresentaram entre elas variações muito semelhantes com a variação ocorrida no talhão. AGRADECIMENTOS Ao grupo O’Coffee pelo apoio e disponibilização do local para execução deste projeto de pesquisa, à Máquinas Agrícolas Jacto S.A. pelo auxílio e suporte e aos integrantes do GAP (Grupo de Estudos de Agricultura de Precisão) da Fatec Shunji Nishimura de Pompeia pela contribuição no desenvolvimento deste trabalho. 12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL, L. R. Sensor ótico no auxílio à recomendação de nitrogênio para a cultura de cana-de-açúcar. Piracicaba. 81p. Dissertação (Mestrado) 2010. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11136/tde-11022011-085055/en.php> . Acesso em: 20/08/2014. CIDADE BRASIL. Cidades do Brasil, Novembro, 2012. Disponível em: <http://www.cidade-brasil.com.br/municipio-pedregulho.html>. Acesso em 16/10/2014. CONAB - COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. “Acompanhamento da safra brasileira: Café. Levantamento Safra de 2014” - v. 1, n.1 (2013) – Brasília:, 2013. Disponível em: <http://www.conab.com.br>. Acesso em: 06 outubro 2014. 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