Conselho Editorial Av Carlos Salles Block, 658 Ed. Altos do Anhangabaú, 2º Andar, Sala 21 Anhangabaú - Jundiaí-SP - 13208-100 11 4521-6315 | 2449-0740 [email protected] Profa. Dra. Andrea Domingues Prof. Dr. Antonio Cesar Galhardi Profa. Dra. Benedita Cássia Sant’anna Prof. Dr. Carlos Bauer Profa. Dra. Cristianne Famer Rocha Prof. Dr. Fábio Régio Bento Prof. Dr. José Ricardo Caetano Costa Prof. Dr. Luiz Fernando Gomes Profa. Dra. Milena Fernandes Oliveira Prof. Dr. Ricardo André Ferreira Martins Prof. Dr. Romualdo Dias Profa. Dra. Thelma Lessa Prof. Dr. Victor Hugo Veppo Burgardt ©2015 Tânia Regina Zimmermann; Márcia Maria de Medeiros (orgs.). Direitos desta edição adquiridos pela Paco Editorial. Nenhuma parte desta obra pode ser apropriada e estocada em sistema de banco de dados ou processo similar, em qualquer forma ou meio, seja eletrônico, de fotocópia, gravação, etc., sem a permissão da editora e/ou autor. Z73 Zimmermann, Tânia Regina; Medeiros, Márcia Maria de Ensaios Sobre Literatura, Cultura e História II/Tânia Regina Zimmermann; Márcia Maria de Medeiros (Orgs.). Jundiaí, Paco Editorial: 2015. 100 p. Inclui bibliografia. ISBN: 978-85-462-0109-9 1. Literatura 2. Cultura 3. História 4. Gênero. I. Zimmermann, Tânia Regina. II. Medeiros, Márcia Maria de. CDD: 800 Índices para catálogo sistemático: Ensaios Mulheres 864 155.633 IMPRESSO NO BRASIL PRINTED IN BRAZIL Foi feito Depósito Legal Sumário Apresentação 5 Prefácio 7 Gênero e Violência na obra “No Tempo das Borboletas” de Julia Alvarez 11 As mulheres brasileiras no século XIX e XX 31 Metalinguagem: um recorte na Babel de Borges 51 Humor e Ironia em Geoffrey Chaucer: O Conto do Moleiro X O Conto do Feitor 67 Caçando no Deserto – A Propósito da Interação entre Escrita e Arte no Egito Faraônico 85 Posfácio 99 Apresentação Gênero, literatura e poder Ana Maria Colling1 As relações entre as mulheres e a literatura foram marcadas por relações de poder. Daquele poder que nos fala Michel Foucault, que produz coisas e verdades, que produz silêncios, que silencia inclusive sujeitos. As mulheres somente puderam usar sua assinatura, no bojo das revoluções maiores, como foi o caso do movimento feminista. No caso brasileiro, somente na década de 1970 elas ousaram reivindicar reconhecimento. Até então, somente Raquel de Queiroz, Cecília Meireles e Clarice Lispector eram reconhecidas como escritoras. O silêncio é muito antigo e difícil de romper. A tradição androcêntrica da literatura que sempre confundiu a experiência masculina com experiência humana, dificultava o ato político da escrita feminina. Michele Perrot, historiadora francesa, nos conta que na esteira do movimento feminista, as mulheres procuraram visibilidade e contar sua história. Olharam para trás, para a passado a ser narrado, e só avistaram as manchas da representação. Elas até então haviam sido contadas por eles, os donos do discurso. Como contar a si mesmas, como contar seu olhar, como dizer que julgamentos de valor não são neutros, que alguém dá valor ao valor, como nos ensinou Nietzsche? Como dizer que a 1. Doutora em História. Professora Visitante Nacional Sênior (Capes) junto ao Programa de Pós-graduação em História da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados). E-mail: [email protected] 5 Tânia Regina Zimmermann | Márcia Maria de Medeiros (Orgs.) vida social, que as relações sociais, as relações de gênero, não são produto da natureza mas da cultura? Virginia Woolf em Profissões para Mulheres, nos mostrou que monstros teve que combater para poder escrever. Acenou para o embate entre o público e o privado, funções e lugares destinados aos dois sexos. Teve que matar a marteladas violentas, uma figura construída como essência feminina, para se tornar escritora. O “anjo do lar” que se colocava entre ela e a folha do papel a ser preenchido por sua escrita, era muito resistente em sua docilidade e abnegação e demorou a morrer. A literatura sempre recolheu do social, as intrincadas relações humanas e as devolveu, cristalizando-as. As mulheres sempre foram objetos estéticos, transformadas em objetos políticos. Anna Karenina e Madame Bovary, que tentaram sair do lugar historicamente designado ao feminino, são exemplos paradigmáticos dessas questões. Se pela via da linguagem também se configuram os sexos, se nos mostra a realidade histórica em que vivemos, assistimos na atualidade uma explosão de pesquisas sobre estas relações assimétricas de poder entre os sexos. Apresentar um livro que trata destas questões – das relações de gênero, da literatura e do poder, transforma-se de uma certa maneira, em uma forma de empoderamento das mulheres. Se escrever é mostrar-se como diz Foucault em A Escrita de Si, se é uma maneira de cada um manifestar a si próprio e aos outros, de desvelar sua alma, vamos escrever, escrever e escrever. Se a literatura é um poder transgressor, vamos usá-la para quebrar preconceitos, essências, verdades, identidades. Parabéns pela iniciativa da obra e boa leitura! 6 PREFÁCIO Ao propor uma diversidade de debates, as autoras oportunizam em conjunto a documentação e descoberta de inúmeras vivências/experiências de mulheres e homens em práticas inventivas e criativas do humano inclusive em vidas improvisadas no passado. Com isso, propõe-se também uma reflexão sobre as continuidades do passado em nosso cotidiano cujas representações povoam as práticas discursivas circundantes. Também queremos que os temas de discussão aqui apresentados revelem um campo de possibilidades de estudos, os quais se desdobram em inúmeras categorias analíticas como relações de gênero, práticas culturais, questões identitárias, a experiência, a disseminação do sujeito e da pluralidade. Além disso, como historiadoras e escritoras entendemos que a tarefa do discurso crítico é opor-se as visões totalizantes e simplistas e, por isso, buscamos as contradições, as heterogeneidades e rupturas nas teias da representação de nosso passado. Teias estas construídas com refino para que não pudéssemos perceber as fissuras, os excessos, a divisão, a diferença, as práticas de escrita e de leitura, experiência e a resistência. Este livro reúne olhares sobre as configurações do humano e em seu primeiro texto, a autora Tânia Regina Zimmermann atenta para a relação entre a literatura latino-americana e a história com foco na violação de corpos femininos. A obra de Julia Alvarez “No tempo das borboletas” remete a memória das irmãs Mirabal, das quais três foram brutalmente assassinadas pelo ditador Trujillo na República Dominicana. O ato repercutiu mundo afora e com ele institui-se o Dia Internacional da não Violência Contra a Mulher em 25 de novembro, data do assassinato delas. Os sentimentos na história afloraram um universo novo na pesquisa histórica bem como ampliaram a noção de direitos humanos. 7 Tânia Regina Zimmermann | Márcia Maria de Medeiros (Orgs.) Juliana Bezerra de Oliveira Sachinski, nos apresenta um ensaio sobre “As mulheres brasileiras no século XIX e XX” com foco na construção do gênero tradicional no nordeste brasileiro. A dominação masculina constitui-se através do sujeito masculino e sua expressão fálica no pênis. Assim, as assimetrias de gênero eram reforçadas no cotidiano independente da classe social no Nordeste, mas não exclusivamente naquele contexto e região. A autora também insere a literatura feminina (Rachel de Queiroz) como fonte para a construção da análise sobre as configurações de gênero. “Metalinguagem: um recorte na babel de Borges” é o título do texto de Genival Mota e Danglei de Castro Pereira, no qual os dois autores primam pela análise do lugar dos livros e da leitura na obra de Jorge Luís Borges, mais especificamente, no conto “A biblioteca de Babel”. Intencionam também abordar o papel do leitor como agente organizador dos signos linguísticos na obra de Jorge Luís Borges. Ambos buscam ainda na obra de Jorge Luiz Borges a presença de uma consciência estética diante do papel do livro e da leitura como elementos constitutivos da construção do literário e em que medida sua produção ficcional dialoga com a metalinguagem. Márcia Maria de Medeiros e Vladimir de Medeiros nos brindam com a análise comparada sobre o “Humor e Ironia em Geoffrey Chaucer: o conto do Moleiro X o conto do Feitor”. O autor dos contos ambienta-se no século XIV e estes fazem parte da obra The Canterbury Tales. A poesia de Chaucer tinha como destino o espaço da corte e dos membros de classe média que estavam próximos a ela, grupos estes familiarizados com literaturas em língua latina e francesa. Para as autoras, uma das marcas prementes no texto do autor britânico diz respeito ao humor e a ironia a partir dos quais algumas das histórias do livro se desenrolam como nos poemas do Moleiro e o Feitor. Chaucer tece nos poemas certo ar de rebaixamento, o qual de acordo com Bakhtin é o princípio essencial do realismo grotesco onde todas as coisas sagradas 8 Ensaios Sobre Literatura, Cultura e História II (como a instituição sacramentada do casamento, por exemplo) são reinterpretadas em outros planos como o material e o corporal. Assim, concluem que a arte inventiva de Chaucer possibilita a inversão de atributos consagrados entre seu público leitor. Maurício Elvis Schneider nos propõe uma reflexão em seu texto: “Caçando no deserto – a propósito da interação entre escrita e arte no Egito faraônico” sobre a relação entre mentalidade e arte na composição da escrita. No texto, o autor prima pela historicidade da escrita no Egito faraônico com expressiva literatura na composição de sua análise. Schneider observa que a iconografia funcionava como parte do texto que lhe era associado. Assim, as imagens eram conjuntamente representação artística e sinal de escrita, figuração e linguagem, iconografia e enunciação. Naquele contexto, a utilização de imagens em figurações e esculturas, era frequente no Antigo Reino, perdurando por determinado recorte temporal. O autor aponta ainda que artifícios nos demonstram que a interação entre escrita e arte nunca perdeu importância naquele contexto histórico. O conjunto de textos aqui reunidos incumbiu-se de inquietar temas, abordagens, sujeitos e processos de subjetivação com diferentes fontes, recortes espaciais e processos históricos. Mas todos eles se amarram ao tecer suas narrativas através da literatura e da escrita. 9 Gênero e Violência na obra “No Tempo das Borboletas” de Julia Alvarez Tânia Regina Zimmermann2 A obra “No Tempo das Borboletas” da escritora dominicana e estadunidense Julia Alvarez desvela uma narrativa sobre algumas configurações de gênero e de subjetividades imbricadas na luta por direitos humanos. Esta obra também revela as oposições binárias de gênero pautadas em dados biológicos reforçando as desigualdades entre mulheres e homens em um contexto ditatorial na República Dominicana. Com uma escrita engajada, a autora redirecionou o foco para o que caracterizou e justificou as diferenças de gênero em relação à violação dos corpos femininos pelos militares. A partir da luta das irmãs Mirabal e em memória ao assassinato brutal delas pelo ditador Trujillo institui-se o dia 25 de novembro como o Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres. Na narrativa também foram explorados diversos discursos de resistência, sobretudo, em relação a sentimentos, maternidade, honra, noção de dignidade, evocação religiosa, solidariedade e amizade. Tais elementos compuseram uma retórica que foi efetiva, pois denunciou as agruras da ditadura que se transformou em instrumento de luta na República Dominicana. As emoções e os sentimentos são matérias-primas da literatura e que por vezes mobilizaram os seus leitores muito mais que outras Ciências Humanas. Assim, esse romance de Alvarez nos possibilita recuperar formas de ver, sentir e agir em relação a um 2. Doutora em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Pós-Doutora pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Professora da pós-graduação e graduação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). 11 Tânia Regina Zimmermann | Márcia Maria de Medeiros (Orgs.) contexto ditatorial sangrento e vai de encontro a leitores ávidos por novas sensibilidades e direitos humanos. A historiadora Lynn Hunt (2009) observou que os romances do século XVIII e XIX tiveram grande influência na invenção dos direitos humanos. O romance aqui analisado pode ser pensado neste prisma uma vez que colabora na busca de informações sobre a situação de muitas mulheres, filhos e filhas separados ou desaparecidos e mortos pela ditadura de Trujillo. Hunt advoga que os romances do século XVIII estão nos primórdios da disseminação dos direitos humanos naquele período, pois propiciaram a capacidade de sentir empatia nos seus leitores. Os romances epistolares, como Julia de Jean Jacques Rousseau, Pamela e Clarissa do inglês Samuel Richardson foram criticados pelo clero e por outros setores conservadores da sociedade porque apresentavam a ideia de que todas as pessoas são semelhantes por causa de seus sentimentos. Hunt advoga que as pessoas, ao lerem os romances, sentiam empatia além de fronteiras sociais como as de classe e de pertencimento étnico, passando a ver os outros como seus semelhantes. Isso acontecia porque estes romances provocavam os mesmos tipos de emoções internas nos seus leitores. Este processo teria colaborado na transformação da natureza interior do indivíduo e na produção de uma sociedade moral, fornecendo a base para a autoridade social e política dos direitos humanos. Por isso, colocamos os sentimentos narrados no romance como constitutivas de discursos, os quais, por sua vez, foram práticas políticas de confrontação com o regime militar, e que tiveram efetividade política na medida em que criaram empatias e auxiliaram na redemocratização do país. A literatura contemporânea, em especial a obra “No Tempo da Borboletas” de Julia Alvarez parece estabelecer uma memória muito mais efetiva da violência exercida por essa ditadura seja contra mulheres, crianças e homens. Essa narrativa ocorre também com constantes reinterpretações e assim nós, historiadores, 12 Ensaios Sobre Literatura, Cultura e História II retiramos das páginas literárias a ampliação das análises em torno de sensibilidades, de vivências pessoais e coletivas que dificilmente de outro modo nos chegariam à compreensão da história. Ao nos referirmos às relações de gênero partimos primeiramente das diferenças culturais entre mulheres e homens. Por isso, seguimos o trabalho de Joan Scott (1990), no qual o gênero se refere a uma construção histórica das relações de poder entre homens e mulheres, e deve contemplar definições plurais de gênero, assim como de masculinidade e feminilidade. Logo, os estudos de gênero e os conceitos correlatos variaram ao longo da história. Por isso, Scott acentua que gênero se refere às relações sociais nas quais indivíduos e grupos atuam (1990). Em alguns estudos de gênero as distinções e a interação entre sexo e gênero ou entre biologia e cultura não são claras. Tentativas neste sentido foram feitas por Thomas Laqueur (2001) e Judith Butler (2003). Ambos não definem os limites da biologia e da cultura, mas apontam que estes limites também podem variar nos processos históricos para construir as desigualdades de gênero. Diante destes limites leva-se em consideração que gênero será uma questão inconstante e contextual porque denota segundo Butler “(...) mas um ponto relativo de convergência entre conjuntos específicos de relações, cultural e historicamente convergentes” (2003, p. 29). Estas discussões conceituais e seus processos históricos são reveladores de que o corpo molda e é moldado pela identidade de gênero e é marcado pelas noções dominantes de feminilidade e de masculinidade. Ao nominar estas construções nosso enredo pauta-se novamente naquilo que a linguagem comum considera o gênero, ou seja, o domínio da natureza. Talvez por isso, as feministas insistem em desnaturalizar estas construções, nas quais as oposições também foram construídas sobre o privado e o público. Talvez por isso, Julia Alvarez partilhe com as feministas 13 Tânia Regina Zimmermann | Márcia Maria de Medeiros (Orgs.) da Segunda Onda3 de que o privado é político e assim narra o cotidiano de mulheres, homens e de suas lutas pela liberdade democrática e pela ampliação dos direitos de gênero. No contexto histórico de criação da categoria gênero despontam muitas mulheres escritoras vindas de uma trajetória de lutas e resistências4 para a inserção de sua autoria no mundo das letras. Antes domínio masculino, universo no qual elas deviam figurar apenas como leitoras, agora elas deixam o silêncio para emergir como novas vozes na literatura. Neste sentido, o contexto dominicano não difere do brasileiro em relação ao silenciamento de muitas mulheres nas letras até meados do século passado. No início do século XIX, os romances de mulheres eram em grande parte autobiográficos. Uma das razões que as impulsionava era o desejo de descrever seu próprio sofrimento, de defender uma causa própria. Agora que este desejo não é mais tão imperioso, as mulheres começam a explorar o mundo das mulheres, a escrever sobre as mulheres como nunca se escreveu antes, pois até época recente, as mulheres na literatura eram, certamente, uma criação dos homens. Embora as mulheres há muito tempo tornassem públicos seus textos, quer seja com pseudônimos masculinos ou sob autoria própria é com o despontar de novos sujeitos no século XX que elas emblemam e marcam a diferença com sua participação na vida literária. Há que salientar que, inicialmente, sua trajetória no contexto da literatura e da criação literária foi truncado, dado o fato de que este território pertencia aos homens os quais ditavam o que era digno de publicação, geralmente enquadrando 3. A Segunda Onda aqui faz referência às questões relativas às novas articulações do pensamento feminista relacionadas às lutas pelo direito ao corpo, ao prazer, e contra o patriarcado. Veja-se Pedro, Joana M. Traduzindo o debate. In: História. São Paulo, vol. 24, n. 1, p. 77-98, 2005. 4. Em relação à resistência em relação a ditadura brasileira veja-se Colling, Ana Maria. A resistência da Mulher à ditadura militar no Brasil. Rio d Janeiro: Rosa dos Tempos, 1997. 14 Ensaios Sobre Literatura, Cultura e História II escritos femininos como nulidade, devaneio ou sonho. Assim, muitas mulheres foram excluídas do cânone literário não devido à relevância de seus escritos, mas pelo preconceito advindo da dominação masculina. Logo, a literatura de autoria feminina, no processo de lutas e resistências pela visibilidade, se fez através da liberdade e autonomia do trabalho das mulheres enquanto escritoras. Após a década de 1950 muitas vozes tornaram-se mais intensas expressando suas sensibilidades e realidades evitando repetir o estilo masculino. (Lobo, 2000, p. 5). Na trajetória profissional de muitas escritoras os empecilhos foram muitos para suas publicações, pois a constante instabilidade vivida na década de 1960 em países latino-americanos e caribenhos se tornou um motivo para descontentamento e assim muitas escritoras desejaram o exílio ou optaram em sair do país. A autora do romance “No Tempo das Borboletas”, Julia Alvarez nasceu em 1950 em Nova Iorque. Aos 3 meses de idade ela e sua família foram para a República Dominicana, onde viveram durante 10 anos. Em 1960, a família voltou para os Estados Unidos depois que seu pai participou de uma fracassada conspiração para derrubar o ditador militar da ilha, Rafael Trujillo. Antes da escritura deste romance já havia várias obras sobre o trujillato e sobre as irmãs Mirabal, mas todas escritas por homens.5 Este romance é o segundo de Alvarez lançado em 1994 na língua inglesa e tem como premissa histórica a morte brutal das irmãs Mirabal ocorrida durante a ditadura de Trujillo na República Dominicana. Em 1960, os corpos de 3 irmãs foram encontrados no fundo de um penhasco na costa norte da ilha. As irmãs eram conhecidas como “Las Mariposas” ou “As Borboletas”. A narrativa do romance retrata as subjetividades e agenciamentos das três 5. Veja-se Aquino García, Miguel. Três heroínas y um tirano. La historia verídica de las Hermanas Mirabal y su asesinato por Rafael Leônidas Trujjilo. Santo Domingo: Editora Corripio, 1996 e também Larsen, Neil. Como narrar el Trujjilato? In: Revista Iberoamericana, Pittsburg, vol. LIV, n. 142, p. 89-98, 1988. 15