X Encontro Nacional de Educação Matemática
Educação Matemática, Cultura e Diversidade
Salvador – BA, 7 a 9 de Julho de 2010
“AGOSTINO D’IPPONA” – A CINEBIOGRAFIA COMO ESTRATÉGIA PARA
DISCUSSÃO DE ELEMENTOS DE HISTÓRIA DA MATEMÁTICA E DA
CIÊNCIA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
Romélia Mara Alves Souto
Universidade Federal de São João Del-Rei
[email protected]
Resumo: A proposta de mini-curso que apresento aqui trata de uma possibilidade de uso
do cinema para subsidiar o estudo da história da matemática em cursos de licenciatura.
Mais especificamente, proponho a cinebiografia de Santo Agostinho, produzida pelo
cineasta italiano Roberto Rossellini, como suporte para uma discussão a respeito do
ambiente sócio-cultural da produção do conhecimento na Idade Média. O recurso ao filme
visa criar um ambiente que estimule a reflexão e o debate em torno das questões que
permeiam a produção e a difusão do conhecimento matemático no período considerado,
possibilitando um tratamento interdisciplinar da história da matemática. No texto que se
segue, apresento o contexto da produção intelectual na Idade Média, uma breve biografia
de Santo Agostinho e algumas considerações sobre o filme “Agostino D‟Ippona”, de
Rossellini. Durante o mini-curso serão apresentadas e discutidas algumas cenas do filme,
importantes para a compreensão dos fundamentos filosóficos e teológicos da civilização
medieval e para a discussão de temas relacionados à mentalidade que plasmou aquela
civilização.
Palavras-chave: Santo Agostinho; História da Matemática; Formação de Professores.
Considerações iniciais
Apresento nesse mini-curso uma alternativa para, por meio de produções
cinematográficas, proporcionar um tratamento interdisciplinar da história da ciência, em
particular da matemática, em cursos de formação de professores. Por isso, o público-alvo a
que o mini-curso se destina são professores das Licenciaturas em Ciências da Natureza
e/ou Matemática. Os filmes, na abordagem aqui sugerida, constituem um instrumento
valioso não só para situar o contexto histórico da produção do conhecimento matemático,
mas também para inserir a história da matemática num projeto educativo mais amplo. O
recurso aos filmes visa criar um ambiente que estimule a reflexão e o debate em torno das
questões que permeiam a produção e a difusão do conhecimento matemático. Em trabalhos
anteriores, apresentei algumas produções cinematográficas e discuti a sua utilização no
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estudo da história da matemática e da ciência na licenciatura em matemática1. Neste
trabalho, proponho uma abordagem semelhante com base no filme “Agostino D‟Ippona”,
uma produção do cineasta Roberto Rossellini, de 1972, que oferece elementos para
subsidiar o estudo da história da ciência e da matemática medieval. Durante o mini-curso,
será apresentado o contexto da produção intelectual na Idade Média, uma breve biografia
de Santo Agostinho e algumas considerações sobre o filme de Rossellini. Pretendo,
também, exibir e discutir algumas cenas do filme, que considero interessantes para a
compreensão dos fundamentos filosóficos e teológicos da civilização medieval e para a
discussão de temas relacionados à mentalidade que plasmou aquela civilização, tais como:
conhecimento e poder; fé e racionalidade; o princípio da autoridade no mundo medieval;
teocentrismo x antropocentrismo; tensões medievais e contemporâneas: homem e Deus,
alma e corpo, guerra e paz, dor e prazer.
O recurso aos filmes
Os filmes podem ser um recurso didático importante para tratamento de temas
variados e vêm sendo utilizados com essa finalidade em muitas disciplinas escolares.
Podemos encontrar na literatura discussões e sugestões sobre os possíveis contributos da
“sétima arte” para a educação2. A ciência e a cultura, especialmente relativas ao mundo
ocidental, com muita freqüência são retratadas nas produções cinematográficas. O conjunto
das estruturas sociais, científicas, filosóficas e religiosas, acrescido das manifestações
intelectuais e artísticas que caracterizam uma dada sociedade, ao serem retratados nos
múltiplos gêneros faz dos filmes um valioso instrumento para estudo da cultura e da
história da ciência. Nesse curso, pretendo enfatizar a reconstrução, nas telas, do que foram
ou do que poderiam ter sido alguns contextos e fatos históricos importantes para a
compreensão da história da ciência e, em particular, da matemática. Utilizando os recursos
1
Veja-se, por exemplo o mini-curso que ofereci no VIII Seminário Nacional de História da Matemática
(2009), “Ciência e Cultura no cinema – uma alternativa para inserção da História da Matemática na
formação de professores”, e outro que ofereci no V Encontro Mineiro de Educação Matemática (2009),
“Cartesius” de Rossellini – a cinebiografia como estratégia para discussão de elementos de História da
Matemática na formação de professores”.
2
É o caso, por exemplo, da coleção organizada por Inês Assunção de Castro Teixeira e José de Sousa Miguel
Lopes; dos dois volumes organizados por Bernardo Jefferson de Oliveira; e do livro organizado por Gabriel
Cid de Garcia e Carlos A. Q. Coimbra cujas referências completas encontram-se no final deste texto.
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e a linguagem do cinema, esperamos encontrar elementos que nos auxiliem a desvendar
relações entre os contextos sócio-culturais e a produção do conhecimento científico.
Dentro da perspectiva de inserção da história da matemática em cursos de formação de
professores, focalizaremos alguns temas da área de modo a enfatizar as relações da
matemática com as outras ciências, com as artes e com as religiões e as relações entre as
diversas áreas da matemática. Trata-se de buscar compreender o desenvolvimento da
matemática em diferentes contextos sociais e culturais considerando, também, sua relação
com o desenvolvimento de outras formas de conhecimento, como a filosofia, as ciências
naturais, as artes e as religiões. Os filmes nos proporcionam outros modos de “ver” os fatos
ocorridos ou imaginados, conduzindo-nos muitas vezes a situações e ambientes que não
poderíamos sequer imaginar. Essa característica os faz ainda mais apropriados para
subsidiar a análise crítica da produção do conhecimento ao longo da história.
O contexto da civilização medieval
A “Idade Média” ocidental, expressão cunhada pelos humanistas italianos no século
XVI, delimita um período cujo marco inicial situa-se em 476, ano da queda do Império
Romano do Ocidente, e que termina com a descoberta das Américas, em 1492.
Convencionou-se chamar Idade Média a esse longo período de mais de mil anos da história
européia, marcado por uma concepção profundamente religiosa, particularmente católica,
do mundo e das relações sociais, que colocava o homem necessariamente diante de Deus.
A Idade Média entrou para a história com o rótulo de uma época de obscurantismo
ou de retrocesso à barbárie. Essa idéia começou a circular com maior vigor na Europa em
meados do século XVIII, entre os agentes da chamada “revolução científica”. No entanto,
segundo o historiador da ciência Paolo Rossi, investigações levadas a termo a partir de
meados do século XIX mostram que “o mito da Idade Média, como época da barbárie, era,
justamente, um mito, construído pela cultura dos humanistas e pelos pais fundadores da
modernidade” (Rossi, 200, p. 15). É importante ressaltar que os primeiros anos medievais
foram mesmo de declínio, se comparados com o esplendor da fase áurea do Império
Romano. A partir dos primeiros séculos da era cristã, esse antigo Império foi se dividindo
aos poucos em novos espaços culturais: a Europa Ocidental, de cultura cristã e língua
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latina, cuja capital era Roma; a Europa Oriental, de cultura cristã e língua grega, com
capital em Constantinopla (Bizâncio); o norte da África e o Oriente Médio, de cultura
muçulmana e língua árabe (Gaarder, 1995, p 191). Portanto, do ponto de vista da história
da ciência, a Idade Média resulta de um processo de aculturação por meio do qual
mesclam-se os saberes herdados da civilização helenística com os saberes adquiridos dos
“bárbaros” além daqueles advindos da confrontação com o Islã.
No que concerne à matemática, a partir aproximadamente do século V, com a
decadência da matemática helenística, a corrente principal do desenvolvimento dessa
ciência passou para os países do Oriente. Até os séculos XIII-XIV, a matemática oriental,
especialmente nos países de influência islâmica, atingiu um nível elevado, se comparada
com a matemática ocidental. Do século V em diante, com a dissolução política e o declínio
econômico do Império Romano do Ocidente, constituiu-se o feudalismo europeu,
caracterizado por uma economia natural baseada na servidão, com pouquíssimo uso de
tecnologia. Esse período, no que concerne à ciência, esteve marcado pela postura “anticientífica” da Igreja Católica. Os chamados Padres da Igreja trataram de estabelecer os
fundamentos da fé católica instituindo a dicotomia entre fé e saber. A ciência helenística
foi tomada como fonte de heresias e tanto a curiosidade intelectual como a investigação
passaram a ser desestimuladas e tidas como desnecessárias do ponto de vista dos
Evangelhos.
Não podemos deixar de considerar, no entanto, que naqueles séculos foram
construídas as admiráveis catedrais góticas, igrejas, conventos e castelos e foram fundadas
as universidades. Também são desse período os moinhos de vento e de água que aliviaram
a carência energética da Europa feudal. Os campos foram lavrados com o arado,
incrementando a atividade agrícola que constituía o pilar da economia. A invenção do
estribo mudou a natureza dos combates. É o tempo dos livros e do canto, que incentiva as
reproduções literárias, promove o órgão e funda a polifonia; naqueles séculos brotaram os
contos de fadas, nasceram os valentes cavaleiros, os vitralistas anônimos e os geniais
construtores de órgãos. É o tempo dos hospitais, dos montepios – manifestações mais
antigas de previdência social; e da charitas – prática da caridade, no sentido mais original
de amor ao próximo. Na Idade Média constituiu-se o sistema escolar, surgiram as
diferentes nações com suas cidades, sua música própria e suas narrativas populares.
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Também deve-se aos medievais duas invenções de grande originalidade: uma jurídica - o
direito canônico, destinado a regular o funcionamento da Igreja e de suas relações com a
sociedade; outra religiosa – o purgatório, lugar destinado às almas pecadoras que, não
merecendo uma definitiva condenação ao inferno, podem purgar e abrir as portas do
Paraíso. Como afirma Le Goff, a Idade Média foi dinâmica, fortemente criadora, mas não
o declara (2006, p.67). Os homens e as mulheres daquele tempo longínquo acreditavam
que “o mundo estava no fim de sua caminhada, a humanidade desgastada, declinante. De
todo modo, não deixaram de inventar, de melhorar, de aperfeiçoar /.../ Criaram o novo,
ainda que o próprio princípio de „novidade‟ lhes parecesse detestável” (Le Goff, 2006:13).
A civilização medieval, orientada para a espera do Juízo que se aproximava, projetava-se
para a frente e mostrava um sentido de progresso, embora não tivesse essa consciência.
As cidades, importantes centros comerciais, eram lugares privilegiados de
intercâmbios intelectuais e a atmosfera cultural na Idade Média resultava da mescla das
culturas cristã, bizantina, judaica e árabe. Naquele mundo “se afirmou, sobretudo, a figura
do intelectual que, entre os séculos XII e XIII, considera-se e é considerado como um
homem que exerce uma profissão, desenvolve um trabalho (labor), o qual portanto é
considerado semelhante aos outros cidadãos, e tem o papel de transmitir e elaborar as artes
“liberais”” (Le Goff apud Rossi, 2001:15). As universidades nascidas no século XII,
criadas por uma autoridade universal - o Papa ou o Imperador - tornaram-se o locus
privilegiado de um saber digno de reconhecimento social, com leis próprias e merecedor de
uma remuneração (Le Goff apud Rossi, 2001: 16). A hegemonia da Igreja Católica e a
disseminação da doutrina cristã na época medieval aliadas à adoção do latim como língua
universal constituíram, sem dúvida, elementos fundamentais na unificação da cultura
latino-cristã.
Santo Agostinho retratado por Rossellini
O filme “Agostino D‟Ippona”, do cineasta italiano Roberto Rossellini, reconstitui
parte da trajetória de vida do filósofo e teólogo Aurelius Agustinus – Santo Agostinho –
focalizando o principal período de sua vida, quando ele se torna Bispo de Hipona, no norte
da África (atual Annaba, na Argélia). Produzido na Itália em 1972, e editado no Brasil em
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2007, o filme enfatiza o empenho de Agostinho em combater os heréticos donatistas,
adeptos de uma seita religiosa cristã, surgida no século IV, com Donato de Casa Nigra,
bispo da Numídia (Cartago). Seus membros, influenciados por São Cipriano, Montano e
Tertuliano, foram considerados hereges pelo catolicismo e a seita foi extinta no final do
século VII, graças, principalmente, aos esforços do bispo de Hipona.
O filme retrata com fidelidade as idéias de Agostinho enfatizando a sua famosa
oratória. Rossellini concentra-se num período crítico da vida do filósofo, quando ele se
torna bispo de Hipona e elabora suas obras principais: Confissões (397-8) e Cidade de
Deus (413-426). Para melhor compreendermos o tempo de Agostinho, é importante
destacar alguns acontecimentos no campo das relações sociais e políticas. Em 313, o
Império Romano, no governo de Constantino, reconheceu o cristianismo como religião.
Em 380 ele tornou-se a religião oficial do estado. Na época em que viveu Santo Agostinho,
Roma estava sob ameaça tanto por levas de povos que vinham do Norte quanto por um
processo de desintegração interna, que culminou, em 395, com a divisão entre Império
Romano do Ocidente e do Oriente. Em 410 a cidade foi pilhada por povos bárbaros e o
Império Romano do Ocidente caiu em 476. O do Oriente durou até 1453, quando os turcos
tomaram Constantinopla (que passou a se chamar Istambul). Em 529, o fechamento da
Academia de Platão em Atenas e a fundação da primeira grande Ordem religiosa, dos
Beneditinos, constituíram significativos acontecimentos para a história do conhecimento.
Alguns mosteiros beneditinos tornariam-se reduto de erudição, famosos pelas obras que
abrigavam e pelo trabalho de reprodução e tradução de obras clássicas. De um modo geral,
os mosteiros medievais passaram a monopolizar a educação, a reflexão e a meditação.
Agostinho, último dos filósofos antigos e primeiro dos medievais, nasceu em
Tagaste, província de Souk Ahras, na Argélia. Sua trajetória de vida reflete bem a transição
que se processou entre o fim da Antiguidade e os primórdios da Idade Média. Seu pai era
pagão e sua mãe era uma cristã fervorosa, que exercia forte influência sobre o filho. Aos 16
anos foi estudar em Cartago, seguindo de lá para Roma, tornando-se, em 383, professor de
retórica em Milão. Três anos depois abandona o ensino e converte-se definitivamente ao
cristianismo sob a influência de Santo Ambrósio. Renuncia inteiramente ao mundo, à
carreira, ao matrimônio. Durante alguns meses, retira-se, em solidão e recolhimento,
acompanhado da mãe, do filho e de alguns discípulos. Foi batizado por Santo Ambrósio
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em 387, aos trinta e três anos de idade. Retornando depois a Tagaste, fundou uma ordem
monástica e em 391 foi ordenado sacerdote em Hipona. Cinco anos depois foi nomeado
bispo de Hipona, cargo que conservou pela vida toda. Morreu em 430, durante o assédio da
cidade pelos vândalos, aos setenta e cinco anos de idade.
Agostinho foi bispo, escritor, teólogo, filósofo, padre e Doutor da Igreja Católica.
Trata-se de uma das figuras mais importantes do Cristianismo do Ocidente. Juntamente
com Tomás de Aquino, é considerado o maior dos filósofos medievais. Santo Agostinho
foi fortemente influenciado pelo neoplatonismo – corrente filosófica importante do final da
Antiguidade. Ele atribuiu a Deus as idéias eternas de Platão - antes de criar o mundo, as
“idéias” já existiam na cabeça de Deus. Como Platão, Agostinho desvalorizava o
conhecimento sensível em relação ao conhecimento intelectual, admitindo, no entanto, que
os sentidos, assim como o intelecto, são fontes de conhecimento. Para ele a luz espiritual
necessária ao conhecimento intelectual vem de Deus. No Verbo de Deus existem as
verdades eternas, as idéias, os princípios formais das coisas, modelos dos seres criados.
Nosso conhecimento das verdades eternas provém da luz intelectual a nós participada pelo
Verbo.
Como muitos outros padres, Agostinho também era cidadão de duas culturas e
esforçava-se para conciliar o pensamento grego com o judeu-cristão. Dessa maneira, podese dizer que ele cristianizou Platão, no sentido de que buscou interpretá-lo e entendê-lo de
modo que o platonismo não significasse mais uma ameaça para a doutrina cristã. A Santo
Agostinho deve-se a formulação da postura da Igreja em relação às ciências naturais e à
matemática para os séculos seguintes. Sua doutrina faz uma mediação da filosofia grega e
do pensamento do cristianismo primitivo com a cultura ocidental, dando origem à filosofia
medieval. Mais precisamente, Santo Agostinho estabelece os critérios para a relação entre
a teologia cristã e a filosofia e a ciência dos antigos: os cristãos podem e devem tomar da
filosofia grega pagã tudo aquilo que for importante e útil para o desenvolvimento da sua
doutrina, desde que seja compatível com a fé. Seus ensinamentos assinalavam também a
superfluidade e os perigos do estudo da ciência pagã, apregoando que somente os cristãos
poderiam fazer um justo uso da ciência que seria demonstrar as manifestações de Deus na
natureza.
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Ocupou-se do “problema do mal”, que para ele significava a ausência de Deus,
estabelecendo uma profunda cisão entre Deus e o mundo. Com base nas doutrinas da
redenção e da condenação, dividiu a humanidade em dois grupos: os redimidos e os
amaldiçoados; o “Reino de Deus” e o “Reino do mundo”. Essas idéias estão no cerne de
sua obra máxima – “Cidade de Deus”, foco do filme de Rossellini. Para Agostinho, o
Reino de Deus evidenciava-se dentro da Igreja e o Reino do Mundo identificava-se com os
estados políticos. Durante toda a Idade Média, essa noção foi se consolidando por meio das
disputas pelo poder entre os estados e a Igreja. Aos poucos a “Cidade de Deus” de Santo
Agostinho foi se identificando com a Igreja enquanto organização. Ele desenvolveu o
conceito da Igreja como a cidade espiritual de Deus que se distinguia da cidade material do
homem. Seu pensamento influenciou profundamente a visão do homem medieval.
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_____________. A mulher vai ao cinema. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.
_____________. A diversidade cultural vai ao cinema. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
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