UNESP – UNIVERSIDADE ESTADUAL
PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO
DANIELE BARBOZA CASELLI
HOSPITAL DA MULHER
BAURU
2011
DANIELE BARBOZA CASELLI
HOSPITAL DA MULHER
Trabalho Final de Graduação
Orientador: Prof(a) Dr(a) Emília Falcão Pires
BAURU
2011
RESUMO
Projeto arquitetônico que consiste na construção de um novo
Hospital da Mulher em São José do Rio Preto – SP, que foi o primeiro hospital
exclusivo para o público feminino da cidade e da região. A ideia era trabalhar
apenas com cirurgias limpas ou potencialmente não contaminadas (como
cirurgias vasculares, obstétricas, ginecológicas e plásticas), ou seja, com
menores riscos de infecção (muito importante principalmente no caso de partos
prematuros e do cada vez mais alto percentual de bebês que morrem por
causa de infecções hospitalares). Um dos diferenciais do hospital era oferecer
ambientes que lembravam uma casa de repouso e instalações hoteleiras,
descaracterizando-o de um hospital comum. O investimento em instalações
fazia parte do incentivo ao “turismo de saúde” da cidade, que atraia diariamente
pacientes de vários municípios e Estados do País.
Atualmente o local do antigo hospital é ocupado por uma clínica
privada, sendo necessária a construção de um novo prédio, que viria de
encontro aos anseios da cidade que, por possuir a Faculdade de Medicina de
Rio Preto (FAMERP), vinculada à UNICAMP, ser um pólo regional de saúde
com referências à nível nacional teria potencial para abranger uma grande
demanda de pacientes diferenciados.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1. Esquema com a evolução da forma dos edifícios hospitalares..................................15
Figura 2. Diferentes agrupamentos nas tipologias horizontais e verticais.............. ..................17
Figura 3. Jardim interno no Hospital Sarah-Rio, por Lelé...........................................................21
Figura 4. Painéis, por Athos Bulcão...........................................................................................21
Figura 5. Vista interna Hospital Sarah-Rio.................................................................................22
Figura 6. Vista externa Hospital Sarah-Rio................................................................................22
Figura 7. Hospital Pediátrico Robert Debré................................................................................25
Figura 8. Entrada da galeria.......................................................................................................25
Figura 9. Articulação da galeria com os jardins..........................................................................26
Figura 10. Apropriação da galeria pelos usuários......................................................................26
Figura 11. Mapa da cidade com locação de todos os hospitais existentes e do futuro Hospital
da Mulher.....................................................................................................................................54
Figura 12. Vista da represa municipal a partir do terreno...........................................................55
Figura 13. Vista da represa municipal a partir do terreno...........................................................55
Figura 14. Vista da represa municipal a partir do terreno..........................................................56
Figura 15. Imagem do terreno via satélite..................................................................................56
Figura 16. Limites do terreno......................................................................................................57
Figura 17. Curvas de nível do terreno........................................................................................57
Figura 18. Vias de acesso ao terreno.........................................................................................58
Figura 19. Vista frontal do terreno..............................................................................................59
Figura 20. Vista lateral do terreno..............................................................................................59
Figura 21. Vista frontal Hospital da Mulher.................................................................................61
Figura 22. Vista estacionamento de pacientes...........................................................................61
Figura 23. Implantação oeste.....................................................................................................62
Figura 24. Implantação leste......................................................................................................62
Figura 25. Vista Hospital da Mulher...........................................................................................63
Figura 26. Vista entrada do Hospital..........................................................................................63
Figura 27. Vista entrada do Hospital..........................................................................................64
Figura 28. Vista dos fundos do Hospital.....................................................................................64
Figura 29. Vista estacionamento dos funcionários.....................................................................65
Figura 30. Fachada sul...............................................................................................................66
Figura 31. Detalhe moldura........................................................................................................66
Figura 32. Detalhe passagem.....................................................................................................67
Figura 33. Detalhe painel............................................................................................................68
Figura 34. Detalhe brise.............................................................................................................69
Figura 35. Vista brises................................................................................................................69
Figura 36. Fachada norte...........................................................................................................70
Figura 37. Fachada leste............................................................................................................70
Figura 38. Fachada oeste...........................................................................................................70
Figura 39. Sala cirúrgica............................................................................................................72
Figura 40. Sala cirúrgica............................................................................................................73
Figura 41. Sala de espera..........................................................................................................73
Figura 42. Berçário.....................................................................................................................74
Figura 43. Suíte..........................................................................................................................75
Figura 44. Suíte..........................................................................................................................75
Figura 45. Posto de enfermagem...............................................................................................76
Figura 46. Detalhe sinalizador luminoso....................................................................................76
Figura 47. Vista do jardim a partir da rampa..............................................................................77
Figura 48. Vista do segundo jardim............................................................................................78
Figura 49. Detalhe cobertura dos jardins....................................................................................78
Figura 50. Vista cobertura dos jardins........................................................................................79
Figura 51. Aeroteto (Zetaflex).....................................................................................................79
Figura 52. Vista jardim entre suítes............................................................................................80
Figura 53. Vista pia do corredor.................................................................................................81
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Quadro com os efeitos psicológicos de algumas cores.........................50
Tabela 2. Centro Cirúrgico......................................................................................88
Tabela 3. Centro Obstétrico....................................................................................89
Tabela 4. Centro de Parto Normal..........................................................................90
Tabela 5. Apoio Técnico.........................................................................................91
Tabela 6. Apoio Administrativo...............................................................................92
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...............................................................................................12
2 ARQUITETURA HOSPITALAR......................................................................14
2.1 Evolução do edifício hospitalar...................................................................14
2.2 Progresso da humanização na arquitetura hospitalar.................................18
3
CONFORTO
AMBIENTAL
E
A
QUALIDADE
DOS
AMBIENTES
HOSPITALARES...............................................................................................27
3.1 Conforto ambiental......................................................................................27
3.1.1 Conforto térmico......................................................................................28
3.1.2 Conforto visual.........................................................................................29
3.1.3 Conforto acústico.....................................................................................30
4 PRINCIPAIS NORMAS PARA PROJETOS HOSPITALARES.......................31
4.1 Circulações externas e internas..................................................................32
4.1.1 Acessibilidade..........................................................................................32
4.1.2 Circulações horizontais............................................................................33
4.1.3 Circulações verticais................................................................................33
4.2 Critérios de projeto.....................................................................................34
4.2.1 Estudo preliminar.....................................................................................35
4.2.2 Projeto básico..........................................................................................35
4.2.3 Fluxos de trabalho....................................................................................36
4.2.3.1 Processamento de roupas....................................................................36
4.2.3.2 Central de material esterilizado.............................................................36
4.2.4 Distribuição de água.................................................................................36
4.2.5 Colocação de lavatórios/pias/lavabos cirúrgicos......................................36
4.2.6 Compartimentos destinados à internação de pacientes adultos..............37
4.2.7 Ralos........................................................................................................37
4.2.8 Projeto executivo......................................................................................38
4.3 Condições de segurança contra incêndio...................................................38
5 ESPECIFICAÇÕES DE MATERIAIS DE ACAMENTOS E ACESSÓRIOS....40
5.1 Paredes.......................................................................................................41
5.1.1 Azulejos....................................................................................................41
5.1.2 Cerâmica...................................................................................................41
5.1.3 Divisórias removíveis................................................................................41
5.1.4 Gesso acartonado (drywall)......................................................................42
5.1.5 Revestimento melamínico tipo fórmica ou similar.....................................42
5.1.6 Tijolo de vidro...........................................................................................43
5.1.7 Tintas diversas.........................................................................................43
5.1.8 Tinta de esmalte.......................................................................................43
5.2 Pisos...........................................................................................................43
5.2.1 Ardósia.....................................................................................................43
5.2.2 Borracha...................................................................................................44
5.2.3 Carpete....................................................................................................44
5.2.4 Cerâmico..................................................................................................44
5.2.5 Cimentado................................................................................................44
5.2.6 Concreto..................................................................................................45
5.2.7 Condutivo................................................................................................45
5.2.8 Elevado....................................................................................................45
5.2.9 Granitina..................................................................................................45
5.2.10 Granito...................................................................................................46
5.2.11 Industrial de alta resistência...................................................................46
5.2.12 Madeira..................................................................................................46
5.2.13 Vinílico em placas, tipo Paviflex ou similar.............................................46
5.2.14 Vinílico ou linóleo em mantas tipo Pavifloor ou similar...........................46
5.2.15 Porcelanato............................................................................................47
5.3 Forro/teto....................................................................................................47
5.3.1 Gesso.......................................................................................................47
5.3.2 Pintura......................................................................................................47
5.3.3 Removível.................................................................................................47
5.4 Bancadas.....................................................................................................48
5.4.1 Aço inoxidável..........................................................................................48
5.4.2 Granito.....................................................................................................48
5.4.3 Material melamínico, tipo fórmica ou similar.............................................48
5.4.4 Resina tipo Corian ou similar....................................................................48
5.5 Esquadrias...................................................................................................49
5.6 Especificações diversas..............................................................................49
5.6.1 Armários e balcões...................................................................................49
5.6.2 Batentes...................................................................................................49
5.6.3 Bate maca................................................................................................49
5.6.4 Cor...........................................................................................................49
5.6.5 Corrimão..................................................................................................50
5.6.6 Cortinas....................................................................................................51
5.6.7 Luminárias................................................................................................51
5.6.8 Maçanetas................................................................................................51
5.6.9 Peitoris.....................................................................................................51
5.6.10 Portas.....................................................................................................52
5.6.11 Rodabanca.............................................................................................52
5.6.12 Rodapé...................................................................................................52
5.6.13 Telas......................................................................................................53
6 MAPAS E LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO..............................................54
6.1 Localização do terreno...............................................................................54
6.2 Vias articuladoras........................................................................................58
6.3 Levantamento fotográfico do terreno..........................................................59
7 O PROJETO...................................................................................................60
CONCLUSÂO....................................................................................................82
8 REFERÊNCIAS..............................................................................................84
ANEXO A..........................................................................................................87
ANEXO B.........................................................................................................100
12
1 Introdução
Atualmente em São José do Rio Preto, existem cerca de 10
hospitais (incluindo o Hospital da Criança), sendo que somente em um
(Hospital de Base) encontramos centro obstétrico especializado. Já quando
procuramos por maternidades, a cidade não possui nenhuma. Desse modo, a
construção de um hospital em que o maior enfoque é a saúde se faz
imprescindível. Além de contar com toda qualidade de um atendimento
específico, a relação médico/paciente aumenta notoriamente, pois o número de
leitos será reduzido. Além de atendimentos particulares, o local ainda
trabalhará com convênios, já que segundo pesquisas, é o modo mais utilizado
para o pagamento de serviços médicos e também mais acessível à população
em geral.
A idéia principal é de um projeto simples e ao mesmo tempo
complexo, com aproximadamente 10 leitos, que, juntamente com o programa
de necessidades previsto pelo ANVISA, irão compor o edifício. Portanto, ao se
elaborar o programa arquitetônico de um hospital é necessário, antes de se
consultar as tabelas de quantificação e dimensionamento, descrever quais
atividades serão realizadas nesse espaço e assim identificar quais os
ambientes necessários para a realização das mesmas. Dentro desse
programa, encontramos: realização de partos normais, cesareanas e
intercorrências
obstétricas;
realização
de
procedimentos
cirúrgicos;
desenvolvimento de atividades relacionadas ao aleitamento materno. Em
capítulos a seguir discorreremos detalhadamente sobre essas tabelas de
quantificação e dimensionamento, mostrando assim, as exigências feitas pela
legislação. Para fins de avaliação de projeto, aceitam-se variações de até 5%
nas dimensões mínimas dos ambientes.
Para tal feito, podemos subdividir o programa em: circulação interna
e externa; condições ambientais de conforto; condições ambientais de controle
13
de infecções; instalações prediais ordinárias e especiais e condições de
segurança contra incêndio.
Adjunto a essa subdivisão, é importante lembrar que o edifício de um
hospital deve sempre prezar pelo dinamismo, ou seja, caracterizar-se pela
necessidade de se adaptar constantemente aos avanços médicos e técnicos.
Por fazer parte de países em desenvolvimento, a dinâmica hospitalar
brasileira deve sempre estar pronta para acomodar novas funções e ser
flexível, permitindo mudanças e expansões, mantendo assim a organização
dos espaços já previstos. Por isso, a busca de soluções para os sistemas
construtivos que permitam que o edifício se adapte e cresça de acordo com
suas necessidades é de vital importância. Em se tratando de projetos de
edifícios hospitalares, a consideração com os recursos naturais e a sua
adequação à realidade local deve ser maior ainda, por se tratarem de
ambientes em que a saúde do homem merece atenção especial. Por tratar
diretamente da saúde de seres humanos, os hospitais requerem mais do que
qualquer outro ambiente de conforto e de qualidade. No ambiente hospitalar,
entende-se por conforto e qualidade a satisfação dos pacientes permitindo
tranqüilidade e bem estar; satisfação da equipe de profissionais, com locais de
trabalho que propiciem um atendimento de melhor qualidade. Os hospitais
devem ter, então, adequadas temperaturas, trocas de ar e umidade, iluminação
natural e artificial, contato interior/exterior com visualização do meio externo,
jardins para contemplação, aliando assim a preocupação com a saúde sem
deixar de lado bem estar.
14
2 Arquitetura Hospitalar
O hospital deve funcionar como uma “máquina de curar”, eliminando
os fatores perigosos para aqueles que o habitam, provendo assim ambientes
de eficiente circulação e renovação de ar. Mais do que qualquer outro, o projeto
de um hospital requer uma série de preocupações, que vão desde o bem estar
do paciente até a satisfação da equipe de trabalho, como médicos, funcionários
gerais e administradores.
Além de sua integração com o local, este projeto liga-se diretamente
com sua adequação ao clima da região, permitindo assim uma interação
edifício/ambiente mais eficiente.
Neste capítulo, acompanharemos a evolução da arquitetura
hospitalar além de evidenciar a inexistência de um conceito único de
humanização dos espaços.
Analisaremos diferentes definições de humanização através de
textos especializados de arquitetos como: Jarbas Karman, Lauro Miquelin, José
Ricardo S. L. Costa, João Filgueiras Lima (Lelé) e Catherine Fermand.
2.1 Evolução do edifício hospitalar
Para melhor compreender o complexo edifício de um hospital, é
importante citarmos a evolução deste ao longo dos anos. A função da cura não
existia e a “medicina”, diferentemente de sua concepção atual, não era
realizada: tratava-se apenas do fornecimento de um local para se passar a
noite.
15
Na Antiguidade, os hospitais abrigavam desde pessoas enfermas a
viajantes e peregrinos, ou seja, era também utilizado como hospedagem para
os que estavam de passagem e não tinham onde ficar.
(1)
Na Idade Média, os hospitais do Oriente já eram utilizados como um
local de cura, ou seja, já apresentavam uma proposta mais evoluída para tal, já
os do Ocidente, ainda tinham uma ligação mais religiosa, preocupados a dar
conforto e abrigo aos necessitados.
No Renascimento, começou a haver a distinção de patologias, que
antes eram feitas só pelo sexo e idade dos pacientes. Com o êxodo rural, o
ambiente hospitalar virou palco de um grande surto de doenças e
insalubridade. Foi nessa época que as grandes transformações começaram a
ocorrer. Pavilhões horizontais de poucos andares, ventilação e iluminação
natural começaram a ser desenvolvidas e muito utilizadas até meados do
século XX, quando a tecnologia permitiu a construção mais plástica do
ambiente e dos hospitais “arranha-céus”.
Figura 1 – Esquema com a evolução da forma dos edifícios hospitalares.
Fonte: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16131/tde-23102006-175537/pt-br.php
16
Em sua origem, o termo hospital vem da palavra hospitalidade, do
latim hospitalis, derivado de hospes (hóspede, estrangeiro, viajante, peregrino).
Era o local de abrigo, onde pessoas que estavam viajando eram recebidas.
Mais tarde, esses abrigos foram acrescidos de dependências para abrigar
também pessoas doentes.
Na Grécia antiga, por exemplo, os edifícios ligados a saúde era
divididos em público, privado e religioso. As construções públicas hospedavam
estrangeiros; as particulares, eram casas modestas onde médicos tratavam
seus enfermos e os templos religiosos, eram onde os enfermos recebiam a
“cura divina”. Temos então na Grécia Antiga, o exemplo clássico de como
hospitais era utilizados antigamente.
No Império Romano, a assistência dos enfermos e feridos ficava por
conta de uma enfermaria militar, situadas distantes dos centros movimentados
dos acampamentos romanos.
Já no início da Idade Média, quase todos os conventos da Europa
instalaram um anexo destinado ao atendimento público.
Outro marco notório na história dos ambientes hospitalares era as
“Casas de Lázaro” ou Leprosários, que além de receber leprosos e mendigos,
eram estabelecimentos dedicados à exclusão social.
A partir daí e até o século XIX, a configuração hospitalar passou a
ser pavilhonar: orientação das fachadas uma a norte e a outra ao sul,
ventilação cruzada, reduzido número de leitos, implantação de jardins.
Os avanços tecnológicos e as descobertas nos anos a seguir,
tornaram a configuração dos pavilhões obsoleta. Os principais problemas
verificados eram: distância entre os pavilhões, grande área ocupada para a
implantação, perda de tempo da equipe médica e de enfermagem em percorrer
grandes espaços e os preços elevados dos terrenos.
17
Desse modo, a solução encontrada para neutralizar os pontos
negativos do pavilhão horizontal era um edifício compacto e vertical,
conseqüência do progresso da arquitetura e da engenharia, e da descoberta de
novos materiais e métodos construtivos. O modelo monobloco vertical
configura-se por funções hospitalares divididas em quatro setores básicos:
serviço de apoio no subsolo; consultórios médicos e recepção no térreo;
laboratórios, serviços administrativos e internação no primeiro andar e o bloco
operatório no último.
Atualmente, horizontais ou verticais, as formais mais utilizadas nos
hospitais são ilustradas nas figuras a seguir:
Figura 2 – Diferentes agrupamentos nas tipologias horizontais e verticais. Fonte: GÓES (2004)
18
2.2 Progresso da humanização na arquitetura hospitalar
A concepção do hospital, conforme entendemos hoje é relativamente
recente. Começou a partir do século XVIII, quando a crescente especialização
das ciências e ampliação do conhecimento contribuíram para a busca de
melhores condições sanitárias, já que antes disso, elas praticamente
inexistiam. Logo, a conseqüência dessa ampliação se deu por volta de 1770,
quando a doença passou a ser reconhecida como fato patológico e assim o
hospital começou a ser visto como instrumento de cura.
“O hospital como instrumento
terapêutico é uma invenção
relativamente nova, que data do final do século XVIII. A consciência de que o
hospital pode e deve ser um instrumento destinado a curar aparece claramente
em torno de 1780 e é assinalada por uma nova prática: a visita e a observação
sistemática e comparada dos hospitais.” (2)
Assim como durante os séculos a idéia da função do hospitail foi se
aprimorando, as preocupações em como dividir o ambiente foram evoluindo.No
século XVIII, a maior preocupação era simplesmente combater a superlotação
dos leitos (que não eram individuais), chegando ao final do século XIX, onde a
área ocupada pelo hospital teve uma ampliação significativa (o modelo
pavilionar era muito difundido) e terminando no século XX com a multiplicação
e especialização dos componentes de programas e diferenciações de seus
fluxos.
Dessa maneira, o edifício hospitalar passa então a ser organizado
segundo especialização de áreas internas, baseada em atividades realizadas
no local.
Entretanto, o crescente interesse da sociologia e antropologia da
saúde, a partir do século XX, permitiram uma retomada sobre a discussão de
espaços hospitalares.
Essa retomada exigia que a “máquina de curar”, criada no final do século XVIII,
se tornasse humana. Desse modo, os arquitetos começaram a fazer apelos à
19
diferentes analogias em seus discursos a fim de imaginar o que seria em si a
humanização. Os temas mais recorrentes eram: o hotel, analogia
muito frequente na arquitetura hospitalar americana; a relação com a natureza
e por último o lar e a possível sensação de intimidade.
Na analogia com o hotel, encontramos os arquitetos Jarbas Karmam
e Lauro Miquelin (em publicações literárias que datam novembro de 1997).
Karmam preza que, assim como ocorre em hotéis, o paciente deve ser
considerado um cliente e a internação aproximar-se cada vez mais como a de
um saguão hoteleiro. Toda a ênfase dada a internação justifica-se pelo fato do
local ser o de maior permanência dos pacientes. Visto isso, a humanização
deste local proporcionaria bem estar, aliviaria suas angustias e até, segundo
estudos recentes
(3)
, conseguiria diminuir o tempo de internação. Karmam
ainda cita que “Projetos de hotéis onde o hóspede às vezes fica apenas um dia
exigem tratamento especial para atrair o público. O mesmo deve ocorrer com o
hospital, onde a permanência é mais prolongada”.
(4)
Seguindo esta mesma linha de raciocínio, Lauro Miquelin também se
apóia à idéia de hotel para a humanização do hospital. Para o arquiteto, o
sucesso desse objetivo necessita de projetos arquitetônicos que possam definir
padrões, utilizar-se de recursos físicos que melhorem a qualidade de vida dos
pacientes ali presentes. Segundo Miquelin, “A meta é multiplicar exemplos de
excelência para que possamos, daqui a pouco, entrar em um hotel bem
planejado e ouvir alguém dizer que parece um hospital”.
(5)
No diálogo instituido pelo arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, a
relação com a natureza e a integração entre arquitetura e obras de arte são
fatores importantes para a humanização dos edifícios hospitalares.
Segundo Lelé, mesmo sendo projetos extremamente rigorosos em
relação à funcionalidade, a beleza e a vitalidade dos espaços não podem ser
colocadas de lado. Para o arquiteto, a beleza é a chave da humanização e
deve-se prezar pela junção destes dois fatores: humanização (através da
beleza) e funcionalidade.
“[...] Ninguém se cura somente da dor física, tem de curar a dor espiritual
também. Acho que os centros de saúde que temos feito provam ser possível
20
existir um hospital mais humano, sem abrir mão da funcionalidade. Passamos a
pensar a funcionalidade como uma palavra mais abrangente: é funcional criar
ambientes em que o paciente esteja à vontade, que possibilitem sua cura
psíquica. Porque a beleza pode não alimentar a barriga, mas alimenta o
espírito.” (6)
Portanto, o arquiteto tenta atingir a humanização através de espaços
coletivos, nos quais jardins e obras são compostos a fim de contribuir no
processo de cura.
Juntamente com o artista plástico Athos Bulcão, Lelé inclui no
espaço arquitetônico murais artísticos. Emprega ainda cores pouco usuais
nesses espaços. Dessa forma, concebe espaços hospitalares mais alegres, e
que, portanto, despertam diversas sensações agradáveis aos pacientes.
“Os painéis e equipamentos criados por Athos Bulcão, presentes nos
hospitais da rede, confirmam essa filosofia. São usados como uma contribuição
integrada à arquitetura do local. [...] Os painéis de Athos fazem parte do
ambiente. O paciente vai se sentir valorizado, mais respeitado, quando convive
com uma obra de arte”. (7)
21
Figura 3 - Jardim interno no Hospital Sarah-Rio, por Lelé.
Fonte: www.sarah.br/paginas/homepage/po/p-home.htm
Figura 4 - Painéis, por Athos Bulcão.
Fonte: http://sustentabilidadedaconstrucao.blogspot.com/p/eficiencia-energetica.html
22
Figura 5 – Vista interna Hospital Sarah-Rio.
Fonte: www.sarah.br/paginas/homepage/po/p-home.htm
Figura 6 – Vista externa Hospital Sarah-Rio.
Fonte: www.sarah.br/paginas/homepage/po/p-home.htm
23
A idéia do lar e da intimidade também está presente nos discursos
do arquiteto Jorge Ricardo Santos de Lima Costa. Este defende a idéia de que
o hospital é o símbolo das possibilidades de reformulação corporal e mental e,
portanto, seus espaços devem ser configurados a partir do ponto de vista de
seus usuários. (8)
Para o arquiteto, o acolhimento em um hospital é, muitas vezes,
traumatizante pelo fato de se tratar de um rito de passagem, em que o
indivíduo sai do domínio privado (ambiente familiar) e entra no domínio público
(hospital). No ambiente familiar, o ser humano está sujeito a um espaço com
dimensões reduzidas, que transmitem sensações de bem estar e acolhimento,
enquanto que o hospital é um ambiente com grandes dimensões, corredores
extensos que transformam o espaço em um local distante, estranho e
impessoal, impedindo sua apropriação. Além disso, o problema do paciente é
socializado, ou seja, o seu corpo é invadido por ações e pensamentos dos
profissionais da saúde deixando o indivíduo submetido às forças e normas
desse espaço. (9)
“[...] A forma dos espaços internos sugere a dimensão do infinito, as
circulações são extremamente extensas [...]. Parece que as referências físicas
e de cura estão demasiadamente distantes do sujeito, visto que em um estado
de enfermidade o indivíduo se torna fragilizado. A questão da proximidade
nesse espaço é fundamental para pensarmos em um ambiente que se
proponha a harmonizar e curar o indivíduo. A escala dos objetos e espaços
internos parece que se amplia, em vez de reduzir-se e atingir um estado de
bem-estar humano. O sentido de proximidade entre os objetos, sujeitos e
espaços é necessário para a amenização do vazio do homem em crise. Urge a
necessidade de uma aproximação física, de um preenchimento pelo afeto, com
a respectiva atenuação da dor e a conquista da aceitação individual e social.”
(10)
Logo, a humanização do espaço hospitalar, para Costa, passa por
reduzir a distância entre hospital e o paciente. Impossibilitados de apropriar-se
e identificar-se com o espaço em que estão hospedados, a angústia dos
24
pacientes amplia-se. Este sentimento de estar em um local estranho prejudica
o processo da cura.
“O hospital, enquanto equipamento social especializado, tem em sua
estrutura espacial um sentido de impessoalidade, pois os usuários não podem
marcar e personalizar o espaço que utilizam de forma objetiva. A forma já está
estabelecida, não havendo oportunidade para redimensioná-la [...].” (11)
Alguns arquitetos europeus, dentre eles os francês Fermand, vem
experimentando o conceito humanização como uma possibilidade de trazer a
sociedade para dentro do hospital ao invés de excluí-la, como acontecia nos
séculos passados.
Esta busca da equivalência com o espaço urbano não é, de fato,
rotineira nos discursos brasileiros sobre humanização dos hospitais.
Contudo, essa analogia aparece de forma latente em alguns projetos
nacionais, como é o caso da ampliação do Hospital Albert Einstein, em São
Paulo. O projeto foi desenvolvido por Jarbas Karmam, Domingos Fiorentini e
Jorge Wilheim reconfigurou o acesso e o espaço de recepção ao público
através de uma galeria com grande pé direito no térreo. A utilização da galeria
serve para trocar os espaços estressantes presentes nos hospitais por um mais
humanizado.
Esse conceito “recepção do hospital/galeria”, foi aplicado pela
primeira vez pelo arquiteto Pierre Riboulet, no Hospital Pediátrico RobertDebré, em Paris, em 1988. O edifício abre-se para a cidade através de uma
galeria pública que cruza o hospitale conecta-se com uma série de extensos
terraços-jardins, integrando assim os usuários com a sociedade.
25
Figura 7 - Hospital Pediátrico Robert Debré [FERMAND, 1999, p.82.]
Figura 8 – Entrada da galeria.
Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.118/3372
26
Figura 9 – Articulação da galeria com os jardins.
Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.118/3372
Figura 10 – Apropriação da galeria pelos usuários.
Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.118/3372
27
3 Conforto ambiental e a qualidade dos ambientes hospitalares
Desde os primórdios, o homem sempre esteve preocupado com a
obtenção do conforto ambiental, procurando um meio de consegui-lo
consumindo pouca energia. A arquitetura sempre esteve relacionada com o
adequado aproveitamento de recursos naturais de acordo com as técnicas
disponíveis em cada época. Todavia, a intervenção humana na construção de
seus edifícios, altera as condições climáticas locais, das quais também
depende a resposta térmica da edificação. (12)
O conhecimento das exigências humanas em relação ao conforto
térmico e ao clima, associado ao das características térmicas dos materiais,
para o partido arquitetônico adequado ao clima particular da região,
proporcionam condições para se projetar edifícios e espaços urbanos cuja
resposta térmica atenda às exigências de conforto.
Quando falamos a palavra hospital, sempre vêm à mente aquele
local enclausurado, cheio de doentes e seus parentes abatidos, ou seja, a
palavra causa certa antipatia e preconceito. Por isso, cabe ao arquiteto
colaborar para minimizar o desconforto do ambiente hospitalar, geralmente
frios, com cheiros e ruídos diferentes dos que somos acostumados.
3.1 Conforto ambiental
Segundo autores, conforto ambiental pode ser definido como a
sensação de bem estar completo físico e mental, criada por um arquiteto no ato
de projetar. É o conforto ótimo, o melhor clima interior para os ocupantes de
uma edificação.
28
Dividiremos assim, os tipos de conforto ambiental em três, para
melhor podermos defini-los. Portanto, serão eles: conforto térmico, conforto
visual e conforto acústico.
3.1.1 Conforto Térmico
Como o próprio nome sugere, o conforto térmico está relacionado à
temperatura, umidade relativa, movimento do ar e radiação solar. Apesar disso,
definir conforto térmico não é uma tarefa fácil pois além dos fatores físicos,
envolve uma gama de fatores pessoais, que tornam sua definição um tanto
quanto subjetiva. Desse modo, podemos relacionar também à fatores pessoais
do usuário do ambiente, como: tipo de vestimenta e atividade desenvolvida
(quanto maior a produção metabólica, maior dissipação de calor para o
ambiente).
Portanto, existem dois tipos de conforto térmico que podem ser
levados em consideração: o pessoal e o ambiental. Em vias de projeto,
deixaremos a subjetividade de lado e enfatizaremos o conforto térmico
ambiental como um todo.
Nas regiões de clima muito quente, como é o nosso caso, o arquiteto
deve encontrar uma maneira de minimizar as diferenças entre temperaturas
externas e internas do ar. É importante ressaltar que as aberturas devem se
localizar preferencialmente na fachada leste e nunca na fachada norte/sul (pois
acabam ficando sem a incidência de sol).
Sabemos que a temperatura ideal para o ser humano é de 20 a 25°C
(varia de pessoa para pessoa e inclui outros fatores, como a vestimenta) e a
umidade do ar em torno dos 45%, por isso o papel do arquiteto é fazer de tudo
pra a temperatura dentro do hospital gire em torno desse valor.
29
3.1.2 Conforto visual
Relaciona-se com o bem estar em relação à visão, quantidade de luz
satisfatória e a realização de uma atividade visual confortável.
Um dos pontos fundamentais para que isso ocorra, é a não presença
de ofuscamento, ou seja, grande quantidade de luz que ao invés de ajudar,
acaba prejudicando a qualidade da visão.
A distribuição homogênea da luz também é outro ponto importante.
Na hora de escolher a lâmpada, deve-se levar em conta a localização, a
orientação, o tipo, o tamanho e forma geométrica das aberturas, a cor, cor dos
caixilhos, lembrando sempre que as cores claras refletem mais e difundem
melhor a luz.
Já a presença de luz natural em um ambiente pode proporcionar
modificações dinâmicas no espaço pois ao longo do dia existe uma alteração
de temperatura, cor e contraste, além do contato com o exterior.
Agora quando o assunto é iluminação artificial, devemos levar em
conta sua cor e temperatura. É recomendável para ambientes reservados como
dormitórios e living uma lâmpada de cor baixa, fazendo com que o ambiente
fique mais relaxante e agradável. Em áreas de serviço, cozinhas, garagens, o
adequado é usar lâmpadas de cor alta, com muita luz e luz branca, para
incentivar a produtividade. É sempre bom pontuar que a iluminação artificial
deve ser usada apenas como complemento da natural, sendo utilizada apenas
nos casos em que ela seja realmente necessária.
Normas da ABNT a serem seguidas: NBR 5413 – Iluminância de
interiores. Há demandas específicas dos diferentes ambientes funcionais dos
EAS quanto a sistemas de controle de suas condições de conforto luminoso,
seja pelas características dos grupos populacionais que os utilizam, seja pelo
tipo de atividades ou ainda pelos equipamentos neles localizados . (13)
30
3.1.3 Conforto Acústico
Nada que interfira na capacidade de ouvir satisfatoriamente o som
desejado, esse é o objetivo do conforto acústico. Além disso, está relacionado
com a qualidade do som no ambiente e a não interferência de ruídos que
incomodem as pessoas.
Se ruídos externos interferem nas atividades desenvolvidas em um
ambiente, um melhor isolamento acústico como o aumento da massa do
fechamento ou amortecimento através de um material que diminua o impacto
na superfície onde ocorre o ruído, pode ser eficaz.
Para um projeto arquitetônico bem sucedido acusticamente, deve-se
conhecer a área, conhecer possíveis fontes produtoras de ruído, conhecer a
direção dos ventos. Também é importante lembrar de posicionar equipamentos
ruidosos (máquina de lavar, secar, ar condicionado) em cima das fundações,
pois a estrutura é mais pesada e torna-se assim mais isolante, não transmitindo
a vibração para outros cômodos.
Há uma série de princípios arquitetônicos gerais para controle
acústico nos ambientes, de sons produzidos externamente. Todos agem no
sentido de isolar as pessoas da fonte de ruído, a partir de limites de seus níveis
estabelecidos por normas brasileiras e internacionais. As normas da ABNT
para controle acústico a seguir devem ser observadas por todos EAS
(Estabelecimentos Assistenciais de Saúde) são: NBR10.152- Níveis de ruído
para conforto acústico e NBR 12.179 – Tratamento acústico em recintos
fechados. (14)
É necessário observar as demandas específicas dos diferentes
ambientes funcionais dos EAS quanto a sistemas de controle de suas
condições de conforto acústico, seja pelas características dos grupos
populacionais que os utilizam, seja pelo tipo de atividades ou ainda pelos
equipamentos
neles
localizados.
(15)
31
4 Principais normas para projetos hospitalares
Segundo a Organização Mundial de Saúde, OMS, os edifícios
hospitalares podem ser divididos em três níveis:
Nível 1 – Assistência primária: São unidades básicas de
saúde que não prestam atendimento de emergência nem
internação. São os conhecidos centros de saúde dos bairros,
que prestam serviços como: vacinas, primeiros socorros e
curativos.
Nível 2 – Assistência secundária: São hospitais gerais com
internação, atendimento emergencial e com as quatros
especialidades básicas: pediatria, obstetrícia, clínica médica e
clínica cirúrgica, podendo ou não ter hospitais especializados.
Normalmente nesses hospitais, são previstos de 50 a 150
leitos, equipamentos de diagnóstico e UTI de até seis leitos.
Nível 3 – Assistência terciária: São hospitais de base com
internação, emergência e com todas as especialidades
cirúrgicas. Possuem de 151 a 200 leitos, completo sistema de
emergência, UTI/CTI de 18 a 24 leitos e localizam-se,
geralmente, em grandes centros urbanos.
O projeto em questão (Hospital da Mulher) não se enquadra
completamente
em
nenhum
dos
três
níveis
propostos
pela
OMS.
Aproximamos-nos mais do nível dois, apesar de não conter nenhuma ala
especializada em pediatria e clínica médica. Em relação aos leitos, nosso
projeto prevê 10 leitos e não haverá presença de UTI, pois esta desqualifica
toda a proposta de tal hospital (livre de infecções).
32
Portanto, o presente capítulo normatiza a elaboração de projetos
físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), denominação dada
a qualquer edificação destinada à prestação de assistência à saúde da
população, através de uma série de normas previstas pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA), na “Resolução – RDC nº 50, de 21 de fevereiro
de 2002 – Regulamento técnico para planejamento, programação, elaboração
e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde.”
4.1 Circulações externas e internas
Entende-se por circulações externas e internas do EAS seus
acessos, estacionamentos e circulações horizontais e verticais, as quais
detalharemos a seguir em conformidade com a norma NBR – 9050 da ABNT
(Acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências à edificação, espaço,
mobiliário e equipamentos urbanos). (16)
4.1.1 Acessibilidade
Deve-se criar um número mínimo de acessos ou entradas, para
haver um maior controle e evitar o tráfego indesejado em áreas restritas e o
cruzamento desnecessário de pessoas e serviços diferenciados.
Os acessos do EAS estão relacionados com a circulação de
pessoas e de materiais. A relação é de tipos funcionais de acessos e não de
número de acessos (calculado em função da quantidade de serviços
prestados).
Em nosso projeto, como trata-se de um EAS de pequeno porte,
poderemos, por exemplo, agregar diversos tipos funcionais de acessos em um
único acesso físico.
33
Já em relação aos estacionamentos, devem ser previstos locais de
estacionamento para viaturas de serviço. Quanto às vagas, devem ter área
mínima de 12m² ou uma vaga a cada quatro leitos. As guias devem ser
rebaixadas, permitindo o tráfego de cadeira de rodas ou macas.
4.1.2 Circulações horizontais
As circulações horizontais adotadas nos EAS são:
Corredores: deverão ter corrimãos em pelo menos um dos
lados, de 0,80 a 0,92m de altura a partir do piso. Devem
também ter suas extremidades arredondadas. Corredores
com medidas superiores a 11,00m de comprimento devem
ter no mínimo 2,00m de largura, sendo 1,20m a largura
mínima para os corredores com medidas inferiores a esta.
Portas: todas as portas de acesso a pacientes devem ter
dimensões mínimas de 0,80 x 2,10m, inclusive as de
sanitários. Portas para acesso de camas ou macas devem ter
largura de 1,10m e para acesso do centro cirúrgico devem ter
1,20m, sempre com visores.
4.1.3 Circulações verticais
As denominadas circulações verticais das EAS podem ser
classificadas em:
Escadas: As que serão utilizadas pelos pacientes devem ter
uma largura mínima de 1,50m (1,20m as demais) e corrimão
na altura de 0,80 a 0,92 a partir da altura do piso (com
extremidades arredondadas). Já as escadas de incêndio,
34
podem ser protegidas (ventiladas com paredes e portas
resistentes ao fogo), enclausuradas (com paredes e porta
corta fogo) ou à prova de fumaça (possuem uma antecâmara
à prova de fumaça com duto de ventilação).
Rampas e/ou elevadores: EAS de até dois pavimentos não
precisam de elevadores ou rampas (o transporte pode ser
feitos através de escadas com equipamentos portáteis). Já
estabelecimentos de até dois pavimentos que realizam
atividades de internação, cirurgias e partos em pavimento
diferente do de acesso, a presença de elevadores ou rampas
se faz necessária. As rampas podem sempre substituir os
elevadores, com exceção de estabelecimentos com mais de
três pavimentos (incluindo o térreo). As dimensões mínimas
para as cabines dos elevadores de pacientes são de 2,10m x
1,30m.
Monta-cargas: sua instalação deve obedecer à norma NBR7192 da ABNT, bem como a seguinte especificação: as portas
dos monta cargas devem abrir para recintos fechados e
nunca diretamente para corredores.
4.2 Critérios de projeto
Sendo o controle da infecção hospitalar fortemente dependente de
condutas, as soluções arquitetônicas devem facilitar e condicionar estas.
Entretanto há características já previstas em projetos de EAS que nos auxiliam
nas estratégias contra infecções adquiridas em seu interior. Para melhor
compreensão, serão divididas em: estudo preliminar, projeto básico e projeto
executivo.
35
4.2.1 Estudo preliminar
É proibida a localização de EAS em zonas próximas a depósitos de
lixo, indústrias ruidosas e/ou poluentes. No ato do projeto, deve-se levar em
consideração o zoneamento das unidades e ambientes funcionais segundo sua
sensibilidade a risco de transmissão.
4.2.2 Projeto básico
Neste capítulo, citaremos as barreiras físicas, ou seja, estruturas que
visam minimizar a entrada de microorganismos externos em áreas com alto
risco de infecção, o que pode ser realizado por condutas facilitadas por
soluções arquitetônicas. Estas barreiras são absolutamente necessárias em
áreas críticas e semi críticas e desejáveis nas não críticas.
Desse modo, podemos listá-los em categorias como:
Implantação de vestiários/banheiros/sanitários de barreira nos
compartimentos destinados à realização de procedimentos
assépticos (livres de contaminação) como centro cirúrgico e
centro obstétrico;
Sanitários nos compartimentos destinados ao preparo e
cocção de alimentos;
Banheiros na sala de recepção, classificação, pesagem e
lavagem de roupas sujas;
Processamento de roupa;
Centros cirúrgicos e obstétricos
36
4.2.3 Fluxos de trabalho
Nas unidades de processamento de roupas e central de esterilização
de material, os materiais devem obrigatoriamente seguir determinados fluxos,
consequentemente, os ambientes destas unidades devem se adequar a estes.
4.2.3.1 Processamento de roupas
Recepção ->separação / pesagem ->lavagem / centrifugação
->seleção de manchas ->secagem / calandragem ->passagem / prensagem
->seleção para costura -> dobragem ->armazenamento e distribuição. (17)
4.2.3.2 Central de material esterilizado
Recepção de roupa limpa / material ->desinfecção de material
->separação e lavagem de material ->preparo de roupas e material
->esterilização ->aeração (quando for o caso) ->guarda e distribuição. (18)
4.2.4 Distribuição de água
Os reservatórios de água potável devem ser em número de dois,
assim, enquanto um estiver interditado para reparos e limpeza, o outro poderá
ser usado.
4.2.5 Colocação de lavatórios/pias/lavabos cirúrgicos
A colocação de pias e lavatórios é de vital importância para
ambientes hospitalares, pois existem diversos tipos e cada qual com sua
maneira de instalação. Sendo assim, a ANVISA classifica três tipos básicos de
equipamentos, que são:
37
Lavatórios: exclusivo para a lavagem de mãos, possuem
pouca profundidade e têm formatos e dimensões variados;
Pia de lavagem: preferencialmente utilizadas para a lavagem
de utensílios podendo eventualmente ser usada para lavagem
de mãos. Sua profundidade, assim como suas dimensões,
são variadas e seu formato é normalmente quadrado ou
retangular;
Lavabo cirúrgico: exclusivo para a assepsia de mãos e
antebraços durante o preparo cirúrgico. Devem possuir
profundidade suficiente para a lavagem do antebraço sem
que este toque no equipamento. Para lavabos de uma única
torneira, as dimensões mínimas exigidas são de 50 cm de
largura, 100 cm de comprimento e 50 cm de profundidade.
É sempre importante lembrar que estes três tipos de lavatórios
devem, obrigatoriamente, possuir torneiras ou comandos do tipo que
dispensem o contato das mãos para a abertura/fechamento da água.
4.2.6 Compartimentos destinados à internação de pacientes adultos
Cada quarto deve possuir um banheiro exclusivo juntamente com
um lavatório/pia para uso da equipe médica em uma área anterior a entrada do
quarto ou até no interior desses, fora do banheiro. Um lavatório exterior ao
quarto pode servir, no máximo, a quatro quartos.
4.2.7 Ralos
Todas as áreas molhadas dos hospitais devem ter fechos hídricos
(sifões) e tampa com fechamento escamoteável. Nos ambientes onde
pacientes são tratados ou examinados é proibida a presença dos mesmos.
38
4.2.8 Projeto executivo
Para garantir a facilidade de limpeza e higienização das paredes,
pisos e tetos das áreas críticas e semi críticas, devem ser escolhidos materiais
resistentes à lavagem e ao uso intenso de desinfetantes. Devem também
apresentar superfícies preferencialmente monolíticas e de índice de absorção
de água não superior a 4% (a alta umidade aumenta a proliferação de
microorganismos e bactérias).
Quanto se trata de tubulações, as não embutidas nas paredes
devem ser protegidas em toda extensão por materiais resistentes a impactos,
lavagens e ao uso de desinfetantes.
Os rodapés devem ser executados de modo a permitir a completa
limpeza da sua junção com o piso e da sua união com a parede, sem deixar
ressalto para acúmulo de poeira. Rodapés arredondados são de difícil
execução e não ajudam na limpeza. O ideal é que sejam inseridos nas
paredes.
Os tetos devem ser contínuos, sendo proibidos os forros falsos
removíveis por poderem interferir na assepsia local. No próximo capítulo,
detalharemos os prós e contras de cada tipo de material, assim como qual será
escolhido para o nosso projeto.
4.3 Condições de segurança contra incêndio
Em relação ao acesso dos veículos do serviço de extinção de
incêndio, este deve estar livre de congestionamento e permitir um alcance de,
ao menos, duas fachadas opostas. Verificar também que o ponto extremo do
andar não ultrapasse 30 metros até a saída, pois a mangueira do hidrante tem
essa medida.
39
Já dentro do hospital, a maneira mais funcional de controlar o setor
contra incêndio é através da setorização e compartimentação dos ambientes,
ou seja, divisão das unidades funcionais e ambientes dos hospitais em setores
com características especificas em relação à população, instalações físicas e
função, tendo em vista facilitar em caso de incêndio.
A opção pelo sistema estrutural e dos materiais deve ser feita com
base no comportamento destes sob o fogo, principalmente sua resistência à
temperatura de 850º C (valor que usualmente ocorre no centro de um
incêndio).
As escadas podem ser de três formas:
Protegidas: são ventiladas, com paredes e portas resistentes
ao fogo;
Enclausurada: possui paredes e portas corta fogo;
À prova de fumaça: juntamente com paredes e portas corta
fogo, tem uma antecâmara (à prova de fumaça com duto de
ventilação).
Além disso, as portas da escada de incêndio têm que ter a abertura
no sentido da rota de fuga. Os patamares devem ter mais que 1,50m para que
não haja colisão entre pessoas que estão descendo e aquelas que estão
saindo e abrindo a porta da escada de incêndio.
O porte do hospital pode exigir que a sinalização de segurança seja
feita nas paredes e pisos, pois a fumaça pode encobrir uma sinalização mais
alta. Sinais acústicos podem ser utilizados como meios complementares.
Todas as saídas de pavimento e setores de incêndio devem ser sinalizadas.
Os sistemas de detecção são constituídos por: dispositivos de
entrada (detectores automáticos, acionadores automáticos e acionadores
manuais), centrais de alarme (painéis de controle por setor de incêndio),
dispositivos de saída (indicadores sonoros, visuais, painéis repetidores,
40
discagem
telefônica
automática,
fechamento
de
portas
corta
fogo,
desativadores de instalações, válvulas de disparo de agentes extintores e
monitores) e rede de interligação (conjunto de circuitos que interligam a central
com o dispositivo de entrada, saída e as fontes de energia do sistema).
5 Especificações de materiais de acabamento e acessórios
Não existe material de acabamento ideal para espaços hospitalares,
uma vez que todos apresentam prós e contras. Ao contrário do que muitos
pensam, a especificação de materiais é bastante complexa devido a grande
quantidade disponível no mercado e seus diversos comportamentos em
relação aos muitos tipos de ambientes de um hospital.
(19)
Na hora da escolha, deve-se levar em conta durabilidade, facilidade
de manutenção e limpeza, efeito estético das cores, texturas, forma e
acabamentos, desempenho acústico e térmico, facilidade de reposição,
garantia de continuidade de produção, resistência ao fogo e a produtos
químicos.
Como já falado anteriormente, para as áreas criticas e semi criticas,
nada mais apropriado do que materiais de acabamento resistentes à lavagem
freqüentes e ao uso de desinfetantes. Além disso, deve-se dar prioridade a
materiais que tornem as superfícies monolíticas, com o menor número possível
de ranhuras ou frestas.
Os materiais escolhidos não podem possuir índice de absorção de
água superior a 4% e o rejunte, quando usado, também deve seguir a mesma
regra. O uso de cimento sem qualquer aditivo antiabsorvente para rejunte é
vedado, tanto nas paredes quanto nos pisos de áreas criticas.
41
5.1 Paredes (prós e contras)
5.1.1 Azulejo
Não há normas ou legislações que proíbam azulejos em paredes de
áreas críticas, mas atualmente, existem outras opções melhores. Paredes
azulejadas existentes podem ser mantidas desde que seu índice de absorção
não seja superior a 4% e seu rejunte deve ser à base de epóxi. Paredes
azulejadas mais antigas devem ser pintadas com tintas resistentes para se
adequarem melhor ao ambiente.
5.1.2 Cerâmica
Recomendável em ambientes molhados, principalmente perto de
bancadas ou pias (desde que rejuntada com tinta epóxi) ou um revestimento
melhor do que a pintura, sendo essencial que o material possua junta fina. Não
há menção em normas sobre a altura das barras de material cerâmico,
entendendo-se que o mesmo deve ser utilizado do piso ao teto, ao menos que
o acabamento usado na parte de cima tenha as mesmas características da
cerâmica.
5.1.3 Divisórias removíveis
Podem ser utilizadas em ambientes não críticos. Já nas áreas
criticas e não criticas não são indicadas, já que os perfis dos painéis, assim
como rodapés, são de difícil limpeza e não são estanques suficientes para
manter o grau de pureza do ar (em ambientes em que estes são exigidos).
O revestimento das divisórias dependerá das exigências de cada
ambiente, mas comumente podem ser de lâminas de madeira natural, laminado
plástico melamínico, pintura, resina alquídica, pintura epóxi, tecidos e até
carpetes. Para o núcleo dos painéis divisórios, são utilizados madeira
42
aglomerada, gesso maciço, isolantes de fibra de madeira, chapas de vemiculita
expandida, compensado naval, gesso nervurado ou lã de vidro.
5.1.4 Gesso acartonado (drywall)
Muito utilizado na Europa e nos Estados Unidos há mais de 100
anos, o sistema drywall vem cada vez mais sendo implantado nas construções
brasileiras. É muito recomendado em função da sua rápida construção. Sua
capacidade de flexibilidade traz a vantagem de permitir que as constantes
reformas em unidades de saúde sejam feitas com o menor impacto possível,
abolindo as demolições, que pela sujeira, favorecem as infecções hospitalares.
Mesmo estando em alta, o custo final deste tipo de parede é
bastante semelhante ao da alvenaria, podendo ser até mais barato
considerando sua flexibilidade em caso de reformas.
Nos ambientes críticos e semi críticos não são geralmente usados já
que raramente são muito resistentes ao uso de desinfetantes e lavagem com
água e sabão.
5.1.5 Revestimento melamínico tipo fórmica ou similar
Melamina é uma placa de aglomerado ou de MDF revestida em uma
ou duas faces, com películas decorativas impregnadas com resinas
melamínicas, o que lhe confere uma superfície totalmente fechada, livre de
poros, dura e resistente ao desgaste.
Sua superfície normalmente é grande, não apresenta ranhuras e é
de rápida e fácil aplicação. Apesar de resistir à lavagem, impactos e limpeza,
dependendo de sua manipulação, pode apresentar manchas. Na hora do
assentamento, recomenda-se um profissional experiente, caso contrário,
poderão surgir bolhas internas, que favorecem a proliferação de fungos. As
juntas devem ser bem finas e secas ou com rejunte a base de epóxi.
43
5.1.6 Tijolo de vidro
Pode ser usado sem grandes preocupações em áreas não criticas,
devendo sempre ser rejuntado à base de epóxi. Sua utilização em áreas
criticas e semi críticas é permite, desde que o acabamento da superfície seja
liso e não apresente reentrâncias e ranhuras.
5.1.7 Tintas diversas
Devem ser utilizadas tintas mais resistentes tais como tinta epóxi,
tinta a base de PVC ou a base de poliuretano, pintura Gel – O – Plast,
principalmente em salas cirúrgicas. Dependendo da função do ambiente,
recomenda-se tintas acrílicas (tintas texturizadas somente em áreas não
críticas).
5.1.8 Tinta de esmalte
Pode ser aplicada em superfícies laváveis por serem à base de
resinas acrílicas e permeável ao vapor.
5.2 Pisos
5.2.1 Ardósia
Não recomendado pois constitui-se de camadas laminadas que
retém água infiltrada através das juntas, o que a torna suscetível à
contaminação.
44
5.2.2 Borracha
O piso liso de borracha, com remendas de estanques, pode ser
utilizado em várias situações, contando que não seja escorregadio. Já o rugoso
não é indicado, pois dificultará a limpeza e trará incômodo aos pacientes
transportados em macas, devido a trepidações, por isso não é recomendado
em rampas.
5.2.3 Carpete
Sua principal vantagem é o isolamento acústico satisfatório mas só
pode ser usado em áreas exclusivamente administrativas e, ainda assim, deve
ser evitado pois tem um rápido desgaste e é de difícil limpeza.
5.2.4 Cerâmico
Recomendável pelo seu desempenho. Os de índice de absorção de
água não superior a 4% e rejuntados com junta fina contendo epóxi (evita o
desgaste e o acúmulo de sujeira) são sempre a melhor escolha.
Não possuem restrições quanto ao uso, sendo recomendadas
principalmente em áreas molhadas. Às vezes pode não ser uma boa escolha
em rampas devido à trepidação causada nas macas por causa dos rejuntes.
Quando utilizados em áreas de tráfego intenso, devem ser de alta resistência
(lavanderias, almoxarifados e SND).
5.2.5 Cimentado
Indicado para galpões e almoxarifados, deve ser impermeabilizado
com selantes e conter uma trama constituída de juntas de PVC ou vidro.
45
5.2.6 Concreto
Também indicado para almoxarifados, deve apresentar baixa
porosidade, não soltar pó, ser revestido de substância vítrea e, assim como o
cimentado, possuir uma trama constituída de juntas de PVC ou de vidro.
5.2.7 Condutivo
Existe uma necessidade de colocação de pisos condutivos em salas
cirúrgicas
em
uma
tentativa
de
eliminação
ou
redução
de
cargas
eletrostásticas. Apesar de mínimos, em hospitais há risco de que uma explosão
seja deflagrada por descargas eletrostásticas e ainda causar choque elétrico
em pacientes. Estas cargas são geradas por atrito entre materiais isolantes e
dependem de alguns fatores como umidade e fricção dos materiais envolvidos.
Para evitar este acúmulo de carga, precisa-se de um bom aterramento dos
equipamentos e o uso do referido piso. É de uso obrigatório em salas de parto
e cirurgias.
5.2.8 Elevado
O uso deste piso como alternativa para passagem de tubulações ao
invés de forros falsos só é permitido em ambientes onde a limpeza não
requeira lavagem. Por isso, normalmente opta-se por galerias subterrâneas,
andares técnicos ou shafts.
5.2.9 Granitina
Não é recomendável, uma vez que sua composição de materiais é
feita na obra. Por isso, durante o assentamento não há controle de qualidade e
o piso começa se deteriorar em pouco tempo.
46
5.2.10 Granito
Muito resistente a lavagens constantes e ao tráfego intenso. Deve
ser impermeabilizado. A desvantagem é que possui um alto custo e camufla a
sujeira. Não é recomendado em ambientes com internação ou permanência
muito prolongada de pacientes.
5.2.11 Industrial de alta resistência
Moldados no local, sendo indicados pisos do tipo Korodur, são
utilizados em lavanderias e precisam ser nivelados para evitar trepidações. Os
pisos autonivelantes com três camadas aplicadas são muito recomendados em
áreas assépticas por serem monolíticos e permitirem confecção de rodapé
contínuo.
5.2.12 Madeira
Não são tóxicos nem alérgicos, mas podem somente ser usados em
áreas administrativas, pois não são resistentes ao uso de água.
5.2.13 Vinílico em placas, tipo Paviflex ou similar
De fácil manutenção e aplicação, permite uma boa limpeza com
pano úmido, embora não seja indicado para limpezas com baldes de água.
5.2.14 Vinílico ou linóleo em mantas tipo Pavifloor ou similar
De fácil colocação, permite o uso de rodapé contínuo e boa limpeza,
já que suas juntas são soldadas a quente no local, formando um bloco
monolítico. Usado sem restrições em quase todas as áreas, porém de custo
elevado.
47
5.2.15 Porcelanato
Seu índice de absorção é muito reduzido (+/- 0,05) e os rejuntes são
bem finos, devendo ser à base de epóxi. Por isso, do ponto de vista de higiene,
é um ótimo piso. Os contras se dão por ser um material de alto custo e
apresentar reverberação de som.
5.3 Forro/teto
5.3.1 Gesso
O forro de gesso corrido (sem perfis ou ranhuras) possui ótima
estanqueidade e pode ser utilizado em áreas críticas. Seu bom desempenho
está no fato do teto ser estanque e não laje. Para facilitar na limpeza, é
importante ser revestido com tinta lavável. É de fácil manutenção (através de
pequenos recortes) e facilita a passagem de tubulações.
5.3.2 Pintura
As tintas acrílicas ou mesmo PVA podem ser aplicadas sem
problemas.
5.3.3 Removível
Normalmente são de três tipos: placas tipo Eucatex ou similar, de
material metálico ou de PVC. Não deve ser usado em locais que necessitem de
assepsia, pois pode propiciar a entrada de poeira ou outro material em ferida
cirúrgica, nas salas onde são realizadas. Nos outros ambientes, pode ser
usado sem maiores restrições, pois facilitam a passagem de tubulações e sua
manutenção, sem precisar de quebras de lajes ou alvenarias (desde que não
sejam vazados).
48
5.4 Bancadas
5.4.1 Aço inoxidável
Sempre recomendável o de chapa 16/8 ou 18/8. Sua vantagem é
que é bastante resistente à água, porém arranha com facilidade. Quando
assentado, deve ser feito sobre uma base de concreto, pois possui pouca
resistência a impactos de materiais duros (eventualmente são até perfuradas).
5.4.2 Granito
Além de resistente a impactos e à água, é de fácil limpeza. Pelo fato
da sua cor escura “esconder” a sujeira, recomenda-se o uso do granito branco.
Outra restrição é quando se trabalho com vidraria de laboratórios nestas
bancadas, pois devido a sua dureza, estes quebram com facilidade.
5.4.3 Material melamínico, tipo fórmica ou similar
Usado em áreas molhadas, sempre dando uma atenção especial a
que uso será destinado, uma vez que este material está sujeito a manchas de
algumas substâncias, por exemplo, iodo.
5.4.4 Resina tipo Corian ou similar
É um material novo no mercado e por isso, tem como inconveniente
seu alto custo. Ele permite a moldagem da bancadas junto às cubas, evitando
juntas e permitindo variados desenhos. É resistente a agentes químicos, à
água e de fácil limpeza.
49
5.5 Esquadrias
Poderão ser de chapas dobradas de ferro, PVC, vidro blindex, pele
de vidro ou alumínio natural anodizado (desde que seja protegido contra
ferrugem). Mesmo sendo o mais caro em relação aos outros materiais, sua alta
durabilidade e pouca manutenção acabam compensando sua utilização.
5.6 Especificações diversas
5.6.1 Armários e balcões
Devem ser preferencialmente de compensado naval e revestidos
com material melamínico em suas faces. Para evitar o aparecimento de frestas
e lascas em suas bordas, é necessário revesti-los por peças de madeira
natural.
5.6.2 Batentes
A melhor escolha são as chapas dobradas de aço que evitam a
deterioração em consequência de constantes impactos de macas e cadeiras.
5.6.3 Bate maca
Deve ser instalada entre 82 a 92 cm do piso e sua finalização deve
ser curva. O material indicado é a madeira lixada, retocada com massa e
encerada. O acabamento se dá pintando com esmalte lavável ou outro material
apropriado.
5.6.4 Cor
A Portaria MS 400/77, revogada pela Portaria MS/GAB 1884/84
recomendava pisos de cor clara, principalmente nos centros cirúrgicos. A RDC
50
50/02 eliminou este quesito pois a cor clara, ao contrário do que se imagina,
sem sempre mostra a sujeira na superfície, pelo contrário, alguns tons como o
bege podem escondê-la.
Nos centros cirúrgicos os pisos devem ser pretos, pois sua ausência
de cor ressalta mais a sujeira do que a cor cinza. A cor branca também é
indicada para esta situação, porém não deve ser usada em tetos de ambientes
com pacientes deitados por longos períodos. Portanto, nos centros cirúrgicos
são indicadas as cores verde ou azul pastel, pois são consideradas cores que
“acalmam”.
Tabela 1 - Quadro com os efeitos psicológicos de algumas cores, segundo Grandjean (1988, p.313)
5.6.5 Corrimão
Devem ser colocados em corredores destinados a circulação de
pacientes e idosos. Seu material deve ser rígido e firmemente fixados às
paredes. Sua instalação deve ser feita dos dois lados das escadas, rampas,
corredores e com as seguintes características: altura entre 0,70m a 0,92 do
51
piso, com seção circular e diâmetro de 3,5 cm a 4,5 cm e afastado 4 cm da
parede. Nas extremidades, seu acabamento deve ser recurvado.
5.6.6 Cortinas
No mercado atual, existem novos modelos de cortinas com trilhos
especiais, bonitas e de fácil remoção, feitas especificamente para hospitais,
sendo recomendáveis as de cor clara. Não há maiores restrições quanto ao
seu uso, desde que sejam próprias para ambientes hospitalares, ou seja,
laváveis. Permitem maior flexibilidade na utilização dos ambientes.
5.6.7 Luminárias
No centro cirúrgico deve-se usar focos, que direcionam a luz. Já nos
ambientes críticos e semi críticos, as luminárias devem ser sempre embutidas
no teto com uma proteção de vidro para melhorar a limpeza. Nos outros
ambientes, não há restrições quanto a nenhum tipo.
5.6.8 Maçanetas
Devem ser do tipo alavanca (ao invés de arredondadas), para
facilitar a abertura das portas.
5.6.9 Peitoris
Desde que resistentes, impermeáveis e laváveis, podem ser de
qualquer material. Em áreas assépticas os peitoris devem ser evitados,
devendo a superfície interna das esquadrias coincidir com o alinhamento das
paredes, evitando o acúmulo de sujeiras sobre a superfície.
52
5.6.10 Portas
De modo geral abrem-se para o interior dos ambientes. Abrem-se no
sentido de fuga em ambientes sujeitos a riscos iminentes e nos sanitários de
pacientes. São permitidas portas de correr em salas limpas, sem trilho no piso
e sim com a porta suspensa num trilho superior, facilitando a limpeza. As
frestas devem ser minimizadas ao máximo.
As portas de salas cirúrgicas, como já dito anteriormente, devem
possuir visores de vidro, com a parte de baixo ser resistente ao impacto das
macas, podendo seu revestimento ser de aço inoxidável, material melamínico,
alumínio, madeira ou outro material, desde que lavável. Em ambientes com
grandes equipamentos, as portas devem ser duplas ou com painéis removíveis.
Quando usadas, as portas sanfonadas ou retratáveis devem ser
confeccionadas com materiais diversos como lâminas verticais de PVC
articuladas com material inoxidável.
5.6.11 Rodabanca
Localiza-se na junção da bancada com pia com as paredes. Utilizase ou não o mesmo material da bancada, principalmente em paredes não
revestidas com material cerâmico.
5.6.12 Rodapé
É desnecessário quando a parede for revestida de material
cerâmico. O arredondamento do rodapé não é aconselhável e em alguns casos
é de difícil execução. Atualmente sabe-se que o arredondamento de rodapés
deixou de ter fundamento técnico, pois dizer que facilita no controle de infecção
hospitalar é um mito.
53
5.6.13 Telas
No mercado são encontradas telas de material plástico, alumínio
anodizado e de fibra de vidro com tratamento em PVC. Devem ser instaladas
em ambientes como: cozinhas, salas de utilidades/expurgo, esterilização,
refeitórios e lavanderias.
54
6 Mapas e levantamento fotográfico
Como já falado anteriormente, o Hospital da Mulher localizar-se-á na
cidade de São José do Rio Preto – SP, distante 454 Km da capital.
Figura 11 - Mapa da cidade com locação de todos os hospitais existentes e do futuro Hospital da Mulher. Fonte: Google Earth
6.1 Localização do terreno
O terreno localiza-se na zona 3 da cidade, mais especificadamente
na Avenida Nadima Dahma, limitando-se à direita com a rua Waldomiro Nadotti
e à esquerda com a rua João Carlos Gonçalves. Um dos pontos altos do
terreno é a vista privilegiada da represa municipal.
55
Figura 12 – Vista da represa municipal a partir do terreno. Acervo pessoal
Figura 13 – Vista da represa municipal a partir do terreno. Acervo pessoal
56
Figura 14 – Vista da represa municipal a partir do terreno. Acervo pessoal
Figura 15 – Imagem do terreno via satélite. Fonte: Google Earth
57
Figura 16 - Limites do terreno. Fonte: Google Earth
Figura 17 – Curvas de nível do terreno. Fonte: Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto
58
6.2 Vias articuladoras
O terreno poderá ser acessado de três modos diferentes:
Pela Rodovia BR – 153;
Pela Avenida Nadima Dahma;
Pelas ruas de acesso secundário que cercam o terreno
Figura 18 – Vias de acesso ao terreno. Fonte: Google Earth
59
6.3 Levantamento fotográfico do terreno
Figura 19 – Vista frontal do terreno .Acervo Pessoal
l
Figura 20 – Vista lateral do terreno. Acervo Pessoal
60
7 O Projeto
Para início de projeto, a escolha do terreno foi de relevante
importância ao desenvolvimento do Hospital da Mulher. O local escolhido
encontra-se em uma zona distante do centro da cidade e que apresenta certa
carência de hospitais (o mais próximo do local é o Hospital do Lago, que
oferece apenas tratamento emergencial).
Dessa maneira, o terreno encontra-se bem inserido na malha da
cidade de São José do Rio Preto. Limita-se ao sul com a Represa Municipal da
cidade e sua grande área verde, oferecendo assim as diretrizes a serem
usadas no projeto (conforto ambiental, humanização e sustentabilidade).
A inserção do edifício no terreno foi pensada como forma de
minimizar os efeitos do clima da região. Por ser uma cidade extremamente
quente, procurou-se localizar as suítes, o berçário e a área “perecível”
(cozinhas e lactário) na fachada leste do hospital. Com área de 3.169m², os
maiores lados da edificação dispõem-se nas faces leste/oeste.
Ainda trabalhando com a sustentabilidade aliada ao conforto
ambiental, procurou-se utilizar a vegetação em todo o terreno, seja nos
estacionamentos, nas fachadas ou ao longo das calçadas.
61
Figura 21 – Vista frontal do Hospital da Mulher.
Figura 22 – Vista do estacionamento para pacientes.
62
Figura 23 – Implantação oeste.
Figura 24 – Implantação leste.
63
Figura 25 – Vista Hospital da Mulher.
Figura 26 – Vista entrada do Hospital.
64
Figura 27 – Vista entrada do Hospital.
Figura 28 – Vista dos fundos do Hospital.
65
Figura 29 – Vista estacionamento dos funcionários.
Visando explorar a paisagem, a fachada sul foi trabalhada com
transparência, que, aliada ao mezanino, proporciona aos dois andares do
edifício uma vista panorâmica da represa.
66
Figura 30 – Fachada sul.
Em todo o contorno da transparência da fachada, utilizou-se uma
estrutura em concreto armado, criando assim uma “moldura”, que ganha
destaque com iluminação em LED. Essa moldura serve também de passagem
de um lado para o outro do estacionamento.
Figura 31 – Detalhe moldura.
67
Figura 32 – Detalhe passagem.
Ainda na mesma fachada, utilizamos um painel de lajotas cerâmicas
pintadas de preto, buscando “quebrar” toda a rigidez que um edifício hospitalar
impõe.
68
Figura 33 – Detalhe painel.
Em toda extensão do segundo pavimento do edifício, utilizou-se
brises móveis de policarbonato que correm, através de roldanas, em trilhos de
alumínio anodizado, transformando a fachada sempre que movimentado.
Desse modo, conseguimos aliar sua parte função (evitar a insolação) à
estética. O critério para a seleção das cores preta e branca foi em função do
contraste que as mesmas provocam e também ao fato de fugir do convencional
azul e verde, muitas vezes presentes em fachadas hospitalares.
69
Figura 34 – Detalhe brise.
Figura 35 – Vista brises.
70
Figura 36 – Fachada norte.
Figura 37 – Fachada leste.
Figura 38 – Fachada oeste.
71
Como forma de minimizar a necessidade de longos corredores, o
programa do edifício foi organizado em dois pavimentos, sendo o acesso feito
por rampas e/ou escada, o que também contribui para a sustentabilidade da
edificação, evitando altos custos e manutenções constantes dos elevadores.
Toda a área de manutenção (limpeza, zeladoria, infraestrutura,
processamento de roupas, central de material esterilizado) está localizada nos
fundos do edifício, com acesso separado. O transporte de materiais e alimentos
que entram e saem do hospital são feitos através de dois monta cargas,
localizados na área restrita aos funcionários do hospital.
A entrada de funcionários também se localiza aos fundos do
hospital, separada da entrada de pacientes e visitantes. Este recurso foi usado
para obter-se um maior controle do público do edifício e para evitar
aglomerados nos horários de troca de turno.
O hospital ainda conta com dois estacionamentos. Um deles,
localizado na fachada sul da edificação, será de uso exclusivo de pacientes e
visitantes e conta com 14 vagas.
O outro, localizado na fachada leste, será direcionado para
funcionários e conta com nove vagas para automóveis e uma vaga para carga
e descarga de abastecimento da cozinha.
Junto ao estacionamento dos funcionários, encontramos ainda
vagas para duas ambulâncias, segundo exigências da ANVISA. Na fachada
oeste, encontramos quatro vagas exclusivas para carga e descarga de
materiais e roupas.
Toda parte de assistência hospitalar (centro cirúrgico, posto de
enfermagem, lactário, berçário e suítes) localiza-se no segundo pavimento do
edifício e isto se justifica por minimizar as chances de infecção, pois o contato
com o meio externo se restringe ao primeiro pavimento.
72
Como a área destinada ao centro cirúrgico precisa necessariamente
ser fechada, optamos pelo uso da transparência no local dos tanques de
escovação, aproveitando assim, a iluminação natural no corredor que leva às
salas cirúrgicas.
A edificação conta com três salas cirúrgicas, sendo uma delas de
uso exclusivo para parto normal.
Figura 39 – Sala cirúrgica.
73
Figura 40 – Sala cirúrgica.
Chegando ao segundo pavimento, encontramos à direita a sala de
espera, de onde é possível avistar-se à frente o berçário e ao fundo a Represa
Municipal.
Figura 41 – Sala de espera.
74
O berçário tem capacidade para sete berços e uma incubadora.
Contém um grande visor de vidro voltado para a sala de espera, de onde
visitantes podem ver os recém nascidos.
Figura 42 – Berçário.
As dez suítes encontram-se distribuídas uniformemente neste
pavimento e contam com duas camas, poltrona, armários, frigobar e espaço
para berço, além de todos os acessórios exigidos para realização de
procedimentos médicos e de enfermagem (tomadas, campainha, suporte para
soro).
75
Figura 43 – Suíte.
Figura 44 – Suíte.
76
Situado ao centro deste pavimento, encontramos o posto de
enfermagem. Seu balcão em forma de L propicia ampla visão de todo o
corredor das suítes, facilitando o pronto atendimento da enfermagem quando
solicitado pelo sinalizador luminoso acima das portas.
Figura 45 – Posto de enfermagem.
Figura 46 – Detalhe sinalizador luminoso.
77
Como se baseia na sustentabilidade e nos preceitos do conforto
ambiental, a edificação contém em seu interior dois grandes jardins. Estes
localizam-se dentro dos corredores das suítes e servem também para
contemplação de pacientes durante as caminhadas pós operatórias pelo
espaço e para visitantes.
Figura 47 – Vista do jardim a partir da rampa.
78
Figura 48 – Vista do segundo jardim.
Para promover a iluminação natural e a ventilação cruzada, foram
escolhidas coberturas Zetaflex. Também conhecidas como Aeroteto, possuem
um sistema de perfis de alumínio anodizado que permitem que as chapas de
policarbonato girem de 0 a 90 graus, contribuindo assim para uma grande
economia de energia.
Figura 49 – Detalhe cobertura dos jardins.
79
Figura 50 – Vista cobertura dos jardins.
Figura 51 – Aeroteto (Zetaflex).
Fonte: http://www.zetaflex.com.br/produtos/coberturas/aeroteto.aspx
80
Ainda utilizando-se do preceito ventilação cruzada e iluminação
natural, encontramos dois jardins localizados entre as suítes. Suas coberturas
são feitas por pergolados e seu fechamento é feito pelos brises que compõem
a fachada.
Figura 52 – Vista jardim entre suítes.
Ao longo do corredor encontramos algumas pias, para assepsia de
médicos e enfermeiros antes do manejo dos pacientes e os expurgos, onde o
lixo e materiais usados ficam armazenados antes de serem transportados pelo
monta cargas para o primeiro pavimento.
81
Figura 53 – Vista pia do corredor.
O acabamento do hospital fica por conta do piso de porcelanato na
área da recepção/lanchonete e de Paviflex, que possui fácil aplicação,
manutenção e limpeza no restante (segundo pavimento, centro cirúrgico,
suítes).
Para a pintura, foi escolhida tinta acrílica na cor gelo. Em todo
corredor por onde transitam macas, encontramos os bate macas, feitos de
madeira lixada e pintados de branco com esmalte lavável.
82
Conclusão
A complexidade de um projeto hospitalar destinado a uma
maternidade está relacionada à necessidade de existência de uma variedade
de setores que, a princípio, devem estar bem conectados facilitando o
deslocamento do corpo médico e da enfermagem, além do pessoal de limpeza,
no desempenho do seu trabalho.
O deslocamento dos pacientes desde sua chegada até as salas de
preparo para o parto, em seguida para as salas de cirurgia e daí para os
quartos de recuperação, além de outras unidades necessárias, como UTIs,
berçários, exige também uma complexa articulação entre os espaços. A
organização dos fluxos deve ainda responder as exigências das normas
técnicas e ser resolvida de tal maneira que os espaços resultem agradáveis,
sob o aspecto formal, aos que lá trabalham e permanecem temporariamente.
Questões de conforto ambiental também são especialmente
relevantes. Desse modo, o projeto de um hospital, por menor que seja, nunca
será simples. Cabe ao arquiteto buscar elementos suficientes para conceber
uma edificação que alia valor estético, consciência e interação do ambiente
interno e externo.
Neste trabalho, na etapa de revisão bibliográfica, foi possível
verificar a evolução do espaço hospitalar no decorrer da história, passando de
um simples edifício na forma de pavilhão para um espaço com uma infinidade
de funções que refletem o progresso da medicina durante os últimos séculos.
No desenvolvimento do projeto apresentado aqui se pretendeu
enfatizar a busca de soluções para espaços agradáveis e mais humanos,
tentando associar questões de funcionalidade, conforto ambiental e qualidade
estética. Os projetos exemplares que serviram de parâmetro foram os
desenvolvidos pelo arquiteto João da Gama Filgueiras Lima, ou Lelé, para a
Rede Sarah de hospitais. Vimos que apesar de um programa de necessidades
rígido é possível quebrar esse padrão, seja com painéis, pinturas ou jardins.
83
Neste hospital prezamos, acima de tudo, um ambiente que pouco se
assemelha àquele ambiente rígido e frio. Buscamos através dos jardins
internos, da ventilação cruzada e das transparências que evidenciam a vista do
local, descaracterizar a “máquina de curar” (nome atribuído ao hospital durante
anos) comumente usada.
84
8 Referências
(1) SAMPAIO, A. V. C. de F. Arquitetura hospitalar: projetos ambientalmente
sustentáveis, conforto e qualidade. Proposta de um instrumento de
avaliação. 2006. 402f. Tese (Doutorado em Estruturas Ambientais
Urbanas) – Programa de Pós Graduação em Arquitetura, Universidade
de São Paulo, São Paulo, 2006. Disponível em:
<http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16131/tde-23102006175537/pt-br.php>.
(2) FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de janeiro, Editora Graal,
1989, p. 99.
(3) SILVA, Kleber. “A idéia da função para a arquitetura: o hospital e o
século XVIII (parte 6/6). Função, um conceito?: aprendendo com Tenon
e considerações finais”. Arquitextos, n. 19, 2001, disponível em:
<www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp111.asp>.
(4) KARMAN, J. “Tratamento e humanização”, Projeto Design, n. 214, nov.
1997, p. 44.
(5) MIQUELIN, Lauro. “Um lindo hotel, parece um hospital”, Projeto design,
nov., 1997, p. 104-107.
(6) LIMA, João Filgueiras. O que é ser arquiteto: memórias profissionais de
Lelé (João Filgueiras Lima). Depoimento a Cynara Menezes. Rio de
Janeiro, Record, 2004, p. 50.
(7) Idem.
(8) COSTA, José Ricardo Santos de Lima. “Espaço hospitalar: a revolta do
corpo e a alma do lugar”. Arquitextos, n. 013, 2001. Disponível em:
<www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/bases/texto079.asp>.
(9) COSTA, José Ricardo Santos de Lima. cit., 2001.
(10)Idem.
85
(11) Idem.
(12) SAMPAIO, A. V. C. de F. Arquitetura hospitalar: projetos
ambientalmente sustentáveis, conforto e qualidade. Proposta de um
instrumento de avaliação. 2006. 402f. Tese (Doutorado em Estruturas
Ambientais Urbanas) – Programa de Pós Graduação em Arquitetura,
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. Disponível em:
<http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16131/tde-23102006175537/pt-br.php>.
(13) ABNT: Manual de Normas Técnicas
(14) Idem
(15) BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A Diretoria
Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Resolução RDC
nº 50, 21 de fevereiro de 2002. Dispõe sobre o Regulamento Técnico
para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos
físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, Brasília, P. 91-96,
fevereiro, 2002. Disponível em:
<http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2002/50_02rdc.pdf>.
(16) BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A Diretoria
Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Resolução RDC
nº 50, 21 de fevereiro de 2002. Dispõe sobre o Regulamento Técnico
para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos
físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, Brasília, P. 85-90,
fevereiro, 2002. Disponível em:
<http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2002/50_02rdc.pdf>.
86
(17) BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A Diretoria
Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Resolução RDC
nº 50, 21 de fevereiro de 2002. Dispõe sobre o Regulamento Técnico
para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos
físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, Brasília, P. 100-101,
fevereiro, 2002. Disponível em:
<http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2002/50_02rdc.pdf>.
(18) Idem.
(19) BRASIL. Secretaria de Estado da Saúde. Gerência de Infra
Estrutura Física – SVS – Resolução RDC nº 50/02, 21 de fevereiro de
2002. Especificação de materiais de acabamento e acessórios de
projetos físicos de estabelecimentos de interesse da saúde, Minas
Gerais, P 1-10, julho, 2006. Disponível em
<http://www.saude.mg.gov.br/publicacoes/linha-guia/manuais/projetosarquitetonicos/anexos-explicativos/anexo23.pdf>.
87
ANEXO A
Dimensionamento e quantificação dos ambientes hospitalares
Neste capítulo serão abordados os aspectos espaciais relacionados
com as diversas atribuições e atividades hospitalares, reunidos em tabelas
separadas por grupos de funcionamento. Portanto, ao se elaborar o projeto
arquitetônico de um hospital, é necessário listar quais procedimentos serão
realizados no local e assim identificar o programa de necessidades previsto
pela ANVISA para tais atividades.
A.1 Interpretando as tabelas
Cada atividade será descrita individualmente. As unidades que não
apresentarem números ou fórmulas matemáticas embaixo da coluna de
quantificação não serão obrigatórias.
Os ambientes de apoio podem ou não estar dentro da área da
unidade, desde que de fácil acesso, salvo exceções explicitadas entre
parênteses ao lado do nome do ambiente, assim como podem ser
compartilhados entre duas ou mais unidades. Unidades de acesso restrito
(centro cirúrgico, centro obstétrico, hemodinâmica, UTI, etc.), têm seus
ambientes de apoio no interior das próprias unidades.
Os ambientes de apoio que estiverem assinalados com * não são
obrigatórios, os demais são.
Para fins de avaliação de projeto, aceitam-se variações de até 5%
nas dimensões mínimas dos ambientes, principalmente para atendimento a
modulações arquitetônicas e estruturais.
88
Tabela 2 – Centro Cirúrgico. Fonte: http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2002/50_02rdc.pdf
89
Tabela 3 – Centro Obstétrico. Fonte: http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2002/50_02rdc.pdf
90
Tabela 4 – Centro de Parto Normal. Fonte: http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2002/50_02rdc.pdf
91
Tabela 5 – Apoio Técnico. Fonte: http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2002/50_02rdc.pdf
92
Tabela 6 – Apoio Administrativo. Fonte: http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2002/50_02rdc.pdf
93
A.1.1 Programa de necessidades Hospital da Mulher
Com base nas indicações das tabelas da ANVISA, conseguimos
concluir o real programa de necessidades do nosso hospital. Além dos
ambientes obrigatórios, podemos incluir nesse programa ambientes que
descaracterizam aquela atmosfera rígida, fria e até mesmo assustadora. Este
programa de necessidades preza, acima de tudo, o bem estar de pacientes e
familiares. Desse modo, o hospital será dividido em: área destinada ao uso do
público geral; área restrita ao uso dos funcionários; área cirúrgica; área de
internação; área de manutenção e limpeza; área administrativa; área de
alimentação; setor dos leitos; controle de entrada e saída; farmácia; berçário;
setor de infraestrutura predial; central de administração de materiais e
equipamentos.
A.1.2.1 Área destinada ao uso do público geral
Abrangeremos neste espaço todas as áreas do hospital em que
todos poderão transitar, ou seja, parentes, pacientes, funcionários ou
visitantes.
Incluem-se, portanto:
Recepção;
Sanitários;
Entrada exclusiva
A.1.2.2 Área restrita ao uso dos funcionários
Nesta área incluiremos apenas a parte de uso pessoal dos
funcionários, ou seja:
Sanitários;
Vestiários;
94
Copa;
Refeitório;
Entrada exclusiva
A.1.2.3 Área cirúrgica
Nesta área estará localizado todo o complexo cirúrgico e seus
ambientes de apoio.
Incluem-se, portanto:
Sala de guarda e preparo de anestésico;
Área de escovação;
Sala média de cirurgia;
Sala de utilidades;
Sanitário com vestiário para funcionários;
DML;
Depósito de equipamentos e materiais;
Farmácia de pequeno porte;
Sala de exame, admissão e higienização de parturientes;
Sala de parto normal com berço aquecido para R.N;
A.1.2.4 Área de internação
Área destinada ao protocolo de internação das pacientes do hospital.
Incluem-se, portanto:
95
Entrada exclusiva;
Rampa e escada de acesso ao segundo pavimento;
Port cochère para ambulâncias e pacientes;
Recepção;
Tesouraria
A.1.2.5 Área de manutenção e limpeza
Área composta por três sub salas que compõem todo o programa de
manutenção e limpeza exigidos para um hospital. São elas:
A.1.2.5.1 Central de material esterilizado
Composta por:
Área para recepção e descontaminação de materiais;
Área para lavagem de materiais;
Sala composta por: recepção de roupa limpa, preparo de
roupas, esterilização física e esterilização química;
Sala de armazenamento e distribuição de materiais e roupas
esterilizadas;
Sala para armazenamento e distribuição de materiais
esterilizados descartáveis;
Sanitário com vestiário para funcionários (barreira para área
limpa);
Depósito para materiais de limpeza;
Pequena sala administrativa
96
A.1.2.5.2 Processamento de roupas
Composta por:
Sala para recebimento e pesagem de roupas com DML e
sanitários (área suja);
Sala para área limpa com DML;
Área para armazenamento de roupas;
Depósito para materiais de limpeza
A.1.2.5.3 Limpeza e zeladoria
Composta por:
Depósito de materiais de limpeza com tanque (DML);
Sala de utilidades com pia de despejo;
Sala de preparo de equipamentos e materiais;
Abrigo de recipientes de resíduos com: depósito com no
mínimo 2 boxes (resíduos biológicos e comuns), depósito de
resíduos químicos e higienização de recipientes coletores;
Sala para equipamento de tratamento de resíduos;
Sala para armazenamento temporário de resíduos
A.1.2.6 Área administrativa
Área de acesso permitido apenas para corpo administrativo do
hospital, localizada no segundo pavimento.
Incluem-se, portanto:
Sala de reunião;
97
Sala administrativa/direção;
Área para execução de serviços administrativos;
Arquivo digitalizado;
Sanitários para funcionários;
Pequena copa;
Depósito para materiais de limpeza;
Arquivo médico (ativo e passivo)
A.1.2.7 Área de alimentação
Localizada no segundo pavimento, é uma área destinada à compra e
consumo de lanches em geral.
Incluem-se, portanto:
Balcão de recebimento e vendas de alimentos;
Espaço destinado às mesas
A.1.2.8 Setor dos leitos
Área onde serão dispostas as 10 suítes do hospital. Incluem-se,
portanto:
10 suítes, compostos por: banheiro, cama da paciente, cama
do acompanhante, ar condicionado, televisão e, quando
necessário, agrega-se um berço;
Posto de enfermagem;
Pequeno expurgo;
Pequena copa;
98
Lactário;
Sanitário para funcionários;
Rampa e escada de acesso
A.1.2.9 Farmácia
Área com acesso restrito a farmacêuticos.
Incluem-se, portanto:
Sala trancada, possuindo refrigeradores e prateleiras para
medicamentos.
A.1.2.10 Berçário
Localizado no mesmo andar da área cirúrgica, o berçário destina-se
aos cuidados realizados nas primeiras horas de vida do recém nascido (os
quais após três ou quatro horas do nascimento, são encaminhados para o
quarto da mãe). Incluem-se, portanto:
Berços (que também servem como banheiras);
Incubadora;
Trocador;
Bancada para pesagem dos bebês
A.1.2.11 Setor de infraestrutura predial
Local de maquinários e grandes equipamentos do hospital. Incluemse, portanto:
Sala para equipamentos de energia elétrica alternativa
(geradores);
Sala para subestação elétrica;
99
Sala para equipamentos de ar condicionado
A.1.2.12 Central de administração de materiais e equipamentos
Também conhecido como almoxarifado, é o local para recebimento e
estocagem de materiais e utensílios hospitalares.
Incluem-se, portanto:
Área para recebimento, inspeção e registro;
Área para armazenamento de: equipamentos, mobiliários,
peças de reposição, utensílios, material de expediente, roupa
nova e inflamáveis;
Área de distribuição;
Depósito de equipamentos e materiais;
Sanitários para funcionários;
Depósito para materiais de limpeza
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ANEXO B
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