1. DADOS DA INSTITUIÇÃO Nome: J.I. Serviços de Agronomia e de Consultoria as Atividades Agrícolas e Pecuárias LTDA. Endereço: Rua das Mangueiras, Qd. 03 – Lote 12 Bairro Amapá – Agrópolis do INCRA – Marabá – Pará. Executora de Chamada pública de ATER ( X ) Sim Qual: Contrato INCRA 026/2012 - SR 27 - Marabá/Pará. 2. DADOS DO AGENTE DE ATER Nome: José Cledson Felipe de Moraes Função: Diretor da AgroAtins Endereço: Rua Rio Grande Sul, Qd. 135, Lt. 34 Marabá - PA Telefone: (94) 99152-0660 E-mail: [email protected] 3. DADOS QUE IDENTIFIQUEM A PRÁTICA Nome do Agricultor (a) (es) (as) ou organizações da agricultura familiar: Grupo Renascer Representante do Grupo: Luzia Domingas Comunidade: Projeto de Assentamento A 21 de Abril Telefone: (94) 99139 6722 (contato da presidente da Associação do PA 21 de abril). E-mail: [email protected] Georeferenciamento: Coordenada N: 9397481 E: 738342 Endereço do Grupo: Vicinal principal do PA 21 de Abril, zona rural do município São João do Araguaia/Pará. 4. CATEGORIA DA BOA PRÁTICA DE ATER Eixo IV. Ater para Públicos Específicos, letra d. Assentados da Reforma Agrária. J.I. SERVIÇOS DE AGRONOMIA E DE CONSULTORIA AS ATIVIDADES AGRÍCOLAS E PECUÁRIAS LTDA AGROATINS N° SIATER: 157/12-2010 BOAS PRÁTICAS DE ATER GRUPO DE MULHERES RENASCER – SÃO JOÃO DO ARAGUAIA – PA SR-27 INCRA – Marabá - PA MARABÁ/PARÁ OUTUBRO 2015 1. Introdução Historicamente as formas organizativas formais e não formais são estruturas de gestão importantes para o engajamento coletivo em prol de uma necessidade ou demanda, porém processos de administração e capacitação continuada são necessárias para adoções de inovações que facilitem a relação entre o grupo social e os agentes sociais externos. O Grupo Renascer, constituído de assentadas extrativistas/artesãs padecia de acesso a informações referente à diversificação dos materiais confeccionados, apresentação dos produtos e diálogo com os consumidores para a geração de demanda constante de artesanato. Neste sentido a prestadora de serviços de assistência técnica e extensão rural AgroAtins, em conjunto com os membros do assentamento, e as mulheres artesãs elaboraram o planejamento de atividades voltadas à realidade do grupo social, incorporando ações de atualização de técnicas de confecção de artesanato, escolha de matérias primas e diversificação de produtos por meio de cursos, intercâmbios, reuniões, oficinas e a exposição dos materiais, através de feiras da Agricultura Familiar no município de São João do Araguaia. A Boa Prática permanece em execução, ocorre no PA 21 de Abril, município de São João do Araguaia - Pará. As atividades foram iniciadas no ano de 2013 e no presente permanecem de acordo com as atualizações do processo de capacitação continuado que se renova todos os anos. A Boa Prática de ATER está apoiando o desenvolvimento e o acompanhamento do Grupo Renascer em diferentes setores da cadeia socioprodutiva. 2. Objetivo da prática Melhorar a qualidade de vida das famílias envolvidas, com vista na geração de renda e agregando valores, assim também como elevar a autoestima das mulheres. 3. Descrição da experiência O grupo de mulheres do PA Vinte e Um de Abril, município de São João do Araguaia – Pará, denominado Renascer, conta hoje com 9 participantes ativas. O grupo foi criado em 2003 por um grupo de mulheres que almejava conquistar independência financeira e ter aumento na renda familiar. O grupo desenvolve trabalhos manuais, realiza eventos locais que contribui para o desenvolvimento das integrantes. O grupo é filiado a Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu. As principais atividades exercidas consiste no extrativismo do babaçu, extraindo produtos como: azeite, sabão, carvão, massa do coco (mesocarpo), que é utilizado para preparar bolos, biscoitos e pudim. Além dos produtos derivados do babaçu, as mulheres produzem tapetes, sandálias havaianas decoradas e artesanatos de macramê (pulseiras, chaveiros, etc.). As mulheres do Grupo Renascer confeccionam os artesanatos e os produtos agroextrativistas durante todo o ano, dentro do próprio assentamento, local que conta com uma casa e equipamentos de trabalho, fruto do empenho organizativo do grupo social. A maior parte da comercialização dos produtos agroextrativistas é realizada através da cooperativa das Mulheres Quebradeira de Coco de Babaçu, o restante e os artesanatos são negociados em feiras da Agricultura Familiar do município e diretamente aos consumidores. As ações do grupo social de mulheres extrativistas/artesãs focam na extração racional do babaçu, considerado um recurso natural finito, preservando os babaçuzeiros. Além do extrativismo, as confecções de outros artesanatos de matéria prima externa completam a renda, sendo uma linha de atuação da prestadora de serviços. O trabalho de orientação e capacitação parte da premissa da participação coletiva das mulheres, não apenas como ouvintes, porém como propositoras das iniciativas que atendam as contradições socioprodutivas demandadas. O acompanhamento das atividades ocorre por uma equipe de diferentes campos de formação e experiências de vida, compondo uma ferramenta importante no êxito das ações realizadas. Figura 1: Grupo Renascer produzindo os artesanatos. Figura 2: Mulheres do Grupo Renascer confeccionando sandálias decoradas. Figura 3: Mulheres agricultoras do Grupo Renascer com os produtos extraídos do coco babaçu. Figura 4: Artesanato do Grupo Renascer – Chaveiro de Macramê e tecido. Figura 5: Sandálias decoradas pelas artesãs. Figura 6 e 7: Mulheres do Grupo Renascer trabalhando com o coco babaçu. 4. Resultados A execução das ações promoveu o incremento na renda das famílias envolvidas, aumentou independência financeira das mulheres, a diversificação na produção de artesanatos, a atualização de informações técnicas e a participação ativa das mulheres nos eventos sociais. 5. Potencialidades e limites Os artesanatos produzidos pelo Grupo de Mulheres Renascer apresentam uma boa aceitação de comercialização no município, com alto potencial de expansão para as regiões vizinhas, caso as produções sejam aumentadas de acordo com uma demanda constante dos produtos. Os limites enfrentados pelas agricultoras se resumem em dificuldades de aquisição de matéria – prima, devido que a cidade mais próxima que possui os insumos encontra-se a aproximadamente 50 km, assim como a dificuldade de apoio financeiro e de linhas de créditos específicas para expandir suas produções, considerando que muitas delas possuem baixa renda e não conseguem aumentar suas produções devido às limitações financeiras. Existe potencial de aumentar o grupo, envolvendo mais mulheres nos ciclos produtivos, no domínio das técnicas, ações e decisões do grupo social, configurando um cenário de maior independência financeira e social. 6. Replicabilidade Essa Boa Prática de ATER, por se tratar de métodos de extensão rural orientadas pelo planejamento participativo, pode ser utilizado de acordo com a realidade de cada grupo social, considerando as demandas e/ou limitações de cada organização. Portanto, vai de acordo com a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural que entre o seus objetivos, busca “promover abordagens metodológicas que sejam participativas e utilizem técnicas vivenciais, estabelecendo estreita relação entre teoria e prática, propiciando a construção coletiva e saberes, o intercâmbio de conhecimentos e o protagonismo dos atores na tomadas de decisões”. Ou seja, é necessário observar e dialogar com o grupo social, para posteriormente traçar quais métodos de assistência técnica será eficiente na resolução das demandas, pois cada método tem uma finalidade que busca a resolução de uma limitação ou problema diagnosticado e isoladamente não consegue transformar a realidade. No caso desta experiência a limitações a serem solucionadas eram o acesso à comercialização, a novas informações sobre extrativismo, técnicas de artesanato e obtenção de matéria prima. Estas demandas foram conjuntamente equacionadas por meio do fortalecimento do grupo social, geração de renda, protagonismo feminino, cursos de capacitação, oficinas, intercâmbios e feiras. Porém um dos fatores que ainda, persiste como limitação é o acesso ao crédito para custear parte dos custos de produção, em especial, a confecção de artesanato. Apesar de existirem algumas limitações que até o momento não foram resolvidas, acreditamos que tentamos respeitar as condicionantes da PNATER, que prima por “desenvolver processos educativos permanentes e continuados, a partir de um enfoque dialético, humanista e construtivista, visando à formação de competência, mudanças de atitudes e procedimentos dos atores sociais, que potencializem os objetivos de melhoria da qualidade de vida e de promoção do desenvolvimento rural sustentável”. 7. Depoimentos - Agricultor (a) familiar, representante da experiência apresentada. Segue em anexo os vídeos 1, 2 e 3 com o depoimento da agricultora familiar Sra. Luzia, no qual representa o Grupo Renascer. - Agente de ATER José Cledson Felipe de Moraes, é Técnico em Agropecuária, Técnico em Agrimensura e Administrador, e Diretor da AgroAtins. “Nos últimos 03 anos na realização de ações de ATES/ATER junto às famílias de assentados de Reforma Agrária, percebemos que tínhamos pela frente uma tarefa importante, que era de iniciar e apoiar os trabalhos já desenvolvidos pelas mulheres dos municípios de São João do Araguaia e São Domingos do Araguaia. Após o diagnóstico inicial de todas as comunidades, e o planejamento participativo com as famílias, começamos a realizar atividades específicas com as mulheres agricultoras. Foram realizadas diversas atividades como: pintura em tecido, bordado em sandália, reaproveitamento de garrafas pet para produção de pecas artesanais, produção de produtos de higiene e limpeza caseiros, e ações fortalecimento e aprimoramento do aproveitamento do coco babaçu para melhorar a renda das famílias das mulheres. Os resultados são visualizados e apresentados neste documento. Desta forma, para nos da AgroAtins, a cada dia fica evidente o importante papel das mulheres na gestão da propriedade, na participação social, na preservação do meio ambiente, na geração de conhecimento e melhoria de renda das famílias”. 8. Autores e Colaboradores Zootecnista - Franciele Santos Rodrigues Técnico em Agropecuária - Marconi Bezerra Santos Pedagoga - Maria da Conceição Ferreira da Silva