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Faculdade Sete de Setembro- FA7
Nucleo de Pesquisas de Comunicação.
Curso: Publicidade.
Profº: Tiago Seixas.
A Figura do Índio na Literatura
Aluno: Luana Santana Magalhães
Matricula:0610986
Fortaleza, 5 de Junho de 2006.
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Apresentação
O Núcleo de Pesquisas de Comunicação em História Social e da Comunicação
no Brasil tem como objetivo de estudo inicial a questão indígena no Brasil, buscando
através da Sociologia e a partir de estudos revelar as produções de desintegração da
cultura indígena e do índio em si nas mídias brasileira. Revelando que há uma
reprodução da figura do índio totalmente errada, preconceituosa e distorcida que
desinforma e informa pouquíssimo sobre a realidade indígena brasileira. Tudo que a
grande parte dos brasileiros sabe sobre os índios são partes fragmentadas, superficiais e
pobres de realidade. Buscamos com estas pesquisas desconstruir estas produções de
violência simbólica que são exercidas nas relações sociais, em especial nas mídias.
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A Figura do Indio na Literatura
Nas mídias como o rádio, o jornal e a televisão vêm instrumentalizado uma
violência simbólica, com os livros a literatura sempre se teve uma idéia de resistência.
Porque sempre se imaginou que na literatura teria uma autonomia em relação aos
valores dominantes. O índio na literatura sempre foi descrito pela visão (e versão) do
outro, pergunto em que medida a literatura contribuiu ou resistiu para a base desta
destruição? A literatura a partir do momento que só coloca a visão do outro (não índio)
esta sendo uma contribuição nas produções de destruição do índio. A literatura passa a
ser uma ferramenta primordial, pois passa de um modo despercebido, ela entra na
cultura das pessoas.
Essas produções do índio dão inicio pelos os árcades, Basílio da gama que via
o índio como “homem natural” e Santa Rita Girão que os via como “o comedores de
carne humana” que “só o cristianismo salvaria”, visão limitada de primitivos e
selvagens. Com Indianismo um estilo literário que buscava uma identidade nacional
vai-se aprofundar no índio como tema, que então é recriado é um índio que passa a ser
bem visto pois, é um índio idealizado e dotado de qualidades como coragem, honra etc.
. Este estilo (indianista} se adequou a chamada “poesia romântica” que se valia da
natureza, da história, de cenas e costumes nacionais, seus principais autores foram
Gonçalves Dias e Jose de Alencar..
Gonçalves Dias escritor romântico da primeira fase usou de impressões que
guardara dos nativos com o contato que teve na sua infância. A visão que ele dá mais
próximo da realidade do índio esta ligando aos costumes. Assim como os europeus
buscavam suas origens da nacionalidade na literatura, Gonçalves Dias também vai
buscar tendo por referencia a visão do europeu em relação ao índio, redescobrindo o
índio uma raça que estava adormecida pela tradição que é revivida mesclada ao culto de
bom selvagem. As situações desenvolvidas como gestos heróicos e trágicos têm na sua
forma reflexos de epopéia, das tragédias clássicas dos romances de cavalarias
medievais, ou seja, não houve uma identidade, mas uma reprodução dos valores do
outro. Suas principais obras indianistas são os livros Juca Pirama, Marabá e Leito de
Folhas Verdes, seu índio é muito idealizado e moldado com sentimentos de bravura e de
louvor à honra características que reflete pensamentos de um mundo ocidental, a de um
herói cavalheiro medieval.
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Jose de Alencar alem de grade escritor foi também um grande ideólogo, deixou
varias obras consideradas riquezas de nossa Literatura e de nossa cultura. O índio de
Jose de Alencar vai desempenhar um papel fundamental na cultura dos brasileiros,
porque o índio dele entra em intima comunhão com o colonizador, ou seja, tudo se
passa como se o índio e os portugueses participassem do mesmo projeto. Como se os
índios estivessem as esperas do colonizador para serem educados e civilizados,
produzindo um “índio bom” que é aquele que já assume sua condição de inferioridade
perante aos brancos, por exemplo, em “Iracema” a bela índia chega a lutar contra sua
própria tribo para proteger seu amor (Martin Soares Moreno), ela deixa sua cultura para
viver com o outro é como disse Machado de Assis uma “doce escravidão” uma
escravidão voluntária. Em “O Guarani” Peri (versão masculina de Iracema) é cheio de
qualidades que são do mundo “civilizado”, ele sai da sua tribo aprende português, tornase cristão para viver entre os civilizados ao lado de sua amada Ceci. Segundo Jean
Marcel C. França “ Peri e Iracema são índio de “alma branca”; seu encontro com o
colonizador só é possível porque eles têm consciência de sua inferioridade e respeitam a
hierarquia quando se unem ao branco. Considerando que estamos sobre a égide de raça,
Peri e Iracema não podendo “branquear” o corpo, se dispõem a uma espécie de
“branqueamento cultural” e com isso se habilitam à união com o colonizador,
contribuindo para a formação de uma nação mestiça, que se quer cada dia mais branca”.
No livro de Iracema ele compara a índia com a natureza, uma natureza virgem
que ao se tocada morreria, em determinada parte do livro Iracema que não podia ter a
flor de seu corpo violada “torna-se esposa” de Martin ao dá-lhe o vinho de tupã que
provoca alucinações a pedido do mesmo por não resisti-la queria possui-la pelo menos
em sua imaginação, ele a possuiu inconscientemente Alencar compara esta situação à
destruição da floresta virgem dando a entender que foi feita inconsciente e
inconseqüente pelos portugueses. Em sua prosa romântica não se fala das condições do
índio e nem da violência do colonizador para com os indígenas, quando se fala em
violência é em relação aos conflitos causados pela ferocidade dos índios.
Estas
produções levam-nos a crer numa imagem ridicularizada dos índios de que são
selvagens (semelhaça muito próxima dos animais) e primitivos por não terem
desenvolvido avanços em termos de tecnologia, de preguiçosos pela ideologia de defesa
do trabalho, de que o trabalho dignifica , de que trabalho é o veiculo de ascensão. No
livro de Darcy Ribeiro, “O Povo Brasileiro” ele mostra esta diferença de visão entre
índios e civilização colonizadora: “Aos olhos dos recém chegados, aquela indiada louçã,
de encher os olhos só pelo prazer de vê-los, aos homens e às mulheres, com seus corpos
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de flor, tinham um defeito capital: eram vadios, vivendo uma vida inútil e sem graça.
Que é que produziam? Nada. Viviam suas fúteis vidas fartas, como se neste mundo só
lhes coubesse viver.
Aos olhos dos índios, os oriundos do mar oceano pareciam aflitos demais. Por
que se afanavam tanto em seus fazimentos? Por que acumulavam tudo, gostando mais
de tomar e reter do que dar, intercambiar? Sua sofreguidão seria inverossímil se não
fosse tão visível no empenho de juntar toras de pau vermelho como se estivessem
condenados, para sobreviver, a alcança-las e embarcá-las incansavelmente? Temiam
eles, acaso, que as florestas fossem acabar e, com elas, as aves e as caças?”. Só
enxergados do ponto de vista do colonizador, porque só tivemos o ponto de vista deles
na nossa literatura e em nossas mídias. Pra uma melhor busca de informação do índio
faz se necessário uma reavaliação de nossos valores, para poder dai conseguir enxergar
com olhos que não façam um pré-conceito do que está sendo visto.
Com o Modernismo busca-se uma verdadeira identidade nacional, quebrando e
fazendo critica aos valores antes usados. Eles não buscam mais da referencia do europeu
para falar do índio e de nossos país, vão buscar por referencia a visão do índio.
Buscando a verdadeira cultura brasileira sem influencias de seu colonizador. Mário de
Andrade grande escritor modernista revoluciona a literatura com o livro “Macunaíma”
que é uma rapsódia (soma de temas tiradas do povo}, em seu livro ele faz uma bem
organizada cópia de vários outros livros, misturando crenças populares, com customes
dos povos indígenas, pensamentos filosóficos e realidades capitalistas. Mário diz que
“Não tem senão dois capítulos meus o resto são lendas aproveitadas com deformação ou
sem elas.”(Mário de Andrade in: “a lição do amigo”}.Ao colocar Macunaíma como “um
herói sem caráter” ele quer dizer que o povo brasileiro é um povo sem caráter, mas este
caráter não quer dizer na conotação moral, mas na cultural afirmando que não tivemos
nossas características em nossa cultura sofremos influencias de nossos colonizadores. E
em seu livro ele usa de influências de Johann Gottfried Herder e Oswald Spengler no
que diz respeito à teoria das culturas, para dai explicar e buscar nossa identidade
cultural. Na teoria de Spengle não existe histórias universais e somente aqueles povos
que possuirem uma verdadeira história é que conseguiram desenvolver uma cultura
sólida sem ou com uma infima interferência de outras culturas, uma hisória nacional.
No livro Macuníma o protagonista de mesmo nome sofre uma degradação cultural
quando sai da floresta para São Paulo, lá ele perde sua identidade torna-se outro, ele é
seduzido pelas novidades trazidas do estrangeiro para capital ao qual o leva a sua
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própria destruição. Mário de Andrade faz uma comparação com o povo brasileiro que
foi fraco assim como Macunaíma. Interessado em zoofonia, Andrade usa da junção das
duas linguas, português e tupi, para criar um traço divisão de nossa identidade cultural
com a frase “ai que preguiça”. A palavra “ai” no tupi é o nome do animal que
conhecemos por preguiça e também é o som que ele emite. Já no português este bicho
recebe esse nome pelo seu jeito lento. O que sugerindo inicialmente uma interpretação
negativa de que Macunaíma é um vadio e preguiçoso e outra da quebra de valores
capitalista, uma preocupação de um padão linguistico que expressasse a identidade
cultural brasileira. Em Macunaíma faz comparações com o livro Iracema, por exemplo,
as personagens Ci e Iracema apresentam a semelhança de se perfumarem “ Ci aromava
tanto que Macunaíma tinha tonteiras de moleza” ( Macunaíma - 1928). “Todas as noites
a esposa perfumava seu corpo e alva rede, para que o amor do guerreiro se deleitasse
nela. A rede de cabelos que torna a mãe do mato inesquecível, e é uma rede que Iracema
oferece ao guerreiro branco...” O intuito destas semelhanças é fazer critica aos estilos
literários anteriores.
Com o modernismo iniciou-se uma resistência, que teve continuidade com
escritores como Darcy Ribeiro, antropólogo, professor e romancista que dedicou boa
parte da sua vida ao estudo dos índios, suas principais obras foram Maíra (1976), O
Mulo (1981), Utopia Selvagem(1982), Os Índios e a Civilização(1970), Uira sai, à
procura de Deus(1974), Migo(1988) e O Povo Brasileiro- Formação e o Sentido do
Brasil(1995). Darcy Ribeiro é reconhecido pelo grande educador que foi, ele pesquisou,
analisou, aprofundou-se sobre o tema do índio desenvolvendo não só teorias, mas
fazeres. Com sua rica experiência do convívio de dez anos com os índios, Darcy nos
proporcionou uma visão inédita ao tema do índio. Além de suas obras seus maiores
feitos para o povo indígena ( e brasileiro) foram: como etnólogo do Serviço de Proteção
aos Índios (SPI), colaborou com a criação do Parque Nacional do Xingu, com a
fundação, em 1951, do Museu do Índio, no Rio de Janeiro, foi ministro da educação no
governo de Jânio Quadros entre outros feitos.
Mas apesar de vivermos atualmente em um mundo de informações as pessoas
ainda hoje sabem pouquíssimo sobre os índios e suas condições. Isso se deve as
violências simbólicas a qual sofremos diariamente nas mídias, e só com uma busca de
pesquisas em livros como “O Povo Brasileiro” de Darcy Ribeiro, com muitas analises e
reflexões de nossos valores, poderemos enxergar as reais condições, ou seja, é
necessário buscar as causas dessas condições de formação desta figura indígena. Qual o
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intuito destas produções? Tornar o Índio insignificante para as pessoas ao ponto de
ocultar algo mais importante que é o grande genocídio que este povo sofreu e sofre
culturalmente ainda hoje. O povo indígena é um povo sem voz, que até o presente
momento não pode ter sua versão na literatura (um livro escrito por um índio), não
aparece nas mídias, não há espaço porque não é interessante para os dominantes, há uma
censura segundo Pierre Bourdieu à limitação de tempo e assunto impostos é censura e
poucas foram as vezes em que um índio apareceu, por exemplo no canal da Verdes
Mares no ano de 2005 em abril na semana do índio exibiram uma reportagem ao qual
comemoravam fazendo uma grande tapioca para os índios Tapeba, assunto imposto foi
da comemoração do índio, um índio falou algumas palavras de agradecimentos pela
comemoração.
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Bibliografia:
Gonçalves Dias, Professor Reneval S. De Azevedo.
Macunaíma,Teoria Histórica do Brasil, Camila Ferreira da Silva, Biblioteca Virtual.
Mario de Andrade e a Construção da Cultura Brasileira, Walter Castelli junior.
O Bom e Mal Selvagem, Jean Marcel C. França.
Iracema de Jose de Alencar, Frederico Barbosa e Sylmara Beletti.
Macunaíma, Mario de Andrade, 1928.
Iracema, José de Alencar, 1865.
O Povo Brasileiro - Formação e o Sentido do Brasil, Darcy Ribeiro, 1995.
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