UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA – PROPPEC CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS - PMGPP ANÁLISE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A REDUÇÃO DA MORTALIDADE POR ACIDENTES DE TRÂNSITO IMPLEMENTADAS NO ESTADO DE MATO GROSSO ENTRE 2002 E 2009. MAURÍCIO GOMES DOS SANTOS ITAJAÍ (SC), 2011 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA – PROPPEC CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS - PMGPP ANÁLISE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A REDUÇÃO DA MORTALIDADE POR ACIDENTES DE TRÂNSITO IMPLEMENTADAS NO ESTADO DE MATO GROSSO ENTRE 2002 E 2009. MAURÍCIO GOMES DOS SANTOS Dissertação apresentada à Banca Examinadora no Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, sob a orientação do Prof. Dr. Flávio Ramos, como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre em Gestão de Políticas Públicas. ITAJAÍ (SC), 2011 MAURÍCIO GOMES DOS SANTOS ANÁLISE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A REDUÇÃO DA MORTALIDADE POR ACIDENTES DE TRÂNSITO IMPLEMENTADAS NO ESTADO DE MATO GROSSO ENTRE 2002 E 2009. Esta dissertação foi julgada adequada para a obtenção do título de Mestre em Gestão de Políticas Públicas e aprovada pelo Programa de Mestrado Profissionalizante em Gestão de Políticas Públicas da Universidade do Vale do Itajaí. Área de Concentração: Dinâmicas Institucionais das Políticas Públicas Itajaí, 20 de agosto de 2011 Prof. Dr. Flávio Ramos UNIVALI – Itajaí Orientador Prof. Dr................................ Membro Prof. Dr................................ Membro Dedico este trabalho a minha irmã Daniela, vítima fatal de acidente de trânsito. Agradecimentos Aos meus pais, Joaquim e Priscila, e a Virgínia pelo incentivo aos estudos e pela orientação ao longo da vida. A minha esposa Giancarla, ao filho Henrique e a enteada Giulia, pelo carinho e apoio durante o período de realização deste mestrado, já que muitas vezes estive ausente. Ao meu orientador, Prof. Dr. Flávio Ramos, pelo direcionamento na elaboração deste trabalho e pela confiança depositada. Aos colegas da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, pelo auxilio em disponibilizar informações e dados, especialmente ao servidor e amigo Artur Viana pelo auxílio na elaboração dos gráficos e tabelas. Ao corpo docente e administrativo do Mestrado Profissionalizante em Políticas Públicas da Universidade do Vale do Itajaí, em especial para Profª Adriana Rosetto pela condução na coordenação do curso e para Tânia Sedrez pelo profissionalismo no desempenho das atividades administrativas. A todos os colegas do programa de mestrado que ao longo desses dois anos proporcionaram a troca de idéias e opiniões sobre políticas públicas. ANÁLISE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A REDUÇÃO DA MORTALIDADE POR ACIDENTES DE TRÂNSITO IMPLEMENTADAS NO ESTADO DE MATO GROSSO ENTRE 2002 E 2009 MAURÍCIO GOMES DOS SANTOS RESUMO Este estudo tem como objetivo analisar o impacto das políticas públicas implementadas para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito, mediante a identificação e análise do número e do perfil dos acidentes e de suas vítimas, no período compreendido entre 2002 a 2009. Foram analisados os 7.444 óbitos por acidentes de trânsito ocorridos no Estado de Mato Grosso no período de 2002 a 2009. Os dados foram obtidos através do Sistema de Informação em Saúde, DataWharehouse – DW da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso. Os dados analisados demonstraram que dos óbitos por acidentes de trânsito são (82,27%) do sexo masculino e (17,73%) do sexo feminino, evidenciando que a mortalidade da população masculina é 4,6 vezes maior que a do sexo feminino. A principal causa de mortalidade são, com 2117 casos de mortalidade estão relacionados a veículos de passeio, transporte ou caminhões (28,44%), 2725 casos estão relacionados a acidentes envolvendo motocicletas (36,61%) e 898 casos são referentes a acidentes com pedestres (12,06%). A distribuição por faixa etária mostrou que jovens e adultos, entre 20 e 39 anos, concentram o maior número de mortes (47,54%). Os achados evidenciaram que o perfil das causas dos acidentes de trânsito difere quando visto pela faixa etária e pelo sexo, demonstrando que o sexo masculino, na faixa dos 20 a 39 anos, tendo como causa os acidentes de veículos está mais vulnerável a mortalidade, o que é preocupante, pois, atinge uma população jovem e economicamente ativa. Das políticas públicas analisadas com o objetivo de reduzir a mortalidade por acidentes de trânsito, concluímos que as políticas do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde apresentam diretrizes voltadas para ações de conscientização através de campanhas educativas, de adoção de comportamentos mais saudáveis, de monitoramento de ocorrência de acidentes e de apoio a pesquisas e estudos. E que a instituição do Código Brasileiro de Trânsito, e suas alterações mostraram-se mais eficaz na redução da mortalidade por acidentes de trânsito nos anos de 2006 e 2009. Porém, a eficácia dessa política só é possível se acompanhada de forte controle policial, através de ações de fiscalização e aplicação das penalidades previstas na Lei. Palavras Chaves: Acidentes de trânsito; Mortalidade; Políticas Públicas ANALYSIS OF PUBLIC POLICIES IMPLEMENTED IN THE STATE OF MATO GROSSO BETWEEN 2002 AND 2009, TO REDUCE MORTALITY BY TRAFFIC ACCIDENTS MAURÍCIO GOMES DOS SANTOS ABSTRACT This study analyzes the impact of public policies aimed at reducing mortality by traffic accidents through the identification and analysis of the number and profile of accidents and their victims, in the period 2002 to 2009. A total of 7,444 deaths by traffic accidents were analyzed, occurring in the State of Mato Grosso in the period 2002 to 2009. The data were obtained through the health information System, Data Warehouse – DW of the Mato Grosso Secretary of State for Health. The analyzed data show that of the deaths by traffic accidents, 82.27% were male and 17.73% were female, i.e. mortality among males is 4.6 times higher than among females. The majority of cases of mortality, 2117 (28.44%), involved automobiles, public transport vehicles or trucks; 2725 (36.61%) involved motorcycles; and 898 (12.06%) involved pedestrians. The distribution by age group showed that most of the deaths (47.54%) were among young people and adults, aged between 20 and 39 years. The findings showed that the profile of causes of traffic accidents differed according to the victim’s age range and sex; males aged 20 to 39 years are the most vulnerable to a traffic accident as a cause of death, which is a cause for concern, as it affects this young, economically active sector of the population. In relation to the public policies implemented with the aim of reducing mortality rates by traffic accidents, we concluded that the policies of the Ministry of Health and the State Secretary for Health present guidelines geared to actions of raising awareness through educational campaigns, adopting healthier behaviors, monitoring the occurrence of accidents, and supporting research and studies. We also found that the institution of the Código Brasileiro de Trânsito (Brazilian Highway Code) and its alterations was very effective in reducing mortality by traffic accidents between 2006 and 2009. However, this policy can only be effective when it is accompanied by strong police control, through actions of supervision and enforcement of the penalties stipulated in the law. Key words: traffic accidents; Mortality; Public Policies LISTA DE ABREVIATURAS AIH Autorização para Internação Hospitalar CID 10 Classificação Estatística Internacional de Doenças - 10 Edição CIS Consórcio Intermunicipal de Saúde CTB Código de Trânsito Brasileiro DATASUS Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde DW DataWarehouse IBGE Instituto Brasileiro de Geografia Estatística MS Ministério da Saúde OMS Organização Mundial de Saúde PES Plano Estadual de Saúde PPA Plano Plurianual SAS Secretaria de Assistência à Saúde SES/MT Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso SIM Sistema de Informação sobre Mortalidade SIA/SUS Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde SIH/SUS Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde SUS Sistema Único de Saúde SVS Secretaria de Vigilância em Saúde TCU Tribunal de Contas da União TMH Taxa de Mortalidade Hospitalar LISTA DE TABELAS Tabela 1 Mortalidade de Acidentes de trânsito por tipos de causa no 25 período de 2002 a 2009, Mato Grosso..................................... Tabela 2 Mortalidade por acidentes de trânsito, por sexo e tipo de 27 causa, Mato Grosso, 2002 a 2009........................................... Tabela 3 Mortalidade por acidentes de trânsito, segundo tipo de causa e faixa etária, Mato Grosso, 2002 a 2009................................ 29 Tabela 4 Mortalidade por acidentes de trânsito, segundo o tipo de causa, distribuído por escritório regional de saúde/ERS, Mato 31 Grosso, 2002 a 2009............................................................... Tabela 5 Mortalidade por regionais de saúde, segundo outros tipos de 32 causa, Mato Grosso, 2002 a 2009........................................... LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 Mortalidade por acidentes de trânsito em relação a outras 24 causa de mortalidade, Mato Grosso, 2002 a 2009................. Gráfico 2 Evolução do número de acidentes de trânsito por sexo, 26 Mato Grosso, 2002 a 2009 .................................................... Gráfico 3 Mortalidade por acidentes de trânsito no Brasil X Mato 54 Grosso, 2002 a 2009............................................................... Gráfico 4 Evolução dos licenciamentos, por tipo de veículo, Mato 57 Grosso, 2002 a 2009. ............................................................ Gráfico 5 Evolução dos Licenciamentos e dos óbitos por acidentes de 59 trânsito, Mato Grosso, 2002 a 2009....................................... Gráfico 6 Evolução dos Licenciamentos de automóveis e dos óbitos 61 de acidentes com automóveis, Mato Grosso, 2002 a 2009.... Gráfico 7 Evolução dos Licenciamentos de motocicletas e dos óbitos 63 de acidentes com motocicletas, Mato Grosso, 2002 a 2009.. Gráfico 8 Evolução dos Licenciamentos de caminhões e dos óbitos de 65 acidentes com caminhões, Mato Grosso, 2002 a 2009 ......... . Gráfico 9 Evolução dos Licenciamentos de ônibus e dos óbitos de 67 acidentes com ônibus, Mato Grosso, 2002 a 2009................. Gráfico 10 Evolução dos Licenciamentos de veículos e dos óbitos com 69 pedestres, Mato Grosso, 2002 a 2009 ................................... SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................ 15 CAPÍTULO 1 2. Políticas Públicas de Saúde ........................................................................ 18 2.1 - Aspectos históricos, teórico-metodológicos e conceituais ....................... 18 CAPÍTULO 2 3. Caracterização de acidentes de trânsito ...................................................... 22 3.1 – Aspectos conceituais .............................................................................. 22 3.2 – Caracterização dos Acidentes de Trânsito ............................................. 24 3.3 – Aspectos epidemiológicos dos Acidentes de Trânsito no Estado de Mato Grosso no período de 2002 a 2009 ........................................................ 26 3.3.1 – Introdução ............................................................................................ 26 3.3.2 – Mortalidade por acidentes de trânsito por tipo de causa...................... 28 3.3.3 – Mortalidade por acidentes de trânsito por sexo ................................... 39 3.3.4 – Mortalidade por acidentes de trânsito por sexo e tipo de causa .......... 30 3.3.5 – Mortalidade por acidentes de trânsito por sexo, tipo de causa e faixa etária ................................................................................................................ 31 3.3.6 – Mortalidade por acidentes de trânsito por tipo de causa por Escritórios Regionais de Saúde do Estado de Mato Grosso ........................... 34 3.3.7 – Considerações sobre os aspectos epidemiológicos dos acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso ................................................................. 36 CAPÍTULO 3 4. Políticas públicas de saúde para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito ........................................................................................................ 37 4.1 – No Brasil ................................................................................................. 37 4.1.1 – Política Nacional para a Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência ...................................................................................... 37 4.1.2 – Política Nacional de Promoção a Saúde.............................................. 40 4.1.3 – Política Nacional de Atenção Integral a Saúde do Homem ................. 40 4.1.4 – Código Brasileiro de Trânsito ............................................................... 42 4.2 – No Estado de Mato Grosso..................................................................... 46 4.2.1 – Plano Estadual de Saúde 2000-2003 .................................................. 47 4.2.2 – Plano Estadual de Saúde 2004-2007 .................................................. 48 4.2.3 – Plano Estadual de Saúde 2008-2011 .................................................. 49 CAPÍTULO 4 5. Análise das políticas públicas implementadas e sua contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso, no período de 2002 a 2009 ................................................................ 52 5.1 – Metodologia ............................................................................................ 52 5.1.1 – Tipo de Estudo ..................................................................................... 52 5.1.2 – Caracterização do Local do Estudo ..................................................... 52 5.1.3 – População e Amostra........................................................................... 54 5.1.4 – Coleta de Dados .................................................................................. 55 5.1.5 – Análise dos Dados ............................................................................... 56 5.2 – Análise das políticas públicas implementadas e sua contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito ........................................ 57 5.2.1 – Introdução ............................................................................................ 57 5.2.2 – Evolução dos licenciamentos e da mortalidade por acidentes de trânsito ............................................................................................................. 58 5.2.3 – Políticas públicas implementadas e sua contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito ......................................................... 65 5.2.3.1 – Contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de automóveis ...................................................................................................... 65 5.2.2.2 – Contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de motocicletas ..................................................................................................... 62 5.2.2.3 – Contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de caminhões ....................................................................................................... 64 5.2.2.4 – Contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de ônibus .............................................................................................................. 66 5.2.2.5 – Contribuição para a redução da mortalidade por acidentes envolvendo pedestres ...................................................................................... 68 5.3 – Tópicos conclusivos sobre a contribuição das políticas públicas implementadas na redução da mortalidade por acidentes de trânsito......................................................................................................... 75 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................... 79 7. REFERÊNCIAS ........................................................................................... 81 15 1 – Introdução No Cenário Mundial, temos evidenciado o declínio das doenças infecto-contagiosas e a ascensão das doenças crônicas. Somado a essas mudanças no estilo de vida da população surgem também, a preocupação com o aumento do número de óbitos relacionados aos acidentes e a violência. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002) em seu relatório sobre a violência e saúde, no ano 2000 em todo mundo, mais de 1,2 milhões de pessoas morreram em conseqüência de acidentes de trânsito. Na década de 1998/2008, evidenciou preocupantes aumentos no número de óbitos por acidentes de trânsito, sendo que as mortes de ocupantes de automóvel mais que duplicou, de ocupantes de caminhão quase triplicou, as de ciclistas quadriplicaram e os de motociclistas aumentaram em torno de 754% no período (BRASIL, 2011) Os acidentes de trânsito passaram a ser percebidos como um grave problema de saúde pública, já que afetam direta ou indiretamente a saúde da população, sobrecarregam as unidades de saúde, tanto hospitalares como de reabilitação, além do seu alto custo social, pois as principais vítimas são os jovens economicamente ativos. No Estado de Mato Grosso os acidentes de trânsito configuram-se como a quarta causa de mortalidade, atrás apenas das doenças do aparelho circulatório, das agressões e das doenças do coração, o que demonstra à necessidade de conhecer as condicionantes e as determinantes desse tipo de agravo. O presente trabalho justifica-se diante da necessidade de identificar os grupos de risco das vítimas dos acidentes de trânsito e de verificar quais ações de intervenção estão sendo implementadas para a redução dos óbitos por esse tipo de evento em Mato Grosso. As informações aqui produzidas poderão auxiliar a Secretaria de Estado de Saúde do Estado de Mato Grosso, órgão em que desempenho funções como servidor público, na articulação de ações integradas com os órgãos locais de trânsito, transporte e segurança com a finalidade de reduzir as taxas de mortalidade de acidentes de trânsito. O objetivo deste trabalho é analisar as políticas públicas implementadas no Estado de Mato Grosso no período entre 2002 e 2009 para a 16 redução da mortalidade por acidentes de trânsito. Tendo como objetivos específicos apresentar aspectos históricos e conceituais das políticas públicas de saúde, identificar a epidemiologia dos acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso e verificar se determinadas políticas públicas implementadas no Estado contribuíram para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito no período entre 2002 a 2009. Para tanto, foram coletados dados do Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde, obtidos através do DataWharehouse – DW – Sistema de Informação em Saúde - da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, referentes aos 7.444 óbitos de acidentes de trânsito ocorridos no período, e também os dados referentes aos licenciamentos de veículos emitidos em Mato Grosso no mesmo período, obtidos através do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN). Posteriormente, os dados foram cruzados com as principais políticas públicas implementadas, com o objetivo de verificar a efetiva redução da mortalidade por acidentes de trânsito. O trabalho está estruturado da seguinte forma; no primeiro capítulo, são apresentados aspectos históricos, teórico-metodológicos e conceituais das políticas públicas de saúde. No segundo capítulo, é abordada a caracterização dos acidentes de trânsito, identificando o perfil epidemiológico, segundo, sexo, faixa etária, tipo de causa e local de ocorrência dos óbitos por acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso referente ao período de 2002 a 2009, com o objetivo de identificar o grupo mais vulnerável desse tipo de agravo. No terceiro capítulo foram selecionadas e analisadas as seguintes políticas públicas de saúde: do Ministério da Saúde, a Política Nacional para Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência, a Política Nacional de Promoção da Saúde e a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem; da Secretaria de Estado de Saúde foram analisados os Planos Estaduais de Saúde – dos períodos de 2000/2003, 2004/2007 e 2008/2011 – já que é um importante instrumento de referência para a orientação das políticas públicas de saúde no âmbito Estadual e Municipal, e deve contemplar as necessidades epidemiológicas e prioridades de intervenção para a manutenção e melhoria da saúde no Estado; e por 17 último, o Código de Trânsito Brasileiro – CTB e suas principais alterações, já que a aplicação dos seus dispositivos vem contribuindo na segurança no trânsito. Finalmente, no quarto capítulo, analiso o impacto das políticas públicas implementadas e sua contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso, no período de 2002 a 2009. Foram analisados os impactos das políticas públicas do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado de Saúde e o Código de Trânsito Brasileiro e suas posteriores alterações ocorridas na última década, e sua contribuição na redução da mortalidade dos acidentes envolvendo: automóveis, motocicletas, caminhões, ônibus e pedestres. São apresentadas ainda algumas recomendações a serem implantadas no Estado de Mato Grosso, principalmente pela Secretaria de Estado de Saúde para o monitoramento, avaliação e redução dos acidentes de trânsito em âmbito estadual. 18 CAPÍTULO 1 2 - Políticas Públicas de Saúde 2.1 – Aspectos históricos, teórico-metodológicos e conceituais Segundo Paim (2006, p.74) “Política de saúde abrange questões relativas ao poder em saúde (Politics), bem como as que se referem ao estabelecimento de diretrizes, planos e programas de saúde (Policy)”, sendo então a resposta social do Estado em relação às condições de saúde da população, como também a regulação e gestão dos serviços que afetam à saúde humana e o ambiente. Até o advento da Constituição de 1988, a assistência médica era prestada apenas aos segurados e dependentes da Previdência Social, mediante a carteira emitida pelo Instituto Nacional de Previdência Social. Os demais precisavam pagar para ser atendidos, salvo a população carente ou mesmo indigente, que era assistida de forma precária pelos hospitais e postos de saúde públicos. A Constituição Federal de 1988 deu um novo tratamento à Saúde passando a tratá-la como um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. A CF/1988, no art. 196, estabelece “acesso universal e igualitário às ações e serviços de saúde para a sua promoção, proteção e recuperação”, e mais, que a saúde é “direito de todos e dever do Estado”. Fica claro, assim, que a partir da Constituição Federal todos os cidadãos, independentes de classe social e vínculo empregatício, passaram a ter direito à saúde. Em seguida foi aprovada a Lei 8.080/90, a Lei Orgânica da Saúde, que estabelece o modelo operacional e o funcionamento do Sistema Único de Saúde – SUS – através de conjunto de ações e serviços de saúde, prestados de forma hierarquizada por instituições públicas federais, estaduais e municipais, além da iniciativa privada, que pode participar de forma complementar. 19 A Lei 8.080/90 também estabelece os princípios pelos quais o SUS deve se orientar, dentre os que destacamos o da universalidade, no qual garante a todos os cidadãos o acesso aos serviços de saúde disponíveis, e o da integralidade, segundo o qual todo o cidadão tem às ações e serviços de saúde de modo integral, seja na prevenção, promoção, proteção e recuperação (BRASIL, 1990). Os Princípios constitucionais e as diretrizes aplicáveis ao SUS, previstos na Constituição de 1988, estão referidos no art. 7 da Lei Orgânica da Saúde na forma que segue I - universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência; II - integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos da assistência interdisciplinar e intersetorial às vitimas de acidentes e de violências; III - preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral; IV - igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie; V - direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde; VI - divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário; VII - utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos e a orientação programática; VIII - participação da comunidade; IX - descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfera de governo: XI - conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e humanos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na prestação de serviços de assistência à saúde da população; XII - capacidade de resolução dos serviços em todos os níveis de assistência; e XIII - organização dos serviços públicos de modo a evitar duplicidade de meios para fins idênticos Na referida Lei é dedicado o capítulo 3 ao planejamento e orçamento. O art.36 estabelece que este deva ser hierarquizado de modo ascendente, do nível local, municípios e estados, até o nível federal, com a 20 participação dos órgãos deliberativos, compatibilizando-se as necessidades da política de saúde com a disponibilidade de recursos nos planos de saúde dos municípios, estados e União. Em dezembro de 2006 foi instituída a portaria nº 3.085 que regulamenta o sistema de planejamento do SUS, objetivando a atuação contínua, articulada, integrada e solidária das áreas de planejamento das três esferas de gestão do SUS. Os instrumentos básicos utilizados são o plano de saúde e as respectivas programações anuais de saúde e os relatórios anuais de gestão (BRASIL, 2006). O Plano de Saúde é o instrumento que apresenta as intenções e os resultados a serem buscados pelos gestores locais do SUS, no período de quatro anos, a partir de uma análise situacional. Já a Programação Anual de Saúde é o instrumento que operacionaliza as intenções expressas no plano de saúde. E o Relatório Anual de Gestão apresenta os resultados alcançados no conjunto de ações e metas que foram definidas na Programação Anual de Saúde (BRASIL, 2009). Com o propósito de implementar a Política Nacional de Redução de Acidentes e Violências promulgada em 2001, a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) estruturou, em 2004, a Rede Nacional de Prevenção de Acidentes e Violências, atualmente formada por 58 núcleos em locais onde as taxas de morbimortalidade por causas externas são elevadas. Deles fazem parte instituições municipais, estaduais, acadêmicas e ONGs. Essa incipiente estrutura visa ao investimento em estudos e propostas concretas de ação que se articulam a partir das diretrizes da política nacional (MINAYO, 2007). No ano de 2001, o Ministério da Saúde instituiu a Política de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências, através da Portaria n.º 737 (MS, 2001b), com o objetivo de estabelecer princípios e diretrizes visando a estruturação e o reforço de ações intersetoriais de prevenção e assistência às vítimas de acidentes e/ou enfermidades por causas externas. Em 2005, foi aprovada a Agenda Nacional de Vigilância, Prevenção e Controle dos Acidentes e Violências. Está sendo implantada pela SVS a Vigilância de Violências e Acidentes em Serviços Sentinela, visando conhecer e aprimorar informações sobre magnitude e gravidade de acidentes de trânsito, de trabalho, de quedas, afogamentos, intoxicações e de todas as expressões de violência. Esse 21 programa está distribuído por 39 municípios nas 27 Unidades da Federação. O sistema já permitiu avaliação preliminar após um ano de sua implantação (MINAYO, 2007). A Política Nacional de Promoção da Saúde (BRASIL,2006) instituída em 2006, tem como objetivo geral “promover a qualidade de vida e reduzir vulnerabilidade e riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes – modo de viver, condições de trabalho, habitação, ambiente, educação, lazer, cultura, acesso a bens e serviços essenciais”. O Plano é constituído de 08 ações específicas, dentre elas a ação: Redução da morbi-mortalidade por acidentes de trânsito. No início de 2007, em parceria com a SVS e com a Secretaria de Assistência à Saúde (SAS), o Centro Latino-americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Carelli (CLAVES/ ENSP/FIOCRUZ) iniciou um curso de formação à distância sobre O Impacto da Violência sobre a Saúde, para profissionais dos serviços e gestores. Esse programa se soma ao do Laboratório da Criança do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, em nível de especialização e voltado à reflexão teórico-prática e prevenção da violência contra crianças e adolescentes. Intensifica-se a oferta de formação de Mestres e Doutores e de cursos de curta duração na FIOCRUZ e em várias outras instituições de ensino (MINAYO, 2007). No mês de maio de 2009 foi instituída a Política Nacional de Atenção Integral do Homem, que tem por finalidade o aumento da expectativa de vida e a redução dos índices de morbimortalidade por causas preveníveis e evitáveis, como os acidentes e violências, já que os adolescentes e jovens do sexo masculino são os que mais sofrem desses agravos (BRASIL, 2009). A implementação dessas Políticas depende da adoção de medidas de competências de outros setores e da consolidação de parcerias efetivas com diferentes segmentos governamentais e não-governamentais, além da mobilização da população, principalmente a masculina, com a instituição de hábitos e estilos de vida saudáveis – elementos essenciais – que contribuirão decisivamente na redução dos acidentes e da violência no País. 22 CAPÍTULO 2 3 - Caracterização de Acidentes 3.1 – Aspectos Conceituais No Brasil, os acidentes e a violência configuram como um problema de saúde pública de grande magnitude e transcendência, com forte impacto na morbidade e na mortalidade da população. No âmbito governamental, a Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência é o instrumento orientador da atuação do setor saúde nesse contexto, adotando como expressão desses eventos a morbimortalidade devida ao conjunto das ocorrências acidentais e violentas – devidas ao trânsito, trabalho, quedas, envenenamentos, afogamentos e outros tipos de acidentes – e às causas intencionais – agressões e lesões autoprovocadas – que matam ou geram agravos à saúde e que demandam atendimento nos serviços de saúde. Sabidamente, os acidentes e a violência resultam de ações ou omissões humanas e de condicionantes técnicos e sociais (BRASIL, 2007). Por ser fenômeno de conceituação complexa, polissêmica e controversa, assume-se como violência o evento representado por ações realizadas por indivíduos, grupos, classes ou nações que ocasionam danos físicos, emocionais, morais e ou espirituais a si próprio ou a outros – por exemplo: agressão física, abuso sexual, violência psicológica e violência institucional (BRASIL,2001). Acidente é entendido como o evento não intencional e evitável, causador de lesões físicas e ou emocionais. Assume-se que tais eventos são, em maior ou menor grau, perfeitamente previsíveis e preveníveis (BRASIL, 2001). Os acidentes e violências resultam de ações e/ou omissões humanas e de condicionantes técnicos e sociais. Ao considerar que se trata de conceituação complexa, entende-se que os acidentes e violências são os eventos representados por ações realizadas por indivíduos, grupos, classes, que ocasionam danos físicos e emocionais a si próprio ou a outros (MINAYO, 1998). A concentração dos acidentes e violência é visivelmente mais clara nas áreas urbanas, que acumulam cerca de 75% do total das mortes por causas violentas. Nas áreas rurais, entretanto, o fenômeno está também presente, embora 23 sua gênese e manifestações sejam diversas e pouco investigadas. Sendo então, geradas mortes em conflitos pela terra, em áreas de garimpo, na rota do narcotráfico, ao lado do aliciamento e da exploração de crianças e adolescentes para a prostituição e o trabalho escravo (BRASIL,2000). Vários estudos têm permitido mostrar que esse comportamento varia segundo sexo, idade, área geográfica e tipo de causa externa, evidenciando um nítido predomínio de taxas masculinas sobre as femininas e um deslocamento das mortes para faixas etárias mais jovens, comprometendo a esperada elevação da esperança de vida no país, em função da queda acentuada da mortalidade infantil nos últimos vinte anos (SOUZA, 1994; MELLO JORGE, 1998). Entre os tipos de Causas Externas, têm assumido particular importância os grupos representados pelos acidentes de trânsito e pelos homicídios (em 1996, respectivamente iguais a 29,6% e 32,7%). Estes, especificamente, embora de prevenção muito mais difícil que os primeiros, evidenciam-se como importantes, na medida em que tiveram suas taxas praticamente dobradas nos últimos anos. Essa tendência de crescimento não tem mais se caracterizado somente como um fenômeno urbano, mas vem ocorrendo tanto nas principais capitais do país como em áreas menos desenvolvidas (MELLO JORGE, 1998). O impacto econômico representado pelos acidentes e pela violência pode ser medido diretamente por meio dos gastos hospitalares com internação, inclusive em unidades de terapia intensiva, e dias de permanência geral. Em 1997, gastou-se R$ 232.376.613 - o que representou, aproximadamente, 8% dos dispêndios com internações por todas as causas. Embora se saiba que esses valores estão bastante subestimados, é importante assinalar que hospitalizações por lesões e envenenamentos representam um gasto/dia cerca de 60% superior à média geral das demais internações (BRASIL,2000). As internações por lesões e envenenamentos, decorrentes de acidentes e violências, vêm correspondendo a cerca de 6% do total de internações. A relativamente pequena participação desse grupo de causas, como motivo de internação, é decorrente do fato de as AIH não serem preenchidas para os atendimentos de pronto-socorro, em razão de estes não serem considerados como internações. As internações por causas externas revelam que o perfil do paciente é fundamentalmente masculino, com nítida predominância do adulto jovem, sendo de 24 se notar, entretanto, o valor crescente das taxas na população idosa (MELLO JORGE & GOTLIEB, 1998). No Estado de Mato Grosso durante o período de 1997-2004, ocorreram 18.467 óbitos por causas externas, sendo 38,28% por agressões e 31,68% por acidentes de transporte. Sendo que a permanência média em hospital foi de 6 dias, o que acarretou um custo médio por internação de R$ 289,37, o que representou 8,07% do total dos gastos com internação. (MATO GROSSO, 2007). A agregação de novas variáveis socioeconômicas, além de uma clara conceitualização e da incorporação de indicadores de causas externas, são fundamentais para ampliar a dimensão de visão dos gestores de saúde, como da população, evidenciando os nexos causais da situação de saúde em relação às condições de vida. Essas variáveis, como também ocupação e local de moradia devem estar inseridas nas bases de dados dos sistemas de informação em saúde, tendo como conseqüência a melhoria da qualidade da informação (MORAES & SANTOS, 2001). A SES-MT utiliza-se de diversos sistemas de informação em saúde, que estão organizados para atender as especificidades e suprir as necessidades de controle de informações dos diversos departamentos. 3.2 - Caracterização dos Acidentes de Trânsito Segundo o Departamento de Trânsito do Distrito Federal, podemos definir com Acidentes de Trânsito (Detran/DF, 1998): “todo evento não premeditado de que resulte dano em veículo ou na sua carga e/ou lesões em pessoas e/ou animais, em que pelo menos uma das partes está em movimento nas vias terrestres ou áreas abertas ao público” Conforme pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mais de 30 mil pessoas morrem por ano em decorrências de acidentes de trânsito em todo Brasil. O prejuízo daí decorrente gira em torno de R$ 15 bilhões anuais. Porém esse número pode ser muito maior, já que as estatísticas relacionadas a esses acidentes são falhas, pois os bancos de dados utilizados produzem informações com baixo grau de confiabilidade. A mesma pesquisa verificou que um acidente de trânsito sem vitimas tem um custo médio de R$ 3.262; já um acidente de 25 trânsito com ferido apresenta um custo médio de R$ 17.460; e o acidente de trânsito com vitima fatal representa um custo médio de R$ 144.143 (IPEA, 2003). Podemos citar como fatores contribuintes dos acidentes de trânsito os seguintes: a) os relacionados ao comportamento do homem; b) os relacionados ao meio ambiente, isto é, ausência de sinalização, deficiência da pavimentação asfáltica, condição do tempo, entre outros; c) os relacionados às condições operativas do veículo. Porém, a convergência simultânea desses fatores propicia a ocorrência de um acidente de trânsito, sendo o fator humano estando presente na maioria dos casos (Brasil,2002). Em Mato Grosso, no ano de 2007 a distribuição segundo a mortalidade por Causas Externas mostrou que as principais causas são os acidentes de transporte, com 908 casos (36,5%), sendo 748 para os homens e 160 para as mulheres, significando que o risco de um homem se tornar vítima fatal de um acidente de transito é 4,7 vezes maior que o da mulher, acompanhando a tendência nacional. A distribuição segundo as faixas etárias de 0 a 9 anos, 40 a 59 anos e acima dos 60 anos a principal causa de mortalidade foi Acidentes de Transporte, com 31 (1,3%), 242 (9,8%) e 88 (3,5%) casos, respectivamente, demonstrando a vulnerabilidade. Principalmente, dos homens economicamente ativos da faixa entre 40 e 59 anos, o que e é preocupante, (SANTOS, 2009). No Brasil, somente são conhecidos os dados de hospitalizações pagas pelo Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), que tem início com o documento Autorização de Internação Hospitalar (AIH), sendo de preenchido obrigatório pelos hospitais, desde 2008, com o código do capitulo XX da classificação internacional de doenças, para a internação de pacientes e para o posterior recebimento de pagamentos referentes a essas internações nos hospitais públicos e privados, conveniados ao SUS, excluindo as que são cobertas pelos planos de saúde. Esse sistema engloba cerca de 80% da assistência médico-hospitalar prestada à população brasileira e representa aproximadamente 11,5 milhões de internações/ano. Apesar das limitações, pois abrange somente as internações pagas pelo SUS, o SIH/SUS proporciona o conhecimento sobre as conseqüências (fraturas, traumas entre outros) e as causas (acidente de moto, atropelamento, acidente de carro) dos acidentes, contribuindo para as análises das tendências dessas internações (BRASIL, 2008). 26 No Estado de Mato Grosso cabe a Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral, e aos demais órgãos envolvidos, secretaria de estado de saúde, secretaria de justiça e segurança pública e o departamento estadual de trânsito, a formulação e implementação de políticas públicas para a redução e o monitoramento dos acidentes de trânsito no Estado. 3.3 – Aspectos Epidemiológicos dos Acidentes de Trânsito no Estado de Mato Grosso no período de 2002 a 2009 3.3.1 – Introdução No Brasil, as Causas Externas, que compreende acidentes e violência, é considerada a terceira causa de mortalidade, sendo que esta se constitui como a principal causa de mortalidade na faixa etária de 1 a 39 anos e a segunda na faixa etária de 40 a 59 anos no País (ALVES, 2007) Em Mato Grosso, as Causas Externas se configuram como a segunda causa de mortalidade (SVS/SES/MT, 2007). E diante da magnitude dos casos este tem se constituído como um grave problema de saúde pública devido as repercussões na qualidade de vida e pelo seu impacto na economia do País, uma vez que vem atingindo principalmente a população jovem e economicamente ativa. (MINAYO et al, 2007). Os acidentes e as violências têm sido causas constantes de atendimentos e de internações no Brasil, resultando em alta demanda aos serviços de saúde e em sofrimento para as vítimas e seus familiares, além de elevados custos diretos e indiretos e de seqüelas, que comprometem a qualidade de vida dos que sofreram esses eventos (BLANK, 2002). Nesse tópico procuramos identificar o perfil epidemiológico, por sexo, idade, faixa etária, tipo de ocorrência e local da população dos óbitos por acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso referente o período de 2002 a 2009. No entanto, é importante verificar a mortalidade proporcional dos acidentes de trânsito em relação aos demais, em Mato Grosso no período de 2002 a 2009, os principais grupos de causa de morte foram às doenças do aparelho circulatório, causas externas (acidentes de transporte e agressões) e doenças do coração. 27 Analisando o gráfico 1 – comparação da mortalidade por acidentes de trânsito com as principais causas de mortalidade, no período de 2002 a 2009, 24,75% das mortes devem-se às doenças cerebrovasculares, isto é do aparelho circulatório, que estão relacionadas às doenças dos vasos sanguíneos que fornecem sangue ao cérebro. Como segunda causa de mortes no Estado aparece as agressões com 21,01%, a terceira são as doenças isquêmicas do coração, relacionadas a falta de oxigenação, com 19,44%, seguida de outras doenças cardíacas com 18,13. Em quinto com 16,67%, estão os acidentes de transporte, que englobam os acidentes de veículos de passeio, de transporte, de motocicletas e os que envolvem os pedestres. No entanto, os acidentes de trânsito a partir de 2008 ultrapassaram o grupo de outras doenças cardíacas configurando-se como a quarta causa de mortalidade no Estado de Mato Grosso. Gráfico 1 – Mortalidade por acidentes de trânsito em relação a outras causas de mortalidade, Mato Grosso, 2002 a 2009. Número de Mortes Comparação da Mortalidade por Acidentes de Trânsito x Outras Causas de Mortalidade 1000 500 068 Doenças isquêmicas do coração 2002 1013 677 957 773 2003 1083 584 929 770 2004 1092 734 872 766 2005 1009 699 912 809 2006 1161 728 933 794 2007 1093 750 896 912 2008 1171 886 945 1015 2009 1152 880 1002 1053 069 Outras doenças cardíacas 760 759 778 831 863 825 794 818 070 Doenças cerebrovasculares 103 Acidentes de transporte 109 Agressões Fonte: DataWarehouse – Informações em Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS e DENATRAN (2002 a 2009) 28 3.3.2 – Mortalidade por acidentes de trânsito por tipo de causa Com relação às causas de mortalidade por acidentes de transporte no período de 2002 a 2009 no Estado de Mato Grosso, a principal causa conforme demonstrado na tabela 1, foi relacionado a acidentes de ocupantes de automóveis, com 1529 casos, seguido pelos acidentes de motocicletas com outros tipos de veículos com 1087 casos e de motociclistas traumatizados em outros acidentes de transporte com 938 casos. Analisando todos os acidentes de trânsito, 2117 (28,44%) casos de mortalidade estão relacionados a veículos de passeio, transporte ou caminhões, 2725 (36,61%) casos estão relacionados a acidentes envolvendo motocicletas e 898 (12,06%) casos são referentes a acidentes com pedestres. Tabela 1 – Mortalidade de acidentes de trânsito por tipos de causa no período de 2002 a 2009 em Mato Grosso Tipos de Causa V49.Ocup automovel traum outr acid transp e NE V89.Acid veic mot n-mot tipos de veic NE V29.Motociclista traum outr acid transp e NE V09.Pedestre traum outr acid transp e NE V48.Ocup automovel traum acid transp s/colis V24.Motocicl traum colis veic transp pesado onib V23.Motocicl traum colis automov pickup caminhon V28.Motociclista traum acid transp s/colis V44.Ocup autom traum colis veic trans pesad onib V68.Ocup veic tr pesado traum ac transp s/colis Outras Causas de Mortalidade Total 2002 2003 361 41 110 162 28 11 11 7 8 10 131 880 2004 230 53 96 136 29 17 19 11 10 19 134 754 2005 241 152 115 124 36 28 18 6 10 8 191 929 2006 167 151 93 114 36 44 28 16 20 16 195 880 2007 151 128 117 93 39 26 27 33 18 19 269 920 2008 130 143 132 86 53 44 43 21 24 11 260 947 125 226 136 89 37 47 50 30 41 15 279 1075 2009 Total Geral 124 1529 193 1087 139 938 94 898 48 306 58 275 70 266 35 159 28 159 25 123 245 1704 1059 7444 Fonte: DataWarehouse – Informações em Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS Tabela ___ - Mortalidade de Acidentes de Trânsito por Tipos de Causa no Período de 2002 a 2009 Outro aspecto relevante evidenciado na evolução da mortalidade de Fonte: acidentes de trânsito por tipos de causa no período de 2002 a 2009 (tabela 1) é a SIM/MS.SES/MT - DW Informação em Saúde evolução da mortalidade dos acidentes envolvento os condutores de motocicleta, analisando o item V89 – Acidente de motocicletas com outros tipos de veículos verificou-se um aumento de 470,73%, no ano de 2002 a 2009, sendo 41 casos no ano de 2002 e 193 no ano de 2009. No item V28 – Motociclista traumatizado em 29 acidente de transporte sem colisão identificamos um aumento de 500% no mesmo período, sendo 7 casos em 2002 e 35 casos em 2009, demonstrando a vulnerabilidade desde grupo no total da mortalidade por acidentes de trânsito no Estado. 3.3.3 – Mortalidade por acidentes de trânsito por sexo Conforme demonstrado no gráfico 2, analisando os óbitos do período de 2002 a 2009, a maior sobremortalidade dos homens ocorreu em 2004, cujo coeficiente masculino / feminino foi de 5,9, e a menor sobremortalidade ocorreu em 2008, como o coeficiente de 4,1. A sobremortalidade masculina, por causas externas, demonstrada neste trabalho é evidenciada em outros trabalhos (MELLO JORGE; GOTILIEB, 2000 e MINAYO 2005), no total de 7444 casos, 6124 são masculinos (82,27%) e 1320 femininos (17,73%), o que corresponde a uma a sobremortalidade dos homens: a razão masculino /feminino é de 4,6, demonstrando certa tendência em relação ao coeficiente Nacional cuja a razão masculino / feminino foi de 5,5. (MELLO JORGE, GAWRYSZEWSKI, KOIZUMI, 2004.) 30 Gráfico 2 – Evolução do número de acidentes de transporte por sexo, Mato Grosso, 2002 a 2009. Fonte: DataWarehouse – Informações em Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS Ainda, na análise da evolução do número de acidentes de trânsito por sexo, apesar do número de mortalidade masculina ser em média 5,5 vezes superior a feminina, o percentual da evolução da mortalidade no período de 2002 a 2009, permaneceram semelhandes, enquanto o percentual masculino foi de 20,58%, sendo 724 casos em 2002 e 873 em 2009, o percentual feminino foi de 19,23%, sendo 156 casos em 2002 e 186 casos em 2009. 3.3.4 – Mortalidade por acidentes de trânsito por sexo e tipo de causa Outro indicador de mortalidade de trânsito entre a população masculina e feminina é a proporção de óbitos por tipo de causa no período de 2002 a 2009, conforme tabela 2, quando analisado os principais tipos, verifica-se como principal causa de mortalidade os acidentes envolvendo automovel, porém o segundo tipo de causa divere da população masculina e da feminina, enquanto na masculina a segunda causa são os acidentes de motocicleta com 27% dos óbitos, 31 na população feminina a segunda causa são os atropelamentos com 20% dos óbitos. A maior semelhança desse indicador de mortalidade, é evidenciado nos acidentes envolvendo os ocupantes de ônibus (V70 a V79), em que os coeficientes de mortalidade apresentão a menor diferença, com um total de 21 óbitos e coeficente de mortalidade de 0,07 para a população feminina e um total de 33 óbitos e coeficiente de mortalidade de 0,11 para a população masculina. Tabela 2 – Mortalidade por acidentes de trânsito, segundo o sexo e por tipo de causa, Mato Grosso, 2002 a 2009 Tipo de Causa V40 a V49 – Ocupante de automóvel traumatizado em acidente de transporte V20 a V29 – Motociclista traumatizado em acidente de transporte V01 a V09 – Pedestre traumatizado em acidente de transporte V10 a V19 – Ciclista traumatizado em acidente de transporte V60 a V69 – Ocupante Veículo Transporte Pesado traumatizado em acidente de transporte V50 a V59 – Ocupante Caminhonete traumatizado em acidente de transporte V70 a V79 – Ocupante de ônibus traumatizado em acidente de transporte V30 a V39 – Ocupante de triciclo motor traumatizado em acidente de transporte V80 a V89 - Outros Total Geral N.º 477 216 267 54 35 27 21 1 222 1320 Feminino % Coef.* 36% 1,59 16% 0,72 20% 0,89 4% 0,18 3% 0,12 2% 0,09 2% 0,07 0% 0,00 17% 0,74 100% N.º 1696 1635 911 274 264 112 33 7 1192 6124 Masculino % Coef.* 28% 5,65 27% 5,45 15% 3,03 4% 0,91 4% 0,88 2% 0,37 1% 0,11 0% 0,02 19% 3,97 100% N.º 2173 1851 1178 328 299 139 54 8 1414 7444 Total Geral % Coef.* 29% 7,24 25% 6,17 16% 3,92 4% 1,09 4% 1,00 2% 0,46 1% 0,18 0% 0,03 19% 4,71 100% Fonte: – Informações em eSaúde/SES-MT, DATASUS/SIM/MS IBGE, de Estimativa da População, 20092002 a Tabela 1DataWarehouse - Número de óbitos, proporção, razão de sexo coeficientes de mortalidade (por 10.000 hab.) poreacidentes trânsito, segundo sexo, Mato Grosso, 2009 (Jan a Dez) Fonte: IBGE, Estimativas da População 2009. 3.3.5 – Mortalidade por SIM/MS.SES/MT - DW Informação em Saúde Nota: * Coeficientes por 10.000 habitantes. acidentes de trânsito por sexo, tipo de causa e faixa etária Ao analisarmos a mortalidade por acidentes de trânsito, segundo os tipos de causa, entre a população masculina e feminina, no período de 2002 a 2009, por faixa etária - tabela 3 - é possível identificar o perfil do grupo mais vulnerável a esse tipo de mortalidade. No faixa etária de 0 a 9 anos a maior mortalidade está relacionada aos atropelamentos (V01 a V09) com um total de 104 óbitos, sendo 57 para o sexo masculino e 47 para o sexo feminino. Na faixa etária de 10 a 19 anos, a principal causa de mortalidade é outra 253 óbitos relacionados a ocupantes de automóveis de passeio envolvidos em acidentes de trânsito (V40 a V49), sendo 175 óbitos para o sexo masculino e 78 para o sexo feminino, seguido de perto por acidentes de motociclista (V20 a V29) com um total de 245 óbitos. 32 O grupo da faixa etária de 20 a 39 anos é o mais vulnerável a mortalidade por acidentes de trânsito, no período de 2002 a 2009 do total de 7.444 óbitos, 47.54%, isto é, 3.539 dos óbitos estavam relacionados a esse grupo. A principal causa de mortalidade são os acidentes de motociclistas (V20 a V29), com um total de 1.204 óbitos, sendo 1.071 para o sexo masculino e 133 para o sexo masculino, apresentando uma sobremortalidade masculina superior em 8,05 vezes em relação à feminina. Porém, ao analisarmos isoladamente o sexo feminino dessa faixa etária, verificamos que os óbitos relacionados a acidentes de automóveis superam os acidentes de motocicleta. Estudos apontam que esse grupo está mais vulnerável para o consumo de bebidas alcoólicas e uso de drogas. Dados que constam da Política Nacional de Saúde Homem do Ministério da Saúde apontam que 12% da população dessa faixa etária apresentam transtornos graves associados ao consumo de álcool e outras drogas. Em relação ao consumo do álcool a incidência é maior no sexo masculino, sendo o seu consumo em média quatro vezes maior do que no sexo feminino. (BRASIL,2009) Então, esse grupo da faixa etária de 20 a 39 anos, sendo o que mais se envolve em acidentes de trânsito com óbitos, e está entre os maiores consumidores de álcool, podemos associar a combinação de condução de veículos/motocicletas com o comportamento de risco nocivo, já que o álcool possui um efeito sedativo-hipnótico o que influência no julgamento racional humano, levando o seu usuário a tomar atitudes que causem prejuízos para a si, como para terceiros, estabelecendo uma relação entre o consumo de álcool e os acidentes de trânsito. (PEREIRA,2009) 33 Tabela 3 – Mortalidade por acidentes de trânsito, por tipo de causa e faixa etária, Mato Grosso, 2002 a 2009. 00 a 09 anos 10 a 19 anos Fem. Mac. Total Fem. Mac. Total V40 a V49 – Ocupante de automóvel traumatizado em acidente de transporte 36 53 89 78 175 253 V20 a V29 – Motociclista traumatizado em acidente de transporte 3 5 8 40 205 245 V80 a V89 - Outros 19 26 45 32 110 142 V01 a V09 – Pedestre traumatizado em acidente de transporte 47 57 104 43 62 105 V10 a V19 – Ciclista traumatizado em acidente de transporte 5 21 26 13 39 52 V60 a V69 – Ocupante Veículo Transporte Pesado traumatizado em acidente de transporte 9 6 15 5 17 22 V50 a V59 – Ocupante Caminhonete traumatizado em acidente de transporte 1 3 4 9 6 15 V70 a V79 – Ocupante de ônibus traumatizado em acidente de transporte 2 5 7 1 3 4 V30 a V39 – Ocupante de triciclo motor traumatizado em acidente de transporte Total Geral 122 176 298 221 617 838 Tipo de Causa 20 a 39 anos 40 a 59 anos 60 anos ou + Fem. Mac. Total Fem. Mac. Total Fem. Mac. Total 206 839 1.045 103 490 593 54 139 193 133 1.071 1.204 34 306 340 6 48 54 82 586 668 63 354 417 26 116 142 51 270 321 59 280 339 67 242 309 21 79 100 12 87 99 3 48 51 15 107 122 2 118 120 4 16 20 8 46 54 4 43 47 5 14 19 7 11 18 7 10 17 4 4 8 1 6 7 1 1 524 3.015 3.539 284 1.688 1.972 169 628 797 Fonte: DataWarehouse – Informações em Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS Tabela 3 - Mortalidade por acidentes de trânsito, segundo os tipo de causa, por faixa etária e sexo, Mato Grosso, 2002 a 2009 (Jan a Dez) Ainda na análise, segundo os tipos de causa e faixa etária, conforme Fonte: apresentado na tabela 3, o grupo de 40 a 59 anos, apresenta como a principal SIM/MS.SES/MT - DW Informação em Saúde mortalidade por acidentes de trânsito os relacionados à automóvel de passeio (V40 a V49), com um total de 593 óbitos, sendo 490 para homens e 103 para mulheres. Por fim, o grupo acima de 60 anos, cuja a principal causa de óbitos são os atropelamentos (V01 a V09), com 309 casos, sendo 242 para os homens e 26 para as mulheres. A vulnerabilidade desse grupo para esse tipo de acidente vem sendo abordada em vários trabalhos (ROZESTRATEN,2002) já que após os 60 anos, a visão periférica fica reduzida, ocasionando uma diminuição do campo visual, sendo comum os idosos não compreenderem uma situação de risco, como por exemplo, se existe uma distância de segurança suficiente para atravessar a rua enquanto o veículo se aproxima, ou de notar detalhes do asfalto que possua um piso irregular que ocasione uma queda. Outra questão é o modo de deslocamento desse grupo, que é feito na maioria das vezes a pé, e de forma vagarosa, tornado o idoso mais vulnerável para o atropelamento, sendo este o mais mortal de todos os acidentes de trânsito. Estudo da Rede Sarah de hospitais de reabilitação, aponta como conseqüência do elevado grau de mortalidade em decorrência dos atropelamentos no grupo de crianças (0 a 06 anos) e em idosos (acima de 60) o seguinte: em relação às crianças, que por serem menores, ao serem atropeladas estão sujeitas as Total Geral 2.173 1.851 1.414 1.178 328 299 139 54 8 7.444 34 certas modalidades de lesões, como as que atingem a cabeça, as regiões pélvica e abdominal, já que 80% dos casos de atropelamento, o pedestre é atingido pela dianteira do veículo. Já os idosos são mais susceptíveis a uma lesão grave em decorrência da sua estrutura óssea menos resistente, tendo maior probabilidade de vir a óbito. (Disponível em http://www.viasseguras.com/documentacao/documentos _temas_o_a_z/documentacao_pedestres_e_transito). O tipo de causa que envolve o item Outros (V80 a V89), com um total de 1.414 óbitos no período de 2002 a 2009, em que o grupo da faixa etária dos 20 aos 39 anos foi o mais vulnerável refere-se aos óbitos por acidentes de transporte ocorridos com outros meios de locomoção como trator, trem, veículo especial, veículo a tração animal, veículo especial utilizado na construção civil, veículo agrícola, entre outros acidentes ocorridos em vias públicas ou fora delas. 3.3.6 – Mortalidade por acidentes de trânsito por tipo de causa por Escritórios Regionais de Saúde do Estado de Mato Grosso A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso possuiu 16 Escritórios Regionais de Saúde que são unidades descentralizadas que tem como objetivo viabilizar o processo de descentralização da saúde no Estado de Mato Grosso, em consonância com as diretrizes do Sistema Único de Saúde. Os escritórios regionais de saúde abrangem os 141 municípios do Estado e estão distribuídos nos seguintes municípios-pólos: Água Boa, Alta Floresta, Barra do Garças, Cáceres, Colíder, Cuiabá, Diamantino, Juara, Juína, Peixoto de Azevedo, Pontes e Lacerda, Porto Alegre do Norte, Rondonópolis, São Félix do Araguaia, Sinop e Tangará da Serra. Conhecer o perfil epidemiológico dos acidentes de trânsito dessas regiões é de suma importância para melhorar as ações e serviços de saúde, já que envolvem adequação de infra-estrutura, recursos humanos e equipamentos para um adequado atendimento de urgência e emergência. Ao analisarmos as mortalidade por acidentes de trânsito, segundo o tipo de causa por Escritórios Regionais de Saúde no período de 2002 a 2009, tabela 4, verificamos que as regionais de Cuiabá e Rondonópolis são responsáveis por 3.679 dos óbitos (49,42%), sendo 2.105 casos (28,32%) na abrangência do ERS de 35 Cuiabá e 1.571 casos (21,10%) na abrangência do ERS de Rondonópolis, o que é justificado já que os dois Escritórios Regionais são responsáveis por uma área que abrange 44,54% da população do Estado. Temos como principais causas de mortalidade os acidentes de automóvel (V40 a V49), com 2.173 óbitos (29,19%) que ocorreram em 7 (sete) Escritórios Regionais de Saúde: Água Boa, Barra do Garças, Cuiabá, Diamantino, Pontes e Lacerda, Rondonópolis e Tangará da Serra, e Acidentes de Motocicleta (V20 a V29) com 1.851 óbitos (24,87) distribuídos nas 9 (nove) regionais restantes: Alta Floresta, Cáceres, Colíder, Juara, Juína,Peixoto de Azevedo, Porto Alegre do Norte, São Félix do Araguaia e Sinop. Tabela 4 – Mortalidade por acidentes de trânsito, segundo o tipo de causa por escritórios regionais de saúde/ERS, Mato Grosso, 2002 a 2009 99 74 53 40 8 12 7 128 149 94 78 37 26 13 6 151 179 293 531 19 29 6 10 5 3 5 1 78 45 61 35 6 14 9 1 1 250 13 41 16 16 11 7 5 1 27 103 20 19 13 11 10 58 66 19 21 8 19 4 1 86 44 20 23 5 16 6 3 110 203 196 203 35 46 24 21 2 12 2 2 409 320 517 209 36 48 20 12 144 1.571 3 10 6 1 1 1 22 179 120 94 56 30 22 9 3 745 513 51 16 40 14 4 11 7 3 1 147 Total Geral 207 240 82 79 73 33 26 5 *OUTRAS UF SAO FELIX DO ARAGUAIA RONDONOPOLIS PORTO ALEGRE DO NORTE PONTES E LACERDA PEIXOTO DE AZEVEDO JUINA JUARA DIAMANTINO CUIABA 682 439 329 510 67 51 11 14 5 78 2.108 TANGARA DA SERRA 50 67 14 30 14 2 2 COLIDER CACERES 49 42 19 16 9 12 2 2 SINOP V40 a V49 – Ocupante de automóvel traumatizado em acidente de transporte V20 a V29 – Motociclista traumatizado em acidente de transporte V80 a V89 - Outros V01 a V09 – Pedestre traumatizado em acidente de transporte V10 a V19 – Ciclista traumatizado em acidente de transporte V60 a V69 – Ocupante Veículo Transporte Pesado traumatizado em acidente de transporte V50 a V59 – Ocupante Caminhonete traumatizado em acidente de transporte V70 a V79 – Ocupante de ônibus traumatizado em acidente de transporte V30 a V39 – Ocupante de triciclo motor traumatizado em acidente de transporte Total Geral BARRA DO GARCAS AGUA BOA Tipo de Causa ALTA FLORESTA REGIONAIS 2.173 1.851 1.414 1.178 328 299 139 54 8 7.444 Tabela 4 - DataWarehouse Mortalidade por acidentes de segundo tipoem de causa por Escritórios Regionais de Saúde/ERS - Período 2002 a 2009 (Jan a Dez) Fonte: – trânsito, Informações Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS Fonte: SIM/MS.SES/MT - DW Informação em Saúde Porém, ao analisarmos as principais causas dessas duas regionais de saúde, tabela 5, verificamos que no ERS de Cuiabá a principal causa são os acidentes de veículos (V40 a V49) com 682 óbitos, já no ERS de Rondonópolis o grupo Outros (V80 a V89) configura-se como a principal causa com 517 óbitos, conforme tabela 5, sendo 38 óbitos por acidentes com trator, pois a região é a principal produtora agrícola no Estado de Mato Grosso. 36 Tabela 5 – Mortalidade por regionais de saúde, segundo outros tipos de causa, Mato Grosso, 2002 a 2009. ANIMAL CARRO ELÉTRICO FERROVIÁRIO PEDESTRE (MORTO EM COLISÃO ENTRE VEÍCULOS DIVERSOS) TRATOR VEÍCULO ESPECIAL (ÁREA INDUSTRIAL) VEÍCULO ESPECIAL (CONSTRUÇÃO) VEÍCULO ESPECIAL (TERRENO) Total geral 4 1 3 1 18 3 31 9 5 12 1 42 7 69 6 3 1 283 9 53 1 94 1 19 14 6 3 2 329 5 3 9 4 4 2 21 1 48 6 2 7 4 1 1 8 2 1 12 3 14 2 19 3 455 37 16 20 24 2 1 517 61 19 20 5 4 6 66 9 1 1 81 9 37 2 1 6 82 94 40 Fonte: DataWarehouse – Informações em Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS 3.3.7 – Considerações sobre os aspectos epidemiológicos dos acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso Diante dos dados apresentados podemos então traçar o perfil do grupo mais vulnerável a mortalidade por acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso no período compreendido entre 2002 a 2009. É do sexo masculino, na faixa etária dos 20 a 39 anos, condutor ou ocupante de motocicleta, ou de automóvel de passeio, residente na área do Escritório de Saúde de Cuiabá (Baixada Cuiabana) região metropolitana. Essa realidade demonstra um grave problema de saúde pública no Estado, já que atinge uma população jovem e economicamente ativa, necessitando de políticas públicas especificas para esse grupo, como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, instituída pelo Ministério da Saúde em maio de 2009. Total Geral *OUTRAS UF TANGARA DA SERRA SINOP SAO FELIX DO ARAGUAIA RONDONOPOLIS PORTO ALEGRE DO NORTE PONTES E LACERDA PEIXOTO DE AZEVEDO JUINA JUARA DIAMANTINO CUIABA COLIDER CACERES AGUA BOA ALTA FLORESTA Tipo de Causa BARRA DO GARCAS REGIONAIS 117 2 1 1.171 105 6 7 5 1.414 37 CAPÍTULO 3 4 - Políticas públicas para a redução de acidentes de trânsito 4.1 - No Brasil O Ministério da Saúde é o órgão máximo do Sistema Único de Saúde e responsável por estabelecer as diretrizes da política nacional de promoção da saúde, já que os acidentes e a violência as principais causas de morbidade e mortalidade da população. Nesse tópico foram analisadas somente as políticas do Ministério da Saúde que contiam diretrizes ou estratégias para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito, no período do objeto de estudo, isto é de 2002 a 2002. Em 2001 foi instituída a Política Nacional para a Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência, em 2006 a Política Nacional de Promoção a Saúde e mais recentemente em 2008, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, já que esse é o principal grupo das vitimas dos acidentes de trânsito. Outra política nacional importante, porém não elaborada pelo Ministério da Saúde, foi a Lei nº 11.705, de 19 de junho de 2008, conhecida como a “Lei Seca”, que alterou dispositivos da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro, tornou-se importante instrumento para impor penalidades mais severas para o condutor que dirigir sobre a influência do álcool, contribuindo para a redução dos acidentes de trânsito. 4.1.1 – Política Nacional para Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência A Política Nacional para a Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência foi instituída pela portaria nº 737/GM em 16 de maio de 2001, e prioriza medidas preventivas voltadas a evitar a ocorrência de acidentes e violências, como ações destinadas a impedir mortes e ao tratamento das vitimas destes eventos, já que o investimento em prevenção aumenta a abrangência na 38 proteção da população e diminui o custo do atendimento na rede pública de saúde (BRASIL, 2001). As diretrizes estabelecidas para a consecução desta Política Nacional são as seguintes: a) promoção da adoção de comportamentos e de ambientes seguros e saudáveis; b) monitorização da ocorrência de acidentes e de violências; c) sistematização, ampliação e consolidação do atendimento préhospitalar; d) assistência interdisciplinar e intersetorial às vitimas de acidentes e de violências; e) estruturação e consolidação do atendimento voltado à recuperação e à reabilitação; f) capacitação de recursos humanos; g) apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas. Podemos observar que a primeira, segunda, sexta e sétima diretrizes, promoção da adoção de comportamentos e de ambientes seguros e saudáveis, a monitorização da ocorrência de acidentes e de violências, capacitação de recursos humanos e apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas, contribuem diretamente para a redução dos acidentes de trânsito no território nacional. A primeira diretriz contempla a mobilização da sociedade e mídia, como de ações intersetoriais com outros Ministérios relativos à promoção de ambientes seguros e comportamentos saudáveis, como o controle do consumo de álcool. Outra estratégia importante para a implementação de ações dirigidas à prevenção de vitimas de acidentes á a observância dos dispositivos contidos na legislação referente ao trânsito, sendo o Código de Trânsito Brasileiro o principal arcabouço legal. A sensibilização dos formadores de opinião, para a promoção de comportamentos não violentos, e campanhas educativas de mobilização social, com o intuito de envolver a sociedade, configuram-se também como medidas preventivas essenciais. Ainda, conforme especificado nessa diretriz, as ações de prevenção de acidentes deverão estar incorporadas em todos os programas, planos e projetos de atenção a grupos específicos da população e a temas de saúde (BRASIL,2001). 39 Já a segunda diretriz, monitorização de acidentes e violências, compreende estratégias referentes a capacitação e mobilização dos profissionais de saúde que atuam no SUS, com a finalidade de sistematizar as informações acerca de acidentes e violências, possibilitando a elaboração de estudos, objetivando identificar o perfil epidemiológico, segundo a natureza, tipo de lesão, causa, idade entre outros, proporcionando a prevenção e a melhoria do atendimento prestado a estas vitimas. Especificamente em relação a acidentes de trânsito, está prevista a implantação da rede de informação estatística, que deve funcionar de forma integrada em nível municipal, estadual e federal, auxiliando na identificação das causas e nas propostas de medidas preventivas. A sexta diretriz capacitação de recursos humanos sob a perspectiva da prevenção e monitoramento, contempla ações de treinamento voltado à melhoria da qualidade da informação no tocante à vigilância epidemiológica por causas externas, inclui se nesse grupo, os acidentes de trânsito. A última diretriz, apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas, proporcionará compreender qual o impacto socioeconômico dos acidentes e das violências na sociedade, como identificas as causas e os fatores de risco desses agravos (BRASIL,2001). Porém, para a concretização dos objetivos dessa Política Nacional é fundamental a articulação intersetorial com outros segmentos governamentais, como o Ministério dos Transportes, para a adoção de medidas de melhoria das vias públicas e do Ministério da Justiça para o cumprimento das normas de caráter preventivo e controle das condições de segurança da frota de veículos previstos no Código de Trânsito Brasileiro, além da divulgação de material educativo sobre os fatores de risco que interferem na direção segura, como a divulgação nacional do próprio CTB. 4.1.2 – Política Nacional de Promoção da Saúde A portaria nº 687, de 30 de março de 2006 instituiu a Política Nacional de Promoção da Saúde, que tem como enfoque os aspectos que determinam o processo de saúde-adoecimento da população Brasileira, levando em consideração as necessidades de saúde e seus determinantes e condicionantes. No 40 seu escopo a Política Nacional contém os objetivos, diretrizes, estratégias de implementação, responsabilidades das esferas de gestão e as ações específicas. A Política Nacional (BRASIL, 2006) contém 08 ações específicas para o biênio 2006-2007, entre elas a ação 6.6 Redução da morbi-mortalidade por acidentes de Trânsito, que contém as seguintes sub-ações: 6.6.1. Promoção de discussões intersetoriais que incorporem ações educativas à grade curricular de todos os níveis de formação; 6.6.2. Articulação de agendas e instrumentos de planejamento, programação e avaliação dos setores diretamente relacionados ao problema; 6.6.3. Apoio às campanhas de divulgação em massa dos dados referentes às mortes e seqüelas provocadas por acidentes de trânsito. Entende-se que a Política Nacional de Promoção da Saúde é um instrumento importante para o fortalecimento de uma política integrada e intersetorial, que no caso especifico dos acidentes de trânsito, deve envolver outros setores do governo federal, dos governos estaduais e municipais, do setor não governamental e da sociedade, objetivando a redução da mortalidade e das seqüelas provocadas por esse tipo de acidente, proporcionando melhoria na qualidade de vida da população. 4.1.3 – Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem A proposta da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem é de qualificar a atenção à saúde da população masculina, já que os homens são mais vulneráveis às doenças, e vem a óbito mais precocemente dos que as mulheres, principalmente em decorrência com o envolvimento em acidentes e violências. Com base nas informações das causas de mortalidade na população masculina dos 25-59 anos observou-se que, em 75% dos casos, os óbitos estão relacionados aos seguintes grupos de óbitos, Causas Externas (CID 10 - Cap.XX) com 30%; em segundo lugar, estão as Doenças do Aparelho Circulatório (CID10 – Cap. IX) com 20%, em terceiro, os Tumores (CID 10 – Cap. II) com 12%; em quarto, as Doenças do Aparelho Digestivo (CID 10 – Cap. XI) com 8% e, finalmente, em 41 quinto lugar, as Doenças do Aparelho Respiratório (CID 10 – Cap. X) com 5%. Porém ao analisar o maior grupo de óbito as Causas Externas (CID 10 - Cap.XX), identificamos como principal causa os homicídios com 40,3%, seguido por acidentes de transporte com 30%, e suicídios com 7,4%, o restante 22,3% refere-se por outras causas. (BRASIL, 2009). A construção dessa Política levou em consideração as principais enfermidades e agravos à saúde do homem e foi elaborada em conjunto com a sociedade médica, pesquisadores acadêmicos, profissionais das áreas de saúde, representantes do CONASS e CONASEMS e de entidades civis organizadas. A implementação dessa política deve ocorrer em consonância com às demais políticas existentes, de forma hierarquizada e universal de atenção a saúde. As diretrizes contidas na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (BRASIL, 2009), que devem nortear a elaboração dos programas, projetos e atividades, são as seguintes: a) Entender a Saúde do Homem como um conjunto de ações de promoção, prevenção, assistência e recuperação da saúde, executado nos diferentes níveis de atenção; b) Reforçar a responsabilidade dos três níveis de gestão e do controle social, de acordo com as competências de cada um, garantindo condições para a execução da presente política; c) Nortear a prática de saúde pela humanização e a qualidade da assistência a ser prestada, princípios que devem permear todas as ações; d) Integrar a execução da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem às demais políticas, programas, estratégias e ações do Ministério da Saúde; e) Promover a articulação interinstitucional, em especial com o setor Educação, como promotor de novas formas de pensar e agir; f) Reorganizar as ações de saúde, através de uma proposta inclusiva, na qual os homens considerem os serviços de saúde também como espaços masculinos e, por sua vez, os serviços de saúde reconheçam os homens como sujeitos que necessitem de cuidados; g) Integrar as entidades da sociedade organizada na co-responsabilidade das ações governamentais pela convicção de que a saúde não é só um dever do Estado, mas uma prerrogativa da cidadania; h) Incluir na Educação Permanente dos trabalhadores do SUS temas ligados a Atenção Integral à Saúde do Homem; i) Aperfeiçoar os sistemas de informações de maneira a possibilitar um melhor monitoramento que permita tomadas racionais de decisão; j) Realizar estudos e pesquisas que contribuam para a melhoria das ações da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem.(BRASIL,2009) 42 Portanto, as diretrizes dessa Política visam a redução da morbidade e mortalidade da população masculina, no caso de Mato Grosso, conforme evidenciado no capítulo 3, na faixa etária dos 20 a 39 anos que estão mais vulneráveis aos acidentes de trânsito, promovendo a melhoria das condições de saúde dessa grupo populacional. 4.1.4 – Código de Trânsito Brasileiro O Código de Trânsito Brasileiro – CTB, foi instituído pela Lei 9.503, de 23 de setembro de 1997, e passou a vigorar a partir de janeiro de 1998, sendo um instrumento inovador em vários aspectos, e que passou por alterações através das seguintes Leis: Lei nº 9.602, de 21 de janeiro de 1998; Lei nº 9.792, de 14 de abril de 1999; Lei nº 10.350, de 21 de dezembro de 2001; Lei nº 10.517, de 11 de julho de 2002; Lei nº 10.830, de 23 de dezembro de 2003; Lei nº 11.275, de 07 de fevereiro de 2006; Lei nº 11.334, de 25 de julho de 2006; Lei nº 11.705, de 19 de junho de 2008; Decreto nº 6.488, de 19 de junho de 2008. Lei nº 11.910, de 18 de março de 2009. Essas alterações ocorridas no Código de Trânsito Brasileiro o tornaram uma legislação mais severa para os condutores de veículos, e a aplicação dos seus dispositivos vem contribuindo na segurança no trânsito. Vejamos os principais artigos do CTB e as respectivas alterações ocorridas. A Lei nº 11.334, de 25 de julho de 2006, deu nova redação ao CTB, já que alterou os limites de velocidade para fins de enquadramento infracionais e de penalidades, impondo multas para os condutores que trafegarem em limite superior ao permitido, conforme art. 218: Art. 218. Transitar em velocidade superior à máxima permitida para o local, medida por instrumento ou equipamento hábil, em rodovias,vias de trânsito rápido, vias arteriais e demais vias: (Redação dada pela Lei nº 11.334, de 25.7.2006) 43 I - quando a velocidade for superior à máxima em até 20% (vinte por cento): Infração - média; Penalidade - multa; II - quando a velocidade for superior à máxima em mais de 20% (vinte por cento) até 50% (cinqüenta por cento): Infração - grave; Penalidade - multa; III - quando a velocidade for superior à máxima em mais de 50%(cinqüenta por cento): Infração - gravíssima; Penalidade - multa [3 (três) vezes], suspensão imediata do direito de dirigir e apreensão do documento de habilitação (BRASIL,2008) Uma medida especifica para os condutores de motocicleta, motoneta e ciclomotor, foi a obrigatoriedade do uso de capacetes homologados pela Contran, assegurando maior segurança para os condutores e passageiros, vejamos o art. 244: Art. 244. Conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor: I - sem usar capacete de segurança com viseira ou óculos de proteção e vestuário de acordo com as normas e especificações aprovadas pelo CONTRAN; II - transportando passageiro sem o capacete de segurança, na forma estabelecida no inciso anterior, ou fora do assento suplementar colocado atrás do condutor ou em carro lateral; III - fazendo malabarismo ou equilibrando-se apenas em uma roda; IV - com os faróis apagados; V - transportando criança menor de sete anos ou que não tenha, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança: Infração - gravíssima; Penalidade - multa e suspensão do direito de dirigir; Medida administrativa - Recolhimento do documento de habilitação; VI - rebocando outro veículo; VII - sem segurar o guidom com ambas as mãos, salvo eventualmente para indicação de manobras; VIII - transportando carga incompatível com suas especificações: Infração - média; Penalidade - multa. a) conduzir passageiro fora da garupa ou do assento especial a ele destinado; b) transitar em vias de trânsito rápido ou rodovias, salvo onde houver acostamento ou faixas de rolamento próprias; 44 c) transportar crianças que não tenham, nas circunstâncias,condições de cuidar de sua própria segurança. § 2º Aplica-se aos ciclomotores o disposto na alínea b do parágrafo anterior: Infração - média;(BRASIL,2008) Já a Lei 11.705 de 19 de junho de 2008, mais conhecida como Lei Seca, dispõe entre outros, de impor penalidades mais severas para o condutor que dirigir sob a influência do álcool e de restrições da comercialização de bebidas alcoólicas em rodovias federais, vejamos os principais artigos: Art. 165. Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência: (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 19.06.2008) Infração - gravíssima; Penalidade - multa (cinco vezes) e suspensão do direito de dirigir, por 12 (doze) meses; Medida administrativa - retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de habilitação. Parágrafo único. A embriaguez também poderá ser apurada na forma do art. 277. Art. 276. Qualquer concentração de álcool por litro de sangue sujeita o condutor às penalidades previstas no art. 165 deste Código.(Redação dada pela Lei nº 11.705, de 19.06.2008) Parágrafo único. Órgão do Poder Executivo Federal disciplinará as margens de tolerância para casos específicos. Art. 277. Todo condutor de veículo automotor, envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trânsito, sob suspeita de dirigir sob a influência de álcool será submetido a testes de alcoolemia,exames clínicos, perícia ou outro exame que, por meios técnicos ou científicos,em aparelhos homologados pelo CONTRAN, permitam certificar seu estado.(Redação dada pela Lei nº 11.275, de 2006) § 1o Medida correspondente aplica-se no caso de suspeita de uso de substância entorpecente, tóxica ou de efeitos análogos. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 11.275, de 2006) § 2o A infração prevista no art. 165 deste Código poderá ser caracterizada, pelo agente de trânsito, mediante a obtenção de outras provas em direito admitidas, acerca dos notórios sinais de embriaguez,excitação ou torpor, apresentados pelo condutor. (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 19.06.2008) § 3o Serão aplicadas as penalidades e medidas administrativas estabelecidas no art. 165 deste Código ao condutor que se recusar a se submeter a qualquer dos procedimentos previstos no caput deste artigo.(Acrescentado pela Lei nº 11.705, de 19.06.2008) Art. 291. Aos crimes cometidos na direção de veículos automotores, previstos neste Código, aplicam-se as normas gerais do Código Penal e do Código de Processo Penal, se este Capítulo não dispuser de modo 45 diverso,bem como a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, no que couber. § 1o Aplicam-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se o agente estiver. (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 19.06.2008) I – sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência; II – participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística, de exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente; III – transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via, em 50Km/h (cinqüenta quilômetros por hora). § 2º Nas hipóteses previstas no § 1º deste artigo, deverá ser instaurado inquérito policial para a investigação da infração penal. (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 19.06.2008) Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas,ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 19.06.2008) Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. Parágrafo único. O Poder Executivo Federal estipulará a equivalência entre distintos testes de alcoolemia, para efeito de caracterização do crime tipificado neste artigo.(BRASIL,2008) Mas recentemente, a Lei nº 11.910, de 18 de março de 2009 que alterou o art. 105 do CTB, estabelecendo a obrigatoriedade do uso de equipamento suplementar de retenção dos condutores e passageiros dos bancos dianteiro dos automóveis, mais conhecido como air bag. Art. 1º O art. 105 da Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 105... VII - equipamento suplementar de retenção - air bag frontal para o condutor e o passageiro do banco dianteiro. § 5º A exigência estabelecida no inciso VII do caput deste artigo será progressivamente incorporada aos novos projetos de automóveis e dos veículos deles derivados, fabricados, importados, montados ou encarroçados, a partir do 1o (primeiro) ano após a definição pelo Contran das especificações técnicas pertinentes e do respectivo cronograma de implantação e a partir do 5o (quinto) ano, após esta definição, para os demais automóveis zero quilômetro de modelos ou projetos já existentes e veículos deles derivados. 46 § 6º A exigência estabelecida no inciso VII do caput deste artigo não se aplica aos veículos destinados à exportação.(BRASIL, 2009). Essas alterações promovidas no Código Brasileiro de Trânsito aliada com a aplicação do sistema de pontuação na carteira nacional de habilitação para os condutores de veículos, que consiste no acumulo de pontos dependendo da infração cometida pelo condutor, cada infração representa um número de pontos, sendo gravíssima: 7 pontos, grave: 5 pontos, média: 4 pontos e leve: 3 pontos, isto é, todo condutor que no período de 12 meses, acumularem 20 (vinte) pontos ou mais, poderá ter suspensa a sua carteira de habilitação por um período de 01 a 12 meses, tendo como objetivo entre outros a redução do número de acidentes de trânsito e conseqüentemente o número de mortalidades. 4.2 - No Estado de Mato Grosso A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso – SES-MT é gestora do SUS Estadual, sendo responsável pela formulação de políticas de promoção, prevenção e assistência à saúde. Tendo também a atribuição de implementar as diretrizes da Política de Promoção da Saúde em consonância com as diretrizes definidas no âmbito nacional e as realidades regionais do Estado. Em 1985 foi elaborada a primeira Política Estadual de Saúde, sendo posteriormente realinhada em 2005, contento ações norteadoras da SES-MT em consonância com as diretrizes do Sistema Único de Saúde, das Normas Operacionais Básicas-NOB, Normas Operacionais da Assistência à Saúde - NOAS e da Emenda Constitucional 29/00 (MATO GROSSO,2010) O Plano Estadual de Saúde - PES é importante instrumento de referência para a orientação das políticas públicas de saúde no âmbito Estadual e Municipal, e deve contemplar as necessidades epidemiológicas e prioridades de intervenção para a manutenção e melhoria da saúde, definidas pelos atores sociais envolvidos no processo, como os gestores do sistema, profissionais técnicos, segmentos representativos da área de saúde e conselheiros de saúde. 47 O PES compreende o período de quatro anos, sendo elaborado em consonância com o Plano Nacional de Saúde, que é o instrumento de planejamento do Ministério da Saúde em âmbito nacional, com os Planos Plurianuais e com as Leis Orçamentárias Anuais do Estado de Mato Grosso. A seguir será feita a análise dos Planos Estaduais de Saúde dos quadriênios de 2000-2003, 2004-2007 e 2008-2011 elaborados pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, com o objetivo de verificar se esses instrumentos contemplaram alguma política para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito. 4.2.1 - Plano Estadual de Saúde 2000-2003 O Plano Estadual de Saúde é baseado no trabalho coletivo que resultou das Conferências Nacionais e Estaduais de Saúde, e também no Plano Plurianual do Governo do Estado para o período 2000 a 2003 e tem também como referência a Declaração conjunta assinada entre o Ministério da Saúde, com o conjunto das Secretarias Estaduais de Saúde no início de 1999. O Plano Estadual de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (Mato Grosso, 2000) para esse quadriênio possuía 10 programas que são os seguintes: Programa I – Saúde da Família, Programa II – Cooperação Técnica com os Municípios, Programa III – Administração, Formação e Desenvolvimento de Recursos Humanos, Programa IV – Assistência Ambulatorial, Programa V – Assistência Hospitalar, Programa VI – Sistema de Referência e Contra-Referência, Programa VII – Readequação da Rede Física e Tecnológica, Programa VIII – Desenvolvimento Institucional e Modernização Gerencial da SES, Programa IX – Participação e Controle Social e Programa X – Gestão do SUS. Analisando os programas contidos no Plano Plurianual referente ao período de 2000 a 2003, fica evidenciado que a Secretaria Estadual de Saúde não contemplou nenhum programa com ações de promoção, prevenção e controle relacionados aos acidentes de trânsito. 48 4.2.2 Plano Estadual de Saúde 2004-2007 Seu escopo fundamenta-se no Plano Plurianual do Governo do Estado de Mato Grosso, para o quadriênio 2004-2007. Foi elaborado pela Superintendência de Planejamento, Orçamento e Finanças (Mato Grosso, 2005). Compõe-se, então, o documento de treze programas e cento e trinta e duas ações, tendo, na sua estrutura, a descrição dos elementos citados a seguir: Programa I – Fortalecimento da Atenção Básica, Programa II – Fortalecimento das Ações de Atenção às Populações em Situações de Vulnerabilidade, Programa III – Implementação e Efetivação da Microrregionalização da Saúde no Estado, Programa IV – Fortalecimento do Complexo Regulador do SUS, Programa V – Implementação das Ações de Vigilância à Saúde, Programa VI – Reestruturação da Assistência Farmacêutica, Programa VII – Gestão Democrática do SUS, Programa VIII – Formação e Capacitação Permanente em saúde, Programa IX – Fortalecimento da Gestão da SES, Programa X – Desenvolvimento da Política de Investimento em Saúde, Programa XI – Atenção aos Portadores de Deficiência, Programa XII – Apoio Administrativo, Programa XIII - Gestão da Tecnologia da Informação Dos treze programas, dois estão relacionados à atenção, prevenção e vigilância à saúde de grupos populacionais em situação de risco, tais como jovens, crianças, adolescentes e homens e da redução da mortalidade, que são os programas II – Fortalecimento das Ações de Atenção às Populações em Situações de Vulnerabilidade e V – Implementação das Ações de Vigilância à Saúde. Porém, analisando os objetivos, diretrizes e metas desses programas não identificamos nenhuma ação especifica para redução de acidentes e violências, ou seja, da mortalidade por acidentes de trânsito, conforme redação do Plano Estadual de Saúde 2004-2007: Programa II – Fortalecimento das Ações de Atenção às Populações em Situações de Vulnerabilidade Objetivo: Reduzir a morbi-mortalidade através de ações de promoção, prevenção e proteção à saúde de indivíduos e grupos populacionais em situação de risco, tais como gestantes, crianças, idosos, adolescentes, entre outros. Diretriz: Apoio à estruturação e implementação dos serviços de atenção à essas populações nos municípios e unidades regionalizadas. 49 Meta: 100% dos municípios realizando ações de atenção às populações em situação de vulnerabilidade. Programa V – Implementação das Ações de Vigilância à Saúde, Objetivo: Reduzir a morbi-mortalidade por doenças transmissíveis, não transmissíveis e a redução dos riscos ambientais, sanitários e ocupacionais por meio da descentralização e fortalecimento das ações de vigilância à saúde.Justificativa: O caráter preventivo da vigilância à saúde evidencia a necessidade de ampliar as ações nas instâncias regional e municipal, para reduzir a morbidade por doenças e agravos, que em Mato Grosso encontram fatores ambientais, sanitários, ocupacionais, epidemiológicos e sócio-econômicos que predispõem à ocorrência destes.(MATO GROSSO,2005) Portanto, analisando os objetivos dos programas fica evidenciado que nenhuma ação especifica, seja de monitoramento, vigilância ou avaliação foi contemplada no Plano Estadual de Saúde para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito. 4.2.3 Plano Estadual de Saúde 2008-2011 No ano de 2007 iniciou a elaboração do PES 2008-2011, através de processo coletivo, no qual participaram todas as superintendências, unidades descentralizadas e desconcentradas da SES-MT. Ocorreram reuniões técnicas para a apresentação das atividades desenvolvidas pelos setores, onde foram elencados os três principais problemas referentes a gestão da unidade, como os de saúde pública no qual a unidade é responsável. Posteriormente, com a compilação dos dados foi feita a análise situacional de saúde, que foram divididos em áreas temáticas com a participação do nível estratégico onde foram discutidos a formulação dos eixos, objetivos, diretrizes , ações estratégicas e metas, que resultou na proposta do Plano Estadual de Saúde (MATO GROSSO, 2010) O Plano Estadual de Saúde 2008-2011 está estruturado em três partes, distribuídos: I análise da situação da saúde, II – objetivos, diretrizes e metas e III – operacionalização, monitoramento e avaliação do plano. Dos três PES analisados, esse apresentou um maior detalhamento das ações estratégicas e de conformidade com as diretrizes do Ministério da Saúde. O Plano está organizado em quatro eixos: 50 Eixo I - Atenção à Saúde composto de 04 objetivos, 08 diretrizes e 22 metas, Eixo II - Vigilância em Saúde com 01 objetivo, 06 diretrizes e 19 metas, Eixo III - Gestão do SUS com 01 objetivo, 11 diretrizes e 19 metas e Eixo IV Promoção da Saúde com 01 objetivo, 02 diretrizes e 03 metas. Foram analisados os eixos II e IV, que estão relacionados a promoção e prevenção para redução da mortalidade por acidentes de trânsito. Dos três Planos Estaduais de Saúde, o PES 2008/2011, foi o único que contemplou diretrizes e metas relacionados a promoção, prevenção e monitoramento de acidentes e violências. O eixo II – Violência em Saúde, com a diretriz de implementação da vigilância de doenças e agravos não transmissíveis e meta de caracterizar o perfil de morbi-mortabilidade por acidentes e violências em 4 regionais de saúde, evidenciando que esses agravos constituem-se um grave problema de saúde pública por sua elevada mortalidade, sendo necessário medidas de monitoramento constante. O eixo IV – promoção à saúde, com a diretriz de implementação da promoção da saúde e meta de assegurar que 100% dos profissionais da SES/MT atuem em processos educativos em saúde, conforme detalhamento do Plano Estadual de Saúde 2008-2011: Eixo II – Vigilância em Saúde Objetivo: Consolidar a Vigilância em Saúde Diretriz: Implementação da vigilância das doenças transmissíveis e a efetivação da vigilância das doenças e agravos não transmissíveis; Diretriz: Efetivação da vigilância de doenças e agravos não transmissíveis; Diretriz: Fortalecimento do gerenciamento do risco à saúde inerente a produtos, serviços e ambientes de interesse sanitário; Diretriz. Implementação da Vigilância em Saúde Ambiental; Diretriz: Implementação da vigilância em saúde do trabalhador; Diretriz: Efetivação da rede laboratorial; . Eixo IV – Promoção da Saúde Objetivo: Estimular intervenções nos determinantes e condicionantes de saúde contribuindo para a qualidade de vida da população. Diretriz: Implementação da Promoção da Saúde; Diretriz: Fortalecimento das praticas educativas e humanização do serviço em saúde na atenção e gestão; (MATO GROSSO, 2010) Essas ações de promoção da saúde contidas no PES 2008/2011 podem contribuir para a redução dos acidentes de trânsito, já que nos casos de mortalidade de acidentes de trânsito as promoções de práticas educativas devem ser feitas de forma continua, não somente em período de festividades ou feriados prolongados. 51 Outro objetivo importante deste PES é a consolidação da vigilância em saúde, através da implantação das redes de monitoramento dos acidentes e violência nos municípios, tendo como objetivo o investimento em estudos que propiciem apresentar propostas concretas de ação nas regiões onde às taxas de mortalidade por causas externas, dentre estas os acidentes de trânsito, são elevadas, possibilitando o enfrentamento desse tipo de agravo. 52 CAPÍTULO 4 5 - Análise das políticas públicas implementadas e sua contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso, no período de 2002 a 2009. 5.1 – Metodologia 5.1.1 – Tipo de Estudo Trata-se de uma pesquisa quantitativa pois iremos traduzir em números opiniões e informações para classificá-las e analisa-las. A pesquisa quantitativa na área da saúde possui as seguintes características: Atitude cientifica, busca da explicação do comportamento das coisas; Objeto de estudo, fatos vistos e descritos; Desenho do projeto, recursos preestabelecidos; Perfil da amostra, representantes com características do todo populacional, Análise dos dados, uso de técnicas bioestatísticas para a organização dos achados, posteriormente tabulados por especialidades; Apresentação dos resultados, em linguagem matemáticas (tabelas e quadros) e Conclusão sobre as hipóteses, confirmação ou refutação das hipóteses previamente formuladas. (TURATO, 2005). A investigação quantitativa, segundo Boaventura (2009) caracterizase como fonte direta de dados do ambiente natural, constituindo-se o pesquisador no principal instrumento, onde os investigadores examinam os dados de maneira indutiva e privilegiam o significado. A pesquisa é do tipo bibliográfica, já que utilizamos referencias teóricas de artigos, dissertações e teses, e do tipo descritiva já que analisamos fatos e fenômenos, procurando a freqüência com que um fenômeno ocorre, como a sua relação e conexão com outros eventos. (CERVO, 2007) 5.1.2 Caracterização do Local de Estudo O Estado de Mato Grosso faz parte das 27 (vinte e sete) unidades federativas do Brasil. Está localizado a oeste da região Centro - Oeste e a maior parte de seu território é ocupado pela Amazônia Legal, sendo o extremo Sul do 53 Estado pertencente ao Centro-Sul do Brasil. Tem como limites os seguintes Estados: Amazonas e Pará (Norte); Tocantins e Goiás (Leste); Mato Grosso do Sul (Sul); Rondônia e Bolívia (Oeste). Ocupa uma área de 903.357,908 Km², possuindo uma População de 2.749.145 habitantes (Fonte: IBGE/DATASUS-TCU/2007) que representa uma densidade demográfica de 2.77 habitantes por Km². Essa população está distribuída em 141 (cento e quarenta e um) municípios, conforme pode ser visualizado na figura 1 , sendo que a capital é a cidade de Cuiabá que se encontra habilitada na Gestão Plena Municipal. Figura 1 – Mapa Político do Estado de Mato Grosso Fonte: SEPLAN/MT O Estado de Mato Grosso possui 16 Escritórios Regionais de Saúde que são unidades descentralizadas da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, que tem como missão viabilizar o processo de descentralização da saúde no Estado de Mato Grosso, em consonância com as diretrizes do sistema único de saúde, e 14 Consórcios Intermunicipais de Saúde (CIS), que foram constituídos com a finalidade de melhorar as 54 ações e serviços de saúde. As ações envolvem adequação de infra-estrutura, recursos humanos e distribuição de equipamentos para implantação de serviços necessários aos município consorciados. Os Consórcios Intermunicipais de Saúde abrangem 120 Municípios do Estado de Mato Grosso, com uma cobertura de 64,23% da população do Estado, já os Escritórios Regionais de Saúde contemplam todo o Estado. Figura 2 – Divisão do Estado por Regionais de Saúde Fonte: Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso, 2010 5.1.3. População e amostra A população deste estudo foi do tipo não probabilística e intencional, pois, foi efetuada a análise de todos os dados, que representam o universo da amostra, por sexo, faixa etária, local de ocorrência e tipo do agravo. A população do estudo foi constituída pelas vítimas de acidentes de trânsito ocorridos no Estado de Mato Grosso no ano período de 2002 a 2009, como também da análise dos instrumentos de planejamento da Secretaria de Estado de Saúde, como o Plano 55 Estadual de Saúde, de algumas políticas implementadas pelo Ministério da Saúde e do Código de Trânsito Brasileiro e de dados do Departamento Nacional de Trânsito. 5.1.4 Coleta de Dados Através de amostragem estratificada, já que foi realizada análise de cada subgrupo da população considerada. Os fundamentos para delimitar os subgrupos foram: sexo, idade, local de ocorrência e causa da mortalidade por acidente de trânsito. A identificação da população foi preservada, já que não será relevante para a pesquisa. Os dados referentes aos números de óbitos por Acidentes de Trânsito foram obtidos através do Sistema de Informação em Saúde DataWarehouse (DW) da Secretaria do Estado de Mato Grosso. Este sistema de informação interliga os dados da base de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), gerenciado pela Secretaria de Vigilância da Saúde do Ministério da Saúde, o que permitiu uma melhor análise dos dados coletados. O DataWarehouse (DW) é um conjunto de dados orientados a assuntos integrados,sendo uma tecnologia de gestão e análise de dados ao processo de tomada de decisão. O DW possibilita a integração de dados de múltiplas fontes, permite a recuperação de dados históricos, atende a diferentes tipos de usuários e possibilita o armazenamento dos dados de forma segura. (SINGH; 2001). A SES-MT utiliza-se de diversos sistemas de informação, que visam suprir as necessidades de cada setor, e não são integrados. O Sistema de Informação em Saúde DataWarehouse (DW), é um software BI (Buisnes Inteligence), capaz de gerar um banco de dados com base do sistema do DATASUS, possibilitando a integração dos mais diversos banco de dados, o que possibilita a sua manipulação e a criação de tabelas dinâmicas. Foram analisados também os Planos Estaduais de Saúde dos últimos três quadriênios, algumas políticas do Ministério da Saúde que contemplam diretrizes para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito, o Código de 56 Trânsito Brasileiro e dados do Departamento Nacional de Trânsito, com o objetivo de verificar os programas e recursos disponibilizados para as ações de promoção e prevenção de acidentes de trânsito no Estado. Na análise das políticas públicas implementadas no Estado e sua contribuição para a redução dos acidentes de trânsito foi utilizado também o banco de dados do Departamento Nacional de Trânsito para verificar a evolução dos licenciamentos e a sua relação com a evolução dos óbitos por acidentes de trânsito. Os dados coletados foram então tabulados, através do Microsoft Office Excel, desprezando as informações referentes a identificação das vitimas, o que possibilitou a elaboração de tabelas e gráficos a fim de serem observados e submetidos à análise, verificando se as políticas públicas implementadas pela Secretaria de Estado de Saúde contribuíram para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso. 5.1.5 Análises dos Dados A variável principal do estudo foi a causa básica da morte, agregada a partir da décima revisão da Classificação Internacional de Doenças - CID 10 (OMS, 1995;2000), que possui um capítulo destinado às causas externas (capítulo XX) e de subgrupo de acidentes de transporte V01-V99. Foi analisada a evolução da mortalidade por acidentes de trânsito no período de 2002 a 2009 e a sua distribuição segundo as variáveis: sexo, idade, procedência, naturalidade, local de ocorrência e causa do óbito de acordo com o CID 10. O processamento dos dados foi feito com o auxilio do Datawharehouse, e do aplicativo Microsoft Office Excel, que permitiu a elaboração de gráficos e tabelas. Foram elaboradas tabelas contendo: Número de óbitos e coeficientes de mortalidade por causas externas no Estado de Mato Grosso, segundo tipo e causa no ano de 2007, segundo sexo e tipo de causa, segundo tipo de causa e faixa etária, razão de sexo e coeficiente de mortalidade. Foi analisado também o número de óbitos e as causas de mortalidade por acidentes dos Escritórios Regionais de Saúde de: Água Boa, Alta Floresta, Baixada Cuiabana, Barra do Garças, Cáceres, Colíder, Diamantino, Juara, 57 Juína, Peixoto de Azevedo, Pontes e Lacerda, Porto Alegre do Norte, Rondonópolis, São Félix do Araguaia, Sinop e Tangará da Serra. Também foi analisada a evolução dos licenciamentos de veículos de transporte no período de 2002 a 2009, a sua distribuição por categoria: automóveis, motocicletas, caminhonetes, caminhões, ônibus e de outros veículos e a sua correlação com os óbitos por acidentes de trânsito. Os dados foram analisados por categorias, identificadas por alfasnuméricas do CID-10 e, em comparação com parâmetros oficiais da legislação vigente e foi apresentado em tabelas, por série geográfica (distribuídos por regiões e fixo o tempo) e por série categórica (distribuídos por categoria e fixo o tempo e o local) e em gráficos informativos de base matemática, linear e de superfície elaborados no Microsoft Office, utilizando o aplicativo Excel. 5.2 – Análise das políticas públicas implementadas e sua contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito 5.2.1 – Introdução Nesse tópico busco evidências dos efeitos das políticas públicas implementadas na redução da mortalidade por acidentes de trânsito no período de 2002 a 2009 no Estado de Mato Grosso. Conceitualmente, pode-se utilizar a taxa de mortalidade específica por acidentes de trânsito nos seguintes indicadores: óbitos por acidentes de trânsito por veículo e número de veículos por habitante. Porém a população exposta ao risco de mortalidade por acidentes de trânsito é de difícil mensuração, já que se trata de uma população flutuante. Como o foco da pesquisa é analisar a redução da mortalidade, que está relacionada à violência no trânsito, levamos em consideração para a análise a evolução do tamanho da frota em relação aos óbitos ocorridos. (SOUZA et al.,2008). Estudo técnico realizado pela Confederação Nacional dos Municípios, intitulado “Mapeamento das Mortes por acidentes de trânsito no Brasil”, apresenta o seguinte: a) Mato Grosso é o quarto Estado da federação com maior taxa média de óbitos por grupo de 100.000 habitantes, com 29,6%; b) Cuiabá, capital do Estado, possui uma razão óbitos/frota de 10.000 veículos, isto é, 58 quantidade média de óbitos segundo a quantidade média de veículos da capital, de 7,65%, sendo a 14ª no ranking das capitais do País; c) Cuiabá configura na lista dos 50 municípios com maiores número de óbitos estando na 25ª colocação, com uma quantidade média de 135 óbitos; d) O Estado possui dois municípios com mais de 100.000 habitantes com maiores taxa de óbitos por acidentes de trânsito, o município de Rondonópolis, 2º no ranking com uma taxa de 47,3% e o município de Sinop, 9º no ranking com uma taxa de 34,9% (http://portal.cnm.org.br/sites/9000/9070/Estudos/Transito/EstudoTransito-versaocon curso.pdf). Para isolar os acidentes de trânsito, foram elaboradas analises por grupos com mortalidades e licenciamentos mais significativos relacionadas aos automóveis, motocicletas, caminhões, ônibus e pedestres, excluído o grupo de outras causas, já que os óbitos por acidentes de veículos a motor representam em média 98% do total de óbitos com acidentes de transporte, conforme já abordado no item 3.3, aspectos epidemiológicos dos acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso no período de 2002 a 2009, deste trabalho. 5.2.2 – Evolução dos licenciamentos e da mortalidade por acidentes de trânsito Ao analisarmos a evolução da mortalidade por acidentes de trânsito no Brasil em relação à mortalidade por acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso (gráfico 3), observamos que desde o ano de 2005 o comportamento dos indicadores acompanha a mesma tendência, isto é, uma ascensão dos casos até o ano de 2008, com uma redução nos casos de óbitos em 2009. 59 Gráfico 3 – Mortalidade por acidentes de trânsito, Brasil X Mato Grosso, 2002 a 2009 Fonte: DataWarehouse – Informações em Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS e DENATRAN (2002 a 2009 A equação utilizada para apurar o coeficiente de mortalidade por acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso e no Brasil foi à seguinte: Óbitos ocorridos no período População X 100.000 = Taxa de Mortalidade por 100.000 hab. Os coeficientes de mortalidade do País e do Estado de Mato Grosso por 100.000 habitantes no período de 2002 a 2009 são os seguintes: CÁLCULO DO ÍNDICE DE MORTALIDADE - BRASIL População Óbitos Índice de Mortalidade Fonte: Datasus / MS 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 174.632.960 176.871.437 181.581.024 184.184.264 186.770.562 184.014.516 189.612.814 191.506.729 33.288 33.620 35.674 36.611 37.249 38.419 39.211 37.603 19,06 19,01 19,65 19,88 19,94 20,88 20,68 19,64 60 CÁLCULO DO ÍNDICE DE MORTALIDADE - MATO GROSSO População Óbitos Índice de Mortalidade 2002 2.604.742 880 33,78 2003 2.651.335 754 28,44 2004 2.749.145 929 33,79 2005 2.803.274 880 31,39 2006 2.856.999 919 32,17 2007 2.854.642 947 33,17 2008 2.957.732 1.076 36,38 2009 3.001.692 1.059 35,28 Fonte: Datasus / MS Porém, ao analisarmos os dados referentes à taxa de mortalidade do período, verificamos que apesar de apresentarem uma tendência semelhante, com uma redução da taxa em 2003, e um novo aumento a partir de 2005, a taxa de mortalidade no Brasil, passou a reduzir em 2008, enquanto no Estado de Mato Grosso essa redução passou a ocorrer somente no ano de 2009. Outro fator que merece destaque é o índice de mortalidade do Estado, que apresenta um taxa média de óbitos por 100.000 hab. no período de 8 anos (2002 a 2009) de 33,05, enquanto que a taxa média no País de 19,84. Esse dado é preocupante, já que demonstra uma evolução significativa desse indicador, já que em estudos anteriores (CNM, 2009) a taxa média do Estado, no período de 2005 a 2007, foi de 29,6. Estudos já demonstram que a elevação do número de veículos por habitante é sempre acompanhada pela redução do número de óbitos por acidentes de trânsito por veículo, no entanto, a redução do número de óbitos por veículo pode ser maior, menor ou igual que a elevação do número de veículos por habitante. (KILSZTAJN et al.,2001). Redução do Número de óbitos por veículo Elevação do Número de Veículos por habitante Maior Menor Igual Igual Menor Maior Fonte: Kilsztajn, 2001, elaborado pelo autor Segundo Kilsztajn (2001:p.267) “a redução do número de óbitos por veículo nas regiões mais ricas é menor que o aumento do número de veículos por 61 habitante e, portanto, a taxa de mortalidade por acidentes de trânsito sobe ao mesmo tempo que cai o número de óbitos por veículo” Analisando a evolução dos licenciamentos por tipo de veículo – gráfico 4 – verificamos um aumento dos licenciamentos de motocicletas em 194,10%, dos automóveis em 89,83%, das caminhonetes em 85,07%, dos caminhões em 81,35% e dos ônibus em 80,14% no período. Se excluirmos o número dos licenciamentos de caminhonetes, observamos que a partir do ano de 2006, o número dos licenciamentos de motocicletas superou o número dos licenciamentos de automóveis, em 7.964 unidades, chegando a 81.756 unidades em 2009, um aumento em torno de 926%. O ritmo de crescimento do número de motocicletas no País já foi identificado em outros estudos, na década de 98/08, esse crescimento foi de 20% ao ano, chegando a 368,80% no período, enquanto o número de automóveis aumentou 89,70% no mesmo período (Waiselfisz, 2011). Gráfico 4 – Evolução dos licenciamentos, por tipo de veículo, Mato Grosso, 2002 a 2009 Fonte: DataWarehouse – Informações em Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS e DENATRAN (2002 a 2009 62 A evolução exorbitante dos licenciamentos de motocicletas já é apontada em estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), intitulado A Mobilidade Urbana no Brasil, que apresenta as principais transformações da mobilidade urbana ocorrida no País nos últimos anos. Segundo previsão do Ipea, a partir de 2012 no Brasil, a aquisição de motocicletas será maior do que a de automóveis, e em 2025 as frotas de motocicletas e veículos devem dobrar. Alguns fatores são apontados para essa evolução: aumento do poder aquisitivo da população, políticas de incentivos fiscais do governo federal para a aquisição desses meios de transporte, facilidades de crédito, além das deficiências dos meios de transporte coletivos (IPEA, 2011). Diante da elevação do número de veículos por habitante, faz-se necessário a análise de outro indicador importante, que é o Índice de Mortos no Trânsito por 10.000 veículos (IM-V), já que este é utilizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para estudo da mortalidade por esse tipo de causa, que serve para medir o grau de violência no trânsito de um País ou uma região. A equação utilizada para apurar o IM-V do período estudado no Estado de Mato Grosso foi à seguinte: N.º de óbitos resultantes de Acidentes de Trânsito x 10.000 = N.º de Veículos Registrados Índice de Mortalidade em Acidentes de Trânsito por 10.000 veículos Os índices de mortalidade em acidentes de trânsito por 10.000 veículos no Estado de Mato Grosso no período de 2002 a 2009 são: CÁLCULO DO ÍNDICE DE MORTALIDADE Licenciamentos Óbitos Índice de Mortalidade Fonte: Datasus / MS 2002 475.982 880 18,49 2003 536.468 754 14,05 2004 609.284 929 15,25 2005 674.792 880 13,04 2006 730.609 919 12,58 2007 816.276 947 11,60 2008 938.854 1.076 11,46 2009 1.053.299 1.059 10,05 63 Nesse índice observamos uma redução na taxa, que em 2002 foi de 18,49 e ao final de 2009 chegou a 10,05. A justificativa para essa redução já foi apresentada por Kilsztajn (2001:p.267), pois a elevação do número de veículos por habitante é sempre acompanhada pela redução do número de óbitos por acidentes de trânsito por veículo. Como fatores que levam a essa redução na taxa estão: frotas mais novas e seguras, melhor treinamento dos motoristas, sinalização e condições das estradas e fiscalização no trânsito. Outros achados evidenciam que as capitais com as maiores frotas de veículos do país, apresentam menores taxas, é o caso do município de São Paulo com uma taxa de 3,17 e Porto Alegre com 3,29, já Cuiabá, capital de Mato Grosso, possui um índice de 7,65, confirmando que no Brasil, as regiões com maior número de veículos por habitante possuem uma taxa maior de mortalidade por acidentes de trânsito e uma taxa menor em número de óbitos por veículo. (CNM, 2009). Comparando a evolução dos licenciamentos dos veículos no Estado de Mato Grosso no período de 2002 a 2009 em relação aos óbitos ocorridos no mesmo período (gráfico 5), verificamos um aumento de 121,29% nos licenciamentos de veículos automotores e um aumento de 29,98% no número de óbitos. Gráfico 5 – Evolução dos licenciamentos e dos óbitos por acidentes de trânsito, Mato Grosso, 2002 a 2009 Fonte: DataWarehouse – Informações em Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS e DENATRAN (2002 a 2009 64 A evolução dos óbitos por acidentes de trânsito apresentam uma ascendente do período de 2005 até 2008, no ano de 2009 observa-se uma redução de 1,58% (17 casos) nos óbitos em relação ao ano anterior, pois em junho de 2008 foi instituída a Lei 11.705, mais conhecida como Lei Seca, que impôs penalidades mais severas para o condutor que dirigir sob a influência do álcool e de restrições da comercialização de bebidas alcoólicas em rodovias federais. Fica evidenciado que essa mudança de comportamento dos condutores diante de ações coercitivas do poder público, através da realização de blitz para a checagem do nível de concentração alcoólica e da aplicação de penalidades administrativas mais severas, como a suspensão da carteira de habilitação, multa de R$ 957,69 e retenção do veículo contribuíram para a diminuição dos óbitos por esse tipo de causa. Dados do Ministério da Saúde demonstram que as mortes provocadas por acidentes de trânsito reduziram em 6,2% no período de 12 meses após a Lei Seca, quando comparado ao mesmo período anterior a implantação da Lei. O poder público tem um papel fundamental na aplicação e fiscalização da Lei Seca para reduzir a associação entre bebida alcoólica e direção, levantamento do Ministério da Saúde (disponível em http://portal.saude.gov.br) destaca o Estado do Rio de Janeiro, como o principal ente da Federação na redução da taxa de mortalidade por acidentes de trânsito em -32,5%. O Estado do Rio de Janeiro desde 19 de março de 2009 instituiu a Operação Lei Seca, que consiste em ações de fiscalização ininterruptas para coibir o consumo de bebidas alcoólicas por motoristas. Com uma equipe de 180 pessoas, entre policiais militares, agentes de trânsito do Estado e cadeirantes vítimas de acidentes de trânsito, realizam ações de conscientização e fiscalização no período da noturno, onde ocorre com maior freqüência a combinação álcool e direção. No período de 2 anos, foram realizados mais de 450 mil testes de medição alcoólica com o bafômetro foram realizados, mais de 35 mil carteiras de habilitação foram apreendidas, com sanções administrativas para 4,3 mil motoristas e denúncia criminal para 1,5 mil condutores http://www.fmdc.org.br/noticias/detalhes.php?notId=330728). (disponível em 65 5.2.3 – Políticas públicas implementadas e sua contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito 5.2.3.1 – Contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de automóveis No gráfico 6, foi feita a análise da evolução dos licenciamentos de automóveis em relação aos óbitos de automóveis, verificamos que ocorreu uma redução dos casos de óbitos no período compreendido entre 2002 a 2009 em 56,5%. A partir de 2005 ocorre o declínio dos óbitos envolvendo automóveis, no ano de 2006 com uma redução não significativa de 01 óbito, no ano de 2007 uma redução de 11 óbitos em relação ao ano anterior, em 2008 ocorreu um aumento no número de óbitos com um total de 12, e finalmente, em 2009 tivemos novamente uma redução de 16 óbitos por acidentes de automóveis em relação ao ano anterior. Podemos destacar como políticas que contribuíram para a redução da mortalidade nesse período, a Lei nº 11.334, de 25 de julho de 2006, deu nova redação ao Código Brasileiro de Trânsito (CTB), alterando o art. 218, já que alterou os limites de velocidade para fins de enquadramento infracionais e de penalidades, impondo multas para os condutores que trafegarem em limite superior ao permitido e a Lei 11.705 de 19 de junho de 2008, conhecida como Lei Seca, já abordada anteriormente. Porém, a aplicação do CTB só é eficaz com forte controle policial, conforme dados da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, em períodos que ocorrem essas fiscalizações nas rodovias e nas cidades as mortes por acidentes de trânsito chegam a reduzir em 50% (disponível em HTTP://www.frentetransitoseguro.com.br/artigos/1416-o-ctb-e-as-34-mil-mortes-emacidentes). A Política Nacional de Promoção da Saúde, instituída em 2006 que contém ações específicas para o biênio 2006-2007, entre elas a ação: 6.6 - Redução da morbi-mortalidade por acidentes de trânsito, que possibilitou a articulação de agendas de planejamento dos setores envolvidos na questão, como no apoio às campanhas de divulgação em massa dos dados referentes às mortes por acidentes de trânsito, pode ter contribuído para a conscientizarão dos condutores, porém não encontramos nenhuma evidenciação científica que permitisse essa conclusão. 66 Gráfico 6 – Evolução dos licenciamentos de automóveis e dos óbitos de acidentes com automóveis, Mato Grosso, 2002 a 2009 Fonte: DataWarehouse – Informações em Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS e DENATRAN (2002 a 2009) Podemos citar outros fatores que contribuíram para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito de automóveis nesse período, como a melhoria na conservação de estradas, processo para obtenção da CNH mais rigoroso, fabricação de veículos com carrocerias que distribuem a absorção do impacto, nova tecnologia utilizada nos veículos, tais como cintos de segurança multipontos, freios ABS e air-bags - que se tornarão obrigatórios a partir de 2014, sendo essas medidas de segurança veicular que proporcionaram maior segurança aos condutores e ocupantes de veículos. 67 5.2.2.2 – Contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de motocicletas Na análise da evolução dos licenciamentos de motocilcetas em relação aos óbitos por acidentes de motocilcetas, apresentado no gráfico 7, observamos que esse tipo de óbito teve um crescimento vertiginoso no período compreendido entre 2002 a 2009, os casos aumentaram em 237,93%. O incremento da frota de motocicletas acompanhou esse crescimento, sendo de 294,11% no mesmo período. Estudo recente apresenta dados preocupantes, o documento Mapa da violência 2011 – os jovens do Brasil, do Instituto Sangari, destaca que a mortalidade com os motociclistas aumentou 754% no período entre 1998 a 2008. (Waiselfisz, 2011) Alguns fatores tem contribuido para o aumento da utilização desse meio de transporte e consequentemente no número de óbitos, podemos citar o seu baixo custo em relação aos automóveis, agilidade no trânsito, manutenção simples, facilidade de aquisição – através de linhas de crédito específicas e maiores prazos de pagamento – e a crescente utilização como instrumento de trabalho para entregadores, mototaxistas e motoboys. A Lei nº 11.334, de 25 de julho de 2006, que deu nova redação ao CTB, alterando o art. 244, instituindo a obrigatoriedade do uso de capacetes homologados pelo Contran, tinha como objetivo propiciar maior segurança para condutores e passageiros de motocicletas e motonetas. Podemos concluir que a instituição dessa política pública, bem como a instituição da Lei Seca em 2008 não contribuíram para a redução da mortalidade dos acidentes de motocicletas, já que o condutor continua exposto no caso de acidentes, principalmente os que envolvem-se em colisões. 68 Gráfico 7 – Evolução dos licenciamentos de motocicletas e dos óbitos de acidentes com motocicletas, Mato Grosso, 2002 a 2009. Fonte: DataWarehouse – Informações em Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS e DENATRAN (2002 a 2009) Outros estudos já demonstram a vulnerabilidade desse grupo a mortalidade por acidentes de trânsito, pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA intitulada “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de Trânsito nas Aglomerações Urbanas” apresentada em 2003, revela que a severidade dos acidentes difere segundo o tipo de veículo. Dos automóveis que se envolveram em acidentes, entre 6 e 7% foram acidentes com vitimas, já das motocicletas acidentadas, o percentual com vitimas variou entre 61 e 82%. (IPEA, 2003). Podemos citar como outros fatores que favorecem a ocorrência de acidentes envolvendo os motociclistas: dificuldade de visualização dos motociclistas por outros motoristas, comportamentos inadequados no trânsito - excesso de velocidade e ingestão de bebida alcoólica – e principalmente, da vulnerabilidade do condutor da motocicleta, já que este fica exposto ao contato de outro veículo no caso de uma colisão. 69 5.2.2.3 – Contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de caminhões No gráfico 8, analisamos a relação da evolução dos licenciamentos de caminhões e os óbitos relacionados a esse meio de transporte, já que os acidentes envolvendo caminhões no Estado de Mato Grosso são cada vez mais frequentes e trágicos. A malha rodoviária do Estado de Mato Grosso apresenta grande intensidade de trânsito, principalmente no trecho da BR-163 em épocas de escoamento da agropecuária, já que o Estado é o principal pólo na produção de grãos do País. A Rodovia BR-163 é responsável em integrar a região norte e centrooeste com a região sul e sudeste possuindo 1.780 km de extensão, boa parte ainda sem condições de trafegabilidade e pavimentação asfáltica. Estudos apontam as seguintes caracteristicas associados à ocorrência de acidentes de trânsito na BR 163 no ano de 2004: a maioria dos acidentes ocorridos (55,8%) envolvem dois veículos; em relação a distribuição dos acidentes segundo o traçado da pista, 82,9% ocorrem em pista com traçado tangente (linha reta); em relação as condições do tempo, 63,3% aconteceram em boas condições; os acidentes classificados como “saídas de pista” foram os mais frequentes com 26,3%; 75,81% dos acidentes envolveram caminhões e o principal fator contribuinte para a ocorrência de acidentes dentre as causas especificadas foi a falta de atenção (16,4%), presença de buraco na pista (13,1%) e não manter distância em relação ao veículo da frente (8,0%) (ALMEIDA et. Al 2009). Analisando os dados referentes aos acidentes de caminhões no período de 2002 a 2009, verificamos que ocorreu um aumento de 50% nos óbitos e um aumento de 81,34% nos licenciamentos no período. Porém no ano de 2007, ocorreu uma redução significativa nos óbtios, de -58% o que corresponde a 26 casos, em relação ao ano anterior. No ano de 2006 foi instituida a Lei nº 11.334, de 25 de julho, alterando o art. 218, já abordada anteriormente, que alterou os limites de velocidade para fins de enquadramento infracionais e de penalidades. São evidentes os reflexos dessa política pública no ano de 2007 com a redução dos óbitos de acidentes de caminhões, assim como ocorreu nos acidentes de automóveis. 70 No entanto, nos anos seguintes observamos um aumento no número de óbitos, com 34 casos em 2008 e 57 casos em 2009. No período de 2002 a 2007 foram implantados radares eletrônicos para o controle de velocidade nas rodovias federais, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) nesse período houve uma redução no número de acidentes. Os equipamentos de fiscalização estão desativados desde 2008, fator esse que pode ter contribuido para o aumento dos acidentes de caminhões nas rodovias federais localizadas na extensão territorial do Estado de Mato Grosso. Para reduzir os acidentes de trânsito em aréas urbanas e rurais o Dnit pretende no ano de 2011 instalar 2.696 equipamentos de radares fixos e lombadas eletrônicas nas rodovias federais, os locais de instalação desses equipamentos obdeceram a critérios técnicos e dados estátisticos dos acidentes de trânsito (http://www.dnit.gov.br/rodovias/operacoesrodoviarias). Gráfico 8 – Evolução dos licenciamentos de caminhões e dos óbitos de acidentes com caminhões, Mato Grosso, 2002 a 2009. Fonte: DataWarehouse – Informações em Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS e DENATRAN (2002 a 2009) Outros fatores tem sido apontados como causa de acidentes envolvendo caminhões, diagnóstico realizado pela corretora de seguros e gestora de riscos PAMCARY, através de sua base de dados de acidentes com veículos de 71 carga, independente de serem ou não assegurados pela empresa, apresentou como conclusão que as principais causas dos acidentes são: velocidade incompatível e fadiga, isto é, condicionantes do fator humano, ainda aparecem como causas: ultrapassagem indevida, dormir ao volante, não marter distância de outro veículo, uso de bebida alcoólica e suspeita de embriaguez. Outros fatores contribuintes apresentados foram curva fechada, pista mal conservada e o clima. Os veículos mais vulnerávéis aos acidentes são os articulados ou sobrecarregado (http://www.vias-seguras.com/os_acidentes/acidentes_de_caminhoes). 5.2.2.4 – Contribuição para a redução da mortalidade por acidentes de ônibus Na análise da evolução dos licenciamentos dos ônibus e sua relação com os óbitos por esse meio de transporte, apresentado no gráfico 9, observamos que não ocorreu alteração significativa no número de casos dos óbitos no período compreendido entre 2002 a 2009. Em 2002 ocorreram 8 óbitos e em 2009 foram 7 óbitos, o maior número de óbitos ocorreu em 2003 com 09 casos. Os acidentes que envolvem ônibus possuem uma particularidade, já que podemos ter em um único acidente múltiplas vítimas com situações de atendimento distintas, portanto as regiões que tenham grande trafegabilidade desse tipo de veículo devem possuir uma rede de atendimento pré-hospitalar e hospitalar preparada – com equipamentos e profissionais - para atendimentos de urgência e emergência. 72 Gráfico 9 – Evolução dos licenciamentos de ônibus e dos óbitos de acidentes com ônibus, Mato Grosso, 2002 a 2009. Fonte: DataWarehouse – Informações em Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS e DENATRAN (2002 a 2009) A obrigatoriedade do uso de cinto de segurança por condutores e passageiros em veículos automotores está prevista desde 1998, conforme previsto no CTB, art.65. A Resolução nº 14/98 do CONTRAN estabeleceu o uso de equipamentos obrigatórios para a frota de veículos em circulação, inclusive de transporte de passageiros fabricados a partir de 1999, onde destacamos os seguintes tópicos: 1) registrador instantâneo e inalterável de velocidade e tempo, nos veículos de transporte e condução de escolares, nos de transporte de passageiros com mais de dez lugares e nos de carga com capacidade máxima de tração superior a 19 toneladas e 2) cinto de segurança para todos os ocupantes do veículo. Porém, as penalidades infracionais no caso da não utilização do cinto de segurança, só cabe ao condutor desse tipo de veículo, no entanto, ao passageiro não cabe qualquer penalidade. No entanto, existe a necessidade de maior fiscalização pelos órgão competentes, com o intuito de exigir o cumprimento da lei. 73 5.2.2.5 – Contribuição para a redução da mortalidade por acidentes envolvendo pedestres No período de 2002 a 2009 os acidentes de transporte envolvendo pedestres ocuparam o terceiro lugar nos óbitos por tipo de causa, com 898 casos (12,06%), atrás dos óbitos de motocicletas, com 2725 casos (36,61%) e dos óbitos de automóveis, caminhões e ônibus, com 2117 casos (28,44%). Entretanto, os óbitos de pedestres foram os que apresentaram a maior evolução no período analisado, conforme gráfico - 10, no ano de 2002 foram 48 óbitos, chegando a 202 óbitos no ano de 2009, um aumento de 320,83%. Porém, o maior número de óbitos de pedestres ocorreu no ano de 2008, com 239 casos. No ano de 2008 a taxa de mortalidade dos pedestres – em grupo de 100.000 hab. - no Estado de Mato Grosso foi de 6,3, considerada média, no mesmo período a taxa no Centro-Oeste foi de 7,0 e no Brasil de 6,4 (Waiselfisz, 2011). Dentre as principais políticas implementadas no período analisado que podem ter contribuído para redução dos óbitos com pedestres nos anos de 2006 e 2009. No ano de 2006, a política nacional de promoção da saúde, que teve como proposta a divulgação de campanhas para a conscientização dos condutores e a Lei nº 11.334, de 25 de julho, que alterou o art. 218 do CTB, já abordada anteriormente. No ano de 2008, destacamos a Lei 11.705 - Lei Seca – também abordada na análise de outros acidentes, que impôs penalidades mais severas para o condutor que dirigir sob a influência do álcool, contribuindo para a mudança de comportamento dos condutores de veículos. 74 Grafico 10 – Evolução dos licenciamentos de veículos e evolução dos óbitos de pedestres, Mato Grosso, 2002 a 2009. Fonte: DataWarehouse – Informações em Saúde/SES-MT e DATASUS/SIM/MS e DENATRAN (2002 a 2009) Estudo da Rede Sarah de hospitais sobre a caracterização dos acidentes de trânsito envolvendo pedestres admitidos para atendidos nas suas unidades concluiu; a) que a maioria é vítima de atropelamento por automóvel (61,9%), seguido de atropelamento por motocicleta (10,7%); b) que a maioria dos atropelamentos ocorreu no período noite/madrugada (38,1 %), sendo o horário de 19:00/22:00 hs o que representou a maior parte dos casos (20,2%); c) 72,3% dos atropelamentos ocorreram em vias urbanas, desses (43,3%) em avenidas médias e d) que a uma relação direta entre a velocidade do veículo e a gravidade das lesões, sendo que em velocidades superiores a 60 km/h, 85% das vítimas de atropelamento morrem e 15% restantes sofrem algum tipo de lesão. (Disponível em http://www.viasseguras.com/documentacao/documentos_temas_o_a_z/documentacao_pedestres_e _transito). Para diminuir a frequência e gravidade dos acidentes envolvendo pedestres, faz-se necessária a modificação nas características das vias urbanas através da moderação do tráfego, com o objetivo de reduzir a velocidade dos veículos e mudar o comportamento dos condutores. De acordo com o manual de procedimentos para o tratamento de locais críticos de acidentes de trânsito do 75 Ministério dos Transportes – Programa Pare - destacamos as seguintes medidas corretivas para a redução dos atropelamentos: implantação de dispositivos de redução de velocidade onde ocorre o desrespeito a sinalização das travessias de pedestres; implantação ou reforço de iluminação pública das travessias de pedestres; elevação do nível do pavimento nas faixas de pedestres localizadas em áreas centrais com grande movimentação e implantação de dispositivos de controle de travessia irregular dos pedestres (BRASIL, 2002) 5.3 – Tópicos conclusivos sobre a contribuição das políticas públicas implementadas na redução da mortalidade por acidentes de trânsito Das políticas públicas apresentadas no terceiro capítulo deste trabalho, com o objetivo de reduzir a mortalidade por acidentes de trânsito, concluímos que as políticas do Ministério da Saúde, a Política Nacional para Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência, a Política Nacional de Promoção da Saúde e a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, apresentam diretrizes voltadas para ações de conscientização através de campanhas educativas, de adoção de comportamentos mais saudáveis, de monitoramento de ocorrência de acidentes e de apoio a pesquisas e estudos. No entanto, verificamos que a instituição do Código Brasileiro de Trânsito, e suas alterações, destacam-se: a Lei nº 11.334, de 25 de julho de 2006, que alterou os limites de velocidade para fins de enquadramento infracionais e a Lei 11.705, de 19 de junho de 2008 - Lei Seca - que impôs penalidades mais severas para o condutor que dirigir sob a influência do álcool, mostraram-se mais eficazes na redução da mortalidade por acidentes de trânsito nos anos de 2006 e 2009. Porém, a eficácia dessa política só é possível se acompanhada de forte controle policial, através de ações de fiscalização e aplicação das penalidades previstas na Lei. Em relação às políticas públicas apresentadas pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, que é responsável pela formulação de políticas de promoção, prevenção e assistência à saúde em âmbito Estadual, verificamos, após a análise dos três Planos Estaduais de Saúde – 2000/2003, 2004/2007 e 2008/2011 – que somente o último PES apresentou uma diretriz, não sendo ainda específica para acidentes de trânsito, e sim, relacionada a monitoramento para 76 implementação da vigilância de morbi-mortabilidade por acidentes e violências. O que demonstra a falta de preocupação e pouco envolvimento do órgão nesse grave problema de saúde pública do Estado de Mato Grosso, em decorrência da elevada taxa de mortalidade conforme apresentado no segundo capítulo. Com base nos dados e nos estudos utilizados como referencial apresentado no presente capítulo, destacam-se as seguintes conclusões, com as respectivas recomendações: a) Conclusão: Os acidentes de trânsito são conseqüência de uma ampla diversidade de situações relacionadas ao comportamento do homem, ao meio ambiente – sinalização, condições das estradas, entre outros - e as condições operativas do veículo. Portanto, detectar e intervir nesses aspectos potenciais de riscos de acidentes de trânsito é de suma importância para reduzir a mortalidade desse tipo de acidente no Estado de Mato Grosso. Recomendação: Em decorrência desse tipo de agravo envolver diversas áreas governamentais, tais como: segurança pública, engenharia de tráfego, saúde, infra-estrutura, transportes, saúde, entre outros. Propomos a criação do Comitê Estadual de Gestão dos Acidentes de Trânsito no Estado de Mato Grosso, sob a responsabilidade e presidência da Casa Civil, já que este é o responsável pela articulação com os diversos órgãos Estaduais. Devem formar o Comitê os seguintes órgãos e entidades: com um representante cada: Secretaria de Estado de Saúde, Secretaria de Segurança Pública, Detran, Assembléia Legislativa, entidade representativa das vítimas de acidentes de trânsito, entidade representativa dos idosos, entidade representativa dos motociclistas, membro do conselho estadual de saúde (representante da sociedade) e membro do conselho estadual de segurança pública (representante da sociedade). O comitê deverá ter como missão identificar, monitorar e propor soluções para a redução da mortalidade por acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso. b) Conclusão: A maioria dos acidentes de trânsito está relacionada ao fator humano. E o excesso de velocidade e o abuso na ingestão de bebidas alcoólicas são os fatores determinantes dos acidentes, principalmente, os que envolvem automóveis e motocicletas. Recomendação: Propomos a instalação de mecanismos de redução de velocidade, tais como: radares, lombadas e almofada anti-velocidade, nas regiões onde ocorre o desrespeito aos limites fixados e nas localidades com maior incidência 77 de acidentes, evidenciados através de dados estatísticos. Realização constante de ações coercitivas do poder público, através de blitz para a checagem do nível de concentração alcoólica dos condutores de veículos, e da aplicação de sanções administrativas mais severas. Pois essa medida já demonstrou ser eficaz no Estado do Rio de Janeiro, onde ocorreu uma redução da taxa de mortalidade por acidentes de trânsito em -32,5%. c) Conclusão: A Secretaria de Estado de Saúde, na última década, não contemplou nenhuma política pública especifica para os acidentes de trânsito, sendo que esse agravo é a quarta causa de mortalidade no Estado de Mato Grosso. Em 20 de novembro de 2007, através da resolução da Comissão Intergestora Bipartite Estadual, foi aprovado recursos financeiros para estruturar o núcleo estadual de prevenção de violências e acidentes. No entanto, a SES-MT não possui núcleo especifico para os acidentes de trânsito Recomendação: Formulação de programa ou projeto especifico para o monitoramento, prevenção e redução da mortalidade por acidentes de trânsito, que deve ser contemplado no próximo Plano Estadual de Saúde, para o quadriênio de 2012/2015. Esse programa/projeto deve ser elaborado em consonância, principalmente, com as seguintes políticas do Ministério da Saúde: a Política Nacional para a Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências, e a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. Com o objetivo de contemplar as seguintes diretrizes: a promoção de discussões intersetoriais que incorporem ações educativas e de divulgação dos dados referentes às mortes e seqüelas provocadas por acidentes de trânsito; articulação das agendas e dos instrumentos de planejamento com os setores diretamente relacionados ao problema; promoção da adoção de comportamentos seguros e saudáveis no trânsito; ampliação e estruturação do atendimento pré-hospitalar, de recuperação e de reabilitação das vitimas dos acidentes de trânsito; e, principalmente, de apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas de monitoramento da mortalidade por acidentes de trânsito. Recentemente, os Ministérios da Saúde e das Cidades elaboraram o Plano nacional de redução de acidentes e segurança viária para a década 20112020. O plano foi elaborado com a participação de diversos órgãos públicos, de entidades de classe e de representantes da sociedade civil. 78 O Plano Nacional apresenta um conjunto de ações de fiscalização, de educação, de melhoria da infraestrutura viária e de segurança veicular que visam contribuir para a redução da taxa de mortalidade por acidentes de trânsito no País. Entre as diretrizes gerais destacamos: a implantação do Observatório Nacional de Trânsito, dos observatórios regionais e da criação do Programa Nacional de Gestão Integrada de Informações no âmbito federal, estadual e municipal. (BRASIl, 2010). Diante do exposto, as recomendações contidas nesse tópico estão em consonância com as diretrizes propostas no Plano Nacional de Redução de Acidentes e Segurança Viária, devendo a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso iniciar esse processo de articulação com os demais setores do governo e da sociedade no âmbito estadual. 79 6. Considerações Finais A Organização das Nações Unidas, através de assembléia geral realizada no ano de 2010, proclamou o período de 2011 a 2020 como a Década de Ações para a Segurança no Trânsito, tendo como meta principal a redução de 50% dos acidentes de trânsito em todo o mundo. Dados do Ministério da Saúde, referentes ao ano de 2008, informam “a ocorrência de 39 mil óbitos e 619 mil vítimas não fatais, muitos com seqüelas irreversíveis, que estão relacionados aos acidentes de trânsito” Em maio de 2011 foi lançado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o plano de ação da década de segurança no trânsito, na mesma data , o Ministério das Cidades e o Ministério da Saúde lançaram o Pacto Nacional pela Redução dos Acidentes no Trânsito – Pacto pela Vida, que tem como meta a estabilização e redução dos números de óbitos e lesões decorrentes de acidentes de transporte terrestre para os próximos dez anos, como adesão ao Plano da OMS. (http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto.cfm?idtxt=37121) A implementação dessas ações do governo federal demonstram a preocupação dos órgãos governamentais diante desse grave problema de saúde pública, já que os atendimentos as vitimam dos acidentes de trânsito envolve toda a rede de assistência a saúde, tais como: unidades de urgência e emergência, unidades de radiologia e unidades de fisioterapia e reabilitação. No Estado de Mato Grosso a realidade não é diferente, os acidentes de trânsito são a quarta causa de mortalidade, evidenciando que esse tipo de agravo necessita de ações de monitoramento e de avaliação especificas. Esse trabalho teve como objetivo analisar a contribuição das políticas públicas na redução da mortalidade por acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso, no período entre 2002 a 2009, Para isso, foram analisadas algumas políticas do Ministério da Saúde, os três últimos Planos Estaduais de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde e as principais alterações introduzidas no Código de Trânsito Brasileiro. Observou-se que os acidentes de trânsito envolvem uma ampla diversidade de situações relacionadas ao comportamento do homem, ao meio ambiente e as condições operativas do veículo. Sendo necessária a articulação de diversos setores governamentais – saúde,segurança pública, transporte, trânsito - e de entidades 80 não governamentais – conselhos, associações – com o objetivo de identificar as condicionantes e determinantes dos acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso. Os resultados encontrados sugerem que das políticas públicas analisadas no período, o Código de Trânsito Brasileiro e suas posteriores alterações ocorridas na última década, em especial a Lei 11.705, de 19 de junho de 2008 - Lei Seca - foi a mais eficaz, reduzindo o índice de mortalidade em praticamente todos os tipos de acidentes de trânsito no ano de 2009, com exceção dos acidentes por ônibus e por motocicletas. Os dados analisados revelam ainda que, do total de 7.444 óbitos no período; 2.725 (36,61%) casos estão relacionados a acidentes envolvendo motocicletas, 2.117 (28,44%) casos de mortalidade estão relacionados a veículos de passeio, transporte ou caminhões, e 898 (12,06%) casos são referentes a acidentes com pedestres. Do total dos óbitos 82,27% são homens, sendo a maior parte na faixa etária dos 20 a 39 anos, e 17,73% são de mulheres, isto é, uma sobremortalidade masculina a razão de 4,6, demonstrando a maior vulnerabilidade do sexo masculino para esse agravo. Em relação às políticas públicas apresentadas pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, verificamos, após a análise dos três Planos Estaduais de Saúde – 2000/2003, 2004/2007 e 2008/2011 – que somente o último PES apresentou uma diretriz, não sendo ainda específica para acidentes de trânsito, e sim, relacionada a monitoramento para implementação da vigilância de morbimortabilidade por acidentes e violências. Desta forma, apresentamos algumas recomendações que estão detalhadas no capítulo 4, item 5.3, cabendo principalmente a SES – MT a inclusão no próximo Plano Estadual de Saúde - 2012/2015 – de programa/projeto especifico para a redução dos acidentes de trânsito no Estado de Mato Grosso. Espera-se com a implementação dessas recomendações, como também da adesão do Estado ao Pacto Nacional pela Redução dos Acidentes no Trânsito – Pacto pela Vida ocorra uma redução nos agravos relacionados aos acidentes de trânsito. 81 7. Referências ALVES MMS, Malta DC, Morais Neto OL, et al. 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