Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
PUBVET, Publicações em Medicina Veterinária e Zootecnia.
Disponível em: <http://www.pubvet.com.br/texto.php?id=546>.
Inventário de emissões de gás metano provenientes da fermentação
entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais - período 1990
a 2005*
Lerner Arévalo Pinedo1, Alessandra Jacomini2, Diego Vendramin, Felipe
Nolasco, Lauro Júnior, Maria Alice Santos, Maria Júlia Brosi, Bernardo
Berenchtein1, Amr Salah Morsy Amine Selem1-3.
* Revisão apresentado na disciplina de Aquecimento global na agricultura.
1
Alunos de doutorado em Ciências do CENA-USP, Piracicaba, SP. Brasil
2
Alunos de doutorado da ESALQ/USP, Piracicaba, SP. Brasil
3
Animal Production Research Institute, Dokki, Giz, Egypt.
Resumo - A elevada contribuição de emissões antrópicas de metano (CH4),
dióxido de carbono (CO2) e óxido nitroso (N2O) à atmosfera torna-se fator de
estudo. O
objetivo dessa revisão foi apresentar uma atualização das
estimativas de emissões de gás metano provenientes da fermentação entérica
e emissões de óxido nitroso a partir de dejetos de animais. Em ruminantes, a
fermentação de alimentos ingeridos produz ácidos graxos voláteis (AGVs)
amônia, gases (dióxido de carbono e metano) e células microbianas. O metano
é
um
produto
final
normal
da
fermentação
ruminal,
eliminado
pelos
ruminantes, por eructação, sendo um dos principais responsáveis pelo efeito
estufa e pela destruição da camada de ozônio da atmosfera. O gado de corte e
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
leiteiro foram os principais contribuintes para as emissões de metano geradas
pela pecuária no ano de 1990 (9141,74 Gg de CH4), correspondendo a 82% e
12% das emissões totais de pecuária, respectivamente. As outras categorias
de animais foram responsáveis pelos 6% restantes. O mesmo ocorreu no ano
de 2005 para o gado de corte (11.556,6 Gg de CH4) e para o leiteiro (1.338,01
Gg de CH4), correspondendo a 86% e 10% das emissões totais da pecuária,
respectivamente. Por outro lado, em 1990, as emissões de N2O provenientes
do sistema de manejo de dejetos de animais em pastagem, no Brasil, foram
estimadas em 273,2 Gg. Os estados de São Paulo e Paraná foram os que mais
contribuíram com emissões estimadas em 84,1 Gg e 83,0 Gg para esse mesmo
período de 2005.
Palavras-chave: Metano, fermentação ruminal,
Inventory of methane gas emissions from enteric fermentation and
nitrous oxide from animal waste management - the period from 1990
to 2005
Abstract - The high contribution of the anthropogenic emissions of methane
(CH4), carbon dioxide (CO2) and nitrous oxide (N2O) to the atmosphere. The
increased concentration of greenhouse gases causing the warming of the
earth's surface and destruction of the ozone layer in the atmosphere. The
objective of this review was to present the estimates of methane emissions
from enteric fermentation in production of livestock in Brazil, and also
emissions of (N2O) which produced from animal’s faces, for the period from
1990 to 2005. In ruminants, the fermentation of feed ingested produce volatile
fatty acids (VFA), ammonia, gases (CO2 and CH4) and microbial cells. For
ruminants, the VFA are the largest source of energy (65 to 75% of metabolic
energy intake). In addition, the methane gas, which is produced by ruminants,
or by eructation, is a major responsible for the greenhouse effect and the
destruction of the ozone layer of the atmosphere. Whereas one adult cattle
able to produce more than 400 liters of (CH4 + CO2) gases per day which,
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
released in the atmosphere mainly by eructation. The categories of beef cattle
and dairy cattle were the main contributors for methane emissions which
generated by livestock in 1990 (9141.74 Gg of CH4), corresponding to 82%
and 12% of total emissions from livestock, respectively. The other categories
of animals were responsible for the remaining 6%. The same occurred in 2005
for beef cattle (11556.6 Gg of CH4) and the dairy cattle too (1338.01 Gg of
CH4), corresponding to 86% and 10% of total emissions from livestock,
respectively. Moreover, in 1990, the emissions of N2O from the animals on
pasture in Brazil were estimated at 273.2 Gg. In 2005 these emissions
increased by 55% to 495.1 Gg. The states that contributed most of N2O in
2005 were Sao Paulo and Parana, which emissions estimated at 84.1 and 83.0
Gg, respectively.
Introdução
Os sistemas de produção animal têm recebido atenção especial atualmente,
pois contribuem com o aumento das concentrações atmosféricas dos gases de
efeito estufa (GEE). Essas emissões podem se dar tanto pela fermentação
entérica quanto da deposição de excreta em pastagens ou da utilização do
esterco como fertilizante (armazenamento e utilização).
Os animais ruminantes, por causa do processo digestivo de fermentação
entérica, são reconhecidos como importantes fontes de emissão de metano
para a atmosfera. Além disso, dependendo do sistema de criação e manejo dos
dejetos gerados por esses animais, o metano proveniente da fermentação
anaeróbia desse resíduo pode ser considerado uma fonte adicional de emissão
desse gás (Pedreira e Primavesi, 2006). Segundo Cotton e Pielke (1995), o
metano tem relação direta com a eficiência da fermentação ruminal em virtude
da perda de carbono e, conseqüentemente, perda de energia, determinando
menor desempenho animal.
Ruminantes são relativamente maus convertedores do nitrogênio ingerido
em produtos (carne, leite). Como resultado, grandes quantidades de N são
recicladas pela excreta, que pode ser tanto depositada diretamente nos pastos
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
quanto armazenada e/ou diretamente utilizada para fertilização (Clark et al.,
2005). Essa grande quantidade de N da excreta animal pode contribuir para a
poluição do solo pela possibilidade de conversão em nitrato, e do ar como
amônia e óxido nitroso (Tamminga, 1996).
Nessa revisão são apresentadas as estimativas das emissões de metano
provenientes da fermentação entérica e dos dejetos animais da produção
pecuária no Brasil, e também das emissões de óxido nitroso a partir de dejetos
de animais, para o período de 1990 a 2005. Foram empregados dados
estatísticos oficiais do IBGE. O procedimento para a estimativa das emissões
desses GEE originados dos processos de fermentação entérica e geração e
manejo de dejetos animais foram obtidas com base no Primeiro Inventário
Brasileiro de Emissões Antrópicas de Gases de Efeito Estufa (2002) (Relatórios
de Referência “Emissões de Metano na Agropecuária” e “Emissões de Óxido
Nitroso Provenientes de Solos Agrícolas”), que aplicou a metodologia do Painel
Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, 1996).
1. Resultados da pecuária no Brasil
As estimativas feitas pelo IBGE (1996) foram plotadas em gráficos e tabelas
para visualização da evolução da pecuária no Brasil de 1990 a 2005 (Figuras 1
e 2).
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
300000
250000
200000
150000
100000
50000
0
1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005
1000 Cabeças
Gado de corte
Gado de leite
Suínos
Ovinos
Caprinos
Outros
Figura 1 – Números da pecuária no Brasil, excluindo as aves (baseado em
IBGE, 1996).
Em 1990, o rebanho de bovinos de corte compreendia 57% do total,
passando para 67% em 2005. Todos os outros rebanhos diminuíram ao longo
desse período. O rebanho brasileiro passou de 224 milhões de cabeças em
1990 para 277 milhões de cabeças em 2005, o que correspondeu a um
aumento de 24%. O aumento do número de cabeças de bovinos de corte
(46%) foi o que mais contribuiu para o crescimento do rebanho nacional nesse
período (Figura 2).
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
1990
5%
1995
5%
5%
8%
Gado de corte
Gado de leite
9%
57%
15%
Suínos
Ovinos
Caprinos
Outros
9%
5%
Gado de corte
Gado de leite
15%
59%
Outros
9%
238 milhões cabeças
224 milhões cabeças
2000
2005
4% 3%
4% 4%
6%
6%
Gado de corte
Gado de leite
13%
65%
8%
Suínos
Ovinos
Caprinos
Suínos
Ovinos
Caprinos
Outros
235 milhões cabeças
Gado de corte
Gado de leite
12%
67%
7%
Suínos
Ovinos
Caprinos
Outros
277 milhões cabeças
Figura 2 – Distribuição das categorias da pecuária no Brasil, excluindo as aves
(baseado em IBGE, 1996).
Nas Figuras 3 a 5, pode-se observar a evolução do número de cabeças
de animais de cada rebanho, de acordo com a região, nos anos de 1990, 1995,
2000 e 2005.
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
Suínos
Bubalinos
16.000.000
1.000.000
Numero de cabeças
Numero de cabeças
1.200.000
800.000
600.000
400.000
200.000
12.000.000
8.000.000
4.000.000
0
0
1990
1995
2000
1990
2005
1995
período
Norte
Nordeste
Sudeste
Sul
Centro-Oeste
Norte
Nordeste
Aves
Sudeste
Sul
Centro-Oeste
2.000.000
400.000.000
Numero de cabeças
Numero de cabeças
2005
Equinos
500.000.000
300.000.000
200.000.000
100.000.000
1.500.000
1.000.000
500.000
0
1990
1995
2000
0
2005
1990
período
Norte
2000
período
Nordeste
Sudeste
Sul
1995
2000
2005
período
Centro-Oeste
Norte
Nordeste
Sudeste
Sul
Centro-Oeste
Figura 3 – Número de cabeças de bubalinos, suínos, aves e equinos por
Unidade Federativa do Brasil (baseado em IBGE, 1996).
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
Caprinos
Ovinos
12.000.000
Numero de cabeças
Numero de cabeças
10.000.000
8.000.000
6.000.000
4.000.000
2.000.000
8.000.000
4.000.000
0
0
1990
1995
2000
1990
2005
1995
Norte
Nordeste
Sudeste
Sul
Centro-Oeste
Norte
Nordeste
2005
Sudeste
Sul
Centro-Oeste
Asininos
Muares
1.200.000
Numero de cabeças
1.000.000
Numero de cabeças
2000
período
período
800.000
600.000
400.000
200.000
900.000
600.000
300.000
0
0
1990
1995
2000
1990
2005
Norte
Nordeste
Sudeste
1995
2000
2005
período
período
Sul
Centro-Oeste
Norte
Nordeste
Sudeste
Sul
Centro-Oeste
Figura 4 – Número de cabeças de ovinos, caprinos, muares e asininos por
Unidade Federativa do Brasil (baseado em IBGE, 1996).
Bovinos de corte
Bovinos de leite
10.000.000
Numero de cabeças
Numero de cabeças
80.000.000
60.000.000
40.000.000
20.000.000
8.000.000
6.000.000
4.000.000
2.000.000
0
0
1990
1995
2000
2005
1990
período
Norte
Nordeste
Sudeste
Sul
1995
2000
2005
período
Centro-Oeste
Norte
Nordeste
Sudeste
Sul
Centro-Oeste
Figura 5 – Número de cabeças de bovinos de corte e de leite por Unidade
Federativa do Brasil (baseado em IBGE, 1996).
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
1.1
Emissões de metano no Brasil
Na Tabela 1, são apresentadas as estimativas de emissões de metano
provenientes da soma dos valores de fermentação entérica e manejo de
dejetos (em Gg), no período 1990-2005.
As categorias de gado de corte e leiteiro foram as principais contribuintes
para as emissões de metano geradas pela pecuária no ano de 1990 (9141,74
Gg de CH4), correspondendo a 82% e 12% das emissões totais de pecuária,
respectivamente. As outras categorias de animais foram responsáveis pelos
6% restantes. O mesmo ocorreu no ano de 2005 para o gado de corte
(11.556,6 Gg de CH4) e para o leiteiro (1.338,01 Gg de CH4), correspondendo
a 86% e 10% das emissões totais da pecuária, respectivamente. As outras
categorias de animais foram responsáveis por 489 Gg de CH4, correspondendo
aos 4% restantes. A somatória das emissões de gado de corte, leiteiro e
outros, em 2005, corresponde a 13.383,8 Gg de CH4.
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
Tabela 1 - Emissões de metano, por fermentação entérica e manejo de
dejetos, por estado brasileiro, nos anos de 1990, 1995, 2000 e 2005.
Emissão total Metano (Gg)
1900
1995
2000
Norte
869,89 1243,03 1534,61
Rondônia
107,31 241,61 344,16
Acre
24,72
29,35
63,02
Amazonas
40,72
51,70
54,37
Roraima
3,08
21,19
32,08
Pará
420,03 542,97 652,12
Amapá
8,69
15,35
14,49
Tocantins
265,34 340,85 374,37
Nordeste
1941,82 1812,07 1741,13
Maranhão
288,41 298,88 287,94
Piauí
186,23 199,84 163,52
Ceará
208,31 183,86 173,14
Rio Grande do Norte
73,90
58,11
63,39
Paraíba
101,50
80,80
75,43
Pernambuco
163,39 119,21 132,97
Alagoas
63,60
59,74
55,05
Sergipe
70,75
54,90
59,69
Bahia
778,95 750,96 724,48
Sudeste
2364,61 2423,25 2390,13
Minas Gerais
1317,42 1299,49 1282,58
Espírito Santo
119,21 138,74 127,41
Rio de Janeiro
127,33 127,07 128,30
São Paulo
800,65 857,95 851,83
Sul
1703,59 1797,68 1751,75
Paraná
567,92 621,50 635,94
Santa Catarina
210,04 213,97 222,07
Rio Grande do Sul
925,63 962,22 893,74
Centro-Oeste
2872,93 3440,49 3715,57
Mato Grosso do Sul
1189,25 1383,02 1376,22
Mato Grosso
568,91 885,64 1179,06
Goiás
1104,45 1159,35 1148,84
Distrito Federal
10,31
12,47
11,45
2005
2560,98
687,36
140,23
76,14
34,35
1121,92
17,27
483,71
2056,50
446,69
165,46
183,67
77,61
84,88
164,77
69,82
68,35
789,22
2526,81
1375,62
139,42
136,92
874,85
1848,16
670,07
248,41
929,68
4483,09
1519,10
1657,46
1295,11
11,42
Na Figura 6, podem-se observar os valores da soma de emissões de
fermentação entérica e dejetos para cada tipo de animal no período de 1990 a
2005.
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
14000
12000
10000
Gg
8000
6000
4000
2000
0
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
Anos
Gado de corte
Gado de leite
Outros
Figura 6 - Comparação anual da emissão de metano por tipo de animal, no
período de 1990 a 2005.
2.2.1 Emissões de metano a partir de fermentação entérica de animais
As emissões totais de metano provenientes da fermentação entérica de
animais ruminantes e pseudo-ruminantes no Brasil foram estimadas em
9375,0 Gg em 1990, correspondendo a 96% do total de metano emitido pela
pecuária (Figura 7). O gado de corte foi responsável por 83% das emissões de
metano por essa fonte em 1990, contribuindo com 7.765,54 Gg, o gado
leiteiro, com 1.101,9Gg, por 12% e as outras categorias de animais, por 5%.
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
14000
12000
10000
8000
Gg
6000
4000
2000
0
1990 1991
1992 1993 1994
1995 1996
1997
1998 1999 2000
2001 2002
2003
2004 2005
Anos
Fermentação entérica
Resíduos de animais
Figura 7 - Emissões de metano a partir de fermentação entérica e resíduos de
animais.
Observou-se a contribuição acumulada no período estudado (1990-2005)
para todas as categorias, sendo que o gado de corte contribuiu com 145.591,9
Gg,
correspondente
a
84,9%,
o
gado
leiteiro
com
18.842,94
Gg,
correspondendo a 11% e os outros com 7.025,3 Gg, correspondente a 4,1%
da emissão de metano.
2.2.2 Emissões de metano a partir da geração e do manejo de dejetos
animais
Em 1990, as emissões de metano por essa fonte foram estimadas em
329,37 Gg, correspondendo a cerca de 3% das emissões totais de metano da
pecuária (Figura 7). Nesse ano, o gado de corte foi a principal categoria de
animais a contribuir para as emissões de metano por manejo de esterco,
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
emitindo 224,85 Gg (68% das emissões por manejo de esterco), seguido pelo
gado de leite com 49,41 Gg (15% das emissões por manejo de esterco).
Em 2005, as emissões de metano provenientes de sistemas de manejo
de dejetos de animais foram estimadas em 439,55 Gg, sendo que 75% foram
atribuídas à categoria de gado de corte (331,08 Gg), 12% à de gado de leite
(54,14 Gg) e outras categorias correspondem a 13% da emissão de metano
pelos dejetos animais.
Na Figura 8 são apresentadas as contribuições das emissões de metano,
por estado, nos anos de 1990, 1995, 2000 e 2005.
Figura 8 - Emissões de metano provenientes da pecuária, nos estados
brasileiros, nos anos de 1990, 1995, 2000 e 2005.
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
1.2
Emissões de N2O no Brasil
200000000
180000000
160000000
140000000
120000000
100000000
80000000
60000000
40000000
20000000
0
1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005
Manejo de pastagem
Manejo de dejetos
Figura 9 - Emissões de N2O a partir de pastagens e manejo de dejetos.
1.2.1 Emissões diretas de N2O a partir de animais em pastagem
Na Tabela 2 são apresentadas as estimativas das emissões de N2O, em
Gg, provenientes de animais em pastagem, para os anos de 1990, 1995, 2000
e 2005.
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
Tabela 2. Estimativas das emissões de N2O em Gg, provenientes de animais
em pastagens, por estado.
BRASIL
NORTE
Rondônia
Acre
Amazonas
Roraima
Pará
Amapá
Tocantins
NORDESTE
Maranhão
Piauí
Ceará
Rio Grande do Norte
Paraíba
Pernambuco
Alagoas
Sergipe
Bahia
SUDESTE
Minas Gerais
Espírito Santo
Rio de Janeiro
São Paulo
SUL
Paraná
Santa Catarina
Rio Grande do Sul
CENTRO-OESTE
Mato Grosso do Sul
Mato Grosso
Goiás
Distrito Federal
1990
131,45
11,59
1,38
0,32
0,53
0,20
5,52
0,12
3,53
33,27
3,86
4,12
3,63
1,30
1,63
3,01
0,93
0,92
13,87
29,51
15,77
2,06
2,00
9,67
20,74
6,48
2,67
11,59
36,33
14,95
7,42
13,65
0,31
1995
141,67
16,54
3,13
0,38
0,68
0,45
7,12
0,22
4,56
30,21
3,97
4,38
3,33
1,10
1,35
2,35
0,88
0,72
12,11
30,02
15,45
2,28
1,98
10,31
21,40
7,02
2,72
11,66
43,49
17,38
11,41
14,32
0,38
2000
144,80
20,13
4,40
0,82
0,71
0,57
8,49
0,21
4,94
28,43
3,71
3,55
2,98
1,14
1,32
2,64
0,79
0,75
11,55
29,47
15,19
2,14
1,94
10,21
19,64
6,98
2,59
10,07
47,13
17,34
15,12
14,31
0,36
2005
174,27
33,30
8,75
1,80
1,00
0,63
14,54
0,25
6,33
32,72
5,59
3,53
3,25
1,40
1,51
3,18
0,99
0,86
12,41
31,10
16,33
2,23
2,01
10,53
20,39
7,33
2,83
10,22
56,77
19,13
21,14
16,12
0,38
Em 1990, as emissões de N2O provenientes do sistema de manejo de
dejetos de animais em pastagem, no Brasil, foram estimadas em 111,27 Gg.
Em 2005, essas emissões aumentaram em 63%, passando a 175,76 Gg. Os
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
estados que mais contribuíram, em 2005, foram Mato Grosso e Mato Grosso do
Sul, com emissões estimadas em 21,24 Gg e 19,55 Gg, respectivamente. Do
total das emissões diretas de N2O provenientes do sistema de manejo de
dejetos de animais em pastagem, em 2005, o rebanho bovino de corte
contribuiu com 80% e o rebanho leiteiro com 8,1%.
2.3.2 Emissões de N2O a partir da geração e do manejo de dejetos
animais
Em 1990, as emissões de N2O provenientes do sistema de manejo de
dejetos de animais em pastagem, no Brasil, foram estimadas em 273,2 Gg. Em
2005, essas emissões aumentaram em 55%, passando a 495,1 Gg (Tabela 3).
Os estados que mais contribuíram, em 2005, foram São Paulo e Paraná, com
emissões estimadas em 84,1 Gg e 83,0 Gg, respectivamente.
Do total das emissões diretas de N2O provenientes do sistema de
manejo de dejetos de animais em pastagem, em 2005, o rebanho bovino de
corte contribuiu com 2% e o
rebanho leiteiro com 3%.
Os estados com maiores contribuições relativas, em 2005, foram:
Distrito
Federal
N2O/km2/ano).
(1290
kg
N2O/km2/ano)
e
Santa
Catarina
(820
kg
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
Tabela 3 - Emissões diretas de N2O a partir do manejo de esterco de animais,
por estado, nos anos de 1990, 1995, 2000 e 2005.
Brasil
Norte
RO
AC
AM
RR
PA
AM
TO
Nordeste
MA
PI
CE
RN
PB
PE
AL
SE
BA
Sudeste
MG
ES
RJ
SP
Sul
PR
SC
RS
Centro-Oeste
MS
MT
GO
DF
1990
12,25
1,15
0,21
0,04
0,06
0,00
0,56
0,01
0,28
2,88
0,47
0,27
0,38
0,10
0,17
0,27
0,08
0,09
1,04
4,19
2,41
0,22
0,22
1,34
1,57
0,53
0,44
0,61
2,47
0,69
0,41
1,34
0,02
1995
13,55
1,48
0,31
0,05
0,07
1,00
0,70
0,01
0,30
2,67
0,46
0,28
0,34
0,09
0,15
0,22
0,09
0,07
0,97
4,49
2,52
0,27
0,24
1,47
1,99
0,65
0,56
0,78
2,92
0,82
0,59
1,48
0,03
2000
12,90
1,43
0,33
0,06
0,07
2,00
0,65
0,01
0,28
2,49
0,37
0,24
0,33
0,10
0,11
0,23
0,09
0,08
0,94
4,10
2,32
0,20
0,22
1,37
2,17
0,75
0,70
0,72
2,71
0,77
0,68
1,23
0,03
2005
15,08
2,16
0,63
0,12
0,09
3,00
0,92
0,01
0,37
2,80
0,48
0,24
0,34
0,13
0,12
0,27
0,10
0,10
1,02
4,32
2,49
0,23
0,22
1,38
2,48
0,85
0,87
0,76
3,33
0,87
0,96
1,45
0,05
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
2.3.3 Emissões totais de N2O na pecuária
Na Figura 10 pode ser observada a distribuição das emissões diretas de
N2O provenientes da pecuária em kg N2O/km², por estado, estimadas para os
anos de 1990, 1995, 2000 e 2005. Na Figura 11 estão ilustradas as
contribuições de cada estado nos anos de 1990, 1995, 2000 e 2005.
Figura 10 - Emissão de N2O proveniente da pecuária, nos estados brasileiros,
nos anos de 1990, 1995, 2000 e 2005.
Ceará (CE)
Maranhão (MA)
Sergipe (SE)
Bahia (BA)
Acre (AC)
Piauí (PI)
Alagoas (AL)
Goiás (GO)
Tocantins (TO)
Rondônia (RO)
Amapá (AP)
Pará (PA)
Roraima (RR)
Amazonas (AM)
1400
1200
800
600
400
200
0
1000
Kg N2O / Km2
Distrito Federal (DF)
Santa Catarina (SC)
Paraná (PR)
São Paulo (SP)
Rio G.Sul (RS)
Espírito Santos (ES)
Rio de Janeiro (RJ)
Sergipe (SE)
Pernambuco (PE)
Goiás (GO)
Minas Gerais (MG)
Ceará (CE)
Rio G.Norte (RN)
Bahia (BA)
Rondônia (RO)
Mato Grosso (MT)
Maranhão (MA)
Alagoas (AL)
Piauí (PI)
Tocantins (TO)
Pará (PA)
Acre (AC)
Roraima (RR)
Amazonas (AM)
Amapá (AP)
2005
Paraíba (PB)
Mato G.Sul (MS)
Distrito Federal (DF)
São Paulo (SP)
Paraná (PR)
Rio de Janeiro (RJ)
Rio G.Sul (RS)
Pernambuco (PE)
Espírito Santos (ES)
Sergipe (SE)
Ceará (CE)
Minas Gerais (MG)
Paraíba (PB)
Goiás (GO)
Mato G.Sul (MS)
Bahia (BA)
Rio G.Norte (RN)
Maranhão (MA)
Piauí (PI)
Alagoas (AL)
Tocantins (TO)
Rondônia (RO)
Mato Grosso (MT)
Pará (PA)
Acre (AC)
Amapá (AP)
Amazonas (AM)
Roraima (RR)
1990
Mato Grosso (MT)
Distrito Federal (DF)
Santa Catarina (SC)
1995
2000
Paraíba (PB)
400,0
Rio G.Norte (RN)
Espírito Santos (ES)
350,0
Pernambuco (PE)
300,0
Minas Gerais (MG)
250,0
São Paulo (SP)
200,0
Santa Catarina (SC)
150,0
Rio de Janeiro (RJ)
Distrito Federal (DF)
Santa Catarina (SC)
Paraná (PR)
São Paulo (SP)
Rio G. Sul (RS)
Rio de Janeiro (RJ)
Espírito Santos (ES)
Pernambuco (PE)
Sergipe (SE)
Ceará (CE)
Minas Gerais (MG)
Paraíba (PB)
Goiás (GO)
Mato G. Sul (MS)
Bahia (BA)
Rio G. Norte (RN)
Maranhão (MA)
Piauí (PI)
Rondônia (RO)
Tocantins (TO)
Alagoas (AL)
Mato Grosso (MT)
Pará (PA)
Acre (AC)
Roraima (RR)
Amapá (AP)
Amazonas (AM)
50,0
Paraná (PR)
100,0
0,0
600
500
400
300
200
0
100
700
600
Rio G.Sul (RS)
Mato G.Sul (MS)
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
kg N2O / Km2
Kg N2O / Km 2
500
400
300
200
100
0
1990, 1995, 2000 e 2005.
Figura 11 - Emissão de N2O proveniente da pecuária, por estado, nos anos de
Kg N2O / Km2
Pinedo, L.A., Jacomini, A., Vendramin, D. et al. Inventário de emissões de gás metano
provenientes da fermentação entérica e óxido nitroso do manejo de dejetos animais período 1990 a 2005. PUBVET, Londrina, V. 3, N. 11, Art#546, Mar4, 2009.
2. Referências Bibliográficas
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grazed grasslands. In: McGILLOWAY, D.A. Grassland: A Globar Resource. Wageningen
Academic Publishers, 2005. 429p.
COTTON, W.R.; PIELKE, R.A. Human impacts on weather and climate. Cambridge:
Cambridge University Press, 1995. 299p.
IPCC, OECD, IEA. Revised 1996 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas
Inventories.Bracknell: IPCC, 1996
PEDREIRA, M.S.; PRIMAVESI, O. Impacto da produção animal sobre o ambiente. In:
BERCHIELLI, T.T.; PIRES, A.V.; OLIVEIRA, S.G. Nutrição de Ruminantes. Jaboticabal,
FUNEP, 2006. 583p.
TAMMINGA, S. Nutrition management of dairy cows as a contribution to pollution control.
Journal of Dairy Science, v.75, p.3112, 1996.
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Inventário de emissões de gás metano provenientes da