UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PROJETO A VEZ DO MESTRE MODELO DE GESTÃO: UM INSTRUMENTO PARA ALAVANCAGEM DE NEGÓCIOS NOS BANCOS AUTOR: Regina Lúcia Quirino Sales Nascimento ORIENTADOR Prof.: Marco Antonio Chaves Rio de Janeiro (RJ), agosto/2002. UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PROJETO A VEZ DO MESTRE MODELO DE GESTÃO: UM INSTRUMENTO PARA ALAVANCAGEM DE NEGÓCIOS NOS BANCOS AUTOR: Regina Lúcia Quirino Sales Nascimento Trabalho Monográfico apresentado como requisito parcial para obtenção do Grau de Especialista em Finanças e Gestão Corporativa Rio de Janeiro (RJ), agosto/2002. Agradeço ao Senhor meu Deus, por sua graça e sabedoria, pelo seu fortalecimento e por ter me ajudado a chegar até aqui; a Ele seja toda honra, glória e louvor. Ao meu esposo e a minha filha, que são a expressão mais singela da bondade de Deus na minha vida. E a todos os que contribuíram para a realização deste trabalho “O analfabeto do século XXI não será aquele que não conseguirá ler ou escrever, mas aquele que não puder aprender, desaprender e, no fim, aprender de novo”. Alvin Toffler SUMÁRIO Lista de Figuras Lista de Quadros Resumo Introdução ........................................................................................... 11 Capítulo I – Modelo de Gestão ............................................................ 14 1.1. Conceito ................................................................................... 14 1.2. Quebrando Paradigmas ........................................................... 15 1.2.1 Existe – ou Deve Existir – uma Organização Certa ......... 15 1.2.2 Existe a Maneira Certa para se Gerenciar Pessoas ......... 17 1.2.3 Tecnologias e Usuários Finais Fixos e Determinados ...... 19 Capítulo II – Administração Estratégica .............................................. 24 2.1. Planejamento e Estratégia ...................................................... 26 2.2. Inovação ................................................................................. 32 2.3. Ética Empresarial .................................................................... 34 2.4. Cidadania Corporativa ............................................................ 39 Capítulo III – Estrutura Organizacional ............................................... 43 3.1. Organograma .......................................................................... 46 3.2. Formas de Departamentalização ............................................ 48 3.3. Novas Formas Organizacionais .............................................. 52 Capítulo IV – Fator Humano e Desempenho ...................................... 58 4.1. Liderança ................................................................................ 59 4.2. Motivação ................................................................................ 65 4.3. A Gestão do Conhecimento .................................................... 73 Conclusão ........................................................................................... 80 Bibliografia .......................................................................................... 82 LISTA DE FIGURAS Fig. 1 – Conglomerado do Banco do Brasil...................................... 30 Fig. 2 – Escola do Rio Branco-AC Fund. Bradesco ...........................40 Fig. 3 – Organograma Convencional................................................ 45 Fig. 4 – A hierarquia de Necessidades de Maslow .......................... 70 LISTA DE QUADROS: Capítulo I 1.1 – Pressupostos básicos da Teoria de McGregor ............................ 17 Capítulo II 2.1 – Principais diferenças na formulação de estratégias .................... 24 2.2 – Sinais de perigo para comportamento antiético .......................... 35 2.3 – Dados de cidadania corporativa do Banco do Brasil.................... 39 Capítulo IV 4.1 – Os dez desafios da mudança, segundo Senge ........................... 61 4.2 – Programas de Capacitação do Banco do Brasil em 2001 ........... 66 RESUMO O estudo abordado por esta monografia visa identificar qual o modelo de gestão mais eficaz para a alavancagem de negócios nas organizações financeiras, particularmente, nas instituições bancárias. A abordagem contempla um universo de organizações mais abrangente; no entanto, a ênfase é dada aos bancos, tomando-se como exemplo as duas maiores instituições financeiras do país: Banco do Brasil e Bradesco. Partindose das questões conceituais e da quebra de alguns paradigmas sobre modelo de gestão, o estudo apresenta a Administração Estratégica como ferramenta fundamental para obter competitividade e incrementar negócios. O capítulo de que trata sobre o assunto mostra como é o processo de administração estratégica, aponta a inovação como meio de geração de riqueza, e ainda, a ética empresarial e a cidadania corporativa como sendo uma responsabilidade social da empresa, sem a qual não subsistirá. Este trabalho revela as formas de departamentalização e os novos modelos organizacionais, com vistas a identificar os que representam soluções de vanguarda e proporcionam maior agilidade na tomada de decisões. O último capítulo aborda a questão sobre gestão de pessoal; a importância do líder como agente de mudanças, a motivação de pessoas para melhoria do desempenho e como a gestão do conhecimento pode agregar valor a processos e produtos são o foco dessa abordagem. O estudo conclui que o modelo de gestão que valoriza o trabalhador do conhecimento, aplica o ponto de vista do cliente no atendimento às suas necessidades, e ainda, apresenta uma estrutura mais leve e flexível consegue, cada vez mais, alavancar novos negócios. 11 Introdução “Mudar para não sumir” – esse foi o título da matéria publicada na edição de 04/12/2000 da Revista Isto é Dinheiro, que fala da necessidade de adaptação dos gerentes de bancos e administradores à nova realidade do mercado. De acordo com o artigo, os gerentes assumem um papel fundamental para a instituição na obtenção de resultados: apresentar soluções financeiras para o cliente. O ABN Amro Bank, dono do Banco Real, realizou uma ambiciosa reestruturação do seu modelo de gestão, no ano de 2000, com o objetivo de facilitar o processo de tomada de decisões e reduzir custos na ordem de US$ 2 bilhões nos próximos quatro anos1. Em setembro do mesmo ano, lançou um amplo programa de reciclagem para os seus 2.500 profissionais de gerência no Brasil, com o propósito de especializa-los para o atendimento a clientes. O Bradesco, maior banco privado do Brasil, somente em 2001 investiu R$ 1.252 bilhões em infra-estrutura, informática e telecomunicações2 visando à ampliação da rede e, ao mesmo tempo, tendo como foco a 1 Gamez, M. Mudança no ABN Amro Bank Chega ao País – Jornal valor Econômico – Ed. 135 acessado em 02/08/2002 disponível em < http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/arquivo > de 10, 11e 12 de novembro de 2000. 2 Bradesco - Relações com investidores – Demonstração Financeiras Consolidadas em 31/12/2001, acessado em 02/08/2002 e disponível em http://www.bradesco.com.br/html/ri/index_ri.htm 12 segmentação como forma de fortalecer sua competitividade, sem abandonar seu perfil de banco varejista de massa. O Bradesco criou a área corporate e private banking com o objetivo de dar atendimento personalizado às pessoas físicas com disponibilidade líquida de investimento superior a R$ 1 milhão. Além disso, o banco vem aplicando estratégias de negócios que fizeram com que a venda, que era de três produtos por clientes, passasse para a média de 4.4 produtos. Na mesma linha de atuação, o Itaú, banco campeão de rentabilidade, tem crescido de forma constante e consistente, ganhando posições de destaque em alguns segmentos do mercado financeiro. Nos últimos cinco anos, o Itaú adquiriu o francês BFB e os bancos públicos estaduais Banerj, Bemge e Banestado. Segundo a segmentação de mercado o Itaú possui em sua estrutura de Pessoa Jurídica: o Itaúcorp, o Poder Público, o Empresas e o Itaú Unidade Pessoa Jurídicas, já para o segmento de Pessoas Físicas: O Itaú Private Bank, o Personnalité e Itaú Agências de acordo com o faturamento e renda, respectivamente. Nos últimos anos, as mudanças do Banco do Brasil, mostraram que o conglomerado Banco do Brasil, maior instituição financeira da América Latina, respondeu ao desafio da competição e está preparado para atuar no novo cenário financeiro, apresentando uma seqüência de resultados favoráveis, que confirmam o acerto de estratégias para expandir os negócios e gerar resultados. “Liderar a construção de soluções inovadoras em gestão de pessoas, desenvolvendo profissionais comprometidos com a fidelização dos clientes, a cidadania e a melhoria permanente dos resultados da Organização. O objetivo é claro: ampliar permanentemente a base cultural de seus 13 colaboradores para prestar o melhor atendimento do mercado aos seus clientes”.3 Esta tem sido a filosofia do Banco do Brasil, pelo menos no tocante à qualificação dos seus Recursos Humanos nos últimos anos, como nos aponta os Relatórios Anuais divulgados pela Instituição. No balanço de 2001, o lucro líquido alcançado foi de R$ 1.082 milhões: “o crescimento do lucro é conseqüência dos seguintes fatores: expansão equilibrada da carteira de crédito, manutenção das posições de liderança em itens como base de clientes e administração de recursos de terceiros e mudanças estruturais trazidas pelo Programa de Fortalecimento das Instituições Financeiras Federais”. Portanto, há uma preocupação clara das instituições em estar aperfeiçoando seus processos, aprimorando formas de gerir negócios, pessoas e clientes, desenvolvendo estratégias; em suma, buscando um modelo de gestão mais adequado para produzir resultados positivos. Este trabalho se propõe a identificar qual o modelo de gestão mais eficaz para a alavancagem de negócios numa organização financeira, considerando, neste caso, a análise comparativa do desempenho das duas maiores instituições financeiras do país: o Banco do Brasil e o Bradesco. 3 Banco do Brasil – disponível na internet http://www.bb.com.br/por/retrato acessado em 02/08/2002 14 CAPÍTULO I MODELO DE GESTÃO 1.1 – Conceito Aurélio Buarque de Holanda define a palavra “modelo” como “pessoa ou ato que, por sua importância ou perfeição, é digno de servir de exemplo”; no que se refere a “gestão”, aponta como sendo o “ato de gerir – gerenciar – administrar”.4 Englobando ambas definições, poderíamos dizer que o Modelo de Gestão é um modo exemplar de gerir negócios, é uma forma gerencial utilizada para administrar. O processo de gestão é um conceito muito abrangente, pois pode tratar de questões como Recursos Humanos, Tecnologias, Estratégias, Controles e várias outras do campo da Administração. Contudo, numa abordagem acerca do Modelo de Gestão, pretende-se identificar essencialmente como uma empresa opera, sua estrutura organizacional, como toma decisões, como estão os índices de desempenho face à aplicação do modelo e suas relações como o meio externo. 4 Ferreira, Aurélio B. H.; Novo Dicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1975. 1ª Edição (4ª impressão), Página: 689. 15 O “modelo”, neste caso, não tem a pretensão de ser perfeito, como sugere Aurélio Buarque de Holanda, mas propõe-se a incorporar um conjunto de conhecimentos importantes que visa disciplinar a prática da gestão nas organizações. Essa prática, por sua vez, está sujeira a mudanças contínuas, pois está associada ao comprometimento de pessoas e instituições humanas e não a uma ciência exata. 1.2 – Quebrando Paradigmas Ao considerarmos o Modelo de Gestão empregado numa instituição, seja ela do segmento de bancos ou de qualquer outro, normalmente imaginamos uma organização padrão, com uma maneira certa de gerenciar pessoas, lidar com clientes e fornecedores, enfim, aplicamos conceitos tradicionalmente aceitos no campo da Administração. Contudo, há alguns paradigmas desta ciência social que já não correspondem à realidade, pois a prática organizacional tem revelado novos conceitos. 1.2.1 – “Existe – ou deve existir – uma organização certa”.5 É uma hipótese básica mantida por praticamente todos os teóricos de administração e pela maioria de seus praticantes desde os primórdios do pensamento a respeito de organização, por volta do ano de 1900. Historicamente, a preocupação com o gerenciamento e seu estudo começou no final do século XIX, quando estavam surgindo as grandes organizações empresariais e governamentais; e desde então, o homem tem estado em busca da “única organização certa”. Henry Fayol (1841-1925) começou a tratar da estrutura organizacional em sua própria empresa, na França, seguindo por Sr. John 5 Drucker, Peter F. – Desafios Gerenciais para o século XXI. São Paulo: Pioneira, 1999 – Página 14 e 18. 16 Rockefeller, J. P. Morgan e Andrew Carnegie, na Europa; mais tarde, Elihu Root aplicou a teoria da organização ao Exército Americano; Georg Siemens (1839-1901), fundador do Deutsche Bank em 1870, usava os conceitos de Fayol com o objetivo de salvar a Siemens Electric CO., companhia fundada por seu primo Werner Siemens (1816-1892), mas que a tinha deixado sem líder após a sua morte. Contudo, Frederick Winslow Taylor (1856-1915) falava dos “proprietários e seus auxiliares”, ou seja, o conceito da não-estrutura, pois não via a necessidade de uma estrutura organizacional formal como Fayol. Henry Ford dirigiu, por muitos anos, a maior empresa manufatureira do mundo sobre tal conceito. Somente a partir da I Guerra Mundial que se tornou evidente a necessidade de uma estrutura organizacional formal, como também ficou claro que o modelo funcional de Fayol não era a organização certa. Logo após a guerra, Pierre S. DuPont (1870-1954) e Alfred Sloan (1875-1966) desenvolveram a “descentralização”. E agora, nos últimos anos, a “equipe” tem sido coroada como a organização certa para tudo praticamente. Nos dias de hoje, porém, isso já não é considerado uma verdade; a organização não é um item absoluto e sim um instrumento para tornar as pessoas produtivas no trabalho em conjunto. Assim, a organização tem uma estrutura adequada para certas tarefas, em determinadas condições e ocasiões. O trabalho em equipe será fundamental em determinadas tarefas, em outras não. No momento em que se presa o “fim da hierarquia” é importante considerar qual seria a atitude do capitão de um navio que estivesse afundando, com necessidade de tomar decisões rápidas e vitais. Será que ele convocaria a tripulação para uma reunião, onde todos pudessem expressar suas respectivas opiniões acerca do que fazer, ou daria simplesmente uma ordem e todos obedeceriam? 17 “A hierarquia e a sua aceitação sem questionamento por todos na organização são a única esperança numa crise”, afirma Peter Drucker.6 Situações distintas, na mesma instituição, poderão requerer uma discussão para implementação de projetos, trabalho em equipe, pesquisa individual, etc. Há em qualquer instituição a necessidade de estruturas organizacionais diferentes, coexistindo lado a lado. Nos bancos, por exemplo, a tarefa de gerenciar a exposição a moedas estrangeiras exige total centralização, onde nenhuma unidade isoladamente pode ter permissão para cuidar das suas próprias exposições. Mas, no mesmo banco, o serviço de atendimento ao cliente, de um modo geral, requer autonomia, pois as expectativas de cada cliente são distintas e a questão da agilidade é fundamental nessa tarefa. 1.2.2 – “Existe a maneira certa para Gerenciar Pessoas”.7 Outra hipótese que está praticamente presente em todo livro ou estudo sobre o gerenciamento de pessoas, porém distante da realidade, é esta: “existe a maneira certa para se gerenciar pessoas – ou pela menos deveria haver”. A experiência e o testemunho de grandes autores, tais como: Peter Drucker, Abraham Maslow, Peter Senge, evidenciam que grupos diferentes da população que trabalha devem ser gerenciados de maneiras diferentes e em ocasiões diferentes. Quando estudamos o Modelo de Gestão numa organização, não imaginamos uma forma padrão de procedimentos na área de Recursos Humanos, atualmente chamada de Gestão de Pessoas, mas um conjunto de conhecimentos, que envolve liderança de pessoas, motivação pessoal, estruturas e sistemas flexíveis. 6 7 Idem. Ibid – Página 20 Idem. Ibid – Página 24. 18 Douglas Murray McGregor (1906-1964), um dos mais famosos behavioristas na Administração, afirmava que as gerências devem escolher entre duas e somente duas maneiras diferentes de gerenciar pessoas: A “Teoria X” e a “Teoria Y”, sendo que a Teoria Y é a única saudável. Sua preocupação foi formular uma nova concepção de administração, fundamentando-se no aspecto motivacional, em contraposição à teoria tradicional, excessivamente mecanicista e pragmática. QUADRO 1.1 – Pressupostos básicos da Teoria de McGregor8 TEORIA X O homem é um ser indolente por natureza: ele evita o trabalho ou trabalha o mínimo possível; falta-lhe ambição; não gosta de responsabilidade e prefere ser liberado dos seus encargos. A administração é um processo de dirigir os esforços das pessoas, motiva-las, controlar as suas ações e modificar o seu comportamento para atender às necessidades da empresa. As pessoas devem ser persuadidas, recompensadas, punidas, coagidas, controladas: as suas atividades devem ser dirigidas. Sem uma intervenção ativa por parte da administração, as pessoas seriam passivas às necessidades da organização ou mesmo resistiriam a elas. 8 TEORIA Y A tarefa essencial da Administração é criar condições organizacionais e métodos de operação através dos quais a pessoa possa atingir melhor o seu objetivo pessoal, dirigindo seus próprios esforços em direção aos objetivos da organização. A motivação, o potencial de desenvolvimento, a capacidade de assumir responsabilidade, de dirigir o comportamento para os objetivos da organização, todos estes fatores estão presentes nas pessoas. Os fatores acima não são criados nas pessoas pela Administração. É responsabilidade dela proporcionar condições para que as pessoas reconheçam e desenvolvam, por si próprias, estas características. As pessoas não são por natureza passivas ou resistentes às necessidades da organização. Elas podem tornar-se assim como resultado de experiência em outra organização. McGregor, Douglas M., “The Human Side of Enterprise”, Nova York: McGraw-Hill, 1960, in: Chiavenato, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. São Paulo: Ed. MacGraw-Hill do Brasil Ltda, 1977 Página 346 a 348. 19 Enquanto a Teoria X pressupõe que a maioria das pessoas é incapaz de assumir responsabilidade por conta própria, e por isso precisa de “chicote” para realizar o trabalho, a Teoria Y supõe que os homens têm uma necessidade psicológica de trabalhar e que anseiam por responsabilidade e realização. Abraham H. Maslow, ainda que fosse um fervoroso entusiasta da Teoria Y, mostrou que as exigências de responsabilidade e a ênfase dada à realização do trabalhador podem chegar a tal ponto que somente os mais fortes e saudáveis conseguem suportar. Ele chegou à conclusão de que, mesmo estes, precisam ser protegidos do peso da responsabilidade, pois o mundo não se constitui apenas de pessoas adultas; muitos permanecerão imaturos por toda a vida.9 Ninguém questiona a existência de pessoas indubitavelmente preguiçosas e pessoas indubitavelmente cheias de energia; a questão é: o mesmo indivíduo reage de modo bastante diferente a cada circunstância. Na realidade, não é a natureza humana ou a estrutura da personalidade que determinam como as pessoas agirão e qual a administração de que irão precisar, mas sim a estrutura do emprego e do trabalho. 1.2.3 – “Tecnologias e Usuários Finais são Fixos e Determinados”.10 Em meados do século XIX, era uma hipótese incontestável que a indústria têxtil possuía uma tecnologia única, bem como qualquer outra indústria tinha sua própria tecnologia, distinta e separada de todas as outras. Em 1869, Werner Siemens contratou o primeiro cientista treinado em universidade para iniciar um laboratório de pesquisa moderno, dedicado 9 Drucker, Peter F. – Fator humano e Desempenho: o Melhor de Peter F. Drucker sobre Administração. Tradução de Carlos Afonso Malferrari. 3ª Ed. São Paulo: Pioneira, 1997. Página 307/310. 10 Idem, Desafios Gerenciais para o século XXI. São Paulo: Pioneira, 1999. Página 28/33. 20 exclusivamente à eletrônica, na compreensão clara de que esta seria distinta de todas as outras indústrias, e ainda, possuiria sua própria tecnologia. A partir de tal experiência não somente surgiu a moderna empresa Siemens que hoje conhecemos, com seu próprio laboratório, bem como a indústria química alemã, as empresas elétricas e químicas americanas, as automotivas, as companhias telefônicas, e os laboratórios de pesquisa das grandes empresas farmacêuticas. Até a primeira metade do século XX, considerava-se que as tecnologias externas a uma determinada indústria tinham pouco ou nenhum efeito sobre a mesma, hoje isto não é mais uma realidade. A indústria farmacêutica, por exemplo, cada vez mais depende de tecnologias tais como: genética, microbiologia, biologia molecular e eletrônica médica; que são fundamentalmente diferentes daquelas nas quais se baseia o laboratório de pesquisa farmacêutica. A indústria bancária, atualmente, utiliza-se da tecnologia digital, fibra ótica, teletransmissão, internet e tantas outras que são completamente distintas daquelas relativas à sua própria atividade; a despeito de que não terem sido desenvolvidas para o segmento de bancos, tais tecnologias exercem poderosa influência para o setor na obtenção de resultados. As novidades apresentadas na área das telecomunicações, de microinformática, de Internet, todas acabam tornando-se diferenciais para as empresas que atuam neste mercado altamente competitivo. Quando surgiu na indústria da telefonia celular a tecnologia WAP11, imediatamente o Banco do Brasil disponibilizou para os seus clientes alguns serviços através do telefone celular, tais como: obtenção de saldo, realização de investimentos, pagamento de contas, transferências financeiras e outros. 11 Wireless Application Protocol é um protocolo de comunicação que permite o acesso à Internet através do telefone celular ou outros dispositivos sem fio. 21 Com a evolução dos modelos de computadores de pequeno porte, os Palm Tops12 tornaram-se mais um instrumento de informações financeiras e transações bancárias, podendo-se até realizar empréstimos eletrônicos em conta-corrente; fato que destaca o Banco do Brasil como um banco antenado com a modernidade e pronto para apresentar soluções de vanguarda para os seus clientes. No campo da internet, o Banco do Brasil utilizou a tecnologia da criptografia para propiciar maior segurança na realização das transações dos clientes; para isso, empregou a certificação digital. O Certificado Digital é um arquivo eletrônico que identifica quem está operando e garante, também, que não houve alteração do conteúdo da mensagem entre o momento de sua emissão e o de recebimento. Alguns aplicativos de “software” utilizam esse arquivo para comprovar eletronicamente a identidade da pessoa, quando esta entra em contato, via internet, com outra pessoa. O Bradesco e o Unibanco celebraram em 13/12/2000 Acordo de Associação com a PT Prime, empresa subsidiária da Portugal Telecom (PT), com sede em Lisboa, Portugal. Tal associação com o Unibanco, através de sua subsidiária Bus – Serviços de Telecomunicações S.A. (BUS), nova denominação da Unibanco Sistemas Ltda., se deu porque esta empresa detém autorizações outorgadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a prestação de serviços especializados de circuito e de rede; assim, foi conferidos à BUS os ativos que compõem as redes de telecomunicação de ambos os bancos. Em virtude dessa associação, a PT Prime passou a ser a principal provedora de serviços de gerenciamento e administração da rede de telecomunicação corporativa do Bradesco13 gerando sinergias que propiciam menores custos operacionais, melhoria na atualização tecnológica de 12 Computador que cabe na palma da mão e pode transferir informações por linha telefônica e/ou cabo para um microcomputador de tamanho normal. 13 Bradesco. Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras. Item n.23, “f”. disponível em:http://www.bradesco.com.br/html/ri/index_ri.html acessado em 03/08/2002 22 telecomunicação para os dois bancos, além da capacidade de oferecer os mesmos serviços ao mercado bancário brasileiro. Como podemos observar, constantemente essas tecnologias externas forçam uma indústria a aprender, a adquirir, a se adaptar, a mudar sua mentalidade ou mesmo seu conhecimento tecnológico, do contrário, tende a perder competitividade ou até desaparecer. A segunda hipótese que também foi muito importante para a ascensão das indústrias e das empresas do século passado, a saber: os usuários finais são fixos e determinados; isto já não é uma realidade nos dias de hoje. As necessidades de crédito de uma empresa, por exemplo, apenas podiam ser supridas pelo empréstimo de um banco comercial; hoje, a mesma necessidade está sendo satisfeita por meios muito diferentes: cartões de crédito, pelas Administradoras de Cartões; lançamento de debêntures e/ou subscrição de ações, pelas Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários; e outros. Desde a II Guerra Mundial, os usos finais não mais estão ligados unicamente a um determinado produto ou serviço; “é a necessidade que é única e não os meios para satisfaze-la”.14 Quando a indústria de bebidas tinha somente uma recipiente para cerveja, a garrafa de vidro, a concorrência entre fornecedores limitava-se a um único material: o vidro. Hoje se encontra cerveja em latas, plásticos, garrafas de vidros, barris sendo necessário considerar outros fatores para continuar atendendo o cliente. Portanto, a gerência precisa iniciar com a hipótese de que todas as tecnologias podem ser de grande importância para qualquer indústria, inclusive a do segmento de bancos, e ter grande impacto sobre qualquer uma delas. Além disso, o ponto de partida para a gerência não mais pode ser seus 14 Drucker, Peter F. – Desafios Gerenciais para o século XXI. São Paulo: Pioneira, 1999 Página 31. 23 próprios produtos ou serviços e nem mesmo seu mercado conhecido, mas precisa ser aquilo que os clientes consideram valor. “A gerência terá de ser baseada na hipótese de que nem a tecnologia nem o uso final são bases para a política gerencial, mas sim limitações. As bases devem ser valores do cliente e suas decisões sobre a distribuição da sua renda disponível. É com elas que a política e a estratégia gerenciais terão de começar”.15 15 Idem, Ibid – Página 33. 24 CAPÍTULO II ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA Nos últimos anos, nenhuma palavra tem sido tão associada à administração quanto estratégia. Isto porque a palavra ou o conceito estratégia serve para qualificar não só a própria administração, como também todas as funções administrativas. A palavra tem origem grega e servia para designar a função administrativa do generalato. Desde a sua origem, há 500 anos a.C. aproximadamente, o conceito de estratégia sempre esteve associado à visão militar. O estrategista era o comandante militar que formulava o projetava as manobras necessárias à consecução de um fim específico. Desde o começo, a estratégia era vista essencialmente como uma arte. Na perspectiva militar, esta palavra foi adquirindo um sentido mais amplo do que a própria guerra, para significar planos e alternativas de segurança ou atitudes de luta que poderão ou não incluir a guerra. Modernamente, a palavra passou ainda a estar associada a jogos, no sentido de esperteza e de artimanhas em situações específicas. 25 A utilização do termo estratégia em administração procurou trazer a esta uma perspectiva científica e não somente a visão de uma arte. Como foi, inicialmente, associada à formulação de diretrizes a ao planejamento, a estratégia recebeu toda a ênfase racional e científica da administração, tão acentuada na segunda metade do século passado. Com a transposição do conceito de estratégia do sentido militar para a administração, foi possível aplicar à gerência empresarial uma série de idéias e métodos de planejamento de operações militares, acumulados e construídos durante séculos de pensamento militar estratégico. Podemos citar algumas semelhanças entre elas: definição clara de objetivos, visão de escopo (além do campo de batalha), horizonte de tempo mais amplo, flexibilidade planejada, comando e liderança efetivos, e ainda, a questão da moral de grupo. Evidentemente, isso trouxe também uma potencialidade de equívocos e inadequações típicas de quando se transportam idéias e métodos sem o sentido das diferenças fundamentais que existem entre a arte militar e a gerência empresarial moderna, como podemos observar no quadro 2.1. QUADRO 2.1 – Principais Diferenças na Formulação de Estratégias1 Estratégia Militar Clássica Formulada segundo um maior número de constantes e menor número de variáveis (nível da batalha e da guerra). Concentra-se no indivíduoestrategista. Baseada na oposição inteligente: opositores desenvolvem estratégias de ação e podem, em princípio, conhecer alternativas dos oponentes em cada situação específica. Estratégia Empresarial Moderna Formulada segundo um menor número de constantes e alto número de variáveis (nível da empresa). Concentra-se na empresa: estratégia organizacional. Baseada na ambigüidade e volatilidade da ambiência, que pode mudar rápida e independentemente da ação de opositores conhecidos. 1 Motta, P. R. – Gestão Contemporânea: A Ciência e a Arte de ser Dirigente. Rio de Janeiro. Ed. Record, 1998. Página 83. 26 Estratégia vista unicamente como ação conscientemente estabelecida. Insinua habilidades em artimanhas e espertezas (como na teoria dos jogos). Apresenta-se como uma arte Estratégia vista tanto como produto da ação consciente quanto da ação emergente do processo organizacional. Baseada em habilidades gerenciais. Apresenta-se tanto como arte quanto como ciência. A simples transposição de idéias da perspectiva militar para o ambiente empresarial pode ser perigoso, pois a complexidade alcançada pela empresa contemporânea exige habilidades gerenciais específicas para decidir e agir num contexto de grande risco e incertezas. Estratégia, portanto, é o conjunto de decisões fixadas em um plano ou emergentes do processo organizacional, que integra missão, objetivos e seqüência de ações administrativas num todo interdependente. Os caminhos a serem percorridos devem ser visualizados através de uma ótica ampliada da organização e que inclua o meio ambiente no qual ela está inserida; o plano deve ser flexível de modo que permita o redirecionamento constante dos objetivos. Os bancos estão inseridos num ambiente extremamente competitivo e complexo, como também muitas outras organizações modernas, sujeitas a mudanças constantes na esfera política, econômica e social. Como estas instituições manterão seu crescimento, criarão novas oportunidades de negócios, serão líderes no mercado, ou até mesmo permanecerão operando, se não por meio de uma boa administração estratégica. 2.1 – Planejamento e Estratégia “Planejamento é o processo consciente e sistemático de tomar decisões sobre objetivos e atividades que uma pessoa, um grupo, uma 27 unidade de trabalho ou uma organização buscarão no futuro”.2 Portanto, o planejamento não consiste de meras respostas informais ou casuais nos momentos de crise, mas se constitui de um esforço consciente com propósitos bem definidos. É um mapa claro a ser seguido pela organização em suas atividades futuras. O planejamento estratégico surgiu numa época em que a visão predominante na teoria administrativa, ainda, era a de explorar ao máximo as dimensões racionais da gerência para dominar as ambigüidades que surgiam no meio ambiente. Esta visão valorizava o aperfeiçoamento de métodos racionais de ação administrativa para produzir maior eficiência e eficácia nas antecipações de mudanças. Essa necessidade foi preenchida com o planejamento estratégico. Atualmente, dirigentes enfrentam um mundo mais complexo, ambíguo e de mudanças extremamente velozes, que desatualizam rapidamente conhecimentos, tecnologias e análises antecipatórias. As dimensões racionais da gerência tornam-se tanto mais necessárias para enfrentar riscos e incertezas quanto mais vulneráveis às mudanças imprevistas e incontroláveis. Assim sendo, os principais executivos das empresas cada vez mais estão envolvendo administradores de toda a organização como um todo no processo de planejamento. Os problemas mencionados e o ambiente que se modifica rapidamente forçaram os executivos a olhar para todos os níveis da organização em busca de idéias e inovações para tornar as empresas mais competitivas. A estratégia permeia toda a organização, embora existam níveis diversos de formulação estratégica. O mesmo se pode dizer da formulação 2 BATEMAN, THOMAS S. – Administração: Construindo Vantagem Competitiva. São Paulo – Ed. Atlas, 1998 – Cap. 5, Página 121/122 28 tática. Diferenças entre estratégia e tática são muito tênues, pois são da mesma natureza. Tática se insere na estratégia; as diferenças são de escopo, amplitude, escala de ação e de tempo. Tática se refere a dimensões de curto prazo, de objetivos restritos, e a decisões e ações proativas e adaptativas de alcance limitado. Os planos táticos focalizam as principais ações que uma unidade deve empreender para realizar sua parte do plano estratégico. O planejamento operacional, por sua vez, idêntica os procedimentos e processos específicos requeridos nos níveis inferiores da organização. Os administradores operacionais normalmente desenvolvem planos para períodos de tempo bastante curtos e focalizam tarefas rotineiras. Todavia, encontramos decisões estratégicas, táticas e operacionais em todos os níveis hierárquicos. Por causa dessa tendência, surgiu o novo termo para o processo de planejamento estratégico: administração estratégica. Esta envolve administradores de todas as partes da organização na formulação e implementação de objetivos estratégicos e de estratégias, integrando o planejamento estratégico e a administração em um único processo.Torna-se uma atividade contínua em todos os administradores são encorajados a pensar estrategicamente e a focalizar tanto questões externas a longo prazo quanto questões táticas e operacionais a curto prazo. Os principais componentes do processo de administração estratégica são: estabelecimento de uma missão e uma visão; análise ambiental; avaliação interna; formulação de estratégias; implementação de estratégias; e controle estratégico. O primeiro passo no planejamento estratégico é determinar a missão e a visão da organização. A missão é uma declaração básica da razão da existência da organização; são o seu propósito e os seus valores básicos. A visão vai além da declaração da missão para prover uma perspectiva em relação ao direcionamento da empresa e em que a organização pode transformar-se; é o seu intento estratégico. 29 Após definir a missão e a visão, o segundo componente do processo de administração estratégica é a análise do ambiente externo. O sucesso depende de uma avaliação ambiental acurada e completa, ou seja, análise do setor e do mercado, dos concorrentes, política e de regulamentação, social, de recursos humanos, macroeconômica e tecnológica. Paralelamente à análise externa, deve-se proceder à análise interna. Esta fornece aos tomadores de decisão estratégica um panorama das habilidades e recursos da organização, bem como de seus níveis de desempenho. Através de uma análise interna bem feita, a organização é capaz de identificar e compreender com clareza suas competências essenciais, ou seja, aquilo que ela faz especialmente bem em relação à concorrência. O Banco do Brasil, por exemplo, tem sido visto tradicionalmente como uma instituição com competência essencial em agronegócios e comércio exterior, dada a sua indubitável experiência em operações rurais e as habilidades desenvolvidas nos negócios internacionais, desde os primórdios da CACEX – Câmara de Comércio Exterior. O Bradesco, por sua vez tem definido sua competência essencial como sendo a tecnologia, marco importante para o banco no processo de automação bancária. Após análise do ambiente externo e dos recursos internos, os gestores passam a ter todas as informações necessárias para a formulação de estratégias. Basicamente, podemos identificar três grupos: a estratégia empresarial, a estratégia de negócios e a estratégia funcional. A Estratégia Empresarial identifica o conjunto de negócios, mercados ou setores em que a organização estará competindo bem como a distribuição de recursos entre esses negócios. Uma empresa pode, por exemplo, adotar a estratégia de concentração quando deseja focalizar um único negócio – o que não é o caso dos bancos. A estratégia de diversificação 30 por conglomerados é aquela que envolve expansão para negócios não relacionados entre si. No caso particular da indústria bancária, tem sido comum a estratégia de diversificação concêntrica, ou seja, a entrada em novos negócios relacionados ao negócio central original. O objetivo é tirar proveito dos pontos fortes que possuem no negócio em que atuam para obter vantagem em outros. Como os negócios são relacionados, os produtos, mercados, tecnologias e capacitações utilizadas em um deles, podem ser transferidos para os outros. De acordo com o Manual de Normas e Instruções preparado e editado pelo Banco Central do Brasil, que estabelece as normas operacionais de todas as instituições financeiras, os bancos foram segmentados segundo a peculiaridade de suas funções de crédito. Para atuarem em outros negócios, os bancos criaram as subsidiárias através das quais foi possível operar nos diversos segmentos do mercado financeiro. No entanto, através da Resolução nº 1.524/88, por decisão do Conselho Monetário Nacional, foi criada a figura do Banco Múltiplo. Como o nome diz, foi permitido que algumas dessas instituições, muitas vezes empresas de um mesmo grupo possam constituir uma única instituição financeira com personalidade jurídica própria e, portanto, com um único balanço e um único caixa. FIGURA 1 – Conglomerado do Banco do Brasil3 3 BANCO DO BRASIL. Conglomerado, acessado em 03/08/2002 <http://www.bb.com.br/appbb/portal/bb/re/conglomerado.jsp> . e disponível em 31 O Conselho de Administração do Banco do Brasil aprovou em 02/04/2001 propostas da Diretoria para organização do Banco do Brasil na forma de banco múltiplo. Por constituir-se em uma única instituição financeira, isso permitiu ao Banco do Brasil otimizar a gestão financeira e a fiscotributária, bem como simplificar a estrutura societária do conglomerado. Outro grupamento de estratégias é o da estratégia de Negócios. Depois que a equipe de alta administração e o conselho tomarem as decisões estratégicas, os executivos devem determinar como as unidades irão competir em cada área de negócios. São definidas as principais ações pelas quais uma organização constrói e reforça sua posição competitiva no mercado. A empresa pode adotar uma estratégia de diferenciação, quanto ela tenta ser a única em seu setor ou segmento de mercado, em algumas dimensões que os consumidores valorizem. Ou pode adotar uma estratégia de baixo custo buscando ser eficiente e oferecer um produto padronizado e sem acessórios supérfluos.Nesse último caso, geralmente são empresas de grande 32 porte que procuram obter vantagens via economias de escala na produção ou na distribuição. O passo final no processo de formulação de estratégias é estabelecer as principais estratégias funcionais, que são implementadas por todas as áreas funcionais da organização com vistas a apoiar a estratégia de negócios. O Bradesco, por exemplo, vem aplicando a estratégia de estimular cada cliente a consumir, em média, cinco produtos financeiros; tal estratégia funcional também decorre da estratégia de “banco de relacionamento”.4 O componente final do processo de administração estratégia é o Controle Estratégico. O sistema de controle estratégico é projetado para apóias os administradores na avaliação do progresso da organização com sua estratégia e quando existirem discrepâncias, na formulação de ações corretivas. As organizações devem desenvolver indicadores de desempenho, um sistema de informação e mecanismos específicos para monitorar o progresso. O orçamento tem sido o instrumento mais utilizado pela maioria dos sistemas de controle estratégico. 2.2 – Inovação Na opinião de Gary Hamel, autor de “Liderando a Revolução” e um dos mais renomados gurus de estratégia empresarial da atualidade, o excesso de regras nas empresas impede as mudanças; só a inovação radical gera riqueza. “Não basta mais reduzir custos para aumentar os lucros” é o que afirma Hamel; é preciso desenvolver um modelo onde todos os funcionários sejam envolvidos num processo sistemático de criação. 4 MIYA, FIDEO – O Bradesco está pronto para enfrentar competição externa – Gazeta Mercantil, São Paulo, Caderno Especial – Relatório Gazeta Mercantil-Bancos, 23/02/2001 – Pág. 3. 33 Com a abertura do mercado brasileiro, a chegada dos bancos estrangeiros e diante da nova realidade econômica, a competitividade no setor tornou-se cada vez mais acirrada. Dessa forma é difícil imaginar qualquer organização tendo um salto nas suas receitas sem uma estratégia que seja muito diferente da de seus concorrentes, pois o que encontramos em vários setores é uma tendência de as estratégias dos líderes de mercado se tornarem mais parecidas. Na verdade, há duas formas de inovação radical cujo propósito é de gerar riqueza; primeiro, aquela que modifica apenas um componente do negócio ou do produto: e segundo, a que modifica todo o modelo de negócios. No passado, os bancos tinham seus cartões de crédito totalmente dissociados da conta corrente do cliente, com custos para os clientes e para os próprios bancos; o Banco do Brasil, no entanto atribuiu as funções de cartão de crédito, cartão de débito e de garantia de cheques, todas num único cartão, o que hoje é seguido por todos os outros. Com o crescimento do uso da internet, os bancos procuram aplicar um novo modelo de negócios através da rede. Muitas empresas estão investindo em Internet, integrando seu negócio por meio dela e, com. Isso. Ganhando mais eficiência; contudo, isso não significa necessariamente aumento de lucros. É fundamental que haja um modelo de negócios criativo em torno dela, pois todos estão melhorando sua eficiência no mesmo nível e na mesma velocidade. De qualquer parte do planeta, o cliente Bradesco pode ter acesso a operações bancárias interativas. Foi o primeiro banco brasileiro a usar um computador, sendo, também, a primeira empresa que inaugurou a Internet no País. Foi pioneiro nas operações de Internet Banking, o endereço “www.bradesco.com.br” tornou uma referência mundial na prestação de serviços. Possui um sistema de reconhecimento de voz a atendimento 34 personalizado através do Fone Fácil e, ainda, o Bradesco Móbile Banking onde os clientes realizam suas operações bancárias por celular.5 O lançamento do novo portal “www.bb.com.br” em dez de 2001, trouxe conceito inéditos no mercado bancário, como a personalização das opções do site pelo próprio usuários. Em 2001 com o incremento de 1,1 milhão de clientes, atingiu a marca de 4 milhões de usuários cadastrados na Internet. São números que colocam o BB no primeiro lugar da economia digital em nosso país.6 No primeiro semestre de 2000 disponibilizou a seus clientes pessoa jurídica o “BB-Office Banking”, atualmente com o nome de “Gerenciador Financeiro” (um serviço que possibilita 74 diferentes transações bancárias on line com muito mais segurança). Atualmente há uma grande discussão acerca do novo Sistema de Pagamentos Brasileiro, implantado em 22 de abril de 2002, pois está previsto uma verdadeira revolução na forma de fazer negócios no setor dos bancos, mudança de cultura dos clientes e consumidores e, sobretudo, maior segurança de todo o Sistema Financeiro Nacional. 2.3 – Ética Empresarial Quando se tenta “empurrar” um determinado produto para o cliente, mesmo sabendo que tal não corresponde aos seus anseios, mas sim à necessidade de cumprir metas, poderíamos considerar tal atitude como uma postura ética? Quais as conseqüências de tal atitude para o funcionário que age dessa forma? E se for o comportamento comum da empresa? Qual o conceito que a organização terá no mercado? 5 BANCO BRADESCO – Acessado em 04/08/2002 e disponível na internet pelo site <http://www.bradesco.com.br/html/bancobradesco/index.html> 6 BANCO DO BRASIL – Acessado em 04/08/2002 e disponível na internet pelo site <http://www.bb.com.br/appbb/portal/bb/ri/indbb/Recursos.Tec.jsp>. 35 Estas questões devem ser consideradas pelas empresas que buscam uma vantagem competitiva. Este é apenas um dentre tantos outros exemplos que devem ser observados no que diz respeito à ética. “Que espécie de pessoa ou de empresa desejamos apresentar para os nossos clientes” é a pergunta que devemos fazer a nós mesmos. A ética, portanto, é um claro sistema de valores que pode ser identificado na vida das pessoas individualmente, ou ainda, numa organização. O objetivo da ética é identificar tanto as regras que deveriam governar o comportamento das pessoas quanto os bens que vale a pena buscar.7 Valores são princípios de conduta, tais como: lealdade, justiça, integridade, responsabilidade, honestidade, respeito pelos outros, cidadania, etc. Podemos dizer que a maioria das pessoas concorda que todos esses valores constituem em linhas de conduta admiráveis para o comportamento. Assim sendo, o sistema de valores de uma instituição pode beneficiar ou não seus esforços na obtenção de resultados. No momento em que abordamos as questões éticas no mundo dos negócios, apesar de fundamentalmente serem as mesmas em qualquer contexto, tornam-se um pouco mais complexas quanto àqueles que tomam decisões. Na maior parte das organizações, as decisões são tomadas por agentes em vez de chefes. O atendente, o caixa executivo, o auxiliar de negócios e não o gerente, o superintendente, o diretor do banco. Neste caso, os tomadores de decisões precisam, de algum modo, mesclar seu sistema ético pessoal com os valores e critérios de desempenho da organização. Da mesma forma que os indivíduos possuem códigos de ética pessoais diferenciados, ainda que não formais, as organizações devem ser explícitas com referência a suas expectativas e a seus padrões éticos. Um dos 7 BATEMAN, T.S. – Administração: Construindo vantagem competitiva. São Paulo – Ed. Atlas, 1998 – Capítulo 6, Página 141 36 sinais mais visíveis do compromisso corporativo com o comportamento ético são os códigos de ética. No ano passado, houve muita discussão sobre ética no Brasil, não somente na esfera empresarial como também na governamental. Os códigos de ética tornaram-se populares nos EUA nos anos 80, e depois, a partir de 1991 novas diretrizes federais aumentaram as multas por atividades ilegais e especificaram multas mais suaves para as empresas que possuem declarações éticas formalizadas. O Banco do Brasil valoriza a reflexão ética como forma de aprimorar comportamentos e atitudes e considera o funcionário seu legítimo representante, reconhecendo-o como seu agente ético por excelência. É um desafio manter um comportamento ético por parte de todos os empregados de uma organização, principalmente em instituições com a magnitude do Banco do Brasil, Bradesco e muitas outras onde há uma variedade de culturas, pois sua atuação abrange todo o território nacional e alguns pontos no exterior, e ainda, onde o resultado financeiro é fundamental. Alguns sinais são indicativos de que uma organização poderia estar permitindo ou mesmo encorajando um comportamento antiético entre seus empregados. Vejamos quadro abaixo: QUADRO 2.2 – Sinais de Perigo para Comportamento Antiético8 1. Ênfase excessiva em receitas de curto prazo em relação a considerações de longo prazo; 2. Fracasso em elaborar um código de ética escrito; 3. Buscar soluções simples e de “efeito rápido” para problemas éticos; 8 COOKE, R. ª - Danger signs of unethical behavior: how to determine if your firm is at ethcal risk. “Juonal of Business Ethics” – página 249/253, Abr. 1991, in Bateman, T. S. Op.cit Página 143/144 37 4. Má-vontade para adotar uma postura ética que possa implicar custos financeiros; 5. Ver a ética somente como uma questão legal ou uma ferramenta de relações públicas; 6. Falta de procedimentos claros para lidar com problemas éticos; 7. Atender às demandas dos acionistas às expensas de outros públicos. Evidentemente, o comportamento antiético não constitui responsabilidade somente daqueles que se engajam nele, mas também daqueles que falharam em fornecer liderança ética e controles adequados. Na esfera legal, por exemplo, as multas de uma empresa ou as penas aplicadas aos seus administradores são, em parte, baseadas no fato de ela ter ou não executado ações para prevenir a má conduta. Nos últimos anos, um dos temas éticos mais preocupantes para as instituições financeiras tem sido a questão da “lavagem do dinheiro”, ou seja, a ação que tem por finalidade a conversão do produto monetário de uma atividade ilícita em ativos, financeiros ou não, que mostrem uma origem legítima. Mas o que os bancos têm a ver com dinheiro “sujo”, proveniente do narcotráfico, venda de armas ilícitas, seqüestros, etc? Agora, “lavagem de dinheiro” é crime! E dinheiro é a principal “mercadoria” dos bancos. A comunidade internacional vem mobilizando-se para coibir essa prática há tempos. Em 1988 os signatários da Convenção de Viena assumiram o encargo de classificar como infração penal à “lavagem de dinheiro” proveniente do narcotráfico; assim, cada país foi ajustando a sua legislação. Em 1997 o Comitê de Basiléia estabeleceu os princípios fundamentais9 para supervisão eficaz da atividade bancária; veja o 15º princípio: 9 SSF-Superintendencia Del Sistema Financeiro, El Salvador. Principios Basicos para la Supervision Efective de Basilea – Abr/1997.< http://www.ssf.gob.sv/basilea.htm>, acesso em 06/08/2002. 38 “Os supervisores da atividade bancária devem certificar-se de que os bancos possuem políticas, práticas e procedimentos, inclusive regras rígidas de ‘conheça seu cliente’, que promovam altos padrões éticos e profissionais no setor financeiro, impedindo que um banco seja utilizado, com o seu conhecimento ou não, por elementos criminosos”. No Brasil, o Governo Federal buscou inibir as atividades criminosas, por meio de um controle mais rigoroso da movimentação de capitais, quando instituiu a Lei nº 9.613, de 03/03/1998. A legislação veio não somente caracterizar o crime como também atribuir responsabilidades aos agentes de vários segmentos da economia, fazendo com que tenham um papel muito importante nessa luta. Os programas éticos de uma organização podem estar focados, basicamente, em duas estratégias: programas fundamentados em obediência e programas fundamentados em integridade. A estratégia de obediência é aquela voltada para punir as pessoas que fazem coisas erradas; normalmente, constitui-se de programas projetados pela assessoria jurídica para prevenir, detectar e punir infrações legais. A estratégia de integridade vai além de meramente evitar a ilegalidade; os seus programas estão preocupados com a lei, mas também com a criação de um compromisso moral com a conduta ética das pessoas. Nos programas fundamentados em integridade é muito importante o conjunto de valores desenvolvidos por todos os administradores da organização, não somente pela assessoria jurídica, que está preocupada em evitar problemas legais. Qual tem sido a postura dos bancos frente às filas, ao atendimento dos idosos, ao deficiente físico. 39 O Banco do Brasil é o primeiro banco no país a instalar terminais de auto-atendimento para uso prioritário deficiência locomotora. Os novos terminais, especialmente adaptados para atender às necessidades dos clientes, oferecem maior comodidade, praticidade e segurança. Até o final do ano estarão funcionando 95 terminais desse tipo.10 A iniciativa é pioneira entre os banco brasileiros e faz parte de projeto do BB para eliminar a barreira arquitetônica e de comunicação, garantindo o efetivo atendimento aos portadores de deficiência. O projeto do BB abrange assuntos como acessibilidade, equipamentos e móveis, produtos, comunicação e capacitação funcional. No primeiro momento, os terminais adaptados para cadeiras de roda foram instalados em salas de autoatendimento, shoppings, supermercados e aeroportos. O BB também estuda a instalação de terminais com síntese de voz, impressora em Braille, além de acesso à Internet para deficiente visual. 2.4 – Cidadania Corporativa As organizações têm adotado ampla gama de posturas para equilibrar o resultado econômico e a responsabilidade social empresarial. “A responsabilidade social deixou de ser opção para as empresas. É uma questão de visão, de estratégia e, muitas vezes, de sobrevivência”.10 O conceito de boa cidadania corporativa aplica-se ao novo ambiente empresarial, onde os interesses dos acionistas dividem espaço com as demandas da comunidade e dos clientes, funcionários e fornecedores. Para esse universo de pessoas é que a empresa do futuro terá de gerar valor. 10 BANCO do BRASIL. – Acessado em 07/08/2002 e disponível <http://www.bb.com.br/appbb/portal/fs/atd/TerminaisDef.jsp>. 10 na internet no site VASSALLO, C. Um Novo Modelo de Negócios. Revista EXAME. São Paulo. Guia Exame de Boa Cidadania Corporativa, parte integrante da Ed. 728 – Página 8. 40 O Banco do Brasil, a maior instituição financeira do país e a única do setor público, apontada pela Revista EXAME como um dos dez melhores exemplos de cidadania corporativa do Brasil; os critérios para a escolha estão descritos no seu Guia de Boa Cidadania Corporativa-2000, os quais compreendem questões relativas aos temas: Valores e Transparência; Funcionários e Público Interno; Meio Ambiente; fornecedores; Consumidores/Clientes; Comunidade; e, Governo e Sociedade. No quadro 2.3 estão registradas algumas realizações de cidadania corporativa do Banco do Brasil, que se tem destacado pelos seus projetos sociais. QUADRO 2.3 – Dados de Cidadania Corporativa do BB Em 2000, a fundação controlada pelo Banco aplicou R$ 40 milhões em projetos sociais voltados, sobretudo, a educação, saúde e cultura. Para desenvolve-los, cerca de 3600 voluntários, a maior parte deles funcionários do Banco, foram recrutados e treinados. Um dos maiores programas da Fundação Banco do Brasil, o BBeducar já alfabetizou 45000 adultos desde 1992–15000 deles nos últimos 12 meses. Outro projeto baseado no desenvolvimento do esporte beneficia todos os anos cerca de 43000 crianças e jovens de famílias de baixa renda e 3000 educadores. Três dos maiores centros culturais do país, controlados pelo Banco, ficam permanentemente abertos à comunidade. Em 1999, 8600 trabalhadores passaram pelos cursos desenvolvidos pelo programa de capacitação profissional da fundação. O Banco tem maior rede de operacionalização de projetos sociais do Brasil. São 2820 agências e 4000 pontos de atendimentos espelhados pelo país. Essa posição do Banco do Brasil, ainda que originalmente tenha, por obrigação, que cumprir seu papel social como empresa pública, ganhou destaque pela maneira como vem cumprindo tal obrigação. Além disso, o extraordinário aumento da concorrência no setor financeiro brasileiro vem contribuindo bastante para esse destaque, afinal, como banco do varejo, o BB 41 bem como os seus rivais precisam contar com uma forte imagem de marca perante o consumidor. A Fundação Bradesco, pilar principal da ação social da Organização, investe na formação educacional de crianças, jovens e adultos. No ano 2001, 102.762 alunos foram atendidos, com ensino totalmente gratuito, incluindo-se os cursos de educação de jovens e adultos e educação profissional básica. A Fundação Bradesco assegura; também gratuitamente aos 48.005 alunos dos cursos de educação infantil; ensino fundamental, médio e médio- profissionalizante, alimentação, uniforme, material escolar e assistência médico-odontológica.11 Em 08 de fevereiro de 2001 passa a funcionar, em Rio Branco, capital do Acre, a 38º Escola de Educação Básica e Profissional Fundação Bradesco atendendo 1010 alunos que mora em boa parte nos 8 conjuntos habitacionais da região com renda familiar média de dois salários mínimos. Isso significa a presença da Fundação em 25 dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, cobrindo praticamente todas as unidades da Federação. FIGURA 2 – Escola do Rio Branco (AC) - Fundação Bradesco Educação Básica 660 Educação Infantil 70 Ensino Fundamental 590 Educação de Jovens e Adultos 262 1ª a 4ª 102 5ª a 8ª 80 Ensino Médio 80 Educação Profissional Básica 1160 Informática 630 Outros cursos 530 PREVISÃO DE ALUNOS PARA 2002 11 BANCO BRADESCO- acessado http://www.fb.org.br/fbnumeros.asp > em 10/08/2002 2082 e disponível na internet no site < 42 Outra novidade publicada no seu Relatório de Administração12 é a interligação das Escolas da Fundação através de Rede de Satélite e Internet, destinada a tornar mais ágeis a comunicação e o intercâmbio de informações e projetos entre os alunos. Destaca-se, também na área de tecnologia, o lançamento do projeto “e.learning”, com o oferecimento de cursos cia Internet. Todos esses elementos apontados até aqui fazem de uma estratégia bem definida as organizações com a finalidade de torna-las mais competitivas, modernas e rentáveis. 12 BRADESCO- Relatório de Administração e Diretoria , São Paulo. Acessado em 10/08/2002 e disponível na internet no site < http://www.bradesco.com.br.demfin/dfc1200/index.html > 43 CAPÍTULO III ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Em empresas multinacionais, era comum permitir a administradores locais tomarem decisões em países onde os escritórios estivessem localizados. Subsidiárias estrangeiras freqüentemente possuem alto grau de independência. Mas, agora, o poder está saindo dos pontos e retornando aos escritórios centrais. Antes da abordagem acerca da estrutura das organizações propriamente dita, é importante ressaltar alguns conceitos e princípios fundamentais considerados na formação destes modelos. O sucesso ou o fracasso, a satisfação ou não no trabalho, a facilidade ou dificuldade na realização de negócios são exemplos de questões que, muitas vezes, estão relacionadas à maneira de como os administradores organizam as empresas e utilizam a autoridade. Dois conceitos fundamentais em torno dos quais as organizações são estruturadas são especialização e coordenação. Especialização é a subdivisão do trabalho em tarefas menores; várias pessoas e unidades distribuídas dentro de uma empresa desempenham tarefas diferentes. Secretárias e contadores especializam-se e desempenham trabalhos 44 diferentes; do mesmo modo, as tarefas de marketing, finanças e gestão de pessoas são atribuídas aos respectivos departamentos. No entanto, todas essas tarefas especializadas não podem ser desempenhadas de maneira totalmente independente. Pelo fato de todas as unidades constituírem uma organização maior, deve existir algum grau de comunicação e de cooperação entre elas. A coordenação refere-se a procedimentos que ligam as várias partes da organização para que se alcance a missão global da empresa. A especialização dos cargos e a divisão do trabalho criaram a diferenciação; isto é, pessoas em várias unidades trabalham em tarefas muito diferentes, utilizando habilidades e métodos de trabalho diferentes. A diferenciação é alta quando há muitas subunidades e muitos especialistas que pensam de modo diverso. A integração, por sua vez, é o grau em que unidades diferenciadas trabalham juntas coordenando seus esforços. A integração é alcançada por meio de mecanismos estruturais que melhoram a colaboração e a coordenação. Qualquer atividade que liga unidades de trabalho diferentes desempenha uma função integrativa entre estas unidades. Quanto mais diferenciada for a empresa, maior será a necessidade de integração entre suas diferentes unidades. A outra questão a ser considerada é a autoridade. A autoridade é fundamental para o funcionamento de qualquer organização, pois é o direito legítimo de tomar decisões e de dizer o que fazer a outras pessoas. Ela reside mais em posições do que em pessoas; assim, o cargo de vice-presidente de uma divisão, por exemplo, tem autoridade sobre essa divisão, não importando nem quantas pessoas têm assumido essa posição nem quem a conduz no momento. 45 Tradicionalmente, autoridade tem sido o principal meio para se conduzir uma organização. Uma ordem que o chefe dá a um funcionário de nível mais baixo geralmente é cumprida; em virtude dessas coisas ocorrerem em organizações diariamente é que elas podem ir para frente, em direção à consecução de seus objetivos. A forma como a ordem é dada é outra questão, que será considerada no capítulo de que trata sobre o fator humano. Nas grandes empresas, notadamente naquelas constituídas por muitos acionistas, existe uma estrutura organizacional diferenciada justamente devido à pluralidade de interesses e à complexidade dos negócios. Os acionistas geralmente se ressentem da falta de informações atualizadas e poucos deles são envolvidos diretamente com a administração da organização. Assim, os acionistas elegem um conselho de administração e um conselho de diretores para supervisionar a organização. Compete ao Conselho de Administração, dentre outras funções, fixar a orientação geral dos negócios da companhia, eleger e destituir diretores, fixar-lhes as atribuições e fiscalizar sua gestão. Ao Conselho de Diretores compete tomar decisões sobre assuntos de interesse da empresa, de forma colegiada, conforme seus objetivos e estatutos; aos diretores individualmente cabe a representação da organização bem como a prática dos atos necessários ao seu funcionamento regular.1 Os três níveis hierárquicos que podemos identificar em uma organização, conforme foram mencionados no capítulo sobre administração estratégica, são reunidos por um elemento: a estrutura de autoridade. No nível superior estão os administradores estratégicos, responsáveis por toda a organização, presidentes e vice-presidentes. No segundo nível está a administração intermediária, responsável por grandes áreas ou segmentos, objeto do negócio da empresa. E no nível inferior, também chamado de 1 LEI DAS S.A. – Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 – Art. 142/144 46 operacional, estão os demais administradores de primeira linha e os empregados. Geralmente, as pessoas em níveis mais altos possuem autoridade para tomar decisões e dizer o que fazer aos níveis mais baixos. Por exemplo, administradores intermediários podem dar ordens aos supervisores de primeira linha; os supervisores de primeira linha, por sua vez, dirigem os trabalhadores de nível operacional. Dessa forma, a estrutura de autoridade mantém todos esses níveis reunidos. Os conceitos e princípios fundamentais que auxiliam no entendimento da estrutura organizacional das empresas foram apontados; agora, serão abordadas as questões práticas sobre a estrutura propriamente dita: o organograma, a departamentalização e as novas formas organizacionais. 3.1 – Organograma O organograma representa as posições na empresa e como estão organizadas. Fornece também um quadro da estrutura de autoridade e da divisão de trabalho. Na figura abaixo está representado um organograma convencional. Figura 2 – Organograma Convencional Presidente Finanças P&D Marketing Div. Prod. A Pessoal Div. Prod. B Pessoal Finanças Pessoal Finanças Fabricação Vendas Fabricação Vendas 47 As caixas da figura acima representam unidades de trabalho; os títulos de cada caixa mostram o trabalho desempenhado em cada unidade; as linhas contínuas indicam as relações de autoridade; ou seja, quem tem autoridade sobre quem. O número de níveis de administração não é indicado pelo número de caixas em cada linha; na verdade todas as pessoas ou unidades que estão na mesma posição e respondem ao mesmo chefe estão num mesmo nível. Nos últimos anos, podemos observar uma forte tendência de reduzir o número de níveis hierárquicos nas empresas. A General Eletric, por exemplo, já chegou a possuir 29 níveis; atualmente, após passar por uma grande reestruturação, possui apenas cinco. A maioria dos executivos hoje acredita que menos níveis organizacionais criam uma organização mais eficiente, rápida e eficaz em custos. Um estudo que envolveu 234 filiais de uma empresa de serviços financeiros concluiu que as filiais com menos níveis organizacionais tendiam a ter maior eficiência operacional do que as filiais com mais níveis. Portanto, é válida essa conclusão também para as subunidades de grandes empresas.2 Uma outra característica importante da estrutura organizacional é a amplitude de controle, ou seja, o número de subordinados que se reportam diretamente a um executivo ou um superior. Quando numa organização os administradores possuem pequena amplitude de controle, significa poucos subordinados se reportam diretamente a eles. De outra forma, os administradores possuem grande amplitude de controle. As implicações das diferenças entre as amplitudes de controle para o formato da organização são diferentes. Amplitudes pequenas implicam em organização “alta”, que possui muitos níveis hierárquicos; amplitudes grandes criam uma organização horizontal com menos níveis hierárquicos. 2 CARILLO, P. et al Group and Organization Studies. In: Bateman, Thomas S. Op. cit., pg 234 48 A amplitude de controle no seu ponto ótimo maximiza a eficácia porque é pequena o suficiente para permitir que os administradores mantenham controle sobre seus subordinados, mas não tão pequena que conduza a um controle exagerado e número de gerentes excessivo para supervisionar um pequeno número de subordinados. 3.2 – Formas de Departamentalização3 Quando uma organização é subdividida em unidades menores, estamos diante de uma departamentalização. Ela pode ocorrer de diversas formas e, normalmente, corresponde à estrutura mais adequada para o negócio da empresa. A departamentalização funcional ocorre quando os cargos são especializados e agrupados de acordo com a função de negócios e as habilidades que requerem; por exemplo: produção, marketing, recursos humanos, pesquisa e desenvolvimento, finanças, etc. A abordagem funcional tradicional apresenta algumas vantagens: • Podem ser obtidas economias de escala; • A monitoração do ambiente é mais eficaz; • Os padrões de desempenho são mantidos de forma melhor; • As pessoas têm maiores oportunidades de treinamento especializado e desenvolvimento de habilidades em profundidade; • Especialistas técnicos são relativamente livres do trabalho administrativo; • A tomada de decisão e as linhas de comunicação são simples e claramente compreendidas dentro das respectivas unidades. É claro que não existem somente vantagens; a forma funcional possui desvantagens também. As pessoas podem dar mais importância à sua 3 BATEMAN, T. S. et al. Op. cit.. Cap. 10, pagina 239/246 49 função perdendo o foco de qualidade geral de produtos/serviços e satisfação do cliente. Os administradores tornam-se especialistas e não generalistas, dificultando a apresentação de respostas rápidas às demandas de clientes e mudanças do mercado. Cresce, portanto, a necessidade de integração das áreas de trabalho de forma que a organização seja mais flexível e proativa. As empresas podem também assumir a forma de departamentalização por produto. Como os departamentos funcionais têm dificuldade de administrar uma grande variedade de produtos, todas as funções que contribuem para um determinado produto são organizadas sob um administrador. Por exemplo: enquanto numa organização funcional o departamento de marketing é separado para atender todas as demandas da área, na organização por produto a equipe de dado produto possui especialistas em marketing. As vantagens seriam: • As necessidades de informação são administradas mais facilmente; • As pessoas possuem comprometimento em tempo integral com uma linha de produtos em particular; • As responsabilidades por tarefas são claras, os administradores são mais independentes e o desempenho se revela pelos resultados que a unidade produz; • As pessoas recebem treinamento mais amplo; Quanto às desvantagens que este tipo de estrutura impõe à organização, pode-se notar as seguintes: é difícil a coordenação por meio de linhas de produto e divisões; embora os administradores aprendam a tornar-se generalistas, podem não adquirir a profundidade ou perícia funcional que é desenvolvida na estrutura funcional; a duplicação de esforços pelo fato das funções não serem centralizadas é cara; e pode haver perda de controle por parte da alta administração sobre as decisões tomadas nas unidades. 50 Evidentemente, as organizações podem ser departamentalizadas em outras bases além de função e produto. Algumas empresas são construídas em torno de grupos de clientes ou em áreas geográficas distintas. Nos bancos, atualmente, o atendimento ao cliente tem sido segmentado por mercados: pessoas físicas e pessoas jurídicas, basicamente; com base nos tipos de operações demandadas por clientes; e, ainda. Dentro de cada segmento, subdivide-se em unidades mais específicas. O Banco do Brasil, por exemplo, oferece às empresas Corporate – com faturamento acima de R$ 100 milhões – atendimento personalizado e especializado por setores da economia através das Plataformas de Atendimentos Corporate4; por elas, o banco apresenta aos clientes soluções customizadas para satisfazer suas necessidades e de sua cadeia produtiva. Como foco na estruturação de soluções, o Bradesco Corporate também disponibiliza produtos e serviços sob medida para necessidades específicas dos clientes do Bradesco, tendo atuação nos principais mercados do país. O Bradesco Private Banking é uma outra unidade criada pelo banco para atendimento a clientes pessoas físicas, com disponibilidade líquida de investimentos a partir de R$ 1 milhão. Isto é parte integrante do programa de segmentação do banco com foco no cliente.5 A principal vantagem dessas abordagens de departamentalização é a habilidade de focalizar as necessidades dos clientes e prover de produtos e serviços mais rápidos e melhores. Contudo, uma vez mais, a duplicação de atividades por meio de muitos grupos de clientes e áreas geográficas é mais cara que outras alternativas. 4 BANCO DO BRASIL – Disponível em <http://www.bb.com.br/appbb/portal/emp/ep/srv/cpt/indez.jsp> acessado em 18/08/2002. BRADESCO – Demonstrações Financeiras em 31/12/2001 – Relatório da Administração – disponível em <http://bradesco.com.br/html/ri/index_ri.html >acessado em 18/08/2002. 5 51 Em muitas organizações, várias formas de departamentalização existem simultaneamente: divisões diferentes podem ter diferentes estruturas. E mais de uma forma organizacional pode coexistir dentro da mesma divisão e do mesmo nível. Trata-se da organização matricial. A organização matricial é uma forma híbrida na qual as formas de departamentalização funcional e por produção se sobrepõem. Os administradores e o pessoal de assessoria reportam-se a dois chefes – um funcional e outro de produto. A forma matricial, atualmente, é aplicada em hospitais e instituições de saúde, organizações, empreendedoras, laboratórios, empresas multinacionais e instituições financeiras. Quando o ABN Amro Bank iniciou o seu processo de reestruturação mundial, no ano de 2000, a matriz holandesa procurou centralizar o processo decisório no que diz respeito às operações de atacado, pois as de varejo continuaram sob o comando do presidente da instituição no Brasil. A verticalização administrativa é um processo cada vez mais comum nos bancos globais, como o Citigroup e o maior concorrente do ABN Amro na Holanda, o UNG Groep. Para atender às grandes empresas internacionais em vários países com maior qualidade e agilidade, as instituições financeiras têm centralizado o processo decisório na matriz, estabelecendo canais diretos entre os executivos de uma mesma área. O problema da gestão matricial é que os presidentes dos bancos locais, em alguns casos, acabem virando uma espécie de “rainha da Inglaterra”. No caso do ABN, aqui no Brasil, o presidente Fábio Barbosa divide o poder com os executivos da matriz na Holanda no que se refere às operações de atacado. Nem sempre a transição é pacífica. Este teria sido o 52 principal motivo que levou o executivo Fernando Gentil a sair do ING Bank, em vez de assumir a presidência do Banco do Brasil, em maio do ano de 2000.6 As organizações matriciais tornaram a crescerem durante a década de 1990, depois das dificuldades que muitas empresas tiveram em implementar essa forma de estrutura. O ressurgimento face às pressões sobre as empresas para consolidarem custos e serem mais rápidas no mercado, obrigando-lhes a desenvolver melhor coordenação entre as funções nas unidades de negócio e as unidades de diferentes países, para aquelas com estratégias de negócios globais. A chave para administrar as matrizes de hoje não é a estrutura formal em si, mas o entendimento de que a matriz é um processo. A estrutura formal é meramente a anatomia da organização; os executivos devem cuidar de sua fisiologia e psicologia, ou seja, dos relacionamentos que permitem que a informação flua pela organização e as normas, valores e atitudes que moldam o comportamento das pessoas.7 O principal executivo de uma organização matricial deve aprender a balancear poder e ênfase entre orientações por produto e funcional. Administradores de produto ou de programas e administradores funcionais devem aprender a ser cooperativos e administrar seus conflitos construtivamente. Finalmente, os empregados ou administradores com dois chefes devem aprender como se reportar a dois superiores, priorizar demandas múltiplas e conciliar encargos conflitantes. 3.3 – Novas formas organizacionais 6 GAMEZ, M – “Mudança no ABN Amro Bank chega ao país” – Valor econômico, edição nº 135 de 10, 11 e 12 de nov de 2000; 7 DAVIS, S – Problems of Matrix Organizations – Cap. 10 página 246 53 Em resposta às exigências do mercado, que se torna cada vez mais competitivo, e às novas necessidades estratégicas, estão surgindo novas formas organizacionais. No campo das instituições financeiras, os novos conceitos incluem competências essenciais, alianças estratégicas, organizações voltadas à aprendizagem e formas que se assemelham aos modelos tradicionais. Uma perspectiva recente, diferente e importante sobre estratégia, organização e competição baseia-se no conceito de competências essenciais. As empresas competem não apenas com seus produtos e serviços, mas também como base em suas forças e perícias fundamentais; isto é, aquilo que ela faz especialmente bem em relação à concorrência.8 Como foi abordado no capítulo anterior, ao tratar sobre administração estratégica, a competência essencial é aquela característica, capacidade e habilidade que distingue uma empresa no mercado. Uma competência essencial valoriza o cliente, torna os produtos da empresa diferentes dos concorrentes e pode ser utilizada na criação de novos. Os grandes bancos de atacado, tais como J P Morgan, Lloyds Bank, procuram ser os melhores naquilo em que são realmente competentes: estruturação de operações para clientes de grande porte. Por outro lado, os bancos de varejo buscam a excelência no atendimento às massas, explorando aquelas habilidades em que mais se destacam, com o propósito de alavancar oportunidades negociais. O Banco do Brasil tem explorado sua competência na área de comércio exterior criando produtos novos e até modificando a forma de comercialização de outros. Um serviço rentável para o BB e extremamente útil 8 HAMEL, G., PRAHALAD, C. K. – Competing for the future – Cap. 11 página 264. 54 à empresa que deseja participar do mercado externo é a consultoria em negócios internacionais, que é oferecido pelo banco há mais de dois anos.9 Outra novidade em e-bussiness criada pelo Banco do Brasil foi à possibilidade de seus clientes realizarem operações de Adiantamento de contrato de Câmbio-ACC10 pela internet; algo inédito no mercado. O desenvolvimento bem sucedido de uma competência essencial abre portas para várias oportunidades futuras; o fracasso significa a exclusão de muitos mercados. Assim, uma competência essencial bem entendida e bem desenvolvida pode incrementar a pró-atividade e a competitividade de uma empresa. Estrategicamente, isso significa que as empresas devem comprometer-se com a excelência e a liderança em competências essenciais antes mesmo de se comprometerem a conquistar fatias de mercado para produtos específicos. Em termos organizacionais, isso quer dizer que a corporação deve ser vista como um portfólio de competências essenciais, e não apenas como um portfólio de negócios específicos. Os administradores que desejam fortalecer a competitividade de suas empresas por meio das competências essenciais têm à sua frente, segundo Gary Hamel e Prahalad no seu livro “Competindo para o Futuro”, as seguintes tarefas: • Identificar competências essenciais já existentes; • Adquirir ou formar competências essenciais que serão importantes para o futuro; 9 BANCO DO BRASIL – disponível em < http://bb.com.br/appbb/portal/on/inter/ServEspeciais.jsp > acessado em 18/08/2002 10 ACC – É a antecipação de recursos decorrentes de exportações para o período de pré-embarque. 55 • Manter o investimento em suas competências essenciais de modo que elas continuem sendo de classe mundial e melhor que a dos concorrentes; e, • Utilizar suas competências para encontrar novas aplicações e oportunidades para os mercados. Outra forma organizacional que tem feito uma verdadeira revolução nas relações entre empresas, fornecedores e clientes é a aliança estratégica. A organização moderna tem vários elos com outras organizações; até mesmo concorrentes acirrados estão trabalhando juntos, em níveis sem precedentes, para atingir suas metas estratégicas. O Bradesco, por exemplo, se uniu ao Unibanco no final do ano de 2000, como já foi mencionado, num Acordo de Associação com a PT Prime, empresa que passará a ser a principal provedora de serviços de gerenciamento e administração da rede de telecomunicação corporativa do Bradesco. Essa união representou uma importante decisão estratégica de ambos os bancos no sentido de concentrar recursos e esforços em suas atividades principais, gerar sinergias que propiciarão menores custos operacionais, melhoria na atualização tecnológica de telecomunicação para os dois, além da capacidade de oferecer os mesmos serviços ao mercado bancário brasileiro. As alianças muitas vezes são o meio mais rápido e eficiente de se atingir objetivos. Além disso, as alianças estratégicas podem valer a pena não só pelo acordo imediato, mas também porque criam oportunidades adicionais e abrem novas portas para o futuro. O Banco do Brasil, inicialmente, formou uma parceria com a ECT para atender as pessoas que não tinham acesso aos serviços bancários no interior do país. O objetivo da parceria, além de facilitar à população o acesso aos serviços bancários, foi, também, possibilitar que as contas dos usuários fossem pagas nas unidades dos Correios. 56 O Grupo Sendas é o novo parceiro do Banco Brasil passando a atuar desde o primeiro semestre de 2001, como correspondente bancário nas 82 lojas do Grupo. No final do ano 2000, foi assinado o convênio que permitiu o recebimento de contas de concessionárias dos serviços públicos, tributos, títulos de cobrança, etc. em qualquer um dos 1,5 mil caixas das Casas Sendas. Para ser proativa, uma empresa precisa mudar e aprender continuamente novos modos de agir. Essa necessidade criou um novo termo, que agora faz parte do vocabulário de muitos administradores: organização de aprendizagem. Peter Senge, autor do livro “A Quinta Disciplina” e mentor da idéia da learning organization, afirma que já não é possível tratar as empresas como se fossem máquinas; organismos vivos por excelência, todos os seus membros têm de aprender a organizar e dar prioridade a seu tempo, concedendo-se espaço para a reflexão e as atividades criativas.11 Uma empresa que se transforma numa organização de aprendizagem tem as seguintes características: • Seu papel engaja-se num pensamento disciplinado e na atenção aos detalhes, tomando decisões com base em dados e evidências, e não simplesmente em adivinhações e suposições; • Busca constante de novos conhecimentos, procurando expandir horizontes e oportunidad4s e não só fazendo consertos rápidos para os problemas atuais; • Analisa-se cuidadosamente tanto o sucesso quanto o fracasso, buscando lições e um entendimento mais profundo; • As organizações de aprendizagem criam um ponto de referência, identificando e implementando as melhores práticas de negócios das outras organizações; e, 11 REINCKE, M. – “Além da 5ª Disciplina” – HSM Management. São Paulo. Ed.19, Mar-Abr 2000 Página 18 57 • As pessoas que participam dela partilham idéias em toda a organização por meio de relatórios, sistemas de informação, discussões informais, visitas aos sites, educação e treinamento. O Bradesco vem investindo no Treinet – Treinamento por Meio de Internet, programa que tem proporcionado a um grande número de funcionários a possibilidade de aprimorar conhecimentos profissionais. Além disso, vem utilizando a TV Bradesco como canal para preparar, integrar e motivas o quadro de funcionários; a programação aborda temas da atualidade, aspectos práticos do dia-a-dia, lançamentos de produtos e serviços, eventos, e ainda, a difusão de valores, cultura e posicionamento da organização.12 Como forma de garantir diferencial competitivo sustentável, o Banco do Brasil tem estimulado cada vez mais o desenvolvimento profissional do seu pessoal. Como já foi mencionado, o BB continua sendo uma das instituições financeiras que mais investe no aprimoramento de seus recursos humanos. Dentre os programas oferecidos, destaca-se o BB MBA Altos Executivos, desenvolvido em parceria com as principais universidades e centros de ensino nacionais. O curso é ministrado pelas próprias universidades, reunindo o que há de mais moderno em termos de teoria e prática administrativa e possibilitando o intercâmbio de conhecimentos dos gestores da empresa com administradores de outras organizações. Dessa forma, as instituições têm buscado novas formas organizacionais que representam, na verdade, esforços no sentido de tornarem-se mais orgânicas e proativas. 12 BRADESCO. Relatório da Administração, <http://www.bradesco.com.brhtml/ri/index_ri.html > acessado e, 18/08/2002 e disponível em 58 CAPÍTULO IV FATOR HUMANO E DESEMPENHO Muitos autores classificam a década de 90 como a “Era da Competitividade”, época em que as empresas, a nível mundial, passaram a estar inclinadas à satisfação dos clientes literalmente; pois agora, os clientes são os que determinam o que, quando, onde e como vão comprar, ou ainda, quanto estão dispostos a pagar para verem atendidos as suas necessidades. O comportamento dos consumidores, de um modo geral, tem mudado radicalmente; agora, mais preocupados não somente em consumir, mas, sobretudo, com a sua qualidade de vida, a preservação da natureza e a dedicação de mais tempo a lazer, cultura, esportes, viagens e outros entretenimentos. É o resgate da individualidade e dos valores espirituais do ser humano. A partir do ano de 2000, a “Era do Capital Humano” está vindo no bojo do nascimento da sociedade do conhecimento, que se caracteriza por: fusões e parcerias, empresas flexíveis, valorização de talentos, organizações aprendizes e inteligentes, equipes autogerenciadas e o foco do cliente. Não 59 mais o foco no cliente, pois os produtos são individualizados de acordo com a visão do cliente para atender a sua necessidade. Toda esta revolução do ser humano vai refletir-se na nova postura das empresas competitivas na sua relação com os empregados: agora, estes são parceiros (nos resultados), colaboradores (comprometidos com a causa da empresa), seres e talentos humanos, colocando sua intuição e criatividade a serviço da inovação na empresa. 4.1 – Liderança O mundo nos negócios é instável, a maior riqueza das empresas do futuro, o conhecimento, é um bem intangível, a economia está se globalizando cada vez mais, as relações de negócios e trabalho são marcadas pela flexibilidade, o ritmo das inovações desafia as mais brilhantes estratégias e a sociedade exige mais das empresas. “Quem vai conseguir comandar a empresa nessa época tão cheia de mudanças?”.1 James Collins e Jerry Porras desfazem, em sua obra “Feitas para Durar”, o mito de que as empresas visionárias precisam de grandes líderes carismáticos. Para confirmar sua tese, estes autores, citam exemplos de executivos de grande sucesso com perfis totalmente diferentes do estereótipo de líder visionário: William McKnigth (3M), homem quase desconhecido; Masaru Ibuka (Sony), estilo reservado; Bill Allen (Boieng), advogado pragmático, afável e tímido; e, Harry Cohn (Columbia Pictures), um tirano. Jack Welch, o líder empresarial mais celebrado dos últimos tempos, serve de contra-exemplo do “chefe salvador”; cresceu na GE e tornou-se tanto um produto da empresa quanto, esta, um produto dele. O seu antecessor direto, Reginald Jones, aposentou-se como o líder de negócios mais admirado 1 COHEN, D. “O líder que Serve”. Revista Exame/A Empresa do Novo Milênio. São Paulo; 1999. Caderno VII. Parte Integrante da Ed. 701. 60 dos Estados Unidos. Logo, o surgimento de um líder carismático não é uma condição imprescindível para a construção de uma empresa de sucesso. Outra questão sobre lideranças, cujo conceito vem sofrendo mudanças substanciais nos últimos anos é o que diz respeito à palavra “chefe”. Atualmente, esta palavra simboliza distância dos outros, dureza irracional e outras conotações não muito atraentes. Isso significa que o estilo antigo de liderança se desgastou; pelas peculiaridades da economia moderna e pelas necessidades da empresa do futuro, a liderança salvadora tem poucas chances de sobreviver. “Precisamos de liderança é para alimentar as tropas e dar esperanças quando o desenvolvimento do produto fracassa, quando a resposta do mercado é um traço de audiência ou quando um contrato acaba de ser passado para a concorrência pela terceira vez seguida. Quando a liderança emerge nessas situações, ela se torna parte do DNA da empresa” Glenn Jones2 Liderança parece ser mais necessária quanto mais instável for a situação; assim, é quase automático associarmos o surgimento de um líder a situações de emergência ou a momentos de decisão. Contudo, ele não é apenas um que “dê esperanças à tropa”, o chefe de uma torcida, nem propagandista de causas inglórias. O líder deve ser capas de lidar com as novas tendências ditadas pela nova economia e simplesmente ter seguidores, de modo que possa levar sua organização ao sucesso. Portanto, os líderes com maiores probabilidades de tornar suas empresas bem-sucedidas são aqueles que estão antenados com as novas tendências e criam condições para que a organização se desenvolva. Por exemplo; se as empresas precisam incentivar a inovação, crucial na nova economia, o papel primordial do líder é criar sistemas que apóiem e guiem à 2 Consultor Americano, presidente da Jones Education Networks, in Cohen, D. op. cit. Pág 130 61 liberdade dentro da organização; se a empresa do futuro tem de ser adaptável a novas situações, seu líder deve ser capaz de promover a mudança. A propósito, parece que todos os especialistas em liderança concordam num ponto: se não for para promover mudanças, ninguém precisa de líder. O mundo de hoje é um verdadeiro caldo de mudanças à espera de acontecer; porém, ninguém consegue mudar uma organização sozinho, é necessário o envolvimento e a participação voluntária das pessoas, e o papel do líder é como o de catalisador de uma reação química. Peter Senge, autor de “ A Quinta Disciplina”, tem provocado uma verdadeira revolução no mundo da administração com o conceito de organização que aprende. Segundo ele, nos mercados extremamente competitivos e complexos em que operam as empresas atualmente, só há espaço para uma opção: criar um ambiente que impulsione o compromisso de seu pessoal com a mudança profunda e que seja capaz de mantê-lo sempre ativo.3 Na opinião de Peter Senge, o conceito de liderança muda completamente com as regras da nova economia. O principal é que se descarta a idéia de que os líderes são um pequeno grupo de pessoas poderosas, com muito dinheiro, sentadas no topo da hierarquia, fazendo com que as mudanças aconteçam. Senge aponta para as “comunidades de liderança” – aquelas em que pessoas diferentes, em posições distintas, exercem uma capacidade de liderança distribuída pela empresa toda. Há desafios para essas novas comunidades de líderes. Atualmente, em muitas empresas, o tempo é o desafio mais imediato; é justamente o que diz respeito às pessoas, porque elas, simplesmente, não têm tempo para fazer nada que exija imaginação e paciência e não produza um resultado imediato. 3 SENGE, P “A 5ª Disciplina”. HSM Management. São Paulo: Mar-Abr 2000 – Ed. 19 Pg 18/22 62 No próximo quadro, estão apontados dez desafios, segundo Peter senge, que são enfrentados na maior parte das organizações. QUADRO 4.1 – Os Dez Desafios da Mudança, segundo Senge4 Ao iniciar a mudança “Não temos tempo”. Em um processo de mudança, aqueles que integram um grupo piloto devem ter controle de seus cronogramas para lhes dedicar o tempo necessário. “Não temos ajuda”. Essas pessoas precisam de serviços de apoio, colaboração e recursos suficientes para aprender e fazer seu trabalho de forma eficaz. “Isto é irrelevante”. Os membros do grupo piloto devem entender a relação entre o desenvolvimento de novas capacidades e o trabalho real na empresa. “Não fazem o que dizem”. Essa é a prova de fogo: a correlação entre compromisso e conduta. Para manter o ritmo “Isto implica ..”. Os pontos não abordados resumem todos os medos e ansiedades que a mudança desperta. “Isto não funciona”. Essa frase se apresenta quando os primeiros resultados não correspondem às expectativas. “Comportam-se como uma seita”. O grupo que leva adiante o processo de mudança adota uma posição discriminatória entre crentes e descrentes. Ao reprojetar o sistema “Nunca nos deixam fazer as coisas”. O grupo exige mais autonomia e aqueles que detêm o poder não abrem mão dele. “Continuamos reinventando a roda”. Em vez de usar os processos anteriores como ponto de partida, começa-se sempre do zero. “Até onde vamos?”. O propósito mais amplo da estratégia pode ser obscurecido pelas atividades cotidianas. A grande pergunta: a empresa pode elaborar uma nova definição de êxito? Se há uma característica imprescindível nos líderes, sem dúvida alguma esta é a inteligência. Com freqüência a função intelectual dos líderes tem sido negligenciada nas discussões sobre liderança. Carisma, força de personalidade, habilidades interpessoais têm sido mais falada que o poder do cérebro requerido de líderes para pensar nos problemas, achar novas 4 SENGE, P. in HSM Management Op. cit. pg 21 63 soluções, vislumbrar ações que superem as fronteiras tradicionais, fazer novas conexões e inventar novas combinações. Numa economia em que o principal produto é o conhecimento, o ideal é que a liderança seja uma espécie de destaque entre pares. Essa situação faz com que o novo executivo tenha necessidade de um novo leque de qualidades, dentre as quais |C. K. Prahalad, professor da Universidade de Michigam, destaca: • pensamento sistêmico – a capacidade de considerar as várias áreas da empresa e suas relações umas com as outras; • competência intercultural – a capacidade de compreender diferenças; • treinamento contínuo e extensivo; e, • padrões pessoais e de conhecimentos. Há uma corrente forte de estudiosos da liderança que prioriza o aspecto agregador do líder John B. McCoy, presidente do Bank One, a quinta maior holding de bancos dos EUA, diz que não tem nenhum conhecimento sobre como gerir os vários bancos que ele lidera. Seu papel é ver os números de desempenho, ouvir os pedidos de ajuda dos associados e ter certeza de que aqueles que precisam são postos em contato com aqueles que podem ajudar. “Se eu conseguir ter as pessoas certas nos lugares certos, isso é tudo que eu tenho de fazer”, diz McCoy.5 Esta é mesmo a sua principal função, dando um sentido para a organização e dirigindo-a para obter resultados. No entanto, para conseguir colocar as pessoas certas nos lugares certos, não dá para contar só com a sorte; é preciso ter competência. 5 COHEN, D. – “O líder que serve”. Op. Cit. Pag 140 64 Evidentemente, não é só a inteligência que faz um grande líder. A verdadeira liderança requer das pessoas que assumam riscos consideráveis e façam coisas que os outros não estão dispostos a fazer. O líder deve ter um desejo e assumir um compromisso maior com a organização; é aquele que tem garra para ir mais longe. Essa disposição cria a base da liderança, porque é reconhecida pelos outros. Outro elemento que deve estar presente na pauta de um bom líder é a emoção. Pessoas de baixa auto-estima acham difícil elogiar as realizações de outros; por outro lado, se um gerente aprende a responder de modo correto, não só a pessoa talentosa vai se sentir melhor, mas o próprio gerente pode crescer em auto-estima, pelo exercício de comportamento racional. “ A organização do futuro vai ser construída em estima mútua, como pré-condição para a liberação do melhor em cada pessoa”.6 A prática da liderança tem boa parcela de ensino, esclarecimento e tutelagem. Mas não em mão única. Tanto quanto ensinar, o líder tem de aprender. Fala-se muito que o líder tem de inspirar as pessoas, mas o contrário é também verdadeiro. Um líder precisa ser inspirado pelos outros. Ele tem de se realizar por meio dos outros, tirar satisfação do sucesso de seus subordinados; só assim poderá deixar de ser concentrador. Especialmente quando o principal produto das empresas é o conhecimento, é preciso estimular os funcionários a “sair de baixo das asas do chefe”. Na empresa do futuro, os gerentes terão de administrar riscos, não comportamentos. Os funcionários mais valiosos serão os mais criativamente desobedientes. Nenhuma empresa no mundo instável pode mais se dar ao luxo de não aproveitar o potencial de seus funcionários; aproveitar o potencial é permitir que eles de desenvolvam – isso inclui tornar-se líder. 6 SETHI, Deepak. Responsável pelo desenvolvimento de jovens talentos na AT&T. In op.cit.pg 144 65 Alguns empresários antigos ainda pensam que não precisam de funcionários com autonomia, com liderança, pelo menos em cargos mais baixos. Entretanto, na economia do conhecimento, não há setor que não possa lucrar com um pouco mais de inteligência, e dificilmente haverá investimento mais lucrativo do que aprimorar as qualidades dos seus funcionários. 4.2 - Motivação7 A motivação refere-se a forças que energizam, dirigem e sustentam os esforços de uma pessoa. Todo comportamento, exceto reflexos involuntários como o piscar de olhos, é motivado. Uma pessoa altamente motivada trabalhará com afinco para atingir metas de desempenho. Com habilidade e entendimento adequados de sua função, essa pessoa será altamente produtiva. O primeiro passo para o gestor, no campo da motivação, é saber qual o comportamento que quer motivar nas pessoas. As empresas, de um modo geral, devem motivar as pessoas a: • fazer parte da organização; • permanecer na organização; • comparecer ao trabalho regularmente; e, • ter bom desempenho. Estando empregados, os funcionários devem trabalhar muito para atingir altos resultados (produtividade) e alta qualidade. Finalmente, os administradores querem que os empregados demonstrem cidadania, pois bons cidadões da organização são funcionários comprometidos, satisfeitos, que têm desempenho acima e além de seu dever. Por outro lado, administradores eficientes devem facilitar e estimular um alto desempenho. 7 BATEMAN, T. S. et al. Administração: Construindo Vantagem Competitiva. São Paulo: Ed. Atlas. 1998Cap. 15 pg 359/377 66 De que forma poderemos fazê-lo e, de que maneira pode ser facilitado e estimulado o desempenho das pessoas. Muitos são os fatores que podem impedir que uma pessoa tenha altos desempenhos. Como foi abordada no capítulo sobre Administração Estratégica, a falta de ética na organização pode ser um desestímulo ao funcionário, cujos valores se chocam com a realidade da empresa; a recessão econômica pode prejudicar os negócios; o desconhecimento do produto ou serviço apresentado pode frustrar as vendas. Para facilitar o desempenho, os administradores eficientes fornecem os elementos de que as pessoas precisam para desempenhar sua função. Pode-se oferecer a seu pessoal treinamento adequado, ferramentas e equipamentos necessários, orçamento apropriado e pessoal de apoio, autoridade e informação suficientes para que o pessoal faça um bom trabalho. A área de recursos humanos das duas maiores instituições financeiras do país, Banco do Brasil e Bradesco, tem apresentado, em seus respectivos relatórios e informativos, evidências de que o seu pessoal é treinado e recebe incentivos para perseguir o autodesenvolvimento. No Bradesco, R$ 37,328 milhões foram investidos no ano de 2001 em programas de treinamento, com 214.440 participações. Sua política de recursos humanos, levada a pratica por equipes de instrutores especializados e com o apoio de infra-estrutura adequada, tem consolidado mais uma etapa do seu processo de evolução.8 Nesse mesmo ano, o Banco do Brasil investiu R$ 28,000 milhões em qualificação profissional, o equivalente a 7.167.619 horas de treinamento, o que corresponde em média há 92 horas por funcionários. Índice compatível com os melhores referenciais do mercado. O BB priorizou o treinamento interno 8 BRADESCO. Relatório da Administração, http://www.bradesco.com.br/html/ri/index_ri.html acessado em 23/08/2002 e disponível em 67 para levar o aprimoramento profissional à maior parte de seu capital intelectual. No total, os cursos ofertados somaram 240.686 vagas preenchidas. Além de prover soluções próprias que instrumentalizam os funcionários para o trabalho, o Banco do Brasil mantém programas corporativos para formação de seus futuros quadros técnicos e gerencias. No quadro 4.2, pode-se observar os programas de capacitação que o BB coloca a disposição do seu corpo funcional, bem como o total de vagas preenchidas mo ano de 2001. QUADRO 4.2 – Programas de Capacitação do BB em 2001 Programas de Treinamento/Desenvolvimento MBA Nº Participantes 1.062 Idiomas 242 Formação e aperfeiçoamento em Nível Superior Graduação Pós-graduação – Lato Sensu 2.847 448 Mestrado/Doutorado 23 Treinamento Internacional 21 Treinamento Externo 17.159 Treinamento Interno 218.884 Se as pessoas têm tudo o que precisam para ter um bom desempenho, elas são capazes de fazer o trabalho; mas também precisam estar dispostas a isso. Para que haja disposição para faze-lo, deve acontecer algo em seu local de trabalho que as incentive a trabalhar. No nível mais simples, esse algo pode ser um pedido ou uma simples ordem do superior hierárquico. As pessoas, por exemplo, sentem mais motivadas para exibir comportamentos para os quais são consideradas responsáveis. Se alguém 68 sabe que o chefe vai verificar como a pessoa cumpriu a ordem, tem mais chance de cumpri-la direito. Se for imposto um prazo, a pessoa tem mais chance de fazer a tarefa rapidamente. Ocorre, também, que é mais provável que as pessoas façam algo, porque sabem que estarão sob avaliação de desempenho. Muitas idéias têm sido propostas para auxiliar os administradores a motivar pessoas; as mais úteis e comuns dessas idéias são: as práticas de estabelecer metas, reforçar o desempenho, satisfazer às necessidades das pessoas, criar funções motivantes, influenciar as crenças das pessoas sobre o desempenho, alcançar eqüidade e oferecer uma vida de trabalho de alta qualidade. Fornecer às pessoas metas relacionadas ao trabalho é um modo extremamente eficaz de motivar, se adequadamente colocadas. Em primeiro lugar, as metas devem ser aceitáveis para os empregados. Ou seja, as metas não devem entrar em conflito com os valores pessoais dos indivíduos e as pessoas têm que ter motivos para perseguir metas. Permitir que as pessoas participem do estabelecimento de suas metas de trabalho, ao invés de fazer com que o chefe as estabeleça, é a melhor forma de obter o seu comprometimento e empenho de livre e espontânea vontade. Em segundo lugar, metas aceitáveis e potencialmente motivantes devem ser desafiadoras, porém atingíveis. Em outras palavras, devem ser altas o suficiente para inspirar melhor desempenho, mas não tão altas a ponto de serem inatingíveis. As metas também devem ser específicas, quantificáveis e mensuráveis. Assim, as metas não somente estimulam os funcionários a melhorar seu desempenho e oferecer o melhor de si, como também a aumentar a 69 produtividade ou diminuir o período de tempo que os clientes têm de esperar para serem atendidos. Contudo, há limitações ao estabelecimento de metas. Mesmo as mais específicas, desafiadoras e atingíveis funcionam melhor sob certas condições do que em outras. As pessoas não devem receber metas individuais de desempenho se trabalham em um grupo e a cooperação entre os membros é essencial para o desempenho da equipe. Metas individuais geram competição e reduzem a cooperação; nesse caso, as metas devem ser para a equipe. É importante que uma meta de produtividade isolada não seja estabelecida se existirem outras dimensões importantes do desempenho. Por exemplo, as produtividade, metas mas de produtividade podem também provavelmente fazer com que aumentarão os a funcionários negligenciem outros aspectos do produto ou serviço vendido, como a rentabilidade, a qualidade e o risco do negócio. Outra prática que os administradores podem utilizar para motivar pessoas é o reforço ao desempenho, que está baseado na “lei do efeito”, ou seja, “o comportamento que é seguido de conseqüências positivas provavelmente será repetido”.9 Os estudos que foram realizados sobre o comportamento das pessoas e suas conseqüências identificaram quatro ações fundamentais que podem encorajar ou desencorajar o comportamento das pessoas, a saber: • Reforço positivo – aplicar uma ação apreciada que aumenta a probabilidade de a pessoa repetir o comportamento: elogios, cartas de congratulações, avaliações de desempenho favoráveis, etc. 9 Lei formulada em 1911, pelo psicólogo Edward Thorndike. In Bateman, T.S. et al. Administração: Construindo Vantagem Competitiva. São Paulo: Ed Atlas. 1998. Cap. 15, pág. 363 70 • Reforço negativo – retirar ou afastar uma ação indesejável: um gerente tira o funcionário do período de observação devido a uma melhoria de desempenho. • Punição – aplicação efetiva de uma conseqüência indesejável: gritar com um funcionário. Atribuir uma tarefa desagradável, mandar um funcionário embora porque chegou atrasado, etc. • Extinção – retirar ou deixar de fornecer uma ação de reforço: não fazer elogio por um serviço bem feito, ser ingrato pelos favores, etc. As duas primeiras ações de reforço são favoráveis para as pessoas que as recebem: ou a pessoa ganha algo (reforço positivo) ou evita alguma coisa negativa (reforço negativo). Portanto, a pessoa que experimenta essas conseqüências terá motivação para se comportar do modo que a lavou ao reforço. As duas últimas ações, punição e extinção, são resultados negativos para as pessoas que as recebem: a motivação para repetir o comportamento que levou aos resultados indesejáveis será reduzida. As organizações e seus administradores devem cuidar para não reforçarem comportamentos errados, como por exemplo: se uma empresa baseia suas análises de desempenho em resultados a curto prazo, está reforçando uma perspectiva limitada na tomada de decisões; ao mesmo tempo, está desencorajando sacrifícios imediatos que serão compensados no futuro Saindo do foco das forças do ambiente que influenciam a motivação e entendendo as necessidades das pessoas, vamos observar que as características pessoais também afetam a motivação. Abraham Maslow organizou cinco tipos de necessidades humanas numa hierarquia conforme representado na figura abaixo. De acordo com Maslow, as pessoas satisfazem a suas necessidades em uma ordem específica, de baixo para cima, ou seja, elas são motivadas a satisfazer às 71 necessidades básicas antes que tentem satisfazer às mais elevadas. Além disso, uma vez satisfeita uma necessidade, ela deixa de ser um motivador poderoso. Figura 10 – A Hierarquia de necessidades de Maslow Auto-Realização Ego Sociais Segurança Fisiológicas Outra teoria mais avançada que a de Maslow, é a teoria ERG de Alderfer10 sobre necessidades humanas; pois essa aborda as necessidades das pessoas no trabalho. O nome ERG vem das iniciais – Existence – Relatedness – Growth – correspondem respectivamente às necessidades existenciais (desejos materiais e fisiológicos), de relacionamento (partilha mútua de pensamentos e sentimentos entre pessoas) e de crescimento (motivam as transformações de forma criativa ou produtiva). A teoria ERG propõe que várias necessidades diferentes podem estar em ação ao mesmo tempo. Assim, enquanto Maslow diria que a autorealização é importante para as pessoas só depois que suas necessidades 10 ALDERFER, C. Existence, relatedness, and growth: human needs in organizational settings. In Bateman, T. S. Op. cit. pag 366 72 básicas são satisfeitas. Alderfer afirma que as pessoas, principalmente aquelas que trabalham em nossa sociedade pós-industrial, podem ser motivadas a satisfazer tanto as necessidades de existência quanto às de crescimento simultaneamente. Independentemente de o administrador preferir a versão de Maslow ou a de Alderfer, ele pode motivar as pessoas ajudando-as a satisfazer a suas necessidades e, particularmente, oferecendo oportunidades de auto-realização e crescimento. Um outro fator motivador de pessoas pode ser o próprio cargo que ela ocupa; por essa razão, podemos observar mudanças substanciais no perfil dos cargos de diversas empresas, que passam a criar cargos motivadores. Ao longo do século XX, a prática predominante foi à abordagem “mecanicista” ou especialização. Um exemplo clássico de cargo desmotivador é aquele da linha de montagem altamente especializada. Cada vez mais, os cargos estão sendo criados visando ao aumento de recompensas intrínsecas e da motivação, ou seja, a recompensa que a pessoa deriva diretamente do desempenho do próprio trabalho. Por exemplo, um projeto interessante, uma venda finalizada, a descoberta da solução perfeita para um problema difícil, tudo isso pode gerar nas pessoas o sentimento de que estão fazendo bem alguma coisa. O rodízio de cargos pode ser um alívio para trabalhadores que passam o tempo todo em tarefas rotineiras, além de dar às pessoas a oportunidade de aprender coisas novas e fazer algo diferente. O resultado do rodízio de funções é muitas vezes um funcionário reenergizado que permanece na empresa como novo ânimo. A expansão de cargos é semelhante ao rodízio de função, no sentido que as pessoas passam a ter diferentes tarefas para desempenhar. A 73 expansão consiste em agregar novas tarefas a um funcionário, mantendo-o no mesmo cargo. Um exemplo do que vem acontecendo nos bancos é o cargo de Caixa Executivo, outrora um “caixa de gaiola”, confinado num pequeno espaço apenas para pagar e receber: mas hoje, atende, orienta, vende produtos e serviços, atende o cliente, tornou-se efetivamente num “executivo”. Com a expansão de cargos, as tarefas adicionais da pessoa são do mesmo nível de responsabilidade. Mudanças mais fundamentais ocorrem quando os cargos são enriquecidos, isto é, os cargos são reestruturados ou redesenhados. Isso inclui atribuir às pessoas não só mais tarefas, mas também níveis mais altos de responsabilidade. Frederick Herzberg afirma na sua teoria dos dois fatores (fatores higiênicos11 e de motivação) que a chave para a verdadeira satisfação e para motivação no trabalho está justamente no que as pessoas fazem, ou seja, na sua própria função. Finalmente, motivar pessoas passa pelo processo de partilhar o poder com os funcionários – Empowerment – aumentando, assim, sua confiança na própria capacidade de desempenhar funções. Passa pelo reconhecimento de resultados com justiça e com eqüidade por parte da organização. E, ainda, pela qualidade de vida no trabalho. 4.3 – Gestão do Conhecimento No mundo de negócios tradicional, conhecimento é poder. Só a Coca-Cola detém a fórmula da coca-cola. O protótipo de um carro novo é mantido em sigilo até a data do lançamento. O método de produção é defendido como segredo de Estado por se tratar de um diferencial competitivo. Guardar o conhecimento para si faz sentido quando ele é a matriz de um produto ou serviço que, este sim, se quer difundir. E o preço do produto 11 Fatores higiênicos constituem as características do local de trabalho: políticas da empresa, condições de trabalho, pagamento, supervisão, os colegas, etc. 74 será tanto maior quanto menos gente souber como faze-lo. Há outro caso em que se justifica a economia do segredo: o reforço da hierarquia. O diretorfinanceiro escolhe quem pode e quem não pode saber qual o lucro da empresa. Só o chefe sabe quais os critérios para contratar, promover ou demitir alguém. Esse tipo de gestão do conhecimento não está condenado à morte. Ele vai continuar a existir, vai se desenvolver e vai trazer seus benefícios e prejuízos usuais. Mas há hoje uma nova prática no mundo dos negócios. Segundo ela, o poder não está em deter conhecimento, mas em dissemina-lo. Quanto mais informação você divide com os outros, maior o seu retorno. É assim que novas tecnologias podem se tornar padrão mundial, é assim que uma empresa pode arregimentar uma rede de fornecedores, é assim que você pode atrair clientes que ajudem a planejar o produto que eles querem. Dentro dessa nova prática, gestão do conhecimento não é mais o incentivo a um departamento de gênios e a proteção dos direitos intelectuais. Gestão do Conhecimento é orientar a empresa inteira para produzir este que é o bem mais valioso da nova economia, descobrir formas de aproveitá-lo, difundí-lo, combiná-lo e de lucrar com ele. Em cada caso particular as empresas vão ter de escolher qual o tipo de gestão do conhecimento que usarão: o segredo ou a cooperação, a evolução ditada pelas leis de mercado ou pela revisão dos pares. Na maioria das vezes será necessário um misto dessas duas formas de gestão. Um dos patriarcas do industrialismo, o engenheiro americano Frederick Taylor, acreditava que as máquinas e os projetos industriais ficariam imensamente complicados, mas não seria necessário que os trabalhadores os entendessem. Quanto menos “distraídos” pela compreensão, mais eficientes seriam em seus trabalhos. 75 Isso não se aplicava somente aos operários. Uma das primeiras empresas do mundo, a britânica Companhia das Índias Orientais, foi chefiada durante 35 anos, a partir de 1823, pelo economista John Stuart Mill, que cumpria expediente das 10 da manhã até às 4 da tarde e aproveitava boa parte dessas horas para escrever suas obras. Ele considerava o trabalho de executivo apenas “suficientemente intelectual para não se tornar enfadonho, sem causar nenhuma pressão” sobre seus poderes mentais, como escreveu em sua biografia.12 Isso é passado. Toda organização hoje exige, tanto de executivos como de simples trabalhadores, que agreguem valor a processos e produtos. Esse valor – a essência da inovação – é obtido com conhecimento. Estamos, de certa forma, caminhando ainda mais para o passado. Segundo Aristóteles e Platão, toda execução de objetos matérias, até mesmo de obras de arte, representa uma atividade de segunda ordem, se comparada com a produção de idéias. O que há de diferente num mercado em que a cultura se relaciona com a cultura e, em que o conhecimento é não apenas uma forma de modificar produtos, mas um produto em si mesmo? Eis algumas das diferenças: os recursos são infinitos; quanto mais se dá, mais se tem; quanto mais se tem, mais se precisa; a flexibilidade é quase absoluta, pois a matéria-prima (o pensamento) é maleável; não há depreciação do produto (que vem a ser uma idéia) há relação com a idéia sucessora. Há uma outra peculiaridade no mundo do conhecimento: o comum vale mais do que o raro. A lei de diminuição de retorno diz que o valor de um 12 COHEN, D. O fim do Segredo. Revista Exame/A Empresa do Novo Milênio. São Paulo: 1999. Caderno II. Parte Integrante da Ed. 701, pág 50 76 item cai quando sua oferta aumenta, mas o segundo telefone faz o primeiro valer mais. O valor do programa Windows, da Microsoft, cresceu por causa da sua adoção por milhões de usuários. A inversão não se dá apenas na ponta da receita, com a valorização do produto, mas também na ponta da despesa. Depois dos milhões de dólares investidos no desenvolvimento de um software, o custo do segundo programa é praticamente zero. Quando o produto pertence ao reino do conhecimento, portanto, há um prêmio maior para a inovação: ela é a única área em que há concentração de valor. A regra é: inovar ou tornar-se commodity. Essa concentração de valor é claramente percebida pelo mercado financeiro, como mostra uma pesquisa feita pela consultoria Arthur D. Little. A pesquisa examinou as cotações em bolsa de companhias que a revista Fortune listou, durante 15 anos, de acordo com seu grau de inovação. Os 20% de companhias mais inovadoras deram a seus acionistas o dobro dos retornos médios em sua indústria. Os 20% de companhias menos inovadoras tiveram retornos de menos de um terço da média das outras empresas.’ Inovação pressupõe mudanças, e a gestão do conhecimento, que se justifica na empresa pela necessidade de inovar, deve levar em conta o gerenciamento das mudanças. “O paradoxo é que os presidentes que tomam para si o papel de grandes agentes de mudança, em geral, reduzem sua capacidade de observar à distância e tomar ações corretivas”, é o que afirma J. B. Kassarjian, professor de estratégia do Instituto Internacional de Gestão do Desenvolvimento (IMD, com sede em Genebra). Há um mito persistente de que o poder pertence à pessoa no topo da pirâmide de decisão. Mas, como notam os consultores americanos Jim Taylor e Watts Wacker, em Delta 500 Anos, “no mundo de caos, o poder é da pessoa que controla a variável mais instável”. Na organização de 77 conhecimento, o poder está por definição investido em cada nível da empresa, porque são todos trabalhadores do conhecimento. “Os ativos mais valiosos de uma empresa do século XX eram seus equipamentos de produção. Os mais valiosos ativos de uma instituição do século XXI, seja empresa ou não, serão seus trabalhadores do conhecimento e sua produtividade”. Peter Drucker13 Se não é possível liderar sozinho, nem contar com toda a organização, uma primeira solução é identificar e incentivas os líderes do conhecimento. Mas, como a empresa não pode mais ser uma organização vertical, sob pena de perder oportunidades, tolher a inovação e brecar a rapidez, não se trata mais de colocar os jovens talentos em postos cada vez mais importantes, e sim de lhes dar responsabilidade sobre unidades de negócios, por pequenas que sejam (cargos enriquecidos). O consultor americano Marshall Goldsmith aponta algumas tendências no mundo do trabalho: • status reduzido do trabalho em grandes empresas – uma pesquisa mostrou que formandos da Harvard Business School que trabalhavam para empresas menores tendiam a ganhar mais e ter mais satisfação do que os funcionários de grandes empresas. Professores notam que mais da metade dos estudantes de administração de hoje pretendem ter seu próprio negócio. • Freqüente falta de conexão entre pagamento e contribuição – gerentes consideram que a diferença de retorno entre um empregado de alto desempenho e um mediano é de mais de 100%, enquanto a diferença de salário fica entre 5 e 10%. 13 DRUCKER, P. Desafios Gerenciais para o Século XXI, São Paulo: Editora Pioneira, 1999. Pág. 111 78 • Declínio de oportunidades de promoção – sem chance de pular degraus, jovens talentos se sentem mais inclinados a procurar outras oportunidades. • Aumento da carga de trabalho, com os cortes de pessoal de apoio. • Aumento da influência do trabalhador de conhecimento. É com todas essas tendências que a empresa tem que lidar, se não quiser perder seus ativos mais importantes – gente que pensa. No ponto em que estamos, a empresa consegue identificar os elementos que geram conhecimento e incentiva-los a criar valor para a companhia. Isso ainda não é tudo. É preciso multiplicar essa prática. Há várias estratégias para faze-lo. Uma delas é a da General Eletric, que trabalha sistematicamente para reduzir fronteiras. A empresa encoraja encontros nos quais os empregados trocam idéias com seus gerentes, e estes são obrigados a tomar decisões imediatas sobre as propostas, na frente do grupo todo. Se uma empresa é voltada para o conhecimento, isso deve estar claro na própria distribuição de tarefas dos funcionários. A gestão do conhecimento também pode ultrapassar os limites da empresa. A empresa de equipamentos de informática Bull se associou ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e à Universidade Harvard, com direito a cursos e participação em projetos que eles desenvolvam. Assim a empresa pode pensar com antecedência em como utilizar as novas descobertas. Todas essas práticas – identificar líderes, separar bolsÕes de inovação, espalhar, comprar ou produzir conhecimento – são essenciais, mas não alimentam a si mesmas. A mais importante de todas as políticas de uma empresa que quer inovar é investir em seu pessoal. “Hoje o ponto crucial não é criar uma cultura de conhecimento, mas uma cultura de aprendizado, que vai 79 gerar conhecimento”, diz Emerson de Almeida, presidente da Fundação Dom Cabral, um centro de estudos sobre negócios sediado em Belo Horizonte. Não se trata apenas de a empresa desenvolver sua principal riqueza (a inteligência). No mundo do trabalho de hoje, a aprendizado é uma das moedas de remuneração do profissional. Segundo o guru da reengenharia Michael Hammer, a essência do novo contrato nas empresas – além do pagamento de salário pelo tempo de trabalho – é uma troca: iniciativa por oportunidades. A companhia oferece a oportunidade e os meios educacionais para o funcionário obter sucesso pessoal; o empregado promete iniciativa na criação de valor para clientes e conseqüentemente lucros para a companhia. “O recurso fundamental dos negócios não é o capital, o trabalho ou as instalações. O recurso básico chama-se conhecimento e informação. Idéias são a chave do sucesso”.14 R. W. Galvin Chairman da Motorola Inc. 14 Apresentado na vídeo-palestra de Waldez Luiz Ludwig. “Qualidade Hoje: Detalhes, áurea e Atitude”. São Paulo: MCG Qualidade. Em 3 de Maio de 1996. 80 Conclusão Num ambiente de rápidas e constantes transformações, e ainda, altamente competitivo, como é o caso dos bancos no mercado financeiro brasileiro de hoje, as organizações e seus administradores precisam estar preparados para as mudanças, capacitando-se para se adaptarem e se relacionarem com elas. Os bancos, principalmente, pela importância que têm no contexto econômico do país, à medida que são na incorporação de respostas às mudanças e exigências do mercado, sem dúvida alguma consegue alavancar um volume crescente de negócios. O processo de administração estratégia se revela como uma ferramenta fundamental na construção de uma instituição moderna, competitiva e que apresenta soluções de vanguarda para o seu universo de clientes e para a sociedade como um todo. No que se refere ao atendimento ao cliente, o estabelecimento de parcerias e alianças estratégias vem apontar para novas alternativas para as instituições e novos canais de distribuição de produtos e serviços. Com o enfoque do cliente, as organizações procuram atender as suas necessidades; obtendo, assim, maior efetividade nas suas ações. 81 A reorganização administrativa, com uma estrutura menos hierarquizada e mais flexível, aponta para custos menores e maio adaptabilidade às mudanças. A forma híbrida de estrutura, isto é, aquela em que os departamentos funcionais e por produtos se sobrepõem, tem-se apresentado como o modelo mais adequado para condução dos negócios nas grandes instituições financeiras. Este estudo evidencia, também, através das pesquisas realizadas e dos depoimentos apresentados por diversos autores, que o modelo de gestão que valoriza as pessoas, investe no conhecimento e no potencial dos indivíduos cria um clima favorável para realização de negócios, motiva o empregado e projeta resultados surpreendentes. Nessa era da globalização e do capital intelectual, que ainda tende a se intensificar com a disseminação dos negócios eletrônicos, implementação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e as grandes descobertas científicas, a empresa que renegar a busca da excelência – qualquer que seja o porte e independente de seu ramo de atividade – dificilmente poderá sobreviver; é o que dizem todos os especialistas. 82 BIBLIOGRAFIA 1. GAMEZ, M. – Mudança no ABN Amro Bank Chega ao País – Jornal Valor Econômico, Ed. nº 135 de 10, 11 e 12 de Nov/2000, disponível em http://valoronline.com.br/valoreconomico/arquivo.asp?edref=55 acessado em 02/08/2002. 2. 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