A reedificação política de Lisboa
José Subtil (UAL)
Depois de sumariado o ritmo e o modo das várias fases da reedificação da cidade de Lisboa, após o terramoto de
1755, será proposta uma leitura eminentemente política da mesma, sobretudo a seguir ao fracasso do regicídio,
relacionando-a com o colapso do governo da câmara, a emergência da política como arte de governo, as profundas
reformas da administração régia, os conflitos entre os principais atores políticos e a legislação sobre a propriedade
urbana.
Reconhecer-se-á que a reconstrução da cidade de Lisboa, por ter constituído, desde o início, um problema
claramente político, está ligada à genealogia do Estado de Polícia e, consequentemente, à desagregação da
monarquia corporativa.
De resto, sem ser surpreendente, foi por Lisboa e em Lisboa, mais uma vez, que, na segunda metade de Setecentos,
se preencheram as condições que assegurariam a possibilidade de uma rutura no processo político em Portugal no
final do Antigo Regime.
Como principais fontes do Arquivo Histórico Municipal de Lisboa destacam-se os Livros de Registo de Consultas e
Decretos, os Livros de Registo de Decretos e os Livros de Consultas, Decretos e Avisos.
NOTAS CURRICULARES
Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Mestre em História dos séculos XIX e XX pela Faculdade de
Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Doutor em História Política e Institucional Moderna e Agregado no Grupo
de História, Disciplina de História Institucional e Política Moderna, pela mesma Faculdade. Foi Professor Coordenador com Agregação do
Instituto Politécnico de Viana do Castelo onde fez parte do Conselho Geral como membro eleito. É, atualmente, Professor Catedrático da
Universidade Autónoma de Lisboa onde é Presidente eleito do Conselho Científico e membro do painel de avaliadores de bolsas (História
e Arqueologia) da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Exerceu vários cargos públicos, destacando-se, nos últimos dez anos, o de
Secretário-Geral Adjunto do Ministério das Finanças (1997-2000), sendo responsável pela instalação da Biblioteca Central e do Arquivo
Contemporâneo do Ministério das Finanças. Foi vogal da Comissão de Reforma e Reinstalação do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e
Diretor de Serviços do Instituto Português de Arquivos (1990-1992) e das Comissões para a Promoção do Museu da Moeda e da Medalha,
Regulação das Estruturas Comuns das Organizações Tributárias e do Instituto de Formação Fiscal (1999-2001), criadas por resolução do
Conselho de Ministros. Foi Coordenador Nacional da Comissão de Acreditação e vogal da Direção do Instituto Nacional de Acreditação da
Formação de Professores no ministério de Marçal Grilo. Tem várias publicações individuais e coletivas. Nas primeiras, destacam-se os livros
sobre O Desembargo do Paço (1750-1833), Ediual, 1996, O Ministério das Finanças (1801-1996), Gabinete do Ministro, 1996, A Câmara de
Viana do Minho nos Finais do Antigo Regime (1750-1834), Câmara de Viana do Castelo, 1998, O Terramoto Político (1755-1759), Memória
e Poder, Ediual, 2007, Dicionário dos Desembargadores (1640-1834), Ediual, 2010 e Actores, Territórios e Redes de Poder, Entre o Antigo
Regime e o Liberalismo, Curitiba, Juruá Editora, 2011. Nas segundas, as colaborações nos vols. III e IV da História de Portugal, direção
de José Mattoso, Círculo de Leitores, 1993-95, História da Universidade em Portugal, Universidade de Coimbra e Fundação Calouste
Gulbenkian, 1997, História Económica de Portugal, ICS da Universidade de Lisboa, 2005, Dos Secretários e Estado dos Negócios da
Fazenda aos Ministros das Finanças, Ministério das Finanças, 2006, O Terramoto de 1755. Impactos Históricos, Livros Horizonte, 2007 e
História e Ciência da Catástrofe, Colibri, 2007. Foi coordenador científico da edição em DVD do Dicionário Jornalístico Português de Xavier
da Silva Pereira, Academia das Ciências e Grupo Impresa, 2009. Tem, ainda, cerca de sete dezenas de artigos publicados em revistas,
no país e no estrangeiro, e perto de uma centena de comunicações em colóquios, encontros e seminários. Recebeu o Prémio de Mérito
Académico da Fundação Fernão de Magalhães nos anos de 1996 e 1997.
Palácio de Lisboa nos séculos XVII e XVIII e os “Livros de Cordeamentos”
Hélder Carita (ESAD-Fundação Ricardo Espírito Santo Silva)
O estudo da casa nobre em Lisboa confronta-se com uma significativa carência de documentação quanto à sua
fundação e principais campanhas de obras, facto que tem dificultado um estudo aprofundado do seu significado na
evolução da arquitetura doméstica.
Iniciados no ano de 1611, na sequência de uma postura camarária, os Livros de Cordeamentos guardados no
Arquivo Histórico da Câmara de Lisboa, constituem uma longuíssima série de pedidos de obras, realizados por
proprietários de edifícios, instituindo-se como um precioso corpo documental, não só para o estudo da casa nobre,
como para a história da arquitetura e da cidade de Lisboa.
NOTAS CURRICULARES
Arquiteto. Doutoramento em História da Arte Moderna – arquitetura e urbanismo, com o tema «Arquitectura Indo-Portuguesa na Região de
Cochim e Kerala, modelos e tipologias do séc. XVI e XVII».
Professor na ESAD da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva divide os seus domínios de investigação entre arquitetura e urbanismo sendo
um das suas áreas privilegiadas a arquitetura civil.
Entre as suas principais obras publicadas destaca-se: Jardins em Portugal - Tratado da Grandeza dos..., Ed. de Autor, Lisboa, 1987; Os
Palácios de Goa - Modelos e Tipologias de Arquitectura Civil Indo- -portuguesa, Ed. Quetzal, Lisboa, 1995; Lisboa Manuelina e a formação
de modelos urbanísticos da época moderna ( 1496-1521), Livros Horizonte, Lisboa, 1999; Arquitectura Indo-Portuguesa na Região de
Cochim e Kerala, Lisboa, Transbooks, 2008.
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