TRÊS BARRAS DO PARANÁ
CONTEXTO histórico, SOCIAL E POLÍTICO
José Davi Paludo
Elizabeth Paludo
FICHA CATALOGRÁFICA
Imagem da Capa:
Visão Panorâmica do Município de
Três Barras do Paraná,
contornada pelo mapa do município
Montagem de Capa:
ALGUÉM DA EDITORA
Projeto Gráfico e Diagramação:
Nilson Rosa de Faria
Revisão de Texto:
Elizete Inês Paludo
Revisão Editorial:
ALGUÉM DA EDITORA
Paludo, José Davi.
Três Barras do Paraná: Contexto Histórico, Social e Político / José Davi Paludo e Elizabeth
Paludo. Três Barras do Paraná, PR: EDITORA, 2012.
OUTROS DADOS
DA EDITORA
Agradecimentos
A Deus:
Pelo dom da vida;
Pela família;
Pela saúde;
Pelo dom da inteligência;
Pelas oportunidades de trabalho.
À família:
Pela compreensão;
Pelo apoio;
Pela ajuda.
Pelo carinho e amor dos filhos:
Elizete
Silvia
Deivis
E, com eles, todos os familiares.
Ao professor Nilson:
Por colaborar para que este trabalho
fosse realizado.
Aos pioneiros entrevistados,
Aos professores e alunos do Colégio Estadual Princesa Izabel,
um agradecimento especial:
Por terem auxiliado na busca do fazer
e divulgar o conhecimento.
Enfim, a todas as pessoas que, de uma forma ou outra,
contribuíram para a realização deste sonho:
Nossa eterna gratidão.
José Davi e Elizabeth
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO …................................................................................................................... 09
1 HISTÓRIA DA COLONIZAÇÃO E DA REVOLTA …......................................................… 12
1.1 Os Primeiros Habitantes ......................................................................................................... 12
1.2 O Povoamento do Oeste do Paraná e o Governo de Getúlio Vargas ...................................... 16
1.3 Os Pioneiros de Três Barras do Paraná .................................................................................. 22
1.4 Reflexos da Revolta do Sudoeste em Três Barras do Paraná ................................................. 27
1.5 A Revolta de Três Barras: ...................................................................................................... 31
1.6 A colonização e documentação das terras .............................................................................. 50
2 ASPECTOS GEOGRÁFICOS E CULTURAIS ...................................................................... 52
2.1 A Geografia do Município ...................................................................................................... 52
2.2 A Vegetação …...................................................................................................................... 56
2.3 Informações Climáticas ..….................................................................................................... 59
2.4 A Hidrografia …...................................................................................................................... 61
2.4.1 Usina Hidrelétrica Governador José Richa - Salto Caxias …...................................... 64
2.4.2 Breve Histórico da Construção da Usina de Salto Caxias …....................................... 68
2.5 Limites e Confrontações …..................................................................................................... 72
2.6 O Relevo ................................................................................................................................. 72
2.7 A Economia …........................................................................................................................ 74
2.8 A Religiosidade ...................................................................................................................... 75
2.9 A Educação …......................................................................................................................... 86
2.9.1 Trajetória Histórica do Colégio Estadual Princesa Izabel …........................................90
2.9.2 Trajetória da Escola Municipal Carlos Gomes …........................................................ 92
3 HISTÓRIA POLÍTICA DO MUNICÍPIO …............................................................................ 95
3.1 Emancipação do Município …................................................................................................ 95
3.2 A Primeira Gestão Municipal …........................................................................................... 100
3.3 A Segunda Gestão Municipal ............................................................................................... 103
3.4 A Terceira Gestão Municipal …........................................................................................... 105
3.5 A Quarta Gestão Municipal .................................................................................................. 107
3.6 A Quinta Gestão Municipal .................................................................................................. 109
3.7 A Sexta Gestão Municipal …................................................................................................ 110
3.8 A Sétima Gestão Municipal ...............................…............................................................... 112
3.9 O Poder Executivo …............................................................................................................ 114
3.10 O Poder Legislativo ............................................................................................................ 114
4 OS SÍMBOLOS DO MUNICÍPIO …...................................................................................... 116
4.1 A Bandeira ….................................................................................................................... 116
4.2 O Hino Oficial ….............................................................................................................. 116
4.3 O Brasão do Executivo Municipal …................................................................................ 118
4.4 O Brasão do Legislativo Municipal ….............................................................................. 120
5 DEMONSTRAÇÃO DE AFETO DO POVO TRIBARRENSE …......................................... 120
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................... 123
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APRESENTAÇÃO
Ao escrever este livro, intitulado como “Três Barras do Paraná: Contexto Histórico,
Social e Político”, levamos em consideração a necessidade de disponibilizar no Município um
recurso a mais para servir na realização de estudos e pesquisas, no que diz respeito à origem do
povoamento, à luta pela conquista da terra e também às administrações públicas desse
município.
Por haver grande defasagem de material bibliográfico que versa sobre a temática em
questão, a cada novo concurso realizado no município, existe considerável procura por pesquisas
na área. Devido a isso, parte dos candidatos busca respostas às suas indagações, tanto na parte da
História quanto da Geografia, e no que se refere aos dados sobre o povoamento e a política local.
Sendo assim, com o propósito de auxiliar aos que procuram ter conhecimento mais
específico sobre o assunto, é que surgiu a ideia de editar o presente livro, o qual conta com
relatos da história política e dados geográficos que, somados a alguns dados históricos já
formalizados e outros vivenciados, certamente servirão de apoio às pessoas que se interessarem
pelo estudo da História do Município de Três Barras do Paraná, da Região Oeste do Estado.
Ao mesmo tempo, esperamos que este livro possa ser um referencial capaz de permitir aos
leitores análise crítica de alguns aspectos históricos duvidosos, em especial, a história de alguns
poucos heróis anônimos e de outros 'heróis' talvez nem tão merecedores de homenagens.
Nesse sentido, para que os conteúdos possam ser abordados de forma clara e precisa,
esclarecemos que, em relação ao que já foi escrito sobre Três Barras do Paraná e o que está sendo
exposto sobre o assunto, houve algumas contrariedades. Por exemplo, na dissertação de Myskiw
(2002), citada neste livro, a história contada na época, foi com base nos registros que o autor teve
acesso por meio da documentação que conseguiu. Registros esses, que nem sempre expressam a
versão de quem realmente viveu a história.
Neste livro, portanto, buscamos resgatar a história contada pelos posseiros, os pioneiros
dessas terras, aqueles que aqui viveram e, de forma direta ou indireta, participaram da revolução.
Logo, relataram o que de fato aconteceu.
Com esse objetivo, no ano de 2002, iniciamos um trabalho em sala de aula com pesquisas
e entrevistas aos pioneiros do município ou seus descendentes. Pessoas que, de alguma maneira,
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participaram da revolta de Três Barras. Muitos dos entrevistados não concordaram em se expor e,
apesar de relatarem os fatos detalhadamente, preferiram ficar no anonimato. Devido a isso,
mesmo tendo várias entrevistas em arquivo, muitos dos relatos coletados não puderam ser
revelados e, em outros, não se tornou possível revelar a fonte.
Todavia, como grande parte dessas pesquisas estão agregadas a fatos vivenciados por nós,
autores desta pesquisa investigativa, uma vez que também residimos no município desde o final
da década de sessenta e atuamos como professores há mais de quarenta anos, sempre nessa
região, alguns fatos partem do nosso conhecimento experienciado, sem que outras fontes sejam
mencionadas. Por outro lado, diversas bibliografias subsidiaram nossa fundamentação, dentre as
quais, destacamos:
- “A Revolta dos Posseiros no Sudoeste do Paraná em 1957” (Gomes, 2005), cuja história
da revolta dos posseiros do Sudoeste do Paraná, assemelha-se com o movimento ocorrido no
município de Três Barras do Paraná, na década seguinte.
- “Colonos, Posseiros e Grileiros: Conflitos de Terra no Oeste Paranaense (1961/66)”
(Myskiw, 2002), dissertação analisada e citada em estudos posteriores, pelas informações
consistentes a respeito dos acontecimentos nessa região. Entre os esclarecimentos trazidos, o
autor cita a revolta vivenciada pelo povo de Três Barras do Paraná.
- “Uma História de Areia” (Fiúza et al., 1998), que trata de uma proposta de estudo com
contribuições educacionais, apoiada no registro da História como processo evolutivo contínuo da
vida e dos homens em sociedade.
Para facilitar a localização dos fatos, dividimos este livro em três partes.
Na primeira parte, são relatados fatos a respeito da origem e do povoamento desse
município, destacando-se a História da Colonização e da Revolta, que marcaram a história do
município de Três Barras do Paraná e sempre são lembradas pela população tribarrense.
Na segunda parte, a análise é voltada aos Aspectos Geográficos e Culturais, procurando
trazer, além da localização do município, a população, os símbolos, a educação, a cultura, a
religião, entre outros aspectos históricos e sociais, tidos por nós, como relevantes.
Na terceira e última parte, o estudo investiga a Trajetória Política, com enfoque voltado a
fatos que marcaram a história política local.
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Como se pode perceber, optamos nesta obra pela utilização de uma linguagem simples e
objetiva, pois consideramos que o conhecimento não se expressa apenas em palavras excessivas
ou de difícil entendimento, até porque esse é o nosso jeito de ser, simples, verdadeiros e diretos, à
semelhança da maioria do povo tribarrense.
Compreendemos que relatar a história do município de Três Barras do Paraná é falar da
própria história que nos envolve e, apesar das dificuldades, traz à tona a lembrança sempre
acompanhada de saudades.
Cada antigo morador desse lugar envolvido na luta histórica, deve lembrar do tempo em
que todos lutaram para construir melhores condições de vida. Esse povo é o mesmo que continua
buscando meios para a superação das dificuldades, no intuito de preservar como principal
riqueza: a terra e a cultura do povo tribarrense.
“Acreditamos que a identidade de um povo se faz com o conhecimento do seu processo
de desenvolvimento, ou seja, pelo conhecimento dos seus caminhos e caminhadas. Só assim é
possível preservar o passado, consolidar o presente e construir um futuro forte” (HOERNER,
2007).
Conforme esclarece Fiúza et al. (1998), importante é “Aprender com a História, que
muitos lutaram, sofreram, ganharam e perderam para a construção do mundo em que vivemos
hoje [...] A educação de todos é fundamental para garantir uma realidade melhor”.
Conhecer a história registrada neste livro significa, antes de qualquer coisa, “compreender
a realidade atual, reconhecer a força de todos aqueles que a produziram, perceber que os homens
são os produtores do mundo em que vivem e cada um é responsável por ele [...] nada se constrói
sem muita luta ou subsiste, tudo se transforma” (FIÚZA et al., 1998).
Enfim, este livro trata-se de uma visão da história do município de Três Barras do Paraná.
Ressaltamos esta obra como inacabada, ao considerarmos as formações históricas como obras dos
seres humanos enquanto processo evolutivo e contínuo. Portanto, ao partirmos da visão de uma
história local, esperamos contribuir com este registro a todos os que se interessam em
compreender a construção do processo histórico da humanidade.
12
1 HISTÓRIA DA COLONIZAÇÃO E DA REVOLTA
Este livro está dividido em três partes. Nesse primeiro momento, relatamos fatos que
dizem respeito à origem e ao povoamento do município de Três Barras do Paraná, com destaque
à História da Colonização e da Revolta na Década de 60.
2.1 OS PRIMEIROS HABITANTES
Vários autores escreveram sobre os primeiros habitantes mas, nem sempre o que um disse
foi confirmado por outro, até porque cada pesquisador revela uma face da História. Contudo,
consideramos os dados deste livro relevantes para que se ampliem conhecimentos. Passamos,
então, a relatar a História dos primeiros habitantes desse pedacinho do Paraná.
Inicialmente, a área de terra que constitui o Município de Três Barras do Paraná, assim
como a de outros municípios dessa região, foi habitada por povos indígenas que aqui deixaram
marcas de sua existência.
Para os índios, a terra era mais do que uma simples fonte de sobrevivência, era a
'mãe' que lhes fornecia os instrumentos de trabalho, a alimentação, o lazer.
Como ainda não dominavam plenamente as técnicas agrícolas e, portanto, não
conseguiam produzir tudo o que era necessário para a vida do grupo, as tribos
sempre se viam obrigadas a mudar de lugar. Eram tribos nômades que, de
tempos em tempos, buscavam outras terras onde pudessem coletar alimentos,
caçar, pescar e plantar. Sendo assim, era muito comum que uns penetrassem no
território de outros, o que provocava constantes desentendimentos e guerras
inter-tribais (FIÚZA et al., 1998, p. 26).
Para Filho (2011, p. 77), na tentativa de justificar o processo colonial, a desvalorização do
território fez parte de uma estratégia por parte das autoridades colonizadoras. Com a Carta Régia
de 08 de novembro de 1809, “o discurso do colonizador se circunda de um imaginário puxado de
todo um medievalismo cavaleiresco frente a uma imensidão de terras cercadas de índios”.
13
Steca e Flores (2008, p. 54), no que diz respeito aos índios da Região Sul do Brasil,
revelam que eles eram “divididos em dois grupos: Gê e Tupi-Guarani, que predominavam no
Litoral, Noroeste e Oeste do Estado do Paraná”.
Constatação que também figura na obra de Lopes (2005):
Os índios do Paraná, estavam divididos em dois grupos: Tupi-Guarani e Gê. A
grande maioria desses era Tupi-Guarani, que predominavam no litoral, Noroeste
e Oeste do Estado. Enquanto que tribos Kaingang e Xocléng (botocudos) do
grupo linguístico Gê, habitavam a Região Central do Paraná de Norte a Sul, e
Litoral (LOPES, 2005, p. 54).
Nesse sentido, Nitsche (2001) aponta para evidências de batalhas indígenas que foram
travadas no município de Três Barras do Paraná num passado distante.
Em Três Barras foram encontradas evidências de artefatos indígenas, conhecidos
como ponta de projéteis e lâmina de machado que foram talhadas com uma
técnica padronizada, que os arqueólogos denominam de tradição, a padronização
dessas peças (modo como as pontas de projéteis foram manufaturadas)
pertencem à tradição Umbu, pré-cerâmica, caracterizada pela presença de pontas
de flechas e uma indústria lítica com lascas retocadas […] o lascamento por
pressão foi amplamente utilizado na confecção de tais artefatos, podendo inferir
que tais achados pertencem à fase Bituruna (NITSCHE, 2001, p. 21).
Segundo Filho (2011, p. 80), “Os Campos de Palmas, chamados pelos povos nativos de
'Bituruna', a existência desses Campos era novidade apenas para os brancos, Bituruna era uma
rota de fuga indígena”.
Vasco e Silva (2004, p. 26) esclarecem que “temos ainda, no Paraná, 17 reservas
indígenas” e que uma delas é a do Rio das Cobras, onde ainda é possível encontrar índios de
descendência Guarani e Kaingang. Mas, segundo pioneiros deste município, os guaranis seriam
os principais índios de nossa região.
Nas regiões próximas ao Rio Paraná (Oeste do Paraná, Paraguai e Argentina), em
povoações indígenas fundadas pelos jesuítas, os índios que se destacaram também foram os
guaranis. Essas vilas ficaram conhecidas como Missões. As Missões Jesuíticas na América,
também chamadas de Reduções, foram destruídas pelos bandeirantes.
14
Segundo Silva (2010), os primeiros padres jesuítas chegaram ao Brasil em março de 1549.
Com a catequização indígena, a Coroa portuguesa pretendia unificar o território brasileiro com
base na religião hegemônica de Portugal: o Catolicismo. Para que os indígenas compreendessem
o ensinamento religioso, os jesuítas construíram, ao longo de 20 anos, vilas com escolas de
instrução elementar. Ensinar aos índios os costumes e as crenças europeias seria uma maneira de
estabelecer efetivas colônias de Portugal, onde obedeceriam ordens impostas pelos portugueses.
Num primeiro momento, as Missões Jesuíticas confirmaram os interesses de integrar os indígenas
ao processo de colonização. Porém, quando os jesuítas perceberam que o interesse de Portugal
consistia na escravização indígena, iniciaram um trabalho de orientação para que os índios
vivessem independentes e afastados dos colonizadores portugueses, formando as Reduções ou
Missões Jesuíticas. Entretanto, os colonizadores as descobriam, prendiam e torturavam povos de
grandes aldeias, a fim de escravizá-los. Em 1759, “o primeiro-ministro de Portugal Sebastião
José de Carvalho, conhecido como Marques de Pombal, ordenou uma expulsão em massa dos
jesuítas de todas as colônias portuguesas”.
Os jesuítas atuaram junto aos povos oprimidos como defensores, orientadores, religiosos,
professores e até médicos. Para muitos brasileiros, os bandeirantes foram considerados heróis.
Esses “heróis”, porém, foram os mesmos que se assujeitaram à ganância na busca do ouro e na
escravização dos índios, acabando por destruir os povoamentos e matar milhares de inocentes,
inclusive padres jesuítas que, naquela época, eram os defensores dos índios e das suas famílias.
Júnior (2009 p. 36), afirma que os bandeirantes “para conseguir muitos índios de uma só
vez, atacavam as missões, provocando grande mortandade e destruição”. Então, em dez anos
(1628 a 1638), destruíram as missões de Guairá (PR), Itatim (MS) e Tape (RS), entre outras,
sendo que milhares de índios foram aprisionados e o gado se dispersou.
Conforme destacam Vasco e Silva (2004, p. 23): “No fim do Século XVII e meados do
XVIII, uma violenta guerra entre bandeirantes e os povos das Missões levou à completa
destruição dos Sete Povos e a milhares de indígenas mortos e escravizados”.
As marcas dessa destruição até hoje podem ser constatadas, pois certas ruínas das Missões
Jesuíticas se tornaram pontos turísticos que atraem muitos estudiosos e visitantes. Um exemplo
das ruínas de aldeias indígenas que fizeram parte da atuação dos jesuítas são as Ruínas de San
Inácio, da província de Missiones, na Argentina, construídas nas proximidades do Rio Paraná, em
15
território paraguaio e argentino. Essas ruínas frequentemente são visitadas por pesquisadores e
por turistas, como pode ser percebido nas figuras que seguem.
Figura 01: Autor, José Davi, e sua filha, Elizete, em visita às Ruínas de San Ignacio,
na Argentina, para pesquisa sobre as Missões Jesuíticas, em 30/11/2011.
no dia 30/11/2011.
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Figura 02: José Davi e Elizabeth em visita às Ruínas para pesquisa, 30/11/2011.
1.2 O POVOAMENTO DO OESTE DO PARANÁ E O GOVERNO DE GETÚLIO VARGAS
O nome Três Barras se deve ao fato de a cidade ter sido fundada no local onde havia três
nascentes de água (localizadas na extensão da Rua Mato Grosso denominada de Vila Alta), que
se encontravam para formar um rio, chamado de Rio Três Barras, afluente do Rio Guarani, que
deságua no Rio Iguaçu. Esse foi um dos lugares paranaenses que, por ser considerado de clima
saudável, com boa hidrografia e terras férteis para a produção agrícola, favoreceu a ocupação por
gaúchos, catarinenses e paranaenses, a partir dos anos de 1940.
Podemos dizer que o povoamento de Três Barras do Paraná, das Regiões Oeste e
Sudoeste do Estado do Paraná e o Oeste de Santa Catarina, contam com um percurso marcado
por fatos ocorridos nessa região, principalmente no governo de Getúlio Vargas. Para melhor
transparência do nosso objetivo, priorizamos o estudo sobre a Região Oeste do Paraná, pois é
nesse contexto que está inserido o Município de Três Barras do Paraná, foco principal desta
edição.
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Conforme esclarece Myskiw (2002, p. 27), os “ideais de Vargas estimulavam, na
população, ideias de conquista e de uma contínua ocupação dos vazios demográficos”. Essa
política migratória era resultado de uma estratégia geoeconômica, que objetivava articular
economicamente regiões do Brasil não desenvolvidas. O governo se empenhou no povoamento
dessa e das demais áreas de fronteira do Brasil, tendo como principal objetivo a garantia da posse
e soberania nacional sobre as terras conhecidas por área de fronteira, as quais se estendiam por
uma extensão de até 150 km da fronteira com os países vizinhos.
Retrocedendo um pouco na história, lembramos que desde o império até quando Getúlio
Vargas assumiu o poder, a maior parte das áreas de fronteira, principalmente as regiões Oeste e
Sudoeste do Paraná e o Oeste de Santa Catarina eram consideradas, por parte dos brasileiros,
como espaços de terra despovoados ou vazios demográficos.
Segundo Mota (1994), para o governo brasileiro, essas terras eram consideradas
devolutas, ou seja, acreditava-se que não eram habitadas. Ignorava-se a presença de índios,
caboclos e no caso da Região Oeste do Paraná dos obrageros e dos mensús, donos e
trabalhadores nas fazendas de erva-mate e de extração de madeira. Assim, considerava-se que as
terras eram do governo e este era o responsável por colonizá-las.
No Paraná, essa “falta de população” compreendia as terras do Oeste e Sudoeste, desde o
Município de Catanduvas até o Rio Paraná, sendo esse espaço dominado por grupos argentinos,
que exploravam e comercializavam os produtos regionais.
De acordo com Lopes (2002, p. 49), no Oeste e Sudoeste paranaense, até a década de 20,
“a presença brasileira era tímida e ineficaz no que se refere ao povoamento. A Oeste de
Catanduvas, mesmo no ano de 1930, não parecia Brasil”. O domínio econômico estava nas mãos
de argentinos que levavam embora a madeira e a erva-mate, nossos principais produtos na época.
No que se refere à situação de exploração vivenciada pelo povo do Oeste do Paraná,
oportunizando a saída das riquezas regionais, Steca e Flores (2008, p. 95), esclarecem que nossas
riquezas eram exploradas por meio das obrages, ou seja, fazendas organizadas para a extração de
madeira e mate. Para as autoras, “obrages eram como firmas, organizadas com trabalhadores
paraguaios e/ou brasileiros, denominados mensus, porque eram pagos mensalmente”.
Lopes (2002, p. 88) enfatiza a situação de abandono da Região Oeste do Paraná naquela
época. Segundo ele, durante vários meses transpareceram as dificuldades enfrentadas pelos
18
grupos de pessoas encarregadas pelo governo para a abertura de picadas na mata, com o objetivo
de chegar à Foz do Iguaçu (novembro de 1888 a agosto de 1889). Outro desafio foi enfrentado
pela expedição encarregada de instalar uma colônia militar no local: “Em 13 de setembro de
1889, partiu de Guarapuava a expedição que criaria a Colônia Militar, que chegou à Foz em 22 de
novembro de 1889”. Após sua instalação, persistia o descontentamento pela falta de uma armada
na base militar construída. Conforme explicita Lopes (2002, p. 93), no próprio relato do Marechal
Cândido Rondon, que passou pela região em 1924, como um dos participantes da Coluna Prestes,
essa insatisfação transparecia: “Inadmissível que, sendo Foz do Iguaçu um ponto estratégico, não
disponha de uma força armada para a defesa nacional”.
Com base nas análises feitas anteriormente, podemos constatar que até esse momento o
Oeste do Paraná se encontrava em estado de abandono, esquecido pelos governos anteriores.
Quando Getúlio Vargas assumiu o poder e iniciou uma política nacionalista, aos poucos as coisas
foram acontecendo, dando impulso ao desenvolvimento paranaense. Nesse período, contamos a
abertura de algumas estradas, principalmente a BR - 277.
Em 1938, após a criação do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, que foi
“incumbido, em 1941, de desenvolver o Programa Rodoviário Marcha para o Oeste, como fruto
da grande estratégia oficial de desenvolver a região e propiciar um grande salto ao processo de
colonização”. O objetivo era o de construir a estrada entre Ponta Grossa e Foz do Iguaçu,
passando por Cascavel. “Tratava-se da BR 35, hoje, BR 277” (LOPES, 2002, p. 55).
Segundo observa Vorpagel (2007, p. 02), o projeto de colonização federal (colonização
oficial dirigida pela CANGO) teve como propósito fixar na região agricultores com uma
economia baseada na agricultura familiar de pequena propriedade. A maior parte dessas pessoas
veio do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, “de colônias agrícolas formadas por descendentes
de alemães e italianos”. Entenda-se que a CANGO representava todo tipo de ajuda e assistência
aos colonos que chegavam para fixar propriedade: terra, casa, ferramentas, sementes agrícolas,
ajuda médica. “Tudo de graça, mas sem o título de propriedade da terra. De modo que, na prática,
os agricultores eram posseiros. Tinham a posse da terra, mas não um documento que atestasse a
sua propriedade. E essa situação constituiria um problema grave mais adiante”.
Todavia, o que mais preocupava o governo era o domínio dos grupos argentinos nas áreas
de fronteira com o Paraná e Santa Catarina. A preocupação do governo com as questões de
19
povoamento, ocupação dos espaços vazios e das fronteiras brasileiras, pode ser compreendido
sob a ótica do nacionalismo. Como estratégia, Vargas investiu na implementação das políticas
territoriais e da criação dos Territórios Federais de Fronteiras.
No entanto, as terras do Oeste e Sudoeste do Paraná já estavam sendo ocupadas,
principalmente por argentinos. Devido a isso, a política que visava povoar e desenvolver ações de
nacionalização para o desenvolvimento da população brasileira e o domínio brasileiro na faixa de
fronteira deveria ser implementada com urgência. Com esse propósito, em 1943, Getúlio Vargas
publicou um decreto-lei criando cinco Territórios Federais de Fronteiras.
Assim, por meio do Decreto-Lei n.º 5.812, de 13 de setembro de 1943, foi criado o
Território Federal do Iguaçu, juntamente com os Territórios Federais do Amapá, do Rio Branco,
de Ponta Porã e do Guaporé” (LOPES, 2002, p. 112). Três Barras do Paraná ficou incluída nessa
área de terra onde foi criado o Território Federal do Iguaçu, extinto em 18 de setembro de 1946.
Na faixa de terra que pertenceu ao Território do Iguaçu, haviam sido instaladas três
colônias militares: a de Foz do Iguaçu; a de Chopin, no Paraná; a de Chapecó, em Santa Catarina.
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Figura 03: Mapa do Território Federal do Iguaçu. Extraído do livro: O Território do Iguaçu no
Contexto da “Marcha Para Oeste”, de Sérgio Lopes. Cascavel-PR, 2002, p. 116.
No entanto, a criação de territórios federais e fundação de colônias militares não foi
suficiente para despertar o sentimento nacionalista da população que morava nas terras do Oeste
e Sudoeste do Paraná. Assim, medidas precisaram ser tomadas.
Conforme esclarece Lopes (2002, p. 45), no caso do Sudoeste e do Oeste Paranaense,
economia e população possuíam laços estreitos com argentinos e paraguaios. Com base nisso, o
poder público, nessas regiões de divisas nacionais, procurou “evidenciar e explicitar os
sentimentos nacionalistas. Até impô-los quando necessário”.
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No intuito de colonizar e desenvolver a faixa de fronteira, Getúlio Vargas tratou de
implementar sua política nacionalista. Passou a incentivar os brasileiros à ocupação e exploração
dessas áreas de terra. Para esse fim, Lopes (2002, p. 41) argumenta que o governo Vargas “para
despertar nos brasileiros o sentimento nacionalista e de brasilidade”, priorizou a propaganda em
rádio e a utilização de imagens: “Só a imagem, pois, convence o povo, em nossa democracia
sentimental. Uma imagem vale cem vezes mais do que um argumento”, ou seja, a imagem aliada
ao uso da palavra torna-se recurso eficaz para atender a finalidades imediatas, pois, desse modo,
o discurso circula com maior rapidez e precisão.
Reportando-nos mais especificamente à região Oeste do Paraná, sabemos que o Governo
Vargas assumiu o poder em 1930 e, no ano seguinte, organizou uma comissão, chefiada por Zeno
Silva, para percorrer essa região a fim de fazer o reconhecimento, iniciando pelo Alto Paraná. O
desbravamento iniciado foi chamado de “A Marcha para o Oeste”.
Para comprovar esse fato, citamos a publicação do Jornal Gazeta do Povo, de julho de
1931, onde Ciro Silva, irmão de Zeno Silva, que fazia parte da referida comissão, publicou um
artigo em que, entre outras coisas, comentava sobre o relatório apresentado pela referida
comissão ao governo federal, nos seguintes termos: “Já está produzindo ótimos resultados o
relatório apresentado ao governo da República […] o interesse paranaense por aquela zona parece
agora despertado, depois de setenta e sete anos de completa indiferença” (LOPES, 2002, p. 95).
No Oeste e Sudoeste do Paraná e Oeste de Santa Catarina, a “Marcha para o Oeste” teve
ainda o objetivo de atender aos apelos de capitalistas, colonizadores e também de colonos
riograndenses, os quais necessitavam de maior espaço para a fronteira agrícola.
De acordo com Wachowicz (apud Lopes, 2002, p. 57), diante dessa situação, Getúlio
Vargas atentou para os interesses dos capitalistas e colonizadores do Rio Grande do Sul,
oportunizando aos colonos e colonizadores gaúchos o preparo da expansão do Território do Rio
Grande do Sul. Dessa forma, poderiam aumentar a fronteira agrícola. Para esses grupos, diante da
problemática vivenciada, o excesso de mão de obra rural do Rio Grande do Sul, acarretou na
necessidade de deslocamento e ocupação do Oeste de Santa Catarina e do Paraná.
Além dos motivos acima citados, para trazer para essa região os colonos gaúchos, Steca e
Flores (2008, p. 113), esclarecem que “a escolha do elemento sulista, assim denominado por ser
22
originário do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, não foi aleatória. Os sulistas dominavam a
tecnologia agrícola dos descendentes de italianos e alemães, considerada mais evoluída”.
Três Barras do Paraná foi um dos municípios do Oeste do Paraná, que recebeu grande
impulso em seu desenvolvimento, graças à vinda de colonos do Sul do Brasil. Com espírito
aventureiro, trabalhador e destemido, esses agricultores adentraram o “sertão de Três Barras” de
forma a contribuir com o povoamento e o progresso, dando origem a um novo município. Das
origens à atualidade, Três Barras do Paraná deve seu desenvolvimento, principalmente, ao
trabalho dos agricultores: pioneiros dessa povoação.
Acreditamos que, em grande parte, a Região Oeste do Estado do Paraná tenha sido
beneficiada com a vinda desses colonos, não somente na área agrícola, mas também ao
estimularem o desenvolvimento do comércio e da industrialização dessa região.
Os povoadores vindos do Sul, na luta pela sobrevivência e sustento de suas famílias,
trabalharam com a exploração da madeira e com o cultivo das terras. O desenvolvimento agrícola
foi tão importante que deu ao Paraná o título de “Celeiro do Brasil”. Pela avaliação do IBGE,
esse título é mantido até hoje, pois o Paraná mantém a liderança na produção nacional de grãos.
Diante do exposto, consideramos Getúlio Vargas como um grande presidente, muito
respeitado pela população da época, principalmente pelos colonos do Sul do Brasil.
Ficaram marcados na memória do autor, José Davi, fatos que reforçam essa afirmação:
Saímos, eu e meu pai, de São Domingos – Santa Catarina, da localidade de São
Braz, no dia 23 de agosto de 1954, com uma carroça puxada por animais. Fomos
para Pato Branco buscar um tambor de duzentos litros de querosene para ser
vendido no armazém do meu pai. O uso do querosene era comum nessa região
porque, na época, não havia energia elétrica e o lampião a querosene era muito
utilizado. Saímos às seis da manhã e só chegamos em Pato Branco em torno de
nove ou dez horas do dia seguinte. Pernoitamos na carroça, coberta com uma
espécie de lona que era chamada de “tolda”. Quando chegamos no posto de
combustível de Pato Branco, apesar de ter apenas seis anos de idade naquele
tempo, lembro bem o que disseram alguns colonos, conhecidos do meu pai,
quando se aproximaram preocupados: “Seu Pedro, não sei se o senhor vai ser
atendido hoje. As rádios estão anunciando que o Brasil está de luto porque
mataram o Getúlio Vargas. E agora o que vai ser do Brasil?... Hoje, com uma
saca de feijão compramos uma saca de açúcar ou uma saca de farinha de trigo.
E agora, quem vai garantir um bom preço para os nossos produtos?”
(Depoimento de José Davi Paludo, 19 mar. 2012, em Três Barras do Paraná).
23
Consideramos relevante, portanto, o conhecimento de alguns dos fatos que marcaram a
história do Governo de Getúlio Vargas. Então, além do que já foi explicitado nesta obra, a título
de exemplificação, selecionamos mais algumas das realizações desse governo:
- Investimento na infraestrutura do país, com a criação da Companhia Siderúrgica
Nacional (1940), Companhia Vale do Rio Doce (1942), Companhia Hidroelétrica do São
Francisco (1945) e Petrobrás, a maior empresa brasileira (1953);
- Criação do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (1938), Ministério do
Trabalho, Indústria e Comércio (1930); OAB – Ordem dos Advogados do Brasil (1930);
- Criou os Direitos Trabalhistas - Justiça do Trabalho (1939), o Salário Mínimo (1940),
Semana de Trabalho de 48 Horas (1943), Carteira Profissional (1932) e Lei de Férias
Remuneradas (1926), CLT (1943), Institutos de Aposentadorias e Pensões (1933); Justiça
Eleitoral (1930) e Código Eleitoral (1932), com o voto secreto e voto feminino.
Além do que já foi citado, acreditamos também que, com a defesa das áreas de fronteira, a
criação dos territórios federais e o incentivo à vinda dos colonos gaúchos, a política nacionalista
do Governo Vargas muito contribuiu para colonizar e desenvolver o Sudoeste e o Oeste do
Paraná, onde se inclui o Município de Três Barras do Paraná.
De acordo com Fonseca (1989, apud Dutra e Bastos, 2009), Getúlio Vargas foi
considerado pelo jornal Folha de S. Paulo, em 2007, o “maior brasileiro de todos os tempos”.
Getúlio Vargas foi o grande estadista que o Brasil teve no século XX, foi capaz
de chamar os empresários industriais à burocracia pública e os trabalhadores
urbanos para um pacto político e uma estratégia nacional desenvolvimentista.
Com um governo autoritário entre 1930 e 1945, ele quebrou a hegemonia das
oligarquias agrária e mercantilista que dominavam o Brasil até então. Um
populista, ele foi o primeiro político a estabelecer uma relação com o povo ao
invés de apenas com suas elites. Em seu segundo governo, entre 1951 e 1954,
ele completou seu projeto nacional. Depois dele e do governo Kubitschek, a
revolução industrial e capitalista do Brasil iniciada em 1940 podia ser
considerada completa – o que abriu espaço para uma democracia mais
consolidada no país (FONSECA, 1989, apud DUTRA e BASTOS, 2009).
1.3 OS PIONEIROS DE TRÊS BARRAS
24
Na década de quarenta, atraídas pela caça e pesca que era abundante nesta região,
chegaram pessoas vindas do Sudoeste do Paraná, principalmente de Dois Vizinhos e Salto do
Lontra. Conforme esclarecem as pesquisadoras Fresca, Salvi e Archela (2005, p. 206): “... a partir
de 1940, a colonização ultrapassou o Rio Iguaçu, entrando no Oeste Paranaense...” Esse forte
fluxo migratório contribuiu para que os espaços vazios fossem preenchidos e a agricultura
desenvolvida, trazendo progresso, estabilidade social e cultura à localidade.
A história da povoação de Três Barras, conhecida anteriormente como Encruzo, se
construiu de maneira intimamente ligada à de Catanduvas, município ao qual pertenceu.
O Distrito Administrativo de Três Barras, criado em 1966, por meio de Lei Municipal,
deu lugar à criação do Município, em 13 de maio de 1980, pela Lei Estadual nº 7305. O território
foi desmembrado de Catanduvas e a instalação oficial se deu no dia 01 de fevereiro de 1983.
Com sua emancipação, no dia 13 de maio de 1980, a denominação foi alterada para Três
Barras do Paraná (Fonte: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=412785#).
Gomes (2005, p. 98) argumenta que, durante a época da revolta, algumas famílias
atravessaram o Rio Iguaçu para fugir da perseguição das companhias. Parte dessas famílias fixou
residência nas terras que atualmente pertencem ao município de Três Barras do Paraná. Mas
também jagunços passaram o Rio Iguaçu. Segundo a autora, Jácomo Trento, conhecido como
Porto Alegre, líder do movimento em Pato Branco, ao narrar a vitória contra as companhias e
seus jagunços teria dito: “os jagunços estavam presos, os escritórios lacrados, os que não foram
presos se entregaram no quartel em Francisco Beltrão ou fugiram atravessando o Rio Iguaçu”.
A propaganda do governo federal, a notícia da terra fértil e a abundância de madeira se
espalharam, chamando a atenção de colonos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, que
transferiram-se para essa região. Por exemplo, em São Domingos, próximo a Chapecó - SC (lugar
onde o autor deste livro, José Davi, passou a infância), ouvia-se dizer: “Vamos para o Paraná. Em
Três Barras, só com a madeira você paga a terra”. Assim, quando aconteceu a revolta, já residiam
em Três Barras mais de quatrocentas famílias.
Conforme entrevista concedida por um dos pioneiros, o saudoso Timóteo Bernardes
Prestes: “ele, quando aqui chegou, no início da década de cinquenta, nas proximidades de Três
Barras, só havia dois moradores: Pedro Silvério e Juvêncio Gonçalves; então, teria sido o terceiro
morador”.
25
Logo depois vieram as famílias: Boaretto, Moreschi, Farias, Martins, Cordeiro entre
outras. E assim foram chegando os pioneiros de Três Barras do Paraná. Ao mesmo tempo, várias
famílias se instalaram no interior do município. Citamos aqui algumas dessas famílias, as quais
foram mencionadas pelos posseiros nas pesquisas e entrevistas realizadas. Fixaram residência na
região de Santo Isidoro, a Família Martendal e a família de Adílio dos Passos. Em Santa Bárbara,
as famílias Rossi e Berlanda. Nas imediações de Três Barras, para o lado das localidades de Barra
Grande, Linha Nova, Palmital e Alto Palmares: as famílias Cordeiro, Farrapos e Martins. Em
Barra Bonita: as famílias Meurer, Oenning e Schlickmann. Próximo a Flores da Cunha: as
famílias Cassol, Ludvichak e Pedroso. Em Alto Alegre, a família de José Maria Borges Vieira.
Em Rosário D’Oeste, as famílias de Antônio José da Silva (Antoninho Albino), José Antônio da
Rocha, Teodoro Brand, Hilário Ecker, além de outras. Os pioneiros foram chegando, se
instalando, povoando e contribuindo para o desenvolvimento desse município.
De São Domingos, por exemplo, vieram várias famílias para residir em Três Barras: a
família de Pedro Zacarias Paludo (pai do autor deste livro), a família de Alberto Paludo (tio do
autor deste livro), de Arquilau Nunes de Carvalho, de Estanislau Nunes de Carvalho, de Celso
Palmas, de Giovani Palmas de Lima, de João Erbílio Borges, de Idevino Zanetim, entre outras.
Várias famílias, como é o caso da família Paludo e de algumas das famílias citadas,
vieram para Três Barras após a revolta e, quando aqui chegaram, a maior parte dessas terras já
estava povoada.
Entre os relatos de pioneiros entrevistados, houve informações de que essas terras, até o
final da década de trinta, eram habitadas somente por algumas famílias de mestiços, conhecidos
por caboclos, dos quais não se sabia a procedência.
Alguns pioneiros entrevistados relataram que, nos primeiros anos que viveram nas terras
tribarrenses, acamparam como caçadores e pescadores nas margens de rios. Passavam vários dias
acampados, se alimentando da caça, da pesca, da coleta de frutos e de outros alimentos que a
mata oferecia. Naquele momento histórico, a ocupação causava sofrimento, mas com o passar do
tempo, quando conseguiram se fixar na região e fazer amizades, essa atividade passou a ser
menos penosa e até divertida. Então, acampavam nas matas de Três Barras, principalmente nas
proximidades do Rio Guarani, junto com alguns companheiros que também vinham se colocar
para, posteriormente, trazer suas famílias. Mas, devido ao fato de terem recebido a visita de
26
animais ferozes nos acampamentos, para conseguirem se proteger, andavam sempre armados.
Segundo esses aventureiros, nessas matas havia muitos animais ferozes, como: tigre, leão baio,
jaguatirica, canguçu e outros. Também havia vários tipos de cobras venenosas: cascavel, urutu
preto, urutu dourado, urutu cruzeiro, jararacuçu, jararaca da cola branca e cobra coral.
Em dezembro de 2011, junto com um grupo de professores do Colégio Estadual Princesa
Izabel, em um curso de especialização realizado no mesmo Colégio, a história foi revivida por
meio de uma entrevista realizada com os pioneiros e seus descendentes, conforme foto que segue.
Figura 04: Pioneiros e descendentes entrevistados em dezembro de 2011, no Colégio Estadual
Princesa Izabel. Da direita p/ esquerda: Carmela Boaretto Rossa, Noel Lopes da Veiga, Ivo Pedroso,
Júlio Lautharte Santana, Francisco Ludvichak e Aristides Martendal do Passos.
Contaram os entrevistados que chegavam a pé ou a cavalo, passando por picadas abertas a
facão, pois não havia estradas nas terras de Três Barras. As primeiras estradas foram abertas
pelos próprios posseiros, que se reuniam em forma de puxirão (mutirão) e abriam picadas na
mata com o corte de algumas árvores para conseguirem entrar com carroças e trazer as mudanças.
As primeiras mudanças foram trazidas nos lombos de animais, com grande sofrimento.
Uma das maiores dificuldades enfrentadas era a travessia do Rio Iguaçu. Mesmo depois de
27
colocados, quando alguém ficava doente, buscava-se um curador, ou seja, alguém que fazia
remédios com a utilização de plantas silvestres. Mas para a locomoção das pessoas na busca por
algum recurso, devido a poucos caminhos abertos na mata fechada, só podiam ir a cavalo.
Conta o pioneiro Ivo Pedroso que, se o doente não pudesse ser transportado a cavalo,
tinha de rezar para que Deus o salvasse ou para que os remédios de ervas surtissem o efeito
necessário, pois nessas terras não tinha hospital e nem meios para transportar o adoentado até
onde pudesse ser socorrido.
Conforme nos lembra Sanches (2010), como em outros lugares da região, houve a
necessidade do comércio para a subsistência populacional nas vilas que se formavam. E assim
surgiram os “armazéns de secos de molhados”. A título de esclarecimento, segundo informações
do Dicionário Online de Português, esse ramo de comércio abrange lojas de comestíveis onde os
gêneros secos (como trigo, feijão ou grãos em geral) são vendidos sob medida ao freguês. São
considerados gêneros molhados, os produtos que não estão livres de umidade (compotas de frutas
produzidas artesanalmente, queijos, linguiças etc.). Essas expressões e costumes eram
naturalmente utilizados naquela época, em diversos lugares paranaenses.
Com o aumento da população e a dificuldade de irem para outros lugares fazer
compras, surgiram as primeiras casas de comércio (casas de secos e molhados,
como eram registradas), onde vendiam de tudo: tecido, carne, arroz, pão,
latarias, brinquedos, etc., não tinham a sofisticação dos mercados de hoje,
geralmente eram de madeira, com grandes balcões, onde o vendedor (caixeiro)
como era chamado, atendia o freguês (SANCHES, 2010, p. 32).
Dentre as várias informações fornecidas, os pioneiros também fizeram questão de lembrar
que o início do povoamento de Três Barras se deu próximo ao local onde existia um moinho, na
saída da cidade, rumo à localidade de Linha Alta. Havia uma antiga estrada que passava pelo
referido moinho, por uma antiga serraria, por Linha Alta e que seguia para Catanduvas.
Atualmente, esse trajeto conta com uma estrada asfaltada que passa em frente à Coopavel,
na Rodovia PR-471. Dos três riachos existentes, restaram apenas dois. Mesmo assim, o nome do
município foi mantido, pela marca histórica de origem.
28
Vários dos pioneiros que ainda residem nesse município já foram homenageados pelas
autoridades locais, representadas pelos Vereadores e Prefeito, com a entrega solene de títulos de
Cidadão Honorário do Município.
1.4 REFLEXOS DA REVOLTA DO SUDOESTE EM TRÊS BARRAS DO PARANÁ
Para melhor entender o movimento conhecido como “A Revolta de Três Barras”,
realizamos uma análise do que aconteceu no Paraná na década de 50, destacando as semelhanças
dos fatos ocorridos nessa localidade com os conflitos da região paranaense.
Segundo Vorpagel (2007), houve uma confusão jurídica:
Os posseiros do sudoeste do Paraná foram instalados em áreas de terra que
estavam sendo alvo de disputa judicial entre os governos federal e estadual.
Juridicamente, a área não tinha dono, mas estava incorporada à União […] As
companhias colonizadoras oficiais e particulares estavam envolvidas na disputa
pela posse da área do sudoeste do Paraná: no meio do caminho havia os colonos
(VORPAGEL, 2007, p. 03).
Contudo, podemos dizer que o conflito pela posse da terra, em 1957, envolveu posseiros,
companhias colonizadoras e o poder público.
O conflito teve origem na disputa jurídica pela posse da gleba MISSÕES e parte
da gleba CHOPIM. O governo federal, através da CANGO, implantou na região
projeto de colonização e incentivou gaúchos e catarinenses para povoá-la.
A companhia colonizadora CITLA, formada por particulares, igualmente
instalou-se na área na condição de herdeira das glebas, resultado de longo
processo judicial envolvendo o poder público e empreendedores particulares
(VORPAGEL, 2007, p. 01).
Essa revolta, segundo Gomes (2005, p. 51), na Região de Francisco Beltrão foi liderada
pelo Dr. Walter Alberto Pécoits e por Jácomo Trento, o popular Porto Alegre, na região de Pato
Branco. Na luta dos posseiros pelas terras, o medo da violência imposta pelos jagunços das
companhias, a união em torno de um objetivo comum, a conquista da posse das terras e a defesa
de suas famílias, foi semelhante ao que aconteceu em Três Barras do Paraná. De um lado estavam
as companhias e seus jagunços. De outro, os colonos que haviam cultivado, mas não tinham
documentos que comprovassem a posse de suas terras. Enquanto isso, o conflito tomava rumos
29
assustadores: “Com a reeleição de Moysés Lupion, em 1955, a CITLA retoma a venda dos lotes
de terra, agora de forma mais ofensiva... se alguém se revoltasse contra eles, mandavam matar...”.
As companhias COMERCIAL - Companhia Comercial e Agrícola Paraná Ltda.,
APUCARANA - Imobiliária Apucarana Ltda., CITLA - Clevelândia Industrial e Territorial Ltda.,
entre outras, tinham a autorização do Governador Moysés Lupion para medir, vender e
documentar terras nessa região.
Conforme esclarece Gomes (2005), a CITLA teria sido a companhia que mais prejudicou
os colonos do Sudoeste do Paraná. Seus jagunços, com o aval do Governador Moysés Lupion,
atuaram com extrema violência:
Conforme inquérito do Banco do Brasil, publicado como suplemento nº 26, no
Diário do Congresso Nacional de 04.02.1953, a CITLA fazia parte do Grupo
Moysés Lupion, composto pelas empresas: M. Lupion e Cia., Clevelândia
Industrial e Territorial Ltda., Mineração de Carvão Norte do Paraná, Indústrias
Brasileiras de Papel e Serrarias Reunidas Santisi. O surgimento da CITLA nessa
trama dá uma nova dinâmica aos fatos. Essa empresa vai ser responsável pela
intensificação do processo de luta (GOMES, 2005, p. 35).
A título de informação, Moysés Lupion foi governador do Paraná por duas gestões: 19461951 e 1956-1960. No intervalo dos seus dois governos (1951 a 1955), o Paraná esteve sob
comando do Governador Bento Munhoz da Rocha.
Parte da terras de Três Barras foram denominadas de Colônia Timburi e pertenciam à
Empresa BELLÉ & SIMIONI que, a exemplo de outras companhias que atuaram no Sudoeste do
Paraná, conforme relato dos posseiros, trouxe jagunços, alguns dos quais já haviam sido
contratados pela CITLA, para atuarem no embate pela conquista das terras da região.
Depoimentos de Alcides Nunes Prestes e outros posseiros entrevistados, destacam a
presença de um dos representantes dessa empresa, conhecido pelo nome de Aarão. Esse sujeito
trazia consigo vários jagunços e ordenava que batessem nos colonos para intimidá-los e
pressioná-los a abandonarem as terras que tinham ocupado.
Gomes (2005, p. 65), enfatiza a tamanha crueldade dos jagunços da Companhia
COMERCIAL em relação aos posseiros que não queriam se assujeitar às suas ordens de retirada,
com assassinatos de pessoas comuns: “De todas as mortes, a da mulher de João Saldanha, colono
que morava em Rio Ampére, município de Francisco Beltrão, e de seus dois filhos menores, foi
30
sem dúvida a mais bárbara”. E esclarece, em seguida que “Lino Marquetti, administrador da
Companhia Comercial do Paraná, teria mandado matar João Saldanha porque este não queria
assujeitar-se às exigências da referida companhia”.
Conforme também relata Cariconde (apud Gomes, 2005), os jagunços intimidavam os
colonos, com “espancamentos, torturas, violências sexuais, assassinatos, incêndios de roças,
casas e galpões e exigência de pagamento de pedágio nas estradas”. Cariconde revela ainda que,
“aos colonos, coagidos a fazer os pagamentos das tais 'vendas', eram entregues recibos
debochados, manuscritos em papel de embrulho e de cigarro, assinados pelos próprios jagunços,
não com seu nome legítimo, mas com o apelido. Eram cenas humilhantes”. E, quanto ao
assassinato do vereador Pedro Luis Camargo, da mulher do colono João Saldanha e seus dois
filhos, destaca os requintes de crueldade com que açoitaram três crianças entre 8 e 11 anos, o que
acabou por levar os moradores a se rebelarem contra tais atitudes: “pela sua força os camponeses
barraram o terror do latifúndio e a ganância dos monopolistas. Apenas com suas próprias mãos”.
Por outro lado, referindo-se à Revolta de Três Barras, Myskiw (2002, p. 87) argumenta
que a violência partiu dos posseiros: “Este levante mobilizou cerca de 400 posseiros e colonos,
levando pânico aos moradores daquela vila”.
Segundo o julgamento feito pelas autoridades, no final da revolta, os posseiros foram
considerados culpados e foram punidos por práticas criminosas: bando armado, constrangimento
ilegal, sequestro e cárcere privado, homicídio qualificado e lesões corporais. Foram também
considerados invasores das terras das companhias, como as da empresa Bellé & Simioni, pois
elas possuíam os títulos de propriedade, concedidos pelo governo do Estado do Paraná.
Entretanto, ao ouvirmos os posseiros, seus argumentos deixam claro que a violência partiu
das companhias e que lutaram em defesa própria, de suas terras e de suas famílias, do mesmo
modo como agiram outros colonos do Sudoeste do Paraná.
Outro aspecto da Revolta a ser destacado, refere-se ao cunho político do movimento.
Em certo sentido, Gomes (2005, p. 76) comenta sobre o interesse político do Governo
Moysés Lupion e seus aliados em atribuir a culpa pelo conflito no Sudoeste aos seus opositores:
“Fica aqui evidente que, para os políticos da situação, PSD, toda inquietação reinante na região
era decorrente de uma luta político-partidária, na qual os adversários políticos (PTB e UDN),
junto com o Núcleo Agrícola General Osório, seriam responsáveis pela sublevação dos colonos”.
31
Myskiw (2002, p. 94), evidencia a interferência política de Benedito Antunes Pereira, que
assumiu o cargo de Prefeito de Catanduvas no lugar do Prefeito Augusto Gomes. Conforme
Benedito deixou em registro, após Augusto Gomes ter deixado a Prefeitura por ter sido impedido
pela Câmara de continuar o mandato, parou de convulsionar a região, “como o novo levante de
posseiros que eclodiu dois dias depois de sua ida à região de Três Barras”, e a calma, de certa
forma, voltou. Outro registro diz respeito ao adversário político, Dr. Walter Alberto Pécoits que,
na ocasião, era deputado Estadual pelo PTB:
No pretenso objetivo de defender os interesses dos posseiros da região da Gleba
Andrada e Costa do Iguaçu, sitas no Município de Catanduvas, ultimamente
instigava-os e orientava-os no sentido de se rebelarem, no maior número
possível, contra as medições que ali se processavam, e que promovessem toda a
sorte de delitos, prendendo e matando agrimensores, topógrafos e proprietários,
tidos como grileiros e fazendo crer aos posseiros que a prática desses crimes
seria a única solução para o problema da terra, de vez que, pela amplitude e
envergadura do movimento delituoso, provocaria a pronta intervenção do
Exército Nacional na região conflagrada e, consequente acomodação dos
interesses conflitantes (MYSKIW 2002, p. 95).
Com as análises feitas, procuramos esclarecimentos sobre a Revolta dos Posseiros no
Paraná, um conflito que estourou em 1957 entre posseiros e colonizadoras.
Embora não seja de interesse geral para nossos propósitos, após isso, nos anos de 1962 a
1973, O GETSOP - Grupo Executivo para as Terras do Sudoeste do Paraná, conseguiu concluir a
obra iniciada pela CANGO e interrompida pela atuação das companhias. Os posseiros, mesmo que
a duras penas, conseguiram manter a posse de suas terras, regularizando-as.
As áreas em litígio foram desapropriadas no governo Jânio Quadros, em 1961.
Entre 1962 a 1973, o governo federal realizou uma verdadeira reforma agrária
no sudoeste, concedendo cerca de 43 mil títulos de propriedade numa área de
545 mil hectares de Terras […] O conflito foi concluído com a vitória dos
posseiros, que tiveram suas posses regularizadas e tituladas a partir de 1962
(VORPAGEL, 2007, apud GOMES, 2005, p. 29).
Esclarecemos que o movimento ocorrido em Três Barras, não foi um movimento isolado.
Na realidade, pode ser entendido como um reflexo do movimento que aconteceu em outros
lugares do Paraná e contra os mesmos adversários: companhias colonizadoras que, dizendo-se
autorizadas pelo Governo Estadual, atuaram de forma abusiva na região.
32
Lembramos que o Governo Federal atuou em defesa dos posseiros, na medida em que, ao
tomar conhecimento do movimento conhecido por “A Revolta de Três Barras”, mandou para essa
região dois órgãos federais: o IBRA - Instituto Brasileiro de Reforma Agrária e o INDA Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário, com o objetivo de tranquilizar a população,
mediram e documentaram as terras, fornecendo os títulos definitivos de propriedade, também
abriram estradas e escolas, oportunizando o desenvolvimento dessa região.
1.5 A REVOLTA DE TRÊS BARRAS
Estudos realizados sobre a História do Brasil, desde o tempo das capitanias hereditárias,
demonstram uma forte tendência dos governantes em doar terras a seus aliados políticos.
Gomes (2005), confirma essa tendência:
Essas concessões têm início em 1889 quando D. Pedro II, através do Decreto nº
10.432, de 10 de novembro, concede ao Engenheiro João Teixeira Soares uma
área de terras devolutas e nacionais equivalente a 9 km para cada lado da linha,
na extensão total das estradas construídas, em troca da construção da estrada de
ferro Itararé - Uruguai e dois ramais (GOMES, 2005, p. 29).
No Paraná, essa tendência ficou evidenciada no governo de Moysés Lupion, o qual se
envolveu com as companhias colonizadoras que exploravam, colonizam e documentavam terras
do Sudoeste paranaense: “Vários fatos comprovam que Moysés Lupion, pessoalmente, tinha
ligações com a CITLA e suas concessionárias, A Companhia Comercial Agrícola e a Companhia
Apucarana” (Gomes, 2005, p. 51).
Parte das terras de Três Barras do Paraná foram denominadas de Colônia Timburi, a qual
pertencia à Empresa Colonizadora BELLÉ & SIMIONI. Conforme diziam os posseiros, a
documentação que concedia o direito de posse dessas terras à referida empresa foi concedida pelo
Governo Moysés Lupion. Passaram-se vários anos sem que os representantes dessa companhia
manifestassem preocupação em explorar e colonizar as terras que elas faziam parte dessa colônia.
No entanto, ao perceberem que essas terras já estavam ocupadas por centenas de famílias vindas
do Sul do Brasil, principalmente, da Região Sudoeste do Estado do Paraná, resolveram brigar
pelo direito de posse.
33
Figura 05: Sudoeste do Paraná: localização da área em litígio no
Sudoeste do Paraná que resultou na Revolta dos Posseiros em
1957. Fonte: Caderno Cultural da Prefeitura de Francisco Beltrão,
no Paraná. In.: Vorpagel, 2007, p. 03.
No início da década de sessenta, espalharam-se notícias que essas terras seriam do
governo federal. Na verdade eram por motivo de pertencer à faixa de fronteira. Mas havia uma
disputa judicial entre o Governo Federal e o Governo do Paraná, para decidir a quem de fato as
terras pertenciam. Um fato que colocou os paranaenses na disputa de terras com o Governo
Federal foi a Constituição Federal de 1891, pois estabelecia que as “terras devolutas e nacionais”
passariam ao domínio dos Estados. (GOMES, 2005, p. 30). Esse fato permitiu que o governo do
Paraná, assinasse contratos, concedendo direitos sobre glebas de terras às companhias
imobiliárias, mas que tiveram pouco valor diante dos ditames da Lei. Por isso, ocorreu um
conflito de interesses entre governo federal e estadual, culminando com algumas anulações de
contratos. Conforme Gomes (2005):
Com o Decreto – Lei n.º 2.436, de 22 de julho de 1940, o Governo da União
incorpora os bens e empresas da Brasil Railway Company, para indenizar-se das
somas que, por esta companhia, lhe era devido, por sonegações e recebimentos
indébitos, e para extinguir a exploração de seus administradores, que agiam fora
da lei em detrimento do Brasil (GOMES, 2005, p. 32).
Myskiw (2002, p. 92) comenta que “O levante de posseiros ocorreu dentro da área urbana
da vila denominada Três Barras, situada na colônia denominada “Timburi” (103.096 hectares),
34
titulada pelo Estado do Paraná, em 1959, à empresa BELLÉ & SIMIONI”. De acordo com o
autor, essa colônia era uma das que tinha os títulos de propriedade de terras sob disputa judicial
entre o Paraná e a União, pois ficava na faixa de fronteira internacional.
Aos posseiros de Três Barras pouco interessava se as terras eram do Governo Federal ou
Estadual. Foram apenas entrando e se colocando, com suas famílias, na esperança de, mais tarde,
receberem a documentação legal que garantiria aos mesmos a posse definitiva das terras.
Vale ressaltar que o Governo Getúlio Vargas já havia incentivado a ocupação das terras
produtivas no Oeste e Sudoeste do Paraná, pelos colonos do Sul do Brasil. Inclusive tinha sido
criada a CANGO - Colônia Agrícola Nacional General Osório, em 1943, no Sudoeste do Paraná,
para medir e documentar as terras aos colonos.
Todavia, em Três Barras do Paraná, quando a Companhia BELLÉ & SIMIONI percebeu
que as terras estavam sendo povoadas, considerou os agricultores como invasores e tratou de
apressar a medição, a venda e a documentação das terras ocupadas.
Conforme esclareceram alguns dos posseiros entrevistados, essa companhia chegou com
vários funcionários e mais um grupo de pessoas, para intimidá-los e pressioná-los a aceitar as
medições, exigindo dos colonos o pagamento do valor estipulado pela companhia. Os que não
concordavam, sofriam maus tratos e ameaça de morte. Por esse motivo, muitas famílias
abandonaram as terras. Outras foram embora por não concordarem com a luta armada e/ou
porque temiam represálias por parte dos representantes das companhias. Entre os agricultores
estavam também alguns foragidos da justiça de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, os quais,
ao perceberem a situação de conflito que havia se formado, trataram de ir embora antes que a
polícia os encontrasse.
Mas houve quem decidiu permanecer e lutar para não perder suas propriedades, sendo
que, várias delas haviam sido adquiridas dos primeiros moradores, que intencionavam não apenas
trabalhar e sustentar suas famílias, mas criar raízes nessas terras e construir um futuro de maior
prosperidade. Esses “heróis anônimos” doaram seu sangue para preservar esse chão paranaense
aos seus descendentes.
Alguns dos posseiros entrevistados contaram que os colonos vindos do Sul negociavam a
compra dos terrenos dos primeiros moradores, por eles intitulados de caboclos, pagando-os com
dinheiro, armas, ferramentas e até alimentos. Conforme depoimentos obtidos, os contratos de
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compra e venda do direito de posse eram elaborados de forma manuscrita. As partes interessadas
ditavam as cláusulas contratuais, assinavam e o pagamento era acertado à vista, no ato da
assinatura do contrato, que significava a compra das terras.
Essa era a forma de contrato que existia na época, pois ainda não havia cartório em Três
Barras. Se o contrato manuscrito não valia como documento oficial, ao menos serviria para
comprovar o direito de posse. E assim consideravam-se legítimos proprietários, com o poder de
posse e o dever de lutar para defender sua propriedade.
Com a pressão das companhias para que os posseiros comprassem deles as terras,
aconteceu também que alguns madeireiros se aproveitaram da situação, por considerarem esses
contratos como frios e sem valor legal, invadiam as terras para fazer a retirada da madeira. Pela
falta de uma medição oficial, não havia um limite exato entre as propriedades, fato que gerou a
invasão de terras pelos madeireiros. Os interessados em lucrar com a extração e comercialização
da madeira se justificavam, dizendo que não sabiam exatamente onde passava a divisa das terras.
Enquanto as companhias pressionavam os posseiros, chegou até eles à notícia de que os
documentos liberados por essas empresas eram frios, sem validade, porque os legítimos títulos de
propriedade somente poderiam ser liberados pelo Governo Federal, a quem realmente essas terras
pertenciam. Conforme depoimento do posseiro Afonso Steiner, registrado na dissertação de
Myskiw (2002, p. 102), “que os títulos eram frios e que a documentação só era válida quando era
do governo federal, tendo o mesmo sabido disso pelo rádio”.
Naquela época, segundo Pegoraro (2007), o rádio desempenhava função relevante, pois
assumia o papel de liderança no fornecimento das informações sobre o conflito.
Único veículo de comunicação da região nessa época, em meio a uma população
em sua grande maioria analfabeta, o rádio desempenhava a função de
informador, mediador e conselheiro. Seus radialistas eram tidos em grande
consideração pelos ouvintes. Foi dessa forma que Ivo Thomazoni, radialista da
Colméia em Pato Branco, foi gradativamente assumindo o papel de uma das
lideranças do levante. A emissora não apenas fornecia informações sobre as
dificuldades enfrentadas por colonos e posseiros para o público ouvinte, mas
também alimentava a imprensa de Curitiba, pois somente no mês de outubro de
1957 alguns veículos de comunicação enviaram repórteres para cobrir in loco o
conflito. Enquanto a imprensa da capital do Estado, distante do cotidiano de luta,
abordava principalmente o aspecto político do movimento agrário, a imprensa
regional tomava parte direta no confronto, embora sem abandonar os seus
próprios interesses partidários (PEGORARO, 2007, p. 01).
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Após essa análise, podemos concluir que, entre as várias causas da referida revolta, é
possível evidenciar pelo menos três delas: I - A luta contra as companhias pela posse da terra,
para não pagar novamente as terras adquiridas; II - A revolta contra os madeireiros que invadiam
as terras e se apossavam da madeira existente; III - A notícia que corria entre os posseiros que os
documentos das companhias não tinham validade.
Segundo relatos de Benedito Antunes Pereira, Prefeito de Catanduvas na época, os
posseiros teriam sido alertados por Augusto Gomes e o Dr. Walter Alberto Pécoits da não
validade dos títulos emitidos pela companhia. Eles os teriam incentivado a lutar, afirmando que,
“em caso de luta armada, o exército de Francisco Beltrão interviria e o governo daria a eles a
posse de suas terras” (MYSKIW, 2002, p. 94).
Após a revolta de Três Barras, sendo preso em Cascavel, o Dr. Walter teria negado as
acusações de incentivar o “Levante de Três Barras”, diante das autoridades. No entanto, os
demais citados como mentores do movimento, ao serem pressionados, teriam confirmado que
contavam com o apoio de Augusto Gomes, o ex-prefeito, e do Dr. Walter, ex-deputado estadual
pelo Partido Trabalhista Brasileiro - PTB.
As lutas em Três Barras aconteceram poucos anos após as lutas pela posse das terras no
Sudoeste do Paraná, sendo que, dentre os posseiros que lutaram pelo direito da terra, muitos
vieram de Francisco Beltrão e, sendo assim, sabiam exatamente como as coisas aconteceram
naquele local. Lá a Revolta dos Posseiros teve um final feliz, eles invadiram Francisco Beltrão e
dominaram a cidade: “No dia 10 de outubro de 1957, cerca de 6.000 colonos tomaram a sede do
município de Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná” (GOMES, 2005, p. 07).
Esse fato serviu de exemplo e incentivo à luta para os posseiros de Três Barras. As terras,
segundo os líderes do movimento, deveriam ser conquistadas com lutas. Além disso, tinham um
grande respeito pelo Dr. Walter, o que reforçava a certeza da vitória. E diziam: “aqui vai dar tudo
certo, assim como deu certo no Sudoeste do Paraná”.
Para Myskiw (2002, p. 94), o movimento tinha como modelo o levante de posseiros
ocorrido na Região Sudoeste do Paraná. Os líderes do movimento foram: “João Antônio Farias,
Rodolfo Farias, Sílvio Farias, Dorival Alves Martins, Luiz Alves Martins, Domingos Pizza e
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João Alves Martins, qualificados como sendo os mentores do levante de posseiros de Três
Barras”.
Todavia, causaram espanto e indignação por parte dos posseiros de Três Barras as
declarações feitas pelo então prefeito de Catanduvas, Benedito Antunes Pereira.
É fato público e notório que os posseiros de Três Barras, em sua quase totalidade,
não querem terra para cultivo e sim para comerciar com ela, vendendo pedaços de
suas posses a novos posseiros. Se medida a área e abertas as divisas, acaba-se
com o comércio ilícito [...] Não existe cultura alguma onde existe posseiro [...]
fato que desmoraliza qualquer colonização e impede que autênticos colonos
comprem a terra legítima e cultivem-na (MYSKIW, 2002, p. 110).
Pelo que foi exposto, podemos dizer que o Prefeito de Catanduvas, na época, Benedito
Antunes Pereira estava contra os posseiros. Por outro lado, o ex-prefeito de Catanduvas Augusto
Gomes e o Dr. Walter Pécoits estavam do lado dos posseiros, incentivando-os a lutar para
defender as terras que possuíam.
Com base nas entrevistas realizadas com posseiros e pioneiros deste município, contamos
um lado da história da Revolta de Três Barras, sendo essa, segundo eles, a história real de quem
participou do movimento. Mas as pesquisas de apoio foram importantes para esclarecermos
pontos duvidosos e incompletos, uma vez que não tínhamos em mãos, documentos com o registro
de depoimentos dos posseiros presos, relatos da polícia, relato do delegado que instaurou o
processo e depoimentos das testemunhas da época, documentos já investigados que, conforme
esclarecemos, estariam guardados no Fórum de Toledo - Paraná.
Pesquisadores que se basearam nos registros das autoridades da época, como Myskiw,
Gomes, Lopes, pesquisadores da Unioeste ligados ao DNP - Núcleo de Documentação,
Informação e Pesquisa, e demais estudiosos no assunto, elaboraram trabalhos consistentes.
Descobriram também que, por falta de espaço para serem guardados, inúmeros autos criminais e
cíveis corriam o risco de serem incinerados. E serviram para que pudéssemos confrontar as
informações, de forma a acrescer dados a essa história que faz parte da trajetória do povo
tribarrense para sua devida construção histórica.
Sabemos que Yonissa Marmitt Wadi, com auxílio de alguns colegas do DNP, contribuiu
para evitar que acontecesse tal crime contra a história regional. Conforme as análises feitas por
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Myskiw (2002, p. 88): “São cerca de 6.500 Autos alocados no DNP, datados do período de 1954
a 1979. Aproximadamente 1.500 deles referentes à Vara Criminal, dos quais mais de 300 Autos
discorrem sobre a disputa pela posse de terras na região”.
Entre esses autos que corriam o risco de serem incinerados, estava o “Auto de Ação
Criminal n.º 147/64” que se referia à Revolta dos Posseiros de Três Barras do Paraná.
O agrimensor Adauto da Silva Rocha, em sua declaração de 10.08.1964, citada por
Myskiw (2002, p. 93), disse que “a partir do momento, quando forem extraídas informações do
Auto de Denúncia, Auto de Declaração, Auto de Qualificação e interrogatório, saber-se-á que
todos estes integram o Auto de Ação Criminal N.º 147/64”. Se Autos de Ação Criminal como
esse fossem destruídos, perderíamos uma das importantes fontes de pesquisa, as quais serviram
de auxílio para o esclarecimento de dúvidas e contradições nas pesquisas realizadas.
Uma observação notável parece ser a de Laurindo Rill, um dos pioneiros que participou
da Revolta de Três Barras. Segundo ele, muito do que foi comentado na época não era verdade.
Por exemplo, espalhar histórias de que alguns dos revoltosos teriam ficado loucos favorecia
àqueles que desejavam ficar com parte de suas terras. Afirma que passou por essa situação, mas
que mantém guardados os verdadeiros documentos das referidas terras e pode reavê-las.
Com base em depoimentos arquivados no Núcleo de Documentação, Informação e
Pesquisa, os colonizadores foram enquadrados pelas autoridades da época como sendo pessoas
perigosas, criminosas e cruéis, que se apossavam do terreno alheio. Eles foram tidos como
invasores que deveriam ser presos, julgados e condenados.
Contudo, podemos dizer que a versão da história registrada pelas vozes desses posseiros,
mesmo com muita pesquisa de campo ou bibliográfica, pouco pode ser encontrada. Então não há
muito o que se possa confirmar a esse respeito, pois essas vozes pouco foram ouvidas.
Em certo sentido, acreditamos que nossa vivência por mais de 40 anos nesse município
pode ter algum mérito, por conhecermos boa parte dos posseiros que participaram dessa revolta e
pelas inúmeras entrevistas realizadas a fim de revelarmos uma face a mais dessa história.
O cerne das confusões, fato que serviu para desencadear o início do movimento armado,
conforme nos conta o posseiro Ivo Pedroso, foi um desentendimento que aconteceu entre João
Antônio Farias e o madeireiro Clemente Luiz Boaretto (proprietário da primeira serraria instalada
em Três Barras). João Antônio Farias reclamou que Clemente teria retirado alguns pinheiros de
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sua propriedade. Clemente negou essa acusação, argumentando que não havia ainda uma
medição legal das terras e, assim sendo, não havia uma divisa definitiva. De acordo com o
referido posseiro, as terras de João Antônio localizavam-se onde hoje é a cidade de Três Barras
do Paraná e compreendiam o espaço que ia, desde as proximidades do atual Lago Municipal
Vitório Pasa, até onde hoje se encontra o Ginásio de Esportes Mário Lopes, seguindo na direção
do local onde está instalado o Laticínio Silvestre. Nessas terras havia muitos pinheiros, madeira
nobre de elevado valor comercial. Segundo Ivo Pedroso e também outros posseiros entrevistados,
alguns madeireiros já tinham retirado madeiras de propriedades dos posseiros, contando com o
apoio da polícia e da Companhia BELLÉ & SIMIONI que, segundo diziam os madeireiros, seria
a legítima proprietária dessas terras.
Esse fato está registrado na Dissertação de Myskiw (2002, p. 94), com o depoimento do
posseiro Juvenil Ferreira dos Santos, com esclarecimentos de que o posseiro João Antônio Farias
foi “o maior prejudicado em pinhais na região [...] Corria a notícia de que os posseiros teriam
direito em somente 5 alqueires de terra, a razão de Cr$ 30.000,00 por alqueire, mais a medição e
o pagamento da escritura que seria por conta do posseiro”.
Quanto ao desentendimento entre João Antônio Farias e Clemente Boaretto, conta Ivo
Pedroso que, ao considerar-se prejudicado, João Antônio foi reclamar com as autoridades de
Cascavel. Foi a cavalo até Catanduvas e lá embarcou numa Kombi, a única condução da época
que fazia a linha de Catanduvas a Cascavel. Chegando a Cascavel, procurou as autoridades e
registrou queixa contra Clemente.
Não se sabe ao certo como foi que o Sargento Moacir, comandante da polícia de
Catanduvas, ficou sabendo da queixa. O certo é que Sargento Moacir, considerou-se ofendido por
João Antônio, alegando que este teria passado por cima de sua autoridade indo resolver o impasse
diretamente em Cascavel. Então, no momento que João Antônio retornou a Catanduvas, o local
onde deixara seu cavalo, foi logo cercado pelo Sargento Moacir e alguns policiais. De acordo
com o referido posseiro, “João Antônio levou uma surra daquelas. Apanhou muito e voltou para
casa, todo machucado”. Entretanto, apesar do acontecido, ele não desistiu de seus objetivos.
Assim que se recuperou, foi até o município de Verê - PR, onde se encontrou com alguns dos
seus irmãos e contou a eles o que lhe ocorrera.
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De acordo Ivo Pedroso, a Família Farias era composta por homens valentes, daqueles que
não levam desaforo para casa. Eles pegaram suas armas e vieram para Três Barras dispostos a
fazer vingança. Intencionavam enfrentar o referido madeireiro e, se fosse necessário, até os
policiais. E assim aconteceu. Chegando em três Barras, instigaram outros posseiros a pegar suas
armas e lutar em defesa de suas propriedades.
João Antônio recebeu o apoio da Família Martins, principalmente de Dorival Alves
Martins e seus irmãos, que o ajudaram a liderar o movimento, convencendo os posseiros a
lutarem por seus direitos, ou seja, a posse das terras.
Os posseiros das famílias Martins e Farias, segundo os entrevistados, passaram a visitar
outros posseiros, dizendo: “É hora de lutar. Se não lutarmos, perderemos a terra”.
Conforme depoimento de Juvenil Ferreira dos Santos, citado por Myskiw (2002, p. 94),
“Deveriam os posseiros reunir-se e se alguma morte houvesse, o Exército de Francisco Beltrão
baixava em favor dos posseiros e paralisava os serviços de engenharia particular”. Dorival
mantinha contato com o Dr. Walter Pecoits e com os militares do exército de Francisco Beltrão.
Ele concordava com o que foi exposto por Juvenil Ferreira dos Santos, quanto à necessidade de
lutar e, de acordo com alguns posseiros entrevistados, dizia aos companheiros: “Só
conseguiremos a terra, com luta. Eu tenho notícias que os documentos oferecidos pelas
companhias são frios, não tem valor. E se houver batalha, o exército de Beltrão irá intervir em
nosso favor e nos defender. Assim seremos donos das terras e receberemos a documentação legal,
do governo federal”. Assim, muitos posseiros aderiram ao movimento, convencidos de que essa
era a melhor forma de garantir a posse das terras. Outros posseiros foram pressionados à adesão e
só acompanharam os revoltosos por medo de represálias dos próprios lideres do movimento.
Em julho de 1964, conforme Myskiw (2002, p. 93), o posseiro Juvenil Ferreira dos Santos
afirmara que já estava tudo acertado para darem início ao movimento: “a revolta dos posseiros já
estava sendo organizada desde o início do mês de julho de 1964, por iniciativa do posseiro João
Antônio de Farias”. O acordado entre as partes foi o seguinte: João Antônio lideraria o
movimento para invadir Três Barras e Dorival Martins comandaria o movimento em Santo
Isidoro, onde a Companhia BELLÉ & SIMIONI já estava medindo e demarcando as terras,
vendendo e assinando contratos com os posseiros e, através dos seus jagunços, ameaçando os que
não queriam assinar os contratos com a empresa. Vários dos posseiros não concordavam com
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isso, considerando que estavam sendo explorados indevidamente pelos altos valores cobrados
pela companhia. Além disso, tinham dúvidas quanto à validade da documentação oferecida.
Então resolveram aderir à causa dos demais líderes do movimento. Sabiam que não seria fácil
vencer essa luta, mas o grupo formado estava disposto a enfrentar o que fosse necessário para ter
a posse definitiva de suas terras. Em média, quatrocentos posseiros participaram do movimento
em Três Barras do Paraná. Invadiram Três Barras no dia 06.08.1964, levando o pânico aos
moradores dessa vila.
Segundo relatos de posseiros, confirmados por Myskiw (2002, p. 96 e 97), nessa data, os
colonos prenderam o inspetor policial João Matias, o agrimensor Adauto da Silva Rocha, o
topógrafo Carlos Pernichelli, o madeireiro Clemente Luiz Boarreto, juntamente com seus irmãos:
Roque, Egídio e Octacílio, mais alguns jagunços e também funcionários da companhia, entre os
quais Nacor Rodrigues de Morais, o topógrafo Vicente Gomídio, o picadeiro Orlando Bueno da
Rocha e o comerciante Adão Alves Ferreira.
De acordo com a entrevista realizada com o Professor Cleverson Luiz Rossa, sobrinho de
Clemente Luiz Boaretto, a prisão dos irmãos Boaretto não significa que eles estavam contra os
colonos. Esclareceu que a Família Boaretto teria sido proprietária de um estabelecimento
comercial, que era um bar, no local da antiga rodoviária, além de um hotel que pertencia a
Octacílio Boaretto. Por esse motivo, não queriam ficar contra os posseiros, muitos dos quais eram
seus clientes. Dessa forma, preferiam ficar neutros nesse movimento.
Na sequência, em 06.08.1964, foi morto o topógrafo Carlos Pernichelli. Os demais
permaneceram presos no hotel pertencente a Octacílio Boaretto. Alguns dos posseiros (Laureano
José de Souza, Rosalino Simão e João Arruda e outros) montaram a guarda e passaram a noite
vigiando para que os prisioneiros não fugissem.
Essa afirmação dos posseiros confere com os registros de Myskiw (2002, p. 98), em sua
dissertação, quando revela o que dissera em depoimento o Agrimensor Nacor Rodrigues de
Morais: “na manhã do dia 06.08.1964, Dorival Martins, com um Jeep cheio de posseiros, foi a
Santo Isidoro (...). Nacor deixou alguns picadeiros armando uma barraca e ia saindo para o lado
de Cascavel, quando foi cercado e preso pelo grupo de Dorival Martins (...)”. “Durante o trajeto
para Três Barras, Dorival ia reunindo posseiros, levando em caminhões, que já haviam arrumado
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algumas casas, e a todos explicava que o Exército tomaria conta das terras conflagradas e para
tanto já havia mandado um emissário”.
Na manhã do dia 07 de agosto, segundo relatos de participantes do movimento, em
conformidade com Myskiw (2002, p. 98), os posseiros Geneci Antunes Rodrigues, Darci Antunes
Rodrigues e Laurindo Rill, acompanhados por outros colonos, foram até a localidade de Santo
Isidoro, onde prenderam João Albino Martendal, Adílio dos Passos e Joaquim Rotille,
transportando-os para o local do levante, na carroceria de um caminhão.
Todavia, no percurso, à altura da “Serra do Facão”, os ditos “revoltosos” se
desentenderam com Joaquim Rotille e desferiram contra ele seis tiros de revólver calibre 38,
deixando-o à margem da estrada.
Com base no relato do Laurindo Rill, não ficou claro quem atirou no Rotille. Ele mesmo
não conseguiu identificar quem foi, pois estava na cabine e o caminhão estava cheio de gente.
Para o transporte dos posseiros e prisioneiros, contavam apenas com o uso de dois caminhões,
sendo um de propriedade do Sr. João Martendal e outro do Sr. Bonamigo, que era proprietário de
uma serraria na localidade de Itaguaçu. Mas por onde passavam, iam incentivando os demais
posseiros para a concentração em Três Barras, local onde seria decidido o destino do movimento.
Em Três Barras, com a chegada dos presos de Santo Isidoro, segundo relatos dos
posseiros entrevistados, foram contados vinte e um prisioneiros.
Diante do relato do Agrimensor Adauto da Silva Rocha, descrito como “a noite de terror
dos prisioneiros”, ouvia-se dos posseiros que estavam do lado de fora do presídio a combinação
de como iriam matá-los: “escutava os posseiros revoltosos combinarem a maneira como
deveriam matá-los, opinando uns pela matança em massa, enquanto que outros opinavam pela
execução em horas pré-determinadas” (MYSKIW, 2002, p. 98).
Então, no dia 08.08.1964, por volta das quatro horas da manhã, por ordem de João
Antônio Farias, retiraram da prisão o inspetor de quarteirão João Matias Ribeiro que, juntamente
com Clemente Luiz Boaretto, deveriam ser os primeiros a morrer.
Esse fato foi citado por vários posseiros entrevistados e confirmado pelos registros de
Myskiw (2002). O inspetor João Matias foi levado para um local, afastado da Vila de Três
Barras, e foi morto à queima roupa pelo posseiro João Arruda, o popular carcereiro:
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[…] por volta de 4 horas da madrugada do dia 8 de agosto, João Antônio Faria
determinou a Laureano José de Souza e João Arruda que retirassem da “prisão”
o inspetor de quarteirão, João Matias Ribeiro que, em companhia dos revoltosos
Rodolfo Faria e Guito Cordeiro, foi levado para trás da vila de Três Barras e
morto a tiros à queima roupa, por João arruda (MYSKIW, 2002, p. 98).
Por volta das seis horas da manhã, tiraram da prisão o madeireiro Clemente Luiz Boaretto
para também ser executado. Mas, de acordo com o depoimento do próprio Clemente, não fora
executado pelo fato de ser amigo de Guito Cordeiro, que intercedeu por ele várias vezes. Esse
fato também consta em registro de Myskiw (2002, p. 100): “De acordo com o depoimento de
Clemente Luiz Boaretto, o mesmo só não foi executado pelo fato de ser amigo de Guito Cordeiro,
que intercedeu por ele várias vezes”.
Conta o entrevistado Cleverson Luiz Rossa que seu tio Clemente possuía um jipe, na
época, o único veículo de pequeno porte que existia em Três Barras. Sendo assim, várias vezes
esse veículo era utilizado para socorrer pessoas doentes, levando-as até onde tivesse recurso. Por
esse motivo, alguns posseiros que teriam sido por ele favorecidos, não queriam que morresse.
Mesmo assim, a intenção dos líderes era de matá-lo. Clemente, então, pediu para se despedir da
esposa e dos filhos, e os líderes consentiram. Ele ficou nessa aflição até que, por volta de oito
horas, os posseiros foram informados da aproximação de carros da polícia de Cascavel.
Com a chegada dos policiais, sob comando do Coronel Lapa, acompanhado do Sargento
Artur, muito conhecido por sua valentia, os posseiros revoltosos correram para as trincheiras que
haviam construído, prontos para darem início à batalha.
Aproveitando-se da ocasião, alguns prisioneiros conseguiram fugir. Outros permaneceram
presos, até que a própria polícia os libertou.
Contam os posseiros Artidônio Martendal dos Passos, Alcides Nunes Prestes e alguns
outros que estiveram nessa revolta que, estando os posseiros nas trincheiras, não souberam como,
mas os policiais foram informados de suas posições.
A polícia, ao ter conhecimento das posições dos posseiros e da intenção de enfrentamento,
colocou em prática a seguinte estratégia: enquanto os veículos carregados de soldados desciam
uma serra na localidade de Linha Alta, um soldado veio gritando na frente da tropa, com uma
bandeira branca pendurada num galho de árvore, pedindo paz. O tal soldado vinha gritando bem
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alto, para conseguir ser ouvido, que “todos poderiam sair das trincheiras, pois eles vinham em
missão de paz”.
Os posseiros acreditaram nisso. Os que estavam nas trincheiras, jogaram suas armas no
chão e saíram de braços erguidos ao encontro dos soldados, confiantes de que iriam comemorar o
final da revolta. Porém, não foi isso que aconteceu.
Assim que saíram detrás das trincheiras, a polícia “abriu fogo” contra eles. Muitos já
estavam desarmados e só puderam se atirar no chão. Praticamente todos os que estavam nas
primeiras trincheiras, foram presos. Os que estavam mais atrás, em outras trincheiras, inclusive
uma parte deles que estava entrincheirada atrás de um trator, ao sentir que foram enganados,
começaram a atirar contra os policiais. No entanto, ao ver que seus companheiros estavam sendo
presos ou mortos e a polícia continuava avançando contra eles com forte tiroteio, puseram-se a
correr, fugindo para dentro da mata e em várias outras direções possíveis.
Algumas dezenas de posseiros entraram na mata de pinhais, nas terras de João Antônio,
passando pelo local onde hoje é o Ginásio de Esporte Mário Lopes, seguiram na direção da Linha
Trigolândia e Itaguaçu, escapando da perseguição dos policiais. Outra parte dos que conseguiram
fugir, em torno de vinte homens, conseguiu atravessar o Rio Iguaçu.
Os policiais perseguiram e prenderam parte dos fugitivos. Ao todo, foram presos, segundo
relatos dos entrevistados, quarenta e três posseiros.
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Figura 06: Os posseiros de Três Barras que foram presos
Fonte: Arquivo do Pioneiro Gabriel Bento Coreia
Alguns curiosos, que viram o fato de longe e preferem não ser identificados, pensaram
que estivessem todos mortos e por esse motivo saíram dizendo que quarenta e três posseiros
estavam mortos.
Atualmente, com as informações trazidas por Myskiw (2002, p. 96), destacamos que os
policiais não mataram nenhum posseiro, mas quarenta e três deles foram presos: “Muitos
posseiros e agricultores que marcavam posição nas trincheiras e em locais estratégicos nem
chegaram a reagir. Aqueles que permaneceram no local foram presos e levados para a delegacia
de Cascavel, 43 pessoas ao todo”.
Os participantes da Revolta entrevistados afirmam que, no dia do combate, 08 de agosto
de 1964, foram presas quarenta e três pessoas. Porém, em seguida, dez delas foram liberadas por
justificarem e convencerem os policiais de que estavam no local apenas porque foram obrigadas
pelos líderes do movimento.
O depoimento de Domingo Frederico Wilke, confirma essa informação:
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[…] participou do Levante de Três Barras porque foi obrigado a acompanhar os
revoltosos [...] Que João Antônio Farias e os outros diziam que quem não
acompanhasse os revoltosos eram “grileiros” e como tal seriam presos ou mortos
se resistissem à prisão. Assim como ele, muitos outros colonos foram
constrangidos a comparecerem e permanecerem naquela vila, inclusive em
trincheiras preparadas nas ruas e estradas que davam acesso à área urbana
(MYSKIW, 2002, p. 96).
Com base nos relatos dos posseiros entrevistados, os presos foram colocados sobre um
caminhão e levados a Cascavel. Na sequência, foi instaurado processo criminal e trinta e três
deles foram indiciados. Cabe lembrar que, sendo época de ditadura militar, “as intervenções
militares em levantes, revoltas e conflitos agrários, em território paranaense, costumavam ser
cercadas de muita violência e mortes” (MYSKIW, 2002, p. 103). Mas, “em Três Barras, a polícia
agiu no sentido de liberar as pessoas mantidas em cárcere privado e acabar com o levante dos
posseiros”. Realmente, nesse caso, a polícia resolveu libertar os que estavam presos, para impedir
que os posseiros os matassem. Após a revolta, o policiamento de Cascavel permaneceu em Três
Barras por vários dias. Os policiais percorriam as estradas do interior do município para prender
mais posseiros que pudessem ter participado da revolta.
De acordo com Artidônio Martendal dos Passos, agricultor que também participou da
Revolta de Três Barras, ele foi um dos que fugiu e conseguiu atravessar a nado o Rio Iguaçu para
escapar da perseguição dos policiais.
Ele esclarece, e também mais oito posseiros - Júlio Gotardo, Eugênio Gotardo, Procópio
Fagundes, Sr. Ordenante (cunhado de Procópio), Domingos Pizza, Dercilio Pinto, Francisco de
Lima e outro posseiro conhecido por Bernardo - que após atravessarem o Rio Iguaçu, se
hospedaram num pequeno hotel, num local conhecido por “Porto Vorá”. E que foram bem
recebidos pela dona do referido hotel, cujo esposo também havia participado da Revolta no
Sudoeste do Paraná e, mesmo que nessa data ele não estivesse presente, puderam se alimentar e
descansar. Porém, na madrugada do dia seguinte, o hotel de Porto Vorá foi cercado por cinco
policiais, que vieram prendê-los. Contudo, a dona do hotel não permitiu que os policiais
entrassem em seu estabelecimento sem que apresentassem uma ordem judicial. Na verdade, ela
queria evitar o confronto, pois os nove posseiros, além de estarem armados, não estavam
dispostos a se entregar. Mas, por sorte deles, antes que acontecesse o confronto, chegou ao local
uma patrulha do exército de Francisco Beltrão, com um sargento e quatro soldados. Entre estes
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soldados, havia um que se chamava João Pinto, que servia o exército em Beltrão e era primo de
Artidônio Martendal dos Passos.
A patrulha do exército trazia uma metralhadora instalada sobre um jipe e deu voz de
prisão aos policiais militares que cercavam o hotel. Os policiais, então, se renderam e entregaram
suas armas aos militares.
Desse local, esses posseiros partiram para o porto de Ouro Verde. Lá estavam várias
viaturas lotadas de policiais, comandados pelo Sargento Pernambuco, que guarneciam o local
para prender posseiros que pretendessem fugir pela balsa que ali existia.
Mas, ao avistarem os soldados do exército de Beltrão, os policiais não os enfrentaram,
deram meia volta em seus jipões, passaram por Três Barras e seguiram para Cascavel. Assim, os
posseiros puderam voltar para suas casas.
Os policiais do exército de Francisco Beltrão permaneceram por alguns dias em Três
Barras, instalados em frente à igreja, garantindo a ordem e a paz. Era o fim da revolta.
Mesmo assim, o sentimento de insegurança permaneceu por algum tempo depois da
Revolta. Muitos colonos estavam com medo de serem perseguidos e presos. E, quando se
tornavam vítimas de qualquer suspeita, preferiam abandonar novamente suas casas, embrenhando
fuga pela mata ou simplesmente se escondendo, para que não fossem presos ou para que não
tivessem suas vidas e de suas famílias postas em risco.
A título de demonstração, Artidônio Martendal dos Passos conta que, logo após a revolta,
ele seguia com alguns amigos por uma estrada do interior de Três Barras, quando ouviram o
ronco de um veículo, temendo que fossem os policiais, saltaram para fora da estrada e se
esconderam no mato. Mas um dos seus companheiros se atirou sobre uma moita de espinhos
conhecidos por “inhapindá” e, após o veículo passar, foi bem difícil tirá-lo do meio dos espinhos.
Aconteceu também que, após a revolta, alguns colonos que tinham fugido para o meio da
mata, continuaram escondidos durante dias e até semanas, com medo de aparecer. Eles ficaram
sem saber que a revolta havia terminado e que poderiam voltar em paz para suas casas. No
momento em que foram informados disso, comemoraram.
Quanto aos trinta e três posseiros que estavam presos, mesmo com o fim da revolta, não
foram libertados. Alguns ficaram presos por meses. Outros permaneceram na prisão por
aproximadamente quatro ou cinco anos depois do fim da Revolta. Pesavam contra eles as
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acusações de: bando armado, constrangimento ilegal, sequestro, cárcere privado, homicídio
qualificado e lesões corporais. Conforme Auto de Ação Criminal n.º 147/64:
Dessa revolta foram indiciados trinta e três posseiros: João Antônio Farias,
Rodolfo Farias (apelidado de olho de vidro), Sílvio Farias, Dorival Alves
Martins, Luiz Alves Martins, João Alves Martins, Domingos Pizza, João Arruda
(o carcereiro), Laureano José de Souza, Domingos Frederico Wilke, Antônio
Frederico Wilke, Guito Cordeiro, Geneci Antunes Rodrigues, Darci Antunes
Rodrigues, Laurindo Rill, Lúcio Batista do Nascimento, Rosalino Simão,
Vergílio Cassol, Ernesto Cassol, Gentil Ludovick, Serafim Ludovick, Aristides
Duarte da Silva, Emilio Azevedo, José Pereira dos Santos, Lealsino Manoel
Tomaz, Natalício Manoel Teodoro, Fidélis Xavier Simões, Alfonso Steiner,
Gregório Chervinski, Valdevino Guimarães, Antônio Teles Godinho, Pedro
Antônio de Oliveira e o Dr. Walter Alberto Pécoits (MYSKIW, 2002, p. 90).
João Manoel Teodoro, um dos pioneiros, relata que também foi preso devido à
participação nesse movimento, mas por pouco tempo, pois logo depois o libertaram. O pai dele,
porém, ficou alguns anos na prisão.
Alguns dos posseiros que foram presos na época da Revolta, foram por nós entrevistados.
Eles contaram que, ao serem levados de caminhão para a prisão, em Cascavel, foram maltratados
e alguns deles foram torturados durante o tempo de carceragem.
No que se seguiu o processo contra os posseiros presos, os depoimentos deles foram
colhidos, mas não foram transcritos conforme o que disserem e sim conforme a interpretação de
quem os redigiu:
Antes de dar vez e voz aos depoentes, é necessário salientar que, após abertura
de inquérito policial onde são indiciados os envolvidos, teve início a coleta dos
depoimentos dos prejudicados pelo conflito, as companhias de terra. Também
dos réus e testemunhas, não necessariamente nessa ordem. Após a leitura dos
depoimentos dos envolvidos, houve a transcrição da linguagem oral para a
linguagem escrita, ou seja, as informações mencionadas pelos depoentes, sejam
eles réus, testemunhas ou vítimas, foram filtrados pelo delegado chefe da 7.ª
Subdivisão Policial de Cascavel, Coronel João Rodrigues da Silva Lapa, que por
sua vez relatava ao escrivão, utilizando um vocabulário técnico, com palavras
diferentes daquelas proferidas pelos depoentes (MYSKIW, 2002, p. 91).
Concordamos com Myskiw, quando afirma que durante esse processo de coleta dos
depoimentos, muitas informações valiosas podem ter sido perdidas, na “passagem de linguagem
oral para a escrita, isto é, as entonações, dúvidas, silêncios, gestos, entre outras coisas”. E ainda o
49
delegado havia se transformado numa espécie de “agente de filtragem das informações”, com
poder de definir o que de fato entraria nos relatos escritos ou a forma como seriam transcritos.
Quanto aos comentários de colonos que conviverem com Laurindo Rill, afirmando que
ele teria ficado louco na prisão, Myskiw (2002, p. 107) conseguiu atestar a veracidade dessa
afirmação, por meio de análises documentais realizadas: “Os réus foram julgados em plenário, na
Comarca de Toledo. Em relação a este último, o julgamento em plenário não foi realizado
porque, de acordo com exames médicos, ficou louco dentro da prisão”.
Atualmente, o posseiro Laurindo Rill reside em Quedas do Iguaçu, município vizinho de
Três Barras do Paraná. Buscamos confirmar o que foi dito, entrevistando-o em março de 2012.
Iniciamos a conversa sobre o referido movimento e Laurindo Rill aparentou gozar de boa saúde,
física e mental, por demonstrar bom raciocínio e lembrar com detalhes os acontecimentos e o que
viveu durante a época da Revolta. Então, resolvemos perguntar a ele se teria de fato ficado louco.
E nos esclareceu que “isso era do interesse de algumas pessoas que pretendiam ficar com parte de
suas terras porque, quando saiu da prisão, essas terras já tinham outro dono”. Mas ele acredita
que, se levar para a justiça os documentos que tem em mãos, ainda poderá reaver essas terras.
Laurindo Rill nos contou também que, antes da Revolta, utilizou-se de um trator que pertencia a
um órgão do governo: o Departamento de Terras. Esse trator foi deixado por alguns meses em
sua propriedade, com a autorização do prefeito de Catanduvas da época, Sr. Augusto Gomes, e
essa máquina foi bastante utilizada para abrir estradas, beneficiando vários agricultores.
Diante de todas as considerações feitas, entendemos que o movimento dos posseiros em
Três Barras do Paraná, além de ter servido para garantir a posse da terra a quem nela residia e era
por direito proprietário, serviu também para chamar a atenção do Governo Federal que, na
sequência, enviou para esse município o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA) e o
Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA). Mais tarde, esses dois órgãos se
fundiram constituindo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), para
documentar as terras e dar a cada posseiro o título definitivo de sua propriedade: a documentação
legal que tanto desejavam.
Em data de 29 de abril de 1969, foi realizado o julgamento final dos presos por meio da
sentença do juiz Ronaldt Grollmann. Todos os acusados foram absolvidos, encerrando-se o
conflito pela posse das terras em Três Barras do Paraná.
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Sabemos que, além dos posseiros citados, muitas outras pessoas que também participaram
do movimento mereceriam ser lembradas, pois contribuíram com sua coragem e luta para que os
pioneiros deste município recebessem do Governo Federal o título definitivo de posse de suas
terras. No entanto, essas pessoas preferiram ficar no anonimato, direito que precisamos respeitar.
Mesmo assim, deixamos registrado o apoio e o incentivo recebidos para que a história dessa terra
pudesse ser publicada. Além das pesquisas que validaram a elucidação dos fatos aqui relatados,
temos em arquivo vários registros de entrevistas realizadas por professores e alunos.
Veremos a seguir as fotos dos pioneiros Virgílio Cassol e Serafim Ludvichak, em 2002,
momento em que foram entrevistados pelas professoras Elizabeth Paludo e Iolete Maria Pickler
da Silva, juntamente com um grupo de alunos do Colégio Estadual Princesa Izabel - Ensino
Fundamental, Médio e Normal de Três Barras do Paraná.
Figura 07: Alunos e professores em entrevista a Virgílio Cassol, em 2002.
Fonte: Arquivos do Colégio Estadual Princesa Izabel, de Três Barras do Paraná.
51
Figura 08: Alunos e professores em entrevista a Serafim Ludvichak, em 2002.
Fonte: Arquivos do Colégio Estadual Princesa Izabel, de Três Barras do Paraná.
1.6 A COLONIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DAS TERRAS
Conforme esclarecimentos feitos anteriormente, logo após a revolta, o Governo Federal
enviou para Três Barras do Paraná representantes de importantes órgãos. Primeiramente vieram o
INDA (Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário) e o IBRA (Instituto Brasileiro de
Reforma Agrária). O INDA tinha por objetivo auxiliar e defender os colonos, dando a eles
segurança e tranquilidade social para propiciar produção e desenvolvimento. Esses institutos
prestavam também auxílio médico, odontológico e principalmente educativo, com reuniões de
orientação e construção de várias escolas. O Sr. Euclides Aranha, conhecido por Doutor Aranha,
que residia em Francisco Beltrão, foi o responsável na região pelo INDA. Na sequência, as
atribuições do INDA foram repassadas ao IBRA, órgão responsável pela medição, legalização e
documentação das terras, a fim de fornecer aos posseiros o título definitivo de propriedade.
Os próprios autores deste livro comprovam o trabalho realizado pelos órgãos citados em
benefício da população local. O professor Davi trabalhou como professor pelo INDA e
posteriormente pelo IBRA. Diversas vezes, recebeu o pagamento, até mesmo na própria sala de
aulas, pelas mãos da Senhora Eneri Marquetti, que era, na época, a coordenadora regional do
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IBRA e atualmente presta serviços ao Estado do Paraná, no NRE - Núcleo Regional de Educação
de Cascavel. Essa respeitável senhora conhece muitas histórias que versam a respeito das
dificuldades enfrentadas na época para que fosse possível chegar às escolas e realizar o trabalho.
O escritório do IBRA foi instalado na localidade do Itaguaçu, onde trabalharam Dr. Jorge,
Vitório Pasa e João Erbílio Borges (popular Nego Borges). Essas pessoas de reconhecida
idoneidade moral contam com familiares que ainda residem no município.
O INDA e o IBRA foram unidos, constituindo o INCRA, que continuou as atividades de
medição, legalização e documentação das terras. Durante longo período de tempo, o escritório
regional do INCRA permaneceu instalado na Cidade de Cascavel - Paraná.
Após regularização das propriedades, Três Barras do Paraná se desenvolveu.
Podemos dizer que a ocupação efetiva desse lugar ocorreu após a década de 50, sendo o
maior atrativo o potencial de exploração madeireira, principalmente o Pinheiro-do-Paraná,
abundante na região. Com a mobilização de mão-de-obra e instalação de serrarias, as vias de
acesso e estradas foram sendo abertas, permitindo a ocupação antrópica e a definitiva conquista
de uma região ainda pouco conhecida e explorada.
Figura 09: Vista Parcial Perímetro Urbano de Três Barras do Paraná
Fonte: IAP – Instituto Ambiental do Paraná
53
2 ASPECTOS GEOGRÁFICOS
Nessa parte da obra procuramos investigar os Aspectos Geográficos e Culturais de Três
Barras do Paraná, trazendo a localização do município, a população, os símbolos, a educação, a
cultura, a religião, entre outros aspectos históricos e sociais, tidos por nós, como relevantes.
2.1 A GEOGRAFIA DO MUNICÍPIO
No que se refere ao objeto da Geografia, entendemos que o objetivo de estudo seja:
“O estudo da superfície terrestre, descrição da Terra, estudo da paisagem, estudo
da individualidade dos lugares, estudo da diferenciação das áreas, estudo do
espaço, estudo das relações entre o homem e o meio ou, entre a sociedade e a
natureza, a ação humana na transformação do meio, a relação que existe entre os
dados humanos e os naturais” (Paludo, 2007, apud Morais, 2005).
Assim, a Geografia é tida neste livro como herança da história natural e resultado da ação
humana, considerando o espaço como o local de sobrevivência dos seres humanos, os quais, a
cada momento, modificam sua realidade. Levamos em conta essa “ação subjetiva” em sua
dimensão espacial, com destaque às lutas de classe.
Pensamento apoiado em Lacoste (2005, p. 30), quando comenta a respeito da importância
do estudo geográfico: “É importante hoje, mais do que nunca, estar atento a esta função política e
militar da Geografia, que é sua desde o início”.
Ideia defendida por Andrade (1987, p. 66), ao destacar como atributo dessa ciência social,
“a responsabilidade de analisar a própria sociedade, as relações que influem no tipo de espaço
produzido e explicar a razão de ser da ação da sociedade sobre esse espaço”.
O município de Três Barras do Paraná é um dos 399 municípios paranaenses. O Estado do
Paraná, juntamente com Santa Catarina e Rio Grande do Sul, formam a Região Sul do Brasil.
54
Figura 10: Região Sul do Brasil
Fonte: parlim.blogspot.com
Segundo o IBGE, censo de 2010, o município brasileiro da Região Oeste do Paraná, Três
Barras do Paraná, possui área de 505,2 Km² e a distância da sede do município à capital é de
460,15km. Sua posição geográfica é marcada por uma altitude de 562 metros; latitude 25 º 25 ' 08
'' S e longitude 53 º 10 ' 51 '' W.
De acordo com dados do IBGE, a Evolução Populacional desse município brasileiro: em
1991, contou com 14.982 habitantes; em 1996, 12.956; em 2000, 11.822; em 2004, 11.822; em
2007, 11.718 habitantes.
Três Barras do Paraná conta com uma população de 11.824 pessoas. São eleitores desse
município: 4.109 homens e 4.064 mulheres. Na zona urbana residem 4.932 habitantes (41,71%)
e, na zona rural, 6.892 habitantes (58,29%).
O PERG (Parque estadual Rio Guarani) está localizado no município de Três Barras do
Paraná. Sua localização pode ser observada no mapa que segue.
55
Figura 11: Localização de Três Barras, no Estado do Paraná
Fonte: http://tiosam.org/enciclopedia/index.asp_tres-barras-do-parana
Quanto às Unidades de Conservação do Paraná, pode-se verificar a localização do PERG
(Parque Estadual Rio Guarani) em Três Barras do Paraná no próximo mapa:
Figura 12: Informações Gerais - Unidades de Conservação do Paraná
Fonte:www.uc.pr.gov.br/modules/ucps/aviso.php?codigo_cat=11
56
No mapa seguinte, é possível visualizar o PERG (Parque Estadual Rio Guarani) no
município de Três Barras do Paraná.
Figura 13: Unidades de Conservação do Paraná
Fonte:www.uc.pr.gov.br/modules/ucps/aviso.phpcodigo_cat=11
Podem ser visualizados, no próximo mapa, os municípios de abrangência do Núcleo
Regional de Educação de Cascavel, no Paraná. Três Barras do Paraná é um desses municípios.
57
Figura 14: Municípios de abrangência do Núcleo Regional de Educação de Cascavel
Fonte:http://www.nre.seed.pr.gov.br/cascavel/modules/conteudo. php?Conteudo=2
2.2 A VEGETAÇÃO
Figura 15: Educação Ambiental no Parque Estadual Rio Guarani
Fonte: institutoguara.org.br
58
Na época da colonização de Três Barras, havia uma grande variedade de madeiras de lei,
como: pinheiro, cedro, peroba, angico, canela, marfim, canafístula, louro, ipê, soita, guajuvira e
outras. Atualmente, a maior parte dessa madeira já foi retirada, deixando o espaço para pastagens
e atividades agrícolas, de produção agropecuária. Mesmo assim, a vegetação característica dessa
região continua sendo a floresta subtropical, com madeiras-de-lei que foram preservadas.
Figura 16: Extração de madeiras na década de 70
Fonte: Arquivos da Igreja Matriz de Três Barras do Paraná
Na década de 70, havia em Três Barras duas laminadoras que produziam para exportação
e quatorze serrarias em funcionamento. Hoje, apenas duas serrarias continuam serrando e
industrializando a madeira.
Em Três Barras ainda existe uma vasta área de preservação ambiental: o “Parque Estadual
Rio Guarani”, com trilhas abertas para visitação. Mesmo que essa área tenha sido invadida por
ação de madeireiros na época da colonização desse município, grande parte da vegetação original
ainda permanece.
59
Figura 17: Parque Estadual Rio Guarani
Fonte: www.uc.pr.gov.br/arquivos/...Rio_Guarani/7_cap_iii_infgerais.pdf
De acordo com o Plano de Manejo, concluído em 2002, do IAP (Instituto Ambiental do
Paraná), o Parque Estadual Rio Guarani, localizado no Sudeste do Paraná, no município de Três
Barras do Paraná, possui grande extensão de florestas ainda preservadas, porém devastadas pela
derrubada da madeira de corte. Abriga inúmeras espécies de animais, tais como: quati, macaco,
tatu, tucano, cutia, porco-espinho, porco-do-mato, gato-do-mato, cateto, anta, paca, onça,
jaguatirica, capivara... além de enorme quantidade de aves, insetos e répteis.
Criado pelo Decreto nº 2.322, em 19 de julho do ano 2000, pelo Governo do Paraná, o
Parque Estadual Rio Guarani tem área de 2.235,00 ha (hectares) e perímetro (m) de 28.210,00.
Limita-se ao Leste com o Rio Guarani; ao Norte, com Arroio do Meio; ao Sul e Oeste, com
propriedades particulares. Pelo Decreto de Criação, as Coordenadas Geográficas do Centro da
UC são as seguintes: Longitude W: 53º 8'; Latitude S: 25º 26'. Biomas e Ecossistemas: Floresta
Estacional Semidecidual e transição para Floresta Ombrófila Mista com Araucária angustifolia.
60
Atividades conflitantes: pressão de caça, principalmente paca e queixada; presença de
linha de transmissão de energia no local. Atividade desenvolvida: vigilância.
Existem no local algumas construções para abrigo dos funcionários e pesquisadores.
Porém, em decorrência do recebimento de verbas pouco significativas, não há ainda um centro de
atendimento para o público em geral, o que acaba por dificultar sua visitação.
2.3 INFORMAÇÕES CLIMÁTICAS
O clima tribarrense, igualmente aos demais municípios do Sul do Brasil, é subtropical e
temperado, geralmente oscila entre 25ºC a 30°C. Normalmente, nos verões a temperatura pode
passar de 30ºC e no inverno pode chegar a 0ºC, dependendo da região. Sofre, em parte, o efeito
da continentalidade, tendo verões quentes e invernos frios, porém, menos rigorosos que em outras
regiões do sul do país. De modo geral, as chuvas são regulares, porém, já aconteceram secas que
causaram falta de água e prejuízos consideráveis nas áreas agrícolas. Enchentes aconteceram
poucas vezes e, até essa data, não trouxeram grandes prejuízos ao município.
Três Barras do Paraná também sofre as consequências do aquecimento global, por meio
das mudanças climáticas que acabam provocando tempestades, acompanhadas de vendaval e
granizo, causando destruição de casas, aviários, chiqueirões e trazendo prejuízos aos moradores.
61
Figura 18: Propriedade Rural de Antoninho Foralosso devastada pela tempestade
em outubro de 2010. Fonte: www.portaltres.com/fotos/tresbarras
Figura 19: Granizo em Três Barras do Paraná na Serra do Facão, outubro de 2010.
Fonte:www.portaltres.com/fotos/tresbarras
62
2.4 A HIDROGRAFIA
Todos os rios do município, destacando-se os rios Adelaide, Guarani e Tormenta, são
afluentes ou subafluentes do Rio Iguaçu. O Rio Iguaçu é um afluente do Rio Paraná, que é o
maior rio paranaense.
No entanto, o Rio Três Barras, que deu origem ao nome da cidade, é afluente do Rio
Guarani, que é afluente do Rio Iguaçu e deságua no Rio Paraná.
Figura 20: Foto do Rio Guarani no limite entre Três Barras do Paraná e Quedas do Iguaçu
Fonte: panoramio.com
Em Três Barras do Paraná também há um lago que merece destaque. É o lago artificial
formado pela Barragem de Salto Caxias, que abastece a Usina Hidrelétrica Governador José
Richa. A construção dessa usina provocou vários problemas ambientais e, por causa do
alagamento, muitos moradores tiveram de abandonar suas propriedades.
Se por um lado a construção da usina gerou transtornos, por outro, veio acompanhada
pelo progresso, com asfalto e melhorias nas estradas da região, além de várias praias artificiais
como boas opções de lazer para turistas.
63
Figura 21: Foto da Praia Artificial de Barra Bonita: areia, água e vegetação
Fonte: www.portaltres.com/fotos/tresbarras
Figura 22: Praia Artificial de Barra Bonita: águas limpas para um bom banho
Fonte: www.portaltres.com/fotos/tresbarras
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Figura 23: Foto do Lago Artificial da Barragem de Salto Caxias: local para boas pescarias
Fonte: www.portaltres.com/fotos/tresbarras
O Rio Três Barras tem mérito nesse percurso porque, apesar de pequeno, não apenas deu
origem ao nome da cidade. Suas águas, ao passarem pelo Parque Estadual Guarani e seguirem
junto às águas do Rio Guarani, ajudaram a formar o lago da represa.
Observamos, porém, que mesmo com a quantidade de água acumulada pela Usina
Hidrelétrica de Salto Caxias, o povo tribarrense sofre pela falta de água potável, tanto para os
seres humanos quanto para abastecer aviários e chiqueirões, que são em grande número no
município. Essa falta de água já causou problemas no reservatório da Linha Trigolândia, na
Empresa Laticínios Silvestre Ltda. e na Indústria de Fécula de Mandioca. O reservatório da Linha
Trigolândia que ajuda no abastecimento de água, por várias vezes, também devido à poluição,
teve capacidade hídrica insuficiente para o abastecimento da cidade. Outros exemplo são a
Empresa Laticínios Silvestre Ltda. e a Indústria de Fécula de Mandioca, as quais, para terem água
suficiente, tiveram que investir na construção de poços artesianos.
Na contemporaneidade, a busca de novas fontes alternativas para a falta de água em Três
Barras do Paraná é um dos mais graves problemas a serem solucionados pelas autoridades locais,
que cobram providências da SANEPAR (Companhia de Saneamento do Paraná), órgão
65
responsável pelo armazenamento, tratamento e distribuição de água potável. Dentre as
alternativas buscadas até o momento, seria uma proposta viável a canalização da água do Lago de
Salto Caxias, mas pouco se conta com ações concretas nesse sentido.
Sabemos também que a falta de água hoje é problema mundial. Segundo a BBC Brasil
(2001), “o consumo mundial de água cresceu duas vezes mais rápido do que a população mundial
no último século - e os países mais pobres devem sofrer com isso, nos próximos anos”. E ainda:
“Outro fator que aumenta a preocupação com a falta de água nos próximos anos é o aquecimento
global - alguns cientistas preveem um aumento na ocorrência de secas e o surgimento de mais
desertos”. Parece-nos controverso que o planeta terra, formado por dois terços de água, não possa
abastecer sua população. Todavia, com apoio em pesquisa nos sites http:www.onu-brasil.org.br,
http:wwwuniagua.org.br e http://wwwsocioambiental.org, compreendemos que essa água se
encontra distribuída sob a forma de água salgada ou de gelo, o que impede seu consumo imediato
pela humanidade. Para piorar a situação, sua distribuição pela superfície terrestre é desigual.
Assim, há lugares naturalmente secos, que acabam exigindo a captação em locais distantes,
fazendo com que as autoridades competentes, além do tratamento, invistam em estruturas de
captação e distribuição. Então, na busca de garantir seu consumo,
utilizam-se práticas de
cobrança, já bastante difundidas. As pessoas mais lesadas por essas atitudes são as que pouco (ou
nada) possuem condições de pagar pelo uso desse recurso hídrico que deveria ser, por direito, de
todos. Como se não bastassem as dificuldades impostas pela natureza, contamos ainda com as
dificuldades impostas pelo homem. A questão é que contamos com grande desperdício desse bem
escasso e caro. Muitos compartilham ainda com a ideia de que a água nunca faltará. Felizmente,
aos poucos, boa parte da população mundial tem se conscientizado da importância de preservá-la.
Ato que exige de cada pessoa atitudes de menor abuso e maior cuidado com os recursos naturais,
como economia e reutilização pois, além das dificuldades geográficas e climatológicas, existem
as mortes causadas por falta de água potável a pessoas e animais. Consideramos, portanto, que a
“cultura do desperdício” deve ser combatida e isso é algo que está ao alcance de cada um de nós,
pelas mudanças de atitude, necessárias na atualidade para a vida em sociedade.
66
2.4.1 USINA HIDRELÉTRICA GOVERNADOR JOSÉ RICHA – SALTO CAXIAS
Figura 24: Usina Hidrelétrica Governador José Richa
Fonte: http://www.copel.com/hpcopel/hotsite_caxias/
Em Três Barras do Paraná, entre outras coisas, destacamos o lago artificial formado pela
Barragem de Salto Caxias, que abastece a Usina Hidrelétrica Governador José Richa, construída
entre os municípios de Capitão Leônidas Marques e Nova Prata do Iguaçu.
Sabemos que a Usina Hidrelétrica Governador José Richa foi uma das primeiras a seguir
toda a legislação ambiental. Também, graças à organização dos atingidos pelo impacto ambiental,
foi a primeira das usinas hidrelétricas a indenizar todas as famílias atingidas.
Compreendemos a importância desses fatos porque nem sempre os responsáveis pela
instalação de hidrelétricas tiveram tanta preocupação com a legislação ambiental ou com o
impacto humano. Em decorrência disso, além dos danos causados à flora e à fauna, por falta de
organização ou planejamento, muitas famílias indenizadas gastaram facilmente o dinheiro
recebido e, em pouco tempo, pouco ou nada possuíam. E os que não tinham suas terras
devidamente legalizadas ficavam sem indenização. Como resultado, famílias passavam a residir
em aglomerados urbanos, sobrevivendo como boias-frias, diaristas, serventes de pedreiro ou
carpinteiros, serviços gerais, entre outros. Quanto aos indígenas, ao terem suas terras alagadas,
eram obrigados a migrar para locais onde deveriam aprender a viver de outro modo. Ficavam sem
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seus terrenos, os quais significavam seu chão, seu habitat natural, ou seja, ficavam sem sua
dignidade preservada, sua história ou sentido de suas vidas.
Lembramos que os impactos causados por uma barragem refletem de uma forma ou outra
em toda a população dos municípios atingidos. No entanto, as famílias que precisam deixar suas
moradas e migrar para outros locais são diretamente afetadas. Basta pensar nas pessoas que
construíram suas moradas com sacrifício ou nas pessoas idosas, que poderiam não estar
predispostas a sair se suas benfeitorias construídas para toda vida não fossem desaparecer sob as
águas. Precisamos considerar o amor à terra e o apego à vizinhança, ou seja, levar em conta o
impacto sentimental.
Com relação à construção da Usina Hidrelétrica Governador José Richa, para que esses
impactos fossem amenizados, fazia parte das preocupações indenizações justas às 600 famílias
atingidas. Para tal, foi criado o projeto Pró-Caxias, em defesa dos interesses comuns dos nove
municípios a serem afetados: Boa Esperança do Iguaçu, Boa Vista da Aparecida, Capitão
Leônidas Marques, Cruzeiro do Iguaçu, Nova Prata do Iguaçu, Quedas do Iguaçu, Salto do
Lontra, São Jorge D' Oeste e Três Barras do Paraná.
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Figura 25: Três Barras e os Municípios do Pró-Caxias
Fonte: http://www.sudoesteonline.com.br/franciscobeltrao/notindividual.asp?id=83736
Na defesa dos interesses da população local, o município de Três Barras do Paraná,
contou com dois líderes: Hélio Kuerten Bruning e José Camilo. Eles se destacaram, podendo
contar com o apoio do prefeito de Três Barras do Paraná, Sr. Valdir Martinazzo, eleito para o
cargo de Presidente do PROCAXIAS em 2004 e, ao convocar novas eleições do Conselho,
novamente eleito. Assim, organizaram reuniões, dialogando com moradores, representantes da
Copel e do governo do Paraná. Além de terem negociado indenizações justas, preocuparam-se
com os reassentamentos e sua infraestrutura, para que cada família tivesse condições de
sobreviver dignamente em outro lugar.
De acordo com registro em http://www.procaxias.npi.pr.gov.br/#: “lideranças regionais
discutiram um projeto comum de desenvolvimento, pois perceberam que sozinhos nenhum deles
69
é tão forte e capaz como todos juntos, foi assim que no final do ano de 1997 nasceu o
PROCAXIAS, e hoje dá exemplos para o Paraná e para o Brasil”.
Conforme consta no Jornal RI Independência (2005): “O documento do Pró-Caxias foi
entregue aos secretários pelo prefeito de Salto do Lontra, Luiz Gottardi, e pelo presidente do
Conselho, Jair Morgan, prefeito de Nova Prata do Iguaçu. Os municípios ficam situados ao redor
do lago e fazem parte do Projeto Pró-Caxias”.
Essas divulgações dão respaldo para constatarmos que a boa organização do movimento
em prol dos atingidos com a construção da Usina Hidroelétrica de Salto Caxias no Rio Iguaçu
serviu de exemplo para a organização de outros possíveis movimentos sociais. O próprio
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra da região pode ter se espelhado na organização
do PROCAXIAS para ter conseguido se espalhar pelo país, servindo de modelo para que países
vizinhos também se organizassem, a exemplo do Brasil.
No que diz respeito aos líderes tribarrenses do Projeto Pró-Caxias, o Senhor José Camilo
fixou residência no norte do país onde também teve boa atuação, sendo inclusive convidado pelo
Governo do Piauí, para trabalhar na área social. O Senhor Hélio Kuerten Bruning, no entanto,
preferiu fixar residência no município de Três Barras do Paraná. Ele continuou envolvido com
projetos sociais e se destacou politicamente. Assumiu como vereador na quarta gestão municipal
(1997-2000) e foi vice-prefeito em duas gestões: quinta gestão municipal (2001-2004) e sexta
gestão municipal (2005-2008).
2.4.2 BREVE HISTÓRICO DA CONSTRUÇÃO DA USINA DE SALTO CAXIAS
Conforme consta no site http://www.copel.com/hpcopel/hotsite_caxias/, de acordo com
estudos realizados pela Copel na fase de planejamento, seriam construídas duas usinas: Salto
Caxias Baixo e Cruzeiro. Contudo, em 1978, foi realizada uma reavaliação pela empresa, que
concluiu ser mais viável o aproveitamento do trecho Salto Osório / Salto Caxias em apenas uma
usina / Salto Caxias Alto, englobando o projeto Cruzeiro e eliminando a Usina Julio de Mesquita
Filho, na foz do Rio Chopim. Isso explica o fato de a usina ser mais conhecida como “Salto
Caxias”, embora o nome oficial atribuído seja “Usina Hidrelétrica Governador José Richa”.
70
Em 1995, começaram as obras de construção, no trecho final do Rio Iguaçu, entre os
municípios de Capitão Leônidas Marques e Nova Prata do Iguaçu, distantes cerca de 400
quilômetros da capital Curitiba, no Estado do Paraná.
O nome “Governador José Richa” foi escolhido como forma de homenagear o exgovernador, que administrou o Paraná de 1983 a 1986. Segundo Requião (O Estado do Paraná,
2003), as grandes obras deixadas por José Richa mudaram a face do Paraná. Ele foi “um dos
maiores governadores do Paraná de todos os tempos”: revolucionou a agricultura paranaense e
recuperou a dignidade do funcionalismo público estadual. Portanto, José Richa (1934 - 2003)
merece dos paranaenses “eterna lembrança e perene gratidão”.
Figura 26: Usina Hidrelétrica Governador José Richa
Fonte: http://www.copel.com/hpcopel/hotsite_caxias/localizacao.html
Com relação aos impactos decorrentes do empreendimento, desde a fase inicial das obras,
a Copel demonstrou preocupação com isso e procurou estabelecer diálogo com a população das
áreas atingidas. A partir do mês de dezembro de 1997, essas pessoas passaram a fazer parte do
71
Pró-Caxias, um programa para analisar e acompanhar os investimentos que viriam em favor da
população e do meio ambiente.
Os representantes das comunidades locais, ao fazerem parte do Projeto Pró-Caxias,
ajudaram a identificar as potencialidades de cada município que teria suas áreas inundadas, a fim
de que a empresa pudesse apoiar o potencial da região com estudos técnicos e investimentos,
como a construção de barracões industriais e verbas destinadas aos Fundos de Desenvolvimentos
Municipais. Dessa forma, o Relatório de Impacto Ambiental da Usina Hidrelétrica Governador
José Richa foi analisado e, após ter sido aprovado, resultou na implantação de programas
voltados à compensação dos efeitos ambientais e à melhoria da qualidade de vida.
Na sequência, a Companhia Paranaense de Energia Elétrica, em parceria com o Sebrae,
investiu em obras de melhoria nos setores de saúde, educação, segurança, sistema viário, rural e
de turismo nos lugares que tiveram suas terras submersas pelo lago da Usina de Salto Caxias.
Além desses investimentos, foram implantados vários projetos e ações de desenvolvimento,
geração de emprego e renda, ou na área ambiental e turística, indicados pelo Relatório de Impacto
Ambiental da obra, totalizando um investimento de 25% do custo total da usina, de R$ 1 bilhão.
Conforme publicação no site oficial do PROCAXIAS, a população da região pôde contar
com “centenas de cursos, palestras, treinamentos e oportunidades de promover missões de
estudos e novas experiências em outras regiões do Brasil, e até fora do Brasil, em países como:
Itália, França, Espanha, Alemanha e Estados Unidos”.
Foram desenvolvidos neste território projetos, como os que seguem: Programa de
Agricultura Orgânica; Patrulha Mecanizada; Implantação de Frigorífico e Fábrica de Ração;
Programa Operação Lago Limpo; Programa SEPARE, Coleta de Material Reciclável;
Constituição da COOPERÇU – Cooperativa de Produtores de Peixes; Repovoamento de Peixes
no Lago de Salto Caxias; Calendário de Eventos; Festival de Teatro; Festival da Canção; Projeto
de Artesanato; Turismo Integrado; Jeep Raid Salto Caxias; Olimpíadas PROCAXIAS; Compra
Integrada de Medicamentos para Postos de Saúde; Projeto de Placas de Sinalização Turística.
No que se diz respeito às desapropriações, pela primeira vez na história do setor
energético brasileiro, uma usina hidrelétrica seguiu na íntegra a legislação ambiental e teve
perfeitamente resolvida a questão das desapropriações antes de formar seu reservatório.
72
De antemão, a empresa de energia adquiriu um total de 18.590 hectares, nos municípios
de Boa Esperança do Iguaçu, Campo Bonito, Cascavel, Catanduvas, Ibema, Nova Prata do
Iguaçu e Três Barras do Paraná. Houve preocupação em comprar áreas de terras próximas ao
ponto de origem das famílias. Nos reassentamentos, o solo foi preparado para o plantio, foram
instaladas redes de água e energia elétrica, foram feitas moradias, estradas e também estruturas
necessárias à comunidade reassentada e ao trabalho agrícola.
Mas cada família teve liberdade para decidir se preferia viver em reassentamentos
oferecidos pela companhia ou se faria a opção por receber cartas de crédito.
Teriam direito às indenizações: agricultores, pequenos proprietários de terras, meeiros,
arrendatários, parceiros e trabalhadores rurais, que antes ocupavam a área prestes a ficar alagada
(23.128 hectares). Somando-se às informações e apoio oferecido pela comissão do Pró-Caxias,
todos os que teriam suas terras inundadas (cerca de 2.800 pessoas), foram devidamente instalados
em terras que ajudaram a escolher. Das famílias indenizadas, algumas preferiram ir para os
reassentamentos e outras optaram por receber cartas de crédito.
Assim, em julho de 1997, as 1.108 propriedades total ou parcialmente atingidas haviam
sido indenizadas e o Programa de Desapropriações da Copel para a área de ocupação do Lago de
Salto Caxias pôde ser concluído. O governo paranaense investiu R$ 95 milhões nesse programa
de reassentamento que foi considerado um modelo de reforma agrária no país.
A partir de 06 de outubro de 1998, o lago com 131 km² de superfície, 67 metros de altura,
1,083 metros de comprimento começou a ser formado. Na noite de 20 de novembro, pela
primeira vez, atingiu sua capacidade máxima de acumulação (912,000 m³).
Conforme estimativas da Copel, Salto Caxias foi construída para, em plena carga,
produzir 5,4 bilhões de quilowatts-hora por ano. Foram instaladas 4 unidades geradoras, com
capacidade que corresponde a 40% da geração de energia elétrica no Paraná e mais de 30% do
consumo paranaense, podendo a oferta de energia elétrica ser ampliada para outras regiões do
Sul, Sudeste e Centro Oeste do Brasil.
A usina foi inaugurada em 26 de março de 1999, com uma capacidade de 1.240 MW de
potência, suficiente para abastecer uma cidade de 4 milhões de habitantes e assegurando ao
Estado o fornecimento de energia vital para novos planos de expansão industrial.
73
Atualmente, a barragem da Usina Hidrelétrica Governador José Richa, do tipo gravidade
em CCR (Concreto Compactado a Rolo) é considerada a maior da América do Sul e a 8ª
barragem de CCR em volume do mundo. O CCR leva em sua composição baixa quantidade de
cimento e é utilizado basicamente na edificação do corpo da barragem. As áreas onde há contato
e atrito com a água são revestidas com Concreto Convencional (CCV), também utilizado em toda
a construção da casa de força.
Conforme registro na Revista Cidades do Brasil (1999), a Usina Hidrelétrica Governador
José Richa, uma das maiores obras de infraestrutura do governo do Estado do Paraná, foi
inaugurada com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso. “A energia gerada por
Salto Caxias é suficiente para abastecer uma cidade com 4 milhões de habitantes, quase metade
da população do Paraná, de 9 milhões de habitantes”. Somente no início do seu funcionamento,
em torno de oitenta e duas empresas anunciaram a construção de unidades industriais no Paraná.
2.5 LIMITES E CONFRONTAÇÕES
Três Barras do Paraná é um dos municípios do Pró-Caxias. Ao Norte, limita-se com
Catanduvas; ao Sul, com Nova Prata do Iguaçu e Boa Esperança do Iguaçu; ao Leste, com
Quedas do Iguaçu; a Oeste, com Boa Vista da Aparecida; a Sudeste, com Cruzeiro do Iguaçu; a
Noroeste, com o Município de Cascavel.
O Rio Iguaçu, ao passar pelo nosso município, serve de limite entre as Regiões Oeste e
Sudoeste do Estado do Paraná. O Rio Adelaide, em parte do seu percurso, serve de limite entre
Três Barras e o município de Catanduvas. O Rio Guarani serve de limite com o município de
Quedas do Iguaçu. O Rio Tormenta serve de limite com os municípios de Cascavel e Boa Vista
da Aparecida.
2.6 O RELEVO
O relevo de Três Barras do Paraná é irregular, com partes acidentadas e partes planas. As
partes acidentadas formam colinas e pequenas montanhas, denominadas serras. As principais
serras do município são: Serra do Facão, Serra do Iguaçu, Serra do Guarani e Serra do Maroto.
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O nome Serra do Facão foi atribuído por alguns dos primeiros caçadores que passaram
pelo local e ali encontraram um facão. As serras do Iguaçu e do Guarani têm esse nome devido a
proximidade com os rios Iguaçu e Guarani. O nome Serra do Maroto teve origem com o Rio
Adelaide que, logo após entrar no município de Três Barras, passou a ser chamado de Rio Maroto
por causa das forças de suas correntezas em época de chuvas. Na atualidade, a maior parte do Rio
Maroto não existe mais, pois as águas da Barragem de Salto Caxias encobriram.
Grande parte do território do município é formado por colinas e pequenas montanhas, o
que favorece a formação de pequenas e médias propriedades. Nesse contexto,
as práticas
principais de subsistência são: a agricultura familiar, a agroindústria e o agronegócio. Nessas
localidades, a mão-de-obra local é praticada prioritariamente em centenas de galpões de fumo,
aviários, chiqueirões, açudes de peixe e gado leiteiro.
As maiores propriedades recebem a denominação de fazendas. As com maior destaque
são: Fazenda Gabana, Fazenda Extangue I e Fazenda Extangue II e Fazenda de Hercílio Orben.
As fazendas Extangue I e II, até poucos anos, eram conhecidas como Fazendas Camilotti e
Fazenda Trento. Todas elas são ricas em pastagens e nelas se pratica, principalmente, a pecuária
bovina para a produção do gado de corte.
A maioria das terras planas das pequenas e médias propriedades divide sua utilização
entre a agricultura familiar e a agricultura comercial.
Quanto ao relevo, destacamos que o município, com altitude média de 562 metros, está
entre as cidades da Região Oeste do Paraná situadas no 3° Planalto.
O Rio Iguaçu passa pela Região Sul de Três Barras do Paraná, estabelecendo os limites
entre esse lugar e a Região Sudoeste do Paraná.
O solo tribarrense é rico em ferro, pois tem em sua constituição o basalto.
A fim de esclarecimento, esse mineral é formado de maneira semelhante à formação do
magma dos vulcões. Em outras palavras, pela ação de fatores climáticos e biológicos, as matérias
minerais entram em decomposição e os resíduos, provenientes das zonas profundas da Terra
(onde as rochas são submetidas a pressões e a temperaturas elevadíssimas), se misturam. Então,
quando sofre a ação do sol, da chuva, dos ventos, começa a "dissolver" e o ferro “enferruja”,
dando ao solo a cor "roja" (vermelho em espanhol). A cor se deve à mistura da oxidação desses
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elementos que o compõem, que dão origem ao tom marrom avermelhado. Por isso, alguns dizem
“terra roxa” e outros “terra vermelha”.
Ocorre que, devido à sua composição, esse tipo de solo é considerado um dos solos mais
férteis do mundo. Constatação que pode explicar a ocupação, em outros países, de áreas próximas
aos vulcões, mesmo com o risco de erupções vulcânicas.
Dessa forma justificamos, portanto, a alta fertilidade e considerável capacidade agrícola
da “terra vermelha” de Três Barras do Paraná.
2.7 A ECONOMIA
O local onde se formou a cidade de Três Barras do Paraná teve, na época do povoamento,
um intenso movimento de madeireiros e pessoas do sul, atraídas pela madeira e pela terra fértil.
Na parte da agricultura, destaca-se a agricultura familiar, com produção de feijão, milho,
soja, algodão, batata-doce, mandioca, trigo e amendoim. O feijão, por ser o principal produto da
época na região, teve destaque nos primeiros anos da criação desse município e foi o responsável
por Três Barras do Paraná ter recebido o título de “Capital do Feijão”, fato que consta em registro
na bandeira do município.
Na agropecuária, continua a se desenvolver o agronegócio e a agroindústria, com a
produção de suínos, frangos, leite, fumo (tabaco) e outros produtos. Essas atividades são bastante
importantes para a economia desse município.
Grande parte do dinheiro que movimenta o comércio local vem dos produtores rurais e
dos trabalhadores assalariados do próprio município. O comércio conta com o apoio e a devida
orientação da Associação Comercial, o que faz com que seja bem organizado e consiga ofertar
variados tipos de mercadoria.
Também merecem destaque as indústrias instaladas no município pois, apesar de não
serem numerosas, oferecem emprego e renda para a população tribarrense.
A indústria de mais destaque em Três Barras do Paraná é a Laticínio Silvestre Ltda. que,
além de ser a principal indústria deste município, está entre as maiores do Estado e talvez até do
Brasil no ramo da industrialização de produtos derivados do leite.
76
O turismo também é uma atividade que, aos poucos, se desenvolve no município, com
potencial para se tornar uma importante fonte de emprego e renda à população. Mas, para que
isso aconteça, torna-se necessário um maior investimento na organização e incentivo às visitas de
turistas ao Parque Estadual Guarani e uma atenção maior às praias artificiais.
A Praia Artificial do Dionísio Ecker, mesmo contando com boa localização de forma a
facilitar o acesso dos turistas que visitam o município, ainda carece de investimentos na sua
infraestrutura. Felizmente, na Praia Artificial de Barra Bonita existe uma pequena estrutura para
receber os visitantes, pois já houve alguns investimentos, conforme pode ser percebido na foto.
Figura 27: Praia Artificial de Barra Bonita
Fonte:www.portaltres.com/fotos/tresbarras
2.8 A RELIGIOSIDADE
Até esse momento, nessa parte da obra, nosso estudo esteve mais voltado aos aspectos
geográficos. Agora passamos a enfatizar os aspectos culturais, no que diz respeito à questão da
religiosidade no município de Três Barras do Paraná.
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Coutinho (2011), esclarece que “a cultura é o único bem intelectual que pode ser
considerado individual e coletivo ao mesmo tempo […] cada grupo social manifesta seus
costumes, anseios e pensamentos de uma maneira”.
Entendemos assim que os dois elementos principais da cultura do povo tribarrense sejam
sua religião e sua língua. Essa justificativa se deve ao fato de que, assim como outros povos
brasileiros, os cidadãos desse município, por meio de suas crenças e modos de comunicá-las,
revelam sua forma de pensar e agir, levando à posteridade suas filosofias individuais que
permeiam suas tradições culturais na longevidade, por séculos ou milênios.
A exemplo dos colonizadores portugueses que trouxeram a cultura e a língua portuguesa,
a qual foi sendo enriquecida com vocábulos de origem indígena, africana e de outros povos
imigrantes, em Três Barras do Paraná, os primeiros habitantes mantiveram a cultura e as
tradições herdadas dos seus antepassados.
Ainda hoje a religião é tida no município como o elemento cultural que determina a
conduta e estabelece as normas de convivência, buscando preservar o amor a Deus e ao próximo,
a organização da sociedade cristã, bem como a preservação da moral e dos bons costumes.
Então, assim como em outros lugares do país, a principal religião é a Católica Apostólica
Romana, seguida por várias religiões evangélicas, as quais também pregam o amor ao próximo, a
defesa da moral e dos bons costumes, que são ensinamentos cristãos.
Além desses ensinamentos, a religiosidade é tema assumido pelas diversas crenças de
origem cristã que têm, entre outros objetivos, o combate aos vícios. Incluem-se aqui, além dos
modos de convivência, a fraqueza humana diante do fumo, do álcool e também do uso de
diversas drogas que acabam por destruir a saúde. Como a preocupação com a saúde também é
tema constante, lembramos de um provérbio latino que diz: “mens sana in corporis sano”, ou
seja, só se pode ter uma mente sã na medida em que se tem um corpo saudável.
Em Três Barras do Paraná, a comunidade Cristã Católica é a que pode ser mais
evidenciada. A religião católica esteve presente nesse município desde as origens: veio com a
formação do povoamento e acompanhou toda evolução histórica local, presentificando-se nas
mais variadas atitudes da população.
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Entre os primeiros padres que vieram para a localidade, destacamos o padre Martinho
Penosa e o Frei Mariano Maria Scaíni, que residiam no Seminário de Ibema ou na Paróquia São
Sebastião, em Catanduvas, pois Três Barras ainda era somente um distrito.
Os padres Martinho e Mariano vinham uma ou duas vezes por mês a Três Barras, para
rezar missas e administrar sacramentos, acontecendo também de virem em algumas capelas do
interior somente uma vez a cada dois meses.
Entre os principais motivos das escassas visitas dos padres, destacamos a falta de párocos
e o estado precário das estradas que, em dias de chuva, ficavam praticamente intransitáveis pelos
vários atoleiros que se formavam em diversos lugares numa época em que não havia asfaltos,
nem calçamentos, nem sequer cascalhos nas estradas.
Tempos depois, com a autorização de Dom Armando Círio (bispo de Cascavel), foi
iniciada a construção da Igreja Matriz Nossa senhora Aparecida, em Três Barras do Paraná. Esse
bispo foi mais tarde nomeado Arcebispo de Cascavel.
Na construção dessa importante obra para a população tribarrense, destacou-se o Padre
Domingos Pasa. Ele veio para Três Barras em junho de 1974 e permaneceu até janeiro de 1982,
quando Três Barras foi elevada à categoria de município. Além dos seus ensinamentos religiosos,
ele se empenhou na construção da Igreja Matriz. Envolveu-se em trabalhos que exigiram grande
esforço físico, ajudando a derrubar árvores doadas pelos colonos e coordenando os trabalhos de
puxar grandes troncos de madeira com juntas de bois até carregá-los em caminhões.
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Figura 28: Padre Domingos Pasa
Fonte: Arquivos da Igreja Matriz de Três Barras do Paraná
O Padre Domingos Pasa também acompanhava o transporte das toras até a serraria onde a
madeira era industrializada, fazendo com que aproveitassem toda matéria-prima necessária para
estruturar a referida igreja.
Como símbolo de fé, deu início à grande obra da igreja matriz que, ainda hoje, é tida
como cartão-postal da cidade.
Parte dos seus empreendimentos podem ser visualizados pelas fotos que seguem.
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Figura 29: Início da Igreja Matriz de Três Barras do Paraná
Fonte: Arquivos da Igreja Matriz de Três Barras do Paraná
Figura 30: Extração da madeira para a construção da Igreja Matriz
Fonte: Arquivos da Igreja Matriz de Três Barras do Paraná
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Figura 31: Transporte da madeira para a construção da Igreja Matriz
Fonte: Arquivos da Igreja Matriz de Três Barras do Paraná
Figura 32: Construção da Igreja Matriz de Três Barras do Paraná
Fonte: Arquivos da Igreja Matriz de Três Barras do Paraná
Figura 33: Construção da
Fonte: Arquivos da Igreja
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Lembramos que, durante a construção da igreja, o Padre Domingos sofreu dois acidentes:
uma vez quando tombou um trator que ele próprio dirigia ao fazer a terraplanagem do solo; outra
vez quando caiu de um andaime. Ainda na atualidade ele sofre as consequências desses acidentes.
Mesmo naquela época já se evidenciavam as consequências do aquecimento global, com
capacidade de mudar a temperatura e provocar tempestades acompanhadas de vendavais com
granizo, causando destruição e trazendo prejuízos.
Aconteceu que, quando a igreja estava quase pronta, um forte temporal a derrubou. Em
decorrência disso, toda a cobertura e a estrutura de ferro precisaram ser reconstruídas.
Figura 34: Igreja Matriz de Três Barras do Paraná, atingida por um vendaval.
Fonte: Arquivos da Igreja Matriz de Três Barras do Paraná
Novamente o Padre Domingos se empenhou e incentivou os moradores a não desistirem
perante as adversidades. Mas foi transferido antes de ter sua obra concluída ou mesmo de
inaugurá-la. Esse fato o entristeceu e também a toda comunidade. Mesmo assim, enquanto
continuou no município, manteve-se firme na fé e na devoção à Nossa Senhora Aparecida, que
lhe deu forças para continuar a pregação do evangelho e administração dos sacramentos em
outras paróquias distantes, que só teriam a ganhar com sua presença.
Quem concluiu a obra da Igreja Matriz foi seu sucessor Padre Giovani Battista Cerrutti,
conhecido por Padre João.
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Figura 35: Igreja Matriz de Três Barras do Paraná concluída.
Fonte: Arquivos da Igreja Matriz de Três Barras do Paraná
No ato de inauguração, o Padre João foi homenageado pelo prefeito da época, Hélio João
Laurindo e, após aprovação da Câmara de Vereadores, seu nome foi colocado na praça central da
cidade, localizada em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida.
Anos mais tarde, o Padre Domingos Pasa precisou regressar ao município. Mas, dessa
vez, para ser homenageado pelo povo. Ele foi convidado para receber pelas mãos das autoridades
locais o título de Cidadão Honorário do Município de Três Barras do Paraná.
No dia de sua visita a Três Barras ficou bastante emocionado, não apenas pela
homenagem, mas também por ver sua obra concluída e por rever velhos amigos que havia
deixado e há tanto tempo não via.
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Figura 36: Entrega do título de Cidadão Honorário do Município
de Três Barras do Paraná ao Padre Domingos Pasa.
Fonte: Arquivos da Igreja Matriz de Três Barras do Paraná
Fizeram parte dessa história, além do Padre Domingos e do Padre João, outros padres que
de alguma forma se destacaram, merecendo serem homenageados: Padre Leo, Padre Duílio,
Padre Miguel, Padre Celso, Padre Devanil, Padre Sérgio, Padre Fernando, Pastores Evangélicos,
entre outros que colaboraram para manter a fé, o respeito aos bons costumes e às tradições dessa
população.
Esses padres foram exemplos de pessoas, pois contribuíram com seus ensinamentos para
que a cidade fosse mais tranquila para viver e a população pudesse ser constituída por gente
hospitaleira, honesta, trabalhadora e feliz. Algo que podemos perceber hoje como traço cultural
de grande maioria das pessoas que residem no município.
A Igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida recentemente passou por uma reforma que
modificou um pouco seu visual, deixando-a mais moderna e confortável.
85
Figura 37: Igreja Matriz de Três Barras do Paraná Reformada
Fonte: panoramio.com
Abordamos a religiosidade em seu aspecto cultural, sendo que muitos outros eventos
merecem ser destacados: as festas de igrejas em todas as comunidades, competições esportivas,
os Festivais Regionais e Nacionais da Música Popular e Sertaneja (FERMUPS) e (FENMUPS),
as promoções organizadas pelo Centro de Tradições Gaúchas (CTG), as cavalgadas e os torneios
de laço, as comemorações do dia do município, as festas juninas, as comemorações da semana da
Pátria, as festas de virada de ano, as semanas culturais e os jogos escolares, as pescarias e outras
atividades de lazer nas praias artificiais do município, e outros acontecimentos culturais.
Também merece reconhecimento o esporte desse município, pois já revelou vários
destaques que, ao conquistarem vitórias em campeonatos de futebol de campo disputados pelos
municípios do Pró-caxias e por quatro vezes vencerem os campeonatos da Copa Cantu,
trouxeram alegria ao povo.
No futebol de salão, o atleta de Três Barras que mais se destacou até o momento, foi
Vanderson Ronsani. Ele foi campeão paranaense de futsal, jogando pela equipe do Cascavel, e
também jogou na Itália por alguns anos, sempre com bom desempenho.
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Entre as competições infantis e juvenis destacam-se os tantos prêmios conquistados por
alunos e demais munícipes que participam de vários eventos regionais representando Três Barras
do Paraná sendo, na maioria das vezes, treinados por professores e simpatizantes do esporte.
Além dos destaques esportivos já mencionados, as visitas às Praias Artificiais e ao Parque
Estadual Guarani (cujos responsáveis estão capacitados para receber os turistas e visitantes), são
boas opções de lazer.
Dessa forma, numa mescla de aspectos culturais, Três Barras do Paraná se mantém em
destaque na Região Oeste do Paraná.
2.9 A EDUCAÇÃO
Quando comentamos a respeito da importância da educação na vida das pessoas, dentre os
inúmeros ensinamentos que poderíamos atribuir relevância maior, nosso pensamento se volta a
uma das célebres frases de Pitágoras: “Educai as crianças e não será preciso punir os homens”. E
como já disse Johann Goethe: “Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a”.
Sabemos que vários estudiosos já tentaram demonstrar a importância de uma pessoa
adquirir cultura, seja pelos conhecimentos do mundo ou pelos meios escolares, mas nem todos
conseguiram obter bons resultados práticos ao tentarem aplicar todas as teorias que procuraram
defender.
Por outro lado, seus estudos serviram para deixar à humanidade uma riqueza de
informações que, se bem aproveitadas, podem reverter em seu benefício. E aí está o objetivo maior
do ato educativo como um todo, mas que só poderá surtir efeitos na prática se for pensado como
um ato de amor ao próximo. Acreditamos que não se torna possível educar as próximas gerações
sem que se sirva de exemplo ou que se adotem atitudes melhores nos relacionamentos entre as
pessoas.
Entendemos que o ato de educar as próximas gerações pode vir em benefício de todos.
Contudo, para que isso seja possível, depende de maiores investimentos por parte das entidades
mantenedoras no que diz respeito a maior compromisso com a formação humana e também da
valorização da sociedade, da dedicação total dos educadores e das famílias, principalmente do
empenho daqueles que de fato se dispõem a aprender.
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É desse modo que pensamos a educação e que sempre nos fizemos presentes firmando
propósitos de que “todos podem vir a ser melhores, se bem educados”.
O histórico que marca a educação de Três Barras do Paraná teve início com a inauguração
de uma escola, em 1965, nominada como Grupo Escolar Castro Alves.
Mais tarde, em uma reunião realizada em suas dependências pelas autoridades locais, pais
e professores, por unanimidade, optaram por chamá-la de Grupo Escolar Carlos Gomes.
O Grupo Escolar Carlos Gomes foi construído onde hoje está situado o Colégio Estadual
Princesa Izabel e, posteriormente, passou a funcionar no mesmo local em que existia uma escola
de 1ª a 4ª séries, no centro de Três Barras, nominada como Pedro Viriato Parigot de Souza.
Pelo Decreto do dia 28 de maio de 1971, divulgado em Diário Oficial na mesma data, o
Grupo Escolar Carlos Gomes foi oficializado.
Durante o período de 1968 e 1969, doze escolas foram criadas pelo INDA (Instituto
Nacional de Desenvolvimento Agrário), todas no Distrito de Três Barras. Essas escolas, em
outubro de 1969, passaram a pertencer ao IBRA (Instituto Brasileiro de Reforma Agrária) e, em
seguida, ao INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Nessa época, os
professores recebiam seus vencimentos, muitas vezes, na própria sala de aula.
Todavia, algum tempo depois, o governo assinou um convênio em que os professores do
INCRA passaram a receber seus vencimentos pelo Município de Catanduvas.
Na década de 1970, Três Barras contou também com uma extensão do Ginásio Estadual
Dom Manoel da Silveira D’Elboux, de Catanduvas, de 5ª a 8ª séries. Posteriormente foi criada
uma escola de 2º Grau, com habilitação de Técnico em Contabilidade.
Em 08 de março de 1983, o Curso de 2º Grau – Habilitação Magistério, autorizado pela
Resolução nº 706/83 e reconhecido pela Resolução nº 4669/86 de 31 de outubro de 1986 passou a
integrar a história da educação em Três Barras.
No ano de 1991, teve início o Curso de 2º Grau – Educação Geral – Preparação Universal,
no período noturno. O Curso foi autorizado pela Resolução nº 470/91, de 06 de dezembro de
1991, e reconhecido pela Resolução n° 3125/97, de 10 de setembro de 1997.
No ano de 1992 o Curso de 2º Grau, com Habilitação de Técnico em Contabilidade
deixou de ser Curso Profissionalizante e passou à Formação de Técnico em Contabilidade,
oferecendo apenas a formação de Auxiliar de Contabilidade.
88
Um período bastante difícil para os professores foi entre 1971 e 1980, quando Três Barras
deixou de pertencer ao Município de Catanduvas.
Ocorre que, nessa época, pela falta de um responsável pela realização dos pagamentos na
Subprefeitura de Três Barras, na maioria das vezes, os professores precisavam se deslocar até o
município vizinho (Catanduvas), para receberem seus salários.
Contudo, mesmo comparecendo na Prefeitura de Catanduvas, eles permaneciam sem
receber seus vencimentos. Procuravam falar com o prefeito, mas não o encontravam. Um dos
funcionários, o tesoureiro da época, conhecido por Sr. Alceu, somente informava que não havia
dinheiro disponível em caixa. Desse modo, mesmo insatisfeitos com o descaso das autoridades,
os professores se obrigavam a voltar para casa sem sequer terem sido ouvidos e, muito menos,
recebido pelo trabalho prestado. Esses “heróis anônimos” continuavam seu trabalho sem, no
entanto, receber nada por isso. Por duas vezes, aconteceu de passarem até seis meses sem que
recebessem seus pagamentos.
Os autores deste livro, por terem sido professores nesse período e terem vivenciado esses
fatos, são testemunhas do que costumava acontecer. O descaso com eles e com os demais
professores fez com que esses profissionais dedicados trabalhassem pelo amor à profissão e pelo
compromisso assumido com a comunidade. Todavia, por diversas vezes, para que conseguissem
se deslocar até Catanduvas (município vizinho) a fim de receber seus salários ou para participar
de cursos de formação, tinham que emprestar dinheiro para poderem pagar a passagem do ônibus.
Foi somente a partir da municipalização de Três Barras do Paraná que a situação da
categoria melhorou. A partir desse momento histórico, o salário passou a ser pago sempre de
maneira pontual a todos os servidores municipais.
Depois, com a nuclearização do ensino, as escolas municipais do interior foram fechadas
e o atendimento aos alunos permaneceu somente nas escolas localizadas na sede do município e
em alguns distritos. Então, para viabilizar o acesso dos alunos, houve a necessidade de transporte
escolar. E os ônibus para esse transporte passaram a ser chamados pelos alunos de “lotações”.
Mas os distritos permaneceram com aulas de 1º a 9º ano do Ensino Fundamental.
Lembramos que a partir de 2008, foi feita a implantação do Ensino Fundamental de Nove
Anos, justificado pela alteração na LDBEN nº 9394/96, em seus artigos 6º, 32 e 87, da Lei
Federal nº 11.274, de 06/02/06, Resolução nº 03 de 03/08/05 da CNEB e Deliberação nº 3/06–
89
CEE, com a obrigatoriedade do Ensino Fundamental desde os seis anos de idade, com duração de
nove anos. Como essa implantação foi gradativa, no Colégio Estadual Princesa Izabel e nos
demais estabelecimentos de ensino de Três Barras do Paraná que ofertavam o Ensino
Fundamental de 5ª a 8ª série, a partir de 2011 passaram a ofertar o Ensino Fundamental do 6º ao
9º ano. Em 2011 também teve início o Ensino Médio no Colégio Estadual Pedro Luiz Messias,
situado no Distrito de Santo Isidoro.
Nos dias de hoje, grande parte dos alunos do interior do município utiliza transporte
escolar para deslocar-se até a sede do município, onde ficam o Colégio Estadual Princesa Izabel e
a Escola Municipal Carlos Gomes.
O Colégio Estadual Princesa Izabel – Ensino Fundamental, Médio e Normal é o
estabelecimento de ensino em Três Barras do Paraná que mais atende alunos. Conta com média
de 1.600 a 1.800 estudantes entre o Ensino Fundamental de 6º ao 9º ano, o Ensino Médio e o
Curso de Formação de Docentes da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino
Fundamental, em Nível Médio, na Modalidade Normal (o antigo Magistério).
O Governador que iniciou a obra do Colégio Estadual Princesa Izabel foi Ney Amintas de
Barros Braga, utilizando recursos da FUNDEPAR (Fundação Educacional do Paraná). A obra foi
concluída em 1982 e inaugurada em 1983, pelo Prefeito de Catanduvas, o Sr. Antério Francisco
da Motta, pai do atual Presidente da Câmara de Vereadores de Três Barras do Paraná, o Sr.
Antenor Carlos da Motta. Na ocasião da inauguração, o Governador do Paraná em Exercício era
o Sr. José Hosken de Novaes.
Consideramos importante salientar que, durante o Governo Jaime Lerner, o Colégio
Estadual Princesa Izabel, juntamente com as demais escolas do Paraná, foram pressionadas para
cessar com o Curso Magistério. No entanto, a diretora do estabelecimento, na época, a Senhora
Terezinha Baú, contando com o apoio dos professores e da APMF (Associação de Pais, Mestres e
Funcionários da Escola), com suporte político dado pela administração municipal, resistiu à
pressão. Como resultado, o Colégio Estadual Princesa Izabel permaneceu com o curso.
Para justificar o termo “pressão” do governo, explicamos que, na época, por meio da
SEED (Secretaria Estadual da Educação) eram oferecidas várias vantagens aos colégios que
aceitassem a extinção do ensino do Magistério, em nível de segundo grau. Essas “vantagens”
eram prometidas em forma de verbas, bens móveis, além de outros benefícios.
90
De todas as Escolas Estaduais do Paraná, somente catorze resistiram à pressão e
continuaram sem que tivessem o Curso Magistério extinto. Lembramos que o Colégio Estadual
Princesa Izabel está entre estas escolas. Esse fato se mostra relevante, pois os municípios que
cessaram o curso na época e tentaram voltar atrás, não mais conseguiram reverter essa situação.
2.9.1 TRAJETÓRIA HISTÓRICA DO COLÉGIO ESTADUAL PRINCESA IZABEL
Figura 38: Espaços do Colégio Estadual Princesa Izabel
Fonte: Arquivos do Colégio Estadual Princesa Izabel, em Três Barras do Paraná
O Colégio Estadual Princesa Izabel – Ensino Fundamental, Médio e Normal, encontra-se
circunscrito na Avenida Paraná, n° 859, zona urbana do município de Três Barras do Paraná, a
aproximadamente 95 km do Núcleo Regional de Educação de Cascavel e tem como mantenedor
o Governo Estadual do Paraná.
A escolha do nome “Princesa Izabel” se deve ao fato de que o Município de Três Barras
do Paraná, pertencente ao Município de Catanduvas, foi emancipado no dia 13 de maio, data em
que a Princesa Isabel havia assinado a libertação dos escravos. Um dos objetivos mais almejados
pelos tribarrenses era a sua “libertação”: Três Barras, sendo elevada à categoria de município,
passaria a ter maior autonomia nas decisões políticas, as quais poderiam reverter em benefício da
população. Assim, o nome serviu como forma de representar os anseios de todos os que, daquele
momento em diante, poderiam iniciar uma nova etapa em suas vidas.
91
Conforme consta em registro no Projeto Político Pedagógico do Colégio Estadual
Princesa Izabel – Ensino Fundamental, Médio e Normal de Três Barras do Paraná, suas
atividades foram iniciadas no ano de 1983, com o Curso de 2º Grau – Habilitação Magistério,
autorizado pela Resolução nº 706/83, de 08 de março de 1983, e reconhecido pela Resolução nº
4669/86, de 31 de outubro de 1986.
O Curso de 2º Grau – Educação Geral – Preparação Universal foi criado em 1991, pela
Resolução nº 470/91, de 06 de dezembro de 1991, e reconhecido pela Resolução nº 3125/97, de
10 de setembro de 1997. Esse curso funcionava apenas no período noturno.
Posteriormente, o Curso de Educação Geral foi adequado de acordo com a Lei 9394/96,
transformando-se em Ensino Médio. O último ato de reconhecimento do Ensino Médio é datado
de 02 de outubro de 2007, por meio da Resolução nº 3545/2007.
A Habilitação Magistério cessou gradativamente suas atividades a partir do início do ano
letivo de 2001.
No início do ano letivo de 2001, o Colégio Estadual Princesa Izabel passou a ofertar o
Curso de Formação de Docentes da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino
Fundamental, em Nível Médio, na Modalidade Normal, com implantação gradativa, autorizado
pela Resolução nº 3056/01, de 12.12.2001.
Em decorrência da implantação desse curso, o estabelecimento de ensino passou à
denominação de Colégio Estadual Princesa Izabel – Ensino Fundamental, Médio e Normal.
A partir do ano letivo de 2004 o Colégio passou a ofertar o Curso de Formação de
Docentes Para a Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental em Nível Médio
Integrado, na modalidade Normal, com implantação gradativa, reconhecido pela Resolução nº
2001/07 de 14.06.2007.
A partir de 17 de abril do ano de 2006, o colégio passou a oferecer a Educação Especial,
com funcionamento de Sala de Recursos para o Ensino Fundamental de 5ª a 8ª série e para a área
da Deficiência Mental e Distúrbios de Aprendizagem, conforme Resolução nº 470/91, de
06.02.1991. O reconhecimento veio com a Resolução nº 357207, de 10 de outubro de 2007.
No ano de 2006 esse estabelecimento de ensino se tornou a Escola Base da Casa Familiar
Rural, conforme Resolução 2638/07, que regulamentou seu regime de alternância. Passou a ser
função do Colégio Estadual Princesa Izabel, incluir os alunos no SERE (Sistema Estadual de
92
Registro Escolar), prever turmas, guardar documentos, expedir transferências, certificação e
documentação referente à vida escolar do aluno.
O último Ato de Reconhecimento do Ensino Médio é datado de 02 de outubro de 2007,
pela Resolução nº 3545/2007.
Em 2010 houve a descentralização do Curso de Formação de Docentes Para a Educação
Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental em Nível Médio Integrado, na modalidade
Normal, para o município de Boa Vista da Aparecida. O Colégio Estadual Princesa Izabel passou
a ser a escola sede de uma turma de 1º ano que funciona no Colégio Estadual Paulo VI.
O Colégio Estadual Princesa Izabel – Ensino Fundamental, Médio e Normal segue
normatização estabelecida pelas Políticas Públicas Legais da SEED – Secretaria de Educação do
Estado do Paraná e do Regimento Escolar do Estabelecimento, aprovado pelo Ato Administrativo
nº 682, de 17 de dezembro de 2007.
2.9.2 TRAJETÓRIA DA ESCOLA MUNICIPAL CARLOS GOMES
De acordo com registros do Projeto Político Pedagógico da Escola Municipal Carlos
Gomes, seguem as informações postuladas no texto que segue contando sua trajetória histórica.
A Escola Municipal Carlos Gomes – Educação Infantil e Ensino Fundamental, situada à
Avenida Paraná, no Centro do Município de Três Barras do Paraná – Comarca de Catanduvas,
mantida pelo Governo do Estado do Paraná, iniciou suas atividades em 1965, com a construção
de uma escola, inaugurada com o nome de Grupo Escolar Castro Alves.
Mais tarde, em uma reunião realizada em suas dependências pelas autoridades locais, pais
e professores, por unanimidade de opção, passaram a chamá-lo de Grupo Escolar Carlos Gomes.
O “Grupo Escolar Carlos Gomes” foi oficializado em Decreto do dia 28 de maio de 1971,
divulgado em Diário Oficial na mesma data.
Em 1980, com a implantação da Lei 5.692/71, o Grupo Escolar Carlos Gomes precisou
ser reorganizado e, assim, continuou a funcionar nos termos da legislação vigente. A referida
escola passou a ministrar o ensino completo de 1º Grau, não mais apenas o de 1ª a 4ª séries de 1º
Grau, e passou a ser conhecida como Escola Estadual Carlos Gomes – Ensino de 1º Grau.
93
Em 1981, com a nova reorganização, passou a funcionar com turmas de 1ª a 5ª série,
ampliando gradativamente sua oferta de ensino até a 8ª série. A autorização de funcionamento
atribuída por meio da Resolução n.º 1.287/82, de 12 de maio de 1982. O reconhecimento do
estabelecimento e do curso se deu pela Resolução n.º 3.359/86, de 04 de agosto de 1986.
Em 1990, por meio da Resolução n.º 985/90, foi criado o Centro de Atendimento
Especializado para a Área de Deficiência Visual.
Em 11 de agosto de 1993, pela Resolução n.º 4.377/93, foi criado o Centro de
Atendimento Especializado para a Área de Deficiência Auditiva.
Em 12 de dezembro de 1994, por meio da Resolução n.º 6.051/94, foi criado o Centro de
Atendimento na Área de Deficiência Mental.
A partir do ano letivo de 2001, depois de uma reunião realizada no mês de outubro de
2000 com a chefe do NRE (Núcleo Regional de Educação), Marise Jussara Franz Luvison, os
funcionários dessa escola, junto com os funcionários do Colégio Princesa Izabel, decidiram-se
pela passagem das turmas de pré-escola à 4ª série na Escola Carlos Gomes e as turmas de 5ª a 8ª
série e Ensino Médio no Colégio Princesa Izabel.
Diante disso, a partir de 2001, a escola Carlos Gomes passou a atender alunos da
Educação Infantil (pré-escola), do Ensino Fundamental (1ª a 4ª série), da Educação Especial
(DM, DA e DV) e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Mas a Educação de Jovens e Adultos,
com extinção gradativa: sem novas matrículas, somente até que encerrasse suas atividades.
A Resolução nº 2001/01, de 11.09.2001, procedeu à mudança da Entidade Mantenedora,
que passou do Governo do Estado do Paraná para a Prefeitura Municipal de Três Barras do
Paraná. Em decorrência disso, passou a ser chamada de “Escola Municipal Carlos Gomes –
Ensino Fundamental”.
A Resolução nº 2560/03, de 11 de setembro de 2003, autorizou o funcionamento da
Educação Infantil para as crianças de 6 (seis) anos, desde o início de 2004. Razão pela qual, a
partir de 2004, a Escola passou a ser denominada como: “Escola Municipal Carlos Gomes –
Educação Infantil e Ensino Fundamental”.
De acordo com a Resolução nº 5935/06, de 12 de dezembro de 2006, o Ensino
Fundamental Fase I, presencial, na modalidade EJA - Educação de Jovens e Adultos voltou a
funcionar.
94
Em 2008, foi feita a implantação do Ensino Fundamental de Nove Anos, justificado pela
alteração na LDBEN nº. 9394/96, em seus artigos 6º, 32 e 87, da Lei Federal nº. 11.274, de
06/02/06, Resolução nº. 03 de 03/08/05 da CNEB e Deliberação nº. 3/06–CEE, com a
obrigatoriedade do Ensino Fundamental desde os seis anos de idade, com duração de nove anos.
Figura 39: Escola Municipal Carlos Gomes
Fonte: Arquivos do Colégio Estadual Princesa Izabel, em Três Barras do Paraná
De acordo com dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Educação, além da Escola
Municipal Carlos Gomes, existe o Centro Municipal de Educação Infantil Sonho de Criança, que
atende 167 crianças de 0 (zero) a 6 (seis) anos das Séries Iniciais do Ensino Fundamental.
Existem também três escolas no interior do município que ofertam atendimento a alunos
dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e à Educação Infantil, na modalidade pré-escolar.
A título de exemplificação, essas escolas são: Escola Rural Municipal Abelardo Luz, que
atende 76 alunos na comunidade de Barra Bonita; Escola Rural Municipal João Mello de Morais,
com 50 alunos na comunidade de Alto Alegre; Escola Rural Municipal Salgado Filho, que oferta
o ensino a 100 alunos na comunidade de Santo Izidoro.
Como forma de reconhecimento pelos substanciais serviços prestados à educação do
município de Três Barras do Paraná, foi aprovado recentemente o Projeto de Lei de autoria do
vereador João Batista de Souza, que concedeu o “Título de Cidadão Honorário do Município de
95
Três Barras do Paraná” aos ex-diretores: Elizabeth Paludo, Flávia Conradi, Inês Fontaniva Nunes,
Iodete Terezinha Bresola Lunardi, Nairo Marcos Ribeiro, Terezinha Baú, Zenilda de Araújo Vaz.
96
3 A HISTÓRIA POLÍTICA DO MUNICÍPIO
Nessa parte final do estudo, investigamos a Trajetória Política, com enfoque voltado aos
fatos que marcaram a História Política do Município de Três Barras do Paraná.
3.1 EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
Após a revolta de Três Barras, com medo de nova revolta ou da perseguição policial,
muitos moradores se mudaram para outros municípios ou até para outras regiões do país. Para
isso, venderam os direitos de posse de suas propriedades a preço bem acessível.
Os que permaneceram, investiram na regularização da documentação legal e no trabalho,
não somente pelo objetivo subsistência, mas também a fim de gerar maior produção e,
consequentemente, desenvolvimento para o lugar.
O INCRA fez um levantamento para saber quem residia nas propriedades rurais e
providenciou a entrega do título definitivo de propriedade a cada morador. Providenciou também
a Planta da Cidade.
Três Barras chegou a ter aproximadamente trinta mil habitantes, porém, com a escassez
da madeira, muitas serrarias foram fechadas e os maquinários foram levados para outros lugares
do Brasil, como Mato Grosso e Pará. Quando Três Barras passou a ser Distrito, por meio da Lei
Estadual n.º 5.424/66, de 15.12.1966, contava com média de 25.000 habitantes.
Até 1980, período em que os cidadãos tribarrenses ainda pertenciam ao Município de
Catanduvas, alguns deles conseguiram fazer parte do Poder Político daquele lugar, mesmo
residindo em Três Barras. José Marcolino Cardoso, por exemplo, chegou a ser eleito Prefeito de
Catanduvas. João Martendal, Silvestre Hinselmann e Vitório Pasa foram vice-prefeitos.
Os tribarrenses foram beneficiados com a criação do Distrito de Três Barras e também
com a instalação de uma Subprefeitura, no local onde hoje se encontra a Praça Padre Giovani
Battista Cerrutti.
Na Subprefeitura de Três Barras, trabalharam lideranças políticas da época como: Hélio
João Laurindo, Vitório Pasa, Vilson Ronsani, Neuri Baú, entre outros.
97
José Davi Paludo, autor deste livro, exerceu no Distrito de Três Barras o cargo de
Secretário de Educação, na época, nominado como cargo de Inspetor Escolar.
Graças ao empenho e garra do povo tribarrense, Três Barras passou a se desenvolver mais
que o Município Sede. Fato que gerou rivalidade política entre Três Barras e Catanduvas.
Contudo, dessa rivalidade surgiu a ideia da emancipação política, que culminou na criação de um
novo município paranaense.
Os vereadores do Legislativo Municipal de Catanduvas - Gestão de 1977 a 1983 - que
aprovaram o Plebiscito para Emancipação do Município de Três Barras, foram: Antério F. da
Motta, Antonio M. de Souza, Antonio Bórak, Arlindo M. da Silva, José Alves dos Santos, Lauro
C. Scabene, Luiz A. da Cunha, Marcos A. A. Meurer, Teodoro R. de Oliveira, Valdomiro M.
Julianotti. O Prefeito Nelson Valmini e o Vice-Prefeito Vitório Pasa que, na ocasião, ocupava o
cargo
de
Prefeito,
conforme
pode
ser
visualizado
no
quadro.
98
Figura 40: Vereadores do Legislativo Municipal
de Catanduvas/PR - Gestão de 1977 a 1983.
Fonte: Câmara Municipal de Catanduvas
Os vereadores que fizeram frente para que o plebiscito fosse aprovado foram três
representantes do Distrito de Três Barras: Antério Francisco da Motta, Marcos Alexandre Meurer
e Valdomiro Julhanotti.
O Vereador Antério Francisco da Motta foi o que mais se destacou nessa gestão, pois foi
Vereador, Presidente da Câmara de Catanduvas e também assumiu o cargo de Prefeito por
ocasião
da
licença
do
Vice-Prefeito
Vitório
Pasa.
99
Figura 41: Antério Francisco da Motta,
Prefeito de Catanduvas em Exercício.
Fonte: Câmara Municipal de Catanduvas.
Muitos políticos da época entraram na campanha para conscientizar a população sobre a
importância da criação do Município de Três Barras, o que seria decidido por meio de plebiscito
(consulta à população). Dentre eles, um dos que mais se destacou nesta luta foi o ex-prefeito de
Catanduvas: Sr. José Marcolino Cardoso, que foi o fundador do Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Três Barras.
100
Figura 42: José Marcolino Cardoso
Fonte: Sindicato dos Trabalhadores Rurais
de Três Barras do Paraná
Além de José Marcolino Cardoso, merecem destaque: Valdir Bernardino Martinazzo,
João Horácio Laurindo, Hélio João Laurindo, João Bibiano da Silva, Hercílio Orbem, Vitório
Pasa, Ivo Pedrozo, entre outros.
Para realização do sonho de transformar o Distrito de Três Barras em Município, os
referidos senhores representaram o povo de Três Barras, conseguindo o apoio de políticos
influentes da esfera federal e estadual, os quais também merecem ter seus nomes lembrados. São
os Deputados Federais daquela época Alípio Aires de Carvalho e Otávio Cesário, bem como os
Deputados Estaduais Fuad Nacli, Ivo Thomazoni e Davi Cheriegate. Também foi importante o
apoio do Secretário de Estado da Justiça, na época, o Sr. Otávio Pereira Júnior.
O plebiscito foi um sucesso: o Município de Três Barras do Paraná foi criado pela Lei
Estadual n.º 7.305/80, de 13 de maio de 1980, que foi devidamente assinada pelo Governador
Ney Amintas de Barros Braga. Na mesma ocasião, foram criados os Distritos de Santo Isidoro,
Barra Bonita e Alto Alegre.
101
A área urbana de Três Barras do Paraná foi escolhida como Sede do Município. A
Prefeitura Municipal foi instalada em uma edificação onde funcionava a Subprefeitura, na praça
em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida.
O primeiro Prefeito de Três Barras do Paraná foi o Sr. Hélio João Laurindo. Durante seu
mandato, foi construído o Paço Municipal Treze de Maio. As novas instalações da prefeitura
permanecem nesse endereço até a presente data: Avenida Brasil, nº 245, Centro, Três Barras do
Paraná – PR, CEP 85.485-000.
3.2 PRIMEIRA GESTÃO MUNICIPAL
A primeira eleição municipal aconteceu em data de 15.11.1982. Nessa eleição, o prefeito
escolhido pelo povo foi Hélio João Laurindo, do PMDB, com o vice-prefeito Mário Bongiolo,
também do PMDB.
A instalação do novo município, a posse do prefeito e dos vereadores eleitos, aconteceu
em data de 01 de fevereiro de 1983.
Naquele momento histórico do Município de Três Barras do Paraná, a Câmara de
Vereadores foi composta com vereadores de apenas duas siglas partidárias.
O PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) elegeu cinco vereadores:
Alencar José Arrosi, Elichio Bertoldo Conradi, Olimpio Fachini, Roberto Borgrever e Severino
Bampi.
O PDS (Partido Democrático Social), elegeu quatro vereadores: Ângelo Antoninho
Boscari, Ivo Pedrozo, Marcos Alexandre Meurer e Valdevino Moreira.
102
Figura 43: 1ª Gestão Municipal
Fonte: Câmara Municipal de Três Barras do Paraná
Com a prorrogação do mandato, esses gestores municipais permaneceram na Câmara
Municipal de Três Barras do Paraná por seis anos, no período de 1983 a 1988. Nessa gestão,
assumiram como Presidente da Câmara dos Vereadores: Olímpio Fachini (1983-1984), Roberto
Borgrever (1985-1986) e Alencar José Arrosi (1987-1988).
As eleições para renovação da Mesa da Câmara sempre aconteceram de dois em dois
anos, na primeira Sessão Ordinária do ano, na segunda quinzena de fevereiro, após o recesso.
Em janeiro de 1987, o Presidente da Câmara Roberto Borgrever se afastou do cargo de
Vereador e Presidente da Câmara Municipal. Seu lugar na Presidência da Câmara, até o final do
recesso, foi ocupado pelo vice Ângelo Antoninho Boscari. Em seguida, o Vereador Alencar José
103
Arrosi foi eleito Presidente. Como Vereador, no lugar de Roberto Borgrever, assumiu o Sr.
Antônio Sechini, que permaneceu no cargo até o final do mandato.
Merece destaque um fato ocorrido na primeira Gestão Municipal:
Diante das dificuldades financeiras advindas das mudanças de Distrito para Município,
para que Três Barras do Paraná pudesse se estruturar, os vereadores da época optaram por não
receber qualquer remuneração durante o primeiro ano de mandato. No segundo ano, receberam
apenas uma pequena parte dos subsídios a que tinham direito.
O reconhecimento a esse ato veio recentemente, com a aprovação de um Projeto de Lei na
Câmara Municipal, que concedeu a cada um deles o título de Cidadão Benemérito do Município
de Três Barras do Paraná. Os títulos foram entregues no mês de dezembro de 2010.
Nessa primeira Gestão Municipal, os Suplentes que assumiram o cargo de Vereador,
foram: Altamiro Martendal (por três meses em 1987 e um mês em 1988) e o Sr. Vilson Ronsani
(em 1988, por quarenta e cinco dias).
Figura 44: 1º Prefeito Hélio João Laurindo de Três Barras do Paraná, em 1988.
Fonte: Jornal / Ed. Especial de 05 de outubro de 1986 (Por se tratar de Ed. Especial,
não foi possível identificar o nome do Jornal).
104
Figura 45: 1º Prefeito Hélio João Laurindo, em Recue no Tempo.
Fonte: Jornal / Ed. Especial de 05 de outubro de 1986 (Por se tratar de Ed. Especial,
não foi possível identificar o nome do Jornal).
3.3 SEGUNDA GESTÃO MUNICIPAL
105
Figura 46: 2ª Gestão Municipal
Fonte: Câmara Municipal de Três Barras do Paraná.
Na Segunda Gestão Municipal (1989-1992) foram eleitos em 15.11.1988, o Prefeito
Hercílio Orbem do PDT e seu vice Irineu farias Fraga, também do PDT. A posse aconteceu em
01 de janeiro de 1989.
Para o Legislativo Municipal, o PMDB elegeu cinco vereadores: David Schlickmann,
Euripes Piva, Jorge Luiz dos Santos Zorzella, Lévio Savi Mondo e Osmar Geraldo Fernandes.
Pelo PDT, foram eleitos quatro vereadores: Antônio Marques, Antônio Scandolara Salla,
Ivo Pedrozo e Joaquim Donizete da Silva.
106
Contudo, o Vereador Antônio Marques não chegou a assumir o cargo, pois faleceu antes
da posse, em acidente automobilístico. No seu lugar, o primeiro Suplente João Manoel Teodoro
assumiu como Vereador.
Nessa gestão, foram eleitos ao cargo de Presidente da Câmara Municipal: Jorge Luiz dos
Santos Zorzella (1989-1990) e Joaquim Donizete da Silva (1991-1992). Porém, faltando dois
meses para concluir o mandato, o Vereador Joaquim Donizete da Silva se licenciou do cargo de
Vereador e Presidente da Câmara Municipal, por motivo de mudança para Santa Catarina.
O Suplente Willy Schlickmann, substituindo o Vereador Joaquim Donizete da Silva,
assumiu o cargo de Vereador por quatro vezes, nos seguintes períodos: 06.02.1990 a 06.03.1990;
10.03.1992 a 10.05.1992; 30.06.1992 a 30.08.1992. A quarta vez foi nos dois últimos meses de
mandato: 01.11.1992 a 31.12.1992.
Na ausência de Joaquim Donizete da Silva (01.11.1992 a 31.12.1992), quem assumiu o
cargo de Presidente do Legislativo Municipal foi o Vereador Ivo Pedroso.
3.4 TERCEIRA GESTÃO MUNICIPAL
107
Figura 47: 3ª Gestão Municipal
Fonte: Câmara Municipal de Três Barras do Paraná
A Terceira Gestão Municipal (1993-1996) iniciou em 15.11.1992, com a eleição do
Prefeito Hélio João Laurindo, do PMDB, e seu vice Antônio Márcio Ganassim, também do
PMDB. A posse aconteceu na Câmara Municipal, em data de 01.01.1993.
Foram eleitos cinco vereadores do PMDB: Avenir Gonçalves de Azevedo, Euripes Piva,
Osmar Geraldo Fernandes, Paulo Marques e Valdemar Machado.
Pelo PFL, foram eleitos quatro vereadores: Agenor Nunes, Argemiro Osvaldo Matiello,
Ivo Pedrozo e Sérgio Dezan.
Os presidentes da Câmara Municipal dessa gestão foram: Osmar Geraldo Fernandes
(1993-1994) e Avenir Gonçalves de Azevedo (1995-1996).
108
No dia 31 de março de 1994, o Prefeito Hélio João Laurindo renunciou ao mandato para
se candidatar a Deputado Federal. Teve expressiva votação, porém, não suficiente para se eleger.
O cargo de Prefeito foi ocupado pelo vice Antônio Márcio Ganassim.
Durante o mandato, de 30.08 a 09.09.1994, o Dr. Antônio (como era chamado) se
licenciou do cargo. Quem ocupou interinamente seu lugar foi o Presidente da Câmara Osmar
Geraldo Fernandes. Após ter reassumido o cargo, no período de 06 a 26 de abril de 1995, o
Prefeito Antônio Márcio Ganassim tirou nova licença. Quem assumiu como Prefeito foi o
Vereador Avenir Gonçalves de Azevedo e, na Presidência da Câmara, quem assumiu foi o
Vereador Valdemar Machado.
Num período próximo ao final do mandato, em 10 de Outubro de 1996, o Prefeito
Antônio Márcio Ganassim se licenciou por prazo indeterminado, e não mais retornou ao cargo.
Nessa época, o Presidente da Câmara Avenir Gonçalves de Azevedo também estava licenciado
porque tinha assumido como Chefe do Setor Rodoviário e Secretário da Prefeitura Municipal de
Três Barras do Paraná. Então, o Vice-Presidente Valdemar Machado, que estava no exercício da
Presidência da Câmara, assumiu o cargo de Prefeito, até o final da gestão. Durante esse período,
compreendido entre 10.10.1996 e 31.12.1996, quem assumiu a Presidência da Câmara Municipal
foi o Vereador Paulo Marques.
Os Suplentes que assumiram o cargo de Vereador nessa Gestão Municipal, foram:
Antônio Sechini (a partir de 07.02.1995 até o final do mandato) em lugar de Avenir Gonçalves de
Azevedo; Nelson Pauli (08.03.1994 a 08.04.1994), em lugar de Antônio Sechini; Levy Mendes
Pereira (19.09.1995 a 19.10.1995), em lugar de Sérgio Dezan; David Schlickmann (10.10.1996 a
31.12.1996), em lugar de Valdemar Machado.
3.5 QUARTA GESTÃO MUNICIPAL
Na Quarta Gestão Municipal (1997-2000), os eleitos à Prefeitura de Três Barras do Paraná
foram o Prefeito Hercílio Orbem e seu vice Sérgio Dezan, ambos do PFL. A posse aconteceu em
01 de janeiro de 1997.
109
Para compor o Legislativo Municipal, foram eleitos cinco vereadores do PMDB: Antônio
Manoel da Silva, Hélio Kuerten Bruning, João Batista de Souza, Luiz Alberton e Osmar Geraldo
Fernandes. O PFL elegeu quatro vereadores: Adelmo Tártari de Souza, Ademar Chetco, Hélio
Nojehovsi e Ivo Pedrozo.
Figura 48: 4ª Gestão Municipal
Fonte: Câmara Municipal de Três Barras do Paraná
Para presidir a Câmara Municipal de Três Barras do Paraná foram eleitos, nessa gestão, o
Vereador Osmar Geraldo Fernandes (1997-1998) e o Vereador Luiz Alberton (1999-2000).
Nessa Gestão Municipal, os Suplentes que assumiram o cargo de Vereador foram:
110
Euripes Piva, que substituiu o Vereador Hélio Kuerten Bruning, por trinta dias: de
10.11.1997 a 10.12.1997; Rosalino Macedo, que substituiu o Vereador Ivo Pedrozo, de
15.03.1999 a 15.04.1999; Roberto Borgrever, que substituiu o Vereador Adelmo de Souza, de
21.08.2000 a 02.10.2000.
3.6 QUINTA GESTÃO MUNICIPAL
Figura 49: 5ª Gestão Municipal
Fonte: Câmara Municipal de Três Barras do Paraná
Na Quinta Gestão Municipal (2001-2004), pela coligação PMDB-PT, foram eleitos o
Prefeito Valdir Bernardino Martinazzo e seu vice Hélio Kuerten Bruning, ambos do PMDB.
111
Para o Legislativo Municipal, foram eleitos pelo PMDB os Vereadores Ailton Conradi,
Nelson Pauli e Waldir Antônio Todescatto. Pelo PFL, foram eleitos: Alcides Natal Brandini e
Paulo Rossi. O PSDB elegeu Antenor Carlos da Motta. O PT elegeu José Valter da Rosa. O PTB
elegeu Antônio Dezan. O PSB elegeu João Ari da Silva.
Pela primeira vez, nesse município, houve mais de duas siglas partidárias na composição
do Legislativo Municipal. Devido a isso, houve maior diálogo entre os vereadores, ao terem que
escolher o Presidente da Câmara.
O Presidente da Câmara eleito foi o Vereador Nelson Pauli (2001-2002). Ele conseguiu
estabelecer bom diálogo entre os vereadores, de forma a unir esforços para o progresso do
município, minimizando atritos e buscando a aprovação de projetos em benefício de toda
população.
Para o biênio 2003-2004, foi eleito Presidente da Câmara Municipal de Três Barras do
Paraná o Vereador Antenor Carlos da Motta que, a exemplo de Nelson Pauli, manteve o diálogo
entre as diferentes siglas partidárias.
No período de 10.08.2004 a 10.09.2004, o Suplente que assumiu o cargo de Vereador foi
Dorival Lino, que substituiu o Vereador Antônio Dezan.
3.7 SEXTA GESTÃO MUNICIPAL
A Sexta Gestão Municipal (2005-2008) iniciou com a reeleição do Prefeito Valdir
Bernardino Martinazzo, do PMDB, e seu vice Hélio Kuerten Bruning, também do PMDB. A
posse aconteceu em 01 de janeiro de 2005.
112
Figura 50: 6ª Gestão Municipal
Fonte: Câmara Municipal de Três Barras do Paraná
Os Vereadores eleitos para essa Sexta Gestão Municipal, foram: Danilo Oenning, João
Batista de Souza, Osmar Geraldo Fernandes e Valdecir Borges, pelo PMDB. Antenor Carlos da
Motta e Osmar Zorsi, pelo PSDB. Clarice Dengo Rodrigues, pelo PT. Eliane Dezan, pelo PTB.
Paulo Rossi, pelo PFL. Os Suplentes eleitos foram: Adão Lino-PT, Ivo Pedrozo- PFL e Pedro
José da Silva-PMDB.
Para Presidente da Câmara Municipal, foram eleitos: Antenor Carlos da Motta (20052006) e João Batista de Souza (2007-2008).
113
Nessa Gestão, somente o Suplente Ivo Pedroso assumiu o cargo de Vereador, em
substituição à Vereadora Eliane Dezan (10.04.2006 a 20.05.2006). Ocorre que, em data de
13.11.2006, a jovem Vereadora Eliane Dezan faleceu. Desse modo, o Vereador Ivo Pedrozo se
fez representar nas atividades legislativas até o final do mandato, em 31.12.2008.
3.8 SÉTIMA GESTÃO MUNICIPAL
A Sétima Gestão Municipal iniciou com a eleição, que se deu por meio de candidatura
única, do Prefeito Gerso Francisco Gusso, do DEM, e seu vice João Alberton, do PMDB.
A eleição foi realizada em 03 de outubro de 2008 e a posse aconteceu no dia 01 de janeiro
de 2009, na Câmara Municipal de Três Barras do Paraná.
3.9 OITAVA GESTÃO MUNICIPAL
A Oitava Gestão Municipal (2013-2016) terá início em 01.01.2013 com a reeleição do prefeito
Gerso Francisco Gusso com o seu vice João Alberton.
Para compor o Legislativo Municipal, foram eleitos os seguintes vereadores: Antônio
Edson da Silva, João Batista de Souza, Antônio Lechinski e Valdecir Borges (PMDB); Antenor
Carlos da Motta e Osmar Zorsi (PSDB); Nerceu de Souza (PMN); Adão Lino (DEM) e Antônio
Dezan (PDT). O vereador mais votado, nessa eleição, foi Antenor Carlos da Motta, com 600
votos, sendo eleito pela quarta vez.
Para suplentes foram confirmados os senhores: Pedro José da Silva e Eli do Carmo
Schubert Teodoro pelo PMDB, Silvonei Bampi pelo PP e Paulo Rossi pelo DEM.
114
Figura 51: 7ª Gestão Municipal
Fonte: Câmara Municipal de Três Barras do Paraná
Para compor o Poder Legislativo, foram eleitos os seguintes vereadores: João Batista de
Souza, Pedro José da Silva, Valdecir Borges e Valmir Schlickmann (PMDB); Antenor Carlos da
Motta e Osmar Zorsi (PSDB); Antônio Dezan e Waldir Antônio Todescatto (PDT); Nerceu de
Souza (PMN). Foram eleitos dois suplentes: Ivo Pedrozo e Clarice Dengo Rodrigues.
Para Presidente da Câmara Municipal foi eleito o Vereador Antônio Dezan, que presidiu o
Legislativo Municipal em 2009. No final do primeiro exercício, renunciou a Presidência em favor
do seu vice Valmir Schlickmann, o qual foi Presidente no Exercício Financeiro de 2010.
115
Para o período 2011-2012, foi eleito Presidente o Vereador Valmir Schlickmann que, no
final de 2011, renunciou ao cargo em favor do seu vice Antenor Carlos da Motta, o qual ficou na
Presidência da Câmara de Três Barras do Paraná, no exercício de 2012.
Os suplentes que assumiram o cargo de Vereador, nessa Gestão Municipal, foram: Ivo
Pedrozo, que substituiu o Vereador Waldir Antônio Todescatto, no período de: 13.10.2009 a
13.11.2009 e Clarice Dengo Rodrigues, que substituiu o Vereador João Batista de Souza, no
período de 01.12.2009 a 01.01.2010.
3.10 O PODER EXECUTIVO
No Executivo Municipal, o trabalho, a dedicação, o esforço, a responsabilidade, o
compromisso e a criatividade, foram os principais atributos de todos os prefeitos que esse
município elegeu até a data dessa edição.
As limitações orçamentárias, as incompreensões políticas, entre outras dificuldades, foram
superadas pelas conquistas que possibilitaram o progresso e o desenvolvimento.
Podemos dizer que os tribarrenses vivem hoje em um município com mais infraestrutura,
melhor índice de saúde, educação e cultura, maiores oportunidades de trabalho, profissionais
mais bem qualificados...
Enfim, Três Barras do Paraná conta com mais pessoas felizes. Sendo assim, não podíamos
deixar de registrar nossa homenagem e gratidão a todas as autoridades locais, as quais nos
representam sem medir esforços, bem como aos ex-prefeitos e ao atual prefeito desse município.
3.11 O PODER LEGISLATIVO
A Câmara Municipal de Três Barras do Paraná iniciou suas atividades em primeiro de
fevereiro de 1983, utilizando-se temporariamente das instalações da Prefeitura Municipal, na
praça em frente à Igreja Matriz.
Os Serviços da Secretaria Municipal: elaboração de projetos de lei, requerimentos, atas,
correspondências, arquivos e outros, eram realizados por um secretário da prefeitura e a
contabilidade era realizada, até 1986, pelo contador da prefeitura.
116
No mês de janeiro de 1987, a Câmara Municipal passou a ter um ambiente próprio para o
seu funcionamento. Para tanto, alugou um prédio na Avenida Paraná, na época, pertencente ao Sr.
Ari Fontana. Na mesma ocasião, foi descentralizado o serviço de contabilidade da Câmara
Municipal e suas finanças passaram a ser realizadas por uma empresa de contabilidade, de
propriedade do Sr. Natal Estevão Acordi. Para realizar os pagamentos aos vereadores, arquivos e
serviços de secretaria, atendimento ao público, organização das Sessões da Câmara entre outras
atribuições, foi contratado o Sr. José Davi Paludo, autor deste livro, o qual continua até a presente
data prestando serviços nessa Casa de Leis.
Com a inauguração do novo prédio da Prefeitura (Paço Municipal 13 de Maio), a Sede do
Legislativo Municipal foi transferida para seu andar térreo, onde permanece atualmente.
Conforme consta em registros da Câmara Municipal de Três Barras do Paraná,
destacamos a importância das funções de um vereador: “Ser vereador é ter consciência das
necessidades do povo que lhe conferiu a missão de bem representá-lo”.
Portanto, cabe ao vereador a função de levar ao prefeito os pedidos da comunidade. Mas
não é só isso. Cabe-lhe também a função elaborar as leis, de fiscalizar as contas do Poder
Executivo Municipal, os atos do prefeito, denunciando o que estiver ilegal ou imoral à população
e aos órgãos competentes. O vereador tem, na verdade, uma responsabilidade social muito
grande, que vai bem além da função de fazer leis e fiscalizar os atos do Executivo. Por estar mais
presente na comunidade, em contato direto com a população, é ele quem recebe diariamente toda
a carga de reclamações e de pedidos diversos, sendo que precisa ouvir as críticas (quase nunca
elogios) e, na medida do possível (quase que por mera obrigação), atender o eleitor e/ou
encaminhar a demanda aos órgãos competentes.
Por tudo isso, rendemos nossa homenagem a todos os Vereadores e Ex-Vereadores pelo
papel importantíssimo desempenhado no Município de Três Barras do Paraná.
Em especial, aos Ex-Vereadores: Antônio Marques, Argemiro Osvaldo Matiello, Euripes
Piva, Eliane Dezan e Nelson Pauli que, mesmo já tendo partido dessa vida, sempre se farão
presentes na memória do povo tribarrense.
117
4 OS SÍMBOLOS DO MUNICÍPIO
Três Barras do Paraná se faz representar pela Bandeira, pelo Brasão e pelo Hino Oficial,
símbolos cívicos que retratam a história e as características desse município paranaense, bem
como pelo Povo Tribarrense, retrato vivo e contínuo que marca cada passo dessa história.
4.1 A BANDEIRA
4.2
O
HIN
O
OFI
CIA
L
O
Hino
Ofic
ial
de
Figura 52: A Bandeira do Município de Três Barras
Fonte: Câmara Municipal de Três Barras do Paraná
Três
Barr
as foi elaborado pelo Professor Nereu Milaneze, com larga experiência na elaboração de hinos
municipais. Ele foi contratado pelo Sr. Osmar Geraldo Fernandes que, em 1988, era o Presidente
da Câmara de Vereadores. Também foi formada uma comissão para acompanhar e subsidiar esse
trabalho, tendo como representantes os vereadores: Osmar Geraldo Fernandes, Sargento Hélio
Nojehovsi e Antônio Manuel da Silva (Toninho do Karatê). Cabe lembrar, no entanto, que todos
118
os vereadores da época colaboraram para a elaboração da letra do Hino do Município, por meio
de estudo minucioso e aprovação do respectivo Projeto de Lei.
Em reunião aberta ao público, convocada pelo Presidente da Câmara Municipal, para
proceder à análise do texto escrito e propor sugestões à letra do referido hino, destacaram-se os
três vereadores já mencionados, juntamente com os professores José Davi Paludo e Elizabeth
Paludo, os quais analisaram cuidadosamente o texto inicial e sugeriram algumas adequações, que
foram bem aceitas pelo autor, o Professor Nereu Milaneze.
A música tem autoria do Sargento Gilberto Alves de Camargo, da Banda do Exército de
Cascavel, Paraná.
O Hino Oficial do Município de Três Barras do Paraná foi instituído pela Lei Municipal
n.º 079/98, de 12 de maio de 1998.
Os autores da letra e da música foram homenageados na ocasião do Lançamento do Hino
Municipal de Três Barras do Paraná, quando o hino foi cantado pela primeira vez no município,
pela Banda do Exército de Cascavel, no dia 13 de maio de 1998.
119
HINO OFICIAL DO MUNICÍPIO DE
TRÊS BARRAS DO PARANÁ
Letra: Nereu Milaneze
Música: Sargento Gilberto Alves de Camargo
Brasileiros do Sul acamparam
Desbravando florestas fechadas
E na foz de três rios fundaram
O rincão da querida Três Barras.
Estribilho:
Um futuro brilhante virá,
Se plantarmos estudo e labor.
E Três Barras do meu Paraná
Viverá sempre em paz e amor!
Grandes lutas, ferozes, sangrentas,
Sangue vivo tingiu tua terra.
Por sagrado direito, tua gente
Bateu firme, venceu crua guerra.
Tuas matas já foram tua mesa
Que nutriu nossa brava, boa gente.
Nosso solo – lavoura é riqueza,
Recebeu escolhida semente.
Tanto gado em verdes pastagens,
Do feijão és a mor capital.
As indústrias que agora plantares
Gerarão teu progresso ideal.
4.3 O BRASÃO DO EXECUTIVO MUNICIPAL
120
Figura 53: O Brasão do Executivo Municipal
Fonte: Câmara Municipal de Três Barras do Paraná
O Brasão do Município de Três Barras do Paraná destaca a riqueza agrícola desta boa
terra, o trabalho do agricultor, desmatando e mecanizando a terra, plantando, colhendo e
transformando as paisagens.
No lado direito do brasão vemos um ramo feijão e no lado esquerdo um ramo de milho
que foram os produtos principais deste município, nos primeiros anos de sua colonização.
121
Na época da criação do Hino, Três Barras do Paraná já era conhecida por “capital do
feijão”, título atribuído ao produto que mais se destacou neste município, na gestão do primeiro
prefeito deste município: Hélio João Laurindo (1983-1988).
4.4 O BRASÃO DO LEGISLATIVO MUNICIPAL
Figura 54: O Brasão do Legislativo Municipal
Fonte: Câmara Municipal de Três Barras do Paraná
122
5 DEMONSTRAÇÃO DE AFETO DO POVO TRIBARRENSE
Deixamos também em registro uma demonstração de afeto do povo tribarrense, que se dá
em dois trabalhos de alunos, realizados no início de nossa pesquisa, no ano de 2002.
Estendemos nosso agradecimento a todos os demais alunos que, por meio dessas duas
demonstrações de afeto a Três Barras do Paraná, foram representados.
123
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