CAUSA OPERÁRIA Semanário de circulação nacional - ano XXV - no 395 - 5 de agosto de 2004 - R$3,00 www.pco.org.br/causaoperaria PARA OS RICOS: MAIS LUCRO, MENOS IMPOSTOS LULA: PRESIDENTE DOS BANQUEIROS Em 2003 o grupo dos dez maiores bancos instalados no país tiveram lucros astronômicos superiores a 1.000% e mesmo assim pagaram menos impostos este ano. Graças à intervenção do governo do PT, os bancos sobrevivem às custas da população Leia matéria na página 4 ELEIÇÕES 2004 PT é fachada para a burguesia Nestas eleições o PT apoiará tanto os partidos da frente popular quanto os partidos da burguesia que supostamente lhe fazem oposição no Congresso Página 5 A crise na Europa Leia na íntegra a declaração política da Coordenação pela Refundação da IV Internacional aprovada na reunião do Secretariado realizada em Roma, em julho Página 10 Governo do PT não só está a serviço do FMI, como elabora, a mando do imperialismo, planos para aprofundar a entrega do país 5 de agosto de 2004 CAUSA OPERÁRIA Atividades 2 Acontece CAMPANHA FINANCEIRA Jantares de arrecadação para as campanhas municipais do PCO serão realizados nas capitais nos dias 28 e 29 de agosto As atividades do Partido da Causa Operária visa a arrecadação de fundos para as campanhas do partido em todo o Brasil, buscando a contribuição de todos os seus filiados e simpatizantes Serão realizados nos dias 28 e 29 de agosto, em todo País, jantares de arrecadação de fundos para as campanhas municipais do PCO e de apresentação das candidaturas do partido a prefeito e vereador. Esta será a maior campanha financeira do PCO para estas eleições e já realizada pelo partido em qualquer outro momento. Foram preparados 10.000 convites que já estão sendo vendidos em dezenas de municípios por todos os filiados e simpatizantes. A atividade é aberta a todos os interessados e a contribuição mínima é de R$ 20,00, que será destinada à campanha eleitoral do PCO. Além de uma formalidade para a participação na atividade, o convidado, ao comprar o convite concorrerá a três prêmios de destaque que serão dis- tribuídos junto a prêmios menores em cada cidade: o primeiro, um computador completo, o segundo, um televisor de 27 polegadas, e o terceiro, um aparelho de DVD., sorteados de acordo com um número grafado dentro do convite pelo milhar da loteria federal que será sorteado no dia 28 de agosto de 2004. Além disso, em cada um dos jantares haverá outros sorteios Durante o jantar os convidados poderão ouvir as posições dos candidatos municipais e dirigentes do partido que vão expor as propostas da campanha eleitoral do PCO. O Jantar está programado para ser realizado nos estados do país onde o PCO está organizado: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Roraima, Mato Grosso, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Tocantins e São Paulo. Esta atividade promete encontros de extrema importância nos estados onde estão as principais organização partidárias, como o jantar do estado de São Paulo, onde estarão presentes candidatos a prefeito em 11 municípios e mais centenas de candidatos a vereador. O jantar faz parte de um plano de realização de atividades sistemáticas durante a campanha para que, além de atrair pessoas durante as eleições, haja uma discussão e uma dinâmica que contribuam também para a inserção dos filiados do partido e de seus contatos na intensa grade de atividades, peculiar das eleições municipais e nacionais. Assim, de todas as formas, procuramos exaltar a importância decisiva da luta política da classe trabalhadora nas eleições e, para isto, deve-se ressaltar e difundir que é imprescindível a campanha financeira independente, e de classe. O Partido da Causa Operária, representando o oposto do que os partidos burgueses e centristas defendem, a classe trabalhadora e as camadas mais exploradas da sociedade, só pode e deve se financiar com os recursos que é capaz de recolher no seio de sua própria classe social, a classe operária. Ao contrário, a campanha financiada pela burguesia ou pela pequena-burguesia abastada não é mais que simples corrupção política e significa a abertura para que os interesses de classe destas camadas sejam de alguma forma satisfeitos, e os da classe trabalhadora pisoteados. Assim o partido deve desenvolver, de forma sistemática, atividades diversas: almoços, jantares, churrascos, bingos, quermesses, bazares, rifas, etc., que reúna os filiados, contatos e simpatizantes, em acontecimentos de confraternização sendo todos convocados para contribuir por motivos políticos e ideológicos.. Participe desta grande atividade de confraternização e apóie o crescimento de um verdadeiro partido socialista e revolucionário no Brasil e de suas candidaturas formadas de trabalhadores, mulheres, negros e de jovens. Esta contribuição é importante também porque o PCO representa nas eleições a alternativa não apenas operária e socialista, mas de esquerda uma vez que o PT e demais partidos da frente popular comparecem à eleição para defender a política dos grandes capitalistas, da direita e do imperialismo de ataque sem fim às condições de vida das massas. Para maiores informações, entre em contato com a sede estadual do partido no seu estado ou com a Sede Nacional do Partido da Causa Operária à Rua Miguel Stéfano, número 349, Saúde. CEP 040301-010, São Paulo, SP, pelo telefone (0xx11) 5584-8604, ou por e-mail: [email protected]. Entre na página da internet para outros detalhes: www.pco.org.br. CANDIDATA DO PCO DE SÃO PAULO NA INTERNET www.pco.org.br/anaicaproni Na próxima semana entrará no ar pela internet a página da candidata a prefeita de São Paulo pelo Partido da Causa Operária, Anaí Caproni. O endereço será o espaço da candidata na rede, dentro do site do partido. Será um veículo de comunicação que conterá informações detalhadas da dirigente do partido, como o seu perfil, o Programa de Governo do PCO para as eleições municipais de São Paulo, o perfil do candidato a vice, Júlio Marcelino, a agenda atualizada da candidata, uma biografia, um álbum de fotos, todos os artigos já publicados pela nossa imprensa e os que serão atualizados no decorrer da campanha, áudios e vídeos, entrevistas da candidata na imprensa e uma entrevista exclusiva feita pelo jornal Causa Operária que inclui a trajetória da militante, figura ativa em diversos setores da luta popular, estudantil e operária, onde atualmente represen- ta a categoria dos correios como uma das suas principais lideranças nacionais e que inclui também a trajetória da participação da dirigente nacional do PCO na construção, ao longo das últimas décadas, de um verdadeiro partido socialista, operário e revolucionário, o único partido com um pro- Escreva para o jornal Causa Operária O jornal Causa Operária está baseado em um claro programa político e no marxismo e, por este motivo, esforçase para ser uma tribuna das necessidades e dos anseios das massas exploradas de trabalhadores da cidade e do campo, dos negros, das mulheres e da juventude oprimida. Neste sentido, as páginas do nosso jornal estão abertas para que qualquer trabalhador faça dele um veículo das suas denúncias contra a exploração e opressão de qualquer setor da sociedade. Convidamos, ainda, nossos leitores a fazer desta página de cartas um espaço para discussão das idéias relacionadas a esta luta que julguem importante. Faça já sua assinatura do jornal Causa Operária ! 25 exemplares (seis meses).............R$ Nome Av. nº complemento Sala Distrito Casa Apto Loja Bairro [email protected] Cidade Estado Caixa Postal País CEP Fone (res.) ( ) Fone(trab.) ( ) CEP - - Para receber nossas publicações via internet, o Mensageiro Socialista, o boletim inteno do PCO na Internet para filiados, o Correios dos Trabalhadores, o Informativo do Partido da Causa Operária online e os boletins dos Coletivos de Mulheres ou Negros e da Juventude, entre no nosso site e preencha o formulário que está em: No mesmo endereço você encontra as listas de discussão do PCO. Estas listas são um instrumento de análise coletiva e de intercâmbio de informação entre os militantes e simpatizantes do partido e de todos aqueles que têm participação ou mantêm uma relação de colaboração em suas organizações associadas. Qualquer dúvida mande um e-mail solicitando mais detalhes para: Preencha em letra de forma, de modo legível. Rua Receba nossas publicações online www.pco.org.br/listas ! 50 exemplares (um ano).............R$ 150,00 75,00 grama em defesa das necessidades vitais da classe trabalhadora. No dia 19 de agosto, os interessados em conhecer as idéias da candidata do PCO poderão conversar diretamente com ela fazendo perguntas que serão respondidas a partir da página da candidata. Região Fax ( ) celular ( ) - - E-Mail 1 CAUSA OPERÁRIA Fundadoemjunhode1979 Semanário de circulação nacional Ano XXV - nº 395 - R$ 3,00 de 5 a 11 de agosto de 2004 E-Mail 2 _____________________________, ______/______/______, ___________________________________________________ Local Quero pagar com boleto bancário em: Data 1 parcela Assinatura do assinante 2 parcelas 3 parcelas Escolha sua(s) data(s) de pagamento, com parcelas iguais de R$ _____________________________: 1ª parcela data______/______/______, 2ª parcela data______/______/______, 3ª parcela data______/______/_____. Editor - Rui Costa Pimenta - Tiragem - cinco mil exemplares Redação - Rua Miguel Stéfano, 349, Saúde, São Paulo, Capital, CEP 040301-010 - telefone (11) 55848604 - Sede Nacional- SÃO PAULO - Av. Miguel Stéfano, nº 349, Saúde, São Paulo, CAPITAL, CEP 04301010, FONE (11) 5584-8604 - Correspondência- Todas as cartas, pedidos de assinaturas ou de informação sobre as publicações das Edições Causa Operária devem ser enviadas para a redação ou para o Endereço eletrônico - [email protected], Página na internet www.pco.org.br/causaoperaria 5 de julho de 2004 CAUSA OPERÁRIA 3 Recuperação econômica? Editoriais Comitês de luta por local de trabalho, estudo e moradia A insatisfação com os ataques do governo Lula e da burguesia às condições de vida dos trabalhadores deve se transformar em um movimento organizado. As últimas medidas de política econômica anunciadas pelo governo: manutenção das taxas de juros, isenção de impostos para os grandes capitalistas, aumento do superávit primário em 13 bilhões indicam que este ataque, ao invés de se atenuar com as notícias sobre o crescimento da produção industrial, vai acentuar-se. Esta tendência já está clara no fato de que a reativação da produção de determinados setores industriais nos meses anteriores levou à criação de um número mínimo de empregos, à rotatividade de mão-de-obra e à redução salarial. A chamada “distribuição de renda” sob o capitalismo mostrase, uma vez mais, como sendo não um problema administrativo, mas uma questão a ser resolvida pela luta mais feroz entre as classes sociais. Enquanto os capitalistas detêm a iniciativa e o controle da economia e, mais ainda, do Estado, os trabalhadores perdem tanto na inflação quanto na deflação, na recessão tanto quanto no aquecimento econômico. Está claro que, ao final das contas, a redistribuição da renda é inviável sob o regime de produção capitalista, porque este é baseado na apropriação do fruto do trabalho pelo capitalista e não na “justiça social”, uma utopia burguesa. Somente com o fim da propriedade privada sobre os meios de produção, ou seja, através da liquidação do seu caráter capitalista é que pode haver uma verdadeira distribuição igualitária da riqueza social, o restante é apenas conversa. A instável e precária reativação de determinados setores da economia favorece o crescimento das demandas operárias. A população trabalhadora somente teve perdas sob os governos FHC e Lula e, naturalmente, agora, qualquer mínimo crescimento da economia tende a fazer vir à tona um conjunto de necessidades insatisfeitas. Estas demandas, porém, não serão satisfeitas sem um movimento organizado de luta contra o governo Lula e por uma plataforma clara de reivindicações, tais como: 35 horas semanais, reposição de todas as perdas salariais do período FHC, assentamento dos sem-terra, fim dos impostos diretos e indiretos sobre os salários, defesa da educação e saúde pública, não pagamento da dívida externa. A retomada da inflação, conseqüência inevitável da combinação de aquecimento da produção e transferência de toda a poupança interna para os bancos internacionais e nacionais, agregada às pressões inflacionárias anteriores, já está colocando na ordem do dia a reivindicação de reajuste semestral e até trimestral dos salários. O problema chave, no entanto, é: quais as definições que tal movimento tem que ter para ser um instrumento efetivo de mudança da situação? Uma parte da esquerda que se apresenta como oposição ao governo Lula fez a opção por uma política puramente demonstrativa, ou seja, por manifestações apoiadas nos aparelhos dos sindicatos que ainda controlam, sem qualquer verdadeira mobilização da opinião das massas da classe operária. Esta política é uma cópia caricatural da política seguida pelo PT e pelo PCdoB quando ainda a frente popular não estava no governo. Sua função exclusiva era a de dar uma satisfação ao setores sindicais que seguiam a orientação do partido pela completa ausência de combate à política de FHC. Esta política explicou-se a si mesma pela orientação do governo Lula, isto é, por uma orientação de submissão ao imperialismo e ao grande capital e de ataques às condições de vida do povo brasileiro que nada ficou a dever a FHC, muito ao contrário. O PT era a “oposição oficial” ao governo, a “oposição de Sua Majestade” como dizem os ingleses para expressar o caráter absolutamente solidário dos partidos burgueses de oposição com a orientação fundamental do regime político. Este tipo de “oposição” aos ataques que Lula está realizando contra a classe operária não tem absolutamente nenhuma eficácia. Nem mesmo para conseguir uma audiência eleitoral para os seus idealizadores, como conseguiu o PT, porque estes não contam com o apoio da burguesia como contava o PT. Para combater de fato as reformas de Lula e avançar na conquista das reivindicações fundamentais das massas é preciso mobilizar de fato a classe trabalhadora em um movimento de classe, quer dizer, de massas. Tal movimento não pode ser realizado mecanicamente pelo aparelho dos sindicatos, mas depende de uma verdadeira mobilização da consciência da classe operária através de um amplo trabalho de denúncia da política do governo e de organização destes setores sobre uma base ampla. É este o sentido da palavra-de-ordem aprovada pela XIII Conferência Nacional do PCO realizada em julho pela formação de comitês de luta contra as reformas do governo nos locais de trabalho, estudo e moradia. Para criar um movimento amplo contra a política antioperária e pró-imperialista do governo do PT é necessário um amplo trabalho de esclarecimento que leve à renovação da organização operária e popular. Uma segunda condição para isso está no esforço política e organizativo para obter uma completa delimitação deste movimento de luta das direções traidoras do PT, do PCdoB e da frente popular. Não há nenhuma possibilidade de fazer surgir um movimento independente de luta contra a política seguida pelo governo da frente popular sem denunciar e expor sistematicamente a política dos seus agentes no interior do movimento de luta que tenta se erguer contra eles. Igualmente, sem uma organização independente, que busque organizar de modo permanente uma alternativa de direção, a partir das massas, a partir das bases, não há nenhuma possibilidade de êxito neste movimento. Nossa campanha eleitoral e a deles A campanha eleitoral do Partido da Causa Operária para as prefeituras e câmaras municipais está fundada em um conjunto de princípios que a diferencia de todas as demais campanhas, fundadas nas noções políticas da classe dominante. O primeiro destes princípios é o de que a campanha eleitoral está claramente apoiada em um programa. A idéia de programa não deve ser confundida com as plataformas eleitorais elaboradas na ocasião das eleições por alguns partidos. O programa do PCO tem como objetivo a transformação integral da sociedade brasileira através da instituição de um governo operário, que deverá ser uma alavanca decisiva para acabar com a propriedade privada dos meios de produção no País. Este programa é o mesmo que o partido defende em todos os lugares em ocasiões, mudando apenas a sua forma de apresentação, baseado na defesa dos interesses imediatos e históricos da classe operária. As campanhas eleitorais da burguesia são baseadas na venda de ilusões, de que, com planos administrativos que, na melhor das hipóteses, são fantasiosos e inócuos e, na pior, são apenas a cobertura com que envolvem as negociatas capitalistas com os orçamentos municipais. A campanha eleitoral de um partido operário como o PCO não está baseada em promessas de realizações, mas em um esforço para organizar e evoluir a consciência da população trabalhadora para que ela mesma tome em suas mãos o controle da administração e do poder público e resolva os seus problemas de acordo com os seus próprios interesses. O Partido da Causa Operária não apresenta os seus candidatos como se fossem pessoas sobre-humanas que vão resolver todos os problemas por força da sua personalidade excepcional. Os candidatos do PCO são a organização de vanguarda das massas trabalhadoras, ligadas a ela, dependente delas e cuja função é esclarecer a cada momento os interesses gerais da classe. A nossa campanha é em todos os momentos um chamado à organização, à compreensão e à mobilização da classe operária. Ao contrário dos candidatos dos partidos burgueses tra- dicionais, do PFL ao PSB, ou dos partidos burgueses de esquerda, como o PT e o PCdoB, a campanha eleitoral do PCO não é um espetáculo de compra de votos através do financiamento de uma gigantesca máquina publicitária financiada pelos grandes capitalistas. A classe trabalhadora tem que ter consciência de que, quem paga, controla. Por isso, da mesma forma que os banqueiros e capitalistas pagam a campanha dos seus candidatos de esquerda e de direita, os trabalhadores é que devem financiar a atividade dos seus partidos, se quiserem que sejam efetivamente a expressão da sua vontade. Por este motivo, no PCO, não há candidatos avulsos, mas candidatos do partido, que são financiados pela atividade do partido no meio da sua própria classe social, apoiados pelos trabalhadores que são filiados e simpatizantes do partido e que defendem todos, da mesma forma, o programa político do partido. O PCO trabalha para eleger prefeitos e vereadores que sejam operários, representantes das lutas das massas, socialistas e revolucionários que querem mudar a sociedade e não realizar um comércio lucrativo com os empresários e seus representantes no interior das instituições representativas. No entanto, a campanha eleitoral do PCO tem objetivos que vão muito além da eleição de um representante operário. Ela visa, antes de qualquer coisa, a elevar a consciência política das massas através da denúncia do capitalismo e dos seus representantes políticos, a unificar os trabalhadores detrás de um programa que seja a expressão real dos seus interesses de classe na luta contra a burguesia e a organizar os trabalhadores mais conscientes em um partido operário, socialista e revolucionário que é o Partido da Causa Operária. As campanhas eleitorais da burguesia são baseadas na venda de ilusões, de que, com planos administrativos que, na melhor das hipóteses, são fantasiosos e inócuos e, na pior, são apenas a cobertura com que envolvem as negociatas capitalistas com os orçamentos municipais. São apenas a cobertura com que envolvem as negociatas capitalistas com os orçamentos municipais. O P-Sol e as eleições Em números anteriores deste jornal analisamos as formulações políticas e programáticas do PSol. Agora, tendo sido formado em junho, o novo partido já se defronta com um importante teste político prático que são as eleições municipais. Nas críticas anteriores mostramos que, pelo seu programa político, o novo partido em muito pouco de essencial se diferencia do PT. No seu posicionamento eleitoral, isso fica ainda mais claro. Apesar de não ter tomado uma decisão unitária, o que corresponde ao seu caráter de partido oportunista, o novo agrupamento não deverá votar em lugar algum nas eleições no partido que expressa em suas candidaturas, não só o movimento de lutas dos trabalhadores, como a sua independência diante da burguesia e que defende abertamente o socialismo contra o capitalismo, que é o PCO. Esta decisão, por si só, já é toda uma definição política. Ao não dar apoio a um partido que, independentemente de divergências que tenha com o seu programa, é o partido da classe operária e das lutas populares, revela que não se define, em sentido algum, pela evolução e pelo apoio incondicional à luta das massas exploradas. O novo partido também não deverá votar pelo PSTU. A rejeição se deve a que os integrantes do novo partido não querem apoiar nenhum partido de esquerda ou ligado ao movimento dos trabalhadores de um modo ou de outro. Em oposição a estas opções, o P-Sol tem em alguns estados uma definição política pelos partidos burgueses. Na Paraíba, os integrantes do P-Sol ingressaram no PSB juntamente com uma ala dissidente do PT liderada por Ricardo Coutinho e lançaram candidatos a vereador por este partido burguês. Neste mesmo estado, o candidato a prefeito apoiado pelo P-Sol está aliado ao PMDB local, partido que representa a reacionária oligarquia daquele estado. Em Alagoas, a senadora Heloísa Helena declarou apoio ao candidato do partido burguês PPS, de Ciro Gomes, ministro de Lula. No Rio de Janeiro, ainda, o P-Sol local decidiu apoiar a candidatura de Jandira Fegalli, apresentada como dissidente no seu próprio partido. Ocorre que a candidata do PCdoB é financiada e apoiada por grandes capitalistas como a megaempreiteira baiana Odebrecht e diversos grupos capitalistas ligados à indústria naval do Rio de Janeiro. Dia-a-dia Montadoras também pedem... de novo... isenção de impostos Ao mesmo tempo em que a classe trabalhadora é atacada sistematicamente pelo governo Lula e o PT, grandes empresários elogiam sua gestão e fazem verdadeiros negócios capitalistas. Os principais executivos das quatro principais montadoras do País, General Motors, Volkswagen, Fiat e Ford, irão se reunir com o presidente , que convocou reunião para discutir a política industrial do setor, ou seja, está em pauta o apoio à redução de impostos por parte do governo federal. Aproveitando a pequena retomada do setor automobilístico nos últimos três meses, com um aumento das vendas e das contratações de funcionários, os grandes empresários dessas montadoras irão apresentar ao governo um projeto de crescimento do mercado doméstico de carros. O documento que será apresentado visa a redução dataxação no momento da aquisição e teria uma parte dos tributos repassada para a propriedade e uso do veículo, descontada sobre o IPVA, seguro obrigatório, Cide e outros. A equalização de impostos foi sugerida pela Fiat, que apresenta um modelo de tributação semelhante ao da Europa, onde 26% da arrecadação vêm da compra, 15% da propriedade e 59% do seu uso. De acordo com a montadora, no país, a arrecadação de impostos sobre veículos gerados apenas durante a aquisição é de 37%, que são o IPI, ICMS, Pis/Cofins, CPMF e taxa de emplacamento. Na propriedade são 16% de licenciamento, IPVA e seguro obrigatório e 47% na sua utilização, que são os impostos sobre combustíveis – Cide, ICMS, Pis/Cofins e CPMF. Os quatro presidentes, Ray Young, da General Motors; Hans-Chistian Maergner, da Volkswagen; Cledorvino Belini, da Fiat; e Antonio Maciel Neto, da Ford e também o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, iriam se reunir na próxima sexta-feira, no entanto, a reunião foi cancelada devido à agenda de Lula. A Anfaveaapenasdeuainformaçãodequeestá aguardando um estudo com a radiografia do setor para se realizar a reunião. A pedido do presidente Lula, será realizada uma reunião da cúpula dos grandes capitalistas do Brasil. Fica evidente o caráter capitalista do governo federal e do PT em toda a sua forma. Enquanto Lula é vaiado pelos trabalhadores da Mercedes Benz, os grandes empresários batem palmas para a gestão governamental e fazem exatamente o que querem, ou seja, lucram cada vez mais às custas da população trabalhadora. Enquanto os trabalhadores são sobrecarregados com impostos e taxas de todo o tipo, tanto em âmbito nacional como municipal, os grandes capitalistas nacionais e os bancos têm lucros recordes e isenção de impostos. A cada medida, o governo Lula e o PT dá mais um golpe contra a classe trabalhadora sendo fachada para a burguesia e o imperialismo. Emprego cresce um pouco para salário poder diminuir muito No segundo ano do governo Lula, subiu para 70% o número de trabalhadores que ganham de meio a dois salários mínimos. Segundo dados do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), dos 1,034 milhão de empregos criados, resultado das 5,69 milhões de admissões e 4,66 milhões de demissões, no País nesse primeiro semestre, 70% tem remuneração de R$ 130,00 a R$ 520,00 ou de meio a dois salários mínimos. O número de trabalhadores que ganham até dois mínimos subiu de 68% em 2002, último ano do governo FHC, para 72,13% em 2004. O que acontece é a substituição do trabalhador demitido por um outro que ganha cerca de 40% menos do que o anterior. Esse fenômeno passou a ter sua representação mais aguda em 1995, segundo ano do Plano Real. Das 5,69 milhões de vagas abertas, 38,76% (2,2 milhões) ofereciam de 1,01 a 1,5 salários mínimos e outras 22,52% (1,3 milhão) de 1,51 a 2 salários. Outros 996,7 mil empregos, o equivalente a 17,49%, ofereciam remuneração de 2,01 a 3 mínimos. Apenas 0,94% das admissões ofereciam salários de 7,01 a 10 mínimos, entre R$ 1.822,60 e R$ 2.600,00. Na indústria a redução salarial foi de 16%. A média salarial nesse primeiro semestre foi de R$ 601,00 no salário dos demitidos e de R$ 505,00 no dos novos admitidos. O setor que teve a maior queda foi o do comércio, com 14,5%, seguida do de serviços, 13,5%. Álvaro Comin, diretor científico do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) expõe que enquanto o emprego subiu 84,4%, em relação ao crescimento do mes- mo período de 2003, que foi inferior a 1%, a massa salarial, que é a soma do conjunto dos salários, cresceu apenas 13,18%, ou seja, seis vezes menos. Isso representa uma acentuação no retrocesso das condições de vida da classe trabalhadora, que sofre com o desemprego e com a política desorganizadora dos sindicalistas patronais (PT-PCdoBForça Sindical) e por isso mesmo acaba aceitando os baixos salários que as empresas impõem. A burguesia luta constantemente para manter o salário no menor nível possível, e nesse sentido a burguesia brasileira conseguiu uma vitória que é a de rebaixar o salário mínimo brasileiro para um dos patamares mais baixos do mundo todo. Desmascarando também toda a cínica demagogia de crescimento da burguesia, fica claro que o mercado interno capitalista do país não pode se desenvolver com uma população que em sua maior parte ganha salários miseráveis que não suprem nem de longe suas necessidades vitais. A era FHC foi um golpe para o trabalhador nesse sentido. A política econômica de Lula é ainda uma intensificação da de FHC, o desemprego aumentou e o aumento do salário mínimo não cobriu nem os índices de inflação do ano anterior. Lula comprova, dessa maneira, ser um governo que vai completamente na contramão dos interesses dos trabalhadores e que, ao contrário, come na mão dos grandes capitalistas e bancos nacionais e estrangeiros, conduzindo uma política de redução de impostos para estes e de redução salarial para os trabalhadores, a grande maioria da população. de olho “De onde vêm essas coisas? Não sei, mas de algum lugar elas vêm” Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, sobre as recentes denúncias de corrupção 5 de agosto de 2004 CAUSA OPERÁRIA Política 4 PARA OS RICOS: MAIS LUCROS, MENOS IMPOSTOS Lula: presidente dos banqueiros Manutenção dos juros exigidos pelo FMI, aumento do superávit para pagar a dívida externa, mais isenção de impostos para os grandes capitalistas, inflação: eis os ingredientes que levaram ao escândalo de corrupção envolvendo o presidente do BC, Henrique Meirelles, o que pode ser a grande crise do governo Lula Uma nova crise atinge o governo Lula, desta vez, no nevrálgico centro de administração da política monetária do governo, implicando um dos homens chave dos bancos nacionais e estrangeiros e do FMI no governo, o banqueiro Henrique Meirelles. Mesmo apresentando como um problema de corrupção no governo, o que está em pauta é, na realidade, a crise da política econômica do governo no interior do próprio bloco de grandes capitalistas que apóiam o governo e, conseqüentemente, no interior dos partidos que lhe dão sustentação. Lucros exorbitante para os bancos, ônus para a população Existe um ditado popular que diz que “em casa que não tem pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”. Isto pode ser verdade nas famílias operárias, mas no interior da burguesia, a verdade está no caso inverso: quanto maior o dinheiro, maior a briga, quando dinheiro desaparece, acaba a briga. Pois é este exatamente o fundo da mais nova crise do governo Lula. O aumento das exportações brasileiras levaram ao aumento da poupança interna de R$ 46 bilhões apenas neste primeiro semestre, equivalente a 5,76% do PIB, cifra que superou todas as expectativas do FMI. Este superávit e esta tendência ao crescimento geraram, de imediato, uma disputa no interior da burguesia. Toda a burguesia esperava que a reunião do Comitê de Política Monetária, realizada no início de agosto, fosse baixar os juros, conforme há muito tempo reivindicam os grandes capitalistas que são obrigados a entregar a parte do leão dos seus lucros e das suas perspectivas como classe dominante aos bancos nacionais e estrangeiros. Outro pomo da discórdia é o excedente de R$ 13 bilhões que foram pagos acima do acerto de R$ 32,6 bilhões do governo brasileiro com o FMI. Até o final do ano, o governo Lula pretende “doar” aos banqueiros internacionais R$ 71,5 bilhões. Em 2003, o superávit do mesmo período foi de R$ 40 bilhões, superando em 16% a meta com o FMI. Neste ano, até o mês de junho, o resultado do superávit primário teve uma porcentagem de 41,7% a mais do que o combinado com o FMI, uma diferença de 25,7% a mais e um dos maiores superávits primários já registrados em um período de seis meses. Ao mesmo tempo, os bancos também são outro destino para o lucro de toda a riqueza nacional. O governo Lula já garantiu aos bancos mais do que Fernando Henrique Cardoso no último ano de seu governo. FHC permitiu com sua política a lucratividade de R$12,54 bilhões aos maiores bancos no ano de 2002. Lula deu de bandeja R$13,4 bilhões, 6,7% a mais do que FHC. A explicação para estes lucros monstruosos é devido ao fato do imperialismo, que é a fusão do capital bancário com o capital industrial monopolista, ou seja, os grandes conglomerados industriais e as grandes instituições financeiras que os gerenciam, dominam toda a economia retirando dela toda a capacidade de desenvolvimento, principalmente dos países semi-coloniais, oprimidos pelo imperialismo. A tão perfeita e completa subserviência do governo Lula diante da política do imperialismo, mantendo os juros e aumentando o pagamento dos juros causou um mal estar na própria burguesia que apóia o governo. A CNBB, que defende os capitalistas falando em nome dos pobres e desvalidos, protestou contra a excessiva generosidade do governo diante dos tubarões das finanças internacionais. O governo Lula tentou compensar o verdadeiro roubo que está realizando em favor do imperialismo dando mais isenção de tributos para os exportadores, estabelecendo uma alíquota zero do Con- fins, utilizado para financiar a Previdência e do PIS-PASEP para diversos produtos, ou seja, transferiu para os trabalhadores mais uma parte do ônus da sua política criminosa. A luta é tanto mais intensa quanto mais instável é a atual “recuperação”. A crise econômica e o escândalo envolvendo o presidente do BC A classe operária financia a política de Lula em favor dos bancos também de várias outras maneiras. O desemprego recorde de 13% também deve ser considerado como um escândalo, ainda mais quando a cínica análise deste resultado por parte do PT é atribuída à recuperação da economia, estimulando os trabalhadores desacreditados a voltar ao mercado de trabalho. O desemprego recorde, na realidade, está ligado à política econômica do governo Lula, completamente atrelado ao FMI. O PT já demonstrou, em mais de um ano de governo, que está ligado intimamente ao sistema financeiro nacional e estrangeiro cuja situação é de completo parasitismo, dando todas as provas de que é um governo a serviço dos banqueiros e do imperialismo e que está disposto a arrancar até as conquistas mais antigas dos trabalhadores para compensar a crise dos capitalistas. Não bastasse todos estes ataques contra a classe trabalhadora, em um documento lançado pelo Bird (Banco Mundial), este afirma que se a economia do País for afetada por choques externos, tais como a alta de juros nos EUA e alta de preços do petróleo, como acontece agora, que o barril chegou ao preço recorde de US$ 44, o Brasil deverá elevar ainda mais o superávit primário, a parte do orçamento reservado para o pagamento da dívida externa brasileira. O que quer dizer que a população, e mais especificamente os trabalhadores brasileiros deverão pagar para que os bancos internacionais não percam nem um centavo se houver algum distúrbio ainda maior na economia mundial. Todos estes revezes, tanto para os trabalhadores brasileiros como para o desenvolvimento do País, pagando altas taxas de juros em detrimento da política monetária com os bancos nacionais e internacionais, causando perda dos seus lucros, resulta em um grande refluxo da situação política nacional, cercando o governo federal por todos os lados, sendo pressionado pelos setores mais burgueses da grande indústria, pelo acordo com o FMI e o imperialismo, e pela mobilização dos trabalhadores permanentemente usurpados. A crise envolvendo Henrique Meirelles, por exemplo, já dava sinais de desgaste político quando recentemente, em uma declaração feita pelo ministro da Fazenda, Antônio Palloci, contrariou a estimativa feita pelo Banco Central em relação ao crescimento do PIB, onde este afirmava que o ano de 2003 fecharia com 2,8% de crescimento, enquanto Palocci afirmou um fechamento de 0,3%, como de fato aconteceu. O BC passou a reduzir gradualmente suas previsões em 2003, anunciando no primeiro mês do ano um crescimento de 2,8%, passando por 1,5% no mês de junho e fechando o ano com os exatos 0,3% de “crescimento” no PIB. A partir daí, os escândalos vêm se tornando quase que uma rotina, à medida que vários casos vão sendo denunciados um em seguida do outro, como artifício da burguesia em resposta à ausência de subsídios por parte do governo federal. Na semana passada, dia 28, Luiz Augusto Candiota, diretor de Política Monetária do Banco Central, pediu demissão após ter sido acusado por evasão de divisas. Segundo documentos oficiais da CPI do Banestado, Candiota teria realizado movimentações bancárias no Exterior sem declarar ao Fisco brasileiro, fazendo transações através de uma estrutura montada por doleiros. No entanto, a demissão do ex-diretor foi uma estratégia discutida após uma reunião do Banco Central, para proteger a presidência de Henrique Meirelles no BC, esperando-se abafar a crise com a demissão de Candiota. O começo da campanha Várias denúncias já foram divulgadas amplamente pela imprensa burguesa, revelando a verdadeira decadência do governo Lula e do PT, onde podem ser contabilizados um escândalo para cada mês deste ano. O primeiro deles foi o caso Waldomiro Diniz, onde uma Fita de vídeo apontou a participação do assessor do chefe da Casa Civil, José Dirceu, num esquema de extorsão do bicheiro Carlinhos Cachoeira para as campanhas do PT. Waldomiro pediu sua demissão imediatamente, abalando o poder de José Dirceu, que, no entanto, fora totalmente blindado pelo governo. A operação vampiro também rendeu muito material para a imprensa burguesa, denunciando uma quadrilha que superfaturava preços de hemoderivados há 12 anos. O braço direito do ministro da Saúde, Humberto Costa, ex-coordenador de recursos logísticos do ministério, Luis Cláudio Gomes da Silva, era um dos chefes da quadrilha. O ministro declarou na época que crimes contra a saúde pública deveriam ser considerados hediondos, no entanto, não soube explicar o seu total desconhecimento com o envolvimento de seu principal assessor. Antes que o governo se recuperasse dos sustos, o caso Ágora também não pôde ser abafado. Um dos maiores amigos de Lula, o empresário e presidente da Ong Ágora, Mauro Farias Dutra, controlava um esquema de emissão de notas frias para empresas fantasmas. Dutra já havia recebido R$ 7,5 milhões em recursos para treinar jovens para o projeto Primeiro Emprego. Para completar o quadro de escândalos no governo petista, ainda consta o show “beneficente” organizado pelo próprio PT, em que foram arrecadados fundos para a construção de uma nova sede do partido. Em troca, o Banco do Brasil, de Carlos Casseb, em parceria com o PT, fez a compra de R$ 70 mil em ingressos e ainda financiou em R$ 15 milhões a nova turnê da dupla correspondente ao show. “Erramos? Admito que sim”, concluiu o presidente do BB, Carlos Casseb. O envolvimento da Brasil Telecom e a Telecom Itália levou à contratação, pelo banco Opportunity, controlado por Daniel Dantas, da empresa norte-americana de espionagem Kroll Associates, sendo investigados e-mails do secretário de Comunicação Estratégica do governo, Luiz Gushiken, e monitorados reuniões do presidente do BB, Carlos Casseb, que além deste envolvimento é acusado por atividades irregulares, juntamente com Candiota e Henrique Meirelles, pela CPI do Banestado. O poderes Legislativo, Executivo e Judiciário de São Paulo, também não escaparam da campanha contra o governo do PT. O caso Xogum, envolvendo o contrabandista Law Kim Chong, que operava um esquema de propina de juízes, policiais e políticos paulistas, foi o único caso que se manteve protegido do Planalto. Mas o caso de maior destaque e certamente o de maior interesse para a burguesia nacional é o envolvimento do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em transações imobiliárias irregulares. Os esquemas de Meirelles Em um levantamento de vários documentos de Meirelles foram encontradas procurações envolvendo seu primo, o engenheiro Marco Túlio Pereira de Campos. O resultado deste levantamento foi devido ao fato de que Campos encontrava-se em posse de R$32.000, o que levou à sua detenção em maio deste ano no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, indo para Brasília, após ter passado sua bagagem na esteira de raios X onde foi encontrado o dinheiro. Acompanhado pela Polícia Federal até uma sala, Campos disse que era parente de Henrique Meirelles, afirman- do que o dinheiro era resultado de uma transação imobiliária feita em São Paulo em relação a um dos bens de seu primo, apresentando procurações de Meirelles que autorizavam o engenheiro a se apresentar como representante junto a instituições municipais, estaduais, a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional. Dentre outros documentos, foram apresentados também dois contratos societários e uma escritura de compra de uma chácara localizada em Anápolis, Goiás, realizada por Henrique Meirelles da empresa Silvania Empreendimentos e Participações Ltda. Campos é um homem de confiança do presidente do Banco Central. Na época que Meirelles foi eleito deputado federal em Goiás, seu primo era um dos coordenadores da campanha. Desta relação, a empresa Silvania Empreendimentos tem o próprio Campos como procurador. No entanto, segundo o contrato social, a empresa pertence a duas firmas, chamadas de Silvania One e Silvania Two, localizadas em Wilmington, no estado de Delaware, EUA, das quais Henrique Meirelles é o dono. Isto quer dizer que, como pessoa física Henrique Meirelles, comprou um bem que já lhe pertencia como pessoa jurídica, pela Silvania Empreendimentos. Segundo Meirelles, a compra da chácara foi realizada em 2002, sendo discriminada no seu imposto de renda no mesmo ano. Contrariando esta afirmação, a escritura de compra e venda só foi decretada em março deste ano, já como presidente do Banco Central. Em sua declaração do imposto de renda, as empresas Silvania One e Silvania Two não estão constadas, porém, segundo explicações de Meirelles, as empresas na verdade são pertencentes a outras duas holdings, companhias que não têm atividade produtora própria, possuindo ações de outras empresas. São essas holdings que constam no seu imposto de renda. Foi em outubro de 2003, quando já comandava a economia brasileira, que Henrique de Campos Meirelles abriu a empresa Catenária Administração de Bens e Participações, onde a sua sócia, Diva Silva de Campos, com direito a 0,01% do capital social, é sua mãe. Segundo o artigo 5º, do parágrafo I, do Código de Conduta da Alta Administração Federal, consta que pessoas que exercem cargo público devem comunicar à Comissão de Ética Pública do governo federal qualquer tipo de alteração em seu patrimônio pessoal. No total, o patrimônio pessoal de Henrique Meirelles é de R$ 100 milhões. Não pagamento da dívida O presidente do BC é o homem dos banqueiros internacionais e do FMI no interior do governo Lula e maior defensor da política de gigantescos superávits primários, de juros altos, de aumentar a arrecadação e impostos, conter os gastos sociais, os salários e os investimentos. No mesmo momento em que as denúncias começam a pipocar contra o ex-presidente do Banco de Boston, vários empresários de peso protestam contra a política de manter os juros altos aprovada pelo COPOM e contra o aumento da poupança interna exigida pelo imperialismo. As expectativas da burguesia de aproveitar o crescimento das exportações para sair do sufoco esbarram na política do FMI que teme que as pressões econômicas advindas do crescimento das exportações e da produção coloquem em xeque o equilíbrio monetário, base para o pagamento de juros, os quais vem sendo aumentados pelo subserviente governo Lula. As denúncias são a típica manobra rasteira da burguesia que é completamente incapaz de lutar abertamente contra a política do imperialismo, primeiro porque é associada dele, segundo porque teme levantar as massas contra ele e ser ultrapassado por elas. As organizações operárias não devem ser solidárias com as manobras da burguesia, mas devem utilizar a divisão da classe dominante para levantar a bandeira da reposição salarial e do não pagamento da dívida externa e da dívida pública com os bancos, a estatização de todo o sistema financeiro, bem como o fim dos subsídios do Estado aos capitalistas. A ESQUERDA SERVIÇAL DO IMPERIALISMO Lula quer privatizar a Amazônia Foi elaborado pelo governo do PT o projeto que prevê a privatização de áreas da floresta Amazônica localizadas em terras públicas. Em um edital elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente para o projeto de lei tem como proposta a privatização de áreas florestais localizadas em terras públicas. A proposta está sendo revisada na Casa Civil. Segundo o edital, a idéia é mapear todas as áreas florestais que estejam fora das localidades de conservação. Dessa forma as terras poderão ser divididas em blocos, sendo entregues ao imperialismo por meio de licitação. Será permitida a participação de qualquer empresa, incluindo as estrangeiras com filiais no Brasil. Será vendido às empresas estrangeiras o direito à livre exploração dos recursos naturais das florestas, mas não ganhariam o direito à propriedade. Uma das primeiras áreas a serem incluídas no projeto de “internacionalização” da floresta Amazônica pelo governo Lula é a Floresta Nacional de Tapajós, no Pará, com cerca de 2.560 quilômetros quadrados. O projeto é apoiado – e por que não dizer? – elaborado diretamente pelo imperialismo norte-americano, que têm como propagandeadores de sua proposta de anexação da Amazônia o diretor do Programa Nacional de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Tasso Azevedo. Tasso foi levado para a Austrália entre março e abril deste ano em viagem organizada e patrocinada pelo governo norte-americano para conhecer um projeto semelhante. Inclusive membros de organizações não-governamentais que atuam na floresta Amazônica participaram da viagem e hoje coordenam o projeto do imperialismo para a privatização da Amazônia. Os vencedores de uma concorrência sobre as áreas escolhidas para a privatização teriam apenas que pagar uma porcentagem sobre o valor do produto a ser explorado, num tipo de anuidade pelo uso da terra. A desculpa que o governo entreguista do PT usa para mascarar essa afronta à soberania do povo brasileiro é que dessa forma conseguiria dinheiro em caixa, através do “aluguel” cobrado por seus recursos naturais, para fiscalizar a atividade madeireira nas florestas concedidas. Querem privatizar a Amazônia e trabalhar para o novo dono. Tasso Azevedo, do Ministério do Meio Ambiente, declarou que “o mais importante dessa estratégia é que hoje não existe um mecanismo sustentável de terras públicas e agora passaremos a ter”, confirmando o projeto do imperialismo de expropriar o território brasileiro. Chamamos toda a população a se levantar contra mais esse ataque do governo Lula à soberania do povo brasileiro, em uma atitude servil digna de um lacaio do imperialismo que mantém a população brasileira na miséria, negando-lhe os direitos mais elementares, e atendendo prontamente aos menores desejos do imperialismo. 5 de agosto de 2004 CAUSA OPERÁRIA ELEIÇÕES 2004 GRANDE ABC Verbas de Lula para as prefeituras petistas da região superam as de FHC O montante de verbas repassadas pelo governo Lula às cidades do Grande ABC nos 18 meses de governo é maior do que o dos dois mandatos de FHC juntos, principalmente nos municípios governados pelo PT. Por outro lado, as cidades que não têm prefeitos petistas estão praticamente abandonadas. São Bernardo do Campo, administrada atualmente por Willian Dib (PSB), teve uma queda significativa no número de convênios fechados com a União, isso porque há uma grande disputa na cidade entre o grupo que está no poder atualmente e o candidato a prefeito pelo PT, Vicentinho. São Caetano do Sul, governada por Luiz Olinto Tortorello (PTB), foi a cidade onde a mudança de governo provocou a maior queda nos recursos. No governo FHC, a cidade recebeu cerca de R$ 8 milhões; enquanto que no mandato de Lula, recebeu apenas R$ 127,4 mil. No primeiro semestre deste ano, não foi registrado nenhum convênio com o governo federal. Já nas prefeituras petistas a situação é bem diferente. Diadema, administrada por José de Filippi Júnior, recebeu apenas nos primeiros 18 meses do governo Lula, três vezes mais do que em todo o mandato de FHC. Somente neste ano, foram liberados mais de R$7,5 milhões para o município em convênios de transferência voluntária de recursos. Em Santo André, administrada pelo PT desde 1997, apenas neste ano foram liberados R$ 3,38 milhões, valor maior do que o fechamento de todos os anos do governo anterior, tudo isso para garantir a reeleição do atual prefeito, João Avamileno. Mauá é a cidade que, depois de Diadema, recebeu mais recursos do governo Lula. O prefeito Oswaldo Dias recebeu em convênios entre 2003 e 2004 R$ 2,54 milhões, um valor su- perior o tudo o que foi fechado com o governo federal de 1996 a 2002, sendo que mais de 95% dos convênios foram acertados neste ano. Em Rio Grande da Serra, onde o prefeito petista Ramon Velásquez tenta fazer seu sucessor, o ex-secretário municipal Carlos Augusto César, foi acertado com o governo federal uma cifra de R$ 33 mil a mais em verbas do que no governo de Fernando Henrique. A única prefeitura petista do Grande ABC que está recebendo menos recursos de Lula do que de FHC é a de Ribeirão Pires, onde a prefeita Maria Inês Soares está concluindo seu segundo mandato consecutivo e é quase certa a eleição do atual vice, Jair Diniz, nesta eleição. O presidente Lula, aos 18 meses de seu governo, assinou convênios que somam mais de R$ 20 milhões com os municípios do Grande ABC, que significa aproximadamente um terço de todo o montante de verbas liberadas para a região por Fernando Henrique. Isso se explica pelo fato da região do ABC concentrar uma grande parte da classe trabalhadora de São Paulo, que foi o grande impulso para a formação do Partido dos Trabalhadores, com as greves de 79-80, e que hoje é uma das principais bases de apoio do partido. No entanto, a política de ataques à classe trabalhadora levada à frente pelo governo do PT está provocando um enorme descontentamento dos operários. Lula, recentemente, foi vaiado numa assembléia da Mercedes, em São Bernardo, fato inédito até então. Numa tentativa de reverter a situação, a transferência de recursos para as prefeituras do PT na região aumentou substancialmente no ano eleitoral, para tentar fortalecer a campanha de seus candidatos antipovo e camuflar sua política contra os trabalhadores. CORTAR AINDA MAIS A POPULAÇÃO NA CARNE Governo Lula quer desvincular gastos sociais do Orçamento A equipe econômica do governo Lula anunciou que planeja realizar a desvinculação de verbas sociais do Orçamento, ou seja, retirar a garantia de que impostos e contribuições recolhidos pelo governo que seriam reservados para áreas específicas, como saúde e educação não sofram cortes ou redução pelo governo. A equipe econômica de Lula, liderada por Antônio Palocci, o maior representante dos grandes capitalistas e dos banqueiros é a frente imperialista que cumpre um compromisso ainda maior que o exigido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pagando em dívida externa um montante que nem FHC pagou em um ano, superando já neste ano em R$ 13 bilhões o superávit primário exigido pelo FMI. Como já publicamos no Causa Operária Notícias Online, o jornal diário do Partido da Causa Operária na Internet, este é o governo que mais retirou da população para dar para os banqueiros norte-americanos. Só nos primeiros seis meses deste ano, o governo Lula cortou R$ 46 bilhões, cerca de 5,76% do PIB (Produto Interno Bruto) do período, realizando a maior transferência do povo para o FMI desde 1991, superando o governo Collor. O orçamento reservado para investimentos já foi baixíssimo e ainda o governo utilizou apenas 5,6%, pouco mais de R$ 700 milhões de R$ 12,544 bilhões. Entre os programas sociais divulgados como prioridade pelo governo, cerca de 40% tiveram gastos abaixo de 10% do total reservado para eles. Não bastasse a atual situação, a equipe econômica do governo se diz disposta a implantar cortes sociais ainda maiores, em um índice antes inimaginável pela população, de forma a favorecer um corte ainda mais profundo dos gastos que atualmente são destinados à população como bens públicos vitais, já desmantelados totalmente pelo PT. “Estou disposto a marcar hora, local Política 5 e escolher as armas para enfrentar esse debate”, disse Palocci. (O Estado de São Paulo, 1 de agosto de 2004). A decisão acirra a crise dentro do governo do PT inclusive no setor mais à direita do qual faz parte o presidente Lula, a chamada cúpula do partido. A crise irreversível aberta com a aprovação do salário mínimo de R$ 260, e agora o ataque ainda mais profundo do PT gera uma imensa contradição entre o PT e a população, causando dentro do partido uma desagregação de figuras que perdem apoio nos setores populares que encaram a imensa traição do governo. Declarações como as de Chico Alencar (PT-RJ) de um setor moderado do governo, demonstram a incapacidade do PT de esconder a rosto do governo antipovo. “Quando a estrela perde o brilho na planície, não tem gerador próprio no Planalto que dê jeito” (O Estado de São Paulo, 1 de agosto de 2004). Fica comprovado que a aliança de um partido de esquerda apenas com os capitalistas, requer inevitavelmente uma aliança com o imperialismo, com os setores que decididamente realizarão em época de crise do capitalismo o maior roubo do dinheiro público para garantir os atuais lucros dos capitalistas nacionais e de forma acabada dos banqueiros internacionais. A única alternativa que resta para os parasitas é sugar o sangue da população. Nada surpreende a disposição da ala do PT, comandada por Palocci, de implantar suas medidas a qualquer custo, e ser figura conhecida da ala que comanda e mais aprova medidas neste governo. É claro que isto não significa uma questão de atribuições individuais de certos dirigentes do governo Lula, mas do setor da burguesia que os comanda e do qual não apenas são carne e unha, como são os próprios banqueiros nacionais e internacionais ou sócios deles. PT é fachada para a burguesia Nestas eleições o PT faz a mais ampla coligação que já fez com os partidos burgueses de direita ou de esquerda, servindo como um verdadeiro guarda-chuva para a falência política da burguesia Dos 95 maiores colégios eleitorais do país, o PT lançará candidatos próprios a prefeito em 77. Nas demais localidades o PT apoiará candidatos dos outros partidos da frente popular, reforçando o vínculo com o PSB, PCdoB, PPS e PL. A orientação do Partido dos Trabalhadores para os outros locais, onde a disputa eleitoral não está em evidência é receber o amplo apoio dado pelos candidatos da burguesia, mesmo dos partidos que fazem uma pretensa oposição ao governo Lula no Congresso. Partidos como o PP, aliado ao PT, e o PFL e o PSDB estão apoiando candidaturas petistas em diversas cidades. O PT elegeu mais prefeitos nos 95 maiores colégios eleitorais do país, 25 ao todo, e não poderia, segundo a lógica petista apoiar o PP, o partido de Paulo Maluf em São Paulo, uma reminiscência da ditadura militar. Mas, apesar de não declarar seu apoio ao PP de Delfim Neto e Paulo Maluf, o partido compõe a chapa com o PT em oito cidades, três delas encabeçadas pelo Partido dos Trabalhadores, juntando-se em outras cinco, apoiando o PDT e o PTB. O PFL, de Antônio Carlos Magalhães, coronel da Bahia, que em conflito recente com o PT derrotou o governo no Senado aprovando, com apoio da “radical” Heloisa Helena, um aumento de R$15 ao salário mínimo de fome de R$ 260 do governo Lula, agora, estará junto aos petistas em pelo menos quatro cidades, metade delas com o PT encabeçando chapas. Até o PSDB, desprestigiado partido de FHC e do derrotado José Serra, está conseguindo tirar proveito da situação favorável criada pelo governo impopu- lar do PT. Em pelo menos três cidades das 95 mais importantes o PT estará dando a cara a bater para eleger uma chapa do concorrente de Marta Suplicy na maior cidade do país. As coligações municipais do PT com os partidos da burguesia e, inclusive, da direita da burguesia se estendem pela maioria dos municípios do País. Estas preliminares das eleições servem a uma caracterização do papel do governo da frente popular. O governo do PT está prestando um grande favor à burguesia, permitindo seu reagrupamento em torno desta legenda. O PT chegou ao cúmulo de, em menos de dois anos, estar restaurando a imagem do DIGA QUEM TE FINANCIAS E TE DIREI QUEM ÉS da realidade, mas as empresas sim. Curiosamente, os maiores financiadores de Jandira Feghali, como a empresa Odebrecht é distribuidora de fundos, principalmente entre candidatos do PFL, do PSDB e do PT, de mais de R$ 5 milhões. A Tractebel, maior financiadora de Feghali foi também a principal financiadora da campanha de Espiridião Amin, candidato do PPB a governador de Santa Catarina com R$ 400 mil, e de Aécio Neves com R$ 250 mil. O PCdoB, como integrante da frente-popular nas campanhas de 2002, encampou com diversas candidaturas o apoio financiado pelos grandes empresários das candidaturas burguesas com a fachada de esquerda. As candidaturas do PCdoB, somente no Rio de Janeiro, são apoiadas como sócios menores, de grandes empresas. A candidatura de Edmilson José Valentim dos Santos, eleito deputado estadual no Rio de Janeiro, obteve 56% de sua campanha declarada de R$ 260 mil financiada por seis grandes empresas. Aguilar Ribeiro da Silva, candidato a deputado Federal no Rio de Janeiro, foi financiado em mais de 80% de sua campanha de declarados R$ 26 mil por três grandes empresas, entre elas a Fels Setal, financiadora de Feghali. Estes dados confirmam aquilo que este jornal vem afirmando há muito, de que o rótulo de comunista não é suficiente para definir o caráter de um partido, que o fundamental são as suas relações de classe. Neste sentido, o PCdoB deve ser classificado entre os partidos que estão a serviço, de maneira orgânica, dos grandes capitalistas, assim como o o seu aliado Partido dos Trabalhadores. Na realidade, a ligação do PCdoB com a burguesia é ainda mais antiga que a do PT, tendo se iniciado quando este partidos não era mais que uma fração do partido burguês de oposição ao regime militar, MDB, o atual PMDB. Jandira Feghali é um dos candidatos dos grandes capitalista O PCdoB, partido que é peça chave na política de colaboração de classes do PT na frente popular e possui como sua principal figura atuante Aldo Rebelo, ministro da Articulação Política de Lula, é apresentando por alguns setores da esquerda (P-Sol, PSTU) como um partido “operário” e “socialista”. No entanto, não nos deixemos enganar por um simples rótulo. O verdadeiro caráter social, ou seja, de classe deste partido pode ser visto pela candidata que lançou à prefeitura do Rio de Janeiro, uma das principais capitais do País: Jandira Feghali. A candidata é uma de suas figuras destaque, que ganha evidência porque supostamente estaria defendendo uma política à esquerda do governo que apóia, pela sua posição na votação da Previdência. No entanto, a candidata da “esquerda” do PCdoB está publicamente ligada a grandes empresários, inclusive entre eles, os maiores financiadores de campanhas dos partidos burgueses e do PT. Para as campanhas eleitorais de 2002, quando foi candidata a deputada federal, eleita pelo Partido Comunista do Brasil, Feghali foi financiada, isso de forma declarada, em mais de metade de sua campanha por nove grandes empresas: a Tractebel Sul S/A, empresa do setor elétrico com R$ 20 mil, a Transroll Navegação S/A. com R$ 20 mil, a Fels Setal S/A empresa de construção naval, com R$ 15 mil, a Odebrecht, empreitera com R$ 12 mil, a Companhia de Navegação Norsul com R$ 10 mil, a Triunfo Operadora Portuária com R$ 10 mil, a Aliança Navegação e Logística Ltda com R$ 5 mil, a Estaleiros Promar Repartições Navais Ltda. com R$ 5 mil, e a Sermetal Estaleiros Ltda. com R$ 2,5 mil. As informações estão expostas no sítio da internet “Às Claras” (www.asclaras.org.br), onde foram declarados os fundos de campanha de todos os candidatos nas eleições de 2002. Os valores, evidentemente, não podem ser considerados como um reflexo candidato do PSDB em São Paulo, José Serra. Uma manobra e tanto. Somente um governo altamente impopular conseguiria trazer de volta o PSDB, reprovado nas primeiras eleições após oito anos da era FHC. O PT constitui-se como eixo da rearticulação de toda a burguesia nacionalmente. Quando não está servindo de guarda-chuva para os partidos burgueses rejeitados pelas massas ali onde guarda um certo prestígio, permitindo, através da frente popular, que partidos e candidatos rejeitados pela população apareçam como uma alternativa ao governo Lula. Estão apoiando e sendo sustentados por verdadeiros cadáveres políticos. De um modo ou de outro, o PT é, neste momento, a tábua de salvação do regime político burguês que afunda em função das suas profundas e insanáveis contradições políticas. O governo do PT está prestando um grande favor à burguesia, permitindo seu reagrupamento em torno desta legenda DOAÇÕES PT: financiado e sob o controle dos capitalistas Brechas na lei eleitoral permitem aos partidos tradicionais da burguesia esconderem a fonte do financiamento milionário das campanhas de seus candidatos. Os balanços da receita dos partidos nas últimas três eleições mostram que o PT está completamente integrado ao esque- ma de favorecimento dos capitalistas através dos acordos feitos sobre o financiamento de suas campanhas. Ainda vigora a lei que regulamenta as doações para os comitês de campanha dos candidatos nas eleições, que permite a empresários financiarem as campanhas de seus candidatos indiretamente com um grande volume de doações aos comitês financeiros para encobrir os acordos estabelecidos entre os dirigentes do Estado burguês e os grandes capitalistas beneficiados em licitações, “acima de qualquer suspeita”. É o caso da prefeita do PT, Marta Suplicy, em São Paulo. A Justiça Eleitoral divulga através da página do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na internet, o financiamento das campanhas dos candidatos de todos os partidos. O PT tem recebido doações de empresas envolvidas na licitação de serviços públicos na capital desde 2001, como é o caso da empresa de lixo Vega Engenharia Ambiental, que doou em 2002 para a campanha nacional de Lula à presidência e de José Genoíno ao governo paulista mais de R$ 750 mil. A empresa de lixo deu R$ 275 mil dos R$ 280 mil arrecadados pelo PT em São Paulo e nacionalmente, a empresa em parceria com o PT, contribuiu generosamente com R$ 1,2 milhões dos R$ 2,018 milhões doados por pessoas jurídicas ao partido. O PT pagou de volta, em dia, com o dinheiro público. A empreiteira, que já recebeu da administração do PT R$ 430,60 milhões no período de 2001 a 2004, venceu há poucos dias uma concorrência bilionária na Prefeitura de Marta Suplicy. O PT já é quase um modelo no envolvimento no esquema capitalista de sustentação dos partidos burgueses pelas empresas. Outra empresa que mantém contratos regulares com a gestão Marta Suplicy é a Carioca Christiani Nielsen, que atua na construção dos superfaturados CEU´s, e que doou R$ 219 mil para o diretório nacional do PT em outubro de 2002, e R$ 100 mil no ano seguinte para o diretório estadual paulista. O PT, representante dos interesses de setores da burguesia nacional e internacional está conduzindo um governo que vai contra os anseios e as necessidades dos trabalhadores e do povo, entregando o dinheiro arrancado através de impostos da população diretamente para as mãos dos capitalistas que financiaram sua subida ao poder. 5 de agosto de 2004 CAUSA OPERÁRIA Eleições 2004 6 ENTREVISTA “Precisamos aproveitar esta possibilidade que se abre para consolidar o nosso partido como uma ferramenta sólida contra o Estado burguês” A candidata a prefeita pelo Partido da Causa Operária no Rio de Janeiro, Thelma Maria, concedeu uma entrevista ao jornal Causa Operária, contando sua história, sua atuação política no movimento operário e esclarecendo os objetivos de sua candidatura nestas eleições Causa Operária – Você poderia contar um pouco de sua história, onde nasceu e as origens da sua família? Thelma – Eu nasci em Planaltina, uma cidade satélite da periferia de Brasília, meus pais são de Minas Gerais e de Goiás. Meu pai foi caminhoneiro e minha mãe é dona-de-casa. Causa Operária – E sua atuação profissional? Thelma – Eu terminei o segundo grau em Planaltina e comecei a fazer serviços voluntários como professora na pré-escola. Prestei o vestibular para Pedagogia na Universidade do Distrito Federal e trabalhei com a Educação, mas só terminei o curso em São Paulo e, posteriormente, no Rio de Janeiro. Causa Operária – Desde quando você mora no Rio de Janeiro? Thelma – Moro no Rio de Janeiro desde 2000, há quatro anos e meio. Causa Operária – Você atuou no movimento estudantil? Thelma – Meu início de militância foi, de fato, no movimento estudantil. Eu conheci o Partido da Causa Operária durante o curso de Pedagogia na Universidade do Distrito Federal em 1997. O PCO naquele momento estava fazendo um curso sobre Che Guevara e eu me interessei, inclusive porque o curso de Pedagogia, apesar de ser um tanto abstrato, valoriza muito a discussão filosófica e sociológica. A partir de então eu comecei a me aproximar do partido, e minhas primeiras movimentações foram na formação de uma chapa para o Diretório Central dos Estudantes da universidade em que eu estudava. Vindo para São Paulo, em 1998, eu atuei no Centro Acadêmico de Pedagogia da PUC de São Paulo onde estudava na época. Causa Operária – Você pode contar um pouco mais desta atuação na PUC-São Paulo? Thelma – Bem, esta etapa da minha militância no movimento estudantil na PUC-São Paulo foi muito importante porque foi nesta época que eu participei dos congressos da União Nacional dos Estudantes defendendo as propostas da Aliança da Juventude Revolucionária. Este momento foi interessante porque havia uma predominância do PT e do PcdoB, fundamentalmente, e nós da AJR pudemos fazer uma discussão acirrada com os estudantes sobre a atuação da frente popular, porque apesar de não ser em um âmbito político geral, desde aquela época já dava pra perceber claramente que estes partidos defendiam, de maneira camuflada, mas visível, a privatização do ensino através da proposta do PCdoB da regulamentação da universidade paga. As nossas propostas, da AJR, para o movimento estudantil nasceram de uma atuação prática que se deu principalmente a partir deste momento. As PUC’s são as principais faculdades pagas do país, então, é interessante dizer que o Gustavo Petta, o atual presidente da UNE, é oriundo da PUC-Campinas, onde também a gente começou uma atuação nesta mesma época, e que a família dele é dona de uma escola particular. Vale ressaltar, também, que os principais setores que estão no governo hoje vêm do movimento estudantil, como o Zé Dirceu e o Gushiken, por exemplo, então eu acho importante lembrar esta nossa atuação contra a frente popular no movimento estudantil. Causa Operária – Qual é o objetivo de sua candidatura a prefeita no Rio de Janeiro pelo PCO? Thelma - O objetivo da minha candidatura no Rio de Janeiro não é diferente, naturalmente, dos objetivos das candidaturas do PCO nas outras cidades em geral. É dar voz a quem não tem voz. No Rio de Janeiro tem uma questão muito importante agora que é o fato da dita esquerda se dividir em duas frentes, o PT e o PCdoB, então a nossa campanha vai denunciar que estas duas candidaturas da frente popular são, na verdade, uma só, já que possuem o mesmo programa de defesa da burguesia contra a classe trabalhadora e explorada. A candidata do PCdoB, Jandira Feghali, inclusive, não é apenas uma candidata com um programa de frente popular, mas, por exemplo, a proposta sobre segurança pública dela foi retirada da Denise Frossard, uma candidata do PSDB ligada ao tráfico de influência na questão da violência e das armas no estado do Rio de Janeiro. Então, nós não podemos ter nenhum receio de denunciar a candidatura do PT como uma candidatura capitalista, e denunciar a candidatura da Jandira Feghali, que também é uma candidatura de direita. Só para ter uma idéia, o PCdoB fez aliança com Roseana Sarney no Maranhão, é um partido que considera a aliança com a burguesia como uma coisa progressista. A nossa candidatura vem dar uma alternativa real à classe trabalhadora, que estaria totalmente sem opção, não fosse a nossa participação nestas eleições. Thelma Maria Causa Operária – Você mencionou a candidatura de Jandira Feghali, qual a sua avaliação a respeito da candidatura do PCdoB à prefeitura do Rio de Janeiro? Thelma – Nós temos claro que a frente popular enfrenta de um desgaste natural, por assim dizer, inerente ao mecanismo político que representa. À medida que o PT utiliza toda a sua autoridade para fazer uma série de reformas anti-povo, ela se esvai, e o governo de fachada para a burguesia vai ficando exposto como inimigo da população. O fato de que o PCdoB, que está no governo federal, está lançando uma candidatura própria, ao invés de apoiar os candidatos do PT, como faz na maioria dos casos, revela uma tendência na frente popular, de substituir os elementos imediatamente relacionados ao governo Lula por pessoas “de esquerda”, buscando desviar do descontentamento da população. O caso de Jandira Feghali é revelador neste sentido. Ela está sendo apresentada como uma candidata tanto à esquerda do PT como do seu próprio partido, com o qual teve alguns atritos no momento da votação das reformas, como ocorreu com os chamados radicais do PT. No entanto, toda esta tentativa é apenas uma grande farsa. Ela está ligada à grandes grupos da indústria naval, que investiram pesadamente em sua campanha para deputada nas eleições passadas, além de empresas da saúde privada. Um dos principais financiadores da candidata do PCdoB a deputada federal foi a construtora baiana Odebre- cht. Esta é uma candidatura burguesa em todos os sentidos da palavra. A candidatura dela está sendo apoiada veladamente inclusive pelo PSTU, que “mordeu a isca”, fazendo um chamado à Jandira para romper com a frente popular e apresentar uma “alternativa de esquerda” nas eleições. O chamado revela que a política do PSTU nada mais é que uma cobertura esquerdista dos elementos apoiados pela burguesia e que atuam como agentes diretos da burguesia no interior do movimento operário. A presença de uma candidatura que aparentemente não se relaciona com “ comentar essas outras candidaturas? Thelma – Isso é importante. O nosso partido vem para defender os interesses dos setores oprimidos da sociedade e a nossa candidatura a prefeita vem acompanhada de uma vice, a Angélica Veloso, que é negra, mãe de família e líder da associação de moradores da Freguesia, que é muito oprimida pelo governo do município, onde não tem água, não tem luz, justamente por causa do isolamento a que o município submete as comunidades carentes. Além disso, nós temos candidatos a vereadores que defendem a juventude, os negros, as mulheres, os operários. Nós vamos lançar seis candidatos a vereador cuja maioria faz parte de comunidades, então, tem uma ampla expectativa de aglutinar os trabalhadores de Campo Grande, que é uma grande periferia do Rio de Janeiro, e também da Cidade de Deus, que é um local onde a burguesia vai para fazer muita demagogia. Como se pode ver pela localização, a chapa do PCO é representativa das concentrações operárias de uma cidade onde politicamente predomina de maneira muito acentuada a pequena burguesia de esquerda e de direita. No Rio de Janeiro tem uma questão muito importante agora que é o fato da dita esquerda se dividir em duas frentes, o PT e o PCdoB, então a nossa campanha vai denunciar que estas duas candidaturas da frente popular são, na verdade, uma só, já que possuem o mesmo programa de defesa da burguesia contra a classe trabalhadora e explorada a frente popular direitista é uma ilusão criada para permitir a sustentação de um governo extremamente impopular e antioperário. Causa Operária – No Rio de Janeiro, o PCO vai lançar chapa com prefeito, vice e vereadores, você pode ” Causa Operária – Você poderia 5 de agosto de 2004 fazer um breve balanço da administração municipal com o César Maia, do PFL? Thelma – É estranho falar isso, mas é a realidade: a atuação da atual administração municipal do PFL não se difere das administrações da dita esquerda no resto do país. É um município onde há uma enorme preocupação no pagamento da dívida interna, o que impossibilita a colocação das verbas públicas para a sociedade, para a educação, para a saúde, justamente onde as verbas deveriam ser implementadas. Além disso, há um problema pior, porque a política do PFL em todo o país é uma política de repressão, muito maior do que as outras. A gente pode ver que a política do PFL na Bahia, por exemplo, é uma política de coronelismo. No município do Rio de Janeiro pode-se ter a impressão de que não é assim, mas vejamos o caso dos camelôs, só para termos um exemplo, eles sofrem uma repressão colossal contra o seu trabalho com a política direitista de César Maia, que ideologicamente vai contra os interesses da classe trabalhadora e na prática está demonstrando isso com o desvio de verbas da área social para os empresários. É uma administração, como todas no País, estruturada em torno de um duro ataque contra a classe operária. No entanto, não podemos deixar de assinalar o fato de que ela só p o d e se r possível devido à proteção que lhe deu durante todos estes anos a administração estadual, de esquerda, primeiro da coligação PSB-PT e, agora, a família Garotinho. CAUSA OPERÁRIA Causa Operária – A respeito da participação das mulheres nas eleições, o PCO lançou candidaturas femininas em três dos quatro estados da região sudeste.. . Thelma – É realmente muito importante a participação da mulher nas eleições. A defesa das reivindicações de uma das parcelas da população mais duramente oprimidas pelo capitalismo é um marco na atuação do PCO. O Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo aprovou em sua primeira conferência nacional em maio de 2002 um programa e suas teses sobre a situação da mulher na sociedade brasileira. De fato, a questão da mulher precisa ser levada a sério. A defesa conseqüente de nosso programa será um dos destaques das candidaturas femininas do partido. Precisamos compreender que as mulheres que se apresentam pelos partidos burgueses às eleições não se colocam em favor da luta da mulher. Defendem os mesmos interesses da burguesia de exploração contínua da classe trabalhadora e da população oprimida, principalmente mulheres e “ Causa Operária – Diante deste quadro de divisão da frente popular, quais as expectativas do PCO para estas eleições? No Rio de Janeiro o PT ficou muito comprometido com o governo de Anthony Garotinho, que era do PSB e hoje está no PMDB, com a administração da Benedita da Silva, de grande repressão à população trabalhadora. O governo do PT buscou restabelecer o prestígio do Exército, preparando terreno com presença de militares nas ruas do Rio. É um grande ataque à população pobre e trabalhadora do Rio, colocar todo o poder de destruição do Exército em conflito com o domínio dos traficantes nos morros da cidade, deixando a maioria da população desarmada exposta à uma das maiores mobilizações militares já vistas no país. Agora com as tropas brasileiras enviadas para o Haiti para reprimir a população negra, é uma atitude muito negativa. Deixa a grande maioria negra ou morena da população brasileira de sobreaviso, porque é uma atitude servil ao imperialismo norte-americano, defendendo sua política racista de opressão à população do Haiti. O governo Lula só está servindo para desarmar a população, deixandoa indefesa, diante dos maiores ataques, que vêm da burguesia. Não há mais nenhuma confiança por parte da população na política do PT, que defende apenas os interesses de banqueiros e agiotas internacionais, pagando a dívida externa e condenando o povo à miséria. O PSTU, que vai lançar um candidato laranja enquanto muitos militantes da base querem o apoio ao PCdoB, tem uma postura muito ambígüa em relação à frente popular. Nos sindicatos eles fazem aliança com PSB, com a Articulação, que é o grupo do Lula e com o PCdoB, mas nas eleições municipais do Rio de Janeiro não apóiam a frente popular oficial, mas um substituto da frente popular que é a candidatura de Jandira Fegalli Thelma – Nossas expectativas são muito boas, conforme discutimos na XIII Conferência Nacional do partido, o nosso programa, que foi aprovado por unanimidade, é um programa que não atrela os problemas da classe trabalhadora aos problemas administrativos municipais, não fica ligado à camisa-de-força que as eleições burguesas impõem aos operários, de uma discussão meramente administrativa e limitada dos problemas do município. O PCO se apresenta nestas eleições para colocar em discussão os problemas que afligem a população carioca, que é o problema do desemprego, do salário baixo, ou seja, que são os problemas de toda a classe trabalhadora não só do Brasil mas como de todo o mundo. Então, a nossa candidatura e a divisão da frente popular demonstram, primeiro, que a esquerda oficialista está enfraquecida e, segundo, que a tendência é o crescimento do partido revolucionário, do PCO. O candidato do PT, por exemplo, não tem o menor apoio popular e a candidatura da Jandira Feghali, do PCdoB, que apesar de se dizer uma candidata em defesa dos direitos das mulheres, não conseguiu uma única conquista para as mulheres em anos de atuação parlamentar, então, ela é na verdade uma candidatura acabadamente burguesa e que será financiada por grandes empresas nacionais como as de saúde privada. Nós encaramos estas eleições como uma possibilidade de fazer a propaganda de nosso programa revolucionário e, a partir disso, obter um grande crescimento do nosso partido, tanto em quantidade de quadros, de filiação, quanto em quantidade de votos e com isso abrir caminho para organizar uma mobilização massiva contra o regime burguês em seu conjunto. ” crianças. Por isso, não podemos considerá-las como verdadeiras candidaturas das mulheres. Nós nos colocamos em defesa de reivindicações que permitam às mulheres, e à população explorada em geral, ter condições de vida dignas. Defendemos salários iguais para funções iguais, para acabar com a superexploração da mulher. Queremos a legalização do aborto e uma legislação que garanta acesso irrestrito ao divórcio para homens e mulheres. São reivindicações democráticas que a sociedade burguesa e o capitalismo não podem oferecer e que somente um governo de operários e camponeses pode dar conta de atender às necessidades da população. Causa Operária – Como você definiria a situação atual do governo do PT, da frente popular? Thelma – É um governo em crise, em decomposição. Sem apoio nenhum da população. Nosso partido caracterizou, numa análise muito acertada sobre a situação política nacional, a tendência à desagregação no interior do PT. A expulsão dos radicais na votação da Reforma da Previdência foi o estopim para o esvaziamento no partido de sustentação da burguesia. Agora, na votação do salário mínimo saíram vibrando por terem aprovado a miséria dos R$ 260,00. É uma situação muito delicada para o governo frente popular que não teve peito para expulsar os que divergiram desta vez. Acabariam colocando metade do partido para fora. O novo partido saído do PT, o PSol, é o primeiro sinal da desagregação do PT e será convocado a cumprir um papel de maior destaque na frente popular se o PT não for mais capaz de conter o ascenso revolucionário das massas. Causa Operária – Você poderia comentar sobre a atuação do novo partido, o P-Sol, no Rio de Janeiro? Thelma – Na Cinelândia, um local central de atividade política para a população carioca, eu pude acompanhar a campanha deste novo partido para recolhimento de assinaturas para a legalização deste partido e vi que os militantes pediam assinaturas para o partido da Heloísa Helena, ou seja, não é um partido que vai ser construído a partir do movimento real da classe operária a partir de um programa de defesa dos interesses dos trabalhadores, é um partido que está sendo criado em torno de uma pessoa, uma parlamentar, e o que é pior, uma pessoa que não tem o menor vínculo com a classe operária, uma pessoa que foi vice em uma chapa de direita e que já declarou apoiar o PPS de Ciro Gomes em Alagoas. Nós consideramos que o P-Sol é uma caricatura do PT. Caricatura por quê? Porque o P-Sol quer ser, como eles mesmos dizem, o PT das origens, mas não tem uma base operária, sua base é composta por setores insatisfeitos da pequena-burguesia. Vale comentar também, eu acho importante lembrar que, apesar de ser um partido que não está sendo construído na base de uma política operária, ele exerce grande influência na militância do PSTU, que é uma militância predominantemente pequeno-burguesa e por isso é cooptada pela proposta do P-Sol. No Rio de Janeiro, o P-Sol está apoiando a candidatura burguesa de Jandira Feghali, do PCdoB, e este apoio fez com que setores do PSTU no Sindsprev votassem no apoio à Jandira e retirassem a própria candidatura nas eleições municipais. Ou seja, a frente popular não é alternativa e o PSol e o PSTU que se dizem de esquerda e criticam em palavras a frente popular, apesar de apoiá-la em todos os lugares, se lançam uns no apoio direto a uma candidatura antioperária e outro com uma candidatura laranja, que está aí só para fazer figuração, porque Eleições 2004 7 a base mesmo do PSTU está pedindo voto para a candidata do PCdoB. Causa Operária – Você pode comentar um pouco mais sobre a postura do PSTU em relação à frente popular no Rio de Janeiro? Thelma – O problema é esse mesmo que eu coloquei. O PSTU, que vai lançar um candidato laranja enquanto muitos militantes da base querem o apoio ao PCdoB, tem uma postura muito ambígüa em relação à frente popular. Nos sindicatos eles fazem aliança com PSB, com a Articulação, que é o grupo do Lula e com o PCdoB, mas nas eleições municipais do Rio de Janeiro não apóiam a frente popular oficial, mas um substituto da frente popular que é a candidatura de Jandira Fegalli. Quer dizer, o PSTU não tem interesse em levar adiante uma luta de verdade contra a frente popular, senão não faria essas alianças nos sindicatos, pelo contrário, eles procuram manter uma postura de não atacar a frente popular, o que se caracteriza, finalmente, como um apoio à frente popular. Causa Operária – Como se daria uma administração municipal do “ dores, devem ser criados conselhos populares para discutir o orçamento, para fiscalizar as obras e decidir tudo o que for do interesse da população da cidade. Tem uma proposta nossa que demonstra a nossa defesa da classe trabalhadora que é a dissolução das guardas municipais, que em todas as cidades do país onde ela foi criada, só serve para reprimir mais os trabalhadores, principalmente os camelôs. O papel de um governo do PCO é possibilitar que os trabalhadores decidam e participem ativamente das decisões do governo, e não governar para a burguesia, como fazem todos os outros partidos. Defendemos um governo dos trabalhadores da cidade e do campo por entender que somente a classe trabalhadora organizada poderá levar à frente a grande transformação social colocada em marcha com todo o processo revolucionário do século passado. Temos a compreensão de que a defesa deste governo é um referencial indispensável para a classe operária, para esclarecer a necessidade desta de romper suas ligações com a burguesia, e se posicionar de maneira independente pela defesa de seus interesses históricos. A burguesia está conduzindo o país a um caos econômico, um tremendo retrocesso social que condena milhões de pessoas à miséria, a morrerem de fome. É preciso da força social de uma classe, e no caso, da classe operária, que está à frente da maioria da população que hoje vive uma tremenda ditadura em quase todos os países, para operar uma verdadeira revolução social, política e econômica, e acabar com a ditadura capitalista. O caso de Jandira Feghali é revelador neste sentido. Ela está sendo apresentada como uma candidata tanto à esquerda do PT como do seu próprio partido. (...) No entanto, toda esta tentativa é apenas uma grande farsa. Ela está ligada à grandes grupos da indústria naval, que investiram pesadamente em sua campanha para deputada nas eleições passadas, além de empresas da saúde privada. Um dos principais financiadores (...) foi a construtora baiana Odebrecht. (...) A candidatura dela está sendo apoiada veladamente inclusive pelo PSTU ” PCO no Rio de Janeiro? Thelma – Nosso partido é a favor da criação de conselhos populares. A nossa propaganda eleitoral não é feita de promessas, não é um projeto político que vende promessas em troca de votos. Uma administração municipal do PCO seria feita junto com os trabalha- Causa Operária – Deixe um último recado para a população carioca e para os militantes do PCO. Thelma – Estamos em um momento histórico do país que não podemos deixar passar. Existe a possibilidade agora com o PT no governo e com a experiência das massas com a frente popular, do PCO aglutinar como nunca os trabalhadores e as massas exploradas em torno de um programa revolucionário. Não podemos deixar o bonde da história passar, temos que agarrálo, não podemos ser meros expectadores, precisamos aproveitar esta possibilidade que se abre pra aumentar os nossos quadros partidários, fortalecer os que já estão conosco, e consolidar o nosso partido como uma ferramenta sólida contra a decadência dos partidos que apóiam o Estado burguês. 5 de agosto de 2004 CAUSA OPERÁRIA VIOLÊNCIA NO CAMPO CORREIOS-ES ECT não fornece os equipamentos básicos de segurança O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Espírito Santo tem realizado várias reuniões nos setores e tem recebido várias denúncias dos trabalhadores, como por exemplo a falta de EPI, Equipamento de Proteção Individual, que inclusive determina a NR-06 (Norma Regulamentadora). Os trabalhadores carteiros motorizados (motociclistas) estão com os capacetes bem antigos, além disso, sofrem com a falta de botina. Os OTT’s, da mesma forma, inclusive sem luvas que são de muitíssima necessidade, uma vez que carregam, descarregam e manuseiam objetos maiores e malas. Os carteiros trabalham na rua e sequer possuem óculos de sol, o que deveria ser naturalmente liberados pela empresa. É por esse motivo que conseguimos reivindicar que fosse colocado esse item na pauta nacional de reivindicações para discutir na Campanha Salarial 2004/2005 da categoria. O EPI é uma responsabilidade por parte da direção dos Correios e devemos exigir o cumprimento desta norma. É importante que os trabalhadores denunciem a falta de EPI‘s e também a falta de uniformes ao Sindicato para que este tome todas as medidas cabíveis, junto aos órgãos competentes no sentido de fazer pressão para que a direção dos Correios cumpra com suas obrigações em favor dos trabalhadores. NR 6 – Equipamento de Proteção Individual 6.1 Para os fins de aplicação desta Norma Regulamentadora – NR, considera-se Equipamento de Proteção Individual – EPI, todo disposi- tivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. 6.1.1 Entende-se como Equipamento Conjugado de Proteção Individual, todo aquele composto por vários dispositivos, que o fabricante tenha associado contra um ou mais riscos que possam ocorrer simultaneamente e que sejam suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. 6.2 O equipamento de proteção individual, de fabricação nacional ou importada, só poderá ser posto à venda ou utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação – CA, expedido pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego. (206.001-9 /I3) 6.3 A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias: a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho; (206.002-7/I4) b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; e, (206.003-5 /I4) c) para atender a situações de emergência. (206.004-3 /I4) Exemplos de equipamentos de proteção individual que os ecetistas estão exigindo da ECT: capacete, óculos solar, protetor auditivo para os ecetistas que sempre vão ao aeroporto descarregar a carga, luvas, protetor solar de excelente qualidade, calçados (boltina), etc. CORREIOS A corrente Ecetistas em luta convoca plenária para decidir e organizar o apoio aos candidatos do PCO A Coordenação Nacional da Corrente Ecetistas em Luta comunica a todos os companheiros que, nos próximos 15 dias, devem ser realizadas plenárias nos Estados para decidir e organizar o apoio aos candidatos do Partido da Causa Operária que são trabalhadores do Correio. Precisamos apoiar candidatos que possam usar os cargos de prefeito e vereador e a campanha eleitoral para defender o interesse da nossa categoria e não usar as eleições para fazer carreira pessoal, onde os trabalhadores são somente degrau para que eles possam subir na vida. Por isso precisamos fazer campanha entre os ecetistas para que não votem em candidatos e partidos que defendem o interesse dos capi- Nas Ruas Boletim Ecetistas em Luta ENTRE EM CONTATO: Rua Miguel Stéfano, nº 349, Saúde, CEP 040301-010, Fone (11) 5584-8604, email: [email protected], internet: www.pco.org.br/el Movimento Operário 8 talistas, empresários, banqueiros e privilegiados da sociedade. Também devemos fazer campanha para que os trabalhadores votem em companheiros do correio que são comprometidos com as nossas reivindicações e interesses e não com aqueles que aparecem, do nada, na época das eleições para usarem a força eleitoral de uma categoria grande como nossa, para fins puramente pessoais que nada tem a ver com a defesa do interesse coletivo dos 100 mil trabalhadores. A orientação da Coordenação Nacional é que seja discutido com todos os candidatos, em todos os estados, a utilização da campanha eleitoral, particularmente o programa na televisão, para a denúncia da política salarial da ECT e a situação de arrocho salarial dos trabalhadores. Continuam os assassinatos de sem-terra Militantes do MST foram violentamente assassinados, no Paraná e no Piauí, demonstrando a política do governo do PT em defesa dos latifundiários e contra os trabalhadores Em nota divulgada à imprensa, o MST do Piauí acusa um dos funcionários da fazenda, o capataz conhecido como Antonio Nonato de ser o autor dos assassinatos. Em uma tentativa de ocupação da mente encoberto pela polícia. Francisco José, da direção do MST fazenda Santa Filomena, localizada em No entanto, os verdadeiros respondo Piauí disse que estava marcada para Planaltina, município próximo a Paranasáveis por essa repressão e por toda a sexta-feira uma reunião na fazenda para vaí, interior no Paraná, pelo Movimenviolência sofrida pelo MST, são os grandiscutir a questão, “mas antes do enconto dos Trabalhadores Rurais Sem-Terdes latifundiários que estão protegidos tro os dois líderes sem-terra foram vítira, um militante foi morto e cinco ficapelo Estado e pela polícia. mas de um ataque covarde de tocaia por ram feridos na madrugada de sábado. pistoleiros, que assassinaram os lídeLogo depois que um grupo de 400 Piauí res”. (O Globo, 31 de julho de 2004). famílias ligadas ao MST entrou na fazenSó no primeiro semestre, o número de da, seguranças dispararam contra eles ocupações de terra já superou as do ano Manoel de Jesus, de 33 anos e Maria matando o sem-terra Elias Gonçalves passado inteiro. Este ano, segundo o Bethânia, de 34, foram torturados e Deneura, de 20 anos. relatório da Ouvidoria, o número de assassinados a tiros em uma porteira que A truculência com que os sem-terra ocupações foi de 230. Em 2003, nos 12 dá acesso à Fazenda do Papagaio, na foram recebidos resultou em um confronmeses, o registro marcou 222 ocupações. cidade de Joaquim Pires, a 242 km de to com os seguranças que durou cerca de Em um dos dados apresentados pelo Teresina, Piauí, local onde os líderes quatro horas e terminou com a chegada relatório, no mês de junho foram regisestavam planejando uma ocupação. do reforço policial. tradas 17 ocupações, em maio, 48 ocuEles estavam organizando um grupo Segundo a polícia, não há o menor pações e no mês de abril, conhecido como de aproximadamente 40 famílias que sinal de quem foi o responsável pelo “abril vermelho”, o número foi de 109 reivindicavam a desapropriação da fazenassassinato do sem-terra e nem mesmo ocupações. da de três mil hectares. Quando soubehá suspeitas. Foram destacados 30 poO presidente não pretende resolver o ram que teriam que deixar a fazenda, liciais para permanecer no local que se problema da distribuição das terras por um começaram a organizar para aumentar o mantém com clima tenso. lado e, por outro, permite que os latifunnúmero de famílias na terra para tentar Há 18 meses as famílias já estavam diários ataquem os sem-terra, assassinangarantir a desapropriação da área para acampadas em frente à fazenda, pois, de do-os. O assassinato dos líderes dos semassentamento, que já havia sido pedida acordo com a assessoria do MST, estaterra é um método antigo vam aguardando o assentae que persiste no governo mento prometido pelo PlaLula sem qualquer punino Nacional de Reforma ção. Agrária (PNRA) do goverO governo Lula, eleino federal. to com o voto da popuNo ano de 1997, em uma lação explorada, coloca a vistoria feita pelo Instituto defesa do interesse dos Nacional de Colonização e latifundiários em primeiReforma Agrária (Incra), a ro lugar em oposição ao fazenda Santa Filomena foi interesse dos sem-terra declarada “latifúndio imque estão passando produtivo”. Após este fato, fome e sendo assassinao Incra instruiu o processo dos por lutar por um de desapropriação para fins pedaço de terra para ter de reforma agrária. onde morar e plantar. O MST exigiu imediataA luta dos trabalhadomente uma nota oficial desares rurais é a expressão da propriando a fazenda e tamincapacidade de um gobém a punição para os assas- Um grupo de 400 famílias ligadas ao MST entrou verno burguês em assisinos e mandantes que repri- na fazenda Santa Filomena e seguranças milar as necessidades miram os sem-terra. Além dispararam contra eles matando um sem-terra vitais do trabalhador. disso, exigiram que o goverO governo de Lula e do PT, não é nada ao superintendente do Incra, João Ladisno federal agilize o processo de reforma mais que um governo dos latifundiários lau da Silva. agrária, cumprindo as metas do PNRA. e grandes parasitas da economia nacioSegundo a coordenação do MST, os Mesmo com a fazenda já declarada nal, sem nenhum interesse em atender às dois vinham denunciando as precárias improdutiva, os sem-terra foram violenreivindicações dos trabalhadores do condições de trabalho dos empregados tamente reprimidos causando a morte de campo e da cidade. da fazenda. um militante, cujo responsável foi total- BELO HORIZONTE Movimento dos Trabalhadores da Economia informal coloca o PT na defensiva A prefeitura de Belo Horizonte, nas mãos do vice-prefeito, Pimentel do PT, está promovendo a maior perseguição aos camelôs, seguindo o modelo de repressão e corrupção bem conhecido dos trabalhadores informais de todas as grandes cidades. O Movimento dos Trabalhadores da Economia Informal, apoiado pelo Partido da Causa Operária, conseguiu impedir a retirada das barracas na região central de Belo Horizonte, marcada pela prefeitura do PT e do PSB para quinta passada. A prefeitura está conduzindo há algum tempo o projeto de construção de “camelódromos”, para onde os ambulantes das principais ruas do centro da capital mineira foram deslocados, conseguindo vagas por meio de sorteios controlados por uma verdadeira máfia, protegida pelo PT. Em Belo Horizonte, comerciantes chineses detêm o monopólio sobre diversos locais onde se concentram camelôs, cobrando altos aluguéis e, no caso do “Shopping Popular” inaugurado por Pimentel em Belo Horizonte há cerca de um ano, controlando o sorteio por meio do qual as vagas no “camelódromo” são distribuídas. A máfia que atua em Minas é a mesma comandada por Law Kin Chong, preso em junho pela Polícia Federal. Os chineses controlam quase metade das 450 vagas no camelódromo, cobrando até R$ 40 mil pelo aluguel do espaço. A prefeitura do PT não hesitou em acionar todo o aparato repressivo do Estado para controlar os camelôs, investindo sobre eles diversas vezes mesmo depois de terem sido agrupados no curral da máfia chinesa para serem duplamente explorados. Foi o que ocorreu na quinta passada. Pimentel, a exemplo do que Marta Suplicy fez em São Paulo, tentou “varrer” os camelôs e “toureros” do centro de BH. No entanto, uma parcela dos trabalhadores da economia informal, fugindo da direção pelega de seu sindicato, controlado pela burocracia do PT e do PCdoB, procurou se organizar para impedir o ataque da prefeitura. Os camelôs procuraram companheiros do Sintect-MG (Sindicato dos trabalhadores dos correios de Minas Gerais), dirigido pela corrente Ecetistas em Luta, ligada ao Partido da Causa Operária, para ajudá-los a organizar a mobilização. A pressão dos camelôs conseguiu fazer com que o PT recuasse, retirando a polícia das ruas do centro na quinta passada e adiando até o dia 8 de agosto a nova tentativa de expulsar os camelôs das ruas. A escolha do dia 8, no próximo domingo, pela prefeitura de Pimentel do PT foi feita em função de uma visita que o presidente Lula fará à capital mineira para dar início à campanha para a prefeitura, procurando evitar a campanha e a opinião da população levantada contra seu governo anti-popular. Em Belo Horizonte o PT já negociou o apoio com o PL, enfrentando a oposição de direita de PSB e PMDB. O Movimento dos Trabalhadores da Economia Informal vem se reunindo nos últimos dias, agrupando mais de uma centena de companheiros, para deliberar sobre sua atuação nos próximos dias. Foi criada uma comissão independente do sindicato que inclusive desautorizou o mesmo a falar em nome da categoria e estão lançando um boletim dirigido aos trabalhadores informais, a Tribuna do Povo, voz dos trabalhadores da economia informal. Nesta semana, haverão assembléias do Movimento na sede do Sintect-MG, na rua Tamoios, 900, para ampliar a organização do movimento a fim de garantir a permanência de todos os camelôs nas ruas e preparar faixas e cartazes para o ato público que acontecerá na sexta-feira. GUAÍBA - RS Moradores rejeitam a proposta de baixar o preço da passagem No total 22 ônibus já foram apedrejados ou incendiados pelos moradores da cidade de Guaíba, no Rio grande do Sul. O protesto da população é por causa do aumento de 11,8% da passagem. Pela proposta da Metroplan, as passagens das linhas comuns do bairro Santa Rita passariam de R$ 2,80 para R$ 2,60. No bairro Colina, a tarifa teria redução de R$ 0,15 em uma linha e de R$ 0,30 em outra. Nos bairros Alegria e Florida, as passagens seriam diminuídas de R$ 3,30 para R$ 3,10. Com a adoção dos novos preços, os ônibus seriam desviados do pedágio da BR-116. Os valores das passagens passariam a variar entre R$ 2,65 e R$ 6,40. Entretanto a comissão de moradores negou a proposta que vai ser levada para uma assembléia de moradores à noite. A BR-116 ficou com o trânsito lento durante o dia, pois 300 moradores fizeram uma passeata até o Ministério Público. De acordo com os moradores do bairro, cuja maioria depende dos ônibus para sua locomoção, “o alto valor da passagem dificulta inclusive a contratação de trabalhadores da cidade por empresas de Porto Alegre (a uma distância de 31 km), que se recusam, segundo eles, a pagar valores tão altos” (Folha online, 30 de julho de 2004). Uma das saídas para a resolução do problema do alto custo da passagem é ter um transporte alternativo controlado pela própria população. Uma cooperativa de transporte montada pelos moradores de Guaíba, a Cootersul oferecia transporte de Guaíba para Porto Alegre com custo 35% mais barato que a passagem da Expresso Guaíba mas o seu funcionamento foi duramente reprimido pelo governo petista de Olívio Dutra sendo impedidos de trabalhar. 5 de agosto de 2004 CAUSA OPERÁRIA PROFESSORES - BAHIA A secretária de ACM e Lula reedita os métodos da ditadura Os professores da rede estadual de ensino da Bahia estão em greve contra a proposta do governo do estado de dar apenas 5% de reajuste salarial. Nos últimos anos, os professores têm tido seus salários cada vez mais aviltados, e a categoria tem sofrido com os desmandos dos governantes ligados ao grupo de ACM. A mobilização dos docentes está tendo repercussão nos meios de comunicação e tem tido uma forte adesão dos professores. O governador Paulo Souto do PFL não respeitou a data-base da categoria que é janeiro e tem seguido à risca a política de “responsabilidade fiscal”, de arrocho salarial e ataque contra o funcionalismo publico. Durante sete meses o governo não quis receber a APLB, o sindicato dos professores estaduais da Bahia, para qualquer tipo de negociação. A secretária de educação da Bahia, Anaci Paim, ex-reitora da Universidade Estadual de Feira de Santana, apresentada como da “ala democrática” do carlismo e com “competência comprovada” tem realizado um feroz ataque contra o movimento grevista dos professores com matérias pagas na imprensa tem ameaçado os professores e ordenou o corte de ponto nas escolas. A secretária tem realizado uma verdadeira caça às bruxas, afirmando que “a greve é política”, ou seja que o professor não deve fazer política, mas apenas ser um autômato em sala de aula e aceitar tudo que o Sr. governador e a Sra. secretária estabelecem. É importante destacar que a secretária Anaci Paim não somente é a secretária de Paulo Souto e ACM, mas é o modelo de “educadora”, também para o presidente Lula, uma vez que recentemente esta foi indicada para o Conselho Nacional de Educação, como a melhor representante das secretarias de Educação do país. O movimento docente deve intensificar a mobilização, mas deve realizar uma profunda reflexão sobre o significado da indicação da secretária de Educação do estado da Bahia ligada a ACM para o Conselho de educação por Lula. Este fato coloca em evidência ainda, a fragilidade do movimento docente, onde a frente popular, que dirige o sindicato da APLB, que nesta época faz discursos inflamados contra Anaci Paim e ACM, mas através do seu governo federal tem um acordo com ACM e nomeia os algozes dos professores para o Conselho Nacional de Educação. Neste sentido, somente uma nova direção para o movimento dos professores pode abrir uma perspectiva política real para derrotar o carlismo na Bahia. UNIVERSIDADES ESTADUAIS DE SÃO PAULO Imposição do arrocho salarial para professores e funcionários da USP, Unesp e Unicamp Os professores e funcionários das três universidades estaduais de São Paulo, Unicamp, Unesp e USP tiveram sua greve, que já durava 64 dias, encerrada. Os professores, funcionários e estudantes exigiam do governo do estado de São Paulo reposição salarial de 16%. O governo de Geraldo Alckmin ameaçou os grevistas com o desconto salarial, uma manobra para desmoralizar o movimento grevista, já utilizada este ano pelo governador com os professores da Fatec. Desta forma aceitaram o reajuste miserável em troca da não punição. No entanto nem isso é garantido pelo governo. Segundo o Cruesp, não haverá desconto dos dias parados, mas “eventuais excessos serão apurados, segundo as normas e a legislação do serviço público” (Folha de S. Paulo, 29 de julho de 2004). A proposta aceita pelo Fórum das Seis, reunião de seis sindicatos e associações de professores e funcionários das três universidades, prevê aumento salarial quatro vezes menor que a reivindicação dos professores parcelado em três vezes, com um reajuste imediato de 2%, retroativo a maio, com outro aumento em agosto de 2,14% e daqui a seis meses, no mês de janeiro, mais 1,6%, número que dependerá do crescimento da arrecadação do ICMS. A proposta de aumento salarial parcelado é, na verdade, a manobra do governo e das reitorias para eliminar ainda mais seis meses de inflação. O arrocho salarial promovido pelo governo do estado, em defesa da política do governo Lula a funcionários e professores das universidades públicas mais conceituadas de São Paulo demonstra a disposição deste de realizar o maior corte do ensino público superior e utilizar todos os métodos impositivos demonstrados nesta greve, como a perseguição política com a ameaça de punição e uso de força policial contra alunos em ocupações nas unidades das três universidades, para realizar o aprofundamento da privatização do ensino, a maior destruição já vista nas universidades públicas com a Reforma Universitária de Lula-Genro-FMI. O GOVERNO LULA CONTRA A JUVENTUDE Vice-líder do governo Lula na Câmara quer aumentar em nove vezes a pena para menores Relatório do deputado Vicente Cascione (PTB-SP) e vice-líder do governo na Câmara exige o aumento para 27 anos da pena máxima a menores infratores, uma mudança no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) aprovado há mais de 14 anos, que irá aplicar um aumento em nove vezes da atual pena máxima que é de três anos de reclusão nas Febem´s. O relatório prevê o escalonamento, ou seja, penas que aumentam de acordo com a gravidade do crime. O número seria uma média da menor pena para adultos e da maior pena para um menor, leva-se em conta o princípio da média entre as penas mínima e máxima estipuladas no Código Penal. Para um crime em que a pena mínima é de 24 anos e a máxima 30, o menor será condenado a cumprir no máximo 27 anos. Para os menores que cometerem crimes leves, a pena adotada será a máxima adotada atualmente a menores, que é de três anos. Se aprovado na comissão especial, o projeto ainda será votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), antes de seguir para votação em plenário. “A medicina já comprovou que a psicopatia é incurável. Não podemos devolver à sociedade uma pessoa que só por ser menor pode voltar a cometer os mesmos crimes”, disse Cascione. “O menor precisa ter interesse em assimilar as regras do convívio social”. (O Globo, 29 de julho de 2004). O nobre aliado do PT, de um partido que tem sua origem no tenebroso regime militar, entende por “assimilar as regras”, a política da mais brutal repressão contra a juventude, reconhecendo com isso que na sociedade corrupta e desumana em que vivemos só pela força as pessoas podem ser assimiladas ao funcionamento social. O governo trata os problemas sociais, como um defeito da população e não do sistema social, uma típica concepção direitista. Daí não estranhar a opção preferencial pela repressão. Esta é a opção que os capitalistas defendem para manter um regime de relações sociais de exploração da maioria da população e para controlar uma situação incontrolável pela burguesia por qualquer outra via a não ser pela força. Juventude e Educação 9 XIV ACAMPAMENTO DE FÉRIAS INTRODUZ A QUESTÃO DA LUTA POR UM PARTIDO REVOLUCIONÁRIO Uma profunda discussão sobre a “Concepção Marxista do Partido Político” Foi realizado, entre os dias 22 a 26 de julho, o XIV Acampamento de Férias da Aliança da Juventude Revolucionária no município de Cabreúva, em São Paulo, onde cerca de uma centena de militantes da Aliança da Juventude Revolucionária de diversos estados discutiram o conteúdo e a organização do partido da classe operária O Acampamento de Férias da AJR, em sua 14ª edição consecutiva, já vem sendo realizado há seis anos em duas versões, no verão e no inverno. O caráter dessa atividade visa proporcionar à juventude uma oportunidade de convivência completamente alternativa às habituais formas que se pode encontrar nas instituições da sociedade burguesa. Combinando entretenimento, trabalho coletivo e o estudo do marxismo, o acampamento reúne jovens de todo o país em locais privilegiados por suas belezas naturais e pelo livre debate de idéias. Nesse sentido, é organizado para cada acampamento um tema para o estudo aprofundado do marxismo. Os cursos são de extrema importância, pois temas como o estudo das Internacionais Operárias, a Revolução Russa e o estudo da obra de Karl Marx, O Capital abordados nos acampamentos anteriores, visa a aproximação de jovens para o estudo da concepção marxista da história, ou seja, o acesso às idéias revolucionárias do desenvolvimento da história e do socialismo. O tema central deste acampamento foi o estudo da concepção marxista do partido político, tema de grande importância para o entendimento e o esclarecimento do papel do partido revolucionário na evolução da consciência da classe operária e também de grande interesse neste ano de eleições municipais. Para um melhor embasamento teórico dos participantes do curso, foram selecionados cinco textos editados em uma apostila, cada um deles abordando um aspecto diferente da questão.Dentre os textos marxistas mais importantes a respeito da organização do movimento operário em torno de um partido revolucionário, foram discutidos o livro O Socialismo e a Luta Política, de George Plekhânov, onde este demonstra as etapas da evolução da consciência de classe dos trabalhadores rumo à sua organização centralizada em um objetivo comum: a tomada do poder político. O livro, escrito no século XIX, por Plekhânov, o fundador do marxismo na Rússia, iniciou uma atividade verdadeiramente científica de esclarecimento dos problemas fundamentais da vida social e política, culminando em uma revolução que colocou na prática as teorias do socialismo científico. Um outro texto que foi de grande auxílio e de extrema importância para o curso, foram as “Teses sobre a Estrutura Organizativa, os Métodos e a Ação dos Partidos Políticos”, que são as resoluções do III Congresso da III Internacional, que apresentou de um ponto de vista prático, resumindo toda a experiência do movimento revolucionário proletário, como um partido revolucionário deve se desenvolver e se organizar, ou seja, em torno de um programa revolucionário, totalmente voltado para os interesses dos trabalhadores. Os outros textos discutidos foram o livro Que Fazer?, de Lênin, apontando para as necessidades e práticas da organização do partido revolucionário; Discussões sobre o Programa de Transição, de Leon Trotski, que discute a relação entre o partido e o programa; e A Luta por um Partido Revolucionário, de James Cannon. Partido e socialismo científico O curso teve como introdução uma exposição sobre o início da organização da classe operária em torno de um programa político, partindo do princípio da primeira manifestação de organização de classe, em 1848, ano em que foi lançada a primeira edição do Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, em Londres e o início do movimento operário como classe consciente. Além disso, foi exposto o desenvolvimento da classe operária na história baseado nas Internacionais operárias, apontando a evolução e crescimento do movimento bem como das idéias e sua estagnação no período stalinista, que representou uma ruptura no fio de continuidade histórico da organização da classe operária. A I Internacional operária foi fundada por Marx e Engels nos anos 60 do século XIX, tendo como eixo a necessidade do movimento operário consciente de participação da luta política. No entanto, chocava-se diretamente com as idéias anarquistas, contrárias à participação política do proletariado. Estas idéias terminaram por falsificar completamente o caráter da I Internacional, resultando na sua dissolução, proposta pelo próprio Marx. A I Internacional foi o início da organização política da classe operária. Em 1889 surgiu a II Internacional, também criada por Marx e Engels, onde o problema já não era se a classe operária devia ou não participar na luta política, mas se constituía em como travar a luta política da classe operária. Neste período, o movimento operário consciente já se organizava de forma bem sólida e centralizada contra o regime monárquico na Europa predominante na época, tornando-se um verdadeiro colosso, como é o caso do PSD (Partido Social-Democrata) Alemão. No ano de 1918, um ano após a revolução proletária na Rússia, foi fundada por Lênin e Trotski a III Internacional, ou Comintern. O Comintern surgiu com o objetivo de organizar da revolução proletária em todo o mundo. Entre a II e a III Internacional, o movimento operário tomou proporções gigantescas. Ao contrário da segunda, onde a maioria dos partidos comunistas se localizavam na Europa, o Comintern construiu partidos comunistas em todos os países, tornando-se a maior organização operária do mundo. Foi a III Internacional que levantou pela primeira vez a questão histórica da luta dos povos coloniais, aí incluindo a luta da população negra. Na década de 1930 o revolucionário russo Leon Trotski, diante da degeneração do estado operário soviético através do regime stalinista, fundou a IV Internacional, esperando que esta fosse uma regeneração da III Internacional, como aconteceu com as anteriores. À medida que o stalinismo se mostrasse como um regime anti-operário, os elementos mais conscientes que estavam sob a influência do stalinismo evoluiriam para as posições revolucionárias, o que não aconteceu. O desenvolvimento da IV Internacional foi impedido pelo assassinato de praticamente todos os dirigentes trotskistas, a mando de Stálin, incluindo o próprio Trotski e seu filho. Este fato representou o rompimento do fio de continuidade na evolução da consciência de classe do proletariado. O que está colocado para os dias de hoje inclui tarefas já realizadas pela I, II e III Internacionais, ou seja, a classe operária contemporânea não tem tradição e conhecimento correspondentes à etapa em que se encontra e às tarefas a serem realizadas e esse aprendizado teria que ser retomado. A luta política A segunda parte do curso, que tratou do livro “O socialismo e a luta política”, de Plekhânov, teve como introdução a evolução do pensamento marxista na Rússia. Em seu livro analisa as etapas do desenvolvimento da consciência política da classe operária: desde o primeiro momento, quando a classe social é ainda um fenômeno puramente econômico e não enxerga a relação entre a sua situação e o Estado, passando pelo processo de generalização, quando os elementos mais conscientes da classe começam a perceber seu inimigo não apenas num patrão em particular, mas que existe um movimento de classe da burguesia. É nesse ponto que começa a haver uma consciência de classe, os operários passam a lutar por salários, pela redução da jornada de trabalho etc. Através dessa luta é que vão chegar à compreensão de que o Estado é a organização dos patrões, e então começam a atuar politicamente. Neste estágio que começam a se organizar em partidos que representem sua classe. A luta política que passam a travar é então por pequenas fatias do poder estatal e abrange todos os aspectos da vida social. Só através da luta política tenaz, permanente e por um longo período a classe operária pode desenvolver uma verdadeira consciência de classe. Quando esta for profunda e o proletariado perder todas as expectativas no regime burguês, ocorrerá a revolução, que é apenas o golpe final do longo processo da luta política do proletariado contra a burguesia. Agitação e propaganda Na terceira parte do curso, foi exposta a definição e a importância da agitação e da propaganda para um partido operário, apresentando também os meios pelos quais se realizam, com base no importante livro de Lênin, Que fazer?. Tanto a agitação como a propaganda são a defesa de idéias revolucionárias, e é por este meio que o partido pode contribuir para a evolução da consciência da classe operária.. A distinção da agitação e da propaganda está somente na sua forma, A agitação é a concentração da divulgação em uma idéia central, o que permite que ela seja acessível a um grande número de pessoas. Enquanto a propaganda é a exposição de uma grande quantidade de idéias, conseqüentemente restringindo o seu público. Foi colocada a questão do jornal partidário como a principal ferramenta de esclarecimento e informação das idéias de um partido revolucionário, pois tem maior abrangência, uma análise mais profunda, com maior conteúdo e clareza de informações. Pela sua capacidade de centralizar a política do partido, cria uma organização política homogênea, formando a estrutura organizativa do partido. Por estas características é que pode ser chamado de “organizador coletivo”. A organização do partido é fundamentalmente a organização do trabalho de agitação e propaganda, cujo centro está no jornal. O programa político A última parte do curso, onde foram analisadas idéias contidas no texto “Discussões sobre o programa de transição”, de Leon Trotski, tratou da questão do programa político que é o significado do partido. O programa político é a compreensão comum dos acontecimentos e das tarefas, é o instrumento político do partido, refletindo a realidade objetiva e atual de um determinado local. É a aplicação da teoria marxista à realidade viva. Sem a conclusão de todas essas premissas não é possível a construção e o desenvolvimento de um partido operário independente, pois são exatamente estas questões o próprio partido revolucionário. Analisando a situação política atual, o curso visou o esclarecimento da luta de classes nos dias de hoje, discutindo o fenômeno da frente popular e suas peculiaridades no Brasil com o PT, apontando sua crise política e decadência, resultando em expressões centristas e oportunistas como é o caso do P-SOL. O curso deu uma base essencial para a formação dos militantes e simpatizantes do partido, caracterizando e ilustrando o desenvolvimento da classe operária, organizando-se na luta por um partido operário e revolucionário. 5 de agosto de 2004 CAUSA OPERÁRIA Internacional 10 DECLARAÇÃO POLÍTICA DA COORDENAÇÃO PELA REFUNDAÇÃO DA IV INTERNACIONAL A crise na Europa Reproduzimos aqui a declaração política da Coordenação pela Refundação da IV Internacional aprovada pelo Secretariado Internacional tados Unidos – flexibilização trabalhista, privatizações, novas legislações de impostos e previdenciárias – divide os círculos dominantes. Algumas parcelas da burguesia querem passar diretamente a uma ofensiva contra o movimento sindical e suas conquistas sociais; ouForças poderosas e conflitantes, razão estão tomando medidas para contras estão promovendo um curso mais centrífugas e centrípetas, estão criando trolar o fluxo de crédito dos bancos cauteloso, assustadas pela possibilidaas condições de uma crise explosiva na chineses para esfriar a economia rede de levantes sociais (como já se viu duEuropa. aquecida. O pior pesadelo do capitalisrante a última década, nos movimentos Os imperialistas europeus celebramo mundial é agora o estouro da bolha de greves de massas em defesa dos diram a extensão da União Européia a 25 chinesa. Terá resultados devastadores reitos previdenciários na Itália, França membros, em 1º de maio de 2004, como diretamente sobre o Japão, Formosa e e Grécia). um marco na integração do continente Coréia do Sul e também nos Estados A capacidade combativa e o potencie como um passo gigantesco adiante em Unidos e Europa. E com cada novo agraal de resistência social da classe operásua competição com os imperialismos vamento de suas próprias contradições, ria e outros estratos populares na Eunorte-americano e japonês. Mas muito o capitalismo norte-americano exporta ropa não foram quebrados, como sob o rapidamente, a euforia se evaporou, em sua crise para a Europa, cuja economia fascismo antes da Segunda Guerra Munparticular depois das eleições européijá está lutando à beira da paralisia (com dial. Um retorno às condições dos anos as de todos os governos europeus, seuma taxa de crescimento para os últimos 30 é impossível como conseqüência de guida pela disputa sobre a Constituição doze meses de apenas 0,6%, contra 4,3% mudanças fundamentais no capitalismo européia, a euforia desapareceu e emernos Estados Unidos e 3,4% no Japão). mundial mas também como conseqüêngiu uma amarga verdade: a Europa, ao As rachaduras estão aprofundando cia de que seria necessário um confroninvés de ser uma base expansiva e esnão só entre as classes dominantes dos to sem precedentes com a classe opetável de desenvolvimento capitalista, Estados Unidos e Europa, mas também rária. O potencial revolucionário dos converteu-se em foco das contradições entre os capitalistas na Europa, entre os trabalhadores europeus é o fator estrada crise capitalista mundial. Internapaíses capitalistas europeus e dentro de tégico mais importante na luta de clasmente dividida, com todas suas estrucada uma das classes dominantes. ses a ser levado em conta tanto pelos capitalistas como pela vanguarda operária. Só o proletariado europeu, à frente de todas as massas de oprimidos, explorados e socialmente excluídos, pode abrir uma saída da crise crescente e da catástrofe ameaçadora. Os resultados das recentes eleições européias e o projeto da nova Constituição da O imperialismo norte-americano continua sendo o centro do União indicam que os capitalismo mundial e o centro de sua crise elementos de crise política no Velho Verde na Alemanha, os outros partidos pode permitir fazer avançar a consciênContinente estão da direita na Itália – mantêm, suas pocia anticapitalista das massas. longe de terem sido sições ou mesmo avançam). A exceção Deste ponto de vista pode ser conresolvidos. à última regra é a Grécia e a Espanha, que siderado o papel das forças de esquerda Os dados mais vêm de uma mudança de governo (daquelas que se colocam à esquerda das evidentes da votação recente; no que se refere ao caso espaformações da Internacional Socialista). foram a abstenção em nhol, foi determinante o prestígio ganho Todas elas tiveram um papel, na luta de massa e o “castigo” pelo governo de Zapatero com a manuO paradoxo histórico é que agora o desenvolvimento capitalista dos Estados classes e nas mobilizações de massas, de quase todos os gotenção da promessa eleitoral de retirar que tem sido exatamente o oposto ao Unidos e do mundo depende em grande medida da chamada expansão vernos em funções, as tropas do Iraque. que assinalamos. De maneiras e formas industrial na China, baseada no crédito barato dos bancos estatais e em uma com uma perda de Os governos pagam a insatisfação diversas, ou se adaptaram simplesmenforte entrada de capital externo votos que golpeia em das massas por suas políticas sociais de te, com uma aproximação completaparticular, ali onde existem governos de ataque às conquistas dos trabalhadores turas econômicas e sociais historicaO conflito sobre a Constituição eumente minimalista ou, pior, tentaram coalizão entre diversas forças políticas, e de apoio à guerra, sem que a diferenmente desatualizadas e seu sistema ropéia entre os “federalistas” (que inutilizar a força das lutas e dos movimenàquela que encarna mais acabadamente ciação sobre esta última questão seja um político desacreditado, é vulnerável às cluem França e Alemanha) e os “antitos como palanque para uma recompoo governo e sua política (assim caíram elemento suficiente para se fazer “abpressões dos Estados Unidos. Em parfederalistas” (como Grã Bretanha e a sição da aliança com a social-democraos votos do Partido Social-Democrata solver” sobre a primeira, como o deticular encontra-se profundamente afeItália de Berlusconi) está relacionado cia e os setores “liberais” da burguesia. na Alemanha e Força Itália de Berlusmonstraram os resultados do Partido Sotada pelas implicações da guerra do tanto com os interesses capitalistas Este é o caso do que hoje é a princiconi, enquanto seus sócios – o Partido cial-Democrata alemão e da coligação Iraque e seu impasse um ano depois da nacionais antagônicos como com o conpal força da esquerda européia, o recémchiraquiana na França. invasão e ocupação do país. flito entre as frações prónascido “Partido da Esquerda EuroO caráter deste voto de O imperialismo norte-americano norte-americanas e antipéia” (PEE) e, em primeiro lugar, de seu “desconfiança” é, no entancontinua sendo o centro do capitalismo norte-americanas entre as “partido líder”, o Partido da Refundato, contraditório. O desconmundial e o centro de sua crise. Apesar classes dominantes. Partição Comunista (PRC) na Itália – cujo tentamento favorece às forde toda a retórica sobre sua última “recularmente, os governantes secretário geral, Bertinotti, que não por ças de oposição, indepencuperação sem emprego”, a economia dos regimes restauracionisacaso é também presidente único do pardentemente de sua posição, norte-americana está flutuando em um tas da Europa central e tido europeu, está se preparando para seja de esquerda como o Parmar de dívidas dos consumidores, com oriental, tanto que esses uma mudança de governo em aliança tido Socialista na França, o pesados déficits orçamentários e de conpaíses são cruciais no concom os representantes diretos da grande Sinn Fein na Irlanda, o ta corrente, que são financiados pelo flito entre os imperialismos patronal. Partido Comunista na Repúresto do mundo capitalista, particularnorte-americano e europeu Os resultados eleitorais das forças do blica Checa) ou de direita (a mente pela China e o Japão, mediante para controlar o ex-espaço partido da Esquerda Européia refletem CDU na Alemanha, o Partia compra de bônus do Tesouro nortesoviético, funcionam de fato as situações nacionais, inclusive se em do da Independência na Grã americano e mediante a utilização da decomo uma quinta-coluna geral aparecem como moderadamente Bretanha, várias formações bilidade do dólar e seu papel como mopró-norte-americana. O repositivos (desde a manutenção dos vode direita na Polônia etc.). eda mundial de reserva para golpear seus sultado destas divisões é a tos do PCF na França, ao modesto cresJuntamente com o desenvolconcorrentes, em particular a União Eutendência à paralisia das inscimento do PRC na Itália e do PSD na vimento do abstencionismo, ropéia. tituições da União Européia Alemanha, ao êxito do PC checo). Na reque é uma resposta de pasO capitalismo norte-americano é um e a incapacidade para elaboalidade, em geral, não conseguiram capsividade, tudo isto põe em super-gigante cuja supremacia econôrar uma política exterior cotar maciçamente os níveis de insatisfadestaque os limites da maimica não se baseia somente em uma maimum ou para desenvolver a ção popular, objetivamente por seu já oria do proletariado para or produtividade, flexibilidade traba“Iniciativa Européia de Dedestacado caráter contraditório, subjeencontrar a via da indepenlhista e um mercado integrado, mas fesa”, indo além do quadro tivamente porque, como já foi destacadência de classe. O desentambém, e acima de tudo, em uma monsimposto pela OTAN. do, não se apresentam como terceiro volvimento de lutas tão imtruosa expansão do capital fictício. Os fatores mais imporpólo de classe sobre o enfrentamento portantes sobre o terreno Enquanto o produto bruto dos Estados tantes de divisão são econôentre “reacionários” e “progressistas” social e, mais ainda, sobre o Unidos ronda os 11 trilhões de dólares, micos: a viabilidade do próno âmbito das forças burguesas. terreno político mais geral – a bolha especulativa do mercado dos prio Pacto de Estabilidade À esquerda do PEE e das formações em particular das mobilizaderivados está em torno de 128 trilhões fica questionada na medida mais tradicionalmente stalinistas (como ções contra a guerra – não se de dólares! que vários países, particuo PC grego), os resultados das forças de traduzem por si mesmas em O paradoxo histórico é que agora o larmente os do “núcleo esquerda “alternativa” têm um signifium avanço da consciência de desenvolvimento capitalista dos Estaduro” da União Européia – cado análogo, encerrados entre os limiclasse mais que para um dos Unidos e do mundo depende em Alemanha, França e Holantes objetivos e o caráter subjetivamensetor de vanguarda. Só uma grande medida da chamada expansão inda – tiveram déficits em 2003 te reformista de suas propostas. Assim constante batalha política dustrial na China, baseada no crédito que excederam em muito os obtiveram resultados positivos em Porbarato dos bancos estatais e em uma limites estabelecidos no O conflito sobre a Constituição européia entre os das forças revolucionárias tugal (Bloco de Esquerda) e Holanda por uma conquista da hegeforte entrada de capital externo. Esta Pacto. Também a questão (Partido Socialista de Esquerda), poumonia em todas as mais sigfrenética taxa de crescimento da bolha das chamadas “reformas es- “federalistas” e os “anti-federalistas” está co satisfatório na Inglaterra (Respect) nificativas mobilizações da do investimento industrial encobre a retruturais” necessárias, de relacionado tanto com os interesses capitalistas e negativos por completo na França. luta de classes e da luta poalidade da superacumulação do capital, acordo com o capital euro- nacionais antagônicos como com o conflito Estes dois últimos exemplos têm um lítica, com o método da luta mercadorias invendáveis e supervalopeu, para se tornar mais entre as frações pró-norte-americanas e antisignificado particular pelo papel das pelos objetivos transitórios, rização do investimento fixo; por esta competitivo diante dos Es- norte-americanas forças que se reivindicam do marxismo 5 de agosto de 2004 CAUSA OPERÁRIA revolucionário. Na Inglaterra, o motor países europeus, tenham sido de direicrita por completo na potencialidade do de Respect tem sido o Partido Socialista, de centro-esquerda ou de “esquerda movimento (LO pronunciou-se abertata dos Trabalhadores (SWP). Este liquiplural”. Apesar dos êxitos obtidos, não mente contra; a LCR chamou à greve dou qualquer perspectiva de lista clasobstante a resistência operária, esta geral mas sem ligá-la à perspectiva de sista, escolhendo realizar uma mini frenofensiva está longe de ter terminado. queda do governo). te popular com o demagogo ex-trabaCom todas suas contradições, a crise caHoje, um dos países em que concenlhista, e feroz adversário do direito de pitalista persiste, e com ela, a necessitram maiores contradições é a Itália. É, aborto, Gallowey, e com a burguesa Asdade do capital de defender e recuperar entre os grandes países da União Eusociação dos Muçulmanos Britânicos a taxa de lucro. O futuro verá ataques ropéia, aquele no qual os elementos da (BMA) (os resultados mais positivos novos e muito fortes. crise econômica são maiores, como o da lista foram registrados ali onde a O que é manifesto considerando indemonstraram os casos da Fiat e da ParBMA é mais forte; assim, a luta justa clusive a difícil nova estruturação malat. O “sistema Itália”, quer dizer a para reagrupar a comunidade muçulma“constitucional” da União Européia. O mistura difusa de pequenas e médias na oprimida é transformada em adaptateto da Constituição estabelecido no empresas, combinado com uma grande ção à sua atual direção burguesa). último dia 18 de junho expressa sobre indústria, em grande parte semi-públiO resultado da chapa de Lutte Ouum terreno formal as contradições geca (Fiat, Olivetti, Pirelli etc.), fortevriére [n.t.: Luta Operária] e da Liga rais da UE. Nesta se desenvolve semmente assistidos e financiados pelo Comunista Revolucionária na França pre de maneira mais forte, de fato, o Estado, que em outra época fizeram a tem um significado particular. Trataconflito entre uma linha orientada a fortuna do capitalismo imperialista itava-se da única lista com uma certa conconstruir a Europa como uma estrutuliano, faz muito tempo entrou em crisistência precedente, que se apresenra de alianças imperialistas coesa e unise, sem que a política de privatizações tava e vinha apresentada com a etiqueficada, progressivamente em oposição massivas ou o desenvolvimento da ta “trotskista” e declarava opor-se à ao imperialismo norte-americano (po“alta tecnologia” pudessem resolver a política de aliança com a centro-essição do eixo franco-alemão e do presituação. O governo de direita encabequerda e com a “esquerda çado por Silvio Berluscoplural”. O resultado foi ni vive grandes contradicompletamente negativo. ções, porque pela imLO/LCR obtiveram 2,6% possibilidade de oferedos votos (aos quais, para cer uma saída da crise à completar o quadro de burguesia em seu apoio ao trotskismo franconjunto, é possível, cês temos que acrescentar ainda que não seja segu0,7% da lista do Partido ro, que caia antes das dos Trabalhadores, lameleições de 2006. Existe bertista). Trata-se da meuma ampla possibilidatade dos votos, em porcende de que seja substitutagem, das eleições euroído por um governo de péias anteriores, que havicentro-esquerda, que am permitido às duas orgainclua o Partido da Renizações eleger cinco parfundação Comunista. A lamentares, e de 40% mecentro-esquerda goza nos das regionais do mês de hoje do apoio da confemarço passado. Sobretudo deração de industriais e aparecem distantes os rede todas as burocracias sultados dos dois candidasindicais. Os grandes catos às eleições presidencipitalistas e as grandes ais de 2002, Laguiller e Befinanças lhe designaram sancenot, que obtiveram a tarefa de reequilibrar a em conjunto mais de 10% situação em favor dos ine, sobretudo, das primeiras teresses de conjunto do (certamente genéricas) capital. Por ilusória que pesquisas deste outono seja esta perspectiva (europeu) que davam a hifrente à realidade da cripótese de um voto potense internacional, os que cial superior a 20% em todo pagarão o preço da teno corpo eleitoral do país tativa serão, como sem(pelo contrário, os votos pre, a classe operária e as são similares aos do grave massas populares. fracasso das eleições parNo entanto, a luta do lamentares nacionais de proletariado conheceu 2002, logo em seguida à vinos últimos meses imtória de Chirac). Foi determinante o prestígio ganho pelo governo de portantes desenvolviEm seguida ao fracasso Zapatero com a manutenção da promessa eleitoral mentos. Os trabalhadoda lista LO/LCR abriu-se de retirar as tropas do Iraque res do transporte assim um enfrentamento interno como os metalúrgicos na Liga no qual as forças da ampla misidente saído da Comissão Européia, levaram adiante batalhas radicais, às noria de direita, que se havia oposto à Romano Prodi), e outra que busca torvezes com êxito, às vezes não, mas aliança com LO, está avançando na ná-la uma sócia fiel e subordinada desempre com um salto de qualidade com perspectiva de reabrir um processo de finitivamente ao imperialismo domirespeito à fase precedente. Tudo isto aliança com o PCF e o PV, que já foi nante (Grã Bretanha, Berlusconi e culminou na esplêndida greve por a política da Liga nos anos 80 e 90, mas diversos países recentemente incorpotempo indeterminado (alheia há décaque agora se enquadra abertamente em rados do Leste, como a Polônia). Indo das às tradições de luta na Itália) de 21 uma perspectiva de entrada em um fualém do reforço relativo do eixo frandias dos trabalhadores da fábrica de turo governo burguês de “alternância co-alemão em seguida aos aconteciFiat em Melfi, no Sul da Itália, que com de esquerda”, que significaria a passamentos do pós-guerra no Iraque, nada sua luta ganharam uma grande batalha gem da LCR à ordem burguesa, como está determinado e esta contradição se e deram uma orientação ao proletarijá ocorreu com a seção brasileira do SU, mantêm como fator potencialmente exado de todo o país. Ao mesmo tempo, Democracia Socialista que entrou no plosivo da atual UE; nenhuma das maem terrenos diferentes ao da fábrica, se governo Lula. nipulações pelo voto qualificado adodesenvolveram lutas de grande ampliE quanto ao lambertista Partido dos tada no texto constitucional poderá retude, como as questões ambientais, que Trabalhadores, sua proposta prograsolvê-la. viram ações diretas das massas, com mática é absolutamente reacionária. É, portanto, necessário que a vanruas e linhas ferroviárias bloqueadas Baseia-se nos direitos em defesa “soguarda marxista em todos os países da que afetaram regiões inteiras. beranista” do Estado nacional francês Europa indique claramente a proposMesmo que não haja ainda uma ge(burguês e imperialista) contra a União ta de alternativa ao capitalismo, à sua neralização destas formas de luta, tamEuropéia, em nome dos “interesses da permanente ofensiva antioperária e anbém pelo papel reacionário da burocraclasse operária”. Uma mistificação intipopular, à sua política de guerra, à sua cia sindical, a potencialidade existe. digna de toda organização proletária e crise econômica e social, à crise de toTrata-se de partir dela para assinalar que indica o nível de degeneração e de dos os governos que se expressa nos a necessidade de unificar as diferentes distanciamento de toda perspectiva retermos que indicamos. A perspectiva lutas e as diferentes reivindicações mevolucionária e socialista desta formaa ser alcançada é a de acabar, com o dediante uma greve geral prolongada bação que em um tempo pretendia defensenvolvimento das ações das massas, seada em uma plataforma de reivindider o “trotskismo ortodoxo” em seu encom os governos burgueses de todos os cações que inclua a recuperação salafrentamento com o revisionismo (n. do matizes e da criação de um governo dos rial, a redução da jornada de trabalho, t. este grupo está associado no Brasil trabalhadores, baseado sobre um proa abolição da flexibilidade, a licença perà corrente que atua no interior do PT grama de reivindicações transitórias manente das fábricas a todos os trabaconhecida como O Trabalho.). anticapitalistas (do controle operário lhadores inválidos, um seguro social O conjunto dos resultados das eleià escala móvel de horas de trabalho, da digno para todos os desempregados, a ções européias, e da situação objetiva dissolução do exército burguês e dos defesa da melhoria do “estado social” que determinam, indicam novamente outros corpos repressivos do Estado e das aposentadorias, e que reivindique com força que a perspectiva de um deà expropriação sem indenização dos claramente como seu objetivo político senvolvimento positivo para o prolegrandes meios de produção, bancos e a derrubada do governo reacionário, antariado está indissoluvelmente ligado ao seguradoras). tioperário e antipopular de Berluscoda refundação do internacionalismo reEsta perspectiva pode e deve ser lanni. volucionário, quer dizer da IV Internaçada em todos os países, inclusive se as Ao mesmo tempo, é necessário que cional e de suas seções. Esta necessidacondições da crise e as contradições e os revolucionários ponham em guarda de é sublinhada pela perspectiva geral a potencialidade do movimento proleos trabalhadores e as massas populares do quadro continental que se destacou tário não forem todas iguais. Assim tem contra um novo governo de alternância no começo deste texto. sido um crime político das três princiburguesa de centro-esquerda. A palavraNas últimas décadas, a crise do capais organizações que se reivindicam do de-ordem deve ser “derrubar Berluscopital empurrou, inclusive o Velho Controtskismo na França não colocar, no ni, mas não para governar com a ‘Continente, a um constante ataque ao salácurso da grande mobilização de maio/ findústria’ e os banqueiros”. A alternario, direto, indireto, e às outras conquisjunho de 2003, contra a reforma da pretiva a ser colocada é a de um governo dos tas do proletariado e das massas popuvidência do governo Raffarin, a perstrabalhadores. Vai dirigida ao conjunto lares. Esta ofensiva foi levada adiante pectiva de greve geral por tempo indedas organizações do movimento operápor todos os governos, de qualquer coterminado para derrotar e colocar abairio. No ano passado cerca de 11 milhões loração, que se sucederam nos diversos xo o governo, posição que estava insde pessoas (30% do eleitorado) vota- Internacional 11 O governo de direita encabeçado por Silvio Berlusconi vive grandes contradições, porque pela impossibilidade de oferecer uma saída da crise à burguesia em seu conjunto, é possível, ainda que não seja seguro, que caia antes das eleições de 2006 ram a favor de um referendo que propunha estender à pequenas empresas a proteção contra as demissões existente na legislação italiana para as empresas com mais de 15 empregados. Tratavase da maioria do proletariado italiano. E isto, não obstante o chamado ao boicote ao referendo, em conjunção com a Confindustria, não só dos partidos da direita mas também da maioria dos que têm o direito ao voto, pelo que as forças patronais chamaram ao boicote, sabendo que teria havido em todo o caso uma vitória do “sim”). Chamaram a participar e a votar “sim” partidos à esquerda dos Democratas de Esquerda (transformação burguesa liberal do antigo Partido Comunista), a corrente de esquerda social-democrata deste último e, no último momento, a principal confederação sindical, a CGLI (Confederação Geral do Trabalho). É ao conjunto destas forças que é necessário dirigir-se com a palavra-de-ordem “rompam com a burguesia; construam um pólo autônomo de classe, contraposto à centrodireita reacionária e à centro-esquerda confindustrial (patronal), que se coloque como alternativa de governo sobre a base de um programa anticapitalista”. É com esta política que se pode dar uma alternativa ao proletariado e construir uma alternativa de direção. É com este enfoque que atuam os companheiros da Associação Marxista Revolucionária Progetto Comunista, conscientes de que a única garantia de perspectiva de uma alternativa classista será a construção de um partido revolucionário, no quadro da refundação da IV Internacional. A construção necessária dos partidos revolucionários nos países europeus, no quadro da Refundação da IV Internacional, não poderá ter outra perspectiva. - Por uma saída operária para a crise, por governos dos trabalhadores em todos os países da Europa; - Abaixo à União Européia, coalizão imperialista do grande capital; - Não a todos os governos da burguesia, inclusive àqueles de centro-esquerda ou da “esquerda plural”; - Pela construção de partidos revolucionários do proletariado em todos os países europeus; - Pela refundação da IV Internacional - Pela independência de classe do proletariado e de suas organizações; - Abaixo todos os imperialismos, tanto norte-americano como europeu. Revolução proletária. Estados Unidos Socialistas da Europa. PARTIDO OBRERO, ARGENTINA Faleceu Catalina Guagnini Catalina Guagnini, lutadora socialista incansável, faleceu hoje em Buenos Aires aos 89 anos de idade. “Cata” foi fundadora do movimento Familiares de Presos e Desaparecidos por Razões Políticas. Seus três filhos foram seqüestrados pela ditadura de Videla, dois deles continuam desaparecidos. Como dirigente do movimento, Cata encabeçou a luta contra a ditadura militar. Continuou esta luta contra a impunidade, a absolvição, as leis de anistia dos governos constitucionais e pelo julgamento e punição dos assassinos até os últimos dias de sua vida. Catalina Guagnini, professora durante décadas, foi uma militante socialista. Foi membro do Comitê Nacional do Partido Obrero e candidata a vice-presidente nas eleições de 1983. A luta pelo julgamento e punição dos responsáveis pelo genocídio e o Partido Obrero perderam uma de suas militantes mais lúcidas, abnegadas e incansáveis. A luta para a qual Catalina Guagnini consagrou sua vida continua. Partido Obrero Carta de pêsames do PCO pela morte da companheira Catalina Guagnini “Aos companheiros do Partido Obrero, Queremos expressar os nossos mais profundos sentimentos pelo falecimento da revolucionária modelar que foi a companheira Catalina Guagnini à qual vários dos militantes do nosso partido tiveram a felicidade de conhecer pessoalmente e por quem nutriam sincera admiração pela sua lucidez, coragem e dedicação. Comitê Central Nacional do Partido da Causa Operária São Paulo, 1 de agosto de 2004” 5 de agosto de 2004 CAUSA OPERÁRIA SÃO PAULO NOSSO PROGRAMA O governo dos trabalhadores da cidade e do campo A reivindicação de um governo que seja formado exclusivamente pelos trabalhadores, tanto da cidade quanto do campo, sem a participação da burguesia constitui o principal ponto do programa do Partido da Causa Operária, e é defendido contra os governos da burguesia tanto em âmbito municipal como nacional. O PCO tem uma ampla plataforma de reivindicações transitórias que vão ao encontro dos interesses mais fundamentais da população trabalhadora. É o caso da reivindicação de um salário mínimo vital de R$ 1.500, quantia mínima necessária para que uma família trabalhadora tenha condições de viver de maneira decente, conforme diz a própria constituição nacional. Nesse sentido também estão as reivindicações de redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, única possibilidade de solucionar o problema do desemprego que atinge a classe operária, de educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis, entre outras. Essas reivindicações não são, e nem podem ser, atendidas pelos governos tradicionais, pois vão contra os interesses da classe que esses governos e seus respectivos partidos representam; a burguesia. Tanto a questão do salário quanto a redução da jornada do trabalho citadas, estão entre as preocupações centrais dos capitalistas, pois são justamente essas questões que atingem diretamente os seus lucros. Longe de estarem preocupados com as condições de vida a que estão submetidos os trabalhadores, os patrões usam freqüentemente de truques para tentar impor, tais como o banco de horas, ou conforme afirmam dados recentemente publicados do DIEESE que demonstram a alta rotatividade de mão-de-obra e que os trabalhadores que estão sendo contratados recebem salários até 40% mais baixos que os anteriores. Questões como a educação também são completamente prejudicadas nos governos burgueses; por um lado o governo fornece dinheiro público para as universidades privadas, como é o caso do Fies (financiamento estudantil), que são de péssima qualidade e cobram mensalidades exorbitantes não permitindo o acesso da maioria da população. Por outro lado, o governo corta o dinheiro da educação pública para enviar aos banqueiros internacionais, na forma de pagamen- apoiado pelos demais setores explorados. Não pode, por isso, contar com a presença de elementos da burguesia que tem interesses completamente opostos ao da população em geral e da classe operária em particular. Nesse contexto se inserem os governos chamados de “frente popular”, como é o caso do atual presidente Lula. Contando com certo prestígio entre os trabalhadores que já deram por esgotadas as políticas dos candidatos tradicionais da burguesia, Lula, apenas aparentando defender uma política voltada para os trabalhadores, ao ser eleito aprofundou ainda mais as políticas antioperárias e antipopulares do governo FHC; deu menor aumento para o salário mínimo, elevou os impostos às alturas e cortou quase completamente os gastos sociais. É fundamental compreender que um programa de reivindicações que não explique aos trabalhadores que estas somente podem ser atendidas de maneira efetiva e duradoura por um governo próprio da classe operária, é um programa demagógico que vende a ilusão de que os governos burgueses podem atender as reivindicações operárias e dos explorados em geral. Um governo dos trabalhadores, mesmo em âmbito limitadamente municipal, não deve restringir-se às atuais instituições do regime burguês, e nem pode ser substituído por manobras como a farsa do orçamento participativo, que detrás da aparente participação popular esconde os interesses dos grandes capitalistas que detêm o poder econômico, como as empreiteiras, o monopólio dos transportes, máfia do lixo etc. Deve ser formado por conselhos populares, que controlem efetivamente a administração municipal e unifiquem o poder numérico da classe operária e das massas para enfrentar a sabotagem da burguesia e impor as reivindicações operárias. Os conselhos devem ser constituídos por delegados eleitos em assembléias nos locais de trabalho, estudo e moradia, para que seja efetivamente a população que escolha e controle os seus representantes. Os conselhos operários não são apenas um organismo deliberativo, mas uma organização de luta dos trabalhadores contra a classe inimiga, em uma forma mais desenvolvidas que as organizações mais elementares da luta operária como os sindicatos, associações de bairro etc. Um governo dos trabalhadores, mesmo em âmbito limitadamente municipal, não deve restringir-se às atuais instituições do regime burguês, e nem pode ser substituído por manobras como a farsa do orçamento participativo to da dívida externa. Essas e todas as outras reivindicações que compõem o nosso programa só podem ser atendidas efetivamente e de modo integral através de uma mobilização massiva, unitária e consciente, ou seja, revolucionária, da classe e dos demais setores oprimidos e explorados da sociedade, como os negros, as mulheres e a juventude, que derrube o estado burguês e forme um governo exclusivamente operário, Eleições 2004 12 A luta pelo governo dos trabalhadores, o governo operário, é a questão central de um programa operário, não apenas como objetivo que organiza e dá sentido às reivindicações do programa, mas como elemento para a educação política da classe operária que, na propaganda de um partido revolucionário e operário, deve aprender a distinguir os seus interesses no terreno da política e do poder como a única maneira de realizá-los. Anaí Caproni: candidata operária Expomos aqui como está se desenvolvendo a campanha da companheira Anaí Caproni para as eleições municipais de 2004 Em consonância com o seu objetivo de lançar candidatos que sejam representativos dos movimentos de luta das massas, a candidatura de Anaí Caproni à prefeitura de São Paulo é uma das mais importantes candidaturas do PCO nestas eleições, não apenas por ter sido lançada na maior e mais industrializada cidade do País, mas também por ser a expressão, na pessoa de uma das suas principais liderança, das lutas de uma das mais combativas categorias de trabalhadores do País há muitos anos, que é a categoria dos trabalhadores nos correios. Neste sentido, a candidatura da companheira Anaí Caproni representa a tendência da classe operária, que se expressa com clareza na sua categoria, de conquistar a independência em relação à burguesia e à política burguesa do PT. Por este motivo, também, a candidatura do PCO na mais importante capital do País está diretamente ligada às fábricas e aos bairros operários. Assim como nos outros municípios em que o partido está lançando candidatos, a campanha do partido em S. Paulo contará com o apoio de um jornal municipal, o Correio dos Trabalhadores, com uma tiragem de 50 mil exemplares e distribuído nos principais pontos de concentração operária da capital paulista. O seu primeiro número está saindo às ruas no dia 9 de agosto, segunda-feira. O jornal será veículo de massiva divulgação do programa do PCO para as eleições municipais e de duras denúncias ao governo de Marta Suplicy, na sua política de ataque aos trabalhadores informais como os camelôs e os perueiros, o favorecimento aos monopólios do transporte público e à máfia do lixo, além do sucate- amento que promoveu nesses quatro anos contra a saúde, educação etc. e organizar a luta contra a burguesia em seu conjunto, dentro e fora das eleições. O jornal também visa anunciar amplamente as atividades da campanha, como o jantar de apresentação das candidaturas que acontecerá no final do mês. Um instrumento de campanha complementar ao jornal que também será utilizado é a internet, através da página oficial da candidata, inaugurada nesta semana, que pode ser vista através do endereço http:/ /www.pco.org.br/anaicaproni. Na página podem ser encontrados seu programa político, entrevistas realizadas pela candidata na imprensa burguesa, a entrevista produzida especialmente para o jornal Causa Operária além de artigos escritos por ela e arquivos de áudio, como palestras e discursos, e vídeo. Lá também está disponível a agenda da candidata, para um melhor acompanhamento da campanha eleitoral pública, além de sua biografia; contando sobre o início de sua militância política, as influências, a aproximação com o Partido da Causa Operária, o trabalho no movimento operário etc. e um perfil do vice-candidato à prefeitura, Júlio Marcelino. No dia 20 de agosto, a partir das 20h, os organizadores da página estarão promovendo um “chat”, um bate-papo online da candidata com os eleitores. Uma atividade essencial para manter essa campanha, que conta ainda com a distribuição de panfletos e de materiais diversos, a difusão de cartazes e banners, a divulgação através de outdoors etc é o jantar das candidaturas às eleições municipais de 2004 que visa a arrecadação de fundos para a campanha eleitoral, marca- JOSÉ BONIFÁCIO - SP local contra a candidatura do PCO. Em pesquisa evidentemente adulterada, o candidato do PCO, que teve 3% dos votos no município na última eleição como candidato a deputado federal e que concorre contra dois candidatos burgueses, aparece com apenas 3,5%, quando as expectativas na cidade eram para mais de 10% para o candidato operário. Com esta adulteração, parte da imprensa, financiada com anúncios da prefeitura administrada por um dos candidatos, procura evidentemente desestimular o eleitorado. O jornal A voz do povo responde a esta falsificação denunciando o papel maléfico despenhado pela imprensa capitalista diante dos operários. É lançado o segundo número do jornal A voz do povo O jornal A voz do povo, órgão do comitê municipal do Partido da Causa Operária em José Bonifácio é um veículo de divulgação da candidatura a prefeito de Marcelo José do Carmo e dos demais candidatos operários e socialistas do PCO. A voz do povo, que teve sua segunda edição lançada nessa primeira quinzena de agosto, com tiragem de 2.000 exemplares e distribuição gratuita, traz em sua primeira página uma exposição das candidaturas de Marcelo José do Carmo, de Thiago Tadeu candidato a vice-prefeito, e de Fátima Silva e Everaldo Nizato, a vereadores, candidatos que lutam por um governo dos trabalhadores, que represente a maioria da população. As demais matérias tocam nos principais assuntos no que diz respeito aos trabalhadores, como a reabertura das fábricas fechadas que gera, no País, milhões de desempregados e que atinge também a cidade de José Bonifácio. Também merece uma nota no jornal o desvio de verbas da educação, que ocorre de maneira mais escandalosa em âmbito federal e nas grandes cidades, mas que também acontece nas pequenas cidades do interior. Um assunto de grande importância também abordado é o que denuncia a política do governo Lula, fazendo com que enquanto milhões de trabalhadores sofrem com o desemprego, apenas sete bancos tenham lucro R$ 13,4 bilhões. Outra denúncia em relação ao PT é sobre o governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, que transferiu um terminal hidroviário construído com dinheiro público, para sua própria família. O jornal traz ainda uma matéria sobre a reprovação de 51% do presidente George W. Bush entre os próprios norteamericanos, além de denunciar a manipulação ocorrida na pesquisa eleitoral realizada pelo jornal local que, à maneira das demais pesquisas dos grandes jornais e instituições da burguesia, procura apresentar as candidaturas representantes dos trabalhadores como rejeitadas pela própria população, quando a consideram nas pesquisas, e querem fazer crer que os candidatos tradicionais da burguesia possuem amplo apoio popular. Um fato que mostra a importância de um jornal operário nas eleições foi a recente investida da imprensa burguesa PIRACICABA - SP Debate entre candidatos expõe política da frente popular O candidato do PCO à sucessão municipal em Piracicaba, Antônio Carlos Silva, participou de debate sobre cultura e expôs a política do PT de ataque à população.A campanha eleitoral do PCO em Piracicaba começou a se destacar na imprensa burguesa. Após a participação do candidato à prefeitura, Antônio Carlos Silva, no debate sobre cultura que ocorreu no Sesc, no último dia 28, a cobertura dos maiores periódicos do município deu destaque ao candidato do PCO. No debate, que procurava abrir espaço para os candidatos fazerem demagogia sobre a cultura, cujos investimentos de todos os governos burgueses visam favorecer apenas uma pequena elite, o candidato do PCO se destacou por politizar a questão. Levantou o problema do investimento dos governos, que não atendem às necessidades da população, investindo milhões em eventos, como os rodeios, que só beneficiam os empresários e os artistas famosos. O candidato aproveitou a deixa para expor a política do PT, do atual prefeito José Machado, que justifica o desfavorecimento da área de cultura, mantendo a biblioteca municipal fechada durante os finais de semana, com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Antônio Carlos participou nesta semana da definição das regras para o debate que acontecerá no dia 26 de setembro, pelo Jornal de Piracicaba, Difusora, TV Beira Rio e Unimep. A partir desta semana, começa a aparecer o jornal do Comitê Municipal do PCO em Piracicaba, A Voz dos Trabalhadores, que traz denúncias contra a do para o dia 29 de agosto. Tendo em vista que o PCO é um partido operário e tem um compromisso com os interesses e reivindicações dos trabalhadores, deve ser financiado pelos próprios trabalhadores e não por nenhuma grande empresa que guiará o programa do partido, como no caso das candidaturas burguesas do PT, PSDB, PP etc. que recebem dinheiro da máfia do lixo e das grandes empreiteiras para depois servir aos interesses destes, deixando de lado as reivindicações da massa trabalhadora. A campanha do PCO é voltada principalmente aos trabalhadores, além dos setores oprimidos como os negros, as mulheres e a juventude e a população em geral. A companheira Anaí Caproni voltará sua campanha na cidade de São Paulo preferencialmente para os trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), onde a companheira trabalha na função de operadora de triagem. O Correio é o setor operário de maior influência do Partido, onde existe a corrente nacional Ecetistas em Luta ligada aos ideais do PCO, onde a companheira alcançou posição de destaque na greve de outubro de 2003, quando os trabalhadores ecetistas reivindicavam um reajuste salarial de 69%, proposta encampada unicamente pelo PCO e a corrente Ecetistas em Luta, contra o sindicato pelego composto pelo PT e PSTU. Este fato levou a um grande crescimento da corrente, principalmente nos grandes centros operacionais; CTP Jaguaré, CTE Saúde etc. levando a companheira a liderar a chapa de oposição ao sindicato que havia traído a greve e que por medo da vitória da chapa de oposição fraudou escandalosamente as eleições. A campanha salarial dos correios de 2004 coincide com a campanha para as eleições municipais e a candidata pretende dar maior publicidade para as reivindicações de sua categoria. burguesia local e os governos estadual e federal e explicações do programa do PCO, em uma tiragem de 5 mil exemplares. SALVADOR - BA Candidato do PCO participa de seminário das Associações de Bairro Aconteceu no último dia 31 de julho, no ginásio de esportes da UCSAL, um fórum comunitário de combate à violência sob o título: “A cidade que queremos”. A comitiva do PCO – Partido da Causa Operária - encabeçada pelo candidato a prefeito Antônio Eduardo e pelos candidatos a vereador Moisés Ferreira e Osvaldo Itaparica marcou presença no evento sendo aplaudido pelos participantes. O companheiro Antônio Eduardo defendeu a independência política dos trabalhadores chamando a população a construir um governo dos trabalhadores da cidade e do campo, mostrando que a sua candidatura é uma alternativa às atuais candidaturas burguesas que imperam na capital baiana há mais de doze anos e também as candidaturas oportunistas ditas de “esquerda”, como o PT. Além do candidato do PCO, compareceram apenas os candidatos da coligação PTB - Benito Gama - e o candidato a vice PSB/PMDB - Mario Lima. O que chamou a atenção foi que o Candidato do PT - Nelson Pelegrino - e o candidato do PSTU - Luís França apesar de se reivindicarem defensores dos trabalhadores e de “esquerda”, sequer mandaram representantes, o que demonstra o total descaso dos mesmos com o movimento popular. No seminário, a proposta do conselho popular defendida pelo PCO foi muito bem recebida, uma vez que essa proposta visa colocar o controle da administração pública nas mãos das organizações dos oprimidos. Como resultado do seminário foi elaborado um extenso documento, por técnicos e lideranças comunitárias. O candidato do PCO foi convidado para participar de novos eventos promovidos pela FABS (Federação NaAcional das Associações de Bairro), para discussão sobre os pontos específicos do documento, além de ter sido convidado a visitar diversas associações de bairro. Nas próximas semanas estaremos divulgando o conteúdo dessas discussões do PCO com as associações de bairro de Salvador.