EFEITO DE DANOS MECÂNICOS POR QUEDA, CORTE, COMPRESSÃO E
ABRASÃO SOBRE A QUALIDADE PÓS-COLHEITA DE BERGAMOTAS PONKAN
NAS SAFRAS 2014 E 2015
Fernando Cerbaro PALHANO1, Dienifer Evaldt SELAU1, Ana Sofia Fernndes de CANDIA, Daniela TOMAZELLI2,
Catherine AMORIM2, Mariane Claudino da COSTA2, Thaina, Raupp DUARTE2, Nailson da Cruz MELO2, Janio de Souza
VIEIRA2, Willian Cerbaro PALHANO2, Joaquim Martins da ROSA2, Eduardo SEIBERT3
1
Aluno do Curso Técnico em Agropecuária, IFC-Campus Santa Rosa do Sul, Bolsista PIBIC-EM/CNPq; 2Aluno do Curso de
Engenharia Agronômica, IFC-Campus Santa rosa do Sul, 3Orientador IFC-Campus Santa Rosa do Sul).
Introdução
As frutas sofrem injurias desde o campo até a mesa do consumidor, como cortes,
compressões e quedas, danificando o tecido que se torna susceptível a infecções por
microorganismos patogênicos, além de aparecerem cicatrizes que deterioram a aparência do
fruto. Estas lesões prejudicam a qualidade dos frutos, alterando a aparência e diminuindo o
tempo de prateleira (FISCHER et al., 2012). Segundo Kader (2002), a qualidade visual
responde por 83% das razões que levam os consumidores a escolherem um determinado
produto, sendo enormemente afetada pela presença de defeitos. Muitas vezes os danos
mecânicos passam despercebidos por produtores e atacadistas, sendo visualizados somente
pelos consumidores no momento de consumo.
Os danos mecânicos podem ser agrupados em danos por impacto, compressão, corte,
abrasão, entre outros. Pelo mau manuseio, tais danos ocasionam lesões irreparáveis nos
produtos vegetais, reduzindo sua vida útil e provocando sua desvalorização comercial. Frutos
murchos, amassados, sem a cor característica e com aparência desagradável sobram nas
prateleiras dos supermercados.
Em frutas cítricas os danos mecânicos provocam o rompimento das glândulas de óleo
da epiderme, onde podem aparecer manchas denominadas de oleocelose. Estas lesões
prejudicam a qualidade de frutas cítricas, alterando a aparência e diminuindo o tempo de
prateleira (FISCHER et al., 2012).
O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de danos mecânicos sobre a qualidade
pós-colheita de tangerinas ‘Ponkan’ em diferentes períodos de armazenagem refrigerada.
Material e métodos
Os frutos foram colhidos no estádio de maturação “DE VEZ” do pomar do IFC-Santa
Rosa do Sul, nas safras 2014 e 2015. Após colhidos os frutos foram higienizados com
hipoclorito 0,05%, secados, selecionados e individualizados aleatoriamente em bandejas com
15 frutos, sendo após aplicados os tratamentos de danos mecânicos de queda, corte,
compressão e abrasão. Frutos sem danos mecânicos formaram o tratamento testemunha.
No tratamento queda os frutos foram deixados cair de uma altura de 1 metro duas
vezes. No tratamento corte foi feito um corte na casca de 2 centímetros de comprimento com
profundidade de 2 milímetros na região equatorial do fruto. No tratamento compressão as
frutas foram comprimidas entre duas placas de madeiras sobre as quais se aplicou uma força
de 80 Newtons por 15 segundos com um penetromêtro digital. No tratamento abrasão foi
realizada uma raspagem 2 cm de comprimento na casca dos frutos com a lâmina de uma faca
de serra. Este tratamento foi aplicado apenas na safra 2015.
Os tratamentos foram armazenados em uma câmara fria a temperatura de 7o C, dentro
de caixas de papelão envoltos por bolsas plásticas. Os tratamentos foram analisados na
colheita (0 dias), e após 15, 30, 45 e 60 dias de armazenagem, na safra 2014, e na colheita e
após 15, 30 e 45 dias de armazenagem, na safra 2015, para perda de massa fresca (%),
conteúdo de suco (%), sólidos solúveis (ºBrix), acidez titulável (% ácido cítrico).
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com esquema fatorial 4x6
na safra 2014 referentes a 4 danos mecânicos e 6 datas de avaliação, e 5x6 na safra 2015
referentes a 5 danos mecânicos e 6 datas de avaliação, com 15 repetições por tratamento e
data de avaliação sendo o fruto a unidade experimental.
Resultados e discussão
A perda de massa fresca dos frutos analisados na safra 2014 aumentou com o tempo
em armazenagem, mas foi pequena em todos os tratamentos, inferior a 1% (Gráfico 1).
Devido a baixa perda de massa fresca, em nenhum momento os frutos apresentaram sintomas
de murchamento. Apesar dos baixos valores observados, após 30 e 45 dias em frio o
tratamento de dano mecânico por queda apresentou maior perda de massa fresca comparado
ao testemunha, diferença que não ocorreu na análise após 60 dias de armazenagem. Na safra
2015 os valores de desidratação foram mais altos que os da safra 2014. Todos os tratamentos
de danos mecánicos apresentaram valores de desidratação mais altos que os do tratamento
testemunha (Gráfico 1). O tratamento abrasão apresentou desidratação superior aos demais
tratamentos após 30 e 45 dias de armazenagem refrigerada. O tratamento queda após 45 dias
de armazenagem e corte após 30 e 45 dias de armazenagem apresentaram desidratação
superior comparado a desidratação do testemunha. Apesar das diferenças significativas
observadas na safra 2015, os frutos não apresentaram sintomas de murchamento.
5
5
Desidratação (%)
Compressão
4
Desidratação(%)
Testemunha
Queda
Corte
Compressão
Abrasão
Testemunha
Corte
3
Queda
2
1
0
4
3
2
1
0
15
30
45
Armazenagem (Dias a 7ºC)
60
15
30
45
Armazenagem (Dias a 7ºC)
Gráfico 1: Desidratação (%) em bergamotas ‘Ponkan’ submetidas a danos mecânicos e
armazenadas em frio a 7º C nas safras 2014 (esquerda) e 2015 (direita).
O conteúdo de suco extraído dos frutos de todos os tratamentos foi superior a 30%, na
colheita da safra 2014, diminuindo ao longo do armazenamento nos tratamentos submetidos
aos danos mecânicos, principalmente após 45 e 60 dias de armazenamento refrigerado quando
os valores foram de aproximadamente 25% (Gráfico 2). Todos os tratamentos que receberam
os danos mecánicos, após 45 e 60 dias em frio, apresentaram menor suculência comparado ao
testemunha, mostrando um efeito dos danos sobre a qualidade dos frutos.
100
Controle
Compressão
Corte
Queda
80
60
Coteúdo de Suco (%)
Conteudo de Suco (%)
100
40
20
0
0
15
30
45
Armazenagem (Dias a 7ºC)
60
80
60
Testemunha
Queda
Corte
Compressão
Abrasão
40
20
0
0
15
30
45
Armazenagem ( Dias a 7ºC)
Gráfico 2: Conteúdo de suco (%) em bergamotas ‘Ponkan’ submetidas a danos mecânicos e
armazenadas em frio a 7º C nas safras 2014 (esquerda) e 2015 (direita).
Na safra 2015 o conteúdo de suco extraído após a colheita foi de aproximadamente
40% em todos os tratamentos. Após 45 dias em armazenagem refrigerada os tratamentos
corte, queda e compressão apresentaram menor suculência comparado ao testemunha,
mostrando, da mesma forma que na safra 2014, o efeito dos danos sobre a qualidade dos
frutos (Gráfico 2).
O teor de sólidos solúveis apresentou um comportamento errático oscilando entre os
tratamentos na safra 2014. Apesar da falta de constância as tangerinas dos tratamentos por
queda após 15, 30 e 60 dias de armazenagem e por compressão após 15 e 60 dias de
armazenagem apresentaram os menores teores de sólidos solúveis (Gráfico 3). Apesar das
diferenças significativas, estas foram pequeñas e dentro de cada tratamento não foram maiores
20
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Testemunha
Compressão
Corte
Queda
20
Sólidos Solúveis(ºBrix)
Solidos Soluveis (ºBrix)
que um grau Brix.
15
Testemunha
Queda
Corte
Compressão
Abrasão
10
5
0
0
15
30
45
Armazenagem (Dias a 7ºC)
60
0
15
30
45
Armazenagem ( Dias a 7ºC)
Gráfico 3: Sólidos solúveis (oBrix) em bergamotas ‘Ponkan’ submetidas a danos mecânicos e
armazenadas em frio a 7º C nas safras 2014 (esquerda) e 2015 (direita).
Na safra 2015 o teor de sólidos solúveis apresentou o mesmo comportamento errático
da safra 2014. O dano por compressão após 30 dias de armazenagem e todos os tratamentos
de danos mecânicos após 45 dias em frio apresentaram sólidos solúveis mais altos que a
testemunha (Gráfico 3). Uma explicação para os maiores valores de sólidos solúveis nos
frutos com danos mecânicos pode estar na maior desidratação ocorrida nestes tratamentos,
que pode ter levado a maior concentração de açúcares pela perda d’água dos frutos.
A acidez titulável, na safra 2014, foi maior no tratamento de dano mecânico por
queda, que manteve uma maior acidez comparada aos demais tratamentos até 45 dias de
armazenagem. Nos demais tratamentos a acidez oscilou ao longo dos períodos em
armazenamento (Gráfico 4). Na safra 2015, os valores de acidez foram mais altos que em
2014, e oscilaram ao longo do período de armazenagem. Houve uma tendência de diminuição
da acidez, em todos os tratamentos, principalmente nos submetidos aos danos mecânicos, que
pode ser explicada pelo uso do ácido no processo de respiração que, possivelmente, foi
aumentado devido aos danos produzidos nos frutos. Frutos submetidos ao tratamento de
abrasão apresentaram a menor média geral de acidez.
5
Testemunha
Compressão
Corte
Queda
4
3
Acidez (% Ác. cítrico)
Acidez (% Ác. cítrico)
5
2
1
0
4
Testemunha
Compressao
Corte
Queda
Abrasão
3
2
1
0
0
15
30
45
60
Armazenagem (Dias a 7ºC)
0
15
30
Armazenagem (Dias a
45
7oC)
Gráfico 4: Acidez (% ác. cítrico) em bergamotas ‘Ponkan’ submetidas a danos mecânicos e
armazenadas em frio a 7º C nas safras 2014 (esquerda) e 2015 (direita).
Conclusão
A qualidade de tangerinas ‘Ponkan’ é afetada por danos mecânicos.
Danos mecânicos por queda e compressão diminuem significativamente a qualidade
levando a perda de massa fresca, de suculência e a diminuição sólidos solúveis o que diminui
o tempo de armazenagem de tangerinas ‘Ponkan’.
Referências
FISCHER, I.H., TOFFANO, L., LOURENÇO, S.A. & AMORIM, L. Caracterização dos danos
pós-colheita em citros procedentes de “packinghouse”. Fitopatologia Brasileira 32:304-310.
2007.
HENDGES, M.V; STEFFENS, C. A; ANTONIOLLI, L.R; AMARANTE,C.V.T; ZANARDI, O.
Z. Qualidade de Maçãs ‘Fuji suprema’ submetidas a diferentes tipos de dano mecânico.
Revista Brasileira de Fruticultura, 2011.
SILVA, D.F.P.; SIQUEIRA, D.L.; MATIAS, R.G.P.; OLIVEIRA, S.P.; LINS, L.C.R..;
SALOMÃO, L.C.C. Desempenho de filmes comestíveis em comparação ao filme de
policloreto de vinila na qualidade pós-colheita de mexericas ‘Poncã’. Ciência Rural, Santa
Maria, v.42, n.10, p.1770-1773, out, 2012.
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efeito de danos mecânicos por queda, corte