Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração INTRODUÇÃO Já notou que basta não se ter muito que dizer que aparece um monte de gente pra te ouvir. E quando você tem realmente algo de relevante para falar... Pufff... Some todo mundo. O AUTOR 14 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração INTRODUÇÃO O tema cultura constitui-se um dos principais objetos de estudo da Antropologia, assim como a maximização do lucro e minimização dos custos e uma das principais metas da Administração. Objetos de estudo e metas se confundem quando se fala de cultura. De uma forma reducionista a cultura é a responsável pelo modo de pensar de quem esta inserida nela, ao mesmo tempo em que o próprio indivíduo a gera. A antropologia assim como a administração, são ciências sociais e comportamentais. Esta leitura de Marconi (2001) nos leva a mente, o principio de que qualquer analise é um modo comparativo e a cultura fornece diretrizes para esta leitura sejam efetuadas. As primeiras investigações sobre este tema pode reportar a Heródoto (484-424 a.C) quando o mesmo descreveu o sistema social dos lícios1. Eles têm um costume singular pelo qual diferente de todas as outras nações do mundo. Tomam o nome da mãe, e não o do pai. Pergunte-se a um lício quem é, e ele responde dando o seu próprio nome e o de sua mãe, e assim por diante, na linha feminina. Além disso, se uma mulher livre desposa um homem escravo, seus filhos são cidadãos integrais; mas se um homem livre desposa uma mulher estrangeira, ou vive com uma concubina, embora seja ela a primeira pessoa do Estado, os filhos não terão qualquer direito à cidadania. Este fato demonstra a tendência de analisar as experiências alheias, pelas nossas próprias vivências. A cultura tem este poder de controle. A pesquisa realizada para a elaboração desta monografia consistiu numa reunião das informações desenvolvidas e defendidas por pensadores de ambas as 15 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração ciências, suas metodologias e os resultados de suas pesquisas, a partir da análise da bibliografia produzida em cada uma delas. A condição de entusiasta do tema consistiu no principal motivador, para que o presente autor se debruçasse no levantamento de dados sobre os conceitos de cultura no âmbito antropológico e administrativo. O interesse pela administração foi gerado pelo envolvimento nos estudos da área de formação do pesquisador, assim como ocorreu com a antropologia, esta que por sua vez, nasceu do cotidiano e foi se ampliando de modo mais sério. Não se restringindo apenas a estas áreas, era fundamental entender todo um contexto de pesquisas ligadas à construção conceitual da cultura, tanto na Administração quanto na própria Antropologia. Para a obtenção do conjunto de dados a serem analisados nesta monografia, realizou-se visitas a duas instituições de ensino superior envolvidas no tema, efetuando-se uma pesquisa de campo para levantar as informações mais condizentes com a prática administrativa. Assim como o levantamento bibliográfico A idéia motriz deste trabalho foi à solução do seguinte dilema: qual a relação entre a cultura organizacional e o desenvolvimento da personalidade do individuo? Assim como, qual a relação entre a conduta social e a organizacional e que fator rege este processo? Para tanto seria necessário identificar a relação entre os conceitos de cultura sobre um prisma antropológico e organizacional, visando apontar subsídios para uma melhor compreensão do mesmo para os estudos corporativos. Ainda nesta linha de pensamento, seria preciso levantar os conceitos de cultura para a antropologia cultural e para a cultura organizacional. Distinguir os padrões 16 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração comportamentais estudados pelas teorias estruturalistas, comportamental e de desenvolvimento organizacional, para daí traçar onde se encontra o indivíduo nas estruturas e como seu comportamento influência no desenvolvimento das instituições. E por ultimo identificar os fatores que geram a mudança de comportamento individual, levando-se em conta os padrões psicológicos dentro e fora das organizações. Para tanto se tornaria necessário abranger áreas correlatas do tema, no contexto organizacional. Seria necessário aprofundar-se nos estudos da psicologia e nas leituras da sociologia organizacionais. Na primeira identificando as teorias das personalidades e os contextos de identidade e imagem, assim como, aprofundar-se nas contribuições da analise de sociedade e inter-relações entre os individuo/grupo e vice versa. Trabalho este que tornaria esta monografia deveras ampla, e comprometeria a unidade da mesma. Informações estas que foram levadas em conta pelo autor, mas que não figuram no tema essencial do trabalho. Esta monografia é composta por três capítulos e pelas conclusões. No Capítulo 1, realizamos um breve histórico sobre os processos metodológicos utilizados para o desenvolvimento da pesquisa. No capítulo 2, apresentaremos o arcabouço teórico, que foi dividido em três partes, tratando a primeira do conteúdo conceitual voltado para a Antropologia, o segundo refere-se a um levantamento histórico da Teoria Administrativa, mais detidamente três teorias de relevância ao tema; e por ultimo a visão de cultura para a administração. No Capítulo 3, apresentamos e analisamos os resultados da pesquisa de campo. Ao longo de todo trabalho, procuramos enfocar a importância da multidisciplinaridade da Administração para a criação e manutenção de instituições 17 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração competitivas e modernas, sem perder o foco no individuo, cujo desenvolvimento social e profissional esta atrelada a este curso. 18 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração METODOLOGIA Se tens um sistema melhor que o meu, concede-mo; se não tens, faz uso do meu. Horácio 19 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração 1. METODOLOGIA Neste capítulo buscou-se identificar todos os métodos científicos que conduziram esta monografia, tais como classificar o tipo de pesquisa, a análise dos dados, o tratamento e a amostra que foi utilizada. Assim, foi feito um cruzamento das informações metodológicas pré-existentes e as informações do estudo de campo, para avaliar com a maior proximidade os resultados alcançados. O conceito de método vem da palavra grega método, cujo significado é longo caminho. Para Ruiz (2002) “a palavra método é de origem grega e significa o conjunto de etapas e processos a serem vencidos ordenadamente na investigação dos fatos ou na procura da verdade”. Este método deriva-se da metodologia, ou como diz Oliveira (1997) O método deriva da metodologia e trata do conjunto de processos pelos quais se torna possível conhecer uma determinada realidade, produzir determinado objeto ou desenvolver certos procedimentos ou comportamentos. Quando o homem começa a interrogar-se a respeito dos fatos do mundo exterior, na cultura e na natureza, surgi à necessidade de uma metodologia da pesquisa cientifica. De forma resumida a metodologia é o conjunto de métodos ou caminhos que são percorridos na busca do conhecimento. Com o intuito de Teoria2 não de Doutrina3, pretende-se utilizar o método dialético que se fundamenta na própria dialética proposta por Hegel, pelas quais as contradições se transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer soluções. Este é um método de interpretação dinâmico e totalizante da realidade. Considera que os fatos não podem ser considerados fora de um contexto 20 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração social, político, econômico, etc. e é comumente empregado em pesquisa qualitativa. (LAKATOS; MARCONI, 1993) A pesquisa utilizada foi à bibliográfica que segundo Köche (2004) “se desenvolve tentando explicar um problema, utilizando o conhecimento disponível a partir das teorias publicadas em livros ou obras congêneres”. Quanto ao método ou como diz Ruiz (2002), “o conjunto de etapas e processos a serem vencidos ordenadamente na investigação dos fatos ou na procura da verdade”. Foi utilizado tanto o qualitativo como o quantitativo, haja visto que, a primeira aborda o objeto de pesquisa sem a preocupação de medir ou qualificar os dados coletados, o que ocorre essencialmente na segunda. 1.1 POPULAÇÃO A população desta pesquisa será constituída por material didático destinado ao ensino superior e que vislumbrem o tema cultura tanto em sua vertente antropológica quanto administrativa. Também foi necessária a pesquisa de campo, cuja população foi composta do grupo de pessoas com conhecimentos básicos do tema, para este estudo será extraída uma parcela, em vez de utilizar seu total, devido ao tamanho da população e ao tempo disponível, sendo utilizado desse modo, o processo de amostragem. O seu propósito foi construir um subconjunto da população que é representativo nas áreas de interesse da pesquisa. “O conceito da amostra é ser 21 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração uma porção ou parcela, convenientemente selecionada do universo, ou seja, é um subconjunto da população”, conforme Lakatos e Marconi (2001, p. 223). O real universo da pesquisa foi composto por um mix de discentes do curso de Administração, de duas instituições de ensino superior particulares. Mais especificamente, 50 alunos de cada uma das instituições. Era pré-requisito para participar da pesquisa, que o aluno estivesse ativo no mercado de trabalho 1.2 AMOSTRA A amostra será apoiada em livros publicados sobre o tema e dois grupos escolhidos aleatoriamente de duas instituições de ensino superior em estados diferentes, procurando com isso maior contraste no que tange às diferenças de realidades culturais. Esta amostragem pode ser classificada como não-probabilistica. Para Mattar (2001): Aquela em que a seleção dos elementos da população para compor a amostra depende ao menos em parte do julgamento do pesquisador ou do entrevistador no campo. Não há nenhuma chance conhecida de que um elemento qualquer da população venha a fazer parte da amostra A amostra não probabilística no caso desta pesquisa foi por julgamento. Este tipo baseia-se em baixos custos, conveniência e rapidez, contudo, por depender do julgamento do pesquisador não permite uma ampla inferência populacional. Seu procedimento é o levantamento de uma amostra satisfatória para a necessidade da pesquisa, amostra esta, obtida com uma boa ponderação e uma estratégia 22 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração adequada. Uma forma de fazê-la é selecionando casos típicos da população da pesquisa que seriam “representativos” desta. De forma prática a composição teve em vista identificar informações que elucidassem a situação problema. Com isso em mente o pesquisador definiu a área de interesse dos entrevistados, conhecimento necessário, vícios indesejados, ambiente de maior volume dos mesmos e quantidade estimada para a pesquisa. Uma questão surgiu neste momento e norteou a formatação final dos critérios para seleção dos entrevistados. Os mesmos tinham que ser administradores, estudantes, do primeiro ao quarto período, a universidade era o ambiente a encontrá-lo e o volume tinha que ser idêntico entre as instituições, e por ultimo, viverem em ambientes culturais distintos e característicos. 1.3 INSTRUMENTO Na técnica de coleta de dados serão realizadas entrevistas por meio de questionários, que para Malhotra apud Lakatos (2001) “é o conjunto formal de perguntas cujo objetivo é obter informações dos entrevistados”, de forma que, o questionário deve atingir três objetivos: o primeiro é que a informação desejada esteja de fácil entendimento para os entrevistados; segundo suscite e envolva as pessoas de modo que estas percebam a importância da sua opinião; e terceiro, deve minimizar o erro na resposta, diferentemente do formulário, que a intenção é somente a obtenção da informação desejada sem a preocupação com o impacto psicológico, embora seja mais fácil sua elaboração. 23 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração 1.3.1 LEVANTAMENTO E ANALISE DOS DADOS Com os dados em mãos, serão analisados, filtrados e expostos através de gráficos, seguidos de comentários com base nos conceitos apresentados no referencial teórico. Serão observados os objetivos alcançados e as respostas para a problemática e, em seguida expor informações de forma a serem compreendidas por todos os leitores e pautadas com rigor científico. Para a pesquisa, duas instituições de ensino superior, que possuem o curso de Bacharelado em Administração foram escolhidas devido à facilidade de acesso do pesquisador e o fácil contato com o público fonte, ou seja, os acadêmicos (discentes). Assim como por serem reconhecidas como instituições sérias e com boa infra-estrutura e corpo docente competente. Deste modo, com o objetivo de colher informações necessárias para elaboração deste estudo, as entrevistas foram realizadas pelo pesquisador. No primeiro momento, foi realizada por meio de questionários dirigidos aos alunos, nos dias 07–20 de julho de 2008, contendo 15 questões de múltipla escolha sobre a percepção dos mesmos no que se refere à cultura e a relação de influência da mesma sobre os indivíduos. Assim, com o objetivo de diagnosticar o problema levantado, a pesquisa servirá como um exemplo prático, para verificar se existe esta influência e quanto ela é trabalhada no meio acadêmico para gerar nos futuros gestores uma consciência deste fato organizacional. Assim, diante dos resultados obtidos será feita a análise, e apresentada às devidas conclusões. 24 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração REFERE REFERENCIAL TEÓ TEÓRICO A ciência negocia o saber por meio da dúvida. Brecht 25 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração 2. REFERENCIAL TEÓRICO O presente capítulo apresenta o esqueleto teórico que fundamenta a presente monografia, fornecendo informações para contextualização e análise dos dados da pesquisa e corroborando com as conclusões do autor. 2.1 ANTROPOLOGIA A antropologia remete em suas origens etimológica4 ao termo grego άνθρωπος (anthropos - homem / pessoa) e λόγος (logos - razão / pensamento)1, por sua vez e excelência, é a ciência preocupada com o fator humano e suas relações. A divisão clássica da Antropologia distingue a Antropologia Social ou Cultural da Antropologia Física. Cada uma destas, em sua construção abrigou diversas correntes de pensamentos. Nestes contextos, campos de estudo diversos se tornaram independentes, sendo que a primeira é geralmente classificada como Ciência Social e a segunda como Ciência Natural. A ciência antropológica foi assim constituída há poucas décadas. Primeiramente, foi considerada como a história natural e física do homem e do seu processo evolutivo, no espaço e no tempo, postura essa que limitava seus estudos a antropométria5. Se por um lado essa concepção vinha satisfazer o significado literal da palavra, por outro restringia o seu campo de estudo às características do homem físico. 1 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio século XXI: dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 26 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Com uma mudança de visão, ela tomou para si o papel da ciência da humanidade e da cultura e como tal, possuía um campo de investigação extremamente vasto: abrangendo, no espaço, toda a terra habitada; no tempo, pelo menos dois milhões de anos, e todas as populações socialmente organizadas (MARCONI, 1992). Para tanto tornou-se necessário dividir em duas grandes áreas de estudo, com objetivos definidos e interesses teóricos próprios: a Antropologia Física ou Biológica e a Antropologia Social ou Cultural – segunda esta que é de interesse desse trabalho - que se centram no desejo do homem de conhecer a sua origem, a capacidade que ele tem de conhecer-se, nos costumes e no instinto. Torna-se necessário deste ponto em diante diferenciar ambas as áreas. Primeiramente a Antropologia Física que surgiu vinculada aos estudos fisiobiológicos do século XVIII e XIX, tendo como expoentes, pesquisadores como Broom6, Dart7 e os Leakey8. Visava compreender o processo de evolução pelo qual se originaram os humanos modernos, com ênfase nos aspectos biológicos e físicos referentes a este processo. Sua metodologia se centrava na comparação fóssil-residual além do estudo comparativo de diferentes "tipos humanos". Objetivava compreender a adaptabilidade e variabilidade observáveis na humanidade. Em grande medida a Antropologia Física se vincula a uma matriz disciplinar biofísica que tem como mola motriz as teorias evolucionistas9. Está também significativamente associada aos estudos arqueológicos, tanto no estudo de grupos hominídeos pré-históricos, como em pesquisas etno-históricas visando estabelecer as diferentes trajetórias das sociedades de tradição eminentemente oral, ou parcelas das sociedades de tradição escrita, das quais o registro escrito é pouco significativo ou inexistente. 27 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Já a Antropologia Social e Cultural, pela qual vozes como as de, Boas10, Benedict11 e Lévi-Strauss12 se levantaram. Tem como objeto de estudo o homem e as sociedades humanas em sua vertente cultural. As suas questões centrais transitam pela palavra (signos) e pela imagem (ícones). Desse modo o estudo dos signos13 na comunicação norteia seu curso A linguagem humana e representação iconográfica serve como ponto de partida para a antropologia oral e visual. Estas disciplinas vêm questionar o conceito de “cultura e natureza” segundo o qual alguns seres humanos vivem em um estado de “pura natureza”. Alguns Antropólogos argumentam que a cultura é “natureza humana” e que todas as pessoas possuem capacidade de classificar experiências, codificar classificações simbólicas e transmitir tais abstrações “uma vez que a cultura é aprendida e que pessoas vivendo em diferentes lugares possuem diferentes culturas” (GEERTZ, 1989). Em uma visão simples para Marconi (2001): A antropologia se define como a ciência que estuda o homem, suas produções e seu comportamento. Ser biólogo e ser cultural. Tenta compreender a existência humana no espaço e no tempo. A compreensão das manifestações culturais, do comportamento e da vida social. Segundo o mesmo “O homem como ser biológico pensante, produtor de culturas e participante da sociedade, tentando chegar, assim, a compreensão da existência humana”. A cultura como partícula individualizada no processo de análise, apresenta-se como fator relevante, porem, uma vez que esta cultura individual pode se nomear de inúmeras formas: ideologia, tendência psicossocial, resistência a coletividade. Independente da nomenclatura tem-se um fato, o fato de que dentro do âmbito social temos indivíduos que possuem sua própria visão ou prática cultural dentro de 28 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração uma mesma sociedade, com regras, valores. Onde tentam entender o segredo de sua própria existência. Para Marconi (2001) Antropologia cultural abrange o estudo do homem como ser cultural, isto é, fazedor de cultura. Investigam as culturas humanas no tempo e no espaço, suas origens e desenvolvimento, suas semelhanças e diferenças. Ibdem: As sociedades simples encontram-se, ainda hoje, espalhadas pela Terra, cada uma desenvolvendo uma cultura específica. Algumas já desapareceram; outras estão em contato com o mundo exterior, em processo de mudança; poucas se conservam isoladas. A visão de que as culturas se desenvolvem ou se extinguem pelo mundo são justificadas pela própria natureza delas, cada uma com suas origens, com o seu modo de vida, suas crenças, seus valores, algumas em contato com o mundo, apresentando-se para eles como partes diferentes de um sistema, sistema esse que se completa com as suas mudanças, enquanto outras poucas se escondem, muitas vezes por discriminação das culturas dominantes14. Segundo Marconi (2001) “A antropologia é uma ciência social e humana, perfeitamente caracterizada, tendo seus campos de ação bem definido e seus próprios métodos e técnicas de trabalho”. A ciência da antropologia estuda o ser humano em uma sociedade, suas características seus métodos e técnicas e como eles conseguem obter resultados. Para Boas (1940, pg. 30): O conceito de antropologia cultural implica os de Ciência Social e Ciência Humana, uma propondo conhecer o homem enquanto elemento integrante 29 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração de grupos organizados, a outra, voltando-se especificamente para o homem como um todo: sua história, suas crenças, usos e costumes, filosofia, linguagem etc. Diante do intuído do trabalho toma-se o caminho das Ciências Sociais, para assim analisar o contexto empresarial. Apoiado na cultura em uma vertente de relação com o grupo em vez de seus detalhes por uma coletividade. 2.1.1 CULTURA É de extrema relevância definir-se o conceito de cultura, desde o mais simplório até o complexo uma vez que o intuito é abstrair um conceito mais aplicável ao contexto estudado. Para o Novo Aurélio (1999, pg. 591), “Cultura (do latim cultura, cultivar o solo, cuidar) é um termo com várias acepções, em diferentes níveis de profundidade e diferente especificidade.” Segundo Kroeber apud Laplantine (2000) a cultura É o conjunto dos comportamentos, saberes e saber–fazer característico de um grupo humano ou de uma sociedade dada, sendo essas atividades adquiridas através de um processo de aprendizagem, e transmitidas ao conjunto de seus membros. São comportamentos, modos característicos de uma sociedade e que o individuo absorve durante seu processo de amadurecimento, onde o mesmo começa a se identificar com o coletivo e passa a fazer parte de um grupo, perpetuando e difundindo estes padrões as futuras gerações. Para Laplantine (2000). 30 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração A cultura por sua vez não é nada mais do que o próprio social, mas considerado dessa vez sob o ângulo dos caracteres distintivos que apresentam os comportamentos individuais dos membros desse grupo, bem como suas produções originais. Para o autor a cultura é o reflexo da própria sociedade. Os membros do grupo, com suas características individuais e seguindo um padrão normativo – consciente ou não – influencia na cultura assim como esta própria influencia é recíproca. Estas pequenas variações culturais, ou culturas individuais, podem ser visualizadas em cada um dos aspectos de nossas vidas cotidianas. Para Marconi (2001): Considerando a extrema diversidade cultural da humanidade, pode-se compreender cada grupo humano, seus valores definidos, suas exclusivas normas de conduta e suas próprias reações psicológicas aos fenômenos do cotidiano; e também suas convenções relativas ao bem e mal, ao moral e imoral, ao belo e feio, ao certo e errado, ao justo e injusto etc. Cada grupo apresenta uma cultura impar, cada um tem seus modos de vida, seus valores, sensos de certo e errado em diversos níveis de leitura psicológica, e são estes níveis que regem suas relações com os outros grupos. Mesmo que grupos de culturas diferentes saibam compreender e avaliar outras culturas, esta capacidade de aceitação parte do conhecimento e vivência pessoal dentro do seu grupo. Segundo Marconi (2001) Os indivíduos têm direito a suas próprias crenças, aos seus próprios hábitos e costumes, a sua própria ideologia e a sua própria cultura. Por isso, mesmo debaixo das pressões da cultura dominante, muitos grupos preservam valores que são nucleares em sua cultura. 31 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Cada indivíduo possui o direito de viver conforme seus modos e sua comodidade, da forma que foi aprendida, que lhe foi passada. Apesar de possíveis momentos de incompreensão e/ou pressão de outras culturas, muitos prevalecem em seus valores, costumes. Esta ação individual gera culturas fortes e que persistem ao tempo, fortalecendo-se e valorizando-se cada vez mais como cultura e modo de vida. Segundo Marconi (2001) “As formas de pensar e agir de grupos diferentes deve merecer o maior respeito possível e, por isso, seria injusta a introdução deliberada de mudanças no interior dessas culturas”. Esta consciência de valoração das crenças e costumes divergentes aos nossos é um traço das culturas mais estáveis. É descobrir que as diferenças é que tornam a raça humana tão rica e que são elas que diferenciam os grupos inertes socialmente ou simplesmente de uma coletividade reducionista. Cada um tem seu jeito de pensar e agir, e isso que é importante. Segundo Marconi (2001, pg. 39): Deve-se considerar que há modos de vida bons para um grupo e que jamais serviriam para outro. Os estudos de grupos humanos vêm demonstrando que, embora existam expressivas diferenças culturais, “outras culturas” não são necessariamente inferiores. Mesmo assim, as sociedades “primitivas” são vistas dentro de um prisma de inferioridade cultural, sendo consideradas selvagens, bárbaras e de mentalidade atrasada. É uma atitude etnocêntrica, condenada pela Antropologia, que defende o princípio de que as culturas não são superiores ou inferiores, mas diferentes, com maiores ou menores recursos, com tecnologia mais desenvolvida ou menos. O etnocentrismo é uma tendência negativa das analises de grupos. Uma vez que o indivíduo, ou melhor, o pesquisador permite que a sua visão interfira em suas leituras, propondo mudanças apoiadas nos seus valores culturais, aculturar é uma atitude etnocêntrica, seja ela consciente ou não. O modus operandi15 de alguns 32 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração grupos apresenta-se de difícil assimilação para outros. Toda via, as sociedades, sejam elas simples ou complexas, rurais ou urbanas, todas elas possuem traços culturais próprios e que devem ser respeitados. A visão de cultura para os antropólogos é mais ampla, o próprio significado engloba os modos comuns e aprendidos da vida, transmitidos pelos indivíduos e grupos, em sociedade. Segundo Ralph Linton apud Marconi (2001) Consiste na soma total de idéias, reações emocionais condicionadas a padrões de comportamento habitual que seus membros adquiriram por meio de instrução ou imitação e de que todos, de maior ou menor grau, participam. Segundo Franz Boas apud Marconi (1938, pg. 43) “a totalidade das reações e atividades mentais e físicas que caracterizam o comportamento dos indivíduos que compõem um grupo social”. Estas características criam um vinculo inconsciente entre os membros do grupo. Estas características, que por sua vez geram uma caracterização, uma sensação de “fazer parte” é a grande contribuição da cultura para os grupos sociais. Segundo Beals e Hoijer apud Marconi (2001) A cultura é uma abstração do comportamento e não deve ser confundidas com os atos de comportamento ou com os artefatos materiais, tais como ferramentas, recipientes, obras de arte e demais instrumentos que o homem fabrica e utiliza. Alguns acadêmicos podem questionar onde se adéqua a parte material da cultura. Uma vez que a própria matéria física se nomeia como patrimônio, esta nomeação elucida a duvida. Por definição de Lévi-Strauss, o concreto figura-se 33 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração como cultura material16 quando atrelado a um contexto arqueológico e o abstrato seria o patrimônio cultural imaterial17. Segundo Kessing apud Marconi (2001) Comportamento cultivado, ou seja, a totalidade da experiência adquirida e acumulada pelo homem e transmitida socialmente, ou ainda, o comportamento adquirido por aprendizado social. Quando o indivíduo de um grupo adquire toda, ou boa parte, da experiência que é passada entre as gerações, transmitindo valores, modos de vida. Estes mesmos indivíduos posteriormente serviram como disseminadores e perpetuadores destas características culturais, assim como desenvolvedores destes modos. Segundo Foster apud Marconi (2001) A forma comum é aprendida da vida, compartilhada pelos membros de uma sociedade, constante da totalidade dos instrumentos, técnicas, instituições, atitudes, crenças, motivações e sistemas de valores conhecidos pelo grupo. São estas formas comuns que indica o todo, seja material ou imaterial, do grupo. O que cria o coletivo, estes fatores são como características de uma teoria, ele permite que novos membros se agreguem ao coletivo apoiando-se nos usos e costumes, nas práticas cotidianas de vida e produção. Com o “aprendizado da vida” (valores, crenças, modos de conduta social) o indivíduo se identifica com o grupo e esta inserido no mesmo. Segundo Geertz apud Marconi (1973) “A cultura deve ser vista como um conjunto de mecanismos de controle – planos, receitas, regras, instituições – para governar o comportamento”. 34 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Em uma visão mais administrativa, a cultura toma o cunho normativo inconsciente, ela passa a ser uma ferramenta de controle do comportamento do indivíduo, onde seus gostos, seus pensamentos, seus gestos propiciam que o mesmo não saia dos valores instituídos pelo grupo, uma vez que é inconsciente, ele aceita com naturalidade as normas que organizam esse comportamento coletivo. Para Marconi (2001) Comportamento são modos de agir comuns a grupos humanos ou conjuntos de atitudes e reações dos indivíduos em face do meio social. Inúmeros antropólogos consideram a cultura como comportamento aprendido característico dos membros de uma sociedade, uma vez que o comportamento instintivo é inerente aos animais em geral. Os comportamentos são os modos, as reações em meio a uma sociedade onde este indivíduo se encontra incluso. A cultura é um comportamento apreendido de acordo com as características que regem esta sociedade. Segundo Marconi (2001) “Cultura real é aquela em que, concretamente, todos os membros de uma sociedade praticam ou pensam em suas atividades cotidianas”. O autor afirma ainda que “Todas as culturas, sejam simples ou complexas, possuem grande quantidade de conhecimentos que são cuidadosamente transmitidos de geração em geração”. Todos os grupos, com culturas totalmente diferentes, com valores incompatíveis possuem uma característica em comum, a função de passar de geração em geração todas as normas de conduta e aprendizado de sua cultura. Segundo Herskovits apud Marconi (1963, pg. 55) Padrões culturais são os contornos adquiridos pelos elementos de uma cultura, as coincidências dos padrões individuais de conduta, manifestos 35 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração pelos membros de uma sociedade, que dão ao modo de vida essa coerência, continuidade e forma diferenciada. Os padrões culturais são transmitidos nos grupos sociais, onde as normas de conduta são individuais, mas tendo em vista os valores da sociedade, fazem com que essas sociedades apresentem uma identidade, com modos de vida diferenciados, apoiados pelo comportamento individual comum. Para Marconi (2001) A cultura significa o modo de vida de um povo e manifesta-se nos seus atos e nos seus artefatos. Os modos de comportamento que compõem a cultura de qualquer sociedade representam generalizações do comportamento de todos ou de alguns como membros da sociedade. Por a cultura ser literalmente o comportamento que caracteriza a vida do ser humano. Atos, gestos, opções de escolha, comportamento em adequação com a cultura local, onde esses comportamentos estão generalizados em um grupo social ou alguns membros desse grupo o seguem como se fossem algo mais que abstrações cognitivas ou valores morais, caracterizam e fundamentam a mesma. Segundo Tylor apud Marconi (1871, pg. 43) “cultura é aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridas pelo homem como membro da sociedade”. É tudo que se aprende durante a vida em sociedade. Cultura é o processo de crescimento do indivíduo em um contexto de constante aprendizado, é o discernimento de certo e errado, fazendo o que se gosta, o que gera prazer, seguindo os costumes da sociedade a partir de escolhas próprias. 36 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Citando Marconi (2001) “toda a cultura é considerada como configuração saudável para os indivíduos que a praticam. Todos os povos formulam juízos em relação aos modos de vida diferentes dos seus”. Segundo Marconi (2001, pg. 55) “o padrão cultural é, portanto, um comportamento generalizado, estandardizado e regularizado; ele estabelece o que é aceitável ou não na conduta de uma dada cultura”. Voltando a uma discussão mais complexa, diante das informações já vista para a Antropologia a cultura é a totalidade de padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. Segundo a definição pioneira de Tylor apud Marconi (1992), sob a etnologia (ciência relativa especificamente do estudo da cultura) a cultura seria “o complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Portanto corresponde, neste último sentido, às formas de organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a identidade deste. O uso de abstração é uma característica do que é cultura: os elementos culturais só existem na mente das pessoas, em seus símbolos tais como padrões artísticos e mitos. Entretanto fala-se também em cultura material (por analogia a cultura simbólica) quando do estudo de produtos culturais concretos (obras de arte, escritos, ferramentas, etc.). Essa forma de cultura (material) é preservada no tempo com mais facilidade, uma vez que a cultura simbólica é extremamente frágil. Para Cuche (2002) a principal característica da cultura é o chamado mecanismo adaptativo: a capacidade de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos, mais rápida do que uma possível evolução biológica. O homem 37 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração não precisou, por exemplo, desenvolver longa pelagem e grossas camadas de gordura sob a pele para viver em ambientes mais frios – ele simplesmente adaptouse com o uso de roupas, fogo e habitações. A evolução cultural é mais rápida do que a biológica. No entanto, ao rejeitar a evolução biológica, o homem torna-se dependente da cultura, pois esta age em substituição a elementos que constituiriam o ser humano; a falta de um destes elementos (por exemplo, a supressão de um aspecto cultural) causaria o mesmo efeito de uma amputação ou defeito físico, talvez ainda pior. Além disso, Cuche afirma que a cultura é também um mecanismo cumulativo. As modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte, de modo que a cultura transforma-se perdendo e incorporando aspectos mais adequados à sobrevivência, reduzindo o esforço das novas gerações. Um exemplo desta vantagem obtida através da cultura é o desenvolvimento do cultivo do solo, a agricultura. Com ela o homem pôde ter maior controle sobre o fornecimento de alimentos, minimizando os efeitos de escassez de caça ou coleta. Também pôde abandonar o nomadismo18; daí a fixação em aldeamentos, cidades e estados. 2.2 TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO A segunda parte deste referencial teórico diz respeito às teorias da administração. Uma vez que o mesmo tem o intuído de demonstra a conexão entre os conceitos de cultura antropológica e cultura organizacional, torna-se necessário lembrar o processo que trouxe a administração aos moldes atuais como ciência. 38 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração A administração está sustentada em seu arcabouço teórico, nas escolas da administração. Para Oliveira (2008): Escola de Administração é a consolidação da concepção técnica e de conhecimentos inerentes a um assunto administrativo, decorrente da influencia de uma ou mais teorias da administração. Em verdade existe uma relação muito próxima entre as teorias e as escolas da Administração, pois a última proporciona o agrupamento por ênfases das teorias e conseqüente consolidação do gradativo, evolutivo e acumulativo conhecimento administrativo. No quadro 01 torna-se mais fácil compreender os agrupamentos das teorias e suas respectivas escolas: Quadro 1: Divisão da TGA por escolas Fonte: acervo do pesquisador Por virtude da abordagem predominantemente comportamental praticada nos dias atuais, seria benéfico porem improfícuo, esmiuçar cada teoria, visto a rica 39 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração interação entre as mesmas para as tendências modernas da administração, todavia não é o intuito de trabalho aprofundar-se na área de Teoria Geral da Administração, mas sim no contexto comportamental da mesma, ficando assim a critério de exposição e analise a teoria estruturalista, comportamental e do desenvolvimento organizacional.19 Haja vista a consolidação da administração do conhecimento como foco catalisador da diferenciação entre as organizações assim como a necessidade de maior interação entre os instrumentos das organizações, buscamos na teoria estruturalista o inicio de uma visão estruturada das mesmas, saindo de um contexto alienado de produtividade por produtividade em busca de um todo organizacional apoiado em uma divisão dos sistemas, não só dos processos. Posteriormente procuramos entender os motivos que movem o individuo e apontam seus comportamentos e como estes movimentos podem ser utilizados de forma apropriada para o desenvolvimento das organizações. 2.2.1 TEORIA ESTRUTURALISTA Esta teoria teve como principais pensadores: Amitai Etzioni20, Victor A. Thompson21, Talcott Parsons22, Peter M. Blau e W. Richard Scott23 e Philip Selznick24. Devido ao foco mais voltado para a sociologia organizacional os autores procuravam inter-relacionar a organização e o ambiente externo ou como diz Chiavenato (1999) “a sociedade de organizações, caracterizada pela interação entre as organizações, daí a nova visão de homem o homem organizacional”. 40 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração A principal proposta do Estruturalismo era aproximar as Escolas Clássicas e de Relações Humanas (vide figura 1). Figura 1 – Visão estruturalista Fonte: acervo do pesquisador O maior intuito e possivelmente a melhor definição para a teoria Estruturalista é que ela seja uma tentativa de englobar as melhores idéias de suas antecessoras, a Administração clássica e das Relações Humanas. Como disse o próprio professor Amitai Etzioni (1964): A Administração Cientifica e a Escola das Relações Humanas eram, em certos aspectos, diametralmente oposta. Os fatores que uma escola consideração críticos e cruciais, a outra simplesmente ignorava. Entretanto as duas tinham um elemento comum: nenhuma delas via qualquer contradição básica ou dilema insolúvel nas relações entre a busca de racionalidade por parte da organização e a busca de felicidade de parte do individuo. A Administração Cientifica entendia que a organização mais eficiente seria também a organização mais satisfatória, uma vez que ela maximizaria tanto a produtividade como o pagamento do individuo [...] A abordagem das Relações Humanas entendia que a organização mais satisfatória seria também a mais eficiente. Ela sugeria que os trabalhos não ficariam satisfeitos numa organização fria, formal, racional, que apenas satisfizesse suas necessidades econômicas. 41 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Esta leitura das terias de Taylor, Fayol, Weber e Mayo feitas por alguém do porte de Etzioni, levanta o questionamento do quanto às teorias eram divergentes. Ao ver do autor, ambos tinham suas similaridades uma vez que a meta delas era alcançar o máximo desempenho da organização, é claro, com prismas totalmente diferenciados. Três delas (Taylor, Weber e Fayol) visando o máximo desempenho da organização, já a de Mayo trabalhava visando a maior satisfação do funcionário o que por sua vez, gerava uma maior produtividade do mesmo e conseqüente aumento de desempenho da organização. O próprio Etzioni explica onde a sua teoria agrega valor na cadeia do conhecimento administrativo. Tendo muitas fontes, mas somente adversários, a Abordagem Estruturalista é uma síntese da Escola Clássica (ou formal) com a Escola das Relações humanas (ou informal)... Mas seu diálogo maior foi com a abordagem das Relações Humanas. Seus fundamentos são mais bem compreendidos através do exame da crítica que ela levanta contra esta escola. É exatamente ao explorar a visão harmônica dos escritores da Escola de Relações Humanas, que os escritores Estruturalistas pela primeira vez reconheceram integralmente o dilema organizacional, ou seja: o inevitável conflito entre os objetivos organizacionais e as necessidades individuais, conflito esse que pode ser reduzido, mas não eliminado. Podemos apontar alguns méritos do Estruturalismo, a exemplo da inserção de uma nova lógica integrativa e não dicotômica de se ver a organização no âmbito da discussão científica, enriquecendo o campo da administração e gerando uma maior compreensão da organização e do que infere no seu desenvolvimento. Uma vez que este questionamento se inicia, novos temas surgem, tais como: conflito, alienação, poder. E talvez um dos maiores passos dos estruturalistas, a nova visão de ambiente, deixando a miopia industrial e entendendo – contribuição do forte peso da sociologia nesta teoria – que a sociedade é composta por organizações, sendo estas (hospitais, ordens religiosas, exército, universidades, etc.) dignas fontes de pesquisa e estudo administrativo. 42 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Citando Etzioni (1967) “uma Sociedade organizacional é formada de uma variedade de organizações, detentoras de uma base comum e que, a partir do Estruturalismo, passaram a ser objetos de estudo da Teoria Organizacional”. Lógica predominante Ênfase Abrangência Dilema identificado Organizações objeto de estudo Temática Característica Integrativa e não dicotômica Individuo e organização Escola Clássica e Escola das Relações Humanas Conflito inevitável entre objetivos organizacionais e necessidades individuais Além das indústrias, também hospitais, ordens religiosas, exercito, universidades entre outras Introdução de novos tópicos para discussão: conflito, poder, alienação Tabela 1: Estruturalismo quadro resumo. Fonte: acervo pessoal do autor Para os estruturalistas os conflitos eram inevitáveis, estes conflitos eram gerando quando se necessitava analisar a relação organização/individuo. Ao contrario da rigidez metodológica de Taylor, onde o indivíduo era visto como tendenciosamente ocioso e necessitava de supervisão hierárquica clara e normas para regerem sua conduta de forma transparente (estas duas ultimas características ficam por conta de Fayol e Weber) e sem a passividade de Mayo, acreditando que o indivíduo procura o seu máximo desempenho pelo simples prazer de realizá-lo – é claro, se devidamente motivado – para Etzioni, esta relação esta fadada ao choque, em algum momento, mesmo que os objetivos organizacionais sejam traçados de forma clara e objetiva, visando o desenvolvimento do grupo informal e seu bemestar, este mesmo grupo será composto sempre por indivíduos que variam seus gostos, metas e perspectivas, influenciando por sua vez o próprio grupo maior. 43 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração 2.2.2 TEORIA COMPORTAMENTAL A presente teoria veio analisar o fator humano dentro das organizações. Por ser a segunda teoria da Escola Humanística, ela da seguimento a teoria da Relações Humanas2, partindo do pressuposto que o indivíduo deve ser motivado e que esta motivação vai depender de fatores que interagem com ele. São estes fatores a mola motriz dos seus estudos. Segundo Caravantes et all (1997): A prática gerencial, segundo McGregor, parece acreditar que motivar as pessoas para trabalhar é um problema mecânico, no qual o homem é um corpo em repouso e a aplicação de uma força externa é necessária para colocá-lo em movimento, isto é, para motivá-lo. Para o autor, esta teoria é muito similar às Leis de Movimento de Newton. Os principais idealizadores da Teoria Comportamental foram: Herbert A. Simon25, Abraham Maslow26, Frederick Herzberg27, Douglas McGregor28, David C. McClelland29, Chris Argyris30, William Ouchi31. A Teoria Comportamental trouxe como principais contribuições para a administração o desenvolvimento da psicologia organizacional, que por sua ver desenvolveu ferramentas para analisar e inferir de modo construtivo em atividades da organização, a citar: seleção, treinamento, alocação de funcionários, supervisão, comunicação, liderança, relacionamento humano e nível de satisfação – pessoal ou profissional – pelas organizações de um modo geral. O desenvolvimento desta área da administração propiciou um maior entendimento do comportamento humano na organização, assim como meios para lidar com conflitos de interesse empresa/funcionário. 2 Porém não é imediatamente posterior a ela. A Teoria das Relações Humanas data de 1932 e a Comportamental 1957. 44 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Outra contribuição dos comportamentalistas foi à criação do movimento direcionado a qualidade de vida no trabalho (vide figura 2). Figura 2: Abordagem ampla da qualidade de vida no trabalho. Fonte: Oliveira 2008. Alguns estudos focados em dinâmicas de grupo trouxeram resultados como o do psicólogo Rensis Likert apud Oliveira (2008): Os níveis de lealdade e de coesão dos membros do grupo, não necessariamente, conduzem a maior produtividade; mas é importante que o grupo tenha seus próprios padrões de conduta, para evitar conflitos e competições internas entre os membros do grupo. Houve uma consolidação da importância de se estudar o comportamento humano nas organizações. O indivíduo passou de mero membro do processo produtivo da empresa para catalisador e disseminador de conhecimento administrativo na organização e parte do processo decisório da mesma. 45 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Alguns instrumentos foram elaborados neste período, os três mais relevantes foram: 1. A teoria X e Y 2. A hierarquia das necessidades de Maslow 3. A abordagem dos dois fatores de Herzberg Trataremos de cada uma delas a seguir. A teoria X e Y, criada por McGregor levava em conta dois modos divergentes de se administrar. A Teoria X, com um cunho mais mecanicista e pragmático, é como diz Chiavenato (1999), “a concepção mais tradicional de administrar” ao contrario da Y que se apresenta mais apoiada no comportamento humano. Segue abaixo um quadro comparativo. Pressuposições da Teoria X As pessoas são preguiçosas indolentes As pessoas evitam o trabalho Pressuposições da Teoria Y e As pessoas são esforçadas e gostam de ter o que fazer O trabalho é uma atividade tão natural como brincar ou descansar a As pessoas procuram e aceitam se responsabilidades e desafios As pessoas evitam responsabilidade, a fim de sentirem mais seguras As pessoas precisam ser controladas e dirigidas As pessoas são ingênuas e sem iniciativa As pessoas podem ser automotivadas e autodirigidas As pessoas são criativas e competentes Tabela 2: Teorias X e Y Fonte: Oliveira 2008 A Teoria X apresenta uma concepção tradicional, mecanicista e pragmática de administração, característico de modelos de gestão rígidas e controladas. Por sua vez, a Teoria Y mostra uma concepção contemporânea de administração, levando 46 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração em conta conceitos sobre a natureza humana, característico do modelo de gestão participativa. Outro grande pensador da administração foi Maslow que desenvolveu na teoria comportamental as hierarquias que levam seu nome. A Hierarquia das necessidades de Maslow (figura 3) é um instrumento que busca definir, em um prisma gráfico as necessidades que regem a motivação individual, de forma hierarquizada para propiciar maior facilidade de planejamento e implementação de projetos motivacionais. Figura 3: Hierarquia das necessidades de Maslow Fonte: Chiavenato 1999. Para Maslow cada necessidade depende diretamente da anterior. Para se galgar os pontos mais altos da pirâmide são necessários que se estruture primeiro a base da mesma, ou seja, o indivíduo só alcançara a satisfação do ego se suas necessidades sociais estiverem realizadas. Não é operacional tentar motivar um 47 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração funcionário lhe proporcionando reconhecimento social se ela ainda não se sentir seguro no ambiente de trabalho. Caravantes et all destacam que: A obra produzida por Maslow é caracterizada por um profundo bom senso, ainda que bom senso, não seja suficiente para validar uma obra de cunho cientifico especialmente na visão da ciência positivista. Entretanto, estudo mais recente, como os da Universidade de Columbia, desde 1986 tem demonstrado, de forma sistemática, a propriedade e o grau de acuracidade das idéias e proposições de Maslow relativas à motivação do individuo. Esta colocação assenta Maslow na mesma posição de Taylor, às vezes discriminado, mas de extrema relevância para o aperfeiçoamento e questionamentos da administração. Para promover a motivação no trabalho, outro pensador levantou a voz na Teoria Comportamental, Frederick Herzberg propôs que o enriquecimento de tarefas, poderia ser feito com a substituição de tarefas simples e elementares por tarefas mais complexas para acompanhar o crescimento individual de cada funcionário, oferecendo-lhe condições de desafio e satisfação profissional no cargo. Este enriquecimento poderia ser vertical (profundidade, autoridade) ou horizontal (amplitude, diversidade). Os Dois Fatores de Herzberg (figura 4) são apoiados nos fatores intrínsecos e extrínsecos, ou motivacionais e higiênicos respectivamente. O primeiro promove a motivação já o segundo são ótimos para evitar a insatisfação, mas não motivam. 48 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Figura 4: A abordagem dos dois fatores de Herzberg Fonte: Chiavenato, 1999. Para Caravantes et all (2008): A distinção entre fatores higiênicos e motivacionais tem sido continuamente repetida por inúmeros autores no campo do Comportamento Organizacional. A tônica do trabalho de Herzberg está em afirmar que mudanças no contexto do trabalho não terão impactos duradouros na produtividade. Somente por meio de mudanças no conteúdo do cargo que permitam ao trabalhador realizar tarefas mais significativas será possível encontrar uma resposta satisfatória à pergunta “como motivar os funcionários?” Ao ver do pesquisador, o trabalho de Herzberg é complementar ao de Maslow, fato este que não diminui em nada a contribuição dos fatores, mas que pode ser levado em conta nas discussões sobre o verdadeiro valor da hierarquia de Maslow. (vide anexo A) A seguir apresentaremos um quadro com as principais obras e contribuições dos três autores apresentados neste capítulo. 49 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Abraham Maslow Obra principal Motivação e personalidade Contribuições Seus estudos sobre à TGA motivação humana, em geral, e motivação humana no trabalho fazem parte substancial da Moderna Teoria da Administração Frederick Herzberg O trabalho e a natureza do homem A distribuição entre fatores higiênicos e motivacionais contribuiu para um melhor entendimento do comportamento humano no trabalho. Douglas McGregor O lado humano da empresa Seus conceitos referentes à Teoria X e Y e Profecia Auto-realizavel são marcos referenciais na evolução da TGA Tabela 3: Teoria Comportamental: principais contribuições por autores Fonte: Oliveria 2008 O trabalho dos comportamentalistas é rico em interação. Suas contribuições levaram a uma melhor analise dos comportamentos do fator humano dentro das organizações. 2.2.3 TEORIA DO DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL A D.O continuou com á analise do fator humano nas organizações. Por ser a teoria seguinte da Escola Humanística, ela do seguimento a teoria das Relações Humanas e Comportamentais, partindo do pressuposto que o indivíduo infere na realidade da empresa e que ela é fato gerado do comportamento coletivo. O fator relevante para esta teoria é a analise e definição de como este indivíduo influência no desenvolvimento das organizações e como elas agem no mesmo. Segundo Oliveira (2008) O desenvolvimento organizacional (DO) é o processo estudado para consolidar a mudança planejada dos aspectos estruturais e 50 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração comportamentais nas organizações, com a finalidade de otimizar o processo de resolução de problemas e os resultados anteriormente estabelecidos nos planejamentos elaborados, sempre com adequado relacionamento interpessoal. À origem da Teoria do Desenvolvimento Organizacional podemos atrelar vários motivos, entre eles: a dificuldade em operacionalizar os conceitos das demais teorias administrativas; os estudos desenvolvidos no campo da motivação humana; a pluralidade de mudanças no mundo moderno; a fusão de duas tendências: estrutura e comportamento organizacional; o aperfeiçoamento dos estudos na área de conflitos interpessoais/organizacionais ou até as variáveis básicas: ambiente, organização, grupo e indivíduo. Mais independente do fator que norteie a mente do estudioso, uma coisas todos tinha em comum: a idéia de mudança. Seu principal idealizador foi Richard Beckard, que em 1945 criou a expressão desenvolvimento organizacional e foi o primeiro a estruturar a idéia. Coordenou a criação dos grupos de treinamento de sensibilidade, para prover o feedback aos indivíduos a respeito de suas atuações em situações desestruturadas. Figura 5: Origens do desenvolvimento organizacional Fonte: Oliveira 2008 51 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração A D.O. define dois sistemas organizacionais: mecânico e orgânico. O primeiro apresenta características bem peculiares, a citar: ênfase nos cargos e no indivíduo que o ocupam; relacionamento do tipo autoridade/dependência; rígida adesão a autoridade e responsabilidade dividida; divisão do trabalho e supervisão rígida; processo decisório e controle centralizado; solução de conflitos por meio de repressão e/ou hostilidade. Por sua vez, os sistemas orgânicos apresentam: ênfase nos relacionamentos entre e dentro dos grupos; confiança e crença recíproca; interdependência e responsabilidade compartilhada; participação e responsabilidade grupal; processo e compartilhamento de responsabilidade e de controle; solução de conflitos através de negociação ou soluções de problemas. Figura 6: Processo de mudança. Fonte: acervo do pesquisador O processo de mudança segue passos predefinidos, passo como o descongelamento ou o questionamento de velhas práticas; a mudança, que é a estruturação de novas idéias que parte do pressuposto da identificação do grupo 52 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração com a nova prática e conseqüente interiorização da mesma; e o recongelamento, que acontece quando as novas práticas se incorporam ao cotidiano gerando apenas uma necessidade de suporte adequado ou possíveis reforços de ajuste. (vide figura 6) A DO apresentou novos conceitos para a ciência da administração, tais como cultura, clima organizacional, mudança. Criando paralelamente ferramentas para avaliar estes conceitos dinâmicos. Para Chiavenato (1999) “o processo de DO é constituído de três etapas: colheita de dados, diagnostico organizacional e ação de intervenção”. Chiavenato salienta que este processo é apoiado por modelos: Alguns se baseiam em alterações comportamentais (na cultura organizacional, no relacionamento interpessoal, intergrupal etc.), como o desenvolvimento de equipes, suprimentos de informações adicionais, analise transacional, reunião de confrontação, tratamento de conflito intergrupal e laboratório de sensitividade. [...] existem modelos mais complexos, como o de Blake e Mouton (Managerial Grid), de Lawrence e Lorsch e o de Reddin (Teoria 3-D da eficácia gerencial) (vide anexos) Os conceitos de DO estão preenchidos de apreciações quanto à mudança. Porém esta mudança não é algo ao sabor do vento, as ferramentas de DO se utilizadas de forma adequada são muito úteis para os administradores. São características da DO à focalização da organização como um todo, a orientação sistêmica, o agente de mudança e a solução de problemas apoiada na aprendizagem experiencial. Os processos de grupo e desenvolvimento de equipes. A retroação ou feedback. A orientação contingencial e o desenvolvimento de equipes com um enfoque interativo de desenvolvimento. Tudo isso voltado aos 53 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração objetivos de criação de um senso de identidade, desenvolvimento de equipes e aprimoramento da percepção comum. Em um ambiente hipercompetitivo, onde o conhecimento tem de ser administrado como diferencial competitivo das organizações. A Teoria do Desenvolvimento Organizacional vem como divisor de águas, unindo duas outras teorias de peso: sistêmica e comportamental. Ela propicia que o gestor tenha uma visão ampla da empresa, desde o seu contexto estrutural até complexo fator humano. 2.3 A ORGANIZAÇÃO Utilizando a máxima de Etzioni – “nascemos, vivemos e morremos em organizações” – esta frase nunca foi mais atual. O mundo de hoje é repleto de organizações, de porte distinto, com metas, missões, visões diferenciadas. Com profissionais, clientes, fornecedores diversos. Em mercados com características impares ou em vários mercados, lutando a cada dia por uma identidade coletiva. Uma boa definição de organização seria um conjunto deliberado de pessoas, com metas especificas utilizando algum tipo de tecnologia para alcançar um determinado objetivo. Pense bem: a igreja que você freqüenta, o hospital aonde você vai, o restaurante onde você se alimenta, o clube onde passa suas horas de lazer, a escola onde você estuda. Todas estas instituições se encaixariam bem na definição anterior. Vejamos: Todos possuem um propósito distinto e tem objetivos próprios. 54 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração As metas são diferenciadas. Utilizam alguma tecnologia para atender satisfatoriamente o cliente. Varias pessoas, para atender varias pessoas de modo que as que foram atendidas voltem e os que atenderam possam atender novamente. Podemos chamar de um conjunto deliberado de pessoas. Este é o encanto quando se fala de organizações, todas com produtos/serviços próprios, concorrendo umas com os outros, ou agindo de modo colaborativo ou talvez em uma coopetição e o mercado regendo tudo. Estas empresas se encaixam como dedos de luva, onde cada um faz o seu e o coletivo ganha. Caravantes et all (2008) acredita que existem quatro elementos críticos para o conceito e entendimento do que venha a ser uma organização: “propósito, pessoas, estrutura e tecnologia”. E com estes elementos podemos construir um conceito mais bem trabalhado: organizações são conjuntos de pessoas devidamente coordenadas e articuladas, com um ou mais propósitos em comum, agindo sobre uma estrutura formal que conhece a existência informal e utiliza uma determinada tecnologia para alcançar um bem comum Com um mercado cada vez mais dinâmico, onde as mudanças ocorrem cada vez mais rápidas, as estruturas destas organizações também sobre ajustes. A organização tradicional luta para manter sua tradição enquanto o mercado cobra conduta mais modernas. (quadro 2). 55 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Organizações tradicionais Organizações modernas Estáveis Dinâmica Inflexíveis Flexível Foco no cargo Foco nas habilidades Trabalho definido pela Trabalho definido pela tarefa a definição do cargo ser realizada Emprego permanente Empregos temporários Orientadas pelo comando Auto-orientação superior Colaboradores participam do Gestores tomam as decisões processo decisório Orientadas por normas Orientadas pelas demandas do Força de trabalho homogênea cliente Trabalho ocorre das 8 às 18hs Força de trabalho heterogenia Relação hierárquica Não existe horário definido predominante Relações laterais e em rede Estrutura burocrática Estrutura adhocrática32 Quadro 2: Comparativo entre empresas tradicionais e modernas Fonte: Oliveira 2008 Para Daft (2001) “organizações são entidade sociais que são dirigidas por metas, são desenhadas como sistemas de atividades deliberadamente estruturadas e coordenadas e são ligadas ao ambiente externo”. As organizações não são apenas um conjunto de políticas ou um ambiente físico para comercializar um produto, seja qual for à fase do processo produtivo. A organização é um aglomerado de pessoas. Indivíduos com toda uma bagagem emocional, conceitos, preceitos e normas próprias, normas essas, muitas vezes reflexo do convívio social, não somente do processo de experimentação individual. Estes indivíduos uma vez nas organizações travam contato com outros indivíduos complexos e esta relação deve ser regida com todo o cuidado pelos administradores. Um dos conceitos utilizados, conceito este de origem do Desenvolvimento Organizacional, serve para criar um ambiente adequando e gerar 56 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração um clima (organizacional) para que o indivíduo mesmo com a carga que traz da sociedade sinta-se entre os seus, ou como diriam, no coletivo. Este conceito será trabalhado no sub-capítulo Cultura Organizacional. 2.3.1 SOCIOLOGIA ORGANIZACIONAL A Sociologia é a ciência responsável pelo estudo das sociedades, mais precisamente, do comportamento humano em função do meio e os processo que a permeiam, interligando os indivíduos em associações, grupos e organizações. O estudo do indivíduo em sua singularidade fica a critério da Psicologia, já o pluralismo do comportamento das inter-relações dos mesmos fica a critério da Sociologia. A ciência por ultima citada analisa os fenômenos que ocorrem nos encontros dos grupos de tamanhos diversos e a sua interação interna. Por suas características multidisciplinares a Administração apresenta um interesse particular no tocante as inter-relações do convívio humano, independente do grau que este convívio apresente (familiar, profissional, pessoal, religioso), admitindo a tendência do Estado – como maior patrocinador das pesquisas sociológicas - as empresas, em uma fusão conceitual entre psicologia e sociologia, busca captar o máximo de fatores que permitam uma maior compreensão dos indivíduos que as compõem. Assim como as demais ciências, a Sociologia pretende explicar a totalidade do seu universo de pesquisa. Mesmo que em uma analise mais realista, esta meta não seja objetivamente alcançável, apresenta-se como função da Sociologia transfigurar as “malhas da rede” com qual ela absorve a realidade social de uma forma cada vez mais detalhada e minuciosa. 57 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Por essa razão, o conhecimento sociológico, através dos seus conceitos, teorias e métodos podem constituir para as pessoas um excelente instrumento de compreensão das situações com que se defrontam na vida comunal, das suas múltiplas relações social e, conseqüentemente, de si mesmas como seres inevitavelmente sociais. É desta ciência a tarefa de observar episódios, que como ecos, se repetem nas relações sociais, para a partir destes “ecos” construir generalizações teóricas que procurem sistematizar e explicar tais condutas, a mesma ainda se atem ao que os estudiosos chama eventos únicos sujeitos à inferência sociológica, tais como o surgimento do capitalismo ou a gênese do Estado Moderno, visando teorizá-los em sua riqueza e importância singular. Ao ver do autor a sociologia administrativa busca utilizar práticas e metodologias típicas da macro-ciência, de modo que possibilite uma melhor interpretação do comportamento e relacionamento dos membros das organizações, levando em conta condutas perpetuadas ou dirigidas pela coletividade, também conhecida como cultura. 2.3.2 PSICOLOGIA SOCIAL O termo psicologia deriva das palavras gregas psykhé “alma” e lógos “razão” é a ciência que estuda os processos mentais, referentes a sentimentos, pensamentos, razão, entre outros. Uma vez que a mente não se encontra desassociada do corpo e que um interfere no outro de forma permanente e direta, os desvios ou padrões predominantes de certos comportamentos podem ser registrados e estudados, isso 58 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração comprova a cientificidade da psicologia. Estes mesmos comportamentos sendo positivos (traços) ou negativos (desvios) se enquadram em um contexto social vigente, o que possibilita um estudo multidisciplinar das “psicopalogias”, o profissional da área pode se aprofundar em explicações dos mecanismos que determinam este comportamento e a partir disso preveni-los ou modificá-los. Entre as áreas de estudo da psicologia, a que remete uma maior relação da mesma com a administração seriam: motivação, comunicação interpessoal, comportamento em grupo. Não em detrimento de outras, tais como personalidade, aprendizagem, mas haja vista que a psicologia figura-se muito nos processos de RH os estudos grifados seriam mais praticados. Um grande defensor da psicologia na administração foi Maslow, sua pirâmide de necessidades trouxe para o palco de discussão o fator humano, no que tange a psique, como elementos de relevância e impacto no processo organizacional, anteriormente citado de forma superficial (e ingênua até) por outras teorias. Como dito anteriormente a psicologia fornece ferramentas para agilizar e trazer maior sustentação para as praticas administrativas, possibilitando ao administrador uma maior compreensão do fator humano no contexto organizacional e o impacto deste contexto nas práticas diárias do mesmo. 2.3.3 CULTURA ORGANIZACIONAL Oliveira (2008) define cultura organizacional, empresarial ou administrativa, como "o conjunto de valores e crenças vigentes na organização e aos comportamentos individuais e coletivos decorrentes". Para este autor, a cultura está 59 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração enraizada no seio da organização e a sua modificação não se configura como de fácil execução. Tal afirmação baseia-se no fato de que muitos consultores e administradores, atualmente, defendem a idéia de que se deva "alterar" a cultura organizacional através, simplesmente, da "troca de peças" por outras mais convenientes. Mas o que seriam estas “peças”? Para Geertz (1989) “Cultura organizacional é ainda uma fonte para uma família de conceitos como símbolos, linguagem, ritual, cerimônias, sagas, heróis e mitos”. São estes os conceitos que podem ser considerados como peças no processo organizacional. Esta mudança depende muito do sistema (tabela 4) utilizado na organização. Em um sistema mais mecânico, onde o indivíduo esta diretamente atrela ao cargo, a hierarquia e a normas, o termo mudança reflete diretamente no fator humano e não no processo como normalmente acontece com os sistemas mais orgânicos onde o indivíduo é inserido nos procedimento não apenas como uma peça do maquinário produtivo, mas como fator gerador de desenvolvimento. A responsabilidade passa por ele e isso gera confiança e comprometimento, neste caso a peça que deve ser mudada tem o cunho de conceito, ferramentas e prática. É claro, sem isentar o indivíduo do processo. Sistemas Mecânicos Ênfase nos cargos e nos indivíduos que os ocupam Sistemas Orgânicos Ênfase nos relacionamentos entre e dentro dos grupos Relacionamento do tipo autoridade – dependência. Confiança e crença recíprocas. Rígida Interdependência adesão à autoridade e 60 e responsabilidade Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração responsabilidade dividida. Divisão do trabalho e supervisão rígida. Processo decisório centralizado Controle rigidamente centralizado Solução de conflitos por meio de repressão e/ou hostilidade compartilhada. Participação e responsabilidade grupal Processo decisório descentralizado Compartilhamento de responsabilidade e de controle Solução de conflito através de negociação ou solução de problemas. Tabela 4: Sistema mecânico e sistema orgânico. Fonte: acervo do autor Uma das contribuições para o estudo da Cultura organizacional veio dos pesquisadores Selfridge e Sokolik em 1975. Eles estruturaram o iceberg organizacional (figura 7). Citando Oliveira (2008) “o iceberg organizacional é a identificação e a interação dos componentes visíveis e dos componentes não visíveis de uma organização, formando um todo unitário e indivisível”. O agente de mudança deve entender os fatores tangíveis e intangíveis haja vista que, o processo de mudança transita entre o indivíduo e a organização. Esta ferramenta ajuda o agente a identificar as características formais e informais da organização, leve-se em conta que a os dois sistemas são importantes para a cultura organizacional. 61 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Figura 7: O iceberg da Cultura Organizacional Fonte: acervo do autor A relação informal deve ser a primeira a ser analisa pelo pesquisador. As ações e os sentimentos das pessoas interferem diretamente no processo. A cultura organizacional é o reflexo dos comportamentos individuais ao mesmo tempo em que estes comportamentos são resultados da ação da cultura no indivíduo. Segundo Oliveira (2008): O desempenho de cada indivíduo depende de um processo de mediação ou de regulação entre ele e a organização [...] a organização é o meio no qual o individuo pode ou não satisfazer as suas necessidades; é dessa satisfação ou insatisfação de necessidade que depende sua motivação na tarefa, sua dedicação ao trabalho, sua produtividade, eficiência e eficácia. 62 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Torna-se necessário salientar que todo processo de mudança, independente da estância em que se apresente necessária (anexo E), parte do principio de uma necessidade. De uma idéia, prática ou situação antiga, para um estado de maior graça, desenvolvimento e estabilidade. Porem duas forças se fazem presentes: as forças positivas, forças estas que apontam para os fins planejados pela organização; e as forças negativas, que se apresentam com resistência a mudança. Mas ao ver do pesquisador, ambas agem como fator de mudança, pois se o resultado, visto que se os objetivos propostos pela organização são alcançados a mudança ocorre, caso não seja alcançada, o próprio fato do pseudo-fracasso, na verdade gerou uma mudança de visão da alta cúpula, talvez gerado pelo conhecimento prático dos membros ativos do processo. A mudança sempre ocorre às vezes o modo que ela ocorre não é o que foi planejado, mas não necessariamente ele é negativo (figura 8). Figura 8: Processo de mudança organizacional Fonte: acervo do autor. 63 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração O processo de mudança organizacional parte do principio de gerar uma transformação em âmbito institucional. Toda metodologia parte de um ponto inicial uma “velha situação” – e como depende da ação dos indivíduos que fazem parte das mesmas, por ser característica da psique, as posturas podem ser positivas ou negativas, a primeira postura gera apoio e a mudança é alcançada, nos moldes esperados, porém uma vez que a outra se apresenta – que fique claro, não uma postura destrutiva, mas de cuidado – a mudança se reformula-se, mas uma nova situação se apresenta, o que ao ver do autor é uma mudança, independente de ser a desejada ou não. 64 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração ANÁ ANÁLISE DA PESQUISA Só posso conhecer o todo, se conheço as partes; Mas só posso conhecer as partes, se compreender o todo. Pascal 65 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração 3. ANÁLISE DA PESQUISA O presente capítulo trata da análise dos dados coletados junto aos acadêmicos do curso de administração de empresas, de duas faculdades em municípios diferente. A amostra de 100 alunos foi dividida de forma igual entre os estabelecimentos e buscou fornecer informações mais precisas da visão que os mesmos têm de cultura. De forma prática a composição teve em vista identificar informações que elucidassem a situação problema. Com isso em mente o pesquisador definiu a área de interesse dos entrevistados, conhecimento necessário, vícios indesejados, ambiente de maior volume dos mesmos e quantidade estimada para a pesquisa. Uma questão surgiu neste momento e norteou a formatação final dos critérios para seleção dos entrevistados. Os mesmos tinham que ser administradores, estudantes, do primeiro ao quarto período, a universidade era o ambiente a encontrá-lo e o volume tinha que ser idêntico entre as instituições, e por ultimo, viverem em ambientes culturais distintos e característicos. 66 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração 3.1 O comportamento do indivíduo modifica-se nas organizações. Gráfico 1 – Meu comportamento e valores são os mesmos tanto socialmente quanto organizacionalmente. Fonte: Pesquisa de campo As respostas ficaram equilibradas, sendo que 42% dos entrevistados alegaram que às vezes o indivíduo modifica seu comportamento no ambiente organizacional e 38% que sempre modificam apenas 20% alegaram que o indivíduo porta-se normalmente. A questão reporta-se ao ponto que regeu este trabalho. Depois de uma longa pesquisa, onde se pôde visualizar que o fator humano muitas vezes age de forma alheia aos compromissos e responsabilidade que a instituição lhe atribui. Uma resposta que indica uma dupla conduta, uma mudança de comportamento entre o social ou sua postura integral e o organizacional, gerou mais duvidas. Porém em um prisma de analise lógica, diante dos pontos de vista das teorias iniciais e até as mais 67 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração modernas, onde o fator humano era tomado como tendenciosamente ocioso nesta ou onde este mesmo fator torna-se parte importante do processo, parceiro ou colaborador em outra. Uma mudança de conduta mesmo que seja para melhor, deve vir acompanhada por uma mudança de idéia e atos. Buscando um entendimento deste comportamento do indivíduo chegamos ao fator psicológico que justifica esta mudança. 3.2 O clima indivíduos. organizacional influencia seu comportamento dos Gráfico 2 – O clima organizacional e as necessidades da tarefa influenciam no meu comportamento Fonte: Pesquisa de campo A grande maioria, 52% acreditam que o clima pode vir a influenciar o comportamento do indivíduo na empresa, 48% acham que sempre há interferência e nenhum dos entrevistados respondeu que nunca. 68 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração A mudança do comportamento individual é justificável quando as exigências do cargo causam uma pressão psicológica onde o indivíduo busca adequar-se as exigências em detrimento, às vezes, de seu próprio ponto de vista. Citando Taylor apud Chiavenato (1999), “o individuo trabalha, pois tem medo, medo de passar privações e necessidades”. A intenção do autor não foi de voltar a definir o indivíduo como homo economicus, haja vista que o próprio termo vem acrescido de uma gama de conceitos extras que não figuram no escopo do presente trabalho, mas o fator psicológico ainda se encontra ativo, e a evolução conceitual da visão do homem dentro das organizações, mesmo se expandindo no conhecimento do ser, agiu como ferramenta mantenedora do fator. 3.3 O ambiente organizacional é totalmente díspar do social. Gráfico 3 – O ambiente organizacional é totalmente diferente do social. Fonte: Pesquisa de campo 69 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Para 55% dos entrevistados o ambiente organizacional apresenta características divergentes do social. 32% acreditar que estas diferenças não existem e apenas 13% o considera totalmente diferenciado. A falta de um conhecimento antropológico causa a sensação de diferenciação do ambiente social e organizacional. A empresa é uma ambiente puramente – pelo menos em essência – profissional, as relações que são travadas neste ambiente são desprovidas de intimidade ou afetividade, é um ambiente frio e calculista. Esta era a visão dos primórdios da administração, após o altruísmo das Relações Humanas, as teorias, assim com a administração em si, começou a desenvolver novos perfis em relação ao contexto organizacional. Não é a intenção do pesquisador, provar que a empresa é igual à rua, porem, utilizando da cultura popular “costume de casa vai à praça”. O indivíduo não muda, mas a imagem que ele cria em relação ao ambiente rege suas condutas nos mesmos. As respostas apresentadas mostram a carência que uma maior conceituação de cultura nos cursos de gestão. O fator cultura organizacional não é desconhecido porem a visão e extremamente reducionista, ficando caracterizado que o termo abrange apenas característica de coletividade, quando na verdade deveria ser levada em conta como ferramenta de analise, planejamento e implementação de novos conceitos que viabilizassem o próprio processo de gestão, facilitando a interpretação e leitura dos movimentos da massa organizacional. 70 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração 3.4 Na organização os comportamentos humanos são diferentes. Gráfico 4 – Na organização os comportamentos humanos não são os mesmos do convívio social. Fonte: Pesquisa de campo Do total, 61% dos entrevistados alegam que o indivíduo atua, às vezes, de modo diferente do normal dentro da empresa, 23% e 16% acreditam nos extremos, sempre e nunca respectivamente Esta questão era simples, porém o resultado em gráfico não é totalmente condizente com o que foi visualizado in loco. Durante as entrevistas, os entrevistados atribuíam estas mudanças de comportamento à manipulação de discurso, a posturas que se modificavam na presença de superiores, a falta de coleguismo prático. Tendo o ambiente como fato gerador, não há uma mudança de comportamento, o que mostra que a personalidade variava no processo. O que foi 71 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração visualizado é que o poder normativo ainda é muito forte na mente do colaborador, causando uma reação coletiva inconsciente de mudança de postura. 3.5 O grupo molda o indivíduo. Gráfico 5 – O grupo influência e rege o individualismo. Fonte: Pesquisa de campo Em sua maioria, 71% dos entrevistados acreditam que em alguns momentos o grupo rege a conduta do indivíduo 13% e 16% acreditam que esta influência é permanente ou que não acontece esporadicamente, respectivamente. Um grande número de entrevistados acredita que o grupo só infere na conduta do indivíduo caso o mesmo permita. Isso demonstra que uma vez que eles fazem parte do processo de aculturamento, os indivíduos criam uma resistência em relação à perda da identidade pessoal. O fator psicológico mantém-se estável, o que 72 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração demonstra que o clima e a cultura não são sozinhos suficientes para gerar esta mudança. 3.6 Não existem fator extra dentro da organização que influencie o comportamento do indivíduo. Gráfico 6 – Nas organizações não existe fator extra algum que haja sobre o individuo. Fonte: Pesquisa de campo O resultado desta questão mostrou-se bem equilibrado. 42% dos entrevistados acreditam que não há influência da organização no comportamento do individuo, 39% acredita que ela ocorre de modo passageiro e 19% que ela é freqüente. O fator individual influenciou muito nesta questão, uma vez que, no foco de alguns indivíduos o extra da organização não necessariamente era extra para outros. Os fatores norteadores das respostas variaram. 73 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração 3.7 A percepção de uma organização dinâmica e adaptativa influencia mais na imagem que o indivíduo cria dela. Gráfico 7 – O que influência mais na imagem gerada pelo indivíduo em relação à empresa é a percepção de uma organização dinâmica e adaptativa. Fonte: Pesquisa de campo A imagem de uma organização dinâmica e adaptativa é segundo a maioria (61%) um fator de influência no que se refere à imagem que o indivíduo tem da organização, 36% acreditam que isso influencia em alguns momentos e apenas 3% consideram que isso não impacta em nada no modo como o indivíduo vê a organização. Trabalhar neste tipo de ambiente é um fator motivacional par os funcionários. Esta afirmação já é parte integrante das práticas administrativas modernas e foi constatado nesta questão. A perspectiva de desafios e crescimento são fatores psicológicos para a boa execução das funções e a manutenção do clima organizacional, haja vista que esta é a imagem que o indivíduo leva da empresa. 74 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração 3.8 A percepção de uma organização politiqueira e exploradora influência mais na imagem que o indivíduo tem dela. Gráfico 8 – A visão de uma organização politiqueira e exploradora influência na imagem gerada pelo indivíduo em relação à empresa. Fonte: Pesquisa de campo A imagem de uma organização politiqueira e exploradora é segundo a maioria (48%) um fator de razoável influência no que se refere à imagem que o indivíduo constrói da organização, 35% acreditam que isso influencia sempre e 17% consideram que isso não impacta em nada no modo como o individuo vê a organização. A busca pela coletividade não foi citada nesta questão. Os entrevistados alegaram que trabalhar em um ambiente politiqueiro o competitivo (no âmbito interno da organização) proporciona um prazer de crescimento. Utilizando as palavras de um dos entrevistados “crescer com os outros vendo é melhor” o fator ego de Maslow 75 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração ainda apresenta-se muito forte, porem é incumbência do gestor propiciar que estes indivíduos galguem os fatores primários para alcançar sua satisfação ou mudem sua mentalidade e entendam que o trabalho colaborativo é uma vertente moderna para canalizar o desenvolvimento e perpetuação das organizações. 3.9 A correta gestão dos recursos organizacionais influencia no desempenho do indivíduo. Gráfico 9 – A gestão adequada de desempenho influencia mais em suas atividades. Fonte: Pesquisa de campo Do total, 58% dos entrevistados acreditam que a influência de uma gestão de desempenho sempre vai agir em suas atividades, 42% acreditam que esta influência se apresenta às vezes, a opção nunca não recebeu marcação. 76 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Mesmo acreditando que trabalhar em uma empresa dinâmica é bom e que as empresas politiqueiras não são tão ruins, a maioria sabe que a gestão adequada influência nas atividades cotidianas. Levando em conta o público desta pesquisa, isso é um bom sinal, visto que os futuros administradores precisam ter esta consciência de sua responsabilidade no processo e que esta busca por excelência deve ser a meta do administrador independente do perfil da organização em que ele venha a atuar. 3.10 O mau uso dos serviços do individuo é fator de desmotivação nos funcionários. Gráfico 10 – A sobrecarga de trabalho e a estagnação de perspectiva de crescimento é o fator de falta de motivação da grande maioria dos funcionários. Fonte: Pesquisa de campo 77 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração A falta de perspectiva de crescimento e a sobrecarga de trabalho é segundo 55% dos entrevistados um fator de extrema relevância na motivação do indivíduo, 42% acredita que ela só interfere às vezes e apenas 3% consideram ela irrelevante. As práticas administrativas se não forem desenvolvidas de modo apropriado podem gerar desmotivação nos funcionários. A perspectiva de sempre estar atrasado com as tarefas, de nunca ter tempo ou de ser cobrado por algo que foi solicitado hoje e era para ontem, foram os principais fatores indicados pelos entrevistados assim como a falta de oportunidade de crescimento profissional, visto que o próprio desenvolvimento que mereceria o crescimento é podado deles. 3.11 O comprometimento do funcionário em relação à organização não passa do papel ou tende a ser afetivo? 78 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Gráfico 11 – O comprometimento do funcionário é apenas no papel ou é afetivo. Fonte: Pesquisa de campo A grande maioria dos entrevistados acredita que a relação indivíduo/empresa ainda é afetiva. Isso é favorável visto que as práticas modernas de Gestão de Pessoas desenvolvem ferramentas que buscam integrar os funcionários no processo, não apenas como partes do processo de manufatura do produto/serviço, mas como parte estratégica do mesmo. Uma vez que, esta consciência de relação já existe o bom desempenho organizacional pode ser maximizada, função cabível ao gestor. 3.12 A cultura organizacional assim como a cultura social influencia no comportamento do individuo. Gráfico 12 – A cultura organizacional assim como a cultura social influência no comportamento do indivíduo. Fonte: Pesquisa de campo 79 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Para 55% dos entrevistados a cultura organizacional influencia o indivíduo tanto quanto a cultura social. 39% consideram que esta influencia é mais branda e 6% que ela é irrelevante. Os entrevistados alegam que as condutas internas são muitas vezes forçosas. Visto que a grande cobrança impede às vezes o correto desempenho das funções. Ao ver do pesquisador, a imagem criada da organização influência sim o comportamento coletivo, porém, atribuir estas mudanças a uma possível falha de gestão, aponta a falta de amadurecimento administrativo dos entrevistados. Que confundem o papel de gestor e funcionário. Esta confusão é favorável ao estudo, visto que esta é a realidade vivida por grande parte do grupo entrevistado, nada mais natural do que eles levarem e deixarem suas experiências pessoais influenciarem no processo de resposta. 80 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração 3.13 O fator psicológico é responsável pela mudança do comportamento do indivíduo no grupo. Gráfico 13 – O fator psicológico e a necessidade de participar do grupo é o responsável pela mudança do comportamento do indivíduo na organização. Fonte: Pesquisa de campo A necessidade de participar do grupo é sempre a razão para as mudanças de comportamento do indivíduo esta é a opinião de 58% dos entrevistados. 42% responderam que somente às vezes ela influencia e a opção nunca não recebeu nenhum voto. O processo de mudança de comportamento mostra-se mais claro nesta questão. O peso coercitivo da chefia foi apontado como o fator preponderante no ajuste do funcionário a empresa (em algumas estâncias hierárquicas). Os entrevistados expressarão esta constatação. A função de chefia ainda toma um papel de cobrança na mente do submetido à hierarquia, a noção teórica do papel de fomentador do desenvolvimento individual, com um intuito de maior bem estar do 81 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração indivíduo e acarretando uma maior produtividade do mesmo, toma a imagem do líder, sendo esta imagem totalmente adversa ao chefe. A noção de que ambos são cargos de comando e controle cria o mesmo choque que quando se fala de bem e mal. Em verdade a mudança é uma busca por identidade, uma identidade coletiva, e apoiada nisso é necessário criar imagens diferentes e este é ao ver deles o papel da mudança de nomenclatura. O risco mora nesta interpretação, assim como ocorre com a terminologia Recursos humanos e Gestão de pessoas, se a mentalidade continua a ver o indivíduo como recurso que pode ser substituído, o discurso de gestão de pessoas caia ao chão, torna-se algo vazio e pode ser sentido pelo coletivo e influenciar negativamente a imagem que estes criam da organização. 3.14 A busca individual pelo coletivo é a grande ferramenta da cultura organizacional. Gráfico 14 – A busca individual pelo coletivo á a principal ferramenta da Cultura Organizacional. Fonte: Pesquisa de campo 82 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Para 52% dos entrevistados a busca pelo coletivo é às vezes a maior ferramenta da cultura organizacional, 45% acreditam que ela é a maior das ferramentas de controle e apenas 3% acha que ela é irrelevante. A necessidade natural de viver em grupo, a consciência primitiva de que somos seres gregários e que precisamos do próximo para que sejamos um inteiro. Isto é, em prática, o que a pesquisa queria provar, existe uma necessidade individual de moldar-se para o mais próximo do coletivo, esta necessidade pode ser justificada pela psicologia, quando afirma que a personalidade é algo rígido e maleável, o processo para se gerar uma mudança no indivíduo parte de modifica as imagens que ele cria em relação aos fatos. O indivíduo toma a posição de ser complexo e a pluralidade converge para o uno, mas este uno se modifica conforme a necessidade que o ambiente lhe exige. As mudanças não ocorrem entre a cultura social e organizacional e sim na imagem, ou de modo mais preciso, na identidade do indivíduo com as organizações. 83 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração CONCLUSÕES Não se pode ensinar nada ao homem. Podemos apenas ajudá-lo a encontrar as respostas dentro de si mesmo. Galileu 84 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração CONCLUSÕES As organizações assim como as impressões digitais e os flocos de neve, são únicas. Cada uma tem suas próprias características. Como a cultura – não importando como seja definida – é singularmente persistente. O próprio processo de prática desta cultura é extremamente dinâmico. Uma vez que os hábitos, costumes, crenças, dogmas e valores são absorvidos pelos indivíduos, e seus cérebros – máquinas maravilhosas essas – processam e registram na alma ou subconsciente, as imagens que regerão as decisões e condutas do ser. Em uma visão simplista, estas ferramentas serão aparatos para levar o ser em sua existência, a uma plenitude de desenvolvimento e bem estar. Russeau dizia que o homem nasce bom, a sociedade o desvirtua. Isso leva-nos a crer que o convívio social é prejudicial ao homem, mas se olharmos pelo prisma antropológico, a cultura é algo louvável, é um meio da raça humana se perpetuar e evoluir, assim com a história é o meio de crescer com os erros e acertos, se não houvesse a cultura e a historia estaríamos fadados a recriar nossas invenções, geração após geração. Mas esta visão reducionista não seria a mais apropriada, visto que o indivíduo não pode se ausentar permanentemente do convívio coletivo (não sem um dano razoável as suas faculdade mentais), com isso, levantasse outro questionamento, como viver em algo que em teoria o prejudica? A sociedade permite, ou melhor, propicia que os indivíduos interajam. A relação interpessoal é um momento rico para o desenvolvimento do ser. Uma vez que a cultura é o conjunto de características individuais (figura 9), o indivíduo infere na cultura. 85 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Figura 9: Indivíduos gerando cultura Fonte: acervo do autor Não podemos deixar de levar em conta que o individuo é diretamente influenciado pela mesma, a cultura gera o indivíduo como ele é. Passando para o âmbito organizacional, levemos em conta a visão estruturalista, as organizações se compõem de indivíduos, sendo estes, membros de uma sociedade maior, com suas crenças, valores e preceitos que geram sua identidade quanto ser individual e rege sua conduta coletiva. Mas estes mesmo indivíduos interagem dentro de outros ambientes (as organizações) com suas crenças, valores e preceitos que geram a sua identidade quanto ser individual e rege sua conduta coletiva naquele ambiente. Esta questão direcionou o presente trabalho desde o inicio: como os individuos desenvolvem personalidades diferentes em ambiente diferentes, de modo dinâmico e praticamente instantâneo, algumas vezes em detrimento de preceito muito mais enraizados no ser que os defendidos nas empresas? A própria questão gera sua solução, as culturas e normas de condutas 86 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração podem ser diferentes mas as identidades e o modo como o indivíduo cria as imagens que possuem das coisas é que resultam nesta variação. Figura 10: Visão do autor quanto a relação cultura Fonte: acervo do autor Em um ambiente organizacional assim como na sociedade citando Hall (2002): A identidade torna-se uma ‘celebração móvel’ [...] O sujeito assume identidades que não são unificadas ao redor de um ‘eu’ coerente. Dentro de nós há identidades contraditórias, empurrando em diferentes direções, de tal modo que nossas identificações estão continuamente deslocadas [...] a identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia. Diante desta idéia, o que justifica as mudanças freqüentes de comportamento em relação ambiente externo e interno, seria a busca por uma identidade, identidade esta coletiva. Não em detrimento do conteúdo individual, este permanece intocado ou sofre poucas variações, porém as imagens construídas e a relação interpessoal geram um indivíduo hibrido no que tange a identidade, mas pleno em relação à 87 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração cultura. A própria cultura é um processo dinâmico, e a cultura organizacional não é apenas um processo produtivo, mas antes uma imagem coletiva. O indivíduo não é uma parte de um processo, mas um processo inteiro. Inteiro de uma bagagem emocional incutida nele e cuja adaptabilidade ele não tem noção, é algo natural. Este indivíduo híbrido segue metamorfoseando sua conduta enquanto transita nesta sociedade de organizações, cada vez mais plural e ao mesmo tempo mais singular e único, pois a cultura propicia isso. Nesta sociedade a multiplicidade do individuo não é falta de identidade, mas antes, uma constante nova forma de entender a mesma. Todavia o movimento e a mudança são potencializados quando estes híbridos se encontram, gerando uma vivência de liberdade, por meio das relações humanas, pelo espaço e pelo conhecimento. É neste momento que a cultura organizacional se faz sentir mais forte, gerando os meios para que estes indivíduos se conectem, e criando um ambiente propício e um clima que potencializa estas vinculações Então assim, toda forma de aperfeiçoamento das faculdades humanas e das relações é louvável, uma vez que as ferramentas coativas, geradas no contexto organizacional potencializam a criação de imagens e se este processo for bem gerido o indivíduo hibrido se correlacionara com a empresa entendendo que o crescimento é bilateral. Finalizado, torna-se importante compreender o sujeito cultural hibrido como uma categoria positiva de leitura do caráter múltiplo da inscrição humana no mundo, não podendo deixar de ressaltar que o traço positivo está na leitura, mas pode não estar na realidade, se não houver transformações serias nos modos e nos meios de circulação do conhecimento e nos modos e meios de se realizarem as trocas simbólicas que revigoram e renovam o ser, o processo é fadado à estagnação, ou pior, a uma estabilidade perpétua. Onde a idéia de indivíduo tendenciosamente 88 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração inoperante é justifica por estatísticas frias e a perda do contato interpessoal acarretara uma perda de um possível diferencial competitivo. É preciso desenvolver a capacidade de leitura dos futuros gestores. Ferramentas a Administração possui em grande escala, graças à sociologia e psicologia organizacional e todos os estudos sobre Fator humano e motivação, sem contar a bagagem da teoria organizacional. Chegamos ao fim entendendo que os valores, crenças, dogmas e preceitos do coletivo organizacional são reflexos da imagem gerada pelos colaboradores e da identidade coletiva. Parafraseando Kurt Lewis “Nada mais prático que uma boa teoria”. 89 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração BIBLIOGAFIA Não basta conquistar a sabedoria; é preciso saber usá-la. Cícero 90 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Bibliografia CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração. Rio de Janeiro: Campus, 1999. CARAVANTES, G.; Caravantes,C; Bjur, W. Administração e qualidade: a superação dos desafios. São Paulo: Makron Books, 1997. COHEN, Allan R, FINK, Stephen L. 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Lisboa: Fundação Calouste gulbenkian, 1963. 92 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Bibliografia complementar CHIAVENATO, Idalberto. Administração: teoria, processo e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007 DIAS, Reinaldo. Sociologia e administração. Campinas, SP: Alínea, 2004. DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico – 2ª Ed. –São Paulo: Martins Fontes, 1999. GEERTZ, Clifford. O saber local: novos ensaios em antropologia interpretativa. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. HALL, Calvin S; LINDZEY, Gardner; CAMPBELL, John B. Teorias da personalidade – 4ª Ed. – Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. MAUSS, Marcel. Sociologia e Antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2003. MINICUCCI, Agostinho. Psicologia aplicada à administração – 5ª Ed. – São Paulo: Atlas, 1995. MONTANA, Patrick J; CHARNOV, Bruce H. Administração. São Paulo: Saraiva, 2001. MORGAN, Gareth. Imagens da organização: edição executiva – 2ª Ed. – São Paulo: Atlas, 2002. 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Nunca Às vezes Sempre Meu comprometimento e valores são os mesmos tanto socialmente quanto organizacionalmente. O clima organizacional e as necessidades da tarefa influenciam no meu comportamento O ambiente organizacional é totalmente diferente do social Na organização os comportamentos humanos não são os mesmos do convívio social O grupo influência e rege o individualismo Nas organizações não existe fator extra algum que haja sobre o indivíduo O que influência mais na imagem gerada pelo indivíduo em relação à empresa é a percepção de uma organização dinâmica e adaptativa A visão de uma organização politiqueira e exploradora influência na imagem gerada pelo indivíduo em relação à empresa A gestão adequada de desempenho influência mais em suas atividades A sobrecarga de trabalho e a estagnação de perspectiva de crescimento é o fator de falta de motivação da grande maioria dos funcionários O comprometimento do funcionário não passa do Papel O comprometimento do funcionário tende a ser afetivo e extra-papel A cultura organizacional assim com a cultura social influência no comportamento do indivíduo O fator psicológico e a necessidade de participar do grupo é o responsável pela mudança do comportamento do indivíduo na organização A busca individual pelo coletivo é a principal ferramenta da Cultura organizacional Av. Vereador José Moreira, 1000 – Fone (75) 3281-0064/5564 – Fax (75) 3281-0064 / 5564 – 48.601-180 – Paulo Afonso – e-mail: [email protected] BAwww.fasete.edu.br 95 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração ANEXOS ANEXOS A dispersão não lhes tira a unidade; nem a inquietude tira a constância. Mario Quintana 96 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Anexo A: Comparação entre Maslow e Herzberg Anexo B: Fases do D.O. Para Lawrence e Lorsch 97 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Anexo C: Teoria 3D da eficácia gerencial de Reddin Anexo D: técnicas de DO 98 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Anexo E: Desenvolvimento Organizacional por área 99 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração NOTAS Devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas do que pelas suas respostas. Voltaire 100 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração Notas 1 Povo proveniente da Licia. Província romana na costa da Ásia menor. 2 A teoria é a força que visa coordenar e unificar o saber e são ferramentas preciosas dos sábios e como instrumento precioso, sugerem-lhe analogias ate então ignoradas e possibilita-lhe, assim, novas descobertas (CERVO E BERVIAN, 1996, P.40). (= SABER, CONHECER) 3 Segundo Cervo e Bervian (1996, p.41), a doutrina propõe diretrizes para a ação. A priori o autor fixa o fim que espera atingir e, para elaborar a doutrina ajustada a esse fim, vai buscar seus argumentos nas mais variadas fontes. (= AGIR, FAZER) 4 Etimologia (do grego antigo ἐτυµολογία, composto de ἔτυµον e -λογία “-logia”) é a parte da gramática que trata da história ou origem das palavras e da explicação do significado de palavras através da análise dos elementos que as constituem. Por outras palavras, é o estudo da composição dos vocábulos e das regras de sua evolução histórica. 5 Ciência que trata das mensurações do homem fóssil e do homem vivo. 6 Robert Broom (1866 - 1951) nascido em Paisley, Escócia foi um médico e paleontólogo sul-africano. Ficou famoso pela descoberta do Australopithecus robustus em 37. 7 Raymond Dart nascido em Toowong, Brisbane, na Austrália. foi um anatomista e antropologista australiano que descreveu, em 1924 uma nova espécie de hominídeo, o Australopithecus africanus, a partir dum crânio fóssil encontrado em Taung na Bechuanalândia (antigo nome do atual Botswana). 8 A família inglesa Leakey que foi responsável por importantes descobertas no cenário arqueológico da década de 30 na garganta de Olduvai, na Tanzânia (África). Descobertas como registros de passagem hominídea de 1.750.000 anos e conceituação que a espécie humana surgiu na África, e não na Ásia, como se imaginava até então. A partir dos anos 60, seu filho, Richard, deu continuidade às pesquisas. Ele acredita que a raça humana pode ter mais de 2 milhões de anos. Hoje, sabemos que tem mais de 7 milhões de anos. As descobertas de hoje em dia são uma propagação das idéias e descobertas da família Leakey. 9 A teoria da evolução, também conhecida como evolucionismo, afirma a mutabilidade das espécies animais e vegetais. Alguns pesquisadores afirmam que as espécies sofrem, ao longo das gerações, uma modificação gradual que inclui a formação de novas raças e o surgimento de novas espécies. 10 Franz Boas nascido em Minden, Nova Iorque. Boas é autor de muitos trabalhos clássicos, inclusive “Raça, Linguagem e Cultura” – provavelmente o mais veemente texto anti-racista a surgir do mundo acadêmico em sua época. Sobre este tema ela provou que esses três aspectos são independentes: raça, linguagem e cultura. Depois de Boas tornou-se impossível falar que qualquer raça é inferior, incapaz de se aproveitar daquilo que de mais elevado culturalmente a humanidade tem a oferecer, e ser seriamente levado em consideração. 11 Ruth Benedict, nascida Ruth Fulton, Nova Iorque. Foi aluna de Boas e principal divulgadoras de suas idéias. Autora de livros como Padrões de cultura, As raças da humanidade, O Crisântemo e a Espada. 12 Claude Lévi-Strauss nasceu em Bruxelas e formou-se em Direito e Filosofia por Sorbonne. Publicou trabalhos etnográficos como As estruturas elementares do parentesco e Antropologia estrutural tiveram como idéia marcante a mitografia e o pensamento selvagem. 13 Signo para a Antropologia toma o mesmo significado da Lingüística, ou seja, uma combinação de um conceito com uma imagem sonora. Uma imagem sonora é algo mental, visto que é possível a uma pessoa falar consigo própria sem mover os lábios. Mas em geral, as imagens sonoras são usadas para produzir uma elocução. Em termos simples um signo lingüístico é toda unidade portadora de sentido. 14 Entenda-se dominante aqui, a cultura em vogue no cenário mundial. Normalmente o da sociedade que rege este cenário. 15 Modus operandi é uma expressão em latim que significa "modo de operação". É alguém ou algo que usa o mesmo jeito e aplicação em todas as coisas que realiza, faz tudo do mesmo jeito de uma mesma forma, de maneira que se identifique por quem foi feito aquele determinado trabalho. 101 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração 16 Em arqueologia, chama-se de cultura material ou cultura arqueológica (Material culture e Archaeological culture, em inglês) o conjunto de objetos - tecidos, utensílios, ferramentas, adornos, meios de transporte, moradias, armas etc. - que formam o ambiente concreto de determinada sociedade. Para superar os obstáculos do meio ambiente, o ser humano, desde os primórdios, criou diversos utensílios e implementos, aproveitando matérias-primas encontradas na natureza. Com o desenvolvimento das diversas culturas e sociedades, foram sendo elaboradas formas que, além de úteis, fossem consideradas belas, com acabamento que proporcionasse satisfação ao usuário e ao observador. Tudo isso refletia (e reflete) o modo de pensar e os valores de cada cultura e cada sociedade. 17 Patrimônio cultural imaterial (ou patrimônio cultural intangível) é uma concepção de patrimônio cultural que abrange as expressões culturais e as tradições que um grupo de indivíduos preservam em respeito da sua ancestralidade, para as gerações futuras. São exemplos de patrimônio imaterial: os saberes, os modos de fazer, as formas de expressão, celebrações e os lugares, as festas e danças populares, lendas, músicas, costumes e as mais variadas tradições. 18 O nomadismo é a prática dos povos nômades, ou seja, que não têm uma habitação fixa, que vivem permanentemente mudando de lugar. Usualmente são os povos do tipo caçador-coletor ou pastores, mudando-se a fim de buscar novas pastagens para o gado, quando se esgota aquela em que estavam. Os nômades não se dedicam à agricultura e freqüentemente ignoram fronteiras nacionais na sua busca por melhores pastagens. 19 Não é intuito do autor, esmiuçar as teorias em sua plenitude, mas sim apresentar um quadro claro das idéias norteadoras de cada uma, visto que cada uma destas teorias se figura tema bastante amplo para uma monografia. 20 1964. Consolidou e fez uma síntese das teorias existentes, bem como criou o estruturalismo. 21 1961. Analisou o conflito da estrutura formal com a atuação dos profissionais especialista, em uma abordagem sociológica. 22 1961. Analisou os aspectos da estruturação organizacional e dos processos nas organizações. 23 1962. Aprimoraram a abordagem burocrática no contexto estruturalista, estudaram a relação empresa/cliente, analisaram as organizações formais e as informais. 24 1963. Considerou que a organização formal é básica para a racionalização administrativa. E só com esta sustentação é possível se adaptar às mudanças do ambiente organizacional. 25 1947. Desenvolveu uma ciência do comportamento humano isenta da consideração dos valores. 26 1954. Criou o modelo de hierarquia de necessidades para explicar as origens da motivação humana, estudo este revisto e consolidado em 1970. 27 1959. Estudou a motivação no trabalho separando os fatores de higiene e os de motivação, estudou também o processo de enriquecimento das tarefas. 28 1961. Estabeleceu dois estudos opostos de administrar: Teoria X e Y. 29 1961. Estabeleceu que o clima organizacional e conseqüência dos tipos de liderança, administração e estrutura organizacional. 30 1962. Interligou a competência interpessoal e a efetividade das organizações. 31 1982. Estabeleceu a teoria Z. 32 É um sistema temporário variável e adaptativo, organizado em torno de problemas a serem resolvidos por grupo de pessoas com habilidade e profissões diversas e complementares. A característica central da adhocracia são os grupos e equipes cooperativos que resolvem problemas e desempenham o trabalho. As posições e as tarefas não são permanentes e as formas organizacionais são livres. 102 Por uma Antropologia organizacional: uma releitura do termo cultura na Administração 103