REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 Volume 2- Número 1 - 2º Semestre 2002 Gestão dos recursos naturais: Sítio São Brás, Município de Carlinda – MT Cleiton Benett 1; Marilena Almeida 1; Mariana Wiecko Volkmer de Castilho 2 RESUMO O presente trabalho tem como objeto a gestão dos recursos naturais em uma propriedade na comunidade rural Caná, localizada no município de Carlinda - MT. Na perspectiva do manejo dos recursos naturais são apresentadas as formas de apropriação e utilização dos mesmos, pelo produtor, observando os entraves encontrados para levar adiante o seu empreendimento, considerando os aspectos sócio-econômicos, ambientais e culturais. A pressão para mudança de agricultura familiar para atividade de pecuária é grande. O método utilizado na obtenção de dados foi o da pesquisa participante, centrado na compreensão da dimensão cotidiana da realidade social. Conclui-se que medidas devem ser tomadas para minimizar os impactos antrópicos no ambiente. Palavras-chave: Aprendizagem. gestão, recursos naturais, Carlinda, Mato Grosso, Grupo de ABSTRACT This paper examines the management of natural resources in a propriety in the rural community Caná, located in the municipal district of Carlinda, north part of Mato Grosso state. In face of management of natural resources presented the forms of appropriation and use of them by peasant, observing the problems find to maintain his propriety, considering the social, economic, environment and cultural aspects. The existence of pressure to change agriculture - cattle rising is great. The method used to gather data was field research, focused on the understanding of the day-to-day dimension of the social reality of the rural propriety. The paper concludes that measures should be taken to reduce the men impacts in the environment. Key-words: management, natural resources, Carlinda, Mato Grosso, learning group. 1. CONTEXTUALIZAÇÃO Este trabalho é fruto de uma experiência vivenciada no Programa de Ciências AgroAmbientais1, campus de Alta Floresta/MT, no Grupo de Aprendizagem2 Gestão de Recursos Naturais, junto a uma família de agricultores da comunidade rural Caná, Sítio São Brás, Lote n° 631, no entroncamento da Linha 12 com a Linha 15, localizada no município de Carlinda/MT, distante 35 km do Campus Universitário de Alta Floresta (figuras 1e 2). Fig. 1 Localização geográfica do município de Carlinda no Estado e Brasil Fig. 2 Croqui de localização do Sítio São Brás O objetivo deste artigo é compreender como o produtor ocupou a área e como gerencia os recursos naturais existentes na mesma, observando os entraves encontrados para levar adiante o seu empreendimento, considerando os aspectos sócio-econômicos, ambientais e culturais. Diante dessa perspectiva, faz-se necessário lembrar que os recursos naturais não são infinitos e, por isso, devem ser utilizados de forma econômica e racional, ou seja, a natureza deve ser consumida ou utilizada para atender às necessidades da presente geração e das que ainda virão. Contudo, é impossível desconhecer que o mundo entrou numa crise sem precedentes no que se refere ao estado do meio ambiente e ao desequilíbrio causado pelo uso inadequado dos recursos naturais da biosfera. No caso específico da região norte mato-grossense, o desenvolvimento agropecuário vem sendo feito em ritmo acelerado, causando danos na exploração dos recursos naturais. Observa-se uma falta de sensibilidade perante a natureza e seus princípios mais elementares de funcionamento. Certamente, toda atividade humana de utilização de recursos naturais e produção agrícola representa um rompimento da estrutura ecológica da floresta. Contudo, segundo SCHUBART (1979), não se trata de combater o progresso econômico regional, mas sim harmonizar esse desenvolvimento com as potencialidades e limitações naturais de modo a minimizar os prejuízos ao meio ambiente. Ou seja, os recursos naturais devem ser utilizados de forma que os benefícios que trazem ao desenvolvimento do ser humano, não prejudiquem o bem estar dos sistemas locais e globais. Nesse sentido, o manejo dos recursos naturais objetiva a utilização adequada dos recursos naturais e dos ecossistemas, de modo a respeitar sua capacidade de reprodução e de carga e sua utilização de forma sustentável. O manejo dos recursos naturais varia segundo os tipos de recursos, mas se compõe de vários tipos de restrições - de acesso aos recursos naturais em certos períodos, de uso de certos equipamentos ou tecnologia (DIEGUES, 1995). Geograficamente, o norte do Estado de Mato Grosso é caracterizado por relevo de depressão interplanáltica da Amazônia Meridional; clima equatorial, quente e úmido, com dois meses de seca, junho e julho, tendo uma precipitação média anual é de 2.750 mm, com intensidade máxima nos meses de janeiro, fevereiro e março. A temperatura média anual está em torno de 24ºC, com máxima de 40ºC (FERREIRA, 1997). A formação geológica indica a origem de complexos metamórficos arqueanos ou précambriano indiferenciado, complexo basal em coberturas do proterozóico, com granitóides associados, formação gorotire (FERREIRA, 1997). O solo é podzólico vermelho amarelo distrófico argila de baixa atividade base textura argilosa. Compreendem solos com horizonte B textural, não hidromórficos, com atividade de argila e saturação de bases baixas, moderadamente drenadas, com profundidade variável (BARBOSA, 1995). Nos solos da região, a maior concentração de nutrientes está nos primeiros horizontes. Constata-se que mesmo nos horizontes em desagregação e decomposição ocorrem menos bases do que na parte superficial do solo. Isto tem como causa, neste meio que é de alta lixiviação, a atividade das raízes que, absorvendo os nutrientes liberados, transportam para as plantas que mantêm aparentemente um ciclo onde pode haver um incremento em função do tempo. Quando ocorre a queima da floresta, este ciclo acaba e põe todo o somatório de nutrientes, acumulados em milênios, em contato com o solo que, possuindo colóide de muito baixa atividade, sem condições de retê-los. A bacia hidrográfica é representada pelos rios Teles Pires ou São Manoel e Juruena com inúmeros tributários de natureza temporária ou permanente, ocasionando, por vezes, inundações próximas aos seus leitos no período de maior intensidade pluviométrica. A vegetação é caracterizada pela Floresta Ombrófila Aberta Submontana com Cipó, destacando-se espécies como castanha - do - Pará (Bertholletia excelsa), aroeira (Astronium gracilis), e a Floresta Ombrófila Aberta Submontana com Palmeira. As árvores são caracterizadas ainda por folhas grandes e casca rugosa, como o mogno (Swietenia macrophylla), o cedro (Cedrella odorata) (RADAMBRASIL, 1980). 2 - RESULTADOS E DISCUSSÕES 2.1 - ASPECTOS HISTÓRICOS E PRODUTIVOS Para um bom entendimento da gestão dos recursos naturais foi realizado um estágio de vivência, entre os dias 9 e 11 de abril de 2002, na zona rural do município de Carlinda - MT, especificamente no sítio São Brás, de propriedade do Sr Antônio Miguel da Silva e Sra. Isabel Araújo Barreto da Silva. Para confecção do trabalho os acadêmicos se basearam nas entrevistas com os moradores da propriedade, nas observações in situ, bem como nas participações nas atividades diárias do grupo familiar. Os proprietários do imóvel, ambos nascidos no Estado do Paraná e casados na cidade de Alto Piquiri-PR, chegaram à cidade de Alta Floresta-MT em 20 de outubro de 1980 e residiram na Comunidade Mundo Novo, Vicinal 3ª Leste até 1986, quando foram contemplados com um lote no assentamento do INCRA Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária -, em Carlinda - MT3, que nesta ocasião ainda pertencia ao Município de Alta Floresta-MT. O convite foi feito pelos parentes residentes em Alta Floresta-MT, que consideravam um local promissor e com boas condições para o plantio. Em função, também, de possuir uma área para trabalho muito pequena no Paraná, que era dividida com outros familiares, estimulou o produtor e sua família a deslocar-se para a região. Hoje a família é composta pelo casal e pelos filhos Adão e Eva. A filha casou e não reside na propriedade. Em 1982, o produtor fez inscrição no Projeto de Assentamento do INCRA, e em 1986 foi contemplado com um lote no qual reside até hoje. Conforme relato do produtor, no início, tudo era muito difícil. Havia apenas um bar, uma mercearia, um posto de gasolina e algumas residências. Para acesso ao lote, não havia estradas, somente picadas4, os córregos eram atravessados a pé e os mantimentos e ferramentas para realizar roçagem e derrubada da mata, eram carregadas pelos animais de carga ou pelos próprios colonos. Inicialmente, o produtor, acompanhado por duas pessoas, realizou roçada e derrubada de uma área de 9,68 ha. Após realizar a queimada, construiu um barraco rústico próximo ao córrego, onde morou provisoriamente por quatro meses com sua família. Como era área de mata virgem, percebia-se pelas pegadas, o trânsito de animais selvagens. Na área preparada plantou arroz, manualmente, e obteve uma colheita de 250 sacos. Com a abertura das estradas Linha 12 e Linha 15 ainda no ano de 1986, e devido à presença de muitos religiosos da Igreja Católica na localidade, foi celebrada a primeira missa na comunidade defronte à propriedade em estudo. Devido à distância e dificuldades de acesso até a cidade de Alta Floresta-MT, cidade mais próxima e melhor estruturada para efetuar compras, em dezembro do mesmo ano, o Sr. Antônio resolveu investir no comércio, instalando, no entroncamento das duas estradas, um bar que funciona também como uma mercearia. Primeiramente, era um imóvel rústico, construído em madeira, e em 1990 foi construído em alvenaria. A residência do proprietário foi construída anexa ao bar. No início de 1991 o proprietário plantou café em consórcio com arroz (7,26 ha). Não houve um bom desempenho produtivo do cafeeiro, devido à seca, e o produtor foi obrigado a eliminar a cultura, realizando desmatamento em novas áreas, incluindo parte da área de preservação permanente, efetuando plantio de arroz. Durante quase dez anos realizou plantio da monocultura do arroz em área mecanizada, com correção do solo. Segundo o produtor, nos primeiros anos obteve muito lucro, adquirindo trator e diversos implementos agrícolas, além de realizar financiamentos de custeio para plantio. Nas safras de 1997 e 1998 obteve um prejuízo tão grande que foi obrigado a desfazer de vários bens como o trator e alguns implementos para amenizar a dívida contraída, restando-lhe apenas a trilhadeira, que utiliza no período da safra do arroz para prestar serviços a outros proprietários em forma de comissão. Com a utilização anual da mesma área para o cultivo do arroz, o solo também não correspondia ao que o produtor almejava na produção, sendo um fator que colaborou na baixa da produtividade, além do baixo preço do produto no mercado. Toda área que era cultivada com arroz o proprietário transformou em pastagem por acreditar que a criação de gado era uma atividade promissora. Em 1988, o produtor realizou plantio de cacau (Theobroma cacao), única cultura perene existente na propriedade, com sementes adquiridas da CEPLAC Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira -, no espaçamento de 3 x 3 m, utilizando o sombreamento provisório5, de feijão guandu (Cajanus cajan) e o sombreamento definitivo de pinho cuiabano (Schizolobium amazonicun), no espaçamento de 15 x 15 m. A área ocupada foi de 2,42 ha, num total de 3.000 plantas. Na lavoura, segundo o produtor, desde a sua implantação não foi realizada nenhuma adubação ou aplicação de inseticidas ou fungicidas. A vassoura-de-bruxa (Crinipellis perniciosa) é a única doença que o proprietário tem observado na cultura, apresentando baixa incidência. O controle é feito com a remoção das partes infectadas das plantas. Ocorre também o ataque de animais silvestres como a cutia e várias espécies de macacos que destroem os frutos de cacau. A produção do ano de 2001 foi de 500 kg e a previsão é de 500 kg para o ano de 2002. O produto é comercializado na única firma de compra do cacau em Carlinda-MT, denominado Compra de Cacau Campo Belo. O produtor tem interesse em realizar adubação para aumentar a produção, pois considera uma cultura de fácil manuseio e bom valor comercial, alem de ser utilizada no reflorestamento. O período de colheita do cacau corresponde ao período de abril a julho. Em 1989 o proprietário iniciou a criação de gado, com destaque para o rebanho leiteiro. Aves e suínos são criados para atender o consumo familiar. A produção do leite é utilizada para o sustento da família e para comercialização. São entregues aproximadamente 10 litros diários ao laticínio de Colider-MT. A alimentação dos animais consiste no consumo das gramíneas e suplementos minerais (sal mineral), na proporção de 2:1(sal branco e sal mineral Fosbovi), fornecido ao cocho uma vez por semana. As vacinações são realizadas três vezes ao ano nos meses de fevereiro, maio e novembro para combater a febre aftosa e o carbúnculo. A técnica de criação é tradicional, não utilizando estação de monta em virtude do baixo número de animais. Na área de pastagem foi plantado, principalmente, o capim brizantão (Brachiaria brizantha), também, em menor escala, o capim tanzânia (Panicum maxinum), bastante resistente às pragas e doenças das forrageiras. Para a limpeza das pastagens é utilizado o herbicida comercial Tordon para combater o assa-peixe (Boehmeria caudata). A área da propriedade é totalmente cercada com cerca convencional medindo, aproximadamente, 1.500 m e cerca elétrica com 4.000 m. Para a limpeza da área onde passam os fios elétricos é realizada a pulverização do herbicida Roundup. Devido à falta de utilização de práticas de conservação do solo têm ocorrido erosões nos mesmos. 2.2 - ASPECTOS AMBIENTAIS De acordo com as declarações do proprietário, até o ano de 1998 o mesmo fazia uso das queimadas para combater as ninfas das cigarrinhas (Deois sp) e também para que o rebrotamento do capim ocorresse com mais vigor. A implantação de pastagem artificial na área onde outrora era cultivado arroz, o produtor preparou o solo efetuando curva de nível, no intuito de minimizar a ocorrência de erosão, além de plantar semente de capim na forma de matraca (manualmente). Nas áreas de pastagem foram observados, com baixa incidência, cupim de montículos (Cornitermes sp.). A atividade extrativista, na propriedade, não é realizada e, segundo o produtor, há poucas espécies com potencial extrativo, como a Castanha-do-Pará. Conforme a figura 3, a área de pastagem ocupa o maior percentual de utilização da terra,medida em hectares, enquanto as demais áreas juntas perfazem um total de 19%. Fato observado em diversas propriedades da localidade, como também no município de Alta Floresta - MT, conforme discorrido no Plano Municipal de Desenvolvimento Rural - PMDR, do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Alta Floresta - MT- CMDR Fig.3 Uso do solo Na área de horto doméstico encontram-se inseridas as benfeitorias da propriedade como casa, barracão, bar, tulha, curral; pomar, com frutíferas como acerola (Malpghia globa), manga (Manguifera undiais), abacaxi (Ananas camusus), jabuticaba (Myrciaria cauliflora), coco (Cocos nucifera), jaca (Artocarpus integrisolia), citrus (Citrus ssp) diversos, que são consumidos pela própria família, e uma pequena horta doméstica. No imóvel observa-se a existência de duas áreas de mata e o encontro das águas de dois pequenos córregos que foram represados para os animais beberem água (figura 4). A mata ciliar encontra-se com vegetação natural, na margem direita córrego (figura 5), possuindo em média, segundo o produtor, 50 m de largura ao longo do curso d'água, onde existem duas passarelas por onde o gado tem acesso à água. Na mata ciliar observou-se a presença de buriti (Mauritia flexuosa), cacauí (Theobroma speciosum) e outros arbustos. Na margem esquerda, as aguadas encontram-se desprotegidas (figura 6), com algumas espécies vegetais de pequeno e médio porte. Devido a erosão do solo (lixiviação) nas áreas de pastagens (figura 7), principalmente nos corredores próximos às cercas elétricas, encontra-se sem qualquer proteção vegetal. A falta de cobertura vegetal advém do uso constante de herbicidas para inibir o desenvolvimento de gramíneas ou ervas daninhas e evitar o contato com os fios eletrificados, que podem causar perda de energia. O trânsito freqüente de animais para as águas tem causado assoreamento do córrego. A mata de reserva permanente, que compreende 2,42 ha, encontra-se preservada, envolta com cerca de arame para evitar a entrada de animais (figura 8). Segundo o proprietário, nunca ocorreu entrada de fogo na mata quando realizava queimadas nas pastagens e a fauna e a flora praticamente não foi alterada pela ação antrópica. Provavelmente, devido a área ser muito pequena e por não existir corredores ecológicos interligando, a fauna deve ser bem restrita. Fig. 8 À direita, mata de reserva permanente 2.3 - ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS A alimentação básica do produtor rural e seus familiares é composta basicamente de cereais, verduras colhidas na horta e carne, geralmente, de criação doméstica. Ultimamente a gripe foi a doença que mais acometeu os membros da família. Os tratamentos são realizados na própria comunidade e quando necessitam de maiores cuidados deslocam-se para a cidade de Alta Floresta, utilizando-se de tratamentos em clínica particular. Na comunidade existe um serviço médico volante que visita os moradores, verificando a necessidade de atendimento médico e encaminhando para o posto de saúde da comunidade. Outro serviço de atendimento utilizado pela família é o bioenergético que trabalha com a cura através das ervas medicinais. Os componentes do grupo familiar possuem algum grau de escolaridade. Os pais por terem residido em locais de difícil acesso às escolas e de necessidade de mão-de-obra e manutenção da família, não obtiveram muitas oportunidades de prosseguir com os estudos. O Sr. Antônio e a Sra Isabel cursaram as séries iniciais (1ª a 4ª série). Devido às dificuldades enfrentadas e considerando de suma importância a educação para melhores oportunidades de emprego e/ou avanço em qualquer empreendimento, preocuparam-se um oferecer ao filho uma instrução melhor. Recentemente, Adão concluiu o 2° grau e pretende cursar o 3º grau em Alta Floresta - MT. A divisão das atividades da propriedade é feita utilizando quase na sua totalidade a mão-de-obra familiar, com contratações esporádicas, quando de realização de roçagens e aplicações de herbicidas, a média de 5 diárias ao mês, no valor de R$ 10,00/diária. A esposa, além do trabalho doméstico contribui no atendimento ao público em geral, no comércio. Os trabalhos domésticos, que pela macroeconomia vem sendo relegado ao mundo do "não trabalho", do nãorentável e com freqüentemente sem valor, são, paradoxalmente, peça indispensável à manutenção e crescimento da economia formal, graças a uma característica especial que possui: "cria valor, mas não está sujeito à lei do valor" (cf. OLIVEIRA, 1996 apud NETO, 1997). Na propriedade, como uma forma de diminuir o consumo de gás butano, utiliza-se para preparo dos alimentos, fogão de carvão, confeccionado pelo próprio produtor. O carvão também é produzido rusticamente na propriedade, através da queima de madeira em buraco escavado no pomar do imóvel. O comércio é a principal fonte de renda da propriedade. É o empreendimento que requer a maior parte do tempo dos componentes da família. Foi realizado um levantamento aproximado dos preços pagos e recebidos na propriedade, verificando-se uma renda líquida anual familiar de aproximadamente R$ 2.550,00. (TABELAS 1 e 2). 3. CONCLUSÕES / RECOMENDAÇÕES O acompanhamento do dia a dia do produtor rural mostra que é preciso compreender o que levou o mesmo a utilizar os recursos naturais de uma forma e não de outra. O homem do campo muitas vezes procura investir na agricultura, porém vários fatores o impulsionam a praticar a pecuária ou realizar o êxodo rural, uma vez que o pequeno e médio produtor encontra-se desmotivado para empregar novas tecnologias adequadas para seu empreendimento, considerando que são explorados por um sistema de governo que não subsidia a produção agrícola e que não garante o preço mínimo de custo de produção. Contudo, com discutido com o produtor rural, algumas medidas podem ser tomadas de forma a minimizar o impacto antrópicos na propriedade. Entre eles: • • • evitar o trânsito de animais nas margens do córrego no intuito de recuperar a mata ciliar e minimizar o assoreamento da aguada; a instalação de roda d'água para impulsionar água aos cochos localizados nos pastos. o sistema de rodízio de pastagens com divisão das áreas com piquetes, que ocuparia uma área menor, colaborariam no melhor aproveitamento das pastagens. • • o uso de inseticida biológico (Metarhizium anisapliae) no combate às cigarrinhas que atacam as pastagens, evitando as queimadas que só contribuem com o empobrecimento do solo eliminando a micro-fauna; a prática de arranque dos assa-peixes e roçagem na pastagem poderia ser uma forma de prevenir e evitar a contaminação do córrego e minimizar a lixiviação do solo. Finalmente, pode-se concluir que há necessidade de viabilizar e divulgar as tecnologias adequadas e opções de culturas favoráveis para utilização na região, como os Sistemas Agroflorestais. 4- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBOSA. R. C. M.; NEVES, A D. S. Solos do Polo Cacaueiro Juruena, MT. Boletim técnico 3, Belém, 1985. 4 p. BRASIL. Departamento Nacional da Produção Mineral. Projeto RADAMBRASIL Levantamento de Recursos Naturais. Folha SC 21, Juruena, vol. 20. Rio de Janeiro, 1980. 201 p. CASTRO. José Gerley Díaz. Projeto Pedagógico do Programa de Ciências AgroAmbientais. Alta Floresta. 2000. (mimeo). 54 p. DIEGUES, Antônio Carlos Sant'Anna. Repensando e recriando as formas de apropriação comum dos espaços e recursos naturais. In: DIEGUES, A C. S. Povos e Mares: leituras em sócio-antropologia marítima. São Paulo: NUPAUB -USP, 1995. p. 209 -236. FERREIRA, João Carlos. Mato grosso e seus municípios. Secretaria de Estado de Educação de Cuiabá, 1997. 326 p. MATO GROSSO. Código Ambiental. Lei complementar n.° 38, 21 de novembro de 1995. 35 p. NETO, A M. Q. F. Família operária e reprodução da força de trabalho. Petrópolis: Vozes. 1997. 125 p. SCHUBART Herbert O R. Critérios Ecológicos para o desenvolvimento agrícola das terras firmes da Amazônia. Manaus, INPA, 1979. 29 p. SILVA, A M. Antônio Miguel da Silva: depoimento [abr. de 2002]. Entrevistadores: Cleiton Benett e Marilena Almeida. Carlinda: Sítio São Brás, 2002. Notas de rodapé 1- Programa de Ciências Agro Ambientais é uma proposta pedagógica que visa trabalhar o currículo de forma diferenciada, tendo como ponto de partida a formação profissional focalizada nos conhecimentos que são realmente significativos para o aluno (CASTRO, 2000) 2- GA é designado Grupo de Aprendizagem, cujo objetivo é trabalhar o currículo de uma forma que permita ao aluno fazer uma leitura do mundo, aprendendo a questionar situações, sistematizar problemas e buscar formas criativas de solucioná-las (CASTRO, 2000) 3- O município de Carlinda foi criado através da Lei Estadual n. 6594, de 19 de dezembro de 1994 (FERREIRA, 1997). 4- Picadas: passarelas na mata demarcando lotes. 5- Sombreamento provisório serve para proteger as plantas em fase de crescimento contra os efeitos do sol e ventos. 6- corredores ecológicos são como um tipo de passagem por onde os animais transitam e onde as sementes se espalham gerando novas plantas. Os corredores não têm forma de túnel e de nenhum outro desenho geométrico. AGRADECIMENTOS: Os autores agradecem a contribuição dada pelos proprietários Antônio Miguel e Sra. Isabel, bem como o auxílio dos professores: Renato Aparecido de Farias, Rosane Duarte Rosa e Marco Antônio Camargo Ferreira e José Gerley Díaz Castro. [1] Estudante do curso de graduação em Agronomia do Programa de Ciências AgroAmbientais, Universidade Estadual de Mato Grosso, campus de Alta Floresta. E-mail: [email protected] [1] Estudante do curso de graduação em Engenharia Florestal do Programa de Ciências Agro-Ambientais, Universidade Estadual de Mato Grosso, campus de Alta Floresta. Email: [email protected] [2] MSc. Geografia e professora do Programa de Ciências AgroAmbientais, Universidade Estadual de Mato Grosso, campus de Alta Floresta. E-mail: [email protected] Voltar