UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PRODUÇÃO VEGETAL ATIVIDADE FUNGITÓXICA DOS ÓLEOS ESSENCIAIS DE Lippia sidoides Cham. E DE Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf. NO CONTROLE DE FITOPATÓGENOS DO FEIJOEIRO COMUM. ANDRÉ HENRIQUE GONÇALVES 2012 Trabalho realizado junto ao Mestrado em Produção Vegetal da Universidade Federal do Tocantins, sob orientação do Professor Dr.Luiz Gustavo de Lima Guimarães. BANCA EXAMINADORA: ___________________________________________ Prof. Dr. Luiz Gustavo de Lima Guimarães Universidade Federal do Tocantins (Orientador) ___________________________________________ Prof. Dr. Gil Rodrigues dos Santos Universidade Federal do Tocantins (Co-orientador) __________________________________________ Dra. Dione Pereira Cardoso Bolsista de Prodoc da Capes (Avaliadora) __________________________________________ Prof. Dr. Ildon Rodrigues do Nascimento Universidade Federal do Tocantins (Avaliador) UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PRODUÇÃO VEGETAL ATIVIDADE FUNGITÓXICA DOS ÓLEOS ESSENCIAIS DE Lippia sidoides Cham. E DE Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf. NO CONTROLE DE FITOPATÓGENOS DO FEIJOEIRO COMUM. Dissertação apresentada à Universidade Federal do Tocantins, como parte das exigências do Programa de PósGraduação em Produção Vegetal, para obtenção do título de “Mestre”. GURUPI TOCANTINS - BRASIL 2012 ANDRÉ HENRIQUE GONÇALVES ATIVIDADE FUNGITÓXICA DOS ÓLEOS ESSENCIAIS DE Lippia sidoides Cham. E DE Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf. NO CONTROLE DE FITOPATÓGENOS DO FEIJOEIRO COMUM. Dissertação apresentada à Universidade Federal do Tocantins, como parte das exigências do Programa de PósGraduação em Produção Vegetal, para obtenção do título de “Mestre”. Aprovada em: 06 de Julho de 2012. Prof. Dr. Luiz Gustavo de Lima Guimarães (Orientador) GURUPI TOCANTINS - BRASIL 2012 Aos meus pais Amarildo e Tuca, Fonte inesgotável de dedicação De família e de amor. Amo vocês. DEDICO AGRADECIMENTOS A Deus por ter me abençoado com o dom da vida, iluminando meus passos e guiando meu caminho. Ao Prof. Dr. Luiz Gustavo de Lima Guimarães pela orientação, profissionalismo e paciência durante o desenvolvimento deste trabalho. Aos membros da banca examinadora pelas críticas e sugestões. Aos meus irmãos Taisa (Ta), Amarildo Filho (2) e Bruna (Nega), se tivesse mil oportunidades de escolher quem seriam meus irmão, 1001 escolheria vocês. Aos meus avós Luiza Lacerda Gonçalves e João Pedro Gonçalves (in memorian) e Derenice Vilarinho (in memorian) e Valter Vilarinho, sempre preocupados com a minha formação acadêmica e moral. Aos demais membros da minha família. A todos os meus amigos da Republica Tapera Véia: André Froes, Carlos Cardon, Gustavo Gonçalves, Ícaro Cavalcante e Leonardo Lopes, companheiros inseparáveis. Obrigado pela amizade. Agradeço aos amigos de trabalho: Valdere e Michel por todo o apoio. A minha linda Anielli, meu porto seguro, responsável por grande parte desse trabalho, sempre me incentivando. Obrigado pela paciência, companheirismo e amor. A todos aqui não mencionados que, de certa forma, contribuíram para a concretização deste trabalho. SUMÁRIO RESUMO .................................................................................................................... 9 ABSTRACT .............................................................................................................. 10 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 11 2.1. A cultura do feijoeiro ......................................................................................... 13 2.1.1. Classificação .................................................................................................... 15 2.1.2. Pragas e doenças que afetam a planta do feijoeiro. ........................................ 16 2.1.3. Mela e podridão radicular do feijoeiro comum causadas pelo fungo Rhizoctonia solani ...................................................................................................... 17 2.1.4. Podridão do colo do feijoeiro comum causada pelo fungo Sclerotium rolfsii 18 2.1.5. Controle de pragas e doenças .......................................................................... 19 2.2. Óleos essenciais ................................................................................................... 20 2.2.1. Atividades biológicas dos óleos essenciais ....................................................... 22 2.2.2. Alecrim pimenta (Lippia sidoides Cham.) ....................................................... 24 2.2.3. Capim-limão (Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf. .......................................... 26 3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................. 27 CAPITULO II ........................................................................................................... 43 Extração e caracterização química dos óleos essenciais de Lippia sidoides Cham. e Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf. ............................................................................ 43 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 44 2. MATERIAL E MÉTODOS .................................................................................. 44 2.1. Obtenção do material vegetal e extração dos óleos essenciais .......................... 44 2.2. Análises cromatográficas dos óleos essenciais ................................................... 45 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................... 46 4. CONCLUSÃO ....................................................................................................... 50 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................. 50 7 CAPÍTULO III.......................................................................................................... 56 Potencial fungitóxico dos óleos essenciais de Cymbopogon citratus, de Lippia sidoides e de seus componentes majoritários sobre o crescimento micelial de Rhizoctonia solani e Sclerotium rolfsii. ..................................................................... 56 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 57 2. MATERIAL E MÉTODOS .................................................................................. 58 2.1. Obtenção dos óleos essenciais ............................................................................ 58 2.2. Avaliação das Atividades fungitóxicas............................................................... 59 2.3. Obtenção dos isolados ........................................................................................ 59 2.4. Ensaio de inibição do crescimento micelial ....................................................... 59 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................... 62 4. CONCLUSÃO ....................................................................................................... 72 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................. 72 CAPÍTULO IV .......................................................................................................... 81 Avaliação da fitotoxicidez dos óleos essenciais Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf e de Lippia sidoides Cham. sobre plantas de feijoeiro comum. .................................. 81 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 82 2. MATERIAL E MÉTODOS .................................................................................. 82 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................... 85 4. CONCLUSÃO ....................................................................................................... 88 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................. 88 8 RESUMO ATIVIDADE FUNGITÓXICA DOS ÓLEOS ESSENCIAIS DE Lippia sidoides Cham. E DE Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf. NO CONTROLE DE FITOPATÓGENOS DO FEIJOEIRO COMUM. André Henrique Gonçalves1, Luiz Gustavo L. Guimarães2 ( 1Mestrando em Produção Vegetal, 2Professor adjunto, Universidade Federal do Tocantins). As potencialidades de utilização de métodos alternativos no controle de doenças de plantas são incessantemente estudadas e avaliadas por vários pesquisadores no mundo inteiro. Na pesquisa e desenvolvimento deste trabalho são avaliados os óleos essenciais de duas espécies de plantas, capim limão (Cymbopogon citratus) e alecrim-pimenta (Lippia sidoides), citadas em diversos trabalhos com propriedades diversas, incluído desde o uso medicinal até o controle de pragas e doenças. O feijão é citado como uma das culturas mais consumidas pela população brasileira e também uma das culturas mais acometidas por doenças. Diante do exposto este trabalho deve como objetivo, avaliar a atividade fungitóxica dos óleos essenciais de C. citratus e de L. sidoides, bem como de seus constituintes majoritários, sobre o crescimento micelial dos fitopatógenos de de solo Rhizoctonia solani e Sclerotium rolfsii), importantes causadores de doenças e perdas na produção desta cultura.. Foram realizadas a caracterização química dos óleos essenciais, bem como a analise quantitativa de seus constituítes.. Os óleos essenciais e seus constituintes foram testados “in vitro” no controle do crescimento micelial dos microrganismos citados, e submetidos a calibrações de dosagens e avaliações de possíveis inibições no crescimento micelial. Testes de fitotoxicidade na semente também foram realizados, com dosagens distintas, analisando o percentual de emergência de plântulas encontrando resultados satisfatórios em relação à utilização destes óleos junto ao tratamento de sementes, pois não causou inibição do desenvolvimento das plântulas. Resultados promissores foram obtidos com os óleos essenciais de C. citratus e L. sidoides na inibição do crescimento micelial de (Rhizoctonia solani e Sclerotium rolfsii). Resultados das porcentagens dos constituintes químicos dos óleos essenciais divergiram dos citados em literatura, com destaque para o óleo essencial de L. sidoides. Os testes “in vivo” de fitotoxicidade, não apresentaram nenhum sinal de danos ou lesões para as plantas de feijão em nenhuma das dosagens avaliadas. Trabalhos “in vivo” devem ser realizados, analisando os óleos para efeito fungitóxico nos microrganismos testados, possibilitando a possível concretização de que os óleos essenciais de C. citratus e L.sidoides podem ser utilizados como fungicidas alternativos no controle de Rhizoctonia solani e Sclerotium rolfsii. Palavras-chave: Phaseolus vulgaris L., R. solani, S. rolfsii, Controle alternativo. 9 ABSTRACT FUNGITOXICITY OF ESSENTIAL OILS OF Lippia sidoides Cham. AND Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf. IN THE CONTROL OF PATHOGENS OF COMMON BEAN. André Henrique Gonçalves1, Luiz Gustavo L. Guimarães2 ( 1Mestrando em Produção Vegetal, 2Professor adjunto, Universidade Federal do Tocantins). The potential for using alternative methods of plants diseases control are continually researched and evaluated by various researchers worldwide. In research and development of this work are evaluated essential oils of two species of plants, lemon grass (Cymbopogon citratus) and rosemary-pepper (Lippia sidoides), cited in several studies with different properties, including from the medical use to control pests and diseases. Beans are quoted with a crop most used by the Brazilian population and also one of the crops most affected by disease, compared to this was added the possibility to control two of soil borne pathogens (Rhizoctonia solani and Sclerotium rolfsii) reported as important causes of disease and losses in the production of this crop, with the potential of essential oils (C. citratus) and (L. sidoides) to assess the behavior of this microorganism in the presence of these essential oils. Was performed to characterize the chemistry of essential oils, as well as the analysis of its major constituents. Essential oils and their constituents have been tested "in vitro" in control of the microorganisms mentioned above, and subjected to incessant calibrations measurements and evaluations of possible inhibitions on mycelial growth. Phytotoxicity tests were also conducted in the seed, with strengths, analyzing the percentage of seedling emergence finding satisfactory results regarding the use of these oils from the seed treatment, because it caused inhibition of seedling development. Promising results were obtained with essential oils (C. citratus) and (L. sidoides) on mycelial growth inhibition (Rhizoctonia solani and Sclerotium rolfsii). Results of the percentages of chemical constituents of essential oils differed cited in the literature, with emphasis on the essential oil (L. sidoides). Tests "in vivo" phytotoxicity, showed no sign of damage or injury to bean plants in any of the dosages. Work "in vivo" should be performed, analyzing the oils antifungal effect in microorganisms, allowing the possible realization of the essential oils (C. citratus) and (L. sidoides) can be used as alternative fungicides to control (Rhizoctonia solani and Sclerotium rolfsii). Keywords: Phaseolus vulgaris L., R. solani, S. rolfsii, Alternative control. 10 1. INTRODUÇÃO O seguimento agrícola mundial tem se modernizado constantemente, com inserção de novas tecnologias, manejo e aplicabilidade da produção. O produtor rural tem buscado técnicas que viabilizem a sua produção, visando a diminuição nos custos, ou seja, incrementar a produtividade, sem onerar a produção. Danos causados por pragas e doenças já são considerados um prejuízo recorrente, uma vez que todas as culturas são susceptíveis a estes ataques. Auxiliando o produtor nesta jornada do agronegócio empresas de agrotóxicos lançam no mercado vários produtos agrícolas paras serem utilizados no manejo das culturas e manter o controle fitossanitário, garantindo assim ao produtor uma produção satisfatória e que permita a qualidade do seu produto final. Apesar das recomendações agronômicas e dosagens dos fabricantes, muitos agrotóxicos são utilizados de forma desordenada, com dosagens acima das permitidas e/ou sua utilização em culturas não recomendadas. Como consequência desse fato, o impacto ambiental através da contaminação da fauna e flora por esses produtos agrícolas são frequentemente relatados. Frente a isso, pesquisadores têm estudado os efeitos de extratos e de óleos essenciais de diversas plantas como controle alternativo de pragas e doenças que acometem as plantações. Com o intuito de desenvolver produtos derivados de plantas que auxiliem a produção agrícola. Baseado neste contexto, embasado por dados que demonstram o consumo mundial de feijão comum e as dificuldades de produção, o presente trabalho teve como objetivo caracterizar quimicamente, e avaliar o efeito dos óleos essenciais de Lippia 11 sidoides Cham. e de Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf no controle de Rhizoctonia. solani e Sclerotium. rolfsii, fitopatógenos de solo que acometem o feijoeiro comum. 12 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1. A cultura do feijoeiro A origem evolutiva do gênero Phaseolus e sua diversificação primária ocorreram nas Américas (VAVILOV, 1931 apud DEBOUCK, 1991), mas o local exato onde isto se deu é ainda motivo de controvérsia (GEPTS; DEBOUCK, 1991). Populações selvagens de feijão crescem, desde o Norte do México até o Norte da Argentina, em altitudes entre 500 e 2.000 m, porém não são encontradas no Brasil (DEBOUCK, 1986). Existem diversas hipóteses para explicar a origem e domesticação do feijoeiro. Pois os tipos selvagens eram similares a variedades nativas e encontrados no México, e sua domesticação é relatada cerca de 7.000 a.C. na América Central, surgindo a hipótese de que o feijoeiro teria sido domesticado nesta região e disseminado, posteriormente, na América do Sul. Por outro lado, foram encontrados achados arqueológicos mais antigos, cerca de 10.000 a.C., de feijões domesticados na América do Sul (sítio de Guitarrero, no Peru) e que dão indícios de que o feijoeiro teria sido domesticado na América do Sul e transportado para a América do Norte (EMBRAPA ARROZ E FEIJÃO, 2007). Por apresentar um papel relevante na alimentação do brasileiro, o feijão é um dos produtos agrícolas de maior importância econômico-social, principalmente devido à mão-de-obra utilizada durante o ciclo da cultura. No Brasil o feijão comum (Phaseolus vulgaris L.) é um dos alimentos mais consumidos, uma vez que o mesmo possui propriedades nutricionais e funcionais capazes de atender muitas necessidades básicas de alimentação da população, destacando-se principalmente, como fonte proteica. A sua importância social se prende ao fato de ser uma cultura com grande capacidade de absorver mão de obra no seu sistema de cultivo (FERREIRA et al., 2006). 13 Na última década, constatou-se grande evolução na cultura do feijão (P. vulgaris L.) graças ao desempenho de diversas pesquisas, as quais têm propiciado aos produtores, técnicas compatíveis aos vários sistemas de produção, destacando-se a obtenção de cultivares com elevado potencial produtivo e adaptados aos locais de cultivos (JUNIOR; LEMOS; SILVA, 2005). Dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – (FAO) indicam que a Índia é o maior produtor mundial de feijão. Sua produção em 2010 foi de 4.870.000 mil toneladas, correspondendo a 17,2% do total produzido no mundo. O Brasil aparece em 2º lugar, respondendo por 16,2% da produção mundial, com uma produção de 3.202.150 mil toneladas em 2010 (FAO, 2012). A produção brasileira na safra de 2011 foi de 3.500.373 t, com produtividade média de 4.299 kg ha1 , já para o ano de 2012 os valores da previsão são de 3.144.009 t com produtividade de 4.332 kg ha-1, considerando as 3 safras ocorridas (IBGE, 2012). O Tocantins se destaca nacionalmente na produção de sementes de feijão em várzeas tropicais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE a previsão na safra de 2012 é de um aumento de 34,34% em relação à de 2011, com a produção passando de 34.004 t para 47.043 t. Este aumento se deve, principalmente, ao aumento da área plantada na 2ª safra que passa de 21.650 para 31.990 ha de 2011 para 2012, respectivamente. A produção de sementes de feijão, cultivada nas várzeas tropicais no Tocantins, possui suas peculiaridades por apresentar alta qualidade sanitária e produtiva do grão. As várzeas no Estado estão localizadas nos municípios de Formoso do Araguaia, Pium, Dueré, Cristalândia e Lagoa da Confusão. Cerca de 80% dessa produção de sementes são exportados para os estados de Minas Gerais, Bahia, Pará, Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal. O feijão é cultivado em três grupos com variedades diferentes, o 14 carioca, preto (grupo Phaseolus) e o caupi (Vigna unguiculata), no período de junho a setembro. (SEAGRO, 2009). A cultura do feijão tem sido tradicionalmente, caracterizada como segmento atrasado do setor agrícola brasileiro. A atividade está comumente associada ao pequeno produtor, ao emprego de pouca tecnologia e a grandes oscilações na produção e na produtividade. No entanto, essa situação vem se alterando nos últimos anos, já se percebendo nova dinâmica na produção, que vem influenciando a rentabilidade da atividade. Consequentemente, o feijão está deixando de ser lavoura de subsistência para se transformar em cultura tecnificada (CUNHA; TEIXEIRA; VIEIRA, 2005). O risco de perdas parece ser um dos principais fatores desestimuladores da exploração do feijão por grandes produtores. O feijão comum apresenta sérios problemas fitossanitários que resultam no baixo rendimento nacional, sendo as pragas e doenças os motivos mais importantes para a queda na produção de feijão no Brasil (GONÇALVES-VIDIGAL et al., 2007). 2.1.1. Classificação De acordo com Vilhordo e Mikusinski (1996), o feijoeiro é classificado da seguinte forma: Ordem: Rosales Família: Fabaceae (Leguminosae); Subfamília: Faboideae (Papilionoideae); Tribo: Phaseoleae; Gênero: Phaseolus; Espécie: Phaseolus vulgaris L. 15 O gênero Phaseolus possui aproximadamente 55 espécies, das quais apenas cinco são cultivadas sendo elas: o feijoeiro comum (Phaseolus vulgaris); o feijão de lima (Phaseolus lunatus); o feijão Ayocote (Phaseolus coccineus); o feijão tepari (Phaseolus acutifolius); e o Phaseolus polyanthus (EMBRAPA ARROZ E FEIJÃO, 2007). 2.1.2. Pragas e doenças que afetam a planta do feijoeiro. Vários fatores influenciam a produtividade do feijão, dentre estes, podem ser citadas diversas pragas e doenças. Entre as pragas de ocorrência na cultura do feijão estão cigarrinha-verde (Empoasca kraemeri), vaquinha (Diabrotica speciosa), mosca minadora (Liriomyza sativae) e o ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus), que podem comprometer muito a produtividade do feijoeiro (LIMA; GEREMIAS; PARRA, 2009; SEFFRIN et al., 2008; SILVEIRA et al., 2005). Porém, a mosca-branca (Bemisia tabaci), que prejudica a planta pela transmissão do vírus do mosaico dourado do feijoeiro, é considerada a mais importante da cultura, limitando a produção em algumas áreas (ALMEIDA et al., 2008; PEIXOTO et al., 2011). Das 60 doenças que atacam o feijoeiro 31 são causadas por fungos, sendo 10 consideradas importantes, justificando-se a aplicação de fungicidas específicos como componente da estratégia de controle dessas doenças (GARCIA; JUSTINO; RAMOS, 2002). A murcha de fusário causada pelo fungo Fusarium oxysporum f.sp. phaseoli J.B. Kendr. & W.C. Snyder, a podridão do colo causada por Sclerotium rolfsii, e a podridãoradicular, causada pelo fungo Rhizoctonia solani Kühn, encontram-se entre as mais importantes doenças do feijoeiro comum causadas por fungos habitantes de solo. Estes patógenos estão presentes nos solos de diversas regiões produtoras de feijão. Além 16 destas, podemos destacar a antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum lindemuthianum, a mancha angular, causada pelo fungo Phaeoisariopsis griseola (Sacc. Ferraris), a podridão-radicular-seca causada pelo fungo Fusarium solani, o mofobranco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, o oídio, causado pelo fungo Erysiphe polygoni DC e a mela causada pelo fungo Rhizoctonia solani (BORÉM; CARNEIRO, 1998; COSTA; ZIMMERMANN, 1988; PASTOR-CORRALES; ABAWI, 1987; RESENDE; ZAMBOLIM, 1987; GOULART, 1988; SALA; ITO; CARBONELL., 2006). 2.1.3. Mela e podridão radicular do feijoeiro comum causadas pelo fungo Rhizoctonia solani O fungo habitante do solo Thanatephorus cucumeris (Frank) Donk [fase anamórfica = Rhizoctonia solani Kühn] é um basidiomicota que ocorre mundialmente causando doenças economicamente importantes em uma grande variedade de plantas cultivadas (ANDERSON,1982; ADAMS, 1988; VILGALYS, 1988). Segundo Papavizas e Davey (1961) e Cubeta e Vilgalys (1997) e R.solani é um patógeno habitante de solo, geneticamente heterogêneo, com ampla gama de hospedeiros, grande capacidade competitiva saprofítica e que sobrevive colonizando restos de cultura ou mediante estruturas de resistência. A maioria dos isolados deste patógeno não se reproduz sexuadamente e são conhecidos apenas por seu estágio assexuado (fase anamórfica). Esse fungo representa um grupo economicamente importante e geneticamente diverso de patógenos de solo que ocorrem em várias espécies de plantas em todo o mundo (VILGALYS, 1988; CUBETA, 1994). 17 Os sintomas de uma das doenças causadas no feijoeiro por este fungo (mela) são observados inicialmente nas folhas próximas ao solo com manchas de formato irregular que coalescem causando uma necrose, posterior desfolha das plantas e a adesão das folhas da planta pela teia micelial do fungo. Os sinais são as teias miceliais e os microescleródios formados nos tecidos vegetais (NECHET; HALFELD-VIEIRA, 2006). Como esse patógeno tem propensão a atacar tecidos jovens, também pode causar tombamento de plântulas na pré ou pós-emergência e pode ser introduzido em solos ou substratos em qualquer etapa do plantio, tanto via sementes como por meio de substratos contaminados (LUCON et al., 2009). Para o controle do tombamento há um conjunto de práticas recomendadas, mas o tratamento de sementes com fungicidas eficientes tem sido a principal medida adotada, sendo a opção mais econômica para minimizar os efeitos negativos da doença (GOULART, 2002). Porém, o controle químico pode-se tornar inviável, em razão dos efeitos deletérios no solo, além de favorecer a seleção de formas mais resistentes desse fungo (CARDOSO, 1990). 2.1.4. Podridão do colo do feijoeiro comum causada pelo fungo Sclerotium rolfsii O fungo fitopatogênico Sclerotium rolfsii Sacc., habitante do solo, polífago, pode causar podridão em raízes, colo de plantas jovens, em sementes, danos em plântulas, folhas e frutos (FARR et al., 1989; BEDENDO, 1995). Apresenta extensa gama de hospedeiros, cerca de 500 espécies botânicas, incluindo dicotiledôneas e monocotiledôneas, distribuindo-se em todas as regiões agrícolas, com predominância nas zonas tropical e subtropical, onde predominam condições de alta umidade e temperatura elevada (AYCOCK, 1966; PUNJA; JENKINS, 1984; PUNJA, 1985; PUNJA; RAHE, 1992). O fungo produz estruturas de resistência chamadas de 18 escleródios, sendo globosos, pequenos, de 0,5-1,5 mm de diâmetro. Os escleródios são produzidos na ausência de hospedeiros e/ou condições climáticas desfavoráveis (BIANCHINI; MARINGONI; CARNEIRO, 1997). A presença destas estruturas pode durar por períodos de um a três anos no solo e dificulta o controle do patógeno. Entre os fatores físicos que exercem efeito no crescimento e na formação esclerodial, destaca-se a luz. Segundo Punja (1985), há melhor desenvolvimento de S. rolfsii, em condições de luminosidade continua, sugerindo que a produção abundante de escleródios na superfície do solo seja em resposta à presença de luz. Essa observação foi também relatada por outros pesquisadores, como McClellan et al., (1955) que verificaram maior produção de escleródios em culturas expostas a luz. A podridão do colo, frequentemente observada em áreas quentes, sub-tropicais e tropicais onde se cultiva o feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.), foi relatada em vários países como Brasil, Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela, Costa Rica, México e EUA (ABAWI; PASTOR-CORRALES, 1990); Austrália, Japão, Ceilão, Cuba, Havaí e Filipinas (WEBER, 1931). A utilização de cultivares resistentes é a melhor opção de controle, principalmente para fungos fitopatogênicos habitantes do solo. No entanto, há culturas que ainda não têm cultivares resistentes a determinados fungos de solo e, mesmo em culturas que têm cultivares resistentes, essas estão sujeitas à quebra de resistência, devido à variabilidade genética destes fitopatógenos (FARIA, 2009). 2.1.5. Controle de pragas e doenças Para o controle das pragas e doenças normalmente são utilizados produtos químicos, sendo necessárias pulverizações preventivas de inseticidas e fungicidas para a diminuição destes problemas fitossanitários. Porém, o uso indiscriminado desses produtos vem causando impactos em inimigos naturais e promovendo resistência dos 19 insetos e dos microrganismos, o que vem aumentando as populações destes indivíduos e diminuindo a eficiência dos produtos utilizados (BASTOS; ALBUQUERQUE, 2004; LIMA; GEREMIAS; PARRA, 2009; ALMEIDA et al., 2008). Além disso, o uso indiscriminado de defensivos agrícolas pode causar sérios riscos à saúde humana e contaminação do meio ambiente. Desta forma, torna-se necessário a busca por métodos alternativos de controle de pragas e doenças que causem menos impacto ao meio ambiente e seja eficiente no manejo fitossanitário (GHINI e KIMATI, 2000). 2.2. Óleos essenciais Os primeiros relatos históricos importantes da utilização de óleos essenciais de plantas provêm do Oriente, especialmente do Egito, onde os óleos essenciais eram usados para embalsamar múmias e para fazer oferendas nas cerimônias religiosas e, muitas vezes, eram colocados em recipientes com detalhes em ouro que seguiam juntos para os túmulos dos grandes faraós. (BIOMIST, 2006). Óleos essenciais são constituídos por uma mistura de compostos naturais, complexos, voláteis, caracterizados por um odor forte, extraídos de plantas através da técnica de arraste a vapor, na grande maioria das vezes, e também pela prensagem do pericarpo de frutos cítricos. São constituídos por compostos originários do metabolismo secundários, geralmente monoterpenos, sesquiterpenos e fenilpropanoides, podem ser encontrados nas flores, folhas, cascas, rizomas e frutos (CRAVEIRO, QUEIROZ 1993; BIZZO, 2009; ABDOLAHI et al., 2010). Os constituintes químicos desses óleos aromáticos variam desde hidrocarbonetos terpênicos, álcoois simples, fenóis, aldeídos, éteres, ácidos orgânicos, ésteres, cetonas, lactonas, cumarinas, até compostos contendo nitrogênio e enxofre. Podem ser utilizados 20 para a síntese de vitaminas, hormônios, antibióticos e anti-sépticos (SIMÕES et al., 2004). A composição do óleo essencial de uma planta é determinada geneticamente, sendo geralmente específica para um determinado órgão e característica para o seu estágio de desenvolvimento, entretanto, fatores ambientais, tais como temperatura, umidade relativa, duração total de exposição ao sol, regimes de ventos, grau de hidratação do terreno e presença de micronutrientes neste terreno, podem influenciar a composição dos óleos essenciais. A investigação da composição química de óleos essenciais foi iniciada no século XIX e levou à descoberta de alguns hidrocarbonetos isoméricos de fórmula C10H16, os quais foram chamados terpenos (MORAIS; BRAZFILHO, 2007). Metabólitos secundários de plantas formam um grupo de diversas moléculas que estão envolvidas na adaptação das mesmas ao ambiente, mas não fazem parte dos caminhos bioquímicos primários do crescimento e da reprodução celular. A maioria dos metabólitos secundários é formada no metabolismo da glicose, em que a glicose é convertida em moléculas de ácido pirúvico, que podem seguir vias diferentes originando diversos compostos (OOTANI, 2010). Os monoterpenos e sesquiterpenos são constituintes dos óleos voláteis, sendo que os primeiros atuam na atração de polinizadores. Os sesquiterpenos, em geral, apresentam funções protetoras contra fungos e bactérias. Os sesquiterpenos são, em geral, menos voláteis que os monoterpenos, mas podem influenciar sensivelmente o odor dos óleos onde ocorrem (CASTRO et al., 2007; OOTANI, 2010). Segundo Simões et al. (2004) os constituintes químicos dos óleos essenciais variam desde hidrocarbonetos terpênicos, alcoóis simples e terpênicos, aldeídos, cetonas, fenóis, ésteres, éteres, óxidos, peróxidos, furanos, ácidos orgânicos, lactonas, cumarinas, até compostos com enxofre. Na mistura, tais compostos apresentam-se em diferentes 21 concentrações, onde um ou mais deles são compostos majoritário, existindo outros em menores concentrações e alguns em baixíssimas quantidades (traços). Os óleos essenciais são compostos destinados, principalmente, à aplicação em produtos de perfumaria, cosmética, alimentos e como coadjuvantes em medicamentos, sendo empregados como aromas, fragrâncias, fixadores de fragrâncias, em composições farmacêuticas e orais. (SILVA SANTOS et al., 2006). O Brasil ocupa lugar de destaque na produção de óleos essenciais e está entre os principais fornecedores de óleos cítricos para a União Eropéia e EUA, encontrando-se entre os grandes exportadores internacionais. Porém, problemas crônicos como falta de manutenção do padrão de qualidade, baixa representatividade nacional e baixos investimentos governamentais no setor, levam a produção a um quadro estacionário (BIZZO, 2009). O desempenho do comércio exterior brasileiro de exportação de óleos essenciais decresceu tanto em relação ao volume quanto à receita, no período de 2003 a 2005, passando de 69.521 t para 59.745 t e de US$ 1.649.640,00 para US$ 1.275.720,00 (FERNANDES, 2005). Dentre os principais óleos exportados pelo Brasil, em 2007, destacam-se os óleos cítricos, pau-rosa, eucalipto e candeia sendo o principal produtor do óleo essencial de eucalipto o Estado do Sergipe e do pau rosa o Estado do Amazonas. As importações brasileiras de óleos essenciais mostraram uma tendência de crescimento nesses últimos anos. O ano de 2007 fechou com aproximadamente US$ 51 milhões, sendo os principais óleos importados pelo Brasil o de limão siciliano e de menta (MATTOSO, 2007). 2.2.1. Atividades biológicas dos óleos essenciais São conhecidos cerca de 3.000 óleos essenciais, dos quais 300 são comercialmente importantes (BAKKALI et al., 2008). Devido à diversidade de 22 substâncias ativas em plantas medicinais, vários estudos vêm sendo desenvolvidos para avaliar a ação antimicrobiana de extratos e de óleos essenciais, e os resultados alcançados nessa linha de pesquisa têm-se mostrado promissores para uma utilização prática no controle de fitopatógenos em diversas culturas, porém a atividade dos óleos depende do tipo de microrganismo, do tipo do óleo e de sua concentração. Existem relatos da atividade direta de extratos e óleos essenciais de plantas sobre insetos, fungos, bactérias, e efeito alelopáticos, ou indireta, ativando mecanismos de defesa das plantas aos patógenos (ABDOLAHI et al., 2010; BASTOS;ALBUQUERQUE, 2004; CARNELOSSI et al., 2009, OOTANI, 2010). Embora sua maior utilização ocorra nas áreas de alimentos (condimentos e aromatizantes de alimentos e bebidas), cosméticos (perfumes e produtos de higiene) e também na indústria farmacêutica, muitas drogas vegetais ricas em óleos essenciais são empregadas in natura para a preparação de infusões e/ou sob a forma de outras preparações simples (DEBA et al., 2008; DIKBAS et al., 2008). A ação de compostos de plantas no controle de fitopatógenos pode ser tanto por sua ação direta, inibindo o crescimento do microrganismo e a germinação de esporos, quanto pela capacidade de induzir o acúmulo de fitoalexinas, indicando a presença de moléculas com característica elicitora (moléculas de origem biótica ou abiótica capazes de estimular qualquer resposta de defesa da planta) (BONALDO, 2004; CARLOS et al., 2010). Muitas investigações são feitas para confirmar a atividade antimicrobiana de óleos essenciais através de métodos que produzam resultados confiáveis, podendo ser reproduzidos e validados. Porém, várias são as dificuldades encontradas pelas características peculiares que os óleos apresentam como volatilidade, insolubilidade em água e complexidade, que interferem significativamente nos resultados. Assim, ao fazer 23 os testes devem ser levados em consideração a técnica usada, o meio de cultura, o(s) microrganismo(s) e o óleo testado (NASCIMENTO; SIDRIM; ROCHA, 2007). Trabalhos desenvolvidos com óleos essenciais, obtidos a partir de plantas medicinais têm indicado o potencial das mesmas no controle de vários fitopatógenos como Alternaria solani, Colletotrichum gloeosporioides, Penicilium digitatum, Colletotricum musae, Corynespora cassiicola, dentre outros (BAUTISTA-BAÑOS et al., 2003; BALBI-PEÑA et al., 2006; ALMEIDA et al., 2008, ABDOLAHI et al., 2010; CARLOS et al., 2010). Estudando a ação antimicrobiana da planta medicinal Achillea millefolium no desenvolvimento in vitro de Corynespora cassicola, Carlos et al. (2010) obtiveram inibição de até 63% no crescimento micelial, 100% na esporulação e 98% na germinação do fungo, utilizando uma alíquota de 200 µL de óleo essencial. Algumas plantas, por apresentarem uma diversidade de substâncias em sua composição devem ser estudadas para serem utilizadas diretamente pelo produtor, bem como servir de matéria-prima para síntese de novos produtos (CELOTO et al., 2008), ou ainda serem utilizadas na indução de resistência às plantas (STANGARLIN, 2007). Alguns autores relatam essas atividades dos óleos essências de plantas e seus constituintes majoritários. Guimarães et al. (2011) verificaram que o óleo essencial de capim-limão e o citral (constituinte majoritário deste óleo essencial) tiveram efeito inibidor em Fusarium oxysporum cubense, Colletotrichum gloeosporioides, Bipolaris sp. e Alternaria alternata. 2.2.2. Alecrim pimenta (Lippia sidoides Cham.) O gênero Lippia está presente nas regiões tropicais subtropicais de todo o mundo (FONTENELLE, 2008), pertence à família botânica Verbenaceae, a qual existe 24 aproximadamente 120 espécies de ocorrência no Brasil (MENDONÇA, 1997), e tem como característica serem ervas eretas, procumbentes ou receptantes, subarbustos ou mesmos arbustos. As espécies desse gênero são em sua maioria aromática e ornamentais (FONTENELLE, 2008). A espécie Lippia sidoides Cham. é popularmente conhecida como alecrimpimenta, sendo uma planta bastante aromática (FONTENELLE, 2008) que ocorre principalmente na vegetação nordestina. É um arbusto caducifólio, ereto, muito ramificado e quebradiço, que mede 2-3 m de altura. Suas folhas apresentam forte cheiro picante e as flores são pequenas, esbranquiçadas, reunidas em espigas de eixo curto nas axilas das folhas. É propagada por estaquia utilizando, de preferência, os ramos mais finos (MATOS, 2000; MATOS, 2002; LORENZI; MATOS, 2002). As folhas e flores constituem a parte medicinal desta planta. Seu óleo essencial possui elevado valor comercial, pois contém timol ou uma mistura de timol e carvacrol, dois fenilpropanoides com fortíssimas propriedades antimicrobianas e antisséptica (MATOS, 2000). Esta espécie apresenta altos rendimentos de óleo essencial, tendo relato de até 6% e como constituinte principal o timol (MENDONÇA, 1997; FONTENELLE et al., 2007), que é o principal responsável pelo poder antisséptico de suas folhas (FONTENELLE, 2008), tendo outros constituintes importantes como o E-cariofileno, ρcimeno , ρ-felandreno, mirceno e carvacrol (FONTENELLE et al., 2007; SOUSA et al., 2004). A utilização de seu óleo essencial se dá em diversas atividades, como agricultura, veterinária, indústria de alimentos, farmacêutica, cosmética e perfumes. Uma vez que o mesmo apresenta efeito bactericida (BOTELHO et al., 2007), fungicida (FONTENELLE et al., 2007; SILVA et al., 2011), larvicida (CARVALHO et al., 2003; 25 SOUZA et al., 2011; FURTADO et al., 2005), antimicrobiana (SILVA et al., 2008) e também na composição de fitodefensivos agrícolas (NAGAO et al., 2002). 2.2.3. Capim-limão (Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf. O Capim-limão (Cymbopogon citratus) é pertencente à família botânica Poaceae, que engloba cerca de 500 gêneros e 8.000 espécies, denominadas genericamente de gramíneas. O gênero Cymbopogon inclui cerca de 30 espécies de gramíneas perenes aromáticas, sendo, em sua maioria, nativas da região tropical do Velho Mundo (VIEIRA, 2006). Geralmente apresenta como constituintes majoritários o citral (mistura isomérica de neral e geranial) e o mirceno, sendo ambos monoterpenos (GUIMARÃES et al., 2011). É conhecido popularmente como capim-limão, capim-santo, capim-cidreira, capim-cheiroso e capim-de-cheiro (BLANK et al., 2007). Seu óleo essencial possui forte odor de limão e é largamente empregado como aromatizante em perfumaria e cosmética, na preparação de colônias, sabonetes e desodorantes, porém, seu maior emprego tem sido na indústria farmacêutica, servindo de material de partida para síntese de importantes compostos, como iononas, metiliononas e vitamina A (CARVALHO et al., 2005). Vários estudos têm atribuído diversas atividades biológicas para o óleo essencial de capim-limão. Tais como inseticida (LIMA et al., 2008), antimicrobiana (SANTOS et al., 2009), antibacteriana (PEREIRA et al., 2004), antifúngica (LIMA; FARIAS, 1999), entre outras. O citral, constituinte majoritário do óleo de C. citratus, é citado como sendo o responsável pelas atividades atribuídas ao seu óleo essencial, tais como germicidas, repelentes de insetos, aplicações na indústria farmacêutica, entre outras. Dessa maneira, há uma grande importância em 26 avaliar o seu teor no óleo essencial, que nas plantações brasileiras está em torno de 75 a 86%, valor bastante satisfatório para o mercado internacional (MARTINS et al., 2002). 3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABAWI, G. S.; PASTOR-CORRALES, M. A. Root rots of beans in Latin America and Africa: diagnoses, research methodologies and management strategies. Colômbia: CIAT, 1990. ABDOLAHI, A.; HASSANI, A.; GHOSTA, Y.; JAVADI, T.; MESHKATALSADAT, M. H. Essential oils as control agents of postaharvest Alternaria and Penicillium rots on tomato fruits. Journal of Food Safety, v. 30, p. 341-352, 2010. ADAMS, G. C. Thanatephorus cucumeris (Rhizoctonia solani), a species complex of wide host range. Advances in Plant Pathology, v.6, p.535-552, 1988. ALMEIDA, G. D.; PRATISSOLI, D.; HOLTZ, A. M.; VICENTINI, V. B. Fertilizante organomineral como indutor de resistência contra a colonização da mosca branca no feijoeiro. IDESIA, v. 26, n. 1, jan-abr, 2008. ANDERSON, N. A. The genetics and pathology of Rhizoctonia solani. Phytopathology, v.20, p. 329-344, 1982. AYCOCK, R. Stem rot and other diseases caused by Sclerotium rolfsii. North Caroline: Agric. Exp. Stn. Tech. Bull, 174 p, 1966. 27 BAKKALI, F.; AVERBECK, S.; AVERBECK, D.; IDAOMAR, M. Biological effects of essential oils: a review. Food and Chemical Toxicology, v. 46, n. 2, p. 446-475, 2008. BALBI-PEÑA, M. I.; BECKER, A.; STANGARLIN, J. R.; FRANZENER, G.; LOPES, M. C.; SCHWAN-ESTRADA, K. R. F. Controle de Alternaria solani em tomateiro por extratos de Cúrcuma longa e Curcumina – II. Avaliação in vivo. Fitopatologia Brasileira, v. 31, p. 401-404, 2006. BASTOS, C. N.; ALBUQUERQUE, S. B. Efeito do óleo de Piper aduncum no controle em pós-colheita de Colletotricum musae em banana. Fitopatologia Brasileira, v. 29, n. 5, p. 555-557, 2004. BAUTISTA-BAÑOS, S.; HERMANDEZ L.,M.; BOSQUEZ-MOLINA, E.; WILSON, C.L. Effects of chitosan and plant extracts on growth of Colletotrichum gloeosporioides, anthracnose levels and quality of papaya fruit. Crop Protection. v. 22, p. 1087-1092, nov, 2003. BEDENDO, I. Podridões de raiz e colo. In: BERGAMIN FILHO, A.; KIMATI, H.; AMORIM, L. Manual de fitopatologia. São Paulo: Agronômica Ceres, 3 ed., p. 829837, 1995. BIANCHINI, A.; MARINGONI, A. C.; CARNEIRO, S. M. T. P. G. Doenças do feijoeiro. In: KIMATI, H.; AMORIM, L.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L. E. 28 A.; REZENDE, J. A. M. Manual de fitopatologia. São Paulo: Agronômica Ceres, 3 ed., p. 376-379, 1997. BIOMIST. Breve história das fragrâncias. Disponível em: http://www.biomist.com.br. Acesso em 10 de março de 2012. BIZZO, H. R. Óleos essenciais no Brasil: aspectos gerais, desenvolvimento e perspectivas. Química Nova, v. 32, n. 3, p. 588-594, 2009. BLANK, A. F.; ARRIGONI-BLANK, M. F.; AMANCIO, V. F.; MENDONÇA, M. C.; SANTANA FILHO, L. G. M. Densidades de plantio e doses de biofertilizante na produção de capim-limão. Horticultura Brasileira, v. 25, p. 343-349, 2007. BONALDO, S. M.; SCHWAN-ESTRADA, K. R. F.; STANGARLIN, J. R. TESSMAN, D. J.; SCAPIM, C. A. Fungitoxicidade, atividade elicitora de fitoalexinas e proteção de pepino contra Colletotrichum lagenarium, pelo extrato aquoso de Eucalyptus citriodora. Fitopatologia Brasileira, v. 29, n. 2, p.128-134, 2004. BORÉM, A; CARNEIRO, J. E. S. A cultura. In: VIEIRA, C; PAULA JUNIOR, T. J; BORÉM, A. Feijão: Aspectos Gerais e Cultura no Estado de Minas. Viçosa: UFV, 1998. p. 13-17. BOTELHO, M. A.; BASTOS, G. M.; FONSECA, S. G. C.; MATOS, F. J. A.; MONTENEGRO, D.; RAO, V. S. and BRITO, G. A. C. Antimicrobial activity of the 29 essential oil from Lippia sidoides, carvacrol and thymol against oral pathogens. Brazilian Journal of Medical and Biological Research, v. 40, P. 349-356, 2007. CARDOSO, J. E. Doenças do feijoeiro causadas por patógenos de solo. Goiânia, EMBRAPA/CNPAF, 1990. 30 p. CARLOS, M. M.; SCHWAN-ESTRADA, K. R. F.; ITAKO, A. T.; BONALDO, S. M.; MESQUINI, R. M.; CARVALHO, J. B.; STANGARLIN, J. R. Efeito de extrato bruto e óleo essencial de Achillea millefolium em desenvolvimento in vitro de Corynespora cassiicola e proteção de pepino à mancha de corinespora. Arquivos do Instituto Biológico, v.77, n.2, p.309-316, abr-jun, 2010. CARNELOSSI, P. R., SCHWAN-ESTRADA, K. R. F., CRUZ, M. E. S., ITAKO, A. T.; MESQUINI, R. M.. Óleos essenciais no controle pós-colheita de Colletotrichum gloeosporioides em mamão. Revista Brasileira Plantas Medicinais, v. 11, n. 4, p. 399406, 2009. CARVALHO, A. F. U.; MELO, V. M. M.; CRAVEIRO, A. A.; MACHADO, M. I. L.; BANTIM, M. B.; RABELO, E. F. Larvicidal activity of the essential oil from Lippia sidoides Cham. against Aedes aegypti Linn. Mem. Inst. Oswaldo Cruz, v. 98, n.4, p. 569-571, 2003. CARVALHO, C. M.; COSTA, C. P. M.; SOUSA, J. S.; SILVA, R. H. D.; OLIVEIRA, C. L.; PAIXÃO, F. J. R. Rendimento da produção de óleo essencial de capim-santo 30 submetido a diferentes tipos de adubação. Revista de Biologia e Ciências da Terra, v.5, n.2, 2005. CASTRO, H.G.; BARBOSA, L.C.A.; LEAL, T.C.A.B.; SOUZA, C.M.; NAZARENO, A.C. Crescimento, teor e composição do óleo essencial de Cymbopogon nardus (L.). Revista Brasileira Plantas Medicinais, Botucatu, v. 9, n. 4, p. 55-61, 2007. CELOTO, M. I. B.; PAPA M. F. S.; SACRAMENTO, L. V. S.; CELOTO, F. J. Atividade antifúngica de extratos de plantas a Colletotrichum gloeosporioides. Acta Scientiarum Agronomy, Maringá, v. 30, n. 1, p. 1-5, 2008. COSTA, J.C.G.; ZIMMERMANN, M.J.O. Melhoramento genético. In: ZIMMERMANN, M.J.O.; ROCHA, M.; YAMADA, T. A cultura do feijoeiro: fatores que afetam a produtividade. Piracicaba: POTAFOS, p. 229-245, 1988. CRAVEIRO, A. A.; QUEIROZ, D. C. Óleos essências e química fina. Química Nova, v. 16, n. 3, 1993. CUBETA, M. A. Molecular systematics and population biology of Rhizoctonia. Annual Review of Phytopathology, v. 32, p. 135-155, 1994. CUBETA, M. A.; VILGALYS, R. Population biology of the Rhizoctonia solani complex. Phytopathology, v. 87, p. 480-484, 1997. 31 CUNHA , J. P. A. R.; TEIXEIRA, M. M.; VIEIRA R. F.; Avaliação de pontas de pulverização hidráulicas na aplicação de fungicida em feijoeiro. Ciência Rural, v. 35, n. 5, p. 1069-1074, set-out, 2005. DEBA, F.; XUAN, T. D.; YASUDA, M.; TAWATA, S. Chemical composition and antioxidant, antibacterial and antifungal actvities of the essential oils from Bidens pilosa Linn. Var. Radiata. Food Control, v. 19, p. 346-352, 2008. DEBOUCK, D.G. Primary diversification of Phaseolus in the Americas: three centers? Plant Genetic Resources Newsletter, v.67, p.2-8, 1986. DEBOUCK, D.G. Systematics and morphology. In: SCHOONHOVEN, A. van; VOYSEST, O. Common beans: research for crop improvement. Cali: CIAT, p.55118, 1991. DIKBAS, N.; KOTAN, R.; DADASOGLU, F.; SAHIN, F. Control of Aspergillus flavus with essential oil and methanol extract of Satureja hortensis. International Journal of Food Microbiology, v. 124, p. 179-182, 2008. EMBRAPA ARROZ E FEIJÃO (Santo Antônio de Goiás). Origem e História do Feijão. 2007. Disponível em: <http://www.cnpaf.embrapa.br/feijao/historia.htm>. Acesso em: 06 de novembro de 2011. 32 FARIA, F. A.; BUENO, C. J.; PAPA, M. F. S. Atividade fungitóxica de Momordica charantia L. no controle de Sclerotium rolfsii Sacc. Acta Scientiarum Agronomy, v. 31, n. 3, p. 383-389, 2009. FARR, D. F.; BILLS, G. F.; CHAMURIS, G. P.; ROSSMAN, A. Y. Fungi on plants and plant products in the United States. Saint Paul-Minnesota: American Phytopathological Society, 1252 p, 1989. FERNANDES, I. F. O desempenho do Comércio Exterior Brasileiro de óleos Essenciais. In: SIMPOSIO BRASILEIRO DE ÓLEOS ESSENCIAIS, 3, 2005, Campinas. Campinas: IAC, 2005. FERREIRA, M. F.; SANTOS, M. L.; BRAGA, M. J.; PELOSO, M. J. D. Aspectos econômicos. In: VIEIRA, C.; PAULA JÚNIOR, T. J.; BORÉM, A. Feijão. Viçosa: UFV, 2 ed, p.415-436, 2006. FONTENELLE, R. O. S.; MORAIS, S. M.; BRITO, E. H. S.; KERNTOPF, M. R.; BRILHANTE, R. S. N.; CORDEIRO, R. A.; TOME, A. R.; QUEIROZ, M. G. R.; NASCIMENTO, N. R. F.; SIDRIM, J. J. C.; ROCHA, M. F. G. Chemical composition, toxicological aspects and antifungal activity of essential oil from Lippia sidoides Cham. Journal of Antimicrobial Chemotherapy, v.59, p. 934-940, 2007. FONTENELLE, R. O. S. Efeito antifúngico de óleos essenciais de Lippia sidoides Cham., Croton argyrophylloides Muell., Croton zenhtneri Pax et Hoffm., Croton nepetaefolius Baill. e de seus principais constituintes contra dermatófitos e Candida 33 spp. isolados de cães. Tese (Doutorado em Ciências Veterinárias) – Faculdade de Veterinária da Universidade Estadual do Ceará, 2008. FURTADO, R. F.; LIMA, M. G. A.; NETO, M. A.; BEZERRA, J. N. S.; SILVA, M. G. V. Atividade larvicida de óleos essenciais contra Aedes aegypti L. (Diptera: Culicidae). Neotropical Entomology, v. 34, n. 5, p. 843-847, 2005. GARCIA, L. C.; JUSTINO, A.; RAMOS, H. H. Análise da pulverização de um fungicida na cultura do feijão, em função do tipo de ponta e do volume aplicado. Bragantia, v. 61, n. 3, p. 291-295, 2002. GEPTS, P.; DEBOUCK, D. G. Origin, domestication, and evolution of the common bean (Phaseolus vulgaris). In: SCHOONHOVEN, A. van; VOYSEST, O. Common beans: research for crop improvement. Cali: CIAT, p.7-53, 1991. GHINI, R.; KIMATI, H. Resistência de fungos a fungicidas. Jaguariúna: Embrapa Meio Ambiente, 2000. GONÇALVES-VIDIGAL, M. C.; BONETT, L. P., FILHO, P. S. V.; GONELA, A.; RIBEIRO, A. S. Genetic control on the performance of common bean differential cultivars to Colletotrichum lindemuthianum races. Brazilian Archives of Biology and Technology, v. 50, n. 4, p. 579-586, jul, 2007. GOULART, A. C. P. Doenças do feijoeiro na Região Norte de Minas Gerais. Fitopatologia Brasileira, v.13, p.230-232, 1988. 34 GOULART, A. C. P. Efeito do tratamento de sementes de algodão com fungicidas no controle do tombamento de plântulas causado por Rhizoctonia solani. Fitopatologia Brasileira, v. 27, p. 399-402, 2002. GUIMARÃES, L. G. L.; CARDOSO, M. G.; SOUSA, P. E.; ANDRADE, J.; VIEIRA, S. S. Atividades antioxidante e fungitóxica do óleo essencial de capim-limão e do citral. Revista Ciência Agronômica, v. 42, n. 2, 464-472, 2011. INSTITUTO Levantamento BRASILEIRO DE sistemático da GEOGRAFIA E produção ESTATÍSTICA (SIDRA). – Disponível IBGE. em: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/prevsaf/default.asp Acesso em: 11 de maio de 2012. JUNIOR, E. U. R.; LEMOS, L. B.; SILVA, T. R. B. Componentes da produção, produtividade de grãos e características tecnológicas de cultivares de feijão. Bragantia, v.64, n.1, p.75-82, 2005. LIMA, E. O.; FARIAS N. M. P. Atividade antifúngica de óleos essenciais, obtidos de plantas medicinais, contra leveduras do gênero Candida. Revista Brasileira Ciência e Saúde, v. 3, p. 51-64, 1999. LIMA, R. K.; CARDOSO, M. G.; MORAES, J. C.; VIEIRA, S. S.; MELO, B. A.; FILGUEIRAS, C. C. Composição dos óleos essenciais de Anis-estrelado Illicium verum L. e do Capim-limão Cymbopogon citratus (DC.) Stapf: Avaliação do efeito repelente 35 sobre Brevicorryne brassicae (L.) (Hemiptera: Aphididae). Bio Assay, v.3, n.8, p. 1-6, 2008. LIMA, T. C. C.; GEREMIAS, L. D.; PARRA, J. R. P. Efeito da temperatura e umidade relativa do ar no desenvolvimento de Liriomyza sativae Blanchard (Diptera: Agromyzidae) em Vigna unguiculata. Neotropical Entomology, v. 38, n. 6, nov-dez, 2009. LORENZI, H.; MATOS F. J. A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 512 p, 2002. LUCON, C. M. M.; KOIKE, C. M.; ISHIKAWA, A. I.; PATRÍCIO, F. R. A.; HARAKAVA, R. Bioprospecção de isolados de Trichoderma spp. para o controle de Rhizoctonia solani na produção de mudas de pepino. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.44, n.3, p. 225-232, mar, 2009. MARTINS, P. M.; MELO, E. C.; BARBOSA, L. C. A. B.; SANTOS, R.H.S.; MACHADO, M.C. Influência da temperatura e velocidade do ar de secagem no teor e composição química do óleo essencial de capim-limão. Acta Horticulture, v. 569, p. 155-160, 2002. MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais – Guia de seleção e emprego de plantas usadas em fitoterapia no Nordeste do Brasil. Fortaleza: UFC, 2 ed., 346 p, 2000. 36 MATOS, F. J. A. Farmácias vivas: sistema de utilização de plantas medicinais projetado para pequenas comunidades. Fortaleza: UFC, 4 ed., 267 p, 2002. MATTOSO, E. O Mercado Interno de óleos Essenciais: Desafios e Oportunidades. In: SIMPOSIO BRASILEIRO DE ÓLEOS ESSENCIAIS, IV, 2007, Fortaleza- CE. McCLELLAN, W. D., BORTHWICK, H. A., BJORNSSON, I.; MARSHALL, B. H. Some responses of fungi to light. Phytopathology, v. 45, p. 465, 1955. (Abstract) MENDONÇA, M. C. S. Efeito do ácido indolbuttírico no enraizamento de estacas de alecrim-pimenta (Lippia sidoides Cham.). Dissertação (Mestrado em Agronomia), Universidade Federal do Ceará, 1997. MORAIS, S. M.; BRAZ-FILHO. Produtos Naturais estudos químicos e biológicos. Fortaleza: EdUECE, 2007. NAGAO, E. O.; INECCO, R.; MEDEIROS FILHO, S.; MATTOS, S. H. Efeito do óleo essencial de alecrim pimenta (Lippia sidoides Cham) na germinação de alface. Horticultura Brasileira, v. 20, n. 2, 2002. NASCIMENTO, N. R. F.; SIDRIM, J. J. C.; ROCHA, M. F. G. Chemical composition, toxicological aspects and antifungal activity of essential oil from Lippia sidoides Cham. Journal of Antimicrobial Chemotherapy, v. 59, p. 934-940, 2007. 37 NECHET, K. L.; HALFELD-VIEIRA, B. A. Caracterização de isolados de Rhizoctonia spp., associados à mela do feijão-caupi (Vigna unguiculata), coletados em Roraima. Fitopatologia Brasileira, v. 31, p. 505-508, 2006. OOTANI, M. A. Atividade inseticida, antifúngica e herbitóxica dos óleos essenciais de Eucalyiptus citriodora e Cymbopogon nardus. Dissertação (Mestrado em Produção Vegetal) – Universidade Federal do Tocantins, 2010. ORGANIZAÇÃO DAS AGRICULTURA (FAO). NAÇÕES Produção UNIDAS mundial PARA de ALIMENTAÇÃO feijão. Disponível E em: http://faostat.fao.org/site/339/default.aspx. Acesso em : 06 de maio de 2012. PAPAVIZAS, G. C.; DAVEY, C. B. Saprophytic behavior of Rhizoctonia in soil. Phytopathology, v. 51, p. 693-699, 1961. PASTOR-CORRALES, M. A.; ABAWI, G. S. Reactions of selected bean germplasms to infection by Fusarium oxysporum f.sp. phaseoli. Plant Disease, v. 71, n. 11, p. 990993, nov, 1987. PEIXOTO, M. L.; MORAES, J. C.; SILVA, A. A.; ASSIS, F. A. Efeito do silício na preferência para oviposição de Bemisia tabaci biótipo B (genn.) (Hemiptera: Aleyrodidae) em plantas de feijão (Phaseolus vulgaris L.). Ciência e Agrotecnologia, v. 35, n. 3, p. 478-481, mai-jun, 2011. 38 PEREIRA, R. S.; SUMITA, T. C.; FURLAN, M. R.; JORGE, A. O. C.; UENO, M. Atividade antibacteriana de óleos essenciais em cepas isoladas de infecção urinária. Revista Saúde Pública, v.38, n.2, 2004. PUNJA, Z.K. The biology, ecology and control of Sclerotium rolfsii. Annual Review of Phytopathology, v. 23, p. 97-127, 1985. PUNJA, Z. K.; JENKINS, S. F. Influence of temperature, moisture, modified gaseous atmosphere, and depth in soil on Sclerotium rolfsii. Phytopathology, v. 74, p. 749-754, 1984. PUNJA, Z. K.; RAHE, J. E. Sclerotium. In: SINGLETON, L. L., MIHAIL, J. D.; RUSH, C. M. Methods for Research on Soilborne Phytopathogenic Fungi. St, Paul: APS Press, p. 166-170, 1992. RESENDE, M. L. V.; ZAMBOLIM, L. Flutuação populacional de escleródios de Sclerotium cepivorum no solo, em função do tratamento com diferentes fungicidas no plantio do alho. Fitopatologia Brasileira, v. 12, p. 65-70, 1987. SALA, G. M.; ITO, M. F.; CARBONELL, S. A. M. Reação de genótipos de feijoeiro comum a quatro raças de Fusarium oxysporum f. sp. phaseoli. Summa Phytopathologica, v. 32, p.286-287, 2006. SANTOS, A.; PADUAN, R. H.; GAZIN, Z. C.; JACOMAZZI, E.; D’OLIVEIRA, P. S.; CORTEZ, D. A. G.; CORTEZ, L. E. R. Determinação do rendimento e atividade 39 antimicrobiana do óleo essencial de Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf em função de sazonalidade e consorciamento. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 19 n. 2A, 2009. SECRETARIA DE AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO DO TOCANTINS - SEAGRO. Produção de feijão em Várzeas Tropicais. Disponível em: < http://www.portalct.com.br/n/0a69392b39d804ac26a912369ac4e3ad/producao-defeijao-em-varzeas-tropicais-do-tocanti/>. Acesso em: 11 de maio de 2012. SEFFRIN, R. C. A. S.; COSTA, E. C.; DOMINGUES, L. S.; DEQUECH, S. T. B.; SAUSEN, C. D. Atividade inseticida de meliáceas sobre Diabrotica speciosa (Col., Chrysomelidae). Ciência Rural, v.38, n.7, out, 2008. SILVA SANTOS, A.; BIZZO, H. R.; ANTUNES, A. M. S.; D’AVILA, I. A. A participação da indústria óleo-citrícola na balança comercial brasileira. Revista Brasileira Plantas Medicinais, Botucatu, v. 8, n. 4, p. 8-13, 2006. SILVA, V. A.; FREITAS, A. F. R.; SIQUEIRA JÚNIOR, J. P.; PEREIRA, M. S. V. Determinação da atividade antimicrobiana in vitro da Lippia sidoides Cham sobre Staphylococcus aureus de origem bovina. Agropecuária Científica no Semi-Árido, v.4, p. 7-11, 2008. SILVA, V. A.; FREITAS, A. F. R.; PEREIRA, M. S. V.; OLIVEIRA, C. R. M.; DINIZ, M. F. F. M.; PESSÔA, H. L. F. Eficácia antifúngica dos extratos da Lippia sidoides 40 Cham. e Matricaria recutita Linn. sobre leveduras do gênero Candida. Revista de Biologia e Farmácia, v. 5, n. 1, 2011. SILVEIRA, L. S. M.; Adubação foliar com manganês na cultura do feijoeiro. CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISA DE FEIJÃO, 18-20 out., 2005, GoiâniaGO. Anais... v. 1, Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, Disponível em: http://www.cnpaf.embrapa.br/conafe/indices/areas.htm. Acesso em: 01 dez. 2011. SIMÕES, C. M. O.; SCHENKEL, E. P.; GOSMANN, G.; MELLO, J. C. P.; MENTZ, L. A.; PETROVICK, P. R. Farmacognosia: de planta ao medicamento. 5 ed. Porto Alegre/Florianópolis: Editora da Universidade UFRGS/Editora da UFSC, 2004. SOUSA, M. P.; MATOS, F. J. A.; MATOS, M. E. O.; MACHADO, M. I. L.; CRAVEIRO, A. A. Constituintes químicos ativos e propriedades biológicas de plantas medicinais brasileiras. Fortaleza: UFC, 2 ed., 448 p, 2004. SOUZA, W. M. A.; RAMOS, R. A.; SILVA, I. C. B.; ALVES, L. C.; COELHO, M. C. O.C. C.; MAIA, M. B. S. Atividade in vitro do extrato hidroalcóolico de Lippia sidoides Cham sobre larvas de terceiro estádio de nematódeos gastrintestinais (família Trichostrongylidae) de caprinos. Arqivos do Instituto Biológico, v.78, n.1, 119-122, 2011. STANGARLIN, J. R. Uso de extratos vegetais e óleos essenciais no controle de doenças de plantas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FITOPATOLOGIA, 40., 41 2007, Maringá. Palestras... Maringá: Sociedade Brasileira de Fitopatologia, 2007. p. 94-95. VIEIRA, A. V. Influência do espaçamento, altura de corte e idade de primeiro corte na produtividade de capim santo. Dissertação (Mestrado em Agronomia/Fitotecnia) – Universidade Federal do Ceará, 2006. VILGALYS, R. Genetic relatedness among anastomosis groups in Rhizoctonia as measured by DNA/DNA hybridization. Phytopathology, v.78, p. 698-702, 1988. VILHORDO, B.W.; MIKUSINSKI, F. Morfologia In: ARAÚJO, R. S.; RAVA, S. A.; LUIZ, F. S. Cultura do Feijoeiro comum no Brasil. Piracicaba: POTAFOS, 786 p., 1996. WEBER, G. F. Blight of carrots caused by Sclerotium rolfsii, with geographic distribution and host range of the fungus. Phytopathology, v. 21, p. 1129-1140, 1931. 42 CAPITULO II Extração e caracterização química dos óleos essenciais de Lippia sidoides Cham. e Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf. 43 1. INTRODUÇÃO Lippia sidoides Cham é uma planta aromática muito utilizada na medicina popular por possuir propriedades antissépticas (LACOSTE et al., 1996; LEMOS et al.,1990; MENDONÇA, 1997). Esta espécie de planta se destaca pelos elevados rendimentos de seu óleo essencial, de até 6%, (MENDONÇA, 1997), sendo este rico em timol (43,5%), que é o responsável pelo alto poder antisséptico de suas folhas. O óleo essencial de Cymbopogon. citratus possui uma grande importância econômica, pois é largamente utilizado na indústria de alimentos, cosmética e química (COSTA et al,2005). Este óleo essencial tem como principal componente o citral (composto pela mistura dos isômeros geranial e neral (65-80%)) (LEAL et al., 2003b), além de limoneno, citronelal, mirceno e geraniol. (GUERRA et al., 2000). O citral é utilizado como matéria prima de importantes compostos químicos denominados iononas, que são utilizadas na perfumaria e na síntese da vitamina A (MARTINS et al., 2004). Sendo assim, o objetivo do presente trabalho foi extrair e caracterizar quimicamente os óleos essenciais de Lippia sidoides Cham. e de Cymbopogon citratus (D.C) Stapf. 2. MATERIAL E MÉTODOS 2.1. Obtenção do material vegetal e extração dos óleos essenciais As folhas de Lippia sidoides Cham. e de Cymbopogon citratus (D.C) Stapf foram coletadas no mês de janeiro 2011, no período da manhã, no município de Itumirim, Minas Gerais/Brasil. O material coletado foi encaminhado para o Laboratório 44 de Química Orgânica do Departamento de Química da Universidade Federal de Lavras (UFLA) – Lavras/MG, para a extração dos óleos essenciais. A extração dos óleos essenciais foi realizada pelo método de hidrodestilação, utilizando-se um aparelho de Clevenger modificado. As folhas frescas de cada espécie vegetal estudada foram picadas e colocadas em um balão de fundo redondo de 4 litros de capacidade, recobertas com água, sendo o processo de extração realizado em um período de 2 horas, mantendo a solução em ebulição (GUIMARÃES et al., 2008). O hidrolato coletado foi centrifugado em centrífuga de cruzeta horizontal a 900 x g por cinco minutos; posteriormente, o óleo essencial foi retirado com o auxílio de uma pipeta de Pasteur e acondicionado em frasco de vidro âmbar em baixa temperatura e ao abrigo da luz. 2.2. Análises cromatográficas dos óleos essenciais As análises qualitativas e quantitativas dos óleos essenciais foram realizadas no Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal do Pará (UFPA) – Belém – PA. As análises qualitativas foram realizadas por cromatografia em fase gasosa acoplada à espectrometria de massa CG-EM. O cromatógrafo utilizado foi o modelo Thermo DSQ II, sendo o equipamento operado nas seguintes condições: coluna capilar de sílica fundida DB-5 ms (30 m x 0,25 mm x 0,25 μm de espessura de filme) (Folsom, CA, USA); com a seguinte programação da temperatura na coluna: 60 – 240 ºC (3 ºC/min); ; temperartura do injetor: 250 ºC; gás carreador hélio, com velocidade linear ajustada de 32 cm/s (medida a 100 ºC); injeção splitless com volume injetado de 2 µL de uma solução 1:1000 em hexano, com uma vazão de split ajustada para resultar em uma taxa de 20:1; fluxo constante de varredura do septo de 10 mL/min. Para o espectrômetro de massas (EM), foram utilizadas as seguintes condições: energia de 45 impacto de 70 eV; temperatura da fonte de íons e da interface: 200 ºC. Foi injetada, nas mesmas condições das amostras, uma série homóloga de n-alcanos (C9H20 ....... C26H54). Os espectros obtidos foram comparados com o banco de dados da biblioteca Wiley 229 e o índice de retenção, calculado para cada constituinte, foi comparado com o tabelado, de acordo com Adams (2007). As análises quantitativas foram realizadas por normalização interna (expressas em porcentagens relativas das áreas dos picos correspondentes a cada constituinte, assumindo o mesmo fator de resposta do detector para todos os constituintes). Essas análises foram realizadas utilizando um cromatógrafo gasoso Focus equipado com um detector de ionização de chamas (DIC), operado em condições similares aquelas do CGEM, exceto o gás de arraste, sendo utilizado o nitrogênio. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os constituintes químicos dos óleos essenciais obtidos das folhas frescas de L. sidoides e de C. citratus, seguidos pelos seus tempos de retenção, índices de retenção calculados e tabelados e os seus teores expressos em porcentagem (calculados por normalização de áreas) encontram-se na Tabela 1. Na analise da composição química do óleo de L. sidoides, observa-se uma predominância de fenilpropanoides (37,93%), acompanhada de monoterpenos oxigenados (30,94%) e hidrocarbonetos monoterpênicos (15,28%). Comparativamente para o óleo de C. citratus revela-se uma proporção elevada de monoterpenos oxigenados (83,58%) e uma taxa menor de hidrocarbonetos monoterpênicos (13,20%). As quantidades de hidrocarbonetos monoterpênicos monstraram-se similares a 15,28% para L. sidoides e 13,20% para C. citratus. No óleo essencial de L. sidoides foram encontrados como constituinte majoritários o 1,8-cineol (24,41%) e o carvacrol 46 (33,27%). Muitas espécies de Lippia contém monoterpenos como constituintes majoritários de seus óleos essenciais. Muitos dos óleos essenciais de espécies pertencentes a este gênero exibem diversas atividades biológicas, sendo o timol, o carvacrol, o citral e o p-cimeno os compostos mais freqüentemente encontrados e responsáveis pelas atividades biológicas observadas (VERAS 2011). Outros constituintes comumente encontrados nos óleos essenciais de espécies pertencentes ao gênero Lippia são: α- felandreno, β-cariofileno, α-cimeno, mirceno e carvacrol (SOUSA et al., 2004). Diversos estudos demonstram as propriedades bactericida, fungicida, moluscicida e larvicida para o timol e o carvacrol (MATOS, 1996; BOTELHO et al., 2007; KORDALI et al., 2008). Tabela 1. Constituintes químicos dos óleos essenciais e os respectivos teores expressos em porcentagem. Compostos α-pineno Sabineno β-pineno Mirceno α-felandreno α-terpineno orto-cimeno 1,8-cineol Z- β-ocimeno γ-terpineno cis-sabineno hidratado Terpinoleno 6,7-epoximirceno trans-sabineno hidratado Linalol Cis-para-met-2-en-1-ol Ipsdienol Citronelal E-isocitral Umbelulona terpinen-4-ol Z-isocitral α-terpineol Trans-carveol Verbenona Cis-carveol Citronelol TRa RICb RITc 5,80 6,88 7,28 7,31 7,93 8,25 8,55 8,81 9,25 9,71 10,18 10,89 10,94 11,33 11,26 12,28 12,98 13,38 13,79 14,14 14,59 14,59 15,21 15,74 15,76 16,17 16,52 935 974 989 992 1006 1018 1026 1033 1045 1058 1070 1090 1091 1102 1100 1124 1141 1151 1161 1169 1180 1180 1194 1207 1207 1217 1220 932 969 974 988 1002 1014 1022 1026 1032 1054 1065 1086 1090 1098 1095 1118 1140 1148 1177 1167 1174 1160 1186 1215 1204 1226 1223 47 Lippia sidoides t t t 0,11 7,70 1,82 24,41 5,28 1,43 0,37 0,92 2,95 0,83 0,22 t Cymbopogon citratus 12,90 0,30 t 1,09 t t 0,91 1,01 t 1,67 t 0,23 0,25 Metil-éter-timol 16,64 1228 1232 3,45 Metil-éter-carvacrol 17,02 1237 1241 t Neral 17,09 1238 1235 31,28 Geraniol 17,52 1248 1249 t Geraniale 18,42 1269 1264 0,18 46,32 Timol 19,24 1288 1289 0,40 2-undecanona 19,27 1291 1293 0,39 Carvacrol 19,72 1299 1298 33,27 timol acetato 21,55 1364 1355 0,22 Carvacrol acetato 22,35 1361 1365 0,59 α-copaeno 22.78 1371 1374 t Geranil acetato 22,97 1376 1379 0,43 β-bourboneno 23,12 1379 1387 t β-elemeno 23.38 1386 1389 0,55 E-cariofileno 24,58 1414 1417 2,73 Trans-α-bergamoteno 25,18 1429 1432 t α-humuleno 26,03 1450 1452 1,89 allo-aromadendrano 26,20 1454 1458 t γ-muuroleno 26.83 1469 1478 t germacreno D 27,06 1475 1484 0,83 Butil hidroxi anisol 27,21 1481 1488 t Epi-cubenol 27,66 1490 1493 0,71 2-tridecanona 27,76 1492 1495 t γ-cadineno 28,35 1507 1513 t Cubebol 28,45 1509 1514 0,61 Hedicariol 29,75 1543 1546 0,25 0,15 Spatulenol 30,79 1569 1577 1,94 Óxido de cariofileno 30,99 1574 1582 0,13 Ledol 31,84 1596 1602 t II epóxido humuleno 32,06 1602 1608 0,91 Cariofila-4(12),8(13)-dien-5-alfa-ol 33,08 1629 1639 1,08 α-cadinol 33,77 1648 1652 0,81 Germacra-4(15),5,10(14)-trien-1-alfa-ol 34,82 1676 1685 0,20 Grupos de compostos Hidrocarbonetos monoterpêncicos 15,28 13,20 Monoterpenos oxigenados 30,94 83,58 Hidrocarbonetos sesquiterpênicos 6,64 Sequiterpenos oxigenados 6,00 0,15 Fenilpropanoides 37.93 96,79 96,93 Total identificado a TR = Tempo de retenção (minutos); bRIC = índice de retenção calculado em relação a n-alcanos de C9C17 em uma coluna DB-5; cRIT = índice de retenção tabelado (Adams 2007); t = trace (<0.10%); Um traço (–) indica não detectado. Leal et al. (2003a) analisando a tintura de L. sidoides produzidas em diferentes estágios de desenvolvimento da planta, relata o timol como constituinte majoritário de seu óleo essencial, uma vez que, os teores deste composto no mesmo variaram de 34,2 a 95,1%. No óleo essencial de L. sidoides foi observado uma porcentagem elevada de 48 fenilpropanoides (37,93%), entretanto, no óleo essencial de C. citratus não foi encontrado a presença de compostos pretencentes à esta classe. Embora os fenilpropanoides não sejam constituintes comuns de óleos essenciais de plantas, os óleos essenciais de certas espécies contêm proporções abundantes ou significativas de tais compostos. Quando ocorrem, sua natureza e suas propriedades alteram significativamente as características sensoriais do óleo (SANGWAN et al., 2001). São exemplos desta classe de compostos: o eugenol, obtido do óleo volátil dos botões florais de Syzygium aromaticum (L.) Merrill & Perry, popularmente conhecido como cravo-daíndia (SRIVASTAVA; SRIVASTAVA; SYAMSUNDAR et al., 2004), o trans-anetol e o estragol, presentes no óleo de Foeniculum vulgare Mill., popularmente conhecido como funcho (POLITEO; JUKI; MILO et al., 2006), o metil-eugenol, presente no óleo de Melaleuca bracteata F. Muell., e a miristicina, presente no óleo dos frutos de Myristica fragrans Houtt. (ADAMS, 2007). Fenilpropanoides são comumente encontrados nos óleos essenciais de espécies pertencentes às famílias Apiaceae, Lamiaceae, Myrtaceae e Rutaceae (BAKKALI et al., 2008). Observa-se no de óleo essencial C. citratus altos teores dos isômeros, geranial (46,32%) e neral (31,28%), sendo a mistura destes dois isômeros denominada de citral. O citral é amplamente encontrado na natureza, e aparece em alta concentração em algumas espécies vegetais, como na Litsea cubeba (70 a 80%), L. citrata (aprox. 90%), na verbena e no óleo de limão, em teores menores (SBQ, 2012). Leal et al., (2003b) analisando o óleo essencial extraído de C. citratus encontrou como constituintes majoritários geranial e neral (65-80%) . Valores semelhantes aos encontrados no óleo essencial de C. citratus foram encontrados por Sacchetti et al. (2005), que relatou a presença de 65 a 86% de citral no óleo essencial desta espécie. Guimarães et al., (2008) 49 também encontrou resultados semelhantes, encontrando como constituintes majoritários neral (31,89%), geranial (37,42%) e mirceno (23,77%). Os constituintes majoritários encontrados no óleo essencial de L. sidoides foram o carvacrol (33,27%) seguido pelo 1,8-cineol (24,41%). Divergindo dos resultados encontrados por Chaves et al. (2008) que relata a presença de timol (76,9%) como constituinte majoritário do óleo essencial de L. sidoides. Os óleos essenciais vegetais são compostos basicamente por: terpenos e fenilpropanóides, os quais apresentam propriedades antifúngicas e microbianas comprovadas (ALMEIDA et al., 2006; ARRUDA et al., 2006; NUNES et al 2006). 4. CONCLUSÃO O óleo essencial de Cymbopogon citratus apresentou como constituintes majoritários o citral (77,60%), constituído pela mistura isomérica de geranial (46,32%) e neral (31,28%). No óleo essencial de Lippia sidoides foram encontrados como constituintes majoritários carvacrol (33,27%) seguido pelo 1,8-cineol (24,41%). 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMS, R. P. Identification of essential oil components by gas chromatography/mass spectrometry. Carol Stream: Allured, 4 ed., 800 p2007. ALMEIDA, J. R. G. S.; SILVA-FILHO, R. N.; NUNES, X. P.; DIAS, C. S.; PEREIRA, F. O.; LIMA, E. O. Antimicrobial activity of the essential oil of Bowdichia virgilioides Kunt. Revista Brasileira Farmacognosia, v. 16 (Supl.), p.638-641, 2006. 50 ARRUDA, T. A.; ANTUNES, R. M. P.; CATÃO, R. M. R.; LIMA, E. O.; SOUSA, D. P.; NUNES, X. P.; PEREIRA, M. S. V.; BARBOSA-FILHO, J. M.; CUNHA, E. V. L. Preliminary study of the antimicrobial activity of Mentha x villosa Hudson essential oil, rotundifolone and its analogues. Revista Brasileira Farmacognosia, v.16, p.307-311, 2006. BAKKALI, F.; AVERBECK, S.; AVERBECK, D.; IDAOMAR, M. Biological effects of essential oils: a review. Food and Chemical Toxicology, v. 46, n. 2, p. 446-475, 2008. BOTELHO, M. A.; BASTOS, G. M.; FONSECA, S. G. C.; MATOS, F. J. A.; MONTENEGRO, D.; RAO, V. S. and BRITO, G. A. C. Antimicrobial activity of the essential oil from Lippia sidoides, carvacrol and thymol against oral pathogens. Brazilian Journal of Medical and Biological Research, v. 40, P. 349-356, 2007. CHAVES, F; C; M; MATTANA, R; DE S; GONÇALVES, M; DOS A; MATOS, F; J; DE A; FREIRE, A; M; R; BIZZO H; R; ANGELO, P;C; DA S; MING, L; C; BOTELHO, J; B; L; R. Teor de óleo essencial e seus constituintes em alecrim pimenta (lippia sidoides) de três regiões geográficas distintas. Revista Horticultura Brasileira., v. 26, n. 2 (Suplemento - CD Rom), jul-ago. 2008 COSTA, L. C. B; CORRÊA, R. M.; CARDOSO, J. C. W.; PINTO, J. E. B.; BERTOLUCCI, S. V.; PEDRO, H.; FERRI, P. H. Secagem e fragmentação da matéria 51 seca no rendimento e composição do óleo essencial de capim-limão. Revista Horticultura Brasileira, v. 23, p. 956-959, 2005. GUERRA, M. J. M.; BADELL, J. B.; ALBAJES, A. R. R.; PÉREZ, H. B.; VALENCIA, R. M.; AZCUY, A. L. Evaluación toxicológica aguda de los extractos fluidos al 30 y 80% de Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf (Caña Santa). Revista Cubana Plantas Medicinales, v. 5, p. 97-101, 2000. GUIMARÃES, L. G. L.; CARDOSO, M. G.; ZACARONI, L. M.; LIMA, R. K; PIMENTEL, A, F; MORAIS, R. A. Influência da luz e da temperatura sobre a oxidação do óleo essencial de capim-limão (Cymbopogon citratus (D.C.) STAPF). Química Nova, v. 31, n. 6, p. 1476-1480, 2008. KORDALI, S.; CAKIR, A.; OZER, H.; CAKMAKCI, R.; KESDEK, M.; METE, E. Antifungal, phytotoxic and insecticidal properties of essential oil isolated from Turkish Origanum acutidens and its three components, carvacrol, thymol and p-cymene. Bioresource Technology, v. 99, n. 18, p. 8788-8795, dez, 2008. LACOSTE, E.; CHAUMONT, J. P.; MANDIN, D.; PLUMEL, M. M.; MATOS, F. J. A. Lês Propriétés Antiseptiques de I'huile essentielle de Lippia sidoides Cham. Application à la microflore cutanée. Annais Pharmaceutics Françaises, v. 54, p. 228230, 1996. LEAL, L. K. A. M.; OLIVEIRA, V. M. A.; ARARUNA, S. M.; MIRANDA, M. C. C.; OLIVEIRA, F. M. A. Análise de timol por CLAE na tintura de Lippia sidoides Cham. 52 (alecrim pimenta) produzida em diferentes estágios de desenvolvimento da planta. Revista Brasileira Farmacognosia, v. 13 (Supl 1), p. 9-10, 2003a. LEAL, T. C. A. B.; FREITAS, S. P.; SILVA, J. F.; CARVALHO, A. J. C. Produção de biomassa e óleo essencial em plantas de capim cidreira [Cymbopogon citratus (DC.). Stapf] em diferentes idades. Revista Brasileira Plantas Medicinais, v. 5, p. 61-64, 2003b. LEMOS, T. L. G.; MATOS, F. J. A.; ALENCAR, J. W.; CRAVEIRO, A. A.; Antimicrobial activity of essential oils of brazilian plants. Phytoterapy Research, v. 4, p. 82-84, 1990. MATOS, F. J. A. Lippia sidoides Cham. - Farmacognosia, química e farmacologia. Revista Brasileira Farmácia, v. 77, p. 65-67, 1996. MARTINS, M. B. G.; MARTINS, A. R.; TELASCREA, M.; CAVALHEIRO, A. J. Caracterização anatômica da folha de Cymbopogon citratos (DC.) Stapf (Poaceae) e perfil químico do óleo essencial. Revista Brasileira Plantas Medicinais, v. 6, p. 20-29, 2004. MENDONÇA, M. C. S. Efeito do ácido indolbuttírico no enraizamento de estacas de alecrim-pimenta (Lippia sidoides Cham.). Dissertação (Mestrado em Agronomia), Universidade Federal do Ceará, 1997. 53 NUNES, X. P.; MAIA, G. L. A.; ALMEIDA, J. R. G. S.; PEREIRA, F. O.; LIMA, E. O.; Antimicrobial activity of the essential oil of Sida cordifolia L. Revista Brasileira Farmacognosia, v.16, p.642-644, 2006. POLITEO, O.; JUKI, M.; MILO, M. Chemical composition and antioxidant activity of essential oils of twelve spice plants. Croatica Chemica Acta, v.4, n.79, p.545-552, 2006. SACCHETTI, G.; MAIETTI, S.; MUZZOLI, M.; SCAGLIANTI, M.; MANFREDINI, S.; RADICE, M.; BRUNI, R. Comparative evaluation of 11 essential oils of different origin as functional antioxidants, antiradicals and antimicrobials in foods. Food Chemistry, v. 91, n. 4, p. 621-632, 2005. SANGWAN, N. S.; FAROOQI, A. H. A.; SHABIH, F.; SANGWAN, R. S. Regulation of essential oil production in plants. Plant Growth Regulation., v. 34, p. 3-21, 2001. SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA. QUIMICA NOVA INTERATIVA. Citral. 2012. Disponível em: http://qnint.sbq.org.br/qni/popup_visualizarMolecula.php?id=EFv45zAVLXnmPFa0co BRxYWje9Td_gNAzFQeC4qhMAImrvpJwa0yN30gOB0zoXfys1VMjdLouPLOMLcA =. Acesso em: 20 de junho de 2012. SOUSA, M. P.; MATOS, F. J. A.; MATOS, M. E. O.; MACHADO, M. I. L.; CRAVEIRO, A. A. Constituintes químicos ativos e propriedades biológicas de plantas medicinais brasileiras. Fortaleza: UFC, 2 ed., 448 p, 2004. 54 SRIVASTAVA, A. K.; SRIVASTAVA, S. K.; SYAMSUNDAR, K. V. Bud and leaf essential oil composition of Syzygium aromaticum from India and Madagascar. Flavour and Fragrance Journal, v.1, n.20, p.51-53, 2004. VERAS, H. N. H. Caracterização química e avaliação da atividade antimicrobiana e antiinflamatória tópica do óleo essencial de Lippia sidoides Cham. (Verbenaceae) Dissertação (Mestrado em Bioprospecção Molecular) – Universidade Regional do Cariri, Crato-CE, 2011. 55 CAPÍTULO III Potencial fungitóxico dos óleos essenciais de Cymbopogon citratus, de Lippia sidoides e de seus componentes majoritários sobre o crescimento micelial de Rhizoctonia solani e Sclerotium rolfsii. 56 1. INTRODUÇÃO O cultivo do feijão comum (Phaseolus vulgaris) tem grande importância econômica e social para o Brasil. O país é o maior produtor mundial do grão que é cultivado predominantemente nas pequenas propriedades rurais. Além disso, o feijão destaca-se como fonte alimentar, pela presença de proteínas, carboidratos, vitaminas, minerais e fibras (ANTUNES; SILVEIRA, 2000). Um dos problemas enfrentados pelos produtores é o grande número de doenças que atacam o feijoeiro, dentre as principais encontram-se a mela e a podridão radicular que são causadas pelo Rhizoctonia solani e a podridão do colo, causada pelo Sclerotium rolfsii. Os métodos de manejo mais utilizados no controle de fitopatógenos empregam fungicidas, que propiciam a planta uma defesa ou uma cura para os danos causados pelo ataque de determinado patógeno. Pesquisas têm buscado métodos de controle alternativos sobre diversos fitopatógenos, que sejam saudáveis para os consumidores e ambientalmente corretos, possibilitando a produção de alimentos com a ausência de agrotóxicos. Neste sentido, encontram-se muitos trabalhos que avaliam a eficácia de produtos de origem natural, principalmente de origem vegetal. Várias são as medidas alternativas de manejo, visando uma agricultura mais limpa, por meio de insumos naturais contra fitopatógenos (COSTA et al., 2000; CAMPANHOLA; BETTIOL, 2003; LOPES et al., 2005). Dentre as práticas de controle estudadas, extratos de sementes (KHURMA; SINGH, 1997; DIAS et al., 2000), exsudatos vegetais (ROCHA; CAMPOS, 2004) e óleos essenciais (LORIMER et al., 1996; OKA et al., 2000; LOPES et al., 2005) têm sido frequentemente relatados. Muitos estudos têm demonstrado as atividades fungitóxicas de diversos óleos essenciais. Estudos têm comprovado o efeito de compostos isolados, extraídos de óleos essenciais 57 de plantas, que atuam como fungicidas naturais (ABDELGALEIL et al., 2008; CHANG et al., 2008; KORDALI et al., 2008). Tendo em vista, a importância de se buscar alternativas de controle ecologicamente corretas e que no futuro possam ajudar no manejo sustentável de doenças, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a atividade fungitóxica in vitro dos óleos essenciais de Cymbopogon citratus, Lippia sidoides e de seus componentes majoritários, sobre o crescimento micelial de R. solani e S. rolfsii. 2. MATERIAL E MÉTODOS 2.1. Obtenção dos óleos essenciais As folhas de L. sidoides. e de C. citratus foram coletadas no mês de janeiro 2011, no período da manhã, no município de Itumirim, Minas Gerais/Brasil. Os óleos essenciais foram extraídos no Laboratório de Química Orgânica do Departamento de Química da Universidade Federal de Lavras (UFLA) – Lavras/MG. A extração foi realizada utilizando o método de hidrodestilação, por meio de aparelho de Clevenger modificado. As folhas frescas de cada espécie vegetal estudada foram picadas e colocadas em um balão de fundo redondo de 4 litros de capacidade, recobertas com água, sendo o processo de extração realizado em um período de 2 horas, mantendo a solução em ebulição (GUIMARÃES et al., 2008). O hidrolato coletado foi centrifugado em centrífuga de cruzeta horizontal a 900 x g por cinco minutos; posteriormente, o óleo essencial foi retirado com o auxílio de uma pipeta de Pasteur e acondicionado em frasco de vidro âmbar em baixa temperatura e ao abrigo da luz. 58 2.2. Avaliação das Atividades fungitóxicas As avaliações das atividades fungitóxicas foram realizadas no Laboratório de Fitopatologia da Universidade Federal do Tocantins, Campus de Gurupi. 2.3. Obtenção dos isolados Os isolados de R. solani e S. rolfsii utilizados foram obtidos de folhas e hastes de feijão (P. vulgaris) com sintomas das doenças causadas por estes fungos, provenientes de campos da região do sul do Estado do Tocantins. Pequenos fragmentos de folhas e hastes lesionadas foram previamente imersos em soluções de álcool (50%) por 30 segundos e de hipoclorito de sódio (1,0%) por 40 segundos, e posteriormente lavados em água destilada estéril por três vezes e transferidos para placas de Petri contendo meio BDA (batata, dextrose e ágar). As placas de Petri foram incubadas a 22 ± 3ºC e fotoperíodo de 12 horas, sob luz fluorescente. Após crescimento micelial, retirou-se um disco de BDA com aproximadamente 6 mm de diâmetro contendo os micélios de cada fungo. O mesmo foi transferido para outra placa de Petri contendo BDA, sendo incubando novamente nas mesmas condições descritas anteriormente. Os fungos foram identificados por microscopia óptica por meio da caracterização de suas estruturas vegetativas e inoculados novamente em plantas de feijão para confirmar sua patogenicidade e completar os postulados de Koch. 2.4. Ensaio de inibição do crescimento micelial O método utilizado foi o bioanalítico in vitro, por meio do qual avaliaram-se os efeitos dos óleos essenciais de L. sidoides e C. citratus; dos compostos 1,8-cineol e 59 carvacrol (constituintes majoritários do óleo essencial de L. sidoides) e do citral (constituinte majoritário do óleo essencial de C. citratus, e que é constituído pela mistura dos aldeídos monoterpênicos isoméricos, neral e geranial); e dos fungicidas comerciais Vitavax® [(carboxina, 200g/L) e (tiram, 200g/L)] e Opera® [(piraclostrobina, 133 g/L) e (epoxiconazol, 50 g/L)] em diferentes concentrações, sobre o crescimento e/ou inibição micelial das culturas fúngicas. Para determinação das concentrações dos compostos utilizados sobre cada microrganismo, foram realizados diversos ensaios de modo a encontrar uma faixa de concentrações, partindo de uma concentração inicial que apresentasse efeito sobre o crescimento/inibição do fitopatógeno até uma concentração que inibisse totalmente o crescimento do mesmo. Para tal, os óleos essenciais e seus constituintes majoritários foram diluídos em éter etílico em uma capela asséptica de fluxo laminar. Em seguida foram solubilizados em água destilada contendo leite em pó (10 mg mL -1) como emulsificante. Posteriormente a solução resultante foi incorporada ao meio de cultura BDA, previamente esterilizado e fundido a uma temperatura entre 45-50ºC, obtendo as concentrações adequadas para cada microrganismo (JUNQUEIRA et al., 2004). Depois, transferiu-se 20 mL desta mistura (composto, leite em pó e BDA) para placas de Petri de 9 cm de diâmetro, previamente esterilizadas. Após a solidificação, discos de aproximadamente 6 mm de diâmetros contendo micélios dos fungos (retirados de culturas com 7 dias em BDA) foram repicados para o centro das placas, as quais foram vedadas com filme plástico e incubadas à temperatura de 22 ± 3 ºC e fotoperíodo de 12 horas, durante um período de 96 horas. Esta metodologia foi utilizada para determinação das faixas de concentrações a serem utilizadas para cada composto, bem como para as concentrações já estabelecidas para cada microrganismo. Paralelamente 60 prepararam-se duas testemunhas; uma composta apenas do fitopatógeno e do meio de cultura (testemunha absoluta) e outra contendo BDA, éter etílico e leite em pó (testemunha relativa). Desta forma as concentrações utilizadas sobre o fitopatógeno, Rhizoctonia solani foram de 25, 100, 200, 300, 400 μg mL-1 para o óleo essencial de L. sidoides; de 50, 75, 100, 150, 200 μg mL-1 para o carvacrol; de 50, 250, 500, 750, 1000 μg mL -1 para o 1,8cineol; 100, 200, 300, 400, 600 μg mL-1 para o óleo essencial de C. citratus e de 25, 50, 100, 150, 200 μg mL-1 para o citral. Sobre o fitopatógeno Sclerotium rolfsii foram utilizadas as concentrações de 25, 100, 200, 300, 400 μg mL-1 para o óleo essencial de L. sidoides; de 25, 75, 125, 175, 200 μg mL-1 para o carvacrol; de 50, 250, 500, 750, 1000 μg mL-1 para o 1,8-cineol; 50, 100, 200, 275, 300 μg mL-1 para o óleo essencial de C. citratus e de 150, 175, 200, 225, 250 μg mL-1 para o citral. Para a avaliação dos fungicidas comerciais, empregou-se a mesma metodologia, porém os mesmos foram diluídos apenas em água destilada, sendo a solução adicionada ao meio de cultura, de forma a obter as concentrações utilizadas, que foram de 1, 10, 25, 50, 100 μg mL-1 para o Opera®, sobre os dois fitopatógenos; de 0,1, 1,0, 5,0, 10,0, 15,0 μg mL-1 do Vitavax® sobre Sclerotium rolfsii e de 1, 5, 10, 15, 25 μg mL-1 deste mesmo composto sobre R. solani. As medidas do crescimento micelial das culturas dos respectivos fungos foram realizadas quando as colônias fúngicas da testemunha absoluta atingiram toda a superfície do meio. Para tal, foram traçadas duas retas cruzadas pela placa de Petri passando pelo centro do disco de 6 mm. As leituras foram realizadas pelas medidas do diâmetro de crescimento das colônias. Para o cálculo dos percentuais de inibição do crescimento (PIC) micelial utilizou-se a seguinte fórmula de acordo com Bastos (1997); 61 PIC= ((cresc. Testemunha – cresc. Tratamento) /cresc. Testemunha) x 100 Os tratamentos foram dispostos de forma inteiramente casualizada, com três repetições e em esquema fatorial com arranjo de 7 x 5, sendo sete compostos e cinco concentrações. Foi feita a análise de variância para verificação dos efeitos dos tratamentos, utilizando a análise de regressão para avaliar a porcentagem de inibição do crescimento micelial dos fitopatógenos em relação à concentração, utilizando o programa estatístico SISVAR (FERREIRA, 2000). A partir das equações de regressão foram calculados valores de IC50 (concentração pra inibir 50% do crescimento micelial). Também foram determinados valores de CMI (concentração mínima para inibir o crescimento micelial). 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO As atividades fungitóxicas do óleo essencial de C. citratus e do citral, seu constitunte majoritário, sobre a inibição do crescimento micelial dos fitopatógenos R. solani e S. rolfsii estão apresentadas na Figura 1. Observou-se diferença significativa para as diferentes concentrações de óleo essencial sobre a inibição do crescimento micelial dos microrganismos estudados. Em relação à testemunha relativa de cada microrganismo não houve diferença significativa entre seus crescimentos miceliais e os apresentado pelas testemunhas absolutas. De acordo com as análises estatísticas de regressão, as inibições dos crescimentos miceliais dos fitopatógenos R. solani e S. rolfsii, diante das concentrações do óleo essencial de C. citratus e do citral, apresentaram um comportamento linear (Figura 1). Em relação ao R. solani, observou-se que o óleo essencial de C. citratus inibiu 100% de seu crescimento micelial na concentração a partir de 400 μg mL-1, 62 enquanto que, para o citral esta mesma inibição foi observada na concentração de 200 μg mL-1. Já sobre o S. rolfsii, o óleo essencial e o citral causaram 100% inibição de seu crescimento micelial nas concentrações de 300 e 225 μg mL-1, respectivamente. Porcentagem de Inibição (%) R. solani 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Cymbopogon citratus Citral 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 -1 Concentação (µg mL ) Cymbopogon citratus : y = 0,213159x** - 10,533694 R² = 0,854 Citral: y = 0,461431x** + 12,586423 R² = 0,9341 Porcentagem de Inibição (%) S. rolfsii 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Cymbopogon citratus Citral 0 50 100 150 200 250 300 350 -1 Concentação (µg mL ) Cymbopogon citratus : y = 0,325301x** - 10,725363 R2 = 0,8628 Citral: y = 1,077400x** - 179,236000 R2 = 0,8655 FIGURA 1. Efeito do óleo essencial de Capim limão (Cymbopogon citratus) sobre odesenvolvimento micelial de R. solani e S. rolfsii. 63 Os efeitos do óleo essencial de L. sidoides e de seu constituinte majoritário, carvacrol sobre a inibição micelial destes mesmos fitopatógenos encontram-se na Figura 2. Porcentagem de Inibição (%) R. solani 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Lippia sidoides Carvacrol 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 -1 Concentação (µg mL ) Lippia sidoides : y = 0,260517x** + 1,870769 R2 = 0,9651 Carvacrol: y = 0,661602x** - 27,392931 R2 = 0,9839 Porcentagem de Inibição (%) S. rolfsii 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Lippia sidoides Carvacrol 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 -1 Concentação (µg mL ) Lippia sidoides : y = 0,242320x** - 13,839024 R2 = 0,8708 Carvacrol: y = 0,003059x 2** - 0,355373x + 19,212000 R2 = 0,9328 FIGURA 2. Efeito do óleo essencial de Alecrim pimenta (Lippia sidoides) sobre o desenvolvimento micelial de R. solani e S. rolfsii. 64 Em relação ao 1,8-cineol, composto que também é um dos constituintes majoritários do óleo essencial de L. sidoides, não foram observadas atividades fungitóxicas sobre a inibição micelial dos fitopatógenos estudados, uma vez que, a mesma foi igual a zero para ambos os fitopatógenos em todas as concentrações avaliadas. Tendo em vista as análises de regressão realizadas para a inibição dos crescimentos miceliais de R. solani e de S. rolfsii em relação as concentrações do óleo essencial de L. sidoides e do carvacrol, observa-se que a inibição micelial causada por estes dois compostos sobre R. solani segue uma equação linear. No entanto, a inibição do crescimento micelial do S. rolfsii segue uma equação linear apenas em relação às concentrações do óleo essencial, enquanto que, as inibições causadas pelas concentrações de carvacrol seguem uma equação de 2º grau. O óleo essencial de L. sidoides quando na concentração de 400 μg mL-1 causou uma inibição de 100 % sobre o crescimento micelial dos dois fitopatógenos estudados. O carvacrol se mostrou mais ativo, sendo capaz de causar esta mesma inibição quando presente nas concentrações de 200 e de 225 μg mL-1 sobre R. solani e S. rolfsii, respectivamente. As inibições miceliais dos fungicidas Vitavax® e Opera®, que foram avaliadas como referências para as atividades apresentadas pelos óleos essenciais e seus constituintes majoritários perante os dois fitopatógenos, estão apresentadas na Figura 3. Tendo em vista as análises de regressão realizadas para as inibições dos crescimentos miceliais dos dois fitopatógenos em relação às concentrações dos fungicidas comerciais, observa-se que as inibições sobre ambos fitopatógenos causadas pelo fungicida Opera® seguem equações de 2º grau. Enquanto que, as inibições dos crescimentos miceliais, também para ambos os microrganismos, causadas pelo Vitavax®, obedecem a equações lineares. 65 Porcentagem de Inibição (%) R. solani 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Opera Vitavax 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 100 110 -1 Concentação (µg mL ) Opera: y = -0,012255x 2** + 1,830944x + 37,557629 R2= 0,8673 Vitavax: y = 3,817328x** + 13,865260 R2 = 0,8801 Porcentagem de Inibição (%) S. rolfsii 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 Opera Vitavax 20 10 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 -1 Concentação (µg mL ) Opera: y = -0,013766x 2** + 1,933187x + 43,314704 R2 = 0,9526 Vitavax: y = 6,677648x** + 17,412149 R2 = 0,8161 FIGURA 3. Efeito dos funcicidas Opera® e Vitavax® sobre o desenvolvimento micelial de R. solani e S. rolfsii. 66 O R. solani teve seu crescimento micelial inibido em 100% pelo Vitavax® na concentração de 25 μg mL-1, enquanto que em relação ao Opera®, houve inibição próxima a 90% na concentração de 50 μg mL -1 do mesmo. Sobre o S. rolfsii, o Vitavax® quando presente na concentração de 10 μg mL -1 foi capaz de inibir 100% de seu crescimento, e o Opera® na concentração de 50 μg mL -1 causou inibição próxima a 100%. Os valores de IC50 de todos os compostos avaliados em relação aos dois microrganismos encontram-se na Figura 4. S. rolfsii 300 R. solani 250 IC50 200 150 100 50 0 Cymbopogon citratus Citral Lippia sidoides Carvacrol Opera Vitavax FIGURA 4. Valores de IC50 para os compostos avaliados. Os valores de IC50 evidenciam a ação dos constituintes majoritários em relação aos seus óleos essenciais, tais atividades demonstram que estes constituintes são responsáveis pelo efeito fungitóxico em relação aos microrganismos testados neste trabalho. Observa-se um baixo valor de IC50 para o citral, constituinte majoritário do óleo de C. citratus em relação ao microrganismo R. solani, demonstrando que tal 67 composto é mais efetivo na inibição do crescimento micelial deste fitopatógeno, quando comparado à inibição do crescimento micelial de S. rolfsii.. O carvacrol constituinte majoritário do óleo essencial de L. sidoides obteve um menor valor de IC50 para S. rolfsii,comparado ao IC50 encontrado para o citral sobre o mesmo fitopatógeno. Os fungicidas Vitavax® e Opera® utilizados como parâmetros na pesquisa, apresentaram os menores valores de IC50 quando comparados aos óleos essenciais e aos seus constituintes majoritários. Verifica-se que o carvacrol, constituinte majoritário do óleo essencial de L. sidoides afetou mais o desenvolvimento do fitopatógeno S. rolfsii, uma vez que os valores da CMI e do IC50 deste composto sobre a inibição do crescimento micelial deste fitopatógeno, foram menores que aqueles encontrados para os óleos essenciais de L. sidoides, C. citratus e do Citral. Por outro lado, o fitopatógeno R. solani foi mais sensível ao citral, tendo em vista que os valores de CMI e de IC50 apresentados por este composto sobre a inibição do crescimento micelial deste microrganismo foram menores que os encontrados para os óleos essenciais e o carvacrol. O óleo essencial de C. citratus causou maior inibição sobre o crescimento micelial do S. rolfsii, causando a total inibição emuma dosagem menor que a encontrada para o óleo essencial de L. sidoides capaz de causar o mesmo efeito sobre o crescimento micelial deste microrganismo. , No entanto, em relação ao R. solani, os dois óleos essenciais apresentaram 100% de inibição do crescimento micelial nas mesmas concentrações. Estudos mostram que a atividade antibacteriana do óleo volátil de Cymbopogon citratus está diretamente relacionada ao citral (DEGLMANN, 2002). Neste resultado a atividade antifúngica está relacionada diretamente com o citral. Comprovando a eficácia do óleo de C. citratus no controle antifúngico de R. solani e S. rolfsii tais atividades 68 antifúngicas também foram observadas em alguns estudos com fungos filamentosos, como Aspergillus flavus (PARANAGAMA et al., 2003). Alves et al. (2002) relataram à eficiência dos óleos essenciais das plantas C. citratus, Cymbopogon nardus (L.) Rendle. e Eucalyptus citriodora Hook. no controle in vitro, da germinação de conídios e do crescimento micelial de Colletotrichum musae. Segundo Carriconde et al. (1996), o óleo essencial do C. citratus tem como propriedades terapêuticas ação antifúngica e antibacteriana, e que o principal componente do óleo essencial do C. citratus é o citral. Com isso, percebesse a eficácia do óleo essencial C. citratus em efeito in vitro sobre importantes patógenos de plantas, como no caso do Colletotrichum gloeosporioides, em que obteve 100% de inibição na sua germinação. O óleo essencial de C. citratus inibiu completamente a germinação de esporos e o crescimento micelial do fungo Dydimella bryoniae, causador de danos às folhas e frutos de melão (FIORI et al., 2000). Segundo Rozwalka, Lima e Mio (2008), o óleo essencial de C. citratus inibiu totalmente o fungo Colletotrichum gloeosporioides isolado de goiaba. Estes resultados concordam com os encontrados neste trabalho e demonstram a fungitoxicidade de C. citratus em relação ao R. solani e S. rolfsii. Lemos et al. (1990) verificou que o óleo essencial de L. sidoides exibiu grande atividade contra os microrganismos Saccharomyces cerevisiae, Aspergillus flavus e Cryptococcus neoformans. Foram descritas também atividades bactericidas e fungicidas contra diferentes espécies microbianas, bem como larvicida (BOTELHO et al., 2007; KORDALI et al., 2008). Segundo Pessoa, Oliveira e Innecco (1996), o óleo essencial de L. sidoides a 10%, em teste in vitro, inibiu o crescimento micelial de Macrophomina phaseolina, Fusarium oxysporum, Colletotrichum gloeosporioides e Rhizopus sp. Estes resultados se assemelham aos deste trabalho, que obteve 100% de inibição de R. solani e S. rolfsii com uma dosagem de 400 mg/L. Oliveira, Pessoa e Pinheiro (1998) 69 avaliaram a ação antifúngica deL. sidoides sobre C. gloeosporioides in vitro e obteve reduções de ate 96,8% no diâmetro das colônias. Segundo Bertini et al. (2005), o principal constituinte do óleo essencial de L. sidoides é o timol que tem uma forte atividade contra bactérias e fungos e que a eficácia dessa planta foi demonstrada pelo óleo essencial das folhas, que contém timol e carvacrol como principais constituintes com teores de timol variando de 43,5% a 59,5% (COSTA et al., 2005; FONTENELLE et al., 2007) representando 1,5% da matéria seca das folhas desta espécie (NUNES et al., 2005). De acordo com Fontenelle et al. (2007) os principais constituintes de óleos essenciais extraídos de plantas que exercem atividade antifúngica importante são compostos fenólicos como o timol, carvacrol ou eugenol. A forte ação fungitóxica exercida pelo óleo essencial de L. sidoides sobre o desenvolvimento micelial de R. solani e S. rolfsii ocorreu devido a presença do carvacrol. Não se constatou neste trabalho a inibição dos fungos pelo 1,8-cineol, em nenhuma das dosagens apresentadas. Raros são os trabalhos testando o 1,8-cineol como antifúngico, alguns autores avaliando este composto na área da saúde encontraram resultados similares aos encontrados neste trabalho. Cimanga et al. (2002) admitiram não haver correlação entre a concentração dos componentes majoritários como 1,8cineol, α-pineno, ρ-cimeno, entre outros com a atividade antibacteriana observada no estudo de algumas espécies de eucalipto, sugerindo que esta atividade está relacionada a presença de algumas classes como álcoois, aldeídos, alcenos, ésteres e éteres. Os efeitos farmacológicos do 1,8-cineol foram estudados por Santos (2002) em camundongos e concluiu que esta substância apresenta baixo potencial tóxico, redução dos danos gástricos, possui propriedades sedativa, anticonvulsivante e anti-inflamatória. 70 Com relação aos fungicidas utilizados, ambos controlaram os dois fungos em dosagens menores do que as dos óleos essenciais e de seus constituintes majoritários, resultado este que já era esperado, uma vez que fungicidas utilizam substâncias sintéticas, especificas e pré-estabelecidas para o patógeno alvo. Quando se utilizou os fungicidas no controle de R. solani (Figura 3) observou-se que o fungicida Vitavax®, obteve um melhor controle com menor dosagem, quando comparada a do fungicida Opera®, tal fato se deve que o Vitavax® é recomendado para a cultura do feijoeiro no controle de R. solani no tratamento de sementes, sendo a sua dosagem recomendada de 250 ml/100 kg de sementes, , enquanto que o Opera® é recomendado para o controle da mela na cultura da soja (Glycine max), que é causada pelo R. solani, sendo a recomendação técnica de 600 ml/ ha. Tais resultados também foram observados para S. rolfsii, apesar destes fungicidas utilizados não serem recomendados para controle deste fitopatógeno, entretanto os resultados encontrados se assemelharam aos encontrados para oR. solani, conforme Figura 3. Porém a grande diferença são os modos dos espectros de ação dos ingredientes ativos dos produtos, Vitavax® possui em sua formulação um duplo espectro de ação, sendo composto pela carboxina e pelo tiram, mais típico e apropriado para o tratamento de sementes, enquanto que Opera® apresenta duplo modo de ação, atuando através do ingrediente ativo epoxiconazol como inibidor da bio-síntese do ergosterol, o qual é um constituinte da membrana celular dos fungos e por meio do ingrediente ativo piraclostrobina como inibidor do transporte de elétrons nas mitocôndrias das células dos fungos, inibindo a formação de ATP, essencial nos processos metabólicos dos fungos, estes processos propiciam um efeito protetivo e de ação sistêmica. A constante evolução técnico-científica dos fungicidas agrícolas permitiu o desenvolvimento de produtos com diversos modos de ação nas plantas e nas diferentes 71 fases do processo infeccioso (AGRIOS, 2005; RUSSEL, 2005). Segundo Azevedo (2007); Reis, Reis e Forcelini (2007) os fungicidas sistêmicos são aqueles que podem se movimentar na planta através de vasos condutores podendo atingir locais distantes do local depositado, enquanto que os translaminares distribuem-se de forma limitada nos tecidos. Caso que ocorrem nos fungicidas Opera® e Vitavax®, respectivamente. 4. CONCLUSÃO O óleo essencial de Lippia sidoides e seu constituinte majoritário, carvacrol, assim como o óleo de Cymbopogon citratus e o citral, constituinte majoritário deste óleo essencial, demonstraram efeito fungitóxico perante a inibição no crescimento micelial de Rhizoctonia solanie Sclerotium rolfsii. Rhizoctonia solani sofreu maior inibição pelo óleo de Lippia sidoides e seu de seu composto majoritário (carvacrol). Sclerotium rolfsii teve maior inibição pelo óleo de Cymbopogon citratus e de seu constituinte majoritário (citral). O composto 1,8-cineol não apresentou efeito fungitóxico sobre os fitopatógenos estudados. Os fungicidas testados causaram inibição no desenvolvimento micelial de ambos os fitopatógenos. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABDELGALEIL, S. A. M.; ABBASSY, M. A.; BELAL, A. S.; RASOUL, M. A. A. A. Bioactivity of two major constituents isolated from the essential oil of Artemia judaica L. Bioresource Technology, v. 99, p. 5947-5950, 2008. 72 AGRIOS, G. N. Plant pathology. 5.ed. Amsterdam: Elsevier Academic Press, 2005. 919p. ALVES, E. S. S.; SANTOS, M. P.; VENTURA, J. A.; FERNANDES, P. M. B. Eficiência de óleos essenciais no controle in vitro da germinação de conídios e do crescimento micelial de Colletotrichum musae. Fitopatologia Brasileira, v. 27, p. 75, 2002. ANTUNES, I. F.; SILVEIRA, E. P. O feijão no Rio Grande do Sul – Commodity e Alimento. Série Culturas (Feijão). Porto Alegre : Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, 47 p, 2000. AZEVEDO, L. A. S. Fungicidas sistêmicos: prática e teoria. Campinas: O Autor, 290 p, 2007. BASTOS, C. N. Efeito do óleo de Piper aduncum sobre Crinipelis e outros fungos fitopatogênicos. Fitopatologia Brasileira, v. 22, n. 3, p. 441-443, 1997. BERTINI, L. M.; PEREIRA, A. F.; OLIVEIRA, C. L. L.; MENEZES, E. A.; MORAIS, S. M.; CUNHA, F. A.; CAVALCANTI, E. S. B. Perfil de sensibilidade de bactérias frente a óleos essenciais de algumas plantas no Nordeste do Brasil. Infarma, v.17, n.3/4, p. 21-27, 2005. 73 BOTELHO, M. A.; BASTOS, G. M.; FONSECA, S. G. C.; MATOS, F. J. A.; MONTENEGRO, D.; RAO, V. S. and BRITO, G. A. C. Antimicrobial activity of the essential oil from Lippia sidoides, carvacrol and thymol against oral pathogens. Brazilian Journal of Medical and Biological Research, v. 40, P. 349-356, 2007. CAMPANHOLA, C.; BETTIOL, W. Métodos Alternativos de Controle Fitossanitário. Jaguariúna: Embrapa Meio Ambiente, 279 p, 2003. CARRICONDE, C.; MORES, D.; VON FRITSCHEN, M.; CARDOZO JUNIOR, E. L. Plantas medicinais e alimentícias. Olinda: Centro Nordestino de Medicina Popular; Universidade Federal Rural de Pernambuco. v.1, p.45-47, 1996. CHANG, H. T.; CHENG, Y. H.; WU, C. L.; CHANG, S. T.; CHANG, T. T. and SU,Y. C. Antifungal activity of essential oil and its constituents from Calocedrus macrolepis var. formosana Florin leaf against plant pathogenic fungi. Bioresource Technology, v. 99, p. 6266-6270, 2008. CIMANGA, K.; KAMBU, K.; TONA, L.; APERS, S.; BRUYNE,T.; HERMANS, N.; TOTTÉ, J.; PIETERS, L.; VLIETINCK, A. J. Correlation between chemical composition and antibacterial activity of essential oils of some aromatic medicinal plants growing in the Democratic Republic of Congo. Journal of Ethnopharcology, v. 79, p. 213-220, 2002. COSTA, M. J. N.; CAMPOS, V. P.; PFENNING, L. H.; OLIVEIRA, D. F. Patogenicidade e reprodução de Meloidogyne incognita em tomateiros (Lycopersicon 74 esculentum) com aplicação de filtrados fúngicos ou extratos de plantas e de estercos de animais. Nematologia Brasileira, v. 24, n. 2, p. 219-226, 2000. COSTA, L. C. B.; CORREA, R. M.; CARDOSO, J. C. W.; PINTO, J. E. B. P.; BERTOLUCCI, S. K. V.; FERRI, P. H. Secagem e fragmentação da matéria seca no rendimento e composição do óleo essencial de capim-limão. Horticultura Brasileira, v. 23, p. 956-959, 2005. DEGLMANN, R. C. (2002). Avaliação da composição e investigação da atividade antibacteriana do óleo volátil de Cymbopogon citratus (DC) Stapf. Dissertação (Mestrado em Saúde e Meio Ambiente) - Universidade da Região de Joinville, Joinville, 128 p. DIAS, C. R., SCHWAN, A. V.; EZEQUIEL, D. P.; SARMENTO, M. C.; FERRAZ, S. Efeito de extratos aquosos de plantas medicinais na sobrevivência de juvenis de Meloidogyne incognita. Nematologia Brasileira, v. 24, n. 2, p. 203-210, 2000. FERREIRA, D. F. Sistema de análises de variância para dados balanceados. Lavras: UFLA, 2000. (SISVAR 4. 1. pacote computacional). FIORI, A. C. G. Antifungal activity of leaf extracts and essential oils of some medicinal plants against Didymella bryoniae. Jornal of Phytopathology. 2000. FONTENELLE, R. O. S.; MORAIS, S. M.; BRITO, E. H. S.; KERNTOPF, M. R.; BRILHANTE, R. S. N.; CORDEIRO, R. A.; TOME, A. R.; QUEIROZ, M. G. R.; 75 NASCIMENTO, N. R. F.; SIDRIM, J. J. C.; ROCHA, M. F. G. Chemical composition, toxicological aspects and antifungal activity of essential oil from Lippia sidoides Cham. Journal of Antimicrobial Chemotherapy, v. 59, p. 934-940, 2007. GUIMARÃES, L. G. L.; CARDOSO, M. G.; ZACARONI, L. M.; LIMA, R. K; PIMENTEL, A, F; MORAIS, R. A. Influência da luz e da temperatura sobre a oxidação do óleo essencial de capim-limão (Cymbopogon citratus (D.C.) STAPF). Química Nova, v. 31, n. 6, p. 1476-1480, 2008. ISMAN, M. B. Plant essential oils for pest and disease management. Crop Protection, v. 19, p. 603-608, 2000. JUNQUEIRA, N. T. V.; CHAVES, R. C.; NASCIMENTO, A. C.; RAMOS, V. H. V.; PEIXOTO, J. R.; JUNQUEIRA, L. P. Efeito do óleo de soja no controle da antracnose e na conservação da manga cv. Palmer em pós-colheita. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 26, n. 2, p. 222-225, 2004. KHURMA, U.R; SINGH, A. Nematicidal potential of seed extracts: in vitro effects on juvenile mortality and egg hatch of Meloidogyne incognita and M. javanica. Nematologia Mediterranea, v. 25, p. 49-54, 1997. KISHORE, N.; MISHRA, A. K.; CHANSOURIA, J. P. Fungitoxicity of essential oils against dermatophytes. Mycoses, v. 36, n. 5/6, p. 211-5, 1993. 76 KORDALI, S.; CAKIR, A.; OZER, H.; CAKMAKCI, R.; KESDEK, M.; METE, E. Antifungal, phytotoxic and insecticidal properties of essential oil isolated from Turkish Origanum acutidens and its three components, carvacrol, thymol and p-cymene. Bioresource Technology, v. 99, n. 18, p. 8788-8795, dez, 2008. LEMOS, T. L. G.; MATOS, F. J. A.; ALENCAR, J. W.; CRAVERO, A. A.; CLARK, A. M.; McCHESNEY, J. D. Antimicrobial activity of essential oils of brasilian plants. Phytoterapy Research, v.4, n.2, p.82-84, 1990. LIMA, E. O. Plantas e suas propriedades antimicrobianas: uma breve análise histórica. In: YUNES, R. A.; CALIXTO, J. B. Plantas medicinais sob a ótica da química moderna. Santa Catarina: Argos, p. 481-501, 2001. LIMA, E. O.; GOMPERTZ, O. F.; GIESBRECHT, A. M.; PAULO, M. Q. In vitro antifungal activity of essential oils obtained from officinal plants against dermatophytes. Mycoses, v. 36, n. 9/10, p. 333-336, 1993. LOPES, E. A.; FERRAZ, S.; FREITAS, L. G.; FERREIRA, P. A.; AMORA, D. X. Efeito dos extratos aquosos de mucuna preta e de Manjericão sobre Meloidogyne incognita e M. javanica. Nematologia Brasileira, v. 29, n. 1, p. 67-74, 2005. LORIMER, S. D.; PERRY, N. B.; FOSTER, L. M.; BURGESS, E. J. A nematode larval motility inhibition assay for screening plant extracts and natural products. Journal of Agricultural of the Food Chemistry, v. 44, p. 2842-2845, 1996. 77 NUNES, R. S.; LIRA, A. M. E.; XIMENES, J. A.; SILVA, SANTANA, D. P. Caracterização da Lippia sidoides Cham (Verbenaceae) como matéria-prima vegetal para uso em produtos farmacêuticos. Scientia Plena v.1, n.7, p.182-184, 2005. OKA, Y.; NACAR, S.; PUTIEVSKY, E.; RAVID, U.; YANIV, Z.; SPIEGEL, Y. Nematicidal activity of essential oils and their components against the rootknot nematode. Nematology, v. 90, n. 7, p. 710-715, 2000. OLIVEIRA, E. C. P.; LAMEIRA, A. O.; BARROW, C. L. P.; POLTRONIERE, S. L. Avaliação do oleo de copaiba (Copaifera) na inibição do crescimento micelial in vitro de fitopatogenos. Revista Ciências Agrárias, n. 46, p. 53-61, jul-dez, 2006. OLIVEIRA, J. C. M.; PESSOA, M. N. G.; PINHEIRO, P. L. Ação antifúngica de Alecrim-Pimenta (Lippia sidoides Cham.) sobre Colletotrichum gloeosporioides e Sclerotium rolfsii “in vitro”. Fitopatologia Brasileira, v. 23 (Suplemento), n. 313, p. 265, 1998. PARANAGAMA, P. A.; ABEYSEKERA, K. H.; ABEYWICKRAMA, K.; NUGALIYADDE, L. Fungicidal and antiaflatoxigenic effects of the essential oil of Cymbopogon citratus (DC.) Stapf. (lemongrass) against Aspergillus flavus Link. isolated from stored rice. Letters in Applies Microbiology, v. 37, n. 1, p. 86-90, 2003. PESSOA, M. N. G.; OLIVEIRA, J. C. M.; INNECCO, R. Efeito da tintura de alecrimpimenta contra fungos fitopatogênicos in vitro. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FITOPATOLOGIA, 29., 1996, Campo Grande. Anais. Campo Grande, 1996. v.1. 78 REIS, E. M.; REIS A. C.; FORCELINI, C. A. Manual de fungicidas – guia para o controle químico de doenças. Passo Fundo: Ed. Universidade de Passo Fundo, 157p, 2007. ROCHA, F. S.; CAMPOS, V.P. Efeito de exsudatos de cultura de células de plantas em juvenis de segundo estádio de Meloidogyne incognita. Fitopatologia Brasileira, v. 29, n. 3, p. 294-299, 2004. ROZWALKA, L. C.; LIMA, M. L. R. Z. C.; MIO, L. L. M. Extratos, decoctos e óleos essenciais de plantas medicinais e aromáticas na inibição de Glomerella cingulata e Colletotrichum gloeosporioides de frutos de goiaba. Ciência Rural, v. 38, n. 2, p.31-36, 2008. RUSSEL, P. E. A century of fungicides evolution. Journal of Agricultural Science, v. 143, p.11-25, 2005. SALGADO, S. M. L.; CAMPOS, V. P.; CARDOSO, M. G.; SALGADO, A. P. S. Eclosão e mortalidade de juvenis de segundo estádio de Meloidogyne exigua em óleos essenciais. Nematologia Brasileira, v. 27, p. 17-22, 2003. SANTOS, F. A.; Estudo farmacológico de 1,8-cineol, um óxido terpênico presente em óleos essenciais de plantas. In: FABROWSKI, F.J.. Eucaliptus smithii R. T. BAKER (Myrtaceae) como espécie produtora de óleo essencial no sul do Brasil. Tese (Doutorado em Engenharia Florestal) – Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Paraná, 225 p, 2002. 79 SCHWAN-ESTRADA, K. R. F.; STANGARLIN, J. R.; CRUZ, M. E. S.; BONALDO, S.; PASCHOLATI, S. F Efeito do extrato bruto de Eucalyptus citriodora no crescimento micelial e germinação de esporos de fungos fitopatogênicos. Summa Phytopathologica, v.24, p.74, 1998. 80 CAPÍTULO IV Avaliação da fitotoxicidez dos óleos essenciais Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf e de Lippia sidoides Cham. sobre plantas de feijoeiro comum. 81 1. INTRODUÇÃO O feijoeiro é cultivado por pequenos a grandes produtores, em diversificados sistemas de produção e em todas as regiões brasileiras. O grão de feijão tem grande importância econômica e social, por ser um alimento amplamente consumido e de grande valor nutricional (WANDER, 2007). Pesquisas desenvolvidas com extratos brutos ou óleos essenciais obtidos de plantas medicinais têm indicado o potencial das mesmas no controle de fitopatógenos, tanto por sua ação fungitóxica direta quanto pela indução de resistência, indicando a presença de compostos com características de eliciadores (STANGARLIN et al.,1999; SCHWAN-ESTRADA; STANGARLIN, 2005). Na literatura é possível encontrar um grande número de trabalhos que citam as propriedades antimicrobianas dos compostos secundários de plantas medicinais para o controle de fitopatógenos. Nesses trabalhos, observam-se efeitos fungitóxicos em experimentos realizados in vitro e in vivo, utilizando extratos brutos ou os óleos essenciais de plantas medicinais. A utilização de extratos e óleos oriundos de plantas medicinais tem mostrado resultados promissores no controle de patógenos de plantas, neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo verificar o efeito fitotóxico dos óleos essenciais de Cymbopogon citratus e de Lippia sidoides no feijoeiro comum. 2. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido em casa de vegetação na Universidade Federal do Tocantins, Campus de Gurupi. As coordenadas geográficas da estação experimental 82 correspondente a 11º43’45’’S e 49º04’07’’W, com altitude média de 287 metros. Na Tabela 1 verifica-se a caracterização química do solo utilizado como substrato. Tabela 1. Análise química do solo utilizado nos vasos neste experimento em casa de vegetação. Profundidade Cm 0-20 pH H2O 5,6 P K mg dm-3 1,5 27,6 Al3+ H + Al Ca2+ Mg2+ SB T ----------------cmolc dm-3----------------0,0 3,1 0,5 0,2 0,8 0,8 V % 19,6 MO g dm-3 0,0 Atributos químicos da profundidade de 0-20 cm; pH em água - Relação 1:2,5; P e K – extrator Mehich 1; Al3+, Ca2+ e Mg2+ – Extrator KCl (1 mol L-1); H + Al – Extrator SMP; SB = Soma de Bases Trocáveis; (T) = Capacidade de Troca Catiônica a pH 7,0; V – Índice de Saturação de Bases; e MO = matéria orgânica (oxidação: Na2Cr2O7 4N + H2SO4 10 N. A semeadura foi realizada em solo acrescido de esterco bovino e areia, na proporção de 1/1/1 (1 fração de solo, 1 de esterco e 1 areia). As sementes de feijão comum (P. vulgaris) foram semeadas em vasos de polietileno furados com capacidade para 3 Kg, preenchidos com Latossolo Amarelo. O solo foi previamente corrigido com calcário Filler, para V% de 70, na dosagem de 605 Kg ha 1. Em seguida, fez-se a adubação de plantio utilizando 1,875 g de P2O5, 1,5 g K2O e 0,3 g de N por vaso. Os cálculos para adubação foram realizados considerando-se o volume de solo contido no vaso e relacionando com o volume de solo de um hectare, considerando, uma camada de 0,20 m. O desbaste foi realizado aos 5 dias após a emergência das plântulas, deixando três plantas por vaso. O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados em esquema fatorial 2 x 7, (2 óleos x 7 dosagens) com quatro repetições. Os tratamentos utilizados estão descritos na Tabela 2. 83 Tabela 2. Relação dos tratamentos avaliados e doses em μg mL -1 dos óleos Cymbopogon citratus e de Lippia sidoides. T1 T2 T3 T4 T5 T6 T7 1 Tratamentos Testemunha absoluta Testemunha relativa (água + leite em pó) Óleo essencial Óleo essencial Óleo essencial Óleo essencial Óleo essencial Doses (mL ha-1)1 50 300 400 500 1000 Pulverização foliar, as plantas encontravam-se no o estádio V4. Decorridos 30 dias após a emergência das plântulas (DAE), durante o estádio vegetativo V4, foi feita a aplicação de forma isolada dos óleos nas dosagens descritas na Tabela 2. O experimento foi avaliado em cinco épocas de amostragem (2, 4, 6, 8 e 10 dias após a aplicação dos óleos). Para avaliação de fitotoxicidez utilizou-se uma escala de notas adaptada de FRANS e CROWLEY (1986), conforme Tabela 3, em que 0 corresponde a nenhuma dano ou efeito a planta, e 100 corresponde a planta totalmente afetada ou lesionada. Tabela 3. “Escala percentual de fitotoxicidez”. % 0 10 20 Descrição das categorias principais Sem efeito Efeito leve 30 40 50 60 70 80 90 100 Efeito moderado Efeito severo Efeito total Descrição detalhada da fitotoxicidez na cultura Sem injúria ou redução Leve descoloração ou injúria Alguma descoloração ou atrofia, ou perda por atrofia. Injúria mais pronunciada, mas não duradoura. Injúria moderada, mas normalmente com recuperação. Injúria mais duradoura, recuperação duvidosa. Injúria duradoura, sem recuperação. Injúria pesada, redução de estande. Cultura próxima da destruição - poucas plantas sobreviventes Raramente restam algumas plantas Destruição completa da cultura Adaptada de FRANS e CROWLEY (1986). Durante a condução do experimento, foram realizados todos os tratamentos fitossanitários necessários á cultura. As plantas foram irrigadas duas vezes por dia, para 84 manter o solo sempre úmido. Esse procedimento garantiu a disponibilidade hídrica necessária durante todo o experimento, evitando a restrição ou o excesso de água ás mesmas. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Não houve fitotoxidez provocadas pelos óleos em nenhuma concentração testada (Figuras 1 a, b e c). FIGURA 1.a Teste de fitotoxicidez dos óleos essenciais de Cymbopogon citratus e de Lippia sidoides sobre o feijoeiro comum. 85 FIGURA 1.b Planta de feijão tratada com a dosagem de 1000 μg mL-1 do óleo essencial de Lippia sidoides. FIGURA 1.c Planta de feijão tratada com a dosagem de 1000 μg mL-1 do óleo essencial Cymbopogon citratus. 86 Tais resultados concordam com os trabalhos de outros autores que testaram a fitotoxidez de óleos essenciais em diferças plantas, como o controle da requeima (Phytophthora infestans) em batata pelo extrato de cavalinha (Equisetum sp.) (KEQIANG; BRUGGEN, 2001); do oídio (Oidium lycopersici) em tomateiro por extratos e óleo de Azadirachta indica (CARNEIRO, 2003), da mancha marrom (Bipolaris sorokiniana) em trigo usando extrato aquoso de Artemisia camphorata (cânfora) (FRANZENER et al., 2003), e da pinta preta (Alternaria solani) em tomateiro por extrato de cúrcuma (Curcuma longa) e curcumina (componente do óleo essencial de C. longa) (BALBI-PEÑA et al., 2006a, 2006b). Araújo Filho et al. (2005) e Barretos (2010) ao avaliarem diluições de extrato de agaves em plantas de algodoeiro colorido observaram que o extrato na proporção de 57% da calda de aplicação provocou 100% de plantas afetadas. Discordando dos resultados encontrados neste trabalho, onde se obteve 100% de plantas não afetadas pelos óleos de óleos C. citratus e de L. sidoides. Pinheiro e Quintela (2004) observaram que doses maiores que 2% de óleo de nim (Azadirachta indica) causam fitotoxidade às folhas primárias do feijoeiro. Dequech et al. (2008) observaram que extrato aquoso de pó-de-fumo a 10% p/v e DalNeem (produto comercial, à base de frutos maduros de nim, com aproximadamente 3.000 ppm de principio ativo) a 10% v/v causam fitotoxicidade às plantas de feijão-de-vagem cultivadas em estufa plástica. Durante as avaliações as plantas tratadas com os óleos apresentaram um verde mais intenso do que as testemunhas, tal fato pode ser devido a melhor sanidade provocada pelos óleos. 87 4. CONCLUSÃO Os óleos essenciais de C. citratus e de L. sidoides não causaram fitotoxidez no feijoeiro comum (P. vulgaris L.) em nenhuma das dosagens avaliadas. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FILHO, A. D, A; BARRETO, A. F; SOUSA, J. R, DE; DIAS, R. S; JAPIASSÚ, A; LACERDA, N. P; RAMALHO, F. K; DIAS, P. S; ZÓGOB, L. E, L; MEDEIROS, I. F, DE. Diferentes diluições de extrato fertiprotetor de agave híbrido 11648 fresco, sobre plantas de algodoeiro colorido vermelho safira. In: Congresso Brasileiro de Algodão, V. Salvador, BA. 2005. Anais. Salvador, BA, 2005. BALBI-PEÑA, M. I; BECKER, A.; STANGARLIN, J. R.; FRANZENER, G.; LOPES M. C.; SCHWANESTRADA, K. R. F. Controle de Alternaria solani em tomateiro por extratos de Curcuma longa e curcumina – I. Avaliação in vitro. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v. 31, n. 3, p. 310-314, 2006a. BALBI-PEÑA, M. I; BECKER, A; STANGARLIN, J. R; G, F; LOPES, M. C; SCHWAN-ESTRADA, K. R, F. Controle de Alternaria solani em tomateiro por extratos de Curcuma longa e curcumina – II. Avaliação in vivo. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v. 31, n. 4, p. 401-404 2006b. BARRETOS, A. F. Eficiência de extratos de Agave sisalana (Perrine) sobre o ácaro rajado Tetranychus urticae (Koch) e ocorrência de fitotoxidez em plantas de algodoeiro 88 (Gossypium hirsutum L. r latifolium Hutch) 2010. In: Rev. Bras. de Agroecologia. 5(2): 207-215 (2010). CARNEIRO, S. M. T. P. G. Efeito de extratos de folhas e do óleo de nim sobre o oídio do tomateiro. Summa Phytopathologica, Botucatu, v. 29, n. 3, p. 262-265, 2003. DEQUECH, S.T, B; RIBEIRO, P, L. DO; SAUSEN, C. D; EGEWARTH, R; KRUSE, N.D; Fitotoxicidade causada por inseticidas botânicos em feijão-de vagem (Phaseolus vulgaris L.) cultivada em estufa plástica. In: Revista da FZVA. Uruguaiana, v.15, n.1, p. 71 80. 2008 FRANS, R.; CROWLEY, H. Experimental design and techniques for measuring and analyzing plant responses to weed control practices. In: Southern Weed Science Society. Research methods in weed science, Clemson, 3ª ed., p 29-45, 1986. FRANZENER, G.; STANGARLIN, J. R.; SCHWANESTRADA, K. R. F.; CRUZ, M. S. Atividade antifúngica e indução de resistência em trigo a Bipolaris sorokiniana por Artemisia camphorata. Acta Scientiarum, Maringá, v. 25, n. 2, p. 503-507, 2003. KE-QIANG, C.; BRUGGEN, A. H. C. Inhibitory efficacy of several plant extracts and plant products on Phytophthora infestans. Journal of Agricultural University of Hebei, Baoding, v. 24; n. 12, p. 108-116, 2001. PINHEIRO, P. V.; QUINTELA, E. D. Efeito de extratos de plantas sobre a mortalidade de ninfas de Bemisia tabaci (Genn.). Biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae) em feijoeiro 89 (Phaseolus vulgaris L.). Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2004. 4p. (Embrapa Arroz e Feijão. Comunicado Técnico, 95). SCHWAN-ESTRADA, K. R. F.; STANGARLIN, J. R. Extratos e óleos essenciais de plantas medicinais na indução de resistência. In: CAVALCANTI, L. S.; DI PIERO, R. M.; CIA, P.; PASCHOATI, S. F.; RESENDE, M. L. V.; ROMEIRO, R. S. Indução de resistência em plantas a patógenos e insetos. Piracicaba: Fealq, 2005. p. 125-132. STANGARLIN, J. R.; SCHWAN-ESTRADA, K. R. F; CRUZ, M. E. S., NOZAKI, M. H. Plantas medicinais e controle alternativo de fitopatógenos. Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento, Brasília, v. 2, n. 11, p. 16- 21, 1999. WANDER, A. E. Produção e consumo de feijão no Brasil, 1975-2005. Informações Econômicas, São Paulo, v.37, n.2, p.07-21, 2007. 90