UNINGÁ – UNIDADE DE ENSINO SUPERIOR INGÁ FACULDADE INGÁ CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PRÓTESE DENTÁRIA ALEXANDRE RUBIK AVALIAÇÃO DA PRECISÃO DE TRÊS MATERIAIS UTILIZADOS NA UNIÃO DE TRANSFERENTES COM MOLDAGEM ABERTA EM PRÓTESE SOBRE IMPLANTE PASSO FUNDO 2010 ALEXANDRE RUBIK 1 AVALIAÇÂO DA PRECISÃO DE TRÊS MATERIAIS UTILIZADOS NA UNIÃO DE TRANSFERENTES COM MOLDAGEM ABERTA EM PRÓTESE SOBRE IMPLANTE Monografia apresentada à unidade de Pósgraduação da Faculdade Ingá – UNINGÁ – Passo Fundo-RS como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Prótese Dentária. Orientador: Prof. Ms. Christian Schuh PASSO FUNDO 2010 ALEXANDRE RUBIK 2 AVALIAÇÂO DA PRECISÃO DE TRÊS MATERIAIS UTILIZADOS NA UNIÃO DE TRANSFERENTES COM MOLDAGEM ABERTA EM PRÓTESE SOBRE IMPLANTE Monografia apresentada à comissão julgadora da Unidade de Pós-Graduação da Faculdade Ingá – UNINGÁ – Passo FundoRS como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Prótese Dentária. Aprovada em 20/10/2010. BANCA EXAMINADORA: ________________________________________________ Prof. Ms. Christian Schuh - Orientador ________________________________________________ Profa. Dra. Lilian Rigo ________________________________________________ Prof. Ms. Aloísio Oro Spazzin 3 DEDICATÓRIA A minha esposa Vanessa e ao meu filho Eduardo (Dudu), que são fonte de amor eterno, agradeço o companheirismo e compreensão, principalmente nos momentos difíceis, que só foram superados graças ao nosso amor. Aos meus pais João e Dolores, pelo exemplo de humildade e sinceridade a ser seguido. A minha sogra Dona Salete, pela sempre calorosa acolhida em Passo Fundo. Ao meu irmão Tarso e minha cunhada Fernanda, por se mostrarem sempre prestativos aos auxílios de informática. 4 AGRADECIMENTOS Ao Professor Ms. Christian Schuh, pela disponibilidade de tempo para a realização e avaliação do trabalho e pela paciência demonstrada ao longo deste trabalho, demonstrando ser um exemplo de profissional a ser seguido. Ao Professor Dr. Cézar Garbin, exemplo maior a ser seguido não só pela competência profissional, mas pela amizade e humildade. Ao mesmo tempo em que desmistifica a prótese nos mostra o quanto pequenos detalhes são importantes, provocando sempre uma análise criteriosa dos trabalhos. Ao Ms. Leonardo Federizzi, pela paciência extrema demonstrada nas clínicas, sempre prestativo, ético e preocupado com o bom andamento dos trabalhos, demonstrando conhecimento profissional e extremo domínio clínico nas diversas situações. Ao Ms. Aloísio Spazzin, pela dedicação demonstrada em passar seus ensinamentos tanto nas aulas teóricas quanto nas clínicas, pela disponibilidade de tirar as fotos que ilustram o trabalho. À professora Dra. Lilian Rigo, por se mostrar sempre prestativa a todos em relação à metodologia dos trabalhos, por realizar a análise estatística presente neste trabalho. A especialista em Prótese Dentária Natália Z. Dallosto, pela disponibilização do modelo mestre e pelo empréstimo de artigos, o que adiantou muito o tempo de execução desse trabalho. Ao técnico em prótese dentária Felipe, por disponibilizar o espaço de seu trabalho para que fosse realizada parte desta pesquisa e pela ajuda imprescindível em certos momentos. Aos meus colegas de turma Maurício, Alexandre, Gisele, Ângela, Mariza, Bruna, Caroline e Litiane, pela ajuda, carinho e motivação demonstrados por todos. Vai ficar a saudade das gargalhadas e das jantas, porém a amizade irá permanecer. 5 RESUMO A substituição de dentes perdidos por implantes osseointegrados é, sem dúvida, a melhor opção utilizada atualmente em reabilitações orais. A moldagem assume um papel importante para o sucesso nessas reabilitações, sendo, entre as diferentes técnicas de moldagem, a que reproduz mais fielmente a posição dos implantes a técnica da moldeira aberta, em que os transferentes são esplintados. Dessa forma, este trabalho teve como objetivo comparar, in vitro, a utilização de três diferentes agentes de união dos transferentes utilizados na técnica de moldagem aberta, pois se sabe que durante a fase de polimerização esses materiais sofrem alterações dimensionais, podendo causar diferença na reprodução da posição dos implantes pela moldagem. Sobre um modelo mestre com três implantes simetricamente posicionados e uma barra metálica posicionada, fabricada previamente, foram instalados minipilares cônicos e, sobre esses, transferentes de moldeira aberta, os quais foram unidos com fio dental e, após, com um material rígido, sendo utilizadas a resina acrílica Pattern (GC América Inc., Alsip, IL), a resina acrílica Dencrilay Speed (Dencril – Brasil) e a resina autopolimerizável Luxatemp (DMG Chemisch-Pharmazeutische Hamburg - Alemanha). Após o tempo de presa, os transferentes foram removidos do modelo mestre e foram instalados os análogos e confeccionados os modelos de gesso correspondentes às transferências dos implantes do modelo mestre. Os avaliadores passaram a testar, então, a adaptação da barra metálica inicial sobre os análogos dos modelos de gesso confeccionados, avaliando visualmente essa adaptação com e sem parafuso, classificando-a em adaptado ou não adaptado. Os resultados demonstraram que não houve diferenças estatísticas entre os modelos confeccionados e o modelo mestre; porém, quando as resinas foram comparadas entre si, a resina acrílica Dencrilay apresentou resultados estatisticamente superiores à resina Luxatemp. Palavras-chave: Implantes dentários. Modelos dentários. Técnica de moldagem odontológica. Prótese dentária fixada por implante. 6 ABSTRACT The lost teeth replacement using osseointegrated implants is surely the ideal option used recently in oral rehabilitation. The impression assumes an important role in rehabilitation success, resulting that among several techniques the most reliable in precision terms and implant position is the open moulder technique, where the transfer components are splinted. So, this paper purpose is compare, in vitro, the use of three different transfer bonding agent, used in open moulder technique, because is known that during polymerization phase the materials alter dimensionally, risking the implant position reproduction when impressing. Using a master model containing 3 implants symmetrically disposed and a previously manufactured metal bar positioned, were installed conic mini-posts and over these components open moulder transfers united using dental floss and a solid material: Pattern acrylic resin(GC América Inc., Alsip, IL), Dencrilay acrylic resin Speed (Dencril – Brasil) or Luxatemp self polymerization resin (DMG Chemisch-Pharmazeutische Hamburg - Germany). After hardening time the transfers were removed from the master model and analogs installed and plaster models obtained corresponding to the implant transferred to master model. The evaluators tested the initial metal bar adaptation over plaster model analogs obtained, visually evaluating the adaptation with and without the screw, classifying under adapted or non-adapted. The results concluded no statistical difference between the plaster models obtained and the master model, but when comparing acrylic resins Duralay presented better results then Luxatemp resin. Key-words: Dental implants. Dental models. Dental Impression Technique. Dental Prosthesis Implant-Supported. 7 LISTA DE ILUSTRAÇÕES E TABELAS Figura 1- Resina acrílica Pattern (GC) ................................................................... 22 Figura 2- Resina acrílica Dencrilay ........................................................................... 22 Figura 3- Compósito Luxatemp ................................................................................ 22 Figura 4- Modelo Mestre com os mini-pilares ........................................................... 23 Figura 5- Modelo mestre com a barra metálica ........................................................ 23 Figura 6- Transferentes do minipilar ......................................................................... 24 Figura 7- Torque de 10N .......................................................................................... 24 Figura 8- Transferentes unidos com fio dental ......................................................... 24 Figura 9- Método de utilização das resinas acrílicas ................................................ 25 Figura 10- Método de utilização do Luxatemp .......................................................... 25 Figura 11- União dos transferentes com Pattern ...................................................... 25 Figura 12- União dos transferentes com Dencrilay ................................................... 25 Figura 13- União dos transferentes com Luxatemp .................................................. 26 Figura 14- Gesso tipo IV ........................................................................................... 26 Figura 15- Espatuladora de gesso a vácuo .............................................................. 26 Figura 16- Modelo obtido com a resina Pattern ........................................................ 27 Figura 17- Modelo obtido com a resina Dencrilay .................................................... 27 Figura 18- Modelo obtido com o compósito Luxatemp ............................................. 27 Figura 19- Barra metálica sendo testada sobre o modelo de gesso ......................... 28 Figura 20-Freqüência dos resultados das três resinas - avaliação sem parafuso .... 29 Tabela 1- Comparação entre as resinas ................................................................... 30 Figura 21-Freqüência dos resultados das três resinas – avaliação com parafuso ... 30 Tabela 2- Comparação entre as resinas ................................................................... 31 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 09 2 REVISÃO DE LITERATURA......................................................................... 10 3 OBJETIVOS................................................................................................... 21 4 METODOLOGIA............................................................................................ 22 4.1 TIPO DE PESQUISA................................................................................ 22 4.2 MODELO MESTRE.................................................................................. 23 4.3 UNIÃO DOS TRANSFERENTES.............................................................. 23 4.4 CONFECÇÃO DOS MODELOS DE GESSO........................................... 26 4.5 ANÁLISE DAS AMOSTRAS OBTIDAS.................................................... 28 4.6 ANÁLISE ESTATÍSTICA........................................................................... 28 5 RESULTADOS............................................................................................... 29 6 DISCUSSÃO.................................................................................................. 32 7 CONCLUSÂO................................................................................................ 34 REFERÊNCIAS...................................................................................................... 35 APÊNDICE............................................................................................................ 38 9 1 INTRODUÇÃO Em implantodontia é necessário que haja um planejamento protético e cirúrgico conjunto para que se obtenha sucesso. Entre as diferentes etapas na confecção de uma prótese sobre implante a moldagem é um dos passos mais importantes, pois é por meio dessa que é transferida a posição dos implantes da boca para o modelo onde a prótese será confeccionada. A precisão de uma moldagem em implantodontia depende de vários fatores, como a técnica a ser utilizada, o material de moldagem, o número e a inclinação dos implantes (ASSUNÇÃO; GENNARI FILHO; GOIATO, 2002; CABRAL; GUEDES, 2004). Em próteses sobre implantes a moldagem pode ser realizada de duas formas: técnica direta, também chamada de moldeira aberta, ou técnica indireta, chamada também de moldeira fechada. A técnica da moldeira aberta transfere a posição dos implantes diretamente da boca utilizando transferentes quadrados, com o que não há necessidade de reposicionar os transferentes no molde, evitando, assim, um passo a mais na moldagem, que pode induzir a um erro de posicionamento. Já na moldagem fechada os transferentes utilizados são cônicos. Para alguns autores, não há diferenças no resultado final em relação à transferência do posicionamento dos implantes utilizando a técnica de moldagem aberta ou fechada (PEREIRA et al., 2005; DEL’ACQUA et al., 2008). A fase de moldagem de implantes reside na necessidade de reproduzir fielmente a forma dos retentores e estabelecer a transferência para o modelo de trabalho de maneira correta, aumentando, assim, a chance de adaptação passiva da infra-estrutura metálica sobre os implantes e diminuindo os riscos de insucesso que podem ocorrer pelo afrouxamento ou fratura do parafuso, sobrecarga nos implantes, perda óssea e perda do implante (KLEINE et al., 2002; BARNABÉ et al., 2005; GOMES et al., 2006; SANTOS; SCARSO FILHO, 2007). O número de implantes está diretamente ligado à técnica de escolha do tipo de moldagem a ser realizada; quando há a presença de quatro ou mais implantes, deve ser realizada a esplintagem dos transferentes para uma cópia o mais fiel possível da posição dos implantes (LEE; HOCHSTELLER; ERCOLI, 2008). A utilização de resinas acrílicas como agentes de união dos transferentes é uma técnica comumente utilizada para evitar o deslocamento desses durante a moldagem. As resinas, porém, sofrem alterações dimensionais em virtude da 10 contração durante o processo de polimerização, o que pode comprometer o objetivo primário da futura prótese, que é a melhor adaptação possível com o implante, de forma passiva. A composição do polímero, bem como a técnica de utilização desta na união dos transferentes, ainda é motivo de pesquisas. Recentemente, resinas compostas autopolimerizáveis têm sido indicadas para esse fim por apresentarem razoável facilidade de aplicação e rapidez, porém mais trabalhos devem ser realizados para que esta técnica se torne viável. 11 2 REVISÃO DE LITERATURA Pinto et al. (2001) realizaram um estudo para avaliar as alterações dimensionais em modelos de gesso obtidos por meio de um único material de moldagem, o polissulfeto, variando-se os componentes de moldagens: cônicos, quadrados e quadrados esplintados. Em uma mandíbula de polietileno foram posicionados três implantes e foram realizadas dez moldagens para cada grupo: grupo 1 - transferentes cônicos pela técnica da moldeira fechada; Grupo 2 transferentes quadrados não unidos; grupo 3 - utilizando transferentes quadrados esplintados com resina Duralay (Reliance Worth, EUA). Nos grupos 2 e 3 utilizou-se a técnica da moldagem aberta. Os modelos foram confeccionados com gesso especial tipo IV. Foram realizadas três medidas para cada modelo: do análogo intermediário aos das extremidades foram duas medidas e uma entre os análogos das extremidades. Essas medidas foram realizadas utilizando um perfilômetro, sendo repetidas por três vezes, das quais foi extraída a média aritmética. Após, essas medidas foram comparadas com as medidas do modelo mestre utilizado para as moldagens. Os resultados obtidos não apresentaram diferenças estatísticas entre os modelos de gesso obtidos e o modelo padrão inicial, porém todas as medidas obtidas nos modelos de gesso foram maiores que as do modelo inicial. Assim, as medidas obtidas foram submetidas ao teste t de Student, o qual demonstrou diferenças estatísticas entre as três técnicas de moldagens utilizadas. A técnica que utilizou os transferentes unidos foi a que apresentou os melhores resultados quando comparados aos do modelo inicial. Daoundi et al. (2001) avaliaram a precisão de duas técnicas de moldagem sobre implante utilizando dois diferentes materiais de moldagem: polivinilsiloxano (President) e polieter (Impregum) em nível laboratorial. Em uma maxila acrílica um implante foi posicionado na região do incisivo central. Foram realizadas dez moldagens pela técnica da moldeira aberta e dez pela técnica da moldeira fechada com cada um dos materiais, totalizando quarenta moldagens. Os resultados obtidos mostraram grande proporção de erro nos casos em que o reposicionamento do análogo na moldagem se faz necessário (moldagem fechada). Não houve diferença estatística entre os materiais de moldagem utilizados. Os resultados obtidos em relação à posição errada na moldagem do implante foram superiores em duas vezes 12 à cópia correta da posição dos implantes, devendo, assim, segundo os autores, ser preocupação na clínica diária. Assunção, Gennari Filho e Goiato (2002) realizaram estudo no qual compararam a precisão de modelos em moldagens de transferência de implantes com diferentes inclinações. Foi utilizada uma matriz de alumínio com quatro implantes, sendo um perpendicular à superfície da mesma e os outros com inclinações de 80, 75 e 65 graus. Os materiais de moldagem utilizados foram a silicona de condensação (Zetaplus/Oranwash) e uma silicona de adição (Imprint II) de alta viscosidade. Foram utilizadas duas técnicas de moldagem: moldeira aberta, com transferentes unidos com fio dental e resina acrílica Duralay (Reliance Worth, EUA) e transferentes não unidos, formando assim dois grupos. No terceiro grupo a técnica de moldagem utilizada foi a da moldeira fechada. Foram realizadas dez moldagens para cada grupo, sendo cinco com cada um dos materiais utilizados no trabalho, totalizando trinta moldagens. Os modelos foram confeccionados com gesso tipo IV. A leitura dos corpos-de-prova foi realizada utilizando um perfilômetro, sendo para cada corpo-de-prova feitas 15 leituras. Os melhores resultados foram obtidos com a utilização da silicona de adição (Imprint II) associada à união dos transferentes com a resina acrílica Duralay. Zuim et al. (2002) compararam diferentes materiais de moldagem em implantodontia quando empregados sobre transferentes unidos com resina acrílica ou não. Sobre uma matriz metálica foram instalados quatro implantes com diferentes inclinações, sendo no primeiro grupo os transferentes unidos com resina acrílica Dencrilay (Dencril, Brasil) e, no segundo grupo, não unidos. Foram utilizados três diferentes materiais de moldagem: silicona de adição, poliéter e alginato. Dessa forma, foram formados diferentes grupos: grupo 1, com os transferentes unidos, e grupo 2, formado pelos transferentes não unidos. Em cada grupo foram realizadas moldagens com os diferentes materiais citados. Foram realizadas seis medições em cada corpo-de-prova, repetidas por três vezes em cada modelo, utilizando um microscópico e comparando com a matriz inicial. Para a análise estatística foi utilizado o teste de Kruskal-Wallis com 5% de significância. A silicona de adição foi o único material que não apresentou diferenças estatísticas na transferência dos implantes quando comparado com a matriz inicial. Por sua vez, o alginato apresentou imprecisão na transferência dos implantes tanto quando os transferentes estavam unidos ou não. O poliéter apresentou certa imprecisão quando os 13 transferentes apresentavam-se unidos com resina acrílica. Dessa forma, os autores concluíram que a transferência dos implantes quando estão unidos com resina acrílica mostrou-se eficiente quando o material utilizado para moldagem foi a silicona de adição, ao passo que o poliéter apresentou imprecisão nessa técnica, mostrando ser eficiente na técnica dos transferentes não unidos. A falta de paralelismo entre os implantes não afetou a precisão das transferências quando o material utilizado foi a silicona de adição ou o poliéter. Kleine et al. (2002) avaliaram três materiais de moldagem _ silicona de condensação, silicona de adição e poliéter _ e três diferentes técnicas de moldagem _ transferentes quadrados unidos com resina acrílica Duralay (Reliance Worth, EUA), transferentes quadrados esculpidos com resina acrílica Duralay, porém separados (técnica dos quadrados esculpidos separados) e transferentes cônicos. Sobre uma matriz metálica simulando uma mandíbula foram instalados cinco análogos, de forma a imitar um protocolo. Foram realizados cinco moldes para cada material de moldagem e para cada técnica de transferência. Os modelos de gesso foram confeccionados utilizando um gesso tipo IV. Um microscópio foi utilizado para medir as distâncias entre os análogos nos modelos de gesso, sendo medida a distância entre os dois análogos mais distantes, entre os análogos posicionados no mesmo hemi-arco e entre os análogos mais próximos entre si, mas posicionados em lado opostos da linha média. Foram obtidas três medidas para cada distância avaliada e realizada média aritmética. Essas medidas foram comparadas com o modelo inicial moldado. As amostras foram submetidas à análise de variância e as médias, ao teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade. Os resultados apontaram que a menor alteração dimensional linear entre os implantes mais distantes entre si ocorreu na utilização da silicona de adição e com o poliéter associado aos transferentes esplintados. Já na distância entre os implantes na mesma arcada não houve alterações referenciais na posição dos análogos em relação ao modelo inicial com os três materiais de moldagens e técnicas de moldagens utilizadas. Em relação à menor distância entre os implantes dispostos entre uma hemi-arcada e outra, os melhores resultados foram obtidos com transferentes quadrados unidos e separados com o poliéter. O poliéter foi o material que apresentou a maior estabilidade dimensional na transferência dos análogos e a técnica da moldeira aberta associada à união dos transferentes foi a que melhor reproduziu a posição inicial dos implantes. 14 Naconecy et al. (2004) compararam três técnicas de impressão para próteses sobre implantes com múltiplos pilares. Em uma mandíbula edentada fabricada com resina epóxi foram instalados cinco análogos, e sobre esses foi fabricada uma armação metálica com o objetivo de simular uma prótese. Posteriormente, os cinco análogos foram removidos do modelo inicial e parafusados nos cilindros de ouro da armação metálica. Esse conjunto foi então fixado nos buracos da mandíbula de resina epóxi utilizando-se uma fresadora. As moldagens foram realizadas utilizando um poliéter de viscosidade regular (Impregum F). Foram formados três grupos: a primeira técnica utilizou transferentes quadrados, que foram esplintados com pinos de aço e resina acrílica (Pattern Resin; GC Corporation); a segunda amostra foi obtida utilizando-se moldagem direta sem esplintagem com transferentes quadrados; o terceiro grupo foi obtido pela técnica de moldagem indireta com transferentes cônicos. Os modelos foram confeccionados com gesso tipo IV. Foi obtido um total de 15 modelos, sendo cinco para cada grupo. Com o objetivo de avaliar a deformação da armação metálica em cada modelo foram utilizados 16 extensômetro, que foram fixados na armação metálica nas suas faces anterior, superior, posterior e inferior, sendo tomadas duas avaliações para cada amostra. Para o apertamento dos parafusos foi utilizado um torque padrão de 10Ncm. Para a análise estatística foi utilizado o teste de Tukey com níveis de significância de 05 e 01. Os resultados mais satisfatórios foram obtidos utilizando-se a técnica de moldagem direta com esplintagem dos transferentes quando comparados à não esplintagem dos transferentes com moldeira aberta ou fechada. Rodrigues (2006) comparou quatro diferentes formas de moldagens em implantodontia. Sobre um modelo mestre com três análogos foi confeccionada uma barra metálica, e sobre o modelo mestre foi realizado um total de vinte moldagens, sendo cinco para cada grupo: transferentes quadrados unidos com fio dental e resina acrílica Duralay (Reliance Worth, EUA), transferentes quadrados unidos com barras de acrílico pré-fabricadas e resina acrílica Duralay, transferentes cônicos (não unidos) e transferentes quadrados unidos com lâminas de resina acrílica fotopolimerizável. Após a confecção dos modelos, a barra metálica previamente confeccionada sobre o modelo mestre foi parafusada sobre cada modelo e testada sua adaptação com o auxílio de um microscópico óptico. Os melhores resultados foram obtidos com a utilização da barras de acrílico pré-fabricadas unidas com 15 resina acrílica na técnica da moldeira aberta, porém não houve diferenças estatísticas entre as técnicas utilizadas. Cabral e Guedes (2007) avaliaram in vitro quatro técnicas de moldagens com o objetivo de avaliar a alteração dimensional dessas. Sobre um modelo mestre em metal foram instalados dois implantes. As moldagens foram divididas em quatro grupos: Grupo 1 - moldagem realizada em duas etapas utilizando transferentes cônicos; Grupo 2 - moldagem em passo único, com a utilização de transferentes quadrados não unidos; Grupo 3 - moldagem em passo único, com a utilização de resina acrílica Pattern Resin LS (GC América Inc., Alsip, IL) unindo os transferentes quadrados; Grupo 4 - moldagem e passo único com transferentes quadrados unidos por resina acrílica Pattern (GC América Inc., Alsip, IL), sendo seccionados após 17 minutos de sua polimerização e novamente unidos com a mesma resina acrílica. A mensuração das medidas foi realizada três vezes para cada modelo. Para a análise estatística foi aplicada a análise de variância e utilizado o teste de Tukey. Os melhores resultados foram obtidos utilizando-se a técnica do Grupo 4, onde a resina acrílica foi seccionada e novamente unida, não apresentando diferenças estatísticas quando na comparação com o modelo inicial. Conrad et al. (2007) compararam a técnica da moldeira fechada com a da moldeira aberta, variando-se o número de implantes e as angulações dos implantes. Foram criados sete modelos com três implantes posicionados sobre esses, dos quais dois apresentavam angulações diferentes em relação ao implante central, formando um triângulo. O implante central encontrava-se perpendicular à base do modelo, ao passo que os outros implantes estavam com angulações que variavam entre 5, 10 e 15 em relação ao implante central, convergindo ou divergindo deste. O modelo do grupo de controle apresentava os três implantes paralelos entre si e perpendiculares à base do modelo. Foram realizadas dez moldagens para cada um dos sete modelos, sendo cinco com moldeira aberta e cinco com moldeira fechada, totalizando um total de setenta moldagens. O material utilizado para moldagem foi o polivinilsiloxano – Imprint II. Os modelos foram confeccionados com gesso tipo IV. Para a análise estatística foi utilizado Anova para mensurações repetidas com testes post-hoc de interações significativas. Foi utilizado um software para avaliar as diferenças em graus entre os implantes no modelo mestre e nos modelos obtidos nas moldagens. A conclusão do trabalho evidenciou que não houve diferenças estatísticas significantes entre as amostras obtidas e seus modelos mestres iniciais, 16 pois a angulação e o número dos implantes não influenciaram nos resultados das amostras; assim, como não houve diferenças estatísticas entre a técnica da moldeira aberta e a fechada. Lopes Júnior (2008) comparou in vitro três diferentes técnicas de esplintagem de transferentes utilizando quatro diferentes tipos de resinas acrílicas em quatro períodos diferentes. As resinas acrílicas utilizadas foram Dencrilay (Dencril, Brasil), Pattern (GC América Inc., Alsip, IL), Duralay I (Reliance Worth, EUA) e Duralay II (Reliance Worth, EUA). Os transferentes foram unidos de três diferentes formas: com fio dental, barras de acrílico pré-fabricadas e barras metálicas pré-fabricadas. Após a união dos transferentes as resinas foram avaliadas em diferentes tempos: 20 minutos, 3, 24 e 36 horas. A técnica utilizada para avaliação foi a da fotoelasticidade. Foram confeccionados três modelos, cada um com dois implantes posicionados e sobre os quais foram parafusados transferentes quadrados. Após a união dos transferentes pelas diferentes formas, foi utilizado um polariscópio circular para avaliar a distorção na região apical dos implantes e a força gerada sobre os transferentes em cada experimento. Em relação às quatro resinas utilizadas, a análise estatística demonstrou que não houve diferenças estatísticas quando foi utilizada a técnica de união dos transferentes com barras de metal; entretanto, quando foram utilizados barras de acrílico pré-fabricadas e fio dental, os resultados mostraram significante diferença estatística. Os piores resultados foram demonstrados quando utilizada a resina Dencrilay, ao passo que as resinas Duralay II e GC obtiveram as menores alterações na técnica que utiliza barras préfabricadas. Na técnica de união com fio dental as menores alterações foram obtidas com a utilização do GC e do Duralay I. Em relação às técnicas utilizadas para a união dos transferentes, a união com hastes metálicas apresentou as menores alterações com as resinas GC, Duralay I e Dencrilay. Para a técnica de barras préfabricadas os melhores valores foram conseguidos com a utilização da resina Duralay II, ao passo que a técnica que utiliza o fio dental apresentou os piores resultados para todas as resinas. O autor concluiu que a melhor técnica de união foi a que utilizou hastes metálicas e as resinas que apresentaram as menores alterações dimensionais foram GC Pattern, Duralay I e Duralay II. Assunção et al. (2008) compararam três técnicas de transferência de implantes osseointegrados. Sobre uma matriz metálica foram fixados dois implantes, um perpendicular à base da matriz e outro inclinado em 65 graus. Grupo 1: foram 17 utilizados transferentes quadrados esplintados com uma barra de acrílico autopolimerizável pré-fabricada e resina acrílica Duralay. Grupo 2: foram utilizados transferentes quadrados esplintados com barras de resina composta pré-fabricadas e esplintadas com resina acrílica Duralay (Reliance Worth, EUA). Grupo 3: foram utilizados transferentes quadrados isolados jateados com óxido de alumínio. Para a realização da moldagem foi utilizado o Impregum Soft e utilizadas moldeiras individuais, sendo realizado um total de trinta moldagens, dez para cada grupo. A análise dos modelos obtidos foi realizada por um programa de computador Autocad, onde as imagens dos modelos foram digitalizadas em scaner. As análises concluíram que não houve diferenças estatísticas entre o grupo 1 e 2, porém estes se mostraram superiores ao grupo 3. Quanto à inclinação dos implantes, não houve diferenças estatísticas entre os grupos. Martins et al. (2008) realizaram uma pesquisa onde foram instalados quatro implantes de diferentes marcas comerciais sobre uma matriz metálica. Sobre esses implantes foram instalados transferentes da mesma marca comercial e de outras marcas comerciais. As marcas utilizadas foram: Nobel Biocare, Conexão, Neodente e Dentoflex. Após a instalação dos transferentes intersistemas e intrasistemas, procedeu-se à realização das moldagens utilizando uma silicona de adição. Para realizar as medições foi utilizado um projetor de perfil Pantec, sendo as medições eram realizadas de cada análogo até o centro do modelo de gesso e as possíveis rotações em relação ao plano horizontal. Essas medidas, então, eram comparadas com o modelo inicial. Pela análise de variância (Anova) observou-se que em todas as combinações os análogos apresentaram diferenças estatísticas em relação à posição dos implantes no modelo inicial. Assim, nenhum dos modelos foi capaz de reproduzir com exatidão a posição dos implantes, apresentando diferenças estatisticamente significantes. Na comparação intersistemas, o melhor resultado foi obtido pelo conjunto de transferente e implante Nobel Biocare, tanto na comparação da alteração da distância quanto na rotação. Já na comparação intrasistemas, o menor resultado na diferença da distância horizontal foi na utilização do transferente Nobel Biocare sobre o implante Conexão e a menor alteração rotacional, na utilização do transferente Nobel Biocare sobre o implante Neodent. Gennari Filho et al. (2009) compararam quatro técnicas de transferências de implantes com angulações diferentes. Foram utilizados transferentes quadrados sem união, transferentes quadrados unidos com resina acrílica autopolimerizável e fio 18 dental, transferentes unidos com resina autopolimerizável e fio dental; após foram seccionados e novamente unidos com resina acrílica Duralay (Reliance Worth, EUA) e transferentes unidos com barras de acrílico pré-fabricadas com resina acrílica Duralay. O material de moldagem utilizado foi o poliéter. Foi utilizada uma matriz metálica onde foram instalados dois implantes com angulações diferentes em relação ao plano oclusal, 65 e 90 graus. As amostras tiveram suas imagens escaneadas e foram analisadas por um programa de computador. Para a análise estatística foram utilizados a análise de variância e o teste de Tukey (p<0,05). As imagens foram comparadas com as do modelo inicial e calculadas as diferenças de angulações. Todas as amostras apresentaram diferenças significativas nas angulações dos implantes quando comparadas com o modelo padrão, entretanto os piores resultados foram obtidos quando os transferentes não foram unidos, seguidos pelos unidos com fio dental, fio dental segmentado e novamente unidos. As menores alterações foram observadas onde foi realizada a união com barrras de acrílico pré-fabricadas. Quando comparada a inclinação dos implantes em relação ao ângulo reto, todos mostraram alterações significativas em relação ao modelo mestre, com exceção do grupo que utilizou barras de acrílico pré-fabricadas. Augustin et al. (2009) avaliaram in vitro dois materiais utilizados na união de transferentes sobre minipilares. Os materiais utilizados foram a resina acrílica Pattern (GC América Inc., Alsip, IL) e um compósito autopolimerizável Luxatemp (DMG Chemisch-Pharmazeutische Hamburg - Alemanha). Foram realizadas dez transferências com cada um dos materiais. Um modelo em acrílico foi confeccionado sobre uma placa de articulador semiajustável, onde foram instalados quatro implantes. Após a instalação dos transferentes sobre esses, procedeu-se à união com resina acrílica GC e com a resina composta autopolimerizável Luxatemp. Após a união, o conjunto foi removido, sendo instalados os análogos para a confecção dos modelos de gesso, que foram comparados ao modelo inicial, do qual foram extraídas medidas em milímetros na extremidade superior dos pilares sobre a plataforma de Ericson. Os modelos foram avaliados por três examinadores, que compararam as distâncias entre os pilares e transferentes nos modelos inicial e final. Para a análise estatística foi utilizado o teste de Mann-Whitney, o qual permitiu concluir que não houve diferenças estatísticas entre os dois materiais utilizados para esplintagem dos transferentes. 19 Dallosto (2009) comparou diferentes técnicas de moldagens sobre implantes. Sobre uma mandíbula de acrílico foram instalados três implantes e, sobre esses, minipilares. No primeiro grupo esses foram unidos com resina acrílica Pattern (GC América Inc., Alsip, IL) e pregos de inox; no segundo grupo os transferentes foram unidos com fio dental e resina acrílica Pattern. Nesses grupos a técnica de moldagem utilizada foi a da moldeira aberta. No terceiro grupo os transferentes não foram unidos e a técnica de moldagem utilizada foi a da moldeira fechada. O material utilizado para a realização das moldagens foi a silicona de adição (Express3M). Foram realizadas três moldagens para cada grupo estudado, e o gesso utilizado para confecção dos modelos foi um gesso tipo IV. Após, a barra metálica previamente confeccionada no modelo mestre foi analisada sobre os modelos obtidos com as moldagens. Três avaliadores compararam a adaptação da barra fundida sobre os modelos, estabelecendo três escores: desadaptado, desadaptado aceitável e adaptado. A análise foi realizada sem parafusar a barra sobre o modelo e parafusando manualmente a barra, sendo a análise tátil e visual. Os resultados foram submetidos à análise estatística de Kruskal-Wallis, Mann-Whitney e à análise de freqüência de resultados. Os melhores resultados foram obtidos com a utilização de técnica da moldeira aberta, a qual que mostrou superior estatisticamente à técnica da moldeira fechada, porém não houve diferenças estatísticas entre as duas técnicas de moldagem aberta. Braga (2010) avaliou a precisão de quatro técnicas de moldagem em implantodontia. Foram instalados três implantes sobre uma infra-estrutura metálica, sobre a qual foi confeccionada uma estrutura metálica simulando uma prótese. Após, foram realizadas as moldagens, que foram divididas em quatro grupos: transferentes cônicos com moldeira fechada, transferentes quadrados sem união com moldeira aberta, transferentes quadrados unidos com bastões de resina e resina acrílica autopolimerizável e transferentes quadrados unidos com uma resina Bis-acrílica autopolimerizável com moldeira aberta. A resina acrílica utilizada foi a Pattern (GC América Inc., Alsip, IL), e um compósito autopolimerizável utilizado foi o Luxatemp (DMG Chemisch-Pharmazeutische Hamburg - Alemanha). O material de moldagem utilizado foi a silicona de adição Honigum-Mono. Foram realizadas dez moldagens para cada técnica. O gesso utilizado para confecção dos modelos foi um gesso tipo IV. A supra estrutura metálica previamente fabricada foi então testada nos modelos obtidos com as moldagens, sendo avaliada com um microscópico óptico para avaliar 20 desajustes, assim como as tensões geradas foram avaliados por um extensômetro. O teste de Kruskal-Wallis não paramétrico com significância de 5% foi utilizado para avaliar se havia diferenças estatísticas entre os grupos. Foi calculado o coeficiente de correlação de Pearson para as variáveis tensão e desajuste, o qual indicou correlação positiva entre as variáveis tensão e desajuste. Os demais valores encontrados não apresentaram significância estatística. Os melhores resultados obtidos foram conseguidos com a utilização dos transferentes unidos com bastões de resina acrílica, porém não houve diferença estatística em relação aos outros grupos, e houve correlação direta entre desajuste marginal e tensões geradas à supra estrutura. Assunção et al. (2010) avaliaram in vitro duas técnicas de esplintagem de transferentes quadrados em moldagens sobre implantes. Foi utilizada uma matriz de alumínio, onde foram instalados quatro implantes com angulações diferentes: 90, 80, 75 e 65 graus. Os materiais utilizados para união dos transferentes foram a resina acrílica autopolimerizável Duralay (Reliance Worth, EUA) e a silicona de condensação Zetalabor. Foram confeccionadas vinte moldeiras individuais e o material de moldagem utilizado foi o Impregum. Após a presa do material, os transferentes foram desparafusados e os análogos, instalados; a confecção dos modelos foi realizada com a utilização de gesso tipo IV. Um programa de computador foi utilizado para medir as inclinações dos análogos nos modelos de gesso, comparando essas medidas com o modelo inicial. Para a análise estatística foram utilizados a análise de variância e o teste de Tukey (<0,05). O estudo concluiu que não houve diferenças estatísticas entre os dois grupos formados pela união dos transferentes utilizando diferentes materiais. O grupo que utilizou resina acrílica para esplintagem dos materiais não apresentou diferenças estatísticas quando comparado ao modelo mestre, porém o grupo que utilizou silicona de condensação apresentou medidas que diferem estatisticamente quando comparadas às do modelo mestre. Em relação à inclinação dos implantes, os piores resultados foram obtidos nos implantes com inclinação de 75 graus. Assim, os autores concluíram que a inclinação dos implantes pode afetar a posição da transferência dos implantes, razão por que não recomendam a utilização da silicona de condensação como material a ser utilizado na esplintagem dos transferentes em moldagens de próteses sobre implantes. 21 3 OBJETIVOS O objetivo desta pesquisa foi avaliar a precisão de polímeros utilizados como agentes de união de transferentes, na técnica de moldagem aberta em implantodontia, avaliando se a diferença de adaptação entre os modelos transferidos com os agentes de união e o modelo mestre. Os materiais utilizados como agentes de união foram: - Resina acrílica Pattern (GC América Inc., Alsip, IL); - Resina acrílica Dencrilay (Dencril, Brasil); - Compósito autopolimerizável Luxatemp (DMG Chemisch-Pharmazeutische Hamburg - Alemanha). 22 4 METODOLOGIA 4.1 TIPO DE PESQUISA A pesquisa realizada é do tipo experimental, na qual foram utilizados três diferentes polímeros como agentes de união de transferentes de implantes na técnica de moldagem com moldeira aberta. Os materiais utilizados foram: resina acrílica Pattern Resin LS (GC América Inc., Alsip, IL), resina acrílica Dencrilay (Dencril, Brasil) e o compósito autopolimerizável Luxatemp (DMG ChemischPharmazeutische Hamburg - Alemanha), formando assim três grupos. Figura 1– Resina acrílica Pattern Figura 3 – Compósito Luxatemp Figura 2 - Resina acrílica Dencrilay 23 4.2 MODELO MESTRE Foi utilizada como modelo mestre uma mandíbula de acrílico edêntula (Nacional Ossus), na qual foram realizadas três perfurações e instalados análogos de implantes de titânio com plataforma 4.1 hexágono externo (Neodent® Implante Osseointegrável, Curitiba-PR, Brasil), de forma a ficarem paralelos entre si. Sobre cada análogo foi instalado um minipilar cônico (Neodent® Implante Osseointegrável, Curitiba-PR, Brasil) com altura de cinta de 1 mm (Figura 4). Após foi dado torque de 20N em cada minipilar. Inicou-se, então, o processo de confecção da barra metálica, utilizando o sistema de assentamento passivo da Neodent. Foram adaptados os cilindros de latão sobre os minipilares do modelo-mestre e, sobre esses, os cilindros calcináveis; após, foi encerada uma barra para, então, ser realizada a fundição desse conjunto. Após a fundição, os cilindros de latão foram substituídos pelos de titânio, que foram fixados aos minipilares do modelo mestre com torque de 10N, e a barra foi adaptada a esses cilindros (Figura 5). Para a cimentação foi utilizado um cimento resinoso (U100 3M), conforme Dallosto (2009). Figura 4 - Modelo mestre com os minipilares Figura 5 – Modelo-mestre com a barra metálica 4.3 UNIÃO DOS TRANSFERENTES Sobre os minipilares foram utilizados transferentes de moldeira aberta (Neodent) (Figura 6), com um torque de 10N (Figura 7), os quais foram unidos com fio dental através de amarrias sem causar tensionamento (Figura 8). Sobre os transferentes e o fio dental foi aplicado um agente de união rígido, sendo realizadas dez 24 esplintagens com cada resina acrílica e nove com o compósito autopolimerizável, totalizando um total de 29 transferências. Figura 6 – Transferentes do minipilar Figura 7 – Torque de 10N Figura 8 – Transferentes unidos com fio dental As resinas acrílicas Pattern e Dencrilay foram aplicadas sobre o fio dental utilizando a técnica do pincel (Figura 9). O compósito autopolimerizável foi aplicado sobre o fio dental utilizando uma pistola própria que acompanha o material (Figura 10). O tempo de presa de cada material foi respeitado, conforme instruções de seus respectivos fabricantes, sendo de 4min para a resina acrílica Pattern e de 7min para o compósito Luxatemp. Já para o acrílico Dencrilay a empresa não estabelece um tempo preciso, mas recomenda aguardar, em média, 5min, o que foi respeitado. 25 Figura 9- Método de utilização das resinas acrílicas Figura 10- Método de utilização do Luxatemp Após cada união ser realizada, os transferentes foram removidos do modelo mestre e adaptou-se a esses seus respectivos análogos, realizando o aperto manualmente. A cada três uniões realizadas procedia-se à confecção dos modelos de gesso, com exceção do terceiro grupo de união, onde foram realizadas quatro uniões, totalizando um total de dez uniões de transferentes para as resinas acrílicas e nove uniões para o compósito autopolimerizável. Figura 11-União dos transferentes com Pattern Figura 12-União dos transferentes com Dencrilay 26 Figura 13 – União dos transferentes com Luxatemp 4.4 CONFECÇAO DOS MODELOS DE GESSO Para a confecção dos modelos de gesso foi utilizado um gesso tipo IV Durone (Dentsply, Brasil) (Figura 14), o qual foi espatulado em uma espatuladora a vácuo (Figura 15) conforme proporção e tempo estipulado pelo fabricante (100g de pó/ 19 mL de água, por 1 minuto). Figura 14– Gesso tipo IV Figura 15 – Espatuladora de gesso a vácuo 27 Após a espatulação, o gesso foi colocado em recipientes individuais com volumes muito próximos uns dos outros, já que correspondem à base de copos plásticos recortados, onde o conjunto análogo-transferente foi posicionado. Aguardou-se o tempo de presa do gesso conforme instruções do fabricante e, após, os transferentes foram removidos. Dessa forma, foi obtido um total de 29 modelos de gesso com os análogos do minipilar. Figura 16 – Modelo obtido com a resina Pattern Figura 17 – Modelo obtido com a resina Dencrilay Figura 18 – Modelo obtido com o compósito Luxatemp 28 4.5 ANÁLISE DAS AMOSTRAS OBTIDAS Os modelos obtidos foram numerados aleatoriamente com números de 1 ao 29, sendo anotado o número correspondente ao material utilizado. Destaca-se que os responsáveis pela análise dos modelos desconheciam o material que havia sido utilizado para união dos transferentes em cada modelo examinado. A análise foi realizada por dois avaliadores. Sobre esses modelos foi testada a barra metálica fabricada inicialmente sobre o modelo mestre (Figura 19). A classificação utilizada sobre cada amostra foi adaptada ou desadaptada, conforme Anexo 1. Figura 19– Barra metálica sendo testada sobre o modelo de gesso 4.6 ANÁLISE ESTATÍSTICA Foram avaliadas as freqüências dos resultados de adaptação sobre os modelos de acordo com os três materiais utilizados com o objetivo de esplintar os transferentes Para a análise estatística foi utilizado o teste de Kappa para os três materiais utilizados na união dos transferentes e foram separados pelo modo de avaliação proposto. 29 RESULTADOS Conforme análise estatística Kappa, a concordância entre os examinadores no grupo sem parafuso ficou em 0,9 (1,0-0,53) com valor de p<0,001. Dessa forma, a concordância foi considerada ótima. Já no grupo com parafuso a concordância entre os examinadores foi considerada boa, ficando em 0,66 (1,0- 0,32) com valor de p<0,001. O Gráfico 1 apresenta os resultados obtidos nos diferentes grupos de resinas sem a utilização dos parafusos. Os maiores índices de adaptação foram observados com a resina acrílica Dencrilay e os maiores índices de desadaptaçâo, na resina Luxatemp. 100 90 80 80 61,1 60 38,9 Adaptado (%) Desaptado (%) 40 20 10 20 0 GC DE LX Figura 20 – Freqüência dos resultados com as três resinas – avaliação sem parafuso. No teste não paramétrico de Kruskal Wallis sem a utilização do parafuso não houve diferença estatística significante com valor de p=0,102, não havendo diferenças estatísticas entre os três grupos de resinas (p>0,05). 30 TABELA 1 – Comparação entre as resinas. Resinas Média dos Postos N *p 0,102 GC 20 28,80 DE 20 25,90 LX 18 34,28 Total 58 *p <0,05 – Diferença estatisticamente significativa. 100 95 85 80 61,1 60 38,9 Adaptado (%) Desaptado (%) 40 15 20 5 0 GC DE LX Figura 21- Freqüência dos resultados das três resinas – avaliação com parafuso. Na análise dos modelos com parafuso utilizando o teste de Kruskall Wallis houve diferenças estatísticas entre as resinas utilizadas com valor de p=0,026, havendo diferença estatística entre a resina Dencrilay e a resina Luxatemp (p=0,012), ao passo que entre a resina GC e a resina Dencrilay não houve diferenças estatísticas, assim como entre a resina GC e a resina Luxatemp, como evidenciado na Tabela 4. 31 TABELA 2- Comparação entre as resinas Resinas N Média dos Postos Soma dos Postos *p 0,026 GC 20 28,35 ab 28,35 DE 20 25,45 a 25,45 LX 18 35,28 b 35,28 Total 58 *p <0,05 – Diferença estatisticamente significativa 32 6 DISCUSSÃO Este trabalho avaliou os materiais utilizados na união dos transferentes quadrados em moldagens abertas de implantes, pois muitos trabalhos mostram ser esta a melhor técnica de moldagem para a confecção de uma prótese múltipla sobre implantes (PINTO et al., 2001; DAOUND et al., 2001; ASSUNÇÃO, GENNARI FILHO, GOIATO, 2002; ZUIM et al., 2002; KLEINE et al., 2002; NACONECY et al., 2004; RODRIGUES, 2006; CABRAL, GUEDES, 2007; ASSUNÇÃO et al., 2008; GENNARI FILHO et al., 2009; DALLOSTO, 2009). A utilização de implantes paralelos entre si no modelo mestre buscou não incluir fatores adicionais de alterações nas moldagens, já que alguns autores encontraram que a inclinação dos implantes pode afetar a posição da transferência dos implantes (GENNARI FILHO et al., 2009; ASSUNÇÃO et al., 2010). Porém, outros autores não encontraram diferenças entre a transferência de implantes paralelos ou inclinados (ZUIM et al., 2002; CONRAD et al., 2007; ASSUNÇÃO et al., 2008). No presente trabalho utilizaram-se apenas componentes de uma mesma marca comercial, pois, como demonstrou Martins (2008), a utilização de componentes entre marcas de implante diferentes deve ser evitada, pois pode apresentar níveis de adaptação variados. Buscando comparar apenas o material de união dos transferentes, não a técnica de moldagem, a metodologia empregada, baseada em Dallosto (2009), justifica a não utilização de materiais de moldagem e a utilização da técnica do fio dental, deixando as possíveis alterações apenas para área de união. A metodologia apresentada por Dallosto (2009) busca avaliar a adaptação de forma tridimensional (NACONECY et al., 2004; RODRIGUES, 2006; BRAGA, 2010), não apenas de forma linear (KLEINE et al., 2002; AUGUSTIN et al., 2009), já que as alterações vão representar falta de passividade na peça final, e a passividade deve ser avaliada tanto horizontal, quanto verticalmente. Nos resultados encontrados neste trabalho não houve diferença estatística entre a união dos transferentes com a resina Dencrilay e a resina Pattern, diferentemente do encontrado por Lopes Júnior (2008), que, utilizando em seu estudo a fotoelasticidade, encontrou resultados inferiores estatisticamente para a resina Dencrilay. A diferença encontrada pode ser devido a maior dificuldade 33 encontrada em sua utilização, podendo, assim, apresentar resultados não tão padronizados, porém isso precisa ser comprovado em trabalhos futuros. Já os resultados estatisticamente similares encontrados entre a união com a resina Pattern e a Luxatemp correspondem aos encontrados por Augustin et al. (2009) e Braga (2010). Não foi encontrado na literatura outro trabalho comparando a união dos transferentes quadrados com a resina Dencrilay e a resina Luxatemp. A resina Luxatemp demonstrou neste trabalho ter fácil utilização, através da pistola de aplicação, porém com um tempo de presa maior. Porém, a resina Luxatemp não foi desenvolvida para ser utilizada para este fim. 34 7 CONCLUSÃO Não houve diferenças na adaptação da barra metálica sobre os modelos obtidos com os três materiais utilizados nas transferências dos implantes. A resina acrílica Dencrilay (Dencril, Brasil) apresentou os melhores resultados, seguida pela resina acrílica Pattern (GC América Inc., Alsip, IL) e, por fim, do compósito autopolimerizável Luxatemp (DMG ChemischPharmazeutische Hamburg - Alemanha). Não houve diferenças na precisão entre a resina acrílica Dencrilay e a resina acrílica Pattern; e entre a resina acrílica Pattern e o compósito autopolimerizável Luxatemp. Porém a precisão obtida com a resina Dencrilay foi superior ao compósito Luxatemp. 35 REFERÊNCIAS ASSUNÇÃO, W. G.; GENNARI FILHO, H.; GOIATO, M. C. Avaliação do comportamento de dois silicones nas moldagens para transferência de implantes com diferentes inclinações. Revista Odontológica de Araçatuba, Araçatuba, n.1, v.23, p. 42- 48, jan./ jul. 2002. ASSUNÇÃO, W. G. et al. Prosthetic transfer impression accuracy evaluation for osseointegrated implants. Implants Dentistry, Baltimore, n.3, v17, p.248-253, 2008. ASSUNÇÃO, W. G. et al. 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