Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade Conquistas e desafios Relatório Síntese de Pesquisa 2002-2007 Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade Conquistas e desafios Relatório Síntese de Pesquisa 2002-2007 EXPEDIENTE Cáritas Brasileira Endereço: SGAN – Av. L2 Norte, Quadra 601, Módulo F CEP: 70830-010 / Brasília (DF) Site: www.caritas.org.br Email: [email protected] Fone: +55-61-3521-0350 Diretoria Presidente: Dom Luís Demétrio Valentini Vice-Presidente: Anadete Gonçalves Reis Diretora Secretária: Ir. Francisca Erbênia de Sousa Diretor Tesoureiro: Pe. Evaldo Praça Ferreira Coordenação Colegiada Diretora executiva nacional: Maria Cristina dos Anjos da Conceição Coordenador: Ademar Bertucci Coordenador: Luiz Cláudio Mandela Comunicação Cáritas: Ricardo Piantino / Thays Puzzi - Secretariado Nacional Relatório Síntese de Pesquisa dos Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade Pesquisa e Sistematização: Jonas Bertucci e Wilson Viana Projeto Gráfico e diagramação: Nenn Costa Revisão ortográfica: Filipe da Silva Linhares Impressão: Usina Gráfica Tiragem: 2.000 exemplares Relatório Síntese de Pesquisa 2002-2007 ENDEREÇOS CÁRITAS BRASILEIRA – 2010 CB-SECRETARIADO NACIONAL MARIA CRISTINA DOS ANJOS cristina@car itas.org.br SGAN 601 MÓDULO “F” S/N, Asa Norte CEP: 70830-010 - Brasília/DF Fone: (61) 3214-5400 Fax: (61) 3214-5404 Celular: (61) 9217-9740/8134-1001 [email protected] CNPJ: 33.654.419/0001-16 CB-REGIONAL NE II Pe. JANDEILSON ALENCAR [email protected] Rua Monte Castelo, 176 - Boa Vista 50050-310 - Recife/PE Fone: (81) 3231-4923 / 3435/ 3532 Fax: (81) 3231-5272 Celular: (81) 9913-5256 [email protected] CNPJ 33.654.419/0011-98 CB-REGIONAL NORDESTE III IR.CLEUSA ALVES DA SILVA [email protected] Rua Emilia Couto, 270 - Brotas 40285-030 - Salvador/BA Fone: (71) 3357- 1667 Telefax: (71) 3356-8013 Celular: (71) 9101-5482/9141-6293 [email protected] CNPJ: 33.654.419/0002-05 CB-REGIONAL CEARÁ MARIA GLÓRIA CARVALHO [email protected];[email protected] Rua Rufino de Alencar, 80 – Centro. 60060-620 - Fortaleza/CE Fone: (85) 3253-6998 Telefax: (85) 3231-4783 Celular: (85) 9620.5995 / 9620.5999 [email protected] CNPJ: 33.654.419/0005-40 CB-REGIONAL PIAUÍ MARIA HORTÊNCIA MENDES DE SOUSA [email protected] Rua Agnelo Pereira da Silva, 3135 - São João 64045-260 - Teresina/PI Telefax: (86) 3233-6302/7282 Celular: (86) 9929-4393 – 9929-1623 [email protected] CNPJ: 33.654.419/0007-01 CB-REGIONAL SÃO PAULO AGUINALDO LUIZ DE LIMA [email protected] Av. Thomaz Edison, 355 - Barra Funda 01140-000 - São Paulo/SP Fone: (11) 3392-5911 Fax: (11) 3392-4282 Celular: (11) 9113-6032 [email protected] CNPJ 33.654.419/0009-73 CB-REGIONAL MINAS GERAIS VALQUÍRIA ALVES SMITH LIMA [email protected] Rua Fornaciari, 129 - Caiçara 30-770-010 - Belo Horizonte/MG Telefax: (31) 3412-8743/3413-0885/0425 Celular: (31) 9922-9898/(81)9607-1186 [email protected] CNPJ 33.654.419/0008-92 CB-REGIONAL NORTE II LINDOMAR DE JESUS DE SOUSA SILVA [email protected]; indomarjssilva@hotmail. com Trav. Barão do Triunfo, 3151 – MARCO 66093-050 - Belém/PA Fone: (91) 3226-9273 Fax: (91) 3226-9273 (91) 8178-0042 - [email protected] [email protected] CNPJ 33.654.419/0003-88 CB-REGIONAL RS LOIVA MARA DE OLIVEIRA MACHADO [email protected] Rua Cel André Belo 452 -3º piso - Menino Deus 90110-020 - Porto Alegre/RS Fone: (51)3272-1700 Telefax: (51) 3272-1727 Celular: (51) 9627-4108 – (51) 9712-5566 [email protected] CNPJ: 33.654.419/0010-07 CB-REGIONAL MARANHÃO RICARTE ALMEIDA SANTOS [email protected] Rua do Alecrim, 343 – Centro 65010-040 - São Luís/MA Graça (98) 9129-8620 Fone: (98) 3221-2216/3221-2412 Fax: (98) 3231-2700 Celular: (98) 9112-2872 [email protected] CNPJ 33.654.419/0004-69 CB-REGIONAL DE SANTA CATARINA Pe. ROQUE ADEMIR FAVARIN Rua Deputado Antônio Edu Vieira, 1524 – Pantanal 88040-001 - Florianópolis/SC Fone: (48) 3234-7033 - Fax: (48) 3234-7230 (48) 9937-6489 [email protected] CNPJ: 33.654.419/0012-79 CB-REGIONAL PARANÁ MÁRIO DOS SANTOS Rua Saldanha marinho, 1266 – CENTRO CEP: 80430-160 CURITIBA – PR Fone: (43) 3424-6427 ou (43) 9925 - 3858 (43) 9929-1623 [email protected] [email protected] CPF: 36301841972 REGIONAIS EM PROCESSO DE FORMAÇÃO CB- CÁRITAS NO ESTADO DO ESPIRITO SANTO ELIZABETH REGINA LOPES 29015-620 - Vitória/ES Fone: (27) 3222-0824 Fax: (27)9801-8973 (institucional) (27) 3326-3933 - 9266-3356 (pessoal) [email protected] CNPJ: 281624020001-01 (emprestado da Cáritas de Vitória) CÁRITAS ARQUIDIOCESANA DE MANAUS/AM Pe. IZAIAS JUNIOR DE ANDRADE Av. 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Sobre o levantamento, metodologia e objetivos........................................ 53 5.2. Sementes de esperança: relato de experiências.......................................... 54 5.2.1. Passo Fundo - RS.............................................................................. 56 5.2.2. Caxias do Sul - RS............................................................................. 58 5.2.3. Lages - SC......................................................................................... 60 5.2.4. Ponta Grossa - PR............................................................................. 62 5.2.5. Campinas - SP................................................................................... 63 5.2.6. Itabira - MG / Coronel Fabriciano - MG............................................. 64 5.2.7. Cuiabá - MT...................................................................................... 66 5.2.8. Fortaleza - CE................................................................................... 68 5.2.9. Cachoeiro do Itapemirim - ES........................................................... 70 Vi – ConsiDeraçÕes soBre as eXPeriÊnCias: Lições para uma política de fundos para iniciativas locais.............................. 73 Vii – PosFáCio – oUtros eleMentos Para reFleXão e ilUstração P.1– Alcances dos fundos solidários a partir de outros indicadores sociais .... 75 Viii – reCoMenDaçÕes ........................................................................................ 79 aneXos A – B – C – D – E – F – Detalhamento do procedimento de construção da amostra do FDS....... 81 Procedimento de entrevista com as Regionais. ....................................... 82 Procedimento de entrevista com as Dioceses. ........................................ 84 Roteiro de entrevista com as Dioceses. ................................................... 85 Sugestões técnicas para o banco de dados do FNS. ............................... 87 Fome Zero e Inclusão Produtiva apóiam entidades sem fins lucrativos. .. 89 LISTA DE SIGLAS CF – Campanha da Fraternidade Fns – Fundo Nacional da Solidariedade FDs – Fundo Diocesano de Solidariedade CnBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil iser – Instituto de Estudos da Religião FBes – Fórum Brasileiro de Economia Solidária CiMi – Conselho Indigenista Missionário iBraDes – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social CoDae – Conselho Diocesano de Assuntos Econômicos I - Introdução Apresentação O relatório de pesquisa que agora apresentamos compreende o segundo período de análise correspondente ao quinquênio 2002-2007. Os avanços e desafios são aqui retratados com o objetivo de retomar processos de aprendizagem, animar as equipes diocesanas, disseminar experiências e levar ao conhecimento público os inúmeros benefícios que têm proporcionado estes fundos em favor das populações mais empobrecidas, no reforço à conquista de seus direitos, em suas lutas por vida digna, por meio de iniciativas solidárias. A pesquisa revela ainda um movimento crescente na constituição desses fundos, seja quanto ao volume de recursos arrecadados no gesto concreto da CF, seja em número de comissões diocesanas e de articulação de fundos solidários. O Relatório de pesquisa acompanha ainda uma coletânea de experiências de organização dos fundos, que pode nos inspirar a perseguir, cada vez mais, a organização local e a otimização dos fundos solidários, tendo por base essa iniciativa pioneira da Igreja no Brasil. Diante disso, convidamos cada leitor(a) a ser parceiro(a) nessa caminhada. Maria Cristina Dos anJos Diretora Executiva Nacional Cáritas Brasileira 7 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Dois momentos específicos de avaliação nacional do FNS/FDS aconteceram desde o surgimento desses fundos: a primeira pesquisa de avaliação compreendeu o período de 1999-2001, sob coordenação do Prof. Roberto Marinho Alves da Silva, cujos resultados foram publicados em forma de relatório-síntese, sob o título Fundo Nacional de Solidariedade: um gesto concreto da igreja no enfrentamento da pobreza no Brasil (Cáritas Brasileira, 2003). Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Passaram-se doze anos desde que foram instituídos, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade. Por delegação da própria CNBB, coube à Cáritas Brasileira a execução e coordenação das ações e projetos com apoio financeiro advindos do gesto concreto da Campanha da Fraternidade (CF) realizada anualmente. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 8 Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios I - Introdução 1.1 – Histórico e concepção dos fundos de solidariedade e contextualização da pesquisa. Havia, na época, a necessidade de maior transparência e melhor gestão da destinação dos recursos da igreja, distinguindo-se mais explicitamente os que eram voltados para evangelização e os solicitados para ações de solidariedade. Outra demanda era a dinamização da animação referente à coleta, uma vez que se percebia que a animação referente à temática da campanha era bem organizada. O acúmulo das diversas práticas de apoio a pequenos projetos espalhadas pelo país se combinava com a possibilidade de organização inter-regional de ações de solidariedade. Foi então que, em abril de 1997, a 35ª Assembleia Geral dos Bispos decidiu que a Campanha da Quaresma ou Coleta da Campanha da Fraternidade seria destinada às ações sociais da Igreja: “A Campanha da Quaresma ou Coleta da Campanha da Fraternidade se destinará a ações sociais da Igreja, sendo uma porcentagem para a Diocese e outra para a constituição de um Fundo Nacional de Solidariedade” (CNBB. Comunicado Mensal. v. 46, n. 512, p. 1303. Jun, 1997. apud. Relatório de Pesquisa sobre o FNS de 1999-2001). A 36ª Assembleia Geral dos Bispos, em 1998, decidiu que, a partir de 1999, os recursos da coleta da Campanha da Fraternidade passariam a ser totalmente destinados ao apoio de iniciativas sociais, chamando-se Coleta da Solidariedade, a partir de então. Foi nessa assembleia que também se dividiu em 60% da arrecadação para a formação do Fundo Diocesano de 9 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Com a progressiva retirada dos investimentos internacionais, desde o início da década de 90, houve, a partir de 1996, um debate nacional sobre as campanhas de arrecadação da Igreja. Segundo a CNBB, tais campanhas careciam não apenas de organização, mas também de articulação. O Fundo Permanente de Solidariedade foi, então, pensado para resgatar o sentido original da Campanha da Fraternidade (CF), que é o “gesto concreto” de garantir que o desenvolvimento de ações sociais junto aos excluídos fosse possível a partir da mobilização de recursos do Brasil. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios as origens Solidariedade gerido pela diocese e 40% para constituição do Fundo Nacional de Solidariedade. Os primeiros passos Em 1999, o Fórum Nacional das Pastorais Sociais junto com a Cáritas Brasileira, foi chamado a contribuir para a construção das orientações para elaboração de projetos e dos critérios gerais de aprovação pelo Conselho Nacional dos Fundos Solidários constituído, na maioria, por bispos. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Em 2000 e posteriormente em 2005, a Campanha da Fraternidade assumiu um caráter Ecumênico e o Fundo foi chamado de Fundo Ecumênico de Solidariedade (FES), com a participação de organizações representantes de outras igrejas cristãs. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 10 Em 2001, a Cáritas publicou a Cartilha sobre os Fundos Diocesanos de Solidariedade, onde esclarece sobre a formação, composição e gestão das comissões diocesanas de solidariedade; sobre critérios de elaboração e encaminhamento de projetos, ampliando substancialmente o cabedal de informações de orientação, as possibilidades de formação do pessoal das dioceses, para solicitação dos recursos e otimizando a articulação dos diversos níveis, do local ao nacional. Desde a publicação da cartilha para o Fundo Diocesano de Solidariedade, aumentou significativamente o número de experiências que têm buscado organizar suas comissões de gestão democrática dos recursos da CF. Folhetos de prestação de contas foram produzidos para sensibilização interna e se passou a investir no Show da Solidariedade desde 2001 e 2002, transmitido por uma rede de emissoras católicas. Esses investimentos continuaram nos últimos anos e renderam frutos na ampliação dos recursos e dos repasses para o Fundo Nacional. A primeira avaliação e suas consequências Em 2003, a experiência adquirida entre 1999-2002 foi realizada e publicada em uma pesquisa nacional que analisou os projetos nacionais e locais e a forma de gestão dos fundos solidários, apresentando ao final algumas proposições para seu funcionamento. Os resultados dessa pesquisa serviram ao aperfeiçoamento do processo de gestão, a partir de sua apresentação para a CNBB, a igreja e os atores envolvidos de um modo geral. As proposições apontavam para ampliação da articulação e do acompanhamento de projetos apoiados pelo Fundo; a melhoria da comunicação entre as comissões e entidades diocesanas; a ampliação do material didático e informativo e a ampliação da divulgação do FNS para fora da igreja. Essas proposições foram levadas adiante pela Cáritas e pela CNBB nos anos seguintes através de suas resoluções. Ainda em 2003, a 52ª Reunião do Conselho Consultivo Nacional da Cáritas Brasileira deu seguimento às proposições da pesquisa, destacando-se os seguintes objetivos: • aperfeiçoar os critérios de seleção de projetos para o FNS, incentivando projetos aprovados a animar o repasse dos 40%, priorizar projetos vinculados às iniciativas apoiadas pelos FDS, condicionar aprovação ao envio de relatórios e prestações de contas de projetos anteriores apoiados pelo FNS. • adotar critérios permanentes para garantir a qualidade dos projetos, tais como: fortalecimento das organizações populares e mobilizações da sociedade civil que buscam conquistar direitos e democratização de políticas públicas, participação ativa dos sujeitos da ação em todos os momentos do projeto, estudos de viabilidade nos projetos de economia solidária, garantia de acompanhamento ao projeto; • aprimorar monitoramento e acompanhamento dos projetos pela implantação de um novo banco de dados do FNS que possibilite o efetivo controle, acompanhamento e informações atualizadas; • fortalecer os vínculos e a comunicação entre o FNS, os Regionais da CNBB e as Comissões Diocesanas de Solidariedade, através de uma análise prévia dos projetos encaminhados ao FNS, envio de material didático e informativo às dioceses e regionais da CNBB e realização de encontros e seminários regionais para troca de experiências nos diversos níveis. Em fevereiro de 2005, ocorreu, em Brasília, o Seminário Nacional dos Fundos de Solidariedade da Campanha da Fraternidade, com a participação de diversas entidades não apenas as ligadas à Igreja. Contribuições significativas de experiências de organização de fundos foram trazidas pelo Programa de Aplicação de Tecnologia Apropriada a Comunidades (PATAC), pela Coordenadoria Ecumênica de Serviços (CESE), pela Cáritas Diocesana de Passo Fundo, dentre outras, além da análise proporcionada pela pesquisa da Profa. Ana Quiroga do ISER. 11 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa • ampliar a participação das pastorais sociais na gestão do FNS, transformando a Comissão Episcopal do FNS em Conselho Gestor do FNS, garantindo a participação de representação das pastorais sociais, com destaques às vinculadas ao tema, e com programação anual (trimestral), com divulgação do calendário antecipadamente junto aos regionais e dioceses; Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios • dinamizar a Coleta da Solidariedade, por meio de ampliação de espaços de divulgação e de recursos anuais para divulgação de resultados, de sensibilização e capacitação das equipes e/ou comissões diocesanas, realização de eventos para animação da CF e Coleta, e articulação das pastorais sociais e dos Regionais da CNBB; Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios O referido seminário foi um marco importante para ampliação da Campanha da Fraternidade. Nesse momento, foi proposto, dentre outras coisas, a formação de equipes de animação das campanhas articuladas com as comissões, a criação de fóruns permanentes de discussão, a ampliação do período de coleta do Domingo de Ramos para toda época da quaresma, a destinação de um percentual de recursos do FNS a outras áreas sociais, não necessariamente ligadas à CF, e a divulgação das experiências apoiadas pelos fundos juntamente com os resultados da Coleta da Fraternidade. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 12 Verificou-se a necessidade de investir parte dos recursos na formação de agentes comunitários e paroquiais da CF e dos FDS, de garantir o acompanhamento local aos projetos aprovados, como critério de análise e aprovação, e de delimitar o uso dos recursos do FNS a projetos de articulação e mobilização junto a movimentos em rede, cabendo o financiamento das iniciativas locais aos FDS. Outro marco importante do encontro foi a afirmação da relação com a construção de políticas públicas como um dos principais critérios de aprovação e avaliação de projetos. Em 2007, a partir de um diálogo sobre as equipes únicas de campanhas entre as Pontifícias Obras Missionárias, a Campanha para Evangelização, a Campanha da Fraternidade (CNBB) e a Cáritas, esta última realizou uma série de oficinas de fortalecimento das campanhas. O debate em todo o território nacional oportunizou a distribuição de questionários sobre todas as Campanhas da Igreja. Nessa oportunidade foram distribuídos formulários sobre as campanhas da CNBB, dentre elas, a Campanha da Fraternidade, os fundos solidários e as comissões diocesanas. A pesquisa atual Em 2008, os dados das oficinas acima citadas, que coletavam informações sobre os fundos diocesanos, serviram como parte do material utilizado para desenvolver a pesquisa atual, que analisa os fundos solidários no período de 2002 a 2007. Além desses, foram utilizados os próprios registros da Cáritas provenientes da base de informações sobre os projetos do Fundo Nacional e dos registros da CNBB, além de entrevistas qualitativas com membros das Cáritas Nacional e Regionais e das Dioceses. Procurou-se manter uma linha de continuidade e comparação com a pesquisa anterior, cujos resultados são resumidamente apresentados na segunda parte desta introdução. O presente relatório está dividido em quatro partes, incluindo esta introdução. Na parte II, é analisado o Fundo Nacional de Solidariedade, caracterizando-se os resultados da coleta e da aplicação dos recursos, segundo sua distribuição espacial e temporal e, também, são apresentadas as características das entidades executoras, dos participantes e as parcerias realizadas. Na parte III, os Fundos Diocesanos de Solidariedade são estudados de maneira aprofundada. Após apresentarmos a metodologia utilizada na pesquisa para definição da amostra que serviu de base para as inferências estatísticas, suas vantagens e limites, discutem-se aspectos fundamentais dos Fundos Diocesanos como a organização das campanhas e das comissões, a gestão e os critérios de acesso aos recursos. 1.2 –Breve caracterização do relatório de avaliação 1999-2001. Para análise atual, consideramos importante adotar como eixo inicial a pesquisa anteriormente realizada e apresentar um quadro, mesmo que resumido, do que anteriormente foi retratado a respeito dos fundos solidários. Em relação ao Fundo Nacional, a pesquisa demonstrava uma concentração dos recursos arrecadados por algumas regiões e a ausência de mais de 10% das dioceses na participação do FNS, embora este valor apresentasse uma melhora em relação aos anos anteriores aos considerados na pesquisa. Os projetos enviados, em sua grande parte, eram elaborados por organizações da Igreja católica. Outra significativa parcela (cerca de 30%) de projetos foi enviada por organizações diversas da sociedade civil. Os beneficiários dos projetos constituíam grupos em situações diversas com destaque para menores, trabalhadores rurais e urbanos e indígenas (e poderiam variar de acordo com o tema da campanha). De forma geral, os projetos eram pequenos, antes de base do que de articulação, apresentando contrapartida pouco significativa, e tinham uma relação tímida com os fundos diocesanos locais. 13 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Um dos objetivos primordiais desta pesquisa é oferecer subsídios para as discussões preparatórias, o aprimoramento e a implantação dos FDS em todo território nacional, assim como o fortalecimento da sua relação com o FNS. Acreditamos que o estudo paciente do conteúdo apresentado, das observações e indicações permitirá uma visualização mais clara dos caminhos possíveis para os atores envolvidos neste processo de mudança social. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios As conclusões são apresentadas na parte IV, que se torna possível com a articulação das informações observadas nas partes II e III. Procura-se analisar a relação entre o Fundo Nacional e os Fundos Diocesanos numa perspectiva sistêmica e se lista um conjunto amplo de proposições práticas. Outros elementos para reflexão são apresentados no posfácio, onde se discute o alcance dos fundos solidários e sua relação com alguns indicadores sociais amplos que podem ser utilizados para caracterizar as regiões do país. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Em relação aos fundos diocesanos1, 32% das dioceses que enviaram informações afirmaram ter comissões para gestão dos fundos, tendo partido do bispo, na maior parte destas, a iniciativa de sua criação. Naquelas que afirmaram não ter comissões formadas, a gestão dos recursos tinha como responsáveis mais citados a mitra ou cúria e o conselho ou coordenação pastoral. As justificativas para não criação de comissões são diversas desde a afirmação genérica de que não havia necessidade até a afirmação de que a coleta era repassada para as pastorais ou de que o recurso arrecadado seria pequeno. Nesse sentido, a pesquisa destacava a possibilidade de o Fundo Nacional destinar um volume maior de recursos para as regiões mais carentes, assim como já apresentava a necessidade de maior envolvimento e criatividade dos agentes para fortalecer a coleta. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 14 Quanto ao acesso aos recursos, em 39% dos casos esse se dava por meio de solicitação à diocese, sendo que em 21% a sua aplicação estava ligada à execução do plano diocesano local. Pastorais, serviços diocesanos e paróquias eram citados em quase 50% dos casos como entidades que acessaram o recurso, além de apenas 29% das dioceses ter afirmado haver critérios fixos para esse acesso aos recursos do FDS. Em síntese, a pesquisa anterior mostrava o início de uma evolução gradativa em número e valor no repasse do recurso (40%) da coleta da fraternidade. Pela via das dioceses, muitas afirmavam ter projetos apoiados no Fundo Nacional, porém, os dados sobre o Fundo Nacional não permitiam verificar em que medida uma integração com os Fundos Diocesanos se dava. Um conjunto de proposições se colocou no sentido de: dinamizar a coleta da solidariedade; ampliar a participação das pastorais sociais na gestão do FNS; revisar os critérios de destinação dos recursos e aperfeiçoar os critérios de seleção de projetos do FNS como, por exemplo, priorizando iniciativas vinculadas aos FDS, com planejamento, monitoramento e acompanhamento de atividades e, por fim, incentivar a criação e o funcionamento das comissões diocesanas de solidariedade, por meio de medidas de mobilização. A pesquisa atual abrange o período de 2002 a 2007, onde 895 projetos foram apoiados pelo FNS, constituindo uma nova gama de dados e informações quantitativas e qualitativas, adiante apresentados. Na medida do possível, procuramos relacionar esses novos dados com os resultados anteriores, assim como utilizar e ampliar o conjunto de matrizes de caracterização de projetos, entidades proponentes e população envolvida. Nesse sentido, espera-se ser 1 Como será enfatizado mais à frente, esta é uma importante diferença metodológica entre as duas pesquisas. Enquanto os dados da primeira são baseados em 144 questionários enviados as 266 dioceses, que os responderam e os reenviaram, a segunda pesquisa se baseia em 67 questionários, formando uma amostra distribuída regionalmente e não apenas por respostas espontâneas. Isso não impede uma comparação entre os valores das duas pesquisas, mas indica que estes devem ser relativizados. possível verificar trajetórias ou tendências de mudança ou manutenção de algumas características das atividades desenvolvidas. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Cada resultado aqui apresentado poderia ser feito por ano, região ou vários outros agrupamentos. Para não tornar o texto extenso e cansativo, com uma série de tabelas e gráficos, optou-se por apresentar os resultados mais importantes a partir de uma sequência que emprestasse maior clareza, de acordo com o recorte que melhor se adequou a cada variável. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 15 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 16 Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios II – Fundo Nacional de Solidariedade A Tabela I mostra que o número de dioceses que fizeram o repasse para o FNS tem uma tendência clara de crescimento desde 1999. Apesar de haver um momento de queda em 2004, desde então, a participação das dioceses vem crescendo de forma constante, atingindo quase a totalidade destas nos dois últimos anos. tabela i – Número e percentual de dioceses que fizeram o repasse para o FNS. Ano Nº de dioceses % 1999 68 26% 2000 216 81% 2001 234 88% 2002 243 91% 2003 238 89% 2004 222 83% 2005 233 88% 2006 259 97% 2007 261 98% Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade Em relação ao montante arrecadado, verifica-se no Gráfico I que entre 2000 e 2005 este valor manteve-se num patamar relativamente estável entre 2,5 e 3 milhões de reais. A partir de 2005, fica evidenciado um crescimento do repasse, que chega em 2007 a mais de 3,5 milhões. É importante lembrar que, além dos 17 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Antes de analisar propriamente os projetos do FNS, podemos apresentar alguns dados importantes a respeito do recurso coletado na Campanha da Fraternidade, que constitui os dois fundos, assim como sua distribuição temporal e territorial. É possível afirmar que há uma tendência de crescimento gradual no montante de recursos arrecadados na medida em que cresce o número de dioceses que desenvolvem atividades da campanha. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios 2.1 – Dados sobre a coleta da Campanha da Fraternidade repasses das dioceses, há um montante relevante de doações diretas ao fundo, que não estão ligadas a nenhuma diocese específica. Nos últimos anos, esse montante gira em torno de 10% do total do FNS. Isso indica que, para além da coleta por envelopes, a campanha da fraternidade tem um potencial de captação de recursos que pode ser mais bem aproveitado. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Gráfico I – Arrecadação FNS 1999 a 2007 (R$ de 2007). Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade A partir do valor arrecadado enviado ao fundo nacional, o que constitui 40% do valor coletado nas dioceses, podemos traçar uma estimativa do valor total arrecadado na campanha, incluindo os 60% que ficam nas dioceses para constituição dos fundos diocesanos. Pelo Gráfico II, observa-se que, a nível nacional, a campanha da fraternidade já atinge um montante anual de cerca de 10 milhões de reais. Gráfico II – Arrecadação da coleta da fraternidade de 1999 a 2007 (Estimativa em R$ de 2007). Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 18 Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade Essa análise inicial trata das características do fundo nacional. Assim, no momento, é importante compreender a distribuição dos repasses para o FNS por região. O Gráfico III abaixo apresenta a média dos repasses pelo número de dioceses de cada regional. Verifica-se que o repasse feito por diocese varia, em média, de cerca de R$ 2.500,00 nas dioceses que fazem os menores repasses até mais de R$ 20 mil nas dioceses com os maiores repasses (em termos absolutos, há dioceses cuja coleta supera os R$ 100 mil). A distribuição na arrecadação total entre as regionais parece ser muito desigual. No entanto, essa diferença deve ser compreendida considerando, além da organização para a coleta da fraternidade, um conjunto de fatores como tamanho da população e nível de renda das regiões. Fica evidenciado que as regiões com maiores índices de pobreza são as que têm os menores valores nas coletas, assim como as regiões mais ricas do país apresentam os maiores repasses para o FNS. Em relação às dioceses, tem-se que a coleta da diocese de São Paulo sozinha corresponde ao valor da coleta das 77 menores em 2007. É suficiente fazer essa distribuição por unidade da federação, como no Gráfico IV, para observar como essa concentração “salta aos olhos”. A participação dos 4 maiores estados arrecadadores em 2007 (SP, PR, MG e RJ) foi superior à arrecadação de todos os demais estados somados. No entanto, a participação desses quatro estados foi de 57% em 2007, caindo dez pontos em relação a 1999 quando esse valor era de 68,6%. Isso reflete um crescimento mais que proporcional na participação das demais unidades da federação desde 1999. Observado o lado inverso dos estados com menor participação, verifica-se que, em 1999, havia 15 estados com participação inferior a 1% na arrecadação total. Em 2002, esse número foi de 9 estados e, em 2007, 7 estados 19 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Gráfico III – Repasses feitos por regional por número de dioceses – 2002 a 2007. arrecadaram menos de 1% do total, basicamente os mesmos. Essa pequena melhora na distribuição dos valores arrecadados se mostra também na arrecadação total por diocese. Em 1999, 233 dioceses arrecadaram valores inferiores a R$ 5 mil. Em 2002, foram 130 dioceses com arrecadação inferior à R$ 5 mil e, em 2007, 101 dioceses, o que mostra um crescimento generalizado na coleta da fraternidade, especialmente em regiões que passam a ter uma participação um pouco mais ativa. Gráfico IV – Participação das UFs no repasse da CF para o FNS – 2007. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios 30,0% Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 20 25,0% 20,0% 15,0% 10,0% 5,0% 0,0% RR AP AC TO SE AL PB RN MA RO AM DF PE PA PI MS MT CE GO BA ES SC RS RJ MG PR SP Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade Será interessante, como faremos em seguida, verificar lado a lado as regiões que recebem o maior volume de recursos do FNS para seus projetos. Essa provável transferência de recursos de regiões mais ricas para regiões menos favorecidas concretiza um aspecto da ação de solidariedade e que é o objetivo do fundo. 2.2 –Distribuição espacial e temporal dos projetos apoiados. ANO Projetos Apoiados Média por Projeto Tema da CF 1999 104 18.086,61 Fraternidade e os Desempregados 2000 148 20.118,20 Ecumênica: Dignidade Humana e Paz 2001 100 25.259,88 Vida sim, drogas não! Subtotal 352 - - 2002 126 24.220,51 Fraternidade e Povos Indígenas 2003 149 19.517,66 Fraternidade e Pessoas Idosas 180 19.254,75 Fraternidade e Água 2004 Subtotal 455 - - 2005 144 19.755,48 Ecumênica: Solidariedade e Paz 2006 126 20.690,54 Fraternidade e Pessoas com Deficiência 2007 172 20.318,53 Fraternidade e Amazônia Subtotal 440 - - Subtotal (2002-2007) 895 - - Total 1266 20.621,86 Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade Outro aspecto importante a se verificar é o número de projetos por ano de acordo com as regiões geográficas do país (Gráfico V). Evidentemente, o tema da CF de cada ano tem grande influência não apenas sobre o tipo de projeto enviado, mas também, e consequentemente, sobre as regiões nas quais são realizados os projetos. Em 2004 e 2007, as regiões Nordeste e Norte se destacam, tendo sido o tema desses anos relacionados à questão da Água 2 O tema dos próximos três anos já está definido, sendo o de 2008 “Fraternidade e Defesa da Vida”, o de 2009 “Fraternidade e Segurança Pública” e o de 2010 “Ecumênica: Economia e Vida”. 21 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Tabela II – Projetos apoiados por ano – FNS 1999 a 2007 (R$ de 2007)2. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Nos três primeiros anos de seu funcionamento (1999 a 2001), o FNS apoiou 352 projetos. Nos três anos seguintes (2002 a 2004), foram apoiados 455 projetos e, nos últimos três anos (2005 a 2007), 440. O maior volume de projetos apoiados se deu no ano de 2004. Dos três primeiros anos até hoje, verifica-se um crescimento de cerca de 30% no número de projetos apoiados por ano, saindo de uma média de 117 projetos por ano entre 1999 e 2001 para 149 projetos por ano entre 2002 e 2007. O valor médio do recurso solicitado gira em torno de vinte mil reais por projeto em todos os anos, sendo que cerca de 80% dos projetos enviados foram aprovados. Veja a Tabela II a seguir: e da Amazônia, duas questões fortemente trabalhadas nessas regiões. Nesse sentido, não é surpresa o fato da região Sul (que chegou a enviar cerca de 20% dos projetos de 2006 e que se manteve num patamar de 10% nos anos anteriores) ter apresentado um quadro díspar em 2007 sem nenhum projeto enviado – já que o critério deste ano limitava os projetos àqueles relacionados com a Amazônia. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Gráfico V – Percentual de projetos apoiados por ano e por região – 2002 a 2007. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 22 Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade * Existem projetos nacionais com entidades-sede em outras unidades da federação, além do DF, e que não foram identificados, pois não havia tal categorização na base de dados. Na Tabela III, observa-se o número de projetos por região e unidade da federação. No período de 2002 a 2007, o estado que mais enviou projetos foi o Pará, com destaque para 2007 quando a questão amazônica foi centro da campanha. Isso se explica pelo fato de várias instituições regionais que desenvolvem ações nessa área estarem sediadas nesse estado. Destacam-se ainda São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Bahia, Maranhão e Amazonas com mais de 50 projetos apoiados. Por outro lado alguns estados mantêm ainda pouca ou nenhuma atividade com o FNS, como Rio Grande do Norte, Amapá e Roraima. Região Centro Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul Nacional Total UF Total % DF 22 2,5% GO 13 1,5% MG 66 7,4% MS 14 1,6% MT 35 3,9% AL 11 1,2% BA 61 6,8% CE 62 6,9% MA 54 6,0% PB 16 1,8% PE 36 4,0% PI 39 4,4% RN 0 0,0% SE 9 1,0% AC 19 2,1% AM 50 5,6% AP 1 0,1% PA 106 11,8% RO 34 3,8% RR 3 0,3% TO 17 1,9% ES 7 0,8% RJ 19 2,1% SP 72 8,0% PR 25 2,8% RS 36 4,0% SC 27 3,0% NAC 41 4,6% 895 100,0% Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Tabela III – Projetos apoiados por Região e UF – FNS 2002 a 2007. Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade Finalmente, podemos analisar no Gráfico VI a entrada e saída de recursos do FNS. De modo geral, percebe-se que todas as regionais do Norte e do Nordeste acabam por receber mais recursos, proporcionalmente, do que arrecadam. É possível afirmar de forma geral que o FNS permite uma transferência de renda efetiva do Sul e do Sudeste para o Norte e Nordeste do país. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 23 Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Gráfico VI – Relação entre valores arrecadados e repassados por regional CNBB – 2002 a 2007. Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade * Foram desconsiderados para esta comparação os projetos nacionais. O Gráfico VII permite observar esses mesmos resultados sobre uma perspectiva mais específica. A figura está ordenada segundo o valor dos recursos recebidos pelos projetos de cada unidade da federação. É interessante observar os exemplos específicos de São Paulo e Paraná. Sua elevada arrecadação permite um resultado que, além de cobrir o valor dos projetos desses mesmos estados, resulta, indiretamente, na canalização de recursos para estados como Pará e Maranhão, cuja arrecadação não cobre o valor dos projetos. Gráfico VII – Relação entre valores arrecadados e repassados por UF – 2002 a 2007. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 24 Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade 2.3 –Características das entidades executoras. Gráfico VIII – Participação das organizações responsáveis pelos projetos – 2002 a 2007. Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade * Organizações vinculadas à estrutura da Igreja Católica. Como se sabe, de acordo com o ano e o tema da campanha, um tipo específico de entidade pode se destacar. Em 2002, o CIMI regional apresenta um número maior de projetos; em 2003, as organizações de assistência ao idoso; em 2004, sindicatos, movimentos sociais e cooperativas de trabalhadores; em 2005, os centros de defesa dos direitos humanos; em 2006; as associações de assistência ao deficiente; e, em 2007, percebe-se um crescimento de projetos executados por organismos nacionais e regionais vinculados à Igreja Católica. 25 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa As organizações da sociedade civil, sem um vínculo religioso direto, foram responsáveis por 34,4% dos projetos executados. Em comparação com o período anterior, de 1999 a 2001, verificam-se poucas mudanças nessa distribuição, mantendo um padrão muito semelhante ao anterior na distribuição dos projetos entre as diferentes entidades. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios A análise das entidades com projetos apoiados pelo FNS entre 2002 e 2007 permite observar que 65,6% foram executados por organizações vinculadas à estrutura da Igreja Católica. Entre essas, se destacam instâncias nacionais, regionais e locais de atuação diversificada, responsáveis por 38,6% dos projetos apoiados. A Cáritas e o CIMI nacional, regional e diocesanos foram responsáveis, respectivamente, por 15,6% e 8,8% dos projetos apoiados; a Comissão Pastoral da Terra, por 2,6%. Tabela IV – Número de organizações responsáveis pelos projetos – 2002 a 2007. Tipo de Organizações Organizações Vinculadas à estrutura da igreja católica 2002 2003 2004 2005 2006 2007 TOTAL 97 78 111 57 38 100 481 65,6% % 12 14 15 17 15 33 106 11,8% 9 17 13 22 8 14 83 9,3% 18 10 15 8 9 32 92 10,3% Instâncias Nacionais, Regionais e locais diversas 38,6 Organismos nacionais e regionais vinculados à igreja Católica (CNBB, IBRADES, Comissão Justiça e Paz, etc.) Pastorais e movimentos da igreja Departamentos/entidades diocesanas Entidades paroquiais 1 20 23 0 5 15 64 7,2% 11 27 48 17 16 21 140 15,6% Nacional 1 3 3 1 3 4 15 1,7% Regional 2 6 16 8 5 7 44 4,9% Diocesana 8 18 29 8 8 10 81 9,1% CIMI 57 3 1 4 - 14 79 8,8% Nacional 10 0 0 0 0 0 10 1,1% Regional 42 3 1 4 0 14 64 7,2% Diocesano/local 5 0 0 0 0 0 5 0,6% Comissão Pastoral da Terra 1 1 11 6 0 4 23 2,6% 17 57 54 70 71 39 308 34,4% Cooperativas/associações de trabalhadores 1 10 18 3 4 6 42 4,7% Centros de formaçao, educaçao pop., assessoria 1 4 2 11 4 3 25 2,8% Associações comunitárias 0 3 4 5 1 2 15 1,7% ONGS, associações, fundações e centros de assistência 4 8 9 17 12 6 56 6,3% Sindicatos e movimentos sociais 1 3 13 7 1 6 31 3,5% Organizações de povos indígenas 9 1 0 0 0 3 13 1,5% Entidades evangélicas e ecumênicas 1 2 2 3 0 2 10 1,1% Organizações ambientalistas 0 0 2 0 1 4 7 0,8% Centros de defesa de direitos humanos 0 1 1 12 3 5 22 2,5% Organizações de assistência ao idoso 0 19 0 0 1 0 20 2,2% Organizações de assistência aos deficientes 0 2 0 0 40 0 42 4,7% Organizações de cultura, esporte, comunicação, rádios, etc. 0 0 1 7 3 1 12 1,3% Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Cáritas Organizações da Sociedade Civil Outras obras sociais beneficientes Total 0 4 2 5 1 1 13 1,5% 126 149 180 144 124 172 895 100,0% Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade Tabela V – Organizações responsáveis pelos projetos por abrangência (%) – 2002 a 2007. 26 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Tipo de Organizações 2002 2003 2004 2005 2006 2007 TOTAL Locais e/ou diocesanas 46,8% 82,6% 80,6% 79,2% 81,5% 66,3% 73,3% Regionais 34,9% 6,0% 9,4% 8,3% 4,0% 12,2% 12,1% Nacionais Total 18,3% 11,4% 10,0% 12,5% 14,5% 21,5% 14,6% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade 2.4 –Características dos participantes dos projetos do FNS. Há uma gama diversificada de projetos que têm foco em um público alvo específico. Porém, muitos projetos não puderam fazer essa definição, atendendo pessoas de diversos setores populacionais (7,3%). Moradores de rua, menores, portadores de deficiência, jovens e adolescentes, mulheres e migrantes respondem por cerca de 6% dos projetos cada. E, ainda, a categoria “outros”, com 1,6%, abrange presidiários, encarcerados, portadores de HIV, dependentes químicos, profissionais do sexo, religiosos, etc. Gráfico IX – Características socioeconômicas dos beneficiários – 2002 a 2007. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios A maioria dos projetos do FNS tem uma relação direta com grupos coletivos ou comunidades locais. Entre 2002 e 2007, 16,5% dos projetos apoiados envolveram atividades com populações indígenas. Cerca de 14,8% dos projetos desenvolviam atividades formativas para agentes de entidades ou comunidade e lideranças comunitárias. Os idosos (13,6%) formam uma parcela relevante da população beneficiária dos projetos e os trabalhadores rurais chegam a 13,6%, em contraposição aos trabalhadores urbanos, com menos de 1%. Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 27 Talvez mais do que qualquer outra característica analisada, a população envolvida nos projetos do FNS refletem aqueles grupos sociais fragilizados que inspiram os temas de cada ano. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios 2.5 –Aplicação dos recursos, contrapartidas e parcerias dos projetos. Entre 2002 e 2007, o FNS arrecadou mais de R$ 20 milhões, o que representa uma média superior a 3 milhões de reais por ano (corrigidos os efeitos inflacionários). Em comparação ao triênio 1999-2001, verifica-se um crescimento de cerca de 10% na arrecadação anual do FNS. Do total arrecadado, 18 milhões foram aplicados nos projetos apoiados, atividades de animação da campanha da fraternidade e de gestão do Fundo, incluindo despesas administrativas. É importante lembrar que os recursos utilizados para a animação das campanhas servem também para a constituição dos fundos diocesanos. Nesse sentido, considera-se a estimativa de arrecadação total da coleta da fraternidade para calcular a taxa aproximada de administração do fundo. Desde 2002, podemos estimar pelo menos R$ 47 milhões de reais arrecadados3, o que nos fornece uma taxa de 4,5% (aproximando para cima) para as atividades de animação da campanha e na gestão do fundo. Tabela VI – Recursos arrecadados e aplicados do FNS (R$ de 2007). Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 28 Ano A - Valor Aprovado B - Valor Arrecadado FNS (40%) Valor Arrecadado 100% (FNS + FDS + doações diretas) 2002 3.051.783,94 3.142.024,22 7.545.126,85 97% 2003 2.908.131,53 3.456.150,70 7.401.773,51 84% 2004 3.465.854,61 3.537.787,80 8.053.813,28 98% 2005 2.844.789,79 2.925.281,35 6.862.024,66 97% 2006 2.565.627,41 3.466.622,70 8.342.459,06 74% % (A/B) 2007 3.494.786,71 3.842.633,39 9.203.364,31 91% Total 18.330.974,00 20.370.500,16 47.408.561,66 90% Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade 3 O valor é um pouco inferior a R$ 50 milhões (o que resultaria se a base de cálculo fosse de R$ 20 milhões), pois não se considera o valor das doações diretas e rendimentos para estimar os 60%. Na tabela VII e no Gráfico X, é possível identificar que 82% dos projetos apoiados citam algum tipo de parceria. Entre esses, mais de 50% afirma que a relação com os parceiros tem um vínculo forte. A partir de 2004, fica evidenciado o crescimento das parcerias fortes e razoáveis, na medida em que o critério de parceria passa a ser incorporado com maior ênfase. Contudo, em cerca de 10% dos projetos não é possível qualificar o tipo de relação com as entidades parceiras. Total c/ Parceria % 32 97 77% 47 112 75% 59 86 154 86% 41 71 122 85% 5 37 59 101 81% 12 57 80 149 87% 255 375 735 82% Não cita Tênue Razoável Forte 2002 26 38 27 2003 29 31 34 2004 22 9 2005 20 10 2006 23 2007 21 Total 141 105 Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade Gráfico X – Qualificação do tipo de parceria – 2002 a 2007. 29 Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Ano Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Tabela VII – Qualificação do tipo de parceria. Quanto à participação do governo, nota-se que a partir de 2003, essa tende a crescer quantitativa e qualitativamente. Agregando-se todos os anos, temos que 41% dos projetos realizaram algum tipo de parceria com o governo. Sua participação pode variar desde ações de pressão e orientação até o apoio direto com recursos, inclusive a participação nos conselhos locais. Na medida em que se assume, a partir de 2004, a orientação de que todos os projetos tenham alguma inferência de políticas públicas, percebe-se o crescimento das parcerias com os governos. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Gráfico XI – Forma de relação dos projetos com o governo. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 30 Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade Simultaneamente, podemos analisar a contrapartida, como apresentado nas tabelas VIII e IX. Como se pode observar, 65% dos projetos indica algum tipo de contrapartida entre 2002 e 2007. Esse percentual varia de 48%, em 2002, até 74% em 2004 e em 2007. Nota-se que entre 1999 e 2001, quando esta era uma exigência explícita para a aprovação dos projetos do FNS, este valor chega a 88%. O valor total das contrapartidas indicadas nos projetos gira em tordo de 60% do valor apoiado de todos os projetos do fundo. Se observarmos seu valor médio, percebe-se que muitas vezes este é superior ao valor apoiado médio dos próprios projetos com contrapartida daquele ano. Isso indica que os projetos com contrapartida, além de serem projetos maiores, têm também elevado valor relativo de contrapartidas. Torna-se difícil analisar este resultado dado que estes projetos estão provavelmente ligados a grandes ações regionais, tendo sido informados valores extremamente elevados de contrapartida. Em alguns casos, são possivelmente projetos que não são necessariamente administrados pelas entidades apoiadas pelo FNS (embora estas possam fazer parte de comissões e conselhos regionais). Tabela VIII – Projetos com contrapartidas % (R$ de 2007). Ano 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Total Projetos Apoiados 126 149 180 144 124 172 895 Projetos com Contrapartida 61 79 133 101 77 127 578 % de Projetos 48% 53% 74% 70% 62% 74% 65% % do Valor da Contrapartida 42% 66% 53% 68% 87% 53% 60% Ano Projetos com Contrapartida 2002 61 Valor Apoiado Valor da Contrapartida Média dos projetos com contrapartida Média da contrapartida 2.709.276,59 1.279.033,76 44.414,37 20.967,77 2003 79 1.460.577,14 1.926.048,69 18.488,32 24.380,36 2004 133 2.454.919,72 1.847.083,54 18.458,04 13.887,85 2005 101 1.494.915,14 1.922.861,25 14.801,14 19.038,23 2006 77 1.056.120,12 2.219.316,79 13.715,85 28.822,30 2007 127 884.815,00 1.858.060,57 6.967,05 14.630,40 Total 578 10.060.623,71 11.052.404,61 17.405,92 19.121,81 Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade 2.6 – Características das ações. É importante observar os projetos pela sua base de atuação. Verifica-se pelo Gráfico XII e pela Tabela X que quase a metade dos projetos tem atuação de base, em média com valor de R$ 11 mil. São provavelmente projetos de pequeno porte e com atuação local. Somando-se os projetos de atuação no nível diocesano, com valor médio de R$ 16 mil, chega-se a 82% dos projetos. Os 17% restantes são aqueles projetos com atuação interdiocesana, regional ou inter-regional, com valor médio de R$ 33 mil a R$ 59 mil. Note-se que os valores dos projetos podem superar ocasionalmente os limites de apoio a projetos (de base, R$ 10 mil, e de articulação R$ 50 mil) dado que os valores foram inflacionados. O 1% restante refere-se a projetos de animação da Campanha e administração dos fundos. 31 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Tabela IX – Valor apoiado e contrapartidas (R$ de 2007). Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade O elevado percentual de projetos de base e diocesanos pode estar mostrando que o FNS está sendo utilizado muito mais para apoiar pequenos projetos de base local do que projetos de articulação, resultando em ações que poderiam estar sendo executadas pelos fundos diocesanos. Do triênio 1999-2001 até hoje este padrão se manteve, sem alterações significativas. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Gráfico XII – Base territorial de atuação – 2002 a 2007. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 32 Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade Projetos com base de atuação mais ampla, conforme o esperado, utilizam uma quantia maior de recursos em média. Os projetos interdiocesanos - esses que podem articular diferentes experiências locais em escala maior - apresentam valor médio visivelmente mais elevado, assim como elevados valores de contrapartida. Tabela X – Valor e contrapartidas por base de atuação (R$ de 2007). Base de atuação No. de projetos % Valor Média Contrapartida Média Base 391 47% 4.641.509,24 11.870,87 2.100.248,53 5.371,48 Diocesano 297 35% 4.841.947,84 16.302,85 4.137.100,43 13.929,63 Interdiocesano 118 14% 7.012.375,13 59.426,91 4.014.619,45 34.022,20 Regional da CNBB 21 3% 707.038,55 33.668,50 422.524,20 20.120,20 Inter-regional CNBB 10 1% 1.128.103,24 112.810,32 377.912,00 37.791,20 Sem informação 58 - - - - - 895 (837)* 100% 18.330.974,00 20.481,54 11.052.404,61 13.204,78 Total Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade * O percentual e a média foram calculados sobre 837. Outra evidência da articulação frágil diz respeito à relação com os fundos diocesanos. Em somente 86 projetos, entre 2002 e 2007, a comissão diocesana foi citada, e apenas em 10 projetos afirmou-se que este tenha sido decidido na comissão. Isso mostra que ainda pouquíssimos projetos têm relação com o Fundo Diocesano de Solidariedade. Ainda, este quadro não apresenta projeção de mudança. 33 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Como será discutido na segunda parte deste relatório, é importante verificar que a articulação ainda incipiente também revela certa fragilidade dos próprios fundos diocesanos, muitos sem comissões criadas e pouco se articulando para enviar projetos em parceria com o Fundo Nacional. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Caso não haja uma ação efetiva para incentivar tal articulação, que não ocorrerá pela conscientização espontânea da sua importância, não se espera que haja uma mudança mais forte nos próximos anos. Além do trabalho de planejamento e divulgação mais efetivo sobre a forma de organização dos fundos nacional e diocesanos durante as campanhas, é necessário seguir com mais rigor os critérios de aprovação de projetos do FNS. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 34 Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios III – Fundos Diocesanos de Solidariedade Nesse sentido, a pesquisa (2002-2007) relativa à evolução da constituição dos FDS consistiu na coleta e análise de várias fontes de dados, que, ao serem cruzados, proporcionam uma relativa compreensão do processo. Tal como um filme se constitui de fotografias em sequência, a clareza dessas conclusões está diretamente ligada à quantidade, qualidade e consistência dos dados (“fotografias”) coletados em diferentes momentos com diferentes instrumentos. O trabalho de análise equivale justamente à montagem do “filme” que se pretende apresentar nesta seção final do relatório. Para a análise, foram utilizadas 3 fontes de dados. A primeira etapa consistiu na organização das respostas aos formulários sobre as campanhas, aplicados em 2007, com representantes de 114 dioceses, por ocasião dos encontros de formação dos animadores de campanha daquele ano. Desses, foi retirada uma amostra de 67 questionários (cerca de 25% do total de 266 dioceses no país), proporcionalmente distribuídos entre as regiões geográficas do Brasil e cujo procedimento de seleção encontra-se detalhado no Anexo A. Dada a fragilidade de uma grande parte dos questionários, optou-se por uma pequena amostragem, visto que uma amostra melhor distribuída pode apresentar resultados mais consistentes do que uma amostra grande e mal distribuída. A segunda fonte consistiu em entrevistas abertas com representantes das Regionais Cáritas, cujo procedimento encontra-se no Anexo B. Nessas entrevistas, tais representantes foram convidados a falar sobre os FDS, o FNS e 35 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Para a pesquisa de avaliação do FNS e FDS anterior, publicada em 2003, foi aplicado um formulário específico junto às arquidioceses e dioceses brasileiras. Dos 266 formulários enviados na época, foram respondidos e devolvidos 141 (53% do total). Assim, essa amostra não seguia nenhum critério de distribuição regional específica, o que poderia dar menos precisão a alguns resultados. No relatório atual, com o objetivo de dar visibilidade ao processo de desenvolvimento dessa proposta nesses últimos 5 anos (2002-2007), procuramos superar essa dificuldade ao realizar a avaliação sobre os FDS com algumas diferenças metodológicas de análise. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios 3.1 – Metodologia da pesquisa e definição da amostra. a inserção da Cáritas nesse contexto e a elencar exemplos de constituição dos FDS em algumas dioceses de sua região. A análise quantitativa da amostra a partir dos gráficos construídos constitui-se como um esqueleto ou “script”, sobre o qual as outras análises qualitativas formam o corpo, complementando os sentidos e ampliando a inteligibilidade do contexto geral. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios A terceira fonte consistiu-se num questionário sobre a organização do FDS na atualidade, a partir do qual se procurou organizar algumas experiências ilustrativas de dioceses indicadas pelos Regionais da Cáritas. O procedimento dessa terceira coleta e seu instrumento encontram-se detalhados nos Anexos C e D, respectivamente, e o detalhamento das experiências ilustrativas no capítulo V deste relatório. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 36 3.2 –A organização das CFs e o processo de implementação dos FDS. A CF tem cada vez mais aderência das dioceses no Brasil. Desde 2002, o número de dioceses participantes tem aumentado, em especial depois de 2005, como mostra a Tabela I, mencionada no item 2.1 deste relatório. Vimos que nos últimos dois anos do período, a maioria absoluta das dioceses tem realizado a Campanha da Fraternidade. Na amostra analisada, temos que 100% das respostas confirmaram a realização da Campanha. Esse número se aproxima bastante dos dados de repasse para o FNS (40% da arrecadação), nos quais constam apenas 3 dioceses que não fizeram o repasse em 2007. A maioria das respostas indicou que há equipes específicas de campanhas, mas que menos da metade dessas equipes são permanentes. De acordo com as regionais entrevistadas, a volatilidade das equipes, em relação às campanhas da fraternidade, se dá em parte pela alternância anual de temas, o que contribui para a conjunção de pessoas mais interessadas no tema de um determinado ano e outra conjunção para outro tema, em outro ano. Essa volatilidade de constituição de equipes de campanha pode estar contribuindo para a volatilidade e fragilidade das comissões diocesanas, que teriam também por objetivo animar a campanha e a coleta, só que independente do tema da mesma. Constatamos, como mostra o Gráfico XIII, que houve mais dioceses com equipes de campanha durante os anos estudados do que sem equipes. Gráfico XIII – Percentual das equipes de animação de campanhas. Gráfico XIV – Percentual de equipes permanentes de campanha entre as equipes constituídas. Fonte: Formulários de informações sobre as Campanhas da Fraternidade - Cáritas 2007 (dados amostrais). Outro dado é o percentual de 15% de respostas negativas para a percepção da necessidade de constituição de uma equipe permanente de campanhas. Nas entrevistas com as regionais foi mencionada uma forte tendência à centralização da gestão dos recursos, o que pode estar influenciando a percepção da falta de necessidade de criação de equipes. No que tange aos motivos pelos quais acredita-se ser importante a manutenção de uma equipe permanente, diversas respostas foram evocadas. As categorias derivadas dessas evocações estão dispostas no Gráfico XV, a seguir: 37 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Entretanto, das equipes que se constituíram, pouco menos da metade era permanente, como apresenta o Gráfico XIV, abaixo. Isso significa que, do total, apenas 31% das dioceses tiveram equipes permanentes. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Fonte: Formulários de informações sobre as Campanhas da Fraternidade - Cáritas 2007 (dados amostrais). Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Gráfico XV – Motivos evocados para equipe permanente de campanhas. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 38 Fonte: Formulários de informações sobre as Campanhas da Fraternidade - Cáritas 2007 (dados amostrais). Percebe-se que há a compreensão do efeito positivo que exerce uma equipe permanente na estruturação, articulação, otimização das atividades, bem como seu papel de planejar, definir prioridades mais em conformidade com as populações a serem beneficiadas, de mobilização, melhoria de resultados das coletas e continuidade das atividades. Contudo, foram relativamente poucas as respostas que indicaram que a equipe poderia servir como referência para gestão e apenas 3% das respostas relativas ao acompanhamento das iniciativas demonstraram que, no imaginário dos respondentes, essas responsabilidades pouco se relacionam com os motivos para se constituir uma equipe permanente. Diretamente ligada ao papel de estruturação, animação e mobilização para a campanha está a percepção da variação do volume de recursos ao longo dos anos, isto é, se os respondentes acham que os recursos aumentaram ou diminuíram com o tempo. Segundo a maioria, tal volume aumentou, o que de fato pode ser constatado nos repasses feitos ao FNS, significando que a percepção dos entrevistados está mais ou menos de acordo com a tendência real (além de indicar uma boa representatividade da amostragem). Gráfico XVI – Percepção da variação do volume de recursos. As atividades realizadas durante a coleta podem estar influenciando positivamente na variação acima demonstrada. No período das campanhas, várias atividades formativas como seminários preparatórios são realizadas, o que envolve um esforço de mobilização e participação na comunidade. Esse esforço é acompanhado de compromisso com a campanha e com a arrecadação, o que pode estar indicando uma crescente capacidade de mobilização. O Gráfico XVII denota a proporcionalidade das atividades realizadas durante a campanha. Gráfico XVII – Atividades realizadas pela diocese na coleta. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Fonte: Formulários de informações sobre as Campanhas da Fraternidade - Cáritas 2007 (dados amostrais). Fonte: Formulários de informações sobre as Campanhas da Fraternidade - Cáritas 2007 (dados amostrais). Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 39 Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios A Campanha da Fraternidade, além do período da coleta, comporta diversas outras atividades, desde a divulgação até o apoio final às iniciativas locais. O Gráfico XVIII, a seguir, apresenta as atividades realizadas ao longo das campanhas como um todo e sua proporcionalidade. A partir destes dados pode-se concluir que as campanhas no geral são bem animadas e que a formação de pessoal sobre os temas e sobre a própria campanha é uma prioridade das dioceses. Proporcionalmente, a atividade “coleta” é menor, em relação à formação, animação, conscientização, e divulgação tanto na mídia por entrevistas ao sistema de rádio e tv locais, quanto por meio de atos públicos, caminhadas, palestras em escolas e outros locais e celebrações. Se analisarmos estes dados em relação ao aumento de volume dos recursos arrecadados, podemos perceber a importância da formação e da animação, não apenas como vivenciada pelas dioceses, mas também para atingir os resultados positivos dos últimos anos. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 40 Gráfico XVIII – Principais atividades realizadas ao longo das campanhas. Fonte: Formulários de informações sobre as Campanhas da Fraternidade - Cáritas 2007 (dados amostrais). Pelo gráfico acima, percebe-se também que a capacitação e a formação voltada para o tema da campanha são as atividades mais mencionadas pelas paróquias e dioceses (27%), seguidas da animação, da divulgação e só então da coleta, cabendo, por fim, a menção ao apoio às iniciativas voltadas para o tema daquele ano. Associadas essas informações às analisadas no Gráfico XVIII acima, sobre os motivos para se constituir uma equipe permanente, vemos que o acompanhamento dos projetos é bem pouco mencionado. Nesse sentido, a análise indica que há uma consciência da necessidade de acompanhamento dos projetos. No entanto, essa atividade encontra alguma resistência nas dioceses e regionais Cáritas. Os dados demonstram que as paróquias e as dioceses têm se focado mais na animação, na coleta e na publicidade dos resultados das CFs e menos na tarefa de articulação para constituição dos fundos diocesanos, onde esteja explícito o esforço para criação de uma base de incentivo às pequenas iniciativas. Gráfico XIX – Dioceses com fundo e comissões (%) Fonte: Formulários de informações sobre as Campanhas da Fraternidade - Cáritas 2007 (dados amostrais). Apesar dos recursos coletados durante a Campanha da Fraternidade terem aumentado, o mesmo não ocorreu com o número de comissões. Soma-se a isso o fato de se ter verificado que há uma relativa impermanência das comissões durante os anos, o que significa que a proporção de comissões atuantes de forma mais perene pode ser ainda menor. Essa mesma informação pode ser visualizada de outra maneira, no Gráfico XX, que considera apenas as dioceses que têm fundo constituído. 41 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Antes de discutir propriamente o seu funcionamento, é importante apresentar algumas informações gerais sobre a existência das comissões responsáveis pela gestão dos FDS e dos próprios Fundos. Na amostra analisada, verificou-se que 49% das dioceses afirmaram ter criado o Fundo Diocesano, enquanto 51% afirmaram não ter criado. Entre as que criaram o Fundo, pouco menos da metade afirmou ter criado comissão. Isso significa que apenas 22% das dioceses da amostra têm comissões formadas, como mostra o Gráfico XIX: Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios 3.3 – A Organização das Comissões Diocesanas de Solidariedade e a gestão dos recursos das CFs. Gráfico XX – Dioceses com Fundos Diocesanos – comissões constituídas. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Fonte: Formulários de informações sobre as Campanhas da Fraternidade - Cáritas 2007 (dados amostrais). Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 42 Infelizmente, devido às diferenças metodológicas anteriormente citadas entre a pesquisa anterior e a atual, não é possível afirmar com certeza se o número final de comissões aumentou ou diminuiu. O mais provável é que esse número não tenha se alterado significativamente, contrariando as projeções dessa com o levantamento realizado em 2001, que previa que até 2004, em cerca de 76% das dioceses brasileiras, teriam sido criadas as comissões diocesanas baseadas nas intenções das dioceses em criá-las. A pesquisa anterior apresentava um percentual de 32% de dioceses com comissões criadas. No entanto, esse valor não corresponde ao total real daquelas dioceses, mas a 144 que tiveram a iniciativa de responder (o que prioriza aquelas dioceses mais ativas, provavelmente mais numerosas no grupo respondente). De qualquer modo, mister é buscar compreender os motivos possíveis para a não existência de comissões em tantas dioceses (78%, na amostra atual) e, em segundo lugar, a forma de gestão dos recursos nesses casos. Não foram identificadas dioceses que já tenham formado comissões, antes de ter constituído o fundo. O que se observa é uma inversão da lógica proposta na cartilha, elaborada em 2002, sobre o FDS. Segundo o documento, a criação da comissão, com a participação de representantes das pastorais sociais, da Cáritas Diocesana e representantes dos grupos a serem beneficiados pelo financiamento a pequenos projetos, dentre outros, deveria se dar antes mesmo da constituição do fundo. No entanto, percebe-se que, na prática, é a existência do fundo que tem antecedido a criação das comissões. Mas não apenas a existência do fundo constituído tem sido condição para constituição das comissões. Segundo entrevistas, deve haver uma configuração política em favor de sua constituição, sendo fatores importantes a atuação da Cáritas Regional e as iniciativas das pastorais sociais; mas, principalmente, a anuência do Bispo, que tem um papel decisivo para a concretização da mesma. A proporção entre as iniciativas principais de criação da comissão apontadas pode ser verificada no Gráfico XXI. Gráfico XXI – Iniciativas para a criação da comissão. Cabe uma análise mais detalhada sobre esses resultados, em especial, sobre o baixo percentual atual de intenção em criar as comissões. Existem várias possíveis razões encontradas nos discursos dos representantes das Cáritas Regionais, entre as quais, o de que se imagina que o recurso arrecadado na campanha está sendo considerado tão pequeno, em algumas dioceses, que não veem a necessidade de existência de uma comissão para gerir tal recurso. Com o intuito de analisar essa primeira justificativa advinda das dioceses, podemos realizar o seguinte cruzamento de dados. A Tabela XI relaciona a existência ou não de comissões com a arrecadação média das dioceses. Como observado, as dioceses que têm comissões têm um valor médio de arrecadação cerca de duas vezes o daquelas dioceses que não têm comissão. Assim, apesar das dioceses com fundo e comissão constituírem apenas 22% das dioceses pesquisadas, estas mesmas são responsáveis por 38% da coleta do FNS, considerando a amostra analisada. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Fonte: Formulários de informações sobre as Campanhas da Fraternidade - Cáritas 2007 (dados amostrais). 43 Estruturação dos fundos Valor da Coleta Média % da coleta % total de dioceses Com fundo e com comissão 490.681 32.712 38% 22% Com fundo e sem comissão 271.238 15.069 21% 27% Sem fundo e sem comissão 537.378 16.793 41% 51% Fonte: Formulários de informações sobre as Campanhas da Fraternidade - Cáritas 2007 (dados amostrais). Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Tabela XI: Porcentagem de arrecadação entre dioceses de várias regiões. Esses dados indicam que as dioceses que têm comissões, também possuem, em média, maior receita advinda da coleta da fraternidade, assim como as que não têm comissões possuem menor receita. Ao mesmo tempo em que um fundo diocesano maior dá maior legitimidade para a criação de uma comissão, é preciso lembrar que o inverso também ocorre já que a constituição da comissão e dos fundos de forma organizada pode ser um dos fatores de melhoria da própria arrecadação. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Por outro lado, está havendo certa centralização na gestão dos recursos por uma autoridade local na diocese, o que pode ser observado no Gráfico XXIII, no qual estão distribuídas as categorias de respostas da amostra sobre a responsabilidade pela gestão, nos casos em que a comissão diocesana não está constituída. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 44 Gráfico XXIII – De quem é a gestão na ausência das comissões? Fonte: Formulários de informações sobre as Campanhas da Fraternidade - Cáritas 2007 (dados amostrais). A forma de gestão atual dos recursos nas dioceses sem comissão pode ser um dos fatores para o relativo pouco interesse em constituir as comissões. Os dados corroboram as alegações das regionais de que a gestão está concentrada nas dioceses. No gráfico XXIII, encontram-se na primeira categoria respostas referentes ao conselho administrativo diocesano, CODAE, bispo, economato, Ecônomo, e assim por diante, com 55%, isto é, mais do que a soma de todas as outras respostas. Essa categorização difere da feita na pesquisa anterior, contudo evidencia dados importantes que condizem com discurso dos Regionais Cáritas sobre a gestão dos fundos. A Cáritas Diocesana isola- damente e uma gestão conjunta entre a diocese e a Cáritas e/ou Pastorais entram na segunda e terceira categorias, ambas com 15% das respostas, seguida pelo próprio conselho de pastorais, representado em 9% das respostas. Na categoria “Outros”, encontram-se duas respostas isoladas: “ADIRROS + MITRA” e “CNBB nacional”. Existem diferentes formas de se obter acesso aos recursos dos FDS em razão das diferentes formas de gestão. As seguintes categorias foram elaboradas a partir das respostas da amostra: “Projetos encaminhados ao FDS”; “Execução do Plano Diocesano”; “Solicitações Diretas à Arquidiocese” e “Outras”, como apresentadas no Gráfico XXIV. A categoria “Outras” engloba respostas que remetem à definição direta dos bispos, de todo o clero e do bispo com o conselho econômico da diocese, de acordo com o tema da campanha; à ação do CODAE; às despesas da Santa Missão Popular. Também inclui as seguintes respostas: “não existe forma reconhecida”, “pedido das pastorais” e “uma aplicação da diocese anual”. Gráfico XXIV – Acesso aos recursos. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios 3.4 –Critérios de acesso ao FDS e destinação dos recursos. Fonte: Formulários de informações sobre as Campanhas da Fraternidade - Cáritas 2007 (dados amostrais). Observa-se a existência de uma cultura de solicitar os recursos diretamente à arquidiocese, derivada provavelmente da inexistência de comissão e da gestão centralizada, como se pode observar nos resultados antes mencionados. Entretanto, considerando-se os respondentes da pesquisa anterior pode estar Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 45 havendo um avanço na compreensão da necessidade e elaboração de projetos, devido ao fato da amostragem apresentar que mais da metade dos recursos tem sido obtidos por esse meio nos últimos anos. Alguns projetos também têm sido encaminhados às Cáritas Diocesanas e Pastorais, tendo as entidades, nesses casos, o papel de intermediar a relação com o FDS. Esses fatos podem estar influenciando positivamente o acompanhamento e a destinação dos recursos, senão vejamos o Gráfico XXV. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Gráfico XXV – Destinação dos Recursos das CFs. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 46 Fonte: Formulários de informações sobre as Campanhas da Fraternidade - Cáritas 2007 (dados amostrais). A maioria das destinações indicou projetos e instituições que receberam ações concretas voltadas para idosos e, sobretudo, deficientes. Isso é bom, posto que são projetos relacionados aos temas das campanhas. A formação da equipe é outra destinação importante para os recursos arrecadados, tendo sido mencionada na proporção de 17% de todas as respostas, em seguida o bispo e a diocese foram mencionados como destinação dos recursos, em 5% de todas as respostas, seguidos pela formação do FDS, a própria campanha e “outros”. Vimos nas entrevistas com os Regionais que algumas dioceses enviam de 5% a 10% do arrecadado para manutenção da mesma. Apesar de esta prática constar na minoria das dioceses, ela ainda pode estar significando a necessidade de maior conscientização sobre a gestão dos recursos públicos vindos das CFs. O que mais se evidencia nesses resultados em relação ao período de 1999 a 2001, é que se mantém, apesar de menos evidentemente, a necessidade dessa conscientização e de capacitação dos agentes para constituição e manuten- Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios ção das comissões diocesanas, no fortalecimento de uma gestão democrática e transparente dos recursos das CFs para ação solidária. Por outro lado, evidenciou-se também a necessidade de apoio da CNBB na conscientização dos bispos para a democratização da gestão de fundos se consolide, uma vez que ficou mais claro o papel definitivo dos mesmos neste processo. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 47 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 48 Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios IV - Conclusões Em primeiro lugar, observou-se que, ao menos nos últimos anos, o repasse da coleta da fraternidade para o Fundo Nacional, realizado pelas dioceses, tem crescido gradual e sistematicamente, (com apenas uma queda em 2005, ano em que a campanha foi ecumênica). Somado a isso, a participação mais ativa de diversas dioceses na realização das campanhas indica que há uma aderência e aceitação do projeto simbólico e político dos fundos solidários. No entanto, verifica-se também que essa aceitação é relativa, sendo que os procedimentos e princípios sugeridos para a gestão dos fundos e formação das comissões não vêm sendo seguidos, senão de forma limitada ou excepcional. Pela via do FNS vemos que há um elevado percentual de projetos de base, o que indica que o fundo está sendo utilizado mais para apoiar pequenos projetos locais do que projetos de articulação. Ao mesmo tempo, a realização de projetos em parceria com os fundos diocesanos se mostrou insignificante, sendo que ações que poderiam estar sendo executadas pelos Fundos Diocesanos vêm sendo feitas quase que exclusivamente pelo Fundo Nacional. Há uma grande quantidade de variáveis que configuram o estado atual dos Fundos Diocesanos. Dentre as de ordem política e técnica podemos destacar a centralização da gestão dos FDS pelas arquidioceses e o baixo interesse na criação da comissão em algumas regiões. Também há uma limitada compreensão do papel da comissão para gestão dos recursos das Campanhas da Fraternidade, que devem ser percebidos e tratados como recursos públicos. Apesar do aumento de recursos e dioceses envolvidas, essa é uma tendência que se mantém desde o triênio 1999-2001 até hoje, sem alterações significativas. Caso não haja uma ação efetiva para fortalecer a articulação entre o fundo nacional e os fundos diocesanos, que não ocorrerá pela conscientização espon- 49 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa O trabalho aqui realizado nos permite listar aspectos positivos e negativos do processo de desenvolvimento dos fundos solidários, os quais estão diretamente ligados à dinâmica que se dá entre o FNS e o FDS. Essa dinâmica, que toma vida na relação entre o local e o global, pode ser analisada em suas diversas dimensões. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios 4.1 – a relação entre o Fns e os FDs. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios tânea da sua importância, não se poderá esperar uma mudança mais forte em pouco tempo. Além do trabalho de planejamento e divulgação mais efetivo sobre a forma de organização dos fundos nacional e diocesanos durante as campanhas, é necessário seguir com mais rigor os critérios de aprovação de projetos do FNS, assim como instruir as entidades para isso. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 50 Então, como têm sido aplicados os recursos dos fundos diocesanos? Uma série de evidências recolhidas ao longo do trabalho de pesquisa, dos dados e entrevistas aqui realizadas indica que há uma cultura de gestão dos recursos das campanhas a nível local que vem crescendo, embora não esteja explícita e não seja institucionalizada. Essa cultura pode estar se espalhando, ao mesmo tempo em que cresce a arrecadação e a mobilização das campanhas. No entanto, na medida em que isso ocorre, uma cultura inversa, a de gestão democrática, perde força. Assim, uma mudança dos processos não explícitos, que significaria uma reorganização da própria gestão (centralizada) pode começar a sofrer resistência do grupo que vem se acostumando com o fraco controle participativo dos recursos materiais e simbólicos, sobre os quais detém algum poder. A articulação ainda incipiente entre o local e o global acima descrita também revela esta fragilidade dos próprios fundos locais, muitos sem comissões criadas e pouco se articulando para enviar projetos em parceria com o Fundo Nacional. Até certo ponto, esta é uma questão histórica, quando se trata da gestão coletiva no desenvolvimento da democracia brasileira, e que não é superada se não a médio e longo prazos. Ela deve ser tratada com muito cuidado e atenção no planejamento das próximas campanhas, nos momentos de formação dos agentes e lideranças e, principalmente, na instituição das políticas acordadas pelos conselhos gestores das principais entidades envolvidas. 4.2 – Propostas de aprimoramento do FDS e do FNS. Um dos objetivos primordiais desta pesquisa é oferecer subsídios para as discussões preparatórias, o aprimoramento e a implantação dos FDS em todo território nacional, assim como o fortalecimento da sua relação com o FNS. Nesse sentido, as sugestões apontadas abaixo são consequências diretas ou indiretas das análises apresentadas, sendo que muitas já refletem as discussões que a pesquisa suscitou. Outras sugestões estão mais ligadas aos aspectos do banco de dados, fluxo de pareceres e ao funcionamento interno da Cáritas. É preciso lembrar que não é possível oferecer respostas prontas para questões práticas que só podem ser resolvidas na ação prática cotidiana. Assim, as observações aqui apresentadas são indicações de caminhos possíveis, mas não únicos e fixos, mas devem ser acompanhados de estudo paciente do conteúdo de toda a pesquisa. As proposições estão elencadas segundo os atores mais envolvidos, embora não se restrinjam necessariamente a um. Às Dioceses, aos Regionais da CNBB, aos Regionais da Cáritas, às pastorais sociais e agentes Cáritas: • Pastorais Sociais: incentivar sua participação na CF e nas comissões diocesanas/regionais e definir parcela do Fundo Nacional destinada às redes/organizações pastorais, para formação e articulação; • Fundos Rotativos: incentivando as práticas de fundos devolutivos, rotativos (com ou sem moeda) como pedagogia da solidariedade e da auto-gestão e outras formas de realimentação de fundos (bazares, feiras, etc.); • Incentivar e explicitar a necessidade de adoção (ou de readequação) das orientações da cartilha para animação dos FDS: como indicado na pesquisa anterior, a cartilha é conhecida, mas não vem sendo seguida com cuidado. É preciso verificar se a cartilha não foi adequadamente divulgada ou se orientações necessitariam de adequações a partir do local. À Cáritas e ao Conselho Nacional do FNS: • Formação: resgatar/atualizar cartilha; organizar processos de formação de agentes para a animação da CF para gestão dos fundos diocesanos, para elaboração, análise e acompanhamento de projetos; propor intercâmbios em rede entre dioceses em cada regional; • Descentralizar: provocar a aproximação entre os projetos do FNS e os dos FDS nos seus territórios, dioceses, regionais; estimular a criação de equipes regionais da CNBB para animação da CF, da coleta, da recepção e análise de projetos da região, seu acompanhamento, suas articulações; • Propor uma política nacional para constituição de Fundos Diocesanos: dioceses que já possuem comissões podem receber apoio visando fortalecer os fundos diocesanos, seja para recursos de complementação a projetos locais que têm sido financiados pelo fundo nacional; seja para acompanhar/assessorar tais projetos; 51 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa • Fomentar a constituição de Comissões e dos Fundos Diocesanos em articulação com o Fundo Nacional: de forma organizada pode ser um fator que resultará também na melhoria da própria arrecadação local; uma linha de projetos financiados pelo Fundo Nacional pode ser criada especialmente para favorecer a constituição e/ou o fortalecimento de fundos diocesanos: capacitação para a gestão, para a animação, para divulgação etc.; Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios • Fundos Públicos: estimular a participação dos fundos diocesanos em redes de fundos solidários e sua inserção e acesso a recursos públicos de apoio a fundos solidários; • animar o funcionamento das Comissões Diocesanas de solidariedade: promover a realização de encontros e seminários regionais para troca de experiências entre dioceses, informações, divulgação e discussão da pesquisa, capacitação de comissões iniciantes; intercâmbios e animação de redes; Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios • Definir linhas estratégicas de financiamento: para recursos a serem aplicados na animação das campanhas e os voltados para a criação e manutenção das CDS e os voltados para os gastos com a administração e investimentos para ampliação dos recursos (tais como pesquisa e acompanhamento das CF); Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 52 • aperfeiçoamento dos critérios de seleção de projetos do Fns: priorizar projetos vinculados aos FDS com planejamento de monitoramento e acompanhamento de atividades pelas comissões diocesanas, explicitando mecanismos de incentivos a estes projetos (desde incentivos aos grupos gestores, como divulgação dos resultados positivos das comissões, prêmios anuais de gestão democrática e transparente, etc.); • Conselho: analisar periodicamente a distribuição de recursos entre as regiões, dioceses e a participação dos Fundos Diocesanos reorientando os fluxos de recursos para áreas/segmentos de maior vulnerabilidade; • Melhorar a informação do banco de dados dos projetos Fns: pode-se iniciar seguindo as sugestões técnicas encaminhadas no anexo E. Um novo banco de dados havia sido criado a partir das orientações da pesquisa anterior, porém, algumas deficiências, que dificultaram a análise, permanecem e podem ser corrigidas com certa facilidade, permitindo manejo mais adequado das informações. (p. ex.: não se observa o critério de aporte do FDS nos projetos locais; não se observa se há nitidamente processos de acompanhamento dos projetos; não se observa a existência de retornos solidários aos FDS pelos projetos que produzem renda - retorno monetário - ou retornos não monetários pelos projetos sociais). À Campanha da Fraternidade: • Dinamizar a coleta da solidariedade: melhorando a divulgação dos resultados dos projetos apoiados, da prestação de contas, dos espaços na mídia para animação; • organizar e ampliar outras formas e pontos de coleta: um público considerável tem realizado doações diretas sem passar pelas dioceses. Esse potencial pode ser desenvolvido por meio de estratégias de divulgação e coleta que atinja tal público. V – Lições do Fundo Diocesano de Solidariedade. Durante a primeira fase da coleta, foram feitos contatos telefônicos com os Regionais da Cáritas, solicitando que, além de responderem a algumas perguntas sobre o FNS e o FDS, indicassem as experiências de constituição do FDS com a Comissão Diocesana de Solidariedade. A partir dessas orientações, foi feita uma lista com as dioceses indicadas por regional, as quais receberam por email um roteiro de entrevista (Anexo 1) com algumas perguntas que serviriam para um aprofundamento em contato posterior por telefone. Após mais alguns contatos telefônicos e emails enviados, foram feitos ajustes nessa lista de dioceses que, gradualmente, foram efetuando a devolução dos roteiros de entrevista. As respostas que chegaram foram elencadas sem tratamento ou qualquer forma de modificação de seu conteúdo em um quadro geral das experiências e alguns projetos aprovados por seus respectivos fundos. A partir desse quadro geral, foi feita a síntese narrativa, adiante apresentada, que procurou se manter fiel às respostas do roteiro de entrevista encaminhado por cada diocese. As respostas estão organizadas por diocese e unidade federativa, iniciando pela Região Sul devido à sua trajetória de experiências acumuladas que permitiram pensar, não apenas nas dioceses com um fundo bem estruturado, mas numa “Articulação RS”, devido às redes que se constituíram. Outras experiências, apesar de iniciadas há apenas 1 (um) ou 2 (dois) anos denotam o esforço organizativo de seus constituintes e de uma boa articulação política. 53 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa As experiências apresentadas nesta seção têm a finalidade de ilustrar e complementar a pesquisa sobre o Fundo Nacional de Solidariedade / Fundo Diocesano de Solidariedade (FNS/FDS). A apresentação dessas experiências como instrumento pedagógico-ilustrativo foi uma ideia surgida no início do processo de análise dos dados que, ao longo do trabalho, configurou-se neste formato mais enxuto do que a ideia original. Decidiu-se por elencar alguns casos de sucesso na constituição das comissões dos Fundos Diocesanos de Solidariedade para evidenciar seus pontos positivos e para aprender como lidar com os pontos negativos e as diferentes experiências. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios 5.1. sobre o levantamento, metodologia e objetivos. Em geral, as “ilustrações” formam um conjunto de experiências de grande riqueza relativa à sua diversidade de formulações e soluções, a exemplo do que vem ocorrendo ao longo dos anos em diversos recantos do Brasil. Vale a pena conhecer seus atores, suas lutas e conquistas, os caminhos que foram seguidos e abandonados, avaliar seus impactos sociais, os desafios superados, bem como as perspectivas de futuro dessas experiências. Experiências ilustrativas – Quadro síntese Regional Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios RS Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 54 Fundo Diocesano Passo Fundo Caxias do Sul Destaques Articulação entre os fundos das várias dioceses; 250 projetos realizados no período de 2000 a 2007 com pleno acompanhamento (nas dioceses citadas); Reversão de financiamento internacional; Transparência; Organização de eventos locais, nacionais e internacionais. Comissão permanente com reuniões frequentes; Acompanhamento de projetos; Diversidade de participação na comissão; Articulação com movimentos sociais e com o Fórum de Economia Solidária; Priorização de projetos voltados para a cidadania e às políticas públicas. SC Lages PR Ponta Grossa SP Campinas MG Itabira Apoio da diocese; Participação e envolvimento das pastorais; Parcerias com os poderes públicos municipal e estadual. MT Cuiabá Apoio episcopal e da Coordenação da CF; Treinamento e Marketing; Prestação de contas das CFs. CE Fortaleza ES Cachoeiro do Itapemirim Assessoria e apoio na elaboração e execução dos projetos; Superação de desafios (burocracia, constituição de um serviço público de necessidade básica, por exemplo, relacionado à saúde). Transparência; Priorização na geração de renda; Devolução solidária. Consolidação de 10 anos de experiência; Envolvimento das pastorais e da Arquidiocese; Eleições bianuais para representantes da comissão. Diversificação das fontes de recursos (dízimo, empresas, etc.); Divulgação pela mídia; Vinculação de projetos aos trabalhos das pastorais. 5.2. Sementes de esperança: relato de experiências. Os relatos que se seguem são verdadeiros sinais de esperança para a constituição de fundos solidários. São dez experiências cuidadosamente selecionadas para somar-se ao texto da pesquisa, na intenção de ser estímulo à formação e organização dos Fundos Diocesanos de Solidariedade nas dioceses. Eles mostram a riqueza da diversidade regional, e mesmo local, no esforço de organizar a prática da solidariedade a partir da constituição dos fundos solidários, como prática já consagrada em todas as regiões do país. Os relatos têm em comum o fato de terem nascido da vontade, da necessidade e da possibilidade de dinamizar o gesto concreto da Campanha da Fraternidade na própria diocese. Algumas comissões diocesanas já existentes desde a instituição da nova dinâmica da CF para o gesto concreto. Outras, mais recentes, foram organizadas inspirando-se nas práticas disseminadas por outras dioceses. Aqui, o ponto de partida é sempre a organização da comissão diocesana do fundo, com tarefas que vão além de aprovar projetos e decidir sobre a destinação de recursos. Outra característica marcante, salvo algumas exceções, é a contrapartida e a devolução dos recursos como forma educativa e de retroalimentação do fundo, uma prática que já vem de outras experiências de fundos rotativos solidários. O cuidado é sempre de vincular a aprovação dos projetos ao crédito rotativo, no todo ou em parte, a depender da natureza do projeto. Os projetos, sejam eles vinculados à temática anual da campanha ou de combate a qualquer tipo de exclusão social, são acompanhados pela equipe constitutiva do FDS. Os Fundos Diocesanos de Solidariedade, em muitas ocasiões, têm sido instrumento de estruturação ou reestruturação da Cáritas na diocese ou da pastoral social diocesana. A participação em conjunto de diversos atores sociais – pastorais e CEBs - na composição das equipes e na dinamização das ações, como bem mostra o texto da pesquisa, demonstram que a existência de comissões diocesanas estabelece o diferencial com outras, onde elas não existem, seja quanto ao volume de recursos arrecadados, seja na forma participativa e construtivista de organizar os fundos solidários. 55 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa A divulgação é sempre um ponto de destaque, utilizando-se dos instrumentos de comunicação disponíveis: boletins, folders, folhetos, vídeos, rádios comunitárias, jornais diocesanos, missas, entre outros. Uma ação que perpassa o ano todo, mantendo vivo o tema anual da CF, que tem seu ponto alto na Quaresma. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Elas elaboram roteiros e critérios para projetos, articulam-se com outros fundos, estabelecem parcerias com outros setores, público e privado, buscam otimizar suas experiências em outras fontes, dinamizam e divulgam os resultados dos fundos prestando contas dos recursos, sempre em vista de manter a transparência e aumentar a credibilidade. 5.2.1. Passo Fundo – rs Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios rs Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 56 DioCese De Passo FUnDo, rio granDe Do sUl (rs) Bispo: Dom Liro Vendelino Meurer Últimas arrecadações da CF: 2008 – R$ 54.407,50 2009 – R$ 62.310,00 2010 – R$ 56.489,37 Ranking do estado no IDH (dados de 2000): 4º **os valores das arrecadações são aproximados e calculados com base nos 40% enviados pelas dioceses para o FNS. Já no início da pesquisa, Passo Fundo-RS havia sido uma das principais experiências mencionadas como destaque, devido ao seu considerável histórico de organização democrática e eficiência na execução das políticas de financiamento para ações solidárias. Desde sua constituição em 2000, através de projeto apresentado pela Cáritas Diocesana, com o aval do Bispo e da Coordenação de Pastoral, a comissão diocesana tem trabalhado no sentido de tornar-se independente da ajuda financeira internacional, alcançando ao longo dos anos esse objetivo com maior número de projetos. A liberação dos recursos é feita através de projetos com roteiro próprio e a comissão os acompanha desde sua elaboração até sua conclusão. São oferecidos cursos de capacitação e aperfeiçoamento, bem como realizadas visitas e acompanhamento mais de perto pelas Cáritas Diocesanas e pastorais sociais. O Fundo aporta recursos não apenas das Campanhas da Fraternidade, mas também de doações provenientes de todo o ano. O sucesso dos projetos que possuem caráter produtivo garante também parte do retorno do recurso repassado, consolidando uma experiência de fundo rotativo, visto que o dinheiro continua sendo aplicado em projetos para a comunidade de beneficiários. O retorno parcial e alguma contrapartida (seja em dinheiro, prestação de serviços ou materiais disponíveis no grupo) são critérios para aprovação dos projetos. Em algumas vezes, o retorno pode ser efetivado com produtos excedentes dos empreendimentos que, por sua vez, são vendidos pela comissão e o recurso recolocado na conta do fundo. Outras formas de retorno solidário são aceitas, tais como: materiais, prestação de serviços, gestos em favor dos irmãos da comunidade ou outra forma criativa. Dessa forma, nenhum dos projetos aprovados deixa de dar algum retorno. Também são critérios de aprovação: envolver pelo menos 3 (três) famílias com organização coletiva/associativa; obter parecer da paróquia, pastoral ou movimento que acompanha o grupo; e, assumir compromisso com a prestação de contas. A gestão é feita pelo Conselho do FDS, cuja coordenação muda, mantendo sempre uma representação de pastoral e conta com a participação de entidades envolvidas nos temas das campanhas. Consegue-se ainda a articulação dos projetos através de feiras, atividades comunitárias, visitas entre grupos e divulgação de resultados entre si e para fora, através de jornais, informativos, assembléias, lançamentos de campanhas, relatórios e outros espaços. A interação dos diversos fundos com a coordenação da comissão é uma conquista singular dessa comissão. É fundamental apresentar outros desafios superados e conquistas: • igreja diocesana mais envolvida no social; • ecumenismo na prática; • partilha em favor dos mais necessitados; • exercício de solidariedade nas comunidades, grupos e paróquias; • gestos de solidariedade que unem a igreja em toda a Diocese; • pessoas e grupos excluídos com acesso a recursos e créditos; • organizações sociais, pastorais e movimentos podem contar com recursos para mobilizações e lutas; • resultados eficazes com pouca burocracia e com maior agilidade; • geração de trabalho e renda; • resgate de trabalhos com minorias excluídas: dependentes químicos, deficientes e indígenas; 57 • apoio a mobilizações sociais: MST, MNLM, Grito dos Excluídos/Calçadão, organizações indígenas, pastorais sociais, etc.; Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa • trabalhos de preservação do meio ambiente; Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Às vezes, os projetos que são apoiados pelo FDS são também apoiados pelo Fundo Estadual de PACs (Cáritas Regional), outras vezes são complementados por meio de recursos próprios da Cáritas Diocesana, da Diocese, bem como através de doações diversas e de fundos públicos. Os projetos apoiados pelo Fundo Nacional de Solidariedade – atualmente, existem 4 (quatro) na Diocese - são apoiados também pelo FDS. • formação: divulgação, cultura, saúde, políticas públicas, EPS, direitos humanos, cursos etc.; • acesso rápido na necessidade em casos de emergência. Identifica-se, em Passo Fundo-RS, que há ainda necessidade de maior divulgação da coleta e da sua importância, inclusive ampliando as informações sobre a mesma no material das CFs, assim como é necessário conscientizar algumas paróquias, a fim de focar os recursos nos projetos, além de buscar mais transparência e sinceridade nos repasses. 5.2.2. Caxias do sul – rs. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios rs Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 58 DioCese De CaXias Do sUl, rio granDe Do sUl (rs) Bispo: Dom Alessandro Ruffinoni Últimas arrecadações da CF: 2008 – R$ 104.171,42 2009 – R$ 115.322,90 2010 – R$ 103.873,20 Ranking do estado no IDH (dados de 2000): 4º **os valores das arrecadações são aproximados e calculados com base nos 40% enviados pelas dioceses para o FNS. A proposta de criar um Fundo Diocesano, em Caxias do Sul-RS, seguiu as propostas da Cáritas Brasileira e das Pastorais Sociais, desde 1998, quando a CNBB aprovou a iniciativa, durante a 36ª Assembleia. A partir daí, o coordenador de pastoral foi incansável em colocar em discussão essa proposta no Conselho de Presbíteros da Diocese, visto que a Cáritas Diocesana começava a se reestruturar na diocese. A prática realizada até o início de 2003 possibilitou que o dinheiro arrecadado na diocese fosse destinado para o público priorizado pela Campanha da Fraternidade. Quando na diocese essa realidade não existia (exemplo: trabalho com populações indígenas), o dinheiro era enviado para dioceses que realizavam algum trabalho nessa área. A conta do recurso dos envelopes da CF era administrada pela Mitra Diocesana. Em 2003, foram realizadas várias reflexões no sentido de organizar o Fundo Diocesano da Cáritas. Em reunião com o Conselho Diocesano de Presbíteros, em junho de 2003, ficou decidido que uma equipe ficaria responsável por essa função. Essa equipe seria responsável por organizar, elaborar critérios, objetivando manter e viabilizar a proposta. Nas comunidades, os grupos que estivessem interessados poderiam apresentar projetos que visassem à erradicação da exclusão. Os projetos deveriam ser, posteriormente, enviados para apreciação e aprovação da equipe. Desde sua criação, a referida comissão se reúne periodicamente a cada 2 (dois) meses. Na primeira reunião, a equipe elaborou critérios de seleção de projetos de acordo com a proposta do Fundo Nacional e conforme a caminhada de outras dioceses do regional da seguinte forma: • quem contribui tem prioridade; • tema da CF tem prioridade; • atendimento a grupos e não pessoas individualmente; • ter presentes as grandes causas da humanidade: ecologia, paz, trabalho/desemprego; • o recurso não deve ser dado para custear todo o projeto, mas deve haver uma contrapartida em recursos, formação e atividades, em que o grupo, no projeto, já informe com quanto pode colaborar; • solicitar documentação: estatutos, planos de trabalho e orçamentos; • se as informações estiverem incompletas, devem-se solicitar maiores explicações; • também foi elaborado um roteiro para apresentação dos projetos e as exigências que deverão ser solicitadas, em que a Cáritas Diocesana monitora e acompanha os grupos. Quanto à devolução dos recursos, o critério é semelhante aos outros fundos. Quando são projetos de geração de trabalho e renda, pede-se a devolução de 40% a 60% do apoio recebido, em que é feito um contrato e a devolução é realizada mensalmente na conta do Fundo. Há projetos em que se pede a devolução integral do valor recebido, sem a cobrança de juros e/ou correção monetária e, também, há projetos em que não se pede devolução em dinheiro, dependendo da situação. Esse trabalho teve início com ajuda da Diocese de Passo Fundo - RS. Em relação à Campanha da Fraternidade, apóia-se a divulgação e envio do material para todas as paróquias. Participa-se das iniciativas da diocese por ocasião do tempo dessa Campanha. No início, em 2003, foi produzido um panfleto para auxiliar na divulgação desse fundo. Anualmente, é feita uma prestação de contas divulgada no jornal “Lourdes”, de Caxias do Sul - RS e apresentada nas reuniões das regiões pastorais. Esse relatório é, também, divulgado no site da Diocese e são enviados, anualmente, relatórios para a Cáritas Regional. É explícito o compromisso com políticas públicas com vários projetos que incluem compromissos de ação de cidadania, de direitos, de políticas públicas e de alguma parceria com a Administração Pública. Entre tais projetos, encontram-se atividades ligadas a associações de recicladores de lixo, tribos indígenas, projetos envolvendo comunidades de pescadores, projetos de segurança alimentar, economia doméstica e qualidade de vida, grupos terapêuticos com 59 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa • as emergências não necessitam de recursos reservados, mas, desde que verificadas, a sociedade se mobilizará; Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios • pedir relatório das atividades realizadas e prestação de contas dos recursos utilizados; deficientes físicos e grupos de convivência, assim como a Pastoral da Criança e grupos de mulheres. Uma das dificuldades é que poucos projetos nascem da base das comunidades, revelando a dificuldade de priorizar a realidade concreta das pessoas e mostrando as poucas iniciativas que promovem a vida em sua integralidade. 5.2.3. lages – sC Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios sC Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 60 DioCese De lages, santa Catarina (sC) Bispo: Dom Irineu Andreassa Últimas arrecadações da CF: 2008 – R$ 11.870,00 2009 – R$ 13.451,87 2010 – R$ 20.850,00 Ranking do estado no IDH (dados de 2000): 2º **os valores das arrecadações são aproximados e calculados com base nos 40% enviados pelas dioceses para o FNS. A Cáritas Diocesana de Lages-SC, por solicitação do bispo diocesano, iniciou um processo de discussão envolvendo as pastorais sociais, organizações e movimentos ligados à igreja, conselho de pastoral etc. As discussões partiram da Cartilha da CNBB sobre a criação dos FDS. Buscou-se também material do FDS já existente na Arquidiocese de Florianópolis, sobre sua forma de organização e funcionamento. A partir disso, foi discutida a composição da Comissão Diocesana do FDS que, posteriormente, foi composta por 7 (sete) pessoas representantes de organizações diocesanas, cujo apoio do bispo diocesano foi decisivo. Desde a criação, houve o revezamento de 3 (três) representantes que deixaram a organização a qual representavam. A comissão, criada em 2003, se reúne ordinariamente para apreciação de projetos nos meses de maio, agosto e novembro. Geralmente, há 2 (dois) encontros extraordinários de planejamento e capacitação dos(as) animadores(as) paroquiais. Há duas modalidades de projetos relativos ao retorno do valor apoiado. Uma como doação e outra como crédito rotativo (geração de renda), em que há devolução de parte do valor pelos grupos. É necessário salientar que há articulação com os outros fundos diocesanos que existem em Santa Catarina, Os projetos apoiados resultam no aumento da consciência política dos participantes, pois muitos se engajaram em outras organizações de lutas pela cidadania e melhoria das condições de vida da comunidade. Ressalta-se que o crescimento da auto-estima e a valorização pessoal são pontos fundamentais, assim como alguns aprendem ofícios que lhes permitem uma complementação de renda. Entre algumas dificuldades e desafios a serem superados destacam-se: a mobilização e o envolvimento na captação de recursos, devido ao fato da coleta não ficar integralmente para o FDS, apenas 60%; e a falta de recursos para uma maior divulgação e para a criação de uma cultura da solidariedade. Contudo, projeta-se ampliar a captação dos recursos do FDS através de um trabalho de divulgação nas comunidades sobre o destino dado a esses recursos e também buscam-se outras formas de doação fora da Campanha da Fraternidade, incluindo capitais de empresas privadas. 61 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Há um intercâmbio através do Fórum de Economia Solidária, mas não necessariamente por iniciativa do FDS. O FBES e os fóruns regionais realizam feiras anuais e outros encontros nos quais são apresentados os empreendimentos e projetos. Os projetos têm, em geral, vínculos com movimentos sociais, mas isso não é um critério, havendo projetos sem vinculação com movimentos ou pastorais sociais. Os projetos são divulgados através do boletim da Diocese e por meio de folders. A prestação de contas se dá pela publicação, no boletim, da arrecadação e da distribuição dos recursos, bem como, também, é feita nos espaços decisórios da Diocese (conselhos, assembleias etc.). Atualmente, têm sido priorizados projetos que apontam para a cidadania e a intervenção em políticas públicas. Há, também, alguns projetos que são voltados à promoção humana e atuam em parceria com o poder público por meio de escolas e programas sociais. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios mas não envolvem recursos e, também, articulam-se com o FNS, com complementação de recursos. A Diocese participa dos eventos de lançamento das Campanhas da Fraternidade, seminários de formação regional e diocesana e de toda mobilização da mesma. Assim, a meta é buscar outras fontes, no entanto, ainda é preciso disponibilizar pessoas e material de divulgação. 5.2.4. Ponta grossa – Pr Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Pr Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 62 DioCese De Ponta grossa, Paraná (Pr) Bispo: Dom Sérgio Arthur Braschi Arrecadações: 2008 – R$ 64.831,72 2009 – R$ 76.847,20 2010 – R$ 86.662,80 Ranking do estado no IDH (dados de 2000): 6º **os valores das arrecadações são aproximados e calculados com base nos 40% enviados pelas dioceses para o FNS. Oficialmente, o FDS de Ponta Grossa-PR surgiu junto com a fundação da Cáritas Diocesana de Ponta Grossa – CDPG, em 5 de agosto de 2007. Antes dessa data, os recursos das coletas das celebrações do Domingo de Ramos, já a partir de 2004, eram destinados a projetos sociais na diocese. Esses projetos eram analisados e aprovados pela Comissão Diocesana do Mutirão para a Superação da Miséria e da Fome, que se reunia de acordo com os projetos a serem analisados. Os projetos apoiados não têm retorno e a CDPG fica encarregada de promover a motivação e a divulgação da coleta, em que esta é feita através do jornal da diocese “A Boa Nova”, pela Rádio Santana, nos diversos conselhos diocesanos e por meio de folders. As dificuldades encontradas citadas nas entrevistas estão no nível da execução de projetos alternativos e não especificamente do fundo como, por exemplo, a burocracia para conseguir a documentação necessária para abertura da “Farmácia da Partilha”, por causa de muitas barreiras impostas pelos órgãos responsáveis e da falta de experiência na montagem da “Ata de Aprovação” pela Administração da Associação Beneficente São José (Paróquia São José). No entanto, alguns desafios foram já superados, tais como: • falta de experiência na condução de um projeto de grande envergadura, devido à grande quantidade de documentos necessários; e, • dificuldades na compra dos equipamentos necessários para o funcionamento da Farmácia da Partilha, devido à reduzida verba. As perspectivas apontam para o fortalecimento de projetos desse tipo, nos quais há grande fluxo de necessitados e articulação com serviços públicos de primeira necessidade. Com isso, pode haver ampliação das fontes de doações e dos contatos com parceiros privados e o aprofundamento de contatos de voluntários com a comunidade beneficiada. Para o FDS, as perspectivas e planos apontam para uma maior divulgação do FDS e dos projetos apoiados, para busca de parcerias no setor público e privado visando novos a projetos, assim como, para obtenção das utilidades públicas estaduais e federal, para a CDPG. **os valores das arrecadações são aproximados e calculados com base nos 40% enviados pelas dioceses para o FNS. Desde a constituição do Fundo Nacional, houve intenção e esforços da Comissão Arquidiocesana da Campanha da Fraternidade para que se constituísse o Fundo na Arquidiocese de Campinas-SP que, somente em 2006, foi aprovado. A partir disso, foi definido um Estatuto do FDS com indicação dos membros representantes para formação da comissão em reunião da Coordenação Colegiada de Pastoral, realizada em setembro desse mesmo ano. Com isso, a comissão passou a se reunir trimestralmente. Os critérios definidos para aprovação dos projetos devem responder a problemas ou necessidades das comunidades, grupos sociais e/ou do conjunto de comunidades e/ou segmentos de excluídos e devem obedecer aos seguintes critérios gerais: • obter um parecer da paróquia ou de alguma pastoral ou movimento social; 63 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa sP DioCese De CaMPinas, são PaUlo (sP) Bispo: Dom Bruno Gamberini Últimas arrecadações da CF: 2008 – R$ 107.944,80 2009 – R$ 149.372,35 2010 – R$ 147.472,35 Ranking do estado no IDH (dados de 2000): 3º Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios 5.2.5. Campinas – sP. • apresentar contrapartida do grupo envolvido (recursos financeiros, mão-de-obra, materiais disponíveis no grupo, etc.) e continuidade das ações; • estabelecer devolução solidária; • garantir o compromisso com a prestação de contas: relatório descritivo e financeiro e fotos para divulgação. A relação com a Campanha da Fraternidade se dá pela participação na divulgação dos encontros de discussão e reflexão nas reuniões do FDS. O coordenador da CF é membro da comissão. A divulgação é feita através da equipe da Campanha da Fraternidade, da revista mensal da Arquidiocese e de folders. A questão da transparência é tratada com destaque, em que: Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios • os projetos são analisados pelos três membros da comissão, em reunião específica para esse fim; • há uma conta específica em nome da Arquidiocese, em que os três membros da Comissão podem assinar; • o dinheiro solicitado é repassado em parcelas, mediante prestação de contas da parcela anterior (relatório financeiro e de atividades realizadas) e contra-apresentação de recibo. Entre as dificuldades apresentadas, está a necessidade de se refazer todo ano o contrato com a Arquidiocese para repasse do dinheiro da Campanha da Fraternidade para o Fundo e a necessidade de gerar uma maior compreensão do bispo com relação à autonomia da comissão na recepção e seleção de projetos. 5.2.6. itabira - Mg / Coronel Fabriciano – Mg Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 64 Mg DioCese De itaBira / Coronel FaBriCiano, Minas gerais (Mg) Bispo: Dom Lelis Lara Últimas arrecadações da CF: 2008 – R$ 48.503,10 2009 – R$ 70.726,00 2010 – R$ 65.213,82 Ranking do estado no IDH (dados de 2000): 10º **os valores das arrecadações são aproximados e calculados com base nos 40% enviados pelas dioceses para o FNS. O Fundo Diocesano de Solidariedade da Diocese de Itabira – Cel. Fabriciano teve início com a estruturação do Secretariado Diocesano de Pastoral, em 1999. Foi um momento forte de reestruturação da Cáritas, pois o fundo era vinculado à Cúria, tendo como referência o ecônomo da diocese, na época, e que administrava também o Fundo Diocesano, aplicando os recursos com atenção especial à Pastoral da Criança, saúde, bem como outras necessidades básicas e emergenciais. Em junho de 2000, em reunião ordinária, a diretoria deliberou sobre o encaminhamento uma carta a todas as paróquias para salientar a importância do Fundo da Solidariedade, bem como sua administração pela Cáritas Diocesana. Em agosto desse mesmo ano, a Cáritas teve a alegria de iniciar essa nova etapa, analisando e contemplando 3 (três) projetos dando início a essa nova forma de administrar o referido Fundo. A partir desses primeiros objetos de ação dessa nova etapa, foi sugerido o levantamento de critérios para análise e publicação das ações da Cáritas, elaborando um folder, inserindo no material de reflexão das comunidades os projetos apoiados e reproduzindo um DVD com destaque das entidades, grupos e organizações que receberam contribuição da Cáritas ressaltando a importância do fundo e prestação de contas anualmente. É importante salientar que, dos recursos da coleta, os 60% que ficavam na diocese eram empregados em sua totalidade nos projetos analisados. O FDS não dispunha de outros recursos para gestão. Na etapa anterior a 1999, a diocese dispunha de recursos de cooperação internacional. Sendo a Cáritas inserida na estrutura da Diocese, as ações administrativas eram vinculadas ao setor serviço (pastorais sociais), o que contava com apoio direto da diocese. Atualmente, a comissão se reúne trimestralmente. Não há um retorno em espécie para os projetos, porém, é possível ter um retorno a partir do aumento de voluntários para efetuarem suas contribuições, do fortalecimento das ações e da ampliação da articulação com as pastorais sociais. A diretoria da Cáritas Diocesana de Itabira-MG faz a gestão do fundo com auxílio dos agentes pastorais. 65 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa As pastorais sociais ficaram elencadas no setor “serviço”, junto à Cáritas. Logo, as pastorais sociais, dentro da estrutura estatutária que já era vinculada à Cáritas, continuaram a fazer parte do quadro de entidades membros da Cáritas, participando ativamente das assembleias e deliberações acerca do fundo. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Em fevereiro do ano 2000, em assembleia geral com mudança estatutária e eleição da diretoria, deu-se um grande passo para organização da Cáritas. O Secretariado Diocesano, impulsionado pela Assembleia Diocesana e incentivado pelo bispo, foi composto por pessoas que tomaram a iniciativa de organização das pastorais, movimentos e serviços a partir das exigências de evangelização: serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão. Em relação à coleta da fraternidade, os integrantes da diretoria estão ligados à organização da divulgação da coleta, construindo e articulando a formação sobre a Campanha da Fraternidade em sintonia com os Conselhos Regionais (COPARs), pois a Diocese está dividida em 3 (três) grandes regiões, onde acontecem os momentos de formação. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Existem contribuições provenientes de parcerias com os poderes públicos municipal e estadual e alguma contrapartida da Diocese de Itabira e Cel. Fabriciano para o fundo. A divulgação foi feita através de um DVD com envolvimento dos projetos apoiados, do material de reflexão elaborado pela diocese, do folder e do Elo Diocesano (órgão de informação de todas as ações diocesanas). Entre as dificuldades, verifica-se o fato de que o corpo de articulação da Cáritas, em sua maioria, é composto de voluntários que enfrentam problemas de disponibilidade para acompanhar os projetos apoiados. Assim, faltam agentes liberados para contribuir na parte administrativa da Cáritas. Mesmo assim, foi possível superar alguns desafios como a garantia de um articulador (Assistente Social), para acompanhar, monitorar e captar recursos para os projetos apoiados. As perspectivas futuras vão em direção ao fortalecimento da captação de recursos, dadas as fragilidades de repasse dos fundos de cooperações internacionais, dentre outros. Nesse sentido, a Cáritas Diocesana de Itabira quer estreitar os laços com os poderes públicos municipal e estadual, garantindo a possibilidade de firmar convênios e fortalecer a efetiva participação dos agentes nos conselhos de direitos. Ao mesmo tempo, objetiva-se criar um sistema de comunicação que possibilite a divulgação dos projetos apoiados, Coleta da Solidariedade e a Rede Permanente de Solidariedade, dando maior visibilidade e legitimidade a ações da Cáritas de Itabira. 5.2.7. Cuiabá – Mt Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 66 Mt DioCese De CUiaBá, Mato grosso (Mt) Bispo: Dom Bonifácio Piccinini Últimas arrecadações da CF: 2008 – R$ 70.123,62 2009 – R$ 77.044,00 2010 – R$ 76.262,55 Ranking do estado no IDH (dados de 2000): 9º **os valores das arrecadações são aproximados e calculados com base nos 40% enviados pelas dioceses para o FNS. Criado no dia 17 de junho de 2008, por iniciativa da Coordenação Arquidiocesana da Campanha da Fraternidade, o Conselho Permanente Gestor do Fundo Diocesano de Solidariedade é composto por representantes de seis paróquias, duas pastorais sociais, clero e coordenação da CF. A Arquidiocese de Cuiabá-MT, à época, tinha 24 (vinte e quatro) paróquias (atualmente 25), das quais, uma quarta foi escolhida entre as que tiveram melhor participação no gesto concreto da Campanha da Fraternidade em 11 anos (melhor média) e conta ainda com a participação do ecônomo da Cúria e do coordenador da CF. O resultado positivo da coleta tem acontecido devido ao maciço investimento em treinamento e divulgação, que se faz através de todas as paróquias da Arquidiocese. Além dos temas das campanhas, anualmente, também são alocados recursos em casos de emergência e necessidade extrema para alguns sujeitos. Não se conta com parcerias, nem há participação de representantes dos beneficiários na constituição da comissão, e não há exigência de retorno dos projetos aprovados, haja vista que nenhum projeto de geração de renda foi apoiado ainda. Assim, os temas são debatidos diretamente com aproximadamente 2.500 (duas mil e quinhentas) pessoas por ano no processo de animação da Campanha, além da divulgação pela rádio. A prestação de contas é feita sempre que há qualquer divulgação da Campanha Fraternidade e, formalmente, pela comissão através do relatório dos lançamentos contábeis com notas fiscais e/ou assinaturas de tudo que foi gasto. Em todos os treinamentos para a CF e em pelo menos 3 missas das paróquias que receberam ajuda, são divulgados os projetos apoiados na comunidade. Como forma de articulação entre os projetos apoiados, todos relacionados à valorização da vida, ligados a pastorais e paróquias, se propõe a revisão da aplicação dos recursos com relatórios e fotos. Com isso, pretende-se criar uma rede solidária de parceiros com os comerciantes locais após a consolidação do trabalho prestado à comunidade e busca-se apoio de outros fundos e a criação de mecanismos de arrecadação. 67 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Utilizando-se do CNPJ da Mitra, abriram conta própria para o FDS assinando os cheques e documentos o presidente do FDS e o ecônomo. O dinheiro fica aplicado e mensalmente é feito um balanço financeiro, mesmo que não haja movimentação. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Os representantes não têm substitutos com exceção do representante do Clero e da Campanha da Fraternidade que só poderá assumir o posto em caso de extrema urgência ou na ausência inesperada do titular. Esses representantes se reúnem periodicamente para aprovação de projetos, se necessário. 5.2.8. Fortaleza-CE. Ce DioCese De FortaleZa, Ceará (Ce) Bispo: Dom Frei Adalberto Paulo Últimas arrecadações da CF: 2008 – R$ 109.507,62 2009 – R$ 156.887,70 2010 – R$ 143.808,90 Ranking do estado no IDH (dados de 2000): 20º Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios **os valores das arrecadações são aproximados e calculados com base nos 40% enviados pelas Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 68 dioceses para o FNS. O Fundo Arquidiocesano de Fortaleza teve início em abril de 1999, quando as pastorais sociais, CEBS e organismos da Arquidiocese de Fortaleza criaram uma Comissão Arquidiocesana para coordenar e administrar o Fundo Arquidiocesano de Solidariedade, composta por 1 representante da Cáritas Arquidiocesana, 3 representantes das pastorais sociais, 1 representante das CEBs e 1 representante da coordenação do Secretariado de Pastoral, sob a responsabilidade da Cáritas Arquidiocesana de Fortaleza. Desde então, essa comissão recebe, analisa, aprova e acompanha projetos das comunidades e/ ou das pastorais sociais, elaborando relatórios e prestando contas sobre os recursos do fundo, cuja administração fica sob a responsabilidade da Cáritas Arquidiocesana. A cada 2 anos, os organismos e pastorais sociais escolhem seus representantes, podendo reconduzi-los à comissão ou escolher novos representantes. No início de 2009, foi constituída a Comissão do Fundo Arquidiocesano de Solidariedade para os anos de 2009 e 2010. A comissão supracitada realiza reuniões mensais, nas quais são analisados os projetos, sendo que alguns são devolvidos para reelaboração, assim, evitam que projetos fiquem sem apoio e, após isso, seguem para o aval do Arcebispo que, se concedido, encaminha o projeto para a Cáritas que libera os recursos. Há um limite máximo para cada projeto definido pela comissão, para que nenhuma instituição venha a se sobressair em relação a outras, devido à pequena quantidade de recursos do FDS. Em 2003, a comissão passou a contar com a participação do coordenador da Campanha da Fraternidade e foi feita uma nova definição dos eixos de aplicação dos recursos: • projetos ligados à temática da Campanha – 50% - com o teto de R$ 1.100,00 (mil e cem reais), a fim de que mais comunidades pudessem receber esse apoio; • projetos de apoio a iniciativas e realizações das Pastorais Sociais - 20% - com o teto de R$ 1.100,00 (mil e cem reais); • projetos de apoio à animação da CF (produção do vídeo “Nosso Chão” nos primeiros anos, distribuição de folders nos três últimos anos, seminários, encontros de aprofundamento e treinamento dos agentes pastorais para a Campanha da Fraternidade) – 10%; • projeto de apoio à preparação e realização do Grito dos Excluídos – 10%; • projetos emergenciais (em casos de enchentes, incêndios, etc.) – 5%; • 50% - projetos ligados à temática da Campanha com o teto de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais); • 20% - projetos de apoio a iniciativas e realizações das Pastorais Sociais com o teto de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais); • 10% - projetos de apoio à animação da CF (folders, seminários, encontros de aprofundamento e treinamento dos agentes pastorais para a Campanha da Fraternidade); • 10% - projetos de apoio à preparação e realização do Grito dos Excluídos; • 5% - projetos emergenciais (em casos de enchentes, incêndios, etc.); • 5% - despesas administrativas (taxas bancárias, combustível, etc.); • os projetos devem apresentar uma carta de apoio do pároco local; • os projetos devem ser desenvolvidos em grupos/comunidades; • deve ser realizada a prestação de contas dos recursos recebidos, juntamente com o relatório das ações realizadas e fotografias; • os recursos não apóiam a compra de equipamentos e nem o pagamento de pessoal, encargos financeiros, juros e multas; • os projetos devem ser apresentados com 1 (um) mês de antecedência da data da reunião da comissão; • quando o projeto não é realizado, o dinheiro deverá ser devolvido à Cáritas. 69 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Em 2008, devido ao aumento dos recursos da Coleta da Solidariedade, o teto para cada projeto passou para R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). Portanto, os critérios atuais adotados para aprovação são os seguintes: Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios • despesas administrativas (taxas bancárias, combustível, etc.) – 5%. Há projetos de diversas pastorais apoiados pelo Fundo de Solidariedade voltados a vários setores da sociedade como, por exemplo, as pastorais do menor, do migrante, dos pescadores, da mulher marginalizada, da juventude, do povo da rua, das CEBs. Assim como há outros projetos que são provenientes de grupos diversos não ligados a pastorais nem a paróquias. Além do boletim informativo da Arquidiocese, a divulgação do Fundo é feita através de folders confeccionados anualmente, por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade, através dos quais também é divulgada a forma com que os recursos são utilizados, contribuindo para a transparência. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios 5.2.9. Cachoeiro do itapemirim – es DioCese De CaCHoeiro Do itaPeMiriM, esPÍrito santo (es) Bispo: Administrador Diocesano es Padre Antônio Tatagiba Vimercat Últimas arrecadações da CF: 2008 – R$ 77.911,50 2009 – R$ 97.734,80 2010 – R$111.756,60 Ranking do estado no IDH (dados de 2000): 11º **os valores das arrecadações são aproximados e calculados com base nos 40% enviados pelas dioceses para o FNS. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 70 A partir da criação da Cáritas Diocesana de Cachoeiro de Itapemirim-ES, em 2005, o presidente, juntamente com a diretoria e alguns membros das pastorais sociais, viram a importância de que a gestão do Fundo deveria ficar sob a responsabilidade da Cáritas Diocesana. Com isso, foi criada uma comissão para trabalhar na mobilização do Fundo, administrar os recursos, avaliar os projetos diocesanos e liberar recursos. Desde então, a comissão se encontra de acordo com as demandas das entidades-membros. Para aprovação de projetos, além da aprovação do bispo, do pároco e do conselho comunitário, exige-se que um quarto dos recursos necessários seja de contrapartida, isto é, o Fundo financia três quartos do projeto e o pagamento é feito por etapas. Para a prestação de contas, devem ser apresentadas 3 (três) cotações carimbadas pelos fornecedores, juntamente com as notas fiscais, um “relatório de ações” e um “relatório fotográfico”. Além da coleta solidária, o FDS de Cachoeiro-ES recebe um percentual do dízimo e faz convênios com empresas locais que, através do Fundo, apóiam as pastorais sociais. 71 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa O atual desafio enfrentado pela Diocese é a mobilização de recursos para a manutenção do Fundo e a liberação de pessoal para agilizar os trabalhos da comissão. Entretanto, estão sendo alcançados a ampliação dos recursos e o aumento do número de atendimentos, fortalecendo a importância do Fundo. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Os projetos, todos vinculados a movimentos sociais e pastorais sociais, são acompanhados diretamente pela Comissão Diocesana, através de visitas e contatos diretos com seus coordenadores. Sua divulgação é feita através de cartas e emails enviados para as paróquias, bem como por meio das rádios e do relatório anual. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 72 Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios VI – Considerações sobre as experiências: A coordenação da Campanha da Fraternidade e das pastorais sociais, também, é um fator importante em muitas dioceses, como foi em Caxias do Sul, Itabira, Fortaleza, entre outros casos de sucesso. A capilarização das idéias e orientações conseguida pela Rede Cáritas, seja pela capacitação, seja pelas reuniões de coordenação e comunicações internas, está sendo algo fundamental. Isso se reflete na integração dos projetos e de seus respectivos fundos exemplificados pela Articulação Sul, que inclusive tem conseguindo reverter a prevalência de recursos de agências internacionais. Basicamente, as experiências que se esforçaram em constituir suas comissões e seguir as orientações da cartilha, apropriando-se de seus princípios e criativamente, colocando-os em prática, foram as que mais tiveram sucesso na gestão democrática dos recursos e projetos ao longo dos anos. O sucesso aqui é marcado pela conquista da autonomia relativa dos projetos e da própria comissão gestora do FDSs. Outra conquista é a transparência das iniciativas. Esse item é encarado por todas as dioceses como um desafio, contudo, já se pode considerar que a ampla consciência de sua necessidade e os esforços das CDSs em obtê-la são uma realidade no nosso país. Essa conquista é o passo necessário para um envolvimento maior do setor privado, ainda colocado apenas como uma perspectiva para ampliação dos fundos, em muitos casos. Muitas experiências de sucesso adotam a devolução solidária e a exigência de alguma contrapartida das entidades apoiadas. Esse fator associado a um acompanhamento da realidade de cada projeto tem sido a cunha para a conscientização e emancipação dos sujeitos. No caso de Fortaleza-CE, por exemplo, há ainda um limite máximo de recursos por projeto, equalizando as diferenças 73 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Rotatividade de recursos e solidariedade são princípios complementares objetivados desde que se passou a pensar mais seriamente uma política de fundos capazes de realmente alcançar as populações mais empobrecidas em seu processo de emancipação e conquista de autonomia. Os casos ilustrativos aqui mencionados comprovam que isso é possível e está acontecendo, apesar das dificuldades. Ao longo da história de cada experiência exitosa, denota-se o papel orientador e apoiador da Cáritas em suas diversas instâncias, sem o qual, acredita-se que a organização dos FDSs, talvez, não acontecesse em muitos casos. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios lições para uma política de fundos para iniciativas locais. entre organizações mais estruturadas e menos estruturadas para elaboração e envio de projetos. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Em algumas dioceses, ficou evidente o compromisso com políticas públicas. O papel do FDS e do FNS não é substituir o governo, contudo, através dos projetos de geração de renda, cobre-se uma lacuna significativa da parcela de inclusão política, social e econômica, que, estruturalmente, a sociedade brasileira não tem como absorver. Em alguns casos, a exemplo de Ponta Grossa - PR, há relação direta dos projetos com políticas públicas básicas, no caso, de saúde. Outros projetos ligados à política de direitos da cidadania, das minorias e das classes menos favorecidas, bem como de formação visam a colaborar para a constituição de políticas voltadas para essa parcela da população, historicamente protelada das ações governamentais de modo sério e emancipador. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 74 O FDSs tem propiciado uma transformação paulatina nos locais em que se instala, principalmente, na forma como lida com recursos públicos advindos de campanhas. Contudo, necessita encontrar eco nas instâncias decisórias, mostrando que gestão democrática não significa perda de poder, visto que todos os atores são convidados a participar do processo. Por exemplo, os projetos precisam da aprovação do bispo ou ecônomo. Outro receio é a perda de capacidade decisória, ao contrário, comissões bem estruturadas e com a participação de maior número de entidades representadas aproveitam melhor a diversidade para uma boa gestão. Os exemplos mostram que a estratégia pensada democraticamente e publicada na cartilha, quando aplicados, dão resultados muito positivos. Diante disso, é preciso que o FNS e o FDS encontrem um equilíbrio de financiamento em relação aos tipos de projetos e formas de complementação na prática. O fator-chave continua sendo a comunicação, peça fundamental para conscientização de todos por todos. A troca de experiências contribui para a formação de uma política nacional de fundos que advêm da base, que funciona e que emancipa. VII - Posfácio – Outros elementos para reflexão e ilustração. Ao mesmo tempo, quando não se tem um ambiente homogêneo e regular torna-se ainda mais difícil fazer comparações regionais ou setoriais precisas. Dois tipos de análises podem ser feitas nesse sentido. A primeira, avaliando caso a caso, ou através de informações qualitativas, o andamento das experiências em questão, como, de certo modo, foi apresentado anteriormente. A segunda seria a análise de indicadores indiretos, por exemplo, sobre o nível de atividade econômica em uma cidade após a implementação de determinada política. Este seria um caminho interessante para estudar os fundos solidários, caso o montante de recursos e a mobilização da população envolvida nos projetos fossem fortemente relevantes em um nível macro estrutural. Embora em alguns municípios isso efetivamente possa ocorrer, seria inadequado tentar avaliar os impactos dos fundos nacionalmente, por exemplo, a partir da evolução de um indicador social de nível de pobreza dos municípios do país. Numa perspectiva dialética, a alternativa viável que se apresenta, deriva da idéia de que é possível fazer o sentido inverso e observar um conjunto de indicadores sociais que, como o nome diz, possam indicar quais as regiões necessitam de um esforço maior de recursos físicos e humanos. Ao mesmo tempo, podemos analisar, de forma geral, se os recursos até aqui empregados têm seguido tal perspectiva, considerando de antemão que tais projetos têm alta relevância para os grupos que deles participam. No item 2.2 deste relatório já demonstramos que há uma efetiva redistribuição de recursos no momento da aplicação dos projetos do FNS – dos estados que mais arrecadam em direção aos que arrecadam menos. Sabendo que os estados que menos arrecadam são também aqueles com piores indicadores sociais, de forma complementar, podemos incluir algumas variáveis mais gerais neste quadro. 75 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa A análise de viabilidade ou mesmo a avaliação de desempenho, sucesso ou fracasso de um projeto social, não é uma tarefa trivial. Quando se trata de uma realidade de desigualdade e exclusão complexa como no caso brasileiro, onde há uma população diversificada social e culturalmente, há sempre um conjunto grande de elementos políticos e históricos que podem fazer com que um projeto não se desenvolva. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios P.1 - alcance dos Fundos solidários a partir de outros indicadores sociais. Tabela XII: Ordenamento dos estados segundo IDH, participação no total da coleta e valor dos projetos recebidos. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios UF Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 76 Distrito Federal Santa Catarina São Paulo Rio Grande do Sul Rio de Janeiro Paraná Mato Grosso do Sul Goiás Mato Grosso Minas Gerais Espírito Santo Amapá Roraima Rondônia Pará Amazonas Tocantins Pernambuco Rio Grande do Norte Ceará Acre Bahia Sergipe Paraíba Piauí Alagoas Maranhão IDH 2000 0,844 0,822 0,82 0,814 0,807 0,787 0,778 0,776 0,773 0,773 0,765 0,753 0,746 0,735 0,723 0,713 0,71 0,705 0,705 0,7 0,697 0,688 0,682 0,661 0,656 Ranking IDH 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 % Recebido 2002-2007 3,4% 2,7% 9,5% 3,5% 2,4% 3,4% 1,3% 1,9% 3,4% 8,0% 0,8% 0,2% 0,2% 3,7% 13,0% 5,2% 2,0% 5,0% 0,0% 6,2% 1,7% 8,6% 1,0% 1,6% 3,8% 1,1% 6,6% Ranking Redebido 14 15 2 11 16 12 21 18 13 4 24 26 25 10 1 7 17 8 27 6 19 3 23 20 9 22 5 % Coletado 2002-2007 1,5% 7,1% 30,2% 7,7% 7,0% 10,4% 1,6% 2,5% 2,0% 10,4% 3,2% 0,2% 0,2% 1,2% 1,2% 1,2% 0,3% 1,7% 1,0% 1,9% 0,2% 2,8% 0,6% 0,9% 1,3% 0,4% 1,1% Ranking Coletado 14 5 1 4 6 3 13 9 10 2 7 27 26 18 17 16 24 12 20 11 25 8 22 21 15 23 19 Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil; Fundo Nacional de Solidariedade. Como se observa na Tabela XII, com exceção do DF, os seis estados com maior IDH no Brasil também estão entre os seis que mais arrecadam. Ao mesmo tempo, quatro estados, entre os seis com menor IDH encontram-se entre os seis menores arrecadadores. Embora essa divisão não seja precisa, isso reforça a idéia de que há uma redistribuição efetiva do recurso no sentido dos objetivos propostos pelos fundos solidários. Uma observação se faz necessária aqui. Ao fazer este mesmo cruzamento a nível municipal, esta redistribuição não fica evidente, como podemos ver pelo Gráfico XXVI. Uma medida como esta se torna pouco precisa, na medida em que os 895 projetos ficam espalhados em cerca de 300 municípios entre os mais de 5500 municípios do país. Gráfico XXVI – Distribuição do valor municipal dos projetos em relação ao IDH-M. Tabela XIII: Outros indicadores sociais. UF Acre Alagoas Amazonas Amapá Bahia Ceará Distrito Federal Espírito Santo Goiás Maranhão Minas Gerais Mato Grosso do Sul Mato Grosso Pará Paraíba Pernambuco Piauí Paraná Rio de Janeiro Rio Grande do Norte Rondônia Roraima Rio Grande do Sul Santa Catarina Sergipe São Paulo Tocantins Gini 2006 PO 2006 0,592512 0,626716 0,513895 0,474681 0,556396 0,547793 0,607428 0,536691 0,509919 0,594624 0,528173 0,532799 0,529797 0,505868 0,564945 0,582528 0,598624 0,519193 0,555615 0,560697 0,544122 0,565183 0,514902 0,464521 0,559911 0,524663 0,52166 0,159919 0,243363 0,120404 0,087495 0,168473 0,192968 0,041601 0,044304 0,033298 0,25323 0,037019 0,041825 0,045616 0,112156 0,148319 0,201039 0,233978 0,045984 0,041873 0,143033 0,091397 0,104815 0,051116 0,015796 0,145977 0,034939 0,117305 TG 2000 13,262 16,687 10,3 8,793 15,931 16,887 12,432 14,593 11,012 14,895 16,296 11,763 7,904 12,218 20,199 19,534 17,793 12,982 17,677 19,212 7,811 7,187 17,749 14,559 17,227 12,924 10,113 77 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Tal análise pode se seguir a exemplo de uma série de outros indicadores. A título de informação para reflexões mais avançadas, deixamos alguns indicadores aqui listados, que podem ser observados para comparações. Este quadro apenas reforça a necessidade de se ter um conhecimento amplo da realidade para aplicação de projetos, definição dos temas e prioridades de atuação dos agentes envolvidos com o desenvolvimento dos fundos solidários, em todos os níveis, nacional, regional e local. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Fonte: Fundo Nacional de Solidariedade. Gini: Mede o grau de desigualdade existente na distribuição de indivíduos segundo a renda domiciliar per capita. Seu valor varia de 0, quando não há desigualdade (a renda de todos os indivíduos tem o mesmo valor), a 1, quando a desigualdade é máxima (apenas um indivíduo detém toda a renda da sociedade e a renda de todos os outros indivíduos é nula). PO: Percentual de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a linha de extrema pobreza. TG: Equivale à participação percentual das rendas provenientes de transferências governamentais (aposentadorias, pensões e programas oficiais de auxílio, como renda mínima, bolsa-escola e segurodesemprego, etc) na renda total do município. Para obter mais informações metodológicas acesse www.undp.org.br. O universo de municípios da tabela é definido pelo IBGE no levantamento censitário e não necessariamente coincide com o oficialmente existente ou instalado na data de referência. Fonte: Ipeadata. As organizações que desejarem obter apoio do Fundo Nacional de Solidariedade, de acordo com os critérios de destinação previstos para cada Campanha da Fraternidade, deverão consultar os sites da CNBB e da CÁRITAS para maiores informações: www.cnbb.org.br e www.caritas.org.br. Os projetos apresentados serão analisados por um CONSELHO GESTOR DO FUNDO NACIONAL DE SOLIDARIEDADE nomeado pela CNBB. Recomendamos fortemente às Arquidioceses que constituam, também, o seu próprio CONSELHO GESTOR DIOCESANO DO FUNDO DE SOLIDARIEDADE, sendo que este deve ser constituído por 60% da coleta do Domingo de Ramos e destinado a projetos a serem desenvolvidos na própria Arquidiocese. Esse Conselho, instituído e presidido pelo Bispo Diocesano ou por um dos seus delegados, pode contar com a participação, por exemplo, de uma pessoa da Cáritas Diocesana (onde ela existe), de um representante das Pastorais Sociais, da Coordenação Arquidiocesana de Pastoral, da Equipe de animação das Campanhas, do responsável pela administração da Arquidiocese e de uma pessoa ligada ao tema da Campanha da Fraternidade. **extraído e adaptado a partir do Texto-Base da Campanha da Fraternidade 2011. 79 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Os recursos arrecadados pela Campanha da Fraternidade são destinados prioritariamente a projetos que atendam os objetivos propostos por cada tema. Poderão, também, ser aplicados, excepcionalmente, em projetos sociais que visem ao fortalecimento e/ou a defesa da Igreja no Brasil, bem como em situações emergenciais, segundo o espírito da Campanha, apresentados por membros do Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP) ou da Presidência da CNBB. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios VIII – Recomendações Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 80 Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Anexos Critérios de seleção dos formulários: A) o número base de formulários foi dividido proporcionalmente ao número de dioceses por regional a partir do quadro abaixo: Regional Nº de Dioceses % Amostra CENTRO-OESTE (DF/GO/TO/MT) 18 7% 4 LESTE I (RJ) 10 4% 2 LESTE II (ES/MG) NORDESTE I (CE) NORDESTE II (RN/PB/PE/AL) NORDESTE III (BA/SE) NORDESTE IV (PI) NORDESTE V NOROESTE (AC/AM/RO) NORTE I (AM/RR) NORTE II (AP/PA) OESTE I (MS) OESTE II (MT) SUL I (SP) SUL II (PR) SUL III (RS) SUL IV (SC) 32 9 20 23 7 12 7 9 13 6 10 41 18 17 10 12% 3% 8% 9% 3% 5% 3% 3% 5% 2% 4% 16% 7% 6% 4% 7 3 6 6 2 4 2 3 3 1 3 9 5 4 3 262 100% 67 Total B) Havia dioceses com vários questionários respondidos por pessoas diferentes. Foi necessário criar critérios para selecionar apenas 1 questionário por diocese. Assim, selecionaram-se todos os questionários referentes às dioceses e não as paróquias e realizou-se uma “limpeza” mais cuidadosa da base de dados, retirando questionários em branco e corrigindo erros de digitação encontrados. 81 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Tamanho da amostra: Para compor a amostra, foi utilizado um número arbitrário de 67 dioceses, certificando-se da inclusão de todas as capitais (40+27). Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios aneXo a Detalhamento do procedimento de construção da amostra do FDs. C) Foram selecionadas, em primeiro lugar, as dioceses com apenas 1 formulário preenchido e, em seguida, as que tinham 2 formulários, e assim por diante, até completar-se o número mínimo para a amostra. Entre os formulários de uma mesma diocese selecionou-se o mais coerente. Nesse aspecto, a amostra foi não aleatória, havendo este critério de conveniência sido definido para a análise. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios D) Após esta seleção, 54 dioceses com formulários preenchidos haviam sido definidas na base de dados. Restavam ainda 13 dioceses, incluindo algumas capitais, pertencentes a 4 Regionais que não estavam representadas na base original. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 82 E) Para concluir esta etapa, essas 13 dioceses foram selecionadas aleatoriamente para serem contatadas para preenchimento do formulário, somando-se assim um total de 67 dioceses na amostra, o que representa cerca de 25% do universo. ANEXO B Procedimento de entrevista com as Regionais. Para o levantamento de algumas questões iniciais, abaixo descritas, foi encaminhado um ofício para as Regionais Cáritas, informando sobre a pesquisa, e realizado um primeiro contato telefônico. As questões foram sugeridas pela coordenação em 3 grandes blocos, a título de um primeiro levantamento sobre o “estado da arte” das comissões diocesanas e suas atuações, segundo o ponto de vista dos Regionais de Cáritas. As questões foram organizadas em subitens no roteiro abaixo reproduzido: 1. Quanto à organização dos fundos: 1.1 Número de Dioceses no Total; 1.2 Número de dioceses com Fundo Diocesano organizado = Equipe Fundo Diocesano; 1.3 Os que não estão organizados, assim se encontram por que motivo? 1.4 Quanto aos que estão organizados; 1.4.1 Diocese: 1.4.2 Contato: 1.4.3 Funcionamento: 2. Quanto ao acompanhamento: 2.1 Como se organiza para o acompanhamento dos Fundos Diocesa nos, mais especificamente: 2.2 Como organiza a intermediação entre os Fundos Diocesanos, Regional e Nacional: 2.3 Como acompanha a integração entre os fundos diocesanos e outros fundos: 3. Quanto às experiências de destaque: 3.1.De fundos diocesanos constituídos: 3.1.1 Diocese/ Experiência: 3.2 De articulação: 3.2.1 Articulação com que outros fundos: Foram então recontatadas os Regionais iniciais para que todas tivessem o mesmo padrão de perguntas e com isso pudessem complementar suas respostas. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios 83 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa ANEXO C Procedimento de entrevista com as dioceses. Após o primeiro levantamento realizado com os Regionais, se obteve a indicação de dioceses com experiências relevantes para o aprofundamento, relacionadas no quadro abaixo: Regional Experiência de destaque Manaus Manaus Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Norte II Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 84 Atividades Loja de produtos solidários. Abaetetuba, Bragança e Belém Articulação de fundos, solidariedade e formação de rede. Maranhão São Mateus Piauí Picos e Campo Maior Ceará Fortaleza, Limoeiro, Tianguá Nordeste II Alagoas, Minas Gerais Cel. Feliciano e Araçoaí Espírito Santo Vitoria e Vila Velha Rio de Janeiro Nova Friburgo Paraná Ponta Grossa, Curitiba Santa Catarina Chapecó e Florianópolis Integração de fundos, políticas e articulação; desenvolvimento sustentável. Projetos com políticas públicas. Arquidiocese, fundos integrados, solidariedade e dinâmica. Devolução solidária. Consolidação dos FDS. Economia Solidária tem a ver com FDS. Consolidação dos FDS. Políticas Públicas ligadas à Ação Social do Paraná. Feira Nacional - equipe bem constituída. Regional Sul Passo Fundo, Cruz Alta e Vacaria Solidariedade, integração e gestão de fundos. Paralelamente, foi encaminhado por email, o seguinte instrumento, apelidado de “Roteiro de Entrevista”, com o objetivo de facilitar a compreensão do modo de aplicação dos mesmos pelos Regionais, detalhado no Anexo D. A Regional Sul ampliou o instrumento segundo sua realidade, melhorando-o. Após feedback da coordenação, e outros contatos telefônicos feitos com as regionais, foram selecionadas as seguintes dioceses para aprofundamento deste questionário em entrevista aberta: As entrevistas diretamente com as dioceses foram realizadas com os contatos indicados pelos regionais, com o objetivo de aprofundar as respostas acima indicadas e outras informações importantes para cada caso, para uma descrição ilustrativa da experiência. Vale lembrar que esta é apenas uma descrição ilustrativa, que não tem a pretensão de aprofundar de maneira analítica cada caso apresentado. ANEXO D Roteiro de Entrevista com as Dioceses. 1. História e organização do FDS Regional Cáritas: Diocese: Fundo (nome específico, se houver): Ano de constituição: Ano de dissolução (se houver): História da constituição do fundo e da comissão diocesana para o FDS: (Favor, incluir os atores que influenciaram a constituição da comissão e do FDS, mesmo que estes não façam parte da mesma, contando as mudanças ocorridas desde então, se houve tempo para renovação dos participantes, como aconteceu, e também os motivos de dissolução da comissão, caso isso tenha ocorrido) Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Dioceses Selecionadas Manaus Belém Bacabal Picos Fortaleza Palmeira dos Índios Estancia Coronel Feliciano Espírito santo Rio de Janeiro Campinas Londrina Lages Passo Fundo 85 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Regionais Norte I – Manaus Norte II Maranhão Piauí Ceará NE II NE III Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Constituição da comissão: Nome: Participantes Atuais Instituição, Org. ou Grupo Função na comissão (se houver) (favor acrescentar linhas, se preciso) Periodicidade de encontros: Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios 2. Administração de recursos do FDS 86 Critérios de aprovação de projetos: Há retorno solidário ou para fundos rotativos? Se sim, como é o retorno? Há articulação com outros fundos solidários, mesmo que não necessariamente através de dinheiro? Como funciona? A gestão dos fundos inclui representações de segmentos dos grupos / comunidades de beneficiários? Ex: representante de organizações de deficientes quando este foi o tema? Como a comissão diocesana se relaciona com a Campanha da Fraternidade, seu tema e as formas de Coleta? Há outras fontes que alimentam o FDS, além das coletas CFs? 3. Organização dos projetos apoiados Há intercâmbio entre projetos apoiados? Se sim, como acontece? Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Os projetos apoiados estão vinculados a movimentos e pastorais sociais? Como é feita a divulgação dos projetos apoiados? Existem mecanismos para permitir a transparência no uso dos recursos? Se sim, quais são? Os projetos apoiados incluem compromissos de ação de cidadania, de direitos de políticas públicas, de alguma parceria com administração pública? Quais são? 4. Principais projetos apoiados (Escolher um ou dois projetos apoiados que tenham destaque e perguntar). Repetir por projeto: Nome: Como se deu a elaboração do projeto: Participantes na elaboração do projeto: Período de execução do projeto: Grupo beneficiário: Fontes de recursos além do FDS: Parcerias: Forma de Acompanhamento: Entidades, pessoas ou grupos envolvidos no acompanhamento: 5. Ouvindo a comissão Dificuldades enfrentadas: Desafios superados: Observações: Perspectivas e planos para frente: ANEXO E Sugestões técnicas para o banco de dados do FNS. • Pode ser feito um banco de dados único para todos os anos, incluindo-se um identificador automático do ano do projeto (tomando-se o devido cuidado para não entrar com projetos com o ano errado); • Valor do projeto deve ser igual ao valor apoiado mais a contrapartida (cálculo pode ser automático no sistema), ou seja, diferencia-se de forma mais clara o que são recursos do FNS e outros recursos (talvez fazer um quadro para recursos do FDS); 87 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa Resultados: Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Ações: • Tipo de entidade (proponente) deve ser uma lista fechada com as 29 opções já codificadas como na pesquisa e uma opção outras (que pode ser aberta, mas sem criar novas categorias); inserir a categoria Governo (federal, estadual e municipal); • Deve-se criar um campo para definir o tipo de entidade parceira (possivelmente com as mesmas 29 opções anteriores, além de outras e governo); • A qualificação do tipo de parceria (tênue, razoável ou forte) deve ser de opção única e não de múltiplas respostas como é na base atual; Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios • População apoiada deve se referir ao tipo de participantes dos projetos levando em consideração a área de atuação (verificar se é necessário separar população e beneficiários); Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 88 • População e/ou beneficiários deve seguir uma lista fechada com as 38 opções listadas na pesquisa e uma opção outras (que pode ser aberta, mas sem criar novas categorias); • O número de beneficiários deve ser dividido em beneficiários diretos e indiretos; o sistema deve fazer a contagem automática e só deve ser aceito números (considerando a unidade pessoas); • Diferenciar os campos UF para endereço e para abrangência. Um dos campos deve conter: INTERNACIONAL, NACIONAL, REGIONAL e outro a UF; • Criar marcador para identificar os projetos de administração do fundo e animação da campanha (FUNDAMENTAL); • Aperfeiçoar o quadro para qualificar a contrapartida e as entidades parceiras; • Inserir duração dos projetos; • Organizar um quadro básico de critérios para marcar e ter como referência no resumo do projeto; • Utilizar o código IBGE ao inserir o nome dos municípios e UF; • Verificar a integração e sincronia entre os dados do banco de dados e do financeiro; • Aperfeiçoar critério de aporte com o FDS nos projetos locais; • Criar mecanismo para se ter observação mais nítida dos processos de acompanhamento dos projetos; • Criar campo para marcar existência de retornos solidários aos FDS pelos projetos que produzem renda (retorno monetário) ou retornos não monetários pelos projetos sociais. Questões para a continuidade da pesquisa sobre os FDS. • Na próxima coleta, deve ser preenchido apenas 1 questionário por diocese; se for feito em encontros, pode ser em grupo; • Verificar erros de UF na tabela das dioceses (Diocese de RR com UF AM e Cruzeiro do Sul, no AC, com UF AM; e outros erros na coluna UF); • Verificar erros no nome das cidades. Esta é uma nova possibilidade de mobilizar recursos com a venda desses produtos em bazares solidários, autorizados pelo MDS. Diferentemente das doações diretas da Receita Federal, que não permite a venda dos produtos embora seja uma prática corriqueira -, as entidades acessam os bens por meio de Edital de Chamamento Público, mediante a apresentação de projeto. Veja, a seguir, teor da Portaria: PORTARIA Nº 776, DE 11 DE NOVEMBRO DE 2010 Dispõe sobre a autorização para destinação de bens do estoque da Estratégia Fome Zero para apoiar projetos de inclusão produtiva, desenvolvidos por entidades da sociedade civil sem fins lucrativos com base nos princípios da economia solidária. A MINISTRA DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME, no uso das atribuições que lhe conferem o art. 87, parágrafo único, II, da Constituição, tendo em vista o disposto na Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e Considerando os bons resultados alcançados no âmbito da cooperação com entidades privadas sem fins lucrativos e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, na promoção de “bazares solidários” para alienação de bens, destinando os recursos para a composição de Fundos de apoio a projetos de inclusão produtiva; 89 Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa A Portaria 776, de 11.12.2010, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), é uma conquista das entidades da sociedade civil. A portaria autoriza a destinação de bens aprendidos pela Receita Federal para serem colocados à disposição do Sistema Fome Zero e para entidades da sociedade civil sem fins lucrativos que participem dos Projetos de Fundos Rotativos Solidários. Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios ANEXO F Fome Zero e Inclusão Produtiva apóiam entidades sem fins lucrativos. Considerando a importância de se apoiar sistemas de autogestão de finanças solidárias, de caráter comunitário e associativo, voltados a promoverem atividades de inclusão produtiva para inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal - CadÚnico, denominados popularmente de Fundos Rotativos Solidários; Considerando que a aplicação dos princípios da economia solidária vem se firmando em empreendimentos com resultados efetivos para o desenvolvimento local sustentável, em parceria com a Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego - SENAES/MTE e; Considerando a necessidade de fomento de ações e projetos que possibilitem a inclusão produtiva dos beneficiários dos programas sociais do Governo Federal, resolve: Fundos Nacional e Diocesanos de Solidariedade - Conquistas e Desafios Art. 1º Autorizar a destinação de bens recebidos em doação que compõem o Estoque Fome Zero a entidades da sociedade civil sem fins lucrativos, que participem do Projeto Fundos Rotativos Solidários apoiados pelo Governo Federal, com o objetivo de fomentar a realização de projetos de inclusão produtiva dos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal - CadÚnico. Cáritas Brasileira - Relatório Síntese de Pesquisa 90 Parágrafo único. Os lotes a serem doados serão previamente selecionados pela Secretaria de Articulação para Inclusão Produtiva - SAIP e indicados à Comissão de Doação da Estratégia Fome Zero, a que se refere a Portaria Interministerial nº 1.128, de 19 de novembro de 2008 MDS/MAPA. Art. 2º A Secretaria de Articulação para Inclusão Produtiva instaurará o competente processo de chamamento público para selecionar projetos de inclusão produtiva a serem apoiados mediante as doações de que trata esta Portaria. § 1º O Edital de chamamento público será divulgado no Portal Fome Zero e definirá as condições e critérios objetivos de elegibilidade das entidades. § 2º O resultado da seleção será publicado no Diário Oficial da União e divulgado no Portal Fome Zero. Art. 3º As doações serão pactuadas mediante Termo de Doação que deverá conter, dentre as condições fixadas, os encargos de: I - utilizar os bens recebidos em doação como insumos para a produção de bens, no âmbito do projeto de inclusão produtiva, ou vender no estado em que forem recebidos, mediante “bazares solidários”, Observadas neste caso as normas da Secretaria da Receita Federal, especialmente, o art. 5º da Portaria RFB nº. 2.265, de 21 de setembro de 2009; e II - reverter o produto da alienação dos bens para os “Fundos Rotativos Solidários”, vinculados ao respectivo Projeto de Inclusão Produtiva, deduzidos os custos operacionais, aplicando os recursos no custeio das atividades constantes do Projeto de Inclusão Produtiva, selecionado na conformidade do Edital de chamamento público a que se refere o artigo anterior. Art. 4º Os atos decorrentes desta Portaria devem observar as disposições legais aplicáveis, especialmente a Portaria Interministerial nº 1.128 de 19 de novembro de 2008. Art. 5º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. MÁRCIA HELENA CARVALHO LOPES (Publicado no DOU nº 218, seção 1, página 63, terça-feira, 16 de novembro de 2010)