[[ Ilustrações: Fernando vilela N Projeto de Leitura Coordenação: Maria José Nóbrega Elaboração: Luísa Nóbrega Leitor fluente uma primeira dimensão, ler pode ser entendido como de cifrar o escrito, isto é, compreender o que letras e outros sinais gráficos representam. Sem dúvida, boa parte das atividades que são realizadas com as crianças nas séries iniciais do Ensino Fundamental têm como finalidade desenvolver essa capacidade. Ingenuamente, muitos pensam que, uma vez que a criança tenha fluência para decifrar os sinais da escrita, pode ler sozinha, pois os sentidos estariam lá, no texto, bastando colhê-los. Por essa concepção, qualquer um que soubesse ler e conhecesse o que as palavras significam estaria apto a dizer em que lugar estão a andorinha e o sabiá; qual dos dois pássaros vai e volta e quem não quer voltar. Mas será que a resposta a estas questões bastaria para assegurar que a trova foi compreendida? Certamente não. A compreensão vai depender, também, e muito, do que o leitor já souber sobre pássaros e amores. Isso porque muitos dos sentidos que depreendemos ao ler derivam de complexas operações cognitivas para produzir inferências. Lemos o que está nos intervalos entre as palavras, nas entrelinhas, lemos, portanto, o que não está escrito. É como se o texto apresentasse lacunas que devessem ser preenchidas pelo trabalho do leitor. 2 Enc Grecia.indd 1 O assunto da trova é o relacionamento amoroso, a dor de cotovelo pelo abandono e, dependendo da experiência prévia que tivermos a respeito do assunto, quer seja esta vivida pessoalmente ou “vivida” através da ficção, diferentes emoções podem ser ativadas: alívio por estarmos próximos de quem amamos, cumplicidade por estarmos distantes de quem amamos, desilusão por não acreditarmos mais no amor, esperança de encontrar alguém diferente... Quem produz ou lê um texto o faz a partir de um certo lugar, como diz Leonardo Boff*, a partir de onde estão seus pés e do que veem seus olhos. Os horizontes de quem escreve e os de quem lê podem estar mais ou menos próximos. Os horizontes de um leitor e de outro podem estar mais ou menos próximos. As leituras produzem interpretações que produzem avaliações que revelam posições: pode-se ou não concordar com o quadro de valores sustentados ou sugeridos pelo texto. Se refletirmos a respeito do último verso “meu amor não quer voltar”, podemos indagar, legitimamente, sem nenhuma esperança de encontrar a resposta no texto: por que ele ou ela não “quer” voltar? Repare que não é “não pode” que está escrito, é “não quer”, isto quer dizer que poderia, mas não quer voltar. O que teria provocado a separação? O amor acabou. Apaixonou-se por outra ou outro? Outros projetos de vida foram mais fortes que o amor: os estudos, a carreira, etc. O “eu” é muito possessivo e gosta de controlar os passos dele ou dela, como controla os da andorinha e do sabiá? DESCRIÇÃO DO PROJETO DE LEITURA Um pouco sobre o autor Contextualiza-se o autor e sua obra no panorama da literatura para crianças. Resenha Apresentamos uma síntese da obra para permitir que o professor, antecipando a temática, o enredo e seu desenvolvimento, possa considerar a pertinência da obra levando em conta as necessidades e possibilidades de seus alunos. Comentários sobre a obra Procuramos evidenciar outros aspectos que vão além da trama narrativa: os temas e a perspectiva com que são abordados, certos recursos expressivos usados pelo autor. A partir deles, o professor poderá identificar que conteúdos das diferentes áreas do conhecimento poderão ser explorados, que temas poderão ser discutidos, que recursos linguísticos poderão ser explorados para ampliar a competência leitora e escritora do aluno. ___________ * “Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.” A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana (37a edição, 2001), Leonardo Boff, Editora Vozes, Petrópolis. Propostas de atividades a) antes da leitura Ao ler, mobilizamos nossas experiências para compreendermos o texto e apreciarmos os recursos estilísticos utilizados pelo autor. Folheando o livro, numa rápida leitura preliminar, podemos antecipar muito a respeito do desenvolvimento da história. 3 4 As atividades propostas favorecem a ativação dos conhecimentos prévios necessários à compreensão do texto. üExplicitação dos conhecimentos prévios necessários para que os alunos compreendam o texto. üAntecipação de conteúdos do texto a partir da observação de indicadores como título (orientar a leitura de títulos e subtítulos), ilustração (folhear o livro para identificar a localização, os personagens, o conflito). üExplicitação dos conteúdos que esperam encontrar na obra levando em conta os aspectos observados (estimular os alunos a compartilharem o que forem observando). b) durante a leitura São apresentados alguns objetivos orientadores para a leitura, focalizando aspectos que auxiliem a construção dos significados do texto pelo leitor. üLeitura global do texto. üCaracterização da estrutura do texto. üIdentificação das articulações temporais e lógicas responsáveis pela coesão textual. c) depois da leitura Propõem-se uma série de atividades para permitir uma melhor compreensão da obra, aprofundar o estudo e a reflexão a respeito de conteúdos das diversas áreas curriculares, bem como debater temas que permitam a inserção do aluno nas questões contemporâneas. üCompreensão global do texto a partir da reprodução oral ou escrita do texto lido ou de respostas a questões formuladas pelo professor em situação de leitura compartilhada. üApreciação dos recursos expressivos mobilizados na obra. üIdentificação dos pontos de vista sustentados pelo autor. üExplicitação das opiniões pessoais frente a questões polêmicas. üAmpliação do trabalho para a pesquisa de informações complementares numa dimensão interdisciplinar ou para a produção de outros textos ou, ainda, para produções criativas que contemplem outras linguagens artísticas. Leia mais... üdo mesmo autor üsobre o mesmo assunto üsobre o mesmo gênero ] Texto: Ilan Brenman [[ Sei que a andorinha está no coqueiro, e que o sabiá está na beira-mar. Observo que a andorinha vai e volta, mas não sei onde está meu amor que partiu e não quer voltar. ] Contador de histórias de bolso Grécia ] “Andorinha no coqueiro, Sabiá na beira-mar, Andorinha vai e volta, Meu amor não quer voltar.” ] Maria José Nóbrega Quem é esse que se diz “eu”? Se imaginarmos um “eu” masculino, por exemplo, poderíamos, num tom machista, sustentar que mulher tem de ser mesmo conduzida com rédea curta, porque senão voa; num tom mais feminista, poderíamos dizer que a mulher fez muito bem em abandonar alguém tão controlador. Está instalada a polêmica das muitas vozes que circulam nas práticas sociais... Se levamos alguns anos para aprender a decifrar o escrito com autonomia, ler na dimensão que descrevemos é uma aprendizagem que não se esgota nunca, pois para alguns textos seremos sempre leitores iniciantes. ] De Leitores e Asas Se retornarmos à trova citada, descobriremos um “eu” que associa pássaros à pessoa amada. Ele sabe o lugar em que está a andorinha e o sabiá; observa que as andorinhas migram, “vão e voltam”, mas diferentemente destas, seu amor foi e não voltou. Apesar de não estar explícita, percebemos a comparação entre a andorinha e a pessoa amada: ambas partiram em um dado momento. Apesar de também não estar explícita, percebemos a oposição entre elas: a andorinha retorna, mas a pessoa amada “não quer voltar”. Se todos estes elementos que podem ser deduzidos pelo trabalho do leitor estivessem explícitos, o texto ficaria mais ou menos assim: 5 6/2/09 2:09:47 PM [[ Ilustrações: Fernando vilela N Projeto de Leitura Coordenação: Maria José Nóbrega Elaboração: Luísa Nóbrega Leitor fluente uma primeira dimensão, ler pode ser entendido como de cifrar o escrito, isto é, compreender o que letras e outros sinais gráficos representam. Sem dúvida, boa parte das atividades que são realizadas com as crianças nas séries iniciais do Ensino Fundamental têm como finalidade desenvolver essa capacidade. Ingenuamente, muitos pensam que, uma vez que a criança tenha fluência para decifrar os sinais da escrita, pode ler sozinha, pois os sentidos estariam lá, no texto, bastando colhê-los. Por essa concepção, qualquer um que soubesse ler e conhecesse o que as palavras significam estaria apto a dizer em que lugar estão a andorinha e o sabiá; qual dos dois pássaros vai e volta e quem não quer voltar. Mas será que a resposta a estas questões bastaria para assegurar que a trova foi compreendida? Certamente não. A compreensão vai depender, também, e muito, do que o leitor já souber sobre pássaros e amores. Isso porque muitos dos sentidos que depreendemos ao ler derivam de complexas operações cognitivas para produzir inferências. Lemos o que está nos intervalos entre as palavras, nas entrelinhas, lemos, portanto, o que não está escrito. É como se o texto apresentasse lacunas que devessem ser preenchidas pelo trabalho do leitor. 2 Enc Grecia.indd 1 O assunto da trova é o relacionamento amoroso, a dor de cotovelo pelo abandono e, dependendo da experiência prévia que tivermos a respeito do assunto, quer seja esta vivida pessoalmente ou “vivida” através da ficção, diferentes emoções podem ser ativadas: alívio por estarmos próximos de quem amamos, cumplicidade por estarmos distantes de quem amamos, desilusão por não acreditarmos mais no amor, esperança de encontrar alguém diferente... Quem produz ou lê um texto o faz a partir de um certo lugar, como diz Leonardo Boff*, a partir de onde estão seus pés e do que veem seus olhos. Os horizontes de quem escreve e os de quem lê podem estar mais ou menos próximos. Os horizontes de um leitor e de outro podem estar mais ou menos próximos. As leituras produzem interpretações que produzem avaliações que revelam posições: pode-se ou não concordar com o quadro de valores sustentados ou sugeridos pelo texto. Se refletirmos a respeito do último verso “meu amor não quer voltar”, podemos indagar, legitimamente, sem nenhuma esperança de encontrar a resposta no texto: por que ele ou ela não “quer” voltar? Repare que não é “não pode” que está escrito, é “não quer”, isto quer dizer que poderia, mas não quer voltar. O que teria provocado a separação? O amor acabou. Apaixonou-se por outra ou outro? Outros projetos de vida foram mais fortes que o amor: os estudos, a carreira, etc. O “eu” é muito possessivo e gosta de controlar os passos dele ou dela, como controla os da andorinha e do sabiá? DESCRIÇÃO DO PROJETO DE LEITURA Um pouco sobre o autor Contextualiza-se o autor e sua obra no panorama da literatura para crianças. Resenha Apresentamos uma síntese da obra para permitir que o professor, antecipando a temática, o enredo e seu desenvolvimento, possa considerar a pertinência da obra levando em conta as necessidades e possibilidades de seus alunos. Comentários sobre a obra Procuramos evidenciar outros aspectos que vão além da trama narrativa: os temas e a perspectiva com que são abordados, certos recursos expressivos usados pelo autor. A partir deles, o professor poderá identificar que conteúdos das diferentes áreas do conhecimento poderão ser explorados, que temas poderão ser discutidos, que recursos linguísticos poderão ser explorados para ampliar a competência leitora e escritora do aluno. ___________ * “Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.” A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana (37a edição, 2001), Leonardo Boff, Editora Vozes, Petrópolis. Propostas de atividades a) antes da leitura Ao ler, mobilizamos nossas experiências para compreendermos o texto e apreciarmos os recursos estilísticos utilizados pelo autor. Folheando o livro, numa rápida leitura preliminar, podemos antecipar muito a respeito do desenvolvimento da história. 3 4 As atividades propostas favorecem a ativação dos conhecimentos prévios necessários à compreensão do texto. üExplicitação dos conhecimentos prévios necessários para que os alunos compreendam o texto. üAntecipação de conteúdos do texto a partir da observação de indicadores como título (orientar a leitura de títulos e subtítulos), ilustração (folhear o livro para identificar a localização, os personagens, o conflito). üExplicitação dos conteúdos que esperam encontrar na obra levando em conta os aspectos observados (estimular os alunos a compartilharem o que forem observando). b) durante a leitura São apresentados alguns objetivos orientadores para a leitura, focalizando aspectos que auxiliem a construção dos significados do texto pelo leitor. üLeitura global do texto. üCaracterização da estrutura do texto. üIdentificação das articulações temporais e lógicas responsáveis pela coesão textual. c) depois da leitura Propõem-se uma série de atividades para permitir uma melhor compreensão da obra, aprofundar o estudo e a reflexão a respeito de conteúdos das diversas áreas curriculares, bem como debater temas que permitam a inserção do aluno nas questões contemporâneas. üCompreensão global do texto a partir da reprodução oral ou escrita do texto lido ou de respostas a questões formuladas pelo professor em situação de leitura compartilhada. üApreciação dos recursos expressivos mobilizados na obra. üIdentificação dos pontos de vista sustentados pelo autor. üExplicitação das opiniões pessoais frente a questões polêmicas. üAmpliação do trabalho para a pesquisa de informações complementares numa dimensão interdisciplinar ou para a produção de outros textos ou, ainda, para produções criativas que contemplem outras linguagens artísticas. Leia mais... üdo mesmo autor üsobre o mesmo assunto üsobre o mesmo gênero ] Texto: Ilan Brenman [[ Sei que a andorinha está no coqueiro, e que o sabiá está na beira-mar. Observo que a andorinha vai e volta, mas não sei onde está meu amor que partiu e não quer voltar. ] Contador de histórias de bolso Grécia ] “Andorinha no coqueiro, Sabiá na beira-mar, Andorinha vai e volta, Meu amor não quer voltar.” ] Maria José Nóbrega Quem é esse que se diz “eu”? Se imaginarmos um “eu” masculino, por exemplo, poderíamos, num tom machista, sustentar que mulher tem de ser mesmo conduzida com rédea curta, porque senão voa; num tom mais feminista, poderíamos dizer que a mulher fez muito bem em abandonar alguém tão controlador. Está instalada a polêmica das muitas vozes que circulam nas práticas sociais... Se levamos alguns anos para aprender a decifrar o escrito com autonomia, ler na dimensão que descrevemos é uma aprendizagem que não se esgota nunca, pois para alguns textos seremos sempre leitores iniciantes. ] De Leitores e Asas Se retornarmos à trova citada, descobriremos um “eu” que associa pássaros à pessoa amada. Ele sabe o lugar em que está a andorinha e o sabiá; observa que as andorinhas migram, “vão e voltam”, mas diferentemente destas, seu amor foi e não voltou. Apesar de não estar explícita, percebemos a comparação entre a andorinha e a pessoa amada: ambas partiram em um dado momento. Apesar de também não estar explícita, percebemos a oposição entre elas: a andorinha retorna, mas a pessoa amada “não quer voltar”. Se todos estes elementos que podem ser deduzidos pelo trabalho do leitor estivessem explícitos, o texto ficaria mais ou menos assim: 5 6/2/09 2:09:47 PM [[ Ilustrações: Fernando vilela N Projeto de Leitura Coordenação: Maria José Nóbrega Elaboração: Luísa Nóbrega Leitor fluente uma primeira dimensão, ler pode ser entendido como de cifrar o escrito, isto é, compreender o que letras e outros sinais gráficos representam. Sem dúvida, boa parte das atividades que são realizadas com as crianças nas séries iniciais do Ensino Fundamental têm como finalidade desenvolver essa capacidade. Ingenuamente, muitos pensam que, uma vez que a criança tenha fluência para decifrar os sinais da escrita, pode ler sozinha, pois os sentidos estariam lá, no texto, bastando colhê-los. Por essa concepção, qualquer um que soubesse ler e conhecesse o que as palavras significam estaria apto a dizer em que lugar estão a andorinha e o sabiá; qual dos dois pássaros vai e volta e quem não quer voltar. Mas será que a resposta a estas questões bastaria para assegurar que a trova foi compreendida? Certamente não. A compreensão vai depender, também, e muito, do que o leitor já souber sobre pássaros e amores. Isso porque muitos dos sentidos que depreendemos ao ler derivam de complexas operações cognitivas para produzir inferências. Lemos o que está nos intervalos entre as palavras, nas entrelinhas, lemos, portanto, o que não está escrito. É como se o texto apresentasse lacunas que devessem ser preenchidas pelo trabalho do leitor. 2 Enc Grecia.indd 1 O assunto da trova é o relacionamento amoroso, a dor de cotovelo pelo abandono e, dependendo da experiência prévia que tivermos a respeito do assunto, quer seja esta vivida pessoalmente ou “vivida” através da ficção, diferentes emoções podem ser ativadas: alívio por estarmos próximos de quem amamos, cumplicidade por estarmos distantes de quem amamos, desilusão por não acreditarmos mais no amor, esperança de encontrar alguém diferente... Quem produz ou lê um texto o faz a partir de um certo lugar, como diz Leonardo Boff*, a partir de onde estão seus pés e do que veem seus olhos. Os horizontes de quem escreve e os de quem lê podem estar mais ou menos próximos. Os horizontes de um leitor e de outro podem estar mais ou menos próximos. As leituras produzem interpretações que produzem avaliações que revelam posições: pode-se ou não concordar com o quadro de valores sustentados ou sugeridos pelo texto. Se refletirmos a respeito do último verso “meu amor não quer voltar”, podemos indagar, legitimamente, sem nenhuma esperança de encontrar a resposta no texto: por que ele ou ela não “quer” voltar? Repare que não é “não pode” que está escrito, é “não quer”, isto quer dizer que poderia, mas não quer voltar. O que teria provocado a separação? O amor acabou. Apaixonou-se por outra ou outro? Outros projetos de vida foram mais fortes que o amor: os estudos, a carreira, etc. O “eu” é muito possessivo e gosta de controlar os passos dele ou dela, como controla os da andorinha e do sabiá? DESCRIÇÃO DO PROJETO DE LEITURA Um pouco sobre o autor Contextualiza-se o autor e sua obra no panorama da literatura para crianças. Resenha Apresentamos uma síntese da obra para permitir que o professor, antecipando a temática, o enredo e seu desenvolvimento, possa considerar a pertinência da obra levando em conta as necessidades e possibilidades de seus alunos. Comentários sobre a obra Procuramos evidenciar outros aspectos que vão além da trama narrativa: os temas e a perspectiva com que são abordados, certos recursos expressivos usados pelo autor. A partir deles, o professor poderá identificar que conteúdos das diferentes áreas do conhecimento poderão ser explorados, que temas poderão ser discutidos, que recursos linguísticos poderão ser explorados para ampliar a competência leitora e escritora do aluno. ___________ * “Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.” A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana (37a edição, 2001), Leonardo Boff, Editora Vozes, Petrópolis. Propostas de atividades a) antes da leitura Ao ler, mobilizamos nossas experiências para compreendermos o texto e apreciarmos os recursos estilísticos utilizados pelo autor. Folheando o livro, numa rápida leitura preliminar, podemos antecipar muito a respeito do desenvolvimento da história. 3 4 As atividades propostas favorecem a ativação dos conhecimentos prévios necessários à compreensão do texto. üExplicitação dos conhecimentos prévios necessários para que os alunos compreendam o texto. üAntecipação de conteúdos do texto a partir da observação de indicadores como título (orientar a leitura de títulos e subtítulos), ilustração (folhear o livro para identificar a localização, os personagens, o conflito). üExplicitação dos conteúdos que esperam encontrar na obra levando em conta os aspectos observados (estimular os alunos a compartilharem o que forem observando). b) durante a leitura São apresentados alguns objetivos orientadores para a leitura, focalizando aspectos que auxiliem a construção dos significados do texto pelo leitor. üLeitura global do texto. üCaracterização da estrutura do texto. üIdentificação das articulações temporais e lógicas responsáveis pela coesão textual. c) depois da leitura Propõem-se uma série de atividades para permitir uma melhor compreensão da obra, aprofundar o estudo e a reflexão a respeito de conteúdos das diversas áreas curriculares, bem como debater temas que permitam a inserção do aluno nas questões contemporâneas. üCompreensão global do texto a partir da reprodução oral ou escrita do texto lido ou de respostas a questões formuladas pelo professor em situação de leitura compartilhada. üApreciação dos recursos expressivos mobilizados na obra. üIdentificação dos pontos de vista sustentados pelo autor. üExplicitação das opiniões pessoais frente a questões polêmicas. üAmpliação do trabalho para a pesquisa de informações complementares numa dimensão interdisciplinar ou para a produção de outros textos ou, ainda, para produções criativas que contemplem outras linguagens artísticas. Leia mais... üdo mesmo autor üsobre o mesmo assunto üsobre o mesmo gênero ] Texto: Ilan Brenman [[ Sei que a andorinha está no coqueiro, e que o sabiá está na beira-mar. Observo que a andorinha vai e volta, mas não sei onde está meu amor que partiu e não quer voltar. ] Contador de histórias de bolso Grécia ] “Andorinha no coqueiro, Sabiá na beira-mar, Andorinha vai e volta, Meu amor não quer voltar.” ] Maria José Nóbrega Quem é esse que se diz “eu”? Se imaginarmos um “eu” masculino, por exemplo, poderíamos, num tom machista, sustentar que mulher tem de ser mesmo conduzida com rédea curta, porque senão voa; num tom mais feminista, poderíamos dizer que a mulher fez muito bem em abandonar alguém tão controlador. Está instalada a polêmica das muitas vozes que circulam nas práticas sociais... Se levamos alguns anos para aprender a decifrar o escrito com autonomia, ler na dimensão que descrevemos é uma aprendizagem que não se esgota nunca, pois para alguns textos seremos sempre leitores iniciantes. ] De Leitores e Asas Se retornarmos à trova citada, descobriremos um “eu” que associa pássaros à pessoa amada. Ele sabe o lugar em que está a andorinha e o sabiá; observa que as andorinhas migram, “vão e voltam”, mas diferentemente destas, seu amor foi e não voltou. Apesar de não estar explícita, percebemos a comparação entre a andorinha e a pessoa amada: ambas partiram em um dado momento. Apesar de também não estar explícita, percebemos a oposição entre elas: a andorinha retorna, mas a pessoa amada “não quer voltar”. Se todos estes elementos que podem ser deduzidos pelo trabalho do leitor estivessem explícitos, o texto ficaria mais ou menos assim: 5 6/2/09 2:09:47 PM [[ Ilustrações: Fernando vilela N Projeto de Leitura Coordenação: Maria José Nóbrega Elaboração: Luísa Nóbrega Leitor fluente uma primeira dimensão, ler pode ser entendido como de cifrar o escrito, isto é, compreender o que letras e outros sinais gráficos representam. Sem dúvida, boa parte das atividades que são realizadas com as crianças nas séries iniciais do Ensino Fundamental têm como finalidade desenvolver essa capacidade. Ingenuamente, muitos pensam que, uma vez que a criança tenha fluência para decifrar os sinais da escrita, pode ler sozinha, pois os sentidos estariam lá, no texto, bastando colhê-los. Por essa concepção, qualquer um que soubesse ler e conhecesse o que as palavras significam estaria apto a dizer em que lugar estão a andorinha e o sabiá; qual dos dois pássaros vai e volta e quem não quer voltar. Mas será que a resposta a estas questões bastaria para assegurar que a trova foi compreendida? Certamente não. A compreensão vai depender, também, e muito, do que o leitor já souber sobre pássaros e amores. Isso porque muitos dos sentidos que depreendemos ao ler derivam de complexas operações cognitivas para produzir inferências. Lemos o que está nos intervalos entre as palavras, nas entrelinhas, lemos, portanto, o que não está escrito. É como se o texto apresentasse lacunas que devessem ser preenchidas pelo trabalho do leitor. 2 Enc Grecia.indd 1 O assunto da trova é o relacionamento amoroso, a dor de cotovelo pelo abandono e, dependendo da experiência prévia que tivermos a respeito do assunto, quer seja esta vivida pessoalmente ou “vivida” através da ficção, diferentes emoções podem ser ativadas: alívio por estarmos próximos de quem amamos, cumplicidade por estarmos distantes de quem amamos, desilusão por não acreditarmos mais no amor, esperança de encontrar alguém diferente... Quem produz ou lê um texto o faz a partir de um certo lugar, como diz Leonardo Boff*, a partir de onde estão seus pés e do que veem seus olhos. Os horizontes de quem escreve e os de quem lê podem estar mais ou menos próximos. Os horizontes de um leitor e de outro podem estar mais ou menos próximos. As leituras produzem interpretações que produzem avaliações que revelam posições: pode-se ou não concordar com o quadro de valores sustentados ou sugeridos pelo texto. Se refletirmos a respeito do último verso “meu amor não quer voltar”, podemos indagar, legitimamente, sem nenhuma esperança de encontrar a resposta no texto: por que ele ou ela não “quer” voltar? Repare que não é “não pode” que está escrito, é “não quer”, isto quer dizer que poderia, mas não quer voltar. O que teria provocado a separação? O amor acabou. Apaixonou-se por outra ou outro? Outros projetos de vida foram mais fortes que o amor: os estudos, a carreira, etc. O “eu” é muito possessivo e gosta de controlar os passos dele ou dela, como controla os da andorinha e do sabiá? DESCRIÇÃO DO PROJETO DE LEITURA Um pouco sobre o autor Contextualiza-se o autor e sua obra no panorama da literatura para crianças. Resenha Apresentamos uma síntese da obra para permitir que o professor, antecipando a temática, o enredo e seu desenvolvimento, possa considerar a pertinência da obra levando em conta as necessidades e possibilidades de seus alunos. Comentários sobre a obra Procuramos evidenciar outros aspectos que vão além da trama narrativa: os temas e a perspectiva com que são abordados, certos recursos expressivos usados pelo autor. A partir deles, o professor poderá identificar que conteúdos das diferentes áreas do conhecimento poderão ser explorados, que temas poderão ser discutidos, que recursos linguísticos poderão ser explorados para ampliar a competência leitora e escritora do aluno. ___________ * “Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.” A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana (37a edição, 2001), Leonardo Boff, Editora Vozes, Petrópolis. Propostas de atividades a) antes da leitura Ao ler, mobilizamos nossas experiências para compreendermos o texto e apreciarmos os recursos estilísticos utilizados pelo autor. Folheando o livro, numa rápida leitura preliminar, podemos antecipar muito a respeito do desenvolvimento da história. 3 4 As atividades propostas favorecem a ativação dos conhecimentos prévios necessários à compreensão do texto. üExplicitação dos conhecimentos prévios necessários para que os alunos compreendam o texto. üAntecipação de conteúdos do texto a partir da observação de indicadores como título (orientar a leitura de títulos e subtítulos), ilustração (folhear o livro para identificar a localização, os personagens, o conflito). üExplicitação dos conteúdos que esperam encontrar na obra levando em conta os aspectos observados (estimular os alunos a compartilharem o que forem observando). b) durante a leitura São apresentados alguns objetivos orientadores para a leitura, focalizando aspectos que auxiliem a construção dos significados do texto pelo leitor. üLeitura global do texto. üCaracterização da estrutura do texto. üIdentificação das articulações temporais e lógicas responsáveis pela coesão textual. c) depois da leitura Propõem-se uma série de atividades para permitir uma melhor compreensão da obra, aprofundar o estudo e a reflexão a respeito de conteúdos das diversas áreas curriculares, bem como debater temas que permitam a inserção do aluno nas questões contemporâneas. üCompreensão global do texto a partir da reprodução oral ou escrita do texto lido ou de respostas a questões formuladas pelo professor em situação de leitura compartilhada. üApreciação dos recursos expressivos mobilizados na obra. üIdentificação dos pontos de vista sustentados pelo autor. üExplicitação das opiniões pessoais frente a questões polêmicas. üAmpliação do trabalho para a pesquisa de informações complementares numa dimensão interdisciplinar ou para a produção de outros textos ou, ainda, para produções criativas que contemplem outras linguagens artísticas. Leia mais... üdo mesmo autor üsobre o mesmo assunto üsobre o mesmo gênero ] Texto: Ilan Brenman [[ Sei que a andorinha está no coqueiro, e que o sabiá está na beira-mar. Observo que a andorinha vai e volta, mas não sei onde está meu amor que partiu e não quer voltar. ] Contador de histórias de bolso Grécia ] “Andorinha no coqueiro, Sabiá na beira-mar, Andorinha vai e volta, Meu amor não quer voltar.” ] Maria José Nóbrega Quem é esse que se diz “eu”? Se imaginarmos um “eu” masculino, por exemplo, poderíamos, num tom machista, sustentar que mulher tem de ser mesmo conduzida com rédea curta, porque senão voa; num tom mais feminista, poderíamos dizer que a mulher fez muito bem em abandonar alguém tão controlador. Está instalada a polêmica das muitas vozes que circulam nas práticas sociais... Se levamos alguns anos para aprender a decifrar o escrito com autonomia, ler na dimensão que descrevemos é uma aprendizagem que não se esgota nunca, pois para alguns textos seremos sempre leitores iniciantes. ] De Leitores e Asas Se retornarmos à trova citada, descobriremos um “eu” que associa pássaros à pessoa amada. Ele sabe o lugar em que está a andorinha e o sabiá; observa que as andorinhas migram, “vão e voltam”, mas diferentemente destas, seu amor foi e não voltou. Apesar de não estar explícita, percebemos a comparação entre a andorinha e a pessoa amada: ambas partiram em um dado momento. Apesar de também não estar explícita, percebemos a oposição entre elas: a andorinha retorna, mas a pessoa amada “não quer voltar”. Se todos estes elementos que podem ser deduzidos pelo trabalho do leitor estivessem explícitos, o texto ficaria mais ou menos assim: 5 6/2/09 2:09:47 PM [[ Ilustrações: Fernando vilela N Projeto de Leitura Coordenação: Maria José Nóbrega Elaboração: Luísa Nóbrega Leitor fluente uma primeira dimensão, ler pode ser entendido como de cifrar o escrito, isto é, compreender o que letras e outros sinais gráficos representam. Sem dúvida, boa parte das atividades que são realizadas com as crianças nas séries iniciais do Ensino Fundamental têm como finalidade desenvolver essa capacidade. Ingenuamente, muitos pensam que, uma vez que a criança tenha fluência para decifrar os sinais da escrita, pode ler sozinha, pois os sentidos estariam lá, no texto, bastando colhê-los. Por essa concepção, qualquer um que soubesse ler e conhecesse o que as palavras significam estaria apto a dizer em que lugar estão a andorinha e o sabiá; qual dos dois pássaros vai e volta e quem não quer voltar. Mas será que a resposta a estas questões bastaria para assegurar que a trova foi compreendida? Certamente não. A compreensão vai depender, também, e muito, do que o leitor já souber sobre pássaros e amores. Isso porque muitos dos sentidos que depreendemos ao ler derivam de complexas operações cognitivas para produzir inferências. Lemos o que está nos intervalos entre as palavras, nas entrelinhas, lemos, portanto, o que não está escrito. É como se o texto apresentasse lacunas que devessem ser preenchidas pelo trabalho do leitor. 2 Enc Grecia.indd 1 O assunto da trova é o relacionamento amoroso, a dor de cotovelo pelo abandono e, dependendo da experiência prévia que tivermos a respeito do assunto, quer seja esta vivida pessoalmente ou “vivida” através da ficção, diferentes emoções podem ser ativadas: alívio por estarmos próximos de quem amamos, cumplicidade por estarmos distantes de quem amamos, desilusão por não acreditarmos mais no amor, esperança de encontrar alguém diferente... Quem produz ou lê um texto o faz a partir de um certo lugar, como diz Leonardo Boff*, a partir de onde estão seus pés e do que veem seus olhos. Os horizontes de quem escreve e os de quem lê podem estar mais ou menos próximos. Os horizontes de um leitor e de outro podem estar mais ou menos próximos. As leituras produzem interpretações que produzem avaliações que revelam posições: pode-se ou não concordar com o quadro de valores sustentados ou sugeridos pelo texto. Se refletirmos a respeito do último verso “meu amor não quer voltar”, podemos indagar, legitimamente, sem nenhuma esperança de encontrar a resposta no texto: por que ele ou ela não “quer” voltar? Repare que não é “não pode” que está escrito, é “não quer”, isto quer dizer que poderia, mas não quer voltar. O que teria provocado a separação? O amor acabou. Apaixonou-se por outra ou outro? Outros projetos de vida foram mais fortes que o amor: os estudos, a carreira, etc. O “eu” é muito possessivo e gosta de controlar os passos dele ou dela, como controla os da andorinha e do sabiá? DESCRIÇÃO DO PROJETO DE LEITURA Um pouco sobre o autor Contextualiza-se o autor e sua obra no panorama da literatura para crianças. Resenha Apresentamos uma síntese da obra para permitir que o professor, antecipando a temática, o enredo e seu desenvolvimento, possa considerar a pertinência da obra levando em conta as necessidades e possibilidades de seus alunos. Comentários sobre a obra Procuramos evidenciar outros aspectos que vão além da trama narrativa: os temas e a perspectiva com que são abordados, certos recursos expressivos usados pelo autor. A partir deles, o professor poderá identificar que conteúdos das diferentes áreas do conhecimento poderão ser explorados, que temas poderão ser discutidos, que recursos linguísticos poderão ser explorados para ampliar a competência leitora e escritora do aluno. ___________ * “Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.” A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana (37a edição, 2001), Leonardo Boff, Editora Vozes, Petrópolis. Propostas de atividades a) antes da leitura Ao ler, mobilizamos nossas experiências para compreendermos o texto e apreciarmos os recursos estilísticos utilizados pelo autor. Folheando o livro, numa rápida leitura preliminar, podemos antecipar muito a respeito do desenvolvimento da história. 3 4 As atividades propostas favorecem a ativação dos conhecimentos prévios necessários à compreensão do texto. üExplicitação dos conhecimentos prévios necessários para que os alunos compreendam o texto. üAntecipação de conteúdos do texto a partir da observação de indicadores como título (orientar a leitura de títulos e subtítulos), ilustração (folhear o livro para identificar a localização, os personagens, o conflito). üExplicitação dos conteúdos que esperam encontrar na obra levando em conta os aspectos observados (estimular os alunos a compartilharem o que forem observando). b) durante a leitura São apresentados alguns objetivos orientadores para a leitura, focalizando aspectos que auxiliem a construção dos significados do texto pelo leitor. üLeitura global do texto. üCaracterização da estrutura do texto. üIdentificação das articulações temporais e lógicas responsáveis pela coesão textual. c) depois da leitura Propõem-se uma série de atividades para permitir uma melhor compreensão da obra, aprofundar o estudo e a reflexão a respeito de conteúdos das diversas áreas curriculares, bem como debater temas que permitam a inserção do aluno nas questões contemporâneas. üCompreensão global do texto a partir da reprodução oral ou escrita do texto lido ou de respostas a questões formuladas pelo professor em situação de leitura compartilhada. üApreciação dos recursos expressivos mobilizados na obra. üIdentificação dos pontos de vista sustentados pelo autor. üExplicitação das opiniões pessoais frente a questões polêmicas. üAmpliação do trabalho para a pesquisa de informações complementares numa dimensão interdisciplinar ou para a produção de outros textos ou, ainda, para produções criativas que contemplem outras linguagens artísticas. Leia mais... üdo mesmo autor üsobre o mesmo assunto üsobre o mesmo gênero ] Texto: Ilan Brenman [[ Sei que a andorinha está no coqueiro, e que o sabiá está na beira-mar. Observo que a andorinha vai e volta, mas não sei onde está meu amor que partiu e não quer voltar. ] Contador de histórias de bolso Grécia ] “Andorinha no coqueiro, Sabiá na beira-mar, Andorinha vai e volta, Meu amor não quer voltar.” ] Maria José Nóbrega Quem é esse que se diz “eu”? Se imaginarmos um “eu” masculino, por exemplo, poderíamos, num tom machista, sustentar que mulher tem de ser mesmo conduzida com rédea curta, porque senão voa; num tom mais feminista, poderíamos dizer que a mulher fez muito bem em abandonar alguém tão controlador. Está instalada a polêmica das muitas vozes que circulam nas práticas sociais... Se levamos alguns anos para aprender a decifrar o escrito com autonomia, ler na dimensão que descrevemos é uma aprendizagem que não se esgota nunca, pois para alguns textos seremos sempre leitores iniciantes. ] De Leitores e Asas Se retornarmos à trova citada, descobriremos um “eu” que associa pássaros à pessoa amada. Ele sabe o lugar em que está a andorinha e o sabiá; observa que as andorinhas migram, “vão e voltam”, mas diferentemente destas, seu amor foi e não voltou. Apesar de não estar explícita, percebemos a comparação entre a andorinha e a pessoa amada: ambas partiram em um dado momento. Apesar de também não estar explícita, percebemos a oposição entre elas: a andorinha retorna, mas a pessoa amada “não quer voltar”. Se todos estes elementos que podem ser deduzidos pelo trabalho do leitor estivessem explícitos, o texto ficaria mais ou menos assim: 5 6/2/09 2:09:47 PM Contador de histórias de bolso Grécia Texto: Ilan Brenman Ilustrações: Fernando vilela mitológicas da Grécia antiga, repletas de arroubos dos seus passionais, caprichosos e, por isso mesmo, fascinantes deuses. Por meio dessas histórias, ele nos apresenta os muitos adultérios de Zeus, poderoso deus do Olimpo, o destrutivo ciúme de Hera, sua esposa, a alegre e doce melodia da flauta de Pã e os sons sublimes da lira de Apolo. Familiariza-nos com as imprudências do ambicioso rei Minos, que, depois de aprender, não sem sofrimento, que ouro não é tudo na vida, ainda assim acaba sendo presenteado com orelhas de burro. Adverte-nos a respeito das desgraças e dos sofrimentos que sobrevêm aos homens que se tornam objeto da paixão dos deuses: o cativeiro da princesa Io, transformada em vaca, sob a cruel vigilância do gigante Argos; os martírios da bela Psiquê, esposa de Eros, à mercê da inveja da vaidosa Afrodite; o fim trágico da ninfa Dafne, perseguida infatigavelmente pelo deus Apolo. COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA UM POUCO SOBRE O AUTOR Ilan Brenman nasceu em Kfar Saba, Israel, em 1973. Desenvolve projetos ligados à formação de leitores, assessorando ONGs, redes privadas de ensino e o poder público. Há mais de 12 anos atua como contador de histórias. Depois de anos encantando crianças e jovens, Ilan começou a registrar suas histórias em livros, continuando sua luta pela defesa das histórias num mundo repleto de imagens pasteurizadas e discursos politicamente corretos. Atualmente, cursa o doutorado na faculdade de Educação da USP. Entrar em contato com as narrativas da mitologia grega é, mais do que ler e ouvir belas e complexas histórias, aproximar-se de um imaginário que povoa algumas das mais importantes obras da cultura ocidental. Desde os poemas de Homero e as tragédias antigas até as peças de Shakespeare e os quadros de Rubens, passando por obras como a Eneida, de Virgílio, e O Asno de Ouro, de Apuleio, deuses, ninfas e heróis do panteão grego antigo povoaram a fantasia dos povos europeus do Ocidente. No período a que costumamos chamar de Renascimento, as imagens da mitologia grega reapareciam como símbolos de ideais que a sobriedade da Idade Média havia por algum tempo obscurecido: os deuses pagãos da Grécia, passionais e humanos, convidavam os europeus a celebrar com júbilo a própria humanidade. Os mitos gregos nos abrem as portas para uma outra moralidade, muito diferente da cristã, erguida sobre o binômio pecado-culpa: seus mitos são repletos de erotismo e sensualidade, de valorização do corpo e da vida, ao mesmo tempo que advertem os homens dos perigos da ambição — de nada adianta querer jogar com as Moiras, a morte atinge a todos por igual. Familiarizar-se com a mitologia grega é, portanto, tornar-se íntimo de uma simbologia vasta, que nos ajuda a compreender um pouco do que somos. PROPOSTAS DE ATIVIDADES Antes da leitura: 1. A epígrafe do livro é uma frase de Jean Pierre Vernant, um dos maiores helenistas, profundo conhecedor dos mitos e costumes da Grécia antiga. Seu livro O Universo, os deuses e os homens é uma ótima introdução à mitologia grega antiga, escrito em uma linguagem acessível aos jovens — pode ser interessante propô-lo como leitura complementar durante o trabalho com o livro de Ilan Brenman. Leia a epígrafe com seus alunos, que fala um pouco sobre a importância da palavra falada, e discuta um pouco a respeito da relação entre oralidade e literatura: qual a diferença entre ler e ouvir uma história, entre escrevê-la e contá-la em voz alta? 2. Leia com os alunos a apresentação do livro feita pelo autor, na qual ele se revela como contador de histórias. A seguir, proponha que eles entrem no site do autor: www.ilan.com.br Entrando no link “histórias”, eles poderão assistir ao próprio ator em plena atividade como contador de histórias, narrando pequenos e saborosos contos. 3. A seguir, leia com os alunos a apresentação do ilustrador Fernando Vilela e deixe que a turma folheie livremente as páginas do livro observando as imagens. Deixe que visitem o site do artista: www.fernandovilela.com.br 4. A Grécia antiga foi, durante alguns séculos, a civilização mais poderosa do mundo, com uma extensão territorial muito mais ampla do que a Grécia de nossos tempos. Proponha que os alunos realizem, também, uma pesquisa histórica a respeito da civilização grega, reunindo, se possível, mapas e imagens que ilustrem o cotidiano dos gregos nesse período. Em cada um dos livros da série Contador de histórias de bolso, Ilan Brenman reúne algumas das narrativas que costuma apresentar a seus leitores em seu trabalho de contador de histórias. Israelense naturalizado brasileiro, filho de portenhos, neto de poloneses e russos, o autor pesquisou histórias das mais diversas partes do mundo. Neste volume, ele nos presenteia com um conjunto de narrativas QUADRO-SÍNTESE Gênero: Mitos Palavras-chave: Mitologia, paixão, vingança, destino, imortalidade Áreas envolvidas: Língua Portuguesa, História, Artes Temas transversais: Pluralidade Cultural, Ética Público-alvo: 4o e 5o anos do Ensino Fundamental Durante a leitura: 1. Muitos dos deuses do panteão grego aparecem nas narrativas do livro, alguns como protagonistas ou coadjuvantes, outros mencionados apenas de passagem. Proponha aos alunos que façam uma lista com os nomes dos deuses citados nas histórias. Sempre que possível, ao lado do nome de cada um, peça para especificarem o domínio que ele rege (por exemplo, Dionísio — deus do vinho; Deméter — deusa da agricultura, Hades — deus da morte). 2. Um dos principais poemas épicos já escritos inspirados na mitologia grega foi As Metamorfoses, de Ovídio, composto de várias narrativas que apresentam como tema o amor, muitas vezes personificado na figura de Eros. Lendo o livro de Ilan Brenman, não é difícil perceber o motivo do título do livro... Estimule seus alunos a procurar perceber, nos diferentes contos, de que maneira o amor aparece associado a transformações e transmutações de todo tipo. O que motivou a transformação de cada personagem? 6 7 8 RESENHA Enc Grecia.indd 2 3. Diga à turma que procure atentar para os detalhes das ilustrações de Fernando Vilela para perceber a relação entre elas e os textos. Depois da leitura: Nas tramas do texto 1. Divida a turma em pequenos grupos e peça que cada um escolha a história do livro que mais o impressionou para recontar à classe, sem o apoio do livro, com suas próprias palavras. Deixe que os alunos se utilizem dos recursos que desejarem: de objetos para criar a sonoplastia, de figurino, de bonecos etc. 2. Antes de serem registradas por escrito, as narrativas da mitologia grega foram transmitidas oralmente por séculos. Isso significa que devem ter se transformado muito no decorrer do tempo, já que cada vez que alguém conta uma história oralmente, ela é transformada. Para pensar um pouco mais sobre essa questão, seria interessante, após a apresentação das histórias, voltar ao livro: quais as diferenças entre as histórias recontadas e as histórias como estão escritas? 3. Peça aos alunos que revejam, junto a seus colegas, a lista que fizeram dos deuses que aparecem no livro procurando corrigi-la e enriquecê-la. Leve então a turma toda para a biblioteca da escola ou alguma outra biblioteca da cidade e proponha que, em pequenos grupos, com a ajuda de um dicionário de mitologia, desenhem uma árvore genealógica dos deuses gregos em que constem, além das relações de parentesco entre eles, os domínios regidos por cada deus. 4. Muitas das histórias e dos personagens que figuram nessas narrativas serviram de inspiração para o trabalho de artistas através dos tempos. Estimule a turma a pesquisar imagens que permitam visualizar os deuses e os mortais que povoam as histórias do livro. 5. A narrativa que abre o livro fala do ciúme de Hera e das desventuras de Io, que ao final da história é finalmente salva graças à astúcia de Hermes. Ora, muito sofreu a princesa antes de se salvar e, segundo um dos poetas trágicos eminentes da Grécia, Ésquilo, ela teve um encontro importante com um dos principais personagens da mitologia grega, o titã Prometeu, punido por Zeus por ter levado o fogo aos homens. O diálogo entre os dois desventurados é uma das mais belas cenas daquela que talvez seja a tragédia mais famosa de Ésquilo, Prometeu Acorrentado. Leia essa cena com seus alunos (o texto da peça encontra-se disponível na íntegra na página: www.scribd.com/doc/7298950/esquilo-prometeu-acorrentado), procurando analisá-la e ajudá-los na dificuldade com o vocabulário sem, contudo, perder o ritmo e a tensão dramática da cena. 6. Peça aos alunos que, em duplas, escolham uma passagem de uma das histórias do livro e escrevam uma cena de teatro em que dois personagens dialoguem, inspirando-se livremente na cena de Prometeu Acorrentado. 9 Nas telas do cinema Uma das mais saborosas narrativas deste livro fala sobre o poder de encantamento da música da lira de Apolo e da flauta de Pã. Ora, uma das mais belas histórias da mitologia grega é a de um músico excepcional, homem, e não deus, cujas melodias enterneciam mortais e imortais: Orfeu, conhecido pelo seu trágico amor pela ninfa Eurídice. No filme Orfeu Negro, ou Orfeu no Carnaval, dirigido por Marcel Camus, a história mitológica é transportada para o carnaval carioca: Orfeu é um sambista e Eurídice, uma jovem do interior perseguida por um estranho fantasiado de morte. Baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, o filme de Marcel Camus, uma coprodução franco-brasileira, foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e com a Palma de Ouro em Cannes. A maior parte das músicas é de autoria de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, numa das primeiras parcerias entre ambos. Distribuição: Continental Home Video. LEIA MAIS... 1. DO MESMO AUTOR • Contador de histórias de bolso –– África –– São Paulo, Moderna • Contador de histórias de bolso –– China –– São Paulo, Moderna • Contador de histórias de bolso –– Rússia –– São Paulo, Moderna 2. SOBRE O MESMO GÊNERO • Contos de fadas indianos –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy • O mundo dos contos e lendas da Hungria –– de Elek Benedek, São Paulo, Landy • Contos de fadas celtas –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy 3. LEITURA DE DESAFIO Depois desse primeiro contato com algumas das ricas histórias da mitologia grega, que tal aproximarmo-nos do texto de um dos primeiros autores latinos a recontar algumas dessas histórias à sua maneira? É em O asno de ouro que encontramos pela primeira vez a narrativa de Eros e Psiquê. Trata-se de uma narrativa saborosa, repleta de humor e maravilha, que conta as aventuras burlescas e fantásticas de um homem que se vê transformado em asno, em que o próprio autor, Lucius Apuleius, figura como protagonista. Nesse texto, podemos reconhecer uma das estruturas mais utilizadas pelas narrativas antigas: a da história dentro da história... A obra, publicada no Brasil pela Ediouro, atualmente encontra-se esgotada, mas pode ser encontrada na internet como e-book, na página: www.scribd. com/doc/6699630/lucio-apuleio-o-asno-de-ouro. 6/2/09 2:09:47 PM Contador de histórias de bolso Grécia Texto: Ilan Brenman Ilustrações: Fernando vilela mitológicas da Grécia antiga, repletas de arroubos dos seus passionais, caprichosos e, por isso mesmo, fascinantes deuses. Por meio dessas histórias, ele nos apresenta os muitos adultérios de Zeus, poderoso deus do Olimpo, o destrutivo ciúme de Hera, sua esposa, a alegre e doce melodia da flauta de Pã e os sons sublimes da lira de Apolo. Familiariza-nos com as imprudências do ambicioso rei Minos, que, depois de aprender, não sem sofrimento, que ouro não é tudo na vida, ainda assim acaba sendo presenteado com orelhas de burro. Adverte-nos a respeito das desgraças e dos sofrimentos que sobrevêm aos homens que se tornam objeto da paixão dos deuses: o cativeiro da princesa Io, transformada em vaca, sob a cruel vigilância do gigante Argos; os martírios da bela Psiquê, esposa de Eros, à mercê da inveja da vaidosa Afrodite; o fim trágico da ninfa Dafne, perseguida infatigavelmente pelo deus Apolo. COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA UM POUCO SOBRE O AUTOR Ilan Brenman nasceu em Kfar Saba, Israel, em 1973. Desenvolve projetos ligados à formação de leitores, assessorando ONGs, redes privadas de ensino e o poder público. Há mais de 12 anos atua como contador de histórias. Depois de anos encantando crianças e jovens, Ilan começou a registrar suas histórias em livros, continuando sua luta pela defesa das histórias num mundo repleto de imagens pasteurizadas e discursos politicamente corretos. Atualmente, cursa o doutorado na faculdade de Educação da USP. Entrar em contato com as narrativas da mitologia grega é, mais do que ler e ouvir belas e complexas histórias, aproximar-se de um imaginário que povoa algumas das mais importantes obras da cultura ocidental. Desde os poemas de Homero e as tragédias antigas até as peças de Shakespeare e os quadros de Rubens, passando por obras como a Eneida, de Virgílio, e O Asno de Ouro, de Apuleio, deuses, ninfas e heróis do panteão grego antigo povoaram a fantasia dos povos europeus do Ocidente. No período a que costumamos chamar de Renascimento, as imagens da mitologia grega reapareciam como símbolos de ideais que a sobriedade da Idade Média havia por algum tempo obscurecido: os deuses pagãos da Grécia, passionais e humanos, convidavam os europeus a celebrar com júbilo a própria humanidade. Os mitos gregos nos abrem as portas para uma outra moralidade, muito diferente da cristã, erguida sobre o binômio pecado-culpa: seus mitos são repletos de erotismo e sensualidade, de valorização do corpo e da vida, ao mesmo tempo que advertem os homens dos perigos da ambição — de nada adianta querer jogar com as Moiras, a morte atinge a todos por igual. Familiarizar-se com a mitologia grega é, portanto, tornar-se íntimo de uma simbologia vasta, que nos ajuda a compreender um pouco do que somos. PROPOSTAS DE ATIVIDADES Antes da leitura: 1. A epígrafe do livro é uma frase de Jean Pierre Vernant, um dos maiores helenistas, profundo conhecedor dos mitos e costumes da Grécia antiga. Seu livro O Universo, os deuses e os homens é uma ótima introdução à mitologia grega antiga, escrito em uma linguagem acessível aos jovens — pode ser interessante propô-lo como leitura complementar durante o trabalho com o livro de Ilan Brenman. Leia a epígrafe com seus alunos, que fala um pouco sobre a importância da palavra falada, e discuta um pouco a respeito da relação entre oralidade e literatura: qual a diferença entre ler e ouvir uma história, entre escrevê-la e contá-la em voz alta? 2. Leia com os alunos a apresentação do livro feita pelo autor, na qual ele se revela como contador de histórias. A seguir, proponha que eles entrem no site do autor: www.ilan.com.br Entrando no link “histórias”, eles poderão assistir ao próprio ator em plena atividade como contador de histórias, narrando pequenos e saborosos contos. 3. A seguir, leia com os alunos a apresentação do ilustrador Fernando Vilela e deixe que a turma folheie livremente as páginas do livro observando as imagens. Deixe que visitem o site do artista: www.fernandovilela.com.br 4. A Grécia antiga foi, durante alguns séculos, a civilização mais poderosa do mundo, com uma extensão territorial muito mais ampla do que a Grécia de nossos tempos. Proponha que os alunos realizem, também, uma pesquisa histórica a respeito da civilização grega, reunindo, se possível, mapas e imagens que ilustrem o cotidiano dos gregos nesse período. Em cada um dos livros da série Contador de histórias de bolso, Ilan Brenman reúne algumas das narrativas que costuma apresentar a seus leitores em seu trabalho de contador de histórias. Israelense naturalizado brasileiro, filho de portenhos, neto de poloneses e russos, o autor pesquisou histórias das mais diversas partes do mundo. Neste volume, ele nos presenteia com um conjunto de narrativas QUADRO-SÍNTESE Gênero: Mitos Palavras-chave: Mitologia, paixão, vingança, destino, imortalidade Áreas envolvidas: Língua Portuguesa, História, Artes Temas transversais: Pluralidade Cultural, Ética Público-alvo: 4o e 5o anos do Ensino Fundamental Durante a leitura: 1. Muitos dos deuses do panteão grego aparecem nas narrativas do livro, alguns como protagonistas ou coadjuvantes, outros mencionados apenas de passagem. Proponha aos alunos que façam uma lista com os nomes dos deuses citados nas histórias. Sempre que possível, ao lado do nome de cada um, peça para especificarem o domínio que ele rege (por exemplo, Dionísio — deus do vinho; Deméter — deusa da agricultura, Hades — deus da morte). 2. Um dos principais poemas épicos já escritos inspirados na mitologia grega foi As Metamorfoses, de Ovídio, composto de várias narrativas que apresentam como tema o amor, muitas vezes personificado na figura de Eros. Lendo o livro de Ilan Brenman, não é difícil perceber o motivo do título do livro... Estimule seus alunos a procurar perceber, nos diferentes contos, de que maneira o amor aparece associado a transformações e transmutações de todo tipo. O que motivou a transformação de cada personagem? 6 7 8 RESENHA Enc Grecia.indd 2 3. Diga à turma que procure atentar para os detalhes das ilustrações de Fernando Vilela para perceber a relação entre elas e os textos. Depois da leitura: Nas tramas do texto 1. Divida a turma em pequenos grupos e peça que cada um escolha a história do livro que mais o impressionou para recontar à classe, sem o apoio do livro, com suas próprias palavras. Deixe que os alunos se utilizem dos recursos que desejarem: de objetos para criar a sonoplastia, de figurino, de bonecos etc. 2. Antes de serem registradas por escrito, as narrativas da mitologia grega foram transmitidas oralmente por séculos. Isso significa que devem ter se transformado muito no decorrer do tempo, já que cada vez que alguém conta uma história oralmente, ela é transformada. Para pensar um pouco mais sobre essa questão, seria interessante, após a apresentação das histórias, voltar ao livro: quais as diferenças entre as histórias recontadas e as histórias como estão escritas? 3. Peça aos alunos que revejam, junto a seus colegas, a lista que fizeram dos deuses que aparecem no livro procurando corrigi-la e enriquecê-la. Leve então a turma toda para a biblioteca da escola ou alguma outra biblioteca da cidade e proponha que, em pequenos grupos, com a ajuda de um dicionário de mitologia, desenhem uma árvore genealógica dos deuses gregos em que constem, além das relações de parentesco entre eles, os domínios regidos por cada deus. 4. Muitas das histórias e dos personagens que figuram nessas narrativas serviram de inspiração para o trabalho de artistas através dos tempos. Estimule a turma a pesquisar imagens que permitam visualizar os deuses e os mortais que povoam as histórias do livro. 5. A narrativa que abre o livro fala do ciúme de Hera e das desventuras de Io, que ao final da história é finalmente salva graças à astúcia de Hermes. Ora, muito sofreu a princesa antes de se salvar e, segundo um dos poetas trágicos eminentes da Grécia, Ésquilo, ela teve um encontro importante com um dos principais personagens da mitologia grega, o titã Prometeu, punido por Zeus por ter levado o fogo aos homens. O diálogo entre os dois desventurados é uma das mais belas cenas daquela que talvez seja a tragédia mais famosa de Ésquilo, Prometeu Acorrentado. Leia essa cena com seus alunos (o texto da peça encontra-se disponível na íntegra na página: www.scribd.com/doc/7298950/esquilo-prometeu-acorrentado), procurando analisá-la e ajudá-los na dificuldade com o vocabulário sem, contudo, perder o ritmo e a tensão dramática da cena. 6. Peça aos alunos que, em duplas, escolham uma passagem de uma das histórias do livro e escrevam uma cena de teatro em que dois personagens dialoguem, inspirando-se livremente na cena de Prometeu Acorrentado. 9 Nas telas do cinema Uma das mais saborosas narrativas deste livro fala sobre o poder de encantamento da música da lira de Apolo e da flauta de Pã. Ora, uma das mais belas histórias da mitologia grega é a de um músico excepcional, homem, e não deus, cujas melodias enterneciam mortais e imortais: Orfeu, conhecido pelo seu trágico amor pela ninfa Eurídice. No filme Orfeu Negro, ou Orfeu no Carnaval, dirigido por Marcel Camus, a história mitológica é transportada para o carnaval carioca: Orfeu é um sambista e Eurídice, uma jovem do interior perseguida por um estranho fantasiado de morte. Baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, o filme de Marcel Camus, uma coprodução franco-brasileira, foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e com a Palma de Ouro em Cannes. A maior parte das músicas é de autoria de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, numa das primeiras parcerias entre ambos. Distribuição: Continental Home Video. LEIA MAIS... 1. DO MESMO AUTOR • Contador de histórias de bolso –– África –– São Paulo, Moderna • Contador de histórias de bolso –– China –– São Paulo, Moderna • Contador de histórias de bolso –– Rússia –– São Paulo, Moderna 2. SOBRE O MESMO GÊNERO • Contos de fadas indianos –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy • O mundo dos contos e lendas da Hungria –– de Elek Benedek, São Paulo, Landy • Contos de fadas celtas –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy 3. LEITURA DE DESAFIO Depois desse primeiro contato com algumas das ricas histórias da mitologia grega, que tal aproximarmo-nos do texto de um dos primeiros autores latinos a recontar algumas dessas histórias à sua maneira? É em O asno de ouro que encontramos pela primeira vez a narrativa de Eros e Psiquê. Trata-se de uma narrativa saborosa, repleta de humor e maravilha, que conta as aventuras burlescas e fantásticas de um homem que se vê transformado em asno, em que o próprio autor, Lucius Apuleius, figura como protagonista. Nesse texto, podemos reconhecer uma das estruturas mais utilizadas pelas narrativas antigas: a da história dentro da história... A obra, publicada no Brasil pela Ediouro, atualmente encontra-se esgotada, mas pode ser encontrada na internet como e-book, na página: www.scribd. com/doc/6699630/lucio-apuleio-o-asno-de-ouro. 6/2/09 2:09:47 PM Contador de histórias de bolso Grécia Texto: Ilan Brenman Ilustrações: Fernando vilela mitológicas da Grécia antiga, repletas de arroubos dos seus passionais, caprichosos e, por isso mesmo, fascinantes deuses. Por meio dessas histórias, ele nos apresenta os muitos adultérios de Zeus, poderoso deus do Olimpo, o destrutivo ciúme de Hera, sua esposa, a alegre e doce melodia da flauta de Pã e os sons sublimes da lira de Apolo. Familiariza-nos com as imprudências do ambicioso rei Minos, que, depois de aprender, não sem sofrimento, que ouro não é tudo na vida, ainda assim acaba sendo presenteado com orelhas de burro. Adverte-nos a respeito das desgraças e dos sofrimentos que sobrevêm aos homens que se tornam objeto da paixão dos deuses: o cativeiro da princesa Io, transformada em vaca, sob a cruel vigilância do gigante Argos; os martírios da bela Psiquê, esposa de Eros, à mercê da inveja da vaidosa Afrodite; o fim trágico da ninfa Dafne, perseguida infatigavelmente pelo deus Apolo. COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA UM POUCO SOBRE O AUTOR Ilan Brenman nasceu em Kfar Saba, Israel, em 1973. Desenvolve projetos ligados à formação de leitores, assessorando ONGs, redes privadas de ensino e o poder público. Há mais de 12 anos atua como contador de histórias. Depois de anos encantando crianças e jovens, Ilan começou a registrar suas histórias em livros, continuando sua luta pela defesa das histórias num mundo repleto de imagens pasteurizadas e discursos politicamente corretos. Atualmente, cursa o doutorado na faculdade de Educação da USP. Entrar em contato com as narrativas da mitologia grega é, mais do que ler e ouvir belas e complexas histórias, aproximar-se de um imaginário que povoa algumas das mais importantes obras da cultura ocidental. Desde os poemas de Homero e as tragédias antigas até as peças de Shakespeare e os quadros de Rubens, passando por obras como a Eneida, de Virgílio, e O Asno de Ouro, de Apuleio, deuses, ninfas e heróis do panteão grego antigo povoaram a fantasia dos povos europeus do Ocidente. No período a que costumamos chamar de Renascimento, as imagens da mitologia grega reapareciam como símbolos de ideais que a sobriedade da Idade Média havia por algum tempo obscurecido: os deuses pagãos da Grécia, passionais e humanos, convidavam os europeus a celebrar com júbilo a própria humanidade. Os mitos gregos nos abrem as portas para uma outra moralidade, muito diferente da cristã, erguida sobre o binômio pecado-culpa: seus mitos são repletos de erotismo e sensualidade, de valorização do corpo e da vida, ao mesmo tempo que advertem os homens dos perigos da ambição — de nada adianta querer jogar com as Moiras, a morte atinge a todos por igual. Familiarizar-se com a mitologia grega é, portanto, tornar-se íntimo de uma simbologia vasta, que nos ajuda a compreender um pouco do que somos. PROPOSTAS DE ATIVIDADES Antes da leitura: 1. A epígrafe do livro é uma frase de Jean Pierre Vernant, um dos maiores helenistas, profundo conhecedor dos mitos e costumes da Grécia antiga. Seu livro O Universo, os deuses e os homens é uma ótima introdução à mitologia grega antiga, escrito em uma linguagem acessível aos jovens — pode ser interessante propô-lo como leitura complementar durante o trabalho com o livro de Ilan Brenman. Leia a epígrafe com seus alunos, que fala um pouco sobre a importância da palavra falada, e discuta um pouco a respeito da relação entre oralidade e literatura: qual a diferença entre ler e ouvir uma história, entre escrevê-la e contá-la em voz alta? 2. Leia com os alunos a apresentação do livro feita pelo autor, na qual ele se revela como contador de histórias. A seguir, proponha que eles entrem no site do autor: www.ilan.com.br Entrando no link “histórias”, eles poderão assistir ao próprio ator em plena atividade como contador de histórias, narrando pequenos e saborosos contos. 3. A seguir, leia com os alunos a apresentação do ilustrador Fernando Vilela e deixe que a turma folheie livremente as páginas do livro observando as imagens. Deixe que visitem o site do artista: www.fernandovilela.com.br 4. A Grécia antiga foi, durante alguns séculos, a civilização mais poderosa do mundo, com uma extensão territorial muito mais ampla do que a Grécia de nossos tempos. Proponha que os alunos realizem, também, uma pesquisa histórica a respeito da civilização grega, reunindo, se possível, mapas e imagens que ilustrem o cotidiano dos gregos nesse período. Em cada um dos livros da série Contador de histórias de bolso, Ilan Brenman reúne algumas das narrativas que costuma apresentar a seus leitores em seu trabalho de contador de histórias. Israelense naturalizado brasileiro, filho de portenhos, neto de poloneses e russos, o autor pesquisou histórias das mais diversas partes do mundo. Neste volume, ele nos presenteia com um conjunto de narrativas QUADRO-SÍNTESE Gênero: Mitos Palavras-chave: Mitologia, paixão, vingança, destino, imortalidade Áreas envolvidas: Língua Portuguesa, História, Artes Temas transversais: Pluralidade Cultural, Ética Público-alvo: 4o e 5o anos do Ensino Fundamental Durante a leitura: 1. Muitos dos deuses do panteão grego aparecem nas narrativas do livro, alguns como protagonistas ou coadjuvantes, outros mencionados apenas de passagem. Proponha aos alunos que façam uma lista com os nomes dos deuses citados nas histórias. Sempre que possível, ao lado do nome de cada um, peça para especificarem o domínio que ele rege (por exemplo, Dionísio — deus do vinho; Deméter — deusa da agricultura, Hades — deus da morte). 2. Um dos principais poemas épicos já escritos inspirados na mitologia grega foi As Metamorfoses, de Ovídio, composto de várias narrativas que apresentam como tema o amor, muitas vezes personificado na figura de Eros. Lendo o livro de Ilan Brenman, não é difícil perceber o motivo do título do livro... Estimule seus alunos a procurar perceber, nos diferentes contos, de que maneira o amor aparece associado a transformações e transmutações de todo tipo. O que motivou a transformação de cada personagem? 6 7 8 RESENHA Enc Grecia.indd 2 3. Diga à turma que procure atentar para os detalhes das ilustrações de Fernando Vilela para perceber a relação entre elas e os textos. Depois da leitura: Nas tramas do texto 1. Divida a turma em pequenos grupos e peça que cada um escolha a história do livro que mais o impressionou para recontar à classe, sem o apoio do livro, com suas próprias palavras. Deixe que os alunos se utilizem dos recursos que desejarem: de objetos para criar a sonoplastia, de figurino, de bonecos etc. 2. Antes de serem registradas por escrito, as narrativas da mitologia grega foram transmitidas oralmente por séculos. Isso significa que devem ter se transformado muito no decorrer do tempo, já que cada vez que alguém conta uma história oralmente, ela é transformada. Para pensar um pouco mais sobre essa questão, seria interessante, após a apresentação das histórias, voltar ao livro: quais as diferenças entre as histórias recontadas e as histórias como estão escritas? 3. Peça aos alunos que revejam, junto a seus colegas, a lista que fizeram dos deuses que aparecem no livro procurando corrigi-la e enriquecê-la. Leve então a turma toda para a biblioteca da escola ou alguma outra biblioteca da cidade e proponha que, em pequenos grupos, com a ajuda de um dicionário de mitologia, desenhem uma árvore genealógica dos deuses gregos em que constem, além das relações de parentesco entre eles, os domínios regidos por cada deus. 4. Muitas das histórias e dos personagens que figuram nessas narrativas serviram de inspiração para o trabalho de artistas através dos tempos. Estimule a turma a pesquisar imagens que permitam visualizar os deuses e os mortais que povoam as histórias do livro. 5. A narrativa que abre o livro fala do ciúme de Hera e das desventuras de Io, que ao final da história é finalmente salva graças à astúcia de Hermes. Ora, muito sofreu a princesa antes de se salvar e, segundo um dos poetas trágicos eminentes da Grécia, Ésquilo, ela teve um encontro importante com um dos principais personagens da mitologia grega, o titã Prometeu, punido por Zeus por ter levado o fogo aos homens. O diálogo entre os dois desventurados é uma das mais belas cenas daquela que talvez seja a tragédia mais famosa de Ésquilo, Prometeu Acorrentado. Leia essa cena com seus alunos (o texto da peça encontra-se disponível na íntegra na página: www.scribd.com/doc/7298950/esquilo-prometeu-acorrentado), procurando analisá-la e ajudá-los na dificuldade com o vocabulário sem, contudo, perder o ritmo e a tensão dramática da cena. 6. Peça aos alunos que, em duplas, escolham uma passagem de uma das histórias do livro e escrevam uma cena de teatro em que dois personagens dialoguem, inspirando-se livremente na cena de Prometeu Acorrentado. 9 Nas telas do cinema Uma das mais saborosas narrativas deste livro fala sobre o poder de encantamento da música da lira de Apolo e da flauta de Pã. Ora, uma das mais belas histórias da mitologia grega é a de um músico excepcional, homem, e não deus, cujas melodias enterneciam mortais e imortais: Orfeu, conhecido pelo seu trágico amor pela ninfa Eurídice. No filme Orfeu Negro, ou Orfeu no Carnaval, dirigido por Marcel Camus, a história mitológica é transportada para o carnaval carioca: Orfeu é um sambista e Eurídice, uma jovem do interior perseguida por um estranho fantasiado de morte. Baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, o filme de Marcel Camus, uma coprodução franco-brasileira, foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e com a Palma de Ouro em Cannes. A maior parte das músicas é de autoria de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, numa das primeiras parcerias entre ambos. Distribuição: Continental Home Video. LEIA MAIS... 1. DO MESMO AUTOR • Contador de histórias de bolso –– África –– São Paulo, Moderna • Contador de histórias de bolso –– China –– São Paulo, Moderna • Contador de histórias de bolso –– Rússia –– São Paulo, Moderna 2. SOBRE O MESMO GÊNERO • Contos de fadas indianos –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy • O mundo dos contos e lendas da Hungria –– de Elek Benedek, São Paulo, Landy • Contos de fadas celtas –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy 3. LEITURA DE DESAFIO Depois desse primeiro contato com algumas das ricas histórias da mitologia grega, que tal aproximarmo-nos do texto de um dos primeiros autores latinos a recontar algumas dessas histórias à sua maneira? É em O asno de ouro que encontramos pela primeira vez a narrativa de Eros e Psiquê. Trata-se de uma narrativa saborosa, repleta de humor e maravilha, que conta as aventuras burlescas e fantásticas de um homem que se vê transformado em asno, em que o próprio autor, Lucius Apuleius, figura como protagonista. Nesse texto, podemos reconhecer uma das estruturas mais utilizadas pelas narrativas antigas: a da história dentro da história... A obra, publicada no Brasil pela Ediouro, atualmente encontra-se esgotada, mas pode ser encontrada na internet como e-book, na página: www.scribd. com/doc/6699630/lucio-apuleio-o-asno-de-ouro. 6/2/09 2:09:47 PM Contador de histórias de bolso Grécia Texto: Ilan Brenman Ilustrações: Fernando vilela mitológicas da Grécia antiga, repletas de arroubos dos seus passionais, caprichosos e, por isso mesmo, fascinantes deuses. Por meio dessas histórias, ele nos apresenta os muitos adultérios de Zeus, poderoso deus do Olimpo, o destrutivo ciúme de Hera, sua esposa, a alegre e doce melodia da flauta de Pã e os sons sublimes da lira de Apolo. Familiariza-nos com as imprudências do ambicioso rei Minos, que, depois de aprender, não sem sofrimento, que ouro não é tudo na vida, ainda assim acaba sendo presenteado com orelhas de burro. Adverte-nos a respeito das desgraças e dos sofrimentos que sobrevêm aos homens que se tornam objeto da paixão dos deuses: o cativeiro da princesa Io, transformada em vaca, sob a cruel vigilância do gigante Argos; os martírios da bela Psiquê, esposa de Eros, à mercê da inveja da vaidosa Afrodite; o fim trágico da ninfa Dafne, perseguida infatigavelmente pelo deus Apolo. COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA UM POUCO SOBRE O AUTOR Ilan Brenman nasceu em Kfar Saba, Israel, em 1973. Desenvolve projetos ligados à formação de leitores, assessorando ONGs, redes privadas de ensino e o poder público. Há mais de 12 anos atua como contador de histórias. Depois de anos encantando crianças e jovens, Ilan começou a registrar suas histórias em livros, continuando sua luta pela defesa das histórias num mundo repleto de imagens pasteurizadas e discursos politicamente corretos. Atualmente, cursa o doutorado na faculdade de Educação da USP. Entrar em contato com as narrativas da mitologia grega é, mais do que ler e ouvir belas e complexas histórias, aproximar-se de um imaginário que povoa algumas das mais importantes obras da cultura ocidental. Desde os poemas de Homero e as tragédias antigas até as peças de Shakespeare e os quadros de Rubens, passando por obras como a Eneida, de Virgílio, e O Asno de Ouro, de Apuleio, deuses, ninfas e heróis do panteão grego antigo povoaram a fantasia dos povos europeus do Ocidente. No período a que costumamos chamar de Renascimento, as imagens da mitologia grega reapareciam como símbolos de ideais que a sobriedade da Idade Média havia por algum tempo obscurecido: os deuses pagãos da Grécia, passionais e humanos, convidavam os europeus a celebrar com júbilo a própria humanidade. Os mitos gregos nos abrem as portas para uma outra moralidade, muito diferente da cristã, erguida sobre o binômio pecado-culpa: seus mitos são repletos de erotismo e sensualidade, de valorização do corpo e da vida, ao mesmo tempo que advertem os homens dos perigos da ambição — de nada adianta querer jogar com as Moiras, a morte atinge a todos por igual. Familiarizar-se com a mitologia grega é, portanto, tornar-se íntimo de uma simbologia vasta, que nos ajuda a compreender um pouco do que somos. PROPOSTAS DE ATIVIDADES Antes da leitura: 1. A epígrafe do livro é uma frase de Jean Pierre Vernant, um dos maiores helenistas, profundo conhecedor dos mitos e costumes da Grécia antiga. Seu livro O Universo, os deuses e os homens é uma ótima introdução à mitologia grega antiga, escrito em uma linguagem acessível aos jovens — pode ser interessante propô-lo como leitura complementar durante o trabalho com o livro de Ilan Brenman. Leia a epígrafe com seus alunos, que fala um pouco sobre a importância da palavra falada, e discuta um pouco a respeito da relação entre oralidade e literatura: qual a diferença entre ler e ouvir uma história, entre escrevê-la e contá-la em voz alta? 2. Leia com os alunos a apresentação do livro feita pelo autor, na qual ele se revela como contador de histórias. A seguir, proponha que eles entrem no site do autor: www.ilan.com.br Entrando no link “histórias”, eles poderão assistir ao próprio ator em plena atividade como contador de histórias, narrando pequenos e saborosos contos. 3. A seguir, leia com os alunos a apresentação do ilustrador Fernando Vilela e deixe que a turma folheie livremente as páginas do livro observando as imagens. Deixe que visitem o site do artista: www.fernandovilela.com.br 4. A Grécia antiga foi, durante alguns séculos, a civilização mais poderosa do mundo, com uma extensão territorial muito mais ampla do que a Grécia de nossos tempos. Proponha que os alunos realizem, também, uma pesquisa histórica a respeito da civilização grega, reunindo, se possível, mapas e imagens que ilustrem o cotidiano dos gregos nesse período. Em cada um dos livros da série Contador de histórias de bolso, Ilan Brenman reúne algumas das narrativas que costuma apresentar a seus leitores em seu trabalho de contador de histórias. Israelense naturalizado brasileiro, filho de portenhos, neto de poloneses e russos, o autor pesquisou histórias das mais diversas partes do mundo. Neste volume, ele nos presenteia com um conjunto de narrativas QUADRO-SÍNTESE Gênero: Mitos Palavras-chave: Mitologia, paixão, vingança, destino, imortalidade Áreas envolvidas: Língua Portuguesa, História, Artes Temas transversais: Pluralidade Cultural, Ética Público-alvo: 4o e 5o anos do Ensino Fundamental Durante a leitura: 1. Muitos dos deuses do panteão grego aparecem nas narrativas do livro, alguns como protagonistas ou coadjuvantes, outros mencionados apenas de passagem. Proponha aos alunos que façam uma lista com os nomes dos deuses citados nas histórias. Sempre que possível, ao lado do nome de cada um, peça para especificarem o domínio que ele rege (por exemplo, Dionísio — deus do vinho; Deméter — deusa da agricultura, Hades — deus da morte). 2. Um dos principais poemas épicos já escritos inspirados na mitologia grega foi As Metamorfoses, de Ovídio, composto de várias narrativas que apresentam como tema o amor, muitas vezes personificado na figura de Eros. Lendo o livro de Ilan Brenman, não é difícil perceber o motivo do título do livro... Estimule seus alunos a procurar perceber, nos diferentes contos, de que maneira o amor aparece associado a transformações e transmutações de todo tipo. O que motivou a transformação de cada personagem? 6 7 8 RESENHA Enc Grecia.indd 2 3. Diga à turma que procure atentar para os detalhes das ilustrações de Fernando Vilela para perceber a relação entre elas e os textos. Depois da leitura: Nas tramas do texto 1. Divida a turma em pequenos grupos e peça que cada um escolha a história do livro que mais o impressionou para recontar à classe, sem o apoio do livro, com suas próprias palavras. Deixe que os alunos se utilizem dos recursos que desejarem: de objetos para criar a sonoplastia, de figurino, de bonecos etc. 2. Antes de serem registradas por escrito, as narrativas da mitologia grega foram transmitidas oralmente por séculos. Isso significa que devem ter se transformado muito no decorrer do tempo, já que cada vez que alguém conta uma história oralmente, ela é transformada. Para pensar um pouco mais sobre essa questão, seria interessante, após a apresentação das histórias, voltar ao livro: quais as diferenças entre as histórias recontadas e as histórias como estão escritas? 3. Peça aos alunos que revejam, junto a seus colegas, a lista que fizeram dos deuses que aparecem no livro procurando corrigi-la e enriquecê-la. Leve então a turma toda para a biblioteca da escola ou alguma outra biblioteca da cidade e proponha que, em pequenos grupos, com a ajuda de um dicionário de mitologia, desenhem uma árvore genealógica dos deuses gregos em que constem, além das relações de parentesco entre eles, os domínios regidos por cada deus. 4. Muitas das histórias e dos personagens que figuram nessas narrativas serviram de inspiração para o trabalho de artistas através dos tempos. Estimule a turma a pesquisar imagens que permitam visualizar os deuses e os mortais que povoam as histórias do livro. 5. A narrativa que abre o livro fala do ciúme de Hera e das desventuras de Io, que ao final da história é finalmente salva graças à astúcia de Hermes. Ora, muito sofreu a princesa antes de se salvar e, segundo um dos poetas trágicos eminentes da Grécia, Ésquilo, ela teve um encontro importante com um dos principais personagens da mitologia grega, o titã Prometeu, punido por Zeus por ter levado o fogo aos homens. O diálogo entre os dois desventurados é uma das mais belas cenas daquela que talvez seja a tragédia mais famosa de Ésquilo, Prometeu Acorrentado. Leia essa cena com seus alunos (o texto da peça encontra-se disponível na íntegra na página: www.scribd.com/doc/7298950/esquilo-prometeu-acorrentado), procurando analisá-la e ajudá-los na dificuldade com o vocabulário sem, contudo, perder o ritmo e a tensão dramática da cena. 6. Peça aos alunos que, em duplas, escolham uma passagem de uma das histórias do livro e escrevam uma cena de teatro em que dois personagens dialoguem, inspirando-se livremente na cena de Prometeu Acorrentado. 9 Nas telas do cinema Uma das mais saborosas narrativas deste livro fala sobre o poder de encantamento da música da lira de Apolo e da flauta de Pã. Ora, uma das mais belas histórias da mitologia grega é a de um músico excepcional, homem, e não deus, cujas melodias enterneciam mortais e imortais: Orfeu, conhecido pelo seu trágico amor pela ninfa Eurídice. No filme Orfeu Negro, ou Orfeu no Carnaval, dirigido por Marcel Camus, a história mitológica é transportada para o carnaval carioca: Orfeu é um sambista e Eurídice, uma jovem do interior perseguida por um estranho fantasiado de morte. Baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, o filme de Marcel Camus, uma coprodução franco-brasileira, foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e com a Palma de Ouro em Cannes. A maior parte das músicas é de autoria de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, numa das primeiras parcerias entre ambos. Distribuição: Continental Home Video. LEIA MAIS... 1. DO MESMO AUTOR • Contador de histórias de bolso –– África –– São Paulo, Moderna • Contador de histórias de bolso –– China –– São Paulo, Moderna • Contador de histórias de bolso –– Rússia –– São Paulo, Moderna 2. SOBRE O MESMO GÊNERO • Contos de fadas indianos –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy • O mundo dos contos e lendas da Hungria –– de Elek Benedek, São Paulo, Landy • Contos de fadas celtas –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy 3. LEITURA DE DESAFIO Depois desse primeiro contato com algumas das ricas histórias da mitologia grega, que tal aproximarmo-nos do texto de um dos primeiros autores latinos a recontar algumas dessas histórias à sua maneira? É em O asno de ouro que encontramos pela primeira vez a narrativa de Eros e Psiquê. Trata-se de uma narrativa saborosa, repleta de humor e maravilha, que conta as aventuras burlescas e fantásticas de um homem que se vê transformado em asno, em que o próprio autor, Lucius Apuleius, figura como protagonista. Nesse texto, podemos reconhecer uma das estruturas mais utilizadas pelas narrativas antigas: a da história dentro da história... A obra, publicada no Brasil pela Ediouro, atualmente encontra-se esgotada, mas pode ser encontrada na internet como e-book, na página: www.scribd. com/doc/6699630/lucio-apuleio-o-asno-de-ouro. 6/2/09 2:09:47 PM Contador de histórias de bolso Grécia Texto: Ilan Brenman Ilustrações: Fernando vilela mitológicas da Grécia antiga, repletas de arroubos dos seus passionais, caprichosos e, por isso mesmo, fascinantes deuses. Por meio dessas histórias, ele nos apresenta os muitos adultérios de Zeus, poderoso deus do Olimpo, o destrutivo ciúme de Hera, sua esposa, a alegre e doce melodia da flauta de Pã e os sons sublimes da lira de Apolo. Familiariza-nos com as imprudências do ambicioso rei Minos, que, depois de aprender, não sem sofrimento, que ouro não é tudo na vida, ainda assim acaba sendo presenteado com orelhas de burro. Adverte-nos a respeito das desgraças e dos sofrimentos que sobrevêm aos homens que se tornam objeto da paixão dos deuses: o cativeiro da princesa Io, transformada em vaca, sob a cruel vigilância do gigante Argos; os martírios da bela Psiquê, esposa de Eros, à mercê da inveja da vaidosa Afrodite; o fim trágico da ninfa Dafne, perseguida infatigavelmente pelo deus Apolo. COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA UM POUCO SOBRE O AUTOR Ilan Brenman nasceu em Kfar Saba, Israel, em 1973. Desenvolve projetos ligados à formação de leitores, assessorando ONGs, redes privadas de ensino e o poder público. Há mais de 12 anos atua como contador de histórias. Depois de anos encantando crianças e jovens, Ilan começou a registrar suas histórias em livros, continuando sua luta pela defesa das histórias num mundo repleto de imagens pasteurizadas e discursos politicamente corretos. Atualmente, cursa o doutorado na faculdade de Educação da USP. Entrar em contato com as narrativas da mitologia grega é, mais do que ler e ouvir belas e complexas histórias, aproximar-se de um imaginário que povoa algumas das mais importantes obras da cultura ocidental. Desde os poemas de Homero e as tragédias antigas até as peças de Shakespeare e os quadros de Rubens, passando por obras como a Eneida, de Virgílio, e O Asno de Ouro, de Apuleio, deuses, ninfas e heróis do panteão grego antigo povoaram a fantasia dos povos europeus do Ocidente. No período a que costumamos chamar de Renascimento, as imagens da mitologia grega reapareciam como símbolos de ideais que a sobriedade da Idade Média havia por algum tempo obscurecido: os deuses pagãos da Grécia, passionais e humanos, convidavam os europeus a celebrar com júbilo a própria humanidade. Os mitos gregos nos abrem as portas para uma outra moralidade, muito diferente da cristã, erguida sobre o binômio pecado-culpa: seus mitos são repletos de erotismo e sensualidade, de valorização do corpo e da vida, ao mesmo tempo que advertem os homens dos perigos da ambição — de nada adianta querer jogar com as Moiras, a morte atinge a todos por igual. Familiarizar-se com a mitologia grega é, portanto, tornar-se íntimo de uma simbologia vasta, que nos ajuda a compreender um pouco do que somos. PROPOSTAS DE ATIVIDADES Antes da leitura: 1. A epígrafe do livro é uma frase de Jean Pierre Vernant, um dos maiores helenistas, profundo conhecedor dos mitos e costumes da Grécia antiga. Seu livro O Universo, os deuses e os homens é uma ótima introdução à mitologia grega antiga, escrito em uma linguagem acessível aos jovens — pode ser interessante propô-lo como leitura complementar durante o trabalho com o livro de Ilan Brenman. Leia a epígrafe com seus alunos, que fala um pouco sobre a importância da palavra falada, e discuta um pouco a respeito da relação entre oralidade e literatura: qual a diferença entre ler e ouvir uma história, entre escrevê-la e contá-la em voz alta? 2. Leia com os alunos a apresentação do livro feita pelo autor, na qual ele se revela como contador de histórias. A seguir, proponha que eles entrem no site do autor: www.ilan.com.br Entrando no link “histórias”, eles poderão assistir ao próprio ator em plena atividade como contador de histórias, narrando pequenos e saborosos contos. 3. A seguir, leia com os alunos a apresentação do ilustrador Fernando Vilela e deixe que a turma folheie livremente as páginas do livro observando as imagens. Deixe que visitem o site do artista: www.fernandovilela.com.br 4. A Grécia antiga foi, durante alguns séculos, a civilização mais poderosa do mundo, com uma extensão territorial muito mais ampla do que a Grécia de nossos tempos. Proponha que os alunos realizem, também, uma pesquisa histórica a respeito da civilização grega, reunindo, se possível, mapas e imagens que ilustrem o cotidiano dos gregos nesse período. Em cada um dos livros da série Contador de histórias de bolso, Ilan Brenman reúne algumas das narrativas que costuma apresentar a seus leitores em seu trabalho de contador de histórias. Israelense naturalizado brasileiro, filho de portenhos, neto de poloneses e russos, o autor pesquisou histórias das mais diversas partes do mundo. Neste volume, ele nos presenteia com um conjunto de narrativas QUADRO-SÍNTESE Gênero: Mitos Palavras-chave: Mitologia, paixão, vingança, destino, imortalidade Áreas envolvidas: Língua Portuguesa, História, Artes Temas transversais: Pluralidade Cultural, Ética Público-alvo: 4o e 5o anos do Ensino Fundamental Durante a leitura: 1. Muitos dos deuses do panteão grego aparecem nas narrativas do livro, alguns como protagonistas ou coadjuvantes, outros mencionados apenas de passagem. Proponha aos alunos que façam uma lista com os nomes dos deuses citados nas histórias. Sempre que possível, ao lado do nome de cada um, peça para especificarem o domínio que ele rege (por exemplo, Dionísio — deus do vinho; Deméter — deusa da agricultura, Hades — deus da morte). 2. Um dos principais poemas épicos já escritos inspirados na mitologia grega foi As Metamorfoses, de Ovídio, composto de várias narrativas que apresentam como tema o amor, muitas vezes personificado na figura de Eros. Lendo o livro de Ilan Brenman, não é difícil perceber o motivo do título do livro... Estimule seus alunos a procurar perceber, nos diferentes contos, de que maneira o amor aparece associado a transformações e transmutações de todo tipo. O que motivou a transformação de cada personagem? 6 7 8 RESENHA Enc Grecia.indd 2 3. Diga à turma que procure atentar para os detalhes das ilustrações de Fernando Vilela para perceber a relação entre elas e os textos. Depois da leitura: Nas tramas do texto 1. Divida a turma em pequenos grupos e peça que cada um escolha a história do livro que mais o impressionou para recontar à classe, sem o apoio do livro, com suas próprias palavras. Deixe que os alunos se utilizem dos recursos que desejarem: de objetos para criar a sonoplastia, de figurino, de bonecos etc. 2. Antes de serem registradas por escrito, as narrativas da mitologia grega foram transmitidas oralmente por séculos. Isso significa que devem ter se transformado muito no decorrer do tempo, já que cada vez que alguém conta uma história oralmente, ela é transformada. Para pensar um pouco mais sobre essa questão, seria interessante, após a apresentação das histórias, voltar ao livro: quais as diferenças entre as histórias recontadas e as histórias como estão escritas? 3. Peça aos alunos que revejam, junto a seus colegas, a lista que fizeram dos deuses que aparecem no livro procurando corrigi-la e enriquecê-la. Leve então a turma toda para a biblioteca da escola ou alguma outra biblioteca da cidade e proponha que, em pequenos grupos, com a ajuda de um dicionário de mitologia, desenhem uma árvore genealógica dos deuses gregos em que constem, além das relações de parentesco entre eles, os domínios regidos por cada deus. 4. Muitas das histórias e dos personagens que figuram nessas narrativas serviram de inspiração para o trabalho de artistas através dos tempos. Estimule a turma a pesquisar imagens que permitam visualizar os deuses e os mortais que povoam as histórias do livro. 5. A narrativa que abre o livro fala do ciúme de Hera e das desventuras de Io, que ao final da história é finalmente salva graças à astúcia de Hermes. Ora, muito sofreu a princesa antes de se salvar e, segundo um dos poetas trágicos eminentes da Grécia, Ésquilo, ela teve um encontro importante com um dos principais personagens da mitologia grega, o titã Prometeu, punido por Zeus por ter levado o fogo aos homens. O diálogo entre os dois desventurados é uma das mais belas cenas daquela que talvez seja a tragédia mais famosa de Ésquilo, Prometeu Acorrentado. Leia essa cena com seus alunos (o texto da peça encontra-se disponível na íntegra na página: www.scribd.com/doc/7298950/esquilo-prometeu-acorrentado), procurando analisá-la e ajudá-los na dificuldade com o vocabulário sem, contudo, perder o ritmo e a tensão dramática da cena. 6. Peça aos alunos que, em duplas, escolham uma passagem de uma das histórias do livro e escrevam uma cena de teatro em que dois personagens dialoguem, inspirando-se livremente na cena de Prometeu Acorrentado. 9 Nas telas do cinema Uma das mais saborosas narrativas deste livro fala sobre o poder de encantamento da música da lira de Apolo e da flauta de Pã. Ora, uma das mais belas histórias da mitologia grega é a de um músico excepcional, homem, e não deus, cujas melodias enterneciam mortais e imortais: Orfeu, conhecido pelo seu trágico amor pela ninfa Eurídice. No filme Orfeu Negro, ou Orfeu no Carnaval, dirigido por Marcel Camus, a história mitológica é transportada para o carnaval carioca: Orfeu é um sambista e Eurídice, uma jovem do interior perseguida por um estranho fantasiado de morte. Baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, o filme de Marcel Camus, uma coprodução franco-brasileira, foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e com a Palma de Ouro em Cannes. A maior parte das músicas é de autoria de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, numa das primeiras parcerias entre ambos. Distribuição: Continental Home Video. LEIA MAIS... 1. DO MESMO AUTOR • Contador de histórias de bolso –– África –– São Paulo, Moderna • Contador de histórias de bolso –– China –– São Paulo, Moderna • Contador de histórias de bolso –– Rússia –– São Paulo, Moderna 2. SOBRE O MESMO GÊNERO • Contos de fadas indianos –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy • O mundo dos contos e lendas da Hungria –– de Elek Benedek, São Paulo, Landy • Contos de fadas celtas –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy 3. LEITURA DE DESAFIO Depois desse primeiro contato com algumas das ricas histórias da mitologia grega, que tal aproximarmo-nos do texto de um dos primeiros autores latinos a recontar algumas dessas histórias à sua maneira? É em O asno de ouro que encontramos pela primeira vez a narrativa de Eros e Psiquê. Trata-se de uma narrativa saborosa, repleta de humor e maravilha, que conta as aventuras burlescas e fantásticas de um homem que se vê transformado em asno, em que o próprio autor, Lucius Apuleius, figura como protagonista. Nesse texto, podemos reconhecer uma das estruturas mais utilizadas pelas narrativas antigas: a da história dentro da história... A obra, publicada no Brasil pela Ediouro, atualmente encontra-se esgotada, mas pode ser encontrada na internet como e-book, na página: www.scribd. com/doc/6699630/lucio-apuleio-o-asno-de-ouro. 6/2/09 2:09:47 PM