[[
Ilustrações: Fernando vilela
N
Projeto de Leitura
Coordenação: Maria José Nóbrega
Elaboração: Luísa Nóbrega
Leitor fluente
uma primeira dimensão, ler pode ser entendido como de
cifrar o escrito, isto é, compreender o que letras e outros
sinais gráficos representam. Sem dúvida, boa parte das atividades
que são realizadas com as crianças nas séries iniciais do ­Ensino
Fundamental têm como finalidade desenvolver essa capacidade.
Ingenuamente, muitos pensam que, uma vez que a criança
tenha fluência para decifrar os sinais da escrita, pode ler sozinha,
pois os sentidos estariam lá, no texto, bastando colhê-los.
Por essa concepção, qualquer um que soubesse ler e conhecesse o
que as palavras significam estaria apto a dizer em que lugar estão a
andorinha e o sabiá; qual dos dois pássaros vai e volta e quem não
quer voltar. Mas será que a resposta a estas questões bastaria para
assegurar que a trova foi compreendida? Certamente não. A compreensão vai depender, também, e muito, do que o leitor já souber
sobre pássaros e amores.
Isso porque muitos dos sentidos que depreendemos ao ler
derivam de complexas operações cognitivas para produzir inferências. Lemos o que está nos intervalos entre as palavras, nas
entrelinhas, lemos, portanto, o que não está escrito. É como se
o texto apresentasse lacunas que devessem ser preenchidas pelo
trabalho do leitor.
 2 
Enc Grecia.indd 1
O assunto da trova é o relacionamento amoroso, a dor de cotove­lo
pelo abandono e, dependendo da experiência prévia que tivermos a respeito do assunto, quer seja esta vivida pessoalmente ou
“­vivida” através da ficção, diferentes emoções podem ser ativadas:
alívio por estarmos próximos de quem amamos, cumplicidade por
estarmos distantes de quem amamos, desilusão por não acreditarmos mais no amor, esperança de encontrar alguém diferente...
Quem produz ou lê um texto o faz a partir de um certo lugar,
como diz Leonardo Boff*, a partir de onde estão seus pés e do
que veem seus olhos. Os horizontes de quem escreve e os de
quem lê podem estar mais ou menos próximos. Os horizontes de
um leitor e de outro podem estar mais ou menos próximos. As
leituras produzem interpretações que produzem avaliações que
revelam posições: pode-se ou não concordar com o quadro de
valores sustentados ou sugeridos pelo texto.
Se refletirmos a respeito do último verso “meu amor não quer
voltar”, podemos indagar, legitimamente, sem nenhuma esperança de encontrar a resposta no texto: por que ele ou ela não
“quer” voltar? Repare que não é “não pode” que está escrito, é
“não quer”, isto quer dizer que poderia, mas não quer voltar. O
que teria provocado a separação? O amor acabou. Apaixonou-se
por outra ou outro? Outros projetos de vida foram mais fortes
que o amor: os estudos, a carreira, etc. O “eu” é muito possessivo
e gosta de controlar os passos dele ou dela, como controla os da
andorinha e do sabiá?
DESCRIÇÃO DO PROJETO DE LEITURA
Um pouco sobre o autor
Contextualiza-se o autor e sua obra no panorama da literatura
para crianças.
Resenha
Apresentamos uma síntese da obra para permitir que o professor,
antecipando a temática, o enredo e seu desenvolvimento, possa
considerar a pertinência da obra levando em conta as necessidades
e possibilidades de seus alunos.
Comentários sobre a obra
Procuramos evidenciar outros aspectos que vão além da trama narrativa: os temas e a perspectiva com que são abordados,
certos recursos expressivos usados pelo autor. A partir deles, o
professor poderá identificar que conteúdos das diferentes áreas
do conhecimento poderão ser explorados, que temas poderão ser
discutidos, que recursos linguísticos poderão ser explorados para
ampliar a competência leitora e escritora do aluno.
___________
* “Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.” A águia e
a galinha: uma metáfora da condição humana (37a edição, 2001), Leonardo Boff, Editora
Vozes, Petrópolis.
Propostas de atividades
a) antes da leitura
Ao ler, mobilizamos nossas experiências para compreendermos
o texto e apreciarmos os recursos estilísticos utilizados pelo autor.
Folheando o livro, numa rápida leitura preliminar, podemos antecipar muito a respeito do desenvolvimento da história.
 3 
 4 
As atividades propostas favorecem a ativação dos conhecimentos prévios necessários à compreensão do texto.
üExplicitação dos conhecimentos prévios necessários para que
os alunos compreendam o texto.
üAntecipação de conteúdos do texto a partir da observação
de indicadores como título (orientar a leitura de títulos e
subtítulos), ilustração (folhear o livro para identificar a localização, os personagens, o conflito).
üExplicitação dos conteúdos que esperam encontrar na obra
levando em conta os aspectos observados (estimular os alunos
a compartilharem o que forem observando).
b) durante a leitura
São apresentados alguns objetivos orientadores para a leitura,
focalizando aspectos que auxiliem a construção dos significados
do texto pelo leitor.
üLeitura global do texto.
üCaracterização da estrutura do texto.
üIdentificação das articulações temporais e lógicas responsáveis pela coesão textual.
c) depois da leitura
Propõem-se uma série de atividades para permitir uma melhor compreensão da obra, aprofundar o estudo e a reflexão a
respeito de conteúdos das diversas áreas curriculares, bem como
debater temas que permitam a inserção do aluno nas questões
contemporâneas.
üCompreensão global do texto a partir da reprodução oral ou
escrita do texto lido ou de respostas a questões formuladas
pelo professor em situação de leitura compartilhada.
üApreciação dos recursos expressivos mobilizados na obra.
üIdentificação dos pontos de vista sustentados pelo autor.
üExplicitação das opiniões pessoais frente a questões polêmicas.
üAmpliação do trabalho para a pesquisa de informações
complementares numa dimensão interdisciplinar ou para a
produção de outros textos ou, ainda, para produções criativas
que contemplem outras linguagens artísticas.
Leia mais...
üdo mesmo autor
üsobre o mesmo assunto
üsobre o mesmo gênero
]
Texto: Ilan Brenman
[[
Sei que a andorinha está no coqueiro,
e que o sabiá está na beira-mar.
Observo que a andorinha vai e volta,
mas não sei onde está meu amor que partiu e não quer voltar.
]
Contador de histórias de bolso
Grécia
]
“Andorinha no coqueiro,
Sabiá na beira-mar,
Andorinha vai e volta,
Meu amor não quer voltar.”
]
Maria José Nóbrega
Quem é esse que se diz “eu”? Se imaginarmos um “eu” masculino, por exemplo, poderíamos, num tom machista, sustentar que
mulher tem de ser mesmo conduzida com rédea curta, porque
senão voa; num tom mais feminista, poderíamos dizer que a mulher fez muito bem em abandonar alguém tão controlador. Está
instalada a polêmica das muitas vozes que circulam nas práticas
sociais...
Se levamos alguns anos para aprender a decifrar o escrito com
autonomia, ler na dimensão que descrevemos é uma aprendizagem que não se esgota nunca, pois para alguns textos seremos
sempre leitores iniciantes.
]
De Leitores e Asas
Se retornarmos à trova citada, descobriremos um “eu” que
associa pássaros à pessoa amada. Ele sabe o lugar em que está a
andorinha e o sabiá; observa que as andorinhas migram, “vão e
voltam”, mas diferentemente destas, seu amor foi e não voltou.
Apesar de não estar explícita, percebemos a comparação entre a andorinha e a pessoa amada: ambas partiram em um dado
momento. Apesar de também não estar explícita, percebemos
a oposição entre elas: a andorinha retorna, mas a pessoa amada “não quer voltar”. Se todos estes elementos que podem ser
deduzidos pelo trabalho do leitor estivessem explícitos, o texto
ficaria mais ou menos assim:
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Ilustrações: Fernando vilela
N
Projeto de Leitura
Coordenação: Maria José Nóbrega
Elaboração: Luísa Nóbrega
Leitor fluente
uma primeira dimensão, ler pode ser entendido como de
cifrar o escrito, isto é, compreender o que letras e outros
sinais gráficos representam. Sem dúvida, boa parte das atividades
que são realizadas com as crianças nas séries iniciais do ­Ensino
Fundamental têm como finalidade desenvolver essa capacidade.
Ingenuamente, muitos pensam que, uma vez que a criança
tenha fluência para decifrar os sinais da escrita, pode ler sozinha,
pois os sentidos estariam lá, no texto, bastando colhê-los.
Por essa concepção, qualquer um que soubesse ler e conhecesse o
que as palavras significam estaria apto a dizer em que lugar estão a
andorinha e o sabiá; qual dos dois pássaros vai e volta e quem não
quer voltar. Mas será que a resposta a estas questões bastaria para
assegurar que a trova foi compreendida? Certamente não. A compreensão vai depender, também, e muito, do que o leitor já souber
sobre pássaros e amores.
Isso porque muitos dos sentidos que depreendemos ao ler
derivam de complexas operações cognitivas para produzir inferências. Lemos o que está nos intervalos entre as palavras, nas
entrelinhas, lemos, portanto, o que não está escrito. É como se
o texto apresentasse lacunas que devessem ser preenchidas pelo
trabalho do leitor.
 2 
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O assunto da trova é o relacionamento amoroso, a dor de cotove­lo
pelo abandono e, dependendo da experiência prévia que tivermos a respeito do assunto, quer seja esta vivida pessoalmente ou
“­vivida” através da ficção, diferentes emoções podem ser ativadas:
alívio por estarmos próximos de quem amamos, cumplicidade por
estarmos distantes de quem amamos, desilusão por não acreditarmos mais no amor, esperança de encontrar alguém diferente...
Quem produz ou lê um texto o faz a partir de um certo lugar,
como diz Leonardo Boff*, a partir de onde estão seus pés e do
que veem seus olhos. Os horizontes de quem escreve e os de
quem lê podem estar mais ou menos próximos. Os horizontes de
um leitor e de outro podem estar mais ou menos próximos. As
leituras produzem interpretações que produzem avaliações que
revelam posições: pode-se ou não concordar com o quadro de
valores sustentados ou sugeridos pelo texto.
Se refletirmos a respeito do último verso “meu amor não quer
voltar”, podemos indagar, legitimamente, sem nenhuma esperança de encontrar a resposta no texto: por que ele ou ela não
“quer” voltar? Repare que não é “não pode” que está escrito, é
“não quer”, isto quer dizer que poderia, mas não quer voltar. O
que teria provocado a separação? O amor acabou. Apaixonou-se
por outra ou outro? Outros projetos de vida foram mais fortes
que o amor: os estudos, a carreira, etc. O “eu” é muito possessivo
e gosta de controlar os passos dele ou dela, como controla os da
andorinha e do sabiá?
DESCRIÇÃO DO PROJETO DE LEITURA
Um pouco sobre o autor
Contextualiza-se o autor e sua obra no panorama da literatura
para crianças.
Resenha
Apresentamos uma síntese da obra para permitir que o professor,
antecipando a temática, o enredo e seu desenvolvimento, possa
considerar a pertinência da obra levando em conta as necessidades
e possibilidades de seus alunos.
Comentários sobre a obra
Procuramos evidenciar outros aspectos que vão além da trama narrativa: os temas e a perspectiva com que são abordados,
certos recursos expressivos usados pelo autor. A partir deles, o
professor poderá identificar que conteúdos das diferentes áreas
do conhecimento poderão ser explorados, que temas poderão ser
discutidos, que recursos linguísticos poderão ser explorados para
ampliar a competência leitora e escritora do aluno.
___________
* “Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.” A águia e
a galinha: uma metáfora da condição humana (37a edição, 2001), Leonardo Boff, Editora
Vozes, Petrópolis.
Propostas de atividades
a) antes da leitura
Ao ler, mobilizamos nossas experiências para compreendermos
o texto e apreciarmos os recursos estilísticos utilizados pelo autor.
Folheando o livro, numa rápida leitura preliminar, podemos antecipar muito a respeito do desenvolvimento da história.
 3 
 4 
As atividades propostas favorecem a ativação dos conhecimentos prévios necessários à compreensão do texto.
üExplicitação dos conhecimentos prévios necessários para que
os alunos compreendam o texto.
üAntecipação de conteúdos do texto a partir da observação
de indicadores como título (orientar a leitura de títulos e
subtítulos), ilustração (folhear o livro para identificar a localização, os personagens, o conflito).
üExplicitação dos conteúdos que esperam encontrar na obra
levando em conta os aspectos observados (estimular os alunos
a compartilharem o que forem observando).
b) durante a leitura
São apresentados alguns objetivos orientadores para a leitura,
focalizando aspectos que auxiliem a construção dos significados
do texto pelo leitor.
üLeitura global do texto.
üCaracterização da estrutura do texto.
üIdentificação das articulações temporais e lógicas responsáveis pela coesão textual.
c) depois da leitura
Propõem-se uma série de atividades para permitir uma melhor compreensão da obra, aprofundar o estudo e a reflexão a
respeito de conteúdos das diversas áreas curriculares, bem como
debater temas que permitam a inserção do aluno nas questões
contemporâneas.
üCompreensão global do texto a partir da reprodução oral ou
escrita do texto lido ou de respostas a questões formuladas
pelo professor em situação de leitura compartilhada.
üApreciação dos recursos expressivos mobilizados na obra.
üIdentificação dos pontos de vista sustentados pelo autor.
üExplicitação das opiniões pessoais frente a questões polêmicas.
üAmpliação do trabalho para a pesquisa de informações
complementares numa dimensão interdisciplinar ou para a
produção de outros textos ou, ainda, para produções criativas
que contemplem outras linguagens artísticas.
Leia mais...
üdo mesmo autor
üsobre o mesmo assunto
üsobre o mesmo gênero
]
Texto: Ilan Brenman
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Sei que a andorinha está no coqueiro,
e que o sabiá está na beira-mar.
Observo que a andorinha vai e volta,
mas não sei onde está meu amor que partiu e não quer voltar.
]
Contador de histórias de bolso
Grécia
]
“Andorinha no coqueiro,
Sabiá na beira-mar,
Andorinha vai e volta,
Meu amor não quer voltar.”
]
Maria José Nóbrega
Quem é esse que se diz “eu”? Se imaginarmos um “eu” masculino, por exemplo, poderíamos, num tom machista, sustentar que
mulher tem de ser mesmo conduzida com rédea curta, porque
senão voa; num tom mais feminista, poderíamos dizer que a mulher fez muito bem em abandonar alguém tão controlador. Está
instalada a polêmica das muitas vozes que circulam nas práticas
sociais...
Se levamos alguns anos para aprender a decifrar o escrito com
autonomia, ler na dimensão que descrevemos é uma aprendizagem que não se esgota nunca, pois para alguns textos seremos
sempre leitores iniciantes.
]
De Leitores e Asas
Se retornarmos à trova citada, descobriremos um “eu” que
associa pássaros à pessoa amada. Ele sabe o lugar em que está a
andorinha e o sabiá; observa que as andorinhas migram, “vão e
voltam”, mas diferentemente destas, seu amor foi e não voltou.
Apesar de não estar explícita, percebemos a comparação entre a andorinha e a pessoa amada: ambas partiram em um dado
momento. Apesar de também não estar explícita, percebemos
a oposição entre elas: a andorinha retorna, mas a pessoa amada “não quer voltar”. Se todos estes elementos que podem ser
deduzidos pelo trabalho do leitor estivessem explícitos, o texto
ficaria mais ou menos assim:
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Ilustrações: Fernando vilela
N
Projeto de Leitura
Coordenação: Maria José Nóbrega
Elaboração: Luísa Nóbrega
Leitor fluente
uma primeira dimensão, ler pode ser entendido como de
cifrar o escrito, isto é, compreender o que letras e outros
sinais gráficos representam. Sem dúvida, boa parte das atividades
que são realizadas com as crianças nas séries iniciais do ­Ensino
Fundamental têm como finalidade desenvolver essa capacidade.
Ingenuamente, muitos pensam que, uma vez que a criança
tenha fluência para decifrar os sinais da escrita, pode ler sozinha,
pois os sentidos estariam lá, no texto, bastando colhê-los.
Por essa concepção, qualquer um que soubesse ler e conhecesse o
que as palavras significam estaria apto a dizer em que lugar estão a
andorinha e o sabiá; qual dos dois pássaros vai e volta e quem não
quer voltar. Mas será que a resposta a estas questões bastaria para
assegurar que a trova foi compreendida? Certamente não. A compreensão vai depender, também, e muito, do que o leitor já souber
sobre pássaros e amores.
Isso porque muitos dos sentidos que depreendemos ao ler
derivam de complexas operações cognitivas para produzir inferências. Lemos o que está nos intervalos entre as palavras, nas
entrelinhas, lemos, portanto, o que não está escrito. É como se
o texto apresentasse lacunas que devessem ser preenchidas pelo
trabalho do leitor.
 2 
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O assunto da trova é o relacionamento amoroso, a dor de cotove­lo
pelo abandono e, dependendo da experiência prévia que tivermos a respeito do assunto, quer seja esta vivida pessoalmente ou
“­vivida” através da ficção, diferentes emoções podem ser ativadas:
alívio por estarmos próximos de quem amamos, cumplicidade por
estarmos distantes de quem amamos, desilusão por não acreditarmos mais no amor, esperança de encontrar alguém diferente...
Quem produz ou lê um texto o faz a partir de um certo lugar,
como diz Leonardo Boff*, a partir de onde estão seus pés e do
que veem seus olhos. Os horizontes de quem escreve e os de
quem lê podem estar mais ou menos próximos. Os horizontes de
um leitor e de outro podem estar mais ou menos próximos. As
leituras produzem interpretações que produzem avaliações que
revelam posições: pode-se ou não concordar com o quadro de
valores sustentados ou sugeridos pelo texto.
Se refletirmos a respeito do último verso “meu amor não quer
voltar”, podemos indagar, legitimamente, sem nenhuma esperança de encontrar a resposta no texto: por que ele ou ela não
“quer” voltar? Repare que não é “não pode” que está escrito, é
“não quer”, isto quer dizer que poderia, mas não quer voltar. O
que teria provocado a separação? O amor acabou. Apaixonou-se
por outra ou outro? Outros projetos de vida foram mais fortes
que o amor: os estudos, a carreira, etc. O “eu” é muito possessivo
e gosta de controlar os passos dele ou dela, como controla os da
andorinha e do sabiá?
DESCRIÇÃO DO PROJETO DE LEITURA
Um pouco sobre o autor
Contextualiza-se o autor e sua obra no panorama da literatura
para crianças.
Resenha
Apresentamos uma síntese da obra para permitir que o professor,
antecipando a temática, o enredo e seu desenvolvimento, possa
considerar a pertinência da obra levando em conta as necessidades
e possibilidades de seus alunos.
Comentários sobre a obra
Procuramos evidenciar outros aspectos que vão além da trama narrativa: os temas e a perspectiva com que são abordados,
certos recursos expressivos usados pelo autor. A partir deles, o
professor poderá identificar que conteúdos das diferentes áreas
do conhecimento poderão ser explorados, que temas poderão ser
discutidos, que recursos linguísticos poderão ser explorados para
ampliar a competência leitora e escritora do aluno.
___________
* “Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.” A águia e
a galinha: uma metáfora da condição humana (37a edição, 2001), Leonardo Boff, Editora
Vozes, Petrópolis.
Propostas de atividades
a) antes da leitura
Ao ler, mobilizamos nossas experiências para compreendermos
o texto e apreciarmos os recursos estilísticos utilizados pelo autor.
Folheando o livro, numa rápida leitura preliminar, podemos antecipar muito a respeito do desenvolvimento da história.
 3 
 4 
As atividades propostas favorecem a ativação dos conhecimentos prévios necessários à compreensão do texto.
üExplicitação dos conhecimentos prévios necessários para que
os alunos compreendam o texto.
üAntecipação de conteúdos do texto a partir da observação
de indicadores como título (orientar a leitura de títulos e
subtítulos), ilustração (folhear o livro para identificar a localização, os personagens, o conflito).
üExplicitação dos conteúdos que esperam encontrar na obra
levando em conta os aspectos observados (estimular os alunos
a compartilharem o que forem observando).
b) durante a leitura
São apresentados alguns objetivos orientadores para a leitura,
focalizando aspectos que auxiliem a construção dos significados
do texto pelo leitor.
üLeitura global do texto.
üCaracterização da estrutura do texto.
üIdentificação das articulações temporais e lógicas responsáveis pela coesão textual.
c) depois da leitura
Propõem-se uma série de atividades para permitir uma melhor compreensão da obra, aprofundar o estudo e a reflexão a
respeito de conteúdos das diversas áreas curriculares, bem como
debater temas que permitam a inserção do aluno nas questões
contemporâneas.
üCompreensão global do texto a partir da reprodução oral ou
escrita do texto lido ou de respostas a questões formuladas
pelo professor em situação de leitura compartilhada.
üApreciação dos recursos expressivos mobilizados na obra.
üIdentificação dos pontos de vista sustentados pelo autor.
üExplicitação das opiniões pessoais frente a questões polêmicas.
üAmpliação do trabalho para a pesquisa de informações
complementares numa dimensão interdisciplinar ou para a
produção de outros textos ou, ainda, para produções criativas
que contemplem outras linguagens artísticas.
Leia mais...
üdo mesmo autor
üsobre o mesmo assunto
üsobre o mesmo gênero
]
Texto: Ilan Brenman
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Sei que a andorinha está no coqueiro,
e que o sabiá está na beira-mar.
Observo que a andorinha vai e volta,
mas não sei onde está meu amor que partiu e não quer voltar.
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Contador de histórias de bolso
Grécia
]
“Andorinha no coqueiro,
Sabiá na beira-mar,
Andorinha vai e volta,
Meu amor não quer voltar.”
]
Maria José Nóbrega
Quem é esse que se diz “eu”? Se imaginarmos um “eu” masculino, por exemplo, poderíamos, num tom machista, sustentar que
mulher tem de ser mesmo conduzida com rédea curta, porque
senão voa; num tom mais feminista, poderíamos dizer que a mulher fez muito bem em abandonar alguém tão controlador. Está
instalada a polêmica das muitas vozes que circulam nas práticas
sociais...
Se levamos alguns anos para aprender a decifrar o escrito com
autonomia, ler na dimensão que descrevemos é uma aprendizagem que não se esgota nunca, pois para alguns textos seremos
sempre leitores iniciantes.
]
De Leitores e Asas
Se retornarmos à trova citada, descobriremos um “eu” que
associa pássaros à pessoa amada. Ele sabe o lugar em que está a
andorinha e o sabiá; observa que as andorinhas migram, “vão e
voltam”, mas diferentemente destas, seu amor foi e não voltou.
Apesar de não estar explícita, percebemos a comparação entre a andorinha e a pessoa amada: ambas partiram em um dado
momento. Apesar de também não estar explícita, percebemos
a oposição entre elas: a andorinha retorna, mas a pessoa amada “não quer voltar”. Se todos estes elementos que podem ser
deduzidos pelo trabalho do leitor estivessem explícitos, o texto
ficaria mais ou menos assim:
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Ilustrações: Fernando vilela
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Projeto de Leitura
Coordenação: Maria José Nóbrega
Elaboração: Luísa Nóbrega
Leitor fluente
uma primeira dimensão, ler pode ser entendido como de
cifrar o escrito, isto é, compreender o que letras e outros
sinais gráficos representam. Sem dúvida, boa parte das atividades
que são realizadas com as crianças nas séries iniciais do ­Ensino
Fundamental têm como finalidade desenvolver essa capacidade.
Ingenuamente, muitos pensam que, uma vez que a criança
tenha fluência para decifrar os sinais da escrita, pode ler sozinha,
pois os sentidos estariam lá, no texto, bastando colhê-los.
Por essa concepção, qualquer um que soubesse ler e conhecesse o
que as palavras significam estaria apto a dizer em que lugar estão a
andorinha e o sabiá; qual dos dois pássaros vai e volta e quem não
quer voltar. Mas será que a resposta a estas questões bastaria para
assegurar que a trova foi compreendida? Certamente não. A compreensão vai depender, também, e muito, do que o leitor já souber
sobre pássaros e amores.
Isso porque muitos dos sentidos que depreendemos ao ler
derivam de complexas operações cognitivas para produzir inferências. Lemos o que está nos intervalos entre as palavras, nas
entrelinhas, lemos, portanto, o que não está escrito. É como se
o texto apresentasse lacunas que devessem ser preenchidas pelo
trabalho do leitor.
 2 
Enc Grecia.indd 1
O assunto da trova é o relacionamento amoroso, a dor de cotove­lo
pelo abandono e, dependendo da experiência prévia que tivermos a respeito do assunto, quer seja esta vivida pessoalmente ou
“­vivida” através da ficção, diferentes emoções podem ser ativadas:
alívio por estarmos próximos de quem amamos, cumplicidade por
estarmos distantes de quem amamos, desilusão por não acreditarmos mais no amor, esperança de encontrar alguém diferente...
Quem produz ou lê um texto o faz a partir de um certo lugar,
como diz Leonardo Boff*, a partir de onde estão seus pés e do
que veem seus olhos. Os horizontes de quem escreve e os de
quem lê podem estar mais ou menos próximos. Os horizontes de
um leitor e de outro podem estar mais ou menos próximos. As
leituras produzem interpretações que produzem avaliações que
revelam posições: pode-se ou não concordar com o quadro de
valores sustentados ou sugeridos pelo texto.
Se refletirmos a respeito do último verso “meu amor não quer
voltar”, podemos indagar, legitimamente, sem nenhuma esperança de encontrar a resposta no texto: por que ele ou ela não
“quer” voltar? Repare que não é “não pode” que está escrito, é
“não quer”, isto quer dizer que poderia, mas não quer voltar. O
que teria provocado a separação? O amor acabou. Apaixonou-se
por outra ou outro? Outros projetos de vida foram mais fortes
que o amor: os estudos, a carreira, etc. O “eu” é muito possessivo
e gosta de controlar os passos dele ou dela, como controla os da
andorinha e do sabiá?
DESCRIÇÃO DO PROJETO DE LEITURA
Um pouco sobre o autor
Contextualiza-se o autor e sua obra no panorama da literatura
para crianças.
Resenha
Apresentamos uma síntese da obra para permitir que o professor,
antecipando a temática, o enredo e seu desenvolvimento, possa
considerar a pertinência da obra levando em conta as necessidades
e possibilidades de seus alunos.
Comentários sobre a obra
Procuramos evidenciar outros aspectos que vão além da trama narrativa: os temas e a perspectiva com que são abordados,
certos recursos expressivos usados pelo autor. A partir deles, o
professor poderá identificar que conteúdos das diferentes áreas
do conhecimento poderão ser explorados, que temas poderão ser
discutidos, que recursos linguísticos poderão ser explorados para
ampliar a competência leitora e escritora do aluno.
___________
* “Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.” A águia e
a galinha: uma metáfora da condição humana (37a edição, 2001), Leonardo Boff, Editora
Vozes, Petrópolis.
Propostas de atividades
a) antes da leitura
Ao ler, mobilizamos nossas experiências para compreendermos
o texto e apreciarmos os recursos estilísticos utilizados pelo autor.
Folheando o livro, numa rápida leitura preliminar, podemos antecipar muito a respeito do desenvolvimento da história.
 3 
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As atividades propostas favorecem a ativação dos conhecimentos prévios necessários à compreensão do texto.
üExplicitação dos conhecimentos prévios necessários para que
os alunos compreendam o texto.
üAntecipação de conteúdos do texto a partir da observação
de indicadores como título (orientar a leitura de títulos e
subtítulos), ilustração (folhear o livro para identificar a localização, os personagens, o conflito).
üExplicitação dos conteúdos que esperam encontrar na obra
levando em conta os aspectos observados (estimular os alunos
a compartilharem o que forem observando).
b) durante a leitura
São apresentados alguns objetivos orientadores para a leitura,
focalizando aspectos que auxiliem a construção dos significados
do texto pelo leitor.
üLeitura global do texto.
üCaracterização da estrutura do texto.
üIdentificação das articulações temporais e lógicas responsáveis pela coesão textual.
c) depois da leitura
Propõem-se uma série de atividades para permitir uma melhor compreensão da obra, aprofundar o estudo e a reflexão a
respeito de conteúdos das diversas áreas curriculares, bem como
debater temas que permitam a inserção do aluno nas questões
contemporâneas.
üCompreensão global do texto a partir da reprodução oral ou
escrita do texto lido ou de respostas a questões formuladas
pelo professor em situação de leitura compartilhada.
üApreciação dos recursos expressivos mobilizados na obra.
üIdentificação dos pontos de vista sustentados pelo autor.
üExplicitação das opiniões pessoais frente a questões polêmicas.
üAmpliação do trabalho para a pesquisa de informações
complementares numa dimensão interdisciplinar ou para a
produção de outros textos ou, ainda, para produções criativas
que contemplem outras linguagens artísticas.
Leia mais...
üdo mesmo autor
üsobre o mesmo assunto
üsobre o mesmo gênero
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Texto: Ilan Brenman
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Sei que a andorinha está no coqueiro,
e que o sabiá está na beira-mar.
Observo que a andorinha vai e volta,
mas não sei onde está meu amor que partiu e não quer voltar.
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Contador de histórias de bolso
Grécia
]
“Andorinha no coqueiro,
Sabiá na beira-mar,
Andorinha vai e volta,
Meu amor não quer voltar.”
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Maria José Nóbrega
Quem é esse que se diz “eu”? Se imaginarmos um “eu” masculino, por exemplo, poderíamos, num tom machista, sustentar que
mulher tem de ser mesmo conduzida com rédea curta, porque
senão voa; num tom mais feminista, poderíamos dizer que a mulher fez muito bem em abandonar alguém tão controlador. Está
instalada a polêmica das muitas vozes que circulam nas práticas
sociais...
Se levamos alguns anos para aprender a decifrar o escrito com
autonomia, ler na dimensão que descrevemos é uma aprendizagem que não se esgota nunca, pois para alguns textos seremos
sempre leitores iniciantes.
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De Leitores e Asas
Se retornarmos à trova citada, descobriremos um “eu” que
associa pássaros à pessoa amada. Ele sabe o lugar em que está a
andorinha e o sabiá; observa que as andorinhas migram, “vão e
voltam”, mas diferentemente destas, seu amor foi e não voltou.
Apesar de não estar explícita, percebemos a comparação entre a andorinha e a pessoa amada: ambas partiram em um dado
momento. Apesar de também não estar explícita, percebemos
a oposição entre elas: a andorinha retorna, mas a pessoa amada “não quer voltar”. Se todos estes elementos que podem ser
deduzidos pelo trabalho do leitor estivessem explícitos, o texto
ficaria mais ou menos assim:
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[[
Ilustrações: Fernando vilela
N
Projeto de Leitura
Coordenação: Maria José Nóbrega
Elaboração: Luísa Nóbrega
Leitor fluente
uma primeira dimensão, ler pode ser entendido como de
cifrar o escrito, isto é, compreender o que letras e outros
sinais gráficos representam. Sem dúvida, boa parte das atividades
que são realizadas com as crianças nas séries iniciais do ­Ensino
Fundamental têm como finalidade desenvolver essa capacidade.
Ingenuamente, muitos pensam que, uma vez que a criança
tenha fluência para decifrar os sinais da escrita, pode ler sozinha,
pois os sentidos estariam lá, no texto, bastando colhê-los.
Por essa concepção, qualquer um que soubesse ler e conhecesse o
que as palavras significam estaria apto a dizer em que lugar estão a
andorinha e o sabiá; qual dos dois pássaros vai e volta e quem não
quer voltar. Mas será que a resposta a estas questões bastaria para
assegurar que a trova foi compreendida? Certamente não. A compreensão vai depender, também, e muito, do que o leitor já souber
sobre pássaros e amores.
Isso porque muitos dos sentidos que depreendemos ao ler
derivam de complexas operações cognitivas para produzir inferências. Lemos o que está nos intervalos entre as palavras, nas
entrelinhas, lemos, portanto, o que não está escrito. É como se
o texto apresentasse lacunas que devessem ser preenchidas pelo
trabalho do leitor.
 2 
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O assunto da trova é o relacionamento amoroso, a dor de cotove­lo
pelo abandono e, dependendo da experiência prévia que tivermos a respeito do assunto, quer seja esta vivida pessoalmente ou
“­vivida” através da ficção, diferentes emoções podem ser ativadas:
alívio por estarmos próximos de quem amamos, cumplicidade por
estarmos distantes de quem amamos, desilusão por não acreditarmos mais no amor, esperança de encontrar alguém diferente...
Quem produz ou lê um texto o faz a partir de um certo lugar,
como diz Leonardo Boff*, a partir de onde estão seus pés e do
que veem seus olhos. Os horizontes de quem escreve e os de
quem lê podem estar mais ou menos próximos. Os horizontes de
um leitor e de outro podem estar mais ou menos próximos. As
leituras produzem interpretações que produzem avaliações que
revelam posições: pode-se ou não concordar com o quadro de
valores sustentados ou sugeridos pelo texto.
Se refletirmos a respeito do último verso “meu amor não quer
voltar”, podemos indagar, legitimamente, sem nenhuma esperança de encontrar a resposta no texto: por que ele ou ela não
“quer” voltar? Repare que não é “não pode” que está escrito, é
“não quer”, isto quer dizer que poderia, mas não quer voltar. O
que teria provocado a separação? O amor acabou. Apaixonou-se
por outra ou outro? Outros projetos de vida foram mais fortes
que o amor: os estudos, a carreira, etc. O “eu” é muito possessivo
e gosta de controlar os passos dele ou dela, como controla os da
andorinha e do sabiá?
DESCRIÇÃO DO PROJETO DE LEITURA
Um pouco sobre o autor
Contextualiza-se o autor e sua obra no panorama da literatura
para crianças.
Resenha
Apresentamos uma síntese da obra para permitir que o professor,
antecipando a temática, o enredo e seu desenvolvimento, possa
considerar a pertinência da obra levando em conta as necessidades
e possibilidades de seus alunos.
Comentários sobre a obra
Procuramos evidenciar outros aspectos que vão além da trama narrativa: os temas e a perspectiva com que são abordados,
certos recursos expressivos usados pelo autor. A partir deles, o
professor poderá identificar que conteúdos das diferentes áreas
do conhecimento poderão ser explorados, que temas poderão ser
discutidos, que recursos linguísticos poderão ser explorados para
ampliar a competência leitora e escritora do aluno.
___________
* “Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.” A águia e
a galinha: uma metáfora da condição humana (37a edição, 2001), Leonardo Boff, Editora
Vozes, Petrópolis.
Propostas de atividades
a) antes da leitura
Ao ler, mobilizamos nossas experiências para compreendermos
o texto e apreciarmos os recursos estilísticos utilizados pelo autor.
Folheando o livro, numa rápida leitura preliminar, podemos antecipar muito a respeito do desenvolvimento da história.
 3 
 4 
As atividades propostas favorecem a ativação dos conhecimentos prévios necessários à compreensão do texto.
üExplicitação dos conhecimentos prévios necessários para que
os alunos compreendam o texto.
üAntecipação de conteúdos do texto a partir da observação
de indicadores como título (orientar a leitura de títulos e
subtítulos), ilustração (folhear o livro para identificar a localização, os personagens, o conflito).
üExplicitação dos conteúdos que esperam encontrar na obra
levando em conta os aspectos observados (estimular os alunos
a compartilharem o que forem observando).
b) durante a leitura
São apresentados alguns objetivos orientadores para a leitura,
focalizando aspectos que auxiliem a construção dos significados
do texto pelo leitor.
üLeitura global do texto.
üCaracterização da estrutura do texto.
üIdentificação das articulações temporais e lógicas responsáveis pela coesão textual.
c) depois da leitura
Propõem-se uma série de atividades para permitir uma melhor compreensão da obra, aprofundar o estudo e a reflexão a
respeito de conteúdos das diversas áreas curriculares, bem como
debater temas que permitam a inserção do aluno nas questões
contemporâneas.
üCompreensão global do texto a partir da reprodução oral ou
escrita do texto lido ou de respostas a questões formuladas
pelo professor em situação de leitura compartilhada.
üApreciação dos recursos expressivos mobilizados na obra.
üIdentificação dos pontos de vista sustentados pelo autor.
üExplicitação das opiniões pessoais frente a questões polêmicas.
üAmpliação do trabalho para a pesquisa de informações
complementares numa dimensão interdisciplinar ou para a
produção de outros textos ou, ainda, para produções criativas
que contemplem outras linguagens artísticas.
Leia mais...
üdo mesmo autor
üsobre o mesmo assunto
üsobre o mesmo gênero
]
Texto: Ilan Brenman
[[
Sei que a andorinha está no coqueiro,
e que o sabiá está na beira-mar.
Observo que a andorinha vai e volta,
mas não sei onde está meu amor que partiu e não quer voltar.
]
Contador de histórias de bolso
Grécia
]
“Andorinha no coqueiro,
Sabiá na beira-mar,
Andorinha vai e volta,
Meu amor não quer voltar.”
]
Maria José Nóbrega
Quem é esse que se diz “eu”? Se imaginarmos um “eu” masculino, por exemplo, poderíamos, num tom machista, sustentar que
mulher tem de ser mesmo conduzida com rédea curta, porque
senão voa; num tom mais feminista, poderíamos dizer que a mulher fez muito bem em abandonar alguém tão controlador. Está
instalada a polêmica das muitas vozes que circulam nas práticas
sociais...
Se levamos alguns anos para aprender a decifrar o escrito com
autonomia, ler na dimensão que descrevemos é uma aprendizagem que não se esgota nunca, pois para alguns textos seremos
sempre leitores iniciantes.
]
De Leitores e Asas
Se retornarmos à trova citada, descobriremos um “eu” que
associa pássaros à pessoa amada. Ele sabe o lugar em que está a
andorinha e o sabiá; observa que as andorinhas migram, “vão e
voltam”, mas diferentemente destas, seu amor foi e não voltou.
Apesar de não estar explícita, percebemos a comparação entre a andorinha e a pessoa amada: ambas partiram em um dado
momento. Apesar de também não estar explícita, percebemos
a oposição entre elas: a andorinha retorna, mas a pessoa amada “não quer voltar”. Se todos estes elementos que podem ser
deduzidos pelo trabalho do leitor estivessem explícitos, o texto
ficaria mais ou menos assim:
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6/2/09 2:09:47 PM
Contador de histórias de bolso
Grécia
Texto: Ilan Brenman
Ilustrações: Fernando vilela
mitológicas da Grécia antiga, repletas de arroubos dos seus passionais, caprichosos e, por isso mesmo, fascinantes deuses. Por meio
dessas histórias, ele nos apresenta os muitos adultérios de Zeus,
poderoso deus do Olimpo, o destrutivo ciúme de Hera, sua esposa,
a alegre e doce melodia da flauta de Pã e os sons sublimes da lira
de Apolo. Familiariza-nos com as imprudências do ambicioso rei
Minos, que, depois de aprender, não sem sofrimento, que ouro não
é tudo na vida, ainda assim acaba sendo presenteado com orelhas
de burro. Adverte-nos a respeito das desgraças e dos sofrimentos
que sobrevêm aos homens que se tornam objeto da paixão dos
deuses: o cativeiro da princesa Io, transformada em vaca, sob a cruel
vigilância do gigante Argos; os martírios da bela Psiquê, esposa de
Eros, à mercê da inveja da vaidosa Afrodite; o fim trágico da ninfa
Dafne, perseguida infatigavelmente pelo deus Apolo.
COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA
UM POUCO SOBRE O AUTOR
Ilan Brenman nasceu em Kfar Saba, Israel, em 1973. Desenvolve
projetos ligados à formação de leitores, assessorando ONGs, redes
privadas de ensino e o poder público. Há mais de 12 anos atua como
contador de histórias.
Depois de anos encantando crianças e jovens, Ilan começou a registrar suas histórias em livros, continuando sua luta pela defesa das
histórias num mundo repleto de imagens pasteurizadas e discursos
politicamente corretos. Atualmente, cursa o doutorado na faculdade
de Educação da USP.
Entrar em contato com as narrativas da mitologia grega é,
mais do que ler e ouvir belas e complexas histórias, aproximar-se de um imaginário que povoa algumas das mais importantes
obras da cultura ocidental. Desde os poemas de Homero e as
tragédias antigas até as peças de Shakespeare e os quadros de
Rubens, passando por obras como a Eneida, de Virgílio, e O Asno
de Ouro, de Apuleio, deuses, ninfas e heróis do panteão grego
antigo povoaram a fantasia dos povos europeus do Ocidente. No
período a que costumamos chamar de Renascimento, as imagens
da mitologia grega reapareciam como símbolos de ideais que a
sobriedade da Idade Média havia por algum tempo obscurecido:
os deuses pagãos da Grécia, passionais e humanos, convidavam os
europeus a celebrar com júbilo a própria humanidade. Os mitos
gregos nos abrem as portas para uma outra moralidade, muito
diferente da cristã, erguida sobre o binômio pecado-culpa: seus
mitos são repletos de erotismo e sensualidade, de valorização do
corpo e da vida, ao mesmo tempo que advertem os homens dos
perigos da ambição — de nada adianta querer jogar com as Moiras,
a morte atinge a todos por igual. Familiarizar-se com a mitologia
grega é, portanto, tornar-se íntimo de uma simbologia vasta, que
nos ajuda a compreender um pouco do que somos.
PROPOSTAS DE ATIVIDADES
Antes da leitura:
1. A epígrafe do livro é uma frase de Jean Pierre Vernant, um dos
maiores helenistas, profundo conhecedor dos mitos e costumes da
Grécia antiga. Seu livro O Universo, os deuses e os homens é uma ótima introdução à mitologia grega antiga, escrito em uma linguagem
acessível aos jovens — pode ser interessante propô-lo como leitura
complementar durante o trabalho com o livro de Ilan Brenman. Leia
a epígrafe com seus alunos, que fala um pouco sobre a importância
da palavra falada, e discuta um pouco a respeito da relação entre
oralidade e literatura: qual a diferença entre ler e ouvir uma história,
entre escrevê-la e contá-la em voz alta?
2. Leia com os alunos a apresentação do livro feita pelo autor, na
qual ele se revela como contador de histórias. A seguir, proponha que
eles entrem no site do autor: www.ilan.com.br Entrando no link “histórias”, eles poderão assistir ao próprio ator em plena atividade como
contador de histórias, narrando pequenos e saborosos contos.
3. A seguir, leia com os alunos a apresentação do ilustrador Fernando Vilela e deixe que a turma folheie livremente as páginas do
livro observando as imagens. Deixe que visitem o site do artista:
www.fernandovilela.com.br
4. A Grécia antiga foi, durante alguns séculos, a civilização mais
poderosa do mundo, com uma extensão territorial muito mais ampla
do que a Grécia de nossos tempos. Proponha que os alunos realizem,
também, uma pesquisa histórica a respeito da civilização grega,
reunindo, se possível, mapas e imagens que ilustrem o cotidiano dos
gregos nesse período.
Em cada um dos livros da série Contador de histórias de bolso,
Ilan Brenman reúne algumas das narrativas que costuma apresentar
a seus leitores em seu trabalho de contador de histórias. Israelense
naturalizado brasileiro, filho de portenhos, neto de poloneses e russos, o autor pesquisou histórias das mais diversas partes do mundo.
Neste volume, ele nos presenteia com um conjunto de narrativas
QUADRO-SÍNTESE
Gênero: Mitos
Palavras-chave: Mitologia, paixão, vingança, destino, imortalidade
Áreas envolvidas: Língua Portuguesa, História, Artes
Temas transversais: Pluralidade Cultural, Ética
Público-alvo: 4o e 5o anos do Ensino Fundamental
Durante a leitura:
1. Muitos dos deuses do panteão grego aparecem nas narrativas do
livro, alguns como protagonistas ou coadjuvantes, outros mencionados apenas de passagem. Proponha aos alunos que façam uma lista
com os nomes dos deuses citados nas histórias. Sempre que possível,
ao lado do nome de cada um, peça para especificarem o domínio que
ele rege (por exemplo, Dionísio — deus do vinho; Deméter — deusa
da agricultura, Hades — deus da morte).
2. Um dos principais poemas épicos já escritos inspirados na mitologia grega foi As Metamorfoses, de Ovídio, composto de várias
narrativas que apresentam como tema o amor, muitas vezes personificado na figura de Eros. Lendo o livro de Ilan Brenman, não é
difícil perceber o motivo do título do livro... Estimule seus alunos a
procurar perceber, nos diferentes contos, de que maneira o amor
aparece associado a transformações e transmutações de todo tipo.
O que motivou a transformação de cada personagem?
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RESENHA
Enc Grecia.indd 2
3. Diga à turma que procure atentar para os detalhes das ilustrações
de Fernando Vilela para perceber a relação entre elas e os textos.
Depois da leitura:
Nas tramas do texto
1. Divida a turma em pequenos grupos e peça que cada um escolha a história do livro que mais o impressionou para recontar à
classe, sem o apoio do livro, com suas próprias palavras. Deixe que
os alunos se utilizem dos recursos que desejarem: de objetos para
criar a sonoplastia, de figurino, de bonecos etc.
2. Antes de serem registradas por escrito, as narrativas da mitologia
grega foram transmitidas oralmente por séculos. Isso significa que
devem ter se transformado muito no decorrer do tempo, já que cada
vez que alguém conta uma história oralmente, ela é transformada.
Para pensar um pouco mais sobre essa questão, seria interessante,
após a apresentação das histórias, voltar ao livro: quais as diferenças
entre as histórias recontadas e as histórias como estão escritas?
3. Peça aos alunos que revejam, junto a seus colegas, a lista que
fizeram dos deuses que aparecem no livro procurando corrigi-la e
enriquecê-la. Leve então a turma toda para a biblioteca da escola ou
alguma outra biblioteca da cidade e proponha que, em pequenos grupos, com a ajuda de um dicionário de mitologia, desenhem uma árvore
genealógica dos deuses gregos em que constem, além das relações de
parentesco entre eles, os domínios regidos por cada deus.
4. Muitas das histórias e dos personagens que figuram nessas narrativas serviram de inspiração para o trabalho de artistas através dos
tempos. Estimule a turma a pesquisar imagens que permitam visualizar
os deuses e os mortais que povoam as histórias do livro.
5. A narrativa que abre o livro fala do ciúme de Hera e das desventuras de Io, que ao final da história é finalmente salva graças à
astúcia de Hermes. Ora, muito sofreu a princesa antes de se salvar
e, segundo um dos poetas trágicos eminentes da Grécia, Ésquilo,
ela teve um encontro importante com um dos principais personagens da mitologia grega, o titã Prometeu, punido por Zeus por ter
levado o fogo aos homens. O diálogo entre os dois desventurados
é uma das mais belas cenas daquela que talvez seja a tragédia mais
famosa de Ésquilo, Prometeu Acorrentado. Leia essa cena com seus
alunos (o texto da peça encontra-se disponível na íntegra na página:
www.scribd.com/doc/7298950/esquilo-prometeu-acorrentado), procurando analisá-la e ajudá-los na dificuldade com o vocabulário sem,
contudo, perder o ritmo e a tensão dramática da cena.
6. Peça aos alunos que, em duplas, escolham uma passagem de
uma das histórias do livro e escrevam uma cena de teatro em que
dois personagens dialoguem, inspirando-se livremente na cena de
Prometeu Acorrentado.
 9 
Nas telas do cinema
Uma das mais saborosas narrativas deste livro fala sobre o poder
de encantamento da música da lira de Apolo e da flauta de Pã. Ora,
uma das mais belas histórias da mitologia grega é a de um músico excepcional, homem, e não deus, cujas melodias enterneciam mortais e
imortais: Orfeu, conhecido pelo seu trágico amor pela ninfa Eurídice. No
filme Orfeu Negro, ou Orfeu no Carnaval, dirigido por Marcel Camus, a
história mitológica é transportada para o carnaval carioca: Orfeu é um
sambista e Eurídice, uma jovem do interior perseguida por um estranho
fantasiado de morte. Baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius
de Moraes, o filme de Marcel Camus, uma coprodução franco-brasileira,
foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e com a Palma
de Ouro em Cannes. A maior parte das músicas é de autoria de Tom
Jobim e Vinicius de Moraes, numa das primeiras parcerias entre ambos.
Distribuição: Continental Home Video.
LEIA MAIS...
1. DO MESMO AUTOR
• Contador de histórias de bolso –– África –– São Paulo, Moderna
• Contador de histórias de bolso –– China –– São Paulo, Moderna
• Contador de histórias de bolso –– Rússia –– São Paulo, Moderna
2. SOBRE O MESMO GÊNERO
• Contos de fadas indianos –– Seleção de Joseph Jacobs, São
Paulo, Landy
• O mundo dos contos e lendas da Hungria –– de Elek Benedek,
São Paulo, Landy
• Contos de fadas celtas –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy
3. LEITURA DE DESAFIO
Depois desse primeiro contato com algumas das ricas histórias
da mitologia grega, que tal aproximarmo-nos do texto de um dos
primeiros autores latinos a recontar algumas dessas histórias à sua
maneira? É em O asno de ouro que encontramos pela primeira vez
a narrativa de Eros e Psiquê. Trata-se de uma narrativa saborosa,
repleta de humor e maravilha, que conta as aventuras burlescas e
fantásticas de um homem que se vê transformado em asno, em que
o próprio autor, Lucius Apuleius, figura como protagonista. Nesse
texto, podemos reconhecer uma das estruturas mais utilizadas pelas
narrativas antigas: a da história dentro da história... A obra, publicada
no Brasil pela Ediouro, atualmente encontra-se esgotada, mas pode
ser encontrada na internet como e-book, na página: www.scribd.
com/doc/6699630/lucio-apuleio-o-asno-de-ouro.
6/2/09 2:09:47 PM
Contador de histórias de bolso
Grécia
Texto: Ilan Brenman
Ilustrações: Fernando vilela
mitológicas da Grécia antiga, repletas de arroubos dos seus passionais, caprichosos e, por isso mesmo, fascinantes deuses. Por meio
dessas histórias, ele nos apresenta os muitos adultérios de Zeus,
poderoso deus do Olimpo, o destrutivo ciúme de Hera, sua esposa,
a alegre e doce melodia da flauta de Pã e os sons sublimes da lira
de Apolo. Familiariza-nos com as imprudências do ambicioso rei
Minos, que, depois de aprender, não sem sofrimento, que ouro não
é tudo na vida, ainda assim acaba sendo presenteado com orelhas
de burro. Adverte-nos a respeito das desgraças e dos sofrimentos
que sobrevêm aos homens que se tornam objeto da paixão dos
deuses: o cativeiro da princesa Io, transformada em vaca, sob a cruel
vigilância do gigante Argos; os martírios da bela Psiquê, esposa de
Eros, à mercê da inveja da vaidosa Afrodite; o fim trágico da ninfa
Dafne, perseguida infatigavelmente pelo deus Apolo.
COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA
UM POUCO SOBRE O AUTOR
Ilan Brenman nasceu em Kfar Saba, Israel, em 1973. Desenvolve
projetos ligados à formação de leitores, assessorando ONGs, redes
privadas de ensino e o poder público. Há mais de 12 anos atua como
contador de histórias.
Depois de anos encantando crianças e jovens, Ilan começou a registrar suas histórias em livros, continuando sua luta pela defesa das
histórias num mundo repleto de imagens pasteurizadas e discursos
politicamente corretos. Atualmente, cursa o doutorado na faculdade
de Educação da USP.
Entrar em contato com as narrativas da mitologia grega é,
mais do que ler e ouvir belas e complexas histórias, aproximar-se de um imaginário que povoa algumas das mais importantes
obras da cultura ocidental. Desde os poemas de Homero e as
tragédias antigas até as peças de Shakespeare e os quadros de
Rubens, passando por obras como a Eneida, de Virgílio, e O Asno
de Ouro, de Apuleio, deuses, ninfas e heróis do panteão grego
antigo povoaram a fantasia dos povos europeus do Ocidente. No
período a que costumamos chamar de Renascimento, as imagens
da mitologia grega reapareciam como símbolos de ideais que a
sobriedade da Idade Média havia por algum tempo obscurecido:
os deuses pagãos da Grécia, passionais e humanos, convidavam os
europeus a celebrar com júbilo a própria humanidade. Os mitos
gregos nos abrem as portas para uma outra moralidade, muito
diferente da cristã, erguida sobre o binômio pecado-culpa: seus
mitos são repletos de erotismo e sensualidade, de valorização do
corpo e da vida, ao mesmo tempo que advertem os homens dos
perigos da ambição — de nada adianta querer jogar com as Moiras,
a morte atinge a todos por igual. Familiarizar-se com a mitologia
grega é, portanto, tornar-se íntimo de uma simbologia vasta, que
nos ajuda a compreender um pouco do que somos.
PROPOSTAS DE ATIVIDADES
Antes da leitura:
1. A epígrafe do livro é uma frase de Jean Pierre Vernant, um dos
maiores helenistas, profundo conhecedor dos mitos e costumes da
Grécia antiga. Seu livro O Universo, os deuses e os homens é uma ótima introdução à mitologia grega antiga, escrito em uma linguagem
acessível aos jovens — pode ser interessante propô-lo como leitura
complementar durante o trabalho com o livro de Ilan Brenman. Leia
a epígrafe com seus alunos, que fala um pouco sobre a importância
da palavra falada, e discuta um pouco a respeito da relação entre
oralidade e literatura: qual a diferença entre ler e ouvir uma história,
entre escrevê-la e contá-la em voz alta?
2. Leia com os alunos a apresentação do livro feita pelo autor, na
qual ele se revela como contador de histórias. A seguir, proponha que
eles entrem no site do autor: www.ilan.com.br Entrando no link “histórias”, eles poderão assistir ao próprio ator em plena atividade como
contador de histórias, narrando pequenos e saborosos contos.
3. A seguir, leia com os alunos a apresentação do ilustrador Fernando Vilela e deixe que a turma folheie livremente as páginas do
livro observando as imagens. Deixe que visitem o site do artista:
www.fernandovilela.com.br
4. A Grécia antiga foi, durante alguns séculos, a civilização mais
poderosa do mundo, com uma extensão territorial muito mais ampla
do que a Grécia de nossos tempos. Proponha que os alunos realizem,
também, uma pesquisa histórica a respeito da civilização grega,
reunindo, se possível, mapas e imagens que ilustrem o cotidiano dos
gregos nesse período.
Em cada um dos livros da série Contador de histórias de bolso,
Ilan Brenman reúne algumas das narrativas que costuma apresentar
a seus leitores em seu trabalho de contador de histórias. Israelense
naturalizado brasileiro, filho de portenhos, neto de poloneses e russos, o autor pesquisou histórias das mais diversas partes do mundo.
Neste volume, ele nos presenteia com um conjunto de narrativas
QUADRO-SÍNTESE
Gênero: Mitos
Palavras-chave: Mitologia, paixão, vingança, destino, imortalidade
Áreas envolvidas: Língua Portuguesa, História, Artes
Temas transversais: Pluralidade Cultural, Ética
Público-alvo: 4o e 5o anos do Ensino Fundamental
Durante a leitura:
1. Muitos dos deuses do panteão grego aparecem nas narrativas do
livro, alguns como protagonistas ou coadjuvantes, outros mencionados apenas de passagem. Proponha aos alunos que façam uma lista
com os nomes dos deuses citados nas histórias. Sempre que possível,
ao lado do nome de cada um, peça para especificarem o domínio que
ele rege (por exemplo, Dionísio — deus do vinho; Deméter — deusa
da agricultura, Hades — deus da morte).
2. Um dos principais poemas épicos já escritos inspirados na mitologia grega foi As Metamorfoses, de Ovídio, composto de várias
narrativas que apresentam como tema o amor, muitas vezes personificado na figura de Eros. Lendo o livro de Ilan Brenman, não é
difícil perceber o motivo do título do livro... Estimule seus alunos a
procurar perceber, nos diferentes contos, de que maneira o amor
aparece associado a transformações e transmutações de todo tipo.
O que motivou a transformação de cada personagem?
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RESENHA
Enc Grecia.indd 2
3. Diga à turma que procure atentar para os detalhes das ilustrações
de Fernando Vilela para perceber a relação entre elas e os textos.
Depois da leitura:
Nas tramas do texto
1. Divida a turma em pequenos grupos e peça que cada um escolha a história do livro que mais o impressionou para recontar à
classe, sem o apoio do livro, com suas próprias palavras. Deixe que
os alunos se utilizem dos recursos que desejarem: de objetos para
criar a sonoplastia, de figurino, de bonecos etc.
2. Antes de serem registradas por escrito, as narrativas da mitologia
grega foram transmitidas oralmente por séculos. Isso significa que
devem ter se transformado muito no decorrer do tempo, já que cada
vez que alguém conta uma história oralmente, ela é transformada.
Para pensar um pouco mais sobre essa questão, seria interessante,
após a apresentação das histórias, voltar ao livro: quais as diferenças
entre as histórias recontadas e as histórias como estão escritas?
3. Peça aos alunos que revejam, junto a seus colegas, a lista que
fizeram dos deuses que aparecem no livro procurando corrigi-la e
enriquecê-la. Leve então a turma toda para a biblioteca da escola ou
alguma outra biblioteca da cidade e proponha que, em pequenos grupos, com a ajuda de um dicionário de mitologia, desenhem uma árvore
genealógica dos deuses gregos em que constem, além das relações de
parentesco entre eles, os domínios regidos por cada deus.
4. Muitas das histórias e dos personagens que figuram nessas narrativas serviram de inspiração para o trabalho de artistas através dos
tempos. Estimule a turma a pesquisar imagens que permitam visualizar
os deuses e os mortais que povoam as histórias do livro.
5. A narrativa que abre o livro fala do ciúme de Hera e das desventuras de Io, que ao final da história é finalmente salva graças à
astúcia de Hermes. Ora, muito sofreu a princesa antes de se salvar
e, segundo um dos poetas trágicos eminentes da Grécia, Ésquilo,
ela teve um encontro importante com um dos principais personagens da mitologia grega, o titã Prometeu, punido por Zeus por ter
levado o fogo aos homens. O diálogo entre os dois desventurados
é uma das mais belas cenas daquela que talvez seja a tragédia mais
famosa de Ésquilo, Prometeu Acorrentado. Leia essa cena com seus
alunos (o texto da peça encontra-se disponível na íntegra na página:
www.scribd.com/doc/7298950/esquilo-prometeu-acorrentado), procurando analisá-la e ajudá-los na dificuldade com o vocabulário sem,
contudo, perder o ritmo e a tensão dramática da cena.
6. Peça aos alunos que, em duplas, escolham uma passagem de
uma das histórias do livro e escrevam uma cena de teatro em que
dois personagens dialoguem, inspirando-se livremente na cena de
Prometeu Acorrentado.
 9 
Nas telas do cinema
Uma das mais saborosas narrativas deste livro fala sobre o poder
de encantamento da música da lira de Apolo e da flauta de Pã. Ora,
uma das mais belas histórias da mitologia grega é a de um músico excepcional, homem, e não deus, cujas melodias enterneciam mortais e
imortais: Orfeu, conhecido pelo seu trágico amor pela ninfa Eurídice. No
filme Orfeu Negro, ou Orfeu no Carnaval, dirigido por Marcel Camus, a
história mitológica é transportada para o carnaval carioca: Orfeu é um
sambista e Eurídice, uma jovem do interior perseguida por um estranho
fantasiado de morte. Baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius
de Moraes, o filme de Marcel Camus, uma coprodução franco-brasileira,
foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e com a Palma
de Ouro em Cannes. A maior parte das músicas é de autoria de Tom
Jobim e Vinicius de Moraes, numa das primeiras parcerias entre ambos.
Distribuição: Continental Home Video.
LEIA MAIS...
1. DO MESMO AUTOR
• Contador de histórias de bolso –– África –– São Paulo, Moderna
• Contador de histórias de bolso –– China –– São Paulo, Moderna
• Contador de histórias de bolso –– Rússia –– São Paulo, Moderna
2. SOBRE O MESMO GÊNERO
• Contos de fadas indianos –– Seleção de Joseph Jacobs, São
Paulo, Landy
• O mundo dos contos e lendas da Hungria –– de Elek Benedek,
São Paulo, Landy
• Contos de fadas celtas –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy
3. LEITURA DE DESAFIO
Depois desse primeiro contato com algumas das ricas histórias
da mitologia grega, que tal aproximarmo-nos do texto de um dos
primeiros autores latinos a recontar algumas dessas histórias à sua
maneira? É em O asno de ouro que encontramos pela primeira vez
a narrativa de Eros e Psiquê. Trata-se de uma narrativa saborosa,
repleta de humor e maravilha, que conta as aventuras burlescas e
fantásticas de um homem que se vê transformado em asno, em que
o próprio autor, Lucius Apuleius, figura como protagonista. Nesse
texto, podemos reconhecer uma das estruturas mais utilizadas pelas
narrativas antigas: a da história dentro da história... A obra, publicada
no Brasil pela Ediouro, atualmente encontra-se esgotada, mas pode
ser encontrada na internet como e-book, na página: www.scribd.
com/doc/6699630/lucio-apuleio-o-asno-de-ouro.
6/2/09 2:09:47 PM
Contador de histórias de bolso
Grécia
Texto: Ilan Brenman
Ilustrações: Fernando vilela
mitológicas da Grécia antiga, repletas de arroubos dos seus passionais, caprichosos e, por isso mesmo, fascinantes deuses. Por meio
dessas histórias, ele nos apresenta os muitos adultérios de Zeus,
poderoso deus do Olimpo, o destrutivo ciúme de Hera, sua esposa,
a alegre e doce melodia da flauta de Pã e os sons sublimes da lira
de Apolo. Familiariza-nos com as imprudências do ambicioso rei
Minos, que, depois de aprender, não sem sofrimento, que ouro não
é tudo na vida, ainda assim acaba sendo presenteado com orelhas
de burro. Adverte-nos a respeito das desgraças e dos sofrimentos
que sobrevêm aos homens que se tornam objeto da paixão dos
deuses: o cativeiro da princesa Io, transformada em vaca, sob a cruel
vigilância do gigante Argos; os martírios da bela Psiquê, esposa de
Eros, à mercê da inveja da vaidosa Afrodite; o fim trágico da ninfa
Dafne, perseguida infatigavelmente pelo deus Apolo.
COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA
UM POUCO SOBRE O AUTOR
Ilan Brenman nasceu em Kfar Saba, Israel, em 1973. Desenvolve
projetos ligados à formação de leitores, assessorando ONGs, redes
privadas de ensino e o poder público. Há mais de 12 anos atua como
contador de histórias.
Depois de anos encantando crianças e jovens, Ilan começou a registrar suas histórias em livros, continuando sua luta pela defesa das
histórias num mundo repleto de imagens pasteurizadas e discursos
politicamente corretos. Atualmente, cursa o doutorado na faculdade
de Educação da USP.
Entrar em contato com as narrativas da mitologia grega é,
mais do que ler e ouvir belas e complexas histórias, aproximar-se de um imaginário que povoa algumas das mais importantes
obras da cultura ocidental. Desde os poemas de Homero e as
tragédias antigas até as peças de Shakespeare e os quadros de
Rubens, passando por obras como a Eneida, de Virgílio, e O Asno
de Ouro, de Apuleio, deuses, ninfas e heróis do panteão grego
antigo povoaram a fantasia dos povos europeus do Ocidente. No
período a que costumamos chamar de Renascimento, as imagens
da mitologia grega reapareciam como símbolos de ideais que a
sobriedade da Idade Média havia por algum tempo obscurecido:
os deuses pagãos da Grécia, passionais e humanos, convidavam os
europeus a celebrar com júbilo a própria humanidade. Os mitos
gregos nos abrem as portas para uma outra moralidade, muito
diferente da cristã, erguida sobre o binômio pecado-culpa: seus
mitos são repletos de erotismo e sensualidade, de valorização do
corpo e da vida, ao mesmo tempo que advertem os homens dos
perigos da ambição — de nada adianta querer jogar com as Moiras,
a morte atinge a todos por igual. Familiarizar-se com a mitologia
grega é, portanto, tornar-se íntimo de uma simbologia vasta, que
nos ajuda a compreender um pouco do que somos.
PROPOSTAS DE ATIVIDADES
Antes da leitura:
1. A epígrafe do livro é uma frase de Jean Pierre Vernant, um dos
maiores helenistas, profundo conhecedor dos mitos e costumes da
Grécia antiga. Seu livro O Universo, os deuses e os homens é uma ótima introdução à mitologia grega antiga, escrito em uma linguagem
acessível aos jovens — pode ser interessante propô-lo como leitura
complementar durante o trabalho com o livro de Ilan Brenman. Leia
a epígrafe com seus alunos, que fala um pouco sobre a importância
da palavra falada, e discuta um pouco a respeito da relação entre
oralidade e literatura: qual a diferença entre ler e ouvir uma história,
entre escrevê-la e contá-la em voz alta?
2. Leia com os alunos a apresentação do livro feita pelo autor, na
qual ele se revela como contador de histórias. A seguir, proponha que
eles entrem no site do autor: www.ilan.com.br Entrando no link “histórias”, eles poderão assistir ao próprio ator em plena atividade como
contador de histórias, narrando pequenos e saborosos contos.
3. A seguir, leia com os alunos a apresentação do ilustrador Fernando Vilela e deixe que a turma folheie livremente as páginas do
livro observando as imagens. Deixe que visitem o site do artista:
www.fernandovilela.com.br
4. A Grécia antiga foi, durante alguns séculos, a civilização mais
poderosa do mundo, com uma extensão territorial muito mais ampla
do que a Grécia de nossos tempos. Proponha que os alunos realizem,
também, uma pesquisa histórica a respeito da civilização grega,
reunindo, se possível, mapas e imagens que ilustrem o cotidiano dos
gregos nesse período.
Em cada um dos livros da série Contador de histórias de bolso,
Ilan Brenman reúne algumas das narrativas que costuma apresentar
a seus leitores em seu trabalho de contador de histórias. Israelense
naturalizado brasileiro, filho de portenhos, neto de poloneses e russos, o autor pesquisou histórias das mais diversas partes do mundo.
Neste volume, ele nos presenteia com um conjunto de narrativas
QUADRO-SÍNTESE
Gênero: Mitos
Palavras-chave: Mitologia, paixão, vingança, destino, imortalidade
Áreas envolvidas: Língua Portuguesa, História, Artes
Temas transversais: Pluralidade Cultural, Ética
Público-alvo: 4o e 5o anos do Ensino Fundamental
Durante a leitura:
1. Muitos dos deuses do panteão grego aparecem nas narrativas do
livro, alguns como protagonistas ou coadjuvantes, outros mencionados apenas de passagem. Proponha aos alunos que façam uma lista
com os nomes dos deuses citados nas histórias. Sempre que possível,
ao lado do nome de cada um, peça para especificarem o domínio que
ele rege (por exemplo, Dionísio — deus do vinho; Deméter — deusa
da agricultura, Hades — deus da morte).
2. Um dos principais poemas épicos já escritos inspirados na mitologia grega foi As Metamorfoses, de Ovídio, composto de várias
narrativas que apresentam como tema o amor, muitas vezes personificado na figura de Eros. Lendo o livro de Ilan Brenman, não é
difícil perceber o motivo do título do livro... Estimule seus alunos a
procurar perceber, nos diferentes contos, de que maneira o amor
aparece associado a transformações e transmutações de todo tipo.
O que motivou a transformação de cada personagem?
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 8 
RESENHA
Enc Grecia.indd 2
3. Diga à turma que procure atentar para os detalhes das ilustrações
de Fernando Vilela para perceber a relação entre elas e os textos.
Depois da leitura:
Nas tramas do texto
1. Divida a turma em pequenos grupos e peça que cada um escolha a história do livro que mais o impressionou para recontar à
classe, sem o apoio do livro, com suas próprias palavras. Deixe que
os alunos se utilizem dos recursos que desejarem: de objetos para
criar a sonoplastia, de figurino, de bonecos etc.
2. Antes de serem registradas por escrito, as narrativas da mitologia
grega foram transmitidas oralmente por séculos. Isso significa que
devem ter se transformado muito no decorrer do tempo, já que cada
vez que alguém conta uma história oralmente, ela é transformada.
Para pensar um pouco mais sobre essa questão, seria interessante,
após a apresentação das histórias, voltar ao livro: quais as diferenças
entre as histórias recontadas e as histórias como estão escritas?
3. Peça aos alunos que revejam, junto a seus colegas, a lista que
fizeram dos deuses que aparecem no livro procurando corrigi-la e
enriquecê-la. Leve então a turma toda para a biblioteca da escola ou
alguma outra biblioteca da cidade e proponha que, em pequenos grupos, com a ajuda de um dicionário de mitologia, desenhem uma árvore
genealógica dos deuses gregos em que constem, além das relações de
parentesco entre eles, os domínios regidos por cada deus.
4. Muitas das histórias e dos personagens que figuram nessas narrativas serviram de inspiração para o trabalho de artistas através dos
tempos. Estimule a turma a pesquisar imagens que permitam visualizar
os deuses e os mortais que povoam as histórias do livro.
5. A narrativa que abre o livro fala do ciúme de Hera e das desventuras de Io, que ao final da história é finalmente salva graças à
astúcia de Hermes. Ora, muito sofreu a princesa antes de se salvar
e, segundo um dos poetas trágicos eminentes da Grécia, Ésquilo,
ela teve um encontro importante com um dos principais personagens da mitologia grega, o titã Prometeu, punido por Zeus por ter
levado o fogo aos homens. O diálogo entre os dois desventurados
é uma das mais belas cenas daquela que talvez seja a tragédia mais
famosa de Ésquilo, Prometeu Acorrentado. Leia essa cena com seus
alunos (o texto da peça encontra-se disponível na íntegra na página:
www.scribd.com/doc/7298950/esquilo-prometeu-acorrentado), procurando analisá-la e ajudá-los na dificuldade com o vocabulário sem,
contudo, perder o ritmo e a tensão dramática da cena.
6. Peça aos alunos que, em duplas, escolham uma passagem de
uma das histórias do livro e escrevam uma cena de teatro em que
dois personagens dialoguem, inspirando-se livremente na cena de
Prometeu Acorrentado.
 9 
Nas telas do cinema
Uma das mais saborosas narrativas deste livro fala sobre o poder
de encantamento da música da lira de Apolo e da flauta de Pã. Ora,
uma das mais belas histórias da mitologia grega é a de um músico excepcional, homem, e não deus, cujas melodias enterneciam mortais e
imortais: Orfeu, conhecido pelo seu trágico amor pela ninfa Eurídice. No
filme Orfeu Negro, ou Orfeu no Carnaval, dirigido por Marcel Camus, a
história mitológica é transportada para o carnaval carioca: Orfeu é um
sambista e Eurídice, uma jovem do interior perseguida por um estranho
fantasiado de morte. Baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius
de Moraes, o filme de Marcel Camus, uma coprodução franco-brasileira,
foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e com a Palma
de Ouro em Cannes. A maior parte das músicas é de autoria de Tom
Jobim e Vinicius de Moraes, numa das primeiras parcerias entre ambos.
Distribuição: Continental Home Video.
LEIA MAIS...
1. DO MESMO AUTOR
• Contador de histórias de bolso –– África –– São Paulo, Moderna
• Contador de histórias de bolso –– China –– São Paulo, Moderna
• Contador de histórias de bolso –– Rússia –– São Paulo, Moderna
2. SOBRE O MESMO GÊNERO
• Contos de fadas indianos –– Seleção de Joseph Jacobs, São
Paulo, Landy
• O mundo dos contos e lendas da Hungria –– de Elek Benedek,
São Paulo, Landy
• Contos de fadas celtas –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy
3. LEITURA DE DESAFIO
Depois desse primeiro contato com algumas das ricas histórias
da mitologia grega, que tal aproximarmo-nos do texto de um dos
primeiros autores latinos a recontar algumas dessas histórias à sua
maneira? É em O asno de ouro que encontramos pela primeira vez
a narrativa de Eros e Psiquê. Trata-se de uma narrativa saborosa,
repleta de humor e maravilha, que conta as aventuras burlescas e
fantásticas de um homem que se vê transformado em asno, em que
o próprio autor, Lucius Apuleius, figura como protagonista. Nesse
texto, podemos reconhecer uma das estruturas mais utilizadas pelas
narrativas antigas: a da história dentro da história... A obra, publicada
no Brasil pela Ediouro, atualmente encontra-se esgotada, mas pode
ser encontrada na internet como e-book, na página: www.scribd.
com/doc/6699630/lucio-apuleio-o-asno-de-ouro.
6/2/09 2:09:47 PM
Contador de histórias de bolso
Grécia
Texto: Ilan Brenman
Ilustrações: Fernando vilela
mitológicas da Grécia antiga, repletas de arroubos dos seus passionais, caprichosos e, por isso mesmo, fascinantes deuses. Por meio
dessas histórias, ele nos apresenta os muitos adultérios de Zeus,
poderoso deus do Olimpo, o destrutivo ciúme de Hera, sua esposa,
a alegre e doce melodia da flauta de Pã e os sons sublimes da lira
de Apolo. Familiariza-nos com as imprudências do ambicioso rei
Minos, que, depois de aprender, não sem sofrimento, que ouro não
é tudo na vida, ainda assim acaba sendo presenteado com orelhas
de burro. Adverte-nos a respeito das desgraças e dos sofrimentos
que sobrevêm aos homens que se tornam objeto da paixão dos
deuses: o cativeiro da princesa Io, transformada em vaca, sob a cruel
vigilância do gigante Argos; os martírios da bela Psiquê, esposa de
Eros, à mercê da inveja da vaidosa Afrodite; o fim trágico da ninfa
Dafne, perseguida infatigavelmente pelo deus Apolo.
COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA
UM POUCO SOBRE O AUTOR
Ilan Brenman nasceu em Kfar Saba, Israel, em 1973. Desenvolve
projetos ligados à formação de leitores, assessorando ONGs, redes
privadas de ensino e o poder público. Há mais de 12 anos atua como
contador de histórias.
Depois de anos encantando crianças e jovens, Ilan começou a registrar suas histórias em livros, continuando sua luta pela defesa das
histórias num mundo repleto de imagens pasteurizadas e discursos
politicamente corretos. Atualmente, cursa o doutorado na faculdade
de Educação da USP.
Entrar em contato com as narrativas da mitologia grega é,
mais do que ler e ouvir belas e complexas histórias, aproximar-se de um imaginário que povoa algumas das mais importantes
obras da cultura ocidental. Desde os poemas de Homero e as
tragédias antigas até as peças de Shakespeare e os quadros de
Rubens, passando por obras como a Eneida, de Virgílio, e O Asno
de Ouro, de Apuleio, deuses, ninfas e heróis do panteão grego
antigo povoaram a fantasia dos povos europeus do Ocidente. No
período a que costumamos chamar de Renascimento, as imagens
da mitologia grega reapareciam como símbolos de ideais que a
sobriedade da Idade Média havia por algum tempo obscurecido:
os deuses pagãos da Grécia, passionais e humanos, convidavam os
europeus a celebrar com júbilo a própria humanidade. Os mitos
gregos nos abrem as portas para uma outra moralidade, muito
diferente da cristã, erguida sobre o binômio pecado-culpa: seus
mitos são repletos de erotismo e sensualidade, de valorização do
corpo e da vida, ao mesmo tempo que advertem os homens dos
perigos da ambição — de nada adianta querer jogar com as Moiras,
a morte atinge a todos por igual. Familiarizar-se com a mitologia
grega é, portanto, tornar-se íntimo de uma simbologia vasta, que
nos ajuda a compreender um pouco do que somos.
PROPOSTAS DE ATIVIDADES
Antes da leitura:
1. A epígrafe do livro é uma frase de Jean Pierre Vernant, um dos
maiores helenistas, profundo conhecedor dos mitos e costumes da
Grécia antiga. Seu livro O Universo, os deuses e os homens é uma ótima introdução à mitologia grega antiga, escrito em uma linguagem
acessível aos jovens — pode ser interessante propô-lo como leitura
complementar durante o trabalho com o livro de Ilan Brenman. Leia
a epígrafe com seus alunos, que fala um pouco sobre a importância
da palavra falada, e discuta um pouco a respeito da relação entre
oralidade e literatura: qual a diferença entre ler e ouvir uma história,
entre escrevê-la e contá-la em voz alta?
2. Leia com os alunos a apresentação do livro feita pelo autor, na
qual ele se revela como contador de histórias. A seguir, proponha que
eles entrem no site do autor: www.ilan.com.br Entrando no link “histórias”, eles poderão assistir ao próprio ator em plena atividade como
contador de histórias, narrando pequenos e saborosos contos.
3. A seguir, leia com os alunos a apresentação do ilustrador Fernando Vilela e deixe que a turma folheie livremente as páginas do
livro observando as imagens. Deixe que visitem o site do artista:
www.fernandovilela.com.br
4. A Grécia antiga foi, durante alguns séculos, a civilização mais
poderosa do mundo, com uma extensão territorial muito mais ampla
do que a Grécia de nossos tempos. Proponha que os alunos realizem,
também, uma pesquisa histórica a respeito da civilização grega,
reunindo, se possível, mapas e imagens que ilustrem o cotidiano dos
gregos nesse período.
Em cada um dos livros da série Contador de histórias de bolso,
Ilan Brenman reúne algumas das narrativas que costuma apresentar
a seus leitores em seu trabalho de contador de histórias. Israelense
naturalizado brasileiro, filho de portenhos, neto de poloneses e russos, o autor pesquisou histórias das mais diversas partes do mundo.
Neste volume, ele nos presenteia com um conjunto de narrativas
QUADRO-SÍNTESE
Gênero: Mitos
Palavras-chave: Mitologia, paixão, vingança, destino, imortalidade
Áreas envolvidas: Língua Portuguesa, História, Artes
Temas transversais: Pluralidade Cultural, Ética
Público-alvo: 4o e 5o anos do Ensino Fundamental
Durante a leitura:
1. Muitos dos deuses do panteão grego aparecem nas narrativas do
livro, alguns como protagonistas ou coadjuvantes, outros mencionados apenas de passagem. Proponha aos alunos que façam uma lista
com os nomes dos deuses citados nas histórias. Sempre que possível,
ao lado do nome de cada um, peça para especificarem o domínio que
ele rege (por exemplo, Dionísio — deus do vinho; Deméter — deusa
da agricultura, Hades — deus da morte).
2. Um dos principais poemas épicos já escritos inspirados na mitologia grega foi As Metamorfoses, de Ovídio, composto de várias
narrativas que apresentam como tema o amor, muitas vezes personificado na figura de Eros. Lendo o livro de Ilan Brenman, não é
difícil perceber o motivo do título do livro... Estimule seus alunos a
procurar perceber, nos diferentes contos, de que maneira o amor
aparece associado a transformações e transmutações de todo tipo.
O que motivou a transformação de cada personagem?
 6 
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RESENHA
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3. Diga à turma que procure atentar para os detalhes das ilustrações
de Fernando Vilela para perceber a relação entre elas e os textos.
Depois da leitura:
Nas tramas do texto
1. Divida a turma em pequenos grupos e peça que cada um escolha a história do livro que mais o impressionou para recontar à
classe, sem o apoio do livro, com suas próprias palavras. Deixe que
os alunos se utilizem dos recursos que desejarem: de objetos para
criar a sonoplastia, de figurino, de bonecos etc.
2. Antes de serem registradas por escrito, as narrativas da mitologia
grega foram transmitidas oralmente por séculos. Isso significa que
devem ter se transformado muito no decorrer do tempo, já que cada
vez que alguém conta uma história oralmente, ela é transformada.
Para pensar um pouco mais sobre essa questão, seria interessante,
após a apresentação das histórias, voltar ao livro: quais as diferenças
entre as histórias recontadas e as histórias como estão escritas?
3. Peça aos alunos que revejam, junto a seus colegas, a lista que
fizeram dos deuses que aparecem no livro procurando corrigi-la e
enriquecê-la. Leve então a turma toda para a biblioteca da escola ou
alguma outra biblioteca da cidade e proponha que, em pequenos grupos, com a ajuda de um dicionário de mitologia, desenhem uma árvore
genealógica dos deuses gregos em que constem, além das relações de
parentesco entre eles, os domínios regidos por cada deus.
4. Muitas das histórias e dos personagens que figuram nessas narrativas serviram de inspiração para o trabalho de artistas através dos
tempos. Estimule a turma a pesquisar imagens que permitam visualizar
os deuses e os mortais que povoam as histórias do livro.
5. A narrativa que abre o livro fala do ciúme de Hera e das desventuras de Io, que ao final da história é finalmente salva graças à
astúcia de Hermes. Ora, muito sofreu a princesa antes de se salvar
e, segundo um dos poetas trágicos eminentes da Grécia, Ésquilo,
ela teve um encontro importante com um dos principais personagens da mitologia grega, o titã Prometeu, punido por Zeus por ter
levado o fogo aos homens. O diálogo entre os dois desventurados
é uma das mais belas cenas daquela que talvez seja a tragédia mais
famosa de Ésquilo, Prometeu Acorrentado. Leia essa cena com seus
alunos (o texto da peça encontra-se disponível na íntegra na página:
www.scribd.com/doc/7298950/esquilo-prometeu-acorrentado), procurando analisá-la e ajudá-los na dificuldade com o vocabulário sem,
contudo, perder o ritmo e a tensão dramática da cena.
6. Peça aos alunos que, em duplas, escolham uma passagem de
uma das histórias do livro e escrevam uma cena de teatro em que
dois personagens dialoguem, inspirando-se livremente na cena de
Prometeu Acorrentado.
 9 
Nas telas do cinema
Uma das mais saborosas narrativas deste livro fala sobre o poder
de encantamento da música da lira de Apolo e da flauta de Pã. Ora,
uma das mais belas histórias da mitologia grega é a de um músico excepcional, homem, e não deus, cujas melodias enterneciam mortais e
imortais: Orfeu, conhecido pelo seu trágico amor pela ninfa Eurídice. No
filme Orfeu Negro, ou Orfeu no Carnaval, dirigido por Marcel Camus, a
história mitológica é transportada para o carnaval carioca: Orfeu é um
sambista e Eurídice, uma jovem do interior perseguida por um estranho
fantasiado de morte. Baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius
de Moraes, o filme de Marcel Camus, uma coprodução franco-brasileira,
foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e com a Palma
de Ouro em Cannes. A maior parte das músicas é de autoria de Tom
Jobim e Vinicius de Moraes, numa das primeiras parcerias entre ambos.
Distribuição: Continental Home Video.
LEIA MAIS...
1. DO MESMO AUTOR
• Contador de histórias de bolso –– África –– São Paulo, Moderna
• Contador de histórias de bolso –– China –– São Paulo, Moderna
• Contador de histórias de bolso –– Rússia –– São Paulo, Moderna
2. SOBRE O MESMO GÊNERO
• Contos de fadas indianos –– Seleção de Joseph Jacobs, São
Paulo, Landy
• O mundo dos contos e lendas da Hungria –– de Elek Benedek,
São Paulo, Landy
• Contos de fadas celtas –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy
3. LEITURA DE DESAFIO
Depois desse primeiro contato com algumas das ricas histórias
da mitologia grega, que tal aproximarmo-nos do texto de um dos
primeiros autores latinos a recontar algumas dessas histórias à sua
maneira? É em O asno de ouro que encontramos pela primeira vez
a narrativa de Eros e Psiquê. Trata-se de uma narrativa saborosa,
repleta de humor e maravilha, que conta as aventuras burlescas e
fantásticas de um homem que se vê transformado em asno, em que
o próprio autor, Lucius Apuleius, figura como protagonista. Nesse
texto, podemos reconhecer uma das estruturas mais utilizadas pelas
narrativas antigas: a da história dentro da história... A obra, publicada
no Brasil pela Ediouro, atualmente encontra-se esgotada, mas pode
ser encontrada na internet como e-book, na página: www.scribd.
com/doc/6699630/lucio-apuleio-o-asno-de-ouro.
6/2/09 2:09:47 PM
Contador de histórias de bolso
Grécia
Texto: Ilan Brenman
Ilustrações: Fernando vilela
mitológicas da Grécia antiga, repletas de arroubos dos seus passionais, caprichosos e, por isso mesmo, fascinantes deuses. Por meio
dessas histórias, ele nos apresenta os muitos adultérios de Zeus,
poderoso deus do Olimpo, o destrutivo ciúme de Hera, sua esposa,
a alegre e doce melodia da flauta de Pã e os sons sublimes da lira
de Apolo. Familiariza-nos com as imprudências do ambicioso rei
Minos, que, depois de aprender, não sem sofrimento, que ouro não
é tudo na vida, ainda assim acaba sendo presenteado com orelhas
de burro. Adverte-nos a respeito das desgraças e dos sofrimentos
que sobrevêm aos homens que se tornam objeto da paixão dos
deuses: o cativeiro da princesa Io, transformada em vaca, sob a cruel
vigilância do gigante Argos; os martírios da bela Psiquê, esposa de
Eros, à mercê da inveja da vaidosa Afrodite; o fim trágico da ninfa
Dafne, perseguida infatigavelmente pelo deus Apolo.
COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA
UM POUCO SOBRE O AUTOR
Ilan Brenman nasceu em Kfar Saba, Israel, em 1973. Desenvolve
projetos ligados à formação de leitores, assessorando ONGs, redes
privadas de ensino e o poder público. Há mais de 12 anos atua como
contador de histórias.
Depois de anos encantando crianças e jovens, Ilan começou a registrar suas histórias em livros, continuando sua luta pela defesa das
histórias num mundo repleto de imagens pasteurizadas e discursos
politicamente corretos. Atualmente, cursa o doutorado na faculdade
de Educação da USP.
Entrar em contato com as narrativas da mitologia grega é,
mais do que ler e ouvir belas e complexas histórias, aproximar-se de um imaginário que povoa algumas das mais importantes
obras da cultura ocidental. Desde os poemas de Homero e as
tragédias antigas até as peças de Shakespeare e os quadros de
Rubens, passando por obras como a Eneida, de Virgílio, e O Asno
de Ouro, de Apuleio, deuses, ninfas e heróis do panteão grego
antigo povoaram a fantasia dos povos europeus do Ocidente. No
período a que costumamos chamar de Renascimento, as imagens
da mitologia grega reapareciam como símbolos de ideais que a
sobriedade da Idade Média havia por algum tempo obscurecido:
os deuses pagãos da Grécia, passionais e humanos, convidavam os
europeus a celebrar com júbilo a própria humanidade. Os mitos
gregos nos abrem as portas para uma outra moralidade, muito
diferente da cristã, erguida sobre o binômio pecado-culpa: seus
mitos são repletos de erotismo e sensualidade, de valorização do
corpo e da vida, ao mesmo tempo que advertem os homens dos
perigos da ambição — de nada adianta querer jogar com as Moiras,
a morte atinge a todos por igual. Familiarizar-se com a mitologia
grega é, portanto, tornar-se íntimo de uma simbologia vasta, que
nos ajuda a compreender um pouco do que somos.
PROPOSTAS DE ATIVIDADES
Antes da leitura:
1. A epígrafe do livro é uma frase de Jean Pierre Vernant, um dos
maiores helenistas, profundo conhecedor dos mitos e costumes da
Grécia antiga. Seu livro O Universo, os deuses e os homens é uma ótima introdução à mitologia grega antiga, escrito em uma linguagem
acessível aos jovens — pode ser interessante propô-lo como leitura
complementar durante o trabalho com o livro de Ilan Brenman. Leia
a epígrafe com seus alunos, que fala um pouco sobre a importância
da palavra falada, e discuta um pouco a respeito da relação entre
oralidade e literatura: qual a diferença entre ler e ouvir uma história,
entre escrevê-la e contá-la em voz alta?
2. Leia com os alunos a apresentação do livro feita pelo autor, na
qual ele se revela como contador de histórias. A seguir, proponha que
eles entrem no site do autor: www.ilan.com.br Entrando no link “histórias”, eles poderão assistir ao próprio ator em plena atividade como
contador de histórias, narrando pequenos e saborosos contos.
3. A seguir, leia com os alunos a apresentação do ilustrador Fernando Vilela e deixe que a turma folheie livremente as páginas do
livro observando as imagens. Deixe que visitem o site do artista:
www.fernandovilela.com.br
4. A Grécia antiga foi, durante alguns séculos, a civilização mais
poderosa do mundo, com uma extensão territorial muito mais ampla
do que a Grécia de nossos tempos. Proponha que os alunos realizem,
também, uma pesquisa histórica a respeito da civilização grega,
reunindo, se possível, mapas e imagens que ilustrem o cotidiano dos
gregos nesse período.
Em cada um dos livros da série Contador de histórias de bolso,
Ilan Brenman reúne algumas das narrativas que costuma apresentar
a seus leitores em seu trabalho de contador de histórias. Israelense
naturalizado brasileiro, filho de portenhos, neto de poloneses e russos, o autor pesquisou histórias das mais diversas partes do mundo.
Neste volume, ele nos presenteia com um conjunto de narrativas
QUADRO-SÍNTESE
Gênero: Mitos
Palavras-chave: Mitologia, paixão, vingança, destino, imortalidade
Áreas envolvidas: Língua Portuguesa, História, Artes
Temas transversais: Pluralidade Cultural, Ética
Público-alvo: 4o e 5o anos do Ensino Fundamental
Durante a leitura:
1. Muitos dos deuses do panteão grego aparecem nas narrativas do
livro, alguns como protagonistas ou coadjuvantes, outros mencionados apenas de passagem. Proponha aos alunos que façam uma lista
com os nomes dos deuses citados nas histórias. Sempre que possível,
ao lado do nome de cada um, peça para especificarem o domínio que
ele rege (por exemplo, Dionísio — deus do vinho; Deméter — deusa
da agricultura, Hades — deus da morte).
2. Um dos principais poemas épicos já escritos inspirados na mitologia grega foi As Metamorfoses, de Ovídio, composto de várias
narrativas que apresentam como tema o amor, muitas vezes personificado na figura de Eros. Lendo o livro de Ilan Brenman, não é
difícil perceber o motivo do título do livro... Estimule seus alunos a
procurar perceber, nos diferentes contos, de que maneira o amor
aparece associado a transformações e transmutações de todo tipo.
O que motivou a transformação de cada personagem?
 6 
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RESENHA
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3. Diga à turma que procure atentar para os detalhes das ilustrações
de Fernando Vilela para perceber a relação entre elas e os textos.
Depois da leitura:
Nas tramas do texto
1. Divida a turma em pequenos grupos e peça que cada um escolha a história do livro que mais o impressionou para recontar à
classe, sem o apoio do livro, com suas próprias palavras. Deixe que
os alunos se utilizem dos recursos que desejarem: de objetos para
criar a sonoplastia, de figurino, de bonecos etc.
2. Antes de serem registradas por escrito, as narrativas da mitologia
grega foram transmitidas oralmente por séculos. Isso significa que
devem ter se transformado muito no decorrer do tempo, já que cada
vez que alguém conta uma história oralmente, ela é transformada.
Para pensar um pouco mais sobre essa questão, seria interessante,
após a apresentação das histórias, voltar ao livro: quais as diferenças
entre as histórias recontadas e as histórias como estão escritas?
3. Peça aos alunos que revejam, junto a seus colegas, a lista que
fizeram dos deuses que aparecem no livro procurando corrigi-la e
enriquecê-la. Leve então a turma toda para a biblioteca da escola ou
alguma outra biblioteca da cidade e proponha que, em pequenos grupos, com a ajuda de um dicionário de mitologia, desenhem uma árvore
genealógica dos deuses gregos em que constem, além das relações de
parentesco entre eles, os domínios regidos por cada deus.
4. Muitas das histórias e dos personagens que figuram nessas narrativas serviram de inspiração para o trabalho de artistas através dos
tempos. Estimule a turma a pesquisar imagens que permitam visualizar
os deuses e os mortais que povoam as histórias do livro.
5. A narrativa que abre o livro fala do ciúme de Hera e das desventuras de Io, que ao final da história é finalmente salva graças à
astúcia de Hermes. Ora, muito sofreu a princesa antes de se salvar
e, segundo um dos poetas trágicos eminentes da Grécia, Ésquilo,
ela teve um encontro importante com um dos principais personagens da mitologia grega, o titã Prometeu, punido por Zeus por ter
levado o fogo aos homens. O diálogo entre os dois desventurados
é uma das mais belas cenas daquela que talvez seja a tragédia mais
famosa de Ésquilo, Prometeu Acorrentado. Leia essa cena com seus
alunos (o texto da peça encontra-se disponível na íntegra na página:
www.scribd.com/doc/7298950/esquilo-prometeu-acorrentado), procurando analisá-la e ajudá-los na dificuldade com o vocabulário sem,
contudo, perder o ritmo e a tensão dramática da cena.
6. Peça aos alunos que, em duplas, escolham uma passagem de
uma das histórias do livro e escrevam uma cena de teatro em que
dois personagens dialoguem, inspirando-se livremente na cena de
Prometeu Acorrentado.
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Nas telas do cinema
Uma das mais saborosas narrativas deste livro fala sobre o poder
de encantamento da música da lira de Apolo e da flauta de Pã. Ora,
uma das mais belas histórias da mitologia grega é a de um músico excepcional, homem, e não deus, cujas melodias enterneciam mortais e
imortais: Orfeu, conhecido pelo seu trágico amor pela ninfa Eurídice. No
filme Orfeu Negro, ou Orfeu no Carnaval, dirigido por Marcel Camus, a
história mitológica é transportada para o carnaval carioca: Orfeu é um
sambista e Eurídice, uma jovem do interior perseguida por um estranho
fantasiado de morte. Baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius
de Moraes, o filme de Marcel Camus, uma coprodução franco-brasileira,
foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e com a Palma
de Ouro em Cannes. A maior parte das músicas é de autoria de Tom
Jobim e Vinicius de Moraes, numa das primeiras parcerias entre ambos.
Distribuição: Continental Home Video.
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1. DO MESMO AUTOR
• Contador de histórias de bolso –– África –– São Paulo, Moderna
• Contador de histórias de bolso –– China –– São Paulo, Moderna
• Contador de histórias de bolso –– Rússia –– São Paulo, Moderna
2. SOBRE O MESMO GÊNERO
• Contos de fadas indianos –– Seleção de Joseph Jacobs, São
Paulo, Landy
• O mundo dos contos e lendas da Hungria –– de Elek Benedek,
São Paulo, Landy
• Contos de fadas celtas –– Seleção de Joseph Jacobs, São Paulo, Landy
3. LEITURA DE DESAFIO
Depois desse primeiro contato com algumas das ricas histórias
da mitologia grega, que tal aproximarmo-nos do texto de um dos
primeiros autores latinos a recontar algumas dessas histórias à sua
maneira? É em O asno de ouro que encontramos pela primeira vez
a narrativa de Eros e Psiquê. Trata-se de uma narrativa saborosa,
repleta de humor e maravilha, que conta as aventuras burlescas e
fantásticas de um homem que se vê transformado em asno, em que
o próprio autor, Lucius Apuleius, figura como protagonista. Nesse
texto, podemos reconhecer uma das estruturas mais utilizadas pelas
narrativas antigas: a da história dentro da história... A obra, publicada
no Brasil pela Ediouro, atualmente encontra-se esgotada, mas pode
ser encontrada na internet como e-book, na página: www.scribd.
com/doc/6699630/lucio-apuleio-o-asno-de-ouro.
6/2/09 2:09:47 PM
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Contador de histórias de bolso Grécia texto: iLan Brenman