PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM E SUAS COMPETÊNCIAS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO Professional nursing and their competences at the university hospital Profesionales de enfermería y sus competencias en un hospital universitario Eliana Ofelia Llapa Rodríguez1 Jamille Nascimento Lima2 Priscilla Costa Santana3 Cristiane Franca Lisboa Góis4 RESUMO O objetivo foi mapear as competências técnicas e comportamentais presentes nos profissionais de enfermagem do Hospital Universitário de Sergipe/Brasil. Pesquisa do tipo descritiva, com delineamento de corte transversal. A amostra composta por 72 profissionais de enfermagem. Os resultados sinalizaram que a maioria das competências técnicas são frequentemente executadas pelos profissionais. Quanto às competências comportamentais, o item motivação não estava presente de forma efetiva no cotidiano de trabalho destes profissionais. A respeito dos fatores que favorecem as competências, os itens educação permanente e valorização e reconhecimento foram fatores que pouco tem favorecido o desenvolvimento dos profissionais. Com relação aos fatores que dificultam, foram mencionados a maioria dos quesitos listados no instrumento. Conclui-se que apesar de serem 1 Doutora em Enfermagem Fundamental. Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Sergipe. Endereço para correspondência: Rua Claudio Batista s/n Bairro Sanatório. CEP 49060-100 Aracaju/Sergipe/ Brasil. E-mail: [email protected] 2 Enfermeira, graduada pela Universidade Federal de Sergipe. Endereço para correspondência: Rua Desembargador José Sotero, nº472, Bairro: Treze de Julho, CEP: 49.020-110, Aracaju, SE. E-mail: [email protected] 3 Enfermeira, graduada pela Universidade Federal de Sergipe. Endereço para correspondência: Rua Porto da Folha, nº819, Bairro: Getúlio Vargas, CEP: 49.055-540, Aracaju, SE. E-mail: [email protected] 4 Doutora em Enfermagem Fundamental. Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Sergipe. Endereço para correspondência: Rua Claudio Batista s/n Bairro Sanatório. CEP 49060-100 Aracaju/Sergipe/ Brasil. E-mail: [email protected] executadas todas as competências técnicas the questions listed in the instrument. We existem fragilidades nas competências conclude that although they performed all comportamentais, situação que vem sendo the dificultada por fatores institucionais e behavioral skills, a situation that has been profissionais. hampered by institutional and professional Palavras-chaves: Educação technical weaknesses exist in factors. baseada em competências. Equipe de Key words: Competency-Based enfermagem. Administração de capital Education. humano. management ABSTRACT: RESUMEN The goal was to map the technical and El objetivo fue mapear las competencias behavioral skills present in the nursing staff técnicas y del comportamiento presentes en of the Hospital Universitario de Sergipe / profesionales de enfermería del Hospital Brazil. Descriptive research with a cross- Universitario sectional design. The sample consisted of Investigación 72 nurses and nursing technicians. The delineamiento de corte transversal. La results showed that most of the technical muestra 72 skills are often performed by professionals. profesionales de enfermería. Los resultados Regarding behavioral skills, motivation muestran item was not present effectively in the competencias técnicas son frecuentemente daily ejecutadas por los profesionales. Con work of these professionals. Nursing fue que a team. de Personnel Sergipe/Brasil. descriptiva, conformada la las mayoría con por de Regarding the factors that contribute to relación skills, items and continuing education comportamiento el ítem motivación estuvo recognition and appreciation were some presente de forma más efectiva en el factors that have favored the development cotidiano de trabajo de estos profesionales. of professionals. In relation to the factors A respecto de los factores que favorecen that make dificults were mentioned most of las competencias, competencias las el ítem del educación permanente y aprecio y reconocimiento buscam através do cuidar oferecer um fueron considerados como factores que atendimento de qualidade à população, poco han favorecido el desarrollo de tendo profesionales. A respecto de los factores prevenção, que dificultan fueron mencionados la restabelecimento e a reeducação para a mayoría de los ítems listados en el manutenção da saúde.2 instrumento. Se concluye que a pesar de todas las o objetivos tratamento, a o Com isso, institui-se o ato de cuidar como uma competência de enfermagem, realizadas existen fragilidades en las requerendo profissionais preparados para competencias comportamentales, situación assumir as funções de ensino, assistência, que gerência e pesquisa. Para tanto, esses dificultada técnicas principais ser es competencias como por factores institucionales y profesionales. profissionais necessitam de competências Palabras claves: Educación basada en específicas competencias. funções, Grupo de enfermería. Administración de personal. no bem desempenho como de adquirir suas novos conhecimentos e assim manter o olhar crítico e investigador.3 Nesse INTRODUÇÃO contexto, competências profissionais são definidas como um conjunto de conhecimentos, habilidades e As práticas de saúde antes empíricas, atitudes (CHA), que formam os três pilares foram as primeiras formas de prestação de imprescindíveis cuidados, das quais a enfermagem foi se profissional. Competência técnica são os apropriando. Assim, considera-se o ato de conhecimentos cuidar como um papel específico e competência comportamental corresponde definidor da enfermagem. Esse universo de às cuidar não deve preconizar apenas os conhecimento é o “saber”, é tudo que nos é procedimentos técnicos, como também ter ensinado, uma visão holística do ser humano, uma habilidade é o “saber fazer”, é a capacidade vez que o cuidado engloba sentimentos, de aplicar e fazer o melhor uso dos ética, moral e relações interpessoais.1 conhecimentos apreendidos e atitude é o Os profissionais de enfermagem atitudes. para e as a atuação habilidades; Acrescenta-se assimilado e e, que estruturado; “querer fazer”, ou seja, aquilo que nos leva a por em prática nossas habilidades4 Diversos autores5-9 competências técnicas e comportamentais têm desenvolvidas pelos profissionais de compartilhado o interesse pela temática enfermagem do Hospital Universitário da “competências”, em decorrência de ter Universidade Federal de Sergipe (HU/UFS), assumido lugar de destaque na gestão de e como objetivo específico identificar os pessoas. Na enfermagem essa realidade não fatores que dificultam e favorecem o é diferente, uma vez que a gestão por desempenho dessas competências. competências é uma ferramenta que favorece o gerenciamento e a integralidade das ações de enfermagem, e tem como grande desafio delinear o perfil MATERIAL E MÉTODOS de competências profissionais para melhorar a Estudo quantitativo do tipo descritivo, com articulação do trabalho da equipe e, delineamento consequentemente propiciar o alinhamento realizado no HU/UFS, instituição de médio dos propósitos organizacionais. 10 porte com 108 leitos, sendo as unidades de corte transversal, Diante disso, e compreendendo que estudadas Clínica Médica, Infectologia, a as Clínica Cirúrgica e Pediatria. Ressalta-se mudanças no mundo do trabalho, os que este estudo está vinculado ao projeto profissionais devem ser cada vez mais de qualificados e atualizados, de forma que os Nacional de Desenvolvimento Científico e investimentos realizados no capital humano Tecnológico (CNPq) intitulado “A gestão sejam revertidos para manutenção da saúde por competências e sua instalação nos e competitividade da organização.8 A serviços de enfermagem do HU/UFS”. para organização acompanhar preocupação em obter parâmetros sobre as competências dos profissionais de pesquisa cadastrado no Conselho O estudo foi aprovado pelo comitê de ética segundo protocolo no enfermagem, justifica a realização deste 6709.0.000.107-10. As unidades estudadas estudo de modo que seus resultados estavam compostas por um total de 112 possam sugerir estratégias de melhorias na profissionais, destes 100 (89,47%) eram assistência prestada. técnicos/auxiliares de enfermagem e 12 De acordo com o exposto, tem-se como objetivo geral mapear as (10,53%) enfermeiros. Para a coleta de dados foi calculada uma amostra aleatória estratificada por categoria profissional, mencionavam se os procedimentos eram para tal foi considerada uma proporção frequentes, pouco conservadora de 50%, com margem de erro executados, a de 7% e um intervalo de confiança de 95%, competências comportamentais e a terceira usada em populações de tamanho finito, relativa a possíveis fatores que favorecem e obtendo-se dificultam a execução das competências. um quantitativo de 64 técnicos/auxiliares de enfermagem e 8 enfermeiros, perfazendo 72 profissionais. Para favorecer a generalização dos frequentes segunda e não contendo as Para análise dos dados das variáveis nominais/categóricas utilizou-se a estatística descritiva. dados, a amostra estava distribuída nos turnos matutino, vespertino e noturno. Foram considerados como critérios de RESULTADOS inclusão trabalhar mais de seis meses na instituição, não estar em período de Inicialmente foi caracterizada a amostra, férias/licença e concordar em participar da ressalta-se que os pesquisa mediante assinatura do Termo de unidades já mencionadas Consentimento Livre enfermeiros assistências de nível superior e respeitando Resolução a e Esclarecido, nº196 de técnicos/auxiliares profissionais de das foram enfermagem 10/10/1996 do Conselho Nacional de assistenciais com nível de segundo grau. Saúde (CNS). Na amostra percebe que para os A coleta teve início no mês de técnicos/auxiliares o tempo que transcorreu outubro de 2011 e foi finalizada em janeiro após sua formação foi de 18 anos e o de 2012. A coleta de dado foi realizada em tempo de atuação de 6,5 anos. Para os local afastado do atendimento direto aos enfermeiros, o tempo médio transcorrido clientes e durante o turno de trabalho, após sua formação foi de 12,4 anos e de levando em consideração os horários com atuação na instituição de 9,4 anos. menor demanda. O instrumento para coleta As competências técnicas são de dados, testado previamente, foi um lista apresentadas nas tabelas 1 e 2, para tipo check list contendo três partes: a enfermeiros primeira com uma lista de procedimentos destacando que cada tabela lista os de enfermagem, na qual os profissionais e técnicos/auxiliares, procedimentos que são de competência para cada profissional no Brasil. TABELA 1. PROCEDIMENTOS DE ENFERMAGEM EXECUTADOS E NÃO EXECUTADOS DECLARADOS PELOS ENFERMEIROS DO HU/UFS NAS UNIDADES ESTUDADAS - ARACAJU, SERGIPE, BRASIL - 2011. Procedimentos Lavagem das mãos Colocação de luvas estéreis Execução de curativo Aferição dos sinais vitais: Pulso Pressão arterial Frequência respiratória Temperatura Administração de medicamentos: Intradérmica Subcutânea Intramuscular Endovenosa Oral Inserção de uma punção de acesso venoso periférico Cuidados com o acesso venoso central Gasometria Verificação de glicemia Nutrição parenteral Sondagem nasogástrica Sondagem vesical Cuidados com a traqueostomia Oxigenoterapia Nebulização Inalação Banho no leito Uso de EPIs Retirada de pontos Manuseio de material esterilização Frequentemente executado Nº 8 6 6 Pouco executado Não executado % 100,0 75,0 75,0 Nº 2 2 % 25,0 25,0 Nº - % - 5 7 4 7 62,5 87,5 50,0 87,5 3 1 4 1 37,5 12,5 50,0 12,5 - - 5 3 8 8 8 62,5 37,5 100,0 100,0 100,0 5 3 5 - 62,5 37,5 62,5 - 3 - 37,5 - 6 75,0 2 25,0 - - 1 7 3 2 4 4 8 6 5 7 8 12,5 87,5 37,5 25,0 50,0 50,0 100,0 75,0 62,5 87,5 100,0 5 1 4 6 3 5 3 2 3 1 8 - 62,5 12,5 50,0 75,0 37,5 62,5 37,5 25,0 37,5 12,5 100,0 - 2 1 1 3 1 - 25,0 12,5 12,5 37,5 12,5 - Fonte: Dados da pesquisa. Nota: Sinal convencional utilizado: - Dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento. Conforme dados da tabela 1, observa-se sondagem nasogástrica (75%), cuidados que 70,4% das competências técnicas com a traqueostomia (62,5%), e retirada de listadas são realizadas frequentemente, pontos (100%). sendo estes procedimentos básicos de Acrescenta-se ainda, o fato dos enfermeiros enfermagem. quando No entanto, foram questionados com relação à mencionados como procedimentos pouco aferição da frequência respiratória (50%) frequentes de não identificaram claramente se este medicamentos via intradérmica (62,5%) e procedimento é frequentemente executado intramuscular ou pouco executado nas unidades. (62,5%), a administração (62,5%), nutrição gasometria parenteral (50%), TABELA 2. PROCEDIMENTOS DE ENFERMAGEM EXECUTADOS E NÃO EXECUTADOS, DECLARADOS PELOS TÉCNICOS/AUXILIARES DO HU/UFS NAS UNIDADES ESTUDADAS ARACAJU, SERGIPE, BRASIL - 2011. Procedimentos Frequentemente executado Pouco executado Não executado Nº % Nº % Nº % Lavagem das mãos 64 100,0 - - - - Colocação de luvas estéreis 40 62,5 24 37,5 - - Execução de curativo 40 62,5 24 37,5 - - Pulso 64 100,0 - - - - Pressão arterial 48 75,0 16 25,0 - - Frequência respiratória 64 100,0 - - - - Temperatura 64 100,0 - - - - Aferição dos sinais vitais: Administração de medicamentos: Intradérmica 24 37,5 24 37,5 16 25,0 Subcutânea 64 100,0 - - - - Intramuscular 24 37,5 40 62,5 - - Endovenosa 64 100,0 - - - - Oral 64 100,0 - - - - Inserção de uma punção de acesso venoso periférico 64 100,0 - - - - Cuidados com o acesso venoso central 32 50,0 32 50,0 - - Verificação de glicemia 48 75,0 16 25,0 - - Cuidados com a traqueostomia - - 56 87,5 8 12,5 Oxigenoterapia 40 62,5 24 37,5 - - Nebulização 64 100,0 - - - - Inalação 56 87,5 8 12,5 - - Banho no leito 32 50,0 32 50,0 - - Uso de EPIs 56 87,5 8 12,5 - - Retirada de pontos - - 40 62,5 24 37,5 Manuseio de material esterilização 64 100,0 - - - - Fonte: Dados da pesquisa. Nota: Sinal convencional utilizado: - Dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento. A tabela 2 mostra que os (62,5%), os cuidados com a traqueostomia técnicos/auxiliares de enfermagem tiveram (87,5%) e a retirada de pontos (62,5%). um aos Vale destacar o fato dos profissionais não enfermeiros, quando questionados acerca definirem claramente se os procedimentos dos de administração de medicamentos por via posicionamento similar procedimentos executados. frequentemente os intradérmica (37,5%), cuidados com o técnicos/auxiliares referiram como pouco acesso venoso central (50%), e banho no executados leito (50%) são frequentes ou pouco medicamentos No a entanto, administração por via de intramuscular frequentes nessas unidades. TABELA 3. COMPETÊNCIAS COMPORTAMENTAIS DECLARADAS PELOS ENFERMEIROS E TÉCNICOS/AUXILIARES DE ENFERMAGEM DAS UNIDADES ESTUDADAS DO HU/UFS ARACAJU, SERGIPE, BRASIL - 2011. Competências comportamentais Enfermeiros Técnicos/auxiliares Total Nº % Nº % Nº % Efetiva comunicação 5 6,9 64 88,9 69 95,8 Trabalho em equipe 8 11,1 64 88,9 72 100,0 Motivação 4 5,6 56 77,8 60 83,4 Foco no cliente 8 11,1 64 88,9 72 100,0 Efetiva liderança 8 11,1 61 84,7 69 95,8 Iniciativa 7 9,7 64 88,9 71 98,6 Efetiva tomada de decisão 8 11,1 64 88,9 72 100,0 Capacidade resolutiva/Visão estratégica 8 11,1 64 88,9 72 100,0 Efetivo relacionamento interpessoal 8 11,1 62 86,1 70 97,2 Ética profissional 8 11,1 64 88,9 72 100,0 Assiduidade 5 6,9 64 88,9 69 95,8 Fonte: Dados da pesquisa. Na tabela 3 alerta-se acerca do item equipe, o foco no cliente, a efetiva tomada motivação ser o menos citado como de decisão, a capacidade resolutiva/visão característica presente nos profissionais. estratégica e a ética profissional, como Percebe-se que os profissionais declaram aspectos presentes no trabalho. com maior frequência o trabalho em TABELA 4. FATORES QUE FAVORECEM A EXECUÇÃO DAS COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS DECLARADAS PELOS ENFERMEIROS E TÉCNICOS/AUXILIARES DE ENFERMAGEM NAS UNIDADES ESTUDADAS DO HU/UFS - ARACAJU, SERGIPE, BRASIL - 2011. Fatores que favorecem Enfermeiros Técnicos/auxiliares Total Nº % Nº % Nº % Valorização e reconhecimento 3 4,2 40 55,6 43 59,8 Educação permanente 2 2,8 32 44,4 34 47,2 Vínculo estabelecido com os 8 11,1 64 88,9 72 100,0 colegas de trabalho Trabalho em equipe 8 11,1 64 88,9 72 100,0 Comunicação entre todos (ou efetiva) 5 6,9 64 88,9 69 95,8 Simplicidade e espírito de liderança 8 11,1 61 84,7 69 95,8 Responsabilidade do colega e da equipe 7 9,7 64 88,9 71 98,6 Bom relacionamento interpessoal 8 11,1 61 84,7 69 95,8 Amor a profissão 6 8,3 64 88,9 70 97,2 Ética 6 8,3 64 88,9 70 97,2 Ambiente harmonioso e produtivo 5 6,9 64 88,9 69 95,8 Fonte: Dados da pesquisa. Quanto aos fatores que favorecem a (59,8%) como aspectos que, na visão dos execução das competências, a tabela 4 profissionais, apresenta os quesitos educação permanente desenvolvimento das competências. pouco favorecem (47,2%) e valorização e reconhecimento TABELA 5. FATORES QUE DIFICULTAM A EXECUÇÃO DAS COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS DECLARADAS PELOS ENFERMEIROS E TÉCNICOS/AUXILIARES NAS UNIDADES ESTUDADAS DO HU/UFS - ARACAJU, SERGIPE, BRASIL - 2011. Fatores que dificultam Enfermeiros Técnicos/auxiliares Total Nº % Nº % Nº % Falta de capital humano 8 11,1 48 66,7 56 77,8 Falta de materiais e equipamentos 8 11,1 64 88,9 72 100,0 Falta de compreensão e paciência dos pacientes e familiares 8 11,1 56 77,8 64 88,9 Dificuldade relacionada à área física delimitada 8 11,1 56 77,8 64 88,9 Falta de consideração e respeito por parte da instituição 5 6,9 48 66,7 53 73,6 Muita cobrança da instituição 2 2,8 16 22,2 18 25,0 o Sobrecarga de trabalho 7 9,7 32 44,4 39 54,1 Abuso de poder/Autoridade excessiva 2 2,8 8 11,1 10 13,9 Fonte: Dados da pesquisa. Nota: Sinal convencional utilizado: - Dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento. Conforme mostra a tabela 5, todos os itens observou-se que a aferição da frequência foram que respiratória das enfermeiros como um procedimento pouco competências. Entretanto, os profissionais verificado nas unidades, apesar deste sinal destacaram: a falta de capital humano vital ser imprescindível para determinação (77,8%), a falta de recursos materiais e de padrões respiratórios e características de equipamentos de anormalidades, compreensão e paciência dos pacientes e Cheyne-Stokes, familiares (88,9%), relacionada à citados desfavorecem como o aspectos desenvolvimento (100%), área a falta foi a dificuldade hipoventilação, física delimitada apneia, 13 como pelos respiração de hiperventilação, dispneia, ortopneia e os quais indicam alterações da (88,9%), a falta de consideração e respeito função corporal. por parte da instituição (73,6%) e a A sobrecarga de trabalho (54,1%). mencionada respeito dos procedimentos declarados pelos técnicos/auxiliares de enfermagem como pouco, não executados e os não definidos claramente (tabela 2), DISCUSSÃO esses não são comumente realizados devido a dinâmica e ao perfil clínico dos Os resultados mostraram que a maioria das clientes, competências técnicas foram mencionadas Acrescenta-se que, na unidade de Pediatria, como por o banho no leito é um procedimento ambas as categorias profissionais. De fato, geralmente realizado pelo acompanhante, a estas com pouca participação do profissional. competências são procedimentos básicos e Com relação à retirada de pontos, esta essenciais do competência técnica é uma atividade afirmação, realizada no ambulatório do Hospital, frequentemente literatura cuidado.11-12 executadas menciona para o Apesar que gerenciamento desta nas unidades estudades. consequentemente as unidades ficam com pelos os casos em que o tempo de internação do formação.14 cliente coincide com o tempo de retirada. profissionais durante a sua A respeito da motivação, e em Enfim, sabe-se que a competência concordância com os resultados deste em tal contexto não se encontra ligada estudo, pesquisa realizada na UTI de um apenas à teoria (o saber) e à prática (o hospital de ensino no interior do Estado de saber-fazer), além de tudo ela implica uma São Paulo, verificou que apesar de todos construção conceitual, procedimental e profissionais de enfermagem gostarem de atitudinal (querer fazer), que fortalece as trabalhar na unidade, 45% deles sentem-se bases e convicções teóricas necessárias desmotivados.15 Resultados similar foi para a prática. Portanto cabe ao enfermeiro apresentado por outro estudo realizado na gestor nessas unidades estar preparado e mesma instituição da presente pesquisa, alerta às constantes mudanças, buscando mostrando que 60% dos profissionais estratégicas e intervenções condizentes caracterizaram-se com as demandas profissionais nos seus desmotivadas, diversos setores. 10 principais causas a sobrecarga de trabalho e Com relação às competências os questionados com foram dinâmica possíveis das unidades. mencionando Posteriormente, dos profissionais mencionou utilizá-las na trabalho equipes dentre as a falta de reconhecimento dos gestores. 16 comportamentais, nota-se que a maioria de como fatores relação facilitam motivação, efetiva competências. Como resultado, a maioria comunicação, liderança, iniciativa, efetivo considerou os itens listados como fatores relacionamento e assiduidade, apesar de que serem considerados fatores ligados à competências. No entanto, houve alguns produtividade e à qualidade no trabalho. que não concordaram com tal afirmação, Pesquisa relativa ao perfil de líder mostra destacando que são educação permanente e valorização e imprescindíveis e devem ser tidos como reconhecimento por parte da instituição, principais competências a serem adquiridas fato que chamou a atenção, uma vez que os itens acima citados facilitam os a execução itens: de ou dificultam da realização a Entretanto, o menos citado foi o item seguido a que profissionais de participação suas suas na estes deveriam ser vistos como princípios básicos para um diferencial competitivo e como dificultadores no desenvolvimento de de qualidade. suas funções a falta de capital humano Estudo realizado em um hospital- (15,5%), a sobrecarga de atividades escola do Distrito Federal constatou que (13,1%), o espaço físico insuficiente ou 18% dos fatores dificultadores para o mal localizado (2,4%), e a falta de desenvolvimento valorização do profissional (18%)17. das atividades dos enfermeiros estavam relacionados à falta Frente ao exposto, o presente estudo de valorização do trabalho e do trabalhador apresenta de enfermagem. Para estes autores a fragilidades na gestão do capital humano, desvalorização gera sendo preciso repensar e refletir acerca do compromisso, processo de trabalho dos profissionais de desinteresse, dos profissionais falta de resultados sugerem resistência a mudanças e pouco empenho enfermagem para melhorar a assistência prestada, o que desenvolvimento de suas competências desfavorece técnicas a execução de suas para que e fortalecer comportamentais, competências. Acrescenta-se que o pouco consequentemente conseguir investimento da instituição no capital almejada qualidade da assistência. a o e tão humano, por meio da educação continuada, dificulta o desenvolvimento do trabalho da equipe de enfermagem, sendo oportuno CONCLUSÃO refletir sobre esses aspectos por serem enriquecedores da prática profissional, e A análise evidenciou as competências consequentemente técnicas frequentemente executadas por da qualidade da assistência prestada. 17 Quanto aos ambas categorias profissionais, a saber: fatores que lavagem das mãos, colocação de luvas desfavorecem a execução das competências estéreis, execução de curativo, aferição do profissionais, a maioria dos participantes pulso, pressão arterial e temperatura, citou todos os itens como fatores que administração de medicamentos por vias dificultam seu desempenho, no entanto, subcutânea, endovenosa e oral, inserção de alguns foram mais pontuados (tabela 5). cateter venoso periférico, verificação de Com relação a esses fatores, estudo similar glicemia, realizado com 20 enfermeiros apresentou inalação, uso de EPIs e manuseio de oxigenoterapia, nebulização, materiais estéreis, os quais são condizentes falta de capital humano, falta de materiais e com o preconizado na literatura. Além equipamentos, falta de compreensão e destes, foram citados pelos enfermeiros paciência dos pacientes e familiares, cuidados com acesso venoso central, dificuldade sondagem vesical e banho no leito e, pelos delimitada, sobrecarga de trabalho e falta técnicos/auxiliares a aferição da frequência de consideração e respeito por parte da respiratória. instituição. Quanto à área física competências De acordo com a proposta do comportamentais, estas foram mencionadas estudo, esta é a primeira etapa do projeto como presentes por ambas categorias intitulado “A gestão por competências e profissionais, todavia o quesito motivação sua instalação nos serviços de enfermagem foi o menos mencionado, apesar de ser do HU/UFS”. Assim sendo, a presente imprescindível na gestão do cuidado. pesquisa servirá de fundamentação e Com favorecem às relacionada relação o aos fatores desempenho que subsídios para melhoria do manual de das normas e rotinas hospitalares, que competências, destaca-se que o item possibilitará a padronização dos cuidados educação permanente foi o menos citado. de enfermagem executados em serviço, A os facilitando assim não indicadores de respeito infere-se profissionais esta que para competência a implantação qualidade. de Espera-se repercute no aumento da produtividade, também que os resultados norteiem o nem como forma de aprimoramento e programa de educação continuada já geração de novos conhecimentos. Diante existente no HU/UFS de modo a aperfeiçoar de tais constatações e conhecendo a suas competências profissionais. existência de um programa de educação Sendo assim, faz-se necessário que continuada na instituição, sugere-se a os gestores reflitam sobre a necessidade de implantação de um programa de motivação investir no capital humano, valorizando os para participação efetiva dos profissionais seus talentos técnicos e comportamentais, de enfermagem. estratégia Quanto aos principais fatores que dificultam a execução de competências, foram referidos por ambos os profissionais: que pode trazer grandes benefícios para a instituição, para os profissionais e para os clientes. o que (não) há de novo”. Educ Soc. 2003 dez; 24(85):1155-77. REFERÊNCIAS 1. 2. 7. Dupas G, Pavarini SCL. “Processo de competências cuidar em enfermagem: com a palavra vantagem competitiva sustentável em enfermeiro organizações bancárias”. Revista de de uma instituição hospitalar”. 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