Cartografia da África - parte 2
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Eliane Alves da Silva
Engenheira cartógrafa, geógrafa, professora de geografia, mestre em ciências geográficas IBGE/DGC/GDI
Conselheira do CREA-RJ pelo SENGE-RJ – Coordenadora da câmara especializada de engenharia de agrimensura
Diretora – secretária da sociedade brasileira de geografia – SBG
Conselheira do clube de engenharia
Membro da sociedade brasileira de cartografia - SBC
C.e.: [email protected]
Continuação da edição 154
- República do Mali – 22 de setembro de 1960
Na data acima tornou-se independente, após a secessão do Senegal da Federação Mali, em 20 de agosto de 1960. Tornou-se
membro Autônomo da Comunidade Francesa em 24 de novembro
de 1958.
- República da Nigéria – 1º de outubro de 1960
Obteve a independência após acordo com o Reino Unido. O
Camerum Setentrional e parte do Território Tutelado administrado pela Inglaterra, votaram num plebiscito, em 11 de fevereiro de
1961, para a união com a Federação da Nigéria. A União foi efetivada em 1º de junho de 1961. Em 24 de maio de 1966, a designação de República Federal da Nigéria foi abolida. Faz parte da
Comunidade Britânica das Nações.
- República Islâmica da Mauritânia – 28 de novembro de 1960
Obteve a independência em seguida ao acordo de Paris, assinado
em 19 de outubro de 1960. Passou a fazer parte da Comunidade
Francesa em 28 de novembro de 1958.
- Serra Leoa – 27 de abril de 1961
Independência obtida de acordo com a Conferência Constitucional
de Londres, realizada de 20 de abril a 04 de maio de 1960. Pertence a Comunidade Britânica das Nações.
- República Unida da Tanzânia – 09 de setembro de 1961
Na data de 27 de abril de 1964 Tanganica e Zanzibar uniram-se
para formar um único Estado, em 29 de outubro do mesmo ano o
nome foi mudado para República Unida de Tanganica e Zanzibar
para República Unida da Tanzânia.
Tanganica adquiriu independência em 09 de dezembro de 1962,
com o término da tutela das Nações Unidas. O Reino Unido anunciou em 29 de março de 1961, que a Tanganica tornar-se-ia independente em 28 de dezembro de 1961, alterado mais tarde para
a data acima. Zanzibar tornou-se independente do Reino Unido,
em 10 de dezembro de 1963.
- República de Burundi – 1º de julho de 1962
Independência adquirida como reino, do mesmo modo que a República de Rwanda, por determinação da tutela das Nações Unidas de Ruanda-Urundi, Burundi é a mais nova designação aceita
de Urundi.
Burundi antes Estado Indígena de Urundi, em Ruanda-Urundi,
tornou-se parte do território tutelado da ONU de Ruanda-Burundi,
sob administração belga, em abril de 1949. Foi aprovada pela Assembléia Geral da ONU em dezembro de 1946. Antes de tornarse território tutelado, fez parte de um mandato belga da Liga das
Nações, que se efetivou depois da 1ª Guerra Mundial. Antes deste
conflito esta área compreendia parte da África Oriental Alemã, que
formava um triângulo junto com Tanganica e Kionga.
- República de Ruanda – 1º de julho de 1962
Sua independência ocorreu de modo semelhante a de Burundi.
Ruanda é a mais nova designação aceita de Ruanda, antigo Estado Indígena.
- República Democrática e Popular de Argélia – 05 de julho de
1962
Conseguiu sua independência com o acordo de Evian e os plebiscitos posteriores, levados a efeito na França e Argélia. Constituiu
um Governo Nacional em setembro de 1962. A Argélia, excluindo
a região do Saara, tornou-se francesa entre os anos de 1830 e
1847, durante os quais a região foi progressivamente ocupada.
- Uganda – 09 de outubro de 1962
Como resultado de uma Convenção Constitucional, realizada em
Londres, em outubro de 1961, Uganda foi programada para adquirir independência, com o estabelecimento de um Governo Federal, e a capital foi transferida de Entebe para Kampala. Pertence
a Comunidade Britânica das Nações.
- República do Quênia – 12 de dezembro de 1963
Após a dissolução da Federação Africana (Quênia, Tanganica e
Uganda), em 1963, o Quênia obteve total independência, tornando-se República um ano mais tarde. É membro da Comunidade
Britânica das Nações.
Passou a ser controlada pelo Reino Unido em 1888 através da
Companhia Britânica da África Oriental. Em 1895 foi transferida
para a Coroa, tornando-se o Protetorado Este Africano.
- República de Malawi – 06 de julho de 1964
Obteve a independência com o acordo de Londres de setembro de
1963, que estabeleceu um período de autogoverno. É membro da
Comunidade Britânica das Nações. Foi protetorado de Niassalândia, administrado pelo Reino Unido. A Niassalândia juntamente
com as Rodésias do Norte e do Sul, eram membros da Federação
da Rodésia e da Niassalândia, que vigorou entre 03 de setembro
de 1953 a 31 de dezembro de 1963.
- República de Zâmbia – 24 de outubro de 1964
ter 50 quilômetros de litoral.
Obteve a independência após o acordo de Londres de maio de
1964. É Membro da Comunidade Britânica das Nações.
A hidrografia africana é um reflexo de sua geologia e do tectonismo, com a separação do grande Continente de Gondwana, pela
Teoria da Deriva dos Continentes de Wegner (1922) os rios correm de sul para norte, ou de leste para oeste, estes com grande
sinuosidade e capacidade erosiva, após vencer inúmeras corredeiras, chegam ao mar. Os grandes rios africanos passam por
vários países, eles são:
- Gâmbia – 18 de fevereiro de 1965
Conseguiu sua independência a partir dos termos do acordo da
Conferência Constitucional de Londres de julho de 1964. Já havia
obtido o auto governo em 1963, é Membro da Comunidade Britânica das Nações.
1) Nilo – 6.500 km – Uganda, Sudão e Egito;
- República de Botsuana – 30 de outubro de 1966
2) Níger- 4.200 km – Mali, Níger, Benin e Nigéria;
A independência foi obtida pela Bechuanalândia, do Reino Unido,
sob o nome de Botsuana, em conformidade com o acordo estabelecido em Londres, de 14 a 21 de fevereiro de 1966. É Membro da
Comunidade Britânica das Nações.
3) Congo ou Zaire – 4.700 km – Congo e República Democrática
do Congo e
- Reino do Lesoto – 04 de outubro de 1966
A independência foi obtida pelo Lesoto, antes denominado Basutolândia, do Reino Unido, na Reunião em Londres de 08 a 17 de
junho de 1966.
Angola e Moçambique só conseguiram suas independências nos
anos 70, depois de revoluções sangrentas contra Portugal. Angola era a província ultramarina mais rica (café, diamantes, ferro,
petróleo) e Moçambique era considerada importante devido à sua
posição estratégica. Lutaram por Angola: o MPLA – Movimento
Popular de libertação de Angola, de linha sino-cubana de Agostinho Neto, que veio a ser Presidente e Mário Pinto de Andrade,
UPA – União dos Povos de Angola de Holden Roberto e a UNITA
– União Nacional pela Independência Total de Angola dirigida até
hoje por Jonas Savimbi. Em Moçambique surgiram a FRELIMO Frente de Libertação de Moçambique de Eduardo Mondiane, Uria
Simango, Marcelino Santos e Samora Machel, que mais tarde foi
Presidente, o outro grupo era a COREMO de Paulo Gumane. Na
Guiné Portuguesa atuava o PAIGCV – Partido Africano de Independência da Guiné e Cabo Verde orientado por Amilcar Cabral. A
Guiné – Bissau passou por uma guerra civil no final dos anos 90.
O traço retilíneo dos limites territoriais dos Países Africanos pode
ser visto em Angola, Argélia, Bostsuana, Chade, Líbia, Mali, Mauritânia, Namíbia, Níger, Quênia, República Democrática do Congo, Saara Ocidental, Somália, Tanzânia e Zâmbia. Essa partilha
irresponsável por parte dos europeus, trouxe reflexos também,
no litoral, antigo ponto estratégico de penetração do continente,
desde o tempo das feitorias portuguesas. Marrocos por exemplo,
tem limites marítimos com o Oceano Atlântico e o com o Mar Mediterrâneo, o Egito da mesma forma com o Mar Mediterrâneo e o
Mar Vermelho e a ligação entre os dois se faz pelo Canal de Suez,
a Somália tem águas territoriais com o Golfo de Áden e o Oceano
Índico e a África do Sul com os Oceanos Atlântico e Índico, tendo
por esta razão de sua posição geográfica sediado Reunião Internacional dos Países que Possuem Programas Antárticos da qual
participaram Oficiais do Comando da Aeronáutica e da Marinha
do Brasil.
Países como Sudão, Guiné, Nigéria, República dos Camarões,
República Centro-Africana, Congo, Quênia, tem pouca ou nenhuma fronteira marítima. A República Democrática do Congo, tem
cerca de 9.200 quilômetros de fronteiras terrestres e não chega a
4) Zambeze – 2.700 km – Zimbabue (ex- Rodésia), Zâmbia e
Moçambique.
Até hoje a fronteira de Burkina – Faso (que já foi denominado de
Alto Volta) contornado ao longe pelo Rio Níger, possui uma fronteira leste há cerca de 100 quilômetros do mesmo, no Brasil como
em outro lugares os rios sempre foram bons limites naturais, nos
acordos fronteiriços promovidos pelas Comissões Mistas Demarcadoras de Limites na América do Sul.
O Rio Zambeze muitos anos depois passou a figurar como fronteira, limite internacional entre Zâmbia e Zimbabue, com a sua independência em 1980. A nefasta Conferência de Berlim, produziu
14 países interioranos, a saber: Botsuana, Burkina Faso, Burundi,
Chade, Lesoto, Mali, Malawi, Níger, República Centro-Africana,
Ruanda, Suasilândia, Uganda, Zâmbia e Zimbabue, num total de
6,8 milhões de quilômetros quadrados, onde habitavam 23% da
população africana, ou seja como já foi dito 30 milhões de almas.
O quadro político ficou dividido, no que hoje são os seguintes países:
- África Equatorial Francesa: Burkina – Faso, Chade, Mali, Níger
e República Centro-Africana;
- África Inglesa – Bostuana, Lesoto, Malawi, Suazilândia, Uganda,
Ruanda, Zâmbia e Zimbabue;
- África Belga – República Democrática do Congo e Tanzânia e
- África Alemã – Togo e Namíbia.
A análise dessa partilha, trouxe em seu bojo a limitação política
e econômica dos países, alguns, são tão pequenos, verdadeiros
enclaves, que não possuem alternativas sócio-econômicas de
estabelecerem políticas públicas de desenvolvimento, tais como:
Togo, Benin, Cabo Verde, Lesoto, Gâmbia, Guiné Equatorial, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Transkei, e Cabinda pertencente
a Angola.
Na história da demarcação dos países africanos, existem antíteses, nesse emaranhado político, constituído, em verdadeira colcha
de retalhos geopolíticos, dos mais diversos tipos. Em junho de
1964, a República da África do Sul em pleno regime de exceção
do apartheid (onde a minoria branca tinha o poder e discriminava
a maioria de negros), firmou um acordo com o Malawi governo
independente negro, para que se construísse uma ferrovia de Malawi, até o porto moçambicano de Nacala, situado no Oceano Índico.
Moçambique naquela época era uma colônia de Portugal. Angola a Colônia mais rica de Portugal, só alcançou a independência depois
de uma violenta revolução e até hoje também não alcançou a almejada paz. O Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer sua
independência como nação.
Segundo o Engenheiro Geógrafo, Pesquisador do Instituto de Investigação Científica Tropical Luis Crespo de Carvalho (1990) no período de 09 a 30 de maio de 1966 aconteceu, em Lisboa, Portugal, a Reunião dos Responsáveis da Geodésia do Ultramar, que aconteceu
sobre a égide do Centro de Geografia, composta pelos seguintes Engenheiros: Farinha da Conceição (Diretor do Centro de Geografia);
Pereira Bastos (Chefe da Missão Geográfica de Angola - MGA); Sales Grade (Chefe da Missão Geográfica de Moçambique - MGM) e
Teixeira Botelho (Chefe da Missão Geográfica do Timor Leste - MGTL). Esta Reunião tinha o objetivo de uniformizar os procedimentos
geodésicos nas Colônias Portuguesas.
Esses procedimentos de um modo geral eram:
- Na Astronomia Geodésica – para as tabelas gerais de precisão de determinação da latitude, longitude e do azimute, adotava-se a
norma do Coast and Geodetic Survey dos Estados Unidos;
- Na Triangulação e Trilateração Geodésicas – projetar as malhas dos quadriláteros e figuras de ponto central fortes; evitar figuras superpostas e linhas superabundantes;
- Na Medição das Bases com telurômetros e geodímetros, eram empregadas técnicas comprovadas pelo Institut Géographique National
– IGN, da França;
- Nas Observações Azimutais, aceitava-se a relativa equivalência entre os métodos de Giros de Horizonte e de Schreiber a 16 origens
e a prevalência das observações noturnas e o critério da rejeição de desvios superiores a 2” da média.
- Nas Observações Zenitais – preconizava-se o método das recíprocas simultâneas na vizinhança do meio dia termal;
- No Nivelamento Geométrico determinou-se um novo dimensionamento estrutural, com as secções de 15 quilômetros em média e as
visadas de 50 metros no máximo;
- Na Gravimetria passou a ser recomendado o espaçamento de 4 a 10 quilômetros, e o Datum deveria estar ligado à Rede Gravimétrica
Mundial.
O Engenheiro Geógrafo (em Portugal não chamam de Engenheiro Cartógrafo, como atualmente no Brasil) João Campinos, participou
deste Grupo de Estudos e foi Membro Fundador da Junta Autônoma de Estradas de Angola, cujo Presidente era o Engenheiro Rego
Cabral. A 23 de março de 1967, o Huambo (Nova Lisboa), segundo o batismo de Vicente Ferreira comemorou o Centenário do seu
Egrégio Fundador Norton de Matos.
O Decreto – Lei de Nº 47.791, de 11 de junho de 1967, instituiu a Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, com reflexo
para as ações no Ultramar. Neste mesmo ano na Mangunja (Caala) foi projetada e construída, com o apoio da Geologia uma base de
aferição para fios de ínvar, de aproximadamente 960 metros, permitindo maior rigor na adoção da medição clássica das bases. No Cuima, foi reconhecida uma base de aferição para distanciômetros eletromagnéticos e eletroóticos (telurômetros e geodímetros), que abriu
as portas à basimetria moderna. Sobre a Estrada de Ferro de Moçâmedes, foi feito o apoio geodésico-cartográfico, na sua Variante
Norte (Serra de Chela), entre Sá Bandeira (Lubango) e Vila Arriaga (Bibala), permitindo o escoamento do minério de ferro de Cassinga.
No Cubango, ao longo da fronteira com a Namíbia, na época Sudoeste Africano, foi feito o apoio geodésico.
A Portaria de Nº 23.416, de 04 de junho de 1968, deu flexibilidade aos quadros da MGA, onde seus Engenheiros eram assim distribuídos: Triangulação e Bases (4); Astronomia (2); Nivelamento (4); Gravimetria (1) e em Lisboa (2), que junto com (8) Auxiliares e etc
perfaziam um total de 235 pessoas.
A Campanha em Angola utilizou os seguintes equipamentos:
- Na Triangulação – teodolitos T3, torres Bilby, candeeiros, lanternas, faróis e heliógrafos de várias marcas e modelos;
- Na Astronomia – Askania AP 70, cronômetros Nardin e Thraughton, cronógrafo Brillié, receptor Hallycrafters e teodolito Wild T3;
- Bases – fio invar;
- Nivelamento – níveis Wild N3 e miras Wild e
- Na Graviemtria – gravímetro Worden-Master.
O Boletim Oficial de Angola, de 03 de março de 1969 publicou o Decreto Nº 48.876, onde aprovou-se uma nova Lei Orgânica para os
Serviços Geográficos e Cadastrais de Angola e Moçambique, para agilizar os trabalhos de cartografia, fotogrametria e geodésia dentro
de uma nova política cartográfica para a região.
O Decreto Nº 463, de 08 de outubro de 1970 da Junta de Investigação do Ultramar, assinado por Silva Cunha, visava a modernização
da estrutura dos Institutos de Investigação Científica de Angola e Moçambique, inclusive na área de informática.
Em 1979, o Institut Géographique National – IGN da França realizou uma cobertura aérea no Arquipélago de Cabo Verde, na escala
de 1:15.000 na Ilha de Santiago e de 1:20.000 para o restante das Ilhas. O IGN também procedeu vôos aerofotogramétricos sobre as
cidades de Praia e do Mindelo, na escala de 1:6.000, das quais resultaram em cartas topográficas nas escalas de 1:2.000, 1:5.000 e
1:10.000, que foram confeccionadas na Projeção Universal Transversa de Mercator, com o Elipsóide Internacional de Hayford.
Com o lançamento do satélite francês de sensoriamento remoto SPOT, em 22 de fevereiro de 1986, a bordo do foguete Ariane, na base
em Kouru, na Guiana, a Cartografia Africana ganhou um novo rumo. A primeira imagem do SPOT foi uma cena colorida de Djebel
Amour, na Argélia obtida em 23 de fevereiro de 1986. Vários Países Africanos, passaram a ter uma Cartografia Espacial Informatizada
e vários convênios foram estabelecidos com o Centre National d’ Études Spatiales – CNES (1988 a,b), a saber:
- Departamento de Pesquisa da Líbia, triangulação espacial e restituição fotogramétrica de 136 cenas do SPOT, em aparelhos analíticos, para a elaboração de cartas nas escalas de 1:50.000 e 1:100.000;
- Estudo de imagens do SPOT, na avaliação de áreas propícias ao aumento de culturas de camarões na Costa Noroeste da Ilha de
Madagascar com apoio financeiro da FAO – Órgão das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, com sede em Roma, na Itália
(que possui um importante Centro de Sensoriamento Remoto, visitado pela autora abril de em 1987), e realizada pelo Institut Français
Pour l’Exploitation des Mers IFREMER;
- Estudo de imagens do SPOT de áreas geológicamente favoráveis a exploração de águas subterrâneas visando o desenvolvimento turístico e urbano da Pequena Costa de Dakar no Senegal, com a Société Nationale d’Exploitation des Explotation des Eaux du Sénégal.
Foram mapeadas com sucesso toda a rede de fraturas geológicas da região;
- Interpretação de Imagens do SPOT no inventário de uso agrícola da Região de Koundara na República da Guiné, com mapeamento na
escala de 1:100.000. Essas operações cartográficas foram patrocinadas pela Caisse Centrale de Coopération Économique - CCCE;
- Cartografia Digital de Imagens de SPOT, para classificar e avaliar os sistemas de rizicultura (plantações de arroz) às margens do Lago
Alaotra, na Ilha de Madagascar, na escala de 1:15.000;
- Gestão do perímetro agrícola sensível às inundações na Planície do Gharb, no Marrocos, a partir de imagens do SPOT, nas escalas
de 1:100.000 e 1:400.000;
- Projeto SOSPAT – Sistema de Observações Estatísticas e de Previsões Agrícolas por Sensoriamento Remoto, na Zona Saheliana do
Níger. Entende-se por Sahel a região de transição entre o Deserto do Saara e a África Tropical;
- Cartografia geológica e mineral do Cobre no Zimbabue, na Bacia do Lomagundi, com o Zimbabwe Mining Developing Corporation e
- Prospecção e avaliação de águas subterrâneas em Botsuana, com mapeamento a partir de imagens do SPOT, na escala de
1:70.000.
CARTOGRAFIA BRASILEIRA NA ÁFRICA
A Cartografia Brasileira, a Maior Cartografia Tropical do Mundo e a Maior Ex-Colônia Portuguesa até 07 de setembro de 1822, quando
o Brasil tornou-se independente, preocupa-se com a África, e com todos os Países da América do Sul. Apesar da natural proximidade
com os Países Lusófonos, o Brasil Considera-se Irmão de Todos os Africanos de todas as Línguas e Nações. Assim como , o Continente
Africano o Brasil é atravessado pelo Trópico de Câncer, Linha do Equador e Trópico de Capricórnio. O Brasil é o Maior País Afrodescendente do Mundo, em função de seu passado histórico. Em termos geológicos o Brasil também é irmão da África, o Litoral Atlântico
Brasileiro, possui a mesma forma da Costa Ocidental Atlântica Africana que formava o grande Continente de Gondwana, aspecto já
mencionado na página 18 quando a Autora trata da hidrografia africana.
O Professor Cêurio de Oliveira (1988), Cartógrafo do IBGE e Titular de Cartografia da UERJ, tendo sido um dos membros Fundadores
do Curso de Engenharia Cartográfica, daquela Universidade, esteve a partir de 1971, em Missão Cartográfica na Nigéria pela ONU.
Esta Missão durou 3 anos.
Sentindo a necessidade de maior integração entre o Brasil e a África em termos de Cartografia, em abril de 1987 com reuniões que
aconteceram em Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro, foi criada a Associação dos Países de Expressão Portuguesa – ACAPEP, cujo
primeiro Presidente foi o Ex-Diretor da Diretoria de Hidrografia e Navegação - DHN e Ex- Secretário Executivo da Comissão de Cartografia – COCAR, Almirante Hidrógrafo, natural de João Pessoa, na Paraíba, Múcio Piragibe Ribeiro de Bakker, já com a designação
de Associação Cartográfica dos Países de Língua Oficial Portuguesa – ACAPLOP, teve eleito como segundo Presidente, o Engenheiro
Geógrafo Português Elvino Dias Duarte do antigo Instituto Geográfico Cadastral - IGC, atual Instituto Português de Cartografia e Cadastro – IPCC, na Reunião de Lisboa, em novembro de 1989. Na ocasião o Chefe da Delegação Brasileira e Representante da COCAR, foi
o Engenheiro Cartógrafo Afrodescendente Jairo Capistrano da Silva, que trabalha no Museu de Astronomia do Observatório Nacional/
CNPq, é Colega da Autora da Turma Regime de Crédito da UERJ.
De acordo com os Estatutos provisórios da ACAPEP:
- no Artigo 1º no que tange à sua Constituição:
- A ACAPEP é uma Associação técnico-científica na área das geociências, que congrega todos os países de expressão portuguesa:
Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
- no Artigo 2º no que tange aos Objetivos:
- Estreitamento dos laços de amizade e solidariedade nesta área tecnológica vital para o desenvolvimento sócio-econômico;
- Desenvolvimento das metodologias cartográficas, uniformizando, sempre que possível, os sistemas e técnicas de trabalho de acordo
com os padrões internacionalmente aceitas;
- Intercâmbio de experiências e informações de Geografia, Cartografia, e Ciências afins, inclusive no que se refere ao ensino e investigação científica e
- Incentivar a cooperação de modo a fomentar e dinamizar a infra-estrutura de qualquer Programa Nacional de Desenvolvimento.
- No Artigo 3º no que tange a Área de atuação:
- À área de atuação será a das Geociências, com ênfase para a cartografia topográfica, náutica, a aeronáutica, temática, (incluindo o
cadastro), espacial e especial.
A Engenheira Eliane Alves da Silva trabalhou como Assessora da COCAR, cedida parcialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística - IBGE, no Escritório no Rio de Janeiro, no Prédio da Geofísica do Observatório Nacional/CNPq, chefiado pelo Engenheiro
Cartógrafo James Henrique Macêdo, para tratar desses assuntos de 1988 até junho de 1990, quando todos os funcionários inexplicavelmente, foram colocados em disponibilidade e a COCAR desativada.
Atualmente, a Engenheira Eliane tenta reativar este importante organismo internacional, através de contatos com o Ministério das
Relações Exteriores, Embaixada do Brasil em Cabo Verde, Embaixada do Brasil em Moçambique, Embaixada do Brasil em Portugal,
Embaixada de Angola no Brasil, Embaixada de Moçambique no Brasil e contatos com Engenheiros de Cabo Verde e de Moçambique,
por via eletrônica.
Como resultados destes contatos da ACAPLOP, existem hoje em Portugal mais de trinta trabalhos de Engenheiros Cartógrafos Brasileiros, homens e mulheres, civis e militares, publicados nas Revistas do Instituto Geográfico e Cadastral - IGC e do Instituto Português de
Cartografia e Cadastro - IPCC, em Lisboa, que a Autora visitou em setembro de 1990. O Vice Diretor do IPCC, o Engenheiro Geógrafo
João Manuel Agria Torres, esteve no Brasil em 1997, para assistir ao CBC e a Conferência da IAG, que tiveram lugar no Rio Centro.
O Engenheiro Jafar Daude Mussa, Ex- Diretor da Direção Nacional de Geografia e Cartografia – DINAGECA, em Maputo, Capital de
Moçambique, esteve por duas vezes no Brasil, participando como convidado de Congressos Brasileiros de Cartografia. Numa de suas
visitas, em companhia da Engenheira Eliane Alves da Silva, visitou a sede da SBC, no Rio de Janeiro, onde foi condecorado pelo Professor Placidino Machado Fagundes com a Ordem do Mérito Cartográfico, estiveram também, no Instituto de Cartografia Aeronáutica – ICA,
no Aeroporto Santos Dumont e na Diretoria de Hidrografia e Navegação – DHN, em Niterói. Além do DINAGECA, existe em Maputo, no
mesmo prédio outro órgão de cartografia moçambicano, que é a CENACARTA, que desenvolve atividades de Sensoriamento Remoto.
Nos anos 80 os seguintes Engenheiros Cartógrafos Brasileiros trabalharam na África: formado pela UERJ, Ex- Professor da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Campus de Presidente Prudente e Ex- Aluno do ITC da Holanda, Lúcio Muratori Graça (Angola); graduado pela UERJ, Ex- Professor da Universidade Federal do Paraná - UFPR, Ex-Aluno do Mestrado do Observatório Nacional/CNPq,
Professor Doutor Associado da New Bruwisnk University, no Canadá, Marcelo Carvalho Santos (Líbia), também Colega de Turma da
Autora na UERJ e o Ex- Aluno do Instituto Militar de Engenharia - IME, Ex- Professor de Fotogrametria da UERJ e Ex-Presidente da
Sociedade Brasileira de Cartografia - SBC, Ex- Diretor de Cartografia do Planalsucar-IAA/Instituto de Açúcar de do Álcool, Ex-Diretor de
Cartografia da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE, Ex- Diretor de Cartografia da PROSPEC Engenharia,
Presidente da Geomática, Paulo Eurico de Mello Tavares (Ex-Professor de Fotogrametria da Autora e colaborador da mesma em sua
Dissertação de Mestrado na UFRJ). Antes de voltar do exílio, em meados dos anos 70, o Emérito Professor da USP, natural da Bahia,
Geógrafo Milton Santos, trabalhou em Dar Es Salaam, Capital da Tanzânia. Ele foi Professor da Autora no Mestrado na UFRJ.
No início de abril de 1988, regressando de viagens à Argentina, Cuba e Nicarágua, o Presidente de Moçambique Joaquim Chissano foi
recebido no Brasil pelo então Presidente da República José Sarney (atual Senador pelo Amapá), pelo General Ivan de Souza Mendes
, Chefe do Serviço Nacional de Informações – SNI e pelo Chanceler e Ex-Governador do Estado de São Paulo, Abreu Sodré e pelo
Secretário- Geral do Itamaraty Paulo Tarso Flecha de Lima, Ex- Embaixador em Washington e atual Embaixador do Brasil, em Roma.
Em setembro de 1989, a Engenheira Eliane Alves da Silva participou do Curso de Conferências BRASIL – ÁFRICA – Comércio e Navegação no Século XIX, ministrado nas dependências do Serviço de Documentação Geral da Marinha, que contaram dentre outras
personalidades com a Professora Isa Adonias, na época Chefe do Serviço de Documentação e Mapoteca do Itamaraty e da Professora
Doutora Maria Emília Madeira Santos, a quem a Autora visitou no Centro de Estudos de História e Cartografia Antiga, do qual é Diretora,
na então sede no Castelo do Marquês de Val Flor, em Lisboa, em agosto de 1990, com sua irmã, a Afrodescendente, Capitão Heloisa
Alves da Silva do Hospital Central da Aeronáutica.
Datada de Luanda, 12 de junho de 1990, foi a carta do Major Álvaro da Paixão Franco, Diretor Nacional do Instituto de Geodésia e Cartografia de Angola – Departamento de Desenvolvimento de Relações Internacionais, ligado ao Ministério da Defesa, de Luanda, capital
da República Popular de Angola, dirigida à Engenheira Eliane Alves da Silva, onde agradecia a carta de 17 de maio daquele ano e desejava saber a respeito inclusive da futura reunião da ICA/ACI que teria lugar em Bournemouth, sul da Inglaterra, em setembro de 1991.
Realizou-se em Tunis, capital da Tunísia, de 06 a 09 de dezembro de 1993, o Simpósio Internacional: “Des Images Satellites Pour La
Cartographie Et Les Systêmes D’Information Géographique”, sob os auspícios da ICA/ACI – Comissão Técnica Cartographie Derivée
Des Images Satellitaires, que tinha como presidente o Francês – Dr. Bertrand Galtier; CNES; CNT – Centre National de Télédétection,
IGN; IUSM – International Union for Survey and Mapping e da ISPRS - Société Internationale de Photogrammetrie et Télédétection.
Os trabalhos no CNT foram abertos pelo Dr. Mohamed Mehdi Mlika Ministro do Meio Ambiente e da Gestão Territorial da Tunísia e pelo
Dr. Galtier. O encerramento coube ao Dr. Ali Chaouch Ministro do Equipamento e da Habitação. A Engenheira Eliane Alves da Silva
participou do Comitê Científico organizador deste evento dedicado ao Sensoriamento Remoto e a Tecnologia SIG – Sistema de Informações Geográficas.
Tendo como data, de Lisboa, 20 de junho de 1995, foi a carta de Sua Excelência, Ex-Presidente da República do Brasil, Ex- Embaixador
do Brasil na Organização dos Estados Americanos - OEA, atual Governador do Estado de Minas Gerais, o Engenheiro Itamar Franco,
ao tempo em que era Embaixador do Brasil em Portugal, dirigida a Engenheira Eliane Alves da Silva:
“Prezada Senhora,
Apraz-me acusar recebimento de sua carta de 12 do corrente, acompanhada do artigo “Soluções Cartográficas para problemas
ambientais na Amazônia – uma zona crítica”, de sua autoria, publicada na Revista do Instituto Geográfico e Cadastral.
Ao agradecer a amabilidade da remessa e parabenizá-la por sua contribuição para um melhor aproveitamento dos recursos
ambientais na Amazônia, apresento minhas cordiais saudações.”
A Engenheira Eliane Alves da Silva, teve o prazer de conhecer o Presidente, o Engenheiro Itamar Galtiero Franco, em visita da Escola
Superior de Guerra – ESG, ao Palácio do Planalto, em Brasília, em junho de 1994. Os estagiários da ESG estavam sob o Comando do
Tenente Brigadeiro do Ar Sérgio Xavier Ferolla, atual Ministro Presidente do Superior Tribunal Militar – STM.
Com a data Lisboa, de 04 de abril de 1997, foi a carta do ex-Senador pelo Estado de Santa Catarina, Jorge Konder Bornhausen, ao
tempo em que era Embaixador do Brasil em Portugal dirigida a Engenheira Eliane Alves da Silva:
“Prezada Senhora Professora,
Muito agradeço sua correspondência do último dia 20, em que encaminha trabalho de sua autoria e informa sobre a criação,
em abril de 1987, da Associação Cartográfica dos Países de Língua Oficial Portuguesa – ACAPLOP, cujos trabalhos julga devem ser reativados.
De fato, a constituição, em julho de 1996, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP, veio responder a uma
demanda, sempre crescente, de cooperação entre os sete países, a qual vem sendo atendida pelo aumento da realização de
eventos multilaterais e, consequentemente, do intercâmbio setorial entre os países - membros. Entendo que uma das funções
do Secretariado Executivo da CPLP, cuja sede se encontra em Lisboa, deva ser, justamente, o estímulo a esse intercâmbio.
Assim sendo, encaminharei, com muito prazer, sua sugestão ã consideração de Sua Excelência o Senhor Doutor Marcolino
Moco, Secretário Executivo da CPLP, com o pedido de que seja elaborada uma proposta aos países - membros da Comunidade
para a convocação de reunião das Associações Cartográficas dos Sete, com vistas ao aumento da troca de informações e da
cooperação no setor.”
A África do Sul depois de um atormentado boicote econômico, cultural e esportivo internacional, terminou com seu regime de discriminação institucionalizada aos Negros, em 1994 e libertou o maior Líder Negro de todos os tempos, Nelson Mandela, que veio a ser Sua
Excelência, o Presidente da República e buscou durante seu mandato, integrar internamente e externamente o país mais rico da África
através da expansão econômica do seu capital, investindo em sete países africanos.
Mandela já esteve no Brasil por três vezes, a última em 2000, para tratar com o Governo Brasileiro de temas referentes a Conferência
Contra o Racismo e Todas as Formas de Discriminação da ONU, que sediará este ano, no mês de agosto, em seu país. Mandela foi
homenageado, em grande estilo, com um mega espetáculo de música popular em Londres em 29 de abril de 2001, que contou com a
presença do Primeiro Ministro Tony Blair, em comemoração ao fim do regime de segregação racial na África do Sul.
Em junho de 1997, a Engenheira Cartógrafa Eliane Alves da Silva teve a oportunidade de assistir a premiação (medalha, diploma,
custeio de todas as despesas) e respectivas conferências dos Jovens Cartógrafos (África do Sul, o Diretor do Surveys and Land Information – Cidade do Cabo, Engenheiro Charles Nqweniso Pateni, que apresentou o brilhante trabalho: “ The Role of Cartography In A
Developing Country Like South Africa: A Look At The Need For Education Of Black Professional And Technical Cartographers To Drive
The Mapping Process In South Africa In Fulfilment Of The Objectives Of The Reconstruction And Development Programme- RDP”, Brasil - Professora Doutora Andréa Carneiro da UFPE, China, Índia e Irã), ocorrida em Estocolmo, na Suécia, durante a 18 th International
Cartographic Conference - ICC, promovida pela International Cartographic Association - ICA/ACI.
Pateni mostrou que a segregação racial teve seus reflexos não só na discriminação da População Negra, bem como nas atividades
cartográficas empreendidas na África do Sul. O fim do apartheid significava que as áreas dos menos favorecidos seriam agraciadas
com uma cartografia precisa, inclusive em termos de reambulação, quando os nomes corretos das áreas indígenas e de seus acidentes
geográficos seriam corretamente mapeados, em termos de toponímia acabando com o eurocentrismo inclusive na cartografia.
Os Cartógrafos Brancos tinham sido empregados como instrumentos efetivos, da implementação do preconceito racial. A formação de
Cartógrafos Afrodescendentes reverterá essa situação, inclusive nos trabalhos de reambulação de áreas Indígenas e de áreas dos habitantes Negros, não só para manter a precisão das informações cotejadas, como também pela manutenção da toponímia original, preservando as culturas locais. Na ocasião, também apresentaram trabalhos pela África do Sul, os Professores da Universidade da África
do Sul: pelo Departamento de Geografia Elri Lienberg e Departamento de Meio Ambiente, A C Vlok. Em agosto de 1999, em Ottawa, no
Canadá, durante a Reunião da ICA/ACI, Durban (África do Sul), ganhou o direito de sediar pela primeira vez em solo africano uma de
suas reuniões internacionais, em 2003. A Conferência de 2001 onde a Autora espera comparecer, terá lugar em Beijing, na China.
Outro trabalho interessante apresentado em Estocolmo, foi o do Tanzaniano da Divisão de Mapeamento e Pesquisa de Dar Es Salaam
L. Vincenty Mtaroni, a saber: “Education and training in cartography”. Para o Dr. Mtaroni “Geralmente, qualquer pessoa pode elaborar
um lindo mapa. A confecção de um mapa poderá certamente ir de encontro as demandas da sociedade atual, com qualidade e tecnologia adequada, as necessidades atuais exigem maior criatividade e entendimento de todos os aspectos que envolvem a elaboração
de um mapa, de modo que venha a ser cada vez mais aceito nos meios acadêmicos”.- Oficina de Mapeamento da População Nacional
- Associação Cartográfica da Tanzânia, abril de 1995.
O treinamento em cartografia teve início em Tabora, na Tanzânia, em 1989, embora os Cartógrafos recebam instrução desde os tempos
da independência em 1961. Atualmente, os cursos de formação levam dois anos, sendo que 35% dos Cartógrafos Tanzânianos curso
de Informática e apenas 1,33% nível superior. É pequena a infra – estrutura na área de formação de pessoal em Cartografia.
A Tanzânia começou a ser mapeada pelos colonizadores ingleses, em 1914, em plena Guerra Mundial. A necessidade de mapear-se
com mais precisão tornou-se imperiosa durante a Segunda Guerra Mundial, o mapeamento era feito no Casino dos Oficiais, primeiro a
cargo dos Ingleses a Comissão de Mapeamento realizou suas atividades, depois passou a ser chefiada pelos Tanzânianos, mas a infra –
estrutura sempre foi precária. O computador pessoal só foi introduzido nas atividades cartográficas na Tanzânia em 1996, no Laboratório
de Treinamento de Cartografia de Tabora, em Dar Es Salaam, onde vivem 3 milhões de habitantes.
Em 1997, pelo Censo da Tanzânia, haviam 30 milhões de pessoas e 92% dos cartógrafos estão empregados no Ministério das Terras,
sendo que 47% estão lotados na capital Dar Es Salaam, destes 80% dedicam-se ao levantamento cadastral. Objetivando o suprimento
da falta de cartografia, a Tanzânia tem celebrado convênios com empresas locais, tipo: BP Mapa da Tanzânia por Mshasha Enterprises;
Mapa Turístico da Tanzânia por TTC Ltd e Mapa Guia da Cidade de Dar Es Salaam. A Tanzânia precisa de recursos externos do tipo que
obtiveram para comparecer a 18th International Cartographic Conference, em Estocolmo, em junho de 1997.
De Brasília, 28 de novembro de 1997, foi a carta do Embaixador José Fiuza Neto, Chefe, substituto da Divisão de África II do Ministério
da Relações Exteriores, a Engenheira Eliane Alves da Silva:
“Incumbiu-me o Senhor Ministro de Estado das Relações Exteriores, Embaixador Luiz Felipe Lampreia, de responder sua carta
de 10 de novembro do corrente. De início, gostaria de agradecer-lhe o envio das atas das reuniões da Associação Cartográfica
dos Países de Língua Portuguesa (ACAPLOP), bem como do relatório de atividades e do artigo da ICA Newsletter referente a
Associação.
Congratulo-me, igualmente com Vossa Senhoria pela iniciativa de reativar a Associação, criada há mais de uma década, e que
seria extremamente oportuna à luz do intenso dinamismo que as relações entre os países lusófonos vieram a ganhar nos últimos anos. Refiro-me, de maneira específica, à criação, em julho de 1996, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
(CPLP), que conferiu moldura institucional aos laços de cooperação e amizade há muito existentes entre os países de expressão oficial portuguesa. A CPLP tem sua razão de ser assentada em três pilares programáticos: coordenação político - diplomática; promoção da cooperação técnica e; defesa e valorização da língua portuguesa. Assinalo, por oportuno, que, conquanto
seja um projeto de Governos, os objetivos da Comunidade têm a ver sobretudo com iniciativas oriundas das sociedades civis
dos sete países, de que é exemplo, entre outras congêneres, a ACAPLOP.
Assim, permito-me enviar-lhe, a par dos endereços das Embaixadas Brasileiras nos Países Lusófonos e das destes Países no
Brasil, o do Secretariado - Executivo da CPLP em Lisboa, que poderá ser de alguma utilidade para seu projeto...”
Após contatos telefônicos, datada de Praia, de 21 de dezembro de 1998, a Engenheira Eliane Alves da Silva, recebeu Carta o Engenheiro Cartógrafo Georgino M. da Cruz - Presidente do Serviço Nacional de Cartografia e Cadastro – SNCC, ligado ao Ministério da Defesa
Nacional da República de Cabo Verde. No referido documento o Dr. Cruz, dirigindo-se a Dra. Eliane nos primeiros parágrafos:
“Gostaria de felicitar a V. Excia pela excelente iniciativa em fazer avançar tão nobre projecto que é a reorganização da ACAPLOP, por
forma a criar condições para melhor intercâmbio entre a grande família de técnicos e especialistas da área de cartografia da CPLP
Queria informar à V. Excia que da parte do SNCC existe todo o interesse em apoiar e participar nas iniciativas e projectos que visam
promover a cooperação técnica e científica entre nossas instituições cartográficas e contribuir para o desenvolvimento durável das nossas comunidades e países”.
No segundo semestre de 1999, aconteceu, na Cidade de Cotonu, no Benin, sob os auspícios do Grupo de Trabalho VI/3 International
Co-operation and Technology Transfer da International Society for Photogrammetry and Remote Sensing – ISPRS, da African Association for Remote Sensing of the Environment – AARSE, do Benin Centre National de Telédétéction et de Surveillance du Couvert Forestier, do United Nations Office for Outer Space Affairs e do Ministério do Desenvolvimento Rural do Benin, a reunião “Promoting Space
Technology Transfer in Africa”, organizada pelo Diretor do CENATEL e Delegado da AARSE, Dr. Vincent Mama e pelo Professor Heinz
Rüther, Tesoureiro da ISPRS e membro do Conselho da ISPRS responsável pelas atividades da ISPRS na África.
Compareceram ao conclave 120 delegados pertencentes a 19 países africanos, que foi aberto pelo Dr. Adigun Abiodun uma das
maiores autoridades em Sensoriamento Remoto da África, que mostrou a importância dessas atividades, na área da educação e que
precisam ser financiadas, pois apesar dos esforços poucos países do continente tem desenvolvidos atividades no setor. Segundo Dr.
Abiodun das seis estações rastreadoras de imagens de satélites da África, somente a de Hartebeesthoek, nas proximidades de Johannesburg, na África do Sul, funciona plenamente. A Conferência recomendou que para 2001, seja realizado um Simpósio denominado:
“Educação e Transferência de Tecnologia Espacial e na Área de Geomática”.
No dia 10 de março de 1999, a Governadora em Exercício do Estado do Rio de Janeiro Afrodescendente Benedita da Silva, assinou
Decreto de posse da terra aos Afrodescendentes do Quilombo de Campinho da Independência, em Parati, Sul Fluminense, uma área
de 287, 94 hectares, para uma comunidade que reúne 85 famílias. O Governador do Estado de São Paulo, o Engenheiro Mário Covas
fez o mesmo em 17 de janeiro de 2001.
De 07 a 10 de dezembro de 2000, durante os festejos dos 500 Anos do Brasil e dos seus 120 Anos, o Clube de Engenharia, localizado
no Centro do Rio de Janeiro, realizou as Jornadas de Engenharia dos Países de Língua Oficial Portuguesa, com representantes de
Angola, Brasil, Moçambique e Portugal. A Engenheira Eliane Alves da Silva, a convite do Ex- Presidente do CREA-RJ Engenheiro Ar-
ciley Alves (sua carteira de registro no CREA-RJ foi assinada por ele), Membro da Comissão Organizadora participou do evento, onde
distribuiu o trabalho A História da Cartografia Brasileira – 500 Anos do Descobrimento do Brasil Pelos Portugueses, apresentado durante
o Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros – CBPN, realizado na Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, em Recife, em
Pernambuco, em novembro daquele mesmo ano. O plenário votou que a próxima Jornadas de Engenharia, será em Maputo, Moçambique, onde esperamos comparecer. Este trabalho foi enviado à todas as Embaixadas os Países Africanos no Brasil.
Com a data de Lisboa, 10 de abril de 2001, o General e Embaixador do Brasil em Portugal, Synesio Sampaio Goes Filho é a carta endereçada a Engenheira Eliane Alves da Silva:
“Prezada Sra. Eliane Alves da Silva
Recebi seu trabalho sobre a “Cartografia da África” que li com todo interesse.
Quanto a palestra que fiz no IHGB, tenho um texto parecido, que foi publicado numa revista local, que tenho o prazer de lhe
enviar.”
Não sabemos qual é a Política Cartográfica Norte-Americana para a África, mas espera-se que a administração Bush logre sucesso,
principalmente com a escolha do Afrodescendente Secretário de Estado, o General de Exército da Reserva Remunerada Colin Powell.
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Cartografia da África - parte 2