UNIVERSIDADEE D DE LISBOA FACULDADE DEE C CIÊNCIAS DEPARTAMENTO DE Q QUÍMICA E BIOQUÍMICA Complexoss Orga Organometálicos de Re e Tc com Proprieda riedades Osteotrópicas icas p para Imagiologia gia e/ e/ou Terapia Elisa Vaz Morga orgado de Palma Supervisor: Doutora Isabel Rego dos Santos Co-supervisor: Doutor João Domingos Galamba Correia Doutoramento em Química Especialidade Química Inorgânica 2011 O trabalho apresentado nesta tese foi realizado no grupo de Ciências Radiofarmacêuticas do Instituto Tecnológico e Nuclear (ITN), sob a orientação da Doutora Isabel Rego dos Santos e co-orientação do Doutor João Domingos Galamba Correia. Este trabalho foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia através da bolsa de doutoramento SFRH/BD/29527/2006 e do projecto PTDC/QUI-QUI/115712/2009. i ii AGRADECIMENTOS À minha orientadora, a Doutora Isabel Rego dos Santos, agradeço o rigor científico como me orientou e a forma exemplar, disponível e cuidada como apoiou a realização deste trabalho, sendo para mim essencial e indispensável para o processo de aprendizagem. Ao meu co-orientador, o Doutor João Galamba Correia agradeço o apoio científico e a forma sempre disponível como me ajudou a esclarecer as diversas questões que surgiram ao longo deste trabalho. A ambos agradeço o bom exemplo e o entusiasmo científico contagiante que sempre manifestaram. À Doutora Lurdes Gano agradeço o empenho na realização dos estudos farmacocinéticos, assim como todo o apoio prestado. À Doutora Guilhermina Cantinho e ao Sr Vieira Marques agradeço pela disponibilidade e rigor com que efectuaram as imagens cintigráficas. À Doutora Paula Campello e à Doutora Célia Fernandes quero exprimir a minha gratidão pelo apoio científico e técnico e em especial pela amizade demonstrada. À Doutora Goreti Morais, ao mestre Bruno Oliveira e ao mestre Maurício Morais, agradeço o entusiasmo manifestado na discussão de diversas questões científicas e sobretudo o bom ambiente de trabalho, o apoio moral e amizade manifestados. À Elisabete e ao Amadeu agradeço o apoio logístico, boa disposição e simpatia. A todos os outros elementos do Grupo de Ciências Radiofarmacêuticas agradeço também o excelente ambiente de trabalho, colaboração e amizade. Ao Doutor Joaquim Marçalo agradeço a realização dos espectros de massa apresentados neste trabalho, bem como as discussões científicas associadas. À Doutora Isabel Cordeiro Santos agradeço todo o empenho na resolução das estruturas moleculares no estado sólido. Ao Sr. António Soares agradeço a realização das análises elementares e o espírito bem disposto contagiante. Ao Instituto Tecnológico e Nuclear agradeço o acolhimento e à Fundação para a Ciência e Tecnologia o financiamento deste trabalho. Finalmente, agradeço à minha família pelo apoio e incentivo fundamentais à realização deste trabalho, e pela compreensão relativamente à minha falta de disponibilidade, em especial ao João e à Laura. iii iv RESUMO Novos ligandos bifuncionais do tipo pirazolo diamina contendo grupos mono (L1 - L3) ou bisfosfonato (L4 - L6) foram sintetizados e caracterizados. Estes ligandos foram utilizados para preparar complexos do tipo fac-[M(CO)3(κ3-L)]+ em que: L = L1, M = Re (Re1), Re6), 99m 99m Tc (Tc1); L = L2, M = Re (Re2), 99m Tc (Tc2); L= L4 - L6, M = Re (Re4- Tc (Tc4-Tc6). Os complexos radioactivos foram obtidos com rendimentos e pureza radioquímica elevados (≥ 95 %), tendo sido identificados por comparação dos seus cromatogramas de RP-HPLC com os dos respectivos complexos análogos de Re. Os estudos in vitro de ligação à hidroxiapatite revelaram que os complexos possuíam potencial osteotrópico e os estudos em ratinhos CD-1 confirmaram que todos eram resistentes à transmetalação, transquelatação e oxidação e que, principalmente os que continham a unidade bisfosfonato (Tc4-Tc6), se ligavam ao osso. Os complexos Tc5 e Tc6 foram os que apresentaram melhor perfil biológico em termos de fixação óssea, eliminação e razões osso/órgão não alvo pelo que foram escolhidos para prosseguir estudos noutra estirpe animal. Estudos de biodistribuição em ratinhos Balb-c e as imagens cintigráficas de Tc5 e Tc6 em ratos Sprague-Dawley confirmaram um excelente comportamento biológico para estes complexos, que verificámos ser comparável ou, em alguns casos, melhor do que o encontrado para o composto em utilização clínica 99mTc-MDP, que estudámos nas mesmas condições experimentais. Para explorar a síntese de um complexo trifuncional, tentámos sintetizar um ligando pirazolo-diamina com um composto citostático (docetaxel) e com uma unidade bisfosfonato. Foram obtidos resultados animadores que terão que prosseguir. v vi ABSTRACT New bifunctional ligands comprising a pyrazolyl-diamine backbone for metal stabilization, and a pendant mono (L1 - L3) or bisphosphonate (L4 - L6) group for bone targeting were synthesized. Those ligands allowed the prepararion of complexes of type fac-[M(CO)3(κ3-L)]+ where: L = L1, M = Re (Re1), 99mTc (Tc1); L = L2, M = Re (Re2), 99m Tc (Tc2); L= L4 - L6, M = Re (Re4-Re6), 99mTc (Tc4-Tc6). The radioactive species were obtained in high yield and radiochemical purity (≥ 95%), being identified by comparison of their RP-HPLC chromatograms with the corresponding Re surrogates. In vitro hydroxiapatite binding studies revealed that the complexes presented bone seeking potential and the studies carried out in CD-1 mice showed that all complexes were resistant to transmetalation, transquelation and oxidation and, manly those containing a bisphosphonate unit (Tc4 - Tc6), bound to bone tissues. Tc5 and Tc6 showed the best pharmacokinetic profiles in terms of bone uptake, clearance and ratio bone/non targeting organ and for that reason they were chosen to proceed with further studies in another animal model. The biodistribution studies in Balb-c mice and the scintigraphic images of Tc5 and Tc6 in Sprague Dawley confirmed their excellent biological behaviour, comparable or, in some cases, better compared to the one observed for the compound in clinical use 99m Tc-MDP, studied in the same experimental conditions. To explore the synthesis of a trifunctional complex, we tried toprepare a pyrazolyl-diamine ligand with a cytostatic compound (docetaxel) and a bisphosphonate unit. The obtained results were encouraging and must be continued. vii viii Palavras-chave Bisfosfonatos Docetaxel Complexos de tricarbonilo de 99mTc/Re Cintigrafia óssea Terapia paliativa de metástases ósseas Keywords Bisphosphonates Docetaxel 99m Tc/Re tricarbonyl complexes Bone scintigraphy Bone metastases palliative Therapy ix x ÍNDICE GERAL Agradecimentos………………………………………………………………………………………………………….iii Resumo……………………………………………………………………………………………………………………….v Abstract………………………………………………………………………………………………………………………vii Palavras-chave……………………………………………………………………………………………………………ix Índice Geral………………………………………………………………………………………………………………..xi Índice de Figuras………………………………………………………………………………………………………xvi Índice de Tabelas……………………………………………………………………………………………………..xxi Índice de Esquemas…………………………………………………………………………………………………xxiii Abreviaturas……………………………………………………………………………………………………………xxv Preâmbulo…………………………………………………………………………………………………………………….… 1 1. INTRODUÇÃO…………………………………………………………………….……………….…………….. 7 1.1. Medicina Nuclear……………………………………………………….…………………………………… 7 1.1.1. Rádiofármacos: Conceitos Básicos…………………………………………………………….. 7 1.1.2. Radiofármacos de 99mTc………………………………………………..………………………….. 13 1.2. Oncologia e Metastização Óssea…………………………………..……………………………….. 17 1.2.1. Cuidados Paliativos e Tratamento da Dor Relacionada com Metástases Ósseas………………………………………………………………………………………………………. 19 1.2.2. Bisfosfonatos: Mecanismo de Acção…………………………………..…………………….. 21 1.3. Complexos de 186/188Re e 99mTc para terapia ou diagnóstico de metástases ósseas…………………………………..………………………………….……………..……………………… 24 1.3.1. Considerações Gerais…………………………………..…………………………………………… 24 1.3.2. Complexos para Visualização e/ou Terapia de Metástases Ósseas……………. 27 2. COMPLEXOS DE RE(I) E 99MTC(I) ESTABILIZADOS COM LIGANDOS BIFUNCIONAIS CONTENDO GRUPOS FOSFONATO…………………………………..…………………………………. 41 2.1. Considerações Gerais…………………………………..…………………………………………………. 41 2.2. Compostos Contendo um Grupo Monofosfonato………………………………………….. 42 2.2.1. Síntese e Caracterização de Ligandos Pirazolo - Diamina Contendo um Grupo Monofosfonato (L1 - L3) ……………………………………………………………….. 42 2.2.2. Síntese e Caracterização dos Complexos de Rénio Estabilizados por L1 47 xi (Re1) e L2 (Re2)…………………..…………………………………..………………………………… 2.2.2.1. Caracterização do complexo Re1 por difracção de raios – X ……………………. 54 2.2.3. Síntese e Caracterização dos Complexos Tc1 e Tc2……………………………………… 56 2.2.4. Avaliação Biológica dos Complexos de 99mTc(I)…………………………………………… 60 2.2.4.1. Estudos In Vitro…………………………………………………………………………………………. 60 2.2.4.1.1. Estabilidade em Tampão Fosfato e em Soro Humano…………………………….. 60 2.2.4.2. Estudos In Vivo…………………………………..……………………………………….……………. 62 2.2.4.2.1. Estudos de Biodistribuição em Ratinhos CD-1……………………………………….. 62 2.2.4.2.2. Estabilidade In Vivo……………………………..…………………………………….………….. 64 2.3. Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato………………………………………………… 65 2.3.1. Síntese e Caracterização de Ligandos Pirazolo-Diamina Contendo Grupos Bisfosfonatos (L4 – L6) ………………………………………………………………….……………. 65 2.3.2. Síntese e Caracterização dos Complexos Re4 - Re6………………………….…………. 79 2.3.3. Síntese e Caracterização dos Complexos Tc4 -Tc6………………………………………. 89 2.3.4. Avaliação Biológica dos Complexos de 99mTc(I) ………………………………….………. 92 2.3.4.1. Estudos In Vitro……………………………………………………………………………….………. 92 2.3.4.1.1. Adsorsão à Hidroxiapatite (HA) …………………………………………………….……… 92 2.3.4.2. Estudos In Vivo……………………………………………………………………………….……….. 93 2.3.4.2.1. Biodistribuição e Estabilidade em Ratinhos CD-1………………………………….. 93 2.3.4.2.2. Biodistribuição e Estabilidade em Ratinhos Balb-C……………………………….. 95 2.3.4.2.3. Estabilidade de Tc5 e Tc6 em Ratinhos CD-1 e Balb-c……………………………. 97 2.3.3. Comparação com o 99mTc-MDP………………………………………………………….……….. 98 2.4. Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos……………………………………………….. 105 2.4.1. Considerações gerais………………………………………………………………………………….. 105 2.4.2. Síntese e Caracterização de Compostos Trifuncionais Contendo Grupos Bisfosfonato…………………………………………………………………………………………..…….109 2.4.3. Síntese e Caracterização do Complexo Tc7……………………………………………..……125 2.4.4. Avaliação Biológica do Complexo Tc7…………………………………………………..……….127 2.4.4.1. Estudos In Vitro………………………………………………………………………………..………. 127 2.4.4.1.1. Adsorção à hidroxiapatite (HA) ……………………………………………………..……… 127 2.4.4.1.2.Estabilidade em Cisteína e Histidina……………………………………………..…………128 2.4.4.2.Estudos In Vivo………………………………………………………………………………..………… 130 2.4.4.2.1. Biodistribuição em Ratinhos CD-1………………………………………………….……….130 xii 2.4.4.2.2. Estabilidade In Vivo……………………………………………………………………….………. 131 2.4.4.2.3.Estudos de Inibição da Fixação Renal…………………………………………….………..132 3. CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS…………………………………………………………………………… 135 4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL……………………………………………………………………….. 153 4.1. Considerações Gerais……………………………………………………………………………….……….153 4.2. Purificação de Solventes e Reagentes…………………………………………………….……….. 153 4.3. Técnicas de Purificação e Caracterização………………………………………………………… 154 4.4. Síntese de Compostos Potencialmente Úteis para Imagiologia Óssea……………. 161 4.4.1. Síntese de Compostos Contendo o Grupo Éster fosfónico………………….…………161 4.4.1.1. Procedimento Geral para a Síntese de (3-Bromopropil)Fosfonato de Dietilo (1) e de (2-Bromoetil)Fosfonato de Dietilo (2) ……………………….…………161 4.4.1.2. Síntese de t-butil 2-((3-(dietoxifosforil)propil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etil)amino)etilcarbamato (4) e t-butil 2-((2-(dietoxifosforil)etil)(2-(3,5dimetil-1H-pirazol-1-il)etil)amino)etilcarbamato (5) ………………………………..… 162 4.4.1.3. Síntese de 2-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazolo-1il)etil)amino)etilfosfonato de dietilo (L1) …………………………………………..……….. 163 4.4.2. Síntese de Compostos com um Grupo Ácido Fosfónico…………………………………164 4.4.2.1. Síntese de ácido 2-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etil)amino)etilfosfónico (L2) e ácido 3-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1Hpirazol-1-il)etil)amino)propilfosfónico (L3) ………………………………………..………..164 4.4.3. Síntese de Compostos com o Grupo Bisfosfonato……………………………..………….165 4.4.3.1. Síntese do Éster 1-aminometileno-1,1-bisfosfonato de tetraetilo (AMDP) …………………………………………………………………………………………………………..………… 165 4.4.3.2. Síntese de 7-(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1-il)etil)-13,13-dimetil-3,11-dioxo12-oxa-2,7,10-triazatetradecano-1,1-diilbisfosfonato de tetraetilo (8) 166 4.4.3.3. Síntese de ácido (4-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etil)amino)butanamido)metilenobisfosfónico (L4) …………………….………………167 4.4.3.4. Síntese de Pamidronato (PAM) e Alendronato (ALN) ……………………..……..….168 4.4.3.5. Síntese de ácido 8-(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1-il)etil)-16-hidroxi-2,2dimetil-4,12-dioxo-3-oxa-5,8,13-triazahexadecane-16,16-diilbisfosfónico(10) 170 4.4.3.6. Síntese de ácido 3-(4-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etil)amino)butanamido)-1-hidroxipropane-1,1-diilbisfosfónico (L5)….………. 171 4.4.3.7. Síntese de ácido 8-(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1-il)etil)-17-hidroxi-2,2dimetil-4,12-dioxo-3-oxa-5,8,13-triazaheptadecano-17,17-diilbisfosfónico 172 xiii (11) ………………………………………………………………………………………………….…………. 4.4.3.8. Síntese de ácido 4-(4-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etil)amino)butanamido)-1-hidroxibutano-1,1-bisfosfónico (L6)………………… 173 4.4.4 . Síntese de Derivados do Ácido Glutâmico e da β-alanina……………………………. 174 4.4.4.1. Síntese de ácido 5-(benziloxi)-2-ftalimida-5-oxopentanóico (13)……………….174 4.4.4.2. Síntese de 5,5-bis(dietoxifosforil)-4-ftalimida-5-hidroxipentanoato de benzilo (16) …………………………………………………………………………………………..………175 4.4.4.3. Síntese de ácido 4-amino-5-hidroxi-5,5-bisfosfonopentanoico (18)………….. 177 4.4.4.4. Síntese de ácido 12-(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1-il)etil)-18,18-dimetil3,8,16-trioxo-1-fenil-2,17-dioxo-7,12,15-triazanonadecano-6-carboxílico (21) 177 4.4.4.5. Síntese de 3-amino-1-hidroxypropano-1,1-diilbisfosfonato de tetrametilo (Me-PAM) …………………………………………………………………………………………….…….. 178 4.4.4.6. Síntese de ácido 4-(5-(benziloxi)-2-(terc-butoxicarbonilamino)-5oxopentanamido)-1-hidroxibutano-1,1-diilbisfosfónico (24) …………….….………179 4.4.4.7. Síntese de ácido 4-(5-(benziloxi)-2-(terc-butoxicarbonilamino)-5oxopentanamido)-1-hidroxibutano-1,1-diilbisfosfónico (25) ………………….……. 181 4.4.4.8. Síntese de ácido 16-(terc-butoxicarbonilamino)-8-(2-(3,5-dimetil-1Hpirazol-1-il)etil)-22-hidroxi-2,2-dimetil-4,13,17-trioxo-3-oxa-5,8,12,18tetraazadocosano-22,22-diilbisfosfónico (27) ……………………………………….…..… 181 4.4.4.9. Síntese de ácido 4-(2-amino-5-(3-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol1-il)etil)amino)propilamino)-5-oxopentanamido)-1-hidroxibutano-1,1diilbisfosfónico (L7) …………………………………………………………………………….………..183 4.4.4.10. Síntese de ácido 4-(2-amino-5-(benziloxi)-5-oxopentanamido)-1hidroxibutano-1,1-diilbisfosfónico (28) ……………………………………………….………. 184 4.4.4.11. Síntese de 2’-sulfo-NHS-succinil-DTX (30) …………………………………….………...185 4.4.4.12. Síntese de ALN-Glu-succinil-DTX (31) …………………………………………….………..186 4.4.4.13. Síntese de ácido 4-(2-(((9H-fluoreno-9-il)metoxi)carbonilamino)-5-tbutoxi-5-oxopentanamido)-1-hidroxibutane-1,1-diilbisfosfónico (32) 187 4.4.4.14. Síntese ácido 4-(2-amino-5-t-butoxi-5-oxopentanamido)-1hidroxibutano-1,1-diilbisfosfónico (33) …………………………………………..…………… 188 4.4.4.15. Síntese de ácido 4-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etil)amino)butanoico (34) ………………………………………………………………....………189 4.4.4.16. Síntese de ácido 4-((2-(((9H-fluoreno-9-il)metoxi)carbonilamino)etil)(2(3,5-dimetil-1H-pirazol-1-il)etil)amino)butanóico (35) ……………………….…………189 4.4.5. Síntese de Derivado do Composto Pirazolo-Diamina Funcionalizado na Posição 4……………………………………………………………………………………………..………..191 xiv 4.4.5.1. Síntese de ácido 4-(2-(1-(2-((2-(t-butoxicarbonilamino)etil)(4-etoxy-4oxobutil)amino)etil)-3,5-dimetil-1H-pirazol-4-il)acetamido)-1-hidroxibutano191 1,1-diilbisfosfónico (36) …………………………………………………………………..………….. 4.4.6. Síntese e Caracterização de Complexos de Re(I) …………………………….…….……. 193 4.4.6.1. Síntese de fac-[Re(CO)3(κ3-L1)]+ (Re1) ………………………………………….……….… 193 4.4.6.2. Síntese de fac-[Re(CO)3(κ3-L2)]+ (Re2) ………………………………………….……….… 195 4.4.6.3. Síntese de fac-[Re(CO)3(κ3-L4)]+ (Re4) ………………………………………….…………. 195 4.4.6.4. Síntese de fac-[Re(CO)3(κ3-L5)]+ (Re5) ……………………………………….……………. 199 4.4.6.5. Síntese de fac-[Re(CO)3(κ3-L6)]+ (Re6) ……………………………………….……………. 201 4.4.7. Síntese dos complexos de 99mTc(I) ………………………………………………………………. 203 4.4.7.1. Preparação do complexo precursor fac-[99mTc(H2O)3(CO)3]+…………………….. 203 4.4.7.2. Procedimento Geral para a Síntese dos Complexos Tc1 – Tc7…………………. 203 4.5. Estudos In Vitro……………………………………………………………………………………..………... 204 4.5.1. Determinação da Carga e da Lipofilía dos Complexos………………………………….. 204 4.5.2. Estabilidade In Vitro…………………………………………………………..…………….…………..205 4.5.3. Ligação à Hidroxiapatite……………………………………………….………………….…………..206 4.6. Estudos In Vivo…………………………………………………………………………..…………….……….206 4.6.1. Ensaios de Biodistribuição e Estabilidade In Vivo……………………………..……....... 207 4.6.2. Cintigrafia em câmara-gama……………………………………………………………..………… 211 Referências Bibliográficas………………………………………………….………………………………..…. 215 Anexo: Espectros bidimensionais de Ressonância Magnética Nuclear (1H - 1H COSY e 1H - 13C HSQC…………………………………………….…………………………………….……………………………….. 229 xv ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1.1 - (A) Câmara PET; (B) Princípio geral da técnica PET e obtenção de imagem............................................................................................. 10 Figura 1.2 - Imagem SPECT renal, em função do tempo, após injecção de 99m Tc-MAG3...................................................................................... 12 Figura 1.3 - Imagem cerebral obtida por SPECT (em cima) e PET (em baixo), após injecção de [99mTc]TRODAT e [18F]FDG, respectivamente…... 13 Figura 1.4 - Representação esquemática de um radiofármaco que contém um elemento de transição ou pós-transição: (A) de perfusão e (B) específico......................................................................................... 14 Figura 1.5 - Estruturas de ligandos utilizados para preparação de radiofármacos de 99mTc desenvolvidos antes de 1980.................... 15 Figura 1.6 - Radiofármacos de perfusão em utilização clínica........................... 15 Figura 1.7 - Estruturas de dois radiofármacos específicos em utilização clínica............................................................................................... 17 Figura 1.8 - Processo de metastização óssea. .................................................... 18 Figura 1.9 - Terapia paliativa de metástases ósseas........................................... 19 Figura 1.10 - Estruturas do EDTMP (ácido etilenodiaminatetrametilenofosfónico) e respectivo complexo com 153Sm……………………………….……………… 21 Figura 1.11 - Estrutura geral dos bisfosfonatos e do ácido pirofosfórico............. 21 Figura 1.12 - Estrutura química de bisfosfonatos.................................................. 22 Figura 1.13 - Processo de renovação óssea promovido pela acção dos osteoblastos e osteoclastos............................................................. 23 Figura 1.14 - Complexos com a unidade nitreto [M ≡ N]2+…................................ 25 Figura 1.15 - Complexos com a unidade [99mTc-HYNIC]. ..................................... 26 Figura 1.16 - Exemplos de complexos de tricarbonilo de Tc(I) com ligandos tridentados……................................................................................. 26 Figura 1.17 - Fracções do polímero [Tc(MDP)(OH)-]∞. (A) O ligando MDP estabelecendo a ponte entre dois centros Tc; (B) O metal estabelece a ligação entre dois ligandos de MDP........................... 28 Figura 1.18 - (A) Imagem de corpo inteiro de coelho, 1 h após a injecção do complexo 99mTc-EC-1 e 99mTc-MDP; (B) Imagem de corpo inteiro de macaco, 2 h após a injecção do complexo 99mTc-EC-1 e de 99m Tc-MDP…………………………………………………………………………………. xvi 30 Figura 1.19 - Imagem planar obtida 24 h após injecção de 186Re-MAG3-HBP (222 MBq/kg) (A) e 186Re-HEDP (55,5 MBq/kg) (B). As setas indicam o local onde foram injectadas as células do cancro da mama MRMT-1………………………………………………………………………….. 31 Figura 1.20 - Sondas osteotrópicas Pam78 e Pam800 para imagem óptica……… 34 Figura 1.21 - Imagem bimodal SPECT (a cores)/CT (cinzento) obtida após injecção de 99mTc-MDP (A) e de 99mTc-dpa-ALN (B) em ratinhos Balb-c………………………………………………………………………………………….. 37 Figura 2.1 - Ligando bifuncional e respectivo complexo de tricarbonilo de Re ou 99mTc, com um grupo R com afinidade para o osso.................... 41 Figura 2.2 - Esquema representativo de complexos trifuncionais com o quelato pirazolo-diamina, contendo um grupo com afinidade para o osso (R1) e uma molécula citótoxica (R2). .......................... 42 1 13 31 Figura 2.3 - Espectros de RMN de H (A), C (B) e P (C) do composto L2 em D2O……………………………………………………............................................ -1 45 Figura 2.4 - Espectro de IV de L2 entre 1900 – 500 cm (KBr)………………………… 46 Figura 2.5 - Espectros de IV do complexo [ReBr(CO)5] e de Re1 em KBr, entre 2300 – 500 cm-1................................................................................ 48 1 Figura 2.6 - Espectros de H-RMN dos compostos L1 e Re1 em CD3OD............. 13 Figura 2.7 - Espectro de C-RMN do composto Re1 em CD3OD........................ 50 51 31 Figura 2.8 - Espectros de RMN de P do complexo Re1, em CD3OD (A), do composto L1, em CD3OD (B), do complexo Re2 na presença de ligando livre L2, em D2O (C) e, do ligando L2, em D2O (D)……………. 52 Figura 2.9 - Cromatogramas analíticos de RP-HPLC do composto L2 e do complexo Re2................................................................................... 53 Figura 2.10 - Diagrama ORTEP do catião do complexo Re1. Os elipsóides vibracionais foram desenhados com uma probabilidade de 30 %.. 54 99m + Figura 2.11 - Caracterização do precursor fac-[ Tc(H2O)3(CO)3] por RP-HPLC após a sua preparação a partir de [99mTcO4]-. Detecção γ................ 57 Figura 2.12 - Cromatogramas de RP-HPLC obtidos durante a optimização da preparação do complexo Tc1........................................................... 58 Figura 2.13 - Cromatogramas de RP-HPLC de Re1 (detecção UV) e Tc1 (detecção γ)………………………………………………………………….................. 59 Figura 2.14 - Cromatograma de HPLC de Tc1 (detecção γ) antes (A) e após (B) incubação em soro humano............................................................. 61 Figura 2.15 - Resultados de biodistribuição (% A.I./g órgão) dos complexos Tc1 e Tc2................................................................................................. 63 Figura 2.16 - Cromatogramas de RP-HPLC do complexo Tc2 e amostras 64 xvii biológicas de ratinho CD-1 (detecção γ)........................................... Figura 2.17 - Unidade quelante pirazolo-diamina funcionalizada com um grupo carboxilato para conjugação a um bisfosfonato através de uma função amida.................................................................................... 66 Figura 2.18 - ESI-MS do composto L5: (A) modo negativo; (B) modo positivo..... 78 Figura 2.19 - Espectros de IV do precursor [Re(CO)3 (H2O)3]Br e dos complexos Re5 e Re6 em KBr, na região 2100 – 1500 cm-1............................... 87 Figura 2.20 - ESI-MS do complexo Re6: (A) modo negativo; (B) modo positivo... 88 Figura 2.21 - Cromatogramas de RP-HPLC dos complexos Re4, Re5 e Re6 (detecção UV, 254 nm), e os respectivos complexos análogos Tc4, Tc5 e Tc6 (detecção γ)...................................................................... 90 Figura 2.22 - Distribuição de actividade na tira de electroforese para Tc6.......... 91 Figura 2.23 - Percentagem de ligação de Tc5 e Tc6 à HA (1 h de incubação, a 37 °C) (n = 3)………………………………………………………………………………..…… 92 Figura 2.24 - Fixação de Tc4 - Tc6 nos órgãos mais representativos de ratinhos CD-1…………………………………………………………………………………………….. 94 Figura 2.25 - Biodistribuição (% A.I./g órgão) dos complexos Tc5 e Tc6, em ratinhos Balb-C……………………………………………………………….……………. 96 Figura 2.26 - Cromatogramas de RP-HPLC da preparação inicial de Tc4 e de urina e soro de ratinho CD-1, recolhidos 1 h após injecção deste complexo (detecção γ)…………………………………………………….…………… 98 Figura 2.27 - Radiocromatograma de 99mTc-MDP em (A) acetona e (B) NaCl 0,9 %............................................................................................................... 99 99m Figura 2.28 - Percentagem de ligação de Tc5, Tc6 e Tc-MDP à HA. A) 1h, 37 °C e B) 20 mg HA, 37 °C (n = 3)……………………………………………………. 99 Figura 2.29 - Biodistribuição (% A.I./g órgão) de Tc5 - Tc6 e 99mTc-MDP, em ratinhos CD-1 (A) e Balb-C (B)……………………………………………………… 101 Figura 2.30 - Razões de actividade no órgão alvo (osso) vs órgão não alvo para Tc5, Tc6 e 99mTc-MDP: A) ratinhos CD-1; B) Balb-c……….…………….. 102 Figura 2.31 - Excreção total (% A.I.) de Tc5, Tc6 e 99mTc-MDP, em ratinho CD-1 (n = 4)………………………………………………………………………………………….. 103 99m Figura 2.32 - Excreção total (% A.I.) de Tc5, Tc6 e Tc-MDP, em ratinho Balb-c (n = 4)…………………………………………………………………………………………………………… 104 Figura 2.33 - Imagem de corpo inteiro de rato Sprague Dawley, 2 h após injecção de Tc5, Tc6 e 99mTc-MDP, obtidas em câmara γ................ 104 Figura 2.34 - Estrutura química do docetaxel (taxotere) e do paclitaxel (taxol)… 107 Figura 2.35 - (A) Estrutura de raios-X do heterodímero de tubulina com um molécula de placlitaxel; (B) interacções determinadas por xviii 108 modelação molecular entre resíduos da unidade β-tubulina do cérebro (B-brain) e uma molécula de placlitaxel ou docetaxel…….. Figura 2.36 - Estratégias para a síntese de ligandos trifuncionais a partir do ácido glutâmico……………………………………………………………………………. 110 Figura 2.37 - Unidades para a funcionalização do ácido glutâmico…………………… 111 Figura 2.38 - Espectros de RMN de 31P em CDCl3, dos compostos 16 e 17………… 113 Figura 2.39 - ESI-MS (-) dos compostos 18, 19 e 20………………………………………………. 114 Figura 2.40 - Espectro de massa no modo negativo do composto 31 (impuro), obtido com ionização por electrospray………………………………………… 121 Figura 2.41 - Espectro de RMN de 1H do composto 33 em D2O………………………… 123 Figura 2.42 - ESI-MS (+) do composto 33………………………………………………………….. 124 Figura 2.43 - Cromatogramas de RP-HPLC do complexo Tc7 (detecção γ)………… 126 Figura 2.44 - Estrutura química da cisteína e da histidina…………………………………. 128 Figura 2.45 - Cromatogramas de RP-HPLC obtidos após injecção do complexo Tc7, na presença de A) cisteína e B) histidina (detecção γ)………….. 129 Figura 2.46 - Cromatogramas de RP-HPLC obtidos após injecção do complexo Tc7, em amostras de urina de ratinho CD-1 (detecção γ)…………….. 131 Figura 3.1 - Estrutura de raios - X do catião do complexo Re1 e ângulos e distâncias de ligação……………………………………………………………………. 138 Figura 3.2 - Resultados de biodistribuição (% A.I./g órgão) dos complexos Tc1 e Tc2……………………………………………………………………………………………. 140 Figura 3.3 - Biodistribuição (% A.I./g órgão) de Tc4 - Tc6 e 99mTc-MDP, em ratinhos CD-1……………………………………………………………………………….. 141 Figura 3.4 - Imagem de corpo inteiro de rato Sprague Dawley, 2 h após injecção de Tc5, Tc6 e 99mTc-MDP, obtidas em câmara γ……………… 144 Figura 3.5 - Representação das duas estratégias utilizadas para a síntese de complexos trifuncionais……………………………………………………………….. 145 Figura 3.6 - Síntese do composto L7 (η = 10 %)……………………………………………….. 145 Figura 3.7 - Estrutura química do intermediário ALN-Glu-succinil-DTX……………. 146 Figura 3.8 - Biodistribuição (% A.I./g órgão) de Tc7 em ratinhos CD-1…………….. 147 Figura 3.9 - Perspectiva para a funcionalização do ácido glutâmico……………….. 148 Figura 3.10 - Alternativa para a funcionalização do ácido glutâmico……………….. 148 Figura 3.11 - Síntese de um complexo trifuncional a partir de pz4-COOH 149 Figura A.1 - Ampliação do espectro de 1H - 1H COSY de L5, na zona δ 4,4 - 1,6 (D2O)……………………………………………………………………………………………. 229 Figura A.2 - Espectro de 1H – 13C HSQC de L5 (D2O)…………………………………………. 230 xix Figura A.3 - Espectro de 1H – 1H COSY de Re5 (D2O)……………………………………….. 231 Figura A.4 - Ampliação do espectro de 1H - 1H COSY de Re5 na zona δ 4,5 - 1,7. 232 Figura A.5 - Espectro de 1H – 13C HSQC de Re5 (D2O)………………………………………. 233 xx ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1.1 - Tipo de partículas, características físicas e aplicação terapêutica....... 9 Tabela 1.2 - Tumores primários com incidência de metástases ósseas ................. 18 Tabela 1.3 - Características físicas dos radionuclídeos utilizados para terapia e eficácia dos respectivos radiofármacos................................................ 20 Tabela 2.1 - Comprimentos (Å) e ângulos (°) de ligação mais significativos para o catião do complexo Re1………………………………………………………………….. 55 Tabela 2.2 - Rendimentos e condições experimentais na síntese de Tc1…...................................................................................................... 58 Tabela 2.3 - Tempos de retenção (min) obtidos nos cromatogramas de HPLC e valores de Log D…………………………………………………………………….………… 60 Tabela 2.4 - Resultados de biodistribuição (% A.I./g órgão) e excreção total (% A.I.) para os complexos Tc1 e Tc2 em ratinhos CD-1 fêmea................ 62 Tabela 2.5 - Condições experimentais estudadas para a síntese de 10 e 11 e rendimentos das reacções………………………………………………………………. 71 Tabela 2.6 - Dados de RMN dos compostos 8 e L4 em CDCl3 e D2O, respectivamente……….......................................................................... 74 Tabela 2.7 - Dados de RMN dos compostos 10 e L5 em D2O………........................... 75 Tabela 2.8 - Dados de RMN dos compostos 11 e L6 em D2O................................... 76 Tabela 2.9 - Dados de RMN dos compostos [Re(CO)3(κ3-pzAMDP)]+ e Re4 em D2O....................................................................................................... 83 Tabela 2.10 - Dados de RMN dos compostos Re5 e Re6 em D2O…………………………… 84 Tabela 2.11 - Dados de RMN de 31P de L4 - L6 e Re4 - Re6……………………………………. 86 Tabela 2.12 -Percentagem de ligação a 20 mg de HA, determinada para Tc5 e Tc6, em função do tempo de incubação a 37 °C.......................................... 93 Tabela 2.13 - Resultados de biodistribuição (% A.I./g órgão) e excreção total (% A.I.) para os complexos Tc4 - Tc6 em ratinhos CD-1............................ 94 Tabela 2.14 - Biodistribuição (% A.I./g órgão) e excreção total (% A.I.) para os complexos Tc5 e Tc6 em ratinhos Balb-c………….................................. 96 Tabela 2.15 - Fármacos conjugados a uma unidade bisfosfonato e correspondente indicação terapêutica……………………………………….................................. 106 Tabela 2.16 - Percentagem de ligação à hidroxiapatite determinada a 37 °C para o complexo Tc7, em função da massa de HA, e do tempo de incubação……………………………………………………….……………………….………. 127 Tabela 2.17 - Resultados de biodistribuição (% A.I./g órgão) e excreção total (% 130 xxi A.I.) para o complexo Tc7 em ratinhos CD-1…………………………..………… Tabela 2.18 - Biodistribuição (% A.I./g órgão) e excreção total (% A.I.) de Tc7, com e sem injecção de probenecide em ratinhos CD-1………………….………… 132 Tabela 3.1 - Avaliação biológica in vivo de Tc5, Tc6 e 99mTc-MDP em ratinho CD1…………………………………………………………………………………………….………… 142 Tabela 3.2- Avaliação biológica in vivo de Tc5, Tc6 e 99mTc-MDP em ratinho Balb-c………………..…………………………………………………………………..………… 143 Tabela 4.1- Dados cristalográficos do composto fac-[Re(CO)3(κ3-L1)]Cl (Re1)……. 192 Tabela 4.2- Resultados de biodistribuição (% A.I./órgão) após administração dos complexos Tc1 e Tc2 em ratinhos CD-1 fêmea…………………………………. 205 Tabela 4.3- Resultados de biodistribuição (% A.I./órgão) após administração dos complexos Tc4, Tc5 e Tc6 em ratinhos CD-1…………………………………….. 206 Tabela 4.4- Resultados de biodistribuição (% A.I./órgão) após administração dos complexos Tc5 e Tc6 em ratinhos Balb-c…………………………….……………. 206 Tabela 4.5- Resultados de biodistribuição (% A.I./órgão) após administração do complexo Tc7 em ratinhos CD-1……………………………………….……………… 207 Tabela 4.6- Resultados de biodistribuição (% A.I./órgão) após administração do complexo 99mTc-MDP em ratinhos CD-1 e Balb-C……………………………… 207 Tabela 4.7- Resultados de biodistribuição (% A.I./g órgão) após administração do complexo 99mTc-MDP em ratinhos CD-1 e Balb-C……………………….. 208 xxii ÍNDICE DE ESQUEMAS Esquema 1.1 - Síntese de oxo-complexos de 186Re, 99mTc e Re.............................. 29 Esquema 1.2 - Síntese do complexo 99mTc-HYNIC-HP (η = 39 %).......................... 32 Esquema 1.3 - Síntese dos complexos Pam-M-800 (M = Re, 99mTc)...................... 33 Esquema 1.4 - Síntese dos complexos M-CpTR-Gly-PAM (M = Re, η = 21 %, 186 Re, η = 8 %)............................................................................... 35 Esquema 1.5 - Síntese dos complexos M-dpa-ALN (M = 99mTc, 188Re, Re)............ 37 Esquema 2.1 - Síntese dos compostos com grupos éster e ácido monofosfónico.............................................................................. 43 Esquema 2.2 - Síntese dos complexos Re1 e Re2...................................................... 47 Esquema 2.3 - Síntese do precursor organometálico fac-[99mTc(CO)3(H2O)3]+..... 56 Esquema 2.4 - Síntese dos complexos Tc1 e Tc2................................................... 57 Esquema 2.5 - Síntese de aminobisfosfonatos: (A) AMDP; (B) PAM e ALN……….. 66 Esquema 2.6 - Síntese dos conjugados com bisfosfonatos L4 – L7……………….…… 68 Esquema 2.7 - Síntese dos intermediários 10 e 11……………………………………………. 69 Esquema 2.8 - Vias de síntese dos complexos Re4 - Re6…………………………………… 79 Esquema 2.9 - Síntese dos complexos Tc4 - Tc6……………………………………………….. 89 Esquema 2.10 - Síntese do ácido 4-amino-5-hidroxi-5,5-difosfonopentanoico (18)…………………………………………………………………………………………. 111 Esquema 2.11 - Síntese do intermediário 21 e tentativas de síntese dos compostos a - d………………………………….…………………………………… 115 Esquema 2.12 - Síntese do Me-PAM………………………………………………………………… 116 Esquema 2.13 - Tentativa de síntese do composto d………………………………..………. 117 Esquema 2.14 - Síntese do composto L7…………………………………………………………… 118 Esquema 2.15 - Síntese do intermediário 31 e estratégias para a síntese dos compostos f - g que não foram testadas…………………………………. 120 Esquema 2.16 - Síntese dos compostos 33 e 35 e estratégia para a síntese do composto j………………………………………………………………………………. 122 Esquema 2.17 - Síntese do composto 36…………………………………………………………. 125 Esquema 2.18 - Síntese do complexo Tc7…………………………………………………………. 126 Esquema 3.1 - Síntese dos ligandos bifuncionais L1 - L6…………………………………. 136 Esquema 3.2 - Síntese dos complexos Re1, Re2, Tc1 e Tc2 com a unidade monofosfonato…………………………………………………………………..…… 137 Esquema 3.3 - Síntese de Re4 - Re6 com unidades bisfosfonato…………………….. 137 Esquema 3.4 - Síntese dos complexos Tc1, Tc2, Tc4 - Tc6……………………….………. 139 xxiii xxiv ABREVIATURAS E SÍMBOLOS ADN Ácido desoxiribonucleico A.I./g Actividade injectada por grama de órgão ALN Alendronato BF Bisfosfonato BM Biomolécula ou molécula biologicamente activa Boc terc-butoxicarbonilo Bq Becquerel d Dupleto DCC N,N’-diciclohexilcarbodiimida DCU N,N’-diciclohexilureia DIPEA Diisopropiletilamina DMAP 4-(dimetilamino)piridina DMF N,N-dimetilformamida DMSA Ácido dimercapto-succínico DMSO Dimetilsulfóxido DOTP Ácido 1,4,7,10–tetraazaciclododecano-1,4,7,10–tetrafosfónico DTPA Ácido dietilenotriaminopentaacético DTX Docetaxel ECD Dímero de etilcisteína EDC N-(3-dimetilaminopropil)-N’-etilcarbodiimida cloridratada EDTMP Ácido etilenodiaminatetrametilenofosfónico ESI-MS Espetrometria de massa com ionização por electrospray Et Etilo fac Facial [18F]FDG [18F]-2-fluoro-2-deoxi-D-glicose Fmoc 9-Fluorenylmetoxicarbonilo g gramas Glu Ácido glutâmico h Hora HA Hidroxiapatite HATU Hexafluorofosfato de 2-(1H-7-azabenzotriazolo-1-il)-1,1,3,3tetrametiurónio xxv HBTU Hexafluorofosfato de 2-(1H-benzotriazolo-1-il)-1,1,3,3-tetrametiurónio HEDP Ácido 1-hidroxietano-1,1-difosfónico ou etidronato HMDP Ácido 1-hidroximetano-1,1-difosfónico HMPAO Hexametilopropilenoamino oxima HOBt Hidroxibenzotriazolo His Histidina HYNIC Ácido hidrazinonicotínico Hz Hertz ITLC Cromatografia em camada fina instantânea IV Infravermelho J Constante de acoplamento (em Hertz) entre dois núcleos L Ligando Log D logaritmo do coeficiente de partição octanol-água LET Transferência linear de energia m Multipleto MAG3 Mercaptoacetiltriglicina MAMA Monoaminamonoamida MAS3 S-acetilmercaptotriserina MDP Ácido metilenodifosfónico ou medronato Me Metilo MeOH Metanol min Minuto MRI Imagiologia por ressonância magnética NEt3 Trietilamina NHS N-hidroxisuccinimida NHS-sulfo N-hidroxi-3-sulfo-succinimida NMM N-metilmorfolina PAM Pamidronato PBS Tampão fosfato salino PET Tomografia de emissão de positrões PFF Pentafluorofenol Ph Grupo fenilo p.i. Após injecção (post-injection) Po/w Coeficiente de partição octanol/água ppm partes por milhão xxvi q Quarteto RMN Ressonância magnética nuclear RP-HPLC Cromatografia líquida de alta eficiência em fase reversa rpm Rotações por minuto s Singuleto SPECT Tomografia computorizada de fotão único t Tripleto t.a. Temperatura ambiente t1/2 Periodo de semi-desintegração TFA Ácido trifluoroacético TFF Tetrafluorofenol THF Tetrahidrofurano TLC Cromatografia em camada fina tR Tempo de retenção TSTU tetrafluoroborato de N,N,N’,N’-Tetrametil-O-(N-succinimidil)uronio UV Ultravioleta Å Angstron α Alfa °C Graus centigrados δ Desvio químico γ Gama η Rendimento kn Hapticidade de um ligando ν Frequência de vibração xxvii xxviii PREÂMBULO O equilíbrio dinâmico entre a reabsorção e a formação óssea mediada pelos osteoclastos e pelos osteoblastos, respectivamente, é a base fisiológica da remodelação do osso, que é regulada por um sistema complexo de factores locais e sistémicos [1-3]. A perturbação deste equilíbrio origina patologias metabólicas benignas e malignas osteo-articulares, como por exemplo a osteoporose, a doença de Paget, o tumor ósseo e outras doenças associadas à destruição do osso [1, 2, 4]. A osteoporose, patologia caracterizada pela perda de massa óssea e pela fragilização do osso, é considerada um problema grave de saúde pública e afecta milhões de pessoas em todo o mundo. Devido ao aumento da esperança de vida esta patologia está a aumentar, principalmente nas mulheres. No domínio da oncologia, os avanços terapêuticos têm também contribuído para o aumento da esperança média de vida, pelo que melhorar a qualidade da mesma tornou-se um desafio. Neste contexto, as metástases ósseas provocadas pelas doenças oncológicas têm merecido especial atenção visto que provocam complicações severas tais como dor óssea, fracturas patológicas, hipercalcémia e compressão da medula espinal. As metástases ósseas ocorrem em quase todos os tumores primários, sendo o tumor da próstata e o da mama os que mais metastizam (65 a 75 %) [5, 6]. Tendo em conta a elevada frequência com que ocorre a metastização e a diminuição da qualidade de vida daí decorrente, as metástases ósseas constituem também um problema de saúde pública de grande relevância. Durante os últimos 30 anos, os bisfosfonatos (BFs) estabeleceram-se como uma nova e eficaz classe de fármacos para o tratamento de patologias metabólicas benignas ou malignas do sistema osteo-articular. Com o objectivo de aumentar a potência dos BFs, como agentes de anti-reabsorção óssea, várias alterações na estrutura química destes compostos foram realizadas. Os aminobisfosfonatos (e.g. pamidronato e alendronato, figura 1) que, tal como o seu nome indica, possuem uma função amina para além da unidade BF, têm demonstrado uma potência anti1 Preâmbulo reabsortiva muito superior á dos BFs de primeira geração, como por exemplo o medronato (MDP) que só contém a função BF (figura 1). Devido à sua acção, estes compostos são reconhecidos como drogas efectivas na prevenção e na atenuação do aparecimento de fracturas ósseas, na compressão da medula espinal e na atenuação da dor associada ao aparecimento de metástases ósseas [7-11]. Figura 1 A acção in vivo destas moléculas deve-se à sua forte afinidade para ligação à hidroxiapatite (HA), nomeadamente para a apatite biológica cristalizada (Ca10(PO4)6(OH2)2, Ca / P = 1,66), que é o principal componente da matriz inorgânica do osso (69 %). Essa elevada afinidade é explicada pela possibilidade que têm para se coordenar aos iões Ca2+, através dos oxigénios desprotonados das unidades fosfonato. A ligação dos BFs ao osso previne o crescimento de cristais e também a dissolução da HA (modelos in vitro e in vivo), à semelhança do que já tinha sido observado para os pirofosfatos [7, 8, 12]. Para além destes efeitos, as propriedades anti-reabsortivas dos BFs têm sido correlacionadas com efeitos celulares nos osteoclastos. O sucesso clínico dos BFs está também associado à sua utilização como radiofármacos, que são compostos que têm na sua composição um elemento radioactivo e são utilizados para o diagnóstico ou terapia de certas patologias. No caso específico dos BFs, quando marcados com 99m Tc foram utilizados na clínica para o diagnóstico de metástases ósseas. As imagens do osso são obtidas devido à presença do radionúclideo 99mTc, que no seu processo de desintegração emite radiação γ. Assim, após injecção intravenosa dos BFs marcados com 99m Tc eles localizam-se no osso e a radiação emitida pelo radionuclídeo atravessa os tecidos e é detectada no exterior do corpo do paciente. Esta técnica nuclear, designada por Tomografia Computorizada de 2 Preâmbulo Fotão Único (SPECT), permite a obtenção de imagens designadas por cintigrafia óssea [13]. Os BFs para cintigrafia começaram a ser estudados, no início dos anos 70, por Subramanian, Perez, Yano e colaboradores. Estes investigadores sintetizaram e avaliaram in vivo vários compostos contendo grupos fosfonato, nomeadamente 99mTcHEDP (HEDP: ácido metilenodifosfónico) e 1-hidroxietano-1,1-difosfónico), 99m 99m Tc-MDP (MDP: ácido Tc-HDP (HDP: ácido 1-hidroximetano-1,1-difosfónico) [14- 17]. Alguns destes compostos foram aprovados nessa altura para utilização clínica, mas actualmente só o 99m Tc-MDP e o 99m Tc-HDP continuam a ser utilizados para obtenção de cintigrafias ósseas. Estes exames são normalmente recomendados para a detecção de metástases ósseas mas também para o estadiamento de tumores ou para a detecção de infecções ou de outras lesões traumáticas do osso [18]. Uma vantagem importante da utilização destes compostos é a elevada sensibilidade da técnica de imagem SPECT. A introdução nessa época destes radiofármacos sob a forma de kits contribuiu também para a sua popularidade. Os centros Medicina Nuclear recebiam uma mistura de reagentes liofilizados (kits) à qual adicionavam uma solução de [99mTcO4]- e a formação do complexo final ocorria quando o metal se coordenava ao bisfosfonato. Embora a verdadeira estrutura química destes compostos não seja conhecida, pensa-se que, após adição do [99mTcO4]-, se forma uma mistura de espécies [19, 20]. A fixação ao osso tem sido explicada considerando que após ligação do BF ao 99m Tc ainda restam alguns grupos BFs livres para ligação aos iões Ca2+, que se encontram expostos na superfície da HA. Esta fixação é mais significativa em zonas metabolicamente activas da matriz óssea o que permite a visualização de locais de elevada remodelação óssea [21]. A utilização de BFs como transportadores de radiação β- também foi aplicada com sucesso na preparação de radiofármacos para tratamento paliativo da dor óssea. Encontram-se actualmente em utilização clínica alguns compostos, como por exemplo o 153Sm-EDTMP (EDTMP: ácido etilenodiaminatetrametilenofosfónico), o 186Re-HEDP e o 188Re-HEDP [22-25]. 3 Preâmbulo Recentemente, os BFs têm também sido considerados bons veículos para diferentes tipos de fármacos que, após conjugação à unidade bisfosfonato, têm sido utilizados para tratamento específico de patologias osteo-articulares, como a osteoporose, a osteoartrite, infecções crónicas e tumor ósseo [26, 27]. O trabalho apresentado nesta tese tinha como principal objectivo explorar a química, radioquímica e o comportamento biológico, incluindo a afinidade para o osso, de novos complexos de 99m Tc contendo BFs. Pretendíamos explorar complexos deste metal com estrutura química bem definida e os que apresentassem boa afinidade para o osso deveriam ser ligados a moléculas citotóxicas. A síntese dos complexos análogos de 188Re ou de 186Re era também um dos objectivos. Assim, os novos complexos seriam constituídos por uma unidade BF, que conferia afinidade para o osso, uma molécula com acção citotóxica e um elemento radioactivo emissor de radiação ionizante (β) com capacidade para destruir células cancerígenas. Esperávamos que a utilização destes complexos multifuncionais pudesse apresentar vantagens sobre a utilização das actuais terapias múltiplas: quimioterapia seguida de radioterapia sistémica com um radiofármaco. No capítulo 1 apresenta-se uma introdução geral sobre medicina nuclear, oncologia e metastização óssea. Faz-se também uma breve referência ao tratamento paliativo da dor óssea e apresentamos os complexos de 186/188 Re e 99m Tc explorados até ao momento para terapia e diagnóstico de metástases ósseas. No capítulo 2 descreve-se a síntese, caracterização e avaliação biológica dos novos complexos de Re e 99m Tc contendo uma unidade monofosfonato ou bisfosfonato. Descrevemos ainda as vias de síntese exploradas para a obtenção de compostos contendo uma unidade citotóxica, um grupo bisfosfonato e um radionuclídeo emissor de radiação β. No capítulo 3 apresentam-se as conclusões finais e as perspectivas para continuar este trabalho. Finalmente, no capítulo 4 são apresentados todos os detalhes experimentais. 4 Nova secção Introdução 5 Capítulo 1 1 - Introdução 1.1 – MEDICINA NUCLEAR 1.1.1 – Radiofármacos: Conceitos Básicos A medicina nuclear é uma especialidade da medicina que recorre à administração de radiofármacos para diagnóstico ou terapia de certas patologias. Os radiofármacos são compostos sem acção farmacológica que contêm na sua composição um radionuclídeo emissor de radiação electromagnética e/ou partículas ionizantes. De um modo geral, os compostos concebidos para aplicação radiofarmacêutica deverão possuir determinadas propriedades, tais como: serem adequados para a administração em pacientes, serem estáveis in vivo e, idealmente, serem selectivos para o órgão alvo. Estes compostos são geralmente preparados sob a forma de uma solução injectável e a estabilidade é avaliada face à hidrólise, oxidação, redução, transquelatação e transmetalação. A selectividade e a farmacocinética dos compostos são avaliadas através de estudos de biodistribuição in vivo. No que diz respeito à farmacocinética, ela depende de vários factores, nomeadamente, solubilidade/lipofilía, carga ou peso molecular [28-31]. A selecção do radionuclídeo, em função das suas características nucleares, é fundamental pois determina a aplicabilidade do radiofármaco em diagnóstico ou terapia. Os radionuclídeos são nuclídeos instáveis que se transformam noutros elementos emitindo radiação γ e/ou partículas α, β-, β+ ou electrões Auger. A selecção de um radionuclídeo para diagnóstico ou terapia depende de diferentes parâmetros, tais como a natureza da radiação e/ou partículas emitidas, a sua energia, o período de semi-desintegração, o modo de produção, a pureza radionuclídica com que podem ser obtidos e o seu custo/disponibilidade. O período de semi-desintegração (t1/2) é o 7 1.Introdução tempo necessário para que o número de átomos radioactivos existentes num dado instante se reduza a metade [28, 32]. Os compostos radioactivos para terapia deverão possuir na sua composição um radionuclídeo emissor de partículas α, β- ou electrões Auger, pois este tipo de partículas é ionizante e permite a destruição dos tecidos alvo. O radionuclídeo deve possuir um período de semi-desintegração adequado à duração do tratamento e as partículas emitidas devem ter uma energia adequada às dimensões do tumor e à farmacocinética do radiofármaco. Os emissores β- têm sido os mais explorados, até ao momento, para a aplicações terapêuticas, sendo alguns exemplos o 32 P (t1/2 = 14,3 dias; Eβ-(max) = 1,71 MeV), 90Y (t1/2 = 2,7 dias; Eβ-(max) = 2,27 MeV), 131I (t1/2 = 8,0 dias; Eβ(max) = 0,81 MeV), 153Sm (t1/2 = 1,9 dias; Eβ-(max) = 0,8 MeV), 166Ho (t1/2 = 1,12 dias; Eβ-(max) = 1,86 MeV) e 177Lu (t1/2 = 6,7 dias; Eβ-(max) = 0,5 MeV). A emissão de raios γ pode acompanhar a emissão de partículas, como acontece por exemplo com o 131 I, 153 Sm, 166 Ho e 177 Lu, mas não contribui para a eficácia da terapia, aumentando apenas a dose de radiação para o paciente. No entanto, sempre que essa radiação γ tenha energia adequada para a obtenção de imagem pode tornarse vantajosa pois permite acompanhar in vivo a biodistribuição do radiofármaco e seguir a sua acção terapêutica [25, 33]. A investigação de radiofármacos com radionuclídeos emissores de partículas α ou electrões Auger encontra-se ainda numa fase inicial de investigação. No que diz respeito aos radionuclídeos emissores de partículas α, a maioria tem períodos de semidesintegração demasiado longos para serem compatíveis com a sua aplicação terapêutica. Por outro lado, a sua produção em larga escala e com pureza aceitável é ainda difícil, pelo que apenas o 211At (t1/2 = 7,2 h, Eα(média) = 6,8 MeV) e o 212Bi (t1/2 = 1 h, Eα(média) = 7,8 MeV) têm sido considerados para terapia. Os emissores de electrões Auger, tais como o 125 I (t1/2 = 60,5 d, 20 electrões/decaimento), 111In (t1/2 = 67,9 h, 15 electrões/decaimento), 195mPt (t1/2 = 4 d, 36 electrões/decaimento) e 99m Tc (t1/2 = 6,02 h, 4 electrões/decaimento), têm vindo a ser investigados para possível aplicação em terapia [25]. Os compostos com emissores 8 Capítulo 1 Auger, devido ao curto alcance destas partículas, têm que ser concebidos por forma a entrarem no núcleo das células tumorais e interactuarem com o ADN [34]. Como podemos observar através dos dados da tabela 1.1, a cada tipo de partícula (α, β- ou electrões Auger) está associado um determinado valor de transferência linear de energia (LET) e, consequentemente, um determinado alcance médio nos tecidos. Por esta razão, o tipo de partículas a seleccionar deverá depender das características do tumor. As partículas α ou os electrões Auger são mais adequados para o tratamento de pequenos aglomerados de células tumorais, enquanto as partículas β serão apropriadas para massas tumorais de maior dimensão. Tabela 1.1 – Tipo de partículas, características físicas e aplicação terapêutica [34, 35]. Tipo de partículas Alcance médio nos tecidos Transferência linear de energia Tipo de tratamentos β 1 – 12 mm (>50 diâmetros celulares) 0,2 KeV/µm Massas tumorais α 40 – 100 µm (algumas células) 80 keV/µm Electrões Auger <1 µm (núcleo celular) 4 keV/µm Células individuais ou clusters Células individuais Os radiofármacos utilizados para diagnóstico têm na sua composição radionuclídeos emissores de radiação γ ou de partículas β+. Idealmente, esses radionuclídeos devem ter periodos de semi-desintegração relativamente curtos, para minimizar a dose de radiação para o paciente, mas suficientemente longos para permitirem a preparação, administração, distribuição e acumulação do radiofármaco nos órgãos ou tecidos alvo e para permitir a aquisição da imagem [28]. 9 1.Introdução Em medicina nuclear existem duas técnicas para obtenção de imagem: a Tomografia de Emissão de Positrões (PET – Positron Emission Tomography) e a Tomografia Computorizada de Fotão Único (SPECT – Single Photon Emission Computerized Tomography). A técnica PET utiliza radiofármacos emissores de positrões (β+) e a SPECT utiliza radiofármacos emissores de radiação γ. Na técnica PET, a detecção simultânea de dois fotões γ de 511 KeV emitidos em direcções opostas, e que resultam de uma reacção de aniquilação entre o positrão emitido pelo radiofármaco e os electrões dos tecidos circundantes, permite a localização in vivo do radiofármao. Usando múltiplos detectores dispostos de um modo circular é possível adquirir imagens tridimensionais (figura 1.1). (A) (B) Figura 1.1 –(A) Câmara PET; (B) Princípio geral da técnica PET e obtenção de imagem. Os radionuclídeos usados em PET são na sua maioria produzidos por ciclotrão, sendo os mais utilizados o F (t1/2 = 110 min; Eβ+(max) = 0,64 MeV), 18 15 O (t1/2 = 2 min; Eβ+(max) = 1,72 MeV), 13N (t1/2 = 10 min; Eβ+(max) = 1,19 MeV), e 11C (t1/2 = 20 min; Eβ+(max) = 0,96 MeV). Todos estes radionuclídeos apresentam um período de semidesintegração curto, o que é uma desvantagem, especialmente para os centros de medicina nuclear que não possuam um ciclotrão [28, 36, 37]. O aparecimento recente de geradores de radionuclídeos emissores de positrões, tal como o gerador 68Ge/68Ga, aumenta a possibilidade de utilização da técnica PET. O 68Ge, a partir do qual se obtém 10 Capítulo 1 o 68 Ga, possui um período de semi-desintegração de 270,8 dias o que permite a manufactura de sistemas de geradores de longa duração (entre 1 a 2 anos) [38-40]. A técnica SPECT utiliza radiofármacos que têm na sua composição radionuclídeos emissores γ como o 99mTc (t1/2 = 6,02 h, Eγ (89 %) = 140 KeV), 111In (t1/2 = 67,9 h, Eγ (90 %) = 245 KeV), 123I (t1/2 = 13,20 h, Eγ (84 %) = 159 KeV), 67Ga (t1/2 = 78,26 h, Eγ = 92 KeV (64 %), 180 KeV (24 %), 300 KeV (22 %)), e 201Tl (t1/2 = 72 h, Eγ = 167 KeV (10 %), 135 KeV (3 %)). A energia da radiação γ emitida por estes radionuclídeos está compreendida entre 80 e 300 KeV, valores que são adequados para que sejam detectados com eficiência pela câmara SPECT actualmente em utilização [41-43]. As técnicas PET e SPECT, quando comparadas com outras técnicas convencionais de imagem, nomeadamente com a tomografia computorizada (CT) e a imagiologia por ressonância magnética (MRI), possuem uma sensibilidade superior. Além disso, uma vantagem fundamental associada às técnicas nucleares relaciona-se também com a possibilidade de, simultaneamente, se poder obter informação morfológica e funcional dos órgãos e tecidos alvo em estudo. Por exemplo, a função cardíaca pode ser avaliada após administração de um dado radiofármaco e a aquisição de imagem pode ser realizada em situação de repouso ou de esforço físico. Outro exemplo consiste na avaliação da função renal, após administração de um radiofármaco e aquisição de imagens ao longo do tempo [28]. Como exemplo, apresentam-se na figura 1.2 imagens renais e um renograma, obtidos após administração de 99m Tc-MAG3, que é um radiofármaco de perfusão utilizado para estudar a morfologia e a função renal. A avaliação das imagens, em conjugação com o renograma, permite concluir que o rim esquerdo apresenta uma anomalia de funcionamento. 11 1.Introdução Rim Esquerdo Rim Direito 2 - 3 minutos - Captação Rim Direito Rim Esquerdo 19 - 20 minutos - Excreção Contagens/min minutos Rim Direito Rim Esquerdo Figura 1.2 - Imagem SPECT renal, em função do tempo, após injecção de 99mTc-MAG3 [44]. Qualquer uma destas técnicas, SPECT e PET, permite também obter informação in vivo, ao nível molecular, podendo quantificar a sobre-expressão de receptores, enzimas ou outros alvos moleculares [45]. Na figura 1.3, podem observar-se as imagens obtidas por SPECT e PET, após injecção de [99mTc]TRODAT e [18F]FDG, emissores γ e β+, respectivamente. O [99mTc]TRODAT possui especificidade para os transportadores da dopamina, permitindo detectar a sub-expressão destes alvos moleculares nos pacientes com a doença de Parkinson. A [18F]FDG permite a detecção de determinadas patologias onde o metabolismo da glucose é alterado relativamente ao normal. Como se mostra na figura 1.3, apesar deste composto não ser específico para nenhum receptor ou alvo molecular, permite a detecção da doença de Alzheimer pelo facto do metabolismo da glucose estar diminuído. 12 Capítulo 1 PACIENTE COM PARKINSON INDIVÍDUO SAUDÁVEL SPECT: [99mTc]Trodat PACIENTE COM ALZHEIMER INDIVÍDUO SAUDÁVEL PET: [18F]FDG Figura 1.3 - Imagem cerebral obtida por SPECT (em cima) e PET (em baixo), após injecção de [99mTc]TRODAT e [18F]FDG, respectivamente [46, 47]. 1.1.2 - Radiofármacos de 99mTc O tecnécio – 99m é o radioisótopo mais utilizado em exames de diagnóstico, o que se deve essencialmente às propriedades nucleares acima referidas (t1/2, Eγ(max)), à sua disponibilidade a baixo custo, ao modo de fornecimento (gerador de 99Mo/99mTc) e à sua química variada. Os radiofármacos que têm este elemento na sua composição, podem ser classificados genericamente de acordo com as suas características de biodistribuição como agentes de perfusão (figura 1.4, A) ou como agentes específicos (figura 1.4, B). Os radiofármacos de perfusão são compostos cujas propriedades físico-químicas, nomeadamente o tamanho, carga e lipofilia, determinam a sua biodistribuição. Os radiofármacos específicos são compostos cuja biodistribuição depende das suas propriedades físico-químicas, mas também da natureza da biomolécula que existe na sua composição. Quando um radiofármaco específico contém na sua composição um elemento de transição ou de pós-transição é normal que este seja estabilizado por um ligando bifuncional. O ligando bifuncional é um composto orgânico que 13 1.Introdução simultaneamente estabiliza o elemento de transição ou pós-transição, ao qual se coordena, mas também estabelece a ligação desse elemento a uma biomolécula que pode ser, por exemplo, um péptido, um anticorpo monoclonal ou uma pequena molécula com especificidade para um dado alvo [43]. (A) Radiofármaco de perfusão (B) Radiofármaco específico Figura 1.4 - Representação esquemática de um radiofármaco que contém um elemento de transição ou pós-transição: (A) de perfusão e (B) específico. O pertecnetato de sódio (Na[99mTcO4]) foi o primeiro composto de tecnécio a ser administrado a doentes para visualização da tiróide, onde se fixava devido ao facto de ter uma carga idêntica à do ião iodeto, que também se acumula preferencialmente nesta glândula [48]. De seguida, surgiram outros radiofármacos de perfusão de 99mTc, onde o metal, num estado de oxidação reduzido, era estabilizado por ligandos com estruturas conhecidas (figura 1.5). Por exemplo, os complexos glucoheptonato, 99m Tc-DMSA e 99m 99m Tc-gluconato, 99m Tc- Tc-DTPA localizavam-se nos rins e serviam para o estudo da função renal. Os complexos 99mTc-MDP, 99mTc-HMDP e 99mTc-HEDP surgiram também nessa época para o estudo do osso [49]. 14 Capítulo 1 Figura 1.5 – Estruturas de ligandos utilizados para preparação de radiofármacos de 99mTc desenvolvidos antes de 1980. (DMSA, ácido dimercapto-succínico, DTPA, ácido dietilenotriaminapentaacético, MDP, ácido metilenodifosfónico ou medronato, HMDP, ácido 1-hidroximetano-1,1-difosfónico e HEDP, ácido 1-hidroxietano-1,1difosfónico ou etidronato). Quando surgiram estes radiofármacos a química básica do tecnécio não estava muito desenvolvida e a caracterização estrutural dos novos complexos não era um requisito indispensável para a sua aprovação clínica. Na década de 80 do século passado, outros radiofármacos de perfusão com estrutura bem definida foram introduzidos no mercado. Por exemplo, os complexos neutros e lipofílicos 99m Tc-ECD e 99m Tc-HMPAO são agentes de perfusão cerebral, os complexos catiónicos e lipofílicos 99mTc-Sestamibi e 99mTc-Tetrofosmina são agentes de perfusão do miocárdio e o 99mTc-MAG3 aniónico é um agente de perfusão renal (figura 1.6) [49]. R N R N C R N C C Tc C N R R= 99m Tc-ECD (Neurolite®) Uso clínico: perfusão cerebral 99m TcHMPAO (Ceretec®) Uso clínico: perfusão cerebral 99m Tc-MAG3 (Technescan® MAG3) Uso clínico: imagem renal 99m TcTetrofosmina (Myoview®) Uso clínico: perfusão do miocárdio C N R C N R OMe 99m Tc-Sestamibi (Cardiolite®) Uso clínico: perfusão do miocárdio; tumor da mama Figura 1.6 – Radiofármacos de perfusão em utilização clínica. 15 1.Introdução Mais recentemente, tem-se desenvolvido uma investigação intensa no sentido de encontrar radiofármacos específicos. Os avanços científicos conseguidos devem-se em parte à intensa investigação em biologia molecular e, consequentemente, à identificação e compreensão dos mecanismos moleculares responsáveis pelo aparecimento de determinadas patologias. De toda esta temática surgiu o conceito de imagiologia molecular que consiste na visualização, caracterização e medição in vivo e em tempo real de processos biológicos que decorrem ao nível celular ou molecular. Comparativamente a outras técnicas convencionais, a Imagiologia Molecular pode permitir um diagnóstico precoce de certas patologias, visto que as alterações a nível molecular precedem as alterações anatómicas. [38, 50-57]. Na figura 1.7 apresentam-se as estruturas químicas de dois exemplos de radiofámacos específicos de 99mTc, nomeadamente o 99mTc-Depreotide (NeoTect®) e o 99m Tc-Apcitide (Acutect®) [32]. O 99m Tc-Depreotide é um oxo-complexo de 99m Tc(V) estabilizado por um ligando tetradentado ligado a um péptido análogo da somatostatina. Este radiofármaco permite a localização de tumores pulmonares porque reconhece os receptores da somatostatina, que estão sobreexpressos neste tipo de tumores. O 99mTc-Apcitide é um oxo-complexo monoaniónico de 99mTc(V) estabilizado por um ligando tetradentado ligado a um péptido sintético que permite a visualização de tromboses venosas agudas nas extremidades inferiores. A especificidade deste radiofármaco advém da sua interacção específica com os receptores GPIIb/IIIa que estão sobreexpressos nas plaquetas activadas, componente principal na formação activa de trombos. 16 Capítulo 1 99m Tc-Apcitide (Acutec®) 99m Tc-Depreotide (NeoTect®) Figura 1.7 - Estruturas de dois radiofármacos específicos em utilização clínica. 1.2 - ONCOLOGIA E METASTIZAÇÃO ÓSSEA A diferença essencial entre tumores benignos e malignos reside no facto dos primeiros serem facilmente controláveis e não cancerígenos, enquanto os segundos têm a capacidade de metastizar ou invadir outros tecidos. A probabilidade de formação de metástases ósseas, após o aparecimento de um tumor primário maligno, depende do tipo de tumor diagnosticado. Na tabela 1.2 apresentam-se alguns tumores primários bem como a sua probabilidade de metastização óssea. Por exemplo, a percentagem de incidência de metástases ósseas encontra-se entre 65 e 75 % nos pacientes com cancro de mama ou próstata e entre 70 e 95 % nos pacientes com mieloma. Outros tumores primários estão também associados ao aparecimento de metástases ósseas embora com menor incidência, nomeadamente o tumor da tiróide (60 %), do pulmão (30 – 40 %), do rim (20 – 25 %), melanoma (14 - 45 %) e da bexiga (40 %) [58]. 17 1.Introdução Tabela 1.2 – Tumores primários com incidência de metástases ósseas. Tumor primário Incidência Metastização Óssea (%) Mieloma Mama Próstata Tiróide Pulmão Rim Melanoma bexiga 70 - 95 65 - 75 65 - 75 60 30 - 40 20 - 25 14 - 45 40 Como esquematizado na figura 1.8, a metastização óssea ocorre quando as células tumorais conseguem separar-se de um tumor primário (A), seguindo-se a angiogénese, isto é, a formação de novos vasos sanguíneos que facultam o fornecimento de nutrientes e oxigénio às células do tumor (B), a invasão de células malignas através da circulação sanguínea (C), embolismo (D), retenção das células malignas seguida da adesão em capilares do tecido ósseo distante (E e F), extravasão (G) e a proliferação no microambiente ósseo. A. Tumor primário B. Formação de novos vasos sanguíneos C. Invasão de tecidos adjacentes D. Embolismo E. Retenção em capilares de tecidos ósseos distantes F. Adesão G. Extravasão do caplilar sanguíneo Figura 1.8 – Processo de metastização óssea. Adaptado de [59]. 18 Capítulo 1 A metastização ósse ssea provoca o enfraquecimento sucessivo do osso e origina um conjunto de patologi logias, tais como dor óssea, fracturas, hipercalcémia hip e compressão da medula espin espinal. Frequentemente, a do dor óssea é o primeiro sinal de metastizaçã ização, ao qual se seguem as fracturas, a lib libertação de cálcio (hipercalcémia) e final inalmente poderá ocorrer a compressão daa m medula espinal [58]. Tendo em conta a elevada eleva frequência com que ocorrem e a diminu minuição da qualidade de vida que provocam nos no pacientes, as metástases ósseas constitue ituem um problema de saúde pública de grande nde relevância. os e Tratamento da Dor Relacionada com Metá etástases Ósseas 1.2.1 - Cuidados Paliativos tástases ósseas tem como objectivo aliviar a dor, do prevenir as A terapia das metásta fracturas patológicas e conservar a actividade e mobilidade,, aumentando a a sobrevivência. De acordo o co com a avaliação clínica do paciente o tratam tamento pode ser local, através de cirurgia gia e radioterapia externa, ou sistémico, isto é utilizando analgésicos, hormonoterap erapia, quimioterapia, radiofármacos ou bisfosfonatos bisfo (BF) (figura 1.9) [6, 22, 60]. TRATAMENTO PALIATIVO DE METÁSTASES ÓSSEAS SISTÉMICO LOCAL Radiotera terapia Externa terna Analgésicos sicos Hormonotera terapia Cirurgi urgia Quimioterap erapia Bisfosfonato natos Radiofármac macos Figura 1.9 – Terapia paliativa iva d de metástases ósseas. Adaptado de [61]. 19 1.Introdução A utilização de analgésicos e anti-inflamatórios é recomendada como primeira abordagem pela Organização Mundial de Saúde sendo utilizada rotineiramente no combate à dor [62, 63]. Porém, a utilização de analgésicos origina efeitos secundários, que podem ser mais graves do que a própria dor óssea. Além disso, como esses fármacos não agem directamente sobre a evolução das metástases, recomenda-se frequentemente a utilização de doses crescentes ou a utilização de abordagens terapêuticas diferentes, como a cirurgia, terapia hormonal, quimioterapia e/ou utilização de bisfosfonatos. A radioterapia externa é frequentemente utilizada, com efeitos paliativos consideráveis da dor localizada, sendo particularmente útil no tratamento da compressão da medula óssea, ou sempre que existam fracturas de risco elevado. No entanto, esta modalidade terapêutica envolve toxicidade medular e alguma incerteza quanto à natureza dos efeitos na estrutura do osso [58]. Para tratamento paliativo da dor óssea os radiofármacos utilizados são emissores β-. Na tabela 1.3 apresentam-se algumas das características físicas dos radionúclideos que são considerados como paliativos da dor óssea. A eficácia deste tipo de tratamento no alívio da dor óssea foi avaliada para alguns dos radiofármacos em utilização clínica e oscila entre 50 e 92 % [22-25]. Tabela 1.3 – Características físicas dos radionuclídeos utilizados para terapia e eficácia dos respectivos radiofármacos. Radionuclídeo Radiofármaco 32 P 32 Na3 PO4 1.71 --- 8 57 – 92 % SrCl2 50.5 1.46 0.91 (0.01%) 6.7 57 – 83.6 % Sm-EDTMP 1.9 0.81 0.103 (28%) 3.4 61.5 – 84% 3.7 1.07 0.137 (9%) 4.7 50 – 92 % Re-HEDP Lu-EDTMP 177 Lu-DOTP 0.7 2.12 --- 3 6.7 0.497 0.208 (11%) 1.8 60 – 92% Avaliação pré-clinica 166 1.1 1.86 0.081 (6.2%) 8.6 Avaliação pré-clinica 89 Sr Sm 186 188 153 Re 186 Re 188 Re-HEDP 177 177 Lu 166 Ho 20 Alívio da dor 14.3 89 153 Meia-Vida EnergiaMax(β) Energia (γ) Alcance máximo (MeV) (MeV) t1/2 (d) (mm) Ho-DOTP Capítulo 1 O Fósforo-32 (Na332PO4) e o estrôncio-89 (89SrCl2) foram os primeiros compostos aprovados para o tratamento paliativo da dor óssea. A sua afinidade natural para o osso metabolicamente activo com actividade osteoblástica elevada permite que sejam incorporados na HA após injecção intravenosa [22]. Devido a várias limitações, incluindo elevada mielotoxicidade, a utilização clínica do 32 P diminuiu consideravelmente desde os anos 80. Desde então têm sido mais utilizados o (89SrCl2), 153 Sm (153Sm-EDTMP), 186 Re (186Re-HEDP) e Complexos contendo os radionuclídeos 177 Lu e 89 Sr 188 Re (188Re-HEDP) [22]. 166 Ho estão ainda numa fase de avaliação clínica. Ao contrário do 32P e do 89Sr, os restantes radioisótopos são utilizados após coordenação a ligandos polidentados contendo grupos fosfonato. Na figura 1.10 apresenta-se a estrutura proposta para o complexo 153Sm-EDTMP [25]. Figura 1.10 – Estruturas do EDTMP (ácido etilenodiaminatetrametilenofosfónico) e respectivo complexo com 153Sm. 1.2.2. - Bisfosfonatos: Mecanismo de Acção Como se mostra na figura 1.11 os bisfosfonatos (BFs) são análogos do pirofosfato endógeno. OH R1 OH O P C P OH R2 OH Bisfosfonato OH OH O O P OH O P O OH Ácido pirofosfórico Constituinte Fisiológico Figura 1.11 – Estrutura geral dos bisfosfonatos e do ácido pirofosfórico. (R1 = H ou OH, R2 = grupo substituinte que interfere na acção biológica dos BFs). 21 1.Introdução Na estrutura dos BFs, a ligação entre os dois grupos fosfato é feita através de um átomo de carbono (P – C – P), enquanto no pirofosfato esta ligação é feita através de um átomo de oxigénio (P – O – P). Esta diferença química torna os BFs resistentes à degradação enzimática in vivo, e por isso adequados para utilização clínica. As propriedades como agentes inibidores da calcificação, bem conhecidas para os pirofosfatos, foram pela primeira vez observadas para os análogos BFs por Fleisch em 1968 [64]. Após esta descoberta, foram ainda necessários vários anos até que os BFs fossem introduzidos na clínica como agentes de anti-reabsorção óssea. Actualmente, esta classe de compostos encontra-se bem estabelecida e a sua acção é utilizada em desordens comuns do esqueleto, nomeadamente na osteoporose, doença de Paget e metástases ósseas [1-4]. Desde a sua introdução, a estrutura básica dos BFs (R1 = R2 = H) tem vindo a ser alterada por forma a aumentar a sua eficiência clínica [65]. Na figura 1.12 mostram-se os diferentes BFs sintetizados até ao momento (R1 ≠ R2). O P P O O OH OH OH OH Cl P Cl P O OH OH OH OH HO O Medronato (MDP) Clodronato P HO P O Cl S P HO P O O OH OH OH OH P H2N HO O P O OH OH OH OH P N HO O Pamidronato OH OH OH OH Tiludronato Etidronato (HEDP) O H2N OH OH OH P OH O CH3 P P OH OH OH OH O Alendronato Ibandronato O P N N HO P O Minodronato OH OH OH OH O P HO N P O OH OH OH OH P N N HO P O O Risedronato Zoledronato OH OH OH OH Figura 1.12 – Estrutura química de bisfosfonatos. Os BFs de primeira geração, considerados os menos potentes, são o medronato, clodronato, etidronato e tiludronato (figura 1.12). Posteriormente, 22 Capítulo 1 verificaram que a afinidade dos BFs para a hidroxiapatite (HA) era mais elevada quando R1 = OH, o que se deve provavelmente à coordenação tridentada dos BFs ao Ca2+ da HA [66]. Assim, os BFs das gerações seguintes possuem todos um grupo hidroxilo (R1 = OH). O grupo R2 tem vindo a ser modificado, sendo a sua natureza aparentemente determinante para a potência destes compostos enquanto inibidores da reabsorção óssea [8, 67, 68]. Nos aminobisfosfonatos, tais como o pamidronato e alendronato, os grupos aminoetil ou aminopropil torna-os 10 a 100 vezes mais potentes do que os compostos de primeira geração. Posteriormente, demonstraram que os compostos de terceira geração, risedronato [69] e zoledronato [70], são ∼ 10 000 vezes mais potentes do que os de primeira geração, o que parece estar relacionado com a presença de aminas cíclicas na sua estrutura. Apesar da estrutura óssea parecer sólida e estável, está sujeita a uma constante renovação. Existem determinadas células, os osteoclastos, que removem cálcio do osso, enquanto outras células, os osteoblastos, repõem esse cálcio (figura 1.13). Em certas patologias, este processo fica desequilibrado e quando o cálcio é removido da estrutura óssea mais rapidamente do que é substituído surge a osteoporose. A acção dos BFs reduz este problema inibindo a actividade dos osteoclastos [3, 71, 72]. Osteoblastos Formação Matriz orgânica do osso Osteoclastos Reabsorção Matriz inorgânica do osso Figura 1.13 – Processo de renovação óssea promovido pela acção dos osteoblastos e osteoclastos. (Representação esquemática de reabsorção óssea excessiva, mediada por osteoclastos, não compensada pela formação óssea mediada por osteoblástos, que se pode verificar, por exemplo, na presença de patologias como a osteoporose). Adaptado de [73]. 23 1.Introdução De acordo com Rogers e colaboradores [74], os bisfosfonatos de primeira geração actuam como pró-drogas, sendo convertidos em metabolitos activos, que sofrem acumulação intracelular in vivo nos osteoclastos inibindo a sua acção e provocando a apoptose destas células. Os aminobisfosfonatos não sofrem metabolização mas actuam como inibidores dos componentes da via de biossíntese do colesterol. Existe também evidência pré-clinica da acção antitumoral dos BFs, mas este princípio é ainda controverso na classe médica, necessitando de confirmação adicional [67, 75-78]. 1.3 - COMPLEXOS DE 186/188 Re e 99m Tc PARA TERAPIA OU DIAGNÓSTICO DE METÁSTASES ÓSSEAS 1.3.1 – Considerações Gerais O Re e Tc têm propriedades químicas semelhantes formando complexos estruturalmente análogos. No entanto, existem diferenças significativas entre estes dois elementos, nomeadamente a maior facilidade de oxidação e inércia cinética dos complexos de Re. Na literatura podemos encontrar vários exemplos onde a mesma estrutura é atribuída a complexos de 99mTc, 186/188Re ou Re natural [38, 41, 79-81]. Os radionuclídeos 99m Tc e 188 Re são obtidos a partir dos geradores 188 W/188Re, respectivamente. O nucleares por irradiação de 186 99 Mo/99mTc e 186 Re é um radionuclídeo produzido em reactores 185 Re com neutrões (185Re(n,γ)186Re). O Re são obtidos sob a forma de permetalatos [MO4]- (M = 99m Tc, 99m 188 Tc, 188 Re e o Re e o 186 Re) encontrando-se o metal no estado de oxidação +7. Para a preparação de muitos dos complexos destes elementos, que estão em utilização clínica ou pré-clínica, o permetalato tem que ser reduzido a um estado de oxidação mais baixo. O estado de oxidação final depende do agente redutor, das condições reaccionais e da natureza do agente quelante. 24 Capítulo 1 Da gama de estados de oxidação possíveis (-1 a +7) para o Re e Tc, o +5 tem sido o mais explorado para aplicações radiofarmacêuticas. Um dos redutores mais utilizados para a preparação de compostos de 99m Tc(V) tem sido o cloreto estanoso (SnCl2.2H2O). Podem ainda utilizar-se outros redutores, tais como o borohidreto de sódio (NaBH4), o ditionito de sódio (Na2S2O4), as hidrazinas ou as fosfinas terciárias, dependendo do estado de oxidação final pretendido. O pH, temperatura e concentração dos reagentes têm também que ser optimizados [28]. O Re e Tc no estado de oxidação +5 podem formar complexos com os seguintes fragmentos metálicos: [M = O]3+, trans-[MO2]+, [M ≡ N]2+ e [M-HYNIC](HYNIC = ácido 6-hidrazinonicotinico) [79]. Os complexos com a unidade [M = O]3+ apresentam normalmente uma geometria de coordenação do tipo pirâmide quadrangular e os ligandos mais utilizados para estabilizar esta unidade têm sido do tipo diaminaditiol, diamidaditiol, monoamidamonoaminaditiol ou triamidatiol. Muitos dos radiofármacos em utilização clínica possuem esta unidade e são estabilizados por ligandos deste tipo: 99m 99m Tc-ECD, Tc-HMPAO e 99mTc-MAG3, 99mTc-Depreotide e 99mTc-Apcitide (figuras 1.6 e 1.7). Os complexos com a unidade trans-[MO2]+ apresentam normalmente uma geometria de coordenação octaédrica. Os dois ligandos oxo ocupam as posições axiais e as equatoriais são ocupadas por quatro ligandos monodentados, ou por um ligando tetradentado doador de N. Os complexos com a unidade nitreto [M ≡ N]2+ podem ser estabilizados por dois ligandos bidentados ou por uma bisfosfina do tipo PXP (X = S ou NR) e por um ligando bidentado doador de S, N ou O, que pode eventualmente estar ligado a uma biomolécula. Na figura 1.14 mostra-se a estrutura de alguns destes complexos [38, 82]. Figura 1.14 - Complexos com a unidade nitreto [M ≡ N]2+. 25 1.Introdução Os complexos com a unidade [M-HYNIC] são normalmente estabilizados utilizando co-ligandos do tipo ácido etilelenodiaminadiacético, tricina, ou ligandos monodentados do tipo piridina, imidazol ou fosfina hidrossolúvel. Na figura 1.15 apresentam-se exemplos de complexos com a unidade [Tc-HYNIC] explorados nos estudos que envolvem a concepção de radiofármacos específicos [79]. Figura 1.15 - Complexos com a unidade [99mTc -HYNIC]. Recentemente, foi introduzido o precursor organometálico fac- [99mTc(H2O)3(CO)3]+, por Alberto e colaboradores, que desencadeou o interesse pela investigação de novos complexos no estado de oxidação +1. A facilidade de preparação deste precursor, a robustez química da unidade fac-[99mTc(CO)3]+ e a labilidade das três moléculas de água tornaram esta química aliciante para aplicações médicas [83]. O precursor fac-[99mTc(H2O)3(CO)3]+ reage com uma série de ligandos de denticidade variável por substituição de uma, duas ou três moléculas de água. Os estudos realizados mostraram que a unidade fac-[99mTc(CO)3]+ forma complexos estáveis quando é estabilizada por ligandos tridentados, independentemente da sua carga ou conjunto de átomos doadores. Através da escolha criteriosa dos ligandos, os complexos formados apresentam um carácter catiónico, neutro ou aniónico, o que pode facilitar o controlo das suas propriedades físico-químicas e da sua farmacocinética (figura 1.16) [41, 81, 84, 85]. Figura 1.16 – Exemplos de complexos de tricarbonilo de Tc(I) com ligandos tridentados. 26 Capítulo 1 1.3.2 – Complexos para Visualização e/ou Terapia de Metástases Ósseas Tal como já foi referido anteriormente, o 99m 99m Tc-MDP (Technescan MDP®) e o Tc-HDP (Osteoscan HDP®) são os dois radiofármacos, em utilização clínica para o diagnóstico de metástases ósseas, especialmente em casos de cancro da próstata e da mama [22-25, 60]. Complexos análogos de 186/188 Re foram também preparados e avaliados para a terapia paliativa da dor óssea. O 186Re-HEDP já foi aprovado em alguns países da Europa [60] e o 188Re-HEDP encontra-se em ensaios clínicos [86-90]. Apesar do sucesso obtido com estes radiofármacos eles apresentam várias limitações que estão relacionadas com a sua falta de especificidade, lenta depuração sanguínea e desconhecimento da sua real estrutura química [91]. Com base em estudos de HPLC (Cromatografia líquida de alta eficiência), sabe-se que estes complexos não são uma espécie única e bem definida. Em solução existe uma mistura de espécies, cuja composição varia ao longo do tempo e cada uma dessas espécies possui propriedades biológicas diferentes, tais como selectividade e estabilidade [92, 20]. Na tentativa de compreender qual a estrutura química do complexo MDP, vários esforços têm sido realizados a nível macroscópico utilizando 99m Tc- 99 Tc ou Re. Num desses estudos obtiveram monocristais adequados à análise de raios-X e com base nessa análise demonstraram a existência de um polímero com composição estequiométrica [Tc(MDP)(OH)-]∞. Verificaram que cada ligando MDP estabelecia uma ponte entre dois átomos de tecnécio [figura 1.17 (A)] e cada Tc estava ligado a dois ligandos MDP [figura 1.17 (B)]. A repetição polimérica completava-se com um átomo de oxigénio, provavelmente um hidroxilo, que estabelecia a ponte entre dois átomos de Tc. A geometria de coordenação era aproximadamente octaédrica, mas o estado de oxidação continua incerto, pois não foi possível concluir se seria um grupo oxo ou um grupo hidroxilo que estabelecia a ponte entre os dois átomos de Tc [21]. 27 1.Introdução Figura 1.17 - Fracções do polímero [Tc(MDP)(OH)-]∞. (A) O ligando MDP estabelecendo a ponte entre dois centros Tc; (B) O metal estabelece a ligação entre dois ligandos de MDP. Adaptado de [93]. Uma outra desvantagem relacionada com o 99m Tc-MDP e 99m Tc-HDP é o facto dos BFs serem ligandos fracos, pelo que estes complexos se oxidam in vivo, regenerando [MO4]- (M = 99m Tc, Re). Esta oxidação contribui para diminuir a fixação óssea e para aumentar a dose acumulada nos tecidos moles [94]. No sentido de ultrapassar algumas das desvantagens do 99mTc-MDP, 99mTc-HDP e 186/188 99m Re-HEDP, vários investigadores têm tentado conceber novos complexos de Tc e 188/186 Re contendo bisfosfonatos para diagnóstico e/ou terapia de metástases ósseas. De todas as estratégias adoptadas, as mais bem sucedidas foram as que utilizaram ligandos bifuncionais que permitem, estabilizar o metal de forma eficaz e bem definida, e ligar este ao grupo bisfosfonato, que fica totalmente disponível para ligação ao osso. Com este tipo de aproximação bifuncional seria de esperar que fossem sintetizados complexos com estrutura bem definida e que a afinidade para o osso fosse superior, comparativamente à afinidade dos complexos em que o bisfosfonato é utilizado simultaneamente para estabilizar o radionuclídeo e para ligação ao osso. No caso concreto do Tc(V) todos os complexos isolados e avaliados biologicamente contêm as unidades metálicas [M = O]3+ e [M]HYNIC (M = 186/188 Re) (esquema 1.1, 1.2 e 1.3). 28 99m Tc e/ou Capítulo 1 No esquema 1.1 apresentam-se os oxo-complexos que foram estudados para visualização e/ou terapia de metástases ósseas. Nestes complexos a unidade [M = O]3+ é estabilizada por ligandos tetradentados, do tipo N2S2 e N3S. Esquema 1.1 - Síntese de oxo-complexos de 186Re, 99mTc e Re. i) Ligando correspondente, SnCl2.2H2O, pH ~12, temperatura ambiente; 186 ii)186Re-MAMA-BP (η = 30 %) 1. síntese de Re-glucoheptonato: glucoheptonato, SnCl2.2H2O, pH 8.6, a) 80 °C, 10 min; b) temperature ambiente, 50 min; 2. MAMA-BP, tampão acetato (pH 3.0), 80 °C, 10 min; 186 Re-MAMA-HBP (η = 54 %) 186 Re-MAG3-HBP (η = 76 %) 99m Tc-MAG3-HBP (η = 73 %) L (L = MAMA-HBP ou MAG3-HBP); SnCl2.2H2O e tampão citrato; 90-95°C, 1h. 1. síntese de Re-MAG3: Bz-MAG3, SnCl2.2H2O, tampão citrato, refluxo, 1h; Re-MAG3-HBP (η = 2 %) 2. a) EDC/tetrafluorofenol, pH 6, r.t., 30 min; b) Alendronato, NEt3, pH 9, temperatura ambiente, 3 h. Verbruggen e colaboradores utilizaram a L,L-etileno dicisteina (EC) como ligando bifuncional para estabilização da unidade [Tc = O]3+ e para a ligação a uma ou duas unidades bisfosfonato (99mTc-EC-1; 99mTc-EC-2; 99mTc-EC-3; esquema 1.1) [95, 96, 20]. Os complexos de 99m Tc foram sintetizados através da reacção directa dos diferentes ligandos funcionalizados com Na[TcO4], na presença de SnCl2.2H2O em meio alcalino e à temperatura ambiente. Estes complexos, não caracterizados ao nível 29 1.Introdução macroscópico, foram obtid tidos como uma mistura de isómeros no caso so de d 99mTc-EC-1 e 99m Tc-EC-2. Do ponto de vvista biológico, o 99m Tc-EC-1 foi o que apresentou ap uma acumulação no osso mais is eelevada (99mTc-EC-1: 29,4 % vs 99m Tc-MDP:: 15,4 1 % A.I./g de órgão 2 h p.i.). A razão oss osso/sangue (98,0) e a percentagem de activi ctividade injectada que se encontrava nos rins e urina dos animais em estudo eram tamb ambém favoráveis, 9m em comparação com o 99m Tc-MDP [osso/sangue = 48,4; % A.I (rins + urina) uri = 24,2]. As imagens de cintigráficas em coelho e macaco, obtidas após injecção ão dos d complexos 99m Tc-EC-1 e 99m Tc-MDP, ap apresentaram boa qualidade e foram muito uito semelhantes, como se pode verificar na fig figura 1.18. 99m 99m 99m 99m Tc-MDP Tc-EC-1 Tc Tc-MDP Tc-EC-1 (A) (B) 99m Figura 1.18 - (A) Imagem dee co corpo inteiro de coelho, 1 h após a injecção do complexo com Tc-EC99m 1 e Tc-MDP; P; ((B) Imagem de corpo inteiro de macaco, 2 h após apó a injecção do complexo 99mTc--EC-1 e de 99mTc-MDP. Oxo-complexos de 186 Re(V), nomeadamente o 186 Re-MAMA--BP [97], 186 Re- MAMA-HBP [98] e 186Re-MA MAG3-HBP (MAG3 = mercaptoacetilglicilglicilglic ilglicina) [99, 100], foram sintetizados por Saji et al., e avaliados para o tratamento paliativ iativo da dor óssea (esquema 1.1). O complexo lexo 186Re-MAMA-BP foi obtido por transquelata latação a partir do 186 Re(V)-glucoheptonato,, po pois o glucoheptonato é lábil, sendo facilmen lmente substituído pelo ligando MAMA-BP.. Os complexos 186 Re-MAMA-HBP e 186 Re-MA MAG3-HBP foram preparados por reacção dire directa dos respectivos ligandos com [186ReO eO4]-, na presença de SnCl2 e tampão citrat itrato. Estes complexos foram obtidos com rendimentos relativamente baixos (186Re Re-MAMA-BP: 32 %, 186 Re-MAMA-HBP: 54 4%e 186 Re-MAG3- HBP: 76 %) tendo sido nece ecessário purificá-los antes da realização dos os estudos e in vivo. Para o 30 186 Re-MAMA-HBP,, a percentagem de actividade injectada por or grama g de osso Capítulo 1 (25,25 ± 2,04 %, 3 h p.i.) era comparável à obtida para o 186Re-MAG3-HBP (28,78 ± 3,46 %, 3 h p.i.), mas superior aos valores obtidos para 186Re-MAMA-BP (19,78 ± 1,37%, 3 h p.i.) e 186 Re-HEDP (16,65 ± 3,16%, 3h p.i.). Os três complexos apresentavam valores 186 Re-HEDP, e os elevados para a razão fémur/sangue quando comparados com o melhores resultados foram obtidos para 186Re-MAG3-HBP e 186Re-MAMA-HBP. O complexo 186 Re-MAG3-HBP foi ainda avaliado em animais com tumor induzido pela injecção de células de cancro da mama (MRMT-1). Foi encontrada uma fixação específica do complexo (figura 1.19) e demonstraram que o complexo inibia o crescimento do tumor, ao contrário do observado quando o mesmo tipo de animais foi tratado com 186 Re-HEDP. O fenómeno allodyna induzido pelo tumor ósseo foi atenuado após tratamento com ambos os complexos, mas o 186 Re-MAG3-HBP foi ligeiramente mais eficaz. Os efeitos secundários, tais como a mielosupressão não foram significativos [101]. Figura 1.19 - Imagem planar obtida 24 h após injecção de 186Re-MAG3-HBP (222 MBq/kg) (A) e 186 Re-HEDP (55,5 MBq/kg) (B). As setas indicam o local onde foram injectadas as células do cancro da mama MRMT-1. Saji et al. sintetizaram também os complexos HBP. 99m 99m Tc-MAG3-HBP e 99m Tc-HYNIC- Tc-MAG3-HBP foi obtido por reacção directa do ligando com [99mTcO4]- na presença de SnCl2, como redutor (esquemas 1.1). O complexo 99m Tc-HYNIC-HBP também foi sintetizado a partir do precursor [99mTcO4]-, na presença do mesmo redutor (SnCl2) e dos três co-ligandos: tricina, 3-acetilpiridina e HYNIC-HBP (esquema 1.2). Os rendimentos com que foram obtidos 99m Tc-MAG3-HBP (73%) e 99m Tc-HYNIC- HBP (39 %) não foram quantitativos e os complexos tiveram que ser purificados antes da avaliação biológica [102]. 31 1.Introdução O i) [99mTcO4]- HO HO O N CH3 N O Tc N O N N N H O OH O P OH OH O P OH OH 99mTc-HYNIC-HBP Esquema 1.2 - Síntese do complexo 99mTc-HYNIC-HBP (η = 39 %). i) Tricina, 3-acetilpiridina, HYNIC-HBP, SnCl2.2H2O, 95 °C, 35 min. Ambos os complexos apresentavam uma acumulação óssea em ratos (60 min p.i.) comparável à do 99mTc-MDP (99mTc-MAG3-HBP: 4,2 ± 0,2 %; 99mTc-HYNIC-HBP: 4,0 ± 0,4 % e 99m Tc-MDP: 3,2 ± 0,5 %). A ligação às proteínas era elevada (97,7 %, MAG3-HBP e 88,7 %, 99m Tc-HYNIC-HBP), mas o 99m 99m Tc- Tc-HYNIC-HBP possuía uma razão osso/sangue superior à do 99mTc-MDP. Os complexos 99m Tc-MAG3-HBP e 186 Re-MAG3-HBP foram caracterizados por comparação dos cromatogramas obtidos no HPLC com o obtido para o complexo não radioactivo Re-MAG3-HBP. O complexo Re-MAG3-HBP (esquema 1.1) foi sintetizado por reacção de Re-MAG3 com o alendronato, utilizando EDC (1-etil-3-(3’dimetilamino)carbodiimida clorohidratada) e TFF (tetrafluorofenol) como reagentes de activação, mas o rendimento da reacção foi muito baixo (2 %). Os complexos ReMAMA-BP e Re-MAMA-HBP foram unicamente caracterizados com base em estudos de transquelatação, que indicaram que o 186 Re se encontrava coordenado ao ligando MAMA. Recentemente, tem sido realizada uma intensa investigação no sentido de encontrar sondas multimodais [103]. Neste domínio, Frangioni et al sintetizaram o composto osteotrópico Pam-99mTc-800 e avaliaram-no como sonda óptica e nuclear (esquema 1.3) [104]. 32 Capítulo 1 OH O OH O O HO O N O N i) HO HO HS S OH O O ii) OH N S M-MAS3-NHS O (M = Re, 99mTc) H N O O M HO N M-MAS3 O (M = Re, 99mTc) N O N O M HN O O N HO NH HN OH O O O OH P(O)(OH)2 OH H2N sonda de Fluorescência (IRDye800CW) NH O P(O)(OH)2 iii) O O R a NaO3S R SO2Na N O N HO HN SO3- O M N S R O SO3Na HN O N+ N OH H N O O HO OH P(O)(OH)2 P(O)(OH)2 Pam-M-800 (M = Re, 99mTc) Esquema 1.3 - Síntese dos complexos Pam-M-800 (M = Re, 99mTc). i) Resina Chelex 100, [MO4]-, SnCl2; (M = Re, 90 °C, 1h; M = 99mTc, 100 °C, 8 min); ii) TSTU, DIPEA, DMSO, (M = Re, t.a., 40 min; η = 20 %; M = 99mTc, 60 °C, 10 min; η = 75 %); iii) Trietilamina, DMSO, t.a., 1h (M = Re; η = 83 %; M = 99mTc, pureza radioquímica 98 %). Como se pode ver no esquema 1.3, este complexo contém uma unidade bisfosfonato, um fluoróforo orgânico IRDye800CW (excitação máxima: 778 nm; emissão máxima: 799 nm) e uma unidade quelante para a estabilização dos metais Tc(V)/Re(V). A sua síntese foi realizada através da reacção em fase sólida utilizando a resina Chelex 100. Os grupos carboxilato dessa resina vão estabelecer coordenação ao centro metálico que é reduzido na presença de SnCl2. A formação do complexo 99mTcMAS3 termodinâmicamente mais estável ocorre por adição de MAS3 (Sacetilmercaptotriserina). Esta técnica permitiu obter o complexo 99m Tc-MAS3 com elevado rendimento (99 %), evitando a metodologia de transquelatação com tartarato de Na+/K+, que levaria á obtenção do composto final com rendimento e actividade específica inferiores. O complexo M-MAS3 foi posteriormente activado com 33 1.Introdução tetrafluoroborato de N,N,N’,N’-Tetrametil-O-(N-succinimidil)uronio (TSTU), na presença de N,N-diisopropiletilamina (DIPEA) em DMSO à temperatura ambiente durante 40 min (M = Re) ou com aquecimento a 60 °C durante 10 min (M = 99mTc). A ligação do fragmento metálico (M - MAS3) ao fragmento que contém o BF e o fluoróforo (a) (esquema 1.3), na presença de trietilamina em DMSO, decorreu à temperatura ambiente durante 1h (η = 83 % ,M = Re; η = 98 %, M = 99mTc). O complexo Pam-99mTc-800 demonstrou selectividade para regiões onde existem microcalcificações do cancro da mama, tal como observado para os compostos Pam78 e Pam800 (figura 1.20) que eram constituídos apenas por uma unidade bisfosfonato e um fluoróforo que emitia na zona do infravermelho próximo. P(O)(OH)2 O OH N H P(O)(OH)2 SO3Na SO3Na SO3Na SO3Na SO3Na P(O)(OH)2 O N O -O S O HO N Pam78 SO3Na P(O)(OH)2 H N O O N+ N SO3Na Pam800 Figura 1.20 - Sondas osteotrópicas Pam78 e Pam800 para imagem óptica. Convém referir que as imagens obtidas após administração de Pam78 [105] e Pam800 [106] apenas são detectadas in vivo a uma profundidade na ordem dos milímetros ou centímetros, isto é, só servem para estudos pré-clinicos com animais. Além disso, a associação da imagem óptica com a imagiologia nuclear SPECT apresenta vantagens, não só pelo acréscimo na sensibilidade, mas também pela possibilidade de quantificação da actividade nos diferentes órgãos e/ou tecidos ósseos ao longo do tempo. Quando já estava a decorrer o trabalho apresentado nesta tese e uma parte dele até já tinha sido publicado [107], foram descritos alguns complexos organometálicos de 186 Re contendo BF. Especificamente, Hideo Saji e colaboradores isolaram e caracterizaram complexos organometálicos de Rénio estabilizados por um ciclopentadienilo contendo um BF (esquema 1.4) [101]. 34 Capítulo 1 Esquema 1.4 - Síntese dos complexos M-CpTR-Gly-PAM (M = Re, η = 21 %, 186Re, η = 8 %). i) NH4[ReO4], Cr(CO)6, CrCl3, metanol, 180 °, 60 min ii) Re-CpTR-COOH 1. NaOH 2M, dioxano, 30 min, temperatura ambiente; 2. HCl conc., pH 3,0, 0 °C; Re-CpTR-Gly iii) Fer-Gly-OMe (3 h, -5 °C + 6 h, t.a.) Re-CpTR-Gly-OMe (noite, t. a.) iv) 186Re-CpTR-Gly Gly-OMe, NEt3, HOBt, EDC, N,N-dimetilformamida; 1. 186 - ReO4 , SnCl2.2H2O, 95 °C, 35 min; Cr(CO)6; 2. 2N NaOH, 10 min, temperatura ambiente; v) DCC/tetrafluorophenol diclorometano ou N,N-dimetilformamida; vi) 186Re-CpTR-Gly-PAM Re-CpTR-Gly-PAM pamidronato, acetonitrilo, 0.2 M tampão borato pH 186 9.5 (M = Re), H2O ( M = Re) , temperatura ambiente, 186 30 min (M = Re), 2h (M = Re). Como indicado no esquema 1.4, os complexos M-CpTR-Gly-PAM (M = Re, 186Re) foram sintetizados partir do precursor M-CpTR-Gly (M = Re, 186 Re). Estes precursores foram sintetizados por reacção de NH4[ReO4] ou [186Re]HReO4 com diferentes derivados do ferroceno, na presença de cloreto de crómio, cloreto estanoso, e de hexacarbonilo de crómio, conforme descrito por Katzenellenbogen em 1998 [108]. A conjugação de M-CpTR-Gly (M = Re, utilizando como activadores DCC 186 Re) ao pamidronato foi realizada (N,N’-diciclohexilcarbodiimida) e TFF 35 1.Introdução (tetrafluorofenol). Os complexos M-CpTR-Gly-PAM (M = Re, 186Re) foram obtidos com um rendimento global de 21 % (Re-CpTR-Gly-PAM) e 8 % (186Re-CpTR-Gly-PAM). Após um estudo comparativo entre o complexo 186Re-CpTR-Gly-PAM e o 186ReHEDP, Arano et. al. investigaram o efeito da actividade específica e do pré-tratamento com HEDP no perfil biológico, incluindo a fixação óssea de ambos os complexos. A fixação óssea do complexo 186 Re-CpTR-Gly-PAM, com elevada actividade específica (23,4 ± 4,6 % A.I./g osso, 3 h p.i.), era superior à do 186 osso, 3 h p.i.), enquanto a acumulação óssea de 186 Re-HEDP (13,2 ± 3,2 % A.I./g Re-CpTR-Gly-PAM com baixa actividade específica [186Re-CpTR-Gly-PAM + HEDP (9 mg/Kg): 12,88 ± 2,28 % A.I./g osso, 3 h p.i.] era comparável à do 186 Re-HEDP. No entanto, o pré-tratamento com HEDP não afectava a fixação óssea de 186Re-CpTR-Gly-PAM (22.5 ± 4,9 % A.I./g osso, 3 h p.i.) e Re-HEDP (14,0 ± 3,3 % A.I./g osso, 3 h p.i.), o que é concordante com a 186 existência de sinergismo quando se utilizam protocolos terapêuticos com administração alternada de bisfosfonatos e radioterapia sistémica (e.g. pamidronato alternado com 188Re-HEDP) [109]. Recentemente, foram também descritos os complexos M-dpa-ALN (M = 99m Tc, 188 Re e Re) (esquema 1.5) [110, 111]. Estes complexos foram sintetizados por reacção dos precursores fac-[M(H2O)3(CO)3]+ (M = 188 Re, 99m Tc, Re) com dpa-ALN, sendo isolados como espécies únicas e bem definidas, com rendimentos elevados (> 96 %) e elevada pureza radioquímica. No entanto, enquanto o precursor fac- [99mTc(H2O)3(CO)3]+ é obtido com elevado rendimento (>99 %) e sem qualquer passo de purificação, adicionando apenas [99mTcO4]- a um Kit (Isolink®) com reagentes liofilizados (secção 2.2.3), a síntese do precursor fac-[188Re(H2O)3(CO)3]+ não é tão directa. O precursor de 186 Re é sintetizado com um rendimento de 80 % por redução de [188ReO4]- na presença de BH3NH3/CO (g) embora apresente uma pureza radioquímica superior a 99 % após purificação por cromatografia iónica [111]. 36 Capítulo 1 Esquema 1.5 - Síntese dos complexos M-dpa-ALN (M = 99mTc, 188Re, Re). 99m Tc-dpa-ALN (tampão carbonato, pH 9,0; 100 °C; 30 min, η > 98 %); Re-dpa-ALN (tampão carbonato, pH 9,0; 100 °C; 30 min, η ~100 %, síntese em tubo de RMN); Re-dpa-ALN (tampão fosfato; 75 °C; 30m min, η > 96 %). 188 A fixação óssea de 99mTc-dpa-ALN (27 % A.I/g osso) era comparável à do 99mTcMDP (30 % A.I/g osso), resultados posteriormente confirmados por imagens SPECT/CT de ratinhos Balb-c injectados com estes complexos (figura 1.21). A acumulação óssea do complexo Re-dpa-ALN (21,2 ± 6,6 % A.I./g osso) revelou-se superior à do 188 188 Re- HEDP (13,4 ± 0,2 % A.I./g osso). Tanto o complexo de 99m Tc como o de 188 Re apresentavam uma acumulação reduzida nos tecidos moles, sofrendo acumulação preferencial nos locais do osso com elevada actividade metabólica. Figura 1.21 - Imagem bimodal SPECT (a cores)/CT (cinzento) obtida após injecção de MDP (A) e de 99mTc-dpa-ALN (B) em ratinhos Balb-c. 99m Tc- 37 Ns Complexos de Re(I) e 99mTc(I) estabilizados com ligandos multifuncionais contendo grupos fosfonato 39 Capítulo 2 2. COMPLEXOS DE Re(I) e 99mTc(I) ESTABILIZADOS COM LIGANDOS BIFUNCIONAIS CONTENDO GRUPOS FOSFONATO 2.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS Tal como foi referido anteriormente, os fosfonatos marcados com 99mTc (MDP e HEDP) em utilização clínica consistem numa mistura de espécies. Além disso, não está completamente definido o estado de oxidação do metal e os grupos fosfonato têm uma função dupla: estabilização do metal e promovem a coordenação ao Ca2+ da HA. Para obviar alguns destes problemas, o trabalho proposto para esta tese consistia em preparar ligandos bifuncionais cuja função era a estabilização do metal e a ligação deste a grupos funcionais com afinidade para o osso. Os ligandos a sintetizar eram do tipo pirazolo-diamina que se sabia apresentarem propriedades notáveis no que diz respeito à estabilização in vitro e in vivo de complexos tricarbonilo de 99mTc ou Re (figura 2.1) [84]. R R N N N NH2 N N N M OC NH2 CO CO M = Re. 99mTc Figura 2.1 – Ligando bifuncional e respectivo complexo de tricarbonilo de Re ou 99mTc, com um grupo R com afinidade para o osso. Os grupos funcionais com afinidade para o osso eram do tipo mono- ou bisfosfonato. 41 Compostos Contendo um Grupo Monofosfonato Os compostos com melhores características biológicas sintetizados na primeira fase do trabalho, deveriam servir de base para preparar complexos de Tc(I) com afinidade para o osso e com uma molécula citotóxica (figura 2.2). R2 R2 M = 99mTc, 186Re ou 188Re Figura 2.2 - Esquema representativo de complexos trifuncionais com o quelato pirazolodiamina, contendo um grupo com afinidade para o osso (R1) e uma molécula citótoxica (R2). 2.2. COMPOSTOS CONTENDO UM GRUPO MONOFOSFONATO 2.2.1. Síntese e caracterização de ligandos pirazolo - diamina contendo um grupo monofosfonato (L1 - L3) Os compostos contendo grupos monofosfato L1 – L3 foram obtidos de acordo com as vias de síntese apresentadas no esquema 2.1. 42 Capítulo 2 Esquema 2.1 – Síntese dos compostos com grupos éster e ácido monofosfónico. (i) 1.refluxo, 2. destilação; (ii) K2CO3/KI, acetonitrilo, refluxo; (iii) ácido trifluoroacético; (iv) 1. Me3SiBr/diclorometano; 2. metanol/água. Assim, começámos por sintetizar os compostos (3-bromopropil)fosfonato de dietilo (1) e (2-bromoetil)fosfonato de dietilo (2) que foram obtidos após refluxo de trietilfosfito seco (em excesso) com dibromoetano ou dibromopropano secos. O refluxo decorreu durante 8 a 17 horas, após o que se separou o dibromoalcano em excesso por destilação a pressão reduzida. Este tipo de reacção, designada Michaelis– Arbuzov [112, 113], permitiu a obtenção dos compostos 1 e 2 com rendimentos da ordem de 56 % e 85 %, respectivamente. De seguida, sintetizou-se o precursor t-butil 2-(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etilamino)etilcarbamate (3), conforme descrito na literatura [114]. Os compostos 4 e 5 foram preparados por alquilação directa da amina secundária do precursor 3 com 1 43 Compostos Contendo um Grupo Monofosfonato ou com 2, respectivamente. As reacções decorreram em acetonitrilo e com refluxo durante 20 (composto 4) ou 10 dias (composto 5). O progresso destas reacções foi seguido por TLC (10 % metanol/diclorometano). Quando a reacção estava completa, filtrou-se a mistura reaccional e o sobrenadante foi seco em vazio. Os resíduos sólidos obtidos foram tratados com água e as soluções foram extraídas com diclorometano. As fases orgânicas foram secas em vazio e os compostos 4 e 5 foram obtidos após purificação por cromatografia. Nesta purificação utilizamos uma coluna de sílica gel e na fase móvel um gradiente de 8 - 50 % metanol/acetato de etilo. Os compostos 4 e 5 foram obtidos sob a forma de óleos viscosos de cor amarelo pálida, com rendimentos de 11 % e 35 %, respectivamente. O composto L1 foi obtido com elevado rendimento (aproximadamente 90 %), após remoção selectiva do grupo Boc do composto intermediário 5 com ácido trifluoroacético. L1 foi obtido sob a forma de um óleo amarelo pálido, que é solúvel na maioria dos solventes orgânicos e praticamente insolúvel em água. O tratamento dos compostos 4 e 5 com brometo de trimetilsilano e com metanol/água permitiu a remoção simultânea dos grupos Boc e Et. Os resíduos obtidos foram lavados com diclorometano e secos em vazio. Os sólidos brancos daí resultantes foram formulados como L2 (50 %) e L3 (46 %). Estes compostos são muito solúveis em H2O. Os compostos L1, L2 e L3, foram obtidos a partir do composto 3 com rendimentos globais de 32, 18 e 5 %, respectivamente. L1 e L2 foram caracterizados por espectroscopia multinuclear de RMN, e por espectroscopia de infravermelho (IV). A título de exemplo apresentam-se na figura 2.3 os espectros de RMN de 1H, 13C e 31P do composto L2. 44 Capítulo 2 2 x CH3pz A) H2O HO OH O P N a H(4)pz N d N b c NH2 4 x CH2 (b, c, d, e) CH2a H(4)pz f e CH2f 6.0 5.0 4.0 B) 2.0 ppm 3.0 31 P C) 6 x CH2 (a, b, c, d, e, f) 2x CH3pz C(4)pz C(3/5)pz H 150 125 100 75 50 25 ppm 30 20 10 ppm Figura 2.3 – Espectros de RMN de 1H (A), 13C (B) e 31P (C) do composto L2 em D2O. Como se pode ver na figura 2.3, L2 apresentava no espectro de RMN de 1H cinco tripletos entre 4,35 e 3,15 ppm. O sinal dos protões do grupo CH2 mais próximo do grupo ácido fosfónico aparecia a campo mais alto (1,89 – 1,83 ppm) e com maior multiplicidade devido ao acoplamento adicional com o núcleo de fósforo. O protão H(4) e os dois grupos metilo do anel pirazolilo originaram três singuletos a 6,03, 2,19 e 2,12 ppm, respectivamente. O espectro de RMN de 13C de L2 também é coerente com a sua estrutura, pois apresentava três sinais referentes aos átomos de carbono do anel 45 Compostos Contendo um Grupo Monofosfonato pirazolilo a campo baixo (151 – 109 ppm), seis sinais distintos para os átomos de carbono etilénicos (55 – 25 ppm) e, finalmente, a campo mais alto apareciam as duas ressonâncias devidas aos grupos metilo do anel de pirazolilo (14,2 e 12,7 ppm). No espectro de RMN de 31P observava-se um único singuleto a 20,3 ppm. Como exemplo, apresenta-se na figura 2.4 o espectro de IV do composto L2, na zona de frequências 1900 – 500 cm-1. δ(N - H) e ν(P - OH) Transmitância (%) ν(P = O) ν(P - OH) e ν(C-N) 1900 1700 1500 1300 ν (cm-1) 1100 900 700 500 Figura 2.4 – Espectro de IV de L2 entre 1900 – 500 cm-1 (KBr). Uma das bandas mais intensas que se observa neste espectro de IV aparece a 1136 cm-1, região onde, geralmente, se observam as frequências ν(P = O) de grupos ácidos fosfónicos. Este espectro apresenta também uma banda de intensidade média a 1634 cm-1 associada, possivelmente, à vibração de extensão ν(P - OH) [112] e/ou à vibração de deformação δ(N - H) da amina primária [115]. A banda forte a 1059 cm-1 está associada às vibrações de extensão das ligações P – OH e C – N das aminas primária e terciária [112, 115]. 46 Capítulo 2 2.2.2. Síntese e caracterização dos complexos de Rénio estabilizados por L1 (Re1) e L2 (Re2) Os compostos L1 e L2, que continham simultaneamente uma unidade monofosfonato e um conjunto de átomos doadores (N,N,N), foram obtidos com os rendimentos mais elevados e por isso foram seleccionados para a síntese dos respectivos complexos de Re e 99mTc. Tendo em conta que a funcionalização com um grupo monofosfato da unidade quelante pirazolo-diamina (N,N,N) poderia alterar a coordenação ao centro metálico e considerando ainda as propriedades coordenantes do grupo monofosfato, decidimos estudar reacções do precursor [ReBr(CO)5] com os compostos L1 e L2. Tal como se indica no esquema 2.2, os compostos L1 e L2 reagiram com [ReBr(CO)5] em metanol ou em água. Após refluxo, durante uma noite, observou-se a formação dos complexos catiónicos Re1 e Re2 que permaneciam em solução. Esquema 2.2 – Síntese dos complexos Re1 e Re2. (i) L1 ou L2, refluxo em metanol ou H2O. O complexo Re1 foi obtido sob a forma de um sólido branco, após evaporação do solvente da mistura reaccional e lavagem do resíduo com n-hexano. Este complexo, estável ao ar e solúvel em água, foi caracterizado por espectroscopia multinuclear de RMN, por espectroscopia de IV e por difracção de raios-X de cristal único. Os resultados obtidos permitiram demonstrar que a unidade pirazolo-diamina do ligando L1 coordenava ao centro metálico funcionando como ligando neutro e tridentado. Como se pode observar no espectro de IV do complexo Re1, apresentado na figura 2.5, as bandas intensas devidas às vibrações de extensão ν(C≡O), que para 47 Compostos Contendo um Grupo Monofosfonato [ReBr(CO)5] apareciam na região 2100 - 1900 cm-1, apresentavam um perfil diferente e característico do arranjo facial dos grupos tricarbonilo [116, 117]. [ReBr(CO)5] Re1 ν(P=O) ν(P – O – Califático) ν(C≡O) 2300 2100 1900 1700 1500 1300 ν(cm-1) 1100 900 700 500 Figura 2.5 – Espectros de IV do complexo [ReBr(CO)5] e de Re1 em KBr, entre 2300 – 500 cm-1. No espectro de IV do complexo Re1 verificou-se ainda que as bandas ν(C≡O) (2098, 2027, 1901 cm-1) apareciam desviadas para frequências inferiores, quando comparadas com as do precursor [ReBr(CO)5] (2153, 2035, 1964 cm-1). Conclui-se portanto que a ligação C – O nos ligandos carbonilo era mais fraca em Re1 do que no precursor. Estes resultados confirmaram uma retrodoação π do metal para os ligandos carbonilo mais significativa em Re1, do que no precursor. Este efeito pode estar relacionado com o carácter doador σ dos átomos de azoto do ligando tridentado em Re1 e com a maior densidade electrónica em torno do átomo de Re, no complexo Re1. Ao contrário do que se verifica no complexo Re1, no precursor [ReBr(CO)5] existem uma competição maior entre os grupos C ≡ O para a retrodoação π do centro metálico para os ligandos carbonilo. 48 Capítulo 2 No espectro de IV de Re1 observavam-se ainda bandas relativamente fortes a 1023 cm-1 e a 1263 cm-1, provavelmente associadas a ν(P – O – Califático) e a ν(P = O), respectivamente [112]. Na figura 2.6 apresentam-se os espectros de RMN de 1H do ligando L1 e do respectivo complexo Re1. O espectro de RMN de L1 é semelhante ao obtido para L2 (figura 2.3), à excepção das ressonâncias devidas aos grupos OEt [CH2, δ 4,65 (multipleto) e CH3, δ 1,32 (tripleto)]. As principais diferenças entre os espectros de RMN de 1H de L1 e Re1, estão relacionadas com o carácter diastereotópico observado para os protões da amina primária (δ 5,57; 1H; δ 3,74; 1H), e para a maioria dos protões metilénicos de L1 após coordenação ao centro metálico (δ 4,54; 1H; δ 3,92; 1H; δ 3,43; 1H; δ 3,21; 1H; δ 2,96; 1H e δ 2,30; 1H). Este resultado é típico para todos os ligandos pirazolo-diamina do tipo N,X,N (X = S ou N) e respectivos complexos de Re(I) [114, 117, 118]. Os sinais devidos aos protões H(4)pz e aos protões metilénicos 3/5Mepz em Re1 sofreram um desvio significativo para campo mais baixo (H(4)pz, ∆ = 0,39 ppm, 3/5Mepz, ∆ = 0,21 ppm) relativamente às mesmas ressonâncias em L1 (figura 2.6). Os desdobramentos e desvios químicos observados no espectro de Re1 confirmam a coordenação tridentada do ligando através dos três átomos de azoto, como observado no estado sólido (secção 2.2.2.1). 49 Compostos Contendo um Grupo po Monofosfonato 2 x CH3pz 2 x CH3, OEt 2 x CH2, OEt H(4)pz H2O CD3OD CH NH 2 x CH2 CH NH CH CH CH CH 2xCH 2xC 3, OEt 2 x CH3pz H2O CH2 + 2xCH2, OEt H(4)pz 2 x CH2 CD3OD 2 x CH2 CH2 Figura 2.6 - Espectros de 1H-RM RMN dos compostos L1 e Re1 em CD3OD. resenta-se também o espectro de RMN de Na figura 2.7 aprese Re1. 50 13 C do complexo Capítulo 2 * 3xC≡Ο C(4)pz C(3/5)pz 200 175 150 125 100 75 50 25 ppm Figura 2.7 - Espectro de 13C-RMN do composto Re1 em CD3OD. * Solvente. O espectro de RMN de 13 C obtido para Re1 é relativamente simples e concordante com a formulação proposta. A campo mais baixo (δ 195 - 194) encontraram-se três sinais de fraca intensidade atribuídos aos ligandos carbonilo, observando-se também os três sinais do anel pirazolilo [C(3/5)pz, δ 155,3; δ 145,6 e C(4)pz, δ 109,3]. Entre δ 64 - 21 encontravam-se oito sinais dos grupos CH2 [Ca - Cf + 2 x CH2(OEt)] e entre δ 17 - 11 observavam-se as restantes quatro ressonâncias dos grupos CH3 [2 x CH3pz + 2 x CH3 (OEt)]. Em CD3OD, os espectros de RMN de 31P de L1 e de Re1 apresentavam apenas um singuleto a 32,8 ppm e 29,4 ppm, respectivamente (figura 2.8: A e B). O singuleto observado no espectro de Re1 (δ 29,4) está ligeiramente desviado para campo mais alto (∆ = 3,4 ppm) relativamente ao desvio químico do ligando livre L1 (δ 32,8). Esse valor ∆ era bastante inferior aos que foram encontrados para os complexos organometálicos de Re(I) directamente estabilizados por grupos ácido fosfónicos (∆ = 16 – 30 ppm) [119]. Este resultado corrobora a inexistência de interacções entre o grupo ácido fosfónico e o centro metálico, o que também é evidente através da análise de RMN de 1H e da difracção de raios-X (secção 2.2.2.1). 51 Compostos Contendo um Grupo Monofosfonato Re1 δ 29,4 A * L1 δ 32,8 B L2 δ 20,3 Re2 δ 23,4 + C L2 δ 20,3 D 40 30 20 10 0 ppm Figura 2.8 – Espectros de RMN de 31P do complexo Re1, em CD3OD (A), do composto L1, em CD3OD (B), do complexo Re2 na presença de ligando livre L2, em D2O (C) e, do ligando L2, em D2O (D). *Referência externa (H3PO4, 85%). Apesar de terem sido realizadas várias tentativas, nunca foi possível isolar o complexo organometálico Re2 numa forma pura. Após o refluxo de quantidades estequiométricas de L2 com [Re(CO)5Br] em água, durante 18 horas, obtiveram-se sempre misturas contendo Re2 e L2. Estes dois compostos foram identificados por RMN de 1H e 31P e por RP-HPLC (Cromatografia Líquida de Elevada Eficiência de Fase Reversa). Nos espectros de RMN de 31P [figura 2.8 (C) e (D)] foi possível identificar uma das espécies como L2 (δ 20,3; espectros C e D) e outra espécie como Re2 (δ 23,4; espectro C), resultado que foi confirmado por RP-HPLC. Como se mostra na figura 2.9, o ligando livre L2 tem um tempo de retenção de 8,0 min, enquanto no cromatograma 52 Capítulo 2 da mistura reaccional detectámos sempre duas espécies: o complexo Re2 com um tempo de retenção 10,8 min e o ligando livre L2 com um tempo de retenção 8,0 min. tr = 8,0 min tr = 10,8 min Tempo de retenção (min) Figura 2.9 – Cromatogramas analíticos de RP-HPLC do composto L2 e do complexo Re2. Nos espectros de RMN de 1H foram também identificadas as ressonâncias devidas à presença de L2 e de Re2. O espectro de RMN de 31P de Re2, em D2O, apresentava apenas um singuleto a 23,4 ppm, que foi desviado para campo baixo (∆ = 3,1 ppm) relativamente ao desvio químico de L2 (δ 20,3 ppm). Este desvio é da mesma ordem de grandeza do observado em CD3OD (∆ = 3,4 ppm) para o complexo Re1 caracterizado no estado sólido e em solução. Estes dados levam-nos a concluir que, nas condições estudadas, o ligando L2 coordena ao centro metálico muito provavelmente através do conjunto de átomos doadores N,N,N não ocorrendo interacções entre o grupo ácido fosfónico e o centro metálico. Em ambos os complexos (Re1 e Re2) o metal é estabilizado pelo mesmo ligando e a única diferença entre eles deve-se à natureza do grupo que tem fósforo: P(O)(OEt)2 em Re1 e P(O)(OH)2 em Re2. O desvio das ressonâncias de 31 P em Re1 e Re2, relativamente ao dos respectivos ligandos livres L1 e L2, dá-se em sentidos opostos. Esta inversão deve-se, certamente, ao efeito electro indutor dos grupos OEt (Re1) quando comparado com os grupos OH (Re2). 53 Compostos Contendo um Grupo Monofosfonato As espécies químicas L2 e Re2 eram ambas muito solúveis em água não tendo sido possível separar o ligando livre por lavagem com solventes ou por cromatografia em coluna de sílica gel. A purificação por cromatografia em coluna preparativa de RPHPLC seria a mais adequada, mas não foi possível devido ao baixo rendimento com que Re2 se formava. 2.2.2.1. Caracterização do complexo Re1 por difracção de raios – X A recristalização de Re1 de uma mistura de clorofórmio e n-hexano originou monocristais incolores que se revelaram adequados para análise por difracção de raios-X de cristal único. Na figura 2.10 apresenta-se o diagrama ORTEP para o catião de Re1 e na tabela 2.1 os ângulos e comprimentos de ligação mais significativos. Figura 2.10 – Diagrama ORTEP do catião do complexo Re1. Os elipsóides vibracionais foram desenhados com uma probabilidade de 30 %. 54 Capítulo 2 Tabela 2.1 – Comprimentos (Å) e ângulos (°) de ligação mais significativos para o catião do complexo Re1. Re(1) – C(3) Re(1) – C(1) Re(1) – N(1) C(1) – O(1) C(3) – O(3) C(3) – Re(1) – C(2) C(2) – Re(1) – C(1) C(2) – Re(1) – N(4) C(3) – Re(1) – N(1) C(1) – Re(1) – N(1) C(3) – Re(1) – N(3) C(1) – Re(1) – N(3) N(1) – Re(1) – N(3) 1,876(11) 1,895(9) 2,201(6) 1,159(9) 1,159(11) 87.3(4) 86.6(4) 98.4(4) 92.4(3) 178.1(3) 95.8(3) 91.2(3) 87.1(2) Re(1) – C(2) Re(1) – N(4) Re(1) – N(3) C(2) – O(2) 1,895(10) 2,176(6) 2,258(6) 1,155(10) C(3) – Re(1) – C(1) C(3) – Re(1) – N(4) C(1) – Re(1) – N(4) C(2) – Re(1) – N(1) N(4) – Re(1) – N(1) C(2) – Re(1) – N(3) N(4) – Re(1) – N(3) 88.5(4) 174.2(3) 93.0(3) 95.1(3) 86.0(2) 176.1(4) 78.5(2) No catião de complexo Re1, o centro metálico apresenta um número de coordenação seis e geometria de coordenação octaédrica distorcida. Os três átomos de carbono dos ligandos carbonilo definem uma das faces triangulares do octaedro e as restantes três posições são ocupadas pelos três átomos de azoto do ligando tridentado L1. Os valores dos ângulos cis e trans em torno do átomo de Re encontramse entre 86,0(42) - 98,4(4)° e 174,2(3) - 178,1(3)°, respectivamente. Os comprimentos das ligações Re – CO são praticamente idênticos, variando entre 1,876(11) e 1,895(9) Å. Os valores encontrados são comparáveis aos descritos na literatura para outros complexos com a unidade fac-[Re(CO)3]+ estabilizada por ligandos análogos [114, 117, 118]. O comprimentos da ligação Re – N4 [2,176(6) Å] é, como esperado, ligeiramente mais curto do que o da ligação Re – N(3) [2,258(6) Å]. O valor encontrado para Re – N1 [2,201(6) Å] é comparável aos publicados para outros complexos de Re(I) com ligandos análogos [114, 117, 118]. Os dados de difracção de raios-X apresentam ainda um pico residual que foi atribuído a um átomo de oxigénio de uma molécula de água. O oxigénio foi refinado anisotropicamente e os correspondentes átomos de H foram ignorados. 55 Compostos Contendo um Grupo po Monofosfonato Na estrutura de raios raios-X o contra-ião foi identificado como sendo ndo Cl-. Tendo em conta que o precursor de Rénio tinha como contra-ião Br-, este resultado resu deve-se certamente ao processo o de recristalização, que foi feito a partir de clorofórmio/nhexano. O ião Cl- interage ge ccom N4 através de uma ponte de hidrogén génio. A distância N4…Cl e o ângulo (N N – H – Cl) encontrados são 3,153(6) 6) Å e 158,1(4) °, respectivamente. 2.2.3. Síntese e cara caracterização dos complexos Tc1 e Tc2 Os complexos dee 99m Tc(I) foram preparados em meio aquos uoso a partir do precursor fac-[99mTc(H2O)3(CO)3]+. Este precursor organometálico é preparado p num único passo por redução ção do Na[99mTcO4] com o boranocarbonato nato de potássio (K2[H3BCO2]) [120]. Este últim último reagente, em meio alcalino, funciona simultaneamente sim como redutor do metal e com como fonte de monóxido de carbono (esquem ema 2.3). “Kit” Isolink ® Esquema 2.3 – Síntese do precu precursor organometálico fac-[99mTc(CO)3(H2O)3]+. A recente introdução ção de um “kit” contendo os reagentes liofilizad lizados necessários à síntese permite a obtençã nção do precursor, com elevado rendimento o e elevada e pureza radioquímica. Para tal adici diciona-se uma solução de Na[99mTcO4] ao kit ki e aquece-se a mistura a 98 °C durante te 220 minutos. Após a redução do 56 99m Tc(VII) II) a 99m Tc(I), que Capítulo 2 decorre em meio alcalino, o excesso de boranocarbonato é destruído por neutralização com uma solução de HCl/tampão fosfato pH 7,4. A pureza radioquímica do precursor foi confirmada por RP-HPLC, imediatamente antes da preparação dos Radioactividade complexos (figura 2.11). [99mTcO4]- tR = 5,8 min “Kit” Isolink 98 °C, 20 min 5 10 15 20 25 Tempo (min) Figura 2.11 – Caracterização do precursor fac-[99mTc(H2O)3(CO)3]+ por RP-HPLC após a sua preparação a partir de [99mTcO4]-. Detecção γ. A preparação dos complexos Tc1 e Tc2 foi realizada fazendo reagir o precursor fac-[99mTc(H2O)3(CO)3]+ com os ligandos L1 e L2 (esquema 2.4). As condições reaccionais foram optimizadas em termos da concentração final do ligando [L] e do tempo de reacção, mantendo a temperatura a 100 °C e o pH próximo de 7,4. Esquema 2.4 – Síntese dos complexos Tc1 e Tc2. (i) Condições optimizadas de acordo com a tabela 2.2. 57 Compostos Contendo um Grupo Monofosfonato A título de exemplo apresentam-se na tabela 2.2, os rendimentos de Tc1 quando se variou a concentração de L1 e a temperatura da reacção. Na figura 2.12 apresentam-se alguns dos cromatogramas obtidos durante esse processo de optimização. Tabela 2.2 – Rendimentos e condições experimentais na síntese de Tc1. Rendimento (%) [L1] 41 76 92 96 97 67 82 5 x 10-6 M 8 x 10-6 M 1 x 10-5 M 5 x 10-5 M 1 x 10-4 M 8 x 10-6 M 1 x 10-5 M 96 5 x 10-5 M 96 1 x 10-4 M Tempo e Temperatura 60 min; 100 °C 30 min; 100 °C E D C B A Figura 2.12 – Cromatogramas de RP-HPLC obtidos durante a optimização da preparação do complexo Tc1 (100 °C; 60 min e concentração [L] variável). A: [L1] = 5 x 10-6 M; B: [L1] = 8 x 10-6 M; C: [L1] = 1 x 10-5 M; D: [L1] = 5 x 10-5 M e; E: [L1] = 1 x 10-4 M. Após optimização das condições reaccionais para a síntese de Tc1 e Tc2, estes foram obtidos com rendimentos de 96 % e 98 %, respectivamente. A concentração de 58 Capítulo 2 ligando utilizada em ambos os casos foi 5 x 10-5 M. As reacções decorreram a 100 °C, durante 30 min e em tampão PBS pH 7,4. A caracterização dos complexos de 99m Tc não pode ser efectuada pelos métodos usuais em química inorgânica, devido às baixas concentrações dos complexos em solução. Convém recordar, que a concentração de metal em [99mTcO4]- é da ordem dos 10-9 - 10-12 M. Assim, admite-se que os complexos de 99m Tc tenham a mesma estrutura dos análogos de Re se apresentarem idêntico comportamento cromatográfico, quando analisados por HPLC, nas mesmas condições experimentais. Um detector de radiação γ permite a detecção dos complexos de 99mTc e um detector de radiação ultravioleta-visível (UV/Vis) permite a detecção dos complexos de Re. A título exemplificativo, apresentam-se os cromatogramas dos complexos Tc1 e Re1 na figura 2.13. M = Re, (Re1) tr = 15,8 min M = 99mTc, (Tc1) tr = 16,3 min Figura 2.13 – Cromatogramas de RP-HPLC de Re1 (detecção UV) e Tc1 (detecção γ). Como se pode verificar na tabela 2.3, os valores dos tempos de retenção obtidos para os complexos análogos de 99m Tc e de Re são semelhantes. O ligeiro desfasamento observado entre os tempos de retenção deve-se à ligeira diferença de 59 Compostos Contendo um Grupo Monofosfonato percurso entre o detector de radiação γ utilizado para detectar o 99mTc e o detector UV (254 nm) utilizado para detectar os complexos de Re. Tabela 2.3 – Tempos de retenção (min) obtidos nos cromatogramas de HPLC e valores de Log D. a Complexo Tempos de retenção (min) Log D Tc1 16,3 (15,8)a 0,08 ± 0,04 Tc2 a -1,67 ± 0,03 11,4 (10,8) Tempos de retenção obtidos para os complexos análogos de Re. Na tabela 2.3 apresentam-se também os valores de log D, através dos quais geralmente se avalia a lipofilia/hidrofilia dos compostos. Os valores de log D para os complexos Tc1 e Tc2 foram calculados com base no coeficiente de partição destes complexos no sistema n-octanol/tampão PBS (pH=7.4), de acordo com o procedimento experimental descrito na secção 4.5.1 [121]. Os valores de log D encontrados indicaram que o complexo Tc1 era moderadamente lipofílico (log D = 0,08), enquanto o complexo Tc2 era bastante hidrofílico (log D = -1,67), com seria de esperar devido à presença do grupo P(O)(OH)2 livre. 2.2.4. Avaliação biológica dos complexos de 99mTc(I) 2.2.4.1. Estudos in vitro 2.2.4.1.1. Estabilidade em tampão fosfato salino e em soro humano A determinação da estabilidade dos complexos de 99m Tc in vitro é importante na medida em que permite prever a viabilidade e o interesse dos estudos in vivo. Através dos estudos de estabilidade in vitro é possível prever se os complexos sofrem reoxidação ou degradação em condições fisiológicas. Os meios fisiológicos testados foram o tampão fosfato salino (pH 7,4) e o soro humano. 60 Capítulo 2 Os estudos de estabilidade em tampão fosfato salino foram realizados aquecendo a 37 °C as preparações, que já se encontravam neste meio. Nos ensaios realizados em soro humano adicionaram-se 100 µl de uma solução do complexo radioactivo a 900 µl de soro e as misturas foram aquecidas a 37 °C. Alíquotas das misturas reaccionais foram sendo retiradas ao longo do tempo (0, 1, 2 e 4 horas), tratadas com etanol, para precipitação das proteínas, centrifugadas e o sobrenadante foi analisado por HPLC. Os compostos demonstraram ser estáveis, pois não se observou decomposição ou reoxidação a pertecnetato por HPLC. Como exemplo, na figura 2.14 apresentam-se os cromatogramas de HPLC obtidos para o complexo Tc1 antes e após 4 horas de incubação em soro humano. B) após 4 horas de incubação em soro humano A) Figura 2.14 – Cromatograma de HPLC de Tc1 (detecção γ) antes (A) e após (B) incubação em soro humano. Estes resultados incentivaram a realização dos estudos biológicos in vivo e a avaliação destes complexos em termos da sua afinidade para o osso, fixação em órgãos não alvo e excreção. 61 Compostos Contendo um Grupo Monofosfonato 2.2.4.2. Estudos in vivo 2.2.4.2.1. Estudos de biodistribuição em ratinhos CD-1 O perfil biológico dos complexos Tc1 e Tc2 em ratinhos CD-1 foi estudado com a finalidade de avaliar o efeito dos grupos éster e ácido fosfónico. Os ensaios de biodistribuição foram realizados com grupos de quatro a cinco ratinhos CD-1 fêmea (Charles River), com pesos de aproximadamente 20 – 25 g cada. Os animais foram injectados com 100 µl (7,0 – 18,5 MBq) dos complexos radioactivos na veia da cauda. Em seguida, os animais foram sacrificados por deslocação cervical, aos 5 min, 1 e 4 horas após administração. Os órgãos foram removidos, lavados, pesados e a sua actividade medida. A excreção total foi assumida como a diferença entre a actividade injectada no animal e a actividade medida imediatamente após o seu sacrifício. A actividade total no sangue, osso e músculo foi calculada assumindo que estes órgãos constituíam 6, 10 e 40% do peso total do animal, respectivamente. Os resultados de distribuição nos tecidos, expressos em percentagem da actividade injectada por grama de órgão (% A.I./g órgão) e, a excreção total expressa em % A.I., encontram-se sumarizados na tabela 2.4 Tabela 2.4 – Resultados de biodistribuição (% A.I./g órgão) e excreção total (% A.I.) para os complexos Tc1 e Tc2 em ratinhos CD-1 fêmea. Tc1 Tc2 5 min 1h 4h 5 min 1h 4h Sangue 2,8 ± 0,2 0,8 ± 0,2 0,6 ± 0,1 4,6 ± 1,5 0,5 ± 0,2 0,20 ± 0,04 Rim 19,0 ± 4,9 4,1 ± 1,8 1,3 ± 0,4 17,8 ± 3,1 2,8 ± 0,1 1,2 ± 0,3 Fígado 17,2 ± 1,9 5,6 ± 1,4 4,5 ± 0,26 19,3 ± 4,0 10,1 ± 1,4 3,5 ± 1,4 Intestino 9,3 ± 1,1 20,4 ± 2,9 18,5 ± 4,5 2,7 ± 0,5 10,1 ± 1,7 13,8 ± 6,2 Baço 2,4 ± 0,7 2,0 ± 0,6 2,2 ± 0,1 1,4 ± 0,2 0,11 ± 0,02 0,4 ± 0,2 Coração 0,8 ± 0,2 0,32 ± 0,05 0,28 ± 0,03 1,9 ± 0,5 0,22 ± 0,05 0,17 ± 0,02 Pulmões 0,6 ± 0,1 0,8 ± 0,3 0,8 ± 0,1 3,6 ± 0,9 0,4 ± 0,1 0,23 ± 0,05 Estômago 1,5 ± 1,0 0,7 ± 0,3 0,37 ± 0,06 1,0 ± 0,1 0,8 ± 0,3 0,42 ± 0,05 Músculo 0,8 ± 0,2 0,12 ± 0,02 0,10 ± 0,07 1,3 ± 0,1 0,04 ± 0,02 0,02 ± 0,01 Osso 0,6 ± 0,1 0,18 ± 0,04 0,12 ± 0,01 2,1 ± 0,2 0,21 ± 0,04 0,12 ± 0,01 Excreção total 21,8 ± 3,4 31,7 ± 3,0 40,8 ± 5,6 20,2 ± 4,4 52,7 ± 2,5 64,0 ± 6,3 62 Capítulo 2 Na figura 2.15 apresentam-se alguns destes valores sob a forma de histograma. 25 Osso Tc1 Músculo % A.I./g órgão 20 Sangue Rim 15 Tc2 10 Fígado Intestino 5 0 1h 4h 1h 4h Figura 2.15 – Resultados de biodistribuição (% A.I./g órgão) dos complexos Tc1 e Tc2. Os resultados obtidos permitiram concluir que não houve acumulação relevante de nenhum dos compostos nos órgãos ou tecidos, em particular no osso. Os complexos apresentaram rápida depuração sanguínea, e rápida eliminação dos órgãos não alvo, exceptuando os relacionados com a via de excreção, nomeadamente o fígado, o intestino e o rim. Em relação à via de eliminação, observámos que ambos os complexos eram eliminados pelas vias renal e hepatobiliar. A eliminação de complexos Tc1 e Tc2 por via hepatobiliar reflete-se na acumulação inicial da actividade no fígado (17 % e 19,3 % A.I./g órgão 5 min p.i., respectivamente). Estes valores diminuiem à medida que os compostos passam para o intestino. A excreção total foi mais rápida para Tc2 (52,7 ± 2,5 e 64,0 ± 6,3 %, 1h e 4h p.i., respectivamente) do que para Tc1. Estes resultados correlacionam-se com o carácter mais hidrofílico de Tc2 (Log D = -1,67 ± 0,03) em comparação com Tc1 (Log D = 0,08 ± 0,04). Nenhum dos complexos apresentou níveis elevados de fixação no estômago, o que indica que não sofreram reoxidação in vivo a [99mTcO4]-. 63 Compostos Contendo um Grupo Monofosfonato 2.2.4.2.2. Estabilidade in vivo Para confirmar a estabilidade de Tc1 e Tc2 in vivo foram analisadas, por RPHPLC, amostras de soro e urina de ratinho recolhidas no momento do sacrifício. O soro recolhido 60 min após injecção intravenosa dos complexos não apresentou nenhuma impureza radioquímica. Como se mostra na figura 2.16 para Tc2, observou-se no sangue um pico que foi atribuído ao complexo injectado inicialmente. A análise da urina recolhida 1 hora após injecção comprovou também a elevada estabilidade in vivo destes complexos, pois não foram detectadas quaisquer outras espécies radioquímicas resultantes de degradação e/ou metabolização (figura 2.16). Análise de soro de ratinho 1h após administração de Tc2 Análise da urina de ratinho 1h após administração de Tc2 Tc2 Tempo de retenção (min) Figura 2.16 – Cromatogramas de RP-HPLC do complexo Tc2 e amostras biológicas de ratinho CD-1 (detecção γ). 64 Capitulo 2 2.3. COMPOSTOS CONTENDO UM GRUPO BISFOSFONATO Os resultados descritos na secção 2.2, mostraram ser possível, a partir dos ligandos contendo a unidade pirazolo-diamina e um grupo monofosfónico (L1 e L2), preparar complexos estáveis do tipo fac-[M(CO)3(κ3-L)]+ (L = L1, L2, M = Re e 99mTc). Os estudos biológicos realizados com estes complexos em ratinhos CD-1 (Charles River), revelaram que, apesar de não se fixarem significativamente em nenhum órgão ou tecido, e em particular no osso, a excreção total foi relativamente rápida, especialmente no caso de Tc2. Tc1 e Tc2 eram preferencialmente eliminados pela via hepatobiliar. Nesta secção, é descrita a síntese e caracterização química de ligandos bifuncionais análogos a L1 e L2 mas com unidades bisfosfonato. As propriedades de coordenação face à unidade [M(CO)3]+ (M = Re e 99m Tc) são também apresentadas. Serão também apresentados e discutidos os resultados de estabilidade, as propriedades físico-químicas, a afinidade de ligação à hidroxiapatite e o comportamento biológico in vivo. 2.3.1. Síntese e caracterização de ligandos pirazolo-diamina contendo grupos bisfosfonatos (L4 – L6) Os compostos L4 – L6 foram sintetizados a partir de um ligando pirazolodiamina funcionalizado com um grupo carboxilato. Os aminobisfosfonato AMDP [(1amino-1,1-metileno)bisfosfonato de etilo], PAM (pamidronato) e ALN (alendronato) ligaram-se a esse grupo carboxilato através de uma ligação amida (figura 2.17). 65 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato Figura 2.17 – Unidade quelante pirazolo-diamina funcionalizada com um grupo carboxilato para conjugação a um bisfosfonato através de uma função amida. Começámos por sintetizar os derivados bisfosfonato AMDP, PAM e ALN como indicado no esquema 2.5. A) Ph Ph NH2 O 2 EtO P OH OEt EtO OEt H (i) OEt O OEt P OEt OEt P OEt O Ph N Ph (ii) 6 O B) H2N (iii) n OH n = 1, -alanina n = 2, ácido 4-aminobutírico H2N O OEt P OEt OEt P OEt O AMDP HO OH O P OH O H2N n P OH OH n = 1, PAM n = 2, ALN Esquema 2.5 – Síntese de aminobisfosfonatos: (A) AMDP; (B) PAM e ALN. (i) refluxo; (ii) Pd/C, etanol, refluxo; (iii) 1. PCl3, H3PO3; 2. H2O. O AMDP foi sintetizado de acordo com o método descrito na literatura, através da síntese do aminobisfosfonato 6, seguido da remoção dos grupos benzilo no segundo passo [122, 123]. O éster dibenzilaminobisfosfonato de etilo (6) foi preparado por aquecimento de uma solução de dibenzilamina, trietilortoformato e dietilfosfito. À medida que a reacção decorria formava-se etanol que era necessário remover para manter a temperatura da mistura reaccional elevada. Este procedimento seguido da purificação por cromatografia em coluna de sílica gel, utilizando um gradiente (100 – 0 %) de n-hexano/etanol como eluente, levou à obtenção do composto 6, sob a forma de um óleo, com um rendimento de 43 %. A remoção dos grupos benzilo do composto 6 foi realizada por hidrogenação com refluxo metanólico, na presença de ciclohexeno e 66 Capítulo 2 catalizador de Pd/C. A suspensão obtida foi filtrada e após evaporação do solvente o composto AMDP foi obtido quantitativamente sob a forma de um óleo. O pamidronato (PAM) e o alendronato (ALN) foram obtidos conforme descrito por Kieczykowski [124]. Aqueceu-se a 65 °C uma mistura de H3PO3, ácido metanosulfónico e β – alanina ou ácido 4-aminobutírico. Após adição lenta de PCl3, as misturas reaccionais permanecem em aquecimento (65 °C) e em agitação contínua durante a noite. As misturas reaccionais foram arrefecidas até à temperatura ambiente, adicionou-se H2O fria (0 - 5 °C) e refluxou-se durante mais 5 h. Após o refluxo, as soluções foram arrefecidas até 20 °C e o pH foi ajustado a 4 - 5, por adição de uma solução aquosa de NaOH a 50 %. As suspensões obtidas permaneceram no congelador durante a noite e os produtos PAM e ALN precipitaram sob a forma de sólidos brancos. Após filtração e secagem em vazio os sólidos brancos obtidos PAM (50 %) e ALN (87 %) foram analisados. A análise elementar mostrou que o composto PAM foi obtido sob a forma de ácido (3-amino-1-hidroxipropilideno)bisfosfónico monohidratado e o composto ALN foi obtido sob a forma de sal de (4-amino-1hidroxibutilideno)bisfosfonato de trisódio tetrahidratado. Os compostos L4 – L6 foram obtidos fazendo reagir o composto 7 com o correspondente aminobisfosfonato, como se mostra no esquema 2.6. A síntese do composto 7 foi realizada conforme descrito na literatura [114]. 67 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato O OEt P OEt OEt P OEt O O N H (i) N N N 8 NH O O O (ii) N N N O OH P OH N OH H P OH O NH2 L4 O O OH HO P O OH P OH HN O OH O N COOH N N O O (iii) N NH O N N O N O N H 7 OH HO P O OH P OH HN O OH O 9 (iv) N N O N N H O 10 O HO OH OH P P OH HO O O N N (v) N NH2 L5 HN O HO OH OH P P OH HO O O (vi) N N O N N H O HN 11 O (v) N N N NH2 L6 Esquema 2.6 – Síntese dos conjugados com bisfosfonatos L4 – L7. i) AMDP, HOBt/DCC, acetonitrilo; ii) 1. Me3SBr/diclorometano, 2. metanol/água; iii) NHS/DCC, diclorometano; iv) PAM, NEt3, acetonitrilo/H2O; v) ácido trifluoroacético vi) ALN, HOBt/HBTU, NMM, N,N-dimetilformamida/água. Para obter o composto L4, sintetizou-se o composto intermediário 8 através da reacção de conjugação do aminobisfosfonato AMDP com o composto 7 utilizando como activadores N,N’-diciclohexilcarbodiimida (DCC) e 1-hidroxibenzotriazolo (HOBt) e acetonitrilo como solvente. No decorrer da reacção observou-se a formação de um sólido branco correspondente à N,N’-diciclohexilureia (DCU), que foi eliminado por 68 Capítulo 2 filtração. O sobrenadante obtido foi seco em vazio e o sólido foi purificado por cromatografia em coluna de sílica gel, com um gradiente de 2,5 – 15 % etanol/diclorometano, originando o composto 8 com um rendimento de 58 %. O tratamento do intermediário 8 com brometo de trimetilsilano, seguido de hidrólise em metanol permitiu a remoção do grupo Boc e Et. O composto L4 foi obtido, sob a forma de um sólido branco, por precipitação de uma mistura de metanol e éter etílico, com um rendimento de 73 %. O composto L4 é muito solúvel em água e álcoois, e é insolúvel na maioria dos solventes orgânicos. As reacções de conjugação de 7 com PAM e ALN levaram à obtenção dos respectivos conjugados L5 e L6, com rendimentos inferiores. A principal dificuldade durante a preparação destes compostos foi a insolubilidade de PAM e ALN nos solventes orgânicos normalmente utilizados nas reacções de conjugação [125], uma vez que estes compostos são muito solúveis em água. Nas experiências realizadas durante a optimização da síntese dos intermediários 10 e 11 utilizaram-se dois tipos de estratégias que se apresentam no esquema 2.7. COOH N N N NH O O 7 i) OH HO P O OH OH n P OH O HN iii) O R O N N N O N O H Éster activado R O O O F F F F F F ii) PAM ou ALN Base F O N O N N O N N H O n = 1 (10) n = 2 (11) F F Esquema 2.7 - Síntese dos intermediários 10 e 11. i) pré-activação do ácido carboxílico com NHS, PFF, TFF, DCC ou EDC; ii) conjugação do ácido bisfosfónico com adição de base; iii) reacção directa com adição simultânea de reagentes de activação (e.g. HATU, HOBt e HBTU), ácido bisfosfónico (PAM ou ALN) e base. 69 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato Como se mostra no esquema 2.7, essas estratégias consistiram no seguinte: 1) Pré-activação do ácido carboxílico do precursor 7 (1º passo), seguida da conjugação com o ácido aminobisfosfónico (PAM ou ALN) em meio alcalino (2º passo). 2) Reacção directa do precursor 7 com os ácidos aminobisfosfónicos (PAM ou ALN) na presença de agentes de acoplamento e em meio alcalino. Em ambas as estratégias, o meio manteve-se aproximadamente a pH 9 - 10, quando se utilizaram bases como a trietilamina (NEt3), a diisopropiletilamina (DIPEA) ou a N-metilmorfolina (NMM). Os reagentes de activação utilizados na primeira estratégia, foram a N-hidroxisuccinimida (NHS), o pentafluorofenol (PFF) ou o tetrafluorofenol (TFF) que, diciclohexilcarbodiimida (DCC) foram ou utilizados juntamente com N,N’- N-(3-dimetilaminopropil)-N’-etilcarbodiimida cloridratada (EDC), para formação de um éster activado intermediário. Nas reacções directas utilizaram-se os reagentes de acoplamento, hexafluorofosfato de 2-(1H-7azabenzotriazolo-1-il)-1,1,3,3-tetrametiurónio (HATU), 1-hidroxibenzotriazolo (HOBt) ou hexafluorofosfato de 2-(1H-benzotriazolo-1-il)-1,1,3,3-tetrametiurónio (HBTU). Na tabela 2.5 apresentam-se as diferentes condições experimentais exploradas para a síntese dos intermediários 10 e 11 a partir do composto 7 e do PAM e ALN, bem como os rendimentos obtidos. 70 Capítulo 2 Tabela 2.5 – Condições experimentais estudadas para a síntese de 10 e 11 e rendimentos das reacções. Síntese dos Intermediários 10 e 11 OH HO P O OH HBTU a) PFF/DCC P OH O OH HN NHS/DCC O N N Reagentes de Acoplamento a) O N N H O 10 NHS/DCC a) NHS/EDC a) TFF/DCC a) 11 HATU HOBt/HBTU Solventes CH3CN a) CHCl3 b) CH3CN/H2O a) CHCl3 b) THF/H2O a) CH2Cl2 b) iPrOH/H2O a) CH2Cl2 b) DMSO a) CH2Cl2 b) CH3CN a) CH2Cl2 b) CH3CN/H2O a) CH2Cl2 b) CH3CN/H2O a) H2O b) H2O a) CH2Cl2 CH3CN/ b) Tampão pH 9.5 a) CH3CN CH3CN/ b) Tampão pH 9.5 DMF/H2O DMF/H2O Ácido Bisfosfónico/Bas e Rendimento PAM/NEt3 PAM/NEt3 c) PAM/NEt3 c) PAM/DIPEA c) PAM/DIPEA c) PAM/NEt3 c) PAM/NEt3 η = 22 % ALN/NEt3 η=5% ALN/DIPEA η=6% c) ALN/NEt3 c) ALN/NMM c) ALN/NMM ALN/NMM c) η = 12 % a) Reagentes ou solventes utilizadas na pré-activação da função ácido carboxílico do composto 7; Solventes utilizados na reacção de conjugação com PAM ou ALN; c) Rendimento não determinado devido à ausência de produto ou produto não isolado puro. b) Geralmente, as reacções de conjugação realizam-se em solventes orgânicos apróticos pois estas reacções envolvem a formação de um éster activado que, por ser muito reactivo, é instável em solventes como a água ou álcoois. No entanto, para resolver o problema de insolubilidade do PAM e ALN em solventes orgânicos utilizaram-se misturas de água e solventes orgânicos. Apesar de ser pouco comum em reacções de conjugação, também foram realizadas experiências utilizando exclusivamente água como solvente, ou misturas de água/i-propanol (iPrOH), ou tampão borato pH 9,5 (0,1 M)/CH3CN, conforme descrito na literatura para conjugações com ALN ou PAM [98, 101, 126-130]. No entanto, a maioria destas reacções não foi bem sucedida. 71 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato Os melhores resultados foram obtidos utilizando as condições experimentais apresentadas no esquema 2.6. O intermediário 10 foi obtido por reacção de activação do grupo ácido carboxílico do precursor 7 com NHS e DCC, em diclorometano seco, à temperatura ambiente, observando-se a formação de DCU, sob a forma de um precipitado branco. Após 5 h, praticamente todo o precursor 7 tinha sido consumido e removeu-se o precipitado por filtração. De seguida, fez-se reagir o éster activado 9 com PAM numa mistura de CH3CN/H2O e NEt3 à temperatura ambiente durante 24 h. No final o PAM que não reagiu foi removido por centrifugação. A purificação por cromatografia de sílica gel, utilizando como eluentes o diclorometano, um gradiente de 10 – 100 % de metanol/clorofórmio e um gradiente de 25 – 100 % de solução aquosa concentrada de amónia/metanol, levou à obtenção do composto 10 com um rendimento de 22 %. O compostos L5 foi obtido após remoção do grupo Boc do composto intermediário 10 com ácido trifluoroacético, e foi purificado por cromatografia de troca iónica. Esta purificação envolveu a utilização de duas colunas diferentas, uma de troca catiónica, fortemente acídica (DOWEX 50 x 4), eluída com água e uma solução aquosa 10 % de piridina e uma outra coluna de troca catiónica, fracamente acídica (Amberlite GC50), eluída com água. O composto L5 foi obtido com um rendimento de 30 %. O intermediário 11 foi obtido através da reacção directa do precursor 7 com o ALN na presença de HOBt/HBTU numa mistura de N,N-dimetilformamida/H2O e Nmetilmorfolina. Após 5 dias em agitação à temperatura ambiente o ALN, que não reagiu foi removido por filtração. O solvente do filtrado foi evaporado e o resíduo foi dissolvido em água, levando à precipitação de HOBt e HBTU em excesso. O precipitado foi removido por filtração e o filtrado foi aplicado numa coluna SEP-PAK® C18 para remover o restante ALN que não reagiu. Após remoção do solvente, o resíduo obtido foi purificado por cromatografia de sílica gel, utilizando como eluentes o diclorometano, um gradiente de 10 – 100 % de metanol/clorofórmio e um gradiente de 25 – 100 % de solução aquosa concentrada de amónia/metanol. O composto 11 foi obtido com um rendimento de 12 %. 72 Capítulo 2 O composto L6 foi obtido puro e com um rendimento de 40 % após remoção do grupo Boc do composto 11 com ácido trifluoroacético, neutralização com uma solução de NaOH 0,1 M e purificação utilizando uma coluna Sep-Pak® C18 para remoção de sais. Os compostos L4 – L6 foram caracterizados por análise elementar C, H, N e por espectroscopia de RMN multinuclear. L4 foi também caracterizado por espectroscopia de IV e os compostos L5 e L6 foram caracterizados por espectrometria de massa com ionização por electrospray (ESI-MS). Relativamente à análise elementar, os valores encontrados eram concordantes com as formulações C16H32N5NaO8P2∙2H2O para o composto L5 e C17H34N5NaO8P2∙H2O para o composto L6. Este resultado, juntamente com os dados obtidos através das restantes análises efectuadas, permitiu caracterizar de forma inequívoca todos os compostos sintetizados. Nas tabelas 2.6, 2.7 e 2.8 apresentam-se os dados espectroscópicos de RMN de 1 H, 13C e 31P dos compostos intermediários 8, 10, 11 e dos compostos finais L4 – L6. Para a atribuição dos sinais de RMN realizaram-se experiências de 1H – 1H COSY e 1H – 13C HSQC e a título exemplificativo apresentam-se em anexo os espectros de L5 nas figuras A.1 e A.2. 73 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato Tabela 2.6 – Dados de RMN dos compostos 8 e L4 em CDCl3 e D2O, respectivamente. 8 L4 δ 17,5 (31P) δ 13,7 (31P) δ (1H) δ (1H) a – e, g 4,12 (m, 2H)* 2,86 (q largo, 2H) 2,64 (t largo, 2H) 2,45 (t largo, 2H) 2,38 (m, 4H) 3,68–3,07 (m largo, 10H) 2,38 (s largo, 2H) f 1,71 (m, 2H) 1,94 (s largo, 2H) h 5,19 (td, 1H, 2JPH = 22,2, 3JHH = 10,2) 4,38 (t, 1H) 47,9 (4)pz 5,82 (s, 1H) 6,07 (s, 1H) 109,8 (3/5)pz 2,23; 2,21 2 x (s, 3H) 2,20; 2,15 2 x (s, 3H) 150,1 (-C-) 147,6 (-C-) 13,1 (-CH3) 12,4 (-CH3) C=O - - 175,9 BOC 1,38 (s, 9H) - - OEt 4,12 (m, -O-CH2-, 8H)* 1,26 (m, -O-CH2-CH3, 12H) - - NH 8,73 (d largo, NH, 1H, 3JHH = 9.0) 4,69 (s largo, NH, 1H); - - * Ressonâncias sobrepostas. 74 δ (13C) 55,5; 53,5; 49,7; 44,4; 37,6; 34,6; 21,6 Capítulo 2 Tabela 2.7 – Dados de RMN dos compostos 10 e L5 em D2O. 10 L5 δ 18,3 (31P) δ 18,2 (31P) δ (1H) δ (1H) δ (13C) 4,07 (s largo, 2H) 4,21 (t, 2H) 45,13 3,34 (m, 2H)* 54,34 3,19 (m, 2H)* 52,07 3,19 (m, 2H)* 36,79 2,19 (t, 2H) 34,74* 1,76 (m, 2H) 22,0 2,92 (t, 2H) 55,30 h 3,34 (m, 2H)* 37,48 i 1,99 (m, 2H) 34,74* a b c d e f g 3,32 (t largo, 2H) 3,12 (m, 2H) 2,76 (m, 4H) 2,11 (m, 2H)* 2,02 (m, 2H)* 2,24 (m, 2H); 1,69 (m, 2H) j - - 74,85 (4)pz 5,82 (s, 1H) 5,88 (s, 1H) 108,2 (3/5)pz 2,11*; 2,02* 2 x (m, 3H) 2,14; 2,04 2 x (s, 3H) 151,6 (-C-) 144,1 (-C-) 14,2 (-CH3) 12,0 (-CH3) C=O - - 176,5 BOC 1,25 (s, 9H) - - *Ressonâncias sobrepostas. 75 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato Tabela 2.8 – Dados de RMN dos compostos 11 e L6 em D2O. a 11 L6 δ 18,6 (31P) δ 18,3 (31P) δ (1H) δ (13C) δ (1H) 4,07 (t, 2H) 46,1 3,92 (t, 2H) 3,04 (m, 2H) 2,72 (m, 4H) 2,51 (m, 2H) 2,36 (m, 2H) 2,01 (m, 2H)* 1,66 (m, 6H) 3,09 (m, 6H) 2,78 (t, 2H) 2,68 (t, 2H) 2,14 (m, 2H)* 1,74 (m, 6H) 54,5 (3 x C); 42,2; 38,7; 35,0; 33,3; 25,5; 23,3 k - 83,2 - (4)pz 5,84 (s, 1H) 107,4 5,79 (s, 1H) (3/5)pz 2,14 (m, 3H)* 2,04 (s, 3H) 151,2 (-C-) 143,7 (-C-) 14,2 (-CH3) 12,1 (-CH3) 2,11 (s, 3H) 2,01 (m,3H)* C=O - 177,4 - BOC 1,28 (s, 9H) 160,08 - b-j *Ressonâncias sobrepostas. Todos os compostos apresentaram um único singuleto nos espectros de RMN de 31P. Nestes espectros, salienta-se que as ressonâncias dos compostos com AMDP [δ 17,5 (8); δ 13,5 (L4)] apareciam a campo mais alto do que as observadas para os compostos com PAM [δ 18,3 (8); δ 18,2 (L4)] e ALN [δ 18,6 (8); δ 18,3 (L4)]. Estes resultados correlacionam-se, muito provavelmente, com a presença do grupo hidroxilo no carbono geminal de PAM e ALN. 76 Capítulo 2 Os espectros de RMN de 1H dos compostos L4 – L6 possuem um conjunto de ressonâncias semelhantes entre si, devido à presença da unidade pirazolo-diamina. Assim, o anel pirazolilo foi identificado em todos os compostos, através da presença no espectro de RMN de 1H de três singuletos atribuídos ao protão 4, próximo de δ 5,8 e aos grupos metilo 3 e 5 com desvios químicos entre δ 2,2 – 2,0. Os seis tripletos (Ha – He, Hg) e um multipleto (Hf) devidos aos protões alifáticos do ligando pirazolo-diamina, apareciam entre δ 4 – 1,6, sendo os desvios químicos dos protões Ha aqueles que apareciam a campo mais baixo e os protões Hf aqueles que apareciam a campo mais alto. Nos espectros de RNM de 13C de L4, L5 e 11, o anel pirazolilo foi identificado pela existência de 5 sinais: dois devidos aos carbonos 3 e 5 do anel que apareciam entre δ 143 -152 ppm, um devido ao carbono 4 que aparecia entre δ 110 – 107 ppm e dois devidos aos grupos metilo nas posições 3 e 5 que apareciam entre δ 12 – 14 ppm. Foram também observados sinais distintos para cada um dos átomos de carbono das cadeias alifáticas entre δ 55 – 21 ppm e os carbonos geminais dos grupos BF (PAM e ALN) apareciam para campo mais baixo (δ 83 – 74 ppm), certamente devido ao efeito desblindante do grupo hidroxilo. No espectro de IV do composto L4 observou-se uma banda a 1154 cm-1 atribuída à vibração de extensão da ligação P = O do grupo ácido fosfónico, tal como observado para L2 (secção 2.2). Observou-se ainda outra banda a 1647 cm-1, na região onde geralmente se observam as frequências ν(C = O) e δ(N – H), dos grupos amida e aminas primárias, respectivamente. As formulações propostas para os compostos L5 e L6 foram também confirmadas por ESI-MS. A título de exemplo, mostram-se na figura 2.18 os espectros de massa obtidos em modo positivo e em modo negativo para o composto L5. 77 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato m/z mais abundante calculado para: C16H32N5O8P2 [M-H] 100,0 484,2 80,0 60,0 40,0 485,2 20,0 486,2 0,0 484,00 486,00 m/z m/z calculado C16H34N5O8P2 100,0 486,2 80,0 60,0 40,0 20,0 486,00 487,2 488,2 487,00 488,00 m/z Figura 2.18 – ESI-MS do composto L5: (A) modo negativo; (B) modo positivo. Para L5, o pico maioritário observado a m/z = 484,1, obtido em modo negativo (figura 2.18 - A) corresponde ao ião molecular [M - H]-. Para o mesmo composto, em modo positivo (figura 2.18 - B) encontrou-se um pico maioritário a m/z 486,0 correspondente ao ião molecular [M + H]+. Neste espectro, foram ainda identificados outras espécies catiónicas, nomeadamente, [M + K]+ a m/z 523,9 e [M + Na]+ a m/z 507,9. 78 Capítulo 2 2.3.2. Síntese e caracterização dos complexos Re4 - Re6 Os complexos organometálicos fac - [Re(CO)3(κ3-L)]+ (Re4, L = L4 ; Re5, L = L5 e Re6, L = L6) foram obtidos a partir dos precursores (NEt4)2[ReBr3(CO)3] ou [Re(H2O)3(CO)3]Br como se indica no esquema 2.8. Os precursores de Re(I) foram sintetizados a partir do complexo [ReBr(CO)5], conforme descrito na literatura [131133]. HO OH O P O P HN OH OH O N N + N NH2 Re ii) CO OC EtO OEt O P O P HN OEt OEt O + N N N NH2 Re CO CO [Re(CO)3( 3-pzAMDP]+ OC CO Re4 L4 H2O/refluxo i) OH g +/-2 X X OC -O OH O HO P P O O HO HN Re CO X CO X = H2O, Br pz-COOH H2O/refluxo O O e f a b c + 3 N N d 4 NH2 N Re 5 OC iii) iv) CO OC CO 3-pzCOOH)]+ [Re(CO)3( -O v) N N HO P O + N Re NH2 CO CO Re5 OH O P O OH HN O N N OC + N Re NH2 CO CO Re6 Esquema 2.8 – Vias de síntese dos complexos Re4 - Re6. (i) HOBt/DCC/acetonitrilo, AMDP; (ii) 1. Me3SiBr/diclorometano; 2. metanol; (iii) TFF/DCC, acetonitrilo; (iv) PAM, NEt3, acetonitrilo/tampão borato pH 9,4; (v) HOBt/HBTU, NMM, ALN, DMF - H2O. 79 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato O composto Re4 foi obtido por reacção de [Re(H2O)3(CO)3]Br com L4 em H2O durante uma noite. O solvente da mistura reaccional foi removido por evaporação e o resíduo foi dissolvido numa mistura de H2O/acetonitrilo (90/10) que, permitiu a precipitação de uma parte dos reagentes de partida que não reagiram. O sobrenadante foi purificado por HPLC - RP permitindo isolar o complexo Re4 puro com um rendimento de aproximadamente 50 %. Com a finalidade de confirmar o modo de coordenação do ligando L4 face à unidade fac - [M(CO)3]+ (M = Re, 99m Tc), e provar que a unidade bisfosfonato não estava coordenada ao metal, foi desenvolvida uma segunda via de síntese que também permitiu isolar Re4 puro e com um rendimento superior. Essa via de síntese consistiu em sintetizar o composto intermediário [Re(CO)3(κ3-pzCOOH)]Br a partir do precursor (NEt4)2[ReBr3(CO)3] conforme descrito na literatura [107]. A conjugação da unidade bisfosfonato com o ácido carboxílico foi realizada através da reacção do precursor [Re(CO)3(κ3-pzCOOH)]+ com o éster (1-amino-1,1-metileno)bisfosfonato de etilo, na presença dos reagentes de acoplamento HOBt e DCC durante 20 h. A N,N’diciclohexilureia (DCU) que precipitou foi removida por centrifugação. O solvente do sobrenadante foi evaporado e o resíduo seco foi suspendido numa mistura de H2O/acetonitrilo (90/10). Esta mistura foi novamente filtrada para remover a DCU insolúvel e o complexo intermediário [Re(CO)3(κ3-pzAMDP)]+ foi obtido com um rendimento de 66 %, após purificação por cromatografia preparativa de RP- HPLC. O complexo Re4 foi obtido por hidrólise dos ésteres etílicos de [Re(CO)3(κ3-pzAMDP)]+ com brometo de trimetilsilano. O rendimento desta reacção, calculado com base no espectro de 1H RMN, foi quantitativo. O complexo Re4 foi obtido, através das duas vias, sob a forma de um óleo amarelo pálido estável ao ar. Para a síntese de Re5, começámos por conjugar PAM ao grupo ácido carboxílico do precursor [Re(CO)3(κ3-pzCOOH)]Br pré-activado com NHS e DCC, em diclorometano seco, à temperatura ambiente. No passo seguinte, a conjugação com PAM decorreu numa mistura de acetonitrilo/tampão borato pH 9,5 (0,1 M) e trietilamina, à temperatura ambiente durante 24 h. No entanto, este procedimento levou à obtenção do complexo Re5 com um rendimento muito baixo (8 %). 80 Capítulo 2 Com o objectivo de optimizar este rendimento, a síntese de Re5 foi realizada por um processo análogo, mas utilizando DCC e TFF para activação do grupo carboxilato. O éster activado fez-se reagir com PAM em acetonitrilo/tampão borato pH 9,5 (0,1 M) e trietilamina, mantendo o pH = 9. Após 5 dias em agitação, à temperatura ambiente, o solvente da mistura reaccional foi seco em vazio e o produto foi extraído com água. O solvente foi evaporado novamente e o excesso de trietilamina foi removido através da lavagem do resíduo seco com acetonitrilo. O resíduo obtido foi dissolvido em água e purificado por SEP-Pak C18. A lavagem com água, seguida da eluição com um gradiente de 27 - 75 % metanol/água, levou à obtenção de Re5 com um rendimento de 24 %. O complexo Re6 foi obtido por reacção do precursor [Re(CO)3(κ3-pzCOOH)]Br com ALN na presença de HOBt/HBTU, numa mistura de N,N-dimetilformamida/H2O e N - metilmorfolina, mantendo o pH próximo de 8. A reacção decorreu com agitação constante à temperatura ambiente durante 5 dias. Após evaporação do solvente da mistura reaccional na linha de vazio, o produto foi extraído com água. O volume da solução aquosa foi concentrado e aplicado numa coluna Sep-Pak C18. O complexo Re6 foi obtido sob a forma de óleo incolor com um rendimento de 40 %, após lavagem da coluna Sep-Pak com uma pequena quantidade de H2O, 20 % metanol/H2O e 30 % metanol/H2O e eluição com 50 % metanol/H2O. O complexo intermediário [Re(CO)3(κ3-pzAMDP)]+ e os complexos Re4 - Re6 foram caracterizados por espectroscopia de ressonância magnética multinuclear. Os complexos Re5 e Re6 foram também caracterizados por análise elementar, espectroscopia de IV e por espectrometria de massa (ESI-MS). Relativamente à análise elementar, os valores encontrados eram concordantes com as formulações C19H31N5Na2O11P2ReBr∙CH3OH para o complexo Re5 e C20H33N5Na2O11P2ReBr∙CH3OH para o complexo Re6 (ver estruturas no esquema 2.8). Este resultado, juntamente com os dados obtidos através das restantes análises efectuadas, permitiu caracterizar de forma inequívoca todos os compostos sintetizados. 81 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato A atribuição das ressonâncias nos espectros de RMN de 1H e 13C dos complexos [Re(CO)3(κ3-pzAMDP)]+, Re4 - Re6 foi realizada com base em experiências bidimensionais de 1H – 1H COSY e 1H – 13C HSQC, como exemplificado para Re5 (figuras A.3 e A.4 e A.5) em anexo. Nas tabelas 2.9 e 2.10 apresentam-se os dados espectroscópicos de RMN de 1 H, 13C e 31P do complexo intermediário [Re(CO)3(κ3-pzAMDP)]+ e dos complexos Re4 - Re6. 82 Capítulo 2 Tabela 2.9 – Dados de RMN dos compostos [Re(CO)3(κ -pzAMDP)] e Re4 em D2O. 3 + [Re(CO)3(κ3-pzAMDP)]+ δ (1H) a 4,28 (d largo, 1H) a’ 3,94 (m,1H) b 3,29 (m largo, 1H)* b’ 2,54 (t largo, 1H) c/c’ 2,71 (s largo, 2H) d 3,00 (m largo, 1H) d’ 2,35 (m largo, 2H) e/e’ 2,33 (t, 2H) δ (13C) 49,0 54,5 63,1 44,1 32,7 Re4 δ (1H) 4,29 (d largo, 1H) 4,07 (m largo, 1H) 3,26 (m largo, 1H)* 2,55 (t largo,1H) 2,71 (s largo, 2H) 3,01 (m largo, 1H) 2,34 (m largo, 2H) 2,20 (s largo, 2H) 49,0 54,6 63,2 44,2 33,9 f 2,04 (m largo, 1H) f’ 1,83 (m largo, 1H) g 3,54 (m largo, 1H) g’ 3,29 (m largo, 1H)* h 4,51 (m, 1H) 50,1 4,53 (m, 1H) 50,9 O-CH2- 4,08 (m, 8H) 67,5 - - O-CH2-CH3 1,15 (m, 12H) 17,7 - - NH2 5,04; 3,64 2 x (s largo) - 5,04; 3,64 2 x (s largo) - (4)pz 6,01 (s, 1H) 109,7 6,01 (s, 1H) 109,7 (3/5)pz 2,25; 2,13 2 x (s, 3H) 155,6 (-C-) 146,2 (-C-) 17,3 (-CH3) 12,8 (-CH3) 2,24; 2,13 2 x (s, 3H) 155,6 (-C-) 146,2 (-C-) 17,3 (-CH3) 12,9 (-CH3) C=O - 179,5 - 180,4 C≡O - 196,1** - 196,5; 196,1; 194,9 21,3 67,7 2,03 (m, 1H) δ (13C) 1,88 (m largo,1H) 3,50 (m largo, 1H) 3,26 (m largo, 1H)* 22,1 67,7 * Ressonâncias sobrepostas. ** Não foi possível distinguir os outros dois sinais da linha de base. 83 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato Tabela 2.10 – Dados de RMN dos compostos Re5 e Re6 em D2O. Re5 δ (1H) Re6 δ (13C) δ (1H) a 4,36 (dd, 1H) a’ 4,13 (dd, 1H) b 3,40 (m, 1H)* b’ 2,60 (dd, 1H) c/c’ 2,76 (s largo, 2H) d 3,11 (m largo, 1H) d’ 2,43 (m largo, 1H) e/e’ 2,19 (m, 2H)* 33,1* 2,14 (m, 2H)* 32,8 f/f’ 2,01 (m largo, 2H)* 20,7 2,07 (m, 1H) 20,7 g 3,54 (dd, 1H) g’ 3,40 (m largo, 1H)* h/h’ 3,40 (m, 2H)* 36,1 (t) JCP = 7,9 Hz 3,07 (m largo, 1H)* 40,0 i/i’ 2,01 (m largo, 2H)* 33,1* 1,71 (m, 2H) 23,3 j - 73,2 (t) JCP = 129,4 Hz 1,82 (m, 2H) 31,1 k - - 71,8 NH2 5,11; 3,64 2 x (s largo) - 5,06; 3,64 2 x (s largo) - (4)pz 6,07 (s, 1H) 107,8 6,02 (s, 1H) 107,7 (3/5)pz 2,30; 2,19* 2 x (s, 3H) 153,7 (-C-) 144,3 (-C-) 15,4 (-CH3) 10,9 (-CH3) 2,26; 2,14* 2 x (s, 3H) 153,7 (-C-) 144,3 (-C-) 15,3 (-CH3) 10,9 (-CH3) C=O - 174,9 - 175,4 47,2 52,8 61,3 42,2 66,0 4,31 (dd, 1H) δ (13C) 4,08 (dd, 1H) 3,28 (m largo, 1H)* 2,56 (m,1H) 2,71 (s largo, 2H) 3,07 (m largo, 1H)* 2,38 (m largo, 2H) 3,50 (m, 1H) 3,28 (m largo, 1H)* 47,1 52,8 61,3 42,2 65,9 194,6; 194,2; 194,5; 194,2; 193,1 193,1 * Ressonâncias sobrepostas. ** Não foi possível distinguir os outros dois sinais da linha de base. C≡O 84 - Capítulo 2 Como se pode concluir por análise dos resultados compilados nas tabelas 2.9 e 2.10, o perfil dos espectros de 1H-RMN e 13 C-RMN dos complexos são semelhantes entre si, com desvios químicos praticamente sobreponíveis. No espectro de RMN de 1H observaram-se três singuletos atribuídos ao protão 4, próximos de δ 6 ppm e aos grupos metilo 3 e 5 do anel pirazolilo com desvios químicos entre δ 2,3 – 2,1 ppm. A presença de 4 pares de multipletos (a - a’, b - b’, d d’, g - g’), integrando cada um deles para um protão é compatível com a coordenação tridentada da unidade quelante pirazolo-diamina ao centro metálico fac - [Re(CO)3]+. Os protões f e f’, no caso do complexo Re5 e Re6, não se puderam distinguir um do outro devido à sobreposição ocasional com os protões Hi da unidade pamidronato ou alendronato. Em Re5 e Re6 as ressonâncias devidas ao PAM e ALN não sofrem desvio significativo face às mesmas ressonâncias nos respectivos ligandos L5 e L6. Este resultado confirma que a unidade bisfosfonato, apesar de possuir grupos potencialmente coordenantes, não se encontra envolvida na ligação ao centro metálico. Nos espectros de RMN de 1H surgem também dois sinais largos, atribuídos aos protões da amina primária NH2 que aparecem próximo de δ 5 e 3,6 ppm. Este desdobramento deve-se ao carácter diastéreotépico detes protões, após coordenação da amina ao centro metálico. No espectro de RMN de C dos complexos [Re(CO)3(κ3-pzAMDP)]+, Re4 - Re6 13 foi possível observar todas as ressonâncias esperadas, nomeadamente, dos ligandos carbonilo (C≡O), entre δ 196 e δ 193 ppm, do grupo C = O entre δ 180 e δ 175 ppm e do anel pirazolilo [C(3/5)pz] entre δ 156 e δ 144 ppm. Salienta-se ainda o facto de ter sido possível observar, no caso do complexo Re5, a ressonância do carbono Cj, da unidade pamidronato, a δ 73,2 na forma de tripleto, devido ao acoplamento ao núcleo de fósforo (JCP = 129,4 Hz). Na tabela 2.11 apresentam-se os desvios químicos do 31P para os compostos L4 - L6 e para os complexos Re4 - Re6. 85 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato Tabela 2.11 – Dados de RMN de 31P de L4 - L6 e Re4 - Re6. LIGANDOS OH HO P O OH P OH O OH HN O N N δ( P) NH2 L4 L5 L6 13,7 18,2 18,3 Re4 Re5 Re6 11,1 24,7 19,6 COMPLEXOS 31 N δ( P) 31 A diferença entre os desvios do 31P nos ligandos e respectivos complexos foi de: ∆ = 2,6 (L4/Re4), ∆ = 6,5 (L5/Re5) e ∆ = 1,3 (L6/Re6). Estas diferenças (∆) são da mesma ordem de grandeza das observadas para o complexo Re1 caracterizado estruturalmente por difracção de raios - X. Os complexos Re5 e Re6 também foram caracterizados por espectroscopia de IV. A característica mais significativa destes espectros é a presença de bandas atribuíveis às vibrações de extensão ν(C≡O), que apareciam a frequências comparáveis às encontradas para o complexo Re1, na região de 2100 - 1900 cm-1 e apresentavam um perfil característico do arranjo facial dos grupos carbonilo (figura 2.19). Estas bandas aparecem numa região entre 2033 e 1912 cm-1, ligeiramente desviadas para frequências superiores relativamente ao precursor (NEt4)2[ReBr3(CO)3] (2000, 1869 cm-1), o que é indicativo da coordenação ao centro metálico. 86 Capítulo 2 Re5 ν(C≡O) 2100 ν(C=O) 1900 00 1700 1500 Re6 -1 ν(cm ) Figura 2.19 – Espectros de IV do precursor [Re(CO)3 (H2O)3]Br e dos complexo lexos Re5 e Re6 em KBr, na região ão 22100 – 1500 cm-1. apresenta-se também a zona onde aparece rece a frequência Na figura 2.19 apr característica da vibração od de extensão ν(C=O) da função amida. Oss complexos com Re5 e Re6, cujos ligandos continha inham um grupo destes, apresentavam uma banda ban a 1686 cm-1 ou 1650 cm-1, respectivamen mente. propostas para os compostos Re5 e Re6 foram também As formulações pro confirmadas por ESI-MS.. A título de exemplo, estão representados na figura 2.20 os espectros de massa obtidos idos em modo positivo e em modo negativo o para pa o composto Re6. 87 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato Figura 2.20 – ESI-MS do complexo Re6: (A) modo negativo; (B) modo positivo. No espectro de massa do complexo Re6, obtido em modo negativo detectou-se um pico maioritário a m/z = 768,0 que corresponde ao ião molecular [M - 2H]- e um pico de menor intensidade a m/z = 383,4 correspondente ao ião [M - 3H]2- (figura 2.20 - A). No espectro de massa deste composto obtido em modo positivo (figura 2.20 - B) detectaram-se as espécies catiónicas correspondentes a [M]+ a m/z 770,1, [M - H + Na]+ a m/z 792,1, [M - 2H + 2Na]+ a m/z 814,1 e [M - 2H + Na + K]+ a m/z 830,0. 88 Capítulo 2 2.3.3. Síntese e caracterização dos complexos Tc4 - Tc6 Os complexos organometálicos Tc4 - Tc5 foram preparados por reacção dos compostos L4 - L6 com uma solução contendo o precursor fac - [99mTc(H2O)3(CO)3]+ (esquema 2.9). -O OH O HO P P OO HO HN HO OH O P O P HN OH OH O N N + N NH2 99m Tc OC O L4 OH2 H2O + OH2 L5 CO OC CO + N NH2 99m Tc 99m Tc CO N N CO OC Tc4 CO CO Tc5 -O L6 HO P O OH O P O OH HN O N N + N NH2 99m Tc OC CO CO Tc6 Esquema 2.9 - Síntese dos complexos Tc4 - Tc6. O precursor fac - [99mTc(H2O)3(CO)3]+ foi preparado a partir de um kit Isolink® contendo reagentes liofilizados, conforme descrito na secção 2.2.3. As reacções do precursor com os compostos L4 - L6 foram optimizadas em termos de concentração final do ligando, tempo de reacção e temperatura. As melhores condições reaccionais para a obtenção do complexo Tc4, obtido com elevado rendimento e pureza radioquímica (>96 %), consistiram no aquecimento a 100 °C, em meio de NaCl 0,9% e a pH 7,4, durante 30 min, utilizando uma 89 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato concentração final de ligando L4 de 5 x 10-5 M. Para a síntese de Tc5 e Tc6 foram utilizadas as mesmas condições reaccionais, mas a concentração final dos ligandos L5 e L6 foi de 1x10-4 M, para a obtenção dos complexos com rendimentos e pureza radioquímica elevados (> 95%). Os complexos Tc4 - Tc6 foram caracterizados por comparação dos seus cromatogramas de HPLC, obtidos com detecção γ, com o dos respectivos complexos análogos de Re, obtidos com detecção UV. Tc4 13,2 min Tc5 12,0 min Tc6 14,2 min Re4 13,9 min Re5 11,9 min Re6 13,8 min 10 15 20 Tempo (min) 25 10 15 20 Tempo (min) 25 10 15 20 25 Tempo (min) Figura 2.21 - Cromatogramas de RP-HPLC dos complexos Re4, Re5 e Re6 (detecção UV, 254 nm), e os respectivos complexos análogos Tc4, Tc5 e Tc6 (detecção γ). Como se conclui da análise da figura 2.21, os compostos apresentaram picos bem definidos com diferenças mínimas nos tempos de retenção obtidos para os complexos de 99mTc [Tc4 (tR = 13,2 min), Tc5 (tR = 12,0 min), Tc6 (tR = 14,2 min)] e para os complexos análogos de Re [Re4 (tR = 13,9 min), Re5 (tR = 11,9 min), Re6 (tR = 13,8 min)]. 90 Capítulo 2 No caso dos comple plexos Tc5 e Tc6, a lipofilia/hidrofilia também bém foi avaliada, através da determinação o do dos valores de Log D, de acordo com o méto étodo descrito na literatura [121]. Os valores ores obtidos foram -2,00 ± 0,02 (Tc5) e -1,94 1,94 ± 0,02 (Tc6), indicando um forte carác arácter hidrofílico destes complexos (log D < 0), devido certamente à presença dos os ggrupos ácido bisfosfónico. A determinação da ccarga dos complexos foi efectuada por elect lectroforese, a pH 7,2 (tampão fosfato salino ino 00,2M), de acordo com o procedimento descrito desc na secção 4.5.1 [49, 134]. Como exem exemplo, apresenta-se na figura 2.22 o radio adiocromatograma obtido quando Tc6 foi analis nalisado por electroforese, a pH 7,2. Figura 2.22 - Distribuição dee ac actividade determinada por electroforese para Tc6. Tc6 Como se pode ver, r, o composto migra do ponto de aplicação no sentido s do pólo positivo. A migração de amb ambos os complexos Tc5 e Tc6 é semelhante,, sendo sen o percurso de migração de 1,2 cm e de 1,3 cm para Tc5 e Tc6, respectivamente. A migração para o pó pólo positivo permite concluir que, a este pH, pH os complexos apresentam carga negativa. tiva. Tendo em conta que o metal radioactivo o se encontra, em ambos os complexos, no o es estado de oxidação +1, a carga global negativ ativa do complexo leva-nos a concluir quee ex existem pelo menos dois grupos hidroxilo ilo desprotonados (esquema 2.8). 91 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato 2.3.4. Avaliação biológica dos complexos de 99mTc(I) 2.3.4.1. Estudos in vitro 2.3.4.1.1. Adsorção à hidroxiapatite (HA) Como foi referido no preâmbulo e na secção 1.2, a HA é o principal componente da matriz inorgânica do osso. Deste modo, o objectivo dos estudos de adsorção à HA, consistiram em avaliar se a afinidade dos aminobisfosfonatos PAM e ALN, para o osso, foi afectada pela incorporação do complexo organometálico. Os ensaios de adsorção dos complexos Tc5 e Tc6 à HA, após incubação a 37 °C, em função da massa de HA permitiram obter os resultados apresentados na tabela 2.12 e na figura 2.23 [135, 136]. Tc5 Adsorção [%] Tc6 HA [mg] Figura 2.23 - Percentagem de ligação de Tc5 e Tc6 à HA (1 h de incubação, a 37 °C) (n = 3). A análise dos resultados de adsorção apresentados na figura 2.23, permitiu concluir que ambos os complexos se ligavam à HA de modo semelhante, apresentando um valor máximo próximo de 75 % quando utilizámos 20 mg de HA. Fomos então analisar a adsorção de Tc5 e Tc6 a 20 mg de HA em função do tempo de incubação (tabela 2.12). 92 Capítulo 2 Tabela 2.12 - Percentagem de ligação a 20 mg de HA, determinada para Tc5 e Tc6, em função do tempo de incubação a 37 °C. % ligação à HA Tempo (h) Tc5 Tc6 0 68,4 ± 0,4 69,3 ± 2,7 1 76,2 ± 0,9 75,3 ± 0,9 2 77,8 ± 0,4 76,4 ± 1,0 4 81,6 ± 1,5 80,4 ± 1,4 A análise dos resultados de adsorção à HA obtidos em função do tempo de incubação (0, 1, 2 e 4 horas) permitiu concluir que, o processo de ligação é igualmente rápido, para ambos os complexos, atingindo o seu valor máximo rapidamente. 2.3.4.2. Estudos in vivo 2.3.4.2.1. Biodistribuição em ratinhos CD-1 O comportamento biológico dos complexos Tc4 - Tc6 foi avaliado em ratinhos CD-1 (Charles River), injectados com 100 µl (22 - 32 MBq) de cada complexo, na veia da cauda, de acordo com o procedimento descrito anteriormente para os complexos Tc1 e Tc2. O objectivo deste estudo era avaliar a farmacocinética e a estabilidade in vivo de Tc4 - Tc6. Os resultados de biodistribuição nos tecidos, expressos em percentagem da actividade injectada por grama de órgão (% A.I./g órgão) e a excreção total expressa em % A.I. encontram-se compilados na tabela 2.13. 93 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato Tabela 2.13 – Resultados de biodistribuição (% A.I./g órgão) e excreção total (% A.I.) para os complexos Tc4 - Tc6 em ratinhos CD-1. Tc4 Tc5 Tc6 1h 4h 1h 4h 1h 4h Sangue 0,47 ± 0,08 0,17 ± 0,01 0,32 ± 0,01 0,12 ± 0,03 0,44 ± 0.08 0,19 ± 0,03 Rim 1,9 ± 0,5 1,5 ± 0,6 2,15 ± 0,02 1,3 ± 0,3 1,9 ± 0,2 1,8 ± 0,3 Fígado 0,9 ± 0,1 0,8 ± 0,3 1,1 ± 0,3 0,7 ± 0,3 1,5 ± 0,3 1,1 ± 0,2 Intestino 0,4 ± 0,1 0,6 ± 0,2 0,5 ± 0,1 0,7 ± 0,2 0,6 ± 0,1 0,8 ± 0,1 Baço 0,5 ± 0,2 0,19 ± 0,07 0,3 ± 0,2 0,10 ± 0,04 0,34 ± 0,01 0,2 ± 0,1 Coração 0,19 ± 0,02 0,10 ± 0,02 0,11 ± 0,01 0,06 ± 0,01 0,20 ± 0,01 0,13 ± 0,02 Pulmões 0,48 ± 0,06 0,31 ± 0,19 0,30 ± 0,02 0,14 ± 0,04 0,6 ± 0,1 0,32 ± 0,08 Estômago 0,5 ± 0,3 0,5 ± 0,3 0,08 ± 0,03 0,20 ± 0,07 0,4 ± 0,3 0,23 ± 0,01 Músculo 0,13 ± 0,04 0,08 ± 0,06 0,17 ± 0,08 0,09 ± 0,03 0,4 ± 0,1 0,21 ± 0,04 Osso 2,7 ± 0,7 3,0 ± 0,5 4,6 ± 0,7 4,7 ± 0,9 12,7 ± 0,9 9,7 ± 1,7 Excreção total 72,0 ± 1,8 74,1 ± 1,2 64,5 ± 1,4 67,3 ± 3,6 58,2 ± 1,1 63,6 ± 2,2 Na figura 2.24 apresenta-se um histograma que mostra mais claramente qual o comportamento dos complexos nos órgão mais representativos. Sangue Músculo Intestino Rim Fígado Osso 14 12 % A.I./g órgão 10 8 6 4 2 0 1 4 Tc4 1 4 Tc5 1 4 Tempo [h] Tc6 Figura 2.24 - Fixação de Tc4 - Tc6 nos órgãos mais representativos de ratinhos CD-1. 94 Capítulo 2 Os resultados de biodistribuição de Tc4 - Tc6, em ratinhos CD-1, apresentaram uma fixação preferencial no osso, com um longo tempo de permanência neste tecido. A fixação óssea é particularmente elevada, para Tc6 (12,72 ± 0,99 % A.I./g, 1 h p.i.), sendo Tc4 o que apresentou menor fixação óssea (2,74 ± 0,71 % A.I./g, 1 h p.i.). Da análise dos resultados de biodistribuição obtidos após injecção dos complexos Tc4 - Tc6 concluímos ainda que, de uma maneira geral, a depuração sanguínea e a consequente distribuição para os tecidos é rápida. A via de eliminação principal para estes três complexos é renal, provavelmente devido ao seu carácter predominantemente hidrofílico. Além disso, não houve fixação nem retenção significativa no estômago, indicando que, in vivo, a dissociação do 99mTc e a reoxidação a [99mTcO4]-, é inexistente. No que diz respeito à excreção total, os complexos Tc4 -Tc6, são rapidamente excretados. Ao fim de 4 horas a actividade excretada variou entre 64 - 74 % da actividade inicial injectada. 2.3.4.2.2. Biodistribuição em ratinhos Balb-c Os complexos Tc5 e Tc6, que apresentaram resultados biologicamente mais promissores em ratinho CD-1 foram escolhidos para prosseguir estudos noutra estirpe de ratinho (Balb-c, Charles River). Estes estudos, tiveram como objectivo avaliar as diferenças entre as duas estirpes animais e facilitar a comparação com alguns resultados descritos na literatura para complexos análogos. Os resultados de distribuição nos tecidos, expressos em percentagem da actividade injectada por grama de órgão (% A.I./g órgão) e a excreção total expressa em % A.I., encontram-se compilados na tabela 2.14. 95 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato Tabela 2.14 – Biodistribuição (% A.I./g órgão) e excreção total (% A.I.) para os complexos Tc5 e Tc6 em ratinhos Balb-C. Tc5 Tc6 1h 4h 6,5 h 1h 4h 6,5 h Sangue 0,52 ± 0,01 0,18 ± 0,03 0,14 ± 0,03 0,6 ± 0,1 0,20 ± 0,02 0,22 ± 0,03 Rim 4,2 ± 0,4 3,2 ± 0,2 3,3 ± 0,4 3,3 ± 1,1 2,7 ± 0,4 2,6 ± 0,6 Fígado 2,1 ± 0,3 1,5 ± 0,1 1,2 ± 0,3 2,8 ± 0,6 1,8 ± 0,8 2,3 ± 0,6 Intestino 1,52 ± 0,04 0,7 ± 0,1 0,4 ± 0,1 1,3 ± 0,1 0,4 ± 0,1 0,3 ± 0,1 Baço 0,71 ± 0,08 0,64 ± 0,05 0,6 ± 0,1 1,6 ± 0,3 0,9 ± 0,4 1,3 ± 0,2 Coração 0,5 ± 0,2 0,22 ± 0,02 0,2 ± 0,1 0,4 ± 0,2 0,3 ± 0,1 0,17 ± 0,04 Pulmões 0,46 ± 0,07 0,34 ± 0,05 0,34 ± 0,06 1,8 ± 0,3 1,6 ± 0,7 1,1 ± 0,5 Estômago 0,5 ± 0,2 0,27 ± 0,05 0,19 ± 0,08 0,40 ± 0,07 0,11 ± 0,04 0,2 ± 0,2 Músculo 0,4 ± 0,1 0,32 ± 0,05 0,2 ± 0,1 0,4 ± 0,1 0,22 ± 0,02 0,20 ± 0,05 Osso 18,3 ± 0,6 15,3 ± 0,8 8,7 ± 2,4 17,3 ± 1,5 15,2 ± 1,4 13,4 ± 2,1 Excreção total 65,6 ± 1,2 74,1 ± 0,9 74,3 ± 2,5 66,8 ± 7,6 77,2 ± 0,5 78,2 ± 1,6 Apresentamos ainda a fixação de Tc5 e Tc6 em órgãos mais significativos, sob a forma de histograma na figura 2.25. Sangue Músculo Intestino Rim Fígado Osso 20 % A.I./g órgão 16 12 8 4 0 1h 4h Tc5 6,5 h 1h 4h 6,5 h Tempo [h] Tc6 Figura 2.25 - Biodistribuição (% A.I./g órgão) dos complexos Tc5 e Tc6, em ratinhos Balb-C. 96 Capítulo 2 Os resultados de biodistribuição de Tc5 e Tc6, em ratinhos Balb-c, revelaram fixação preferencial no osso, com um longo tempo de permanência neste tecido. Ambos os complexos sofreram uma rápida depuração sanguínea, e rápida eliminação dos principais órgão, exceptuando os que estão relacionados com a via de excreção (rim, fígado e intestino). Ao fim de 4h p.i., a excreção total de Tc5 e Tc6 nos ratinhos Balb-c era muito elevada (74,1 - 77,2 %). Comparando estes resultados com os descritos na secção 2.3.4.2.1, conclui-se que em Balb-c a fixação no osso foi significativamente superior à determinada para os ratinhos CD-1. A excreção total em Balb-c foi também ligeiramente superior. Dos complexos avaliados o Tc6 era o que permanecia mais tempo fixado no osso. 2.3.4.2.3. Estabilidade de Tc5 e Tc6 em ratinhos CD-1 e Balb-C Paralelamente aos ensaios de biodistribuição, foi também estudada in vivo a estabilidade dos complexos Tc5 - Tc6 (ratinhos CD-1 e Balb-C). A estabilidade do complexo Tc4 foi apenas avaliada em ratinho CD-1, pois devido ao modesto valor de fixação óssea nesta espécie animal não prosseguimos com os estudos de biodistribuição nos ratinhos Balb-C. Recolheram-se amostras de urina e sangue dos ratinhos 1 h após administração. Depois de tratamento adequado, conforme descrito na secção 4.5.4.1, fez-se a análise das amostras biológicas por RP-HPLC. De um modo geral, podemos concluir que todos os complexos apresentaram um comportamento semelhante em ratinhos CD-1 e Balb-C, Como exemplo, apresentam-se os cromatogramas das amostras de urina e soro de ratinho CD-1, recolhidas 1h após administração do complexo Tc4 (figura 2.26). 97 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato Preparação inicial de Tc4 Urina Soro 5 10 15 20 25 Tempo (min) Figura 2.26 - Cromatogramas de RP-HPLC da preparação inicial de Tc4 e de urina e soro de ratinho CD-1, recolhidos 1 h após injecção deste complexo (detecção γ). Como se pode concluir da análise dos cromatogramas o complexo não é oxidado ou metabolizado in vivo. 2.3.3 – Comparação com o 99mTc-MDP Como ficou certamente patente no capítulo introdutório, são grandes as diferenças de fixação óssea encontradas em diferentes espécies animais, mas também para a mesma espécie. As diferenças encontradas para a mesma espécie pode ser devida à idade e/ou peso dos animais utilizados. Assim, constitui prática corrente que cada laboratório analise na mesma espécie animal os novos compostos em simultâneo com o radiofármaco 99m Tc-MDP que, como já se disse, é o que se encontra em utilização clínica. Assim, o 99m Tc-MDP foi avaliado em Balb-c, utilizando condições experimentais idênticas às utilizadas para Tc5 e Tc6. O radiofármaco 99m Tc-MDP foi preparado utilizando um kit fornecido pela GE Healthcare ou pela Nordion. Este Kit contém ácido metilenodifosfónico, cloreto estanoso (redutor) e ácido ascórbico (antioxidante). A estes reagentes adicionam-se 2 - 98 Capítulo 2 8 ml de uma solução de [99mTcO4]-. Esta mistura é agitada vigorosamente durante algum tempo, após o que permanece em repouso durante aproximadamente 10 min, à temperatura ambiente. A pureza radioquímica da preparação 99m Tc-MDP foi controlada por ITLC-SG (cromatografia instantânea de camada fina, em sílica-gel), como referido na secção 4.3 [28]. Os radiocromatogramas obtidos após eluição em acetona ou em NaCl 0,9 % mostraram um único pico correspondente ao complexo 99m Tc-MDP com Rf = 0 e 1, respectivamente (figura 2.27). Figura 2.27 - Radiocromatograma de 99mTc-MDP em (A) acetona e (B) NaCl 0,9 %. Esta análise permitiu concluir que não existia [99mTcO4]- (Rf = 1 em acetona e NaCl 0,9 %), nem quaisquer espécies coloidais (Rf = 0 em acetona e NaCl 0,9 %). De modo semelhante ao que foi descrito para os complexos Tc5 e Tc6, na secção 2.3.4.1.1, foram também realizados estudos de ligação à HA para o 99mTc-MDP. Os resultados obtidos mostram-se na figura 2.28, juntamente com os obtidos para os complexos Tc5 e Tc6. 99m Adsorção [%] Adsorção [%] Tc-MDP Tc5 Tc6 HA [mg] Figura 2.28 - Percentagem de ligação de Tc5, Tc6 e HA, 37 °C (n = 3). Tempo [h] Tc-MDP à HA. A) 1h, 37 °C e B) 20 mg 99m 99 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato Da análise dos resultados apresentados na figura 2.28, conclui-se que a cinética de ligação à HA é rápida para o 99m Tc-MDP, uma vez que o valor máximo de ligação, (ca. 95 %) foi atingido quase instantaneamente. A cinética de ligação à HA dos complexos Tc5 e Tc6 é também bastante rápida, mas o valor máximo atingido é um pouco mais baixo (80 %) do que o encontrado para o 99mTc-MDP nas mesmas condições. O 99mTc-MDP foi avaliada in vivo em ratinho CD-1 e Balb-c e na figura 2.29 esses resultados são apresentados sob a forma de histograma, juntamente com os resultados de biodistribuição (% A.I./g órgão) obtidos para Tc5, Tc6, já descritos na secção 2.3.4.2.2.. 100 Capítulo 2 A) Sangue Músculo Intestino Rim Fígado Osso 16 14 % A.I./g órgão 12 10 8 6 4 2 0 1 4 1 Tc5 4 1 4 Tempo [h] 99m Tc6 Tc-MDP 24 B) 20 % A.I./g órgão 16 12 8 4 0 1 4 Tc5 1 4 Tc6 1 4 Tempo [h] 99m Tc-MDP Figura 2.29 - Biodistribuição (% A.I./g órgão) de Tc5 - Tc6 e 99mTc-MDP, em ratinhos CD-1 (A) e Balb-C (B). Da análise dos dados apresentados na figura 2.29, concluímos que em ratinho 99m CD-1 o complexo Tc-MDP é o que apresenta maior acumulação no osso às 4h p.i. (12,7 ± 1,4 % A.I/g), sendo a fixação óssea à 1 h p.i. comparável ao Tc6 [Tc6 (12,7 ± 0,9% A.I./g) e 99m Tc-MDP (12,7 ± 2,7 % A.I./g)]. O valor de acumulação no osso do 101 Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato complexo Tc5, 1h e 4 h p.i., manteve-se praticamente constante e inferior relativamente aos complexos Tc6 e 99mTc-MDP. Em ratinho Balb-c, a acumulação no osso dos complexos Tc5 (18,3 ± 0,6 % A.I./g), Tc6 (17,3 ± 1,4 % A.I./g) e 99mTc-MDP (17,1 ± 2,4 % A.I./g) é comparável. Na figura 2.30 apresentam-se as razões osso/sangue e osso/músculo, para os complexos Tc5, Tc6 e 99mTc-MDP, em ratinhos CD-1 e Balb-c. A) 100 Razão osso/órgão não alvo Osso/Músculo 80 Osso/Sangue 60 40 20 0 1h 4h 1h Tc5 B) 4h 1h 99m Tc6 4h Tempo [min] Tc-MDP 100 Razão osso/órgão não alvo Osso/Músculo 80 Osso/Sangue 60 40 20 0 1h 4h Tc5 1h 4h Tc6 1h 99m 4h Tempo [min] Tc-MDP Figura 2.30 - Razões de actividade no órgão alvo (osso) vs órgão não alvo para Tc5, Tc6 e 99mTcMDP: A) ratinhos CD-1; B) Balb-c. De um modo geral, para ambas as estirpes, e para todos os complexos observase um aumento dessas razões em função do tempo. 102 Capítulo 2 Em ratinho CD-1 a razão osso/músculo foi, em geral, comparável para os três complexos, sendo ligeiramente superior para Tc5 4h p.i. [Tc5 (56,3 ± 10,5), Tc6 (46,6 ± 3,5) e 99mTc-MDP (45,6 ± 8,6)]. Em Balb-c, as razões osso/músculo e osso/ sangue encontradas para Tc5 e Tc6 são comparáveis e as diferenças mais relevantes, relativamente ao 99m Tc-MDP, observaram-se para a razão osso/músculo, 4 h p.i. [Tc5 (77,0 ± 4,2); Tc6 (79,0 ± 2,9) e 99m Tc-MDP (47,9 ± 13,6)]. Relativamente à excreção total em ratinhos CD-1, os valores determinados para % Actividade injectada os três complexos são próximos como se pode verificar através da figura 2.31. 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Tc5 Tc5 Tc6 Tc6 99m 99mT Tc-MDP 0 50 100 150 200 250 300 Tempo [min] Figura 2.31 - Excreção total (% A.I.) de Tc5, Tc6 e 99mTc-MDP, em ratinho CD-1 (n = 4). A excreção total observada após injecção de Tc5 e Tc6 (Tc5: 66,8 ± 7,6 % A.I.; 77,2 ± 0,5% A.I. e Tc6: 65,6 ± 1,2 % A.I.; 74,1 ± 0,9 % A.I., 1 h e 4 h p.i., respectivamente), nos ratinhos Balb-c, foi significativamente mais elevada do que a observada após injecção do 99mTc-MDP (49,0 ± 6,1 % A.I.; 56,8 ± 0,9 % A.I., 1 h e 4 h p.i., respectivamente) (figura 2.32). 103 % Actividade injectada Compostos Contendo um Grupo Bisfosfonato 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Tc5 Tc5 Tc6 Tc6 99m 99mTc Tc-MDP 0 50 100 150 200 250 300 Tempo [min] Figura 2.32 - Excreção total (% A.I.) de Tc5, Tc6 e 99mTc-MDP, em ratinho Balb-c (n = 4). Para confirmar o potencial de Tc5 e Tc6 como radiofármacos de imagem óssea, injectaram-se ratos Sprague Dawley, com estes complexos e com 99m Tc-MDP e registaram-se imagens 2h após a injecção dos complexos (figura 2.33). Tc5 Tc6 Figura 2.33 - Imagem de corpo inteiro de rato Sprague Dawley, 2 h após injecção de Tc5, Tc6 e 99m Tc-MDP, obtidas em câmara γ. Os resultados obtidos foram concordantes com os valores de biodistribuição. As imagens eram elucidativas e mostraram uma elevada fixação óssea, especialmente nas articulações, zona de maior remodelação. As imagens obtidas com os três complexos eram semelhantes e a sua qualidade era boa, pois a fixação em órgãos não alvo era muito baixa e a excreção total de Tc5 e Tc6 elevada. Com estes estudos pré-clínicos confirmámos o interesse de Tc5 e Tc6 como radiofármacos para obtenção de cintigrafias ósseas. 104 Capitulo 2 2.4 COMPOSTOS MULTIFUNCIONAIS OSTEOTRÓPICOS PARA APLICAÇÃO TERAPÊUTICA: ESTRATÉGIAS DE DERIVATIZAÇÃO DE BISFOSFONATOS 2.4.1 Considerações Gerais De acordo com o que foi referido no capítulo introdutório, os BFs têm sido utilizados não só como fármacos para terapia mas também têm sido considerados úteis como veículo de transporte para o osso de moléculas citotóxicas e de radiação γ ou partículas β (e.g. 188Re-HEDP). Este conceito aplicado através da ligação de unidades BF a diferentes tipos de fármacos e a radionuclídeos tem sido referido em vários artigos de revisão [12, 26, 27, 137-142]. Esta aproximação tem como principal vantagem promover uma elevada concentração local de fármaco ou de radionuclídeo, minimizando os efeitos adversos em tecidos não alvo e podendo por vezes minimizar problemas de resistência aos fármacos, observados após longos períodos de tratamento. Na tabela 2.15 encontram-se exemplos de moléculas com acção terapêutica ligadas a um BF, avaliadas para o tratamento específico de diversas patologias osteoarticulares. As patologias consideradas foram a osteoporose, por conjugação à prostaglandina E2 ou ao estradiol, a osteoartrite conjugando o diclofnac [143-146], a infecção crónica conjugando a fluoroquinolona [147] e o tumor ósseo por conjugação à gemcitabina [148-150] ou ao 5-fluoruraracilo [151]. De um modo geral confirmou-se que todos os compostos conjugados possuíam um carácter osteotrópico, atribuído à presença da unidade BF. À excepção do conjugado 5-fluorouracilo demonstrou-se também que a actividade biológica continuava a observar-se após a conjugação ao BF. No caso do derivado Fluoroquinolona/BF demonstrou-se que o ligeiro decréscimo da actividade bactericida era compensado pela sua capacidade para ligação ao osso. O sucesso deste conceito poderia ser previsível, uma vez que o efeito sinérgico resultante da combinação de BFs e vários fármacos, utilizando protocolos terapêuticos onde estes são administrados alternadamente já é bem conhecido [152]. 105 Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos Tabela 2.15 – Fármacos conjugados a uma unidade bisfosfonato e correspondente indicação terapêutica. Fármaco/Bisfosfonato (BF) Prostaglandina E2/BF Indicação Estradiol/BF Osteoporose Diclofnac/BF Osteoartrite Anti-Inflamatório Não Esteróide Fluoroquinolonas/BF Infecção Crónica Gemcitabine/BF 5-Fluoruracil/BF Tumor Ósseo O sinergismo entre o tratamento com BFs e radioterapia externa, quando utilizados alternadamente, foi igualmente confirmado [109]. No caso de pacientes com metástases ósseas múltiplas, resistentes ao tratamento convencional, foi também reconhecida a vantagem da utilização BFs e radioterapia sistémica, por exemplo através de protocolos terapêuticos utilizando alternadamente o pamidronato e o 188 Re-HEDP ou o zolendronato com o estrôncio-89 [153-155]. Assim, seria de esperar que os complexos [188Re]-gemcitabina/BF [149] e [188Re]-5-Fluoruracilo/BP [151] tivessem capacidades terapêuticas acrescidas devido à 106 Capítulo 2 emissão de radiação β, com capacidade de destruir células cancerígenas. No entanto, não existe na literatura qualquer referência relativamente à eficácia terapêutica destes complexos. Os complexos [188Re]-gemcitabina/BF e [188Re]-5-Fluoruracilo/BP não foram caracterizados estruturalmente, pois muito provavelmente é a unidade BF que se coordena ao metal. Como já foi referido, a estabilização do metal 188Re por grupos BF (e.g. 188 Re-HEDP) não proporciona complexos com uma estrutura bem definida. Nesta aproximação a dupla função do BF de coordenação ao metal e ligação ao Ca2+ da HA vai certamente comprometer a ligação ao osso. Nunca foi sintetizado um composto com uma estrutura bem definida, contendo um grupo bisfosfonato, uma molécula citotóxica e um elemento radioactivo emissor de radiação ionizante (β). O trabalho proposto nesta tese visava também preparar e avaliar compostos deste tipo. Devido às limitações de tempo e às dificuldades de síntese química encontradas, só parcialmente avançámos neste domínio. De qualquer modo, nesta secção descrevemos os avanços conseguidos e que obviamente tiveram como base os resultados obtidos nas secções anteriores. Para a síntese do composto trifuncional considerou-se o docetaxel cujas propriedades citotóxicas são conhecidas e utilizadas na clínica. O docetaxel é um dos fármacos anticancerígenos mais potentes utilizado para o tratamento de tumores, especialmente para pacientes com metástases ósseas provocadas pelo cancro da mama, ovários, pulmões, cabeça e pescoço [156]. A estrutura química do docetaxel é semelhante à do fármaco anticancerígeno placlitaxel (figura 2.34), sendo o docetaxcel é mais potente como citostático [157]. Figura 2.34 - Estrutura química do docetaxel (taxotere) e do paclitaxel (taxol). 107 Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos O modo de acção destes fármacos baseia-se principalmente na formação de um heterodímero de α - e β - tubulina [158]. Na figura 2.35 (A) apresenta-se a estrutura desse heterodímero com a molécula de placlitaxel, determinada por cristalografia de raios-X. A) B) (Os resíduos a preto pertencem à molécula de placlitaxel sobreposta à molécula de docetaxel, a verde). Figura 2.35 - (A) Estrutura de raios-X do heterodímero de tubulina com um molécula de placlitaxel; (B) interacções determinadas por modelação molecular entre resíduos da unidade β-tubulina do cérebro (B-brain) e uma molécula de placlitaxel ou docetaxel [159-161]. Através da figura 2.35 (B) podem visualizar-se interacções identificadas, com base em estudos de modelação molecular, entre resíduos da unidade β-tubulina e uma molécula de placlitaxel ou docetaxel. Algumas regiões activas das moléculas citotóxicas estão identificadas nessa figura como, por exemplo, a 3’-benzamidofenil (a) do placlitaxel, 3’-fenil (b), e o anel 2-benzoil fenil (c) que apresentaram interacções hidrofóbicas com as hélices H1 e H7 (roxo), as folhas β B8 e B10 (amarelo) e loop entre as hélices H6 e H7 (azul claro). A formação deste heterodímero leva à estabilização de microtúbulos impedindo a sua desagregação. A inibição da desagregação dos microtúbulos impede o processo de divisão celular (actividade anti-mitótica) e consequentemente, a 108 Capítulo 2 multiplicação das células tumorais. Além disso, este mecanismo leva à acumulação de microtúbulos na célula promovendo a apoptose celular [162]. Esta acção citostática dos taxanos, por estabilização dos microtúbulos, é o principal mecanismo de acção destes fármacos. No entanto, existem na literatura estudos in vitro indicativos da sua acção como inibidor da reabsorção óssea [163]. O efeito sinérgico resultante da administração, em separado, de um BFs e do docetaxel também já foi demonstrado [164]. 2.4.2 Síntese e Caracterização de Compostos Trifuncionais Contendo Grupos Bisfosfonato Nas primeiras sínteses realizadas com a finalidade de sintetizar compostos trifuncionais utilizou-se o ácido glutâmico uma vez que este aminoácido possui dois grupos carboxilato (α-COOH e γ-COOH) e uma função amina (α-NH2) através das quais poderia ser feita a sua funcionalização. Esse objectivo poderia ser conseguido por conversão da função α-COOH ou γ-COOH em BF e conjugação da unidade quelante e da molécula citotóxica através das restantes posições (estratégia I e II, figura 2.36). Alternativamente, a funcionalização do ácido glutâmico poderia ser feita por conjugação dos três constituintes: unidade quelante, aminobisfosfonato e molécula citotóxica (docetaxel) (estratégias II - V, figura 2.36). 109 Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos O i) α – COOH conversão em BF I O ii/iii) α – NH2 pz-COOH O N H O N O HO O O O O O P OH OH OH O P HO OH NH N N O O O HN O ii/iii) γ – COOH DTX OH O HO NH2 i) α – NH2 pz-COOH II ii) α – COOH iii) γ – COOH DTX Conjugação com BF ii) α – COOH iii) γ – COOH DTX Conversão em BF i) α – COOH ALN O O III iii) α – NH2 DTX O N H O ii) γ – COOH pz-NH2 N O HO O O O O OH OH O P OH P OH OH O O NH O O O H N HN O N N OH O HO NH2 i) α – COOH ALN IV ii) α – NH2 DTX iii) γ –COOH pz-NH2 O O i) α – COOH ALN V ii) α – NH2 pz-COOH iii) γ – COOH DTX O HO HO P HO P O HO OH O HN O O N H O O N N N OH O HN O OH HO O O NH2 O O O Figura 2.36 - Estratégias para a síntese de ligandos trifuncionais a partir do ácido glutâmico. DTX = docetaxel; ALN =alendronato; BF = bisfosfonato. i), ii), iii) - ordem de conjugação e/ou conversão de carboxilato em BF 110 Capítulo 2 Na figura 2.37 mostram-se as estruturas moleculares dos compostos utilizados nas vias de síntese. Figura 2.37 - Unidades para a funcionalização do ácido glutâmico. De acordo com a estratégia I (figura 2.36), o ligando trifuncional seria sintetizado por transformação da função α-COOH do ácido glutâmico em BF, seguido da conjugação do composto pz-COOH à função α-NH2 e conjugação do DTX à função γCOOH. A função α-COOH do ácido glutâmico foi convertida em ácido bisfosfónico, conforme indicado no esquema 2.10, utilizando um procedimento descrito na literatura [165-167]. Esquema 2.10 - Síntese do ácido 4-amino-5-hidroxi-5,5-difosfonopentanoico (18). i) N-(etoxicarbonil)ftalimida, K2CO3, acetonitrilo, refluxo, noite; ii) SOCl2, t.a., noite iii) P(OEt)3, tolueno,1h, 0 °C; iv) HP(O)(OEt)2, trietilamina, tolueno, 1h, 0 °C; v) 1. HCl 6N, refluxo, noite. 111 Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos Resumidamente, no primeiro passo protegeu-se a função amina com um grupo ftalimida através da reacção do precursor 12 com a N-(etoxicarbonil)ftalimida, na presença de K2CO3, em acetonitrilo e em refluxo, durante uma noite [168]. A activação do ácido carboxílico do composto 13 com SOCl2, decorreu em diclorometano e em refluxo, durante uma noite. O bisfosfonato (16) foi obtido através das reacções de condensação de tri- e dietilfosfito com os compostos 14 e 15, respectivamente. Todos os compostos foram purificados e caracterizados de acordo com os procedimentos descritos na literatura, com algumas modificações no caso do composto 16. Após a purificação do resíduo que continha o bisfosfonato 16, por cromatografia em coluna de sílica gel, com gradiente de 0 - 3 % metanol/clorofórmio, ainda se observa a presença do composto 17 resultante do rearranjo do grupo bisfosfonato em fosfatofosfonato (esquema 2.10). A ocorrência deste rearranjo já tinha sido observada por vários autores [165, 169] que concluíram que este seria promovido preferencialmente, na presença de bases (alquilaminas) e/ou com temperaturas elevadas (> 80 °C). O solvente utilizado nas reacções também foi considerado importante, não sendo adequados, por exemplo, o éter etílico e o diclorometano. No nosso caso, o rearranjo ocorreu mesmo na presença de tolueno e à temperatura ambiente na presença de trietilamina. O composto 16 foi isolado puro, com um rendimento total de 28 %, após cromatografia por RP-HPLC em coluna semi-preparativa, utilizando um sistema isocrático, 55 % A; 45 % B; A - solução aquosa com 0,1% de ácido fórmico; B - solução de 0,1 % de ácido fórmico em acetonitrilo. Os compostos 16 e 17 foram identificados por RMN, sendo as diferenças mais relevantes observadas nos respectivos espectros de 31P (figura 2.38). 112 Capítulo 2 31 17,5 17,4 17,0 16,9 -0,8 -1,0 17,3 17,2 P-RMN (CDCl3) 31 P-RMN (CDCl3) 15.0 15,0 10.0 10,0 5.0 5,0 0.0 0,0 ppm Figura 2.38 - Espectros de RMN de 31P em CDCl3, dos compostos 16 e 17. No espectro de RMN de 31P do composto 17 observou-se um par de dobletos a ca. δ -1 (fosfato) e ca. δ 17 (fosfonato) ppm, com constante de acoplamento de 16,0 Hz. Enquanto o bisfosfonato 16 apresentava um par de dobletos a 17 ppm, com constante de acoplamento 14,4 Hz. Após várias tentativas para remover os grupos protectores do composto 16, não foi possível isolar o composto final 18 numa forma pura. Um dos procedimentos utilizados foi a hidrólise com HCl 6N, em refluxo durante a noite, conforme descrito por Mizrahi et. al. [165]. No entanto, o composto pretendido 18 foi obtido como 113 Compostos Multifuncionais Osteotróp trópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatizaç tização de Bisfosfonatos composto minoritário, tend endo sido identificado apenas por ESI-MS, junta untamente com os compostos 19 e 20 (figura ra 2. 2.39). Intens. 5 x10 2,5 - 212,0 [M - H] 2,0 - [M - H] 291,9 1,5 1,0 - 0,5 [M - H] 273,9 0,0 220 240 260 280 m/z Figura 2.39 - ESI-MS (-) dos com compostos 18, 19 e 20. os a desprotecção selectiva do grupo amina através atra da reacção Também tentámos com NaBH4, seguida do tra tratamento com ácido acético [170], e a hidrólise hid do éster bisfosfónico por reacção o co com Me3SiBr, seguido do tratamento com MeOH M [20], mas em ambos os casos não foi p possível obter os produtos pretendidos. Uma vez que a síntes íntese do bisfosfonato a partir do ácido glutâmic âmico não foi bem sucedida, optou-se por sint sintetizar o composto trifuncional adoptando ndo a estratégia II (figura 2.36). De acordo co com esta estratégia, o ligando trifuncional al seria se sintetizado por conjugação do compos posto pz(Boc)-COOH (7) à função α-NH2 do o ácido ác glutâmico, seguida da conjugação ou u co conversão em BF da função α-COOH e conjug njugação do DTX à função γ-COOH. 114 Capítulo 2 Assim, começámos pela conjugação do ácido glutâmico ao composto pirazolodiamina 7, conforme indicado no esquema 2.11. Esquema 2.11 - Síntese do intermediário 21 e tentativas de síntese dos compostos a - d. i) ii) iii) iv) v) vi) NHS/DCC, diclorometano, 18 h; ácido glutâmico(OBz), NEt3, DMF/H2O, 18 h; 1. TFF/DCC, acetonitrilo, noite; 2. PAM, NEt3, acetonitrilo/tampão borato pH 9,4 (0,1 M), 18 h; Me-PAM, HBTU, N-metilmorfolina, DMF, 18 h; 1. SOCl2, t.a., 18 h; 2. P(OEt)3, tolueno, 30 min, 0 °C; 3. HP(O)(OEt)2, NEt3, tolueno, 30 min, 0 °C; 1. SOCl2, tolueno, t.a., ; 2. P(OSiMe3)3; 3. metanol, t.a. 1 h. O composto 9 foi sintetizado de acordo com o procedimento descrito anteriormente na secção 2.3.1 (esquema 2.6). A reacção de conjugação do ácido glutâmico com o éster activado (9) foi realizada utilizando uma mistura de dimetilformamida (DMF) e água, na presença de trietilamina (NEt3), durante aproximadamente 18 h. No final filtrou-se a mistura reaccional para remover uma parte do ácido glutâmico que não reagiu e que se encontrava em suspensão. O solvente do filtrado foi removido por evaporação e o resíduo foi purificado por cromatografia em coluna de sílica gel, com um gradiente de 15 - 40 % de metanol em 115 Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos diclorometano. O composto 21 foi obtido sob a forma de um óleo, com um rendimento global de 75 %. A reacção de conjugação deste intermediário com o pamidronato (PAM) foi testada utilizando condições experimentais semelhantes às que foram descritas na secção 2.3 para o mesmo BF. No entanto, nunca foi possível obter o composto pretendido, uma vez que ao fim de algum tempo de reacção o PAM precipitava. Para resolver este problema de solubilidade experimentou-se a conjugação com o éster bisfosfónico Me-PAM que, de acordo com a literatura [104], permitia a obtenção de melhores resultados. O Me-PAM foi sintetizado como indicado no esquema 2.12 [171, 172]. O H2N OH -Alanina i) H Cl- H N+ H O OH ii) H H Cl- H N+ H 22 O Cl iii) O Cl- H N+ 23 H OMe P OMe OH P OMe OMe Me - PAM O Esquema 2.12 - Síntese do Me-PAM. i) HCl 6N, 15 min, t.a.; ii) SOCl2, tolueno, 50 °C, 24 h; iii) 1. P(OMe)3, tolueno, 30 min, 0 °C; 2. HP(O)(OMe)2, tolueno, 30 min, 0 °C. Começámos por protonar a função amina da β-alanina através do tratamento com HCl 6N, à temperatura ambiente, durante 15 min. O excesso de ácido foi removido por evaporação, repetindo-se o procedimento de dissolução em tolueno e evaporação do solvente três vezes. A activação do ácido carboxílico com SOCl2 decorreu com aquecimento a 50 °C, durante 24 h e em tolueno seco. O bisfosfonato Me-PAM foi obtido após a adição de tri- e dimetilfosfito, a baixa temperatura, utilizando uma quantidade mínima de tolueno como solvente. O produto foi purificado por cromatografia em coluna de sílica gel utilizando como eluente uma mistura de acetato de etilo: n-butanol: i-propanol: H2O: ácido acético a) 4:1:1:1:0,3 e b) 116 Capítulo 2 4:1,1:0,9:2:1,1. O Me-PAM foi obtido na forma de um óleo com um rendimento de 40 %. A reacção de conjugação do Me-PAM ao composto 21 foi realizada com HBTU e N-metilmorfolina em DMF, durante aproximadamente 18 h. Nesta reacção não se verificou a precipitação de nenhum dos reagentes, mas não foi possível obter o composto desejado, pois ocorreu o rearranjo fosfato-fosfonato, semelhante ao que se observou com o composto 16 (esquema 2.10). Como se indica no esquema 2.11, foram também realizadas tentativas de conversão do grupo ácido carboxílico do composto 21, em éster bisfosfónico (composto c) [165] ou em ácido (composto d) [169], conforme descrito na literatura, mas também não foi possível obter os compostos pretendidos (esquema 2.11). Após a reacção de síntese do ácido c (esquema 2.11), verificou-se que o grupo Boc foi removido, muito provavelmente, por não ser resistente às condições acídicas da activação com cloreto de tionilo. Além disso, a condensação sucessiva de di- e trietilfosfito levava à obtenção do composto fosfato-fosfonato, que se identificava por análise de RMN de 31P. Para a obtenção do ácido bisfosfónico d (esquema 2.11), tentou-se evitar a remoção do grupo Boc na reacção de activação do carboxilato por adição cloreto de tionilo previamente destilado e tolueno como solvente. Após a condensação do cloreto de acilo com dois equivalentes de tris(trimetilsilil)fosfito [P(OSiMe3)3] e sucessiva hidrólise com metanol (esquema 2.13) observou-se novamente a ausência do grupo Boc e no espectro de RMN de 31P observavam-se várias espécies de fósforo. Esquema 2.13 - Tentativa de síntese do composto d. 117 Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos Outra tentativa de síntese do ligando trifuncional foi através da estratégia III (figura 2.36). De acordo com esta via de síntese a função α-COOH do ácido glutâmico dever-se-ia ligar a um BF, seguindo-se a conjugação do composto pz(Boc)-NH2 à função γ-COOH e conjugação do DTX à função α-NH2 (esquema 2.14). Esquema 2.14 - Síntese do composto L7. i) ii) iii) iv) 1. TFF/DCC, diclorometano, 18 h; 2. ALN, NEt3, acetonitrilo/tampão borato pH 9,4 (0,1 M), 2 d; NaOH (aq), pH 12, t.a., 30 min; HOBt/HBTU, N-metilmorfolina, DMF/H2O, 5 d; TFA, t.a., 2 h. Deste modo, começámos por sintetizar o composto intermediário 24 activando previamente o α-COOH no ácido glutâmico OBz-Glu-Boc utilizando DCC e TFF, em diclorometano seco durante 18 h. A reacção de conjugação com o alendronato (ALN) foi realizada numa mistura de acetonitrilo e tampão borato pH 9,4 (0,1 M), na presença de trietilamina durante 2 dias. Depois de evaporado o solvente da mistura reaccional, o produto foi extraído com água e o solvente do sobrenadante foi removido na linha de vazio. O resíduo foi lavado com clorofórmio e o composto 24 foi obtido, após a purificação numa coluna Sep-Pak C18, com um rendimento de 64 %. 118 Capítulo 2 O grupo benzilo do composto 24 foi removido após a dissolução deste composto em água, adição de NaOH 1N, até pH ca. 12 e agitação à temperatura ambiente durante 30 min. O composto 25 foi obtido puro, com um rendimento quantitativo, após purificação por Sep-Pak C18 para a remoção de sais. O composto intermediário 27 foi sintetizado por conjugação do precursor pz(Boc)-NH2 (26) à função γ-COOH no composto 25. O precursor 26 foi sintetizado conforme descrito na literatura [114] e a reacção de conjugação utilizando HOBt/HBTU e N-metilmorfolina em DMF/H2O decorreu à temperatura ambiente durante 5 dias. Após evaporação do solvente da mistura reaccional o produto foi extraído com água. O volume de água foi concentrado e foi purificado por Sep-Pak C18, pré-condicionada com metanol e água. Após lavagem com água e extracção com 50 % de metanol/água o produto foi obtido, juntamente com algum produto de partida (26). O solvente foi evaporado e o resíduo foi aplicado numa coluna HLB C18, pré-condicionada e eluída com água. O composto 27 foi obtido com rendimento de 23 %. O composto L7 foi obtido com rendimento quantitativo, após hidrólise dos grupos BOC das funções amina por reacção com ácido trifluoruacético e agitação à temperatura ambiente durante 2 h. Apesar de não ser o composto trifuncional pretendido, o composto L7 foi utilizado para a síntese do respectivo complexo organometálico de 99m Tc(I), com a finalidade de avaliar a sua capacidade para a estabilização do fragmento fac[99mTc(CO)3]+, o seu perfil farmacocinético in vivo, e principalmente a sua afinidade para o osso (secção 2.4.3). Uma vez que a estratégia III da figura 2.36, foi bem sucedida, permitindo a síntese dos compostos 27 e L7, reestruturou-se esta estratégia de modo a obter o composto 27 com o grupo protector Fmoc na amina primária da unidade quelante, que seria ortogonal do grupo Boc que existe na estrutura do docetaxel. Segundo a estratégia IV (figura 2.36) sugerida, a função α-COOH do ácido glutâmico conjuga-se a um BF, seguindo-se a ligação do DTX através da função α-NH2 e conjugação do composto pz(Fmoc)-NH2 à função γ-COOH (esquema 2.15). 119 Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos A O O O HN OH 3' 2' HO O O O O NH O OH 10 O O 7 13 OH P OH OH P OH O OH 24 2 HO O O H N O O O i) O Docetaxel (DTX) O NH2 H N O O O OH P OH OH P OH O OH O O 28 ii) HN iv) O O O O A O O O O HN HN HN O O O O SO3H iii) O O NH O O A O O O O A OH P OH OH P OH O OH O O N O HO O O O 31 (ALN-Glu-succinil-DTX) 29 (2'-succinil-DTX) 30 (2'-sulfo-succinil-DTX) NH2 N N O O NHFmoc O O O O O H N O A OH OH O P OH P OH OH O vi) N NH2 g O N H O O O A O O H N HN O OH OH O P OH P OH OH O NH NH N N v) e O N H O HN O N N N N NHFmoc f Esquema 2.15 - Síntese do intermediário 31 e estratégias para a síntese dos compostos f - g que não foram testadas. i) ii) iii) iv) v) vi) TFA, t.a., 2 h; Anidrido succinico, 4-(dimetilamino)piridina, piridina seca, t.a., 24 h; NHS-sulfo, EDC, DMSO:DMF (7:3), t.a., 24 h; DMSO:DMF: tampão fosfato 7,4; t.a., 18 h; HBTU/HOBt, DMF/H2O, NMM; 20 % piperidina, DMF, t.a.. Esta via de síntese iniciou-se com a hidrólise do grupo Boc da função amina do composto 24, por reacção com ácido trifluoroacético. A neutralização da mistura reaccional foi efectuada tendo em atenção a elevada sensibilidade do grupo benzilo que é facilmente removido em meio alcalino, à temperatura ambiente. Por isso, essa neutralização foi realizada a frio (0 °C) e agitação vigorosa da mistura reaccional, com a adição de uma solução aquosa de NaOH 1N, e a purificação em Sep-Pak para remoção de sais, levando à obtenção do composto 28 com um rendimento de 96 %. O 120 Capítulo 2 intermediário 2’-succinil-DTX (29) foi sintetizado através da reacção do docetaxel com anidrido succínico, na presença de DMAP [4-(dimetilamino)piridina] e piridina seca, durante 24 h à temperatura ambiente [173]. Após a adição de acetato de etilo e de uma solução de H2SO4 0,01 % (m/v) e agitação durante 30 min, a fracção orgânica foi separada e lavada com H2SO4 0,01 % (m/v) e água. O composto 29 foi obtido, com um rendimento de 42 %, após purificação por cromatografia de sílica gel, com um gradiente de 50 - 100 % de acetato de etilo/n-hexano. A activação do ácido carboxílico após reacção com NHS-sulfo (N-hidroxi-3-sulfo-succinimida) e EDC (1-etil-3-(3’dimetilamino)carbodiimida clorohidratada) em DMSO:DMF (70:30) foi seguida por TLC (30: Rf = 0,52 em clorofórmio:metanol, 80:20). A conjugação através da função α-NH2 de 28 foi realizada numa mistura de DMSO, DMF e tampão fosfato pH 7,4, à temperatura ambiente, durante 18 h [173]. O composto ALN-Glu-succinil-DTX (31) foi identificado por ESI-MS, juntamente com algum DTX ([M - H]- 806,6) e outros produtos secundários (29: [M-H]- 906,5) (figura 2.40). Intens. 5 x10 (?) 1057,7 (31) (31) 4 - [M - H] 1356,7 2- [M - 2H] 677,9 (29) [M - H] 906,5 (Docetaxel) [M - H] 806,6 2 0 600 800 1000 1200 1400 m/z Figura 2.40 - Espectro de massa no modo negativo do composto 31 (impuro), obtido com ionização por electrospray. O espectro de ESI-MS, em modo negativo, mostra a presença de dois picos devidos ao composto ALN-Glu-succinil-DTX (31): [M-H]-, a m/z = 1356,7 e [M - 2H]2-, a 121 Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos m/z = 677,9. As impurezas encontradas foram: o docetaxel a m/z 806,6 e o composto 29 [M - H]- a m/z 906,5. O baixo rendimento de 31 e o número de passos envolvidos nesta estratégia, fizeram-nos abandoná-la. A estratégia V foi a última estratégia explorada para a síntese do ligando trifuncional utilizando o ácido glutâmico. Nesta via de síntese, a função α-COOH do ácido glutâmico conjuga-se ao alendronato, seguindo-se conjugação do composto pz(Fmoc)-COOH à função α-NH2 e a ligação do DTX através da função γ-COOH (esquema 2.16). O O O OH NH Fmoc O OH P OH OH P OH O OH O O i) O Fmoc NH tBu-Glu-Fmoc N H 32 N 7 N H O NH2 COOH COOH iii) NHBoc OH P OH OH P OH O OH O O 33 COOH N N O ii) N N N 34 NH2 iv) N N N N Fmoc v) H 35 HO OH O P OH P OH O OH O NH O HN O N N N O NHFmoc h Esquema 2.16 - Síntese dos compostos 33 e 35 e estratégia para a síntese do composto j. i) ii) iii) iv) v) vi) vii) 1. TFF/DCC, diclorometano, 18 h; 2. ALN, NEt3, acetonitrilo/tampão borato pH 9,4 (0,1 M), 2 d; 20 % piperidina, DMF, t.a., 30 min; TFA, t.a., 2 h. 9-fluorenilmetilcloroformato, Na2CO3, THF/H2O, 24 h; HBTU/HOBt, DMF/H2O, NMM; t.a., 24 h; Docetaxel, DCC, 4-(dimetilamino)piridina, DMF, 24 h. TFA, t.a.. Começámos por sintetizar o composto 32 por activação do carboxilato α-COOH do precursor tBu-Glu-Fmoc, e conjugação sucessiva com o aminobisfosfonato (ALN), 122 Capítulo 2 na presença de trietilamina, ina, em acetonitrilo e tampão borato pH 9,4 (0,1 M), durante 2 dias. A purificação da mistur istura reaccional foi realizada conforme descrito rito anteriormente para o composto 24, permit rmitindo a obtenção do composto 32 com um rendimento de 77 %. A reacção de hidrólise ólise do grupo Fmoc foi realizada na presença ça de d uma solução de 20 % de piperidina em mD DMF. Esta reacção foi seguida por TLC (CHCl HCl3:metanol:ácido acético - 80:8:2) e apóss 330 min à temperatura ambiente, estavaa completa. co Após evaporação do solvente e la lavagem do resíduo com clorofórmio, obteve eve-se o composto 33 com um rendimento de 885 %. Na análise por RMN MN de 1H do composto 33 foi observada a existência exis de duas espécies, que com base na estrutura do composto assumimos serem em rotâmeros. Na figura 2.41 encontra-se o es espectro de RMN de 33. t-Bu d, h t-Bu Bu g g’ c/b c/b f f 4.00 3.50 3.00 2.50 2.00 1.5 1.50 ppm Figura 2.41 - Espectro dee RM RMN de 1H do composto 33 em D2O. A pureza deste comp omposto pôde ser confirmada por ESI-MS, em modo positivo (figura 2.42). Neste espectro ectro aparece um único pico correspondente a [M + H]+ a m/z 435,3 do composto 33 [m/z m/z (calculado) = 435,1 para C13H29N2O10P2]. 123 Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos m/z mais abundante calculado para C13H29N2O10P2 Intens. 5 x10 6 100,0 5 + [M + H] 435,3 435,1 80,0 60,0 4 40,0 3 436,1 20,0 0,0 434,00 2 437,1 436,00 438,00 m/z 1 0 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 m/z Figura 2.42 - ESI-MS (+) do composto 33. Este comportamento não foi observado para nenhum dos compostos ácido glutâmico/alendronato (32, 24 e 25), porque provavelmente a presença de grupos protectores (Boc ou Fmoc) impede a rotação em torno da ligação C-N do grupo amida. A reacção de conjugação do composto 33 através da função α-NH2 com o composto pz(Fmoc)-COOH (35) (esquema 2.16) foi efectuada utilizando HBTU, HOBt e N-metilmorfolina, em DMF/H2O, à temperatura ambiente durante 24 h. A tentativa de purificação por Sep-Pak não permitiu garantir com certeza a formação do composto conjugado pretendido. Como alternativa estudámos esta reacção em micro-ondas, e testámos um conjunto de condições reaccionais, nomeadamente a composição do solvente, temperatura, potência e tempo de reacção. No entanto, também não foi possível obter o produto h (esquema 2.16) pois este não se formou em quantidade suficiente para a sua caracterização. Foi ainda efectuada uma última experiência utilizando o composto pirazolodiamina funcionalizado com um carboxilato na posição 4. A conjugação do 124 Capítulo 2 aminobisfosfonato ao composto pz4-COOH foi realizada conforme indicado no esquema 2.20. OH OH O P OH OH P OH O O O OH O O NH OEt OEt N N H N N pz4-COOH O i) N N N O H N O O 36 Esquema 2.17 - Síntese do composto 36. i) 1. TFF/DCC, diclorometano, 18 h; 2. ALN, NEt3, DMF/tampão borato pH 9,4 (0,1 M), 2 d; Começámos por sintetizar o precursor pz4-COOH conforme descrito na literatura [174]. A activação do carboxilato de pz4-COOH foi realizada por reacção com DCC e TFF, em diclorometano e à temperatura ambiente durante 24 h. A solução sobrenadante foi separada da N,N’-diciclohexilureia que precipitou e o solvente evaporado em vazio. O sólido obtido reagiu com o alendronato em acetonitrilo/tampão borato pH 9,4 (0,1 M), na presença de trietilamina durante 4 dias. A mistura reaccional foi seca em vazio e o sólido obtido foi purificado por Sep-Pak C18 levando à obtenção do composto 36 com um rendimento de 49 %. Por questões de tempo não nos foi possível avançar com este composto, mas os resultados obtidos indicam que esta estratégia parece viável para que possamos chegar a um dos produtos finais desejados. 2.4.3 Síntese e caracterização do complexo Tc7 A capacidade de estabilização do fragmento fac-[99mTc(CO)3]+ utilizando o ligando L7 foi avaliada e estudado o comportamento biológico do produto final. A síntese do complexo Tc7 foi realizada conforme indicado no esquema 2.18 através da reacção do ligando L7 com o precursor fac - [99mTc(H2O)3(CO)3]+. 125 Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos ác ido glu tâm ico OH O P OH OH P OH O OH O NH NH2 O NH OH2 H2O 99m Tc OC CO + OH2 N N L7 CO OC + N Tc CO NH2 CO Tc7 Esquema 2.18 - Síntese do complexo Tc7. Esta reacção foi optimizada em termos da concentração de ligando, temperatura e tempo de reacção. O complexo Tc7 foi obtido com um rendimento superior a 92 %, utilizando uma concentração final de ligando de 1 x 10-4 M, temperatura igual a 100 °C, meio salino durante 30 min. Após injecção no HPLC da preparação obtida, imediatamente após o arrefecimento da mistura reaccional em banho de gelo, obteve-se um pico (tR = 12,3 min) correspondente a ca. 92 % da actividade injectada e aos 14 minutos observa-se uma espécie não identificada que correspondia a ca. de 8 % de actividade injectada (figura 2.43). 12,3 min Tc7 * (tR = 14,0 min) 0 5 10 15 20 25 Tempo (min) Figura 2.43 - Cromatogramas de RP-HPLC do complexo Tc7 (detecção γ). *impureza. Uma vez que o complexo análogo de Re não foi sintetizado não foi possível confirmar a identidade estrutural do complexo Tc7. No entanto, os resultados obtidos 126 Capítulo 2 com os complexos anteriores Tc1 - Tc2 e Tc4 - Tc6 indicaram que a unidade pirazolo diamina estabilizava o fragmento organometálico de Tc(I), mesmo quando ligada a grupos fosfonatos que poderiam, eventualmente, competir na ligação ao metal. A lipofilia/hidrofilia (Log D) do complexo Tc7 também foi determinada através do cálculo dos coeficientes de partição no sistema n-octanol/solução tampão fosfato salino, utilizando o método descrito na literatura [121]. O valor determinado (-2,66 ± 0,06) indicou que Tc7 era fortemente hidrofílico. Por electroforese, realizada a pH 7,2 (tampão fosfato salino 0,2 M), concluiu-se que a carga global de Tc7 era negativa, uma vez que o complexo migrou (1,2 cm) para o pólo positivo. 2.4.4. Avaliação biológica do complexo Tc7 2.4.4.1. Estudos in vitro 2.4.4.1.1. Adsorção à hidroxiapatite (HA) Os ensaios de adsorção à hidroxiapatite foram realizados para avaliar o efeito do ácido glutâmico. Os resultados de ligação à HA encontram-se resumidos na tabela 2.16. Tabela 2.16 - Percentagem de ligação à hidroxiapatite determinada a 37 °C para o complexo Tc7, em função da massa de HA, e do tempo de incubação. HA (mg) % Ligação à HA 1h após incubação Tempo (h) % Ligação a 15 mg de HA 2,5 60,6 ± 4,06 0 71,75 ± 0,64 10 70,7 ± 2,26 1 82,35 ± 4,31 50 74,85 ± 5,44 2 82,3 ± 2,83 4 82,05 ± 1,48 127 Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos À semelhança do que se concluiu anteriormente para Tc5 e Tc6, o complexo Tc7 também apresentou uma ligação à HA elevada e rápida, atingindo valores da ordem de grandeza dos encontrados para Tc5 e Tc6. 2.4.4.1.2. Estabilidade em Cisteína e Histidina Determinou-se também a estabilidade de Tc7 na presença de cisteína e histidina (figura 2.44). Figura 2.44 – Estrutura química da cisteína e da histidina. Estes dois aminoácidos existem na composição de proteínas em circulação sanguínea e possuem na sua estrutura grupos funcionais susceptíveis de coordenar à unidade fac-[99mTc(CO)3]+. Analisando se ocorre transquelatação do ligando L7 com a cisteína ou a histidina, é possível prever a potencial instabilidade in vivo do complexo Tc7. Para esse efeito, adicionou-se ao complexo Tc7, em condições fisiológicas (tampão fosfato, pH 7,4; 37 °C), um grande excesso de cisteína ou histidina (100:1). Na realização destes ensaios utilizaram-se alíquotas de 100 µl do complexo Tc7 e 900 µl de uma solução de cisteína ou histidina (10-3 M) em tampão PBS (pH 7,4). A estabilidade do complexo Tc7 foi monitorizada através da análise por HPLC de alíquotas retiradas após 1, 3 e 24 horas (figura 2.45). 128 Capítulo 2 A) 0 tR = 12,3 min 5 10 15 tR = 12,3 min B) 20 24 h 24 h 3h 3h 1h 1h 0 25 Tempo (min) 5 10 15 20 25 Tempo (min) Figura 2.45 - Cromatogramas as de RP-HPLC do complexo Tc7, na presença de A) cisteína e B) histidina (detecçã ecção γ). Os cromatogramas as o obtidos apresentaram um pico maioritário rio cujo c tempo de retenção era idêntico ao o do complexo Tc7 (tR = 12,3 min), pelo que concluímos que este complexo era estável el na presença de ambos os aminoácidos. Estas conclusões for foram confirmadas através da determinação ção do tempo de retenção dos complexoss d de 99m Tc que eventualmente se formariam riam se ocorresse transquelatação com ass mo moléculas de cisteína e histidina. Para isso, so, procedeu-se à reacção do precursorr fac-[99mTc(H2O)3(CO)3]+ com estes amino inoácidos numa concentração final 10-4 M, ccom aquecimento a 75 °C durante 30 min. in. Os tempos de retenção para os complexos exos formados com a cisteína e a histidina eram ram de 6,30 min e 9,95 min, respectivamente. te. 129 Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos 2.4.4.2. Estudos In Vivo 2.4.4.2.1. Biodistribuição em ratinhos CD-1 O comportamento biológico do complexo Tc7 foi avaliado em ratinhos CD-1 (Charles River), injectados com 100 µl (7,0 – 18,5 MBq) de uma solução de Tc7, na veia da cauda, de acordo com o procedimento descrito anteriormente para Tc5 e Tc6. A distribuição nos tecidos, expressa em percentagem da actividade injectada por grama de órgão (% A.I./g órgão), e a excreção total expressa em % A.I., encontramse na tabela 2.17. Tabela 2.17 – Resultados de biodistribuição (% A.I./g órgão) e excreção total (% A.I.) para o complexo Tc7 em ratinhos CD-1. Tc7 1h 4h Sangue 0,4 ± 0,1 0,12 ± 0,03 Rim 16,2 ± 1,1 13,8 ± 3,0 Fígado 2,8 ± 0,7 2,3 ± 0,8 Intestino 0,7 ± 0,2 1,5 ±0,4 Baço 0,5 ± 0,2 0,7 ± 0,3 Coração 0,33 ± 0,06 0,18 ±0,03 Pulmões 0,8 ± 0,2 0,9 ± 0,2 Estômago 1,0 ± 0,3 0,8 ± 0,5 Músculo 0,4 ± 0,1 0,34 ± 0,04 Osso 14,5 ± 1,0 14,7 ± 2,5 Excreção total 49,6 ± 5,1 57,0 ± 3,4 A característica mais relevante observada, através da análise destes resultados, diz respeito à fixação preferencial de Tc7 no osso e no rim. A fixação óssea de Tc7 foi significativamente superior [14,7 ± 2,5 % A.I./g osso 4 h p.i.], à encontrada para Tc5 [4,7 ± 0,9 % A.I./g osso 4 h p.i.] e Tc6 [9,7 ± 1,7 % A.I./g osso 4 h p.i.] na mesma espécie animal. No entanto, ao contrário do que se verificou para Tc5 e Tc6, Tc7 apresentou uma fixação renal demasiado elevada [16,2 ± 1,1 % A.I./g órgão 1 h p.i.; 13,8 ± 3,0 % A.I./g órgão 4 h p.i.]. Apesar de Tc7 ser fortemente hidrofílico (Log D = -2,66 ± 0,06), este resultado pode ser devido à presença de uma função amina livre. 130 Capítulo 2 Relativamente aos restantes resultados de biodistribuição podemos concluir que a depuração sanguínea foi rápida. No entanto, devido à elevada retenção renal observada para o complexo Tc7, a sua excreção total era inferior à encontrada para Tc5 e Tc6. 2.4.4.2.2. Estabilidade In Vivo A estabilidade de Tc7 foi avaliada em ratinhos CD-1. Após injecção de Tc7, foram recolhidas amostras de urina que foram avaliadas por RP-HPLC, após tratamento adequado (figura 2.46). 14,0 min 12,3 min 4 h p.i Tc7 1 h p.i. 0 5 10 15 20 25 Tempo (min) Figura 2.46 - Cromatogramas de RP-HPLC de urina de ratinho CD-1, após injecção de Tc7 (detecção γ). Nos cromatogramas obtidos para as amostras de urina, recolhidas 1 hora depois da injecção de Tc7, verificámos que o pico principal correspondia ao complexo inicial, sendo observadas apenas pequenas quantidades de outras espécies possivelmente resultantes da metabolização do complexo 131 Compostos Multifuncionais Osteotrópicos para Aplicação Terapêutica: Estratégias de Derivatização de Bisfosfonatos 2.4.4.2.3. Estudos de Inibição da Fixação Renal Uma vez que a fixação óssea do complexo Tc7 foi significativamente superior à de Tc5 e Tc6, concluímos que a presença do ácido glutâmico não parecia contrariar o objectivo final do trabalho. Considerámos ainda que, uma vez que Tc7 possuía uma carga global negativa, a elevada retenção renal deste complexo poderia ser diminuída através da co-injecção de probenecide, pois existem dados na literatura relativos à sua acção de inibição da retenção renal [175]. Um dos mecanismos propostos refere a acção do probenicide como inibidor dos transportadores de aniões orgânicos como sendo a responsável pela diminuição da reabsorção renal. Na tabela 2.18 apresentam-se os resultados de biodistribuição nos principais órgãos envolvidos na eliminação do complexo Tc7 e no osso, expressos em percentagem da actividade injectada por grama de órgão e a excreção total expressa em % A.I.. Tabela 2.18 –Biodistribuição (% A.I./g órgão) e excreção total (% A.I.) de Tc7, com e sem injecção de probenecide em ratinhos CD-1. Osso Rim Fígado Excreção 1h 4h 1h 4h 1h 4h 1h 4h Controlo 14,5 ± 1,0 14,7 ± 2,5 16,2 ± 1,1 13,8 ± 3,0 2,8 ± 0,7 2,3 ± 0,8 49,6 ± 5,1 57,0 ± 3,4 Co-injecção (Probenecide) 5,2 ± 0,9 9,2 ± 0,6 14,0 ± 2,7 9,3 ± 2,2 3,0 ± 0,7 3,5 ± 0,2 54,2 ± 3,6 65,1 ± 2,5 Os resultados obtidos revelaram que apesar de não se ter observado inibição significativa da fixação renal 1 hora p.i., às 4 horas verificou-se um decréscimo de ca. 30 % da fixação renal. No entanto, também se verificou um decréscimo na fixação óssea na mesma ordem de grandeza, pelo que este método de inibição com probenecide não foi conclusivo. 132 NS Conclusões e Perspectivas 3 – CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS Os radiofármacos 99m Tc-HDP, 99m Tc-MDP e [188/186Re]HEDP estão indicados na detecção e tratamento de metástases ósseas, especialmente em casos de cancro da próstata e da mama. Apesar do seu sucesso clínico, estes radiofármacos apresentam limitações clínicas e químicas. Sob o ponto de vista clínico, essas desvantagens estão relacionadas com o tempo de espera até à aquisição da imagem (associado à eliminação lenta destes radiofármacos), à falta de especificidade para determinadas doenças e à sua instabilidade in vivo. Ao nível químico, destaca-se o facto destes radiofármacos serem constituídos por uma mistura de espécies de composição variável ao longo do tempo. Cada uma dessas espécies possui propriedades biológicas diferentes, tais como selectividade e estabilidade. Além disso, não está completamente definido o estado de oxidação do metal e os grupos fosfonato têm uma função dupla, estabilizando simultaneamente o metal radioactivo e ligando-se ao Ca2+ da hidroxiapatite, que constitui a matriz inorgânica do osso. Com vista a obviar estas limitações a estratégia aplicada na concepção de novos radiofármacos específicos para o osso foi a chamada aproximação bifuncional. Nesta aproximação utilizou-se um “ligando bifuncional” que contém uma unidade quelante do tipo pirazolo-diamina para estabilização eficiente do metal e um grupo funcional para ligação a uma unidade bisfosfonato (BF) com afinidade para o tecido ósseo. Deste modo, esperava-se que a afinidade para o osso fosse superior, comparativamente à dos complexos em que o BF é utilizado simultaneamente para estabilizar o metal radioactivo e ligar-se ao osso. Assim, o primeiro objectivo deste trabalho era a síntese e a caracterização biológica de complexos de M(CO)3 (M = 99mTc, Re) contendo um grupo funcional, com propriedades químicas e biológicas adequadas para a imagiologia óssea. Para o concretizar, prepararam-se os ligandos bifuncionais L1 - L6 (esquema 3.1), que contêm uma unidade quelante do tipo pirazolo-diamina para estabilização do fragmento metálico M(CO)3 (M = 99mTc, Re) e uma unidade com capacidade osteotrópica. 135 Conclusões e Perspectivas Os compostos L1 - L3 contendo uma unidade monofosfonato foram obtidos por alquilação da amina secundária do precursor 3 com os respectivos bromoalquilfosfonatos. Os compostos L4 - L6, com uma unidade bisfosfonato foram sintetizados por conjugação dos aminobisfosfonatos AMDP (1-amino-1,1- metileno)bisfosfonato de etilo, PAM (pamidronato) e ALN (alendronato) ao carboxilato do precursor 7, através de uma ligação amida (esquema 3.1). Esquema 3.1 - Síntese dos ligandos bifuncionais L1 - L6. Complexos do tipo fac-[Re(CO)3(κ3-L)]+ (Re1, L = L1; Re2, L = L2; Re4, L = L4; Re5, L = L5; Re6, L = L6) foram sintetizados por reacção directa dos respectivos ligandos com os precursores [ReBr(CO)5] (Re1 e Re2, esquema 3.2) ou por via indirecta, por conjugação do aminobisfosfonato correspondente à função carboxilato do precursor fac-[Re(CO)3(κ3-pzCOOH)]Br (Re4 - Re6, esquema 3.3). O complexo Re4 foi também sintetizado por reacção directa do ligando L4 com o precursor (NEt4)2[ReBr3(CO)3], afastando-se assim a hipótese de qualquer interacção entre o metal e a unidade bisfosfonato. 136 Capítulo 3 O + N N N NH2 Re OC OC CO Re Br CO OC L1 OEt OEt P CO Re1 CO = 96 % CO O OH OH P L2 + N N N NH2 Re CO OC CO Re2 = ~36 % Esquema 3.2 - Síntese dos complexos Re1, Re2, com a unidade monofosfonato. OH O X X N N +/-2 pzCOOH X Re OC CO + N NH2 Re CO CO [Re(CO)3( 3-pzCOOH)]+ CO OC X = H2O, Br = 71 % AMDP L4 ALN PAM -O HO OH O P O P HN OH OH O N N OC Re EtO OEt O P O P HN OEt OEt O + N NH2 CO CO Re4 = 54 % ~ 100 % (RMN) -O N N + N Re NH2 CO CO [Re(CO)3( 3-pzAMDP]+ OC = 66 % HO P O HO P O OH O P O HO HN HN O N N OC Re O + N OH O P O OH NH2 N N CO OC CO + N Re NH2 CO CO Re5 Re6 = 24 % = 40 % Esquema 3.3 - Síntese de Re4 - Re6 com unidades bisfosfonato. 137 Conclusões e Perspectivas Os complexos Re1 e1, Re2, Re4 - Re6 foram caracterizados os pelas técnicas analíticas usuais em química mica inorgânica, nomeadamente através de espectroscopia esp de RMN, espectroscopia dee IV IV, análise elementar C,H,N e por cromatogr tografia líquida de alta eficiência em fase reve reversa (RP-HPLC). No caso de Re1, foi possíve sível obter cristais adequados para análisee p por difracção de raios-X. Na figura 3.1 apresenta-se a estrutura de raios - X do o ccatião do complexo Re1 e alguns ângulos los e distâncias de ligação relevantes. P N3 N2 N1 O3 C3 N N4 Re C1 O1 Re – C1: 1,895(9) Å C2 – Re1 e1 – N3: 176,1(4)° Re –C2: 1,895(10) Å C1 – Re1 e1 – N1: 178,1(3)° Re –C3: 1,876(11) Å C1 – Re1 e1 – N3: 91,2(3)° Re –N1: 2,201(6) Å Re –N3: 2,258(6) Å Re –N4: 2,176(6) Å C2 O2 2 Figura 3.1 - Estrutura de raios ios - X do catião do complexo Re1 e ângulos e distân stâncias de ligação. Os resultados obtido tidos por cristalografia de raios-X foram consis nsistentes com os resultados obtidos pelas as o outras técnicas de caracterização, conclui luindo-se que o ligando L2 coordena ao cen centro metálico através dos três átomos de e azoto. a O centro metálico apresenta um núm número de coordenação seis e geometriaa de coordenação octaédrica distorcida. Nessa essa estrutura, os três átomos de carbono o dos do ligandos CO definem uma das facess tri triangulares do octaedro e as restantes três posições são ocupadas pelos três átomos mos de azoto do ligando tridentado. L2, L4 - L6 (concentração final: 5 x 10-5 M - 1 x 10-4 M) com o Por reacção de L1, L2 precursor fac-[99mTc(H2O)3(C (CO)3]+ (100 °C, 30 min), obtiveram-se os complexos com do tipo fac-[99mTc(CO)3(κ3-L)]+ (Tc1 c1, L = L1; Tc2, L = L2; Tc4, L = L4; Tc5, L = L5; Tc6, Tc L = L6), com rendimentos e pureza radioq dioquímica elevados (95 - 98 %) (esquema 3.4). ). 138 Capítulo 3 H2O OH2 99m Tc OC L1 OH2 CO CO L4 L2 HO OH O P P HN O N N OEt P OEt 99m Tc OC + N NH2 CO CO Tc1 = 96 % O N N OH P OH 99m Tc OC + N NH2 O N N 99m CO CO Tc2 = 98 % OC OH -O HO P O O NH2 CO CO OH O P O HO HO P O N N + N OC OH O P O OH HN O NH2 O N N + N NH2 99m Tc 99m Tc Tc -O HN OH + N L6 L5 CO CO OC CO CO Tc4 Tc5 Tc6 = 96 % = 95 % = 95 % Esquema 3.4 - Síntese dos complexos Tc1, Tc2, Tc4 - Tc6. A caracterização estrutural dos complexos de 99mTc efectuou-se por comparação dos seus tempos de retenção nos cromatogramas de RP-HPLC com os dos complexos análogos de Re [Tc1/Re1: 16,3 min/15,8 min; Tc2/Re2: 11,4 min/10,8 min; Tc4/Re4: 13,2 min/13,9 min; Tc5/Re5: 12,0 min/11,9 min; Tc6/Re6: 14,2 min/13,8 min]. Os valores de log D encontrados indicaram que o complexo Tc1 era moderadamente lipofílico (log D = 0,08), enquanto Tc2, Tc5 e Tc6 apresentavam maior hidrofilía [log D = -1,67 (Tc1); -2,00 (Tc5); -1,94 (Tc6)], certamente devido à presença dos ácidos mono- e bisfosfónicos. Os complexos Tc1 e Tc2 revelaram-se bastante estáveis in vitro, tal como demonstrado por estudos de estabilidade em tampão fosfato salino, NaCl 0,9 % e soro humano. O comportamento biológico de Tc1 e Tc2 foi avaliado em ratinhos CD-1 e os resultados obtidos são apresentados sob a forma de histograma na figura 3.2. 139 Conclusões e Perspectivas 25 Osso Tc1 Músculo % A.I./g órgão 20 Sangue Tc2 15 Rim Fígado 10 Intestino 5 0 1h 4h 1h 4h Figura 3.2 – Resultados de biodistribuição (% A.I./g órgão) dos complexos Tc1 e Tc2. Os complexos Tc1 e Tc2 não possuem capacidade de fixação óssea, nem sofrem acumulação em nenhum órgão ou tecido em particular, à excepção dos que estão relacionados com as vias de excreção, nomeadamente o fígado, o intestino e o rim. A depuração sanguínea foi rápida para ambos, mas a excreção da actividade total foi mais rápida para Tc2 (52,7 ± 2,5 e 64,0 ± 6,3 %, 1h e 4h p.i., respectivamente). Estes resultados correlacionam-se com o carácter mais hidrofílico de Tc2 em comparação com Tc1. Quanto a Tc5 e Tc6, os estudos de adsorção à HA in vitro, permitiram concluir que a capacidade osteotrópica destes complexos era semelhante à de 99m Tc-MDP estudado nas mesmas condições. Os valores da percentagem de ligação encontrados para 20 mg de HA após 4h de incubação a 37 °C foram próximas: 81,6 ± 1,5 % para Tc5, 80,4 ± 1,4 % para Tc6 e 97,7 ± 1,2 % para 99mTc-MDP. A farmacocinética dos complexos Tc4 - Tc6 e do composto padrão (gold standard) foi avaliada em ratinhos CD-1 (figura 3.3). 140 99m Tc-MDP Capítulo 3 Sangue Músculo Intestino Rim Fígado Osso 18 16 Tc6 99m 4 1 Tc-MDP % A.I./g órgão 14 12 10 Tc5 8 Tc4 6 4 2 0 1 4 1 4 1 4 Tempo [h] Figura 3.3 - Biodistribuição (% A.I./g órgão) de Tc4 - Tc6 e 99mTc-MDP, em ratinhos CD-1. Concluímos que os complexos Tc4 - Tc6 e 99m Tc-MDP apresentavam uma fixação preferencial no osso, com um longo tempo de permanência neste tecido e a via de eliminação dos quatro complexos era essencialmente renal. O complexo Tc6 foi o que apresentou uma acumulação óssea mais próxima do 99m Tc-MDP, principalmente 1h p.i. (17,3 ± 1,5 %, Tc6 e 17,1 ± 2,4 %, 99mTc-MDP). Através dos resultados de fixação óssea, das razões alvo/não alvo e da excreção total da actividade injectada apresentados na tabela 3.1 podemos ainda fazer uma comparação entre os três complexos Tc5, Tc6 e 99m Tc-MDP que apresentaram maior fixação óssea. 141 Conclusões e Perspectivas Tabela 3.1 – Avaliação biológica in vivo de Tc5, Tc6 e 99mTc-MDP em ratinho CD-1. Tc5 Tc6 99m Tc-MDP Fixação Óssea (% A.I./g) 1h 4,6 ± 0,7 12,7 ± 0,9 12,7 ± 2,7 4h 4,7 ± 0,9 9,7 ± 1,7 12,7 ± 1,4 Osso Sangue 1h 14,5 ± 2,4 29,3 ± 2,2 67,6 ± 9,0 4h 40,4 ± 10,7 51,7 ± 5,5 84,5 ± 10,4 1h 29,8 ± 8,2 34,6 ± 6,1 34,8 ± 6,6 4h 56,3 ± 10,5 46,6 ± 3,5 45,6 ± 8,6 1h 64,5 ± 1,4 58,2 ± 1,1 53,1 ± 5,0 4h 67,3 ± 3,6 63,6 ± 2,2 57,6 ± 1,7 Osso Músculo Excreção total (% A.I.) Apesar dos complexos Tc5 e Tc6 possuírem uma unidade bisfosfonato com um grupo hidroxilo na posição geminal, verificou-se que a acumulação óssea de Tc5 foi inferior à de Tc6 [Tc5: 4,6 ± 0,7 % A.I./g, 1h p.i.; 4,7 ± 0,9 % A.I./g, 4h p.i.; Tc6: 12,7 ± 0,9 % A.I./g, 1h p.i.; 9,7 ± 1,7 % A.I./g, 4h p.i.]. Deve salientar-se o facto dos estudos de biodistribuição de Tc5 terem sido obtidos em ratinhos com massa superior aos utilizados para os ensaios com os restantes complexos. As diferenças observadas reflectem-se sobretudo nos valores de acumulação da actividade injectada expressos em % A.I./g órgão. Tendo em conta este facto e comparando os valores obtidos em termos de % A.I., concluimos que as diferenças observadas entre os valores de fixação óssea, em ratinhos CD-1, dos complexos Tc5 [18,5 ± 1,2 % A.I. 1h p.i.; 18,7 ± 2,8 % A.I. 4h p.i.] e Tc6 [30,3 ± 1,3 % A.I. 1h p.i.; 22,8 ± 2,2 % A.I. 4h p.i.] são inferiores. Em ratinhos CD-1, apesar da acumulação óssea de Tc5 ser inferior à de Tc6 e de 99m Tc-MDP, verificou-se uma razão osso/músculo ligeiramente superior para Tc5 às 4h p.i. [Tc5: 56,3 ± 10,5; Tc6: 46,6 ± 3,5; 99m Tc-MDP: 45,6 ± 8,6]. A excreção total da actividade injectada foi elevada e comparável para os três complexos, sendo também ligeiramente superior para Tc5 [64,5 ± 1,4 % A.I. 1h p.i.; 67,3 ± 3,6 % A.I. 4h p.i.]. O facto de Tc5 e Tc6 serem eliminados essencialmente por via renal, apresentarem uma excreção total favorável e rápida depuração sanguínea está provavelmente relacionado com o seu forte carácter hidrofílico [Log D (Tc5) = -2,00 ± 0,02; Log D (Tc6) = -1,94 ± 0,02]. 142 Capítulo 3 Pelo facto de Tc5 e Tc6 terem apresentado resultados biológicos mais promissores em ratinho CD-1, foram escolhidos para prosseguir estudos noutra estirpe de ratinho (Balb-c, Charles River) (tabela 3.2). Tabela 3.2 – Avaliação biológica in vivo de Tc5, Tc6 e 99mTc-MDP em ratinho Balb-c. Tc5 Tc6 99m Tc-MDP Fixação Óssea (% A.I./g) 1h 18,3 ± 0,6 17,3 ± 1,5 17,1 ± 2,4 4h 15,3 ± 0,8 15,2 ± 1,4 19,8 ± 1,5 Osso Sangue 1h 35,4 ± 0,3 29,8 ± 7,2 41,9 ± 8,1 4h 86,2 ± 9,4 74,7 ± 6,9 70,9 ± 9,2 1h 44,0 ± 8,1 45,5 ± 14,4 31,7 ± 4,0 4h 77,7 ± 4,2 79,0 ± 2,9 47,9 ± 13,6 1h 65,6 ± 1,2 66,8 ± 7,6 49,1 ± 6,1 4h 74,1 ± 0,9 77,2 ± 0,5 56,8 ± 0,9 Osso Músculo Excreção total (% A.I.) Ao contrário do que se tinha observado em ratinho CD-1, em Balb-c as diferenças encontradas na fixação óssea de Tc5, Tc6 e 99m Tc-MDP foram menos significativas, principalmente 1h p.i. (18,3 ± 0,6 %, Tc5; 17,3 ± 1,5 %, Tc6 e 17,1 ± 2,4 %, 99m Tc-MDP). A via de eliminação era também essencialmente renal e a eliminação sanguínea e dos tecidos moles era rápida. Os valores das razões osso/músculo para Tc5 e Tc6 foram significativamente superiores às 4h p.i. (Tc5: 77,7 ± 4,2 ; Tc6: 79,0 ± 2,9) à do 99m Tc-MDP (47,9 ± 13,6) e as razões osso/sangue eram próximas, observando-se para Tc5 um valor ligeiramente superior às 4h p.i. (Tc5: 86,2 ± 9,4; Tc6: 74,7 ± 6,9; 99mTc-MDP: 70,9 ± 9,2). Em ratinhos Balb-c, os valores de excreção total da actividade injectada também foram superiores para Tc5 e Tc6, comparativamente ao 99m Tc-MDP, principalmente às 4h p.i. (Tc5: 74,1 ± 0,9; Tc6: 77,2 ± 0,5; 99mTc-MDP: 56,8 ± 0,9). Os complexos Tc1, Tc2, Tc4 - Tc6 demonstraram elevada estabilidade e resistência à metabolização em amostras biológicas (urina e soro de ratinho) recolhidas após injecção destes complexos. Além disso, os complexos não sofreram 143 Conclusões e Perspectivas retenção significativa no estômago, indicando que não ocorreu, in vivo, a dissociação do 99mTc do ligando pirazolilo, com reoxidação a [99mTcO4]-. As imagens obtidas 2h após administração de Tc5, Tc6 e 99m Tc-MDP em ratos Sprague Dawley, confirmaram o seu potencial como radiofármacos por imagem óssea (figura 3.4). Tc5 Tc6 99m Tc-MDP Figura 3.4 - Imagem de corpo inteiro de rato Sprague Dawley, 2 h após injecção de Tc5, Tc6 e 99m Tc-MDP, obtidas em câmara γ. Tirando partido dos resultados promissores de Tc5 e Tc6, em termos de estabilidade in vivo, perfil farmacocinético e fixação óssea, passámos à segunda parte do trabalho que consistiu na tentativa de síntese de um complexo trifuncional para aplicação terapêutica. O complexo seria constituído por um ligando tridentado, do tipo pirazolo-diamina, para estabilizar o fragmento fac-[M(CO)3]+ (M = 188 Re ou 186 Re) (emissor β), e teria na sua composição um BF e uma molécula citotóxica (docetaxel). Esperávamos que a utilização destes complexos multifuncionais pudesse apresentar vantagens sobre a utilização das actuais terapias múltiplas: quimioterapia seguida de radioterapia sistémica com um radiofármaco. Para a síntese dos complexos trifuncionais utilizámos dois tipos de estratégias: na primeira utilizámos uma molécula de ácido glutâmico para ligação das unidades BF e docetaxel (DTX) à amina secundária da unidade quelante (figura 3.5 - A) e na segunda tentámos a ligação destas unidades directamente ao ligando pirazolo diamina, isto é, à posição 4 do anel pirazolilo e ao carboxilato do braço pendente da unidade quelante pz4-COOH (figura 3.5 - B). 144 Capítulo 3 A) B) Figura 3.5 - Representação das duas estratégias utilizadas para a síntese de complexos trifuncionais. Os resultados obtidos na estratégia com ácido glutâmico conduziram à síntese do composto L7, (η = 10 %). Neste composto, o BF foi ligado à função α-COOH do ácido glutâmico e este ligou-se através da função γ-COOH ao grupo NH2 do ligando pz(Boc)-NH2 (26) (figura 3.6). Figura 3.6 - Síntese do composto L7 (η = 10 %). A função NH2 do ácido glutâmico seria para ligaçõa ao docetaxel. O rendimento da reacção foi relativamente baixo (10 %), mas como a aproximação funcionou decidiu-se então recomeçar este método utilizando pz(Fmoc)-NH2 e conjugando a este ligando o ácido glutâmico já com o BF e o docetaxel. O grupo protector Fmoc na amina primária da unidade quelante, sendo ortogonal do grupo Boc que existe na estrutura 145 Conclusões e Perspectivas do docetaxel, seria facilmente removido sem que tal acontecesse ao grupo Boc do docetaxel. Assim, de acordo com esta nova estratégia o alendronato ligou-se à função α-COOH do ácido glutâmico e o docetaxel à função α-NH2 conduzindo à obtenção do composto ALN-Glu-succinil-DTX (figura 3.7) com baixo rendimento (η = ca. 15 %). Figura 3.7 - Estrutura química do intermediário ALN-Glu-succinil-DTX. O baixo rendimento com que obtivemos ALN-Glu-succinil-DTX, e a falta de tempo, impediram a continuação desta via de síntese e a concretização deste objectivo. A reacção de L7 com o precursor fac - [99mTc(H2O)3(CO)3]+ permitiu a síntese do complexo fac-[99mTc(CO)3(κ3-L)]+ (Tc7, L = L7) com um rendimento superior a 92 % e o comportamento biológico in vitro e in vivo deste complexo foi avaliado. Os resultados de adsorção à HA permitiram concluir que a percentagem de ligação de Tc7 a 15 mg de HA, após 1h de incubação a 37 °C, era 82,4 ± 4,3 %. O composto era também estável in vitro, na presença de histidina e cisteína. Deste modo, concluimos que a presença do ácido glutâmico, entre a unidade quelante e o bisfosfonato, não impedia a fixação óssea desse complexo e levava à obtenção de um complexo estável. A avaliação deste complexo em ratinhos CD-1 permitiu obter os resultados de biodistribuição que se mostram na figura 3.8. 146 Capítulo 3 20 Sangue % A.I./g órgão 16 Músculo 12 Intestino Rim 8 Fígado 4 Osso 0 1 4 Tempo [h] Figura 3.8 - Biodistribuição (% A.I./g órgão) de Tc7 em ratinhos CD-1. Concluímos que a capacidade de fixação óssea era muito elevada (14,5 ± 1,0 A.I./g osso, 1 h p.i.; 14,7 ± 2,5 % A.I./g osso, 4 h p.i.) e superior a Tc6 (12,7 ± 0,9 % A.I./g osso, 1 h p.i.; 9,7 ± 1,7 % A.I./g osso, 4 h p.i.). No entanto, observou-se também uma retenção renal demasiado elevada (16,2 ± 1,1 % A.I./g, 1 h p.i.; 13,8 ± 3,0 % A.I./g, 4 h p.i.). Este facto poderá estar relacionado com a carga global do complexo e para investigar isso realizámos estudos de biodistribuição com co-injecção com probenecide, pois este composto tem sido utilizado como inibidor dos transportadores de aniões orgânicos levando à diminuição da retenção renal. O estudo de biodistribuição não foi conclusivo uma vez apesar de termos verificádo um decréscimo de ca. 30 % na fixação renal 4 horas p.i., também observámos um decréscimo na fixação óssea na mesma ordem de grandeza. Uma vez que os resultados biológicos obtidos com Tc7 foram favoráveis, em termos de fixação óssea e de estabilidade in vitro e in vivo, consideramos que futuramente deve ser explorada e concretizada a aproximação que iniciámos e que deverá envolver: a ligação do alendronato à função α-COOH do ácido glutâmico, a conjugação do pz(Fmoc)-NH2 à função γ-COOH e finalmente a ligação do 2’-succinilDTX através da função α-NH2 (figura 3.9). 147 Conclusões e Perspectivas O H2N OH P OH OH P OH O OH NH2 N N N OH O P OH OH P OH O OH N Fmoc H pz(Fmoc)-NH2 ALENDRONATO O O O 1 HN OH O O O OH O O HO HO O HO O NH HO O O NH OH O O O O 3 O OH O N N N NH2 OH O O NH2 O O AcO O O O O Ph NH 2 HN 2'-succinil-DTX O O Figura 3.9 - Perspectiva para a funcionalização do ácido glutâmico. A principal dificuldade que encontrámos nesta aproximação foi a ligação do ácido glutâmico ao aminobisfosfonato, devido à baixa reactividade destes compostos. Os baixos rendimentos obtidos estão certamente relacionados com a baixa solubilidade dos BFs em solventes orgânicos e também com o facto do carboxilato α do ácido glutâmico poder estar sujeito a impedimentos estéreoquímicos devido à sua proximidade da função α-NH2. No caso da estratégia do ácido glutâmico, outra via a explorar seria a ligação da função NH2 de pz(Fmoc)-NH2 ao grupo α-COOH do ácido glutâmio, conjugação do aminobisfosfonato à função γ-COOH do ácido glutâmico (estereoquimicamente menos impedida) e finalmente a conjugação do docetaxel ao NH2 do ácido glutâmico (figura 3.10). O NH2 N N H2N N N Fmoc H pz(Fmoc)-NH2 O O OH O O O OH O O HN O O O NH HO HO O NH O 2 O O HO OH OH O P OH P OH O OH ALENDRONATO 1 HN O OH P OH OH P OH O OH O OH O O NH2 O O O 3 N N O 2'-succinil-DTX N NH2 O Ph HO OH O O AcO OH O Figura 3.10 - Alternativa para a funcionalização do ácido glutâmico. 148 O O N H Capítulo 3 Finalmente, ainda nos foi possível explorar outra alternativa para a síntese do composto trifuncional. Esta alternativa consistiu em utilizar o composto pz4-COOH (figura 3.11) e em ligar o alendronato ao grupo 4-COOH. Esta síntese foi possível e o produto resultante dessa conjugação (36) foi obtido com rendimento razoável (49 %). DTX Figura 3.11 - Síntese de um complexo trifuncional a partir de pz4-COOH. O passo seguinte seria a remoção do grupo etilo do ligando pirazolo-diamina e conjugação do carboxilato livre ao docetaxel. Por questões de tempo, este segundo passo não foi realizado, mas consideramos que é bastante viável e que deverá ser prosseguido trabalho neste sentido. Obviamente, após a síntese dos ligandos bifuncionais (pirazolo-diamina/BF/docetaxel) por qualquer das vias atrás referidas dever-se-ão sintetizar os respectivos complexos de Re e 99m Tc(I) e avaliar o comportamento destes complexos com células e in vivo. Finalmente, dever-se-á escolher o melhor complexo, preparar o correspondente complexo de 188Re e avaliar o seu efeito terapêutico face à terapia combinada em utilização. 149 Conclusões e Perspectivas 150 NS Procedimento Experimental Procedimento Experimental 152 Capítulo 4 4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL 4.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS A manipulação de reagentes e compostos sensíveis ao ar e à humidade foi efectuada sob atmosfera inerte, recorrendo à utilização da linha de vazio e de técnicas de schlenk. Os compostos precursores t-butil 2-(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1- il)etilamino)etilcarbamate (3), ácido 4-((2-(t-butoxicarbonilamino)etil)(2-(3,5-dimetil1H-pirazol-1-il)etil)amino)butanoico (7), ácido 4-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H- pirazol-1-il)etil)amino)butanoico (pz-COOH), [ReBr(CO)5], fac-[Re(Br)3(CO)3](NEt4)2 e fac-[Re(H2O)3(CO)3]Br foram sintetizados de acordo com os métodos descritos na literatura [117, 114, 131, 132, 120]. 4.2. PURIFICAÇÃO DE SOLVENTES E REAGENTES Os reagentes e solventes foram utilizados tal como adquiridos sem qualquer purificação, excepto o trietil fosfito, o diclorometano, o tolueno, a N,Ndimetilformamida, o metanol e a trietilamina que foram secos e destilados de acordo com procedimentos descritos na literatura [176], que a seguir se descrevem de forma resumida. Acetonitrilo: O solvente foi submetido a pré-secagem com CaH2 e destilado, sob atmosfera inerte, de P2O5 e colocado em contacto prolongado com peneiros moleculares 3 Å. Diclorometano: O solvente permaneceu em pré-secagem em contacto com CaCl2 e foi destilado, sob atmosfera inerte, de P2O5 e colocado em contacto prolongado com peneiros moleculares 3 Å. Metanol: O solvente permaneceu em pré-secagem com peneiros moleculares 4 Å e foi destilado, sob atmosfera inerte, na presença de magnésio metálico e de iodo 153 Procedimento Experimental molecular. O solvente destilado manteve-se em contacto com peneiros moleculares 4 Å. Piridina: o solvente manteve-se em pré-secagem com KOH e foi destilado, sob atmostfera inerte. O solvente destilado manteve-se em contacto com peneiros moleculares 4 Å. Tolueno: Os solventes permaneceram em pré-secagem com peneiros moleculares 4 Å e foi destilado, sob atmosfera inerte, na presença de sódio usando benzofenona como indicador. Trietilamina: foi destilada de peneiros moleculares 4 Å, sob atmosfera inerte, e colocada em contacto com peneiros moleculares 4 Å. Trietilfosfito: Após o tratamento com sódio, para remover água e/ou dialquil fosfonatos, decanta-se e destila-se a pressão reduzida. Armazena-se em atmosfera de azoto. 4.3. TÉCNICAS DE PURIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO Cromatografia em coluna A cromatografia em coluna foi usada para purificar alguns dos compostos sintetizados. Utilizou-se sílica-gel (MercK) com granulometria 0,060 mesh. O enchimento das colunas de vidro foi preparado com uma mistura de sílica-gel e eluente adequado para permitir a separação do composto pretendido. As fracções foram separadas através do controlo por TLC e foram concentradas recorrendo a um evaporador rotativo e à linha de vazio. Cromatografia em camada fina (TLC) A cromatografia em camada fina (TLC) foi utilizada para seguir as reacções de síntese química e para identificar os produtos da reacção. Foram usadas tiras de sílicagel F254 em suporte de alumínio (MercK). Foi efectuada a localização e visualização das manchas dos compostos por irradiação no Ultra-violeta (254 nm), por revelação com vapor de iodo, com reagente de Dittmer ou com permanganato de potássio. A detecção de compostos com função amina foi realizada utilizando um revelador de ninidrina. A detecção de compostos com bisfosfonatos foi realizada com o reagente de 154 Capítulo 4 Dittmer. A detecção de compostos derivados do docetaxel foi realizada com revelador de permanganato de potássio. O revelador de ninidrina foi preparado e utilizado da seguinte forma [177]: A uma solução de ácido acético (5 ml) em metanol (100 ml) adicionam-se 3 g de ninidrina. Esta solução utiliza-se sob a forma de spray sobre as tiras de TLC que foram posteriormente aquecidas numa placa de aquecimento (100 ᵒC) até ao aparecimento das manchas dos compostos com funções amina com cor vermelho-violeta. O reagente de Dittmer foi preparado e utilizado da seguinte forma [178]: Solução I: Uma mistura de óxido molibdico (4 g) em ácido sulfúrico concentrado (100 ml) foi fervida, com agitação contínua, até à dissolução completa dos reagentes. Solução II: À solução I (50 ml) foi adicionado molibdénio em pó (0,180 g) que foi dissolvido com aquecimento. Solução III: Após arrefecimento das soluções anteriores, adiciona-se 50 ml de cada uma das soluções I e II. Esta solução permanece estável pelo menos durante um ano num recipiente fechado. A detecção de compostos com bisfosfonatos foi realizada utilizando a solução III (2,5 ml) diluída com água destilada (5 ml) e etanol (7,5 ml). As tiras de TLC foram levemente humedecidas por vaporização uniforme com esta solução. Após aquecimento (100 ᵒC) as manchas dos compostos com bisfosfonatos apareciam com uma cor azul escura que aumentava de intensidade durante o arrefecimento até à temperatura ambiente após 10 a 15 min. A cor de fundo azul escura desaparece totalmente e aparecem as manchas azuis intensas. O revelador de permanganato de potássio foi preparado e utilizado da seguinte forma [179]: Dissolvem-se 3 g de KMnO4, 10 g K2CO3 e 300 ml de água. Este revelador é estável em média durante três meses. 155 Procedimento Experimental Após mergulhar a placa de TLC nesta solução, compostos do tipo alcenos e alcino são detectados imediatamente, como manchas amarelas claras num fundo de cor púrpura claro. Os álcoois, aminas, sulfuretos, mercaptanos e outras funções, susceptíveis de serem oxidadas, podem ser visualizados após o aquecimento das placas de TLC depois de imersas na solução de permanganato. As manchas observadas são amarelas ou castanhas claras num fundo de cor púrpura, ou cor de rosa. Este revelador foi utilizado para a detecção de compostos derivados do docetaxel. Cromatografia instantânea de camada fina - sílica gel (ITLC-SG) A cromatografia instantânea de camada fina foi utilizada para seguir a cinética e a eficiência das reacções de síntese dos complexos radioactivos bem como avaliar a pureza radioquímica das soluções com os complexos de 99mTc. Foram utilizadas tiras de sílica-gel (Polygram, Macherey-Nagel). A distribuição da radioactividade nas tiras foi analisada utilizando um detector Berthold LB 505 acoplado a um radiocromatógrafo. Os eluentes utilizados para o controlo da pureza radioquímica do 99m Tc-MDP foram a acetona ([99mTcO4]-, Rf = 1; 99mTc-MDP, Rf = 0; espécies hidrolisadas de 99mTc, Rf = 0) e uma solução de NaCl 0,9% ([99mTcO4]-, Rf = 1; 99m Tc-MDP, Rf = 1; espécies hidrolisadas de 99mTc, Rf = 0) [28]. Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC) A cromatografia líquida de alta pressão (HPLC) foi usada para efeitos de purificação e controlo analítico de compostos orgânicos, dos complexos de Re, e dos complexos de 99m Tc. As análises de HPLC foram realizadas num sistema cromatográfico equipado com uma bomba Perkin-Elmer LC 200 acoplado a dois detectores em série: um detector UV/Vis regulável LC 290 e a um detector de radiação γ Berthold LB-507A. As análises químicas e radioquímicas foram feitas utilizando uma coluna Macherey-Nagel de fase reversa C-18 (nucleosil 10 µm, 250 x 4mm - fluxo: 1 mL/min). As purificações dos compostos foram realizadas utilizando uma coluna semipreparativa, EP 250/8 Nucleosil 100-7 C18, Macherey Nagel e uma pré – coluna EP 30/8 Nucleosil 100-7 C18, Macherey Nagel; fluxo 2 ml/min. 156 Capítulo 4 Todos os solventes utilizados eram de qualidade HPLC. A água utilizada foi bidestilada em aparelho de quartzo. Os solventes utilizados foram filtrados por filtro Millipore de 0,22 µm e desarejados com hélio ou em banho de ultrassons. Na sequência de eluição, utilizando os métodos 1, 2 e 3, os gradientes de utilizados foram os seguintes: Método 1: Passo Tempo (min) %A %B 1 0-3 100 0 2 3 - 3,1 100 → 75 0 → 25 3 3,1 - 9 75 25 4 9 - 9,1 75 → 66 25 → 34 5 9.1 - 20 66 → 0 34 → 100 6 20 - 24 0 100 7 24 - 26 0 → 100 100 → 0 8 26 - 30 100 0 Passo Tempo (min) A %B 1 0-5 90 10 2 5 - 30 90 → 0 10 → 100 3 30 - 34 0 100 4 34 - 35 0 → 90 100 → 10 5 3- 40 90 10 Passo Tempo (min) %A %B 1 0 - 25 100 0 2 25 - 27 100 → 75 0 → 25 3 27 - 28 75 25 4 28 - 30 75 → 66 25 → 34 Método 2: Método 3: 157 Procedimento Experimental Nas análises dos compostos L1, L2, Re1, Tc1, Re2 e Tc2, utilizou-se a sequência de eluição do método 1. Os eluentes utilizados foram uma solução 0,1 % de ácido Trifluoroacético (eluente A) e acetonitrilo (Eluente B). Nas análises dos compostos Re4, Tc4, Re5, Tc5, Re6, Tc6 e Tc7 utilizaram-se solventes diferentes e a sequência de eluição do método 1. Os eluentes utilizados foram uma solução aquosa com 0,5 % de ácido trifluoroacético (eluente A) e uma solução 0,5 % de ácido trifluoroacético em acetonitrilo (eluente B). Nas análises e/ou purificação dos compostos fac-[Re(CO)3(κ3-pz-COOH)]+ utilizou-se a sequência de eluição do método 2. Os eluentes utilizados foram uma solução aquosa com 0,5 % de ácido trifluoroacético (eluente A) e metanol (eluente B). As misturas reaccionais das sínteses do composto 32 com irradiação por microondas foram analisadas utilizando a sequência de eluição do método 3. Os eluentes utilizados foram uma solução aquosa com 0,5 % de ácido trifluoroacético (eluente A) e, uma solução 0,5 % de ácido trifluoroacético em acetonitrilo (eluente B). Os cromatogramas dos compostos não radioactivos foram todos obtidos monotorizando a absorção de UV a λ = 254 nm, à excepção do composto 32 que apresentava maior absorção de UV a λ = 280 nm. Purificação utilizando cartuchos Sep Pak C18 A purificação de alguns compostos contendo bisfosfonatos foi realizada utilizando cartuchos Sep Pak de fase reversa C18 (Waters Co., 12 cc/2 g ou 0,85 cc/360 mg) pré-condicionados de acordo com o protocolo do fabricante. Isto é, os cartuchos são previamente lavados primeiro com metanol (10 ml, para os de 12 cc/2 g ou 2 ml, para os de 0,85 cc/360 mg) e depois com H2O (50 ml, para os de 12 cc/2 g ou 5 ml, para os de 0,85 cc/360 mg). A eluição é feita utilizando um gradiente de metanol/H2O, começando com H2O, utilizando posteriormente misturas de metanol/H2O (20 – 100 %). A presença de compostos contendo bisfosfonatos foi monitorizada por TLC, utilizando o reagente de Dittmer como agente de revelação. 158 Capítulo 4 Espectroscopia de ressonância magnética nuclear de 1H, 13C e 31P Os espectros de RMN foram obtidos num espectrómetro Varian Unity Inova300, com uma frequência de ressonância de 300 MHz para o 1H, de 121,5 MHz para o 31 P e de 75,5 MHz para o 13 C. Os solventes deuterados utilizados foram o CD3OD, o CDCl3, e D2O. Os desvios químicos dos sinais de 1H e de 13C foram medidos utilizando como referência interna o desvio químico residual do solvente relativamente ao tetrametilsilano [CDCl3, δ (ppm): 7,24 (1H); 77,0 (13C)] e [CD3OD, δ (ppm)): 3,30 (1H); 49,0 (13C)]. Os desvios químicos dos sinais de 13 C, das amostras dissolvidas em D2O, foram obtidos usando como referência externa uma solução de 1,4-dioxano (90 %) [δ (ppm): 69,2]. Os desvios químicos dos sinais de 31 P foram obtidos usando como referência externa uma solução de H3PO4 (85%) [δ (ppm): 0,00]. A atribuição dos desvios químicos foi feita com a ajuda de experiências bidimensionais de espectroscopia de RMN (correlação homonuclear 1H – 1H, COSY, e correlação heteronuclear 1H – 13C, HSQC). Espectroscopia de Infra Vermelho (IV) Os espectros de IV foram obtidos num espectrómetro Perkin-Elmer 577. As amostras foram preparadas sob a forma de pastilhas de KBr. Espectrometria de massa Os espectros de massa ESI-MS foram obtidos num espectrómetro Bruker HCT (ITN, Sacavém) pelo Doutor Joaquim Marçalo. O instrumento foi adquirido com o apoio do Programa Nacional de Reequipamento Científico da Fundação para a Ciência e Tecnologia e, faz parte da Rede Nacional de Espectrometria de Massa – RNEM. Análise Elementar C, H, N A análise elementar de C, H, N foi efectuada através de um analisador automático Perkin-Elmer 240 ou EA 1110 CE Instruments. As análises foram efectuadas pelo Sr. António Soares (ITN). 159 Procedimento Experimental Cristalografia de raios-X de cristal único Os dados de difracção de raios-X, do complexo Re1, foram obtidos à temperatura ambiente, num difractómetro automático Enraf-Nonius CAD-4, com radiação monocromática de Mo Kα (λ = 0,71073 Å). Os cristais foram montados em capilares de vidro. A correcção empírica da absorção (ψ scans) e a redução de dados foi efectuada com o programa WINGX [180]. As estruturas foram resolvidas utilizando métodos directos (SIR97 [181]) e o refinamento foi efectuado com a ajuda do programa SHELXL–97 [182]. Todos os átomos à excepção do hidrogénio foram refinados com parâmetros térmicos anisotrópicos, enquanto os átomos de hidrogénio foram colocados em posições geometricamente idealizadas. A representação gráfica das estruturas foi efectuada com o programa ORTEP-3 [183]. A resolução e refinamento das estruturas foi da responsabilidade da Doutora Isabel Cordeiro Santos da Unidade de Ciências Químicas Radiofarmacêuticas do ITN. Medição da actividade das soluções radioactivas A actividade das soluções de 99m Tc foi medida numa câmara de ionização (Aloka, Curiemeter IGC-3, Tokyo, Japan). As amostras com menor actividade foram medidas num contador gama (Berthold, LB2111, Alemanha). Electroforese [49, 134] A carga dos complexos radioactivos foi determinada por electroforese. Foi aplicada uma gota da solução dos complexos radioactivos em tiras de papel (Whatman 3MM). As tiras de papel foram expostas a uma tensão constante (300 V) e em contacto com uma solução 0,1M de tampão fosfato salino (pH = 7,2) durante uma hora. A distribuição da radioactividade nas tiras foi analisada utilizando um detector Berthold LB 505 acoplado ao radiocromatógrafo, para determinar a migração dos complexos. 160 Capítulo 4 4.4. SÍNTESE DE COMPOSTOS IMAGIOLOGIA ÓSSEA POTENCIALMENTE ÚTEIS PARA 4.4.1. Síntese de Compostos Contendo o Grupo Éster Fosfónico 4.4.1.1. Procedimento Geral para a Síntese de (3-Bromopropil)Fosfonato de Dietilo (1) e de (2-Bromoetil)Fosfonato de Dietilo (2) [113] Uma mistura constituída por dibromopropano (0,175 mol; 18 ml) ou dibromoetano (0,058 mol; 5 ml), e trietilfosfito (POEt3; 1: 0,0175 mol, 3 ml; 2: 0,0117 mol; 2 ml) foi refluxada durante duas (1) ou 17 (2) horas. Os compostos pretendidos foram obtidos após destilação fraccionada e com controlo de temperatura. Este procedimento permitiu remover o dibromoalcano em excesso, no caso do dibromoetano destilou aproximadamente entre os 30 e os 40 ᵒC a pressão atmosférica, o dibromopropano destilou á mesma temperatura, mas com pressão reduzida. Os compostos pretendidos destilaram-se no fim aproximadamente entre os 70 e os 90 ᵒC a pressão reduzida. Br(CH2)3P(O)(OEt)2 (1): (2,53 g, η= 56 %) 1 H - RMN (CDCl3, δ (ppm)): 4,11 – 4,02 [m, OCH2CH3, 4H]; 3,43 (t, CH2, 2H); 2,14 – 2,06 (m, CH2, 2H); 1,90 – 1,79 (m, CH2, 2H); 1,28 (t, OCH2CH3, 6H). P - RMN (CDCl3, δ (ppm)): 31,19. 31 Br(CH2)2P(O)(OEt)2 (2): (12,00 g; η= 85 %) 1 H - RMN (CDCl3, δ (ppm)): 4,12 – 4,00 [m, OCH2CH3, 4H]; 3,52 – 3,44 (m, CH2, 2H); 2,39 – 2,28 (m, CH2, 2H); 1,28 (t, OCH2CH3, 6H). P - RMN (CDCl3, δ (ppm)): 26,16. 31 161 Procedimento Experimental 4.4.1.2. Síntese de t-butil 2-((3-(dietoxifosforil)propil)(2-(3,5-dimetil-1Hpirazol-1-il)etil)amino)etilcarbamato (4) e t-butil 2-((2(dietoxifosforil)etil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etil)amino)etilcarbamato (5) 4 A uma solução 5 de t-butil 2-(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1- il)etilamino)etilcarbamate (3) (1,76 g, 6,23 mmol) e 20,40 mmol de (2- bromoetil)fosfonato de dietilo ou (3-bromopropil)fosfonato de dietilo em acetonitrilo (40 mL) foram adicionados K2CO3 (1,37 g; 9,91 mmol) e uma quantidade catalítica de KI. Após refluxo [4: 20 dias, ou 5: 10 dias], as soluções foram filtradas através de Celite, e adicionaram-se H2O e diclorometano ao filtrado. A fase orgânica foi separada, e a fase aquosa foi posteriormente extraída (duas vezes) com diclorometano. As fases orgânicas foram reunidas, secas com MgSO4 anidro e filtradas, e o solvente foi evaporado até se obter um resíduo viscoso. Este resíduo foi purificado por cromatografia em coluna de sílica - gel e o produto foi eluído com um gradiente de 8 – 50 % metanol/acetato de etilo e os compostos foram obtidos na forma de óleos viscosos amarelo pálidos. 4: (0,32 g; 11 %) 1 H RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 5,75 [s, H(4)pz, 1H]; 5,40 (s largo, NH, 1H); 4,13–3,99 (m, CH2, 6H (OEt + CH2); 3,11 (s largo, CH2, 2H); 2,79 (s largo, CH2, 2H); 2,52 (s largo, CH2, 4H); 2,22 (s, CH3, 3H); 2,18 (s, CH3, 3H); 1,62 (m, CH2, 4H); 1,40 (s, CH3 (Boc), 9H); 1,28 (t, CH3 (OEt), 6H). P NMR [CDCl3, δ (ppm)]: 33,1. 31 5: (0,96 g; 35 %). 1 H RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 5,82 [s, H(4)pz, 1H]; 4,05 (m, CH2 (OEt), 6H); 3,03 (t, CH2, 2H); 2,81 (t, CH2, 2H); 2,73 (q, CH2, 2H); 2,54 (t, CH2, 2H); 2,27 (s, CH3, 3H); 162 Capítulo 4 2,16 (s, CH3, 3H); 1,87(m, CH2, 2H); 1,42 (s, CH3 (Boc), 9H); 1,31 (t, CH3 (OEt), 6H). 31P NMR [CD3OD, δ (ppm)]: 32,8. 4.4.1.3. Síntese de 2-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazolo-1il)etil)amino)etilfosfonato de dietilo (L1) O grupo protector Boc foi removido por dissolução do composto 5 (0,41 g; 0,92 mmol) em CF3COOH (3 mL), com agitação durante 1 hora à temperatura ambiente. Após evaporação do solvente, o resíduo foi dissolvido em 30 % de NaOH, e a solução foi extraída com diclorometano (três vezes). As fracções orgânicas foram reunidas e secas com MgSO4 anidro, filtrou-se, e o solvente do filtrado foi evaporado na linha de vazio. O composto foi obtido como um óleo amarelo pálido (0,28 g; 88 %) 1 H RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 5,82 [s, H(4)pz, 1H]; 4,06 (m, CH2, 6H); 2,78 (m, CH2, ( 4H); 2,59 (m, CH2, 2H); 2,52 (m, CH2, 2H); 2,26 (s, CH3, 3H); 2,16 (s, CH3, 3H); 1,92 (m, CH2, 2H); 1,32 (t, CH3, 6H). 31 P RMN [CD3OD, (ppm)]: 32,8. IV (KBr, ν/cm–1): 1553, 1464, 1206 (P=O); 1027, 969, 796. Tempo de retenção (HPLC de fase reversa, RP-HPLC): 9,5 min. 163 Procedimento Experimental 4.4.2. Síntese de Compostos com um Grupo Ácido Fosfónico 4.4.2.1. Síntese de ácido 2-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etil)amino)etilfosfónico (L2) e ácido 3-((2-aminoetil)(2-(3,5dimetil-1H-pirazol-1-il)etil)amino)propilfosfónico (L3) L2 L3 A uma solução de 5 (0,21 g; 0,48 mmol) ou 4 (0,10 g, 0,22 mmol) em diclorometano seco (2 - 3 ml) a 0 ᵒC foi adicionado brometo de trimetilsilano (5: 0,5 mL; 3,6 mmol ou 4: 0,25 ml; 1,8 mmol). Após agitação à temperatura ambiente durante 72 horas, as misturas reaccionais foram evaporadas e adicionaram-se metanol e H2O aos resíduos. Após agitação durante 1,5 horas, o solvente foi removido por evaporação. Os óleos obtidos foram lavados com diclorometano e os compostos pretendidos foram obtidos na forma de sólidos brancos. L2: (0,11 g; 50 %) 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 6,03 [s, H(4)pz, 1H]; 4,35 (s largo, CH2, 2H); 3,37 (s largo, CH2, 2H); 3,19 (m, CH2, 6H); 2,19 (s, CH3, 3H); 2,12 (s, CH3, 3H); 1,86 (m, CH2, 2H). C RMN [D2O, δ (ppm)]: 150,9 [C(3/5)pz]; 146,1 [C(3/5)pz]; 109,5 [C(4)pz]; 55,5 13 (CH2); 52,3 (CH2); 45,9 (CH2); 37,7 (CH2); 26,8 (CH2); 25,1 (CH2); 14,2 (CH3); 12,7 (CH3). P RMN [D2O, δ (ppm)]: 20,3. 31 Análise de C,H,N (%) para C11H23N4O3P.2HBr: Calculada: C, 29,22; H, 5,57; N, 12,39. Experimental: C; 29,42; H; 5,40; N; 12,28. Tempo de retenção (RP-HPLC): 8,0 min (Nucleosil 100-10 C18; 1 mL/min; Eluentes: A - solução aquosa de TFA 0,1 %; B - CH3CN). IV (KBr, ν/cm–1): 1634, 1629, 1473, 1384, 1258, 1136 (P = O), 1059 (P – OH). 164 Capítulo 4 L3: (47 mg; 46 %) 1 H RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 6,07 [s, H(4)pz, 1H]; 4,53 (t, JHH = 6,2 MHz, CH2, 2H); 3,66 (t, JHH = 6,3 MHz, CH2, 2H); 3,56 (m, CH2, 2H); 3,45 (m, CH2, 2H); 3,38 (t, JHH = 7,5 MHz, CH2, 2H); 2,38 (s, CH3, 3H); 2,28 (s, CH3, 3H); 2,06 (m, CH2, 2H); 1,82 (m, CH2, 2H). P RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 20,6. 31 4.4.3. Síntese de Compostos com o Grupo Bisfosfonato 4.4.3.1. Síntese de éster 1-aminometileno-1,1-bisfosfonato de tetraetilo (AMDP) [122, 123] AMDP A. Síntese do éster N,N – dibenzilamino-1,1-metilenobisfosfonato de tetraetilo (6): Num balão de duas tubuladuras, em atmosfera de azoto, adicionou-se trietilortoformato (36 mmol; 6,1 ml), dietilfosfito (93 mmol; 12,3 ml) e dibenzilamina (30 mmol; 6 ml). A mistura reaccional permanece em refluxo durante 5 horas. O etanol que se forma durante a reacção remove-se por destilação e, a mistura reaccional permanece em refluxo durante a noite. No dia seguinte, a mistura foi arrefecida em banho de gelo e adicionou-se 300 ml de CH2Cl2. A solução resultante foi lavada, primeiro com uma solução de NaOH 2M (3 x 60 ml) e, depois com uma solução saturada de NaCl (2 x 75 ml). A fracção orgânica resultante foi seca com Na2SO4, filtrada e o solvente foi removido por evaporação. O resíduo resultante foi purificado por cromatografia em coluna de sílica gel e eluído com gradiente (100 – 0 %) de n-hexano/etanol. O produto foi obtido na forma de óleo (6,2 g; 43 %). 165 Procedimento Experimental 1 H RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 7,26 (m, 10 H, 2 x C6H5-CH2); 4,10 [m, 8H (OEt) + 4H (C6H5-CH2)]; 3,54 (t, 1H, N-CH-P, 2JPH = 25 Hz); 1,32 (m, 12 H, OEt). P RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 20,54. 31 B. Síntese do éster 1-aminometileno-1,1-bisfosfonato de tetraetilo (AMDP): Dissolveram-se 200 mg (0,207 mmol) de 6 em 10 ml de etanol. De seguida, adicionaram-se 0,053 g de Pd/C. Esta mistura permaneceu em agitação e em refluxo em atmosfera de azoto durante 24 horas. A suspensão foi arrefecida à temperatura ambiente, filtrada e o catalizador foi lavado com etanol. A solução de lavagem foi adicionada ao filtrado. O solvente foi removido por evaporação e o AMDP foi obtido como um óleo castanho claro (124 mg; 99 %). 1 H RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 4,19 (m, 8H, OEt); 3,43 (t, 1H, N-CH-P, 2JPH = 20,7); 2,25 (s largo, 2H, H2N-CH-P); 1,27 (m, 12 H, OEt). P RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 20,63. 31 4.4.3.2. Síntese de 7-(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1-il)etil)-13,13-dimetil3,11-dioxo-12-oxa-2,7,10-triazatetradecano-1,1-diilbisfosfonato de tetraetilo (8) O g e H(4)pz N a N P O d N b N H f O OEt h P OEt OEt OEt NH c O O A uma solução de ácido 4-((2-(t-butoxicarbonilamino)etil)(2-(3,5-dimetil-1Hpirazol-1-il)etil)amino)butanóico (7) (0,100 g; 0,27 mmol) e 1-hidroxibenzotriazolo (HOBt: 0,036 g; 0,27 mmol) em acetonitrilo (20 mL) a 0–5 ᵒC foi adicionada N,N’diciclohexilcarbodiimida (DCC: 0,055 g; 0,27 mmol), e a mistura foi agitada durante 30 min. Após adição de 1-amino-1,1-metilenodifosfonato de tetraetilo (0,082 g; 0,27 mmol) dissolvido em acetonitrilo (aproximadamente 1 mL), a agitação manteve-se 166 Capítulo 4 durante a noite à temperatura ambiente. A DCU que precipitou foi removida por filtração através de celite, e o filtrado foi evaporado. O resíduo obtido foi purificado por cromatografia em coluna de sílica - gel, o produto foi eluído com um gradiente de 2,5 – 15 % etanol/diclorometano e o composto foi obtido na forma de óleo viscoso amarelado (0,10 g, 58%). 1 H RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 8,73 (d largo, NH, 1H, 3JHH = 9.0); 5,82 [s, H(4)pz, 1H]; 5,19 (td, P–CH–P, 1H, 2JPH = 22,2, 3JHH = 10,2); 4,69 (s largo, NH, 1H); 4,24 – 4,00 (m, CH2, 10H); 2,86 (q largo, CH2, 2H); 2,64 (t largo, CH2, 2H); 2,45 (t largo, CH2, 2H); 2,38 (m, CH2, 4H); 2,23 (s, CH3, 3H); 2,21 (s, CH3, 3H); 1,71 (m, CH2, 2H); 1,38 (s, CH3, 9H); 1,26 (m, CH2, 12H). P RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 17,5. 31 4.4.3.3. Síntese de ácido (4-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etil)amino)butanamido)metilenobisfosfónico (L4) O O g H(4)pz N a N d N b N H f e c OH h P OH OH P OH O NH2 A uma solução do composto 8 (0,068 g; 0,104 mmol) em diclorometano seco (5 mL) a 0 ᵒC foi adicionado gota-a-gota brometo de trimetilsilano (1,5 mL; 11 mmol). A mistura atingiu a temperatura ambiente a foi agitada durante 72 horas. O solvente foi evaporado, e adicionou-se metanol (15 ml) ao resíduo. Após agitação durante 1,5 horas, o metanol foi removido por evaporação e o resíduo foi purificado por precipitação em metanol e adição de éter etílico. O precipitado foi separado por centrifugação, lavado com éter etílico e seco na linha de vazio obtendo-se o composto L4 como sólido branco (0,046 g; 73 %). 167 Procedimento Experimental 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 6,07 [s, H(4)pz, 1H]; 4,38 (t, CH, 1H); 3,68–3,07 (m largo, CH2, 10H); 2,38 (s largo, CH2, 2H); 2,20 (s, CH3, 3H); 2,15 (s, CH3, 3H); 1,94 (s largo, CH2, 2H). C RMN [D2O, δ (ppm)]: 175,9 (COOH); 150,1 [C(3/5)pz]; 147,6 [C(3/5)pz]; 13 109,8 [C(4)pz]; 55,5 (CH2); 53,5 (CH2); 49,7 (CH2); 47,9 (CH); 44,4 (CH2); 37,6 (CH2); 34,6 (CH2); 21,6 (CH2); 13,1 (CH3); 12,4 (CH3). P RMN [D2O, δ (ppm)]: 13,7. 31 Análise de C,H,N (%) para C14H29N5O7P2.2HBr: Calculada: C, 27,88; H, 5,18; N, 11,61. Experimental: C, 28,25; H, 5,13; N, 11,25. IV (KBr, ν/cm–1): 1647 (C=O), 1527, 1154 (P=O), 1064, 915. 4.4.3.4. Síntese de pamidronato (PAM) e alendronato (ALN) [124]: Pamidronato Alendronato Num balão de 250 mL de 3 tubuladuras equipado com um condensador de refluxo e uma ampola de adição, sob atmosfera de azoto, adicionaram-se 4g (38,8 mmol) de ácido 4-aminobutírico, 3,2 g (38,8 mmol) de H3PO3 e 16 mL de ácido metanosulfónico. A mistura foi aquecida a 65 ᵒC durante alguns minutos e adicionouse PCl3 gota-a-gota durante aproximadamente 30 min. A mistura manteve-se a 65 ᵒC durante a noite. No dia seguinte a mistura arrefeceu até à temperature ambiente. Adicionaramse 40 ml de H2O arrefecida a 0 – 5 ᵒC, com agitação vigorosa. Adicionaram-se mais 20 ml de H2O destilada e refluxou-se durante 5 h. Ao fim desse tempo arrefeceu-se a mistura reaccional até à temperatura ambiente e ajustou-se o pH até 4-5 com adição de uma solução aquosa de NaOH (50%). A mistura reaccional ficou durante a noite no 168 Capítulo 4 congelador, e no dia seguinte separou-se o composto sob a forma de precipitado branco lavado com 2x10 ml de H2O e 20 ml de etanol. Pamidronato (pH = 4 – 5): (5,63 g, η= 50 %) 1 H - RMN (D2O, δ (ppm)): 3,18 [t, CH2a, 2H], 2,14 (m, CH2b, 2H). P - RMN (D2O, δ (ppm)): 17,52. 31 C – RMN (D2O, δ (ppm): 72,3 (t, JC-P = 148 Hz, Cc), 36,70 (t, JC-P = 8 Hz, Cb), 13 30,69 (s, Ca). Análise elementar C,H,N (%) para C3H10NNaO7P2.1H2O: Calculada: C 13,10 %; H 4,40 %; N 5,09 %. Experimental: C 13,70 %; H 4,75 %; N 5,31 %. Alendronato (pH = 4 – 5): (11,00 g, η= 87 %) 1 H - RMN (D2O, δ (ppm)): 2,88 [s largo, CH2a, 2H], 1,85 (s largo, CH2b, CH2c, 4H). P - RMN (D2O, δ (ppm)): 18.14. 31 C – RMN (D2O, δ (ppm): 75,5 (Cd-OH, t, JC-P = 135 Hz), 41,9 (s, CH2a), 32,5 (s, 13 CH2b), 24,2 (t, JC-P = 7 Hz, CH2c-COH). Análise elementar C,H,N (%) para C4H10NNa3O7P2.4H2O: Calculada: C 14,78 %; H 5,58 %; N 4,31 %. Experimental: C 14,79 %; H 7,23 %; N 4,50 %. 169 Procedimento Experimental 4.4.3.5. Síntese de ácido 8-(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1-il)etil)-16-hidroxi2,2-dimetil-4,12-dioxo-3-oxa-5,8,13-triazahexadecane-16,16diilbisfosfónico (10) A uma solução de ácido 4-((2-(t-butoxicarbonilamino)etil)(2-(3,5-dimetil-1Hpirazol-1-il)etil)amino)butanóico (7) (0,200 g; 0,54 mmol) e N-hidroxisuccinimida (NHS) (0,075 g; 0,65 mmol) em diclorometano seco (4 mL) foi adicionada gota – a – gota N,N’-diciclohexilcarbodiimida (DCC; 0,134 g; 0,65 mmol) à temperatura ambiente, e a mistura reaccional foi agitada durante 5 horas. A N,N’-diciclohexilureia (DCU) que precipitou foi removida por filtração e o solvente do filtrado evaporado. O resíduo obtido foi dissolvido em acetonitrilo (3,5 ml) e usado na reacção seguinte sem mais purificação. A solução de acetonitrilo foi adicionada gota – a – gota a uma solução de PAM (0,209 g; 0,82 mmol) em água (150 µl) e trietilamina (3,5 ml). A mistura reaccional foi agitada à temperatura ambiente e após 24 horas, o PAM que não reagiu foi separado por centrifugação. O solvente do sobrenadante foi evaporado e o resíduo foi purificado por cromatografia em coluna de sílica - gel, o produto foi eluído com CH2Cl2, gradiente de 10 – 100 % metanol/CHCl3 e gradiente de 25 – 100 % amónia aquosa/metanol para remoção de reagentes de partida e DCU. O composto 10 foi obtido na forma de óleo viscoso incolor (0,070 g, 22 %). 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 5,82 [s, H(4)pz, 1H]; 4,07 (s br, CH2, 2H); 3,32 (t, CH2, 2H); 3,12 (m, CH2, 2H); 2,76 (m sobreposto, CH2, 4H); 2,24 (m, CH2, 2H); 2,11 (m sobreposto, CH2 e CH3, 5H); 2,02 (m sobreposto, CH2 e CH3, 5H); 1,69 (m, CH2, 2H); 1,25 (s, CH3, 9H). P RMN [D2O, δ (ppm)]: 18,3. 31 170 Capítulo 4 4.4.3.6. Síntese de ácido 3-(4-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etil)amino)butanamido)-1-hidroxipropane-1,1-diilbisfosfónico (L5) Uma solução do composto 10 (0,070 g; 0,12 mmol) em CF3COOH (2 mL) foi agitada durante 1 hora à temperatura ambiente. Após evaporação do solvente, o resíduo foi dissolvido em água (1 ml) e purificado por cromatografia utilizando uma resina de troca catiónica fortemente acídica (Dowex 50 × 4, a eluição foi efectuada com água, seguida de uma solução aquosa com 10% de piridina). Após evaporação dos solventes, o resíduo obtido foi dissolvido em água e purificado por cromatografia com uma resina de troca catiónica fracamente acídica (Amberlite CG50, a eluição foi efectuada com água) para remover a piridina. O produto L5 foi obtido na forma de óleo incolor (0,0176 g, 30 %). 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 5,88 [s, H(4)pz, 1H]; 4,21 (t, CH2a, 2H); 3,34 (m sobreposto, CH2b e CH2h, 4H); 3,19 (m sobreposto, CH2c e CH2d, 4H); 2,92 (t, CH2g, 2H); 2,19 (t, CH2e, 2H); 2,14 (s, CH3pz, 3H); 2,04 (s, CH3 pz, 3H); 1,99 (m, CH2i, 2H); 1,76 (m, CH2f, 2H). C RMN [D2O, δ (ppm)]: 176,5 (C=O); 151,6 [C(3/5)pz]; 144,1 [C(3/5)pz]; 108,2 13 [C(4)pz]; 74,85 (Cj); 55,30 (Cg); 54,34 (Cb); 52,07 (Cc); 45,13 (Ca); 37,48 (Ch); 36,79 (Cd); 34,74 (Ce + Ci); 22,0 (Cf); 14,2 (CH3pz); 12,0 (CH3pz). P RMN [D2O, δ (ppm)]: 18,2. 31 ESI-MS [+]: valor calculado para C16H34N5O8P2 [M + H]+ 486,2; valor experimental 486,0. Valor calculado para C16H33N5NaO8P2 [M + Na]+ 508,2; valor experimental 507,9. Valor calculado para C16H33N5KO8P2 [M + K]+ 524,2; 171 Procedimento Experimental valor experimental 523,9. ESI-MS [-]: valor calculado para C16H32N5O8P2 [M - H]484,2; valor experimental 484,1. 4.4.3.7. Síntese de ácido 8-(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1-il)etil)-17-hidroxi2,2-dimetil-4,12-dioxo-3-oxa-5,8,13-triazaheptadecano-17,17diilbisfosfónico (11) Uma solução de ALN (0,092 g; 0,283 mmol) e 4-metilmorfolina (NMM; 190 µl; 1,74 mmol) em H2O (5 mL) foi adicionada gota – a – gota a uma solução de ácido 4-((2(t-butoxicarbonilamino)etil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1-il)etil)amino)butanóico (7) (0,064 g; 0,174 mmol), 1-Hidroxibenzotriazolo hidratado (HOBt; 0,070 g; 0,521 mmol) e O-Benzotriazol-N,N,N’,N’-tetrametiluronio-hexafluoro fosfato (HBTU; 0,198 g; 0,521 mmol) em N,N-dimetilformamida (5 mL). O pH final foi ajustado até 8 com adição de NMM (95 µl; 0,87 mmol). A mistura reaccional foi agitada à temperature ambiente durante 5 dias e no final separou-se por centrifugação o Alendronato livre na forma de um sólido branco. O solvente do sobrenadante foi evaporado na linha de vazio e o resíduo foi dissolvido em H2O (2 mL), precipitando material de partida em excesso (HOBt/HBTU) na forma de cristais finos. O precipitado foi separado por filtração e o filtrado foi purificado utilizando um cartucho Sep – Pak C18 (Waters, 12 cc, 2 g) pré – condicionado com metanol e água. Após a lavagem do cartucho com água, o composto 11 e algum material de partida foram eluídos com 50 % de metanol/água. Depois de remover o solvente, o resíduo obtido foi posteriormente purificado numa coluna de sílica gel e eluido com a) diclorometano, b) gradiente de 10 – 100 % metanol/clorofórmio e c) gradiente de 25 – 100 % solução aquosa de amónia concentrada/metanol, obtendo-se o composto 11 na forma de óleo incolor (0,012 g; 12 %). 172 Capítulo 4 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 5,84 [s, H(4)pz, 1H]; 4,07 (t, CH2a, 2H); 3,09 (m sobreposto, CH2, 6H); 2,78 (t, CH2, 2H); 2,68 (t, CH2g, 2H); 2,14 (m sobreposto, CH2e + CH3, 5H); 2,04 (s, CH3pz, 3H); 1,74 (m sobreposto, CH2, 6H); 1,28 (s, CH3 (BOC), 9H). 31 P RMN [D2O, δ (ppm)]: 18,6. C RMN [D2O, δ (ppm)]: 177,4 (C=O); 160,08 (C=O, BOC); 151,2 [C(3/5)pz]; 13 143,7 [C(3/5)pz]; 107,4 [C(4)pz]; 83,2 (C - OH); 54,5 (sinais sobrepostos CH2c, CH2d, CH2g); 46,1 (CH2a); 42,2 (CH2); 38,7 (CH2); 35,0 (CH2e); 33,3 (CH2); 29,6 (CH3, BOC); 25,5 (CH2); 23,3(CH2); 14,2 (CH3pz); 12,1 (CH3pz). 4.4.3.8. Síntese de ácido 4-(4-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etil)amino)butanamido)-1-hidroxibutano-1,1-bisfosfónico (L6) Uma solução do composto intermediário 11 (0,012 g; 0,020 mmol) em CF3COOH (2 mL) foi agitada à temperatura ambiente durante 1 hora. De seguida, o solvente foi evaporado e o resíduo resultante foi dissolvido em água (5 mL) e neutralizado com NaOH 0,1 M. O volume da solução obtida foi concentrado até 1 mL e purificado num cartucho Sep Pak C18 (Waters, 12 cc, 2 g) pré-condicionado. Os primeiros 2 mL eluídos, contendo principalmente sais de CF3COONa, foram eliminados, e o composto L6 foi eluído com H2O (4 mL) (0,004 g; 40 %). 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 5,79 [s, H(4)pz, 1H]; 3,92 (t, CH2a, 2H); 3,04 (m, CH2, 2H); 2,72 (m sobreposto, CH2, 4H); 2,51 (m, CH2, 2H); 2,36 (m, CH2, 2H); 2,11 (s, CH3pz, 3H); 2,01 (m sobreposto, CH2e + CH3, 5H); 1,66 (m sobreposto, CH2, 6H). 31 P RMN [D2O, δ (ppm)]: 18,3. 173 Procedimento Experimental ESI-MS [-] m/z: valor calculado para C17H35N5O8P2 [M]- 499,2; valor observado 499,3. Valor calculado para C17H33N5O8P2 [M - 2H]2- 448,6; valor observado 449,1. Valor calculado para C17H34N5NaO8P2 [M - H + Na]- 521,2, valor observado 521,3. 4.4.4. Síntese de Derivados do Ácido Glutâmico e da β-alanina 4.4.4.1. Síntese de ácido 5-(benziloxi)-2-ftalimida-5-oxopentanóico (13) O ácido 2-amino-5-(benziloxi)-5-oxopentanoico (12: 1,64 g; 6,9 mmol) e o reagente N-(etoxicarbonil)ftalimida (1,515 g; 6,9 mmol) foram suspendidos em acetonitrilo seco e em atmosfera de azoto, na presença de NaHCO3 (0,697 g; 8,3 mmol). A mistura reaccional permaneceu em agitação e em refluxo durante 18 h. A mistura reaccional foi evaporada e o resíduo foi purifacado por cromatografia em coluna de sílica gel, com um gradiente de 5 - 10 % de metanol/clorofórmio. O composto 13 foi obtido na forma de óleo incolor (1,73 g; 68 %). 1 H RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 7,66 (s largo, Ftalimida, 2H); 7,51 (s largo, Ftalimida, 2H); 7,23 (s largo, C6H5, 5H); 4,91 (s largo, CH2f); 4,07 (s largo, CHb, 1H); 2,34 (m, CH2c + CH2d, 4H). 1 H RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 7,79 (m, Ftalimida, 4H); 7,30 (s largo, C6H5, 5H); 4,97 (s, CH2f, 2H); 4,73 (q, CHb, 1H); 2,49 (m, CH2c + CH2d, 4H). C RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 175,56 (Ca); 174,31 (Ce); 169,68 (Ck); 137,40 (Cg); 13 135,48 (Cn); 133,31 (Cm); 129,49; 128,14 (Ch + Ci + Cj); 124,22 (Cl); 67,35 (Cf); 54,14 (Cb); 32,35 (Cd); 25,67 (Cc). IV (KBr, ν/cm–1): 2021, 1900, 1714, 1609, 1390, 1172, 1114, 722. ESI- MS m/z (-): valor calculado para C20H17NO6 [M-H]- 366,1; valor observado 365,9. 174 Capítulo 4 4.4.4.2. Síntese de 5,5-bis(dietoxifosforil)-4-ftalimida-5hidroxipentanoato de benzilo (16) [165] Uma mistura do composto 13 (0,095; 1,20 mmol) em SOCl2 (9 ml; 0,12 mol) foi agitada à temperatura ambiente durante 18 h. O excesso do SOCl2 foi evaporado na linha de vazio, adicionou-se tolueno seco e o solvente foi evaporado a pressão reduzida. O produto foi utilizado na reacção seguinte sem mais purificação. O rendimento foi quantitativo com base na análise por RMN. (14): 1H RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 7,88 (m, Ftalimida, 2H); 7,80 (m, Ftalimida, 2H); 7,34 (m, C6H5, 5H); 5,15 (q, CHα, 1H); 5,05 (s, CH2-C6H5, 2H); 2,67 (m, CH2, 1H); 2,64 (m, CH2, 1H); 2,43 (m, CH2, 2H). C RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 171,50 (Ca); 171,20 (Ce); 166,82 (Ck); 135,43 (Cg); 13 134,74 (Cn); 131,41 (Cm); 128,59; 128,39; 128,35 (Ch + Ci + Cj); 124,04 (Cl); 66,76 (Cf); 59,39 (Cb); 30,25 (Cd); 24,30 (Cc). Adicionou-se trietilfosfito (206 µl; 1,2 mmol) a uma solução arrefecida em banho de gelo do composto 14 em tolueno seco (ca. 1 ml) e em atmosfera de azoto, mantendo a mistura arrefecida a 0 °C. Após duas horas de reacção adiciona-se dietilfosfito (0,15 ml; 1,2 mmol) e adiciona-se gota-a-gota trietilamina (168 µl; 1,2 mmol), mantendo a mistura arrefecida em banho de gelo. Depois de 3 h, o tolueno foi evaporado na linha de vazio. O bisfosfonato pretendido foi purificado por cromatografia em coluna de sílica gel, com gradiente de 0 - 3 % metanol/clorofórmio, seguida de cromatografia por RP-HPLC em coluna semi-preparativa, utilizando um sistema isocrático, 55 % A; 45 % B; A - solução aquosa com 0,1 % de ácido fórmico; B solução de 0,1 % de ácido fórmico em acetonitrilo (299 mg; 40 %). 175 Procedimento Experimental Bisfosfonato (16): 1 H RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 7,80 (m, Ftalimida, 2H); 7,70 (m, Ftalimida, 2H); 7,27 (m, C6H5, 5H); 5,53 (d, 3JPH = 28 Hz, C-OH, 1H); 4,94 (m sobrepostos, CHb + CH2f, 3H); 4,30 (m, CH2 (OEt), 4H); 4,14 (m, CH2 (OEt), 2H); 4,97 (m, CH2 (OEt), 2H); 2,93 (m, CHc, 1H); 2,55 (m, CHc, 1H); 2,31 (m, CHd, 2H); 1,36 (t, CH3 (OEt), 6H); 1,16 (m, CH3 (OEt), 6H). 31 P RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 17,44 (d, J = 14,5 Hz); 16,91 (d, J = 14,5). C RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 172,11 e 171,85 (Ca + Ce); 166,75 (Ck); 135,65 (Cg); 13 134,34 (Cn); 131,76 (Cm); 128,45; 128,20; 128,15 (Ch + Ci + Cj); 123,61 (Cl); 66,34 (Cf); 64,30 [2 x CH2 (OEt), J=7 Hz]; 64,05 [CH2 (OEt), J=7 Hz]; 64,33 [CH2 (OEt), J = 7 Hz]; 54,08 (Cb, J = 8 Hz); 31,40 (Cd); 22,38 (Cc, J = 7 Hz); 16,40 [m sobrepostos 3xCH3 (OEt)]; 16,05 [d, CH3 (OEt), J = 6 Hz]. Fosfato-fosfonato (17): 1 H RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 7,81 (m, Ftalimida, 2H); 7,68 (m, Ftalimida, 2H); 7,28 (m, C6H5, 5H); 5,21 (m, CHa, 1H); 4,98 (s, CH2f, 2H); 4,65 (m, CHb, 1H); 4,23 (m, CH2 (OEt), 4H); 4,16 (m, CH2 (OEt), 2H); 3,74 (m, CH2 (OEt), 2H); 2,51 (m, CH2d, 2H); 2,31 (t, CH2d, 2H); 1,35 (t, CH3 (OEt), 6H); 1,19 (t, CH3 (OEt), 3H); 0,9 (t, CH3 (OEt), 3H). 31 P RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 17,25 (d, J = 15,8 Hz); -0,891 (d, J = 15,9). C RMN [CDCl3, δ (ppm)]: 171,84 (Ca + Ce); 168,15 (Ck); 135,65 (Cg); 133,97 (Cn); 13 131,92 (Cm); 128,50; 128,28; 128,20 (Ch + Ci + Cj); 123,22 (Cl); 66,45 (Cf); 64,24 [m, 2 x CH2 (OEt)]; 63,64 [m, 2 x CH2 (OEt)]; 51,87 (m, Cb); 31,07 (Cd); 22,92 (Cc); 16,32 [m sobrepostos 2xCH3 (OEt)]; 15,92 [d, CH3 (OEt), J = 7 Hz]; 15,53 [d, CH3 (OEt), J = 7 Hz]. 176 Capítulo 4 4.4.4.3. Síntese de ácido 4-amino-5-hidroxi-5,5-bisfosfonopentanoico (18) O composto 16 (80 mg; 0,13 mmol) foi suspendido em HCl 6N e refluxado durante 18 h. O ácido ftálico que precipita foi removido por filtração. O solvente do filtrado foi evaporado e foi dissolvido numa pequena quantidade de água. Foi adicionada a esta solução uma solução aquosa de NaOH 5N, até atingir o pH próximo de 4. O composto foi obtido impuro, na presença dos compostos 19 e 20 (esquema 2.13). ESI-MS [-] m/z: valor calculado para C5H13NO8P2 [M-H]- 292,0; valor observado 291,9. 4.4.4.4. Síntese de ácido 12-(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1-il)etil)-18,18dimetil-3,8,16-trioxo-1-fenil-2,17-dioxo-7,12,15triazanonadecano-6-carboxílico (21) Dissolveu-se o ácido 4-((2-(t-butoxicarbonilamino)etil)(2-(3,5-dimetil-1H- pirazol-1-il)etil)amino)butanoico (7: 0,092 g; 0,25 mmol) e N-hidroxisuccinimida (NHS: 0,029 g; 0,25 mmol) em diclorometano seco (5 ml) e adicionou-se gota-a-gota uma solução de N,N’-Diciclohexilcarbodiimida (DCC: 0,062 g; 0,30 mmol) em diclorometano seco (1 ml). A mistura reagiu com agitação à temperatura ambiente, durante 18 h. A DCU que precipitou foi removida por filtração e o solvente do filtrado evaporado. O resíduo obtido foi dissolvido em N,N-dimetilformamida (3 ml) e usado na reacção seguinte sem mais purificação. Esta solução foi adicionada gota – a – gota a uma 177 Procedimento Experimental suspensão arrefecida de ácido 2-amino-5-(benziloxi)-5-oxopentanoico (0,113 g; 0,475 mmol) previamente suspendido numa mistura de DMF (6 ml), H2O (2 ml) e trietilamina (73 µl). Após 24 horas esta mistura reaccional estava quase totalmente solúvel. O solvente da mistura foi evaporado a pressão reduzida e o resíduo foi purificado por cromatografia em coluna de sílica - gel, através da eluição com um gradiente de 5 - 50 % de metanol/diclorometano (0,110 g; 75 %). 1 H RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 7,31 (m, C6H5, 5H); 5,80 [s, H(4)pz, 1H]; 5,08 (CH2n, 2H); 4,27 (q, CH2i, 1H); 4,02 (t, CH2a, 2H); 3,03 (t, CH2d, 4H); 2,81 (t, CH2b, 2H); 2,53 (m, CH2c + CH2g, 4H); 2,42 (t, CH2l, 2H); 2,19 (m sobreposto, CH2e + CHk, 3H); 2,24 (s, CH3pz, 3H); 2,14 (s, CH3 pz, 3H); 1,96 (m, CHk, 1H); 1,69 (m, CH2f, 2H); 1,40 (s, CH3, 9H). C RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 178,5; 175,4 (Cj + Ch); 174,6 (Cm); 158,3 (C = O, 13 Boc); 148,7 [C(3/5)pz]; 141,4 [C(3/5)pz]; 137,6 (Co); 129,5; 129,2; 129,1 (Cp + Cq + Cr); 106,1 [C(4)pz]; 80,1 [C(Boc)]; 67,3 (Cn); 55,2 (Cb); 54,9 (Cc); 54,6 (Cg); 54,6 (Ci); 47,5 (Ca); 39,3 (Cd); 34,4 (Ce); 31,8 (Cl); 28,9 (Ck); 28,8 [CH3(Boc)]; 24,2 (Cf); 13,3 (CH3pz); 11,2 (CH3pz). 4.4.4.5. Síntese de 3-amino-1-hidroxypropano-1,1-diilbisfosfonato de tetrametilo (Me-PAM) Após a dissolução de β-alanina (0,294 g; 3,3 mmol) numa solução aquosa de ácido clorídrico 1N a solução permaneceu em agitação durante 2h. O solvente foi evaporado, o resíduo foi dissolvido em tolueno seco e voltou-se a evaporar o solvente. Este procedimento repetiu-se três vezes para remover o excesso de ácido e água. O produto obtido (22) foi utilizado na reacção seguinte sem mais purificação. (22): 1H RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 3,18 (t, CH2, 2H); 2,72 (t, CH2, 2H). 178 Capítulo 4 O produto obtido anteriormente foi dissolvido em tolueno (4 ml) e adicionou-se SOCl2 (1,5 ml; 0,020 mol). A mistura foi agitada com aquecimento a 50 °C, durante 24 h. O excesso do SOCl2 e o solvente foram evaporados na linha de vazio, adicionou-se tolueno seco e o solvente foi evaporado novamente a pressão reduzida. O produto obtido (23) foi utilizado na reacção seguinte sem mais purificação. Adicionou-se trimetilfosfito (870 µl; 7,4 mmol) a uma solução arrefecida em banho de gelo do composto 23 em tolueno seco (ca. 2 ml) e em atmosfera de azoto, mantendo a mistura arrefecida a 0 °C. Após duas 30 min de reacção adiciona-se dimetilfosfito (676 µl; 7,4 mmol), mantendo a mistura arrefecida em banho de gelo. Depois de 30 min, o tolueno foi evaporado na linha de vazio. O bisfosfonato pretendido foi obtido após purificação por cromatografia em coluna de sílica gel e eluição com uma mistura de acetato de etilo: n-butanol: i-propanol: H2O: ácido acético a) 4:1:1:1:0,3 e b)4:1,1:0,9:2:1,1. O Me-PAM foi obtido na forma de óleo, com ácido acético em contra-ião, de acordo com a análise de RMN (0,464 g, 40 %). 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 3,76 (m, CH3, 12H); 3,15 (t, CH2, 2H); 2,24 (m, CH2, 2H); 1,86 (s, CH3 (ácido acético), 3H). 31 P RMN [D2O, δ (ppm)]: 21,69. C RMN [D2O, δ (ppm)]: 180,44 [C=O (CH3COO-)]; 74,73 (C-OH, J = 157,5 Hz); 13 57,07 (m, 4 x C(OCH3); 36,94 (CH2); 32,60 (CH2); 23,48 [CH3 (CH3COO-)]. 4.4.4.6. Síntese de ácido 4-(5-(benziloxi)-2-(terc-butoxicarbonilamino)-5oxopentanamido)-1-hidroxibutano-1,1-diilbisfosfónico (24) A uma solução de (ácido 5-(benziloxi)-2-(terc-butoxicarbonilamino)-5- oxopentanoico) (OBz-Glu-Boc: 0,200 g; 0,592 mmol) e tetrafluorofenol (TFF: 0,216 g; 1,30 mmol) em diclorometano seco (10 mL) a 0 – 5 ᵒC foi adicionada gota-a-gota uma solução de DCC (0,270 g; 1,30 mmol) previamente dissolvida em 5 ml de diclorometano. 179 Procedimento Experimental Após alguns minutos a mistura reaccional começa a turvar devido à precipitação de DCU. A mistura fica em agitação à temperatura ambiente durante 14 h. A DCU é removida por filtração e o filtrado seca-se e dissolve-se novamente em acetato de etilo para a precipitação de mais DCU. A suspensão filtra-se, o filtrado secase na linha de vazio e o éster activado obtido utiliza-se na próxima reacção sem mais purificação. O resíduo obtido foi dissolvido em acetonitrilo (20 ml), filtrado para eliminar a DCU residual e adicionado a uma mistura de alendronato, na forma de sal de trisódio tetrahidratado (ALN; 0,156 g; 0,592 mmol) e trietilamina (NEt3: 0,414 ml, 2,96 mmol, 5 eq.) em 16 mL de tampão borato (pH 9,4). A mistura reaccional ficou em suspensão e adicionaram-se mais 100 µl de NEt3 que facilitou ligeiramente a dissolução do alendronato. O pH final era próximo de 10. A reacção decorreu com agitação à temperatura ambiente e após 3 dias o solvente da mistura foi evaporado na linha de vazio. O resíduo foi extraído com H2O e, após remoção do solvente do sobrenadante, na linha de vazio, o resíduo foi lavado com clorofórmio para remover uma parte do trietilamónio. O resíduo obtido após lavagem foi seco e dissolvido em 10 ml de água. A purificação fez-se utilizando cartuchos Sep-Pak C18 (Waters, 12 cc, 2 g), por aplicação de 2 ml da solução anterior, lavagem do cartucho com 20 ml de H2O extracção com uma solução de 25% de metanol/H2O (20 ml). Após repetição deste procedimento cinco vezes obteve-se o composto 24 puro (0,215 g; 64 %). (0,215 g; 64 %). 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 7,27 (m, C6H5, 5H); 4,99 (s, CH2j, 2H); 3,83 (m, CHf, 1H); 3,06 (m, CH2d, 2H); 2,35 (t, CH2h, 2H); 1,96 (m, CHg, 1H); 1,72 (m sobreposto, CH2c +CH2b + CHg, 5H); 1,25 (s, CH3 (Boc), 9H). 31 P RMN [D2O, δ (ppm)]: 18,63. C RMN [D2O, δ (ppm)]: 176,9; 176,1 (Ce + Ci); 159,3 (C = O, Boc); 137,5 (Ck); 13 130,9; 130,6; 130,3 (Cl + Cm + Cn); 83,5 [C(Boc)]; 75,8 (t, JCP = 131 Hz, Ca); 69,1 (Cj); 56,1 (Cf); 42,2 (Cd); 33,2 (Cc); 32,4 (Ch); 29,6 [CH3(Boc)]; 28,6 (Cg); 25,6 (t, JCP = 7 Hz, Cb). 180 Capítulo 4 4.4.4.7. Síntese de ácido 4-(5-(benziloxi)-2-(terc-butoxicarbonilamino)-5oxopentanamido)-1-hidroxibutano-1,1-diilbisfosfónico (25) Após dissolução do composto 24 (0,030 g; 53 µmol) em água, adicionou-se uma solução aquosa de NaOH 1N até atingir o pH 11-12. A mistura permanece em agitação à temperatura ambiente durante 30 min. O solvente da mistura reaccional foi concentrado até 1 ml e a solução foi aplicada num cartucho Sep-Pak C18 (Waters, 0,85 cc/360 mg) para remover os sais. O produto obtido foi utilizado na reacção seguinte sem mais purificação. O rendimento foi quantitativo com base na análise por RMN. 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 3,78 (m largo, CH2f, 1H); 3,07 (m largo, CHd, 2H); 2,09 (m largo, CH2h, 2H); 1,7 (m largo, CH2c + CH2b + CH2g, 6H); 1,26 (s, CH3 (Boc), 9H). 31 P RMN [D2O, δ (ppm)]: 18,82. 4.4.4.8. Síntese de ácido 16-(terc-butoxicarbonilamino)-8-(2-(3,5-dimetil1H-pirazol-1-il)etil)-22-hidroxi-2,2-dimetil-4,13,17-trioxo-3-oxa5,8,12,18-tetraazadocosano-22,22-diilbisfosfónico (27) OH O P OH p OH o P OH n O OH m O NH l k j NH O i O h O NH g e N a N b N c f O d N H O Uma suspensão do composto 25 (0,052 g; 0,108 mmol) e 4-metilmorfolina (NMM; 59 µl; 0,54 mmol) em H2O (2 mL) foi adicionada gota – a – gota a uma solução 181 Procedimento Experimental de terc-butil 2-((3-aminopropil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1-il)etil)amino)etilcarbamato (26) (0,073 g; 0,215 mmol), 1-Hidroxibenzotriazolo hidratado (HOBt; 0,045 g; 0,333 mmol) e O-Benzotriazol-N,N,N’,N’-tetrametiluronio-hexafluoro fosfato (HBTU; 0,122 g; 0,322 mmol) em N,N-dimetilformamida (2 mL). O pH final foi ajustado até 8 com adição de NMM (59 µl; 0,54 mmol). A mistura reaccional foi agitada à temperatura ambiente durante 5 dias e no final evaporou-se o solvente da mistura reaccional e extraiu-se o produto com água. O solvente do sobrenadante foi concentrado até aproximadamente 2 ml e foi aplicado num cartucho Sep – Pak C18 (Waters, 12 cc, 2 g) previamente condicionado com metanol e água. Depois de lavar com água (25 ml), o composto 27 e algum material de partida foram eluidos com 50 % de metanol/água (30 ml). Depois de evaporado o solvente, metade do resíduo (ca. 38 mg) foi aplicado num cartucho HLB C18 (Oasis, 12 cc, 500 mg) pré – condicionado com metanol e água e eluído com 25 ml de água. Repetiu-se este procedimento para purificar o restante resíduo e obteve-se o composto 27 na forma de óleo incolor (0,020 g; 23 %). 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 5,92 [s, H(4)pz, 1H]; 4,32 (t largo, CH2a, 2H); 3,78 (m largo, CH2k, 1H); 3,51 (t largo, CHb, 2H); 3,30 (m largo, CH2d, 2H); 3,25 (m largo, CH2i, 2H); 3,12 (m largo, CH2c + CH2g + CH2m, 6H); 2,19 (m, CH2e, 2H); 2,17 (s, CH3pz, 3H); 2,07 (s, CH3pz, 3H); 1,76 - 1,68 (m sobrepostos, CH2f + CH2j + CH2o + CH2n, 8H); 1,24 (s, CH3 (Boc), 9H). 31 P RMN [D2O, δ (ppm)]: 18,58. C RMN [D2O, δ (ppm)]: 177,2; 176,0 (Ch + Cl); 160,2; 159,3 (2 x C=O, Boc); 13 151,4 [C(3/5)pz]; 144,6 [C(3/5)pz]; 108,4 [C(4)pz]; 83,7 [C(Boc)]; 75,5 (t, JCP = 121 Hz, Cp); 56,3 (CHk); 54,7 (CH2b); 54,4 (CH2); 53,2 (CH2); 43,6 (CH2a); 41,8 (CH2); 38,0 (CH2); 37,2 (CH2); 33,7 (CH2); 33,0 (CH2); 31,7 (CH2); 29,5 [CH2+ CH3(Boc)]; 25,4 (CH2o); 14,3 (CH3pz); 11,9 (CH3pz). ESI-MS m/z (-): valor calculado para C31H59N7O13P2 [M-H]- 798,3; valor observado 798,3. 182 Capítulo 4 4.4.4.9. Síntese de ácido 4-(2-amino-5-(3-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1Hpirazol-1-il)etil)amino)propilamino)-5-oxopentanamido)-1hidroxibutano-1,1-diilbisfosfónico (L7) OH O P OH p OH o P OH n OH O m O NH k l j NH2 O i h g NH N a N f e b N c d NH2 Uma solução do composto intermediário 27 (0,020 g; 0,025 mmol) em CF3COOH (2 mL) foi agitada à temperatura ambiente durante 1 hora. De seguida, o solvente foi evaporado e o resíduo resultante foi dissolvido em água (5 mL) e neutralizado com NaOH 0,1 M. O volume da solução obtida foi concentrado até 1 mL e purificado num cartucho Sep Pak C18 (Waters, 12 cc, 2 g) pré-condicionado. Os primeiros 2 mL eluídos, contendo principalmente sais de CF3COONa, foram eliminados, e o composto L6 foi eluído com H2O (4 mL) (5,2 mg; 70 %). 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 5,82 [s, H(4)pz, 1H]; 3,93 (t largo, CH2a, 2H); 3,21 (t, CH, 1H); 3,09 (t largo, CHb, 2H); 2,95 (m, CH2, 2H); 2,74 (m largo, CH2, 6H); 2,59 (m, CH2, 2H); 2,36 (m, CH2, 2H); 2,12 (s, CH2e+ CH3pz, 3H); 2,02 (s, CH3pz, 3H); 1,74 (m sobrepostos, CH2, 4H); 1,46 (m, CH2, 2H). 31 P RMN [D2O, δ (ppm)]: 18,74. 183 Procedimento Experimental 4.4.4.10. Síntese de ácido 4-(2-amino-5-(benziloxi)-5-oxopentanamido)-1hidroxibutano-1,1-diilbisfosfónico (28) Uma solução do composto 24 (0,028 g; 50 µmol) em CF3COOH (1 mL) foi agitada à temperatura ambiente durante 2 horas. De seguida, o solvente foi evaporado e o resíduo resultante foi dissolvido em água (5 mL). Esta solução foi arrefecida em banho de gelo (0 °C) e adicionou-se NaOH 0,1 M até pH 6-7, com agitação vigorosa. O solvente foi evaporado e o resíduo foi lavado com clorofórmio. O resíduo insolúvel foi seco, dissolvido em água (1 ml) e purificado com três cartuchos Sep Pak C18 (Waters, 0,85 cc/360 mg) pré-condicionados. Os primeiros 3 mL eluídos, contendo principalmente sais de CF3COONa, foram eliminados, e o composto L6 foi eluído com H2O (8 mL) (22,5 mg; 96 %). 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 7,29 (m, C6H5, 5H); 5,02 (s, CH2j, 2H); 3,80 (t, CHf, 1H); 3,23 (m, CH2d, 1H); 2,90 (m, CH2d’, 1H); 2,42 (t, CH2h, 2H); 2,01 (q, CHg, 2H); 1,70 (m sobreposto, CH2c +CH2b, 4H). 31 P RMN [D2O, δ (ppm)]: 18,50. C RMN [D2O, δ (ppm)]: 175,9; 171,1 (Ce + Ci); 137,4 (Ck); 130,8; 130,7; 130,4 13 (Cl + Cm + Cn); 75,8 (t, JCP = 132 Hz, Ca); 69,3 (Cj); 54,7 (Cf); 42,0 (Cd); 33,0 (Cc); 31,4 (Ch); 27,5 (Cg); 25,4 (t, JCP = 7 Hz, Cb). 184 Capítulo 4 4.4.4.11. Síntese de 2’-sulfo-NHS-succinil-DTX (30) [173] Após a secagem de 4-(dimetilamino) piridina (DMAP: 0,22 mg) na linha de vazio durante 2 horas, adicionaram-se o DTX (16 mg) e o anidrido succínico (3,61 mg) previamente dissolvidos em 0,2 ml de piridina seca. A mistura foi agitada, à temperatura ambiente, durante 24 h. A esta mistura foram adicionados 10 ml de acetato de etilo e 10 ml de uma solução de H2SO4 (0,01 %, m/v) e agitou-se durante 30 min. A fase orgânica foi separada e lavada com 10 ml da solução de H2SO4 (0,01 %, m/v) e 10 ml de água, respectivamente. A água residual presente na fase orgânica foi removida com a adição de sulfato de sódio anidro. Esta mistura foi filtrada e concentrada até obter um volume final de 1 ml. Esta solução foi purificada por cromatografia de sílica gel, utilizando um gradiente de 50 - 100 % de acetato de etilo/n-hexano na fase móvel. O composto 29 foi obtido na forma de óleo com um rendimento de 42 % (7,5 mg). 1 H RMN [CD3Cl, δ (ppm)]: 8,10 (s largo, H2,6-OBz, 2H); 7,63 (m, 1H, H4-OBz); 7,52 (t, H3,5-OBz, 2H); 7,38 – 7,44 (m, H4, H3,5 e H2,6-aromático lateral, 5H); 6.14 (s largo, H13,1H); 5,63 (s largo, H20, 1H); 5,45 - 5,34 (m largo , H20 e H30, 3H); 5,26 (s largo, H10, 1H); 4,96 (m largo, H7, 1H); 3,84 (m, H3, 1H); 3,2 (m, H6, 1H); 2,56 (m, -OCOCH2CH2COOH, 4H); 2,39 (m, H14, 2H); 1,98 (s, OAc, 3H); 1,87 (t, H6, 1H); 1,72 (s, Me18, 3H); 1,33 (s, t-Bu, 9H); 1,27 (s, Me19, 3H); 1,17 (s, Me16, 3H); 1.10 (s, Me17, 3H). Adicionaram-se 3,1 mg de N-hidroxi-3-sulfo-succinimida e 3,5 mg de N-(3dimetilaminopropil)-N’-etilcarbodiimida cloridratada (EDC) a 7,5 mg de succinil-DTX 185 Procedimento Experimental (29) dissolvido numa mistura de DMSO:DMF (70:30). A mistura permaneceu em agitação e à temperatura ambiente durante 24 h. O progresso da reacção foi controlado por TLC (Rf = 0,52 em clorofórmio:methanol, 80:20). Esta solução foi utilizada na reacção seguinte sem mais purificação. 4.4.4.12. Síntese de ALN-Glu-succinil-DTX (31) [173] À solução obtida anteriormente contendo o composto 30 foi adicionado o composto 28 dissolvido numa solução de tampão fosfato pH 7,4. A mistura permaneceu em agitação à temperatura ambiente, durante 18 h. O composto 31 foi identificado por ESI-MS, na presença do reagente de partida DTX ([M - H]- 806,6) e produtos decundários (29: [M-H]- 906,5). ESI-MS m/z (-): valor calculado para C63H80N3O26P2 [M-H]- 1356,4; valor observado 1356,7. Valor calculado para C63H79N3O26P2 [M-2H]2- 677,6; valor observado 677,9. 186 Capítulo 4 4.4.4.13. Síntese de ácido 4-(2-(((9H-fluoreno-9-il)metoxi)carbonilamino)5-t-butoxi-5-oxopentanamido)-1-hidroxibutane-1,1diilbisfosfónico (32) A uma solução de (ácido 5-(benziloxi)-2-(terc-butoxicarbonilamino)-5- oxopentanoico) (tBu-Glu-Fmoc: 0,400 g; 0,9 mmol) e tetrafluorofenol (TFF: 0,343 g; 2,1 mmol) em diclorometano seco (5 mL) a 0 – 5 ᵒC foi adicionada gota-a-gota uma solução de DCC (0,427 g; 2,1 mmol) previamente dissolvida em 5 ml de diclorometano. Após alguns minutos a mistura reaccional começa a turvar devido à precipitação de DCU. A mistura fica em agitação à temperatura ambiente durante 18 h. A DCU é removida por filtração e o filtrado seca-se e dissolve-se novamente em acetato de etilo para a precipitação de mais DCU. A suspensão filtra-se, o filtrado secase a pressão reduzida e o éster activado obtido utiliza-se na próxima reacção sem mais purificação. O resíduo obtido foi dissolvido em acetonitrilo (20 ml), filtrado para eliminar a DCU residual e adicionado a uma mistura de alendronato (ALN; 0,237 g; 0,9 mmol) e trietilamina (NEt3: 630 µl, 4,5 mmol, 5 eq.) em 20 mL de tampão borato (pH 9,4). A mistura reaccional ficou em suspensão e adicionaram-se mais 5 ml de tampão borato pois o pH já estava bastante alto (ca. 11). Adicionei mais 150 ml de NEt3 para facilitar a dissolução do alendronato. O pH final era próximo de 10. A reacção decorreu com agitação à temperatura ambiente e 3 dias e depois o solvente da mistura foi removido a pressão reduzida. O resíduo resultante foi extraído com H2O e, após evaporação do solvente do sobrenadante. O volume de água foi reduzido e o composto 32 foi obtido puro após aplicação num cartucho Sep-Pak C18 (Waters, 12 cc, 2 g) previamente condicionado, lavado com água e extraído com uma solução de 25% de metanol/H2O (0,458 g; 77 %). 187 Procedimento Experimental 1 H RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 7,77 (d, H(8)Fmoc, 2H); 7,56 (t, H(5)Fmoc, 2H); 7,33 (m, H(6,7)Fmoc, 4H); 4,37 (m, H(2)Fmoc, 2H); 4,20 (m, H(3)Fmoc, 1H); 3,07 (m, CHf, 1H); 3,20 (t largo, CH2d, 2H); 2,28 (t, CH2h, 2H); 2,05 - 1,80 (m, CH2c + CH2b + CHg, 6H); 1,42 (s, CH3 (t-Bu), 9H). 31 P RMN [D2O, δ (ppm)]: 20,57. C RMN [D2O, δ (ppm)]: 174,3; 173,9 (Ce + Ci); 158,4 [C(1)Fmoc]; 13 145,3[C(4)Fmoc]; 145,1 [C(9)Fmoc]; 128,8 [C(7)Fmoc]; 128,2 [C(8)Fmoc]; 126,2 [C(6)Fmoc]; 120,9 [C(5)Fmoc]; 81,8 [C(t-Bu)]; 74,1 (t, JCP = 146 Hz, Ca); 67,9 [C(2)Fmoc]; 55,8 (Cf); 48,4 [C(3)Fmoc]; 41,0 (Cd); 32,7 (Ch); 32,3 (Cc); 28,6 (Cg); 28,3 [CH3(t-Bu)]; 24,8 (Cb). Tempo de retenção (RP-HPLC): 14,3 min. 4.4.4.14. Síntese ácido 4-(2-amino-5-t-butoxi-5-oxopentanamido)-1hidroxibutano-1,1-diilbisfosfónico (33) Dissolveu-se o composto 32 (52 mg; 79 µmol) numa solução de 20 % de piperidina em DMF (1,5 ml) e a mistura permanece em agitação durante 30 min. O composto 33 foi obtido após evaporação do solvente e lavagem do resíduo com diclorometano (29 mg, 85 %). 1 H RMN [CD3OD, δ (ppm)]: (Rotâmeros) 3,76 (t, CHf, ½H); 3,26 (m, CHf’, ½H); 2,96 (m largo, CH2d + CH2h, 4H); 2,27 (t, CHg, 1H); 1,95 (t, CHg’, 1H); 1,73 (m, CH2c/b, 2H); 1,59 [s, CH3 (t-Bu), 9/2H]; 1,49 (m, CH2c/b, 2H); 1,27 [s, CH3 (t-Bu), 9/2H]. 31 P RMN [D2O, δ (ppm)]: 18,47. C RMN [D2O, δ (ppm)]: 175,5; 171,0 (Ce + Ci); 84,9 [C(t-Bu)]; 75,7 (t, JCP = 135 13 Hz, Ca); 54,7 (Cf); 46,5; 42,1 (Cd); 32,9; 32,5; 29,2; 27,8 (Cc + Cg); 26,4 (t, JCP = 7 Hz, Cb); 25,2; 24,5 [CH3(t-Bu)]. 188 Capítulo 4 ESI-MS m/z (+): valor calculado para C13H29N2O10P2 [M + H]+ 435,1; valor observado 435,3. 4.4.4.15. Síntese de ácido 4-((2-aminoetil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etil)amino)butanoico (34) [114] Uma solução de ácido 4-((2-(t-butoxicarbonilamino)etil)(2-(3,5-dimetil-1Hpirazol-1-il)etil)amino)butanoico (7: 125 mg; 0,34 mmol) em CF3COOH (2 mL) foi agitada à temperatura ambiente durante 1 hora. De seguida, o solvente foi evaporado e o resíduo resultante foi lavado com diclorometano. O composto 34 foi obtido na forma de óleo e foi utilizado na reacção seguinte sem mais purificação. 1 H RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 5,82 (s, H4pz, 1H); 4,05 (t, CH2a, 2H); 2,79 (m sobreposto, CH2b + CH2d, 4H); 2,62 (t, CH2c, 2H); 2,52 (m, CH2g, 2H); 2,26 (s, MePz, 3H); 2,15 (s, MePz, 3H), 2,05 (t, CH2e, 2H); 1,67 (m, CH2f, 2H). 4.4.4.16. Síntese de ácido 4-((2-(((9H-fluoreno-9il)metoxi)carbonilamino)etil)(2-(3,5-dimetil-1H-pirazol-1il)etil)amino)butanóico (35) A uma solução do composto 34 (0,34 mmol) e Na2CO3 (72 mg; 0,68 mmol) em 5 ml de H2O em agitação e imersa num banho de gelo, adiciona-se alternadamente 189 Procedimento Experimental DIPEA (65 µl; 0,54 mmol) e 9-Fluorenilmetil cloroformato (Fmoc-Cl; 0,34 mmol; 88 mg) dissolvido em 10 ml de THF. O pH final após a adição está próximo de 9. Duas horas após o fim da adição foi efectuado o controlo por TLC (20% MeOH/CHCl3) e a reacção estava completa. Evaporou-se o THF e a solução aquosa obtida acidifica-se até pH 5 - 6 com HCl 1N. Extraiu-se esta solução com 4 x 50 ml de CH2Cl2 e secou-se a fase orgânica com sulfato de sódio anidro. Após evaporação do solvente a pressão reduzida, o resíduo obtido é purificado por cromatografia de sílica gel com gradiente de 0 - 50% de metanol/diclorometano. O composto 35 obteve-se sob a forma de óleo amarelo (0,132 g; 79 %). 1 H RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 7,70 (d, H(8)Fmoc, 2H); 7,56 (t, H(5)Fmoc, 2H); 7,33 – 7,19 (m, H(6,7)Fmoc, 4H); 5,67 (s, H4pz, 1H); 4,28 (m, H(2)Fmoc, 2H); 4,09 (t, H(3)Fmoc, 1H); 3,96 (t, CH2a, 2H); 3,10 (t, CH2b, 2H); 2,83 (t, CH2d, 2H); 2,55 (m, CH2c + CH2g, 4H), 2,18 (m sobreposto, CH2e, 2H); 2,12 (s, MePz, 3H); 2,06 (s, MePz, 3H), 1,62 (m, CH2f, 2H). C RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 179,1 (C=O); 158,7 [C(1)Fmoc]; 145,3 [C(4)Fmoc]; 13 145,1 [C(9)Fmoc]; 142,6 [C(3/5)pz]; 141,4 [C(3/5)pz]; 128,7 [C(7)Fmoc]; 128,1 [C(8)Fmoc]; 126,1 [C(6)Fmoc]; 120,9 [C(5)Fmoc]; 106,1 [C(4)pz]; 67,6 [C(2)Fmoc]; 55,0; 54,6; 54,5 (Cd + Cc + Cg); 48,4 [C(3)Fmoc]; 47,1 (CH2a); 39,4 (CH2b); 33,7 (CH2e); 23,5 (CH2f); 13,2 (CH3pz); 11,0 (CH3pz). 190 Capítulo 4 4.4.5. Síntese de Derivado do Funcionalizado na Posição 4 Composto Pirazolo-Diamina 4.4.5.1. Síntese de ácido 4-(2-(1-(2-((2-(t-butoxicarbonilamino)etil)(4etoxy-4-oxobutil)amino)etil)-3,5-dimetil-1H-pirazol-4il)acetamido)-1-hidroxibutano-1,1-diilbisfosfónico (36) A uma solução de ácido 2-(1-(2-((2-(t-butoxicarbonilamino)etil)(4-etoxi-4oxobutil)amino)etil)-3,5-dimetil-1H-pirazol-4-il)acético (pz4-COOH: 0,045 g; 99 µmol) e tetrafluorofenol (TFF: 0,216 g; 1,30 mmol) em diclorometano seco (2 mL) a 0 – 5 ᵒC foi adicionada gota-a-gota uma solução de DCC (0,045 g; 0,22 mmol) previamente dissolvida em 1 ml de diclorometano. Após alguns minutos a mistura reaccional começa a turvar devido à precipitação de DCU. A mistura fica em agitação à temperatura ambiente durante 14 h. A DCU é removida por filtração e o filtrado seca-se e dissolve-se novamente em acetato de etilo para a precipitação de mais DCU. A suspensão filtra-se, o filtrado secase na linha de vazio e o éster activado obtido utiliza-se na próxima reacção sem mais purificação. O resíduo obtido foi dissolvido em N,N-dimetilformamida (2 ml), filtrado para eliminar a DCU residual e adicionado a uma mistura de alendronato, na forma de sal de trisódio tetrahidratado (ALN; 0,156 g; 0,592 mmol) e trietilamina (NEt3: 69 µl, 0,5 mmol) em 2 mL de tampão borato (pH 9,4). A mistura reaccional ficou em suspensão e adicionaram-se mais 70 µl de NEt3 e umas gotas de água permitindo a dissolução completa da mistura. O pH final era próximo de 10. A reacção decorreu com agitação à temperatura ambiente e 3 dias e depois o solvente da mistura foi evaporado na linha de vazio. 191 Procedimento Experimental O resíduo resultante foi extraído com H2O (10 ml) e o sobrenadante foi concentrado na linha de vazio até obter 2 ml. A purificação fez-se por aplicação da solução obtida num cartucho Sep-Pak C18 (Waters, 12 cc, 2 g) pré-condicionado, lavado com H2O (20 ml), uma solução de 25 % de metanol/H2O (4 ml) e extraído com uma solução de 50 % de metanol/H2O (8 ml). O composto 36 foi obtido na forma de óleo transparente (0,033 g; 49 %). 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 4,34 (t largo, CH2a, 2H); 4,05 (q, O-CH2-, 2H); 3,59 (t largo, CHb, 2H); 3,34 (m largo, CH2c + CH2d, 4H); 3,28 (s, CH2i, 2H); 3,22 (t, CH2g, 2H); 3,10 (t, CH2k, 2H); 2,39 (t, CH2e, 2H); 2,13 (s, CH3pz, 3H); 2,06 (s, CH3pz, 3H); 1,88 (m sobrepostos, CH2f + CH2m, 4H); 1,71 (m largo, CH2l, 2H); 1,28 (s, CH3 (Boc), 9H); 1,13 (t, O-CH2-CH3, 3H). 31 P RMN [D2O, δ (ppm)]: 19,17. C RMN [D2O, δ (ppm)]: 176,8; 175,9 (Ch + Cj); 160,2 (C=O, Boc); 150,8 13 [C(3/5)pz]; 142,4 [C(3/5)pz]; 112,9 [C(4)pz]; 83,8 [C(Boc)]; 75,5 (t, JCP = 121 Hz, Cn); 64,1[CH2(Et)]; 55,0 (CH2b); 54,9 (CH2c/d); 54,4 (CH2g); 43,9 (CH2a); 42,0 (CHk); 37,3 (CH2c/d); 32,9 (CH2f/m); 32,5 (CH2e); 32,2 (CH2i); 29,6 [CH3(Boc)]; 25,4 (CH2l); 20,5 (CH2f/m); 15,4 [CH3(Et)]; 12,9 (CH3pz); 10,7 (CH3pz). ESI-MS m/z (+): valor calculado para C26H49N5O12P2 [M+H]+ 686,3; valor observado 686,4. ESI-MS m/z (-): valor calculado para C26H49N5O12P2 [M-H]- 684,3; valor observado 684,4. 192 Capítulo 4 4.4.6. Síntese e Caracterização de Complexos de Re(I) 4.4.6.1. Síntese de fac-[Re(CO)3(κ3-L1)]+ (Re1) O N N N Re OEt P OEt NH2 OC CO CO A uma suspensão de [Re(CO)5Br] (0,036 g; 0,089 mmol) em metanol, em agitação, foi adicionado pz – MPOEt (0,029 g; 0,13 mmol) dissolvido no mesmo solvente e a mistura reaccional foi refluxada durante a noite. O resíduo obtido, após evaporação do solvente, foi lavado (três vezes) com n-hexano, obtendo-se um sólido branco, que foi seco na linha de vazio (0,053 g; 96 %). 1 H RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 6,21 [s,H(4)pz, 1H]; 5,57 (q largo, NH, 1H); 4,54 (dd, CH, 1H); 4.19 (m, CH2, 6H); 3,91 (m, CH, 1H); 3,74 (m, NH, 1H); 3,43 (dd, CH, 1H); 3,21 (m, CH, 1H); 2,96 (d largo, CH, 1H); 2,77 (m, CH2, 2H); 2,54 (m, CH2, 2H); 2,45 (s, CH3, 3H); 2,38 (s, CH3, 3H); 2,29 (m, CH, 1H); 1,37 (t, CH3, 6H). C RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 195,0; 194,7; 193,6 (C ≡ O); 155,3 [C(3/5)pz]; 145,6 13 [C(3/5)pz]; 109,3 [C(4)pz]; 64,0 (CH2); 63,9 (CH2); 62,1 (CH2); 61,3 (CH2); 53,4 (CH2), 43,5 (CH2); 23,0 (CH2); 21,2 (CH2); 16,8 (CH3), 16,7 (CH3); 16,1 (CH3); 11,6 (CH3). P RMN [CD3OD, δ (ppm)]: 29,4. 31 IV (KBr, ν/cm–1): 2027 (C ≡ O), 1901 (C ≡ O), 1263, 1023 (P=O), 798, 739. Análise de C,H,N (%) para C18H31N4O6PBrRe: Calculada: C, 31,04; H, 4,49; N, 8,04. Experimental: C, 31,30; H, 4,40; N, 7,89. Tempo de retenção (RP-HPLC): 15,8 min. 193 Procedimento Experimental Dados cristalográficos do complexo fac-[Re(CO)3(κ3-L1)]+ (Re1) Os cristais foram obtidos por evaporação lenta de uma solução concentrada do complexo numa mistura de clorofórmio e n-hexano, e a montagem foi feita em capilares de vidro de parede fina. Os dados cristalográficos utilizados na resolução e refinamento da estrutura apresentam-se na tabela 4.1. Tabela 4.1 – Dados cristalográficos do composto fac-[Re(CO)3(κ3-L1)]Cl (Re1). Fórmula empírica Massa molecular Sistema cristalográfico Grupo espacial Dimensões da célula unitária 3 Volume, Å Z T, °C ρcalc., gcm-3 µ(MoKα), mm-1 Nº reflexões obtidas Nº reflexões independentes Ajuste final [I>2σ(I)]a Ajuste final (todos os dados)a C18H31ClN4O7PRe 668,09 Monoclínico P21/n a = 13,5880 (17) Å b = 13,7897(10) Å c = 14,870(3) Å α = 90° β = 106,929(9)° γ = 90° 2665,4(7) 4 21(2) 1,665 4,760 5989 5745 [R(int) = 0,0355] R1 = 0,0551; WR2 = 0,0867 R1 = 0,1073; WR2 = 0,1014 a R = ΣFo - Fc/ ΣFoe wR2 = [Σ Σ(w(Fo2 - Fc2)2) / Σ(w(Fo2)2)]1/2. 1 194 Capítulo 4 4.4.6.2. Síntese de fac-[Re(CO)3(κ3-L2)]+ (Re2) O N N OH P OH N Re OC CO NH2 CO A uma solução de [Re(CO)5Br] (0,018 g; 0,044 mmol) em água e em agitação foi adicionada uma solução de pz-MPOH (0,020 g; 0,044 mmol) dissolvido no mesmo solvente, e a mistura resultante foi refluxada durante a noite. Após evaporação do solvente, o resíduo obtido foi seco na linha de vazio e analisado por HPLC-RP e espectroscopia de RMN. O produto bruto consiste numa mistura de pz-MPOH livre e complexo [Re(CO)3(pz-MPOH)] (36 %, calculado a partir do espectro de 1H RMN). 1 H RMN [D2O, δ (ppm)]: 6,01 [s, H(4)pz, 1H]; 5,07 (q largo, NH, 1H); 4,30 (dd, H, 1H); 4,08 (m, CH, 1H); 3,64 (m, CH, NH, 3H); 3,08 (m, CH, 1H); 2,69 (m, CH, 1H); 2,56 (m, CH, 1H); 2,37 (m, CH, 1H); 2,25 (s, CH3, 3H); 2,14 (s, CH3, 3H). P RMN [δ δ (ppm)]: 25,3 31 (CD3OD); 23,4 (D2O). Tempo de retenção (HPLC - RP): 10,8 min. 4.4.6.3. Síntese de fac-[Re(CO)3(κ3-L4)]+ (Re4) Método directo: Uma solução de fac - [Re(H2O)3(CO)3]Br (0,011 g, 0,029 mmol) e pz-BPOH (0,010 g; 0,023 mmol) em H2O foi refluxada durante a noite. Após remoção da água na linha de vazio, o resíduo obtido foi dissolvido numa mistura de H2O/acetonitrilo (90:10). O 195 Procedimento Experimental precipitado foi eliminado por centrifugação e o sobrenadante foi purificado por RPHPLC (coluna Macherey-Nagel semipreparativa C18, Nucleosil 100 – 7, 250 nm ∙ 8 mm) com fluxo de 2 mLmin-1. O produto foi obtido após eluição com gradiente de 0 a 100 % de acetonitrilo com 0,5 % de CF3COOH/ H2O com 0,5 % CF3COOH. Os cromatogramas foram obtidos monitorizando a absorção de UV a 254 nm. Após evaporação do solvente obteve-se o complexo Re4 na forma de um óleo amarelo pálido (8,8 mg; 54 %). Método indirecto: A. Síntese de precursor fac-[Re(CO)3(κ3-pzCOOH)]+ [107, 184] O composto (NEt4)2[ReBr3(CO)3] (0,100 g; 0,131 mmol) fez-se reagir com uma quantidade equimolar de pz–COOH (0,050 mg; 0,131 mmol) em H2O e em refluxo durante 18 horas. De seguida, o solvente foi removido na linha de vazio e o resíduo resultante foi lavado com clorofórmio para remover o excesso de [NEt4]Br. O resíduo foi dissolvido em água, e foi purificado por RP-HPLC (coluna Waters l Bondapak C18 (19 mm ∙ 150 mm) com fluxo de 5 mLmin-1. O produto foi obtido utilizando como eluentes uma solução de 0.1 % de CF3COOH (A) e metanol (B) e a eluição fez-se utilizando o método 2 descrito na secção 4.3. Os cromatogramas foram obtidos monitorizando a absorção de UV a 254 nm. Após evaporação do solvente obteve-se o composto [Re(CO)3(κ3-pz-COOH)]+ na forma de um óleo incolor transparente (50 mg; 71 %). 1 H NMR [D2O, δ (ppm)]: 6,01 [s, 1H, H(4)pz]; 5,07 (q largo, 1H, NH); 4,33 (dd, 1H, CHa); 4,07 (m, 1H,CHa´); 3,62 (s largo, 1H, NH); 3,50 (m, 1H, CHg); 3,37 (m, 2H, CHg’ + CHb); 3,05 (s largo, 1H, CHd); 2,72 (d, 2H,CHc + CHc’); 2,54 (t largo, 1H, 196 Capítulo 4 CHb’); 2,37 (m largo, 1H, CHd’); 2,33 (t, 2H, CHe + CHe’); 2,24 (s, 3H, CH3pz); 2,14 (s, 3H, CH3pz); 2,04 (m, 1H, CHf); 1,88 (m, 1H,CHf’). C NMR [D2O, δ (ppm)]: 196,6; 196,2; 196,1 (C ≡ O); 179,8 (C = O); 155,7 13 [C(3/5)pz]; 146,3 [C(3/5)pz]; 109,8 [C(4)pz]; 67,8 (Cg); 63,2 (Cc); 54,5 (Cb); 49,1 Ca); 44,2 (Cd); 33,1 (Ce); 21,5 (Cf); 17,3 (CH3pz); 12,9 (CH3pz). IV (KBr, ν/cm–1): 2031 (C ≡ O), 1974 (C ≡ O), 1901 (C ≡ O), 1686, 1432, 1205, 1143, 848, 800, 728, 588. ESI-MS (+): Valor calculado para C16H24N4O5Re [M + H]+ 539,1; valor observado a 539,0. Tempo de retenção (RP-HPLC): 18,6 min. B. Síntese do intermediário [Re(CO)3(κ3-pz-AMDP)]+ A uma solução de [Re(CO)3(κ3-pz-COOH)]+ (0,020 g; 0,037 mmol) e HOBt (8 mg; 0,056 mmol) em acetonitrilo seco (5 mL) a 0 – 5 ᵒC foi adicionada DCC (12 mg; 0,056 mmol), e a mistura foi agitada durante 30 min. Após adição de éster 1aminometildifosfonato de tetraetilo (17 mg; 0,056 mmol) dissolvido em acetonitrilo (aproximadamente 1 mL), a agitação manteve-se à temperatura ambiente. A reacção estava completa 20 horas depois por controlo através de cromatograma de RP-HPLC. A DCU que precipita foi removida por centrifugação e o solvente do sobrenadante foi evaporado. O resíduo obtido foi dissolvido numa mistura de H2O/CH3CN (90:10), filtrou-se novamente para remover a DCU e, purificou-se por RP – HPLC utilizando uma coluna Waters l Bondapak C18 (19 mm ∙ 150 mm) com fluxo de 5 mLmin-1 e detecção UV a 254 nm. Os eluentes utilizados foram uma solução de 0.5 % de CF3COOH (A) e 197 Procedimento Experimental uma solução de 0.5 % de CF3COOH em acetonitrilo (B) e a e a eluição fez-se utilizando o método 1 descrito na secção 4.3. Após evaporação do solvente obteve-se o composto [Re(CO)3(κ3-pz-BPOEt)]+ na forma de um óleo incolor transparente (20 mg; 66 %). 1 H NMR [D2O, δ (ppm)]: 6,01 [s, 1H, H(4)pz]; 5,04 (s largo, 1H, NH); 4,51 (m, 1H, CHh); 4,28 (d largo, 1H, CHa); 4,08 (m, 8H, P – OCH2CH3); 3,94 (m, 1H, CHa’); 3,64 (m largo, 1H, NH); 3,54 (m largo, 1H, CHg); 3,29 (m largo,2H, CHg’ + CHb); 3,00 (m largo, 1H, CHd); 2,71 (s largo, 2H, CHc + CHc’); 2,54 (t largo, 1H, CHb’); 2,35 (m largo, 1H, CHd’); 2,33 (t, 2H, CHe + CHe’); 2,25 (s, 3H, CH3pz); 2,13 (s, 3H, CH3pz); 2,04 (m largo, 1H, CHf); 1,83 (m largo, 1H, CHf’); 1,15 (m, 12H, P – OCH2CH3). C NMR [D2O, δ (ppm)]: 196,1 (3 x C ≡ O); 179,5 (CO); 155,6 [C(3/5)pz]; 146,2 13 [C(3/5)pz]; 109,7 [C(4)Pz]; 67,7 (Cg); 67,5 (P – OCH2CH3); 63,1 (Cc); 54,5 (Cb); 50,1 (Ch, P–CH–P); 49,0 (Ca); 44,1 (Cd); 32,7 (Ce); 21,3 (Cf); 17,7 (P – OCH2CH3); 17,3 (CH3pz); 12,8 (CH3pz). Os desvios químicos foram atribuídos com a ajuda de experiências bidimensionais de espectroscopia de RMN (correlação homonuclear 1H – 1H, COSY, e correlação heteronuclear 1H – 13C, HSQC). P RMN [D2O, δ (ppm)]: 17,9. 31 Tempo de retenção (RP-HPLC): 16,1 min. C. Síntese de fac-[Re(CO)3(κ3-L4)]+ (Re4) A uma solução de fac-[Re(CO)3(κ3-pz-AMDP)]+ (20 mg; 0,024 mmol) em diclorometano seco (5 mL) a 0 ᵒC foi adicionado gota – a – gota brometo de 198 Capítulo 4 trimetilsilano (0,5 mL; 3,7 mmol). A mistura atingiu a temperatura ambiente e permaneceu em agitação durante a noite. O solvente foi evaporado, e dissolvido em metanol (5 mL) permanecendo em agitação mais 1,5 horas. O solvente foi evaporado e o resíduo foi lavado com clorofórmio. O produto foi obtido na forma de óleo amarelo pálido e o rendimento foi quantitativo com base no espectro de 1H RMN. 1 H NMR [D2O, δ (ppm)]: 6,01 [s, H(4)pz, 1H]; 5,04 (s largo, NH, 1H); 4,53 (m, CHh, 1H); 4,29 (d largo, CHa, 1H); 4,07 (m largo, CHa’, 1H); 3,64 (s largo,NH, 1H); 3,50 (m largo, CHg, 1H); 3,26 (m largo,CHg’ + CHb, 2H); 3,01 (m largo, CHd, 1H); 2,71 (s largo, CHc + CHc’, 2H); 2,55 (t largo, CHb’, 1H); 2,34 (m largo, CHd’, 1H); 2,24 (s, CH3pz, 3H); 2,20 (s largo, CHe + CHe’, 2H); 2,13 (s, CH3pz, 3H); 2,03 (m, CHf, 1H); 1,88 (m largo, CHf’, 1H). C NMR [D2O, δ (ppm)]: 196,5; 196,1; 194,9 (C ≡ O), 180,4 (CO); 155,6 13 [C(3/5)pz]; 146,2 [C(3/5)pz]; 109,7 [C(4)Pz]; 67,7 (Cg); 63,2 (Cc); 54,6 (Cb); 50,9 (Ch, P-CH-P); 49,0 (Ca); 44,2 (Cd); 33,9 (Ce); 22,1 (Cf); 17,3 (CH3pz); 12,9 (CH3pz). Os desvios químicos foram atribuídos com a ajuda de experiências bidimensionais de espectroscopia de RMN (correlação homonuclear 1H – 1H, COSY, e correlação heteronuclear 1H – 13C, HSQC). P RMN [D2O, δ (ppm)]: 11,1 (largo). 31 Tempo de retenção (RP-HPLC): 13,9 min. 4.4.6.4. Síntese de fac-[Re(CO)3(κ3-L5)]+ (Re5) A uma solução de fac-[Re(CO)3(κ3-pz-COOH)]Br (I) (0,039 g; 0,063 mmol) e tetrafluorofenol (TFF; 0,023 g; 0,138 mmol) em acetonitrilo seco (4 mL) a 0 – 5 ᵒC foi 199 Procedimento Experimental adicionada DCC (0,028 g; 0,138 mmol), e a mistura foi agitada durante 14 horas. A DCU que precipita foi removida por centrifugação e o solvente do sobrenadante foi evaporado. O resíduo foi suspendido num volume adequado de acetate de etilo, a DCU que precipita foi removida por filtração, e o solvente do filtrado foi evaporado na linha de vazio. O resíduo obtido foi dissolvido em acetonitrilo (2,5 mL), filtrado para eliminar a DCC – ureia residual e adicionado a uma solução de PAM (0,017 g; 0,067 mmol) em 2,5 mL de tampão borato (pH 9,4) e trietilamina (60 µl). O pH final era próximo de 9 e a mistura reaccional foi agitada durante cinco dias à temperatura ambiente. A mistura foi concentrada até estar completamente seca, o resíduo resultante foi extraído com H2O e, após remoção do solvente do sobrenadante na linha de vazio, o resíduo obtido foi lavado com acetonitrilo para remover o excesso de trietilamónio. O complexo fac [Re(CO)3(κ3-pz-PAM)] foi obtido após purificação com cartuchos Sep-Pak C18 (Waters, 0,85 cc/360 mg) previamente condicionados. O composto fac - [Re(CO)3(pz-PAM)]+ (2) foi eluído com gradiente de 25 - 75 % metanol/H2O após lavagem com 10 mL H2O (0,014 g; 24 %). 1 H NMR [D2O, δ (ppm)]: 6,07 [s, H(4)pz, 1H]; 5,11 (m, NH, 1H); 4,36 (dd, 2JHH = 15.8 Hz, 3JHH = 3.2 Hz, CHa, 1H); 4,13 (dd, , 2JHH = 15.8 Hz, 3JHH = 10.6 Hz, CHa´, 1H); 3,64 (m, NH, 1H); 3,54 (dd, 2JHH = 12.4 Hz, 3JHH = 3.5 Hz, CHg, 1H); 3,42 3.37 (m, CH2h/h’+ CHg’ + CHb, 4H); 3,11 (m, CHd, 1H); 2,76 (m, CH2c/c’, 2H); 2,60 (dd, 2JHH = 14.4 Hz, 3JHH = 10.8 Hz, CHb’, 1H); 2,43 (m, CHd’, 1H); 2,30 (s, CH3pz, 3H); 2,19 (m, CH3pz + CH2e/e’, 5H); 2,01 (m, CH2f/f’ + CH2i/i’, 4H). C NMR [D2O, δ (ppm)]: 194,6; 194,2; 193,1 (C≡O); 174,9 (C=O); 153,7 13 [C(3/5)pz]; 144,3 [C(3/5)pz]; 107,8 [C(4)pz]; 73,2 (t, JCP = 129.4 Hz, Cj); 66,0 (Cg); 61,3 (Cc); 52,8 (Cb); 47,2 (Ca); 42,2 (Cd); 36,1 (t, JCP = 7.9 Hz, Ch); 33,1 (Ce + Ci); 20,7 (Cf); 15,4 (CH3pz); 10,9 (CH3pz). 31 P NMR [D2O, δ (ppm)]: 24,7. IV (KBr, ν/cm–1): 2033, 1927, 1913 (C ≡ O), 1686, 1210, 1141, 845, 803, 726. ESI-MS [-] m/z: Valor calculado para ReO11N5C19H30P2 [M - 3H]2- 376,5; valor observado 376,5. Valor calculado para ReO11N5C19H31P2 [M - 2H]- 754,1; valor observado 753,9. Valor calculado para ReO11N5C19H30P2Na [M – 3H + Na]- 776,1; 200 Capítulo 4 valor observado 775,9. Valor calculado para ReO11N5C19H30P2K [M - 3H + K]792,1; valor observado 791,9. Análise de C,H,N (%) para C19H31N5Na2O11P2ReBr∙CH3OH: Calculado: C, 26.35 %; H, 3.87 %; N, 7.68 %. Experimental: C, 26.45 %; H, 3.74 %; N, 7.66 %. Tempo de retenção (RP-HPLC): 11,9 min. IV (KBr, ν/cm–1): 2033 (C ≡ O), 1927 (C ≡ O), 1913 (C ≡ O), 1686, 1442, 1210, 1141, 845, 803, 726. 4.4.6.5. Síntese de fac-[Re(CO)3(κ3-L6)]+ (Re6) Uma solução de ALN (0,017 g; 0,052 mmol) e NMM (36 µl; 0,325 mmol) em H2O (2 mL) foi adicionada gota – a – gota a uma solução de fac-[Re(CO)3(κ3-pz-COOH)]Br (0,025 g; 0,040 mmol), 1-Hidroxibenzotriazolo hidratado (HOBt; 0,013 g; 0,097 mmol) e O-Benzotriazol-N,N,N’,N’-tetramethyluronium-hexafluoro phosphate (HBTU; 0.037 g, 0,097 mmol) em N,N-dimetilformamida (2 mL). O pH final foi ajustado até 8 com adição de NMM (18 µl; 0,163 mmol). A mistura reaccional foi agitada à temperature ambiente e, após cinco dias, o solvent foi evaporado na linha de vazio e o resíduo foi extraído com H2O (~ 5 mL). Este volume foi reduzido até 2 mL e o concentrado foi purificado com um cartucho Sep Pak (Waters, 12 cc, 2 g) pré-condicionado. O composto fac - [Re(CO)3(κ3 - pz-ALN) foi eluído com uma mistura de 50 % Metanol/H2O 201 Procedimento Experimental após lavagem com pequenas quantidades de H2O, 20 % Metanol/H2O e 30 % Metanol/H2O (0,015 g; 40 %). 1 H NMR [D2O, δ (ppm)]: 6,02 [s, H(4)pz, 1H]; 5,06 (m, NH, 1H); 4,31 (dd, 2JHH = 25.7 Hz , 3JHH = 3.0 Hz CHa, 1H); 4,08 (dd, 2JHH = 15.4 Hz , 3JHH = 11.0 Hz, CHa´, 1H); 3,64 (m, NH, 1H); 3,50 (m, CHg, 1H); 3,27 (m, CH2b + CHg’, 2H); 3,07 (m, CHh/h’+ CHd, 1H); 2,71 (m, CH2c/c’, 2H); 2,56 (m, CHb’, 1H); 2,38 (m, CHd’, 1H); 2,26 (s, CH3pz, 3H); 2,14 (m, CH2e/e’ + CH3pz, 5H); 2,07 (m, CH2f/f’, 2H); 1,82 (m, CH2j, 2H); 1,71 (m, CH2i, 2H). C NMR [D2O, δ (ppm)]: 194,6; 194,2; 193,1 (C≡O); 175,4 (C=O); 153,7 13 [C(3/5)pz]; 144,3 [C(3/5)pz]; 107,7 [C(4)pz]; 71,8 ( Ck); 65,9 (Cg); 61,3 (Cc); 52,8 (Cb); 47,1 (Ca); 42,2 (Cd); 40,0 (Ch); 32,8 (Ce); 31,1 (Cj); 23,3 (m, Ci); 20,7 (Cf); 15,3 (CH3pz); 10,9 (CH3pz). 31 P NMR [D2O, δ (ppm)]: 19,6. IV (KBr, ν/cm–1): 2026, 1930, 1912 (C≡O), 1650 (C=ONH), 1172, 1064, 526. ESI-MS [-] m/z: Valor calculado para C20H32N5O11P2Re [M - 3H]2- 383,5; valor observado 383,4. Valor calculado para C20H33N5O11P2Re [M - 2H]- 768,1; valor observado 768,0. ESI-MS [+] m/z: Valor calculado para C20H35N5O11P2Re [M]+ 770,1; valor observado 770,1. Valor calculado para C20H34N5O11P2ReNa [M - H + Na]+ 792,1; valor observado 792,1. Valor calculado para C20H33N5O11P2ReNa2 [M - 2H + 2Na]+ 814,1; valor observado 814,1. Valor calculado para C20H33N5O11P2ReKNa [M - 2H + Na + K]+ 830,1; valor observado 830,0. Análise de C,H,N (%) para C20H33N5Na2O11P2ReBr∙CH3OH: Calculado: C, 27,25 %; H, 4,03. %; N, 7,57 %. Experimental: C, 27.76 %; H, 4.19 %; N, 7.31 %. IV (KBr, ν/cm–1): 2026 (C ≡ O), 1930 (C ≡ O), 1912 (C ≡ O), 1650 (C=ONH), 1172, 1064, 526. Tempo de retenção (RP-HPLC): 13,8 min. 202 Capítulo 4 4.4.7. Síntese dos complexos de 99mTc(I) As manipulações das substâncias radioactivas foram efectuadas utilizando como protecção uma barreira de chumbo com visor impregnado de sais de chumbo. Os frascos com produtos radioactivos foram colocados dentro de contentores de chumbo. A exposição à dose de radiação foi monitorizada por leitura de dosímetro individual de corpo e de mãos. 4.4.7.1. Preparação do complexo precursor fac-[99mTc(H2O)3(CO)3]+ Após eluição de um gerador de 99 Mo/99mTc com uma solução de NaCl 0,9% a actividade do Na[99mTcO4] eluído foi medida numa câmara de ionização Atomlab 100 plus (Biodex Medical Systems). De seguida, o precursor fac-[99mTc(H2O)3(CO)3]+ foi preparado utilizando um Kit Isolink® Mallinckrodt, da seguinte forma: -adicionaram-se 1 – 2 mL de Na[99mTcO4] ao kit de reagentes liofilizados e agitou-se, -aqueceu-se num banho termostatizado a 100 ᵒC durante 20 min, -arrefeceu-se num banho de gelo durante aproximadamente 5 min, -adicionou-se uma mistura de HCl 1M até atingir um valor de pH entre 6,8 e 7,4. 4.4.7.2 – Procedimento geral para a síntese dos complexos Tc1–Tc7 A uma solução (50 - 100 µl, 10-3 M) de ligando em etanol (L1), ou em H2O (L2, L4, L5, L6 ou L7), introduzida num frasco de vidro selado e sob atmosfera de azoto, adicionaram-se 950 – 900 µL de uma solução de fac-[99mTc(CO)3(H2O)3]+ (5 mCi), em tampão fosfato pH 7,4 (Tc1 e Tc2) ou em NaCl 0,9 % pH 7,4 (Tc4, Tc5, Tc6 e Tc7). A preparação foi aquecida a 100 ᵒC durante 30 min, arrefecida num banho de gelo e analizada por RP-HPLC. Os tempos de retenção obtidos para Tc1 - Tc7 e para Re1 - Re6 foram os seguintes: tR = 16,3 min (Tc1), 15,8 min (Re1); 203 Procedimento Experimental tR = 11,4 min (Tc2), 10,8 min (Re2), tR = 13,2 min (Tc4), 13,9 min (Re4); tR = 12.0 min (Tc5), 11.9 min (Re5); tR = 14,2 min (Tc6), 13,8 min (Re6); tR = 12,3 min (Tc7). 4.5. ESTUDOS IN VITRO 4.5.1 - Determinação da Carga e da Lipofilía dos Complexos A carga dos complexos Tc5, Tc6 e Tc7 foi determinada por electroforese, nas condições experimentais descritas na secção 4.3. A lipofilía dos complexos de 99m Tc foi determinada através do método “shakeflask” [121]. Isto é, o radiocomplexo foi adicionado a uma mistura de octanol (1 mL) e uma solução 0,1 M de tampão PBS pH = 7,4 (1 mL). Esta mistura foi agitada no vortex antes e após a adição do radiocomplexo, e de seguida centrifugou-se (3000 rpm, 10 min, temperatura ambiente) para separação das duas fases. A actividade das aliquotas de ambas as fases (octanol e tampão PBS) foram contadas no contador gama, e o coeficiente de partição (Po/w) foi calculado dividindo a actividade no octanol pela actividade na solução tampão PBS. Os resultados foram expressos como Log D. Log D = 0,08 ± 0,04 (Tc1) Log D = -1,67 ± 0,03 (Tc2) Log D = -2.00 ± 0.02 (Tc5) Log D = -1,94 ± 0.02 (Tc6) Log D = -2,66 ± 0.06 (Tc7) 204 Capítulo 4 4.5.2. Estabilidade In Vitro Estabilidade em PBS As soluções dos compostos (Tc1 e Tc2) preparados em tampão PBS (pH = 7,4), foram aquecidas durante 0, 1, 2, 4 e 24 horas em banho termostatizado a 37 ᵒC. Para os diferentes tempos foram retiradas alíquotas e analisadas por RP-HPLC. Para os complexos preparados em meio salino (Tc4, Tc5 e Tc6), o estudo de estabilidade em tampão PBS foi realizado adicionando 900 µL de tampão PBS 0,1 M pH = 7,4 a uma alíquota de 100 µL do complexo de 99m Tc. As soluções obtidas foram posteriormente sujeitas ao tratamento e análise descritos anteriormente. Estabilidade em soro humano Num frasco de vidro selado e com atmosfera de N2, adicionou-se 100 µl de uma solução do complexo (Tc1 ou Tc2) a 900 µl de soro humano de forma a obter uma concentração final de 10-3 M. A mistura foi mantida durante 0, 1, 2 e 4 horas em banho de água a 37 ᵒC e após cada um dos tempos referidos retiraram-se alíquotas de 100 µl e precipitaram-se as proteínas com etanol (200 µl). As soluções foram centrifugadas a 3000 rpm durante 15 min a 4 ᵒC e procedeu-se à sua análise por RP-HPLC. Estabilidade na presença de histidina e cisteína Num frasco de vidro selado e com atmosfera de N2, adicionou-se 100 µl de uma solução do complexo (Tc6) a 900 µl de uma solução de histidina (ou cisteína) de forma a obter uma concentração final de 10-3 M destes substratos. A mistura foi mantida durante 1, 2, 4 e 6 horas em banho de água a 37 ᵒC, após o que se retiraram alíquotas das soluções e se procedeu à sua análise por HPLC. 205 Procedimento Experimental 4.5.3. Ligação à Hidroxiapatite A adsorção à hidroxiapatite foi determinada seguindo um método descrito na literatura [185]. Assim, foram adicionados 50 μL de cada complexo (ca. 300 µCi/500 µL) a 2,5; 10; e 50 mg de HA, em 500 µL de tampão PBS pH = 7,2 (GIBCO®). Esta mistura foi incubada num banho de água a 37 ᵒC durante 1 h. Imediatamente após a incubação, a mistura foi centrifugada (7500 rpm/ 3 min) e a fase líquida separada. A fase sólida foi lavada 2 vezes com 500 µL de tampão PBS (pH = 7,2), e a actividade foi lida numa câmara de ionização. A ligação à hidroxiapatite calcula-se conforme indicado na equação 4.1: % Ligação à hidroxiapatite = (௦) (௧௧) x 100 (4.1) A(sol) = actividade da fase sólida; A(total) = actividade total. Alternativamente, a absorção dos complexos de 99mTc foi também calculada ao longo do tempo. Para isso, 50 µL de cada complexo (~300 µCi/500 µL) foram incubados com 15 mg de HA em 500 µL de tampão PBS pH = 7,2, durante 0, 1, 2 e 4 horas num banho de água a 37 ᵒC. As suspensões obtidas foram tratadas de acordo com o procedimento descrito anteriormente. 4.6. ESTUDOS IN VIVO Todas as experiências in vivo foram realizadas de acordo com os padrões da lei europeia relativos ao alojamento, cuidados e protecção dos animais para fins científicos (Decreto-lei 129/92 de 6 de Julho e 197/96 de 16 de Outubro da Portaria 1131/97, que transpõem para a ordem jurídica interna a Directiva Comunitária nº 86/609/CEE). 206 Capítulo 4 4.6.1. Ensaios de Biodistribuição e Estabilidade In Vivo A biodistribuição ex-vivo dos complexos avaliados foi determinada em grupos de quatro a cinco ratinhos fêmea (Charles River), das estirpes CD-1 (20 – 25 g), e Balb-c (15 g). Os animais foram injectados por via intravenosa, na veia da cauda, com 100 µL (7,0 – 32 MBq) de cada preparação, e mantiveram-se em condições controladas de temperatura, luz e humidade, e com uma dieta normal ad libitum. Imediatamente após injecção mediu-se a actividade injectada em cada ratinho na câmara de ionização. Os animais foram depois sacrificados por deslocação cervical, 1 hora e 4 horas após injecção. De seguida, foram dissecados e recolheram-se os órgãos de interesse. Mediu-se a actividade em cada órgão numa câmara de ionização ou num contador gama (Berthold) e, após determinação da respectiva massa, os resultados da biodistribuição foram expressos como uma percentagem da dose injectada por cada órgão (% A.I./órgão) ou por grama de órgão (% A.I./g órgão). A excreção total da actividade assume-se como a diferença entre a actividade injectada no animal e a actividade medida imediatamente após o seu sacrifício do animal, expressa como percentagem da dose injectada (% A.I.). A actividade total no sangue, osso e músculo foi calculada assumindo que estes órgãos constituíam 6, 10 e 40 % do peso total do animal, respectivamente. 207 Procedimento Experimental Tabela 4.2 – Resultados de biodistribuição (% A.I./órgão) após administração dos complexos Tc1 e Tc2 em ratinhos CD-1 fêmea. Tc1 Tc2 5 min 1h 4h 5 min 1h 4h Sangue 4,4 ± 0,2 1,1 ±0,3 0,8 ± 0,1 6,4 ± 2,2 0,7 ± 0,3 0,26 ± 0,05 Rim 6,7 ± 1,8 1,5 ± 0,7 0,4 ± 0,2 5,3 ± 0,9 0,8 ± 0,2 0,40 ± 0,06 Fígado 28,2 ± 2,6 8,9 ± 2,7 6,2 ± 0,3 26,2 ± 1,4 14,1 ± 1,7 4,5 ± 1,5 Intestino 23,5 ± 3,9 50,8 ± 5,0 43,3 ± 12,0 5,8 ± 1,3 22,8 ± 1,6 23,9 ± 6,3 Baço 0,3 ± 0,1 0,26 ± 0,03 0,32 ± 0,06 0,18 ± 0,06 0,02 ± 0,01 0,03 ± 0,02 Coração 0,12 ± 0,02 0,04 ± 0,01 0,04 ±0,01 0,25 ± 0,06 0,03 ± 0,01 0,02 ± 0,01 Pulmões 2,3 ± 0,6 0,3 ± 0,1 0,19 ± 0,02 0,7 ± 0,3 0,08 ± 0,03 0,05 ± 0,01 Estômago 0,7 ± 0,4 0,3 ± 0,1 0,22 ± 0,05 0,6 ± 0,1 0,4 ± 0,1 0,17 ± 0,05 Músculo 4,1 ± 0,7 1,1 ± 0,2 0,92 ± 0,07 11,7 ± 0,4 0,6 ± 0,2 0,17 ± 0,04 Osso 1,4 ± 0,2 0,4 ± 0,1 0,38 ± 0,03 4,6 ± 0,4 0,3 ± 0,1 0,22 ± 0,02 Tabela 4.3 – Resultados de biodistribuição (% A.I./órgão) após administração dos complexos Tc4, Tc5 e Tc6 em ratinhos CD-1. Tc4 Tc5 Tc6 1h 4h 1h 4h 1h 4h Sangue 0,8 ± 0,1 0,27 ± 0,03 0,77 ± 0,08 0,30 ± 0,05 0,62 ± 0,04 0,27 ± 0,04 Rim 0,7 ± 0,2 0,5 ± 0,2 1,27 ± 0,07 0,8 ± 0,1 0,81 ± 0,05 0,66 ± 0,05 Fígado 1,5 ± 0,4 1,0 ± 0,4 2,6 ± 0,7 1,3 ± 0,5 2,17 ± 0,09 1,43 ± 0,06 Intestino 1,2 ± 0,2 1,5 ± 0,3 1,8 ± 0,6 2,7 ± 1,5 1,6 ± 0,1 1,9 ± 0,2 Baço 0,04 ± 0,02 0,02 ± 0,01 0,06 ± 0,03 0,04 ± 0,02 0,051 ± 0,007 0,03 ± 0,01 Coração 0,02 ± 0,01 0,010 ± 0,005 0,03 ± 0,01 0,01 ± 0,005 0,029 ± 0,004 0,02 ± 0,01 Pulmões 0,11 ± 0,03 0,07 ± 0,04 0,100 ± 0,005 0,06 ± 0,02 0,16 ± 0,02 0,08 ± 0,01 Estômago 0,3 ± 0,2 0,25 ± 0,08 0,12 ± 0,04 0,15 ± 0,07 0,2 ± 0,1 0,14 ± 0,02 Músculo 1,2 ± 0,6 0,9 ± 0,6 1,9 ± 0,3 1,4 ± 0,4 3,6 ± 0,7 1,9 ± 0,3 Osso 7,5 ± 1,8 7,9 ± 1,4 18,5 ± 1,2 18,7 ± 2,8 30,3 ± 1,3 22,8 ± 2,2 208 Capítulo 4 Tabela 4.4 – Resultados de biodistribuição (% A.I./órgão) após administração dos complexos Tc5 e Tc6 em ratinhos Balb-c. Tc5 Tc6 1h 4h 6,5 h 1h 4h 6,5 h Sangue 0,48 ± 0,01 0,16 ± 0,04 0,13 ± 0,03 0,43 ± 0,04 0,18 ± 0,04 0,18 ± 0,01 Rim 1,1 ± 0,1 0,90 ± 0,02 0,7 ± 0,2 0,8 ± 0,1 0,6 ± 0,1 0,6 ± 0,1 Fígado 1,82 ± 0,05 1,3 ± 0,1 1,1 ± 0,3 2,3 ± 0,07 1,5 ± 0,6 2,0 ± 0,2 Intestino 3,0 ± 0,2 1,4 ± 0,1 0,73 ± 0,01 2,18 ± 0,02 0,7 ± 0,2 0,7 ± 0,3 Baço 0,06 ± 0,02 0,06 ± 0,01 0,04 ± 0,01 0,11 ± 0,02 0,02 ± 0,04 0,11 ± 0,02 Coração 0,06 ± 0,02 0,03 ± 0,01 0,03 ± 0,01 0,03 ± 0,002 0,03 ± 0,02 0,02 ± 0,003 Pulmões 0,09 ± 0,02 0,06 ± 0,01 0,05 ± 0,07 0,32 ± 0,04 0,23 ± 0,08 0,20 ± 0,07 Estômago 0,17 ± 0,05 0,06 ± 0,01 0,06 ± 0,01 0,09 ± 0,01 0,05 ± 0,01 0,07 ± 0,05 Músculo 2,6 ± 0,6 2,0 ± 0,4 1,5 ± 0,8 1,9 ± 0,4 1,2 ± 0,1 1,1 ± 0,3 Osso 28,,6 ± 0,,4 23,,2 ± 2,,6 12,,8 ± 2,,4 20,,7 ± 4,,9 20,,9 ± 2,,2 18,,9 ± 1,,5 Tabela 4.5 – Resultados de biodistribuição (% A.I./órgão) após administração do complexo Tc7 em ratinhos CD-1. Tc7 Sem Probenecide Com Probenecide 1h 4h 1h 4h Sangue 0,5 ± 0,1 0,16 ± 0,04 2,3 ± 0,5 0,35 ± 0,09 Rim 5,5 ± 0,6 5,1 ± 0,5 5,6 ± 1,1 3,5 ± 0,8 Fígado 3,7 ± 0,2 3,1 ± 0,8 5,10 ± 0,09 4,5 ± 0,2 Intestino 1,9 ± 0,4 3,8 ± 1,1 3,9 ± 0,2 4,2 ± 0,2 Baço 0,08 ± 0,02 0,09 ± 0,04 0,19 ± 0,01 0,14 ± 0,03 Coração 0,04 ± 0,01 0,03 ± 0,01 0,09 ± 0,05 0,044 ± 0,008 Pulmões 0,24 ± 0,06 0,22 ± 0,02 0,4 ± 0,1 0,235 ± 0,006 Estômago 0,5 ± 0,1 0,3 ± 0,2 0,27 ± 0,06 0,16 ± 0,01 Músculo 3,9 ± 0,6 3,0 ± 0,2 3,5 ± 1,5 1,9 ± 0,3 Osso 33,3 ± 1,1 32,9 ± 5,2 12,5 ± 1,6 21,1 ± 3,1 209 Procedimento Experimental Tabela 4.6 – Resultados de biodistribuição (% A.I./órgão) após administração do complexo 99mTc-MDP em ratinhos CD-1 e Balb-C. CD-1 Balb-c 1h 4h 1h 4h 6,5 h Sangue 0,23 ± 0,02 0,19 ± 0,02 0,4 ± 0,2 0,25 ± 0,01 0,21 ± 0,02 Rim 0,6 ± 0,1 0,7 ± 0,2 0,7 ± 0,1 0,58 ± 0,05 0,49 ± 0,06 Fígado 5,8 ± 2,1 1,3 ± 0,4 3,8 ± 1,9 2,5 ± 0,2 2,0 ± 0,3 Intestino 0,44 ± 0,05 0,8 ± 0,1 0,4 ± 0,07 0,9 ± 0,2 0,4 ± 0,1 Baço 0,25 ± 0,11 0,19 ± 0,06 0,13 ± 0,06 1,0 ± 0,1 0,8 ± 0,2 Coração 0,03 ± 0,01 0,03 ± 0,01 0,04 ± 0,02 0,06 ± 0,02 0,07 ± 0,03 Pulmões 0,07 ± 0,01 0,10 ± 0,06 0,08 ± 0,02 0,22 ± 0,05 0,14 ± 0,04 Estômago 0,3 ± 0,2 0,3 ± 0,2 0,2 ± 0,2 0,27 ± 0,03 0,18 ± 0,04 Músculo 3,1 ± 0,7 2,4 ± 0,6 3,1 ± 0,7 2,4 ± 0,8 2,7 ± 0,4 Osso 26,0 ± 4,1 25,9 ± 1,9 24,7 ± 5,1 29,2 ± 4,1 26,9 ± 3,8 Excreção total 53,1 ± 5,0 57,6 ± 1,7 49,1 ± 6,1 56,8 ± 0,9 59,7 ± 1,7 Tabela 4.7 – Resultados de biodistribuição (% A.I./g órgão) após administração do complexo 99mTc-MDP em ratinhos CD-1 e Balb-C. CD-1 Balb-c 1h 4h 1h 4h 6,5 h Sangue 0,19 ± 0,03 0,15 ± 0,01 0,4 ± 0,1 0,28 ± 0,02 0,24 ± 0,02 Rim 1,7 ± 0,3 2,0 ± 0,6 2,4 ± 0,4 2,2 ± 0,3 1,7 ± 0,2 Fígado 4,9 ± 1,9 1,0 ± 0,2 3,7 ± 1,6 3,0 ± 0,5 2,2 ± 0,4 Intestino 0,19 ± 0,05 0,38 ± 0,05 0,24 ± 0,04 0,6 ± 0,1 0,2 ± 0,1 Baço 1,9 ± 1,0 1,7 ± 0,7 2,9 ± 0,6 9,7 ± 0,7 7,6 ± 1,6 Coração 0,21 ± 0,07 0,2 ± 0,1 0,3 ± 0,2 0,6 ± 0,1 0,5 ± 0,2 Pulmões 0,26 ± 0,03 0,4 ± 0,2 0,4 ± 0,3 1,1 ± 0,3 0,7 ± 0,2 Estômago 0,57 ± 0,4 0,4 ± 0,2 1,0 ± 0,7 1,5 ± 0,4 0,4 ± 0,1 Músculo 0,4 ± 0,1 0,3 ± 0,1 0,5 ± 0,1 0,4 ± 0,1 0,5 ± 0,1 Osso 12,7 ± 2,7 12,7 ± 1,4 17,1 ± 2,4 19,8 ± 1,5 18,2 ± 3,1 Excreção total 53,1 ± 5,0 57,6 ± 1,7 49,1 ± 6,1 56,8 ± 0,9 59,7 ± 1,7 A estabilidade in vivo dos complexos foi determinada por análise por RP-HPLC de amostras de urina e sangue. As amostras foram recolhidas após sacrifício dos ratinhos efectuado 1 hora após injecção dos complexos de 99mTc. 210 Capítulo 4 As amostras de urina foram previamente centrifugadas e filtradas (filtro Millipore 0,22 µm) antes de analisadas por RP-HPLC. As amostras de sangue foram centrifugadas (3000 rpm, 15 min, 4 ᵒC), o soro foi tratado com etanol, numa razão de 2:1 (v/v de etanol/soro), para precipitar as proteínas. As misturas foram novamente centrifugadas (3000 rpm, 15 min, 4 ᵒC) e o sobrenadante foi filtrado (filtro Millipore 0,22 µm) e analisado por RP-HPLC. 4.6.2. Cintigrafia em câmara - gama Para a vizualização da biodistribuição in vivo, administraram-se por via intravenosa ca. 37 MBq de cada um dos complexos Tc5, Tc6, Tc7 e 99m Tc-MDP, a grupos separados de ratos Sprague Dawley. As imagens de corpo inteiro foram obtidas com uma câmara - gama (GE) equipada com um colimador LEAP e ligada a um computador Starcam 4000i. Todas as imagens foram obtidas numa matriz de 128 x 128, 2h após injecção dos complexos radioactivos. A aquisição das imagens cintigráficas foi realizada com o apoio da Drª Guilhermina Cantinho e do Sr. Vieira Marques, no Instituto de Medicina Nuclear da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. 211 Referências Bibliográficas Referências REFERÊNCIAS 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. Raggatt, Liza J. and Partridge, Nicola C., Cellular and Molecular Mechanisms of Bone Remodeling, Journal of Biological Chemistry 285 (2010), no. 33, 25103-25108. Bilezikian, J.P., Raisz L.G., Rodan, G.A. , Principles of Bone Biology Academic Press, San Diego, USA, 2002. Brunton, L.L.; Lazo, J.S. and Park, K.L. , "Goodman e Gilman: As bases farmacológicas da terapêutica," Artmed, 2010, pp. 1507-1508. Avioli, L.V. and Krane, S.M, Metabolic Bone Disease and Clinically Related Disorders, Academic Press, San Diego, USA, 1997. Costa, L. and Major, P. 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Mepz Mepz c + b d h a e g i f L5 f Mepz f i Mepz f g e 2.00 i e e h f 2.50 g g b c+d b+h a h f 3.00 i 3.50 a b 4.00 a ppm ppm 4.00 3.50 3.00 2.50 2.00 Figura A.1 – Ampliação do espectro de 1H - 1H COSY de L5, na zona δ 4,4 - 1,6 (D2O). 229 Anexos e+i C(4)pz b g c a f 2 x Mepz d h L5 Mepz f i Mepz e f Mepz 2.0 i e g 3.0 g c+d b+h b d h c 4.0 a a 5.0 H(4)pz H(4)pz C(4)pz ppm ppm 100 88 75 Figura A.2 – Espectro de 1H – 13C HSQC de L5 (D2O). 230 63 50 38 25 13 Anexos 2 x Mepz h/h’ b g’ H(4)pz e + e’ f/f’ + i/i’ c + c’ a a’ NH NH g d b’ d’ Re5 H(4)pz Mepz 2.0 d’ NH d NH 3.0 NH NH 4.0 Zona ampliada Fig. A.4 NH NH NH NH d’ 5.0 d H(4)pz Mepz 6.0 ppm ppm 6.0 5.0 4.0 3.0 2.0 Figura A.3 - Espectro de 1H – 1H COSY de Re5 (D2O). 231 Anexos 2 x Mepz h/h’ b g’ e + e’ f/f’ + i/i’ c + c’ a a’ NH g b’ d’ d Re5 i h f g 2.00 d’ d d’ c d’ NH b’ a’ 2.50 b’ b c b c d’ d d d a a’ c b h d’ a g f 4.00 a’ b’ b a’ i 3.50 b’ NH d’ a a 3.00 ppm ppm 4.00 3.50 3.00 2.50 Figura A.4 - Ampliação do espectro de 1H – 1H COSY de Re5 na zona δ 4,5 - 1,7. 232 2.00 Anexos e+i g c C(4)pz b a 2 x Mepz f d h j Re5 2 x Mepz f/f’ + i/i’ e + e’ c + c’ 2.0 d’ b’ b’ d’ e+i f/f’ Mepz c d 3.0 d h/h’ + b + g’ b g NH h g/g’ 4.0 a’ a a/a’ 5.0 NH H(4)pz H(4)pz C(4)pz 6.0 ppm ppm 100 83 67 50 33 17 Figura A.5 – Espectro de 1H – 13C HSQC de Re5 (D2O). 233