Rui Gonçalves de Souza Designs modernistas: PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1011914/CA ideias, atitudes e mentalidades em padronagens têxteis Tese de Doutorado Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Design da PUC - Rio como requisito parcial para a obtenção do grau de Doutor em Design. Orientador: Prof. Alberto Cipiniuk Volume I Rio de Janeiro Novembro de 2014 Rui Gonçalves de Souza Designs modernistas: PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1011914/CA ideias, atitudes e mentalidades em padronagens têxteis Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Design do Departamento de Artes e Design do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC - Rio como requisito parcial para a obtenção do título de Doutor em Design. Aprovada pela Comissão Examinadora abaixo assinada. Prof. Alberto Cipiniuk Orientador Departamento de Artes e Design - PUC-Rio Profa. Deborah Chagas Christo Departamento de Artes e Design - PUC-Rio Profa. Fernanda de Abreu Cardoso Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ Profa. Irina Aragão dos Santos Departamento de Artes e Design - PUC-Rio Profa. Maria Lucia Bueno Ramos Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF Profa. Denise Berruezo Portinari Coordenadora Setorial do Centro de Teologia e Ciências Humanas - PUC - Rio Rio de Janeiro, 13 de Novembro de 2014 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial do trabalho sem autorização da Universidade, do autor e do orientador. Rui Gonçalves de Souza PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1011914/CA Graduado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, em 1985. Mestre em Moda, Cultura e Arte pelo Centro Universitário SENAC – São Paulo, 2008. Ficha Catalográfica Souza, Rui Gonçalves de Designs modernistas: ideias, atitudes e mentalidades em padronagens têxteis / Rui Gonçalves de Souza; orientador: Alberto Cipiniuk. – 2014. 2v.: il.; 30 cm Tese (doutorado) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Departamento de Artes e Design, 2014. Inclui bibliografia 1. Artes e design – Teses. 2. Design têxtil - História. 3. História do Design. 4. Design modernista. 5. Arte moderna em tecidos. I. Cipiniuk, Alberto. II. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Departamento de Artes e Design. III. Título. CDD: 700 CDD: 700 Em memória de meu pai e de minha mãe PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1011914/CA Agradecimentos Ao meu orientador Professor Alberto Cipiniuk pelo estímulo e parceria para realização deste trabalho. Aos meus colegas do nosso grupo de pesquisa no Departamento de Artes e Design da PUC-Rio, o GRUDAR, pelas discussões calorosas e pela amizade. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1011914/CA Aos professores que participaram da Comissão examinadora. Ao meu amigo Jadir pela sua companhia sincera e seu incentivo moral. Ao meu tio Hilton (in memória) e minha prima Helena, quem primeiramente apresentaram e despertaram em mim o gosto pelos tecidos. Resumo Souza, Rui Gonçalves; Cipiniuk, Alberto. Designs modernistas: ideias, atitudes e mentalidades em padronagens têxteis. Rio de Janeiro, 2014. 493 p. Tese de Doutorado – Departamento de Artes e Design, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. O estudo investiga a atuação dos pintores-designers das vanguardas modernistas no campo do design têxtil entre 1910 a 1930. Mais precisamente, em suas propostas de defender e incorporar o esforço progressista, econômico-tecnológico da civilização industrial e por outro lado a busca de uma aproximação maior entre as artes consideradas “maiores” e sua integração à produção econômica. Outrossim, parte da perspectiva de PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1011914/CA que esses objetos de design podem ser tratados como evidências históricas, como cultura material, e nos podem falar desde a sua concepção, sua comercialização e seu uso, do papel do “designer-artista” no momento em que a arte atuou no desenvolvimento de bens simbólicos no sentido de produzir riqueza industrial. A outra perspectiva é observar esses designs de têxteis como imagens e neste sentido produtores de conhecimento sobre o contexto social e da época em foram projetados. O estudo questiona a indiferença da História da Arte e do Design em relação a esta produção, além da forma como estão sendo apresentados em exposições como objeto estético, procedimento que deixam de lado um testemunho histórico importante, no momento em que a prática do design e da arte, em conjunto, se aproximou da indústria. Palavras-chave Design Têxtil - História; História do Design; Design Modernista; ArteModerna em Tecidos. Abstract Souza, Rui Gonçalves; Cipiniuk, Alberto (Advisor). Modernist designs: social and aesthetic objects that speak of mentalities, ideas and attitudes in textiles patterns. Rio de Janeiro, 2014. 493 p. DSc. Thesis – Departamento de Artes e Design, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. The study investigates the performance of the modernist avant-garde painters in the field of textile design from 1910 to 1930. More precisely, in their proposals to defend and incorporate progressive, economic and technological effort of industrial civilization and secondly the search for a PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1011914/CA closer between the arts considered "major" and their integration into economic production, like the decor and clothing. Moreover, part of the hypothesis that these design objects can be treated as historical evidence, such as material culture, and can speak from their conception, their marketing and their use, the role of "designer-artist" at the time the art served in the development of symbolic goods in order to produce industrial wealth. The other perspective is to look at these as textile designs, as images, and these knowledge producers who speaks sense of social context, and the time they were designed. The study questions the indifference of the History of Art and Design in relation to this production, and the way they are being presented in exhibitions, as mere aesthetic objects. Failure to observe these projects as historical documents, leaves out important evidence of a time when the practice of design and art industry closer together. Keywords Textile Design History; Design History; Modernist Design; Modern Art in Textiles. Sumário 1. Introdução 13 2. Vestuário e tecidos como objetos de exibições estéticas 26 2.1. A moda “artificada” é a atração do momento 40 2.2. Os Designs de têxteis modernistas em Museus 53 3. Tecidos modernistas, artefatos artísticos, documentos históricos 60 3.1. Design de têxteis e produção de conhecimento histórico 65 3.2. Designs modernistas imagens documentos 72 3.3. Evidências históricas visuais em tecidos 75 3.4. Têxteis estampados em estudos da cultura material 80 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1011914/CA 3.5. O design têxtil das vanguardas modernistas como evidências históricas 89 3.5.1. Reavaliação dos designs de têxteis modernistas na história do design e arte 95 3.5.2. Padronagens têxteis modernistas e os tecidos do “outro” 103 3.5.3. Padronagens modernistas estampadas 106 3.5.4. Padronagens modernistas construídas e produção de massa 109 4. Tecidos para uma moda modernista 114 4.1. Indústria, padronização, gestão científica e prontos-a-vestir 123 4.2. Novas tecnologias e aceleração da produção industrial de roupas 127 4.3. A moda modernista da alta-costura 137 4.4. Corpos padronizados, moda em movimento 141 4.5. Estratégias modernas de promoção comercial de moda, 1910-1914 148 4.6. Padronização e exibição de moda 154 4.7. Moda em movimento e corpos padronizados nos anos 1920 164 5. Tecidos para uma suposta antimoda modernista 169 5.1. Internacionalismo versus regionalismo 173 5.2. O design de moda e têxtil e imagens no cotidiano 178 5.3. Roupas de artistas 181 5.4. Antimoda ou antiarte em roupas futuristas 188 5.5. O negócio de tecidos da Wiener Werkstätte 194 5.6. Os ateliês de moda das vanguardas russas em Paris 197 5.7. Roupas transgressoras de Sophie Taeuber 203 5.8. A Bauhaus e os princípios que norteavam sua produção têxtil 204 5.9. Seleções de materiais e cores 208 6. Tecidos para uma proposta de uma antimoda bolchevique 210 6.1. O início do design de roupas soviético 220 6.2. A Revolução de Outubro e a nova arte 224 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1011914/CA 6.3. Os primeiros passos de uma indústria têxtil e de vestuário soviética 227 6.4. A atitude para com a moda no início dos anos 1920 230 6.5. O renascimento da indústria do vestuário na Rússia 232 6.6. Moda soviética na Exposição de Artes Decorativas de Paris, 1925 244 6.7. Designs de roupas e tecidos soviéticos construtivistas 248 6.8. Design de roupa soviético no fim da década de 1920 261 7. A gesamtkunstwerke, a poética e os têxteis modernistas como objetos artísticos 269 7.1. Tecidos modernistas na gesamtkunstwerke da Revolução Soviética 273 7.2. A “arte total” dos Ballets Russes 277 7.2.1. Figurinos e cenários neoprimitivistas dos Ballets Russes 291 7.2.2. O legado dos Ballets Russes 298 7.3. Designs de têxteis e a poética modernista 301 7.4. Os designs de têxteis e outros suportes de arte 305 8. Designs modernistas em contexto de distinção e em sociedades autóctones 308 8.1. O objeto vestuário participante da vida social 311 8.2. A “máquina modernista” americana em operação 320 8.3. Designs modernistas e o consumo de moda nos Estados Unidos 325 8.3.1. A distribuição comercial via Nova York dos designs de têxteis 329 8.3.2. A cumplicidade entre os segmentos de moda de Paris e Nova York 340 8.4. As americanas consumidoras de designs modernistas 342 8.5. A cápsula do tempo: o ateliê Tirrochi como guardião da memória modernista no design de têxtil 348 8.6. A máquina modernista e os têxteis da Ásia Central 370 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1011914/CA 8.6.1. A incorporação de símbolos políticos revolucionários pelos tecidos tradicionais da Ásia Central 376 9. Têxteis modernistas como testemunho ocular 389 9.1. As mudanças nas representações no início do século XX 392 9.2. Estudos das pinturas e produção de conhecimento histórico 394 9.3. Têxteis da Bauhaus entre o figurativo, o primitivo e o utilitário 403 9.3.1. O construtivismo e universalismo nos têxteis da Bauhaus 410 9.3.2. Tecidos utilitários da Bauhaus 419 9.4. Pinturas dinâmica: os tecidos de Sonia Delaunay 423 9.4.1. A Maison Delaunay, o Atelier Simultané e os Tissus Delaunay 427 9.4.2. A trajetória dos designs simultanés 431 9.5. Os designs de têxteis da revolução soviética 435 9.5.1. Tecidos revolucionários e a exaltação da industrialização 442 9.5.2. Tecidos e a exaltação ao desenvolvimento do sistema de Transporte 444 9.5.3. Tecidos revolucionários e a exaltação da eletrificação 445 9.5.4. Tecidos revolucionários e a exaltação a juventude 446 9.5.5. Tecidos exaltação da mecanização da agricultura e da coletivização 448 9.5.6. Tecidos e a exaltação da prática de esportes e de lazer 450 9.6. Raoul Dufy, a transformação do designer têxtil 451 9.6.1. Os têxteis de Dufy e a arte do “outro” 453 9.6.2. Dufy e sua paixão pelos tecidos 455 9.6.3. Bianchini-Férrier, da fabricação de sedas a parceria com Dufy 461 9.6.4. Os motivos dos tecidos de Dufy 464 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1011914/CA 10. Considerações finais 477 11. Referências Bibliográficas 482 A coisa característica do século vinte era a idéia de produção em série, que uma coisa deveria ser como todas as outras coisas, e PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1011914/CA que todas deveriam ser feitas de forma parecida e em grandes quantidades. Como eu disse os impressionistas tinham a idéia de que era preciso fazer uma pintura por dia na verdade de preferência duas pinturas por dia, manhã e tarde. Isto era o século dezenove, e depois o século vinte acreditou que a pintura deveria ser inteiramente subjetiva e não objetiva, que eram os pensamentos que deveriam ser pintados e não as coisas vistas. E então naturalmente mais ainda do que uma pintura ou duas por dia ou até quatro poderiam ser pintadas porque pensamentos completos chegam o tempo inteiro e toda vez que qualquer um deles pensava que pensava um pensamento e este pensamento sendo pintado era completo. O século vinte não estava interessado em impressões, não estava interessado em emoções estava interessado em concepções e então houve a pintura do século vinte. Gertrude Stein, Paris França, 1940.