_________________________________________________ Supervisão e a Educação Permanente da Força de Trabalho em Enfermagem SUPERVISÃO E A EDUCAÇÃO PERMANENTE DA FORÇA DE TRABALHO EM ENFERMAGEM Maria Lúcia Silva Servo1 Valesca Silveira Correia2 Resumo: A supervisão é fundamental para o desenvolvimento de recursos humanos através da educação permanente em saúde com vistas à qualidade da intervenção de enfermagem junto aos usuários do sistema de saúde. Para isso, é necessário o desenvolvimento do agir técnico-político da força de trabalho de enfermagem. Este trabalho tem como objetivo refletir sobre a importância da supervisão para a educação permanente dos trabalhadores em enfermagem. É um estudo realizado através de revisão bibliográfica. Discute a supervisão sob forma de processo, através do planejamento, execução e avaliação das atividades de enfermagem e dos seus métodos. Enfatiza a utilização de técnicas e instrumentos para o desenvolvimento desta sob forma de processo, considerando o contexto onde é desenvolvida e a finalidade a que atende. Conclusões: O estudo aponta a educação permanente em saúde como possibilidade de sistematização da supervisão rumo ao desenvolvimento da força de trabalho em enfermagem com vista à consolidação do Sistema Único de Saúde. Palavras-chave: Supervisão de Enfermagem; Recursos Humanos; Educação Continuada. Abstract: supervision is fundamental for continuous manpower education in nursing by means of Permanent Education in Health, looking for the nursing intervention quality in the SUS. For this purpose, nursing manpower needs to develop technical and political actions. The objective of this work is to reflect about the importance of supervision for permanent education of nursing workers. This study is based in literature review. Supervision is debated as a process, with planning, execution and evaluation of nursing activities and its methods. This emphasizes the use of techniques and instruments for nursing development as a process, considering the context were it is accomplished and the objects that are intended. Conclusions: The study indicates Permanent Education in Health as a possibility for supervision systematization, in the way of nursing manpower development for SUS definitive consolidation. Key-words: Nursing Supervision, human resources; continuous education 1 Enfermeira. Doutora em Enfermagem –USP. Professora da Faculdade de Tecnologia e Ciências de Feira de Santana – FTC. Professora da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS. E-mail: [email protected] 2 Enfermeira. Especialista em Formação Pedagógica e Formação Profissional na Área de Saúde – UEFS/FioCruz-RJ. E-mail: [email protected] _________________________________________________ Supervisão e a Educação Permanente da Força de Trabalho em Enfermagem 2 1 Introdução A enfermagem encontra-se inserida no grupo que desenvolve atenção integral à saúde da população, a qual deve dispor de uma assistência qualificada em nível de atenção primária, secundária e terciária. É constituída por três categorias heterogêneas (enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem) que trabalham em equipe, sendo fundamental o desenvolvimento de seus recursos humanos para a efetivação do modelo assistencial preconizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) criado pela Constituição Federal (BRASIL, 1988). A supervisão é apontada por diversos autores como um instrumento que viabiliza a qualidade da intervenção de enfermagem, pois procura desenvolver as potencialidades dos membros da equipe no sentido de proporcionar uma assistência adequada e livre de riscos aos usuários do sistema de saúde (CUNHA, 1991; LEITE, 1997; SERVO, 1999, 2002; CORREIA, 2003). Devido ao fato da enfermeira ser responsável pelo planejamento e coordenação das atividades nas instituições de saúde, a mesma deve atuar como co-responsável pela assistência integral da clientela através de ações de prevenção, promoção, reabilitação e recuperação da saúde rumo à consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). O entendimento da relação existente entre políticas de saúde e o trabalho da enfermeira são importantes no desempenho da função supervisão, pois esta é inerente a qualquer processo de trabalho e realiza-se em bases coletivas. Legalmente a supervisão da enfermeira encontra-se respaldada pelo Decreto Lei 94.406/87 que regulamenta a Lei 7.498/86, a qual dispõe sobre o exercício de enfermagem no Brasil, explicitando que as atividades referidas nos artigos 10 e 11, relacionadas ao “técnico de enfermagem e auxiliar de enfermagem somente poderão ser desempenhadas sob supervisão do enfermeiro”. Por outro lado, o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (Resolução COFEN 240/2000), estabelece como responsabilidades do enfermeiro em seu artigo 19 “Promover e ou facilitar o aperfeiçoamento técnico, científico e cultural do pessoal sob sua orientação e supervisão”. Os documentos do Ministério da Saúde reconhecem a supervisão como padrão de assistência de enfermagem à comunidade e em recuperação da saúde (BRASIL, 1977; 1978). O principal objetivo da supervisão é “elevar a qualidade dos serviços prestados e contribuir para o aperfeiçoamento do pessoal e para a avaliação de seu desempenho, visando à promoção da _____________________________________________________________________________________________ Diálogos & Ciência –- Revista Eletrônica da Faculdade de Tecnologia e Ciências. Ano IV, n. 8, jun. 2006. ISSN 1678-0493 http://www.ftc.br/revistafsa _________________________________________________ Supervisão e a Educação Permanente da Força de Trabalho em Enfermagem 3 saúde, melhor recuperação do cliente e ao bom funcionamento do estabelecimento” (BRASIL, 1983, p.7). O COFEN; ABEn (1985) em estudo realizado focalizaram a supervisão de pessoal de enfermagem (95%), como uma das funções mais desempenhadas pelas enfermeiras que trabalham em hospitais. A lei 8078/90 referente ao Código de Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990) obriga as instituições de saúde a disporem de recursos e meios quanti-qualitativos para atenderem às necessidades da população. Portanto, torna-se instigante o estudo da sistematização da supervisão visando à educação permanente da força de trabalho em enfermagem. Neste sentido, a literatura nacional sobre sistematização da supervisão em enfermagem é escassa, destacando-se os documentos do Ministério da Saúde (BRASIL, 1977; 1978; 1980; 1983) e autores como Santos (1990); Cunha (1991); Servo, (1999, 2001); Servo et al (2003); Correia (2003). Este é um estudo de revisão bibliográfica, que tem como objetivo: refletir sobre a importância da sistematização da supervisão para a educação permanente dos trabalhadores em enfermagem. 2 Desenvolvimento do Tema do Trabalho A adoção de uma metodologia de trabalho que contemple a sistematização da supervisão como processo dinâmico, envolve o planejamento, a execução e a avaliação das atividades realizadas, através da utilização de métodos, técnicas e instrumentos de supervisão na assistência aos clientes e a busca da satisfação pessoal dos membros da equipe de enfermagem, constituindo-se em supervisão efetiva e sistemática. 3 O planejamento, a execução e a avaliação das atividades de supervisão As concepções sobre planejamento têm como perspectiva a tecnologia para a ação, ou seja, perspectivas de construção para produzir no mundo do saber tecnológico, com o compromisso de ordenar a forma de operar e agir, pois, é importante visualizar a sistematização da supervisão orientada para o planejamento em enfermagem, buscando a competência continuada na organização produtiva, onde esta é realizada. _____________________________________________________________________________________________ Diálogos & Ciência –- Revista Eletrônica da Faculdade de Tecnologia e Ciências. Ano IV, n. 8, jun. 2006. ISSN 1678-0493 http://www.ftc.br/revistafsa _________________________________________________ Supervisão e a Educação Permanente da Força de Trabalho em Enfermagem 4 O planejamento desenvolve-se dentro de um quadro dialético e contraditório face à diversidade e à dinamicidade da realidade social onde se operacionaliza o processo de trabalho. No contexto das organizações, a necessidade de fazer escolhas se faz presente, o que significa que as decisões devem ser tomadas de forma sistematizada. No caso da enfermagem não é diferente, seja através da operacionalização do planejamento normativo com as suas etapas, ou do planejamento estratégico situacional (PES) com os seus momentos. Neste sentido, Ciampone (1991, p.42) afirma que o “planejamento fornece suporte para a tomada de decisões ou implementação de propostas que desejamos viabilizar” e Newman (1986) ressalta que o planejamento favorece compreensão, antecipação, cooperação e exploração de mudanças. Cunha (1991) acrescenta que o planejamento é uma etapa importante para a função supervisão, pois determina o que deve ser feito, quem o fará e quando. Desta forma, o planejamento compreende desde a percepção de uma necessidade de ação até a decisão quanto o que será feito, por quem e quando. Com base no diagnóstico realizado e nas necessidades do serviço, o plano de trabalho é elaborado contendo objetivos, unidades ou setores a supervisionar, atividades e tarefas; prioridades; normas para o seu desenvolvimento e cronograma de trabalho. A utilização do planejamento no exercício da supervisão em enfermagem constitui-se em ações sistemáticas. Defendemos a aplicação da metodologia do PES para a sistematização da supervisão em enfermagem, pois este reconhece o quadro dialético e contraditório que permeia a realidade em que são desenvolvidas as ações de enfermagem, e promove a integração dos atores sociais3 envolvidos. Compreendemos que o planejamento normativo não comporta visões e ações diferentes e não é capaz de enfrentar uma realidade social criativa. Neste sentido, Barelli; Tryano (1991) enfatizam que o planejamento normativo traz uma única explicação, como caráter de verdade ou norma. Visualizamos a supervisão em enfermagem orientada pelo PES, pois, os conflitos existentes no exercício da supervisão são permeados por questões técnicas, hierárquicas, de poder, relacionamento interpessoal e condições de trabalho. 3 Atores sociais são produtores de fatos e produto social destes, (TESTA, 1992) _____________________________________________________________________________________________ Diálogos & Ciência –- Revista Eletrônica da Faculdade de Tecnologia e Ciências. Ano IV, n. 8, jun. 2006. ISSN 1678-0493 http://www.ftc.br/revistafsa _________________________________________________ Supervisão e a Educação Permanente da Força de Trabalho em Enfermagem 5 O PES vê a realidade dinâmica, trabalha os conflitos, reconhece os aliados e oponentes, cria possibilidades para a sua execução e é capaz de incorporar alterações do contexto. Daí a necessidade da enfermeira preparar-se para as contingências e para o desenvolvimento do processo interativo visando à mudança. Neste sentido, Testa (1992, p. 81) assinala que o “planejamento de situações é o desenho de mudanças situacionais em um contexto de forças sociais oponentes”. O planejamento estratégico constitui-se em processo dinâmico e sistemático de visualização do futuro de uma organização, balizado na análise das tendências de transformação do ambiente tanto externo como interno de modo que essa visão oriente as ações, medidas e propósitos da organização. Diante do exposto, o planejamento envolve a definição de qualidade, o desenho de produtos ou serviços conforme as necessidades dos atores sociais, o desenho de processo e a operacionalização desses processos. Na execução do planejamento de supervisão é imprescindível considerar os fatores a seguir: observação do desempenho do pessoal, atos e comportamento; o acompanhamento das ocorrências, as comunicações recebidas; ambiente favorável; área física ideal; bom relacionamento entre a supervisora e os supervisionados; observação direta das tarefas realizadas; estudo de registros existentes; observação do reconhecimento da clientela quanto ao trabalho executado. (SERVO et al, 2003; CORREIA,2003). É importante ressaltar a necessidade da enfermeira desenvolver o agir técnico-político no exercício da supervisão, incorporando o raciocínio político e a consciência da complexidade da realidade, sujeito a incertezas do cenário. Desta forma, a execução do planejamento de supervisão delineia-se através da realidade social (das pessoas, ambiente, sistemas de informação e relacionamento interpessoal e usuários). A avaliação do processo de supervisão deve ser contínua e ocorrer como um processo permanente e integrador de conhecimento e da realidade social. Esta avaliação carece de sistematização e objetividade. É importante o envolvimento dos atores sociais (enfermeira, membros da equipe de enfermagem e saúde, e clientela), no sentido de superar as dificuldades encontradas no exercício desta prática, em função da assistência de enfermagem prestada aos clientes, livre de riscos, e ainda em atendimento aos instrumentos jurídicos institucionais existentes. _____________________________________________________________________________________________ Diálogos & Ciência –- Revista Eletrônica da Faculdade de Tecnologia e Ciências. Ano IV, n. 8, jun. 2006. ISSN 1678-0493 http://www.ftc.br/revistafsa _________________________________________________ Supervisão e a Educação Permanente da Força de Trabalho em Enfermagem 6 Na prática, a avaliação não pode centrar-se somente aos aspectos técnicos e administrativos, pois, a infra-estrutura material e física oferecida pelos serviços, o contexto e as relações humanas são elementos importantes nesse processo. O sistema de avaliação deve ser proposto de forma permanente e possibilitar a participação conjunta da equipe de saúde/enfermagem e usuários do serviço. Esta etapa da sistematização da supervisão em enfermagem pautada no pensamento estratégico existe por si mesma. Ela aparece no exercício da prática assistencial a partir do momento em que a enfermeira começa a relacionar-se com o seu objeto de trabalho dentro e fora deste sistema. Com isso, ressaltamos que a avaliação da supervisão está presente durante todo o processo de trabalho da enfermeira no exercício da sua prática, numa concepção processual e integradora conhecimento e realidade social. 4 Os métodos, as técnicas e os instrumentos de supervisão .Os métodos de supervisão possibilitam à enfermeira uma ação integradora, permitindo-lhe o uso de uma ou várias técnicas em cada situação vivenciada. Para Manzanares; Martinez (1988), os principais métodos de supervisão em enfermagem são: método científico, método indireto, método de múltiplas faces ou misto e método de investigação ativa. O método científico consiste em observar o pessoal de enfermagem no desempenho de suas funções e com base nas dificuldades evidenciadas são programadas as atividades individualizadas, com o objetivo de sanar tais dificuldades. Tem como variável determinante à atenção que receberá o cliente; estimular a reflexão, observar a criatividade da enfermeira e demais membros da equipe de enfermagem (SERVO, 2001). O método indireto consiste na aplicação de uma supervisão não diretiva, que oferece estímulo e amplas oportunidades para os participantes do processo ensino-aprendizagem, para que tomem consciência de seu desempenho e busquem seus próprios caminhos para melhorar sua atuação (SERVO, 2001). O método de múltiplas faces ou misto, baseia-se na aplicação das várias técnicas de supervisão, que podem variar conforme a situação problema (SERVO, 2001). O método de investigação ativa compreende o estudo em grupo e individualmente, de um ou vários problemas de complexidades variadas a pedido do pessoal de enfermagem e/ou _____________________________________________________________________________________________ Diálogos & Ciência –- Revista Eletrônica da Faculdade de Tecnologia e Ciências. Ano IV, n. 8, jun. 2006. ISSN 1678-0493 http://www.ftc.br/revistafsa _________________________________________________ Supervisão e a Educação Permanente da Força de Trabalho em Enfermagem 7 enfermeira, sem interromper o desenvolvimento das atividades diárias. Este método permite chegar às conclusões objetivas e possibilita a participação do pessoal nas soluções dos problemas (SERVO, 2001). As técnicas de supervisão são os instrumentos operativos que a enfermeira utiliza em relação à especificidade das mesmas, visando otimizar as ações dos grupos em seu ambiente de trabalho. São estratégias que desenvolvem os indivíduos, propiciam o alcance de maturidade profissional e facilitam a participação destes indivíduos no processo decisório, promovendo interação harmoniosa, produtiva e satisfatória. Qualquer que seja o método e a técnica a ser empregada depende dos objetivos propostos, da situação existente e da possibilidade de aplicação. Constitui-se em observação direta, revisão de documentos, avaliação de dados, entrevistas, informação, demonstração de procedimentos, orientação, discussão de grupos, reunião e estudos especiais. (Brasil, 1980; 1983; Cunha, 1991) Os instrumentos de supervisão são os roteiros, os dados estatísticos, os relatórios de serviços, as fichas e notas de clientes, os manuais de técnicas, as normas, as rotinas e os procedimentos, os mapas, os comentários, as fichas de avaliação e acompanhamento, inclusive os objetivos e os indicadores. (Brasil, 1980; 1983 ; Cunha,1991) O enfermeiro assegura, mediante sua supervisão, a manutenção dos padrões de eficiência do trabalho e a eficiência dos métodos e técnicas para atingir as metas que se propõe: melhor desempenho, melhor assistência. Compreendemos, no entanto, que é preciso considerar que os métodos e objetivos da supervisão variam em função do contexto social e político da sociedade em que as organizações estão inseridas; e da ênfase dada ao planejamento, organização e ao treinamento, o que depende das exigências conjunturais. Neste sentido, entendemos que os espaços de transformação no exercício da supervisão para a operacionalização de sua sistematização estão centrados nos componentes políticos-gerenciais, nas políticas do setor de saúde, na estrutura organizacional dos serviços de saúde, no preparo da enfermeira para o exercício da função e no planejamento do serviço de enfermagem em todos os níveis. _____________________________________________________________________________________________ Diálogos & Ciência –- Revista Eletrônica da Faculdade de Tecnologia e Ciências. Ano IV, n. 8, jun. 2006. ISSN 1678-0493 http://www.ftc.br/revistafsa _________________________________________________ Supervisão e a Educação Permanente da Força de Trabalho em Enfermagem 8 5 A operacionalização da sistematização da supervisão em enfermagem Segundo Tavares (2006, p.288) “o plano de reordenação política de recursos humanos no SUS preconiza a educação permanente no trabalho visando alcançar perfis profissionais orientados pela necessidade da população, em cada realidade regional e em cada nível de complexidade”. Assim, dada a importância que a supervisão em enfermagem assume na busca da educação permanente da equipe de enfermagem, procuramos visualizá-la como um caminho para a qualidade da intervenção em enfermagem junto aos usuários do sistema de saúde, através da adoção da metodologia do pensamento estratégico. Para tanto, necessário se faz, algumas considerações sobre o Planejamento Estratégico Situacional de Matus (1993). O caráter estratégico reconhece as variáveis que são conhecidas e não conhecidas e cria possibilidades para a sua execução. A apreciação situacional permite que as mudanças sejam consideradas dialeticamente. Este autor traz a noção de situação como o lugar social onde estão situados o ator e a ação. A ação é planejada a partir dos problemas, através de um processo interativo entre diversos atores, com interesses variados, sobre a realidade que se pretende mudar. Desse modo, é possível definir os indicadores de (in)satisfação que pretende atingir ou eliminar, identificar os nós críticos, determinar as ações e chegar aos módulos de enfrentamento da situação. Os módulos do planejamento encontram-se estruturados em quatro momentos interdependentes e contínuos compondo a metodologia do PES: momento explicativo, momento normativo, momento estratégico e momento tático-operacional. O momento explicativo (é, tende a ser), explica a situação atual da realidade, de acordo com os valores e a ideologia do ator em questão e considera a existência de outros atores sociais e identifica os nós críticos (causas determinantes dos problemas). Neste momento é possível explicar o cenário e reconhecer a imagem-objetivo. O momento normativo (como deve ser) concebe o desenho da ação capaz de modificar a situação problema e considera as incertezas. O momento estratégico (pode ser), consiste na construção da viabilidade do plano (presente em todos os momentos) frente à identificação dos oponentes e aliados, procurando delinear a estratégica global. O momento tático-operacional (fazer) consiste na mediação entre o conhecimento e a ação. _____________________________________________________________________________________________ Diálogos & Ciência –- Revista Eletrônica da Faculdade de Tecnologia e Ciências. Ano IV, n. 8, jun. 2006. ISSN 1678-0493 http://www.ftc.br/revistafsa _________________________________________________ Supervisão e a Educação Permanente da Força de Trabalho em Enfermagem 9 O pensamento estratégico é um método que abre alternativas para a prática profissional, visando uma intervenção de enfermagem efetiva, dirigida para soluções de problemas de saúde e de enfermagem e que exige disponibilidade interna dos trabalhadores de enfermagem para um novo agir. Neste sentido, entendemos que há necessidade do desenvolvimento de uma cultura de mudança, fazendo com que cada ator social crie uma predisposição para a mudança. Sabemos que a qualidade é comprometimento fundamentado no conhecimento. Assim, “a educação permanente em saúde analisada como um processo educacional tem como objeto de transformação o processo de trabalho em saúde, orientado para a melhoria da qualidade dos serviços e para a equidade no cuidado e no acesso ao serviço de saúde” (RIBEIRO, MOTTA, 1996). Corrobora-se Castilho; Gaidzinski (1991) quando referem que a conscientização do enfermeiro com relação ao uso de um método de sistematização de assistência é fundamental para que seja mudada a forma de assistir a clientela.. Entende-se que a sistematização da supervisão possibilita a interiorização da supervisão enquanto processo orientado pelo pensamento estratégico e pela educação permanente em saúde. 6 Conclusão Considera-se que a busca da educação permanente da força de trabalho em enfermagem consiste na construção dos espaços democráticos existentes, nas aproximações sucessivas, no trabalhar conflitos, operacionalizando o pensamento estratégico orientado para a supervisão em enfermagem, vislumbrando assim, a transformação das relações sociais e conseqüentemente da enfermagem. Entende-se que a supervisão precisa ser melhor estudada e implementada de modo menos empírico no sentido de respaldar decisões técnicas corretas e adequadas, tendo em vista uma ação de enfermagem efetiva; daí a necessidade da implementação de uma metodologia visualizando a sua sistematização. Este trabalho não se pretende acabado, constitui-se em reflexões iniciais para estimular outras reflexões. Tem a pretensão de iniciar uma discussão. _____________________________________________________________________________________________ Diálogos & Ciência –- Revista Eletrônica da Faculdade de Tecnologia e Ciências. Ano IV, n. 8, jun. 2006. ISSN 1678-0493 http://www.ftc.br/revistafsa _________________________________________________ Supervisão e a Educação Permanente da Força de Trabalho em Enfermagem 10 Referências BARELLI, Walter; TROYANO, Annez Andraus. Planejar como arte do governo. São Paulo em Perspectiva n. 5. v.4 p. 18-22 out./dez. 1991 BRASIL. Ministério da Saúde/OPAS/OMS. 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