Faculdade de Ciências e Filosofia – Campus de Marília P r o g r a m a d e P ó s -­‐ G r a d u a ç ã o e m F i l o s o f i a D e p a r t a m e n t o d e F i l o s o f i a C o n s e l h o d e C u r s o d e F i l o s o f i a Caderno de
Resumos
V Encontro da Pós - Graduação em Filosofia da
UNESP
“15 Anos PPGFil-UNESP”
“Homenagem ao Prof. Antonio Trajano Menezes
Arruda”
Marília – 30/11 a 02/12
2011
2
Programação
PPGFil
30 de Novembro de 2011 (quarta-feira)
10h-12h - Sessão de Trabalhos I
14h-18h30 - Sessão de Trabalhos II
19h30 – Abertura
Local: Anfiteatro I
Prof. Dr. Ricardo Pereira Tassinari (Coordenador do Conselho da PPGFilUNESP)
João Antonio de Moraes (comissão organizadora)
20h-22h
Mesa-Redonda de abertura: Origens da PPGFil-UNESP
Expositores: Lauro Frederico Barbosa da Silveira
Maria Eunice Quilici Gonzalez
Carmen Beatriz Milidoni
Moderador: João Antonio de Moraes (Aluno do PPGFil-UNESP)
Local: Anfiteatro I
01 de Dezembro de 2011 (quinta-feira)
10h-12h30 - Sessão de Trabalhos III
14h-18h - Sessão de Trabalhos IV
20h-22h
Mesa-Redonda: Alunos egressos
Expositores:
Eloisa Benvenutti
Marcio Tadeu Girotti
Luis Felipe de Oliveira
Marcos Antonio Alves
Moderador:
Débora Barbam Mendonça (Mestre em Filosofia pelo
PPGFil-UNESP)
Local: Anfiteatro I
02 de Dezembro de 2011 (sexta-feira)
10h-12h - Sessão de Trabalhos V
14h-18h - Sessão de Trabalhos VI
3
20h-22h
Mesa-Redonda: A PPGFil-UNESP hoje
Expositores:
Reinaldo Sampaio Pereira
Ricardo Pereira Tassinari
Mariana Claudia Broens
Moderador: Danilo Ramos Meira da Silva (Aluno do PPGFil-UNESP)
Local: Anfiteatro I
22h - Encerramento
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SESSÕES DE
TRABALHOS
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30 de novembro de 2011 (Quarta-­‐Feira) Sessão de trabalhos I Teoria Crítica I Mediador: Thiago Evandro Vieira da Silva Local: Anfiteatro I Hora: 10h-­‐12h Identidade do eu desde a perspectiva do primeiro Habermas Luís César Alves Moreira Filho (UNESP/Marília) A recepção estética e perceptiva do cinema, a produção de bens culturais, a obra de arte e a mercadoria do início do século XX Angélica Antonechen Colombo (UNESP/Marília) Mundo da vida e intersubjetividade linguística à luz da teoria evolutiva de Habermas Anatoli Gradiski (UNESP/Marília) A apropriação de Hegel pelo pensamento politico de Marcuse Thiago Evandro Vieira da Silva (UNESP/Marília) Teoria Crítica II Mediador: Felipe Resende da Silva Local: Sala 64 (mini-­‐auditório) Hora: 10h-­‐12h Eros e o Esclarecimento Maria Érbia Carnaúba (UNICAMP) A televisão analisada sob a ótica da indústria cultural: algumas considerações Barbara dos Santos (UNESP/Bauru) Uma breve introdução ao problema do tédio em Theodor W. Adorno Felipe Resende da Silva (UNESP/Marília) 6
Sessão de trabalhos II Filosofia Política e do Direito Mediador: Luana Turbay Local: Anfiteatro I Hora: 14h-­‐16h30 Relações entre poder e direito na visão de Carl Schmitt, Michel Foucault e Pachukanis Cristiane Moreira Lima (UNESP/Marília) Ser e dever-­‐ser: proposta de uma interpretação acerca da dignidade da pessoa Alan Ibn Chahrur (UNIVEM) Hospitalidade, justiça e direito numa democracia por vir Marcelo José Derzi Moraes (UFRJ) Entre o abuso e a legitimidade? A representação política, poder intermediário André Queiroz de Lucena (UNIFESP) A dignidade da política e a dignidade humana: a crítica arendtiana a filosofia política “tradicional” Luana Turbay (UNESP/Marília) Estética e Filosofia da Arte Mediador: Débora Barbam Mendonça Local: Anfiteatro I Hora: 16h30-­‐18h30 Os opostos esclarecidos: Rousseau e Diderot nas representações Diego Rodriguez Perin (UNESP/Marília) Arte e realidade, cultura e política: um diagnóstico para o cinema latino-­‐americano presente no manifesto “uma eztétyka da fome”, de Glauber Rocha Héder Junior dos Santos (UNESP/Assis) A analítica do espaço na arqueologia de Michel Foucault Caio Augusto T. Souto (UFSCar) 7
Aspectos iconográficos e filosóficos da obra A Virgem do Magnificat de Sandro Botticelli Débora Barbam Mendonça (UNESP/Marília) 01 de dezembro de 2011 (Quinta-­‐Feira) Sessão de trabalhos III Filosofia Moderna I Mediador: Ana Paula de Oliveira Local: Anfiteatro I Hora: 10h-­‐12h30 A república platônica como ideia prática para a república de Kant: elementos de filosofia política na dialética transcendental da Crítica da Razão Pura Alberto Paulo Neto (USP) Sobre a pedagogia: o lugar da educação na filosofia prática de Kant Renata Cristina Lopes Andrade (UNESP/Marília) O conceito de consciência transcendental em Fichte e o pensamento romântico Ricardo Farias Martins Lopes (UNESP/Marília) Ciência nas concepções de vida e morte em Schopenhauer Juliana Fernandes Breda (UNESP/ Marília) Kant, entre Hume e Wolff Ana Paula de Oliveira (UNESP/Marília) Epistemologia e Filosofia da Ciência Mediador: Danilo Ramos Meira da Silva Local: Sala 64 (mini-­‐auditório) Hora: 10h-­‐12h O conceito de operação em Piaget Alexandre Augusto Ferraz (UNESP/Marília) 8
Autoridade científica e racionalidade: é racional acreditar na ciência? Delvair Custódio Moreira (UFSC) O sistema das ciências segundo a Epistemologia Genética: contribuições para uma Teoria do conhecimento Kátia Batista Camelo Pessoa (UNESP/Marília) Considerações sobre Psicogênese e Sociogênese do tempo segundo a Epistemologia Genética Danilo Ramos Meira da Silva (UNESP/Marília) Sessão de trabalhos IV Filosofia Contemporânea I Mediador: João Antonio de Moraes Local: Anfiteatro I Hora: 14h-­‐16h30 A ciência como cognição distribuída e o problema da agência epistêmica Tales Carnelossi Lazarin (UFSCar) Contraste das teorias da consciência de Baars e Dennett Samuel de Castro Bellini Leite (UNESP/Marília) Os relacionamentos líquidos segundo Bauman Nelson Maria Brechó (PUC-­‐SP) A técnica e o lugar do homem em Martin Heidegger em breves passagens pela literatura brasileira Fabio Marchon (UFRJ) Luiz Fernando Medeiros de Carvalho (UFF) O problema da privacidade no contexto informacional João Antonio de Moraes (UNESP/Marília) Filosofia Contemporânea II Mediador: Rodrigo Canal 9
Local: Sala 64 (mini-­‐auditório) Hora: 14h-­‐16h Zé Ninguém entre quatro paredes: uma releitura da destruição da subjetividade Clayton Alexandre Zocarato (Faculdade Dom Bosco) Uma análise da filosofia econômica e política da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias Zane Halruth (UNESP/Marília) O Raciocínio Abdutivo como aspecto da Lógica Peirceana Luciane Rodrigues (UNESP/Marília) & Michelle Tavares Verginassi (UNESP/Marília) Notas sobre a noção de pensamento crítico e sua relação com a Filosofia Rodrigo Canal (UFOPA) Filosofia Política II Mediador: Raphael Guazzelli Valerio Local: Sala 64 (mini-­‐auditório) Hora: 16h-­‐18h Reflexões acerca da categoria trabalho na ontologia do ser social de György Lukács Claudio Duarte (PUC-­‐SP) Perdão e promessa: os limites da ação em Hannah Arendt Ana Paula Pedroza Moura (UERJ) Aparelhos privados de hegemonia possível e impossível: sociedade civil e estado em Gramsci Joaquim Pacheco de Lima (UEL) & Beatriz Batista da Silva (UEL) A Pedagogia Anarquista: uma introdução Raphael Guazzelli Valerio (UNESP/Marília) 02 de dezembro de 2011 (Sexta-­‐Feira) Sessão de trabalhos V 10
Filosofia da Mente e Pragmatismo Mediador: Fernando César Pilan Local: Anfiteatro I Hora: 10h-­‐12h Uma análise da noção de liberdade à luz do conceito de hábito em John Dewey Nicholas Gabriel Minotti Lopes (UNESP/Marília) Daniel Dennett e o Modelo dos Esboços Múltiplos Gustavo Vargas de Paulo (UNESP/Marília) O Problema da consciência e a Hipótese Crick-­‐Koch: A Teoria das Oscilações 40 Hz e a Teoria das Coalizões Diogo Fernando Massmann (UNESP/Marília) Uma defesa do senso comum: breves considerações sobre a filosofia de Thomas Reid Fernando César Pilan (UNESP/Marília) Filosofia Moderna II Mediador: Tomás Farcic Menk Local: Sala 64 (mini-­‐auditório) Hora: 10h-­‐12h A Lei divina e a Família: considerações a partir do § 456 da Fenomenologia do Espírito de Hegel Claudeni Rodrigues Oliveira (UNESP/Marília) Conhecimento e afetividade em Espinosa Adriano Pereira da Silva (UNESP/Marília) Espinosa: da servidão à liberdade Orion Ferreira de Lima (UNESP/Botucatu) A formação científica do conceito de consciência em Hegel Tomás Farcic Menk (UNESP/Marília) Sessão de trabalhos VI 11
Filosofia Antiga e Medieval Mediador: André de Deus Berger Local: Anfiteatro I Hora: 14h-­‐16h O conceito literário de Pessoa como princípio normativo do agir e fazer humano Marivelto Leite Xavier (UNISINOS/UNED-­‐MT) O problema da autoria do mal no livro I do De Libero Arbitrio, de Agostinho de Hipona Giovanna Usai (USP) Considerações a respeito da Percepção no Teeteto Daniel Reis Lima Mendes da Silva (UFSCar) Teoria do conhecimento em Tomás de Aquino: o papel das noções de recepção e semelhança André de Deus Berger (UFSCar) Filosofia Contemporânea III Mediador: Eloísa Benvenutti de Andrade Local: Anfiteatro I Hora: 16h-­‐18h00 Ética e práxis no segundo Wittgenstein Ricardo Peraça Cavassane (UNESP/Marília) A mudança de ideia de Wittgenstein sobre a teoria da linguagem Karina Oliveira da Silva (UNESP/Marília) Ciência e tecnologização na obra de Jürgen Habermas: a objetividade científica e o debate sobre a bioética Luis Marcos Ferreira (UNESP/Marília) A proposta fenomenológica de Merleau-­‐Ponty Eloísa Benvenutti de Andrade (USP) 12
RESUMOS DAS
COMUNICAÇÕES
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A PROPOSTA FENOMENOLÓGICA DE MERLEAU-PONTY
ANDRADE, Eloísa Benvenutti de. Doutorando em Filosofia pela Universidade de São
Paulo. Bolsa: CAPES. [email protected]
Merleau-Ponty (1908-1961) acredita que buscar o sentido próprio das coisas, aquilo que
poderíamos chamar de “experiência real”, é diferente de explicar, como no modelo
cartesiano, a “ação das coisas sobre o espírito”. Para Merleau-Ponty, a única
possibilidade que existe de uma coisa agir sobre o espírito é se ofereço a este espírito
um sentido e manifesto nele as estruturas inteligíveis. A análise do ato de conhecer
requer “[...] a ideia de um pensamento constituinte ou naturante que funda interiormente
a estrutura característica dos objetos”. Então, para que seja possível indicar ao mesmo
tempo a intimidade dos objetos no sujeito e a presença neles de estruturas sólidas, que
os distinguem de “aparências”, Merleau-Ponty propõe chamar ambas as situações de
fenômenos. Disto segue-se a fenomenologia, que deverá ser compreendida como “um
inventário da consciência como meio do universo”. Nossa comunicação apresentará
algumas questões fundamentais para a compreensão desta proposta fenomenológica de
Merleau-Ponty. Apontaremos alguns pontos importantes para a forma como o autor
realiza sua leitura crítica sobre a ontologia tradicional e como fundamenta sua proposta
de conciliação entre psicológico e fisiológico. Pela análise feita por Merleau-Ponty em
sua fase inicial sobre a percepção, veremos que os indivíduos captam diversas formas de
acordo com sua “situação” no mundo. Daqui o filósofo dirá que não é possível reduzir
consciência a coisa e introduzirá sua noção de ser no mundo. Veremos os pressupostos
que originaram conceitos como os de situação, percepção e instituição. Analisaremos,
para tanto, alguns trechos da obra Fenomenologia da percepção junto com “as relações
entre a alma e corpo” interpretadas em Estrutura do comportamento, tendo em vista,
contudo, a última ontologia do autor.
Palavras-chave: Merleau-Ponty; Fenomenologia; ontologia; percepção.
SOBRE A PEDAGOGIA: O LUGAR DA EDUCAÇÃO NA FILOSOFIA
PRÁTICA DE KANT
ANDRADE, R. C. L.; CARVALHO, A. B. Doutorando em Educação pela
Universidade Estadual Paulista – Campus de Marília. Bolsa: CAPES.
[email protected]
No presente trabalho buscaremos localizar o lugar próprio da Educação na Filosofia
Prática de Kant. A educação, segundo a perspectiva de Kant, compõe umas das partes
de sua filosofia prática, isto é, a parte empírica (ou a segunda parte da moral) do seu
pensamento prático, o qual tratará, especificamente, da moralidade aplicada ao
Homem. Noutras palavras, a educação é indicada pelo filósofo enquanto um dos
caminhos para o alcance (efetivação) da moralidade, como um dos mecanismos capaz
de efetivação do princípio prático fundamental, a saber, a lei moral, a qual, segundo
Kant, confere o genuíno valor moral às ações humanas. Pensamos que a formação moral
(ou formação do caráter, efetivação moral), mediante a educação, pode ser evidenciada
quando localizamos o lugar singular que a educação ocupa no interior da filosofia moral
kantiana. Eis o que pretendemos expor e justificar. A razão da investigação centra-se na
pesquisa, em andamento, intitulada: Formação moral, Educação e Amizade: um estudo
a partir da filosofia prática de Kant, que, ademais, coloca a questão: a ética pode ser
ensinada?
14
Palavras-chave: Kant; Filosofia Prática; Moralidade; Pedagogia; Educação.
ASPECTOS ICONOGRAFICOS E FILOSOFICOS DA OBRA A VIRGEM DO
MAGNIFICAT DE SANDRO BOTTICELLI
MENDONÇA, Débora Barbam. Mestre em Filosofia em pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. [email protected]
A obra de A Virgem do Magnificat de Sandro Botticelli narra o ato da Virgem Maria na
companhia do Menino Jesus e de cinco anjos de escrever o Magnificat, o canto de glória
ao Senhor. Julgamos que esta obra ilustra o universo teórico de Botticelli, situando-o
como um autêntico artista e intelectual do Renascimento. Este quadro foi encomendado
pela família Médici, pois era comum entre as famílias ricas investir na decoração
religiosa para que a figuração da vida dos santos aproximasse a vida cotidiana às
famílias. Não apenas por meio da narração do “motivo” religioso, mas também pelo uso
de elementos iconográficos carregados de conceitos, Botticelli foi capaz de atender as
necessidades dos mecenas, uma vez que o concetto desenvolvido para a obra vai ao
encontro dos anseios da corte florentina. Assim, no presente trabalho, analisaremos esta
pintura de modo a destacar os elementos capazes de figurar o decoro da época, bem
como, pretendemos indicar que, assim como nas obras O Nascimento de Vênus e A
Primavera, o pintor se valia de conceitos pictóricos capazes de apreender a graça tão
almejada entre os artistas.
CONTRASTE DAS TEORIAS DA CONSCIÊNCIA DE BAARS E DENNETT
BELLINI-LEITE, Samuel de Castro. Mestrando em Filosofia pela Universidade
Estadual Paulista – Campus de Marília. Bolsa: CAPES. [email protected]
A Filosofia da mente e as Ciências Cognitivas desde o fim da década de 40 têm
desenvolvido formas de compreensão dos fenômenos mentais, os quais foram excluídos
da área científica por bastante tempo. Durante os anos 70, os estudos da consciência
foram retomados. Duas importantes teorias sobre a consciência são a de esboços
múltiplos desenvolvido por Daniel Dennett em seu livro “Consciousness Explained” e o
modelo do espaço de trabalho global construído por Bernard Baars em seu livro “A
Cognitive Theory of Consciousness”. Ambas as teorias seguem a perspectiva
funcionalista e cognitivista, mas apesar de semelhanças, parecem apresentar afirmações
distintas. A teoria de esboços múltiplos de Daniel Dennett (1991) tem como proposta
principal mudar a visão da consciência como um “lugar” aonde toda informação
consciente é recebida e reunida, formando uma corrente consciente. Ele propõe que
todas as variedades da percepção e de atividades mentais são realizadas no cérebro por
meio de processamento paralelo de interpretação e elaboração de inputs sensoriais. A
informação que entra no sistema nervoso sofre contínua “revisão editorial”. A teoria do
espaço de trabalho global de Baars (1988) utiliza de uma metáfora teórica central, da
consciência como publicidade, sugerindo que há um sistema chamado “espaço de
trabalho global” subjacente a experiência consciente. Este sistema é como um órgão de
publicidade do sistema nervoso. Diversos especialistas inconscientes podem competir
ou cooperar para obter acesso ao espaço de trabalho global. Após obtenção de tal
acesso, podem transmitir suas informações para todos os outros sistemas. O objetivo do
trabalho será de realizar um contraste entre as duas teorias, destacando semelhanças e
diferenças.
Palavras-chave: Consciência; Esboços Múltiplos; Espaço de Trabalho Global.
15
TEORIA DO CONHECIMENTO EM TOMÁS DE AQUINO: O PAPEL DAS
NOÇÕES DE RECEPÇÃO E SEMELHANÇA
BERGER, André de Deus. Universidade Federal de São Carlos. Bolsa: CAPES.
[email protected]
Nosso objetivo é investigar a utilização feita por Tomás de Aquino das noções de
semelhança e recepção na formulação de sua tese sobre o modo pelo qual o homem
estabelece cognição intelectual das coisas sensíveis naturais, uma vez que é tendo em
vista o estabelecimento da ciência da natureza que nosso autor apresentará esta tese. A
noção de semelhança aparece no axioma de que todo conhecimento ocorre quando há
semelhança entre o conhecido e aquele que conhece, e a noção de recepção no axioma
de que o conhecer é o receber a forma da coisa conhecida naquele que conhece. A
nuance afirmada por nosso autor em sua formulação é a de que é o recipiente quem
determina o modo do recebido, o que define o conhecimento a partir daquele que
intelige, e não a partir do inteligido. Esta nuance diferencia a tese tomasiana das teses
atribuídas por ele aos filósofos da Grécia antiga, com os quais Tomás estabelece
contraponto em sua exposição.
Palavras-chave: Tomás de Aquino; teoria do conhecimento; ciência da natureza;
recepção; semelhança.
OS RELACIONAMENTOS LÍQUIDOS SEGUNDO BAUMAN
BRECHÓ, Nelson Maria. Mestre em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista e
Mestrando em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica – SP.
[email protected]
Esta comunicação pretende examinar o pensamento de Bauman, sociólogo polonês,
acerca do conceito “modernidade líquida” vinculado aos “relacionamentos virtuais”.
Para analisar tais conceitos, recorre-se a algumas obras do autor, Modernidade líquida,
Amor líquido e Vidas desperdiçadas. Por isso, pergunta-se: Como tecer amizades numa
sociedade líquida? Para Bauman, em Modernidade líquida, destaca que a modernidade
principia à medida que o espaço e o tempo são separados da prática da vida e entre si.
Assim, o tempo tem história e passa rapidamente. Vivencia-se, hoje, a era do espaço
virtual, no qual a informação corre veloz, independente de um espaço físico e sim
virtual. Segundo Bauman, no seu livro Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços
humanos, aponta a “rede” como ponto de conexão e, também, de desconexão virtual e
esta é sua diferença específica com as “relações”, “parentescos” e “parecerias”. Ele
frisa, inclusive, a facilidade de formar “relacionamentos virtuais”, porque em
comparação com a “coisa autêntica”, pesada, lenta e confusa, eles parecem fáceis de
usar, inteligentes e limpos. De acordo com Bauman, na sua obra Vidas desperdiçadas, a
solidariedade se encontra ausente nos relacionamentos cada vez mais “frios”,
preconizados pelo “namoro veloz”. As principais características destes namoros
implicam a fragilidade e superficialidade. Faltam-se as “teias de segurança” que as
autênticas redes de parentesco, amizade e irmandade de destino costumavam prover de
modo concreto, com ou sem novos esforços. A partir dos dados apresentados, percebese que as relações se apresentam diluídas pela “modernidade líquida”. Contudo, torna-se
salutar o desenvolvimento de amizades para resgatar os encontros, tão importantes à
edificação da autêntica amizade. A Internet pode ser uma possibilidade de encontrar e
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formar uma amizade. Porém, o fato de marcar um encontro pessoal possibilita o contato
humano, indispensável para o crescimento afetivo.
Palavras-chave: Modernidade líquida; Relacionamentos virtuais; Namoro veloz.
CIÊNCIA NAS CONCEPÇÕES DE VIDA E MORTE EM SCHOPENHAUER
BREDA, Juliana Fernandes. Mestranda em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. [email protected]
É o próprio Schopenhauer quem afirma que …a morte é propriamente o gênio
inspirador, ou a musa da filosofia... Dificilmente se teria filosofado sem a morte.. Pensar
o problema da morte, porém, implica pensar o da vida, pois ambos estão ligados no vira-ser da existência humana. Estamos, portanto, diante não de dois problemas
independentes, mas de um único problema, o qual nos apresenta dois lados. Serão
também duas as perspectivas sob as quais o autor abordará este problema: de um, lado
uma perspectiva científico/naturalista e de outro uma ético/metafísica. Neste trabalho,
iremos nos concentrar na primeira destas perspectivas, fazendo uma análise dos
capítulos 27 e 28 de O Mundo como Vontade e Representação, nos quais ele, apoiandose na literatura científica da época, empenha-se em dar uma imagem naturalística do
fenômeno da morte, em seu entrelaçamento com o da vida.
NOTAS SOBRE A NOÇÃO DE PENSAMENTO CRÍTICO E SUA RELAÇÃO
COM A FILOSOFIA
CANAL, Rodrigo. Professor Adjunto da Universidade Federal do Oeste do Pará.
[email protected]
O tema central deste trabalho é de denominado de “pensamento critico”. Nosso trabalho
não procura dar uma caracterização própria e nova do que seja pensar criticamente (ou
o que seja pensamento critico). A noção de pensamento critico é entendida como
análoga à noção de argumentação critica ou mesmo de redação argumentativa critica.
O objetivo aqui será listar e descrever algumas visões de alguns filósofos atuais que
foram consultados sobre o problema de se saber como argumentar bem e solidamente.
Para efeitos apenas didáticos, oferecemos esclarecimentos sobre algumas perguntas,
entre elas as seguintes: O que é, ou como podemos definir, o pensamento critico? Qual
o papel da argumentação filosófica no aperfeiçoamento do pensar critico? Por que
estudar filosofia auxiliaria o aperfeiçoamento o pensar critico? qual a natureza e o papel
da filosofia? O que é, ou como podemos definir a argumentação em filosofia? Por que
argumentar? Compreender a natureza e o papel da argumentação em filosofia pode nos
ajudar a entendermos melhor como é que podemos proceder na tarefa de termos pontos
de vistas (próprios) coerentes e se estamos diante de bons e sólidos argumentos numa
discussão.
Palavras-chave: pensamento critico; lógica da argumentação critica; redação
argumentativa; lógica informal; persuasão.
EROS E O ESCLARECIMENTO
CARNAÚBA, Maria Erbia. Mestranda em Filosofia pela Universidade Estadual de
Campinas. [email protected]
17
O propósito dessa comunicação é apresentar algumas aproximações e distanciamentos
entre Eros e Civilização e a Dialética do Esclarecimento a fim de identificar o
diagnóstico de época de ambos. No atual estagio da sociedade, os bens da abastança
convertem-se em elementos de miséria. No passado, o a falta de um sujeito social
resultava numa superprodução desses bens em meio a crises da economia externa. Hoje
ela produz com os grupos que detêm o poder no lugar desses grupos, a ameaça
internacional do fascismo. Esse é um ponto em comum entre os autores, mas Marcuse
se distanciará em relação à tendência. Para Adorno e Horkheimer, o progresso se
converte em regressão. Entretanto, para Marcuse, essa pode ser uma possibilidade, mas
baseado no estudo da psicanálise, ele esboçará um sentido oposto que considera a
utopia. Para ele, a eliminação das potencialidades humanas do mundo do trabalho
(alienado) cria pré-condições para a eliminação para a eliminação do trabalho do mundo
das potencialidades humanas. Sobre essas características é que pretendemos discutir.
Além disso, é sabida a história de que Marcuse seria o parceiro de Horkheimer na
empreitada desse livro, uma vez que a discussão sobre a psicanálise era um elo muito
forte entre eles. Entretanto, Adorno ficou com essa tarefa não por acaso.
Palavras-chave: Eros, Esclarecimento, diagnóstico, teoria critica.
ÉTICA E PRÁXIS NO SEGUNDO WITTGENSTEIN
CAVASSANE, Ricardo Peraça. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. Bolsa: CAPES. [email protected]
Do Tractatus às Investigações, toda a filosofia da linguagem de Wittgenstein tem como
fim não a linguagem e seus problemas, mas a filosofia e seus problemas, fim para o qual
a linguagem é apenas meio. Dentre estes problemas podemos encontrar as questões da
ética, tema tratado por Wittgenstein em diversos textos, inclusive no Tractatus LogicoPhilosophicus, mas que não é objeto de estudo nas Investigações Filosóficas. Neste
trabalho pretendemos responder à seguinte questão: como se colocariam as questões da
ética no contexto das Investigações? Para que tal investigação seja possível, nos
apoiaremos tanto em outros textos de Wittgenstein pertencentes ao segundo período de
sua filosofia, nos quais é abordado o tema da ética, quanto da comparação entre o
primeiro e o segundo Wittgenstein no que se refere ao tratamento das questões éticas.
Iniciaremos então nossa investigação com uma breve análise da concepção de
linguagem desenvolvida nas Investigações (em contraste com aquela desenvolvida no
Tractatus), com ênfase na determinação dos limites do sentido, a fim de que possamos
compreender, posteriormente, por que tanto o primeiro quanto o segundo Wittgenstein
entendem que as questões da ética (assim como as questões dos demais domínios da
filosofia, como a estética e a metafísica) pertencem ao domínio do indizível. Por fim
concluímos que o papel central que a práxis assume no segundo Wittgenstein produz
mudanças significativas não somente em sua filosofia da linguagem, como também em
sua ética.
SER E DEVER-SER: PROPOSTA DE UMA INTERPRETAÇÃO ACERCA DA
DIGNIDADE DA PESSOA
CHAHRUR, Alan Ibn. Mestrando em Direito pela UNIVEM – Centro Universitário
Eurípedes de Marília. Bolsa: CAPES. [email protected]
O presente artigo visa propor, a partir da filosofia realista do jurista espanhol Javier
Hervada, uma perspectiva de interpretação da dignidade da pessoa humana que pretende
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superar a distinção radical entre o Direito e as ciências naturais formulada por Hans
Kelsen em sua Teoria Pura do Direito. Tal distinção, em última análise, corresponde à
problemática acerca das relações entre o ser e o dever-ser, o que coloca a questão sobre
o pano de fundo da dialética entre natureza e cultura. Doravante, busca-se em um
primeiro momento explicitar brevemente o posicionamento específico de Kelsen para
que, posteriormente, torne-se possível questionar os limites da Teoria Pura do Direito
cotejando o positivismo normativista com uma interpretação calcada no realismo
jurídico clássico, que reconhece o direito primeiramente como a res iusta, ou seja,
aquele objeto atribuído a alguém como algo justo. Portanto, ciente da relevância e da
complexidade do problema proposto por Kelsen, esta perspectiva pretende em verdade
expor os limites deste ideário tão presente na contemporaneidade e propor-lhe uma
solução que vai repercutir na Teoria do Direito em geral e no conceito de dignidade
humana em particular. Quanto a esta última, pretende-se apresentar por fim de que
maneira a concepção proposta vem se adequar à estrutura jurídico-positiva da atual
Constituição da República Federativa do Brasil promulgada em 1988.
Palavras-chave: Ser; Dever-ser; Dignidade.
A RECEPÇÃO ESTÉTICA E PERCEPTIVA DO CINEMA, A PRODUÇÃO DE
BENS CULTURAIS, A OBRA DE ARTE E A MERCADORIA DO INÍCIO DO
SÉCULO XX
COLOMBO, Angélica Antonechen. Mestranda em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. [email protected]
No início do século XX, o cinema estava em desenvolvimento, e foi sofrendo grandes
transformações até ser reconhecido como Sétima Arte. Durante seu desenvolvimento o
cinema mostrava modificações nas suas formas de produção, exibição, montagem,
adquirindo convenções de linguagem especificamente cinematográficas. Dessa forma,
provocava transformações na sociedade, quando esta se via diante de um novo meio de
propagação de imagens com uma linguagem própria e que se definia como arte. Com o
cinema a percepção dos espectadores sofreu alterações, diante do filme, e após o filme
os mesmos entravam em contato com uma nova forma de percepção que contribuía para
a transformação do indivíduo na sociedade. A partir desse contexto, visamos determinar
as causas sociais da transformação de nosso sistema receptivo e a transformação na
nossa linguagem perante a arte, após o nascimento do cinema, principalmente
considerando o cinema como a arte das massas. A arte burguesa para Benjamin e o
retorno à práxis estética; isto é a visão primeiramente otimista de Benjamin em relação
às reproduções técnicas da obra de arte e a ligação inerente da arte burguesa com a
mercadoria.
Palavras-chaves: Cinema; Percepção; Sociedade; Mercadoria.
REFLEXÕES ACERCA DA CATEGORIA TRABALHO NA ONTOLOGIA DO
SER SOCIAL DE GYÖRGY LUKÁCS
DUARTE, Cláudio. Mestrando em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica – SP.
[email protected]
O objeto do presente estudo se insere em uma reflexão acerca da categoria trabalho na
ontologia de György Lukács. Assim, como se situaria a categoria trabalho em nível da
concepção materialista da história? Tal é a situação problema que se abordará nesse
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estudo. Pois, para o pensamento lukacsiano a categoria do trabalho teria nessa
concepção a gênese do ser social, assim como todas as demais categorias. Destarte, é
também fundamento das teleologias primárias oriundas da relação direta do homem
com a natureza à medida que ele produziria as condições concretas de sua existência
assim como as teleologias secundárias, ou seja, sua consciência, ou aquilo que sua
consciência viria a produzir. Ao se estudar o complexo do trabalho, ainda em Lukács,
duas importantes categorias se fazem presentes, ou seja, a alienação (Entäussaerung) e
estranhamento
(Entfremdung).
Alienação
(Entäussaerung)
enquanto
exteriorização/objetivação, muito embora a objetivação seja distinta da exteriorização
ambos os conceitos seriam indissociáveis. Quanto ao estranhamento (Entfremdung) em
seu processo sócio-histórico diria respeito ao modo de ser do gênero humano num
momento específico do desenvolvimento das forças produtivas. Assim sendo, o trabalho
seria o eixo estruturador da obra marxiana o que, fica evidente quando Lukács toma
contato com os manuscritos econômico-filosóficos e tal contato viria a transformar
radicalmente seus estudos. Destarte, o pensamento de Karl Marx estaria fundamentado,
sobretudo em uma dimensão necessariamente ontológica, ou seja, a partir da própria
coisa, ou seja, da essência ontológica da matéria tratada.
Palavras-chave: trabalho; ser social; teleologia; alienação; estranhamento.
O CONCEITO DE OPERAÇÃO EM PIAGET
FERRAZ, Alexandre Augusto. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. Bolsa: CAPES. [email protected]
O presente trabalho pretende um olhar mais profundo com relação ao conceito de
operação encontrado na Epistemologia Genética. Conforme pode ser visto em Logique
et equilibre (1975), Piaget diz que as operações são “ações interiorizadas ou
interiorizáveis, reversíveis e coordenadas em estruturas totais.” No entanto, ao
exemplificar o conceito de operação, Piaget fala da capacidade de seriação e
classificação (incluindo, nesta, a união, a interseção e a subtração de conjuntos) do
sujeito epistêmico, isto é, o sujeito do conhecimento. Porém, entendemos que esses
exemplos não são completamente explicados pela definição de operação como ação
interiorizada e reversível. Dessa forma, parece que Piaget deixa uma lacuna, em sua
obra, entre a ideia de simplesmente agir internamente e as coordenações que as
capacidades de classificação e seriação implicam. Essa concepção está de acordo com a
crítica do epistemólogo Gilles-Gaston Granger, que também é apresentada por Tassinari
(1998) em sua dissertação de mestrado Da Experiência Sensível à Estruturação Lógica
do Real: Um Estudo da Forma da Construção do ‘Agrupamento’ em Piaget, bem como
em Ferreira (2011), Sobre o uso da Função Proposicional e sua gênese segundo a
Epistemologia Genética, de que há uma ruptura na obra de Piaget na explicação da
passagem da ação sobre a experiência sensível até o aparecimento das estruturas lógicomatemáticas. Porém, Tassinari, em sua dissertação, também apresenta a interpretação
feita por Ramozzi-Chiarottino que mostra o papel da imagem mental na construção do
sistema de operações do sujeito epistêmico, interpretação da qual Tassinari parte para
explicar como se dá a passagem da ação sobre a experiência sensível até o aparecimento
das estruturas lógico-matemáticas. Pretendemos com esse trabalho esclarecer como se
dá essa passagem e porque tal passagem se dá somente no período operatório concreto,
mostrando como a concepção de operação é a peça-chave para tal entendimento.
20
Palavras-chave: Epistemologia Genética; Operações; Período Operatório Concreto;
Período Operatório Formal.
CIÊNCIA E TECNOLOGIZAÇÃO NA OBRA DE JÜRGEN HABERMAS: A
OBJETIVIDADE CIENTÍFICA E O DEBATE SOBRE A BIOÉTICA
FERREIRA, Luis Marcos. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista
– Campus de Marília. [email protected]
O que pretendemos discutir aqui é que Habermas parece temer o fato de que por
intermédio de argumentos terapêuticos que visam a profilaxia de doenças ou más
formações
genéticas,
as
intervenções
biotecnológicas
resultem
numa
“instrumentalização” da espécie humana. O que, por muitos é defendido como a “força
libertadora da tecnologia” parece, para Habermas, transformar-se num obstáculo a essa
emancipação (Habermas, 1993). Habermas aponta, em seu livro “O futuro da natureza
humana”, a necessidade de se discutir detidamente a ameaça que pode representar o
avanço da biotecnologia para a superação da autocompreensão da razão moderna, como
seres humanos autônomos. Habermas tenciona apresentar uma resposta à questão de
saber quais são os princípios morais mais básicos que poderiam guiar uma política
pública e a escolha individual em relação ao uso de intervenções genéticas numa
sociedade justa e humana, em que os poderes da intervenção genética serão muito mais
desenvolvidos do que hoje. A autodeterminação, o direito a ser seu próprio eu, é um
tema já discutido na filosofia contemporânea: “Kierkegaard, foi o primeiro a responder
à questão ética sobre êxitos e fracassos da própria vida com um conceito pós-metafísico
do ‘poder ser si mesmo’. Para os filósofos seguidores de Kierkegaard, como Heidegger,
Jaspers e Sartre, esse protestante atormentado pela questão luterana sobre o Deus
misericordioso é certamente um osso duro de roer”. (HABERMAS, 2004a, p. 8-9).
Assim, diante desse contexto a modernidade pode ser caracterizada pela complexidade
das concepções, das ações e das relações. As esferas que compõem a sociedade
adquiriram grande autonomia com relação ao seu funcionamento, assumindo regras,
linguagem e lógica específicas, perdendo-se a força de modificação deste quadro que se
apresenta a nós. As pessoas vivem como se ocorresse um processo de neutralização das
possibilidades normativas das instituições nas quais estão inseridas.
Palavras-chave: Ciência; Biotecnologia; Instrumentalização da espécie humana;
Bioética.
IDENTIDADE DO EU DESDE A PERSPECTIVA DO PRIMEIRO HABERMAS
FILHO, Luis César Alves Moreira. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. Bolsa: CAPES. [email protected]
O pensamento do primeiro Habermas faz da psicologia cognitiva e da psicanálise duas
de suas fontes conceituais que lhe possibilitam pensar a noção de eu situado no mundo,
que se constitui intersubjetivamente, e cuja perspectiva de desenvolvimento da
consciência moral não se limita a ontogênese, mas está articulado à filogênese. O que
integra a unidade do eu a uma identidade social é o sistema de personalidade
entrelaçado as imagens do mundo. O processo de constituição das imagens do mundo é
adualista, e possibilita a integração da espécie por meio da intersubjetividade social e
intersubjetividade linguística, no qual o eu está inserido, e pode ser apreendido no
âmbito subjetivo, objetivo e social. Por outro lado, as fases do desenvolvimento da
consciência moral – a saber, pré-convencional, convencional e pós-convencional – não
21
são processadas por saltos; donde a relação das imagens de mundo ser descrita enquanto
consciência hermenêutica que percebe a si mesma numa auto-reflexão. Esta percepção
de si mesmo, contudo, não pode ser o falso a priori freudiano, pois então remeteria ao
solipsismo numa falsa auto-imagem de si. O ponto de intersecção que o primeiro
Habermas estabelece entre Freud e Kohlberg está numa acepção do eu como
consciência moral que se desenvolve em comunidade linguística. O texto procura
analisar como Habermas consegue sustentar esse quadro argumentativo, bem como
expõe as suas especificidades.
Palavras-chave: Identidade do Eu; Imagens do Mundo; Consciência Moral; Habermas.
MUNDO DA VIDA E INTERSUBJETIVIDADE LINGÜÍSTICA À LUZ DA
TEORIA EVOLUTIVA DE HABERMAS
GRADISKY, Anatoli Konstantin. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. [email protected]
Com o conceito de intersubjetividade lingüística, Habermas busca compreender como a
interação entre os vários sujeitos num discurso os fazem pertencer a um espaço de
vivência e de experiências compartilhadas, o que para ele constitui o mundo da vida não
apreendido pelas ciências positivas e nem colonizado pelo sistema. Paralelo à sua crítica
à apreensão positivista do conceito de mundo da vida, ele apresenta uma reconstrução
evolutiva da racionalidade, cuja base está na epistemologia genética de Piaget e na
teoria do desenvolvimento do juízo moral de Kohlberg, e que concebe o entendimento
intersubjetivo como resultado da aprendizagem no processo cognitivo de aquisição de
competências operatórias, no qual se dá o desenvolvimento das relações interativas.
Tanto numa interpretação filogenética quanto na análise da evolução ontogenética da
consciência moral, Habermas constata o mesmo processo que, passo a passo, segue em
direção ao estabelecimento de princípios universalistas para a regulamentação de
conflitos que obstam o entendimento intersubjetivo das comunidades lingüísticas – e
isso tanto no âmbito do mundo da vida cotidiano quanto no âmbito da produção formal
do conhecimento. Ora, metodologicamente, aqui estamos diante de uma perspectiva
evolucionista da própria razão. O que cabe é questionar se tal perspectiva não pode
servir de pano de fundo a uma filosofia da história. Se sim, como então compreender
essa nova racionalidade diante da história visto que, segundo a própria crítica de
Habermas, a filosofia da história é aliada secreta do positivismo, e, em decorrência, por
ceder ao objetivismo cientificista anula o sujeito cognoscente da própria constituição
das estruturas sociais?
Palavras-chave: intersubjetividade lingüística; mundo da vida; consciência moral;
teoria evolutiva; filosofia da história.
UMA ANÁLISE DA FILOSOFIA ECONÔMICA E POLÍTICA DA IGREJA DE
JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS
HALRUTH, Zane. Mestranda em Relações Internacionais no Programa San Tiago
Dantas, UNESP-UNICAMP-PUC-SP. [email protected]
Este trabalho visa examinar a doutrina, a história e a corrente instituição The Church of
Jesus Christ of latter-day Saints (A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias,
também conhecida como Igreja Mórmon, LDS Church ou igreja SUD) e estudar como
relacionam prática religiosa, atividade econômica e política, convergindo para uma
22
análise de sua filosofia política. Pelo estudo de caso da origem e formação da Deseret
Industries, uma unidade produtiva com aplicação direta dos princípios, doutrinas e
valores por eles professados no que tange ao seu próprio programa de bem estar
sistematizado no período pós-crise de 1929, pretendo desenvolver a base da perspectiva
LDS (latter-day Saints) sobre economia e práticas econômicas em seu nível mais
elementar acrescentando a estrutura relacional religião, economia e política; um
mapeamento funcional de referência para o entendimento de suas ações no cenário
americano e internacional. Max Weber destaca que o ponto de partida da ética
econômica associada ao capitalismo está no protestantismo pós-luterano, nas chamadas
igrejas e seitas do protestantismo contemplativo. Do calvinismo emana a célebre tese da
predestinação, dogma que afirma que apenas Deus escolhe - independente dos méritos
do indivíduo - quem será salvo e quem será condenado, influenciando assim todo um
porque econômico no indivíduo. Proponho neste artigo, um estudo comparativo da
filosofia política da LDS Church diante dessa premissa de Max Weber. A prática
religiosa realizada pelo indivíduo, o trabalho e o sucesso na vida econômica surgem
como compromissos do membro, do viver espiritual associado ao temporal, na
perspectiva LDS. A Filosofia Política e os pensadores tratam das mais variadas questões
sobre a legitimação e a justificação do Estado e do governo sendo essa relação
pertinente e presente na filosofia cristã SUD ou LDS.
Palavras-chave: filosofia política; A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos
Dias; The Church of Jesus Christ of latter-day Saints; Igreja Mórmon; Calvinismo; LDS
perspective.
A CIÊNCIA COMO COGNIÇÃO DISTRIBUÍDA E O PROBLEMA DA
AGÊNCIA EPISTÊMICA
LAZARIN, Tales Carnelossi. Doutorando em Filosofia pela Universidade Federal de
São Carlos. [email protected]
Cognição distribuída é uma concepção recente nas ciências cognitivas que não restringe
a cognição a agentes individuais, mas a estende a sistemas em que aqueles empregam
ferramentas ou colaboram em um meio social, possibilitando a realização de tarefas
cognitivas (envolvendo a transmissão e o processamento de informação por meio de
representações compartilhadas) que seriam impossíveis se os agentes fossem isolados.
Nos estudos da ciência contemporâneos há sugestões de que a atividade científica seja
apropriadamente compreendida em termos de algo como a cognição distribuída –
especialmente com respeito a grandes laboratórios experimentais e observatórios (e.g. o
telescópio Hubble, o colisor de partículas LHC) que envolvem a operação coordenada
de aparatos instrumentais, computadores, técnicos e cientistas. Na presente
comunicação discute-se a posição moderada de Ronald Giere sobre o assunto e aquilo
que chamou de “problema da agência epistêmica”. Esse autor aceita a concepção da
ciência como cognição distribuída, mas rejeita a sugestão de que os sistemas cognitivos
científicos tomados como unidades possuam cognição completa - sendo capazes de
sustentar crenças, conhecimento, intenções ou mesmo consciência. Giere concebe os
sistemas cognitivos distribuídos como sistemas híbridos compostos por aparatos físicos,
computadores e seres humanos, cuja operação tem como resultado representações que
podem ser utilizadas pelos últimos. Assim, o autor restringe aos cientistas o papel de
agentes epistêmicos uma vez que esses seriam os únicos componentes do sistema
distribuído possuidores de cognição completa e, portanto, capazes de apreciar seus
resultados. Questiona-se a arbitrariedade dessa delimitação e sua consequente
23
fragilidade em face do provável futuro em que as fronteiras entre cientistas humanos e
seus instrumentos de pesquisa se tornem cada vez mais difusas – com os
desenvolvimentos tecnológicos da inteligência artificial, da robótica e das interfaces e
próteses homem-máquina.
Palavras-chave: cognição distribuída; conhecimento científico; pós-humanismo;
RELAÇÕES ENTRE PODER E DIREITO NA VISÃO DE CARL SCHMITT,
MICHEL FOUCAULT E PACHUKANIS
LIMA, Cristiane Moreira. Aluna especial do Programa de Pós-Graduação em Filosofia
da
Universidade
Estadual
Paulista
–
Campus
de
Marí[email protected]
O presente trabalho busca desenvolver as relações entre Poder e Direito na visão de Carl
Schmitt, Michel Foucault e E. B. Pachukanis. A princípio trataremos de indagações dos
juristas sobre a relação da norma com o poder, assunto em tela é a filosofia do direito.
Sendo certo que é praticamente impossível demarcar as fronteiras entre um pensamento
de juristas e um pensamento de filósofos sobre o direito. No que tange a Filosofia do
Direito na contemporaneidade, temos que o século XIX se abre com o pensamento
burguês já definitivamente assentado sobre o poder estatal; sendo o Estado racional para
si e em si, tendo Hegel como padrão e aplicador do direito positivo, direito posto pelo
Estado. Embora tenham ocorrido diversas variações o juspositivismo é a doutrina
comum da filosofia do direito contemporâneo. Podemos constatar três grandes vertentes
da filosofia do direito contemporâneo, tomando como base o fenômeno jurídico e a sua
relação com o Estado: A primeira considerada juspositivista, se limita aos problemas
concernentes ao direito estatal, possuindo como inspiradores Hegel e Kant; a segunda
vertente denominada de existencialista, não restringe o fenômeno jurídico ao mero
normativismo estatal, compreendendo o fenômeno jurídico de modo alargado; tendo a
filosofia de Heidegger como fonte inspiradora, possuindo como um de seus grandes
percussores Carl Schmitt, visando a manifestação do direito a partir da concretude dos
fatos e das relações sociais.A terceira vertente critica a totalidade do fenômeno jurídico,
havendo alterações essências de conceitos jurídicos fundamentais, tais como sujeito de
direito, contrato, os quais se tornam reflexos da nossa economia; existindo sinais do
marxismo, considerando Packukanis um dos grandes pensadores da teoria do direito
marxista; mas apesar disto, um dos maiores representantes desta vertente é Michel
Foucault.
Palavras-chave: Carl Schmitt; Michel Foucault; E. B. Pachukanis.
APARELHOS PRIVADOS DE HEGEMONIA POSSÍVEL E IMPOSSÍVEL:
SOCIEDADE CIVIL E ESTADO EM GRAMSCI
LIMA, Joaquim Pacheco de1; SILVA, Beatriz Batista2. 1Mestrando em Filosofia pela
Universidade Estadual de Londrina. 2Graduanda em Ciências Sociais pela Universidade
Estadual de Londrina. [email protected]
Numa abordagem contemporânea da filosofia política Gramsci trata a questão das
organizações da sociedade civil e sua relação com o Estado a partir da categoria
gramsciana de ‘aparelhos privados de hegemonia’. Referenciados nos conceitos de
sociedade civil e Estado em F. Hegel (Princípios da filosofia do direito) e Karl Marx
(Crítica da filosofia do dirieto de Hegel), e no pensamento do filósofo italiano Antonio
24
Gramsci (1891-1937) que aponta luz para o entendimento do papel das organizações na
trama privada do Estado na busca de hegemonia na sociedade capitalista. As
organizações privadas de consenso na contemporaneidade transitam com a democracia,
legitima-a e são legitimadas. Na política brasileira no contexto de globalização e
capitalismo financeiro as organizações privadas são parte da trama na economia e na
política, na busca de consenso, nas relações de estrutura e superestrutura, conforme a
trilha do pensamento do autor de ‘Cadernos do cárcere’, Itália, 1935. A vontade coletiva
se firma enquanto nova hegemonia, cujas metas devem ser concretas, racionais e
planejadas levando em conta a realidade histórica objetiva. A condução da vontade
coletiva, enquanto factibilidade de uma realidade nova concebível, é papel do partido
político revolucionário. Assim sendo, a hegemonia possível se firma no conceito da
hegemonia impossível (teoria), isto é, o agir funda-se no pensar.
Palavras-chave: Sociedade civil e Estado; Hegemonia; Aparelhos privados de
hegemonia; Gramsci; Possibilidade e impossibilidade.
UMA ANÁLISE DA NOÇÃO DE LIBERDADE À LUZ DO CONCEITO DE
HÁBITO EM JOHN DEWEY
LOPES, Nicholas Gabriel Minotti. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. [email protected]
A proposta deste trabalho é especular em que medida uma ação pode ser considerada
livre, mesmo que parcialmente. Em ordem de atingir este objetivo, será necessário
abordar sucintamente, o conceito de hábito tal como o filósofo John Dewey apresenta
em seu livro Human nature and conduct (1922). Pelo uso comum da palavra, entende-se
por hábito uma “força” efetiva que controlaria o agente, suplantando sua vontade ou
razões nas escolhas de objetivos. No entanto, através de uma observação mais
minuciosa, podemos entender os hábitos como parte do self, do todo que compõe o
agente. Assim, hábitos não serão classificados como sendo bom ou ruim, mas sim
“condições de eficiência intelectual”(Dewey, 1922). Em outras palavras, essa eficiência
estaria diretamente relacionada com o pensamento reflexivo que, segundo o filósofo é a
melhor maneira de pensar, pois envolveria um exame minucioso das ações e suas
consequências. No que diz respeito à liberdade, é muito comum compreendê-la como
algo pronto, acabado e à espera para ser adquirida tal como um produto ou objeto
exterior e estranho ao agente. Liberdade estaria vinculada ao sufrágio, direito de ir e
vir, escolher objetos, percurso ou caminhos em vistas de um fim etc. Em um sentido não
tão estrito, mas já aprimorado, o foco está nas barreiras que impedem uma ação,
tornando liberdade negativa; se o enfoque atinge as possibilidades no curso da ação,
temos a liberdade positiva. Uma dificuldade que emerge ao se adotar uma destas
perspectivas (positiva e negativa), é que a ação é vista como congelada ou com poucos
eventos anteriores ou subsequentes relacionados a uma ação. Nossa hipótese é trabalhar,
juntamente com Dewey, a noção de liberdade como um hábito intelectual. Neste
sentido, podemos afirmar que a liberdade não se associa exclusivamente às escolhas
e/ou aos desejos; os caprichos ou vontades, podem até ter uma parcela de contribuição,
mas se tomadas como fundamentais, o agente corre o risco de ser escravizado por elas.
A ideia é trabalhar a liberdade como um fluxo, algo inerente às ações e que, associada
com a reflexão, as escolhas e dificuldades apresentadas no cotidiano constroem a
liberdade.
Palavras-chave: Hábito; liberdade; ação.
25
O CONCEITO DE CONSCIÊNCIA TRANSCENDENTAL EM FICHTE E O
PENSAMENTO ROMÂNTICO
LOPES, Ricardo Farias Martins. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. [email protected]
O objetivo deste texto é realizar uma análise sobre algumas das características ou traços
distintivos do importante princípio constitutivo do mundo e da realidade exterior
extramental, estabelecido pelo filósofo alemão pós-kantiano Johann Gottlieb Fichte
(1762- 1814) e denominado em sua filosofia de “Eu”, bem como estabelecer sua relação
com importantes aspectos inerentes ao pensamento e a ideologia dos românticos da
primeira fase do romantismo germânico (os irmãos Schlegel, Novalis, Tieck, Hölderlin,
entre outros). Busca-se demonstrar como o subjetivismo, o individualismo e o
egocentrismo caros aos românticos alemães e que norteia a ideologia presente em suas
produções artísticas e literárias, assim como sua postura face ao mundo e a realidade,
encontram traços de afinidade e concordância com os princípios metafísicos do “Eu”
absoluto (ou “Eu” puro, ou egoicidade) estabelecidos por Fichte em sua obra magna
Princípios fundamentais da Doutrina da Ciência, de 1794, e como, por conta desta
afinidade, Fichte não só influencia, como também passa a ser considerado pelos
românticos alemães, como um de seus grandes “mestres”, pois julgam encontrar em seu
radical idealismo uma fundamentação teórico-filosófica ao seu próprio egocentrismo
subjetivista romântico. Num primeiro momento, traçaremos um panorama geral do
Romantismo e de suas principais manifestações literárias e artísticas na Alemanha,
indicando a principal corrente filosófica que corresponde a este período (idealismo
alemão pós-kantiano), destacando o seu principal representante, na figura de Fichte, não
só pela sua antecedência histórico-cronológica, mas também por ser o principal filósofo
no cenário intelectual alemão que se destacou imediatamente após o advento do
pensamento de Kant. Em seguida, passaremos à análise do conceito fichteano de “Eu”
absoluto, presente em sua Doutrina da Ciência, destacando algumas de suas
características ou traços distintivos principais e estabelecendo um paralelo com o
subjetivismo e o egocentrismo românticos, buscando assim deixar claro o motivo ou
razão do grande apreço dos românticos alemães pelo pensamento de Fichte, a ponto de
apontarem a sua obra como a grande fundamentadora teórica dos princípios norteadores
do romantismo alemão, notadamente em sua primeira fase (Sturm und Drang).
Palavras-chave: Idealismo alemão; Romantismo; Eu; consciência.
A TÉCNICA E O LUGAR DO HOMEM EM MARTIN HEIDEGGER EM
BREVES PASSAGENS PELA LITERATURA BRASILEIRA
MARCHON, Fábio1; CARVALHO, Luiz Fernando Medeiros de2. 1 Mestrando em
Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. 2 Professor titular da
Universidade Federal Fluminense. [email protected]
Esse texto tem como objetivo elucidar a questão da técnica na obra do filósofo alemão
Martin Heidegger. Primeiramente, atravessaremos essa questão a partir do texto
proferido pelo filósofo na homenagem de sua cidade natal. O texto, intitulado “700 anos
de Messkirch” enfatiza questões acerca do amanhã e do futuro da cidade, sem deixar de
pensar em sua relação com o passado e o presente. No entanto, esse breve texto
pronunciado para os moradores da pequena cidade traz uma interessante questão acerca
do perigo de se deixar levar pela técnica moderna. Através dos sinais das antenas nas
26
casas, capazes de levar o homem para “fora de casa”, Heidegger procura pensar no
resguardo capaz de evitar que o homem se corrompa pela técnica, uma técnica que hoje
estaria distante do sentido grego da techné. Para tanto, faz-se mister percorrer textos
como Por que ficamos na província? e A questão da técnica para então, promover a
relação do homem enquanto ação e a técnica. Encerraremos levando em consideração as
trilhas do pensamento ontológico heideggeriano até a poesia de João Cabral de Melo
Neto e o romance rapsódico Macunaíma de Mário de Andrade que funcionam como
dínamos condutores para a elucidação da proposta de pensamento do filósofo alemão.
Palavras-chave: Heidegger; homem; técnica.
O PROBLEMA DA CONSCIÊNCIA E A HIPÓTESE CRICK-KOCH: A
TEORIA DAS OSCILAÇÕES 40 HZ E A TEORIA DAS COALIZÕES
MASSMANN, Diogo Fernando. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. Bolsa: CAPES. [email protected]
O aspecto mais difícil da consciência é o “problema difícil dos qualia”. Como ninguém
produziu nenhuma explicação plausível sobre como a experiência de ver um objeto
vermelho surge a partir de ações no cérebro, este problema ainda permanece aberto às
reformulações e/ou soluções. Para reduzir as dificuldades, Francis Crick e Christof
Koch tentaram encontrar um correlato neural de consciência (CNC) na esperança de
que, ao se explicar o CNC em termos causais, isso poderá tornar o problema dos qualia
mais claro. O interesse principal dos autores situa-se na natureza geral da atividade
neural que produz cada aspecto particular de consciência, tais como a percepção da cor,
do movimento e da forma. Como estratégia principal, os autores se concentraram num
dos módulos da consciência, a saber, na consciência visual. Os autores deram ênfase em
suas pesquisas no sistema visual de primatas, deixando questões mais difíceis, como
emoções e autoconsciência de lado. Inicialmente, enquanto trabalharam juntos, Crick e
Koch sugeriram que os disparos sincronizados, preferencialmente, as oscilações 40 Hz
de neurônios piramidais da IV camada cortical, seriam suficientes para explicar como
emerge do cérebro a consciência visual de um objeto que afeta a retina. Depois, com o
desenvolvimento de suas pesquisas, afirmaram que as oscilações 40Hz mais
provavelmente dão assistência a uma coalizão nascente de neurônios em competição
com outra coalizão nascente de neurônios. As coalizões de neurônios seriam
assembléias de neurônios que competem entre si, sendo que, a coalizão vencedora
incorpora o status de consciente. Em outras palavras, a teoria das oscilações e das
coalizões seriam complementares.
Palavras-chave: Filosofia da Mente; Neurociência Cognitiva; Consciência Visual;
Oscilações; Coalizões.
A FORMAÇÃO CIENTÍFICA DO CONCEITO DE CONSCIÊNCIA EM HEGEL
MENK, Tomás Farcic. Mestre em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista –
Campus de Marília. [email protected]
O objeto de nossa comunicação é a consciência, tal como ela foi elaborada por Hegel na
Enciclopédia das Ciências Filosóficas em Compêndio de 1830. A consciência passou a
ser efetivamente um objeto da filosofia com Kant, ao utilizá-la como mediadora entre o
eu penso e a coisa em si, porém acabou por criar um dualismo insuperável entre estas
duas instâncias. Todos os autores românticos e os filósofos idealistas pós Kant tentaram,
27
ao seu modo, superar este dualismo do entendimento postulado por Kant. É nesse
ambiente que nasce a filosofia hegeliana, que tenta mediar ambos os lados da relação
sujeito objeto sem que haja um dualismo insuperável. Assim, no primeiro livro da
Enciclopédia, Hegel estuda o ser e o pensar e como estes dois elementos estão em
unidade e fundamentam tanto o Eu (sujeito pensante) quanto o objeto. No segundo livro
ele estuda a lógica no seu ser-outro, ou seja, a natureza, que é pura exterioridade. E no
último livro Hegel analisa o espírito, e como se dá a relação entre o sujeito pensante e o
ser-outro, que é propriamente a consciência. Assim, para este estudo mostra-se
necessário analisar alguns aspectos do movimento de autodeterminação do Espírito
Absoluto, que possui em sua interioridade o desenvolvimento da consciência. É
imprescindível para uma investigação acerca do conceito de consciência na
Enciclopédia refazer o percurso de seu desenvolvimento, pois antes de ser um conceito
dado ou auto-evidente, ele é uma progressiva determinação de si mesmo. Concluímos
que um trabalho que possui como objeto a consciência na Enciclopédia deve, na
verdade, analisar a formação cientifica do seu conceito.
Palavras chaves: Hegel; Ser; Pensar; Espírito; Consciência.
O PROBLEMA DA PRIVACIDADE NO CONTEXTO INFORMACIONAL
MORAES, João Antonio de. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. Bolsa: CAPES. [email protected]
Este trabalho tem por objetivo discutir o conceito de privacidade no contexto
informacional. Tal discussão se coloca em decorrência do desenvolvimento da
denominada “virada informacional na Filosofia” (Adams, 2003) e de suas implicações
tanto no âmbito de estudo filosófico-científico, como na sociedade. O primeiro âmbito
se refere aos novos rumos que as pesquisas acadêmicas adotaram (Filosofia, Psicologia,
Ciência Cognitiva, e em outras áreas) no tratamento de questões a partir da década de
50, tais como: qual a natureza da mente? O que é o conhecimento?; entre outras. No
âmbito social, por sua vez, estaria sofrendo impactos com a inserção de tecnologias
informacionais na vida cotidiana (e.g., celulares, notebooks), da qual emergem novos
problemas e padrões de conduta. Neste contexto, a discussão acerca da privacidade teria
sido motivada, principalmente, pelo desenvolvimento de tais tecnologias. As novas
tecnológicas informacionais estariam alterando a noção de privacidade do senso comum
por propiciarem uma transformação na natureza informacional do meio, dos agentes que
nele estão inseridos e da relação entre eles (Capurro [2005] e Floridi [2006]). Uma
situação que ilustra esta alteração é a seguinte: as pessoas parecem se expor na internet
sem que esta exposição seja acompanhada de um sentimento de invasão de sua
privacidade (i.e. redes sociais). A noção tradicional de privacidade, entendida como o
“estado ou condição de liberdade de observação ou incômodo por outra pessoa” (Oxford
Dictionary) parece não se adequar a situação indicada. Como conceber a privacidade
nos dias atuais mediante crescente disseminação de tecnologias informacionais na
sociedade? É acerca desta questão que o presente trabalho se desenvolve.
HOSPITALIDADE, JUSTIÇA E DIREITO NUMA DEMOCRACIA POR VIR
MORAES, Marcelo José Derzi. Mestrando em Filosofia pela Universidade Federal do
Estado do Rio de Janeiro. [email protected]
O filósofo Jacques Derrida foi uma grande questionador das democracias atuais. Sua
abordagem a partir do contexto da desconstrução é de extrema relevância numa
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discussão ético-política contemporânea. Se considerarmos alguns pontos que
fundamentam a democracia atual, perceberemos então, que algumas questões merecem
uma outra perspectiva diante das exigências que suscitam por todo espaço que se
pretende democrático. Alguns desses pontos, seriam a instituição do direito, a noção de
Justiça e de Hospitalidade. Ora, se consideramos algumas indagações feitas por Derrida
sobre questão do acolhimento, ou seja, o recebimento de um estrangeiro e assim,
pensarmos a noção de Hospitalidade, se questionarmos o valor do conceito de Justiça
que possuímos ou se problematizarmos o papel do direito enquanto instituição dentro
das democracias ocidentais, veremos que o autor de Políticas da Amizade e de
Espectros de Marx, em muito tem com o que contribuir para uma nova perspectiva
filosófica no âmbito ético-político. E é a partir da obra de Jacques Derrida que
pretendemos apresentar a sua abordagem a partir do contexto da desconstrução as
democracias atuais e a sua “proposta” de uma democracia por vir. Visto que, para o
filósofo, a concepção de hospitalidade, a hospitalidade tal como a conhecemos,
necessita urgentemente de ser discutida. Pois, esta, implica também em uma hostilidade
por parte daqueles que se dizem hospitaleiros. E no caso do direito, este que por muitas
vezes acredita fazer justiça na verdade, só estaria exercendo sua função enquanto
maquinal estatal. Uma máquina de fazer valer a lei. E que em muitos casos, está bem
afastado da justiça. Nesse sentido, segundo Derrida, o direito não poderia ter a pretensão
de falar em nome da justiça. Pois esta, é da ordem do im-possível e do por vir. Deste
modo, Derrida nos apresenta uma nova forma de lidar com alguns dos conceitos e
instituições principais que exercem dentro das democracias um papel fundamental e
que, se fosse revisto ou reconsiderado, abriria a democracia para uma maior extensão,
apontando-a para a sua realização. Abrindo dessa forma, a democracia para o seu por
vir. Pois, segundo o autor, a democracia não está presente, ela não é presenteável. Ela
está por vir.
Palavras-chave: Desconstrução; justiça; democracia por vir; ética; política.
AUTORIDADE CIENTÍFICA E RACIONALIDADE: É RACIONAL
ACREDITAR NA CIÊNCIA?
MOREIRA, Delvair. Mestrando em Filosofia pela Universidade Federal de Santa
Catarina. [email protected]
O papel da autoridade científica é fundamental para nosso corpo de conhecimento sobre
o mundo. Nossa visão científica do mundo se baseia em grande medida naquilo que os
cientistas nos dizem. E o próprio desenvolvimento do conhecimento científico depende
da autoridade de cientistas que estabeleceram as bases das pesquisas e descobertas
recentes. Face disto levanta-se a questão de saber se a confiança na autoridade científica
é racional. Se a resposta for positiva temos de demonstrar em que consiste esta
racionalidade. Considerando que a crença de S de que p é racional quando S tem
evidência de que p, o problema da autoridade surge porque quando S acredita que p com
base na autoridade de E, S não têm nenhuma evidência da verdade de p. Então como
esta crença pode ser racional? Podemos responder a este problema dizendo que ainda
que S não tenha evidências para a verdade de p, ele tem boas razões para acreditar que E
tem evidências de que p. Este é o modelo de crença racional com base em autoridade
proposto por Hardwig J. (1985). Mas um leigo ou um especialista de área diferente não
tem acesso aos métodos e não compreende as razões da autoridade E. Temos, então, o
problema leigo/especialista. Há ainda um problema adicional do problema
leigo/especialista, como o leigo não tem acesso às razões que levam a autoridade a
29
defender certa tese como ele pode racionalmente decidir entre teses conflitantes de dois
ou mais especialistas (problema leigo/2 especialistas)? Pretendo apresentar, de forma
geral, as questões e soluções relacionadas a estes problemas oferecidas por Hardwig, J.
(1985) e Goldman (2001).
Palavras-chave: racionalidade; ciência; testemunho.
PERDÃO E PROMESSA: OS LIMITES DA AÇÃO EM HANNAH ARENDT
MOURA, Ana Paula Pedroza. Mestranda em Filosofia pela Universidade Estadual do
Rio de Janeiro. [email protected]
Para Arendt a ação política tem como características o ser imprevisível, ilimitada e
irreversível. Tais conseqüências do agir são tidas pela autora como intrínsecas à própria
ação, posto ser esta condição da própria humanidade, visto que a ação é uma iniciativa
da qual nenhum homem pode abster-se sem deixar de ser humano. Arendt defende que
os referidos atributos sempre foram motivo de temor e desconfiança para a tradição de
pensamento político. A imprevisibilidade, a volubilidade da ação foram problemas dos
quais, desde Platão, a filosofia tentou esvaziar a política. Este breve trabalho visa focar
um aspecto descrito com singular beleza e espantosa lucidez pela autora: o poder que o
perdão e a promessa, não apenas despidos, mas, sobretudo, transcendendo todo caráter
religioso ou moral que possam carregar, têm de limitar e solucionar o problema da
irreversibilidade e da imprevisibilidade inerentes à ação. Ao introduzir na teia das
relações humanas as categorias mais sólidas e confiáveis da fabricação, os homens
tentaram, a partir de meios externos, limitar a ação e impedir sua inerente
acidentalidade. No entanto, a própria ação traz consigo um antídoto contra a
imprevisibilidade e a irrevogabilidade que permeiam todo seu curso. Este remédio é tão
somente mais uma das potencialidades da própria ação. Tais potencialidades são o
perdão, única solução possível para o problema da irreversibilidade, e a promessa,
solução para o problema da imprevisibilidade. Por serem intrínsecas ao agir, essas
faculdades dão-se também no âmbito da pluralidade, dependem da presença do outro
para que se efetivem. Na solidão e no isolamento, ou seja, privados da convivência
humana, a promessa e o perdão não chegam a ter realidade, são, na melhor das
hipóteses, um papel que o indivíduo desempenha para si mesmo.
Palavras-chave: Arendt; ação; política.
A REPÚBLICA PLATÔNICA COMO IDEIA PRÁTICA PARA A REPÚBLICA
DE KANT: ELEMENTOS DE FILOSOFIA POLÍTICA NA DIALÉTICA
TRANSCENDENTAL DA CRÍTICA DA RAZÃO PURA
NETO, Alberto Paulo. Doutorando em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Bolsa:
CAPES. [email protected]
O presente trabalho acadêmico tem o objetivo de investigar os elementos de filosofia
política presentes na Crítica da Razão pura. Para a realização deste trabalho e para a
restrição de nossa pesquisa selecionamos a Dialética transcendental. O objetivo
primordial da Dialética transcendental é o desvelamento das ilusões contidas nos juízos
transcendentes e imanentes e, ao mesmo tempo, ela possui o intuito de ser uma restrição
ao engano que possam causar os juízos transcendentais e imanentes O trabalho
apresentará a interpretação de Kant sob o conceito de Ideia em Platão. Segundo Kant,
Platão estabeleceu o termo “Ideia” como algo que não é tomado dos sentidos e que
30
ultrapassa os próprios conceitos do entendimento, pois nas experiências não
encontramos nada que se assemelhe a esse termo. A partir desta interpretação
apresentamos o conceito platônico de Ideia como possuindo um sentido prático e
necessário para a estruturação de um sistema filosófico teórico-prático adequado as
ideias da Razão pura. Analisamos a ideia platônica de República em conexão com a
ideia de virtude e de liberdade na filosofia moral kantiana. A ideia de liberdade se
constitui no fundamento essencial para o estabelecimento da constituição política e da
teoria ética de Kant. Nesse sentido, investigamos os benefícios que as teorias éticas e
políticas alcançam ao se estruturarem por meio de um idealismo ou mediante arquétipos
na sua estrutura metodológica, pois os arquétipos se constituem em ideias que possuem
uma aplicação na práxis, em contraposição com as teorias empiristas ou contextualistas
que se fundamentam a partir das experiências, costumes e tradições do grupo social.
Palavras-chave: Filosofia política; Republicanismo; Kant.
KANT, ENTRE HUME E WOLFF
OLIVEIRA, Ana Paula. Mestranda em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista –
Campus de Marília. [email protected]
Este trabalho consiste numa analise da História da Filosofia, cujo período constata-se o
diálogo de Kant com Hume e Wolff. Na filosofia transcendental, tempo <Zeit> e espaço
<Raum> são formas puras da intuição. A Crítica da razão pura repousa sobre o dado
irrefutável de que a origem da sensibilidade não pode ser deduzida a priori de
conceitos, mas para que os fenômenos possam existir é necessária a intuição como
fundamento a priori da sensibilidade. A partir dessa estrutura argumentativa, temos por
objetivo compreender a presença de Hume em Kant, bem como as posições deles
opostas à metafísica da representação do ser defendida pela via dogmática de Wolff. A
linha de interpretação acerca da natureza e origens do nosso conhecimento, representada
por Leibniz e Wolff, aos olhos de Kant errava ao considerar a distinção entre sensível e
intelectual como uma distinção apenas lógica. Para Kant, essa diferença é puramente
transcendental e não se refere unicamente a sua forma clara ou obscura, mas à origem e
conteúdo desses conhecimentos. A sensibilidade não nos dá nem obscura e nem
claramente o conhecimento da coisa em si, porque o que conhecemos, que só pode ser
via sensibilidade é o fenômeno. Em Hume temos, desde a perspectiva empirista de
interpretação, a relação de ideias implicando em conceitos a priori, já em Wolff a
existência é simples complemento, é deduzida a priori de conceitos. Kant estabelecerá
uma ponte. Para ele de fato há algo dado a priori pela sensibilidade (a intuição de
espaço e de tempo) que, concomitantemente, permite sustentar o processo cognitivo que
se inicia com a afecção empírica e termina com o conceito.
Palavras-chave: Metafísica; Kant; Hume; Wolff.
A LEI DIVINA E A FAMÍLIA: CONSIDERAÇÕES A PARTIR DO § 456 DA
FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO DE HEGEL.
OLIVEIRA, Claudeni Rodrigues. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. [email protected]
O trabalho analisa a presença da lei divina na Família a partir do § 456 da
Fenomenologia do Espírito de Hegel. No interior da Família as relações homem e
mulher, pais e filhos e irmão e irmã constituem o mundo ético familiar. Nessa esfera, as
diferenças de papéis não significam oposições, ao contrário, cada um como membro
31
contribui do seu modo para a totalidade ética. Na Família, a união entre o homem e a
mulher se baseia no amor, reconhecimento imediato de uma consciência na outra. Pelo
amor, homem e mulher se unem e a partir desse ato formam duas vontades livres. Mas,
nessa união, uma vontade não exclui a presença da outra, ao contrário, é a partir da
relação entre as duas vontades em constituir uma Família que a liberdade é ampliada.
Além do amor, a Família também precisa de propriedade para garantir o seu sustento.
No entanto, apesar de necessitar do amor e da propriedade, é essencialmente através do
culto aos mortos que a Família mantém acesso o seu espírito ético. Nesse sentido, o ato
de cultuar os mortos permite que a Família se torne a guardiã da lei divina. Assim, um
evento natural, a morte, através do culto familiar se transforma num evento ético. Dessa
forma, o trabalho aborda um importante momento do sistema hegeliano que são as
relações éticas na esfera da Família.
Palavras-chave: Hegel; Família; Reconhecimento.
DANIEL DENNETT E O MODELO DOS ESBOÇOS MÚLTIPLOS
PAULO, Gustavo Vargas de. Mestrando em filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. [email protected]
O objetivo deste trabalho é apresentar o novo e até certo ponto paradoxal modelo para o
estudo da mente do filósofo Daniel Dennett, ressaltando principalmente as implicações
de sua visão do funcionamento do cérebro para o estudo da consciência. O modelo dos
esboços múltiplos proposto por Dennett encontra coerência teórica no encontro das
noções da máquina Joyceana e da mente como um pandemônio. Buscaremos abordar os
motivos pelos quais o filósofo almeja rever o que entendemos por “consciência” com
base neste modelo, o que resultará na rejeição dos qualia como fontes de engano
filosófico. Dennett tenta explanar o conceito de consciência de forma que ela não se
apresente como algo misterioso na mente, mas como algo que certamente é produto da
evolução biológica e que está em íntima conexão com os tipos de processamento de
informação mais simples que a precederam na cadeia evolutiva que estão em grande
parte ainda presentes em nossos cérebros. O seu modelo de estudo da mente
considerando-a sob a perspectiva de terceira pessoa aparentemente nega a consciência
porque considera os qualia das experiências conscientes como partes de uma ficção
filosófica que não teria espaço em um estudo sério amparado pelas disciplinas das
ciências cognitivas. Neste trabalho defenderemos que as propostas de Dennett seriam
melhor encaradas como uma reformulação da noção de consciência, de maneira que
uma negação categorial desta atribuída ao filósofo seria forte demais, com vistas a que
os próprios termos do debate podem necessitar um maior esclarecimento em relação a
cada teoria que os utiliza. Apesar de toda a controvérsia sobre o que os qualia realmente
são e sua ligação com o processamento de informações interno do cérebro, poderíamos
ainda ter uma teoria da consciência vista pela perspectiva da terceira pessoa.
Palavras-Chave: Consciência; Dennett; filosofia; mente; cérebro.
OS OPOSTOS ESCLARECIDOS: ROUSSEAU E DIDEROT NAS
REPRESENTAÇÕES
PERIN, Diego Rodriguez. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista
– Campus de Marília. [email protected]
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O trabalho a ser apresentado faz referência direta à Filosofia iluminista francesa, mais
especificamente aos escritos de Rousseau e de Diderot em relação ao teatro. Tudo se
inicia com o artigo Genebra escrito por D’Alembert para a Enciclopédia, onde o mesmo
defende para a cidade citada a construção de um teatro de comédia. Isto vai de encontro
com o pensamento iluminista geral do período, pois se acreditava ser o teatro uma
forma de apuração de costumes ao mesmo tempo em que é um instrumento que corrige
hábitos considerados viciosos pelo ponto de vista da intelectualidade ilustrada da época.
Diderot, acreditando ser possível melhorar os cidadãos por meio dos espetáculos, os
defende de maneira que atribui aos mesmos um efeito didático, chegando mesmo a
construir uma nova forma de gênero dramático diferente dos já existentes até então.
Acontece que nem todos os pensadores do período defendem as representações com
tanta vontade. Este é o caso de Rousseau. Acredita Rousseau em efeitos inteiramente
opostos causados pelo teatro e pelas representações em geral. O objetivo específico
deste estudo é confrontar o pensamento dos dois filósofos no que diz respeito aos
espetáculos vistos pela maioria dos pensadores como algo indubitavelmente bom para
todos, mas que encontra no pensamento de Rousseau uma atribuição antididática e com
efeitos nocivos ao povo, pelo qual se devem medir as desastrosas conseqüências das
representações. Na explanação do trabalho serão esclarecidas as oposições entre os dois
pensadores tendo em vista a crença de ambos sobre as possibilidades dos espetáculos
sofrerem alterações para benefício ou detrimento do público, se os espetáculos podem
causar ou não alterações nas estruturas sociais vigentes no período, e finalmente, em
decorrência das outras causas, se os espetáculos são bons ou maus em si mesmos.
Palavras-chave: Rousseau; Diderot; Teatro; Iluminismo; representações.
O SISTEMA DAS CIÊNCIAS SEGUNDO A EPISTEMOLOGIA GENÉTICA:
CONTRIBUIÇÕES PARA UMA TEORIA DO CONHECIMENTO
PESSOA, Kátia Batista Camelo. Mestranda em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. [email protected]
A Ciência é composta por áreas interligadas, tais como a Matemática, a Física, a
Química, a Biologia, as ciências do Homem em geral, as quais mantêm relações entre si.
A Epistemologia Genética sustenta que essas relações não estão encadeadas de forma
linear, mas essas diversas áreas formam um “círculo das ciências”, ou ainda,
considerando seu caráter processual, uma “espiral das ciências”. O objetivo central de
nosso trabalho é discutir como a noção de Espiral das Ciências pode trazer contribuição
à Teoria do Conhecimento. Nesse sentido, vamos discutir como se dá o processo
organizativo desse sistema correlacionado com a constituição das estruturas necessárias
ao conhecimento do sujeito epistêmico, o sujeito do conhecimento, segundo a
Epistemologia Genética. Mais especificamente vamos: (1) distinguir diversos tipos de
relações recíprocas entre as diversas ciências, na Espiral das Ciências, inclusive suas
dependências e filiações (segundo um processo de diferenciação e coordenação); e (2)
verificar como a constituição das estruturas necessárias ao conhecimento do sujeito
epistêmico está relacionada à constituição da Espiral das Ciências. Nossa hipótese
central é que a Espiral das Ciências se constitui em um sistema de modelos explicativos
da Realidade construídos pelos cientistas usando as estruturas necessárias ao
conhecimento estabelecidas pela Epistemologia Genética.
Palavras-chave: Espiral das ciências; Sistema;
Epistemologia Genética; Sujeito Epistêmico.
Teoria
do
Conhecimento;
33
UMA DEFESA DO SENSO COMUM: BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A
FILOSOFIA DE THOMAS REID
PILAN, Fernando Cesar. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista –
Campus de Marília. Bolsa: FAPESP. [email protected]
O objetivo de nosso trabalho é apresentar alguns elementos da defesa filosófica do
senso comum levada a cabo pelo pensamento de Thomas Reid. Pertencente à escola
escocesa, Reid pretende defender o que ele denomina como instintos do homem
comum, ou em outras palavras, senso comum. Para o autor, há um tipo de conhecimento
próprio da natureza humana que se manifesta no conhecimento ordinário do agir
comum, antecedente ao conhecimento propriamente racional. Este tipo de saber que
Reid denomina de instintos seria uma fonte de conhecimento no sentido de utilidade à
vida cotidiana que, muito antes do pensamento intelectualmente formulado, se trata de
um saber mantenedor da vida. Definindo as atividades instintivas como as atividades
cognitivas mais básicas do ser humano, o autor critica a tradição por criar rupturas
artificiais entre o instinto e a episteme. Para o autor, os instintos são inerentes à natureza
humana e permitem a qualquer ser humano, independentemente de idade, grau de
instrução ou formação tratar com competência de problemas existencialmente cruciais.
Assim, para o autor não há níveis inferior e superior na esfera do conhecimento: a
pretensa superioridade da razão sobre os instintos parece ser uma leitura equivocada das
capacidades cognitivas humanas. O que a tradição afirmava serem meros instintos
desprovidos de inteligência constituem atividades que possuem um relevante estatuto
epistêmico, mesmo que independente de trâmites teórico-racionais. Em suma, Thomas
Reid se contrapõe à concepção tradicional dualista que pressupõe existir um abismo
entre o conhecimento racional e o conhecimento comum, na medida em que defende
uma relevante manifestação cognitiva no senso comum.
Palavras-chave: Thomas Reid; senso comum; instintos.
O RACIOCÍNIO ABDUTIVO COMO ASPECTO DA LÓGICA PEIRCEANA
RODRIGUES, Luciane1; VERGINASSI, Michelle T2. 1Mestre em Filosofia pela
Universidade Estadual Paulista – Campus de Marília.2Mestranda em Filosofia pela
Universidade Estadual Paulista – Campus de Marília. [email protected]
O objetivo deste trabalho é discutir a importância do raciocínio abdutivo proposto por
Peirce para a ciência em geral. Em diversos momentos de seu pensamento, Peirce
propõe um conceito de Lógica mais amplo que o conceito clássico geralmente
abordado; de Lógica como Semiótica. Nessa perspectiva, a Lógica é vista como um
caminho para os princípios de todos os métodos, uma teoria sobre signos/inferências ou
análises das relações entre signos/inferências. O conceito de abdução de Peirce foi
discutido dentro da teoria dos tipos de inferências ou tipos de raciocínio. Desde que
inferências são semioses, ou ações de signos, a Lógica explicaria a formação das
relações entre signos, podendo esclarecer, descrever, minuciar seus efeitos ou
significados, os tipos ou classes de signos, tipos de inferência (abdução, dedução e
indução) e uma teoria sobre a investigação. Estes três tipos de inferências pertencem,
assim, ao quadro desenhado por Peirce dos vários ramos relacionados à ciência da
descoberta, ao nível da crítica, que, por sua vez, faz parte da lógica, um dos ramos da
ciência da descoberta. O enfoque deste trabalho está sobre um destes tipos de raciocínio,
a abdução. “A abdução - nos diz Peirce - é o processo de se formar uma hipótese
34
explicativa. É a única operação lógica que introduz qualquer idéia nova, pois a indução
não faz nada mais que determinar um valor, ao passo que a dedução meramente
desenvolve as necessárias conseqüências de uma hipótese pura” (CP 5.171). Sendo todo
o signo eminentementemente abdutivo, podemos afirmar, de forma recíproca, que toda a
abdução é eminentemente sígnica. Diante desta relação, torna-se clara a identificação
peirceana, entre semiótica do signo e lógica da abdução, ganhando novo sentido sua
afirmação de que todas as ciências procuram, a partir de determinados fenômenos
(signos naturais), abduzir as leis explicativas (regras gerais da interpretação) dos
mesmos.
Palavras-chave: Lógica; Semiótica; Abdução; Signo; Ciência.
A TELEVISÃO ANALISADA SOB A ÓTICA DA INDÚSTRIA CULTURAL:
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
SANTOS, Barbara dos. Mestranda em Linguagem, Cultura e Mídia pela Universidade
Estadual Paulista – Campus de Bauru. [email protected]
Este ensaio tem por propósito analisar a televisão como produto, que chegou ao Brasil
nos anos 50 e rapidamente se espalhou por todas as regiões do território nacional. O que
antes era apenas um produto somente para a classe economicamente favorecida, hoje, se
tornou um poderoso veículo de propagação de ideologias consideradas, por vezes,
distorcidas e muito aquém da realidade dos fatos. A televisão, como objeto midiático, e
sendo ela responsável, muitas vezes, pela formação da grande maioria de cidadãos que
tem pouco ou nenhum acesso à cultura letrada, oferece muito pouco do que produz.
Esse oferecimento tem relação com a qualidade dos programas, bem como o nível
informacional e a construção de sentido que se realiza no momento em que se coloca à
frente do aparelho. A indústria cultural tem por finalidade, reiterar, firmar e reforçar
mentalidades e ideologias consideradas “ideais”, sem ao menos dar a chance de reflexão
desses ideais. A indústria cultural “sobrevive”, em tese, pela questão mercadológica e
de agradabilidade. As pessoas não percebem, e até levará um tempo até que isso
aconteça, que elas estão sendo “engolidas” pela grande oferta de produtos culturais que
vem de uma indústria que não preza pela qualidade, salvo algumas raras exceções que
acabam indo para a grande mídia. Esta se torna a grande responsável por fortalecer, em
grande escala, a indústria cultural e o fomento de estratégias de venda e sucesso nos
produtos e serviços.
Palavras-chave: ideologia; sociedade; televisão.
ARTE E REALIDADE, CULTURA E POLÍTICA: UM DIAGNÓSTICO PARA O
CINEMA LATINO-AMERICANO PRESENTE NO MANIFESTO “UMA
EZTÉTYKA DA FOME”, DE GLAUBER ROCHA
SANTOS, Héder Junior dos. Mestrando em Letras pela Universidade Estadual Paulista
– Campus de Assis. Bolsa: CNPq. [email protected]
Esse trabalho propõe uma leitura analítico-interpretativa do manifesto “Uma Eztétyka
da fome”, escrito pelo cineasta baiano Glauber Rocha (1939 – 1981), e apresentado em
1965, em Gênova, Itália, quando da “Resenha do Cinema Latino-Americano”. Em
linhas gerais, pode-se avaliar que em sua escritura, o artista supracitado dispõe-se a
interpretar a realidade brasileira e alguns aspectos da arte nacional, em especial, da
estética cinematográfica vigente até então na produção latino-americana. Rocha coloca
35
em seu horizonte denunciativo temas relacionados à fome, miséria e contradições
sociais, como elementos constitutivos e também degenerativos dos próprios sujeitos
latino-americanos. Feitas tais observações, podemos considerar que seu manifesto
procura responder a uma pergunta fundamentalmente filosófica, a saber, “O que é o
Brasil?”, podendo ser, a nosso ver, justaposto aos trabalhos de interpretação do país,
claro está, levando em consideração a premissa de que a arte e o artista vocalizam uma
peculiar leitura do momento histórico em que estão alocados, isto é, dizem respeito à
particularidade da expressão artística. Com seu texto, o cineasta quer chegar à essência
do povo brasileiro e seus elementos de contradição, propondo uma visão de passado e
presente como contextos homogeneamente alienadores e focos estruturais de injustiça,
diante dos quais, a violência do oprimido ganha legitimidade como resposta à violência
institucional, muitas vezes maquiada e imputada nos próprios discursos artísticos. Na
compreensão do cineasta, imagem e som, trabalhados de maneira articulada, poderiam
apresentar soluções às necessidades provenientes dos âmbitos político, econômico,
religioso, social e cultural, imanentes da realidade brasileira dos anos de 1960. Importa
mencionar ainda que valemo-nos de alguns pressupostos: da particularidade como valor
estético dentro da obra de arte, da consciência construtivo-intelectiva cultivada pelo
cineasta, da arte como mediadora da realidade histórico-social brasileira, e por fim, da
arte como reflexo das condições do ser.
Palavras-chave: Cinema latino-americano; Estética; Política; Glauber Rocha;
manifesto “Uma Eztétyka da fome”.
CONHECIMENTO E AFETIVIDADE EM ESPINOSA
SILVA, Adriano Pereira. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista –
Campus de Marília. [email protected]
A História do pensamento ocidental revela que o homem, ao longo dos anos, valorizou
em demasia o pensamento lógico-racional em detrimento da força dos afetos no
processo epistemológico. Talvez a tradição socrático-platônica depositou,
demasiadamente, a força do conhecimento verdadeiro apenas no que ele tem de lógico e
racional, desconsiderando a sua carga afetiva. Investigaremos nesse trabalho a
consideração de Espinosa sobre a compreensão das paixões. O filósofo entende que a
origem dos afetos está em algum tipo de conhecimento e sugere que analisemos a Ética
para compreendermos com maior clareza por que e em que sentido o problema dos
afetos é um problema de conhecimento. Na proposição 3 da Parte III, Espinosa sugere
que “as paixões dependem apenas das ideias inadequadas”. As paixões envolvem ideias
do que se passa em nosso corpo. De acordo com Espinosa, a resolução do problema dos
afetos é essencialmente um problema de conhecimento, já que o afeto é uma ideia do
que se passa no corpo. Por isso, os elementos da teoria espinosana do conhecimento e
dos afetos nos ajudam a compreender, porém, que não importa tanto se o conhecimento
é verdadeiro (racional) ou se é mera crença (imaginação, paixão); o que de fato importa
é o grau de afetividade com que conhecimentos certos ou crenças corretas nos afetam. O
homem produz conhecimentos-afetos que podem ser passivos ou ativos. O
conhecimento passivo, enquanto ideia ou percepção do que ocorre no corpo a partir de
suas relações com as coisas exteriores, é uma operação cognitiva da mente que Espinosa
chama de imaginação. Um conhecimento é ativo quando é produzido só pela potência
do intelecto, sendo este causa adequada da ideia produzida. Com isso, a mente pode
encadear, por si mesma, novas ideias e entrar, portanto, num processo de produção
causal adequada de ideias, que depende de sua própria potência.
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Palavras-chave: Conhecimento; afetos; paixão; idéias; Espinosa.
CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DA PERCEPÇÃO NO TEETETO
SILVA, Daniel Reis Lima Mendes. Mestrando em Filosofia pela Universidade Federal
de São Carlos. [email protected]
A comunicação a ser apresentada terá como objeto de análise a primeira parte da obra
Teeteto de Platão, texto classificado pela maior parte dos estudiosos como perfazendo
em conjunto com o Parmênides, o Sofista e o Político, os chamados diálogos
“metafísicos”, ou “críticos”, grupo que antecede o último dos três períodos em que se
costuma dividir a filosofia de Platão: o período tardio ou da velhice, tendo, portanto, já
escrito grande parte das obras que compõe os argumentos em torno dos quais se
configura aquilo que os platonistas costumam se referir como Teoria das Formas. Em
nossa apresentação trataremos especificamente do problema da refutação da tese
segundo a qual conhecimento é aìsthesis no interior da referida obra, assim sendo, da
primeira parte e mais extensa do diálogo. Num primeiro momento da apresentação
pretendemos problematizar o sentido do termo tendo por base o próprio Teeteto e
elencar os grupos dos comentadores divergentes no que tange a tradução do termo por
sensação ou percepção, além obviamente, de nossa posição sobre a controversa questão
seguida de justificativa. A seguir serão apresentados e analisados os argumentos de
refutação da tese da primeira definição de conhecimento apresentada a Sócrates pelo
personagem Teeteto, que tem como alvo o que chamamos de ‘tese Protagoreana’
segundo a qual não é possível estabelecer um valor de verdade qualquer que seja, dado
que o que uma pessoa acredite ser o caso, é em alguma medida “verdade para ela”,
pretendo mostrar como essa tese lastreada numa ontologia heracliteana do fluxo sofre
uma bateria de argumentos que, segundo nossa perspectiva, ainda deixa espaço para
dúvidas no que diz respeito à eficiência da refutação da tese que conhecimento é de
algum modo aísthesis.
Palavras-chave: Platão; Teoria do conhecimento; Teeteto; Protágoras; aìsthesis
CONSIDERAÇÕES SOBRE PSICOGÊNESE E SOCIOGÊNESE DO TEMPO
SEGUNDO A EPISTEMOLOGIA GENÉTICA
SILVA, Danilo Ramos Meira. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. Bolsa: CAPES. [email protected]
Esta pesquisa pretende apresentar, através da consideração das etapas e estágios da
constituição do tempo segundo a psicologia genética, os momentos críticos e os
principais elementos estruturais que contribuem para a construção da noção de tempo no
sujeito epistêmico.
Serão elencados e analisados os momentos específicos e os elementos que encadeiam tal
construção, atentando também para os principais mecanismos psicogenéticos apontados
por Piaget envolvidos e solidários ao processo de constituição da noção do tempo
(causalidade, espaço e permanência do objeto), cujo estado inicial é o de um universo
nem substancial nem extenso em profundidade, cuja permanência e espacialidade
totalmente práticas, bem como a sensação de uma “duração pura” e ausência de
causalidade permanecem ligadas a um indivíduo que se ignora a si mesmo e que só
percebe o real por meio de sua atividade própria. E cujo estado final é, ao contrário, o de
um mundo sólido e amplo que obedece a leis físicas de conservação (objetos) e
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cinemáticas (grupos), no qual o indivíduo se situa conscientemente como elemento.
Falamos, então, de uma escalada do egocentrismo ao relativismo objetivo.
Investigaremos como o tempo, em seu ponto de partida, relaciona-se com as impressões
de duração psicológica inerentes às atitudes de expectativa, esforço e satisfação, ou seja,
à atividade do próprio indivíduo. E em seguida, como essa duração se relaciona de
maneira cada vez mais próxima aos acontecimentos do mundo exterior, até que, ao
final, o tempo torna-se categoria de estrutura objetiva do universo enquanto tal.
Por fim, este trabalho pretende apresentar uma breve discussão sobre a possibilidade de
uma interpretação do desenvolvimento da noção de tempo na longa duração histórica
ocidental segundo a proposta de sociogênese do tempo pelo viés da Epistemologia
Genética, buscando possíveis explicações que justifiquem tais paralelos.
Palavras-chave: Tempo; Epistemologia Genética; Psicologia Genética; Piaget.
UMA BREVE INTRODUÇÃO AO PROBLEMA DO TÉDIO EM THEODOR W.
ADORNO
SILVA, Felipe Resende da. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. [email protected]
Este trabalho tem por objetivo traçar um panorama introdutório sobre a questão do tédio
em Theodor W. Adorno. Como veremos, a preocupação do filósofo sobre esse
fenômeno social (oriundo do período moderno) tem em vista ao menos três esferas do
mundo humano: a esfera do trabalho, do tempo livre e a da cultura (Bildung). Entender
a manifestação do tédio, nas esferas supracitadas, significa desvelar as configurações
destas em consonância com a crise emancipatório-cultural presente na sociedade
capitalista tardia. Desse modo, a crítica adorniana ao problema do tédio aponta para
uma cultura do tédio instaurada na sociedade contemporânea, marcada principalmente
pela crise da experiência (Erfahrung) e pela perda do significado da própria existência mediante o trabalho estranhado e a predominância do fetichismo sobre a consciência
subjetiva e os objetos da cultura. Trataremos dessa problemática basicamente a partir de
escritos como Minima Moralia (1951) e “Tempo Livre” (1969), que são fundamentais
para explorar essa questão.
Palavras-chave: tédio; teoria crítica; emancipação.
A MUDANÇA DE IDEIA DE WITTGENSTEIN SOBRE A TEORIA DA
LINGUAGEM
SILVA, Karina Oliveira da. Mestranda em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista –Campus de Marília. [email protected]
O presente trabalho apresenta argumentos da filosofia de Ludwig Wittgenstein em
defesa da hipótese de que as Investigações Filosóficas (1953) constituem uma
substituição de uma linguagem fenomenológica por uma outra fisicalista. Destarte, o
afastamento de sua filosofia inicial tenciona sobre uma mudança de paradigma em sua
teoria da linguagem. Com efeito, questionamos como esta perspectiva rejeita a
linguagem dos dados imediatos por uma outra linguagem comum e cotidiana.
Inicialmente, analisamos como Wittgenstein tentou demonstrar com o Tractatus LogicoPhilosophicus de (1929) uma teoria com base na oposição epistemológica entre mente e
realidade, ao distinguir componentes teóricos: a) sobre o ser no aspecto ontológico, b)
sobre as relações acerca da estrutura da linguagem na sintaxe lógica e c) sobre as
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relações entre a linguagem e a realidade na semântica epistemológica. Posteriormente,
com as Investigações Filosóficas discutimos a inefabilidade da semântica no conceito
de gramática como parte de uma linguagem pública necessariamente fisicalista e
universal. Esboçaremos uma reflexão argumentativa acerca da gramática (teoria da
linguagem) de Ludwig Wittgenstein, pois o conceito de gramática busca estabelecer o
problema da natureza das relações entre a postura pragmática da linguagem (nas
relações semânticas básicas) e o mundo (realidade) de sua segunda filosofia na teoria da
linguagem.
Palavras-chave: Linguagem Fenomenológica; Linguagem Fisicalista; Mudança de
paradigma na teoria da linguagem.
A APROPRIAÇÃO DE HEGEL PELO PENSAMENTO POLÍTICO DE
MARCUSE
SILVA, Thiago Evandro Vieira da. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. [email protected]
Este trabalho tem como principal objetivo explicitar a influência da filosofia de Hegel
no pensamento crítico de Marcuse. A metodologia feita para o desenvolvimento deste é
a chamada crítica imanente. Portanto, é a proposição de uma pesquisa qualitativa,
considerando que expressa a necessidade de considerar um quadro contextual, holístico
que apreende o objeto e o ultrapassa. A partir da análise da Filosofia da História de
Hegel observou-se certa proximidade dos conceitos por este desenvolvido com os
utilizados pela Teoria Crítica, alguns intermediados pelo materialismo histórico de
Marx. Tal proximidade tornou-se mais evidente na análise do texto Razão e Revolução
de Marcuse. É claro que a dialética hegeliana foi o ponto de partida de Marx, e isso se
apresenta de forma clara em Razão e Revolução, aliás, neste, o autor dedica uma parte
inteira a descrever os fundamentos da filosofia de Hegel, mas as outras duas partes deste
livro são sobre a influência da filosofia hegeliana e sobre os desdobramentos dela.
Todavia, muito além de apontar o hegelianismo como o fundamento do marxismo, notase uma influência direta da filosofia de Hegel na constituição do pensamento dialético
da Teoria Crítica e, mais precisamente, no de Marcuse. O objetivo final é analisar a
influência de Hegel no pensamento de Marcuse.
Palavras-chave: Dialética; Hegel; Negatividade; Marcuse.
A ANALÍTICA DO ESPAÇO NA ARQUEOLOGIA DE MICHEL FOUCAULT
SOUTO, Caio Augusto T. Mestrando em Filosofia pela Universidade Federal de São
Carlos. Bolsa: CAPES. [email protected]
Esta comunicação abordará três das referências da arqueologia de Foucault visando
mostrar as condições de aparecimento de sua problematização do saber como uma
analítica do espaço: a historiografia inaugurada com a escola dos Annales; a
epistemologia de Bachelard e seus sucessores; e o estruturalismo. São “escolas” de
pensamento que Foucault conheceu bem e que possuíram todas um caráter antipositivista em reação à mentalidade oitocentista ainda predominante na primeira metade
do século XX. Por uma historiografia crítica contrária à que conferia ao fato histórico
valor de objetividade e entendia o devir histórico como evolução, atribuindo ao presente
valor de superioridade perante o passado; por uma epistemologia que, a mesmo título,
inseria na análise das ciências a noção de ruptura, ao contrário de entendê-las como
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movimento evolutivo; por uma contraposição da espacialidade à historicidade evolutiva
com a inserção da noção de estrutura em variados campos do saber. São essas
referências que Foucault incorporou à sua arqueologia do saber, uma analítica espacial
do saber, a despeito das sensíveis diferenças que a separam das correntes mencionadas,
a saber: ao invés da preferência por longos períodos, como na escola dos Annales,
Foucault preferiu analisar períodos curtos; ao invés de analisar conteúdos intrínsecos a
ciências específicas, como entre os epistemólogos, Foucault entreviu uma ordem
constituinte de todo e qualquer discurso (científico, artístico, filosófico, jurídico) numa
dada sociedade num dado período de sua história. Já quanto ao estruturalismo, cabe um
exame mais minucioso para tentarmos entender em que sentido o autor preferiu dizer
não pertencer a essa corrente, apesar das semelhanças inafastáveis que permitem
identificar em seu trabalho, ao menos até 1966-1967, elementos de uma análise
estrutural. Em todo caso, a noção de espaço parece ser uma novidade introduzida por
tais escolas precedentes à arqueologia de Foucault, imprescindíveis ao seu projeto
analítico do saber nomeadamente espacial.
Palavras-chave: Foucault; arqueologia; espaço.
A DIGNIDADE DA POLÍTICA E A DIGNIDADE HUMANA: A CRÍTICA
ARENDTIANA À FILSOFIA POLÍTICA “TRADICIONAL”
TURBAY, Luana. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista –
Campus de Marília. [email protected]
Hannah Arendt trata de uma dignidade humana efetiva, não a deduz de uma suposta
superioridade intrínseca ao gênero humano, a considera como possibilidade dos homens
se elevarem acima da esfera da necessidade por através da vida pública. Segundo esta
perspectiva teórica seria apenas neste modo de vida que, por meio do discurso e da
ação, os homens relevariam quem são, momento em que sua dignidade se efetiva como
reconhecimento recíproco da humanidade entre seus concidadãos. Defende-se uma
concepção de ação em que o protagonismo do agente se sobrepõe a supostas tendências
históricas, consistindo a ação política justamente no nascimento do novo à revelia do
que se espera que aconteça. Opõe-se esta concepção ao esforço da filosofia política
“tradicional” em determinar as ações segundo finalidades que se deduzam de uma
suposta natureza humana e de uma suposta finalidade para a política. Este tratamento da
política, iniciado com a filosofia platônica, equaciona a política em termos de mando e
obediência, e retira qualquer possibilidade de protagonismo e espontaneidade para a
ação, equaliza todo tipo de atividade voltada ao mundo como mal necessário voltado às
necessidades ligadas à sobrevivência humana. Nossa intenção é a de estudar condições
políticas que permitam a efetivação da dignidade humana através da face do
pensamento de Arendt segundo o qual a política seria um modo de vida – efetivado
talvez unicamente pelos gregos e pelos romanos – em que existe a convivência
propriamente humana, o compartilhamento de um mundo comum como experiência que
permite a efetivação da liberdade e do “direito a ter direitos”. Temos em mente também
o estudo do provável maior desastre político da humanidade: o totalitarismo. Face
oposta à política, trata-se este de um modo de vida em que instaura-se entre os homens
o “deserto”, o total isolamento dos homens entre si.
O PROBLEMA DA AUTORIA DO MAL NO LIVRO I DO DE LIBERO
ARBITRIO, DE AGOSTINHO DE HIPONA
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USAI, Giovana. Mestrando em Filosofia pela Universidade de São Paulo.
[email protected]
O objetivo do presente trabalho é discutir a argumentação levantada no Livro I do De
Libero Arbitrio de Agostinho de Hipona, a respeito da autoria do mal, cujo
desenvolvimento mostrará que o mal é efeito do livre-arbítrio da vontade (liberum
arbitrium voluntatis) humana, quando não escolhe retamente os bens aos quais deve
almejar. O foco do primeiro livro é retirar qualquer possível ligação do mal à Deus, seja
diretamente, como quando Evódio pergunta: “Deus não é, talvez, autor do mal? (Dic
mihi, quaeso te utrum deus non sit auctor mali), e até indiretamente, como acontece na
passagem em que Agostinho questiona uma eventual participação divina no pecado:
“Perturba-me um pensamento: se os pecados vêm dessas almas que Deus criou, e tais
almas de Deus, como os pecados não são reconduzidos, depois de um pequeno
intervalo, à Deus?” Assim sendo, o principal motor da obra é estabelecer onde se
encontra a origem do mal (unde malum). Não pode ser em Deus, considerando a sua
bondade e justiça; mas também o homem, feito à sua imagem, poderia carregar as
sementes do mal? O problema torna-se de difícil solução, pois na ordem natural do
mundo, onde todas as criaturas divinas são bens, o mal não teria de onde tirar a sua
realidade. Porém, há uma subversão dessa ordem ocasionada pelo pecado original e é a
partir dessa situação de corrupção da ordem que o problema do mal deve ser aventado.
Existe, assim, no próprio autor da primeira má ação (pecado) a fonte do mal; está no
homem a origem de todo o mal sofrido por ele mesmo. A dificuldade é compreender
donde veio esse poder de renegar a ordem divina. Na perspectiva cristã a solução é
indicada no mal como algo advindo do livre-arbítrio da vontade humana, e é justamente
o que será analisado na obra.
Palavras-chave: Filosofia; Patrística; Livre-Arbítrio.
A PEDAGOGIA ANARQUISTA: UMA INTRODUÇÃO
VALÉRIO, Raphael Guazzelli. Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual
Paulista – Campus de Marília. [email protected]
Faremos aqui uma breve análise da corrente educacional conhecida como pedagogia
anarquista ou, pedagogia libertária. Para tanto procederemos da seguinte forma: em
primeiro lugar traçaremos uma genealogia sumária da doutrina política chamada de
anarquismo ou comunismo libertário da qual se nutre tal tendência pedagógica.
Procuraremos, ainda que brevemente, fazer um pequeno histórico dos principais
expoentes do pensamento anarquista no intuito de melhor compreender o lugar da
pedagogia na ótica libertária. Terceiro, explanaremos acerca dos principais princípios
geradores do anarquismo, aqui a educação assume papel importante. Em seguida
analisaremos os princípios que animam a pedagogia anarquista propriamente dita e, por
fim, parece-nos importante traçar um pouco da contribuição do pensamento libertário
para a história da educação brasileira. O pensamento pedagógico anarquista foi
negligenciado pelas correntes pedagógicas predominantes, oficiais e não oficiais. Ora,
isso é bastante compreensível, já que, do ponto de vista da educação oficializada, isto é,
encabeçada pelo Estado, a pedagogia libertária ocupa o lugar de inimigo por ter como
uma das finalidades justamente a abolição do Estado e a construção de uma sociedade
radicalmente nova, livre de qualquer tipo de poder e impedimento. Sob a ótica das
pedagogias não oficiais, destacamos, sobretudo o pensamento marxista e muita de suas
correntes, o anarquismo também foi rejeitado, pois, apesar de ambas correntes teóricas
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terem um fim comum, qual seja, a abolição da sociedade de classes, os métodos para
tanto são distintos. Como o pensamento pedagógico marxista tornou-se, entre as
pedagogias contestadoras, predominante, por conta de diversos acontecimentos
históricos que não cabem aqui discutir, a pedagogia libertária também foi
negligenciada no polo educacional oposto, isto é, o que visa uma transformação da
sociedade. Acreditamos que as ideias pedagógicas anarquistas têm muito a contribuir
para a educação na medida em que propõe valores importantes para o desenvolvimento
do homem numa direção oposta àquela que é a realidade da educação contemporânea,
como liberdade, autonomia e desenvolvimento integral. Prova disso é a recente
recapitulação do pensamento anarquista no debate de pesquisadores brasileiros de
filosofia da educação que têm relido os clássicos anarquistas sob o pano de fundo do
pensamento filosófico contemporâneo, sobretudo Foucault e Deleuze.
Palavras-chave: pedagogia; anarquismo; autonomia; autogestão; liberdade.
O CONCEITO LITERÁRIO DE PESSOA COMO PRINCIPIO NORMATIVO
DO AGIR E FAZER HUMANO
XAVIER, Marivelto Leite. Mestre em Filosofia pela UNISINOSRS e Doutorando em
Teologia pela EST/RS. Bolsa: CAPES. [email protected]
A leitura Ético - estética do conceito de Pessoa em Lima Vaz demonstra a unidade
conceitual da forma como “persona dramatis” vivido concretamente na história. Em
estética dizemos “analogia entis concreta”. A Pessoa é o mundo. Não o seu mundo,
mas de modo universal o Kósmos. Não obstante, da genética teológica do conceito de
Pessoa, esta existe enquanto habitação do Existir. O problema fulcral está então para
Lima Vaz nessa difícil passagem da ontologia da essência para a ontologia da
existência. Serão nas disputas entre Santo Tomás de Aquino e Siger de Brabant acerca
do conceito de Esse que tornar-se-a manifesta a disputa acerca do Principio Criador e
sua inteligibilidade. Dessa disputa dependerá a unicidade do pensamento teológico –
filosófico de tradição grega ou uma nova racionalidade epistemológica - a modernidade.
Nesse contexto O Líber de Causi, apresenta se em Siger de Brabant como a
impossibilidade de conhecermos o Principio Criador. Retirada do Esse sua
inteligibilidade primeira, os homens devem conviver com o sem razão da existencia. O
resgate das discussões epistemológicas acerca da gênese da modernidade objetivamente
coloca nos diante da realidade ontológica concreta do Ser e subjetivamente para além da
epistemologia racional em que esta foi reduzida. Trata se da percepção Ético-estética da
Pessoa como Ipsum Esse. Doravante a Pessoa, assim concebida, restitui esteticamente a
unicidade dialético-epistemológica do Sujeito-Objeto legítimo do agir-fazer –
Kaloskagathós. Destarte, o belo como Kósmos objetivo expressa-se em seus
desdobramentos como Pessoa e de seu próprio destino cosmológico – a estética literária.
A literatura filosófica a partir do conceito de Pessoa mostra se relevante aos debates
Éticos do contemporâneo. O agir bem da Pessoa é por antonomásia esplendor da beleza.
Palavras-chave: Pessoa; Ontologia; Literatura.
ZÉ NINGUÉM ENTRE QUATRO PAREDES: UMA RELEITURA DA
DESTRUIÇÃO DA SUBJETIVIDADE
ZOCARATO, Clayton Alexandre. Aluno de especialização em Historia pela Faculdade
Dom Bosco/Monte Aprazivel. [email protected]
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Jean Paul Sartre e Wilhelm Reich oscilaram por diferentes labirintos em suas análises
sobre a existência humana, mas contendo simetrias concomitantes em torno da
modernidade. Enquanto Sartre postulou suas afirmações sobre a aniquilação
introspectiva da psique, “condenando o homem a ser livre”, Reich utilizou-se de
preceitos marxistas e da psicanálise para subverter a sexualidade como um fator
massificação dos indivíduos. Enfocando uma discussão sobre o teatro sartreano,
focalizado em “Entre Quatro Paredes” (2007), escrito no decorrer da Segunda Guerra
Mundial como sendo uma denúncia da alienação de valores sentimentais do homem
perante o próprio homem, atrelado a “Escuta Zé Ninguém” (1974), colocando o
extermínio de estruturas intelectuais de profícuo valor, sendo estigmatizadas por
poderes econômicos e políticos, como a “coisificação” de elaboração de coeficientes
mentais alardeados de saber erudito. De âmbito abrangente, ambos pensadores
utilizaram derivados conceitos filosóficos e psicanalíticos, para combater a ortodoxia de
correntes de pensamento que vigoravam poder traçar de forma lasciva e permissiva o
destino da humanidade, de uma forma totalizante. Sartre proclama que não há
necessidade do aparelho estatal repressivo conciso vinculado a uma ideologia de mérito
a arregimentar o senso-comum de condicionamento mental, enquanto Reich exauriu o
controle do prazer através de premissas contratuais gesticuladas por uma sociedade
irracional de conservadorismo, antagonicamente a uma disparidade de sedenta busca
por uma liberação sexual sem os tabus do controle de natalidade, ou das práxis
religiosas, de um celibato populacional forçado pelo cristianismo, ou seja, o homem é
condenado sempre a buscar o prazer, ele é escravo de suas vontades mais primitivas.
Pretendemos analisar nessa comunicação as idéias de cada pensador embasadas nas
duas obras aqui citadas, divergindo suas idéias acerca da liberdade do ser humano na
sua busca de auto-satisfação.
Palavras-chave: Existencialismo; Alienação; Filosofia.
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.:: Comissão Organizadora::.
Ricardo Pereira Tassinari (Coordenador); João Antonio de Moraes;
Danilo Ramos Meira da Silva; Débora Barbam Mendonça;
Paulo Henrique Araújo Oliveira Pereira.
.:: Secretaria Geral::.
Edna Bonini de Souza
.:: Comissão Científica ::.
Alfredo Pereira Junior
Antonio Trajano Menezes Arruda
Clélia Aparecida Martins
Lúcio Lourenço Prado
Márcio Benchimol Barros
Maria Eunice Quilici Gonzalez
Mariana Cláudia Broens
Pedro Geraldo Novelli
Reinaldo Sampaio Pereira
Ricardo Monteagudo
Ricardo Pereira Tassinari
Ubirajara Rancan de Azevedo Marques
.:: Elaboração dos Anais ::.
João Antonio de Moraes
Danilo Ramos Meira da Silva
APOIO:
STAEPE
STI
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Caderno de Caderno de Resumos - Faculdade de Filosofia e Ciências