UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL PERFIL DOS CONSUMIDORES DE PRODUTOS HORTIFRUTIGRANJEIROS ORGÂNICOS EM SUPERMERCADOS DA CIDADE DE FOZ DO IGUAÇU/PR MARIANNA DE CAMPOS FERREIRA E SILVA Foz do Iguaçu - PR 2009 MARIANNA DE CAMPOS FERREIRA E SILVA PERFIL DOS CONSUMIDORES DE PRODUTOS HORTIFRUTIGRANJEIROS ORGÂNICOS EM SUPERMERCADOS DA CIDADE DE FOZ DO IGUAÇU/PR Trabalho Final de Graduação apresentado à disciplina de TFG II da Faculdade Dinâmica de Cataratas – UDC, como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro Ambiental. Prof°. Orientador: Dr. Elisandro Pires Frigo. Foz do Iguaçu – PR 2009 A258o Silva, Marianna de Campos Ferreira Perfil dos consumidores de produtos hortifrutigranjeiros orgânicos em supermercados da cidade de Foz do Iguaçu, Pr / Marianna de Campos Ferreira e Silva - Foz do Iguaçu: UDC / 2009. Orientador: Elisandro Pires Frigo Trabalho de Conclusão de Curso- (TCC) União Dinâmica de Faculdades Cataratas 1. Agricultura alternativa. 2. Equipamentos de varejo. 3 Marketing ambiental. CDU:77.03 TERMO DE APROVAÇÃO UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS PERFIL DOS CONSUMIDORES DE PRODUTOS HORTIFRUTIGRANJEIROS ORGÂNICOS EM SUPERMERCADOS DA CIDADE DE FOZ DO IGUAÇU/PR TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO PARA OBTENÇÃO DE GRAU DE ENGENHEIRO AMBIENTAL Aluna: MARIANNA DE CAMPOS FERREIRA E SILVA Orientador: PROF°. DR. ELISANDRO PIRES FRIGO Nota Final Banca Examinadora: Prof(ª). Prof(ª). Foz do Iguaçu, 18 de junho de 2009. AGRADECIMENTO À Deus, pelo fôlego de vida. Aos meus pais, pela dedicação na formação do meu caráter. Ao meu amado esposo Osiel, pela compreensão, apoio e por ficar ao meu lado nas madrugadas no término do meu trabalho. Aos professores, em especial à Professora Michelle Sato Frigo e meu orientador Professor Elisandro Pires Frigo pela direção do trabalho, paciência e profissionalismo. E aos meus colegas pelos estudos e aprendizados adquiridos juntos. “Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento”. Provérbio 3:13 “Porque o Senhor Deus dá a sabedoria; e da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento”. Provérbios 2:6 FERREIRA, Marianna de Campos. Perfil dos consumidores de produtos hortifrutigranjeiros orgânicos em supermercados da cidade de Foz do Iguaçu/PR. Foz do Iguaçu, 2009. Trabalho Final de Graduação (Graduação em Engenharia Ambiental) – União Dinâmica de Faculdades Cataratas. RESUMO Na década de oitenta já eram visíveis as conseqüências da transformação da agricultura e, com o crescimento da crítica à agricultura convencional, aumentou-se o interesse pelas práticas agrícolas consideradas alternativas. Com base neste cenário, o presente estudo teve por objetivo traçar o perfil dos consumidores de produtos hortifrutigranjeiros orgânicos em supermercados da cidade de Foz do Iguaçu/PR, devido à cidade se destacar dentre os municípios lindeiros, onde se concentram os produtores orgânicos da região. Os locais das pesquisas foram os supermercados Muffato e BIG, totalizando 59 pessoas entrevistadas de Janeiro a Março de 2009, através de questionário semi-aberto. Tal pesquisa não foi encaminhada à nenhuma Comissão de Ética em função da instituição onde esta foi desenvolvida ainda não fazer parte de nenhuma destas. Os questionários foram aplicados aleatoriamente com a prévia autorização dos supermercados, assim como dos consumidores, mediante Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Constatou-se que a maioria dos entrevistados era do sexo feminino; a faixa etária predominante era de jovens e as profissões em grande parte voltadas para a área administrativa. A maioria possui o ensino médio e uma renda de até 2 salário mínimos. Do total de entrevistados 61% consomem produtos orgânicos; 35,6% consumiam regularmente, tendo como propósito de compra, por não apresentarem agrotóxicos (47%); e o fator preço foi uma dificuldade no consumo para 47,5% do total de entrevistados, assim como 56% não sabiam sobre certificação orgânica e rotulagem ambiental. Conclui-se que o pouco conhecimento sobre o modo de produção e a certificação dos orgânicos, associada ao alto preço do produto em relação ao produto convencional tem causado um atraso no crescimento de consumidores fiéis, fazendo-se necessário elaborar planos estratégicos de marketing, atraindo novos consumidores e aumentando conseqüentemente a demanda por tais produtos, que a médio-longo prazo terão sua produção aumentada, diminuindo seu custo ao consumidor. Palavras-chaves: agricultura alternativa, equipamentos de varejo, marketing ambiental. Ferreira, Marianna de Campos. Profile of consumers of organic products hortifrutigranjeiros of supermarkets in the city Foz do Iguaçu / PR. Foz do Iguaçu, 2009. Completion of course work (Bachelor of Environmental Engineering) - Faculdade Dinâmica de Cataratas. ABSTRACT In the eighties were visible the consequences of the transformation of agriculture, and with the growth of criticism of conventional agriculture, the interest of alternatives agricultural practices has increased. Based on this scenario, the present study aimed to delineate the profile of consumers of hortifruitgranger organics in supermarkets in Foz do Iguaçu / PR, based on the fact that the city stand out among counties nearby, where organic food producers are concentrated. The research locals were the supermarket Muffato and BIG, totaling 59 persons interviewed from January to March 2009, through semi-open questionnaire. This research was not referred to any Ethics Committee (EC), according that the institution where it was developed do not take part of any EC yet. The questionnaires were administered randomly with the prior permission of the supermarkets and consumers, by End of Free and Informed Consent. It was found that the majority of respondents were females; the predominant age group was young and the profession in large part devoted to the administrative area. The most of interviewed people had finished high school and has an income of up to 2 minimum wages. Of the total, 61% of respondents consume organic products; 35,6% consumed regularly, having the purpose of purchase because they did not have pesticides (47%); And so, the price was a difficulty in consumption for 47,5% of total respondents, and 56% did not know about organic certification and environmental labeling. States that little knowledge about the way of production and certification of organic food allied with the high prices of the products in relation of conventional product has caused a delay in the growth of loyal consumers, making it necessary to draw up strategic plans for marketing, attracting new consumers and consequently increasing the demand and in medium-long terms the production for such products, reducing their cost to the consumer. Keywords: farming equipment, alternative retail, marketing environment. LISTA DE FIGURAS Página Figura 1: Localização do município de Foz do Iguaçu/PR............................................. Figura 2: Localização dos supermercados pesquisados em Foz do Iguaçu/PR............ Figura 3: Fachada do supermercado Muffato do bairro Boicy (à direita) e Muffato da Avenida JK (à esquerda)................................................................................................ Figura 4: Seção de hortifrutigranjeiros do supermercado Muffato do bairro Boicy............................................................................................................................... Figura 5: Seção de hortifrutigranjeiros do supermercado Muffato da Avenida JK......... 43 44 44 45 45 Figura 6: Fachada do hipermercado Big........................................................................ 46 Figura 7: Seção de hortifrutigranjeiros orgânicos do hipermercado Big......................... 46 Figura 8: Sexo dos entrevistados................................................................................... 50 Figura 9: Faixa etária...................................................................................................... 50 Figura 10: Grau de escolaridade.................................................................................... 51 Figura 11: Renda familiar............................................................................................... 52 Figura 12: Consumo de alimentos orgânicos................................................................. 53 Figura 13: Regularidade no consumo de produtos orgânicos........................................ 54 Figura 14: Propósito na compra de produtos orgânicos................................................. 55 Figura 15: Fatores que dificultam o consumo de produtos orgânicos............................ 56 SUMÁRIO Página RESUMO ....................................................................................................................................................................17 ABSTRACT ................................................................................................................................................................18 LISTA DE FIGURAS.................................................................................................................................................19 PÁGINA ......................................................................................................................................................................19 SUMÁRIO ...................................................................................................................................................................20 PÁGINA ......................................................................................................................................................................20 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................................................................XXVI APÊNDICES....................................................................................................................................................... XXXII 1 INTRODUÇÃO O movimento da agricultura alternativa começou a se manifestar no Brasil durante a década de 70, quando se disseminava no país um processo de “modernização da agricultura”. No discurso governamental pretendia-se aumentar a produção e a produtividade da agricultura no país através da substituição das práticas agrícolas tradicionais por um conjunto de práticas tecnológicas, que incluíam a utilização de sementes geneticamente melhoradas, fertilizantes industrializados, agrotóxicos e mecanização agrícola, a chamada Revolução Verde. E, ao mesmo tempo em que alguns pesquisadores passavam a questionar no meio acadêmico os impactos ambientais produzidos pela intensificação do uso da tecnologia na agricultura, experiências agrícolas de produção de alimentos sem agrotóxicos eram bem sucedidas no interior de São Paulo, incrementando o interesse por um sistema de produção sustentável, capaz de satisfazer as próprias necessidades sem reduzir as oportunidades das próximas gerações, com manejo e proteção dos recursos naturais. Na década de 80 já eram visíveis as conseqüências da transformação da agricultura com a Revolução Verde e, com o crescimento da crítica a esta agricultura, agora convencional, aumentou-se o interesse pelas práticas agrícolas consideradas alternativas. A partir desta época, a produção e o consumo de alimentos orgânicos vêm apresentando um crescimento considerável no país (ARCHANJO, BRITO e SAUERBECK, 2001). Este mercado é de consumidores específicos que buscam não somente uma vida mais saudável ao consumir alimentos produzidos sem o uso de insumos industrializados, mas com consciência dos problemas ambientais gerados pela produção e industrialização de alimentos convencionais. Como em diversos países, o crescimento do mercado de produtos alimentares orgânicos é uma evidência também no Brasil. Dessa forma, como um mercado em crescente expansão gera oportunidades, limitações também são evidenciadas, e o mercado de alimentos orgânicos não foge à regra, demandando pesquisas para sua melhor compreensão (BOAS, 2005). Com base neste cenário, o presente estudo teve por objetivo identificar o perfil dos consumidores de produtos hortifrutigranjeiros orgânicos em supermercados da cidade de Foz do Iguaçu/PR, no intuito de a partir dessas informações, os gestores dos equipamentos varejistas e produtores de hortifrutigranjeiros orgânicos da região possam planejar quanto à forma, variedade e sortimento de seus produtos e serviços de acordo com as necessidades dos seus clientes, aumentando assim seu consumo e disseminando sua importância na sociedade. Tal estudo se justifica devido à cidade de Foz do Iguaçu/PR ser um potencial pólo consumidor, por se destacar dentre os municípios lindeiros, local onde se concentram os produtores orgânicos da região. O Estado do Paraná em relação a produção orgânica é um dos principais pólos do país, conforme dados da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), são cerca de 4.000 agricultores diretamente envolvidos na atividade, com produção de 75 mil toneladas de produtos alimentícios por ano. No Paraná, cerca de 100 indústrias produzem produtos orgânicos industrializados. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, a produção orgânica brasileira ocupa cerca de 6,5 milhões de hectares e envolve aproximadamente 20 mil produtores, dos quais 80% são pequenos (VOSS, 2006). 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Tipos de agricultura alternativa A Terra já foi vista como se seus recursos fossem infinitos, porém hoje se percebe sua limitação, exigindo usos eficientes e renováveis buscando o desenvolvimento sustentável em longo prazo. A agricultura industrial, apesar de suas vantagens, traz consigo impactos ambientais negativos significativos. Não se pode conceber a agricultura moderna sem suas variedades super produtivas e adaptadas a um ambiente totalmente controlado com adubos solúveis e agroquímicos para manter esta artificialidade. Os impactos ambientais desses produtos geralmente não são incorporados nos custos privados de produção, distorcendo os preços de mercado de produtos por ela gerados. A agricultura que se utiliza de agrotóxicos gera problemas ambientais pela sociedade como um todo, não apenas pelos produtores privados (MAZZOLENI e NOGUEIRA, 2006). Os principais sintomas de intoxicação causados pelos agrotóxicos para a saúde humana são confundidos pela semelhança com várias doenças: depressão nervosa, problemas nos rins e fígado, cansaço, fraqueza, tonturas, náuseas, etc. Já para o meio ambiente, o uso freqüente de agrotóxicos provoca erosão, perda de fertilidade dos solos, riscos de contaminação dos solos agrícolas, águas superficiais, águas subterrâneas, entre outros (MONQUERO, INÁCIO e SILVA, 2009). O consumo de agrotóxicos cresceu bastante no Brasil nas últimas décadas, transformando-o em um dos líderes mundiais no consumo de agrotóxicos. Entre 1972 e 1998, a quantidade de ingrediente ativo vendido cresceu 4,3 vezes, passando de 28.043 toneladas para 121.100 toneladas/ano6. Em relação às classes de uso, em 2004, 40% dos produtos vendidos eram herbicidas, 31% fungicidas, 24% inseticidas e 5% outros (FARIA, FASSA e FACCHINI, 2007). De acordo com a EMBRAPA (2006), a agricultura orgânica busca a preservação ambiental utilizando o sistema de manejo sustentável, mantendo a biodiversidade, os ciclos naturais e a qualidade de vida. Esse tipo de agricultura põe em prática os conhecimentos da ecologia, integrando a fauna e a flora no sistema, onde os animais produzem matéria orgânica para o solo e plantas, e o solo acaba contendo mais nutriente para a alimentação animal. A agricultura biodinâmica, permacultura, orgânica e natural são correntes que integram o movimento orgânico, e o objetivo chave é encontrar um sistema de produção que seja sustentável através do manejo e proteção dos recursos naturais, sem a utilização de produtos agroquímicos, o que prejudica a saúde humana e o meio ambiente, mantendo a diversidade biológica e respeitando a integridade cultural dos agricultores (SANTOS e MONTEIRO, 2004). A agricultura biodinâmica busca a harmonia do manejo agrícola com os ritmos naturais, sanar as chagas ambientais provocadas pela “revolução tecnológica” e a produção de alimentos saudáveis, buscando compreender as forças da terra e do céu (cosmos) sobre os cultivos e a criação animal para harmonizá-las na produção de alimentos saudáveis, a agricultura biodinâmica surgiu na Europa em 1924. Os conhecimentos deste sistema de produção foram difundidos em todo o mundo com o crescente interesse em sistemas agrícolas voltados para a preservação do ambiente e recursos naturais (SARMENTO e BRANDÃO, 2007). A agricultura natural teve início em 1931 e tem o objetivo de fazer com que o solo desenvolva seus frutos por si só, pois para este tipo de agricultura com um solo saudável, onde há presença de matéria orgânica em abundância e variedade de nutrientes, não existe a necessidade de interferência humana, pois, quanto mais puro é o solo maior é sua força para o desenvolvimento da vida (MACHADO et al., 2002). Outra agricultura alternativa, a permacultura, constitui-se na elaboração, implantação e manutenção de ecossistemas produtivos que mantenham a diversidade, a capacidade do indivíduo de se adaptar às mudanças e a estabilidade dos ecossistemas naturais, promovendo energia, moradia e alimentação humana de forma harmoniosa com o ambiente. É uma união do conhecimento ancestral com a ciência moderna (CASTAGNA, 2008). 2.2 Conceitos sobre agricultura orgânica Durante quarenta anos, no início do século XX, o inglês engenheiro agrônomo, Albert Howard, propôs o sistema de produção orgânica, enquanto realizava uma pesquisa na Índia (MARCHIORI, 2006). Este sistema de produção ficou conhecido como agricultura orgânica, na qual se exclui o uso de fertilizantes, agrotóxicos, reguladores de crescimento e aditivos do sistema de produção e não se altera a alimentação animal. Baseia-se no uso de estercos, rotação de culturas, adubação verde, compostagem e controle biológico de pragas e doenças. Busca manter a estrutura e produtividade do solo, trabalhando em harmonia com a natureza (AAO, 2008). De acordo com a Instrução Normativa 07/99 do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, Brasil (1999) “considera-se sistema orgânico de produção agropecuária e industrial: todo aquele em que se adotam tecnologias que otimizem o uso de recursos naturais e socioeconômicos, respeitando a integridade cultural e tendo por objetivo a auto-sustentação no tempo e no espaço, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energias não renováveis e a eliminação do emprego de agrotóxicos e outros insumos artificiais tóxicos, organismos geneticamente modificados (OGM/transgênicos), ou radiações ionizantes em qualquer fase do processo de produção, armazenamento e de consumo, e entre os mesmos, privilegiando a preservação da saúde ambiental e humana, assegurando a transparência em todos os estágios da produção e transformação”. Já de acordo com a chamada Lei dos Orgânicos (Lei n.º 10.831), (anexo 1) aprovada em 23 de dezembro de 2003, “o sistema orgânico de produção agropecuária é aquele em que se otimiza o uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis, em que há o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não renovável, e que prefere métodos culturais, biológicos e mecânicos a materiais sintéticos, com a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizastes” (PARDINI, 2006). O alimento orgânico é resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar de forma equilibrada o solo e demais recursos naturais (água, plantas, animais, insetos, etc), conservando-os em longo prazo e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos (MARCHIORI, 2006). Segundo Barbosa (2007) é de suma importância achar mecanismos que mantenham o agricultor e sua família no campo, porém dando condições para que eles possam reproduzir-se socialmente sem a constante assistência dos governos, propiciando um ambiente favorável para a melhora da qualidade de vida. Percebe-se que o sistema orgânico, pelo fato de estar inserido em um movimento voltado à uma produção sustentável, tem por objetivo resolver as questões ligadas à preservação ambiental; melhoria das condições sócio-econômicas dos agricultores familiares e produzirem produtos de qualidade e seguros ao consumo humano. Esses itens podem se constituir em uma estratégia importante para se conquistar uma sustentabilidade agrícola para qualquer país (seja ele desenvolvido ou subdesenvolvido). 2.3 Manejo em sistemas de produção orgânica Para Santos e Monteiro (2004), o modelo de agricultura orgânico se baseia no princípio e prática de utilizar os ciclos biológicos para aumentar a fertilidade do solo, a diversificação das nutrientes, das espécies, sem o uso de fertilizantes, agrotóxicos, minimizando a poluição, se preocupando com o amplo impacto social e ecológico do sistema de produção de alimentos, e produzir alimentos de boa qualidade em quantidade suficiente. Segundo Carvalho (2000) a preocupação com a qualidade do produto, com a saúde e qualidade de vida dos agricultores, trabalhadores, consumidores e a preservação do meio ambiente, são em geral vistos como resultados certos da expansão da produção orgânica. Economizar água e não usar fertilizantes químicos ou agrotóxicos nas plantações é uma realidade na produção orgânica. O uso intensivo da terra causa problemas e conseqüências indesejáveis ao ambiente e à produção agrícola se práticas conservacionistas não forem adotadas. A redução na quantidade de matéria orgânica do solo significa emissão de gases para a atmosfera e aumento do aquecimento global. A sustentabilidade do solo é também afetada, uma vez que a qualidade da matéria orgânica remanescente muda. Alterações podem ser verificadas, por exemplo, pela desagregação do solo e mudança na sua estrutura. As conseqüências são erosão, redução na disponibilidade de nutrientes para as plantas e baixa capacidade de retenção de água no solo. Estes e outros fatores refletem negativamente na produtividade das culturas e sustentabilidade do sistema solo, planta e atmosfera. Ao contrário, a adoção de boas práticas de manejo, tal como o sistema de plantio direto pode parcialmente reverter o processo, uma vez que objetiva o aumento das entradas de material orgânico no solo e/ou diminuição das taxas de decomposição da matéria orgânica do solo (CERRI et al., 2007). O manejo orgânico privilegia o uso eficiente dos recursos naturais não renováveis, aliado ao melhor aproveitamento dos recursos naturais renováveis e dos processos biológicos, à manutenção da biodiversidade, à preservação ambiental, ao desenvolvimento econômico, bem como, à qualidade de vida humana. A agricultura orgânica, conforme a EMBRAPA (2006), fundamenta-se em princípios agroecológicos e de conservação de recursos naturais, tais como: Respeito à natureza: o agricultor deve ter em mente que a dependência de recursos não renováveis e as próprias limitações da natureza devem ser reconhecidas, sendo a ciclagem de resíduos orgânicos de grande importância no processo; Diversificação de culturas: propicia uma maior abundância e diversidade de inimigos naturais. A diversificação espacial, por sua vez, permite estabelecer barreiras físicas que dificultam a migração de insetos e alteram seus mecanismos de orientação, como no caso de espécies vegetais aromáticas e de porte elevado à biodiversidade. E, por conseguinte, um elemento-chave da tão desejada sustentabilidade; Solo como organismo vivo: desse modo o manejo do solo privilegia práticas que garantam um fornecimento constante de matéria orgânica, através do uso de adubos verdes, cobertura morta e aplicação de composto orgânico, práticas indispensáveis para estimular os componentes vivos e favorecer os processos biológicos fundamentais para a construção da fertilidade do solo no sentido mais amplo; Independência dos sistemas de produção em relação a insumos agroindustriais adquiridos, altamente dependentes de energia fóssil, que oneram os custos e comprometem a sustentabilidade. O processo de mudança do manejo convencional para o orgânico tem sido chamado de conversão. Normalmente, esse processo requer um período de dois anos para que ocorra a re-situação do produtor e do ambiente e, quando se dá em uma área onde havia intensa produção convencional, geralmente, há queda na produtividade até que se consiga equilibrar o ambiente com o objetivo de alcançar a sustentabilidade. Outra forma de se conseguir a qualificação para o uso do selo orgânico, sem necessitar do período de quarentena, é o plantio em áreas que estiveram em repouso ou utilizadas como pastagens onde não se tenha feito o uso de agrotóxicos e fertilizantes de alta solubilidade durante dois anos ou mais. Muitos produtores optam por iniciar a atividade nesse tipo de situação. Geralmente, essas áreas possuem baixa fertilidade do solo e necessitam ser trabalhadas até atingirem o equilíbrio que proporcione uma produtividade satisfatória (CARVALHO e WANDERLEY, 2006). Para se tornar um agricultor orgânico, é necessário que o candidato seja submetido a um rigoroso processo de investigação das condições ambientais do estabelecimento agrícola e de potencialidade para a produção. São considerados aspectos como o não uso de adubos químicos industrializados e agrotóxicos nos últimos dois anos, a existência de barreiras vegetais quando há vizinhos que praticam a agricultura convencional, a qualidade da água a ser utilizada na irrigação e na lavagem dos produtos, as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores, o cumprimento da legislação sanitária e a inexistência de lixo espalhado pelo estabelecimento. O produtor deve respeitar as normas durante todas as etapas de produção, desde a preparação do solo à embalagem do alimento, sempre preservando os recursos naturais. O agricultor assina um contrato com uma certificadora que prevê a fiscalização da sua produção, de modo a garantir a rastreabilidade e a qualidade do produto a ser disponibilizado para o consumidor (SANTOS e MONTEIRO, 2004). A agricultura orgânica, em áreas já certificadas, é formada predominantemente por pequenas e médias propriedades e, em grande parte delas, caracteriza-se o cultivo de hortaliças com pouca diversidade de culturas em uma mesma unidade produtiva. O cultivo continuado das mesmas espécies vegetais normalmente aumenta a incidência de doenças e pragas quando os agentes transmissores permanecem nos restos culturais. Uma seqüência de culturas pode cortar esse ciclo, evitando, assim, sua expansão (CARVALHO e WANDERLEY, 2006). O principal entrave da produção de alimentos orgânicos é a baixa escala de produção, o que implica maiores custos (mão-de-obra, insumos) por unidade de produto, seguida da falta de recursos dos produtores e de treinamento, da desorganização do sistema de produção (falta de planejamento) e do processo de comercialização, além da embalagem que pode encarecer o produto em cerca de R$ 0,15/unidade. Diferentemente do sistema convencional, o agricultor tem que pagar para ser certificado, fiscalizado e também pela assistência técnica, que é quase toda particular e exercida por consultores credenciados pelas certificadoras (SANTOS e MONTEIRO, 2004). 2.4 Evolução histórica da agricultura orgânica Segundo Wachsner (2005) apesar de um suposto "efeito de moda", a agricultura orgânica continua representando uma pequeníssima parcela da produção agrícola brasileira. Antes, ela foi encarada fundamentalmente como uma estratégia de resistência e de permanência de agricultores familiares no campo - no período em que as idéias da modernização conservadora e dolorosa seguiam um pensamento único - e foi defendida e implantada quase que exclusivamente por organizações nãogovernamentais de assessoria e apoio. O movimento de agricultura orgânica surgiu do envolvimento de especialistas em agricultura, com formação formal ou informal, em reação às transformações do modelo tecnológico baseado no uso de produtos químicos. Isto levou à visão de que a transformação da realidade dependeria fundamentalmente da transformação gradativa do padrão tecnológico, sem considerar os limites e as potencialidades impostas pelo sistema econômico dominante. Os ideais do movimento a preocupação com a qualidade do produto, com a saúde e qualidade de vida de agricultores/trabalhadores e consumidores, a justiça social e a preservação do ambiente - são em geral vistos como resultados certos da expansão da produção orgânica, ou seja, acompanhariam automaticamente a expansão do mercado. Todos aqueles que vivem hoje a realidade do movimento orgânico sabem a dificuldade prática de conciliar a expansão do mercado com a manutenção dos ideais do movimento (CARVALHO, 2000). 2.5 Situação atual da produção de alimentos orgânicos Os países em desenvolvimento estão começando a se beneficiar das oportunidades do mercado mundial de produtos orgânicos. Eles contam hoje com cerca de 60% do número dos estabelecimentos certificados no mundo e 29% do volume total da área orgânica certificada. Entretanto, há muito ainda a ser feito para aumentar a competitividade destes países. Um passo importante seria estabelecer normas e regulamentos para produtos orgânicos. Um sistema de credenciamento de organismos certificadores de produtos, confiável e independente, se faz necessário, bem como o controle para que essas regras sejam cumpridas. Custos adicionais de certificação poderiam ser evitados se as regras internas de produção orgânica de um país exportador fossem reconhecidas como equivalentes às regras de produção orgânicas do país para o qual as exportações são realizadas. A competitividade da cadeia produtiva de produtos orgânicos fundamenta-se em estratégias de diferenciação de produtos (MAPA, 2007). Segundo a Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM), o sistema orgânico já é praticado em mais de uma centena de países ao redor do mundo sendo observado uma rápida expansão, sobretudo na Europa, EUA, Japão, Austrália e América do Sul. Esta expansão está associada, em grande parte, ao aumento de custos da agricultura convencional, à degradação do meio ambiente e à crescente exigência dos consumidores por produtos limpos ou livre de agrotóxicos. Desde o início da década de 1990, o sistema de agricultura orgânica tem se desenvolvido muito rapidamente na Europa. Entre 1998/99, existiam aproximadamente 80 mil propriedades orgânicas nos principais países da União Européia, cobrindo uma área em torno de 2 milhões de hectares. Estes valores representam apenas 1,1 % do total de propriedades existentes e, aproximadamente, 1,4 % da área agrícola cultivada (DAROLT, 2000). Em 2008, a Europa chegou a abranger uma área de 7,4 milhões de hectares para a produção de alimentos orgânicos (DAROLT, 2008). Existem aproximadamente 130 organizações que certificam produtos orgânicos credenciados pela Comissão Européia, e para serem comercializados é necessário obter a certificação. O primeiro país a criar um certificado oficial foi a França e tem por objetivo estimular a produção e distribuição de orgânicos, elevando sua participação de 1% para 6% a 10% do total do consumo de alimentos (ORMOND et al., 2002). Conforme descrito por Zakabi (2005), os EUA já movimentaram em 2004 aproximadamente 12 bilhões de dólares, o que representa 3% da indústria de alimentos em faturamento, e no Brasil de 2000 a 2005 passou de 40.000 a 300.000 toneladas a produção de alimentos orgânicos, tendo neste período um faturamento de 300 milhões de dólares. 2.5.1 Situação atual da produção de alimentos orgânicos no Brasil O Brasil ocupa atualmente o trigésimo quarto lugar no ranking dos países exportadores de produtos orgânicos. Nos últimos anos o crescimento das vendas chegou a 50% ao ano. Estima-se que já estão sendo cultivados perto de 100 mil hectares em cerca de 4.500 unidades de produção orgânica. Aproximadamente 70% da produção brasileira encontra-se nos estados do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul , Minas Gerais e Espírito Santo (DAROLT, 2000). Observa-se um aumento crescente do número de consumidores de produtos orgânicos também no Brasil, de produtos produzidos de forma mais natural possível, sem fertilizantes químicos, agrotóxicos e, muito menos, modificações genéticas, em contraposição à tecnologia dos alimentos transgênicos (organismos geneticamente modificados ou OGM). Percebe-se, inclusive, espaço reservado a estes produtos em grandes redes de supermercados e que, apesar do preço superior, em até duas vezes mais que os similares produzidos sem a tecnologia orgânica, sua produção ainda não é suficiente para atender à demanda (MORAIS, 2000). 2.6 Comercialização de produtos orgânicos Entender as razões que motivam um indivíduo ou grupo de pessoas a adquirir determinado produto tem sido um dos maiores desafios empreendidos pelos estudiosos da teoria de marketing. Desenvolver mecanismos e modelos de aplicabilidade prática, capazes de auxiliar na identificação de fatores motivadores do consumo tem se caracterizado como uma das grandes linhas de pesquisa relacionadas ao estudo do comportamento do consumidor. Diversos aspectos caracterizam a percepção do consumidor de produtos orgânicos. Além de aspectos já evidentes em produtos convencionais, como sabor, cor, aparência, preço, frescor e conveniência, alguns são caracterizados como específicos dos produtos orgânicos. Assim, características referentes à ausência de substâncias indesejáveis, como pesticidas, inseticidas, herbicidas, contaminantes e ingredientes artificiais, são freqüentemente associadas a estes alimentos. De forma geral, algumas pesquisas já apontam a crescente preocupação do consumidor com aspectos relacionados ao ambiente e da relação deste com os alimentos que consome (BOAS, 2005). A agricultura orgânica visa atender à demanda dos consumidores pela utilização de processos mais limpos de produção, evita a contaminação e degradação ambientais e também incorpora as populações rurais no processo de desenvolvimento, representando a mudança de uma agricultura de insumos para uma agricultura de manejo, procurando ser ambientalmente correta e viável economicamente (ARAUJO, 2007). A comercialização é um aspecto importante na busca de um desenvolvimento rural sustentável, uma vez que não adianta produzir e industrializar se não houver uma distribuição eficiente e rentável dos produtos. Sendo assim, os agricultores devem procurar introduzir um sistema integrado de gerenciamento que é definido como um conjunto de ações que visam identificar as oportunidades de melhorias na produção orgânica, estabelecendo os objetivos, normas e leis ambientais, possibilitando dessa forma diminuir as diferenças de informações entre os agricultores orgânicos e os consumidores e varejistas que são envolvidos nas negociações (BARBOSA, 2007). Para Mesquita (2006), é o consumidor que vai atrás dos produtos e do produtor, ao contrário dos produtos convencionais com suas práticas de aquisição distanciadas pela atuação dos intermediários. Em atos de consumo como a compra e venda em feiras ou em cooperativas de consumidores, praticamente o consumidor é quem torna o sistema rentável, valorizando a relação com o produtor, sem onerar ainda mais o produto. Outro fator interessante é que não existe propaganda em veículos de comunicação como rádio e televisão, e sim, somente o tradicional “boca-a-boca”. O sucesso das feiras, por exemplo, se dá através da promoção das mesmas entre os consumidores ou, no caso de cooperativas de consumo, pela presença permanente dos associados na aquisição dos produtos ofertados em seu ponto de venda. Entretanto, para alguns consumidores, a pouca variedade de produtos orgânicos comercializados tanto em supermercados como em feira livres é uma das justificativas usadas para a compra de produtos provenientes da agricultura convencional, mesmo sabendo que os produtos orgânicos garantem ao consumidor qualidade aliada à conservação do meio ambiente (VÁSQUEZ, BARROS e SILVA, 2008). Na medida em que o interesse do consumidor cresce por este tipo de produto que chega aos supermercados, uma revolução se insere dentro do movimento, no sentido inverso ao vivido historicamente pelo próprio movimento. Hoje, através da comercialização indireta, impessoal, é a lógica do mercado, do lucro, que está ameaçando transformar o movimento, tornando-o seu reflexo e afastando-o da sua motivação original (CARVALHO, 2000). A agricultura orgânica surgiu do envolvimento de especialistas em agricultura, com formação formal ou informal, em reação às transformações do meio tecnológico baseado no uso de produtos químicos industrializados. Os consumidores exigem alimentos saudáveis, nutritivos, naturais e equilibrados. A voz do comprador consciente está cada vez mais ativa, buscando qualidade de vida e alimentos com gosto autêntico, degustar a comida (WACHSNER, 2005). Os produtos orgânicos também agregam valor pelo aspecto ecológico que conferem ao consumidor e ao meio ambiente, além da possibilidade de oferecer aspectos de limpeza, sem contaminação química. A logística de produtos perecíveis deste tipo, cuja distribuição e consumo devem ser realizadas diariamente, é um fator crucial ao produtor, pois este não tem a possibilidade de armazenar produtos. Sendo assim deve haver uma integração e um planejamento bastante eficientes, assim como conhecimento da demanda (SANTOS e MONTEIRO, 2004). Os produtos orgânicos têm sido comercializados com preços elevados, em comparação com os produtos convencionais. Isso tem sido justificado pelo fato destes produtos possuírem benefícios em relação aos demais e porque a produção está em fase inicial, a escala é pequena, fator que impede a queda dos custos de produção no momento, por outro lado, a demanda é maior que a oferta, o que geralmente ocasiona a estratégia de trabalhar com o preço mais alto (SILVA, CAMARA e DALMA, 2005). Compreender os fatores motivadores e que desencadeiam maior capacidade de interpretação da mensagem na divulgação dos orgânicos é fator primordial para o desenvolvimento e promoção de produtos alimentares. Portanto, as dimensões de qualidade inerentes ao produto devem ser compatíveis com aquelas esperadas pelos consumidores, para que haja maior habilidade de interpretação e, conseqüentemente, motivação para compra. Os apelos a serem utilizados devem ser compatíveis com a capacidade dos consumidores processarem a informação, além de serem aspectos de grande interesse ou que estejam positivamente relacionados às suas preocupações e expectativas (BOAS, 2005). 2.6.1 Importância da certificação para a comercialização A certificação é exigida dos produtores orgânicos pela Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (INFOAM) para a comercialização, pois é uma garantia ao consumidor de que ele está comprando um alimento sem a utilização de produtos químicos indesejados e que colabora com a preservação do meio ambiente por ser produzido em condições adequadas. O processo de certificação inclui análise dos produtos e verificação do plano de manejo e dos procedimentos adotados pela propriedade (VOSS, 2006). A Lei dos Orgânicos (Lei n°. 10.831), também determina que os produtos orgânicos sejam certificados, mas os parâmetros são deixados para a regulamentação, assim como a definição das responsabilidades, dentro do governo federal, pelo controle e fiscalização. Na prática, embora esteja em vigor desde a sanção, a lei só pode ser aplicada a partir da aprovação da regulamentação que até o momento não ocorreu. O resultado é que, ainda hoje, quem vai ao supermercado para adquirir produtos orgânicos não sabe ao certo o que está comprando. Há uma miríade de certificadoras elas são cerca de 30 no País – que atestam os mais diversos produtos, desde vinho, carnes e mel até um pé de alface. Mas para saber o que está levando para casa, o consumidor precisaria conhecer os padrões de cada certificadora (PARDINI, 2006). As certificadoras possuem diretrizes próprias, sendo que cada uma exige aos produtores que trabalhem com um mínimo de porcentagem de produção orgânica, variando entre 85% e 95%, devendo exercer controle apropriado sobre o uso de suas licenças, certificados e marcas de certificação. As entidades certificadoras podem emitir um certificado declarando que um produtor ou comerciante está autorizado a usar a marca de certificação em produtos especificados. Essa marca de certificação é um selo de certificação, símbolo ou logotipo que identifica que um ou diversos produtos estão em conformidade com as normas oficiais de produção orgânica (SANTOS e MONTEIRO, 2004). A certificação é entendida muitas vezes por rotulagem ambiental, que fornece informações do produto acerca da origem e sobre os efeitos nocivos à saúde humana e ao meio ambiente, mas ela além de garantir a procedência, garante a qualidade orgânica dos produtos. É um processo de auditoria desde a produção até o ponto final de venda ao consumidor. Entretanto o que antes era apenas para informar a presença de fungicidas tornou-se obrigatoriedade com os problemas ambientais devendo conter informações acerca da presença de agrotóxicos, e produzido de forma a buscar a sustentabilidade econômica, ecológica e social. Todos os produtos tóxicos devem apresentar rótulos para o consumidor ter noção da proteção à saúde humana e ambiental, conforme demanda a Lei dos Orgânicos (SCHIMAICHEL e RESENDE, 2006). Segundo Santos e Monteiro (2004), o credenciamento é o modelo pelo qual o Colegiado Nacional de Produtos Orgânicos (CNPOrg) - órgão responsável por coordenar e supervisionar o processo de certificação oficial dos produtos orgânicos no Brasil, composto por instituições públicas e entidades não governamentais - saberá formalmente que uma empresa certificadora está apta para fazer a certificação de produtos orgânicos. De acordo com as normas, deve possuir políticas e procedimentos para as análises de resíduos, testes genéticos e demais análises. As análises devem ser executadas por laboratórios credenciados por órgãos oficiais. As análises laboratoriais podem ser necessárias para subsidiar alguns procedimentos de inspeção ou para o atendimento de declarações adicionais exigidas em algumas certificações, embora não seja o principal instrumento adotado nos processos relativos à certificação orgânica. 2.7 Marketing para produtos orgânicos Kotler (2000) define marketing como uma solução utilizada pelas empresas para aproveitarem ao máximo seus limites e recursos na atração dos clientes, criando soluções para satisfazer melhor suas necessidades. A trajetória do marketing era reduzida apenas para a capacitação do vendedor e seu preparo para a abordagem do cliente, pois a empresa tinha o enfoque voltado para a produção, venda e lucro. No entanto, atualmente o mercado se movimenta com uma visão mais ampla, buscando não apenas enfocar o vendedor em uma única parte do processo, mas sim, englobar toda a companhia. Alguns princípios são básicos dentro do marketing. Um deles é colocar o cliente como o centro de tudo, com a idéia de que ele certamente comprará se estiver satisfeito com o produto. O cliente não compra o produto, o rótulo, mas sim os benefícios que o produto poderá lhe trazer. Há uma evidência que se confirma a cada dia: a empresa precisa ser o mais diversificada possível, para atender tanto os clientes que buscam conforto como os que buscam praticidade e baixo preço. E neste sentido e preciso lembrar que os mercados, tendências e clientes mudam constantemente, precisando o empreendedor estar atendo a novas descobertas e soluções para satisfazer o desejo ou a necessidade de cada indivíduo consumidor (PEREIRA, 2008). Segundo Keegan e Green (2003), as atividades da empresa têm que atingir suas metas e buscar uma vantagem diferencial competitiva, criando uma cadeia de valor para seus clientes, pois quando a empresa, seja ela de porte pequeno ou não, se mantém com olhos no foco de sua organização o sucesso surge de forma gradativa. Mas para isso ocorrer, o marketing não pode ser visto como área separada, ou seja, não deve haver uma separação dessa ciência entre setores financeiros, vendas, operacional, administrativo. Deve ocorrer uma maior interação por parte de todos envolvidos nesse processo. Sendo assim, tais autores definiram marketing como algo sem fronteiras que tem o objetivo de levar a comunicação a todas as áreas e setores que fazem parte da empresa e também fora dela, formando um elo muito forte entre as empresas e os consumidores, de modo a se tornar um grande fator diferencial competitivo. O marketing, hoje, tem um papel importante no consumo dos alimentos, pois sua capacidade de orientar consumidores visa alterar suas opiniões e comportamentos de compra e consumo de produtos e serviços, os quais acabam por influenciar seus estilos de vida. A disposição dos consumidores em pagar por atributos sociais, ambientais, de moda e de saúde, associados aos produtos orgânicos, depende muito de sua situação econômica. Se a renda familiar for restrita, como na maioria dos países em desenvolvimento, a relação entre preço e valor nutricional dos alimentos é decisiva. Com o aumento da renda, outros atributos do produto, como os nãoeconômicos, ganham importância. O mais provável é que, com uma oferta cada vez maior, estas margens comecem a diminuir e os produtos tornem-se acessíveis a uma faixa da população com renda mais baixa (ANDRADE, ROCHA e FAVERO, 2007). Para um consumidor se tornar fiel ao produto é preciso se diferenciar dos concorrentes. Para isso, necessita-se trabalhar não só no aumento de itens oferecidos como também fazer com que cada loja ofereça os produtos mais adequados ao bairro, à cidade ou região em que ela está instalada (GUIVANT, 2003). A venda de produtos orgânicos cresce a cada ano, tanto internacionalmente como nacionalmente, já que seu modo de produção proporciona um produto que responde fortemente aos anseios dos consumidores do bem-estar, ou seja, daqueles que buscam qualidade de vida (DENOBILE, 2005). Como a sociedade está mais receptiva e consciente para a utilização de produtos ecológicos, isso faz com que as empresas assumam responsabilidades cada vez maiores em relação ao meio ambiente, através de seus produtos recebendo o apelido de marketing verde. O marketing verde só atinge benefícios e consumidores se forem adaptadas todas as áreas e atividades da empresa e não apenas o produto final. Para que uma empresa opte por uma transformação em seus processos produtivos, ingressando assim no marketing verde, ocorre uma pressão tanto externa (como a satisfação do consumidor, a competição com outros fornecedores do mesmo segmento e a pressão dos canais de comunicação), quanto a uma pressão interna, que inclui os custos e a filosofia para esta nova atividade verde (TACCONI, 2004). Na percepção de Galvão (2006), existem dois tipos de consumidores, os que compram regularmente, onde o principal motivo é a questão de saúde, e os que consumem com maior frequencia produtos orgânicos por questão ambiental. A demanda de mercado para frutas e vegetais orgânicos tem aumentado regularmente nos últimos anos. Para ter uma maior conservação desse tipo de produto orgânico, alguns produtores optam por processar as frutas e os vegetais produzindo sucos, produtos enlatados, geléias ou polpas. Os sucos consumidos em grandes quantidades são: sucos cítricos, sucos de maçã, abacaxi, laranja, manga e goiaba. São também importantes no mercado europeu os sucos de cenoura e tomate. Estes tipos de produtos são vistos como naturais e saudáveis e esses atributos são associados com o mercado orgânico. Em adição, frutas tropicais freqüentemente oferecem uma maior quantidade de vitamina C quando comparadas às frutas de zonas temperadas. Este aspecto nutricional adicional é uma vantagem para os sucos orgânicos tropicais (SANTOS e MONTEIRO, 2004). Para Boas (2005), aliada a estes fatores, a facilidade de acesso a informações transformou o que se podia considerar, há anos, como um mercado de simpatizantes do vegetarianismo, em um mercado emergente e de enorme potencial de produtos ecologicamente corretos, destacando-se o trabalho de organizações não governamentais junto à mídia, promovendo estes produtos com muito mais profissionalismo. Esta divulgação tem incentivado, por sua vez, mais investimentos em pesquisas nas instituições tradicionais e universidades e o desenvolvimento de produtos politicamente corretos. Destacam-se produtos com reduzida ou nenhuma composição química prejudicial ao homem e ao meio ambiente, produtos biodegradáveis e produção orgânica, entre outros. Muitos deles estão atrelados ao mercado internacional, seja porque tiveram primeiro ou têm, principalmente, uma demanda de compradores externos ou porque são consumidos no mercado interno por pessoas que viveram no exterior e já se conscientizaram da sua importância para a proteção ambiental. Durante vários anos, o comportamento do consumidor foi investigado, basicamente, por meio de estudos sobre aceitação sensorial ou preferência do produto. Porém, mais recentemente, verificou-se a importância de se observar em quais critérios o consumidor se fundamentava para escolher, comprar e consumir determinado produto. É nesse contexto que o estudo da embalagem do alimento se faz de extrema importância, uma vez que ela representa o primeiro contato do consumidor com o produto ou o alimento, sendo objeto primordial para a definição da escolha e da compra. Várias pesquisas têm sido conduzidas com o intuito de observar o papel da embalagem e/ou de fatores nela contidos (como marca, preço, informações sobre o alimento, design) na intenção de compra do consumidor (DELLA LUCIA, et al. 2007). Um bom marketing torna a venda supérflua, o produto é vendido por si só. Esse é o objetivo do marketing, focar não apenas na venda, mas conhecer e se envolver com o consumidor, de modo que o serviço a ser prestado ou o produto se adapte tão bem ao cliente que basta estar disponível para o consumidor comprar. È aconselhável que uma das partes envolvidas no processo se foque em administrar este marketing como arte e ciência de escolha, fidelizando o cliente através da criação, inovação e comunicação, buscando centralizar os anseios do consumidor nos produtos a serem lançados (KOTLER, 2000). Essa estratégia tem como princípio a geração de produtos diferenciados e com alto valor agregado que possam atender a mercados (nichos) cada vez mais segmentados e específicos. Porém, as características dos produtos orgânicos, que não podem ser observadas com facilidade no momento da compra, justificam a necessidade de monitoramento pelas empresas certificadoras. Estas empresas têm sido responsáveis não somente pela garantia dos produtos ofertados, no que tange às normas e procedimentos para o cultivo orgânico, como também pela orientação de produtores e consumidores nacionais e internacionais. Nesse sentido, a certificação é um elemento fundamental de governança das transações que, além de proporcionar mecanismos de padronização e classificação, reduz os custos de aquisição da informação e minimizando a assimetria informacional (MAPA, 2007). 2.8 Fatores que influenciam na decisão de compra pelo consumidor Os consumidores são fundamentados em suas próprias decisões, influenciados por suas necessidades e características pessoais. Estudando os fatores demográficos, sociais e econômicos da comunidade em que este consumidor se insere encontramos diversas variáveis que nos auxiliam a entender melhor seu comportamento. Deve-se analisar a faixa etária, permitindo um melhor posicionamento dos produtos; o gênero, já que homens e mulheres apresentam comportamentos de compra diferentes; o nível de renda, que é uma das informações mais preciosas para o varejo; o grau de educação e o número de mulheres no mercado de trabalho, já que são elas em sua maioria a responsável pela escolha dos produtos alimentícios para a família (MOURA, SILVA e BATALHA, 2006). Entender os fatores que relacionam consumidores, na sua concepção de compra, até o momento de finalização, é um processo estudado e elaborado de forma criteriosa. Para Kotler (2000), descobrir as necessidades e desejos das pessoas e conseguir satisfazê-los é uma forma admirável de influenciar na decisão de compra. O mesmo autor considera que os fatores estejam relacionados a grandes variáveis como, produtos atuais, da qual região pertence esse produto e com qualidades específicas atendendo a diferentes etnias. De acordo com Araújo (2007), há diversas formas de se comercializar os produtos orgânicos, devendo-se adotar mais de um canal de divulgação da comercialização, podendo ser através da venda direta, de feiras, vendas no local de produção, cestas em domicílio, venda no varejo, com os pequenos comércios e supermercados, e a venda no atacado, pelos grandes hipermercados. Estes últimos são os maiores responsáveis pela comercialização de produtos orgânicos, cerca de 90%, promovendo sua divulgação. Porém, ao atuarem como intermediários da cadeia produtiva colocam enormes margens de lucro sobre os consumidores. Os consumidores agem e interferem de maneira diferenciada. Eles precisam se alimentar, vestir e até se divertir, o que determinará seus atos e comportamentos na hora da decisão de uma compra, por isso, se busca a essência dos consumidores ao elaborar um produto de influência, pois é através das diferenças que se aprende a arte de escolha dos produtos, aproximando os clientes o máximo possível ao produto em foco (RODRIGUES e JUPI, 2004). Para Medeiros e Cruz (2006), na construção do marketing sobre um produto deve-se levar em conta os fatores culturais da população local, pois exercem forte influência sobre os consumidores; os fatores sociais, que abrangem um grupo determinado de pessoas, famílias, posições sociais que agem sobre o comportamento na decisão de compra; além disso, precisa-se prestar atenção às características particulares das pessoas, à situação de vida dos indivíduos e seus hábitos, que acabam por afetar na hora da compra, e, por fim, o fator psicológico, que envolve a motivação, crença e tomada de atitude na escolha de um produto. A sociedade e o comportamento dos indivíduos para Churchill e Peter (2003) é um dos fatores que mais influenciam na decisão de compra. A cultura da população diferencia-se de país para país e até mesmo entre estados fazendo com que alguns produtos lançados no mercado não agradem ou se adaptem em todos os lugares. As pessoas são ensinadas que devem pensar por si sós e tomar suas decisões, mas em sociedade seus valores são influenciados pelo comportamento do seu entorno. Com o foco voltado para os produtos ofertados, a utilização de celebridades serve de apelo em campanha publicitária, influenciando o público a fazer uma associação do seu produto com a celebridade, dando credibilidade para a propaganda. O apelo usado por parte das empresas é o de especialista, uma pessoa que possa auxiliar o consumidor na avaliação e decisão de compra por obter uma formação ou treinamento na área. Outro método utilizado pelas empresas é o testemunho de consumidores satisfeitos, esse modelo apresenta a vantagem de estar mostrando pessoas comuns que estão satisfeitas com o produto ofertado (ZAYEDE et al., 2005). O elemento pós-compra deve ser visto como uma avaliação conclusiva do consumidor sobre o produto adquirido, pois é por esta avaliação que o consumidor faz propagar o produto para seus familiares, colegas de trabalho e conhecidos, levando ou não a uma nova compra, estando nisto incluso o preço. Se for compatível com o benefício da compra certamente satisfará mais o consumidor, atraindo sua fidelidade ao produto consumido. Entretanto, se o cliente ficou satisfeito com o produto, mas não com o alto preço, conseqüentemente ele tentará encontra outra marca ou serviço para minimizar o custo e satisfazer suas necessidades (MARTELLI, AZEVEDO e CARMO, 2003). 2.8.1 Influência da cultura alimentar na decisão de compra Os fatores culturais são os que exercem mais poder sobre o consumo de produtos de modo geral, principalmente na área alimentícia, já que o consumidor procura muitas vezes produtos por seu valor simbólico e não pelos benefícios que proporcionam. A rotina e o estilo de vida de um indivíduo é um dos principais causadores de alteração na alimentação. A vida agitada e correria no dia-a-dia, por exemplo, levam a consumos diferentes de uma rotina calma e disciplinada (BATALHA, CHEUNG e SANTOS, 2005). A cultura alimentar de Foz do Iguaçu/PR, cidade de 76 etnias, sofre variações de acordo com costumes alimentares trazidos pelos habitantes de seus países de origem. Conforme Salim (2007), a culinária libanesa é muito refinada, arte que busca satisfazer os paladares mais apurados, sofisticados e exigentes. O preparo do prato é uma demonstração de amor e respeito por todos da casa e principalmente das visitas. Temperos, ervas, condimentos, verduras e legumes recém colhidos estão sempre presentes em seus pratos, além de vidros repletos de azeitonas, azeite de oliva, pães, coalhada, pistache, abundância de trigo e de lentilhas. Essa fartura e variedade nas refeições para os libaneses significam aproveitar todos os ingredientes e sabores disponíveis em sua cozinha e em seu quintal. O Líbano se localiza entre três continentes: África, Ásia e Europa, influenciando em muito essa herança culinária. A influência da cultura alimentar chinesa no município de Foz do Iguaçu/PR também representa uma porcentagem no hábito culinário da região. Pereira (2008) diz a respeito da culinária chinesa que esta sempre apresenta uma mesa farta preparada em pequenos pedaços para serem pegos com a mão ou com os hashis (pauzinhos). O ato de ter uma faca à mesa é considerado agressivo para os chineses. A principal fonte de energia nos pratos chineses é o carboidrato (arroz e talharim). A China é rica em variedade de alimentos e pratos por suas diferenças climáticas, apresentando pratos e temperos diferentes, estando presente a soja, bambu, gengibre, muita salada e legumes refogados e cozidos, e até barbatana de tubarão, mas tendo sempre o cuidado de manter o sabor dos ingredientes. O Paraguai, país vizinho, traz uma forte influência para a cozinha dos habitantes de Foz do Iguaçu/PR. Sua gastronomia é acompanhada principalmente de carne bovina, ovina, suína, caprina e carnes silvestres com mandioca, milho, batata e abóbora. As famosas e variadas formas de chipas, pão paraguaio, feitas com o almidón, que é a farinha de mandioca, e as sopas paraguaias com farinha de milho, estão sempre presentes na mesa dos moradores do país vizinho e dos brasileiros das cidades fronteiriças (SANTA CATARINA, 2006). A culinária Argentina foi influenciada por italianos, espanhóis e por diversas etnias indígenas, sendo famosa por suas carnes; mesmo com a chegada das massas na Argentina, esta não conseguiu superar a preferência do povo pela comida rica em proteína. Apesar de não apresentar nenhum prato típico, existem pratos tradicionais para os mais variados paladares. A cozinha Argentina tem sua base no trigo, milho, carne suína e bovina, lingüiça, bacon, abóbora, cenoura e batata (FERNANDES, 2007). 3 MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Localização da área de estudo Este estudo foi realizado no município de Foz do Iguaçu, localizado no extremo oeste do Paraná, com as coordenadas geográficas de latitude 25º 32’ 45”S e longitude 54º 35’ 07”W (Figura 1). A cidade conta com cerca de 310 mil habitantes, caracterizada por sua diversidade cultural. São 80 nacionalidades, sendo que as mais representativas são oriundas do Líbano, China, Paraguai e Argentina. O município faz divisa com a cidade argentina de Puerto Iguazú e com a cidade paraguaia de Ciudad del Este. A base da economia da cidade está no turismo, com destaque para o comércio e serviços (FOZ DO IGUAÇU, 2008). Figura 1: Localização do município de Foz do Iguaçu/PR. Fonte: Google Earth (2009). Os locais de estudo foram o Hipermercado BIG, localizado na Avenida Juscelino Kubitschek, número 2404, com coordenadas geográficas de latitude 25º 31' 17'' S e longitude 54º 35' 7'' W e nos Supermercado Irmãos Muffato, que encontra-se na rua 24 de Março, número 386, bairro Boicy, com latitude de 25º 32' 49'' S e longitude de 54º 34' 42'' W e Avenida Juscelino Kubitschek, 1565, com latitude 25°31'51.86"S e longitude 54°35'16.59"O (Figuras 2, 3 e 6), ambos selecionados para o estudo por serem os únicos supermercados a comercializarem produtos hortifrutigranjeiros orgânicos com uma seção exclusiva (Figuras 4, 5 e 7), além de serem as maiores redes de supermercados situadas na cidade. Figura 2: Localização dos supermercados pesquisados em Foz do Iguaçu/PR. Fonte: Google Earth (2009). . Figura 3: Fachada do supermercado Muffato do Bairro Boicy (à esquerda) e Muffato da Avenida JK (à direita). Figura 4: Seção de hortifrutigranjeiros do supermercado Muffato do bairro Boicy. Figura 5: Seção de hortifrutigranjeiros do supermercado Muffato da Avenida JK. Figura 6: Fachada do Hipermercado BIG. Figura 7: Seção de hortifrutigranjeiros orgânicos do Hipermercado BIG. 3.2 Técnicas de coleta e interpretação dos dados O estudo realizado foi exploratório-descritivo, através da aplicação de entrevista via questionário semi-aberto para classificação dos indivíduos entrevistados em categorias, mediando em porcentagem às proporções de escolha de cada um e suas opiniões, mantendo a padronização para a coleta de dados. Os questionários (Apêndice 1) foram aplicados com a prévia autorização dos supermercados, assim como dos consumidores, mediante Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice 2) selecionados aleatoriamente. Tal estudo não foi encaminhado à nenhuma Comissão de Ética em função da instituição onde este foi desenvolvido ainda não fazer parte de nenhuma destas. Contudo, este estudo foi minuciosamente desenvolvido, no sentido de proteger o sigilo e a integridade psicológica e moral de seus participantes. O período da avaliação e aplicação dos questionários foi de janeiro a março de 2009, aos sábados, a partir das 9 horas da manhã, permanecendo no estabelecimento em torno de uma hora e meia. Após o período de pesquisa, os dados foram tabulados e analisados a fim de verificar os resultados obtidos em termos de porcentagem. 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES Foram entrevistadas 59 pessoas, no período de janeiro a março de 2009. Os resultados obtidos com a aplicação dos questionários foram apresentados na forma gráfica, em função de cada uma das questões. 4.1 Sexo Conforme a figura 8, 52,5% dos entrevistados eram do sexo feminino, verificando-se que o número de mulheres que freqüentam supermercados continua maior que o número de homens (47,5%), apesar de esta diferença ser pequena na cidade de Foz do Iguaçu, a mulher mesmo trabalhando fora de casa, em sua maioria, é geralmente a responsável pela compra em supermercados (BATALHA, CHEUNG e SANTOS, 2005). Essa característica das mulheres serem as responsáveis pelas decisões de compras e por priorizarem a compra de produtos saudáveis para toda a família está de acordo com os dados da pesquisa de Vásquez, Barros e Silva (2008). S E X O DO S E NT R E VIS T ADO S 100% 90% 80% 70% 52,50% 60% 47,50% 50% 40% 30% 20% 0% 10% 0% F eminino Masculino Não respondeu Figura 8: Sexo dos entrevistados. 4.2 Faixa etária A pesquisa apresentou em sua maioria (28,8%) pessoas na faixa etária de 18 a 23 anos (figura 9), grupo seguido por entrevistados na idade de 24 a 35. O percentual foi relativamente baixo na faixa etária dos 54 aos 59 anos, representando 3,4% do total de entrevistados. Essa diferença é essencial para que o varejista possa posicionar seus produtos orgânicos de forma estratégica no mercado, de forma a atender as diferentes necessidades e processos de compra dos consumidores (MOURA, SILVA e BATALHA, 2006). Ao contrário da pesquisa realizada em Foz do Iguaçu/PR, no interior do Estado de São Paulo, segundo dados do MAPA (2007), o consumo de hortifrutigranjeiros orgânicos é maior entre pessoas de faixa etária mais elevada. F AIX A E T ÁR IA 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 28,8% 25,4% 23,7% 20% 13,5% 5,1% 10% 0,0% 3,4% 0,0% 0% 18 - 23 24 - 29 30 - 35 36 - 41 42 - 47 48 - 53 54 - 59 Não respondeu Figura 9: Faixa etária. 4.3 Profissão Entre os entrevistados, a maioria atua na área administrativa, sendo secretárias, bancários, administradores, atendentes, auxiliares de recursos humanos e recepcionistas, isto se dá devido ser um público predominantemente jovem conforme mostra a figura 9, estando em sua maioria saindo de uma graduação e tendo o primeiro emprego onde o ganho salarial inicial é geralmente de 2 salário mínimos, ao contrário do que diz na pesquisa de Brauch et al. (2006), onde predominam aposentados, professores, autônomos e funcionários públicos. Para Silva et al. (2007) a grande maioria dos consumidores de produtos orgânicos concentrada suas atividades em empresas particulares, profissionais liberais, muitas vezes ligados na área da saúde como médicos e nutricionistas. Entretanto nota-se a diferença na pesquisa realizada em Foz do Iguaçu, 4.4 Grau de escolaridade Conforme se pode observar na figura 10, os maiores percentuais entre os entrevistados para o grau de escolaridade foram de 37,3% para o ensino médio e 33,9% para o ensino superior, mostrando que geralmente os consumidores de alimentos orgânicos são os que têm uma melhor escolaridade, em conformidade com o estudo de Guivant (2003). Pesquisas realizadas em outros estados, como São Paulo e Paraná reforçam esta afirmação, pois os indivíduos que apresentavam um nível elevado de escolaridade, como superior completo, eram os que mais consumiam produtos orgânicos (DESENBAHIA, 2005). GRAU DE ESCOLARIDADE . 100% 80% 60% 37,3% 33,9% 40% 20% 18,6% 6,8% 3,4% 0% Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Superior Figura 10: Grau de escolaridade. Superior com Pós-Graduação Não respondeu 4.5 Renda familiar Até dois salários mínimos é o ganho de 33,9% dos entrevistados, e os que ganham mais de seis salários mínimos representam 20,3% do total de entrevistados (Figura 11). O mesmo em relação à proporção ocorreu com os dados da pesquisa de Kohlrausch, Campos e Selig (2004), no qual os que ganhavam mais de 12 salários mínimos corresponderam a 25,5% e os consumidores com renda de 3 a 5 salários mínimos corresponderam a 26,5%. Nota-se que para o consumidor que tem conhecimento dos benefícios dos alimentos orgânicos, que o ganho salarial não interfere na hora da compra de produtos orgânicos, confirmando a afirmação de Tacconi (2004), segundo o qual não são a escolaridade e a renda familiar as principais características dos consumidores em supermercados de produtos orgânicos. R E NDA F AMIL IAR 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 33,9% 30,5% 30% 15,2% 20% 10% 20,3% 0,0% 0% 2 salários mínimos 2 à 4 salários mínimos Figura 11: Renda familiar. 4 à 6 salários mínimos Mais de 6 Não respondeu salários mínimos 4.6 Consumo de alimentos orgânicos De acordo com a figura 12, verificou-se que 61% dos entrevistados consomem produtos orgânicos, enquanto que 30,5% mostraram interesse pelo consumo destes produtos. A preocupação com as questões ambientais, a busca por uma alimentação mais saudável e pela qualidade de vida são alguns dos responsáveis pelo crescimento do consumo de orgânicos. De acordo com Voss (2006), o interesse por produtos orgânicos no Brasil está crescendo de 15 a 20% por ano. Cabe lembrar a importância que têm as campanhas publicitárias para o consumo desses produtos, sendo de grande importância para o crescimento do consumo de orgânicos (ARCHANJO, BRITO e SAUERBECK, 2001). C O NS UMO DE AL IME NT O S O R G ÂNIC O S 100% 90% 80% 70% 61% 60% 50% 30,50% 40% 30% 20% 8,50% 0% 10% 0% C onsome Não consome, mas Não consome e tem interesse não tem interesse Figura 12: Consumo de alimentos orgânicos. Não respondeu 4.7 Regularidade no consumo de alimentos orgânicos Nota-se que 35,6% das pessoas consomem produtos orgânicos regularmente, e 28,8% consomem ocasionalmente (Figura 13), apenas 15,2% dos entrevistados consomem diariamente produtos orgânicos. Conforme a pesquisa de Tacconi (2004), isso se dá pelo estilo de vida saudável e o comportamento ambiental, que são as principais características dos que freqüentemente consomem produtos hortifrutigranjeiros orgânicos em supermercados. Conhecer a freqüência de consumo em Foz do Iguaçu proporciona ao produtor avaliar a quantidade de produtos que devem ser comercializados, evitando prejuízos e desperdícios (VÁSQUEZ, BARROS e SILVA, 2008). R E G UL AR IDADE NO C O NS UMO DE AL IME NT O S O R G ÂNIC O S 100% 90% 80% 70% 60% 50% 35,6% 40% 28,8% 30% 20% 20,3% 15,2% 10% 0% D iariamente R egularmente O casionalmente Figura 13: Regularidade no consumo de produtos orgânicos. 4.8 Propósito na compra de produtos orgânicos Não respondeu Através dos resultados obtidos, constatou-se que o principal motivo que leva as pessoas a consumir produtos orgânicos é por não possuírem agrotóxicos (47,5% do total de entrevistados), seguido pela saúde pessoal, com 30,5% (Figura 14). Verificou-se que existe um grande interesse do consumidor pela questão ambiental, além de demonstrar conhecimento sobre os males dos agrotóxicos na pesquisa realizada por Desenbahia (2005). Os consumidores estão ficando mais conscientes e exigentes quanto ao consumo de alimentos orgânicos buscando alimentos mais saudáveis, devido aos produtores não utilizarem agrotóxicos, demonstrando preocupação com a conservação do meio ambiente (VÁSQUEZ, BARROS e SILVA, 2008). . P R OP ÓS IT O NA C OMP R A D E P R OD UT OS OR G ÂNIC OS 100% 90% 80% 70% 60% 50% 47,50% 40% 30,50% 30% 20% 10% 10,20% 1,70% 0% 5,10% 0% s al te os b ie n a lh a dore e p e s s o tó x ic m o r a g d e io ir a tra b S aú os s u u da r o m de d os p o Aj Nã S aú S ab Figura 14: Propósito na compra de produtos orgânicos. 4.9 Fatores que dificultam o consumo de produtos orgânicos or e re n In dif te A pesquisa mostrou que o fator preço é o mais representativo, com 47,5%, dificultando na decisão de compra, pois através da pesquisa percebeu-se que muitos não conhecem como se procede a produção orgânica (figura 15). O alto preço dos produtos orgânicos é um fator complicador que acabam dificultando o acesso para a população de baixa renda, fazendo-os comprar produtos de procedência convencional por serem de preços mais acessíveis (SANTOS e MONTEIRO, 2004). Os comerciantes se defendem com a alta do preço dos produtos orgânicos pelo baixo fornecimento dos hortifrutigranjeiros, já os produtores apontam que o alto preço dos produtos orgânicos gera a elitização do seu consumo, enquanto que para os consumidores o que dificulta o consumo é a falta de informação juntamente com preço alto (ORMOND et al., 2002). F A T O R E S Q U E D IF IC U L T A M O C O N S U MO D E P R O D U T O S O R G Â N IC O S 100% 90% 80% 70% 47,50% 60% 50% 32,20% 40% 30% 20% 6,80% 10% 3,40% 5,10% 5,10% 0% F alta de variedade P reç o Q uantidade Q ualidade R egularidade Não res pondeu Figura 15: Fatores que dificultam o consumo de produtos orgânicos. 4.10 Conhecimento sobre o processo de certificação orgânica Na questão sobre o conhecimento de certificação orgânica, 56% dos entrevistados não sabem sobre certificação, ou não notam que tem e nem se preocupam com a legislação pertinente. Os que souberam algo, disseram: “traz benefícios... o processo é longo e burocrático...são produtos mais saudáveis por não possuírem agrotóxicos...segurança para o consumidor do produto que está comprando.” Sabem que existe, mas não compreendem de fato o processo. Pode-se observar, conforme Barbosa (2007), que os consumidores associam os alimentos orgânicos à questão da saúde, esquecendo-se da certificação, processo importante para a garantia do produto comprado. Entretanto, esse esquecimento em relação à certificação demonstra que o consumidor deposita confiança no produtor e no varejista. 4.11. Rotulagem ambiental Sobre o rótulo de produtos orgânicos, 59,3% responderam que o que mais chama a atenção é quando está escrito “produto orgânico” bem grande. Outros aspectos citados foram: a procedência, a cor do rótulo, ser uma certificadora conceituada e conhecida, o nome da instituição, os benefícios citados para a saúde e a tabela nutricional. Apenas um entrevistado respondeu que verifica o selo do Ministério da Agricultura. Faz-se necessária uma estratégia da rotulagem ambiental nos alimentos orgânicos, para incentivar o crescimento do mercado, a confiabilidade e influência que exerce sobre o produto na decisão de compra (TACCONI, 2004). A rotulagem tem um claro efeito na avaliação dos consumidores, apesar de não saberem ao certo a sua funcionalidade, buscam informações disponíveis sobre o produto que se associam com a produção orgânica (GALVÃO, 2006). 4.12 Fatores influenciadores para o aumento de consumo de produtos orgânicos Para 81,4% dos consumidores, o que lhes faria comprar mais produtos orgânicos seria a redução de preço, seguido pelas questões de saúde (associado à indicação médica) e pelo consumo de toda a família. Houve até sugestão de ampliação do consumo com o aumento de pontos de venda, espalhando-os pela cidade, pois o deslocamento até os supermercados dificulta a compra do produto assim como a variedade dos produtos e sua qualidade. Outros fatores citados durante a pesquisa foram: maior esclarecimento sobre o produto, desta forma sanando as dúvidas de seus benefícios; renda maior reverteria em maior compra de produtos orgânicos, ou ainda, a ampliação de oferta de produtos de vários produtores ocasionando queda dos preços; uma certificação adequada para todos os produtos. Alguns responderam não saber o que lhes faria comprar mais produtos orgânicos. Para Silva et al. (2005), ainda existem muitas barreiras em relação ao aumento do consumo de orgânicos, principalmente devido ao valor adotado para os produtos nos supermercados, a falta de variedade e a falta de informação do consumidor. 5 CONCLUSÃO Com base na pesquisa realizada nos supermercados de Foz do Iguaçu/PR, conclui-se que a falta de informação, e pouco conhecimento sobre o modo de produção e a certificação dos produtos hortifrutigranjeiros orgânicos, associada ao alto preço do produto em relação ao produto convencional tem causado um atraso no crescimento de consumidores fiéis, fazendo-se necessário elaborar planos estratégicos de marketing, atraindo novos consumidores e aumentando conseqüentemente a demanda por tais produtos, que a médio-longo prazo terão sua produção aumentada, diminuindo seu custo ao consumidor. Utilizando-se de pesquisa exploratória e descritiva foi possível contribuir para o estudo realizado que tem demonstrado a importância do tema à elaboração dos fatores comportamentais dos consumidores de produtos orgânicos em supermercados. Há necessidade do estudo ter atualizações constantes em função das freqüentes mudanças trazidas pela globalização na sociedade, especialmente pelo considerável aumento na velocidade das informações e tecnologias. 6 PROPOSTA TÉCNICA 6.1 Proposta para melhoria de venda de produtos hortifrutigranjeiros orgânicos em supermercados de Foz do Iguaçu/PR Os supermercados pesquisados apresentam grandes falhas na área da divulgação dos produtos orgânicos. Os supermercados Irmãos Muffato cancelaram temporariamente, a partir de abril de 2009, a comercialização dos hortifrutigranjeiros orgânicos pela falta de produto por parte do produtor, assim, apenas o Hipermercado BIG no momento comercializa tais produtos. A grande problemática encontrada nos supermercados é a falta de conhecimento por parte dos varejistas, os quais misturam os alimentos orgânicos com os hidropônicos e produtos convencionais embalados da mesma forma que os orgânicos, com rótulos coloridos e informativos como, por exemplo, “sem conservantes” ou “direto do produtor” e que acabam por confundir o consumidor. A elaboração de um plano estratégico de marketing ambiental nos supermercados tem como objetivo atrair mais consumidores e esclarecer dúvidas a respeito do produto. Para isso é preciso fazer algumas alterações, como: Seções: deve ser chamativas, atrair o olhar de todos com cartazes de cores fortes e letras grandes; Informativos: comentários sobre a distribuição diferenciação de entre folhetos explicativos hortifrutigranjeiros fazendo orgânicos e convencionais, com fotos; Treinamento: treinar os repositores da seção dos hortifrutigranjeiros para sanar as dúvidas dos clientes. 6.1.2 Plano estratégico de marketing ambiental O plano estratégico de marketing ambiental, inicialmente pode ser visto como conceito evolutivo na abordagem da gestão de empresas ou também uma metodologia integrada ao planejamento estratégico da empresa, mas nada mais é do que uma orientação e conjugação dos meios para a realização de objetivos claramente já predefinidos, estes objetivos obviamente devem ser traçados a coincidir a médio prazo (SEITZ, 2005). 6.1.2.1 Análise do ambiente Conforme pesquisas realizadas junto aos clientes dos supermercados, as pessoas estão adquirindo a cultura de cuidados especiais com sua saúde, aderindo ao uso de itens mais saudáveis em seu dia-a-dia. A falta de conhecimento faz com que haja confusão entre produtos orgânicos e não orgânicos, de modo que a compra equivocada ocasiona aumento de preços dos orgânicos. 6.1.2.2 Ameaças e oportunidades 6.1.2.2.1 Ameaças As ameaças para o setor varejista de hortifrutigranjeiros de Foz do Iguaçu/PR, em específico os supermercados são: Queda do poder aquisitivo do público-alvo: sugere-se readequação nos preços finais, diminuição da margem de lucro, bem como estudo de novas formas no processo de abordagem para que possam reduzir custos. Aspectos culturais e resistência do consumidor: sugere-se maior investimento em publicidade, com campanha focada nos benefício e diferenciação dos produtos hortifrutigranjeiros orgânicos. 6.1.2.2.2 Oportunidades As oportunidades para o setor varejista de hortifrutigranjeiros de Foz do Iguaçu/PR, em específico os supermercados são: • Necessidade de apresentação do produto na questão saúde: sugere-se enfoque na abordagem de vida saudável através de uma alimentação com produtos hortifrutigranjeiros orgânicos e indica-se um acompanhamento de médico ou nutricionistas; • Processo de produção: sugere-se convênio entre produtor e varejista na divulgação do processo pelo qual os produtos hortifrutigranjeiros orgânicos são submetidos à certificação; • Profundidade da linha de produtos: sugere-se ao supermercado maior divulgação das opções variadas de hortifrutigranjeiros orgânicos que podem ser substituídos pelos hortifrutigranjeiros convencionais; • Datas comemorativas: sugere-se ações promocionais nos meses de Junho pelas festas juninas e em Dezembro pelo Natal e Ano Novo; • Promover cursos nos supermercados de receitas utilizando produtos orgânicos; • Manter os atuais clientes consumidores; • Enfatizar a importância de consumo de produtos como estes, bem como os benefícios que o mesmo traz para as pessoas. 6.1.2.3 Pontos fortes e fracos 6.1.2.3.1 Pontos fortes Os pontos fortes do setor varejista de hortifrutigranjeiros de Foz do Iguaçu/PR, em específico os supermercados são: • Os benefícios trazidos com o consumo de alimentos orgânicos tanto para a saúde como para o meio ambiente; • Ausência de agrotóxicos e aditivos químicos neste tipo de produto; • Contribui para o desenvolvimento da região, com a produção de hortifrutigranjeiros orgânicos pelos agricultores familiares. 6.1.2.3.2 Pontos fracos Os pontos fracos do setor varejista de hortifrutigranjeiros de Foz do Iguaçu/PR, em específico os supermercados são: • O preço superior à concorrência: este fator muitas vezes assusta o consumidor; • Aspecto visual da embalagem. O mercado de produtos orgânicos, ainda é, de certa forma, resistente por uma série de fatores que vão desde o não conhecimento até o comodismo da não mudança, que muitas vezes só ocorre quando há uma especificação médica. 6.1.2.4.Objetivos O objetivo desse plano estratégico de marketing ambiental é agregar aos produtos hortifrutigranjeiros orgânicos a característica de importância para a vida, uma opção saudável para uma população que busca qualidade de vida. Os objetivos desta proposta de plano estratégico de marketing ambiental são: • Manter os clientes, inovando a imagem da empresa perante os mesmos; • Enfatizar • Estimular o consumo, aumentando as vendas na cidade a qualidade do produto, mantida pela embalagem; de Foz do Iguaçu/PR nos supermercados pesquisados e inserir nos demais da região. 6.1.2.5 Estratégia de marketing ambiental 6.1.2.5.1 Público-alvo O produto em questão é destinado a homens e mulheres de todas as idades, com qualquer nível de instrução e classe social. O público-alvo está preocupado com a qualidade dos produtos consumidos. 6.1.2.5.2 Posicionamento O produto será posicionado como uma necessidade para os dias atuais, e pelos altos padrões de qualidade que o acompanham. 6.1.2.5.3 Estoques Deverão ser administrados com a mínima quantidade possível do produto armazenado, pois, os alimentos orgânicos apresentam um curto prazo de validade. 6.1.2.5.4 Ponto de venda Próximos às mini-gôndolas dos produtos convencionais, de forma a mostrar a importância e as características diferenciadas do produto hortifrutigranjeiro orgânico superiores quando comparado com o produto convencional. 6.1.2.5.5 Abrangência Em toda a cidade de Foz do Iguaçu/PR e região, por meio de divulgação. 6.1.2.5.6 Treinamento dos vendedores Preparar os funcionários dos supermercados para apresentar toda a linha de produtos hortifrutigranjeiros orgânicos e indicá-los para as diversas ocasiões, ressaltando prazo de validade, forma de conservação, armazenamento e tempo aproximado para o consumo. 6.1.2.5.7 Promoção No ponto de venda estarão disponíveis folders e banners. Além de anúncios em revistas, jornais e outdoors, nos supermercados deverão ser utilizados displays, além de selecionar alguns funcionários para utilizar uniformes com escritas incitando a compra destes produtos, como por exemplo, “Consumo produtos orgânicos! Pergunte-me por quê!”. Vincular anúncios em revistas e jornais de Foz do Iguaçu/PR, é outra opção, como também a inserção de merchandising em programas femininos supermercados. de TV e degustação dos hortifrutigranjeiros nos 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AAO, Outubro de 2008. São Paulo: Associação de Agricultores Orgânicos. Disponível em: <http://www.aao.org.br>. Acesso em: 16 out. 2008. ANDRADE, R. B.; ROCHA, F. G.;FAVERO, L. A. Estudo comparativo das estratégias de marketing no mercado de produtos orgânicos da região metropolitana de Recife: uma rede de varejo e as feiras agroecológicas. XLV Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural, Londrina, jul. 2007. ARAUJO, J. C. 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QUAL SUA PROFISSÃO:___________________________________________ 4. ESCOLARIDADE: ( ) ENSINO FUNDAMENTAL ( ) ENSINO MÉDIO ( ) ENSINO SUPERIOR ( ) SUPERIOR COM PÓS- GRADUAÇÃO 5. RENDA FAMILIAR: ( ) 2 SALÁRIOS MÍNIMOS ( ) 2 À 4 SALÁRIOS MÍNIMOS ( ) 4 À 6 SALÁRIOS MÍNIMOS ( ) MAIS DE 6 SALÁRIOS MÍNIMOS 6. EM RELAÇÃO AOS PRODUTOS ORGÂNICOS: ( ) CONSUMO ( ) NÃO CONSUMO, MAS TENHO INTERESSE ( ) NÃO CONSUMO E NÃO TENHO INTERESSE 7. SE CONSOME PRODUTOS ORGANICOS: ( ) DIARIAMENTE ( ) REGULARMENTE ( ) OCASIONALMENTE 8. QUAL O SEU PROPÓSITO AO COMPRAR PRODUTOS ORGANICOS? ( ) POR NÃO POSSUIREM AGROTÓXICOS ( ) POR AJUDAR O MEIO AMBIENTE ( ) PELA SAÚDE DOS TRABALHADORES ( ) PELA SAÚDE PESSOAL ( ) PELO SABOR ( ) INDIFERENTE 9. O QUE DIFICULTA PARA VOCÊ O CONSUMO DE PRODUTOS ORGANICOS? ( ) A FALTA DE VARIEDADE ( ) PREÇO ( ) QUANTIDADE ( ) QUALIDADE ( ) REGULARIDADE 10. SABE ALGO SOBRE A CERTIFICAÇÃO ORGANICA? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 11. NO RÓTULO DE PRODUTOS ORGÂNICOS, O QUE MAIS TE CHAMA A ATENÇÃO? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 12. O QUE TE FARIA COMPRAR (MAIS) PRODUTOS ORGÂNICOS? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Apêndice 2: Termo de consentimento livre e esclarecido para pesquisa do perfil dos consumidores de produtos hortifrutigranjeiros orgânicos em supermercados da cidade de Foz do Iguaçu/PR. TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Você esta sendo convidado a participar em uma pesquisa. Você precisa decidir se quer participar ou não. Por favor, não se apresse em tomar a decisão. Leia cuidadosamente o que se segue e pergunte ao responsável pelo estudo qualquer dúvida que você tiver. Este estudo está sendo conduzido por Marianna de Campos Ferreira e Silva sob a orientação do Prof. Dr. Elisandro Pires Frigo. Porque o estudo esta sendo feito? A finalidade deste estudo é identificar o perfil dos consumidores de alimentos orgânicos de Foz do Iguaçu/PR e das preferências destes consumidores, assim como a identificação de futuros consumidores. Um outro propósito é que baseado nos resultados deste estudo, estratégias de marketing ambiental serão traçadas para melhorar a comercialização destes produtos na cidade. Tal estudo refere-se a um Trabalho Final de Graduação de Marianna de Campos Ferreira e Silva em Engenharia Ambiental da UDC (União Dinâmica de Faculdades Cataratas) – Centro de Tecnológicas, não estando ligado a nenhuma empresa ou associação de caráter comercial. Quem participará deste estudo? Quais são os meus requisitos? Poderão participar deste estudo pessoas que fazem compras nos hipermercados Irmãos Muffato e Big (Rede Wallmart) da cidade. Não existem requisitos específicos, basta estar fazendo compras no setor de hortifrutigranjeiros. Quem não pode participar deste estudo? Menores de idade sem a autorização de pais. O que serei solicitado a fazer? Você será entrevistado sobre questões gerais sobre sua situação sócio-econômica e seus conhecimentos e preferências no consumo de alimentos orgânicos. A entrevista será registrada para posterior estudo. O que se sabe sobre este assunto? O que se sabe é que através deste tipo de pesquisa, pode-se melhorar o acesso dos consumidores a determinados tipos de produtos como os orgânicos e adequá-los às necessidades apresentadas pelos consumidores, melhorando tais produtos. Quanto tempo estarei no estudo? Você participará deste estudo durante apenas a entrevista. Quantas outras pessoas estarão participando deste estudo? Um grupo de pessoas entrevistadas de Janeiro a Março de 2009. Que prejuízos podem acontecer comigo se eu participar deste estudo? Nenhum tipo de prejuízo. Quem poderá ver os meus registros/respostas e saber que eu estou participando do estudo? Se você concordar em participar do estudo, seu nome e identidade serão mantidos em sigilo. A menos que requerido por lei, somente o pesquisador do estudo terá acesso a suas informações para verificar as informações do estudo. Eu serei informado do surgimento de informações significativas sobre o assunto da pesquisa? Sim, você será informado se for de sua vontade. Quem devo chamar se tiver qualquer dúvida ou algum problema? Para perguntas ou problemas referente ao estudo ligue para Marianna de Campos Ferreira e Silva, telefone: 99151486. Para perguntas sobre seus direitos como participante no estudo entre em contato com a UDC – Centro de Tecnológicas, com o Prof. Dr. Elisandro Pires Frigo. Eu posso recusar a participar ou pedir para sair do estudo? Sua participação no estudo é voluntária. Você pode escolher não fazer parte do estudo, ou pode desistir a qualquer momento. Você receberá uma via assinada deste termo de consentimento. Declaro que li e entendi este formulário de consentimento e todas as minhas dúvidas foram esclarecidas. e que sou voluntário a tomar parte neste estudo. Assinatura do Voluntário____________________________________________data_____ Assinatura do Pesquisador__________________________________________data_____ ANEXO Anexo 1: Lei dos Orgânicos Lei N° 10.831 PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA LEI Nº 10.831, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2003 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia nãorenovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente. § 1º A finalidade de um sistema de produção orgânico é: I - a oferta de produtos saudáveis isentos de contaminantes intencionais; II - a preservação da diversidade biológica dos ecossistemas naturais e a recomposição ou incremento da diversidade biológica dos ecossistemas modificados em que se insere o sistema de produção; III - incrementar a atividade biológica do solo; IV - promover um uso saudável do solo, da água e do ar; e reduzir ao mínimo todas as formas de contaminação desses elementos que possam resultar das práticas agrícolas; V - manter ou incrementar a fertilidade do solo a longo prazo; VI - a reciclagem de resíduos de origem orgânica, reduzindo ao mínimo o emprego de recursos não-renováveis; VII - basear-se em recursos renováveis e em sistemas agrícolas organizados localmente; VIII - incentivar a integração entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva e de consumo de produtos orgânicos e a regionalização da produção e comércio desses produtos; IX - manipular os produtos agrícolas com base no uso de métodos de elaboração cuidadosos, com o propósito de manter a integridade orgânica e as qualidades vitais do produto em todas as etapas. § 2º O conceito de sistema orgânico de produção agropecuária e industrial abrange os denominados: ecológico, biodinâmico, natural, regenerativo.biológico, agroecológicos, permacultura e outros que atendam os princípios estabelecidos por esta Lei. Art. 2º Considera-se produto da agricultura orgânica ou produto orgânico, seja ele in natura ou processado, aquele obtido em sistema orgânico de produção agropecuário ou oriundo de processo extrativista sustentável e não prejudicial ao ecossistema local. Parágrafo único. Toda pessoa, física ou jurídica, responsável pela geração de produto definido no caput deste artigo é considerada como produtor para efeito desta Lei. Art. 3º Para sua comercialização, os produtos orgânicos de verão ser certificados por organismo reconhecido oficialmente, segundo critérios estabelecidos em regulamento. § 1º No caso da comercialização direta aos consumidores, por parte dos agricultores familiares, inseridos em processos próprios de organização e controle social, previamente cadastrados junto ao órgão fiscalizador, a certificação será facultativa, uma vez assegurada aos consumidores e ao órgão fiscalizador a rastreabilidade do produto e o livre acesso aos locais de -produção ou processamento. § 2º A certificação da produção orgânica de que trata o caput deste artigo, enfocando sistemas, critérios e circunstâncias de sua aplicação, será matéria de regulamentação desta Lei, considerando os diferentes sistemas de certificação existentes no País. Art. 4º A responsabilidade pela qualidade relativa às características regulamentadas para produtos orgânicos caberá aos produtores, distribuidores, comerciantes e entidades certificadoras, segundo o nível de participação de cada um. Parágrafo único. A qualidade de que trata o caput deste artigo não exime os agentes dessa cadeia produtiva do cumprimento q de demais normas e regulamentos que estabeleçam outras medidas F relativas à qualidade de produtos e processos. Art. 5º Os procedimentos relativos à fiscalização da produção, circulação, armazenamento, comercialização e certificação de produtos orgânicos nacionais e estrangeiros, serão objeto de regulamentação pelo Poder Executivo. § 1º A regulamentação deverá definir e atribuir as responsabilidades pela implementação desta Lei no âmbito do Governo Federal. § 2º Para a execução desta Lei, poderão ser celebrados convênios, ajustes e acordos entre órgãos e instituições da Administração Federal, Estados e Distrito Federal. Art. 6º Sem prejuízo das responsabilidades civil e penal cabíveis, a infração das disposições desta Lei será apurada em processo administrativo e acarretará, nos termos previstos em regulamento a aplicação das seguintes sanções, isolada ou cumulativamente: I - advertência; II - multa de até R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais); III - suspensão da comercialização do produto; IV - condenação de produtos, rótulos, embalagens e matérias-primas; V - inutilização do produto; VI - suspensão do credenciamento, certificação, autorização, registro ou licença; e VII - cancelamento do credenciamento, certificação, autorização, registro ou licença. Art. 7º Caberá ao órgão definido em regulamento adotar medidas cautelares que se demonstrem indispensáveis ao atendimento dos objetivos desta Lei, assim como dispor sobre a destinação de produtos apreendidos ou condenados na forma de seu regulamento. § 1º O detentor do bem que for apreendido poderá ser no- meado seu depositário. § 2º Os custos referentes a quaisquer dos procedimentos mencionados neste artigo correrão por conta do infrator. Art. 8º As pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, que produzam, transportem, comercializem ou armazenem produtos orgânicos ficam obrigadas a promover a regularização de suas atividades junto aos órgãos competentes. Parágrafo único. Os procedimentos de registro, cadastramento, licenciamento e outros mecanismos de controle deverão atender ao disposto no regulamento desta Lei e nos demais instrumentos legais pertinentes. Art. 9º Os insumos com uso regulamentado para a agricultura orgânica deverão ser objeto de processo de registro diferenciado, que garanta a simplificação e agilização de sua regularização. Parágrafo único. Os órgãos federais competentes definirão em atos complementares os procedimentos para a aplicabilidade do disposto no caput deste artigo. Art. 10º. Para o atendimento de exigências relativas a medidas sanitárias e fitossanitárias, as autoridades competentes deverão, sempre que possível, adotar medidas compatíveis com as características e especificidades dos produtos orgânicos, de modo a não descaracterizá-los. Art. 11º. O Poder Executivo regulamentará esta Lei, definindo as normas técnicas para a produção orgânica e sua estrutura de gestão no âmbito da União, dos Estados e do Distrito Federal. § 1º A regulamentação deverá contemplar a participação de representantes do setor agropecuário e da sociedade civil, com re- conhecida atuação em alguma etapa da cadeia produtiva orgânica. § 2º A regulamentação desta Lei será revista e atualizada sempre que necessário e, no máximo, a cada quatro anos. Art. 12º. (VETADO). Parágrafo único. O regulamento desta Lei deverá estabelecer um prazo mínimo de 01 (um) ano para que todos os segmentos envolvidos na cadeia produtiva possam se adequar aos procedimentos que não estejam anteriormente estabelecidos por regulamentação oficial. Art. 13º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Márcio Thomaz Bastos Roberto Rodrigues Marina Silva ESTE TEXTO NÃO SUBSTITUI O PUBLICADO NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO DE 24/12/2003, SEÇÃO 1, PÁGINA 8. Fonte: www.planetaorganico.com.br/lei23dez03.htm