FACULDADE BOA VIAGEM CENTRO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO EMPRESARIAL SONIELSON JUVINO SILVA GESTÃO DE RISCOS OPERACIONAIS NAS INDÚSTRIAS DE ALIMENTOS, BEBIDAS E VESTUÁRIO EM TRÊS REGIÕES DE DESENVOLVIMENTO DO ESTADO DE PERNAMBUCO RECIFE 2012 SONIELSON JUVINO SILVA GESTÃO DE RISCOS OPERACIONAIS NAS INDÚSTRIAS DE ALIMENTOS, BEBIDAS E VESTUÁRIO EM TRÊS REGIÕES DE DESENVOLVIMENTO DO ESTADO DE PERNAMBUCO Dissertação apresentada à coordenação do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração da Faculdade Boa Viagem. Orientador: Professor Dr. James Anthony Falk. RECIFE 2012 Silva, Sonielson Juvino Gestão de riscos operacionais nas indústrias de alimentos, bebidas e vestuário em três regiões de desenvolvimento do estado de Pernambuco / Sonielson Juvino da Silva – Recife: O Autor, 2012. 153 fl. , 1 mapa ; figuras : gráficos : quadros : tabelas Dissertação (mestrado) – Faculdade Boa Viagem. Administração, 2012. Inclui Bibliografia e Apêndices. 1. Gestão de riscos 2. Risco operacional 3. Risco empresarial I. Título CDU 65.015.25 S586g FBV But since the affairs of men rest still incertain, Let's reason with the worst that may befall. Shakespeare (Julius Caesar – Act 5 – Scene 1) AGRADECIMENTOS À minha mãe, Lica Fernandes, à minha esposa, Fábia Soares, e às minhas filhas, Rana e Lara, pela compreensão e apoio nessa jornada. Ao meu orientador, professor Dr. James Falk, que, durante todo o processo, concedeu-me não apenas encaminhamentos técnicos e científicos, mas também inúmeros momentos de incentivo e encorajamento. Aos professores Doutores Fernando Dias e José Vergolino, participantes da banca examinadora, cujas sugestões valiosas possibilitaram significativas melhorias no presente trabalho. Ao Banco do Brasil, pelo apoio financeiro e pela adoção de instrumentos motivacionais em prol da capacitação profissional dos seus funcionários. Aos colegas da Gerência de Auditoria do Banco do Brasil, pelas incansáveis palavras e gestos de estímulo. À colega de trabalho Cláudia Freire e aos gestores do Banco do Brasil em Pernambuco, sem o empenho dos quais não teria sido possível coletar, em diversas agências espalhadas pelo Estado, todos os dados e informações aqui tratados. A todas as empresas que se prontificaram em responder o questionário de pesquisa, tornando factível, em última instância, a realização deste trabalho. À Maria do Carmo Soares, pelas dicas de formatação de texto, conforme as normas técnicas. Agradeço, ainda, aos professores da Faculdade Boa Viagem, mesmo aqueles com os quais não cursei disciplinas complementares, pois todos, sem distinção, sempre se prontificaram a colaborar com este projeto. Aos funcionários da Faculdade Boa Viagem, aqui representados por Albina Simões, incansáveis na disposição de solucionar as pendências dos alunos. Por fim, mas não menos importante, aos colegas da Turma 6 do mestrado da Faculdade Boa Viagem, cuja diversidade de experiências e conhecimentos fez de cada aula uma verdadeira “boa viagem” pelo mundo mágico dos novos saberes, além de evidenciar que o ambiente acadêmico continua a ser um ótimo espaço para se cultivar novas amizades. RESUMO O objetivo deste estudo descritivo foi verificar o grau de interesse e a forma de gestão de riscos operacionais em indústrias do estado de Pernambuco, uma vez que o inadequado tratamento dado a tais riscos têm levado a crises e até à falência de empresas em todo o mundo. Foi elaborada uma amostra com indústrias das atividades alimentos, bebidas e vestuário, de portes médio e pequeno, em três regiões do Estado, na qual se aplicou um questionário autoadministrado, tipo “Survey”. As respostas obtidas foram comparadas com pesquisas semelhantes, realizadas em outros locais do País, e foram também utilizadas para classificar as empresas respondentes conforme os estágios da gestão de riscos operacionais, propostas pelo pesquisador Culp (2001). Os principais resultados mostraram que as indústrias pesquisadas não estão adequadamente preparadas para lidar com os riscos operacionais, uma vez que a maioria dos participantes se enquadrou no estágio mais elementar de adoção de controles, além de estes riscos terem se revelado menos preocupantes do que outros, como os riscos de mercado e financeiros. Embora a situação esteja um pouco atenuada entre as indústrias de alimentos e bebidas, por conta da alta regulação do setor, e entre as de porte médio, em comparação com as pequenas, concluiu-se, no geral, que as empresas pesquisadas possuem pouco entendimento sobre os riscos operacionais a que estão expostas e, consequentemente, o investimento feito no gerenciamento de tais riscos se revelou insuficiente. Assim, a adoção de práticas inclusivas, como treinamentos, seria de extrema relevância para o aprimoramento da gestão de riscos operacionais nas indústrias pesquisadas. Palavras-chave: gestão de riscos; risco operacional; risco empresarial. ABSTRACT The purpose of this descriptive study was to assess the degree of concern and the form of operational risk management utilized in industries of the state of Pernambuco, Brazil, since the inadequate treatment of these risks have led to crises and even the bankruptcy of companies around the world. A sample was drawn of medium and small size industries dedicated to the activities of food, beverage and clothing manufacture, in three regions of the State in which a survey was applied by means of a self-administered questionnaire. The responses obtained were compared with similar surveys conducted elsewhere in the Country, and the respondents companies were also ranked according to the stages of operational risk management proposed in the work of Culp (2001). The main results showed that the industries surveyed are not adequately prepared to deal with operational risks, since most participants are ranked in the most elementary stage of the adoption of controls, and these risks have been considered less worrisome than others, such as the financial and market risks. Although the situation is somewhat attenuated among the industries of food and beverage, due to the high regulation of the sector, and among the medium-sized companies when compared with the smaller ones, in general, it was concluded that the companies surveyed have little understanding of the operational risks they are exposed to and, consequently, the investments made in managing these risks have proved insufficient. Thus, the adoption of inclusive practices, such as training, would be extremely important for the improvement of operational risk management in the industries surveyed. Keywords: risk management, operational risk, business risk. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Probabilidade versos Impacto e suas implicações. Figura 2: Matriz COSO. Figura 3: As três camadas de controle. Figura 4: Princípios, modelo e processo de gestão de riscos conforme ISO 31000. Figura 5: As doze Regiões de Desenvolvimento de Pernambuco. Figura 6: VAB do Setor Industrial, por município de Pernambuco em 2008. LISTA DE QUADROS Quadro 1: Características dos dois tipos de auditorias e suas diferenças básicas. Quadro 2: Estágios da gestão de riscos operacionais, conforme Culp. Quadro 3: Amostragem utilizada na pesquisa. Quadro 4: Amostragem mínima utilizada na pesquisa. Quadro 5: Estágios da gestão de riscos operacionais relacionados às respostas do questionário de pesquisa. LISTA DE EQUAÇÕES Equação 1: Cálculo do tamanho de cada amostra. Equação 2: Ajuste do tamanho de cada amostra. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Importância dada à gestão de riscos no estado de Pernambuco. Gráfico 2: Importância dada à gestão de riscos por Atividade. Gráfico 3: Importância dada à gestão de riscos na Atividade Alimentos, em função do Porte. Gráfico 4: Importância dada à gestão de riscos na Atividade Bebidas, em função do Porte. Gráfico 5: Importância dada à gestão de riscos na Atividade Vestuário, em função do Porte. Gráfico 6: Importância dada à gestão de riscos por Região de Desenvolvimento. Gráfico 7: Importância dada à gestão de riscos na Região de Desenvolvimento Agreste Central, em função do porte. Gráfico 8: Importância dada à gestão de riscos na Região de Desenvolvimento Metropolitana, em função do Porte. Gráfico 9: Importância dada à gestão de riscos na Região de Desenvolvimento São Francisco, em função do Porte. Gráfico 10: O que faz a gestão dos riscos operacionais. Gráfico 11: O que faz a gestão dos riscos operacionais, por Atividade. Gráfico 12: O que faz a gestão dos riscos operacionais, por Atividade em função do Porte. Gráfico 13: O que faz a gestão dos riscos operacionais, por Região de Desenvolvimento. Gráfico 14: O que faz a gestão dos riscos operacionais, por Região de Desenvolvimento em função do Porte. Gráfico 15: Barreira que mais impede investir na gestão dos riscos operacionais. Gráfico 16: Barreira que mais impede investir na gestão dos riscos operacionais, por Atividade. Gráfico 17: Barreira que mais impede investir na gestão dos riscos operacionais, por Atividade, em função do Porte. Gráfico 18: Barreira que mais impede investir na gestão dos riscos operacionais, por Região de Desenvolvimento. Gráfico 19: Barreira que mais impede investir na gestão dos riscos operacionais, por Região de Desenvolvimento, em função do Porte. Gráfico 20: Riscos operacionais mais importantes. Gráfico 21: Riscos operacionais mais importantes, por Atividade. Gráfico 22: Riscos operacionais mais importantes, por Atividade, em função do Porte. Gráfico 23: Riscos operacionais mais importantes, por Região de Desenvolvimento. Gráfico 24: Riscos operacionais mais importantes, por Região de Desenvolvimento, em função do Porte. Gráfico 25: Quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com a gestão de riscos operacionais. Gráfico 26: Quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com a gestão de riscos operacionais, por Atividade. Gráfico 27: Quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com a gestão de riscos operacionais, por Atividade, em função do Porte. Gráfico 28: Quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com a gestão de riscos operacionais, por Região de Desenvolvimento. Gráfico 29: Quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com a gestão de riscos operacionais, por Região de Desenvolvimento, em função do Porte. Gráfico 30: Modelo de gestão de risco adotado. Gráfico 31: Ferramentas qualitativas de gestão de risco adotadas. Gráfico 32: Ferramentas qualitativas de gestão de risco, por Atividade. Gráfico 33: Ferramentas qualitativas de gestão de risco, por Atividade, em função do Porte. Gráfico 34: Ferramentas qualitativas de gestão de risco, por Região de Desenvolvimento. Gráfico 35: Ferramentas qualitativas de gestão de risco, por Região de Desenvolvimento, em função do Porte. Gráfico 36: Como as empresas lidam com os riscos operacionais, conforme classificação de Culp. Gráfico 37: Como as empresas lidam com os riscos operacionais, conforme classificação de Culp, por Atividade. Gráfico 38: Como as empresas lidam com os riscos operacionais, conforme classificação de Culp, por Atividade, em função do Porte. Gráfico 39: Como as empresas lidam com os riscos operacionais, conforme classificação de Culp, por Região de Desenvolvimento. Gráfico 40: Como as empresas lidam com os riscos operacionais, conforme classificação de Culp, por Região de Desenvolvimento, em função do Porte. LISTA DE ABREVIARURAS E SIGLAS APPC: Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle BCBS: Basel Committee on Banking Supervision BIS: Banco Internacional de Compensações BRC: British Retail Consortium CIPA: Comissão Interna de Prevenção de Acidentes COSO: Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway CVM: Comissão de Valores Mobiliários ERM: Enterprise Risk Management GTDN: Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste IBGC: Instituto Brasileiro de Governança Corporativa IEC: International Electrotechnical Commission ISO: International Organization for Standardization KPMG: Klynveld, Peat, Marwick e Goerdeler PIB: Produto Interno Bruto RD: Região de Desenvolvimento SEBRAE: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEC: Securities Exchange Comission SENAI : Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SIGA: Sistema de Gestão Administrativa SIUP: Serviços Industriais de Utilidade Pública SOX: Lei Sarbanes-Oxley SUDENE: Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste TI: Tecnologia da Informação VAR: Value at Risk LISTA DE APÊNDICES Apêndice A: Questionário apresentado na pesquisa. Apêndice B: Relação das Indústrias participantes da pesquisa. Apêndice C: Tabela de correlação de valores: variáveis, perguntas do questionário e classificação de Culp. LISTA DE ANEXOS Anexo A: Fórmula para determinação do tamanho mínimo da amostra. Anexo B: Carta de apresentação do questionário de pesquisa, emitida pelo Banco do Brasil. Anexo C: Carta de apresentação do questionário de pesquisa, emitida pela Faculdade Boa Viagem. 16 SUMÁRIO 1 O PROBLEMA ............................................................................................. 18 1.1 Introdução ................................................................................................ 18 1.2 Objetivos .................................................................................................. 24 1.3 Delimitação do estudo ............................................................................ 25 1.4 Justificativas ............................................................................................ 25 1.5 Definição dos termos .............................................................................. 27 2 REFERENCIAL TEÓRICO........................................................................... 28 2.1 Riscos....................................................................................................... 28 2.2 Evolução dos Riscos .............................................................................. 30 2.3 Riscos Operacionais ............................................................................... 32 2.4 Gestão de Riscos Operacionais ............................................................. 40 2.4.1 Identificação de Riscos Operacionais ................................................ 42 2.4.2 Medição de Riscos Operacionais ....................................................... 42 2.4.3 Análise de Riscos Operacionais ......................................................... 44 2.4.4 Ferramentas de Gestão de Riscos Operacionais .............................. 44 2.4.5 Gestão de Riscos Operacionais em empresas não-financeiras ...... 61 2.5 Indústrias de transformação no estado de Pernambuco..................... 71 3 METODOLOGIA .......................................................................................... 78 3.1 Tipo de Pesquisa ..................................................................................... 78 3.2 Universo e Amostra ................................................................................ 79 3.3 Coleta dos Dados .................................................................................... 81 3.4 Tratamento dos Dados............................................................................ 85 3.5 Limitações do Método............................................................................. 87 4 RESULTADOS ............................................................................................. 88 4.1 Importância dada à gestão dos riscos operacionais ........................... 88 4.1.1 Importância dada aos riscos, por Atividade ...................................... 89 17 4.1.2 Importância dada aos riscos, por Região de Desenvolvimento ....... 93 4.1.3 O que faz a gestão dos riscos operacionais ...................................... 98 4.2 Barreira que impede investir na gestão de riscos operacionais ....... 101 4.2.1 Barreira que impede investir, por Atividade .................................... 102 4.2.2 Barreira que impede investir, por Região de Desenvolvimento ..... 104 4.3 Riscos operacionais considerados mais importantes ....................... 106 4.3.1 Riscos mais importantes, por Atividade .......................................... 107 4.3.2 Riscos mais importantes, por Região de Desenvolvimento ........... 108 4.4 Estrutura implantada para gerenciar os riscos operacionais ........... 110 4.4.1 Funcionários envolvidos com a gestão de riscos operacionais .... 111 4.4.2 Modelo de gestão de riscos adotado................................................ 115 4.4.3 Cargo de gerente de Risco ................................................................ 117 4.4.4 Ferramentas qualitativas de gestão de riscos adotadas ................ 117 4.5 Lidando com os riscos operacionais .................................................. 122 4.5.1 Lidando com os riscos, por Atividade .............................................. 124 4.5.2 Lidando com os riscos, por Região de Desenvolvimento .............. 125 5 CONCLUSÕES .......................................................................................... 128 6 SUGESTÕES E RECOMENDAÇÕES ....................................................... 132 7 REFERÊNCIAS .......................................................................................... 134 8 APÊNDICES .............................................................................................. 144 9 ANEXOS .................................................................................................... 151 18 1 O PROBLEMA 1.1 Introdução Toda corporação enfrenta incertezas, e o desafio de sua administração é determinar, por meio do gerenciamento de riscos, o nível de incerteza que a organização está preparada para suportar (COSO, 2004). A preocupação com riscos cresceu muito nas últimas décadas, principalmente após fraudes, como as que envolveram o Barings Bank e o Société Générale, e escândalos financeiros, que atingiram empresas como a Enron, WorldCom e Tyco. Esses casos ilustram o fato de que os problemas nem sempre estão ligados à área contábil, mas situam-se em outra esfera dentro da organização (PEREIRA, 2008). As instituições financeiras, por atuarem em mercados de maior volatilidade, passaram a dedicar maior atenção a todos os tipos de riscos (CASTANHEIRA, 2005). Assim, o Comitê da Basiléia de Supervisão Bancária sugeriu que os bancos, além dos riscos de crédito e de mercado, deveriam alocar recursos também para os riscos operacionais (BCBS, 1998). Tais riscos foram, então, sistematizados em uma disciplina própria, com estrutura, ferramentas e processos específicos (BBA, ISDA e RMA, 2000). Segundo o Comitê da Basiléia, risco operacional é o “risco de perda em decorrência de falhas ou inadequações internas relacionadas a processos, pessoas, sistemas ou eventos externos” (BCBS, 2006b, p.3). Como os riscos operacionais permeiam toda a organização empresarial, um gerenciamento adequado se faz necessário não apenas para reduzir os prejuízos, mas também para aproveitar as oportunidades que tal devem ser monitoramento pode suscitar (BRASILIANO, 2009). Para o devido tratamento, os riscos operacionais identificados, medidos e avaliados. De posse das informações, a empresa pode 19 decidir por administrar, conviver, evitar ou transferir, via seguro ou hedge, os riscos a que está exposta (BARALDI, 2005). Surgiram diversas ferramentas para a gestão dos riscos operacionais, as quais utilizam padrões tanto quantitativos quanto qualitativos (MARSHALL, 2002). Uma técnica quantitativa sugerida foi o Value at Risk, ou VaR. Entretanto, pela carência de dados históricos, não resultou em solução definitiva para os riscos operacionais (THINKFN, 2010). O próprio Comitê de Basiléia preocupou-se com o tema e sugeriu três modelos possíveis para se medir os riscos em instituições financeiras. O mais simples de todos, Método do Indicador Básico, define apenas uma proporção direta, definida em 15%, sobre a receita bruta. O Método Padronizado, mais elaborado, considera a soma dos riscos individualizados dos diversos negócios da empresa. O último e mais completo chama-se Mensuração Interna/Avançada, que utiliza informações históricas de perdas internas, categorizando-as conforme definição prévia, coletadas nas diversas linhas do negócio. O objetivo, enfim, é otimizar o volume de recursos alocados para cobrir os riscos (CAGAN, 2001, BCBS, 2004, BRITO, 2007). É interessante observar que tais métodos buscam dimensionar capitais regulatórios para cobrir as chamadas perdas inesperadas, como, por exemplo, falhas ou fraudes, uma vez que as perdas decorrentes do risco do negócio devem ser cobertas pela própria receita gerada (MARSHALL, 2002). Por outro lado, as técnicas relatadas mostram-se pouco eficazes para as perdas catastróficas, ou seja, os eventos raros com grande potencial de dano. Um risco considerado pequeno pode trazer conseqüências desastrosas, podendo acarretar até a ruína da empresa (CAGAN, 2001, HARMANTZIS, 2003, POWER, 2003). Por tudo isso, a combinação da abordagem quantitativa com a qualitativa tornou-se imprescindível para a boa gestão dos riscos operacionais (WILSON, 2001). Um dos modelos qualitativos foi sugerido pela Lei Sarbanes-Oxley, ou SOX, promulgada pelo Congresso americano para tentar coibir os escândalos contábeis ocorridos em grandes corporações daquele país. Tal normativo 20 concentra o foco na boa governança corporativa, na transparência das informações financeiras e na maior responsabilização dos executivos (OLIVEIRA, 2006, SANTOS E LEMES, 2007). As ações voltadas para a governança corporativa proporcionaram o surgimento, no Brasil, de Recomendações da Comissão de Valores Mobiliários – CVM e a elaboração do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa (BANCO DO BRASIL, 2007). Estes documentos procuram fortalecer os princípios da transparência, equidade entre os envolvidos no negócio, prestação de contas e responsabilidade corporativa (IBGC, 2009). Conforme Culp (2002), um dos pontos que ameaçam a boa governança corporativa é a não independência entre as áreas que assumem riscos e as que os controlam, o que fez surgir a necessidade da estrutura do controle interno. Nesse aspecto, o Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway – COSO, desenvolveu um modelo de gestão de riscos corporativos, no formato de uma matriz tridimensional, que inter-relaciona as categorias de objetivos com os componentes de risco, envolvendo as diversas áreas da empresa (COSO, 2004). Para Aerts (2001), contudo, o modelo COSO possui dois problemas fundamentais. Em primeiro lugar, pode levar os controladores de risco a atuarem apenas sobre aqueles itens estabelecidos, negligenciando os demais setores da empresa. O segundo ponto é que não fica explícito quem deve ser o responsável pela gestão do risco operacional. Assim, ele recomenda uma terceira camada de controles, a auditoria interna, que deve verificar, com razoável certeza, se os riscos estão minimizados e se os objetivos gerais da empresa estão sendo alcançados de maneira eficiente e econômica. Para dar maior segurança, principalmente para o público externo, de que as práticas adotadas pela empresa estão adequadas, inclusive as de auditoria interna, foi estabelecida, ainda, a auditoria externa. Trata-se, portanto, de uma estrutura fora da organização empresarial, contratada para opinar sobre as demonstrações financeiras, e constitui uma ação complementar, não substituindo as demais ferramentas de gestão de riscos (ATTIE, 2007). 21 O desenvolvimento dos controles gerenciais nas instituições financeiras tem levado as demais empresas a aperfeiçoarem as suas estratégicas de gestão de riscos (AERTS, 2001). Entretanto, Culp (2001) chama a atenção para o fato de que muitas barreiras, notadamente as de ordem cultural, dificultam uma percepção maior da importância desses riscos. Para melhor entender a evolução do tema nas empresas, ele estabeleceu cinco estágios para descrever a gestão dos riscos operacionais em organizações empresariais. Para o autor, os estágios vão desde a ausência de pessoas ou processos envolvidos diretamente com o assunto, passa pelo conhecimento explícito dos problemas e pela aplicação de sistemas quantitativos e qualitativos de indicadores, culminando com a integração das diferentes áreas de negócios e dos diferentes riscos. Para se estabelecer um padrão que reunisse os mais diversos conceitos e documentos sobre as práticas de gestão de riscos operacionais das empresas, a International Organization for Standardization – ISO elaborou a primeira norma internacional sobre o assunto, denominada ISO 31000. Tais regras, pela harmonização dos entendimentos que proporcionam e por não concorrerem com as demais práticas já citadas, têm todas as condições de se tornar referência para a gestão dos riscos (ISO, 2008, BASTOS, 2009, BRASILIANO, 2009). Apesar dos avanços, diversas organizações, notadamente as pequenas e médias empresas, não deram ainda a devida atenção ao assunto. Verifica-se que muitas delas preocupam-se apenas com as demonstrações financeiras (BARALDI, 2005). O uso de artifícios isolados, como o castigo ou a recompensa de funcionários, ao invés de uma gestão planejada de riscos, leva muitos executivos ao caminho da improvisação, colocando suas empresas no rumo do fracasso (SOUZA, 2002, BARALDI, 2005). Quando comparada aos padrões internacionais, a situação do Brasil é ainda mais crítica (LEITE, 2008). Uma pesquisa realizada pela Deloitte, em 2007, com 283 executivos em 20 estados brasileiros, indicou que poucos são os administradores brasileiros que percebem a gestão de riscos como um instrumento capaz de reduzir custos e incrementar receitas (DELOITTE, 2007). Outro estudo concluído no mesmo ano, feito com gestores de 136 empresas 22 privadas no Brasil, revelou que a definição de risco não é única nem está disseminada por todos os setores das organizações pesquisadas. Apesar dos riscos operacionais serem citados entre os mais comuns por 75% dos entrevistados, há diversas barreiras internas, como desconhecimento do assunto, cultura resistente, burocracia, etc., que têm impedido a implantação de uma gestão de riscos eficaz (CICCO, 2007). Por fim, a existência de um gerente de risco não constitui uma prática comum, recaindo a responsabilidade frequentemente sobre o próprio presidente da organização (CANAL EXECUTIVO, 2010). Entre as empresas não-financeiras, o ambiente fabril é o mais suscetível a acidentes e aparentemente os riscos operacionais seriam mais facilmente identificados (GUSTAFSSON, 2008). Entretanto, muitas indústrias ainda adotam uma política reativa de gestão de riscos, de maneira que somente nas últimas quatro décadas é que um conjunto maior de ameaças vem sendo considerado. A abordagem como “prevenção de perdas” enfoca, inclusive, prejuízos relacionados com a legislação e o meio-ambiente (SOUZA, 2002; MANNAN e LEES, 2004). A governança corporativa, SOX e auditoria interna, por exemplo, já são percebidas como importantes ferramentas na gestão de riscos operacionais. De acordo com uma pesquisa realizada pela KPMG (Klynveld, Peat, Marwick e Goerdeler), em 2003, com 2.000 indústrias no Brasil, os riscos operacionais preocupam menos os executivos do que os riscos de mercado, porém, bem mais do que os riscos financeiros (KPMG, 2004). Vale ressaltar que, de acordo com Souza (2002), vive-se um momento de transição, de maneira que um comportamento antes apenas reativo tem cedido espaço para ações também de antecipação, muito embora seja longo ainda o caminho a percorrer. Com relação ao processo industrial em Pernambuco, percebe-se que a crise no setor açucareiro levou a um processo de desindustrialização, principalmente a partir da década de 1980, quando o seu PIB (Produto Interno Bruto) foi ultrapassado pelos estados da Bahia e Ceará (VERGOLINO e NETO, 2001). Entretanto, com a estabilização da economia brasileira, a partir do ano de 1995, e a retomada de projetos de infra-estrutura, como o Complexo 23 Industrial Portuário de Suape e o polo de agricultura irrigada nas margens do rio São Francisco, Pernambuco foi lançado em um novo ciclo de desenvolvimento (ALBUQUERQUE, 2005). Em 2010 o PIB pernambucano cresceu 9,3%, resultado maior que o verificado por outros estados nordestinos e acima também do Brasil. Esse desempenho tem projetado positivamente o nome do Estado, inclusive no exterior, o que tem facilitado a atração de novos investimentos e a implantação de obras de maior impacto. Recursos da ordem de R$ 60 bilhões estão previstos para até 2016, beneficiando principalmente o setor das indústrias de transformação, o qual, para o pleno funcionamento, gera efeitos positivos em cadeia, como melhoramentos nos setores energéticos e de transportes, inclusive navais (FIEPE, 2011b). Por conta da infra-estrutura anterior, três Regiões de Desenvolvimento de Pernambuco responderam particularmente bem aos novos investimentos. São elas: a Região Agreste Central, centralizada em Caruaru; a Região Metropolitana, capitaneada por Recife, e a Região São Francisco, liderada por Petrolina (GOVERNO DO ESTADO DE PERNAMBUCO, 2009). Conforme o Cadastro Industrial de Pernambuco 2011-2012 (FIEPE, 2011a), as três regiões citadas possuem um número bastante grande de indústrias de pequeno e médio portes, envolvendo especialmente as áreas de produção de alimentos, bebidas e vestuário. Como as indústrias pernambucanas, incluindo as pequenas e médias, necessitam entrar em sintonia com as regras de gerenciamento de riscos operacionais, sob pena de não se adequarem aos novos padrões internacionalmente exigidos, pergunta-se: Qual o grau de preocupação e a forma de gestão dos riscos operacionais das indústrias de alimentos, bebidas e vestuário, de portes pequeno e médio, nas desenvolvimento de Pernambuco? três regiões de maior 24 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivo Geral Descrever a forma de gestão de riscos operacionais das indústrias de alimentos, bebidas e vestuário, de portes pequeno e médio, nas três regiões de maior desenvolvimento do estado de Pernambuco, no último triênio, e o grau de preocupação com o seu controle. 1.2.2 Objetivos Específicos Identificar, na percepção dos gestores, qual o grau de importância dada à gestão dos riscos operacionais. Determinar quais as barreiras mais significativas que impedem maiores investimentos na gestão dos riscos operacionais. Levantar os riscos operacionais que mais preocupam tais organizações. Estabelecer a estrutura implantada para gerenciar os riscos operacionais. Descrever como as empresas estudadas lidam com os riscos operacionais. 25 1.3 Delimitação do estudo A escolha do campo de estudo recaiu sobre as organizações industriais em razão de estar esse setor exposto a uma grande quantidade de riscos, embora apresentem ainda um deficiente gerenciamento deles (SLACK, 1993). O estado de Pernambuco vem apresentando, nas últimas duas décadas, elevados índices de industrialização, notadamente em três Regiões de Desenvolvimento: Agreste Central, Metropolitana e São Francisco, o que justificou o recorte territorial selecionado. As indústrias de alimentos, bebidas e vestuário foram selecionadas por serem representativas das atividades de negócio nas três Regiões de Desenvolvimento estudadas (FIEPE, 2011a). Optou-se pelas pequenas e médias empresas porque, apesar de estarem suscetíveis a todos os tipos de riscos, elas possuem reduzidas estruturas de gestão (BARALDI, 2005), um fator que contribui para a sua elevada taxa de mortalidade (SEBRAE, 2007). As microempresas, cuja gestão de riscos está muito identificada com o proprietário-dirigente, em função da simplicidade dos processos e do pequeno número de funcionários (FONSECA, GOMES, SILVEIRA e TAVARES, 2007), bem como as grandes empresas, não presentes em todas as regiões estudadas, não foram incluídas na análise. 1.4 Justificativas 1.4.1 Justificativa Teórica A preocupação com a gestão de riscos operacionais é muito recente, remontando aos escândalos financeiros verificados no final do século XX. Embora tais riscos permeiem todas as atividades de negócios, as instituições 26 financeiras partiram na frente ao estabelecerem metodologias de controle específicas. Nos últimos anos é que o assunto tem recebido a devida importância dos demais segmentos empresariais, notadamente após a publicação, em 2009, da ISO 31000. Por conseguinte, os estudos disponíveis nessa área privilegiam o exame de riscos nas instituições financeiras e, quando muito, em grandes corporações empresariais. É de se destacar a dificuldade de se encontrar literatura que não aborde o problema por meio de estudo de caso, impossibilitando uma análise comparativa mais aprofundada. 1.4.1 Justificativa Prática Do ponto de vista prático, o presente trabalho mostra-se também relevante, pois a análise da gestão dos riscos operacionais: poderá contribuir para o estabelecimento de políticas de apoio à administração empresarial, por parte de órgãos competentes; poderá contribuir para os esforços de melhoria da gestão empresarial das empresas brasileiras, imersas em um ambiente com cada vez maior regulação e competição; por se tratar de abordagem quantitativa, seus resultados poderão ser extrapolados para além do escopo do projeto, ou seja, para outros setores empresariais, atividades, portes e regiões; pela carência de estudos similares, poderá tornar-se fonte comparativa para pesquisas futuras. 27 1.5 Definição dos termos Riscos operacionais – compreende o conjunto de riscos a que uma organização empresarial está exposta, com exceção dos riscos de crédito e de mercado (BCBS, 1998). Empresas de pequeno e médio portes – classificação de acordo com o número de empregados, conforme a definição do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para as indústrias: pequenas: de 20 a 99 empregados, médias: de 100 a 499 empregados (SEBRAE, 2007). Tais dados, por não envolverem informações sensíveis das empresas, são mais fáceis de obter e mais confiáveis. 28 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Riscos Riscos sempre existiram (LEITE, 2008), uma vez que a incerteza, mesmo a contragosto, faz parte da condição humana. A história do homem, aliás, é o registro das tentativas de compreender os eventos inesperados (KLOMAN, 2003). Assim, a atividade empresarial, enquanto exercício humano, não poderia estar dissociada da convivência com os riscos (BRITO, 2007). Segundo o Dicionário Aurélio (FERREIRA, 1999) a palavra risco, na acepção deste trabalho, vem do espanhol “risco”, que remete a “penhasco alto e escarpado”, ou seja, significaria “perigo ou possibilidade de perigo”. Por outro lado, Bernstein (1997) assegura que risco vem do italiano “risicare”, que significa “ousar.” Neste sentido, o risco não é um destino, mas uma escolha, podendo, portanto, levar ao fracasso ou ao sucesso, não constituindo algo inevitavelmente negativo. O conceito de risco, dessa forma, varia em função da ótica do autor e do ambiente em que o fenômeno está sendo observado (BARROS, 2007), ficando sujeito a várias interpretações (KLOMAN, 2003). Para Marshall (2002, p.19), por exemplo, risco pode ser definido “como o potencial de eventos ou tendências continuadas causarem perdas ou flutuações em receitas futuras.” Para Baraldi (2005, p.13), trata-se de “todos os eventos que impedem a empresa e as pessoas da empresa de ganharem dinheiro e respeito.” Santos (2002, p.23) e Brito (2007, p.3), menos prolixos, afirmam apenas que o “risco é a possibilidade de perda decorrente de um determinado evento.” Dada a diversidade e falta de consenso em relação aos conceitos e às terminologias utilizadas, a International Organization for Standardization (ISO) publicou em 2002, juntamente com a International Electrotechnical Commission (IEC), um conjunto de normas que ficou conhecido como ISO/IEC Guide 73, Risk Management - Vocabulary - Guidelines for use in Standards, ou 29 simplesmente ISO Guide 73 (CICCO, 2003). Este guia, aceito internacionalmente, estabelece uma linguagem comum para vocábulos, terminologias e conceitos genéricos e pode ser aplicado a todas as áreas e setores empresariais (FERNANDEZ, 2010). Conforme o ISO Guide 73 (ISO, 2009), o risco seria o “efeito de incertezas sobre os objetivos.” Por “efeito” entende-se o desvio do resultado esperado, tanto positivo quanto negativo. Já “incerteza” é referida como a carência, mesmo que parcial, de informações ou conhecimentos de um evento. Esta definição considera que a abordagem de risco gera oportunidades quando produz consequências positivas (FERNANDEZ, 2010). Santos (2002) esclarece que a análise de riscos pode, de fato, revelar novas oportunidades de negócios. Ele observa, ainda, que um evento de ameaça para uma empresa pode significar uma oportunidade para outra. O ISO Guide 73 também estabelece uma nítida distinção entre risco e incerteza, conceitos que ainda confundem muitos autores. Segundo Brito (2007), o risco está vinculado à aleatoriedade, e a incerteza, ao acaso. Assim, enquanto o risco se aplica a uma situação que, embora não certa, se pode fazer uma estimativa, a incerteza não permite elaborar uma previsão nem sobre bases probabilísticas (KNIGHT, 1972; MARSHALL, 2002). Por outro lado, Poincaré apud Gleick (1990) alertou que “uma causa muito pequena, que nos passa despercebida, determina um efeito considerável que não podemos deixar de ver, e então dizemos que o efeito é devido ao acaso”, isto é, um risco não conhecido, por menor que seja, representa uma incerteza que pode trazer consequências imensas. Como sempre existirá certo grau de desconhecimento afetando os processos empresariais (MARINS, OLIVEIRA e ROCHA, 2006), resta gerenciar com eficácia as incertezas, bem como os riscos e as oportunidades a elas associadas, para que novos valores sejam agregados ou a possibilidade de perdas seja reduzida (BRASILIANO, 2009). Uma empresa é, em essência, uma alternativa de investimento de risco (SANTOS, 2002), de maneira que o próprio lucro depende da parcela de ignorância que temos do futuro (KNIGHT, 1972). 30 Enfim, “a exposição só pode ser eliminada se nenhum negócio é feito”1 (WILSON, 2001, p.393), ou, ainda, como brinca Culp (2002), o risco de não ser atropelado só pode ser evitado completamente se deixarmos de andar pelas ruas. Existem, por fim, vários tipos de riscos, como os de liquidez, de crédito, de mercado, legais, etc. Entretanto, a tentativa de esgotar todos os possíveis riscos torna-se inviável, pois diversos deles são específicos a cada ramo de atividade empresarial e, por outro lado, novos riscos estão constantemente surgindo (SANTOS, 2002). 2.2 Evolução dos Riscos A partir das últimas décadas do século passado grandes mudanças têm sido presenciadas em todo o mundo, provocando amplos impactos sobre as empresas (MARINS, OLIVEIRA e ROCHA, 2006). A difusão de novas tecnologias, a expansão das comunicações e das redes de informação, além da crescente mobilidade de capital e trabalho, inauguraram um intenso período de reformulações por parte das organizações (BROHAWN, 1998). As incertezas aumentaram e o descuido com os riscos, antigos ou novos, causou grandes bancarrotas empresariais desde então (SANTOS, 2002). As instituições financeiras, atuando em mercados de maior volatilidade, de alta competitividade e de fortes turbulências (CASTANHEIRA, 2005), passaram a encarar situações de risco com muito mais frequência (BRITO, 2007). Esta questão é bastante séria, uma vez que a fragilidade bancária de um país pode ameaçar a sua estabilidade financeira (COIMBRA, 2008). Assim, com a coordenação do Banco Internacional de Compensações (BIS), sediado na cidade suíça da Basiléia, foi fundado o Basel Committee on Banking Supervision (BCBS) ou Comitê da Basiléia de Supervisão Bancária, o qual contou com a participação dos bancos centrais e supervisores bancários dos 1 Do original, em inglês: Exposure can only be eliminated if no business is done. 31 seus países membros2. Este Comitê lançou, em julho de 1988, o International Convergence of Capital Measurement and Capital Standards, o chamado Acordo da Basiléia ou, simplesmente, Basiléia I (BCBS, 1988). Este Acordo previa o estabelecimento de metodologia de mensuração e alocação de capital mínimo para fazer frente aos riscos de crédito, isto é, os riscos envolvendo o não recebimento dos capitais empregados nas operações ativas (COIMBRA, 2008). Buscava, também, incentivar a adoção de boas práticas inclusive em países não-membros para, dessa forma, reforçar a solidez e a estabilidade de todo o sistema bancário internacional (BCBS, 1988). O Basiléia I acabou adotado, em maior ou menor grau, em cerca de cem países, tornando-se referência para a supervisão bancária em todo o mundo, inclusive no Brasil (COIMBRA, 2008). É importante citar que o Comitê da Basiléia estabeleceu apenas patamares mínimos, deixando livres as autoridades de cada país para implantar limites de capital mais elevados, se julgados necessários. Outro ponto de destaque é que, já naquela época, o documento chama a atenção para “outros riscos”, como os riscos de “taxa de juros” e os de “investimentos em valores mobiliários”, assegurando que, mesmo não recomendando de imediato a alocação de capital para tais finalidades, analisaria posteriormente a questão (BCBS, 1988). Em janeiro de 1996 o Acordo da Basiléia foi, de fato, alterado. A publicação da Amendment to the Capital Accord to Incorporate Market Risks definiu que aos riscos de crédito fossem agregados os riscos de mercado, isto é, os riscos de perdas resultantes das oscilações dos preços, incluídas aí variações nas taxas de juros e flutuações cambiais. Assim, o cálculo do capital mínimo alocado, ou “Índice de Basiléia” passou a considerar também estes riscos (BCBS, 1996). Tais medidas, porém, não evitaram os desastres financeiros ocorridos na década de 1990, em instituições financeiras ou não. Como exemplo, 2 O chamado G10, que formava o Comitê da Basiléia, envolvia onze países: Bélgica, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Holanda, Suécia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos. Um país não-membro, Luxemburgo, também participou como convidado (BCBS, 1988). 32 podemos citar: Crédit Lyonnais, Morgan Grenfell, Daiwa Bank, Barings Bank, Sumitomo, Metallgesellschaft, Orange County, entre outras. Já na virada do século XXI, ficaram conhecidos os casos da Enron, da Arthur Andersen e da Parmalat (MARSHALL, 2002; SANTOS, 2002; COIMBRA, 2008). Observou-se, no entanto, que os problemas não estavam ligados diretamente aos riscos de crédito ou de mercado, ainda que estes desempenhassem papel importante (COIMBRA, 2008). As causas principais foram atribuídas a outros fatores, os então denominados “riscos não-medidos” (POWER, 2003). Por outro lado, vários autores (CAGAN, 2001, COIMBRA, 2008, GUSTAFSSON, 2008, JAMESON, 2001, et al.) defendem que o colapso do Barings Bank foi, por si só, determinante para o estabelecimento do chamado “risco operacional.” Power (2003) sugere que Nick Leeson, o causador da operação fraudulenta no Barings, poderia até ser considerado o inventor involuntário desse novo risco, uma vez que se tornou impossível falar de risco operacional sem mencionar suas ações como exemplo. Posteriormente, o Comitê de Supervisão Bancária, por meio de novo ajuste no Acordo da Basiléia, tornou-se um dos primeiros grupos a reconhecer explicitamente a relevância desse tipo de risco (NETTER e POULSEN, 2003). Portanto, apesar do termo “risco operacional” ter sido utilizado antes de 1995, ano da falência do Barings, somente após este fato, e por conta do Comitê da Basiléia, é que ele assume status institucional (POWER, 2003). 2.3 Riscos Operacionais Nick Leeson, funcionário ambicioso do Barings Bank, a mais antiga instituição financeira em atividade no mundo, foi destacado para abrir um escritório e operar no mercado de derivativos em Cingapura, que constituía, à época, um dos “tigres asiáticos.” Seu desempenho inicial foi impressionante, elevando o lucro dos acionistas e presenteando os executivos com elevados bônus por conta dos resultados obtidos. Entretanto, com uma equipe 33 inexperiente, para poder pagar salários menores, Leeson acabou quebrando as regras tradicionais e passou a especular sem autorização, utilizando-se de uma conta fantasma. Quando a auditoria interna questionou algumas transações, ele alegou que eram posições assumidas em nome de um cliente secreto que não queria aparecer. A alternância entre ganhos e perdas continuou até que baixas sucessivas da bolsa de valores Nikkei de Tóquio, agravadas inclusive por um terremoto, tornaram os prejuízos irreversíveis. Quando a notícia foi divulgada, uma chuva de boatos e desconfianças deixou o mercado nervoso, fazendo as ações despencarem e elevando vertiginosamente o rombo (A FRAUDE, 1998). Em consequência, com 233 anos de história e fiel depositário de parte da riqueza pessoal da monarquia britânica (SANTOS, 2002), o Barings Banks amargou perdas de cerca de 1,6 bilhões de dólares americanos e, completamente falido, acabou sendo vendido pela simbólica quantia de uma libra esterlina (MARSHALL, 2002). Ao contrário do que sugere Culp (2001), o evento relatado não diz respeito a risco de mercado, uma vez que o funcionário desonesto assumiu posições não autorizadas, de maneira fraudulenta e com valores em risco bem acima do que a instituição poderia suportar (CAGAN, 2001, GOODHART, 2001, GUSTAFSSON, 2008, JAMESON, 2001). Assim, o termo “risco operacional” foi utilizado, provavelmente pela primeira vez, para tentar explicar o surpreendente colapso da instituição (COIMBRA, 2008). Das muitas conclusões que foram tiradas do caso, duas se destacam. Primeiramente, o Barings Bank subestimou os perigos de permitir que um único funcionário, em um escritório distante da sede e precariamente controlado, acumulasse as funções de agente de negócios e de supervisão. Os administradores do Barings acreditaram que os riscos envolvidos eram pequenos e, para desagradável surpresa deles, descobriram tardiamente que estavam enganados (CAGAN, 2001, IOSCO, 1998). A segunda conclusão é com relação ao próprio Comitê da Basiléia, para o qual, até então, a reserva de capital relacionada ao risco de crédito atenderia “todos os outros riscos” (CAGAN, 2001). O fato é que ainda não havia, em nenhuma instituição no mundo, meios de prever o risco operacional (GOODHART, 2001). A partir daí, 34 porém, as empresas começaram a reconhecê-lo como um risco independente e com potencial de destruição suficiente para justificar a necessidade de ele ser gerenciado adequadamente pelas organizações (GUSTAFSSON, 2008, NETTER e POULSEN, 2003). Na verdade, o risco operacional sempre esteve presente nos negócios, tanto em instituições financeiras quanto nos demais tipos de empresas (COIMBRA, 2008), uma vez que ele constitui a condição existencial de uma organização (AERTS, 2001). Entretanto, era mais fácil enxergá-lo quando interferia diretamente na cadeia de produção, quando, por exemplo, revelavase por meio da quebra de algum equipamento fabril (GUSTAFSSON, 2008). Somente nas duas últimas décadas é que livros foram lançados, conferências foram realizadas e novas profissões foram criadas, como a de gerente de risco operacional, fazendo com que os estudos sobre o assunto começassem a se desenvolver. Assim, a sua abordagem veio como um ponto de ruptura e como resultante de diferentes pressões para a mudança (POWER, 2003). Em síntese, “o risco operacional não é um risco novo... O que é recente é a ideia de que a gestão do risco operacional é uma disciplina com a sua própria estrutura, ferramentas e processos, tal quais os riscos de crédito e de mercado”3 (BBA, ISDA e RMA, 2000, p.1). O risco operacional surgiu como uma categoria de risco residual (POWER, 2003), definido como qualquer risco não classificado como de crédito ou de mercado (BCBS, 1998, GOODHART, 2001). Assim, seu conceito pode ser tão amplo que pode ser encontrado em quase tudo (CULP, 2001). Algumas particularidades tornam o risco operacional extremamente difícil de definir (GOODHART, 2001). Em primeiro lugar, é comum a confusão entre risco de negócio e risco operacional, pois muitas vezes este último está ligado aos riscos de crédito e de mercado (NETTER e POULSEN, 2003). Cabe ressaltar que, ao contrário dos riscos financeiros, riscos operacionais elevados não implicam em maiores retornos potenciais, já a redução na exposição deste 3 Do original, em inglês: Operational risk is not new... What is new is the idea that operational risk management is a discipline with its own management structure, tools, and processes, much like credit or market risk. 35 risco significa normalmente aumento da eficiência e diminuição dos custos (COIMBRA, 2008). Observa-se, ainda, que, também em oposição aos riscos de crédito e de mercado, normalmente isolados em áreas especificas, o risco operacional é inerente a todos os processos envolvidos no negócio (HARMANTZIS, 2003), possuindo, portanto, característica descentralizada (BBA, ISDA e RMA, 2000). Outra questão é que os riscos operacionais estão presentes em todas as empresas, sejam elas grandes ou não, com elevados níveis de controle ou não, detentoras de alta tecnologia ou não (COIMBRA, 2008). Como consequência, o grau de importância dos riscos depende fortemente da estratégica adotada por cada organização (CULP, 2001). Devese, enfim, ter em conta que diferentes tipos de negócios envolvem necessariamente diferentes riscos operacionais (GOODHART, 2001). Por todas estas questões, os riscos operacionais são os mais complexos (GUSTAFSSON, 2008) e os mais difíceis de prever, constituindo, também, os mais devastadores (POWER, 2003). Apesar de muitas vezes representarem um enigma para os gestores, está claro que os riscos operacionais, quando bem gerenciados, liberam recursos e capitais para serem aplicados em outras fontes geradoras de receitas (HARMANTZIS, 2003). De acordo com Wilson (2001), o investimento em riscos operacionais pode trazer os seguintes benefícios: evitar perdas impactantes, reduzir grande número de pequenas perdas, incrementar os lucros, aumentar a satisfação dos stakeholders, aprimorar a gestão do conhecimento e do capital intelectual dentro da empresa, entre outros. Não obstante, percebe-se que os riscos operacionais continuam recebendo menor ênfase que os riscos de crédito e de mercado (COIMBRA, 2008). Observou-se, porém, que muitas empresas não-financeiras, notadamente as de menor porte (CULP, 2001), estavam ainda voltadas para a gestão de produtos, de maneira que só recentemente começaram a considerar os riscos de crédito e de mercado (NETTER e POULSEN, 2003). O cargo de gerente de riscos, por exemplo, veio aparecer nos organogramas das companhias americanas somente a partir do ano de 1995 (SANTOS, 2002). Por outro lado, em razão de sua natureza altamente suscetível às mudanças 36 (NETTER e POULSEN, 2003), diversas instituições financeiras passaram a alocar recursos significativos para identificar, medir e controlar os riscos operacionais (HARMANTZIS, 2003). Mesmo assim, não havia consenso sobre a abordagem e sobre as metodologias utilizadas (BBA, ISDA e RMA, 2000). Preocupado com a questão, um grupo de trabalho do Comitê da Basiléia realizou uma pesquisa com trinta grandes bancos, localizados nos países membros, buscando entender como os riscos operacionais estavam sendo abordados na prática (AERTS, 2001, POWER, 2003, WILSON 2001). Os resultados foram publicados em 1998, por meio do documento “Operational Risk Management”. Os casos de perdas financeiras mais citados foram aqueles relacionados a falhas em controles internos e governança, envolvendo erros, fraudes ou não conclusão de tarefas em tempo hábil. Outros aspectos importantes apontados foram os prejuízos causados por deficiências em sistemas de tecnologia da informação e por eventos raros, porém impactantes, como incêndios e outras catástrofes (BCBS, 1998). O relatório concluiu que a consciência do risco operacional entre os diretores e os demais funcionários das instituições financeiras estava aumentando, inclusive com a implantação de sistemas de medição de riscos e com incentivos para boas práticas de gestão. Entretanto, muitos bancos afirmaram que estavam apenas iniciando o acompanhamento desse tipo de risco, cuja distinção das demais categorias só recentemente fora compreendida. Outras reclamaram que, diferentemente dos riscos de crédito e de mercado, os fatores que incidem sobre os riscos operacionais estão, em grande parte, dentro das organizações, e elas não possuíam ainda uma série temporal de dados históricos sobre as suas próprias perdas e suas causas. Por outro lado, apesar dos bancos pesquisados terem desenvolvido ou estarem desenvolvendo medições envolvendo um conjunto de fatores semelhantes, estaria ainda muito longe a convergência para um modelo padrão (BCBS, 1998). Em outro estudo, realizado com 55 instituições financeiras (BBA, ISDA e RMA, 2000), ficou constatado que muitos bancos tinham uma definição própria 37 de risco operacional, e que eles a alteravam, com adições, exclusões ou ênfases, para que melhor refletissem as suas particularidades individuais. Wilson (2001), enfim, detectou três níveis de abordagens sobre a definição de riscos operacionais. A primeira é uma visão ampla, onde o risco operacional é definido como tudo o que escapa dos riscos de crédito e de mercado. A vantagem desse entendimento é que ele consegue abarcar todos os fatores que expõem a organização a riscos. A desvantagem é que torna difícil a identificação, medição e controle dessa gama de elementos, inviabilizando, muitas vezes, a alocação de recursos. A segunda é uma visão estreita, ou seja, o risco operacional seria somente aquele associado diretamente ao “departamento operacional”, o que permite fácil gerenciamento, porém, deixa muitos fatores de fora. A terceira opção é intermediária e afirma que os riscos operacionais são apenas os que a empresa pode controlar, deixando de fora aqueles que estão sob influência externa como, por exemplo, os que envolvem decisões de órgãos reguladores e concorrentes. Esta terceira via foi bem aceita por muitos bancos, pois, ao tempo que permite melhor dimensionamento dos custos com a implantação do modelo, consegue definir melhor as fronteiras dos riscos a que eles se propõem mitigar. O Comitê da Basiléia de Supervisão Bancária passou a buscar um modelo padrão de riscos operacionais e, nos anos seguintes, emitiu duas edições de um documento denominado “Sound Practices for the Management and Supervision of Operational Risk” (BCBS, 2001a e BCBS, 2003a), onde indica, entre outras sugestões, princípios de boas práticas para uma gestão adequada de riscos. No mesmo período, desenvolveu as bases para o estabelecimento de um novo acordo, onde as regras de abordagem do risco operacional para instituições financeiras fossem finalmente definidas. O Comitê emitiu previamente dois documentos de consulta, denominados “The New Basel Capital Accord”, (BCBS, 2001b e BCBS, 2003b), mas o modelo revisado e definitivo só foi publicado em junho de 2004 com o título “International 38 Convergence of Capital Measurement and Capital Standards” (BCBS, 2004) e que ficou conhecido como Basiléia II4. O modelo de gestão de risco proposto neste último Acordo será discutido no próximo tópico. Entretanto, é importante citar que o Comitê da Basiléia publicou também a sua definição de risco operacional. Segundo a organização, risco operacional é o “risco de perda em decorrência de falhas ou inadequações internas relacionadas a processos, pessoas, sistemas ou eventos externos”5 (BCBS, 2006b, p.3). Este conceito, na verdade, constitui uma síntese de outras definições já existentes6. De qualquer forma, o documento lista, na categoria de “operacionais”, outros riscos além dos processos internos de cada organização. O fator “pessoas” tende a estar presente em grande parte das perdas, seja por erro ou intenção, e alguns exemplos são: falha pontual, fraude, qualificação insuficiente e conduta antiética. As perdas devido a sistemas envolvem falha, desatualização, incompatibilidade ou obsolescência de software e hardware, instalações inadequadas, suporte de comunicação insatisfatório, entre outros (COIMBRA, 2008). Já os eventos externos são muitas vezes responsáveis por grandes prejuízos, como, por exemplo, aqueles causados por catástrofes, sejam elas naturais ou não (BRITO, 2007). Desde as primeiras publicações sobre o Novo Acordo da Basiléia, diversos autores analisaram o assunto. Gigerenzer (2002) criticou o fato de a definição possuir uma visão negativa de risco, colocando-o somente como uma possibilidade de perda e não também como uma oportunidade. Por outro lado, concluiu-se que, apesar de tal conceito incluir o risco legal 7, exclui os riscos estratégicos e os de reputação (COIMBRA, 2008, NETTER e POULSEN, 2003, 4 A versão integral e definitiva somente foi publicada em 2006. Porém, poucas alterações foram introduzidas em relação aos documentos já conhecidos, ficando 2004 como o ano do estabelecimento do Basiléia II. Ver “International Convergence of Capital Measurement and Capital Standards - A Revised Framework - Comprehensive Version (BCBS, 2006a). 5 Do original, em inglês: The risk of loss resulting from inadequate or failed internal processes, people and systems or from external events. 6 Por exemplo, conforme BBA, ISDA e RMA, Operational risk is the risk of direct or indirect loss resulting from inadequate or failed internal processes, people, and systems or from external events. (BBA, ISDA e RMA, 2000, p.1) 7 O risco legal é a perda ou o ganho decorrente de pareceres ou documentos legais inadequados ou incorretos, bem como devido a questões jurídicas envolvendo a instituição (BCBS, 1997). 39 POWER, 2003). Os riscos decorrentes de decisões empresariais, ou estratégicos, estavam implícitos em deliberações anteriores do Comitê da Basiléia. Porém, em razão das especificidades envolvidas, não houve consenso pela sua inclusão no rol dos riscos operacionais (BBA, ISDA e RMA, 2000, CAGAN, 2001). Já o risco de reputação, aquele decorrente de veiculação de informações que afetam a imagem da empresa (BRITO, 2007), não é de fácil quantificação, o que torna complicada a alocação de recursos para proteger a empresa de possíveis perdas. Assim, foi acatada a sugestão de também deixá-lo de fora dos riscos operacionais (CAGAN, 2001, POWER, 2003). Vale acrescentar que esta definição constitui apenas uma ferramenta para a gestão dos riscos operacionais, cabendo a instituição adaptá-la e utilizála da melhor maneira possível (CAGAN, 2001). Portanto, a estratégia sugerida não é a de tentar identificar todos os riscos operacionais, mas a de atuar sobre aqueles julgados mais importantes, ou seja, os que podem afetar com maior relevância o valor da organização (NETTER e POULSEN, 2003). Por outro lado, se algum risco apresentar potencial de impacto particularmente significativo, ele pode ser apartado da análise conjunta dos riscos operacionais e receber tratamento específico. É o caso, por exemplo, do risco tecnológico, o qual é visto por muitos bancos como uma categoria isolada, sendo abordado separadamente dos outros riscos (BCBS, 1998). Essa possibilidade é importante para que a abordagem dos riscos operacionais, conforme alertou Goodhart (2001), não se converta em uma “cortina de fumaça” que supostamente justifique a não alocação de outros recursos para determinados riscos considerados fundamentais. Portanto, o risco operacional não é uma categoria fechada nem um conjunto de práticas bem definidas (POWER, 2003). Porém, a sua boa gestão possibilita que os eventos de perdas ocorram com frequência e intensidades aceitáveis (WILSON, 2001). Assim, a gestão de riscos operacionais não só contribui para o cumprimento das exigências dos órgãos supervisores, mas também para a própria sobrevivência da empresa (COIMBRA, 2008). 40 Por fim, mesmo que um número cada vez maior de empresas, inclusive não-financeiras, esteja buscando a abordagem desse tipo de risco como forma de evitar os seus efeitos potencialmente devastadores (AERTS, 2001), muitas áreas ainda faltam ser exploradas (BBA, ISDA e RMA, 2000). De qualquer maneira, como lembra Power (2003, p.3), “onde antes nada havia, agora há alguma coisa”.8 2.4 Gestão de Riscos Operacionais Como os riscos permeiam todos os níveis de atividades produtivas, o adequado gerenciamento de riscos corporativos, ou ERM (Enterprise Risk Management), torna-se fundamental não apenas para determinar até que ponto as organizações aceitam suportá-los, mas também para melhor se identificar oportunidades no processo (BRASILIANO, 2009). Conforme Baraldi (2005), o gerenciamento de riscos corporativos envolve os conhecimentos, os métodos e os processos organizados para reduzir os prejuízos e aumentar os benefícios na concretização dos objetivos estratégicos. Dentre os tipos de riscos enfrentados pelas empresas, os estudos sobre os riscos operacionais são os menos adiantados (MARSHALL, 2002). Baraldi (2005, p.66) sugere que “uma das formas de gerenciar os riscos operacionais é estimar efeitos e probabilidade de ocorrência de erros com base nas particularidades de cada empresa, e daí criar bases históricas e metas para melhoria de desempenho”. Porém, se os riscos operacionais são extraordinariamente difíceis de definir, são também particularmente difíceis de estimar, tanto em termos de probabilidade de ocorrência, como em perdas resultantes deles (GOODHART, 2001). Não existe uma relação direta entre os fatores de riscos operacionais e o tamanho e a frequência das perdas, situação diferente dos riscos de crédito e de mercado, onde as variáveis, como as 8 Do original, em inglês: where there had once been nothing, there is now something. 41 mudanças nos preços, nas taxas de juros e na qualidade das carteiras de crédito, são mais facilmente observáveis (BCBS, 1998). As técnicas de medição do risco operacional se apresentam de duas maneiras: de cima para baixo, ou top-down, e de baixo para cima, ou bottomup. A modalidade top-down, elaborada a partir dos administradores, tem as seguintes vantagens: é mais simples de implantar, utiliza indicadores agregados, exige menos recursos, atinge toda a empresa e é mais facilmente usada para a conformidade dos processos junto aos órgãos reguladores. No entanto, as soluções são generalizadas e podem não atender as necessidades de determinados setores como, por exemplo, as áreas de negócios. A ênfase no passado, muito centrada em dados históricos, pode ainda dificultar a visão de futuro. Por outro lado, a análise bottom-up está mais próxima dos riscos existentes em cada etapa do negócio, melhor auxiliando, assim, o gestor de risco. A dificuldade desta opção reside na necessidade de bases de dados extensas e detalhadas, uma vez que utiliza indicadores desagregados em vários outros subitens, cujos resultados terão que ser integralizados, por meio de modelos complexos, para que as conclusões possam ser extrapoladas para toda a organização. Em todo caso, estas duas técnicas não são excludentes e podem, em muitos casos, serem integradas de acordo com os objetivos da organização (BRITO, 2007, MARSHALL, 2002, WILSON, 2001). Entretanto, Harmantzis (2003) alerta que, quando se trata de riscos operacionais, os dados não são abundantes nem coerentes. As definições do que constitui uma perda operacional podem diferir de instituição para instituição ou até mesmo entre departamentos de uma mesma empresa. Por outro lado, sustenta o autor, é pouco provável que uma única organização tenha experimentado um número de eventos suficientes para construir sozinha um conjunto de dados úteis. Assim, terá necessariamente que buscar informações externas, o que torna o problema ainda mais desafiador, pois estaremos falando em confiabilidade de dados oriundos de empresas de diferentes mentalidades, estruturas de controle, culturas e até de países distintos. Esta atitude, porém, traz o efeito positivo de ampliar os conhecimentos do negócio para além das próprias fronteiras. 42 Mesmo após ser estruturada uma base de dados históricos, existe ainda a possibilidade de ela tender para as ocorrências de maiores perdas ou para aquelas mais conhecidas, deixando na sombra elementos importantes, como, por exemplo, os eventos de quase-perda, aqueles que por pouco não se concretizaram (GOODHART, 2001). Vários autores concordam, no entanto, que a gestão de riscos operacionais, das suas causas e consequências, bem como da percepção de oportunidades, passam pelas etapas de identificação, medição e análise (BCBS, 1998, CAGAN, 2001, CULP, 2001). Ou seja, a instituição deve conhecer os perigos a que está exposta, definir o seu apetite aos riscos, com base em objetivos estratégicos, e avaliar os meios de mitigá-los, levando em conta os custos e benefícios envolvidos (ISDA, 2000). 2.4.1 Identificação de Riscos Operacionais A identificação não é simplesmente um aspecto importante na gestão de riscos operacionais, mas o princípio orientador e constitutivo (POWER, 2003). Perceber o que pode dar errado é, para Gustafsson (2008), a parte mais difícil do trabalho. Conforme Marshall (2002), deve-se inicialmente mapear os processos e recursos, percorrendo toda a cadeia do negócio, para, na sequencia, proceder à descrição e análise deles. Na avaliação final, faz-se necessário também elaborar um benchmark, de acordo com os objetivos estratégicos do negócio e da empresa. Uma vez identificados os riscos e perigos, o próximo passo é recolher os dados e quantificar (POWER, 2003). 2.4.2 Medição de Riscos Operacionais Medir riscos operacionais significa estimar a probabilidade de uma perda acontecer e o tamanho potencial dessa perda (BCBS, 1998, GUSTAFSSON, 43 2008). O produto da probabilidade de ocorrência de uma perda e o seu impacto é denominado de criticalidade e, conforme Marshall (2002), consiste na medida mais simples de se medir um evento. De um modo geral, quanto maior o impacto, menor a probabilidade, e vice-versa. Assim, os eventos de risco maior, grande probabilidade e grande impacto, devem ser afastados da organização, seja por meio de mudanças nos processos ou até mesmo pelo abandono do negócio. A área de baixo risco, baixa probabilidade e baixo impacto, é a posição ideal e desejável para a empresa, cuja pouca relevância dos eventos não justifica o investimento em custos adicionais. Restam as situações intermediárias, consideradas de riscos médios, que é onde a gestão de riscos deve atuar (vide Figura 1). Figura 1: Probabilidade versos Impacto e suas implicações. Fonte: Elaborada pelo autor a partir de Marshall, 2002. A probabilidade de um evento é diretamente proporcional ao número de ocorrências do evento durante determinado tempo, ou seja, à sua frequência (MARSHALL, 2002). Dessa maneira, maior frequência e menor impacto, que geram perdas de menor vulto, prestam-se melhor às análises estatísticas, sendo, portanto, mais fáceis de lidar. Por outro lado, quando há baixa frequência e alto impacto, os chamados eventos raros, os resultados podem ser catastróficos (BCBS, 1998, WILSON, 2001). De todo modo, alguns eventos raros podem ser perfeitamente previsíveis, possibilitando o uso de instrumentos para antecipá-los (TALEB, 2009). Observa-se, ainda, que a simples elaboração de um banco de dados e a tentativa de encaixar uma causa a cada um deles, sem uma metodologia previamente definida, torna-se tarefa inócua, uma vez 44 que uma perda pode estar relacionada a várias causas e tal análise restaria altamente subjetiva (WILSON, 2001). 2.4.3 Análise de Riscos Operacionais Após a identificação e a mensuração, o próximo passo é analisar os riscos operacionais por meio das atividades de monitoramento, comunicação e mitigação (ISDA, 2000). Os riscos devem ser continuamente monitorados e os relatórios periódicos gerados devem ser capazes de possibilitar a tomada de decisão pelos gestores (MARSHALL, 2002). Já as resoluções relativas à mitigação dos riscos precisam estar adequadas às estratégias da instituição e serem passíveis de implantação (ISDA, 2000). Assim, a empresa pode decidir por administrar os riscos, ou seja, conviver com eles, evitar, mudando ou aperfeiçoando os processos, ou transferir parcialmente, por meio de seguro, hedge ou fiança (BARALDI, 2005). Qualquer uma dessas opções envolve necessariamente o financiamento de risco, seja para o caso de aceitar, evitar ou transferir o efeito de perdas potenciais. Este custo deve também ser dimensionado (MARSHALL, 2002). Em síntese, a gestão de riscos operacionais envolve um processo contínuo de identificação, medição e análise, que ajuda a integrar os riscos financeiros e não-financeiros, e que deve produzir, portanto, respostas gerenciais eficazes a diferentes riscos (MARSHALL, 2002). 2.4.4 Ferramentas de Gestão de Riscos Operacionais Padrões quantitativos e qualitativos têm sido propostos para a gestão dos riscos operacionais. Esta última abordagem envolve boas práticas no campo operacional e especificam diretrizes para a avaliação da qualidade de 45 processo e de controle. Os estudos nesta área estão bem mais avançados. Entretanto, a abordagem quantitativa se faz igualmente importante, uma vez que o volume de capital alocado para proteção dos eventos de perdas, muitas vezes exigido por órgãos reguladores, é também estimado com base em avaliações objetivas (MARSHALL, 2002). 2.4.4.1 Abordagem Quantitativa Algumas instituições perceberam que os custos de investigar e corrigir problemas relativos a determinados eventos de perda superavam os possíveis prejuízos decorrentes deles (BCBS, 1998). Surgiu, assim, a necessidade de se estabelecer modelos econômicos racionais para auxiliar o aporte de capital adequado (POWER, 2003). Uma técnica sugerida foi o Value at Risk, ou VaR, que é a máxima perda esperada para um evento, com determinada probabilidade, dentro de um certo período de tempo (HARMANTZIS, 2003). Entretanto, como os principais fatores requeridos são os dados históricos, esta não se mostrou uma solução satisfatória para os riscos operacionais (THINKFN, 2010). Como foi visto, a primeira dificuldade relativa a esse tipo de risco é a obtenção de dados (BCBS, 1998, NETTER e POULSEN, 2003), pois quanto menor a frequência, mais informações serão necessárias. Por exemplo, eventos de elevado risco e baixa probabilidade, como calamidades naturais, epidemias ou desastres econômicos, possuem frequências tão baixas que exigiriam várias décadas de dados para validar as hipóteses (THINKFN, 2010). Como a gravidade do evento costuma ser inversamente proporcional à sua frequência, o cálculo seria impossível. Em suma, a probabilidade por si só não importa. Ela pode ser muito pequena, mas suas consequências não. Um evento por século, por exemplo, pode arruinar um negócio (TALEB & PILPEL, 2007). O Comitê da Basiléia, após realizar levantamento junto a grandes bancos, concluiu que eles tendiam a aplicar 20% do seu capital social para se precaver contra riscos operacionais, o que não era um procedimento 46 adequado, considerando que cada banco muito provavelmente definia os seus riscos de maneira diferente (GOODHART, 2001) e, também, que a relação entre tamanho da empresa e capital alocado não é linear (ISDA, 2000). Para incluir estes riscos no cálculo do Índice de Basiléia, o acordo conhecido por Basiléia II (BCBS, 2004) definiu três modelos possíveis para se medir os riscos operacionais em instituições financeiras. O primeiro deles é o Método do Indicador Básico (Basic Indicator Approach), que exige uma proporção direta, definida em 15%, sobre a receita bruta. Esta medição carrega a vantagem da simplicidade, porém, não considera os diferentes graus de riscos entre os diferentes tipos de negócios realizados (GOODHART, 2001). Wilson (2001), inclusive, considera que a dependência do cálculo a um único número pode constituir, por si só, outro risco operacional. O segundo modelo é o Método Padronizado (Standardised Approach), o qual é calculado mediante a soma dos riscos individualizados dos diferentes negócios da instituição. Apesar de representar ainda uma ferramenta simples, consegue refletir a variação dos riscos envolvidos. A mais completa opção, porém, é a Mensuração Interna/Avançada (Internal/Advanced Measurement Approach), onde são usadas informações históricas de perdas internas, categorizadas segundo uma prévia classificação e coletadas nas diversas linhas do negócio (BCBS, 2004, BRITO, 2007). Assim, as instituições poderão disponibilizar mais ou menos capital para cobrir estes riscos, dependendo da sofisticação do modelo adotado (CAGAN, 2001). Entretanto, medir o risco operacional não é o mesmo que gerenciar. Ou seja, quantificar o que é possível e negligenciar o resto não é uma prática recomendável, fazendo-se necessário integrar os modelos de capital com outras técnicas de gestão (CAGAN, 2001). A quantificação, portanto, é uma ferramenta de gerenciamento de risco, mas não a única (POWER, 2003). O próprio Comitê da Basiléia já havia admitido que a análise dos fatores de riscos devesse considerar as avaliações qualitativas (BCBS, 1998), de maneira que o modelo de Mensuração Interna/Avançada, estabelecido no Basiléia II, explicitou definitivamente esta condição (BCBS, 2004). 47 Cabe ressaltar que os métodos quantitativos aqui descritos buscam definir capital regulatório para as chamadas perdas inesperadas, como falhas, fraudes, etc. As perdas esperadas, ou seja, aquelas decorrentes do próprio risco do negócio, devem ser explicitamente orçadas e cobertas pelas receitas contínuas da empresa, não requerendo, teoricamente, de gestão adicional de risco (MARSHALL, 2002). Além dessas, porém, existem as perdas catastróficas, eventos raros com grande potencial de dano, os quais só podem ser reduzidos por meio de controles internos ou por contratação de seguro, quando possível (CAGAN, 2001, HARMANTZIS, 2003, POWER, 2003). Curiosamente, o evento raro muitas vezes só acontece porque, pela lógica usual, não deveria ocorrer (TALEB & PILPEL, 2007). Como exemplo, Power (2003) retoma o caso Barings, o qual denomina de “paradigma do funcionário desonesto.” O autor concorda com Jameson (2001) ao afirmar que, mesmo se já estivesse sob as regras de alocação de capital, dificilmente o Barings teria se salvado. Cagan (2001) esclarece que os riscos envolvendo as ações do funcionário desonesto foram considerados menores e conclui que o fato demonstra que certos riscos podem facilmente cruzar as fronteiras conceituais. Por todas estas questões, cada vez mais se requerem modelos de gestão de riscos operacionais que combinem abordagens quantitativas e qualitativas, de tal modo que as medições sejam feitas também em palavras e não apenas em números (WILSON, 2001). 2.4.4.2 Abordagem Qualitativa Os escândalos financeiros ocorridos a partir do final do século passado, envolvendo empresas consideradas modelos de corporações, como Enron, WorldCom, entre outras, acabaram revelando malícias na gestão empresarial, as chamadas “maquiagens financeiras”, que vai desde a manipulação de resultados a falsificação de registros, passando por tráfico de influência e abuso de poder (PEREIRA, 2008). 48 Estes eventos abalaram particularmente o mercado de capitais americano, cujo governo, em um esforço para recuperar a credibilidade dos investidores, aprovou uma nova lei para regular o setor. A Lei Sarbanes-Oxley, Sarbox ou SOX, elaborada pelo senador americano Paul Sarbanes e pelo deputado federal Michael Oxley, foi promulgada pelo Congresso dos Estados Unidos em janeiro de 2002 e assinada pelo então presidente George Bush no dia 30 de julho daquele ano. Esta Lei, aplicada às empresas norte-americanas de capital aberto e às estrangeiras com ações negociadas naquele mercado, é bastante extensa e concentra o foco na boa governança corporativa e na transparência das informações financeiras. Os executivos de tais organizações tornaram-se explicitamente responsáveis pela probidade, profundidade e precisão das informações divulgadas, não mais se aceitando a alegação de desconhecimento dos fatos quando da descoberta de uma irregularidade (OLIVEIRA, 2006, SANTOS e LEMES, 2007). A SOX possui onze títulos gerais que tratam dos seguintes temas: criação do Comitê de Auditoria, para fiscalizar o processo de auditoria; princípios para auditoria externa e definição de regras de atuação do auditor interno, incluindo independência, comportamento e restrições; responsabilidades corporativas dos administradores, inclusive com relação à implantação e manutenção do controle interno; aprimoramento das divulgações financeiras, de maneira que guardem coerência com as normas definidas pela Securities Exchange Comission – SEC (órgão similar à brasileira Comissão de Valores Mobiliários – CVM); conflito de interesse do analista de mercado, com a criação de código de conduta para o profissional; competências para censura de profissionais do mercado por parte da SEC; exigência de elaboração de estudos e relatórios sobre fatos relevantes, reforçando as regras estipuladas; responsabilização corporativa e criminal por fraudes, com sanções aplicáveis inclusive para os casos de destruição, falsificação e alteração de documentos; responsabilização criminal da alta administração por “crimes do colarinho branco”; exigência de assinatura do executivo chefe na declaração de imposto de renda da empresa, e enquadramento como crime para fraudes corporativas 49 e adulterações, indicando as respectivas penalidades (USA CONGRESS, 2002). As empresas brasileiras, exceto aquelas que tenham ações negociadas na bolsa de valores americana, não estão obrigadas ao cumprimento da SOX. Entretanto, uma razão para as companhias abertas brasileiras adotarem a SOX é que muitas regras ali contidas já estão em vigor no Brasil, via Leis 6.404/1976 e 10.303/2001 (BRASIL, 1976, BRASIL, 2001), e por meio das Recomendações da CVM sobre Governança Corporativa (CVM, 2002). Por outro lado, a aderência a esta norma por qualquer empresa pode ser muito bem vista por acionistas ou proprietários e pelo próprio mercado, uma vez que os processos internos serão aperfeiçoados e haverá, consequentemente, maior transparência e credibilidade nas demonstrações financeiras apresentadas (OLIVEIRA, 2006). Pesquisas realizadas nos Estados Unidos indicam que a divulgação das informações referentes à confiabilidade das informações financeiras, incluindo os adequados procedimentos de emissão de relatórios (Seções 302 e 404 da SOX), tem influenciado o preço das ações das empresas. Ou seja, as organizações que apresentam deficiências nos controles internos tendem a sofrer desvalorização de seus títulos imediatamente após a publicação dos informes. Estas pesquisas sugerem não apenas que a real situação das empresas era desconhecida antes da divulgação dos relatórios, mas também que os investidores levam em conta esses comunicados no momento da aplicação dos seus capitais (BENEISH, BILLINGS e HODDER, 2007, FRANCO, GUAN e LU, 2005). Assim, a implantação da SOX já é vista como uma forma de agregar valor à empresa e não apenas como um custo ou uma obrigação. As contribuições dadas não somente às práticas de governança corporativa, mas também às estruturas de Controles Internos e de Auditoria Interna, têm transformado estas ferramentas de gestão em instrumentos geradores de vantagem competitiva (OLIVEIRA, 2006). 50 2.4.4.2.1 Governança Corporativa A preocupação com as boas práticas de gestão teve início após a grande crise da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929. Cinco anos depois foi criada a Securities Exchange Comission – SEC e as diretrizes da governança corporativa foram tomando forma. Entretanto, o primeiro código publicado ocorreu somente em 1992 no Reino Unido, pela iniciativa da Bolsa de Valores de Londres, dando origem ao The Cadbury Report (BANCO DO BRASIL, 2007). A Lei Sarbanes-Oxley, como foi relatado, propôs questões relativas a governança corporativa, buscando explicitar as responsabilidades dos executivos ao tomarem conhecimento e divulgarem informações relevantes ao mercado (LELIS e MARIO, 2009). No Brasil, as práticas de governança corporativas tiveram início com as Leis das S/A (Leis 6.404/1976 e 10.303/2001) e das Recomendações da CVM sobre Governança Corporativa. Coube ao IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), fundado em 1995, a elaboração do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa (BANCO DO BRASIL, 2007). O Código do IBGC, já em sua quarta edição, define governança corporativa como “o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre proprietários, Conselho de Administração, Diretoria e órgãos de controle” (IBGC, 2009, p.19). O citado documento estabelece, ainda, os quatro princípios básicos da governança corporativa: transparência, para gerar clima de confiança nas relações internas e externas da empresa; equidade, caracterizada pelo tratamento justo e não discriminatório com nenhuma das partes interessadas no negócio; prestação de contas, de maneira que os responsáveis assumam integralmente as consequências de seus atos ou omissões, e responsabilidade corporativa, onde a sustentabilidade e longevidade das organizações sejam 51 buscadas, respeitando, porém, considerações de ordem social e ambiental na definição das estratégias negociais (IBGC, 2009). Se por um lado os administradores já não têm condições de supervisionar pessoalmente todas as atividades das empresas (LELIS e MARIO, 2009), Culp (2002) assegura que um dos fatores determinantes para um processo de boa governança corporativa é a independência entre as áreas que assumem riscos e as que controlam. Assim, as atividades de controles internos passaram a ser elemento fundamental de tais práticas (IIA, 2009). 2.4.4.2.2 Controle Interno Os escândalos financeiros verificados a partir da década 1990 deixaram patente a existência de falhas envolvendo a governança corporativa, indicando a necessidade de aperfeiçoamento dos controles internos (MARSHALL, 2002), os quais, apesar de já utilizados, não se mostravam eficazes (BARALDI, 2005). Em 1992, o Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission – COSO – publicou um importante relatório intitulado Internal Control – Integrated Framework (Controle Interno – Estrutura Integrada), no qual desenvolveu uma estrutura de respostas às necessidades dos executivos para que eles pudessem melhor controlar os processos das suas empresas e que os objetivos organizacionais fossem assegurados. De acordo com a metodologia COSO (1994), controle interno é um processo desenvolvido para garantir, com razoável certeza, que sejam atingidos os objetivos da empresa, mais precisamente nas seguintes categorias: eficiência e eficácia operacionais, confiança nos registros financeiros e cumprimento das leis e regulamentos aplicáveis. Em 2001 o COSO, juntamente com a Pricewaterhouse Coopers, iniciou um projeto buscando desenvolver uma estratégia de gestão de riscos que fosse de fácil e imediata utilização pelas organizações. Três anos depois surgiu o relatório denominado Enterprise Risk Management - Integrated Framework 52 (Gestão de Riscos Empresariais – Estrutura Integrada). Conforme Ratcliffe e Landes (2009), este modelo tornou-se amplamente utilizado nos Estados Unidos e foi aceito, com adaptação ou não, por muitos países e empresas ao redor do mundo. Os objetivos gerais da gestão de riscos corporativos, segundo o modelo COSO (2004), são: alinhar o apetite de risco com a estratégia da empresa; fortalecer as decisões tomadas em resposta aos riscos; identificar e administrar os múltiplos riscos empresariais, integrando, inclusive, os riscos de diferentes áreas; aproveitar as oportunidades e otimizar a distribuição do capital. Estes objetivos estão inseridos dentro de uma estrutura de gestão de riscos definida em quatro categorias: Estratégico, metas gerais alinhadas à missão da empresa; Operações, uso eficaz e eficiente dos recursos; Comunicação, confiabilidade dos relatórios, e Conformidade, conformidade com leis e regulamentos aplicáveis. São categorias distintas, mas que se inter-relacionam, de maneira que um objetivo específico pode recair em mais de uma categoria. O gerenciamento de riscos corporativos possui, ainda, oito componentes também inter-relacionados que a administração da empresa deve considerar no processo de gestão: Ambiente Interno, Fixação de Objetivos, Identificação de Eventos, Avaliação de Riscos, Resposta a Risco, Atividades de Controle, Informações e Comunicações e Monitoramento. Entretanto, a gestão de riscos corporativos não é um processo em série onde um elemento influencia apenas o seguinte, mas um processo multidirecional integrado onde todos interagem uns com os outros. Ou seja, as categorias de objetivos, que é o que a empresa deseja atingir, e os componentes da gestão de risco, que é o necessário para se atingir as metas, interagem entre si envolvendo as diversas áreas da empresa, como subsidiárias, unidades de negócio, divisões, etc. Esta relação é apresentada em uma matriz tridimensional em forma de cubo, onde cada lado representa uma dimensão: objetivos, componentes e unidades da organização (Vide Figura 2). 53 Figura 2: Matriz COSO. Fonte: COSO, 2004. É importante citar que os oitos componentes da gestão de risco não funcionam de maneira idêntica nas diversas organizações. Em empresas de porte médio ou pequeno, por exemplo, o modelo aplicado pode ser menos formal e menos estruturado, muito embora todos os componentes possam estar funcionando adequadamente e contribuindo para uma gestão eficaz dos riscos (COSO, 2004). A premissa básica é que cada empresa existe para gerar valor para seus stakeholders. Entretanto, o desafio maior dos administradores não é identificar como ela se esforça para criar valor, mas determinar quanto risco ela está preparada para suportar. Assim, o controle interno é parte fundamental da gestão de riscos corporativos (COSO, 2004) e não, ao contrário do que muitos ainda pensam, um mero empecilho burocrático (DARYUS, 2010). Aerts (2001), no entanto, critica o modelo COSO afirmando que ele não é muito útil para resolver, na prática, o problema da gestão dos riscos operacionais. O pesquisador levanta duas questões fundamentais. Em primeiro lugar, os componentes de riscos seriam muito específicos, com o foco voltado somente para aqueles itens, de maneira que o ambiente restante da empresa, também exposto a riscos, pode passar despercebido. O segundo ponto é com relação à resposta para seguinte pergunta: quem deve ser o responsável pela gestão do risco operacional? Aerts entende que a metodologia COSO pode criar a falsa impressão de que o gerente de risco é o único responsável pela gestão de riscos de toda a empresa. Na verdade, continua ele, muitos riscos 54 operacionais têm origem no menor nível das unidades operacionais, devendo, portanto, ser gerenciado também pelas pessoas responsáveis por estas tarefas e de forma descentralizada. Assim, como aperfeiçoamento aos modelos já apresentados, Aerts propõe que a gestão de riscos operacionais deve fluir através de três camadas de controle, formando uma estrutura única que perpasse por todos os níveis da organização. A primeira camada envolveria a linha de frente, a base operacional que constitui a força motriz do negócio e que lida com os riscos diariamente. A segunda camada seria a equipe de controles internos propriamente dita. Ou seja, abrangeria as pessoas responsáveis em verificar se os riscos estão sendo administrados conforme a estratégia da empresa, cabendo a elas, ainda, desenvolver ferramentas adequadas para este monitoramento. A terceira e última camada seria a auditoria interna, responsável basicamente por avaliar se os mecanismos de controles existem, se são adotados e se são suficientes para mitigar os riscos. Esta instância, enfim, é que daria garantias para a alta administração de que tudo está funcionando conforme o planejado. O modelo representando as três camadas de controle, propostas por Aerts, é mostrado na Figura 3, a seguir. Figura 3: As três camadas de controle. Fonte: Elaborada pelo autor conforme modelo proposto por Aerts, 2001. Às vezes imagina-se que o controle interno é sinônimo de auditoria interna. Trata-se de uma idéia totalmente equivocada (ATTIE, 2007), pois esta jamais poderá funcionar como um apoio àquela, em uma espécie de trabalho de parceria (Aerts, 2001). Faz-se necessário, portanto, deixar clara a sua função no processo. 55 2.4.4.2.3 Auditoria Interna A origem da auditoria interna perde-se na antiguidade. Conta-se que o imperador persa Dario I, por volta do ano 500 a.C., expandiu o seu domínio por grandes áreas territoriais. Em cada província distante ele instalou um governador, chamado “sátrapa”. Mas, como controlar as ações desses administradores de tão longe? A solução foi construir um eficiente sistema de estradas interligadas, que cortavam todo o Império, e criar um grupo de funcionários especiais para fiscalizar in loco as ações dos seus subordinados, notadamente com relação ao volume do imposto arrecadado. Estas pessoas ficaram conhecidas como “os olhos e ouvidos do rei” (Sousa, 2011), apelido ainda hoje utilizado para a profissão de auditor9. De acordo com o Dicionário Aurélio (FERREIRA, 1999) a palavra “auditor” deriva do latim “auditore”, que significa “aquele que ouve” ou “ouvidor.” Sá (2002) relata que, por volta do século XIII, durante o reinado de Eduardo I na Inglaterra, esta acepção do termo já era utilizada. Mas foi cinco séculos mais tarde, com a Revolução Industrial, que a expansão da demanda de capital e das atividades empresariais provocaram a necessidade de controles mais complexos, dando origem à auditoria moderna. Ou seja, o auditor passou a opinar e interferir sobre aquilo que se configurava ser verdadeiro ou não. Conforme Jund (2006), o modelo inglês acabou sendo exportado para outros países, inclusive para o Brasil, por meio da construção de estradas de ferro e de outros serviços públicos. Durante muito tempo, o enfoque da auditoria interna se limitava à observação, principalmente contábil (CASTANHEIRA, 2007). Buscava-se basicamente verificar se tinha havido roubos, fraudes ou desfalques por parte dos funcionários. Porém, com o crescimento constante das empresas e a complexidade de suas atividades econômicas, tornou-se difícil para uma pessoa, ou mesmo um grupo delas, controlar a totalidade dos processos 9 Attie (2007, p.14) afirma, por exemplo, que “a auditoria interna funciona, na realidade, como os olhos da administração.” 56 realizados (ATTIE, 2007). O acirramento da concorrência e a necessidade de investimentos os mais diversos, inclusive tecnológicos, provocaram a necessidade do aprimoramento de todos os processos empresariais (MCNAMEE, 1997). Assim, as atividades de auditoria assumiram, já em meados do século XX, um papel semelhante ao do controle interno (CASTANHEIRA, 2007). Entretanto, continuava a adotar um aspecto policialesco e focado no passado (ATTIE, 2007). Constatou-se, por outro lado, que os controles em si não garantem nenhum sucesso, além do que o simples reforço deles leva, no médio prazo, a reduzir o lucro da empresa. Surgiu, assim, o conceito de auditoria baseada em risco, onde a auditoria interna identifica, mede e prioriza os riscos, de maneira a focar as áreas de maior relevância (MCNEMEE, 1997). A auditoria interna viveu, então, um processo de transformação e especialização, passando de uma posição detetivesca e punitiva para uma atitude técnica e de auxílio à organização (ATTIE, 2007). Hoje, as várias partes do processo de auditoria devem levar em conta as metas empresariais, os riscos para a realização dos objetivos, bem como as estratégias de gestão para mitigar esses riscos, não permanecendo apenas no papel de emitir pareceres sobre o controle dos sistemas (MCNEMEE, 1997). O foco, que era a análise a partir de respostas reativas, tornou-se proativo ao abordar os riscos do negócio (CASTANHEIRA, 2007). Ao invés de somente procurar erros para apontar culpados, fez-se necessária a efetiva participação na estratégia da empresa. A auditoria interna, enfim, passou a ser parte da solução e não mais parte do problema (JUND, 2006). Atualmente a auditoria interna, também chamada de auditoria operacional ou de controle de qualidade, é vista como uma atividade de avaliação independente dentro da empresa, auxiliando a administração nos diversos processos negociais e funcionando como um controle que mede a eficiência dos outros controles internos. Neste último caso, ela busca determinar se os controles internos asseguram, com razoável certeza, que os objetivos estratégicos são cumpridos de maneira eficiente e econômica (ATTIE, 2007). 57 Por outro lado, a auditoria interna não deve gerenciar nenhum risco em nome dos administradores e menos ainda prestar contas ou dar garantias sobre a gestão de risco adotada. As únicas garantias que pode fornecer são que a gestão dos principais riscos do negócio está adequada e que os controles internos mostram-se eficientes (IIA, 2009). Apesar de ser ainda um assunto controverso, não há dúvida de que a auditoria interna deve ser encarada pela alta administração como um componente do negócio (CASTANHEIRA, 2005). Para isso, faz-se necessária a criação de uma área de auditoria que tenha acesso irrestrito aos processos e que possa fazer exames regulares, reportes oportunos e correções apropriadas (ATTIE, 2007). Conforme a Audibra (1991, p.42), “o posicionamento da Auditoria Interna na organização deve ser suficientemente elevado para permitir-lhe desincumbir-se de suas responsabilidades com abrangência e independência.” Ou seja, ela precisa reportar-se a uma instância que possa dar atenção adequada aos seus relatórios e que possua poderes para implantar as recomendações emitidas. Assim, espera-se que o núcleo de auditoria, visando preservar a sua abrangência e a sua independência, esteja vinculado ao nível mais alto da organização, como, por exemplo, o Comitê de Administração (AUDIBRA, 1991). Attie (2007) lembra, porém, que a independência total e completa é impossível, incluída aí a dependência financeira. O foco do auditor passa a ser, então, buscar o maior grau de independência dentro das limitações da realidade, de maneira que fiquem preservadas a sua imparcialidade, integridade e objetividade. Em síntese, o objetivo geral da auditoria interna é assessorar a administração no desempenho de suas funções, fornecendo-lhes análises, avaliações, recomendações e comentários sobre as atividades auditadas (ATTIE, 2007). Com os riscos mitigados, menor capital alocado para fazer frente aos riscos operacionais será necessário e maior será o capital utilizado em outras operações, facilitando o crescimento e o aumento dos lucros (CASTANHEIRA, 2005). Não esquecendo que, devido ao seu amplo 58 conhecimento das áreas corporativas, a auditoria interna também desempenha um importante papel na redução dos custos, seja identificando pontos de corte de despesas ou monitorando os esforços de redução de gastos (PWC, 2009). Após os escândalos financeiros, como o da Enron, o fornecimento de informações da auditoria interna para a alta administração tornou-se especialmente relevante (NETTER e POULSEN, 2003). Power (2003) afirma, por outro lado, que a emergência dos riscos operacionais acabou provocando um ponto de encontro entre disciplinas antes isoladas, como auditoria e finanças. Assim, conclui Aerts (2001), todos estes fatores têm criado oportunidades para o profissional da auditoria interna, visto que os administradores cada vez mais têm buscado mecanismos para evitar surpresas desagradáveis na gestão dos negócios. Em outra linha, a preocupação dos investidores, acionistas ou proprietários não ligados diretamente aos processos da empresa, é saberem se as práticas adotadas, inclusive as de auditoria interna, estão adequadas. É nesse contexto que a auditoria externa se insere (BARROS, 2007). 2.4.4.2.4 Auditoria Externa É possível que um guarda-livros proficiente, a serviço de algum mercador italiano por volta do século XV ou XVI, tenha, pela sua experiência e conhecimento técnico, passado a ser consultado por outros sobre a escrituração dos seus negócios (JUND, 2006). Sabe-se, no entanto, que a auditoria externa evoluiu com o capitalismo, ou seja, com o movimento que propiciou a abertura do capital das organizações, a expansão do mercado e o acirramento da concorrência. Em ambiente de maior risco, os futuros investidores passaram a exigir que as demonstrações financeiras tivessem o aval de um profissional de fora da empresa e de reconhecida capacidade técnica (ALMEIDA, 1996). 59 Ao longo do tempo, a auditoria externa ou independente 10 vem assumindo uma técnica autônoma nas ciências contábeis, com objetivo perfeitamente identificado e definido (JUND, 2006). Conforme a Previ (2004, p.56), cabe à auditoria independente verificar e julgar sistemática e objetivamente o grau de correspondência entre as afirmações da empresa a respeito de suas ações e eventos econômicos e os critérios formais estabelecidos de registro e controle e de comunicação dos resultados a todos os interessados. Em muitos países, inclusive no Brasil, as sociedades anônimas passaram a ser obrigadas a submeterem suas demonstrações financeiras à análise de auditor externo (BRASIL, 2007). De todo o modo, o trabalho realizado pela auditoria externa é semelhante ao utilizado pela auditoria interna. Conforme Attie (2007), ambas utilizam as mesmas técnicas, têm o mesmo foco nos controles internos e formulam igualmente sugestões para melhorias nos processos. Daí porque muitos administradores às vezes confundem as duas, resistindo em utilizá-las por temer duplicação desnecessária de custos. Na verdade, embora ambas possuam atividades similares, a ênfase e a forma de abordar as questões são bastante distintas. Enquanto a auditoria interna desce ao nível do detalhamento dos processos de cada setor da empresa, de maneira intensa e em períodos regulares de tempo, a auditoria externa revisa os procedimentos de forma global e, consequentemente, com intervenção pontual e menos detalhada (ATTIE, 2007). O foco da auditoria externa, enfim, recai preponderantemente sobre as demonstrações financeiras (JUND, 2006). 10 Apesar da auditoria interna também ser independente, o grau de independência da auditoria externa é maior (vide Quadro 1: Características dos dois tipos de auditorias e suas diferenças básicas). 60 As principais características e diferenças entre os dois modelos podem ser visualizadas no Quadro 1, a seguir. ELEMENTOS AUDITORIA INTERNA AUDITORIA EXTERNA PROFISSIONAL Funcionário da empresa (auditor interno) Prestador de serviços (auditor independente) REMUNERAÇÃO Salário Honorários RESPONSABILIDADE Trabalhista Civil e criminal GRAU DE INDEPENDÊNCIA Menor Maior NÚMERO DE TESTES Maior Menor FOCO DO EXAME FINALIDADE Processos: operacional, contábil e sistemas Promover melhorias nos controles da empresa Processo contábil Opinar sobre as demonstrações financeiras TEOR DO RELATÓRIO Recomendações Parecer REPORTE Administração Administração, acionistas INTERESSADOS Empresa Empresa, público geral CONTINUIDADE DO TRABALHO Permanente Periódico Quadro 1: Características dos dois tipos de auditorias e suas diferenças básicas. Fonte: Elaborado pelo autor com base em Almeida, 1996, e Jund, 2006. A auditoria externa considera a auditoria interna como parte do sistema de controle da organização, de maneira que o trabalho dos auditores independentes poderão ser ampliados ou reduzidos de acordo com a avaliação que for feita do funcionamento da auditoria interna. Por fim, é desejável a integração entre as duas formas de auditoria, uma vez que a existência de uma não elimina a necessidade da outra, pois cada uma delas possui função própria e busca objetivo específico (ATTIE, 2007). 61 2.4.5 Gestão de Riscos Operacionais em empresas não-financeiras Nos últimos anos foram desenvolvidos modelos eficazes para o gerenciamento dos riscos nas instituições financeiras. Entretanto, existe nas empresas não-financeiras uma série de outros riscos, igualmente importantes, cuja percepção e gestão não foram ainda suficientemente explorados (SANTOS, 2002). Por outro lado, o desenvolvimento do setor financeiro tem levado as demais empresas a lançarem um olhar mais atento às suas estratégias de gestão de riscos operacionais, uma vez que qualquer tipo de negócio deve possuir alguma forma de controle interno (AERTS, 2001). Porém, essa percepção é ainda incipiente, pois, conforme observa Harmantzis (2003), muitas organizações não atentam de incluir os custos com esse tipo de risco e seus controles no preço final do produto. Culp (2001) sugeriu que o que separa as empresas não-financeiras de uma consciência maior dos riscos operacionais é, em grande parte, uma barreira cultural. Ele estabeleceu, então, cinco estágios de evolução da gestão dos riscos operacionais, partindo desde uma situação de referências tradicionais, ou seja, onde existe apenas um tratamento informal da gestão de riscos operacionais, até um completo amadurecimento da empresa para o assunto, incluindo a definição dos limites gerais de exposição, medições padronizadas, emissão periódica de relatórios, além da utilização de ferramentas qualitativas de controle, como as estruturas de controle interno e auditoria interna. Estes estágios de evolução da gestão dos riscos operacionais, conforme o pesquisador, estão sintetizados no Quadro 2, a seguir. 62 Fase Situação 1 Tratamento mais informal de riscos operacionais que uma empresa pode apresentar. Evidências a) Não existem pessoas ou processo envolvidos diretamente com os riscos operacionais; b) análise reativa. a) Riscos operacionais abordados de forma setorizada; 2 Consciência de que os riscos operacionais devem ser explicitamente abordados. b) equipes isoladas, sem cruzamento de informações; c) controles segregados em ilhas ou departamentos. a) Acompanha os riscos operacionais, ainda que não utilize bases quantitativas; 3 Riscos operacionais tratados de maneira explícita e formal. b) existem indicadores previamente definidos; c) abordagens dos riscos com foco nas estratégias de negócio. a) Sistema quantitativo de medição de riscos; 4 Utilização de modelo de gestão de riscos operacionais. b) administradores com visão articulada dos riscos; c) existência de cargo de Gerente de Risco. a) Ferramentas qualitativas de controles; 5 Amadurecimento da empresa para a integração dos riscos operacionais. b) definição de limites de exposição aos riscos operacionais; c) medições padronizadas; d) emissão periódica de relatórios; e) integração entre os setores. Quadro 2: Estágios da gestão de riscos operacionais. Fonte: Elaborado pelo autor com base em Culp, 2001. 63 A International Organization for Standardization (ISO) avaliou que a diversidade cultural gerava uma série de normas distintas e até conflitantes sobre o assunto, envolvendo conceitos e terminologias diferentes. Percebeuse, então, a necessidade de se criar um padrão que reunisse não apenas os documentos, mas também as práticas da gestão dos riscos operacionais das empresas. Surgiu, assim, a primeira norma internacional da história sobre gestão de riscos, denominada ISO 31000 - Risk Management – principles and guidelines on implementation. A norma, divulgada em 2008 e oficializada no ano seguinte, foi destinada a organizações de todos os tipos, portes e atividades. (ISO, 2008, FERNANDEZ,2009). A ISO 31000 é uma abordagem genérica, não específica a nenhuma indústria ou setor, que fornece orientações sobre a gestão de risco de maneira transparente, confiável e sob qualquer escopo e contexto. Seu propósito não se destina para fins de certificação, mas busca permitir que a organização: incentive uma gestão proativa e não apenas reativa; tenha ciência da necessidade de identificar e tratar os riscos em toda a empresa; aperfeiçoe a identificação de oportunidades e ameaças; atenda as exigências legais e regulamentares e as normas internacionais; melhore o reporte das informações financeiras e a confiança dos stakeholders; amplie a governança corporativa; estabeleça uma base confiável para a tomada de decisão e para o planejamento; melhore os controles internos; utilize com eficiência os recursos alocados para o tratamento dos riscos; aumente a eficácia e a eficiência operacionais; melhore as políticas de saúde, segurança e meio ambiente; melhore a prevenção de perdas e a gestão de incidentes; minimize as perdas; incremente a aprendizagem corporativa, e melhore a resiliência organizacional (ISO, 2008). O projeto e a implantação da gestão de riscos propostos pela ISO 31000 dependerá das diferentes necessidades de cada empresa, dos seus objetivos, produtos e procedimentos operacionais específicos. Entretanto, três grandes pilares norteiam todas elas: os princípios, o modelo e o processo de gestão de riscos adotados. A relação entre os pilares é mostrada na Figura 4, a seguir. 64 PRINCÍPIOS: A gestão de riscos: - cria valor; MODELO: PROCESSO: MANDATO E COMPROMISSO COMUNICAÇÃO E CONSULTA - é alinhada aos contextos internos e externos; - leva em consideração fatores humanos e culturais; - é transparente e inclusiva; - é dinâmica, interativa e receptiva a mudanças; - busca a melhoria e o aprimoramento da organização. IMPLANTAÇÃO - é baseada na melhor informação disponível; MELHORIA CONTÍNUA - aborda explicitamente a incerteza; MONITORAMENTO E REVISÃO TRATAMENTO DOS RISCOS DESENHO DO MODELO AVALIAÇÃO DE RISCOS - é parte do processo decisório; ESTABELECIMENTO DO CONTEXTO - é parte integrante dos processos empresariais; MONITORAMENTO E REVISÃO Figura 4: Princípios, modelo e processo de gestão de riscos conforme ISO 31000. Fonte: Adaptada pelo autor a partir de modelo existente em ISO, 2008. A coluna “Princípios” descreve as possibilidades da gestão de riscos nas empresas. É com base nessas premissas que os valores serão agregados aos processos corporativos (FERNANDEZ, 2009). Para ter sucesso, a gestão de riscos deve contar com um modelo que forneça os fundamentos e a estrutura que irão incorporá-lo em toda a organização, incluindo todos os níveis. O modelo deve assegurar que as informações sobre riscos sejam devidamente comunicadas e utilizadas para a tomada de decisões em todos as áreas da empresa. Esta, alíás, deve adaptar os componentes propostos às suas necessidades específicas, e não tomá-los como um sistema de controle geral e acabado (ISO, 2008). O processo de gerenciamento de riscos deve ser uma parte integrante da gestão, ser incorporado na cultura e nas práticas e adaptado para o negócio da empresa. A fase de comunicação e consulta abrange todas as demais, lidando com informações tanto internas como externas. O seu propósito é 65 assegurar que os responsáveis e as partes interessadas compreendam porque as decisões são tomadas e porque determinadas ações são necessárias. O estabelecimento do contexto envolve entender os fatores e as variáveis externas, incluindo recursos, tendências, políticas, bem como as relações com as partes interessadas externas, suas percepções, valores e cultura, e as dimensões internas, objetivos estratégicos, cultura organizacional e procedimentos. Define-se aqui as metas, as responsabilidades e o apetite ou a aversão ao risco que a empresa propõe aceitar. A fase de avaliação de riscos abrange a identificação, medição e análise dos riscos, relacionando os perigos que determinado processo, setor ou toda a empresa está exposta. O passo seguinte é o tratamento dado aos riscos residuais apontados. Caso não sejam tolerados, escolhe-se a melhor opção para minimizá-los, bem como a expectativa da eficácia do tratamento. A última fase, monitoramento e revisão, busca a checagem e o aperfeiçoamento do processo, devendo ser planejada antecipadamente e os responsáveis pelas ações claramente definidos. Pode ocorrer periodicamente ou apenas em resposta a determinado fato. Entretanto, a sua abordagem deve propiciar a aprendizagem com os eventos e a detecção de mudanças e tendências nos contextos interno e externo, incluindo aí a possibilidade de surgimento de novos riscos (ISO, 2008, BRASILIANO, 2009). Em síntese, a ISO 31000 busca harmonizar entendimentos e padronizar boas práticas e abordagens, de modo a possibilitar a implantação da gestão de riscos em qualquer organização empresarial. A grande vantagem é que a norma não concorre com outras orientações já existentes, estando alinhada, por exemplo, ao modelo integrado de Gestão de Riscos Empresariais – ERM. Assim como outras normas tornaram-se referências em suas áreas específicas, a ISO 9000 para a Qualidade Total, a ISO 14000 para o Meio Ambiente e a ISO 27000 para a Segurança da Informação, a ISO 31000 tem todas as condições de se tornar referência para a gestão de riscos (BASTOS, 2009, BRASILIANO, 2009). 66 2.4.5.1 Gestão de Riscos Operacionais em pequenas e médias empresas Não é apenas a ISO 31000 que prega a adoção da gestão dos riscos operacionais para empresas de todos os tamanhos. O Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, por exemplo, recomenda que “os princípios e práticas da boa Governança Corporativa aplicam-se a qualquer tipo de organização, independente de porte, natureza jurídica ou tipo de controle” (IBGC, 2009, p.15). Conforme observou Baraldi (2005), as pequenas e médias empresas possuem objetivos estratégicos semelhantes às demais organizações, estando suscetíveis aos mesmos riscos. Entretanto, tais empresas ainda não dão a devida importância ao assunto. Observa-se que elas carecem de estruturas de recursos materiais e humanos para empreender uma gestão de riscos adequada, preocupando-se, quando muito, com as demonstrações financeiras, notadamente o fluxo de caixa. Conforme o SEBRAE (2007), a gestão empresarial deficiente é um dos fatores responsáveis pelo elevado índice de mortalidade nas organizações empresariais de menor porte. Souza (2002) afirma que a maioria dos administradores das pequenas e médias empresas acredita que os problemas organizacionais ocorrem preponderantemente por descuido dos empregados e, ao invés de gerenciar os riscos operacionais, preferem recorrer a castigos ou a programas de recompensa para fazer com que as pessoas fiquem mais “cuidadosas”. Nesses casos, segundo o mesmo autor, procedimentos gerenciais equivocados são adotados e geralmente a improvisação assume o lugar do planejamento. Com relação às ferramentas mais elaboradas de controle, Attie (2007) sustenta que as empresas de pequeno porte devem dispor de uma estrutura mínima de auditoria interna, mesmo que esta seja composta por um único funcionário, o qual poderia acumular funções de planejamento. Já as organizações de médio porte devem contar com um supervisor ou gerente de riscos. Entretanto, o autor alerta para o fato de que em empresas de menor porte geralmente não há trabalho suficiente para a existência de uma equipe 67 em tempo integral e a gestão de riscos, quando existente, muitas vezes é atribuída juntamente com outras tarefas operacionais, comprometendo a sua independência. Todas estas deficiências estratégicas não apenas elevam os riscos, mas reduzem também o aproveitamento das oportunidades surgidas, sendo causadoras de uma grande quantidade de fracassos nas pequenas e médias empresas (BARALDI, 2005). 2.4.5.2 Gestão de Riscos Operacionais em empresas no Brasil Quando comparada a padrões internacionais, percebe-se que a gestão de riscos ainda está sendo descoberta pelas empresas brasileiras (LEITE, 2008). Baraldi (2005) concorda com esse ponto de vista ao afirmar que, no Brasil, a cultura de gerenciar riscos e oportunidades não está ainda tão arraigada, e que os conceitos carecem de uniformidade e atualização. Alguns estudos realizados nos últimos anos corroboram esses entendimentos. A pesquisa denominada “Auditoria Interna no Brasil” (DELOITTE, 2007), realizada com 283 executivos de 20 estados brasileiros, revelou que a alta administração não percebe que um bom gerenciamento de riscos pode contribuir para a redução de custos e para a otimização de receitas. Enquanto a diminuição dos custos, como consequência das ações, é citada por apenas 7% dos entrevistados, a elevação das receitas nem sequer é lembrada. Em outro estudo, realizado com a iniciativa privada no Brasil, foram revelados resultados semelhantes (CICCO, 2007). Participaram executivos de 136 empresas, dos quais 94% concordaram que a gestão de riscos seria fundamental para que os objetivos estratégicos fossem alcançados. Entretanto, apenas 38% admitiram existir uma definição única de risco em toda a empresa. O índice é praticamente o mesmo quando se perguntou se os objetivos da gestão de riscos estavam claramente definidos. Por outro lado, os riscos 68 operacionais foram espontaneamente apontados entre os mais comuns por 75% dos pesquisados. Foram citadas, na opinião dos consultados, as principais barreiras para a implantação de uma gestão de riscos eficaz: pouca conscientização e desconhecimento do assunto por parte dos empresários, falta de pessoal especializado, cultura interna resistente, excesso de níveis hierárquicos, burocracia e lentidão na tomada de decisões. Finalmente, a pesquisa periódica “Executive Quiz”, do Korn/Ferry Institute, realizada em julho de 2010 com integrantes de conselhos de administração de empresas em mais de 65 países, inclusive o Brasil, revelou que, em desequilíbrio com a média mundial, apenas 13% dos brasileiros pesquisados apontam a existência de um gerente de risco em suas organizações, destes, 60% atribuem à gestão de riscos uma responsabilidade direta do presidente. De qualquer maneira, percebeu-se que as corporações brasileiras, embora sem uma cultura ou estrutura adequada, já se preocupam em buscar talentos que possuam habilidades relacionadas à gestão de riscos (CANAL EXECUTIVO, 2010). Cicco (2007) admite que há um longo caminho a ser percorrido até que as empresas brasileiras possam contar com processos bem estruturados e sistematicamente implantados para gerenciar os riscos de forma eficiente. Cagan (2001) lembra, porém, que se trata de um processo evolutivo, que requer esforço dedicado para se estabelecer um novo paradigma cultural. Por outro lado, conclui ele, o que realmente importa, tanto do ponto de vista do negócio como da regulamentação, é começar. 2.4.5.3 Gestão de Riscos Operacionais em indústrias de transformação Os riscos operacionais são mais facilmente percebidos no ambiente industrial, pois um equipamento quebrado ou a ocorrência de um acidente são prontamente identificados (GUSTAFSSON, 2008). Mas, apesar da grande quantidade de riscos a que estão expostas, muitas indústrias de transformação ainda consomem bastante tempo em atividade de “apagar incêndios”, ou seja, 69 só passam a se preocupar com os problemas depois que eles ocorrem (SLACK, 1993). A complexidade e o dinamismo, próprias da atividade industrial, contribuem ainda mais para que os administradores não percebam a totalidade dos riscos presentes no ambiente fabril (SILVA e PORTO, 2009). Apenas nas últimas quatro décadas é que a indústria de transformação vem se dedicando a um conjunto maior de ameaças a que está exposta, por meio de abordagens comumente chamadas “prevenção de perdas”. Contribuiu para isso o rápido crescimento observado na segunda metade do século XX, tanto do ponto de vista do tamanho das plantas industriais, como da complexidade dos processos e do volume de produtos fabricados. Outro fator não menos importante foi a conscientização do público quanto aos perigos que as atividades industriais podem trazer para as pessoas e para o meio ambiente, além das constantes mudanças de legislação que impõem limites de atuação cada vez mais estreitos (SOUZA, 2002; MANNAN e LEES, 2004). Entretanto, os estudos nessa área têm se voltado preponderantemente para disciplinas como “segurança no trabalho”, onde os riscos estão muito ligados à ocorrência de acidentes. Por exemplo, o Manual de Análise de Riscos Industriais, elaborado pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Roessler – RS, assegura que “os principais resultados de uma análise de riscos são a identificação de cenários de acidentes” (FEPAM, 2001, p.2). Por sua vez, o “Controle Total de Perdas”, proposto pelo canadense John A. Fletcher ainda na década de 1970, lança um olhar mais abrangente sobre todas as falhas que possam interromper o processo de produção, buscando identificar as causas efetivas ou primárias dos problemas. Porém, pouco se ocupa com os perigos não relacionados diretamente ao processo produtivo. Dessa forma, dificulta o cruzamento de informações e a análise de eventos externos, além de comprometer a abordagem proativa dos riscos (ALBERTON, 1996; SOUZA, 2002; MANNAN e LEES, 2004). Segundo Mannan e Lees (2004), a variedade de perigos e a vulnerabilidade das indústrias a eles são hoje de tal forma, que somente o gerenciamento de riscos é capaz de mantê-los em patamares aceitáveis. Assim, a revisão sistemática de todas as ameaças começa a tornar-se prática 70 normal no dia-a-dia das indústrias, fazendo com que ferramentas como governança corporativa, controle interno e auditoria interna apareçam cada vez mais em seus processos. No Brasil a situação não é diferente. No segundo semestre de 2003, a KPMG realizou a terceira pesquisa sobre gerenciamento de riscos e governança corporativa no Brasil (KPMG, 2004). O extenso trabalho envolveu 2.000 empresas, das quais três quartos eram indústrias, de maneira que o resultado final foi fortemente influenciado por este setor. O estudo concluiu que 82% das empresas pesquisadas consideram os benefícios da governança corporativa. Entretanto, apenas 9% a classificam como ação prioritária. As maiores dificuldades apontadas foram a resistência cultural e os custos de implantação. Outro ponto levantado foi que o gerenciamento de riscos, antes visto com maior ceticismo, atualmente já é encarado como uma forma de condução dos negócios. Das organizações pesquisadas, 46% possuem departamento específico para a gestão de riscos, os quais buscam conhecer antecipadamente os potenciais problemas, de diversas origens, para poder utilizá-los estrategicamente. O interesse por auditoria interna cresceu principalmente após o advento da SOX, de maneira que 82% dos pesquisados informaram dispor de alguma estrutura desse tipo em suas empresas. Finalmente, os riscos operacionais (processos, controle interno, Tecnologia da Informação - TI, nova legislação) figuraram em segundo lugar na preocupação dos entrevistados, atrás dos riscos de mercado (produtos substitutos, novos concorrentes, novos produtos, preços), mas à frente dos riscos de crédito (taxa de juros, política de câmbio, finanças). A pesquisa concluiu que, após um período de menor preocupação com os controles internos, motivado principalmente pela visão distorcida de que softwares padronizados poderiam dar conta da gestão de riscos, o interesse pelo ambiente de controle foi restabelecido, de sorte que as empresas brasileiras, principalmente as indústrias, estão cada vez mais preocupadas com 71 os riscos operacionais. Os órgãos reguladores, ao adotar e atualizar leis e regras de atuação, têm também contribuído para a melhoria observada. Com o aprofundamento dos estudos e das práticas, a indústria brasileira tenderá a adotar políticas preventivas, passando de um comportamento meramente reativo para proativo, adotando ações não apenas de correção, mas também de antecipação (SOUZA, 2002). 2.5 Indústrias de transformação no estado de Pernambuco A cultura açucareira foi implantada na região hoje denominada Nordeste brasileiro em torno de 1550. A atividade atingiu tal grau de desenvolvimento que, mesmo enfrentando sérias crises ao longo do tempo, o açúcar pernambucano continuou como destaque da pauta de exportações brasileiras até o final do século XIX (EISENBERG, 1977). A decadência do setor, verificada nas primeiras décadas do século XX, foi ocasionada por dois grandes fatores: a) concorrência externa acirrada, que contava inclusive com outras fontes de produção, como a beterraba, e baixava consideravelmente os preços internacionais; b) política cambial interna, que desvalorizava continuadamente a moeda local, em prejuízo de uma atividade que dependia acentuadamente das importações de insumos, inclusive equipamentos. Esta crise mergulhou toda a região Nordeste, especialmente Pernambuco, em um grande declínio econômico (EISENBERG, 1977). Ao estudar tal problemática, o Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), concluiu, em 1959, que “a absorção de grandes massas de mão-de-obra, [...] em regiões onde são escassos os recursos da terra, só é possível com a instalação de indústrias manufatureiras” (SUDENE, 1978, p. 83). Segundo o mesmo Grupo de Trabalho, o atraso econômico verificado só poderia ser superado por meio de uma política de industrialização, a qual contribuiria para a geração de empregos, para o surgimento de uma nova classe dirigente e para a fixação de capitais na região. 72 Diversos autores, notadamente aqueles de orientação keynesiana11, têm corroborado com esta posição ao asseverar que a indústria de transformação é o motor de crescimento de uma região, sendo bem mais importante do que os setores agrícola e de serviços, os quais não conseguem produzir efeitos para trás e para frente com a mesma intensidade. A década de 1960 foi marcada pelo descobrimento do Nordeste, ou, na explicação de potencialidades Vergolino econômicas e Rocha da (2003), região e pelo dos conhecimento das principais fatores que obstaculizavam o seu desenvolvimento econômico. Os autores destacam as obras estruturantes que surgiram a partir da criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE. Foram dessa época, por exemplo, o incremento da produção regional de energia elétrica e a significativa ampliação dos serviços de telecomunicações e das vias de transportes. Dessa forma, o grau de industrialização nordestino deu um salto, apesar de o setor continuar muito vinculado e, portanto, dependente, da conjuntura econômica do País. Observou-se, ainda, considerável redução das áreas ditas decadentes na região. Como resultado desses investimentos, a década de 1970 foi considerada positiva para o Nordeste. Os projetos de irrigação do semi-árido, principalmente aqueles localizados na calha do rio São Francisco, e a ampliação e modernização das indústrias de tecelagem, as quais utilizavam como matéria-prima o algodão produzido na região, trouxeram certo grau de desenvolvimento para Pernambuco que, embora figurando em segundo lugar entre os estados nordestinos em crescimento econômico, perdendo para a Bahia, viu o seu Produto Interno Bruto (PIB) crescer 121%, índice superior à média nordestina (VERGOLINO e ROCHA, 2003). A crise política e econômica em que o regime militar lançou o País fez com que os anos 80 ficassem conhecidos como a década perdida. Mesmo assim, os investimentos realizados anteriormente propiciaram que o Nordeste mantivesse ainda as suas taxas de crescimento acima da média nacional. 11 Myrdal, Hirschman e Kaldor apud Martinho (2005); Thirwall e Tregenna apud Oreiro e Feijó (2010). 73 Entretanto, a continuidade da recessão, bem como o fracasso dos sucessivos planos econômicos e a falta de novos investimentos, tanto públicos como privados, mergulhou o Nordeste, notadamente nos primeiros anos da década de 1990, em profundo declínio. Tal evento permitiu evidenciar, inclusive, o alto grau de integração da indústria nordestina à do Brasil, uma vez que o desaquecimento econômico das regiões Sul e Sudeste, potencializado também pela abertura do mercado brasileiro aos produtos estrangeiros, produziu efeitos negativos e impactantes no setor industrial do Nordeste (VERGOLINO e GOMES, 1995). O desempenho de Pernambuco foi ainda mais dramático, pois os seus indicadores econômicos mostraram-se inferiores aos apresentados pelos principais estados nordestinos, como a Bahia e o Ceará. Assim, em meio a uma “perda relativa econômica” ou “declínio relativo”, o seu PIB ficou abaixo não apenas do baiano, mas também do cearense. Vergolino e Neto (2001) afirmam que o fator determinante desse resultado desfavorável foi a perda de força da base industrial. A análise de alguns números corrobora, de fato, tal proposição. Observando o valor do PIB pernambucano por setores, no período de 1985 a 1998, constata-se que enquanto o setor de serviços teve incremento de 70%, a agropecuária teve queda de 11% e a indústria, mais aderente à crise que assolou o Estado, amargou um decréscimo de 28%. No mesmo período, o PIB industrial do Ceará cresceu 63%. A estabilização da economia brasileira, ocorrida a partir de 1995, permitiu ao Nordeste não apenas a sua recuperação econômica no início do novo século, mas o seu crescimento a taxas maiores do que as demais regiões do País. No período 1995-2008, enquanto o Sudeste perdeu participação no PIB nacional e o Sul praticamente se manteve, o Norte e o Centro-Oeste cresceram 0,9 pontos percentuais, ficando ambos um pouco abaixo do patamar de 1,1% apresentado pelo Nordeste (IBGE, 2009). Em Pernambuco, os sinais da recuperação econômica ficaram bem mais evidentes. Projetos de infra-estrutura, como o Complexo Industrial Portuário de Suape e o polo de agricultura irrigada nas margens do rio São Francisco, já em 74 atuação há três décadas, finalmente receberam novos investimentos e impulsionaram um novo ciclo de desenvolvimento (ALBUQUERQUE, 2005). A situação pernambucana é, de fato, inédita. Duas obras de grande impacto no interior, como a ferrovia Transnordestina e a transposição do rio São Francisco, unem-se a pesados investimentos no litoral. O Complexo Industrial Portuário de Suape, com instalações modernas e estrategicamente bem localizado, tem se revelado, por si só, um grande impulsionador da economia estadual. Cerca de 140 empreendimentos de grande impacto, incluindo capital estrangeiro, já foram realizados e estima-se que os recursos a serem aplicados, até 2016, girem em torno de R$ 60 bilhões. Todos estes fatores fizeram com que o PIB do Estado apresentasse sucessivos crescimentos, até acima da média nacional. Em 2010 o crescimento foi de 9,3%, o que fez Pernambuco retomar a segunda posição regional, ficando abaixo apenas da Bahia. As projeções indicam que o PIB de 2011 ficará em torno de R$ 110 bilhões (FIEPE, 2011b). Apesar de todos os setores econômicos se beneficiarem, é justamente na área das indústrias de transformação que as mudanças são mais visíveis. Este setor tem atraído novos e importantes blocos de investimentos, como as cadeias produtivas de petróleo e gás, petroquímica, naval, automobilística, têxtil, entre outras. Como resultado, enquanto no Brasil e no Nordeste o estoque de emprego formal, entre 2004 a 2010, cresceu 40,3% e 48,5%, respectivamente, em Pernambuco o crescimento alcançou o índice de 50,3%. (FIEPE, 2011b). Não obstante o inconteste desenvolvimento, a geração de riqueza não é distribuída com equidade entre os municípios, de sorte que os recursos locais disponíveis funcionam como atrativos ou repulsores dos investimentos. Buscando mediar essas diferenças internas, e após uma série de fóruns e deliberações, o Governo do Estado de Pernambuco aprovou a Lei Estadual n°12.427, de 25.9.2003, criando doze Regiões de Desenvolvimento ou RD. Esse mapa microrregional permite, entre outras abordagens, a visualização das potencialidades e entraves geopolíticos de cada setor, buscando viabilizar o desenvolvimento em cada localidade (CONDEPE/FIDEM, 2009). 75 A Figura 5 apresenta as doze Regiões de Desenvolvimento de Pernambuco: Figura 5: As doze Regiões de Desenvolvimento de Pernambuco. Fonte: Condepe/Fidem, 2003). Com relação ao processo de industrialização, três RD se destacam no cenário pernambucano. A RD Metropolitana, que agrega os municípios no entorno de Recife, abrange a maior concentração de indústrias, de maneira que os cincos maiores PIB, medidos nos anos de 2007-2008, encontram-se nessa microrregião. O sexto maior PIB, Petrolina, centraliza a RD São Francisco, enquanto Caruaru, sétimo PIB estadual, lidera a RD Agreste Central. A Figura 6, a seguir, apresenta o Valor Adicionado Bruto – VAB do Setor Industrial, por município. Observa-se claramente que as indústrias estão concentradas nas RD Metropolitana, São Francisco e Agreste Central. O município que aparece em destaque na RD Itaparica, Petrolândia, foi desconsiderado por se tratar de Serviços Industriais de Utilidade Pública – SIUP, que, no caso, refere-se a geração de energia elétrica e não a indústrias de transformação (GOVERNO DO ESTADO DE PERNAMBUCO, 2009). 76 Figura 6: VAB do Setor Industrial, por município de Pernambuco em 2008. Fonte: Governo do Estado de Pernambuco, 2009. As três maiores regiões metropolitanas do Nordeste, que ficam no entorno das cidades de Fortaleza, Recife e Salvador, abrigam os grandes complexos industriais da região. No caso de Pernambuco, a RD Metropolitana respondeu, em 2008, por quase 65% do PIB do Estado (GOVERNO DO ESTADO DE PERNAMBUCO, 2009). Com a implantação do Complexo Industrial Portuário de Suape, já relatado, a microrregião tende a crescer ainda mais, estimulando, em consequência, outras indústrias de apoio, como de metal-mecânica, alimentos, bebidas, tecelagem, etc., que, por sua vez, poderão impulsionar a produção de matérias-primas, contribuindo, em última análise, para a diversificação das atividades industriais do Estado (VERGOLINO e GOMES, 1995). Nas margens do rio São Francisco, mais precisamente nos arredores do município de Petrolina, surgiu um polo de agricultura irrigada que utiliza técnicas intensivas de grande produtividade e é sustentado em produtos de alta elasticidade-renda. Assim, a fruticultura irrigada propiciou o surgimento de várias indústrias ligadas às atividades de alimentos e bebidas, envolvendo frutas in natura, doces, sucos e vinhos, inclusive para exportação. Outras atividades industriais, como as de artigos do vestuário, são observadas na RD São Francisco, embora com menor expressão (ALBUQUERQUE, 2005). Os polos irrigados nordestinos, não apenas o de Pernambuco, vêm se destacando, juntamente com às áreas metropolitanas, como as regiões de maior dinamismo 77 econômico. Por exemplo, a participação da microrregião do São Francisco no PIB de Pernambuco, não obstante o grande crescimento das cidades litorâneas, saltou de 1,97%, em 1985, para 4,5% em 2008 (GOVERNO DO ESTADO DE PERNAMBUCO, 2009). A RD Agreste Central, capitaneada por Caruaru, destaca-se como grande aglomeração urbana. Não sendo uma região metropolitana, nem polo de irrigação ou semi-árido, constitui um espaço heterogêneo, com atividades agrícolas, pecuárias e também turísticas. Apresenta índices econômico-sociais inferiores aos do Nordeste, como um todo, muito embora tenha permanecido como a segunda microrregião mais importante do Estado até o surgimento do polo de irrigação do rio São Francisco (ALBUQUERQUE, 2005). Observa-se, porém, que enquanto a participação do PIB da cidade de Petrolina, em relação ao Estado, passou de 2,7%, em 1999, para 3,4%, em 2008, o PIB de Caruaru ficou estagnado em 3,0%, o que a fez perder a sexta posição para a própria Petrolina. As indústrias de transformação mais importantes do Agreste Central envolvem as atividades de confecções, alimentos, bebidas, material elétrico e metalurgia (GOVERNO DO ESTADO DE PERNAMBUCO, 2009). Conforme o Cadastro Industrial de Pernambuco 2011-2012 (FIEPE, 2011a), a produção de alimentos, bebidas e vestuário existem nas três Regiões de Desenvolvimento abordadas, o que permite uma análise comparativa envolvendo as três atividades industriais. Pode-se concluir que Pernambuco, que conheceu a industrialização desde a chegada dos portugueses, vivenciou o apogeu, o declínio e a estagnação do seu mais precioso bem: a produção do açúcar. Entretanto, a região hoje vive, após décadas de investimentos, um processo de reindustrialização em larga escala, cuja diversificação de atividades tende a superar as limitações da monocultura açucareira. O Estado, já considerado um novo polo industrial do País, busca diminuir a cada dia a sua dependência de outros centros mais avançados. Para que tal propósito seja alcançado, faz-se necessário que todas as indústrias, e não apenas as de grande porte, se adéqüem às novas regras de gerenciamento de riscos operacionais, sejam elas exigidas pela legislação, pelo mercado ou por ambos. 78 3 METODOLOGIA Conforme Cooper e Schindler (2003), a complexidade dos processos aumentou o risco associado às decisões empresariais, tornando ainda mais importante a busca de uma base de informações sólidas, conseguidas por meio de pesquisas confiáveis. A orientação principalmente, nas metodológica proposições deste destes dois trabalho autores, fundamenta-se, que discutem metodologias de pesquisa orientadas para o campo da Administração. 3.1 Tipo de Pesquisa Esta pesquisa não enfatiza a solução de um problema específico de aplicação prática e imediata, que caracteriza a denominada pesquisa aplicada. Ao contrário, busca levantar informações de natureza teórica, contribuindo para ampliar o conhecimento geral sobre o objeto estudado, aproximando-se da chamada pesquisa pura ou básica. Com base na taxionomia apresentada por Cooper e Schindler (2003), o presente estudo classifica-se como: formal, quanto ao grau em que as questões de pesquisa foram formuladas, uma vez que estas questões buscam responder objetivos específicos previamente conhecidos; interrogação, quanto ao método de coleta de dados, pelas respostas serem buscadas diretamente com os respondentes; ex post facto, quanto ao poder de manipulação das variáveis pelo pesquisador, visto não haver possibilidade de levar a efeito qualquer controle sobre as variáveis; 79 descritivo, quanto ao objetivo do estudo, pois preocupa-se em quantificar as informações recolhidas e não tentar explicar as relações entre as variáveis; transversal, quanto à dimensão do tempo, já que busca captar a situação atual, sendo aplicado uma única vez; estatístico, quanto ao escopo do tópico, uma vez que se busca a amplitude, por meio das características das amostras e de testes quantitativos; ambiente de campo, quanto ao ambiente da pesquisa, visto que a coleta de dados ocorrerá a partir do próprio local onde ocorre o objeto em análise. 3.2 Universo e Amostra Segundo Richardson (1989), universo, ou população, é um conjunto de elementos que possuem características comuns. Já o subconjunto de elementos que se retira da população para se proceder à análise é chamado de amostra. O universo da pesquisa foi obtido por meio do Cadastro Industrial de Pernambuco 2011-2012 (FIEPE, 2011a). Foram levantadas as indústrias de alimentos, bebidas e vestuário, de portes pequeno e médio, das três regiões mais desenvolvidas do estado de Pernambuco, resultando em 205 elementos. Tais escolhas permitiram a análise comparativa por região, porte e atividade das indústrias, conforme o escopo definido no objetivo geral do trabalho. O critério adotado de classificação do porte das indústrias foi a definição do SEBRAE que se baseia no número de empregados. Este critério permite a obtenção de dados com maior confiabilidade do que, por exemplo, dados financeiros, que muitas vezes são distorcidos em razão da elevada sensibilidade da informação para a empresa. De acordo com o SEBRAE 80 (2007), o porte das pequenas e médias indústrias, quanto ao número de empregados, é assim estabelecido: pequena: de 20 a 99 empregados, média: de 100 a 499 empregados. Cooper e Schindler (2003, p.167) lembram que se pode “usar os procedimentos de amostragem não-probalísticas porque eles atendem satisfatoriamente aos objetivos de amostragem”. Outras razões para a sua utilização, de acordo com os mesmos autores, são as dimensões tempo e custo. Por outro lado, Hair et al. (2005) alertam sobre as dificuldades na aplicação de questionários de pesquisa, ressaltando que o maior problema consiste na baixa taxa de retorno das respostas. Por conta desses fatores, decidiu-se optar por uma amostragem nãoprobalística, cujo método, segundo Cooper e Schindler (2003), se caracteriza como amostragem intencional e por julgamento, uma vez que a seleção dos elementos buscou atender a um critério previamente definido. O critério utilizado foi o das indústrias que possuem cadastro no Banco do Brasil, visto que, em razão do pesquisador ser funcionário de tal instituição financeira, a acessibilidade aos respondentes seria facilitada, além dos dados obtidos possuírem maior confiabilidade, o que, de fato, se constatou. Da população total de 205 indústrias resultou uma amostra de 130 elementos, distribuídos em seus respectivos estratos amostrais, conforme o quadro a seguir. Região de Desenvolvimento / Porte das Indústrias Agreste Central A B Metropolitana V A B V São Francisco A B Totais V A B V Total Geral Médias 2 0 3 7 2 3 2 2 0 11 4 6 21 Pequenas 10 2 23 26 5 35 4 2 2 40 9 60 109 Totais 12 2 26 33 7 38 6 4 2 51 13 66 130 A: Alimentos; B: Bebidas; V: Vestuário. Quadro 3: Amostragem utilizada na pesquisa. Fonte: Elaborado pelo autor a partir de FIEPE, 2011a. 81 Ainda de acordo com Cooper e Schindler (2003), a amostragem estratificada permitirá a obtenção de dados adequados para a análise de cada subpopulação. Para a determinação do tamanho mínimo de cada subconjunto de elementos, com base em estimativas proporcionais de populações finitas, foi utilizada a fórmula sugerida por Larson e Farber (2010), com margem de erro de 5% e grau de confiança de 95%, conforme detalhado no Anexo A. Observa-se que, no caso dos nichos amostrais com dez elementos ou menos, houve necessidade de se proceder a um censo. Por outro lado, como população e amostra foram definidas previamente, não sendo possível acrescentar elementos ou proceder a substituições, alguns segmentos amostrais restaram com poucos elementos em relação aos demais, podendo apresentar distorções em determinadas análises, caso os testes sejam verificados por meio de uma abordagem desagregada das subpopulações. O quadro a seguir apresenta a quantidade mínima de elementos por cada estrato amostral, resultando em 116 indústrias. Região de Desenvolvimento / Porte das Indústrias Agreste Central A B Metropolitana V A B V São Francisco A B Totais V A B V Total Geral Médias 2 0 3 7 2 3 2 2 0 11 4 6 21 Pequenas 10 2 20 22 5 28 4 2 2 36 9 50 95 Totais 12 2 23 29 7 31 6 4 2 47 13 56 116 foi o A: Alimentos; B: Bebidas; V: Vestuário. Quadro 4: Amostragem mínima utilizada na pesquisa. Fonte: Elaborado pelo autor a partir de FIEPE, 2011a. 3.3 Coleta dos Dados A abordagem de comunicação escolhida questionário autoadministrado (survey), entregue diretamente ao respondente, via Banco do Brasil. Observou-se que a oportunidade de combinar contatos telefônicos 82 prévios com a entrega e recepção pessoal dos questionários, foi de extrema conveniência para o presente projeto. Nas instruções iniciais do questionário (Apêndice A), foi comunicado que o foco dado seria a gestão de riscos operacionais, envolvendo as políticas e preocupações das empresas com todos os eventos que possam trazer prejuízos de quaisquer espécies, excetuando-se os riscos financeiros e os riscos de mercado. Foram informados, ainda, alguns exemplos de cada um dos riscos citados. O questionário foi elaborado com 15 perguntas com opções de respostas fechadas, ou estruturadas, para serem assinaladas pelos respondentes. Quatro delas apresentaram-se como de múltipla escolha, com uma opção semiaberta do tipo “outro (citar)”. Destas, duas admitiram mais de um assinalamento para a resposta “Sim”. As demais questões caracterizaramse como de resposta dicotômica, com opções excludentes. A primeira questão foi a única que apresentou alternativa de ranqueamento (COOPER e SCHINDLER, 2003). O pré-teste foi realizado com duas indústrias de fora do universo de pesquisa. O experimento apontou que as perguntas não suscitaram dúvidas relevantes. Entretanto, ficou evidenciado que a ordem das questões não seguia uma sequência lógica, fazendo com que o respondente retornasse a assuntos já abordados. Assim, o questionário foi reordenado, figurando inicialmente questões relativas a percepções do respondente sobre os riscos operacionais (as quatro primeiras perguntas), vindo em seguida questões envolvendo a estrutura existente na empresa para lidar com tais riscos. As perguntas do questionário, reordenadas, foram relacionadas aos objetivos específicos da pesquisa, conforme a seguir. Identificar, na percepção dos gestores, qual o grau de importância dada à gestão dos riscos operacionais: utilizadas as respostas dos quesitos 2 e 3. A pergunta 2, a primeira do questionário, visou quantificar, em uma escala de dez opções, a importância dada à gestão de cada um dos riscos, a saber: riscos operacionais, financeiros e de mercado. Iniciar o questionário com esta 83 indagação buscou reduzir a possibilidade de que o aprofundamento do assunto, decorrente da própria apresentação dos demais itens, pudesse influenciar a opinião do respondente. Já o quesito 3 objetivou levantar a percepção dos gestores quanto à gestão de riscos operacionais poder reduzir custos, elevar receitas, ambas as opções ou nenhuma delas. Determinar qual a barreira mais significativa que impede maiores investimentos na gestão dos riscos operacionais: utilizadas as respostas do quesito 4, que apresentou seis opções fechadas mais uma semiaberta do tipo “Outro (Citar)”. Levantar os riscos operacionais que mais preocupam tais organizações: utilizadas as respostas do quesito 5, que apresentou quatro opções fechadas mais uma semiaberta do tipo “Outro (Citar)”. Estabelecer a estrutura implantada para gerenciar os riscos operacionais: utilizadas as respostas dos quesitos 6, 12, 13 e 15, sendo o primeiro e o terceiro dicotômicos e os demais com quatro opções fechadas, além de uma última, semiaberta, do tipo “Outro (Citar)”, com a possibilidade de mais de um assinalamento “Sim”. Pergunta 6: levantou a quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com a gestão de riscos operacionais; pergunta 12: verificou a adoção ou não de algum modelo de gestão de riscos; pergunta 13: indagou sobre a existência ou não do cargo de Gerente de Risco; pergunta 15: investigou a presença ou não de estruturas qualitativas na gestão dos riscos operacionais. Descrever como as empresas estudadas lidam com os riscos operacionais: as questões 6 a 16, incluindo as acima descritas, foram elaboradas de maneira a se conhecer o posicionamento da gestão de riscos das indústrias conforme a classificação proposta pelo pesquisador Culp (2001). Os quesitos envolveram questões como a existência de registros formais de perdas nos últimos três anos, indicadores de riscos operacionais previamente definidos, emissão periódica de relatórios e definição de políticas aceitáveis de limites de riscos. As opções de respostas foram todas elas excludentes, com opções do tipo “Sim” ou “Não”, exceto as perguntas 13 e 15, já apresentadas no item precedente. 84 O trabalho de campo ocorreu em dois momentos. Primeiramente, os Gerentes das agências do Banco do Brasil, detentoras dos cadastros dos clientes a serem pesquisados, foram informados, por funcionários da Superintendência Estadual de Pernambuco, da existência da pesquisa e de sua importância para melhor se conhecer o ambiente de risco em que a empresa está inserida. Em seguida, o pesquisador realizou outro contato com os gerentes do Banco do Brasil, buscando prestar informações complementares com relação à obtenção dos dados. Entre as orientações repassadas, foi enfatizada a necessidade das perguntas serem respondidas pelos gestores mais diretamente envolvidos com os riscos operacionais da indústria. Juntamente com o questionário da pesquisa e a relação das indústrias selecionadas foram enviadas duas cartas de apresentação destinadas aos respondentes, uma emitida pelo Banco do Brasil e outra pela Faculdade Boa Viagem (Anexos B e C). Os contatos com os gerentes das agências do Banco do Brasil e o subsequente envio do material de pesquisa ocorreram na primeira quinzena de novembro de 2011. O pesquisador manteve controle sobre os questionários recebidos, possibilitando a cobrança semanal das respostas ainda pendentes, até o alcance das quantidades mínimas estabelecidas de elementos (Quadro 4, do item 3.2, retro). O maior problema enfrentado na coleta de dados foi com relação à disponibilidade dos respondentes no período em que ela ocorreu. Funcionários encontravam-se assoberbados de tarefas e, após o fim do ano de 2011, muitos deles tiraram férias. A primeira Região de Desenvolvimento a ser concluída foi a Metropolitana, seguida pela São Francisco e concluída pela Agreste Central. Tal fato ocorreu em função da região Metropolitana possuir maior quantidade de agências do Banco do Brasil, de maneira que cada uma delas ficou encarregada de pesquisar no máximo quatro indústrias. No caso das outras regiões, os elementos a serem pesquisados apresentaram concentração em duas agências, nas cidades de Petrolina e Caruaru. Esta configuração 85 provocou uma dilação maior do tempo para a coleta de dados, a qual veio a ser concluída na última semana de fevereiro de 2012. Foram observadas duas formas de abordagem de comunicação: ou o questionário foi entregue a algum representante da indústria e devolvido posteriormente, ou o seu preenchimento ocorreu de imediato, seja durante as visitas dos gerentes aos seus clientes ou, ao contrário, nas visitas dos funcionários das empresas ao Banco do Brasil. A coleta de dados foi concluída ao ser atingido o número mínimo de respostas em cada estrato amostral. Ao final, foram entrevistadas 116 indústrias (Apêndice B). 3.4 Tratamento dos Dados As respostas coletadas no questionário de pesquisa foram organizadas em uma tabela, cujos dados foram convertidos em informações gráficas, por meio dos recursos do softwere Microsoft Excel, e serviram de base para se conhecer o perfil das indústrias pesquisadas, tanto da perspectiva geral do estado de Pernambuco, como a partir dos subconjuntos de elementos anteriormente definidos, permitindo, inclusive, comparações entre eles. Gráficos de frequências (percentuais) e cálculos de correlações foram utilizados de acordo com o tipo de informação disponível nas respostas obtidas. A percepção dos respondentes com relação à importância dada aos riscos operacionais, bem como a barreira que mais impede um maior investimento na gestão desses riscos, foram comparadas com os resultados das seguintes pesquisas: Gerenciamento de Riscos e Governança Corporativa (KPMG, 2004) e Gestão de Riscos na Iniciativa Privada e na Administração Pública (CICCO, 2007). A escassez de pesquisas anteriores, principalmente relacionadas a como as empresas lidam com os riscos operacionais e como estão 86 estruturadas para enfrentá-los, representou uma dificuldade, levando o pesquisador a utilizar as preposições de Culp (2001), de modo a classificar cada indústria pesquisada em um dos cinco estágios de evolução da gestão desses riscos. A tábua de classificação relacionou as respostas dos quesitos de 6 a 13, conforme a tabela a seguir. Fase Evidências Quesitos associados Condições de respostas 1 a) Não existem pessoas ou processo envolvidos diretamente com os riscos operacionais; b) análise reativa. 6a9 Pelo menos uma negativa 2 a) Gestão dos riscos operacionais explicitamente abordados; b) equipes isoladas, sem cruzamento de informações. 6a9 Todas positivas 6 a 11 Todas positivas 4 a) Sistema quantitativo de medição de riscos; b) administradores com visão articulada dos riscos; c) existência de cargo de Gerente de Risco. 6 a 13 Todas positivas 5 a) Integração entre os setores; b)estruturas de controles; c) definição de limites de exposição aos riscos operacionais; d) medição padronizada; e) emissão periódica de relatórios. 6 a 16 Todas positivas 3 a) Noção explícita e formal de riscos operacionais; b) sistema de indicadores de mensuração de riscos divulgados; c) abordagens dos riscos com foco na estratégia dos negócios; d) acompanhamento apenas qualitativo. Quadro 5: Estágios da gestão de riscos operacionais relacionados às respostas do questionário de pesquisa. Fonte: Elaborado pelo autor com base em Culp, 2001. 87 3.5 Limitações do Método O banco de dados utilizado foi o Cadastro Industrial de Pernambuco 2011-2012 (FIEPE, 2011a), havendo o risco de alterações na realidade desde então, ou seja, podem ter surgido novas indústrias, outras podem ter encerrado as suas atividades e outras, ainda, podem ter mudado de categoria de porte. Os procedimentos adotados na pesquisa, questionário autoadministrado e análise de resultados, estão sujeitos aos riscos de detecção. 88 4 RESULTADOS Realizada de acordo com a metodologia descrita, a pesquisa apresentou resultados conforme detalhados a seguir. Em uma análise preliminar, considerando as variáveis estudadas (Região de Desenvolvimento, Atividade e Porte das indústrias), percebeu-se baixa correlação com as respostas do questionário. Não obstante, a variável “Porte” obteve correlação acima de 30% em cinco das 15 perguntas, figurando como a de maior influência entre as variáveis (Apêndice C). Dessa forma, pelo caráter moderador que revelou, optou-se por relacionar, nesta abordagem, o desempenho das outras duas variáveis independentes ao porte das indústrias. Para melhor entendimento, os valores são apresentados na sequência definida nos objetivos específicos, o que permitiu efetuar análises comparativas com outras pesquisas, quando possível. 4.1 Importância dada à gestão dos riscos operacionais A questão 2 do questionário buscou saber o grau de importância dado aos riscos operacionais, financeiros e de mercado, em uma escala de 1 a 10. No estado de Pernambuco, a maior média observada foi 8,6, para os riscos financeiros, seguida pelos riscos de mercado e operacionais, quase empatados, com médias de 8,0 e 7,9, respectivamente (Gráfico 1). Gráfico 1: Importância dada à gestão de riscos no estado de Pernambuco. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 89 Este fato é corroborado, também, pelo quadro de correlação apresentado no Apêndice C, onde a correlação entre os riscos financeiros e os de mercado (0,82) mostrou-se superior às correlações envolvendo os riscos operacionais. 4.1.1 Importância dada aos riscos, por Atividade Foram analisadas três atividades industriais: Alimentos, Bebidas e Vestuário. O padrão observado para o estado de Pernambuco se repetiu, com o risco financeiro sendo o mais representativo, seguido pelos riscos de mercado e operacionais, quase empatados. Percebe-se que o resultado total da atividade Vestuário é idêntico ao de Pernambuco, enquanto Alimentos apresenta um desempenho muito próximo. A maior variação ocorreu no item Bebidas, que atingiu médias melhores do que ao total de Pernambuco nos três riscos estudados, com os riscos operacionais ligeiramente acima dos de mercado (Gráfico 2). Gráfico 2: Importância dada à gestão de riscos por Atividade. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. De acordo com Sbarai (2007), a fabricação de alimentos e bebidas está sujeita à maior regulamentação, uma vez que necessita entregar produtos rigorosamente salubres aos consumidores. Assim, o setor convive com atualizações constantes nos processos, tanto em consequência do surgimento 90 de novas leis, quanto do desenvolvimento de novos conhecimentos, exigindo melhorias contínuas nos controles operacionais. Este entendimento corrobora com os resultados encontrados para Bebidas, cujas médias apresentaram desempenho melhores em todos os riscos, inclusive operacionais. Por outro lado, o setor de Alimentos apresentou uma percepção de riscos nos mesmos níveis da atividade Vestuário, com média levemente menor para riscos operacionais. Tal situação não condiz com as preocupações apontadas pelo autor acima citado. 4.1.1.1 Importância dada aos riscos, por Atividade e Porte 4.1.1.1.1 Alimentos Percebe-se uma relação direta entre o porte e o grau de importância atribuído aos riscos. Ou seja, o Médio Porte apresentou as maiores médias para todos os riscos: 9,6 para financeiros, 9,2 para os de mercado e 8,5 para os operacionais. Observa-se, também, maior distanciamento entre os riscos de mercado e os operacionais. Em consequência, o Pequeno Porte mostrou médias menores, em relação a Alimentos Pernambuco, para todos os riscos. (Gráfico 3). Gráfico 3: Importância dada à gestão de riscos na Atividade Alimentos, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 91 Retomando as argumentações de Sbari (2007), comentadas no item precedente, de que as indústrias de alimentos e bebidas precisam adotar melhores controles em seus processos produtivos, verifica-se que o segmento Alimentos, de Médio Porte, dão, de fato, maior grau de importância a todos os riscos, incluindo os riscos operacionais. No entanto, a percepção desses ricos para o segmento de empresas de Pequeno Porte é relativamente menor, sugerindo necessidades de melhorias no que diz respeito ao gerenciamento de riscos gerais dos seus processos. 4.1.1.1.2 Bebidas Verifica-se, também, o impacto do Porte Médio sobre o subconjunto de elementos Bebidas, mantendo os riscos financeiros com maior média, seguido de perto pelos riscos de mercado, que se distanciou dos riscos operacionais. Estes últimos riscos, aliás, apresentaram uma variação fora do padrão até então observados: caíram da média 8,4 para 7,8, entre as indústrias de médio porte, e cresceram para 8,7, superando os riscos de mercado, naqueles de pequeno porte (Gráfico 4). Gráfico 4: Importância dada à gestão de riscos na Atividade Bebidas, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. De modo geral, o grau de importância dado a todos os riscos, na atividade Bebidas, mostrou-se acima dos argumentações do autor Sbari (2007), já discutidas. demais, reforçando as 92 A redução da média atribuída aos riscos operacionais, no segmento Médio Porte, deverá ser comparada com as outras questões da pesquisa, notadamente no que diz respeito à estrutura de controles adotada, para se concluir se se trata de uma tendência ou um desvio nos resultados, provocado pelas limitações inerentes ao tipo de coleta de dados. 4.1.1.1.3 Vestuário O subconjunto Vestuário não apresentou variações relevantes entre as indústrias de pequeno porte, tendo as maiores médias para os riscos financeiros, seguidos dos riscos de mercado e operacionais, estes praticamente nos mesmos patamares. Entretanto, para as indústrias de médio porte, observa-se um discreto crescimento da média apenas em relação aos riscos operacionais, deixando-os em segundo lugar. Os outros dois tipos de riscos decresceram discretamente neste segmento amostral (Gráfico 5). Gráfico 5: Importância dada à gestão de riscos na Atividade Vestuário, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. A ausência de regulamento mais rígido para esse setor, em comparação aos segmentos de Alimentos e Bebidas, pode ter contribuído para a não observação de variações relevantes em função do porte das indústrias. 93 A redução da média, referente ao risco de mercado nas indústrias de médio porte, pode ter sido influenciada pela presença de polos de confecções no Estado, estruturas produtivas onde ocorre a chamada “eficiência coletiva”, em que a especialização, a flexibilidade e a cooperação entre empresas produzem vantagens comerciais em um ambiente interno de menor competição (SANTOS, 2005). 4.1.2 Importância dada aos riscos, por Região de Desenvolvimento Foram analisadas três Regiões de Desenvolvimento: Agreste Central, Metropolitana e São Francisco. O padrão observado para o estado de Pernambuco se repetiu, ficando o risco financeiro com maior representatividade, seguido pelos riscos de mercado e operacionais, com médias próximas. Observa-se que, no segmento Agreste Central, os riscos operacionais ficaram ligeiramente acima dos de mercado. Já a região Metropolitana foi a que apresentou menores médias para todos os riscos analisados (Gráfico 6). Gráfico 6: Importância dada à gestão de riscos por Região de Desenvolvimento. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. Aparentemente, a Região de Desenvolvimento Metropolitana apresentou a pontuação mais baixa dos riscos estudados. Por outro lado, é a que mostrou 94 maior quantidade e diversidade de elementos amostrais. Assim, estaria menos suscetível a erros causados Pela influência de alguma atividade sobre as outras. Tais fatores podem ter contribuído para a obtenção de respostas mais variadas, não significando necessariamente menor preocupação com os riscos. A análise dos demais quesitos do questionário deverá reforçar ou refutar esta percepção. 4.1.2.1 Importância dada aos riscos, por Região e Porte 4.1.2.1.1 Agreste Central As médias dos riscos operacionais e de mercado mantiverem-se bastante próximas e sem variações relevantes em função do porte. A maior mudança foi observada para os riscos financeiros que, no segmento Médio Porte, ficou nos patamares dos outros riscos e fora do padrão observado nos demais subconjuntos de elementos, onde tais riscos figuraram sempre com média superior. Tal situação sugere que as indústrias de médio porte, na RD Agreste Central, possuem uma percepção mais equilibrada entre os riscos estudados (Gráfico 7). Gráfico 7: Importância dada à gestão de riscos na Região de Desenvolvimento Agreste Central, em função do porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 95 4.1.2.1.2 Metropolitana Observa-se mais uma vez o padrão das médias para o estado de Pernambuco, com os riscos financeiros acima, seguido dos riscos de mercado e operacionais, em patamares próximos. Entretanto, percebe-se uma influência positiva, nas médias dos riscos analisados, em função do Médio Porte, exceto para o caso dos riscos operacionais, que se mantiveram no mesmo nível (Gráfico 8). Gráfico 8: Importância dada à gestão de riscos na Região de Desenvolvimento Metropolitana, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.1.2.1.3 São Francisco Neste segmento, verifica-se também uma relação direta entre o porte e o grau de importância atribuído aos riscos. Ou seja, o Médio Porte apresentou as maiores médias para todos os riscos: 9,8 para financeiros, 9,0 para os de mercado e 8,0 para os operacionais. A média para os riscos financeiros (9,8) foi a maior verificada em todos os subconjuntos de elementos estudados. Observa-se, igualmente, maior distanciamento entre os riscos de mercado e os operacionais. Estes últimos, aliás, obtiveram crescimento discreto, passando de 7,9 para 8,0. 96 Por outro lado, o Pequeno Porte mostrou médias menores em relação à Região de Desenvolvimento São Francisco, exceto para os riscos operacionais, que se mantiveram na mesma média (Gráfico 9). Gráfico 9: Importância dada à gestão de riscos na Região de Desenvolvimento São Francisco, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. A Região de Desenvolvimento São Francisco foi fortemente impactada pelas atividades Alimentos e Bebidas, segmentos que, conforme discutido anteriormente, possuem maior regulação no que se refere ao controle dos processos. Tal fato pode ter contribuído para que as indústrias de médio porte manifestassem, com maior intensidade, a importância dada à gestão de todos os riscos pesquisados. Em síntese, o estado de Pernambuco apresentou média total dos riscos acima de 8,0, ficando os riscos financeiros em 8,6, os riscos de mercado em 8,0, e os riscos operacionais em 7,9. Isto, mais uma vez, segue a correlação demonstrada entre os riscos financeiros e os de mercado (0,82) que se mostrou superior às correlações envolvendo os riscos operacionais (ver Apêndice C). Com relação às atividades, os segmentos de Alimentos e Vestuário apresentaram médias semelhantes, enquanto Bebidas resultou em valores mais elevados. A alta regulação das indústrias de alimentos e bebidas pode explicar o desempenho deste último segmento (Bebidas), mas não em relação ao primeiro (Alimentos). 97 O maior porte das indústrias indicou maior importância dada aos riscos. No caso dos Alimentos, todos os riscos tiveram elevação de pontuação dentre as empresa de médio porte, resultado adequado em função da maior regulação do setor. No caso de Bebidas e Vestuário, o primeiro apresentou crescimento, exceto para riscos operacionais, e o último, menor variação entre os três riscos. Das Regiões de Desenvolvimento estudadas, a Metropolitana apresentou distribuição de notas mais diversificada, resultando em médias menores que as duas outras, Agreste Central e São Francisco. Este resultado ocorreu possivelmente por tal região possuir maior quantidade e variedade de elementos, ficando menos suscetível ao viés causado por alguma das atividades. A variável Porte Médio também impactou o resultado observado nas Regiões de Desenvolvimento. Neste segmento, Agreste Central apresentou as médias mais equilibradas dos riscos, sendo 8,4 para os riscos financeiros e de mercado, e 8,2 para os riscos operacionais. A Metropolitana mostrou crescimento nas médias de riscos, exceto riscos operacionais, e São Francisco resultou nas maiores médias de todos os subconjuntos estudados: 9,8 para riscos financeiros, 9,0 para riscos de mercado, e 8,0 para riscos operacionais. Esta última Região de Desenvolvimento foi fortemente influenciada pelas atividades Alimentos e Bebidas. O padrão verificado em quase todos os subconjuntos, com riscos financeiros seguidos pelos riscos de mercado e operacionais, não coincide com a pesquisa realizada pela KPMG, em 2003, com 2.000 indústrias no Brasil (KPMG, 2004), e com a pesquisa Gestão de Riscos na Iniciativa Privada e na Administração Pública, realizada em 2007 com 136 empresas privadas e 62 entidades e órgãos da administração pública (CICCO, 2007). Em ambos os estudos, os riscos considerados mais importantes foram os riscos de mercado, seguidos pelos riscos operacionais e, em último, os financeiros. 98 4.1.3 O que faz a gestão dos riscos operacionais A questão 3 também investigou a importância dada aos riscos operacionais ao indagar se a gestão de tais riscos, na visão da empresa, reduz custos, eleva receita, reduz custos e eleva receitas ou nenhum dos casos. Na análise geral do estado de Pernambuco, 76% afirmaram acreditar que a gestão dos riscos operacionais reduz custos e eleva receitas. Se somarmos este índice com as respostas afirmativas isoladas, ou seja, com as que apontaram que apenas reduz custos ou que apenas eleva receitas, o índice sobe para 92%. Apenas 8% dos entrevistados apontaram que a gestão dos riscos operacionais nem reduz custos, nem eleva receitas (Gráfico 10). Gráfico 10: O que faz a gestão dos riscos operacionais. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.1.3.1 Gestão dos riscos operacionais, por Atividade Neste segmento, o melhor resultado foi obtido pela atividade Bebidas, onde a totalidade dos respondentes afirmou que a gestão dos riscos operacionais tanto reduz custos como eleva receitas. A atividade Alimentos obteve um bom desempenho na mesma opção (78,7%), ficando Vestuário com o menor índice: 67,9%. Já a opção de não reduzir custos nem elevar receitas teve desempenho semelhante para Alimentos e Vestuário: 8,5% e 8,9%, respectivamente (Gráfico 11). 99 Gráfico 11: O que faz a gestão dos riscos operacionais, por Atividade. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.1.3.1.1 Gestão dos riscos operacionais, por Atividade e Porte A opção “Reduz custos e eleva receitas” obteve a totalidade das respostas na atividade Bebidas e, no caso de Vestuário, não houve variações relevantes por conta do porte das indústrias. Já em relação à atividade Alimentos, quando se delimitou o Médio Porte, percebeu-se melhoria nas respostas para a mesma opção, passando de 78,7%, situação geral de Pernambuco, para 90,9% (Gráfico 12). Gráfico 12: O que faz a gestão dos riscos operacionais, por Atividade em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 100 4.1.3.2 Gestão dos riscos operacionais, por Região de Desenvolvimento Neste segmento, o melhor resultado foi obtido pela Região de Desenvolvimento São Francisco, onde 91,7% dos respondentes afirmaram que a gestão dos riscos operacionais tanto reduz custos como eleva receitas. Para o mesmo quesito, Metropolitana obteve 76,1% e Agreste Central, 70,3% (Gráfico 13). Gráfico 13: O que faz a gestão dos riscos operacionais, por Região de Desenvolvimento. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.1.3.2.1 Gestão dos riscos operacionais, por Região e Porte A opção “Reduz custos e eleva receitas” melhorou a pontuação nas Regiões de Desenvolvimento Metropolitana e São Francisco, em relação direta com o porte das indústrias. Já em Agreste Central, as empresas de Médio Porte apresentaram redução nas notas para o mesmo quesito (Gráfico 14). 101 Gráfico 14: O que faz a gestão dos riscos operacionais, por Região de Desenvolvimento em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. No cômputo geral, as respostas até então analisadas apontam para o entendimento de que as indústrias das atividades Bebidas e Alimentos, nesta ordem, dão mais importância à gestão dos riscos operacionais do que a atividade Vestuário. As Regiões de Desenvolvimento São Francisco e Metropolitana, que agregam maior número de indústrias de Bebidas e Alimentos, apresentaram resultados superiores à situação verificada no Agreste Central, fortemente impactada pela atividade Vestuário. Observa-se, ainda, que as Atividades e Regiões de Desenvolvimento com melhores médias, tiveram seus desempenhos ampliados entre as suas respectivas indústrias de médio porte. 4.2 Barreira que impede investir na gestão de riscos operacionais O quesito 4 do questionário indagou sobre a barreira que, na opinião dos respondentes, mais impede um maior investimento na gestão de riscos operacionais. 102 Foram fornecidas seis opções fechadas: desconhecimento do assunto, excesso de níveis hierárquicos, falta de pessoal especializado, burocracia, cultura interna resistente e lentidão na tomada de decisões, além de uma opção semiaberta do tipo “Outro (citar)”. A pergunta admitia apenas um assinalamento. Todas as opções foram marcadas, exceto “Outro (Citar)”. No estado de Pernambuco, observaram-se dois grupos de respostas. O primeiro, com as opções “falta de pessoal especializado” (38%) e “desconhecimento do assunto” (37%), opções que, de certa forma, se relacionam. O segundo, menos relevante, formado por “burocracia”, “lentidão na tomada de decisões” (2%, cada) e “excesso de níveis hierárquicos” (1%). A opção “cultura interna resistente” (20%) ficou em uma posição intermediária entre os dois grupos (Gráfico 15). Gráfico 15: Barreira que mais impede investir na gestão dos riscos operacionais. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.2.1 Barreira que impede investir, por Atividade Observa-se que as três barreiras mais citadas para o estado de Pernambuco (falta de pessoal especializado, desconhecimento do assunto e cultura interna resistente), repete-se como as mais importantes também neste segmento. As atividades Alimentos e Bebidas tiveram respostas bastante semelhantes nessas opções. Já a atividade Vestuário apresentou índice maior para “desconhecimento do assunto” em detrimento das opções “falta de pessoal especializado” e “cultura interna resistente” (Gráfico 16). 103 Gráfico 16: Barreira que mais impede investir na gestão dos riscos operacionais, por Atividade. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.2.1.1 Barreira que impede investir, por Atividade e Porte As indústrias de Médio Porte, das atividades Alimentos e Bebidas, apresentaram elevação de médias no item “cultura interna resistente” e “falta de pessoal especializado”, nessa ordem, em detrimento das demais opções. Já na atividade Vestuário, as empresas de médio porte tiveram menor apontamento do item “desconhecimento do assunto”. O percentual verificado para a opção “excesso de níveis hierárquicos” no segmento Bebidas, Porte Pequeno, decorre do assinalamento de uma única indústria. Pode ser justificado pela maior regulação da Atividade ou porque, mesmo classificada como “Pequena”, a empresa possui 53 funcionários. (Gráfico 17). Gráfico 17: Barreira que mais impede investir na gestão dos riscos operacionais, por Atividade, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 104 4.2.2 Barreira que impede investir, por Região de Desenvolvimento Este subconjunto de elementos apresentou as opiniões mais variadas observadas até então. A “falta de pessoal especializado” e “desconhecimento do assunto” tiveram médias elevadas nas três regiões pesquisadas. Entretanto, o item “cultura interna resistente” foi menos lembrado no segmento Agreste Central (Gráfico 18). Gráfico 18: Barreira que mais impede investir na gestão dos riscos operacionais, por Região de Desenvolvimento. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.2.2.1 Barreira que impede investir, por Região e Porte O resultado observado para este segmento também apresentou variações em função do porte das empresas. Nas três regiões analisadas, as indústrias de Médio Porte apontaram elevação da média da opção “cultura interna resistente” e redução para o item “desconhecimento do assunto”. Esta opção, aliás, não foi citada em Metropolitana e São Francisco. Quanto à “falta de pessoal especializado”, houve acréscimo na pontuação nas regiões Agreste Central e São Francisco. Conforme discutido anteriormente (item 4.2.1.1, retro), o assinalamento “excesso de níveis hierárquicos”, foi feito por uma única indústria, não alcançando representatividade na pesquisa (Gráfico 19). 105 Gráfico 19: Barreira que mais impede investir na gestão dos riscos operacionais, por Região de Desenvolvimento, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. No cômputo geral, as três opções mais citadas, em todos os segmentos analisados, foram, pela ordem, a falta de pessoal especializado, o desconhecimento do assunto e a cultura interna resistente. As outras opções não tiveram desempenhos relevantes. Quanto à Atividade, observou-se que Vestuário apresentou percentual mais elevado da opção “desconhecimento do assunto”. Esta situação foi atenuada, quando segregadas as indústrias de médio porte. Já em relação à Região de Desenvolvimento, São Francisco apresentou o maior índice para “desconhecimento do assunto”. Entretanto, esta opção não foi citada entre as indústrias de médio porte. Assim, o maior porte das empresas resultou em menor indicação do item “desconhecimento do assunto”, tanto no segmento Atividade quanto no subconjunto Região de Desenvolvimento. Este resultado, em última análise, coincidiu com aquele apontado pela pesquisa Gestão de Riscos na Iniciativa Privada e na Administração Pública, realizada em 2007 com 136 empresas privadas e 62 entidades e órgãos da administração pública (CICCO, 2007). Já a pesquisa realizada pela KPMG, em 2003, com 2.000 indústrias no Brasil, apontou como a principal barreira que afeta a implantação de boas práticas de governança nas empresas a cultura interna resistente (KPMG, 2004). 106 4.3 Riscos operacionais considerados mais importantes O objetivo do quesito 5, aqui discutido, foi levantar os riscos que mais preocupam as empresas pesquisadas. Foram fornecidas quatro opções fechadas: Processo (equipamentos, instalações, resíduos, adequação à legislação, etc.); Sistema (computadores desatualizados ou obsoletos, suporte de comunicação insatisfatório, etc.); Pessoa (falhas, fraudes, qualificação insuficiente, conduta antiética, etc.), e Evento externo (inundações, incêndios, etc.), além de uma opção semiaberta do tipo “Outro (citar)”. A pergunta admitia apenas um assinalamento. Todas as opções tiveram registros, exceto a indicação “Outro (Citar)”. No estado de Pernambuco, observaram-se dois grupos de respostas. O primeiro, bem equilibrado, com as opções “Pessoa” (49%), e “Processo” (48%). O segundo, com pouca representatividade, teve “Evento externo” (2%) e “Sistema” (1%) – (Gráfico 20). Gráfico 20: Riscos operacionais mais importantes. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 107 4.3.1 Riscos mais importantes, por Atividade O padrão verificado para Pernambuco se repetiu no segmento Atividade, com Bebidas tendo o maior índice para Processo (76,9%), e Vestuário apresentando o maior índice para Pessoa (66,2%). Alimentos ficou em uma situação intermediária: 59,6% para Processo e 36,2% para Pessoa, porém, foi o único segmento a registrar assinalamentos para Sistema e Eventos externos, com 2,1%, cada (Gráfico 21). Gráfico 21: Riscos operacionais mais importantes, por Atividade. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.3.1.1 Riscos mais importantes, por Atividade e Porte Não foram observadas mudanças relevantes no segmento Bebidas em função do porte. Já nos subconjuntos de elementos Alimentos e Vestuário, a média na opção “Processo” cresceu, diminuindo o item “Pessoa”. Em Alimentos, houve citação de Sistemas e Eventos externos (2,8%, cada) para empresas de pequeno porte, enquanto a opção “Evento externo” foi citada em 16,7% dos casos no segmento Vestuário, Porte Médio (Gráfico 22). 108 Gráfico 22: Riscos operacionais mais importantes, por Atividade, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.3.2 Riscos mais importantes, por Região de Desenvolvimento Este segmento também acompanhou o resultado obtido para o estado de Pernambuco, apresentando equilíbrio entre as opções Processo e Pessoa, com leve vantagem desta última. No Agreste Central, Pessoa teve maior assinalamento, enquanto que, em São Francisco, Processo teve média mais elevada. Ainda na região São Francisco, o item Evento externo foi lembrado por 8,3%. Metropolitana teve, ainda, citações de 1,5%, cada, para Sistema e Eventos externos (Gráfico 23). Gráfico 23: Riscos operacionais mais importantes, por Região de Desenvolvimento. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 109 4.3.2.1 Riscos mais importantes, por Região e Porte Em todas as Regiões de Desenvolvimento, as empresas de médio porte apresentaram maior percentual para os riscos relacionados a Processo, os quais atingiram patamares de 75% ou mais, em detrimento daqueles provocados por Pessoa, que caíram para índices de 25% ou menos. Observouse, ainda, a indicação de Eventos externos em 12,5%, no segmento São Francisco, e 8,3%, em Metropolitana (Gráfico 24). Gráfico 24: Riscos operacionais mais importantes, por Região de Desenvolvimento, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. No cômputo geral, os riscos considerados mais preocupantes pelas empresas pesquisadas estão praticamente divididos entre os riscos por Pessoa (49%) e por Processo (48%). A análise por Atividade indicou que Alimentos e Bebidas tiveram em Processo o risco mais importante (60% e 77%, respectivamente). Vestuário, ao contrário, assinalou o risco de Pessoa como o mais importante (66%). Considerando apenas as indústrias de médio porte, o segmento Vestuário foi o único que inverteu a ordem anterior, elevando os riscos por Processo para 50% e reduzindo aqueles provocados por Pessoa para 33%. Este segmento indicou, ainda, Eventos externos em 17% das respostas. Quanto às Regiões de Desenvolvimento, Agreste Central e Metropolitana apresentaram equilíbrio entre os riscos por Processo e por 110 Pessoa e, igualmente ao resultado geral para Pernambuco, com leve vantagem para esta última opção. Já a região São Francisco considerou mais importante os riscos provocados por Processo. Estas diferenças desapareceram quando se analisou separadamente as empresas de médio porte. Neste segmento, os riscos por Processo tiveram a indicação de 75% dos respondentes ou mais, em todas as regiões. Observou-se, ainda, indicação da opção Eventos externos nas Regiões de Desenvolvimento Metropolitana e São Francisco, com percentuais de 8,3% e 12,5%. Assim, constata-se que a percepção dos riscos revela equilíbrio, entre Processo e Pessoa, quando se analisa isoladamente a Atividade ou a Região de Desenvolvimento. Entretanto, abordando separadamente as indústrias de médio porte em ambos os segmentos, sobressai-se a atribuição de maior importância dada aos riscos causados por Processo, sugerindo a existência de maior controle sobre os riscos decorrentes de Pessoa. No outro grupo, os riscos provocados por Eventos externos são bem mais lembrados do que os causados por Sistema. Este resultado sugere que o nível de informatização dos processos produtivos das empresas ainda não é suficiente para colocar os riscos envolvidos entre os mais importantes, figurando abaixo até mesmo de situações fortuitas e de baixa probabilidade de ocorrência, como se caracteriza a maioria dos Eventos externos. 4.4 Estrutura implantada para gerenciar os riscos operacionais Para se estabelecer a estrutura de gestão de riscos operacionais existentes nas indústrias, foram verificados os seguintes indicadores: quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com o assunto, modelos de gestão de riscos adotados, existência do cargo de gerente de risco e utilização de ferramentas qualitativas de gestão. 111 4.4.1 Funcionários envolvidos com a gestão de riscos operacionais A questão 6 levantou a quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com a gestão de riscos operacionais. Foram fornecidas quatro opções fechadas: “Apenas um”, “De dois a quatro”, “Cinco ou mais” e “Não” para nenhum funcionário. A opção “Cinco ou mais” não obteve assinalamento. No estado de Pernambuco, observou-se que 33% das empresas entrevistadas responderam possuir apenas um funcionário exclusivamente envolvido com a gestão dos riscos operacionais, enquanto 13% disseram ter de dois a quatro empregados. A maioria (54%) informou não possuir nenhum funcionário exclusivamente dedicado à questão (Gráfico 25). Gráfico 25: Quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com a gestão de riscos operacionais. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.4.1.1 Funcionários envolvidos, por Atividade A atividade Alimentos apresentou o maior índice de “Dois a quatro” funcionários (21,3%), porém, a indicação de nenhum funcionário foi maior do que em Bebidas. Por sua vez, Bebidas teve o maior percentual de “Apenas um” funcionário. A atividade Vestuário teve o pior desempenho: maior índice de “Não” (67,9%), e menor percentual de “Dois a quatro” (7,1%) – (Gráfico 26). 112 Gráfico 26: Quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com a gestão de riscos operacionais, por Atividade. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.4.1.1.1 Funcionários envolvidos, por Atividade e Porte Verificou-se uma relação direta entre o porte das indústrias e a quantidade de funcionários exclusivamente envolvidos com a gestão dos riscos operacionais em todas as atividades pesquisadas. Nos segmentos Alimentos e Bebidas, o índice de respostas “Dois a quatro” se elevou e a opção “Não” (nenhum) não obteve registro. Por outro lado, Vestuário apresentou um equilíbrio (50%) entre as opções “Apenas um” e “Não”, melhorando o desempenho do segmento, e ocorreram oito assinalamentos “Dois a quatro” por empresas de pequeno porte. Entretanto, cada uma destas possui mais de 50 empregados, sendo que quatro delas tem quadro funcional acima 75 pessoas, figurando no segmento Porte Pequeno em função do critério de corte adotado na pesquisa (Gráfico 27). Gráfico 27: Quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com a gestão de riscos operacionais, por Atividade, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 113 4.4.1.2 Funcionários envolvidos, por Região de Desenvolvimento O segmento São Francisco obteve os melhores resultados: maior índice para as opções “Dois a quatro” (16,7%) e “Apenas um” (50%). O segmento Metropolitana apresentou média significativa na opção “Dois a quatro” (16,4%), entretanto, um índice relativamente menor para “Apenas um” (23,9%). Agreste Central, ao contrário, mostrou melhor desempenho em “Apenas um” (43,2%), porém, menor “Dois a quatro” (5,4%) – (Gráfico 28). Gráfico 28: Quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com a gestão de riscos operacionais, por Região de Desenvolvimento. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.4.1.2.1 Funcionários envolvidos, por Região e Porte Considerando somente as empresas de médio porte, percebeu-se incremento nas respostas “Dois a quatro” e “Apenas um” nas Regiões de Desenvolvimento Metropolitana e São Francisco. No Agreste Central, apesar de não se observar assinalamentos “Dois a quatro”, a opção “Apenas um” cresceu em relação à nenhum funcionário (Gráfico 29). 114 Gráfico 29: Quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com a gestão de riscos operacionais, por Região de Desenvolvimento, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. Em síntese, a maior parte das empresas pesquisadas (54%) afirmou não possuir nenhum funcionário exclusivamente envolvido com a gestão dos riscos operacionais, o que é, por si só, um número relevante. Com relação à Atividade, mais uma vez Alimentos e Bebidas mostraramse melhor preparados para a gestão dos riscos operacionais do que as indústrias de Vestuário. Na análise por Região de Desenvolvimento, São Francisco apresentou melhor índice, tanto para a opção “Dois a quatro” quanto para “Apenas um” funcionário. O segmento Metropolitana, apesar de revelar a maior média para nenhum funcionário, a opção “Dois a quatro” foi bem superior à Agreste Central. Quando se analisou apenas as empresas de médio porte, verificou-se melhoria em todos os subconjuntos de elementos, tanto das Atividades quanto das Regiões de Desenvolvimento. 115 4.4.2 Modelo de gestão de riscos adotado O quesito 12 verificou se foi adotado algum modelo de gestão de riscos nas empresas pesquisadas. Foram fornecidas quatro opções fechadas: “Não”, “COSO”, “Lei SOX” e “ISO 31000”, além de uma última, semiaberta, do tipo “Outro (Citar)”. Em todo o estado de Pernambuco, o assinalamento para a opção “Não”, ou seja, que implica em não se ter implantado nenhum modelo de gestão de riscos, foi de 95%. A “Lei SOX” teve um único assinalamento (1%) e a opção semiaberta “Outro (Citar)”, apareceu com cinco registros (4%). Não houve apontamento para as opções “COSO” e “ISO 31000” (Gráfico 30). Gráfico 30: Modelo de gestão de risco adotado. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. Este resultado, pela similaridade dos valores encontrados, impediu uma análise comparativa entre os subconjuntos de elementos previamente definidos. Entretanto, foi possível levantar algumas informações relacionadas à única resposta objetiva assinalada e aos cinco apontamentos subjetivos. O registro “Lei SOX” ocorreu em uma indústria da Atividade Alimentos, da Região de Desenvolvimento Agreste Central e de Pequeno Porte. Trata-se, 116 no entanto, de uma empresa coligada a uma indústria de grande porte, não abrangida pela pesquisa. Nos cinco assinalamentos da opção “Outro (Citar)”, foram anotados os seguintes comentários: “Fichas tipo ISO 9000”, “CIPA”, “APPC”, “SIGA” e “BRC 22000”. Todas as indústrias referidas pertencem à Região de Desenvolvimento Agreste Central. ISO 9000 diz respeito ao padrão internacional (International Organization for Standardization) voltado para a área de Qualidade Total. A empresa que fez a anotação pertence à Atividade Vestuário, de Porte Pequeno. CIPA diz respeito à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. A indústria que citou está vinculada à Atividade Vestuário, de Médio Porte. APPC significa Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle. A empresa que fez o assinalamento é da Atividade Alimentos, de Médio Porte. SIGA é a sigla de Sistema de Gestão Administrativa. A indústria é da Atividade Alimentos, de Médio Porte. BRC 22000 refere-se ao padrão internacional ISO (ISO 22000), ligado à Gestão de Segurança Alimentar. A BRC (British Retail Consortium) é uma certificação que busca assegurar a qualidade e a segurança na produção de alimentos. A empresa que citou é da Atividade Alimentos, de Médio Porte. Em relação à Atividade, quatro dos seis assinalamentos são indústrias de Alimentos, enquanto as outras duas são de Vestuário. O apontamento “BRC 22000” reforça o entendimento de que o segmento Alimentos possui preocupação diferenciada com a segurança dos seus produtos. Mais uma vez o porte surgiu como um fator relevante, visto que quatro dos seis assinalamentos são indústrias de médio porte. Observa-se, ainda, que as cinco anotações subjetivas, apesar de indicarem ferramentas que contribuem para a gestão global das empresas, não estão diretamente relacionadas ao gerenciamento de riscos operacionais. Duas dizem respeito ao controle de qualidade (ISO 9000 e BRC 22000), duas 117 referem-se à prevenção de acidentes (CIPA e APPC), e uma envolve a gestão administrativa de uma forma geral (SIGA). Portanto, os conceitos de riscos operacionais ainda não foram bem compreendidos mesmo entre os respondentes que adotam algum modelo de gestão empresarial. Em última análise, 99% das empresas estudadas revelaram não adotar modelos específicos para gestão de riscos operacionais. 4.4.3 Cargo de gerente de risco A questão 13 verificou se existe o cargo formal de gerente de risco nas empresas pesquisadas. Foram fornecidas duas opções dicotômicas, do tipo “Sim” ou “Não”. Em 100% da amostra, ou seja, em todo o estado de Pernambuco, foi assinalada a opção “Não”. Assim, ficou evidenciado que as indústrias pesquisadas ainda não perceberam a importância de tal função para uma gestão adequada dos riscos operacionais. 4.4.4 Ferramentas qualitativas de gestão de riscos adotadas A questão 15 investigou a existência de ferramentas qualitativas de gestão de riscos nas empresas pesquisadas. Foram fornecidas quatro opções fechadas: “Não”, “Controle Interno”, “Auditoria Interna” e “Auditoria Externa”, além de uma última, semiaberta, do tipo “Outro (Citar)”. Em todo o estado de Pernambuco, o assinalamento para a opção “Não”, ou seja, que implica na não utilização de nenhuma das ferramentas sugeridas, foi de 81,9%. Controle Interno ficou com 13,8% e as Auditorias Interna e Externa responderam por aproximadamente 2% cada (Gráfico 31). 118 Gráfico 31: Ferramentas qualitativas de gestão de risco adotadas. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.4.4.1 Ferramentas qualitativas, por Atividade A Atividade Alimentos apresentou o menor índice de “Não” e o maior de Controle Interno (17%), além de ter havido assinalamentos também para Auditoria Interna (6,4%) e Auditoria Externa (4,3%). Bebidas e Vestuário assinalaram somente as opções “Não” e Controle Interno, com um melhor desempenho para Bebidas (Gráfico 32). Gráfico 32: Ferramentas qualitativas de gestão de risco, por Atividade. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 119 4.4.4.1.1 Ferramentas qualitativas, por Atividade e Porte Ao se analisar as Atividades, conforme o porte das indústrias, observouse que, no segmento Alimentos, os índices de todas as ferramentas de gestão de riscos melhoraram. Com relação à Vestuário, a única ferramenta apontada, Controle Interno, teve também melhor desempenho. Entretanto, no subconjunto de elementos Bebidas foi assinalada somente a ferramenta Controle Interno e entre as empresas de pequeno porte (Gráfico 33). Gráfico 33: Ferramentas qualitativas de gestão de risco, por Atividade, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.4.4.2 Ferramentas qualitativas, por Região de Desenvolvimento Na análise por Região de Desenvolvimento, observa-se que o segmento Metropolitana apresentou assinalamento para as três ferramentas sugeridas e obteve, também, o menor valor para a opção “Não” (77,6%). Agreste Central teve duas ferramentas citadas, restando apenas Auditoria Interna, e média intermediária para “Não” (86,5%). São Francisco teve o pior desempenho, com apenas uma das três ferramentas sugeridas, além de ter maior percentual de “Não” (91,7%) – (Gráfico 34). 120 Gráfico 34: Ferramentas qualitativas de gestão de risco, por Região de Desenvolvimento. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.4.4.2.1 Ferramentas qualitativas, por Região e Porte Ao se analisar as empresas de médio porte observa-se que o segmento Metropolitana apresentou melhor desempenho para as opções Controle Interno e Auditoria interna. Entretanto, os dois outros subconjuntos de elementos apresentaram padrões diferentes. Agreste Central melhorou o desempenho da opção Auditoria Interna, mas reduziu a média de Controle Interno. Já o segmento São Francisco ampliou a opção “Não” para 100% (Gráfico 35). Gráfico 35: Ferramentas qualitativas de gestão de risco, por Região de Desenvolvimento, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 121 No cômputo geral, a estrutura implantada para gerenciar os riscos operacionais no estado de Pernambuco mostrou-se bastante deficiente. Entre as empresas pesquisadas, 99% revelou não adotar nenhum modelo de gestão de riscos; 82% declarou não utilizar ferramentas qualitativas de gestão de riscos, e 54% afirmou não possuir nenhum funcionário exclusivamente envolvido com os riscos operacionais. Por outro lado, nenhuma delas afirmou possuir cargo de gerente de risco. Quanto ao modelo de gestão, apenas uma indústria (1%) assinalou ter adotado a Lei SOX. Outras cinco empresas fizeram anotações na opção semiaberta, porém, os modelos informados não envolviam diretamente os riscos operacionais: dois referiam-se à prevenção de acidentes, dois remetiam à gestão da qualidade e um último dizia respeito à gestão administrativa de forma ampla. Tais apontamentos sugerem que, de modo geral, não existe adoção de modelos de gestão de riscos operacionais e, entre aqueles que adotam algum modelo de gestão empresarial, os riscos operacionais ainda não foram bem compreendidos. Das ferramentas de gestão de riscos utilizadas, 14% dos respondentes informaram possuir estrutura de controle interno. Apenas 2% afirmaram utilizar os recursos da auditoria interna ou da auditoria externa. Em relação à quantidade de funcionários exclusivamente envolvidos com os riscos operacionais, 33% dos respondentes afirmaram possuir apenas um, já 13% informaram ter de dois a quatro funcionários. A opção indicativa de cinco ou mais funcionário não foi assinalada. Dentre as Atividades pesquisadas, Alimentos e Bebidas se sobressaíram, nessa ordem, sobre Vestuário, nos parâmetros em que foi possível estabelecer comparações. Quanto às Regiões de Desenvolvimento, São Francisco apresentou melhor desempenho na quantidade de funcionários exclusivamente envolvidos com os riscos operacionais, porém, mostrou o pior resultado no quesito sobre a adoção de ferramentas qualitativas de gestão de riscos. O segmento Metropolitana teve o segundo melhor desempenho quanto aos funcionários 122 envolvidos com os riscos operacionais e foi a única a indicar a utilização das três ferramentas qualitativas de gestão de riscos. Agreste Central obteve médias relativamente inferiores do que as outras regiões, porém, foi a única que expressou a adoção de modelos de gestão de riscos. Portanto, dentre as opções positivas assinaladas, as Regiões de Desenvolvimento estudadas apresentaram vantagens ou desvantagens relativas, dependendo do quesito enfocado. Por fim, a abordagem envolvendo as indústrias de médio porte, em todos os subconjuntos de elementos, revelou resultados com tendência à melhoria das médias obtidas. 4.5 Lidando com os riscos operacionais Para se descrever como as empresas estudadas lidam com os riscos operacionais foram utilizadas as respostas dadas às questões 6 a 16, em consonância com a classificação proposta pelo pesquisador Culp (2001), descrita no Quadro 5, do item 3.4, retro. As respostas sugeridas foram todas excludentes, com opções previamente fornecidas, exceto as perguntas 13 e 15, já apresentadas no item precedente, nas quais havia uma opção semiaberta, do tipo “Outro (Citar)”. A análise foi consolidada conforme as proposições de Culp (2001), sem abordagem individualizada dos quesitos. De acordo com tal classificação, uma das condições para se chegar ao nível 4, dos cinco existentes, seria a existência do cargo de gerente de risco. Como a totalidade dos respondentes informou não possuir tal cargo, a pontuação máxima possível de se alcançar passou a ser o nível 3. Assim, no nível 1, não existem pessoas ou processo envolvidos diretamente com os riscos operacionais e a análise é sempre reativa; no nível 2, os riscos operacionais são explicitamente abordados, porém as equipes trabalham isoladamente, sem cruzamento de informações; no nível 3, existe 123 noção explícita e formal dos riscos operacionais, são divulgados indicadores de mensuração de riscos, a abordagem dos riscos faz parte da estratégia de negócio e existe acompanhamento dos riscos, embora apenas de forma qualitativa. Em todo o estado de Pernambuco, a maior parte das indústrias pesquisadas (58%) foi classificada no menor patamar, o nível 1. Na sequência, 26% se enquadraram no nível 2 e apenas 16% atenderam aos requisitos previstos para o nível 3 (Gráfico 36). Gráfico 36: Como as empresas lidam com os riscos operacionais, conforme a classificação de Culp. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. Por outro lado, se consideradas apenas as questões anteriormente estudadas, onde ficou patente o elevado apontamento para “desconhecimento do assunto” e a inexistência de modelos de gestão de riscos operacionais, o desempenho do Estado poderá mostrar-se ainda mais desfavorável. Reportando-se, novamente, ao quadro de correlações (Apêndice C) observa-se uma elevada correção negativa entre os quesitos 6 a 11 e os valores encontrados na classificação de Culp. Isto se explica pelo fato das respostas “não” serem codificadas com valor maior que as respostas “sim” para importantes perguntas relacionadas com a infraestrutura da gestão de riscos implantadas nas indústrias estudadas. Assim, quanto maior o número de respostas “não”, menor a classificação de Culp. Essa faixa de perguntas (6 a 11) é exatamente a que determina os estágios 1 a 3 propostos por Culp. 124 4.5.1 Lidando com os riscos, por Atividade A atividade Alimentos apresentou o maior índice para o nível 3 (27,7%). Apesar de Bebidas não conter empresas no nível 3, revelou o maior percentual de nível 2 (61,5%). Já Vestuário, apesar de apresentar valores para nível 3, a representatividade conjunta dos níveis 2 e 3 é relativamente pequena (26,8%), de maneira que coube a esta Atividade o mais destacado resultado para nível 1 (73,2%) – (Gráfico 37). Gráfico 37: Como as empresas lidam com os riscos operacionais, conforme a classificação de Culp, por Atividade. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.5.1.1 Lidando com os riscos, por Atividade e Porte Verificou-se uma relação direta entre o porte das indústrias e o melhor modo de lidar com os riscos operacionais. Em todas as Atividades pesquisadas houve acréscimo de nível, quando analisadas as empresas de médio porte. A mudança foi mais notória nas Atividades Alimentos e Bebidas, que, em tal recorte, apresentaram apenas empresas em níveis 2 ou 3. O acréscimo foi menos intenso na Atividade Vestuário, cuja mudança nos três níveis revelou-se bastante discreto (Gráfico 38). 125 Gráfico 38: Como as empresas lidam com os riscos operacionais, conforme a classificação de Culp, por Atividade, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 4.5.2 Lidando com os riscos, por Região de Desenvolvimento A distribuição da maneira de se lidar com os riscos operacionais, conforme a classificação de Culp (2001), foi bastante equilibrada, notadamente entre os segmentos Agreste Central e Metropolitana, com percentuais para os níveis 1 e 2 girando em torno de 60% e 22%, respectivamente. Quanto ao nível 3, Agreste Central levou uma pequena vantagem sobre Metropolitana: 19% contra 16%. Por sua vez, a Região de Desenvolvimento São Francisco apresentou o maior percentual para o nível 2 (58%), com proporcional redução para os níveis 1 e 3 (33% e 8%, respectivamente) – (Gráfico 39). Gráfico 39: Como as empresas lidam com os riscos operacionais, conforme a classificação de Culp, por Região de Desenvolvimento. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. 126 4.5.2.1 Lidando com os riscos, por Região e Porte De um modo geral, a análise em função do porte apresentou melhoria nos níveis em todas as Regiões de Desenvolvimento. No caso do Agreste Central, cresceu o nível 3 e decresceu o nível 1, com o nível 2 ficando estável em torno de 21%. No segmento Metropolitana, os níveis 2 e 3 praticamente dobraram de valor, em detrimento do nível 1, que caiu de 61% para 18%. Finalmente, observou-se que todas as empresas de porte médio, do segmento São Francisco, passou para o nível 2. Com isso, houve uma redução das indústrias apontadas como nível 3 (8%), mas o decréscimo foi muito mais significativo para o nível 1 (33%) – (Gráfico 40). Gráfico 40: Como as empresas lidam com os riscos operacionais, conforme a classificação de Culp, por Região de Desenvolvimento, em função do Porte. Fonte: Pesquisa feita pelo autor em indústrias do estado de Pernambuco. Em resumo, a pesquisa sugere que as indústrias pesquisadas em todo o estado de Pernambuco não estão adequadamente preparadas para lidar com os riscos operacionais, pois, conforme a classificação de Culp, 58% se enquadram nas proposições descritas para o nível 1. Já 26% se classificam como nível 2 e apenas 16% estão estruturadas de acordo com as definições estabelecidas para o nível 3. Nenhuma empresa foi classificada nos níveis 4 ou 5, que representam os estágios mais evoluídos da gestão de riscos operacionais. 127 A análise por atividade mostrou que Alimentos e Bebidas possuem menores percentuais para o nível 1 (45% e 39%, respectivamente), enquanto Vestuário possui o maior percentual para este nível (73%). Verificou-se maior equilíbrio quando se abordou as Regiões de Desenvolvimento. Agreste Central e Metropolitana apresentaram resultados semelhantes, com os níveis 1 e 3 ficando em torno de 60% e 17%, respectivamente. Por sua vez, São Francisco apresentou valores menores para o nível 3, mas também para o nível 1 (8% e 33%). Por fim, a abordagem envolvendo as indústrias de médio porte, em todos os subconjuntos de elementos, revelou resultados com tendência à melhoria das médias obtidas. As conclusões conjuntas de todos os resultados encontrados estão descritas no capítulo a seguir. 128 5 CONCLUSÕES Esta pesquisa analisou a gestão dos riscos operacionais nas indústrias de Alimentos, Bebidas e Vestuário, de portes médio e pequeno, nas Regiões de Desenvolvimento Agreste Central, Metropolitana e São Francisco, no estado de Pernambuco. Com relação à importância dada à gestão dos diversos riscos que ameaçam o ambiente empresarial, o estado de Pernambuco, em uma escala de 1 a 10, apontou nota 8,2. Entretanto, os riscos financeiros foram considerados os mais preocupantes, seguidos pelos riscos de mercados e, por último, pelos riscos operacionais. Tal ordem de relevância contradiz pesquisas realizadas em outras regiões do País que colocam os riscos operacionais na segunda posição, abaixo dos riscos de mercado. Observou-se, ainda, maior correlação entre os riscos financeiros e os de mercado, do que entre estes e os riscos operacionais. Os resultados observados sugerem que as indústrias analisadas ainda não controlam suficientemente os riscos financeiros, de maneira que não percebem com maior clareza os demais riscos. Ao se abordar as “Atividades” em separado, observou-se que as médias das indústrias de Alimentos e Bebidas foram maiores do que às de Vestuário. Este resultado se justifica pela alta regulação do setor de alimentação e bebidas, o qual necessita entregar produtos rigorosamente salubres aos consumidores. A análise por Região de Desenvolvimento apresentou média, para todos os riscos, acima de 7,9. O segmento Metropolitano teve o menor desempenho. Entretanto, este resultado deveu-se à visão mais equilibrada, por parte dos respondentes, dos riscos estudados. Esta Região, com maior quantidade de elementos amostrais, revelou preocupação relativamente significativa com a gestão dos riscos, quando efetuada a análise conjunta com os demais quesitos. Ao se considerar o porte das indústrias, verificou-se que aquelas de médio porte atribuíram notas maiores aos riscos, tanto em relação à Atividade 129 quanto à Região de Desenvolvimento. Entretanto, não houve mudança na ordem de importância dada aos três riscos estudados. Ainda relacionado à importância dada aos riscos operacionais, três quartos dos respondentes afirmaram acreditar que a gestão adequada de tais riscos tanto reduz custos quanto elevam receitas. Mais uma vez, as Atividades Alimentos e Bebidas tiveram melhor desempenho do que a de Vestuário. Quanto à Região de Desenvolvimento, Agreste Central, que agrega menor número de indústrias Alimentos e Bebidas, obteve pontuação também menor. Dentre as indústrias de médio porte, observaram-se melhores médias em ambos os segmentos amostrais. Em síntese, as indústrias pesquisadas atribuíram elevada importância à gestão de riscos, muito embora tenham percebido com menor intensidade as ameaças associadas aos riscos operacionais. Verificaram-se, ainda, melhores desempenhos entre as Atividades Alimentos e Bebidas e, principalmente, no segmento de empresas de médio porte. A Região de Desenvolvimento não se mostrou determinante para a importância dada aos riscos estudados. Com referência à barreira que mais impede investimentos na gestão de riscos operacionais, os respondentes apontaram, pela ordem, a “falta de pessoal especializado” (38%), o “desconhecimento do assunto” (37%) e a “cultura interna resistente” (20%). Estas respostas, afora o “desconhecimento do assunto”, corroboram os resultados de outras pesquisas realizadas no País. Os menores índices de assinalamentos da opção “desconhecimento do assunto” ocorreram dentre as Atividades Alimentos e Bebidas e, por conseguinte, na Região de Desenvolvimento São Francisco. Já o médio porte das indústrias foi fator de redução das médias de “desconhecimento do assunto” em todos os segmentos analisados. Em resumo, o “desconhecimento do assunto”, como barreira a investimentos na gestão de riscos operacionais, mostrou-se como um indicador relevante da pequena compreensão que as empresas têm do assunto. A opção obteve praticamente o mesmo índice de “falta de pessoal especializado” e superou, em muito, as demais deficiências relacionadas à estrutura interna 130 das empresas. Esta percepção, entretanto, foi atenuada dentre as indústrias das Atividades Alimentos e Bebidas e as do segmento de médio porte. Quanto aos riscos operacionais considerados mais importantes, os respondentes destacaram os riscos que envolvem Processo e Pessoa, cada um com cerca de 48% dos assinalamentos, em detrimento de Sistema e Eventos externos, pouco citados. Este equilíbrio verificou-se, com pequenas variações, entre as Atividades e as Regiões de Desenvolvimento analisadas. Já em relação ao porte, as empresas de médio porte deram maior ênfase aos riscos causados por eventos ligados a Processo (75%), sugerindo maior controle dos riscos causados por Pessoa. A baixa quantidade de apontamentos para Sistema, deixando-o nos mesmos patamares de Eventos externos, que são situações de baixa probabilidade de ocorrência, sugere que o nível de informatização dos processos produtivos das empresas pesquisadas ainda não é suficiente para colocar os riscos associados a Sistema entre os mais importantes. Em referência à estrutura implantada para o gerenciamento da gestão de riscos operacionais, o estado de Pernambuco mostrou-se bastante deficiente. Entre as empresas pesquisadas, 99% revelou não adotar nenhum modelo de gestão de riscos; 82% declarou não utilizar ferramentas qualitativas de gestão de riscos, e 54% afirmou não possuir nenhum funcionário exclusivamente envolvido com os riscos operacionais. Por outro lado, nenhuma delas afirmou possuir cargo de gerente de risco. Mais uma vez, verificou-se melhor desempenho dentre as indústrias das Atividades Alimentos e Bebidas e as do segmento de médio porte. Por outro lado, a presente pesquisa indicou, ainda, que as indústrias estudadas não estão preparadas adequadamente para lidar com os riscos operacionais. Na classificação estabelecida pelo pesquisador Culp (2001), que define cinco estágios de evolução da gestão desses riscos, nenhuma empresa se posicionou nos níveis 4 e 5, uma vez que não foi identificado o cargo de gerente de risco. Mais da metade (58%) manteve-se no menor dos níveis, pois revelou não possuir pessoa ou processo envolvido diretamente com tais riscos. Um quarto delas asseverou abordar explicitamente estes riscos, mas por meio 131 de equipes trabalhando isoladamente, figurando no nível 2. Finalmente, apenas 16% admitiu existir noção explícita e formal dos riscos operacionais, com indicadores de mensuração, e utilizando-a como parte da estratégia de negócio, que é o que se espera para as organizações classificadas no nível 3. A alta correlação negativa, observada entre as questões usadas na definição dos estágios propostos por Culp, guardou coerência com o elevado índice de indústrias situadas no nível 1 da referida classificação. No cômputo geral, a pesquisa indicou que as indústrias do estado de Pernambuco, tanto nas Atividades como nas Regiões de Desenvolvimento estudadas, necessitam de aprimoramento no que diz respeito à gestão dos riscos operacionais. Verificou-se, porém, que a situação é menos preocupante nas Atividades com maior regulação, como Alimentos e Bebidas, e também dentre aquelas classificadas como de médio porte. 132 6 SUGESTÕES E RECOMENDAÇÕES Os resultados obtidos pelo presente estudo revelaram a pouca compreensão que as empresas pesquisadas detêm sobre os riscos operacionais e, consequentemente, o investimento insuficiente que se faz no gerenciamento de tais riscos. Dessa forma, buscando a disseminação de conhecimentos e a adoção de melhorias nas empresas, treinamentos poderiam ser realizados pela iniciativa privada, mas também por entidades de apoio empresarial. Dentre estas últimas, destacam-se o SEBRAE, em razão da presença de empresas de pequeno porte na análise, e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, por envolver indústrias. Tais ações se revelariam ainda mais importantes no caso do estado de Pernambuco, cujo setor industrial atravessa um novo ciclo de crescimento. Conforme explicitado no capítulo Metodologia, retro, este trabalho não teve o propósito de enfatizar a solução de um problema específico e, menos ainda, de esgotar o assunto tratado. Por outro lado, sabe-se que as respostas obtidas em questionários abrem espaço para novas abordagens e estudos. Nesse contexto, podem-se vislumbrar algumas sugestões para pesquisas futuras, conforme a seguir. Os resultados obtidos são extensivos a outras atividades, regiões e portes de empresas? O recorte estabelecido nesta pesquisa envolveu apenas as indústrias de alimentos, bebidas e vestuário, de três regiões do estado de Pernambuco, de portes médio e pequeno. As empresas de grande porte não foram incluídas na análise por não existirem em todos os subconjuntos de elementos definidos. Em razão do ineditismo do trabalho, estudos similares seriam oportunos não apenas por acrescentar conhecimentos a esta área ainda pouco explorada pela academia, mas também por possibilitar valiosas análises comparativas. 133 O nível acadêmico dos gestores interfere na gestão dos riscos operacionais? Quando se investigou a barreira que mais impede um maior investimento na gestão de riscos operacionais, a pesquisa revelou elevado índice da opção “desconhecimento do assunto”. As indústrias estão adequadamente estruturadas com relação aos sistemas de informatização? Quando se verificou o risco operacional considerado mais importante pela empresa, a pesquisa revelou valores pouco relevantes para os riscos associados a Sistema. Em suma, a implantação de processos bem estruturados para avaliar e mitigar os riscos operacionais, com pessoas exclusivamente envolvidas e devidamente capacitadas para identificar e tratar estes riscos, terá ainda um longo caminho a percorrer. Portanto, por se tratar de um assunto minimamente discutido, muitos outros estudos poderão surgir em torno desse tema. 134 7 REFERÊNCIAS A FRAUDE. Título original: Rogue Trader. Direção de James Dearden. Inglaterra, 1998. DVD (101min.): Cor. NTSC. AERTS, Luc. A framework for managing operational risk. AllBusiness, Aug. 2001. The Internal Auditor. Disponível em: <http://www.allbusiness.com/ human-resources/1089875-1.html>. Acesso em: 25 nov. 2010. ALBERTON, Anete. Uma Metodologia para Auxiliar no Gerenciamento de Riscos e na Seleção de Alternativas de Investimentos em Segurança. 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Apêndice B1: Da 1ª à 45ª indústria (ordem alfabética) ORDEM 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 NOME DA INDÚSTRIA PESQUISADA 27 de Maio Comércio e Representações Ltda A C R Macedo Confecções Accost Indústria e Comércio de Roupas Ltda Afford Indústria Comércio Serviços de Confecção Ltda Água Minerais Santa Clara S/A Ailton Amâncio de Araujo Alex de Carvalho Silva Confecções Alfa Indústria e Comércio do Vestuário Ltda Almeida Indústria e Comércio de Alimentos Álvaro Marquezine da Silva Alves Confecções Ltda Ana Lúcia Alves da Silva Ana Lúcia de Sousa Gonçalves Jansen Ânima Indústria e Comércio Ltda Aqqua Indústria de Temperos Ltda Arbor Brasil Indústria de Bebidas Biologicus Indústria e Comércio de Produtos Naturais Bizarro Confecções Ltda Blanke Comércio de Pescados Ltda Boa Vista Indústria e Comércio de Sucos S/A Bom Leite Industrial Ltda BTK Indústria e Comércio do Vestuário Ltda C Irmãos Ltda Campos Moagem Caninha do Interior e Comércio de Bebidas Ltda Cartago Indústria Comércio Importação e Exportação CEP Indústria e Comércio de Tecidos em Geral Ltda Cleide Vilela de Oliveira Companhia de Produtos Confiança Confecções Dura Mais Ltda Dam Confecções Indústria e Comércio Ltda Delícias da Prazeres Doces e Salgados Ltda Descartex Confecções e Comércio Ltda Design Factory Confecção de Roupas e Acessórios Destilaria Sibéria Ltda Doces Jussara Ltda Durancho Nutrição Animal Ltda Ednete Cordeiro da Silva Elizabete Butzen Envasadora Pedrosa Ltda Erinaldo Pontes Oliveira Erivaldo João Silva Estilo Próprio Confecções e Acessórios Ltda Everaldo Martins Maciel Evialis do Brasil Nutrição Animal Ltda 148 Apêndice B2: Da 46ª à 90ª indústria (ordem alfabética) ORDEM 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 NOME DA INDÚSTRIA PESQUISADA Fipel Frigorífico Industrial de Pernambuco Ltda Frevo Brasil Indústria de Bebidas Ltda Fruitfort Agrícola Exportação Ltda Graticia Produtos Alimentícios S/A Hacata Comércio e Indústria Ltda HL de Siqueira EPP I B S Indústria Brasileira de Sorvete I R Olimpio da Rocha de Freitas Ikeda Comércio e Indústria Ltda Incassol Indústria e Comércio Ltda Indústria Alimentícia Bom Sabor Ltda Indústria Alimentícia Cinderela Ltda Indústria de Confecção Mafla Ltda Indústria de Confecções Arruda Ltda Indústria de Confecções Line Ana Ltda Indústria de Laticínios Boa Esperança Ltda Indústria e Comércio Kennedy Ltda Iraí Indústria e Comércio de Alimentos Ltda Ironildo Paulino Belo Isamar Indústria Comércio e Representações Ltda J & E Comércio de Águas Minerais Ltda J C L Indústria e Comércio do Vestuário Ltda J J Confecções Ltda J P S Bordados e Confecções Ltda Jarbas Antonio Silva Confecções Ltda Jodarc Indústria de Confecções Ltda Josapar Joaquim Oliveira Participações Ltda José Carlos Ferreira Confecções Ltda Kivita Alimentos Ltda Laticínio Guararapes Leonam Indústria e Comércio Leonardo Bezerra de Souza Maria Aparecida das Neves Marineusa N Thuller Marivaldo Francisco de Souza Masterfoods Brasil Alimentos Ltda Moinho Petinho Indústria e Comércio Ltda Moinhos Cruzeiro do Sul S/A Mororó Moura Indústria Alimentícia Ltda N & A Indústria Comércio e Representação de Confecções Ltda Nectar Top Ltda Niagro Nichirei do Brasil Agrícola Nutrir Produtos Lácteos Ltda Oficina de Cores Estamparia e Confecções Ltda Ofir Indústria de Confecções Ltda 149 Apêndice B3: Da 91ª à 116ª indústria (ordem alfabética) ORDEM 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 NOME DA INDÚSTRIA PESQUISADA Paudalho Agropecuária S/A Pedrosa de Melo e Cia Ltda Prolev do Brasil Ltda Qualimar Comércio Importação e Exportação Ltda R R Indústria e Derivados Ltda Renaissance Indústria e Comércio de Rendas e Bordados Ltda Renascença de Maizer Ltda S B Indústria de Confecções Ltda S Moura Indústria de Confecções Ltda S R J Indústria Comércio e Exportação de Confecções Seaway Confecções Ltda Somar Comércio e Transporte de Alimentos Ltda Sonho de Nenê Confecções Infantis Ltda Sucovalle Sucos e Concentrados do Vale S/A Superfios Textil Ltda Taciana Regina Lima Tarasio Escobar Vieira Júnior Ltda Transágua Ltda Unigelo Indústria Ltda Unitá Indústria Comércio Representação Importação e Exportação Uny-Textil Indústria e Comércio de Malhas Ltda V A da Silva Venosan Brasil VFCCB Indústria e Comércio Ltda Vip Indústria e Comércio de Confecções Ltda Vitivinícola Santa Maria S/A 150 APÊNDICE C: Tabela de correlação de valores: variáveis, perguntas do questionário e classificação de Culp. RD AT PT 2a 2b 2c 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 CL RD 1,00 -0,20 -0,13 -0,14 -0,11 -0,06 -0,02 0,16 -0,04 0,02 -0,13 -0,12 -0,12 0,04 0,05 0,05 -0,06 0,00 -0,07 0,03 RD Região de Desenvolvimento AT Atividade 1,00 PT Porte 0,16 1,00 2a Importância Riscos Operacionais 0,06 0,02 1,00 2b Importância Riscos Financeiros 0,00 -0,06 0,79 1,00 2c Imporatância Riscos de Mercado 0,82 1,00 -0,02 -0,06 0,76 3 O que faz gestão de riscos 0,06 -0,01 -0,29 -0,33 -0,27 1,00 4 Barreira que mais impede -0,20 -0,39 0,06 0,08 0,01 -0,30 1,00 5 Risco Operacional mais importante 0,27 0,24 -0,16 -0,14 -0,15 0,13 -0,11 1,00 6 Funcionários envolvidos 0,17 0,31 -0,14 -0,20 -0,27 0,16 -0,14 0,25 1,00 7 Registros formais 0,30 0,29 -0,16 -0,14 -0,25 0,26 -0,31 0,23 0,62 1,00 8 Informações utilizadas 0,29 0,30 -0,17 -0,16 -0,27 0,25 -0,30 0,22 0,63 1,00 1,00 9 Informações compartilhadas 0,31 0,31 -0,22 -0,20 -0,31 0,25 -0,29 0,22 0,65 0,99 0,99 1,00 10 Acompanhamento dos riscos operacionais 0,16 0,22 -0,22 -0,02 -0,18 0,12 -0,21 0,02 0,26 0,41 0,42 0,43 1,00 11 Equipes de negócios participam 0,99 1,00 12 Modelo de Gestão adotado 0,18 0,23 -0,21 -0,02 -0,17 0,12 -0,23 0,04 0,29 0,42 0,43 0,44 -0,09 -0,32 0,02 -0,04 0,03 0,03 0,26 0,01 -0,10 -0,15 -0,15 -0,15 -0,46 -0,48 1,00 13 Cargo de Gerente de Risco 1,00 14 Emissão de relatórios 0,46 0,49 -0,60 0,16 0,25 -0,14 -0,05 -0,09 0,08 -0,23 0,07 0,09 0,31 0,31 0,32 1,00 15 Ferramentas qualitativas -0,45 1,00 -0,19 -0,13 0,06 -0,04 0,06 -0,15 0,25 0,04 -0,13 -0,30 -0,30 -0,31 -0,61 -0,64 0,32 16 Limites de riscos 0,58 0,60 -0,56 0,42 -0,49 0,12 0,23 -0,07 0,01 -0,12 0,08 -0,21 0,07 0,19 0,21 0,21 0,22 1,00 CL Classificação -0,45 0,51 -0,45 1,00 de Culp -0,28 -0,32 0,28 0,23 0,33 -0,24 0,26 -0,18 -0,63 -0,75 -0,76 -0,78 -0,73 -0,77 0,26 AT PT 2a 2b 2c 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 CL 151 9 ANEXOS ANEXO A: Fórmula para determinação do tamanho mínimo da amostra. Determinação do tamanho de cada amostra, com base em estimativas proporcionais de populações finitas, a partir de fórmula para tamanho mínimo de amostras, conforme Larson e Farber (2010): Equação 1: Cálculo do tamanho de cada amostra. Onde: n = número de elementos na amostra; = proporção populacional que se tem interesse em estudar; = proporção populacional que não se tem interesse em estudar; Zc = valor crítico que corresponde ao grau de confiança desejado; E = margem de erro ou erro máximo de estimativa. Como se trata de populações pequenas faz-se necessário proceder ao ajuste, conforme a seguir: Equação 2: Ajuste do tamanho de cada amostra. Onde: na = tamanho da amostra ajustado; N = tamanho da população; n = tamanho inicial da amostra. Como não se tem uma estimativa preliminar da população, usa-se 0,5 (50%) como valor para as duas proporções populacionais. Com margem de erro de 5% (0,05) e grau de confiança de 95% (Zc = 1,96). 152 ANEXO B: Carta de apresentação do questionário de pesquisa, emitida pelo Banco do Brasil. 153 ANEXO C: Carta de apresentação do questionário de pesquisa, emitida pela Faculdade Boa Viagem.