poemas negros
jorge de lima
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Prefácio
gilberto freyre
Ilustrações
lasar segall
Comentário
vera d’horta
Posfácio
vagner camilo
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Nordeste
Diabo brasileiro
Bicho encantado
Essa negra fulô
Banguê
Mês de maio
História
O medo
Democracia
Retreta do vinte
Quichimbi sereia negra
Zefa lavadeira
Benedito Calunga
Ladeira da Gamboa
Passarinho cantando
Exu comeu tarubá
Ancila negra
Bahia de Todos os Santos
O banho das negras
Cachimbo do sertão
Obambá é batizado
Poema de encantação
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Rei é Oxalá, Rainha é Iemanjá
Foi mudando, mudando
Janaína
A noite desabou sobre o cais
Floriano, Padre Cícero, Lampião
Quando ele vem
Xangô
Comidas
Calabar
Inverno
Pra donde que você me leva
Madorna de Iaiá
Pai João
Santa Rita Durão
Joaquina Maluca
Maria Diamba
Olá! Negro
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115
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sobre esta edição
comentário vera d’horta
Os desenhos de Lasar Segall para Poemas negros
posfácio vagner camilo
Jorge de Lima no contexto da poesia negra americana
prefácio à primeira edição (1947)*
Gilberto Freyre
* Transcrito posteriormente em O Jornal, Rio de Janeiro, 22/11/1953, sob o
título “Jorge de Lima e os seus Poemas negros”.
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Já uma vez me afoitei a sugerir essa ideia: a necessidade de
reconhecer-se um movimento distintamente nordestino
de renovação das letras, das artes, da cultura brasileira – movimento dos nossos dias que, tendo se confundido com a
expansão do muito mais opulento “modernismo” paulista-carioca, teve, entretanto, condições próprias – “ecológicas”,
poderia dizer-se com algum pedantismo – de formação, aparecimento e vida.
Desse “movimento do Nordeste” pode-se acrescentar
que foi uma espécie de parente pobre, capaz de dar ao rico
valores já quase despercebidos de outras partes do Brasil e
necessitados apenas dos novos estímulos vindos do Sul e do
estrangeiro para se integrarem no conjunto de riqueza circulante e viva constituída por elementos genuinamente brasileiros, essenciais ao desenvolvimento da nossa cultura em
expressão honesta do nosso éthos, da nossa história e da nossa
paisagem e em instrumento de nossas aspirações e tendências
sociais como povo tanto quanto possível autônomo e criador.
Dentre aqueles valores, nenhum mais cheio de substância
particularmente brasileira, ao mesmo tempo que humana em
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gilberto freyre
sua essência, que as tradições amadurecidas, nas terras de
massapé do Nordeste à sombra das casas-grandes, das igrejas,
dos sobrados, das senzalas, dos mocambos, das palhoças, das
mangueiras, dos coqueiros, dos cajueiros desta região; e resultado do contato de europeus com índios e, principalmente,
com africanos. Com malungos, mucamas, babás, cunhãs, columins. Contato democratizante dos brancos e degradante
dos pretos.
Foi esse principalmente o mundo em que Jorge de Lima,
em 1922-23, poeta já precocemente feito, mas de modo nenhum estratificado em cinzelador milnovecentista de sonetos
elegantes recolhidos com avidez pelos pedagogos organizadores de antologias, tornou-se, sob novos estímulos vindos
do Sul, da Europa e dos Estados Unidos, o grande poeta, o
poeta por excelência. O poeta d’“O mundo do menino impossível”. Opoeta de “Essa negra Fulô”. O poeta de uma série de
poemas que reunidos aos de outros brasileiros do passado e
de hoje talvez deem ao Brasil o primeiro lugar na produção de
uma literatura poética que, intencionalmente ou não, leva sem
nenhum rancor nem ranger de dentes o cristianismo para o
campo específico das relações fraternais dos brancos com os
povos de cor. Daí me parecer que precisamente nessa zona
de expressão literária e ética é que o Brasil merece receber
um desses dias o Prêmio Nobel, pela mão de algum dos seus
poetas ou romancistas. Pois não nos faltam hoje romancistas
e poetas novos que encarnam com esplendor tendência já tão
brasileira e socialmente significativa como nenhuma outra
para o futuro do resto da América: para o futuro de todos os
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prefácio
países na fase atual de desejo de democratização inteira, e não
apenas política, das relações entre os homens e entre os povos.
Há quem fale em “gulodice de pitoresco” para procurar
diminuir, com essa generalização de desprezo, aqueles artistas e escritores do Nordeste que, não sendo de origem rigorosamente popular nem principalmente ameríndia ou africana,
têm se dedicado ao estudo, à interpretação e até à expressão
dos complexos mais característicos da região, ferindo nessa
interpretação a nota de revolta contra os últimos preconceitos de cor confundidos com os de classe que mantêm na miséria tantos descendentes brasileiros de africanos. Entre
tais “gulosos de pitoresco” estaria Jorge de Lima: sua poesia
afro-nordestina; poesia que não é a de um indivíduo pessoalmente oprimido pela condição de descendente de africano
ou de escravo – a única que para os inimigos do “pitoresco”
justificaria uma poesia, uma literatura, uma música, ou uma
pintura brasileira, voltada com simpatia para o negro, o índio
ou o mestiço.
O curioso é que semelhante crítica, sonora mas prejudicada por intenções que não devem ser no caso as principais,
vem quase sempre de indivíduos menos autorizados para
fazê-la, tal a sua proeza de experiência genuinamente brasileira; pois são cosmopolitas pouco sensíveis aos característicos mais profundos da vida, do passado e da paisagem das
nossas várias regiões; geômetras que desconhecem as intimidades de nossa paisagem humana.
Experiência brasileira não falta a Jorge de Lima: ele é
bem do Nordeste. Não lhe falta o contato com a realidade
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gilberto freyre
afro-nordestina. E há poemas seus em que os nossos olhos, os
nossos ouvidos, o nosso olfato, o nosso paladar se juntam para
saborear gostos e cheiros de carne de mulata, de massapé, de
resina, de moqueca, de maresia, de sargaço; para sentir cores
e formas regionais que dão presença e vida, e não apenas encanto literário, às sugestões das palavras: que parecem lhes
dar outras condições de vida além da tecnicamente literária.
Esse poeta alagoano, em quem hoje a América inteira sente
um poeta largamente seu pela cordialidade crioula e pelo lirismo cristão, franciscano, fraternal, dispõe de recursos, de
técnica, dos quais poderia viver vida fácil de glória literária,
admirado e festejado por seus feitos e talentos de artífice;
alheio às raízes regionais de sua experiência de homem por
muito tempo menino e às necessidades e aspirações de gente
cuja pobreza conheceu pequeno e mesmo depois de grande;
médico de província, cuja miséria observou, cujo sofrimento
sentiu com o poder da empatia que o anima com relação à sua
gente, do mesmo modo que sentiu suas alegrias, suas esperanças, seus deleites doentios de comedores de barro, seus
medos das almas do outro mundo. De tudo isso lhe ficou uma
base de terra, de natureza e, ao mesmo tempo, de fé no sobrenatural, para defendê-lo da arte literária só de composição e
de efeitos verbais e estéticos – na qual às vezes se extremou
na mocidade – e fixá-lo naquela literatura que Van Wyck
Brooks chama “primária” no sentido bom de “básica”, de
presa à terra e aos outros homens – ao comum dos homens –,
e incapaz de dissolver-se na “secundária” dos esotéricos, dos
cosmopolitas, dos estetas de coterie. Estetas aos quais tudo o
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prefácio
que é popular, regional, folclórico repugna ou dá a ideia de
simples “pitoresco”; de estreito “regionalismo” ou “nacionalismo”; de “folclorismo” ou “africanismo” apenas curioso.
Aliás, falar-se com relação ao Brasil de “africanismo” como
expressão à parte da vida brasileira é revelar desconhecimento da simbiose Brasil-África.
James Weldon Johnson, a propósito da poesia afro-americana, fala no poder do descendente de africano onde quer
que se fixe, em grande ou pequeno número, revelar-se “transfusivo”; identificar-se com o que os antigos chamavam “gênio do lugar”. Assim, o negroide Pushkin teria se tornado o
intérprete de tendências particularmente russas; outro negroide, Dumas, o intérprete de coisas de um passado particularmente francês; Coleridge-Taylor, também negroide, o
intérprete, em música, de característicos intimamente britânicos ou ingleses. Em nenhum país, porém, o descendente
de africano tornou-se tão da terra como no Brasil. Aqui
sangue africano e seiva americana cedo se confundiriam na
transfusão, a ponto de haver observadores argutos – desde
Bates e Wallace a Waldo Frank – a quem os descendentes de
africanos dão a impressão de mais filhos da terra do que os indígenas; de mais harmonizados com a natureza do Norte do
Brasil do que os próprios caboclos entristecidos pelos grandes dias de sol como se ainda não se tivessem acostumado ao
calor da terra tropical.
Das expressões populares ou das tradições regionais da
vida brasileira impregnadas de África de que Jorge de Lima
se tornou o maior intérprete poético na língua portuguesa,
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gilberto freyre
quem ousará dizer que, em vez de virem do centro da cultura
mais harmoniosa e caracteristicamente nossa, vêm daquelas
margens remotas da cultura de um povo onde vida e paisagem
humanas adquirem o tristonho de curiosidades etnográficas?
Ou de indecisões sociológicas que constituem os fenômenos
de “marginalidade” incaracterística?
No Sul dos Estados Unidos o descendente de africanos é
figura à parte da literatura como da vida nacional. Mas não
no Norte do Brasil – embora também aqui existam preconceitos de cor confundidos com os de classe. Existem, mas
sem força para distanciar decisivamente os descendentes de
africanos dos de europeus, a ponto dos primeiros só se exprimirem em folclores, excluídos sistematicamente do banquete
literário. Gonçalves Dias tinha sangue de negro e, entretanto,
é pela sua palavra de “Canção do exílio” que todo brasileiro,
mesmo o mais rigorosamente branco e erudito, se exprime e
ainda hoje, quando longe do Brasil dói-lhe a saudade das palmeiras tropicais, dos cajueiros caboclos, dos canaviais dos
velhos engenhos do Norte.
Em Jorge de Lima o verbo fez-se carne neste sentido: no
de sua poesia afro-nordestina ser realmente a expressão carnal do Brasil mais adoçado pela influência do africano. Jorge
de Lima não nos fala dos seus irmãos, descendentes de escravos, com resguardos profiláticos de poeta arrogantemente
branco, erudito, acadêmico, a explorar o pitoresco do assunto
com olhos distantes de turista ou de curioso. De modo nenhum.
Seu verbo se faz carne: carne mestiça. Seu verbo de poeta se
torna carnalmente mestiço quando fala de “democracia”, de
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prefácio
“comidas”, de “Nosso Senhor do Bonfim”, embora a metade
aristocrática desse nordestino total, de corpo colorido por
jenipapo e marcado por catapora, não esqueça que a “bisavó
dançou uma valsa com D. Pedro ii”, nem que “o avô teve
banguê”.
É essa totalidade de experiência, essa variedade de passado, sem o domínio exclusivo de uma tradição étnica, social
ou de cultura sobre as outras, que dá a poetas brasileiros
como Jorge de Lima, Simões Lopes Neto, Castro Alves,
Gonçalves Dias, José Lins do Rego, Jorge Amado, Jaime
Ovale, Ascenso Ferreira, Mário de Andrade, Cícero Dias,
tremenda superioridade sobre os norte-americanos em exprimir sem revolta acre nem violência o que há de africano em
nossa vida e em nosso caráter. O que há de africano se confunde, se mistura quase fraternalmente, com o que existe de
europeu e de indígena. Na experiência plebeia do brasileiro
total se estende à aristocracia, sem que a aristocracia seja invariavelmente a europeia.
Não há felizmente no Brasil uma “poesia africana” como
aquela, nos Estados Unidos, de que falam James Weldon
Johnson e outros críticos: poesia crispada quase sempre
em atitude de defesa ou de agressão; poesia quase sempre em
dialeto meio cômico para os brancos, para os ouvidos dos
brancos, mesmo quando mais amargos ou tristes os assuntos.
O que há no Brasil é uma zona de poesia mais colorida pela
influência do africano: um africano já muito dissolvido em
brasileiro. Uma zona a que estão ligados, pela sua formação
regional, alguns dos nossos escritores e poetas mais rigorosa-
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gilberto freyre
mente brancos e aristocráticos: os pernambucanos Joaquim
Nabuco e Manuel Bandeira, por exemplo. O que mostra que
não é o sangue que aguça sozinho nos poetas ou escritores a
sensibilidade a assuntos com os quais eles podem identificar-se só pelo poder de empatia, só por transfusão de cultura. Ao
contrário: o sangue às vezes faz que os mestiços se afastem
dos assuntos africanos com excessos felinos de dissimulação
e pudor. O caso de Machado de Assis.
Jorge de Lima, um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos, enriquece o brasileiro das áreas menos coloridas pela influência africana, com a expressão poética de
sua experiência de nordestino de banguê nascido e criado
perto dos últimos “pombais negros” de que falou Nabuco.
Ao mesmo tempo ele põe o estrangeiro que se aproxima da
poesia brasileira em contato com uma das nossas maiores
riquezas: a interpenetração de culturas, entre nós tão livre,
ao lado do cruzamento de raças. Dois processos através dos
quais o Brasil vai-se adoçando numa das comunidades mais
genuinamente democráticas e cristãs do nosso tempo.
poemas negros
nordeste
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poemas negros
Nordeste, terra de São Sol!
Irmã enchente, vamos dar graças a Nosso Senhor,
que a minha madrasta Seca torrou seus anjinhos
para os comer.
São Tomé passou por aqui?
Passou, sim senhor!
Pajeú! Pajeú!
Vamos lavar Pedra Bonita, meus irmãos,
com o sangue de mil meninos, amém!
D. Sebastião ressuscitou!
S. Tomé passou por aqui?
Passou, sim senhor.
Terra de Deus! Terra de minha bisavó
que dançou uma valsa com D. Pedro ii.
São Tomé passou por aqui?
Tranca a porta, gente, Cabeleira aí vem!
Sertão! Pedra Bonita!
Tragam uma virgem para D. Lampião!
diabo brasileiro
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jorge de lima
Enxofre, botija, galinha preta!
Credo em cruz, capeta, pé-de-pato!
Diabo brasileiro, dente-de-ouro, botija, onde está?
Credo, capeta, pé-de-pato!
Diabo brasileiro quero saber quando dá
a dezena do carneiro?
Enxofre, botija, galinha preta!
Credo em cruz, capeta, pé-de-pato!
Capeta, dente-de-ouro, tome galinha preta,
quero dormir com a Zefa!
Capeta, bode preto, quero dormir com a Zefa!
Capeta, diabo brasileiro, só lhe dou galinha preta!
Capeta, quero casar com a Zefa, quero que Sêo Vigário
me case logo com a Zefa!
Capeta tome galinha preta!
Capeta, diabo brasileiro, quando dá
a centena do macaco?
Quero quebrar banqueiro, capeta danado, pé-de-pato,
dente-de-ouro, cheiro de enxofre, tome galinha preta!
Capeta, pé-de-pato, quero acertar com o bicho, ›
quero comprar gravata, botina de bico fino,
terno de casimira pra quando a Zefa me ver!
Capeta, pé-de-pato, tome galinha preta!
poemas negros
Capeta, tome galinha preta,
que eu quero saber embolada,
quero saber martelo, quero ser um cantador,
capeta, quero dizer à Zefa essa quentura de amor!
Capeta, tome galinha preta, que eu quero casar com a Zefa.
Por Deus, que eu quero, capeta, pé-de-pato!
Tome galinha preta!
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Capeta, pé-de-pato, dente-de-ouro, quero dente de ouro,
quero capa de borracha, punho engomado, camisa,
bengala castão de ouro, capeta, pé-de-pato,
tome galinha preta!
Quero saber suas partes, suas sabedorias,
quero saber mandingas,
capeta, pé-de-pato, tome galinha preta,
que eu quero quebrar banqueiro, que eu quero tirar botija,
que eu não quero trabalhar, que eu também sou brasileiro!
bicho encantado
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jorge de lima
Este bicho é encantado:
não tem barriga,
não tem tripas,
não tem bofes,
não é maribondo,
não é mangangá,
não é caranguejeira.
Que é que é Janjão?
É a Estrela-do-mar que quer me levar.
Só tem olhos,
só tem sombra.
Babau!
Não é jimbo,
não é muçum,
não é sariema.
Que é que é Janjão?
É a Estrela-do-mar que quer me afogar.
Este bicho é encantado:
não quer de-comer,
não quer munguzá,
não quer caruru, ›
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não quer quigombô.
Só quer te comer.
Que é que é Janjão?
É a Estrela-do-mar que quer me esconder.
Babau!
poemas negros
Fonte fleischmann
Papel pólen soft 70 g/m2
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