UNIVERSIDADE DO ALGARVE ENGENHARIA CIVIL - 2º CICLO ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO ___________________________________________________________________________________________________________________ APONTAMENTOS SOBRE CONDENSAÇÕES Por Licínio Cantarino de Carvalho Faro, Novembro de 2008 UNIVERSIDADE DO ALGARVE ENGENHARIA CIVIL - 2º CICLO ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO _________________________________________________________________________________________________________________ APONTAMENTOS SOBRE CONDENSAÇÕES Por Licínio Cantarino de Carvalho 1. INTRODUÇÃO As condensações são causa de patologias na construção, umas imediatamente detectáveis, outra ocultas no interior dos elementos de construção e que só com o tempo manifestam os seus efeitos perniciosos. As primeiras manifestam-se à superfície dos elementos de construção e chamam-se por isso condensações superficiais. Quando ocorrem de forma continuada propiciam o aparecimento de bolores que produzem manchas inestéticas nos paramentos interiores. As segundas desenvolvem-se tipicamente na face exterior das camadas isolantes integradas no interior dos elementos de construção. Umas e outras são próprias da estação fria. No Algarve, embora os Invernos não sejam muito rigorosos, a questão deve merecer alguma atenção, pois com alguma frequência suscita problemas. A seguir, começa-se por apresentar conceitos básicos sobre ar húmido e o diagrama psicrométrico. Tratam-se depois os dois tipos de condensações referidos acima apresentandose os aspectos mais relevantes para a compreensão destes fenómenos físicos e para a sua prevenção. 2. AR HÚMIDO. DIAGRAMA PSICROMÉTRICO O ar húmido é uma mistura de ar seco com vapor de água. Humidade absoluta (W) é a grandeza que traduz a quantidade de vapor existente no ar. Pode exprimir-se em g (ou kg) de vapor por kg de ar seco ou em g (ou kg) de vapor por m3 de ar húmido. Relaciona-se com a pressão parcial do vapor de água Pv pelas expressões: Pv P − Pv P W = 2,12 ⋅ v T W = 629 ⋅ em g / kg de ar seco em g / m3 de ar húmido Onde: Pv é a pressão parcial do vapor de água em Pa P é a pressão atmosférica normal igual a 101325 Pa T é a temperatura do ar em K (ºC + 273,15). - 1 / 12 - UNIVERSIDADE DO ALGARVE ENGENHARIA CIVIL - 2º CICLO ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO _________________________________________________________________________________________________________________ É possível, para as pressões e temperaturas correntes, usando de alguma aproximação, simplificar as expressões, que podem, assim, escrever-se: W ≈ 6,3 ⋅ 10 −3 ⋅ Pv em g / kg de ar seco W ≈ 7,4 ⋅ 10 ⋅ Pv em g / m3 de ar húmido −3 Donde se pode ainda concluir que, para converter valores da humidade absoluta em g/kg para g/m3, se multiplica por 1,2 (W = 10 g/kg ~ 12 g/m3). Para cada temperatura existe um limite máximo de vapor de água que o ar pode conter. A esse limite corresponde um valor da humidade absoluta – humidade de saturação Ws – e, também, uma pressão parcial do vapor – pressão de saturação Ps. Para temperaturas positivas a pressão de saturação Ps pode determinar-se pela expressão seguinte, dada pela norma britânica BS 5250, segundo COUASNET [4]: 17,269 ⋅ t Ps = 611 ⋅ exp 237,3 + t (Pa) Onde t é a temperatura do ar em ºC. A humidade relativa do ar HR exprime-se em percentagem e corresponde ao quociente entre a humidade absoluta do ar W e a humidade de saturação Ws à mesma temperatura, multiplicado por 100%. W ⋅ 100% Ws A humidade relativa é também aproximadamente igual a: HR (%) = HR (%) ≈ Pv ⋅ 100% Ps O diagrama psicrométrico representa graficamente a relação entre estas grandezas: humidade absoluta (ou pressão parcial do vapor), humidade relativa e temperatura do ar. No diagrama a temperatura do ar aparece referida como temperatura seca do ar para a diferenciar da temperatura húmida que também figura no diagrama psicrométrico. Esta última corresponde ao resultado da medição com o termómetro de bolbo molhado que apresenta uma leitura dependente também da humidade do ar. Quanto mais seco o ar estiver, maior será o efeito do abaixamento da temperatura por efeito da evaporação no algodão húmido que envolve o bolbo destes termómetros. - 2 / 12 - UNIVERSIDADE DO ALGARVE ENGENHARIA CIVIL - 2º CICLO ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO _________________________________________________________________________________________________________________ Figura 1 – Diagrama psicrométrico [Retirado de 1] - 3 / 12 - UNIVERSIDADE DO ALGARVE ENGENHARIA CIVIL - 2º CICLO ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO _________________________________________________________________________________________________________________ 3. CONDENSAÇÕES SUPERFICIAIS 3.1. Temperatura superficial interior da envolvente Quando a temperatura do ar desce abaixo do ponto de orvalho, isto é, da temperatura a partir da qual o ar atinge o estado de saturação, há condensações. Se esta temperatura se verifica na superfície interior da envolvente, o ar que com ela contacta arrefece e o vapor de água condensa e deposita-se na superfície da envolvente. Para o estudo do fenómeno, admite-se que as temperaturas se distribuem ao longo da espessura dos elementos em regime permanente, isto é, como se as temperaturas interiores e exteriores fossem constantes, possibilitando que as temperaturas no interior dos elementos estabilizem. Nessas condições pode admitir-se que o fluxo de calor que atravessa o elemento no seu conjunto é igual, em cada momento, ao que atravessa cada secção do elemento. Sejam então: Qt - a quantidade de calor por unidade de tempo (ou fluxo de calor) que atravessa o elemento Qi - a quantidade de calor por unidade de tempo que atravessa o paramento interior U - o coeficiente de transmissão térmica A - a área ti, te - as temperaturas do ar interior e exterior, respectivamente tsi - a temperatura superficial interior hi - a condutância térmica superficial interior, cujo inverso é a resistência térmica superficial interior Rsi quantificada no RCCTE A quantidade de calor que atravessa a parede por unidade de tempo é: Qt = U. A . (tt – te) A quantidade de calor que atravessa o paramento interior por unidade de tempo é: Qi = hi . A . (ti – tsi) Uma vez que estas quantidades de calor Qt e Qi são iguais vem, atendendo a que 1/hi = Rsi tsi = ti – U . Rsi . (ti – te) Os valores de Rsi são dados no RCCTE em m2.ºC.W-1 e são os seguintes: - elemento vertical – fluxo horizontal: Rsi = 0,13 elemento horizontal – fluxo ascendente: Rsi = 0,10 elemento horizontal – fluxo descendente: Rsi =0,17 Estes valores são influenciados ainda por outros factores. Um que é importante e interessa aqui referir é a velocidade do ar. Quando este está parado ou tem velocidade baixa o valor de hi é também baixo. Em consequência a temperatura superficial da envolvente diminui. Este - 4 / 12 - UNIVERSIDADE DO ALGARVE ENGENHARIA CIVIL - 2º CICLO ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO _________________________________________________________________________________________________________________ facto explica a propensão para um agravamento das condensações atrás dos móveis e noutras zonas mal ventiladas. As temperaturas exteriores são variáveis: para o estudo das condensações podem considerarse os valores correspondentes à média das temperaturas mínimas diárias em Janeiro. Eis alguns valores para o Algarve (médias de 1931-1960) - Caldas de Monchique 7,2 ºC - Cabo de S. Vicente 10,5 ºC - Praia da Rocha 8 ºC - Faro 9 ºC - Tavira 7 ºC - Vila Real de S.to António 6,2 ºC Esta quantificação das temperaturas exteriores corresponde ao critério seguido em Espanha [1]. Sabe-se, no entanto, que há trabalho sobre o assunto no âmbito do CEN (Comité Européen de Normalisation) que aponta em sentido diverso [3]. 3.2. Ventilação e produção de humidade Uma humidade relativa do ar interior alta favorece as condensações; uma humidade relativa do ar baixa torna esse risco menor (ver o diagrama psicrométrico e avaliar a descida de temperatura necessária para a saturação num caso e noutro). A humidade relativa depende de dois factores: humidade absoluta e temperatura do ar. Para a baixar há que subir a temperatura e / ou reduzir a humidade absoluta interior. A humidade absoluta interior Wi depende: - da quantidade de vapor de água produzida no interior por unidade de tempo (w) da taxa horária de renovação do ar (n) da humidade absoluta do ar exterior (We) e é dada pela relação: Wi = We + w / n (g.m-3) O vapor de água produzido no interior é libertado pelas pessoas, resulta das suas actividades, tais como cozinhar, lavar-se, etc. A higrometria dos locais é tipificada de acordo com o valor de w / n que é tanto mais elevado quanto maior for a produção de vapor de água e menor for a taxa de ventilação. Podem distinguir-se os casos indicados no quadro I [4] - 5 / 12 - UNIVERSIDADE DO ALGARVE ENGENHARIA CIVIL - 2º CICLO ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO _________________________________________________________________________________________________________________ Quadro I – HIGROMETRIA DOS LOCAIS HIGROMETRIA EXEMPLOS TÍPICOS w/n (g.m-3) Edifícios de escritórios Edifícios industriais sem produção de vapor Habitações correctamente aquecidas e ventiladas e sem sobreocupação Fraca <= 2,5 Média 2,5 a 5 Forte 5 a 7,5 Outras habitações Muito forte >7,5 Piscinas cobertas 3.3. Efeitos das condensações superficiais e modo de os evitar A ocorrência continuada das condensações superficiais dá origem ao aparecimento de manchas nas superfícies interiores resultantes do desenvolvimento de bolores e outros micro organismos. Numa fase inicial essas manchas aparecerão nas zonas de menor isolamento térmico e estender-se-ão depois a outras zonas mal ventiladas ou com isolamento térmico insuficiente. Resulta do exposto atrás que para reduzir o risco de condensações superficiais na estação fria são apropriadas as seguintes medidas: - Ventilar o espaço interior de forma adequada à humidade produzida no interior (ou seja, adequar n a w, para evitar w / n elevado, pois aumenta Wi e, em consequência, também a humidade relativa) - Aquecer o ambiente interior mantendo a sua temperatura acima da exterior (ou seja, adoptar valor ti suficientemente elevado) - Assegurar um bom isolamento térmico da envolvente, evitando pontes térmicas (ou seja, assegurar um valor U suficientemente baixo). As tintas podem também contribuir positivamente para a prevenção do aparecimento de manchas inestéticas ao incluir produtos fungicidas na sua composição. - 6 / 12 - UNIVERSIDADE DO ALGARVE ENGENHARIA CIVIL - 2º CICLO ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO _________________________________________________________________________________________________________________ Quadro II - COEFICIENTES DE TRANSMISSÃO TÉRMICA SUPERFICIAIS U MÁXIMOS DE ELEMENTOS OPACOS DA ENVOLVENTE [W/(m2.ºC)] Zona climática Elemento da envolvente I1 I2 I3 1,80 1,25 1,60 1,00 1,45 0,90 2,00 1,65 2,00 1,30 1,90 1,20 Elementos exteriores e interiores* em situações em que τ > 0,7**, em zona corrente Zonas opacas verticais Zonas opacas horizontais Elementos interiores* em situações em que τ ≤ 0,7**, em zona corrente Zonas opacas verticais Zonas opacas horizontais *- Consideram-se interiores os elementos da envolvente dando para outros edifícios ou zonas anexas não úteis. Estas zonas são também designadas no regulamento por locais não aquecidos. ** - O coeficiente τ traduz a proporção das perdas a considerar através do elemento interior em relação às que teria se contactasse directamente com o exterior. τ = 1 significa que o local não aquecido, com o qual o elemento contacta, está à temperatura exterior e τ = 0 significa que esse local está à temperatura interior e portanto não há perdas através do elemento. O coeficiente τ está quantificado, para várias situações correntes, na tabela IV.1 do RCCTE. No que se refere ao isolamento térmico da envolvente, o RCCTE fixa os coeficientes de transmissão térmica máximos admissíveis, dos elementos opacos da envolvente, indicados no quadro II. Estes limites são aplicáveis em zona corrente e não corrente. Nestas últimas – zonas dos pilares, das vigas, das caixas de estores – deverá ainda assegurar-se que o coeficiente U não ultrapassa o dobro dos coeficientes U em zonas contíguas no mesmo plano. Assim, por exemplo, se o coeficiente U de uma parede exterior em zona corrente, de uma habitação em Faro (zona de Inverno I1), for 0,8 W.m-2.ºC-1, o coeficiente U na zona das vigas, dos pilares e, se existirem, das caixas de estore não deverá ultrapassar 1,60W.m-2.ºC-1. Repare-se que, neste caso, não é o limite do quadro II o mais condicionante. No cálculo do coeficiente U admitirse-á que o fluxo é normal à superfície da zona de ponte térmica. Admite-se que estes requisitos do RCCTE não são aplicáveis aos elementos opacos de preenchimento de vãos, designadamente portas. O regulamento é omisso em relação a esta questão. Há que ter presente que a ocorrência de condensações deve ser entendida em termos de risco. Não é possível, com base apenas no isolamento térmico da envolvente, eliminar por completo a possibilidade da sua ocorrência nem assegurar que vão ocorrer. Tal depende fortemente da higrometria dos locais que por sua vez é o resultado das condições de utilização determinadas pelos hábitos dos utilizadores. - 7 / 12 - UNIVERSIDADE DO ALGARVE ENGENHARIA CIVIL - 2º CICLO ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO _________________________________________________________________________________________________________________ 3.4. Condensações superficiais em edifícios de inércia forte Os edifícios de inércia forte mantêm-se frescos quando na Primavera o ar começa a aquecer. Nos dias húmidos o ar quente consegue conter muito vapor sem condensar – humidade absoluta elevada – precisamente porque a sua temperatura é alta. Quando esse ar entra nos edifícios de inércia térmica forte e contacta com as suas superfícies frias pode haver lugar a condensações. 4. CONDENSAÇÕES INTERNAS 4.1. Descrição geral O vapor de água atravessa os elementos de construção da envolvente quando a pressão do vapor é mais elevada de um lado (em princípio o interior) do que do outro. No interior desses elementos estabelecem-se gradientes de pressões do vapor, de acordo com leis que se apresentam adiante. De igual forma se estabelecem gradientes de temperaturas no interior dos elementos de construção quando esta é mais elevada de um lado do que do outro. As condensações internas ocorrem quando, nalgum ponto no interior dos elementos, a pressão do vapor ultrapassa a pressão de saturação, face aos gradientes de pressão e temperatura existentes. Note-se que é a temperatura que dita o valor da pressão de saturação. 4.2. Gradientes de temperaturas Admitindo regime permanente pode-se, tal como se fez atrás em 3.1, igualar o fluxo de calor que atravessa o elemento de construção e o fluxo que atravessa qualquer uma das suas camadas constituintes. Sejam Qt e Qj os fluxos que atravessam o elemento e uma camada qualquer j do elemento. Virá: Qt= U . A . (ti - te) Q j = K pj ⋅ A ⋅ ∆t j em que: U – coeficiente de transmissão térmica do elemento A – área do elemento (ou da zona do elemento) atravessado pelo calor Kpj – condutância térmica (inverso da resistência térmica) da camada j ti e te – temperaturas do ar interior e exterior, respectivamente ∆tj – é a queda de temperatura na camada j. - 8 / 12 - UNIVERSIDADE DO ALGARVE ENGENHARIA CIVIL - 2º CICLO ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO _________________________________________________________________________________________________________________ Igualando Qt e Qi vem: U ⋅ (ti − te ) = K pj ⋅ ∆t j Atendendo a que: 1 1 e que K pj = Rt Rj em que Rt é a resistência térmica total (incluindo pois as resistências térmicas superficiais) e Rj é a resistência térmica da camada j, obtém-se: U= (ti − te ) ∆t j = Rt Rj ou ∆t j = ti − t e ⋅ Rj Rt que nos diz que a queda de temperatura em cada camada é proporcional à sua resistência térmica e que a constante de proporcionalidade é (ti – te) / Rt. 4.3. Gradientes de pressões do vapor Há paralelismo entre os conceitos e as leis que regem a difusão do vapor através dos elementos de construção e os conceitos e leis que regem a transmissão do calor. No quadro III apresentam-se os novos conceitos tirando partido desse paralelismo. No quadro IV sistematizam-se alguns dados. Uma camada de ar em repouso tem uma permeabilidade ao vapor de cerca de 190 ng.m-1.s-1.Pa-1. A permeância dos elementos de construção ou das suas camadas pode exprimir-se em espessura de camada de ar de difusão equivalente, que se representa por SD. Para um material de permeabilidade PI e espessura e essa espessura SD é dada por: 190 π = SD e ⇒ S D = 190 ⋅ e π com π expresso em ng.m-1.s-1.Pa-1 e e expresso nas mesmas unidades que SD. O gradiente de pressões do vapor num elemento de construção pode calcular-se com base numa expressão idêntica à deduzida atrás para as temperaturas: ∆Pj = Pi − Pe ⋅ RDj RDt em que: - 9 / 12 - UNIVERSIDADE DO ALGARVE ENGENHARIA CIVIL - 2º CICLO ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO _________________________________________________________________________________________________________________ ∆Pj - queda da pressão do vapor na camada j Pi, Pe – pressões do vapor no interior e no exterior, respectivamente RDt – resistência à difusão do vapor do elemento de construção RDj – resistência à difusão do vapor da camada j. Na difusão do vapor não há equivalente às resistências térmicas superficiais, ou seja, essas resistências são nulas. Quadro III – CORRESPONDÊNCIA ENTRE GRANDEZAS APLICÁVEIS À TRANSMISSÃO DO CALOR E À DIFUSÃO DO VAPOR GRANDEZAS APLICÁVEIS À TRANSMISSÃO DO CALOR GRANDEZAS APLICÁVEIS À DIFUSÃO DO VAPOR Grandeza Unidades Grandeza Unidades Observações Temperatura ºC ou K Pressão do vapor Pa ou pressão parcial do vapor Condutibilidade térmica W.m-1.ºC-1 (J.m-1.s-1.ºC-1) Condutância térmica W.m-2.ºC-1 Permeância ao vapor kg.m-2.s-1.Pa-1 Resistência térmica m2.ºC.m-1 Resistência à difusão do vapor (RD) m2.s.Pa.kg-1 Permeabilidade ao kg.m-1.s-1.Pa-1 vapor (π) é a quantidade de vapor por unidade de tempo que atravessa o material por unidade de área e por unidade de espessura quando a diferença de pressão do vapor é unitária é igual à permeabilidade π / espessura é igual à espessura / permeabilidade π 4.4. Anomalias causadas pelas condensações internas As condensações internas provocam a deterioração dos materiais sensíveis à sua presença, designadamente o apodrecimento dos materiais orgânicos, a degradação das características de isolamento térmico e têm ainda todos os outros efeitos próprios da humidade sobre os materiais de construção, podendo causar anomalias tais como variações dimensionais, corrosão e hidrólise (dissolução de ligantes ou colas). - 10 / 12 - UNIVERSIDADE DO ALGARVE ENGENHARIA CIVIL - 2º CICLO ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO _________________________________________________________________________________________________________________ 4.5. Modo de prevenir as condensações internas As barreiras pára-vapor são a solução correntemente usada sempre que se admite haver possibilidade de condensações internas. Usam-se folhas de polietileno, de alumínio, emulsões betuminosas. Devem ficar do lado quente da camada isolante térmica. É possível também reduzir a pressão do vapor na face fria do isolante por ventilação. Essa técnica é aplicável ao caso de paredes com caixa de ar que deve ficar pelo lado exterior do isolante e ligeiramente ventilada. Quadro IV – PERMEABILIDADE E PERMEÂNCIA AO VAPOR DE ÁGUA DE ALGUNS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO [5] MATERIAL MASSA VOLÚMICA APARENTE (kg.m-3) PERMEABILIDADE (ng.Pa-1.m-1.s-1) lã mineral 2-180 vidro celular aglom. negro cortiça poliest. exp. moldado poliest. exp. extrud. espuma ríg. poliuret. 110-140 100-150 12-15 15-30 25-40 30-40 200 a125 (sem revestimentos) ≈0 15 a 10 10 10 a 3 3a1 6a4 betões inert. corrent. betão celular betão arg. expandida argamassas de reboco estuque tradicional pl. gesso cartonado 2200 – 2400 400-800 500-1200 800-2100 750-1000 750-1000 6a3 40 a 20 40 a 12 10 a 5 20 25 metais (chapas) vidro (chapa) fibrocimento (chapas) 2700 1800-2200 0 0 10 a 4 folhas de polietileno 150 µm 250 µm folha de alumínio 25 µm 10 µm feltros betuminosos PERMEÂNCIA (ng.Pa-1.m-2.s-1) 3,5 1,7 ≈0 3 <0,3 - 11 / 12 - UNIVERSIDADE DO ALGARVE ENGENHARIA CIVIL - 2º CICLO ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO _________________________________________________________________________________________________________________ Para verificação em fase de projecto podem considerar-se as condições seguintes: - No exterior: - temperatura igual à média da temperatura mínima em Janeiro indicada atrás - humidade relativa do ar de 95% - No interior (casos correntes) - temperatura de 18 ºC - humidade relativa de 75% Interessa evitar as condensações internas sempre que estas possam ser a causa de patologias. Caso não haja risco de deterioração dos materiais nem redução das suas propriedades de isolamento térmico e haja encaminhamento apropriado da água condensada, as condensações internas podem ser consentidas. REFERÊNCIAS 1. Norma Básica de la Edificación NBE-CT-79 Condiciones Térmicas en los edifícios. Ministerio de Obras Públicas y Urbanismo, 1989. 2. Regulamento das Características do Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE). Dec.-Lei 80/2006 de 4 de Abril. 3. CEN/TC 89 – Thermal performance of buildings and building components. Working draft. CEN, 1995. 4. COUASNET, Yves – Les condensations dans les bâtiments. Guide pratique et éléments d’analyse. Paris, Presses de l’École Nationale des Ponts et Chaussées, 1990. 5. SANTOS, C. P. – Isolantes térmicos, in “Curso de especialização sobre isolamento térmico de edifícios”, Lisboa, LNEC, 1995. - 12 / 12 -