Livro de Resumos Organizadores: Angelo Roberto Mendonça Hélio Freitas Santos William Costa Rodrigues Promover a conscientização da importância da Mata Atlântica como Reserva da Biosfera é a meta deste evento, que acontecerá no município que possui 40% da sua extensão coberta pelo Bioma Mata Atlântica. Editora: Apoio: Co-editora: Copyright©2014 Instituto Zoobotânico de Morro Azul » Hélio Freitas Santos - Diretor-presidente » Maria Cecília R. Monteiro Santos - Diretor-financeiro » Luciano de Caiado Castro Moraes - Diretor-executivo Este é o livro de resumos do IIi Simpósio de Pesquisa em Mata Atlântica, Engenheiro Paulo de Frontin, RJ, editado pela Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FFP-UERJ) e co-editado pelo Instituto Zoobotânico de Morro Azul (IZMA), registrado sob o ISBN nº 978-85-88707-93-1. Editoração Eletrônica: » Prof. Dr. William Costa Rodrigues – Entomologistas do Brasil Comissão Organizadora: » Prof. MSc Hélio Freitas Santos (IZMA-SEEDUC); » MSc Annelise Frazão Nunes (USP); » MSc Marília Suzy Wängler (Instituto pé de planta); » MSc Vitor de Souza Ferreira (Pé de Planta); » Profª. Maria Cecília Santos (IZMA); » Biólogo Angelo Mendonça (IZMA); » Bióloga Fabiana Fernandes (SMMA, Paty do Alferes, RJ); » Profª. Claudiene Gonçalves (SEEDUC); » Profª. Bianca de Oliveira (SEEDUC); » Prof. Guilherme Furozawa (SEEDUC); » Prof. Thiago Trindade (Colégio Técnico, UFRRJ). Comissão de Apoio: » Atalanta O. Dias (Cederj); » Prof. Fabio Quintão (SEEDUC), » Mestranda Camila S. Pantoja de Oliveira (UFRRJ) » MSc Marcelo Netto (USS); » Prof. Jorge Forny (SEEDUC); » Mestranda Samara Macedo (UFRRJ); » Leandro Feijó (CEDERJ); » Liana Monteiro (USS); » Letícia Monteiro (UFRJ). Comissão Científica: » Prof. Dr. Adriano Lúcio Peracchi (UFRRJ); » Prof. Dr. Paulo Cesar Rodrigues Cassino (USS); » Dr. Reinildes Silva Filho; » Prof. Dr. Marcelo Guerra Santos(FFP- UERJ); » Profa. Dra. Maria Cristina Ferreira dos Santos (FFP-UERJ), » Prof. MSc Luiz José Pinto ( FFP-UERJ); Biól. MSc.Vitor de Souza Ferreira. Professores Colaboradores: » Prof. Dr.William Costa Rodrigues (UNIFOA); » Prof. José Carlos Azevedo (Colégio Técnico UFRRJ); » Dr. Prof. Luís Henrique Soares (SEEDUC); » Prof. MSc Sérgio Pereira (Prefeitura Barra do Piraí); » Profa. MSc Lucia Helena C. Gonçalves Reservado todos os direitos de publicação ao Instituto Zoobotânico de Morro Azul (IZMA) - CNPJ: 01.620.691/0001-99 Estrada do Pau Ferro, 3066, Morro Azul, Eng. Paulo de Frontin, RJ - CEP: 26.650-000 e-mail: [email protected] site: www.izma.org.br Produzido no Brasil III SIMPÓSIO DE PESQUISA EM MATA ATLÂNTICA, ENGENHEIRO PAULO DE FRONTIN, RJ LIVRO DE RESUMOS HÉLIO FREITAS SANTOS ANGELO ROBERTO MENDONÇA WILLIAM COSTA RODRIGUES ORGANIZADORES 1ª. EDIÇÃO Eng. Paulo de Frontin, RJ FFP-UERJ 2014 SUMÁRIO TÍTULO A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO LOCAL PARA O GEOTURISMO E A GESTÃO DA GEODIVERSIDADE NO PARQUE ESTADUAL DOS TRÊS PICOS: RESULTADOS PRELIMINARES AGREGAÇÃO DO SOLO EM ÁREAS DE FRAGMENTOS FLORESTAIS, PASTAGEM E AGRICULTURA EM AMBIENTE DE MAR DE MORROS, PINHEIRAL (RJ) AUTOR (ES) PÁGINAS Silva, W.M.; Guimarães, A. A. S. 01-04 Fonseca Junior, A. M.; Pereira, M. G.; Silva, C. F.; Menezes, C. E. G. 05-08 APAREIODON CF. PIRACICABAE NO RIO PARAÍBA DO Salgado, F. L. K.; Araújo, F. G. SUL: ESPÉCIE NATIVA OU INTRODUZIDA? Pardal, B. M.; Cruz, I. L. S.; AVALIAÇÃO DO POTENCIAL INSETICIDA DO Carvalho, M. A.; Oliveira, N. B.; PRODUTO VIG1 SOBRE LARVAS DE Aedes aegypti Santos, L. R.; Anunciação, S. C. M.; Maleck, M. AVIFAUNA CONSUMIDORA DOS FRUTOS DE Santos, H. F.; Nunes, A. F. Alchornia sidifolia Euphorbiaceae CARACTERIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DA QUALIDADE Gonçalves, L. H. C.; Lima, R.F.; DAS ÁGUAS DA BACIA DO RIO ALEGRE – Rodrigues, V.G. VASSOURAS/RJ CARACTERIZAÇÃO FLORÍSTICA E FITOSSOCIOLOGIA DE UM FRAGMENTO DE FLORESTA OMBRÓFILA Saullo, R. B.; Freire L. S. R.; DENSA NO SERTÃO DO MARUIM, SÃO JOSÉ, SANTA Nasser, F. C. CATARINA COMPARAÇÃO DA RIQUEZA DE FAUNA EDÁFICA EM UM POVOAMENTO DE EUCALIPTO E UM TRECHO DE Vecchi, I. C.; Almeida, F. S. FLORESTA NATIVA NA RESERVA BIOLÓGICA UNIÃO – RJ CONSTITUIÇÃO QUÍMICA ESTRUTURAL DO Sampaio, D. A.; Abreu, H. S.; TEGUMENTO DA SEMENTE DE ARAUCARIA Oliveira, M. T. P.; Sanches, L. S. ANGUSTIFOLIA CONTRIBUIÇÕES DE PRÁTICAS EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O ENSINO FORMAL, NOS RIBEIRO, M.S.B.M.; PEREIRA, MUNICÍPIOS DE VASSOURAS, VALENÇA E PAULO DE V.F.G.C.; GOMES, R.C.G. FRONTIN, RJ DECOMPOSICÃO DE SERAPILHEIRA DE DUAS Cabreira, W. V.; Pereira, M. G. ESPÉCIES ARBÓREAS DA MATA ATLÂNTICA DENSIDADE DE FLEBOTOMINEOS (DIPTERA: PSYCHODIDAE) NO PARQUE ESTADUAL DA PEDRA Silva, F. F.; Vilela, M. L.; AvelinoBRANCA, NÚCLEO PAU DA FOME, TAQUARA, RJ: Capistrano, F. S. DADOS PRELIMINARES DÍPTEROS NECRÓFILOS E DE IMPORTÂNCIA PENAFORTE, L.B.; BARBOSA, L.S.; FORENSE DO PARQUE ESTADUAL DA PEDRA AVELINO-CAPISTRANO, F. BRANCA, RIO DE JANEIRO, BRASIL EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA INCLUSIVA, Lima, R.F.; Gonçalves, L.H.C.; POSSIBILIDADES E DESAFIOS NO CENÁRIO DA MATA Kneipp, R.E. ATLÂNTICA EFEITO DE BORDA SOBRE O MICROCLIMA EM DIFERENTES ESTÁGIOS SUCESSIONAIS DE FLORESTA Mendonça, A.R.; Voltolini, J.C. ATLÂNTICA Mendonça, V. M. M.; Santos, G.L. EFEITO DA PEDOFORMA NO APORTE DE dos; Silva, R. M. da; Menezes, C. SERAPILHEIRA NA FLORESTA ATLÂNTICA E. G.; Pereira, M. G. 09-12 13-16 17-20 21-24 25-28 29-31 32-35 36-39 40-43 44-47 48-51 52-55 56-58 59-62 TÍTULO EPHEMEROPTERA, PLECOPTERA E TRICHOPTERA (INSECTA) EM RIOS DO PARQUE ESTADUAL DA PEDRA BRANCA, RIO DE JANEIRO, BRASIL ESPÉCIES DA FLORA BRASILEIRA AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO PRESENTES NO MORRO DAS ANDORINHAS, NITERÓI, RJ, BRASIL ESTOQUE E TEOR DE NUTRIENTES DO MATERIAL FORMADOR DA SERAPILHEIRA EM PEDOFORMAS CONVEXA E CÔNCAVA, PINHEIRAL (RJ) ESTRATIFICAÇÃO VERTICAL DA POSTURA DE OVOS DE Aedes aegypti L. E Aedes albopictus S. NO MUNICIPIO DE VASSOURAS, RJ ESTUDO DE GEORREFERENCIAMENTO E CARACTERIZAÇÃO FLORESTAL EM UMA RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL PERTENCENTE AO BIOMA MATA ATLÂNTICA – RPPN GRANJA REDENÇÃO / SILVA JARDIM – RJ ESTUDOS DE INSETOS (ORTHOPTERA: GRYLLIDAE) COMO BIOINDICADORES DE QUALIDADE AMBIENTAL NO FRAGMENTO DE FLORESTA PLUVIAL ATLÂNTICA NO INSTITUTO ZOOBOTÂNICO DE MORRO AZUL FRAGMENTAÇÃO FLORESTAL NO VALE DO CAFÉ SUL FLUMINENSE GÊNESE DE AGREGADOS E MATÉRIA ORGÂNICA EM PEDOFORMA CÔNCAVA E CONVEXA - PINHEIRAL RJ GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS CONSTITUÍDOS POR PILHAS NA REGIÃO DE SEROPÉDICA INVENTÁRIO FLORÍSTICO E FITOSSOCIOLOGIA DE UM FRAGMENTO DE RESTINGA ARBÓREA NA BAIXADA DO MASSIAMBÚ, PALHOÇA, SANTA CATARINA LEPIDOPTERAS ENCONTRADAS EM FRAGMENTO DE MATA ATLANTICA EM MIRANTÃO, BOCAINA DE MINAS-MG LEVANTAMENTO DE DIPTEROS MUSCÓIDES, ÊNFASE EM CALLIPHORIDAE, SOB INFLUÊNCIA DE DIFERENTES ISCAS NA REBIO DE POÇO DAS ANTAS – SILVA JARDIM, RJ: DADOS PRELIMINARES MACROFAUNA EDÁFICA EM TOPOSSEQUÊNCIA COM OCORRÊNCIA DE NINHOS EPÍGEOS DE TÉRMITAS EM AMBIENTE DE “MAR DE MORROS” PINHEIRAL – RJ MAPEAMENTO DA COBERTURA FLORESTAL DA SUBBACIA HIDROGRÁFICA DO RIO COMBOIOS - ES, BRASIL NOVAS ESPÉCIES DO COMPLEXO ASTYANAX BIMACULATUS (LINNAEUS, 1758) DAS BACIAS COSTEIRAS ENTRE SÃO PAULO E BAHIA, INCLUÍDAS NO BIOMA MATA ATLÂNTICA NOVOS REGISTROS DE HETERÓPTEROS SEMIAQUÁTICOS (HEMIPTERA: HETEROPTERA: GERROMORPHA) EM ÁREAS DE MATA ATLÂNTICA RECOMENDAÇÃO DE ESPÉCIES PARA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS AUTOR (ES) PÁGINAS Ferreira, A.; Silva, F.S.; Cordeiro, I.R.; Rocha, L.C.F. & AvelinoCapistrano, F. 63-66 Machado, D. N. S., Mendes, T.S. & Barros, A. A. M. de 67-70 Santos, G. L.; Mendonça, V. M. M.; Correa Neto, T. A., Menezes, C. E. G.; Pereira, M. G. Cruz Jr, A. J., Monsores, D. A. , Caetano, G. C. , Alves, S. P., Maleck, M. 71-74 75-77 Santos, M. F.; Amorim, A. P. C. F.; Medeiros, G. S.; Andrade, L. C.; Fonseca, C. B. D. 78-80 Duarte, M.N.; Mendes, M.P.; Rodrigues, W.C.; Cassino, P.C.R.; Maleck. M. 81-84 Santos, J. F. C., Santos, G. R., Cabreira, G. V. , Araújo, E. J. G. Fréo,V.A. Pereira, M.G.; Medeiros, A.S. 85-88 89-92 Giovanini, C. F. R.; Azevedo, J. C.; Rasga, G. L.; Garcia, M. C. C. 93-96 Saullo, R. B.; Freire L. S. R.; Nasser, F. C. 97-100 Trindade, T.D.; Furusawa, G. P.; Nascimento, L. K. F. do 101-104 SANTOS, A.L.M.D. 105-108 Lima. S. S.; Silva, R. M.; Scoriza, R.; Pontes, R. M.; Pereira, M. G. 109-112 Mendes, N. G. S.; Santos, A. R.; Silva, S. F.; Cecílio, R. A.; Bermudes, W. L. 113-116 Salgado, F. L. K.; Buckup, P. A. 117-120 Cordeiro, I.R.S.; Moreira, F.F.F.; Avelino-Capistrano, F.S. 121-124 Oliveira Júnior, J.Q.de.; Souza, R.C.; Santos,G.L.; Pereira, M.G. 125-128 TÍTULO REDE DE FORNECEDORES DE SEMENTES E MUDAS DE ESPÉCIES DE MATA ATLÂNTICA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO GUANDU – RJ: IDENTIFICAÇÃO DOS ATORES E PERSPECTIVAS FUTURAS REMANESCENTES FLORESTAIS DE MATA ATLÂNTICA NA SUB-BACIA HIDROGRÁFICA RIO DA PRATA, IBIRAÇU E ARACRUZ - ES, BRASIL VARIAÇÃO GEOGRÁFICA MORFOLÓGICA E VOCAL DE ASTHENES MOREIRAE (MIRANDA-RIBEIRO, 1905) (AVES: PASSERIFORMES: FURNARIIDAE) AUTOR (ES) PÁGINAS Diniz, R.G.; Souza S. R.; Arruda A. 129-132 Silva, S. F.; Mendes, N. G. S.; Bermudes, W. L.; Santos, A. R. 133-136 Fonseca, O. V. 137-140 A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO LOCAL PARA O GEOTURISMO E A GESTÃO DA GEODIVERSIDADE NO PARQUE ESTADUAL DOS TRÊS PICOS: RESULTADOS PRELIMINARES Silva, W.M.¹; Guimarães, A. A. S.² ¹UFRJ, Curso de Mestrado em Geografia- [email protected] – (21) 2676-1262 ²UFRJ, Curso de Mestrado em Geografia- [email protected] – (21) 99606-6183 Palavras-chave: Mata Atlântica, Geoparque, Geoconservação. INTRODUÇÃO O Geoparque é uma nova modalidade de área turística que se caracteriza por agregar um conjunto de atributos geológicos com importância histórica, cultural, paisagística e científica. Este conceito está atrelado ao de geoturismo (GRAY, 2004) em função da importância dada ao patrimônio geológico, e à educação ambiental, por estimular práticas que promovam a sustentabilidade (BRILHA, 2005). O único Geoparque brasileiro instituído legalmente, é o da Chapada do Araripe localizado no Estado do Ceará e possui o bioma Mata Atlântica em seu território. Este exemplo pode ser aplicado a outras regiões com Mata Atlântica, já que ao se preservar os atributos físicos desses espaços, conserva-se a riqueza biológica dessas florestas. Ao se conhecer o uso local dos recursos naturais por parte das comunidades humanas, pode-se implantar estratégias de turismo para o melhor manejo dos recursos naturais e posterior sustentabilidade para a geodiversidade dentro da Mata Atlântica (DIEGUES, 2006). Dessa forma, escolheu-se como área de estudo o Parque Estadual dos Três Picos (PETP), uma Unidade de Conservação de Proteção Integral. Criado através do decreto de Lei nº 31.343 de 05 de junho de 2002, o parque é composto por partes de cinco municípios: Cachoeiras de Macacu, Teresópolis, Nova Friburgo, Silva Jardim e Guapimirim. O PETP está localizado a leste do Estado do Rio de Janeiro, na Serra do Mar, e inclui paisagens de rara beleza cênica, diferentes ecossistemas e um contexto singular em termos de cultura, economia, biodiversidade e geodiversidade (CAMPOS, 2007). Uma região de Mata Atlântica que poderia ter uma utilização turística enquanto geoparque. MATERIAL E MÉTODOS Busca-se nesse trabalho fazer uma leitura da potencialidade do Parque Estadual dos Três Picos em termos turísticos. Para isso, pretende-se averiguar como se deu a criação da Unidade de Conservação – UC, sob a luz dos instrumentos legais como o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC (DIEGUES, 2006), e seus impactos nos municípios envolvidos, em especial o de Cachoeiras de Macacu, que possui a maior área do parque em seus limites geográficos. Para a realização desse projeto estão sendo feitos levantamentos bibliográficos e de dados qualitativos que possam explicar os fenômenos locais, abarcando as comunidades locais, bem como trabalhos de campo para a obtenção de dados primários. As metodologias de trabalho compreendem visitas de campo nas localidades a serem analisadas para a obtenção de dados qualitativos; observação dos fenômenos singulares das populações locais por meio de questionários, entrevistas e depoimentos com atores sociais representativos. Através de métodos qualitativos serão traçados perfis da percepção ambiental desses atores frente à geodiversidade da área do parque e de áreas limítrofes, identificando suas particularidades e os usos turísticos dos recursos naturais do parque (MANSUR, 2009 & GRAY, 2004). RESULTADOS E DISCUSSÕES A região do Parque Estadual dos Três Picos possui um imenso potencial de belezas naturais que podem ser desfrutadas e melhor geridas de acordo com o SNUC (2000), para um Turismo Ecológico que traga renda para a população e recursos importantes para a preservação da biodiversidade. Assim, áreas como a região dos três cedros em Boca do Mato e cascatas desconhecidas do grande público na região de Guapiaçu (IKEMOTO, 2008), enquadram-se nestes quesitos. A população amostrada de 30 pessoas que reside na área do PETP, ou em seu entorno, responderam entrevistas que apontaram desconhecimento sobre as categorias de áreas protegidas, mas atestam a importância do parque para a população e para conservação dos recursos naturais. Os moradores locais também apontaram a pouca visibilidade e importância que os gestores dão ao parque, estando muitas vezes distantes das demandas sociais. As ameaças a essa região de Mata Atlântica diminuíram muito com a criação da reserva, sendo corroborada com os próprios moradores locais que ajudam na sua conservação ao denunciarem práticas ilegais de estranhos dentro da reserva. Entretanto, existem conflitos de uso exemplificados pela retirada de árvores para utilização de madeira, a coleta de ervas medicinais, a utilização de água para fins domésticos e o controle sobre as pequenas roças, principalmente a de banana, que uma parcela da população local considera exagerado. Eis alguns conflitos vistos em campo. CONCLUSÃO A principal contribuição da pesquisa é abordar conceitos e assuntos ainda pouco frequentes em estudos sobre áreas de Mata Atlântica, como o geoturismo e o Geoparque. A revisão bibliográfica preliminar envolverá bases teóricas, conceituais e epistemológicas variadas para uma melhor interpretação dos fenômenos geográficos, de acordo com a escala envolvida e a área do PETP. Projetos e atividades inclusivas que mudem a percepção ambiental da população e o turismo sustentável sobre áreas de Mata Atlântica são a tônica desta pesquisa. As demandas coletivas da sociedade são cada vez mais incontestes em um mundo em que as áreas com alta diversidade de espécies da fauna e flora e culturas humanas são perdidas junto com paisagens belíssimas, que desaparecem sem qualquer estudo aprofundado com a ganância do sistema econômico-político vigente (MANSUR, 2009). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRILHA, José Bernardo Rodrigues. Patrimônio Geológico e Geoconservação: a conservação da natureza na sua vertente geológica. Braga: Palimage Editora, 2005. CAMPOS, R. de M. O Parque Estadual dos Três Picos e sua inserção no contexto da conservação da natureza no Estado do Rio de Janeiro. Departamento de Geografia. UFF. Trabalho de conclusão de curso São Paulo, 1999. 85 p. DIEGUES, A. C. S. O Mito Moderno da Natureza Intocada. 5. ed. São Paulo: Hucitec, 2006. GRAY, Murray. Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature. Londres: John Wiley & Sons Ltd, 2004. IKEMOTO, Silvia Marie. As trilhas interpretativas e sua relevância para promoção da conservação: Trilha do Jequitibá, Parque Estadual dos Três Picos (PETP), RJ. Niterói: 2008. MANSUR, K. L. Projetos educacionais para a popularização das Geociências e para a geoconservação. Geologia USP: Publicação Especial, São Paulo, v. 5, 2009. NAÇÕES UNIDAS. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization – UNESCO. Global Geoparks Network. Guidelines and Criteria for National Geoparks seeking UNESCO's assistance to join the Global Geoparks Network (GGN). UNESCO, 2010. AGREGAÇÃO DO SOLO EM ÁREAS DE FRAGMENTOS FLORESTAIS, PASTAGEM E AGRICULTURA EM AMBIENTE DE MAR DE MORROS, PINHEIRAL (RJ). Fonseca Junior1, A. M.; Pereira, M. G2.; Silva, C. F2.; Menezes, C. E. G3. ¹UFRRJ, Curso de Engenharia Florestal - [email protected] 2UFRRJ, Departamento de Solos da UFRRJ - [email protected] e [email protected] 3IFRJ, Campus Pinheiral - [email protected] Palavras-chave: Mata Atlântica, estabilidade dos agregados, indicadores de qualidade do solo INTRODUÇÃO A partir da década de 80 cerca de 180 milhões de florestas foram destruídos (FAO, 1997). Há uma estimativa que no estado do Rio de Janeiro a Mata Atlântica originalmente cobria em torno de 98 % de seu território. Sendo que atualmente cobre menos de 20%, encontrando-se bastante fragmentada e desconectada. No bioma Mata Atlântica, apesar de encontrar-se mais fragmentado e ameaçado em comparação a floresta amazônica, poucos estudos são conduzidos sobre os efeitos da fragmentação e regeneração florestal e a alteração dos atributos edáficos. Os atributos edáficos podem ser submetidos a modificações em função do tipo e da intensidade de manejo que é empregado em uma área (Menezes, 2008). Dessa forma este estudo teve como objetivo avaliar as modificações na agregação do solo em áreas localizadas em ambiente de Mar de Morros, Pinheiral (RJ) MATERIAL E MÉTODOS O trabalho foi desenvolvido na sub-bacia do ribeirão Cachimbal, situada à margem direita do rio Paraíba do Sul, na região do Médio Paraíba Fluminense. A área está localizada entre as latitudes 22°33’S e 22°38’S e entre as longitudes 43°57’W e 44°05’W. A região possui o clima, de acordo com Köppen identificado como Am – clima tropical chuvoso, de monção, com inverno seco. A ocupação da área, assim como, toda região do Médio Vale do Paraíba do Sul, passou pelo extrativismo, sendo em seguida pela cultura do café. Progressivamente as lavouras cafeeiras foram substituídas pela pecuária extensiva, cujo manejo inadequado contribuiu para a formação da paisagem que hoje domina a região (Menezes, 2008). Os fragmentos florestais remanescentes são pequenos e localizam-se nos interflúvios das principais bacias hidrográficas e em áreas de difícil acesso, cujo relevo não permitiu a utilização agrícola. Para o estudo foram selecionadas as diferentes formas de uso ou cobertura vegetal, a saber: Floresta Secundária Estádio Avançado (FSEA), Floresta Secundária Estádio Médio (FSEM), Floresta Secundária Estádio Inicial (FSEI), Pasto, Agricultura perene – Citrus (AGP), Agricultura anual – Mandioca (AGAN). Após essa seleção foi delimitada uma parcela de 20 x 20 metros, localizada no terço superior da encosta. Em cada área foram coletadas amostras para a avaliação da estabilidade dos agregados, sendo coletadas cinco amostras na profundidade de 0-5 cm. A avaliação da estabilidade dos agregados foi determinada pelo peneiramento via úmida e, posteriormente, calculado o diâmetro médio ponderado dos agregados (DMP) e o diâmetro médio geométrico dos agregados (DMG). Foram determinados os teores de carbono orgânico total (COT). Através dos resultados obtidos foi realizada a análise normalidade da distribuição dos erros (teste de Lillifors / SAEG 5.0) e homogeneidade das variâncias (testes de Cochran e Bartlett / SAEG 5.0). Os valores médios foram analisados por meio do teste T de Bonferroni, com a utilização do programa estatístico Sisvar 4.6 RESULTADOS E DISCUSSÃO O diâmetro médio geométrico (DMG) dos agregados do solo variou de 2,71 a 4,92 mm, sendo o menor valor observado na AGP e o maior na pastagem (Tabela 1). O diâmetro médio ponderado (DMP) apresentou a mesma tendência, uma vez que, foram quantificados valores mais baixos na área de AGP (1,96 mm) e mais elevados na área de pastagem (2,50 mm). Pode-se observar que a AGP reduziu em torno de 40% e 30% o DMG e DMP dos agregados, respectivamente, em relação à pastagem. Os maiores valores de DMP verificados na área de pastagem devem-se ao agressivo e abundante sistema radicular da braquiária, que favorece tanto a aproximação das partículas como fornece matéria orgânica que levará a uma maior estabilidade dos agregados. Neves et al. (2006) detectaram correlação positiva entre o teor de carbono orgânico total e a estabilidade dos agregados. No presente estudo, só foi verificado correlação positiva entre o carbono orgânico particulado (COP) e o DMG (r=0,78; P=0,03). Os valores de DMG e DMP das áreas florestais foram próximos. De acordo com Ferreira (2008) em áreas florestais a serapilheira fornece, de forma contínua, material orgânico para o solo e contribui positivamente para a manutenção da microbiota e toda a sua diversidade. Tais condições, com o decorrer do tempo, também influenciam diretamente na formação dos agregados que se tornam mais estáveis ao terem em sua composição compostos orgânicos ligando as partículas. Soares et al. (2005) encontraram valores de DMP em solo sob vegetação nativa de 3,48 mm na camada superficial, ou seja, superior ao encontrado neste estudo para as áreas florestais. CONCLUSÃO Os maiores valores de estabilidade dos agregados (DMP e DMG) foram observados nas áreas de floresta e na área de pastagem, indicando que as práticas agrícolas adotadas na região estão contribuindo para a degradação da estrutura. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FAO (Roma, Itália). 1997. State of the World’s forests. Rome. 220p. FERREIRA, G.M. Atividade microbiana e agregação de um Latossolo Vermelho Distroférrico em Campinas, SP, sob usos e manejos distintos. 2008. 70f. Dissertação (Mestrado) – Pós-Graduação – Instituto Agronômico. MENEZES, C.E.G. Integridade de paisagem, manejo e atributos do solo no médio Vale do Paraíba do Sul Pinheiral-RJ. 2008. 160p. Tese. Seropédica, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. NEVES, C.S.V.J.; FELLER, C. & KOUAKOUA, E. Efeito do manejo do solo e da matéria orgânica em água quente na estabilidade de agregados de um Latossolo Argiloso. Ciência Rural, 36:1410-1415, 2006. SOARES, J.L.N.; ESPINDOLA, C.R. & PEREIRA, W.L.M. Physical attributes of soils under intensive agricultural management. Scientia Agricola, 62:165-172, 2005 Tabela 1: Índices de estabilidade de agregados e seus respectivos erros-padrão de um Cambissolo Háplico sob agricultura, pastagem e floresta secundária em três estádios sucessionais, na camada de 0-5 cm. DMP - diâmetro médio ponderado; DMG - diâmetro médio geométrico. DMG DMP mm Sistemas FSEA 4,22 a 2,29 a FSEM 3,88 a 2,20 a FSEI 4,32 a 2,14 a Pasto 4,92 a 2,50 a AGAN 3,27 b 2,24 a AGP 2,71 b 1,96 a Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem pelo teste Scott Knott a 5%. F= floresta; S= secundária; E= estádio; A= avançada; M= médio; I= inicial; AG= agricultura; AN = anual; P = perene APAREIODON CF. PIRACICABAE NO RIO PARAÍBA DO SUL: ESPÉCIE NATIVA OU INTRODUZIDA? Salgado, F. L. K.1; Araújo, F. G.2 1,2 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Laboratório de Ecologia de Peixes. BR 465, Km 7, 23851-970 Seropédica, RJ, [email protected] e [email protected] Palavras-chave: introdução, Paraíba do Sul, nativas INTRODUÇÃO Apareiodon piracicabae (EIGENMANN & OGLE, 1907) é uma espécie encontrada nas bacias dos altos rios Paraná e São Francisco (REIS et al., 2003), e nunca foi coletada em latitudes inferiores a 23 ° sul. Como neste estudo é relatado um primeiro registro de ocorrência no Rio Paraíba do Sul (22 ° 32-33’ S, 44 ° 27-51’ W), os espécimes desta amostra foram identificados momentaneamente como A. cf. piracicabae. As características morfológicas desta amostra foram comparadas com a descrição original de EIGENMANN & OGLE (1907) e com trabalhos de PAVANELLI & BRITSKI (2003) e PAVANELLI (2006), uma vez que as restrições ambientais locais podem influenciar na divergência morfológica desta espécie. MATERIAL E MÉTODOS Dezessete espécimes foram coletados entre 2008 e 2013 no curso médiosuperior da bacia do Rio Paraíba do Sul. Destes dezessete, treze exemplares foram capturados com pesca elétrica (gerador AC-900 W, 220 V, 1-2 A), sendo três no riacho São Roque (22° 31’ 13” S, 44° 40’ 26” W) e dez no córrego Entupido (22° 33' 45” S, 44° 48' 45” W) e quatro foram coletados com redes de emalhar (tamanho de malha 15-50 mm) no canal principal do rio Paraíba do Sul (um a 22° 32’ 13” S, 44° 46’ 26” W e três a 22 ° 33' 48'' S, 44 ° 51' 38'' W). Os espécimes foram fixados em formol a 10 % e preservados em álcool a 70 % e depositados como espécimes testemunho na Coleção Ictiológica do Laboratório de Ecologia de peixes da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ LEP-# 0984, 0985, 0986, 1081, 1082, 1453 e 1454). As características diagnósticas utilizadas na identificação da amostra foram: (1) forma das faixas transversais ao corpo, (2) contagem de escamas da linha lateral, (3) contagem 9 de escamas na série central entre o istmo e o ânus e (4) a forma dos dentes e de suas cúspides. As medidas foram reunidas sob microscópio estereoscópico, utilizando-se paquímetro digital em décimos de milímetro e como as contagens, seguiu Pavanelli & Britski (2003). RESULTADOS E DISCUSSÃO Todos os espécimes foram possíveis de serem diagnosticados como Apareiodon cf. piracicabae. O comprimento padrão variou de 13,1 mm a 67,1 mm (m = 27,7 mm; dp = 22,8 mm). A contagem de escamas da série central, entre o istmo e o ânus (Δ = 27 a 29; Moda = 28) e a forma dos dentes e das cúspides aproximaram-se mais do encontrado em A. piracicabae do que no observado em outras espécies de Apareiodon. Os espécimes de A. cf. piracicabae encontrados no Rio Paraíba do Sul combinam com os padrões morfométricos e merísticos gerais descritos por EIGENMANN & OGLE (1907). O grande número de exemplares observados parece corroborar que as restrições de hábitat e outras influências ambientais parecem não contribuir com qualquer eventual divergência morfológica, sendo, entretanto, necessários mais estudos para esclarecer estas questões. A ocorrência de A. cf. piracicabae no Paraíba do Sul foi relatada pela primeira vez neste estudo, o que sugere que esta espécie se estabeleceu neste sistema recentemente. Alguns estudos anteriores relataram a composição da ictiofauna em diferentes rincões do Rio Paraíba do Sul (por exemplo, ARAÚJO, 1996; PINTO E ARAÚJO, 2007; TEIXEIRA et al., 2005), mas esta espécie não foi incluída em nenhuma das listas de espécies. Isso reforça a hipótese de colonização recente neste sistema. Não podemos precisar as razões para o registro de A. cf. piracicabae na bacia do rio Paraíba do Sul. Esta população pode ter se originado de rios como o Piracicaba e o São Francisco, de águas com características físico-químicas semelhantes à água do Rio Paraíba do Sul, o que pode ter contribuído para a colonização deste último rio a partir destas drenagens. A partir do canal principal do Paraíba do Sul, esta espécie poderia ter alcançado os riachos Entupido, Morro Grande e São Roque, onde as águas são mais claras, adaptando-se as condições físico-químicas destes riachos. 10 Outra possibilidade é que exemplares de A. cf. piracicabae tenham escapado de criações de espécies utilizadas como isca viva, na pesca desportiva ou para fins ornamentais, ao longo do curso médio-superior do Paraíba do Sul. Existem vários grandes efeitos ecológicos associados às introduções de peixes não nativos, incluindo a predação, a degradação do hábitat, o aumento da concorrência por recursos, hibridação e transmissão de doenças (GOZLAN et al., 2010; CUCHEROUSSET & OLDEN, 2011). Por isso, a preocupação deve ser levantada por causa dos resultados imprevisíveis que espécies não-nativas podem causar em áreas onde foram introduzidas. CONCLUSÃO Apareiodon cf. piracicabae pode ser uma espécie introduzida, proveniente de criações comerciais (pesca desportiva e/ou de fins ornamentais) ou nativa, vinda de outras bacias (altos Paraná e São Francisco). As pressões ambientes exercidas sobre a população desta espécie nesta nova área de distribuição não parece estar afetando de modo significativo seus padrões morfológicos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, F. G. Composição e estrutura da comunidade de peixes do médio e baixo rio Paraíba do Sul, RJ. Revista Brasileira de Biologia, v. 56, p. 111– 126, 1996. CUCHEROUSSET, J. & OLDEN, J. D. Ecological impacts of non-native freshwater fishes. Fisheries, v. 36, p. 215–230, 2011. EIGENMANN, C. H. & OGLE, F. An annotated list of characin fishes in the United States National Museum and the Museum of Indiana University, with descriptions of new species. Proceedings of the United States National Museum, v. 33 (n. 1556), p. 1-36, 1907. GOZLAN, R. E.; BRITTON, J. R.; COWX, I. & COPP, G. H. Current knowledge on non-native freshwater fish introductions. Journal Fish Biology, n. 76, p. 751– 786, 2001. PAVANELLI, C. S. & BRITSKI, H. A. Apareiodon Eigenmann, 1916 (Teleostei, Characiformes), from the Tocantins-Araguaia basin, with description of three new species. Copeia, v. 2, p. 337–348, 2003. 11 PAVANELLI, C. S. New species of Apareiodon (Teleostei: Characiformes: Parodontidae) from the Rio Piquiri, Upper Rio Paraná, Brazil. Copeia, v. 1, p. 89-95, 2006. PINTO, B. C. T. & ARAÚJO, F. G. Assessing of biotic integrity of the fish community in a heavily impacted segment of a tropical river in Brazil. Brazilian Archives of Biology and Technology, v. 50, p. 489–502, 2007. REIS, R. E.; KULLANDER, S. O. & FERRARIS JR., C. J (orgs). CLOFFSCACheck list of the freshwater fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, pp. 729, 2003. TEIXEIRA, T. P.; PINTO, B. C. T.; TERRA, B. F.; ESTILIANO, E. O.; GRACIA, D. & ARAÚJO, F. G. Diversity of fish assemblages in the four geographic units of the Paraíba do Sul river. Iheringia, Série Zoologia, v. 95, p. 347–357, 2005. 12 AVALIAÇÃO DO POTENCIAL INSETICIDA DO PRODUTO VIG1 SOBRE LARVAS DE Aedes aegypti Pardal, B. M.¹,², Cruz, I. L. S.¹,², Carvalho, M. A. ¹,², Oliveira, N. B. ¹,², Santos, L. R. ¹,², Anunciação, S. C. M. 4, Maleck, M.1,2,3 ¹USS, Curso de Biomedicina. ²USS, Laboratório de Insetos Vetores - [email protected] ³USS, Universidade Severino Sombra/ Mestrado Profissional em Ciências Ambientais SMSV, Secretaria Municipal de Saúde de Vassouras . 4 Palavras-chave: Aedes aegypti, inseticida, dengue. INTRODUÇÃO A dengue é uma patologia infecciosa e de caráter febril agudo que possui o mosquito Aedes aegypti (L., 1762), como vetor. Este inseto é também o transmissor da febre amarela e estima-se que este mosquito seja originário do continente africano (especificamente do Egito) e que o mesmo venha dissipando-se pelas regiões de clima tropical e subtropical de todo o mundo desde o período das Grandes Navegações, no século XVI (IOC-FIOCRUZ, 2014). Outros culicídeos do gênero Aedes, já foram encontrados povoando determinados pontos florestais da Mata Atlântica, como por exemplo, em regiões do Recife - PE e Florianópolis - SC (ALBUQUERQUE et al., 2000; PATERNO & MARCONDES, 2004), fazendo uso de criadouros naturais. Todavia, a dengue é considerada a mais importante arbovirose que atinge o homem (BRASIL, 2002) e por esse motivo vem causando sérios problemas de saúde pública no Brasil (PARDAL et al., 2013). O Ae. aegypti é um mosquito cada vez mais adaptado a se reproduzir nos ambientes domésticos e peridomésticos, onde encontra facilmente recipientes que acumulam água e consequentemente, servem de criadouros para a postura de seus ovos (TAUIL, 2009). Portanto, o mesmo é alvo de constantes pesquisas e investimentos governamentais em políticas de controle, fazendo-se extremamente importante o achado de substâncias com baixo potencial tóxico ao ambiente e ao homem e eficientes no manejo do modelo em questão (CRUZ et al., 2013). O objetivo deste estudo fundamentou-se na avaliação do potencial inseticida do produto VIG1, atualmente utilizado no controle das formas larvais do vetor da dengue. MATERIAL E MÉTODOS Os bioensaios foram realizados no Laboratório de Insetos Vetores (LIV) da Universidade Severino Sombra, Vassouras/RJ. O produto foi cedido pela Secretaria de Vigilância Sanitária do Município de Vassouras/RJ. O mesmo foi solubilizado em água mineral nas concentrações finais de 10, 50 e 100 µg/µL. Os testes foram realizados através da utilização de grupos com 20 insetos, totalizando 240 larvas em terceiro estádio de Ae. aegypti. Os experimentos incluíram grupos testes e grupo controle (sem adição da substância). Todos os bioensaios foram realizados em triplicata e o produto VIG1 foi aplicado (em suas respectivas concentrações) no meio de criação das larvas (20 mL de água mineral: 1mL/larva) de acordo com a metodologia de Cabral et al. (2009). Após 1h da aplicação, as larvas receberam alimentação de ração para peixe (Cabral et al., 2009). Os bioensaios foram mantidos a temperatura e umidade ambiente. Os experimentos foram observados diariamente no intervalo de 30 dias e as larvas foram alimentadas em dias alternados. RESULTADOS E DISCUSSÃO Na concentração de 10µg/mL observou-se a mortalidade nos 3 grupos testes (R1, R2 e R3). As larvas L3 apresentaram uma mortalidade de 70% e as de L4 de 100%, em aproximadamente 430 horas. Na concentração de 50µg/mL a mortalidade de larvas foi bastante efetiva: L3 98% e L4 de 100%, em aproximadamente 260 horas. Na concentração de 100µg/mL, observou-se uma mortalidade de 93% (L3), e 100% (L4), em aproximadamente 310 horas. Ressaltando que nenhuma larva atingiu o estádio de pupa. CONCLUSÃO De acordo com os resultados obtidos nesse estudo, verificou-se que o produto VIG1 utilizado como inseticida no controle da população de Ae. aegypti apresentou mortalidade larval em todos os testes realizados, principalmente nas larvas L4. Embora sua eficácia como potencial inseticida tenha sido observada apenas após 3 dias de sua aplicação. Para confirmação dos dados, novos bioensaios estão sendo realizados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBUQUERQUE, C.M.R., MELO-SANTOS M.A.V., BEZERRA M.A.S., BARBOSA R.M.R., SILVA D.F., SILVA E. Primeiro registro de Aedes albopictus em área da Mata Atlântica, Recife, PE, Brasil. Revista de Saúde Pública, v.34, n.3, p.314-315, jun 2000. BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Dengue: aspectos epidemiológicos, diagnóstico e tratamento / Ministério da Saúde, Fundação Nacional de Saúde. – Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2002. 20p.: il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos, nº 176). CABRAL, M.M.O., ALENCAR, J.A., GUIMARÃES, E.A., KATO, M.J. Larvicidal activity of grandisin against Aedes aegypti. Journal of American Mosquito Control Association. 2009 Mar v.25, n.1, p. 103-105. CRUZ, I.L.S., PARDAL, B.M., CARVALHO, M.A., OLIVEIRA, T.P., FILHO, J.M.B., MALECK, M. Proposta da avaliação da atividade larvicida de substâncias esteroidais sobre Aedes aegypti. Anais do II Fórum de Produção Científica da Região Centro-Sul Fluminense 179/220. ISBN 978-85-88187-39-9. IOC-FIOCRUZ. Disponível em http://www.ioc.fiocruz.br/dengue/textos/longatraje.html acessado em 04 de junho de 2014. PARDAL, B.M., CRUZ, I.L.S., ALVES, S.P., MENDONÇA, C.C., MONSORES, D.A., MALECK, M. Educação em saúde: controle de Aedes aegypti. Anais do II Fórum de Produção Científica da Região Centro-Sul Fluminense 67/220. ISBN 978-85-88187-39-9. PATERNO U., MARCONDES C.B. Mosquitos antropofílicos de atividade matutina em Mata Atlântica, Florianópolis, SC. Revista Saúde Pública, 2004;v.38, n.1, p.133-135, 2004. TAUIL, P.L., 2001. Urbanização e ecologia do dengue. Cadernos de Saúde Pública, 17: 99-102. AGÊNCIAS DE FOMENTO: Jovens Talentos/FAPERJ; PIBIC/FAPERJ; PIBIC/CNPQ; Secretaria Municipal de Saúde/SMS-Vassouras, RJ. AVIFAUNA CONSUMIDORA DOS FRUTOS DE Alchornia sidifolia Euphorbiaceae Santos, H. F.¹; Nunes, A. F. ² ¹IZMA, Intituto Zoobotânico de Morro Azul - [email protected] ²Universidade do Estado de São Paulo Palavras-chave: Aves, reflorestamento, observação. INTRODUÇÃO As árvores do gênero Alchornia, são plantas dióicas de folhas subcoriáceas, levemente pubescentes na face inferior. São perenifólias, heliófitas, pioneiras e quase indiferentes às condições físicas do solo. Ocorrem na floresta pluvial atlântica que sofreu alguma interferência antrópica, sendo pouco comuns nas florestas clímax e abundantes nas capoeiras (LORENZI, 2000: 98). Alchornia sidifolia é uma espécie comum e abundante na área estudada e frutificam entre os meses de setembro e outubro. Seus frutos são atraentes para várias espécies de aves, sendo indicada para projetos de reflorestamento por ser de fácil dispersão zoocòrica. MATERIAL E MÉTODOS Dois exemplares de A. sidifolia foram utilizados para observação durante sua frutificação em dois anos consecutivos. O período de observação durou de 06/09/2010 a 18/09/2010 e de 13/09/2011 a 03/10/2011. Foram feitas observações diárias de 60 min pela manhã e 60min à tarde, perfazendo um total de 68 horas. Foi utilizado um binóculo Tasco 10X50 e caderneta de campo para anotação das espécies observadas. Os guias de campo utilizados foram Develey & Endrigo (2004) e Dunning (1988). A classificação taxonômica seguiu os critérios adotados na publicação: “LISTAS DAS AVES DO BRASIL”, (CBRO, 2014). RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram identificadas 31 espécies de aves consumidoras dos frutos de A. sidifolia, sendo 30 de hábito alimentar engolidor e apenas uma tritradora. As espécies observadas consumiam os frutos na árvore retirando a semente envolta pelo arilo vermelho e engolindo-a inteira. Selenidera maculirostris retirava todo o fruto e no bico descartava a parte externa engolindo a semente. Turdus amaurochalinus e T. rufiventris coletavam no solo as sementes que caíam com o arilo. Pionus maximiliani triturava a semente enquanto comia o arilo. CONCLUSÃO A. sidifolia é uma planta atrativa para aves sendo adequada aos projetos de revegetação com espécies nativas. Seus frutos pequenos são engolidos inteiros pela maioria das aves facilitando sua dispersão o que contribui para o aumento das suas populações. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CBRO – Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos – Lista das Aves do Brasil – 11ª Edição – 01/01/2014 - 41 pg. DEVELEY, P. F.; ENDRIGO, E. Aves da Grande São Paulo, Aves e Fotos, Editora, São Paulo, 2004. DUNNING, J. S. South American birds. – A Photographic Aid to Identification. - Harrowood Books – Pennsylvania, 1988. LORENZI, A. Árvores brasileiras - 3º Edição, Vol.1, 352 pg. Instituto Plantarum, São Paulo, 2000. Aves consumidoras dos frutos de Alchornia sidifolia e hábito alimentar. Jacuguaçu Penelope obscura Engolidor Asa-branca Columba picazuro Engolidor Pomba-mineira Columba cayenensis Engolidor Araçari-poca Selenidera maculirostris Engolidor Pica-pau-velho Celeus flavescens Engolidor Maitaca Pionus maximilliani Triturador Subideira-verde-olivácea Sittassomus griseicapillus Engolidor Tangará Chiroxiphia caudata Engolidor Caneleiro-de-chapéu- Pachyramphus validus Engolidor Todyrostrum Engolidor negro Teque-teque poliocephalum Bem-te-vi-carijó Legatus leucophaius Engolidor Bem-te-vi Pitangus sulfuratus Engolidor Bem-te-vi-carijó Myiodynastes maculatus Engolidor Bem-te-vi-do-bico-chato Megarhinchus pitangua Engolidor Bem-te-vizinho Miyosetetes similis Engolidor Sibiriri Tyrannus melancholicus Engolidor Tesoura Tyrannus savana Engolidor Sabiá-laranjeira Turdus rufiventris Engolidor Sabiá-poca Turdus amaurochalinus Engolidor Sabiá-do-barranco Turdus leucomelas Engolidor Sabiá-una Platycichla flavipes Engolidor Mariquita Parula pitiayumi Engolidor Saíra-dourada Tangara cyanoventris Engolidor Sanhaço Thraupis sayaca Engolidor Sanhaço coqueiro Thraupis palmarum Engolidor Sanhaço-de-encontro Thraupis ornata Engolidor Saíra-amarela Tangara cayana Engolidor Saí-andorinha Tersina viridis Engolidor Saíra-azul Dacnis cayana Engolidor Saíra da mata Hemithraupis ruficapilla Engolidor Japu Psarocolius decumanus Engolidor CARACTERIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DAS ÁGUAS DA BACIA DO RIO ALEGRE – VASSOURAS/RJ Gonçalves, L. H. C.¹; Lima, R.F.²; Rodrigues, V.G.³ ¹ SEEDUC .Professora de Biologia/Mcs em Ciências Ambientais. [email protected]. ² PMPF. Pedagoga/Msc em Ciências Ambientais. [email protected] ³ USS. Curso de Engenharia Ambiental. [email protected] Palavras-chave: Rio Alegre, Qualidade das águas, Bacia Hidrográfica. INTRODUÇÃO O rio Alegre nasce na Fazenda Galo Vermelho, situada na rodovia RJ 121, Vassouras-RJ; percorrendo várias localidades com extensão de 37,8 km.A bacia do rio Alegre abrange grande área do município de Vassouras e constitui um corpo hídrico de vital importância para o ambiente local e para a bacia do rio Paraíba do Sul (IBGE,2010). A água é um recurso peculiar, não somente pela sua amplitude de utilização, mas também por ser um indicador ambiental da qualidade do solo, comumente alterado pelo homem (TOLEDO et al., 2009). Os cursos d’água que drenam uma região apresentam características físico-químicas e fisiográficas próprias, que refletem o uso do solo da bacia hidrográfica. Com o desenvolvimento das atividades humanas, qualquer curso d’água está sujeito a sofrer alterações que podem comprometer a qualidade de suas águas. Por isso torna-se importante o monitoramento de suas águas para que possam ser atendidos os requisitos estabelecidos em sua classe e garantir seus usos previstos. MATERIAIS E MÉTODOS Os pontos de monitoramento encontram-se no município de Vassouras que está localizado ao sul do Estado do Rio de Janeiro a 22°24’16” sul e de 43°39’48” oeste, altitude média 418 m possuindo uma área total de 538,13 km². A coleta de água para análise dos parâmetros físico-químicos e microbiológicos foi feita utilizando garrafa pet de água mineral de 2L. Para análise microbiológica a coleta foi realizada em frasco estéril. Os parâmetros físico-químicos foram analisados nos laboratórios de química da Universidade Severino Sombra e a análise microbiológica foi realizada no laboratório EUFRÁSIA-Medicina Laboratorial. Os parâmetros físico-químicos e microbiológicos analisados foram realizados sem triplicata das amostras de água coletadas nos meses de Outubro e Dezembro de 2013. Os parâmetros mensurados foram interpretados buscando a relação dos mesmos com processos no meio hídrico e no seu entorno. A delimitação e a computação da área e do perímetro de contribuição da bacia foram feitos utilizando mapas de IBGE em escala 1:50:000 e do programa Auto CAD. RESULTADOS E DISCUSSÃO Temperaturas mais amenas foram registradas em locais de mata fechada (nascente).O pH é bastante influenciado pela presença da matéria orgânica , havendo tendência a acidificação. A turbidez é acentuada em locais com erosão das margens e pelo descarte de esgoto sanitário. Demanda Química de Oxigênio (DQO) torna-se elevada em determinadas áreas devido provavelmente pela concentração de descargas. Na análise microbiológica realizada nos diferentes pontos de coletas, detectou-se a presença de bactérias termotolerantes. A presença desses microrganismos nas amostras analisadas é um fator indispensável para a Saúde Pública. CONCLUSÕES Através desse estudo identificou-se que as alterações na qualidade da água são provocadas pelas mudanças do uso do solo e na cobertura vegetal da bacia e pelos efluentes domésticos jogados no rio. As análises físico-químicas e microbiológicas das águas do rio Alegre forneceram dados substanciais quanto à poluição e a degradação desse recurso hídrico. Ao final desse trabalho pode-se inferir o seguinte: A avaliação do entorno do rio Alegre, neste estudo apresenta grandes transformações ao longo do seu curso e que reflete na qualidade de suas águas.A análise físico-química da água revela valores importantes para pesquisas futuras como os de temperatura, pH, DQO, turbidez, cloretos.Supõe-se que tenha origem em poluição por produtos de origem agrícola e por efluentes de esgotos domésticos. O resultado microbiológico nas águas do rio Alegre abrangida nesta investigação apresenta resultado positivo para coliformes termotolerantes, tornando impróprio o consumo direto do manancial. A política de gerenciamento hídrico isoladamente, não irá resolver as questões da degradação; é necessária uma política mais abrangente envolvendo educação, planejamento e aplicabilidade, visando reduzir a degradação do meio ambiente e possibilitando proteção humana e ambiental. REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DAS ÁGUAS – ANA. A evolução e gestão dos recursos hídricos no Brasil. Brasília, 2005. CETESB, 1987. Guia de coleta e preservação de amostras de água. 1ª Ed. São Paulo, 155p. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA). Resolução 357. Classificação das águas, de 17 de março de 2005, Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 mar. 2005. Seção 1. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA-IBGE. Indicadores de Desenvolvimento Sustentável. Dimensão Ambiental-Água Doce. Brasil, 2010. RESOLUÇÃO CONAMA Nº 357, DE 17 DE MARÇO DE 2005 - Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. em http://www.lei.adv.br/conama01.htm VILLELA, S.M. Hidrologia Aplicada. São Paulo. Mc Graw-Hill, 1975. disponível CARACTERIZAÇÃO FLORÍSTICA E FITOSSOCIOLOGIA DE UM FRAGMENTO DE FLORESTA OMBRÓFILA DENSA NO SERTÃO DO MARUIM, SÃO JOSÉ, SANTA CATARINA Saullo, R. B. 1; Freire L. S. R. 2; Nasser, F. C. 3 1UFRRJ, Estudante do curso de Engenharia Florestal - [email protected] 2UERJ, Estudante do curso de Ciências Biológicas - [email protected] 3CICLO ENGENHARIA, Engenheiro Florestal- [email protected] Palavras-chave: Inventário florístico, fitossociologia, floresta ombrófila densa. INTRODUÇÃO A Floresta Tropical Atlântica, ou Mata Atlântica, é considerada a mais complexa e heterogênea formação florestal da Região Sul do país, fato constatado pelas inúmeras comunidades e associações encontradas unicamente nessa tipologia, que ocupava, originalmente, cerca de 30% da cobertura florestal do Estado de Santa Catarina (KLEIN, 1978). Ainda que muitos autores considerem a existência de extensas áreas pouco conhecidas do ponto de vista biológico, estima-se que o bioma Mata Atlântica abrigue cerca de 1 a 8% da biodiversidade mundial. Associada a esta elevada biodiversidade, também existe uma elevada destruição dos ambientes naturais e habitats, visto que a área de Mata Atlântica remanescente foi estimada em cerca de 7% de sua cobertura vegetal original, dado responsável pelo enquadramento desse bioma em segundo lugar no ranking mundial dos hotspots com maior número de espécies de diferentes grupos em risco de extinção (CÂMARA, 2003). Este estudo teve como objetivo caracterizar a estrutura fitossociológica de um fragmento florestal, no município de São José, Santa Catarina - SC. MATERIAL E MÉTODOS Com base nos dados altimétricos, a área de estudo localiza-se em uma superfície de transição entre a Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas e a Floresta Ombrófila Densa Submontana, situada entre as coordenadas planas UTM, DATUM WGS84, FUSO 22J, E727933 N6944476, E728082 N6944446, E728109 N6944594, E727967 N6944651. A análise fitossociológica do componente arbóreo foi efetuada em área total de 6,49 ha, subdividindo-se em censo amostral das árvores isoladas (4,80 ha) e 20 parcelas de 100 m², representando 11,83% da área total dos fragmentos florestais (1,69 ha). As unidades amostrais (parcelas) adotadas possuem 100 m 2 (10m x 10m) e somam 20 unidades aleatoriamente distribuídas na área de estudo, totalizando 2000 m2 de área inventariada ou 0,2 hectares. Foram coletados, para cada indivíduo, os seguintes parâmetros: circunferência à altura do peito (CAP), altura total (HT), altura comercial (HC) e fitossanidade do fuste (Q). Todos os indivíduos com diâmetro na altura do peito (DAP) igual ou maior que 4,0 cm, e estavam localizados dentro dos limites das unidades amostrais, tiveram seus parâmetros analisados/coletados com auxílio de fita métrica, podão, atiradeira para coletas de dossel, binóculo e foram marcadas com auxílio de pistolas grampeadoras e numeração específica. Nos casos de bifurcação, todos os fustes que atendiam a esse requisito foram mensurados. A análise da diversidade de espécies visou estabelecer referências que permitam avaliar o quanto um fragmento florestal é diverso. Para tanto, foram empregados dois índices: Coeficiente de Mistura de Jentsch ( QM S N onde, S = número de espécies amostradas. N = número total de indivíduos amostrados.) e o Índice de Shannon-Weaver ( S N ln N ni ln ni i 1 H ' N onde, N = número total de indivíduos amostrados; ni = número total de indivíduos amostrados da i-ésima espécie; S = número de espécies amostrado; ln = logaritmo neperiano.). Para a avaliação da amostragem realizada foi produzida a curva espécie-área. RESULTADOS E DISCUSSÃO O levantamento resultou na amostragem de 619 indivíduos, de 48 espécies, 36 gêneros e 24 famílias, onde o DAP médio encontrado foi de 7,44cm, altura total média foi 6,31m e altura comercial média de 2,62m. O Valor de Importância relativo é um índice muito utilizado em estudos fitossociológicos para atribuir valores à importância da espécie em função dos seus valores relativos de Frequência, Dominância e Densidade. As espécies encontradas que obtiveram o maior índice de valor de importância foram: Pera glabrata Schott., Piptocarpha axilaris (Less.) Baker, Clusia criuva Cambess., Miconia ligustroides (DC.) Naudin, Mimosa bimucronata (DC.) Kuntze, Alchornea glandulosa Poepp. & Endl., Myrcia multiflora (Lam.) DC., Myrcia pubipetala Miq. e Guapira opposita (Vell.) Reitz. O índice de Shannon-Weaver para o presente levantamento foi 2,95 nats/ind. Comparado com os valores encontrados no Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina (IFFSC), 3,07 nats/ind. (Unidade Amostral 256), 2,91 nats/ind. (UA 390) e 3,18 nats/ind. (UA318) (VIBRANS et al, 2013), o estudo apresenta valor compatível com outras áreas de Floresta Ombrófila Densa, próximas à área de estudo no estado de Santa Catarina. O presente estudo encontrou Coeficiente de Mistura de Jentsch (QM) de 0,14, valor inferior ao encontrado para outras áreas de Floresta Ombrófila Densa em Santa Catarina. O IFFSC encontrou QM = 0,20 (UA 256), 0,18 (UA 390) e 0,22 (UA 318) (VIBRANS et al, 2013). Três espécies encontradas são enquadradas em alguma categoria de ameaça, são elas: Campomanesia reitziana D.Legrand (VU), Ocotea pulchra Vattimo-Gil (EM) e Euterpe edulis Mart. conhecidas como Guabirobacrespa, Canela e palmito-juçara, respectivamente (Lista de espécies da flora do Brasil, 2014). CONCLUSÃO Através da análise dos parâmetros encontrados e com base nas comparações com outros estudos realizados na fitofisionomia de Floresta Ombrófila Densa no Estado de Santa Catarina podemos concluir que a comunidade possui diversidade relativamente baixa e pode ser classificada como pertencente à Floresta Atlântica em estado médio de regeneração. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KLEIN, R. M. Mapa fitogeográfico do Estado de Santa Catarina. In: REITZ, R. (ed.). Flora Ilustrada Catarinense. Itajaí: SUDESUL/FATMA/Herbário Barbosa Rodrigues. 1978. 24 p. CÂMARA, I. G. Brief history of conservation in the Atlantic Forest. In: GALINDO-LEAL, C.; CÂMARA, I. G. (Eds). The Atlantic Forest of South America: Biodiversity Status, Threats, and Outlook. Center for Applied Biodiversity Science and Island Press. Washington, D. C. 2003. p. 31-42. VIBRANS, A. C. et al. Floresta Ombrófila Densa. In: Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina. Santa Catarina: Edifurb. 2013. v. IV, p. 293. Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/>. Acesso em: 20 Jun. 2014. COMPARAÇÃO DA RIQUEZA DE FAUNA EDÁFICA EM UM POVOAMENTO DE EUCALIPTO E UM TRECHO DE FLORESTA NATIVA NA RESERVA BIOLÓGICA UNIÃO – RJ Vecchi, I. C. ¹; Almeida, F. S.² ¹UFRRJ, Curso de Bacharelado em Gestão Ambiental – [email protected] ²UFRRJ, Departamento de Ciências do Meio Ambiente, Instituto Três Rios – [email protected] Palavras-chave: entomofauna, serrapilheira, riqueza INTRODUÇÃO À serapilheira são atribuídas funções importantes como a reposição de nutrientes no solo e a interceptação de águas pluviais. Os micro-organismos e a fauna, em especial os insetos, abrigados na serapilheira são responsáveis pela sua decomposição (HENEGHAN et al. 1999 apud Silva et al., 2013; HOOPER et al. 2000 apud Silva et al., 2013). As características ecológicas da fauna de solo estão relacionadas a diversos fatores, dentre eles o tipo de formação vegetal, o solo e a climatologia local (Schowalter & Sabin 1991 apud Ferreira & Marques, 1998). Objetiva-se com o presente estudo verificar se a riqueza de ordens da fauna edáfica está relacionada com o tipo de cobertura vegetal e com a profundidade de serapilheira, em duas áreas: um povoamento de Eucalyptus sp. e um trecho de floresta nativa de Mata Atlântica da Reserva Biológica União-RJ. MATERIAL E MÉTODOS O presente estudo foi realizado na Reserva Biológica União (22º25’40”S, 42º02’06”W), administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, que possui uma área total de 2.548 ha, onde podem ser encontradas áreas conservadas de Mata Atlântica e povoamentos de Eucalyptus sp., cujo plantio teve como intenção inicial o mercado ferroviário. A área abrange os municípios de Macaé, Casimiro de Abreu e Rio das Ostras, Estado do Rio de Janeiro. Para a realização dos estudos foram utilizadas duas áreas para a coleta de serapilheira: um povoamento de eucalipto e um trecho de floresta nativa de Mata Atlântica na Reserva Biológica União – RJ. Em cada área foram definidas 10 parcelas aleatórias de 25 cm², distantes umas das outras por no mínimo 1 metro, nas quais foi medida a altura da serapilheira no ponto central e retirada a mesma por raspagem manual. As amostras foram acondicionadas em embalagens plásticas e etiquetadas. As amostras obtidas foram dispostas separadamente sobre uma superfície clara, para facilitar o processo de visualização dos animais, e posterior coleta manual dos espécimes. Os indivíduos foram acondicionados em frascos contendo solução de álcool 70 %. Os indivíduos foram identificados ao nível taxonômico de Ordem com o auxílio de microscópio digital modelo MICROZoomCAP (aumento total de 200x), segundo Silva & Ruffino (2008). A fim de verificar a relação entre a riqueza de ordens e a profundidade da serapilheira foi utilizada a correlação de Spearman, com 5% de probabilidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO No povoamento de eucalipto foram encontradas as ordens Coleoptera, Hymenoptera, Mantodea e Pulmonata, totalizando 4 ordens. Acarina, Araneae, Chilopoda, Coleoptera, Diplura, Embioptera, Hemiptera, Hymnoptera, Isopoda, Isoptera, Lepdoptera e Orthoptera foram as ordens encontradas na área de floresta nativa de Mata Atlântica, totalizando 12 ordens. A profundidade da serapilheira não esteve correlacionada com a riqueza de ordens no povoamento de eucalipto (rs = 0,3758 ; P = 0,28) e nem no trecho de floresta nativa de Mata Atlântica (rs = 0,3054 ; P = 0,39). Embora se saiba que os espécimes de eucalipto produzem altas concentrações de substâncias voltadas à defesa contra herbivoria (ANJOS et al., 1986 apud Marinho et al., 2008; BRAGANÇA et al., 1998 apud Marinho et al., 2008) faz-se necessário uma maior quantidade de amostragens a fim de avaliar possíveis efeitos inibidores dos espécimes de Eucalyptus sp. sobre a fauna edáfica local, bem como, a pesagem e a segregação dos componentes da serapilheira coletada, a fim de apreender melhor as relações entre a cobertura vegetal e a riqueza de ordens da fauna de serapilheira. CONCLUSÃO Não houve evidências do efeito da profundidade da serapilheira na riqueza de ordens nos ambientes estudados. A floresta nativa de Mata Atlântica apresenta maior riqueza de ordens da fauna do solo que o povoamento de eucalipto. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FERREIRA, R. L.; MARQUES, M. M. G. S. M. A Fauna de Artrópodes de Serrapilheira de Áreas de Monocultura com Eucalyptus sp. e Mata Secundária Heterogênea. Anais da Brasileira, vol.27, no.3. Londrina, Sociedade Setembro/1998. Entomológica Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S030180591998000300007>. Acesso em 3/2/2014. MARINHO, J. S.; OLIVEIRA, M. G. A.; GUEDES, R. N. C.; PALLINI, A.; OLIVEIRA, C.L. Inibidores de proteases de hospedeiros nativos e exóticos e sua ação em intestinos de lagartas de Thyrinteina leucoceraeae. Revista Árvore, Viçosa-MG, v.32, n.6, p.1125-1132, 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rarv/v32n6/a18v32n6.pdf>. Acesso em 3/2/2014. SILVA, D. A.; VECCHI, I. C.; CÂNDIDO, H. M. N.; CORTINES, E.; MILWARDDE-AZEVEDO, M. A. Diversidade da fauna de serrapilheira em um trecho de mata ciliar da ilha da Marambaia, RJ. Anais do XI Congresso de Ecologia do Brasil: Salvador, 2013. SILVA, E.A. & S.F. RUFFINO. Guia para identificação de animais do solo e da serrapilheira. São Carlos, 2008. Disponível em: < http://www.cdcc.usp.br/maomassa/doc/ensinodeciencias/GuiaParaIdentificac aoDeAnimaisDoSoloESerapilheira.pdf>. Acesso em: 19/01/2014. CONSTITUIÇÃO QUÍMICA ESTRUTURAL DO TEGUMENTO DA SEMENTE DE ARAUCARIA ANGUSTIFOLIA Sampaio, D. A.¹; Abreu, H. S.2; Oliveira, M. T. P.3; Sanches, L. S.3 ¹UFRRJ, Mestranda do Programa de Pós graduação em Ciências Ambientais e Florestais [email protected] 2 UFRRJ, Professor do Departamento de Produtos Florestais - [email protected] 3 UFRRJ, Discente de Engenharia Florestal – [email protected] 4 UFRRJ, Discente de Engenharia Florestal - [email protected] Palavras-chave: Pinheiro-do-Paraná, lignina, semente INTRODUÇÃO A Floresta Ombrófila Mista integra o domínio do bioma Mata Atlântica, acolhendo uma grande variedade de espécies, algumas das quais endêmicas. É caracterizada por dois estratos, sendo o superior dominado pela Araucaria angustifolia, que chega a responder por mais de 40% dos indivíduos arbóreos existentes nesse ecossistema (Medeiros et al., 2004). Pertencente à família Araucariaceae, a espécie é a única do seu gênero com ocorrência natural no Brasil e está na categoria de vulnerável na lista de espécies ameaçadas da IUCN (Hilton-Taylor, 2000). As sementes da Araucaria angustifolia são também conhecidas como pinhões (Conforti e Lupano, 2007) e consideradas por Ramos e Carneiro (1988), como a principal forma de propagação da espécie. Rica em reservas energéticas (Carvalho, 2003), as sementes de Araucaria angustifolia são recalcitrantes, perdendo a viabilidade germinativa rapidamente após a colheita (Ferreira, 1977), o que dificulta sua conservação por longos períodos. Recentes análises mostram que o tegumento da semente de Araucaria angustifolia apresenta potenciais na produção de carvão ativo e na remoção de metais de águas poluídas (Santos et al., 2011). Para a produção de carvão ativo se faz necessária utilização de um material que possui alto poder calorífico e, se tratando dos elementos estruturais, a lignina é a única que possui tal propriedade. Por conta da flexibilidade enzimática, que ocorre em fibras de madeira, em sementes e outros orgãos das plantas tanto de gimnospermas como de angiospermas, as ligninas diferem-se quanto a sua composição. Descobertas recentes definiram outro tipo de lignina (C-lignina) que é rica em ácido caféico. Segundo Chena (2012) algumas espécies de cactos contêm apenas C-lignina em sua semente, enquanto outros contêm apenas a lignina clássica guaiacilica / siringílica. Estudos com lignina de sementes são ainda escassos, porém, recentes pesquisas mostraram características composicionais que diferem das ligninas tradicionais. De forma a possibilitar melhores utilizações no contexto da fisiologia, conservação do solo e energia, este trabalho objetiva a quantificação química estrutural enfatizando a lignificação do tegumento da semente de Araucaria angustifolia, podendo também subsidiar pesquisas mais avançadas na área de utilização dos recursos florestais não madeireiros. MATERIAL E MÉTODOS As sementes de Araucaria angustifolia foram doadas pelo Viveiro Florestal Luiz Fernando Oliveira Capellão da UFRRJ. As sementes foram descascadas, de forma a utilizar para análise somente a camada externa do pinhão. Esse material foi moído em um moinho de facas do tipo Willey. As amostras foram submetidas a um ciclo de extração com os solventes ciclohexano, acetato de etila e metanol (Abreu et al., 2006) e seco em estufa de + 60ºC. A partir do material seco (casca da semente) livre de extrativos, foi determinado o teor de holocelulose (Abreu et al., 2006). A lignina foi determinada pelo método de Klason (Abreu et al., 2006). A partir do material seco livre de extrativos foi isolada a lignina dioxano (Abreu et al., 2006). Foi realizada a reação de redução de grupos aldeídicos da lignina dioxano por NaBH4. Para espectroscopia no infravermelho, foram utilizadas amostras da lignina de dioxano e da lignina de dioxano reduzida utilizando pastilhas de KBr em um espectrômetro (VARIAN 640-IR FT-IR spectrometer). Os espectros foram registrados no modo experimental de transmitância utilizando 4cm-1 de resolução, 128 varreduras, amplitude espectral entre 4000-400cm-1 (Abreu et al., 2006). RESULTADOS E DISCUSSÃO A quantificação dos constituintes químicos estruturais da parede celular foi de 32.43% de lignina, 35.16% de celulose e 14,83% de hemicelulose encontrados no tegumento da semente de Araucaria angustifolia. Esse alto teor de lignina obtido pode ser comparável aos encontrados em bagaço de cana, madeiras, etc., visto que a própria madeira de Araucaria angustifolia, possui teor de lignina próximo de 28% (Mattos, 2006). A análise no infravermelho mostrou que a reação de redução de terminais aldeídicos da lignina de dioxano por NaBH4 ocorreu com sucesso. Os espectros também mostraram que a lignina da casca da semente é extremamente rica em unidade guaiacíla, revelando uma estrutura molecular rica em ligações condensadas. CONCLUSÃO Os resultados das análises permitiram concluir que o teor de lignina da casca do pinhão do Pinheiro-do-Paraná supera a maioria dos materiais lignocelulósicos (madeiráveis e não madeiráveis), favorecendo sua utilização para fins energéticos. Grupos funcionais aldeídicos contribuem para rápida desidratação da semente e para sua baixa degradabilidade, assim como hidrofobicidade podendo interferir na germinação da mesma. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, H. S.; et al. Métodos de análise em química da madeira, Floresta e ambiente, 2006, 20p. CARVALHO, P.E.R. Espécies florestais brasileiras. Colombo: EmbrapaCNPF; Brasília: EMBRAPA-SPI, 2003, 1038 p. CHENA, F.; et al. A polymer of caffeyl alcohol in plant seeds. PNAS, v. 109, n. 05, p. 1772-1777, 2012. CONFORTI, P.A.; LUPANO, C.E. Starch characterization of Araucaria angustifolia and Araucaria araucana seeds. Starch-Starke, v. 59, p. 284-289, 2007. FERREIRA, A. G. Araucaria angustifolia (Bert.) O. Ktze.: germinação da semente e desenvolvimento da plântula. 1977. 123 f. Tese (Doutorado em Ciências) – Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo. HILTON-TAYLOR, C. IUCN red list of threatened species. IUCN: Switzerland, 2000. 61 p. MATTOS, P. P.; BORTOLI, C. D.; MARCHESAN R. Caracterização Física, Química e Anatômica da Madeira de Araucaria angustifolia (Bert.) O. Kuntze. Colombo: Embrapa Florestas, 2006. 04 p. (Embrapa Florestas. Comunicado Técnico, 160). MEDEIROS, J. D. DE.; et al. Floresta com Araucárias: um símbolo a ser salvo da extinção. Rio do Sul: APREMAVI, 2004. RAMOS, A.; CARNEIRO. J.G.A. Alterações fisiológicas em sementes de Araucaria angustifolia (Bert.) O. Ktze armazenadas após secagem em estufa. In: CONGRESSO FLORESTAL DO PARANÁ, 2, 1988. Curitiba. Anais …, Curitiba: v. único, 1988. p. 628-643. SANTOS, F. A.; PIRES, M. J. R.; CANTELLI, M. Tratamento de efluente de galvanoplastia por meio da biossorção de cromo e ferro com escamas da pinha da Araucaria angustifolia. REM: R. Esc. Minas, Ouro Preto, v. 4, n. 64. p. 499504, 2011. CONTRIBUIÇÕES DE PRÁTICAS EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O ENSINO FORMAL, NOS MUNICÍPIOS DE VASSOURAS, VALENÇA E PAULO DE FRONTIN, RJ RIBEIRO, M.S.B.M.1; PEREIRA, V.F.G.C.2; GOMES, R.C.G.3 1 USS, Programa do Mestrado Profissional em Ciências Ambientais – [email protected] 2 USS, Programa do Mestrado Profissional em Ciências Ambientais – [email protected] 3 USS, Programa do Mestrado Profissional em Ciências Ambientais – [email protected] Palavras-chave: Educação Ambiental, ensino formal e não formal, políticas públicas INTRODUÇÃO Um dos preceitos básicos de preservação ambiental é a relação entre as ações do homem e o meio ambiente em que está inserido, uma vez que as ações de cada um repercutem em sociedade. Através do trabalho da Educação Ambiental é possível alcançar o indivíduo e a coletividade para a construção de valores sociais, conhecimentos, habilidades e atitudes voltados para a conservação do meio ambiente. É neste contexto que o Ministério da Educação define a educação ambiental como processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (BRASIL. 1999. p.1). Nas últimas três décadas, políticas públicas foram instituídas com o intuito de fomentar a educação ambiental. A partir da promulgação da Lei N º. 6.938, de 31/08/1981, que determina a Política Nacional do Meio Ambiente, destacam-se ainda a Constituição Federal de 1988, a Lei Nº. 9.795, de 27/4/1999, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental e a Resolução MEC/CNE Nº. 2, de 15/06/2012, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino, fornecendo parâmetros para subsidiar as unidades escolares na articulação destas políticas com o projeto político pedagógico da escola. Neste contexto, a escola se reafirma com função social diversificada, desenvolvendo propostas sócio-ambientais que, quando trabalhadas interdisciplinarmente, conduzirá para uma educação eficiente e reflexiva ao ponto de atingir os contextos através de seus muros. Para tanto, foi objetivo deste trabalho fazer um levantamento sobre Organizações e/ou Instituições que oferecem práticas sobre Educação Ambiental para o ensino formal, no Município de Vassouras e seus vizinhos. MATERIAL E MÉTODOS Com a finalidade de atingir os objetivos propostos, desenvolveu-se à coleta dos dados junto às Organizações e/ou Instituições que promovem ações de educação ambiental de modo a analisar as informações contidas em folhetos, sites de internet. Procedeu-se visitas in loco para diálogo com o representante institucional a fim de confirmar as atividades ofertadas e capturar imagens recentes do local com suas peculiaridades, utilizando câmera digital, no intuito de criar um acervo pessoal para ilustração do portfólio educativo. Os dados coletados serão registrados, classificados e disponibilizados no portfólio e, no intuito de promover visibilidade das Organizações e/ou Instituições, pretendese divulgar o referido instrumento junto às unidades escolares localizadas no município de Vassouras/RJ para que estas possam usufruir das informações coletas in loco, durante a visitação das localidades como estratégia de ensino para as práticas da educação ambiental. A relevância encontra-se na apresentação de dados, tais como a localização geográfica, meios de contato (telefone, e-mail) e site institucional, destacando a promoção de programas educacionais voltados para a preservação do meio ambiente. No Município de Vassouras constam os Projetos Ba-Be-Bio-Mar e Dengue, oferecidos pela Universidade Severino Sombra; o Parque Ecológico Mauro Romano - Vale Verdejante, Museu da Casa da Hera, Secretaria de Meio Ambiente e o Instituto São Fernando. No Município de Valença, o Parque Estadual Açude da Concórdia e o Parque Municipal Açude da Concórdia. O IZMA - Instituto Zoobotânico de Morro Azul, é disponibilizado em Eng. Paulo de Frontin. DISCUSSÃO O papel da Educação Ambiental, sendo difundida pelas instituições e unidades de conservação, torna-se fundamental como apoio para que as escolas possam trabalhar valores que transformam suas atitudes perante o meio ambiente. Como resultado esperado, almeja-se expandir o conhecimento sobre as políticas públicas para a educação ambiental, indicando as orientações estabelecidas nas diretrizes curriculares para que as escolas proporcionem uma formação sócio-ambiental aos alunos da educação básica. A produção e divulgação de um guia prático constitui uma forma de ofertar informações sobre as práticas de educação ambiental, visando orientar os gestores escolares e equipe pedagógica sobre a existência de espaços não escolares que desenvolvem atividades sócio-ambientais e de sustentabilidade. CONCLUSÃO Tanto do pensamento ambientalista, como das próprias correntes pedagógicas da educação, existem propostas educativas voltadas à questão ambiental que se inserem num gradiente que enseja a mudança ambiental. (LOUREIRO, 2012, p. 13). Com a produção do portfólio difunde-se a contribuição das ações na construção de saberes. No que tange o espaço não formal de educação, segundo Gohn (2006. p.27) “a educação não formal designa processo com várias dimensões tais como [...] a aprendizagem com objetivos comunitários, voltados para a solução de problemas coletivos do cotidiano”. Assim sendo, o papel da Educação Ambiental, sendo difundida pelas instituições e unidades de conservação, torna-se fundamental como apoio para que as escolas possam trabalhar valores que transformam suas atitudes perante o meio ambiente. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Lei nº 9.795 de 27 de Abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm Disponível em BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Resolução No. 2, de 15 de junho de 2012.Estabelece as diretrizes curriculares nacionais para a educação ambiental. Disponível em: http://conferenciainfanto.mec.gov.br/images/pdf/diretrizes.pdf GOHN, M. da G. Educação não-formal, participação da sociedade civil e estruturas colegiadas nas escolas. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.50, p.27, jan-mar, 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v14n50/30405.pdf. acessado em: 28 de junho de 2014. LOUREIRO, C. F. B. trajetória e fundamentos da educação ambiental. 4ª. Ed. são Paulo: Cortez, 2012. DECOMPOSICÃO DE SERAPILHEIRA DE DUAS ESPÉCIES ARBÓREAS DA MATA ATLÂNTICA Cabreira, W. V. ¹, Pereira, M. G.2 ¹UFRRJ, Curso de Engenharia Florestal- [email protected] 2UFRRJ, Professor Associado IV, Departamento de Solos, [email protected] Palavras-chave: serapilheira, decomposição, ciclagem de nutrientes INTRODUÇÃO Constituída por materiais vegetais depositados na superfície do solo, tais como folhas, cascas, ramos, flores, inflorescências, frutos, sementes, e fragmentos vegetais e animais não identificáveis (CIANCIARUSO et al., 2006), nos ecossistemas florestais tropicais, a serapilheira atua como fator de suma importância na restauração da fertilidade do solo, principalmente, em áreas em início de sucessão ecológica (ARATO et al., 2003), como o caso de áreas perturbadas. Por meio da decomposição, a serapilheira libera para o solo elementos minerais, essenciais para o desenvolvimento das plantas, desempenhando um papel fundamental na ciclagem de nutrientes e nas transferências de energia entre os níveis tróficos (RIBEIRO, 1998). No entanto, a velocidade com que o material orgânico é decomposto, com consequente liberação de nutrientes, depende fundamentalmente das condições físicas e químicas do ambiente e da qualidade orgânica e nutricional do material que é aportado. Associado a esses fatores, a fauna edáfica se encontra inteiramente envolvida nos processos de fragmentação da serapilheira e estimulação da comunidade microbiana do solo (CORREIA e ANDRADE, 2008). De maneira geral, os fatores climáticos ajudam a determinar as características abióticas do solo que por sua vez determinam a qualidade da serapilheira e, por fim, a atividade e composição das comunidades de invertebrados e microorganismos do solo que irão decompor este material (LAVELLE et al., 2006). Este trabalho tem como objetivo avaliar a dinâmica de decomposição da serapilheira da Lecythis pisonis Cambess. e Cupania oblongifolia Mart., espécies da Mata Atlântica na área do Jardim Botânico da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro em Seropédica, RJ. MATERIAL E MÉTODOS O Jardim Botânico da UFRRJ, local de desenvolvimento desta pesquisa, conserva, principalmente, indivíduos de espécies características da Mata Atlântica. Foram selecionadas as espécies arbóreas Sapucaia (Lecythis pisonis) e Camboatá (Cupania oblongifolia) objetivando a comparação entre as suas dinâmicas de decomposição de serapilheira. Para isso, as folhas, que representam maior parte da serapilheira, foram coletadas diretamente da copa. Em seguida o material foi seco em estufa à temperatura de 65ºC por 48 horas. Separou-se uma quantidade de 10 gramas para acondicionar em sacos de polivinil “litter bags” com malha de 4 mm, área de 25 x 25 cm e 1,5 cm de altura. Para cada espécie arbórea utilizou-se nove “litter bags” que foram instaladas debaixo de suas respectivas copas. As coletas aconteceram em dois momentos: aos 15 e 30 dias, após a instalação do experimento no dia 16 de maio. A quantificação da taxa de decomposição foi obtida através de medidas de perda de massa, calculando-se a diferença entre as quantidades iniciais do material original contido no “litter bag” (tempo zero = 10 g) e as que permaneceram no período de cada coleta. De posse desses valores, ao longo do período de estudo, foi estimada a constante de decomposição k, conforme Thomas e Asakawa (1993), através do seguinte modelo exponencial descrito através da fórmula , em que, Xt é o peso do material remanescente após t dias e o peso do material seco originalmente colocado nos sacos no tempo zero (t = 0). RESULTADOS E DISCUSSÃO Analisando os resultados da primeira coleta, percebeu-se uma redução de aproximadamente 11% da massa foliar para espécie Cupania oblongifolia e de 14% para Lecythis pisonis. Já na segunda coleta, essa perda foliar cresceu para 17% e 19,5%, respectivamente. Segundo Guo e Sims (1999), a diferença na velocidade de decomposição da serapilheira é influenciada pela espécie vegetal uma vez que existem diferentes concentrações de nutrientes e lignina. Observou-se também uma maior redução de massa foliar para sapucaia devido à presença da atividade biota (formigas) ao redor dos indivíduos amostrados. CONCLUSÕES Pode-se observar que ambas as espécies apresentaram uma perda de massa foliar mais significativa no primeiro período de coleta. Sendo que, na espécie C. oblongifolia essa perda ocorreu com menor expressão se comparado com a L. pisonis. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARATO, H.D.; MARTINS, S.V.; FERRARI, S.H.S. de. Produção e decomposição de serapilheira em um Sistema Agroflorestal implantado para recuperação de área degradada em Viçosa-MG. Revista Árvore, ViçosaMG, v.27, n.5, p.715-721, 2003. CIANCIARUSO, M.C.; PIRES, J.S.R.; DELITTI, W.B.C.; SILVA, E.F.L.P. Produção de serapilheira e decomposição do material foliar em um cerradão na Estação Ecológica de Jataí, município de Luiz Antônio, SP, Brasil. Acta Botânica Brasilica, v.20, p. 49-59, 2006. CORREIA, M.E.F; ANDRADE, A.G. Formação de serapilheira e ciclagem de nutrientes. In: SANTOS, G.A.; CAMARGO, F.A. de. Fundamentos da matéria orgânica do solo: ecossistemas tropicais e subtropicais. 2 ed. Rev. e atual. - Porto Alegre: Metrópole. p.137-158, 2008. GUO, L. B.; SIMS, R. E. H. Eucalypt litter decomposition and nutrient release under a short rotation forest regime and effluent irrigation treatments in New Zealand I. External effects. Soil Biology und Biochemistry, Elmsford, v. 33, n. 10, p. 1381-1388, Aug. 2001. LAVELLE, P.; DECAËNS, T.; AUBERT, M.; BAROT, S.; BLOUIN, M.; BUREAU, F.; MARGERIE, P.; MORA, P. & ROSSIC, J.P. Soil invertebrates and ecosystem services. European Journal of Soil Biology, v. 42, p. 3-15, 2006. RIBEIRO, L. Dinâmica de nutrientes na serapilheira, em um trecho de mata ciliar alagável com ninhal de aves do Rio Cuiabá, no Pantanal Barão de Melgaço-MT. 1998. 53 p. Monografia (Graduação) - Instituto de Biociências, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, MT, 1998. DENSIDADE DE FLEBOTOMINEOS (DIPTERA: PSYCHODIDAE) NO PARQUE ESTADUAL DA PEDRA BRANCA, NÚCLEO PAU DA FOME, TAQUARA, RJ: DADOS PRELIMINARES Silva, F. F.¹, Vilela, M. L², Avelino-Capistrano, F. S. ³ ¹Faculdades São José- Curso em Ciências Biológicas; Fiocruz/ laboratório Transmissores de Leishmaniose- [email protected] ² Laboratório de Vetores Transmissores de Leishmaniose. Departamento de Entomologia, Instituto Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz, RJ- [email protected] ³PPG Biologia Animal, Laboratório de Entomologia-UFRJ/Laboratório de Vetores Transmissores de Leishmaniose- Instituto Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz, [email protected] Palavras- chave: flebotomíneos; densidade; diversidade. INTRODUÇÃO Os flebotomíneos são dípetros da família Psychodidae, popularmente conhecidos no Brasil como “cangalhinha”, “mosquito-palha”, “asa-branca” (MARZOCHI, 1992). Cerca de 30 espécies de flebotomíneos são vetores de protozoários do gênero Leishmania (ROSS, 1903). Em relação ao seu envolvimento com humanos ocorrem em mais de 100 países do mundo, de clima subtropical ou tropical, devido à tendência do aumento de densidade nos períodos mais quentes e úmidos, em ciclos antroponóicos e zoonóicos (RANGEL, E.F. & R. LAINSON, 2003). Estudos da fauna flebotomínica possuem grande importância ecológica, pois ao determinar a diversidade e riqueza de parte da entomofauna de uma região, auxiliam na determinação das principais espécies vetoras (MARZOCHI, 1992). Além disso, estes contribuem na elucidação da participação de espécies secundárias na transmissão de leishmaniose (ROSS, 1903). Os flebotomíneos podem ser encontrados em diferentes habitats, sendo a grande maioria de hábitos essencialmente silvestres, ao contrário da Região Sudeste, onde o ambiente domiciliar torna-se mais habitado por estes insetos (RANGEL, E.F. & R. LAINSON, 2003). No entanto, essa fauna ainda é pouco estudada quanto à diversidade, distribuição das espécies e variação sazonal, especialmente no Maciço da Pedra Branca, onde poucos trabalhos foram realizados, sendo o último, realizado na década de 70 (RANGEL, E.F. & R. LAINSON, 2003). Desta forma novos trabalhos são necessários, uma vez que, o local já apresenta registro histórico de Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA). MATERIAL & MÉTODOS O estudo está sendo realizado no Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB), núcleo Pau da Fome (22º55’47”S 43º25’57”O). O PEPB ocupa cerca de 10% do território municipal, o que lhe garante o título de maior Unidade de conservação do município do Rio de Janeiro, protegendo mais de 50% da remanescente de Mata Atlântica (SMA, 2009). Nesta localidade foram selecionados três pontos fixos para a instalação de armadilhas luminosas do tipo CDC (Center for Disease Control) a 1,5 m de altura do solo divididas em três áreas: peridomiciliar, intradomiciliar e silvestre; tais ambientes são locais propícios à captura de flebotomíneos, sendo as áreas peridomiciliar e intradomiciliar, uma área urbana ocupada dentro dos limites do PEPB. As capturas serão realizadas mensalmente, durante três noites consecutivas, inicialmente, perfazendo um período de exposição de 12 horas em cada ambiente no período de maio/2014 a abril/2015. Após será realizado o processo de montagem e identificação dos flebotomíneos, seguindo o protocolo do Laboratório de Transmissores de Leishmaniose/Fiocruz, onde os resultados serão copulados com os dados climáticos. Gerando assim uma correlação dos fatores climáticos com as espécies predominantes. RESULTADOS PRELIMINARES No primeiro mês de coleta, foram capturados 30 espécimes, no qual, realizou-se o processo de montagem e identificação dos indivíduos. Entre estes foram coletados cinco machos e 25 fêmeas, sendo 24 coletados em área silvestre, quatro em área peridomiciliar e dois em área intradomiciliar. Todos os espécimes identificados pertencem ao gênero Lutzomya (LUTZ & NEIVA, 1912), onde se podem constatar as seguintes espécies: 17 indivíduos L. hirsuta hirsuta (YOUNG, D.G. & M.A. DUNCAN, 1994); 4 indivíduos L. firmatoi (YOUNG, D.G. & M.A. DUNCAN, 1994); 2 indivíduos L. fisheri (); 5 indivíduos L. intermedia (YOUNG, D.G. & M.A. DUNCAN, 1994); 2 indivíduos L. migonei (França, 1920). Dentre estas, L. intermedia (YOUNG, D.G. & M.A. DUNCAN, 1994) e L. migonei (YOUNG, D.G. & M.A. DUNCAN) são espécies vetoras de LTA (YOUNG, D.G. & M.A. DUNCAN, 1994). CONCLUSÃO Através dos resultados adquiridos no primeiro mês de coleta, pode-se observar que o gênero Lutzomya mostra-se predominante nesta localidade, havendo uma grande diversidade em relação às espécies. O gênero Lutzomyia é o mais encontrado na Região Sudeste, principalmente nos remanescentes de Mata Atlântica. Este é o gênero de maior importância médica e veterinária na transmissão das Leishmanioses, uma vez que, oito espécies deste gênero são vetores da Leishmania. Desta forma, a continuidade do trabalho evidenciará a importância de que se realizem os estudos da fauna na região do Parque da Pedra Branca, localidade do Pau da Fome. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LUTZ, A. & NEIVA, A. Contribuição para o conhecimento das espécies do gênero Phlebotomus existentes no Brasil. Mem. Inst. O. Cruz, 4:84-95, 1912. MARZOCHI MCA. Leishmanioses no Brasil. As leishmanioses tegumentares. J Bras Med 63: 82-104, 1992. RANGEL, E.F. & R. LAINSON. Ecologia das leishmanioses, p.291-309. In E.F. Rangel & R. Lainson (org.), Flebotomíneos do Brasil, Rio de Janeiro, Editora FIOCRUZ, 368p. 2003. ROSS B. Monophyletic, origino f the genus Leishmania. Ann parasitol Hum Comp. 107-108, 1903. SMA- Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. Regularização fundiária em Unidades de Conservação: as experiências dos Estados de são Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. p. 168, 2009. YOUNG, D.G. & M.A. DUNCAN. Guide to the identification and geographic distribution of Lutzomyia sand flies in the Mexico, the West Indies, Central and the South America (Diptera:Psychodidae). Mem. Am. Entomol. Inst. 54, 881p. 1994. DÍPTEROS NECRÓFILOS E DE IMPORTÂNCIA FORENSE DO PARQUE ESTADUAL DA PEDRA BRANCA, RIO DE JANEIRO, BRASIL PENAFORTE, L.B.1; BARBOSA, L.S.2; AVELINO-CAPISTRANO, F. 2 1Faculdades São José, curso de Ciências Biológicas, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: [email protected] 2Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, Departamento de Entomologia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. PALAVRAS-CHAVE: Diptera, Entomologia Forense, iscas INTRODUÇÃO A entomologia forense se dedica ao estudo de insetos e outros artrópodes associados a diversas questões criminais, buscando determinar o tempo decorrente entre a infestação e sua identificação (PUJOL-LUZ et al, 2008). Insetos sinantrópicos podem ser usados como evidências em casos criminais, estando até mesmo no centro de disputas judiciais por causar dano a produtos armazenados e imóveis, e para determinação do IPM – Intervalo Post-mortem – em casos de morte violenta (OLIVEIRA-COSTA, 2003). Os dípteros são de extrema importância para solução de diversos crimes, pois podem captar, atrás de seus quimiorreceptores, odores exalados pouco tempo após a morte, sendo assim os primeiros a chegarem na cena do crime. Ainda atuam de forma eficiente na reciclagem da matéria orgânica, acelerando o processo de deterioração de carcaças. Diversas famílias da ordem Diptera são encontradas nos variados estágios de decomposição, tendo algumas famílias preferências quanto ao estágio de decomposição. Entre as principais famílias de díptera de interesse forense, se destacam Calliphoridae, Fanniidae, Sarcophagidae e Muscidae, sendo os califorídeos e os sarcofagídeos os que geralmente apresentam o maior número de espécimes coletados (OLIVEIRA-COSTA, 2003). O conhecimento dos insetos necrófagos que predominam em cada região é de grande importância para policiais e peritos, pois permite identificar, através chaves de identificação, os elementos faunísticos coletados, para assim, localizar com relativa precisão o local de colonização do material. Pois, apesar das famílias de insetos necrófagos nas regiões neotropicais serem basicamente as mesmas, a composição dos indivíduos necrófagos pode variar de acordo com as estações do ano, condições climáticas, variações de ambiente (ABALLAY et al., 2011), em zonas urbanas e em zonas rurais. Assim, este estudo tem por finalidade levantar a dipterofauna de interesse forense presente no Parque Estadual da Pedra Branca (Rio de Janeiro – RJ) atraída por iscas de material orgânico de origem animal. MATERIAL E MÉTODOS O Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB) (23°52' e 23°04'S e 43°23' e 43°32'O) localizase na Zona Oeste do Rio de Janeiro e possui área de 12.500 ha (SEMADS, 2001), sendo a Unidade de Conservação mais extensa do município. O PEPB possui uma vegetação caracterizada pela Floresta Ombrófila Densa, sendo reconhecidas espécies de montana e submontana (SILVA et al, 2013). Segundo dados do IBGE (2010) no Maciço da Pedra Branca o clima predominante é o quente e úmido. Para a captura dos insetos utilizamos armadilhas confeccionadas de garrafas PET de 2L (D’ALMEIDA E FRAGA, 2007), onde a armadilha é constituídas de duas partes: uma antecâmara (na parte inferior) e uma câmara (superior). A antecâmara, local onde a isca foi colocada, foi escurecida com tinta preta, onde foram feitas quatro aberturas de 3 cm2, por onde as moscas tiveram acesso a isca. No sítio de estudo foram instalados quatro armadilhas, uma para cada tipo de isca, as armadilhas de garrafa pet foram penduradas em árvores, a uma altura de 1 metro do solo e equidistantes a dois metros uma das outras. Como iscas, foram utilizadas 200g de sardinha, 200g de músculo bovino, 200g de fígado bovino e 200g de fezes humanas. A coleta ocorreu após 48 horas de exposição no material as condições climáticas, os espécimes coletados foram sacrificados em álcool 70% e acondicionadas em recipientes apropriados. Após coletados os espécimes foram triados e identificados de acordo com chaves de identificação de CARVALHO & MELLO-PATIU (2008) e KOSMANN et al. (2013). RESULTADOS E DISCUSSÃO Um total de 96 exemplares foi coletado neste primeiro momento do estudo. Deste total, Mesembrinellidae foi o grupo com maior abundância, com 40,63% (n = 39), seguido por Calliphoridae com 35,42% (n = 34), Muscidae, com 19,79 % (n = 19) e Neriidae 4,17% (n = 4). Com relação à diversidade Mesembrinellidae e Calliphoridae tiveram maior número de espécies representadas, num total de quatro para cada uma, enquanto Muscidae (duas) e Neriidae (uma) foram os menos diversos. Em Calliphoridae foram encontrados espécies de Chloroprocta idioidea (Robineau-Desvoidy) (4%) e Chrysomya albiceps (Wiedemann) (4%) foram os menos abundantes com apenas uma representante, Hemilucilia segmentaria (Fabricius) (52%) e H. semidiaphana (Rondani) (40%) foram os mais abundantes. Em Muscidae obtivemos dois gêneros, sendo Cyrtoneurina sp. Giglio-Tos (89,5%) o mais abundante e Morellia sp. Robineau-Desvoidy (10,5%) o menos abundante. Entre os substratos amostrados, ‘Fígado’ (70,2%; n=78) foi o que obteve maior número de exemplares em relação aos demais, onde os demais contribuíram igualmente com 9,9% (n=11) cada. D’ALMEIDA & FRAGA (2007) também encontraram grande abundância e diversidade de califorídeos atraídos por iscas de ‘Sardinha’ e ‘Fígado’, em um estudo conduzido em uma área verde dentro da cidade de Niterói (RJ). BARBOSA et al. (2014) realizando o mesmo tipo trabalho em uma área de preservação utilizando ‘Sardinha’ como isca, encontrou além das famílias supracitadas no presente estudo, exemplares de Sarcophagidae. A forte presença de Mesembrinellidae é uma indicação de boa qualidade ambiental visto que tal grupo é associado a florestas bem preservadas (FERRAZ et al., 2010 apud BARBOSA et al., 2014). CONCLUSÃO Este trabalho corresponde ao primeiro levantamento de dípteros de interesse forense no PEPB. Os resultados, apesar de preliminares, indicam que a área esta bem preservada devido à presença de exemplares de Mesembrinellidae e a baixa ocorrência de indivíduos do gênero exótico Chrysomya. Novas coletas serão realizadas de forma a contemplar as variáveis sazonais do PEPB. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABALLAY, F.H., MURÚA, A.F., ACOSTA, J.C. & CENTENO, N. Primer registro de artropodofauna cadavérica en sustratos humanos y animales en San Juan, Argentina. Rev. Soc. Entomol. Argent., 67(3-4): 2008 BARBOSA, L.S., CUNHA, A.M., COURI, M.S. & V.C. MAIA. Muscidae, Sarcophagidae, Calliphoridae e Mesembrinellidae (Diptera) da Estação Biológica de Santa Lúcia (Santa Teresa, Espírito Santo, Brasil). Bol. Mus. Biol. Mello leitão 33:131-140, 2014. CARVALHO & MELLO-PATIU. Key to the adults of the most common forensic species of díptera in South American. Revista Brasileira de Entomologia, 52 (3): 390-406, 2008. D’ALMEIDA, J.M. & M.B. FRAGA. Efeito de diferentes iscas na atração de Califorídeos (Diptera) no Campus do Valonguinho, Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil. Rev. Bras. Parasitol. Vet., 16(4): 199-204, 2007. KOSMANN, C., MELLO, R.P. HARTERREITEN-SOUZA, E.S. & J.R. PUJOL-LUZ. A list of Current Valid Blow fly names (Diptera: Calliphoridae) in the Americas South of Mexico with key to the Brazilian Species. EntomoBrasilis 6 (1): 74-85, 2013. OLIVEIRA-COSTA., J. Entomologia Forense: quando os insetos são vestígios. Millennium Editora Ltda, 1º ed, Campinas, SP. 2003. PUJOL-LUZ, J.R.; ARANTES, L.C.; CONSTANTINO, R. Cem anos de entomologia Forense no Brasil (1908-2008). Revista Brasileira de Entomologia, Distrito Federal, 52(4): 485492, 2008. SECRETARIA DE ESTADO DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Atlas das Unidades de Conservação da Natureza do Estado do Rio de Janeiro. Editora Metalivros, São Paulo, 2001. SILVA, M.F.O., ANDREATA, R.H.P. & P.J.F. GUIMARÃES. Melastomataceae no Parque Estadual da Pedra Branca, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Hoehnea, 40(4): 679-700, 2013. EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA INCLUSIVA, POSSIBILIDADES E DESAFIOS NO CENÁRIO DA MATA ATLÂNTICA Lima,R.F.¹, Gonçalves; L.H.C.²; Kneipp,R.E.³ ¹PMPF- Pedagoga/Msc Ciências Ambientais. [email protected] ²SEEDUC- Bióloga/Msc Ciências Ambientais [email protected] ³IFRJ-Ciências da Computação/Msc Ciências e Saúde [email protected] Palavras-chave: Educação Ambiental, Inclusão, Sustentabilidade. INTRODUÇÃO A educação inclusiva tem por objetivo desenvolver oportunidades para que todos tenham acesso ao ensino fundamental, promovendo a construção do conhecimento e a inserção do educando. A Constituição Federal de 1988 em seu 3º inciso IV traz como um dos seus objetivos fundamentais, “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (Brasil, 1988). O Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei nº. 8.069/90, artigo 55, reforça os dispositivos legais supracitados, ao determinar que "os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino” (Brasil, 1990). Também, nessa década, documentos como a Declaração Mundial de Educação para Todos elaborado em 1990 e a Declaração de Salamanca, formalizado em 1994 coadunam com preceitos de nossa Carta Magna. Em todas as etapas e modalidades da educação básica, o atendimento educacional especializado é organizado para apoiar o desenvolvimento dos alunos, constituindo oferta obrigatória dos sistemas de ensino e deve ser realizado no turno inverso ao da classe comum, na própria escola ou centro especializado que realize esse serviço educacional. A proposta do projeto é integrar sustentabilidade e inclusão para que se estabeleça uma parceria oportunizando aprendizagens significativas e prazerosas, inserção no meio social e a participação no mundo do trabalho, respeitando o processo e o tempo de aprendizagem de cada pessoa envolvida. Educação inclusiva e sustentabilidade nos levam a uma reflexão sobre a sensibilização e o sentido de uma educação ambiental acolhedora. A inclusão de pessoas envolvidas em atividades no meio ambiente, destacando a sustentabilidade, proporciona a promoção da autoestima, socialização e inserção social. MATERIAIS E MÉTODOS A presente pesquisa tem como base um trabalho de campo na região de Paulo de Frontin, com alunos inclusos no sistema regular de ensino e tem como suporte pedagógico em revisões bibliográficas, para maior embasamento dentro das deficiências individuais de cada educando, favorecendo a integração com o meio ambiente e com a Mata Atlântica. O trabalho consiste em desenvolver uma palestra educacional, buscando estabelecer a seus participantes a compreensão sobre a importância da educação especial através de atividades lúdicas no ambiente de aprendizagem e da integração ao ambiente que estão inseridos. Ressalta-se que o objeto desta palestra consiste em apresentar as experiências, através de vivências sensoriais, jogos e atividades coletivas, estimulando a aprendizagem através do contato direto com meio. A palestra tem caráter informacional, apresentando algumas atividades práticas pedagógicas, que focam um planejamento voltado para a inclusão de deficientes e maior embasamento na capacitação docente. Atividades de reconhecimento, sensibilização, adaptação e ambiente sustentável são apresentadas em dinâmicas, possibilitando vivenciar a realidade dos alunos inclusos e de suas dificuldades. A educação ambiental na escola inclusiva possibilita construções coletivas e individuais, aprendizagem e inserção social, abrindo espaço para um mundo mais sustentável. CONCLUSÕES Podemos então afirmar que o objetivo primordial da Educação Ambiental no contexto da inserção de portadores nos meios formais de educação e de mercado de trabalho é provocar nos indivíduos práticas que possam nas estruturas sociais e naturais existentes, estabelecer processos educativos que favoreçam a realização do movimento de constante construção do nosso ser na dinâmica da vida. A prática da desmarginalização de portadores de deficiência deve ser parte integrante de planos nacionais de educação, que objetivem atingir educação para todos. A inclusão social traz no seu bojo a equiparação de oportunidades, a mútua interação de pessoas com e sem deficiência e o pleno acesso aos recursos da sociedade. E é a informação que pode transformar o individuo a refletir sobre tais ações. Em síntese entende-se que desempenho da cidadania compreende comportamentos construtivos cujo aprendizado precisa ser difundido para todos e promover uma cultura de convivência com as diferenças e as exigências legais. REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Imprensa Oficial,1988. ______. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC, 2008. ______. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Ambiental. Lei nº 9.795/1999. ______. Estatuto da criança e do adolescente: Lei federal nº 8069, de 13 de julho de 1990. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 2002. DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Necessidades Educativas Especiais – In: Conferências Mundial sobre NEE: Acesso em: Qualidade – UNESCO. Salamanca/Espanha: UNESCO 1994. PENTEADO, Heloisa Dupas. Meio Ambiente e a Formação de Professores. 7ª Ed. São Paulo: Cortez, 2010. EFEITO DE BORDA SOBRE O MICROCLIMA EM DIFERENTES ESTÁGIOS SUCESSIONAIS DE FLORESTA ATLÂNTICA Mendonça, A.R.¹; Voltolini, J.C.² ¹Instituto Zoobotânico de Morro Azul (IZMA), Eng. Paulo de Frontin, RJ. ²Grupo de Pesquisa e Ensino em Biologia da Conservação (ECOTROP), Departamento de Biologia, Universidade de Taubaté, Taubaté, SP. Email: [email protected] Palavras-chave: fragmentação; efeito de borda; microclima INTRODUÇÃO Os efeitos de borda e os efeitos de área são os mais importantes fatores que geram mudanças em comunidades fragmentadas (Nascimento & Laurance, 2006). A formação de bordas, com impactos físicos e biológicos, é um efeito direto dos processos de fragmentação florestal. A riqueza de espécies, as interações bióticas, a temperatura, a umidade e a incidência de luz variam ao longo do gradiente borda-interior (Murcia, 1995). Os efeitos de borda se ampliam para áreas internas de remanescentes florestais, muitas vezes comprometendo unidades mínimas viáveis de conservação (Oliveira, 1998) e por isso o seu estudo é de grande importância. O objetivo deste estudo foi comparar o efeito de borda no microclima em três fisionomias de Floresta Atlântica (capoeira, floresta de transição e floresta secundária). MATERIAL E MÉTODOS O estudo foi realizado em um fragmento florestal no entorno da área urbana do município de Miguel Pereira (RJ), com altitude aproximada de 700 metros, dentro da área pertencente ao sítio Monte Alegre (22º 27’ 16. 54” S 43º 27’ 11. 63” O). O fragmento, que abrange outras propriedades particulares, possui aproximadamente 2,3km de comprimento e entre 0,8 e 1km de largura, tem uma área de pasto ao seu lado e está localizado na serra Miguel Pereira. A partir do pasto a vegetação apresenta estágios de sucessão ecológica de capoeira, floresta de transição e floresta secundária. A área de capoeira, segundo moradores locais, foi atingida por um incêndio oriundo da pastagem, há cerca de 15 anos. Em cada tipo de vegetação foram colocadas, no sentido bordainterior, 2 parcelas de 50 metros de comprimento por 4 metros de largura, distantes 20 metros uma das outras, totalizando 6 parcelas e 1.200m² de área amostrada. Cada parcela foi dividida em 10 subparcelas de 4x5 metros e dentro destas foram registradas 3 medições para cada fator climático (temperatura, umidade, velocidade do vento e luminosidade). Para o levantamento de dados, cada parcela foi visitada uma vez em cada estação do ano, sempre em dias de céu claro e no período entre 09:00 e 12:00hs. Quanto às análises, para testar possíveis associações entre a distância da borda e os fatores abióticos foram utilizadas correlações (r) e regressões lineares (r2). RESULTADOS E DISCUSSÃO A temperatura, da borda para o interior da floresta, diminuiu na capoeira (r= 0,72; r2= 0,51; P=0,02), aumentou na floresta de transição (r= 0,72; r2= 0,50; P=0,02) e não registramos associação na floresta secundária (r= -0,03; r2= 0,00; P=0,93). A umidade, da borda para o interior da floresta, aumentou na capoeira (r= 0,63; r2= 0,39; P=0,06) e na floresta de transição (r= 0,71; r2= 0,51; P=0,02) e não registramos associação na floresta secundária (r= -0,11; r2= 0,01; P=0,76). A luminosidade, da borda para o interior da floresta, diminuiu na capoeira (r= -0,77; r2= 0,59; P=0,01) e não registramos associação na floresta de transição (r= -0,16; r2= 0,03; P=0,65) e na floresta secundária (r= -0,33; r2= 0,11; P=0,36). Com relação à velocidade do vento, foram registradas apenas tendências de diminuição da borda para o interior da floresta na capoeira (r= 0,13; r2= 0,02; P=0,73), na floresta de transição (r= -0,40; r2= 0,16; P=0,25) e na floresta secundária (r= -0,55; r2= 0,31; P=0,10). Os dados da temperatura podem ser influenciados pela presença de clareiras nas áreas pesquisadas, corroborando com os resultados encontrados por Muller et al (2010) (r²=0,49; P=0,02) que identificou correlação negativa para os dados de temperatura, provavelmente pele presença de clareiras no local de estudo. Jardim et al (2007) afirma que as clareiras podem apresentar diversas formas e tamanhos e conseqüentemente modificar as condições abióticas e bióticas no interior das florestas. Os resultados da umidade na capoeira e na floresta de transição, ao contrário da floresta secundária, coincidem com os estudos de Muller et al (2010), (r²=0,88; P=0,00), que encontrou variações no gradiente bordainterior, com forte influência da borda aos 10m e mais acentuadas aos 20m. Nascimento et al (2010), percebeu menores valores próximo à borda de um fragmento florestal, ocasionada pela maior energia luminosa vinda da área externa do mesmo. Quanto á luminosidade, os resultados da floresta de transição e da floresta secundária, se aproximam dos achados por Muller et al (2010), que não encontrou correlação significativa (r²=0,20; P=0,19) em um transecto de 100m. Os resultados da velocidade do vento, também ficaram próximos do estudo feito por Bataghin et al (2008), que percebeu números altos apenas na borda, se estabilizando entre 20 e 30m dentro do fragmento. CONCLUSÃO O gradiente borda-interior foi observado apenas nos estágios de capoeira e floresta de transição e a velocidade do vento foi o único fator climático que não apresentou um padrão ao longo do gradiente. REFERÊNCIAS BATAGHIN, F.A; Fiori, A.; Toppa, R.H. Efeito de borda sobre epífitos vasculares em floresta ombrófila mista, Rio Grande do Sul, Brasil. O Mundo da Saúde São Paulo: 2008: jul/set 32(3):329-338 JARDIM, F. C. S.; Serrão, D. R.; NEMER, T. C. Efeito de diferentes tamanhos de clareiras, sobre o crescimento e a mortalidade de espécies arbóreas, em Moju-PA. Acta Amazônica, Manaus, v. 37, n. 1, p. 37- 48, 2007. MULLER, A.; Bataghin,F.A.; Santos,S.C. Efeito de Borda Sobre A Comunidade Arbórea em um Fragmento de Floresta Ombrófila Mista, Rio Grande do Sul, Brasil. Perspectiva, Erechim. v.34, n.125, p. 29-39, março/2010. MURCIA, C. Edge Effects in fragmented forests: implications for conservation. Trends in Ecology e Evolution. 10:58-62, 1995. NASCIMENTO, H.E.M; Laurance, W.F. Efeitos de área e de borda sobre a estrutura florestal em fragmentos de floresta de terra-firme após 13-17 anos de isolamento. ACTA Amazônica vol 36(2) 2006: 183-192 NASCIMENTO, M.I.; Poggiani, F.; Durigan, G.; Iemma, A.F; Filho, D.F.S. Eficácia de barreira de eucaliptos na contenção do efeito de borda em fragmento de floresta subtropical no estado de São Paulo, Brasil. Scientia Forestalis Piracicaba, v. 38, n. 86, p. 191-203, jun. 2010 OLIVEIRA, R.R.; Zaú,A.S. Impactos da Instalação de Linhas de Transmissão Sobre Ecossistemas Florestais.Floresta e Ambiente, Vol. 5(1):184-191, jan./dez.1998. EFEITO DA PEDOFORMA NO APORTE DE SERAPILHEIRA NA FLORESTA ATLÂNTICA Mendonça, V. M. M.1; Santos, G.L. dos2; Silva, R. M. da3; Menezes, C. E. G.4; Pereira, M. G.5 1. Graduando do Curso de Engenharia Florestal, UFRRJ, email: [email protected]; 2. Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais e Ambientais, UFRRJ; 3. Graduando do Curso de Engenharia Florestal, UFRRJ; 4. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – RJ, Campus Nilo Peçanha, Pinheiral (RJ); 5. Departamento de Solos, Instituto de Agronomia,UFRRJ. Palavras-chave: relevo, mini sítios, estoque INTRODUÇÃO A serapilheira é composta por materiais de origem vegetal (folhas, galhos e material reprodutivo) e de origem animal (material fecal e resíduos de animais) acumulados no piso florestal. A quantificação de massa e estoque da serapilheira é feita através do seu aporte. O aporte é uma das formas de entrada do material orgânico no solo com origem da cobertura vegetal e deposição de resíduos de animais (SCORIZA et al., 2012). Dessa forma, esse estudo teve como objetivo avaliar a influência das condições de relevo (pedoforma) no aporte de serapilheira em um fragmento de Floresta Atlântica em Pinheiral (RJ). MATERIAL E MÉTODOS O estudo foi realizado no município de Pinheiral, Rio de Janeiro, na região do Médio Paraíba Fluminense, na sub-bacia do ribeirão Cachimbal, localizado entre as latitudes 22°29’03’’e 22°35’27’’S e entre as longitudes 43°54’49”W e 44°04’05”W. Foram selecionadas duas pedoformas (côncava e convexa) em um fragmento florestal em estádio secundário de regeneração. As pedoformas foram estratificadas em mini sítios (MS) quanto a variação da declividade e do gradiente topográfico, sendo estabelecidos 3 mini sítios por pedoforma. Para avaliar o aporte da serapilheira, em abril de 2013 foram instalados 5 coletores cônicos com área 0,282744 m² em cada mini sítio. A cada mês, as amostras foram triadas em folhas (limbos e pecíolos), galhos, material reprodutivo (frutos, flores e sementes) e outros (resíduos orgânicos não identificados, fezes de animais, entre outros). As frações foram secas em estufa à 65ºC por 4 dias, após pesadas para quantificação da massa seca de cada fração (SCORIZA et al., 2012). RESULTADOS E DISCUSSÃO O aporte de serapilheira foi diretamente influenciado pelas condições ambientais, declividade e gradiente topográfico onde se encontra a vegetação arbórea. Não houve diferença significativa entre as pedoformas para as frações folhas, galhos, material reprodutivo e outros (Tabela 1), contudo, entre os mini sítios de cada pedoforma houve diferença significativa para as frações folhas e galhos. A fração folhas apresentou maiores valores nos mini sítios IV e V, onde observou-se no processo de triagem que são as regiões onde possuem espécies arbóreas com folhas maiores e mais densas. A fração galhos apresentou, em ambas as pedoformas, maiores valores para os mini sítios onde há maior incidência de luz e ventos (I, II, V e VI). As frações material reprodutivo e outros foram pouco significativas. Em outros estudos na região de Floresta Estacional Semidecidual, essas mesmas frações não obtiveram valores significativos (Scoriza et al., 2009). Quanto ao aporte no decorrer do ano, os meses 6, 7, 8, 9 e 10 apresentaram os maiores valores de aporte (Tabela 1), e coincidem com o período seco da região, que ocasionam maior estresse hídrico levando a maior senescência e abscisão foliar junto com um decréscimo na decomposição no período seco. Como observado por Borém e Ramos, 2002 em Floresta Tropical, a maior taxa de aporte do material formador de serapilheira se deu no período seco. Os demais meses não houve variações significativas. As folhas representam a maior parte do material formador de serapilheira, sendo assim a fração mais representativa no aporte. Resultados compatíveis com Figueiredo Filho et al. 2003, onde em floresta tropical as folhas representam entre 60 à 80% da serapilheira. CONCLUSÕES O estoque aportado foi diretamente influenciado pelas condições ambientais onde se encontra a vegetação. Os maiores valores obtidos do aporte de serapilheira foram observados nos mini sítios dos terços inferior e médio de cada peforma (I, II, IV e V), onde obtiveram um grande aumento nos meses do período seco. A fração folhas compõe a maior parte do material formador de serapilheira, seguido por galhos, outros e material reprodutivo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BORÉM, R. A. T.; RAMOS, D. P. Variação estacional e topográfica de nutrientes na serapilheira de um fragmento de mata atlântica. Cerne, Viçosa, v. 8, n. 2, p. 42-59, jul./dez. 2002. FIGUEIREDO FILHO, A. et al. Avaliação estacional da deposição de serrapilheira em uma Floresta Ombrófila Mista localizada no sul do estado do Paraná. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 13, n. 1, p. 11-18, 2003. SCORIZA, R. N.; PIÑA-RODRIGUES, F. C. M.; NEVES, J. B. C.; STRABELI, T.; Aporte de Biomassa como Indicador de Qualidade de Fragmentos Florestais Inseridos em Agroecossistemas; Resumos do VI CBA e II CLAA; Revista Brasileira De Agroecologia Vol. 4, No. 2, p. 673-679 nov. 2009. SCORIZA, R. N.; PEREIRA, M. G.; PEREIRA, G. H. A.; MACHADO, D. L.; SILVA, E. M. R. Metodos para coleta e analise de serrapilheira aplicados a ciclagem de nutrientes. Série Técnica (Floresta e Ambiente), 2(2): 01-18, 2012. Tabela 1: Aporte de serapilheira em pedoformas convexa e côncava com influencia da variação Área de Estudo da declividade e do gradiente topográfico no decorrer de um ano. F (Kg.ha-¹) MR (Kg.ha-¹) G (Kg.ha-¹) O (Kg.ha-¹) Pedoforma Convexa 520,08 ns 60,91 ns 113,51 ns 74,41 ns Côncava 506,74 ns 56,61 ns 161,05 ns 77,06 ns Mini Sítio I 510,76 ab 28,65 ns 112,93 ab 83,46 ns II 552,71 a 88,44 ns 138,10 a 78,98 ns III 496,75 ab 65,64 ns 89,51 b 79,44 ns IV 598,99 a 42,89 ns 91,87 b 63,43 ns V 534,80 ab 72,74 ns 184,32 b 85,85 ns VI 386,46 b 54,21 ns 206,95 a 81,88 ns Mês 1 194,35 c 39,86 c 28,71 c 56,95 c 2 231,13 c 34,57 c 74,13 b 38,93 c 3 193,32 c 45,06 c 76,48 b 20,25 c 4 398,5 c 21,06 c 70,24 bc 39,96 c 5 535,87 bc 34,79 bc 98,9a b 37,98 c 6 807,13 a 72,02 ab 93,88 b 64,43 bc 7 949,49 a 184,70 a 342,21 a 122,09 a 8 730,08 ab 92,03 ab 330,23 a 118,54 a 9 597,68 b 47,37 b 172,71 a 118,41 a 10 722,88 ab 87,83 b 192,46 a 141,85 a 11 505,39 b 25,61 c 71,49 b 77,15 b 12 295,12 c 20,25 c 95,91 bc 72,26 b *Valores seguidos de letras diferentes na coluna diferem entre se (P<0,05), pelo teste de Kruskal-Wallis; ns: não significativo. Legenda: F ( Folhas); MR (Material reprodutivo); G (Galhos); O (Outros); I, II e III - MS com altitude e declividade diferentes em pedoforma convexa; IV, V e VI - MS com altitude e declividade diferentes em pedoforma côncava; Meses 2, 3, 4, 5, 6 e 7 período seco; Meses 8, 9,10, 11, 12 e 1 período chuvoso. EPHEMEROPTERA, PLECOPTERA E TRICHOPTERA (INSECTA) EM RIOS DO PARQUE ESTADUAL DA PEDRA BRANCA, RIO DE JANEIRO, BRASIL Ferreira, A.¹, Silva, F.S.¹,², Cordeiro¹,³, I.R., Rocha, L.C.F.¹ & F. Avelino-Capistrano³ 1. Faculdades São José, Curso de Ciências Biológicas. 2. Laboratório de Transmissores de Leishmanioses – Fiocruz. 3. Laboratório de Entomologia – UFRJ. Palavras-chave: bioindicadores; insetos aquáticos; biodiversidade. INTRODUÇÃO Os insetos aquáticos correspondem um dos principais componentes da cadeia alimentar aquática e possuem em sua maioria tempo de vida longo sendo capazes de sofrer com os efeitos das variações ambientais de curto prazo (LI et al., 2010). Entre as ordens de insetos aquáticos, Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera (EPT) apresentam maior sensibilidade às alterações ambientais e, por isso, são considerados indicadores eficientes da integridade do ambiente aquático (GOULART & CALLISTO, 2003). Tal capacidade representa bem os padrões ecológicos de toda comunidade aquática, que aliada à alta abundancia destes grupos, funcionam como reflexo dos efeitos de tais variações sobre toda a comunidade; sendo assim os estudos centrados nestas ordens de grande valia para programas de biomonitoramento (CRISCI-BISPO et al, 2007). A ordem Ephemeroptera possui aproximadamente 4.000 espécies, sendo 166 presentes no Brasil (MARIANO & FROEHLICH, 2007). Suas ninfas podem ser encontradas em ambientes lóticos e lênticos , alimentando-se de material orgânico em decomposição e servem de alimento para outros animais, exercendo papel importante na cadeia trófica (MARIANO & FROEHLICH, 2007). Os adultos são alados e possuem estagio de vida reduzido, sendo incapazes de alimentar-se (MARIANO & FROEHLICH, 2007). A ordem Plecoptera inclui aproximadamente 2.000 espécies descritas, e no Brasil existem apenas duas famílias conhecidas (LECCI & FROEHLICH,2007). Suas ninfas são encontradas em riachos limpos e bem oxigenados, podendo ser detritívoros, onívoros ou predadores, e os adultos são alados e vivem próximos a ambientes aquáticos (LECCI & FROEHLICH,2007). A ordem Trichoptera possui aproximadamente 10.000 espécies, sendo 336 reportadas para Brasil (CALOR, 2007). Estas participam da cadeia trófica através da ciclagem de nutrientes (CALOR, 2007). Suas larvas são encontradas em vários habitats aquáticos continentais (CALOR, 2007). O presente estudo foi realizado no Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB), Núcleo Pau da Fome, sendo este um primeiro esforço amostral da fauna de EPT para o parque. MATERIAL E MÉTODOS O presente estudo foi realizado em quatro rios localizados no Parque Estadual da Pedra Branca, sendo realizadas 16 coletas sazonais entre os meses de setembro 2012 a agosto 2013. Os exemplares foram coletados por substratos: Folhiço Retido, Folhiço de Fundo, Rocha Fixa Rolada, Rocha Fixa Lisa e Areia. Para captura dos exemplares foram utilizadas redes entomológicas confeccionadas pelos próprios pesquisadores, peneiras e pinças. Os exemplares coletados foram armazenados em recipientes contendo álcool etílico 90% e etiquetas de procedência. A triagem dos exemplares foi realizada no Laboratório de Zoologia da Faculdade São José por meio de microscópios estereoscópicos, sendo identificado ao nível de gênero através das chaves de identificação de: MARIANO (2007) – Ephemeroptera, LECCI & FROEHLICH (2007) – Plecoptera e CALOR (2007) – Trichoptera. RESULTADOS E DISCUSSÃO Um total de 2.914 exemplares foi coletado ao longo do período de estudo. Deste total, Ephemeroptera correspondeu ao grupo mais abundante, com 88,5% (n = 2.578) e Plecoptera o menos abundante, com 3,2% (n = 92). Em relação à diversidade, as ordens Ephemeroptera e Trichoptera contribuíram com nove gêneros cada uma, enquanto Plecoptera com três gêneros. Dos gêneros encontrados de Ephemeroptera, Cloeodes Traver (38,9%) e Miroculis Edmunds (27,9%) foram os mais abundantes enquanto que Massartella Lestage (0,3%) e Tricorythodes Ulmer (0,7%) foram os menos abundantes. Entre os Plecoptera, Anacroneuria Klapálek (2,8%) foi o gênero mais abundante enquanto Gripopteryx Pictet (0,1%) foi o menos abundante. Os Trichoptera, Phylloicus Müller (3,8%) e Leptonema Guérin (1,7%) foram os gêneros mais abundantes, enquanto que Atopsyche Banks (0,1%) e Xiphocentron Brauer (0,03%) ocorram em menor abundancia. Entre os substratos amostrados, ‘Rocha Lisa Fixa’ foi o que obteve maior número de exemplares (n = 1.151), sendo especialmente colonizado por exemplares de Ephemeroptera - Cloeodes (36,8%) e Baetodes Needham & Murphy (2,2%), e ‘Folhiço de Fundo’ (n = 673), também contendo muitos exemplares de Mirocullis (Ephemeroptera, 20,3%). As ordens coletadas representam bem a integridade ambiental dos rios do PEPB aos quais estas foram coletadas. Os índices encontrados levam a compreender que a água presente no determinado local de estudo é de boa qualidade. CONCLUSÃO Durante o período de estudo, um total de 21 gêneros foi encontrado, sendo a maior parte pertencente às ordens Ephemeroptera e Trichoptera. Tais dados corroboram com a literatura, onde tais ordens são as mais diversas. Além disso, a presença de gêneros de EPT, reforçam ainda mais a importância do PEPB na preservação e manutenção da integridade dos rios da região. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CALOR, A. R. 2007. Trichoptera. In: Guia on-line: Identificação de larvas de Insetos Aquáticos do Estado de São Paulo. Froehlich, C. G. (org.). Disponível em: http://sites.ffclrp.usp.br/aguadoce/guiaonline CRISCI-BISPO, V., BISPO, P. C. & C. G. FROEHLICH, 2007. Ephemeroptera, Plecoptera and Trichoptera assemblages in two Atlantic Rainforest streams, Southeastern Brazil. Revista Brasileira de Zoologia, 24(2): 312-318. GOULART M & M. CALLISTO, 2003 Bioindicadores de qualidade de água como ferramenta em estudos de impacto ambiental. Revista da FAPAM, ano 2, no 1. LECCI, L. S. & FROEHLICH, C. G., 2007. Plecoptera. In: Guia on-line: Identificação de larvas de Insetos Aquáticos do Estado de São Paulo. Froehlich, C. G. (org.). Disponível em: http://sites.ffclrp.usp.br/aguadoce/guiaonline LI, L., ZHENG, B. & L. LIU. 2010. Biomonitoring and Bioindicators Used for River Ecosystems: Definitions, Approaches and Trends. Procedia Environmental Sciences, 2: 1510–1524. MARIANO, R. & FROEHLICH, 2007. Ephemeroptera. In: Guia on-line: Identificação de larvas de Insetos Aquáticos do Estado de São Paulo. Froehlich, C. G. (org.). Disponível em: http://sites.ffclrp.usp.br/aguadoce/guiaonline ESPÉCIES DA FLORA BRASILEIRA AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO PRESENTES NO MORRO DAS ANDORINHAS, NITERÓI, RJ, BRASIL Machado, D. N. S.¹, Mendes, T.S.¹ & Barros, A. A. M. de1 ¹UERJ, Faculdade de Formação de Professores, Departamento de Ciências, Grupo de Estudos Interdisciplinares do Ambiente - [email protected] Palavras-chave: Mata Atlântica, diversidade biológica, inselbergue INTRODUÇÃO A Mata Atlântica brasileira é formada por um mosaico de diversidade biológica, composta por vários tipos vegetacionais em grandes variações altitudinais. No litoral fluminense, em particular, está bem representada por áreas de inselbergues graníticos, que ecologicamente exercem a função de ilhas terrestres rodeadas por vegetação arbóreo-arbustiva (POREMBSKI, 2007). Essas áreas, embora sob forte pressão antrópica, representam um importante habitat de numerosas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, nas quais ainda é contínua a descoberta de novas espécies. O presente trabalho visa o levantamento das espécies ameaçadas de extinção presentes no Morro das Andorinhas. Este está localizado na Região Oceânica do município de Niterói (RJ) e apresenta uma altitude de 196 msm. Foi integrado ao Parque Estadual da Serra da Tiririca pela Lei Estadual 5079/2007. Também faz parte da Área de Proteção Ambiental das Lagunas e Florestas de Niterói e da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, homologada pela UNESCO em 10 de outubro de 1992. A flora presente no Morro das Andorinhas é classificada no Domínio da Mata Atlântica como Floresta Ombrófila Densa Submontana e vegetação de afloramento rochoso, cuja diversidade é documentada nos trabalhos de ARAUJO & VILAÇA (1981), SOUSA, SILVA & SOUZA (2003), BARROS (2008), BARROS, RIBAS & ARAUJO (2009) e PELLEGRINI, AONA-PINHEIRO & FORZZA (2013). MATERIAL E MÉTODOS O levantamento florístico foi realizado através de coletas no período de janeiro/2011 a dezembro/2013. As espécies foram coletadas segundo técnicas usuais em botânica (GUEDES-BRUNI et al., 2002). O material testemunho foi herborizado e seco em estufa 60ºC e encontra-se depositado no Herbário da Faculdade de Formação de Professores (RFFP), com duplicatas no Herbário do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). As espécies foram identificadas através de bibliografia especializada, consultas aos Herbários RFFP, RB e GUA (Herbário Alberto Castellanos) e aos especialistas das famílias. A listagem florística foi organizada segundo APG III (2009). A grafia e a atualização dos nomes das espécies foram confirmadas com base na Lista de Espécies da Flora do Brasil (2014). A classificação das espécies quanto ao status de conservação foi baseada em MARTINELLI & MORAES (2013), que seguiu as normas estabelecidas pela IUCN (União Internacional de Conservação da Natureza e Recursos Naturais). Foram consideradas quatro categorias: Criticamente em perigo (CR), Em perigo (EN), Vulnerável (VU) e Menos preocupante (LC). RESULTADOS E DISCUSSÃO No Morro das Andorinhas foram inventariadas 293 espécies de Magnoliophyta, pertencentes a 205 gêneros, 71 famílias, incluindo dois híbridos de Bromeliaceae. Dentre essas espécies foram encontradas treze que estão incluídas na lista da flora brasileira ameaçada de extinção: a) Criticamente em perigo - Rhipsalis cereoides (Backeb. & Voll) Backeb., Stigmaphyllon vitifolium A. Juss., Abutilon anodoides A. St.-Hil. & Naudin; b) Em perigo - Hippeastrum reginae (L.) Herb., Alcantarea glaziouana (Lemaire) Leme, Tillandsia araujei Mez, Dioscorea pseudomacrocapsa G.M. Barroso, Guimaraes & Sucre, Plinia ilhensis G.M. Barroso, Solanum arenarium Sendtn.; c) Vulnerável - Saranthe composita (K. Koch) K. Schum., Melanopsidium nigrum Colla; d) Menos preocupante - Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Burret, Trichilia casaretti C. DC. São espécies endêmicas do estado do Rio de Janeiro: A. glaziouana, T. araujei, R. cereoides., D. pseudomacrocapsa, S. vitifolium A. Juss. e A. anodoides, sobretudo nos inselbergues litorâneos do entorno da Baía de Guanabara. Também endêmica é P. ilhensis, uma Myrtaceae com ocorrência na Floresta Ombrófila Densa. O único registro de M. nigrum no município de Niterói é no Morro das Andorinhas, sendo essa uma espécie com distribuição nas restingas da região Sudeste e Bahia. S. arenarium é considerada uma espécie rara com distribuição nos estados do Rio de Janeiro e do Rio de Grande do Sul. CONCLUSÃO A região que circunda o Morro das Andorinhas encontra-se bastante descaracterizada devido o crescimento populacional desordenado da Região Oceânica do município de Niterói. No entanto a área em estudo está inserida numa Unidade de Conservação de Proteção Integral, representando uma ilha de diversidade biológica localizada em meio à matriz urbana, cuja preservação se faz prioritária. A presença de espécies endêmicas raras e ameaçadas de extinção evidencia a importância da região para conservação da flora da Mata Atlântica. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS A.P.G. [= Angiosperm Phylogeny Group] III. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III. Botanical Journal of the Linnean Society, v. 161, p. 105-121. 2009. ARAUJO, D.S.D. & VILAÇA, A.M.N. Avaliação da cobertura vegetal remanescente de Itaipu. In: KNEIP, L.M.; PALLESTRINI, L. & CUNHA, F.L.S. (Orgs.) Pesquisas arqueológicas no litoral de Itaipu. Rio de Janeiro: VEPLAN Companhia de Desenvolvimento Territorial, p. 27-44. 1981. BARROS, A.A.M. Análise florística e estrutural do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ, Brasil. 2008. 237f. Tese (Doutorado em Botânica) - Escola Nacional de Botânica Tropical, Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008. BARROS, A.A.M.; RIBAS, L.A. & ARAUJO, D.S.D. Trepadeiras do Parque Estadual da Serra da Tiririca (Rio de Janeiro, Brasil). Rodriguésia, v. 60, n. 3, p. 1-14. 2009. GUEDES-BRUNI, R.R.; MORIM, M.P.; LIMA, H.C. & SYLVESTRE, L.S. Inventário florístico. In: SYLVESTRE, L.S. & ROSA, M.M.T. (Orgs.). Manual metodológico para estudos botânicos na Mata Atlântica. Seropédica: EDUR, p. 24-50. 2002. LISTA DE ESPÉCIES DA FLORA DO BRASIL. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/>. Acesso em: 30 de abril de 2014. MARTINELLI, G. & MORAES, M.D. Livro Vermelho da Flora do Brasil. Rio de Janeiro: Andrea Jakobsson, 1 v., 2013. 1102p. PELLEGRINI, M.O.O.; AONA-PINHEIRO, L.Y.S. & FORZZA, R.C. Taxonomy and conservation status of Tripogandra warmingiana (Seub.) Handlos (Commelinaceae), a previously obscure taxon from Brazil. Phytotaxa, v. 91, n. 2, p. 39-49. 2013. POREMBSKI, S. Tropical inselbergs: habitat types, adaptative strategies and diversity patterns. Revista Brasileira de Botânica, v. 30, n. 4, p. 579-586. 2007. SOUSA, L.O.F.; SILVA, B.R. & SOUSA, R.C.O.S. Hohenmea, a new natural intergeneric hybrid in the Bromelioideae. Journal of the Bromeliad Society, v. 53, n. 2, p. 71–76. 2003. ESTOQUE E TEOR DE NUTRIENTES DO MATERIAL FORMADOR DA SERAPILHEIRA EM PEDOFORMAS CONVEXA E CÔNCAVA, PINHEIRAL (RJ) Santos, G. L. 1; Mendonça, V. M. M. 2; Correa Neto, T. A. 3, Menezes, C. E. G. 4; Pereira, M. G. 5 1Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais e Ambientais, UFRRJ, email: [email protected]; 2Graduando do Curso de Engenharia Florestal, UFRRJ, email: [email protected]; 3Pós-Doutoranda, UFRRJ/FAPERJ, email: [email protected]; 4Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – RJ, Campus Nilo Peçanha, Pinheiral-RJ, email: [email protected]; 5Departamento de Solos, Instituto de Agronomia,UFRRJ, email: [email protected] Palavras-chave: Mata Atlântica, encostas, ciclagem de nutrientes INTRODUÇÃO As espécies vegetais presentes nas pedoformas possuem um papel fundamental na ciclagem de nutrientes e nas alterações dos atributos físicos e químicos do solo, por meio da deposição da serapilheira. A serapilheira compreende, principalmente, o material de origem vegetal (folhas, flores, ramos, cascas, raízes e sementes) e, em menor proporção, o de origem animal (restos animais e material fecal) depositado na superfície do solo (CUNHA NETO et al., 2013). A quantidade aportada e os teores de nutrientes da serapilheira são influenciados pela tipologia florestal e condições climáticas (GODINHO et al., 2013). A partir do exposto, o objetivo desse trabalho foi quantificar o estoque e os teores de nutrientes do material formador da serapilheira em diferentes formas topográficas da paisagem (pedoformas) convexa e côncava na Floresta Atlântica, Pinheiral (RJ). MATERIAL E MÉTODOS O estudo foi realizado no Município de Pinheiral, Rio de Janeiro, na região do Médio Paraíba Fluminense, na sub-bacia do ribeirão Cachimbal, localizado entre as latitudes 22°29’03’’ e 22°35’27’’S e entre as longitudes 43°54’49” W e 44°04’05”W. Foram selecionadas duas pedoformas adjacentes com relevo do tipo convexa (convexa-divergente) e côncava (côncavaconvergente) com orientação da vertente predominante a sudeste e cobertura vegetal tipo Floresta Estacional Semidecidual Submontana (IBGE, 1992). As coletas do material formador de serapilheira (MFS) foram realizadas na estação chuvosa (Abril – Setembro) e na estação seca (Outubro – Março), utilizando um gabarito de 25 cm de lado (0,0625m2), arremessado aleatoriamente 15 vezes em cada pedoforma, cuja a área total soma 0,56 hectares. O MFS foi seco em estufa de circulação forçada de ar a 65°C, por 72h, sendo obtidos os valores de estoque total (Mg ha-1). Em seguida, quantificaram-se os teores de N, P, K, Ca e Mg (TEDESCO, 1997). Os dados foram submetidos à análise de normalidade e homogeneidade da variância dos erros. Quando os dados apresentaram distribuição normal e homogênea foram submetidos a análise estatística paramétrica, quando não a análise estatística não paramétrica. RESULTADOS E DISCUSSÃO Quanto ao estoque de serapilheira, os maiores valores foram observados na pedoforma convexa e na estação seca (Tabela 1), o que está relacionado às condições ambientais de menor oferta de umidade. GODINHO et al. (2013), estudando o estoque de serapilheira no ambiente com floresta, observaram que a maior produção aconteceu no final da estação seca, a qual foi associada ao longo período de estiagem e à diversidade e estrutura das espécies vegetais presentes. Quanto aos teores de nutrientes entre pedoformas, apenas para o nitrogênio foi observada diferença, sendo os maiores teores quantificados na pedoforma côncava (Tabela 1), o que possivelmente está relacionado à composição diferenciada das espécies entre as pedoformas. Entre as estações do ano foram verificadas diferenças para os teores de fósforo, potássio, cálcio e carbono (Tabela 1), sendo os teores de fósforoe cálcio maiores na estação chuvosa e de potássio e carbono na estação seca. Os maiores teores de fósforo e cálcio no final do período chuvoso são explicados pela liberação mais lenta desses elementos pelo material aportado e a retenção desses nutrientes no material formador da serapilheira que chega com a chuva que atravessa o dossel (BORÉM & RAMOS, 2002). Para o potássio, o maior teor encontrado na estação seca é explicado pela facilidade desse elemento ser liberado (lixiviado) da serapilheira (BORÉM & RAMOS, 2002). Já para o carbono, o maior teor no período seco pode estar relacionado ao maior aporte da serapilheira e menor decomposição, em consequência da menor disponibilidade de água e baixa umidade relativa. Através da análise da Tabela 1, verifica-se que as condições do gradiente topográfico exercem influência no padrão do estoque e nos teores de nutrientes da serapilheira, sendo os ambientes convexos responsáveis pelo maior estoque de serapilheira na estação seca. Para os teores de potássio e magnésio observou-se existir uma associação com o gradiente topográfico e a declividade para os MS, sendo os maiores teores observados nas posições que favorecem a maior acumulação de água e deposição de sedimentos. CONCLUSÕES O estoque e os teores de nutrientes do material formador de serapilheira são influenciados pelo tipo da pedoforma e estação do ano, em que os maiores estoques foram observados na pedoforma convexa e maiores teores de N na pedoforma convexa, entre as estações do ano os maiores teores de P e Ca foram na estação chuvosa e os maiores teores de K e C foram na estação seca. AGRADECIMENTOS Ao PPGCAF, À FAPERJ, Ao IFRJ – CAMPUS PINHEIRAL, A CAPES E AO CNPQ. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BORÉM, R. T.; RAMOS, D. P. Variação estacional e topográfica de nutrientes na serapilheira de um fragmento de Mata Atlântica. Cerne, Lavras, v.8, n.2, p.4259, 2002. CUNHA NETO, F. V.; LELES, P. S. S; PEREIRA, M. G.; BELLUMATH, G. H.; ALONSO, J. M. Acúmulo e decomposição da serapilheira em quatro formações florestais. Ciência Florestal, Santa Maria, v.23, n.3, p.379-387, Jul./ Set.2013. GODINHO, T. O.; CALDEIRA, M. V. W.; CALIMAN, J. P.; PREZOTTI, L. C.; WATZLAWICKS, L. F.; AZEVEDO, H. C. A.; ROCHA, J. H. T. Biomassa, macronutrientes e carbono orgânico na serapilheira depositada em trecho de Floresta Semidecidual Submontana, ES. Scientia Forestalis, Piracicaba, v.41, n.97, p.131-144, Mar.2013. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Manual técnico da vegetação brasileira. IBGE, Rio de Janeiro, 199, 92p. TEDESCO, M. J; GIANELLO, C; BISSANI, CA. Análise de solo, plantas e outros materiais. 2. Ed. Porto Alegre: Departamento de Solos, UFRGS, p.177188.1995. Tabela 1. Massa seca e teor de nutrientes do material formador de serapilheira nas diferentes pedoformas e estações do ano. Massa Seca N Mg ha-1 Côncava Convexa 6,25b 8,35a P K Ca Mg C C/N ---------------------g kg-1------------------13,98a 12,55b Pedoforma 0,70ns 0,41ns 15,19ns 0,66ns 0,40ns 15,36ns 5,27ns 5,03ns 346,92 ns 24,81 ns 355,42 ns 28,32 ns Estação do Ano Chuvosa 5,76b 13,30ns 0,72a 0,37b 21,14a 5,33ns 344,48 b 25,90 ns Seca 8,83a 13,23ns 0,65b 0,44a 9,42b 4,97ns 358,02 a 27,06 ns *Valores seguidos de letras diferentes na coluna, para cada pedoforma, diferem entre si (p<0,05) e ns: não significativo. ESTRATIFICAÇÃO VERTICAL DA POSTURA DE OVOS DE Aedes aegypti L. E Aedes albopictus S. NO MUNICIPIO DE VASSOURAS, RJ Cruz Jr, A. J.³, Monsores, D. A. ³, Caetano, G. C. ¹, Alves, S. P.¹, Maleck, M. ¹, ²,4 [email protected] ¹USS, Laboratório de Insetos Vetores ²USS, Mestrado Profissional em Ciências Ambientais ³Jovens Talentos/FAPERJ, Rio de Janeiro, Brasil. 4USS, Centro de Ciências da Saúde. Palavras-chave: arbovirose, dengue, dispersão populacional INTRODUÇÃO A Mata Atlântica é uma das regiões mais ricas do mundo em biodiversidade e hoje é considerada um dos biomas mais ameaçados do planeta por causa do desmatamento. A destruição desse bioma vem gerando consequências diversas para o meio ambiente, e resultando na destruição da biodiversidade, degradação dos mananciais e desequilíbrios ambientais acarretando o aparecimento de pragas e doenças. A dengue é uma das principais doenças resultantes deste desequilíbrio. Essa doença é uma arbovirose que se tornou um problema de saúde no Brasil e no mundo, e sua transmissão é essencialmente urbana. Este ambiente possui fatores fundamentais para aocorrência da doença: o homem, o vírus, o vetor e, principalmente a condição sócio ambiental, formando assim a estrutura que possibilita manter a cadeia de transmissão. O principal vetor do vírus da dengue no Brasil é o Aedes aegypti (LINNAEUS, 1762), podendo também o Aedes albopictus (SKUSE, 1894) participar da transmissão, como ocorre na Ásia. A capacidade de dispersão do mosquito Ae. aegypti pelo voo é variável, sendo guiada pela busca de sítios de oviposição apropriados (MS, 2007), já adispersão do Ae. albopictus pode ocorrer em todas as fases de desenvolvimento do mosquito, porém o principal mecanismo de dispersão ocorre por meio de ovos e larvas, denominados “ova express” (KNUDSEN, 1995). O presente trabalhotem o objetivo de detectar a preferência de oviposição de Ae. aegypti e Ae. albopictus quanto à oferta de recipientes com água relacionada à estratificação vertical. MATERIAL E MÉTODOS O levantamento está sendo realizado no município de Vassouras, RJ, em três pontos distintos selecionados de acordo com os dados obtidos pelos estudos anteriores (PINHEIRO et al., 2011; OLIVEIRA & MALECK, 2014). As armadilhas de coleta de larvas constam de pneus (metade horizontal) instalados em cada ponto, em três alturas distintas (60 cm; 1,20 m; 1,80 m) (KERSTEN et al., 2013) conforme metodologia adaptada de OBENAUER et al. (2009). A coleta de larvas vem sendo realizada semanalmente pelo período de cinco meses (janeiro - maio), e verificados a temperatura e a umidade relativa do ar. Após a coleta as larvas são encaminhadas ao Laboratório de Insetos Vetores/USS, para identificação em microscópio. Dentre os espécimes coletados, apenas Ae. aegypti e o Ae. albopictus serão notificados como foco positivo. As larvas são quantificadas e os dados analisados pelo teste estatístico ANOVA. RESULTADOS E DISCUSSÃO Até o presente momento os resultados mostraram positividade de larvas de Aedesparatodos os pontos.Em relação à altura das armadilhas o ponto 1 mostrou 42% de larvas a 60 cm de altura do solo, 24% a 1,20m e 34% a 1,80m. O ponto 2 mostrou 27% de larvas obtidas a 60cm, 45% a 1,20m e 28% a 1,80m do solo. O ponto 3 apresentou 100% de larvas na altura de 1,80m. Os dados demonstram inicialmente a preferência pelas armadilhas localizadas a altura de60 cm e de 1,20m. Os estudos continuam em andamento. CONCLUSÃO Devido às diversas epidemias correlacionadas a esses insetos, o estudo tem uma importante contribuição para o entendimento da dinâmica populacional do mosquito. E, a partir dos resultados obterem informações mais precisas quanto ao comportamento de Ae. aegypti e Ae. albopictus para melhor nortear o controle das larvas em áreas urbanas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KERSTEN, V.A., CAETANO, G.C., ALMEIDA, J.S., SILVA, S.C.P., ROSA, D.W.P.D., MALECK, M. Um estudo sobre a preferência de Aedes aegypti e Aedes albopictus quanto à estratificação vertical da “Larvitramp”; III Jornada Severino Sombra; USS, 2013. KNUDSEN, A.B. Global distribution and continuing spread os Aedes albopictus [Proceedings of a workshop held at the Instituto Superiore di Sanita, Rome, Italy, 19 – 20 December 1994]. Parasitologia Roma 1995; 37(2-3): 91-7. MINISTÉRIO DA SAÚDE. 2007. Disponível: <http://www.saude.gov.br> (acessado em 23/03/2008). OBENAUER, P.J., KAUFMAN, P.E., ALIAN, S.A., KLINE, D.L. Infusion-baited ovitramps to survey ovipositional height preferences of container-inhabiting mosquitoes in two Florida habitats. J. Med. Entomol. 46 (6): 1507-1513, 2009. OLIVEIRA, A.A & MALECK, M. Ovitrampas para Avaliação da Presença de Aedes aegypti (Linnaeus) e Aedes albopictus (Skuse) no Município de Vassouras, Estado do Rio de Janeiro. EntomoBrasilis 7 (1): 52-57, 2014. PINHEIRO, R.F., ESPINDOLA, C.B., MALECK, M. Levantamento das formas imaturas de Aedes aegypti e Aedes albopictus no município de Vassouras, RJ, Brasil. Monografia de conclusão de curso, Curso de Ciências Biológicas, USS, 2011. AGÊNCIAS DE FOMENTO: Jovens Talentos-FAPERJ; FUSVE/USS; Secretaria Municipal de Saúde/SMS-Vassouras, RJ. ESTUDO DE GEORREFERENCIAMENTO E CARACTERIZAÇÃO FLORESTAL EM UMA RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL PERTENCENTE AO BIOMA MATA ATLÂNTICA – RPPN GRANJA REDENÇÃO / SILVA JARDIM – RJ Santos, M. F. ¹; Amorim, A. P. C. F.¹; Medeiros, G. S.¹; Andrade, L. C.¹; Fonseca, C. B. D.¹ ¹ Verde Musgo Ecologia e Meio Ambiente LTDA, Consultoria - [email protected] / (21) 97953-6339 – (21) 98268-3355. Palavras-chave: georreferenciamento, Mata Atlântica, RPPN. INTRODUÇÃO A área de estudo, Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Granja Redenção, está localizada em Imbaú, no Município de Silva Jardim, a 116 km do Rio de Janeiro. A RPPN é uma área privada com o objetivo de conservar a diversidade biológica do bioma Mata Atlântica, bioma este que segundo Ministério do Meio Ambiente (MMA, 2013), é representado por um conjunto de formações florestais e ecossistemas associados como as restingas, manguezais e campos de altitude, que se estendiam originalmente por aproximadamente 1.300.000 km² em 17 estados do território brasileiro (LOUREIRO, 2008). Atualmente os remanescentes de vegetação nativa estão reduzidos a cerca de 22% de sua cobertura original e encontram-se em diferentes estágios de regeneração. Apenas cerca de 7% estão bem conservados em fragmentos acima de 100 hectares. Mesmo reduzida e muito fragmentada, estima-se que na Mata Atlântica existam cerca de 20.000 espécies vegetais (35% das espécies existentes no Brasil), incluindo diversas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. Este estudo tem como objetivos adequar a Reserva ao cadastro ambiental rural (CAR), e esclarecer sobre as características gerais dos remanescentes de Mata Atlântica existente e seus potenciais econômicos. MATERIAL E MÉTODOS O georreferenciamento, dos vértices do imóvel, foi realizado através de Sistema Geodésico Brasileiro – SGB – SIRGAS 2000 (IBGE, 2013), onde as coordenadas em UTM foram definidas através de transporte por GPS, Receptor Trimble 5700, a partir da Estação GPS Rio de Janeiro – código 91720 – IBGE. Esta metodologia compreendeu a realização do mapeamento do perímetro para cálculo da área total da propriedade possibilitando a correção de pontos e implantação dos novos marcos de base RBMC certificados nos vértices, em conformidade com exigência legal Lei n°10.267/2001. Foram estabelecidos pontos para mapeamento da altimetria do terreno, identificados cursos d´água e realizada a delimitação das áreas construídas e manchas de vegetação de importância econômica. Quanto à caracterização florestal, foi necessário obter informações sobre a área de cada povoamento existente, observar e definir a tipologia dos povoamentos florestais (existências, acréscimos, perdas, regeneração) e a caracterização de outras vegetações presentes. RESULTADOS E DISCUSSÃO A área de estudo apresenta densa vegetação de Mata Atlântica, relevo acidentado com perímetros compostos por limites de linhas seca e natural. Nos estudos desenvolvidos foram identificadas tipologias de mata primária e secundária em diferentes disposições ao longo da propriedade. A cobertura vegetal de mata atlântica apresentada compreende uma área total de 304.338,82 m² em 314.649,36 m² (total da propriedade). As áreas de mata primária encontram-se nos pontos com maior valor altimétrico (400 metros), onde a dificuldade do acesso é um aspecto positivo para este nível de preservação. Foram identificados pontos de mata secundária, em processo natural de regeneração dentre altitudes de 130 a 170 metros do nível do mar. Presença de áreas de capoeirinha, ou em estágio inicial de regeneração dentre 90/100 metros de altitude com área de 132,73 m². A espécie com grande expressão econômica identificada foi a palmeira Juçara (Euterpe edulis – Família: Arecaceae). Estes indivíduos apresentam-se dispersos ao longo de toda propriedade, porém caracterizam uma mancha de vegetação expressiva com 283,53 m². CONCLUSÃO Verificamos, a partir dos resultados deste estudo, que a RPPN Granja Redenção apresenta porcentagem expressiva com aproximados 90% de vegetação de Mata Atlântica em diversos estágios, desde floresta primária à parcelas em estágios de regeneração natural (SCHAFFER, 2010). E por estar situada em uma área de corredor de Mata Atlântica aumenta as possibilidades de desenvolvimento a nível genético das populações de fauna e flora cujo habitat natural está cada vez mais fragmentado e escasso. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas. Disponível em: http://cidades.ibge.gov.br/painel/painel.php?codmun=330560 acessado em 19 de novembro de 2013. LOUREIRO, W. RPPN Mata Atlântica: ICMS Ecológico, Uma Experiência Brasileira de Pagamentos por Serviços Ambientais. Belo Horizonte: Conservação Internacional Fundação SOS Mata Atlântica The Nature Conservancy (TNC), 2008. MMA – Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: http://www.mma.gov.br/biomas/mata-atlantica acessado em 19 de novembro de 2013. SCHAFFER, W. B. et al Mata Atlântica – Patrimônio Nacional dos Brasileiros. MMA. Secretaria de Biodiversidade e Florestas. Brasília, 2010. ESTUDOS DE INSETOS (ORTHOPTERA: GRYLLIDAE) COMO BIOINDICADORES DE QUALIDADE AMBIENTAL NO FRAGMENTO DE FLORESTA PLUVIAL ATLÂNTICA NO INSTITUTO ZOOBOTÂNICO DE MORRO AZUL Duarte, M. N.1; Mendes, M. P.2; Rodrigues, W. C.3; Cassino, P. C. R.1; Maleck. M.1, 4. 1Universidade Severino Sombra, – [email protected] 2Universidade Severino Sombra, Curso de Engenharia Ambiental, Vassouras/RJ 3Centro 4USS, Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda/RJ Mestrado Profissional Ciências Ambientais Palavras-chave: diversidade, grilos, insecta INTRODUÇÃO A expansão do uso da terra resulta na fragmentação dos habitats naturais com a formação de fragmentos florestais de diferentes tamanhos e formas (THOMAZINI & THOMAZINI, 2000). Em geral, os invertebrados são mais severamente e rapidamente afetados por mudanças paisagísticas, e os insetos são responsáveis por muitos processos no ecossistema, assim, sua perda pode ter efeitos negativos sobre comunidades inteiras (NICHOLSA et al., 2007). Sabe-se que os grilos são importantes componentes da macrofauna de serrapilheira florestal (GREENBERG & FORREST, 2003), podendo ter limites de tolerância restritos a certas condições (MCCLUNEY & DATE, 2008), além disso, respondem a perturbação no habitat (SPERBER et al., 2007) e deficiência hídrica (MCCLUNEY & DATE, 2008). Desta forma, o monitoramento deste grupo contribui no entendimento da complexidade ecologia destes habitats. Este estudo teve como objetivo avaliar a família Gryllidae (Insecta; Orthoptera) como insetos bioindicadores da qualidade ambiental no fragmento florestal do Instituto Zoobotânico de Morro Azul, em Engenheiro Paulo de Frontin, RJ. MATERIAL E METODOS O estudo foi conduzido em um fragmento florestal de Mata Atlântica, no Instituto Zoobotânico de Morro Azul (IZMA), localizado no município de Engenheiro Paulo de Frontin-RJ (22º29’39.70” Sul e 43º34’04.46” Oeste). O fragmento tem altitude variando entre 640 a 720 m e possui uma área de aproximadamente 19 hectares. As coletas foram realizadas nas quatro estações climáticas no período de um ano, de maio de 2012 a março de 2013. Ao longo de uma trilha ecológica denominada Trilha dos Quatis, com 2.200 metros de extensão, foi determinada oito pontos de coleta (I a VIII), levando-se em consideração a composição florística, cobertura do dossel e nível de serrapilheira. Em cada ponto, foram montadas seis armadilhas, distantes 10 metros entre cada uma, em uma área de 200 m2. Para a captura dos insetos, foram utilizadas armadilhas de solo do tipo pitfall, com 150 mL de solução aquosa contendo 3% de formol, 2% de detergente neutro e 95% de água pura. As armadilhas permaneceram no ambiente por 48 horas. Após a retirada das armadilhas, as amostras foram encaminhadas para o Laboratório de Biomonitoramento Ambiental da Universidade Severino Sombra, onde foi realizada a triagem e identificação dos grilos em nível de gênero, baseando-se nas chaves textuais propostas por Strohecker (1953), Chopard (1938; 1959) e Pereira (2012) e chaves pictórias v 5.0/5.0 proposta por Eades et al. (2013). RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram capturados 271 grilos, sendo 72 ninfas, utilizadas apenas para analise de abundância, e 199 adultos identificados. Quanto à abundância de grilos, em relação aos pontos de coleta, os picos populacionais nos pontos mais estruturados, bem como, baixas nos pontos mais degradados, indicam que a umidade na serrapilheira foi fator relevante para a amostragem, demonstrando também a afinidade destes insetos por locais com maior e luminosidade e nível de serrapilheira, principalmente por este micro-habitat fornecer recurso alimentar (GANGWERE, (SZINWELSKI, 2009). 1961), abrigo e espaço livre de inimigos A diversidade mostrou correlação significativa com nível de serrapilheira e cobertura do dossel, entretanto, não se mostrou significativa em relação à umidade na serrapilheira, o que indica que existem gêneros que prefiram locais úmidos e acabam por dominar estes locais, diminuindo os valores de diversidade e equitabilidade e elevando os valores de dominância. Sendo resistentes às pequenas variações ambientais, alguns gêneros apareceram em locais incomuns de serem encontrados, demonstrando a plasticidade fenotípica destes insetos. CONCLUSÃO Neste estudo, ficou evidente que a fitofisionomia interferiu na amostragem de grilos, desta forma, se apresentaram eficientes bioindicadores da qualidade ambiental, pois responderam em vários níveis à mudança paisagística, tanto em áreas estruturadas quanto em áreas degradadas. REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS GANGWERE, S. K. A Monograph on food selection in Orthoptera. From the Transaction of the American Entomological Society, v. 87, p .67-230, 1961. GREENBERG, C. H.; FORREST, T. G. Seasonal abundance of ground – occurring macro arthropods in forest and canopy gaps of the southern Appalachians. Southeastern Naturalist, v. 2, n. 4, p.591-608, 2003. LEWINSOHN, T. M.; FREITAS, A. V. L.; PRADO, P. I. Conservação de invertebrados terrestres e seus habitats no Brasil. Megadiversidade, v. 1, n. 1, p.62-69, 2005. MCCLUNEY, K. E.; DATE R. C. The effects of hydration on growth of the house cricket, Acheta domesticus. Journal of Insecta Science, v. 8, n. 32, p.1-9, 2008. NICHOLSA, E.; LARSENB, T.; SPECTORA, S.; DAVISE, A. L.; ESCOBARC, F.; FAVILAD, M.; VULINECE, K. Global dung beetle response to tropical forest modification and fragmentation: A quantitative literature review and metaanalysis. Biological Conservation, v. 137, n. 1, p.1-19, 2007. SPERBER, C. F.; SOARES, L. G. S.; PEREIRA, M. R.: Litter disturbance and trap spatial positioning affects number of captured individuals and genera of crickets (Orthoptera: Grylloidea). Journal of Orthoptera Research, v. 16, n. 1, p.1-7, 2007. SZINWELSKI, N.: Riquezas de Espécies de Grilos (Orthoptera: Grylloidea) em fragmentos de Mata Atlântica em regeneração. 2009. 49f. Dissertação (Mestrado em Biologia Animal) - Universidade Federal de Viçosa, 2009. THOMAZINI, M. J.; THOMAZINI, A. P. B. W. A fragmentação florestal e a diversidade de insetos nas florestas tropicais úmidas. Rio Branco: Embrapa Acre (Circular Técnica, 57), 2000. 21p. AGRADECIMENTOS: Ao Instituto Zoobotânico de Morro Azul. FRAGMENTAÇÃO FLORESTAL NO VALE DO CAFÉ SUL FLUMINENSE Santos, J. F. C.¹*, Santos, G. R.¹, Cabreira, G. V. ¹, Araújo, E. J. G.² ¹UFRRJ, Curso de Engenharia Florestal-* [email protected] ²UFRRJ, Professor do Departamento de Silvicultura, Instituto de Florestas- [email protected] Palavras-chave: ecologia da paisagem, métricas da paisagem, Patch Analyst. INTRODUÇÃO A ocupação do Vale do rio Paraíba do Sul na região Sul Fluminense está associada principalmente, ao ciclo do café (SILVA, 2002). Nesse período, o lugar até então pouco explorado e com grande quantidade de matas virgens se transformou em imensos cafezais (MUAZE, 2011). Os Barões do café desmatavam e exploravam as terras até o esgotamento do solo. Nesse ponto, o plantio improdutivo era abandonado em detrimento de outras áreas cobertas com matas e um solo fértil (SILVA, 2002). Atualmente, a situação da Mata Atlântica que resta na região não difere daquela de toda a extensão do bioma: apresenta-se como um mosaico de vegetação fragmentada em função do uso e ocupação desordenada do território. A fragmentação florestal pode ser estudada pela Ecologia da Paisagem. Esta, utiliza feições espaciais observáveis e mensuráveis, para caracterizar as condições, desenvolvimento e mudança temporal dos fragmentos florestais (TURNER & GARDNER, 1991). Este trabalho traz uma caracterização quantitativa dos fragmentos florestais da região do Vale do Café buscando subsidiar tomada de decisão quanto às ações de conservação e preservação dos recursos naturais desta região. MATERIAL E MÉTODOS Este estudo envolveu os municípios de Barra Mansa, Barra do Piraí, Engenheiro Paulo de Frontin, Mendes, Miguel Pereira, Paracambi, Paraíba do Sul, Paty do Alferes, Pinheiral, Piraí, Rio das Flores, Valença, Vassouras e Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro. O arquivo base desta análise, em formato shapefile, foi adquirido no site da Fundação SOS Mata Atlântica e refere-se à fragmentação florestal no ano de 2012. As métricas da paisagem para os fragmentos foram obtidos através da extensão gratuita Patch Analyst (Analisador de Manchas) do software ArcGIS 10.1., sendo calculados os seguintes índices: MSI- Média do Índice de Forma; MPAR- Média da Relação Perímetro/Área (m/ha); TE- Total de Borda (m); NumP- Número de Manchas; NCA- Número de Áreas Centrais; TCA- Área Central Total (ha) e TCAI- Índice de Área Central (%). Estes índices são descritos em Elkie et al. (1999). Foi adotado um Buffer de 30m para calculo de área central. Os fragmentos foram divididos em classes de tamanho segundo a área ( ) ocupada em hectares (ha), adotando-se os critérios: 1) <10 ha; 2)10 < <50 ha; 3) 50< <100 ha; 4)100< <200 ha; 5) >200 ha. RESULTADOS E DISCUSSÃO No Vale do Café restam 18% de área com florestas distribuídas em 2.294 fragmentos. O maior fragmento, localizado entre Piraí, Mendes e Paracambi tem uma área de 3937,33 ha e abrange os limites do Parque Natural Municipal do Curió. Fragmentos com área inferior a 50 ha representam 85% do total. Resultados semelhantes foram encontrados por Silva (2002) para região do Médio Vale do Paraíba do Sul. Para Viana et al. (1992), a redução de ecossistemas naturais, resulta numa preocupante perda da biodiversidade. Entretanto, estes autores afirmam que os fragmentos florestais pequenos, localizados em propriedades particulares, abandonados e sujeitos a perturbações, são os últimos depositários da biodiversidade nativa de boa parte de nossas florestas. Quanto aos fragmentos florestais de maior dimensão, Turner & Gardner (1991) destacam que eles resguardam maior biodiversidade sendo prioritários na conservação, mas outros parâmetros devem ser analisados. Na tabela 1 estão apresentados os índices da paisagem calculados. O índice de forma médio (MSI) demonstra que os fragmentos menores apresentam formas mais regulares, isto é, valores próximos a 1. À medida que a irregularidade da forma aumenta, este valor cresce (ELKIE et al., 1999). No entanto, pelo valor MPAR concluí-se que fragmentos menores tem maior quantidade de borda em relação a área. Ainda, quando analisamos este parâmetro em conjunto com TCA e TCAI, considerando uma distância da borda de 30m, é possível afirmar que os fragmentos menores sofrem maior influência da borda. A zona de contato entre um habitat natural e outro antropizado gera o efeito de borda que, segundo Viana et al. (1992), é marcado por mudanças na luminosidade, temperatura, umidade e velocidade do vento o que pode significar impactos diretos ou indiretos na biodiversidade. Devido ao tamanho reduzido e a forma, 556 fragmentos com área inferior a 10 ha não tiveram área central, sugerindo que toda área destes, esta influenciada pela borda. Dada a irregularidade da forma, alguns fragmentos com área superior a 50 ha apresentaram mais de uma área central por mancha, uma vez que o valor de NCA superou o NumP. Isto justifica o porquê de fragmentos com formas mais regulares ter preferência para conservação (TURNER & GARDNER, 1991). Os fragmentos com área superior a 200 ha, ainda que tenham elevada irregularidade na forma (Valor MSI maior), tem maior área central, ou seja, valor TCA maior, e por isso sofrem menor influência da borda. CONCLUSÕES No Vale do Café a Mata Atlântica remanescente está distribuída em fragmentos principalmente pequenos e sob forte efeito de borda. Os poucos fragmentos com área superior a 100 ha são prioritários para adoção de medidas conservacionistas uma vez que tendem a concentrar maior biodiversidade e originalidade do bioma. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ELKIE, P.; R. REMPEL.; CAR, A. Patch Analyst User’s Manual. Ontario Ministry of Natural Resources. Northwest Science & Technology. Thunder Bay, Ontario, 1999. MUAZE, M. A. F. O Vale do Paraíba e a Dinâmica Imperial. In: LERNER, D.; MISZPUTEN, F. Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense – Fase III. Rio de Janeiro: INEPAC/Instituto Cidade Viva, 2011, v. 3, p. 293-340. SILVA, V. V. Médio Vale do Paraíba do Sul: Fragmentação e Vulnerabilidade dos Remanescentes de Mata Atlântica. 2002. 123p. Dissertação (Mestrado em Ciência Ambiental) – Universidade Federal Fluminense, Niterói. TURNER, M. G.; R. H. GARDNER. Quantitative methods in landscape ecology. New York: Springer-Verlag, 1991, 517 p. VIANA, V. M.; TABANEZ, A. J. A.; MARTINEZ, J. L.A. Restauração e Manejo de Fragmentos Florestais. Revista do Instituto Florestal de São Paulo, São Paulo, v. 4, p- 86-94, 1992. Tabela 01. Índices da paisagem Classe 1 2 MSI 1,37 1,59 MPAR (m/ha) 301,86 127,75 TE (m) 974439,02 2875931,56 NumP 847 1110 CA (ha) 5168,43 23976,14 NCA* 291 988 TCA* (ha) 931,44 14055,26 TCAI* (%) 18,02 58,62 3 4 5 2,03 2,52 3,50 86,58 76,66 59,96 931719,55 864663,15 2937385,31 156 83 98 10827,26 11336,37 53884,97 180 106 157 8092,05 8779,57 45148,22 74,74 77,45 83,79 MSI - Índice de Forma Médio; MPAR- Média da Relação Perímetro/Área; TE - Total de Borda; NumP- Número de Manchas; NCA- Número de Áreas Centrais; TCA- Área Central Total; TCAI –Indice de Área Central.*Buffer de 30m. GÊNESE DE AGREGADOS E MATÉRIA ORGÂNICA EM PEDOFORMA CÔNCAVA E CONVEXA - PINHEIRAL RJ Fréo,V.A.¹; Pereira, M.G.²; Medeiros, A.S.³ 1Graduanda em Engenharia Agronômica, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), BR 465, km 7. CEP: 23890-000, Seropédica - RJ. *E-mail: [email protected] 2Professor Associado IV, Departamento de Solos da UFRRJ, Depto.de Solos, BR 465, km 7. CEP:23890-000, Seropédica - RJ. E-mail: [email protected] 3 Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Florestais; Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), BR 465, km 7. CEP: 23890-000, Seropédica - RJ. *Email: [email protected] Palavras-chave: Agregação, substâncias húmicas e relevo INTRODUÇÃO A Floresta Atlântica compreende a região do Médio Vale do Paraíba do Sul que foi historicamente de grande importância para o desenvolvimento econômico do país em meados do século XIX. Atualmente encontra-se com extensas áreas ocupadas por pastagens degradadas e de baixa produtividade. A intensidade com que as alterações ocorrem depende do tipo de solo, relevo e forma de manejo utilizada. O efeito mais prejudicial ocorre nas camadas superficiais do mesmo levando a uma redução no incremento de matéria orgânica, principal agente de formação e estabilização dos agregados, sendo ambos os processos apontados como as principais causas da degradação estrutural do solo. Na área de estudo após hoje se observa, fragmentos florestais com diferentes graus de recuperação. O processo de sucessão, por muitas vezes, está associado às diferentes pedoformas côncava ou convexa, que influenciam na dinâmica da água (convergência e divergência) e de nutrientes. As modificações à que o solo é submetido, podem promover alterações em vários atributos edáficos, entre estes a agregação. Desta forma este estudo tem como objetivo avaliar as características morfológicas e da matéria orgânica (carbono orgânico total do solo e das substancias húmicas) dos agregados formados em um fragmento florestal em distintas pedoformas no município de Pinheiral-RJ. MATERIAL E MÉTODOS A área de estudo está inserida em um fragmento florestal localizado na subbacia do Ribeirão Cachimbal situado na região do Médio Vale do Paraíba, município de Pinheiral no Estado do Rio de Janeiro. Para realização da coleta dos agregados foram escolhidas uma pedoforma côncava e outra convexa. As amostras foram coletadas na profundidade de 0-10 cm. Após a coleta, as amostras foram levadas ao laboratório onde os agregados foram separados uns dos outros por suas linhas de fraqueza. Após esse processo, os mesmos foram submetidos ao peneiramento com o uso de duas peneiras: 9 e 8 mm. Os agregados que ficaram retidos na peneira de 8 mm foram observados com o auxilio de uma lupa e classificados à mão em frações morfológicas de acordo com as definições descritas em Bullock et al. (1985). Para determinação da contribuição relativa em massa foram pesados 100 g de agregados. Essa massa de agregados foi identificada sob lupa e assim quantificado o percentual de agregados de cada via de formação contidos na massa inicial. A determinação do carbono orgânico total (COT) foi realizada segundo Yeomans & Bremner (1988). As substâncias separadas em três frações sendo utilizada a húmicas técnica foram de solubilidade diferencial estabelecida pela Sociedade Internacional de Substâncias Húmicas (Swift, 1996) adaptada e apresentada por Benites et al. (2003). Posteriormente, os resultados foram submetidos à análise de variância e comparação dos valores médios com uso do teste t de Tukey a 5% de probabilidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO Na tabela 1 são apresentadas entre os padrões morfológicos de agregação e teores de carbono orgânico total e carbono das substancias húmicas na profundidade de 0-10 cm. Foram observadas diferenças percentuais das diferentes classes de agregação entre as pedoformas. Na pedoforma côncava a classe fisiogênica contribui com mais de 60% na agregação total do solo, já na convexa a classe que se destaca é a biogênica também com aproximadamente 60%. Esses resultados mostram a existência de condições específicas para de cada pedoforma para a formação dos agregados. Para os teores de COT, C-FAF (carbono da fração ácido fúlvico), CFAH (carbono da fração ácido húmico) e C-HUM (carbono da fração humina) não foram observadas diferenças estatísticas quando comparado via de agregação e pedoformas. Esses resultados podem estar relacionados com a especificidade de cada via no armazenamento de carbono. De acordo com a tabela 1, a fração humina apresentou os maiores teores de substâncias húmicas em todas as vias. Nas pedoformas, não foram observadas diferenças significativas no teores de COT e substancias húmicas comparando côncava e convexa. CONCLUSÃO As pedorformas influenciam a gênese de agregados mas não a partição dos teores de carbono orgânico total das substancias húmicas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BENITES, V. M.; MADARI, B.; MACHADO, P. L. O. A. Extração e fracionamento quantitativo de substâncias húmicas do solo: um procedimento simplificado de baixo custo. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2003. 7p. (Embrapa solos. Comunicado Técnico, 16). BULLOCK, TURSINA, P., T. FEDEROFF, et al. Handbook N., for JONGERIUS, Soil Thin A., Section STOOPS, G., Description. Albrighton, England: Waine Research Publications, 1985. YEOMANS, J. C.; BREMNER, J. M. A rapid and precise method for routine determination of organic carbon in soil. Commun. in Soil Sci. Plant Anal., 19:1467-1476, 1988. SWIFT, R. S. Organic matter characterization. In: SPARKS, D. L.; PAGE, A. L.; HELMKE, P. A.; LOEPPERT, R. H.; SOLTANPOUR, P. N.; TABATABAI, M. A.; JOHNSTON, C. T.; SUMNER, M. E. (Ed.). Methods of soil analysis. Madison: Soil Science Society of America: American Society of Agronomy, p.1011-1020, 1996. Tabela 1: Contribuição percentual das diferentes vias de agregação e teores de carbono orgânico total e carbono das substancias húmicas em pedorforma côncava e convexa. % COT C-FAF C-FAH C-HUM Via de agregados agregação g.kg-1 Pedoformas CV CX CV CX CV CX CV CX CV CX Biogênico 11,2 45,2 43,62 52,76 4,70 4,10 3,88 4,54 25,17 21,67 0 0 a a a a a a a a Intermediár 23,6 36,0 32,52 36,02 3,49 3,40 3,08 3,18 15,20 15,70 io 5 2 a a a a a a a a Fisiogênico 51,2 18,7 39,63 33,74 3,42 3,22 2,46 2,90 14,71 12,25a 4 8 a a a a a a a CV: Côncava, CX: Convexa. COT: Carbono orgânico total, C-FAF: Fração ácido fúlvico, C-FAH: Fração ácido húmico e C-HUM: Fração humina. Letras iguais para mesma via de agregação em pedoforma côncava e convexa mostram que não houve diferença estatística pelo teste t de Tukey a 5 %. GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS CONSTITUÍDOS POR PILHAS NA REGIÃO DE SEROPÉDICA Giovanini, C. F. R.¹; Azevedo, J. C.²; Rasga, G. L.³; Garcia, M. C. C.4 ¹ Colégio Técnico da UFRRJ (CTUR) – [email protected]; ² Colégio Técnico da UFRRJ (CTUR) - [email protected] [email protected]; 4 Colégio ³ Colégio Técnico da UFRRJ (CTUR) - Técnico da UFRRJ (CTUR) – (21) 984188950 Palavras-chaves: meio ambiente, gestão, preservação INTRODUÇÃO O avanço tecnológico na indústria eletroeletrônica tem trazido muitos benefícios, como o uso de aparelhos portáteis, que se tornam práticos e econômicos por serem movidos a pilhas. No entanto, este avanço trouxe problemas que estão muitas vezes relacionados com o descarte errado das pilhas, em sua maioria consideradas perigosas por conterem metais pesados. Divulgar os riscos, as precauções que devem ser tomadas, e conscientizar a população é fundamental para a preservação do solo na região de Seropédica, que possuiu vegetação e tem uma parte da sociedade voltada para o meio rural. As substâncias tóxicas que compõe as pilhas, como chumbo, níquel, zinco e manganês podem atingir aquíferos freáticos e o ser humano através da ingestão, inalação ou contato com algo que foi contaminado. Em um bioma, o descarte errado das pilhas contamina o solo e todas as espécies vegetais que se desenvolvam no local. Os metais pesados são bioacumultivos, ou seja, se depositam em determinados locais do organismo e podem afetar suas funções orgânicas. Diante do exposto, no presente trabalho objetiva-se conscientizar a população de Seropédica a respeito do descarte errado de pilhas, bem como seus danos ao meio e à saúde humana. MATERIAL E MÉTODOS O projeto já está sendo conduzido no município de Seropédica e será executado em quatro fases, com previsão de término em dezembro de 2014. A primeira fase foi concentrada na produção de um infográfico na forma de folder de fácil entendimento para a população do município. Foram realizadas pesquisas envolvendo a busca por artigos e informações recentes sobre quais são os tipos de pilhas disponíveis no mercado, como são feitas e quais são os componentes dessas, como causam danos ao ambiente e são absorvidos pelo homem, quando presentes no homem o que causam e como podem levar à morte e os meios de prevenção por parte da população. A pesquisa também se aprofundou em descobrir quais são os fabricantes que estão atentos à sustentabilidade, preservação e educação ambiental, para que os integrantes do grupo pudessem entrar em contato com as empresas propondo parcerias. Na segunda fase houve a coleta e limpeza de material reciclável, no caso garrafas do tipo ‘pet’, as quais foram utilizadas como embalagens para recolhimento e acondicionamento das pilhas, para posterior envio às empresas de reciclagem. No dia 28 de junho de 2014, a equipe integrante do projeto saiu à procura de estabelecimentos comerciais em Seropédica que estivessem interessados em ser ponto de recolhimento das pilhas. Na terceira fase, na qual se encontra o projeto, está sendo feita a distribuição dos folders e conscientização da população de Seropédica. Os integrantes do projeto também estão entrando em contato com empresas que tenham interesse em recolher as pilhas para posterior reciclagem, bem como tentando realizar parcerias com essas para um trabalho mais aprofundado com a população. Os integrantes estão conseguindo deixar embalagens para recolhimento de pilhas em alguns pontos comerciais de Itaguaí, município vizinho de Seropédica. Na quarta fase, ainda não executada, haverá o recolhimento das embalagens nos pontos comerciais em que foram deixadas e envio das pilhas às empresas; haverá ainda a elaboração de gráficos e relatório final com os dados e resultados obtidos durante a condução do projeto. RESULTADOS E DISCUSSÃO O projeto ainda está em andamento e por isso não há resultados definitivos, entretanto os prazos estão sendo cumpridos e pode-se escrever que os resultados pré-eliminares estão sendo considerados satisfatórios pela equipe. Houve o recolhimento, limpeza e adaptação de aproximadamente 70 garrafas ‘pet’, que foram distribuídas em 55 pontos comerciais de Seropédica e Itaguaí, no Colégio Técnico (CTUR) há 3 pontos. Ainda há pretensão de distribuição de mais embalagens para recolhimento das pilhas nos Institutos e Alojamentos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. A distribuição de informações, infográficos e folhetos para a população foi feita durante a visita aos estabelecimentos comerciais, onde a maior parte das pessoas mostraram-se interessadas e dispostas a ajudar. CONCLUSÃO Até o presente momento foi arrecadado 5 kg de pilhas, e com a divulgação do projeto também iniciou-se o recolhimento de baterias (de 3 ou 9 volts) nos 58 pontos pontos de recolhimento. Com o descarte correto que está sendo feito, a chance de pilhas contaminarem a água e o solo onde a população tem contato frequente diminui, assim como a preservação ambiental que está sendo feita. Tanto a região como o município em si ainda possui muita área verde, que deve ser cuidada para que tenha uma longa duração. Seropédica possui 283,762 km² de área, onde registra-se o bioma Mata Atlântica em 64,98 km². Para preservar existência desta vegetação, a população de 78.166 habitantes deve colaborar, até em coisas mais simples, como o descarte correto das pilhas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT. 1987. Resíduos Sólidos – Classificação. NBR 10004. Rio de Janeiro: ABNT. Acessado em: <www.aslaa.com.br/legislacoes/NBR%20n%2010004- 2004.pdf> MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Coleta seletiva de pilhas e baterias. Centro Nacional de Referência em Gestão Ambiental Urbana, Ministério do Meio Ambiente. Brasília, 1998. MANSOR, M. T. C; CAMARÃO, T. C. R. C. 2000. Cadernos de Educação Ambiental – Resíduos Sólidos, Governo do Estado de São Paulo, Secretaria do Meio Ambiente, Coordenadoria de Planejamento Ambiental, São Paulo, 2010. Disponível em www.ambiente.sp.gov.br/wp- content/uploads/publicacoes/sma/6-ResiduosSolidos.pdf> Acessado em 3 de julho de 2014. REIDLER, N. M. V. L.; GUNTHER, W. M. R. 2000. Gerenciamento de resíduos sólidos constituídos por pilhas. In: CONGRESSO NACIONAL DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL, 27. Anais... Goiania: Disponível em: <www.mma.gov.br/port/conama/processos/0330EB12/GerenciamentoPilhasB aterias.pdf > Acessado em 3 de julho de 2014. DURACELL. Aprendendo sobre energia. <www.duracell.com.br> Acessado em 22 de junho de 2014. Disponível em INVENTÁRIO FLORÍSTICO E FITOSSOCIOLOGIA DE UM FRAGMENTO DE RESTINGA ARBÓREA NA BAIXADA DO MASSIAMBÚ, PALHOÇA, SANTA CATARINA Saullo, R. B. 1; Freire L. S. R. 2; Nasser, F. C. 3 1UFRRJ, Estudante do curso de Engenharia Florestal - [email protected] 2UERJ, Estudante do curso de Ciências Biológicas - [email protected] 3CICLO ENGENHARIA, Engenheiro Florestal- [email protected] Palavras-chave: Inventário florístico, fitossociologia, restinga arbórea. INTRODUÇÃO A Floresta Tropical Atlântica, ou Mata Atlântica, é considerada a mais complexa e heterogênea formação florestal da Região Sul do país, fato constatado pelas inúmeras comunidades e associações encontradas unicamente nessa tipologia, que ocupava, originalmente, cerca de 30% da cobertura florestal do Estado de Santa Catarina (KLEIN, 1978). Ainda que muitos autores considerem a existência de extensas áreas pouco conhecidas do ponto de vista biológico, estima-se que o bioma Mata Atlântica abrigue cerca de 1 a 8% da biodiversidade mundial. Associada a esta elevada biodiversidade, também existe uma elevada destruição dos ambientes naturais e habitats, visto que a área de Mata Atlântica remanescente foi estimada em cerca de 7% de sua cobertura vegetal original, dado responsável pelo enquadramento desse bioma em segundo lugar no ranking mundial dos hotspots com maior número de espécies de diferentes grupos em risco de extinção (CÂMARA, 2003). Este estudo teve como objetivo caracterizar a estrutura fitossociológica de um fragmento florestal próximo ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, no município de Palhoça, Santa Catarina - SC. MATERIAL E MÉTODOS A metodologia de trabalho compreendeu, inicialmente, o levantamento de dados preexistentes, buscando conhecer as características gerais da região. A área do estudo encontra-se inserida na localidade da Baixada do Massiambú. A Baixada do Massiambú é uma planície costeira localizada na porção central do litoral de Santa Catarina entre as coordenadas 27° 48´ e 27° 55´ de latitude Sul e 48° 36´ e 48° 45´ de longitude Oeste, encontra-se ao sul do município de Palhoça, disposta entre o Rio Massiambú e o Rio da Madre, limitando-se a oeste pelas encostas das serras cristalinas do Cambirela e do Morretes e a leste pelo Oceano Atlântico. As unidades amostrais (parcelas) adotadas possuem 100 m2 (10m x 10m) e somam 30 unidades aleatoriamente distribuídas na área de estudo, totalizando 3000 m2 de área inventariada ou 0,3 hectares. Foram coletados, para cada indivíduo, os seguintes parâmetros: circunferência à altura do peito (CAP), altura total (HT), altura comercial (HC) e fitossanidade do fuste (Q). Todos os indivíduos com diâmetro na altura do peito (DAP) igual ou maior que 4,0 cm, e estavam localizados dentro dos limites das unidades amostrais, tiveram seus parâmetros analisados/coletados com auxílio de fita métrica, podão, atiradeira para coletas de dossel, binóculo e foram marcadas com auxílio de pistolas grampeadoras e numeração específica. Nos casos de bifurcação, todos os fustes que atendiam a esse requisito foram mensurados. A análise da diversidade de espécies visou estabelecer referências que permitam avaliar o quanto um fragmento florestal é diverso. Para tanto, foram empregados dois índices: Coeficiente de Mistura de Jentsch ( QM S N onde, S = número de espécies amostradas. N = número total de indivíduos amostrados.) e o Índice de Shannon-Weaver ( S N ln N ni ln ni i 1 H ' N onde, N = número total de indivíduos amostrados; ni = número total de indivíduos amostrados da i-ésima espécie; S = número de espécies amostrado; ln = logarítmo neperiano.). Para a avaliação da amostragem realizada foi produzida a curva espécie-área. RESULTADOS E DISCUSÃO O estudo realizado contabilizou 75 espécies na lista florística, agrupadas em 58 gêneros e 33 famílias, além de 9 indivíduos não identificados, 4 identificados em nível de gênero e 2 em nível de família. Na análise florística realizada pelo Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina (IFFSC) para fitofisionomia de restinga, foram coletadas 225 espécies, pertencentes a 175 gêneros e 82 famílias em quatro unidades amostrais totalizando 0,8 hectares (VIBRANS et al, 2013). O Valor de Importância relativo é um índice muito utilizado em estudos fitossociológicos para atribuir valores à importância da espécie em função dos seus valores relativos de Frequência, Dominância e Densidade. As espécies com maior valor de importância no presente estudo são, Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill. (11,18%), Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll. Arg (11,15%), Guapira opposita (Vell.) Reitz (6,57%), Ficus organensis (Miq.) Miq. (5,05%), Eugenia brevistyla D. Legrand (4,76%) e Casearia sylvestris Sw. (4,57%). O presente estudo encontrou o valor de 2,74 nats/ind para o Índice de Shannon-Weaver. No IFFSC o valor encontrado para fitofisionomia de restinga variou de 2,22 a 3,04 nats/ind (VIBRANS et al, 2013), dessa maneira o valor encontrado demonstra estar dentro do esperado para vegetação de restinga no estado de Santa Catarina. O valor encontrado para o índice Coeficiente de Mistura de Jentsch foi de 0,16. O IFFSC encontrou valores que variam de 0,07 a 0,20 (VIBRANS et al, 2013). Foram encontradas apenas duas espécies consideradas endêmicas e/ou raras na área de estudo, são elas: 1-Calyptranthes rubella (O. Berg) D. Legrand, indicada pela resolução CONAMA No 261, de 30 de junho de 1999; 2Lonchocarpus grazielae M. J. Silva & A. M. G. Azevedo, espécie endêmica da mata atlântica de Santa Catarina. CONCLUSÃO Através da análise dos parâmetros encontrados e com base nas comparações com outros estudos realizados na fitofisionomia de restinga no Estado de Santa Catarina podemos concluir que a comunidade possui alta diversidade e pode ser classificada como pertencente à restinga arbórea em estado primário e/ou original. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KLEIN, R. M. Mapa fitogeográfico do Estado de Santa Catarina. In: REITZ, R. (ed.). Flora Ilustrada Catarinense. Itajaí: SUDESUL/FATMA/Herbário Barbosa Rodrigues. 1978. 24 p. CÂMARA, I. G. Brief history of conservation in the Atlantic Forest. In: GALINDO-LEAL, C.; CÂMARA, I. G. (Eds). The Atlantic Forest of South America: Biodiversity Status, Threats, and Outlook. Center for Applied Biodiversity Science and Island Press. Washington, D. C. 2003. p. 31-42. VIBRANS, A. C. et al. Floresta Ombrófila Densa. In: Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina. Santa Catarina: Edifurb. 2013. v. IV, p. 293. LEPIDOPTERAS ENCONTRADAS EM FRAGMENTO DE MATA ATLANTICA EM MIRANTÃO, BOCAINA DE MINAS-MG Trindade, T.D.¹²; Furusawa, G. P. ²; Nascimento, L. K. F. do³ 1 – Professor do Colégio Técnico da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Curso de Agroecologia email: [email protected] 2 – professor da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro 3 – Discente do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro Palavras chave: borboletas, mariposas, conservação INTRODUÇÃO A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos e ameaçados do globo, apresentando um grau de riqueza em espécies endêmicas. Originalmente, ela cobria cerca de 15% do território brasileiro, estendendo-se do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, numa área de 1.306.421 Km² (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLANTICA & INPE 2009). Hoje restam apenas pequenos fragmentos remanescentes, cada vez mais isolados entre si. Bocaina de Minas (22°15’42’’S e 44°29’53’’ W), apresentando cerca de 502 Km² e estando 1200 metros de altitude, é um dos municípios mais pobres do estado de Minas Gerais, ficando a 265 quilômetros da capital, Belo Horizonte. As principais atividades econômicas são a pecuária bovina, em caráter extensivo, e de pequenas propriedades familiares, que são encravadas na Serra da Mantiqueira, além de pequenas agroindústrias de laticínios, apicultura e eco-turismo. A Fazenda Boa Vista com aproximadamente 80 ha, conta com 95% de sua área preservada e é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) estando ainda em vias de se tornar uma Fundação com profundo ênfase sócio-ambiental que visem a proteção e o resgate da biodiversidade e a interação adequada e harmoniosa entre as atividades humanas e o Meio Ambiente. A Ordem Lepidoptera possui aproximadamente 146.277 espécies descritas e 255.000 estimadas no mundo (HEPPNER 1991), sendo constituída por borboletas (13%) e mariposas (87%). Beccaloni & Gaston (1995) afirmam que o Brasil abarca quase a metade das espécies neotropicais já descritas, devido a sua grande biodiversidade, e Brown Jr. & Freitas (1999) aumentam para 3200 espécies no país. As lepidópteras em geral podem ser promissoras como indicador para monitoramento da riqueza de, segundo Freitas et al. (2006). Segundo Southwood et al (1979) e Humphrey (1999) os insetos são referências a muitos estudos que objetivam inventariar a biodiversidade de uma região, bem como analisar as condições ambientais ora presente. Ganho & Marinoni (2003) afirmam que inventários devem ser elaborados repetidas vezes numa mesma região. O presente trabalho visou conhecer a entomofauna em fragmento desta área de preservação, com o intuito de fornecer subsídios para programas de preservação das espécies locais, bem como auxiliar na implantação da Fundação Mantiqueira, através da demonstração de riqueza biológica na região. MATERIAL E MÉTODOS Para a execução do levantamento de lepidópteros da Fazenda Boa Vista, foi necessária a demarcação de 01 ha de mata nativa, distante 400 metros, aproximadamente, da trilha de acesso. O material coletado seguiu para o Laboratório da Coleção Entomológica Ângelo Moreira da Costa Lima, na UFRuralRJ, e foi identificado com chaves taxonômicas e com espécimes indexados no acervo. Foram realizadas três coletas em Fevereiro de 2010, utilizando-se puçás. Os espécimes foram colocados em câmaras mortíferas e em seguida montados com auxílio de alfinetes entomológico. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram coletados trinta e quatro espécimes das seguintes Famílias: Nymphalidae, Heliconidae, Morphoidae, Hesperiidae. Nymphalidae: Anartia sp. (07 indivíduos) e Adelpha sp. 1 (03 ind.) e Adelpha sp. 2 (02 ind.); Heliconidae: Heliconius sp. 1 (02 ind.) Heliconius sp.2 (01 ind.); Morphoide: Morpho sp.1 (10 ind.) Morpho sp. 2 (04 ind.), Morpho sp . 3 (04 ind.); Hesperiidae: Milanion sp (01 ind.). Morpho sp. 1 é a espécie mais recorrente, sendo mais observada no período entre 8 horas até pouco antes das 16 horas, obtendo assinalamento em todos os dias de coleta. Anartia sp., Adelpha sp.1 e sp.2, Heliconius sp.1 e sp.2, Morpho sp.2 e sp.3, foram coletadas entre 11:30 e 14 horas. O gênero Milanion sp. foi coletado ao fim da tarde, por volta das 15 horas. CONCLUSÃO Os resultados obtidos são, além da observação de uma pequena parte da riqueza biológica do fragmento, se criou um marco importante para o estabelecimento de outras linhas pesquisas, independente dessa, uma vez que se observa infraestrutura favorável, bem como grande potencial da área a ser pesquisada. Ressalta-se ainda que se façam necessários novos estudos da entomofauna na região. REFERÊNCIAS BECCALONI, G. W.; GASTON, K. J. 1995. Predicting species richness of neotropical forest butterfl ies: Ithomiinae (Lepidoptera: Nymphalidae) as indicators. Biological Conservation, 71: 77-86. BROWN Jr., K. S.; FREITAS, A. V. L.1999. Lepidoptera. In: Brandão, C. R. F. & Cancello, E. M. (eds). Biodiversidade do Estado de São Paulo, Brasil. Invertebrados terrestres. FAPESP, São Paulo, Brasil, 227-243p. FREITAS, A.V.L; LEAL, I.R.; UEHARA-PRADO, M; IANUZZI, L. 2006. Insetos indicadores de conservação da paisagem. In: Biologia da Conservação: Essências. 384 p. FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA E INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE). 2009. Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica no período de 2005-2008, Relatório parcial. São Paulo-SP. Disponível em HTTP://mapas.sosma.org.br-atlas da mata atlantica- relatório2005-2008. pdf acessado em 21 de junho de 2010. GANHO, N.G.; MARINONI R.C. 2003. Fauna de Coleoptera no Parque estadual de Vila Velha, Ponta Grossa, Brasil. Abundância e riqueza das Famílias capturadas através de armadilhas Malaise. Revista Brasileira de Zoologia, 4: 110. HEPPNER, J. B. 1991. Faunal regions and the diversity of Lepidoptera. Tropical Lepidoptera, 2 (1): 1-85. HUMPREY, J.W.; HAWES, C.; PEACE, A.J.; FERRIS KAAN, R.; JUKES, M.R. 1999. Relationship between insect diversity and habitat characteristics in plantation forest. Forest Ecology and Management, Amsterdan, v. 113, 11-21. SOUTHWOOD, T.R.E.; BROWN, V.K.; READER, P.M. 1979. The Relationship of Plant and Insects Diversities In Sucession. Biological Journal of the Linnean Society. London. V.12, 327-348. LEVANTAMENTO DE DIPTEROS MUSCÓIDES, ÊNFASE EM CALLIPHORIDAE, SOB INFLUÊNCIA DE DIFERENTES ISCAS NA REBIO DE POÇO DAS ANTAS – SILVA JARDIM, RJ: DADOS PRELIMINARES SANTOS, A.L.M.D.. ¹ ¹UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ, Curso de Especialização em Ciências Ambientais [email protected] Palavras-chave: Diptera, Calliphoridae, ReBio INTRODUÇÃO Calliphoridae é uma família de moscas denominadas pelo saber popular como varejeiras (DIAS et.al. 2009). São moscas robustas, às vezes no tamanho da mosca doméstica, geralmente de tamanho médio para grandes moscas. Para o mundo há cinco subfamílias, no Brasil há quatro: Mesembrinellinae, Chrysomyinae, Calliphoriinae e Toxotarsinae. Existiam, dentro das quatro subfamílias para o Brasil, 36 espécies (MELLO, 2003), mas o número elevou-se para 37 com o trabalho de SILVA, et.al. (2012). Por utilizarem carcaças de animais para a criação de larvas, muitos califorídeos causam miíases primárias e secundárias (MORETTI & THYSSEN, 2006). Os califorídeos apresentam um alto grau de sinantropia e associações com gado leiteiro e criação de outros animais (PINTO et.al., 2010), podendo veicular diversos agentes patogênicos. Várias espécies podem agir como transmissores mecânicos de agentes infecciosos. Nos resultados de DALLAVECCHIA (2009) foi comprovado que moela de frango como dieta teste de larvas de Chrysomya megacephala, em comparação à carne bovina (dieta controle), promoveu uma maior longevidade e viabilidade para os adultos. A Reserva Biológica de Poço das Antas foi a primeira criada no Brasil, localizada na parte central costeira do estado do Rio de Janeiro, a reserva estende-se por mais de 5.000 ha no município de Silva Jardim. A Reserva possui importância por sua localização geográfica, possui a maior remanescente de Mata Atlântica Litorânea de Baixada do Estado do Rio de Janeiro. Diante do exposto, este presente trabalho em andamento, se propõe a testar iscas, moelas de frango e peixe, na atratividade de Calliphoridae na ReBio. MATERIAL E MÉTODOS Com o uso de seis armadilhas para dipteros muscóides, modificados de FERREIRA (1978), serão expostos por 48 horas (a cada coleta mensal) em três pontos diferentes na ReBio (A: S 22º32.000’ e WO 42º18.331’/ B: S 22º32.387’ e WO 42º18.262’ / C: S 22º32.743’ e WO 42º18.056’) com duas iscas diferentes (sardinha e moela de frango). As coletas, das seis armadilhas, estão sendo feitas uma por mês, no total até o presente resumo são três coletas. As moscas são sacrificadas no local da coleta com algodões embebecidos com éter, triadas em potes transparentes (com álcool 70%) e marcadas com dados da coleta para identificação em momento oportuno no laboratório. Todos os califorídeos serão identificados ao nível de espécie com auxilio de lupa estereoscópica no Laboratório Diptera do MN/UFRJ, segundo chaves de MELLO (2003) e SILVA et.al. (2012). Os espécimes coletados estão depositados no laboratório referido. RESULTADOS E DISCUSSÃO Até o momento foram coletados 260 moscas em somente três coletas mensais. Destas, sacofagídeos perfazem 119 espécimes, 45,7%. Muscídeos coletados correspondem a 12 espécimes, 4,6%. Fanídeos foram coletados 73 espécimes, 28%. E finalmente, Calliphoridae foram coletados 56 espécimes, 21,5%. Na atratividade por sardinhas, houve 140 espécimes de moscas coletadas, 53,8%. Na atratividade por moela de frango houve a coleta de 120, ou seja, 46,2%. Para sarcofagídeos a atratividade maior foi por sardinha, 68,9%. Muscídeos foram pouco coletados, mas a atratividade ficou 50% de preferencia para cada isca. Já para fanídeos, 60,3% foram atraídos por moela de frango. Califorídeos também apresentaram uma pequena atratividade maior por moela de frango, 58,9%. As espécies e quantidades de califorídeos foram: Chrysomya albiceps 19, Chrysomya putoria 01, Laneela nigripes 08, Hemilucilia segmentaria 07, Mesembrinella bicolor 01, Mesembrinella peregrina 05, Lucilia cuprina 02, Lucilia eximia 09, Sarconesia chlorogaster 02. CONCLUSÃO O presente trabalho encontra-se em andamento e pretende também fazer um levantamento da biodiversidade e sazonalidade de dípteros muscóides (famílias) e espécies de Caliphoridae para evidenciar o efeito de borda. Mais dados serão adicionados. Houve pouca coleta de insetos provavelmente por causa dos meses de abril, maio e junho, baixas temperaturas. Fanídeos e califorídeos encontramse na preferencia por iscas de moela de frango, no entanto, os dados são insuficientes para uma determinação de maior confiabilidade. Outras nove coletas serão feitas até março de 2015. Fatores importantes e que serão mais estudados são: Laneela nigripes ter sido encontrada mais no interior da reserva, entre 400 e 1500 metros para dentro desta, e Hemilucilia segmentaria ter sido encontrada mais na borda, entre 100 e 400 metros dentro da ReBio. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, L.M.; RIBEIRO-COSTA, C.S. & MARINONI, L. Manual de coleta, conservação, montagem e identificação de Insetos. Ribeirão Preto: Holos, 188 p., 1998. DALLAVECCHIA, D.L.; FERRAZ, A.C.P.; PROENÇA,B.; AGUIAR- COELHO,V.M. Influência da dieta para larvas moela de frango na longevidade dos adultos de Chrysomya megacephala (Diptera: Calliphoridae). Anais do IX Congresso de Ecologia do Brasil, 13 a 17 de Setembro, São Lourenço – MG, 2009. DIAS, L.S. & GUIMARÃES, R.B. Impacto da coleta seletiva de lixo na frequência de moscas: a saúde ambiental em Tupã, SP. II INTERNATIONAL CONGRESS OF GEOGRAPHY HEALTH - IV Simpósio Nacional de Geografia da Saúde Uberlândia – Brazil. Geosaúde,2009. FERREIRA, M. J. M. Sinantropia de dípteros muscóides de Curitiba, Paraná.. Rev. Bras. Biol., 38: 445-454, 1978. MELLO, R.P. Chave para a identificação das formas adultas das espécies da família Calliphoridae (Diptera, Brachycera, Cyclorrhapha) encontradas no Brasil. Entomologia y Vectores 10: 255–268 , 2003. MORETTI T.C. & THYSSEN. P.J. Miíase primária em coelho doméstico causada por Lucilia eximia (Diptera: Calliphoridae) no Brasil: relato de caso. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.58, n.1, p.28-30, 2006. PINTO, D. M.; BERNARDI, E.; FELCHICHER, F.; COSTA, J.H.; ZIMMER, C.R.; RIBEIRO, P.B. Levantamento e flutuação populacional de Calliphoridae, em criação de bovinos leiteiros no sul do Rio Grande do Sul, Brasil. Rev. Ciência Animal, Brasil, Goiânia, v. 11, n. 3, p. 561-569, jul./set, 2010. SILVA, J.O. A.; CARVALHO-FILHO, F.S.; ESPOSITO, M.C.; REIS, G.A. First record of Chrysomya rufifacies (Macquart) (Diptera, Calliphoridae) from Brazil. Rev. Brasileira de Entomologia 56(1): 115–118, 2012. MACROFAUNA EDÁFICA EM TOPOSSEQUÊNCIA COM OCORRÊNCIA DE NINHOS EPÍGEOS DE TÉRMITAS EM AMBIENTE DE “MAR DE MORROS” PINHEIRAL – RJ Lima. S. S.¹; Silva, R. M.2; Scoriza, R.3; Pontes, R. M.4; Pereira, M. G.5 ¹UFRRJ, Pós-doutoranda CNPq, Departamento de Solos - [email protected]; Curso de Engenharia Florestal – [email protected]; 3UFRRJ, Curso de Pós Graduação em Agronomia –Ciência do [email protected]; 4UFRRJ, Curso de Engenharia Agrícola e Ambiental- [email protected]; 5UFRRJ, Professor Associado IV – Departamento de Solos - [email protected] 2UFRRJ, Palavras-chave: fauna edáfica, pastagens, cupinzeiros INTRODUÇÃO No Estado do Rio de Janeiro grande parte da cobertura vegetal foi retirada para atividades antrópicas. Muitas áreas foram transformadas em pastagens e exploradas sem manejo adequado e reposição dos nutrientes do solo, resultando em evidências de degradação, como exposição dos horizontes subsuperficiais e avançados processos de erosão. Além disso, a alta incidência de ninhos epígeos de térmitas (termiteiros/cupinzeiros) que é considerada como indicativo do processo de degradação do solo (Braz et al., 2004). No entanto, não há evidências que a degradação do solo em pastagens está correlacionada com a incidência de ninhos de térmitas (Lima, 2012). Por outro lado, são escassos estudos com indicadores de qualidade do solo em áreas com ninhos de térmitas. Diante disso, faz-se necessário avançar no conhecimento de tais informações, com estudos dos atributos edáficos, importantes para a manutenção desse sistema. Entre esses atributos os organismos da macrofauna invertebrada se destacam por participarem de importantes processos no solo. Alguns desses organismos, principalmente os térmitas, as formigas e as minhocas são denominados “engenheiros do ecossistema”, pois suas atividades levam à criação de estruturas biogênicas que modificam os atributos físicos dos solos onde vivem tais como a agregação (Wolters, 2000). A partir do exposto, o objetivo desse estudo foi avaliar a macrofauna invertebrada do solo em uma topossequência de pastagem com ocorrência de ninhos epígeos de térmitas. MATERIAL E MÉTODOS O estudo foi realizado na sub-bacia do ribeirão Cachimbal, situada à margem direita do rio Paraíba do Sul, na região do Médio Paraíba Fluminense sob o relevo conhecido como Mar de Morros, localizada entre as latitudes 22°33’S e 22°38’S e entre as longitudes 43°57’W e 44°05’W. O clima da região, de acordo com Köppen (1938) foi identificado como Am – clima tropical chuvoso, de monção, com inverno seco. A área está inserida no domínio ecológico da Mata Atlântica, cuja vegetação original é identificada como de Floresta Pluvial Baixo Montana, característica de zonas de altitudes entre 300 e 800 metros. O local de estudo foi uma topossequência de pastagem caracterizada pela ocorrência de termiteiros. Essa foi dividida em terço superior, médio e terço inferior, em cada uma das secções pré-estabelecidas, foram coletadas 4 amostras. Inicialmente foram feitas amostragens de solo nas profundidades 0-5 e 5-10 cm para caracterização dos atributos químicos do solo (pH, Al, Ca, Mg, K e P). A amostragem da macrofauna invertebrada do solo foi realizada utilizando-se o método do TSBF (“Tropical Soil Biology and Fertility”). Foram retirados blocos de solo, a partir de um gabarito de metal de formato quadrado com dimensões de 25 x 25 cm a uma profundidade de 10 cm. Os indivíduos coletados nesse bloco foram identificados em grandes grupos, quantificados e estimando a densidade, índice de diversidade de Shannon, Pielou, Riqueza média e total. RESULTADOS E DISCUSSÃO Entre os atributos químicos do solo, apenas o K e P diferiram em relação aos terços. Sendo os maiores valores de K (16,95 e 15,49 cmolc kg-1) observados no terço inferior nas profundidades de 0-5 e 5-10 cm. Por outro lado, para P os maiores valores foram verificados em ambas as profundidades (2,81 e 2,70 mg kg-1) no terço superior, esses valores são menores que os observados por Menezes (2008) em área de pasto maneja misto, em ambiente semelhante, também no município de Pinheiral, RJ. Esses nutrientes têm padrão antagônico no solo, enquanto o K é muito móvel, o P não possui baixa mobilidade no solo. No que se refere à macrofauna, os valores de densidade dos indivíduos variaram, de 168 (menor valor) observado no terço superior a 652 no terço superior. A maior densidade de indivíduos no terço médio se deve especialmente ao grande número de indivíduos dos grupos Formicidae, Isoptera e Oligochaeta. No terço superior foram verificados os maiores valores dos índices de Shannon e Pielou, que correspondem a maior diversidade e o menor domínio de grupos, ou seja, não houve maior incidência de um grupo em detrimento aos outros. No que se refere às riquezas, o maior valor da riqueza média foi observado no terço médio e o menor no terço inferior da topossequência, por outro lado para a riqueza total foram observados valores similares para todos os terços da topossequência, no entanto, vale ressaltar que os valores da riqueza média e total foram baixos, especialmente a riqueza média. Os valores do índice de Pielou são semelhantes aos observados por Menezes et al. (2009) e menores que os observados por Lima (2012) em pastagens com diferentes quantidades de termiteiros no Estado de Mato Grosso do Sul. CONCLUSÃO A variação da densidade de indivíduos da macrofauna, bem como os índices ecológicos, não seguiu o mesmo padrão dos atributos químicos do solo na topossequência. Os valores da riqueza total nos terços da topossequência refletem que a cobertura do solo por gramínea não proporcionou boas condições para o desenvolvimento da maioria dos grupos da macrofauna e ainda reforçam a hipótese de que o grupo Isoptera se sobressai em adaptabilidade ao ambiente. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRAZ, S. et al. Mudanças nos Estoques do Carbono do Solo dos Cerrados Cultivados com Pastagens de Braquiária. In: XVIII Reunião brasileira de manejo e conservação do solo e da água. Novos Caminhos para Agricultura Conservacionista no Brasil. Teresina, 2010. MENEZES, C. E. G. et al. Macrofauna edáfica em estádios sucessionais de floresta estacional semidecidual e pastagem mista em Pinheiral (RJ). R. Bras. Ci. Solo, v.33, p.1647-1656, 2009. LIMA, S. S. Pastagens no Cerrado e a relação com os térmitas construtores de ninhos epígeos. Tese (Doutorado em Agronomia, Ciência do Solo). Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ. 2012. 103 f. WOLTERS, V. Invertebrate control of soil organic matter stability. Biology and Fertility of Soils, v.31, p.1-19, 2000. MENEZES, C. E. G. Integridade de paisagem, manejo e atributos do solo no médio vale do Paraíba do Sul, Pinheiral – RJ. Tese (Doutorado em Agronomia, Ciência do Solo). Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ. 2008. 175f. MAPEAMENTO DA COBERTURA FLORESTAL DA SUB-BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO COMBOIOS - ES, BRASIL Mendes, N. G. S.1*; Santos, A. R.2; Silva, S. F.3; Cecílio, R. A.2; Bermudes, W. L.1 ¹UFES, Pós-graduação em Ciências Florestais – [email protected]. Tel 28 35582528. 2UFES, Professor Efetivo. 3UFES, Pós-graduação em Produção Vegetal. Palavras-chave: ecologia de paisagem, fragmentação, mata atlântica INTRODUÇÃO O desmatamento em áreas florestais promove a formação de fragmentos que ficam suscetíveis a inúmeros fatores que ocorrem na matriz da paisagem. Um fragmento florestal pode ser definido como uma área de vegetação natural interrompida por barreiras antrópicas ou naturais capazes de diminuir significativamente o fluxo de animais, pólen e/ ou sementes (VIANA; PINHEIRO, 1998). Neste contexto, a fragmentação pode ocasionar mudanças físicas e ecológicas, como a perda e o isolamento de habitats, a diminuição do número de espécies, a modificação da composição das comunidades; e dentre outros fatores (BIERREGAARD et al., 1992). As restingas são ecossistemas litorâneos pertencentes ao bioma Mata Atlântica e, no contexto ecológico, mantém estreita relação com o oceano, tanto na sua origem, como nos processos nele atuantes, bem como possuindo características próprias relativas à composição florística e estrutura da vegetação e interações como o sistema solo-atmosfera (CARVALHO; RIZZO, 1994). Estes ecossistemas são ambientes de extrema fragilidade, passíveis de perturbação e baixa capacidade de resiliência, devendo-se isso ao fato desta vegetação se encontrar sobre solos arenosos, altamente lixiviados e pobres em nutrientes (GUEDES; MARTINS, 2006). Nesse sentido, a degradação das matas de restingas e da floresta atlântica mediante ações antrópicas como a fragmentação florestal, pode ameaçar a biodiversidade destes ambientes. Diante deste cenário, o objetivo deste estudo foi de realizar um mapeamento e analisar a estrutura da paisagem das formações florestais de mata de restinga e floresta atlântica da sub-bacia hidrográfica do rio Comboios, e verificar as áreas suscetíveis da bacia para a conservação ambiental. MATERIAL E MÉTODOS O presente estudo foi realizado na sub-bacia hidrográfica do rio Comboios, que abrange partes dos municípios de Aracruz (19º49'13" S e 40º16'24" W) e Linhares (19º23’48” S e 40º03’42” W), ambos situados na região norte do Estado do Espírito Santo. O mapa dos fragmentos florestais (mata de restinga e floresta atlântica) da área de estudo foi obtido por meio da digitalização de imagem de satélite extraído pelo programa Google Maps Downloader 7.201. A digitalização foi realizada na tela padrão, na escala de 1:5.000 utilizando o aplicativo computacional ArcGis 10.2.1, onde foram realizadas por meio de técnicas de fotointerpretação. Posteriormente, foi elaborado um arquivo vetorial poligonal (shapefile) para cada classe de fragmento florestal, sendo estas classificadas em: muito pequenos (< 5 ha), pequenos (5-10 ha), médios (10-100 ha) e grandes (> 100 ha). RESULTADOS E DISCUSSÃO O mapeamento das formações florestais (mata de restinga e floresta atlântica) possibilitou contabilizar um total de 57 fragmentos ao longo de toda a sub-bacia do rio Comboios, o que corresponde a uma área de 1.918,63 hectares de remanescentes florestais. Desta forma, em relação à área total da sub-bacia (7.674,60 ha), apenas 24,97% são de cobertura florestal. De acordo com os dados encontrados, pode-se inferir que a vegetação florestal cobre um baixo percentual em relação à área total da bacia. Um dos fatores que podem contribuir com a baixa cobertura florestal desta localidade, podem ser as atividades de pecuária extensiva, mediante ações de desmatamento. A maior parte dos remanescentes florestais foram caracterizados por fragmentos muito pequenos (>5 ha), correspondendo a um percentual de 58,87% do total de fragmentos florestais encontrados (29). Os resultados demonstram um baixo grau de preservação dos fragmentos da bacia, em razão do desequilíbrio em relação ao grande número de fragmentos da classe muito pequenos. De acordo com Tabanez e Viana (2000), a ocorrência de grande quantidade de pequenos fragmentos florestais, pode estar associada ao problema de susceptibilidade da área a alterações na dinâmica da paisagem, como as ações do efeito de borda. No entanto, a classe de fragmentos grandes representa a maior área de cobertura florestal da bacia, com 1.374,94 ha (71,66%) e estão localizados somente na bacia na porção oeste e sul, sendo que a conservação destes é de relevante importância para a manutenção da biodiversidade local. Conclusão É evidente no padrão estrutural dos remanescentes da sub-bacia do rio Comboios, a presença de vários fragmentos florestais de tamanhos muito pequenos e pequenos, demonstrando que ocorreram intensas ações antrópicas neste ecossistema, colaborando para sua degradação ambiental. Nesse sentido, diante da problemática ambiental, é necessária a adoção de medidas para atenuação/mitigação de possíveis efeitos de borda e para a preservação da vegetação de floresta atlântica e mata de restinga, devido à grande importância destes ecossistemas para diversidade biológica. BIBLIOGRAFIA CITADA BIERREGAARD-JR, R.O.; LOVEJOY. T.E.; KAPOS. V.; SANTOS, A.A.; HUTCHINGS, R.W. The biological dynamics of tropical rain-forest fragments. BioScience, Berkeley, v. 42, n. 11, p.859-866, 1992. CARVALHO, V.; RIZZO, H.G. Na zona costeira brasileira – subsídios para uma avaliação ambiental. Ministério do Meio Ambiente/Secretaria de Coordenação de Assuntos de Meio Ambiente. Brasília, 1994. GUEDES, D.; BARBOSA, L.M.; MARTINS, S.E. Composição e estrutura fitossociológica de dois fragmentos de floresta de restinga no município de Bertioga, SP, Brasil. Acta Botanica Brasilica, Porto Alegre, v. 20, n.2, p. 299-311, 2006. TABANEZ, A.A.J.; VIANA, V.M. Patch structure within brazilian atlantic forest fragments and implications for conservation. Biotropica, Washington, v. 32, n. 4b, p. 925-933, 2000. VIANA, V. M.; PINHEIRO, L. A. F. V. Conservação da biodiversidade em fragmentos florestais. Série Técnica IPEF, São Paulo, v.12, n. 32, p. 25-42, 1998. NOVAS ESPÉCIES DO COMPLEXO ASTYANAX BIMACULATUS (LINNAEUS, 1758) DAS BACIAS COSTEIRAS ENTRE SÃO PAULO E BAHIA, INCLUÍDAS NO BIOMA MATA ATLÂNTICA Salgado, F. L. K.1; Buckup, P. A.1 1 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro. Horto Botânico, Quinta da Boa Vista s/ número, São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ, Brasil [email protected] Palavras-chave: novas, Astyanax bimaculatus, complexo INTRODUÇÃO Astyanax Baird & Girard, 1854 é polifilético e incertae sedis táxon (BERTACO & GARUTTI, 2007 e REIS et al., 2003) tendo como espécie-tipo Astyanax fasciatus (Cuvier, 1819) (MELO, 2001). Inclui cerca de 201 espécies nominais, sendo aproximadamente 156 válidas (ESCHMEYER & FRICKE, 2014), distribuídas pelas zonas tropical e subtropical das Américas (GÉRY, 1977), do sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina (BERTACO & LUCENA, 2006). No Brasil ocorrem 98 espécies válidas (ESCHMEYER & FRICKE, 2014), sendo 24 espécies pertencentes ao complexo A. bimaculatus (Linnaeus, 1758), diagnosticado pela forma ovalada da mancha negra umeral e pela presença de outra mancha negra, no pedúnculo e nadadeira caudais (GARUTTI & BRITSKI, 2000). Em artigos subsequentes a este resumo serão descritas nove espécies novas pertencentes a este complexo. MATERIAL E MÉTODOS Foram examinados 1000 exemplares das espécies deste complexo presentes nas bacias amazônica, Araguai-Tocantins, do Prata e São Francisco e nas drenagens costeiras entre São Paulo e Bahia, pertencentes às coleções do Museu Nacional (MNRJ), Universidade Federal do Rio de Janeiro, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP), Departamento de Zoologia (DZSJRP), Universidade do Estado de São Paulo, do Museu de Ciência e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (MCP) e às coleções das instituições estrangeiras Academy of Natural Sciense of Drexel University (ANSP), na Filadélfia, Field Museum of Natural History (FMNH), em Chicago e Museum of Comparative Zoology (MCZ), em Cambridge. Os dados morfológicos foram obtidos sob estereomicroscópio com utilização de paquímetro (em décimos de milímetro) e seguiu FINK & WEITZMAN (1974), GARUTTI (1995) e GARUTTI & LANGEANI (2009). Os dados osteológicos foram obtidos de exemplares preparados segundo TAYLOR & VAN DYKE (1985). Os exames foram feitos sobre o lado esquerdo dos exemplares, exceto quando este lado apresentou-se anômalo. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram reconhecidas nove espécies novas, diferenciadas pela altura do corpo (AlC), no diâmetro orbital (DiO), no padrão de coloração e no número de cúspides dos dentes. Estes morfotipos novos parecem ser mais relacionados às espécies das bacias do Prata e do São Francisco, pelo maxilar edêntulo. Chave de identificação das espécies do complexo Astyanax bimaculatus (Linnaeus, 1758) das bacias costeiras entre os estados de São Paulo e Bahia. 1 - Maxilar com dentes ....................................................... Astyanax janeiroensis 1’- Maxilar sem dentes- .......................................................................................... 2 2 - Altura do corpo (AlC) 30,5-41,9 % CP .............................................................. 3 2’- Altura do corpo (AlC) 42-45,7 % CP .......................................... Astyanax sp. 1 3 - Diâmetro Orbital (DiO) 28,5-30,3 % CC .................................... Astyanax sp. 2 3’- Diâmetro Orbital (DiO) 33,0-37,9 % CC .......................................................... 4 4 - Altura do corpo (AlC) 30,5-32,9 % CP ........................................ Astyanax sp. 4 4’- Altura do corpo (AlC) 38,5-40,3 % CP........................................ Astyanax sp. 5 5 - Presença de faixa longitudinal escura............................................................... 6 5’- Ausência de faixa longitudinal escura .............................................................. 7 6 - Diâmetro Orbital (DiO) 34-37,1 % CC ........................................ Astyanax sp. 3 6’- Diâmetro Orbital (DiO) 37,5-39,2 % CC ..................................... Astyanax sp. 7 7 - Mancha umeral curta ..................................................................Astyanax sp. 8 7’- Mancha umeral longa ........................................................................................ 8 8 - Mancha umeral sem prolongamento superior ........................... Astyanax sp. 6 8’- Mancha umeral com prolongamento superior ........................... Astyanax sp. 9 CONCLUSÃO A descoberta de novas espécies pertencentes à Mata Atlântica nos mostra o quanto precisamos conhecer sobre as espécies deste bioma, bem como suas relações. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERTACO, V. A. & LUCENA, C. A. S. Two new species of Astyanax (Ostariophysi: Characiformes: Characidae) from eastern Brazil, with a synopsis of the Astyanax scabripinnis species complex. Neotropical Ichthyology, v. 4 (n1): 53-60, 2006. BERTACO, V. A. & GARUTTI, V. New Astyanax from the upper rio Tapajós drainage, Central Brazil (Characiformes: Characidae). Neotropical Ichthyology, v. 5 (n. 1): 25-30, 2007. MELO, F. A. G. de Revisão taxonômica das espécies do gênero Astyanax Baird e Girard, 1854, (Teleostei,Characiformes,Characidae) da região da serra dos Orgãos. Arquivos do Museu Nacional de Rio de Janeiro, v. 59, p.1-46, 2001. ESCHMEYER, W. N. & FRICKE, R. Editors. Catalog of Fishes - electronic version (19) May 2014. Available on line at: http://research.calacademy.org/research/ichthyology/catalog/fishcatmain.asp. FINK, W. L. & WEITZMAN, S. H. The so-called Cheirodontin Fishes of Central America with descriptions of two new species (Pisces: Characidae). 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Gerromorpha compreende mais de 2.100 espécies distribuídas por todas regiões zoogeográficas, exceto a Antártida (Mazzucconi, et al 2009.). A infraordem conta com oito famílias e aproximadamente 160 gêneros, sendo conhecidas cerca de 500 espécies para a região neotropical (Polhemus & Polhemus 2008). No Brasil, estudos referentes aos heterópteros semiaquáticos ainda são escassos, contudo os estados do Amazonas, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro e Santa Catarina apresentam alto número relativo de publicações descrevendo e/ou registrando espécies. Moreira et al. (2011), listaram 187 espécies de Gerromorpha ocorrentes no Brasil e salientaram o conhecimento sobre esta infraordem na Mata Atlântica, em comparação ao resto do país. O presente estudo visa ampliar o conhecimento acerca de Gerromorpha na Mata Atlântica, apresentando-se novos registros para as regiões Sul e Sudeste. MATERIAL E MÉTODOS Os novos registros baseiam-se em material recentemente coletado e depositado na Coleção Entomológica José Alfredo Pinheiro Dutra, Laboratório de Entomologia, Instituto de Biologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os dados de distribuição geográfica conhecida foram obtidos de Moreira (2014). Novos registros no nível de estado ou município são marcados por um ponto de exclamação. RESULTADOS E DISCUSSÃO Gerridae Halobatopsis spiniventris Drake & Harris, 1936 Distribuição geográfica no Brasil: SP, SC, RS. Material examinado: Paraná!, Céu Azul, Parque Nacional do Iguaçu, Rio Azul (3ª ordem), 25°9’20.9’’S/53°47’44.4’’W, 06.IX.2012, F. Capistrano col., 7 ♂, 3 ♀; J.F. Barbosa col., 3 ♂, 7 ♀; Parque Nacional do Iguaçu, Rio Manoel Gomes, 25°9’31’’S/53°50’11.1’’W, 07.IX.2012, J.F. Barbosa col., 2 ♂. Rheumatobates minutus flavidus Drake & Harris, 1942 Distribuição geográfica no Brasil: AM, RO, MG. Material examinado: São Paulo!, Ubatuba, Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Picinguaba, Riacho Paciência (caminho ao lado do camping), 26.X.2007, V.P. Alecrim col., 4 ♂. Hydrometridae Hydrometra fruhstorferi Hungerford & Evans, 1934 Distribuição geográfica no Brasil: ES, RJ, SC. Material examinado: Paraná!, Céu Azul, Parque Nacional do Iguaçu, Rio Manoel Gomes, 25°9’31’’S/53°50’11.1’’W, 07.IX.2012, B.H.L. Sampaio col., 1 ♂. Veliidae Microvelia venustatis Drake & Harris, 1933 Distribuição geográfica no Brasil: PA, AM, MA, MT, MG, SP, RJ, SC. Material examinado: São Paulo, Ubatuba, Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Picinguaba, Riacho Paciência (caminho ao lado do camping), 26.X.2007, V.P. Alecrim col., 5 ♂, 6 ♀. Rhagovelia aiuruoca Moreira & Ribeiro, 2009 Distribuição geográfica no Brasil: MG, SP, RJ. Material examinado: Minas Gerais, Alto Caparaó!, Parque Nacional Caparaó, Rio José Pedro, Cachoeira Bonita, 05.X.2010, J.L. Nessimian & L.L. Dumas col., 8 ♂, 7 ♀. Rhagovelia janeira Drake, 1953 Distribuição geográfica no Brasil: MG, SP, RJ, SC, RS. Material examinado: Paraná!, Céu Azul, Parque Nacional do Iguaçu, Rio Manoel Gomes, 25°9’31’’S/53°50’11.1’’W, 07.IX.2012, J.F. Barbosa col., 14 ♂, 3 ♀. Rhagovelia lucida Gould, 1931 Distribuição geográfica no Brasil: SP, RJ, PR, SC, RS. Material examinado: Paraná, Céu Azul!, Parque Nacional do Iguaçu, Rio Azul (3ª ordem), 25°9’20.9’’S/53°47’44.4’’W, 06.IX.2012, J.F. Barbosa col., 1 ♂. Rhagovelia triangula Drake, 1953 Distribuição geográfica no Brasil: MG, ES, SP, RJ. Material Examinado: Minas Gerais, Araponga!, Pico do Boné, cachoeira, 24.IX.2011, V. Sandoval col., 4 ♂, 1 ♀; Alto Caparaó!, Parque Nacional Caparaó, Rio José Pedro, Cachoeira Bonita, 05.X.2010, J.L. Nessimian & L.L. Dumas col., 1 ♂. Rhagovelia trianguloides Nieser & Polhemus, 1997 Distribuição geográfica no Brasil: MG, ES, RJ. Material examinado: Minas Gerais, Araponga!, Pico do Boné, cachoeira, 24.IX.2011, V. Sandoval col., 1 ♂. CONCLUSÃO Embora o conhecimento sobre a fauna de Gerromorpha da Mata Atlântica seja muito superior aos outros biomas do Brasil, algumas áreas carecem de mais coletas e estudos. Tal fato é evidenciado pelos novos dados de distribuição acima apresentados, incluindo três espécies registradas pela primeira vez para o Paraná e uma para São Paulo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MAZZUCCONi, S.A., LÓPEZ-RUF, M. & BACHMANN, A.O. 2009. Hemiptera – Heteroptera: Gerromorpha y Nepomorpha. In: Dominguez, E. & Fernández, H.R. (Eds.), Macroinvertebrados Bentónicos Sudamericanos. Sistemática y Biología. Fundación Miguel Lillo, Tucumán, pp. 167–231. MOREIRA, F.F.F.. 2014. Water Bugs Distributional Database. Disponível em: sites.google.com/site/distributionaldatabase. Último acesso: 19/06/2014. MOREIRA, F.F.F., J.F. BARBOSA, J.R.I. RIBEIRO & V.P. ALECRIM. 2011. Checklist and distribution of semi-aquatic and aquatic Heteroptera (Gerromorpha and Nepomorpha) occurring in Brazil. Zootaxa 2958: 1-74. POLHEMUS, J.T. & D.A. POLHEMUS. 2008. Global diversity of true bugs (Heteroptera; Insecta) in freshwater. Hydrobiologia 595: 379-391. RAFAEL, J.A., G.A.R. MELO, C.J.B. CARVALHO, S.A. CASARI & C. REGINALDO. 2012. Insetos do Brasil: Diversidade e Taxonomia. Editora Holos. 810p. RECOMENDAÇÃO DE ESPÉCIES PARA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS Oliveira Júnior, J.Q.de.1; Souza, R.C.2; Santos,G.L.3; Pereira, M.G.4 ¹UFRRJ, Aluno de Doutorado do curso de Pós Graduação em Ciências Ambientais e [email protected] 2-UFRRJ. 3UFRRJ, 4UFRRJ. Bolsista DTI-B , Laboratório Morfologia, Genese e Classificação de Solos, Aluno de Doutorado do curso de Pós Graduação em Ciências Ambientais e Florestais Professor Associado III, Departamento de Solos, Bolsista do CNPq e Cientista do Nosso Estado da FAPERJ. Palavras-chave: Recuperação de áreas degradadas, Mata Atlântica, Pedoformas INTRODUÇÃO Estima-se que atualmente cerca de 28% (236 milhões de ha) do território brasileiro podem ser classificados como degradados (BOT et al.,2000) originadas por causa de atividades como agricultura, pastagens não sustentáveis, áreas de mineração, exploração madeireira e ocupação imprópria das regiões urbanas (ODUM, 2001), entre outras. No contexto de fragmentação da Mata Atlântica, o conhecimento das especificidades ambientais em áreas de encosta, e de habitats preferências para espécies facilitadoras dos processos de recuperação de ecossistemas florestais, constituem informações importantes para o planejamento e otimização de projetos de reflorestamentos ecológicos. A região sudeste do Brasil, é aquela onde se observam maiores problemas com deslizamentos de encostas gerados por intensa precipitação, associado a pequena profundidade dos solos, que desfavorecem a infiltração da água, promovendo um maior escorrimento superficial. Em função desses aspectos práticas de controle da erosão sejam de caráter mecânico ou vegetativo devem ser implementadas. A seleção de espécies florestais que apresentariam uma maior capacidade de estabelecimento nessas condições pode facilitar o processo de recuperação e consequentemente gerando uma economia na etapa de replantio. O objetivo deste estudo foi recomendar espécies para recuperação de áreas em diferentes pedoformas, no município de Pinheiral (RJ). MATERIAL E MÉTODOS O estudo foi desenvolvido em fragmentos florestais no município de Pinheiral, estado do Rio de Janeiro. O clima é classificado como Tropical de Altitude de acordo com Koppen, Cwa. Segundo o IBGE, o clima zonal é quente, com média superior a 18º C em todos os meses do ano, além de se caracterizar por um período seco de 4 a 5 meses(Plano Regional de Saneamento Básico, 2013) . A área está inserida no domínio ecológico da Mata Atlântica, em região de cobertura original denominada Floresta Estacional Semidecidual Submontana (IBGE, 1992), em fragmentos atualmente considerados como floresta secundária inicial (MMA, 2006). Os solos da área de estudo foram classificados segundo Menezes (2008) como Cambissolo Háplico Tb Distrófico típico. O relevo local é tipicamente conhecido como “mar de morros”. Foram selecionadas duas topossequências, localizadas em duas pedoformas contíguas, côncava e convexa. As espécies de trabalho foram selecionadas baseando nas informações fitossociológicas levantadas em uma análise prévia da vegetação presente na área de estudo, a variável Indice de Valor de Importância foi selecionada como representativa para formular assim um critério de seleção das espécies no primeiro instante, que selecionaria espécies com IVI maior ou igual a 10. A seleção das espécies teve foco de determinar grupo de espécies especialistas de cada pedoformas (Côncava ou Convexa) e generalistas (ocorre em ambas). RESULTADOS E DISCUSSÃO Através da análise fitossociológica da área de estudo foram verificadas 37 espécies diferentes, distribuídas em 16 famílias botânicas. Na pedoforma concava somente as espécies Guarea kunthiana Juss. e Cariniana estrellensis (Raddi) Kuntze. apresentaram valores superiores aos padronizados maiores valores de IVI, dentre as quinze espécies encontradas (Indíce de Valor de Importância), apresentando um maior domínio da área sobre as outras espécies, com uma média de 20,31%. Na pedoforma convexa ocorreu um maior número de espécies foram elas: Bauhinia forficata L., Piptadenia gonoacantha (Mart.), Allophylus edulis (St. Hil) Radlk., Sparattosperma leucanthum (Vell.) Schum, . Macbr. das treze espécies da área apresentando um valor superior ao padronizado, encontrando uma média entre as espécies de 16,54. As generalistas foram mais representativas com as espécies: Apuleia leiocarpa (Vogel) Macbr., Pseudopiptadenia contorta (DC.) Lewis & Lima., Senefeldera multiflora Mart., Campomanesia xanthocarpa Berg., Guapira opposita (Vell.) Reitz., Cordia trichotoma (Vell.) Arrab. ex Steud., Colubrina glandulosa Perkins., sendo encontradas sete espécies dentre as noves com valores de IVI mais elevados, com uma média de 17,79. A diferença entre os índices encontradas nas três diferentes condições reflete as condições da área. Possivelmente essas pedoformas estão em um processo de sucessão ecológico natural, isso pode ser avaliado pelo resultado do IVI encontrado entre as diferentes pedoformas. Aparentemente as espécies generalistas teriam chegado no início do processo e desencadeado a sucessão através da melhoria nas condições da área. No momento seguinte as especialistas das diferentes pedoformas (concava e convexa), teriam as condições necessárias para seu estabelecimento. A disposição diferenciada entre as espécies retrata uma exigência de condições específicas edalfoclimáticas para seu estabelecimento. As distintas necessidades para o estabelecimento das espécies em um plantio para recuperação de uma área de encosta por exemplo, cria um critério de seleção de espécie que pode interferir no estabelecimento destas no campo, diminuindo a sua. CONCLUSÃO As espécies generalistas apresentaram um potencial maior para recomendação nos plantios de recuperação em áreas em estágio de degradação avançado, considerando variedade de condições para seu estabelecimento inicial que as permite se estabelecerem nas diferentes pedoformas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOT, A.J., NACHTERHAELE AND A. YOUNG. Land resource potencial and constraints at regional and country levels. Land and Water Development Division, Food and Agriculture Organization of the United Nations Rome. 2000 IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Manual técnico da vegetação brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 1992. 92 p. MENEZES, C.E.G. Integridade de paisagem, manejo e atributos do solo no Médio Vale do Paraíba do Sul, Pinheiral-RJ. 172f 2008. Seropédica, Tese (Doutorado em Agronomia - Ciência do Solo). Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 2008. MMA - Ministério do Meio Ambiente. Cobertura Vegetal dos Biomas Brasileiros. Volta Redonda, 2006. 1 Carta, SF-23-Z-A. Escala 1:250.000. ODUM,E.P. Fundamentos de ecologia. 60 ed. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2001. 976p. PLANO REGIONAL DE SANEAMENTO BÁSICO. PINHEIRAL-RJ. VOLUME I. Caracterização do Município. Projeto aplicado a comunização e mobilização social. 2013 REDE DE FORNECEDORES DE SEMENTES E MUDAS DE ESPÉCIES DE MATA ATLÂNTICA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO GUANDU – RJ: IDENTIFICAÇÃO DOS ATORES E PERSPECTIVAS FUTURAS Diniz, R.G.¹; Souza S. R.²; Arruda A.³ 1UFRRJ, Curso de Engenharia Florestal - [email protected]; 2UFRRJ, Curso de Agronomia - [email protected]; 3UFRRJ, Colégio Técnico - [email protected]; Palavras-chave: Rede de fornecedores; Viveiros; Setor Florestal INTRODUÇÃO No Estado do Rio de Janeiro a produção média anual dos 70 viveiros de mudas de Mata Atlântica é de 81.957 mudas/viveiro (quase metade das mudas produzidas é destinada à comercialização em projetos de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas). Juntos, os viveiros fluminenses produzem aproximadamente 05 milhões de mudas/ano, quando a capacidade instalada é de 10 milhões/ano. Esses inexpressivos números estão diretamente associados aos inúmeros gargalos que foram identificados em todos os segmentos da cadeia produtiva da restauração. De acordo com o relatório elaborado pela FIRJAN em 2013 o Estado do Rio de Janeiro tem cerca de 18.000 hectares de florestas plantadas. O que faz corroborar com a afirmação de que os números no estado do Rio de Janeiro são inexpressivos para a demanda reprimida por mudas e sementes da Mata Atlântica. O Estado do Rio de Janeiro está integralmente inserido no Bioma Mata Atlântica e ocupa uma posição bastante peculiar, pois sua localização coincide com uma das áreas de maior diversidade biológica, o Corredor da Serra do Mar, com a maior concentração de espécies endêmicas de muitos grupos (IFLORA, 2012). Os números impressionantes da destruição da Mata Atlântica demonstram a ineficácia de políticas de conservação ambiental no País e a absoluta falência do sistema de fiscalização dos órgãos públicos. Dado este contexto, o objetivo do projeto foi fomentar a formação de um Arranjo Produtivo Local (APL) do setor florestal de Mata Atlântica constituído por produtores rurais, pesquisadores, extensionistas, empresas, laboratórios de análise de sementes, laboratórios de solos, instituições financeiras e outros atores para disponibilização contínua de sementes e mudas florestais com qualidade. MATERIAL E MÉTODOS Uma fonte de pesquisa fundamental foi o livro organizado por TUBBS et al. (2012) e a partir dele, o principal foco da pesquisa foram os viveiristas, que são os envolvidos diretos com os serviços e produtos relacionados às sementes e mudas do bioma de Mata Atlântica nos municípios da Bacia Hidrográfica do Rio Guandu (BHRG) e dos munícipios do entorno que pudessem interferir na bacia hidrográfica. Foi utilizada como ferramenta de pesquisa entrevistas aos viveiristas. Desta forma, foram contatados 8 (oito) viveiros florestais. Obteve-se respostas de seis, dos quais apenas 4 (quatro) foram efetivamente entrevistados. Para tanto utilizou-se como referência o diagnóstico da Rede Rio Espirito Santo e Bahia - RIOESBA. Também foram incluídos dois viveiros da Incubadora de Empresas da UFRRJ - INEAGRO. Foi elaborado um roteiro da entrevista baseado na Lei 10.711 de 05 de agosto de 2003, com questões que foram identificadas como os principais gargalos do setor florestal. O roteiro foi dividido em 5 blocos, a saber: Bloco 1: Sobre as legislações e técnicas; Bloco 2: Biodiversidade; Bloco 3: Instalação e regularização de viveiros; Bloco 4: Instalações de áreas de coleta de sementes; Bloco 5: As projeções atuais do mercado. RESULTADOS E DISCUSSÃO As principais respostas dos entrevistados demostraram que os mesmos se encontram informados quanto a legislação e estão buscam regularizar seus viveiros, bem como sabem o que é o Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM) e todos os viveiros possuem um técnico responsável. Foi possível perceber que o principal aspecto que interfere na dificuldade em manter a biodiversidade do viveiro é a irregularidade no período de produção, seguido por problemas relacionados à restrição legal, em terceiro lugar outros três aspectos empatados são a marcação de matrizes, a localização das matrizes no campo e a distâncias entre as matrizes, em quarto lugar, marcado apenas por um viveirista é o tamanho efetivo adequado para conservação genética. O custo da colheita e a baixa produção de sementes não foram citados por nenhum dos viveiristas entrevistados. Todos os viveiros entrevistados trabalham com Áreas de Coleta de Sementes (ACS) e matrizes individuais, não são comuns encontrar viveiros com Áreas de Produção de Sementes (APS) ou Pomares de Sementes (PS). Quando consultados sobre os incentivos governamentais para o setor, os viveiristas demonstram profunda preocupação com o rumo da situação atual, fato é que, existem recursos e incentivos, porém, nem sempre os mesmos estão acessíveis. O setor florestal, nos últimos anos, está sendo regulamentado para que se adeque as projeções da situação atual através da Lei 10.711 de 05 de agosto de 2003, alguns pontos devem ser mais debatidos entre os atores para que se chegue a um meio termo que seja viável para as partes envolvidas. CONCLUSÃO Os atores, que a princípio, estão envolvidos diretamente e que seriam os principais beneficiários da formação de uma Rede de Fornecedores de Sementes e Mudas de Espécies Florestais Nativas de Mata Atlântica estão pouco articulados, esta afirmação é possível de ser feita apesar de termos obtido contato direto com poucos destes. É possível afirmar que no Estado do Rio de Janeiro existe ainda uma lacuna muito grande com relação ao setor florestal. Alguns estados como São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, encontram-se muito mais estruturados, inclusive tendo a maior parte de suas áreas mapeadas e possuindo inventários florestais disponibilizados publicamente. Todos os viveiristas entrevistados relataram ter capacidade de ampliar as suas produções caso haja demanda de mercado, mas como este ainda se mostra muito instável os viveiristas seguem com produções comedidas evitando assim perdas, tendo em vista a concorrência que sofrem em relação a outros Estados já consolidados no mercado de mudas e sementes. Tendo em vista, que a legislação não permite que mudas para recuperação de áreas degradadas e de projetos de compensação ambiental sejam oriundas de outros Estados, uma rede que englobe todos os viveiristas do Estado resolveria o impasse não só da Bacia Hidrográfica do Rio Guandu, mas também articularia o setor no Estado do Rio de Janeiro como um todo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS TUBBS FILHO, D.; ANTUNES, J. C. O.; VETTORAZZI, J. S. (Orgs.) Bacia Hidrográfica dos Rios Guandu, da Guarda e Guandu-Mirim. Comitê da Bacia Hidrográfica Guandu. Rio de Janeiro: INEA, 2012. IFLORA. Aspectos Ambientais Flora. Disponível em: <http://www.iflora.iq.ufrj.br/sobrerj_abiol.html> Acesso em: 20 Dez. 2012. REMANESCENTES FLORESTAIS DE MATA ATLÂNTICA NA SUB-BACIA HIDROGRÁFICA RIO DA PRATA, IBIRAÇU E ARACRUZ - ES, BRASIL Silva, S. F.1*; Mendes, N. G. S.2; Bermudes, W. L.2; Santos, A. R. 3 ¹Universidade Federal do Espirito Santo - UFES, Programa de Pós-graduação em Produção Vegetal - [email protected]. Tel 28 3558-2528. 2 Universidade Federal do Espirito Santo - UFES, Programa de Pós-graduação em Ciências Florestais. 3 Universidade Federal do Espirito Santo - UFES, Professor efetivo. Palavras-chave: Ecologia, Geotecnologia, Manejo florestal INTRODUÇÃO A fragmentação florestal, resultante do uso e expansão antrópica desordenada, tem afetado de forma significativa os padrões de distribuição das espécies da flora e da fauna. Manter a integridade da biodiversidade e das áreas naturais ainda existentes é um desafio para pesquisadores, educadores, ambientalistas e para a comunidade de forma geral (FERRARI et al., 2012). A manutenção dos remanescentes florestais possibilita a preservação dos recursos hídricos e a facilitação do fluxo genético entre populações, aumentando, assim, a chance de sobrevivência das comunidades (MUCHAILH et al., 2010). Nas abordagens utilizadas no planejamento estratégico dos remanescentes florestais, no que se refere à forma, borda, proximidade, índices de densidade e tamanho e a outros elementos de interesse, o mapeamento de paisagens e análises das mudanças no uso da terra constituem-se etapas fundamentais, em que os dados espaciais oriundos de diversos sistemas sensores orbitais são excelentes recursos (JENSEN, 2009). A funcionalidade desta geotecnologia, integrada aos Sistemas de Informações Geográficas (SIG’s) têm-se mostrado eficiente não apenas na obtenção de informações envolvendo dados espaciais, mas também como meio de suporte às tomadas de decisões em diversos processos de gestão pública e ambiental (ANJOS, 2008). Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi mapear os remanescentes florestais de mata atlântica na sub-bacia hidrográfica Rio da Prata, Ibiraçu e Aracruz - ES. MATERIAL E MÉTODOS A área de estudo está localizada na região norte do Estado do Espírito Santo, compreendendo uma sub-bacia hidrográfica denominada de Rio da Prata, que possui uma área de 3.330,54 ha e localiza-se no município de Ibiraçu e Aracruz. A digitalização dos remanescentes florestais foi feita via tela na escala de 1:5.000 no aplicativo computacional ArcGis 10.2, por meio das técnicas de fotointerpretação, sendo elaborado um arquivo vetorial poligonal para esta classe. A partir do mapa de fragmentação florestal, foi quantificada a área de cada remanescente usando-se a calculadora de valores da tabela de atributos do próprio arquivo de imagem vetorial poligonal, o que tornou possível comparar os tamanhos dos diversos remanescentes florestais encontrados na sub-bacia. O número de remanescentes existentes na área foi relacionado à classe de tamanho às quais pertencem, sendo estes muito pequenos (<5 ha), pequenos (510 ha), médios (10-100 ha) e grandes (>100 ha) com base na metodologia de Juvanhol et al. (2011). A análise foi feita com base no mapeamento dos remanescentes florestais, com o intuito de se obter o número total e o tamanho dos mesmos, mediante a elaboração de um arquivo vetorial poligonal (shapefile) para cada classe de remanescente florestal. RESULTADOS E DISCUSSÃO O mapeamento das áreas de florestas possibilitou contabilizar 164 remanescentes florestais de mata atlântica, esse número corresponde a uma área de 1.355,32 ha de remanescentes florestais o que corresponde a 40,69% da área total da sub-bacia hidrográfica Rio da Prata. Esse predomínio de cobertura florestal na área de estudo demonstra o estado de preservação da região. Juvanhol et al. (2011) salientam que é importante a realização de estudos e ações que beneficiem a preservação e a conservação de tais áreas. É nítida a predominância dos remanescentes florestais classificados como muito pequeno (< 5 ha), totalizando 138, o que corresponde a 84,15% do total dos remanescentes da sub-bacia, sendo seguidos pelos médios com 16 remanescentes (9,75%), pequenos com 7 (4,27%) e grandes com 3 (1,83%). Apesar da grande área constituída por remanescentes florestais na sub-bacia em estudo Oliveira-Filho e Fontes (2000) destacam que a Mata Atlântica está entre as mais ameaçadas do planeta, devido sua localização entre os grandes centros urbanos, o que as reduziu a aproximadamente 5% de sua área original, um agravante ainda maior é que essa área ocorre em sua maioria em pequenos remanescentes. Tabanez & Viana (2000) salientam que a ocorrência de grande quantidade de pequenos remanescentes florestais é comum em paisagens de Mata Atlântica, sendo o principal problema o fato de a área estar susceptível a alterações na dinâmica da paisagem, devido às ações do efeito antrópico. CONCLUSÃO A constituição florestal na sub-bacia é composta em sua maioria por remanescentes menores que 5 ha, indicando um alto grau de fragmentação florestal. Sendo importante a realização de estudos e ações que beneficiem a preservação e a conservação de tais áreas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANJOS, H. O. Riscos ambientais na delimitação de áreas para corredores ecológicos na sub-bacia hidrográfica do Rio das Almas (Goiás). Brasília, 2008. 156 f. Tese (Doutorado em Ciências Florestais) - Universidade de Brasília, Brasília, 2008. FERRARI, J. L.; SILVA, S. F.; SANTOS, A. R. & GARCIA, R. F. Corredores ecológicos potenciais na sub-bacia hidrográfica do córrego Horizonte, Alegre ES, indicados por meio de SIG. Revista Brasileira de Ciências Agrárias, v.7, n.1, p.133-141, 2012. JENSEN, J. R. Sensoriamento remoto do ambiente: uma perspectiva em recursos terrestres. São José dos Campos, SP: Parênteses, 2009. 598p. JUVANHOL, R. S.; FIEDLER, N. C.; SANTOS, A. R.; PIROVANI, D. B.; LOUZADA, F. L. R. O.; DIAS, H. M. & TEBALDI, A. L. C. Análise Espacial de Fragmentos Florestais: Caso dos Parques Estaduais de Forno Grande e Pedra Azul, Estado do Espírito Santo. Floresta e Ambiente, n.18, v.4, p.253-264, 2011. MUCHAILH, M. C.; RODERJAN, C. V.; CAMPOS, J. B.; MACHADO, A. L. T. & CURCIO, G. R. Metodologia de planejamento de paisagens fragmentadas visando à formação de corredores ecológicos. Revista Floresta, v.40, n.1, p.147162, 2010. OLIVEIRA-FILHO, A. & FONTES, M. A. L. Patterns of Floristic Differentiation among Atlantic Forests in Southeastern Brazil and the Influence of Climate. Biotropica, n.32, v.4, p.793-810, 2000. TABANEZ, A. A. J. & VIANA, V. M. Patch structure within Brazilian Atlantic Forest fragments and implications for conservation. Biotropica, n.32, v.4, p.925933, 2000. VARIAÇÃO GEOGRÁFICA MORFOLÓGICA E VOCAL DE ASTHENES MOREIRAE (MIRANDA-RIBEIRO, 1905) (AVES: PASSERIFORMES: FURNARIIDAE) Fonseca, O. V.¹ ² ¹MUSEU NACIONAL/UFRJ, Setor de Ornitologia, Departamento de Vertebrados, Quinta da Boa Vista s/n, 20940-040, Rio de Janeiro, RJ ²UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, Departamento de Zoologia, Instituto de Biologia, Laboratório de Ornitologia e Bioacústica, 21944-970, Rio de Janeiro, RJ – [email protected] Palavra-chave: aves, variação geográfica, campos de altitude INTRODUÇÃO Asthenes moreirae (MIRANDA-RIBEIRO, 1905) é um pequeno Furnariidae endêmico dos cumes campestres das mais altas montanhas do Sudeste brasileiro. Apresenta uma distribuição altamente restrita, confinada somente em alguns poucos pontos altimontanos não claramente delimitados da região Sudeste do Brasil. Padrão de distribuição esse único se comparado a outras aves endêmicas brasileiras (RIDGELY & TUDOR,1994). Podemos dividir a distribuição da espécie em algumas populações bem isoladas entre si nas cadeias de montanhas do Sudeste brasileiro: Serra da Mantiqueira (MG/RJ e SP), Serra dos Orgãos (RJ), Serras do Caparaó (ES e MG) e porção sul da Cadeia do Espinhaço (MG) (RIDGELY & TUDOR, 1994; SICK, 1997 e REMSEN, 2003). Asthenes moreirae é um endemismo singular no sudeste brasileiro e jamais passou por uma revisão que revelasse suas variações geográficas. Segundo o IUCN Red List of Threatened Species (2007) Asthenes moreirae é classificada sob o status de “Least concern”; porém, a espécie ocorre somente nos Campos de altitude, considerado um dos biomas mais ameaçados e limitados do Brasil sob Domínio da Mata Atlântica (SICK, 1997). MATERIAL E MÉTODOS Foram examinados 52 espécimes (32 ♂e 20 ♀) depositados nas seguintes coleções: Museu Nacional (MN) e Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP). Os trabalhos de campos foram realizados nas principais áreas de ocorrência do táxon e zonas de presumível ocorrência ainda não investigadas ou delimitadas. Foram realizadas 14 expedições de campo entre Maio/2008 e Nov/2010 em diversas localidades nas Formações da Serra da Mantiqueira (MG/RJ e SP), Serra dos Orgãos (RJ), Serra do Caparaó (ES e MG) e Porção sul da Cadeia do Espinhaço (MG). Estas atividades objetivaram subsidiar os dados amostrais de espécimes e vocalizações, e delimitar a distribuição da espécie em pontos específicos. Os caracteres morfométricos utilizados foram referente ao comprimento da asa (A), bico ( Hb altura e Cb comprimento), cauda(C),tarsometatarso (Tm) e peso (P) com uso de paquímetro digital, compasso, régua de metal milimetrada e balança de precisão Pesola (30g). A análise de plumagem enfocou a coloração do dorso, barriga, rêmiges, retrizes e mento sob a codificação do catálogo de SMITHE (1975). As vocalizações foram obtidas no Acervo Sonoro Elias Coelho (IB/UFRJ) e, principalmente em atividades de campo. Para registro vocal em campo foram utilizados gravador digital Marantz PMD-670 e microfone supercardióide Azden X-100. Os componentes estruturais do repertório vocal seguiram a nomenclatura proposta por CATCHPOLE & SLATER (1995) e foram analizados no programa Raven Pro 1.3. RESULTADOS/DISCUSSÃO Asthenes moreirae ocorre exclusivamente em quatro áreas pontuais de montanhas do sudeste brasileiro. No entanto, são regiões com enorme semelhança fitofisionômica, caracterizadas pela vegetação relictual dos Campos de altitude rupestre. A espécie ocorre nas áreas de maior cota altimétrica das Formações, entre 1850m e 2900m. Podemos apontar quatro pequenos Complexos populacionais bem isolados entre si: Planalto do Itatiaia - CI (MG/SP e RJ), Serra dos Órgãos - CSO (RJ), Serra do Caparaó - CSCP (ES/MG) e Serra do Caraça - CSCA (MG).Talvez devido ao breve período geológico de separação entre as populações, a variação do colorido da plumagem foi mínima, fato que corrobora ao caráter conservativo em plumagem de Furnariidae (REMSEN, 2003). Quanto a morfologia, encontramos uma variação aparentemente clinal entre os quatro complexos populacionais. Dentre os seis caracteres morfométricos analisados, o CSCP deteve as maiores médias para quatro caracteres, e destes, dois foram sem sobreposição de máximas: (A ♂ = 59,553 ± 0,790mm, n= 9 e ♀= 56,885± 0,317mm, n= 6 ) – (P= 15,875 ± 0,478g, n =4♂). A população do CSCA deteve as menores médias para três caracteres dentre as demais populações: asa, tarsometatarso e peso. Destes, o comprimento do tarsometatarso apresentou o menor valor médio sem sobreposição de máximas: (Tm ♂ = 21,552 ± 0,148mm, n=4). As populações dos CI e CSO apresentaram valores intermediários com sobreposição os valores máximos das médias para os seis caracteres morfométricos. Quanto a vocalização, o repertório vocal de Asthenes moreirae é amplamente rico, os resultados das análises mostraram uma surpreendente variação na estrutura do canto. Foram analisados 293 vocalizações correspondente a 58 indivíduos nos quatros Complexos populacionais. Houve uma variação aparentemente clinal quanto ao número de frases por canto. O CI apresentou a maior variação, canto composto por até 4 frases, CSO e CSCA com cantos compostos por até duas frases e CSCP com cantos com somente uma frase. Outra variação relevante, segregando vocalmente a população do CSCP, é a morfologia espectral da nota do canto, apresentando uma estrutura com padrão não compartilhado entre as demais populações. CONCLUSÃO Asthenes moreirae apresenta uma acentuada variação geográfica morfométrica e vocal entre as suas áreas de ocorrência. Confinada em quatro pequenos complexo populacionais nos Campos rupestres de altitude do sudeste brasileiro. A diagnose vocal e a divergência morfométrica indicam linhagem evolutiva estabelecida ou em formação. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BIRDLIFE INTERNATIONAL. Oreophylax moreirae. In. IUCN 2007. 2007 IUCN Red List of Threatened Species, 2004. < www.iucnredlist.org> Acessado em 22 de Abril de 2011. CATCHPOLE, C. K. & SLATER, P. J. B. Bird Song: biological themes and variations. New York: Cambridge University Press, 1995. 248p. MIRANDA-RIBEIRO, A. Vertebrados do Itatiaya ( peixes, serpentes, saurios, aves e mammiferos ). Arq. Mus. Nac. Rio de Janeiro. 13, 1905. 163-190p. REMSEN, J.V. JR. Family Furnariidae (Ovenbirds). In: DEL HOYO J. et al (Eds). Handbook Of The Birds Of The World, Vol 8. Lynx Editions, Barcelona, 2003. 162–357p. RIDGELY,R.S. & TUDOR, G. The birds of South America 2. Austin: University of Texas Press,1994. 814p. SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1997. 862p. SMITHE, F. B. Naturalist’s color guide. New York: American Museum of Natural History, 1975. 229 p.