Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.X-Y, Abr-Mai-Jun. 2011.
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REVISTA INTERDISCIPLINAR
A Revista Interdisciplinar, criada em outubro de 2008, órgão oficial de divulgação da Faculdade NOVAFAPI, com periodicidade trimestral, tem a finalidade de
divulgar a produção científica das diferentes áreas do saber que seja de interesse das áreas da saúde, ciências humanas e tecnológicas.
The Interdisciplinary Journal, founded in October of 2008, is the official publishing organ for NOVAFAPI School with publication every three months and
has the objective of making public the scientific production in different areas of knowledge that are of interest to health areas, human sciences and technology.
La revista interdisciplinar, creada en Octubre de 2008, órgano oficial de divulgación de la Facultad NOVAFAPI, con periodicidad trimestral, tiene la finalidad
de propagar la producción científica de las diferentes áreas del saber que sea de interés de las áreas de la salud, ciencias humanas y tecnológicas.
COMISSÃO DE PUBLICAÇÃO
PUBLISHING COMMITTEE/COMISIÓN DE PUBLICACIÓN
Diretora/Head/Directora
Cristina Maria Miranda de Sousa
Editora Científica/Scientific Editor/Redactor Científico
Maria Eliete Batista Moura
[email protected]
Editor Associado/Associate Editor/Redactor Asociado
Claudete Ferreira de Souza Monteiro
Membros/Members/Miembros
Ana Maria Ribeiro dos Santos
Fabrício Ibiapina Tapety
CONSELHO EDITORIAL
EDITORIAL BOARD/CONSEJO EDITORIAL
Ana Maria Escoval Silva
Universidade Nova de Lisboa - Portugal
Antônia Oliveira Silva
UFPB
Adriana Castelo Branco de Siqueira
UFPI
Carlos Alberto Monteiro Falcão
Faculdade NOVAFAPI
Eucário Leite Monteiro Alves
Faculdade NOVAFAPI
Gerardo Vasconcelos Mesquita
Faculdade NOVAFAPI/UFPI
Gillian Santana de Carvalho Mendes
Faculdade NOVAFAPI
Luis Fernando Rangel Tura
UFRJ
Maria do Carmo de Carvalho Martins
Faculdade NOVAFAPI/UFPI
Maria do Socorro Costa Feitosa Alves
UFRN
José Nazareno Pearce de Oliveira Brito
Faculdade NOVAFAPI
Norma Sueli Marques da Costa Alberto
Faculdade NOVAFAPI
Paulo Henrique da Costa Pinheiro
Faculdade NOVAFAPI
Roberto A. Medronho
UFRJ
Telma Maria Evangelista de Araújo
Faculdade NOVAFAPI/UFPI
Yúla Pires da Silveira Fontenele de Meneses
Faculdade NOVAFAPI
Bibliotecário/Librarian/Bibliotecario:
Secretária/Secretary/Secretaria:
Capa/Cover/Capa:
Editoração/Lay-out/Diagramación:
Tiragem/Number of Issues/Tiraja:
Projeto/Project/Projecto:
Francisco Renato Sampaio da Silva
Elizângela de Jesus Oliveira de Sousa Vieira
Primeira Imagem - www.pimagem.com.br
Primeira Imagem - www.pimagem.com.br
200 exemplares
Faculdade NOVAFAPI
R454 Revista Interdisciplinar /Faculdade NOVAFAPI. Coordenação de Pesquisa e Pós-Graduação. -- v.4, n. 3, 2011.
Teresina: Faculdade NOVAFAPI, 2011
Trimestral
ISSN 1983-9413
1.Saúde 2.Ciências 3. Humanas I.Título
CDD 613.06
Endereço/Mail adress/Dirección: Rua Vitorino Orthiges Fernandes, 6123 • Bairro Uruguai • 64057-100 • Teresina • Piauí • Brasil
Web site: www.novafapi.com.br • E-mail: [email protected]
SUMÁRIO / CONTENTS / SUMARIO
SUMÁRIO / CONTENTS / SUMARIO
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI • Teresina-PI
ISSN 1983-9413
v. 4, n. 3, 2011.
EDITORIAL / PUBLISHING / EDITORIAL
A ética nas pesquisas que envolvem seres humanos e animais................................................................. 5
The ethics of research involving humans and animals
La ética de la investigación con seres humanos y animales
Fabrício Ibiapina Tapety, Maria Eliete Batista Moura
PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
Os efeitos do tabagismo sobre a incidência de partos pré-termos........................................................... 9
The effects of smoking on the incidence of preterm birth
Los efectos del tabaquismo sobre la incidencia de parto prematuro
João Ricardo Pinheiro Campos Sousa, Lucas Cortez Macedo, João de Deus Valadares Neto
A mãe adolescente e o cuidado ao recém-nascido.................................................................................... 14
Adolescent mother and the care about the newborn
De la madre y del adolescente de cuidado para recién nacido
Camila Irene da Silva Araújo, Flávia da Costa Rodrigues Lima, Géssica Walquíria Sampaio Borges Moita, Silvana Santiago da Rocha, Tatiana
Maria Melo Guimarães dos Santos
A percepção das puérperas quanto ao parto humanizado em uma maternidade pública de Teresina-PI...20
Perception of postpartum women regarding the humanized childbirth in a public maternity hospital in Teresina-PI
Percepción de las puérperas acerca del parto humanizado en una maternidad pública en Teresina-PI
Nadiana Lima Monte, Jéssica da Silva Gomes, Laís Mayara Machado de Amorim
Prevalência da hipertensão arterial sistêmica (HAS) e dos fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV) em policiais militares................................................................................................................ 25
Prevelence of hypertension (HBP) and risck factores for cardiovascular disesse (CVD) in mililary police
La prevalencia de la hipertención arterial (HTA) y factores de riesgo para enfermedad cardiovascular (ECV) en la policía militar
Samara Cristina Leite Pinheiro Monteiro, Eucário Leite Monteiro Alves, Maria Eliete Batista Moura
O conhecimento cotidiano do risco ocupacional ...................................................................................... 31
The everyday knowledge of the occupational risk
El conocimiento cotidiano de los riesgos laborales
Luana Kelle Batista Moura, Maria Eliete Batista Moura, Cristina Maria Miranda de Sousa, Gerardo Vasconcelos Mesquita, Fabrício Ibiapina
Tapety, Telma Maria Evangelista de Araújo
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SUMÁRIO / CONTENTS / SUMARIO
SUMÁRIO / CONTENTS / SUMARIO
Incidência de acidentes ocupacionais envolvendo profissionais de enfermagem em um hospital público.39
Incidence of occupational accidents involving nursing professionals in public hospital
La incidencia de accidentes laborales con profesionales de enfermería en un hospital público
Lidiane Monte Lima, Amanda Maria da Conceição Moura, Maria Eliete Batista Moura, Benevina Maria Vilar Teixeira Nunes, Francisco Braz Milanez Oliveira
REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN
Visita domiciliar como objeto de reflexão ................................................................................................. 44
Home visit as an object of reflection
Visita a los domicilios como objeto de reflexión
Tânia Maria Melo Rodrigues, Silvana Santiago da Rocha, José Ivo dos Santos Pedrosa
A criança no Brasil: conhecimento produzido nos últimos cinco anos.................................................... 48
Childern in Brazil: knowledge produced in the last five years
Los niños en Brasil: el conocimiento productos en los últimos cinco años
Giglyanne Carvalho Meneses Girão, Ilane Queiroz Pedreira, Luciana Cruz Pontes, Sheila Milena da Costa, Silvana Santiago da Rocha, Waleriana
Silva e Sousa
A produção cientifica da enfermagem sobre coto umbilical.................................................................... 54
The scientific production of nursing on the umbilical stump
La producción científica de enfermería en el muñón del cordón umbilical
Marina Barros Ribeiro, Maria Noélia Melo Brandão
O cuidado do enfermeiro à vítima de traumatismo cranioencefálico: uma revisão da literatura........ 60
Nursing care of the victim of traumatic brain injury: a literature review
Cuidados de enfermería de la víctima de traumatismo de cráneo cerebro: una revisión de la literatura
Nicole Pereira, Andréia Rodrigues Moura da Costa Valle, Márcia Astrês Fernandes, Maria Eliete Batista Moura, José Nazareno Pearce de Oliveira
Brito, Gerardo Vasconcelos Mesquita
Adesão às medidas de biossegurança por profissionais de saúde em situações de urgência e emergência.... 66
Accession to measures for health professionals biosafety in urgent situations and emergency
Adhesión a las medidas de seguridad de la biotecnología para la salud profesionales en situaciones de emergencia y emergencia
Rhaylla Maria Pio Leal, Andréia Rodrigues Moura da Costa Valle, Lara Emanueli Neiva de Sousa, Cristina Maria Miranda de Sousa, Márcia Astrês
Fernandes, Luana Kelle Batista Moura
NORMAS PARA PUBLICAÇÃO...............................................................................................................................................................71
PUBLISHING NORMS.............................................................................................................................................................................74
NORMAS PARA PUBLICACIÓN.............................................................................................................................................................77
FICHA DE ASSINATURA.........................................................................................................................................................................80
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EDITORIAL / PUBLISHING / EDITORIAL
A ética nas pesquisas que envolvem seres humanos e animais
Fabrício Ibiapina Tapety
Doutor em Reabilitação Oral (Niigata University/
Japan). Pós-doutor em Implantodontia (Johannes
Gutenberg Univeristy em Mainz/Alemanha).
Professor da Graduação e do Programa de Mestrado
Profissional em Saúde da Família da Faculdade
NOVAFAPI. [email protected]
Maria Eliete Batista Moura
Pós-Doutora pela Universidade Aberta de Lisboa
– Portugal. Doutora em Enfermagem pela Escola
de Enfermagem da UFRJ. Professora da Graduação
e do Programa de Mestrado Profissional em Saúde
da Família da Faculdade NOVAFAPI. Professora
da Graduação e do Programa de Mestrado em
Enfermagem da UFPI. mestradosaudedafamilia@
novafapi.com.br
O estudo sobre os desafios éticos em pesquisa se defrontará sempre com o relato de abusos contra seres humanos em nome do progresso na ciência. A história da ética em pesquisa foi
acompanhada por intenso desconforto ocasionado pela divulgação de experimentos clínicos que
utilizavam pessoas em situação de extrema vulnerabilidade.
A análise dos delicados dilemas subjacentes ao desenvolvimento científico e tecnológico,
os abusos praticados em nome da ciência, o questionamento de condutas eticamente inaceitáveis
adotadas por cientistas na realização dos experimentos e, posteriormente, a definição de princípios
éticos para nortear a prática da pesquisa, impulsionaram, de forma inequívoca, o surgimento da
bioética como campo disciplinar.
Por tudo isso, a ética entendida aqui como uma reflexão sobre as normas ou regras de comportamento, torna-se necessária para a condução dos experimentos científicos na atualidade numa
constante busca pela preservação da dignidade dos seres humanos. A reflexão proporcionada pela
ética em pesquisa, entre outros elementos, contribui para o surgimento dessa nova disciplina, tornando-se um dos temas mais difundidos na bioética.
Assim, a Revista Interdisciplinar da Faculdade NOVAFAPI, com o objetivo de socializar o conhecimento construído nessa Instituição e outras do Piauí, do Brasil e do mundo, incentiva seus
pesquisadores a adotarem os preceitos éticos das pesquisas que envolvem seres humanos, conforme a Resolução 196/1996 e as pesquisas que envolvem os procedimentos para o uso científico de
animais, conforme a Lei Arouca, N° 11.794 de 08 de outubro de 2008, para estimular a pluralidade de
olhares, tonalidades e críticas ao debate nacional e internacional sobre a ética em pesquisa.
Esse é um campo em que não há verdades definitivas, mas uma efervescência de boas perguntas, cujas respostas estão sendo ensaiadas a cada dia. Nessa incansável busca por melhores respostas, as particularidades sociais, culturais e políticas do Brasil e de outros países importam para
acompanhar as propostas analíticas e teóricas de diferentes autores da Revista Interdisciplinar.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.5, Jul-Ago-Set. 2011.
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EDITORIAL / PUBLISHING / EDITORIAL
The ethics of research involving humans and animals
Fabrício Ibiapina Tapety
Doutor em Reabilitação Oral (Niigata University/
Japan). Pós-doutor em Implantodontia (Johannes
Gutenberg Univeristy em Mainz/Alemanha).
Professor da Graduação e do Programa de Mestrado
Profissional em Saúde da Família da Faculdade
NOVAFAPI. [email protected]
Maria Eliete Batista Moura
Pós-Doutora pela Universidade Aberta de Lisboa
– Portugal. Doutora em Enfermagem pela Escola
de Enfermagem da UFRJ. Professora da Graduação
e do Programa de Mestrado Profissional em Saúde
da Família da Faculdade NOVAFAPI. Professora
da Graduação e do Programa de Mestrado em
Enfermagem da UFPI. mestradosaudedafamilia@
novafapi.com.br
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The study on the ethical challenges in research will be faced always with the report of abuses
against human beings in the name of progress in science. The history of research ethics was accompanied by severe discomfort caused by the disclosure of clinical trials that used humans in situations
of extreme vulnerability.
The analysis of the delicate dilemmas underlying the scientific and technological development, the abuses committed in the name of science, the question of ethically unacceptable conduct
adopted by scientists in these experiments and, subsequently, the definition of ethical principles to
guide research practice, boosted unequivocally, the emergence of bioethics as a disciplinary field.
For all these reasons, the ethics understood as a reflection on the standards or rules of behavior, it becomes necessary to conduct scientific experiments currently in a constant search for the
preservation of the dignity of human beings. The reflection provided by the research ethics, among
other things, contributes to the emergence of this new discipline, becoming one of the most pervasive themes in bioethics.
Thus, the Revista Interdisciplinar Faculty NOVAFAPI, in order to socialize the knowledge built
in this institution and others of Piaui, Brazil and the world, encourages its researchers to adopt the
ethical principles of research involving humans, according to Resolution 196 / 1996 and in research
involving procedures for the scientific use of animals according to Arouca Law, No. 11794 of October
8, 2008, to encourage plurality of opinions and criticism of the national and international debate on
ethics in research .
This is a field where there are no ultimate truths, but an effervescence of good questions,
whose answers are being tested every day. In this relentless search for better answers, the particular
social, cultural and policies of Brazil and other countries are important to follow the analytical and
theoretical proposals of different authors of the Revista Interdisciplinar.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.6 Jul-Ago-Set. 2011.
EDITORIAL / PUBLISHING / EDITORIAL
La ética de la investigación con seres humanos y animales
Fabrício Ibiapina Tapety
Doutor em Reabilitação Oral (Niigata University/
Japan). Pós-doutor em Implantodontia (Johannes
Gutenberg Univeristy em Mainz/Alemanha).
Professor da Graduação e do Programa de Mestrado
Profissional em Saúde da Família da Faculdade
NOVAFAPI. [email protected]
Maria Eliete Batista Moura
Pós-Doutora pela Universidade Aberta de Lisboa
– Portugal. Doutora em Enfermagem pela Escola
de Enfermagem da UFRJ. Professora da Graduação
e do Programa de Mestrado Profissional em Saúde
da Família da Faculdade NOVAFAPI. Professora
da Graduação e do Programa de Mestrado em
Enfermagem da UFPI. mestradosaudedafamilia@
novafapi.com.br
El estudio sobre los desafíos éticos en la investigación se enfrentará siempre con el informe de
los abusos contra los seres humanos en nombre del progreso en la ciencia. La historia de la ética de
la investigación fue acompañado por una molestia severa causada por la divulgación de los ensayos
clínicos que utilizan las personas en situación de vulnerabilidad extrema.
El análisis de los dilemas delicados que subyacen al desarrollo científico y tecnológico, los abusos cometidos en nombre de la ciencia, la cuestión de la conducta éticamente inaceptable adoptada
por los científicos en estos experimentos y, posteriormente, la definición de los principios éticos que
guíen la práctica de investigación, impulsado de manera inequívoca, el surgimiento de la bioética
como disciplina científica.
Por todas estas razones, la ética entendida como una reflexión sobre las normas o reglas de
comportamiento, se hace necesario llevar a cabo experimentos científicos en la actualidad en una
búsqueda constante por la preservación de la dignidad de los seres humanos. La reflexión siempre
por la ética de investigación, entre otras cosas, contribuye a la aparición de esta nueva disciplina,
convirtiéndose en uno de los temas más persistentes en la bioética.
Por lo tanto, la revista Revista Interdisciplinar Facultad NOVAFAPI, con el fin de socializar el
conocimiento construido en esta institución y otras de Piauí, Brasil y el mundo, anima a sus investigadores a adoptar los principios éticos de la investigación con seres humanos, de acuerdo con la Resolución 196 / 1996 y en la investigación sobre los procedimientos para el uso científico de los animales
como Arouca Ley N º 11.794 del 8 de octubre de 2008, para fomentar la pluralidad de puntos de vista
y las críticas al debate nacional e internacional sobre la ética en la investigación .
Este es un campo donde no hay verdades absolutas, sino una efervescencia de las buenas preguntas, cuyas respuestas están poniendo a prueba todos los días. En esta búsqueda incesante de mejores respuestas, las políticas específicas sociales, culturales y de Brasil y otros países son importantes
lo para seguir las propuestas analíticas y teóricas de diferentes autores de la Revista Interdisciplinar.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.7, Jul-Ago-Set. 2011.
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PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
Os efeitos do tabagismo sobre a incidência de partos pré-termos
The effects of smoking on the incidence of preterm birth
Los efectos del tabaquismo sobre la incidencia de parto prematuro
João Ricardo Pinheiro Campos Sousa
Graduando do curso de Medicina da Faculdade
NOVAFAPI. [email protected]
Lucas Cortez Macedo
Graduando do curso de Medicina da Faculdade
NOVAFAPI. [email protected]
João de Deus Valadares Neto
Doutor em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola
Paulista de Medicina (Unifesp). Professor titular
da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Professor
do curso de Medicina da Faculdade NOVAFAPI.
[email protected]
RESUMO
Objetivos: avaliar os efeitos do tabagismo sobre a incidência de parto pré-termo em gestantes
atendidas em Maternidade do Sistema Único de Saúde, em Teresina-PI. Métodos: estudo tipo caso-controle com 168 puérperas divididas em dois grupos: Caso (24 fumantes) e controle (144 não
fumantes). Aplicou-se questionário com perguntas sobre perfil socioeconômico, dados do neonato
e história da gravidez. Os dados foram analisados através do programa estatístico Prisma 5.0. Pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética da faculdade Novafapi. Resultados: não houve diferença
significativa em relação à idade, tempo de gestação (38.63 ± 0.31; 39.08 ± 0.11), realização de pré-natal, Capurro (38,2 ± 142; 39,1 ± 1,38), estatura (47,4 ± 1,92; 48,9 ± 1,44) e peso ao nascer (3011
± 1,98; 3110 ± 0,55). O grupo fumante apresentou menor escolaridade, menores índices de APGAR
(1’: 7.04 ± 0.19;8.25 ± 0.09 e 5’: 8.83 ± 0.24; 9.69 ± 0.078, p<0,001) e maior número de parto cesáreo
(54,17%). Conclusão: neste estudo, o tabagismo não mostrou ser fator de risco para parto pré-termo,
baixo peso e estatura ao nascer.
Descritores: Tabagismo. Gestação. Hábitos.
ABSTRACT
Objectives: to evaluate the effects of smoking on the incidence of preterm delivery in pregnant
women attending the Maternity Health System in Teresina-PI. Methods: casecontrol study with 168
mothers divided into two groups: If (24 smokers) and control (144 nonsmokers). Questionnaire was
used with questions on socioeconomic, data of infant and pregnancy histories. Data were analyzed
using the statistical program Prism 5.0. Research was approved by the ethics committee of the faculty Novafapi. Results: no difference significant in relation to age, gestational age (38.63 ± 0.31; 39.08
± 0.11), realization of pre-natal, Capurro (38.2 ± 142, 39.1 ± 1.38), height (47.4 ± 1.92; 48.9 ± 1.44)
and birthweight (3011 ± 1.98; 3110 ± 0.55). The smoking group had less education, lower Apgar
score (1 ‘: 7.04 ± 0.19, 8.25 ± 0.09 and 5 ‘: 8.83 ± 0.24, 9.69 ± 0078, p <0.001) and greater number of
Caesarean section (54.17%). Conclusion: in this study, smoking was not a risk factor for preterm birth,
low birth weight and height.
Descriptors: Smoking. Pregnancy. Habits.
RESUMEN
Submissão: 13.09.2010
Aprovação: 14.12.2010
Objetivos: evaluar los efectos del tabaquismo sobre la incidencia de parto prematuro em mujeres
embarazadas que acuden a la Maternidaddel Sistema de Saludem Teresina- PI. Métodos: estudio
caso-control con 168 mujeres divididas en dos grupos: Si (24 fumadores) y control (144 personas
que no fuman). Se utilizó el cuestionario con preguntas em los datos socioeconómicos, de las historias infantiles y el embarazo. Datos fueron analizados utilizando el programa estadístico Prisma
5.0. La investigación fue aprobada por el comité de ética de la facultad Novafapi. Resultados: no
se observaron diferencias significativa em relación con la edad, la edad gestacional (38,63 ± 0,31;
39,08 ± 0,11), realización de prenatal, Capurro (38,2 ± 142, 39.1 ± 1.38), altura (47,4 ± 1,92; 48.9 ±
1.44) y peso al nacer (3,011 ± 1,98, 3,110 ± 0,55). El grupo de fumadores tenían menos educación,
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.9-13, Jul-Ago-Set. 2011.
9
Sousa, J. R. P. C.; Macedo, L. C.; Neto, J. D. V. N.
menor índice de Apgar (1 ‘: 7.04 ± 0.19, 8.25 ± 0,09 y 5 ‘: 8,83 ± 0,24, 9,69
± 0,078, p <0,001) y mayor número de cesáreas (54.17%). Conclusión: en
este estudio, fumar no era un factor de riesgo para parto prematuro, bajo
peso al nacer y la altura.
Descriptores: Tabaquismo. Embarazo. Hábitos.
1
INTRODUÇÃO
O tabagismo é considerado pela Organização Mundial de Saúde
(OMS) o principal fator de risco para causas de morte evitável em todo
mundo. Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% de toda a população masculina e 12% da feminina fumam. Nos países em desenvolvimento, 35% dos fumantes são homens e 9% são mulheres, já em países
desenvolvidos esses números aumentam drasticamente em ambos os
sexos (DAVID et al., 2006).
O aumento da incidência do tabagismo, ao longo dos anos, entre mulheres em idade fértil é de relevante importância, pois é consenso
que o hábito de fumar na gravidez é nocivo tanto para à saúde materna
quanto para a fetal, sendo responsável por 20% dos casos de fetos com
baixo peso ao nascer, 8% dos partos prematuros e 5% de todas as mortes
perinatais (MACHADO; LOPES, 2009; LEOPÉRCIO; GIGLIOTTI, 2004 ).
O uso do fumo nesse período expõe o feto não apenas aos componentes da fumaça do cigarro que cruza a placenta, mas também às alterações na oxigenação e metabolismo placentário, e às mudanças no seu
próprio metabolismo (DAVID et al., 2006).
Quando o hábito de fumar é abandonado no primeiro trimestre
de gravidez, o risco do nascimento de recém-nascidos com baixo peso é
equivalente àquele de gestantes não fumantes. Em gestantes que fumam
durante o 2° e 3° trimestres o risco é semelhante ao das que fumam durante toda a gestação. Assim, os efeitos das substâncias contidas na fumaça
do cigarro sobre o desenvolvimento fetal são mais evidentes quando o
consumo ocorre durante o terceiro trimestre (KROEFF; MENGUE; SCHMINDT, 2004; McCOWAN et al., 2009).
Outra influência do fumo no curso da prenhez é o risco aumentado de prematuridade, tendo uma das causas a diminuição do fator de
ativação das plaquetas, que provoca o aumento da contração uterina
precoce e como conseqüência o parto pré-termo (LEOPÉRCIO; GIGLIOTTI, 2004).
Esta proposta de investigação foi desenvolvida durante o período
de agosto a outubro de 2010, procurando traçar um perfil dos efeitos causados pelo fumo sobre o tempo de gestação em mulheres atendidas pelo
Sistema Único de Saúde tendo como referência a maternidade pública
Dona Evangelina Rosa, na cidade de Teresina, capital do Piauí- Brasil. Diante disso, o objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos do tabagismo sobre
a incidência de parto pré-termo em gestantes atendidas na Dona Evangelina Rosa, em Teresina-PI.
2
MATERIAL E MÉTODO
Trata-se de estudo prospectivo do tipo caso-controle no qual foram analisados os efeitos do tabagismo sobre a duração da gestação em
puérperas atendidas na Maternidade Dona Evangelina Rosa na cidade de
Teresina-PI, no período entre agosto de 2010 e outubro de 2010 sendo
aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Faculdade NOVAFAPI (CEP/
NOVAFAPI) com processo CAAE n° 3502.0.000.043-10.
10
As pacientes foram abordadas nas enfermarias das unidades pesquisadas, no período compreendido entre pós-parto e a alta hospitalar,
por meio de uma ficha clínica, previamente elaborada.
Foram incluídos no estudo gestantes, entre 20 anos a 35 anos, internadas nas maternidades citadas, durante o período agosto a outubro
de 2010, que assinaram o termo de Consentimento Livre e Esclarecido,
concordando em responder ao questionário. Foram excluídas da amostra
as pacientes fora da faixa etária escolhida, portadoras de qualquer tipo 8
de patologia pré-existente, mulheres com gestações múltiplas e/ou que
fazem uso de outros tipos de drogas além do tabaco.
As gestantes estudadas foram distribuídas em dois grupos: Grupo
I – Puérperas Tabagistas (Casos) e Grupo II – Puérperas Não Tabagistas
(Controles). O Grupo I é constituído por puérperas tabagistas com idade
entre 20 e 35 anos, que deram à luz fetos únicos, que não sejam usuárias
de outros tipos de drogas e nem apresentam patologias intercorrentes. Já
o Grupo II é formado por puérperas não tabagistas com idade entre 20 e
35 anos, que deram à luz fetos únicos, que não sejam usuárias de outros
tipos de drogas e nem apresentam patologias intercorrentes.
A mostra deste estudo foi composta inicialmente por 171 puérperas, no entanto, foram excluídas três posteriormente, uma por parir gemelares e duas por sofrerem aborto. Ao final, a amostra totalizou 168 puérperas da quais 144, por não fumarem, foram incluídas no Grupo II (Controle)
e 24 incluídas no Grupo I (Caso).
Nos dois grupos foram analisados os seguintes parâmetros:
Maternos: idade, paridade, estado civil, escolaridade, renda familiar, procedência, realização de pré-natal, idade gestacional de interrupção
da gravidez, forma de interrupção da gravidez, consumo de cigarros durante a gravidez (época de início e número de cigarros), conhecimentos
acerca dos efeitos do consumo de cigarros durante a gravidez.
Recém-Nascidos: estatura, idade gestacional pelo método de Capurro, peso, índice de pagar, necessidade de assistência ventilatória, intercorrências neonatais, óbito.
Os dados foram coletados através de entrevistas com as parturientes e de análise dos dados contidos nos prontuários das mesmas e anotados em ficha clínica previamente elaborada.
Os resultados foram analisados através de estatística descritiva em
termos de frequência absoluta, frequências relativa e média e estão representados em gráficos, tabelas e 9 quadros. Foi realizado teste t para
comparação entre os grupos. A análise foi realizada através do programa
estatístico Prisma 5.0.
O Projeto foi submetido à apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da NOVAFAPI e das instituições onde será desenvolvido. As puérperas foram informadas acerca dos objetivos da pesquisa e somente foram
inclusas no estudo após a assinatura de Termo de Consentimento Livre
e Esclarecido. A identidade das pacientes foi preservada, sendo-lhe atribuído um número, e somente os pesquisadores e os responsáveis pelas
unidades tiveram conhecimento das mesmas. Todas as recomendações
dadas pelo Conselho nacional de saúde através da lei nº196/96 foram
obedecidas.
3
RESULTADOS E ANÁLISES
A população deste estudo foi composta inicialmente por 171 parturientes atendidas na maternidade Dona Evangelina Rosa que aceitaram
participar da pesquisa. Após triagem inicial, 3 das participantes foram excluídas: uma por gestação de gemelares e duas por abortarem. A mostra
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.9-13, Jul-Ago-Set. 2011.
Os efeitos do tabagismo sobre a incidência de partos pré-termos
final resultante foi de 168 mulheres com perda amostral de 1,75% (3 participantes). Das 168 puérperas mulheres 144 declararam não ser fumantes
enquanto que as 24 restantes afirmaram ser fumantes.
Tabela 1 - Idade materna, idade gestacional, renda familiar, número de
consultas prénatais e paridade de mulheres fumantes e não fumantes
atendidas na maternidade Dona Evangelina Rosa. Teresina, 2010.
sino médio e 27,08 o ensino fundamental completo. Comparativamente,
no grupo de fumantes, nenhuma das entrevistadas possui ensino superior
ou médio e 54,17% possui o ensino fundamental incompleto. Constando-se, que o tabagismo está associado a pessoas de baixa renda e escolaridade Ao serem perguntadas sobre o estado civil, 45,83% das mulheres
fumantes responderem viver em união estável contra 48,61% de mulheres
não fumantes; 41,67% das fumantes disseram ser casadas e 35,53% das
não fumantes também deram a mesma resposta (Quadro 1).
Tabela 2- Características de neonatos de mães fumantes e não fumantes atendidas na maternidade Dona Evangelina Rosa. Teresina, 2010.
*SM – Salário Mínimo vigente no valor de R$ 510,00.
Não foi encontrada diferença significativa de idade entre os grupos caso e controle de tal forma que as mulheres fumantes tiveram média de idade de 22.42 ± 0.55 anos e as não fumantes 23.67 ± 0.25 anos.
Quanto à idade gestacional, o grupo de fumantes pariu aos 38.63 ± 0.31
semanas enquanto o grupo de não fumantes pariu mais tardiamente com
39.08 ± 0.11 semanas de gestação. Todas as entrevistadas sejam do grupo de fumantes ou não fumantes realizaram o pré-natal (Quadro 1). Não
houve diferenças no número de consultas pré-natais realizadas entre o
grupo de fumantes e não fumantes, 6.12 ± 0.26 e 6.3 ± 0.11 consultas
respectivamente.O fato de todas as entrevistadas terem realizado o pré-natal e não havendo diferença entre mulheres fumantes e não fumantes no número de consultas realizadas e que 75% da população fumante
cessou o hábito durante a gravidez pressupõe que a realização de um
pré-natal bem acompanhado seja fator esclarecedor e estimulante para o
abandono da prática tabagista. No tocante à paridade, o tabagismo também não pareceu interferir, mostrando valores parecidos de gesta, 2,1 ±
0,98 e 2,3 ± 0,75, para, 1,95 ± 0,57 e 2,09 ± 0,89, e aborto, 0,12 ± 0,48 e 0,2
± 0,36 entre mulheres fumantes e não fumantes respectivamente
(Tabela 1).
Teste t: ap<0,001em relação ao APGAR de Fumantes.
A Tabela 2 mostra as características, ao nascimento, dos neonatos
de mães fumantes e não fumantes. Não houve diferenças na estatura,
peso corporal e no índice de Capurro entre os 12 neonatos dos dois grupos estudados. Entretanto, houve diferença estatisticamente significativa
no que diz respeito à vitalidade dos neonatos no primeiro e no quinto
minuto de vida (APGAR 1’: 7.04 ± 0.19 e 8.25 ± 0.09; APGAR 5’: 8.83 ± 0.24
e 8.69 ± 0.078) entre fumantes e não fumantes, respectivamente.
Quadro 2 – Uso de cigarro durante a gravidez, forma de interrupção
da gravidez, intercorrências neonatais, assistência ventilatória neonatal e
indicação de cesárea em mães fumantes e não fumantes atendidas na
maternidade Dona Evangelina Rosa. Teresina, 2010.
Quadro 1 - Escolaridade, estado civil e acompanhamento pré-natal
em termos defrequência absoluta (F) e frequência relativa (%) em mulheres fumantes e não fumantes atendidas na maternidade Dona Evangelina
Rosa. Teresina, 2010.
No que concerne à escolaridade observou-se maior predominância
de mulheres não fumantes com maior grau de escolaridade. Desta forma,
no grupo de não fumantes, 7,64% possuem o ensino superior, 40,97 o enRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.9-13, Jul-Ago-Set. 2011.
Das fumantes entrevistadas, 25% afirmaram continuar fumando
mesmo durante a gravidez enquanto que 75% afirmaram ter parado.
Quanto à forma de interrupção da gravidez observou-se que as mulheres não fumantes tiveram maior percentual de partos vaginais (56,25%)
se comparados ao grupo fumante que teve maioria de parto cesáreo
(54,17%). Pertinente às indicações de parto cesáreo, no grupo de fumantes
as principais queixas foram desproporção materno-fetal (30,77%), posição
anômala (23,08%) e desprendimento precoce 13 da placenta (15,38%) e
no grupo de não fumantes foi desproporção materno-fetal (40,98%) e posição anômala (19,68%).
O número de intercorrências neonatais foi pequeno totalizando
apenas uma (4,17%) no grupo caso e seis (4,17%) no grupo controle. Na
11
Sousa, J. R. P. C.; Macedo, L. C.; Neto, J. D. V. N.
mesma linha, apenas dois (8,33%) neonatos do grupo de fumantes precisou de assistência ventilatória e no grupo de não fumantes onze (7,64%)
neonatos necessitaram de assistência ventilatória invasiva, não invasiva ou
oxigenioterapia (Quadro 2).
Atualmente o tabagismo representa um grave problema de saúde
pública mundial e nacional. Na gestante, o hábito de fumar constitui um
sério risco adicional porque compromete a sua saúde e a viabilidade do
feto. A prevalência de mulheres que fumam durante a gravidez varia de
20% a 40% (ROZOV et al., 2004). Geralmente o número de cigarros fumados pela mulher diminui ao longo da gestação e ao longo das últimas décadas observou-se pequena redução no percentual de mulheres grávidas
fumantes (HORTA et al., 1997; KIRKLAND; DODDS; BROSKY, 2000).
Enfatizamos aqui a dificuldade na coleta de dados devido à intensa
recusa de mulheres fumantes a participar do estudo. Esse mesmo problema foi relatado por Correia et al., (2007) e Rozov et al., (2004), que atribuíram como causa a esse problema as pressões pessoais e interpessoais
impostas pela sociedade e pelas próprias mães. Segundo Possato, Lima
Parada e Tonete (2007), em estudo sobre a percepção de gestantes sobre o
fumo observaram sentimento de auto-culpa, preconceito e a necessidade
de parar. Nesse mesmo estudo as entrevistadas relatam sentirem-se como
criminosas agredindo a si própria e ao filho. Diante disso, a recusa ao convite para participar deste estudo é apenas reflexo da confusão sentimental
pela qual passa a mulher grávida fumante.
Sabidamente, o tabagismo está associado a pessoas de baixa renda, baixa escolaridade e jovens (CORREIA et al., 2007). Segundo estudo realizado por Kroeff, Mengue e Schmindt, (2004), a fim de detectar os principais fatores de riscos associados ao fumo durante a gravidez nos principais
centros urbanos do Brasil, escolaridade baixa, baixa renda familiar e idade
superior a 27 anos foram os fatores apontados mais prevalentes. Nesse estudo, observou-se maior número de mulheres tabagistas com baixo grau
de instrução proporcionalmente em relação ao grupo de mulheres não
fumantes.
A gravidez tem sido apontada como o período ideal para a cessação do tabagismo entre as mulheres grávidas uma vez que elas estão
em contato direto com profissionais de saúde através do pré-natal (MACHADO; LOPES, 2009). O fato de todas as entrevistadas terem realizado o
pré-natal e não havendo diferença entre mulheres fumantes e não fumantes no número de consultas realizadas e que 75% da população fumante
cessou o hábito durante a gravidez pressupõe que a realização de um
pré-natal bem acompanhado seja fator esclarecedor e estimulante para
o abandono da prática tabágica. Em estudo realizado com 8500 mulheres
grávidas e tabagistas observou-se que dentre todas as mulheres, 69% não
pararam de fumar durante a gravidez, 8,4% estavam fumando na primeira
consulta de prénatal, mas pararam de fumar por volta da época do parto
e 13% cessaram o fumo antes mesmo da primeira consulta de pré-natal,
entretanto, estima-se que cerca de 25% das mulheres não relataram a verdade sobre seu hábito o que torna difícil tal avaliação (KIRKLAND; DODDS;
BROSKY, 2000). Esse mesmo viés pode ser admitido por este estudo uma
vez que tanto mulheres fumantes quanto não fumantes possam ter maquiado a verdade, escondendo ou alterando os dados informados na sua
entrevista devido às pressões sociais impostas pelo reconhecimento do
poder lesivo do cigarro durante a gravidez (LEOPÉCIO; GIGLIOTTI, 2004).
Embora o tabagismo tenha sido apontado como fator de risco para
parto pré-termo, neste estudo, não houve relação evidente entre essas
duas variáveis. Machado e Lopes (2009), citam o fato do tabaco provocar
deficiência na absorção da vitamina B12, uma vez que o ácido cianídrico,
12
contido no cigarro, reduz os seus níveis aumentando, assim, o risco de
parto antes da 37ª semana.
À exemplo do mostrado em outros estudos, nessa pesquisa, a gravidez induziu a cessação do hábito tabágico em 75% da população. Isso
segundo vários autores ocorre devido o maior esclarecimento das gravidas, à cobrança social e à demandas próprias de cobrança para sua saúde
e do concepto (MACHADO; LOPES, 2009; CORREIA et al., 2007).
Nesse estudo, o tabagismo não provocou alterações significativas
na estatura, peso ao nascimento e tampouco no desenvolvimento intrauterino avaliado pelo índice de Capurro. Entretanto, valores significativamente menores de APGAR tanto ao primeiro quanto ao quinto minuto no
grupo de mulheres fumantes foram encontrados. Concordantemente, em
estudo realizado por Correia et al., (2007) não foi encontrada relação entre
tabagismo durante a gravidez, baixo peso ao nascer e prematuridade. Por
outro lado, Rozov al., (2004) encontrou diferença significativa no peso ao
nascer e na estatura em recém nascidos de mães fumante em relação a
não fumantes.
Existem muitas formas pelas quais o feto pode ser prejudicado no
meio intra-uterino. O fumo talvez não seja o agente externo mais danoso
contra a gravidez, mas sua importância deriva de sua prevalência (MELLO;
PINTO; BOTELHO, 2001). O cigarro é composto de quase cinco mil substâncias químicas, muitas delas reconhecidamente nocivas ao organismo materno e fetal (UTAGAWA et al., 2007). A exposição ao cigarro durante a gravidez predispõe o bebê à leucemia, alterações pulmonares como doença
pulmonar obstrutiva crônica e alterações imunológicas com diminuição da
capacidade fagocitária e concentração de imunoglobulina A nas mucosas
(MACHADO; LOPES, 2009). Estudos têm mostrado que mesmo anos após
o 16 nascimento, déficits cognitivos e de relacionamento podem ser encontrados nessas crianças (MACHADO; LOPES, 2009; CORREIA et al., 2007).
Concernente às indicações de parto cesário, observou-se maior
número de indicações por desproporção materno fetal tanto no grupo
de fumantes quanto de não fumantes. Segundo Utagawaet al., (2007), há
uma diminuição no crescimento uterino no último trimestre de gravidez
em mulheres tabagistas o que se reflete com aumento da mortalidade
neonatal, aborto, baixo peso ao nascer e parto prematuro. Mello, Pinto e
Botelho (2001), verificaram que a cotinina, o metabólito da nicotina, facilita a ação vasoconstritora da prostaglandina E2 e o acúmulo desta na circulação fetal poderia contribuir para a indução do trabalho de parto prematuro. Leopécio (2008), cita algumas alterações promovidas pelo cigarro
ao binômio materno-fetal que podem desencadear elevação no índice de
parto pré-temo, como, a redução de 50% na concentração de ácido ascórbico (vitamina C) no líquido aminiótico, sendo responsável pela edução
da produção de colágeno da membrana aminocoriônica, a diminuição da
inativação do fator de ativação plaquetário (PAF), culminando em maior
risco de ocorrerem contrações uterinas e a redução na síntese de óxido
nítrico, um poderoso relaxante do miométrio. Proporcionalmente, neste
estudo, o número de partos cesáreos no grupo de fumantes foi maior que
no grupo não fumante.
Os resultados apresentados neste estudo referentes ao tabagismo
durante a gravidez devem ser encarados com cautela. A amostra de gestantes tabagistas foi pequena e o tamanho da amostra pode mascarar os
reais efeitos do tabagismo sobre o complexo mãe-filho. A cessação do tabagismo em 75% da população durante a gravidez, apesar de bom sinal,
também pode ter mascarado os resultados uma vez que os efeitos diretos
do cigarro sobre a gravidez são exercidos principalmente no segundo e
terceiro trimestre de gravidez.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.9-13, Jul-Ago-Set. 2011.
Os efeitos do tabagismo sobre a incidência de partos pré-termos
4
CONCLUSÃO
Perante a análise dos dados obtidos neste estudo, o tabagismo não
mostrou ser fator de risco para parto pré-termo, baixo peso e estatura ao
nascer, devido uma amostra limitada, uma vez que 75% da população
fumante parou com o hábito tabagista durante a gravidez, e a possibilidade das mulheres, fumantes e não fumantes, terem escondido dados
informados nas suas entrevistas, devido a pressões sociais impostas pelo
reconhecimento do poder maléfico do cigarro durante a gravidez, podem
ter interferido nos resultados expostos por este trabalho, mascarando os
reais efeitos nocivos do cigarro sobre as variáveis estudadas.
Contudo, os resultados permitiram identificar redução significativa
do índice de APGAR no primeiro e no quinto minuto, aumento da taxa de
partos cesáreos no grupo de mulheres fumantes. Pôde-se constatar, tam-
bém, a relação tendenciosa entre tabagismo na gravidez e baixos níveis de
escolaridade e socioeconômicos. Ressalta-se a necessidade de realização
de novos estudos com maior população de mulheres fumantes a fim de
comprovar as tendências mostradas neste estudo.
Baseando-se nos dados obtidos, e nos estudos anteriores, os autores do trabalho recomendam que as mães evitem o cigarro, seja direta ou
indiretamente, durante a gravidez e durante o período de amamentação.
Que os profissionais de saúde e autoridades públicas abordem, divulguem
e apliquem cada vez mais os conhecimentos sobre os efeitos do uso do
fumo em mulheres gestantes e programem ações, em nível estadual e
municipal, para implementação do controle do tabagismo como medida
de proteção às gestantes e futuras gestantes - que necessitam de abordagem diferenciada, das conseqüências ambientais, sociais e sanitárias
geradas pelo consumo e exposição à fumaça do tabaco.
REFERÊNCIAS
CORREIA, S. et al. Gravidez e Tabagismo: uma oportunidade para mudar
comportamentos. Acta Médica, Portugal, v. 20, p. 201-207, 2007.
DAVID, L. M. S. L. et al. Tabagismo e Saúde da Mulher: uma discussão sobre
as campanhas de controle do tabaco. Revista de Enfermagem UERJ,
Rio de Janeiro, v. 14, n. 3, p. 412-417, jul/set. 2006.
HORTA, B. L. et al.Tabagismo em gestantes de área urbana da região sul do
Brasil, 1982 e 1993. Rev Saúde Pública, São Paulo, v. 31, p. 247-253. 1997
KIRKLAND, S. A.; DODDS, L. A.; BROSKY, G. The natural history of smoking
during pregnancy among women of Nova Scotia. CMAJ,[s.l], v. 163, p.
281-282, 2000.
KROEFF, L. R., MENGUE, S. S.; SCHMINDT, M. I. Fatores associados ao fumo
em gestantes avaliadas em cidades brasileiras. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v.38 n.2 p.261-267, 2004.
LEOPÉRCIO, J. W. V. Abordagem descritiva e analítica do tabagismo durante a gestação em uma amostra de gestantes no
município do Rio de Janeiro.Rio de Janeiro : UFRJ, 2008. Originalmente apresentado como dissertação de mestrado , Universidade Federal
do Rio de Janeiro, 2008.
MACHADO, J. B. LOPES, M. H. I. Abordagem do tabagismo na gesta- ção. Scientia Medica, Porto Alegre, v. 19, n. 2, p.75-80, abril/
jun.2009.
McCOWAN, L. M. E. et al. Spontaneous preterm birth and small for gestational age infants in women who stop smoking early in pregnancy: prospective cohort study. Consórcio SCOPE. BMJ, [s.l], mar. 2009. 338p.: b108
MELLO, P. R. B. PINTO, G. R. BOTELHO, C. Influência do tabagismo na fertilidade, gestação e lactação. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 77,
n.4, jul/agos. 2001.
POSSATO, M.; LIMA PARADA, C. M. G.; TONETE, V. L. P. Representação de
gestantes tabagistas sobre o uso de cigarro. Rev. Esc. Enferm. USP,
v.41, n. 3, p. 434-440, 2007.
ROZOV, T. et al. Hábito de fumar das gestantes e parturientes de um hospital
universitário e seus conhecimentos sobre os efeitos do fumo em fetos e
lactentes. Arquivo Medico. ABC, São Paulo, v.29, n.1, 2004.
UTAGAWA, C. Y. et al. Tabagismo e Gravidez: repercussões no
desenvolvimento fetal. Cadernos UniFOA, ano II, n. 4, agos.2007.
Disponível
em:
http://www.unifoa.edu.br/pesquisa/caderno/edi-ao/04/97.pdf
LEOPÉRCIO, W. e GIGLIOTTI, A. Tabagismo e suas peculiaridades durante
a gestação: uma revisão crítica. Jornal Brasileiro de Pneumologia,
Rio de Janeiro, p.176-85, março/abril. 2004.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.9-13, Jul-Ago-Set. 2011.
13
PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
A mãe adolescente e o cuidado ao recém-nascido
Adolescent mother and the care about the newborn
De la madre y del adolescente de cuidado para recién nacido
Camila Irene da Silva Araújo
Enfermeira, Pós-Graduanda em Terapia Intensiva
pela Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e
Tecnológicas do Piauí – NOVAFAPI. Bacharel em
Enfermagem pela Faculdade Santo Agostinho-FSA.
Teresina – PI.
Flávia da Costa Rodrigues Lima
Enfermeira,Pós-Graduanda em Terapia Intensiva
pela Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e
Tecnológicas do Piauí – NOVAFAPI; Bacharel em
Enfermagem pela Faculdade Santo Agostinho-FSA.
E-mail: [email protected]
Géssica Walquíria Sampaio Borges
Moita
Enfermeira; Pós-Graduanda em Terapia Intensiva
pela Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e
Tecnológicas do Piauí – NOVAFAPI; Bacharel em
Enfermagem pela Faculdade Santo Agostinho-FSA .
Teresina – PI.
Silvana Santiago da Rocha
Enfermeira, Doutora em Enfermagem pela UFRJ,
Mestre em Educação pela Universidade Federal do
Piauí – UFPI, Professora Adjunta da Universidade
Federal do Piauí – UFPI. Atual Conselheira Secretária
do Conselho Regional de Enfermagem - COREN-PI.
Tatiana Maria Melo Guimarães dos
Santos
Enfermeira, Mestre em Enfermagem pela
Universidade Federal do Piaui – UFPI; Especialista em
Obstetrícia pela UFPI, Graduada pela UFPI, Professora
da Faculdade Santo Agostinho – FSA.
Submissão: 13.02.2011
Aprovação: 21.03.2011
14
RESUMO
Estudo qualitativo de caráter exploratório tem o objetivo de compreender o que significa para as
adolescentes o cuidar do seu filho recém-nascido e analisar como as mães-adolescentes vivenciam
o cuidar do recém-nascido. Sujeitos de pesquisa foram treze mães adolescentes. Para a produção
de dados utilizou-se análise de conteúdo de Bardin. Evidenciou-se que o cuidado com esse recém-nascido é prazeroso, mas demanda muita responsabilidade, há a necessidade de desenvolver habilidades e destreza especifica para esse cuidar do bebê.
Descritores: Enfermagem. Mãe adolescente. Cuidado ao recém-nascido.
ABSTRACT
Exploratory qualitative study aims to understand what it means for adolescents to take care of her
newborn son and look at how adolescents perceive their mothers to care for the newborn. Study
subjects were thirteen teenage mothers. For the production data was used content analysis of Bardin. It was evident that the care of this baby is fun, but demands a lot of responsibility, there is a need
to develop skills and dexterity for that specific care for the baby.
Descriptors: Nursing. Adolescent mother. Care for newborns.
RESUMEN
Estudio exploratorio cualitativo busca comprender lo que significa para los adolescentes a cuidar de
su hijo recién nacido y observar cómo los adolescentes perciben a sus madres a cuidar a los recién
nacidos. Los sujetos del estudio fueron trece madres adolescentes. Para la producción de datos se
utilizó el análisis de contenido de Bardin. Era evidente que El cuidado de este bebé ES divertido, pero
que requiere mucha responsabilidad, hay uma necesidad de desarrollar habilidades y destreza para
que La atención específica para El bebé.
Descritores: Enfermería. Madre adolescente. Cuidado del recién nacido.
1
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A adolescência é um período de transição entre a infância e a fase adulta em que acontecem
mudanças fisiológicas, psicológicas e sociais. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a adolescência é um período da vida, que começa aos 10 anos e vai até aos 19 anos, e de acordo com o
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a adolescência inicia-se nos 12 anos e vai até aos 18
anos de idade (BRASIL, 2008).
É na fase da adolescência que ocorrem profundas mudanças, caracterizadas principalmente por crescimento rápido, surgimento das características sexuais secundárias, conscientização da
sexualidade, estruturação da personalidade, adaptação ambiental e integração social. Com a introdução dos cuidados de puericultura, melhores condições nutricionais para a população em geral,
o desenvolvimento dos programas de vacinação em todo o país, entre outros, tem-se promovido a
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.14-19, Jul-Ago-Set. 2011.
A mãe adolescente e o cuidado ao recém-nascido
diminuição dos índices de mortalidade infantil, o que resulta no aumento da população de adolescentes. No Brasil, esta corresponde a 20,8% da
população geral, sendo 10% na faixa de 10 a 14 anos e 10,8% de 15 a 19
anos, estimando-se que a população feminina seja de 17.491.139 pessoas
(YAZLLE, 2006).
A sexualidade é um dos importantes aspectos da adolescência,
muito enfatizado não apenas pelos dados já apontados, mas também por
que é nessa fase da vida do ser humano que a identidade sexual está se
formando. As mudanças físicas correlacionadas com as mudanças psicológicas levam o adolescente a uma nova relação com os pais e com o mundo, mas isto só será possível se o adolescente puder elaborar lentamente
os vários lutos pelos quais passa, ou seja, o da perda do corpo infantil,
a perda dos pais na infância e a perda da identidade infantil. Quando o
adolescente vive todo esse processo, ele se inclui no mundo com um novo
corpo já maduro e uma imagem corporal formada, que muda sua identidade, e é esta a grande função da adolescência, a busca da identidade
que ocupa grande parte de sua energia (CANO; FERRIANI; GOMES, 2000).
Sob o termo gravidez na adolescência, abriga-se uma faixa etária
que, por muito tempo, foi considerada a ideal para a mulher ter filhos. O
fenômeno também ganha importância no cenário de mudanças operadas
na concepção social das idades e do gênero que redefinem as expectativas sociais depositadas nos jovens nos dias atuais, sobretudo nas adolescentes do sexo feminino. Parecem ser precisamente as chances abertas
às jovens, no que diz respeito à escolarização, à inserção profissional, ao
exercício da sexualidade desvinculado da reprodução, que fundamentam
uma nova sensibilidade quanto à idade ideal para se ter filhos.
Nesse panorama, a gravidez na adolescência desponta como um
desperdício de oportunidades, uma subordinação precoce a um papel do
qual, durante tanto anos, as mulheres tentaram se desvencilhar. Essa argumentação subestima o fato de esse leque de oportunidades sociais não
ser igualmente oferecido para jovens de diferentes classes e, além disso,
supõe como universal o valor ou o projeto de um novo papel feminino
(HEILBORN, et al., 2002).
Durante esta fase, as jovens não estão preparadas psicologicamente e nem fisicamente para enfrentar uma gravidez, por isso podem ocorrer
complicações para mãe e o recém- nascido. A mãe adolescente tem maior
risco de mortalidade durante a gravidez, no parto e no puerpério, os recém – nascidos nascem de baixo peso, a incidência de morte neonatal e a
taxa de prematuridade são elevadas e as adolescentes apresentam maior
freqüência de sintomas depressivos no pós - parto (CARNIEL, et al., 2006).
Diante dessas circunstâncias, o cuidado ao recém-nascido (RN)
deixa a desejar, pois surgem diversos fatores que dificultam esse cuidado como: as preocupações maternas primárias, novas responsabilidades
e amadurecimento pessoal. Uma mãe adolescente pode estar se sentindo
muito jovem ou imatura para assumir a maternidade principalmente por
defrontar-se com alterações provocadas pela gravidez, que afetam sua
auto - imagem e auto- estima.
Cuidado é ação planejada, deliberada ou voluntária, resultante da
percepção, observação e análise do comportamento, situação ou condição do indivíduo, estendendo-se a família no contexto em que se encontra. Cuidar é um modo de estar com o outro. Cuidado é um ato humano
e como tal, praticado e vivenciado por pessoas. Permite a interatividade
entre seres e a possibilidade de dar e receber ajuda.
Significa o modo de ser no mundo e possibilita sua prática em momentos de promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamentos de
enfermidades, no viver e no morrer. O Cuidado é o fenômeno universal
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.14-19, Jul-Ago-Set. 2011.
essencial a sobrevivência do ser humano. Para cuidar, transmitir segurança e confiança a quem é cuidado precisa-se estar imbuído tanto do fazer
como do ser (SANCHES, 2006).
No que diz respeito ao cuidado que permeia toda a nossa vida enquanto seres humanos, e que se faz necessário para a sobrevivência do
bebê que se forma no ventre da adolescente, ainda inexperiente, para Boff
(2000), significa preocupar-se e sentir-se responsável pelo outro. Logo, a
pessoa que tem cuidado tem amor por algo ou alguém, é o querer bem.
Assim “cuidado é uma relação amorosa para com a realidade, com o objetivo de garantir-lhe a subsistência e criar-lhe espaço para o seu desenvolvimento”.
Para Waldow, (2004, p.19)
Ser é cuidar, e as várias maneiras de estar-no-mundo compreendem diferentes
maneiras de cuidar. Para se tornar um ser de cuidado, o cuidador, o ser precisa,
primeiro, ter experienciado o cuidado, ou seja, ter sido cuidado. A capacidade de
cuidar está, portanto, relacionada ao quanto e como o ser foi cuidado. Através do
cuidado, percebe-se a existência de outros além do que se é; o outro dá o sentido
de Eu.
Ainda para Waldow, (2006, p.28) “o cuidado é responsivo, ou seja, a
capacidade de cuidar é evocada em resposta a alguém ou a alguma coisa
a quem ou à qual se atribui alguma importância e representa um valor”.
Assim, entendemos que o recém-nascido demanda esse cuidar responsivo, considerando que é um ser totalmente dependente do outro para
sobreviver, e logo necessitará também de sentir-se inserido numa família
que o acolhe e lhe dedica não só o básico para a subsistência, mas o afeto
e o carinho essencial para se desenvolver na sociedade.
O cuidado materno constitui um conjunto de ações biopsicossociambientais que permitem à criança desenvolver-se bem. Além de sentir-se rodeada de afeição, a criança precisa de um potencial de cuidados e
providencias a serem tomadas: o sono tranqüilo, alimentação, a higiene
e outros. Reconhecer e saber interpretar corretamente os sinais que o
recém-nascido emite é imprescindível para a sua saúde e seu bem-estar,
(FOLLE; GEIB, 2004).
Diante do exposto, e considerando que a primeira semana de vida
do RN é o período de adaptação à vida extra - uterina, sendo também
uma fase de que necessita de cuidados primordiais da mãe para com o
filho, cuidar de recém - nascido não se apresenta como uma tarefa fácil
para nenhuma mulher e muito menos para uma adolescente inexperiente
e que está na fase de descobertas. A adolescente terá que abdicar de sua
juventude, talvez necessite afastar-se dos estudos, deverá estar atenta ao
choro, sono, alimentação e higiene do bebê, ou seja, atenção integral ao
recém-nascido.
Como acadêmicas de enfermagem constatamos durante as
práticas de campo, numa maternidade, que são muitas as mães adolescentes. Observou-se que sempre estava por perto as avós, dando
sua ajuda prática e aconselhamento a essas jovens. Tudo isso nos preocupou por entendermos que as adolescentes de fato, necessitam de
apoio, pois se vêem diante de uma situação especial, cuidar de outra
criança numa fase em que as próprias ainda demandam atenção especial. Logo, elas ainda estão numa fase de transição entre a vida da
infância e a adulta.
De fato, temos constatado que com o amadurecimento precoce
das adolescentes, o número de gravidez nesta fase tem aumentado nos
últimos anos levando essas mães adolescentes a enfrentarem muitos problemas durante a gravidez e no puerpério, sendo fundamental, então, que
a enfermagem esteja atenta para essas mães adolescentes. A demanda de
cuidados para elas e para o recém-nascido é muito grande.
15
Araújo, C. I. S.; et al.
A associação maternidade e adolescência, além de está relacionada com os aspectos de maturação biológica e psicológica, também
possuem grande ligação com outros fatores importantes como o ambiente social. Portanto, é indispensável conhecer o mundo social dessas jovens
e aprender como vive em suas relações pessoais dentro da sociedade, que
com certeza repercutirá no seu modo de agir diante das diferentes situações que se apresentam.
Surge, então, como objeto do estudo o significado do cuidar de
filhos recém-nascidos por mãe adolescentes. Tem como objetivos do estudo compreender o que significa para as adolescentes o cuidar do seu filho
recém-nascido; e como questões norteadoras desta investigação: o que
significa para as mães adolescentes cuidarem de seus filhos recém - nascidos? como as mães adolescentes vivenciam o cuidar do recém - nascido?
2
METODOLOGIA
Para a realização deste estudo foram respeitados os princípios
éticos que envolvem a realização de pesquisa. O projeto de pesquisa foi
encaminhado para parecer do Comitê de Ética em Pesquisa da instituição,
no caso a Faculdade Santo Agostinho. O projeto de estudo segue o preconizado na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. A coleta de
dados foi realizada após a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa.
As entrevistas forma realizadas após a assinatura do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido, que garante o anonimato e o caráter
confidencial das informações. No estudo as depoentes foram nomeadas
com nomes de pedras preciosas e não preciosas (rubi, esmeralda, opala,
ametista, topázio, turquesa, turmalina, ônix, jade, cristal, coral, safira, ágata) como uma forma de homenageá-las por terem aceitado participar da
pesquisa.
Este estudo é qualitativo e exploratório, onde utilizou-se a entrevista semi-estruturada como método de coleta de dados. Participaram do
estudo 13 (treze) mães-adolescentes, que estavam internadas com seus
filhos recém-nascidos na unidade de Alojamento Conjunto de um hospital público de urgência e maternidade, situado na cidade de Timon-Ma. As
questões que foram elaboradas tinham como eixo norteador o cuidado, as
mães-adolescentes e o recém-nascido. As entrevistas foram gravadas em
MP3 e transcritas logo após sua realização, para evitar-se perca das falas,
ou não entendimento desta. Para trabalhar os dados utilizou-se Análise de
Bardin (2004).
Conforme mencionado, fizeram parte deste estudo 13 mães-adolescentes que permaneceram internadas com os recém-nascidos nas enfermarias. Os dados foram coletados no período de fevereiro a março de
2009. As mães-adolescentes entrevistadas eram jovens com idade entre
treze a dezenove anos. Das 13 mães-adolescentes, 9 eram primíparas , 7
não tinham acompanhantes e as demais eram acompanhadas pelas as
avós dos recém-nascidos. Todas fizeram pré-natal e tiveram parto normal.
No geral entre as mães-adolescentes o número de consultas no pré-natal
foi considerada satisfatória para se ter uma gestação segura e livre de riscos tanto para a mãe-adolescente quanto para o recém-nascido.
3
RESULTADOS E DISCUSSÃO
sentando as categorias elaboradas, que se referem ao cuidado do filho
recém-nascido apresentado as dificuldades e a vivência das mães adolescentes diante do sentimento de ser mãe.
Caracterização dos sujeitos
Conforme mencionado, fizeram parte deste estudo 13 mães-adolescentes que permaneceram internadas com os recém-nascidos nas enfermarias. Os dados foram coletados no período de fevereiro a março de
2009. As mães-adolescentes entrevistadas eram jovens com idade entre
treze a dezenove anos. Das 13 mães-adolescentes, 9 eram primíparas , 7
não tinham acompanhantes e as demais eram acompanhadas pelas as
avós dos recém-nascidos. Todas fizeram pré-natal e tiveram parto normal.
No geral entre as mães-adolescentes o número de consultas no pré-natal
foi considerada satisfatória para se ter uma gestação segura e livre de riscos tanto para a mãe-adolescente quanto para o recém-nascido.
Cuidar do recém-nascido significa prazer, trabalho e
responsabilidade
Ao serem questionadas sobre o significado de cuidar desse filho,
um aspecto que surge de forma bem clara nas falas é a relação prazerosa com o recém-nascido, que é uma relação envolvente, cuidadosa e de
aprendizado indicando o fortalecimento do vínculo mãe-adolescente e
recém-nascido, dedicação total ao bebê, que se torna o sentido único de
sua vida. Cuidar, na percepção das adolescentes, é estar atenta à saúde do
filho, dando todos os subsídios para crescer saudável, além de afeto, amor
e carinho que são essenciais para a criação de um filho e formação de sua
personalidade.
Quando as mães-adolescentes dizem que cuidar do filho “dá trabalho” entendemos que é a forma de descreverem que são muitas as tarefas
que devem ser prestadas ao recém-nascido durante o dia e a noite. As
mães falam que levantam muito à noite, que trocam muitas fraldas, que
acordam porque o filho está chorando por um motivo qualquer, isto é,
realmente o trabalho a que as jovens se referem.
Muitas delas ainda não se deram conta que ser mãe é ser vigilante
do filho; o recém-nascido nos primeiros meses não sabe o que é dia e o
que é noite, não controla seus esfíncteres, isso é um processo normal que
toda criança passa. Acreditamos que cuidar do filho é exaustivo e trabalhoso, mas como a vida é sempre cheia de fases com certeza esta também
passará, cabendo à mãe-adolescente ter uma postura madura e consciente para tentar adaptar-se a esse momento, de forma que o recém-nascido
não sofra e cresça saudavelmente.
A necessidade emocional mais importante para a criança é a de ser
e sentir-se amada. O amor deve ser transmitido através de palavras, ações
e gestos, pois a mãe-adolescente relata alegria e sente-se feliz ao cuidar
do filho, portanto, esse amor demonstrado traz uma satisfação ao recém-nascido e a mãe se sente contente por está atendendo às necessidades
do filho. Quando seguras desse amor, as crianças são capazes de superar
as crises normais associadas ao desenvolvimento, bem como as crises
inesperadas: doenças e perdas.
É importante, é amor. Tudo depende de mim (Jade).
Nesse momento do nosso estudo, apresentamos a caracterização
dos sujeitos da pesquisa, evidenciando faixa etária, número de filhos, presença de acompanhante durante a internação hospitalar, tipo de parto e
se fizeram pré-natal. Em seguida discutiremos os dados produzidos apre16
Significa tudo pra mim, respeito, amor, carinho, dedicação (Cristal).
Tá sendo um momento muito bom, a primeira filha é novidade, tá sendo muito
trabalhoso (Esmeralda).
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.14-19, Jul-Ago-Set. 2011.
A mãe adolescente e o cuidado ao recém-nascido
Os sentimentos experimentados pelas adolescentes após o nascimento do bebê foram variados, porém predominou o sentimento de
responsabilidade. De acordo com os depoimentos a maioria das mães-adolescentes relataram que para cuidar do recém-nascido deve-se ter o
cuidado adequado não sendo uma tarefa fácil. Como adolescência trata-se de uma fase de transição, esta pode ainda ter características infantis,
apresentando imaturidade, expressões de medo, insegurança e falta de
conhecimento sobre os cuidados ao filho, isso se deve a antecipação das
fases da vida, ou seja, citam as responsabilidades e dificuldades, mas essas
se tornam ainda maiores do que na realidade são; isso acontece por não
terem tido um amadurecimento natural no percurso da vida.
As expectativas negativas em relação ao cuidado com o recém-nascido vão se dissolvendo durante a vivência da maternidade, quando
passam a perceber que cuidar do filho é bom e prazeroso, e faz com que a
jovem se sinta bem. Foi o que observamos nas falas das adolescentes, que
no inicio realmente é difícil, pois é um momento de adaptação de ambos
e que as dificuldades vão diminuindo de acordo com a convivência com o
recém-nascido. No entanto, o sentimento de responsabilidade se aflora na
consciência da mãe-adolescente, pois já tem noção de que o filho é totalmente dependente e que em cada fase precisa de orientação da mãe.
Dá trabalho. Mais ou menos. (...) Tem que ter muita responsabilidade (Turmalina).
Muito trabalho, responsabilidade, tem que ter muita paciência e cuidado (Safira).
Muita responsabilidade, ainda não sei cuidar dele direito, não tenho experiência
nenhuma (Ágata).
É bom. Muita responsabilidade, amor, cuidado, tem que ter muita paciência com
ele (Coral).
Possivelmente, esses sentimentos refletem a influência cultural e
familiar sobre a concepção de maternidade predominante no contexto
em que este estudo foi desenvolvido, o status de mãe leva a adolescente
a sentir-se mais adulta e comprometida e, com isso, mais capaz de responder às expectativas em relação ao papel das mulheres na sociedade
(MAZZINI et al., 2008).
Vivenciando tarefas de um cuidar que demanda desenvolver
destreza e habilidades
Em relação às tarefas que devem ser desenvolvidas com o recém-nascido, uma das principais dificuldades enfrentadas pelas mães-adolescentes é a hora da amamentação. A pega incorreta no peito se apresenta
como uma queixa constante. Durante a amamentação, observamos que
alguns recém-nascidos até mamavam, porém largavam a mama e choravam. Devido a essa pega incorreta, as mães queixaram-se de dor durante a
amamentação. Outro problema encontrado foi à anatomia da mama, pois
algumas das mães tinham o mamilo plano.
De acordo com Bergman et al., (2004), as principais dificuldades
para amamentar são: “mamilos feridos”, “criança não pegava o peito” e “produção insuficiente de leite”, essas dificuldades se fazem presentes nos primeiros dias, independente se é mãe-adolescente ou não. Essas dificuldades citadas pelo autor estão presentes no estudo, a adaptação à nova vida,
não é só sentida pela mãe-adolescente, mas também pelo recém-nascido
um novo ambiente, alterações fisiológicas e várias outras mudanças que
vão acontecendo ao passar dos dias. Por isso, que a mãe-adolescente deve
ser persistente nessa fase de adaptação, pois o recém-nascido aprenderá
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.14-19, Jul-Ago-Set. 2011.
a viver no novo espaço, agora ao redor de pessoas que lhe querem bem e
que estão prontas para ajudá-lo.
Tenho muito medo, às vezes ele se engasga e eu não sei o que fazer, e também
no inicio para pegar no peito é difícil, mas agora ele já tá pegando direitinho.
(Turmalina).
Não sei pegar direito no bebê, botar para amamentar porque eu não sei o jeito
certo, ela é muito molinha, acho que na hora de usar mamadeira quando ela
tiver mais velha acho que eu não vou saber botar. (Opala).
[...] e dói na hora de dar de mamar, agora que ela tá se acostumado a pegar no
peito. (Rubi).
Não. Só meu peito que tá doendo. (Ametista).
Nos primeiros dias da amamentação, a maioria das mães pode
sentir uma discreta dor no início das mamadas. Contudo, mamilos muito
dolorosos ou lesionados, apesar de serem muito comuns, não são normais. A dor na amamentação, seja ela causada por lesões mamilares ou
por sensibilidade da mãe, geralmente decorre de inadequação da técnica
de amamentação ou do padrão de sucção do bebê. Muitas vezes, numa
avaliação superficial, pode parecer que a lesão e a dor referidas são desproporcionais. Porém, ao ajudar a mãe a resolver essa intercorrência tão
comum e difícil, devemos levar em conta sua sensibilidade à dor e seus
sentimentos sobre a situação vivenciada. A insensibilidade dos profissionais de saúde, ou mesmo da família, frente à dor da mulher pode ser um
fator que desperta nela sentimentos de solidão e isolamento, fazendo-a
desistir de amamentar (CARVALHO; BICA; MOURA, 2007).
Por desconhecimento da importância da amamentação, falta de
conhecimento sobre a pega correta no peito, fatores de ordem biológica,
psicológica e sócio-culturais podem contribuir para que o bebê faça uma
pega incorreta no peito, ocorrendo uma ordenha ineficiente (MARQUES;
MELO, 2008).
A baixa prevalência do aleitamento materno, especialmente o exclusivo pode ser explicado tanto pela falta de conhecimento das mães
sobre os benefícios, a importância do leite materno e a continuidade do
aleitamento quanto pela indisponibilidade dos profissionais de saúde
para ministrar orientações direcionadas à manutenção da amamentação
ou, até, para manejar adequadamente a dieta infantil, ao orientarem precocemente o uso de chás, sucos e fórmulas lácteas (NARCHI et al., 2005).
Outra dificuldade enfrentada no processo de cuidado com o recém-nascido é quanto à higiene do mesmo, principalmente a falta de habilidade durante o banho ou mesmo ao segurar o bebê. As mães-adolescentes
relataram que se sentem inseguras em pegar nos seus filhos, pelo fato de
serem “molinhos”, frágeis recusam-se a realizar cuidados de higiene como
banhar o recém-nascido, deixando esse cuidado para a avó. A presença
das avós para as mães-adolescentes era de grande importância, pois além
de desempenharem o papel de avós, realizavam os cuidados junto ao
recém-nascido e ensinavam as mães-adolescentes a superar as dificuldades e o medo de manusear com o filho, incentivando e encorajando-as a
enfrentar o temor, e assim aumentando o afeto entre mãe e filho.
[...] ele é muito pequeno e frágil, tenho medo de banhar ele. (Cristal).
Na hora de tomar banho tenho dificuldade sim, porque ele é muito molinho ainda, e ele se meche muito. (Ônix).
Ah! o banho, eu num sei banhar não, Tô esperando a mãe chegar na hora da
visita, pra banhar ele. (Jade).
Nesse contexto, percebe-se que as crianças, filhos de mães ado17
Araújo, C. I. S.; et al.
lescentes, recebem cuidados do núcleo familiar em que a mãe se insere,
porque, muitas vezes, a adolescente não consegue desenvolver sozinha
os cuidados ao bebê, por viver um processo de reorganização da sua vida.
Portanto, muitas são as práticas de cuidado realizadas pelas diferentes famílias, embasadas na cultura e na condição socioeconômica de cada um.
As meninas grávidas precisam adquirir habilidades para cuidar de seus
bebês, e essas habilidades, na maioria das vezes, vêm de suas mães, irmãs mais velhas, avós e vizinhas, ou da própria experiência em cuidar de
irmãos mais jovens (MOTTA, et al., 2004).
Vivenciando tarefas de um cuidar compartilhado com
familiares
Durante a internação hospitalar da mãe-adolescente foi possível
perceber o apoio familiar a esta jovem, especialmente com a presença da
avó que aparece auxiliando a mãe-adolescente, ajudando a superar as dificuldades do cuidado ao recém-nascido, o que favorece o desenvolvimento das habilidades e amadurecimento para desenvolver com segurança
o cuidado ao recém-nascido. Para adquirir confiança na realização das
tarefas com o recém-nascido, a mãe-adolescente deve ter muita paciência
e amor com seu filho, pois é com a vivência no dia-a-dia que ela desenvolverá habilidades durante as tarefas e para que isso ocorra é necessário
que elas vivam realmente a maternidade renunciando a muitas coisas
para cuidar do filho. Portanto, o apoio da família é bastante importante
na adaptação dessa mãe-adolescente. Quando questionadas sobre com
quem contavam para ajudá-las mencionaram:
Conto com a minha mãe. Ela vai me ajudar a cuidar e me ensinar o que preciso
para que ele fique sadio. (Topázio).
Da minha mãe, em quase tudo, cuidar, banhar e também uma ajuda na hora de
comprar algumas coisas quando precisar. (Turquesa).
Ajuda da mãe, na hora de banhar e pegar (segurar). (Ágata).
18
Em função dessas dificuldades e medos a mãe adolescente elabora
estratégias que a auxiliem na superação das mesmas, buscando ajuda para
cuidar, procura reaproximar-se de seus familiares, para que a auxiliem e
orientem quanto aos cuidados do bebê e que lhe ofereçam apoio pessoal.
Ao interagir com familiares e profissionais da saúde, a mãe adolescente vai
tendo ajuda para cuidar do filho. Na maioria das vezes, a ajuda advém de
sua mãe ou de sua sogra, que a acolhem e favorecem para que se perceba
apoiada e segura. Como conseqüência revê valores de sua vida e começa
a imprimir-lhes outro olhar, o que favorece que seu relacionamento com
a família torne-se menos conflituoso. Ao sentir-se apoiada, seu cuidado se
traduz em qualificação, satisfação e fortalecimento em seu desempenho, e
essa experiência se reverte em valorização de sua auto-estima (ANDRADE;
RIBEIRO; SILVA, 2006).
A família está sempre apoiando a adolescente no cuidado com o
filho, tanto no aspecto financeiro, quanto nos afazeres domésticos. Apesar
de ser mãe, é necessário que a adolescente retome alguns projetos de
vida, como estudar e trabalhar. E isso parece ser aceito e estimulado pelos
familiares, já que não vêem outra saída, senão em assumir os cuidados
com a criança na ausência da adolescente. No entanto, várias vezes, este
suporte interfere no cuidado da criança. Os mais velhos com suas experiências, suas crenças e seus mitos, sempre fazem ou ditam o melhor a fazer
para o cuidado da criança e não confiam nas condutas tomadas pelas adolescentes (MACHADO; MEIRA; MADEIRA, 2003).
Considerando que a familia é fundamental para esse cuidar do
recem-nascido, chamou-nos a atenção de que as mães-adolescentes
pouco falaram sobre o pai da criança, o que pode prejudicar a aceitação
da maternidade e provavelmente a mãe terá mais dificuldades nos cuidados com o recém-nascido, pois será menos um apoio durante esta fase da
vida. Essa falta da figura paterna se deve a diversos fatores, como a imaturidade diante de uma gravidez indesejada, o medo de perder a liberdade
e assumir responsabilidades com a mãe e o filho. Por esses fatores, tem-se
aumentado o numero de mães solteiras, estas tentam superar a ausência
paterna e buscam atender às necessidades do filho.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.14-19, Jul-Ago-Set. 2011.
A mãe adolescente e o cuidado ao recém-nascido
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Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.14-19, Jul-Ago-Set. 2011.
19
PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
A percepção das puérperas quanto ao parto humanizado em uma
maternidade pública de Teresina-PI
Perception of postpartum women regarding the humanized childbirth in a public maternity hospital in
Teresina-PI
Percepción de las puérperas acerca del parto humanizado en una maternidad pública en Teresina-PI
Nadiana Lima Monte
Enfermeira. Especialista em saúde maternoinfantil pela Universidade Federal do Piauí – UFPI.
Professora da Faculdade de Saúde, Ciências
Humanas e Tecnológicas do Piauí - NOVAFAPI. Email:
[email protected]
Jéssica da Silva Gomes
Graduando em enfermagem pela Faculdade de
Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí NOVAFAPI. Email: [email protected]
Laís Mayara Machado de Amorim
Graduando em enfermagem pela Faculdade de
Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí NOVAFAPI. Email: [email protected].
RESUMO
O estudo teve como objetivo: Descrever a percepção das puérperas quanto ao parto humanizado
em uma maternidade pública de Teresina-PI. Realizou-se uma pesquisa de abordagem qualitativa
com 10 puérperas. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas semiestruturadas no mês de
outubro de 2010 e submetidos à análise de conteúdo. Os resultados mostraram que o parto humanizado possui uma grande aceitação entre as puérperas. Pôde-se observar que essas mulheres saíram
do serviço cientes do significado do parto de modo humanizado e mostraram grande interesse nas
tecnologias alternativas para alívio da dor como banhos de chuveiro, massagens, uso da bola. Assim
a assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente, em que a informação é fator relevante,
foi a base principal para que elas tivessem a liberdade de escolher ou recusar qualquer procedimento relacionado com seu próprio corpo, cabendo à equipe, dentro de suas possibilidades, mudar a
conduta de modo que a parturiente sinta-se segura em relação à assistência prestada. A presença
de um acompanhante de sua escolha foi motivo de surpresa, tendo a sua presença transmitido uma
maior segurança para as puérperas. Em vista disso, elas apresentaram um grande desejo de ter seus
próximos filhos de modo humanizado.
Descritores: Enfermagem obstétrica. Parto humanizado. Parto normal.
ABSTRACT
The study aimed to describe the perception of postpartum women regarding the humanized childbirth in a public maternity hospital in Teresina-PI. It was realized a qualitative research with 10 postpartum women. The data were collected through semi-structured interviews in October 2010 and
submitted to content analysis. The results showed that humanized childbirth has a great acceptance
among the postpartum women. It was observed that these women left the service aware of the
significance of childbirth in a humanized way and they showed great interest in alternative technologies for pain relief as showers, massages and use of the ball. Thus, obstetric assistance focused on
the client’s needs, in which information is a relevant factor, was the main base for them to have the
freedom to choose or refuse any procedure related to their own body, leaving the team, within its
capabilities, to change the conduct so the parturient can feel secure about the provided assistance.
The presence of a companion of their choice was reason for surprise, and this presence transmitted
a greater security for the postpartum women. In view of this, they showed a great wish to have their
next children in a humanized way.
Descriptors: Obstetric nursing. Humanized childbirth. Normal childbirth.
RESUMEN
Submissão: 03.06.2011
Aprovação: 29.06.2011
20
El estudio tuvo como objetivo describir la percepción de las puérperas acerca del parto humanizado
en una maternidad pública en Teresina-PI. Se realizó una búsqueda con enfoque cualitativo con 10
puérperas. Los datos fueron producidos a través de entrevistas semi-estructuradas en octubre de
2010 y sometidos a análisis de contenido. Los resultados mostraron que el parto humanizado tiene
una gran aceptación entre las puérperas. Se observó que estas mujeres dejaron el servicio conscienRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.20-24, Jul-Ago-Set. 2011.
A percepção das puérperas quanto ao parto humanizado em uma maternidade pública de Teresina-PI
tes de la importancia del parto humanizado y mostraron gran interés en
las tecnologías alternativas para el alivio del dolor como duchas, masajes,
el uso de la bola. De esta manera, la asistencia obstétrica centrada en las
necesidades del cliente, en el que la información es un factor relevante, fue
la base principal para que ellas tengan la libertad de elegir o rechazar cualquier procedimiento relacionado con su propio cuerpo, dejando el equipo,
dentro de sus posibilidades, cambiar la conducta para que la parturienta
se sienta segura en relación a la asistencia prestada. La presencia de un
acompañante de su elección fue razón de sorpresa, y su presencia envió
una mayor seguridad para las puérperas. En vista de esto, ellas mostraron
un gran deseo de tener sus hijos siguientes de manera humanizada.
Descriptores: Enfermería obstétrico. Parto humanizado. Parto.
1
INTRODUÇÃO
A humanização do parto não significa mais uma nova técnica ou
mais conhecimento, mas, sim, o respeito à fisiologia do parto e à mulher.
Muitos hospitais e serviços médicos ignoram as regulamentações exigidas
pela Organização Mundial de Saúde e Ministério da Saúde, seja por querer
todo o controle da situação do parto, por conveniência dos hospitais em
desocupar leitos mais rápidos ou por comodidade de médicos e mulheres
em que no mundo atual não se pode perder muito tempo.
O nascimento é historicamente um evento natural. Mesmo as primeiras civilizações agregaram, a este acontecimento, inúmeros significados culturais que, através de gerações, sofreram transformações, e ainda
comemoram o nascimento como um dos fatos marcantes da vida (BRASIL,
2001).
A história traz dados que informam que, no início, as mulheres pariam isoladamente, sem nenhum tipo de cuidado, seguiam apenas seus
instintos. O parto era considerado um fenômeno natural e fisiológico. A
trajetória da assistência ao parto iniciou-se a partir do momento em que
as mulheres passaram a se auxiliar e a acumular conhecimentos sobre o
processo de parir. A mulher que acumulasse uma maior experiência era
reconhecida pela comunidade como Parteira, que se traduz na figura daquela que atende partos domiciliares, mas que não tem nenhum saber
científico. Seus conhecimentos são embasados na prática e na acumulação de saberes, passados tradicionalmente de geração para geração (SANTOS, 2002).
Contudo, a partir do século XX, a medicina transformou o parto,
que é um evento fisiológico, em um evento patológico que necessita,
na maioria das vezes, de tratamento medicamentoso e cirúrgico, predominando a assistência hospitalar ao parto, tornando-o institucionalizado
(CRIZÓSTOMO, 2007).
Segundo Tornquist (2002), a Organização Mundial de Saúde (OMS)
propõe mudanças no modelo de atendimento ao parto hospitalar/medicalizado no Brasil, recomenda a modificação de rotinas hospitalares
consideradas desnecessárias, geradoras de risco e excessivamente intervencionistas no que tange ao parto. A proposta da OMS não é eliminar tais
intervenções, mas reduzi-las apenas às situações de necessidade comprovada, uma vez que se entende que o modelo de atenção ao parto e ao
nascimento hospitalar estaria abusando de práticas prejudiciais à saúde
da mulher e do bebê.
No Brasil, as tendências que visam incentivar o parto normal e valorizar a atuação da enfermeira obstétrica refletiram-se na criação de portarias pelo Ministério da Saúde (MS), com definição de índices decrescentes
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.20-24, Jul-Ago-Set. 2011.
para o pagamento de cesarianas. Além disto, foi realizada a inclusão do
procedimento de assistência ao parto realizado por enfermeira obstétrica
na tabela de pagamento do Sistema Único de Saúde (SUS) (Portarias nºs.
281/98, 2816/98 e 163/98. Esta última portaria foi modificada em 2005,
com a regulamentação de novo laudo a ser emitido por médico ou enfermeiro obstetra. Nos últimos quatro anos, o MS vem também adotando
uma política de valorização do profissional de enfermagem na assistência
ao parto, por meio do financiamento de cursos de especialização por todo
o país (SILVA et al., 2008).
Ainda segundo Silva et al., (2008), a criação de Centros de Parto
Normal (CPN), no âmbito do SUS (Portaria nº. 985/99) também se insere
nessas iniciativas. Centros de Parto Normal são propostas de compartilhamento de tarefas, em que o acompanhamento do trabalho de parto e a
assistência ao parto normal são designados a enfermeiras obstétricas.
Os Centros de Parto Normal (CPN) e/ou as Casas de parto são espaços que estão surgindo e que o(a) enfermeiro(a) obstetra deve ocupar,
uma vez que este foi reconhecido pela OMS como o profissional mais
adequado e com melhor custo – efetividade de prestador de cuidados de
saúde, para ser responsável pela assistência à gestação e ao parto normal,
incluindo a avaliação de riscos e o reconhecimento de complicações (CRIZÓSTOMO, 2007).
De acordo com Passos (2010), o Centro de Parto Normal de Teresina
– PI foi inaugurado no dia 12 de janeiro de 2010. O serviço está inserido
nas recomendações do Ministério da Saúde e na Política Nacional de Humanização do SUS - PNH/SUS de tornar o parto normal, uma experiência
cada vez mais natural e familiar, bem como no esforço de reduzir o volume
de partos cirúrgicos desnecessários.
No decorrer dos anos, muitas transformações aconteceram no modelo de assistência ao parto. A mais atual foi a implantação da política de
Humanização da Assistência ao Parto, em que a individualidade da cliente
é valorizada, um vínculo entre o profissional e a mulher é estabelecido.
Também é permitido o reconhecimento de que a grávida é a condutora
do processo de parto, que a gravidez não é uma doença e que o parto, não
necessariamente, deverá ser medicalizado.
Várias pesquisas mostram resultados positivos decorrentes da implantação da humanização da assistência ao parto em relação ao processo
de nascer, a diminuição do período de internação e da maior satisfação da
parturiente. Um passo importante na implantação da assistência humanizada ao parto foi a criação dos referidos Centros de Parto Normal, local
onde a parturiente tem total autonomia para expressar seus sentimentos
e decidir, junto à equipe, qual a melhor conduta a se tomar durante o trabalho de parto e parto. Em vista disso, este estudo tem como objetivo:
Descrever a percepção das puérperas quanto ao parto humanizado em
uma maternidade pública de Teresina-PI.
2
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa de campo, de natureza qualitativa, de
caráter descritivo realizada no Centro de Parto Normal de uma Maternidade Pública de Teresina-PI, localizada no Bairro Ilhotas. Esta maternidade é referência no atendimento às gestantes de alto risco e também aos
recém-nascidos.
Os sujeitos da pesquisa foram 10 puérperas (nomeadas por flores) que tiveram seus partos realizados no Centro de Parto Normal desta
maternidade, que aceitaram participar da pesquisa com a assinatura do
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os dados foram produzidos
21
Monte, L. N..; Gomes, J. S.; Amorim, L. M. M.
no mês de outubro de 2010 por meio de entrevistas semiestruturadas, realizadas no Centro de Parto Normal e em visitas domiciliares, gravadas em
Mp4 player com transcrição integral das falas. O conteúdo dos discursos
foi agrupado por similaridade em categorias de acordo com pressupostos metodológicos necessários para a realização da análise de conteúdo
(BARDIN, 2004).
A pesquisa foi realizada após a autorização da Comissão de Ética
em Pesquisa da maternidade em questão (protocolo nº 1012/10) e do
Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí - Novafapi (CAAE – 3978.0.000.043-10),
obedecendo desta forma a todos os princípios da Resolução 196/96 do
Conselho Nacional de Saúde (CNS).
3
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Fez-se a pesquisa com 10 mulheres no período puerperal, sendo 5
entrevistadas no CPN e 5 em visitas domiciliares.
Quanto à caracterização dos sujeitos, as mulheres estavam na faixa
etária entre 17 a 34 anos. Quanto ao grau de escolaridade: 1 concluiu o ensino superior, 7, o ensino médio e 2 não concluíram o ensino fundamental.
Dentre elas: 4 eram primíparas e 6 multíparas. Em relação à assistência pré-natal: 9 puérperas realizaram 6 ou mais consultas de pré-natal e somente
1 não teve acompanhamento profissional. Dentre os sujeitos, 6 tinham experiência anterior com parto normal e 4 não tiveram experiência alguma.
Os resultados alcançados permitiram uma análise de questões importantes sobre a percepção das puérperas quanto ao parto humanizado.
Os dados produzidos foram agrupados em três categorias analíticas a seguir: Comparando o Parto Normal tradicional com o Parto Normal humanizado: a percepção das puérperas, Centro de Parto Normal: o novo velho
modo de parir e Apoio no Nascimento: a importância do acompanhante.
CATEGORIA 1 – A percepção das puérperas quanto ao Parto
Humanizado
Esta categoria mostra qual o entendimento das mulheres, no período puerperal, sobre o modo humanizado de parir e suas implicações
durante o trabalho de parto, parto e puerpério, através de suas vivências.
Analisando os discursos, foi possível perceber que as mulheres
passaram a preferir o modo humanizado de parir ao aplicado no centro
obstétrico, devido ao melhor acolhimento, a privacidade, as tecnologias
de alívio da dor e ao respeito para com elas.
Tem-se observado um movimento social pela humanização do
parto e do nascimento no Brasil, pelo menos desde o final dos anos 80
do século XX, com a crítica do modelo hegemônico hospitalocêntrico de atenção ao parto e ao nascimento. Pode-se dizer que esse movimento propõe mudanças no modelo hospitalar/ medicalizado no Brasil
(PRISZKULNIK; MAIA, 2009).
Segundo o mesmo autor o conceito de humanização do parto esbarra sempre no conceito de humanização da própria assistência hospitalar. O cuidado humanizado começa quando a equipe multiprofissional é
capaz de detectar, sentir e interagir com as pacientes e familiares; é capaz
de estabelecer uma relação de respeito ao ser humano e aos seus direitos
essenciais. Isso pode ser visto nos depoimentos a seguir:
Esse é meu segundo filho. Meu primeiro filho o parto dele foi demorado, porque
eu tive que esperar o doutor pra ter e ficar lá sentindo dor. Aqui eu me senti, assim,
é melhor porque devido a gente fica mais confortável, não tem aqueles barulhos,
assim, eu dormi [...] achei assim muito bacana. (Tulipa)
22
Eu tenho dois filhos com esse aqui. Esse parto foi diferente do primeiro. Aqui a
enfermeira sempre tava do meu lado, me dando força, fazendo massagem, tomei
banho, só não fiz o lanche porque eu não quis mesmo. Fiquei mais confortável
aqui [...] (Margarida)
Esse é meu terceiro filho. Todos foram normais. O primeiro foi complicado porque
ele tava laçado e o parto foi com a raqui, me cortaram e dois médicos tiveram
que empurrar na barriga. O segundo eu já tive de forma humanizada, só que em
outra maternidade [...] (Violeta)
Pode-se observar que as medidas adotadas pela equipe influenciaram o bem-estar das mulheres e fizeram com que elas se sentissem mais
seguras e amparadas. Conforme elas são ouvidas pela equipe, o trabalho
de parto flui mais naturalmente do que se a assistência fosse centrada
apenas em rotinas medicalizadas.
[...] lá na outra maternidade deixavam a gente morrer, não queriam nem saber
se tava bom ou ruim. Nessa maternidade aqui ta tudo renovado! Cama boa, enfermeira diferente. Tudo aqui é melhor. Lá no centro cirúrgico é tudo sujo, muita
mulher esperando, os médicos colocando a mão na gente [...] (Orquídea)
Orquídea critica o atendimento aplicado no centro obstétrico destacando a frieza e o descaso dos profissionais que trabalham nesse local
para com as parturientes. Em outros trechos de seu discurso elogia o novo
modelo humanizado de parto normal, enfatizando a estrutura física do
local onde foi realizado e o preparo dos profissionais que a atenderam.
Eu senti muita dor, mais do que nos outros partos, mas me senti bem melhor do
que no centro cirúrgico. Eles fizeram massagem para aliviar a dor, conversaram
comigo durante todo o parto [...] (Girassol
Eu senti muita dor, mas do que nos outros partos, mas me senti melhor do que lá
em cima. Gostei do atendimento [...] (Rosa)
A assistência humanizada empregada teve uma melhor aceitação
entre as parturientes. Como pode ser visto no depoimento de Girassol e
de Rosa, mesmo que ambas tenham sentido mais dor do que nos outros
partos, relatam que passaram a preferir esse modo de parir ao aplicado no
centro obstétrico.
Ainda há maternidades que não oferecem assistência obstétrica
centrada nas necessidades da cliente, pois não priorizam a individualidade, a cultura e os costumes de cada mulher. Submetem-na, no momento
da internação, a rotinas pré-estabelecidas pela organização e na maioria
das vezes retiram-lhe o direito à privacidade e à autonomia do processo de
parir (SESCATO; SOUZA; WALL, 2008).
No final do século XX, a OMS definiu que para atingir a maternidade segura, seria necessário mudar radicalmente o modo como os serviços
de saúde tratam as mulheres. Foi reconhecido que, muitas vezes, os profissionais de saúde são autoritários e rudes com as mulheres grávidas e que
elas se sentem humilhadas e até ameaçadas em suas interações com esses
profissionais (REDE FEMINISTA DE SAÚDE, 2002).
A satisfação no parto não está condicionada à ausência de dor.
Muitas mulheres estão dispostas a sentir alguma dor no parto; o que elas
não querem é que a dor seja insuportável. Em grande medida, o que mais
influi na satisfação com o parto é o comportamento dos profissionais. A
satisfação no parto é fortemente associada a um ambiente acolhedor e
à presença de companhia durante todo o trabalho (REDE FEMINISTA DE
SAÚDE, 2002).
Categoria 2 - Centro de Parto Normal: conhecimento do serviço
Nesta categoria mostramos qual o conhecimento das mulheres
sobre o Centro de Parto Normal, se já conheciam o serviço anteriormente
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.20-24, Jul-Ago-Set. 2011.
A percepção das puérperas quanto ao parto humanizado em uma maternidade pública de Teresina-PI
ou não e, caso já o conhecesse, o relato de como foram apresentadas ao
serviço ou como obtiveram informações sobre o mesmo.
O novo modelo humanizado de parir aplicado nos Centros de Parto
Normal procura resgatar o direito à privacidade e à dignidade da mulher
ao dar à luz em um local semelhante ao seu ambiente familiar e ao mesmo
tempo garantir segurança à mãe e ao seu filho, oferecendo recursos apropriados em casos de necessidade.
Nos Centros de Parto Normal a parturiente e seu acompanhante
são informados constantemente pela enfermeira obstétrica que os assiste
sobre a evolução do trabalho de parto e sobre eventuais mudanças de
conduta para que possam colaborar durante todo o processo do trabalho
de parto ativo até o nascimento. À cliente em trabalho de parto é permitido expressar seus sentimentos quanto aos procedimentos com os quais
não concorda, cabendo à equipe, dentro de suas possibilidades, mudar a
conduta de modo que a parturiente sinta-se segura em relação à assistência prestada (MACHADO; PRAÇA, 2006).
[...] eu não conhecia lá, eu vim conhecer foi nas palestras porque eu fui duas vezes
pra palestras e lá falaram do CPN, achei interessante e eu comecei a falar pra
assistente lá da maternidade que eu queria ter lá, [...] e ela falou que se eu não
tivesse nenhum problema, pressão alta, eu poderia ir pra lá. (Tulipa)
“[...] já tinha ouvido falar sobre o atendimento. Comecei a realizar meu pré-natal,
depois visitei o CPN com a minha médica, me interessei muito pelas atividades
realizadas [...]” (Copo de Leite)
Tulipa e Copo de Leite afirmaram já terem conhecido o CPN por meio
de palestras e visitas. O Centro de Parto Normal, mesmo sendo um serviço
novo no município de Teresina, está sendo bastante divulgado através de palestras e em consultas de pré-natal. Isso faz com que as gestantes cheguem à
maternidade já tendo conhecimento dos procedimentos que serão realizados.
Eu não conhecia lá. Gostei muito lá do CPN. Fui muito bem acolhida, todo mundo
me tratou bem. [...] O atendimento foi humanizado, eu fui muito bem atendida,
fiquei à vontade, fizeram massagem em mim, conversaram comigo também
para me acalmar e eu fiquei me sentindo melhor [...] (Dália)
Esta depoente enfatizou em sua declaração o desconhecimento sobre o modo
humanizado de parir, relatando ter gostado da experiência de ter tido seu filho
em um ambiente calmo e acolhedor.
“Não conhecia o centro de parto, até estranhei quando cheguei [...] mas gostei do
atendimento. Me falaram pra sentar, pra tomar banho, mas não quis, fiquei com
medo. O serviço está aprovadíssimo. É dez!” (Rosa)
“[...] Aqui pra ajudar a dilatar me seguravam e eu agachava e realmente a gente
sente que dilata, tomei banho, tomei suco, lanchei.” (Violeta)
Podemos perceber, no discurso de Rosa e de Violeta, o receio em
vivenciar as técnicas empregadas no CPN por serem submetidas a procedimentos novos e diferentes como, por exemplo, o fato de poder se
alimentar, tomar banho, deambular, situações que não são permitidas no
centro obstétrico. Contudo, mesmo com esse receio, os profissionais que
trabalham no CPN, através de esclarecimentos, conseguiram que as mulheres realizassem a maioria das técnicas propostas.
De acordo com Machado e Praça (2006), no CPN as mulheres em
trabalho de parto contam com dieta livre, liberdade para movimentação
durante o trabalho de parto, são estimuladas à adoção de métodos não-farmacológicos no alivio à dor – banho de aspersão para relaxamento,
massagens na região lombo-sacra, exercício de respiração e de relaxamento, estímulos a movimentos corpóreos, tais como abaixar, levantar e
balanço pélvico – são estimuladas as eliminações espontâneas (micção e
evacuação). É a parturiente quem autoriza a realização do exame tocoginecológico, com respeito a sua privacidade.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.20-24, Jul-Ago-Set. 2011.
[...] eu gostei muito e aqui eles tratam a gente como se fosse assim, alguma coisa
deles. Se puder, quero ter meus filhos aqui. (Begônia)
Na admissão disseram que ele ia nascer naquele dia e que eu ia pra lá. [...] Se
eu tiver outro filho, quero ter lá com certeza. Gostei demais de lá [...] (Camélia)
Observou-se que, tendo conhecimento ou não do serviço, todas as
puérperas manifestaram satisfação e interesse em ter seus próximos filhos
no Centro de Parto Normal.
Categoria 3 - Apoio no Nascimento: a importância do acompanhante
Essa categoria determina que o bem-estar da futura mãe deve ser
assegurado por meio do livre acesso de um membro de sua família, de
sua escolha, durante o nascimento. O respeito à escolha da mulher sobre
seus acompanhantes foi classificado como uma prática útil e que deve ser
estimulada.
No dia 7 de abril de 2005, entrou em vigor a Lei 11.108/05 que
garante às parturientes o direito à presença de um acompanhante durante
o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, no âmbito do Sistema
Único de Saúde – SUS (SOARES, 2010).
Essa lei entrou em vigor com a ajuda de Organizações não Governamentais e especialmente da Rede de Humanização do Nascimento que
lutaram pelo direito de as mulheres terem um acompanhante de sua escolha durante todo o trabalho de parto.
A enfermeira me falou que eu podia ter um acompanhante, achei
maravilhoso, mas não dava tempo de chamar o meu marido [...] (Girassol)
[...] lá no CPN é um negoço mais limpo, quando me disseram que podia entrar
alguém comigo, não acreditei [...] (Orquídea)
Como se pode observar, nos depoimentos acima, algumas mulheres se surpreenderam com a possibilidade de ter alguém de sua escolha
por perto. A presença do acompanhante durante todo o processo do parto
é de extrema importância para a parturiente. A presença de alguém conhecido acalma a mulher, dando-lhe conforto, segurança, tranqüilidade para
ela e a deixa mais à vontade nesse momento tão importante de sua vida.
[...] a gente se sente bem, pode ser acompanhada pela família, se sente como se
tivesse em casa, mais tranqüila até porque quem já teve parto complicado como
eu, já vem com aquele nervosismo. A gente tem medo de ficar só. [...] Eu me tranqüilizei mais sabendo que tinha alguém aqui comigo, pelo menos pra chamar a
enfermeira se eu tiver pertinho de ter. (Violeta)
[...] Eu entrei com a minha mãe, ela acompanhou do início ao fim, tudo lá minha
mãe tava comigo. [...] Gostei demais de lá. (Camélia)
A presença do acompanhante proporciona uma maior abrangência ao cuidado, pois amplia a observação à parturiente e a comunicação
de suas necessidades (PINTO, 2001).
O acompanhante também se torna um facilitador da comunicação
entre a parturiente e o profissional que a está atendendo uma vez que,
se ela necessitar de algo do profissional e não puder ir até ele, o acompanhante poderá realizar isso no lugar da parturiente. Assim traz mais satisfação e segurança à mulher já que ela sabe que poderá sempre estar em
contato com a equipe.
[...] eu achei bom também que as pessoas possam ser acompanhadas por outras
pessoas também, tem muita gente que tem curiosidade pra ver o parto normal,
a família, o marido, os filhos, as vezes a mãe, quando não é a mãe é tia, todos
querem ver. É uma coisa muito interessante porque a minha tia assistiu o meu e
ela disse que foi só Deus mesmo. Pena que meu marido não pode ir porque ele
tava viajando, mas se ele pudesse ele queria ta lá. (Tulipa)
23
Monte, L. N..; Gomes, J. S.; Amorim, L. M. M.
Constatou-se pelo depoimento da parturiente que, quando as mulheres vivenciam a emoção do acompanhante, junto com a sua própria
emoção, resgata-se o sentido do nascimento como um acontecimento
de vida e alegria.
A presença do acompanhante proporciona uma maior abrangência ao cuidado, pois amplia a observação à parturiente e a comunicação
de suas necessidades (PINTO, 2001).
No Brasil, o Ministério da Saúde reconhece os benefícios e a ausência de riscos associados à inserção do acompanhante e recomenda que
todos os esforços devem ser realizados para garantir que toda parturiente
tenha uma pessoa de sua escolha para encorajá-la e dar-lhe conforto durante todo o processo do nascimento (BRASIL, 2001).
4
CONSIDERAÕES FINAIS
Diante do resultado da pesquisa, foi possível descrever a percepção das puérperas quanto ao parto humanizado; as mulheres tiveram
uma grande aceitação do serviço. Mesmo as que não conheciam tal
procedimento anteriormente passaram a entender como ele funciona e
todas mostraram interesse de futuramente ter seus filhos de modo humanizado.
Foi possível perceber que elas saíram do CPN, mostrando grande
interesse nas tecnologias alternativas para alívio da dor e na possibilidade de terem um acompanhante de sua escolha durante o trabalho
de parto.
Seria bastante proveitoso que as Instituições de Saúde se mobilizassem em prol de uma maior divulgação da assistência humanizada ao
parto através não somente de palestras, como também de notícias via
rádio, televisão, jornais, revistas e consultas de pré-natal, tanto na própria
Instituição como nos demais serviços que ofereçam atendimento às gestantes, de modo que a informação chegue a um número maior de gestantes, fazendo com que diminua o parto com intervenções desnecessárias,
aumentando a possibilidade de que a mulher seja participante ativa do
processo do parir.
REFERÊNCIAS
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BRASIL. Ministério da Saúde. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher. Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Área Técnica da Mulher. Brasília: Ministério da Saúde, 2001.
CRIZÓSTOMO, C. D; NERY, I. S; BARROS LUZ, M. H. A vivência de mulheres
no parto domiciliar e hospitalar. Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 11,
n. 1, p.98-104, mar. 2007.
MACHADO, N. X. S; PRAÇA, N. S. Centro de parto normal e a assistência
obstétrica centrada nas necessidades da parturiente. Rev. esc. enferm.
USP, São Paulo, v. 40, n. 2, p.274-279, jun. 2006 .
PASSOS, F. Maternidade Dona Evangelina Rosa em Teresina-Pi.
Inaugura Centro de Parto Normal. [online] [citado em 3 fev. 2010].
REF. INCOMPLETA. FALTA INFORMAÇÕES COMO: LOCAL E ENDEREÇO ELETRONICO.
PINTO, C. M. S. Parto com acompanhante: a experiência dos profissionais. São Paulo:USP,2001.Originalmente apresentado
como Dissertação de Mestrado, Escola de Enfermagem da USP, São
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saúde. O Mundo da Saúde, São Paulo, v.33 n.1, p.80-88. 2009.
24
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Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. São Paulo, 2002.
SANTOS, M. L. Humanização da Assistência ao Parto e Nascimento. Um Modelo Teórico. S a n t a C a t a r i n a : U F S C , 2002.
271p. O r i g i n a l m e n t e a p r e s e n t a d a c o m o d issertação m estrado
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Santa Catarina, Florianópolis, 2002.
SESCATO, A., SOUZA, S., WALL, M.. Os Cuidados Não Farmacológicos para
Alívio da Dor no Trabalho de Parto: orientações da equipe de enfermagem. Cogitare Enfermagem, América do Norte, v.13, n.4, p.585-590,
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parto normal: estudo descritivo. Enfermaria Global. Revista Eletrônica
Cuatrimestral de Enfermería. – Escola Universitaria de Enfermería –
Universidad de Murcia, Murcia , Espanha, v.7, n.3, p.1-4, out. 2008.
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ministério público descumprimento da lei. Bem Nascer, Belo Horizonte,
6 mar. 2010.
TORNQUIST, C. S. Armadilhas da nova era: natureza e maternidade no ideário da humanização do parto. Revista Estudos Feministas. [s.l], v.
10, p.483-492, jul/dez. 2002.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.20-24, Jul-Ago-Set. 2011.
PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
Prevalência da hipertensão arterial sistêmica (HAS) e dos fatores de
risco para doenças cardiovasculares (DCV) em policiais militares
Prevelence of hypertension (HBP) and risck factores for cardiovascular disesse (CVD) in mililary police
La prevalencia de la hipertención arterial (HTA) y factores de riesgo para enfermedad cardiovascular
(ECV) en la policía militar
Samara Cristina Leite Pinheiro
Monteiro
Graduada no Curso de
Medicina da Faculdade NOVAFAPI
[email protected]
Eucário Leite Monteiro Alves
Doutor em Ciências - Cirurgia Torácica e
Cardiovascular. Professora da Graduação e do
Programa de Mestrado Profissional em Saúde da
Família da Faculdade NOVAFAPI
[email protected]
Maria Eliete Batista Moura
Pós-Doutora pela Universidade Aberta de Lisboa
– Portugal. Doutora em Enfermagem pela Escola
de Enfermagem da UFRJ. Professora da Graduação
e do Programa de Mestrado Profissional em Saúde
da Família da Faculdade NOVAFAPI. Professora da
Graduação e
do Programa de Mestrado em Enfermagem da UFPI.
[email protected]
RESUMO
As pesquisas têm demonstrado aumento significativo da HAS e DCV na morbidade/mortalidade
global nas últimas décadas, com custos exorbitantes aos sistemas de saúde, sendo a principal causa
de morte no Brasil (30% de todos os óbitos). Objetivo: Investigar a prevalência de HAS e fatores de
risco para o desenvolvimento de DCV em policiais militares. Métodos: Realizou-se um estudo retrospectivo e transversal através da análise das condições socioeconômicas, hábitos de vida, exames
laboratoriais e eletrocardiograma de 23 policiais de um grupo de elite da Polícia Militar do Piauí.
Resultados: o perfil dos policiais caracteriza-se por pessoas maiores de 30 anos, casados, bom nível
de instrução, consumidores de álcool, baixa satisfação salarial, com trabalho extra e relato de fadiga.
A avaliação física, exames laboratoriais e ECG revelaram elevados níveis de normalidade para a população de estudo. Na comparação entre os fatores de risco e de proteção para HAS e DCV ocorreu
sobreposição do somatório dos fatores de proteção em relação aos fatores de risco. Conclusão: Conclui-se que os policiais possuem um bom nível de condicionamento físico e mental, provavelmente
decorrente do processo rigoroso de seleção que a Polícia Militar exige para as tropas de elite, padrão
que difere de outras pesquisas.
Descritores: Hipertensão. Prevenção. Doenças cardiovasculares.
ABSTRACT
Research has shown significant increase in hypertension and CVD morbidity/mortality overall in
recent decades, with exorbitant costs to health systems. It is the leading cause of death in Brazil (30%
of all deaths). Objective: To investigate the prevalence of hypertension and risk factors for developing
CVD in the military police. Methods: We conducted a retrospective and cross through the analysis of
socioeconomic, lifestyle, laboratory tests and electrocardiograms of 23 officers from an elite group
of Military Police of Piauí. Results: The profile of the police is characterized by people over 30 years,
married, well educated, drinkers, low pay satisfaction, with extra work and report of fatigue. Physical
examination, laboratory tests and ECG revealed high levels of normality for the study population.
Comparing the risk factors and protective for hypertension and CVD was the sum of overlapping
protective factors in relation to risk factors. Conclusion: We conclude that the police have a good
level of physical and mental conditioning, probably due to the rigorous process of selection requires
that the Military Police for the elite troops, a pattern that differs from other research.
Descriptors: Hypertension. Prevention. PreveCardiovascular disease.
RESUMEN
Submissão: 31.05.2011
Aprovação: 29.06.2011
Las investigaciones han demostrado aumento significativo de la morbilidad por hipertensión y enfermedades cardiovasculares y mortalidad general en las últimas décadas, con costos exorbitantes a
los sistemas de salud, es la principal causa de muerte en Brasil (30% de todas las muertes). Objetivo:
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.25-30, Jul-Ago-Set. 2011.
25
Monteiro, S. C. L. P.; Alves, E. L. M.
Investigar la prevalencia de factores de hipertensión y riesgo de desarrollar
enfermedades cardiovasculares en la policía militar. Métodos: Se realizó un
estudio retrospectivo y transversal a través del análisis del estilo de vida
socioeconómica, el análisis de laboratorio y electrocardiogramas de 23
funcionarios de un grupo de élite de la Policía Militar de Piauí. Resultados:
El perfil de la policía se caracteriza por las personas mayores de 30 años,
casadas, bien educadas, los bebedores, la satisfacción de los bajos salarios,
con trabajo extra y el informe de la fatiga. El examen físico, pruebas de
laboratorio y electrocardiograma reveló altos niveles de normalidad para
la población de estudio. Al comparar los factores de riesgo y de protección
para la hipertensión y la ECV es la suma de la superposición de los factores de protección en relación con los factores de riesgo. Conclusión: Se
concluye que la policía tiene un buen nivel de acondicionamiento físico y
mental, probablemente debido al riguroso proceso de selección requiere
que la policía militar para las tropas de élite, un patrón que se diferencia
de otras investigaciones.
Descriptores: Hipertensión. Prevención. Enfermedades cardiovasculares.
1
INTRODUÇÃO
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica
multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão
arterial (PA). Associa-se frequentemente as alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e as
alterações metabólicas, com conseqüente aumento do risco de eventos
cardiovasculares fatais e não fatais (BRANDÃO, 2006).
A HAS tem alta prevalência e baixas taxas de controle, sendo considerada o principal fator de risco modificável para o desenvolvimento de
Doenças Cardiovasculares (DCV), de modo que a elevação da PA a partir de 115/75 mmHg de forma linear, contínua e independente aumenta
progressivamente o risco de mortalidade por DCV (GIORDI; LOPES, 2005).
O estudo epidemiológico das doenças crônicas não transmissíveis
tem demonstrado um aumento significativo da HAS e DCV na morbidade
e mortalidade global nas últimas décadas, com custos exorbitantes aos
sistemas de saúde. Em 2001, cerca de 7,6 milhões de mortes no mundo
foram atribuídas à elevação da PA (54% por acidente vascular encefálico
(AVE) e 47% por doença isquêmica do coração (DIC), sendo a maioria em
países de baixo e médio desenvolvimento econômico e mais da metade
em indivíduos entre 45 e 69 anos (MALTA et al., 2009).
Segundo Batista e Silva (2005), no Brasil, em 2003 as mortes por
doença cardiovascular foram 27,4% de todos os óbitos. Excluindo-se as
mortes violentas e de origem não definida o índice sobe para 37%. A HAS
está envolvida em 40% das mortes por doença cerebrovascular e em 25%
das mortes por doença coronariana. Em 2005 foram 1.180.184 internações
relacionadas com a doença cardiovascular com um custo global superior
a U$575.000.000,00 aos Sistema Único de Saúde (SUS).
As VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial apontam como
principais fatores de risco para desenvolvimento de HAS e DCV ou piora
do quadro: idade, gênero e etnia, excesso de peso e obesidade, ingestão
excessiva de sal, ingestão de álcool, sedentarismo, fatores sócioeconômicos, genética e outros (SCHERR, 2009).
Neste contexto, sabe-se que a profissão de Policial Militar está sujeita à vários fatores potencialmente estressantes, como escalas de serviços sem as respectivas folgas, salários abaixo de suas responsabilidades
institucionais, assim como fatores sociais inerentes a todos os cidadãos de
26
uma comunidade. A soma desses fatores, associados a outros intrínsecos e
extrínsecos poderão ajudar na gênese de várias patologias, notadamente
àquelas relacionadas à saúde mental e ao sistema cardiovascular, especialmente no que se refere à PA.
Assim, considerando-se o grande impacto socioeconômico da HAS
e das DCV e a carência de estudos epidemiológicos nessa área no estado
do Piauí, resolveu-se realizar esta pesquisa com o objetivo de investigar a
prevalência de HAS e fatores de risco para o desenvolvimento de DCV em
policiais militares de um grupo de elite da Polícia Militar do Piauí.
Procurou-se verificar especificamente os hábitos de vida, avaliação
física, exames laboratoriais e eletrocardiograma (ECG), buscando-se a determinação de fatores relacionados com o risco aumentado/diminuído
para o desenvolvimento atual ou futuro de HAS e DCV.
2 METODOLOGIA
Realizou-se um estudo descritivo, quali-quantitativo e transversal
que teve como população alvo os componentes do gênero masculino em
serviço ativo pertencentes ao Grupamento Tático Aeropolicial (GTAP), grupo de elite da Polícia Militar do Piauí (PM-PI).
Os dados necessários à pesquisa foram colhidos no mês de maio
de 2011 por meio de um questionário semi-estruturado composto por
perguntas objetivas e abertas, divididas em quatro grupos: identificação,
dados sobre qualidade de vida, hábitos de vida e avaliação física e laboratorial.
Realizou-se aferição da pressão arterial de acordo com as VI Diretrizes de Hipertensão, mensurou-se estatura e peso para cálculo de Índice
de Massa Corporal (IMC), verificou-se perímetros da cintura e do quadril
para obter a Relação cintura-quadril (RCQ), foi realizada coleta de material
biológico (sangue) para obtenção de dados laboratoriais (Glicemia de jejum, Colesterol total, Triglicerídeos, Lipídeos totais) e realizado o exame de
eletrocardiograma (ECG).
Por fim aplicou-se a versão brasileira do inventário de Beck (Questionário Beck Depression Inventory – BDI) que corresponde ao principal
instrumento validado para o português para rastreamento de sintomas
depressivos em grupos populacionais.
Os dados finais foram tabulados e processados no programa Statistical Package for the Social Sciences-SPSS for Windows® versão 17.0 (Chicago-USA) e os resultados apresentados na forma de tabelas e gráficos.
Para a inicio do estudo foi necessária a aprovação do projeto de
pesquisa pela banca examinadora do trabalho de conclusão de curso e
em seguida a autorização pelo Comitê de Ética e Pesquisa da faculdade
NOVAFAPI, através do processo CAAE de nº 0401.0.043.000-10, de acordo
com a resolução 196-96 do Conselho Nacional de Saúde.
3
RESULTADOS
Os resultados apresentados são referentes a criteriosa avaliação dos
fatores de riscos cardiovasculares de 23 policiais militares componentes do
Grupamento Tático Aeropolicial (GTAP), grupo de elite da Polícia Militar do
Piauí (PM-PI). A avaliação da população de estudo considerou aspectos sociais, hábitos de vida, avaliação física, exames laboratoriais e Eletrocardiograma (ECG) coletados em um único momento no mês de maio de 2011.
3.1 Análise descritiva e exploratória dos dados
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.25-30, Jul-Ago-Set. 2011.
Prevalência da hipertensão arterial sistêmica (HAS) e dos fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV) em policiais militares
A idade média dos participantes do estudo foi de 37,5 anos (dp=
6,74 anos), sendo todos do gênero masculino. A idade mínima encontrada
no estudo foi 25 anos e a idade máxima foi de 48 anos.
As principais características sociais e hábitos de vida dos policiais
avaliados são mostradas na tabela 01, de onde é possível traçar um perfil que se caracteriza por pessoas com idade entre 30 e 48 anos (87%),
predominantemente casados ou em união estável (87%), em sua maioria
apresentando ensino médio ou superior (91%). Com relação à atividade
profissional observou-se elevado percentual de policiais com atividade
laboral extra (60,2%), provavelmente como reflexo da insatisfação salarial
apontada pela maioria (91,4%) e no elevado percentual de policiais que
relataram fadiga na sua rotina diária (52,2%).
Com relação a história patológica pregressa, apenas 17,4% relataram histórico de depressão e 8,6% relataram descontrole emocional.
Quanto ao consumo de tabaco 100% dos participantes negaram o hábito,
enquanto que o consumo de álcool foi observado em 78,3% dos entrevistados, com destaque para o percentual significativo de policiais que se
negaram a responder o questionário que avalia o nível de dependência
ao álcool (30,4%).
Por fim realizou-se um levantamento sobre a prática de atividade
física, observando-se que 95,7% dos participantes fazem atividade física
regularmente, o que representa um bom fator de proteção para doenças
cardiovasculares, em contraste aos elevados percentuais de história positiva para HAS (60,8%) e para DCV (69,5%).
Tabela 01- Distribuição de frequência das características sociais e hábitos
de vida dos policiais do GTAP da PM-PI.
N
%
Faixa etária (anos)
20 |---- 30
3
13
30 |---- 40
11
47,8
40 ou mais
9
39,2
Estado Civil
Casado/união estável
20
87
Solteiro3 13
Grau de instrução
Ensino fundamental
2
9
Ensino médio 11
47,8
Ensino superior 10
43,2
Trabalho extra
Sim
14
60,2
Não 939,2
Satisfação salarial
Sim
2
8,6
Não
21
91,4
Fadiga
Sim
12
52,2
Não
11
47,8
Histórico de depressão
Sim
4
17,4
Não 1982,6
Histórico de descontrole emocional
Sim
2
8,6
Não
21
91,4
Tabagismo
Sim 00
Não 23100
Consumo de álcool
Sim
18
78,3
Não
5
21,7
Continuação.
Tabela 01- Distribuição de frequência das características sociais e hábitos de
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.25-30, Jul-Ago-Set. 2011.
vida dos policiais do GTAP da PM-PI.
N
%
Nível de dependência (CAGE)
ao álcool
Dependente
0
0
Não dependente
11
47,8
Não respondeu
7
30,4
Não se aplica
5
21,8
Prática de atividade física
Sim
22
95,7
Não
1
4,3
História familiar HAS
Sim
14
60,8
Não 939,2
História familiar DCV
Sim
16
69,5
Não
7
30,5
Total 23100,0
Fonte: Entrevista com os participantes, 2011.
Os resultados decorrentes da avaliação física, exames laboratoriais e
ECG são apresentados na tabela 02, sendo possível observar que os níveis
pressóricos foram normais para a maioria dos policiais avaliados (56,5%),
assim como o Índice de Massa Corporal-IMC (56,5%), embora o sobrepeso
tenha sido observado em parte significativa da população (39,1%). O risco
avaliado pela relação da medida cintura/quadril foi baixo ou moderado
para 91,3% dos participantes.
Com relação aos exames laboratoriais a glicemia de jejum foi normal em 100% da população de estudo, o colesterol total também apresentou bons níveis de normalidade (86,9% em nível desejável), assim
como os triglicerídeos (86,9% em nível desejável) e lipídeos totais com
60,9% dos participantes em nível desejável.
Os dados eletrocardiográficos revelam um percentual de normalidade em 60,9% dos participantes, em contrapartida observou-se 39,1%
de alterações inespecíficas, representadas, sobretudo, por Alteração Inespecífica da Repolarização Ventricular. Quanto ao questionário que avalia
a presença de sintomas depressivos, observou-se que apesar do baixo
percentual de episódios depressivos relatados na história patológica pregressa, 21,7% dos participantes revelou depressão leve a moderada e 4,4%
de depressão moderada a grave.
Tabela 02- Distribuição de frequência dos dados resultantes da avaliação
física, exames laboratoriais e ECG dos policiais do GTAP da PM-PI.
N
%
Níveis pressóricos
Normal
13
56,5
Limítrofe
6
26
Alto
4
17,5
IMC
Normal
13
56,5
Sobrepeso 939,1
Obeso grau I
1
4,4
Risco RC/Q
Baixo
2
8,7
Moderado 1982,6
Alto 00
Muito Alto
2
8,7
Glicemia de jejum
Normal
23
100
Alterado 00
Colesterol total
Desejável
20
86,9
Limítrofe 313,1
Alto 00
27
Monteiro, S. C. L. P.; Alves, E. L. M.
Triglicerídeos Normal
20
86,9
Limítrofe
1
4,4
Alto
2
8,7
Lipídeos totais
Baixo
9
39,1
Desejável
14
60,9
Alto0
ECG
Normal
14
60,9
Rit. Sinusal/BAV 1GRAU
1
4,4
Rit. Sinusal/AIRV
5
21,5
Rit. Sinusal/Onda Q em D3
1
4,4
Rit. Sinusal/PR curto
1
4,4
Bradicardia Sinusal
1
4,4
Inventário de depressão BDI Sem depressão
17
73,9
Depressão leve a moderada
5
21,7
Depressão moderada a grave
1
4,4
Total 23100,0
Fonte: Avaliação física, laboratorial e ECG, 2011.
3.2 Comparação dos grupos.
A comparação entre os grupos é uma parte importante da análise
estatística que permite verificar as diferenças/semelhanças dentro de uma
mesma população na busca de relações de dependência entre variáveis
que possam indicar quais os fatores estão relacionadas com a proteção ou
risco aumentado para o desenvolvimento de HAS e DCV.
Desta forma foi realizada uma triagem de todos os participantes e
enumerados os fatores relacionados com o risco ou proteção à temática de
estudo. Assim, consideraram-se como fatores de risco, conforme a literatura mais atual para o desenvolvimento de HAS e DCV: raça negra; tabagismo; consumo de álcool; história familiar positiva para HAS; história familiar
positiva para DCV; PA alta; IMC classificado como sobrepeso ou obeso; risco
da relação C/Q de moderado até muito alto; sedentarismo; glicemia maior
que 110mg/dl; taxas elevadas de colesterol total, triglicerídeos e lipídeos
totais; por fim, qualquer nível de depressão detectado pelo BDI.
Por outro lado, foram considerados como fatores de proteção para
HAS e DCV: demais raças; não-tabagismo; não consumo de álcool; história
familiar negativa para HAS; história familiar negativa para DCV; PA normal;
IMC classificado como normal; risco da relação C/Q baixo; atividade física
regular; glicemia menor que 110mg/dl; taxas normais de colesterol total,
triglicerídeos e lipídeos totais; por fim, os participantes sem depressão detectada pelo BDI.
O gráfico 01 apresenta a comparação entre os fatores de risco e de
proteção para HAS e DCV, sendo possível observar que 02 dos 23 participantes da pesquisa apresentaram quantidade maior de fatores de risco
em relação aos fatores de proteção.
Gráfico 01: Comparação entre fatores de risco e de proteção para HAS e DCV entre os policiais militares do GTAP-PMPI. Fonte: Dados da pesquisa, 2011.
4
DISCUSSÃO
A discussão que ora se inicia é baseada nos resultados obtidos a
partir das informações colhidas com os 23 policiais militares pertencentes
ao GTAP da Polícia Militar do Piauí. De modo que as implicações decorrentes deste trabalho são representativas destas pessoas, uma vez que se
28
entende que há riscos e limitações para a generalização dos resultados
para outros grupos. Entretanto, acredita-se que este estudo possa trazer
contribuições importantes na busca de medidas preventivas do estabelecimento da HAS e mesmo na diminuição dos riscos às DCV.
O estudo das características socioeconômicas e hábitos de vida
dos participantes da pesquisa (tabela 01) permitiu observar que o perfil
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.25-30, Jul-Ago-Set. 2011.
Prevalência da hipertensão arterial sistêmica (HAS) e dos fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV) em policiais militares
dos policiais do GTAP se caracteriza por pessoas com idade entre 30 e 48
anos (87%), casados/união estável, com um bom nível de instrução, baixa
satisfação salarial e que recorrem a trabalhos extras para complemento da
renda familiar. Com relação a este aspecto cabe destacar que essa faixa
etária apresenta risco aumentado para a ocorrência de HAS e DCV, fato
que aliado à carga horária extra somada à jornada de 40 horas semanais
realizada em turnos pode resultar em estresse emocional e justificar o elevado percentual de policiais com relato de fadiga.
Este quadro encontra-se em conformidade com a literatura que
aponta a hipertensão essencial (primária) surgindo com freqüência entre
os 25 e 55 anos de idade, faixa etária que também está relacionada à incidência de obesidade (BRASIL, 2007). Em 1988, no Brasil, as DCV foram
responsáveis pela maior proporção de óbitos no país: 31% das mortes em
homens e 39% nas mulheres, sendo a principal causa mortis a partir dos
40 anos de idade e contabilizando 33% dos óbitos na faixa de 40 a 49 anos
de idade (RIQUE, SOARES E MEIRELLES, 2002).
No Brasil, um fato que agrava esse quadro é que aproximadamente
um terço dos óbitos por DCV ocorrem precocemente em adultos na faixa
etária de 35 a 64 anos. Nesta faixa etária, as principais causas de óbito por
doenças do aparelho circulatório são as doenças isquêmicas do coração,
as doenças cerebrovasculares e as doenças hipertensivas. Ressalte-se que
essas causas são em grande parte evitáveis, diante da probabilidade de
diminuição da ocorrência dessas mortes, se houver assistência ou prevenção oportunas (NOLTE; McKEE 2004).
O estresse físico e emocional, segundo Soares, Costa e Mesquita
(2006) resulta em alterações importantes para aumentar a vulnerabilidade
de um paciente deprimido a uma doença cardiovascular. Entre os fatores
incluem alterações no eixo hipotalâmico-pituitário-adrenocortical, hiperreatividade simpático-adrenal, alterações nos receptores plaquetários e
aumento na secreção de citocinas pró-inflamatórias além da instabilidade
e isquemia miocárdica relacionada ao estresse mental e fadiga muscular.
Com relação a história patológica pregressa para depressão e descontrole emocional, os baixos percentuais indicados entre os policiais
militares podem estar relacionados à dificuldade dos entrevistados em se
auto-perceber como clinicamente afetados, contrastando com os percentuais de depressão observados com a aplicação do BDI (26,1%) de depressão leve a moderado ou moderado a grave, estabelecida pelo mecanismo
descrito acima.
O BDI que consiste em um questionário de auto-relato com 21
itens de múltipla escolha relacionados aos sintomas depressivos como
desesperança, irritabilidade, cognições, culpa ou sentimentos de estar
sendo punido, assim como sintomas físicos como fadiga, perda de peso
e diminuição da libido (Beck et al., 1961). Desta forma, a aplicação do BDI
pode ser um recurso útil na detecção de sintomas depressivos e, conseqüentemente, na prevenção de fatores de risco para HAS e DCV.
Quanto à ausência de consumo de tabaco entre os participantes
acredita-se está relacionado ao processo rigoroso de seleção para composição do GTAP. Por outro lado, o fato da coleta de dados ter sido realizada
na unidade militar pode ter sido um viés à livre manifestação do consumo
de tabaco e álcool. Apesar do consumo de álcool ter sido relatado por
grande parte dos militares, observou-se resistência ao preenchimento do
questionário que avalia o grau de dependência (CAGE) mesmo tendo sido
explicado todo o processo de garantia de sigilo das informações.
Na ausência de evidências concretas deste viés, considerou-se o
não consumo de tabaco como fator protetor ao desenvolvimento de HAS
e DCV, enquanto que o consumo de álcool foi considerado como fator
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.25-30, Jul-Ago-Set. 2011.
de risco, conforme relata a literatura pertinente ao tema. Neste sentido,
Wenzel, Souza e Souza (2009) incluem como fatores de risco para o desenvolvimento de HAS e DCV o fumo, estresse oxidativo, consumo de álcool,
entre outros.
Entre os hábitos de vida relatados pelos participantes da pesquisa
cabe destacar os elevados percentuais de prática de atividade física regular, representando um dos principais fatores de proteção ao surgimento
de HAS e DCV. Para Kyle et al., (2006) a atividade física, em níveis altos e
regulares, tende a reduzir os valores da pressão arterial e, conseqüentemente, os riscos para DCV. Rique, Soares e Meirelles (2002) defendem que
a prática de atividade física e as mudanças no hábito alimentar têm sido
os principais fatores envolvidos na prevenção ou na melhora dos fatores
de risco das doenças cardiovasculares.
Os resultados decorrentes da avaliação física, exames laboratoriais
e ECG apresentados na tabela 02 revelaram elevados níveis de normalidade para a população de estudo, embora o sobrepeso tenha sido observado como o fator de risco mais prevalente.
O aumento da massa corporal está associado à pressão arterial elevada, e a perda de peso em indivíduos hipertensos é geralmente acompanhada por uma redução na pressão arterial (WHO, 1998).
Entre outros fatores de risco para a doença hipertensiva e DCV, cabe
destacar os constitucionais, que compreendem a idade, gênero, genética
(raça e historia familiar) e ainda os ambientais, que incluem a ingestão
excessiva de sal e de álcool, gordura, tabagismo, sedentarismo, fatores ambientais ligados ao trabalho e à classe social (GIORDI; LOPES, 2005).
Entre os fatores de risco de maior probabilidade para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares (DCV) estabelecidos desde o estudo
de Framinghan, destacam-se o fumo, a hipertensão arterial, as dislipidemias e o diabetes mellitus. A obesidade e a inatividade física foram positivamente associados com o risco de desenvolver DCV, constituindo-se nos
fatores de risco mais significativos (GRUNDY et al., 1998).
Assim os parâmetros da avaliação física e exames laboratoriais
revelam baixos riscos para o desenvolvimento de HAS e DCV conforme
observado na literatura, este padrão pode está mais uma vez associado ao
processo rigoroso de seleção dos grupos de elite da Polícia Militar, resultando em um perfil físico condizentes ao encontrado no estudo, embora
a triagem não considere aspectos familiares associados à HAS e DCV que
apresentaram percentuais relevantes, conforme tabela 02.
O último elemento da avaliação com os participantes da pesquisa
foi a realização do ECG que revelou percentual elevado de alterações inespecíficas que representam baixo risco para o desenvolvimento de HAS e
DCV, reforçando o bom condicionamento físico e emocional dos policiais
de GTAP.
A comparação entre os fatores de risco e de proteção para HAS
e DCV apresentado no gráfico 01 traz uma visão geral dos resultados da
pesquisa, apesar deste tipo de comparação apresentar limitações, principalmente porque os fatores de risco/proteção se manifestam de maneira
diferente em cada indivíduo e apresentam força diferente na manifestação/inibição de HAS e DCV. Entretanto, o padrão encontrado reforça mais
uma vez o bom nível de parâmetros físicos e laboratoriais encontrado na
pesquisa. Apesar do somatório entre fatores de risco e de proteção não
resultarem em uma equação matemática exata, podemos sugerir que
quanto mais a conta pesar para os fatores de proteção melhor serão as
condições de saúde física, mental e social do indivíduo.
Este padrão de condicionamento físico e mental observado entre
os participantes da pesquisa difere do padrão encontrado na literatura
para outros grupos de policiais militares. No estudo de Leite e Silva (2007)
29
Monteiro, S. C. L. P.; Alves, E. L. M.
com 101 policiais de Novo Gama-GO, para avaliação de níveis pressóricos
e auto-percepção de saúde, observou-se que os níveis pressóricos e os
fatores de risco para desenvolvimento de HAS encontravam-se em níveis
preocupantes.
No estudo de Frutuoso (2008) com 15 policiais militares da cidade
de Matipó-MG para a avaliação de riscos coronarianos através da relação
C/Q, observou-se 80% dos policiais apresentaram risco de moderado à
muito alto para desenvolvimento de problemas cardíacos.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através deste estudo foi possível concluir que o perfil socioeconômico e hábitos de vida dos policiais do GTAP se caracteriza por pessoas
com idade entre 30 e 48 anos (87%), casados/união estável, com um bom
nível de instrução, relatando consumo moderado de álcool, baixa satisfação salarial e que recorrem a trabalhos extras para complemento da renda
familiar, resultando em sobrecarga laboral, fadiga e risco aumentado para
a ocorrência de HAS e DCV.
Por outro lado, o bom nível de escolaridade, a prática regular de
atividade física e o não uso de tabaco foram considerados como fatores
protetores ao desenvolvimento de HAS e DCV, fato que aliado ao processo
rigoroso de seleção para composição das tropas de elite da Polícia Militar
resultam em um bom nível de condicionamento físico e mental encontrado no estudo.
Observaram-se baixos percentuais de história patológica pregressa
para depressão e descontrole emocional, indicando dificuldade dos entrevistados em se auto-perceber como clinicamente afetados, pois houve
contraste com os percentuais de depressão observados com a aplicação
do BDI.
Os resultados decorrentes da avaliação física, exames laboratoriais
e ECG revelaram elevados níveis de normalidade para a população de estudo, embora o sobrepeso tenha sido observado como o fator de risco
mais prevalente.
A comparação entre os fatores de risco e de proteção para HAS e
DCV para os participantes da pesquisa revelou um sobreposição do somatório dos fatores de proteção em relação aos fatores de risco, reforçando
o bom nível de parâmetros físicos e laboratoriais encontrado na pesquisa.
Este padrão difere das pesquisas com policiais militares encontradas na
literatura, entretanto, acredita-se que o processo de seleção rigoroso realizado para seleção das tropas de elite explique este padrão mais saudável.
Espera-se com este estudo contribuir para uma melhor compreensão dos fatores de risco/proteção para o desenvolvimento de HAS e
DCV entre policiais militares, assim como estimular novos estudos para o
desenvolvimento de medidas preventivas cada vez mais eficazes ao enfrentamento desta verdadeira epidemia de HAS e doenças do aparelho
circulatório.
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Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.25-30, Jul-Ago-Set. 2011.
PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
O conhecimento cotidiano do risco ocupacional
The everyday knowledge of the occupational risk
El conocimiento cotidiano de los riesgos laborales
Luana Kelle Batista Moura
Cirurgiã Dentista da Estratégia Saúde da Família de Ubajara- CE. Especialista em Saúde da Família pela Faculdade
NOVAFAPI. Mestranda em Endodontia pela Universidade de
Ribeirão Preto – UNAERP - [email protected]
Maria Eliete Batista Moura
Pós-Doutora pela Universidade Aberta de Lisboa –
Portugal. Doutora em Enfermagem pela Escola de
Enfermagem da UFRJ. Professora da Graduação e do
Programa de Mestrado Profissional em Saúde da Família
da Faculdade NOVAFAPI. Professora da Graduação e
do Programa de Mestrado em Enfermagem da UFPI.
[email protected]
Cristina Maria Miranda de Sousa
Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Federal
do Rio Grande do Norte – UFRN. Professora do Programa
de Mestrado em Saúde da Família da Faculdade NOVAFAPI.
[email protected]
Gerardo Vasconcelos Mesquita
Doutor em Cirurgia Traumato-Ortopédica. Professor da
Graduação e do Programa de Mestrado Profissional em
Saúde da Família da Faculdade NOVAFAPI.
Fabrício Ibiapina Tapety
Doutor em Reabilitação Oral (Niigata University/Japan).
Pós-doutor em Implantodontia (Johannes Gutenberg
Univeristy em Mainz/Alemanha). Professor da Graduação e
do Programa de Mestrado Profissional em Saúde da Família
da Faculdade NOVAFAPI. [email protected]
RESUMO
O estudo tem como objetivo analisar as representações sociais do risco ocupacional elaboradas por
estudantes de odontologia. Trata-se de uma pesquisa exploratória realizada com 64 estudantes de
odontologia de uma instituição de ensino privada de Teresina – Piauí. Os dados foram produzidos
através de entrevista semi-estruturada e processados no software Alceste 4.8. Foram apresentados
em quatro classes semânticas, a saber: 1- Uso dos equipamentos de proteção individual pelos estudantes de odontologia; 2- Exposição dos estudantes de odontologia a doenças como AIDS e hepatites; 3- Exposição aos riscos biológicos, por meio da saliva e sangue; 4- Exposição aos riscos ergonômicos, como lesões causadas por esforços repetitivos. A prevenção dos riscos ocupacionais para
os estudantes de odontologia ainda não foi incorporada como um conjunto de medidas necessárias
para a sua saúde e do paciente no ambiente de trabalho, para diminuir a ocorrência de acidentes
ocupacionais e infecções cruzadas e sim para prevenir os riscos ergonômicos, especialmente, pelos
movimentos repetitivos, podendo resultar em prejuízos para o paciente causados pelo distúrbio
osteomuscular relacionado ao trabalho, com reflexos para uma prática com menos qualidade.
Descritores: Risco ocupacional. Odontologia. Psicologia social.
ABSTRACT
The study aims to analyze the social representations of occupational risk prepared by dental students. This is an exploratory research conducted with 64 dental students of a private college in Teresina - Piaui. The data have been produced using semi-structured and processed in the software Alceste 4.8. Were presented in four semantic classes, namely: 1 - Use of personal protective equipment
by dental students, 2 - Exposure of dental students to diseases like AIDS and hepatitis, 3 - Exposure to
biological hazards, through saliva and blood 4 - Exposure to ergonomic risks, such as repetitive strain
injuries. The prevention of occupational hazards for dental students has not yet been incorporated
as a set of measures necessary for their health and patient in the workplace to reduce the occurrence
of occupational accidents and cross infections but to prevent ergonomic hazards, especially by repetitive movements and may result in damage to the patient caused by work-related musculoskeletal
disorder, which is reflected in a practice with less quality.
Descriptors: Occupational risk. Dentistry. Social psychology.
RESUMEN
Telma Maria Evangelista de Araújo
Doutora em Enfermagem. Professora da Universidade
Federal do Piauí e Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e
Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI).
Email: [email protected]
Submissão: 06.04.2011
Aprovação: 26.05.2011
El estudio tiene como objetivo analizar las representaciones sociales de los riesgos por estudiantes
de odontología. Esta es una investigación exploratoria realizada con 64 estudiantes de odontología
de una universidad privada en Teresina - Piauí. Los datos han sido elaborados mediante entrevista
semi-estructurados y procesados en el software Alceste 4.8. Se presenta en cuatro clases de semántica, a saber: 1 - El uso de equipo de protección personal por los estudiantes de odontología,
2 - La exposición de los estudiantes de odontología de enfermedades como el sida y la hepatitis,
3 - exposición a riesgos biológicos, a través de la saliva y la sangre 4 - La exposición a riesgos ergonómicos, tales como lesiones por esfuerzo repetitivo. La prevención de riesgos laborales para los
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.31-38, Jul-Ago-Set. 2011.
31
Moura, L. K. B.; et al.
estudiantes de odontología no ha sido incorporado como un conjunto de
medidas necesarias para su salud y el paciente en el lugar de trabajo para
reducir la ocurrencia de accidentes de trabajo y las infecciones cruzadas,
sino para prevenir los riesgos ergonómicos, especialmente por los movimientos repetitivos y puede causar daños en el paciente causadas por el
trabajo relacionado con trastornos musculoesqueléticos, que se refleja en
una práctica con menos calidad.
Descriptores: Riesgos laborales. Odontología. La psicología social.
1INTRODUÇÃO
A Saúde do Trabalhador, no Brasil emergiu da saúde coletiva buscando conhecer e intervir nas relações trabalho e saúde-doença da classe operária industrial. Diferente dos conhecimentos e práticas da saúde
ocupacional relativo à determinação social do processo saúde-doença,
a saúde do trabalhador, abrange a Saúde Pública em sua vertente programática e a Saúde Coletiva ao abordar o sofrer, adoecer e morrer das
classes e grupos sociais inseridos em processos produtivos (LACAZ, 1996;
TAMBELLINNI; et al., 1986).
Segundo Niero, (2000), a Saúde do Trabalhador, ´´estabelece a relação da doença com o trabalho, baseando-se em um agente específico
ou em um grupo de fatores de risco presentes no ambiente de trabalho``.
Para Lamas, Blank e Calvo (2008), a saúde no trabalho são ´´verdadeiros registros dos momentos políticos e econômicos, dos embates
vivenciados dentro e fora desse campo, dos progressos e das limitações
das propostas de atenção à saúde``.
Nos serviços de saúde, as medidas de prevenção para evitar o cruzamento de infecções entre pacientes e trabalhadores da saúde têm sido
amplamente pesquisadas pelo aumento dos acidentes ocupacionais.
Os profissionais que trabalham em serviços de saúde estão expostos aos riscos ocupacionais, principalmente os que manipulam materiais
biológicos. A conduta inadequada desses profissionais e a não execução
das normas de segurança aumentam consideravelmente o risco de infecções cruzadas no ambiente de trabalho.
O conhecimento dos profissionais sobre as normas e os riscos aos
quais eles podem estar expostos, especialmente pelo fato de não cumprirem as precauções necessárias, tem contribuído para aumentar o índice
de infecções, resultando numa assistência sem qualidade.
Mastroeni (2006), define risco como uma condição biológica, química ou física que apresenta potencial para causar dano ao trabalhador,
produto ou ambiente.
Os agentes biológicos constituem-se o principal risco ocupacional,
especialmente nos serviços de saúde com destaque para a Odontologia.
O emprego da prática segura se faz necessário, com a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s), técnicas assépticas, normas e
condutas que visam um tratamento sem riscos, tanto para o profissional, o
estudante, como para o paciente.
Nos serviços de saúde, a Odontologia é uma área que há riscos
físicos, químicos, biológicos, ergonômico e de acidentes, tanto para os
profissionais e estudantes como para os pacientes, que podem ser adquiridos através de acidentes de trabalho, em que estão mais susceptíveis a
adquirir doenças, de forma direta ou indireta.
Corrêa e Donato (2007), relatam que muitos profissionais da área
da saúde e da odontologia, apresentam posturas inadequadas e pouco
adotam medidas de Biossegurança no seu ambiente de trabalho durante
32
o procedimento que realizam o que pode ocasionar agravos à sua saúde e
a do paciente sob seus cuidados.
Dessa forma, torna-se importante a compreensão da influência do
universo cultural na tomada de decisão do ser humano, em que a percepção por parte dos profissionais de saúde acerca da relação existente entre
a ocorrência tanto de acidentes ocupacionais como de infecções cruzadas,
com as atitudes e comportamentos adotados durante a prática, é imprescindível para uma melhoria na qualidade da assistência prestada por eles.
Portanto, a importância deste estudo mostra-se a partir da proposta de investigação do risco ocupacional, enquanto fenômeno social, por
acreditar que nesta perspectiva será possível identificar aspectos subjetivos que certamente influenciam nos comportamentos e atitudes dos
estudantes de odontologia.
Esta pesquisa será apoiada na Teoria das Representações Sociais.
Para Moscovici (1978), esta proposta teórica é fruto do diálogo permanente entre indivíduos e grupos, que se adaptam e interagem socialmente.
Segundo Jodelet (2001), representação social é produto de uma
atividade de apropriação de uma realidade externa ao pensamento e da
elaboração psicológica e social da mesma, constituindo um processo pelo
qual se estabelece a relação entre um conteúdo (informações, imagens,
opiniões, atitudes) e um objeto a partir de um sujeito (indivíduo, família
e comunidade).
No ambiente de trabalho, percebe-se algumas situações adversas que dificultam ou impossibilitam a implementação de medidas de
biossegurança eficientes tanto para o controle das infecções hospitalares
como para a prevenção de acidentes ocupacionais como, por exemplo: o
comportamento e as opiniões dos profissionais e estudantes da saúde na
esterilização dos materiais; na realização de procedimentos invasivos; na
adoção de precauções em situações de risco que envolva material biológico (sangue, secreções etc.).
Essa realidade levou-nos a questionar sobre o nível de atenção que
este problema vem recebendo na área da saúde, especialmente por parte
dos estudantes de odontologia, visto que muitos profissionais não têm
demonstrado preocupação com a questão por desconhecer, ou mesmo
por desconsiderar os riscos ocupacionais no seu cotidiano de trabalho,
conforme observado empiricamente.
Com base nessa problemática, definiu-se como objeto de estudo
as Representações Sociais de estudantes de Odontologia de uma instituição de ensino privada. A partir dessa situação em que os profissionais e
estudantes parecem não realizar uma prática adequada no seu cotidiano,
coloca-se em dúvida o seu real conhecimento sobre os riscos ocupacionais, considerando ser um tema de extrema relevância.
Dessa forma, o estudo tem como objetivo analisar as Representações Sociais do risco ocupacional elaboradas por estudantes de odontologia.
2METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória para analisar
fenômenos sócio-culturais a partir das Representações Sociais acerca do
risco ocupacional, subsidiadas na Teoria das Representações Sociais.
Para Marconi e Lakatos (2009), a pesquisa descritiva se refere aos
fatos que são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles. Isto significa que os fenômenos do mundo físico e humano são estudados, mas não manipulados
pelo pesquisador.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.31-38, Jul-Ago-Set. 2011.
O conhecimento cotidiano do risco ocupacional
Gil (2007) refere que a pesquisa exploratória proporciona maior
familiaridade com o problema, com vista a torná-lo mais explícito. Seu planejamento é bastante flexível, de modo que possibilita a consideração dos
mais variados aspectos relativos ao fato estudado.
O estudo foi desenvolvido na Faculdade NOVAFAPI. Os sujeitos da
pesquisa foram 64 estudantes de odontologia do 3° ao 10° período do curso.
No trabalho de campo foi utilizada a técnica de entrevista, como
instrumento de pesquisa, por ser considerada importante no trabalho de
campo, facilitando a compreensão da realidade social (MINAYO, 1994).
Após a aceitação verbal dos sujeitos do estudo, foi solicitado aos
mesmos que assinassem o termo de consentimento livre e esclarecido,
que obedece aos preceitos éticos e legais conforme o Comitê de Ética
e Pesquisa - CEP/NOVAFAPI, acordado com os requisitos da Resolução
196/96, que trata das diretrizes e normas de pesquisa envolvendo seres
humanos (BRASIL, 1996).
Os dados produzidos foram processados pelo software Alceste 4.8,
criado por Reinert (2000), na França, no final dos anos 70 e que permite
efetuar de maneira automática a análise de entrevistas, de perguntas abertas de investigações socioeconômicas, coleção de textos diversos e tem
como objetivo quantificar um texto para extrair o mais forte significado
de uma estrutura.
O ALCESTE (Analyse dês Lexemes Cooccurrents dans lês Enoncés
d um Texte) na versão 4.8. permite a análise lexical por meio da Classificação Hierárquica Descendente (CHD), que recorre a co-ocorrências das
palavras no enunciado que constituem o material discursivo. O software
organiza as informações consideradas mais relevantes, e que possui como
referência em sua base metodológica a abordagem conceitual lógica e
dos mundos lexicais (CAMARGO, 2005).
O ALCESTE é um software que analisa o material a partir das grandes Unidades de Contexto Iniciais (UCIs), que podem ser entrevistas de
diferentes sujeitos reunidos no corpus, respostas e perguntas específicas,
normalmente abertas, de questionários e texto de jornais e revistas. O texto completo é formatado e dividido em segmentos menores denomina-
Classe 1 - Uso de equipamentos de proteção individual – EPIs.
A classe 1, constituída por 14 UCE’s, representa 20,29% do corpus.
Apresenta-se diretamente relacionada à classe 2 e indiretamente relacionada às classes 3 e 4. O grupo de vocábulos que a compõe evidencia os
riscos ocupacionais com as palavras: proteção, infecção, cruzada, individual, equipamento, luva, e consultório como as que obtiveram
maiores valores de Khi2.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.31-38, Jul-Ago-Set. 2011.
dos de Unidades de Contexto Elementares (UCEs) que correspondem ao
material discursivo ou escrito referente à formação das classes ou categorias. (OLIVEIRA, GOMES, MARQUES, 2005).
O programa apresenta uma organização possível dos dados através
de análises estatísticas e matemáticas, fornecendo o número de classes, as
relações existentes entre as mesmas, o contexto semântico de cada classe,
entre outros. Além disso, o Alceste segmenta o material das respostas das
entrevistas dos sujeitos em grandes unidades denominadas de Unidades
de Contextos Iniciais (UCI) e em unidades de segmentos denominadas
Unidades de Contextos Elementares (UCE).
Nesta pesquisa, o tratamento e análise dos dados, por meio da
Classificação Hierarquica Descendente, permitirá as deduções sobre a
organização das representações sociais dos estudantes de odontologia,
sobre risco ocupacional.
3
RESULTADOS E ANÁLISE DOS DADOS
Conforme o tratamento analítico do software Alceste 4.8 que organizou os dados de maior relevância resultantes das falas dos estudantes de
odontologia, através da análise lexical, surgiram as representações sociais
dos risco ocupacionais revelados nas quatro classes semânticas, a saber:
Classe 1 – Uso de equipamentos de proteção individual – EPIs; risco de
acidentes com materiais perfurocortantes; Classe 2 - O risco ocupacional
relacionado à exposição às doenças infecto-contagiosas; Classe 3 – Exposição aos riscos biológicos; Classe 4 - Exposição aos riscos ergonômicos.
Dendograma das Classes
Figura 3 – Dendograma das classes do corpus.
Fonte: Relatório Alceste, 2010.
O cirurgião-dentista é responsável pelo desenvolvimento e implantação de medidas de segurança como equipamentos de proteção individual, garantindo a redução de transmissão no consultório odontológico
(REZENDE; LORENZATO, 2000).
As UCEs seguintes expressão a preocupação com o uso dos EPIs
pelos estudantes de odontologia.
Fazer uso dos equipamentos de proteção individual... O uso de luvas máscara,
touca, óculos de proteção, ajuda muito o profissional... Às vezes me preocupa
33
Moura, L. K. B.; et al.
com determinadas situações como o uso dos óculos e principalmente da mascara... Acho muito importante se prevenir, pois evita infecções cruzadas.
Com o uso da luva de procedimento a qualquer momento podemos nos cortar furar a luva e assim ocorrer alguma infecção cruzada.
Os EPIs têm como finalidade proteger os profissionais da saúde
dos riscos de exposição, biológicos ou químicos, riscos com lâminas ou
com ferramentas perfurocortantes ou não. Podem ser considerados de
uso pessoal, e neutralizam a ação de certos acidentes que podem causar
lesões ao trabalhador e protegê-lo contra prováveis danos à saúde do trabalhador. (SÊCCO et al., 2002).
Os EPI’s constituem-se de: máscaras, protetores oculares e faciais,
avental (jalecos), sapatilhas e luvas. No atendimento odontológico o paciente e profissional ficam muito próximos, facilitando assim a infecção
cruzada. O uso da máscara descartável é necessário para evitar a inalação
de aerossóis, bem como transmissão de outras doenças. É importante na
proteção dos cabelos para evitar a contaminação contra aerossóis, germes
e impurezas que estão presentes no ambiente. Deve ser descartável e utilizado pelo dentista, toda sua equipe assim como pelo paciente. O protetor
ocular e facial, tem o objetivo de proteger os trabalhadores, especialmente
mucosa ocular e face contra fluidos do paciente. Existe certa resistência no
uso dos óculos, devido ao embasamento da visão e escape da respiração
pela máscara facial.
Kantz, Martins e Miguel (2006), ressaltam que nos dias atuais a
freqüência de utilização é baixa, principalmente no que diz respeito à proteção ocular, fato que tem levado a sérios danos oculares e à transmissão
de infecções, seguidos muitas vezes de processos judiciais.
Os aventais (jaleco / bata) devem ser de uso exclusivo em consultório, pode ser de tecido ou algodão, contendo gola alta e mangas longas
e deve ser mantido abotoado para sua maior proteção.
Carvalho; et al., (2009) afirmam que o uso dos jalecos se tornou
uma prática obrigatória, com finalidade de proteção durante realização
de procedimentos. É necessário que se realize campanhas educativas para
orientar os profissionais sobre o seu uso e adoção de protocolos rígidos
em seu uso e sua descontaminação por parte das instituições de saúde.
O uso de luvas na odontologia é recomendação, pois nos procedimentos odontológicos existe o contato direto ou indireto com sangue,
entre outras substâncias que são consideradas infecciosas em potencial.
Consideradas melhor barreira de proteção para as mãos, não deve ser reutilizada, pois perdem eficácia com seu uso contínuo. Devem ser descartadas após danificadas ou prolongado tempo de uso.
Ainda na classe 1, os sujeitos da pesquisa fizeram referência aos
riscos relacionados aos materiais perfurocortantes na assistência odontológica. As UCEs seguintes mostram isso.
O risco no consultório odontológico está em todas as partes principalmente os
relacionados aos materiais perfurocortantes.
Acredito que mesmo com todos os equipamentos de proteção individual, ainda
dar um certo receio na hora do atendimento, principalmente em relação aos
materiais perfurocortantes que podem ultrapassarem a proteção e causarem
um dano.
O risco de ser contaminado quando estiver fazendo uso de materiais perfurocortantes, quando fizemos manipulação de alguma substancias sem estarmos
devidamente protegidos com os EPIs.
Para Shimizu e Ribeiro (2002), os estudantes e profissionais da saúde se preocupam em registrar os acidentes por materiais perfurocortantes e fluidos biológicos, pois o seu estudo mostrou notificações de 117
acidentes no período de maio de 1998 a junho de 2000 na Comissão de
34
Controle de Infecção Hospitalar da instituição estudada. Os autores ressaltam que o medo dos estudantes e trabalhadores da saúde de adquirirem
doenças como a AIDS, Hepatite B e C tem contribuído para o aumento do
registro de acidentes com materiais perfurocortantes.
Castro e Farias (2009), colocam que as repercussões do acidente
com materiais perfurocortantes ocorrem de acordo com a individualidade do profissional acidentado, podendo envolver sentimentos e a falta de
habilidade técnica. Destacam a necessidade de implementar precaução e
cuidado na manipulação de instrumentos perfurocortantes tão comuns
no processo de trabalho e adotar práticas de segurança ao manipulá-los,
tendo em vista seu elevado potencial para agravos à saúde tanto no campo físico quanto psíquico e emocional.
Classe 2 - O risco ocupacional relacionado à exposição às doenças infecto-contagiosas.
A classe 2, constituída por 16 UCE’s, representa 23,19% do corpus.
Apresenta-se diretamente relacionada à classe 1 e indiretamente relacionada às classes 3 e 4. O grupo de vocábulos que a compõe evidencia
os riscos ocupacionais com as palavras: hepatite, doença, dentista, AIDS
como as que obtiveram maiores valores de Khi2.
A infecção relacionada à assistência à saúde (IRAS) é um problema
de saúde pública e de extrema importância para os profissionais que trabalham em serviços de saúde e principalmente para os que manipulam
materiais biológicos como os estudantes e profissionais da odontologia.
A postura inadequada desses profissionais e a não adoção das normas de
biossegurança aumentam consideravelmente o risco de infecções cruzadas no ambiente de trabalho.
O conhecimento dos estudantes e profissionais da saúde sobre as
normas de biossegurança e precauções padrão e os riscos aos quais eles
podem estar expostos no ambiente de trabalho, tem contribuído para
aumentar o índice de infecções, resultando numa assistência sem muita
qualidade.
Para uma prática segura se faz necessário, a utilização de EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual), técnicas assépticas, normas e condutas
que visam um tratamento sem riscos, tanto para o profissional, como para
o paciente.
Desta forma, Biossegurança é definida como:
Conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização, ou eliminação dos riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino,
desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, riscos que podem
comprometer a saúde do homem, dos animais, do meio ambiente, ou a
qualidade dos trabalhos desenvolvidos. (HINRICHSEN, 2004).
No início da década de 80, com os primeiros casos de AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) houve preocupações em adotar as
normas de Biossegurança na prática odontológica. Na época, surgiram os
primeiros relatos de casos de HIV na área da saúde. Com isso, as Precauções Universais foram instauradas pelo CDC - Centers of Disease Control
and Prevention (2003), tendo como principal motivo, o desconhecimento
sobre as medidas de biossegurança pelos profissionais e a prevenção contra o vírus da Hepatite B. (SOUSA, 2000).
As UCEs seguintes explicitam a preocupação dos estudantes de
odontologia com os riscos de adquirirem AIDS e Hepatites
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.31-38, Jul-Ago-Set. 2011.
O conhecimento cotidiano do risco ocupacional
O risco ocupacional representa para mim principalmente em decorrência da desatenção ou erro do próprio profissional podendo levar a
grandes conseqüências como a transmissão de uma doença como a AIDS.
O risco ocupacional no consultório odontológico depende das
nossas ações para se evitar infecções cruzadas, especialmente pelo HIV,
devemos evitar o risco de contaminação com o uso dos equipamentos de
proteção individual pelos profissionais.
Durante um procedimento invasivo estamos cientes do grande risco de contrair hepatite B e C e até mesmo HIV, portanto o risco ocupacional está muito presente durante nossos trabalho no dia a dia.
A maioria dos instrumentos usados é perfuro cortante o que nos
oferece um risco alto de contaminação por doenças como a AIDS, herpes
e sífilis e outras doenças como hepatites.
Assim, os cirurgiões dentista estão envolvidos na pandemia da
AIDS, considerando que atendem inúmeros pacientes, dentre eles, os
portadores assintomáticos do vírus HIV (RODRIGUES; SOBRINHO E SILVA,
2005).
Mesmo assim, muitos profissionais da saúde e da odontologia,
ainda apresentam posturas inadequadas e não adotam medidas de biossegurança e precauções padrão no seu ambiente de trabalho durante o
procedimento que realizam o que pode ocasionar agravos à sua saúde e a
do cliente sob seus cuidados. (CORRÊA; DONATO, 2007)
Classe 3 – Exposição aos riscos biológicos.
A classe 3, constituída por 10 UCE’s, representa 14,49% do corpus.
Apresenta-se diretamente relacionada à classe 4 e indiretamente relacionada às classes 1 e 2. O grupo de vocábulos que a compõe evidencia os
riscos ocupacionais com as palavras: saliva, sangue e secreção, como as
que obtiveram maiores valores de Khi2.
Na área da saúde, como em qualquer outra o ambiente de trabalho, envolve os profissionais, podendo acarretar no aumento dos riscos e
perigos durante o exercício de suas funções. Na Odontologia há muitos
riscos, especialmente os biológicos, pela exposição do cirurgião dentista e
estudantes a saliva, sangue e secreções. As UCEs seguintes mostram isso.
Existem muitos riscos que os profissionais de odontologia estão expostos como
biológicos, psicológicos, dentre outros. Represento os riscos ocupacionais com
preocupação, uma vez que como estudante de odontologia, estamos em contato direto com secreções, sangue, saliva e apesar dos equipamentos de proteção
individual EPis utilizados. O risco ocupacional existe de fato, pois na odontologia
trabalhamos com objetos perfurocortantes.
Problema importante é a exposição a materiais perfurocortantes que estudantes
e profissionais de odontologia estão expostos no ambiente de trabalho. Então
todos os envolvidos correm riscos de danos a saúde, cabe ao cirurgião dentista
uma boa conduta, seguir as normas ergonômicas e de biosseguranca, ou seja,
não usar material sem esterilizar e manusear os materiais inadequadamente
para evitar acidentes.
O consultório odontológico é um ambiente de alto risco, por colocar o cirurgião dentista em contato direto com a saliva, sangue e secreções
dos pacientes, que possui vírus, bactérias e fungos, contribuindo para aumentar a possibilidade de ocorrer infecções cruzadas, especialmente pelos aerossóis que fazem parte comumente do atendimento odontológico.
Os aerossóis formados são partículas e líquidos produzidos durante o tratamento odontológico através do uso das turbinas de alta e baixa rotação,
as seringas trípice e as pontas de ultrasom, utilizadas para o refrigeramento da superfícies dentárias quando e contato com as estruturas dentais e
toda a microbiota da cavidade oral.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.31-38, Jul-Ago-Set. 2011.
Esses aerossóis formados durante o atendimento odontológico são
comumente contaminados com bactérias, fungos, vírus e freqüentemente
com sangue. E o ar contaminado produzido e somado às secreções contido neste espaço é respirado pelo dentista, sua equipe e seus pacientes, ou
seja, sua composição é um importante fator em potencial de ameaça para
a saúde dos trabalhadores. (BITTENCOURT et al., 2003). Vejamos a UCE.
Na odontologia, o risco ocupacional existe desde a entrada na clínica até o atendimento do paciente podemos está sujeitos a contaminação pelos aerossóis,
saliva, sangue e contato direto com o paciente. Todos os profissionais da área
de odontologia estão sujeitos a algum tipo de contaminação, dai a importância
do uso dos EPis.
O risco segundo a Portaria do Ministério do trabalho, 3.214/78
pode ser definido como uma condição e está classificado em 5 categorias:
biológica, física, química, ergonômica ou acidental (BRASIL, 1978).
Os riscos físicos de acordo com Hirata; Hirata; Jorge Filho (2002) são
aqueles provocados por algum tipo de energia, podem ser enumerados
de acordo com equipamento de manuseio do operador ou do ambiente.
Temos como exemplos: equipamentos que geram calor, equipamentos
de baixa temperatura, material radioativo, pressões anormais, umidade,
ruídos, vibrações, radiação ultravioleta, radiação não-ionizante, radiação
infra-vermelha, raio laser, ondas de radio, e campos elétricos.
Fernandes; Carvalho e Azevedo (2005), afirmam que os profissionais que realizam tomografias computadorizadas tem uma quantidade
média de 4 exames junto ao paciente por dia, ou seja, o funcionário fica
mais exposto à radiação ionizante e que o avental de chumbo não é suficiente para sua proteção total. Ou seja, além de outros riscos como o ergonômico, o profissional de odontologia também está sujeito ao risco físico.
O risco biológico abrange uma amostra proveniente de seres vivos (plantas, bactérias, fungos), de animais e de seres humanos, ou até mesmo os organismos
geneticamente modificados em que os cuidados são mais relevantes por trabalharem com organismos geneticamente modificados.
Na odontologia podemos citar saliva, secreção purulenta ou o
sangue realizado numa simples tartarectomia ou mesmo em um procedimento mais invasivo como uma gengivectomia ou gengivoplastia.
Zenkner (2006), afirma que é de suma importância que o dentista e
sua equipe conheçam os riscos biologicos no qual estão expostos e que é
vital adotar condutas eficazes para o controle de infecção cruzada, usando
o conceito precaução – padrão, tratando todos os pacientes como potencialmente infectados.
De acordo com Brito e Moura (2009), os riscos químicos são oriundos de substâncias ou produtos que possam penetrar no organismo pela
via respiratória, na forma de poeiras, nevoas, aerossóis, neblinas, vapores,
contato de pele ou ingestão. São subdivididas em contaminantes do ar,
substâncias tóxicas ou altamente tóxicas, substâncias explosivas, substancias irritantes e nocivas, substâncias oxidantes, corrosivas, inflamáveis,
cancerígenas e líquidos voláteis. A UCE seguinte dá conta disso.
O risco ocupacional está presente diariamente na prática odontológica,
está representado de varias maneiras seja biológico, risco de infecção cruzadas;
químico, contato com soluções e/ ou materiais tóxicos: físicos e radiações.
Moura e Matos (2008), afirmam o risco com a influencia do bioaerossol dental é mais pronunciado quando se realizam procedimentos
coletivos e simultâneos, onde os pacientes não estão protegidos pelos
mesmos equipamentos que os cirurgiões-dentistas estão protegidos e
conseqüentemente ficam vulneráveis à infecções por via ocular e mucosa
do trato respiratório.
35
Moura, L. K. B.; et al.
Assim, estudantes, cirurgiões dentistas e pacientes, podem se expor muito aos riscos biológicos, caso as medidas de biossegurança e as
precauções padrão não forem adotadas no ambiente de trabalho.
Classe 4 - Exposição aos riscos ergonômicos.
A classe 4, constituída por 29 UCE’s, representa 42,03%% do corpus.
Apresenta-se diretamente relacionada à classe 3 e indiretamente relacionada às classes 1 e 2. O grupo de vocábulos que a compõe evidencia os
riscos ocupacionais com as palavras: ergonômico, normas, exposição e
problema, como as que obtiveram maiores valores de Khi2.
Os riscos ergonômicos são elementos físicos e organizacionais que
interferem no conforto da atividade realizada pelo trabalhador. O termo
criado para este tipo risco foi LER ( Resolução da Secretaria Estadual de
Saúde de São Paulo, nº 180 e 197 de 1992). Ou seja, são lesões causadas por esforços repetitivos, que atualmente se denomina DORT, doenças
osteomusculares relacionadas com o trabalho (HIRATA; HIRATA; JORGE
FILHO, 2002)
Os profissionais de odontologia são atingidos constantemente por
este tipo de risco, pois, os cirurgiões dentistas são vítimas de seus próprios
costumes, como não trabalhar com as mãos e pernas mais próximas ao
corpo, pés não apoiados totalmente ao chão, não trabalhar com paciente
de acordo com relação maxila – mandíbula, alem dos movimentos repetitivos e a falta de alongamento dos membros causando as DORTs e que
vão se agravando com o tempo. Vejamos as UCEs.
O risco ergonômico é devido as más posições... Na questão ergonômica é muito
importante seguir para evitar futuramente danos ao nosso corpo... é importante
manter uma postura correta para melhor qualidade de vida. O risco ergonômico
é grande e deve-se saber como se comportar em um consultório odontológico
para evitar problemas maiores no futuro como a LER.
Cabe ao cirurgião dentista uma boa conduta, seguir as normas ergonômicas e
de biosseguranca...
Todo profissional de saúde tem receio com relação aos riscos ocupacionais. A
biosseguranca torna-se extremamente necessária e mesmo assim não nos deixa
cem por cento tranqüilos. E também em relação a ergonomia, que com o tempo,
se não melhorar a forma de se posicionar, com certeza ira agravar.
A Odontologia, através do tempo, vem se transformando de uma
atividade puramente artesanal e empírica, para uma profissão técnico-científico-humanista. No entanto, a Odontologia contemporânea ainda
se depara com o aumento da incidência de doenças infecto-contagiosas
das mais variadas etiologias, impondo a necessidade de discutir e adotar
mecanismos de proteção, para evitar a contaminação tanto do profissional
e sua equipe, quanto do seu paciente; todos os envolvidos nesta cadeia
estão expostos, igualmente, a essa grande variedade de agentes infecciosos (BRASIL, 2000).
A natureza única dos procedimentos odontológicos requer
estratégias específicas direcionadas para a prevenção da transmissão de
patógenos entre a equipe de saúde e seus pacientes, que podem estar
expostos a uma grande variedade de microorganismos presentes nas secreções orais e respiratórias. Patógenos que podem ser transmitidos durante o ato operatório por diversos meios, como contato com secreções
ou com o ar contaminado por partículas e aerossóis formados durante o
procedimento (CENTERS FOR DISEASE CONTROL, 2003).
Com isso, verificou-se que a odontologia contemporânea se depara com um aumento de doenças infecto-contagiosas das mais variadas
etiologias, e que impõe a necessidade de discutir e adotar medidas e me36
canismos de proteção dos riscos, ou seja, principalmente em atendimentos coletivos e/ou simultâneos, o qual seus respectivos pacientes estão
expostos nesta cadeia com grande variedade de agentes infecciosos.
Uriarte Neto, et al., (2007), realizaram pesquisa sobre conhecimento e condutas de docentes de um curso de Odontologia e recomendaram que os cirurgiões-dentistas devem ter conhecimento sobre
os riscos biológicos, químicos e físicos que existem em um ambiente de
consultório e devem adquirir responsabilidade para adotarem medidas de
prevenção e precaução na prática odontológica diária, e esta deve ser iniciado na faculdade.
Consideraram que, os cursos de Odontologia em geral, oferecem
conhecimento teórico necessário para o entendimento do controle de infecções, mas nem sempre a teoria está relacionada com a prática, e ressaltaram
a necessidade da implantação de um protocolo de medidas de precaução-padrão aplicáveis ao cotidiano da academia e a vida profissional do egresso.
No entanto essa preocupação reflete mais especificamente a proteção dos estudantes e profissionais aos riscos biológicos e químicos, sem
o destaque necessário aos riscos ergonômico, evidenciado nesse trabalho
como o risco mais importante na prática dos estudantes e profissionais da
odontologia. O que se evidencia com maior freqüência é que o consultório odontológico é um ambiente de alto risco, pelo contato de saliva que
possui vírus, bactérias e fungos, contribuindo para contaminação, se vê
então a importância do uso de barreiras de proteção física, procedimentos
de desinfecção e esterilização visando maior segurança para toda a cadeia
formada pelos profissionais (cirurgião-dentista, técnico, outros funcionários), pacientes e meio ambiente.
Dentre as medidas de precaução contra as infecções as mais
utilizadas são: lavagem das mãos, uso dos EPI’s (Equipamentos de Proteção Individuais) representados por: máscaras, gorros, protetores faciais e
oculares, aventais e luvas, esterilização dos instrumentais e desinfecção do
ambiente de trabalho. E a base dos conhecimentos teórico/ prático do
manuseio de materiais perfurocortantes.
Dessa forma, as representações sociais que os estudantes de Odontologia têm dos riscos ocupacionais apresentam-se na relação existente
entre um grupo e sua cultura, baseada na história individual que cada um
traz consigo e, dessa maneira, num processo contínuo de construção e
reconstrução, orientam suas condutas no ambiente de trabalho.
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na odontologia, há riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômico, emocionais e de acidentes. A importância desse estudo mostra-se a
partir da proposta de investigação do risco ocupacional, enquanto fenômeno social, por acreditar que nesta perspectiva será possível identificar
aspectos subjetivos que certamente influenciam nos comportamentos e
atitudes dos estudantes.
Por um lado, combater as infecções nos consultórios odontológicos continua sendo um grande desafio para os estudantes e cirurgiões-dentistas, pois mesmo com uso das medidas de controle e prevenção, os
germes conseguem superar essas medidas adotadas. Por outro lado, se vê
a importância de aplicar essas medidas de biossegurança, pois a infecção
é uma reação em cadeia, em que pode gerar uma infecção cruzada em
grande expansão. Biossegurança é dever de todos e direito do paciente,
é demonstração de respeito a si próprio, toda sua equipe e aos pacientes,
adotar as medidas de biossegurança é uma das formas de se obter a tão
esperada qualidade de vida.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.31-38, Jul-Ago-Set. 2011.
O conhecimento cotidiano do risco ocupacional
O estudo mostrou que a classe 1 - Uso de equipamentos de proteção individual – EPIs, foi constituída por 14 UCE’s, representa 20,29% do
corpus. Apresenta-se diretamente relacionada à classe 2 e indiretamente
relacionada às classes 3 e 4. O grupo de vocábulos que a compõe evidencia os riscos ocupacionais com as palavras: proteção, infecção, cruzada, individual, equipamento, luva, e consultório como as que obtiveram
maiores valores de Khi2. A classe 2 - O risco ocupacional relacionado à
exposição às doenças infecto-contagiosas, foi constituída por 16 UCE’s, representa 23,19% do corpus. Apresenta-se diretamente relacionada à classe 1 e indiretamente relacionada às classes 3 e 4. O grupo de vocábulos
que a compõe evidencia os riscos ocupacionais com as palavras: hepatite,
doença, dentista, AIDS como as que obtiveram maiores valores de Khi2.
A Classe 3 – Exposição aos riscos biológicos, foi constituída por 10 UCE’s,
representa 14,49% do corpus. Apresenta-se diretamente relacionada à
classe 4 e indiretamente relacionada às classes 1 e 2. O grupo de vocábulos que a compõe evidencia os riscos ocupacionais com as palavras: saliva,
sangue e secreção, como as que obtiveram maiores valores de Khi2. E a
Classe 4 - Exposição aos riscos ergonômicos foi constituída por 29 UCE’s,
representa 42,03%% do corpus. Apresenta-se diretamente relacionada à
classe 3 e indiretamente relacionada às classes 1 e 2. O grupo de vocábulos
que a compõe evidencia os riscos ocupacionais com as palavras: ergonômico, normas, exposição e problema, como as que obtiveram maiores
valores de Khi2.
Assim, percebe-se que os estudantes de Odontologia representaram o risco ergonômico como o de maior significância no ambiente de
trabalho em detrimento aos riscos biológicos e outros, além da importância do uso dos EPIs no ambiente de trabalho e a preocupação com as
doenças infecto-contagiosas como AIDS e Hepatites.
REFERÊNCIAS
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PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
Incidência de acidentes ocupacionais envolvendo profissionais de
enfermagem em um hospital público
Incidence of occupational accidents involving nursing professionals in public hospital
La incidencia de accidentes laborales con profesionales de enfermería en un hospital público
Lidiane Monte Lima
Acadêmica do curso de Enfermagem da Universidade
Federal do Piauí; Departamento de Enfermagem.
[email protected]
Amanda Maria da Conceição Moura
Acadêmica do curso de Enfermagem da Universidade
Federal do Piauí; Teresina – PI.
Maria Eliete Batista Moura
Pós-Doutora pela Universidade Aberta de Lisboa
– Portugal. Doutora em Enfermagem pela Escola
de Enfermagem da UFRJ. Professora da Graduação
e do Programa de Mestrado Profissional em Saúde
da Família da Faculdade NOVAFAPI. Professora
da Graduação e do Programa de Mestrado em
Enfermagem da UFPI. mestradosaudedafamilia@
novafapi.com.br
Benevina Maria Vilar Teixeira Nunes
Doutora em Enfermagem pela Escola de
Enfermagem da UFRJ. Professora da Graduação e do
Programa de Mestrado em Enfermagem da UFPI.
Francisco Braz Milanez Oliveira
Acadêmico do curso de Enfermagem da Universidade
Federal do Piauí; Teresina – PI.
RESUMO
A pesquisa tem como objetivo investigar a incidência de acidentes ocupacionais envolvendo profissionais de enfermagem de um hospital público de Teresina-Piauí. Trata-se de um estudo descritivo,
retrospectivo, de abordagem quantitativa realizado nas áreas críticas do hospital. A população foi
constituída pelos profissionais de enfermagem e os dados foram coletados no período de dezembro
de 2009 a março de 2010. Durante o período de coleta de dados, ocorreram 12 acidentes ocupacionais envolvendo profissionais de enfermagem das áreas críticas, sendo que 3 dos acidentes não
foram notificados e 9 notificados na Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Constatou-se no
estudo que a incidência de acidentes ocupacionais foi baixa, mas não deixa de ser preocupante, pois
houve três acidentes ocupacionais não notificados, mostrando que ainda há subnotificação.
Descritores: Infecção hospitalar. Acidentes de trabalho. Incidência.
ABSTRACT
The research aims to investigate the incidence of occupational accidents involving healthcare professionals from a public hospital of Teresina, Piauí. This is a descriptive, retrospective study, quantitative approach undertaken in the critical areas of the hospital. The population was composed of
nursing professionals and the data were collected between December 2009 and March 2010. During
the period of data collection, there were 12 occupational accidents involving nursing professionals
in the areas above, and 3 of the accidents were not reported and 9 notified the Commission of
Infection Control. It was found in the study that the incidence of occupational accidents was low,
but it is still worrying because there were three occupational accidents not reported, showing that
there is underreporting.
Descriptors: Hospital infection. Accidents at work. Incidence.
RESUMEN
La investigación tiene como objetivo investigar la incidencia de accidentes laborales con profesionales de la salud de un hospital público de Teresina, Piauí. Este es un estudio descriptivo, retrospectivo
enfoque cuantitativo realizado en las áreas críticas del hospital. La población estuvo conformada
por profesionales de enfermería y los datos fueron recogidos entre diciembre de 2009 y marzo de
2010. Durante el período de recopilación de datos, hubo 12 accidentes ocupacionales con los profesionales de enfermería en las áreas antes mencionadas, y 3 de los accidentes no se informaron y
9 notificado a la Comisión de Control de Infecciones. Se encontró en el estudio que la incidencia de
los accidentes de trabajo es baja, pero sigue siendo preocupante, porque hubo tres accidentes de
trabajo no se informó, demostrando que existe un subregistro.
Descriptores:. Infección hospitalaria. Accidentes de trabajo. Incidencia.
Submissão: 01.04.2011
Aprovação: 02.06.2011
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.39-43, Jul-Ago-Set. 2011.
39
Lima, L. M.; et al.
1
INTRODUÇÃO
As Infecções Hospitalares (IH) constituem um sério problema de
saúde desde a criação dos primeiros hospitais, quando ainda não se dispunha
do conhecimento microbiológico, bem como do princípio da transmissão das
doenças. Florence Nightingale, em 1858, também se destacou ao estabelecer
cuidados de enfermagem, dando ênfase à higiene dos pacientes e limpeza do
ambiente hospitalar, como medidas básicas que contribuem para o controle
das infecções (REZENDE, 2005).
A problemática da IH no Brasil cresce a cada dia, considerando que o
custo do tratamento dos clientes com IH é três vezes maior que o custo dos
clientes sem infecção. Mesmo com a legislação vigente no país, os índices de
IH permanecem altos, 15,5%, o que corresponde a 1,18 episódios de infecção
por cliente internado com IH nos hospitais brasileiros. Além disso, considera-se mais um agravante o fato das instituições de saúde pública apresentarem a
maior taxa de prevalência de IH no país, 18,4% (PRADE et al., 1995).
O Ministério da Saúde (MS), na Portaria nº 2.616, de 12/05/1998, define
IH como a infecção adquirida após a admissão do paciente na unidade hospitalar e que se manifesta durante a internação ou após a alta, quando puder ser
relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares (BRASIL, 1998).
A utilização das precauções padrão na assistência a todos os pacientes é
recomendada, independente do estado presumível de infecção, no manuseio
de equipamentos e artigos contaminados ou sob suspeita de contaminação,
nas situações em que haja riscos de contatos com sangue, com líquidos corpóreos, secreções e excreções, exceto o suor, sem considerar ou não a presença de
sangue visível e pele com solução de continuidade e mucosas (GARNER, 1996).
Luvas estéreis e não-estéreis (procedimentos) devem estar disponíveis
em todas as áreas clínicas dos hospitais. As luvas não-estéreis devem ser utilizadas como proteção do profissional na coleta de sangue ou para potenciais
contatos com sangue e secreções, e quando indicadas para procedimentos
não-estéreis em pacientes em isolamento de contato (GARNER, 1996).
Máscara, óculos de proteção e avental, devem ser usados em procedimentos com risco de contato com sangue ou secreção no rosto e nos olhos
(cirurgias, entubação, drenagem, entre outros). O risco de transmissão de
patógenos através de um único acidente ocupacional perfuro-cortante com
sangue contaminado é de 33,3% para o vírus da hepatite B, 3,3% para o vírus
da hepatite C e 0,31% para o vírus da imunodeficiência humana (IPPOLITO;
PURO; DE CARLI, 1993).
Os profissionais direta ou indiretamente envolvidos com cuidado de
pacientes hospitalizados estão expostos a inúmeros riscos ocupacionais. Os
riscos do ambiente de trabalho são classificados em reais, de responsabilidade do empregador; supostos, quando o trabalhador conhece os riscos de
agravos, e os residuais, quando é de responsabilidade do próprio empregado
(MARZIALE; RODRIGUES, 2002).
A Lei 8.213, de 1991, em seu artigo 19, define acidente de trabalho
como aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da Empresa, pelo
exercício do trabalho provocando lesão corporal ou perturbação funcional
que cause a morte, a perda ou a redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho. Também são considerados acidentes de trabalho os
que ocorrem durante o trajeto entre a residência do trabalhador e o local de
trabalho, doença produzida ou desencadeada por um tipo específico de trabalho e doenças que são adquiridas ou causadas pelas condições de trabalho
(BRASL, 1991).
Todo profissional de saúde que sofrer uma exposição com material
contaminado com sangue ou secreção deve procurar imediatamente o serviço de saúde ocupacional ou a comissão de controle de infecção hospitalar
40
para orientação sobre vacinação e quimioprofilaxia, se necessário, pois o caso
deve ser tratado como emergência médica (BRASIL, 2004).
Diante dessa problemática, este estudo teve como objetivo investigar
a incidência de acidentes ocupacionais envolvendo profissionais de enfermagem de um hospital público de Teresina.
2METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo, retrospectivo, de abordagem quantitativa, que foi realizado em um hospital público e de ensino localizado na
cidade de Teresina, no Estado do Piauí, que atende a diversas especialidades
em nível preventivo e curativo. Possui quatrocentos e vinte e sete leitos, distribuídos em oito serviços especializados.
O cenário de pesquisa foi constituído pelas áreas críticas (Unidade
de Terapia Intensiva – UTI, Clínica Nefrológica e Centro Cirúrgico) do referido
hospital, onde são realizados procedimentos invasivos, com uso inadequado
de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) pelos profissionais de saúde, e
onde ocorre falta de cumprimento das medidas de biossegurança para evitar
o cruzamento das infecções no ambiente hospitalar, além da deficiência do
serviço de limpeza do ambiente hospitalar e a desinfecção dos leitos.
A população foi constituída pelos profissionais de Enfermagem do
hospital. Desse grupo selecionou-se uma amostra formada pelos profissionais de Enfermagem que sofreram acidentes ocupacionais no ambiente de
trabalho das áreas críticas referidas acima. Os dados foram coletados no período de dezembro de 2009 a março de 2010.
O instrumento de coleta de dados foi estruturado com questões fechadas referentes à incidência de acidentes ocupacionais envolvendo profissionais de enfermagem.
O projeto de pesquisa foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UFPI, o qual foi aprovado no dia 19 de janeiro de 2010, com o
CAAE (Certificado de Apresentação para Apreciação Ética): 0172.0.045.00010. Aos participantes foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido, garantindo a confidencialidade e a privacidade, a proteção da
imagem, a não estigmatização e a não utilização de informações em prejuízo
dos profissionais, conforme os princípios norteadores dispostos na Resolução
nº 196/1996 do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 1996).
3
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Segundo Dias, Cordeiro e Gonçalves (2006), os acidentes de trabalho
são os maiores agravos à saúde dos trabalhadores. Constituem um importante
problema de saúde pública, tanto em países em desenvolvimento, quanto em
países desenvolvidos.
No Brasil, os acidentes de trabalho são oficialmente definidos como:
aqueles que ocorrem pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, ou ainda pelo
exercício do trabalho dos segurados especiais, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause morte, perda ou redução, permanente ou temporária, da
capacidade de trabalho (DIAS; CORDEIRO; GONÇALVES, 2006).
Podem ser classificados como: acidente-tipo, que é aquele que ocorre
a serviço da empresa; ou acidente de trajeto, que é o ocorrido no momento
em que o trabalhador se desloca para o local de trabalho ou nos horários das
refeições. Diferentemente do que o nome sugere, os acidentes de trabalho
não são eventos fortuitos ou acidentais, mas fenômenos socialmente determinados e preveníveis (DIAS; CORDEIRO; GONÇALVES, 2006).
Pesquisas que enfocam os acidentes ocupacionais com trabalhadores
de enfermagem demonstram que os acidentes de trabalho mais freqüentes
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.39-43, Jul-Ago-Set. 2011.
Incidência de acidentes ocupacionais envolvendo profissionais de enfermagem em um hospital público
ocorrem por lesões perfurocortantes, seguidos pelos ferimentos que comprometem o sistema osteoarticular (GIOMO; et al., 2009).
Entre a diversidade de causas que podem favorecer a ocorrência de acidentes de trabalho encontram-se uma multiplicidade de agentes/fatores presentes nos ambientes de trabalho que constituem os riscos ocupacionais químicos, físicos, biológicos, de acidentes, psicossociais e ergonômicos, entre outros.
Trabalhadores de Enfermagem tendo ainda uma concepção idealizada da profissão submetem-se aos variados fatores de riscos ocupacionais, sofrem acidentes
de trabalho e adoecem e na maior parte das vezes não atribuem estes problemas
às questões decorrentes de sua atividade laborativa (GIOMO et al., 2009).
Em virtude disso, os resultados do estudo serão apresentados em três
categorias, a saber: tipos de acidentes ocupacionais; perfil dos profissionais
de Enfermagem que sofreram os acidentes: e procedimentos adotados pela
Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), para notificação e acompanhamento dos profissionais.
1ª Categoria – Tipos de acidentes ocupacionais
Durante o período de março de 2009 a março de 2010, ocorreram 12
acidentes ocupacionais envolvendo profissionais de Enfermagem das áreas
críticas de um hospital público, as quais são: Unidade de Terapia Intensiva –
UTI, Clínica Nefrológica e Centro Cirúrgico. Do total de acidentes 3 não foram
notificados e 9 notificados na Comissão de Controle de Infecção Hospitalar
(CCIH). Nesta categoria, 91,67% dos acidentes ocorridos foram com materiais
perfurocortantes, e apenas 8,33% envolveram contato de secreção dos pacientes com a mucosa do profissional.
Com base na literatura constatou-se que os fatores predisponentes à
ocorrência de acidente de trabalho com material perfurocortante e s t ã o
relacionados ao comportamento dos trabalhadores, como, desconsideração das precauções-padrão; desconhecimento dos riscos de infecção; falta
de atenção e descuido dos profissionais; tensão e estresse; cansaço/fadiga;
longo tempo de serviços e a habilidade técnica faz com que se considerem
invulneráveis e o próprio aspecto cultural de cada trabalhador, a exemplo do
re-encapamento de agulhas (VIEIRA; PADILHA, 2008).
Logo, a manipulação de agulha é o maior risco de acidente por material penetrante entre trabalhadores hospitalares. Os demais acidentes do trabalho envolvem, em geral, o contato com sangue, fluídos corpóreos e excretas, que são decorrentes da exposição dos trabalhadores às cargas biológicas
e suas atividades freqüentes com pacientes gravemente enfermos (NISHIDE;
BENATTI, 2004).
Assim, os indivíduos que trabalham em hospitais estão potencialmente expostos a ocorrência de danos a saúde, decorrentes do ambiente laboral.
Entre os acidentes do trabalho, os com material perfurocortante e de contaminação de mucosa são os que apresentam maior magnitude, principalmente,
se for considerado o potencial para contaminação por microrganismos patogênicos oriundos do contato direto com pacientes ou artigos e equipamentos
contaminados com material orgânico (DALAROSA; LAUTERT, 2009).
Dados registrados na literatura alertam para o risco de infecção ocupacional cujos agentes são veiculados pelo sangue e outros fluídos corpóreos;
apontam ainda a maior infectividade do VHB em relação ao HIV, entre os profissionais da área da saúde e atingindo um percentual de suscetibilidade maior
em relação à população em geral (PRADO et al., 2004).
Segundo estudo de Ribeiro e Shimizu (2007), em relação às causas
de acidentes de trabalho, os materiais perfurocortantes, quedas, exposições
a fluidos biológicos e contusões são os mais reqüentes. Dos perfurocortantes
destacam-se a agulha com 88,73% do total; lâmina de bisturi, 8,45%; tesoura
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.39-43, Jul-Ago-Set. 2011.
1,41%; lâmina para tricotomia, 1,41%. Provavelmente, reencapar agulhas eleva
estes acidentes perfurocortantes.
Diante disso, as medidas de precauções-padrão são um conjunto de
recomendações que visam prevenir a exposição ocupacional ao vírus da hepatite B (Hepatitis B Virus, ou HBV), vírus da hepatite C (Hepatitis C Virus, ou HCV)
e HIV em profissionais de saúde. De acordo com as medidas de precauções-padrão, recomenda-se a manipulação cuidadosa de objetos perfurocortantes
por meio de ações como: evitar reencapar agulhas ou desconectá-las de seringas antes do descarte, e descartar materiais perfurocortantes em recipientes
apropriados. Além disso, recomenda-se também o uso de equipamentos de
proteção individual (EPI), tais como: luvas, máscaras, protetores de olhos, nariz
e boca, e jaleco/avental quando em contato direto com sangue ou fluidos
corporais (SILVA et al., 2009).
Também são recomendações das precauções-padrão: a utilização de
desinfetantes, como o hipoclorito de sódio, na limpeza de áreas com respingos de sangue ou outros materiais biológicos; os cuidados específicos no
laboratório durante manipulação de amostras biológicas, como a utilização
apenas de pipetas mecânicas; o transporte de materiais contaminados em
embalagens impermeáveis e resistentes, e a marcação, com rótulos e etiquetas, de artigos médico-hospitalares e de exames coletados, identificando-os
como material proveniente de pacientes com HIV/AIDS. Dentre as medidas
específicas para a prevenção de infecções por patógenos provenientes do
sangue ou outros fluidos corporais, apenas a vacina contra a hepatite B está
disponível, com 90 a 95% de eficácia (SILVA et al., 2009).
2ª Categoria – Perfil dos profissionais de Enfermagem
Nesta categoria, 100% dos profissionais que sofreram acidentes ocupacionais, no período de março de 2009 a março de 2010, foram do sexo feminino, sendo que, 50% deles estavam entre 30 e 50 anos de idade, 33,33% eram
menores de 30 anos e 16,67% maiores que 50 anos de idade.
Segundo Caixeta e Branco (2005), a distribuição dos profissionais que
se acidentaram segundo o sexo é diferenciada em vários estudos, embora se
perceba um predomínio do sexo feminino. Isso pode ser explicado pelo fato
desses estudos terem sido realizados na equipe de Enfermagem, considerada
predominantemente feminina.
Verificou-se, segundo literatura pesquisada, que a maior freqüência de
acidentes está entre os profissionais na faixa etária entre 31 a 40 e de 41 a 50
anos que possuem experiência e destreza e tempo de serviço na instituição
entre 6 a 10 anos ou mais. Infere-se que trabalhadores com tal experiência não
cumpram os rigores necessários para prevenirem-se contra acidentes, ao realizar procedimentos e cuidados. À parte tudo isso, a escassez de treinamentos
nos hospitais contribuem para não se recapacitarem quanto à segurança no
trabalho. Considera-se que esses trabalhadores com pouco tempo de profissão, entre 21 a 30 anos, possuem menor freqüência de acidentes por terem
conhecimentos atualizados nos cursos de formação e procuram aplicá-los nos
procedimentos (RIBEIRO; SHIMIZU, 2007).
Observou-se também, que a porcentagem dos profissionais de Enfermagem que sofreram acidentes ocupacionais nos setores determinados
no período de março de 2009 até março de 2010, foi de 25% na Nefrologia,
58,33% no Centro Cirúrgico e 16,67% na UTI. Ressalta-se a Nefrologia, pois em
sua estrutura há a sala de hemodiálise, onde há um maior risco para contaminação por sangue, devido ao contato constante com este fluido corporal e
realização de punções reqüentes.
Assim, o sangue é o material manipulado com maior freqüência pelos profissionais dos serviços de hemoterapia, tornando-os mais expostos aos
41
Lima, L. M.; et al.
riscos biológicos, visto que parte da demanda espontânea destes serviços,
emerge para a verificação do estado sorológico da população em situação
de risco e de estarem contaminados com agentes infecciosos de importância
epidemiológica (PRADO et al. 2004).
Em virtude disso, a triagem sorológica pós-vacinal dos profissionais é
recomendada aos trabalhadores que se encontram em situação permanente
de exposição ao sangue, para verificar a dosagem de títulos cujo objetivo é
conferir se o trabalhador adquiriu imunidade e auxiliar na profilaxia pós-exposição ocupacional com indicação da revacinação ou mesmo indicação de
gamaglobulina hiperimune específica (PRADO et al. 2004).
Constatou-se que os riscos ocupacionais identificados pelos trabalhadores de Enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva aparecem em maior
número quando relacionados ao cuidado direto aos pacientes e às próprias
características de pacientes críticos, tais como: presença de sangue, secreções,
fluidos corpóreos por incisões, sondagens, cateteres, expondo os trabalhadores a esse contato; elevado número de procedimentos e intervenções terapêuticas que necessitam utilizar materiais perfurocortantes e equipamentos;
dependência dos pacientes, que exige esforço físico dos trabalhadores; investigação diagnóstica devida a patologias diversas, expondo os trabalhadores a
infecções e doenças não confirmadas. Observou-se, portanto, que os riscos
ocupacionais da equipe intensivista estão inter-relacionados com os riscos de
seus pacientes (NISHIDE; BENATTI, 2004).
Segundo um estudo realizado por Oliveira e Gonçalves no centro cirúrgico de um Hospital geral, público e universitário, com dados do ano de
2006, os materiais perfurocortantes envolvidos nos acidentes foram categorizados em agulha (73,3%), seguidos por lâmina de bisturi (6,7%), eletrocautério
(6,7%) e outros como, por exemplo, instrumental cirúrgico. Os fatores contribuintes para a ocorrência dos acidentes entre os trabalhadores foram falta de
atenção (36,7%), seguida por más condições de trabalho (20,0%), descuido do
colega (13,3%), pressa (10%) e acaso/azar (6,7%), diferentemente de um estudo, em que a desatenção foi considerada o fator principal associada a 48,1%
das exposições dos profissionais de Enfermagem de uma rede hospitalar (OLIVEIRA; GONÇALVES, 2010).
Em relação ao nível de escolaridade dos profissionais de Enfermagem
que sofreram acidentes ocupacionais no período de março de 2009 até março de 2010, verificou-se que, 66,67% destes profissionais eram Técnicos de
Enfermagem, 33,33% Auxiliares de Enfermagem. Nenhum Enfermeiro sofreu
acidente de trabalho nesse período.
Diversos autores afirmam que, a maior freqüência de acidentes de trabalho em hospitais sucede na Enfermagem e defendem este argumento porque os trabalhadores estão expostos a riscos advindos do desenvolvimento
de atividades assistenciais diretas e indiretas, cuidados prestados diretamente
a pacientes e em organização, limpeza, desinfecção de materiais, de equipamentos e do ambiente (RIBEIRO; SHIMIZU, 2007).
Possivelmente o Auxiliar de Enfermagem é a categoria que mais sofre
acidentes, porque assume a parcela-mor dos cuidados diretos a pacientes na
Enfermagem, seguidos dos Enfermeiros, que desenvolvem procedimentos
mais complexos e cuidados com pacientes graves (RIBEIRO; SHIMIZU, 2007).
Isso pode ser explicado pelo fato de os Auxiliares de Enfermagem estarem
mais expostos a esse tipo de acidente, por permanecerem a maior parte do
tempo na assistência direta aos pacientes e executarem vários procedimentos
invasivos, sendo os materiais perfurocortantes um dos principais instrumentos de trabalho na prática diária (BALSAMO; FELLI, 2006). Entretanto, como foi
observado na pesquisa, a categoria que mais sofreu acidente foi de Técnicos
de Enfermagem, seguido pelos Auxiliares.
Ressalta-se ainda que os profissionais mais sujeitos aos acidentes são
42
os Técnicos e Auxiliares de Enfermagem, por estarem em contato direto com o
paciente, na maior parte do tempo, administrando medicamentos, realizando
curativos e outros procedimentos que os mantêm em constante contato com
o material perfurocortante. Porém é relevante ressaltar que a ocorrência de
acidentes de trabalho não está relacionada apenas ao nível de formação, mas
também ao treinamento, capacitação, recursos materiais disponíveis, assim
como, a cultura local (VIEIRA; PADILHA, 2008).
3ª Categoria – Procedimentos adotados pela Comissão de
Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), para notificação e
acompanhamento dos profissionais
A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) procede, em
relação a um acidente ocupacional, com o preenchimento de um instrumento
do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e do próprio
Hospital, aplica uma entrevista ao funcionário acidentado, dá orientações básicas e encaminha os protocolos para a vigilância epidemiológica.
O SINAN tem por objetivo o registro e processamento dos dados sobre
agravos de notificação em todo o território nacional, fornecendo informações
para análise do perfil da morbidade e contribuindo, dessa forma, para a tomada de decisões em nível municipal, estadual e federal. O sistema é constituído
por um conjunto de fichas padronizadas referentes à lista de doenças de notificação compulsória (SILVA et al., 2007).
Além disso, a CCIH do hospital utiliza seu próprio instrumento para notificação de acidentes, e as condutas diante deste agravo foram elaboradas por
membros da referida comissão.
Assim, o material com os procedimentos diante de um acidente tem
como objetivos orientar profissionais da saúde para evitar a disseminação do
vírus HIV e Hepatite B e C no ambiente de trabalho; orientar sobre os procedimentos que devem ser seguidos após exposição à material biológico potencialmente contaminado; e implementar ações educativas permanentes. O
primeiro passo após exposição com material biológico é lavar o local com água
e sabão. Ressalta-se que soluções irritantes não devem ser usadas. Em seguida,
notificar a CCIH até 24 a 48 horas após o acidente. O segundo passo são os procedimentos aos quais o acidentado deverá ser submetido: solicitar Anti-HIV,
HbsAg e Anti-HCV ao paciente fonte e ao acidentado, entretanto, se o esquema
vacinal do funcionário para hepatite B estiver completo, não é necessário o
HbsAg. Por último, repetir as sorologias no 3º e 6º mês após acidente com perfurocortante, e, se houver necessidade, e o funcionário aceitar, iniciar quimioprofilaxia para anti-HIV. O ideal é que se inicie até duas horas após exposição,
e prazo máximo até 72 horas após o acidente (ALEXANDRIA; BATISTA, 2005).
4
CONCLUSÃO
Constatou-se no estudo que a incidência de acidentes ocupacionais
no período de março de 2009 a março de 2010 nas áreas críticas do hospital
estudado foi baixa, mas não deixa de ser preocupante, pois houve 3 acidentes
ocupacionais não notificados, mostrando que ainda há subnotificação, apesar
da CCIH estruturada da instituição. Além disso, a maioria dos acidentes foi do
tipo perfurocortante, expondo os profissionais á um risco maior de adquirirem
doenças como a hepatite e a AIDS.
Em virtude dessa realidade, propõe-se que a CCIH desenvolva a educação permanente no hospital para orientar os profissionais sobre a importância
da prevenção e notificação dos acidentes, com o objetivo de fazer o controle
de agravos na instituição, diminuírem os riscos ocupacionais e melhorar a qualidade de vida do profissional de Enfermagem.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.39-43, Jul-Ago-Set. 2011.
Incidência de acidentes ocupacionais envolvendo profissionais de enfermagem em um hospital público
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Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.39-43, Jul-Ago-Set. 2011.
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REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN
Visita domiciliar como objeto de reflexão
Home visit as an object of reflection
Visita a los domicilios como objeto de reflexión
Tânia Maria Melo Rodrigues
Mestre em Enfermagem pela UFPI. Enfermeira da
ESF e da Maternidade Dona Evangelina Rosa em
Teresina(PI). [email protected].
Silvana Santiago da Rocha
Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal
do Rio de Janeiro/EEAN. Docente da graduação da
UFPI e do Programa de Pós-Graduação Mestrado em
Enfermagem da UFPI.
RESUMO
A visita domiciliar (VD) é uma ferramenta importante para a prática dos profissionais de saúde, especialmente, na Estratégia Saúde da Família (ESF). É utilizada objetivando atender o indivíduo na sua
integralidade. O estudo objetiva fazer uma reflexão da visita domiciliar como possibilidades para o
cuidar em domicílio embasado na literatura e nas experiências dos autores. Os resultados apontam
a VD como uma forma de proporcionar uma visão mais ampla das reais condições de vida da família,
com possibilidade de interação em ambiente tanto familiar, quanto social. Portanto, consideramos
importante ressignificar a VD e valorizá-la como estratégia fundamental na consolidação e operacionalização da prática profissional na ESF, indo ao encontro do modelo de atenção proposto pelo SUS.
Descritores: Visita domiciliar. Saúde da família. Enfermagem.
José Ivo dos Santos Pedrosa
Doutor pela Universidade Estadual de Campinas/
UNICAMP. Docente do Mestrado em Enfermagem
da UFPI.
ABSTRACT
Home visits (HV) are an important tool for the practice of health professionals, especially within
Family Health Care Strategy (FHCS). It is used aiming at fully assisting the patient. This study envisages a reflection of home visits as a possibility to provide care at homes based on the literature and
experiences of the authors. The results indicate HV as a possibility to provide a broader view of the
real conditions of the life of target families, with the possibility of interaction in both social and family
environments. Therefore, it important to bring a new meaning to HV and value it as a key strategy
in the consolidation and operation of professional practice in FHCS, consistent with the model of
health care proposed by SUS - Health Unified System
Descriptors: Home visits. Family health. Nursing.
RESUMÉN
La visita a domicilios (VD) es un instrumento importante para la práctica de los profesionales de
la salud, especialmente en la Estrategia Salud de la Familia (FHS). Es utilizada con el objetivo de
cuidar de los pacientes enfermos de modo integral. El estudio pretende reflejar acerca de las visitas
a los hogares como oportunidades para asistencias basado en la literatura y las experiencias de los
autores. Los resultados indican la VD como una posibilidad para ofrecer una visión más amplia de
las condiciones reales de vida de la familia, con la posibilidad de interacción en el entorno familiar y
social. Por lo tanto, es importante dar nuevo significado y valor a la VD y como una estrategia clave
en la consolidación y el funcionamiento de la práctica profesional en el FSE, para adaptarse a la
modelo de atención propuesto por el SUS.
Descriptores: Las visitas a domicilios. Salud de la familiar. Enfermeria.
Submissão: 27.05.2011
Aprovação: 30.06.2011
44
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.44-47, Jul-Ago-Set. 2011.
Visita domiciliar como objeto de reflexão
1
INTRODUÇÃO
O atendimento domiciliar confunde-se com a história do desenvolvimento dos cuidados à saúde. O médico inicialmente atendia seus
pacientes a domicílio, compartilhando seus segredos e convivendo com
todos os momentos significativos da vida familiar. Isto teve especial importância no final do séc. XIX e início do séc. XX, em que os recursos terapêuticos eram limitados.
No entanto, este cenário de atuação modificou-se com a urbanização e acentuou-se a partir dos anos 1930-40, com o desenvolvimento
tecnológico, a fragmentação do cuidado em especialidades, a taylorização
do processo de trabalho na área da saúde, e a concentração do cuidado às
pessoas no ambiente hospitalar (BRASIL, 2003).
Esse modelo de atenção à saúde, ainda hegemônico na nossa
sociedade, prioriza a prática da atenção médica, procurando oferecer à
população a maior quantidade possível de serviços de saúde reduzida a
serviços médicos ofertados individualmente e destinados a tratar as enfermidades ou reabilitar os usuários portadores de sequelas, por meio da
clínica e com a intermediação crescente de tecnologias (MENDES, 1996).
A discussão sobre o modelo assistencial requer dos profissionais
de saúde a superação do modelo hegemônico centrado na doença, para
construir um pensar e um fazer sustentado na produção social do processo saúde-doença.
Assim, a formulação de políticas e estratégias de mudança nos
modelos de atenção deve tomar como ponto de partida a identificação
e a análise dos problemas e necessidades de saúde contemporâneas da
população e deve ser centrada no usuário e no cuidado (TEIXEIRA, 2002).
Nesse sentido, surge o Programa de Saúde da Família, implantado pelo Ministério da Saúde (MS) em 1994, trazendo em seus ideais a
intenção de promover a reordenação do modelo assistencial centrado na
doença, considerado desgastado devido à insatisfação da população, à
ineficiência do setor e à incapacidade de atender os princípios do Sistema
Único de Saúde (SUS). O modelo assistencial pode ser definido como os
modos que se produz saúde, ou seja, como a sociedade e o Estado lançam
mão e desenvolvem as tecnologias para produzir e distribuir ações de saúde (MERHY; ONOCKO, 2007).
O Programa trouxe, portanto, uma nova dinâmica nos serviços de
saúde, estabelecendo uma relação de vínculo com a comunidade, humanizando uma prática direcionada à vigilância na saúde, na perspectiva da intersetorialidade, com ideais no fortalecimento dos princípios da
universalidade, da acessibilidade, da integralidade e da equidade do SUS,
denominando-se não mais programa e sim Estratégia Saúde da Família –
ESF (BRASIL, 2006).
Para a operacionalização da ESF, é necessária a criação de equipe
multiprofissional que atue numa área delimitada, e as ações básicas a serem executadas por estes profissionais estão descritas nas Normas Operacionais da Assistência à Saúde (NOAS).
No entanto, com o advento da ESF a assistência domiciliar constitui
uma atividade básica a ser realizada em Atenção Primária à Saúde para responder às necessidades de assistência de pessoas que, de forma temporária ou permanente, estão incapacitadas para deslocarem-se aos serviços
de saúde. A intervenção deste atendimento faz-se de forma diferenciada
por todos os componentes da equipe de saúde, estando a resolutividade
relacionada com a sua composição.
Sendo assim, a Organização Mundial de Saúde define Assistência
Domiciliar como a provisão de serviços de saúde, com objetivo de promoRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.44-47, Jul-Ago-Set. 2011.
ver, restaurar e manter o conforto, função e saúde das pessoas num nível
máximo, incluindo cuidados para uma morte digna (BRASIL, 2003).
Acredita-se que as mudanças e potencialização da Atenção Primária à Saúde no Brasil a partir da implantação da Estratégia Saúde da Família
têm repercutido na assistência domiciliar, que passou de uma assistência
pontual, a um processo de atenção continuado, integral e multidisciplinar
no qual se realizam funções e tarefas sanitárias, assistenciais e sociais, dentro da lógica da vigilância à saúde.
Entendemos a visita domiciliar (VD) como uma grande possibilidade
de atendimento domiciliário junto às famílias, que favorece a avaliação das
demandas desses clientes, bem como do ambiente em que vivem. Momento de promoção da saúde, surge como uma oportunidade de estabelecimento de um plano assistencial voltado à recuperação e ao autocuidado.
Essas visitas são realizadas por vários profissionais de diversas áreas, como médicos, enfermeiros e cirurgiões-dentistas, que atuam conjuntamente, formando uma equipe interdisciplinar, compartilhando a assistência e as responsabilidades em saúde (GRAGARANO, 2004).
Portanto, a visita domiciliar no contexto da atenção em saúde é
um instrumento de assistência importante na Estratégia Saúde da Família,
por contribuir para a mudança de padrões de comportamento e, consequentemente, na promoção da qualidade de vida através de promoção da
integralidade em saúde.
Desse modo, a VD como estratégia de trabalho das equipes requer
cuidados em sua realização, que deve ocorrer mediante processo racional,
com objetivos definidos pautados nos princípios de eficiência. Kawamoto;
Santos e Matos (1995), define este instrumento como “um conjunto das
ações de saúde voltadas para o atendimento, tanto educativo como assistencial”, o qual oportuniza a família a buscar capacidade para o cuidar
em saúde.
Na literatura, notadamente na da enfermagem, encontramos vários
teóricos que discutem o cuidar. O cuidar em saúde pode ser entendido na
compreensão de Leonardo Boff (1999), como um ato, uma atitude, um
momento de atenção, de zelo e de desvelo, de preocupação e de envolvimento afetivo com o outro. Acrescenta que o cuidado somente surge
quando a existência de alguém tem importância para o outro, provocando
preocupação, inquietação e sentido de responsabilidade.
O processo de cuidar é o desenvolvimento de ações, atitudes e
comportamentos com base em conhecimentos científicos, experiência,
intuição e pensamento crítico, realizado para e com o sujeito cuidado no
sentido de promover, manter e/ou recuperar sua dignidade e totalidade
humana (WALDOW, 2004).
Nesse sentido, o objetivo deste estudo é fazer uma reflexão da visita domiciliar (VD) como possibilidade para o cuidar em domicílio, embasado na literatura e nas experiências dos autores.
A visita domiciliar como instrumento de cuidar da enfermagem
A visita domiciliar é um instrumento de trabalho em enfermagem,
e o enfermeiro da Estratégia Saúde da Família assume papel importante
nessa assistência domiciliar, por estar inserido no contexto familiar, em
que a constante avaliação, visão crítica, planejamento e readaptação são
necessários diante das diversas dinâmicas familiares existentes, para então
estabelecer um cuidado compreensível e adequado ao indivíduo em comunidade (BOFF, 1999).
Concordamos com Gargarano (2004), quando afirma que no momento da visita domiciliar, os profissionais devem desprender-se de seus
45
Rodrigues, T. M. M.; Rocha, S. S. R.; Pedrosa, J. I. S.
preconceitos, analisarem criticamente suas concepções, valores e atitudes,
para a compreensão do outro. É essencial que respeitem o ritmo de cada
família, sua diversidade cultural e prioridades surgidas em seu cotidiano.
No entanto, temos percebido na rotina de trabalho da Estratégia
Saúde da Família que as visitas domiciliares estão sendo realizadas de forma não sistemática, o que pode estar contribuindo, provavelmente, para
o desperdício das possibilidades que guarda essa atividade, fazendo com
que sejam, na maioria das vezes, mero espelho das consultas realizadas
pelos profissionais na unidade de saúde. Outro ponto de reflexão está na
realização das visitas geralmente sem a presença de toda a equipe, de
modo que não há uma discussão dos casos e elaboração de planos de
ações pertinentes ao cuidado.
A organização das visitas domiciliares permitiria otimizar o tempo
das equipes e definiria parâmetros para o acompanhamento da evolução
dos casos e considerações sistemáticas dos aspectos culturais e comunitários envolvidos (MENDES; OLIVEIRA, 2007).
Ao refletir sobre a temática, entendemos ainda que nesse momento de aprimoramento da implementação do Sistema Único de Saúde
(SUS), vários fatores têm contribuído para o desenvolvimento da saúde
do país, com propostas de ampliação das ESF e, consequentemente, da
atenção domiciliar, na intenção de permitir uma mudança de direção dos
cuidados aos casos agudos, para o cuidado aos pacientes crônicos com
base no sistema primário de cuidado à saúde, devendo ficar na responsabilidade dos hospitais apenas os pacientes com necessidades de cuidados
mais complexos. Essa mudança proporcionaria uma visão racionalizada do
trabalho, amparada por uma melhor capacidade de resolver problemas e
que busca antecipar-se à doença, tanto pela educação quanto pela promoção da saúde, tornando-a, portanto, mais econômica e efetiva.
Este modelo de atenção implica nas práticas de saúde centradas
na família e na comunidade, valorizando seus vínculos como membros de
grupos que inclui indivíduos, famílias, grupos e organizações da sociedade. Para tanto, não se permite que os profissionais que atuam na atenção
básica possam se situar de forma individualizada, em seu próprio saber, e
sim, como uma equipe interdisciplinar solidária e disposta ao intercâmbio
de conteúdos e tarefas.
Assim, considerando a assistência domiciliar como uma prática que
possibilita ampliar a dimensão do cuidar em saúde, que tem na VD um
instrumento para operacionalização dessa proposta de cuidar de forma
humanizada, resgatando sua cidadania como processo de emancipação e
de autocuidado, mostra-se relevante a possibilidade de refletirmos sobre
como os profissionais da ESF têm utilizado a VD para realizar a assistência
domiciliar às famílias.
Portanto, no sentido de entender esse processo, é possível um
olhar crítico sobre a VD por estes profissionais da Estratégia e, a partir daí,
poderão ser pensadas novas formas de atuação neste âmbito, caso sejam
necessárias.
Entretanto, é importante observar e respeitar as diferenças locais,
uma vez que o número de profissionais que compõe a equipe e o número
de famílias sob sua responsabilidade pode ser determinante do tipo e da
qualidade da atenção prestada. Outro fator importante para a assistência
domiciliar dirigido à família é conhecer o seu modo de vida, podendo ser
facilitado por meio de uma visita, que pode ser considerada como um dos
instrumentos de compreensão do viver em família (SAVASSI; et al. 2008).
A visita domiciliar proporciona uma visão mais ampla das reais
condições de vida da família e possibilita uma interação em ambiente
tanto familiar, quanto social, através do conhecimento de seu cotidiano,
46
de sua cultura, de seus costumes, de suas crenças, tornando essa vivência
enriquecedora para ambos. Partindo desse pressuposto, entendemos que
os profissionais de saúde que atuam nessa área necessitam apoiar-se em
um conceito antropológico de cultura (SAVASSI; et al., 2008).
Para que o homem se mantenha vivo independente do sistema
cultural ao qual pertença, terá que satisfazer um determinado número de
funções vitais, tais como: alimentação, sono, respiração, atividade sexual
etc., no entanto, ressalta ainda que, embora estas funções sejam comuns
a toda a humanidade, a maneira de satisfazê-las varia de uma cultura para
outra. É esta grande variedade na operação de um número tão pequeno
de funções que faz com que o homem seja considerado um ser predominantemente cultural (LARAIA, 2005). E desta forma, os seus comportamentos não são biologicamente determinados. Sua herança genética não
guarda relação com suas ações e pensamentos, pois seus atos dependem
inteiramente de um processo de aprendizagem.
Nessa linha de raciocínio, entendemos como fundamental a compreensão de uma abordagem integral por ocasião desta visita e, para tal,
há necessidade de considerarem-se diversos fatores no processo saúde-doença da família, em que a assistência no domicílio deve conceber esta
família em seu espaço social, abordando de modo integral e individualizado o paciente em seu contexto sócio-econômico e cultural.
Assim, a saúde não pode ser entendida como um produto nem
um estado, e sim como um processo multidimensional no qual interagem
permanentemente os sistemas biológicos, psicológicos, sociais, culturais,
familiares e ambientais. Portanto, o profissional da saúde deve ter uma
avaliação da dinâmica da vida familiar, com atitude de respeito e valorização das características peculiares a cada uma delas.
Outra pauta para reflexão diz respeito ao fato de que, para impactar
sobre os múltiplos fatores que interferem no processo saúde-doença, é
importante que a assistência domiciliar esteja fundamentada no trabalho
de equipe em saúde e no entendimento de que todas as informações
são importantes e intercomplementares. Portanto, para que haja uma resolução efetiva do cuidado é necessária a troca de informações sobre o
paciente, como também o conhecimento das competências de todas as
disciplinas envolvidas e o estabelecimento de respeito profissional entre
os integrantes no trabalho em equipe.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entendemos como necessária uma proposta de intervenção educativa junto aos profissionais quanto à importância da visita como dispositivo de interação e educação em saúde coletiva e reavaliação das práticas
cotidianas da visita. A prática da visita domiciliar no cotidiano dos profissionais não deve se constituir numa tarefa meramente técnica e social,
sem um olhar voltado aos valores, às crenças e aos costumes dos usuários
assistidos, pois favoreceria o desconhecimento das reais necessidades individuais e coletivas,dificultando as intervenções com alcance de melhores resultados.
E, para finalizar, apontamos para a necessidade de que a temática
se faça presente na docência, para que já em sua formação inicial o aluno tenha conhecimento e a vivência para a operacionalização da visita
domiciliar na prática da assistência domiciliar em saúde, de forma ampla
e contextualizada, dirimindo suas dificuldades relacionadas ao não entendimento do instrumento como possibilidade de entrar no convívio da família e conhecer uma realidade que demanda muito um cuidado especial
dos profissionais de enfermagem.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.44-47, Jul-Ago-Set. 2011.
Visita domiciliar como objeto de reflexão
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REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN
A criança no Brasil: conhecimento produzido nos últimos cinco anos
Childern in Brazil: knowledge produced in the last five years
Los niños en Brasil: el conocimiento productos en los últimos cinco años
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Agostinho- FSA. e-mail: [email protected]
Luciana Cruz Pontes
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Sheila Milena da Costa
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Silvana Santiago da Rocha
Enfermeira, Doutora em Enfermagem. Docente do
Curso de Bacharelado em Enfermagem da Faculdade
Santo Agostinho e Universidade Federal do Piauí.
Waleriana Silva e Sousa
Graduando em Enfermagem. Faculdade Santo
Agostinho-FSA
RESUMO
Na saúde infantil, embora avanços venham ocorrendo no tocante à redução da mortalidade infantil
e ampliação da cobertura dos serviços de saúde, os desafios atuais são a melhoria da qualidade das
intervenções de saúde e a intensificação de intervenções já existentes. Diante do exposto, entende-se como é fundamental o levantamento de estudos na área da infância e mais precisamente a produção da enfermagem como prestadora de cuidados a criança. Desta forma, objetiva-se levantar o
conhecimento produzido sobre a criança no que diz respeito à assistência de enfermagem nos periódicos da Revista Latino Americana de Enfermagem e Revista Brasileira de Enfermagem, no período
de 2005 a 2010. Após o levantamentos das pesquisas através destes descritores foram encontrados
72 artigos, os quais 46 artigos foram selecionados na Revista Latino Americana de Enfermagem e
26 na Revista Brasileira de Enfermagem. A apresentação dos dados deu-se mediante a elaboração
de tabelas e gráficos que demonstraram as variáveis escolhidas. Ressalta-se que os enfermeiros têm
buscado fundamentação teórica e prática para cuidar da criança. Além disso, foi possível observar
que os profissionais envolvem-se com os mais variados segmentos dentro dos discursos atuais que
proclamam a importância de se promover a saúde e prevenção de doenças.
Descritores: Enfermagem. Criança. Cuidado.
ABSTRACT
In child health, although progress will occur in reducing infant mortality and increased coverage of
health services, the current challenges are to improve the quality of health interventions and intensification of existing interventions. Given the above, it is understood how important the survey of
studies in children and more specifically the production of nursing as a child care provider.Thus, the
objective is to raise awareness about the child produced with regard to nursing journals in the Latin
American Journal of Nursing and Journal of Nursing, in the period 2005 to 2010. After surveying the
research by these descriptors were found 72 articles, of which 46 articles were selected in the Latin
American Journal of Nursing and 26 in the Journal of Nursing. The presentation of the data was
done by preparing charts and graphs that showed the chosen variables. It is noteworthy that nurses
have sought theoretical and practical care for the child. Furthermore, we observed that professionals
engage with diverse segments within the current discourse proclaiming the importance of health
promotion and disease prevention.
Descriptors: Nursing. Child. Care.
RESUMEN
Submissão: 09.05.2011
Aprovação: 20.06.2011
48
En la salud infantil, aunque los avances se producirán en la reducción de la mortalidad infantil y
aumento de la cobertura de los servicios de salud, los retos actuales son mejorar la calidad de las
intervenciones de salud y la intensificación de las intervenciones existentes. Teniendo en cuenta lo
anterior, se entiende la importancia de la encuesta de los estudios en niños y más específicamente
la producción de la enfermería como un proveedor de cuidado de niños. Así, el objetivo es crear
conciencia sobre el niño produce lo que se refiere a las revistas de enfermería en la Revista LatinoRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.48-53, Jul-Ago-Set. 2011.
A criança no Brasil: conhecimento produzido nos últimos cinco anos
americana de Enfermería y Revista de Enfermería, en el período 2005 a
2010. Después de examinar la investigación de estos descriptores se encontraron 72 artículos, de los cuales se seleccionaron 46 artículos en la
Revista Latinoamericana de Enfermería y 26 en la Revista de Enfermería. La
presentación de los datos se realizó mediante la preparación de cuadros y
gráficos que muestran las variables elegidas. Cabe destacar que las enfermeras han buscado atención teórica y práctica para el niño. Por otra parte,
se observó que los profesionales de colaborar con diversos segmentos en
el actual discurso proclamando la importancia de la promoción de la salud
y prevención de enfermedades.
Descriptores: enfermería. Cuidado. Niños.
1
INTRODUÇÃO
A atenção à saúde da criança, no Brasil, vem sofrendo transformações, tendo influências de cada período histórico, dos avanços do
conhecimento técnico-científico, das diretrizes das políticas sociais e do
envolvimento de vários agentes e segmentos da sociedade. (FELISBERTO;
CARVALHO; SAMICO, 2000).
No Brasil, a mortalidade infantil vem declinando progressivamente ao longo das últimas décadas. Apesar da tendência decrescente para
o país nos últimos anos do século XX várias localidades documentaram
a estagnação e, quando não, o recrudescimento desta taxa. No início da
década de 90 a taxa de mortalidade infantil para o Brasil correspondia a 48
óbitos por 1000 nascidos vivos, e no ano de 2000 atingiu 29,6 óbitos por
1000 nascidos vivos, no ano de 2005 21,4 óbitos por 1000 nascidos vivos,
indicando um decréscimo de mortalidade infantil (FIGUEIRA, 2004).
A propósito disso, o país estabeleceu o Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil que é um compromisso do Governo Federal para acelerar
a redução das desigualdades no Nordeste e na Amazônia Legal. A proposta é reduzir em, no mínimo, 5% ao ano a mortalidade infantil (crianças
menores de um ano de idade), especialmente o componente neonatal
(até 27 dias de nascido), nos anos de 2009 e 2010. No Piauí, segundo o
Ministério da Saúde, no ano de 2000 a 2007, 9.354 crianças menores de
um ano de idade morreram. O maior número de ocorrências foi verificado
na capital, Teresina (2.391 óbitos), seguido das cidades de Parnaíba (291),
Picos (231), Piripiri (207) e Barras (171) (BRASIL, 2006).
No Brasil, embora mudanças importantes tenham sido observadas
no quadro geral da mortalidade infantil nas últimas décadas, esse indicador ainda revela grandes iniquidades no campo da saúde. A situação atual
das crianças brasileiras continua representando um grande desafio, pois
ainda se convive com elevada morbidade por doenças geradas pelas desigualdades sociais resultantes do modelo capitalista, como as pneumonias, diarréias e desnutrição. Na busca de novos enfoques e instrumentos
para enfrentar essa problemática, a Organização Mundial da Saúde (OMS),
Organização Panamericana da Saúde (OPS) e o Fundo das Nações Unidas
para a Infância (Unicef ) preconizam, desde meados da década de 90, uma
abordagem estratégica para as doenças prevalentes na infância. No Brasil,
o Ministério da Saúde incorporou, em 1996, a estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI) dentro das políticas de
atenção à saúde (FELISBERTO; CARVALHO; SAMICO, 2000).
A assistência à criança se baseia na promoção da saúde, prevenção,
diagnóstico precoce e recuperação dos agravos à saúde. O acompanhamento programado do crescimento e desenvolvimento, complementado por atividades de controle das doenças prevalentes, como diarréia e
afecções respiratórias agudas, e pelas ações básicas, como o estímulo ao
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.48-53, Jul-Ago-Set. 2011.
aleitamento materno, orientação alimentar e imunizações, contribui para
a promoção de uma boa qualidade de vida (BRASIL, 2004).
A enfermagem neste contexto é um grupo profissional que tem
relevantes papéis, funções e responsabilidades no cuidado em saúde. A
essência e especificidade da profissão enfermagem é o cuidado com o ser
humano, individualmente, na família e na comunidade, para o desenvolvimento de intervenções de promoção da saúde, prevenção de doenças,
recuperação e reabilitação da saúde (ROCHA; ALMEIDA, 2000).
Isso nos reporta a refletir sobre a importância do Ministério da Saúde na promoção de ações específicas na saúde infantil, pois a promoção
da saúde integral da criança e o desenvolvimento das ações de prevenção
de agravos e assistência são objetivos que, para além da redução da mortalidade infantil, apontam para o compromisso de se prover qualidade de
vida para a criança, ou seja, que esta possa crescer e desenvolver todo o
seu potencial.
Diante do exposto, entende-se como é fundamental o levantamento de estudos na área da infância e mais precisamente a produção da
enfermagem como prestadora de cuidados a criança. Desta forma, este
estudo tem como objetivo: levantar o conhecimento produzido sobre a
criança no que diz respeito à assistência de enfermagem nos periódicos
da Revista Latino Americana de Enfermagem e Revista Brasileira de Enfermagem, no período de 2005 a 2010.
2
METODOLOGIA
Estudo de caráter descritivo, realizado por meio de uma pesquisa
bibliográfica. O estudo bibliográfico compreende etapas, como a formulação do problema, a escolha do tema a ser investigado, a elaboração do
plano de trabalho, a formulação dos objetivos, identificação, localização e
obtenção de fontes capazes de fornecer os dados adequados à pesquisa
desejada, leitura do material obtido, análise e interpretação lógica dos dados e redação final do texto (GIL, 2002).
Inicialmente, foram adotados como fontes os artigos publicados
em periódicos nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, indexados nas
bases de dados informatizadas SCIELO. Utilizamos os seguintes periódicos:
Revista Latino-Americana de Enfermagem (RLAE) e Revista Brasileira de
Enfermagem (REBEn) divulgada no período de 2005 a 2010, sendo que a
escolha desses periódicos deu-se pelo renome e qualidade destas revistas
no cenário brasileiro e internacional.
Utilizaram-se como descritores: Enfermagem, Criança e cuidado.
Nas bases de dados pesquisadas foi encontrado um total de 71 publicações na RLAE, e 28 publicações na REBEn. A caracterização dos artigos foi
feita mediante a leitura dos resumos, os quais foram eliminados artigos
que se repetiam nas bases de dados ou aqueles que não condiziam com
o objetivo proposto. Após esta seleção restaram 46 artigos RLAE e 25 publicações REBEn, que atenderam aos critérios de inclusão. Posteriormente,
procedeu-se à leitura exaustiva dos artigos, na tentativa de se obter informações centrais, que foram organizadas e apresentadas por meio de
tabelas com dados absolutos que demonstravam variáveis elegidas para
análise.
3
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A Tabela 1 ilustra a quantidade de artigos que forma usados para a
pesquisa bibliográfica, encontrados nas Revistas Brasileira de Enfermagem
e na Revista Latino-americana de Enfermagem.
49
Girão, G. C. M.; et al.
Tabela 1: Distribuição de quantitativo de publicações de artigos nas
Revistas Brasileira de Enfermagem e Revista Latino-americana de Enfermagem no período de 2005 a 2010.
PERIÓDICOS
2005/2006 2007/2008 2009/2010
Revista Latino Americana
de Enfermagem
17
16
13 Revista Brasileira de
enfermagem
09
09
07
TOTAL
46
25
Constatamos na Tabela 1 que a Revista Latino Americana de Enfermagem ao longo desses cinco anos tem publicado muito mais pesquisas
do que a Revista Brasileira de Enfermagem.
Desta forma, é importante enfatizar que o interesse pela temática é relevante, pois entende-se que a saúde da criança brasileira requer
pesquisas desenvolvidas pela enfermagem, considerando que as famílias
são numerosas e a presença das crianças no serviço de saúde na atenção
básica e no âmbito hospitalar tem sido constante e demandado muito
tempo dos profissionais e muitos recursos do Sistema Único de Saúde e
da área privada.
A Revista Brasileira de Enfermagem apesar de ter publicado menos artigos, também tem divulgado alguns artigos abordando a infância.
Entende-se que esta é uma fonte de consulta de grande valia para os
profissionais, pois através do meio eletrônico tem-se a oportunidade de
divulgar os estudos da enfermagem no país.
Observou-se ainda na Tabela 1 que a quantidade de artigos que
tratam das questões sobre a infância, tem ao longo desses cinco anos se
mantido sem grandes discrepâncias, oscilando entre 13 a 17 na Revista
Latino Americana de Enfermagem entre 07 e 09 na Revista Brasileira de
Enfermagem.
Gráfico 01: Distribuição dos conhecimentos produzidos sobre a
criança nas RLAM e REBEn nos periódicos de 2005 a 2010 segundo o enfoque dado.
No gráfico 01 foi possível identificar as principais temáticas abordadas dentro dos periódicos analisados, constatando-se que as maiores produções científicas, 33%, refere-se à abordagem de patologias específicas
que atingem as crianças na fase do crescimento e desenvolvimento; seguidas de violência contra a criança, 20%; hospitalização de crianças com
18%; dor com 13%; cuidados de enfermagem com 6%; criança, álcool e
morte com 5% cada.
A problemática predominante no conhecimento científico produzido por enfermeiros nas duas revistas foi à preocupação com as doenças
na infância, dentre elas ganhou grande destaque o câncer na infância,
com 09 artigos abordando o tema, outros destaques foram: diabetes com
01 artigo, paralisia cerebral com 01 artigo, hanseníase 01 artigo, insuficiên50
cia renal crônica 02 artigos, anomalia congênita 01 artigo, fibrose cística e
anemia cada uma com 02 artigos.
Dentro da variável, doenças específicas na infância, o câncer merece destaque, visto que um número significativo de crianças no Brasil vem
sendo atingido por essa patologia, afetando suas famílias e reforçando sua
importância epidemiológica, o que tem levado paralelamente o aumento
dos estudos sobre seus aspectos diagnósticos e terapêuticos. Confirmada
a doença, é grande o sofrimento dos pais, pois a família terá de conviver
com a incerteza do prognóstico e as consequências de um tratamento
agressivo e doloroso, originando sentimentos de angústia e negação,
levando-os a buscar a confirmação diagnóstica (ANGELO, 1997).
O avanço da medicina, em especial na área de oncologia pediátrica,
tem sido muito grande. Aproximadamente 70% das crianças acometidas pelo
câncer podem ser curadas se o diagnóstico for precoce e a doença adequadamente tratada. No entanto, a cura nem sempre é possível, principalmente
quando o diagnóstico ocorre já em fase avançada da doença (BRASIL, 2002)
Outra patologia abordada foi a diabetes, que é uma doença comum e de incidência crescente, no Brasil, existem atualmente cerca de
5 milhões de diabéticos, dos quais cerca de 300 mil são menores de 15
anos de idade. O diabetes Mellitus tipo 01 é uma das doenças crônicas
mais comuns na infância e uma das que mais exige adaptação nos âmbitos psicológico, social e físico, tanto por parte da criança como da família.
Acredita-se que compreender como a criança vivencia a doença sob sua
própria perspectiva oferecerá subsídios para uma prática de enfermagem
que possibilite assisti-la e à sua família ao longo do processo saúde-doença (BRASIL, 2004).
A Fibrose Cística (FC), também incluída dentro da variável doenças
específicas na infância, é uma doença autossômica recessiva. É uma doença genética, que afeta populações brancas em uma proporção de 01 para
cada 2500 crianças nascidas vivas. Na FC, ocorre um distúrbio no processo
secretor de todas as glândulas exócrinas, que afeta tanto as glândulas secretoras de muco quanto as sudoríparas (RIBEIRO; RIBEIRO; RIBEIRO, 2002)
Acerca da insuficiência renal em crianças dois artigos abordaram o
tema, que segundo Rocha; Almeida (2000), a insuficiência renal tem um
profundo impacto na família, com potencial para deterioração do desenvolvimento físico, mental e social da criança e família.
Sobre a anemia na criança, foi encontrada uma limitação no número de artigos, que mostraram pouco interesse na enfermagem sobre
o tema. Reis et al., (2010). em seu estudo, mostrou que a prevalência de
anemia em crianças de 3 a 5 meses foi de 20,2% e nas crianças de 6 a 12
meses, foi de 48%. Em outro estudo realizado por Fujimori et al (2008)
mostrou que incidência de anemia em crianças foi pouco expressiva nas
famílias do estrato superior (13,2%), sendo que 40,6% dos anêmicos eram
de famílias do estrato intermediário e 46,2% do estrato inferior.
A variável hospitalização teve grande ênfase, uma vez que a maior
parte dos artigos abordou a assistência curativa e hospitalocêntrica. As
crianças com várias internações tornam-se mais frágeis e, ao mesmo tempo, mais exigentes quanto à assistência recebida. É imprescindível que os
profissionais cuidadores tenham este conhecimento e o utilizem ao planejar e executar suas ações de cuidados a essas crianças e suas famílias
(MISKO; BOUSSO, 2007).
Ao aceitar a existência da doença do filho e que essa tem uma
possibilidade de cura, a família precisa enfrentar essa situação e, portanto,
passa a combater seu sofrimento fazendo da relação família-criança algo
de influência positiva no tratamento. Estabelecer uma relação de confiança e respeito entre a família e os profissionais, significa a possibilidade de
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.48-53, Jul-Ago-Set. 2011.
A criança no Brasil: conhecimento produzido nos últimos cinco anos
transformar o ambiente hospitalar em um local de menos sofrimento tanto para a criança quanto para família e para os profissionais (COLLET, 2003).
Ainda, segundo o autor a cima para minimizar ou evitar os traumas da hospitalização, o ambiente hospitalar para as crianças não pode
se limitar ao leito, devendo a unidade pediátrica fornecer condições que
atendam às necessidades físicas, emocionais, culturais, educacionais e
de desenvolvimento da criança, Daí a necessidade de criar um ambiente
recreativo, contendo livros, jogos e brinquedos seguros para estimular a
auto-expressão da criança. Além disso, é necessário que os profissionais
que assistem essas crianças estejam satisfeitos com as condições de trabalho, fornecendo um atendimento humanizado às crianças e seus acompanhantes, reduzindo o período de hospitalização e os traumas decorrentes
do mesmo.
A violência na infância também ganhou grande destaque nas
produções científicas essa variável coincide com as altas incidências de
acidentes e violências na infância. A violência, em diferentes formas, é um
fenômeno que se estabelece por inúmeros fatores e que atinge a realidade familiar, compondo, atualmente, grave ameaça à vida. Conforme o
Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA),
anualmente, 6,5 milhões de crianças sofrem algum tipo de violência doméstica no país. No Brasil, 18 mil são espancadas diariamente e 300 mil
crianças e adolescentes são vítimas de incesto (SCHERER; SCHERER, 2000).
Na Rede Básica de Saúde, os profissionais de enfermagem também
têm papel fundamental no enfrentamento da violência contra crianças e
adolescentes, visto que esse local de atuação se apresenta como propício
para a detecção precoce desses casos. Todavia, para isso, é premente a
necessidade de mudança nos tipos de abordagens rotineiramente empregadas nos serviços de saúde, que propendem para uma visão assistencialista baseada em práticas curativas fundamentadas, especialmente,
na observação de sinais e sintomas de quadros clínicos (MOURA; REICHENHEIM, 2005).
Outra situação mencionada nas pesquisas levantadas fala da dor.
Pesquisas ao redor do mundo foram responsáveis por inúmeras descobertas em relação a causas, mecanismos e tratamento da dor. Ainda são
comuns, no entanto, crenças de caráter negativo sobre a dor em crianças
sendo as mais comuns: a criança não sentir dor ou sentir menos dor que o
adulto; medo de que as crianças se viciem em opióides; medo da depressão respiratória; o comportamento de dor da criança pode ser controlado
pela contenção; as crianças acostumam-se ao dor ou a procedimentos dolorosos; as crianças não conseguem dizer onde está a dor; é difícil e toma
muito tempo avaliar a dor da criança e a dor é importante no desenvolvimento, por exemplo, constrói o caráter (BARBOSA; GUINSBURG, 2003).
No que diz respeito às outros variáveis presentes no gráfico 01:
criança e álcool, morte e cuidados de enfermagem, tiveram pouco impacto mediante a leitura dos artigos, pois não foi comentado apenas de
forma superficial.
Tabela 02: Distribuição da produção de conhecimento pelos enfermeiros sobre a criança nas revistas REBEn e RLAM nos periódicos de 2005 a 2010.
Periódicos
2005-2006
2007-2008
Método mãe canguru
01
Conhecimento familiar
01
Substâncias psicoativas
01
Habilidade motora infantil
01
Criança sadia
01
Registro em prontuário de criança 01
Atenção pediátrica
Brincar no ambiente
01
Punção venosa
01
Direitos de família
01
Dimensão de manguito
01
Droga
Pais cegos
Criança queimada
Constatamos na Tabela 2, o fato de apenas um artigo abordar a
questão da criança sadia, uma vez que a enfermagem em seus discursos
prioriza a importância da promoção da saúde e da puericultura.
Segundo Ciampo, et al., (2006), a puericultura, área da pediatria
voltada principalmente para os aspectos de prevenção e de promoção
da saúde, atua no sentido de manter a criança saudável para garantir seu
pleno desenvolvimento, de modo que atinja a vida adulta sem influências
desfavoráveis e problemas trazidos da infância, priorizando a saúde em
vez da doença.
Seus objetivos básicos contemplam a promoção da saúde Infantil,
prevenção de doenças e educação da criança e de seus familiares, por
meio de orientações antecipatórias aos riscos de agravos à saúde, podendo oferecer medidas preventivas mais eficazes. Para ser desenvolvida em
sua plenitude, deve conhecer e compreender a criança em seu ambiente
familiar e social, além de suas relações e interação com o contexto socioeconômico, histórico, político e cultural em que está inserida.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.48-53, Jul-Ago-Set. 2011.
2009-2010
01
01
01
Um fato que nos chamou a atenção foi à inexistência de artigos
abordando as doenças prevalentes na infância, uma vez que segundo Brasil (2002) a Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) que é um dos indicadores
mais eficazes para refletir não somente aspectos da saúde de crianças,
como a qualidade de vida de uma determinada população, embora mostrando uma tendência ao descenso nos últimos 21 anos, ainda permanece
elevada, e mais de 70% desses óbitos devem-se à pneumonia, diarréia,
desnutrição, malária e afecções perinatais, ou uma associação delas.
É importante destacar outro fato que nos chamou a atenção, pois
nesses últimos cinco anos houve apenas uma publicação sobre o Método
Canguru nestas revistas. Isto porque o Método tem norma do Ministério
da Saúde para implantação no país a partir de 2000, e era de se esperar
que sendo um tema emergente houvesse mais artigos publicados.
Considerando os avanços científico-tecnológicos que contribuíram
para um aumento da expectativa de sobrevivência dos Recém-nascidos
(RN) prematuros e de baixo, o MS lançou a Norma de Atenção Humaniza51
Girão, G. C. M.; et al.
da ao RN de Baixo Peso, o Método Canguru (MC), por meio da Portaria nº
693 GM/MS (BRASIL, 2002).
O MC é um tipo de assistência neonatal que implica contato pele-a-pele precoce entre mãe e RN de baixo peso, “de forma crescente e pelo
tempo que ambos entenderem ser prazeroso e suficiente, permitindo,
dessa forma, uma maior participação dos pais no cuidado ao seu RN” O
Método é eficiente na busca da qualidade da assistência prestada ao RN,
pois favorece a entrada dos pais na unidade neonatal, promove o acolhimento da família, ampliando o foco do cuidado para além do RN (COSTA,
2006).
GRÁFICO 02: Distribuição dos conhecimentos produzidos segundo
a metodologia utilizada na pesquisa, nos períodos de 2005 a 2010.
Com relação às metodologias utilizadas nas publicações do período estudado de acordo com o gráfico 01, observou-se uma grande ênfase
à pesquisa qualitativa, que se manteve como principal metodologia utilizada em praticamente todo o período estudado.
Segundo Cabral e Rodrigues, (2006), entre os anos de 1995 e 1999
os estudos qualitativos foram a opção metodológica para 75,4% dos
pesquisadores, contra 19,3% de estudos quantitativos e 5,3% de quanti-qualitativo, o que confirma a grande tendência na utilização desta metodologia. Outra metodologia muito utilizada foram os estudos descritivos
52
transversais, seguidas da revisão de literatura, dos relatos de experiências
e da quantitativa.
4
CONCLUSÃO
O estudo realizado com os 72 artigos trouxe uma reflexão sobre a
preferência da produção do conhecimento da criança no Brasil. As produções recentes sobre o assunto apontam a importância de uma reflexão
sobre as abordagens apontada nos anos de 2005 e 2010.
Foi possível observar que os profissionais envolvidos estão envolvidos com os mais variados segmentos sobre a criança e que pouco se
produziu sobre a criança sadia, o que vai de encontro aos discursos atuais
que proclamam a importância de se promover a saúde e prevenção de
doenças.
Outros aspectos que se constatou ao longo desses anos estudados
foi o interesse em produzir sobre o tema da hospitalização, seguido de
artigos abordando diversas doenças específicas, dando ênfase ao câncer
que se sobressaem nos anos de 2007 a 2008.
Outro aspecto de relevância diz respeito à promoção da saúde na
infantil, pois a enfermagem ao produzir sobre seu agir para a promoção e
prevenção de doenças na infância desempenha um papel social importante que demanda cada vez mais empenho de publicações de resultados
exitosos da categoria junto à criança. Podemos destacar ainda que os pesquisadores têm maior preferência pela pesquisa qualitativa.
Conclui-se que as produções científicas sobre a criança no Brasil
geram conhecimentos relevantes para os profissionais de enfermagem e
para o conhecimento sobre o cuidar da criança, mas observamos muitas
lacunas na temática, tais como o cuidado à criança sadia, na atenção básica, diagnósticos de enfermagem direcionados para a infância, estudos
epidemiológicos e na área da neonatologia.
A criança é um ser singular que requer cuidados específicos e a
enfermagem necessita cada vez mais se aprimorar nesse cuidado, considerando a grande demanda de crianças nos serviços de saúde e a importância de contribuir para a diminuição do quadro de desigualdade existente nos pais, aonde as crianças pobres não têm as mesmas condições de
sobrevivência que aquelas que vivem em condições mais dignas.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.48-53, Jul-Ago-Set. 2011.
A criança no Brasil: conhecimento produzido nos últimos cinco anos
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literatura. Rev. Latino-am Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 8, n.4,
p.22-29, agos. 2000.
53
Marina Barros Ribeiro, M. B.; Brandão, M. N. M.
REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN
A produção cientifica da enfermagem sobre coto umbilical
The scientific production of nursing on the umbilical stump
La producción científica de enfermería en el muñón del cordón umbilical
RESUMO
Marina Barros Ribeiro
Graduanda de Enfermagem da Faculdade SANTO
AGOSTINHO, Teresina – Piauí.
Email: marih¬[email protected]
Maria Noélia Melo Brandão
Professora Especialista Maria Noélia Melo Brandão.
Orientadora do Trabalho.
Esta pesquisa tem como objetivo avaliar a produção cientifica das publicações sobre coto umbilical,
segundo o ano de publicação, tipo de publicação e natureza da pesquisa. Para a busca dos artigos
foram utilizadas bases de dados importantes na área de saúde, como o LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências de Saúde) e SCIELO (Scientific Eletronic Library Online). Os
descritores escolhidos foram: cuidado; recém-nascido; puerpério e tétano. Foram encontrados e utilizados 15 artigos em português publicados no período entre os anos de 2001 a 2011 relacionados
ao tema. Constatou-se que no período de 2003 a 2004 houve um menor número de publicações
sobre o tema, enquanto o maior número foi entre 2005 e 2006, com 33,3%. Observou-se que os
artigos selecionados foram publicados em diversos periódicos, ganhando destaque a Revista Texto
e Contexto de Enfermagem com 13,3% das publicações. Na análise das categorias observou-se um
déficit nas orientações às mães referentes aos cuidados com o coto umbilical. Assim, a consulta de
enfermagem apresenta-se como instrumento indispensável, pois têm como finalidade garantir a
extensão da cobertura e melhoria da qualidade pré-natal, principalmente por meio da introdução
das ações de preventivas e promocionais as gestantes.
Descritores: Cuidado. Recém-nascido. Puerpério. Tétano.
ABSTRACT
This research aims to evaluate the production of scientific publications on the umbilical stump, the
second year of publication, publication type and nature of research. To search for articles using databases were important in the area of health, such as LILACS (Latin American and Caribbean Health Sciences) and SciELO (Scientific Electronic Library Online). The descriptors were: care; newborn;
puerperium e tetanus. Were found and used 15 published articles in Portuguese in the period between the years 2001 to 2011 related to the topic. It was found that in the period 2003 to 2004 there
was a lower number of publications on the subject, while the largest number was between 2005
and 2006, with 33.3%. It was observed that the articles were published in several journals, gaining
prominence the Journal of Nursing Text and Context with 13.3% of the publications. In the analysis
of the categories there was a deficit in the guidelines to the mothers regarding the care of the umbilical stump. Thus, access to nursing presents itself as an indispensable tool, since they are designed
to ensure the extension of coverage and improving the quality prenatal care, mainly through the
introduction of preventive and promotional activities for pregnant women.
Descriptors: Care. Newborn. Puerperium. Tetanus.
RESUMEN
Submissão: 26.05.2011
Aprovação: 27.06.2011
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Esta investigación tiene como objetivo evaluar la producción de publicaciones científicas en el
muñón del cordón umbilical, el segundo año de publicación tipo de publicación, y la naturaleza de
la investigación. Para buscar artículos utilizando bases de datos fueron importantes en el área de la
salud, tales como LILACS (Literatura Latinoamericana y del Caribe de la Salud) y SciELO (Scientific
Electronic Library Online). Los descriptores fueron: cuidado; recién nacido; puerperio e tétanos. Se
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.54-59, Jul-Ago-Set. 2011.
A produção cientifica da enfermagem sobre coto umbilical
encontraron y utilizaron 15 artículos publicados en portugués, en el período comprendido entre los años 2001 a 2011 relacionados con el tema.
Se encontró que en el período 2003 a 2004 hubo un menor número de
publicaciones sobre el tema, mientras que el mayor número fue entre
2005 y 2006, con el 33,3%. Se observó que los artículos fueron publicados en varias revistas, ganando importancia la Revista de Enfermería de
texto y contexto con el 13,3% de las publicaciones. En el análisis de las
categorías se registró un déficit en las directrices a las madres sobre el cuidado del cordón umbilical. Así, el acceso a la enfermería se presenta como
una herramienta indispensable, ya que están diseñados para garantizar
la extensión de la cobertura y mejorar la atención prenatal de calidad,
principalmente a través de la introducción de actividades preventivas y de
promoción para las mujeres embarazadas.
Descriptores: Cuidado. Recién Nacido. Puerperio. Tétanos.
1 INTRODUÇÃO
O Período puerperal é compreendido como o período “que se inicia
logo após o parto e termina quando as modificações locais e gerais determinadas pela gestação no organismo materno retornam às condições
normais” (SANTOS, 2002, p. 21). Neste período ocorrem adaptações fisiológicas e comportamentais complexas nas mulheres caracterizadas pelos
fenômenos involutivos, pelo estabelecimento da lactação, pela adaptação
psicológica da mãe e pelo estabelecimento da relação mãe-filho e familiares. Considerando tais modificações e adaptações vivenciadas pela mulher
neste período, acredita-se na importância de prestar uma atenção bastante peculiar e específica a este período, reconhecendo a individualidade e
visando assim um atendimento humanizado (BRASIL, 2001).
O puerpério é um período carregado de mitos, crenças e costumes aos quais precisamos estar atentos, procurando respeitar as crenças
e práticas culturais de cada família, na medida em que não prejudiquem
a saúde da mãe e do filho. O cuidado, permeado por práticas culturais,
passadas de mãe para filha, através de gerações, é muito marcante nesse
período (TOMERELI; MARCON, 2009).
A conduta de cada cuidador leigo e, também, suas crenças, podem
contribuir, significativamente, para que ocorram as infecções neonatais,
que elevam indicadores de morbi-mortalidade. Devido aos grandes índices
de infecções nesse período, o esclarecimento das práticas deve ser muito
bem prestado a todos aqueles envolvidos no cuidado do RN, tanto no hospital como nas unidades básicas de saúde (D’AVILA; GONÇALVES, 2003).
O cordão umbilical é uma porta de entrada comum para infecção
sistêmica em recém-nascidos (RN), pois o tecido desvitalizado é um excelente meio para o crescimento bacteriano. Além disso, os vasos umbilicais
trombosados permitem acesso direto à circulação sanguínea (NADER; PEREIRA, 2004).
Os processos infecciosos no período neonatal constituem, ainda
hoje, importante causa de morbidade e mortalidade neonatais. Em parte,
este fato se deve a particularidades relativas ao próprio hospedeiro, mas em
grande parte, se deve ao ambiente em que vive, podendo ser atingido por
via intra-uterina, durante o parto ou na vida extra-uterina. As infecções pós-natais são as mais comumente encontradas na prática e as que condicionam, em números absolutos, o maior contingente de óbitos (SEGRE, 2002).
A antissepsia do coto umbilical é todo cuidado de higiene realizado
com o coto umbilical do RN para prevenir infecções, hemorragias e acelerar a mumificação do mesmo. Esta técnica é realizada pelo funcionário da
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.54-59, Jul-Ago-Set. 2011.
equipe de enfermagem responsável pelo paciente, quando da internação
após a alta pela mãe ou cuidador, no mínimo uma vez por turno, até a
queda do coto (GOMES; LOUREIRO; GONÇALES, 1990).
Nos dias atuais, sabe-se que para evitar a infecção, deve ser feita a
limpeza diariamente com sabão suave e água durante o banho, e secando-o cuidadosamente. O uso de um cotonete embebido em álcool 70%
na base do cordão promove o secamento. Algumas instituições podem
usar agentes secantes e/ou bacteriostáticos. Deve ser feita uma dobra na
fralda sendo colocada abaixo do cordão para evitar irritação e a proliferação de microorganismos (LUCILLE; DONNA, 1989).
O diagnóstico de infecção umbilical apresenta, muitas vezes, algumas dificuldades, já que a colonização do coto umbilical nem sempre
sugere infecções. Após o nascimento, o cordão umbilical é colonizado por
uma rica flora de microorganismos (cocos gram-positivos e, mais tarde,
uma limitada quantidade de organismos fecais) (NADER; PEREIRA, 2004).
A equipe de enfermagem desempenha papel importante nos momentos cruciais do ser humano, acompanhando desde o nascimento até
sua morte. Com isso, os enfermeiros, em especial, precisam utilizar os métodos de comunicação seja com o paciente adulto ou recém-nascido. Os
Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos de Enfermagem devem, então, orientar
os pais em relação à deterioração do coto e ao cuidado umbilical adequado com o mesmo (LUCILLE; DONNA, 1989).
Frente às grandes dificuldades envolvendo mitos, crenças, diversidade de informações, a presença de pessoas leigas, dentre outras relacionadas aos cuidados com o coto umbilical, faz-se necessário discutir com as
puérperas e os cuidadores quanto à maneira adequada dos cuidados com
o coto umbilical (D’ÁVILA; GONÇALVES, 2003).
Pretende-se com este estudo também, demonstrar atitudes e práticas das mães, controversas inadequadas que possam estar contribuindo
para o aumento de infecções que tenha como porta de entrada o coto
umbilical.
Nesse contexto, diante da problemática que é inerente à equipe de
Enfermagem a orientação das mães e familiares sobre todos os cuidados
neonatais, despertou o interesse da pesquisadora em conhecer essa realidade, tornando-se objeto desse estudo.
A proposta de desenvolvimento dessa pesquisa tem como objetivo
avaliar a produção cientifica das publicações sobre coto umbilical, segundo o ano de publicação, tipo de publicação e natureza da pesquisa.
2
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica com abordagem
quantiqualitativo, realizada em material publicado em artigos científicos,
livros, dissertações e teses. Uma das vantagens da pesquisa bibliográfica
reside no fato de ela permitir a cobertura de uma gama de fenômenos
muito mais ampla do que poderia pesquisar diretamente (GIL, 2002).
A pesquisa bibliográfica se desenvolve ao longo de várias etapas,
que são estabelecidas para servir de roteiro que auxilie o pesquisador, e,
de acordo com Gil (2002), deve envolver: escolha do tema, levantamento
bibliográfico preliminar, formulação do problema, elaboração do plano
provisório de assunto, busca das fontes, leitura do material, fichamento,
organização lógica do assunto e redação do texto.
Para Minayo (2008), pesquisa qualitativa é o que se aplica ao estudo
da história, das relações, das representações, das percepções, das opiniões,
e interpretações a respeito de como os humanos agem, constroem seus
artefatos e a si mesmos, sentem e pensam.
55
Marina Barros Ribeiro, M. B.; Brandão, M. N. M.
Quanto à pesquisa quantitativa, Marconi e Lakatos (2002), considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números,
opiniões e informações para classificá-las e analisá-las, que requer o uso de
recursos e de técnicas estatísticas e resultados que precisam ser replicados.
A consulta foi realizada em artigos científicos, teses e dissertações
veiculados nacionalmente, com conceitos adotados com base nas definições da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), em bancos de teses e em dissertações. Para a busca dos artigos foram utilizadas bases de dados importantes na área de saúde, com acesso via internet, como o LILACS (Literatura
Latino-Americana e do Caribe em Ciências de Saúde) e SCIELO (Scientific
Eletronic Library Online).
A busca dos periódicos atendeu aos seguintes critérios de seleção:
artigos indexados no banco de dados em concordância com os descritores previamente escolhidos (cuidado; recém-nascido; puerpério e tétano).
Foram encontrados 80 artigos em português publicados no período entre
os anos de 2001 a 2011, entretanto foram incluídos neste estudo apenas
15 destes. Os critérios de exclusão considerados foram: artigos não relacionados ao tema e a escassez de publicações.
Após a seleção dos artigos indexados realizou-se uma leitura superficial do material obtido, selecionando o que era de interesse para a
pesquisa. Logo em seguida, passou-se para uma leitura minuciosa a fim
de não perder dados importantes que servissem para confecção da redação final da pesquisa. E para melhor visualização dos dados, elaborou-se
uma tabela contendo os seguintes indicadores: periódicos, ano, categorias
em que os artigos foram publicados e o total dos mesmos.
3
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O presente estudo buscou levantar artigos referentes às publicações sobre coto umbilical com o objetivo de avaliar a produção científica,
segundo o ano de publicação, tipo de publicação e natureza da pesquisa,
onde após uma leitura minuciosa e detalhada, obteve-se um total de 15
artigos. Analisando os periódicos encontrados, foram achados artigos em
revistas e teses em sites eletrônicos. As revistas encontradas foram: Revista Brasileira de Enfermagem, Revista Gaúcha de Enfermagem, Texto e
Contexto Enfermagem, Acta Paulista de Enfermagem, Escola Anna Nery e
Revista Latino Americana.
QUADRO 1: Distribuição dos periódicos quanto a publicação e o ano.
Periódicos
2003-2004
2005-2006
2007-2008 2009- 2010
Revista Brasileira de Enfermagem 1
Revista Gaúcha de Enfermagem 1
Texto e Contexto Enfermagem
2
Acta Paulista de Enfermagem 1
Escola Anna Nery 1
Revista Latino Americana.
1
Tese Lúcio José 1
Tese Maria Silva
1
Tese Elisangela Argenta
1
Tese Suzete de Fátima
1
Tese Sally Müller
1
Tese Airla Rodrigues
Tese Andréa Paula
1
Tese Maria Inês
1
1
Fonte: elaborado pela autora.
Os artigos encontrados totalizaram-se em 80, em que se divide
em: 15 artigos de cordão umbilical, 45 de recém-nascido, 10 de enfermagem e 10 de tétano. Dos 15 artigos, foi realizado refinamento da pesquisa
56
onde foram analisados 6 artigos que mais condiziam a respeito de cordão
umbilical, 2 dos 45 selecionados sobre recém-nascido, 3 dos 10 artigos
relacionados enfermagem e dos 10 referentes a tétano, apenas 4 foram
examinados por serem mais condizentes ao tema, utilizando os descritores: cordão umbilical, recém-nascido, enfermagem e tétano.
Constatou-se que no período de 2003 a 2004 houve um menor
número de publicações sobre o tema, onde apenas um periódico foi encontrado. Considerando que nos demais períodos houve um maior número de publicações sobre o tema estudado, sendo que no ano de 2005 a
2006 foram cinco periódicos, no ano de 2007 a 2008 foram dois e no ano
de 2009 a 2010 cinco publicações. Verificou-se que o ano que concentrou
o maior número de publicações foi 2005 a 2006, com 33,3%, seguido de
2009 a 2010 com 33,3%.
Observou-se que os artigos selecionados foram publicados em
diversos periódicos, ganhando destaque a Revista Texto e Contexto de Enfermagem com 13,3% das publicações. Sobre as metodologias utilizadas
nos trabalhos estudados, foram encontradas pesquisas quanti-qualitativas, quantitativas e qualitativas sendo a maioria do tipo qualitativa.
QUADRO 2: Distribuição dos artigos, segundo natureza da pesquisa.
Tipo de Pesquisa
Quantitativa
Qualitativa
Quanti e Quali.
Total
Quantidade (n)
04
10
01
15
Fonte: elaborado pela autora.
Observou-se nos artigos a aplicação de diferentes tipos de abordagens metodológicas e a que se destacou foi a qualitativa, que estava
presente em 66,6% nas publicações.
Nos trabalhos qualitativos todos foram pesquisa de campo, onde
alguns analisavam a conduta das enfermeiras com o neonato em relação
aos cuidados com o coto umbilical.
Com o material das publicações selecionadas, foram analisadas e
procedidas uma releitura, sendo possível a determinação das abordagens
utilizadas, e a partir desta, delimitou-se as categorias a serem mencionadas, a conhecer: Orientações à mãe sobre cuidados no pré-natal e no
puerpério imediato, Crenças e práticas populares no cuidado com o coto-umbilical, Abordagem de tétano neonatal.
3.1 Orientações à mãe sobre cuidados no pré-natal e no puerpério imediato
Os profissionais de saúde, essencialmente os Enfermeiros, devem
adotar postura diferenciada, que demanda em conhecimento, compromisso e envolvimento com a assistência a ser prestada à mãe e ao recém-nascido, o que favorece a assistência individualizada, ou seja, ver a mãe e
suas necessidades sob sua perspectiva (BERGAMASCHI, 2007).
A consulta de enfermagem apresenta-se como um instrumento
de suma importância, pois têm como finalidade garantir a extensão da
cobertura e melhoria da qualidade pré-natal, principalmente por meio da
introdução das ações de preventivas e promocionais as gestantes. Além
disso, Lima (2005) salienta que esse instrumento é garantido como por
ferramenta Legal da prática profissional de Enfermagem pelo Conselho
Federal de Enfermagem (RES COFEN 159/93).
Sendo o puerpério um período considerado de riscos para alterações
fisiológicas e psicológicas para a mulher, tornam-se essenciais os cuidados de
enfermagem qualificados que tenha como base, prevenção de complicações,
conforto físico e emocional e educação em saúde (STRAPASSON; NEDEL, 2010).
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.54-59, Jul-Ago-Set. 2011.
A produção cientifica da enfermagem sobre coto umbilical
Para Almeida (2005), é essencial uma assistência de enfermagem
qualificada que tenha como base a prevenção de complicações, o conforto físico, ao lado de ações educativas que possam dar à mulher boas
condições para cuidar de si e de sua criança (ALMEIDA, 2005).
Com base em Strapasson e Nedel (2010), a puérpera se vê envolta
por uma série de mudanças impostas pela gravidez e nascimento necessitando de adaptação e instrumentalização para desenvolver o papel da
maternidade, apresentando dificuldades no puerpério imediato.
É preciso formar profissionais que estejam preparados para, além
de realizar um curativo no coto umbilical, perceber as necessidades, dificuldades e limitações da mãe para a execução desta tarefa, e, a partir dessa
constatação, elaborar em conjunto, um plano de cuidados, pautados nas
possibilidades existentes e nos saberes de cada um (ZANATTA, 2006).
Para cuidar de um recém-nascido, a mãe precisa aprender práticas
apropriadas sobre as necessidades fisiológicas e psicológicas do bebê. Assim, a consulta de enfermagem no pré-natal constitui-se um espaço importante para ajudá-la na aquisição dos conhecimentos necessários à realização desses cuidados, além de contribuir para diminuir as dúvidas, os medos
e os mitos que normalmente são suscitados na mãe (SHIMIZU; LIMA, 2009).
Esses sentimentos precisam ser discutidos com as mães ainda desde a gravidez, na tentativa de serem minimizados já nesse período, e rediscutidos após o nascimento, reforçando as orientações (ZANATTA, 2006).
Assim sendo, o cuidado de enfermagem no puerpério imediato
tem por meta oferecer estratégias de enfrentamento e adaptação à transição à maternidade, com ações voltadas para a superação de dificuldades
(STRAPASSON; NEDEL, 2010).
Para Almeida (2005), há uma diminuição do processo educativo
para a saúde, sob a responsabilidade do serviço de Enfermagem, tão valioso para instrumentalizar a mulher para cuidar de si e de sua criança. Tal
fato foi observado a partir de atividades educativas realizadas pela autora,
que quando ocorrem são direcionadas a orientações dadas a mães sobre
os cuidados do recém-nascido, como banho e curativo do coto umbilical.
3.2 Crenças e práticas populares no cuidado com o coto-umbilical
Antigamente as mães davam banhos nos recém-nascidos com
água na temperatura de 37°C não ultrapassando três minutos, sendo que
a água deveria ser previamente fervida enquanto não ocorresse a cicatrização umbilical e em alguns casos ocorria contraindicação do banho
em recém- nascido antes da queda e total cicatrização do coto umbilical,
contudo não era informada a maneira pela qual o recém-nascido seria higienizado (OLIVEIRA; RODRIGUES, 2005).
Os cuidados em relação ao coto umbilical estão cercados de crenças, mitos e medos. As mães referem-se a ele como se fosse algo intocável
que representa muito perigo para a saúde da criança (ZANATTA, 2006).
Entre as crenças existentes, é a de que o coto umbilical mesmo
após a queda influencia a vida da criança não podendo ser desprezado,
pois está ligado à prevenção contra “o mal”, visto que é tido como um símbolo de vida. Algumas mães acreditam que se o coto não for bem cuidado
poderá ser perigoso para a criança, sendo necessário guardá-lo para assegurar a vida da criança. Tem aquelas que o fazem para ter uma lembrança
da gravidez e até mesmo como autoafirmação do papel de mãe; outras
ainda relacionam o coto à profissão que os filhos terão (ROSA, 2009).
Conforme Tomeleri e Marcon (2009), foram encontradas algumas
crenças relacionadas ao coto umbilical identificadas em outros estudos e
consideradas bem conhecidas de toda a população, como enfaixar o coto,
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.54-59, Jul-Ago-Set. 2011.
colocar moeda e utilizar ou passar diferentes ingredientes como banha de
galinha, arruda e folha de fumo. O uso da faixa umbilical foi uma prática muito
comum, e seu uso era transmitido de geração em geração. Atualmente, ela é
contraindicada devido à comprovação científica sobre a sua ineficácia e até
mesmo nocividade para a criança, em alguns casos (ISERHARD, et al., 2009).
Para Tomeleri e Marcon (2009), os cuidados populares apareceram
fortemente arraigados na vida das mães adolescentes e da comunidade
onde vivem, sendo transmitidos e orientados pelas pessoas mais experientes e usados muitas vezes por elas como primeira escolha.
Em relação ao coto umbilical, as mães adolescentes, especialmente
as de primeira viagem, demonstram o quanto se sentem inseguras em
relação ao manuseio e à queda do coto umbilical, reforçando o fato de
que, para as mulheres, o coto umbilical é envolto em mistério, desconhecimento e ambiguidade, uma vez que ele tanto alimenta a criança, como
pode levá-la à doença (TOMELERI; MARCON, 2009).
As mães delegam as funções de higienizar a criança e cuidar do
coto umbilical a outras pessoas, principalmente, porque se sentem inseguras diante dessas tarefas, possuem medo, acreditam que o banho de
imersão e o manuseio do coto umbilical podem causar alguma doença na
criança (ZANATTA, 2006).
Para Rosa 2009, o cuidado leigo com relação aos cuidados com o
coto realizado no domicilio nem sempre é realizado pelas mães, que são o
foco da atenção nas maternidades. Nas instituições hospitalares geralmente
é repassado às mães o modo de tratar o coto umbilical, porém sem sempre,
por ocasião da alta nas maternidades, elas se sentem seguras e em condições de realizá-lo. Desta forma a conduta de cada cuidador leigo e, também,
suas crenças, podem contribuir, significativamente, para que ocorram as infecções neonatais que elevam indicadores de morbidade infantil.
Zanatta (2006) também corrobora desse pensamento, quando diz
que algumas mães seguem orientações de pessoas do seu convívio e resistem em aderir e manter as orientações da enfermeira e da equipe de
saúde para o cuidado com o filho, adotando certas condutas e atitudes,
como o uso de soluções caseiras no coto umbilical, as quais provocam
infecções e, na maioria das vezes, requerem hospitalizações e cuidados
especializados.
3.3 Abordagem de tétano neonatal
Doença infecciosa, não-contagiosa, o tétano é causado pela ação de
poderosa exotoxina produzida pelo Clostridium tetani, que provoca um estado de hiperexcitabilidade do sistema nervoso central (GUIMARÃES,2005).
Com base em Guimarães (2005), o tétano neonatal (TNN) ocorre
pela contaminação do coto umbilical do recém-nascido por meio de instrumentos inadequadamente esterilizados ou por cuidados inadequados
para a sua cicatrização, nos quais são usadas substâncias como teia de aranha, pó de café, esterco e outros. O período de incubação (PI), em média,
é de sete dias, popularizando a doença como “o mal de 7 dias”.
Ao se analisar em separado a mortalidade neonatal tardia (óbito
entre 7° e 28° dia de vida), verifica-se que as infecções são a principal causa de óbito nesse período e são adquiridas tanto no ambiente hospitalar
como doméstico como, por exemplo, ocorrência de tétano neonatal em
decorrência de inadequado cuidado com o cordão umbilical e a falta de
imunização materna (MEDEIROS, 2008).
Para Vieira (2006), o tétano neonatal se mantém como um importante problema de saúde pública na maioria dos países subdesenvolvidos,
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Marina Barros Ribeiro, M. B.; Brandão, M. N. M.
sendo a doença em muitos países das Américas, responsável pela metade
das mortes neonatais e por 25% da mortalidade infantil. Em seu estudo realizado no Estado de Minas Gerais com mães que tiveram seus filhos mortos
por tétano neonatal, demonstrou que das 19 mães entrevistadas, 14 eram
moradoras de área estritamente rural e cinco de área urbana com características rurais. Tinham em média 3,8 filhos e renda familiar de um salário mínimo. Apenas cinco delas haviam tomado alguma dose da vacina antitetânica.
A incidência do tétano neonatal apresenta tendência decrescente
em todas as regiões brasileiras, refletindo a elevada cobertura de partos
hospitalares e os esforços dirigidos para a vacinação de mulheres em idade fértil em municípios de risco (BRASIL, 2001).
A ocorrência de casos de tétano neonatal pressupõe deficiências na
qualidade da atenção pré-natal, ao parto e ao recém-nascido, que favorecem a infecção pelo Clostridium tetani. Essas deficiências referem-se à vacinação de gestantes contra o tétano e aos cuidados de assepsia no parto
e no tratamento do coto umbilical do recém-nato, estando associadas, em
geral, a baixas condições socioeconômicas da população (BRASIL, 2001).
Com base em Bocardi (2004), a elevada ocorrência de partos no
domicílio pode não ser uma opção das mães, mas em consequência da
dificuldade de acesso e de atendimento em serviços de atenção ao parto,
levando, na maioria das vezes, à assistência por indivíduo despreparado e
aumentando os riscos para o recém-nascido contrair o tétano neonatal.
De acordo com Vieira (2003), supõe-se que mães multíparas, por
terem vivenciado outras situações de saúde/doença fossem mais experientes no cuidado da criança, diminuindo o risco de adoecimento do recém-nascido. Por outro lado, cabe salientar as oportunidades perdidas de
vacinação, tendo em vista que as mães multíparas provavelmente já frequentaram unidades de saúde e não foram convenientemente orientadas
para a prevenção do tétano neonatal através da vacinação, alem de que a
extensão da cobertura vacinal contra o tétano neonatal nem sempre consegue atingir todas as gestantes e mulheres na idade fértil (VIEIRA, 2006).
Para Prado (2008), a vacinação de gestantes contra o tétano e os
cuidados de assepsia no parto e no tratamento do coto umbilical do
recém-nascido, estão associados, em geral, à baixas condições socioeconômicas da população. A proporção de mães de crianças que contraíram
tétano neonatal e que não apresentaram história de antecedente vacinal
antitetânico é de um nível elevado e semelhante tanto na zona rural como
na zona urbana (VIEIRA, 2003).
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com as publicações encontradas referentes ao coto umbilical, os resultados encontrados mostram que existem diferentes práticas
e saberes relacionados ao tratamento do coto umbilical. O saber leigo está
repleto de crenças e temores, que influenciam no cuidado prestado pelos
cuidadores e pelas puérperas.
58
Constatou-se que no período de 2003 a 2004 houve um menor número de publicações sobre o tema, onde apenas um periódico foi encontrado. Considerando que nos demais períodos houve um maior número
de publicações sobre a temática estudada, sendo que no ano de 2005 a
2006 foram cinco periódicos, no ano de 2007 a 2008 foram dois e no ano
de 2009 a 2010 cinco publicações. Verificou-se que o ano que concentrou
o maior número de publicações foi 2005 a 2006, com 33,3%, seguido de
2009 a 2010 com 33,3%. Observou-se que os artigos selecionados foram
publicados em diversos periódicos, ganhando destaque a Revista Texto
e Contexto de Enfermagem com 13,3% das publicações. As publicações
encontradas foram do tipo qualitativa (66,6%), quantitativas (26,6%) e
quanti-qualitativa (6,6%).
Na análise das categorias observou-se um déficit nas orientações
às mães referente aos cuidados com o coto umbilical, tanto no pré-natal como no puerpério imediato. Evidenciaram-se também dificuldades
envolvendo mitos, crenças, diversidade de informações, a presença de
pessoas leigas, dentre outras relacionadas aos cuidados com o umbigo
no período neonatal. Ficou evidente ainda que a incidência de tétano neonatal no país, notadamente na região norte e nordeste ainda é acima
do recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que considera suficiente para caracterizar uma situação epidêmica a ocorrência de apenas
um caso da doença, destacando ainda a importância da vacina toxoide
tetânica aplicada na gestante como fator decisivo na erradicação do tétano neonatal.
Desta forma, faz-se necessário resgatar o importante papel do profissional médico e enfermeiro na realização de práticas educativas com
mulheres no pré-natal e no puerpério imediato quanto à maneira adequada dos cuidados com o coto umbilical, devendo orientá-las quanto
às formas de prevenção de infecções sem desconsiderar informações ou
experiências de vida.
Assim, a consulta de enfermagem apresenta-se como um instrumento de suma importância, pois tem como finalidade garantir a extensão da cobertura e melhoria da qualidade pré-natal, principalmente por
meio da introdução das ações de preventivas e promocionais as gestantes.
Os profissionais de saúde precisam conhecer as crenças e práticas
das mães adolescentes para então planejar, da melhor forma possível, a
assistência a ser prestada. Mesmo com a diminuição dos casos de tétano,
essas orientações devem sempre se manter presentes durante as consultas de enfermagem tanto no pré-natal como no puerpério, podendo assim, evitar o surgimento de novos casos de tétano ou até mesmo outros
tipos de infecções do coto que podem causar morbi-mortalidade nessas
crianças.
Em vista disso, compete aos profissionais buscar, conhecer, compreender e, principalmente, questionar buscando trocar, negociar e adaptar o cuidado, embasado no conhecimento e sem dispensar o olhar do
próximo.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.54-59, Jul-Ago-Set. 2011.
A produção cientifica da enfermagem sobre coto umbilical
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Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.54-59, Jul-Ago-Set. 2011.
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Pereira, N.; et al.
REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN
O cuidado do enfermeiro à vítima de traumatismo cranioencefálico:
uma revisão da literatura
Nursing care of the victim of traumatic brain injury: a literature review
Cuidados de enfermería de la víctima de traumatismo de cráneo cerebro: una revisión de la literatura
Nicole Pereira
Especialista em Urgência e Emergência. Enfermeira do
Hospital de Terapia Intensiva de Teresina. Teresina – Piauí.
[email protected].
Andréia Rodrigues Moura da Costa Valle
Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal
do Piauí. Doutoranda em Enfermagem pela Escola de
Enfermagem de Ribeirão Preto – USP. Professora Assistente
do Departamento de Enfermagem da UFPI.
E-mail: [email protected].
Márcia Astrês Fernandes
Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio
de Janeiro. Doutoranda em Enfermagem pela Escola de
Enfermagem de Ribeirão Preto – USP. Professora Adjunta
do Departamento de Enfermagem da UFPIe da Faculdade
Novafapi. [email protected].
Maria Eliete Batista Moura
Pós-Doutora pela Universidade Aberta de Lisboa –
Portugal. Doutora em Enfermagem pela Escola de
Enfermagem da UFRJ. Professora da Graduação e do
Programa de Mestrado Profissional em Saúde da Família
da Faculdade NOVAFAPI. Professora da Graduação e
do Programa de Mestrado em Enfermagem da UFPI.
[email protected]
José Nazareno Pearce de Oliveira Brito
Doutor em Ciências Médicas. Professor da Graduação e do
Programa de Mestrado Profissional em Saúde da Família
da Faculdade NOVAFAPI. [email protected]
Gerardo Vasconcelos Mesquita
Gerardo Vasconcelos Mesquita -Doutor em Cirurgia
Traumato-Ortopédica. Professor da Graduação e do
Programa de Mestrado Profissional em Saúde da Família
da Faculdade NOVAFAPI. [email protected]
Submissão: 28.04.2011
Aprovação: 30.05.2011
60
RESUMO
O traumatismo cranioencefálico é um grave problema de saúde pública, na medida em que assume
a principal causa de morte e seqüela em crianças e adultos jovens. Este estudo teve como objetivo
analisar os principais cuidados do enfermeiro prestados a vítimas de traumatismo cranioencefálico.
Pesquisa bibliográfica realizada por meio de busca eletrônica na base de dados SciELO, referente
ao período de 2000 a 2009, utilizando os descritores: traumatismos encefálicos, cuidados de enfermagem, enfermeiro. O conhecimento das causas do traumatismo cranioencefálico possibilita a
implantação de medidas para prevenção primária, que visam à redução do número de traumas, ao
passo que a determinação dos fatores relacionados com o óbito propicia a elaboração de protocolos de atendimento, especificamente desenvolvidos para cada situação de emergência, reduzindo
dessa forma o alto índice de morbidade e mortalidade. Nesse sentido, para ter a capacidade de avaliar e prestar um atendimento de emergência adequado, o enfermeiro necessita de conhecimento
profundo, treinamento intensivo e habilidade. Conclui-se que o exercício eficaz da liderança pelo
enfermeiro é fundamental para conduzir a equipe de enfermagem, em um local onde a tomada de
decisão deve ser rápida, o atendimento ao paciente deve ser sincronizado, exigindo do enfermeiro
conhecimento científico e competência clínica.
Descritores: Traumatismos encefálicos. Cuidados de enfermagem. Enfermeiro.
ABSTRACT
Traumatic brain injury is a serious public health problem, in that it assumes the leading cause of
death and sequelae in children and young adults. This study aimed to analyze the main nursing care
provided to victims of traumatic brain injury. Literature search was undertaken through electronic
search in SciELO database, covering the period 2000 to 2009, using the following keywords: brain
injuries, nursing care, nurse. The knowledge of the causes of traumatic brain injury allow the implementation of measures for primary prevention, aimed at reducing the number of injuries, while the
determination of factors associated with death provides the development of protocols, specifically
designed for each situation emergency, thus reducing the high rate of morbidity and mortality. In
this sense, to having the ability to assess and provide appropriate emergency care, the nurse needs
profound knowledge, extensive training and skill. It is concluded that the effective exercise of leadership by nurses is essential to lead the nursing team in a place where the decision making process
should be fast, patient care must be synchronized, requiring the nurse’s scientific knowledge and
clinical competence.
Descriptors: Brain injuries. Nursing care. Nurse.
RESUMEN
La lesión cerebral traumática es un problema grave de salud pública, ya que supone la principal
causa de muerte y secuelas en niños y adultos jóvenes. Este estudio tuvo como objetivo analizar los
principales cuidados de enfermería a las víctimas de lesiones cerebrales traumáticas. Búsqueda bibliográfica se llevó a cabo a través de la búsqueda electrónica en la base de datos SciELO, que abarca
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.60-65, Jul-Ago-Set. 2011.
O cuidado do enfermeiro à vítima de traumatismo cranioencefálico: uma revisão da literatura
el período 2000 a 2009, utilizando las siguientes palabras clave: traumatismos encefálicos, atención de enfermería, enfermera. El conocimiento
de las causas de la lesión traumática del cerebro permiten la aplicación
de medidas para la prevención primaria, dirigida a reducir el número de
lesiones, mientras que la determinación de los factores asociados con la
muerte ofrece el desarrollo de protocolos, diseñados específicamente
para cada situación de emergencia, reduciendo así el alto índice de morbilidad y mortalidad. En este sentido, para tener la capacidad de evaluar y
proporcionar atención de emergencia adecuada, la enfermera necesita un
profundo conocimiento de capacitación, amplia y habilidad. Se concluye
que el ejercicio efectivo del liderazgo de las enfermeras es esencial para
dirigir el equipo de enfermería en un lugar donde la toma de decisiones
debe ser rápida, debe ser la atención al paciente sincronizado, que requieren conocimientos científicos de la enfermera y la competencia clínica.
Descriptores: Traumatismos encefálicos; Atencíon de enfermeria; Enfermera.
1INTRODUÇÃO
Traumatismo Cranioencefálico (TCE) é um grave problema de saúde pública na atualidade. Estima-se que cerca de quinhentas mil pessoas
sofram de TCE por ano nos Estados Unidos da América (EUA), sendo que
20% das vítimas terão algumas incapacidades e deficiências, causando sofrimento e transtornos não só para os pacientes, mas para toda a família
(PECLAT, 2004).
No Brasil as lesões traumáticas relacionadas aos acidentes de trânsito constituem a maior causa de morte entre 10 e 29 anos de idade. Isso
significa que cerca de 40% das mortes ocorre na faixa etária entre 5 a 9
anos e 18% entre 1 e 4 anos, sendo o trauma de crânio a principal causa de
morte e seqüelas nessas faixas etárias (AFFONSECA et al., 2007).
Segundo Melo, Silva, Junior (2004), o TCE começou a ser descrito
como importante fator de óbito em suas vítimas a partir de 1682, tomando proporções cada vez maiores, devido ao aumento de sua incidência
estar diretamente relacionado com a evolução da humanidade e o desenvolvimento da tecnologia. Atualmente é a maior causa de morbidade e
mortalidade nas comunidades; é a terceira causa mais comum de morte,
excedido apenas por doenças cardiovasculares e câncer.
De acordo com Canova et al., (2010), o TCE é definido como qualquer agressão que acarreta lesão anatômica ou comprometimento funcional do couro cabeludo, crânio, meninges ou encéfalo e, de um modo
geral, encontra-se dividido, de acordo com sua intensidade, em gravo,
moderado e leve. É considerado como processo dinâmico, já que as conseqüências de seu quadro patológico podem persistir e progredir com o
passar do tempo.
Existem dois tipos de lesões cranianas: lesão primária e secundária.
Lesão cerebral primária é aquela resultante da lesão mecânica que ocorre
no momento do trauma, em decorrência do impacto. A lesão cerebral secundária não está diretamente relacionada ao mecanismo de trauma; ela
ocorre após o trauma inicial e é definida como lesão neuronal decorrente
da resposta local ou sistêmica à lesão inicial (PECLAT, 2004).
Entre as principais causas de TCE estão os acidentes automobilísticos, atropelamentos, acidentes ciclísticos e motociclísticos, mergulho em
águas rasas, agressões, quedas e projéteis de arma de fogo. De maneira
geral a gravidade esta relacionada com a intensidade do trauma. Fato relacionado com prognóstico das vítimas de TCE apontou que as alterações
neuropsicológicas pós-traumáticas constituem um dos principais fatores
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.60-65, Jul-Ago-Set. 2011.
que determinam no futuro um grau de independência funcional alcançado e retorno no trabalho, como também o estabelecimento das relações
familiares e sociais satisfatórias (AFFONSECA, et al., 2007).
Os cuidados às vítimas de TCE baseiam-se na estabilização das condições vitais do paciente. O atendimento se dá por meio do suporte à vida,
exigindo agilidade e objetividade no fazer. Nesse sentido, o processo de
trabalho molda-se na luta contra o tempo para o alcance do equilíbrio
vital (PAI; LAUTERT, 2005).
Nesse cenário, o enfermeiro tem papel fundamental no cuidado
oferecido a essas vítimas, pois é necessário que ele esteja apto para obter
uma breve história do paciente, realize o exame físico, executando o tratamento imediato, preocupando-se com a manutenção da vida. Deve aliar
sua fundamentação teórica à capacidade de liderança, iniciativa e habilidades assistenciais e de ensino. Precisa ter raciocínio rápido, pois é responsável pela coordenação de uma equipe de enfermagem, sendo parte vital
e integrante da equipe de emergência.
Diante do exposto e, considerando que há sempre um questionamento sobre a atuação do enfermeiro na assistência a pacientes vítimas
de TCE até a chegada do médico na sala de emergência, como observado
empiricamente, definiu-se como objetivo de estudo: analisar os principais
cuidados do enfermeiro prestados a vítimas de traumatismo cranioencefálico por meio de um levantamento bibliográfico acerca do tema.
A partir do enfoque apresentado, este estudo poderá ser capaz de
motivar novas pesquisas e poderá contribuir também, para que os enfermeiros atuantes na assistência a vítimas de TCE possam aliar à fundamentação teórica a capacidade de liderança, o trabalho, o discernimento, a
iniciativa, a habilidade de ensino, a maturidade e a estabilidade emocional.
2
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, por meio da qual, realizou-se um levantamento da produção científica relacionada aos cuidados de
enfermagem à vítimas de TCE, na base de dados SciELO, referente ao período de 2000 à 2011. Para tanto foram utilizados os descritores: traumatismos encefálicos, cuidados de enfermagem, enfermeiro. Na busca, foram
identificados 58 artigos.
As pesquisas selecionadas foram categorizadas conforme o enfoque temático, ano de publicação, cenário da pesquisa e metodologia
abordada. Foram excluídos da pesquisa vinte e cinco artigos por não atenderem aos critérios prévios de inclusão, treze artigos não se enquadraram
à temática e oito artigos foram publicados antes do ano de 2000, resultando em doze artigos para a realização do estudo.
3
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Destacaram-se os anos de 2000, 2001, 2007, 2008, e 2011 como os
de menor produção, apenas um artigo cada ano. Por outro lado, evidenciou-se que o ano de 2009 retratou a maior produção científica sobre a
problemática com três artigos.
Quanto ao cenário, destaca-se a emergência hospitalar como local
de escolha com nove estudos, e atendimento extra-hospitalar com oito
estudos. De acordo com as abordagens metodológicas utilizadas nas publicações evidenciaram-se a pesquisa qualitativa e quantitativa com cinco
artigos cada, além de dois estudos que utilizaram a abordagem quanti-qualitativa.
As categorias temáticas focalizadas nestas produções foram: co61
Pereira, N.; et al.
nhecendo as lesões cranioencefálicas com quatro artigos e oito artigos
sobre o cuidado de enfermagem à vítima de TCE.
Conhecendo as lesões cranioencefálicas
De acordo com Franciozi et al., (2008), o trauma craniano é uma
patologia dinâmica, tanto no seu aspecto temporal como na coexistência
com vários tipos de lesões, e a lesão mais grave é a que geralmente será
responsável pela sintomatologia mais evidente, pelas seqüelas e principalmente, pelo tipo de tratamento que será instituído.
Portanto, o traumatismo craniano possui uma classificação ampla,
que inclui lesão do couro cabeludo, crânio ou cérebro. A literatura sugere
que nem todo comprometimento cerebral ocorre no momento do impacto, mas pode evoluir após o impacto com graves problemas neurológicos.
O comprometimento do cérebro devido à lesão traumática assume duas
formas: lesão primária e lesão secundária (ANDRADE et al., 2009).
Segundo Carvalho et al., (2007), lesão primária é o resultado direto
da lesão mecânica provocada pelo trauma, e geralmente não pode ser
amenizada pela intervenção médica. Já a lesão secundária, é causada no
sistema nervoso central (SNC) em decorrência da resposta fisiológica sistêmica ou trauma inicial, devendo-se principalmente ao edema do cérebro
ou sangramento contínuo.
As lesões primárias podem ser classificadas em: lesões de couro
cabeludo que geralmente não apresentam lesões cerebrais e complicações apesar da aparência dramática; e lesões cranianas e cerebrais, cuja
fisiopatologia e severidade são diferentes em cada grupo. Essas lesões são
divididas em: fraturas de crânio, lesão cerebral difusa e lesão focal (DANTAS
FILHO et al., 2004).
Conforme Carvalho et al., (2007), a fratura de crânio é uma quebra
na continuidade do crânio provocada por trauma vigoroso, é frequente e
indicativa de que o TCE foi intenso. As fraturas cranianas normalmente se
localizam na base do crânio e na calota craniana. As fraturas de base de
crânio podem levar a fístulas liquóricas caracterizadas pela perda de líquor
pelo ouvido (otoliquorréia), ou pelo nariz (rinoliquorréia). São sinais sugestivos de fraturas de base de crânio a equimose na região da mastóide e
equimose periorbitária.
Segundo Andrade et al., (2009), a lesão difusa é um tipo de lesão
craniana, que acomete o cérebro como um todo e decorre de forças cinéticas que levam à rotação do encéfalo dentro da caixa craniana. Dentre as
lesões difusas, estão: concussão e lesão axonal difusa. O diagnóstico da
primeira lesão é dado quando um paciente com trauma mostra qualquer
alteração transitória da função neurológica, como: amnésia pós–traumática, expressão facial confusa, desorientação, respostas verbais e motoras
retardadas, fala arrastada ou incoerente, perda de coordenação. A segunda
lesão ocorre quando o mecanismo de trauma envolve aceleração/rotação
acarretando laceração dos axônios na substância branca. Geralmente é
responsável por quadro de coma logo após o trauma.
De acordo com Dantas Filho et al., (2004), lesão focal é um tipo
de lesão primária causada pelo trauma direto no encéfalo e geralmente é
um quadro grave que necessita de tratamento cirúrgico de urgência, que
pode ser dividida em contusões, lacerações e hemorragias. A contusão é
uma lesão grave em que o cérebro é contundido com possível hemorragia superficial. O paciente fica inconsciente por mais de alguns segundos
ou minutos, apresentando pulso fraco, respirações superficiais, pele fria e
pálida, sendo o quadro similar ao de um choque.
Conforme Franciozi et al., (2008), laceração que é um tipo de lesão
62
focal, consiste na perda de continuidade do tecido cerebral havendo déficits neurológicos. Normalmente a laceração está associada à contusão e
a fratura de crânio.
Dantas Filho et al., (2004), relata que a hemorragia é um outro tipo
de lesão focal, classificada em meníngeas e cerebrais. As hemorragias meníngeas estão divididas conforme sua localização e são elas: hematoma
epidural agudo, hematoma subdural e hemorragia subaracnóide. Hematoma epidural, consiste em acúmulo sanguíneo entre o crânio e a dura-máter após um traumatismo craniano. Os sintomas são causados pelo
hematoma em expansão, perda progressiva da consciência e diminuição
da força motora do lado oposto. Pode também apresentar pupila fixa e
dilatada no mesmo lado da lesão.
No hematoma subdural, ocorre uma coleção de sangue entre a
dura-máter e o cérebro devido à ruptura de vasos. O hematoma subdural
é classificado em agudo (ocorre em 24 horas após o trauma) e crônico
(mais de 10 dias após o trauma). Sinais e sintomas de hematoma subdural agudo incluem alterações no nível de consciência, sinais pupilares e
hemiparesia. Podem haver sintomas menores ou até mesmo a ausência
de sintomas com pequenas coleções de sangue. Já o hematoma subdural
crônico ocorre principalmente em idosos, devido a atrofia cerebral. O paciente pode ficar assintomático por até 15 dias, quando começa a piorar
seu estado clínico devido à expansão do hematoma. (FRANCIOZI et al.,
2008).
De acordo com Carvalho et al., (2007), a hemorragia subaracnóide
é causada por ruptura de veias ou artérias cefalorraquidiano e provoca um
quadro de irritação meníngea. Os sintomas são: cefaléia, fotofobia, náuseas, vômitos. Já o hematoma intracerebral, refere-se a uma hemorragia
de volume maior que 5 mililitros e é mais frequente nos lobos temporais
e frontais. O déficit neurológico depende das áreas afetadas e do tamanho da hemorragia. Esse tipo de hemorragia está associado à alta taxa de
mortalidade.
E por fim a lesão secundária de acordo com Dantas Filho et al.,
(2004), decorre da uma agressão que inicia-se após o momento do acidente, resultante da interação de fatores intra e extra cerebrais, sendo eles:
hipóxia, hipocapnia (diminuição da concentração de dióxido de carbono
no sangue arterial) e hipercapnia (aumento da concentração de dióxido
de carbono no sangue arterial), hipoglicemia e hiperglicemia, hipotensão
arterial, choque, crise convulsiva e edema cerebral.
As lesões secundárias ocorrem dos processos que contribuem para
morte celular após o trauma inicial. No momento da lesão, começam os
processos fisiopatológicos que continuam a lesar o cérebro por horas, dias
e semanas após a agressão inicial. Dentre as principais causas de lesão
cerebral secundária estão: hipotensão, hipóxia, anemia, febre, hiperglicemia, hiponatremia, sepse, coagulopatia, hematomas, edema cerebral,
hipertensão intracraniana, herniação cerebral, vasoespasmo, hidrocefalia,
infecções, convulsões e lesões vasculares cerebrais.
O cuidado do enfermeiro à vítima de TCE
Segundo Pacheco et al., (2011), o cuidado de enfermagem consiste
em empenhar os esforços transpessoais de um ser humano para outro,
visando proteger, promover e preservar a humanidade, ajudando pessoas
a encontrar significados na doença, sofrimento e dor, bem como, na existência. É ainda, ajudar outra pessoa a obter autoconhecimento, controle
e auto cura, quando então, um sentido de harmonia interna é restaurada,
independentemente de circunstâncias externas.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.60-65, Jul-Ago-Set. 2011.
O cuidado do enfermeiro à vítima de traumatismo cranioencefálico: uma revisão da literatura
De acordo com Motta (2004), o enfermeiro é um profissional preparado para o cuidado humano, objetivando a promoção da qualidade
de vida e a manutenção da integridade do ser. A sensibilidade, o respeito
ao outro, a bioética associados ao conhecimento técnico-científico são
elementos fundamentais para o desempenho de um profissional crítico,
reflexivo e comprometido com a qualidade do cuidado em enfermagem.
O cuidado de enfermagem consiste na essência da profissão e pertence a duas diferentes classes: uma objetiva, que se baseia ao desenvolvimento de técnicas e procedimentos, e uma subjetiva, que se refere em
sensibilidade, criatividade e intuição para cuidar de outro ser. A forma, o
jeito de cuidar, a sensibilidade, a intuição, a cooperação, a disponibilidade, a participação, o amor, a interação, a cientificidade, a autenticidade,
o envolvimento, o vínculo compartilhado, a espontaneidade, o respeito,
a presença, a empatia, o comprometimento, a compreensão, a confiança
mútua, o estabelecimento de limites, a percepção da existência do outro,
o toque delicado, o respeito ao silêncio, a receptividade, a observação, a
comunicação, o calor humano e o sorriso, são os elementos essenciais que
fazem a diferença no cuidado (MOTTA, 2004).
Segundo Thomaz; Lima, (2000), a função do enfermeiro, no atendimento à vítima de TCE, seja no pré-hospitalar como no intra-hospitalar,
necessita de demanda, conhecimento científico sempre atualizado, habilidade na realização dos procedimentos, experiência profissional, capacidade física, de lidar com estresse, de tomada de decisões imediata, de
definições de prioridades e de trabalho em equipe.
Valentim; Santos, (2009), relatam que nos países desenvolvidos,
há mais de vinte anos existem serviço de atendimento pré-hospitalar à
pacientes vítimas de trauma. No Brasil, a atividade do enfermeiro no pré-hospitalar, na assistência direta, vem desenvolvendo-se a partir da década de 90, com o início das unidades de suporte avançado.
Os momentos iniciais após o impacto, tanto no local do trauma
quanto no hospital representa uma fase crítica na fisiopatologia da lesão
cerebral. Agir de maneira apropriada em um tempo adequado pode melhorar o prognóstico neurológico significantemente, portanto atraso ou
falha na instituição dessas medidas pode levar danos cerebrais secundários com graves conseqüências na recuperação tardia das funções neurológicas (VALENTIM; SANTOS, 2009).
Nessa assistência direta, o enfermeiro participa da previsão de necessidades da vítima; definindo prioridades; iniciando intervenções necessárias, fazendo a estabilização, reavaliando o estado geral e realizando o
transporte da vítima para o tratamento definitivo (THOMAZ; LIMA, 2000).
Ao admitir o paciente, vítima de TCE na unidade de emergência, o
enfermeiro tem a função de obter sua história; abordar as vias aéreas com
imobilização da coluna cervical; realizar aspiração orotraqueal para manter boa oxigenação, caso haja lesões faciais não aspirar narinas; proporcionar ao paciente uma ventilação adequada, utilizando cânula de guedel
se mordedura ou queda da base da língua retirando assim que possível.
Manter cabeça alinhada e decúbito elevado a 30°C. Observar a circulação
como: verificação de pulso, coloração, temperatura e umidade da pele.
Manter acesso venoso calibroso ou cateter venoso central para quantificação da volemia, realizando balanço hídrico a cada hora. Realizar exame
neurológico (WEHBE; GALVÃO, 2001).
Segundo Ferreira et al., (2005), para obter a história de como aconteceu o trauma, é necessário que o enfermeiro levante informações junto
ao paciente (dependendo do estado neurológico), família ou testemunhos, fazendo os seguintes questionamentos: quando ocorreu a lesão? O
que provocou a lesão? Um projétil de alta velocidade? Um objeto que coRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.60-65, Jul-Ago-Set. 2011.
lidiu com a cabeça? Uma queda? Qual foi a direção e a força do impacto?
Essas perguntas ajudam o enfermeiro a priorizar o atendimento
conforme a gravidade do evento. De acordo com o mecanismo de lesão é
possível dizer que tipo de lesões e gravidade os quais a vítima de TCE está
exposta e, assim, tratá-la de forma mais específica e rápida, minimizando
eventuais seqüelas do acidente.
Uma das metas do enfermeiro mais importante no tratamento da
vítima de traumatismo craniano de acordo com Smeltzer; Bare, (2006) refere em estabelecer e manter uma via aérea adequada, mantendo imobilizada a coluna cervical. O cérebro é sensível à hipóxia, e o déficit neurológico pode agravar se o paciente estiver hipóxico. A terapia adequada
está no sentido de manter a oxigenação ótima para preservar a função
cerebral. Quando se tem uma via aérea obstruída gera retenção de CO2
(gás carbônico) e hipoventilação, podendo produzir a dilatação dos vasos
cerebrais e a elevação da pressão intracraniana (PIC).
Outro cuidado que o enfermeiro deve ter, é a realização de aspiração orotraqueal para manter uma boa oxigenação. Dependendo da intensidade do TCE, como o quadro de concussão cerebral, por exemplo, a
vítima pode perder a consciência e obstruir as vias aéreas superiores por
meio da queda da língua ou presença de vômito, secreção na cavidade
oral e orofaringe. Nos casos de obstrução da queda da língua, esta deve
ser tracionada para frente e a mandíbula anteriorizada por meio da manipulação bimanual ao nível das regiões do ângulo da mandíbula, usando a
cânula de guedel para que a língua não caia. Já nos casos das secreções,
estas devem ser removidas com auxílio de aspirador ou sugador (WEHBE;
GALVÃO, 2001).
Vale ressaltar a importância de manter a coluna cervical imobilizada com colar cervical pré-fabricado, no momento de manter uma via
aérea pérvia, pois toda vítima de trauma até que se consiga provar o contrário, é uma portadora de lesão de coluna cervical, visto que esta pode
desalinhar uma fatura, sem repercussão neurológica, acarretando dano
grave da medula espinhal e posterior tetraplegia (ausência de força motora em membros superiores e membros inferiores) ou paraplegia (perda de
controle e sensibilidade dos membros inferiores) (WEHBE; GALVÃO, 2001).
Avaliar a circulação da vítima de TCE é outro cuidado que o enfermeiro deve estar atento. Segundo Wehbe e Galvão (2001), o controle de
hemorragias, a prevenção e tratamento de choque são cruciais no atendimento da vítima que sofreu um TCE. O enfermeiro deve observar e quantificar a presença visível de sangramento externo, facilitando dessa forma a
conduta certa a ser tomada. A presença de pulso rápido e fraco em vítima
de trauma fechado sugere hemorragia para espaço pleural, peritônio, retroperitônio, ou em tecidos moles adjacentes a fraturas de ossos longos
com risco de vida. Já um pulso lento e forte pode resultar de hipertensão
intracraniana.
Conforme Smeltzer; Bare, (2006) é fundamental que o enfermeiro
verifique os sinais vitais, embora a alteração no nível de consciência seja a
indicação neurológica mais sensível da deterioração da condição do paciente. São eles: temperatura, frequência cardíaca, freqüência respiratória
e pressão arterial. Os sinais vitais devem ser monitorados a intervalos de
aproximadamente 10 minutos, avaliando dessa forma o estado intracraniano.
Os sinais de PIC crescente incluem a diminuição da frequência cardíaca (bradicardia), pressão arterial sistólica crescente e alargamento da
pressão de pulso. Com o aumento da compressão cerebral, as respirações
ficam mais rápidas, a pressão arterial pode diminuir e o pulso fica ainda
mais lento. A taquicardia e a hipotensão arterial podem indicar que o san63
Pereira, N.; et al.
gramento está acontecendo em algum ponto do corpo (SMELTZER; BARE,
2006).
Outra meta que deve ser alcançada pelo enfermeiro no tratamento
do paciente com TCE de acordo com Smeltzer e Bare (2006), é o monitoramento do equilíbrio hidroeletrolítico. Para quantificação da volemia, é
necessário que se mantenha um acesso calibroso, realizando balanço hídrico a cada hora. O comprometimento cerebral pode produzir disfunções
metabólicas e hormonais, devido a isso, estudos seriados dos eletrólitos,
da osmolaridade sanguínea e urinários devem ser realizados, pois o TCE
pode ser acompanhado por distúrbios da regulação do sódio.
A alteração do nível de consciência de acordo com Valentim; Santos, (2009) é o sintoma mais comum do TCE. Por isso, essa avaliação deve
ser feita pelo enfermeiro em intervalos regulares por meio da Escala de
Coma de Glasgow (ECG), que serve para classificar o paciente em coma,
em que avalia e pontua a abertura ocular, a melhor resposta verbal e a
melhor resposta motora, variando entre 3 a 15 pontos.
A ECG é particularmente útil para monitorar as alterações durante
a fase aguda, os primeiros dias depois de um TCE. As melhores respostas
do paciente a estímulos predeterminados são registradas. Cada resposta
recebe uma pontuação (quanto maior o número, melhor será o funcionamento), e o somatório desses escores fornece uma indicação da gravidade
do coma e uma predição do possível resultado (SMELTZER; BARE, 2006).
Segundo Valentim; Santos, (2009), ao examinar o indicador de
abertura ocular na vítima, é preciso descartar a impossibilidade de abertura dos olhos, podendo ocorrer com pacientes com traumatismos cranianos ou hematoma palpebral. Quanto ao parâmetro de resposta verbal é
necessário estar atento para o não testável, principalmente em pacientes
críticos com presença da intubação, impossibilitando a execução do teste.
Além disso, o paciente pode estar disfásico ou afásico, dependendo das
áreas encefálicas atingidas.
De acordo com Wehbe; Galvão, (2005), a facilidade em extrair respostas motoras e a diversidade dos padrões que podem ocorrer assinalam
a importância da melhor resposta motora para verificação do funcionamento do sistema nervoso central.
Conforme Smeltzer; Bare, (2006), além da abertura do olho pelo
paciente avaliada na Escala de Coma de Glasgow, o tamanho e igualdade
das pupilas e suas reações à luz são examinados pelo enfermeiro. Pupila
unilateralmente dilatada e que responde mal pode indicar hematoma em
desenvolvimento com pressão sobre o terceiro nervo craniano devido ao
deslocamento do cérebro. Quando ambas as pupilas ficam fixas e dilatadas, indica lesão avassaladora e comprometimento da porção superior do
tronco cerebral, sendo um mau sinal prognóstico.
Conforme Wehbe; Galvão, (2005), 80% dos pacientes com trauma
craniano correspondem à pacientes com TCE leve no qual a pontuação
varia de 13 a 15, em que a vítima varia de normal a sonolenta e um pouco
desorientada. O TCE moderado com pontuação de 9 a 12, a vítima varia de
sonolenta a comatosa, obedece a comandos com dificuldade, confusa. Já
o TCE grave com pontuação menor ou igual a 8, a vítima está em coma,
não abre os olhos, nem verbaliza e não obedece a comandos.
O enfermeiro que atua na assistência ao paciente vítima de TCE,
necessita ter conhecimento científico, prático e técnico, afim de que possa tomar decisões rápidas e concretas, visto que os primeiros momentos
após o trauma significam a fronteira entre a vida e a morte (MONTEZELI
et al., 2009).
O grande fluxo de politraumatizados atendidos requer uma atuação eficaz e eficiente do enfermeiro. Tal complexidade se expressa pelo
64
curto espaço de tempo para assistí-lo e o risco de morte do cliente, tendo
o enfermeiro importante papel nesse contexto. Devido a essa realidade,
atuar de forma humanizada e proporcionar um atendimento de qualidade
às vítimas de eventos traumáticos é um grande desafio para esse profissional.
Segundo Thomaz; Lima, (2000), a Emergency Nurses Associantion
propõe que o grau de dependência nas intervenções do enfermeiro está
relacionado com as ações práticas da enfermagem e com uma política
institucional e educacional. Entre as preposições está o desenvolvimento
dos protocolos de atendimento ao trauma, garantindo ao enfermeiro uma
atuação com um grau maior de independência.
Os protocolos devem ser organizados de forma a garantir consistência na avaliação rápida, prontidão no início das intervenções e estabilização das condições respiratórias, ventilatórias e hemodinâmicas da
vítima, possibilitando ao enfermeiro e à equipe menor tempo gasto para
atendimento, eficiência, menor possibilidade de erros e maior eficácia na
assistência prestada (THOMAZ; LIMA, 2000).
De acordo com Montezeli et al., (2009), o protocolo para atendimento das vítimas de TCE baseia-se no ATLS (Advanced Trauma Life Support). Este é um protocolo de atendimento criado nos EUA que propõe
uma sequência de atendimento, no qual o risco de vida é prontamente
reconhecido e imediatamente tratado. Assim, o problema que causa a
morte mais rapidamente que é a obstrução das vias aéreas tem prioridade
sobre o atendimento de choque e traumatismo craniano.
Desta forma, foi estabelecida uma sequência baseada em uma forma de fácil memorização por meio das iniciais de cada passo em inglês,
que é o ABCDE do ATLS. A (airway) - vias aéreas com controle de coluna
cervical; B (breathing) - respiração e ventilação; C (circulation) - circulação
com controle de hemorragia; D (disability) - incapacidades, estado neurológico; E (exposure) - exposição, despir o paciente, mas prevenindo hipotermia (MONTEZELI et al., 2009).
Sistematizar o atendimento inicial ao paciente vítima de TCE por
meio de protocolo facilita o trabalho desenvolvido pelo enfermeiro. Em
tempo hábil, o profissional terá mais segurança nas condutas a serem realizadas favorecendo dessa forma um bom prognóstico da vítima.
Na literatura nacional alguns estudos abordam que a liderança é
indispensável para o trabalho diário do enfermeiro, mas para o seu exercício eficaz é necessário que o profissional busque meios que viabilizem
o desenvolvimento da habilidade de liderar, destacando o aprendizado
baseado na experiência profissional e na educação formal. Os primeiros
passos para o enfermeiro efetivamente exercer uma liderança eficaz, consistem na busca de estratégias que possibilitem este profissional conhecer
a si mesmo e as necessidades e expectativas pessoais e profissionais dos
membros da equipe de enfermagem (WHEBE; GALVÃO, 2001).
O enfermeiro é o elemento chave da equipe responsável pelo atendimento ao paciente vítima de trauma durante cada fase do cuidado prestado. Sendo assim, ele deve buscar continuamente seu aprimoramento
em relação às habilidades de liderança e ao mesmo tempo se atualizar
nos moldes estabelecidos pelos programas educativos específicos para
atuação nesta área de atendimento.
4
CONCLUSÃO
Para que se tenha uma assistência de forma qualificada aos pacientes vítimas de TCE, é necessário que a equipe de profissionais esteja apta
a desempenhar sua função, dando ênfase à equipe de enfermagem, uma
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.60-65, Jul-Ago-Set. 2011.
O cuidado do enfermeiro à vítima de traumatismo cranioencefálico: uma revisão da literatura
vez que atua constantemente junto a recuperação do paciente. Essa prestação de cuidados ao paciente requer do enfermeiro multiplicidade de conhecimentos e a compreensão quanto ao processo de liderança da equipe, destacando o relacionamento interpessoal e a tomada de decisões.
Os aspectos curativos serão mais eficazes quanto mais capacitados
forem os profissionais de saúde que lidam com esses pacientes, dessa forma é necessário que os cursos profissionalizantes sejam de qualidade e
que esses profissionais sejam constantemente atualizados.
A literatura nacional mostra que poucas são as publicações relacionadas à atuação do enfermeiro ao paciente com traumatismo crânioencefálico. Dessa forma, torna-se essencial o desenvolvimento de estudos
e pesquisas sobre esse tema para que o profissional enfermeiro possa desempenhar sua função de maneira adequada e eficaz.
Espera-se com este estudo, poder contribuir para a produção de
um conhecimento que possibilite uma melhor formação dos profissionais
enfermeiros no atendimento à vítima de traumatismo cranioencefálico.
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fev. 2005.
65
Leal, M. P. L.; et al.
REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN
Adesão às medidas de biossegurança por profissionais de saúde em
situações de urgência e emergência
Accession to measures for health professionals biosafety in urgent situations and emergency
Adhesión a las medidas de seguridad de la biotecnología para la salud profesionales en situaciones de
emergencia y emergencia
Rhaylla Maria Pio Leal
Especialista em Urgência e Emergência pela
Faculdade NOVAFAPI. Enfermeira da Estratégia Saúde
da Família do município de Picos-PI.
Andréia Rodrigues Moura da Costa Valle
Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal
do Piauí (UFPI). Doutoranda em Enfermagem
pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto
da Universidade de São Paulo (USP). Professora
Assistente do Departamento de Enfermagem da
[email protected].
Lara Emanueli Neiva de Sousa
Discente do Curso de Enfermagem da Universidade
Federal do Piauí (UFPI). Participante do Programa de
Iniciação Cientifica da UFPI.
Cristina Maria Miranda de Sousa
Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade
Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Professora
do Programa de Mestrado em Saúde da Família da
Faculdade NOVAFAPI. [email protected].
Márcia Astrês Fernandes
Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal
do Rio de Janeiro. Doutoranda em Enfermagem
pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo (USP). Professora Adjunta
do Departamento de Enfermagem da UFPI e da
Faculdade NOVAFAPI. [email protected].
Luana Kelle Batista Moura
Cirurgiã Dentista da Estratégia Saúde da Família de
Ubajara- - CE. Especialista em Saúde da Família pela
Faculdade NOVAFAPI. Mestranda em Endodontia pela
Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP
[email protected]
Submissão: 01.06.2011
Aprovação: 29.06.2011
66
RESUMO
O ambiente de trabalho hospitalar tem sido considerado insalubre além de oferecer riscos de acidentes
e doenças para os profissionais da saúde. O presente estudo apresenta como objetivo realizar um levantamento bibliográfico da produção científica referente às medidas de biossegurança adotadas por
profissionais de saúde no contexto da urgência e emergência. Foram analisados um total de 10 artigos
no período entre 2006 a 2010 nos bancos de dados SciELO e BDENF. Os resultados revelam que apesar
da necessidade do uso dos equipamentos de proteção individual ser teoricamente aceita por todos,
muitos profissionais de enfermagem não fazem uso dos mesmos porque pensam não correrem risco de
contrair doenças ou porque não gostam de usar, e em sua maioria conhecem as medidas de segurança
para prevenção de acidentes de trabalho. Portanto, mais do que aderir às medidas de biossegurança no
cotidiano de trabalho, o profissional da saúde, precisa também adquirir uma conduta ética à medida
que o seu comportamento coloca em situação de risco aquele que é seu objeto do cuidado.
Descritores: Biossegurança. Saúde ocupacional. Risco ocupacional.
ABSTRACT
The hospital work environment has been considered unhealthy addition to a risk of accidents and
diseases to health professionals. The present study is aimed at making a bibliography of scientific
literature relating to biosecurity measures taken by health professionals in the context of emergency
care. We analyzed a total of 10 articles in the period 2006 to 2010 in SciELO databases and BDENF.
The results show that despite the need for the use of personal protective equipment is theoretically
accepted by all, many nursing staff do not make use of them because they think they do not run risk
of illness or because they like to use mostly familiar with the measures safety to prevent accidents.
Therefore, rather than adhere to biosecurity measures in daily work, the health professional must
also acquire an ethical as their behavior puts at risk who is the object of his care.
Descriptors: Biosafety. Occupational health. Occupational hazard.
RESUMEN
El entorno de trabajo en el hospital se ha considerado poco saludable además de un riesgo de accidentes y enfermedades a los profesionales de la salud. El presente estudio tiene como objetivo hacer
una bibliografía de la literatura científica relativa a las medidas de bioseguridad adoptadas por los
profesionales de la salud en el contexto de la atención de emergencia. Se analizaron un total de 10
artículos en el período 2006 a 2010 en bases de datos SciELO y BDENF. Los resultados muestran que
a pesar de la necesidad de que el uso de equipo de protección personal está teóricamente aceptado
por todos, el personal de enfermería que muchos no hacen uso de ellos porque piensan que no corren riesgo de enfermedad o porque les gusta utilizar la mayoría de familiarizarse con las medidas de
seguridad para evitar accidentes. Por lo tanto, en lugar de adherirse a las medidas de bioseguridad
en el trabajo diario, el profesional de la salud también deben adquirir una ética, su comportamiento
pone en riesgo que es el objeto de su atención.
Descriptores: Seguridad de la biotecnología. La salud ocupacional. Gajes del oficio.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.66-70, Jul-Ago-Set. 2011.
O cuidado do enfermeiro à vítima de traumatismo cranioencefálico: uma revisão da literatura
1
INTRODUÇÃO
No contexto do conhecimento percebemos que a biossegurança é
uma área nova, que impõe desafios não somente à equipe de saúde, mas
também a empresas que investem em pesquisa. Essa temática constitui
em um campo de conhecimento, práticas e ações técnicas, com preocupações sociais e ambientais, destinados a conhecer e controlar os riscos
que o trabalho pode oferecer ao ambiente e à vida (ANDRADE; SANA,
2007).
A biossegurança está relacionada, atualmente, ao conjunto de
precauções padrão, bem como de ações voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades profissionais,
enfatizando a necessidade dos trabalhadores, inclusive os da urgência e
emergência, em adotarem essas medidas durante o desenvolvimento de
suas atividades (TEIXEIRA; VALLE, 1996).
Desta forma, a referida temática passou a ser alvo de discussão no
início da década de 70, quando pesquisadores da Universidade de São
Paulo (USP) enfocaram a saúde ocupacional de trabalhadores hospitalares.
Segundo Bulhões (1994), relatórios fornecidos pelo Hospital das Clínicas
da USP, a partir de análises de 1.506 acidentes de trabalho, foram encontradas dilacerações, lesões e torções como as mais comuns causas de licença do trabalho. No tocante aos trabalhadores de enfermagem as dores
nas costas constituem o principal problema de saúde.
Todavia, das distintas patologias e riscos aos quais os profissionais
da saúde estão passíveis, destaca-se a exposição a doenças infecciosas,
como exemplo a Hepatite B. Neste contexto, estudiosos relatam que a infecção pelo vírus da Hepatite B (HBV), em trabalhadores da área de saúde,
é dez vezes maior do que na população em geral (TEIXEIRA; VALLE, 1996).
O controle completo de uma doença só é possível por meio do conhecimento de sua história e de sua disseminação. Da mesma forma, esta
metodologia de controle pode ser aplicada às enfermidades ocupacionais.
Ainda hoje existe a dificuldade do estabelecimento do nexo-causal para
doenças relacionadas ao trabalho, por parte dos diversos profissionais envolvidos no processo e comprometidos com a causa dos trabalhadores,
uma vez que isto engloba questões políticas e econômicas.
Para alguns empresários, reconhecer o nexo-causal entre a doença
e o processo de trabalho é reconhecer a própria culpa por não proporcionar as mínimas condições possíveis para a manutenção da saúde do trabalhador. Para esconder suas falhas, tais empresários utilizam-se de lacunas
na legislação, de lobbies parlamentares e da conivência de profissionais
não conscientes do seu papel social e da importância da ética profissional.
Na prática, nem todos os profissionais de saúde que atuam em
ambientes semi-críticos ou críticos adotam as medidas de biossegurança
necessárias à sua proteção durante a assistência que realizam, o que pode
ocasionar agravos à sua saúde e à do cliente sob seus cuidados (CORREA;
DONATO, 2007). Existe a possibilidade, segundo este autor, de que a realização de estudos epidemiológicos possa evidenciar relações de causa e
efeito que definam doenças ocupacionais dos trabalhadores que manuseiam resíduos.
No panorama brasileiro, poucos são os exemplos de unidades de
saúde nas quais os resíduos possuem destinação correta e com a devida
segurança, não havendo nem mesmo o cuidado com a saúde dos trabalhadores, alcançado através de procedimentos como a esterilização
de perfuro cortante, treinamento e desinfecção. Não é comum encontrar
serviços de saúde que utilizem recipientes rígidos, ideais para descarte de
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.66-70, Jul-Ago-Set. 2011.
agulhas e bisturis, com a finalidade de reduzir ou eliminar os acidentes.
Nesta perspectiva Erdtmann (2006), em seu estudo afirma que
aproximadamente um terço dos acidentes que acontecem nas unidades
hospitalares são decorrentes do uso de material perfuro cortante, sobretudo os eventos ocasionados por acidentes ligados ao manuseio de agulhas,
no recapeamento indevido das mesmas, após a utilização pelos diversos
profissionais da equipe de saúde.
Portanto, o risco de acidentes ocupacionais depende, não somente
do tipo de atividade, mas também da natureza do material manuseado
e dos meios de proteção empregados. Não se destaca a devida atenção
aos riscos de acidentes a que estão expostos não só os trabalhadores, mas
também a população em geral.
Diante da problemática apresentada, este estudo tem como objetivo realizar um levantamento bibliográfico da produção científica referente
às medidas de biossegurança adotadas por profissionais de saúde no contexto da urgência e emergência.
2
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica realizada por meio de levantamento nos bancos de dados eletrônicos SciELO e BDENF, utilizando
como limitação temporal e de coleta dos dados o período de 2006 a 2010.
Foram utilizados os seguintes descritores: biossegurança, risco ocupacional e saúde ocupacional, conforme apresentação do vocabulário contido
nos Descritores em Ciências da Saúde, criados pela Bireme.
A partir dos dados obtidos fez-se o registro em um instrumento
contendo os seguintes pontos que foram contemplados para a organização das pesquisas selecionadas: ano da publicação; titulação profissional
dos autores; o cenário da pesquisa e a unidade da federação a qual pertencem os autores em que a pesquisa foi realizada; a metodologia empregada e quais foram os sujeitos da pesquisa.
Com estes termos, identificou-se um total de 22 artigos pertinentes
ao tema abordado. Em seguida todos os resumos foram lidos e selecionados 10 trabalhos. Após leitura minuciosa e fichamento dos mesmos, foi
possível evidenciar a existência de três categorias temáticas, considerando
os enfoques a seguir: abordagem histórica da biossegurança, acidentes
ocupacionais e adesão às medidas de biossegurança. Nesse sentido, discorreu-se a respeito de cada um destes pontos, destacando o que de mais
relevante as pesquisas apresentaram.
3
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Se levarmos em consideração os diversos ramos de estudos das
ciências da saúde, o tema da biossegurança é um dos mais novos a serem
estudados e pesquisados. Por este motivo a discussão do tema em periódicos especializados remota dos anos noventa para os dias atuais.
O que é perceptível também a respeito do tema é que este aparece
bem mais em revistas vinculadas ao universo acadêmico, sobretudo como
base de discussão que os acadêmicos e futuros profissionais da saúde precisam tomar para aturem com mais segurança.
A partir dos 10 artigos selecionados destaca-se o ano de 2008 com
o maior número de publicações, perfazendo um total de quatro artigos
apresentados. Nos anos de 2007 e 2009 foram dois artigos selecionados
em cada ano, em 2006 e 2010 foram apenas um em cada ano.
Quanto à metodologia adotada pelos estudos analisados, destaca-se a pesquisa de revisão bibliográfica. Dentre os artigos originais, a maio67
Leal, M. P. L.; et al.
ria das pesquisas foi realizada em ambiente hospitalar.
Das titulações dos autores, estas variaram, mas destaca-se a categoria de doutores na área das Ciências da Saúde, seguido de especialistas
em Enfermagem, e por último, mestres em Ciências da Saúde.
Dentre as unidades de federação a qual pertencem os pesquisadores, destaca-se a região nordeste em 80% dos artigos.
De acordo com a análise dos artigos, surgiram três categorias temáticas: abordagem histórica da biossegurança; acidentes ocupacionais;
adesão às medidas de biossegurança.
Abordagem Histórica da Biossegurança
Nessa categoria analisaram-se os artigos que trataram do início de
estudos sobre o tema da biossegurança no cotidiano dos espaços de trabalho e das universidades.
Nesse sentido, o surgimento da discussão sobre biossegurança
se deveu, principalmente, à necessidade de se estudar e mapear os riscos e acidentes relacionados à segurança nos ambientes de saúde e de
pesquisa, acentuando-se a partir da década de 1940. Com o decorrer do
tempo os estudos apontaram que a manipulação de agulhas e seringas
foi o principal tipo de acidente responsável pelas contaminações, seguido
de respingo, aerossol e derramamento de soluções (HINRICHSEN, 2004).
Historicamente os trabalhadores da área da saúde não eram considerados como categoria profissional de alto risco para acidentes de trabalho. A preocupação, com riscos, surgiu com o advento da AIDS (Acquired
Immunodeficiency Syndrome), em 1981 quando o Centers for Disease
Control and Prevention (CDC), introduziu as precauções universais (SOUZA, 2000); (BERTONCELO, FRANCO, 2007).
Segundo dados do Ministério da Saúde, nos dias atuais, a manipulação de objetos perfuro cortantes continua sendo a maior causa de
acidentes na área da saúde, mesmo quase quarenta anos após os estudos
dos pioneiros norte-americanos (BRASIL, 1996).
No cenário brasileiro, estudos que envolvem acidentes gerados em
laboratórios de pesquisa e serviços de saúde ainda são incipientes, mas já
existem importantes atitudes relacionadas ao tema. Uma equipe de pesquisadores da área da saúde elaborou um site sobre “risco biológico” e,
por meio deste, desenvolveram um sistema de vigilância para acidentes
envolvendo profissionais de saúde que funciona desde o ano de 2002.
Percebemos que dos 10 artigos estudados, cerca de 30% apresentaram a temática, destes, alguns deram destaque à biossegurança no Brasil. Nesse sentido, Costa (2000) aponta que foi nas décadas de 70 e 80 que
o tema veio à tona no país.
Mediante as exposições feitas, pode-se inferir que a biossegurança
nasceu por meio da preocupação do contágio dos profissionais da saúde
em adquirirem doenças transmissíveis, tanto os profissionais das práticas
hospitalares como os de laboratórios.
Acidentes Ocupacionais
Referente a esta categoria o número de trabalhos encontrados que
abordam a temática foram bem maiores, chegando a atingir cerca de 70%
dos artigos estudados.
Os indicadores analisados demonstram o risco e vulnerabilidade
dos profissionais da enfermagem quanto ao contágio de doenças que podem ser adquiridas no cotidiano do trabalho. Dos trabalhos averiguados
alguns apresentam os riscos biológicos e outros presentes nos hospitais
68
como o contágio de hepatite B ou mesmo HIV, e que estas últimas doenças figuram entre as mais discutidas nos trabalhados selecionados até
mesmo como fator de alerta e precaução.
Para os trabalhadores da área hospitalar o mais significante fator de
risco na transmissão do vírus HIV se encontra no contato com o sangue de
pacientes contaminados com o vírus transmissor, no decorrer do seu processo de trabalho. Essa contaminação acidental do HIV pode acontecer,
ainda, por intermédio de exposição a material infectante, como sangue, e
principalmente por meio de acidentes de trabalho decorrentes de material perfuro cortante contaminado (BRASIL, 1996).
Além da AIDS, outras doenças podem ser contraídas no ambiente
ocupacional. Barbosa (1989); Braga et al., (2007) relatam que a hepatite B
(HBV), pode ser transmitida em até 30% dos casos de acidente de trabalho, seguida de doenças como a hepatite C, a citomegalovirose, a malária
e a doença de Chagas, podem ser transmitidas por acidente que aconteça
durante a atividade laboral do profissional de saúde.
Com esse intuito o Ministério da Saúde elaborou normas de segurança para os ambientes de segurança hospitalar e os boletins de controle
epidemiológicos. Quanto a isso se percebeu que os artigos se prenderam
bem em apresentar os tipos de acidentes ocupacionais com base nos regimentos e cartilhas do Ministério da Saúde e de como este trata o assunto.
Aproximadamente 35,7% dos artigos analisados nessa categoria fizeram
essa abordagem com enfoque nos estatutos do Ministério da Saúde (BRASIL, 2002).
Os trabalhos analisados demonstraram ainda que a categoria profissional mais vulnerável a acidentes no cotidiano de trabalho é a equipe
de enfermagem (técnicos e auxiliares). É de se observar que os índices
dos acidentes com materiais perfuro cortantes somente na equipe de enfermagem é bem maior que outras categorias, além disso, é também a
mais acometida por outras lesões, conforme os trabalhos apresentados na
pesquisa, (CARVALHO et al., 2008); (CAMPOS, 2009).
Assim, medidas preventivas para acidentes com perfurocortantes, que foram os casos mais detectados, devem ser estendidas a todos
os trabalhadores da área da saúde. A partir de uma conscientização dos
elementos da equipe de enfermagem, nos diversos setores, quanto à necessidade de descartar os materiais perfuro cortantes em local adequado,
pode influenciar diretamente na redução desse tipo de acidente, não só
entre eles, bem como entre outros trabalhadores da área da saúde.
Adesão às Medidas de Biossegurança
No tocante à adesão às medidas de biossegurança, um número de
29,5% dos trabalhos apresentou medidas de segurança para o profissional, principalmente, o uso correto dos equipamentos de segurança. Cabe
ressaltar que “Equipamento de Proteção Individual (EPI) é todo dispositivo
ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho”
(BRASIL, 1995, p. 46).
Procurou-se nessa categoria observar os principais equipamentos
utilizados pelos profissionais da saúde em situações de urgência e emergência, com base nos artigos analisados. Em sua totalidade todos os trabalhos que abordaram essa temática mostraram que o uso da máscara tipo
cirúrgica, luvas de procedimentos, macacão e óculos de proteção que estão presentes no cotidiano do profissional de saúde são os mais recorridos.
Contudo, observou-se que esses acessórios nem sempre são
utilizados em conjunto, ou seja, dois ou mais tipos de acessórios, como
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.66-70, Jul-Ago-Set. 2011.
O cuidado do enfermeiro à vítima de traumatismo cranioencefálico: uma revisão da literatura
preconizado pelas normas de biossegurança. Segundo as pesquisas, com
base no trabalho de Dubeux; Freese; Reis (2010), uma média de 67,4%
dos profissionais utiliza máscaras e óculos de proteção ao mesmo tempo.
Os trabalhos analisados revelaram ainda que o não uso desses equipamentos ocorre pela negligência por parte dos profissionais, atingindo
um número de 57,45% que não adotam essa medida ou ainda, a adotam
de maneira incorreta (LIMA; ERDMANN, 2006); (GARLET et al., 2009).
Nesta perspectiva, Couto (2000); Mafra (2008), em seus estudos
apontam que apesar da necessidade do uso dos EPIs (Equipamentos de
Proteção Individuais) ser teoricamente aceita por todos, muitos profissionais de enfermagem não fazem uso dos mesmos porque pensam não
correrem risco de contrair doenças ou porque não gostam de usar EPIs;
em sua maioria os profissionais de enfermagem conhecem as medidas
de segurança para prevenção de acidentes, mas nem sempre as aplicam,
tornando um agravante que contribui para a ocorrência de acidentes de
trabalhos.
Os artigos elencam medidas de segurança que os profissionais devem adotar na sua prática cotidiana, na tentativa de garantir melhores condições de trabalho, o que, como enfatizado pelos autores Poll; Lunardi; Lunardi
Filho, (2008); Paulino; Lopes; Rolim, (2008) significa aderir a comportamentos
como a educação continuada, uma boa organização do trabalho e normas
claras a serem seguidas pelos profissionais para prevenção e controle dos
riscos a que estão sujeitos nos ambientes de urgência e emergência.
A maioria das pesquisas, cerca de 90% dos trabalhos avaliados, trata
do cuidado com materiais perfurocortantes (uso e descarte); seguido do cuidado com secreções, produtos químicos e manipulação de sangue e líquidos.
O procedimento da lavagem das mãos também foi muito abordado nos artigos analisados. Esse procedimento é definido na óptica de
Santos (2002, p. 01) da seguinte forma: “o grande desafio, nos dias atuais,
é a adequação das técnicas já desenvolvidas, aplicando os produtos disponíveis a real necessidade de cada instituição, de acordo com o grau de
complexidade das ações assistenciais ali desenvolvidas”.
Portanto, a importância da higienização das mãos na prevenção da
transmissão das infecções hospitalares tem sido amplamente discutida, assim como as substâncias que devem ser usadas para a sua realização. Em
seguida outros aparentemente mais simples como o uso correto dos óculos de proteção e do jaleco foram outras medidas de segurança abordadas.
Nesse sentido, pela leitura dos artigos escolhidos, constatou-se
uma preocupação em discutir o tema, principalmente no campo da cons-
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.66-70, Jul-Ago-Set. 2011.
cientização sobre a importância dessas medidas de biossegurança, e da
utilização dessas medidas no cotidiano da prática de trabalho. Destaca-se
que os profissionais da enfermagem e de outras áreas da saúde conhecem
as medidas de biossegurança necessárias para a prevenção de casos de
acidentes no trabalho, todavia não as utilizam de forma adequada na sua
prática cotidiana no contexto da urgência e emergência.
4CONCLUSÃO
Face ao exposto, percebeu-se que os profissionais da saúde tornaram-se gradativamente mais atentos à importância do uso adequado dos
EPIs pertinentes e da técnica adequada dos procedimentos pelos quais
responde, especialmente, os considerados de risco, nos quais existe possibilidade de contato com os fluidos corpóreos.
Essa concepção possibilitou uma importante melhoria na qualidade da assistência prestada aos pacientes, ao passo em que a biossegurança se tornou indispensável a todos que estejam envolvidos nas ciências e
cuidados com a saúde.
Um fato que chamou atenção foi a importância abordada nos
artigos quanto ao risco de contaminação pelo vírus HIV, bem como aos
acidentes com materiais perfurocortantes, principalmente quando estes
envolviam os profissionais de enfermagem, visto que os mesmos estão, na
maior parte do tempo, em contato direto com os pacientes, realizando a
maioria dos procedimentos.
Dessa forma, entende-se que o tema da biossegurança é de fundamental importância a ser discutido por todos os profissionais da saúde e
de laboratórios, em especial os que trabalham no atendimento de urgências e emergências, visto que se trata de um serviço que demanda mais
cuidado ao realizar os procedimentos, com bastante praticidade e rapidez,
o que possibilita a ocorrência de acidentes no trabalho. Portanto, mais do
que aderir às medidas de biossegurança no cotidiano de trabalho, o profissional da saúde, precisa também adquirir uma conduta ética à medida
que o seu comportamento coloca em situação de risco aquele que é seu
objeto do cuidado.
A partir da análise de trabalhos científicos, que resultou nessa revisão de literatura, espera-se contribuir para outras pesquisas, sobretudo
para os profissionais da enfermagem em seus diversos setores, para que,
dessa forma, nossa arte de cuidar não se torne um risco para os que realizam com amor e dedicação a sua profissão.
69
Leal, M. P. L.; et al.
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Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.66-70, Jul-Ago-Set. 2011.
REVISTA INTERDISCIPLINAR - NORMAS PARA PUBLICAÇÃO
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de casos, resenhas e página do estudante, nas áreas da saúde, ciências
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(CEP), bem como o processo de obtenção do consentimento livre e esclarecido dos participantes de acordo com a Resolução nº 196 do Conselho Nacional de Saúde de 10 de outubro de 1996.
FORMA E PREPARO DO MANUSCRITO
A Revista Interdisciplinar recomenda que os trabalhos sigam as orientações das Normas da ABNT para elaborar lista de referências e indicálas junto às citações.
Os manuscritos deverão ser encaminhados em três cópias impressas e uma cópia em CD com arquivo elaborado no Editor de Textos MS
Word.
Página de identificação: título e subtítulo do artigo com máximo de
15 palavras (conciso, porém informativo) nos três idiomas (português, inglês e
espanhol); nome do(s) autor(es), máximo 06 (seis) indicando em nota de rodapé
o(s) título(s) universitário(s), cargo(s) ocupado(s), nome da Instituição aos quais
o trabalho deve ser atribuído, Cidade, Estado e endereço completo incluindo o
eletrônico do pesquisador proponente.
Resumos e Descritores: o resumo em português, inglês e
espanhol, deverá conter de 100 a 200 palavras em espaço simples, com
objetivo da pesquisa, metodologia, principais resultados e as conclusões.
Deverão ser destacados os novos e mais importantes aspectos do estudo.
Abaixo do resumo, incluir 3 a 5 descritores alusivos à temática. Apresentar
seqüencialmente os três resumos na primeira página incluindo títulos e
descritores nos respectivos idiomas.
Ilustrações: as tabelas devem ser numeradas consecutivamente
com algarismos arábicos, na ordem em que foram citadas no texto. Os
quadros são identificados como tabelas, seguindo uma única numeração
71
em todo o texto. O mesmo deve ser seguido para as figuras (fotografias,
desenhos, gráficos, etc). Devem ser numeradas consecutivamente com
algarismos arábicos, na ordem em que foram citadas no texto.
Notas de Rodapé: deverão ser indicadas em ordem alfabética,
iniciadas a cada página e restritas a no máximo 03 notas de rodapé por
artigo.
Depoimentos: seguir as mesmas regras das citações, porém em
itálico. O código que representa cada depoente deve ser apresentado entre parênteses e sem grifo.
Citações no texto: Nas citações, as chamadas pelo sobrenome do
autor, pela instituição responsável ou título incluído na sentença devem
ser em caixa-alta baixa, e quando estiverem entre parênteses caixa-alta.
Ex.:
Exemplos:
Conforme Frazer (2006), a música sempre foi o ponto central na
vida de Madame Antoine
tica: alguns desafios. São Paulo: Loyola, 2001. p.17-34.
b.
Único autor para o livro todo – Substitui-se o nome do autor
por um travessão de seis toques após o “In.”:
PESSINI, L. Fatores que impulsionam o debate sobre a distanásia In: _____.Distanásia: até quando prolongar a vida?
São Paulo: Loyola, 2001. p.67-93.
Congressos, simpósios, jornadas, etc.
CONGRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA, 5., 1999, Rio
de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro:ABRASCO, 1999.
Trabalhos apresentados em congressos, simpósios, jornadas, etc.
SOUZA, G. T. Valor proteíco da laranja. In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE NUTRIÇÃO. 3., 2000, São Paulo. Anais...São
Paulo: Associação Brasileira de Nutrição. 2000. p.237-55.
Dissertações, Teses e Trabalhos acadêmicos
“No caso de Madame Antoine, o gosto pela música foi, desde a infância, central em sua vida.” (FRASER, 2006, p.37)
BUENO, M.S.S. O salto na escuridão: pressupostos e desdobramentos das políticas atuais para o ensino médio. 1998 f.
Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Filosofia e
Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília.
As citações diretas, no texto, de até três linhas, devem estar contidas entre aspas duplas. As aspas simples são utilizadas para indicar citação
no interior da citação. Ex:
Publicações periódicas consideradas no todo (relativo à coleção)
“Ele se conservava a estibordo do passadismo, tão longe quanto
possível” (CONRAD, 1988, p.77)
CADERNOS DE SAÚDE PÚBLICA. Rio de janeiro: Fiocruz,
1965- . Semestral
Artigo de publicações periódicas
As citações diretas, no texto, com mais de três linhas, devem ser destacadas com recuo de 4 cm da margem esquerda, espaço simples, com
letra menor que a do texto utilizado e sem as aspas. No caso de documentos datilografados, deve-se observar apenas o recuo. Ex:
LIMA, J. Saúde pública: debates. Revista Saúde. Rio de Janeiro, v.18, n.2, p.298-301, nov.1989.
Partes de revista, boletim, etc.
A sete pessoas, Daniel Seleagio e sua mulher Giovanni Durant, Lodwich Durant, Bartolomeu Durant, Daniel Revel e
Paulo Reynaud, encheram a boca de cada um com pólvora,
a qual, inflamada, fez com que suas cabeças voassem em
pedaços (FOX, 2002, p.125)
LISTAGEM DAS REFERÊNCIAS - EXEMPLOS
Livros como um todo
SILVA, A. F. M. Genética humana. 7.ed. Rio de Janeiro: Livros
Técnicos e Científicos, 2005. 384p.
Capítulo de livro
a.
72
Autor do capítulo diferente do responsável pelo livro no
todo.
ANJOS, M. F. dos. Bioética: abrangência e dinamismo. In:
BARCHIFONTAINE, Christian de Paul de; PESSINI; Leo. Bioé-
Inclui volume, fascículo, números especiais e suplementos, entre
outros, sem título próprio. Ex:
VEJA. São Paulo: Abril, n.2051, 12 mar. 2008. 98p.
Artigo de Jornal
ALVES, Armando. Minha Teresina não troco jamais. Meio
Norte, Teresina , 16 ago. 2006. Caderno 10, p. 16.
Legislações - Constituição
BRASIL. Código civil. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 1995
Leis e decretos
BRASIL., Decreto n.89.271, de 4 de janeiro de 1984. Dispõe
sobre documentos e procedimentos para despacho de
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.X-Y, Abr-Mai-Jun. 2011.
aeronave em serviço internacional. Lex: Coletânea de Legislação e Jurisprudência. São Paulo, v.48,p.3-4, jan./mar. 1984.
Documentos em Meio Eletrônico
Artigos de periódicos (revistas, jornais, boletim)
SOUZA. A. F. Saúde em primeiro lugar. Saúde em Foco,
Campus, V.4 n.33. jun.2000. Disponível em: www.sus.inf.br/
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XIMENES, Moacir. O que é uma biblioteca pública. Diário do
Povo do Piauí, Teresina, 11 mar. 2008. Disponível em: http://
www.biblioteca.htm. Acesso em: 19 mar. 2008.
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Paulo: Associação Brasileira de Nutrição. 2000. p.237-55.
Dissertations, Theses and Academic papers.
BUENO, M.S.S. O salto na escuridão: pressupostos e desdobramentos das políticas atuais para o ensino médio. 1998 f.
Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Filosofia e
Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília. 5
Periodical Publications considered as one.
Direct quotes of up to three lines in the text, should be between
double quotation marks. Singular quotation marks are to be used for
quotes within quotes. Ex:
“He maintained himself to the starboard of living in the past, as far
away as possible.” (CONRAD, 1988, p.77)
Direct quotes from the text with more than three lines, should have
a left margin of 4 cm, be single spaced, with a smaller sized letter than the
text, and without quotation marks, in the case of typed documents, the
margin is all that must be done. Ex:
CADERNOS DE SAÚDE PÚBLICA. Rio de janeiro: Fiocruz,
1965- . Semestral
Publication of a periodical article
LIMA, J. Saúde pública: debates. Revista Saúde. Rio de Janeiro, v.18, n.2, p.298-301, nov.1989.
Parts of a magazine, bulletin, etc.
Include volume, number, and special editions, without a specific title,.:
The seven people, Daniel Seleagio and his woman Giovanni
Durant, Lodwich Durant, Bartolomeu Durant, Daniel Revel
and Paulo Reynaud, filled their mouths with gunpowder,
which when lit, blew their heads apart. (FOX, 2002, p.125)
REFERENCE LISTS - EXAMPLES
VEJA. São Paulo: Abril, n.2051, 12 mar. 2008. 98p.
Articles from Journals
ALVES, Armando. Minha Teresina não troco jamais. Meio
Norte, Teresina , 16 ago. 2006. Caderno 10, p. 16.
Entire Books
Legislations – Constitution
SILVA, A. F. M. Genética humana. 7. ed. Rio de Janeiro: Livros
Técnicos e Científicos, 2005. 384p.
The Chapter of a Book
a.
The author of the chapter not being the author of the book
ANJOS, M. F. dos. Bioética: abrangência e dinamismo. In: BARCHIFONTAINE, Christian de Paul de; PESSINI; Leo. Bioética: alguns desafios. São Paulo: Loyola, 2001. P.17-34.
b.
The book having only one author – substitute the name of
the author with an underline of six spaces after the word IN:
PESSINI, L. Fatores que impulsionam o debate sobre a distanásia In: _____.Distanásia: até quando prolongar a vida?
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.X-Y, Abr-Mai-Jun. 2011.
BRASIL. Código civil. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 1995
Laws and Decrees
BRASIL, Decreto n.89.271, de 4 de janeiro de 1984. Dispõe
sobre documentos e procedimentos para despacho de aeronave em serviço internacional. Lex: Coletânea de Legislação
e Jurisprudência. São Paulo, v.48,p.3-4, Jan./mar. 1984.
Documents in the Electronic Medium.
Articles in periodicals (magazines, journals)
75
SOUZA. A. F. Saúde em primeiro lugar. Saúde em Foco, Campus, V.4 n.33. jun.2000. Disponível em: HYPERLINK “http://
www.sus.inf.br/frame-artig.html”
www.sus.inf.br/frameartig.html. Acesso em: 31 jul.2000.
XIMENES, Moacir. O que é uma biblioteca pública. Diário do Povo do Piauí, Teresina, 11 mar. 2008. Disponivel em http www.biblioteca.htm.
Accesso em 19. mar. 2008.
TERMS OF RELEASE
Each author should read and sign the documents (1) Declaration of
Responsibility and) Transference of Copyright
First author: _________________________________________________________________________________________
Title of the manuscript: _________________________________________________________________________________
All the people involved in the project with the authors should sign and swear to the release form below.
•
I certify that I participated sufficiently enough in this research to sign a term of release making the content of my work
public.
•
I certify that the article is an original paper and was not, nor is being considered to be published in any form, printed or
electronic
Signature of the author(s) Date: ___________________________________________________________________________
TRANSFER OF COPYRIGHT:
I declare, in the case of my article being accepted, to agree to the copyright being signed over exclusively to the magazine, Revista Interdisciplinary.
Signature of the author (s) Date: SHIPPING OF MANUSCRIPTS
Three printed copies of the manuscripts should be sent to Revista Interdisciplinary, together with a copy on CD to the following address:
Rua Vitorino Orthiges Fernandez, 6123 Bairro Uruguai
Teresina – Piauí - Brasil
CEP: 64057-100
Telefone: + 55 (86) 2106-0726
Fax: + 55 (86) 2106-0740
E-mail: [email protected]
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Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.X-Y, Abr-Mai-Jun. 2011.
REVISTA INTERDISCIPLINAR - NORMAS PARA PUBLICACIÓN
CATEGORIAS DE ARTICULOS
La Revista Interdisciplinar publica articulos originales, revisiones,
relatos de casos, reseñas y página del estudiante, en las áreas de la salud,
ciencias humanas y tecnológicas.
Articulos originales: son contribuciones destinadas a divulgar resultados de investigación original inédita. Digitados (Times New Roman
12) e impresos en hojas de papel A4 (210 X 297 mm), con espacio duplo,
margen superior y izquierda de 3,0cm e inferior y derecha de 2,0 cm, haciendo un total mínimo de 15 páginas y máximo de 20 páginas para los
articulos originales (incluyendo en negro y blanco las ilustraciones, gráficos, tablas, fotografias etc). Las tablas y figuras deben ser limitadas a 5 en
el conjunto. Figuras serán aceptas, desde que no repitan datos contidos
en tablas. Se recomenda que el número de referencias bibliográficas sea
el máximo 20. La estructura es la convencional, conteniedo introdución,
metodología, resultados y discusión y conclusiones o consideraciones finales.
Revisiones: evaluación crítica sistematizada de la literatura o reflexión sobre determinado asunto, debendo contener conclusiones. Los procedimientos adoptados y la delimitación del tema deben estar inclusos. Su
extensión se limita a 15 páginas.
Relatos de casos: estudios evaluativos, originales o notas prévias
de pesquisa conteniedo datos inéditos y relevantes. La presentación debe
acompañar las mismas normas exigidas para articulos originales, limitandose a 5 páginas.
Reseñas: reseña crítica de la obra, publicada en los últimos dos
años, limitandose a 2 páginas.
Página del Estudiante: espacio destinado a la divulgación de estudios desarrollados por alumnos de la graduación, con explicitación del
orientador en nota de rodapie. Su presentación debe acompañar las mismas normas exigidas para articulos originales, con extensión limitada a 5
páginas.
Todos los manuscritos deverán venir acompañados de ofício identificando el nombre de los autores, titulación, lugar de trabajo, cargo atual,
dirección completa, incluyendo el eletrónico e indicación de uno de los
autores como responsable por la correspondencia.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.X-Y, Abr-Mai-Jun. 2011.
La aceptación para publicación está condicionado a la transferencia
de los derechos autorales y exclusividad de la publicación (ver anexo).
Los trabajos serán evaluados por el Consejo Editorial y por la Comisión de Publicación. Los trabajos recusados no serán devueltos y los autores
receberán parecer sobre los motivos de la recusa.
Todos los conceptos, ideas y presupuestos contidos en las materias
publicadas por este periódico son de intera responsabilidad de sus autores.
En las pesquisas que envolucran seres humanos, los autores deberán dejar claro se el proyecto fue aprovado por el Comité de Ética en
Pesquisa (CEP), así como el proceso de obtención del consentimiento libre
y aclarado de los participantes de acuerdo con la Resolución nº 196 del
Consejo Nacional de Salud de 10 de octubre de 1996.
FORMA Y PREPARO DEL MANUSCRITO
La Revista Interdisciplinar recomenda que los trabajos sigan las orientaciones de las Normas de la ABNT para elaborar lista de referencias e
indicarlas junto a las citaciones.
Los manuscritos deverán ser encamiñados en tres copias impresas y
una copia en CD con arquivo elaborado en el Editor de Textos MS Word.
Página de identificación: título y subtítulo del articulo con máximo
de 15 palabras (conciso, pero informativo) en tres idiomas (portugués, inglés y español); nombre de lo(s) autor(es), máximo 06 (seis) indicando en
nota de rodapié lo(s) título(s) universitario(s), cargo(s) ocupado(s), nombre
de la Institución a los cuales el trabajo debe ser atribuído, Ciudad, Estado
y dirección completos incluyendo el eletrónico del pesquisador proponiente.
Resumenes y Descriptores: el resumen en portugués, inglés y
español, deberá contener de 100 a 200 palabras en espacio simples, con
objetivo de la pesquisa, metodología, principales resultados y las conclusiones. Deverán ser destacados los nuevos y más importantes aspectos del
estudio. Abajo del resumen, incluir 3 a 5 descriptores alusivos a la temática.
Presentar secuencialmente los tres resumenes en la primera página incluyendo títulos y descriptores en los respectivos idiomas.
Ilustraciones: las tablas deben ser numeradas consecutivamente
con algarismos arábicos, en el orden en que fueron citadas en el texto. Los
cuadros son identificados como tablas, siguiendo una única numeración
77
en todo el texto. El mismo debe ser seguido para las figuras (fotografias, dibujos, gráficos, etc). Deben ser numeradas consecutivamente
con algarismos arábicos, en el orden en que fueron citadas en el texto.
Notas de Rodapie: deverán ser indicadas en ordem alfabética, iniciadas a cada página y restrictas al máximo de 03 notas de rodapie por
artículo.
Testimonios: seguir las mismas reglas de las citaciones, pero en
itálico. El código que representa cada depoente debe ser presentado entre
parentesis y sin grifo.
Citaciones en el texto: En las citaciones, las llamadas por el sobrenombre del autor, por la institución responsable o título incluso en la
sentencia deven ser en caja-alta baja, y cuando estea entre parentesis cajaalta. Ex.:
Ejemplos:
Conforme Frazer (2006), la música siempre fue el punto central en
la vida de Madame Antoine
“En el caso de Madame Antoine, el gusto por la música fue, desde la
infancia, central en su vida.” (FRASER, 2006, p.37)
tica: algunos desafios. São Paulo: Loyola, 2001. p.17-34.
b.
Único autor para todo el libro – Se sustituye el nombre del
autor por una raya de seis toques después del “In.”:
PESSINI, L. Fatores que impulsionan el debate sobre la distanásia In: _____.Distanásia: ¿hasta cuando prolongar la
vida? São Paulo: Loyola, 2001. p.67-93.
Congresos, simposios, jornadas, etc.
CONGRESO BRASILIERO DE EPIDEMIOLOGÍA, 5., 1999, Rio de
Janeiro. Anais... Rio de Janeiro:ABRASCO, 1999.
Trabajos presentados en congresos, simposios, jornadas, etc.
SOUZA, G. T. Valor proteíco de la naranja. In: CONGRESSO
BRASILIERO DE NUTRICIÓN. 3., 2000, São Paulo. Anais...São
Paulo: Asociación Brasiliera de Nutrición. 2000. p.237-55.
Disertaciones, Tesis y Trabajos académicos
BUENO, M.S.S. El salto en la oscuridad: presupuestos y desdobramientos de las políticas atuales para la enseñanza media.
1998 f. Tesis (Doctorado en Educación) – Facultad de Filosofia y Ciencias, Universidad Estatal Paulista, Marília.
Las citaciones directas, en el texto, de hasta tres líneas, deben estar
contenidas entre aspas duplas. Las aspas simples son utilizadas para indicar
citación en el interior de la citación. Ex:
Publicaciones periódicas consideradas en el todo (relativo a la
colección)
“Él se conserbaba a estibordo del pasadismo, tan lejos cuanto posíble” (CONRAD, 1988, p.77)
CUADERNOS DE SALUD PÚBLICA. Rio de janeiro: Fiocruz,
1965-. Semestral
Las citaciones directas, en el texto, con más de tres línas, deben ser
destacadas con recuo de 4 cm de la margen izquierda, espacio simples,
con letra menor que la del texto utilizado y sin las aspas. En el caso de
documentos datilografados, se debe observar sólo el recuo. Ex:
Las siete personas, Daniel Seleagio y su mujer Giovanni Durant, Lodwich Durant, Bartolomeu Durant, Daniel Revel y
Paulo Reynaud, rellenaron la boca de cada un con pólvora,
la cual, inflamada, hizo con que sus cabezas volasen en pedazos (FOX, 2002, p.125).
Listagen de las Referências - Ejemplos
Articulos de publicaciones periódicas
LIMA, J. Salud pública: debates. Revista Salud. Rio de Janeiro,
v.18, n.2, p.298-301, nov.1989.
Partes de la revista, boletín, etc.
Incluye volumen, fascículo, números especiales y suplementos, entre otros, sin título próprio. Ex:
VEJA. São Paulo: Abril, n.2051, 12 mar. 2008. 98p.
Artículo de Periodico
Libros como todo
SILVA, A. F. M. Genética humana. 7.ed. Rio de Janeiro: Libros
Técnicos y Científicos, 2005. 384p.
ALVES, Armando. Mi Teresina no cambio jamás. Meio Norte,
Teresina , 16 ago. 2006. Cuaderno 10, p. 16.
Legislaciones - Constitución
Capítulo de libro
BRASIL. Código civil. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 1995
a.
78
Autor del capítulo diferente del responsable por todo el libro.
ANJOS, M. F. dos. Bioética: abrangencia y dinamismo. In:
BARCHIFONTAINE, Christian de Paul de; PESSINI; Leo. Bioé-
Leyes y decretos
BRASIL. Decreto n.89.271, de 4 de enero de 1984. Dispõe soRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.X-Y, Abr-Mai-Jun. 2011.
bre documentos y procedimientos para despacho de aeronave en servicio internacional. Lex: Coletanea de Legislación
y Jurisprudencia. São Paulo, v.48,p.3-4, ener./mar. 1984.
Documentos en Meio Eletrónico
Artículos de periódicos (revistas, periodicos, boletín)
SOUZA. A. F. Salud en primero lugar. Saúde em Foco, Campus, V.4 n.33. Jun.2000. Disponible en: www.sus.inf.br/frameartig.html. Aceso en: 31 jul.2000.
XIMENES, Moacir. Qué es una biblioteca pública. Diário do Povo do Piauí, Teresina, 11 mar. 2008. Disponible en: http://www.biblioteca.htm.
Aceso en: 19 mar. 2008.
Termo de Responsabilidad
Cada autor debe leer y asinar los documentos (1) Declaración de Responsabilidad y (2) Transferencia de Derechos Autorales.
Primer autor: ________________________________________________________________________________________
Título del manuscrito: __________________________________________________________________________________
Todas las personas relacionadas como autores deben asinar declaración de responsabilidad en los termos abajo:
•
Certifico que participé suficientemente del trabajo para tornar pública mi responsabilidad por el contenido;
•
Certifico que el artículo representa un trabajo original y que no fue publicado o está siendo considerado para publicación
en otra revista, que sea en el formato impreso o en el eletrónico;
Asinatura de lo(s) autor(es) Fecha: _________________________________________________________________________
Transferencia de Derechos Autorales
Declaro que en caso de aceptación del artículo, concordo que los derechos autorales a él referentes se tornaron propiedad exclusiva de la Revista
Interdisciplinar.
Asinatura do(s) autor(es) Fecha: __________________________________________________________________________
Envio de manuscritos
Los manuscritos deben ser direccionados para la Revista Interdisciplinar, en 3 vias impresas, juntamente con el CD ROM gravado para la siguiente
dirección:
Revista Interdisciplinar
Rua Vitorino Orthiges Fernandez, 6123 Bairro Uruguai
Teresina – Piauí - Brasil
CEP: 64057-100
Telefone: + 55 (86) 2106-0726
Fax: + 55 (86) 2106-0740
E-mail: [email protected] Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.X-Y, Abr-Mai-Jun. 2011.
79
REVISTA INTERDISCIPLINAR
FORMULÁRIO DE ASSINATURA
Caro leitor: Para ser assinante da Revista Interdisciplinar, destaque esta folha, preencha-a e envie por correio ou fax, anexando cópia do depósito
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FONE: ______________________________________________FAX:____________________________________________
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Número avulso desejado – Volume ____________________________________ Número _____________________________
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82
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