Promovendo Saúde na Contemporaneidade: desafios de pesquisa, ensino e extensão Santa Maria, RS, 08 a 11 de junho de 2010 TUTORIA NA ENFERMAGEM: IMPORTÂNCIA PARA OS DISCENTES NO CENÁRIO DA PRÁTICA 1 EM FARMACOLOGIA 2 3 4 Morisso, T. S. ; Piexak, D. R. ; Nunes, S. S. 1 Relato de experiência _UNIFRA 2 o Autora/Relatora: Acadêmica do 7 semestre do curso de Enfermagem do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil. 3 o Co-autora: Acadêmica do 7 semestre do curso de Enfermagem do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil. 4 Prof.ª Enf.ª do curso de Enfermagem do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil. E-mail: [email protected]; [email protected]. RESUMO A farmacologia é a ciência que estuda os fármacos e os medicamentos sob todos os aspectos. O profissional enfermeiro é responsável pelo conhecimento dos efeitos de uma droga, pela administração correta, pelo controle da resposta do cliente e pelo auxílio ao mesmo na autoadministração. Este estudo tem por objetivo descrever o Programa de Tutoria na disciplina de Farmacologia do curso de Enfermagem do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA). Trata-se de um relato de experiência de acadêmicas do curso de Enfermagem que vivenciaram a implementação do programa. O programa tutorial é um serviço de apoio pedagógico oferecido aos alunos interessados em aprofundar conteúdos, bem como solucionar dificuldades em relação à matéria trabalhada em aula. Palavras-chave: Enfermagem. Tutoria. Farmacologia. 1. INTRODUÇÃO A farmacologia é a ciência que estuda os fármacos e os medicamentos sob todos os aspectos, isto é, a fonte, a absorção, o destino no organismo, o mecanismo de ação e os seus efeitos. O conhecimento dos fármacos e o domínio de suas propriedades terapêuticas e tóxicas transformaram o uso da farmacologia através dos séculos. As drogas foram aos poucos ganhando importância e se transformando na principal arma da medicina. Em sua totalidade, a farmacologia abrange o conhecimento da história, da origem, das propriedades físico-químicas, da composição, dos efeitos bioquímicos e fisiológicos, dos mecanismos de ação, absorção, distribuição, biotransformação e excreção dos fármacos que são utilizados em vários estudos terapêuticos com o intuito de beneficiar o ser humano. Considerando-se que a palavra fármaco é definida no seu sentido amplo como qualquer agente químico que afeta os processos da vida, a farmacologia trata-se de uma disciplina extremamente complexa. Com o surgimento de novos medicamentos combinado à prática clínica da polifarmácia tem ampliado a capacidade dos profissionais em atender as demandas dos pacientes nos processos mórbidos, seja no âmbito hospitalar ou domiciliar. Estes cada vez mais potentes em eficácia terapêutica, muitas vezes com importantes níveis de toxicidade orgânica exigem, para assegurar o sucesso da terapêutica, conhecimento sobre a ação medicamentosa, monitorização acerca dos efeitos indesejados e atenção para as interações entre medicamentos. No mercado nacional existem atualmente cerca de 1.500 fármacos com aproximadamente 5.000 nomes comerciais, apresentados sob cerca de 20.000 formas farmacêuticas e embalagens diferentes. Neste universo, ao contrário do que se pensa, a utilização de vários e novos medicamentos não garante maior benefício ao paciente, pois junto com as vantagens das possibilidades terapêuticas surge o risco dos efeitos indesejados e a possibilidade das já citadas interações medicamentosas. Sabe-se que dentre as atividades desenvolvidas pela Enfermagem, a administração de medicamentos é uma das mais importantes e de maior responsabilidade, exigindo do profissional, conhecimentos técnico-científicos sólidos. Esta atividade não abrange apenas o ato de ministrar a 1 Promovendo Saúde na Contemporaneidade: desafios de pesquisa, ensino e extensão Santa Maria, RS, 08 a 11 de junho de 2010 terapêutica medicamentosa, ela é tida como um processo que inclui várias fases inter-relacionadas e contempla a solicitação, a distribuição, o seguimento da prescrição médica, a interpretação dessa prescrição, o preparo dos medicamentos e a administração propriamente dita, realizada pela equipe de enfermagem. Soma-se a esses aspectos a avaliação da resposta clínica apresentada pelo paciente. 2. OBJETIVO Este estudo tem por objetivo descrever o Programa de Tutoria na disciplina de Farmacologia do curso de Enfermagem do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA). 3. METODOLOGIA Trata-se de um relato de experiência de acadêmicas que vivenciaram a implementação do programa tutorial (tutoria) da disciplina de Farmacologia Aplicada a Enfermagem. 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES É fundamental a reflexão dos enfermeiros a respeito da execução da prescrição médica que é, invariavelmente, cumprida em horários pré-estabelecidos em quase todos os lugares, de acordo com Boechat (1991) como um sistema de distribuição funcional de tarefas para a equipe de enfermagem, não considerando as características dos medicamentos e principalmente as possibilidades de interações medicamentosas. Esta reflexão deve ser implementada e incentivada já nos períodos de graduação, para que os discentes de enfermagem tenham consciência da importância do conhecimento e da prática em farmacologia e suas implicações no cuidado eficaz ao cliente, seja este hospitalizado ou não. Neste contexto, visualiza-se que os discentes sentem-se ansiosos e apreensivos em relação à prática de administração de medicamentos, pois é apenas durante o curto período de vivência no estágio em prática clínica, que os mesmos iniciam o desenvolvimento da habilidade, da confiança, da responsabilidade/ética e a ampliação do conhecimento sobre as drogas e seus efeitos, sendo, pois, este o cenário, o espaço fundamental para a construção e/ou aprimoramento da atuação profissional. Segundo Potter; Perry (2001) o enfermeiro é responsável pelo conhecimento dos efeitos de uma droga, pela administração correta, pelo controle da resposta do cliente e pelo auxílio ao mesmo na auto-administração. Uma vez que o medicamento é definido, em sentido amplo, como qualquer agente químico que interfere com os processos vivos, a administração deste (medicamento), com toda a responsabilidade que a ela se associa é um dos aspectos de extrema importância para o ensino do cuidar/cuidado na Enfermagem. Para Asperheim (1992), a experiência clínica proporciona aos discentes a oportunidade de administrar medicamentos e à medida que os mesmos ganham experiência nesta prática, as habilidades psicomotoras tornam-se mais refinadas. No entanto, estas habilidades representam pequena parcela da administração de medicamentos, haja vista que as atitudes do cliente, seus estados físico e mental, bem como as suas respostas ao tratamento podem tornar essa administração uma experiência complexa. Embasadas nas palavras do autor citado acima, salientamos que muitas vezes é dada maior importância a habilidade na administração de medicamentos, mesmo esta representando uma pequena parcela na magnitude da prática em farmacologia, sendo a teoria propriamente dita e todas as suas co-relações deixadas em segundo plano. A farmacologia, como constante na prática curricular e profissional da enfermagem, não recebe o devido valor por parte dos discentes que desassociam a práxis o que dificulta a orientação e a atuação sistemáticas dos mesmos visando torná-los competentes para o desenvolvimento da prática profissional. Nesse sentido, Hood; Dincher (1995) afirmam que a prática não pode ser dispersa e esporádica, sem rumo, sem método; ela precisa ser reconstruída teoricamente, para ser fonte de conhecimento e não só de aplicação decorrente dele. Ao refletirmos sobre essa problemática na formação profissional em nível acadêmico dos futuros enfermeiros observa-se uma lacuna na relação docente-discente, sujeito-sujeito nos bancos escolares. Não desconsiderando a grande evolução no que diz respeito às antigas relações 2 Promovendo Saúde na Contemporaneidade: desafios de pesquisa, ensino e extensão Santa Maria, RS, 08 a 11 de junho de 2010 educador/educando que eram unilateralmente autoritária, controladora e punitiva, ainda há um distanciamento não repressor pautado não somente no docente, mas igualmente por parte dos discentes. Isto ocorre muitas vezes pelas outras obrigações profissionais não relacionadas a docência, uma vez que a realidade das apresentações sócio-econômicas exigem por parte do profissional enfermeiro, em muitos casos, dois ou mais empregos. Os educandos, em muitos casos, já com formação profissional técnica (técnico de enfermagem) também contribuem para a manutenção da lacuna na estrutura pedagógica, pois possuem pré-moldes decorrentes de suas práticas e experiências nos locais onde trabalham o que, em alguns casos, os levam a (re)negar fundamentações teóricas. Na tentativa de romper com esses modelos conservadores incrustados na formação em enfermagem, oportunizar as trocas de experiências e momentos de vivências implementou-se o Programa de Tutoria no Curso de Enfermagem do Centro Universitário Franciscano – UNIFRA, locado na cidade de Santa Maria, RS. Nas literaturas consultadas, são escassas as referências a esse respeito. Na enfermagem é muito incipiente essa iniciativa. A tutoria visa uma proposta alternativa de melhoria do processo ensino-aprendizagem, testada na disciplina de Farmacologia Aplicada à Enfermagem para alunos de diferentes semestres do curso de graduação em Enfermagem, por meio do acompanhamento, registro de seu desenvolvimento, observando o tutor como um facilitador do aprendizado. Borba (1997), em sua dissertação de mestrado, partiu da afirmação que o aluno de enfermagem, enquanto ser humano único, apresenta necessidades básicas, podendo estas serem afetadas e atendidas de diferentes maneiras, frente às situações que vivencia no cotidiano do curso de graduação. Assim, oferecer um espaço terapêutico para o estudante colocar e discutir suas experiências e necessidades, concluindo pela necessidade de sua manutenção, já que favorece as relações e intercâmbio entre estudantes e docentes, possibilitando a busca de alternativas consensuais para as situações vivenciadas e uma outra possibilidade de relação aluno-professor. Entendemos o Programa Tutorial na sua necessidade e excelência como a disponibilização de recursos de apoio ao estudante, podendo desenvolver muitas perspectivas, conforme diagnóstico de necessidades reais detectadas no curso. Prevê atendimento aos alunos, de forma individual, grupal ou de turma, promovendo possibilidades de melhoria do desempenho acadêmico e de encaminhamento de problemas específicos de ajustamento, integração, exclusão. Todavia não deve ser entendido como "ajuda aos fracos", pois pretende também mobilizar capacidades adormecidas, identifica situações de estresse vividas por estudantes em seu cotidiano escolar. Funciona como uma oportunidade de reforço, treinamento e desenvolvimento da capacidade de estudar e aprender com maior eficácia tanto para os alunos que freqüentam a tutoria quanto, principalmente, para o tutor que, por sua vez, sendo também um aluno do curso de graduação em enfermagem, estando em processo de formação, tem de si exigido um estudo e busca diários pelo conhecimento sempre amparado pelo docente tutor. Fundamentadas na Pesquisa Sistemática que permite avaliação de tendências, hierarquização de problemas e de soluções, programação de ações baseada em realidades, processamento e atendimento democrático de demandas, conhecimento mútuo entre partes interagindo com propósitos comuns, tem um caráter objetivo e por isso aberto ao uso: ao se tornarem públicas, as informações que ela traz podem ser aproveitadas, para os fins específicos desejados, por todos os que souberem lê-las e interpretá-las. O programa tutorial (tutoria) é um serviço de apoio pedagógico oferecido aos alunos interessados em aprofundar conteúdos, bem como solucionar dificuldades em relação à matéria trabalhada em aula. A tutoria do Curso de Graduação em Enfermagem do Centro Universitário Franciscano – UNIFRA visa oportunizar o desenvolvimento de habilidades técnicas e está vinculada à disciplina de Farmacologia Aplicada a Enfermagem, oferecida no 2º semestre da grade curricular, embora seja facultada a todos os acadêmicos do curso. A prática da tutoria no curso existe desde o 1º semestre de 2009. 5. CONCLUSÃO A disciplina de Farmacologia Aplicada a Enfermagem tem como objetivos introduzir o aluno ao estudo dos fármacos, suas implicações e atuação sobre os sistemas, bem como o manejo e aplicação das drogas que são habilidades praticas específicas em Enfermagem, segundo os princípios de biofísica, no atendimento preventivo ou curativo ao ser humano; a identificação da 3 Promovendo Saúde na Contemporaneidade: desafios de pesquisa, ensino e extensão Santa Maria, RS, 08 a 11 de junho de 2010 relação entre os aspectos humanísticos e o desenvolvimento dos procedimentos técnicos, dentro do contexto de cuidado e do contexto psicossocial; a observação e identificação dos princípios básicos de assepsia na execução de um procedimento de Enfermagem e o conhecimento e aplicação de uma mecânica corporal adequada para a preservação da própria saúde do aluno no seu trabalho. O professor da referida disciplina incentiva a participação dos alunos na tutoria, já que o tempo durante as aulas é restrito e não possibilita a repetição de técnicas abordadas tantas vezes quanto necessário. Além disso, o programa tutorial fornece subsídios para o acadêmico desenvolver uma prática de Enfermagem com maior segurança e precisão. É neste período do curso que muitos alunos deparam-se pela primeira vez com os materiais/equipamentos utilizados para as técnicas de enfermagem em farmacologia, portanto, percebe-se que existe uma preocupação em compreendê-las e praticá-las adequadamente. Salientamos que a referida disciplina é pré-requisito para dar início aos estágios de campo, curriculares e extracurriculares. A primeira prática de campo ocorre a nível hospitalar, enfatizando a importância do conhecimento em farmacologia. REFERÊNCIAS ASPERHEIM. M. K. Farmacologia para Enfermagem. 7ª ed Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1992. BOECHAT, NS. Interação medicamentosa em idosos. J Bras Med., v. 60, n.4, p.75-83, 1991. BORBA, M. R. Alunos e professora de Graduação em Enfermagem criando um espaço terapêutico: reinventando caminhos. [dissertação]. Florianópolis (SC): Programa de Pós Graduação em Enfermagem/UFSC; 1997. HOOD, G. H.; DINCHER, J. Fundamentos e prática da Enfermagem. - atendimento completo ao paciente. 8ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. POTTER, P. A.; PERRY, A. G. Fundamentos de Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001. 4