A situação da olericultura no Estado de Mato Grosso do Sul.
Edson Talarico Rodrigues1; Olita Salati Stangarlin2; Aline Mohamud Abrão Cezar2;
Evani M. da Costa Raggi Gomes2.
1
2
UEMS, Unidade de Aquidauana-MS; Instituto de Desenvolvimento Agrário, Pesquisa, Assistência Técnica
e Extensão Rural – IDATERRA. Rodovia MS 080, Km 10, CEP 79.114-000, Campo Grande - MS, e-mail:
[email protected].
RESUMO
O presente trabalho objetivou analisar a situação da olericultura no Estado de Mato
Grosso do Sul, utilizando informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, de relatórios e boletins da Central de Abastecimento de Mato Grosso do Sul –
CEASA, em Campo Grande. Os dados obtidos comprovaram que o Mato Grosso do Sul
produz apenas 31% das hortaliças que consome, importando o restante principalmente de
SP, PR, SC, RS e MG. No entanto, a avaliação do cenário produtivo regional demonstra
que o Estado possui características de clima e solo apropriadas para o cultivo de
hortaliças, com vistas à meta de auto-suficiência.
Palavras chave: hortaliça, mercado, produção, comercialização.
ABSTRACT - The situation of the horticulture crop in Mato Grosso do Sul State.
This research work have had the objective to analyse the actual situation of vegetable
crops in Mato Grosso do Sul State, using information from The Brazilian Institute of
Geography and Statistics - IBGE, reports and bulletins from Mato Grosso do Sul Central
Supplying Vegetable Crops - CEASA at Campo Grande, MS. The data obtained indicate
that the State of Mato Grosso do Sul produce only 31% of all vegetable crops that the
population use, importing the majority of its needs from the state of São Paulo, Paraná,
Rio Grande do Sul and Minas Gerais. However, in an evaluation of the Regional
productivity scenario its demonstrate that the State have climatic and soil characteristics
well adapted for producing vegetable crops aiming to achieve its own sustainability.
Keywords: vegetable, market, production, commercialization.
INTRODUÇÃO
O Estado de Mato Grosso do Sul se destaca na produção de grãos e pecuária de corte,
apresentando poucas iniciativas no cultivo de hortaliças. No entanto, abrem-se boas
perspectivas com o aumento no número de assentamentos rurais no Mato Grosso do Sul,
que até fevereiro de 2004, somavam mais de 16.000 lotes.
O cultivo de hortaliças é uma atividade com características diferenciadas, tais como a alta
rentabilidade por unidade de área, a intensa variação estacional nos preços dos produtos,
a exploração em áreas relativamente pequenas, a necessidade de irrigação e a demanda
2
pelo uso intensivo de adubos e outros insumos. Estas características fazem da
olericultura uma excelente opção como atividade empresarial para pequenos agricultores
sul-matogrossenses.
Para a exploração bem sucedida da atividade há fatores a serem considerados como
desafiadores ou limitantes. Entre os principais, estão o risco de perdas de produções por
problemas climáticos, mercadológicos ou pragas e doenças, a necessidade de
investimentos iniciais na implantação de infra-estrutura, a necessidade de conhecimentos
tecnológicos especiais, a serem repassados pela assistência técnica e extensão rural
pública ou privada, a necessidade de colher, acondicionar e transportar a produção
freqüentemente e a exigência de esquemas adequados de comercialização da produção.
O presente trabalho objetiva informar sobre a produção e comercialização de hortaliças
no Estado de Mato Grosso do Sul.
MATERIAL E MÉTODOS
Na elaboração deste trabalho foram utilizadas informações estatísticas oficiais (IBGE
2002, 2004), de relatórios e boletins da Ceasa em Campo Grande.
A Estimativa do potencial de mercado de hortaliças no Estado foi feita com base nos
dados de volume comercializado da CEASA Campo Grande no ano de 2001. De acordo
com informações obtidas no Relatório INTERCOOP-MS (2002), a região abastecida pelos
produtos comercializados na CEASA , envolve principalmente Campo Grande e outros
sete municípios localizados no seu entorno. A partir desse universo populacional, foi
estimado o consumo per capita de cada hortaliça, parâmetro utilizado para estimar a
demanda de consumo em todo o estado.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados obtidos comprovam que Mato Grosso do Sul importa grande parte dos produtos
hortigranjeiros destinados ao abastecimento de sua população, haja visto que a CEASA
Campo Grande comercializou 31% de hortaliças oriundas do Estado, e importou o
restante principalmente de SP, PR, SC, RS e MG (Quadro 1).
Essa dependência se demonstra em alguns exemplos marcantes nas entradas de outros
estados para o MS. Do Paraná se importou 60,6% da batata, 55,6% da cenoura, 57,6%
do repolho e 67% do tomate. Santa Catarina forneceu 67,9% da cebola (INTERCOOP-MS,
2002).
O Quadro 2 permite concluir que, com base num consumo per capita regional estimado
em 55,1 kg/ano, o abastecimento do Estado com produções locais demandaria o cultivo
de 4 mil hectares. Essa quantificação é útil para se visualizar o potencial sócio-econômico
da olericultura para o Mato Grosso do Sul, porque as hortaliças exigem o trabalho de pelo
3
menos quatro pessoas por hectare. Então, 16 mil vagas seriam criadas diretamente para
a produção.
Os levantamentos do IBGE em 2002, reafirmam a pouca adoção no cultivo de hortaliças
no Estado (Quadro 3). A cultura que se destaca é a melancia, seguida do tomate e da
batata-doce.
As regiões de Iguatemi, Dourados, Campo Grande e Aquidauana se
destacam com as maiores produções no Estado.
LITERATURA CITADA
IBGE. Produção Agrícola Municipal. Culturas temporárias e permanentes, v. 29, 2002
IBGE.
Censo
Populacional
de
2000.
Disponível
em:
http://
www.ibge.gov.br
/home/estatistica/população/censo2000/defaulttab_munic.shtm. Acesso em 05 de Maio de
2004.
INTERCOOP-MS. Estudo de mercado de produtos hortifruti no estado de Mato Grosso do
Sul. Cooperativa de Trabalho Interdisciplinar, SEPROD-MS, Campo Grande, out. 2002. 75
p. (Relatório Final, v. 02).
Quadro 1 - Participação percentual da origem dos produtos comercializados na CEASA
Campo Grande no ano de 2001, Média Mensal.
Volume Total Participação
Estado
(Toneladas)
(%)
Mato Grosso do Sul
1.788,8
31.0
São Paulo
1180,5
20.85
Paraná
1085,1
18.8
Santa Catarina
855,6
14.8
Rio Grande do Sul
528,0
9.2
Minas Gerais
203,2
3.5
Outros
120,9
2.1
Quadro 2 - Estimativa de volumes e áreas demandadas para o abastecimento da
população urbana de Mato Grosso do Sul tendo como base o consumo de 2001 em
Campo Grande e região.
Volume
Volume para o
Hortaliça
Ceasa ( T ) Abastecimento ( T )
Tomate
8.672
21.581
Melancia
8.491
21.131
Batata
6.829
16.993
Cebola
3.898
9.700
Cenoura
2.763
6.877
Repolho
2.235
5.563
Pepino
1.075
2.675
Chuchu
829
2.062
Pimentão
735
1.829
Batata Doce
659
1.640
Abobrinha
657
1.635
Abóbora Kabotiã
592
1.473
Milho Verde
589
1.465
Produtividade
esperada(T/ha)
39
30
15
28
25
22
15
28
17
19
17
18
15
Área/ Ano (ha)
553
704
1.133
346
275
253
178
74
108
86
96
82
98
4
Couve Flor
Ab. Moranga
TOTAL
411
265
1.022
659
22
21
46
31
38.700
96.304
---
4.064
Quadro 3 - Área Colhida em cada Meso-Região do Mato Grosso do Sul, Produção e
Produtividade Estadual, para Oito Hortaliças. Dados do IBGE, Referentes ao ano 2002.
Espécie
Alho (T)
Batata – doce (T)
Batata (T)
Cebola (T)
Ervilha – grão (T)
Melancia (Mil frutos)
Melão (Mil frutos)
Tomate (T)
Área Colhida por Meso-Região
Baixo
Alto
Campo
Três
Pantanal Taquari Aquidauana Grande Cassilândia Paranaíba Lagoas
57
60
3
22
32
4
2
16
46
Área Colhida por Meso-Região (ha)
Iguatemi
N. Andradina Bodoquena Dourados
3
2
-
Área
Total
Espécie
Produção
Alho (T)
Batata – doce (T)
57
405
Batata (T)
Cebola (T)
5
142
Ervilha – grão (T)
Melancia (Mil
27.31
frutos)
21
13
58
708
917
9
Melão (Mil frutos)
2
10
16
469
Tomate (T)
110
8
182
7.110
Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal, ano 2002 – Lavouras Temporárias
Produtividade/ha
--7,1
--28,4
--29,8
29,3
39,1
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