Mestrado em Ciências da Educação
- Especialização em Animação Sociocultural -
Animação Sociocultural com e para os Seniores
Um estudo de caso na Junta de Freguesia de Ramalde
Autor: Tânia Monteiro Moreira Rodrigues
Orientador: Professor Doutor Marcelino de Sousa Lopes
Dissertação de mestrado em Ciências da Educação – Especialização
em Animação Sociocultural, com vista à obtenção de grau de mestre.
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Escola de Ciências Humanas e Sociais
- Pólo de Chaves –
2011
Este trabalho é dedicado ao meu Avô
que tanta falta me faz!!!
Que fez de mim o que sou hoje
e que partiu sem ver este sonho cumprido!
2
À minha avó
O meu muito obrigado por toda a educação que me transmitiu de valores e afetos que
fazem com que hoje seja o que sou!
À minha estrela maior
Que não conseguimos juntos vingar neste Mundo…mas que viveu dentro de mim
durante 6 meses e que viverá para sempre na minha memória.
A meu pai e minha mãe
Por nunca terem desistido de mim e por estarem sempre presentes.
À minha família
Que sempre me apoiou o meu muito obrigado.
Ao meu marido
Pela paciência, pelo amor, pelo afeto, pela dedicação…por tudo!
À Cristina, À Kiki, À Helena, Ao Zé e Ao Ricardo
Por serem os irmãos que eu nunca tive e por me apoiarem incondicionalmente!
A todos os meus amigos
Obrigado por me acompanharem em mais uma etapa da minha vida!
3
Ao Presidente da JFR, Dr. Manuel Maio,
Por ter apostado em mim e por me ter dado as condições necessárias, para trabalhar
neste âmbito.
Ao Magnifico Reitor da UTAD,
O meu muito obrigado pelo excelente mestrado que permitiu que eu me
tornasse uma profissional a altura dos desafios diários.
Ao Professor Doutor Marcelino de Sousa Lopes
Por ter aceite ser meu orientador, por nunca ter baixado os braços, por acreditar em
mim, por ter apostado em mim, por ser meu amigo…enfim…o meu muito obrigado!
A todos os entrevistados
Pela disponibilidade e amabilidade demonstrada em cooperar comigo.
A todos os seniores
Que já se cruzaram no meu caminho, a todos aqueles com quem
trabalho atualmente, e os que ainda estão para vir o meu muito obrigado,
por todos os momentos de partilha de experiências, conhecimentos e
todos mas mesmos todos os momentos que todos os dias juntos partilhamos!
4
Lista de Abreviaturas
AC – Antes de Cristo
ASC – Animação Sociocultural
EC – Estudo de Caso
GABUR – Gabinete de Apoio aos Utentes
GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem
GMC – Gabinete de Mediação de Conflitos
GSS – Gabinete de Serviço Social
GSC – Gabinete Sociocultural
INE – Instituto Nacional de Estatística
JFR – Junta de Freguesia de Ramalde
OMS – Organização Mundial de Saúde
SIADAP – Sistema Integrado de Gestão e Avaliação de Desempenho na Administração
Pública
5
Índice Geral
Resumo ................................................................................................................. 13
Abstract ................................................................................................................ 15
INTRODUÇÃO ................................................................................................... 16
Capítulo I - Metodologia..................................................................................... 24
1.1.Revisão Bibliográfica .................................................................................. 25
1.2.Enquadramento do Estudo........................................................................... 25
1.2.1.Pergunta de Partida ............................................................................... 25
1.2.2.Objetivos ............................................................................................... 26
1.3.Opções metodológicas ................................................................................. 27
1.3.1. Estudo de caso ..................................................................................... 27
1.3.2. Investigação Qualitativa ...................................................................... 29
1.3.3.Técnicas ................................................................................................ 30
1.4. Análise e discussão dos resultados ............................................................. 35
Capítulo II - Envelhecimento ............................................................................. 50
2.1. Envelhecimento .......................................................................................... 51
2.2. Envelhecimento Ativo ................................................................................ 59
2.3. Envelhecimento, Gerontologia e Geriatria ................................................. 63
6
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores .................. 70
3.1. O que é a Animação Sociocultural ............................................................. 71
3.1.1. Origem e Evolução .............................................................................. 71
3.1.2. Proposição e Aceções de Animação Sociocultural .............................. 75
3.1.3.Funções da Animação Sociocultural na Sociedade Atual .................... 80
3.1.4.Níveis de ASC ...................................................................................... 81
3.1.4.1Modelos de Iniciativa e de Financiamento de Projetos ...................... 82
3.1.5. ASC e perspetivas vindouras ............................................................... 83
3.2. Animação Sociocultural com e para os Seniores ....................................... 87
3.3.Perfil do Animador Sociocultural para os Seniores .................................... 94
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa .................................................................................................. 100
4.1. A ASC e a Educação Intergeracional ....................................................... 101
4.2.A ASC, a Educação Permanente e as Universidades Seniores ................. 107
4.3. A ASC, o Voluntariado, a Cidadania e a Participação ............................. 112
4.4. A ASC nas Autarquias ............................................................................. 118
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural para e com
os Seniores ................................................................................................................... 125
5.1.Técnicas de Animação Turística para e com os Seniores.......................... 126
7
5.2. Técnicas de Animação Teatral para e com os seniores ............................ 129
5.3.Técnicas de Animação Musical para e com os seniores ........................... 135
5.3.1.Musicoterapia ..................................................................................... 138
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR ................... 140
6.1.Junta de Freguesia de Ramalde ................................................................. 141
6.1.1.Evolução histórica da Freguesia de Ramalde ..................................... 141
6.1.2. Caracterização da Junta de Freguesia de Ramalde ............................ 142
6.2. Práticas de Animação Sociocultural com e para os seniores na Junta de
Freguesia de Ramalde ............................................................................................... 145
6.2.1.Projeto Ramalde Solidário .................................................................. 145
6.2.2.Colónia Balnear Intergeracional ......................................................... 145
6.2.3.Visitas Temáticas ................................................................................ 145
6.2.4.Semana Europeia da Prevenção de Resíduos ..................................... 146
6.2.5.Carnaval .............................................................................................. 146
6.2.6.Magustos ............................................................................................. 146
6.2.7.Coro Sénior ......................................................................................... 146
6.2.8.Universidade + Sénior ........................................................................ 147
6.2.9.Encontros Intergeracionais ................................................................. 147
6.2.10.Encontros Intercentros ...................................................................... 147
8
6.2.12.Voluntariado – Um contributo de Cidadania .................................... 148
6.2.13.Exposição de Trabalhos dos Seniores de Ramalde........................... 148
6.2.14.Sardinhada de S. João ....................................................................... 148
6.2.15.Dia Internacional dos Museus .......................................................... 149
6.2.16.Dia do Sénior .................................................................................... 149
6.3.Caraterização dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde .... 150
6.3.1.Centro de Dia do Exército de Salvação .............................................. 150
6.3.2.Centro Social do Grupo Desportivo e Cultural do Bairro de Santo
Eugénio.................................................................................................................. 150
6.3.3.Centro de Convívio da Associação de Moradores da Zona de Francos
............................................................................................................................... 151
6.3.4.Centro de Convívio do Grupo Desportivo do Viso ............................ 151
6.3.5.Centro Social, Desportivo e Cultural do Bairro das Campinas .......... 151
6.3.6.Grupo Desportivo do Centro Social do Bairro de Francos ................. 152
6.3.7.Centro Social da Paróquia da Nossa Senhora da Boavista ................. 152
6.3.8.Centro de Dia Artur Brás .................................................................... 152
6.2.9. Lar do Calvário do Carvalhido .......................................................... 153
6.2.10. Lar das Irmãzinhas do Pinheiro Manso ........................................... 153
6.2.11. Centro de Dia e de Convívio do Santíssimo Sacramento ................ 153
9
Conclusão ........................................................................................................... 154
Bibliografia ........................................................................................................ 159
Apêndices ........................................................................................................... 168
10
Índice de Quadros
Quadro 1 – Ramalde Solidário. ............................................................................. 36
Quadro 2 – Colónia Balnear Intergeracional ........................................................ 37
Quadro 3 - Visitas Temáticas. ............................................................................... 38
Quadro 4 – Semana Europeia da Prevenção de Resíduos ..................................... 39
Quadro 5 – Carnaval . ........................................................................................... 40
Quadro 6 – Magustos. ........................................................................................... 41
Quadro 7 – Coro Sénior. ....................................................................................... 42
Quadro 8 –Universidade Sénior. ........................................................................... 43
Quadro 9 – Encontros Intergeracionais. ................................................................ 43
Quadro 10 – Encontros Intercentros. .................................................................... 44
Quadro 11 – Peddy–paper intergeracional. ........................................................... 45
Quadro 12 – Voluntariado..................................................................................... 46
Quadro 13 – Exposição de Trabalhos dos Seniores. ............................................. 46
Quadro 14 –Sardinhada de S. João. ...................................................................... 47
Quadro 15 – Dia Internacional dos Museus .......................................................... 47
Quadro 16 – Dia do Sénior.................................................................................... 48
Quadro 17 – Marcos Concetuais de Animação Sociocultural .............................. 76
Quadro 18 – ASC para e com os Seniores. ........................................................... 92
Quadro 19 – Perfil do Animador Sociocultural para e com os seniores. .............. 98
Quadro 20- Animação Sociocultural e a Educação Intergeracional. .................. 105
Quadro 21- Animação Sociocultural, Participação, Voluntariado e Cidadania . 117
11
Quadro 22- Animação Turística para os Seniores............................................... 127
Quadro 23- Contributo da Animação Teatral nos Seniores ................................ 133
12
Resumo
O presente trabalho tem como tema a Animação Sociocultural com e para os
Seniores, tem como objeto de estudo as atividades realizadas na Junta de Freguesia de
Ramalde, foi desenvolvido no âmbito do 2º Ciclo de Estudos, Ciências de Educação –
Especialização em Animação Sociocultural da Universidade de Trás-os-Montes e Alto
Douro da Escola de Ciências Humanas e Sociais do Pólo de Chaves.
Pretendeu-se com este estudo averiguar se as atividades de Animação
Sociocultural promovidas pela Junta de Freguesia de Ramalde correspondem àquilo
que a teoria nos revela deverem ser atividades de Animação Sociocultural para e com os
seniores e desta forma explicamos e identificamos todas as atividades que são
promovidas na JFR, bem como os locais (Centros de Dia/Convívio) onde as mesmas
ocorrem. A metodologia utilizada neste presente estudo é o estudo de caso, e as técnicas
utilizadas foram a entrevista, realizada a Professores Universitários e autores no âmbito
da Animação Sociocultural e a observação participante a todas as actividades que são
realizadas na JFR.
Focamos a questão da Animação Sociocultural quer no seu cômputo geral quer no
âmbito dos seniores, não descurando a importância que têm as questões ligadas ao
envelhecimento, o que nós enquanto animadores pretendemos preconizar um
envelhecimento ativo e por isso se torna importante explanar acerca das técnicas e
recursos utilizados neste âmbito.
Procuramos alicerçar os princípios norteadores da Animação Sociocultural com a
gerontologia social e educativa no sentido de encontrar novos paradigmas ancorados
numa pedagogia da vivência, convivência, experiência, participações que constituem o
âmago da nossa investigação.
É esta ação educadora que alia o ser com o saber, o saber com o saber fazer
procurando sempre um aprender e um reaprender a viver juntos num quadro
participativo marcado pelo compromisso da procura da autonomia e do auto desenvolvimento.
13
A nossa investigação é por isso reveladora da importância de uma Animação
Sociocultural que valoriza a educação intergerações como um novo rumo civilizacional
para o século XXI.
Palavras-Chave: Seniores, Animação Sociocultural, Junta de Freguesia de
Ramalde, Envelhecimento.
14
Abstract
The present work has as its theme the Sociocultural Animation with and for
Seniors, has as its object of study the activities at the JFR, was developed as part of the
2nd Cycle Studies, Science Education - Specialization in Sociocultural Animation
University of Tras-os-Montes and Alto Douro School of Humanities and Social Pole of
the Council of Chaves.
The intention of this study was to ascertain whether the activities of Sociocultural
Animation promoted by the JFR correspond to what the theory tells us should be
Sociocultural Animation activities for and with seniors and thereby explain and identify
all activities that are promoted in POR, as well as the locations (centers Day) where they
occur. The methodology used in this study is the case study, and the techniques used
were the interview, conducted at University Teachers and authors within the
Sociocultural Animation and participant observation to all activities that are performed
in the JFR.
We focus on the issue of Sociocultural Animation either on your overall result
either under the senior, not forgetting the importance they have issues related to aging,
which we intend to advocate while encouraging active aging and so it becomes
important to explain about the techniques and resources used in this context.
We seek to underpin the guiding principles of Sociocultural Animation with social
gerontology and education in order to find new paradigms grounded in a pedagogy of
experience, familiarity, experience, interests that constitute the core of our research.
Is this action educator who combines being with knowledge, knowledge with
knowledge always looking to learn and relearn how to live together in a participatory
framework marked by compromise demand of autonomy and self - development.
Our research is therefore indicative of the importance of Sociocultural Animation
intergenerational that values education as a new direction for the twenty-first century
civilization.
Keywords: Seniors, Sociocultural Animation, Junta de Freguesia de Ramalde,
Aging
15
Introdução
INTRODUÇÃO
O presente estudo insere-se numa análise à problemática da terceira Idade na
Freguesia de Ramalde e tem como propósito aferir em que medida as estruturas sociais,
culturais e educativas respondem às necessidades desta faixa etária.
O mote deste trabalho surge com o ditado popular “Velhos são os trapos”
Expressão popular que já todos ouvimos e que nos deve fazer repensar o papel dos
nossos “velhos” na sociedade.
O termo velho normalmente tem um sentido pejorativo bastante grande…todas as
pessoas lhe associam uma conotação errada, mas o termo velho no Brasil, por exemplo,
é utilizado como sinal de reconhecimento e carinho.
Antigamente os “velhos” eram considerados anciãos e fontes de toda a sabedoria e
experiências enriquecedoras…hoje em dia o velho é visto como um trapo na verdadeira
aceção da palavra, por isso se torna relevante estudar esta faixa etária, bem como criar
políticas de inserção e envolvimento e aí a Animação Sociocultural assume um papel
bastante importante.
Importa referir que a denominação que vamos utilizar preferencialmente neste
trabalho para nos referirmos aos Idosos, Velhos, Terceira Idade… é Seniores, porque
entendemos que não possui qualquer carga negativa e enaltece a condição e dignifica
esta faixa etária.
Consideramos que a Animação Sociocultural não pretende dar mais anos à vida
mas sim mais vida aos anos desta população sénior. Atendendo a esse desiderato a
presente investigação procura a partir da análise empírica e a fundamentação teórica
estabelecer as pontes para uma vida vivida com sentido, isto é, uma vivência na
convivência.
Atendendo a que ninguém convive sozinho, já que o ato de conviver, é viver com,
procuramos no terreno fértil da Animação Sociocultural a noção de uma estratégia
marcada pelo interagir nas dimensões do social, cultural e educativo.
Introdução
Os seniores devem ter voz, e devendo ser eles a consciencializar-se de que são o
próprio objeto e início da mudança e por isso corroboramos da opinião dos autores
quando afirmam que,
“ A sociedade evoluiu do paradigma assistencialista (idoso sem poder, vergado
aos desígnios técnicos), para um modelo promotor de autonomia (“dar voz” às pessoas
idosas), no qual as pessoas mais velhas são o objecto impulsionador da sua própria
intervenção.”
Portugal e Azevedo (2011, p.228)
Portugal assiste hoje, cada vez mais, a um envelhecimento progressivo da sua
população com a taxa de natalidade cada vez mais baixa e a esperança média de vida
cada vez mais alta e, por isso, partilhamos da ideia de Requejo (1997 e 1998, p. 251)
que um dos aspetos mais importantes dos últimos tempos é o,
“envelhecimento da população. Uma realidade biológica que tem como
elementos confluentes a queda da fecundidade e, sobretudo, o aumento da esperança de
vida.”
Hoje, Portugal tem uma taxa de natalidade de 9.80%, de acordo com o Instituto
Nacional de Estatística (2009) e uma esperança média de vida cada vez mais alta (à
nascença é de 78.7 anos de acordo com a mesma fonte). Tendo em consideração Simões
(2006, p.17),
“(...) de algumas décadas a esta parte, registaram-se nos países desenvolvidos,
drásticas modificações na estrutura da população”.
Aumentou, por um lado, a esperança de vida à nascença e diminuiu, por outro, a
taxa de natalidade. Podemos constatar estas questões, segundo alguns autores,
Em Portugal, segundo Oliveira (2010, p.16),
“ (…) em 1960 a população de idosos (com 65 e mais anos) representava cerca
de 8% (destes 33% tinham 75 ou mais anos); em 1975 andava à volta dos 12%; em
2000, segundo o último censo, a percentagem de idosos era de 16,4% (16% até aos 14
anos; 14,3 entre os 15-24). Em 2004, segundo o INE, o número de idosos era de
1.790.500. actualmente, a população de idosos portugueses já ultrapassa a dos jovens
(com menos de 15 anos). Por volta de 2025 os idosos poderão atingir 20% da
população (enquanto os jovens andarão pelos 16%) e em 2050 serão cerca de 30%.”
17
Introdução
Também o autor Jacob (2007, p.15) faz uma referência à questão do
envelhecimento da população portuguesa,
“ Em 1960, a população portuguesa com menos de 15 anos representava 28.8%
por cento da população total e os idosos representavam 8.1 por cento dessa população.
Em 2004, o panorama alterou-se completamente e os idosos representavam 15.2 por
cento da população e o grupo dos menores de quinze anos 16.8 por cento. Se
acrescentarmos a esta perspectiva os cálculos do Eurostat para Portugal, o cenário
ainda é mais impressionante. Segundo estas previsões, em 2020 a percentagem de
idosos será de 20.6 e a de jovens 12.6. “
Para Requejo (2007, p.11), as transformações ao nível demográfico são um dos
fenómenos sociais mais importante dos últimos anos,
“ Uma das transformações sociais mais importantes que ocorreram nos últimos
cinquenta anos está relacionada com o aumento demográfico das pessoas de idade.
Assistimos, portanto, ao fenómeno crescente e novo do envelhecimento da população
em todas as sociedades economicamente desenvolvidas.”
O envelhecimento da população é uma constante em todos os países e deve ser
tido em consideração pois acaba por se revelar transversal a todos os níveis como nos
refere a autora, Squire (2005, p.4),
“A população da Grã-Bretanha e da maior parte dos outros países está a
envelhecer e, apesar desta tendência ter sido ignorada durante dois séculos, é agora
olhada como um dos maiores desafios políticos e económicos do futuro.”
Verificamos então que cada vez mais as sociedades mundiais terão presentes,
cidadãos em idade sénior e daí advém a importância de se perceber o porquê deste
fenómeno, e desta forma o aumento de pessoas situadas nesta faixa etária advém de
vários motivos segundo Requejo (2007, p.11) como sendo,
“ Em primeiro lugar, o aumento da esperança de vida para além dos 70 anos
(…). (…) Em segundo lugar, a diminuição abrupta da fecundidade nos últimos anos
tornou mais visível o aumento de idosos constatado nas “pirâmides etárias”.
Requejo (2007, p.11) refere, relativamente às transformações sociais e
demográficas, o seguinte,
“ Este acontecimento converteu os chamados “idosos” num grupo social que
atrai o interesse individual e colectivo de forma crescente, devido às suas implicações a
nível familiar, social, económico, politico, etc.”
18
Introdução
Devido a este envelhecimento da população que tem sido manifestado na
população mundial, é importante conforme nos refere Jacob (2007, p.15), o aumento de
populações seniores é excelente e é um grande “êxito da Humanidade”, acaba também
por se tornar um desafio, na medida em que todos temos que estar preparados a todos os
níveis,
“Perante o envelhecimento progressivo da população, a sociedade civil e o
Estado têm vindo a organizar-se e a criar condições para acolher um número crescente
de idosos (…) O envelhecimento da população é um dos maiores êxitos da humanidade,
porém é também um dos seus maiores desafios, devido às suas consequências sociais,
económicas e políticas. “
Tendo em conta este paradigma torna-se urgente aprofundar e criar políticas de
intervenção junto da Terceira Idade para que esta não seja tida como o fim de vida, mas
sim como uma nova etapa do ciclo de vida. Esta perspetiva remete-nos para a
importância das atividades de Animação Sociocultural como processo continuado e não
como mera mostra de produtos/atividades que se esgotam no momento da apresentação.
De acordo com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, entende-se que é
cada vez mais um imperativo social, moral e cívico proporcionar uma vida condigna e
equilibrada independentemente da sua condição social, intelectual, profissional,
económica e sobretudo etária, torna-se importante fundamentar e referir que a
Animação Sociocultural surge como uma resposta social importante e necessária para
que a “velhice” não seja entendida como um mal menor e como algo que é inato.
Requejo (1997 e 1998, p.255) chama atenção para o fato da ASC ter na sua
essência a capacidade de colocar as pessoas como atores principais na sua vida.
“Uma das funções chave da animação sociocultural consiste no facto de as
pessoas e os colectivos se transformarem em agentes e protagonistas do seu próprio
desenvolvimento. O que particularmente interessa nos processos de animação é gerar
processos de participação, criando espaços para a comunicação dos grupos e das
pessoas, tendo em vista estimular os diferentes colectivos a empreenderem processos de
desenvolvimento social (resposta às suas necessidades num espaço, tempo, situações
determinadas…) e cultural (construindo a sua própria identidade colectiva, criando e
participando nos diferentes projectos e actividades culturais).”
19
Introdução
A Animação Sociocultural apresenta-se como o grande motor capaz de
proporcionar mecanismos de combate à exclusão e isolamento desta faixa etária,
permitindo a sua inserção social, bem como criar a expectativa real de que a sociedade e
a comunidade reconhecem, tal como antigamente, que esta faixa etária é uma fonte de
saberes e experiências enriquecedoras que devem ser trocadas sobretudo com os mais
novos.
Tendo em conta o trabalho que pretendemos realizar e o nosso objeto de estudo,
torna-se necessário delimitar a ASC no âmbito da Terceira Idade, e como qualquer
âmbito, também este é detentor de características fundamentais e que é necessário ter
em conta,
“No caso concreto da terceira idade, encontramo-nos perante um colectivo que tem
características muito específicas: idade, aposentação e que, portanto, está liberto de
um trabalho determinado de forma sistemática; diferentes situações de convivência (em
casal, viuvez, solidão); situações de saúde geral e condições físicas muito diferentes;
contexto residencial de acordo com situações particulares (em habitação própria, com
familiares, em instituições especificas: lares de terceira idade, centros de dia…); uma
maior disponibilidade dos tempos livres, etc.”
Requejo (1997 e 1998, p. 256)
Percebemos desta forma que a ASC, na sua essência e no âmbito dos seniores,
pretende criar espaços de participação e de integração dos mesmos na sua comunidade e
fomenta uma cidadania ativa e promotora de desenvolvimento de tarefas coletivas,
“La aparición de la Animación Sociocultural en el campo de las personas mayores
surge en respuesta a una ausencia o diminución de su actividad y de sus relaciones
sociales. Para calmar esse vacío, la Animación Sociocultural trata de favorecer la
emergência de una vida centrada alrededor del individuo o del grupo. La Animación
concibe la idea de progreso de las personas mayores a través de su integración y
participación voluntaria en tareas colectivas en las que la cultura juega un papel
estimulante.
Elizasu (2001, p.13)
Urge, então, desmistificar o conceito de terceira idade, assim como protagonizar
um envelhecimento ativo e digno a todos aqueles que entram nesta nova etapa da vida.
20
Introdução
Este é o objetivo do Gabinete Sociocultural da Junta de Freguesia de Ramalde que
trabalha para e com os seniores durante todo o ano e promove inúmeras atividades para
que os seniores se sintam úteis, motivados e inseridos no meio a que pertencem.
A participação em atividades promovidas pela Junta de Freguesia de Ramalde é
uma participação voluntária, mas cabe ao poder politico motivar a participação de todos
principalmente com os seniores isolados e sem qualquer tipo de retaguarda familiar para
que os mesmos se sintam úteis e necessários à sociedade.
No I Capítulo – Metodologia, encontra-se definido e explanado tudo o que se
refere a esta temática, ou seja, o método utilizado, a escolha do tema, os objetivos de
estudo bem como as técnicas utilizadas.
No II Capítulo – Envelhecimento, optamos por delinear um pouco o que se
entende por envelhecimento e também sobre o processo de envelhecimento ativo.
No III Capítulo – ASC com e para os Seniores; numa 1ª fase fazemos alusão a
Animação Sociocultural, a sua origem e evolução, as funções da mesma na sociedade
atual e, como o próprio nome do capítulo indica, abordamos a temática da Animação
Sociocultural no âmbito da Terceira Idade. Por último fazemos uma análise das
características que deve ter um animador sociocultural neste âmbito.
No IV Capítulo – ASC nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e
Educativa, sendo neste capítulo abordado o que se refere à Educação Intergeracional e
a sua importância, como é que a Participação, Cidadania e Voluntariado se interligam, a
Educação Permanente tão relevante no âmbito desta idade e uma vez que o nosso estudo
empírico foi realizado numa autarquia pareceu-nos pertinente fazer um périplo e
perceber como foi e é a ASC nas Autarquias.
No V Capítulo – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural para e
com os Seniores, pretendemos explanar em que âmbito a Animação Turística,
Animação Teatral e Animação Musical, são importantes na prática da ASC com e para
seniores.
No VI Capítulo – Práticas da ASC com e para os Seniores na JFR, onde se
inicia por fazer uma pequena abordagem à evolução histórica da Freguesia e da Junta de
Freguesia de Ramalde, bem como a uma breve caracterização da mesma. São também
21
Introdução
enumeradas e explicitadas as práticas de ASC na JFR para e com os seniores e por
último identificam-se os Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde e suas
características.
O mote para este estudo está lançado e, como afirmam Berger e Mailloux-Poirier
(1995, p.123)
“O principal inimigo do ser humano que envelhece é o próprio, e a única vitória
importante é a vitória sobre si próprio.”
Em termos finais referimos que o caminho traçado para a elaboração deste
trabalho cientifico é um caminho marcado pelo desassossego pois lamentavelmente não
tem existido na sociedade Portuguesa a atenção devida a estes seres humanos, por isso,
sem pretendemos dar respostas definitivas, é nosso desejo contribuir para que estes
“Maiores”, Idosos, Anciãos...sejam os grandes Mestres de um Saber feito através da
vivência e da convivência.
22
“O Século XXI é o Tempo da Terceira Idade, um tempo que pretendíamos
que fosse de valorização da Terceira Idade e não de encurralamento da Terceira
Idade, contudo os sinais fornecidos nesta primeira década não nos tranquilizam.”
Lopes (2009, p.223)
Capítulo I - Metodologia
Capítulo I - Metodologia
Capítulo I - Metodologia
“Se pudéssemos primeiro saber onde estamos
e para onde nos dirigimos, podíamos avaliar
melhor o que fazer e como fazê-lo.”
Abraham Lincoln
1.1.Revisão Bibliográfica
Antes de partirmos para este trabalho científico foi importante fazermos uma
revisão bibliográfica acerca do tema que pretendíamos estudar.
Desta forma optámos por reunir um conjunto de obras e comunicações que nos
permitissem estudar e aprofundar os conceitos no que se refere à Animação
Sociocultural – ASC de uma forma geral e global e a mesma no âmbito da Terceira
Idade, ou na nomenclatura por nós utilizada, no âmbito dos seniores, conforme nos
referem os autores AA.VV. (1997, p.32)
“Fala-se de pesquisa bibliográfica quando se trata de descobrir textos (livros,
artigos, documentos) sem omitir uma referência essencial, mas sem se deixar submergir
pelo que não tem interesse.”
Pareceu-nos verdadeiramente importante fazer uma abordagem a determinados
temas dentro deste âmbito ressaltando os mais importantes e os que se relacionam com
o estudo que realizámos na Junta de Freguesia de Ramalde.
1.2.Enquadramento do Estudo
1.2.1.Pergunta de Partida
No que se refere à pergunta de partida, devemos ter em consideração aquilo que
nos refere Quivy e Campendehout (1992) a pergunta de partida deve ser clara, precisa,
unívoca e concisa. Deve ser exequível no sentido da investigação e adequada com a
investigação que pretendemos levar a cabo.
25
Capítulo I - Metodologia
A mesma deve ser coerente e corresponder objetivamente aquilo que pretendemos
com o estudo que levamos a cabo,
“Consiste em procurar enunciar o projeto de investigação na forma de uma
pergunta de partida, através da qual o investigador tenta exprimir o mais exactamente
possível o que procura saber, elucidar, compreender melhor.”
Quivy e Campendehout (1992, p.32)
Obviamente que a pergunta de partida, segundo o mesmo autor, só faz sentido se a
mesma representar aquilo que pretendemos estudar e se estiver “corretamente formulada”,
desta forma formulamos a seguinte pergunta de partida para o nosso estudo:
Qual a Importância da Animação Sociocultural na intervenção junto
dos Seniores da Freguesia de Ramalde?
1.2.2.Objetivos
No que se refere aos objetivos, e segundo Fortin (1999, p.100),
“O objetivo de um estudo indica o porquê da investigação. É um enunciado
declarativo que precisa a orientação da investigação segundo o nível dos
conhecimentos estabelecidos no domínio em questão.”
Tendo estas questões presentes, definimos os seguintes objetivos,
- Perceber em que medida as atividades promovidas pela JFR para os seniores vão
de encontro com as suas expectativas;
- Aferir da envolvência da comunidade sénior de Ramalde em atividades
promovidas pela JFR;
- Refletir da importância das atividades realizadas no contexto da educação não
formal e informal;
- Analisar os níveis de participação da população sénior em atividades
intergeracionais;
- Confrontar a bibliografia consultada com as entrevistas a 6 Professores e
Trabalhadores na área da ASC;
26
Capítulo I - Metodologia
- Perspetivar soluções no que se refere às atividades promovidas pela JFR.
Após a formulação dos objectivos partimos para as opções metodológicas que
enquanto investigadores recorremos.
1.3.Opções metodológicas
Partimos da premissa de López Yepes, citado por Lopes (2008, p.82)
“ O Investigador é um explorador que caminha seguindo o rastro, as
pegadas, os vestígios de outros como ele. Quando termina de segui-los, inicia
a partir do novo ponto de partida um percurso rumo a verdade procurada com
obsessão, a que implica atravessar bosques, caminhar debaixo de cascatas
poderosas, cruzar rios indómitos e afrontar outros perigos, o maior de todos o
desânimo. Mas quando chegue a meta, quando descobre aquilo que procurava,
saboreará de tal modo o êxito que vai querer repeti-lo e …provavelmente
consagrará toda a sua vida à aventura da investigação científica.”
1.3.1. Estudo de caso
O Estudo de caso - EC é uma forma de investigação que não é feita em nenhum
ambiente artificial ou condicionado por algum motivo ou de alguma forma.
Podemos afirmar que o estudo de caso é a metodologia que mais se coaduna como
o tipo de estudo que pretendemos realizar uma vez que pretendemos avaliar a realidade
tal e qual como ela nos é apresentada no dia-a-dia e que aconteça de uma forma natural
e não controlada. Nunca esquecendo também que o investigador está intimamente
ligado e implicado no estudo aprofundado de casos particulares. Gil (1999).
Tendo em conta que,
“ O método de Estudo de Caso (EC) começa a usar-se com mais
frequência nas Ciências Humanas e Sociais enquanto procedimento de análise
da realidade. No entanto, convém referir que o predomínio dos métodos de
carácter quantitativo, no nosso contexto social, não tem proporcionado o
27
Capítulo I - Metodologia
desenvolvimento de metodologias de carácter qualitativo que surgem com
grande predomínio no momento actual. Uma dessas metodologias tem sido o
Estudo de Caso.”
Perez (2011, p.102)
E que como afirma Ander-Egg (2003, p.313),
“En las ciencias sociales, el estúdio de caso consiste en un tratamiento
global/holístico de un problema, contenido, proceso o fenómeno, en el que se
centra todo el foco de atención investigativa, ya se trate de un individuo,
grupo, organización, institución e pequeña comunidad.”
Desta forma, a metodologia por nós escolhida, uma vez que fizemos esta
investigação na Junta de Freguesia de Ramalde, ou seja, uma instituição bem definida,
foi o estudo de caso, pois pareceu-nos o mais adequado tendo em conta os objetivos a
que nos propusemos com este trabalho, bem como o tempo que tínhamos disponível
para o fazer,
“ (…) é especialmente indicado para investigadores isolados, dado que
proporciona uma oportunidade para estudar, de uma forma mais ou menos
aprofundada, um determinado aspecto de um problema em pouco tempo –
embora alguns estudos sejam desenvolvidos durante um período longo (…).”
Bell, J. (2008, p.23)
Deve-se ter em consideração os seguintes passos básicos (Ander-Egg (2003, p.
318-319) ao usar o estudo de caso como metodologia,
“Una observación participante (lo que Mary Richmond sugería hacer con lo
que denominaba “relacionarse con la gente”). Esto se puede realizar de
diferentes maneras y circunstancias como, por ejemplo, participando en
alguna actividad en donde el sujeto motivo de estudio interviene normalmente,
así como también uniéndose en juegos y celebraciones en donde éste participe.
No son relaciones conversacionales, sino observaciones/percepciones no
mediatizadas por palabras.
Entrevistas que permiten recopilar información de manera más sistemática;
sugerimos la entrevista focalizada, en la versión más simplificada, que
explicamos en otra parte del libro.
28
Capítulo I - Metodologia
Conversaciones sobre temas de interés del hombre o mujer, cuyo caso es
motivo de estudio. En esto el investigador debe tener una estrategia: comenzar
por cuestiones superficiales que no comprometen en nada al sujeto; por
ejemplo, cosas triviales (…). Sólo después de haber creado un ambiente
cordial de intercambio, se entrará en temas de fondo, más comprometidos y,
en algunos casos, conflictivos (…)
En el uso de cualquiera de estos tres procedimientos, en lo que hay que
tener verdadera preocupación es en captar lo que se oye e se ve. Por otro lado,
aunque se tomen notas más o menos telegráficas, al final de la jornada hay
que desarrollar lo registrado lo más ampliamente posible y con la mayor
fidelidad factible.”
Percebemos então que quando se utiliza o EC como metodologia, devemos dar
grande importância a tudo o que vemos pois poderá trazer-nos aspetos importantes para
a investigação e podem complementar as entrevistas e conversas formais ou informais.
No que se refere à observação note-se que apesar de, enquanto investigadores,
observarmos uma atividade devemos estar sempre atentos e tomar nota de tudo o que é
dito durante o decorrer da mesma e no final do dia fazermos uma compilação de tudo o
que escrevemos.
O EC, trata-se muito mais que uma história ou descrição de um acontecimento ou
circunstância,
“É uma investigação que se assume como particularística, isto é, que se
debruça deliberadamente sobre uma situação específica que se supõe ser única
ou especial, pelo menos em certos aspectos, procurando descobrir a que há
nela de mais essencial e característico e, desse modo, contribuir para a
compreensão global de um certo fenómeno de interesse.”
Ponte, J. (2006, p.2)
1.3.2. Investigação Qualitativa
Tendo em conta a investigação qualitativa que levamos a efeito, bem como os
objetivos a que nos propusemos no inicio do nosso estudo e após a revisão bibliográfica
29
Capítulo I - Metodologia
que levamos a cabo, foram a entrevista e a observação, uma vez que como afirma Lopes
(2008, p.85),
“No âmbito da investigação qualitativa, a entrevista possui laços
evidentes com outras formas de recolha de dados, nomeadamente, com a
observação.”
A observação participante assume-se também como uma técnica de investigação
qualitativa e como nos dizem os autores Hérbert e Boutin e Goyette (1990, p.155)
“A observação participante é portanto uma técnica de investigação
qualitativa adequada ao investigador que deseja compreender um meio social
que, à partida, lhe é estranho ou exterior e que lhe vai permitir integrar-se
progressivamente nas actividades das pessoas que nele vivem.”
1.3.3.Técnicas
1.3.3.1. Entrevista
Esta técnica, comummente utilizado nas ciências sociais e na investigação social,
pode assumir diversas formas e pode ou não ser alvo de vantagens e desvantagens no
que se refere à sua utilização.
Cabe a cada investigador optar pelo tipo de entrevista que mais favorecerá a sua
investigação.
Nós optamos, enquanto investigadores, e uma vez que os entrevistados se
encontravam em espaços físicos bastante distantes uns dos outros, enviar o guião de
entrevista por correio eletrónico e as respostas foram-nos reencaminhadas pela mesma
via, ou seja, o nosso guião de entrevista estava perfeitamente estruturado com perguntas
devidamente delineadas e com uma ordem definida para que possa corresponder ao
nosso estudo teórico, pois segundo Lopes (2008), existem principalmente três tipos de
entrevistas, a estruturada, a semi-estruturada e a não estruturada, todas elas com
diferenças que devem ser salientadas e que são importantes como já atrás referimos para
30
Capítulo I - Metodologia
que o investigador possa perceber qual a que mais se coaduna com o seu estudo, bem
como com as pessoas que necessita de entrevistar (em termos de local, disponibilidade
entre outras questões que podem também condicionar a escolha do tipo de entrevista),
“Na estruturada é colocada a mesma série de perguntas, segundo uma
ordem sequencial definitiva, é também, vulgarmente, designada como
estandardizada e directiva; a não estruturada apresenta um carácter livre,
aberto e informal; não possui um carácter estruturado, não apresenta a mesma
sequência ordenada de perguntas, permitindo que o diálogo se processe
livremente com vista à obtenção do maior número possível de informações; na
semi/estruturada, utiliza-se o mesmo conjunto de possíveis perguntas todos os
inquiridos, mas não necessariamente segundo a mesma ordem, uma vez que as
perguntas devem ser colocadas de modo fléxivel, adaptável ao ritmo dos
entrevistados.”
Lopes (2008, p.87)
Devido:
1- Ao curto espaço de tempo que tínhamos disponível para a realização do estudo
e dos objetivos que delineamos para as entrevistas, optamos pela entrevista estruturada,
uma vez que:
“Quanto mais padronizada for a entrevista, mais fácil será agregar e
quantificar os resultados.”
Bell (2008, p.139)
2- Ao que pretendíamos estudar, optámos pelas entrevistas realizadas a 6
professores universitários e experientes na área da Animação Sociocultural, por forma a
contrapor com a bibliografia consultada e que as mesmas nos trouxessem novas
informações e visões da problemática da ASC no âmbito dos seniores;
3- A avaliação que os técnicos, seniores e políticos responsáveis pelas atividades
(Presidente e vogal) fazem de cada uma das atividades, em que os seniores emitem
opinião acerca do que gostaram mais, do que gostaram menos e se pretendem que a
mesma continue a figurar no plano anual de atividades, todas essas conversas informais
estão na nossa posse e por isso constarão do nosso estudo de caso. Por isso, não nos
pareceu para este estudo ser importante a realização de entrevistas aos seniores que
participam nas atividades promovidas pela Junta de Freguesia de Ramalde, uma vez que
31
Capítulo I - Metodologia
sempre que existe uma iniciativa é feita uma avaliação. O que pretendíamos
fundamentalmente era saber a opinião dos entrevistados acerca de cada um dos temas
que nos interessava estudar e poder contrapor com os dados das grelhas de observação
que construímos.
1.3.3.2. Observação
Quanto à observação e tendo em conta que como afirma Gil (1999, p.19) “Pela
observação o ser humano adquire grande quantidade de conhecimentos”
e uma vez que o
observador se encontra integrado, optamos por uma observação participante em que, “é
o próprio investigador o instrumento principal de observação (….)”
Hérbert e Goyette e Boutin
(1990, p.155).
No presente trabalho, enquanto observador vamos integrar-nos no grupo e
construir uma grelha de observação para ser possível registar tudo o que é necessário e
importante para levar a efeito a investigação.
Ao construirmos as grelhas de observação baseamo-nos na forma de planificar e
programar atividades que Ander-Egg (2000) apresenta e que faz sentido figurarem nas
mesmas, para que seja possível entender o que na realidade se pretende ao recorrer à
observação participante e consequentemente ao registo em grelhas de observação,
- “Quê se quiere hacer, naturaleza del proyecto”, ou seja, o que
queremos ou pretendemos fazer, na grelha de observação figura
no início, como sendo o título da atividade que foi promovida;
- “Por Quê se quiere hacer, origen y fundamentación”, isto quer
dizer, qual o motivo pelo qual se pretende promover determinada
atividade, todas as atividades promovidas pela Junta de Freguesia
de Ramalde, são realizadas devido à já referida avaliação que
acontece após a sua realização. Não figura na nossa grelha de
observação na medida em que é universal para todas as
atividades;
32
Capítulo I - Metodologia
- “Para Quê se quiere hacer, objetivos, propósitos”, “Cuánto se
quiere hacer, metas”, estas duas questões acabam por se associar
uma à outra, uma vez que os objetivos se cruzam com as metas
que pretendemos atingir e em todas as atividades que se promove
deverem ser elaborados objetivos ou pelo menos deve existir um
propósito para que a mesma exista;
- “Dónde se quiere hacer, Localización física”, quando se
programa uma atividade a mesma deve especificar em que espaço
se pretende levar a cabo a mesma, na medida que as
especificidades físicas podem ou não condicionar a realização da
mesma e assim sendo, também nos pareceu importante que esta
informação figurasse na grelha de observação;
- “Cómo se va a hacer, Actividades e Tareas”, ou seja, como
pretendemos levar a cabo a nossa atividade e o que vamos na
realidade fazer no âmbito da mesma para que seja possível atingir
os objetivos anteriormente delineados;
- “Cuándo de va a hacer, calendarización o cronograma”,
este item prende-se com a questão de se identificar quando é que
será realizada a atividade; deverá sempre a mesma ser
calendarizada no tempo;
- “A Quiénes va dirigido, destinatarios o beneficiários”
, a quem é
dirigida ou quem vai beneficiar da atividade que programamos,
nas grelhas de observação que construímos e tendo em conta os
objetivos a que nos propusemos no inicio do nosso estudo
empírico.
Esta informação figura, na medida em que as mesmas
devem ser realizadas para o público a que se propõe no momento
da sua preparação;
- “Quiénes o van a hacer, Recursos Humanos”, quem é que vai
levar a cabo a atividade proposta, ou seja, quais e que tipo de
33
Capítulo I - Metodologia
recursos humanos são necessários para que a mesma possa ser
realizada. Identificamos nas grelhas de observação elaboradas
quais os recursos humanos que participaram em cada uma.
- “Com Qué se va a hacer, recursos materiales e se va a costear,
recursos
financieros”,
identificação
dos
recursos
materiais
necessários bem como o orçamento para cada atividade. Os
recursos materiais estão devidamente identificados nas grelhas de
observação, quanto aos custos/recursos financeiros, uma vez que
o estudo empírico foi realizado na Junta de Freguesia de Ramalde,
entidade pública não nos devemos deixar imiscuir nas questões
financeiras e dessa forma pensamos que seria desnecessário
abordar esta questão até mesmo porque não representa uma
questão principal no que se refere à observação e aos objetivos a
que nos propomos.
No que se refere à observação, devemos ter em consideração que quando falamos
de uma observação participante, a mesma ocorre estando o investigador integrado no
grupo e onde o mesmo regista todos os dados que recolhe.
“(…) observação participante activa (…) significa que o observador
está envolvido nos acontecimentos e que os regista após eles terem tido lugar.
Este tipo de observação participante permite ao observador apreender a
perspectiva interna e registar os acontecimentos tal como eles são
percepcionados por um participante”
Hérbert e Goyette e Boutin (1990, p.156)
Podemos complementar com os dados da observação, toda a informação recolhida
com as entrevistas realizadas.
“ (…) a observação pode constituir, em certos casos, um método
complementar de colheita de dados”.
Fortin (1999, p.242)
Corroboramos da opinião de Hérbert e Goyette e Boutin (1990:155), quando
afirmam que é muito mais fácil para quem pretende investigar estar “por dentro” da
34
Capítulo I - Metodologia
investigação pois encontra-se na mesma condição daqueles que estão a ser observados,
vivencia tudo conforme os atores que estão na condição de observados,
“(…) o investigador pode compreender o mundo social do seu interior,
pois partilha a condição humana dos indivíduos que observa. Ele é um actor
social e o seu espírito pode aceder às perspectivas de outros seres humanos,
ao viver as «mesmas» situações e os «mesmos» problemas que eles. Assim, a
participação ou, seja, a interacção observador-observado está ao serviço da
observação; ela tem por objectivo recolher os dados (sobre acções, opiniões
ou perspectivas) aos quais um observador exterior não teria acesso.”
E assim sendo, segundo, Gil (1999, p.113)
“ (…) definir observação participante como a técnica pela qual se
chega ao conhecimento da vida de um grupo a partir do interior dele mesmo”.
Para o mesmo autor a observação participante pode assumir duas formas distintas:
“ (a) natural, quando o observador pertence à mesma comunidade ou
grupo que investiga;
(b) artificial, quando o observador se integra ao grupo com o objectivo
de realizar uma investigação”.
Neste caso concreto podemos então reconhecer que o nosso trabalho enquanto
observadores é natural, uma vez que trabalhamos diariamente com o publico que vamos
agora observar e sentimo-nos como estando integrados na mesma comunidade que os
seniores.
1.4. Análise e discussão dos resultados
Faz sentido fazer uma análise e discussão de resultados, pois como nos refere
Fortin (1999, p.330),
“Os resultados provêm dos factos observados no decurso da colheita
dos dados; estes factos são analisados e apresentados de maneira a fornecer
uma ligação lógica com o problema de investigação proposto.”
35
Capítulo I - Metodologia
Tendo em conta as grelhas de observação que se encontram em anexo, parece-nos
pertinente fazer uma análise e discussão dos resultados das mesmas, complementando
também com os dados que possuímos relativos a outras questões que também nos
parecem fundamentais.
Assim sendo faremos uma análise cuidada e criteriosa de cada uma das grelhas
de observação/atividades e um quadro síntese com as questões mais importantes
representadas em cada uma das mesmas.
Na grelha de observação nº1 que corresponde ao Projeto Ramalde Solidário,
podemos verificar que a atividade representa tudo aquilo que está nos antípodas da
Animação Sociocultural, pois representa o assistencialismo na sua essência, contudo
parece-nos que esta atividade se torna de enorme interesse pois os seniores devem estar
envolvidos em projetos de voluntariado e de cariz social, para que os mesmos se sintam
cidadãos úteis à sociedade e com valor e saberem valorizar as palavras solidariedade,
apoio, entre ajuda, partilha, entre outras.
Ramalde Solidário
- Assistencialismo;
- Apoio;
- Entre ajuda;
- Voluntariado;
- Chamar atenção para a importância de se ser solidário para com o próximo.
- O Universo de participação nesta iniciativa é de 2 voluntárias que estão sempre
no Centro Comunitário todos os dias a servir as refeições e mais 15 voluntários que na
campanha de natal fazem a separação de roupas.
Quadro 1 – Ramalde Solidário - Fonte: Grelha de observação nº1/ Observação participante na atividade. Adaptação própria.
36
Capítulo I - Metodologia
No que se refere à Colónia Balnear Intergeracional, que figura na grelha de
observação nº2, ressalvamos a importâncias das relações Intergeracionais e é esse o
objetivo primordial da referida atividade, em que seniores e crianças partilham o mesmo
espaço, histórias, brincadeiras, entre outras. A participação tanto dos seniores como das
crianças nas atividade que são propostas é grande.
Existem sempre seniores que são um pouco mais preguiçosos e se mantêm no
areal a tomar banhos de sol e apenas se juntam com as crianças na hora do banho e do
lanche mas nessa altura partilham histórias e as crianças ensinam brincadeiras. Todos se
divertem e transmitem alguma coisa, tanto os seniores às crianças, como as crianças aos
seniores.
Colónia Balnear Intergeracional
- Valorizar a importância das relações Intergeracionais;
- Criar Espaços de partilha;
- Permitir a troca de experiências;
- Desenvolver dinâmicas de grupo entre crianças e seniores;
- Elaborar trabalhos manuais conjuntos entre crianças e seniores;
- O universo de participação nesta iniciativa foi de 50 crianças e 50 seniores.
Quadro 2 – Colónia Balnear Intergeracional – Fonte: Grelha de observação nº2/ Observação participante na atividade. Adaptação
própria.
As visitas temáticas, representadas na grelha de observação nº3 e apesar de estar
distante dos propósitos da ASC, é importante na perspetiva dos seniores para que os
mesmos possam ter acesso à cultura (produção cultural). Da observação por nós
efetuada registamos o fato do quanto foi importante para os seniores verem o museu,
verem cultura, pois terminada a visita, juntaram-se todos com o intuito de opinar acerca
37
Capítulo I - Metodologia
do que tinham acabado de ver e referindo sempre que é de extrema importância
visitarem locais que noutras condições jamais visitariam ou teriam acesso aos mesmos.
Visitas Temáticas
- Permitir o acesso à cultura;
- Visitar museus e espaços que de outra forma não teriam acesso;
- Debater e trocar ideias;
- Criar espaços e formas de conhecimento;
- O universo de participação nesta iniciativa foi de 50 seniores.
Quadro 3 - Visitas Temáticas – Fonte: Grelha de observação nº3/ Observação participante na atividade. Adaptação própria.
A grelha de observação nº4 remete-nos para a Semana Europeia da Prevenção de
Resíduos, que teve como objetivo primordial educar para a reciclagem, educar para a
necessidade de preservarmos o meio ambiente e construção de um presépio de papel
tendo em conta estes princípios. Torna-se importante pois envolve seniores e crianças
num projeto de criação do presépio e também na realização de jogos relativos à
reciclagem para ver se sabem ou não fazer a separação dos vários materiais e resíduos
que existem além de que para os seniores a questão da motricidade fina é aqui
evidenciada, sendo que é uma das primeiras perdas que os seniores têm - começam aos
poucos a perder a facilidade que tinham em fazer determinados movimentos com as
mãos.
38
Capítulo I - Metodologia
Semana Europeia da Prevenção de Resíduos
- Chamar a atenção para a importância da reciclagem;
- Participar;
- Trabalhar a motricidade fina;
- Desenvolver a criatividade;
- Elaborar e construir um presépio com a participação de todos;
- O universo de participação nesta iniciativa foi de todas as escolas EB1/JI de
Ramalde e 4 Centros de Dia/Convívio da Freguesia.
Quadro 4 –Semana Europeia da Prevenção de Resíduos – Fonte: Grelha de observação nº4/ Observação participante na
atividade. Adaptação própria.
O Carnaval foi uma atividade que acabou por ser abolida do plano de atividades
da JFR na medida em que muitos seniores referiram que se sentiam um pouco
ridicularizados pela comunidade em festejar o carnaval fazendo desfiles e festas de
carnaval. Esta atividade surgiu por dois motivos:
- O primeiro foi porque seria interessante os seniores pensarem, construírem e
conceberem os seus próprios fatos de acordo com o que são os seus gostos pessoais,
sendo que a Junta optava sempre que os fatos fossem feitos de material reciclado para
que não existissem muitos custos quer para a autarquia quer para os seniores;
- O segundo, porque seria uma boa forma dos seniores recuarem no tempo e
voltarem aos seus tempos de criança e recordarem outros carnavais que tiveram nas suas
vidas com outras idades. Esta informação figura na grelha de observação nº 5 e nº6.
O desfile e o baile de máscaras era sempre o momento mais aguardado por todos,
para uns pelo orgulho que tinham em exibir os seus fatos, para outros para poderem
dançar e para outros porque queriam muito saber quais os prémios para quem ficasse
nos três primeiros lugares.
39
Capítulo I - Metodologia
Carnaval
- Desenvolver a criatividade;
- Elaborar os fatos de carnaval;
- Reviver os tempos de criança;
- Comemorar o Carnaval;
- O universo de participação nesta iniciativa foi de cerca de 100 seniores.
Quadro 5 – Carnaval – Fonte: Grelha de observação nº5 e 6/ Observação participante na atividade. Adaptação própria.
Na grelha de observação nº 6, onde figura a atividade dos magustos que é
realizada nos centros de Dia/Convívio da Freguesia.
Esta atividade assenta na comemoração do dia de S. Martinho e é um dia que os
seniores gostam sempre de comemorar com muitas castanhas, jeropiga e habitualmente
programam uma atividade para oferecerem a todos aqueles que os visitam nesse dia,
quer sejam crianças, jovens, adultos ou grupos de pares.
Nesta atividade um magusto que nos pareceu extremamente interessante na
medida em que num dos centros de dia recriaram a lenda de S. Martinho com fantoches
para as crianças e restantes seniores verem e no final ensinaram às crianças como se
fazia o teatro com fantoches e colocaram perguntas para ver se os mesmos tinham
entendido a lenda. Esta interação intergeracional pareceu-nos de grande relevo e
interesse tanto para os seniores como para as crianças que no final cantaram uma música
relativa ao dia que estavam a comemorar.
40
Capítulo I - Metodologia
Magustos
- Recriar a lenda de S. Martinho;
- Comemorar o dia de S. Martinho;
- Criar momentos de partilha;
- O universo de participação nesta iniciativa foi de todos os Centros de
Dia/Convívio de Ramalde.
Quadro 6 – Magustos – Fonte: Grelha de observação nº7/ Observação participante na atividade. Adaptação própria.
O Coro Sénior (grelha de observação nº7), leva-nos para uma técnica/recurso de
ASC na e com a Terceira Idade, ou seja, através da música os seniores conseguem
elevar os seus níveis de autoestima, melhorar a qualidade de vida entre outros aspetos.
A música acaba por ser o motor para os seniores se sentirem realizados e bem,
tanto espiritualmente como fisicamente. Os seniores têm um grande interesse neste
projeto na medida em que muitas vezes referem que é bom ver que a comunidade de
Ramalde os acarinha e valoriza o trabalho que os mesmos fazem sendo que os
resultados dos ensaios comprovam-se nas apresentações públicas e nos concertos. O
reportório do coro sénior pretende também que os seniores possam regressar aos seus
cantares de infância e juventude, que recordem temas que trauteavam nessa altura mas
que aprendam também novas músicas. Os ensaios permitem que os seniores se sintam
ativos e envolvidos no referido projeto.
41
Capítulo I - Metodologia
Coro Sénior
- Criar laços dos seniores com a música;
- Combater o isolamento;
- Envolver a comunidade neste projeto;
- Elevar os níveis autoestima;
- Desenvolver relações interpessoais;
- O universo de participação nesta iniciativa foi de cerca de 20 seniores que
fazem parte do coro.
Quadro 7 – Coro Sénior – Fonte: Grelha de observação nº8/ Observação participante na atividade. Adaptação própria.
No que se refere à Universidade Sénior, representada na grelha de observação
nº8, parece-nos pertinente partir da máxima Freireana “ninguém educa ninguém, as
pessoas se educam no contato de umas com as outras”, fazendo também juz ao principio
que ninguém sabe tanto que não tenha nada para aprender e ninguém sabe tão pouco
que não tenha nada para ensinar, chegamos à UFP+, que é o perfeito exemplo disto e
muito mais, pois o contato que é experienciado entre alunos e professores torna a
Universidade um espaço de partilha e troca de experiências e saberes e é por isso que
aposta numa Universidade Sénior faz todo o sentido. No final de cada ano é realizada
uma reunião de avaliação com os alunos e a coordenação da UFP+ para que os alunos
possam exprimir a sua opinião acerca da mesma e aquilo que gostariam de poder ter em
termos de disciplinas no ano seguinte.
42
Capítulo I - Metodologia
Universidade Sénior
- Promover o envelhecimento ativo;
- Criar momentos de partilha entre seniores e professores;
- Permitir troca de Experiências e saberes;
- Aumentar a qualidade de vida;
- Valorizar a componente intelectual;
- O universo de participação nesta iniciativa foi e é de cerca de 50 seniores.
Quadro 8 –Universidade Sénior – Fonte: Grelha de observação nº9/ Observação participante na atividade. Adaptação própria.
Os Encontros Intergeracionais promovidos pela JFR, são a ação que mais
evidenciam o verdadeiro significado e propósito da ASC, pois existe participação,
interação, envolvimento e partilha entre outros. São o verdadeiro exemplo do que
devem ser relações intergeracionais e a grande importância que as mesmas têm, quer
para os mais novos, quer para os mais seniores, pois tanto os seniores ensinam e
partilham experiências e saberes com as crianças, como as crianças partilham saberes e
experiências com os seniores, esta é uma relação biunívoca em que ambos os atores
beneficiam e tiram grande partido dos mesmos.
Encontros Intergeracionais
- Partilhar experiências e saberes entre gerações;
- Educar para a cidadania;
- Promover experiências intergeracionais;
- O universo de participação nesta iniciativa foi de todas os JI/EB1 de Ramalde e
dos Centros de Dia/Convívio de Ramalde.
Quadro 9 – Encontros Intergeracionais – Fonte: Grelha de observação nº10/ Observação participante na atividade. Adaptação
própria.
43
Capítulo I - Metodologia
Já no que se refere aos Encontros Intercentros (grelha de observação nº10),
tornam-se importantes e é uma iniciativa que também se repete já há algum tempo na
JFR, pois é importante que os seniores se conheçam uns aos outros e que também entre
eles criem momentos de partilha pois nem todos tiveram as mesmas vivências, cada um
está integrado no seu meio, que não é igual ao do próximo e isso enriquece estes
encontros para que os participantes se sintam motivados a partilhar com o outro.
Encontros Intercentros
- Estimular a criatividade;
- Partilhar e trocar experiências, saberes e vivências entre seniores;
- Conhecer os seniores de outros centros e de outros espaços físicos dentro da
Freguesia de Ramalde;
- O universo de participação nesta iniciativa foi de todos os Centros de
Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde.
Quadro 10 – Encontros Intercentros – Fonte: Grelha de observação nº11/ Observação participante na atividade. Adaptação
própria.
O Peddy-Paper Intergeracional (grelha de observação nº 11), permite a seniores
e crianças conhecerem o meio onde estão inseridos e simultaneamente consegue-se criar
um espaço de interação entre seniores e crianças que mais uma vez reflete momentos de
partilha e diálogo/relação intergeracional. As equipas são sempre constituídas por
crianças/jovens e adultos/seniores para que esse contato que referimos seja possível.
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Capítulo I - Metodologia
Peddy-paper Intergeracional
- Criar laços intergeracionais;
- Conhecer a freguesia de uma forma divertida e dinâmica;
- Envolver a comunidade;
- Envolver os seniores, adultos, jovens e crianças com a comunidade onde estão
inseridos;
- O universo de participação nesta iniciativa foi de cerca de 80 pessoas,
incluindo, seniores, adultos, jovens e crianças.
Quadro 11 – Peddy–paper intergeracional Fonte: Grelha de observação nº12/ Observação participante na atividade. Adaptação
própria.
A grelha de observação nº 12 refere-se ao voluntariado, em que uma das
atividades promovidas foi uma campanha de recolha de alimentos no Continente Bom
dia de Ramalde. Seniores e crianças juntaram-se num projeto de solidariedade e
recolheram, nos dois dias de campanha, cerca de 2000 produtos de bens essenciais.
Campanhas como esta são de extrema importância pois crianças e seniores partilham o
mesmo espaço, os mesmos objetivos e criam-se espaços de confraternização entre
ambos e onde “trabalham” lado a lado pela mesma causa. Pensamos ser de extrema
importância referir que as crianças ficaram tão extasiadas em participar neste projeto
que apesar de no segundo dia de recolha de alimentos ser feriado (sexta-feira santa de
Páscoa), dia em que habitualmente aproveitam para dormir mais um pouco, para brincar
com os amigos entre outras coisas, os mesmos suplicaram aos pais para que os
deixassem vir logo as 9:00 da manhã porque queriam continuar a participar nesta
campanha.
45
Capítulo I - Metodologia
Voluntariado
- Demonstrar a importância da solidariedade;
- Partilhar momentos intergeracionais;
- Incutir nas crianças e seniores o que deve ser a partilha e ajuda ao próximo;
- O universo de participação nesta iniciativa foi de 10 seniores e 10 crianças.
Quadro 12 – Voluntariado - Fonte: Grelha de observação nº13/ Observação participante na atividade. Adaptação própria.
A Exposição de Trabalhos dos Seniores (grelha de observação nº 13), trata-se de
um espaço que serve para mostrar e demonstrar a criatividade dos seniores e promove
junto da comunidade a capacidade criativa dos seniores a partir dos trabalhos que são
apresentados. É também importante realçarmos que esta exposição é o reflexo do
processo desenvolvido de criação desenvolvido pelos seniores durante todo o ano.
Exposição de Trabalhos dos Seniores
- Trabalhar a motricidade fina;
- Promover a criatividade;
- Partilhar com a comunidade o trabalho realizado durante o ano;
- O universo de participação nesta iniciativa foi de todos os Centros de
Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde.
Quadro 13 – Exposição de Trabalhos dos Seniores – Fonte: Grelha de observação nº14/ Observação participante na atividade.
Adaptação própria.
A Sardinhada de S. João (grelha de observação nº 14), é um momento de convívio
em que se cumpre uma tradição da Cidade do Porto que é muito querida para todos os
seniores da cidade. Para além de todos os seniores poderem cumprir a tradição de comer
as sardinhas e o pimento assado, preparam-se sempre alguns jogos tradicionais e
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Capítulo I - Metodologia
organiza-se um baile com música popular pois é também esta uma tradição na
comemoração deste dia.
Sardinhada de S. João
- Comemorar uma tradição da cidade do Porto;
- Partilhar e conviver entre si (seniores);
- Jogar e dançar;
- O universo de participação nesta iniciativa foi de 150 seniores.
Quadro 14 –Sardinhada de S. João - Fonte: Grelha de observação nº15/ Observação participante na atividade. Adaptação própria.
Na grelha de observação nº 15, encontramos o dia internacional dos Museus, em
que neste dia comemorativo pretende-se sempre que os seniores da UFP+ visitem um
Museu da Freguesia de Ramalde. Este ano não foi exceção e constatamos que os
seniores se sentiram extremamente felizes por observarem, visitarem e registarem o
património cultural português através do museu visitado. Realçamos ainda o fato de
após a realização da visita os seniores emergirem num profundo debate em torno da
visita que fizeram e acerca dos museus da freguesia que já conhecem ou que ainda não
conhecem e pretendem visitar.
Dia Internacional dos Museus
- Visitar um museu da Freguesia;
- Envolver os seniores na cultura da Freguesia;
- Debater acerca do que cada um viu e registou do espaço que visitou;
- O universo de participação nesta iniciativa foi de 35 seniores, alunos da
Universidade Sénior de Ramalde.
Quadro 15 – Dia Internacional dos Museus – Fonte: Grelha de observação nº16/ Observação participante na atividade. Adaptação
própria.
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Capítulo I - Metodologia
O dia comemorativo que se apresenta na grelha de observação nº17, é o Dia do
Sénior, apesar do lema que a JFR tem que todos os dias são dias dos seniores, o
calendário estabelece um dia de comemoração. Apesar de para nós ser um dia igual a
tantos outros, registamos a satisfação dos seniores por este dia existir e por se
convencionar que de uma forma ou de outra este dia é sempre assinalado. A adesão é
sempre muito grande. Este dia permite homenagear a vida, a idade, o saber, a partilha e
permite a confraternização.
Dia do Sénior
- Comemorar uma data festiva;
- Envolver os seniores no programa;
- Homenagear todos os seniores;
- O universo de participação neste dia foi de 200 seniores.
Quadro 16 – Dia do Sénior – Fonte: Grelha de observação nº17/ Observação participante na atividade. Adaptação própria.
Após a análise de todas as atividades que se encontram contempladas no plano de
atividades da JFR, que se realizaram e que foram alvo da nossa observação e tendo por
base um dos nossos objetivos de investigação parece-nos importante perspetivar
algumas atividades e reconhecer algumas lacunas em termos de atividades de animação
promovidas pela JFR.
Não existem atividades no âmbito da Animação Teatral. Seria interessante juntar
um grupo de seniores e criar um grupo de teatro amador onde se representassem lendas
e historias antigas que os seniores soubessem e quisessem partilhar.
Não há qualquer tipo de iniciativa da Animação Turística. Seria interessante por
exemplo visitar a cidade do Porto (uma vez que é a cidade onde se encontra a Junta
situada e para que os custos não sejam elevados) e animar a visita por forma a que os
seniores se envolvessem com a cidade e o fizessem de uma forma comprometida e
divertida.
48
Capítulo I - Metodologia
Animação na Leitura e tendo a JFR uma biblioteca poder-se-ia, por exemplo, uma
vez por mês organizar uma leitura animada de uma história para todas as pessoas que
estivessem interessadas em participar e em ouvir a mesma. Estas são algumas das
“lacunas” que registamos no que se refere às atividades que são promovidas para e com
os seniores da JFR.
Entenda-se que todos os anos surgem também novas atividades e novos projetos
na JFR e por isso estas sugestões podem ser tidas em conta e quem sabe num futuro
próximo podermos ver os frutos das mesmas.
49
Capítulo II - Envelhecimento
Capítulo II - Envelhecimento
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Capítulo II - Envelhecimento
“Um velho que morre é como uma
biblioteca que arde.” (provérbio)
“Mas … de cujos livros só existia esse exemplar.”
Amado (2011, p. 9)
2.1. Envelhecimento
Neste capítulo pretendemos fundamentalmente debruçarmo-nos sobre o
envelhecimento da população no seu cômputo geral e perceber quais as alterações que o
mesmo fenómeno veio trazer à sociedade em geral.
Como qualquer fenómeno, alterou ou pelo menos mudou a sociedade. Dizemos
mudou pelo menos e não alterou, pois é muito difícil “alterar mentalidades” em pouco
tempo. É necessário um trabalho intensivo e constante, tanto junto dos seniores como
junto da sociedade, para que os seniores possam envelhecer e perceber que esta fase traz
algumas transformações e modificações aos níveis bio-psico-motor, mas que nem por
isso devem desmotivar-se e sentirem o “peso” dos anos, como junto da sociedade para
que a mesma entenda que apesar destes já não serem pessoas ativas no que se refere ao
trabalho remunerado, podem e devem ser tratados da mesma forma e entendam o que é
o envelhecimento e como devemos atuar e sermos todos responsáveis nesta etapa da
vida dos nossos seniores. Desta forma afirmamos que a ASC se enquadra dentro desta
perspetiva de trabalho permanente e no sentido de contribuir para a autonomia do sénior
e em que se pretende que exista um interagir permanente.
Apesar deste nosso estudo estar sempre aliado à ASC, em que a mesma é uma
intervenção contínua, o envelhecimento sempre existiu na nossa sociedade, a afirmação
progressiva dos seniores como grupo populacional específico culminou já no final do
século vinte, com a realização do Ano Internacional dos Idosos,
“(…) organizado pelas Nações Unidas, o que constitui para muitos
países (Portugal incluído) um marco de viragem no tratamento desta
problemática, sobretudo sob o ponto de vista social e político”.
Fonseca, A. (2004, p.18)
51
Capítulo II - Envelhecimento
Parece-nos pertinente também estudar as questões ligadas ao envelhecimento
demográfico, esperança média de vida cada vez mais alta e as profundas alterações no
que se refere ao papel do idoso na sociedade.
Corroboramos da opinião de Birren & Schroots citados em Fonseca (2004, p.15),
pois,
“A necessidade de obtenção de mais conhecimentos acerca dos idosos,
do processo de envelhecimento, de como ele se encaixa na história de vida de
cada indivíduo e das suas consequências sobre a condição de vida quotidiana,
ganhou uma nova pertinência a partir do fim da II Guerra Mundial, induzida
por um fenómeno extraordinariamente importante: o aumento significativo da
esperança de vida e o correspondente envelhecimento da população (). Na
verdade, (independentemente da idade mínima estabelecida para o inicio da
velhice: os 60,65, 70 anos…) o incremento da população idosa nas ultimas
décadas foi de tal modo significativo que , tanto em números absolutos como
em números relativos, sofreu mesmo uma multiplicação por dois ao longo do
século vinte, com particular destaque nos países desenvolvidos do mundo
ocidental.”
No que se refere ao envelhecimento demográfico em Portugal, conforme nos
refere o autor, existe um crescente número de seniores na nossa sociedade. Cada vez
mais a esperança média de vida aumenta e a população acima dos 65 anos, sempre, está
e estará presente na sociedade e por isso, optar por medidas de envelhecimento ativo,
torna-se tão urgente e emergente,
“Nomeadamente, entre 1960 e 2001, o fenómeno do envelhecimento
demográfico traduziu-se por um aumento de 140% da população idosa (com
65 e mais anos). A proporção da população idosa, que representava 8,0% do
total da população em 1960, mais do que duplicou em quatro décadas,
passando para 16,4% em 2001, enquanto o índice de envelhecimento (relação
entre a população idosa e população jovem) registou um aumento brutal – de
27,3 em 1960 para 102,2 em 2001, ou seja, existem hoje em Portugal mais
velhos do que crianças (INE, 2002). Finalmente, segundo estimativas do
Conselho da Europa, a população portuguesa terá menos um milhão de
pessoas em 2050 e estará ainda mais envelhecida, com 2,5 idosos com 65 ou
mais anos para cada jovem com menos de 15 anos.
Fonseca (2004, p.7)
52
Capítulo II - Envelhecimento
Habilitamo-nos a referir que o tema do envelhecimento cada vez mais está na
ordem do dia e o interesse é grande em estudá-lo e compreende-lo,
“O estudo dos processos de envelhecimento ganha, neste início do
século vinte e um, um relevo e uma prioridade indiscutíveis.”
Fonseca (2004, p.7)
O aumento da esperança de vida e o aumento cada vez mais significativo de
idosos na nossa sociedade deve suscitar-nos estudo e preocupação para que nos seja
possível preconizar um envelhecimento ativo que será por nós abordado mais à frente
em que todas as questões que advêm desse processo de envelhecimento e devem
merecer especial atenção por cada um de nós.
“ O envelhecimento é visto como uma trajectória gradual, descendente,
com declínio do funcionamento psicológico e cognitivo, falta de controlo sobre
o corpo, uma experiência cumulativa de aumento de vulnerabilidade social e
emotiva, um sentimento de desânimo, e perda de controlo do meio
psicológico.”
Paúl (1997, p.25)
Como em qualquer fase da vida, também na chamada Terceira Idade, podemos
verificar que as pessoas envelhecem de formas distintas o que não tem só a ver com o
fato de terem mais ou menos doenças, mas sim com cada um deles,
“Num contacto diário com as pessoas mais velhas, facilmente
constatamos que existem formas distintas de envelhecer. Um envelhecimento
“bem-sucedido”, “satisfatório” ou “ativo” não depende exclusivamente de
factores como a sorte ou o património genético”.
Ribeiro e Paúl (2011, p.1)
As sociedades foram sofrendo algumas alterações e com elas também os que nela
interagem foram alvo de significativas modificações, quer na forma de se verem
enquanto indivíduos participantes da mesma, quer na forma de se relacionarem com os
outros e viverem ativos e participativos na mesma.
“ Al origen de la disminuición de las interacciones sociales de las
personas mayores puede situarse un sentimiento de discriminación y
marginación provocado por diversos factores.” “(…) la no pertenencia de las
53
Capítulo II - Envelhecimento
personas mayores al aparato productivo en una sociedad aferrada todavía a la
ética del trabajo donde realizar una tarea productiva ocupa un lugar tan
importante en la jerarquía de valores(…)” “(...) su inferior estado de salud o
en todo caso una mayor propensión a la enfermedad en un mundo donde se
prima el culto a lo bello (…)” “(…) ser mayor en la sociedad actual es hacer a
una pérdida de estatus y de roles muy unida al abandono de los hijos dela
hogar familiar y a la jubilación (…)” “(…) las personas mayores ya no son
protagonistas como antaño del núcleo familiar.”
Elizasu (2001, p.13)
Daí a importância de percebermos as alterações que foram ocorrendo ao longo dos
tempos, pois se,
“Até ao século XIX o idoso era visto, como alguém respeitável, dotado da
máxima experiência e consequentemente sabedoria. A transmissão do saber
era feita oralmente (função educativa: aprendizagem do oficio familiar) de
geração em geração e o idoso, por sua vez como não tinha capacidade de
substituir, vivia com um dos filhos, por norma o mais velho (função económica
e de segurança social)”, tudo se transforma “nos séculos XIX e XX, pela
alteração da estrutura económica devido à crescente industrialização, o idoso
deixou de ser reconhecido pela sua experiência para ser visto como inútil,
fraco e improdutivo. Esta nova visão foi acompanhada pela criação de asilos
ou albergues dos inválidos, hospitais e actualmente lares e centros de dia.
Além da alteração da visão da velhice, que passa a ser vista como uma
“doença social”, a estrutura familiar altera-se em grande escala.”
Correia (2007, p.2)
Podemos então desta forma entender que as profundas alterações que assistimos
no que se refere aos seniores são em muito devidas à sociedade, pois o idoso sempre foi
visto como um sábio, alguém que tem uma experiência de vida, fonte de uma sabedoria
invejável, dotado de um cem número de saberes que em muito poderia contribuir para a
sociedade ao invés de ser considerado uma pessoa inútil, acabada e sem mais nada a
oferecer à sociedade só porque terminou a vida laboral remunerada. A passagem para a
reforma é entendida como o fim da produção, como o fim da intervenção junto da
sociedade,
“(…)ao contrário dos séculos anteriores, nos tempos modernos a
velhice é avaliada pela rentabilização da força de trabalho, uma vez que é
determinada mormente, pela ausência de recursos, por ser uma fase terminal
54
Capítulo II - Envelhecimento
do ciclo laboral/inicio da reforma, pela classe etária entre outros”(…) “Esta
nova perspectiva tornou-se mais evidente, nos anos 60, com a criação de uma
política social de velhice, que defendia a melhoria das condições de vida dos
idosos, de forma a remediar a miséria que acompanhou a velhice das classes
populares, sobretudo durante o regime salazarista. Nos anos 70, com a
mudança do regime, aperfeiçoaram-se as políticas, formaram-se novos
profissionais especializados e criaram-se novos serviços, nomeadamente,
sistema hospitalar, previdência e assistência social. Foi criado um sistema de
segurança social, atribuíram-se pensões e reformas, constituíram-se lares e
outro tipo de serviços de apoio aos idosos (saúde, complementos monetários,
descontos em vários serviços, entre outros).”
Correia (2007, p.3)
Depende de todos nós acabar com esta perspetiva da visão do sénior por parte da
sociedade, pois os seniores não devem ser tidos como um estorvo, mas sim como
alguém que está vivo e que tem direito a viver como sempre e com o apoio de todos que
até então lho prestavam. A família é muito importante neste contexto e não se deve nem
pode demitir do seu papel, mesmo recorrendo a instituições de apoio para esta faixa
etária,
“(…) tem sido muito difícil alterar as mentalidades que referem o idoso
como símbolo da fraqueza e empecilho para todos. Família, instituições e
sociedade em geral. (…) Este tipo de mentalidade é reforçada pela
reestruturação familiar, em que os filhos ou familiares mais próximos
deixaram de ter tempo e condições para cuidar dos seus idosos e internam-nos
em lares. É aqui que a responsabilidade familiar para com o idoso torna-se
quase inexistente e passa a ser uma responsabilidade pública. É de referir que
na fase da institucionalização muitas famílias aproximam-se mais dos idosos
pois substituem a tensão gerada pela carga de ter que cuidar dele.”
Correia (2007, p.4)
As profundas modificações da qual a sociedade tem sido alvo, quer no que se
refere aos seniores, quer no que se refere à família, têm sido bastante condicionadoras
do que deve ser considerado o sénior dentro de uma sociedade. Cada vez mais as
pessoas trabalham mais horas para manter empregos, muitas vezes temporários ou
pouco estáveis, porque a sociedade cada vez mais o exige, pois, numa altura em que a
taxa de desemprego tende a aumentar, a família, que antigamente era a primeira
preocupação, passa agora para um segundo plano e o tempo para estar com a família
55
Capítulo II - Envelhecimento
cada vez é mais curto/pequeno e por isso já não permite a um filho/neto cuidar dos
idosos em casa, daí a procura cada vez mais desenfreada dos lares de terceira idade.
Aquilo que pretendemos afirmar e fazendo um pouco menção à perspetiva
diacrónica do envelhecimento trazida por uma história perdida no tempo, os Idosos
eram considerados anciãos e fontes de toda a sabedoria e que deviam ser tratados com
um enorme respeito e sensibilidade e que mesmo a forma como as pessoas se dirigiam
aos mesmos, nunca era por tu mas sim por Senhor ou vossemecê, num passado mais
recente até aos dias de hoje a velhice tem sido considerada uma problemática, devido às
tendências demográficas verificadas nos últimos anos, sendo a previsão futura, o seu
agravamento, quer relativamente ao aumento do número de idosos a nível mundial, quer
das consequências que daí advêm.
Mas podemos verificar e testemunhar que já antes de Cristo, existia uma
preocupação e um enorme respeito por aqueles que eram apelidados de mais velhos e
parece-nos oportuno deixar aqui referenciado numa breve incursão pelo legado
histórico, tendo como referência o autor Leme (2000, pp. 14-21) que nos apresenta uma
visão sobre as civilizações,
No Egipto,
“Diversos documentos ressaltam a obrigação dos filhos de cuidar de
seus pais idosos e de manter suas tumbas após a morte.”
Em Israel,
“O respeito do povo judeu pelos idosos fica patente em seu principal
livro: A Bíblia (…) podemos ler conselhos não apenas sobre o cuidado com
idosos, mas também referências aos cuidados necessários a pacientes
demenciados (…) Maltratar os pais era um crime que podia chegar a ser
punido com a morte.”
Na Índia,
“Acreditava-se que se poderia reduzir o processo de envelhecimento
através do controle de influências desarmoniosas, associado ao uso de
medicamentos específicos, como os feitos através de algumas plantas
alucinogénias.”
56
Capítulo II - Envelhecimento
Na China,
“Do ponto de vista social, os idosos parecem ter sido respeitados e bem
tratados na antiga china.”
Na Grécia,
“O envelhecimento era odioso para os gregos, de vez que representava
um declínio na juventude e vigor, altamente valorizados pela cultura helênica.
No entanto, havia geralmente demonstrações de respeito pelos antigos
vencedores e suas passadas vitórias, bem como por seus velhos estadistas e
filósofos.”
Em Roma,
“(…) os idosos parecem ter recebido o respeito (…). A mais importante
instituição de poder, o Senado, deriva o seu nome do senex (idoso) valorizando
a experiência destes cidadãos.”
No Renascimento,
“(…)
um
progressivo
aumento
na
expectativa
de
vida.
Concomitantemente surge maior interesse com referência aos problemas do
envelhecimento.”
Podemos concluir que
“ Efetivamente, nada ocorre aos 65 anos, precisamente aos 65 anos,
nem biológica nem psicologicamente, para que se utilize essa idade como uma
fronteira de diferenciação social, em que para trás o indivíduo é útil, válido e
responsável, e daí para a frente vê-se rejeitado ou pelo menos marginalizado
por uma sociedade competitiva, para a qual deixou de ter valor.”
Fonseca (2004, p.184-185)
O envelhecimento deve ser encarado de igual forma como encaramos a infância,
juventude e o estado adulto…porque é apenas mais uma fase da nossa vida, não é o fim
da vida, mas sim um começo de mais uma etapa das nossas vidas.
O fato dos seniores se reformarem, automaticamente perderem o papel ativo que
outrora tinham na sociedade e a forma como reagem a esta etapa, depende única e
57
Capítulo II - Envelhecimento
exclusivamente de cada um, pois existem muito mais coisas que se podem fazer para
além de trabalhar.
Chegar à idade sénior é chegar a um patamar da vida que nem todos conseguem e
em que se deve aproveitar toda a sabedoria que se foi adquirindo e todas as capacidades
que se tem e que não devem de todo ser defraudadas.
O sénior deve ser visto e tido com um sábio e não como um estorvo para a
sociedade, para a família ou para a comunidade.
58
Capítulo II - Envelhecimento
“Para o indivíduo bem envelhecer é envelhecer
sem sofrer os malefícios da idade – é exercitar o espírito,
conservar o uso dos órgãos, estar rodeado pelos
seus e investir em si.”
Azeredo (2011, p.49)
2.2. Envelhecimento Ativo
O envelhecimento ativo é uma expressão que cada vez mais ouvimos e que parece
que se entranhou nos nossos seniores de hoje, pois a maior parte pretende estar ativo,
procurando locais e espaços onde o mesmo é preconizado e onde se mobilizam recursos
para que possam “bem envelhecer” e vivam ativamente.
Para que o mesmo se possa realizar, é urgente reunir esforços e procurar respostas
adequadas para todos aqueles que se sintam motivados, participem, mas bem mais
importante, que todos aqueles que não sabem se querem ou não participar possam
integrar-se no grupo e viver saudavelmente e em comunidade.
A OMS, em 2002 traz para a colação um novo conceito
“(…) o de Envelhecimento activo, que surge na sequência do
envelhecimento saudável, preconizado até então, e que pretende agora ser
mais abrangente,
estendendo-se,
para
além da
saúde, a
aspectos
socioeconómicos, psicológicos e ambientais, integrados num modelo
multidimensional que explica os resultados do envelhecimento.”
Ribeiro e Paúl (2011, p.1)
Podemos afirmar que o envelhecimento ativo depende predominantemente dos
indivíduos, e também da carga genética de cada um, pois a saúde contribui em muito
para a debilidade física e psíquica o que não permite que os seniores sejam ativos e
interventivos na sociedade que os rodeia, tornando-os muitas vezes dependentes dos
familiares mais próximos. Contudo, depende de cada um de nós, técnicos que
trabalhamos na área da Gerontologia, promover atividades e criar espaços para que
59
Capítulo II - Envelhecimento
todos, mas mesmo todos os seniores se sintam integrados e com vontade e capacidade
de participar.
O modelo de envelhecimento ativo conforme preconizado pela OMS depende,
assim, de uma diversidade de fatores designados de “determinantes”, os quais são de
ordem:
“- Pessoal (factores biológicos, genéticos e psicológicos);
- Comportamental (estilos de vida saudável e participação activa no
cuidado da própria saúde);
- Económica (rendimentos, protecção social, oportunidades de trabalho
digno);
- Do meio físico (acessibilidade a serviços de transporte, moradias e
vizinhança seguras e apropriadas, água limpa, ar puro e alimentos seguros);
- Sociais (apoio social, educação e alfabetização, prevenção de
violência e abuso);
- Relativos aos serviços sociais e de saúde de que as pessoas beneficiam
(orientados para a promoção da saúde e prevenção de doenças, acessíveis e de
qualidade).”
Ribeiro e Paúl (2011, p.2)
Para bem envelhecer é necessário que exista também a preocupação por parte do
poder político em promover a saúde, não só junto dos seniores, mas também junto da
população em geral, uma vez que todas as etapas da vida são importantes para que o
envelhecimento seja bem-sucedido.
“Cada um dos determinantes do envelhecimento activo desdobra-se em
inúmeros aspectos, donde têm emergido sobretudo políticas a implementar
pelos governos e instituições.”
Ribeiro e Paúl (2011, p.2)
Cada ser humano é único, o que faz com que todos os seniores sejam diferentes e
se uns precisam mais de apoio familiar outros há que não o necessitam, ou então não o
querem mesmo, mas depende de cada um de nós motivar os seniores a participarem
ativamente na sociedade em que estão inseridos e se sintam autónomos e que se
consciencializem que cada um é agente da sua própria mudança, ou seja, depende de
cada sénior preconizar ou não um envelhecimento ativo para si mesmo ou não.
60
Capítulo II - Envelhecimento
“(…) a promoção de autonomia e o empowerment são das principais
assumpções do envelhecimento activo. (…)
Portugal e Azevedo (2011, p.227)
É necessário que o sénior entenda que o seu processo de envelhecimento depende
em larga escala dele próprio e da atitude que ele toma em relação à vida.
Para nós o Sénior deve ser o Actor do seu próprio desenvolvimento. Não há
envelhecimento ativo com Idosos passivos. O envelhecimento ativo é algo que tem de
mobilizar os idosos rumo a uma cidadania efetiva que valorize a interação permanente
entre ele (Idoso) e o meio envolvente.
A autora Squire (2005), alerta-nos para o fato de podermos falar em dois tipos de
empowerment, sendo que um pode ser chamado de “self-empowerment” e o outro de
“ewpowerment comunitário das pessoas idosas e dos prestadores de cuidados futuros”,
ou seja, se o primeiro está mais voltado para que o empowerment esteja presente nos
seniores e que os mesmos entendam que as estratégias de mudança e diferenças de
atitudes dependem apenas deles próprios, o “empowerment organizacional” demonstranos que todas as instituições, prestadores de cuidados formais ou informais são
responsáveis por conseguir que os seniores sejam agentes da sua própria mudança e
cabe a cada um desses atores sociais estimular os seniores nas suas decisões, opiniões e
preocupações.
A nível individual o envelhecimento ativo deve ser fomentado através de ações
capazes de dotar as pessoas de uma tomada de consciência acerca do poder e controlo
que têm sobre a sua vida. Assim sendo, a promoção de mecanismos adaptativos, de
aceitação e de autonomia assumem-se como uma prioridade.
O envelhecimento ativo, na definição da Organização Mundial de Saúde (2002)
“É o processo de optimização das oportunidades de saúde,
participação e segurança, com o objectivo de melhorar a qualidade de vida à
medida que as pessoas ficam mais velhas.”
Já atrás foi referida a questão família e no envelhecimento ativo não aparece com
menos
importância/relevância,
pois
para
que
seja
possível
considerar
um
envelhecimento ativo, a família intra e inter – pares e a comunidade apresentam-se
como uma variável imprescindível no que se refere à participação social dos mais
61
Capítulo II - Envelhecimento
velhos na comunidade onde residem e onde criam laços e relações de amizade, partilha
e convivência. Senão pensemos para nós…de que nos vale viver numa comunidade,
numa determinada rua onde se localiza a nossa casa, com cafés, supermercados e todas
as valências que possam existir, onde todos os dias nos cruzamos com imensas pessoas?
A resposta parece fácil e óbvia não nos vale de nada…E porquê? Porque não
conseguimos estar integrados na comunidade e ao não estar integrados na nossa
comunidade não conseguimos integrarmo-nos na sociedade, pois todas as pessoas nos
vão marginalizar pois não conseguimos criar empatia com ninguém, não conseguimos
criar redes de vizinhança e por isso sempre que precisarmos de algo não podemos
recorrer a ninguém e acaba por ficar um vazio dentro de nós, e o envelhecimento deixa
de ser ativo e passa a ser passivo apesar de estarmos a falar de envelhecimento, isto é
transversal desde os mais novos aos mais velhos,
“O envelhecimento ativo é, (…), um processo que conjuga
autodeterminação individual e condições sociais, económicas e culturais
assumidas como um compromisso coletivo de desenvolvimento social.”
Quaresma (2012, p.19)
Entendemos e concluímos que o bem envelhecer não depende apenas de aspetos
internos (saúde), mas depende também e muito de aspetos externos (atividades), ou seja,
os seniores não se devem refugiar nas doenças que têm, nem na vida sobrecarregada de
trabalho que tiveram, devem apostar num envelhecimento bem-sucedido ou
envelhecimento ativo, para que dessa forma usufruam desta etapa da vida da melhor
forma e tenham a maior e melhor qualidade de vida possível.
A ASC apresenta-se como uma excelente área de intervenção para se conseguir
preconizar um envelhecimento ativo e por isso cabe a cada um de nós que trabalhamos
neste âmbito aplicar esta receita em tudo, mas mesmo tudo o que fazemos com os
seniores para os seniores.
62
Capítulo II - Envelhecimento
“A Gerontologia educacional postula que os adultos
mais velhos e os idosos são capazes de aprender,
de administrar suas vidas competentemente e de
continuar levando contribuições significativas e
produtivas às suas comunidades.”
Palma e Cachioni (2006, p.1462-1463)
2.3. Envelhecimento, Gerontologia e Geriatria
Devido ao fenómeno do envelhecimento, que neste momento é transversal a todos
os países, a gerontologia e a geriatria admitem um papel de extrema importância para
todos aqueles que trabalham com os seniores e também para todos os seniores que
pretendem tirar o melhor partido desta nova etapa da sua vida.
“Poucos problemas têm merecido tanto a atenção e a preocupação do
homem em toda sua história como os problemas do envelhecimento e da
incapacidade funcional comumente associada a este (…) a Gerontologia em
nosso meio é uma preocupação académica recente (…) Temos podido observar
importantíssimos testemunhos históricos, de diversas culturas, não apenas da
preocupação com os problemas médicos do envelhecimento, mas, e
principalmente, com todo seu perfil sociocultural que, de alguma maneira,
permeia o enfoque filosófico da História como um todo e em suas diversas
partes.”
Leme (2000, p.13)
Constatamos que conforme nos refere o autor, é tanto ou mais importante a
gerontologia como a geriatria, pois se esta se preocupa com todas as questões ligadas à
saúde e a todos os aspetos biológicos do individuo, a gerontologia abrange as questões
ligadas ao ambiente em que o sénior se encontra inserido, daí a vertente social e
cultural.
Tendo em consideração que a geriatria é um ramo da Gerontologia, em que,
“ (…) forma parte de la Medicina, ya se ocupa de las enfermidades de
las personas mayores, estando integrada dentro de la Gerontología Clínica,
63
Capítulo II - Envelhecimento
como hemos señalado anteriormente, al estudiar los problemas peculiares de
la senectud, es decir, el envejecimiento patológico. La Sociedad Británica de
Geriatría define esta especialidad como «la rama de la medicina que se ocupa
no sólo de la prevención y asistencia de las enfermedades que presentam las
personas de edad avanzda, sino también de la recuperación funcional de éstas
y de su reinserción en la comunidad.», estableciendo un matiz prático que se
dirige a la atención integral de los ancianos y en especial del paciente
geriátrico.”
Calenti (2006, p.4)
Quando falamos de Gerontologia devemos precisar o sentido da palavra,
atendendo a este princípio vamos procurar o sentido etimológico da mesma para
compreendermos a importância para a compreensão e estudo do envelhecimento.
“La palabra gerontología tiene un origen griego y está formado por
dos elementos: geronto, que significa viejo, anciano, y logía, que quiere decir
tratado, estudio o ciencia; etimológicamente, pues, la gerontología hace
referencia al estudio de la vejez y del envejecimento.”
Calenti (2006, p.3)
Assim sendo, a Gerontologia é uma ciência que estudo o envelhecimento e tem
como objetivos fundamentais melhorar a qualidade de vida dos seniores, bem como
entender e perceber o processo de envelhecimento e os fatores que o influenciam.
No fundo a gerontologia pretende que o envelhecimento seja saudável e que
ocorra da melhor forma possível para os seniores, isto é, sem perda de qualidade de vida
ou de papéis na sociedade.
Segundo o autor Calenti (2009, p.3), a gerontologia pode, tendo em consideração
os seus conteúdos, dividir-se em três ramos fundamentais, sendo eles:
“A) Experimental: estudia el processo del envejecimiento desde el
punto de vista de la investigación en laboratorio, tratando de objectivar los
factores causantes del mismo, así como las posibles actuaciones favorecedoras
de un ben envejecer;
B) Clínica: estudia las alteraciones de la salud en relación con el
envejecimiento o en los sujetos «mayores»;
64
Capítulo II - Envelhecimento
C) Social: estudia la influencia de los factores sociales en el
envejecimiento de la población, considerando sus repercusiones en el entorno
del anciano.”
Compreendemos então que a Gerontologia se subdivide em três ramos principais
e que todos eles assumem uma enorme relevância no âmbito do envelhecimento, sendo
a gerontologia experimental mais centrada na investigação de processos de
envelhecimento, quais as causas e fatores aliados aos mesmo e de que forma se pode
envelhecer saudavelmente, a gerontologia clínica centrada nas alterações ao nível da
saúde dos seniores, onde está incluída, a geriatria, que é um ramo da medicina que
estuda as patologias, doenças e todas as questões relacionadas com a saúde dos seniores,
bem como o “envejecimiento patológico” Calenti (2006, p. 4) e por último a gerontologia
social que estuda quais os fatores sociais que estão aliados ao processo de
envelhecimento e que repercussões os mesmos têm nos seniores,
“ O conceito de solidariedade humana e de apoio pessoal da
sociedade a seus membros mais fracos, essencial em gerontologia, deve ser
atribuído a uma evolução de conceitos de apoio em algumas sociedades
primitivas, tendo evoluído, de maneira mais notável na tradição judaica (…)”
Leme (2000, p.13)
Os seniores começaram a mudar de atitude perante si mesmos, a ASC assume-se
como uma ferramenta fundamental, sempre de mão dada com a gerontologia social para
que os seniores possam ter um envelhecimento ativo e transformar tudo aquilo que os
atormenta em coisas que os acalentem e lhes deem forças,
“La ASC ha sido la herramienta fundamental para que, en las tres
últimas décadas, hayamos pasado de una sociedad con “viejos pasivos” a otra
con “mayores activos”. Eso ha sido posible porque la gerontología social
facilitó a los profesionales de la ASC el enfoque, los objetivos y el modelo de
intervención que, desde la ASC, no se estaba llevando adelante por el peso de
los estereotipos comentados más arriba. Ambas, ASC y gerontología social,
han actuado de forma complementaria transformando las debilidades y
amenazas del pasado en las fortalezas y opurtonidades del presente. Aunque,
eso sí, sin llegar a reconocerse mutuamente de una forma explícita.”
García, L. (2008, p. 7)
65
Capítulo II - Envelhecimento
A ASC alia-se à Gerontologia Educativa, para que dessa forma os seniores
possam ter acesso a um conjunto de atividades que lhes permitam envelhecer de uma
forma sã,
“(…) funde-se, portanto, nos princípios de uma Gerontologia
Educativa promotora de situações optimizadoras e operativas, com vista a
auxiliar as pessoas idosas a programar a evolução natural do seu
envelhecimento, a promover-lhes novas actividades, que conduzem à
manutenção da sua vitalidade física e mental, de perspectivas a Animação do
seu tempo, que é predominantemente, livre.”
Lopes (2008, p.329)
A Gerontologia Educativa interessa-se, não só pela investigação, mas também
pela intervenção com as pessoas adultas, para que as mesmas tenham um processo de
envelhecimento ativo e que todas as questões aliadas ao envelhecimento físico e
psíquico possam ser minoradas.
“Ésta se define como una ciencia aplicada para la intervención con
personas adultas, basada en la planificación de estrategias que retrasan y, en
algunos casos, remedian el deterioro intelectual y biológico. La Gerontología
educativa
se
interesa,
fundamentalmente,
por
los
procedimientos
metodológicos, técnicas, contextos y prácticas educativas dirigidas a las
personas en su proceso de envejecimiento, así como por lá investigación en
este ámbito.”
Calenti e González (2009, p.175)
O termo, Gerontologia Educativa, é cada vez mais utilizado, onde no fundo se
cruzam, os conceitos de educação e envelhecimento, com a perspetiva de que todos os
seniores devem ter acesso a um envelhecimento ativo e dessa forma é necessário
interligar a perspetiva da educação como estratégia de intervenção com os seniores, que
pode e deve minorar os efeitos do envelhecimento quer a nível físico, quer a nível
psíquico.
“A gerontologia educativa começa a adquirir uma importância
crescente no campo das ciências da educação como estratégia de intervenção
na prevenção e compensação de situações de deterioração do corpo,
provocada pelo avanço da idade.”
Lopes (2008, p.329)
66
Capítulo II - Envelhecimento
Podemos afirmar que a gerontologia educativa é,
“(…) es una especialidad de la Gerontología que se ocupa de todo lo
relacionado con la educación de las personas mayores.”
Calenti e González (2006, p.176)
Sendo este ano, 2012, o Ano Europeu do Envelhecimento ativo e da solidariedade
entre gerações e dado que cada vez mais existe uma preocupação crescente com os
seniores, bem como com os seus processos de envelhecimento, parece-nos fundamental
tentar explicar o porquê desta relação entre envelhecimento e educação.
Daí advir a importância da gerontologia educacional que, é uma estratégia de
intervenção para que os seniores se sintam motivados a participar ativamente na
sociedade e que não fraquejem ao ver que as suas faculdades estão a deteriorar-se.
Para García (2004, p.131), tendo em consideração as modificações ao nível do
aumento da esperança média de vida e com a existência de diferentes tipos de idades a
conviver em sociedade, justifica-se a relação cada vez mais estreita entre
envelhecimento e educação com a existência de três realidades distintas, sendo elas,
“ El aumento de una población de edad que disfruta de un estado de salud
cada vez mejor que dispone de mucho tiempo libre e se encuentra, por tanto,
en óptimas condiciones para seguir participando socialmente y continuar
formándose;
La creciente demanda de profesionales cualificados que presten servicios de
atención a esta población mayor (tanto desde el campo social como del
sanitario), capaces de realizar de manera adecuada un desempeño profesional
cada vez más complejo, interdisciplinar y de calidad;
La demanda de capacitación de otros miembros y sectores de la sociedad
(niños e jóvenes, grupos profesionales, medios de comunicación, etc.) para que
se encuentren en las mejores condiciones para convivir en esta sociedad
diversa e Intergeracional.”
As Universidades Seniores são exemplo disso, pois existem, ou melhor, devem
existir para os seniores terem acesso ao conhecimento e poderem animar o seu tempo
livre e não para o ocuparem como defendem alguns coordenadores das mesmas.
67
Capítulo II - Envelhecimento
Para além de os seniores beberem do conhecimento que lhes é transmitido nas
aulas também eles podem partilhar experiências com os professores que tragam valor
acrescentado para ambos devendo ser cativador e motivador poder participar num
projeto educacional que faça sentido; nunca esquecendo que se deve sempre procurar
promover dinâmicas educacionais que sejam do interesse dos seniores e não do nosso
interesse.
O conceito de educação permanente (que abordaremos noutro subcapítulo da
tese), que já vem dos anos 70, e que hoje em dia se apresenta como uma forma de
intervenção junto dos seniores, deve ser mesmo utilizado de forma eficiente e eficaz, ou
seja, as pessoas que se encontrem em idade de reforma ou pré-reforma têm o mesmo
direito ao acesso à educação do que os mais jovens, e é necessário motivar a nossa
sociedade, bem como todos os profissionais que trabalham na área da Gerontologia,
uma vez que os seniores são cidadãos de pleno direito e que devem ter acesso à cultura
e educação como todos os outros cidadãos.
Para Peterson citado por Palma e Cachioni (1990, p.1462), e tendo em
consideração a definição de Gerontologia Educacional, esta divide-se em três ramos, por
um lado para responder às expetativas dos seniores, por outro para estimular o encontro
e convívio de gerações promovendo espaços de intergeracionalidade e captar todos os
que trabalham com os seniores e prestadores de cuidados para que esse trabalho seja
eficaz e proveitoso,
“ (…) há uma tríplice classificação dos conteúdos próprios da
Gerontologia Educacional:
Educação para os idosos: programas educacionais voltados para
atender às necessidades da população idosa, considerando as características
dessa coorte etária;
Educação para a população em geral sobre a velhice e os idosos:
programas educacionais como um espaço Intergeracional, que possibilita à
população mais jovem rever seus conceitos sobre a velhice e o seu próprio
processo de envelhecimento;
Formação de recursos humanos para o trabalho com os idosos: ocorre
por meio de capacitação técnica de profissionais para a prestação de serviços
direccionadas à pessoa idosa e à formação de pesquisadores.”
68
Capítulo II - Envelhecimento
Queremos, em termos conclusivos deste capítulo fazer tal como Hesse (2001)
promover o Elogio da Velhice e dizer que esta cultura assente na ancianidade é uma
colheita da vida, recolhida a partir de muitas existências humanas, pois trata-se
essencialmente de uma dádiva da memória. Cultura assente em saberes, vivências,
trajetos, partilhas... em suma, em ações que resultam de um interagir permanente.
Este louvor à velhice é algo sentido, louvor povoado do desejo de neste tempo
marcado pela falta de humanismo o sénior ser respeitado, ser valorizado, ser ativo, ser
escutado e ser útil,
“(...) Os velhos, tolos, querem continuar a ser úteis. Coitados! Ainda
estão sob o domínio do olhar dos outros! Melhor seria se percebessem que o
objectivo da vida não é ser útil. Útil é o martelo, serrote, vassoura, fio dental,
bicicleta. As coisas úteis, quando velhas, ficam inúteis. Inúteis são jogadas
fora. Mas o ojectivo da vida não é a utilidade. É a feliz inutilidade de brincar.
Brinquedo é uma actividade inutil a que nos entregamos por causa da alegria
que ela nos dá. Pode ser formar quebra-cabeças, empinar papagaios, ouvir
musica, ler literatura, cozinhar, caminhar, viajar, chupar sorvete, conversar,
ver livros de arte, escrever, sonhar, cantar...E, acima de tudo brincar com as
crianças...”
Alves (2004, p.79)
Testemunhamos que a nossa memória está povoada de saberes transmitidos
pelos tais “velhos” que nos mostraram a utilidade das coisas inúteis.
Como foi bom e continua a ser bom ouvir as suas histórias, os relatos das suas
muitas vidas, as sábias palavras perdidas e reencontradas no tempo, as muitas partilhas
dos momentos de intenso significado e a permanente vontade da partilha e o constante
exemplo de Mulheres e Homens que nos ensinaram que o ser é melhor que o ter e o
saber estar é elemento fundamental da interação humana!
Façamos então o tal elogio da velhice, o louvor à idade maior e a permanente
exaltação da vida vivida com sentido. Abençoados sejam estes transmissores da vida.
69
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
Capítulo III – A Animação Sociocultural
para e com os seniores
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
“ A Animação Sociocultural cumpre um
eficaz papel já que ela é em si pedagogia
da vivência e da convivência.”
Lopes (2008, p.149)
3.1. O que é a Animação Sociocultural
3.1.1. Origem e Evolução
Nascida na segunda metade do século XX em França com o propósito de
responder à devastação ocorrida em duas guerras mundiais e como estratégia para
motivar as pessoas a erguer os países dos escombros, depressa se ramificou, por toda a
Europa embora com diferentes designações, Alemanha (pedagogia social) Inglaterra
(desenvolvimento comunitário) e em Espanha (educação social).
“Segundo os historiadores, foi André Malraux quem trouxe, nos
longínquos anos cinquenta, o termo Animação Sociocultural para o léxico
social, cultural e educativo. Estávamos então à porta do erguer da Europa dos
escombros deixados pelas duas guerras mundiais.
Malraux sabia que a cultura transporta um protagonismo e uma dinâmica
social consideráveis e nada melhor do que colocá-la ao serviço de causas e, a
partir dela, mobilizar a França, uma vez que este país necessitava de todos os
recursos para a emergente e necessária tarefa reconstrução.
Nos anos 60, os países mais industrializados e urbanizados da Europa,
desenvolvem, a partir da matriz francófona, uma forma de intervenção social,
cultural, educativa e politica que se denomina Animação Sociocultural e que
vai permitir criar dinâmicas junto das populações no sentido de estas gerarem
processos organizativos e de auto-desenvolvimento.”
Lopes (2008, p.143)
O seu código genético liga-se a dimensões assentes na tríade do social, cultural e
educativo o que implica uma intervenção que cruza as dimensões descritas e projeta um
interagir permanente numa didática da participação procurando levar os cidadãos à
autonomia, ao autodesenvolvimento e à auto-realização.
71
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
A sua natureza etimológica segundo Ventosa (2002, p. 19-20) apresenta uma
perspetiva dualista anima e animus. Assim no anima a Animação remete-nos para,
sentido e vida, já no Animus encontramos uma visão de ação aferida pelas noções de
movimento e dinamismo.
Ainda apoiados por Ventosa (2002, p.21), podemos encontrar uma nova dialética
inspirada em Moulinier e que igualmente projeta uma dupla dimensão da Animação.
a)
Animar como “donner la vie”: Dar vida ou fazer reviver a quem a perde.
Moulinier alude á relação do médico com o doente para exemplificar o carácter
externo e vertical da ação de animar dentro desta perspetiva fala-se de um
“l’agir sur” , “um atuar sobre” que outorga a este tipo de animação uma
perspetiva diretiva e paternalista
b) Animar como “mettre en relation”: Supõe, entender a animação não tanto
como a acção de dar vida ou sentido. Ressalta desta perspetiva o carácter
dinâmico e instrumental da animação, independentemente dos fins para o que
se utiliza. A imagem do animador aqui já não é a do médico mas sim a do
“mediador” um mero intermediário que possibilita a implicação da gente no
seu próprio desenvolvimento... Não se “atua sobre” , se “atua em” – “l’agir
dans”- a partir de dentro a partir de uma relação horizontal a respeito dos
participantes. Encontramo-nos, em ultima instância, com a outra dimensão
mencionada da animação, que corresponde ao “animus” como movimento.
A Animação Sociocultural assume-se e projeta-se, através de designações afins,
na procura de um bem-estar alicerçado em valores de um humanismo que procura no
cidadão um sentido de vida ditado pela autonomia, confiança, protagonismo, sentido
crítico, participação e desenvolvimento.
Para reforçar este princípio trazemos à colação a perspetiva diacrónica da
Animação Sociocultural projetada por Ventosa (2002) que nos confere uma visão
fundamentada dos seus alicerces e dos respetivos valores:
“A partir de uma análise histórico-filosófica do fenómeno animação,
pode-se dizer que o ponto de arranque do mesmo se situa na profunda crise
atual de uma sociedade post-industrial caracterizada por uma sobre
abundância de meios (ciência, técnica, informação) perante uma progressiva
escassez e indeterminação de fins (crise de identidade e de valores). Situação
desencadeante de um vazio vital que se manifesta no duplo plano do subjetivo
– perda de sentido – no objetivo – atonia social – o primeiro coloca a
necessidade de procura de fins e valores capazes de darem sentido á existência
72
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
pessoal. O segundo supõe uma conquista do protagonismo social que deve
chegar a possuir todo o indivíduo, capaz de vencer o ceticismo, a uniformidade
empobrecedora e a impotência gerada por toda uma eficaz maquinaria de
meios de comunicação de massas. Perante este panorama, cuja analise já
iniciara Max Weber (1987), a Animação sociocultural surgiu na Europa não
como uma moda mais mas sim como uma resposta necessária a esta precária
situação do homem post-industrial....
Dentro desta perspetiva, a intencionalidade da animação não pode ser
unicamente cultural, ou tão-somente educativa ou social. Há que assumir as
três metas dentro de uma perspetiva integral... Esta seria a verdadeira
dimensão transcendente da animação: provocar em cada pessoa “uma
exigência de sentido que permita contribuir pessoalmente para a gestão da
coletividade e a criação dos seus valores”. Segundo isto, um duplo fator
desencadeia a animação: o fator subjetivo, transcendente, de uma existência
humana necessitada de autorrealização e de fator objetivo, imanente, de uma
sociedade que necessita de desenvolver-se mediante a implicação direta de
seus membros. Ambas as dimensões são inseparáveis uma da outra. A resposta
coerente da animação deve ser, portanto dupla: imanente –instrumental como
facilitadora de meios e transcendente – finalista como cultivo de fins.”
Ventosa, V. (2002): A Animação Sociocultural no virar do século,
Conferência
proferida
nas
II
Jornadas
Internacionais
de
Animação
Sociocultural, organizadas pela UTAD / Pólo de Chaves.
Desde o seu nascimento a Animação Sociocultural afirmou-se por uma
intencionalidade interventiva junto das pessoas a partir de dimensões vitais como sejam
a educação, a cultura, o social e ainda a procura de um ser participativo, autónomo e
comprometido com o mundo em que vive.
“A Animação Sociocultural nasce assim com intenções pedagógicas,
como muito bem enunciam as primitivas correntes como, por exemplo, as de J.
Charpentreau, 1964, A Animação Sociocultural consiste essencialmente em
oferecer possibilidades de cultura no mais amplo sector possível da vida do
cidadão, fazendo-o participar e tornando-o protagonista. Outra voz que dá
sentido às orientações da Animação Sociocultural é J.P. Imhof, 1966, que
refere: A função da Animação Sociocultural define-se como uma função de
adaptação às novas formas da vida social (…), com os aspectos
complementares de bálsamo para as inadaptações e de elemento de
desenvolvimento individual e colectivo. Registamos ainda a concepção trazida
por um grupo de trabalho formado por responsáveis de associações culturais
73
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
que, a pedido do Ministério da Juventude e Desportos Francês, propõe, em
1966, o seguinte: A Animação Sociocultural deveria converter-se em
Pedagogia da compreensão e da intervenção, estabelecer relações de
igualdade (…). Esta equipa defende, ainda, que a Animação Sociocultural
deve estar veiculada à autonomia, à participação, ao desenvolvimento e à
diversidade. “
Lopes (2008, p. 147-148)
A importância histórica conferida à Animação Sociocultural é aqui testemunhada
pelo Conselho para a Cooperação Cultural - Conselho da Europa que num texto de
grande significado procura articular uma política educativa que integre a Animação
Sociocultural para assim suprimir um vazio existente na Europa.
Realçamos ainda o facto evidenciado pelo Conselho da Europa na recomendação
feita aos estados membros no sentido de estes adotarem uma política que reforce a
intervenção da Animação Sociocultural com vista a anular problemas relacionados com
a problemática social, cultural e educativa e ainda o alerta para a necessidade de uma
formação em Animação Sociocultural independentemente das profissões que cada
pessoa possuía.
“Importa, neste contexto histórico, trazer à colação o projecto de
Animação Sociocultural levado a cabo em 1972-1973 que sobre a égide do
comité de educação extra-escolar e do desenvolvimento cultural, apresentado
ao Conselho para a Cooperação Cultural – C.C.C., lança os fundamentos
duma politica educativa integrada, em que a Animação Sociocultural aparece
como uma estratégia para preencher o fosso cultural existente.
Neste sentido o Conselho da Europa elaborou uma declaração politica
em matéria de Animação Sociocultural, onde proclama: A democracia traz em
si a obrigação moral de trabalhar para a instauração duma sociedade na qual
todo o cidadão sabe que dispõe duma voz que será respeitada nas decisões que
afectam a sua vida e a da sua comunidade. É pois urgentemente recomendado:
- a) que os Governos elaborem e apliquem uma politica de Animação de
Animação Sociocultural e lhe atribuam, na planificação nacional, uma
importância igual à que atribuem às políticas em matéria de educação,
alojamento, protecção social, etc;
- b) que esta politica vise os seguintes objectivos:
74
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
Atenuar, para finalmente eliminar, o handicap sociocultural e dar a todos
oportunidades iguais nesse domínio;
Diminuir, para finalmente eliminar o fosso sociocultural entre as camadas
sociais;
Criar condições próprias para incitar o maior número de pessoas possível
a fazer valer plenamente as suas potencialidades próprias assim como os
benefícios que elas podem encontrar na associação com outros... (…)
Exprimia-se ainda o seguinte desejo: que a primeira tarefa desta
autoridade seja planificar e esboçar – ao nível dos programas e da
organização – um sistema para a formação de animadores profissionais.
E também ministrar uma formação em animação sociocultural a todos
que independentemente da sua profissão possam estar ao serviço da Animação
Sociocultural. “
Lopes (2008, p.148-150)
3.1.2. Proposição e Aceções de Animação Sociocultural
Portugal assume a matriz francófona quer no que respeita ao adotar do termo quer
ainda pela evolução histórica manifestada pelos inúmeros contributos formativos aos
Animadores Socioculturais Portugueses conferidos pelo INEP - Institut National
D’Education Populaire e CEMEA - Centres D’Entrainement aux Méthodes
D’Education Active.
Importa, numa retrospetiva às principais referências do século XX, trazer à
discussão os elementos fundamentais que cada um dos autores considera ser os atributos
desta pedagogia da participação.
Assim, num quadro clarificador de eixos fundamentais procuramos aferir uma
proposição síntese das diferentes classificações feitas pelos principais investigadores na
área da Animação Sociocultural e assim encontramos a seguinte definição: É uma
metodologia assente numa participação com implicações sociopolíticas que visa um
processo de consciencialização com vista a um desenvolvimento pessoal, rumo à
transformação da sociedade.
75
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
Marcos concetuais de Animação Sociocultural
Processo de
Consciencialização
Participação
Implicações
Sociopolíticas
Metodologias
Comunicação
e Dinamização
P
C
Prática
Conjunto
Social
de acções
A
Garcia
H. de Varine
Jean Nazet
Unesco
J.P. Imhof
Luis Martins
Mario Viché
M. Hicter
Vítor Ventosa
Gloria Pérez
Serrano
Francisco
Albuquerque
Sindro Froufe
L. Trichaud
Marcelino
Lopes
P. Waisgerberf
José Mª
Barrado
Fernando de la
Riva
R. Torraille
Avelino
Hernández
Esaú Dinis
André Raillet
Américo Peres
Henry Thery
Francis Jeason
Pillar Crespo
Caride
E. Grosjean
J. Charpentreau
Iñaki López de
Aguileta
H. Ingeberg
M. Simonot
José Mª Lama
María A.
sásnchez
R. Labourié
AnderEgg
C
Caride
Q
Quintana
D
De Castro
D
Del Valle
Método de
Qualidade
Transformação
Desenvolvimento
Intervenção
de Vida
da Sociedade
Pessoal
La-Hoz
Ander-Egg
Ander-Egg
De Castro
Marzo e
Figueras
Caride
Caride
Gloria Perez
Serrano
Puig Ricart
Quintana
Del Valle
Martim
Hicter
Simonot
Izquierdo
Viché
Simonot
F. Cembranos
Ander-Egg
D. Montesinos
Caride
M. Bustelo
Gloria Perez
Serrano
Quadro 17 – Marcos Concetuais de Animação Sociocultural - Fonte: Ander-Egg, E. (2000); Badesa, S. (2008, 2ª edição); Lopes, M. (2008, 2ª edição). Adaptação
própria (2011).
Tendo em conta o quadro anterior, podemos aferir que a animação sociocultural se
entende por um código genético onde se configura uma intervenção assente numa
metodologia participativa com implicações sociopolíticas, rumo a um processo de
consciencialização que passa por levar o ser humano à autonomia e a ser protagonista
do seu próprio desenvolvimento.
Por isso, como base nestes pressupostos, afirmamos que não há Animação
Sociocultural sem uma participação comprometida numa procura incessante de uma
qualidade vida que projeta o ser humano num cidadão com plena cidadania
comprometida com o bem-estar coletivo.
É este agir e interagir intencional e tridimensional (Social, Cultural e Educativo)
que vai provocar o aparecimento dos convencionais âmbitos ou espaços interventivos
como muito bem nos assinala Quintana (1993, p.10 - 15) ao remeter-nos para as
seguintes questões:
76
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
1- Os destinatários, ou grupos sociais aos quais se dirige a animação:
Crianças, Jovens, adultos, Idosos..
2- Os Territórios, os lugares onde se pretende levar a cabo a Animação:
bairros, municípios, associações, escolas, centros cívicos, casas de
juventude...
3- Os habitantes humanos: meio rural, urbano, centros de férias, locais
de trabalho...
4- As actividades: Artísticas, culturais, sociais, políticas, reivindicativas,
comerciais, desportivas.
5- Os objectos que a actividade animadora pretende fomentar: promoção
cultural, desenvolvimento social e económico, cultivo das tradições,
mudança social, criatividade artística.
A Animação Sociocultural constitui-se assim como uma intervenção intencional,
séria, consciente e com objetivos muito claros de promoção humana e social. Por isso
podemos relacionar a Animação como práticas socializadoras como são a educação, a
identidade cultural, a atitude democrática, a democracia cultural, a participação, a
criatividade coletiva, a crítica e a mudança social numa abordagem a partir dos
seguintes parâmetros:
1. Animação e Educação: Se considerarmos a educação, em sentido amplo,
como a técnica de ajudar os indivíduos a autorrealizarem-se e a viver
adequadamente em todos os aspetos da existência, resulta que a Animação
implica umas componentes educativas. A animação, sem ser "educação" no
sentido técnico contribui para a educação, constitui uma instância educativa.
Por isso hoje em dia a Pedagogia Social se interessa pela animação, e os
pedagogos consideram que tem muito que dizer e fazer nos projetos de
animação e na formação de animadores. Isto sobretudo se pensarmos na
educação permanente, dado que como refere Hicter - em termos de educação
permanente os animadores, os agentes culturais, projetam a perspetiva de
uma sociedade educativa. Quintana (1993, p.11-31) situa a ASC dentro do
77
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
marco da Educação Permanente, e relaciona-a com a educação de adultos,
que também está comprometida na Educação Permanente;
2. Animação e Identidade Cultural: É dar uma dimensão viva à Animação. A
animação cultural com efeito consegue ressuscitar as tradições, despertar a
memória histórica, manter as tradições;
3. Animação e Atitude Democrática: A animação está vinculada à ideia de
democracia desde as suas origens, dado que surge como uma via para
impulsionar a educação popular. Atualmente falamos de animação somente
nos países onde o povo tem a palavra e a iniciativa, isto é, nos países
democráticos. Porque nos países totalitaristas é evitada a presença e a
atuação de animadores no seio do povo, porque são agentes de uma mudança
social que escapa ao controle de quem pretende governar o povo dentro de
um quadro ideológico totalitário;
4. Animação e democracia cultural: A animação deve ser democrática em todos
os campos, mas sobretudo no cultural. Ocorre que a cultura é um bem social,
como outros bens, e está mal repartido e por vezes monopolizado pelo poder;
5. Animação e Participação: A participação é a um tempo fim e meio da
animação. Isto é , faz-se animação para ensinar as pessoas a participarem, e
se participa porque de outro modo não se animaria;
6. Animação e criação coletiva: A animação implica criação coletiva porque a
interação consciente gera criatividade e inovação;
7. Animação e espírito crítico: Como resposta às tentativas de dominação do
poder que procura pessoas conformistas e passivas.
8. Animação é a procura da permanente Mudança e transformação.
Acreditamos que a animação como prática social, dinamiza a sociedade e
comunica atividade e entusiasmo no tecido social a partir das seguintes funções:
1- Funções ao nível da relação com os cidadãos:
Desperta a consciência cívica.
78
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
Proporciona Educação Social.
Supera a passividade pessoal e natural.
Promove o associativismo.
Incita a atuar de uma forma desinteressada.
Cultiva capacidades pessoais.
Descobre vocações.
Fomenta a ocupação do tempo livre.
2- Funções na relação com os Animadores:
Estimula impulsos solidários.
Cultiva atitudes pessoais.
Facilita o exercício de um serviço social.
Oferece possibilidades profissionais.
3- Funções na relação com os grupos sociais:
Proporcionar um sentimento coletivo.
Manter os valores do Grupo.
Vitalizar as tradições.
Consciencializar perante situações injustas.
Promover reivindicações.
Fazer ver as necessidades.
79
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
4- Funções na relação com a dinâmica Social:
Fomentar a informação.
Aumentar a participação cidadã.
Garantir a promoção social (Cultural, comercial, desportiva...).
Estimular a comunicação.
Potenciar a iniciativa individual e coletiva.
3.1.3.Funções da Animação Sociocultural na Sociedade Atual
A sociedade atual apresenta-se-nos como uma sociedade em crise, o que implica
que a ASC se conceba como um método de superação humana e social para estes
tempos de permanente vazio.
A crise na nossa sociedade manifesta-se a partir de diferentes sintomas:
A sociedade de Massas: O êxodo da população rural para as cidades, a
uniformização coletiva operada pelos meios de comunicação social
configuraram uma sociedade que absorveu as individualidades, levando
as pessoas a sentirem-se isoladas e perdidas originando roturas de laços
que influenciam a coesão social.
A sociedade de consumo: Onde o Ter é mais importante que o ser. Os
bens materiais constituem-se como símbolos que conferem estatuto.
A sociedade Unidimensional: Caracterizada por H.Marcuse e assente no
facto de o homem atual viver somente para produzir e para superar os
obstáculos que podem dificultar a consecução do êxito pessoal. A
racionalização e a competitividade vão limitando a espontaneidade, a
imaginação e a criatividade.
80
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
A sociedade com problemas de convivência: A multiculturalidade que
devia apresentar atributos valorativos a partir de uma ação Intercultural
tem sido um foco de conflitos.
Os problemas estruturais da Sociedade: Crise económica, Desemprego,
Droga, Delinquência, Dependências, Sida, insegurança.
A sociedade opressiva: Existem ainda no mundo regimes que
continuamente violam os direitos humanos. Há muitos milhares de
vítimas de injustiças.
A Animação Sociocultural pode ser um instrumento de combate contra esses
malefícios sociais, Aguilar (2005, p.11) assinala que hoje em dia toda a ação da ASC
deve fazer frente a dois grandes problemas:
“Um: o derrube das utopias: nos anos 60 uma série de acontecimentos
sociais abriam a esperança de uma renovação social. Actualmente já não há
utopias, nem esperança ou desejo de renovação, existe antes a desactivação
política, a privatização da vida, a apatia e o narcisismo. Tudo isto tem como
consequências a: indiferença, com o desaparecimento do sentimento de culpa,
a competitividade lúdica, a preocupação política e o compromisso social. A
outra consequência é a mutação da esquerda: O que significa isto? é que a
ASC sempre foi promovida por gente de esquerda. Nos anos 60/70 existia uma
esquerda inquieta, renovadora, que propunha mudanças culturais; pois bem,
durante os últimos anos a esquerda desvitalizou-se e se converteu no que
poderíamos chamar uma esquerda lúdica, dionisíaca, esquisita, snobe. Tratase de uma esquerda absorvida pelo sistema que criticava.”
3.1.4.Níveis de ASC
1. A Difusão Cultural e a recuperação das Tradições: A animação procura
mobilizar as pessoas e grupos a fim de que conheçam a obra cultural e a
divulguem como património comum;
2. A Expressão e a Criação: Trata-se de um nível muito utilizado através de
programas dedicados á cultura;
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Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
3. A Promoção Social: Pretende dinamizar um grupo ou uma comunidade
conferindo-lhe dinâmicas que permitam passar de situações eventualmente
marginais a um estado pleno de participação;
4. Animação para a mudança social: É um projeto orientado para a mudança social
e destinado a implicar as pessoas na participação dessa mudança;
3.1.4.1.Modelos de Iniciativa e de Financiamento de Projetos
3 Modelos:
1. Iniciativa e Financiamentos Privados: Trate-se geralmente de projetos muito
pequenos e com poucos recursos. Têm como base um trabalho voluntário e
apresentam uma finalidade social;
2. Iniciativa Privada e Financiamento Público: Trata-se de atividades que reforçam
eficazmente o tecido social e o associativismo e que implicam uma notável
consciência cívica;
3. Iniciativa e Financiamento Públicos: Campanhas de ASC promovidas e apoiadas
pelo estado e autarquias;
Os Programas de ASC distinguem-se sobretudo por âmbitos de atuação que
requerem uma metodologia assente no tipo de programas:
1. O Sociocomunitário: Tem por objetivo a consideração e a solução de problemas
de convivência cívica e comunitária, como podem ser os conflitos étnicos, as
diferenças de oportunidades ou de vantagens urbanísticas, certas reivindicações
ecológicas, etc;
2. O Socioeconómico: O objetivo é a promoção de fatores que melhorem o nível
material de vida ou a vitalidade comercial ou artesanal. Em parte coincide com
projetos do chamado desenvolvimento comunitário;
82
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
3. O Sociohumanitário: Trata-se de programas de ajuda a casos de marginalidade
social, droga e outras situações de risco social;
4. O Socioeducativo: Responde ao crescimento progressivo da formação que se
quer garantir a todas as pessoas;
5. O antropológico-cultural: Pretende-se estimular processos de identidade cultural,
sobretudo coletiva, sobretudo quando está sujeita a uma opressão cultural;
3.1.5. ASC e perspetivas vindouras
Partindo da perspetiva diacrónica para a sincrónica podemos referir que nos
primórdios a animação apresentava-se como difusa, não intencional e muito ligada a
uma dimensão recreativa e lúdica.
Posteriormente, com o aparecimento do conceito sociocultural, a mesma evolui
para uma tríade composta pelas dimensões do educativo, cultural e social.
Na passagem do século XX para o século XXI a Animação Sociocultural libertase da matriz francófona e liga-se a uma dimensão ibérica que lhe confere um acentuado
reforço de dimensão social. Esta constatação resulta por um lado dos indicadores que
chegam até nós e que resultam dos inúmeros eventos levados a cabo à volta da
Animação Sociocultural (congressos, jornadas, fóruns, seminários, reuniões...), por uma
grande expansão da RIA - Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural (Argentina,
Brasil, Cuba, Espanha, Peru, Portugal, Uruguai...) e ainda pela grande produção teórica
ocorrida no espaço iberoamericano.
Esta tendência é reforçada por Ventosa, V. (2007) quando na sua conferência no
Congresso de Lucerna / Suíça referiu o seguinte:
“(...) Antes de entrar en la materia de mi conferencia, quiero
agradecer a la organización de este 3º Coloquio Internacional de ASC, no sólo
el haberme invitado al mismo, sino sobre todo el permitir hacerlo en nombre y
representación de la RIA, expresándome a través de una de sus más
importantes señas de identidad como es su idioma común más generalizado.
Una lengua intercontinental hablada y entendida por varios cientos de
83
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
millones de habitantes en varias decenas de países que componen nuestra
vasta Comunidad de países de América Latina, el Caribe, Portugal y España.
Una comunidad intercontinental que en la actualidad ocupa un lugar relevante
en el mundo en materia de Animación Sociocultural. No en vano, Iberoamérica
represente la Comunidad con el mayor número de ponentes y comunicaciones
presentadas a este Congreso en el que están representados los cinco
continentes de nuestro globo, a pesar de que los iberoamericanos aquí
presentes, a penas lleguemos a una 10ª parte de la totalidad de los países de
Iberoamérica. Las dificultades de acceso a este tipo de eventos internacionales
son muchas y de todo tipo para buena parte de los pueblos Iberoaméricanos,
por ello espero que con este gesto a partir de ahora el idioma sea un
impedimento menos.(...) Por ello, frente a estos tópicos, debemos afirmar que
la ASC no ha muerto precisamente porque sigue en crisis, es decir,
transformándose a partir de los nuevos contextos y demandas socioculturales
del siglo XXI. La prueba más evidente de este renacimiento de la ASC es el
fértil y creativo panorama existente al respecto en los países iberoamericanos,
tal y como se refleja en la Red Iberoamericana de ASC (RIA) que tengo el
honor de presidir, a través del trabajo desarrollado en su primer año de
funcionamiento, tal y como describiré a continuación.”
Conferencia pronunciada en el Coloquio Internacional de ASC en Lucerna,
Suiza 3º el pasado 27 de septiembre de 2007
O Século XXI, enfim, o tempo em que vivemos está a projetar-nos novos âmbitos
de Animação Sociocultural normalmente ditados pelas novas tecnologias e por isso urge
fazer o reencontro da Animação Sociocultural com o ciberespaço, redes sociais, isto é o
emergir de um novo paradigma que ligue a Animação Sociocultural as novas
tecnologias de informação e comunicação como muito bem nos assinala Viché (2007,
p.36)
“El devenir
de la ASC ha evolucionado al ritmo de la propia
evolución de la Sociedad, como no podía ser menos, hasta llegar a un punto en
que el desarrollo actual de las tecnologías de la Información y Comunicación
junto con la deslocalización y desbordamiento de culturas y flujos humanos,
económicos y sociales, están determinado una progresiva transformación de
los ámbitos y referentes topológicos de la ASC, desde un primer nivel grupal
(mediados del siglo XX), caracterizado por la búsqueda de identidades
colectivas en términos de clase, ideologías o creencias, hasta al ámbito virtual
o ciberespacial de principios del S.XXI, pasando por un estadio intermedio
84
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
territorial (local y/o nacional) ( último cuarto de siglo XX) con predominio de
la búsqueda de intereses culturales y/o territoriales.”
Defendemos uma Animação Sociocultural ligada ao pulsar do nosso tempo,
contudo não devemos descurar a história e aquilo que caracteriza e identifica esta
pedagogia da participação que apenas possui à volta de 50 anos de idade e já percorreu
tantos caminhos, projetos, trajetos, “verdades”, utopias, certezas, duvidas, esperanças...
“(...) o futuro da Animação Sociocultural não passa nem pelo
individualismo, com as marcas do capitalismo, nem pelo colectivismo
defendido pelos movimentos socialistas do século XX, importa revalorizar o
comunitário que requer formas inovadoras de intervenção, onde se apliquem
novas metodologias de acção no domínio do social, cultural e educativo,
exigindo, cada vez mais, à Animação Sociocultural ter presente as muitas
mutações operadas, como por exemplo as alterações no novo espaço social
urbano, o novo espaço social rural, o multiculturalismo e a interculturalidade,
a globalização, o meio ambiente, o desemprego e o emprego, etc. questões que
requerem respostas colectivas.
Porque importa ter presente que estes quase dez anos do século XXI nada
trouxeram de inovador à Animação Sociocultural e aos Animadores. Contudo
aconteceram tantas ocorrências… Tantos factos históricos…
Urge que a Animação Sociocultural do século XXI tenha presente a
história passada e requeira novos desafios. A herança trazida do século XX
pode não ser a melhor, mas é uma história cheia de luta, sofrimento, tortura,
resistência, persistência e sempre com o pensamento de que outro mundo
podia ser possível.”
Lopes ( 2008, p.156-157)
Neste meio século de vida a ASC tem servido de motor e alavanca
impulsionadora do desenvolvimento social, cultural, educativo da humanidade. Como
não somos futuristas não podemos porvir os tempos vindouros; contudo, acreditando na
história deste meio século, não é difícil projetar um auspicioso futuro já que os sinais
dados pela historia nos remetem para a necessidade de:
- Novas políticas de integração;
- O viver corresponder ao conviver;
85
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
- O tempo ser animado e não ocupado,
- Diálogo Intergeracional em vez de fragmentação etária,
- Atores em vez de espetadores;
- Ócio em vez de ociosidade...
Por tudo isto e fazendo nossas as palavras de Lopes (2011) o futuro tem
futuro para a Animação Sociocultural e Animadores Socioculturais.
86
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
“O envelhecimento da população pode ser
um dos maiores triunfos da humanidade, mas é,
também, um dos seus maiores desafios.”
Osório (2008, p.207)
3.2. Animação Sociocultural com e para os Seniores
Tendo como ponto de partida o conceito de animação que tem como eixos
norteadores dar vida e movimento, também o conceito sociocultural se apresenta como
polissémico e admite múltiplas definições, Requejo (2008, p.210), afirma que,
“ (…) pode ser considerado como uma intervenção, uma actividade da
prática social, uma técnica ou um instrumento, como um processo, como um
projecto no sentido do desenho de actividades para um grupo especifico da
sociedade.”
Partindo como referência da expressão caída no domínio público, A animação não
serve para dar mais anos à vida, mas sim para dar mais vida aos anos, partimos para
uma noção de animação sociocultural assente em premissas do envelhecimento ativo,
reforçamos ainda esta perspetiva com a visão do grande pedagogo Ezequiel Ander-Egg,
que afirmou, durante o I Congresso Internacional As Fronteiras da Animação
Sociocultural, que podemos envelhecer sem ser velho, e que também a ASC preconiza
que os seniores devem usufruir de um envelhecimento ativo,
“La promoción de un envejecimiento activo ha de ser el eje central de
los programas de animación sociocultural dirigidos a las personas de edad
avanzada.”
García (2008, p.9)
Partindo desta premissa avançamos para um âmbito da Animação Sociocultural
que é a Animação na Terceira Idade.
Como em qualquer âmbito da animação sociocultural, também ao nível desta
faixa etária o sujeito deve ser tido como o principal ator do seu próprio processo de
desenvolvimento e também na intervenção a ser realizada.
87
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
Apesar da animação sociocultural na terceira idade ser recente, e tendo em conta
que devido ao aumento da esperança média de vida e ao progressivo aumento da
população idosa nas sociedades, a promoção de um envelhecimento ativo é cada vez
mais importante,
“ Esta especialidade surge nos últimos anos ante um dos desafios
mais importantes das sociedades do século XXI (…)”
Ventosa (2009, p.333)
Devemos potenciá-la, pois, na perspetiva do mesmo autor, (2009,p.333)
“A animação de pessoas idosas constitui uma especialidade da
Animação Sociocultural e este por sua vez, é uma modalidade de intervenção
socioeducativa cuja finalidade é aumentar a qualidade de vida das pessoas
mediante a sua implicação activa, participativa e grupal na realização de
projectos e actividades socioculturais que respondam aos seus interesses e
necessidades de ócio e desenvolvimento pessoal e social.”
Por este motivo, é necessário realizar atividades de animação sociocultural com os
Seniores e não para os Seniores, uma vez que urge transformar a passividade em ação, o
ser dependente em ser autónomo e o ser ator em vez de espectador,
“A Terceira idade procura na actividade de animação poder sentir-se
útil, dar um novo sentido à sua vida. Digamo-lo em quatro palavras, o que o
idoso necessita é de:
- participar;
- mover-se;
-actuar;
-sentir-se vivo.
Sobretudo o sentido último, por razões mais que evidentes para quem observa
no horizonte o ocaso da vida.”
Cubero, citado por Lopes (2008, p.335)
É com este princípio que uma intervenção em animação sociocultural para a
Terceira Idade deve valorizar a pessoa e consequentemente valorizar a sua história de
vida, as suas experiências, os seus saberes e sobretudo a sua memória.
Como já afirmámos ninguém vive sozinho. O ato de viver é sobretudo conviver,
daí a animação sociocultural constituir um imperativo de vida no sentido de levar o
88
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
sénior a uma cidadania plasmada numa participação comprometida com o seu próprio
desenvolvimento.
A ASC assume hoje um papel de relevo no que diz respeito à preservação da sua
qualidade de vida no sentido de criar, proporcionar e realizar atividades que permitam
manter esta faixa etária da população cada vez mais inserida nas suas comunidades por
forma a combater os fenómenos de solidão, abandono e exclusão social.
Devido a este paradigma torna-se urgente aprofundar e criar políticas de
intervenção junto da Terceira Idade para que esta não seja tida como o fim de vida, mas
sim como uma nova etapa do ciclo de vida, uma vez que,
“O século XXI traz-nos a assunção da Terceira Idade (…), ainda não
vimos por parte do poder político a adopção de medidas que permitam a
valorização dos Idosos através do incremento das suas práticas, das suas
vivências, experiências e saberes.”
Pereira e Lopes (2009, p.9)
Tendo como base este pensamento a Animação Sociocultural constitui para a os
Seniores a tal didática da participação social denominada por Ventosa, pois estamos
certos que esta pedagogia, ao ser exercida, permitiria aos seniores uma cidadania maior
alicerçada num humanismo vivencial. Também defendemos que um programa de
animação sociocultural pode servir para combater dependências várias (p.ex. Fármacos)
pois a ação constitui em si um meio terapêutico de extrema eficácia.
Com base em autores que estudam o fenómeno da Animação Sociocultural na
Terceira Idade passamos a eleger aquelas que em nosso entender respondem a estes
desafios por nós colocados.
A Animação Sociocultural é uma metodologia de intervenção e, no âmbito dos
Seniores, não é diferente por isso referimos a autora Martins (2009, p.349-350),
“A Animação Sociocultura tem um papel importante e fundamental. É
assumida como uma metodologia de intervenção sociopedagógica nos mais
diversos contextos socioculturais e educativos. É um instrumento ao serviço de
um conjunto de actores sociais no quadro da acção, potenciando as pessoas,
os grupos e as comunidades. A Animação sociocultural, conectada à terceira
idade, pretende ser um instrumento de minimização de factores traumáticos, de
89
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
valorização pessoal e comunitária do idoso, conferindo-lhe um envelhecimento
saudável.”
O autor Mínguez (2004, pp. 144-149) defende que a animação sociocultural com a
terceira idade, sustentada na educação, assenta em 2 dimensões e 2 níveis bastante
distintos, sendo elas a dimensão intelectual e a dimensão biológica e os níveis
psicológico e social.
No que se refere á dimensão intelectual, ressalta a importância de os seniores se
conhecerem a si próprios e também explorem todas as questões ligadas à sua vida e
cultura.
“Como estrategia de funcionamiento de la mente y la memoria la
educación mantiene y mejora la calidad de vida, principalmente a través, en lo
posible, de un trabajo de descubrimiento autónomo (…) En definitiva se trata
de explorar el mundo de la mente en las diversas manifestaciones culturales
(música, arte, literatura), sino al descubrimiento de las “musas” inspiradoras
de la vida y la cultura.”
Mínguez (2004, p. 144)
Segundo o mesmo autor (p. 144) a dimensão biológica, através da prática
educativa, provoca uma melhoria nas condições de saúde,
“También la prática educativa extiende sus efectos sobre los niveles
biológicos. En general puede assegurarse que mejora y contribuye al
mantenimiento de la salud física permitiendo a los indivíduos una capacidad
de movilidad suelta e indipendiente.”
No que se refere ao nível Psicológico, (pp. 145 – 146), para que as questões
ligadas à depressão possam ser combatidas e dessa forma os seniores desenvolvam uma
maior autoestima, o que leva a uma diminuição da ansiedade.
Por último o autor refere o nível Social (pp. 146 – 147), onde salienta a questão da
convivência com outras pessoas, criação de redes de contactos, promoção de laços de
proximidade com a comunidade onde está inserido, pois desta forma os seniores
assumem um papel e entendem que podem ser sociáveis e fazer parte do
desenvolvimento da sociedade que os rodeia.
90
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
A ASC coloca-se à disposição dos seniores para facilitar, aos mesmos, um
envelhecimento ativo e na promoção de atividades de interesse que os façam estar
ativos quer física quer psiquicamente, para que a perda das faculdades não seja abrupta
e que os mesmos possam usufruir de um tempo livre animado e com atividades que os
façam sentir uteis, apesar dos efeitos que o envelhecimento acarreta,
Em jeito de conclusão e segundo, Requejo (2008, p.217),
“Os processos de animação sociocultural, alimentados pelas diferentes
intervenções socioeducativas como uma oferta de programas variados e em
diferentes contextos (centros de dia, residências, instituições formativas
especificas como as Aulas/Universidades, etc.) supõem um apoio importante
que pode servir de instrumento à oportunidade global de assegurar às pessoas
de idade viver mais anos, com saúde e participando activamente na
sociedade.”
Podemos concluir que na ASC para e com os seniores se torna muito importante
para conseguir que eles se sintam motivados, acompanhados e ativos; que a mesma traz
um valor acrescentado no que se refere às relações intergeracionais e que o mesmo pode
ser a forma de os seniores participarem na comunidade.
Todas as atividades que são promovidas devem ter em primeiro lugar os interesses
e motivações de cada sénior; Deve promover a autonomia no sénior e um
envelhecimento ativo; entre outras e por isso elaboramos um quadro com as
características fundamentais da ASC na e para os seniores na opinião dos entrevistados.
91
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
ASC para e com os Seniores
Victor Ventosa
Gloria
Pérez Serrano
Luis
Gomez Garcia
- Grupo de
meios mais
eficazes e
idóneos para
responder as
necessidades,
problemas e
interesses dos
seniores;
Metodologia de
trabalho de
grande
interesse;
- Permite criar
novas relações
intergeracionais;
Estimular os
Seniores;
- Promoção de
uma reflexão
aos seniores
sobre a sua
condição social
e de que forma
podem melhorála transmitindo
os
conhecimentos
à comunidade;
- Metodologia
eficaz para
combater a
solidão, a
inatividade, a
falta de
autoestima;
-Deve potenciar
a convivência
em detrimento
da não
convivência;
Desenvolver as
potencialidades
dos seniores;
- Fazer
com que os
seniores
participem;
Promover uma
vivência cheia
de vitalidade
aos seniores.
Maria
Conceição
Antunes
-Estratégia e
metodologia de
intervenção
social;
- Implementação
de atividades,
programas e
projetos
adequados aos
seniores;
Avelino
Bento
Manuel
Vieites
- Importância das
relações
intergeracionais;
- Procurar a
interação entre
gerações;
- ASC é um
espaço de
transmissão de
saberes e
experiências.
- Organização
de atividades
para os seniores;
- Atividades no
âmbito do
património
cultural que
cada sénior tem.
- É um processo
transformador
comunitário.
- Ocupação
positiva e
gratificante do
tempo livre.
Quadro 18 – ASC para e com os Seniores – Elaboração Própria (2012). Fonte: Ventosa , Perez, Gomez, Antunes , Bento,
Vieites.
Tendo por base o quadro 2, onde optámos por colocar as ideias chave que os
entrevistados nos revelaram no que se refere as características que deve ter a ASC para
os Seniores. Podemos ressalvar que na realidade esta deve ser tida como uma
ferramenta e um meio de combate ao isolamento, inatividade, desocupação, entre outros
dos seniores, ou seja, através da ASC é possível criar atividades e programas que
possam ir de encontro àquilo que os seniores pretendem e que os interessa, para que a
“ocupação” não seja apenas o que a própria palavra indica, mas que seja sim um espaço
em que os seniores se sintam integrados e que ocupem com animação o tempo, ou seja,
que o tempo seja animado e seja gratificante para os seniores e para a comunidade.
92
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
Todos os entrevistados são unânimes em afirmar que todos os projetos devem
integrar na sua essência a partilha de saberes e experiências com gerações mais novas e
portanto todos referem a importância das relações Intergeracionais, para que os mais
novos aprendam com o passado e os mais velhos apreendam com o futuro.
93
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
“O Animador Sociocultural é um catalisador,
dinamizador, assistente, técnico, mediador,
transmissor (…) cujo comportamento e modo
de agir vão interferir nos processos de
participação dos outros.”
Ander-Egg (1999, p.27)
3.3.Perfil do Animador Sociocultural para os Seniores
Antes de partirmos para as características fundamentais de que um animador
sociocultural deve estar munido para o âmbito da Terceira Idade, devemos ter sempre
presente a definição de qualquer animador Sociocultural, como nos revela Ventosa
(2009, p.338) que,
“(…)é um profissional socioeducativo que planifica, coordena e gere
projectos, eventos, equipamentos socioculturais, adaptando-os ao colectivo
destinatário e às características e condições da empresa ou instituição em que
se vão desenvolver, contando com a implicação activa dos seus destinatários .”
E é apologista que o animador tem no mínimo três campos de trabalho muito
concretos, sendo eles, o “Cultural”, onde fundamentalmente trabalha em torno da
criatividade; o Social, onde o essencial se centra no trabalho com o grupo/comunidade e
onde as pessoas são chamadas a participar e a fazer parte do grupo em que está
integrado; e “Educativo”, centra-se na pessoa e para que a mesma se desenvolva e
transforme tendo em consideração as capacidades individuais de cada um.
Ventosa (2002, p.31)
Em todas as profissões existem especificidades relativas a cada uma e a ASC é um
exemplo disso, bem como os animadores. Devem ter sempre em consideração o âmbito
em que trabalham pois as caraterísticas que devem possuir são diferentes, apesar de
determinadas caraterísticas serem transversais.
As definições das caraterísticas dos animadores socioculturais são coincidentes na
maioria dos autores, apesar das mesmas estarem descritas em Pérez e Puya (2007:1894
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
19), que nos referem cinco como sendo fundamentais para os animadores, “Educador,
Agente de Mudança Social, Interlocutor, Mediador Social e Dinamizador Intercultural”;
desta forma, podemos afirmar que o Animador deve ser educador, para que as pessoas
não vivam isoladas e que o trabalho que vão promover junto das mesmas seja o mais
adequado possível e corresponda as expectativas das mesmas,
“- Educador. La educación es un instrumento para el cambio y el
desarrollo personal y social. Pretende modificar actitudes desde la pasividad a
la actividad. Estimula para la acción, sacando del aislamiento a las personas.
El animador sociocultural tiene que llegar a una compensión real das
necesidades y aspiraciones de los grupos y personas, que éstos, en ocasiones,
no son capaces de expresar.”
Pérez e Puya (2007, p.18)
Deve ser um agente de mudança, uma vez que trabalha públicos que podem
possuir caraterísticas diversificadas e deve promover o trabalho comunitário, sem nunca
descurar o que cada um pensa ou sente para que possa modificar ou simplesmente atuar
na realidade em que cada um está inserido.
“ - Agente de cambio social. Ejerce la animación con grupos o
colectivos de muy diversa índole. Su objectivo es implicarles en una acción
conjunta. Por tanto, el animador sociocultural es un técnico en contacto con la
realidad social, dinamizador de su entorno y experto en el funcionamiento de
los grupos. Fomenta actitudes comunitarias, teniendo en cuenta los valores,
formas de pensamiento y posibilidades de las personas a las que guía e ayuda.
Valora, siente y actúa en la realidad social para transformala.”
Pérez e Puya (2007, p.18)
Para que não existam quebras de diálogo e relação entre as instituições e as
pessoas com quem se trabalha, o animador deve ser um bom interlocutor para que
promova o empreendedorismo e que o público com quem trabalha se relacione entre si,
“– Relacionador. Capaz de estimular y suscitar las relaciones y
establecer una comunicación positiva entre personas, grupos y comunidades,
que a su vez conexiona con instituciones sociales y los organismos públicos.
Debe ser capz de ecliparse para favorecer la interrelación entre los miembros
de un grupo y dar prueba de iniciativa y espíritu emprendedor.”
Pérez e Puya (2007, p.18)
95
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
É um mediador na medida em que respeita a individualidade de cada um, e no
seio da diferença promove o diálogo e a comunicação para que todos se capacitem das
suas responsabilidades e que tenham consciência do papel e da capacidade de cada um,
“- Mediador social. La mediación como metodología de intervención
tiene sus pilares en la comunicación y las diferencias sociales. Permite una
mejora personal y social. Tiene que observar y comprender las características
y capacidades que influyen en el conflicto, ser un mero intermediario para,
poco a poco, devolver el protagonismo a las personas implicadas. Facilitar la
comunicación ayudará a reflexionar sobre la responsabilidad, el protagonismo
y la capacitación, y potenciará los intereses comunes y posibles acuerdos.”
Pérez e Puya (2007, p.19)
Enquanto dinamizador intercultural, pois o objetivo é que cada um se aceite
como é perante si e perante os outros. o animador promove o diálogo e faz com que
todos, mas mesmo todos tenham a mesma igualdade de oportunidades dentro do grupo
ou comunidade,
“ – Dinamizador intercultural. Previene los conflictos culturales,
mejora la comprensión recíproca entre comunidades de origen diferente,
conoce profundamente otras culturas y transforma la realidad para que todos
experimenten la igualdad de opurtonidades. Favorece la assunción de
actitudes positivas con referencia a otras culturas, estimula el desarrollo de
habilidades sociales y la toma de decisiones. Fomenta el entendimiento de la
interdependencia transcultural mediante la colaboración en la perspectiva de
verse a uno mismo desde los otros.”
Pérez e Puya (2007, p.19)
Todos somos diferentes e ninguém é igual a ninguém e o mesmo se passa no que
se refere aos animadores, pois todos eles são diferentes, mas existem competências que
acabam por ser básicas no que se refere ao exercício da sua atividade, e as acima
referidas são um exemplo disso e por isso corroboramos da opinião de Pérez e Puya
(2007:31-32), o Animador Sociocultural, em cômputo geral, deve ter quatro
características que nos parecem ser fundamentais, o saber, o saber fazer, o saber estar e
o saber ser.
Partindo do geral para o particular, ou seja, partindo da definição geral do que
deve ser um animador sociocultural e quais as suas características fundamentais,
96
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
segundo Ventosa (2009, p. 340) existem algumas funções que afetam particularmente os
animadores gerontogeriátricos e que devem ser tidas em linha de conta para que a
intervenção junto dos seniores seja realizada da melhor forma, sendo elas,
“- Função integradora, que ajude os idosos a enfrentar as mudanças e
as perdas que devem sofrer nesta etapa da vida;
- Função lúdica ou recreativa, de educação no uso e desfrute activo do
tempo livre como meio de diversão, ocupação e desenvolvimento pessoal e
social;
- Função relacional, fomentando a comunicação, a convivência e o
estabelecimento de relações interpessoais e grupais;
- Função crítica, exercitando e mantendo o sentido critico e a
capacidade
de
análises
da
realidade
circundante,
necessária
para
compreender e situar os acontecimentos e fenómenos quotidianos da sociedade
actual;
- Função criativa, orientada a despoletar, recuperar e desenvolver
todas as potencialidades expressivas de cada um através de diferentes suportes
e recursos (dramáticos, musicais, plásticos, manuais, psicomotores…);
- Função formativa, articulando e reforçando os processos de
motivação para a aprendizagem, a recuperação de vivências, o treino e
manutenção intelectual e a actualização de conhecimentos.”
Todas estas funções permitem que o sénior seja visto como pessoa e como objeto
de intervenção, e permite ao animador ser bem-sucedido na sua intervenção enquanto
animador e enquanto elemento potenciador de mudança e melhoria na vida dos seniores,
mas também é necessário alertar para o facto de que muitas das vezes quem está no
terreno é quem de facto sente quais as necessidades que existem nos seniores e que as
funções exigidas pelos mesmos são mais do que as aqui descritas.
Não podemos contudo descurar o facto de que o sénior precisa de estar motivado
para participar, para viver ativamente, pois sem isso o sénior não tem alento na vida,
nem participa nas atividades propostas.
Corroboramos da opinião de Jacob (2007, p.33) que nos revela que,
“ A especificidade do trabalho com o idoso carece de técnicos
especialistas na área e só quem trabalha todos os dias no terreno com idosos,
97
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
se apercebe que ao animador (e aos funcionários e técnicos) lhes é exigido
(pelos próprios idosos) muito mais que actividades.” Pois “O animador é
muitas vezes o confidente, o conselheiro, o amigo e com o decorrer do tempo,
alguém muito próximo do idoso.”
Todas as entrevistas se encontram nos anexos, contudo pareceu-nos importante
sistematizar a informação recolhida com as mesmas, para que possamos fazer uma
análise mais detalhada no que se refere às características do Animador Sociocultural
para e com os Seniores.
Perfil do Animador Sociocultural para e com os seniores
Victor Ventosa
Gloria Perez
Serrano
Luis Gomes
Garcia
Maria
Conceição
Antunes
Avelino Bento
Manuel Vieites
- Deve
reunir as
características
comuns a todos
os animadores:
Qualidades
humanas (sáude,
resistência
física,
tolerância;
dimensão
afetiva e
competência
técnica e
participativa;
-Formacão em
ASC;
- Dar ânimo;
-Gostar das
pessoas;
-Completo;
-O
Saber Ser,
Saber Fazer e o
Saber da
Formação;
Devem ser
possuidores de
um saber
específico
relativo à área
da
gerontologia;
- Saber
quais as
atividades mais
indicadas para
esta faixa
etária.
-Deve
ser educador;
-Agente
de mudança;
-Formação
específica em
Gerontologia
Social e
Educativa;
-Conhecimentos
básicos de
geriatria e
psicologia da
velhice;
Mediador
Social;
Dinamizador
intercultural.
- Dar vida às
pessoas e
atividades;
-Complexo;
-Respeitar as
pessoas;
-Bom
comunicador;
-“Vocação” e
aptidão para a
promoção de
atividades,
programas e
projetos com a
3ª Idade.
-Construir
com as
pessoas um
percurso onde
se tenha em
consideração:
-Necessidades
e interesses
-Conhecimentos
básicos de
recursos sociais
públicos para a
3ª Idade.
das mesmas.
-Empatia;
-Capacidade de
escuta;
-Formação
antropológica
para conhecer o
valor da cultura;
-Grande
capacidade de
adequação ao
meio.
Quadro 19 – Perfil do Animador Sociocultural para e com os seniores – Elaboração Própria (2012). Fonte: Ventosa , Pérez,
Gomez, Antunes , Bento, Vieites.
98
Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores
Após análise das entrevistas e confrontando com a bibliografia consultada,
podemos verificar que a definição do que deve ser o Animador Sociocultural na
Terceira Idade está longe de ser consensual, assim como nos afirma Avelino Bento,
“ (…) da mesma forma que a polissemia do conceito de ASC diverge em
função das práticas, dos lugares, dos conteúdos, das politicas, dos princípios,
também o perfil do animador é interferido por essa polissemia.”
Bento (Entrevista 5)
É consensual que o perfil do Animador Sociocultural no âmbito dos seniores deve
ter as mesmas características que todos os animadores têm, deve ser capaz de animar e
propiciar a participação de todos, e o fato de possuir conhecimentos específicos na área
da geriatria e gerontologia permite aos animadores terem uma maior sensibilidade e um
melhor desempenho no seu trabalho com os seniores.
O perfil de Animador Sociocultural para intervir junto dos seniores deve ser
portador de um espirito aberto, flexível, tolerante e sobretudo ter o condão de possuir
uma abertura à vivência e à convivência.
Deste modo, importa ao animador Sociocultural olhar os seniores como uma fonte
inesgotável de saberes adquiridos ao longo da sua vida e projeta-los através de
dinâmicas que promovam a autoestima do idoso.
Como afirmou o grande sénior Ander-Egg (1987, p.37),
“não pode animar quem não está animado, não pode animar quem não
acredita que o outro pode ser animado.”
Com base nas palavras deste sábio testemunhamos e defendemos o animador
sociocultural como um agente de desenvolvimento para dar vida, às vidas feitas, tem
que ser alguém que deve ser capaz de animar, de cativar, de motivar e de proporcionar
aos seniores momentos de partilha, de convívio e atividades que façam com que os
seniores participem de uma forma descomprometida.
99
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
Capítulo IV – A Animação Sociocultural
nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
100
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
“Se puede afirmar que los mayores son maestros
de la experiencia por el hecho de haber vivido más
tiempo y porque poseen unos conocimientos
de los problemas psicosociales que no poseen los
más jóvenes. Dichos conocimientos los poseen, no por
haberlos estudiado previamente, sino por haberlos vivido
y experimentado en su própria carne durante más tiempo.”
Carrajo (1999, p.147)
4.1. A ASC e a Educação Intergeracional
Na sociedade atual, em que cada vez mais se discute a importância que as relações
interpessoais assumem para os indivíduos como combate ao isolamento, as relações
intergeracionais assumem um papel de relevo neste sentido, até porque é uma forma de
combater a marginalização por parte dos mais novos para com as pessoas mais velhas, e
desta forma a ação intergeracional deve constituir o âmago de uma educação centrada
na partilha, no interagir, no viver e no conviver. Neste contexto a Animação
Sociocultural deve incitar à tal ação e como pedagogia da vivência que é deve potenciar
a vida ativa e superar a resignação e difundir os valores resultantes da ação intencional e
comprometida como assinala o autor,
“ Son una de las posibles formas de relación interpersonal. Son la fuente de
socialización humana más importante, ya que de ellas derivan la transmisión humana
más importante, ya que de ellas derivan la transmisión de conocimientos, valores,
actitudes, etc., de unas generaciones a otras; de ellas se derivan también muchos
efectos positivos para el desarrollo personal, la satisfacción y la salud mental de los
individuos participantes.”
Carrajo (1999, p.47)
Os seniores podem partilhar histórias de vida com os mais novos, podem partilhar
experiências de vida, ofícios que hoje em dia já nem se fala neles e que os seniores
tiveram como profissão/oficio na juventude ou na adultez, e desta forma criam-se
momentos de partilha e troca de experiências muito boas.
101
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
Através desta experiência intergeracional os seniores podem partilhar com os mais
novos histórias de outrora e ensinar aos mais novos o que viveram, o que
experienciaram e dessa forma vão sentir-se úteis e reconhecidos no seu papel de “mais
velhos” e definitivamente vestirem o fato de anciãos.
Esta experiência pode surgir também das crianças para os seniores
“Por isso o saber já não está só num dos lados, da tradição e das memórias, dos
velhos e dos sábios, está também do lado do presente e do futuro, das crianças e jovens
e dos adultos, da cultura local à cultura global, da identidade à diversidade cultural.”
Bento (entrevista 5)
As crianças podem ensinar aos seniores músicas, jogos dos seus tempos de
criança, recordo que nos Encontros Intergeracionais promovidos pela Junta de Freguesia
de Ramalde no ano de 2009, entre a EB1 dos Correios e o Centro de Convívio das
Campinas, o 1º encontro ficou marcado pela vontade com que as crianças estavam em
ensinar aos seniores os jogos que faziam nos intervalos da escola e em casa e
obviamente que esses momentos de partilha foram muito bons e os seniores adoraram e
sentiram que realmente era possível aprender com as crianças os seus saberes e
apreender as suas técnicas e conviver com os mesmos sem se sentirem marginalizados.
Desta forma corroboramos da opinião de Bostrum et tal, citado por AA.VV.
(2007, p.170):
“Os programas intergeracionais pretendem a promoção do estabelecimento de
uma relação, de carácter individual, entre duas gerações, os jovens e os idosos. Os seus
objectivos são a alteração de atitudes intergeracionais, que estão muitas vezes
enviesadas; a promoção e garantia da transmissão de tradições culturais; o
encorajamento da colaboração activa entre gerações; a partilha de recursos e a
resolução de problemas sociais, como o abandono escolar, abuso de substâncias e
vandalismo.”
No caso concreto do Abandono Escolar recordo mais uma vez a iniciativa da
Junta de Freguesia de Ramalde, já atrás referida, Encontros Intergeracionais, em que
aquilo que mais admirava as crianças era quando os seniores referiam que tinham
apenas a 1ª classe, ou que nunca tinham tido a oportunidade de ir para a escola pois os
pais eram pobres e foi necessário começarem desde logo a trabalhar e a participar nas
tarefas domésticas, uma vez que os pais tinham por vezes muitos filhos e todos tinham
102
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
que ajudar e até mesmo quando os seniores revelam que não existia espaço para brincar,
aí sim é a cara de maior admiração, pois brincar é aquilo que as crianças assumem como
sendo um direito hoje em dia.
As crianças acabam por perceber e aprender a valorizar o seu espaço de estudo e o
seu espaço de brincadeira pois entendem que noutros tempos, no tempo dos seniores,
nada disto existia e isso também pode servir para um processo de consciencialização
dos mais novos a saberem apreciar melhor aquilo que hoje em dia têm.
Os encontros Intergeracionais podem ser definidos de acordo com Pérez e Puya
(2007, p.72),
“Son espacios de encuentro entre personas que pertenecen a generaciones
diferentes (niños, jóvenes, adultos e mayores), con el fin de aprovechar la riqueza que
cada una de ellas puede ofrecer. Suele producirse en momentos importantes y
significativos para la familia, que conviene aprovechar para potenciar la
comunicación.”
Os encontros são então realizados com pessoas de gerações diferentes em que se
pretende aproveitar e tirar partido da experiência/sabedoria de cada um dos participantes
e que seja possível partilhar por todos os intervenientes.
Têm como objetivos gerais, segundo as referidas autoras,
“- Descubrir las potencialidades que ofrecen las diferentes generaciones; Ayudar a la persona en la organización de su propia vida; - Tomar conciencia de la
riqueza de la persona, en las diferentes etapas del arco vital; - Sensibilizar a la
población de la necesidad de vivir juntos; - Promover la conciencia de utilidad y
autoestima.”
A descoberta das potencialidades de todos os intervenientes, alertando sempre
para a necessidade de partilha e vivência e convivência em sociedade e que todos, mas
mesmo todos são importantes no âmbito da comunidade em que estão integrados.
Ainda de acordo com Pérez e Puya (2007, p.72-73), promove-se da seguinte
forma,
“Se suelen reunir personas de diferentes generaciones, fundamentalmente, del
mismo ámbito familiar con el fin de propiciar el encuentro; Suele ser un encuentro
informal, aunque suele existir una persona que asume el papel de líder; Se pude
103
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
producir también en otros ámbitos, como en los centros educativos. En este caso existe
un coordinador que organiza la sesión en función de los objetivos que se persigan. Un
ejemplo son los cuenta cuentos de mayores a los niños adolescentes, tradiciones
culturales, etc.”
Os encontros podem ser promovidos quer em âmbito familiar, quer em âmbito
escolar ou noutro âmbito informal, sendo que os mesmos devem ter sempre objetivos
bem definidos e é muito importante a existência de um líder que controle e dinamize os
encontros.
Podem atingir determinadas metas tendo por base as duas autoras referidas, (2007,
p.73)
“Aprovechar la riqueza de la experiencia. Como elemento importante para
transmisión cultural. Despertar la curiosidad de los más jóvenes ante las tradiciones.
Analizar las constantes que se transmiten de generación en generación.”
Desta forma podemos afirmar que os Encontros Intergeracionais têm por base a
promoção de um encontro que pode ser formal, informal ou dentro da própria família,
entre diferentes gerações por forma a valorizar as diferentes gerações que existem na
sociedade e que as mesmas se sintam valorizadas pelas histórias, vivências e
competências de cada um, e que as mesmas possam interagir entre si e dessa forma
partilharem experiências e vivências que doutra forma não seria possível.
A Educação Intergeracional, acaba por ser um,
“ (…) bom projecto no sentido de caminharmos rumo ao verdadeiro sentido da
educação evidenciando que os mais novos beneficiam muito do saber e experiência de
vida dos mais velhos e estes beneficiam nos novos horizontes e conhecimentos próprios
das gerações mais novas.”
Antunes (Entrevista 4)
A ASC apresenta-se como uma forma bastante eficaz na promoção de projetos
Intergeracionais uma vez que é a principal aliada para o combate ao isolamento dos
seniores e na promoção de um envelhecimento ativo que pressupõe uma cidadania ativa,
assim, como nos diz Saraiva e Lima (2010, p.159),
“A Animação Sociocultural apresenta um enorme potencial no desenvolvimento
de projectos intergeracionais, que contribuam por um lado, para combater o
isolamento e a solidão dos idosos e, por outro lado, que possam ajudar a diminuir as
104
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
imagens estereotipadas que, muitas vezes, as gerações mais novas manifestam
relativamente às pessoas idosas, e, dessa forma, dar resposta à premente necessidade
de fortalecimento da solidariedade entre gerações.”
Com base nos dados recolhidos realçamos o fato de entendermos que a perspetiva
de encontro intergeracional se liga à necessidade de interação entre os diferentes grupos
etários (crianças, jovens, adultos, seniores); já a educação intergeracional remete-nos
para uma ação educativa onde os diferentes grupos etários partilham saberes, vivências,
experiências que constituem o âmago de uma ação educadora.
Animação Sociocultural e a Educação Intergeracional
Victor Ventosa
Gloria
Pérez Serrano
Luis
Gomez Garcia
- Desenvolvimento
humano;
Relações
recíprocas de
aprendizagem
e interações
entre jovens e
seniores;
- A visibilidade
dos seniores
aumenta
proporcionalm
ente à medida
que se criam
relações
intergeracionai
s;
- Enrequecimento
mutuo e
complementar;
Fomentam o
intercâmbio
cultural e
proporcionam
sistemas de
ajuda social;
- Convivência
entre pessoas de
idades diferentes.
Aproveitar as
capacidades
de cada um
em prol do
bem comum;
- Tem
como
principal
objetivo
chamar
atenção dos
mais jovens
para as
capacidades e
valor que os
seniores têm
na sociedade e
que devem ser
respeitados e
valorizados.
-O
desenvolvimen
to de atividades
intergeracionai
s sempre
estiveram na
essência da
ASC;
- Cria relações
entre os
seniores e as
crianças
através de
atividades que
beneficiam
ambas as
gerações e para
que as gerações
se respeitem
mutuamente.
Maria
Conceição
Antunes
- Juntar crianças
e seniores;
- Os mais novos
beneficiam
muito do saber e
da experiência
de vida dos mais
velhos;
- Os mais velhos
beneficiam nos
novos
horizontes e
conhecimentos
próprios das
gerações mais
novas;
Avelino
Bento
- Criação de
espaços de
educação não
formal;
- Os mais velhos
são sábios e
contam as suas
histórias junto da
comunidade;
- O saber não
está só do lado
das tradições e
do passado, mas
também está do
lado do futuro e
do presente.
Manuel
Vieites
- Diferentes
grupos de idade
realizam
processos
conjuntamente e
que se partilhe
informação
entre todos;
- Diálogo
verdadeiro entre
gerações;
- Os seniores e
as crianças
devem aprender
a reconhecer
uns nos outros
as suas
potencialidades
e saberes.
- Funde-se nos
princípios de
uma educação
comunitária em
que todos
aprendemos
com todos.
Quadro 20- Animação Sociocultural e a Educação Intergeracional - Elaboração Própria (2012). Fonte: Ventosa , Pérez, Gomez,
Antunes , Bento, Vieites.
105
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
Ainda na opinião expressa dos nossos entrevistados salientamos o fato de na
educação intergeracional ser o reflexo da junção de crianças, jovens, adultos e seniores,
e que os seniores não são só os detentores de conhecimento, mas que também as
crianças e os outros grupos etários podem partilhar saberes desconhecidos dos mais
velhos. Pretende-se também através desta prática que as crianças reconheçam nos
seniores fontes inigualáveis de sabedoria e que representam o passado da comunidade e
que também por isso é importante respeitá-los.
106
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
“(…) o homem é um projecto inacabado; a existência humana
surge com a esperança de um desenvolvimento contínuo em que
o tempo joga com a surpresa e a imprevisibilidade; o destino
do homem é fazer-se sem tréguas até ao final da sua existência.”
Palma e Cachioni (2006, p.1461)
4.2.A ASC, a Educação Permanente e as Universidades Seniores
Partindo do desiderato que,
“O aprender não é um fim em si mesmo, mas um vínculo através do qual uma
pessoa pode encontrar uma variedade de objectivos pessoais e de crescimento e que o
contexto social tem mudado, os métodos de pesquisa têm evoluído, e as oportunidades
para continuar aprendendo durante a velhice irão aumentar”
Palma e Cachioni (2006, p.1457)
Chegamos então à educação permanente; uma ação educadora onde a realidade e
a utopia caminha lado a lado pois se é verdade que a vida educa, também não é menos
verdade que o conceito de educação permanente transposta em si uma ideia e um
projeto educacional inacabado que nos remete para impossibilidade de aferir o volume
educativo que a vida nos dá. Com base no exposto somos defensores de uma articulação
entre os espaços educativos formais, não formais e informais como tríade fundamental
para a formação do ser humano.
Por isso fazemos a apologia de uma ação educadora direcionada para as
transversalidades e existência humana pois a educação tem que existir em todos os
extratos sociais e em todas as idades.
“La educación permanente, lejos de limitarse al período de escolaridad, debe
abarcar todas las dimensiones de la vida, todas las ramas del saber y todos los
conocimientos práticos que puedan adquirirse por todos los medios y contribuir a todas
las formas de desarrollo de la personalidad..”
Badesa (2008, p.67)
107
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
O conceito de educação permanente é precisamente o entender a educação como
algo que se adquire desde o início da vida até ao fim, é algo que sempre nos acompanha
e por isso devem existir processos adequados para cada uma das idades.
“Los processos educativos que siguen a lo largo de la vida los niños, los jóvenes
y los adultos, cualquiera que sea su forma, deben considerarse como um todo. La
novedad de esta propuesta consiste en subrayar el carácter unitario y coherente, así
como destacar el aspecto de la oferta a toda la problación a lo largo de toda la vida,
por la imperiosa necesidad de actualizar nuestra formación de acuerdo a las nuevas
demandas en un mundo de cambio vertiginoso.”
Badesa (2008, p.67)
Daí nos parecer pertinente a afirmação das autoras, Palma e Cachioni (p.1461),
no que se refere à educação permanente, uma vez que a mesma é,
“ (…) uma tarefa, um direito e um dever ao longo da vida (…)Em qualquer
época pode-se aspirar a uma educação que nunca se conclui, pois o homem é um
projecto inacabado, e a cultura comporta mudança constante.”
Para outros autores a educação não deixa de ser um processo e um produto ao
qual o ser humano está exposto e do qual necessita para se realizar enquanto cidadão e
que não há momentos que sejam mais indicados ou idades mais adequadas,
Não devemos confundir a educação permanente com uma educação exigente e
obrigatória, pois os seniores devem entender a mais-valia que poderão ter em integrar
um projeto educativo quer ao nível do saber, quer ao nível das relações interpessoais,
tanto com o seu grupo de pares e de pessoas da mesma idade, como também com
pessoas de vivências diferentes e mais novas e o fato de participarem neste tipo de
projetos também faz com que possam ter uma voz mais ativa e uma participação mais
comprometida na sociedade em que estão integrados,
“Para o idoso a inclusão num programa educativo não é apenas uma oportunidade
de reciclagem intelectual, mas, sim, uma possibilidade de dialogar e participar com seus
iguais na construção do seu próprio processo formativo. (…) programas educacionais
possibilitem aos idosos uma maior relação com as outras gerações, capacidade de exigir
seus direitos e autonomia de pensamento, como membros úteis da sociedade. (…) O que se
busca é que os programas educacionais possibilitem aos idosos uma maior relação com as
outras gerações, capacidade de exigir seus direitos e autonomia de pensamento, como
108
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
membros úteis da sociedade. Para tanto é necessário levar em conta um outro conjunto de
pressupostos:
1.
Os planos de educação e formação para adultos maduros e idosos constituem uma
nova invenção social, politica, económica e cultural.
2.
O conceito de educação permanente prevê que a educação e a aprendizagem são
contínuas e acumulativas, e não um conjunto pontual de eventos institucionais.
3.
A educação para idosos necessita de uma mudança de atitude social da própria
clientela.
4.
Deve possibilitar não só a divulgação do conhecimento como também o
desenvolvimento comunitário da sociedade, com a participação dos próprios
idosos.
5.
Deve realizar-se com, para e pelos idosos, potencializando sua participação.
6.
Necessita da criação, do desenvolvimento e da institucionalização de uma
metodologia adaptada às características da clientela, considerando-se os aspectos
cognitivos, afetivos e ambientais.
7.
A educação para adultos maduros e idosos deve pretender, no mínimo, incrementar
os saberes e conhecimentos; incrementar os saberes práticos, o saber fazer, o
aprender e seguir aprendendo e possibilitar o crescimento contínuo, as relações
sociais e a participação social.”
Palma e Cachioni (2006, pp. 1457 - 1459)
A educação permanente acaba por se aliar a outros conceitos também eles muito
importantes quando falamos de intervenção no âmbito desta faixa etária. Assim sendo,
cidadania, convivência, intergeracionalidade, participação, são tudo conceitos que se
cruzam com a educação permanente na medida em que os seniores precisam de estar
motivados para participarem neste tipo de projetos; é essencial que as gerações mais
novas também participem para que se criem relações Intergeracionais que são tão
importantes na educação. Os seniores têm que se sentir como foco principal de todo o
processo educacional, pois os projetos são criados por forma a ir de encontro com os
seus objetivos e que seja algo contínuo e não pontual.
109
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
Ander-Egg citado por Lopes (2008, p.402) refere que:
“A Animação Sociocultural e a educação permanente constituem «duas caras de
uma mesma moeda» e que a educação permanente, para constituir uma acção válida,
deve ser complementada por acções de Animação. (…) a Animação Sociocultural trata
de superar e vencer atitudes de apatia e fatalismo em relação ao esforço por «aprender
durante toda a vida»”
Contudo, é importante referir que a Educação Permanente e a Animação
Sociocultural,
“(…) ambos conceptos han nacido y se han dessarrollado com un mismo
objectivo: promover la democracia cultural o lo que es lo mismo, la creación de una
sociedad democrática.”
Badesa (2008,p. 68)
Devem ser criadas oportunidades para todos os seniores terem acesso à educação,
“Proporcionar oportunidades educacionais a idosos é um empreendimento
social referenciado a uma filosofia sobre a velhice e a uma filosofia sobre educação à
velhice.”
Palma e Cachioni (2006,p.1459)
Podemos concluir que a educação permanente deve existir e tem que existir por
forma a que todos os seniores tenham acesso à mesma, como assegura Grácio, citado
por Lopes (2008, p.399)
“ A educação apresenta-se como um processo contínuo e permanente; mas se a
impregnação cultural apenas termina com a morte, as modalidades socialmente
organizadas de promoção cultural e profissional são cada vez mais necessárias num
mundo complexo e em célere mudança. Por isso se vai efetivando um pouco por toda a
parte o principio de uma «educação permanente», que favorece a adaptação a esse
mundo, mediante o aperfeiçoamento cultural e profissional dos adultos em todas as
idades da vida, com incidência na esfera do trabalho e na dos ócios ou lazeres, que se
pretende sejam educativos.”
As Universidades Seniores, são um exemplo daquilo que deve ser promovido no
âmbito da educação permanente ou no âmbito da formação ao longo da vida, os seniores
sentem que por estarem numa universidade sénior são mais uteis à sociedade e sentemse integrados na comunidade em que vivem e convivem.
110
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
As mesmas têm surgido em grande número e cada vez com mais qualidade e são
uma forma de participação dos seniores na sociedade e em projetos de desenvolvimento
pessoal, cultural e educativo, conforme nos refere a autora Ferrari (2000,p.99)
“ A participação nas universidades abertas à Terceira Idade, como explicita Martins,J.,
implica uma participação efetiva na sociedade, o que por sua vez implica:
- reordenações da vida cotidiana do cidadão idoso;
- regresso do cidadão ao cotidiano, como individuo: capaz de lidar com as próprias
emoções e com situações de conflito, compreender o processo do envelhecimento, capaz
de enriquecer e ampliar o seu ser social, capaz de engajar-se num trabalho criador,
ligado à arte, à ciência, à moral e à ação coletiva.”
A educação permanente é uma utopia contemporânea (é algo real, mas não
qualitativo), as universidades seniores podiam ser um elo de ligação entre os diferentes
saberes e que permitissem a operacionalização de experiência e de vivência.
111
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
“Pocas cosas nos hacen más humanos y nos
llenan tanto en la vida como todo lo
que hacemos por los demás sin esperar nada a
cambio, simplemente por puro
altruismo y solidaridad.
Eso es el Voluntariado.”
Cano, Herrera e Ochoa (2007,p.13)
4.3. A ASC, o Voluntariado, a Cidadania e a Participação
Tendo como ponto de partida que o aumento da esperança de vida é cada vez
maior e que a promoção de um envelhecimento ativo tem na sua essência a promoção
de iniciativas que vão de encontro às necessidades dos seniores, e que os nossos
seniores cada vez vão ter mais tendência para viver mais anos na situação de reforma,
urge que os mesmos sejam chamados a participar na sociedade e não se demitam do
papel ativo de participação na mesma, como nos refere Viveiros (2011.p.86),
“A participação cívica nas atividades de voluntariado expressa o exercício consciente e livre da
cidadania solidária que se constrói com o próximo.”
Existe o estigma, junto dos seniores, de que trabalharam uma vida toda e ao
passarem para o estado de reformado não pretendem mais participar na sociedade e
quase que só exercem a sua cidadania através do direito ao voto e mesmo assim alguns
seniores nem mesmo isso já mostram interesse em fazer,
“ O fato de se ouvir por parte de alguns “já fiz muito, quero descansar, plantei,
agora quero colher os frutos” não deixa de ser um direito adquirido, mas não é uma
atitude saudável. Principalmente quando as pessoas se limitam a permanecer só com
essas respostas (…) o descansar é importante, o colher os frutos também, mas só isso
não basta para esse período da vida em que o individuo adquiriu toda uma experiência,
uma vivência; ele tem ainda muito a dar e a receber e principalmente a trocar, precisa
continuar vivendo, lutando, crescendo.”
Ferrari (2000, p.99)
112
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
Desta forma, é importante que a pessoa idosa conheça a importância que tem a sua
participação social.
“São os idosos os que desenvolveram a sociedade que agora temos e, da mesma
maneira que têm direito a gozar os logros alcançados, é também sua obrigação
continuar a dar a sociedade conhecimentos, experiências e sobretudo valores e
atitudes.”
García (2009, p.37)
Tendo por base o conceito de ASC e parafraseando Lopes (2011, p.21) “(…) é
uma prática que deve gerar vida associativa, implicar pessoas, promover a interação e
como é óbvio motivar a ação voluntária.” Por isso nos parece importante referir que a
ASC e os animadores “desempenham um papel primordial na promoção e dinamização
do voluntariado. Há princípios e valores que são comuns à Animação e ao voluntariado
(…)” Viveiros (2011, p.81).
Há autores que interligam o voluntariado, participação e cidadania a projetos de
programas Intergeracionais e na realidade faz todo o sentido na medida em que os
seniores podem participar ativamente nas escolas, nos ATL, nas creches e de uma forma
voluntária contar histórias, partilhar experiências com as crianças, ensinar e partilhar os
jogos de tempos idos e esta pode também ser uma forma de voluntariado.
Sendo este o ano Europeu do Envelhecimento Ativo (2012) e no ano transato ter
sido o Ano Europeu do Voluntariado (2011), porque não, então, juntar sinergias e
promover a participação dos seniores em projetos de voluntariado e de cidadania ativa
“As medidas de promoção do envelhecimento produtivo/activo pretendem uma participação
mais activa dos idosos na sociedade, através da continuidade da prestação dos seus serviços,
contribuindo para o desenvolvimento económico e social ”
AA.VV. (2007,p.170) aqui apresenta-
se o voluntariado como uma forma de manter os seniores ocupados e que os mesmos se
sintam úteis para com a sociedade onde estão inseridos, e que o tempo livre não seja um
tempo morto, mas um tempo útil e que pode ter um valor acrescentado para os mesmos.
O voluntariado é transversal a todas as idades, mas é verdade que existem tipos de
voluntariado que são mais adequados às crianças e jovens, outros há para adultos e para
seniores, e citando AA.VV. (2007, p.171) podemos versar sobre os seguintes:
113
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
“a)Partilha
de
experiências em
grupos de
jovens,
colocando-se
os
conhecimentos e capacidades dos seniores à disposição de grupos infantis e juvenis
(Ex. os voluntários seniores que vão partilhar diferentes experiências às escolas).
b)Captação de outros seniores, transmitindo-lhes um modelo a seguir, o que
torna mais fácil o seu compromisso como voluntário (ex. divulgação realizada pelos
voluntários seniores nos Centros de Dia).
c)Actividades nos Centros de Pessoas Idosas, promovendo a participação dos
membros destes centros em actividades que dinamizem esta população, fomentando a
solidariedade (ex. Voluntários seniores com a função de realizar a animação
sociocultural dos lares de idosos).
d)Projectos com pessoas da mesma faixa etária, organizando, mediante a
cooperação de voluntários, uma rede de oferta de pequenas cooperações domésticas
(ex., apoio ao domicilio a outros idosos, etc.)
e) Avós substitutos, promovendo a recuperação do espaço relacional próprio
das pessoas idosas, que é a relação avô-neto, mediante o cuidado das crianças cujos
pais trabalham fora de casa, e que ficariam sozinhos durante algum tempo
(ex.,Voluntários que fazem de baby-sitteres).
f)Centro de informação e atenção às pessoas idosas, atendendo grupos de
pessoas idosas de um determinado bairro ou zona, informando-os acerca de qualquer
tema de interesse, facilitando o seu acesso a recursos disponíveis.”
A palavra cidadania, com o acréscimo da palavra ativa, faz todo o sentido pois
todos os cidadãos o são de pleno direito e são chamados a participar ativamente na
sociedade, todos temos o direito e o dever de o fazer, Viveiros (2011, p.85), afirma,
“ A cidadania ativa é um elemento chave para a consolidação da democracia e
para a participação cívica dos cidadãos na construção de uma sociedade mais
igualitária e solidária. (…) A cidadania é uma praxis que se reinventa e anima com o
envolvimento participativo da sociedade civil para dar sentido à democracia. (…) A
cidadania ativa é um «status cívico» em construção na pluralidade dos desafios da
democracia.”
114
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
Desta forma, concluimos que
“El objetivo general de todo proyecto de voluntariado de mayores consiste
principalmente en fomentar la participación activa de estas personas, en actividades de
interés general, que repercutan positivamente en la sociedad.
Cano, V, Herrera e Ochoa (2007,p.33)
O voluntariado sénior faz sentido e deve ser promovido, mas para que exista
participação social,
“La participación social activa de los mayores es la que atañe a su capacidad
de intervenir, con decisión y responsabilidad, en todos los acontecimientos de la vida
comunitaria, desde el gobierno de la Nación, (en el que puede actuar mediante el
derecho al voto), hasta los asuntos que le son más cercanos, tales como los referentes
al barrio en que habita, los de la seguridad ciudadana, la construcción de viviendas
apropiadas, etc.”
Carrajo (1999, p.193)
Na entrevista de Pérez (Entrevista 2) podemos verificar que existe uma
reciprocidade no que se refere ao voluntariado na terceira idade, a entrevistada refere
que tanto é importante promover o voluntariado junto dos seniores, para que os mesmos
possam ser voluntários uma vez que dispõe de muitas potencialidades, como também é
importante que existam pessoas que sejam voluntárias junto dos seniores.
Conforme nos refere uma das nossas entrevistadas
“Uma das melhores formas de combate ao isolamento, combate à exclusão e solidão,
pois dessa forma os seniores ficam inseridos na esfera social e cultural, fazendo com
que se sintam cidadãos de pleno direito (…)”
Antunes (Entrevista 4)
É importante que os seniores se sintam integrados na comunidade à qual
pertencem e através do voluntariado, da cidadania e da participação, é possível dado que
tudo faz parte de uma vida em comum e desta forma,
“A Animação Sociocultural constitui assim o âmago para uma ação pedagógica
ativa no seio do voluntariado pois confere sentido a ação solidária junto de pessoas e
115
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
grupos em vez de uma perspetiva simplesmente assistencialista, paternalista,
meramente redutora e acrítica.”
Lopes (2011, p.19)
O voluntariado deve permitir às pessoas que o praticam um apreço solidário para
com o próximo.
Palavras como solidariedade e amor pelo próximo fazem todo o sentido,
“(…) as grandes motivações para o voluntariado residem no facto de as pessoas
serem úteis às outras pessoas. É este valor de gratuitidade que implica a solidariedade
e o compromisso expressos numa participação comprometida com uma cidadania
plena, em direção à felicidade e ao bem-estar comunitário.”
Lopes (2011, p.20)
ASC liga-se então ao Voluntariado, na medida em que ambos apresentam uma
relação intrínseca, pois se por um lado temos a animação como um conjunto de práticas
sociais, o voluntariado faz parte dessas práticas e promove uma cidadania ativa e
participativa,
“A Animação Sociocultural como conjunto de práticas sociais, culturais e educativas é
uma mais-valia para a consolidação e expansão do voluntariado, rosto da cidadania
ativa e dinâmica do associativismo através da promoção de atividades que favoreçam o
desenvolvimento integral dos grupos e comunidades.”
Viveiros (2011, p.89)
Todos temos que fazer com que os seniores sintam a cidadania como sendo um
direito seu, enquanto sénior,
“sentido de ciudadanía” del cual formen parte activa las personas mayores (…)
procesos de transformación social positiva, encerrada en su próprio glossário de
actividades de “envejecimiento activo” (mayores más sanos) y “ciudadanía pasiva”
(ciudadanos menos sanos).
García (2008, p.7)
Parece-nos importante e relevante reunir num quadro as ideias chave que foram
partilhadas pelos nossos entrevistados relativamente aos conceitos que neste subcapítulo
trabalhamos.
116
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
Optamos por, neste capítulo, não dissociarmos o voluntariado da cidadania e da
participação, pois os três devem estar sempre interligados e caminhar lado a lado, pois
um não deve existir sem que os outros dois estejam presentes uma vez que só assim é
possível fazer voluntariado e promove-lo, só assim a cidadania faz sentido e dessa
forma conseguimos participar ativamente e de forma coerente em comunidade e
totalmente comprometidos com os desígnios a que nos propomos.
Animação Sociocultural, Participação, Voluntariado e Cidadania
Victor Ventosa
- Existe um fio
condutor que as
une e relaciona;
- A importância da
atividade quer
física, quer
psíquica na
manutenção da
saúde e bem-estar
dos seniores;
Gloria
Pérez Serrano
Luis
Gomez Garcia
-É
necessário
impulsionar o
voluntariado
para trabalhar
com os seniores;
- Podem
promover uma
melhoria na
qualidade de
vida dos
seniores;
Fomentar junto
dos seniores a
importância de
fazerem
voluntariado;
- Dá mais vida aos
anos;
- A ASC é uma
didática de
participação social
e através dela
desenvolve-se a
cidadania ativa e
através do
voluntariado;
- Mantêm as
pessoas seniores
ativas.
- Fazer
com que os
seniores
percebam que
têm muitas
potencialidades
e experiências
que podem pôlas ao serviço
do grupo em
que estão
inseridos e desta
forma sentiremse uteis ao
colaborarem em
sociedade.
- Os seniores
devem
participar
ativamente
nos seus
grupos, na
comunidade
em que estão
inseridos;
- Através de
práticas
Intergeraciona
is pode-se
também criar
dinâmicas
para que a
cidadania seja
um fato em
todas as
idades.
Maria
Conceição
Antunes
-A
participação, o
voluntariado e
a cidadania
apresentam-se
como
excelentes
formas de
contribuir para
um
envelhecimento
saudável;
- Inserção dos
seniores na
esfera social e
cultural onde
estão inseridas;
- Os seniores
devem sentir
que são
cidadãos de
pleno direito
evitando a
exclusão, o
isolamento e a
solidão.
Avelino
Bento
- São práticas
relacionadas com
pessoas;
- Práticas de
cidadania
permanente.
Manuel
Vieites
- O voluntariado
é uma forma
dos seniores se
sentirem ativos
e participativos;
- Através das
suas vivências,
experiências e
conhecimentos
podem ajudar a
comunidade em
várias áreas;
- os seniores são
elementos uteis
e capazes e
devem sempre
manter o seu
trabalho cívico.
Quadro 21- Animação Sociocultural, Participação, Voluntariado e Cidadania - Elaboração Própria (2012). Fonte:
Ventosa , Pérez, Gomez, Antunes , Bento, Vieites.
117
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
“A acção autárquica nos últimos anos e os projectos/programas
em Ramalde falam por si e representam aquilo que, de facto,
pode e deve ser feito pelo Poder Local – uma junta de freguesia-, em
prol do desenvolvimento humano, social e territorial, para o beneficio
de uma comunidade, sem omitir o sentido de partilha e cooperação
à coesão territorial e social, como é o caso de Ramalde.”
Maio (2011)
4.4. A ASC nas Autarquias
A abordagem da temática da ASC nas autarquias, em Portugal, tem, de uma forma
bem definida e vincada, dois vetores, antes de abril de 1974 e depois do 25 de abril de
1974.
Todos sabemos que Portugal antes do 25 de Abril de 74 vivia imerso num regime
ditatorial onde não era possível a nada nem a ninguém expressar-se da forma que
queria. Os cidadãos não podiam de forma nenhuma ter qualquer tipo de vontade ou
opinião, pois só era permitido que vivessem consoante aquilo que lhes era imposto.
De certa forma a ASC surge como forma de combate a todas estas regras que
eram impostas e que não permitiam a ninguém expressar-se e exprimir-se. As
autarquias, estruturas de poder político, eram nada mais nada menos que caixas-deressonância do poder fascista instalado em Portugal, as autarquias locais tinham como
função essencial fiscalizar a atividade comunitária fruto do regime implantado, e eram
estruturas altamente burocratizadas.
Reforçamos esta ideia com aquilo que Lopes (2008, p.135) afirma,
“Portugal (…), esteve sob o domínio de um regime totalitário de 1926 a 1974.
Durante estes opressivos 48 anos foram suspensas as liberdades de expressão, de
associação e de reunião, o que, se por um lado, condicionou a evolução natural da
Animação Sociocultural (…) também é verdade que essa suspensão levou à descoberta
de processos criativos capazes de tornear e ultrapassar estas condicionantes. Por isso,
não deixa de ser verdade que a interdição de liberdade originou formas de Animação
118
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
originais impulsionadas pelo recurso à imaginação que procurou superar e vencer as
amarras impostas.”
Os presidentes de Junta de Freguesia, denominados à época como regedores, os
Presidentes de Câmara e até os Governadores Civis eram nomeados pela administração
central, uma vez que a realidade de eleições autárquicas não se colocava num regime
fascista. Ora desta forma as autarquias não tinham um quadro de competências em
matéria social e sociocultural que privilegiasse a qualquer tipo de iniciativa nessa área,
aliás muito pelo contrário, os Presidentes de Câmara e os Governadores Civis eram
pessoas de muito pouca sensibilidade social, um pouco também fruto da sua profunda
ligação ao meio militar e às estruturas rígidas controladas pelo regime vigente.
Apesar de existirem sinais de ASC antes da revolução dos cravos, é com a mesma
que começamos assistir em Portugal a uma mudança de atitude e de uma participação
social que até então era completamente inexistente e impensável, e
“As actividades culturais irromperam de uma forma mais ou menos espontânea,
à margem da lógica das instituições com o objectivo de darem corpo a um anseio de
expressão colectiva na resolução de diversos problemas através de projectos de
intervenção concretos.”
Lopes (2008, p.153)
A animação sociocultural, antes de abril de 1974, era algo praticamente
inexistente em Portugal e muito menos nas autarquias, uma vez que todas as atividades
de animação sociocultural eram literalmente controladas pelo regime, através das
conhecidas comissões de censura que estavam presentes em todas as realizações de
índole cultural quer fosse o cinema, o teatro, os concertos de dança e música, ou nos
jogos tradicionais; em suma não existia manifestação sociocultural oficial que não fosse
controlada pelo poder político. Não existia a preocupação de promover a animação
sociocultural junto das comunidades.
Com a Revolução dos Cravos, em 25 de Abril de 1974, os caminhos para
democratização da cultura e do ensino abrem-se de forma espantosa. É uma época de
grande massificação do Associativismo em todas as suas vertentes e as comunidades
começam a organizarem-se em vários movimentos dentro do associativismo e da
cultura. Começamos a ter inúmeras associações de moradores, grupos musicais,
associações de estudantes, diversas associações juvenis.
119
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
Já no final da década de 70 chegam os primeiros Centros Culturais, Companhias
de Teatro, Grupos de Teatro Amador e começamos a caminhar para os primeiros passos
na criação de projetos de intervenção sociocultural, com a democracia como pano de
fundo para que todos tenham acesso e possam ser atores passivos e/ou ativos destes
projetos.
Assiste-se então em Portugal a uma completa libertação de um regime altamente
opressivo e repressivo e todos, mas mesmo todos, começam a expressar-se através da
chamada “cultura popular” (Lopes (2008, p.154)), e dessa forma conseguem libertar-se e
participarem ativamente naquilo que é e deve ser a cidadania e participação social.
Existiram no entanto diferentes fases da ASC, após o 25 de Abril e num Portugal
que começa a estar integrado num regime democrático e que são elas,
“1- A fase revolucionária da ASC – período compreendido entre 1974 e 1976; 2A fase constitucional da ASC em Portugal – entre 1977 e 1980; 3- A fase patrimonial
da ASC – entre 1981 e 1985; 4- A fase da transferência da ASC do poder central para o
poder local – entre 1986 e 1990; 5- A fase multicultural e intercultural da ASC – entre
1991 e 1995; 6- A fase da ASC no contexto da Globalização – com inicio em 1996 até
ao presente.”
Lopes (2008, p.156)
Porque o que pretendemos neste capítulo é abordar a temática da ASC no que se
refere às autarquias, pois foi nesse âmbito que levamos a cabo a nossa investigação, a
fase da ASC que mais nos interessa e na qual iremos incidir é na 4, pois o que nos
interessa é perceber de que forma a ASC surge no âmbito das autarquias locais.
Com a revisão constitucional de 1976, as autarquias locais ganham legitimidade
constitucional e são realizadas as primeiras eleições autárquicas, e dessa forma os
Presidentes de Junta começam a ser eleitos através do voto de todos os cidadãos.
As autarquias passam a dispor de um quadro de competências delegadas pela
administração central que vai de encontro àquilo que necessitam as comunidades no que
diz respeito à realização de projetos de intervenção comunitária, voluntariado, animação
e animação sociocultural e desta forma os autarcas começam a perceber que terão que se
munir de ferramentas que permitam a massificação do associativismo popular. Nesta
altura e com a adesão de Portugal à União Europeia, os autarcas consciencializam-se de
120
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
que as autarquias têm que estar perto das pessoas, valorizar as pessoas e simplificar-lhes
a vida e só através de uma forte componente social+cultural (sociocultural) poderão
fazer com que as comunidades/freguesias que governam avencem e progridam quer do
ponto de vista social quer do ponto de vista cultural.
É aí que as autarquias começam a recrutar profissionais da animação sociocultural
para dar resposta aos projetos em curso, promover novas políticas de apoio comunitário
e aprofundar as respostas às populações. Reforçamos esta questão como o que nos diz,
Lopes (2008, p. 275), “Verifica-se por parte do poder local, um crescente interesse na ASC,
encarando-a como um método eficaz de mobilizar vontades e recursos.”
Como já foi referido, a adesão à União Europeia permite que o País possa
candidatar a ASC a muitos investimentos da área a fundos comunitários, e isso está bem
presente no Primeiro Quadro de Apoio Financeiro a Portugal, por parte da UE, levando
à construção de raiz de vários edifícios, tais como Centros de Convívio, Teatros,
Bibliotecas, Centros Educativos, vários apoios a instituições que se tinham fundado
logo apos o 25 de abril de 1974.
Assistimos a uma nova realidade; é que a animação sociocultural do ponto de
vista autárquico não inclui só os jovens, a população ativa, as crianças mas também os
seniores passam a ser um público alvo, com a construção de valências de Lares e
Centros de Convívio para os mais velhos, fruto também do aparecimento das
Instituições Particulares de Solidariedade Social, as denominadas IPSS.
É a partir dos anos 80, que o Poder Central se desresponsabiliza por completo de
tudo o que tem a ver com a ASC, transfere todas as questões relacionadas com a mesma
para o Poder Local e só estes organismos podem contratar animadores socioculturais
uma vez que os mesmos são necessários e fundamentais para o desenvolvimento de
políticas de proximidade. Assistimos a uma profunda alteração no que se refere aos
organismos que contratam Animadores devido a esta transferência do poder central para
o poder local,
“(…) as entidades empregadoras da Animação deixam de ser a FAOJ, a Junta Central
das Casas do Povo, o INATEL, A Secretaria de Estado da Cultura, ou seja, deixam de ser
organismos ligados ao poder central, para passarem a ser estruturas ligadas ao poder local.”
Lopes (2008, p.275)
121
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
Constamos, conforme referimos, que como nos diz Santos, que o Poder Local
começa a estar cada vez mais “perto” e interessado na população e daí, conforme
referido, a importância do desenvolvimento local/comunitário tornar-se tão importante
para as mesmas,
“Estas (Câmaras Municipais) passam a encarar a acção sócio-cultural e o
associativismo como alavancas essenciais de um desenvolvimento territorial local,
incidindo em matérias como o desenvolvimento comunitário, a promoção de políticas
de emprego, a dinamização turística, a ocupação dos tempos livres e a acção
formativo-profissional-educativa.”
Santos, cit in Lopes (2008, p.275)
Continuando a fazer o périplo pela ASC nas autarquias e percebendo que o poder
local começa a estar intimamente ligado a esta prática assiste-se, nos anos 90 a
profundas alterações tais como “A criação de Centros de Animação Cultural
Municipais”, “A extinsão de IJ e a criação do IPJ”, “Novos Cursos técnicoprofissionais no domínio da Animação”, “Projectos de Animação Sociocultural”, tais
como, “O Teatro como meio de Animação Sociocultural”, “O projecto manifesta”
entre outros, as quais de alguma forma vieram fazer com que a ASC não se esgote num
único objetivo e que prolifere por todo o Mundo e que se assista a formas de ASC
distintas mas em que todas elas fizeram sentido e permitiram um crescimento
exponencial em diversas áreas. (Lopes, M. (2008))
Na realidade dos nossos dias é já pouco provável uma autarquia viver sem
técnicos e projetos de animação sociocultural, pois as solicitações vêm de todo o lado e
em todas as equipas de intervenção no terreno ou de planificação estratégica é
necessário que os técnicos de animação sociocultural estejam presentes; senão vejamos:
com o alargamento das competências autárquicas ao nível social, educativo, cultural e
turístico, é necessário que os técnicos de animação sociocultural estejam presentes e
integrem equipas multidisciplinares para aumentar a eficácia da resposta, como por
exemplo a necessidade nas atividades extracurriculares ao nível do ensino, ao nível
social.
Essa transversalidade vai desde a organização e planificação de projetos com os
mais diversos públicos ate à presença nas Comissões de Proteção Jovens e Menores, ao
nível cultural e do voluntariado. Torna-se indispensável: A presença nos projetos de
122
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
expressão cultural, nos projetos de voluntariado sejam os mesmos direcionados ou de
índole transversal a toda a população, ao nível turístico.
Sendo Portugal um País de serviços e de turismo torna-se imperioso, ainda mais
neste quadro de crise que atravessamos que os profissionais da animação sociocultural
procurem respostas neste sector que permitam às autarquias promover o seu território
junto de outros povos e culturas.
Devemos ter sempre na nossa prática diária de Animadores integrados nas
Autarquias (Câmaras Municipais ou Juntas de Freguesia) a questão que nos é
apresentada por Lopes, M. (2008, p.300)
“Conceber o desenvolvimento local como estratégia de reforço das práticas
comunitárias e como meio alternativo de globalização, e ainda, como recusa a uma
intervenção descontextualizada e desligada da participação dos cidadãos.”
Em jeito de conclusão podemos afirmar categoricamente, aquilo que foi
mencionado no início deste capítulo; existe um tipo de política autarquica antes da
animação sociocultural entrar no panorama autárquico e existe um depois com enormes
e excelentes projetos espalhados por todas as populações de Portugal, deixando ainda
muito por fazer e aprofundar sobretudo no interior do País onde é mais difícil chegar às
comunidades fruto da migração, da emigração, das vias de comunicação, das
tecnologias de informação e porque não dizer fruto ainda de um Estado altamente
centralizado e centralizador que temos nos dias de hoje.
Terminamos com o auguro de que os animadores continuem a animar cada um
dos utentes que se encontra integrado nos seus projetos e que a ASC não se esgote, pois
agora, mais que nunca pode proliferar e expandir-se, conforme Lopes (2008, p.309) nos
refere
“(…)encerramos os anos 90, na esperança que a década vindoura seja de clarificação,
porque, mais do que nunca a Animação Sociocultural tem espaço, tem sentido, basta só olhar
para a desertificação rural, para o superpovoamento do litoral, o aumento do ócio na terceira
idade, os hospitais sem vida, as escolas sem interligação dos diferentes espaços educativos, as
prisões do tédio, a comunicação artificial em vez da humana, a democracia distante e distanciada
das pessoas e cada vez mais ritualista e de participação calendarizada. Esta é a prova provada
que o tempo carece de programas de Animação, contudo este tempo também necessita que os
123
Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social,
Cultural e Educativa
poderes, local e central, adoptem e apoiem a Animação Sociocultural e não a remetam para a
margem do sistema.”
A Junta de Freguesia de Ramalde é um exemplo de uma autarquia que promove,
junto dos seniores, atividades de Animação Sociocultural e procura que todos os
utentes/fregueses se sintam motivados a participar ativamente em todas as atividades e a
tudo o que diz respeito à comunidade onde se encontram inseridos.
Um dos campos de atuação é o trabalho com seniores, quer no que se refere ao
assistencialismo, quer no que se refere à intervenção, pois se por um lado existe uma
preocupação com os seniores que estão em suas casas, acamados, sozinhos e isolados,
sem nenhum elo de ligação com a vizinhança, outros há que são bastante ativos e
participam, mobilizam esforços e têm uma frequência quase diária nas atividades da
Junta.
124
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a
Animação Sociocultural para
e com os Seniores
125
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
5.1.Técnicas de Animação Turística para e com os Seniores
Temática bastante importante no que se refere aos seniores, pois é uma das
práticas que os seniores mais valorizam e solicitam junto das entidades promotoras de
viagens, pois de outra forma não têm acesso a visitar determinados locais por serem
muito caros.
É comum passarmos pelas montras das agências de viagens e ver vários prospetos
de viagens e pacotes especiais de turismo sénior.
Os referidos pacotes habitualmente têm preços bastante mais acessíveis e em
alguns casos o valor a pagar é calculado através da reforma dos seniores, tendo como
exemplo desta situação a Fundação Inatel.
O objetivo da animação turística não é criar planos de viagem ou semanas de
férias para os seniores em locais onde não exista qualquer tipo de convívio e partilha
com outras pessoas, o objetivo é precisamente o oposto, ou seja, aquilo que é pretendido
é que os seniores possam encontrar-se e cruzar-se com pessoas de outras idades, onde
possam conviver, partilhar e passar momentos relaxados em locais em que possam sair,
ir à praia, ao campo e não fiquem apenas subjugados ao espaço físico do hotel pois caso
as acessibilidades quer o tempo que se possa fazer sentir não o permitam, conforme
afirma, Lopes (2008, p.334)
“A Animação Turística para a terceira idade requer processos de vivência,
convivência e, sobretudo, uma acção comprometida com o seu desenvolvimento
pessoal. Conforme podemos constatar numa conferência subordinada ao tema
Desenvolvimento e Evolução do Turismo Social em Portugal, Peres (2003) apresentou
a seguinte concepção:
Para Peres citado por Lopes (2008, p.334), a Animação Turística no âmbito dos
seniores deve ser compreendida,
“(…) como um conjunto de actividades, que transformam o ver no envolver, o
viver no conviver, desafiando o turista numa estratégia de desenvolvimento pessoal e
humano numa determinada fase do seu percurso de vida”
Por tudo isto corroboramos da opinião de Lopes (2008.p.334) quando afirma que:
126
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
“A integração activa social, através da Animação Turística, procura não limitar
a pessoa a observar apenas o meio, mas a interagir com ele.”
Os nossos entrevistados também responderam a uma questão relacionada com a
Animação turística na Terceira Idade e optamos por colocar num quadro as ideias
principais das respostas que foram por nós obtidas.
Animação Turística para os Seniores
Victor Ventosa
Gloria Pérez
Serrano
Luis Gomez
Garcia
Maria Conceição
Antunes
Avelino Bento
Manuel Vieites
- Promoção de
atividades
ativas e que
promovam a
partilha, troca
de experiências,
comunicação e
que sejam
acima de tudo
gratificantes
para quem
usufrui das
mesmas;
- Utilização de
técnicas e
estratégias
ativas, criativas
e dinâmicas;
- Deve ser
motivadora para
uma ocupação
de lazer e de
tempo livre;
- Os programas
devem ser
adequados a esta
faixa etária.
- Promoção de
espaços de
socialização na
relação com todo
o património
cultural;
- Para esta faixa
etária, depois da
vida de trabalho
que tiveram
devem agora ter
acesso a
programas que
vão de encontro
aos desejos que
não
conseguiram
satisfazer antes;
- Colocar os
seniores em
contato com
outros povos,
outras culturas
e outros
espaços;
- Preconizar um
turismo ativo
onde exista o
social, o
cultural e o
lúdicoeducativo.
- Atua como
catalisador;
- É um elemento
transformador,
pois tem como
prioridade a
iniciativa
pessoal;
- Promoção de
vida associativa,
vincula os
processos e as
atividades a
resolução de
problemas e
situações
concretas dos
grupos e
pessoas;
- Ter sempre em
conta os
interesses do
público-alvo
(seniores);
- Deve ser
adequado a
todos os
seniores, ou
seja, mesmo
aqueles que são
dependentes
devem ter um
programa
adequado;
- Deve
contemplar as
características
básicas da
animação
turística.
- Deve ser
acessível a todos,
desde os que têm
menos recursos
aos que têm
mais;
- Colocar os
seniores em
contato com
outras culturas,
outras existências
e outras
experiências.
- As atividades
devem ir de
encontro às suas
capacidades
para que as
competências
que têm não se
percam.
- Requer a
presença de
agentes
motivadores e
processo que
exige
permanência e
continuidade.
Quadro 22- Animação Turística para os Seniores – Elaboração Própria (2012). Fonte: Ventosa , Pérez, Gomez, Antunes ,
Bento, Vieites.
Podemos concluir, pela bibliografia consultada e pela informação que recolhemos
das entrevistas realizadas, que na realidade a Animação Turística pode e deve ser uma
127
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
técnica utilizada para e com os seniores e que quem usufrui dos mesmos terá um valor
acrescentado nessa sua participação.
Esta técnica não existe para ocupar ou para fazer com que os seniores viagem
para qualquer sítio numa época baixa sendo bastante mais barato e pouco mais; esta
técnica pretende que todos os programas que são promovidos e realizados sejam do
interesse dos seniores e que vão de encontro às necessidades que os mesmos
apresentam.
Vale a pena fazer programas de Animação Turística onde exista participação
ativa por parte dos seniores e onde os seniores possam estar em contato com outros
seniores pertencentes a outro espaço, a outra cultura, a outro ambiente, onde os seniores
sejam chamados a ter uma voz sobre as atividades que têm mais interesse em fazer
durante o seu período de férias…e mais importante que tudo isto é que os programas
devem ser sempre, mas mesmo sempre, adequados à situação sócio-económica de cada
um dos seniores, pois não devem ser excluídos aqueles que têm menos dinheiro e menos
possibilidades e que trabalharam uma vida inteira e nunca viajaram para lado nenhum.
Pensamos que nesta faixa etária o importante não é fazer 20km ou 500 km,
aquilo que é importante verdadeiramente é que os seniores se divirtam, usufruam da
viagem e possam tirar benefícios do programa que escolhem.
128
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
5.2. Técnicas de Animação Teatral para e com os seniores
O Teatro é uma necessidade humana e como tal deve ser encarado, não como um
produto que serve apenas para ser visto, mas sobretudo como um processo que implica a
pessoa numa aprendizagem ativa e participada. Por isso, afirmamos, é um teatro para
fazer e não para ver. Um teatro que cria espaços para os diálogos, interação,
comunicação, jogo, relação, criatividade, imaginação, improvisação...um teatro que
serve igualmente como uma dimensão terapêutica já que procura o equilíbrio entre o
ser, o saber ser e o saber agir.
Neste contexto existe uma duplicidade no que se refere ao teatro, ou seja,
podemos ver o teatro como meio de ASC, em que conforme nos diz Lopes (2008,
p.343)
“(…) fazer teatro é mais importante que ver teatro, isto é, o processo de criação
do espetáculo é mais importante do que o espetáculo em si.”
Podemos ter a ASC através do teatro, em que tendo em conta o mesmo autor,
“A ASC, pela via do teatro, procura servir-se dele como um recurso ao serviço
da pessoa, no sentido em que promove a participação, a relação, a criatividade, a
expressividade e outras dimensões ligadas ao desenvolvimento social e pessoal.”
Lopes (2008, p.342)
Ventosa (2002, pp.210-212) aponta para uma metodologia e técnica de animação
teatral assente em dois autores – Coenen – Huther e Martynow-Remiche – que
apresentam duas fases ou momentos comuns das experiências por ambos estudadas:
1. “Uma fase motivadora”, fundamentalmente subjetiva e centrípeta de tomada
de consciência e criatividade.
2. “Uma fase expansiva”, objetiva e centrífuga, de difusão e participação.
129
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
Este processo complementar vai determinar a metodologia da animação teatral. É
aqui que encontramos três etapas de atuação:
1. Etapa Grupal – trata-se de entrar em contato com a população, detetar
problemas e interesses e articular um sistema organizativo básico com uma
certa estabilidade. Desencadear este primeiro contacto com a realidade e o
grupo, é tarefa do animador teatral através dos agentes da mesma
comunidade. Assim encontramo-nos perante o primeiro passo interno,
motivador e relacional, que se desprende da dimensão subjetiva e
transcendente da ASC.
2. Etapa Criativa – uma vez constituído, o grupo entra numa nova fase de
criação, eminentemente ativa. A seleção, construção e realização de
montagens coletivas determinam o ponto de inflexão, fazendo uma
progressiva objetivação no processo descritivo, sem abandonar ainda o
caráter interno e subjetivo anterior. Este é, portanto um período intermédio.
3. Etapa Expansiva – é o momento dos resultados, em que o trabalho realizado
há-de difundir-se para poder objetivar, provocando assim um efeito
multiplicador de confrontações e de mudanças que contribuem para afiançar
a atuação do grupo, assim como para operar novos processos comunicativos
e organizativos. Trata-se de apresentar o produto de um processo itinerário
de trabalho não como parte final do mesmo, mas como elemento provocador
e justificador das suas dinâmicas que dão pé a outros processos de animação.
Assim, o ciclo descritivo volta a começar e o processo de animação com
respeito ao teatro é um processo de ida e volta.
Como já foi mencionado pelos autores citados, importa ter em conta que o
animador sociocultural e neste caso o animador teatral deve, na sua intervenção e no seu
campo de atuação, apoiar-se nos princípios, propósitos e valores da ASC.
Tendo em conta o triângulo dos três elementos fundamentais da animação
preconizado por Ventosa (2002), sendo eles, um sujeito, que se refere ao animador e
que funciona como provocador ou possibilitador; uma ação em que existe um elemento
dinâmico de transformação; e um destinatário: o grupo ou comunidade em que se vai
intervir e levar a cabo a ação.
130
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
Os mesmos podem estender-se ao teatro da seguinte forma:
1 – Sujeito/Animador teatral, neste caso o animador teatral não deve ser
confundido na sua ação com o encenador convencional ou com um encenador
ambulante. O animador teatral deve imprimir uma dinâmica de trabalho na comunidade
ou no grupo para que leve estes a encontrarem soluções para os problemas surgidos. O
grupo ou a comunidade não deve depender do animador, pois este deve levar as pessoas
a libertarem-se e não a um estado de dependência. O animador teatral deve gerar
processos de participação, sendo estes de extrema importância dentro da perspetiva da
ASC.
2 – A ação – a preparação do espetáculo nas suas diversas fases, para o teatro ser
um meio de ASC, o processo de criação do espetáculo deve tornar-se mais importante
que o produto. O animador não deve concentrar-se apenas no resultado mas
dimensionar todo o percurso dentro do processo educativo.
Conforme afirma Ander-Egg (1999, p.21)
“A ASC procura gerar processos de participação, pois não há animação sem
participação (…) como não se participa no abstrato, a participação supõe uma série de
âmbitos que são os espaços para a participação e atividades que a sustentam, ou seja,
nos âmbitos da atuação como nas atividades concretas, como sendo, no individual
potenciando as pessoas para a sua transformação e tornando-se sujeitos sociais,
autónomos e organizados; no social fortalece o tecido social, mediante a participação
da vida associativa e coletiva, através de organizações capazes de darem resposta; no
cultural, converte um público espetador em participante ator de actividades sociais e
culturais. Não se trata somente de assistir nem de consumir um belo produto elaborado
pelos outros; no educativo através da oferta de experiências para desenvolver formas e
hábitos democráticos de actuação.”
3 – Um destinatário: o grupo ou comunidade sobre quem recai a ação, numa
perspetiva de ASC, não há elementos passivos e tendo em conta a dimensão teatral,
importa salientar que atores e espetadores quebram a barreira convencional, vendo-se
ambos envolvidos na prossecução do projeto a desenvolver numa inter-relação assente
em elementos socioculturais.
Como temos vindo a afirmar ao longo deste trabalho, o mais importante na
intervenção com os seniores é que os mesmos possam tirar excelentes dividendos de
131
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
todo o trabalho que é feito com eles e por eles, pois só assim estaremos a promover um
envelhecimento ativo e a preconizar um trabalho assente naquilo que consideramos ser a
ASC,
“O trabalho necessário para se construir um espetáculo teatral com a terceira
idade, promove a alte0ração do dia-a-dia de cada idoso, por vezes acomodado, com
pouca esperança de ser útil ou na posição de quem pensa que já deu tudo o que tinha
do seu saber.”
Lima (2009, p.165)
O Teatro pode apresentar-se da mesma forma que a ASC, como um excelente
motor capaz de fazer com que os seniores participem e se sintam motivados para que
essa mesma participação aconteça da melhor forma, partilhando até os seus saberes e
experiências,
“A Animação na terceira idade, com todas as suas componentes e, neste caso,
com o Teatro, reveste-se de capital importância para o bem-estar, a auto-estima, o
significado da utilidade, o registo das memórias e a transmissão de saberes que
constituem um património sociocultural único.”
Lima (2009, p.168)
Optamos como tem vindo a ser habitual no presente trabalho por fazer um
pequeno quadro síntese da informação recolhida com as entrevistas que realizamos, para
que nos permita contrapor com a bibliografia consultada e citada e destacando as ideias
mais importantes.
Podemos então desta forma perceber que, também nas entrevistas, se destaca a
questão dos seniores através do Teatro se poderem sentir pertencentes à comunidade em
que estão inseridos e que possam perceber que estão a fazer algo por eles, para eles e
que só com eles é possível obter o produto final.
Permite também aos seniores que possam recordar o que muitas vezes fica
“adormecido” em termos de memórias, lembranças e outras competências de extrema
importância.
Podemos também verificar que o Teatro pode ser utilizado para que os seniores
não percam as capacidades físicas e psíquicas demasiado cedo.
132
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
Contributo da Animação Teatral nos Seniores
Victor Ventosa
Gloria Pérez
Serrano
Luis Gomez
Garcia
Maria
Conceição
Antunes
Avelino Bento
- Implicar os
seniores em
processos
expressivos em
grupos de
seniores ou
com
crianças/jovens;
- Forma de
colocar os
seniores em
contato com o
contexto em que
estão inseridos;
- Imprescindível
como
ferramenta de
trabalho para a
dinamização de
grupos;
- Excelente
atividade
artística de
intervenção
educativa.
- Descoberta
de potenciais
ao nível da
expressão e da
comunicação;
- Todas as
pessoas podem
participar,
mesmo como
atores;
- Tomada de
consciência pelo
individuo do que
faz, de como o faz
e porque o faz;
-Consciencializar os seniores
do papel que
desempenham
na comunidade
em que estão
inseridos;
- Potencia o
desenvolvi
mento de
competênci
as
intelectivas,
cognitivas,
sociais,
artísticas e
espirituais;
- (Re)
despertar para
a criatividade
e criação
artística;
- Podem propor
o seu ponto de
vista, as suas
vivências,
lembranças;
- Consciencialização da
relação do
Teatro com a
Vida e viceversa.
- Tem efeitos
preventivos no
que se refere à
mobilização
quer corporal,
quer cognitiva.
- Contribui de
forma especial
para
desenvolver
autoestima dos
seniores;
- Contribui de
igual forma
para os seniores
descobrirem ou
redescobrirem
potencialidades
expressivas,
criativas,
cognitivas ou
emocionais
inéditas ou que
estavam
esquecidas pelo
passar do
tempo.
- Forma de
desenvolvimento
dos próprios
seniores, mas
também da
comunidade.
- Ferramenta
essencial para o
desenvolviment
o artístico;
- Funções
terapêuticas,
como por
exemplo na
melhoria da
memória, entre
outras.
- Os
programas
de
animação
teatral
devem ser
adequados
ao públicoalvo.
Manuel Vieites
Quadro 23- Contributo da Animação Teatral nos Seniores - Elaboração Própria (2012). Fonte: Ventosa , Pérez,
Gomez, Antunes , Bento, Vieites.
Já afirmámos que o teatro é uma necessidade humana pois o ser humano é um
ente em relação. Agora é nosso desejo também declarar o valor e a dimensão terapêutica
do tetro. É da história o efeito catártico do teatro transposto no extravasar de medos,
angustias, receios, inibições, condicionamentos, amarguras, aflições, perdas, mágoas,
tristezas...
Porque o teatro também é libertação, espaço de encontro e reencontro, espaço que
conta e que faz de conta, espaço de magia que transforma o idoso em jovem e o jovem
em idoso e onde o riso e pranto caminham de mãos dadas...
133
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
E como afirma Lopes (2010, p. 135)
“A todos vós vitimas dos constrangimentos do nosso tempo que o drama nos
liberte.”
134
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
“A música sempre acompanhou o envelhecer
da humanidade, dando sentido aos momentos e às épocas,
reflectindo os sentimentos e sonorizado as realidades.”
Souza (2006, p.1217)
5.3.Técnicas de Animação Musical para e com os seniores
Se fizermos uma retrospetiva da vida de cada um de nós, podemos constatar que a
música sempre nos acompanhou, até mesmo dentro da barriga da nossa mãe. Os
especialistas defendem que o primeiro sentido que o bebé consegue desenvolver é a
audição e quer através dos estímulos que a mãe transmite ao bebé (a sua respiração e
mesmo o normal funcionamento do corpo) quer como, através da mãe, ter momentos de
audição de música calma e tranquila para o bebé relaxar.
Após o nascimento, se pensarmos sempre que o nosso bebe precisa de relaxar ou
de sentir boas vibrações coloca-se uma música ou canta-se alguma música para que o
mesmo possa adormecer e ser embalado.
Na criança também se assiste a uma presença bem vincada da música, com
projetos nas aulas de educação musical ou outros em que as crianças aprendem a
trautear e cantar várias e diversas musicalidades.
Os jovens e adultos assistem a concertos de música para descomprimir, relaxar ou
simplesmente para usufruir de um bom som durante algumas horas; bem se vê o êxito
dos festivais de verão, em que o público é do mais variado em termos de idades.
Na idade sénior, obviamente que também não podia faltar a música, pois a música
como nos refere Souza (1997, p.1217),
“anteriormente a qualquer definição, é um produto da inteligência do Homem.”
A música pode ser utilizada de diversas formas e em diferentes espaços e por
isso Gomes (2009, p.169)
135
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
“ Na actualidade, a música faz parte de muitos quotidianos desde os dos
profissionais da música, aos ambientes hoteleiros, aos âmbitos comerciais, aos gingles
publicitários, aos programas televisivos, etc., e também do quotidiano das associações
onde os participantes, de uma forma amadora, desenvolvem as suas performances
musicais em grupos vocais, instrumentais ou mistos.”
Como referem vários autores a música sempre esteve presente nas nossas vidas,
desde o nascimento até à morte, tese esta defendida por autores como Gomes (2009,
p.169)
“ A música é a mais antiga de todas as artes e desenvolveu-se a partir dos
principais ritmos e vibrações do nosso planeta: dos sons do vento, da água, do ar e do
fogo.”
Para Souza (1997, p.1217), a música também tem ligação com as relações
intergeracionais,
“Nunca houve nem haverá um povo sem música (…) A canção que
pertence à infância de uma pessoa de 90 anos pode ser a ponte que liga as
infâncias de diferentes gerações. Não é maravilhoso saber que a canção com a
qual fomos ninados também embalou nossos avós, pais, filhos, irmãos e
pessoas que não amamos, que conhecemos e que nunca vimos.”
Podem ser realizadas várias atividades com recurso à animação musical, tal como
o canto, os instrumentos e os jogos musicais, em que a música está sempre presente mas
utilizada de formas distintas, segundo afirma Jacob (2008, p.95):
“- Canto – é a forma mais simples de expressar as emoções através da
música. O Canto pode ser espontâneo ou organizado, individual ou em grupo,
com ou sem música. O animador deve adaptar as letras e as vozes ao grupo
que tem disponível.
- Instrumentos – aprender a tocar um instrumento é um exercício que
demora muito tempo e necessita de muita prática. No entanto, a utilização de
instrumentos mais simples e que requerem menos tempo de aprendizagem,
como os ferrinhos, pandeireta, sinos, caixas-de-ressonância, guizos, apitos,
pratos, recos-recos, maracas, cavaquinho, pode proporcionar igualmente
excelentes momentos de diversão e convívio.
136
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
- Jogos musicais – existe uma grande possibilidade de realizar jogos a
partir da música, como passar músicas e perguntar o nome do cantor e/ou da
música ou que acontecimento está relacionado com esta; pôr som de um
instrumento e perguntar qual é; associar uma música ou canção a um período
da história (anos 20, 50 ou 80); Tocar vários instrumentos perguntar quais são
os mais graves ou mais agudos e outros.”
Se por um lado podemos com os seniores trabalhar as aptidões vocais e formar
coros como o exemplo da JFR, (um grupo de cerca de 20 seniores, formou o Coro
Sénior de Ramalde, que tem ensaios duas vezes por semana das 14h30 às 16h) onde é
possível verificar momentos de convívio, de partilha e aprendizagem de técnicas vocais
com as maestrinas do mesmo e conforme afirma Ander-Egg (2003, p.53)
“Los coros son una forma de expresión cultural no muy difícil de
constituir, pero que tiene una particular incidencia sociocultural. Como canto
compartido, es una forma de comunicación social, un ejercicio para aprender
a compartir y un modo de alentar la vida asociativa y fortalecer el tejido
social. Desde la perspectiva de un trabajo cultural que pretende generar
procesos de participación, no basta con que existan grupos corales: es
menester propiciar el canto coral como forma de expresión colectiva que, por
otra parte, permita la divulgación de la música popular y folclórica al difundir
y realizar nuevos arreglos.”
Também é possível ensinar aos seniores a tocar instrumentos dos mais variados
possíveis (desde os mais simples aos mais complexos) e permitir desta forma novas
aprendizagens ou um relembrar as aptidões musicais que os seniores já possuem mas
que podem já ter esquecido; por último a importância dos jogos musicais, que permite
aos seniores recordarem músicas do seu tempo e perceber se ainda se lembram da letra e
do autor da mesma ao colocar um som de determinado instrumento e ver se conseguem
identificar qual é.
Podemos desta forma concluir que a música pode e deve intervir no campo da
Terceira Idade, pois é uma arte extremamente completa,
“ Usando a música com prazer, fazendo dela uma linguagem, estamos
de forma consciente, a contribuir para uma maior compreensão do mundo e de
nós próprios.”
Cunha (2009, p.130)
137
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
5.3.1.Musicoterapia
Este termo reconhecido na Grécia, como afirma Gomes (2009, p.171) como poder
de “catarse” que a música possuía, pois para este povo a música tinha fins terapêuticos,
purificando o espírito e conciliando a alma através da dança e do canto (Mann, 1982,
citado por Gomes 2009).
Recorremos a uma definição de musicoterapia que nos parece bastante
clarificadora deste termo e que nos parece importante clarificar antes de aplicarmos este
termo aos seniores. Desta forma, Souza (1997, p.1217), diz-nos que,
“A musicoterapia é a utilização, pelo profissional musicoterapeuta, do
som, da música e de todo o tipo de manifestação sonoro-musical, sejam sons,
silêncio ou a musicalidade das palavras.”
A aplicabilidade da musicoterapia em seniores tem vindo a ser desbravada por
diferentes autores e profissionais no seu dia-a-dia. Agora mais que nunca, devido ao
envelhecimento da população, torna-se fundamental utilizar os instrumentos todos
disponíveis para que os seniores tirem partido e proveito de todas as iniciativas em que
participam e que através das mesmas possam partilhar de uma forma intergeracional, os
seus saberes, experiências e vivências e que neste sentido a música pode ter um papel
fulcral que podemos constar, como nos refere Souza (1997, p.1216)
“Cada vez mais, o tratamento musicoterápico com pessoas na terceira
idade estimula, a partir do prazer de cantar, tocar, improvisar, criar e recriar
musicalmente, o redescobrir das canções que fizeram e fazem parte da sua
vida sonoro-musical.”
Em doenças neurológicas também a musicoterapia se tem vindo a distinguir como
uma ferramenta de trabalho útil e à qual os especialistas podem recorrer para
trabalharem com os seniores a memória a longo e curto prazo e fazer com que os
seniores possam melhorar a sua qualidade de vida, como nos refere a mesma autora,
“Com a terceira idade, o tratamento musicoterápico vem se mostrando
de grande importância no que se refere aos resgates de memória, como
tratamento coadjuvante de valor reconhecido mundialmente nos processos de
demenciais (doença de Alzheimer), na doença de Parkinson e em indivíduos
com sequela de acidente vascular encefálico.”
138
Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os
Seniores
Claro que a música e a musicoterapia estão sempre juntas e caminham de mãos
dadas, pois como nos refere Souza (1997, p.1217),
“A música e seus elementos constitutivos (harmonia, melodia e ritmo)
implicam a musicoterapia, portanto, num veículo de estabelecimento de
comunicação. A música é a ponte a partir da qual se estabelece a relação
terapeuta-cliente, também por onde transita a memória do profundo ao
superficial do ser, levando à busca do auto-conhecimento e do crescimento
pessoal deste.”
A musicoterapia assenta em pilares bastante importantes e que são fundamentais
quando se fala em qualquer tipo de intervenção com seniores, pois através dela os
indivíduos podem devolver a si mesmo a autoestima perdida pelo passar dos anos e por
pensarem que a “velhice” os retira de todo e qualquer envolvimento na sociedade, o que
não deve acontecer. Através da música os seniores podem remontar a tempos idos e
relembrar músicas do seu tempo, ensiná-las aos mais novos e dessa forma sentirem-se
úteis e desejados dentro da sua comunidade.
E porque nunca se sabe tudo acerca de determinado assunto,
“Podemos constatar que a musicoterapia aplicada na terceira idade é
um campo fértil de buscas e descobertas”
Souza (1997, p.1225)
Concluímos com o sinal vital da música e sobretudo da musicalidade expressa na
dimensão terapêutica da vida. Na terceira idade a vida tem sonoridades e cores que nos
remetem para o lado encantador da existência humana. Na terceira idade um entardecer
tem música, há a memória do tempo e das músicas percorridas e ocorridas num outro
tempo e há também as sonoridades aliadas ao trabalho feito e realizado num tempo em
que tudo tinha musicalidade: uma ceifa, o mondar, uma vindima, o lavrar a terra, os
jogos tradicionais, o cozer o pão, o lavar a roupa...isto é o tempo dos sons da vida.
139
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para
os Seniores na JFR
140
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
6.1.Junta de Freguesia de Ramalde
6.1.1.Evolução histórica da Freguesia de Ramalde
A Freguesia de S. Salvador de Ramalde é mencionada pela primeira vez com o
nome arcaico de Rianhaldy, nas Inquirições de D. Afonso III, em 1258. Porém já
aparece citada anteriormente, como lugar, num documento de 1222 em que a Rainha D.
Mafalda faz uma doação ao Mosteiro de Arouca.
A origem e crescimento do povoado de Rianhaldy perde-se nos tempos, antes da
fundação da monarquia Portuguesa, provavelmente entre 920 e 944, data em que
chegaram ao território os monges de S. Bento. Assim começaria a História do Julgado
de Bouças e do seu antiquíssimo mosteiro beneditino. Este território pertenceu ao
Padroado Real de D. Sancho I que depois o doou, em 1196, a sua filha D. Mafalda.
Na época de D. Sancho II o território denominava-se Ramunhaldy e era
constituído por cinco lugares: Francos, Requezendi, Ramuhaldi Jusão e Ramuhaldi
Susão (atualmente Ramalde do Meio).
Entre 1230 e 1835 pertenceu ao concelho de Bouças, no qual se integrava também
S. Mamede de Infesta, Matosinhos, Foz do Douro e um conjunto de vinte povoacções.
Em 1895 foi integrada no Concelho do Porto, como Freguesia. Os seus limites
ficaram assim definidos: a Norte o concelho de Matosinhos (Bouças); a Sul Lordelo do
Ouro; a levante Paranhos e Cedofeita e a poente Aldoar.
141
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
6.1.2. Caracterização da Junta de Freguesia de Ramalde
Segundo o atual Presidente da Junta de Freguesia de Ramalde, Dr. Manuel Maio,
a atividade autárquica desta Junta de Freguesia de Ramalde tem em conta as
necessidades vivenciadas por toda a população de Ramalde, procurando minimizá-las.
As Juntas de Freguesia desempenham um papel preponderante em diferentes
âmbitos, na medida em que são órgãos descentralizados do estado e são, por
conseguinte, as instâncias mais próximas dos problemas concretos, o que leva a que
tenham um melhor conhecimento das diversas situações.
A freguesia é reconhecidamente a autarquia que se encontra mais próxima da
população respetiva, e constitui-se como um espaço facilitador da sua identificação e
concretizador, das suas aspirações, anseios e interesses, podendo deste modo contribuir
para a resolução dos problemas quotidianos que a afetam.
Desta forma, a Junta de Freguesia de Ramalde, coloca ao dispor da população
vários recursos, de modo a melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes e por isso a
Junta de Freguesia de Ramalde não é só um órgão de administração pública mas
também uma instituição de desenvolvimento social.
A mesma, é constituída por vários gabinetes, de forma a dar resposta às
necessidades da sua população. Faremos uma breve descrição e caracterização dos
diversos gabinetes para que depois nos seja possível referir quais as atividades que são
promovidas pelo GSC da Junta de Freguesia de Ramalde, no âmbito dos seniores.
1 – Secretaria, atendimento personalizado e em tempo útil, com administração
do processo de gestão “filas” que permite uma racionalização e gestão dos tempos e
especialidades e procura dar resposta aos problemas da população a diferentes níveis, no
que se refere a, canídeos (licenças para animais domésticos), certidões e atestados
(como por exemplo, transferência de bens e insuficiência económica), e existe ainda um
posto dos CTT (Correios, Telégrafos e Telefones) e também um posto da Segurança
Social.
2 – Serviços Administrativos, cuja função principal passa pela gestão
administrativa da Junta de Freguesia de Ramalde.
142
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
3 – Biblioteca Museu Agostinho da Silva, local onde estão expostos os
trabalhos realizados pelos seniores dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia e onde
todos os cidadãos de Ramalde podem ter acesso a livros de vários temas.
4 – O Gabinete Económico/ Jurídico e Auditoria Interna que tem como
principais funções dar seguimento a todas as questões relacionadas com o âmbito
jurídico (interno e externo), bem como assessoria ao nível económico.
5 – Gabinete de Inserção Profissional (GIP), o principal objetivo deste
Gabinete é promover a inserção de pessoas no mundo do trabalho, dar respostas às
dificuldades que os jovens sentem atualmente no que diz respeito ao mercado de
trabalho, orientar, encaminhar e apoiar na procura de emprego para desempregados,
ajudar a responder a anúncios de emprego, proceder à divulgação de oportunidades de
emprego, ajudar na elaboração de curriculum e cartas de candidatura, bem como
fornecer informações relativamente a cursos profissionais.
6 – Gabinete de Desporto, Educação e Juventude (GDEJ), que é responsável
pelas atividades desportivas e educativas junto das crianças e jovens. De entre todas as
atividades que realiza, destaca-se o programa de Atividades de Enriquecimento
Curricular (AEC’s) nos diferentes agrupamentos da Freguesia.
7 – Gabinete de Serviço Social e Psicologia (GSSP), este gabinete é
responsável pelo aconselhamento e apoio psicossocial às famílias, sinalização e
monitorização de casos sociais problemáticos e respetivo acompanhamento, acessoria
técnica ao Presidente e outros elementos do executivo, entre outras.
8 – Gabinete Sociocultural (GSC), tem como principal função trabalhar com e
para os seniores, quer os que pertencem aos Centros de Convívio/Dia e Lares, quer os
que vivem em habitações próprias e residem na Freguesia.
9 – Gabinete de Contabilidade e Tesouraria, tem como principal função a
gestão financeira da Junta.
10 – Gabinete de Comunicação e Imagem (GCI), tem como principal função a
elaboração de todos os materiais de divulgação de iniciativas e de toda a comunicação
com os órgãos de comunicação social e afins.
143
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
11 – Cemitério, este gabinete tem como principal função a gestão do cemitério.
12 – Observatório de Ramalde, tem por objetivo monitorizar permanentemente
a situação da freguesia em diversas áreas, nomeadamente o ambiente, urbanismo,
mobilidade e segurança.
13 – Gabinete de Recursos Humanos, gestão dos processos individuais de
todos os funcionários/colaboradores, gestão das assiduidades e colaboração no
processamento de salários, controle dos contratos de trabalho, prestação de serviços e
protocolos, gestão das candidaturas espontâneas recebidas, gestão dos concursos
públicos de admissão, Articulação com o gabinete jurídico de todas as questões de
natureza legal e gestão do processo do SIADAP.
14 – Gabinete de Mediação e Conflitos (GMC), é uma forma alternativa de
resolução de conflitos, em que se dá oportunidade a dois ou mais sujeitos em conflito
para que se reúnam com os mediadores, a fim de falar do problema e tentar chegar a um
acordo. É um processo privado e confidencial.
15 – Gabinete de Apoio aos Utentes (GABUR), Consultadoria económica e
jurídica.
16 - Cultura e Associativismo, o movimento associativo é também uma das
referências culturais mais importantes da freguesia de Ramalde, produto da capacidade
empreendedora e solidária dos Ramaldenses. Há por parte da Junta um apoio às
coletividades de Ramalde no âmbito cultural, quer ao nível do teatro, folclore entre
outros e a Junta também prima pela organização de colóquios, exposições, debates entre
outros.
144
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
6.2. Práticas de Animação Sociocultural com e para os seniores na Junta de
Freguesia de Ramalde
6.2.1.Projeto Ramalde Solidário, através de ações que promove, pretende
fomentar uma sociedade mais justa, equitativa e solidária. Neste âmbito desenvolvemos
uma campanha de recolha e distribuição de vestuário, brinquedos, livros, roupa de
cama, etc., bem como são servidas diariamente refeições quentes a pessoas carenciadas,
por um grupo de voluntárias seniores.
Fazem parte deste projeto várias campanhas de recolha de bens, tais como:
- Campanha de recolha de bens alimentares para uma “Páscoa com Amor” junto
dos cidadãos mais carenciados da Freguesia.
- Contribuir para um “Natal mais Feliz” dos cidadãos mais carenciados de
Ramalde, em especial as crianças, os idosos e os doentes.
6.2.2.Colónia Balnear Intergeracional, desde há muito tempo que esta autarquia
promove colónias balneares para crianças carenciadas e seniores da freguesia.
Uma vez que habitualmente crianças e seniores iam para a mesma praia, mas com
programas diferentes, decidiu-se juntar as duas colónias para que fosse possível
promover atividades em conjunto entre seniores e crianças e cada um fosse capaz de dar
sugestões para o que poderiam fazer na praia.
Desta forma os seniores podem compartilhar experiências com as crianças e as
crianças podem ensinar aos seniores os jogos balneares que tão bem sabem.
6.2.3.Visitas Temáticas, têm como principal objetivo dar a conhecer aos
seniores os diferentes espaços culturais existentes na área metropolitana.
Muitos dos seniores nunca tiveram acesso à cultura e visita de espaços culturais
da cidade do Porto, desta forma pretende-se colocar os seniores em contacto com estes
espaços para que todos se sintam com acesso à cultura.
145
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
6.2.4.Semana Europeia da Prevenção de Resíduos, esta semana, promovida
pela Lipor, e em que a Junta sempre participa, devido à forte adesão por parte dos
Centros de Dia/Convívio da Freguesia através das Oficinas Presépios de Natal tentando-se chamar a atenção da comunidade para a importância do desenvolvimento sustentável
da nossa cidade e do Planeta Terra.
Diversas atividades são realizadas, tais como: ações de sensibilização para a
importância da re-utilização de materiais e jogos alusivos ao tema, entre outros, para
além da construção de Presépios de Natal Ecológicos, sendo o material primordial o
papel usado e seus derivados.
6.2.5.Carnaval, o mote desta iniciativa é proporcionar aos seniores um regressar
à infância e puderem brincar ao Carnaval, com muita música e animação.
O regressar à infância não significa infantilizar os seniores, mas proporcionar-lhes
formas de diversão e para poderem também ser os próprios a construir e idealizar os
seus fatos de carnaval.
Habitualmente o tema prende-se com a Reciclagem, temática para a qual todos os
seniores e a população em geral devem estar devidamente alertados.
Cada sénior elabora a sua máscara nos ateliers de preparação da iniciativa do
Carnaval.
6.2.6.Magustos, esta iniciativa tem como intuito comemorar-se o Dia de São
Martinho, para o qual todos os Centros de Dia/Convívio destinam um dia para a
comemoração do mesmo e onde consta a preparação de um programa (teatro, poemas,
músicas, entre outras) para partilhar com todos aqueles que participam no referido
evento.
6.2.7.Coro Sénior, foi criado no dia 26 de Maio de 2009. Este projeto visa
desenvolver experiências musicais promotoras do bem-estar físico e emocional para
pessoas em idade sénior.
146
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
Através desta experiência musical pretende-se oferecer a oportunidade de criar
relações interpessoais importantes para os cidadãos da freguesia, bem como oferecer
uma atividade para ocupação dos seus tempos-livres.
Este coro integra vários cidadãos de ambos os géneros da nossa Freguesia, utentes
dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia e do Gabinete de Serviço Social e Psicologia.
A direção musical do Coro Sénior está sob a responsabilidade das Professoras Sandra
Tavares e Ana Daniela Oliveira.
6.2.8.Universidade + Sénior, a abertura de uma universidade Sénior é uma
aposta na educação prolongada dos mais velhos e é sempre um motivo de orgulho tanto
para quem a promove como para quem a vai desfrutar – e isto porque é um exemplo de
que a sede do conhecimento humano deve ser sempre saciada desde a infância até à
idade adulta.
6.2.9.Encontros Intergeracionais, estes encontros são um estímulo à
comunicação Intergeracional através do intercâmbio de vivências e experiências entre as
crianças das escolas EB1 e os seniores dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia.
6.2.10.Encontros Intercentros, estes encontros pretendem ser um espaço de
convívio entre os seniores que frequentam os diferentes Centros de Dia/Convívio e em
que os mesmos possam partilhar momentos de convívio, partilha e trocas de
experiências.
6.2.11.Peddy-paper Intergeracional, enquadrada nas Jornadas Europeias do
Património, esta iniciativa pretende que os participantes consigam responder às
perguntas que constam no questionário, sobre locais de interesse histórico e paisagístico
da freguesia., o percurso estabelecido tem passagem pelos locais mais emblemáticos e
mais importantes da Freguesia.
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Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
Para responderem às perguntas é fornecido um documento de apoio e em cada
local que visitem têm alguns dos jogos os quais ajudam a obter as respostas certas, o
que dá um cunho divertido e lúdico à iniciativa.
Esta ação permite não só conhecer melhor a nossa freguesia, como é uma forma
excelente espaço de divertimento e convívio entre diferentes gerações.
6.2.12.Voluntariado – Um contributo de Cidadania, uma das apostas da
autarquia de Ramalde é a promoção de uma sociedade civil mais ativa e participativa.
Tendo por base sentimentos de partilha e de respeito pelos outros consegue-se
criar uma rede de voluntários.
A doação de cada um de nós “aos outros” tem inerente uma vocação que assenta
na valorização humana, no estreitamento de laços, no combate à exclusão e ao
isolamento e na partilha de saberes e experiências.
6.2.13.Exposição de Trabalhos dos Seniores de Ramalde, esta iniciativa tem o
intuito de dar a conhecer à comunidade o trabalho desenvolvido pelos Centros de
Dia/Convívio da Freguesia.
Durante todo o ano os Centros de Dia/Convívio fazem nos respetivos locais
atividades de trabalhos manuais e todos esses trabalhos são depois expostos nesta
exposição para que sejam vendidos à comunidade em geral para que o dinheiro
angariado com esta venda possa apoiar outras iniciativas de índole cultural nos
respetivos centros.
6.2.14.Sardinhada de S. João, o principal objetivo desta iniciativa é comemorar
o S. João, com um lanche típico deste dia (sardinhas, caldo verde, broa e vinho tinto) e é
promovida uma tarde de jogos tradicionais, entre outros, para os seniores participarem e
para que se criem momentos de partilha entre todos os participantes.
148
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
6.2.15.Dia Internacional dos Museus, esta iniciativa pretende promover uma
visita a um museu existente na Freguesia de Ramalde, para que os seniores possam ter
contacto com a cultura da freguesia e possam conhecer espaços importantes na história
da mesma.
6.2.16.Dia do Sénior, o objetivo desta iniciativa é envolver os seniores num
espírito de comemoração, habitualmente neste dia os seniores gostam de ouvir música,
ir à discoteca, dançar, entre outras coisas.
Dessa forma os dias do sénior em Ramalde têm sido comemorados assim na
Freguesia de Ramalde.
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Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
6.3.Caraterização dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde
6.3.1.Centro de Dia do Exército de Salvação
O Exército de Salvação foi criado em 1983 na Freguesia de Ramalde com a
finalidade de proporcionar apoio aos seniores, através dos seguintes serviço: Apoio
domiciliário e Centro de Dia.
Este Centro é inspirado no Exército de Salvação fundado na região Leste da
Cidade de Londres em 1865 pelo pastor metodista William Booth e a sua esposa
Catherine Booth.
O fundador descrevia o lema da instituição da seguinte forma: “os três S”
representam melhor a maneira como o Exército de Salvação atua: “primeiro a Sopa,
depois o Sabão e por fim a Salvação”.
O Centro possui uma equipa técnica constituída por uma Técnica Superior de
Serviço Social, uma Animadora Sociocultural e uma Encarregada que supervisiona o
Centro.
6.3.2.Centro Social do Grupo Desportivo e Cultural do Bairro de Santo
Eugénio
Não existem documentos acerca da história deste centro e foi apenas possível
recolher informação junto de alguns utentes seniores (depoimentos informais).
No início este Centro funcionava apenas como ATL, mas quando a direção da
instituição foi substituída tornou-se num espaço de convívio para os seniores sócios.
O Centro é um espaço de lazer onde os seniores se reúnem após a hora de
almoço para jogar cartas e conversarem.
Este Centro não possui equipa técnica.
150
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
6.3.3.Centro de Convívio da Associação de Moradores da Zona de Francos
Nascida a 31 de Maio de 1975, esta associação desempenha um papel
extremamente importante na vida Sociocultural e Desportiva da cidade do Porto, mais
especificamente na Freguesia de Ramalde onde está sediada.
Há mais de 25 anos que possui um Centro de Convívio direcionado para os
moradores seniores da Zona. Neste Centro os seniores podem participar nas diversas
atividades e passeios que se realizam durante todo o ano.
Este centro possui uma direção formada pelo Presidente da Associação, um
Vice-Presidente e um Administrativo, mas não possui uma equipa técnica.
6.3.4.Centro de Convívio do Grupo Desportivo do Viso
O Grupo Desportivo do Viso, associação de utilidade pública, foi fundado em 1
de Maio de 1975, por um grupo de ex-atletas de Hóquei em Campo da extinta secção do
Senhora da Hora.
O Centro de convívio foi fundado mais tarde (não sendo possível precisar uma
data) para os seniores sócios da instituição.
Este Centro não possui equipa técnica.
6.3.5.Centro Social, Desportivo e Cultural do Bairro das Campinas
Este Centro surgiu em 1978 face à iniciativa de 17 amigos.
A ideia inicial teve como ponto de partida o facto de não existir no Bairro das
Campinas qualquer resposta social para os idosos e a necessidade em projetar o Hóquei
de 6.
Este Centro possui uma direção que tem a seu cargo a gestão administrativa do
Centro e conta também com um animador sociocultural.
151
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
6.3.6.Grupo Desportivo do Centro Social do Bairro de Francos
Este Centro surgiu em 18 de Junho de 1975, criado por um grupo de amigos.
Esta coletividade tem em movimento várias atividades como futsal,
cicloturismo, basquetebol e atividades de lazer para a terceira idade.
Este Centro possui uma direção que tem a seu cargo a gestão administrativa do
Centro.
6.3.7.Centro Social da Paróquia da Nossa Senhora da Boavista
O Centro Social Paroquial N.ª Sr.ª da Boavista foi inaugurado a 31 de Maio de
1991, com o esforço de toda a comunidade paroquial e com a ajuda de um subsídio do
PIDAC.
O Centro Social goza de uma grande e variada vitalidade, respondendo às
necessidades das crianças, dos jovens, dos adultos e dos seniores. Das muitas atividades
que aí se desenvolvem, destacam-se: as festas, os convívios, conferências, debates,
atividades desportivas, passeios de carácter cultural, turístico e religioso.
6.3.8.Centro de Dia Artur Brás
Este centro foi inaugurado em 2009.
Esta resposta social dirigida a 35 cidadãos seniores da Freguesia, é fruto de um
protocolo celebrado entre a autarquia de Ramalde e a Associação de Solidariedade
Social.
Este centro possui uma equipa técnica constituída por uma coordenadora técnica,
uma assistente social e outros colaboradores que fazem com que o trabalho no Centro
seja possível.
152
Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR
6.2.9. Lar do Calvário do Carvalhido
O Lar de terceira idade tem capacidade para 70 idosos possui também um centro
de dia com capacidade para 35 idosos.
Esta valência não participa nas atividades promovidas pela JFR, e assim não
conseguimos obter mais informações relativamente à constituição da equipa técnica e
das atividades que são promovidas com os seniores.
6.2.10. Lar das Irmãzinhas do Pinheiro Manso
Este lar foi inaugurado em 1895.
Neste momento conta com 96 idosos internados no Lar.
No que se refere à equipa técnica é de referir que a Madre Superior é a
coordenadora técnica do lar onde existem mais nove irmãs que acompanham e
supervisionam tudo o que é realizado no Lar. Existe uma enfermeira a tempo parcial e
36 auxiliares a tempo inteiro.
6.2.11. Centro de Dia e de Convívio do Santíssimo Sacramento
Iniciou o seu percurso como Centro de Convívio no dia 14 de Maio de 1990, e
em Dezembro de 2011 inaugurou o seu Centro de Dia.
O Centro de Convívio tem cerca de 30 seniores e o Centro de Dia 20 seniores.
Este Centro possui uma equipa técnica constituída por uma coordenadora
técnica, uma Animadora Sociocultural e oito assistentes de geriatria.
De referir que este Centro não se encontra sediado na Freguesia de Ramalde,
contudo tem muitos seniores de Ramalde inscritos no mesmo e participam sempre nas
iniciativas que são promovidas pela Junta.
153
Conclusão
Conclusão
154
Conclusão
Com este trabalho de investigação, concluímos que esta temática ASC com e para
os seniores está cada vez mais na ordem do dia, e é urgente e emergente que o nosso
poder político se preocupe e crie as condições necessárias para que o envelhecimento
possa ocorrer cada vez mais de uma forma saudável, ativa, contínua e não circunstancial
e que todos, mas mesmo todos os nossos seniores, consigam ter um “fim de vida”
digno.
Podemos afirmar convictamente que depende de cada um de nós a mudança de
mentalidade e de atitude para com as pessoas seniores. Cabe a cada um de nós educar o
ser Humano, pois os seniores são pessoas capazes, úteis e que nos podem ensinar muita
coisa de que sem eles jamais teríamos conhecimento.
Conseguimos facilmente entender que a nossa sociedade evoluiu, contudo
constatamos e concluímos que paira em nós um inquietante dilema será que a nível dos
idosos é visível esta evolução? Inquieta-nos o registo de muitos lares armazéns de seres
humanos e ainda o acantonamento de homens e mulheres que apenas lhes resta matar a
coisa mais preciosa que têm - o tempo.
É pois urgente uma mudança de postura que passa pelo reforço de um interagir
comprometido com a transmissão de valores alicerçados numa vivência geradora de
educação.
É inadiável a assunção de novas políticas que incrementem um humanismo que
reforce os lados afetivos e que por outro lado o poder político assuma a
responsabilidade histórica de promover reformas dinas e justas com vista a dignificação
daqueles que viverem, lutaram e acreditaram num mundo melhor.
É imperioso o incremento da ação destes Pedagogos da vivência que podem
transmitir as gerações presentes e vindouras as suas histórias, os seus jogos e todos os
seus saberes vindos de uma sabedoria alicerçada na passagem de muitas gerações.
Concluímos da urgência da valorização de uma terceira idade ativa e atuante e
inserida num diálogo e numa ação intergeracional que passa por um cruzamento e
partilhe de saberes de forma permanente.
155
Conclusão
Metodologia
No que se refere à nossa pergunta de partida, Qual a importância da Animação
Sociocultural na intervenção junto dos Seniores da Freguesia de Ramalde, podemos
afirmar que é extremamente importante, na medida em que vemos os níveis de
participação por parte dos seniores nas atividades, sendo que algumas se repetem há já
alguns anos e se isso acontece é porque a avaliação tem sido positiva bem como o
numero de participantes. Há bem pouco tempo foi por nós realizado um pequeno estudo
acerca do Coro Sénior de Ramalde, em que todos os participantes foram unânimes em
afirmar que o mesmo se assume como muito importante para os mesmos (nos anexos
pode ser consultado esse pequeno estudo).
Os objetivos a que nos propusemos no início do presente estudo foram atingidos e
concluímos que, tendo em conta a bibliografia consultada e as entrevistas que
realizámos, a Junta de Freguesia de Ramalde, tem, nas suas atividades, formas de
participação para os seniores nas diferentes áreas e âmbitos as quais vão de encontro às
necessidades destes pois como já referimos atrás a participação é sempre grande e a
motivação também.
Apenas nos parece importante referir que as únicas áreas em que a JFR ainda não
apostou, ao nível da ASC, para e com os seniores são Animação Teatral, Animação
Turística e Animação na Leitura e fica aqui o repto para que as mesmas se possam
promover se isso for de encontro às motivações dos seniores.
De grande importância é também que as atividades sejam bem preparadas e bem
estruturadas antes de serem realizadas e fazer conforme nos afirma Ander-Egg (2000)
planificar e programa-las de uma forma estruturada e para que nada falhe.
Envelhecimento
No que se refere a esta temática foi-nos possível perceber que o envelhecimento
depende de muitos de fatores intrínsecos, mas também em larga escala de fatores
externos, ou seja, não é só a hereditariedade que dita o tipo de envelhecimento que os
seniores têm, as oportunidades, a comunidade, o ambiente familiar que têm pode e tem
muita influência na sua vivência e convivência em sociedade.
156
Conclusão
Concluímos através dos estudos realizados e expressos na nossa investigação a
importância da gerontologia e da geriatria para a promoção de um envelhecimento ativo
e condigno de todos aqueles que chegam a esta fase das suas vidas a qual deve ser vista
não como o fim de uma vida, mas como o início de uma nova etapa da vida e é dentro
desta perspetiva que se torna necessário a articulação entre a tríade Gerontologia,
Geriatria e Animação Sociocultural.
Animação Sociocultural e o Papel do Animador para e com os Seniores
A ASC assume-se como o grande impulsionador da promoção de atividades que
promovam o envelhecimento saudável e ativo para os seniores, para que o tempo seja
vivido e não passado, que a vida seja vivida na convivência e que eles se envolvam no
seu próprio desenvolvimento.
A função de um animador sociocultural neste âmbito apresenta características
muito especificas e importantes, pois depende também dele criar um plano de atividades
que seja do interesse dos seniores, para que os mesmos se sintam motivados para a
participação, pois não vale de nada promover atividades que não vão de encontro às
necessidades e motivações dos seniores.
Intervenção Social, Cultural e Educativa nos Seniores
As relações intergeracionais assumem um carácter de relevo e têm e devem ser
fomentadas; isso é preconizado na Animação Sociocultural, e nesta temos um enorme
aliado para que os seniores participem e vivam ativamente na sociedade, para que não
se isolem e se criem espaços de socialização, trocas de experiências e saberes entre
diferentes gerações.
A educação permanente e as Universidades Seniores estão por completo
relacionadas com o envelhecimento e com a ASC pois permitem que os seniores
possam aprender coisas novas e reciclar conhecimentos para que a mente não pare,
mesmo que o corpo não queira colaborar.
Como não poderia deixar de ser o Voluntariado, a Cidadania e a Participação,
juntos conseguem promover junto dos seniores atividades e formas de estar na vida e
em comunidade que permitem melhor viverem em comunidade e não deixarem de
participar e ter uma voz ativa e importante.
157
Conclusão
ASC nas Autarquias
Fazendo a ponte entre o antes do 25 de Abril e o após 25 de Abril, hoje em dia
concebemos programas de animação em que exista participação, em que o poder
politica crie e promova atividades para os seniores e não com os seniores, que os
envolve e que os chame não só para votar, mas também para saber o que mais gostam
de fazer e o que é mais adequado para os mesmos.
Animação Turística, Teatral e Musical
Falamos de técnicas que podem e devem ser utilizadas juntos dos seniores pois
promovem um envelhecimento ativo e a participação dos seniores em projetos que os
valorizem e que não sejam mais um a participar.
Animação Turística pretende envolver os seniores nos seus projetos, a Animação
Teatral preconiza que os seniores possam libertar-se de temores e receios e que sejam
atores, a Animação Musical quer através de instrumentos, quer através do canto envolve
os seniores em projetos promissores.
Junta de Freguesia de Ramalde
Este trabalho pretendeu fundamentalmente perceber o funcionamento da JFR em
termos de trabalho com e para os seniores e no que se refere à ASC, onde existe por
parte do seu Presidente e respetivo executivo, criação de politicas de intervenção e de
animação junto dos mesmos.
Existem lares e centros de Dia/Convívio em Ramalde onde a Junta também
intervém e promove atividades de ASC.
É em prol destas vidas e de outras que ainda estão para vir, destes seniores e desta
sabedoria que vamos continuar a trabalhar, a intervir, a investigar e jamais baixaremos
os braços, porque o mundo faz-se com todos e não só com alguns.
158
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167
Apêndices
Apêndices
Documentos complementares do trabalho de
investigação, desenvolvidos pelo autor e relevantes
para o mesmo, sendo eles: Guião de entrevista e
respetivas entrevistas e Grelhas de Observação
168
Apêndices
1. Guião de Entrevista
I
Apêndices
1.O que entende por Animação Sociocultural
2.O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade
3.Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade
4.Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade
5.O que entende por Educação Intergeracional
6.Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade
7.O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a
Cidadania para a 3ª Idade
II
Apêndices
2. Entrevista 1 - Victor Ventosa
III
Apêndices
1- O que entende por Animação Sociocultural
Prof. Dr. Vítor Ventosa - Un modelo de intervención capaz de generar
procesos autoorganizativos a nivel social e individual a través de la implicación
activa de un colectivo de personas en el desarrollo de un proyecto sociocultural y/o
educativo libremente elegido por ellos y destinado a mejorar la calidad de vida de su
entorno.
2- O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade
Prof. Dr. Vítor Ventosa - Que es uno de los medios más idóneos y eficaces
para responder a las principales necesidades, problemas e intereses que tienen las
personas mayores en nuestra actual Sociedad. Los resultados actuales de la
investigación y de las buenas prácticas a la hora de aplicar programas de ASC con
personas mayores nos muestran cómo es una metodología eficaz para combatir la
soledad, la inactividad, la falta de autoestima y la incomunicación propias de
muchos mayores potenciando la convivencia, la comunicación y la ocupación
positiva
y gratificante del tiempo libre a través de la práctica de actividades
socioculturales, lúdicas, turísticas y de ocio educativo y social.
3- Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade
Prof. Dr. Vítor Ventosa - Las podemos clasificar en dos grupos.
Por un lado están las características diferenciales. En este sentido,
hablamos de una modalidad de Animación que se diferencia de otras
modalidades por el ámbito donde se aplica –el sector del Turismo- y
los destinatarios a los que se dirige –las personas mayores. Lo primero
determina los espacios y los tiempos de la animación
infraestructuras turísticas en tiempos
(espacios e
discontinuos, puntuales o
vacacionales ) así como el tipo de actividades y recursos a utilizar
(asociados sobre todo al viaje y al descubrimiento de nuevos pueblos,
paisajes y culturas, así como a los diversos tipos de turismo activo
actual).
IV
Apêndices
Las características comunes y que comparten, por tanto, con todo tipo
de animación , son las asociadas a las dos dimensiones básicas de la
Animación: dimensión relacional (Animus) y productiva
rendimiento (Anima).
En este sentido,
o de
la Animación Turística se
diferencia de otro tipo de actividad turística en
la metodología
empleada (que como en cualquier otro tipo de animación ha de ser
participativa, grupal, lúdica, inductiva y creativa) con el fin de generar
experiencias sociales intensas y gratificantes de relación comunicación y
convivencia y también se diferencia en
el tipo de actividad turística
elegida , capaz de involucrar activamente y no de manera pasiva o
meramente consumista a sus destinatarios. Por ello , las actividades más
propias de la Animación Turística son las pertenecientes al llamado
Turismo Activo en sus múltiples vertientes (Social, Cultural, LúdicoEducativo….).
4- Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade:
Prof. Dr. Vítor Ventosa - En los ya muchos años que llevo dedicado a
desarrollar las posibilidades del teatro y sus recursos expresivos como instrumento
de Animación Sociocultural, he podido descubrir (y así lo he mostrado en algunas
de mis publicaciones) los buenos resultados que la Animación Teatral consigue con
todo tipo de destinatarios , pero especialmente en las personas mayores, al lograr
implicarlas en procesos expresivos, grupales y convivenciales no sólo entre iguales
sino también en grupos intergeneracionales. Todo ello contribuye de manera
especial a desarrollar la autoestima del mayor, haciéndole descubrir o redescubrir
potencialidades
expresivas, creativas, cognitivas y emocionales inéditas
u
olvidadas y atrofiadas por el paso del tiempo.
5- O que entende por Educação Intergeracional
Prof. Dr. Vítor Ventosa - Es aquel tipo de Educación que persigue el
desarrollo humano mediante el enriquecimiento mutuo y complementario que surge
en el encuentro y la convivencia entre personas de diversas edades.
V
Apêndices
6- Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade
Prof. Dr. Vítor Ventosa - Lógicamente debe reunir las características
comunes a todo animador referentes tanto a su Ser (personalidad), como a su Hacer
(capacidad) y a su Saber (Formación), complementadas con un conocimiento
especifico de la problemática sociocultural de las personas mayores (Gerontología
Social) y de su Psicopedagogía (Andragogia), así como de un manejo de las
técnicas, recursos y actividades socioculturales más idóneas y preferidas por ellos ,
con especial referencia a la llamada animación estimulativa .
7- O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a
Cidadania para a 3ª Idade
Prof. Dr. Vítor Ventosa - Creo que son demasiados temas
para poder
abordarlos con un mínimo de profundidad y coherencia en el estrecho marco de una
entrevista como ésta. Pero puedo destacar un hilo conductor que los une y relaciona.
Me refiero a la importancia de la actividad, tanto física como psíquica, en el
mantenimiento de la salud y bienestar de la persona mayor.
En los últimos años, los descubrimientos de la Neurociencia corroboran lo que
ya veníamos intuyendo desde la práctica de la animación con personas mayores. La
implicación activa del mayor en actividades ilusionantes, atractivas y saludables, no
sólo ralentiza los procesos degenerativos asociados a la edad, sino que aporta
mayor calidad a su vida, consiguiendo de este modo lo que creo debe ser la meta de
la ASC con mayores: dar más vida a los años. En definitiva, la ASC es una
Didáctica de la participación social y por ello desarrolla la ciudadanía activa a
través del Voluntariado entre otras formas de acción y como tal ayuda a mantener
activas a las personas mayores con los beneficios que ello genera a la 3ª Edad.
VI
Apêndices
3. Entrevista 2 - Gloria Pérez Serrano
VII
Apêndices
1. O que entende por Animação Sociocultural
Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “Una metodología de intervención, de
carácter intencional y propositiva, que promueve la participación, el desarrollo de
valores sociales y culturales, orientada a la promoción individual y a la
transformación comunitaria”
2. O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade
Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “Es una metodología de trabajo de gran
interés para estimular a las Personas Mayores, desarrollar sus potencialidades,
provocar su participación y hacerles vivir con vitalidad”
3. Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade
Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “Entre otras muchas características que se
podrían decir, creo conveniente resaltar:

Desarrollo de la comunicación y participación como eje del desarrollo.
Promotora de valores y cauce de participación.

Prioriza la iniciativa personal y el ejercicio libre en los grupos y personas
por encima de intervenciones externas. Es un elemento transformador.

Utiliza
técnicas
y
estrategias
activas,
creativas,
dinámicas
y
experienciales.Actua como catalizador

Vincula los procesos y actividades a la resolución de problemas y
situaciones concretas de grupos y personas. Promotora de vida
asociativa.

Proceso que exige permanencia y continuidad. Requiere la presencia de
agentes motivadores”.
4. Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade
Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “La ASC (Animación Socio-Cultural)
persigue un comportamiento adaptativo, con el fin de lograr el mejor acoplamiento
entre el sujeto de 3ª edad y el contexto, consiguiendo así la satisfacción y el
VIII
Apêndices
bienestar de los Mayores. Da importancia a que el individuo tome conciencia de lo
que hace, cómo lo hace y por qué lo hace, contribuyendo de este modo, no sólo al
desarrollo propi, sino, también al de la Comunidad.”
5. O que entende por Educação Intergeracional.
Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “La Educación Intergeneracional potencia
la relación entre las Personas Mayores y los Jóvenes, impulsando diferentes
actividades en orden a propiciar dicha relación.

La educación intergeneracional se puede definir como las relaciones
recíprocas de aprendizaje y las interacciones entre jóvenes y mayores.

La educación intergeneracional considera que las relaciones entre jóvenes y
mayores son importantes para ambos grupos y para la sociedad en general.

Los programas intergeneracionales contribuyen a que tanto los jóvenes como
los mayores compartan experiencias que beneficien a ambas generaciones.
Estimulan los lazos entre las generaciones, fomentan el intercambio cultural
y proporcionan sistemas de ayuda social. Las generaciones están inmersas en
su propio mundo; las grandes diferencias entre las experiencias de jóvenes y
mayores crean barreras entre las generaciones.

El término intergeneracional supone la participación de miembros de dos o
más generaciones en actividades de aprendizaje que les pueden concienciar
sobre las distintas perspectivas generacionales.

La educación intergeneracional está orientada al intercambio de experiencias
de tal forma que se emplean las destrezas específicas de cada generación.

La educación intergeneracional tiene como objetivo el contrarrestar el
esteriotipo negativo existente acerca del envejecimiento, y tiene en cuenta el
nivel de compentencia de los mayores y su importancia en la educación de
los jóvenes.
La educación intergeneracional

no sólo consiste en que las generaciones estén juntas. Estar juntos no es
suficiente.
IX
Apêndices

no significa que cualquier proceso de aprendizaje que implica tanto a jóvenes
como a mayores sea necesariamente un caso de aprendizaje generacional,

es algo más que la mera transmisión de conocimientos.”
6. Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade
Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “Para poder diseñar el perfil del Animador
SC, es importante reseñar las cualidades humanas (buena salud y resistencia física,
capacidad intelectual: flexibilidad, tolerancia, etc.; dimensión afectiva y actiudinal,
etc. y profesionales (competencia técnica, metodológica, participativa, personal...),
las aptitudes y actitudes que le son propias.
Conviene tener en cuenta unas características generales, tales como:
a. Cualidades de educador: modificar actitudes, de la pasividad a la
actividad, comprender necesidades y aspiraciones de los grupos y
personas.
b. Agente de cambio social: debe ser un experto en el funcionamiento de
grupos.
c. Capaz de estimular y suscitar las relaciones entre personas, grupos y
comunidades
d. Mediador social: facilitador de la comunicación. Ayudará a reflexionar
sobre la responsabilidad, el protagonismo y potenciará los intereses
comunes y posibles acuerdos.
e. Dinamizador intercultural: previene los conflictos culturales, mejora la
comprensión recíproca entre personas y grupos de origen diverso”.
7. O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a
Cidadania para a 3ª Idade
Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “Es necesario impulsar el voluntariado
para trabajar con Personas Mayores. Quiero reseñar específicamente, la necesidad
de fomentar el voluntariado entre los propios mayores. Ellos disponen de muchas
potencialidades y experiencia que pueden ponerlas en servicio del grupo y a la vez
sentirse útiles y colaborando con la sociedad.
X
Apêndices
4. Entrevista 3 - Luis Gomez Garcia
XI
Apêndices
1- O que entende por Animação Sociocultural
Dr. Luis Gomez Garcia - Creo que es una metodología para la
transformación social y el desarrollo autónomo e integrado de la persona. Nos
permite introducir una perspectiva transversal en los Programas de Intervención
Social que permite incidir de manera eficaz en la creación de entornos de
cooperación interpersonal. Al situar como objetivo principal el desarrollo
comunitario y no la comunicación entre grupos sociales segmentados (edad, sexo,
orígenes nacionales, etc.), la ASC deja de ser un fin en sí misma, que se agota una
vez que se ha establecido, para pasar a ser una herramienta más en el proceso de
crear comunidades inclusivas, abiertas, universales. Poner en contacto entre sí a las
personas, sobre todo de diferentes edades, es el primer paso para articular redes
sociales nuevas, pero si no se formalizan objetivos que trasciendan las necesidades
sentidas por cada grupo de edad o de interés, en particular, animándolos a
reflexionar sobre la naturaleza social de sus diferencias y el modo en que se
convierten en estereotipos invalidantes, para transformarlos en un proyecto de
futuro común, esas mismas personas se desvincularán entre sí en cuanto el
establecimiento de la relación haya finalizado.
2- O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade
Dr. Luis Gomez Garcia - La participación de las personas de edad avanzada
en procesos de creación artística-cultural se encuentra fuertemente limitada por su
dificultad para acceder a los espacios de formación adecuados (centros cívicos,
deportivos, culturales, etc.). Para superar ese bache es imprescindible una ASC
específica para las personas mayores. Las personas mayores no sólo pueden
participar en procesos de mejora de su propia condición vital sino aportar, como
tales, conocimientos y experiencias creadoras en pie de igualdad con otras
generaciones (jóvenes y adultos). Para ello se necesita la intervención de
profesionales de la ASC que dinamicen adecuadamente. Se trata de procesos
prolongados en el tiempo, que requieren un enfoque de intervención socioeducativa
y un compromiso a largo plazo por parte de las instituciones patrocinadoras. En
estas condiciones, la ASC permite crear nuevas relaciones intergeneracionales e
impulsar a los mayores participantes a una reflexión global sobre su condición
XII
Apêndices
social y la manera de mejorarla transmitiendo sus vivencias al resto de la
comunidad. La ASC no son actividades lúdicas sino procesos transformadores
comunitarios, en la línea de lo planteado históricamente por Ander-Egg y otros.
3- Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade
Dr. Luis Gomez Garcia - Aunque no soy un especialista en Animación
Turística, creo que debe tener las siguientes características:
Muy motivadora para una ocupación recreativa y divertida del tiempo libre.
Tener en cuenta las características e intereses de la población a la que se
dirige: no son jóvenes, son personas mayores.
No ocupar todo el tiempo libre, sino conformarse con ser una oferta disponible
a la cual las personas se apuntan o no según sus intereses individuales.
Tener en cuenta la situación específica de las personas en situación de
dependencia (minusvalías, etc.)
4- Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade
Dr. Luis Gomez Garcia - Es imprescindible como herramienta de trabajo
para dinamizar grupos y hacer que las personas mayores tomen conciencia de su
situación comunitaria, además de ser una herramienta fundamental para el desarrollo
artístico. También cumple funciones terapéuticas (mejora de la memoria, etc.)
5- O que entende por Educação Intergeracional
Dr. Luis Gomez Garcia - La visibilidad social de las personas mayores
aumenta a medida que las relaciones intergeneracionales se fortalecen. La práctica
intergeneracional busca reunir personas que comparten un mismo objetivo, a través
de actividades que las beneficien mutuamente y que promuevan una mejor
comprensión y un mayor respeto. El desarrollo de las relaciones intergeneracionales
XIII
Apêndices
ha estado siempre en la esencia de la ASC, ya desde sus orígenes, aunque no
siempre con esta denominación y de una forma tan explícita. Las distintas
formulaciones teóricas construidas en la década de 1970 no dejaban de insistir en
ello, utilizando como paradigma el sentimiento de pertenencia a la comunidad, con
una visión humanista integral y socio-educativa. Te adjunto este cuadro que creo
resumen el tema:
Aprendizaje intergeneracional desde la ASC
Vivir
Co
nocer
Compartimos
sabemos
y
lo
lo
que
Cooperamos como somos
para transformar (nos)
Del trazado de mapas
que ideoléxicos a la adquisición de
desconocemos
Ha
cer
Ser
nuevos roles sociales
Vi
vir
Del conformismo con la
conflictividad
a
la
acción
Ser
dialógica
Conocer
Hacer
FUENTE: Elaboración propia, ha sido publicado en un artículo hace dos años.
6- Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade
Dr. Luis Gomez Garcia - El perfil ha de ser:
Formación en Animación Sociocultural como si trabajara con cualquier otro
objetivo.
Formación específica en Gerontología Social y Educativa.
Conocimientos básicos de geriatría y psicología de la vejez.
XIV
Apêndices
Conocimientos básicos de recursos sociales públicos para la 3ª Edad.
7- O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a
Cidadania para a 3ª Idade
Dr. Luis Gomez Garcia - La mejora en la calidad de vida de las personas
mayores no se va a producir ignorando que son una parte esencial, y muy activa, de
la ciudadanía, en nuestros municipios y barrios. Pero el impulso de esa ciudadanía
requiere que las instituciones promuevan el encuentro y la solidaridad
intergeneracional, faciliten la puesta en marcha y posterior desarrollo de proyectos
en esa dirección y, a continuación, sepan apartarse a un lado para dejar a la
ciudadanía de todas las edades avanzar como estimen oportuno, sin interferencias
externas de ningún tipo.
Las tendencias de futuro en animación sociocultural de personas mayores creo
que pueden resumirse de la siguiente forma:
Ámbitos de intervención del profesional de ASC:
Visibilidad social de las personas mayores
Promoción de las relaciones intergeneracionales
Impulso de la participación comunitaria
Fomento del voluntariado y del asociacionismo
Favoreceer la creatividad cultural y artística
Los retos de la ASC:
Como hacer frente al retroceso del Estado de Bienestar
Como posicionarse ante el auge de la provisión mixta de servicios
socioculturales público/privado
o Haciendo visible la animación sociocultural para toda la
sociedad
XV
Apêndices
o Educando para la participación activa y no dependiente del
Estado y las administraciones burocráticas.
5. Entrevista 4 - Maria Conceição Antunes
XVI
Apêndices
1- O que entende por Animação Sociocultural
Prof. Maria Conceição Antunes - Em termos muito genéricos a animação
sociocultural é um conjunto de estratégias, métodos e técnicas de intencionalidade
educativa que tem como finalidade melhorar a qualidade de vida dos cidadãos,
implicando-os no desenvolvimento sociocultural das comunidades de que fazem
parte de uma forma activa, responsável e participativa.
2- O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade
Prof. Maria Conceição Antunes - Enquanto estratégia e metodologia de
intervenção social, a animação sociocultural para a terceira idade deve cumprir de
igual forma a sua intencionalidade educativa, a diferença a estabelecer tem a ver a
concepção e implementação de actividades, programas e projectos adequados a esta
faixa etária.
3- Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade
Prof. Maria Conceição Antunes A animação turística para terceira idade
deve contemplar as características básicas da animação turística o cuidado a ter
reside na escolha dos programas estes sim devem ter em conta as características
próprias desta fase etária.
4- Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade
Prof. Maria Conceição Antunes - A animação teatral não tem um contributo
nem mais nem menos especial na terceira idade, a animação teatral é uma excelente
actividade artística de intervenção educativa em todas as fases da vida que potencia
o desenvolvimento de competências intelectivas, cognitivas, sociais, artísticas e
espirituais, mais uma vez os programas escolhidos é que devem estar adequados às
características do público-alvo.
XVII
Apêndices
5- O que entende por Educação Intergeracional
Prof. Maria Conceição Antunes - A educação é por natureza intergeracional
, ao entendermos a educação como comun itária assumimos que todos aprendemos
com todos, neste sentido estes novos programas de educação intergeracional que
fundamentalmente procuram juntar crianças e idosos são uma bom projecto no
sentido de caminharmos rumo ao verdadeiro sentido da educação evidenciando que
os mais novos beneficiam muito do saber e experiência de vida dos mais velhos e
estes beneficiam nos novos horizontes e conhecimentos próprios das gerações mais
novas.
6- Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade
Prof. Maria Conceição Antunes - Em primeiro lugar o perfil de um outro
qualquer animador sociocultural, alguém que procurar dar ânimo, dar vida às
pessoas e atividades em que se empenham, que comparte com elas as suas vidas no
mais pleno sentido do termo, em segundo lugar alguém que realmente tenha uma
“vocação” e aptidão para trabalhar com pessoas da terceira idade.
7- O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a
Cidadania para a 3ª Idade
Prof. Maria Conceição Antunes Todas elas são excelentes formas de
contribuir para um envelhecimento saudável, mantendo as pessoas inseridas na
esfera social e cultural, fazendo-as sentir cidadãos de pleno direito evitando a
exclusão, o isolamento e a solidão.
XVIII
Apêndices
6. Entrevista 5 - Avelino Bento
XIX
Apêndices
1. O que entende por Animação Sociocultural
Prof. Dr. Avelino Bento - Sabemos da dimensão polissémica da ASC, o que
leva a que haja muitas definições. Assim, prefiro referir o conceito que trabalhei em
sede de doutoramento e cuja tese foi publicada em 2003: “Animação Sociocultural é
uma forma de acção sóciopedagógica que, sem ser a única, se caracteriza pela
procura e pela intencionalidade de gerar processos de participação das pessoas em
áreas culturais, sociais e educativas, que correspondam aos seus próprios interesses
e necessidades.
Processa-se a partir de duas super-estruturas – Contexto: Cultural, Social,
Educativo. Instituições: Colectividades Locais, Organizações Sociais, Associações
de Voluntariado.
Percorre quatro dimensões operativas. O Método: que procura a integração e
participação das populações; que funciona como indutor de vivências e reflexão;
que define o tipo de intervenção territorial. A Acção: que se direcciona no sentido
da autonomia e participação colectiva; que se assume como movimento geral de
inovação da expressão individual e colectiva. A Mudança: no sentido da
transformação de atitudes e de relações inter-individuais e colectivas; para uma
posição mais definida na vida quotidiana e uma melhor inserção na sociedade. Os
Conteúdos: que valorizem a criatividade como a expressão de si, em observância às
questões da estética e da arte, do conhecimento e do saber, dos valores e da ética, da
ecologia e da qualidade de vida; que incentivem para a produção, criação e fruição
culturais, a partir de interesses e necessidades intrínsecas e extrínsecas; que
fomentem a apetência para a participação como a palavra-chave de resolução de
muitos dos problemas.” in: Bento, Avelino, Teatro e Animação - outros percursos
do desenvolvimento sociocultural no Alto Alentejo, Lisboa, Edições Colibri, 2003,
pág. 120.
2. O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade
Prof. Dr. Avelino Bento - Aceitando que o envelhecimento não é um fim mas
um percurso; aceitando também que nesse(s) percurso(s) a diversidade é muito mais
acentuada, quer ao nível das condições de mobilidade, quer às vezes das condições
emocionais, o que torna por vezes esses percursos frágeis; mas aceitando, também,
XX
Apêndices
paradoxalmente, que existe uma experiência de vida e um saber acumulado,
poderemos afirmar que é uma população que contribui para o enriquecimento
sociocultural de outras populações, nomeadamente das gerações mais jovens,
passando-lhes testemunhos, memórias, identidades e cultura no sentido lacto. Aqui a
ASC e o papel do Animador são de facto elementos importantes de criação de
espaço e de intermediação de valores e de aprendizagens. A ASC permite que se
estabeleça uma dialéctica entre o passado e o presente para a construção de um
futuro ainda comum.
3. Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade
Prof. Dr. Avelino Bento Deve proporcionar a existência de espaços de
socialização na relação com o património cultural, construído e natural;
Deve criar oportunidades de deslumbramento a populações mais carenciadas,
cujas vidas preenchidas pelo trabalho e poucos rendimentos não lhes permitiu
usufruir de um conhecimento do mundo;
Deve enfim estar atenta à importância da projecção cultural das pessoas,
colocando-as em contacto e partilha com outras culturas, outras existências e outras
experiências.
4. Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade
Prof. Dr. Avelino Bento - Primeiro, permite a descoberta de potenciais que
desconheciam, quer ao nível da expressão e comunicação, quer também de outras
competências;
Segundo, reconstrói o passado vivendo-se o presente, através de uma ficção
que se transforma em realidade e de uma realidade que se vai ficcionando.
(Re)desperta-os para a criatividade e para a criação artística;
Finalmente, a consciencialização da relação do Teatro coma Vida e desta com
o Teatro. Experimentando-se essa dialéctica, acrescentam-se pontos de coragem e de
esperança ao longo da vida.
XXI
Apêndices
5. O que entende por Educação Intergeracional
Prof. Dr. Avelino Bento - A ASC privilegia esta função educativa, sobretudo
pela construção de espaços de educação não-formal.
Todavia o entendimento que faço deste tipo de educação faz-me convocar a
tradição das comunidades no seu tempo/espaço de socialização onde os mais velhos
contam as histórias e são os sábios ancestrais. Mas se é verdade que esse tempo
parece ter passado, não deixa também de ser verdade que o reencontro hoje deve
continuar a fazer-se a partir de outros espaços/tempos e com responsabilidades das
organizações. Hoje o processo educativo é rápido, ténue, diversificado e diferente.
Por isso o saber já não está só num dos lados, da tradição e das memórias, dos
velhos e dos sábios, está também do lado do presente e do futuro, das crianças e
jovens e dos adultos, da cultura local à cultura global, da identidade à diversidade
cultural.
6. Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade
Prof. Dr. Avelino Bento - Não diferencio muito daquilo que deve ser o perfil
profissional do animador sociocultural tout court. Mas da mesma forma que a
polissemia do conceito de ASC diverge em função das práticas, dos lugares, dos
conteúdos, das políticas, dos princípios, também o perfil do Animador é interferido
por essa polissemia. No entanto há uma questão que para mim é essencial: é preciso
gostar das pessoas, respeitá-las e construir com elas um percurso que tenha em vias,
por um lado as necessidades e, por outro, os interesses dessas mesmas pessoas.
7. O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a
Cidadania para a 3ª Idade
Prof. Dr. Avelino Bento - São muitas coisas numa pergunta só. Mas têm em
comum a vantagem de serem práticas relacionadas com as pessoas. O universo da
ASC nós conhecemo-lo e defendemo-lo, estudamo-lo e aplicamo-lo conforme as
nossas reflexões escritas feitas da prática para a teoria e da teoria para a prática.
Algumas são regras e princípios, outras são técnicas e estratégias. Já os outros
conceitos inseridos na questão têm a ver com opções de ordem pessoal, como
XXII
Apêndices
princípios, educação, valores. Mas tem, sobretudo, a ver com a oportunidade de
afirmar essas opções. Tomá-las de uma forma espontânea ou reflexiva é, em si, um
ato de cidadania, o que nos reenvia para um exercício e uma prática de cidadania
permanente, interferindo nos outros também essa dimensão da Pessoa e dos seus
direitos e deveres de cidadão.
7. Entrevista 6 - Manuel Vieites
XXIII
Apêndices
1. O que entende por Animação Sociocultural
Prof. Dr. Manuel Vieites - Entendo que a animación sociocultural é, entre
outras cousas, unha ferramenta para promover a esfera pública e a participación de
toda a cidadania na mesma esfera, promovendo procesos de creación e difusión de
ideas, produtos, crenzas, pareceres, e o debate permanente entre os actores sociais.
A animación sociocultural mesmo debe comezar por lle devolver a palabra a eses
sectores sociais afastados da esfera pública, ou privados de participación. É unha
maneira de alfabetización social e cultural que moitas veces ten que ver côa
recuperación e a posta en valor do propio. Nesa dirección ten moito que ver con
procesos de concientización e emancipación.
2. O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade
Prof. Dr. Manuel Vieites - Moi necesaria por cuanto as persoas que ocupan
esa franxa de idade en moitas ocasión carecen de espazos e tempos propios para o
lecer. Especial importância pode ter o concepto de recuperación e posta en valor do
património cultural que cada persoa leva consigo, ou cada grupo de persoas. Nese
sentido tan importante pode ser o organizar cousas para ese grupo como lograr que
ese grupo organice cousas a partir de estratexias de autoxestión. E sobre todo
procurar a interacción entre xeracións.
3. Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade
Prof. Dr. Manuel Vieites - Eu creo que o turismo debe ofrecerlles unha
oportunidade de relación e comunicación a traves de actividades que mobilicen
todas as suas capacidades e destrezas, sobre todo para evitar que unha serie de
competências se perdan ou atrofien. O turismo debe ser unha oportunidade para
seguir aprendendo e sobre todo para satisfacer desexos incumpridos durante tantos
anos de traballo.
XXIV
Apêndices
4. Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade
Prof. Dr. Manuel Vieites - Enorme, pois o teatro é unha actividade de grupo
nos procesos de creación e de recepción. É unha actividade pracenteira na que todo
o mundo pode participar, mesmo como actor, e na que todos poden propoñer a sua
maneira de ver os problemas, as vivencias, as lembranzas... Tamén ten efectos
preventivos evidentes pola mobilización corporal e cognitiva que promove. CReo
que en en todo espazo en que convivan persoas maiores debería organizarse un taller
de teatro.
5. O que entende por Educação Intergeracional
Prof. Dr. Manuel Vieites - Se eu non me engano, deberá ser aquela
educación na que diferentes grupos de idade realizan procesos conxuntamente de
maneira que a información flua libremente entre todos, de maneira que se promova
un verdadeiro dialogo entre xeracións, o que ten un enorme valor se pensamos na
necesidade de por en valor determinadas experiencias, de non perder un património
vivencial moi importante ou de ofrecerlle aos mais novos ou aos mais vellos
exemplos positivos de traballo e de superación. Creo ademais que ese dialogo é
fundamental porque na fin os grupos sociais e os grupos de idade temos que
convivir no dia a dia pólo que temos que aprender a recoñecer aos outros e a ser na
compaña dos outros.
6. Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade
Prof. Dr. Manuel Vieites - Moi completo e moi complexo. Debe ser un bo
comunicador, cunha grande empatia e cunha enorme capacidade de escoita porque
mais do que un líder que mobiliza debe ser unha persoa que fai que os líderes dos
grupos mobilicen o propio grupo e que eses líderes sexan rotatórios, de modo que
todo o grupo tire o máximo partido de todos os seus integrantes. Dede ter unha
XXV
Apêndices
sólida formación antropolóxica para coñecer o valor da cultura e tamén ter un bo
coñecemento do médio sociocutlural no que vai traballar, o que implica unha grande
capacidade de adecuación aos entornos.
7. O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a
Cidadania para a 3ª Idade
Prof. Dr. Manuel Vieites - Como xa dixen a terceira idade é unha época
fundamental na vida das persoas, e ademais cada vez aumentan as persoas que
ocupan esa franxa. Temos aí un enorme capital humano que non podemos
desaproveitar pois na terceira idade as persoas seguen sendo elementos útiles e
capaces, que ainda poden prestar moitos servizos á comunidade, e seguramente
estarán felices de o facer. O voluntariado pode ser unha excelente oportunidade para
que os nosos maiores poidan seguir activos, sobre todo cando somos quen de buscar
aquelas actividades nas que son moi competentes. Isto é moi importante porque non
se trata de facer “uso” dos maiores senon considerar que eles e elas poden axudarnos
en moitas áreas debido aos seus coñecementos, vivencias ou experiencia. Desa
maneira seguen a ser cidadãns e desa maneira o seu exercício da cidadania é activo e
non pasivo.
XXVI
Apêndices
8. Grelha de Observação - Modelo
XXVII
Apêndices
Grelha de Observação – Modelo
Que atividade se promoveu
Natureza/Nome do Projeto
Para que fazer , Origem e Fundamentação da atividade
Objetivos
Onde foi realizada a atividade
Localização Física
Como foi promovida a atividade
Atividades e Tarefas
Quando foi realizada a atividade
Calendarização
A quem foi dirigida a atividade
Beneficiários e Destinatários
Quem promoveu a atividade
Recursos Humanos
Com que materiais se promoveu a atividade
Recursos Materiais
XXVIII
Apêndices
9.
Grelha de Observação 1
XXIX
Apêndices
Grelha de Observação nº1
Projeto Ramalde Solidário
1.
2.
Prestar apoio aos cidadãos mais carenciados da Freguesia de Ramalde;
Promoção de voluntariado junto dos seniores para colaborarem na distribuição
de refeições;
Espaço Comunitário
1.
Distribuição de uma refeição quente todos os dias;
2.
Apoio dos cidadãos que usufruem da refeição.
O ano todo
Pessoas isoladas e carenciadas com especial incidência nos seniores e crianças.
1.
Coordenador do Projeto;
2.
3.
Voluntárias;
Coordenador do Voluntariado;
4.
Administrativa.
Os recursos materiais necessários ao desenvolvimento do voluntariado, pois os
outros não nos parecem ser importantes referir.
XXX
Apêndices
10.
Grelha de Observação - 2
XXXI
Apêndices
Grelha de Observação nº2
Colónia Balnear Intergeracional
1.
Partilhar experiências entre seniores e crianças num ambiente balnear;
Motivar um ambiente intergeracional
Praia do Molhe
1.
2.
Procurar um avô e uma avó;
Cada avó e cada avô ficam com a “responsabilidade” de cuidar de cada
criança;
3.
4.
Atividades aquáticas e desportivas com seniores e crianças;
5.
6.
Elaboração do Hino da Colónia;
Organização do programa da festa final;
Elaboração de trabalhos manuais para a troca de presentes entre todos.
22 de Junho a 2 de Agosto de 2011
Seniores e Crianças
1.
Coordenadora da Colónia Balnear;
2.
3.
Equipa de Monitores;
Professores de Educação física;
4.
5.
Professoras de Música;
6.
1.
2.
Voluntários;
Motoristas.
Material Desportivo (Bolas, Cordas, Arcos, entre outros);
Material de Bricolage (Linhas, Tshirts, Tirela, Canetas, entre outras)
3.
Material de escritório (canetas, papel, entre outros);
4.
Material de praia (baldes, Pás, entre outros)
5.
Material de dança (rádio, Cds entre outros)
XXXII
Apêndices
11.
Grelha de Observação - 3
XXXIII
Apêndices
Grelha de Observação nº3
Visitas Temáticas
1.
Promover o acesso de todos os seniores a cultura;
2.
Criar espaços e formas de conhecimento
Vários Locais Culturais da Cidade do Porto.
1. Programação de um conjunto de visitas a espaços diferentes;
2. Acompanhamento dos seniores aos locais;
3. Visita guiada em todos os espaços;
4. Reavivar memórias antigas relativas aos espaços visitados.
Durante o ano de 2011
Seniores
1.
Animadora Sociocultural;
2.
Assistente Administrativa;
3.
Voluntários.
1.
Guia do local visitado;
2.
Cartões identificativos.
XXXIV
Apêndices
12.
Grelha de Observação - 4
XXXV
Apêndices
Grelha de Observação nº4
Semana Europeia da Prevenção de Resíduos
1. Chamar a atenção da comunidade para a importância do desenvolvimento
sustentável da nossa cidade e do Planeta Terra;
2. Construir um presépio de papel;
3. Realizar Jogos de Sensibilização para a importância da reciclagem.
1.
Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde;
2.
1.
EB1/JI da Freguesia de Ramalde.
Acções de sensibilização para a importância da re-utilização de materiais;
2.
3.
Jogos alusivos ao tema;
Construção do presépio de papel.
21 a 26 de Novembro
1.
Seniores
2.
Crianças.
1. Técnicos da JFR;
2. Professores AEC da JFR;
3. Professores das Escolas da Freguesia de Ramalde;
4. Serviços da JFR.
1.
Material Passível de ser reciclado (papel de embrulho, Jornais, Revistas, entre
outros)
2.
Papel nas suas diversas formas (Papel Higiénico, Lenços de Papel, Papel de
Cozinha, Papel Crepe, Papel Crepão, Cartolinas, entre outros);
3.
Cola, Fita-cola, Agrafador, Furador, Arame.
XXXVI
Apêndices
13.
Grelha de Observação - 5
XXXVII
Apêndices
Grelha de Observação nº5
Carnaval – Preparação
1 - Construir os fatos de Carnaval;
2 - Criar coreografias.
1 - JFR;
2 - Centros de Dia/Convívio.
1 - Escolha do tema da festa de Carnaval;
2 - Elaborar máscaras para usar na festa de Carnaval;
3 - Contar histórias de Carnavais antigos.
Janeiro e Fevereiro de 2011
Seniores
1 - Gabinete Sociocultural
2 - Estagiárias do GSC;
3 - Voluntários.
1 - Tirela;
2 - Rádio;
3 - Tecidos;
4 - Máscaras;
5 - Cola, Fita-cola, Agrafador, Furador, Tesouras.
XXXVIII
Apêndices
14.
Grelha de Observação – 6
XXXIX
Apêndices
Grelha de Observação nº6
Carnaval (Comemoração)
1 - Regressar ao passado;
2 - Recordar os tempos de infância;
3 - Exercitar o corpo.
EB2/3 do Viso
1 - Desfile de Máscaras por centro;
2 - Baile de máscaras.
20 de Fevereiro de 2010
Seniores
1 - Gabinete Sociocultural
2 - Estagiárias do GSC;
3 - Voluntários;
4 - Músico.
1 – Material de som;
2- Material de Escritório;
3 – Confettis e Serpentinas.
XL
Apêndices
15.
Grelha de Observação - 7
XLI
Apêndices
Grelha de Observação nº7
Magustos
- Comemorar o Dia de S. Martinho nos Centros de Dia/Convívio de Ramalde;
- Programar uma atividade relativa ao dia.
Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde.
- Recriar a Lenda de S. Martinho para os mais novos;
- Peças de Teatro;
- Músicas,
- Entre outras.
8 a 11 de Novembro de 2011
Seniores dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia
Gabinete Sociocultural
O material utilizado em cada encontro dependeu das atividades realizadas em cada
um dos mesmos.
XLII
Apêndices
16.
Grelha de Observação - 13
XLIII
Apêndices
Grelha de Observação nº8
Coro Sénior
- Combater o isolamento, melhorar a qualidade de vida, reforçar os laços de
vizinhança e elevar os níveis auto-estima da população sénior autónoma;
- Catalisar a criação de laços com a música;
- Promover o interesse pela descoberta da música (ouvir, fazer, criar e saber);
- Incentivar a participação e organização dos seniores em actividades culturais e
de lazer;
Salão Nobre da JFR
Pretende-se promover o desenvolvimento de um reportório diversificado para que
os seniores possam actuar em diferentes espaços ou eventos.
- Música Tradicional Portuguesa;
- Fado;
- Música de Intervenção;
- entre outros.
Todas as segundas e quintas de 2011
Seniores
- Gabinete Sociocultural;
- Professoras de Música.
Piano, Teclado; Dossier com partituras do reportório; Instrumentos de
repercussão.
XLIV
Apêndices
17.
Grelha de Observação - 9
XLV
Apêndices
Grelha de Observação nº9
Universidade Sénior
- Partilhar, participar e promover a vida com valor acrescentado;
- Promover um envelhecimento ativo;
- Criar momentos de partilha entre os seniores e os professores;
- Proporcionar aos seniores de Ramalde o acesso ao conhecimento e
aprendizagem ao nível do ensino superior valorizando a componente intelectual e
aumentando a qualidade de vida.
Universidade Fernando Pessoa
- Tomar contacto e melhorar os seus conhecimentos em temas abrangentes nas
áreas da cultura geral, dos saberes, das artes, da saúde, das línguas e das novas
tecnologias.
- Inscrição em disciplinas do interesse dos seniores;
- Organização de palestras sobre diversos temas.
Terças, Quartas e Quintas de 2011
Seniores
Gabinete Sociocultural
Material de escritório entre outros
XLVI
Apêndices
18.
Grelha de Observação - 10
XLVII
Apêndices
Grelha de Observação nº10
Encontros Intergeracionais
- Promover o intercâmbio entre os alunos das escolas do 1º ciclo e os seniores dos
Centros de Dia/Convívio da nossa freguesia;
- Fomentar a troca de saberes e experiências entre ambas as gerações.
- Educar os mais novos para a cidadania e respeito pelos mais velhos;
- Desenvolver a troca de saberes, assente numa base social que permita às nossas
crianças e seniores aprendizagens diversas;
- Criar nos mais novos o respeito e gosto, pelo património social e pelas raízes da
nossa freguesia;
- Prevenir situações de solidão e abandono às quais os nossos seniores estão
sujeitos, criando condições para que os tempos livres sejam proveitosos.
- EB1/JI de Ramalde;
- Centros de Dia/Convívio de Ramalde.
- Agendamento de um dia para os seniores visitarem a escola das crianças, onde
as crianças são responsáveis por apresentar um programa aos seniores;
- Agendamento de um dia para as crianças visitarem o centro dos seniores, onde
as seniores são responsáveis por apresentar um programa as crianças;
- Promoção de dinâmicas de grupo entre crianças e seniores (teatro, música,
histórias de vida, entre outros).
23 de Fevereiro a 1 de Abril de 2011
- Crianças;
- Seniores.
Gabinete Sociocultural
O material utilizado em cada encontro dependeu das atividades realizadas em cada
encontro.
XLVIII
Apêndices
19.
Grelha de Observação - 11
XLIX
Apêndices
Grelha de Observação nº11
Encontros Intercentros
- Estimular a criatividade individual e coletiva, combatendo assim de uma forma
assertiva e positiva, as práticas rotineiras a que os nossos Seniores estão sujeitos numa
fase das suas vidas que tem quer ser valorizada, sobretudo do ponto de vista social.
- Criar momentos de partilha de experiências entre os seniores pertencentes a
diferentes centros de Dia/Convívio mas que fazem parte da mesma comunidade
(Ramalde).
Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde
- Pretendeu promover o convívio e a troca de experiências entre os seniores
frequentadores dos Centros de Dia/Convívio de Ramalde;
- Cada Centro foi responsável pela apresentação/organização do programa de
receção ao Centro visitante (Teatro, Músicas, Histórias de Vida).
- Revestem-se da maior importância para a nossa comunidade, dado que os
Seniores são a mais-valia de raiz social da nossa Freguesia.
Durante o ano de 2011
Seniores dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde
Gabinete Sociocultural
O material utilizado em cada encontro dependeu das atividades realizadas em cada
encontro.
L
Apêndices
20.
Grelha de Observação - 12
LI
Apêndices
Grelha de Observação nº12
Pedy-paper intergeracional
- Contactar com locais de importância paisagística e histórica da Freguesia;
- Envolver a comunidade.
Freguesia de Ramalde
- Criação de equipas Intergeracionais;
- Pedy-paper pela freguesia com atividades em cada um dos locais de passagem;
- Guião de perguntas acerca de cada local a ser visitado.
24 de Setembro de 2011
- Crianças;
- Jovens;
- Adultos;
- Seniores.
- Gabinete Sociocultural;
- Gabinete de Desporto;
- Gabinete de Apoio ao Executivo.
- Material de Escritório;
- Material de Desporto;
- Puzzles;
- Máquinas Fotográficas;
- Balões;
- Diplomas de participação.
LII
Apêndices
21.
Grelha de Observação - 13
LIII
Apêndices
Grelha de Observação nº13
Voluntariado
- Incutir nas crianças e nos seniores a aplicação da palavra solidariedade;
- Criar momentos de partilha intergeracionais.
Continente Bom Dia de Ramalde
- Campanha de recolha de alimentos;
- Trabalharem juntos num projeto de ajuda e apoio aos mais carenciados da
Freguesia.
5 e 6 de Abril de 2012
- Crianças;
- Seniores.
- Gabinete Sociocultural.
- Sacos de Plástico;
- Carros de compras;
- Documentação de divulgação;
- Máquina Fotográfica.
LIV
Apêndices
22.
Grelha de Observação - 14
LV
Apêndices
Grelha de Observação nº14
Exposição de Trabalhos dos Seniores
- Apresentar à comunidade o trabalho efetuado pelos seniores durante o ano;
- Permitir uma descentralização para melhor acesso à comunidade;
- Organizar visitas das escolas para conhecerem os trabalhos realizados pelos
seniores.
JI Ferreira de Castro
- Venda dos trabalhos;
- Exposição dos trabalhos.
12 a 16 de Dezembro de 2011
Seniores dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde
Gabinete Sociocultural
- Placas identificadoras;
- Material de escritório;
- Biombos;
- Mesas;
- Cadeiras.
LVI
Apêndices
23.
Grelha de Observação - 15
LVII
Apêndices
Grelha de Observação nº15
Sardinhada de S. João
- Comemorar o S. João (festa popular);
- Reavivar a memória dos jogos da mocidade.
JI Vasco da Gama
- Jogos Tradicionais;
- Almoço de acordo com a tradição;
- Baile
18 de Junho de 2011
Seniores
- Gabinete Sociocultural;
- Voluntários.
- Material de Som;
- Material de cozinha;
- Material de Desporto.
LVIII
Apêndices
24.
Grelha de Observação - 16
LIX
Apêndices
Grelha de Observação nº16
Dia Internacional dos Museus
- Alertar para a necessidade de conhecimento dos espaços culturais existentes na
Freguesia;
- Comemorar o Dia Internacional dos Museus.
Casa Museu da Fundação Engenheiro António de Almeida
Visita de estudo à Casa Museu da Fundação Engenheiro António de Almeida
18 de Maio de 2011
Seniores da UFP+
- Coordenador da UFP+;
- Gabinete Sociocultural.
- Não há material a registar nesta atividade.
LX
Apêndices
25. Grelha de Observação - 17
LXI
Apêndices
Grelha de Observação nº17
Dia do Sénior
- Comemorar o Dia do Sénior;
- Promover um programa de acordo com os interesses e gostos dos seniores.
- Auditório do Boavista Futebol Clube.
- Atuação do Coro da Universidade Contemporânea do Porto;
- Atuação do Coro Sénior da JFR;
- Atuação do Grupo de Fados de Coimbra.
1 de Outubro de 2011
Seniores
Gabinete Sociocultural
- Material de Som;
- Material de Luzes;
- Material de Escritório.
LXII
Download

Mestrado em Ciências da Educação