Mestrado em Ciências da Educação - Especialização em Animação Sociocultural - Animação Sociocultural com e para os Seniores Um estudo de caso na Junta de Freguesia de Ramalde Autor: Tânia Monteiro Moreira Rodrigues Orientador: Professor Doutor Marcelino de Sousa Lopes Dissertação de mestrado em Ciências da Educação – Especialização em Animação Sociocultural, com vista à obtenção de grau de mestre. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Escola de Ciências Humanas e Sociais - Pólo de Chaves – 2011 Este trabalho é dedicado ao meu Avô que tanta falta me faz!!! Que fez de mim o que sou hoje e que partiu sem ver este sonho cumprido! 2 À minha avó O meu muito obrigado por toda a educação que me transmitiu de valores e afetos que fazem com que hoje seja o que sou! À minha estrela maior Que não conseguimos juntos vingar neste Mundo…mas que viveu dentro de mim durante 6 meses e que viverá para sempre na minha memória. A meu pai e minha mãe Por nunca terem desistido de mim e por estarem sempre presentes. À minha família Que sempre me apoiou o meu muito obrigado. Ao meu marido Pela paciência, pelo amor, pelo afeto, pela dedicação…por tudo! À Cristina, À Kiki, À Helena, Ao Zé e Ao Ricardo Por serem os irmãos que eu nunca tive e por me apoiarem incondicionalmente! A todos os meus amigos Obrigado por me acompanharem em mais uma etapa da minha vida! 3 Ao Presidente da JFR, Dr. Manuel Maio, Por ter apostado em mim e por me ter dado as condições necessárias, para trabalhar neste âmbito. Ao Magnifico Reitor da UTAD, O meu muito obrigado pelo excelente mestrado que permitiu que eu me tornasse uma profissional a altura dos desafios diários. Ao Professor Doutor Marcelino de Sousa Lopes Por ter aceite ser meu orientador, por nunca ter baixado os braços, por acreditar em mim, por ter apostado em mim, por ser meu amigo…enfim…o meu muito obrigado! A todos os entrevistados Pela disponibilidade e amabilidade demonstrada em cooperar comigo. A todos os seniores Que já se cruzaram no meu caminho, a todos aqueles com quem trabalho atualmente, e os que ainda estão para vir o meu muito obrigado, por todos os momentos de partilha de experiências, conhecimentos e todos mas mesmos todos os momentos que todos os dias juntos partilhamos! 4 Lista de Abreviaturas AC – Antes de Cristo ASC – Animação Sociocultural EC – Estudo de Caso GABUR – Gabinete de Apoio aos Utentes GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem GMC – Gabinete de Mediação de Conflitos GSS – Gabinete de Serviço Social GSC – Gabinete Sociocultural INE – Instituto Nacional de Estatística JFR – Junta de Freguesia de Ramalde OMS – Organização Mundial de Saúde SIADAP – Sistema Integrado de Gestão e Avaliação de Desempenho na Administração Pública 5 Índice Geral Resumo ................................................................................................................. 13 Abstract ................................................................................................................ 15 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 16 Capítulo I - Metodologia..................................................................................... 24 1.1.Revisão Bibliográfica .................................................................................. 25 1.2.Enquadramento do Estudo........................................................................... 25 1.2.1.Pergunta de Partida ............................................................................... 25 1.2.2.Objetivos ............................................................................................... 26 1.3.Opções metodológicas ................................................................................. 27 1.3.1. Estudo de caso ..................................................................................... 27 1.3.2. Investigação Qualitativa ...................................................................... 29 1.3.3.Técnicas ................................................................................................ 30 1.4. Análise e discussão dos resultados ............................................................. 35 Capítulo II - Envelhecimento ............................................................................. 50 2.1. Envelhecimento .......................................................................................... 51 2.2. Envelhecimento Ativo ................................................................................ 59 2.3. Envelhecimento, Gerontologia e Geriatria ................................................. 63 6 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores .................. 70 3.1. O que é a Animação Sociocultural ............................................................. 71 3.1.1. Origem e Evolução .............................................................................. 71 3.1.2. Proposição e Aceções de Animação Sociocultural .............................. 75 3.1.3.Funções da Animação Sociocultural na Sociedade Atual .................... 80 3.1.4.Níveis de ASC ...................................................................................... 81 3.1.4.1Modelos de Iniciativa e de Financiamento de Projetos ...................... 82 3.1.5. ASC e perspetivas vindouras ............................................................... 83 3.2. Animação Sociocultural com e para os Seniores ....................................... 87 3.3.Perfil do Animador Sociocultural para os Seniores .................................... 94 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa .................................................................................................. 100 4.1. A ASC e a Educação Intergeracional ....................................................... 101 4.2.A ASC, a Educação Permanente e as Universidades Seniores ................. 107 4.3. A ASC, o Voluntariado, a Cidadania e a Participação ............................. 112 4.4. A ASC nas Autarquias ............................................................................. 118 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural para e com os Seniores ................................................................................................................... 125 5.1.Técnicas de Animação Turística para e com os Seniores.......................... 126 7 5.2. Técnicas de Animação Teatral para e com os seniores ............................ 129 5.3.Técnicas de Animação Musical para e com os seniores ........................... 135 5.3.1.Musicoterapia ..................................................................................... 138 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR ................... 140 6.1.Junta de Freguesia de Ramalde ................................................................. 141 6.1.1.Evolução histórica da Freguesia de Ramalde ..................................... 141 6.1.2. Caracterização da Junta de Freguesia de Ramalde ............................ 142 6.2. Práticas de Animação Sociocultural com e para os seniores na Junta de Freguesia de Ramalde ............................................................................................... 145 6.2.1.Projeto Ramalde Solidário .................................................................. 145 6.2.2.Colónia Balnear Intergeracional ......................................................... 145 6.2.3.Visitas Temáticas ................................................................................ 145 6.2.4.Semana Europeia da Prevenção de Resíduos ..................................... 146 6.2.5.Carnaval .............................................................................................. 146 6.2.6.Magustos ............................................................................................. 146 6.2.7.Coro Sénior ......................................................................................... 146 6.2.8.Universidade + Sénior ........................................................................ 147 6.2.9.Encontros Intergeracionais ................................................................. 147 6.2.10.Encontros Intercentros ...................................................................... 147 8 6.2.12.Voluntariado – Um contributo de Cidadania .................................... 148 6.2.13.Exposição de Trabalhos dos Seniores de Ramalde........................... 148 6.2.14.Sardinhada de S. João ....................................................................... 148 6.2.15.Dia Internacional dos Museus .......................................................... 149 6.2.16.Dia do Sénior .................................................................................... 149 6.3.Caraterização dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde .... 150 6.3.1.Centro de Dia do Exército de Salvação .............................................. 150 6.3.2.Centro Social do Grupo Desportivo e Cultural do Bairro de Santo Eugénio.................................................................................................................. 150 6.3.3.Centro de Convívio da Associação de Moradores da Zona de Francos ............................................................................................................................... 151 6.3.4.Centro de Convívio do Grupo Desportivo do Viso ............................ 151 6.3.5.Centro Social, Desportivo e Cultural do Bairro das Campinas .......... 151 6.3.6.Grupo Desportivo do Centro Social do Bairro de Francos ................. 152 6.3.7.Centro Social da Paróquia da Nossa Senhora da Boavista ................. 152 6.3.8.Centro de Dia Artur Brás .................................................................... 152 6.2.9. Lar do Calvário do Carvalhido .......................................................... 153 6.2.10. Lar das Irmãzinhas do Pinheiro Manso ........................................... 153 6.2.11. Centro de Dia e de Convívio do Santíssimo Sacramento ................ 153 9 Conclusão ........................................................................................................... 154 Bibliografia ........................................................................................................ 159 Apêndices ........................................................................................................... 168 10 Índice de Quadros Quadro 1 – Ramalde Solidário. ............................................................................. 36 Quadro 2 – Colónia Balnear Intergeracional ........................................................ 37 Quadro 3 - Visitas Temáticas. ............................................................................... 38 Quadro 4 – Semana Europeia da Prevenção de Resíduos ..................................... 39 Quadro 5 – Carnaval . ........................................................................................... 40 Quadro 6 – Magustos. ........................................................................................... 41 Quadro 7 – Coro Sénior. ....................................................................................... 42 Quadro 8 –Universidade Sénior. ........................................................................... 43 Quadro 9 – Encontros Intergeracionais. ................................................................ 43 Quadro 10 – Encontros Intercentros. .................................................................... 44 Quadro 11 – Peddy–paper intergeracional. ........................................................... 45 Quadro 12 – Voluntariado..................................................................................... 46 Quadro 13 – Exposição de Trabalhos dos Seniores. ............................................. 46 Quadro 14 –Sardinhada de S. João. ...................................................................... 47 Quadro 15 – Dia Internacional dos Museus .......................................................... 47 Quadro 16 – Dia do Sénior.................................................................................... 48 Quadro 17 – Marcos Concetuais de Animação Sociocultural .............................. 76 Quadro 18 – ASC para e com os Seniores. ........................................................... 92 Quadro 19 – Perfil do Animador Sociocultural para e com os seniores. .............. 98 Quadro 20- Animação Sociocultural e a Educação Intergeracional. .................. 105 Quadro 21- Animação Sociocultural, Participação, Voluntariado e Cidadania . 117 11 Quadro 22- Animação Turística para os Seniores............................................... 127 Quadro 23- Contributo da Animação Teatral nos Seniores ................................ 133 12 Resumo O presente trabalho tem como tema a Animação Sociocultural com e para os Seniores, tem como objeto de estudo as atividades realizadas na Junta de Freguesia de Ramalde, foi desenvolvido no âmbito do 2º Ciclo de Estudos, Ciências de Educação – Especialização em Animação Sociocultural da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro da Escola de Ciências Humanas e Sociais do Pólo de Chaves. Pretendeu-se com este estudo averiguar se as atividades de Animação Sociocultural promovidas pela Junta de Freguesia de Ramalde correspondem àquilo que a teoria nos revela deverem ser atividades de Animação Sociocultural para e com os seniores e desta forma explicamos e identificamos todas as atividades que são promovidas na JFR, bem como os locais (Centros de Dia/Convívio) onde as mesmas ocorrem. A metodologia utilizada neste presente estudo é o estudo de caso, e as técnicas utilizadas foram a entrevista, realizada a Professores Universitários e autores no âmbito da Animação Sociocultural e a observação participante a todas as actividades que são realizadas na JFR. Focamos a questão da Animação Sociocultural quer no seu cômputo geral quer no âmbito dos seniores, não descurando a importância que têm as questões ligadas ao envelhecimento, o que nós enquanto animadores pretendemos preconizar um envelhecimento ativo e por isso se torna importante explanar acerca das técnicas e recursos utilizados neste âmbito. Procuramos alicerçar os princípios norteadores da Animação Sociocultural com a gerontologia social e educativa no sentido de encontrar novos paradigmas ancorados numa pedagogia da vivência, convivência, experiência, participações que constituem o âmago da nossa investigação. É esta ação educadora que alia o ser com o saber, o saber com o saber fazer procurando sempre um aprender e um reaprender a viver juntos num quadro participativo marcado pelo compromisso da procura da autonomia e do auto desenvolvimento. 13 A nossa investigação é por isso reveladora da importância de uma Animação Sociocultural que valoriza a educação intergerações como um novo rumo civilizacional para o século XXI. Palavras-Chave: Seniores, Animação Sociocultural, Junta de Freguesia de Ramalde, Envelhecimento. 14 Abstract The present work has as its theme the Sociocultural Animation with and for Seniors, has as its object of study the activities at the JFR, was developed as part of the 2nd Cycle Studies, Science Education - Specialization in Sociocultural Animation University of Tras-os-Montes and Alto Douro School of Humanities and Social Pole of the Council of Chaves. The intention of this study was to ascertain whether the activities of Sociocultural Animation promoted by the JFR correspond to what the theory tells us should be Sociocultural Animation activities for and with seniors and thereby explain and identify all activities that are promoted in POR, as well as the locations (centers Day) where they occur. The methodology used in this study is the case study, and the techniques used were the interview, conducted at University Teachers and authors within the Sociocultural Animation and participant observation to all activities that are performed in the JFR. We focus on the issue of Sociocultural Animation either on your overall result either under the senior, not forgetting the importance they have issues related to aging, which we intend to advocate while encouraging active aging and so it becomes important to explain about the techniques and resources used in this context. We seek to underpin the guiding principles of Sociocultural Animation with social gerontology and education in order to find new paradigms grounded in a pedagogy of experience, familiarity, experience, interests that constitute the core of our research. Is this action educator who combines being with knowledge, knowledge with knowledge always looking to learn and relearn how to live together in a participatory framework marked by compromise demand of autonomy and self - development. Our research is therefore indicative of the importance of Sociocultural Animation intergenerational that values education as a new direction for the twenty-first century civilization. Keywords: Seniors, Sociocultural Animation, Junta de Freguesia de Ramalde, Aging 15 Introdução INTRODUÇÃO O presente estudo insere-se numa análise à problemática da terceira Idade na Freguesia de Ramalde e tem como propósito aferir em que medida as estruturas sociais, culturais e educativas respondem às necessidades desta faixa etária. O mote deste trabalho surge com o ditado popular “Velhos são os trapos” Expressão popular que já todos ouvimos e que nos deve fazer repensar o papel dos nossos “velhos” na sociedade. O termo velho normalmente tem um sentido pejorativo bastante grande…todas as pessoas lhe associam uma conotação errada, mas o termo velho no Brasil, por exemplo, é utilizado como sinal de reconhecimento e carinho. Antigamente os “velhos” eram considerados anciãos e fontes de toda a sabedoria e experiências enriquecedoras…hoje em dia o velho é visto como um trapo na verdadeira aceção da palavra, por isso se torna relevante estudar esta faixa etária, bem como criar políticas de inserção e envolvimento e aí a Animação Sociocultural assume um papel bastante importante. Importa referir que a denominação que vamos utilizar preferencialmente neste trabalho para nos referirmos aos Idosos, Velhos, Terceira Idade… é Seniores, porque entendemos que não possui qualquer carga negativa e enaltece a condição e dignifica esta faixa etária. Consideramos que a Animação Sociocultural não pretende dar mais anos à vida mas sim mais vida aos anos desta população sénior. Atendendo a esse desiderato a presente investigação procura a partir da análise empírica e a fundamentação teórica estabelecer as pontes para uma vida vivida com sentido, isto é, uma vivência na convivência. Atendendo a que ninguém convive sozinho, já que o ato de conviver, é viver com, procuramos no terreno fértil da Animação Sociocultural a noção de uma estratégia marcada pelo interagir nas dimensões do social, cultural e educativo. Introdução Os seniores devem ter voz, e devendo ser eles a consciencializar-se de que são o próprio objeto e início da mudança e por isso corroboramos da opinião dos autores quando afirmam que, “ A sociedade evoluiu do paradigma assistencialista (idoso sem poder, vergado aos desígnios técnicos), para um modelo promotor de autonomia (“dar voz” às pessoas idosas), no qual as pessoas mais velhas são o objecto impulsionador da sua própria intervenção.” Portugal e Azevedo (2011, p.228) Portugal assiste hoje, cada vez mais, a um envelhecimento progressivo da sua população com a taxa de natalidade cada vez mais baixa e a esperança média de vida cada vez mais alta e, por isso, partilhamos da ideia de Requejo (1997 e 1998, p. 251) que um dos aspetos mais importantes dos últimos tempos é o, “envelhecimento da população. Uma realidade biológica que tem como elementos confluentes a queda da fecundidade e, sobretudo, o aumento da esperança de vida.” Hoje, Portugal tem uma taxa de natalidade de 9.80%, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (2009) e uma esperança média de vida cada vez mais alta (à nascença é de 78.7 anos de acordo com a mesma fonte). Tendo em consideração Simões (2006, p.17), “(...) de algumas décadas a esta parte, registaram-se nos países desenvolvidos, drásticas modificações na estrutura da população”. Aumentou, por um lado, a esperança de vida à nascença e diminuiu, por outro, a taxa de natalidade. Podemos constatar estas questões, segundo alguns autores, Em Portugal, segundo Oliveira (2010, p.16), “ (…) em 1960 a população de idosos (com 65 e mais anos) representava cerca de 8% (destes 33% tinham 75 ou mais anos); em 1975 andava à volta dos 12%; em 2000, segundo o último censo, a percentagem de idosos era de 16,4% (16% até aos 14 anos; 14,3 entre os 15-24). Em 2004, segundo o INE, o número de idosos era de 1.790.500. actualmente, a população de idosos portugueses já ultrapassa a dos jovens (com menos de 15 anos). Por volta de 2025 os idosos poderão atingir 20% da população (enquanto os jovens andarão pelos 16%) e em 2050 serão cerca de 30%.” 17 Introdução Também o autor Jacob (2007, p.15) faz uma referência à questão do envelhecimento da população portuguesa, “ Em 1960, a população portuguesa com menos de 15 anos representava 28.8% por cento da população total e os idosos representavam 8.1 por cento dessa população. Em 2004, o panorama alterou-se completamente e os idosos representavam 15.2 por cento da população e o grupo dos menores de quinze anos 16.8 por cento. Se acrescentarmos a esta perspectiva os cálculos do Eurostat para Portugal, o cenário ainda é mais impressionante. Segundo estas previsões, em 2020 a percentagem de idosos será de 20.6 e a de jovens 12.6. “ Para Requejo (2007, p.11), as transformações ao nível demográfico são um dos fenómenos sociais mais importante dos últimos anos, “ Uma das transformações sociais mais importantes que ocorreram nos últimos cinquenta anos está relacionada com o aumento demográfico das pessoas de idade. Assistimos, portanto, ao fenómeno crescente e novo do envelhecimento da população em todas as sociedades economicamente desenvolvidas.” O envelhecimento da população é uma constante em todos os países e deve ser tido em consideração pois acaba por se revelar transversal a todos os níveis como nos refere a autora, Squire (2005, p.4), “A população da Grã-Bretanha e da maior parte dos outros países está a envelhecer e, apesar desta tendência ter sido ignorada durante dois séculos, é agora olhada como um dos maiores desafios políticos e económicos do futuro.” Verificamos então que cada vez mais as sociedades mundiais terão presentes, cidadãos em idade sénior e daí advém a importância de se perceber o porquê deste fenómeno, e desta forma o aumento de pessoas situadas nesta faixa etária advém de vários motivos segundo Requejo (2007, p.11) como sendo, “ Em primeiro lugar, o aumento da esperança de vida para além dos 70 anos (…). (…) Em segundo lugar, a diminuição abrupta da fecundidade nos últimos anos tornou mais visível o aumento de idosos constatado nas “pirâmides etárias”. Requejo (2007, p.11) refere, relativamente às transformações sociais e demográficas, o seguinte, “ Este acontecimento converteu os chamados “idosos” num grupo social que atrai o interesse individual e colectivo de forma crescente, devido às suas implicações a nível familiar, social, económico, politico, etc.” 18 Introdução Devido a este envelhecimento da população que tem sido manifestado na população mundial, é importante conforme nos refere Jacob (2007, p.15), o aumento de populações seniores é excelente e é um grande “êxito da Humanidade”, acaba também por se tornar um desafio, na medida em que todos temos que estar preparados a todos os níveis, “Perante o envelhecimento progressivo da população, a sociedade civil e o Estado têm vindo a organizar-se e a criar condições para acolher um número crescente de idosos (…) O envelhecimento da população é um dos maiores êxitos da humanidade, porém é também um dos seus maiores desafios, devido às suas consequências sociais, económicas e políticas. “ Tendo em conta este paradigma torna-se urgente aprofundar e criar políticas de intervenção junto da Terceira Idade para que esta não seja tida como o fim de vida, mas sim como uma nova etapa do ciclo de vida. Esta perspetiva remete-nos para a importância das atividades de Animação Sociocultural como processo continuado e não como mera mostra de produtos/atividades que se esgotam no momento da apresentação. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, entende-se que é cada vez mais um imperativo social, moral e cívico proporcionar uma vida condigna e equilibrada independentemente da sua condição social, intelectual, profissional, económica e sobretudo etária, torna-se importante fundamentar e referir que a Animação Sociocultural surge como uma resposta social importante e necessária para que a “velhice” não seja entendida como um mal menor e como algo que é inato. Requejo (1997 e 1998, p.255) chama atenção para o fato da ASC ter na sua essência a capacidade de colocar as pessoas como atores principais na sua vida. “Uma das funções chave da animação sociocultural consiste no facto de as pessoas e os colectivos se transformarem em agentes e protagonistas do seu próprio desenvolvimento. O que particularmente interessa nos processos de animação é gerar processos de participação, criando espaços para a comunicação dos grupos e das pessoas, tendo em vista estimular os diferentes colectivos a empreenderem processos de desenvolvimento social (resposta às suas necessidades num espaço, tempo, situações determinadas…) e cultural (construindo a sua própria identidade colectiva, criando e participando nos diferentes projectos e actividades culturais).” 19 Introdução A Animação Sociocultural apresenta-se como o grande motor capaz de proporcionar mecanismos de combate à exclusão e isolamento desta faixa etária, permitindo a sua inserção social, bem como criar a expectativa real de que a sociedade e a comunidade reconhecem, tal como antigamente, que esta faixa etária é uma fonte de saberes e experiências enriquecedoras que devem ser trocadas sobretudo com os mais novos. Tendo em conta o trabalho que pretendemos realizar e o nosso objeto de estudo, torna-se necessário delimitar a ASC no âmbito da Terceira Idade, e como qualquer âmbito, também este é detentor de características fundamentais e que é necessário ter em conta, “No caso concreto da terceira idade, encontramo-nos perante um colectivo que tem características muito específicas: idade, aposentação e que, portanto, está liberto de um trabalho determinado de forma sistemática; diferentes situações de convivência (em casal, viuvez, solidão); situações de saúde geral e condições físicas muito diferentes; contexto residencial de acordo com situações particulares (em habitação própria, com familiares, em instituições especificas: lares de terceira idade, centros de dia…); uma maior disponibilidade dos tempos livres, etc.” Requejo (1997 e 1998, p. 256) Percebemos desta forma que a ASC, na sua essência e no âmbito dos seniores, pretende criar espaços de participação e de integração dos mesmos na sua comunidade e fomenta uma cidadania ativa e promotora de desenvolvimento de tarefas coletivas, “La aparición de la Animación Sociocultural en el campo de las personas mayores surge en respuesta a una ausencia o diminución de su actividad y de sus relaciones sociales. Para calmar esse vacío, la Animación Sociocultural trata de favorecer la emergência de una vida centrada alrededor del individuo o del grupo. La Animación concibe la idea de progreso de las personas mayores a través de su integración y participación voluntaria en tareas colectivas en las que la cultura juega un papel estimulante. Elizasu (2001, p.13) Urge, então, desmistificar o conceito de terceira idade, assim como protagonizar um envelhecimento ativo e digno a todos aqueles que entram nesta nova etapa da vida. 20 Introdução Este é o objetivo do Gabinete Sociocultural da Junta de Freguesia de Ramalde que trabalha para e com os seniores durante todo o ano e promove inúmeras atividades para que os seniores se sintam úteis, motivados e inseridos no meio a que pertencem. A participação em atividades promovidas pela Junta de Freguesia de Ramalde é uma participação voluntária, mas cabe ao poder politico motivar a participação de todos principalmente com os seniores isolados e sem qualquer tipo de retaguarda familiar para que os mesmos se sintam úteis e necessários à sociedade. No I Capítulo – Metodologia, encontra-se definido e explanado tudo o que se refere a esta temática, ou seja, o método utilizado, a escolha do tema, os objetivos de estudo bem como as técnicas utilizadas. No II Capítulo – Envelhecimento, optamos por delinear um pouco o que se entende por envelhecimento e também sobre o processo de envelhecimento ativo. No III Capítulo – ASC com e para os Seniores; numa 1ª fase fazemos alusão a Animação Sociocultural, a sua origem e evolução, as funções da mesma na sociedade atual e, como o próprio nome do capítulo indica, abordamos a temática da Animação Sociocultural no âmbito da Terceira Idade. Por último fazemos uma análise das características que deve ter um animador sociocultural neste âmbito. No IV Capítulo – ASC nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa, sendo neste capítulo abordado o que se refere à Educação Intergeracional e a sua importância, como é que a Participação, Cidadania e Voluntariado se interligam, a Educação Permanente tão relevante no âmbito desta idade e uma vez que o nosso estudo empírico foi realizado numa autarquia pareceu-nos pertinente fazer um périplo e perceber como foi e é a ASC nas Autarquias. No V Capítulo – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural para e com os Seniores, pretendemos explanar em que âmbito a Animação Turística, Animação Teatral e Animação Musical, são importantes na prática da ASC com e para seniores. No VI Capítulo – Práticas da ASC com e para os Seniores na JFR, onde se inicia por fazer uma pequena abordagem à evolução histórica da Freguesia e da Junta de Freguesia de Ramalde, bem como a uma breve caracterização da mesma. São também 21 Introdução enumeradas e explicitadas as práticas de ASC na JFR para e com os seniores e por último identificam-se os Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde e suas características. O mote para este estudo está lançado e, como afirmam Berger e Mailloux-Poirier (1995, p.123) “O principal inimigo do ser humano que envelhece é o próprio, e a única vitória importante é a vitória sobre si próprio.” Em termos finais referimos que o caminho traçado para a elaboração deste trabalho cientifico é um caminho marcado pelo desassossego pois lamentavelmente não tem existido na sociedade Portuguesa a atenção devida a estes seres humanos, por isso, sem pretendemos dar respostas definitivas, é nosso desejo contribuir para que estes “Maiores”, Idosos, Anciãos...sejam os grandes Mestres de um Saber feito através da vivência e da convivência. 22 “O Século XXI é o Tempo da Terceira Idade, um tempo que pretendíamos que fosse de valorização da Terceira Idade e não de encurralamento da Terceira Idade, contudo os sinais fornecidos nesta primeira década não nos tranquilizam.” Lopes (2009, p.223) Capítulo I - Metodologia Capítulo I - Metodologia Capítulo I - Metodologia “Se pudéssemos primeiro saber onde estamos e para onde nos dirigimos, podíamos avaliar melhor o que fazer e como fazê-lo.” Abraham Lincoln 1.1.Revisão Bibliográfica Antes de partirmos para este trabalho científico foi importante fazermos uma revisão bibliográfica acerca do tema que pretendíamos estudar. Desta forma optámos por reunir um conjunto de obras e comunicações que nos permitissem estudar e aprofundar os conceitos no que se refere à Animação Sociocultural – ASC de uma forma geral e global e a mesma no âmbito da Terceira Idade, ou na nomenclatura por nós utilizada, no âmbito dos seniores, conforme nos referem os autores AA.VV. (1997, p.32) “Fala-se de pesquisa bibliográfica quando se trata de descobrir textos (livros, artigos, documentos) sem omitir uma referência essencial, mas sem se deixar submergir pelo que não tem interesse.” Pareceu-nos verdadeiramente importante fazer uma abordagem a determinados temas dentro deste âmbito ressaltando os mais importantes e os que se relacionam com o estudo que realizámos na Junta de Freguesia de Ramalde. 1.2.Enquadramento do Estudo 1.2.1.Pergunta de Partida No que se refere à pergunta de partida, devemos ter em consideração aquilo que nos refere Quivy e Campendehout (1992) a pergunta de partida deve ser clara, precisa, unívoca e concisa. Deve ser exequível no sentido da investigação e adequada com a investigação que pretendemos levar a cabo. 25 Capítulo I - Metodologia A mesma deve ser coerente e corresponder objetivamente aquilo que pretendemos com o estudo que levamos a cabo, “Consiste em procurar enunciar o projeto de investigação na forma de uma pergunta de partida, através da qual o investigador tenta exprimir o mais exactamente possível o que procura saber, elucidar, compreender melhor.” Quivy e Campendehout (1992, p.32) Obviamente que a pergunta de partida, segundo o mesmo autor, só faz sentido se a mesma representar aquilo que pretendemos estudar e se estiver “corretamente formulada”, desta forma formulamos a seguinte pergunta de partida para o nosso estudo: Qual a Importância da Animação Sociocultural na intervenção junto dos Seniores da Freguesia de Ramalde? 1.2.2.Objetivos No que se refere aos objetivos, e segundo Fortin (1999, p.100), “O objetivo de um estudo indica o porquê da investigação. É um enunciado declarativo que precisa a orientação da investigação segundo o nível dos conhecimentos estabelecidos no domínio em questão.” Tendo estas questões presentes, definimos os seguintes objetivos, - Perceber em que medida as atividades promovidas pela JFR para os seniores vão de encontro com as suas expectativas; - Aferir da envolvência da comunidade sénior de Ramalde em atividades promovidas pela JFR; - Refletir da importância das atividades realizadas no contexto da educação não formal e informal; - Analisar os níveis de participação da população sénior em atividades intergeracionais; - Confrontar a bibliografia consultada com as entrevistas a 6 Professores e Trabalhadores na área da ASC; 26 Capítulo I - Metodologia - Perspetivar soluções no que se refere às atividades promovidas pela JFR. Após a formulação dos objectivos partimos para as opções metodológicas que enquanto investigadores recorremos. 1.3.Opções metodológicas Partimos da premissa de López Yepes, citado por Lopes (2008, p.82) “ O Investigador é um explorador que caminha seguindo o rastro, as pegadas, os vestígios de outros como ele. Quando termina de segui-los, inicia a partir do novo ponto de partida um percurso rumo a verdade procurada com obsessão, a que implica atravessar bosques, caminhar debaixo de cascatas poderosas, cruzar rios indómitos e afrontar outros perigos, o maior de todos o desânimo. Mas quando chegue a meta, quando descobre aquilo que procurava, saboreará de tal modo o êxito que vai querer repeti-lo e …provavelmente consagrará toda a sua vida à aventura da investigação científica.” 1.3.1. Estudo de caso O Estudo de caso - EC é uma forma de investigação que não é feita em nenhum ambiente artificial ou condicionado por algum motivo ou de alguma forma. Podemos afirmar que o estudo de caso é a metodologia que mais se coaduna como o tipo de estudo que pretendemos realizar uma vez que pretendemos avaliar a realidade tal e qual como ela nos é apresentada no dia-a-dia e que aconteça de uma forma natural e não controlada. Nunca esquecendo também que o investigador está intimamente ligado e implicado no estudo aprofundado de casos particulares. Gil (1999). Tendo em conta que, “ O método de Estudo de Caso (EC) começa a usar-se com mais frequência nas Ciências Humanas e Sociais enquanto procedimento de análise da realidade. No entanto, convém referir que o predomínio dos métodos de carácter quantitativo, no nosso contexto social, não tem proporcionado o 27 Capítulo I - Metodologia desenvolvimento de metodologias de carácter qualitativo que surgem com grande predomínio no momento actual. Uma dessas metodologias tem sido o Estudo de Caso.” Perez (2011, p.102) E que como afirma Ander-Egg (2003, p.313), “En las ciencias sociales, el estúdio de caso consiste en un tratamiento global/holístico de un problema, contenido, proceso o fenómeno, en el que se centra todo el foco de atención investigativa, ya se trate de un individuo, grupo, organización, institución e pequeña comunidad.” Desta forma, a metodologia por nós escolhida, uma vez que fizemos esta investigação na Junta de Freguesia de Ramalde, ou seja, uma instituição bem definida, foi o estudo de caso, pois pareceu-nos o mais adequado tendo em conta os objetivos a que nos propusemos com este trabalho, bem como o tempo que tínhamos disponível para o fazer, “ (…) é especialmente indicado para investigadores isolados, dado que proporciona uma oportunidade para estudar, de uma forma mais ou menos aprofundada, um determinado aspecto de um problema em pouco tempo – embora alguns estudos sejam desenvolvidos durante um período longo (…).” Bell, J. (2008, p.23) Deve-se ter em consideração os seguintes passos básicos (Ander-Egg (2003, p. 318-319) ao usar o estudo de caso como metodologia, “Una observación participante (lo que Mary Richmond sugería hacer con lo que denominaba “relacionarse con la gente”). Esto se puede realizar de diferentes maneras y circunstancias como, por ejemplo, participando en alguna actividad en donde el sujeto motivo de estudio interviene normalmente, así como también uniéndose en juegos y celebraciones en donde éste participe. No son relaciones conversacionales, sino observaciones/percepciones no mediatizadas por palabras. Entrevistas que permiten recopilar información de manera más sistemática; sugerimos la entrevista focalizada, en la versión más simplificada, que explicamos en otra parte del libro. 28 Capítulo I - Metodologia Conversaciones sobre temas de interés del hombre o mujer, cuyo caso es motivo de estudio. En esto el investigador debe tener una estrategia: comenzar por cuestiones superficiales que no comprometen en nada al sujeto; por ejemplo, cosas triviales (…). Sólo después de haber creado un ambiente cordial de intercambio, se entrará en temas de fondo, más comprometidos y, en algunos casos, conflictivos (…) En el uso de cualquiera de estos tres procedimientos, en lo que hay que tener verdadera preocupación es en captar lo que se oye e se ve. Por otro lado, aunque se tomen notas más o menos telegráficas, al final de la jornada hay que desarrollar lo registrado lo más ampliamente posible y con la mayor fidelidad factible.” Percebemos então que quando se utiliza o EC como metodologia, devemos dar grande importância a tudo o que vemos pois poderá trazer-nos aspetos importantes para a investigação e podem complementar as entrevistas e conversas formais ou informais. No que se refere à observação note-se que apesar de, enquanto investigadores, observarmos uma atividade devemos estar sempre atentos e tomar nota de tudo o que é dito durante o decorrer da mesma e no final do dia fazermos uma compilação de tudo o que escrevemos. O EC, trata-se muito mais que uma história ou descrição de um acontecimento ou circunstância, “É uma investigação que se assume como particularística, isto é, que se debruça deliberadamente sobre uma situação específica que se supõe ser única ou especial, pelo menos em certos aspectos, procurando descobrir a que há nela de mais essencial e característico e, desse modo, contribuir para a compreensão global de um certo fenómeno de interesse.” Ponte, J. (2006, p.2) 1.3.2. Investigação Qualitativa Tendo em conta a investigação qualitativa que levamos a efeito, bem como os objetivos a que nos propusemos no inicio do nosso estudo e após a revisão bibliográfica 29 Capítulo I - Metodologia que levamos a cabo, foram a entrevista e a observação, uma vez que como afirma Lopes (2008, p.85), “No âmbito da investigação qualitativa, a entrevista possui laços evidentes com outras formas de recolha de dados, nomeadamente, com a observação.” A observação participante assume-se também como uma técnica de investigação qualitativa e como nos dizem os autores Hérbert e Boutin e Goyette (1990, p.155) “A observação participante é portanto uma técnica de investigação qualitativa adequada ao investigador que deseja compreender um meio social que, à partida, lhe é estranho ou exterior e que lhe vai permitir integrar-se progressivamente nas actividades das pessoas que nele vivem.” 1.3.3.Técnicas 1.3.3.1. Entrevista Esta técnica, comummente utilizado nas ciências sociais e na investigação social, pode assumir diversas formas e pode ou não ser alvo de vantagens e desvantagens no que se refere à sua utilização. Cabe a cada investigador optar pelo tipo de entrevista que mais favorecerá a sua investigação. Nós optamos, enquanto investigadores, e uma vez que os entrevistados se encontravam em espaços físicos bastante distantes uns dos outros, enviar o guião de entrevista por correio eletrónico e as respostas foram-nos reencaminhadas pela mesma via, ou seja, o nosso guião de entrevista estava perfeitamente estruturado com perguntas devidamente delineadas e com uma ordem definida para que possa corresponder ao nosso estudo teórico, pois segundo Lopes (2008), existem principalmente três tipos de entrevistas, a estruturada, a semi-estruturada e a não estruturada, todas elas com diferenças que devem ser salientadas e que são importantes como já atrás referimos para 30 Capítulo I - Metodologia que o investigador possa perceber qual a que mais se coaduna com o seu estudo, bem como com as pessoas que necessita de entrevistar (em termos de local, disponibilidade entre outras questões que podem também condicionar a escolha do tipo de entrevista), “Na estruturada é colocada a mesma série de perguntas, segundo uma ordem sequencial definitiva, é também, vulgarmente, designada como estandardizada e directiva; a não estruturada apresenta um carácter livre, aberto e informal; não possui um carácter estruturado, não apresenta a mesma sequência ordenada de perguntas, permitindo que o diálogo se processe livremente com vista à obtenção do maior número possível de informações; na semi/estruturada, utiliza-se o mesmo conjunto de possíveis perguntas todos os inquiridos, mas não necessariamente segundo a mesma ordem, uma vez que as perguntas devem ser colocadas de modo fléxivel, adaptável ao ritmo dos entrevistados.” Lopes (2008, p.87) Devido: 1- Ao curto espaço de tempo que tínhamos disponível para a realização do estudo e dos objetivos que delineamos para as entrevistas, optamos pela entrevista estruturada, uma vez que: “Quanto mais padronizada for a entrevista, mais fácil será agregar e quantificar os resultados.” Bell (2008, p.139) 2- Ao que pretendíamos estudar, optámos pelas entrevistas realizadas a 6 professores universitários e experientes na área da Animação Sociocultural, por forma a contrapor com a bibliografia consultada e que as mesmas nos trouxessem novas informações e visões da problemática da ASC no âmbito dos seniores; 3- A avaliação que os técnicos, seniores e políticos responsáveis pelas atividades (Presidente e vogal) fazem de cada uma das atividades, em que os seniores emitem opinião acerca do que gostaram mais, do que gostaram menos e se pretendem que a mesma continue a figurar no plano anual de atividades, todas essas conversas informais estão na nossa posse e por isso constarão do nosso estudo de caso. Por isso, não nos pareceu para este estudo ser importante a realização de entrevistas aos seniores que participam nas atividades promovidas pela Junta de Freguesia de Ramalde, uma vez que 31 Capítulo I - Metodologia sempre que existe uma iniciativa é feita uma avaliação. O que pretendíamos fundamentalmente era saber a opinião dos entrevistados acerca de cada um dos temas que nos interessava estudar e poder contrapor com os dados das grelhas de observação que construímos. 1.3.3.2. Observação Quanto à observação e tendo em conta que como afirma Gil (1999, p.19) “Pela observação o ser humano adquire grande quantidade de conhecimentos” e uma vez que o observador se encontra integrado, optamos por uma observação participante em que, “é o próprio investigador o instrumento principal de observação (….)” Hérbert e Goyette e Boutin (1990, p.155). No presente trabalho, enquanto observador vamos integrar-nos no grupo e construir uma grelha de observação para ser possível registar tudo o que é necessário e importante para levar a efeito a investigação. Ao construirmos as grelhas de observação baseamo-nos na forma de planificar e programar atividades que Ander-Egg (2000) apresenta e que faz sentido figurarem nas mesmas, para que seja possível entender o que na realidade se pretende ao recorrer à observação participante e consequentemente ao registo em grelhas de observação, - “Quê se quiere hacer, naturaleza del proyecto”, ou seja, o que queremos ou pretendemos fazer, na grelha de observação figura no início, como sendo o título da atividade que foi promovida; - “Por Quê se quiere hacer, origen y fundamentación”, isto quer dizer, qual o motivo pelo qual se pretende promover determinada atividade, todas as atividades promovidas pela Junta de Freguesia de Ramalde, são realizadas devido à já referida avaliação que acontece após a sua realização. Não figura na nossa grelha de observação na medida em que é universal para todas as atividades; 32 Capítulo I - Metodologia - “Para Quê se quiere hacer, objetivos, propósitos”, “Cuánto se quiere hacer, metas”, estas duas questões acabam por se associar uma à outra, uma vez que os objetivos se cruzam com as metas que pretendemos atingir e em todas as atividades que se promove deverem ser elaborados objetivos ou pelo menos deve existir um propósito para que a mesma exista; - “Dónde se quiere hacer, Localización física”, quando se programa uma atividade a mesma deve especificar em que espaço se pretende levar a cabo a mesma, na medida que as especificidades físicas podem ou não condicionar a realização da mesma e assim sendo, também nos pareceu importante que esta informação figurasse na grelha de observação; - “Cómo se va a hacer, Actividades e Tareas”, ou seja, como pretendemos levar a cabo a nossa atividade e o que vamos na realidade fazer no âmbito da mesma para que seja possível atingir os objetivos anteriormente delineados; - “Cuándo de va a hacer, calendarización o cronograma”, este item prende-se com a questão de se identificar quando é que será realizada a atividade; deverá sempre a mesma ser calendarizada no tempo; - “A Quiénes va dirigido, destinatarios o beneficiários” , a quem é dirigida ou quem vai beneficiar da atividade que programamos, nas grelhas de observação que construímos e tendo em conta os objetivos a que nos propusemos no inicio do nosso estudo empírico. Esta informação figura, na medida em que as mesmas devem ser realizadas para o público a que se propõe no momento da sua preparação; - “Quiénes o van a hacer, Recursos Humanos”, quem é que vai levar a cabo a atividade proposta, ou seja, quais e que tipo de 33 Capítulo I - Metodologia recursos humanos são necessários para que a mesma possa ser realizada. Identificamos nas grelhas de observação elaboradas quais os recursos humanos que participaram em cada uma. - “Com Qué se va a hacer, recursos materiales e se va a costear, recursos financieros”, identificação dos recursos materiais necessários bem como o orçamento para cada atividade. Os recursos materiais estão devidamente identificados nas grelhas de observação, quanto aos custos/recursos financeiros, uma vez que o estudo empírico foi realizado na Junta de Freguesia de Ramalde, entidade pública não nos devemos deixar imiscuir nas questões financeiras e dessa forma pensamos que seria desnecessário abordar esta questão até mesmo porque não representa uma questão principal no que se refere à observação e aos objetivos a que nos propomos. No que se refere à observação, devemos ter em consideração que quando falamos de uma observação participante, a mesma ocorre estando o investigador integrado no grupo e onde o mesmo regista todos os dados que recolhe. “(…) observação participante activa (…) significa que o observador está envolvido nos acontecimentos e que os regista após eles terem tido lugar. Este tipo de observação participante permite ao observador apreender a perspectiva interna e registar os acontecimentos tal como eles são percepcionados por um participante” Hérbert e Goyette e Boutin (1990, p.156) Podemos complementar com os dados da observação, toda a informação recolhida com as entrevistas realizadas. “ (…) a observação pode constituir, em certos casos, um método complementar de colheita de dados”. Fortin (1999, p.242) Corroboramos da opinião de Hérbert e Goyette e Boutin (1990:155), quando afirmam que é muito mais fácil para quem pretende investigar estar “por dentro” da 34 Capítulo I - Metodologia investigação pois encontra-se na mesma condição daqueles que estão a ser observados, vivencia tudo conforme os atores que estão na condição de observados, “(…) o investigador pode compreender o mundo social do seu interior, pois partilha a condição humana dos indivíduos que observa. Ele é um actor social e o seu espírito pode aceder às perspectivas de outros seres humanos, ao viver as «mesmas» situações e os «mesmos» problemas que eles. Assim, a participação ou, seja, a interacção observador-observado está ao serviço da observação; ela tem por objectivo recolher os dados (sobre acções, opiniões ou perspectivas) aos quais um observador exterior não teria acesso.” E assim sendo, segundo, Gil (1999, p.113) “ (…) definir observação participante como a técnica pela qual se chega ao conhecimento da vida de um grupo a partir do interior dele mesmo”. Para o mesmo autor a observação participante pode assumir duas formas distintas: “ (a) natural, quando o observador pertence à mesma comunidade ou grupo que investiga; (b) artificial, quando o observador se integra ao grupo com o objectivo de realizar uma investigação”. Neste caso concreto podemos então reconhecer que o nosso trabalho enquanto observadores é natural, uma vez que trabalhamos diariamente com o publico que vamos agora observar e sentimo-nos como estando integrados na mesma comunidade que os seniores. 1.4. Análise e discussão dos resultados Faz sentido fazer uma análise e discussão de resultados, pois como nos refere Fortin (1999, p.330), “Os resultados provêm dos factos observados no decurso da colheita dos dados; estes factos são analisados e apresentados de maneira a fornecer uma ligação lógica com o problema de investigação proposto.” 35 Capítulo I - Metodologia Tendo em conta as grelhas de observação que se encontram em anexo, parece-nos pertinente fazer uma análise e discussão dos resultados das mesmas, complementando também com os dados que possuímos relativos a outras questões que também nos parecem fundamentais. Assim sendo faremos uma análise cuidada e criteriosa de cada uma das grelhas de observação/atividades e um quadro síntese com as questões mais importantes representadas em cada uma das mesmas. Na grelha de observação nº1 que corresponde ao Projeto Ramalde Solidário, podemos verificar que a atividade representa tudo aquilo que está nos antípodas da Animação Sociocultural, pois representa o assistencialismo na sua essência, contudo parece-nos que esta atividade se torna de enorme interesse pois os seniores devem estar envolvidos em projetos de voluntariado e de cariz social, para que os mesmos se sintam cidadãos úteis à sociedade e com valor e saberem valorizar as palavras solidariedade, apoio, entre ajuda, partilha, entre outras. Ramalde Solidário - Assistencialismo; - Apoio; - Entre ajuda; - Voluntariado; - Chamar atenção para a importância de se ser solidário para com o próximo. - O Universo de participação nesta iniciativa é de 2 voluntárias que estão sempre no Centro Comunitário todos os dias a servir as refeições e mais 15 voluntários que na campanha de natal fazem a separação de roupas. Quadro 1 – Ramalde Solidário - Fonte: Grelha de observação nº1/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. 36 Capítulo I - Metodologia No que se refere à Colónia Balnear Intergeracional, que figura na grelha de observação nº2, ressalvamos a importâncias das relações Intergeracionais e é esse o objetivo primordial da referida atividade, em que seniores e crianças partilham o mesmo espaço, histórias, brincadeiras, entre outras. A participação tanto dos seniores como das crianças nas atividade que são propostas é grande. Existem sempre seniores que são um pouco mais preguiçosos e se mantêm no areal a tomar banhos de sol e apenas se juntam com as crianças na hora do banho e do lanche mas nessa altura partilham histórias e as crianças ensinam brincadeiras. Todos se divertem e transmitem alguma coisa, tanto os seniores às crianças, como as crianças aos seniores. Colónia Balnear Intergeracional - Valorizar a importância das relações Intergeracionais; - Criar Espaços de partilha; - Permitir a troca de experiências; - Desenvolver dinâmicas de grupo entre crianças e seniores; - Elaborar trabalhos manuais conjuntos entre crianças e seniores; - O universo de participação nesta iniciativa foi de 50 crianças e 50 seniores. Quadro 2 – Colónia Balnear Intergeracional – Fonte: Grelha de observação nº2/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. As visitas temáticas, representadas na grelha de observação nº3 e apesar de estar distante dos propósitos da ASC, é importante na perspetiva dos seniores para que os mesmos possam ter acesso à cultura (produção cultural). Da observação por nós efetuada registamos o fato do quanto foi importante para os seniores verem o museu, verem cultura, pois terminada a visita, juntaram-se todos com o intuito de opinar acerca 37 Capítulo I - Metodologia do que tinham acabado de ver e referindo sempre que é de extrema importância visitarem locais que noutras condições jamais visitariam ou teriam acesso aos mesmos. Visitas Temáticas - Permitir o acesso à cultura; - Visitar museus e espaços que de outra forma não teriam acesso; - Debater e trocar ideias; - Criar espaços e formas de conhecimento; - O universo de participação nesta iniciativa foi de 50 seniores. Quadro 3 - Visitas Temáticas – Fonte: Grelha de observação nº3/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. A grelha de observação nº4 remete-nos para a Semana Europeia da Prevenção de Resíduos, que teve como objetivo primordial educar para a reciclagem, educar para a necessidade de preservarmos o meio ambiente e construção de um presépio de papel tendo em conta estes princípios. Torna-se importante pois envolve seniores e crianças num projeto de criação do presépio e também na realização de jogos relativos à reciclagem para ver se sabem ou não fazer a separação dos vários materiais e resíduos que existem além de que para os seniores a questão da motricidade fina é aqui evidenciada, sendo que é uma das primeiras perdas que os seniores têm - começam aos poucos a perder a facilidade que tinham em fazer determinados movimentos com as mãos. 38 Capítulo I - Metodologia Semana Europeia da Prevenção de Resíduos - Chamar a atenção para a importância da reciclagem; - Participar; - Trabalhar a motricidade fina; - Desenvolver a criatividade; - Elaborar e construir um presépio com a participação de todos; - O universo de participação nesta iniciativa foi de todas as escolas EB1/JI de Ramalde e 4 Centros de Dia/Convívio da Freguesia. Quadro 4 –Semana Europeia da Prevenção de Resíduos – Fonte: Grelha de observação nº4/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. O Carnaval foi uma atividade que acabou por ser abolida do plano de atividades da JFR na medida em que muitos seniores referiram que se sentiam um pouco ridicularizados pela comunidade em festejar o carnaval fazendo desfiles e festas de carnaval. Esta atividade surgiu por dois motivos: - O primeiro foi porque seria interessante os seniores pensarem, construírem e conceberem os seus próprios fatos de acordo com o que são os seus gostos pessoais, sendo que a Junta optava sempre que os fatos fossem feitos de material reciclado para que não existissem muitos custos quer para a autarquia quer para os seniores; - O segundo, porque seria uma boa forma dos seniores recuarem no tempo e voltarem aos seus tempos de criança e recordarem outros carnavais que tiveram nas suas vidas com outras idades. Esta informação figura na grelha de observação nº 5 e nº6. O desfile e o baile de máscaras era sempre o momento mais aguardado por todos, para uns pelo orgulho que tinham em exibir os seus fatos, para outros para poderem dançar e para outros porque queriam muito saber quais os prémios para quem ficasse nos três primeiros lugares. 39 Capítulo I - Metodologia Carnaval - Desenvolver a criatividade; - Elaborar os fatos de carnaval; - Reviver os tempos de criança; - Comemorar o Carnaval; - O universo de participação nesta iniciativa foi de cerca de 100 seniores. Quadro 5 – Carnaval – Fonte: Grelha de observação nº5 e 6/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. Na grelha de observação nº 6, onde figura a atividade dos magustos que é realizada nos centros de Dia/Convívio da Freguesia. Esta atividade assenta na comemoração do dia de S. Martinho e é um dia que os seniores gostam sempre de comemorar com muitas castanhas, jeropiga e habitualmente programam uma atividade para oferecerem a todos aqueles que os visitam nesse dia, quer sejam crianças, jovens, adultos ou grupos de pares. Nesta atividade um magusto que nos pareceu extremamente interessante na medida em que num dos centros de dia recriaram a lenda de S. Martinho com fantoches para as crianças e restantes seniores verem e no final ensinaram às crianças como se fazia o teatro com fantoches e colocaram perguntas para ver se os mesmos tinham entendido a lenda. Esta interação intergeracional pareceu-nos de grande relevo e interesse tanto para os seniores como para as crianças que no final cantaram uma música relativa ao dia que estavam a comemorar. 40 Capítulo I - Metodologia Magustos - Recriar a lenda de S. Martinho; - Comemorar o dia de S. Martinho; - Criar momentos de partilha; - O universo de participação nesta iniciativa foi de todos os Centros de Dia/Convívio de Ramalde. Quadro 6 – Magustos – Fonte: Grelha de observação nº7/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. O Coro Sénior (grelha de observação nº7), leva-nos para uma técnica/recurso de ASC na e com a Terceira Idade, ou seja, através da música os seniores conseguem elevar os seus níveis de autoestima, melhorar a qualidade de vida entre outros aspetos. A música acaba por ser o motor para os seniores se sentirem realizados e bem, tanto espiritualmente como fisicamente. Os seniores têm um grande interesse neste projeto na medida em que muitas vezes referem que é bom ver que a comunidade de Ramalde os acarinha e valoriza o trabalho que os mesmos fazem sendo que os resultados dos ensaios comprovam-se nas apresentações públicas e nos concertos. O reportório do coro sénior pretende também que os seniores possam regressar aos seus cantares de infância e juventude, que recordem temas que trauteavam nessa altura mas que aprendam também novas músicas. Os ensaios permitem que os seniores se sintam ativos e envolvidos no referido projeto. 41 Capítulo I - Metodologia Coro Sénior - Criar laços dos seniores com a música; - Combater o isolamento; - Envolver a comunidade neste projeto; - Elevar os níveis autoestima; - Desenvolver relações interpessoais; - O universo de participação nesta iniciativa foi de cerca de 20 seniores que fazem parte do coro. Quadro 7 – Coro Sénior – Fonte: Grelha de observação nº8/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. No que se refere à Universidade Sénior, representada na grelha de observação nº8, parece-nos pertinente partir da máxima Freireana “ninguém educa ninguém, as pessoas se educam no contato de umas com as outras”, fazendo também juz ao principio que ninguém sabe tanto que não tenha nada para aprender e ninguém sabe tão pouco que não tenha nada para ensinar, chegamos à UFP+, que é o perfeito exemplo disto e muito mais, pois o contato que é experienciado entre alunos e professores torna a Universidade um espaço de partilha e troca de experiências e saberes e é por isso que aposta numa Universidade Sénior faz todo o sentido. No final de cada ano é realizada uma reunião de avaliação com os alunos e a coordenação da UFP+ para que os alunos possam exprimir a sua opinião acerca da mesma e aquilo que gostariam de poder ter em termos de disciplinas no ano seguinte. 42 Capítulo I - Metodologia Universidade Sénior - Promover o envelhecimento ativo; - Criar momentos de partilha entre seniores e professores; - Permitir troca de Experiências e saberes; - Aumentar a qualidade de vida; - Valorizar a componente intelectual; - O universo de participação nesta iniciativa foi e é de cerca de 50 seniores. Quadro 8 –Universidade Sénior – Fonte: Grelha de observação nº9/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. Os Encontros Intergeracionais promovidos pela JFR, são a ação que mais evidenciam o verdadeiro significado e propósito da ASC, pois existe participação, interação, envolvimento e partilha entre outros. São o verdadeiro exemplo do que devem ser relações intergeracionais e a grande importância que as mesmas têm, quer para os mais novos, quer para os mais seniores, pois tanto os seniores ensinam e partilham experiências e saberes com as crianças, como as crianças partilham saberes e experiências com os seniores, esta é uma relação biunívoca em que ambos os atores beneficiam e tiram grande partido dos mesmos. Encontros Intergeracionais - Partilhar experiências e saberes entre gerações; - Educar para a cidadania; - Promover experiências intergeracionais; - O universo de participação nesta iniciativa foi de todas os JI/EB1 de Ramalde e dos Centros de Dia/Convívio de Ramalde. Quadro 9 – Encontros Intergeracionais – Fonte: Grelha de observação nº10/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. 43 Capítulo I - Metodologia Já no que se refere aos Encontros Intercentros (grelha de observação nº10), tornam-se importantes e é uma iniciativa que também se repete já há algum tempo na JFR, pois é importante que os seniores se conheçam uns aos outros e que também entre eles criem momentos de partilha pois nem todos tiveram as mesmas vivências, cada um está integrado no seu meio, que não é igual ao do próximo e isso enriquece estes encontros para que os participantes se sintam motivados a partilhar com o outro. Encontros Intercentros - Estimular a criatividade; - Partilhar e trocar experiências, saberes e vivências entre seniores; - Conhecer os seniores de outros centros e de outros espaços físicos dentro da Freguesia de Ramalde; - O universo de participação nesta iniciativa foi de todos os Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde. Quadro 10 – Encontros Intercentros – Fonte: Grelha de observação nº11/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. O Peddy-Paper Intergeracional (grelha de observação nº 11), permite a seniores e crianças conhecerem o meio onde estão inseridos e simultaneamente consegue-se criar um espaço de interação entre seniores e crianças que mais uma vez reflete momentos de partilha e diálogo/relação intergeracional. As equipas são sempre constituídas por crianças/jovens e adultos/seniores para que esse contato que referimos seja possível. 44 Capítulo I - Metodologia Peddy-paper Intergeracional - Criar laços intergeracionais; - Conhecer a freguesia de uma forma divertida e dinâmica; - Envolver a comunidade; - Envolver os seniores, adultos, jovens e crianças com a comunidade onde estão inseridos; - O universo de participação nesta iniciativa foi de cerca de 80 pessoas, incluindo, seniores, adultos, jovens e crianças. Quadro 11 – Peddy–paper intergeracional Fonte: Grelha de observação nº12/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. A grelha de observação nº 12 refere-se ao voluntariado, em que uma das atividades promovidas foi uma campanha de recolha de alimentos no Continente Bom dia de Ramalde. Seniores e crianças juntaram-se num projeto de solidariedade e recolheram, nos dois dias de campanha, cerca de 2000 produtos de bens essenciais. Campanhas como esta são de extrema importância pois crianças e seniores partilham o mesmo espaço, os mesmos objetivos e criam-se espaços de confraternização entre ambos e onde “trabalham” lado a lado pela mesma causa. Pensamos ser de extrema importância referir que as crianças ficaram tão extasiadas em participar neste projeto que apesar de no segundo dia de recolha de alimentos ser feriado (sexta-feira santa de Páscoa), dia em que habitualmente aproveitam para dormir mais um pouco, para brincar com os amigos entre outras coisas, os mesmos suplicaram aos pais para que os deixassem vir logo as 9:00 da manhã porque queriam continuar a participar nesta campanha. 45 Capítulo I - Metodologia Voluntariado - Demonstrar a importância da solidariedade; - Partilhar momentos intergeracionais; - Incutir nas crianças e seniores o que deve ser a partilha e ajuda ao próximo; - O universo de participação nesta iniciativa foi de 10 seniores e 10 crianças. Quadro 12 – Voluntariado - Fonte: Grelha de observação nº13/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. A Exposição de Trabalhos dos Seniores (grelha de observação nº 13), trata-se de um espaço que serve para mostrar e demonstrar a criatividade dos seniores e promove junto da comunidade a capacidade criativa dos seniores a partir dos trabalhos que são apresentados. É também importante realçarmos que esta exposição é o reflexo do processo desenvolvido de criação desenvolvido pelos seniores durante todo o ano. Exposição de Trabalhos dos Seniores - Trabalhar a motricidade fina; - Promover a criatividade; - Partilhar com a comunidade o trabalho realizado durante o ano; - O universo de participação nesta iniciativa foi de todos os Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde. Quadro 13 – Exposição de Trabalhos dos Seniores – Fonte: Grelha de observação nº14/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. A Sardinhada de S. João (grelha de observação nº 14), é um momento de convívio em que se cumpre uma tradição da Cidade do Porto que é muito querida para todos os seniores da cidade. Para além de todos os seniores poderem cumprir a tradição de comer as sardinhas e o pimento assado, preparam-se sempre alguns jogos tradicionais e 46 Capítulo I - Metodologia organiza-se um baile com música popular pois é também esta uma tradição na comemoração deste dia. Sardinhada de S. João - Comemorar uma tradição da cidade do Porto; - Partilhar e conviver entre si (seniores); - Jogar e dançar; - O universo de participação nesta iniciativa foi de 150 seniores. Quadro 14 –Sardinhada de S. João - Fonte: Grelha de observação nº15/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. Na grelha de observação nº 15, encontramos o dia internacional dos Museus, em que neste dia comemorativo pretende-se sempre que os seniores da UFP+ visitem um Museu da Freguesia de Ramalde. Este ano não foi exceção e constatamos que os seniores se sentiram extremamente felizes por observarem, visitarem e registarem o património cultural português através do museu visitado. Realçamos ainda o fato de após a realização da visita os seniores emergirem num profundo debate em torno da visita que fizeram e acerca dos museus da freguesia que já conhecem ou que ainda não conhecem e pretendem visitar. Dia Internacional dos Museus - Visitar um museu da Freguesia; - Envolver os seniores na cultura da Freguesia; - Debater acerca do que cada um viu e registou do espaço que visitou; - O universo de participação nesta iniciativa foi de 35 seniores, alunos da Universidade Sénior de Ramalde. Quadro 15 – Dia Internacional dos Museus – Fonte: Grelha de observação nº16/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. 47 Capítulo I - Metodologia O dia comemorativo que se apresenta na grelha de observação nº17, é o Dia do Sénior, apesar do lema que a JFR tem que todos os dias são dias dos seniores, o calendário estabelece um dia de comemoração. Apesar de para nós ser um dia igual a tantos outros, registamos a satisfação dos seniores por este dia existir e por se convencionar que de uma forma ou de outra este dia é sempre assinalado. A adesão é sempre muito grande. Este dia permite homenagear a vida, a idade, o saber, a partilha e permite a confraternização. Dia do Sénior - Comemorar uma data festiva; - Envolver os seniores no programa; - Homenagear todos os seniores; - O universo de participação neste dia foi de 200 seniores. Quadro 16 – Dia do Sénior – Fonte: Grelha de observação nº17/ Observação participante na atividade. Adaptação própria. Após a análise de todas as atividades que se encontram contempladas no plano de atividades da JFR, que se realizaram e que foram alvo da nossa observação e tendo por base um dos nossos objetivos de investigação parece-nos importante perspetivar algumas atividades e reconhecer algumas lacunas em termos de atividades de animação promovidas pela JFR. Não existem atividades no âmbito da Animação Teatral. Seria interessante juntar um grupo de seniores e criar um grupo de teatro amador onde se representassem lendas e historias antigas que os seniores soubessem e quisessem partilhar. Não há qualquer tipo de iniciativa da Animação Turística. Seria interessante por exemplo visitar a cidade do Porto (uma vez que é a cidade onde se encontra a Junta situada e para que os custos não sejam elevados) e animar a visita por forma a que os seniores se envolvessem com a cidade e o fizessem de uma forma comprometida e divertida. 48 Capítulo I - Metodologia Animação na Leitura e tendo a JFR uma biblioteca poder-se-ia, por exemplo, uma vez por mês organizar uma leitura animada de uma história para todas as pessoas que estivessem interessadas em participar e em ouvir a mesma. Estas são algumas das “lacunas” que registamos no que se refere às atividades que são promovidas para e com os seniores da JFR. Entenda-se que todos os anos surgem também novas atividades e novos projetos na JFR e por isso estas sugestões podem ser tidas em conta e quem sabe num futuro próximo podermos ver os frutos das mesmas. 49 Capítulo II - Envelhecimento Capítulo II - Envelhecimento 50 Capítulo II - Envelhecimento “Um velho que morre é como uma biblioteca que arde.” (provérbio) “Mas … de cujos livros só existia esse exemplar.” Amado (2011, p. 9) 2.1. Envelhecimento Neste capítulo pretendemos fundamentalmente debruçarmo-nos sobre o envelhecimento da população no seu cômputo geral e perceber quais as alterações que o mesmo fenómeno veio trazer à sociedade em geral. Como qualquer fenómeno, alterou ou pelo menos mudou a sociedade. Dizemos mudou pelo menos e não alterou, pois é muito difícil “alterar mentalidades” em pouco tempo. É necessário um trabalho intensivo e constante, tanto junto dos seniores como junto da sociedade, para que os seniores possam envelhecer e perceber que esta fase traz algumas transformações e modificações aos níveis bio-psico-motor, mas que nem por isso devem desmotivar-se e sentirem o “peso” dos anos, como junto da sociedade para que a mesma entenda que apesar destes já não serem pessoas ativas no que se refere ao trabalho remunerado, podem e devem ser tratados da mesma forma e entendam o que é o envelhecimento e como devemos atuar e sermos todos responsáveis nesta etapa da vida dos nossos seniores. Desta forma afirmamos que a ASC se enquadra dentro desta perspetiva de trabalho permanente e no sentido de contribuir para a autonomia do sénior e em que se pretende que exista um interagir permanente. Apesar deste nosso estudo estar sempre aliado à ASC, em que a mesma é uma intervenção contínua, o envelhecimento sempre existiu na nossa sociedade, a afirmação progressiva dos seniores como grupo populacional específico culminou já no final do século vinte, com a realização do Ano Internacional dos Idosos, “(…) organizado pelas Nações Unidas, o que constitui para muitos países (Portugal incluído) um marco de viragem no tratamento desta problemática, sobretudo sob o ponto de vista social e político”. Fonseca, A. (2004, p.18) 51 Capítulo II - Envelhecimento Parece-nos pertinente também estudar as questões ligadas ao envelhecimento demográfico, esperança média de vida cada vez mais alta e as profundas alterações no que se refere ao papel do idoso na sociedade. Corroboramos da opinião de Birren & Schroots citados em Fonseca (2004, p.15), pois, “A necessidade de obtenção de mais conhecimentos acerca dos idosos, do processo de envelhecimento, de como ele se encaixa na história de vida de cada indivíduo e das suas consequências sobre a condição de vida quotidiana, ganhou uma nova pertinência a partir do fim da II Guerra Mundial, induzida por um fenómeno extraordinariamente importante: o aumento significativo da esperança de vida e o correspondente envelhecimento da população (). Na verdade, (independentemente da idade mínima estabelecida para o inicio da velhice: os 60,65, 70 anos…) o incremento da população idosa nas ultimas décadas foi de tal modo significativo que , tanto em números absolutos como em números relativos, sofreu mesmo uma multiplicação por dois ao longo do século vinte, com particular destaque nos países desenvolvidos do mundo ocidental.” No que se refere ao envelhecimento demográfico em Portugal, conforme nos refere o autor, existe um crescente número de seniores na nossa sociedade. Cada vez mais a esperança média de vida aumenta e a população acima dos 65 anos, sempre, está e estará presente na sociedade e por isso, optar por medidas de envelhecimento ativo, torna-se tão urgente e emergente, “Nomeadamente, entre 1960 e 2001, o fenómeno do envelhecimento demográfico traduziu-se por um aumento de 140% da população idosa (com 65 e mais anos). A proporção da população idosa, que representava 8,0% do total da população em 1960, mais do que duplicou em quatro décadas, passando para 16,4% em 2001, enquanto o índice de envelhecimento (relação entre a população idosa e população jovem) registou um aumento brutal – de 27,3 em 1960 para 102,2 em 2001, ou seja, existem hoje em Portugal mais velhos do que crianças (INE, 2002). Finalmente, segundo estimativas do Conselho da Europa, a população portuguesa terá menos um milhão de pessoas em 2050 e estará ainda mais envelhecida, com 2,5 idosos com 65 ou mais anos para cada jovem com menos de 15 anos. Fonseca (2004, p.7) 52 Capítulo II - Envelhecimento Habilitamo-nos a referir que o tema do envelhecimento cada vez mais está na ordem do dia e o interesse é grande em estudá-lo e compreende-lo, “O estudo dos processos de envelhecimento ganha, neste início do século vinte e um, um relevo e uma prioridade indiscutíveis.” Fonseca (2004, p.7) O aumento da esperança de vida e o aumento cada vez mais significativo de idosos na nossa sociedade deve suscitar-nos estudo e preocupação para que nos seja possível preconizar um envelhecimento ativo que será por nós abordado mais à frente em que todas as questões que advêm desse processo de envelhecimento e devem merecer especial atenção por cada um de nós. “ O envelhecimento é visto como uma trajectória gradual, descendente, com declínio do funcionamento psicológico e cognitivo, falta de controlo sobre o corpo, uma experiência cumulativa de aumento de vulnerabilidade social e emotiva, um sentimento de desânimo, e perda de controlo do meio psicológico.” Paúl (1997, p.25) Como em qualquer fase da vida, também na chamada Terceira Idade, podemos verificar que as pessoas envelhecem de formas distintas o que não tem só a ver com o fato de terem mais ou menos doenças, mas sim com cada um deles, “Num contacto diário com as pessoas mais velhas, facilmente constatamos que existem formas distintas de envelhecer. Um envelhecimento “bem-sucedido”, “satisfatório” ou “ativo” não depende exclusivamente de factores como a sorte ou o património genético”. Ribeiro e Paúl (2011, p.1) As sociedades foram sofrendo algumas alterações e com elas também os que nela interagem foram alvo de significativas modificações, quer na forma de se verem enquanto indivíduos participantes da mesma, quer na forma de se relacionarem com os outros e viverem ativos e participativos na mesma. “ Al origen de la disminuición de las interacciones sociales de las personas mayores puede situarse un sentimiento de discriminación y marginación provocado por diversos factores.” “(…) la no pertenencia de las 53 Capítulo II - Envelhecimento personas mayores al aparato productivo en una sociedad aferrada todavía a la ética del trabajo donde realizar una tarea productiva ocupa un lugar tan importante en la jerarquía de valores(…)” “(...) su inferior estado de salud o en todo caso una mayor propensión a la enfermedad en un mundo donde se prima el culto a lo bello (…)” “(…) ser mayor en la sociedad actual es hacer a una pérdida de estatus y de roles muy unida al abandono de los hijos dela hogar familiar y a la jubilación (…)” “(…) las personas mayores ya no son protagonistas como antaño del núcleo familiar.” Elizasu (2001, p.13) Daí a importância de percebermos as alterações que foram ocorrendo ao longo dos tempos, pois se, “Até ao século XIX o idoso era visto, como alguém respeitável, dotado da máxima experiência e consequentemente sabedoria. A transmissão do saber era feita oralmente (função educativa: aprendizagem do oficio familiar) de geração em geração e o idoso, por sua vez como não tinha capacidade de substituir, vivia com um dos filhos, por norma o mais velho (função económica e de segurança social)”, tudo se transforma “nos séculos XIX e XX, pela alteração da estrutura económica devido à crescente industrialização, o idoso deixou de ser reconhecido pela sua experiência para ser visto como inútil, fraco e improdutivo. Esta nova visão foi acompanhada pela criação de asilos ou albergues dos inválidos, hospitais e actualmente lares e centros de dia. Além da alteração da visão da velhice, que passa a ser vista como uma “doença social”, a estrutura familiar altera-se em grande escala.” Correia (2007, p.2) Podemos então desta forma entender que as profundas alterações que assistimos no que se refere aos seniores são em muito devidas à sociedade, pois o idoso sempre foi visto como um sábio, alguém que tem uma experiência de vida, fonte de uma sabedoria invejável, dotado de um cem número de saberes que em muito poderia contribuir para a sociedade ao invés de ser considerado uma pessoa inútil, acabada e sem mais nada a oferecer à sociedade só porque terminou a vida laboral remunerada. A passagem para a reforma é entendida como o fim da produção, como o fim da intervenção junto da sociedade, “(…)ao contrário dos séculos anteriores, nos tempos modernos a velhice é avaliada pela rentabilização da força de trabalho, uma vez que é determinada mormente, pela ausência de recursos, por ser uma fase terminal 54 Capítulo II - Envelhecimento do ciclo laboral/inicio da reforma, pela classe etária entre outros”(…) “Esta nova perspectiva tornou-se mais evidente, nos anos 60, com a criação de uma política social de velhice, que defendia a melhoria das condições de vida dos idosos, de forma a remediar a miséria que acompanhou a velhice das classes populares, sobretudo durante o regime salazarista. Nos anos 70, com a mudança do regime, aperfeiçoaram-se as políticas, formaram-se novos profissionais especializados e criaram-se novos serviços, nomeadamente, sistema hospitalar, previdência e assistência social. Foi criado um sistema de segurança social, atribuíram-se pensões e reformas, constituíram-se lares e outro tipo de serviços de apoio aos idosos (saúde, complementos monetários, descontos em vários serviços, entre outros).” Correia (2007, p.3) Depende de todos nós acabar com esta perspetiva da visão do sénior por parte da sociedade, pois os seniores não devem ser tidos como um estorvo, mas sim como alguém que está vivo e que tem direito a viver como sempre e com o apoio de todos que até então lho prestavam. A família é muito importante neste contexto e não se deve nem pode demitir do seu papel, mesmo recorrendo a instituições de apoio para esta faixa etária, “(…) tem sido muito difícil alterar as mentalidades que referem o idoso como símbolo da fraqueza e empecilho para todos. Família, instituições e sociedade em geral. (…) Este tipo de mentalidade é reforçada pela reestruturação familiar, em que os filhos ou familiares mais próximos deixaram de ter tempo e condições para cuidar dos seus idosos e internam-nos em lares. É aqui que a responsabilidade familiar para com o idoso torna-se quase inexistente e passa a ser uma responsabilidade pública. É de referir que na fase da institucionalização muitas famílias aproximam-se mais dos idosos pois substituem a tensão gerada pela carga de ter que cuidar dele.” Correia (2007, p.4) As profundas modificações da qual a sociedade tem sido alvo, quer no que se refere aos seniores, quer no que se refere à família, têm sido bastante condicionadoras do que deve ser considerado o sénior dentro de uma sociedade. Cada vez mais as pessoas trabalham mais horas para manter empregos, muitas vezes temporários ou pouco estáveis, porque a sociedade cada vez mais o exige, pois, numa altura em que a taxa de desemprego tende a aumentar, a família, que antigamente era a primeira preocupação, passa agora para um segundo plano e o tempo para estar com a família 55 Capítulo II - Envelhecimento cada vez é mais curto/pequeno e por isso já não permite a um filho/neto cuidar dos idosos em casa, daí a procura cada vez mais desenfreada dos lares de terceira idade. Aquilo que pretendemos afirmar e fazendo um pouco menção à perspetiva diacrónica do envelhecimento trazida por uma história perdida no tempo, os Idosos eram considerados anciãos e fontes de toda a sabedoria e que deviam ser tratados com um enorme respeito e sensibilidade e que mesmo a forma como as pessoas se dirigiam aos mesmos, nunca era por tu mas sim por Senhor ou vossemecê, num passado mais recente até aos dias de hoje a velhice tem sido considerada uma problemática, devido às tendências demográficas verificadas nos últimos anos, sendo a previsão futura, o seu agravamento, quer relativamente ao aumento do número de idosos a nível mundial, quer das consequências que daí advêm. Mas podemos verificar e testemunhar que já antes de Cristo, existia uma preocupação e um enorme respeito por aqueles que eram apelidados de mais velhos e parece-nos oportuno deixar aqui referenciado numa breve incursão pelo legado histórico, tendo como referência o autor Leme (2000, pp. 14-21) que nos apresenta uma visão sobre as civilizações, No Egipto, “Diversos documentos ressaltam a obrigação dos filhos de cuidar de seus pais idosos e de manter suas tumbas após a morte.” Em Israel, “O respeito do povo judeu pelos idosos fica patente em seu principal livro: A Bíblia (…) podemos ler conselhos não apenas sobre o cuidado com idosos, mas também referências aos cuidados necessários a pacientes demenciados (…) Maltratar os pais era um crime que podia chegar a ser punido com a morte.” Na Índia, “Acreditava-se que se poderia reduzir o processo de envelhecimento através do controle de influências desarmoniosas, associado ao uso de medicamentos específicos, como os feitos através de algumas plantas alucinogénias.” 56 Capítulo II - Envelhecimento Na China, “Do ponto de vista social, os idosos parecem ter sido respeitados e bem tratados na antiga china.” Na Grécia, “O envelhecimento era odioso para os gregos, de vez que representava um declínio na juventude e vigor, altamente valorizados pela cultura helênica. No entanto, havia geralmente demonstrações de respeito pelos antigos vencedores e suas passadas vitórias, bem como por seus velhos estadistas e filósofos.” Em Roma, “(…) os idosos parecem ter recebido o respeito (…). A mais importante instituição de poder, o Senado, deriva o seu nome do senex (idoso) valorizando a experiência destes cidadãos.” No Renascimento, “(…) um progressivo aumento na expectativa de vida. Concomitantemente surge maior interesse com referência aos problemas do envelhecimento.” Podemos concluir que “ Efetivamente, nada ocorre aos 65 anos, precisamente aos 65 anos, nem biológica nem psicologicamente, para que se utilize essa idade como uma fronteira de diferenciação social, em que para trás o indivíduo é útil, válido e responsável, e daí para a frente vê-se rejeitado ou pelo menos marginalizado por uma sociedade competitiva, para a qual deixou de ter valor.” Fonseca (2004, p.184-185) O envelhecimento deve ser encarado de igual forma como encaramos a infância, juventude e o estado adulto…porque é apenas mais uma fase da nossa vida, não é o fim da vida, mas sim um começo de mais uma etapa das nossas vidas. O fato dos seniores se reformarem, automaticamente perderem o papel ativo que outrora tinham na sociedade e a forma como reagem a esta etapa, depende única e 57 Capítulo II - Envelhecimento exclusivamente de cada um, pois existem muito mais coisas que se podem fazer para além de trabalhar. Chegar à idade sénior é chegar a um patamar da vida que nem todos conseguem e em que se deve aproveitar toda a sabedoria que se foi adquirindo e todas as capacidades que se tem e que não devem de todo ser defraudadas. O sénior deve ser visto e tido com um sábio e não como um estorvo para a sociedade, para a família ou para a comunidade. 58 Capítulo II - Envelhecimento “Para o indivíduo bem envelhecer é envelhecer sem sofrer os malefícios da idade – é exercitar o espírito, conservar o uso dos órgãos, estar rodeado pelos seus e investir em si.” Azeredo (2011, p.49) 2.2. Envelhecimento Ativo O envelhecimento ativo é uma expressão que cada vez mais ouvimos e que parece que se entranhou nos nossos seniores de hoje, pois a maior parte pretende estar ativo, procurando locais e espaços onde o mesmo é preconizado e onde se mobilizam recursos para que possam “bem envelhecer” e vivam ativamente. Para que o mesmo se possa realizar, é urgente reunir esforços e procurar respostas adequadas para todos aqueles que se sintam motivados, participem, mas bem mais importante, que todos aqueles que não sabem se querem ou não participar possam integrar-se no grupo e viver saudavelmente e em comunidade. A OMS, em 2002 traz para a colação um novo conceito “(…) o de Envelhecimento activo, que surge na sequência do envelhecimento saudável, preconizado até então, e que pretende agora ser mais abrangente, estendendo-se, para além da saúde, a aspectos socioeconómicos, psicológicos e ambientais, integrados num modelo multidimensional que explica os resultados do envelhecimento.” Ribeiro e Paúl (2011, p.1) Podemos afirmar que o envelhecimento ativo depende predominantemente dos indivíduos, e também da carga genética de cada um, pois a saúde contribui em muito para a debilidade física e psíquica o que não permite que os seniores sejam ativos e interventivos na sociedade que os rodeia, tornando-os muitas vezes dependentes dos familiares mais próximos. Contudo, depende de cada um de nós, técnicos que trabalhamos na área da Gerontologia, promover atividades e criar espaços para que 59 Capítulo II - Envelhecimento todos, mas mesmo todos os seniores se sintam integrados e com vontade e capacidade de participar. O modelo de envelhecimento ativo conforme preconizado pela OMS depende, assim, de uma diversidade de fatores designados de “determinantes”, os quais são de ordem: “- Pessoal (factores biológicos, genéticos e psicológicos); - Comportamental (estilos de vida saudável e participação activa no cuidado da própria saúde); - Económica (rendimentos, protecção social, oportunidades de trabalho digno); - Do meio físico (acessibilidade a serviços de transporte, moradias e vizinhança seguras e apropriadas, água limpa, ar puro e alimentos seguros); - Sociais (apoio social, educação e alfabetização, prevenção de violência e abuso); - Relativos aos serviços sociais e de saúde de que as pessoas beneficiam (orientados para a promoção da saúde e prevenção de doenças, acessíveis e de qualidade).” Ribeiro e Paúl (2011, p.2) Para bem envelhecer é necessário que exista também a preocupação por parte do poder político em promover a saúde, não só junto dos seniores, mas também junto da população em geral, uma vez que todas as etapas da vida são importantes para que o envelhecimento seja bem-sucedido. “Cada um dos determinantes do envelhecimento activo desdobra-se em inúmeros aspectos, donde têm emergido sobretudo políticas a implementar pelos governos e instituições.” Ribeiro e Paúl (2011, p.2) Cada ser humano é único, o que faz com que todos os seniores sejam diferentes e se uns precisam mais de apoio familiar outros há que não o necessitam, ou então não o querem mesmo, mas depende de cada um de nós motivar os seniores a participarem ativamente na sociedade em que estão inseridos e se sintam autónomos e que se consciencializem que cada um é agente da sua própria mudança, ou seja, depende de cada sénior preconizar ou não um envelhecimento ativo para si mesmo ou não. 60 Capítulo II - Envelhecimento “(…) a promoção de autonomia e o empowerment são das principais assumpções do envelhecimento activo. (…) Portugal e Azevedo (2011, p.227) É necessário que o sénior entenda que o seu processo de envelhecimento depende em larga escala dele próprio e da atitude que ele toma em relação à vida. Para nós o Sénior deve ser o Actor do seu próprio desenvolvimento. Não há envelhecimento ativo com Idosos passivos. O envelhecimento ativo é algo que tem de mobilizar os idosos rumo a uma cidadania efetiva que valorize a interação permanente entre ele (Idoso) e o meio envolvente. A autora Squire (2005), alerta-nos para o fato de podermos falar em dois tipos de empowerment, sendo que um pode ser chamado de “self-empowerment” e o outro de “ewpowerment comunitário das pessoas idosas e dos prestadores de cuidados futuros”, ou seja, se o primeiro está mais voltado para que o empowerment esteja presente nos seniores e que os mesmos entendam que as estratégias de mudança e diferenças de atitudes dependem apenas deles próprios, o “empowerment organizacional” demonstranos que todas as instituições, prestadores de cuidados formais ou informais são responsáveis por conseguir que os seniores sejam agentes da sua própria mudança e cabe a cada um desses atores sociais estimular os seniores nas suas decisões, opiniões e preocupações. A nível individual o envelhecimento ativo deve ser fomentado através de ações capazes de dotar as pessoas de uma tomada de consciência acerca do poder e controlo que têm sobre a sua vida. Assim sendo, a promoção de mecanismos adaptativos, de aceitação e de autonomia assumem-se como uma prioridade. O envelhecimento ativo, na definição da Organização Mundial de Saúde (2002) “É o processo de optimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objectivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas.” Já atrás foi referida a questão família e no envelhecimento ativo não aparece com menos importância/relevância, pois para que seja possível considerar um envelhecimento ativo, a família intra e inter – pares e a comunidade apresentam-se como uma variável imprescindível no que se refere à participação social dos mais 61 Capítulo II - Envelhecimento velhos na comunidade onde residem e onde criam laços e relações de amizade, partilha e convivência. Senão pensemos para nós…de que nos vale viver numa comunidade, numa determinada rua onde se localiza a nossa casa, com cafés, supermercados e todas as valências que possam existir, onde todos os dias nos cruzamos com imensas pessoas? A resposta parece fácil e óbvia não nos vale de nada…E porquê? Porque não conseguimos estar integrados na comunidade e ao não estar integrados na nossa comunidade não conseguimos integrarmo-nos na sociedade, pois todas as pessoas nos vão marginalizar pois não conseguimos criar empatia com ninguém, não conseguimos criar redes de vizinhança e por isso sempre que precisarmos de algo não podemos recorrer a ninguém e acaba por ficar um vazio dentro de nós, e o envelhecimento deixa de ser ativo e passa a ser passivo apesar de estarmos a falar de envelhecimento, isto é transversal desde os mais novos aos mais velhos, “O envelhecimento ativo é, (…), um processo que conjuga autodeterminação individual e condições sociais, económicas e culturais assumidas como um compromisso coletivo de desenvolvimento social.” Quaresma (2012, p.19) Entendemos e concluímos que o bem envelhecer não depende apenas de aspetos internos (saúde), mas depende também e muito de aspetos externos (atividades), ou seja, os seniores não se devem refugiar nas doenças que têm, nem na vida sobrecarregada de trabalho que tiveram, devem apostar num envelhecimento bem-sucedido ou envelhecimento ativo, para que dessa forma usufruam desta etapa da vida da melhor forma e tenham a maior e melhor qualidade de vida possível. A ASC apresenta-se como uma excelente área de intervenção para se conseguir preconizar um envelhecimento ativo e por isso cabe a cada um de nós que trabalhamos neste âmbito aplicar esta receita em tudo, mas mesmo tudo o que fazemos com os seniores para os seniores. 62 Capítulo II - Envelhecimento “A Gerontologia educacional postula que os adultos mais velhos e os idosos são capazes de aprender, de administrar suas vidas competentemente e de continuar levando contribuições significativas e produtivas às suas comunidades.” Palma e Cachioni (2006, p.1462-1463) 2.3. Envelhecimento, Gerontologia e Geriatria Devido ao fenómeno do envelhecimento, que neste momento é transversal a todos os países, a gerontologia e a geriatria admitem um papel de extrema importância para todos aqueles que trabalham com os seniores e também para todos os seniores que pretendem tirar o melhor partido desta nova etapa da sua vida. “Poucos problemas têm merecido tanto a atenção e a preocupação do homem em toda sua história como os problemas do envelhecimento e da incapacidade funcional comumente associada a este (…) a Gerontologia em nosso meio é uma preocupação académica recente (…) Temos podido observar importantíssimos testemunhos históricos, de diversas culturas, não apenas da preocupação com os problemas médicos do envelhecimento, mas, e principalmente, com todo seu perfil sociocultural que, de alguma maneira, permeia o enfoque filosófico da História como um todo e em suas diversas partes.” Leme (2000, p.13) Constatamos que conforme nos refere o autor, é tanto ou mais importante a gerontologia como a geriatria, pois se esta se preocupa com todas as questões ligadas à saúde e a todos os aspetos biológicos do individuo, a gerontologia abrange as questões ligadas ao ambiente em que o sénior se encontra inserido, daí a vertente social e cultural. Tendo em consideração que a geriatria é um ramo da Gerontologia, em que, “ (…) forma parte de la Medicina, ya se ocupa de las enfermidades de las personas mayores, estando integrada dentro de la Gerontología Clínica, 63 Capítulo II - Envelhecimento como hemos señalado anteriormente, al estudiar los problemas peculiares de la senectud, es decir, el envejecimiento patológico. La Sociedad Británica de Geriatría define esta especialidad como «la rama de la medicina que se ocupa no sólo de la prevención y asistencia de las enfermedades que presentam las personas de edad avanzda, sino también de la recuperación funcional de éstas y de su reinserción en la comunidad.», estableciendo un matiz prático que se dirige a la atención integral de los ancianos y en especial del paciente geriátrico.” Calenti (2006, p.4) Quando falamos de Gerontologia devemos precisar o sentido da palavra, atendendo a este princípio vamos procurar o sentido etimológico da mesma para compreendermos a importância para a compreensão e estudo do envelhecimento. “La palabra gerontología tiene un origen griego y está formado por dos elementos: geronto, que significa viejo, anciano, y logía, que quiere decir tratado, estudio o ciencia; etimológicamente, pues, la gerontología hace referencia al estudio de la vejez y del envejecimento.” Calenti (2006, p.3) Assim sendo, a Gerontologia é uma ciência que estudo o envelhecimento e tem como objetivos fundamentais melhorar a qualidade de vida dos seniores, bem como entender e perceber o processo de envelhecimento e os fatores que o influenciam. No fundo a gerontologia pretende que o envelhecimento seja saudável e que ocorra da melhor forma possível para os seniores, isto é, sem perda de qualidade de vida ou de papéis na sociedade. Segundo o autor Calenti (2009, p.3), a gerontologia pode, tendo em consideração os seus conteúdos, dividir-se em três ramos fundamentais, sendo eles: “A) Experimental: estudia el processo del envejecimiento desde el punto de vista de la investigación en laboratorio, tratando de objectivar los factores causantes del mismo, así como las posibles actuaciones favorecedoras de un ben envejecer; B) Clínica: estudia las alteraciones de la salud en relación con el envejecimiento o en los sujetos «mayores»; 64 Capítulo II - Envelhecimento C) Social: estudia la influencia de los factores sociales en el envejecimiento de la población, considerando sus repercusiones en el entorno del anciano.” Compreendemos então que a Gerontologia se subdivide em três ramos principais e que todos eles assumem uma enorme relevância no âmbito do envelhecimento, sendo a gerontologia experimental mais centrada na investigação de processos de envelhecimento, quais as causas e fatores aliados aos mesmo e de que forma se pode envelhecer saudavelmente, a gerontologia clínica centrada nas alterações ao nível da saúde dos seniores, onde está incluída, a geriatria, que é um ramo da medicina que estuda as patologias, doenças e todas as questões relacionadas com a saúde dos seniores, bem como o “envejecimiento patológico” Calenti (2006, p. 4) e por último a gerontologia social que estuda quais os fatores sociais que estão aliados ao processo de envelhecimento e que repercussões os mesmos têm nos seniores, “ O conceito de solidariedade humana e de apoio pessoal da sociedade a seus membros mais fracos, essencial em gerontologia, deve ser atribuído a uma evolução de conceitos de apoio em algumas sociedades primitivas, tendo evoluído, de maneira mais notável na tradição judaica (…)” Leme (2000, p.13) Os seniores começaram a mudar de atitude perante si mesmos, a ASC assume-se como uma ferramenta fundamental, sempre de mão dada com a gerontologia social para que os seniores possam ter um envelhecimento ativo e transformar tudo aquilo que os atormenta em coisas que os acalentem e lhes deem forças, “La ASC ha sido la herramienta fundamental para que, en las tres últimas décadas, hayamos pasado de una sociedad con “viejos pasivos” a otra con “mayores activos”. Eso ha sido posible porque la gerontología social facilitó a los profesionales de la ASC el enfoque, los objetivos y el modelo de intervención que, desde la ASC, no se estaba llevando adelante por el peso de los estereotipos comentados más arriba. Ambas, ASC y gerontología social, han actuado de forma complementaria transformando las debilidades y amenazas del pasado en las fortalezas y opurtonidades del presente. Aunque, eso sí, sin llegar a reconocerse mutuamente de una forma explícita.” García, L. (2008, p. 7) 65 Capítulo II - Envelhecimento A ASC alia-se à Gerontologia Educativa, para que dessa forma os seniores possam ter acesso a um conjunto de atividades que lhes permitam envelhecer de uma forma sã, “(…) funde-se, portanto, nos princípios de uma Gerontologia Educativa promotora de situações optimizadoras e operativas, com vista a auxiliar as pessoas idosas a programar a evolução natural do seu envelhecimento, a promover-lhes novas actividades, que conduzem à manutenção da sua vitalidade física e mental, de perspectivas a Animação do seu tempo, que é predominantemente, livre.” Lopes (2008, p.329) A Gerontologia Educativa interessa-se, não só pela investigação, mas também pela intervenção com as pessoas adultas, para que as mesmas tenham um processo de envelhecimento ativo e que todas as questões aliadas ao envelhecimento físico e psíquico possam ser minoradas. “Ésta se define como una ciencia aplicada para la intervención con personas adultas, basada en la planificación de estrategias que retrasan y, en algunos casos, remedian el deterioro intelectual y biológico. La Gerontología educativa se interesa, fundamentalmente, por los procedimientos metodológicos, técnicas, contextos y prácticas educativas dirigidas a las personas en su proceso de envejecimiento, así como por lá investigación en este ámbito.” Calenti e González (2009, p.175) O termo, Gerontologia Educativa, é cada vez mais utilizado, onde no fundo se cruzam, os conceitos de educação e envelhecimento, com a perspetiva de que todos os seniores devem ter acesso a um envelhecimento ativo e dessa forma é necessário interligar a perspetiva da educação como estratégia de intervenção com os seniores, que pode e deve minorar os efeitos do envelhecimento quer a nível físico, quer a nível psíquico. “A gerontologia educativa começa a adquirir uma importância crescente no campo das ciências da educação como estratégia de intervenção na prevenção e compensação de situações de deterioração do corpo, provocada pelo avanço da idade.” Lopes (2008, p.329) 66 Capítulo II - Envelhecimento Podemos afirmar que a gerontologia educativa é, “(…) es una especialidad de la Gerontología que se ocupa de todo lo relacionado con la educación de las personas mayores.” Calenti e González (2006, p.176) Sendo este ano, 2012, o Ano Europeu do Envelhecimento ativo e da solidariedade entre gerações e dado que cada vez mais existe uma preocupação crescente com os seniores, bem como com os seus processos de envelhecimento, parece-nos fundamental tentar explicar o porquê desta relação entre envelhecimento e educação. Daí advir a importância da gerontologia educacional que, é uma estratégia de intervenção para que os seniores se sintam motivados a participar ativamente na sociedade e que não fraquejem ao ver que as suas faculdades estão a deteriorar-se. Para García (2004, p.131), tendo em consideração as modificações ao nível do aumento da esperança média de vida e com a existência de diferentes tipos de idades a conviver em sociedade, justifica-se a relação cada vez mais estreita entre envelhecimento e educação com a existência de três realidades distintas, sendo elas, “ El aumento de una población de edad que disfruta de un estado de salud cada vez mejor que dispone de mucho tiempo libre e se encuentra, por tanto, en óptimas condiciones para seguir participando socialmente y continuar formándose; La creciente demanda de profesionales cualificados que presten servicios de atención a esta población mayor (tanto desde el campo social como del sanitario), capaces de realizar de manera adecuada un desempeño profesional cada vez más complejo, interdisciplinar y de calidad; La demanda de capacitación de otros miembros y sectores de la sociedad (niños e jóvenes, grupos profesionales, medios de comunicación, etc.) para que se encuentren en las mejores condiciones para convivir en esta sociedad diversa e Intergeracional.” As Universidades Seniores são exemplo disso, pois existem, ou melhor, devem existir para os seniores terem acesso ao conhecimento e poderem animar o seu tempo livre e não para o ocuparem como defendem alguns coordenadores das mesmas. 67 Capítulo II - Envelhecimento Para além de os seniores beberem do conhecimento que lhes é transmitido nas aulas também eles podem partilhar experiências com os professores que tragam valor acrescentado para ambos devendo ser cativador e motivador poder participar num projeto educacional que faça sentido; nunca esquecendo que se deve sempre procurar promover dinâmicas educacionais que sejam do interesse dos seniores e não do nosso interesse. O conceito de educação permanente (que abordaremos noutro subcapítulo da tese), que já vem dos anos 70, e que hoje em dia se apresenta como uma forma de intervenção junto dos seniores, deve ser mesmo utilizado de forma eficiente e eficaz, ou seja, as pessoas que se encontrem em idade de reforma ou pré-reforma têm o mesmo direito ao acesso à educação do que os mais jovens, e é necessário motivar a nossa sociedade, bem como todos os profissionais que trabalham na área da Gerontologia, uma vez que os seniores são cidadãos de pleno direito e que devem ter acesso à cultura e educação como todos os outros cidadãos. Para Peterson citado por Palma e Cachioni (1990, p.1462), e tendo em consideração a definição de Gerontologia Educacional, esta divide-se em três ramos, por um lado para responder às expetativas dos seniores, por outro para estimular o encontro e convívio de gerações promovendo espaços de intergeracionalidade e captar todos os que trabalham com os seniores e prestadores de cuidados para que esse trabalho seja eficaz e proveitoso, “ (…) há uma tríplice classificação dos conteúdos próprios da Gerontologia Educacional: Educação para os idosos: programas educacionais voltados para atender às necessidades da população idosa, considerando as características dessa coorte etária; Educação para a população em geral sobre a velhice e os idosos: programas educacionais como um espaço Intergeracional, que possibilita à população mais jovem rever seus conceitos sobre a velhice e o seu próprio processo de envelhecimento; Formação de recursos humanos para o trabalho com os idosos: ocorre por meio de capacitação técnica de profissionais para a prestação de serviços direccionadas à pessoa idosa e à formação de pesquisadores.” 68 Capítulo II - Envelhecimento Queremos, em termos conclusivos deste capítulo fazer tal como Hesse (2001) promover o Elogio da Velhice e dizer que esta cultura assente na ancianidade é uma colheita da vida, recolhida a partir de muitas existências humanas, pois trata-se essencialmente de uma dádiva da memória. Cultura assente em saberes, vivências, trajetos, partilhas... em suma, em ações que resultam de um interagir permanente. Este louvor à velhice é algo sentido, louvor povoado do desejo de neste tempo marcado pela falta de humanismo o sénior ser respeitado, ser valorizado, ser ativo, ser escutado e ser útil, “(...) Os velhos, tolos, querem continuar a ser úteis. Coitados! Ainda estão sob o domínio do olhar dos outros! Melhor seria se percebessem que o objectivo da vida não é ser útil. Útil é o martelo, serrote, vassoura, fio dental, bicicleta. As coisas úteis, quando velhas, ficam inúteis. Inúteis são jogadas fora. Mas o ojectivo da vida não é a utilidade. É a feliz inutilidade de brincar. Brinquedo é uma actividade inutil a que nos entregamos por causa da alegria que ela nos dá. Pode ser formar quebra-cabeças, empinar papagaios, ouvir musica, ler literatura, cozinhar, caminhar, viajar, chupar sorvete, conversar, ver livros de arte, escrever, sonhar, cantar...E, acima de tudo brincar com as crianças...” Alves (2004, p.79) Testemunhamos que a nossa memória está povoada de saberes transmitidos pelos tais “velhos” que nos mostraram a utilidade das coisas inúteis. Como foi bom e continua a ser bom ouvir as suas histórias, os relatos das suas muitas vidas, as sábias palavras perdidas e reencontradas no tempo, as muitas partilhas dos momentos de intenso significado e a permanente vontade da partilha e o constante exemplo de Mulheres e Homens que nos ensinaram que o ser é melhor que o ter e o saber estar é elemento fundamental da interação humana! Façamos então o tal elogio da velhice, o louvor à idade maior e a permanente exaltação da vida vivida com sentido. Abençoados sejam estes transmissores da vida. 69 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores “ A Animação Sociocultural cumpre um eficaz papel já que ela é em si pedagogia da vivência e da convivência.” Lopes (2008, p.149) 3.1. O que é a Animação Sociocultural 3.1.1. Origem e Evolução Nascida na segunda metade do século XX em França com o propósito de responder à devastação ocorrida em duas guerras mundiais e como estratégia para motivar as pessoas a erguer os países dos escombros, depressa se ramificou, por toda a Europa embora com diferentes designações, Alemanha (pedagogia social) Inglaterra (desenvolvimento comunitário) e em Espanha (educação social). “Segundo os historiadores, foi André Malraux quem trouxe, nos longínquos anos cinquenta, o termo Animação Sociocultural para o léxico social, cultural e educativo. Estávamos então à porta do erguer da Europa dos escombros deixados pelas duas guerras mundiais. Malraux sabia que a cultura transporta um protagonismo e uma dinâmica social consideráveis e nada melhor do que colocá-la ao serviço de causas e, a partir dela, mobilizar a França, uma vez que este país necessitava de todos os recursos para a emergente e necessária tarefa reconstrução. Nos anos 60, os países mais industrializados e urbanizados da Europa, desenvolvem, a partir da matriz francófona, uma forma de intervenção social, cultural, educativa e politica que se denomina Animação Sociocultural e que vai permitir criar dinâmicas junto das populações no sentido de estas gerarem processos organizativos e de auto-desenvolvimento.” Lopes (2008, p.143) O seu código genético liga-se a dimensões assentes na tríade do social, cultural e educativo o que implica uma intervenção que cruza as dimensões descritas e projeta um interagir permanente numa didática da participação procurando levar os cidadãos à autonomia, ao autodesenvolvimento e à auto-realização. 71 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores A sua natureza etimológica segundo Ventosa (2002, p. 19-20) apresenta uma perspetiva dualista anima e animus. Assim no anima a Animação remete-nos para, sentido e vida, já no Animus encontramos uma visão de ação aferida pelas noções de movimento e dinamismo. Ainda apoiados por Ventosa (2002, p.21), podemos encontrar uma nova dialética inspirada em Moulinier e que igualmente projeta uma dupla dimensão da Animação. a) Animar como “donner la vie”: Dar vida ou fazer reviver a quem a perde. Moulinier alude á relação do médico com o doente para exemplificar o carácter externo e vertical da ação de animar dentro desta perspetiva fala-se de um “l’agir sur” , “um atuar sobre” que outorga a este tipo de animação uma perspetiva diretiva e paternalista b) Animar como “mettre en relation”: Supõe, entender a animação não tanto como a acção de dar vida ou sentido. Ressalta desta perspetiva o carácter dinâmico e instrumental da animação, independentemente dos fins para o que se utiliza. A imagem do animador aqui já não é a do médico mas sim a do “mediador” um mero intermediário que possibilita a implicação da gente no seu próprio desenvolvimento... Não se “atua sobre” , se “atua em” – “l’agir dans”- a partir de dentro a partir de uma relação horizontal a respeito dos participantes. Encontramo-nos, em ultima instância, com a outra dimensão mencionada da animação, que corresponde ao “animus” como movimento. A Animação Sociocultural assume-se e projeta-se, através de designações afins, na procura de um bem-estar alicerçado em valores de um humanismo que procura no cidadão um sentido de vida ditado pela autonomia, confiança, protagonismo, sentido crítico, participação e desenvolvimento. Para reforçar este princípio trazemos à colação a perspetiva diacrónica da Animação Sociocultural projetada por Ventosa (2002) que nos confere uma visão fundamentada dos seus alicerces e dos respetivos valores: “A partir de uma análise histórico-filosófica do fenómeno animação, pode-se dizer que o ponto de arranque do mesmo se situa na profunda crise atual de uma sociedade post-industrial caracterizada por uma sobre abundância de meios (ciência, técnica, informação) perante uma progressiva escassez e indeterminação de fins (crise de identidade e de valores). Situação desencadeante de um vazio vital que se manifesta no duplo plano do subjetivo – perda de sentido – no objetivo – atonia social – o primeiro coloca a necessidade de procura de fins e valores capazes de darem sentido á existência 72 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores pessoal. O segundo supõe uma conquista do protagonismo social que deve chegar a possuir todo o indivíduo, capaz de vencer o ceticismo, a uniformidade empobrecedora e a impotência gerada por toda uma eficaz maquinaria de meios de comunicação de massas. Perante este panorama, cuja analise já iniciara Max Weber (1987), a Animação sociocultural surgiu na Europa não como uma moda mais mas sim como uma resposta necessária a esta precária situação do homem post-industrial.... Dentro desta perspetiva, a intencionalidade da animação não pode ser unicamente cultural, ou tão-somente educativa ou social. Há que assumir as três metas dentro de uma perspetiva integral... Esta seria a verdadeira dimensão transcendente da animação: provocar em cada pessoa “uma exigência de sentido que permita contribuir pessoalmente para a gestão da coletividade e a criação dos seus valores”. Segundo isto, um duplo fator desencadeia a animação: o fator subjetivo, transcendente, de uma existência humana necessitada de autorrealização e de fator objetivo, imanente, de uma sociedade que necessita de desenvolver-se mediante a implicação direta de seus membros. Ambas as dimensões são inseparáveis uma da outra. A resposta coerente da animação deve ser, portanto dupla: imanente –instrumental como facilitadora de meios e transcendente – finalista como cultivo de fins.” Ventosa, V. (2002): A Animação Sociocultural no virar do século, Conferência proferida nas II Jornadas Internacionais de Animação Sociocultural, organizadas pela UTAD / Pólo de Chaves. Desde o seu nascimento a Animação Sociocultural afirmou-se por uma intencionalidade interventiva junto das pessoas a partir de dimensões vitais como sejam a educação, a cultura, o social e ainda a procura de um ser participativo, autónomo e comprometido com o mundo em que vive. “A Animação Sociocultural nasce assim com intenções pedagógicas, como muito bem enunciam as primitivas correntes como, por exemplo, as de J. Charpentreau, 1964, A Animação Sociocultural consiste essencialmente em oferecer possibilidades de cultura no mais amplo sector possível da vida do cidadão, fazendo-o participar e tornando-o protagonista. Outra voz que dá sentido às orientações da Animação Sociocultural é J.P. Imhof, 1966, que refere: A função da Animação Sociocultural define-se como uma função de adaptação às novas formas da vida social (…), com os aspectos complementares de bálsamo para as inadaptações e de elemento de desenvolvimento individual e colectivo. Registamos ainda a concepção trazida por um grupo de trabalho formado por responsáveis de associações culturais 73 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores que, a pedido do Ministério da Juventude e Desportos Francês, propõe, em 1966, o seguinte: A Animação Sociocultural deveria converter-se em Pedagogia da compreensão e da intervenção, estabelecer relações de igualdade (…). Esta equipa defende, ainda, que a Animação Sociocultural deve estar veiculada à autonomia, à participação, ao desenvolvimento e à diversidade. “ Lopes (2008, p. 147-148) A importância histórica conferida à Animação Sociocultural é aqui testemunhada pelo Conselho para a Cooperação Cultural - Conselho da Europa que num texto de grande significado procura articular uma política educativa que integre a Animação Sociocultural para assim suprimir um vazio existente na Europa. Realçamos ainda o facto evidenciado pelo Conselho da Europa na recomendação feita aos estados membros no sentido de estes adotarem uma política que reforce a intervenção da Animação Sociocultural com vista a anular problemas relacionados com a problemática social, cultural e educativa e ainda o alerta para a necessidade de uma formação em Animação Sociocultural independentemente das profissões que cada pessoa possuía. “Importa, neste contexto histórico, trazer à colação o projecto de Animação Sociocultural levado a cabo em 1972-1973 que sobre a égide do comité de educação extra-escolar e do desenvolvimento cultural, apresentado ao Conselho para a Cooperação Cultural – C.C.C., lança os fundamentos duma politica educativa integrada, em que a Animação Sociocultural aparece como uma estratégia para preencher o fosso cultural existente. Neste sentido o Conselho da Europa elaborou uma declaração politica em matéria de Animação Sociocultural, onde proclama: A democracia traz em si a obrigação moral de trabalhar para a instauração duma sociedade na qual todo o cidadão sabe que dispõe duma voz que será respeitada nas decisões que afectam a sua vida e a da sua comunidade. É pois urgentemente recomendado: - a) que os Governos elaborem e apliquem uma politica de Animação de Animação Sociocultural e lhe atribuam, na planificação nacional, uma importância igual à que atribuem às políticas em matéria de educação, alojamento, protecção social, etc; - b) que esta politica vise os seguintes objectivos: 74 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores Atenuar, para finalmente eliminar, o handicap sociocultural e dar a todos oportunidades iguais nesse domínio; Diminuir, para finalmente eliminar o fosso sociocultural entre as camadas sociais; Criar condições próprias para incitar o maior número de pessoas possível a fazer valer plenamente as suas potencialidades próprias assim como os benefícios que elas podem encontrar na associação com outros... (…) Exprimia-se ainda o seguinte desejo: que a primeira tarefa desta autoridade seja planificar e esboçar – ao nível dos programas e da organização – um sistema para a formação de animadores profissionais. E também ministrar uma formação em animação sociocultural a todos que independentemente da sua profissão possam estar ao serviço da Animação Sociocultural. “ Lopes (2008, p.148-150) 3.1.2. Proposição e Aceções de Animação Sociocultural Portugal assume a matriz francófona quer no que respeita ao adotar do termo quer ainda pela evolução histórica manifestada pelos inúmeros contributos formativos aos Animadores Socioculturais Portugueses conferidos pelo INEP - Institut National D’Education Populaire e CEMEA - Centres D’Entrainement aux Méthodes D’Education Active. Importa, numa retrospetiva às principais referências do século XX, trazer à discussão os elementos fundamentais que cada um dos autores considera ser os atributos desta pedagogia da participação. Assim, num quadro clarificador de eixos fundamentais procuramos aferir uma proposição síntese das diferentes classificações feitas pelos principais investigadores na área da Animação Sociocultural e assim encontramos a seguinte definição: É uma metodologia assente numa participação com implicações sociopolíticas que visa um processo de consciencialização com vista a um desenvolvimento pessoal, rumo à transformação da sociedade. 75 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores Marcos concetuais de Animação Sociocultural Processo de Consciencialização Participação Implicações Sociopolíticas Metodologias Comunicação e Dinamização P C Prática Conjunto Social de acções A Garcia H. de Varine Jean Nazet Unesco J.P. Imhof Luis Martins Mario Viché M. Hicter Vítor Ventosa Gloria Pérez Serrano Francisco Albuquerque Sindro Froufe L. Trichaud Marcelino Lopes P. Waisgerberf José Mª Barrado Fernando de la Riva R. Torraille Avelino Hernández Esaú Dinis André Raillet Américo Peres Henry Thery Francis Jeason Pillar Crespo Caride E. Grosjean J. Charpentreau Iñaki López de Aguileta H. Ingeberg M. Simonot José Mª Lama María A. sásnchez R. Labourié AnderEgg C Caride Q Quintana D De Castro D Del Valle Método de Qualidade Transformação Desenvolvimento Intervenção de Vida da Sociedade Pessoal La-Hoz Ander-Egg Ander-Egg De Castro Marzo e Figueras Caride Caride Gloria Perez Serrano Puig Ricart Quintana Del Valle Martim Hicter Simonot Izquierdo Viché Simonot F. Cembranos Ander-Egg D. Montesinos Caride M. Bustelo Gloria Perez Serrano Quadro 17 – Marcos Concetuais de Animação Sociocultural - Fonte: Ander-Egg, E. (2000); Badesa, S. (2008, 2ª edição); Lopes, M. (2008, 2ª edição). Adaptação própria (2011). Tendo em conta o quadro anterior, podemos aferir que a animação sociocultural se entende por um código genético onde se configura uma intervenção assente numa metodologia participativa com implicações sociopolíticas, rumo a um processo de consciencialização que passa por levar o ser humano à autonomia e a ser protagonista do seu próprio desenvolvimento. Por isso, como base nestes pressupostos, afirmamos que não há Animação Sociocultural sem uma participação comprometida numa procura incessante de uma qualidade vida que projeta o ser humano num cidadão com plena cidadania comprometida com o bem-estar coletivo. É este agir e interagir intencional e tridimensional (Social, Cultural e Educativo) que vai provocar o aparecimento dos convencionais âmbitos ou espaços interventivos como muito bem nos assinala Quintana (1993, p.10 - 15) ao remeter-nos para as seguintes questões: 76 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores 1- Os destinatários, ou grupos sociais aos quais se dirige a animação: Crianças, Jovens, adultos, Idosos.. 2- Os Territórios, os lugares onde se pretende levar a cabo a Animação: bairros, municípios, associações, escolas, centros cívicos, casas de juventude... 3- Os habitantes humanos: meio rural, urbano, centros de férias, locais de trabalho... 4- As actividades: Artísticas, culturais, sociais, políticas, reivindicativas, comerciais, desportivas. 5- Os objectos que a actividade animadora pretende fomentar: promoção cultural, desenvolvimento social e económico, cultivo das tradições, mudança social, criatividade artística. A Animação Sociocultural constitui-se assim como uma intervenção intencional, séria, consciente e com objetivos muito claros de promoção humana e social. Por isso podemos relacionar a Animação como práticas socializadoras como são a educação, a identidade cultural, a atitude democrática, a democracia cultural, a participação, a criatividade coletiva, a crítica e a mudança social numa abordagem a partir dos seguintes parâmetros: 1. Animação e Educação: Se considerarmos a educação, em sentido amplo, como a técnica de ajudar os indivíduos a autorrealizarem-se e a viver adequadamente em todos os aspetos da existência, resulta que a Animação implica umas componentes educativas. A animação, sem ser "educação" no sentido técnico contribui para a educação, constitui uma instância educativa. Por isso hoje em dia a Pedagogia Social se interessa pela animação, e os pedagogos consideram que tem muito que dizer e fazer nos projetos de animação e na formação de animadores. Isto sobretudo se pensarmos na educação permanente, dado que como refere Hicter - em termos de educação permanente os animadores, os agentes culturais, projetam a perspetiva de uma sociedade educativa. Quintana (1993, p.11-31) situa a ASC dentro do 77 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores marco da Educação Permanente, e relaciona-a com a educação de adultos, que também está comprometida na Educação Permanente; 2. Animação e Identidade Cultural: É dar uma dimensão viva à Animação. A animação cultural com efeito consegue ressuscitar as tradições, despertar a memória histórica, manter as tradições; 3. Animação e Atitude Democrática: A animação está vinculada à ideia de democracia desde as suas origens, dado que surge como uma via para impulsionar a educação popular. Atualmente falamos de animação somente nos países onde o povo tem a palavra e a iniciativa, isto é, nos países democráticos. Porque nos países totalitaristas é evitada a presença e a atuação de animadores no seio do povo, porque são agentes de uma mudança social que escapa ao controle de quem pretende governar o povo dentro de um quadro ideológico totalitário; 4. Animação e democracia cultural: A animação deve ser democrática em todos os campos, mas sobretudo no cultural. Ocorre que a cultura é um bem social, como outros bens, e está mal repartido e por vezes monopolizado pelo poder; 5. Animação e Participação: A participação é a um tempo fim e meio da animação. Isto é , faz-se animação para ensinar as pessoas a participarem, e se participa porque de outro modo não se animaria; 6. Animação e criação coletiva: A animação implica criação coletiva porque a interação consciente gera criatividade e inovação; 7. Animação e espírito crítico: Como resposta às tentativas de dominação do poder que procura pessoas conformistas e passivas. 8. Animação é a procura da permanente Mudança e transformação. Acreditamos que a animação como prática social, dinamiza a sociedade e comunica atividade e entusiasmo no tecido social a partir das seguintes funções: 1- Funções ao nível da relação com os cidadãos: Desperta a consciência cívica. 78 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores Proporciona Educação Social. Supera a passividade pessoal e natural. Promove o associativismo. Incita a atuar de uma forma desinteressada. Cultiva capacidades pessoais. Descobre vocações. Fomenta a ocupação do tempo livre. 2- Funções na relação com os Animadores: Estimula impulsos solidários. Cultiva atitudes pessoais. Facilita o exercício de um serviço social. Oferece possibilidades profissionais. 3- Funções na relação com os grupos sociais: Proporcionar um sentimento coletivo. Manter os valores do Grupo. Vitalizar as tradições. Consciencializar perante situações injustas. Promover reivindicações. Fazer ver as necessidades. 79 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores 4- Funções na relação com a dinâmica Social: Fomentar a informação. Aumentar a participação cidadã. Garantir a promoção social (Cultural, comercial, desportiva...). Estimular a comunicação. Potenciar a iniciativa individual e coletiva. 3.1.3.Funções da Animação Sociocultural na Sociedade Atual A sociedade atual apresenta-se-nos como uma sociedade em crise, o que implica que a ASC se conceba como um método de superação humana e social para estes tempos de permanente vazio. A crise na nossa sociedade manifesta-se a partir de diferentes sintomas: A sociedade de Massas: O êxodo da população rural para as cidades, a uniformização coletiva operada pelos meios de comunicação social configuraram uma sociedade que absorveu as individualidades, levando as pessoas a sentirem-se isoladas e perdidas originando roturas de laços que influenciam a coesão social. A sociedade de consumo: Onde o Ter é mais importante que o ser. Os bens materiais constituem-se como símbolos que conferem estatuto. A sociedade Unidimensional: Caracterizada por H.Marcuse e assente no facto de o homem atual viver somente para produzir e para superar os obstáculos que podem dificultar a consecução do êxito pessoal. A racionalização e a competitividade vão limitando a espontaneidade, a imaginação e a criatividade. 80 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores A sociedade com problemas de convivência: A multiculturalidade que devia apresentar atributos valorativos a partir de uma ação Intercultural tem sido um foco de conflitos. Os problemas estruturais da Sociedade: Crise económica, Desemprego, Droga, Delinquência, Dependências, Sida, insegurança. A sociedade opressiva: Existem ainda no mundo regimes que continuamente violam os direitos humanos. Há muitos milhares de vítimas de injustiças. A Animação Sociocultural pode ser um instrumento de combate contra esses malefícios sociais, Aguilar (2005, p.11) assinala que hoje em dia toda a ação da ASC deve fazer frente a dois grandes problemas: “Um: o derrube das utopias: nos anos 60 uma série de acontecimentos sociais abriam a esperança de uma renovação social. Actualmente já não há utopias, nem esperança ou desejo de renovação, existe antes a desactivação política, a privatização da vida, a apatia e o narcisismo. Tudo isto tem como consequências a: indiferença, com o desaparecimento do sentimento de culpa, a competitividade lúdica, a preocupação política e o compromisso social. A outra consequência é a mutação da esquerda: O que significa isto? é que a ASC sempre foi promovida por gente de esquerda. Nos anos 60/70 existia uma esquerda inquieta, renovadora, que propunha mudanças culturais; pois bem, durante os últimos anos a esquerda desvitalizou-se e se converteu no que poderíamos chamar uma esquerda lúdica, dionisíaca, esquisita, snobe. Tratase de uma esquerda absorvida pelo sistema que criticava.” 3.1.4.Níveis de ASC 1. A Difusão Cultural e a recuperação das Tradições: A animação procura mobilizar as pessoas e grupos a fim de que conheçam a obra cultural e a divulguem como património comum; 2. A Expressão e a Criação: Trata-se de um nível muito utilizado através de programas dedicados á cultura; 81 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores 3. A Promoção Social: Pretende dinamizar um grupo ou uma comunidade conferindo-lhe dinâmicas que permitam passar de situações eventualmente marginais a um estado pleno de participação; 4. Animação para a mudança social: É um projeto orientado para a mudança social e destinado a implicar as pessoas na participação dessa mudança; 3.1.4.1.Modelos de Iniciativa e de Financiamento de Projetos 3 Modelos: 1. Iniciativa e Financiamentos Privados: Trate-se geralmente de projetos muito pequenos e com poucos recursos. Têm como base um trabalho voluntário e apresentam uma finalidade social; 2. Iniciativa Privada e Financiamento Público: Trata-se de atividades que reforçam eficazmente o tecido social e o associativismo e que implicam uma notável consciência cívica; 3. Iniciativa e Financiamento Públicos: Campanhas de ASC promovidas e apoiadas pelo estado e autarquias; Os Programas de ASC distinguem-se sobretudo por âmbitos de atuação que requerem uma metodologia assente no tipo de programas: 1. O Sociocomunitário: Tem por objetivo a consideração e a solução de problemas de convivência cívica e comunitária, como podem ser os conflitos étnicos, as diferenças de oportunidades ou de vantagens urbanísticas, certas reivindicações ecológicas, etc; 2. O Socioeconómico: O objetivo é a promoção de fatores que melhorem o nível material de vida ou a vitalidade comercial ou artesanal. Em parte coincide com projetos do chamado desenvolvimento comunitário; 82 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores 3. O Sociohumanitário: Trata-se de programas de ajuda a casos de marginalidade social, droga e outras situações de risco social; 4. O Socioeducativo: Responde ao crescimento progressivo da formação que se quer garantir a todas as pessoas; 5. O antropológico-cultural: Pretende-se estimular processos de identidade cultural, sobretudo coletiva, sobretudo quando está sujeita a uma opressão cultural; 3.1.5. ASC e perspetivas vindouras Partindo da perspetiva diacrónica para a sincrónica podemos referir que nos primórdios a animação apresentava-se como difusa, não intencional e muito ligada a uma dimensão recreativa e lúdica. Posteriormente, com o aparecimento do conceito sociocultural, a mesma evolui para uma tríade composta pelas dimensões do educativo, cultural e social. Na passagem do século XX para o século XXI a Animação Sociocultural libertase da matriz francófona e liga-se a uma dimensão ibérica que lhe confere um acentuado reforço de dimensão social. Esta constatação resulta por um lado dos indicadores que chegam até nós e que resultam dos inúmeros eventos levados a cabo à volta da Animação Sociocultural (congressos, jornadas, fóruns, seminários, reuniões...), por uma grande expansão da RIA - Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural (Argentina, Brasil, Cuba, Espanha, Peru, Portugal, Uruguai...) e ainda pela grande produção teórica ocorrida no espaço iberoamericano. Esta tendência é reforçada por Ventosa, V. (2007) quando na sua conferência no Congresso de Lucerna / Suíça referiu o seguinte: “(...) Antes de entrar en la materia de mi conferencia, quiero agradecer a la organización de este 3º Coloquio Internacional de ASC, no sólo el haberme invitado al mismo, sino sobre todo el permitir hacerlo en nombre y representación de la RIA, expresándome a través de una de sus más importantes señas de identidad como es su idioma común más generalizado. Una lengua intercontinental hablada y entendida por varios cientos de 83 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores millones de habitantes en varias decenas de países que componen nuestra vasta Comunidad de países de América Latina, el Caribe, Portugal y España. Una comunidad intercontinental que en la actualidad ocupa un lugar relevante en el mundo en materia de Animación Sociocultural. No en vano, Iberoamérica represente la Comunidad con el mayor número de ponentes y comunicaciones presentadas a este Congreso en el que están representados los cinco continentes de nuestro globo, a pesar de que los iberoamericanos aquí presentes, a penas lleguemos a una 10ª parte de la totalidad de los países de Iberoamérica. Las dificultades de acceso a este tipo de eventos internacionales son muchas y de todo tipo para buena parte de los pueblos Iberoaméricanos, por ello espero que con este gesto a partir de ahora el idioma sea un impedimento menos.(...) Por ello, frente a estos tópicos, debemos afirmar que la ASC no ha muerto precisamente porque sigue en crisis, es decir, transformándose a partir de los nuevos contextos y demandas socioculturales del siglo XXI. La prueba más evidente de este renacimiento de la ASC es el fértil y creativo panorama existente al respecto en los países iberoamericanos, tal y como se refleja en la Red Iberoamericana de ASC (RIA) que tengo el honor de presidir, a través del trabajo desarrollado en su primer año de funcionamiento, tal y como describiré a continuación.” Conferencia pronunciada en el Coloquio Internacional de ASC en Lucerna, Suiza 3º el pasado 27 de septiembre de 2007 O Século XXI, enfim, o tempo em que vivemos está a projetar-nos novos âmbitos de Animação Sociocultural normalmente ditados pelas novas tecnologias e por isso urge fazer o reencontro da Animação Sociocultural com o ciberespaço, redes sociais, isto é o emergir de um novo paradigma que ligue a Animação Sociocultural as novas tecnologias de informação e comunicação como muito bem nos assinala Viché (2007, p.36) “El devenir de la ASC ha evolucionado al ritmo de la propia evolución de la Sociedad, como no podía ser menos, hasta llegar a un punto en que el desarrollo actual de las tecnologías de la Información y Comunicación junto con la deslocalización y desbordamiento de culturas y flujos humanos, económicos y sociales, están determinado una progresiva transformación de los ámbitos y referentes topológicos de la ASC, desde un primer nivel grupal (mediados del siglo XX), caracterizado por la búsqueda de identidades colectivas en términos de clase, ideologías o creencias, hasta al ámbito virtual o ciberespacial de principios del S.XXI, pasando por un estadio intermedio 84 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores territorial (local y/o nacional) ( último cuarto de siglo XX) con predominio de la búsqueda de intereses culturales y/o territoriales.” Defendemos uma Animação Sociocultural ligada ao pulsar do nosso tempo, contudo não devemos descurar a história e aquilo que caracteriza e identifica esta pedagogia da participação que apenas possui à volta de 50 anos de idade e já percorreu tantos caminhos, projetos, trajetos, “verdades”, utopias, certezas, duvidas, esperanças... “(...) o futuro da Animação Sociocultural não passa nem pelo individualismo, com as marcas do capitalismo, nem pelo colectivismo defendido pelos movimentos socialistas do século XX, importa revalorizar o comunitário que requer formas inovadoras de intervenção, onde se apliquem novas metodologias de acção no domínio do social, cultural e educativo, exigindo, cada vez mais, à Animação Sociocultural ter presente as muitas mutações operadas, como por exemplo as alterações no novo espaço social urbano, o novo espaço social rural, o multiculturalismo e a interculturalidade, a globalização, o meio ambiente, o desemprego e o emprego, etc. questões que requerem respostas colectivas. Porque importa ter presente que estes quase dez anos do século XXI nada trouxeram de inovador à Animação Sociocultural e aos Animadores. Contudo aconteceram tantas ocorrências… Tantos factos históricos… Urge que a Animação Sociocultural do século XXI tenha presente a história passada e requeira novos desafios. A herança trazida do século XX pode não ser a melhor, mas é uma história cheia de luta, sofrimento, tortura, resistência, persistência e sempre com o pensamento de que outro mundo podia ser possível.” Lopes ( 2008, p.156-157) Neste meio século de vida a ASC tem servido de motor e alavanca impulsionadora do desenvolvimento social, cultural, educativo da humanidade. Como não somos futuristas não podemos porvir os tempos vindouros; contudo, acreditando na história deste meio século, não é difícil projetar um auspicioso futuro já que os sinais dados pela historia nos remetem para a necessidade de: - Novas políticas de integração; - O viver corresponder ao conviver; 85 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores - O tempo ser animado e não ocupado, - Diálogo Intergeracional em vez de fragmentação etária, - Atores em vez de espetadores; - Ócio em vez de ociosidade... Por tudo isto e fazendo nossas as palavras de Lopes (2011) o futuro tem futuro para a Animação Sociocultural e Animadores Socioculturais. 86 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores “O envelhecimento da população pode ser um dos maiores triunfos da humanidade, mas é, também, um dos seus maiores desafios.” Osório (2008, p.207) 3.2. Animação Sociocultural com e para os Seniores Tendo como ponto de partida o conceito de animação que tem como eixos norteadores dar vida e movimento, também o conceito sociocultural se apresenta como polissémico e admite múltiplas definições, Requejo (2008, p.210), afirma que, “ (…) pode ser considerado como uma intervenção, uma actividade da prática social, uma técnica ou um instrumento, como um processo, como um projecto no sentido do desenho de actividades para um grupo especifico da sociedade.” Partindo como referência da expressão caída no domínio público, A animação não serve para dar mais anos à vida, mas sim para dar mais vida aos anos, partimos para uma noção de animação sociocultural assente em premissas do envelhecimento ativo, reforçamos ainda esta perspetiva com a visão do grande pedagogo Ezequiel Ander-Egg, que afirmou, durante o I Congresso Internacional As Fronteiras da Animação Sociocultural, que podemos envelhecer sem ser velho, e que também a ASC preconiza que os seniores devem usufruir de um envelhecimento ativo, “La promoción de un envejecimiento activo ha de ser el eje central de los programas de animación sociocultural dirigidos a las personas de edad avanzada.” García (2008, p.9) Partindo desta premissa avançamos para um âmbito da Animação Sociocultural que é a Animação na Terceira Idade. Como em qualquer âmbito da animação sociocultural, também ao nível desta faixa etária o sujeito deve ser tido como o principal ator do seu próprio processo de desenvolvimento e também na intervenção a ser realizada. 87 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores Apesar da animação sociocultural na terceira idade ser recente, e tendo em conta que devido ao aumento da esperança média de vida e ao progressivo aumento da população idosa nas sociedades, a promoção de um envelhecimento ativo é cada vez mais importante, “ Esta especialidade surge nos últimos anos ante um dos desafios mais importantes das sociedades do século XXI (…)” Ventosa (2009, p.333) Devemos potenciá-la, pois, na perspetiva do mesmo autor, (2009,p.333) “A animação de pessoas idosas constitui uma especialidade da Animação Sociocultural e este por sua vez, é uma modalidade de intervenção socioeducativa cuja finalidade é aumentar a qualidade de vida das pessoas mediante a sua implicação activa, participativa e grupal na realização de projectos e actividades socioculturais que respondam aos seus interesses e necessidades de ócio e desenvolvimento pessoal e social.” Por este motivo, é necessário realizar atividades de animação sociocultural com os Seniores e não para os Seniores, uma vez que urge transformar a passividade em ação, o ser dependente em ser autónomo e o ser ator em vez de espectador, “A Terceira idade procura na actividade de animação poder sentir-se útil, dar um novo sentido à sua vida. Digamo-lo em quatro palavras, o que o idoso necessita é de: - participar; - mover-se; -actuar; -sentir-se vivo. Sobretudo o sentido último, por razões mais que evidentes para quem observa no horizonte o ocaso da vida.” Cubero, citado por Lopes (2008, p.335) É com este princípio que uma intervenção em animação sociocultural para a Terceira Idade deve valorizar a pessoa e consequentemente valorizar a sua história de vida, as suas experiências, os seus saberes e sobretudo a sua memória. Como já afirmámos ninguém vive sozinho. O ato de viver é sobretudo conviver, daí a animação sociocultural constituir um imperativo de vida no sentido de levar o 88 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores sénior a uma cidadania plasmada numa participação comprometida com o seu próprio desenvolvimento. A ASC assume hoje um papel de relevo no que diz respeito à preservação da sua qualidade de vida no sentido de criar, proporcionar e realizar atividades que permitam manter esta faixa etária da população cada vez mais inserida nas suas comunidades por forma a combater os fenómenos de solidão, abandono e exclusão social. Devido a este paradigma torna-se urgente aprofundar e criar políticas de intervenção junto da Terceira Idade para que esta não seja tida como o fim de vida, mas sim como uma nova etapa do ciclo de vida, uma vez que, “O século XXI traz-nos a assunção da Terceira Idade (…), ainda não vimos por parte do poder político a adopção de medidas que permitam a valorização dos Idosos através do incremento das suas práticas, das suas vivências, experiências e saberes.” Pereira e Lopes (2009, p.9) Tendo como base este pensamento a Animação Sociocultural constitui para a os Seniores a tal didática da participação social denominada por Ventosa, pois estamos certos que esta pedagogia, ao ser exercida, permitiria aos seniores uma cidadania maior alicerçada num humanismo vivencial. Também defendemos que um programa de animação sociocultural pode servir para combater dependências várias (p.ex. Fármacos) pois a ação constitui em si um meio terapêutico de extrema eficácia. Com base em autores que estudam o fenómeno da Animação Sociocultural na Terceira Idade passamos a eleger aquelas que em nosso entender respondem a estes desafios por nós colocados. A Animação Sociocultural é uma metodologia de intervenção e, no âmbito dos Seniores, não é diferente por isso referimos a autora Martins (2009, p.349-350), “A Animação Sociocultura tem um papel importante e fundamental. É assumida como uma metodologia de intervenção sociopedagógica nos mais diversos contextos socioculturais e educativos. É um instrumento ao serviço de um conjunto de actores sociais no quadro da acção, potenciando as pessoas, os grupos e as comunidades. A Animação sociocultural, conectada à terceira idade, pretende ser um instrumento de minimização de factores traumáticos, de 89 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores valorização pessoal e comunitária do idoso, conferindo-lhe um envelhecimento saudável.” O autor Mínguez (2004, pp. 144-149) defende que a animação sociocultural com a terceira idade, sustentada na educação, assenta em 2 dimensões e 2 níveis bastante distintos, sendo elas a dimensão intelectual e a dimensão biológica e os níveis psicológico e social. No que se refere á dimensão intelectual, ressalta a importância de os seniores se conhecerem a si próprios e também explorem todas as questões ligadas à sua vida e cultura. “Como estrategia de funcionamiento de la mente y la memoria la educación mantiene y mejora la calidad de vida, principalmente a través, en lo posible, de un trabajo de descubrimiento autónomo (…) En definitiva se trata de explorar el mundo de la mente en las diversas manifestaciones culturales (música, arte, literatura), sino al descubrimiento de las “musas” inspiradoras de la vida y la cultura.” Mínguez (2004, p. 144) Segundo o mesmo autor (p. 144) a dimensão biológica, através da prática educativa, provoca uma melhoria nas condições de saúde, “También la prática educativa extiende sus efectos sobre los niveles biológicos. En general puede assegurarse que mejora y contribuye al mantenimiento de la salud física permitiendo a los indivíduos una capacidad de movilidad suelta e indipendiente.” No que se refere ao nível Psicológico, (pp. 145 – 146), para que as questões ligadas à depressão possam ser combatidas e dessa forma os seniores desenvolvam uma maior autoestima, o que leva a uma diminuição da ansiedade. Por último o autor refere o nível Social (pp. 146 – 147), onde salienta a questão da convivência com outras pessoas, criação de redes de contactos, promoção de laços de proximidade com a comunidade onde está inserido, pois desta forma os seniores assumem um papel e entendem que podem ser sociáveis e fazer parte do desenvolvimento da sociedade que os rodeia. 90 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores A ASC coloca-se à disposição dos seniores para facilitar, aos mesmos, um envelhecimento ativo e na promoção de atividades de interesse que os façam estar ativos quer física quer psiquicamente, para que a perda das faculdades não seja abrupta e que os mesmos possam usufruir de um tempo livre animado e com atividades que os façam sentir uteis, apesar dos efeitos que o envelhecimento acarreta, Em jeito de conclusão e segundo, Requejo (2008, p.217), “Os processos de animação sociocultural, alimentados pelas diferentes intervenções socioeducativas como uma oferta de programas variados e em diferentes contextos (centros de dia, residências, instituições formativas especificas como as Aulas/Universidades, etc.) supõem um apoio importante que pode servir de instrumento à oportunidade global de assegurar às pessoas de idade viver mais anos, com saúde e participando activamente na sociedade.” Podemos concluir que na ASC para e com os seniores se torna muito importante para conseguir que eles se sintam motivados, acompanhados e ativos; que a mesma traz um valor acrescentado no que se refere às relações intergeracionais e que o mesmo pode ser a forma de os seniores participarem na comunidade. Todas as atividades que são promovidas devem ter em primeiro lugar os interesses e motivações de cada sénior; Deve promover a autonomia no sénior e um envelhecimento ativo; entre outras e por isso elaboramos um quadro com as características fundamentais da ASC na e para os seniores na opinião dos entrevistados. 91 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores ASC para e com os Seniores Victor Ventosa Gloria Pérez Serrano Luis Gomez Garcia - Grupo de meios mais eficazes e idóneos para responder as necessidades, problemas e interesses dos seniores; Metodologia de trabalho de grande interesse; - Permite criar novas relações intergeracionais; Estimular os Seniores; - Promoção de uma reflexão aos seniores sobre a sua condição social e de que forma podem melhorála transmitindo os conhecimentos à comunidade; - Metodologia eficaz para combater a solidão, a inatividade, a falta de autoestima; -Deve potenciar a convivência em detrimento da não convivência; Desenvolver as potencialidades dos seniores; - Fazer com que os seniores participem; Promover uma vivência cheia de vitalidade aos seniores. Maria Conceição Antunes -Estratégia e metodologia de intervenção social; - Implementação de atividades, programas e projetos adequados aos seniores; Avelino Bento Manuel Vieites - Importância das relações intergeracionais; - Procurar a interação entre gerações; - ASC é um espaço de transmissão de saberes e experiências. - Organização de atividades para os seniores; - Atividades no âmbito do património cultural que cada sénior tem. - É um processo transformador comunitário. - Ocupação positiva e gratificante do tempo livre. Quadro 18 – ASC para e com os Seniores – Elaboração Própria (2012). Fonte: Ventosa , Perez, Gomez, Antunes , Bento, Vieites. Tendo por base o quadro 2, onde optámos por colocar as ideias chave que os entrevistados nos revelaram no que se refere as características que deve ter a ASC para os Seniores. Podemos ressalvar que na realidade esta deve ser tida como uma ferramenta e um meio de combate ao isolamento, inatividade, desocupação, entre outros dos seniores, ou seja, através da ASC é possível criar atividades e programas que possam ir de encontro àquilo que os seniores pretendem e que os interessa, para que a “ocupação” não seja apenas o que a própria palavra indica, mas que seja sim um espaço em que os seniores se sintam integrados e que ocupem com animação o tempo, ou seja, que o tempo seja animado e seja gratificante para os seniores e para a comunidade. 92 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores Todos os entrevistados são unânimes em afirmar que todos os projetos devem integrar na sua essência a partilha de saberes e experiências com gerações mais novas e portanto todos referem a importância das relações Intergeracionais, para que os mais novos aprendam com o passado e os mais velhos apreendam com o futuro. 93 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores “O Animador Sociocultural é um catalisador, dinamizador, assistente, técnico, mediador, transmissor (…) cujo comportamento e modo de agir vão interferir nos processos de participação dos outros.” Ander-Egg (1999, p.27) 3.3.Perfil do Animador Sociocultural para os Seniores Antes de partirmos para as características fundamentais de que um animador sociocultural deve estar munido para o âmbito da Terceira Idade, devemos ter sempre presente a definição de qualquer animador Sociocultural, como nos revela Ventosa (2009, p.338) que, “(…)é um profissional socioeducativo que planifica, coordena e gere projectos, eventos, equipamentos socioculturais, adaptando-os ao colectivo destinatário e às características e condições da empresa ou instituição em que se vão desenvolver, contando com a implicação activa dos seus destinatários .” E é apologista que o animador tem no mínimo três campos de trabalho muito concretos, sendo eles, o “Cultural”, onde fundamentalmente trabalha em torno da criatividade; o Social, onde o essencial se centra no trabalho com o grupo/comunidade e onde as pessoas são chamadas a participar e a fazer parte do grupo em que está integrado; e “Educativo”, centra-se na pessoa e para que a mesma se desenvolva e transforme tendo em consideração as capacidades individuais de cada um. Ventosa (2002, p.31) Em todas as profissões existem especificidades relativas a cada uma e a ASC é um exemplo disso, bem como os animadores. Devem ter sempre em consideração o âmbito em que trabalham pois as caraterísticas que devem possuir são diferentes, apesar de determinadas caraterísticas serem transversais. As definições das caraterísticas dos animadores socioculturais são coincidentes na maioria dos autores, apesar das mesmas estarem descritas em Pérez e Puya (2007:1894 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores 19), que nos referem cinco como sendo fundamentais para os animadores, “Educador, Agente de Mudança Social, Interlocutor, Mediador Social e Dinamizador Intercultural”; desta forma, podemos afirmar que o Animador deve ser educador, para que as pessoas não vivam isoladas e que o trabalho que vão promover junto das mesmas seja o mais adequado possível e corresponda as expectativas das mesmas, “- Educador. La educación es un instrumento para el cambio y el desarrollo personal y social. Pretende modificar actitudes desde la pasividad a la actividad. Estimula para la acción, sacando del aislamiento a las personas. El animador sociocultural tiene que llegar a una compensión real das necesidades y aspiraciones de los grupos y personas, que éstos, en ocasiones, no son capaces de expresar.” Pérez e Puya (2007, p.18) Deve ser um agente de mudança, uma vez que trabalha públicos que podem possuir caraterísticas diversificadas e deve promover o trabalho comunitário, sem nunca descurar o que cada um pensa ou sente para que possa modificar ou simplesmente atuar na realidade em que cada um está inserido. “ - Agente de cambio social. Ejerce la animación con grupos o colectivos de muy diversa índole. Su objectivo es implicarles en una acción conjunta. Por tanto, el animador sociocultural es un técnico en contacto con la realidad social, dinamizador de su entorno y experto en el funcionamiento de los grupos. Fomenta actitudes comunitarias, teniendo en cuenta los valores, formas de pensamiento y posibilidades de las personas a las que guía e ayuda. Valora, siente y actúa en la realidad social para transformala.” Pérez e Puya (2007, p.18) Para que não existam quebras de diálogo e relação entre as instituições e as pessoas com quem se trabalha, o animador deve ser um bom interlocutor para que promova o empreendedorismo e que o público com quem trabalha se relacione entre si, “– Relacionador. Capaz de estimular y suscitar las relaciones y establecer una comunicación positiva entre personas, grupos y comunidades, que a su vez conexiona con instituciones sociales y los organismos públicos. Debe ser capz de ecliparse para favorecer la interrelación entre los miembros de un grupo y dar prueba de iniciativa y espíritu emprendedor.” Pérez e Puya (2007, p.18) 95 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores É um mediador na medida em que respeita a individualidade de cada um, e no seio da diferença promove o diálogo e a comunicação para que todos se capacitem das suas responsabilidades e que tenham consciência do papel e da capacidade de cada um, “- Mediador social. La mediación como metodología de intervención tiene sus pilares en la comunicación y las diferencias sociales. Permite una mejora personal y social. Tiene que observar y comprender las características y capacidades que influyen en el conflicto, ser un mero intermediario para, poco a poco, devolver el protagonismo a las personas implicadas. Facilitar la comunicación ayudará a reflexionar sobre la responsabilidad, el protagonismo y la capacitación, y potenciará los intereses comunes y posibles acuerdos.” Pérez e Puya (2007, p.19) Enquanto dinamizador intercultural, pois o objetivo é que cada um se aceite como é perante si e perante os outros. o animador promove o diálogo e faz com que todos, mas mesmo todos tenham a mesma igualdade de oportunidades dentro do grupo ou comunidade, “ – Dinamizador intercultural. Previene los conflictos culturales, mejora la comprensión recíproca entre comunidades de origen diferente, conoce profundamente otras culturas y transforma la realidad para que todos experimenten la igualdad de opurtonidades. Favorece la assunción de actitudes positivas con referencia a otras culturas, estimula el desarrollo de habilidades sociales y la toma de decisiones. Fomenta el entendimiento de la interdependencia transcultural mediante la colaboración en la perspectiva de verse a uno mismo desde los otros.” Pérez e Puya (2007, p.19) Todos somos diferentes e ninguém é igual a ninguém e o mesmo se passa no que se refere aos animadores, pois todos eles são diferentes, mas existem competências que acabam por ser básicas no que se refere ao exercício da sua atividade, e as acima referidas são um exemplo disso e por isso corroboramos da opinião de Pérez e Puya (2007:31-32), o Animador Sociocultural, em cômputo geral, deve ter quatro características que nos parecem ser fundamentais, o saber, o saber fazer, o saber estar e o saber ser. Partindo do geral para o particular, ou seja, partindo da definição geral do que deve ser um animador sociocultural e quais as suas características fundamentais, 96 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores segundo Ventosa (2009, p. 340) existem algumas funções que afetam particularmente os animadores gerontogeriátricos e que devem ser tidas em linha de conta para que a intervenção junto dos seniores seja realizada da melhor forma, sendo elas, “- Função integradora, que ajude os idosos a enfrentar as mudanças e as perdas que devem sofrer nesta etapa da vida; - Função lúdica ou recreativa, de educação no uso e desfrute activo do tempo livre como meio de diversão, ocupação e desenvolvimento pessoal e social; - Função relacional, fomentando a comunicação, a convivência e o estabelecimento de relações interpessoais e grupais; - Função crítica, exercitando e mantendo o sentido critico e a capacidade de análises da realidade circundante, necessária para compreender e situar os acontecimentos e fenómenos quotidianos da sociedade actual; - Função criativa, orientada a despoletar, recuperar e desenvolver todas as potencialidades expressivas de cada um através de diferentes suportes e recursos (dramáticos, musicais, plásticos, manuais, psicomotores…); - Função formativa, articulando e reforçando os processos de motivação para a aprendizagem, a recuperação de vivências, o treino e manutenção intelectual e a actualização de conhecimentos.” Todas estas funções permitem que o sénior seja visto como pessoa e como objeto de intervenção, e permite ao animador ser bem-sucedido na sua intervenção enquanto animador e enquanto elemento potenciador de mudança e melhoria na vida dos seniores, mas também é necessário alertar para o facto de que muitas das vezes quem está no terreno é quem de facto sente quais as necessidades que existem nos seniores e que as funções exigidas pelos mesmos são mais do que as aqui descritas. Não podemos contudo descurar o facto de que o sénior precisa de estar motivado para participar, para viver ativamente, pois sem isso o sénior não tem alento na vida, nem participa nas atividades propostas. Corroboramos da opinião de Jacob (2007, p.33) que nos revela que, “ A especificidade do trabalho com o idoso carece de técnicos especialistas na área e só quem trabalha todos os dias no terreno com idosos, 97 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores se apercebe que ao animador (e aos funcionários e técnicos) lhes é exigido (pelos próprios idosos) muito mais que actividades.” Pois “O animador é muitas vezes o confidente, o conselheiro, o amigo e com o decorrer do tempo, alguém muito próximo do idoso.” Todas as entrevistas se encontram nos anexos, contudo pareceu-nos importante sistematizar a informação recolhida com as mesmas, para que possamos fazer uma análise mais detalhada no que se refere às características do Animador Sociocultural para e com os Seniores. Perfil do Animador Sociocultural para e com os seniores Victor Ventosa Gloria Perez Serrano Luis Gomes Garcia Maria Conceição Antunes Avelino Bento Manuel Vieites - Deve reunir as características comuns a todos os animadores: Qualidades humanas (sáude, resistência física, tolerância; dimensão afetiva e competência técnica e participativa; -Formacão em ASC; - Dar ânimo; -Gostar das pessoas; -Completo; -O Saber Ser, Saber Fazer e o Saber da Formação; Devem ser possuidores de um saber específico relativo à área da gerontologia; - Saber quais as atividades mais indicadas para esta faixa etária. -Deve ser educador; -Agente de mudança; -Formação específica em Gerontologia Social e Educativa; -Conhecimentos básicos de geriatria e psicologia da velhice; Mediador Social; Dinamizador intercultural. - Dar vida às pessoas e atividades; -Complexo; -Respeitar as pessoas; -Bom comunicador; -“Vocação” e aptidão para a promoção de atividades, programas e projetos com a 3ª Idade. -Construir com as pessoas um percurso onde se tenha em consideração: -Necessidades e interesses -Conhecimentos básicos de recursos sociais públicos para a 3ª Idade. das mesmas. -Empatia; -Capacidade de escuta; -Formação antropológica para conhecer o valor da cultura; -Grande capacidade de adequação ao meio. Quadro 19 – Perfil do Animador Sociocultural para e com os seniores – Elaboração Própria (2012). Fonte: Ventosa , Pérez, Gomez, Antunes , Bento, Vieites. 98 Capítulo III – A Animação Sociocultural para e com os seniores Após análise das entrevistas e confrontando com a bibliografia consultada, podemos verificar que a definição do que deve ser o Animador Sociocultural na Terceira Idade está longe de ser consensual, assim como nos afirma Avelino Bento, “ (…) da mesma forma que a polissemia do conceito de ASC diverge em função das práticas, dos lugares, dos conteúdos, das politicas, dos princípios, também o perfil do animador é interferido por essa polissemia.” Bento (Entrevista 5) É consensual que o perfil do Animador Sociocultural no âmbito dos seniores deve ter as mesmas características que todos os animadores têm, deve ser capaz de animar e propiciar a participação de todos, e o fato de possuir conhecimentos específicos na área da geriatria e gerontologia permite aos animadores terem uma maior sensibilidade e um melhor desempenho no seu trabalho com os seniores. O perfil de Animador Sociocultural para intervir junto dos seniores deve ser portador de um espirito aberto, flexível, tolerante e sobretudo ter o condão de possuir uma abertura à vivência e à convivência. Deste modo, importa ao animador Sociocultural olhar os seniores como uma fonte inesgotável de saberes adquiridos ao longo da sua vida e projeta-los através de dinâmicas que promovam a autoestima do idoso. Como afirmou o grande sénior Ander-Egg (1987, p.37), “não pode animar quem não está animado, não pode animar quem não acredita que o outro pode ser animado.” Com base nas palavras deste sábio testemunhamos e defendemos o animador sociocultural como um agente de desenvolvimento para dar vida, às vidas feitas, tem que ser alguém que deve ser capaz de animar, de cativar, de motivar e de proporcionar aos seniores momentos de partilha, de convívio e atividades que façam com que os seniores participem de uma forma descomprometida. 99 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa 100 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa “Se puede afirmar que los mayores son maestros de la experiencia por el hecho de haber vivido más tiempo y porque poseen unos conocimientos de los problemas psicosociales que no poseen los más jóvenes. Dichos conocimientos los poseen, no por haberlos estudiado previamente, sino por haberlos vivido y experimentado en su própria carne durante más tiempo.” Carrajo (1999, p.147) 4.1. A ASC e a Educação Intergeracional Na sociedade atual, em que cada vez mais se discute a importância que as relações interpessoais assumem para os indivíduos como combate ao isolamento, as relações intergeracionais assumem um papel de relevo neste sentido, até porque é uma forma de combater a marginalização por parte dos mais novos para com as pessoas mais velhas, e desta forma a ação intergeracional deve constituir o âmago de uma educação centrada na partilha, no interagir, no viver e no conviver. Neste contexto a Animação Sociocultural deve incitar à tal ação e como pedagogia da vivência que é deve potenciar a vida ativa e superar a resignação e difundir os valores resultantes da ação intencional e comprometida como assinala o autor, “ Son una de las posibles formas de relación interpersonal. Son la fuente de socialización humana más importante, ya que de ellas derivan la transmisión humana más importante, ya que de ellas derivan la transmisión de conocimientos, valores, actitudes, etc., de unas generaciones a otras; de ellas se derivan también muchos efectos positivos para el desarrollo personal, la satisfacción y la salud mental de los individuos participantes.” Carrajo (1999, p.47) Os seniores podem partilhar histórias de vida com os mais novos, podem partilhar experiências de vida, ofícios que hoje em dia já nem se fala neles e que os seniores tiveram como profissão/oficio na juventude ou na adultez, e desta forma criam-se momentos de partilha e troca de experiências muito boas. 101 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa Através desta experiência intergeracional os seniores podem partilhar com os mais novos histórias de outrora e ensinar aos mais novos o que viveram, o que experienciaram e dessa forma vão sentir-se úteis e reconhecidos no seu papel de “mais velhos” e definitivamente vestirem o fato de anciãos. Esta experiência pode surgir também das crianças para os seniores “Por isso o saber já não está só num dos lados, da tradição e das memórias, dos velhos e dos sábios, está também do lado do presente e do futuro, das crianças e jovens e dos adultos, da cultura local à cultura global, da identidade à diversidade cultural.” Bento (entrevista 5) As crianças podem ensinar aos seniores músicas, jogos dos seus tempos de criança, recordo que nos Encontros Intergeracionais promovidos pela Junta de Freguesia de Ramalde no ano de 2009, entre a EB1 dos Correios e o Centro de Convívio das Campinas, o 1º encontro ficou marcado pela vontade com que as crianças estavam em ensinar aos seniores os jogos que faziam nos intervalos da escola e em casa e obviamente que esses momentos de partilha foram muito bons e os seniores adoraram e sentiram que realmente era possível aprender com as crianças os seus saberes e apreender as suas técnicas e conviver com os mesmos sem se sentirem marginalizados. Desta forma corroboramos da opinião de Bostrum et tal, citado por AA.VV. (2007, p.170): “Os programas intergeracionais pretendem a promoção do estabelecimento de uma relação, de carácter individual, entre duas gerações, os jovens e os idosos. Os seus objectivos são a alteração de atitudes intergeracionais, que estão muitas vezes enviesadas; a promoção e garantia da transmissão de tradições culturais; o encorajamento da colaboração activa entre gerações; a partilha de recursos e a resolução de problemas sociais, como o abandono escolar, abuso de substâncias e vandalismo.” No caso concreto do Abandono Escolar recordo mais uma vez a iniciativa da Junta de Freguesia de Ramalde, já atrás referida, Encontros Intergeracionais, em que aquilo que mais admirava as crianças era quando os seniores referiam que tinham apenas a 1ª classe, ou que nunca tinham tido a oportunidade de ir para a escola pois os pais eram pobres e foi necessário começarem desde logo a trabalhar e a participar nas tarefas domésticas, uma vez que os pais tinham por vezes muitos filhos e todos tinham 102 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa que ajudar e até mesmo quando os seniores revelam que não existia espaço para brincar, aí sim é a cara de maior admiração, pois brincar é aquilo que as crianças assumem como sendo um direito hoje em dia. As crianças acabam por perceber e aprender a valorizar o seu espaço de estudo e o seu espaço de brincadeira pois entendem que noutros tempos, no tempo dos seniores, nada disto existia e isso também pode servir para um processo de consciencialização dos mais novos a saberem apreciar melhor aquilo que hoje em dia têm. Os encontros Intergeracionais podem ser definidos de acordo com Pérez e Puya (2007, p.72), “Son espacios de encuentro entre personas que pertenecen a generaciones diferentes (niños, jóvenes, adultos e mayores), con el fin de aprovechar la riqueza que cada una de ellas puede ofrecer. Suele producirse en momentos importantes y significativos para la familia, que conviene aprovechar para potenciar la comunicación.” Os encontros são então realizados com pessoas de gerações diferentes em que se pretende aproveitar e tirar partido da experiência/sabedoria de cada um dos participantes e que seja possível partilhar por todos os intervenientes. Têm como objetivos gerais, segundo as referidas autoras, “- Descubrir las potencialidades que ofrecen las diferentes generaciones; Ayudar a la persona en la organización de su propia vida; - Tomar conciencia de la riqueza de la persona, en las diferentes etapas del arco vital; - Sensibilizar a la población de la necesidad de vivir juntos; - Promover la conciencia de utilidad y autoestima.” A descoberta das potencialidades de todos os intervenientes, alertando sempre para a necessidade de partilha e vivência e convivência em sociedade e que todos, mas mesmo todos são importantes no âmbito da comunidade em que estão integrados. Ainda de acordo com Pérez e Puya (2007, p.72-73), promove-se da seguinte forma, “Se suelen reunir personas de diferentes generaciones, fundamentalmente, del mismo ámbito familiar con el fin de propiciar el encuentro; Suele ser un encuentro informal, aunque suele existir una persona que asume el papel de líder; Se pude 103 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa producir también en otros ámbitos, como en los centros educativos. En este caso existe un coordinador que organiza la sesión en función de los objetivos que se persigan. Un ejemplo son los cuenta cuentos de mayores a los niños adolescentes, tradiciones culturales, etc.” Os encontros podem ser promovidos quer em âmbito familiar, quer em âmbito escolar ou noutro âmbito informal, sendo que os mesmos devem ter sempre objetivos bem definidos e é muito importante a existência de um líder que controle e dinamize os encontros. Podem atingir determinadas metas tendo por base as duas autoras referidas, (2007, p.73) “Aprovechar la riqueza de la experiencia. Como elemento importante para transmisión cultural. Despertar la curiosidad de los más jóvenes ante las tradiciones. Analizar las constantes que se transmiten de generación en generación.” Desta forma podemos afirmar que os Encontros Intergeracionais têm por base a promoção de um encontro que pode ser formal, informal ou dentro da própria família, entre diferentes gerações por forma a valorizar as diferentes gerações que existem na sociedade e que as mesmas se sintam valorizadas pelas histórias, vivências e competências de cada um, e que as mesmas possam interagir entre si e dessa forma partilharem experiências e vivências que doutra forma não seria possível. A Educação Intergeracional, acaba por ser um, “ (…) bom projecto no sentido de caminharmos rumo ao verdadeiro sentido da educação evidenciando que os mais novos beneficiam muito do saber e experiência de vida dos mais velhos e estes beneficiam nos novos horizontes e conhecimentos próprios das gerações mais novas.” Antunes (Entrevista 4) A ASC apresenta-se como uma forma bastante eficaz na promoção de projetos Intergeracionais uma vez que é a principal aliada para o combate ao isolamento dos seniores e na promoção de um envelhecimento ativo que pressupõe uma cidadania ativa, assim, como nos diz Saraiva e Lima (2010, p.159), “A Animação Sociocultural apresenta um enorme potencial no desenvolvimento de projectos intergeracionais, que contribuam por um lado, para combater o isolamento e a solidão dos idosos e, por outro lado, que possam ajudar a diminuir as 104 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa imagens estereotipadas que, muitas vezes, as gerações mais novas manifestam relativamente às pessoas idosas, e, dessa forma, dar resposta à premente necessidade de fortalecimento da solidariedade entre gerações.” Com base nos dados recolhidos realçamos o fato de entendermos que a perspetiva de encontro intergeracional se liga à necessidade de interação entre os diferentes grupos etários (crianças, jovens, adultos, seniores); já a educação intergeracional remete-nos para uma ação educativa onde os diferentes grupos etários partilham saberes, vivências, experiências que constituem o âmago de uma ação educadora. Animação Sociocultural e a Educação Intergeracional Victor Ventosa Gloria Pérez Serrano Luis Gomez Garcia - Desenvolvimento humano; Relações recíprocas de aprendizagem e interações entre jovens e seniores; - A visibilidade dos seniores aumenta proporcionalm ente à medida que se criam relações intergeracionai s; - Enrequecimento mutuo e complementar; Fomentam o intercâmbio cultural e proporcionam sistemas de ajuda social; - Convivência entre pessoas de idades diferentes. Aproveitar as capacidades de cada um em prol do bem comum; - Tem como principal objetivo chamar atenção dos mais jovens para as capacidades e valor que os seniores têm na sociedade e que devem ser respeitados e valorizados. -O desenvolvimen to de atividades intergeracionai s sempre estiveram na essência da ASC; - Cria relações entre os seniores e as crianças através de atividades que beneficiam ambas as gerações e para que as gerações se respeitem mutuamente. Maria Conceição Antunes - Juntar crianças e seniores; - Os mais novos beneficiam muito do saber e da experiência de vida dos mais velhos; - Os mais velhos beneficiam nos novos horizontes e conhecimentos próprios das gerações mais novas; Avelino Bento - Criação de espaços de educação não formal; - Os mais velhos são sábios e contam as suas histórias junto da comunidade; - O saber não está só do lado das tradições e do passado, mas também está do lado do futuro e do presente. Manuel Vieites - Diferentes grupos de idade realizam processos conjuntamente e que se partilhe informação entre todos; - Diálogo verdadeiro entre gerações; - Os seniores e as crianças devem aprender a reconhecer uns nos outros as suas potencialidades e saberes. - Funde-se nos princípios de uma educação comunitária em que todos aprendemos com todos. Quadro 20- Animação Sociocultural e a Educação Intergeracional - Elaboração Própria (2012). Fonte: Ventosa , Pérez, Gomez, Antunes , Bento, Vieites. 105 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa Ainda na opinião expressa dos nossos entrevistados salientamos o fato de na educação intergeracional ser o reflexo da junção de crianças, jovens, adultos e seniores, e que os seniores não são só os detentores de conhecimento, mas que também as crianças e os outros grupos etários podem partilhar saberes desconhecidos dos mais velhos. Pretende-se também através desta prática que as crianças reconheçam nos seniores fontes inigualáveis de sabedoria e que representam o passado da comunidade e que também por isso é importante respeitá-los. 106 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa “(…) o homem é um projecto inacabado; a existência humana surge com a esperança de um desenvolvimento contínuo em que o tempo joga com a surpresa e a imprevisibilidade; o destino do homem é fazer-se sem tréguas até ao final da sua existência.” Palma e Cachioni (2006, p.1461) 4.2.A ASC, a Educação Permanente e as Universidades Seniores Partindo do desiderato que, “O aprender não é um fim em si mesmo, mas um vínculo através do qual uma pessoa pode encontrar uma variedade de objectivos pessoais e de crescimento e que o contexto social tem mudado, os métodos de pesquisa têm evoluído, e as oportunidades para continuar aprendendo durante a velhice irão aumentar” Palma e Cachioni (2006, p.1457) Chegamos então à educação permanente; uma ação educadora onde a realidade e a utopia caminha lado a lado pois se é verdade que a vida educa, também não é menos verdade que o conceito de educação permanente transposta em si uma ideia e um projeto educacional inacabado que nos remete para impossibilidade de aferir o volume educativo que a vida nos dá. Com base no exposto somos defensores de uma articulação entre os espaços educativos formais, não formais e informais como tríade fundamental para a formação do ser humano. Por isso fazemos a apologia de uma ação educadora direcionada para as transversalidades e existência humana pois a educação tem que existir em todos os extratos sociais e em todas as idades. “La educación permanente, lejos de limitarse al período de escolaridad, debe abarcar todas las dimensiones de la vida, todas las ramas del saber y todos los conocimientos práticos que puedan adquirirse por todos los medios y contribuir a todas las formas de desarrollo de la personalidad..” Badesa (2008, p.67) 107 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa O conceito de educação permanente é precisamente o entender a educação como algo que se adquire desde o início da vida até ao fim, é algo que sempre nos acompanha e por isso devem existir processos adequados para cada uma das idades. “Los processos educativos que siguen a lo largo de la vida los niños, los jóvenes y los adultos, cualquiera que sea su forma, deben considerarse como um todo. La novedad de esta propuesta consiste en subrayar el carácter unitario y coherente, así como destacar el aspecto de la oferta a toda la problación a lo largo de toda la vida, por la imperiosa necesidad de actualizar nuestra formación de acuerdo a las nuevas demandas en un mundo de cambio vertiginoso.” Badesa (2008, p.67) Daí nos parecer pertinente a afirmação das autoras, Palma e Cachioni (p.1461), no que se refere à educação permanente, uma vez que a mesma é, “ (…) uma tarefa, um direito e um dever ao longo da vida (…)Em qualquer época pode-se aspirar a uma educação que nunca se conclui, pois o homem é um projecto inacabado, e a cultura comporta mudança constante.” Para outros autores a educação não deixa de ser um processo e um produto ao qual o ser humano está exposto e do qual necessita para se realizar enquanto cidadão e que não há momentos que sejam mais indicados ou idades mais adequadas, Não devemos confundir a educação permanente com uma educação exigente e obrigatória, pois os seniores devem entender a mais-valia que poderão ter em integrar um projeto educativo quer ao nível do saber, quer ao nível das relações interpessoais, tanto com o seu grupo de pares e de pessoas da mesma idade, como também com pessoas de vivências diferentes e mais novas e o fato de participarem neste tipo de projetos também faz com que possam ter uma voz mais ativa e uma participação mais comprometida na sociedade em que estão integrados, “Para o idoso a inclusão num programa educativo não é apenas uma oportunidade de reciclagem intelectual, mas, sim, uma possibilidade de dialogar e participar com seus iguais na construção do seu próprio processo formativo. (…) programas educacionais possibilitem aos idosos uma maior relação com as outras gerações, capacidade de exigir seus direitos e autonomia de pensamento, como membros úteis da sociedade. (…) O que se busca é que os programas educacionais possibilitem aos idosos uma maior relação com as outras gerações, capacidade de exigir seus direitos e autonomia de pensamento, como 108 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa membros úteis da sociedade. Para tanto é necessário levar em conta um outro conjunto de pressupostos: 1. Os planos de educação e formação para adultos maduros e idosos constituem uma nova invenção social, politica, económica e cultural. 2. O conceito de educação permanente prevê que a educação e a aprendizagem são contínuas e acumulativas, e não um conjunto pontual de eventos institucionais. 3. A educação para idosos necessita de uma mudança de atitude social da própria clientela. 4. Deve possibilitar não só a divulgação do conhecimento como também o desenvolvimento comunitário da sociedade, com a participação dos próprios idosos. 5. Deve realizar-se com, para e pelos idosos, potencializando sua participação. 6. Necessita da criação, do desenvolvimento e da institucionalização de uma metodologia adaptada às características da clientela, considerando-se os aspectos cognitivos, afetivos e ambientais. 7. A educação para adultos maduros e idosos deve pretender, no mínimo, incrementar os saberes e conhecimentos; incrementar os saberes práticos, o saber fazer, o aprender e seguir aprendendo e possibilitar o crescimento contínuo, as relações sociais e a participação social.” Palma e Cachioni (2006, pp. 1457 - 1459) A educação permanente acaba por se aliar a outros conceitos também eles muito importantes quando falamos de intervenção no âmbito desta faixa etária. Assim sendo, cidadania, convivência, intergeracionalidade, participação, são tudo conceitos que se cruzam com a educação permanente na medida em que os seniores precisam de estar motivados para participarem neste tipo de projetos; é essencial que as gerações mais novas também participem para que se criem relações Intergeracionais que são tão importantes na educação. Os seniores têm que se sentir como foco principal de todo o processo educacional, pois os projetos são criados por forma a ir de encontro com os seus objetivos e que seja algo contínuo e não pontual. 109 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa Ander-Egg citado por Lopes (2008, p.402) refere que: “A Animação Sociocultural e a educação permanente constituem «duas caras de uma mesma moeda» e que a educação permanente, para constituir uma acção válida, deve ser complementada por acções de Animação. (…) a Animação Sociocultural trata de superar e vencer atitudes de apatia e fatalismo em relação ao esforço por «aprender durante toda a vida»” Contudo, é importante referir que a Educação Permanente e a Animação Sociocultural, “(…) ambos conceptos han nacido y se han dessarrollado com un mismo objectivo: promover la democracia cultural o lo que es lo mismo, la creación de una sociedad democrática.” Badesa (2008,p. 68) Devem ser criadas oportunidades para todos os seniores terem acesso à educação, “Proporcionar oportunidades educacionais a idosos é um empreendimento social referenciado a uma filosofia sobre a velhice e a uma filosofia sobre educação à velhice.” Palma e Cachioni (2006,p.1459) Podemos concluir que a educação permanente deve existir e tem que existir por forma a que todos os seniores tenham acesso à mesma, como assegura Grácio, citado por Lopes (2008, p.399) “ A educação apresenta-se como um processo contínuo e permanente; mas se a impregnação cultural apenas termina com a morte, as modalidades socialmente organizadas de promoção cultural e profissional são cada vez mais necessárias num mundo complexo e em célere mudança. Por isso se vai efetivando um pouco por toda a parte o principio de uma «educação permanente», que favorece a adaptação a esse mundo, mediante o aperfeiçoamento cultural e profissional dos adultos em todas as idades da vida, com incidência na esfera do trabalho e na dos ócios ou lazeres, que se pretende sejam educativos.” As Universidades Seniores, são um exemplo daquilo que deve ser promovido no âmbito da educação permanente ou no âmbito da formação ao longo da vida, os seniores sentem que por estarem numa universidade sénior são mais uteis à sociedade e sentemse integrados na comunidade em que vivem e convivem. 110 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa As mesmas têm surgido em grande número e cada vez com mais qualidade e são uma forma de participação dos seniores na sociedade e em projetos de desenvolvimento pessoal, cultural e educativo, conforme nos refere a autora Ferrari (2000,p.99) “ A participação nas universidades abertas à Terceira Idade, como explicita Martins,J., implica uma participação efetiva na sociedade, o que por sua vez implica: - reordenações da vida cotidiana do cidadão idoso; - regresso do cidadão ao cotidiano, como individuo: capaz de lidar com as próprias emoções e com situações de conflito, compreender o processo do envelhecimento, capaz de enriquecer e ampliar o seu ser social, capaz de engajar-se num trabalho criador, ligado à arte, à ciência, à moral e à ação coletiva.” A educação permanente é uma utopia contemporânea (é algo real, mas não qualitativo), as universidades seniores podiam ser um elo de ligação entre os diferentes saberes e que permitissem a operacionalização de experiência e de vivência. 111 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa “Pocas cosas nos hacen más humanos y nos llenan tanto en la vida como todo lo que hacemos por los demás sin esperar nada a cambio, simplemente por puro altruismo y solidaridad. Eso es el Voluntariado.” Cano, Herrera e Ochoa (2007,p.13) 4.3. A ASC, o Voluntariado, a Cidadania e a Participação Tendo como ponto de partida que o aumento da esperança de vida é cada vez maior e que a promoção de um envelhecimento ativo tem na sua essência a promoção de iniciativas que vão de encontro às necessidades dos seniores, e que os nossos seniores cada vez vão ter mais tendência para viver mais anos na situação de reforma, urge que os mesmos sejam chamados a participar na sociedade e não se demitam do papel ativo de participação na mesma, como nos refere Viveiros (2011.p.86), “A participação cívica nas atividades de voluntariado expressa o exercício consciente e livre da cidadania solidária que se constrói com o próximo.” Existe o estigma, junto dos seniores, de que trabalharam uma vida toda e ao passarem para o estado de reformado não pretendem mais participar na sociedade e quase que só exercem a sua cidadania através do direito ao voto e mesmo assim alguns seniores nem mesmo isso já mostram interesse em fazer, “ O fato de se ouvir por parte de alguns “já fiz muito, quero descansar, plantei, agora quero colher os frutos” não deixa de ser um direito adquirido, mas não é uma atitude saudável. Principalmente quando as pessoas se limitam a permanecer só com essas respostas (…) o descansar é importante, o colher os frutos também, mas só isso não basta para esse período da vida em que o individuo adquiriu toda uma experiência, uma vivência; ele tem ainda muito a dar e a receber e principalmente a trocar, precisa continuar vivendo, lutando, crescendo.” Ferrari (2000, p.99) 112 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa Desta forma, é importante que a pessoa idosa conheça a importância que tem a sua participação social. “São os idosos os que desenvolveram a sociedade que agora temos e, da mesma maneira que têm direito a gozar os logros alcançados, é também sua obrigação continuar a dar a sociedade conhecimentos, experiências e sobretudo valores e atitudes.” García (2009, p.37) Tendo por base o conceito de ASC e parafraseando Lopes (2011, p.21) “(…) é uma prática que deve gerar vida associativa, implicar pessoas, promover a interação e como é óbvio motivar a ação voluntária.” Por isso nos parece importante referir que a ASC e os animadores “desempenham um papel primordial na promoção e dinamização do voluntariado. Há princípios e valores que são comuns à Animação e ao voluntariado (…)” Viveiros (2011, p.81). Há autores que interligam o voluntariado, participação e cidadania a projetos de programas Intergeracionais e na realidade faz todo o sentido na medida em que os seniores podem participar ativamente nas escolas, nos ATL, nas creches e de uma forma voluntária contar histórias, partilhar experiências com as crianças, ensinar e partilhar os jogos de tempos idos e esta pode também ser uma forma de voluntariado. Sendo este o ano Europeu do Envelhecimento Ativo (2012) e no ano transato ter sido o Ano Europeu do Voluntariado (2011), porque não, então, juntar sinergias e promover a participação dos seniores em projetos de voluntariado e de cidadania ativa “As medidas de promoção do envelhecimento produtivo/activo pretendem uma participação mais activa dos idosos na sociedade, através da continuidade da prestação dos seus serviços, contribuindo para o desenvolvimento económico e social ” AA.VV. (2007,p.170) aqui apresenta- se o voluntariado como uma forma de manter os seniores ocupados e que os mesmos se sintam úteis para com a sociedade onde estão inseridos, e que o tempo livre não seja um tempo morto, mas um tempo útil e que pode ter um valor acrescentado para os mesmos. O voluntariado é transversal a todas as idades, mas é verdade que existem tipos de voluntariado que são mais adequados às crianças e jovens, outros há para adultos e para seniores, e citando AA.VV. (2007, p.171) podemos versar sobre os seguintes: 113 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa “a)Partilha de experiências em grupos de jovens, colocando-se os conhecimentos e capacidades dos seniores à disposição de grupos infantis e juvenis (Ex. os voluntários seniores que vão partilhar diferentes experiências às escolas). b)Captação de outros seniores, transmitindo-lhes um modelo a seguir, o que torna mais fácil o seu compromisso como voluntário (ex. divulgação realizada pelos voluntários seniores nos Centros de Dia). c)Actividades nos Centros de Pessoas Idosas, promovendo a participação dos membros destes centros em actividades que dinamizem esta população, fomentando a solidariedade (ex. Voluntários seniores com a função de realizar a animação sociocultural dos lares de idosos). d)Projectos com pessoas da mesma faixa etária, organizando, mediante a cooperação de voluntários, uma rede de oferta de pequenas cooperações domésticas (ex., apoio ao domicilio a outros idosos, etc.) e) Avós substitutos, promovendo a recuperação do espaço relacional próprio das pessoas idosas, que é a relação avô-neto, mediante o cuidado das crianças cujos pais trabalham fora de casa, e que ficariam sozinhos durante algum tempo (ex.,Voluntários que fazem de baby-sitteres). f)Centro de informação e atenção às pessoas idosas, atendendo grupos de pessoas idosas de um determinado bairro ou zona, informando-os acerca de qualquer tema de interesse, facilitando o seu acesso a recursos disponíveis.” A palavra cidadania, com o acréscimo da palavra ativa, faz todo o sentido pois todos os cidadãos o são de pleno direito e são chamados a participar ativamente na sociedade, todos temos o direito e o dever de o fazer, Viveiros (2011, p.85), afirma, “ A cidadania ativa é um elemento chave para a consolidação da democracia e para a participação cívica dos cidadãos na construção de uma sociedade mais igualitária e solidária. (…) A cidadania é uma praxis que se reinventa e anima com o envolvimento participativo da sociedade civil para dar sentido à democracia. (…) A cidadania ativa é um «status cívico» em construção na pluralidade dos desafios da democracia.” 114 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa Desta forma, concluimos que “El objetivo general de todo proyecto de voluntariado de mayores consiste principalmente en fomentar la participación activa de estas personas, en actividades de interés general, que repercutan positivamente en la sociedad. Cano, V, Herrera e Ochoa (2007,p.33) O voluntariado sénior faz sentido e deve ser promovido, mas para que exista participação social, “La participación social activa de los mayores es la que atañe a su capacidad de intervenir, con decisión y responsabilidad, en todos los acontecimientos de la vida comunitaria, desde el gobierno de la Nación, (en el que puede actuar mediante el derecho al voto), hasta los asuntos que le son más cercanos, tales como los referentes al barrio en que habita, los de la seguridad ciudadana, la construcción de viviendas apropiadas, etc.” Carrajo (1999, p.193) Na entrevista de Pérez (Entrevista 2) podemos verificar que existe uma reciprocidade no que se refere ao voluntariado na terceira idade, a entrevistada refere que tanto é importante promover o voluntariado junto dos seniores, para que os mesmos possam ser voluntários uma vez que dispõe de muitas potencialidades, como também é importante que existam pessoas que sejam voluntárias junto dos seniores. Conforme nos refere uma das nossas entrevistadas “Uma das melhores formas de combate ao isolamento, combate à exclusão e solidão, pois dessa forma os seniores ficam inseridos na esfera social e cultural, fazendo com que se sintam cidadãos de pleno direito (…)” Antunes (Entrevista 4) É importante que os seniores se sintam integrados na comunidade à qual pertencem e através do voluntariado, da cidadania e da participação, é possível dado que tudo faz parte de uma vida em comum e desta forma, “A Animação Sociocultural constitui assim o âmago para uma ação pedagógica ativa no seio do voluntariado pois confere sentido a ação solidária junto de pessoas e 115 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa grupos em vez de uma perspetiva simplesmente assistencialista, paternalista, meramente redutora e acrítica.” Lopes (2011, p.19) O voluntariado deve permitir às pessoas que o praticam um apreço solidário para com o próximo. Palavras como solidariedade e amor pelo próximo fazem todo o sentido, “(…) as grandes motivações para o voluntariado residem no facto de as pessoas serem úteis às outras pessoas. É este valor de gratuitidade que implica a solidariedade e o compromisso expressos numa participação comprometida com uma cidadania plena, em direção à felicidade e ao bem-estar comunitário.” Lopes (2011, p.20) ASC liga-se então ao Voluntariado, na medida em que ambos apresentam uma relação intrínseca, pois se por um lado temos a animação como um conjunto de práticas sociais, o voluntariado faz parte dessas práticas e promove uma cidadania ativa e participativa, “A Animação Sociocultural como conjunto de práticas sociais, culturais e educativas é uma mais-valia para a consolidação e expansão do voluntariado, rosto da cidadania ativa e dinâmica do associativismo através da promoção de atividades que favoreçam o desenvolvimento integral dos grupos e comunidades.” Viveiros (2011, p.89) Todos temos que fazer com que os seniores sintam a cidadania como sendo um direito seu, enquanto sénior, “sentido de ciudadanía” del cual formen parte activa las personas mayores (…) procesos de transformación social positiva, encerrada en su próprio glossário de actividades de “envejecimiento activo” (mayores más sanos) y “ciudadanía pasiva” (ciudadanos menos sanos). García (2008, p.7) Parece-nos importante e relevante reunir num quadro as ideias chave que foram partilhadas pelos nossos entrevistados relativamente aos conceitos que neste subcapítulo trabalhamos. 116 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa Optamos por, neste capítulo, não dissociarmos o voluntariado da cidadania e da participação, pois os três devem estar sempre interligados e caminhar lado a lado, pois um não deve existir sem que os outros dois estejam presentes uma vez que só assim é possível fazer voluntariado e promove-lo, só assim a cidadania faz sentido e dessa forma conseguimos participar ativamente e de forma coerente em comunidade e totalmente comprometidos com os desígnios a que nos propomos. Animação Sociocultural, Participação, Voluntariado e Cidadania Victor Ventosa - Existe um fio condutor que as une e relaciona; - A importância da atividade quer física, quer psíquica na manutenção da saúde e bem-estar dos seniores; Gloria Pérez Serrano Luis Gomez Garcia -É necessário impulsionar o voluntariado para trabalhar com os seniores; - Podem promover uma melhoria na qualidade de vida dos seniores; Fomentar junto dos seniores a importância de fazerem voluntariado; - Dá mais vida aos anos; - A ASC é uma didática de participação social e através dela desenvolve-se a cidadania ativa e através do voluntariado; - Mantêm as pessoas seniores ativas. - Fazer com que os seniores percebam que têm muitas potencialidades e experiências que podem pôlas ao serviço do grupo em que estão inseridos e desta forma sentiremse uteis ao colaborarem em sociedade. - Os seniores devem participar ativamente nos seus grupos, na comunidade em que estão inseridos; - Através de práticas Intergeraciona is pode-se também criar dinâmicas para que a cidadania seja um fato em todas as idades. Maria Conceição Antunes -A participação, o voluntariado e a cidadania apresentam-se como excelentes formas de contribuir para um envelhecimento saudável; - Inserção dos seniores na esfera social e cultural onde estão inseridas; - Os seniores devem sentir que são cidadãos de pleno direito evitando a exclusão, o isolamento e a solidão. Avelino Bento - São práticas relacionadas com pessoas; - Práticas de cidadania permanente. Manuel Vieites - O voluntariado é uma forma dos seniores se sentirem ativos e participativos; - Através das suas vivências, experiências e conhecimentos podem ajudar a comunidade em várias áreas; - os seniores são elementos uteis e capazes e devem sempre manter o seu trabalho cívico. Quadro 21- Animação Sociocultural, Participação, Voluntariado e Cidadania - Elaboração Própria (2012). Fonte: Ventosa , Pérez, Gomez, Antunes , Bento, Vieites. 117 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa “A acção autárquica nos últimos anos e os projectos/programas em Ramalde falam por si e representam aquilo que, de facto, pode e deve ser feito pelo Poder Local – uma junta de freguesia-, em prol do desenvolvimento humano, social e territorial, para o beneficio de uma comunidade, sem omitir o sentido de partilha e cooperação à coesão territorial e social, como é o caso de Ramalde.” Maio (2011) 4.4. A ASC nas Autarquias A abordagem da temática da ASC nas autarquias, em Portugal, tem, de uma forma bem definida e vincada, dois vetores, antes de abril de 1974 e depois do 25 de abril de 1974. Todos sabemos que Portugal antes do 25 de Abril de 74 vivia imerso num regime ditatorial onde não era possível a nada nem a ninguém expressar-se da forma que queria. Os cidadãos não podiam de forma nenhuma ter qualquer tipo de vontade ou opinião, pois só era permitido que vivessem consoante aquilo que lhes era imposto. De certa forma a ASC surge como forma de combate a todas estas regras que eram impostas e que não permitiam a ninguém expressar-se e exprimir-se. As autarquias, estruturas de poder político, eram nada mais nada menos que caixas-deressonância do poder fascista instalado em Portugal, as autarquias locais tinham como função essencial fiscalizar a atividade comunitária fruto do regime implantado, e eram estruturas altamente burocratizadas. Reforçamos esta ideia com aquilo que Lopes (2008, p.135) afirma, “Portugal (…), esteve sob o domínio de um regime totalitário de 1926 a 1974. Durante estes opressivos 48 anos foram suspensas as liberdades de expressão, de associação e de reunião, o que, se por um lado, condicionou a evolução natural da Animação Sociocultural (…) também é verdade que essa suspensão levou à descoberta de processos criativos capazes de tornear e ultrapassar estas condicionantes. Por isso, não deixa de ser verdade que a interdição de liberdade originou formas de Animação 118 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa originais impulsionadas pelo recurso à imaginação que procurou superar e vencer as amarras impostas.” Os presidentes de Junta de Freguesia, denominados à época como regedores, os Presidentes de Câmara e até os Governadores Civis eram nomeados pela administração central, uma vez que a realidade de eleições autárquicas não se colocava num regime fascista. Ora desta forma as autarquias não tinham um quadro de competências em matéria social e sociocultural que privilegiasse a qualquer tipo de iniciativa nessa área, aliás muito pelo contrário, os Presidentes de Câmara e os Governadores Civis eram pessoas de muito pouca sensibilidade social, um pouco também fruto da sua profunda ligação ao meio militar e às estruturas rígidas controladas pelo regime vigente. Apesar de existirem sinais de ASC antes da revolução dos cravos, é com a mesma que começamos assistir em Portugal a uma mudança de atitude e de uma participação social que até então era completamente inexistente e impensável, e “As actividades culturais irromperam de uma forma mais ou menos espontânea, à margem da lógica das instituições com o objectivo de darem corpo a um anseio de expressão colectiva na resolução de diversos problemas através de projectos de intervenção concretos.” Lopes (2008, p.153) A animação sociocultural, antes de abril de 1974, era algo praticamente inexistente em Portugal e muito menos nas autarquias, uma vez que todas as atividades de animação sociocultural eram literalmente controladas pelo regime, através das conhecidas comissões de censura que estavam presentes em todas as realizações de índole cultural quer fosse o cinema, o teatro, os concertos de dança e música, ou nos jogos tradicionais; em suma não existia manifestação sociocultural oficial que não fosse controlada pelo poder político. Não existia a preocupação de promover a animação sociocultural junto das comunidades. Com a Revolução dos Cravos, em 25 de Abril de 1974, os caminhos para democratização da cultura e do ensino abrem-se de forma espantosa. É uma época de grande massificação do Associativismo em todas as suas vertentes e as comunidades começam a organizarem-se em vários movimentos dentro do associativismo e da cultura. Começamos a ter inúmeras associações de moradores, grupos musicais, associações de estudantes, diversas associações juvenis. 119 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa Já no final da década de 70 chegam os primeiros Centros Culturais, Companhias de Teatro, Grupos de Teatro Amador e começamos a caminhar para os primeiros passos na criação de projetos de intervenção sociocultural, com a democracia como pano de fundo para que todos tenham acesso e possam ser atores passivos e/ou ativos destes projetos. Assiste-se então em Portugal a uma completa libertação de um regime altamente opressivo e repressivo e todos, mas mesmo todos, começam a expressar-se através da chamada “cultura popular” (Lopes (2008, p.154)), e dessa forma conseguem libertar-se e participarem ativamente naquilo que é e deve ser a cidadania e participação social. Existiram no entanto diferentes fases da ASC, após o 25 de Abril e num Portugal que começa a estar integrado num regime democrático e que são elas, “1- A fase revolucionária da ASC – período compreendido entre 1974 e 1976; 2A fase constitucional da ASC em Portugal – entre 1977 e 1980; 3- A fase patrimonial da ASC – entre 1981 e 1985; 4- A fase da transferência da ASC do poder central para o poder local – entre 1986 e 1990; 5- A fase multicultural e intercultural da ASC – entre 1991 e 1995; 6- A fase da ASC no contexto da Globalização – com inicio em 1996 até ao presente.” Lopes (2008, p.156) Porque o que pretendemos neste capítulo é abordar a temática da ASC no que se refere às autarquias, pois foi nesse âmbito que levamos a cabo a nossa investigação, a fase da ASC que mais nos interessa e na qual iremos incidir é na 4, pois o que nos interessa é perceber de que forma a ASC surge no âmbito das autarquias locais. Com a revisão constitucional de 1976, as autarquias locais ganham legitimidade constitucional e são realizadas as primeiras eleições autárquicas, e dessa forma os Presidentes de Junta começam a ser eleitos através do voto de todos os cidadãos. As autarquias passam a dispor de um quadro de competências delegadas pela administração central que vai de encontro àquilo que necessitam as comunidades no que diz respeito à realização de projetos de intervenção comunitária, voluntariado, animação e animação sociocultural e desta forma os autarcas começam a perceber que terão que se munir de ferramentas que permitam a massificação do associativismo popular. Nesta altura e com a adesão de Portugal à União Europeia, os autarcas consciencializam-se de 120 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa que as autarquias têm que estar perto das pessoas, valorizar as pessoas e simplificar-lhes a vida e só através de uma forte componente social+cultural (sociocultural) poderão fazer com que as comunidades/freguesias que governam avencem e progridam quer do ponto de vista social quer do ponto de vista cultural. É aí que as autarquias começam a recrutar profissionais da animação sociocultural para dar resposta aos projetos em curso, promover novas políticas de apoio comunitário e aprofundar as respostas às populações. Reforçamos esta questão como o que nos diz, Lopes (2008, p. 275), “Verifica-se por parte do poder local, um crescente interesse na ASC, encarando-a como um método eficaz de mobilizar vontades e recursos.” Como já foi referido, a adesão à União Europeia permite que o País possa candidatar a ASC a muitos investimentos da área a fundos comunitários, e isso está bem presente no Primeiro Quadro de Apoio Financeiro a Portugal, por parte da UE, levando à construção de raiz de vários edifícios, tais como Centros de Convívio, Teatros, Bibliotecas, Centros Educativos, vários apoios a instituições que se tinham fundado logo apos o 25 de abril de 1974. Assistimos a uma nova realidade; é que a animação sociocultural do ponto de vista autárquico não inclui só os jovens, a população ativa, as crianças mas também os seniores passam a ser um público alvo, com a construção de valências de Lares e Centros de Convívio para os mais velhos, fruto também do aparecimento das Instituições Particulares de Solidariedade Social, as denominadas IPSS. É a partir dos anos 80, que o Poder Central se desresponsabiliza por completo de tudo o que tem a ver com a ASC, transfere todas as questões relacionadas com a mesma para o Poder Local e só estes organismos podem contratar animadores socioculturais uma vez que os mesmos são necessários e fundamentais para o desenvolvimento de políticas de proximidade. Assistimos a uma profunda alteração no que se refere aos organismos que contratam Animadores devido a esta transferência do poder central para o poder local, “(…) as entidades empregadoras da Animação deixam de ser a FAOJ, a Junta Central das Casas do Povo, o INATEL, A Secretaria de Estado da Cultura, ou seja, deixam de ser organismos ligados ao poder central, para passarem a ser estruturas ligadas ao poder local.” Lopes (2008, p.275) 121 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa Constamos, conforme referimos, que como nos diz Santos, que o Poder Local começa a estar cada vez mais “perto” e interessado na população e daí, conforme referido, a importância do desenvolvimento local/comunitário tornar-se tão importante para as mesmas, “Estas (Câmaras Municipais) passam a encarar a acção sócio-cultural e o associativismo como alavancas essenciais de um desenvolvimento territorial local, incidindo em matérias como o desenvolvimento comunitário, a promoção de políticas de emprego, a dinamização turística, a ocupação dos tempos livres e a acção formativo-profissional-educativa.” Santos, cit in Lopes (2008, p.275) Continuando a fazer o périplo pela ASC nas autarquias e percebendo que o poder local começa a estar intimamente ligado a esta prática assiste-se, nos anos 90 a profundas alterações tais como “A criação de Centros de Animação Cultural Municipais”, “A extinsão de IJ e a criação do IPJ”, “Novos Cursos técnicoprofissionais no domínio da Animação”, “Projectos de Animação Sociocultural”, tais como, “O Teatro como meio de Animação Sociocultural”, “O projecto manifesta” entre outros, as quais de alguma forma vieram fazer com que a ASC não se esgote num único objetivo e que prolifere por todo o Mundo e que se assista a formas de ASC distintas mas em que todas elas fizeram sentido e permitiram um crescimento exponencial em diversas áreas. (Lopes, M. (2008)) Na realidade dos nossos dias é já pouco provável uma autarquia viver sem técnicos e projetos de animação sociocultural, pois as solicitações vêm de todo o lado e em todas as equipas de intervenção no terreno ou de planificação estratégica é necessário que os técnicos de animação sociocultural estejam presentes; senão vejamos: com o alargamento das competências autárquicas ao nível social, educativo, cultural e turístico, é necessário que os técnicos de animação sociocultural estejam presentes e integrem equipas multidisciplinares para aumentar a eficácia da resposta, como por exemplo a necessidade nas atividades extracurriculares ao nível do ensino, ao nível social. Essa transversalidade vai desde a organização e planificação de projetos com os mais diversos públicos ate à presença nas Comissões de Proteção Jovens e Menores, ao nível cultural e do voluntariado. Torna-se indispensável: A presença nos projetos de 122 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa expressão cultural, nos projetos de voluntariado sejam os mesmos direcionados ou de índole transversal a toda a população, ao nível turístico. Sendo Portugal um País de serviços e de turismo torna-se imperioso, ainda mais neste quadro de crise que atravessamos que os profissionais da animação sociocultural procurem respostas neste sector que permitam às autarquias promover o seu território junto de outros povos e culturas. Devemos ter sempre na nossa prática diária de Animadores integrados nas Autarquias (Câmaras Municipais ou Juntas de Freguesia) a questão que nos é apresentada por Lopes, M. (2008, p.300) “Conceber o desenvolvimento local como estratégia de reforço das práticas comunitárias e como meio alternativo de globalização, e ainda, como recusa a uma intervenção descontextualizada e desligada da participação dos cidadãos.” Em jeito de conclusão podemos afirmar categoricamente, aquilo que foi mencionado no início deste capítulo; existe um tipo de política autarquica antes da animação sociocultural entrar no panorama autárquico e existe um depois com enormes e excelentes projetos espalhados por todas as populações de Portugal, deixando ainda muito por fazer e aprofundar sobretudo no interior do País onde é mais difícil chegar às comunidades fruto da migração, da emigração, das vias de comunicação, das tecnologias de informação e porque não dizer fruto ainda de um Estado altamente centralizado e centralizador que temos nos dias de hoje. Terminamos com o auguro de que os animadores continuem a animar cada um dos utentes que se encontra integrado nos seus projetos e que a ASC não se esgote, pois agora, mais que nunca pode proliferar e expandir-se, conforme Lopes (2008, p.309) nos refere “(…)encerramos os anos 90, na esperança que a década vindoura seja de clarificação, porque, mais do que nunca a Animação Sociocultural tem espaço, tem sentido, basta só olhar para a desertificação rural, para o superpovoamento do litoral, o aumento do ócio na terceira idade, os hospitais sem vida, as escolas sem interligação dos diferentes espaços educativos, as prisões do tédio, a comunicação artificial em vez da humana, a democracia distante e distanciada das pessoas e cada vez mais ritualista e de participação calendarizada. Esta é a prova provada que o tempo carece de programas de Animação, contudo este tempo também necessita que os 123 Capítulo IV – A Animação Sociocultural nos Seniores, Intervenção Social, Cultural e Educativa poderes, local e central, adoptem e apoiem a Animação Sociocultural e não a remetam para a margem do sistema.” A Junta de Freguesia de Ramalde é um exemplo de uma autarquia que promove, junto dos seniores, atividades de Animação Sociocultural e procura que todos os utentes/fregueses se sintam motivados a participar ativamente em todas as atividades e a tudo o que diz respeito à comunidade onde se encontram inseridos. Um dos campos de atuação é o trabalho com seniores, quer no que se refere ao assistencialismo, quer no que se refere à intervenção, pois se por um lado existe uma preocupação com os seniores que estão em suas casas, acamados, sozinhos e isolados, sem nenhum elo de ligação com a vizinhança, outros há que são bastante ativos e participam, mobilizam esforços e têm uma frequência quase diária nas atividades da Junta. 124 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural para e com os Seniores 125 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores 5.1.Técnicas de Animação Turística para e com os Seniores Temática bastante importante no que se refere aos seniores, pois é uma das práticas que os seniores mais valorizam e solicitam junto das entidades promotoras de viagens, pois de outra forma não têm acesso a visitar determinados locais por serem muito caros. É comum passarmos pelas montras das agências de viagens e ver vários prospetos de viagens e pacotes especiais de turismo sénior. Os referidos pacotes habitualmente têm preços bastante mais acessíveis e em alguns casos o valor a pagar é calculado através da reforma dos seniores, tendo como exemplo desta situação a Fundação Inatel. O objetivo da animação turística não é criar planos de viagem ou semanas de férias para os seniores em locais onde não exista qualquer tipo de convívio e partilha com outras pessoas, o objetivo é precisamente o oposto, ou seja, aquilo que é pretendido é que os seniores possam encontrar-se e cruzar-se com pessoas de outras idades, onde possam conviver, partilhar e passar momentos relaxados em locais em que possam sair, ir à praia, ao campo e não fiquem apenas subjugados ao espaço físico do hotel pois caso as acessibilidades quer o tempo que se possa fazer sentir não o permitam, conforme afirma, Lopes (2008, p.334) “A Animação Turística para a terceira idade requer processos de vivência, convivência e, sobretudo, uma acção comprometida com o seu desenvolvimento pessoal. Conforme podemos constatar numa conferência subordinada ao tema Desenvolvimento e Evolução do Turismo Social em Portugal, Peres (2003) apresentou a seguinte concepção: Para Peres citado por Lopes (2008, p.334), a Animação Turística no âmbito dos seniores deve ser compreendida, “(…) como um conjunto de actividades, que transformam o ver no envolver, o viver no conviver, desafiando o turista numa estratégia de desenvolvimento pessoal e humano numa determinada fase do seu percurso de vida” Por tudo isto corroboramos da opinião de Lopes (2008.p.334) quando afirma que: 126 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores “A integração activa social, através da Animação Turística, procura não limitar a pessoa a observar apenas o meio, mas a interagir com ele.” Os nossos entrevistados também responderam a uma questão relacionada com a Animação turística na Terceira Idade e optamos por colocar num quadro as ideias principais das respostas que foram por nós obtidas. Animação Turística para os Seniores Victor Ventosa Gloria Pérez Serrano Luis Gomez Garcia Maria Conceição Antunes Avelino Bento Manuel Vieites - Promoção de atividades ativas e que promovam a partilha, troca de experiências, comunicação e que sejam acima de tudo gratificantes para quem usufrui das mesmas; - Utilização de técnicas e estratégias ativas, criativas e dinâmicas; - Deve ser motivadora para uma ocupação de lazer e de tempo livre; - Os programas devem ser adequados a esta faixa etária. - Promoção de espaços de socialização na relação com todo o património cultural; - Para esta faixa etária, depois da vida de trabalho que tiveram devem agora ter acesso a programas que vão de encontro aos desejos que não conseguiram satisfazer antes; - Colocar os seniores em contato com outros povos, outras culturas e outros espaços; - Preconizar um turismo ativo onde exista o social, o cultural e o lúdicoeducativo. - Atua como catalisador; - É um elemento transformador, pois tem como prioridade a iniciativa pessoal; - Promoção de vida associativa, vincula os processos e as atividades a resolução de problemas e situações concretas dos grupos e pessoas; - Ter sempre em conta os interesses do público-alvo (seniores); - Deve ser adequado a todos os seniores, ou seja, mesmo aqueles que são dependentes devem ter um programa adequado; - Deve contemplar as características básicas da animação turística. - Deve ser acessível a todos, desde os que têm menos recursos aos que têm mais; - Colocar os seniores em contato com outras culturas, outras existências e outras experiências. - As atividades devem ir de encontro às suas capacidades para que as competências que têm não se percam. - Requer a presença de agentes motivadores e processo que exige permanência e continuidade. Quadro 22- Animação Turística para os Seniores – Elaboração Própria (2012). Fonte: Ventosa , Pérez, Gomez, Antunes , Bento, Vieites. Podemos concluir, pela bibliografia consultada e pela informação que recolhemos das entrevistas realizadas, que na realidade a Animação Turística pode e deve ser uma 127 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores técnica utilizada para e com os seniores e que quem usufrui dos mesmos terá um valor acrescentado nessa sua participação. Esta técnica não existe para ocupar ou para fazer com que os seniores viagem para qualquer sítio numa época baixa sendo bastante mais barato e pouco mais; esta técnica pretende que todos os programas que são promovidos e realizados sejam do interesse dos seniores e que vão de encontro às necessidades que os mesmos apresentam. Vale a pena fazer programas de Animação Turística onde exista participação ativa por parte dos seniores e onde os seniores possam estar em contato com outros seniores pertencentes a outro espaço, a outra cultura, a outro ambiente, onde os seniores sejam chamados a ter uma voz sobre as atividades que têm mais interesse em fazer durante o seu período de férias…e mais importante que tudo isto é que os programas devem ser sempre, mas mesmo sempre, adequados à situação sócio-económica de cada um dos seniores, pois não devem ser excluídos aqueles que têm menos dinheiro e menos possibilidades e que trabalharam uma vida inteira e nunca viajaram para lado nenhum. Pensamos que nesta faixa etária o importante não é fazer 20km ou 500 km, aquilo que é importante verdadeiramente é que os seniores se divirtam, usufruam da viagem e possam tirar benefícios do programa que escolhem. 128 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores 5.2. Técnicas de Animação Teatral para e com os seniores O Teatro é uma necessidade humana e como tal deve ser encarado, não como um produto que serve apenas para ser visto, mas sobretudo como um processo que implica a pessoa numa aprendizagem ativa e participada. Por isso, afirmamos, é um teatro para fazer e não para ver. Um teatro que cria espaços para os diálogos, interação, comunicação, jogo, relação, criatividade, imaginação, improvisação...um teatro que serve igualmente como uma dimensão terapêutica já que procura o equilíbrio entre o ser, o saber ser e o saber agir. Neste contexto existe uma duplicidade no que se refere ao teatro, ou seja, podemos ver o teatro como meio de ASC, em que conforme nos diz Lopes (2008, p.343) “(…) fazer teatro é mais importante que ver teatro, isto é, o processo de criação do espetáculo é mais importante do que o espetáculo em si.” Podemos ter a ASC através do teatro, em que tendo em conta o mesmo autor, “A ASC, pela via do teatro, procura servir-se dele como um recurso ao serviço da pessoa, no sentido em que promove a participação, a relação, a criatividade, a expressividade e outras dimensões ligadas ao desenvolvimento social e pessoal.” Lopes (2008, p.342) Ventosa (2002, pp.210-212) aponta para uma metodologia e técnica de animação teatral assente em dois autores – Coenen – Huther e Martynow-Remiche – que apresentam duas fases ou momentos comuns das experiências por ambos estudadas: 1. “Uma fase motivadora”, fundamentalmente subjetiva e centrípeta de tomada de consciência e criatividade. 2. “Uma fase expansiva”, objetiva e centrífuga, de difusão e participação. 129 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores Este processo complementar vai determinar a metodologia da animação teatral. É aqui que encontramos três etapas de atuação: 1. Etapa Grupal – trata-se de entrar em contato com a população, detetar problemas e interesses e articular um sistema organizativo básico com uma certa estabilidade. Desencadear este primeiro contacto com a realidade e o grupo, é tarefa do animador teatral através dos agentes da mesma comunidade. Assim encontramo-nos perante o primeiro passo interno, motivador e relacional, que se desprende da dimensão subjetiva e transcendente da ASC. 2. Etapa Criativa – uma vez constituído, o grupo entra numa nova fase de criação, eminentemente ativa. A seleção, construção e realização de montagens coletivas determinam o ponto de inflexão, fazendo uma progressiva objetivação no processo descritivo, sem abandonar ainda o caráter interno e subjetivo anterior. Este é, portanto um período intermédio. 3. Etapa Expansiva – é o momento dos resultados, em que o trabalho realizado há-de difundir-se para poder objetivar, provocando assim um efeito multiplicador de confrontações e de mudanças que contribuem para afiançar a atuação do grupo, assim como para operar novos processos comunicativos e organizativos. Trata-se de apresentar o produto de um processo itinerário de trabalho não como parte final do mesmo, mas como elemento provocador e justificador das suas dinâmicas que dão pé a outros processos de animação. Assim, o ciclo descritivo volta a começar e o processo de animação com respeito ao teatro é um processo de ida e volta. Como já foi mencionado pelos autores citados, importa ter em conta que o animador sociocultural e neste caso o animador teatral deve, na sua intervenção e no seu campo de atuação, apoiar-se nos princípios, propósitos e valores da ASC. Tendo em conta o triângulo dos três elementos fundamentais da animação preconizado por Ventosa (2002), sendo eles, um sujeito, que se refere ao animador e que funciona como provocador ou possibilitador; uma ação em que existe um elemento dinâmico de transformação; e um destinatário: o grupo ou comunidade em que se vai intervir e levar a cabo a ação. 130 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores Os mesmos podem estender-se ao teatro da seguinte forma: 1 – Sujeito/Animador teatral, neste caso o animador teatral não deve ser confundido na sua ação com o encenador convencional ou com um encenador ambulante. O animador teatral deve imprimir uma dinâmica de trabalho na comunidade ou no grupo para que leve estes a encontrarem soluções para os problemas surgidos. O grupo ou a comunidade não deve depender do animador, pois este deve levar as pessoas a libertarem-se e não a um estado de dependência. O animador teatral deve gerar processos de participação, sendo estes de extrema importância dentro da perspetiva da ASC. 2 – A ação – a preparação do espetáculo nas suas diversas fases, para o teatro ser um meio de ASC, o processo de criação do espetáculo deve tornar-se mais importante que o produto. O animador não deve concentrar-se apenas no resultado mas dimensionar todo o percurso dentro do processo educativo. Conforme afirma Ander-Egg (1999, p.21) “A ASC procura gerar processos de participação, pois não há animação sem participação (…) como não se participa no abstrato, a participação supõe uma série de âmbitos que são os espaços para a participação e atividades que a sustentam, ou seja, nos âmbitos da atuação como nas atividades concretas, como sendo, no individual potenciando as pessoas para a sua transformação e tornando-se sujeitos sociais, autónomos e organizados; no social fortalece o tecido social, mediante a participação da vida associativa e coletiva, através de organizações capazes de darem resposta; no cultural, converte um público espetador em participante ator de actividades sociais e culturais. Não se trata somente de assistir nem de consumir um belo produto elaborado pelos outros; no educativo através da oferta de experiências para desenvolver formas e hábitos democráticos de actuação.” 3 – Um destinatário: o grupo ou comunidade sobre quem recai a ação, numa perspetiva de ASC, não há elementos passivos e tendo em conta a dimensão teatral, importa salientar que atores e espetadores quebram a barreira convencional, vendo-se ambos envolvidos na prossecução do projeto a desenvolver numa inter-relação assente em elementos socioculturais. Como temos vindo a afirmar ao longo deste trabalho, o mais importante na intervenção com os seniores é que os mesmos possam tirar excelentes dividendos de 131 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores todo o trabalho que é feito com eles e por eles, pois só assim estaremos a promover um envelhecimento ativo e a preconizar um trabalho assente naquilo que consideramos ser a ASC, “O trabalho necessário para se construir um espetáculo teatral com a terceira idade, promove a alte0ração do dia-a-dia de cada idoso, por vezes acomodado, com pouca esperança de ser útil ou na posição de quem pensa que já deu tudo o que tinha do seu saber.” Lima (2009, p.165) O Teatro pode apresentar-se da mesma forma que a ASC, como um excelente motor capaz de fazer com que os seniores participem e se sintam motivados para que essa mesma participação aconteça da melhor forma, partilhando até os seus saberes e experiências, “A Animação na terceira idade, com todas as suas componentes e, neste caso, com o Teatro, reveste-se de capital importância para o bem-estar, a auto-estima, o significado da utilidade, o registo das memórias e a transmissão de saberes que constituem um património sociocultural único.” Lima (2009, p.168) Optamos como tem vindo a ser habitual no presente trabalho por fazer um pequeno quadro síntese da informação recolhida com as entrevistas que realizamos, para que nos permita contrapor com a bibliografia consultada e citada e destacando as ideias mais importantes. Podemos então desta forma perceber que, também nas entrevistas, se destaca a questão dos seniores através do Teatro se poderem sentir pertencentes à comunidade em que estão inseridos e que possam perceber que estão a fazer algo por eles, para eles e que só com eles é possível obter o produto final. Permite também aos seniores que possam recordar o que muitas vezes fica “adormecido” em termos de memórias, lembranças e outras competências de extrema importância. Podemos também verificar que o Teatro pode ser utilizado para que os seniores não percam as capacidades físicas e psíquicas demasiado cedo. 132 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores Contributo da Animação Teatral nos Seniores Victor Ventosa Gloria Pérez Serrano Luis Gomez Garcia Maria Conceição Antunes Avelino Bento - Implicar os seniores em processos expressivos em grupos de seniores ou com crianças/jovens; - Forma de colocar os seniores em contato com o contexto em que estão inseridos; - Imprescindível como ferramenta de trabalho para a dinamização de grupos; - Excelente atividade artística de intervenção educativa. - Descoberta de potenciais ao nível da expressão e da comunicação; - Todas as pessoas podem participar, mesmo como atores; - Tomada de consciência pelo individuo do que faz, de como o faz e porque o faz; -Consciencializar os seniores do papel que desempenham na comunidade em que estão inseridos; - Potencia o desenvolvi mento de competênci as intelectivas, cognitivas, sociais, artísticas e espirituais; - (Re) despertar para a criatividade e criação artística; - Podem propor o seu ponto de vista, as suas vivências, lembranças; - Consciencialização da relação do Teatro com a Vida e viceversa. - Tem efeitos preventivos no que se refere à mobilização quer corporal, quer cognitiva. - Contribui de forma especial para desenvolver autoestima dos seniores; - Contribui de igual forma para os seniores descobrirem ou redescobrirem potencialidades expressivas, criativas, cognitivas ou emocionais inéditas ou que estavam esquecidas pelo passar do tempo. - Forma de desenvolvimento dos próprios seniores, mas também da comunidade. - Ferramenta essencial para o desenvolviment o artístico; - Funções terapêuticas, como por exemplo na melhoria da memória, entre outras. - Os programas de animação teatral devem ser adequados ao públicoalvo. Manuel Vieites Quadro 23- Contributo da Animação Teatral nos Seniores - Elaboração Própria (2012). Fonte: Ventosa , Pérez, Gomez, Antunes , Bento, Vieites. Já afirmámos que o teatro é uma necessidade humana pois o ser humano é um ente em relação. Agora é nosso desejo também declarar o valor e a dimensão terapêutica do tetro. É da história o efeito catártico do teatro transposto no extravasar de medos, angustias, receios, inibições, condicionamentos, amarguras, aflições, perdas, mágoas, tristezas... Porque o teatro também é libertação, espaço de encontro e reencontro, espaço que conta e que faz de conta, espaço de magia que transforma o idoso em jovem e o jovem em idoso e onde o riso e pranto caminham de mãos dadas... 133 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores E como afirma Lopes (2010, p. 135) “A todos vós vitimas dos constrangimentos do nosso tempo que o drama nos liberte.” 134 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores “A música sempre acompanhou o envelhecer da humanidade, dando sentido aos momentos e às épocas, reflectindo os sentimentos e sonorizado as realidades.” Souza (2006, p.1217) 5.3.Técnicas de Animação Musical para e com os seniores Se fizermos uma retrospetiva da vida de cada um de nós, podemos constatar que a música sempre nos acompanhou, até mesmo dentro da barriga da nossa mãe. Os especialistas defendem que o primeiro sentido que o bebé consegue desenvolver é a audição e quer através dos estímulos que a mãe transmite ao bebé (a sua respiração e mesmo o normal funcionamento do corpo) quer como, através da mãe, ter momentos de audição de música calma e tranquila para o bebé relaxar. Após o nascimento, se pensarmos sempre que o nosso bebe precisa de relaxar ou de sentir boas vibrações coloca-se uma música ou canta-se alguma música para que o mesmo possa adormecer e ser embalado. Na criança também se assiste a uma presença bem vincada da música, com projetos nas aulas de educação musical ou outros em que as crianças aprendem a trautear e cantar várias e diversas musicalidades. Os jovens e adultos assistem a concertos de música para descomprimir, relaxar ou simplesmente para usufruir de um bom som durante algumas horas; bem se vê o êxito dos festivais de verão, em que o público é do mais variado em termos de idades. Na idade sénior, obviamente que também não podia faltar a música, pois a música como nos refere Souza (1997, p.1217), “anteriormente a qualquer definição, é um produto da inteligência do Homem.” A música pode ser utilizada de diversas formas e em diferentes espaços e por isso Gomes (2009, p.169) 135 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores “ Na actualidade, a música faz parte de muitos quotidianos desde os dos profissionais da música, aos ambientes hoteleiros, aos âmbitos comerciais, aos gingles publicitários, aos programas televisivos, etc., e também do quotidiano das associações onde os participantes, de uma forma amadora, desenvolvem as suas performances musicais em grupos vocais, instrumentais ou mistos.” Como referem vários autores a música sempre esteve presente nas nossas vidas, desde o nascimento até à morte, tese esta defendida por autores como Gomes (2009, p.169) “ A música é a mais antiga de todas as artes e desenvolveu-se a partir dos principais ritmos e vibrações do nosso planeta: dos sons do vento, da água, do ar e do fogo.” Para Souza (1997, p.1217), a música também tem ligação com as relações intergeracionais, “Nunca houve nem haverá um povo sem música (…) A canção que pertence à infância de uma pessoa de 90 anos pode ser a ponte que liga as infâncias de diferentes gerações. Não é maravilhoso saber que a canção com a qual fomos ninados também embalou nossos avós, pais, filhos, irmãos e pessoas que não amamos, que conhecemos e que nunca vimos.” Podem ser realizadas várias atividades com recurso à animação musical, tal como o canto, os instrumentos e os jogos musicais, em que a música está sempre presente mas utilizada de formas distintas, segundo afirma Jacob (2008, p.95): “- Canto – é a forma mais simples de expressar as emoções através da música. O Canto pode ser espontâneo ou organizado, individual ou em grupo, com ou sem música. O animador deve adaptar as letras e as vozes ao grupo que tem disponível. - Instrumentos – aprender a tocar um instrumento é um exercício que demora muito tempo e necessita de muita prática. No entanto, a utilização de instrumentos mais simples e que requerem menos tempo de aprendizagem, como os ferrinhos, pandeireta, sinos, caixas-de-ressonância, guizos, apitos, pratos, recos-recos, maracas, cavaquinho, pode proporcionar igualmente excelentes momentos de diversão e convívio. 136 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores - Jogos musicais – existe uma grande possibilidade de realizar jogos a partir da música, como passar músicas e perguntar o nome do cantor e/ou da música ou que acontecimento está relacionado com esta; pôr som de um instrumento e perguntar qual é; associar uma música ou canção a um período da história (anos 20, 50 ou 80); Tocar vários instrumentos perguntar quais são os mais graves ou mais agudos e outros.” Se por um lado podemos com os seniores trabalhar as aptidões vocais e formar coros como o exemplo da JFR, (um grupo de cerca de 20 seniores, formou o Coro Sénior de Ramalde, que tem ensaios duas vezes por semana das 14h30 às 16h) onde é possível verificar momentos de convívio, de partilha e aprendizagem de técnicas vocais com as maestrinas do mesmo e conforme afirma Ander-Egg (2003, p.53) “Los coros son una forma de expresión cultural no muy difícil de constituir, pero que tiene una particular incidencia sociocultural. Como canto compartido, es una forma de comunicación social, un ejercicio para aprender a compartir y un modo de alentar la vida asociativa y fortalecer el tejido social. Desde la perspectiva de un trabajo cultural que pretende generar procesos de participación, no basta con que existan grupos corales: es menester propiciar el canto coral como forma de expresión colectiva que, por otra parte, permita la divulgación de la música popular y folclórica al difundir y realizar nuevos arreglos.” Também é possível ensinar aos seniores a tocar instrumentos dos mais variados possíveis (desde os mais simples aos mais complexos) e permitir desta forma novas aprendizagens ou um relembrar as aptidões musicais que os seniores já possuem mas que podem já ter esquecido; por último a importância dos jogos musicais, que permite aos seniores recordarem músicas do seu tempo e perceber se ainda se lembram da letra e do autor da mesma ao colocar um som de determinado instrumento e ver se conseguem identificar qual é. Podemos desta forma concluir que a música pode e deve intervir no campo da Terceira Idade, pois é uma arte extremamente completa, “ Usando a música com prazer, fazendo dela uma linguagem, estamos de forma consciente, a contribuir para uma maior compreensão do mundo e de nós próprios.” Cunha (2009, p.130) 137 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores 5.3.1.Musicoterapia Este termo reconhecido na Grécia, como afirma Gomes (2009, p.171) como poder de “catarse” que a música possuía, pois para este povo a música tinha fins terapêuticos, purificando o espírito e conciliando a alma através da dança e do canto (Mann, 1982, citado por Gomes 2009). Recorremos a uma definição de musicoterapia que nos parece bastante clarificadora deste termo e que nos parece importante clarificar antes de aplicarmos este termo aos seniores. Desta forma, Souza (1997, p.1217), diz-nos que, “A musicoterapia é a utilização, pelo profissional musicoterapeuta, do som, da música e de todo o tipo de manifestação sonoro-musical, sejam sons, silêncio ou a musicalidade das palavras.” A aplicabilidade da musicoterapia em seniores tem vindo a ser desbravada por diferentes autores e profissionais no seu dia-a-dia. Agora mais que nunca, devido ao envelhecimento da população, torna-se fundamental utilizar os instrumentos todos disponíveis para que os seniores tirem partido e proveito de todas as iniciativas em que participam e que através das mesmas possam partilhar de uma forma intergeracional, os seus saberes, experiências e vivências e que neste sentido a música pode ter um papel fulcral que podemos constar, como nos refere Souza (1997, p.1216) “Cada vez mais, o tratamento musicoterápico com pessoas na terceira idade estimula, a partir do prazer de cantar, tocar, improvisar, criar e recriar musicalmente, o redescobrir das canções que fizeram e fazem parte da sua vida sonoro-musical.” Em doenças neurológicas também a musicoterapia se tem vindo a distinguir como uma ferramenta de trabalho útil e à qual os especialistas podem recorrer para trabalharem com os seniores a memória a longo e curto prazo e fazer com que os seniores possam melhorar a sua qualidade de vida, como nos refere a mesma autora, “Com a terceira idade, o tratamento musicoterápico vem se mostrando de grande importância no que se refere aos resgates de memória, como tratamento coadjuvante de valor reconhecido mundialmente nos processos de demenciais (doença de Alzheimer), na doença de Parkinson e em indivíduos com sequela de acidente vascular encefálico.” 138 Capítulo V – Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na e com os Seniores Claro que a música e a musicoterapia estão sempre juntas e caminham de mãos dadas, pois como nos refere Souza (1997, p.1217), “A música e seus elementos constitutivos (harmonia, melodia e ritmo) implicam a musicoterapia, portanto, num veículo de estabelecimento de comunicação. A música é a ponte a partir da qual se estabelece a relação terapeuta-cliente, também por onde transita a memória do profundo ao superficial do ser, levando à busca do auto-conhecimento e do crescimento pessoal deste.” A musicoterapia assenta em pilares bastante importantes e que são fundamentais quando se fala em qualquer tipo de intervenção com seniores, pois através dela os indivíduos podem devolver a si mesmo a autoestima perdida pelo passar dos anos e por pensarem que a “velhice” os retira de todo e qualquer envolvimento na sociedade, o que não deve acontecer. Através da música os seniores podem remontar a tempos idos e relembrar músicas do seu tempo, ensiná-las aos mais novos e dessa forma sentirem-se úteis e desejados dentro da sua comunidade. E porque nunca se sabe tudo acerca de determinado assunto, “Podemos constatar que a musicoterapia aplicada na terceira idade é um campo fértil de buscas e descobertas” Souza (1997, p.1225) Concluímos com o sinal vital da música e sobretudo da musicalidade expressa na dimensão terapêutica da vida. Na terceira idade a vida tem sonoridades e cores que nos remetem para o lado encantador da existência humana. Na terceira idade um entardecer tem música, há a memória do tempo e das músicas percorridas e ocorridas num outro tempo e há também as sonoridades aliadas ao trabalho feito e realizado num tempo em que tudo tinha musicalidade: uma ceifa, o mondar, uma vindima, o lavrar a terra, os jogos tradicionais, o cozer o pão, o lavar a roupa...isto é o tempo dos sons da vida. 139 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR 140 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR 6.1.Junta de Freguesia de Ramalde 6.1.1.Evolução histórica da Freguesia de Ramalde A Freguesia de S. Salvador de Ramalde é mencionada pela primeira vez com o nome arcaico de Rianhaldy, nas Inquirições de D. Afonso III, em 1258. Porém já aparece citada anteriormente, como lugar, num documento de 1222 em que a Rainha D. Mafalda faz uma doação ao Mosteiro de Arouca. A origem e crescimento do povoado de Rianhaldy perde-se nos tempos, antes da fundação da monarquia Portuguesa, provavelmente entre 920 e 944, data em que chegaram ao território os monges de S. Bento. Assim começaria a História do Julgado de Bouças e do seu antiquíssimo mosteiro beneditino. Este território pertenceu ao Padroado Real de D. Sancho I que depois o doou, em 1196, a sua filha D. Mafalda. Na época de D. Sancho II o território denominava-se Ramunhaldy e era constituído por cinco lugares: Francos, Requezendi, Ramuhaldi Jusão e Ramuhaldi Susão (atualmente Ramalde do Meio). Entre 1230 e 1835 pertenceu ao concelho de Bouças, no qual se integrava também S. Mamede de Infesta, Matosinhos, Foz do Douro e um conjunto de vinte povoacções. Em 1895 foi integrada no Concelho do Porto, como Freguesia. Os seus limites ficaram assim definidos: a Norte o concelho de Matosinhos (Bouças); a Sul Lordelo do Ouro; a levante Paranhos e Cedofeita e a poente Aldoar. 141 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR 6.1.2. Caracterização da Junta de Freguesia de Ramalde Segundo o atual Presidente da Junta de Freguesia de Ramalde, Dr. Manuel Maio, a atividade autárquica desta Junta de Freguesia de Ramalde tem em conta as necessidades vivenciadas por toda a população de Ramalde, procurando minimizá-las. As Juntas de Freguesia desempenham um papel preponderante em diferentes âmbitos, na medida em que são órgãos descentralizados do estado e são, por conseguinte, as instâncias mais próximas dos problemas concretos, o que leva a que tenham um melhor conhecimento das diversas situações. A freguesia é reconhecidamente a autarquia que se encontra mais próxima da população respetiva, e constitui-se como um espaço facilitador da sua identificação e concretizador, das suas aspirações, anseios e interesses, podendo deste modo contribuir para a resolução dos problemas quotidianos que a afetam. Desta forma, a Junta de Freguesia de Ramalde, coloca ao dispor da população vários recursos, de modo a melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes e por isso a Junta de Freguesia de Ramalde não é só um órgão de administração pública mas também uma instituição de desenvolvimento social. A mesma, é constituída por vários gabinetes, de forma a dar resposta às necessidades da sua população. Faremos uma breve descrição e caracterização dos diversos gabinetes para que depois nos seja possível referir quais as atividades que são promovidas pelo GSC da Junta de Freguesia de Ramalde, no âmbito dos seniores. 1 – Secretaria, atendimento personalizado e em tempo útil, com administração do processo de gestão “filas” que permite uma racionalização e gestão dos tempos e especialidades e procura dar resposta aos problemas da população a diferentes níveis, no que se refere a, canídeos (licenças para animais domésticos), certidões e atestados (como por exemplo, transferência de bens e insuficiência económica), e existe ainda um posto dos CTT (Correios, Telégrafos e Telefones) e também um posto da Segurança Social. 2 – Serviços Administrativos, cuja função principal passa pela gestão administrativa da Junta de Freguesia de Ramalde. 142 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR 3 – Biblioteca Museu Agostinho da Silva, local onde estão expostos os trabalhos realizados pelos seniores dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia e onde todos os cidadãos de Ramalde podem ter acesso a livros de vários temas. 4 – O Gabinete Económico/ Jurídico e Auditoria Interna que tem como principais funções dar seguimento a todas as questões relacionadas com o âmbito jurídico (interno e externo), bem como assessoria ao nível económico. 5 – Gabinete de Inserção Profissional (GIP), o principal objetivo deste Gabinete é promover a inserção de pessoas no mundo do trabalho, dar respostas às dificuldades que os jovens sentem atualmente no que diz respeito ao mercado de trabalho, orientar, encaminhar e apoiar na procura de emprego para desempregados, ajudar a responder a anúncios de emprego, proceder à divulgação de oportunidades de emprego, ajudar na elaboração de curriculum e cartas de candidatura, bem como fornecer informações relativamente a cursos profissionais. 6 – Gabinete de Desporto, Educação e Juventude (GDEJ), que é responsável pelas atividades desportivas e educativas junto das crianças e jovens. De entre todas as atividades que realiza, destaca-se o programa de Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC’s) nos diferentes agrupamentos da Freguesia. 7 – Gabinete de Serviço Social e Psicologia (GSSP), este gabinete é responsável pelo aconselhamento e apoio psicossocial às famílias, sinalização e monitorização de casos sociais problemáticos e respetivo acompanhamento, acessoria técnica ao Presidente e outros elementos do executivo, entre outras. 8 – Gabinete Sociocultural (GSC), tem como principal função trabalhar com e para os seniores, quer os que pertencem aos Centros de Convívio/Dia e Lares, quer os que vivem em habitações próprias e residem na Freguesia. 9 – Gabinete de Contabilidade e Tesouraria, tem como principal função a gestão financeira da Junta. 10 – Gabinete de Comunicação e Imagem (GCI), tem como principal função a elaboração de todos os materiais de divulgação de iniciativas e de toda a comunicação com os órgãos de comunicação social e afins. 143 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR 11 – Cemitério, este gabinete tem como principal função a gestão do cemitério. 12 – Observatório de Ramalde, tem por objetivo monitorizar permanentemente a situação da freguesia em diversas áreas, nomeadamente o ambiente, urbanismo, mobilidade e segurança. 13 – Gabinete de Recursos Humanos, gestão dos processos individuais de todos os funcionários/colaboradores, gestão das assiduidades e colaboração no processamento de salários, controle dos contratos de trabalho, prestação de serviços e protocolos, gestão das candidaturas espontâneas recebidas, gestão dos concursos públicos de admissão, Articulação com o gabinete jurídico de todas as questões de natureza legal e gestão do processo do SIADAP. 14 – Gabinete de Mediação e Conflitos (GMC), é uma forma alternativa de resolução de conflitos, em que se dá oportunidade a dois ou mais sujeitos em conflito para que se reúnam com os mediadores, a fim de falar do problema e tentar chegar a um acordo. É um processo privado e confidencial. 15 – Gabinete de Apoio aos Utentes (GABUR), Consultadoria económica e jurídica. 16 - Cultura e Associativismo, o movimento associativo é também uma das referências culturais mais importantes da freguesia de Ramalde, produto da capacidade empreendedora e solidária dos Ramaldenses. Há por parte da Junta um apoio às coletividades de Ramalde no âmbito cultural, quer ao nível do teatro, folclore entre outros e a Junta também prima pela organização de colóquios, exposições, debates entre outros. 144 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR 6.2. Práticas de Animação Sociocultural com e para os seniores na Junta de Freguesia de Ramalde 6.2.1.Projeto Ramalde Solidário, através de ações que promove, pretende fomentar uma sociedade mais justa, equitativa e solidária. Neste âmbito desenvolvemos uma campanha de recolha e distribuição de vestuário, brinquedos, livros, roupa de cama, etc., bem como são servidas diariamente refeições quentes a pessoas carenciadas, por um grupo de voluntárias seniores. Fazem parte deste projeto várias campanhas de recolha de bens, tais como: - Campanha de recolha de bens alimentares para uma “Páscoa com Amor” junto dos cidadãos mais carenciados da Freguesia. - Contribuir para um “Natal mais Feliz” dos cidadãos mais carenciados de Ramalde, em especial as crianças, os idosos e os doentes. 6.2.2.Colónia Balnear Intergeracional, desde há muito tempo que esta autarquia promove colónias balneares para crianças carenciadas e seniores da freguesia. Uma vez que habitualmente crianças e seniores iam para a mesma praia, mas com programas diferentes, decidiu-se juntar as duas colónias para que fosse possível promover atividades em conjunto entre seniores e crianças e cada um fosse capaz de dar sugestões para o que poderiam fazer na praia. Desta forma os seniores podem compartilhar experiências com as crianças e as crianças podem ensinar aos seniores os jogos balneares que tão bem sabem. 6.2.3.Visitas Temáticas, têm como principal objetivo dar a conhecer aos seniores os diferentes espaços culturais existentes na área metropolitana. Muitos dos seniores nunca tiveram acesso à cultura e visita de espaços culturais da cidade do Porto, desta forma pretende-se colocar os seniores em contacto com estes espaços para que todos se sintam com acesso à cultura. 145 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR 6.2.4.Semana Europeia da Prevenção de Resíduos, esta semana, promovida pela Lipor, e em que a Junta sempre participa, devido à forte adesão por parte dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia através das Oficinas Presépios de Natal tentando-se chamar a atenção da comunidade para a importância do desenvolvimento sustentável da nossa cidade e do Planeta Terra. Diversas atividades são realizadas, tais como: ações de sensibilização para a importância da re-utilização de materiais e jogos alusivos ao tema, entre outros, para além da construção de Presépios de Natal Ecológicos, sendo o material primordial o papel usado e seus derivados. 6.2.5.Carnaval, o mote desta iniciativa é proporcionar aos seniores um regressar à infância e puderem brincar ao Carnaval, com muita música e animação. O regressar à infância não significa infantilizar os seniores, mas proporcionar-lhes formas de diversão e para poderem também ser os próprios a construir e idealizar os seus fatos de carnaval. Habitualmente o tema prende-se com a Reciclagem, temática para a qual todos os seniores e a população em geral devem estar devidamente alertados. Cada sénior elabora a sua máscara nos ateliers de preparação da iniciativa do Carnaval. 6.2.6.Magustos, esta iniciativa tem como intuito comemorar-se o Dia de São Martinho, para o qual todos os Centros de Dia/Convívio destinam um dia para a comemoração do mesmo e onde consta a preparação de um programa (teatro, poemas, músicas, entre outras) para partilhar com todos aqueles que participam no referido evento. 6.2.7.Coro Sénior, foi criado no dia 26 de Maio de 2009. Este projeto visa desenvolver experiências musicais promotoras do bem-estar físico e emocional para pessoas em idade sénior. 146 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR Através desta experiência musical pretende-se oferecer a oportunidade de criar relações interpessoais importantes para os cidadãos da freguesia, bem como oferecer uma atividade para ocupação dos seus tempos-livres. Este coro integra vários cidadãos de ambos os géneros da nossa Freguesia, utentes dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia e do Gabinete de Serviço Social e Psicologia. A direção musical do Coro Sénior está sob a responsabilidade das Professoras Sandra Tavares e Ana Daniela Oliveira. 6.2.8.Universidade + Sénior, a abertura de uma universidade Sénior é uma aposta na educação prolongada dos mais velhos e é sempre um motivo de orgulho tanto para quem a promove como para quem a vai desfrutar – e isto porque é um exemplo de que a sede do conhecimento humano deve ser sempre saciada desde a infância até à idade adulta. 6.2.9.Encontros Intergeracionais, estes encontros são um estímulo à comunicação Intergeracional através do intercâmbio de vivências e experiências entre as crianças das escolas EB1 e os seniores dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia. 6.2.10.Encontros Intercentros, estes encontros pretendem ser um espaço de convívio entre os seniores que frequentam os diferentes Centros de Dia/Convívio e em que os mesmos possam partilhar momentos de convívio, partilha e trocas de experiências. 6.2.11.Peddy-paper Intergeracional, enquadrada nas Jornadas Europeias do Património, esta iniciativa pretende que os participantes consigam responder às perguntas que constam no questionário, sobre locais de interesse histórico e paisagístico da freguesia., o percurso estabelecido tem passagem pelos locais mais emblemáticos e mais importantes da Freguesia. 147 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR Para responderem às perguntas é fornecido um documento de apoio e em cada local que visitem têm alguns dos jogos os quais ajudam a obter as respostas certas, o que dá um cunho divertido e lúdico à iniciativa. Esta ação permite não só conhecer melhor a nossa freguesia, como é uma forma excelente espaço de divertimento e convívio entre diferentes gerações. 6.2.12.Voluntariado – Um contributo de Cidadania, uma das apostas da autarquia de Ramalde é a promoção de uma sociedade civil mais ativa e participativa. Tendo por base sentimentos de partilha e de respeito pelos outros consegue-se criar uma rede de voluntários. A doação de cada um de nós “aos outros” tem inerente uma vocação que assenta na valorização humana, no estreitamento de laços, no combate à exclusão e ao isolamento e na partilha de saberes e experiências. 6.2.13.Exposição de Trabalhos dos Seniores de Ramalde, esta iniciativa tem o intuito de dar a conhecer à comunidade o trabalho desenvolvido pelos Centros de Dia/Convívio da Freguesia. Durante todo o ano os Centros de Dia/Convívio fazem nos respetivos locais atividades de trabalhos manuais e todos esses trabalhos são depois expostos nesta exposição para que sejam vendidos à comunidade em geral para que o dinheiro angariado com esta venda possa apoiar outras iniciativas de índole cultural nos respetivos centros. 6.2.14.Sardinhada de S. João, o principal objetivo desta iniciativa é comemorar o S. João, com um lanche típico deste dia (sardinhas, caldo verde, broa e vinho tinto) e é promovida uma tarde de jogos tradicionais, entre outros, para os seniores participarem e para que se criem momentos de partilha entre todos os participantes. 148 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR 6.2.15.Dia Internacional dos Museus, esta iniciativa pretende promover uma visita a um museu existente na Freguesia de Ramalde, para que os seniores possam ter contacto com a cultura da freguesia e possam conhecer espaços importantes na história da mesma. 6.2.16.Dia do Sénior, o objetivo desta iniciativa é envolver os seniores num espírito de comemoração, habitualmente neste dia os seniores gostam de ouvir música, ir à discoteca, dançar, entre outras coisas. Dessa forma os dias do sénior em Ramalde têm sido comemorados assim na Freguesia de Ramalde. 149 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR 6.3.Caraterização dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde 6.3.1.Centro de Dia do Exército de Salvação O Exército de Salvação foi criado em 1983 na Freguesia de Ramalde com a finalidade de proporcionar apoio aos seniores, através dos seguintes serviço: Apoio domiciliário e Centro de Dia. Este Centro é inspirado no Exército de Salvação fundado na região Leste da Cidade de Londres em 1865 pelo pastor metodista William Booth e a sua esposa Catherine Booth. O fundador descrevia o lema da instituição da seguinte forma: “os três S” representam melhor a maneira como o Exército de Salvação atua: “primeiro a Sopa, depois o Sabão e por fim a Salvação”. O Centro possui uma equipa técnica constituída por uma Técnica Superior de Serviço Social, uma Animadora Sociocultural e uma Encarregada que supervisiona o Centro. 6.3.2.Centro Social do Grupo Desportivo e Cultural do Bairro de Santo Eugénio Não existem documentos acerca da história deste centro e foi apenas possível recolher informação junto de alguns utentes seniores (depoimentos informais). No início este Centro funcionava apenas como ATL, mas quando a direção da instituição foi substituída tornou-se num espaço de convívio para os seniores sócios. O Centro é um espaço de lazer onde os seniores se reúnem após a hora de almoço para jogar cartas e conversarem. Este Centro não possui equipa técnica. 150 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR 6.3.3.Centro de Convívio da Associação de Moradores da Zona de Francos Nascida a 31 de Maio de 1975, esta associação desempenha um papel extremamente importante na vida Sociocultural e Desportiva da cidade do Porto, mais especificamente na Freguesia de Ramalde onde está sediada. Há mais de 25 anos que possui um Centro de Convívio direcionado para os moradores seniores da Zona. Neste Centro os seniores podem participar nas diversas atividades e passeios que se realizam durante todo o ano. Este centro possui uma direção formada pelo Presidente da Associação, um Vice-Presidente e um Administrativo, mas não possui uma equipa técnica. 6.3.4.Centro de Convívio do Grupo Desportivo do Viso O Grupo Desportivo do Viso, associação de utilidade pública, foi fundado em 1 de Maio de 1975, por um grupo de ex-atletas de Hóquei em Campo da extinta secção do Senhora da Hora. O Centro de convívio foi fundado mais tarde (não sendo possível precisar uma data) para os seniores sócios da instituição. Este Centro não possui equipa técnica. 6.3.5.Centro Social, Desportivo e Cultural do Bairro das Campinas Este Centro surgiu em 1978 face à iniciativa de 17 amigos. A ideia inicial teve como ponto de partida o facto de não existir no Bairro das Campinas qualquer resposta social para os idosos e a necessidade em projetar o Hóquei de 6. Este Centro possui uma direção que tem a seu cargo a gestão administrativa do Centro e conta também com um animador sociocultural. 151 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR 6.3.6.Grupo Desportivo do Centro Social do Bairro de Francos Este Centro surgiu em 18 de Junho de 1975, criado por um grupo de amigos. Esta coletividade tem em movimento várias atividades como futsal, cicloturismo, basquetebol e atividades de lazer para a terceira idade. Este Centro possui uma direção que tem a seu cargo a gestão administrativa do Centro. 6.3.7.Centro Social da Paróquia da Nossa Senhora da Boavista O Centro Social Paroquial N.ª Sr.ª da Boavista foi inaugurado a 31 de Maio de 1991, com o esforço de toda a comunidade paroquial e com a ajuda de um subsídio do PIDAC. O Centro Social goza de uma grande e variada vitalidade, respondendo às necessidades das crianças, dos jovens, dos adultos e dos seniores. Das muitas atividades que aí se desenvolvem, destacam-se: as festas, os convívios, conferências, debates, atividades desportivas, passeios de carácter cultural, turístico e religioso. 6.3.8.Centro de Dia Artur Brás Este centro foi inaugurado em 2009. Esta resposta social dirigida a 35 cidadãos seniores da Freguesia, é fruto de um protocolo celebrado entre a autarquia de Ramalde e a Associação de Solidariedade Social. Este centro possui uma equipa técnica constituída por uma coordenadora técnica, uma assistente social e outros colaboradores que fazem com que o trabalho no Centro seja possível. 152 Capítulo VI – Práticas de ASC com e para os Seniores na JFR 6.2.9. Lar do Calvário do Carvalhido O Lar de terceira idade tem capacidade para 70 idosos possui também um centro de dia com capacidade para 35 idosos. Esta valência não participa nas atividades promovidas pela JFR, e assim não conseguimos obter mais informações relativamente à constituição da equipa técnica e das atividades que são promovidas com os seniores. 6.2.10. Lar das Irmãzinhas do Pinheiro Manso Este lar foi inaugurado em 1895. Neste momento conta com 96 idosos internados no Lar. No que se refere à equipa técnica é de referir que a Madre Superior é a coordenadora técnica do lar onde existem mais nove irmãs que acompanham e supervisionam tudo o que é realizado no Lar. Existe uma enfermeira a tempo parcial e 36 auxiliares a tempo inteiro. 6.2.11. Centro de Dia e de Convívio do Santíssimo Sacramento Iniciou o seu percurso como Centro de Convívio no dia 14 de Maio de 1990, e em Dezembro de 2011 inaugurou o seu Centro de Dia. O Centro de Convívio tem cerca de 30 seniores e o Centro de Dia 20 seniores. Este Centro possui uma equipa técnica constituída por uma coordenadora técnica, uma Animadora Sociocultural e oito assistentes de geriatria. De referir que este Centro não se encontra sediado na Freguesia de Ramalde, contudo tem muitos seniores de Ramalde inscritos no mesmo e participam sempre nas iniciativas que são promovidas pela Junta. 153 Conclusão Conclusão 154 Conclusão Com este trabalho de investigação, concluímos que esta temática ASC com e para os seniores está cada vez mais na ordem do dia, e é urgente e emergente que o nosso poder político se preocupe e crie as condições necessárias para que o envelhecimento possa ocorrer cada vez mais de uma forma saudável, ativa, contínua e não circunstancial e que todos, mas mesmo todos os nossos seniores, consigam ter um “fim de vida” digno. Podemos afirmar convictamente que depende de cada um de nós a mudança de mentalidade e de atitude para com as pessoas seniores. Cabe a cada um de nós educar o ser Humano, pois os seniores são pessoas capazes, úteis e que nos podem ensinar muita coisa de que sem eles jamais teríamos conhecimento. Conseguimos facilmente entender que a nossa sociedade evoluiu, contudo constatamos e concluímos que paira em nós um inquietante dilema será que a nível dos idosos é visível esta evolução? Inquieta-nos o registo de muitos lares armazéns de seres humanos e ainda o acantonamento de homens e mulheres que apenas lhes resta matar a coisa mais preciosa que têm - o tempo. É pois urgente uma mudança de postura que passa pelo reforço de um interagir comprometido com a transmissão de valores alicerçados numa vivência geradora de educação. É inadiável a assunção de novas políticas que incrementem um humanismo que reforce os lados afetivos e que por outro lado o poder político assuma a responsabilidade histórica de promover reformas dinas e justas com vista a dignificação daqueles que viverem, lutaram e acreditaram num mundo melhor. É imperioso o incremento da ação destes Pedagogos da vivência que podem transmitir as gerações presentes e vindouras as suas histórias, os seus jogos e todos os seus saberes vindos de uma sabedoria alicerçada na passagem de muitas gerações. Concluímos da urgência da valorização de uma terceira idade ativa e atuante e inserida num diálogo e numa ação intergeracional que passa por um cruzamento e partilhe de saberes de forma permanente. 155 Conclusão Metodologia No que se refere à nossa pergunta de partida, Qual a importância da Animação Sociocultural na intervenção junto dos Seniores da Freguesia de Ramalde, podemos afirmar que é extremamente importante, na medida em que vemos os níveis de participação por parte dos seniores nas atividades, sendo que algumas se repetem há já alguns anos e se isso acontece é porque a avaliação tem sido positiva bem como o numero de participantes. Há bem pouco tempo foi por nós realizado um pequeno estudo acerca do Coro Sénior de Ramalde, em que todos os participantes foram unânimes em afirmar que o mesmo se assume como muito importante para os mesmos (nos anexos pode ser consultado esse pequeno estudo). Os objetivos a que nos propusemos no início do presente estudo foram atingidos e concluímos que, tendo em conta a bibliografia consultada e as entrevistas que realizámos, a Junta de Freguesia de Ramalde, tem, nas suas atividades, formas de participação para os seniores nas diferentes áreas e âmbitos as quais vão de encontro às necessidades destes pois como já referimos atrás a participação é sempre grande e a motivação também. Apenas nos parece importante referir que as únicas áreas em que a JFR ainda não apostou, ao nível da ASC, para e com os seniores são Animação Teatral, Animação Turística e Animação na Leitura e fica aqui o repto para que as mesmas se possam promover se isso for de encontro às motivações dos seniores. De grande importância é também que as atividades sejam bem preparadas e bem estruturadas antes de serem realizadas e fazer conforme nos afirma Ander-Egg (2000) planificar e programa-las de uma forma estruturada e para que nada falhe. Envelhecimento No que se refere a esta temática foi-nos possível perceber que o envelhecimento depende de muitos de fatores intrínsecos, mas também em larga escala de fatores externos, ou seja, não é só a hereditariedade que dita o tipo de envelhecimento que os seniores têm, as oportunidades, a comunidade, o ambiente familiar que têm pode e tem muita influência na sua vivência e convivência em sociedade. 156 Conclusão Concluímos através dos estudos realizados e expressos na nossa investigação a importância da gerontologia e da geriatria para a promoção de um envelhecimento ativo e condigno de todos aqueles que chegam a esta fase das suas vidas a qual deve ser vista não como o fim de uma vida, mas como o início de uma nova etapa da vida e é dentro desta perspetiva que se torna necessário a articulação entre a tríade Gerontologia, Geriatria e Animação Sociocultural. Animação Sociocultural e o Papel do Animador para e com os Seniores A ASC assume-se como o grande impulsionador da promoção de atividades que promovam o envelhecimento saudável e ativo para os seniores, para que o tempo seja vivido e não passado, que a vida seja vivida na convivência e que eles se envolvam no seu próprio desenvolvimento. A função de um animador sociocultural neste âmbito apresenta características muito especificas e importantes, pois depende também dele criar um plano de atividades que seja do interesse dos seniores, para que os mesmos se sintam motivados para a participação, pois não vale de nada promover atividades que não vão de encontro às necessidades e motivações dos seniores. Intervenção Social, Cultural e Educativa nos Seniores As relações intergeracionais assumem um carácter de relevo e têm e devem ser fomentadas; isso é preconizado na Animação Sociocultural, e nesta temos um enorme aliado para que os seniores participem e vivam ativamente na sociedade, para que não se isolem e se criem espaços de socialização, trocas de experiências e saberes entre diferentes gerações. A educação permanente e as Universidades Seniores estão por completo relacionadas com o envelhecimento e com a ASC pois permitem que os seniores possam aprender coisas novas e reciclar conhecimentos para que a mente não pare, mesmo que o corpo não queira colaborar. Como não poderia deixar de ser o Voluntariado, a Cidadania e a Participação, juntos conseguem promover junto dos seniores atividades e formas de estar na vida e em comunidade que permitem melhor viverem em comunidade e não deixarem de participar e ter uma voz ativa e importante. 157 Conclusão ASC nas Autarquias Fazendo a ponte entre o antes do 25 de Abril e o após 25 de Abril, hoje em dia concebemos programas de animação em que exista participação, em que o poder politica crie e promova atividades para os seniores e não com os seniores, que os envolve e que os chame não só para votar, mas também para saber o que mais gostam de fazer e o que é mais adequado para os mesmos. Animação Turística, Teatral e Musical Falamos de técnicas que podem e devem ser utilizadas juntos dos seniores pois promovem um envelhecimento ativo e a participação dos seniores em projetos que os valorizem e que não sejam mais um a participar. Animação Turística pretende envolver os seniores nos seus projetos, a Animação Teatral preconiza que os seniores possam libertar-se de temores e receios e que sejam atores, a Animação Musical quer através de instrumentos, quer através do canto envolve os seniores em projetos promissores. Junta de Freguesia de Ramalde Este trabalho pretendeu fundamentalmente perceber o funcionamento da JFR em termos de trabalho com e para os seniores e no que se refere à ASC, onde existe por parte do seu Presidente e respetivo executivo, criação de politicas de intervenção e de animação junto dos mesmos. Existem lares e centros de Dia/Convívio em Ramalde onde a Junta também intervém e promove atividades de ASC. É em prol destas vidas e de outras que ainda estão para vir, destes seniores e desta sabedoria que vamos continuar a trabalhar, a intervir, a investigar e jamais baixaremos os braços, porque o mundo faz-se com todos e não só com alguns. 158 Bibliografia Bibliografia 159 Bibliografia A AGUILAR “El Futuro de la Animación Sociocultural y su dimensión interdisciplinar” in “Cuadernos de Animación” nº 8, Gijon, Asturactiva, pp.5-26. ALVES (2004). As Cores do Crepúsculo - A Estética do envelhecer. Porto: Edições Asa. AMADO (2011). “Prefácio”. in AZEREDO. O idoso como um todo… Viseu: Psico&Soma – Livraria, Editora, Formação e Empresas, Lda. pp. 9-10 ANDER-EGG (1987). Perfil del Animador Socio-Cultural. Alicante: Graficas Diaz. ANDER-EGG (1991). Metodologia y pratica de la Animacion Socio-cultural. Buenos Aires: Hymanitas, ANDER-EGG (1999). O Léxico do Animador. Vila Real: Edição ANASC – Associação Nacional de Animadores Socioculturais. ANDER-EGG (2000). Metodología y Práctica de la Animación Sociocultural. Madrid: Editorial CCS. ANDER-EGG (2003). La Política Cultural a nivel Municipal. México: Instituto Zacatecano de Cultura. ANDER-EGG (2003). Métodos y Técnicas de Investigación Social IV Técnicas para la recogida de Datos e Información. Argentina: Edições Lumen HYMANITAS. AA.VV. (1997). Práticas e Métodos de Investigação em Ciências Sociais – Trajectos. Lisboa: Gradiva. AA.VV. (2007). “Políticas Sociais para a Terceira Idade”. in Requejo e Pinto (coord.) As Pessoas Idosas Contexto Social e Intervenção Educativa. Lisboa: Instituto Piaget, pp.131-179. AZEREDO (2011). O idoso como um todo…Viseu. Psico&Soma – Livraria: Editora, Formação e Empresas, Lda. 160 Bibliografia B BADESA (2008). Perfil del Animador Sociocultural. Madrid: Narcea. BELL (2008). Como realizar um projecto de investigação. Lisboa: Editora Gradiva. BERGER e MAILLOUX-POIRIER (1995). Pessoas Idosas, Uma abordagem global. Lisboa: Lusodidacta. C CALENTI (2006).“Gerontología y Geriatría” in Calenti (coord.). “Principios de Geriatría y Gerontología”. Madrid: Mc Graw Hill * Interamericana. pp. 3-20. CALENTI e GONZÁLEZ (2006). “Gerontología educativa” in Calenti (coord.): “Principios de Geriatría y Gerontología”. Madrid: Mc Graw Hill * Interamericana. pp. 173-191. CANO, HERRERA e OCHOA (2007). Mayores Solidarios. Madrid: Dykinson, S.L. CARRAJO (1999). Sociología de los Mayores. Salamanca: Publicaciones Universidad Pontifica de Salamanca. CARRERAS (2003). Educación y Aprendizage en las Personas Mayores. Madrid: Editorial Dykinson, S.L. CARRERAS (1997). La Tercera Edad Animación sociocultural. Madrid: Dykinson, S.L.. CUNHA (2009). Animação Sociocultural na Terceira Idade. Ousadias. E ELIZASU (2001). La Animación con personas mayores. Madrid: Editorial CCS. 161 Bibliografia F FERRARI (2000). “Lazer e Ocupação do Tempo Livre na Terceira Idade. Visão Histórica” in Netto (coord.) Gerontologia, A Velhice e o Envelhecimento em Visão Globalizada. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte: Editora ATHENEU. pp.98-105 FONSECA (2004). O Envelhecimento uma abordagem psicológica. Lisboa: Universidade Católica Editora. FORTIN (1999). O Processo de Investigação: Da concepção à realização. Loures: Lusociência. G GARCÍA (2009). “A animação sociocultural na terceira idade, voluntariado, cidadania e participação” in Lopes e Pereira, J. (coord.) : Animação Sociocultural na Terceira Idade. Amarante: Edições Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural. pp.36-54. GARCÍA (2004). GERONTOLOGÍA EDUCATIVA – Cómo diseñar proyectos educativos con personas mayores. Madrid: Editorial Medica panamericana. GIL (1999). Métodos e Técnicas de PESQUISA SOCIAL. São Paulo: Editora Atlas. 5ªedição. GOMES (2009) “A Música na Animação Sociocultural da Terceira Idade” in Lopes e Pereira (Coord.). Animação Sociocultural na Terceira Idade. Amarante: Edições Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural. H HÉRBERT, GOYETTE e BOUTIN (1990). Investigação qualitativa: fundamentos e práticas. Lisboa: Instituto Piaget. HESSE (2001). J JACOB (2007). Animação de Idosos. Porto: Editora Ambar. 162 Bibliografia L LEME (2000) “A Gerontologia e o Problema do Envelhecimento. Visão Histórica” in Netto (coord.). Gerontologia, A Velhice e o Envelhecimento em Visão Globalizada. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte: Editora ATHENEU. pp.13-25 LIMA (2009). “Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na Terceira Idade” in Lopes e Pereira (coord). Animação Sociocultural na Terceira Idade. Chaves: Edições Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural. pp.163-168. LOPES (2008). Animação Sociocultural em Portugal. Amarante, Edições Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural. LOPES (2008). “A Animação Sociocultural: os velhos e os novos desafios” in Pereira, Vieites e Lopes (coord.). A Animação Sociocultural e os desafios do século XXI. Amarante, Edições Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural. pp. 147-158. LOPES (2009). “A Animação Sociocultural na Terceira Idade: Empreendedorismo e novos espaços de empregabilidade” in Pereira e Lopes (coord.). ANIMAÇÃO SOCIOCULTURAL na TERCEIRA IDADE. Amarante: Edições Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural. LOPES (2010). “Dramoterapia necessidades educativas, sociais e culturais.” in Lopes e Peres (coord.). Animação Sociocultural e Necessidades Educativas Especiais. Chaves: Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural. pp. 129-135. LOPES (2010). “Âmbitos da Animação Sociocultural” in Costa (coord.) Animação Sociocultural, Profissão e profissionalização dos animadores. Oliveira de Azeméis: Livpsic. pp. 121-144. LOPES (2011). Metodologias de investigação em Animação Sociocultural. Amarante: Edições Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural. LOPES (2011). “ Animação Sociocultural, Voluntariado e Participação” in Costa (coord.). Animação Sociocultural Voluntariado e Cidadania Ativa. Maia: Livpsic. pp. 19 – 28 163 Bibliografia M MAIO (2012). Agenda da Junta de Freguesia de Ramalde. Ramalde: Junta de Freguesia. MARTINS (2009). “Animação Sociocultural na Terceira Idade no Lar de Santa Marta em Chaves.” In Pereira e Lopes (coord.). Animação Sociocultural na Terceira Idade. Amarante: Edições Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural. MÍNGUEZ (2004). La educación en personas mayores. Ensayo de nuevos caminos. Madrid, Narcea, S.A. de Ediciones. N Netto (2006) “O Estudo da Velhice: Histórico, Definição do Campo e Termos Básicos” in Freitas, Py, Cançado, Doll, e Gorzoni (coord.) Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan. P PALMA e CACHIONI (2006). “Educação Permanente: Perspectiva para o Trabalho Educacional com o Adulto Maduro e o Idoso” in Freitas, Py, Cançado, Doll, Gorzoni. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan. pp. 1456-1465 PAÚL (1997). Lá para o fim da vida. Coimbra: Almedina. PEREIRA e LOPES (2009). Animação Sociocultural na Terceira Idade. Chaves: Edições Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural. PERES e LOPES (2006). Animação, Cidadania e Participação. Chaves: Editora Associação Portuguesa de Animação e Pedagogia (APAP). PÉREZ (2011). “Investigação Avaliativa e Estudos de Caso em Animação Sociocultural” in: Lopes (2011). Metodologias de investigação em animação sociocultural. Amarante: Edições Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural. 164 Bibliografia PÉREZ e PUYA (2007). El animador – buenas práticas de Acción sociocultural. Madrid: Narcea, S.A. de ediciones. PORTUGAL e AZEVEDO (2011). Opimize o seu bem-estar in Manual do Envelhecimento Activo. Lisboa: Lidel – edições técnicas, Lda. pp. 205-232 Q QUARESMA “ Processos e estratégias de Envelhecimento Ativo. Ano Europeu do Envelhecimento Ativo” in Moura (coord.2012). PROCESSOS E ESTRATÉGIAS DO ENVELHECIMENTO. Intervenção para um envelhecimento Ativo. Eudito. pp. 17-20. QUINTANA (1993) Los ámbitos Profesionales de La Animación, Madrid: Narcea QUIVY, R. e CAMPENHOUDT. MANUAL DE INVESTIGAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS – TRAJECTOS. Lisboa: Gradiva. R REQUEJO (1997 e 1998). “Animação Sociocultural na Terceira Idade” in Trilla, J. (coord.). Animação Sociocultural Teorias Programas e âmbitos. Lisboa: Horizontes Pedagógicos, Instituto Piaget. REQUEJO e PINTO (2007). “Os idosos na sociedade actual” in Osório e Pinto (coord.). As Pessoas Idosas contexto social e Intervenção Educativa. Lisboa: Instituto Piaget. REQUEJO (2008). “Animação Sociocultural na Terceira Idade” in Pereira, Vieites e Lopes (coord.). Animação Sociocultural e os Desafios do Século XXI. Chaves: Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural. pp. 207 – 219. RIBEIRO e PAÚL (2011). “Envelhecimento Ativo” in Paúl e Ribeiro (coord.). Manual de ENVELHECIMENTO ACTIVO. Lisboa: LIDEL. pp.1-12 S SAINT-GEORGES (1997) “Pesquisa e crítica das fontes de documentação nos domínios económico, social e político” in AA.VV. Práticas e Métodos de Investigação em Ciências Sociais - Trajectos. Lisboa: Gradiva. pp. 15-47 165 Bibliografia SARAIVA e LIMA (2010). “Saberes em palavras” in Costa (coord.) Animação Sociocultural Voluntariado e Cidadania Ativa. Maia: Livpsic. pp. 159-168 SIMÕES (2006). A NOVA VELHICE. Um novo público a educar. Porto: AMBAR. SOUZA (2006). “Musicoterapia e a Clínica do Envelhecimento”, in Freitas, Py, Cançado, Doll e Gorzoni. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro. Editora Guanabara Koogan. pp. 1216 – 1226. SQUIRE (2005). Saúde e bem-estar para Pessoas Idosas. Fundamentos básicos para a prática. Loures: Lusociência. T TRILLA (1997 e 1998). ANIMAÇÃO SOCIOCULTURAL. Lisboa: Instituto Piaget. O OLIVEIRA ( 2010). Psicologia do Envelhecimento e do Idoso. Livpsic. V VENTOSA (2002). Fuentes da la Animación Sociocultural en Europa, Madrid, Ed. Popular. VENTOSA (2002). “Animação Sociocultural no virar do século, conferência proferida nas II Jornadas Internacionais de Animação Sociocultural”, organizado pela UTAD/Pólo de Chaves. VENTOSA (2007): Conferencia pronunciada en el Coloquio Internacional de ASC. Lucerna, Suiza. VENTOSA (2009). “Animação Sociocultural e Terceira Idade” in Pereira e Lopes (coord.). Animação Sociocultural na Terceira Idade. Chaves: Edições Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural. pp. 333 - 341 166 Bibliografia VIVEIROS (2011). “O Voluntariado como promotor da cidadania ativa que lugar para a Animação Sociocultural?” in Costa (coord.). Animação Sociocultural Voluntariado e Cidadania Ativa. Maia: Livpsic. pp. 81 - 93 VICHÉ (2007): La Animación Sociocultural, Zaragoza, Libros Certeza. Recursos On Line CORREIA (2007). Velhos são os Trapos: mito ou realidade?. Disponível em http://www.psicologia.pt/artigos/textos/A0340.pdf. Consultado em 8 de Novembro de 2011. GARCÍA (2008). ANIMACIÓN SOCIOCULTURAL Y ENVEJECIMIENTO ACTIVO:UN DESAFÍO MUTUO. Disponível em http:quadernsanimacio.net; nº8, julho de 2008. Consultado em 5 de Dezembro de 2011. PONTE (2006). O estudo de caso na investigação em Educação Matemática. Disponível em http:// www.educ.fc.ul.pt/docentes/jponte/docs-pt%5C94- Ponte(Quadrante-Estudo%20caso).pdf. Consultado em 11 de Novembro de 2011. 167 Apêndices Apêndices Documentos complementares do trabalho de investigação, desenvolvidos pelo autor e relevantes para o mesmo, sendo eles: Guião de entrevista e respetivas entrevistas e Grelhas de Observação 168 Apêndices 1. Guião de Entrevista I Apêndices 1.O que entende por Animação Sociocultural 2.O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade 3.Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade 4.Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade 5.O que entende por Educação Intergeracional 6.Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade 7.O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a Cidadania para a 3ª Idade II Apêndices 2. Entrevista 1 - Victor Ventosa III Apêndices 1- O que entende por Animação Sociocultural Prof. Dr. Vítor Ventosa - Un modelo de intervención capaz de generar procesos autoorganizativos a nivel social e individual a través de la implicación activa de un colectivo de personas en el desarrollo de un proyecto sociocultural y/o educativo libremente elegido por ellos y destinado a mejorar la calidad de vida de su entorno. 2- O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade Prof. Dr. Vítor Ventosa - Que es uno de los medios más idóneos y eficaces para responder a las principales necesidades, problemas e intereses que tienen las personas mayores en nuestra actual Sociedad. Los resultados actuales de la investigación y de las buenas prácticas a la hora de aplicar programas de ASC con personas mayores nos muestran cómo es una metodología eficaz para combatir la soledad, la inactividad, la falta de autoestima y la incomunicación propias de muchos mayores potenciando la convivencia, la comunicación y la ocupación positiva y gratificante del tiempo libre a través de la práctica de actividades socioculturales, lúdicas, turísticas y de ocio educativo y social. 3- Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade Prof. Dr. Vítor Ventosa - Las podemos clasificar en dos grupos. Por un lado están las características diferenciales. En este sentido, hablamos de una modalidad de Animación que se diferencia de otras modalidades por el ámbito donde se aplica –el sector del Turismo- y los destinatarios a los que se dirige –las personas mayores. Lo primero determina los espacios y los tiempos de la animación infraestructuras turísticas en tiempos (espacios e discontinuos, puntuales o vacacionales ) así como el tipo de actividades y recursos a utilizar (asociados sobre todo al viaje y al descubrimiento de nuevos pueblos, paisajes y culturas, así como a los diversos tipos de turismo activo actual). IV Apêndices Las características comunes y que comparten, por tanto, con todo tipo de animación , son las asociadas a las dos dimensiones básicas de la Animación: dimensión relacional (Animus) y productiva rendimiento (Anima). En este sentido, o de la Animación Turística se diferencia de otro tipo de actividad turística en la metodología empleada (que como en cualquier otro tipo de animación ha de ser participativa, grupal, lúdica, inductiva y creativa) con el fin de generar experiencias sociales intensas y gratificantes de relación comunicación y convivencia y también se diferencia en el tipo de actividad turística elegida , capaz de involucrar activamente y no de manera pasiva o meramente consumista a sus destinatarios. Por ello , las actividades más propias de la Animación Turística son las pertenecientes al llamado Turismo Activo en sus múltiples vertientes (Social, Cultural, LúdicoEducativo….). 4- Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade: Prof. Dr. Vítor Ventosa - En los ya muchos años que llevo dedicado a desarrollar las posibilidades del teatro y sus recursos expresivos como instrumento de Animación Sociocultural, he podido descubrir (y así lo he mostrado en algunas de mis publicaciones) los buenos resultados que la Animación Teatral consigue con todo tipo de destinatarios , pero especialmente en las personas mayores, al lograr implicarlas en procesos expresivos, grupales y convivenciales no sólo entre iguales sino también en grupos intergeneracionales. Todo ello contribuye de manera especial a desarrollar la autoestima del mayor, haciéndole descubrir o redescubrir potencialidades expresivas, creativas, cognitivas y emocionales inéditas u olvidadas y atrofiadas por el paso del tiempo. 5- O que entende por Educação Intergeracional Prof. Dr. Vítor Ventosa - Es aquel tipo de Educación que persigue el desarrollo humano mediante el enriquecimiento mutuo y complementario que surge en el encuentro y la convivencia entre personas de diversas edades. V Apêndices 6- Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade Prof. Dr. Vítor Ventosa - Lógicamente debe reunir las características comunes a todo animador referentes tanto a su Ser (personalidad), como a su Hacer (capacidad) y a su Saber (Formación), complementadas con un conocimiento especifico de la problemática sociocultural de las personas mayores (Gerontología Social) y de su Psicopedagogía (Andragogia), así como de un manejo de las técnicas, recursos y actividades socioculturales más idóneas y preferidas por ellos , con especial referencia a la llamada animación estimulativa . 7- O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a Cidadania para a 3ª Idade Prof. Dr. Vítor Ventosa - Creo que son demasiados temas para poder abordarlos con un mínimo de profundidad y coherencia en el estrecho marco de una entrevista como ésta. Pero puedo destacar un hilo conductor que los une y relaciona. Me refiero a la importancia de la actividad, tanto física como psíquica, en el mantenimiento de la salud y bienestar de la persona mayor. En los últimos años, los descubrimientos de la Neurociencia corroboran lo que ya veníamos intuyendo desde la práctica de la animación con personas mayores. La implicación activa del mayor en actividades ilusionantes, atractivas y saludables, no sólo ralentiza los procesos degenerativos asociados a la edad, sino que aporta mayor calidad a su vida, consiguiendo de este modo lo que creo debe ser la meta de la ASC con mayores: dar más vida a los años. En definitiva, la ASC es una Didáctica de la participación social y por ello desarrolla la ciudadanía activa a través del Voluntariado entre otras formas de acción y como tal ayuda a mantener activas a las personas mayores con los beneficios que ello genera a la 3ª Edad. VI Apêndices 3. Entrevista 2 - Gloria Pérez Serrano VII Apêndices 1. O que entende por Animação Sociocultural Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “Una metodología de intervención, de carácter intencional y propositiva, que promueve la participación, el desarrollo de valores sociales y culturales, orientada a la promoción individual y a la transformación comunitaria” 2. O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “Es una metodología de trabajo de gran interés para estimular a las Personas Mayores, desarrollar sus potencialidades, provocar su participación y hacerles vivir con vitalidad” 3. Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “Entre otras muchas características que se podrían decir, creo conveniente resaltar: Desarrollo de la comunicación y participación como eje del desarrollo. Promotora de valores y cauce de participación. Prioriza la iniciativa personal y el ejercicio libre en los grupos y personas por encima de intervenciones externas. Es un elemento transformador. Utiliza técnicas y estrategias activas, creativas, dinámicas y experienciales.Actua como catalizador Vincula los procesos y actividades a la resolución de problemas y situaciones concretas de grupos y personas. Promotora de vida asociativa. Proceso que exige permanencia y continuidad. Requiere la presencia de agentes motivadores”. 4. Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “La ASC (Animación Socio-Cultural) persigue un comportamiento adaptativo, con el fin de lograr el mejor acoplamiento entre el sujeto de 3ª edad y el contexto, consiguiendo así la satisfacción y el VIII Apêndices bienestar de los Mayores. Da importancia a que el individuo tome conciencia de lo que hace, cómo lo hace y por qué lo hace, contribuyendo de este modo, no sólo al desarrollo propi, sino, también al de la Comunidad.” 5. O que entende por Educação Intergeracional. Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “La Educación Intergeneracional potencia la relación entre las Personas Mayores y los Jóvenes, impulsando diferentes actividades en orden a propiciar dicha relación. La educación intergeneracional se puede definir como las relaciones recíprocas de aprendizaje y las interacciones entre jóvenes y mayores. La educación intergeneracional considera que las relaciones entre jóvenes y mayores son importantes para ambos grupos y para la sociedad en general. Los programas intergeneracionales contribuyen a que tanto los jóvenes como los mayores compartan experiencias que beneficien a ambas generaciones. Estimulan los lazos entre las generaciones, fomentan el intercambio cultural y proporcionan sistemas de ayuda social. Las generaciones están inmersas en su propio mundo; las grandes diferencias entre las experiencias de jóvenes y mayores crean barreras entre las generaciones. El término intergeneracional supone la participación de miembros de dos o más generaciones en actividades de aprendizaje que les pueden concienciar sobre las distintas perspectivas generacionales. La educación intergeneracional está orientada al intercambio de experiencias de tal forma que se emplean las destrezas específicas de cada generación. La educación intergeneracional tiene como objetivo el contrarrestar el esteriotipo negativo existente acerca del envejecimiento, y tiene en cuenta el nivel de compentencia de los mayores y su importancia en la educación de los jóvenes. La educación intergeneracional no sólo consiste en que las generaciones estén juntas. Estar juntos no es suficiente. IX Apêndices no significa que cualquier proceso de aprendizaje que implica tanto a jóvenes como a mayores sea necesariamente un caso de aprendizaje generacional, es algo más que la mera transmisión de conocimientos.” 6. Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “Para poder diseñar el perfil del Animador SC, es importante reseñar las cualidades humanas (buena salud y resistencia física, capacidad intelectual: flexibilidad, tolerancia, etc.; dimensión afectiva y actiudinal, etc. y profesionales (competencia técnica, metodológica, participativa, personal...), las aptitudes y actitudes que le son propias. Conviene tener en cuenta unas características generales, tales como: a. Cualidades de educador: modificar actitudes, de la pasividad a la actividad, comprender necesidades y aspiraciones de los grupos y personas. b. Agente de cambio social: debe ser un experto en el funcionamiento de grupos. c. Capaz de estimular y suscitar las relaciones entre personas, grupos y comunidades d. Mediador social: facilitador de la comunicación. Ayudará a reflexionar sobre la responsabilidad, el protagonismo y potenciará los intereses comunes y posibles acuerdos. e. Dinamizador intercultural: previene los conflictos culturales, mejora la comprensión recíproca entre personas y grupos de origen diverso”. 7. O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a Cidadania para a 3ª Idade Prof. Drª. Gloria Pérez Serrano - “Es necesario impulsar el voluntariado para trabajar con Personas Mayores. Quiero reseñar específicamente, la necesidad de fomentar el voluntariado entre los propios mayores. Ellos disponen de muchas potencialidades y experiencia que pueden ponerlas en servicio del grupo y a la vez sentirse útiles y colaborando con la sociedad. X Apêndices 4. Entrevista 3 - Luis Gomez Garcia XI Apêndices 1- O que entende por Animação Sociocultural Dr. Luis Gomez Garcia - Creo que es una metodología para la transformación social y el desarrollo autónomo e integrado de la persona. Nos permite introducir una perspectiva transversal en los Programas de Intervención Social que permite incidir de manera eficaz en la creación de entornos de cooperación interpersonal. Al situar como objetivo principal el desarrollo comunitario y no la comunicación entre grupos sociales segmentados (edad, sexo, orígenes nacionales, etc.), la ASC deja de ser un fin en sí misma, que se agota una vez que se ha establecido, para pasar a ser una herramienta más en el proceso de crear comunidades inclusivas, abiertas, universales. Poner en contacto entre sí a las personas, sobre todo de diferentes edades, es el primer paso para articular redes sociales nuevas, pero si no se formalizan objetivos que trasciendan las necesidades sentidas por cada grupo de edad o de interés, en particular, animándolos a reflexionar sobre la naturaleza social de sus diferencias y el modo en que se convierten en estereotipos invalidantes, para transformarlos en un proyecto de futuro común, esas mismas personas se desvincularán entre sí en cuanto el establecimiento de la relación haya finalizado. 2- O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade Dr. Luis Gomez Garcia - La participación de las personas de edad avanzada en procesos de creación artística-cultural se encuentra fuertemente limitada por su dificultad para acceder a los espacios de formación adecuados (centros cívicos, deportivos, culturales, etc.). Para superar ese bache es imprescindible una ASC específica para las personas mayores. Las personas mayores no sólo pueden participar en procesos de mejora de su propia condición vital sino aportar, como tales, conocimientos y experiencias creadoras en pie de igualdad con otras generaciones (jóvenes y adultos). Para ello se necesita la intervención de profesionales de la ASC que dinamicen adecuadamente. Se trata de procesos prolongados en el tiempo, que requieren un enfoque de intervención socioeducativa y un compromiso a largo plazo por parte de las instituciones patrocinadoras. En estas condiciones, la ASC permite crear nuevas relaciones intergeneracionales e impulsar a los mayores participantes a una reflexión global sobre su condición XII Apêndices social y la manera de mejorarla transmitiendo sus vivencias al resto de la comunidad. La ASC no son actividades lúdicas sino procesos transformadores comunitarios, en la línea de lo planteado históricamente por Ander-Egg y otros. 3- Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade Dr. Luis Gomez Garcia - Aunque no soy un especialista en Animación Turística, creo que debe tener las siguientes características: Muy motivadora para una ocupación recreativa y divertida del tiempo libre. Tener en cuenta las características e intereses de la población a la que se dirige: no son jóvenes, son personas mayores. No ocupar todo el tiempo libre, sino conformarse con ser una oferta disponible a la cual las personas se apuntan o no según sus intereses individuales. Tener en cuenta la situación específica de las personas en situación de dependencia (minusvalías, etc.) 4- Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade Dr. Luis Gomez Garcia - Es imprescindible como herramienta de trabajo para dinamizar grupos y hacer que las personas mayores tomen conciencia de su situación comunitaria, además de ser una herramienta fundamental para el desarrollo artístico. También cumple funciones terapéuticas (mejora de la memoria, etc.) 5- O que entende por Educação Intergeracional Dr. Luis Gomez Garcia - La visibilidad social de las personas mayores aumenta a medida que las relaciones intergeneracionales se fortalecen. La práctica intergeneracional busca reunir personas que comparten un mismo objetivo, a través de actividades que las beneficien mutuamente y que promuevan una mejor comprensión y un mayor respeto. El desarrollo de las relaciones intergeneracionales XIII Apêndices ha estado siempre en la esencia de la ASC, ya desde sus orígenes, aunque no siempre con esta denominación y de una forma tan explícita. Las distintas formulaciones teóricas construidas en la década de 1970 no dejaban de insistir en ello, utilizando como paradigma el sentimiento de pertenencia a la comunidad, con una visión humanista integral y socio-educativa. Te adjunto este cuadro que creo resumen el tema: Aprendizaje intergeneracional desde la ASC Vivir Co nocer Compartimos sabemos y lo lo que Cooperamos como somos para transformar (nos) Del trazado de mapas que ideoléxicos a la adquisición de desconocemos Ha cer Ser nuevos roles sociales Vi vir Del conformismo con la conflictividad a la acción Ser dialógica Conocer Hacer FUENTE: Elaboración propia, ha sido publicado en un artículo hace dos años. 6- Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade Dr. Luis Gomez Garcia - El perfil ha de ser: Formación en Animación Sociocultural como si trabajara con cualquier otro objetivo. Formación específica en Gerontología Social y Educativa. Conocimientos básicos de geriatría y psicología de la vejez. XIV Apêndices Conocimientos básicos de recursos sociales públicos para la 3ª Edad. 7- O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a Cidadania para a 3ª Idade Dr. Luis Gomez Garcia - La mejora en la calidad de vida de las personas mayores no se va a producir ignorando que son una parte esencial, y muy activa, de la ciudadanía, en nuestros municipios y barrios. Pero el impulso de esa ciudadanía requiere que las instituciones promuevan el encuentro y la solidaridad intergeneracional, faciliten la puesta en marcha y posterior desarrollo de proyectos en esa dirección y, a continuación, sepan apartarse a un lado para dejar a la ciudadanía de todas las edades avanzar como estimen oportuno, sin interferencias externas de ningún tipo. Las tendencias de futuro en animación sociocultural de personas mayores creo que pueden resumirse de la siguiente forma: Ámbitos de intervención del profesional de ASC: Visibilidad social de las personas mayores Promoción de las relaciones intergeneracionales Impulso de la participación comunitaria Fomento del voluntariado y del asociacionismo Favoreceer la creatividad cultural y artística Los retos de la ASC: Como hacer frente al retroceso del Estado de Bienestar Como posicionarse ante el auge de la provisión mixta de servicios socioculturales público/privado o Haciendo visible la animación sociocultural para toda la sociedad XV Apêndices o Educando para la participación activa y no dependiente del Estado y las administraciones burocráticas. 5. Entrevista 4 - Maria Conceição Antunes XVI Apêndices 1- O que entende por Animação Sociocultural Prof. Maria Conceição Antunes - Em termos muito genéricos a animação sociocultural é um conjunto de estratégias, métodos e técnicas de intencionalidade educativa que tem como finalidade melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, implicando-os no desenvolvimento sociocultural das comunidades de que fazem parte de uma forma activa, responsável e participativa. 2- O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade Prof. Maria Conceição Antunes - Enquanto estratégia e metodologia de intervenção social, a animação sociocultural para a terceira idade deve cumprir de igual forma a sua intencionalidade educativa, a diferença a estabelecer tem a ver a concepção e implementação de actividades, programas e projectos adequados a esta faixa etária. 3- Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade Prof. Maria Conceição Antunes A animação turística para terceira idade deve contemplar as características básicas da animação turística o cuidado a ter reside na escolha dos programas estes sim devem ter em conta as características próprias desta fase etária. 4- Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade Prof. Maria Conceição Antunes - A animação teatral não tem um contributo nem mais nem menos especial na terceira idade, a animação teatral é uma excelente actividade artística de intervenção educativa em todas as fases da vida que potencia o desenvolvimento de competências intelectivas, cognitivas, sociais, artísticas e espirituais, mais uma vez os programas escolhidos é que devem estar adequados às características do público-alvo. XVII Apêndices 5- O que entende por Educação Intergeracional Prof. Maria Conceição Antunes - A educação é por natureza intergeracional , ao entendermos a educação como comun itária assumimos que todos aprendemos com todos, neste sentido estes novos programas de educação intergeracional que fundamentalmente procuram juntar crianças e idosos são uma bom projecto no sentido de caminharmos rumo ao verdadeiro sentido da educação evidenciando que os mais novos beneficiam muito do saber e experiência de vida dos mais velhos e estes beneficiam nos novos horizontes e conhecimentos próprios das gerações mais novas. 6- Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade Prof. Maria Conceição Antunes - Em primeiro lugar o perfil de um outro qualquer animador sociocultural, alguém que procurar dar ânimo, dar vida às pessoas e atividades em que se empenham, que comparte com elas as suas vidas no mais pleno sentido do termo, em segundo lugar alguém que realmente tenha uma “vocação” e aptidão para trabalhar com pessoas da terceira idade. 7- O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a Cidadania para a 3ª Idade Prof. Maria Conceição Antunes Todas elas são excelentes formas de contribuir para um envelhecimento saudável, mantendo as pessoas inseridas na esfera social e cultural, fazendo-as sentir cidadãos de pleno direito evitando a exclusão, o isolamento e a solidão. XVIII Apêndices 6. Entrevista 5 - Avelino Bento XIX Apêndices 1. O que entende por Animação Sociocultural Prof. Dr. Avelino Bento - Sabemos da dimensão polissémica da ASC, o que leva a que haja muitas definições. Assim, prefiro referir o conceito que trabalhei em sede de doutoramento e cuja tese foi publicada em 2003: “Animação Sociocultural é uma forma de acção sóciopedagógica que, sem ser a única, se caracteriza pela procura e pela intencionalidade de gerar processos de participação das pessoas em áreas culturais, sociais e educativas, que correspondam aos seus próprios interesses e necessidades. Processa-se a partir de duas super-estruturas – Contexto: Cultural, Social, Educativo. Instituições: Colectividades Locais, Organizações Sociais, Associações de Voluntariado. Percorre quatro dimensões operativas. O Método: que procura a integração e participação das populações; que funciona como indutor de vivências e reflexão; que define o tipo de intervenção territorial. A Acção: que se direcciona no sentido da autonomia e participação colectiva; que se assume como movimento geral de inovação da expressão individual e colectiva. A Mudança: no sentido da transformação de atitudes e de relações inter-individuais e colectivas; para uma posição mais definida na vida quotidiana e uma melhor inserção na sociedade. Os Conteúdos: que valorizem a criatividade como a expressão de si, em observância às questões da estética e da arte, do conhecimento e do saber, dos valores e da ética, da ecologia e da qualidade de vida; que incentivem para a produção, criação e fruição culturais, a partir de interesses e necessidades intrínsecas e extrínsecas; que fomentem a apetência para a participação como a palavra-chave de resolução de muitos dos problemas.” in: Bento, Avelino, Teatro e Animação - outros percursos do desenvolvimento sociocultural no Alto Alentejo, Lisboa, Edições Colibri, 2003, pág. 120. 2. O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade Prof. Dr. Avelino Bento - Aceitando que o envelhecimento não é um fim mas um percurso; aceitando também que nesse(s) percurso(s) a diversidade é muito mais acentuada, quer ao nível das condições de mobilidade, quer às vezes das condições emocionais, o que torna por vezes esses percursos frágeis; mas aceitando, também, XX Apêndices paradoxalmente, que existe uma experiência de vida e um saber acumulado, poderemos afirmar que é uma população que contribui para o enriquecimento sociocultural de outras populações, nomeadamente das gerações mais jovens, passando-lhes testemunhos, memórias, identidades e cultura no sentido lacto. Aqui a ASC e o papel do Animador são de facto elementos importantes de criação de espaço e de intermediação de valores e de aprendizagens. A ASC permite que se estabeleça uma dialéctica entre o passado e o presente para a construção de um futuro ainda comum. 3. Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade Prof. Dr. Avelino Bento Deve proporcionar a existência de espaços de socialização na relação com o património cultural, construído e natural; Deve criar oportunidades de deslumbramento a populações mais carenciadas, cujas vidas preenchidas pelo trabalho e poucos rendimentos não lhes permitiu usufruir de um conhecimento do mundo; Deve enfim estar atenta à importância da projecção cultural das pessoas, colocando-as em contacto e partilha com outras culturas, outras existências e outras experiências. 4. Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade Prof. Dr. Avelino Bento - Primeiro, permite a descoberta de potenciais que desconheciam, quer ao nível da expressão e comunicação, quer também de outras competências; Segundo, reconstrói o passado vivendo-se o presente, através de uma ficção que se transforma em realidade e de uma realidade que se vai ficcionando. (Re)desperta-os para a criatividade e para a criação artística; Finalmente, a consciencialização da relação do Teatro coma Vida e desta com o Teatro. Experimentando-se essa dialéctica, acrescentam-se pontos de coragem e de esperança ao longo da vida. XXI Apêndices 5. O que entende por Educação Intergeracional Prof. Dr. Avelino Bento - A ASC privilegia esta função educativa, sobretudo pela construção de espaços de educação não-formal. Todavia o entendimento que faço deste tipo de educação faz-me convocar a tradição das comunidades no seu tempo/espaço de socialização onde os mais velhos contam as histórias e são os sábios ancestrais. Mas se é verdade que esse tempo parece ter passado, não deixa também de ser verdade que o reencontro hoje deve continuar a fazer-se a partir de outros espaços/tempos e com responsabilidades das organizações. Hoje o processo educativo é rápido, ténue, diversificado e diferente. Por isso o saber já não está só num dos lados, da tradição e das memórias, dos velhos e dos sábios, está também do lado do presente e do futuro, das crianças e jovens e dos adultos, da cultura local à cultura global, da identidade à diversidade cultural. 6. Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade Prof. Dr. Avelino Bento - Não diferencio muito daquilo que deve ser o perfil profissional do animador sociocultural tout court. Mas da mesma forma que a polissemia do conceito de ASC diverge em função das práticas, dos lugares, dos conteúdos, das políticas, dos princípios, também o perfil do Animador é interferido por essa polissemia. No entanto há uma questão que para mim é essencial: é preciso gostar das pessoas, respeitá-las e construir com elas um percurso que tenha em vias, por um lado as necessidades e, por outro, os interesses dessas mesmas pessoas. 7. O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a Cidadania para a 3ª Idade Prof. Dr. Avelino Bento - São muitas coisas numa pergunta só. Mas têm em comum a vantagem de serem práticas relacionadas com as pessoas. O universo da ASC nós conhecemo-lo e defendemo-lo, estudamo-lo e aplicamo-lo conforme as nossas reflexões escritas feitas da prática para a teoria e da teoria para a prática. Algumas são regras e princípios, outras são técnicas e estratégias. Já os outros conceitos inseridos na questão têm a ver com opções de ordem pessoal, como XXII Apêndices princípios, educação, valores. Mas tem, sobretudo, a ver com a oportunidade de afirmar essas opções. Tomá-las de uma forma espontânea ou reflexiva é, em si, um ato de cidadania, o que nos reenvia para um exercício e uma prática de cidadania permanente, interferindo nos outros também essa dimensão da Pessoa e dos seus direitos e deveres de cidadão. 7. Entrevista 6 - Manuel Vieites XXIII Apêndices 1. O que entende por Animação Sociocultural Prof. Dr. Manuel Vieites - Entendo que a animación sociocultural é, entre outras cousas, unha ferramenta para promover a esfera pública e a participación de toda a cidadania na mesma esfera, promovendo procesos de creación e difusión de ideas, produtos, crenzas, pareceres, e o debate permanente entre os actores sociais. A animación sociocultural mesmo debe comezar por lle devolver a palabra a eses sectores sociais afastados da esfera pública, ou privados de participación. É unha maneira de alfabetización social e cultural que moitas veces ten que ver côa recuperación e a posta en valor do propio. Nesa dirección ten moito que ver con procesos de concientización e emancipación. 2. O que pensa da Animação Sociocultural para a 3ª Idade Prof. Dr. Manuel Vieites - Moi necesaria por cuanto as persoas que ocupan esa franxa de idade en moitas ocasión carecen de espazos e tempos propios para o lecer. Especial importância pode ter o concepto de recuperación e posta en valor do património cultural que cada persoa leva consigo, ou cada grupo de persoas. Nese sentido tan importante pode ser o organizar cousas para ese grupo como lograr que ese grupo organice cousas a partir de estratexias de autoxestión. E sobre todo procurar a interacción entre xeracións. 3. Que características deve possuir a Animação Turística para a 3ª Idade Prof. Dr. Manuel Vieites - Eu creo que o turismo debe ofrecerlles unha oportunidade de relación e comunicación a traves de actividades que mobilicen todas as suas capacidades e destrezas, sobre todo para evitar que unha serie de competências se perdan ou atrofien. O turismo debe ser unha oportunidade para seguir aprendendo e sobre todo para satisfacer desexos incumpridos durante tantos anos de traballo. XXIV Apêndices 4. Que contributo pode ter a Animação Teatral para a 3ª Idade Prof. Dr. Manuel Vieites - Enorme, pois o teatro é unha actividade de grupo nos procesos de creación e de recepción. É unha actividade pracenteira na que todo o mundo pode participar, mesmo como actor, e na que todos poden propoñer a sua maneira de ver os problemas, as vivencias, as lembranzas... Tamén ten efectos preventivos evidentes pola mobilización corporal e cognitiva que promove. CReo que en en todo espazo en que convivan persoas maiores debería organizarse un taller de teatro. 5. O que entende por Educação Intergeracional Prof. Dr. Manuel Vieites - Se eu non me engano, deberá ser aquela educación na que diferentes grupos de idade realizan procesos conxuntamente de maneira que a información flua libremente entre todos, de maneira que se promova un verdadeiro dialogo entre xeracións, o que ten un enorme valor se pensamos na necesidade de por en valor determinadas experiencias, de non perder un património vivencial moi importante ou de ofrecerlle aos mais novos ou aos mais vellos exemplos positivos de traballo e de superación. Creo ademais que ese dialogo é fundamental porque na fin os grupos sociais e os grupos de idade temos que convivir no dia a dia pólo que temos que aprender a recoñecer aos outros e a ser na compaña dos outros. 6. Qual deve ser o perfil de um Animador Sociocultural para a 3ª Idade Prof. Dr. Manuel Vieites - Moi completo e moi complexo. Debe ser un bo comunicador, cunha grande empatia e cunha enorme capacidade de escoita porque mais do que un líder que mobiliza debe ser unha persoa que fai que os líderes dos grupos mobilicen o propio grupo e que eses líderes sexan rotatórios, de modo que todo o grupo tire o máximo partido de todos os seus integrantes. Dede ter unha XXV Apêndices sólida formación antropolóxica para coñecer o valor da cultura e tamén ter un bo coñecemento do médio sociocutlural no que vai traballar, o que implica unha grande capacidade de adecuación aos entornos. 7. O que pensa da Animação Sociocultural, a Participação, o Voluntariado e a Cidadania para a 3ª Idade Prof. Dr. Manuel Vieites - Como xa dixen a terceira idade é unha época fundamental na vida das persoas, e ademais cada vez aumentan as persoas que ocupan esa franxa. Temos aí un enorme capital humano que non podemos desaproveitar pois na terceira idade as persoas seguen sendo elementos útiles e capaces, que ainda poden prestar moitos servizos á comunidade, e seguramente estarán felices de o facer. O voluntariado pode ser unha excelente oportunidade para que os nosos maiores poidan seguir activos, sobre todo cando somos quen de buscar aquelas actividades nas que son moi competentes. Isto é moi importante porque non se trata de facer “uso” dos maiores senon considerar que eles e elas poden axudarnos en moitas áreas debido aos seus coñecementos, vivencias ou experiencia. Desa maneira seguen a ser cidadãns e desa maneira o seu exercício da cidadania é activo e non pasivo. XXVI Apêndices 8. Grelha de Observação - Modelo XXVII Apêndices Grelha de Observação – Modelo Que atividade se promoveu Natureza/Nome do Projeto Para que fazer , Origem e Fundamentação da atividade Objetivos Onde foi realizada a atividade Localização Física Como foi promovida a atividade Atividades e Tarefas Quando foi realizada a atividade Calendarização A quem foi dirigida a atividade Beneficiários e Destinatários Quem promoveu a atividade Recursos Humanos Com que materiais se promoveu a atividade Recursos Materiais XXVIII Apêndices 9. Grelha de Observação 1 XXIX Apêndices Grelha de Observação nº1 Projeto Ramalde Solidário 1. 2. Prestar apoio aos cidadãos mais carenciados da Freguesia de Ramalde; Promoção de voluntariado junto dos seniores para colaborarem na distribuição de refeições; Espaço Comunitário 1. Distribuição de uma refeição quente todos os dias; 2. Apoio dos cidadãos que usufruem da refeição. O ano todo Pessoas isoladas e carenciadas com especial incidência nos seniores e crianças. 1. Coordenador do Projeto; 2. 3. Voluntárias; Coordenador do Voluntariado; 4. Administrativa. Os recursos materiais necessários ao desenvolvimento do voluntariado, pois os outros não nos parecem ser importantes referir. XXX Apêndices 10. Grelha de Observação - 2 XXXI Apêndices Grelha de Observação nº2 Colónia Balnear Intergeracional 1. Partilhar experiências entre seniores e crianças num ambiente balnear; Motivar um ambiente intergeracional Praia do Molhe 1. 2. Procurar um avô e uma avó; Cada avó e cada avô ficam com a “responsabilidade” de cuidar de cada criança; 3. 4. Atividades aquáticas e desportivas com seniores e crianças; 5. 6. Elaboração do Hino da Colónia; Organização do programa da festa final; Elaboração de trabalhos manuais para a troca de presentes entre todos. 22 de Junho a 2 de Agosto de 2011 Seniores e Crianças 1. Coordenadora da Colónia Balnear; 2. 3. Equipa de Monitores; Professores de Educação física; 4. 5. Professoras de Música; 6. 1. 2. Voluntários; Motoristas. Material Desportivo (Bolas, Cordas, Arcos, entre outros); Material de Bricolage (Linhas, Tshirts, Tirela, Canetas, entre outras) 3. Material de escritório (canetas, papel, entre outros); 4. Material de praia (baldes, Pás, entre outros) 5. Material de dança (rádio, Cds entre outros) XXXII Apêndices 11. Grelha de Observação - 3 XXXIII Apêndices Grelha de Observação nº3 Visitas Temáticas 1. Promover o acesso de todos os seniores a cultura; 2. Criar espaços e formas de conhecimento Vários Locais Culturais da Cidade do Porto. 1. Programação de um conjunto de visitas a espaços diferentes; 2. Acompanhamento dos seniores aos locais; 3. Visita guiada em todos os espaços; 4. Reavivar memórias antigas relativas aos espaços visitados. Durante o ano de 2011 Seniores 1. Animadora Sociocultural; 2. Assistente Administrativa; 3. Voluntários. 1. Guia do local visitado; 2. Cartões identificativos. XXXIV Apêndices 12. Grelha de Observação - 4 XXXV Apêndices Grelha de Observação nº4 Semana Europeia da Prevenção de Resíduos 1. Chamar a atenção da comunidade para a importância do desenvolvimento sustentável da nossa cidade e do Planeta Terra; 2. Construir um presépio de papel; 3. Realizar Jogos de Sensibilização para a importância da reciclagem. 1. Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde; 2. 1. EB1/JI da Freguesia de Ramalde. Acções de sensibilização para a importância da re-utilização de materiais; 2. 3. Jogos alusivos ao tema; Construção do presépio de papel. 21 a 26 de Novembro 1. Seniores 2. Crianças. 1. Técnicos da JFR; 2. Professores AEC da JFR; 3. Professores das Escolas da Freguesia de Ramalde; 4. Serviços da JFR. 1. Material Passível de ser reciclado (papel de embrulho, Jornais, Revistas, entre outros) 2. Papel nas suas diversas formas (Papel Higiénico, Lenços de Papel, Papel de Cozinha, Papel Crepe, Papel Crepão, Cartolinas, entre outros); 3. Cola, Fita-cola, Agrafador, Furador, Arame. XXXVI Apêndices 13. Grelha de Observação - 5 XXXVII Apêndices Grelha de Observação nº5 Carnaval – Preparação 1 - Construir os fatos de Carnaval; 2 - Criar coreografias. 1 - JFR; 2 - Centros de Dia/Convívio. 1 - Escolha do tema da festa de Carnaval; 2 - Elaborar máscaras para usar na festa de Carnaval; 3 - Contar histórias de Carnavais antigos. Janeiro e Fevereiro de 2011 Seniores 1 - Gabinete Sociocultural 2 - Estagiárias do GSC; 3 - Voluntários. 1 - Tirela; 2 - Rádio; 3 - Tecidos; 4 - Máscaras; 5 - Cola, Fita-cola, Agrafador, Furador, Tesouras. XXXVIII Apêndices 14. Grelha de Observação – 6 XXXIX Apêndices Grelha de Observação nº6 Carnaval (Comemoração) 1 - Regressar ao passado; 2 - Recordar os tempos de infância; 3 - Exercitar o corpo. EB2/3 do Viso 1 - Desfile de Máscaras por centro; 2 - Baile de máscaras. 20 de Fevereiro de 2010 Seniores 1 - Gabinete Sociocultural 2 - Estagiárias do GSC; 3 - Voluntários; 4 - Músico. 1 – Material de som; 2- Material de Escritório; 3 – Confettis e Serpentinas. XL Apêndices 15. Grelha de Observação - 7 XLI Apêndices Grelha de Observação nº7 Magustos - Comemorar o Dia de S. Martinho nos Centros de Dia/Convívio de Ramalde; - Programar uma atividade relativa ao dia. Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde. - Recriar a Lenda de S. Martinho para os mais novos; - Peças de Teatro; - Músicas, - Entre outras. 8 a 11 de Novembro de 2011 Seniores dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia Gabinete Sociocultural O material utilizado em cada encontro dependeu das atividades realizadas em cada um dos mesmos. XLII Apêndices 16. Grelha de Observação - 13 XLIII Apêndices Grelha de Observação nº8 Coro Sénior - Combater o isolamento, melhorar a qualidade de vida, reforçar os laços de vizinhança e elevar os níveis auto-estima da população sénior autónoma; - Catalisar a criação de laços com a música; - Promover o interesse pela descoberta da música (ouvir, fazer, criar e saber); - Incentivar a participação e organização dos seniores em actividades culturais e de lazer; Salão Nobre da JFR Pretende-se promover o desenvolvimento de um reportório diversificado para que os seniores possam actuar em diferentes espaços ou eventos. - Música Tradicional Portuguesa; - Fado; - Música de Intervenção; - entre outros. Todas as segundas e quintas de 2011 Seniores - Gabinete Sociocultural; - Professoras de Música. Piano, Teclado; Dossier com partituras do reportório; Instrumentos de repercussão. XLIV Apêndices 17. Grelha de Observação - 9 XLV Apêndices Grelha de Observação nº9 Universidade Sénior - Partilhar, participar e promover a vida com valor acrescentado; - Promover um envelhecimento ativo; - Criar momentos de partilha entre os seniores e os professores; - Proporcionar aos seniores de Ramalde o acesso ao conhecimento e aprendizagem ao nível do ensino superior valorizando a componente intelectual e aumentando a qualidade de vida. Universidade Fernando Pessoa - Tomar contacto e melhorar os seus conhecimentos em temas abrangentes nas áreas da cultura geral, dos saberes, das artes, da saúde, das línguas e das novas tecnologias. - Inscrição em disciplinas do interesse dos seniores; - Organização de palestras sobre diversos temas. Terças, Quartas e Quintas de 2011 Seniores Gabinete Sociocultural Material de escritório entre outros XLVI Apêndices 18. Grelha de Observação - 10 XLVII Apêndices Grelha de Observação nº10 Encontros Intergeracionais - Promover o intercâmbio entre os alunos das escolas do 1º ciclo e os seniores dos Centros de Dia/Convívio da nossa freguesia; - Fomentar a troca de saberes e experiências entre ambas as gerações. - Educar os mais novos para a cidadania e respeito pelos mais velhos; - Desenvolver a troca de saberes, assente numa base social que permita às nossas crianças e seniores aprendizagens diversas; - Criar nos mais novos o respeito e gosto, pelo património social e pelas raízes da nossa freguesia; - Prevenir situações de solidão e abandono às quais os nossos seniores estão sujeitos, criando condições para que os tempos livres sejam proveitosos. - EB1/JI de Ramalde; - Centros de Dia/Convívio de Ramalde. - Agendamento de um dia para os seniores visitarem a escola das crianças, onde as crianças são responsáveis por apresentar um programa aos seniores; - Agendamento de um dia para as crianças visitarem o centro dos seniores, onde as seniores são responsáveis por apresentar um programa as crianças; - Promoção de dinâmicas de grupo entre crianças e seniores (teatro, música, histórias de vida, entre outros). 23 de Fevereiro a 1 de Abril de 2011 - Crianças; - Seniores. Gabinete Sociocultural O material utilizado em cada encontro dependeu das atividades realizadas em cada encontro. XLVIII Apêndices 19. Grelha de Observação - 11 XLIX Apêndices Grelha de Observação nº11 Encontros Intercentros - Estimular a criatividade individual e coletiva, combatendo assim de uma forma assertiva e positiva, as práticas rotineiras a que os nossos Seniores estão sujeitos numa fase das suas vidas que tem quer ser valorizada, sobretudo do ponto de vista social. - Criar momentos de partilha de experiências entre os seniores pertencentes a diferentes centros de Dia/Convívio mas que fazem parte da mesma comunidade (Ramalde). Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde - Pretendeu promover o convívio e a troca de experiências entre os seniores frequentadores dos Centros de Dia/Convívio de Ramalde; - Cada Centro foi responsável pela apresentação/organização do programa de receção ao Centro visitante (Teatro, Músicas, Histórias de Vida). - Revestem-se da maior importância para a nossa comunidade, dado que os Seniores são a mais-valia de raiz social da nossa Freguesia. Durante o ano de 2011 Seniores dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde Gabinete Sociocultural O material utilizado em cada encontro dependeu das atividades realizadas em cada encontro. L Apêndices 20. Grelha de Observação - 12 LI Apêndices Grelha de Observação nº12 Pedy-paper intergeracional - Contactar com locais de importância paisagística e histórica da Freguesia; - Envolver a comunidade. Freguesia de Ramalde - Criação de equipas Intergeracionais; - Pedy-paper pela freguesia com atividades em cada um dos locais de passagem; - Guião de perguntas acerca de cada local a ser visitado. 24 de Setembro de 2011 - Crianças; - Jovens; - Adultos; - Seniores. - Gabinete Sociocultural; - Gabinete de Desporto; - Gabinete de Apoio ao Executivo. - Material de Escritório; - Material de Desporto; - Puzzles; - Máquinas Fotográficas; - Balões; - Diplomas de participação. LII Apêndices 21. Grelha de Observação - 13 LIII Apêndices Grelha de Observação nº13 Voluntariado - Incutir nas crianças e nos seniores a aplicação da palavra solidariedade; - Criar momentos de partilha intergeracionais. Continente Bom Dia de Ramalde - Campanha de recolha de alimentos; - Trabalharem juntos num projeto de ajuda e apoio aos mais carenciados da Freguesia. 5 e 6 de Abril de 2012 - Crianças; - Seniores. - Gabinete Sociocultural. - Sacos de Plástico; - Carros de compras; - Documentação de divulgação; - Máquina Fotográfica. LIV Apêndices 22. Grelha de Observação - 14 LV Apêndices Grelha de Observação nº14 Exposição de Trabalhos dos Seniores - Apresentar à comunidade o trabalho efetuado pelos seniores durante o ano; - Permitir uma descentralização para melhor acesso à comunidade; - Organizar visitas das escolas para conhecerem os trabalhos realizados pelos seniores. JI Ferreira de Castro - Venda dos trabalhos; - Exposição dos trabalhos. 12 a 16 de Dezembro de 2011 Seniores dos Centros de Dia/Convívio da Freguesia de Ramalde Gabinete Sociocultural - Placas identificadoras; - Material de escritório; - Biombos; - Mesas; - Cadeiras. LVI Apêndices 23. Grelha de Observação - 15 LVII Apêndices Grelha de Observação nº15 Sardinhada de S. João - Comemorar o S. João (festa popular); - Reavivar a memória dos jogos da mocidade. JI Vasco da Gama - Jogos Tradicionais; - Almoço de acordo com a tradição; - Baile 18 de Junho de 2011 Seniores - Gabinete Sociocultural; - Voluntários. - Material de Som; - Material de cozinha; - Material de Desporto. LVIII Apêndices 24. Grelha de Observação - 16 LIX Apêndices Grelha de Observação nº16 Dia Internacional dos Museus - Alertar para a necessidade de conhecimento dos espaços culturais existentes na Freguesia; - Comemorar o Dia Internacional dos Museus. Casa Museu da Fundação Engenheiro António de Almeida Visita de estudo à Casa Museu da Fundação Engenheiro António de Almeida 18 de Maio de 2011 Seniores da UFP+ - Coordenador da UFP+; - Gabinete Sociocultural. - Não há material a registar nesta atividade. LX Apêndices 25. Grelha de Observação - 17 LXI Apêndices Grelha de Observação nº17 Dia do Sénior - Comemorar o Dia do Sénior; - Promover um programa de acordo com os interesses e gostos dos seniores. - Auditório do Boavista Futebol Clube. - Atuação do Coro da Universidade Contemporânea do Porto; - Atuação do Coro Sénior da JFR; - Atuação do Grupo de Fados de Coimbra. 1 de Outubro de 2011 Seniores Gabinete Sociocultural - Material de Som; - Material de Luzes; - Material de Escritório. LXII