Contribuições de Pesquisa referente à Educação da Pessoa com Deficiência no Estado do Paraná nas décadas de 1970 e 1980: coexistência de atendimento em escolas públicas regulares e em especiais privadas/filantrópicas SILVA, Vera Lucia Ruiz Rodrigues da1. ORSO, Paulino José2. (orientador) 1. Introdução Este artigo refere-se a parcela do trabalho de dissertação, intitulado “Educação da Pessoa com Deficiência no Estado do Paraná nas décadas de 1970 e 1980: coexistência de atendimento em escolas públicas regulares e em especiais privadas/filantrópicas”. Neste artigo está expresso o percurso realizado para efetivação da pesquisa e a exposição do resultado a qual a referida pesquisa proporcionou em termos de contribuição para a releitura histórica da educação especial no período delimitado pelo recorte histórico estabelecido para este estudo, bem como possibilita constituir subsídio teórico para refletir sobre o que existe de velho e de novo na educação especial pós década de 1990. A pessoa com deficiência tem sido abordada de diferentes formas, tanto no que diz respeito ao provimento de sua existência, quanto na forma e ao local de sua educação. No campo educacional as ações implantadas tiveram sua origem tanto nas instituições privado/filantrópicas como nas públicas. Ao tomar as décadas de 1970 e 1980 como foco de análise é necessário considerar os movimentos sociais voltados à educação desse segmento, pois foram importantes nesse processo (CARVALHO, 2008; BUENO, 1993; JANNUZZI, 2004; ANDRÉ, 2006). Dentre as questões relevantes nos movimentos sociais destacam-se as campanhas nacionais de educação dos cegos, dos surdos e dos “deficientes” mentais, iniciadas na década de 1950 (BRASIL, 1958; 1966). O crescente movimento deste segmento – intensificado em meados da década de 1980 (BRASIL, 2010). A partir de 1990 ocasionou, sob a justificativa de se possibilitar a inclusão social, a ampliação do 1 Mestre em Educação pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Pedagoga. Membro do Grupo de Pesquisa HISTEDOPR e Estudos Marxista em Educação. Coordenadora do Programa Institucional de Ações Relativas às Pessoas com Necessidades Especiais (PEE)/Unioeste/PR. E-mail: [email protected] 2 Professor Doutor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Coordenador do Grupo de Pesquisa HISTEDOPR. conflito entre quem defende a oferta educacional por meio de escolas especiais e a fração da sociedade que faz a defesa desse atendimento no ensino regular/público. Essa mobilização a fim de que o governo oficializasse a educação especial estava articulada aos embates ocorridos em torno da defesa da educação pública, laica e gratuita. Esse fomento pela escola pública, não confessional, contribuiu para a elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB nº. 4.024/61 (BARROS, 1960). Com esta legislação, o Estado Brasileiro oficializou o direito de atendimento educacional às pessoas com deficiência, tanto no setor público, quanto no privado. Em que mais tarde, por meio da Constituição Federal de 1988 ficou assegurado na letra da lei a oferta educacional pelo setor público e privado (BRASIL, 1988). Esse processo de reinvindicações foi importante para que, em 1973, se concretizasse a política de integração. Por meio dessa mobilização observa-se que, independentemente de quais sejam as diretrizes educacionais, ou seja, inclusiva ou de integração, desde as origens de seus atendimentos as escolas especiais e as públicas da rede regular expressavam o propósito de assegurar a educação a esse alunado. Porém, nessa relação, existem interesses antagônicos inerentes às relações sociais estabelecidas em cada época que, determinadas pelas condições materiais, produziram um modelo de atendimento para todos os setores da sociedade, tais como saúde, educação, segurança, trabalho entre outros. Nesse sentido, também condicionou o padrão de “normalidade” quanto ao comportamento, atitude, postura e aspectos relacionados ao corpo e à mente. Observa-se que, em toda sociedade, que tem como parâmetro a produção para o mercado, todos aqueles que não atendem essa exigência são, de alguma forma, segregados em termos de acesso aos bens materiais, culturais, educacionais e outros. Isto leva à necessidade de estabelecer atendimentos específicos aos que são mantidos alienados, acarretando consequências para sua educação. Para superar as limitações presentes na educação não só deste segmento, mas também de outros que eram desprovidos do poder aquisitivo e da educação, instituiu-se a proposta de inclusão que, em relação à pessoa com deficiência, defende a adaptação do espaço físico e pedagógico a fim de possibilitar o avanço na escolarização no ensino regular e o ingresso no mercado de trabalho. Essas ações vão ao encontro da superação da proposta de integração da década de 1970, que muitos estudiosos da área a consideram como segregativa, uma vez que, na prática, o aluno tinha que se adaptar ao ambiente. Independentemente dessa questão, a política de integração foi um marco legal no Brasil em relação à educação da pessoa com deficiência. Nota-se que a política de integração já trazia, na esfera do discurso e nas diretrizes da educação especial, a necessidade de adaptação de material didático, do espaço físico, da articulação das políticas educacionais, da assistência social e da saúde, visando o ingresso no mercado de trabalho. Observa-se, portanto, que há elementos que estavam presentes na política da proposta de integração (1970-1980). A criação do CENESP – Centro Nacional de Educação Especial (BRASIL,1973) – estava vinculada ao projeto Prioritário nº. 35 – Educação Especial do Plano Setorial de Educação e Cultura (1972-1974), cujo objetivo era o de assegurar direito igualitário à educação para todos, conforme as necessidades e capacidades de cada um. Nesse documento do CENESP também expressava que o Governo Federal promoveria a ampliação da educação dos “excepcionais”, incentivando e auxiliando os Estados com recursos técnicos e financeiros, quando isso se fazia necessário. Porém, em virtude da condição de desenvolvimento socioeconômico de cada Estado, as políticas voltadas ao atendimento das pessoas com deficiência podem ter sido estruturadas de modo distinto em cada um deles. No Estado do Paraná as ações educacionais realizadas para este alunado antecedem a própria política do CENESP. No ano de 1963, a Secretaria de Estado da Educação (SEED) criou por meio do Decreto n° 10.527, de 9 de janeiro de 1963, os Serviços de Educação de Excepcionais decreto no qual aprovou-se a reestrutura desta Secretaria. Após oito anos, com a promulgação do Decreto nº. 1.083, de 19 de novembro de 1971, os Serviços de Educação de Excepcionais foram reestruturados, passando para o status de Departamento de Educação Especial da SEED. Neste contexto, pergunta-se: que fatores influenciaram a coexistência nos setores público e privado do atendimento educacional das pessoas com deficiência no Estado do Paraná durante as décadas de 1970 e 1980? Para procurar responder a questão, realizamos um estudo pautado em revisão bibliográfica a partir de fontes primárias e secundárias. Alguns pesquisadores têm se sobressaído em âmbito nacional, sendo que suas publicações tornaram-se leituras relevantes para a compreensão desta área de conhecimento. Dentre tais pesquisadores cita-se: Pessoti (1984), Silva (1987), Bianchetti (1998), Caiado (2003), Bueno (2008). Há outros que apresentam estudos pertinentes em relação ao segmento das pessoas com deficiência, e que são leituras indispensáveis e, por isso, farão parte da revisão da literatura desta pesquisa, dentre os quais: Iacono (2003), Tureck (2003), Carvalho (2008), Borba (2010). Para realizar a pesquisa referente à produção da dissertação, fez-se um levantamento in locus nos acervos das bibliotecas do município de Cascavel, da Unioeste – Universidade Estadual do oeste do Paraná –, da UEM – Universidade Estadual de Maringá –, e da Biblioteca Pública do Paraná. Nos referidos acervos, verificou-se a existência de trabalhos que tratam de termos gerais acerca da educação especial, ou de uma determinada área de deficiência. No arquivo central da biblioteca da Unioeste foram encontrados os cadernos intitulados “Projeto Especial Multinacional de Educação Brasil-Paraguai-Uruguai”, publicados em 1977 pelo CENESP, vinculado ao Ministério da Educação, que tratam acerca das diferentes áreas da deficiência. Os cadernos foram organizados pela (OEA) – Organização dos Estados Americanos, em virtude de ser Projeto Especial Multinacional de Educação. Na AMOP – Associação dos Municípios do Oeste do Paraná – também foram encontrados documentos relacionados à execução desse Projeto Especial Multinacional. Foram feitas pesquisas no site “Estante Virtual”, onde foram localizados alguns livros que abordam as questões relacionadas a esta pesquisa ocorridas no período de 1970 a 1980, dentre os quais se destaca o caderno intitulado “Participação da Comunidade na Integração do Deficiente Mental” (1985), de autoria de Maria de Lourdes B. Canziani3, publicado pelo MEC/OEA. Maria de Lourdes B. Canziani foi quem coordenou a implantação do serviço de educação especial na secretaria de Estado da Educação do Paraná. A autora aponta dados importantes para esta pesquisa, como a relação de documentos primários desde 1961 a 2003, como: Mensagens dos Governadores; Indicações, Pareceres e Deliberações do Conselho Estadual de Educação/PR; Leis Estaduais, os quais expressaram e regulamentaram o processo de implantação e de atendimento no Paraná. Além disso, também utilizamos o site da “Biblioteca Digital Brasileira (BDTD)”, onde se realizou levantamento da produção científica sobre o tema. Na revisão bibliográfica de teses e dissertações, dentre os 38 trabalhos com temas afins a esta pesquisa, apenas a dissertação de Jackson Johann (2011) abordava o Estado do Paraná. Com estas mesmas finalidades foram feitas pesquisas na Revista 3 Juntamente com Tereza Costa Amaral, Tania Maria Silva de Almeida, lsmaelita Maria Alves de Lima, Niusarete Margarida de Lima e Izabel Maria Madeira de Loureiro Maior foi uma das coordenadoras da CORDE – Subcoordenadoria para Integração das Pessoas com Deficiência – desde a sua constituição. (JANNUZZI, 2004, p. 164). Brasileira de Educação Especial, Sciello e Educere & Educare, onde foram encontrados assuntos relacionados às temáticas afins, mas que abordam questões gerais acerca de aspectos históricos, as classes especiais, as políticas de educação especial, a concepção e as terminologias sobre pessoa com deficiência. No Caderno Cedes, encontrou-se um exemplar dedicado às reflexões sobre a Educação Especial e sua relação com a LDB 4024/61. Ressalta-se que os documentos impressos disponíveis na Biblioteca do Conselho são fontes fundamentais. É uma biblioteca organizada e bem cuidada. Alguns documentos estão digitalizados e catalogados. Dentre eles destaca-se a Revista Critéria, que é uma coletânea das indicações, recomendações e deliberações sistematizadas pelo Conselho. Deste modo, foi possível localizar um número significativo de legislações, como a Deliberação nº. 020/86, indicada pelo Conselho e homologada pela SEED, que estabeleceu as “Normas da Educação Especial no Sistema de Ensino” (PARANÁ, 1994, p. 2). Essa Deliberação foi substituída pela Deliberação nº. 2, de 02 de junho de 2003, aprovada pelo CEE – Conselho Estadual de Educação – que em seu art. 1° “fixa normas para a Educação Especial, modalidade da Educação Básica, para o Sistema de Ensino do Estado do Paraná, para alunos com necessidades educacionais especiais, aqui denominada Educação Especial”. No DEEIN – Departamento de Educação Especial e Inclusão Educacional –, o único documento encontrado foi “Fundamentos teóricos e metodológicos para educação especial” (Paraná, 1994), cuja elaboração foi coordenada pela professora Marli Rosa Müller. Este documento traz teor que aborda o período desta pesquisa, sendo muito significativo, pois, pela primeira vez, o governo de Estado produziu um material de subsídio teórico destinado aos profissionais da educação especial. Tal documento consiste numa coletânea de textos que aborda de modo sintético a questão histórica e as áreas das deficiências, altas habilidades e as condutas típicas. Faz uma exposição da constituição da Educação Especial no Paraná, articulando-a ao contexto nacional e internacional. Está dividido em partes, sendo que a parte 1, “Fundamentos da Educação Especial”, aborda a legislação, os princípios da EE, a estrutura e o funcionamento desta no Estado do Paraná, bem como acerca de questões históricas. A parte 2 é dedicada à “Natureza e extensão da excepcionalidade” e aborda a avaliação diagnóstica, a concepção de pessoa com deficiência na política da EE e a caracterização da deficiência. A parte 3 expressa a proposta de currículo para as diferentes áreas da deficiência e para as condutas típicas e altas habilidades. Os Fundamentos teóricos e metodológicos para educação especial possibilitaram identificar os profissionais que atuavam na área da EE, mapear as legislações que direcionavam o trabalho educacional nesta área e identificar a concepção de pessoa com deficiência que embasava o trabalho pedagógico. Para além, de referências que abordam a especificidade da Educação Especial em âmbito federal e estadual foi preciso estudos que possibilitasse compreender a constituição do atendimento educacional das pessoas com deficiência nas relações sócio-econômicas e educacionais no Brasil e as influências de ações/políticas internacionais relacionadas com essa temática. Para essa análise utilizou-se pesquisadores, como: Cunha (1975), Xavier (1990), Germano (1994), Orso (2003), Saviani (2002; 2008). Bem como documentos internacionais da ONU, UNESCO, a saber: Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948); Declaração dos Direitos da Criança (1959); Declaração de Direitos do Deficiente Mental (1971); Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes (1975); Programa de Ação Mundial para as pessoas com Deficiência (1982); Declaração de Cave Hill (1983); Declaração Mundial sobre Educação para Todos (1990). 2. Da nomenclatura utilizada na dissertação As explicações, compreensões e atitudes que foram estabelecidas no decorrer da história, dentre outras, geraram as seguintes terminologias: “monstruosa”, “aleijada”, “retardada”, “ceguinha”, “idiota”, “débil mental”, “mentecapta”. Essas denominações expressavam a percepção social em relação às pessoas com deficiência, com destaque para as mais perceptíveis socialmente. Essas diferenciadas formas de compreensão da pessoa com deficiência, fundamentadas em abordagens místicas, biológicas e psicológicas, produziram como resultados o extermínio, o abandono, a institucionalização, a integração, a inclusão, (CARVALHO; ROCHA; SILVA, 2006, p.17). O termo “deficiente” surgiu no Congresso de Genebra em 1939 em decorrência da busca pela padronização mundial da terminologia, utilizada em substituição ao termo “anormal”. (WÜRTH, 1974, p. 90). Segundo Bueno (1993, p. 49) a terminologia de cego acompanha a história da humanidade, pois essa limitação sensorial influenciava nas relações dele com o meio. Este autor acrescenta que a ausência de acesso à língua escrita só passou a ser significativa no momento em que “as necessidades criadas pela própria ação do homem exigiu o seu domínio pelos membros da sociedade” (BUENO, 1993, p. 49). O autor cita ainda que isto também ocorreu com a deficiência mental, sendo que esta somente foi caracterizada mediante a exigência de uma determinada forma de organização social que passou a exigir maior produtividade intelectual e que estivesse condizente com a definição de padronização de comportamento social. Outra terminologia que esse autor cita diz respeito ao “excepcional”, afirmando que “[...] sob o manto da excepcionalidade são incluídos indivíduos com características as mais variadas cujo ponto fundamental é o desvio da norma, [...], construída pelos homens nas suas relações sociais (BUENO, 1993, p. 49). No Brasil, o termo excepcional foi introduzido nos documentos oficiais pela política de Educação Especial do CENESP/1974. Porém, em relação à mudança no processo de compreensão e atendimento, nada ocorreu. Essa terminologia acabou por incorporar à concepção normas e valores que predominavam sobre as pessoas com deficiência. O limite físico e/ou sensorial caracterizava a falta, o atraso para o desenvolvimento de habilidades humanas consideradas importantes para a sociedade naquele momento (JANNUZZI, 1985, p. 3). Segundo Sassaki (2003), após 1981, as nomenclaturas começaram a sofrer mudanças e passou-se a utilizar expressões tais como “deficiente” e “pessoa deficiente”. Lentamente, introduziu-se a nomenclatura “portadora de deficiência”. A partir de meados de 1990, paulatinamente, os documentos oficiais e a sociedade civil começaram a usar o termo “pessoa com deficiência”. Este termo foi anteriormente utilizado em importantes documentos, como na Declaração de Sundberg, fruto da Conferência Mundial de Ações e Estratégias para a Educação, Prevenção e Integração, realizada em Málaga, na Espanha (RODRIGUES, 2010, p. 55). Neste sentido, foi utilizada no trabalho dissertativo a terminologia “pessoa com deficiência” (mental, física, auditiva, visual). Ao utilizar terminologias como “deficiente”, “deficiente mental/auditivo/visual/físico”, “excepcional” e outros termos identificados entre aspas, foi mantido o termo utilizado pelo autor referenciado e/ou o termo predominante em dado período histórico. 3. Considerações finais A referida pesquisa possibilitou compreender que a coexistência de atendimento educacional da pessoa com deficiência nas escolas públicas do ensino regular e nas especiais do Estado do Paraná foi decorrente de fatores socioeconômicos e históricos. Nesse percurso, houve frações da sociedade que trabalharam em prol do estabelecimento de escolas especiais e, outras que buscaram o atendimento educacional em escolas públicas no ensino regular. Essas divergências estão atreladas ao pressuposto de que toda atividade humana é decorrente das necessidades postas em seu percurso e, ao mesmo tempo, é fruto desta existência. Ao estudar a história observa-se que a concepção de pessoa com deficiência foi se modificando conforme o modo pelo qual o homem foi se organizando para prover as condições materiais necessárias à manutenção de sua vida. Nessa perspectiva, pode-se considerar que a abordagem clínica foi predominante no atendimento educacional do “deficiente” durante o período o qual esta pesquisa se propôs a estudar. A partir desta constatação, o primeiro ponto abordado buscou compreender a influência da concepção médico-pedagógica no atendimento educacional às pessoas com deficiência, na qual foram elencadas três questões que estão expressas na abordagem clínica presente no século XX. A primeira questão dispõe que a abordagem médico-pedagógica se originou do avanço da medicina ao buscar explicações racionais pautadas na ciência, em contraposição às explicações místicas a respeito de problemas que acometiam aos homens. Assim, a abordagem clínica teve suas raízes no avanço da medicina que, por sua vez, tinha como objeto de estudo as manifestações orgânicas. Para toda manifestação no homem buscava-se explicações oriundas do sistema orgânico, o que levou à realização de deduções de que os fatores biológicos e fisiológicos determinavam as possibilidades de aprendizagem dos indivíduos. Por um lado, pode-se considerar que o avanço da medicina foi revolucionário ao superar as explicações pautadas na metafísica, mas, por outro lado, considera-se que tal avanço também foi conservador ao fixar a potencialidade de desenvolvimento cognitivo do indivíduo em suas condições orgânicas. A segunda questão demonstra que, atrelado às questões biológicas, estava o movimento de higienização ocorrido frente ao desenvolvimento de uma sociedade urbanizada, em que problemas de endemias foram críticos, desencadeando a necessidade de promover a sua contenção, sobretudo para evitar o alastramento de contaminações na classe dirigente. Assim, alguns médicos assumiram cargos administrativos e educacionais com vistas a assegurar a higiene corporal e mental. Para tanto, definiram uma padronização de homem e de comportamento. A terceira questão dispõe acerca do movimento eugenista, que fomentava a supremacia de uma raça sobre a outra, ou seja, que determinados indivíduos eram mais capazes que outros, neste caso, buscava-se também um padrão de homem. Faz-se necessário considerar que os estudos realizados na área da medicina trouxeram importantes contribuições na compreensão do que era deficiência e do que era doença. Além disso, possibilitaram melhores esclarecimentos às questões das deficiências, os quais contribuíram para o avanço na escolarização de crianças com essa caracterização. Contraditoriamente, ao estabelecer um padrão de “normalidade” entre os homens, estudos na área da medicina também foram propulsores das limitações no desenvolvimento cognitivo e social dessas pessoas; teoria esta que começou a ser superada com a abordagem histórico-cultural. Outro fator que desencadeou reflexos na forma de atendimento dos “deficientes” foi as formas de atendimentos institucionalizados, sendo que os primeiros ocorreram em asilos, hospícios, hospitais, conventos e seminários, ou seja, em locais oriundos de atividades filantrópicas/assistencialistas e na área da saúde. Essas ações ocorriam frente à compreensão de que essas pessoas eram possuidoras de demônios, predestinadas à caridade do cristão, pecadoras e acometidas por doenças, respectivamente. No Brasil, a assistência caritativa foi incorporada juntamente com abertura das Santas Casas de Misericórdia, modelos existentes no século XVI, que foram criadas para atender os moribundos, doentes, abandonados, desvalidos. Na Província do Paraná, em 1835, foi fundada a primeira Casa de Misericórdia, localizada em Paranaguá. Em Curitiba, apesar de a iniciativa ter sido tomada em 1843, somente se efetivou em 1852. Têm-se, com a influência portuguesa, por meio da colonização, a prerrogativa de ações cristãs, decorrentes da teologia da Igreja Católica Apostólica Romana que repercutiu na cultura brasileira e, por conseguinte, em ações e posturas do povo. Somente no século XIX, com o avanço da medicina e com maior exigência de habilidades intelectuais no fazer laboral, passou-se a fazer a distinção entre “normais” e “anormais”. Neste contexto, as pessoas com deficiência passaram a serem denominados de “excepcionais”. Também no século XIX, com base em modelos europeus de Institutos, foi criada a primeira ação educativa para pessoas com deficiência no Brasil, que se estabeleceu por meio dos Institutos dos Meninos Cegos, atual IBC, e do Instituto dos SurdosMudos, atual INES. Os institutos tornaram-se mais um espaço de asilo do que um ambiente que assegurasse uma educação capaz de formar homens autônomos e independentes. Passaram por reformulações e estão em funcionamento até hoje (2013). No Estado do Paraná, continuam em funcionamento o Instituto Paranaense de Cegos (IPC) e o Instituto Londrinense de Surdos (ILES). Em relação à educação dos “deficientes mentais” no Brasil, ela somente ocorreu a partir do século XX, em meados da década de 20, com o início dos atendimentos, por meio da Associação Pestalozzi. Décadas depois, em 1954, fundou-se a primeira APAE, que originou uma das maiores redes de escolas especializadas do país. Assim, as instituições privadas de caráter filantrópicos/assistencialistas se proliferam. Naquele período, não havia política pública de âmbito nacional que normatizasse o atendimento educacional de alunos com deficiências, o que levou cegos, surdos, a APAE, juntamente com o MEC, a promover na década de 1950 campanhas para sensibilizar a sociedade brasileira acerca da necessidade de investimento e de definição de política educacional para atendê-los. O Estado brasileiro formalizou as modalidades (público ou privado) de atendimento ao “deficiente” com a LDB nº. 4.024/1961. Nessa legislação, ficou definido que o ensino para este segmento deveria ser, preferencialmente, no ensino regular, mas também deveria ser mantida a abertura às instituições privado/filantrópicas, com apoio técnico-financeiro do Estado, consagrando esse modelo que já vinha sendo realizado no país. Alunos como alguns cegos estudavam nas escolas regulares, enquanto que as pessoas com deficiência mental estavam nas escolas especiais. Ações de mobilização em prol da educação especial realizadas no Brasil nos anos de 1970 e 1980, mantiveram a tendência do desenvolvimento da educação especial no país, estando alinhadas com as tendências internacionais, promulgadas por organismos como ONU, UNESCO, OIT, DPI. Neste contexto, a educação especial ocorrida nas décadas de 1970/1980 foi fruto de uma estrutura constituída historicamente, sendo que, na sua forma organizacional, havia as classes especiais, as escolas especializadas e os institutos. Os conhecimentos acumulados por profissionais que atuaram nessas modalidades de atendimento educacional, somado aos movimentos sociais em torno da educação do deficiente, contribuíram para a criação do CENESP. Nesse período, a LDB de 1961 foi substituída pela Lei nº 5.692/71(BRASIL,1971). Cabe evidenciar que o discurso de expansão da educação básica permeava também a educação especial, porém, com um diferencial crucial, pois, enquanto a expansão da educação básica do ensino regular era fomentada por meio do ensino público e por escolas privadas, na educação especial a expansão ocorria, principalmente, pelo crescimento das instituições privado/filantrópicas com apoio técnico-financeiro do Estado. Tanto a Lei 4024/61 como a Lei 5692/71 previam a possibilidade de apoio técnico-financeiro para qualquer instituição privada. O fato é que, para os alunos considerados normais, as bolsas estavam vinculadas às escolas particulares que, a princípio, possuíam uma educação com maior qualidade. Por outro lado, para os considerados “excepcionais”, as bolsas de estudos estavam direcionadas às escolas especializadas que, devido à concepção de pessoa com deficiência, era exacerbado o cuidado e a proteção. Nesse período, governado por militares – e, portanto, pautado em valores tradicionais –, ficou fortalecido na educação a influência religiosa e o caráter meritocrático; perspectivas estas expressas tanto nas Diretrizes para Ação do CENESP, quanto nas Propostas Curriculares, elaboradas por ele em parceria com Universidades, bem como expressas em discursos de profissionais da área e nas falas dos gestores. Neste sentido, a contradição da perspectiva de integração estava posta no próprio texto, pois, ao mesmo tempo em que defendia o ingresso dos alunos no ensino regular, o limitava frente os princípios e metodologias empregadas para esse processo. A organização escolar, seja do ensino regular, seja da educação especial, era fundada no tecnicismo, no aperfeiçoamento da eficácia e na eficiência do trabalhador em prol do capital. Havia, portanto, nesta lógica uma incompatibilidade entre a ação produtiva da pessoa com deficiência e a exigência de produtividade inerente ao mercado. Neste sentido, a política de integração proporcionou às pessoas com deficiência um acesso precário e restrito à educação e, por conseguinte, aos demais espaços sociais, explicitando o seu caráter segregativo. Tal afirmativa pode ser verificada no Projeto Prioritário nº. 35, por meio do qual originou o CENESP, que era parte integrante do Plano Setorial da Educação e Cultura (1972-1974). Nesse documento, fica clara a subordinação da educação em relação ao desenvolvimento econômico. Essa condição também foi reproduzida no documento das Diretrizes Básicas para Ação do CENESP, quando salienta a importância do “desenvolvimento das potencialidades de cada um, como elemento de auto realização, qualificação para o trabalho e preparo para o exercício consciente da cidadania.” (BRASIL, 1974, p. 11). A educação estava, portanto, pautada nos princípios liberais da igualdade de oportunidade, individualismo, liberdade, desconsiderando as condições socioeconômicas de cada aluno. Essa perspectiva se traduziu na educação especial com os princípios da integração e racionalização, normalização e individualização, que, ao mesmo tempo em que buscavam superar estigmas, estereótipos, preconceitos constituídos historicamente por meio de ações de superproteção, abandono, invalidade social, ações caritativas, também as reproduzia através da metodologia empregada no processo de escolarização destes alunos. É preciso salientar que as deficiências DV, DA, DM foram abordadas de distintas formas, considerando suas especificidades educacionais, levando, assim, a processos de integração diferentes entre elas. Deste modo, havia a possibilidade do atendimento às pessoas com deficiência nas décadas de 1970/1980, ocorrer em salas comuns, com apoio pedagógico, com professor itinerante, classes especiais, salas de recursos e em escolas especializadas, e, principalmente, de cunho filantrópico/assistencialista. Entretanto, Independente do lócus onde essa educação era promovida, seus princípios norteadores eram os mesmos, pois estavam pautados numa perspectiva de integração educacional e social gradativa, conforme as possibilidades dos alunos com deficiência, tendo em vista as necessidades educacionais específicas de cada limitação física e/ou sensorial. Ao considerar esse procedimento gradativo de inserção no ensino regular, que a potencialidade dos alunos com deficiência é “igual” aos demais alunos e que cada deficiência traz necessidades educacionais distintas, é possível identificar certa similaridade com a proposta de inclusão responsável apresentada a partir dos anos de 1990. Torna-se importante salientar que, por um lado, a abertura política possibilitou avanços na legislação da educação especial, constituindo uma normatização específica sobre a integração da pessoa com deficiência, que passou a ser utilizada como instrumento de reivindicações na década de noventa, até os dias atuais (2013). Por outro, acarretou frustrações para frações das pessoas com deficiência, para familiares e para profissionais devido ao fato da mesma não ter se concretizado numa política que possibilitou o avanço educacional deste segmento. Como essa abordagem se deu em âmbito nacional, repercutiu no Estado do Paraná, que se orientou nas diretrizes do CENESP. Apesar de alguns atendimentos terem ocorrido anteriormente à criação desse Centro, a oferta ocorreu por meio de escolas especiais (públicas ou privadas), atendimento especializado, classes especiais, salas do ensino regular e outros. Logo, houve a permanência da coexistência de atendimento pelas escolas especiais e pelas públicas, o que, aliás, ocorre até o momento. Ao considerar as políticas de apoio-técnico financeiro às instituições privadas, pode-se fazer um comparativo do avanço entre o setor público/privado, sendo que a relação entre o ensino regular e o especial é inversamente proporcional, caracterizandose com a expansão do ensino regular no setor público e a especial nas escolas filantrópicas/assistencialistas. Contudo, o fato da criança com deficiência estar integrado a um espaço público, como as escolas municipais, estaduais ou federais não foi sinônimo de integração, no sentido de ter assegurado o seu desenvolvimento acadêmico que os possibilitasse a apropriação dos conteúdos presentes no currículo da educação básica, pois os alunos considerados “excepcionais” e com baixo rendimento escolar, geralmente eram encaminhados às classes especiais, onde ficavam “ad eterno” sendo preparados para o ingresso no ensino regular. No setor público, as classes especiais foram as que mais se expandiram. Segundo Canziani (1985, p. 41), no ano de 1985, o sistema oficial de ensino para educação especial ainda era incipiente. Ela afirma que muitas das escolas especiais ainda não tinham estabelecido vínculo com o sistema oficial de ensino, propalando a educação voltada para “o cuidar”, e não para a formação acadêmica dos “deficientes”. Esse modelo educacional se manteve, pois, como afirma Canziani (1985, p. 41), “a grande força da Educação Especial situa-se na iniciativa privada, a maioria sem vínculo [...] às estruturas oficiais [...] envolvidas com a preocupação paternalista e, [...], mesclada com o sentimentalismo, confundindo ‘educação’ com ‘proteção’". (CANZIANI, 1985, p. 41). Nestes termos, os “deficientes” que estavam matriculados em escolas especiais tinham a educação secundarizada, sendo priorizado o cuidar e a proteção. Esta compreensão também estava presente no ensino regular. Iacono (2003, p. 101) ao analisar o documento Fundamentos TeóricoMetodológicos para a Educação Especial de 1994 afirma que ele possuía uma concepção de atendimento caritativo-assistencialista, somado a compreensão mística e biológica da deficiência, sendo que que tais abordagens embasaram historicamente o fazer pedagógico para as pessoas com deficiência e que, ainda no ano 1994, estavam expressos no documento, que, naquela ocasião, foi o mais completo produzido pela SEED para orientar a ação do professor junto a esses alunos. Outra questão a ser exposta, diz respeito ao procedimento do CEE para emissão de parecer quanto a eficiência de ensino das escolas especializadas. Esse parecer era um documento necessário para cadastrar-se a instituição para o recebimento de bolsas de estudos. Com base nas Atas do CEE foi possível verificar que as avaliações realizadas parecem manter-se no âmbito da formalidade, pois, o parecer de eficiência do ensino das escolas especializadas era realizado com base em relatórios apresentados pelas interessadas, sendo aprovados em lotes em reunião do Conselho, não tendo documentos ou evidência de registro de terem realizado visita técnica para averiguação do expresso nos relatórios. Neste sentido, o parecer de eficiência de ensino poderia não corresponder a tal eficiência, o que vai ao encontro das afirmativas das professoras Canziani e Peruzo, como também dos pressupostos que nortearam a abordagem de integração na educação das pessoas com deficiência nas décadas de 1970 e 1980. Finalmente, pode-se concluir que o desenvolvimento da proposta de educação especial implantada pelo Estado do Paraná, estava alinhada à política do CENESP, a qual considerou em suas recomendações a possibilidade do aluno com “deficiência” estudar no ensino regular com apoio do atendimento especializado, porém, a metodologia empregada contribuiu principalmente para a ampliação e manutenção das escolas e classes especiais; fato este que demonstrou como o Estado, como interventor, respondeu as reivindicações dos movimentos sociais, ao mesmo tempo que assegurou o interesse do capital. Independente do lócus de atendimento, as barreiras proporcionadas por princípios religiosos e de conceitos pautados no aspecto biológico contribuíram para o processo segregativo sofrido por eles. Além disso, esse estudo possibilitou compreender quais os princípios, conceitos científicos, filosóficos e pedagógicos que estavam na proposta de integração e que também se fazem presentes, ainda que com novas reformulações, na proposta de inclusão, como por exemplo: formação de professores na área da educação especial, adaptação do ambiente físico, prover recursos didáticos, fazer parte do sistema geral de ensino, ter atendimento especializado e escolas especiais. REFERÊNCIAS ANDRÉ, Maria Filomena Cardoso. Fórum Municipal em Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência: uma reflexão sobre a concepção do direito presente nas suas lutas. 91 f. Monografia para obtenção do título de Especialista em História da Educação apresentada para a defesa, junto à Coordenação do Curso de Especialização em História da Educação Brasileira, Centro de Educação, Comunicação e Artes, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Cascavel/PR, 2006. BARROS, Roque Spencer Maciel (organização e colaboração). 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