722 Trabalho 160 - 1/5 PROPOSTA DE INSTRUMENTOS PARA SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO AO PACIENTE CRÍTICO: AVALIAÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM Rudval Souza da Silva1 Aldacy Gonçalves Ribeiro2 Andressa de França Guimarães 3 Carina Martins da Silva Marinho4 Hortência Santana Souza5 Ieda Carvalho6 Rogério Ribeiro7 A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) vem sendo utilizada em algumas instituições de saúde como um método para desenvolver o cuidado profissional de Enfermagem através do Processo de Enfermagem. Este compreende a aplicação de uma Teoria de Enfermagem na prática do cuidado ao paciente. O processo de enfermagem segundo Horta1 reproduz a dinâmica das ações sistematizadas e interrelacionadas, dirigidas para uma assistência ao paciente, executada de forma dinâmica. Desse modo, a SAE torna-se uma possibilidade para o desenvolvimento das atividades da equipe de Enfermagem e passa a ser vista como norteadora do cuidado profissional de enfermagem em todo âmbito de ação da equipe de enfermagem. Ela está intrinsecamente relacionada ao desenvolvimento da prática do cuidar, objetivando contribuir para a autonomia e cientificidade da profissão, e os instrumentos utilizados para o registro do processo de enfermagem são vistos como facilitadores para o desenvolvimento das ações e avaliação da qualidade da assistência prestada ao paciente de maneira individualizada 2,3 . Pensando na proposta dos impressos, tomamos por definição do Histórico de Enfermagem como um guia sistematizado para a identificação dos dados do paciente, que permite coletar os dados necessários para o estabelecimento dos Diagnósticos de Enfermagem e subsidiar o planejamento do cuidado de enfermagem – Prescrição de Enfermagem, com as metas a serem alcançadas e 1 Enfermeiro, Mestrando em Enfermagem pela Escola Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (EEUFBA). Membro do Grupo de Trabalho em SAE do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS). 2 Enfermeira, Mestre em Enfermagem pela EEUFBA. Diretora Adjunta de Ensino e Pesquisa em Enfermagem do HGRS. 3 Enfermeira, Residente em Enfermagem em Terapia Intensiva do HGRS. 4 Enfermeira, Mestre em Enfermagem pela EEUFBA. Membro do GTSAE do HGRS. 5 Enfermeira, Residente em Enfermagem em Terapia Intensiva do HGRS. 6 Enfermeiro, Membro do GTSAE do HGRS. 7 Enfermeira, Membro do GTSAE do HGRS. 723 Trabalho 160 - 2/5 intervenções a serem realizadas pela equipe de enfermagem e o paciente 4,5 . Segundo Cianciarullo3 a Evolução de Enfermagem é o registro feito pelo enfermeiro após a avaliação do estado geral do paciente. Consiste num relato diário ou periódico, das mudanças sucessivas que ocorrem no paciente, enquanto estiver sob os cuidados profissionais da enfermagem. Compreende basicamente três elementos: observação, comunicação e registro. É por meio da evolução diária do paciente que o enfermeiro pode acrescentar diagnósticos de enfermagem ou excluí-los e elaborar novas prescrições de enfermagem ou modificar as já existentes em beneficio do paciente. Utiliza-se como base, as evoluções da equipe multiprofissional, prescrição de enfermagem e médica, passagem de plantão, os registros de enfermagem utilizando também os dados obtidos na anamnese e exame físico 4. Deve contemplar a anamnese, o exame físico completo, buscando identificar as necessidades humanas básicas afetadas, e um resumo sucinto dos resultados dos cuidados prestados, como parte da avaliação clínica do enfermeiro 3,4,5 . A Prescrição de Enfermagem para Wanda Horta 1 se caracteriza por um roteiro diário, visando coordenar as ações dos cuidados prestados pela equipe de Enfermagem em busca do atendimento das necessidades básicas afetadas no ser humano. Segundo Alfaro-LeFevre 2 , a sua elaboração por escrito é importante por promover a comunicação entre os membros da equipe, direcionar e documentar as ações do cuidado profissional de Enfermagem e criar um registro de dados que servirá para avaliação da qualidade da assistência, auditorias, fontes de pesquisa e em situações de cunho legal. A prescrição de enfermagem deve ser redigida na forma de um objetivo operacional, usando-se o verbo no infinitivo, que possa traduzir o cuidado de Enfermagem a ser implementado. Optou-se pelo uso do mnemônico FAOSE proposto por Wanda Horta 1, que traduz os verbos Fazer, Ajudar, Observar, Supervisionar e Encaminhar. O enfermeiro deve ter em mente que está prescrevendo, na maioria das vezes, para outro membro da equipe que irá executá-la, assim sendo, deverá ser claro, objetivo, detalhado, usar linguagem acessível e expressar a ação que responda a situação de cuidado a ser implementado 5. Além de completos e bem redigidos, os cuidados prescritos devem causarem impacto na assistência prestada e despertar o interesse da equipe de enfermagem por lê-los, e por realizá-los. Assim sendo, definiu-se como prioridade pelo Grupo de Trabalho em Sistematização da Assistência de Enfermagem – GTSAE de um hospital público de ensino da cidade de Salvador-BA, a construção dos instrumentos a 724 Trabalho 160 - 3/5 serem utilizados para implementação da SAE no cuidado ao paciente crítico. Um grupo de enfermeiros, com experiência acerca do Processo de Enfermagem e na práxis do cuidado ao paciente crítico, trabalhou para a formulação dos impressos, a priori, histórico de enfermagem, evolução de enfermagem e prescrição de enfermagem, considerando-se a dificuldade existe no desenvolvimento dos diagnósticos de enfermagem, ainda esta sendo realizados estudos para essa fase. O GTSAE realizou reuniões, momentos de discussões, atividades educativas com palestras sobre o Cuidado Profissional de Enfermagem, Teorias da Enfermagem e as fases do Processo de Enfermagem, o que culminou na produção dos impressos como passo inicial à Sistematização da Assistência de Enfermagem no serviço. E para avaliar os impressos por aqueles que atuam na assistência, desenvolveu-se este estudo, o qual tem por objetivo relatar a avaliação da equipe de enfermagem acerca dos instrumentos propostos para o registro da SAE no cuidado ao paciente crítico. O processo teve como norteador a teoria das Necessidades Humanas Básicas proposta por Wanda Horta 1. Trata-se de uma pesquisa de cunho descritivo-exploratório, com abordagem quantitativa simples. A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionários desenvolvidos com questões objetivas, tendo como alternativas de respostas adjetivos positivos e negativos, relativas a cada impresso (histórico de enfermagem, evolução, prescrição de enfermagem). Foram distribuídos 73 questionários com três questões referentes a cada impresso para os enfermeiros e 33 questionários com uma questão referente ao impresso prescrição de enfermagem para os técnicos de enfermagem, avaliado cada um dos impressos. Participaram do estudo 20 enfermeiras e 44 técnicos de enfermagem, os quais espontaneamente, responderam e devolveram os questionários. Cada questão solicitava que profissional avaliasse se o impresso é significativo ou não significativo; facilitador ou dificultador; compatível com a prática ou não compatível com a prática; realista ou não realista; rotineiro ou criativo; relevante ou irrelevante; fácil ou difícil; importante ou sem importância; informações necessárias ou informações não necessárias. Para os técnicos de enfermagem ainda foi perguntado se a checagem dos cuidados prescritos era realizada após os cuidados ou no final do plantão. Em relação ao Histórico de Enfermagem observou-se que 94% das enfermeiras consideraram-no como significativo, contudo apenas 56% consideram facilitador para a prática assistencial; cerca de 70% consideram como não compatível com a prática e 67% como 725 Trabalho 160 - 4/5 não realista; 94% apontaram como rotineiro e 87 % relevante; 77% de fácil preenchimento e 87% acreditam que é um instrumento importante, contudo, 56% responderam que são desnecessárias. Em relação ao impresso Evolução de Enfermagem, 88% das enfermeiras responderam que é um instrumento significativo, e 77% consideram facilitador para a prática assistencial; cerca de 69% consideram como compatível com a prática e 79% como realista; 88% apontaram como rotineiro e 81 % relevante; 100% acham de fácil preenchimento o que e 94% acreditam que é importante o seu preenchimento, levando a considera por parte de 81% como necessário. Foi perguntada também qual a melhor maneira de realizar a evolução, 53% consideraram na forma de check-list e os demais na forma de texto. O impresso da prescrição de enfermagem foi avaliado tanto por enfermeiros quanto por técnicos de enfermagem. Na visão das enfermeiras, o impresso é significativo para 69% destas; 59% consideram como dificultador para a prática assistencial; o que levou a 64% a consideram como não compatível com a prática e 71% como não realista; 88% apontaram como rotineiro e 62 % relevante; 57% consideram de fácil preenchimento e 92% acreditam que é importante o seu preenchimento, no entanto 54% consideram como desnecessário. Os técnicos de enfermagem consideram que o impresso é significativo para 91% destes; 89% consideram como facilitador para a prática assistencial; 58% consideram como compatível com a prática e 67% como realista; 77% apontaram como rotineiro e 89% relevante; 85% consideram de fácil preenchimento e 97% acreditam que é importante o seu preenchimento e 81% consideram como necessário. A checagem dos cuidados prestados é realizara após a sua efetivação por 64% deles. Pode-se concluir que apesar das divergências das respostas mais de 90% dos respondedores atribuem à SAE um papel importante para o desenvolvimento do cuidado profissional de enfermagem e consideram relevante o preenchimento dos impressos produzidos para este serviço. Descritores: Processos de Enfermagem, Cuidados de Enfermagem, Unidade de Terapia Intensiva. Área Temática: Gerenciamento e Registro dos cuidados de enfermagem 726 Trabalho 160 - 5/5 Referências 1. HORTA, W. A. Processo de Enfermagem. São Paulo: EPU; 1979. 2. ALFARO-LEFEVRE, R. Aplicação do processo de enfermagem: promoção do cuidado colaborativo. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. 3. CIANCIARULLO, T. I. et. al. Sistema de Assistência de Enfermagem: evolução e tendências. 3 ed. São Paulo: Ícone Editora, 2001. 301p. 4. TANNURE, M. C. e GONÇALVES, A. M. P. SAE – Sistematização da Assistência de Enfermagem: guia prático. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. 5. NÓBREGA, M. M. L. da e SILVA, K. L. Fundamentos do cuidar em enfermagem. Belo Horizonte: Aben, 2008.