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Trabalho 160 - 1/5
PROPOSTA DE INSTRUMENTOS PARA SISTEMATIZAÇÃO DA
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO AO
PACIENTE
CRÍTICO:
AVALIAÇÃO
DA
EQUIPE
DE
ENFERMAGEM
Rudval Souza da Silva1
Aldacy Gonçalves Ribeiro2
Andressa de França Guimarães 3
Carina Martins da Silva Marinho4
Hortência Santana Souza5
Ieda Carvalho6
Rogério Ribeiro7
A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) vem sendo utilizada em
algumas instituições de saúde como um método para desenvolver o cuidado profissional
de Enfermagem através do Processo de Enfermagem. Este compreende a aplicação de
uma Teoria de Enfermagem na prática do cuidado ao paciente. O processo de
enfermagem segundo Horta1 reproduz a dinâmica das ações sistematizadas e interrelacionadas, dirigidas para uma assistência ao paciente, executada de forma dinâmica.
Desse modo, a SAE torna-se uma possibilidade para o desenvolvimento das atividades
da equipe de Enfermagem e passa a ser vista como norteadora do cuidado profissional
de enfermagem em todo âmbito de ação da equipe de enfermagem. Ela está
intrinsecamente relacionada ao desenvolvimento da prática do cuidar, objetivando
contribuir para a autonomia e cientificidade da profissão, e os instrumentos utilizados
para o registro do processo de enfermagem são vistos como facilitadores para o
desenvolvimento das ações e avaliação da qualidade da assistência prestada ao paciente
de maneira individualizada
2,3
. Pensando na proposta dos impressos, tomamos por
definição do Histórico de Enfermagem como um guia sistematizado para a identificação
dos dados do paciente, que permite coletar os dados necessários para o estabelecimento
dos Diagnósticos de Enfermagem e subsidiar o planejamento do cuidado de
enfermagem – Prescrição de Enfermagem, com as metas a serem alcançadas e
1
Enfermeiro, Mestrando em Enfermagem pela Escola Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (EEUFBA). Membro do
Grupo de Trabalho em SAE do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS).
2
Enfermeira, Mestre em Enfermagem pela EEUFBA. Diretora Adjunta de Ensino e Pesquisa em Enfermagem do HGRS.
3
Enfermeira, Residente em Enfermagem em Terapia Intensiva do HGRS.
4
Enfermeira, Mestre em Enfermagem pela EEUFBA. Membro do GTSAE do HGRS.
5
Enfermeira, Residente em Enfermagem em Terapia Intensiva do HGRS.
6
Enfermeiro, Membro do GTSAE do HGRS.
7
Enfermeira, Membro do GTSAE do HGRS.
723
Trabalho 160 - 2/5
intervenções a serem realizadas pela equipe de enfermagem e o paciente
4,5
. Segundo
Cianciarullo3 a Evolução de Enfermagem é o registro feito pelo enfermeiro após a
avaliação do estado geral do paciente. Consiste num relato diário ou periódico, das
mudanças sucessivas que ocorrem no paciente, enquanto estiver sob os cuidados
profissionais da enfermagem. Compreende basicamente três elementos: observação,
comunicação e registro. É por meio da evolução diária do paciente que o enfermeiro
pode acrescentar diagnósticos de enfermagem ou excluí-los e elaborar novas prescrições
de enfermagem ou modificar as já existentes em beneficio do paciente. Utiliza-se como
base, as evoluções da equipe multiprofissional, prescrição de enfermagem e médica,
passagem de plantão, os registros de enfermagem utilizando também os dados obtidos na
anamnese e exame físico 4. Deve contemplar a anamnese, o exame físico completo,
buscando identificar as necessidades humanas básicas afetadas, e um resumo sucinto
dos resultados dos cuidados prestados, como parte da avaliação clínica do enfermeiro
3,4,5
. A Prescrição de Enfermagem para Wanda Horta
1
se caracteriza por um roteiro
diário, visando coordenar as ações dos cuidados prestados pela equipe de Enfermagem
em busca do atendimento das necessidades básicas afetadas no ser humano. Segundo
Alfaro-LeFevre
2
, a sua elaboração por escrito é importante por promover a
comunicação entre os membros da equipe, direcionar e documentar as ações do cuidado
profissional de Enfermagem e criar um registro de dados que servirá para avaliação da
qualidade da assistência, auditorias, fontes de pesquisa e em situações de cunho legal. A
prescrição de enfermagem deve ser redigida na forma de um objetivo operacional,
usando-se o verbo no infinitivo, que possa traduzir o cuidado de Enfermagem a ser
implementado. Optou-se pelo uso do mnemônico FAOSE proposto por Wanda Horta 1,
que traduz os verbos Fazer, Ajudar, Observar, Supervisionar e Encaminhar. O
enfermeiro deve ter em mente que está prescrevendo, na maioria das vezes, para outro
membro da equipe que irá executá-la, assim sendo, deverá ser claro, objetivo, detalhado,
usar linguagem acessível e expressar a ação que responda a situação de cuidado a ser
implementado 5. Além de completos e bem redigidos, os cuidados prescritos devem
causarem impacto na assistência prestada e despertar o interesse da equipe de
enfermagem por lê-los, e por realizá-los. Assim sendo, definiu-se como prioridade pelo
Grupo de Trabalho em Sistematização da Assistência de Enfermagem – GTSAE de um
hospital público de ensino da cidade de Salvador-BA, a construção dos instrumentos a
724
Trabalho 160 - 3/5
serem utilizados para implementação da SAE no cuidado ao paciente crítico. Um grupo
de enfermeiros, com experiência acerca do Processo de Enfermagem e na práxis do
cuidado ao paciente crítico, trabalhou para a formulação dos impressos, a priori,
histórico de enfermagem, evolução de enfermagem e prescrição de enfermagem,
considerando-se a dificuldade existe no desenvolvimento dos diagnósticos de
enfermagem, ainda esta sendo realizados estudos para essa fase. O GTSAE realizou
reuniões, momentos de discussões, atividades educativas com palestras sobre o Cuidado
Profissional de Enfermagem, Teorias da Enfermagem e as fases do Processo de
Enfermagem, o que culminou na produção dos impressos como passo inicial à
Sistematização da Assistência de Enfermagem no serviço. E para avaliar os impressos
por aqueles que atuam na assistência, desenvolveu-se este estudo, o qual tem por
objetivo relatar a avaliação da equipe de enfermagem acerca dos instrumentos propostos
para o registro da SAE no cuidado ao paciente crítico. O processo teve como norteador
a teoria das Necessidades Humanas Básicas proposta por Wanda Horta 1. Trata-se de
uma pesquisa de cunho descritivo-exploratório, com abordagem quantitativa simples. A
coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionários desenvolvidos com
questões objetivas, tendo como alternativas de respostas adjetivos positivos e negativos,
relativas a cada impresso (histórico de enfermagem, evolução, prescrição de
enfermagem). Foram distribuídos 73 questionários com três questões referentes a cada
impresso para os enfermeiros e 33 questionários com uma questão referente ao impresso
prescrição de enfermagem para os técnicos de enfermagem, avaliado cada um dos
impressos. Participaram do estudo 20 enfermeiras e 44 técnicos de enfermagem, os
quais espontaneamente, responderam e devolveram os questionários. Cada questão
solicitava que profissional avaliasse se o impresso é significativo ou não significativo;
facilitador ou dificultador; compatível com a prática ou não compatível com a prática;
realista ou não realista; rotineiro ou criativo; relevante ou irrelevante; fácil ou difícil;
importante ou sem importância; informações necessárias ou informações não
necessárias. Para os técnicos de enfermagem ainda foi perguntado se a checagem dos
cuidados prescritos era realizada após os cuidados ou no final do plantão. Em relação
ao Histórico de Enfermagem observou-se que 94% das enfermeiras consideraram-no
como significativo, contudo apenas 56% consideram facilitador para a prática
assistencial; cerca de 70% consideram como não compatível com a prática e 67% como
725
Trabalho 160 - 4/5
não realista; 94% apontaram como rotineiro e 87 % relevante; 77% de fácil
preenchimento e 87% acreditam que é um instrumento importante, contudo, 56%
responderam que são desnecessárias. Em relação ao impresso Evolução de
Enfermagem, 88% das enfermeiras responderam que é um instrumento significativo, e
77% consideram facilitador para a prática assistencial; cerca de 69% consideram como
compatível com a prática e 79% como realista; 88% apontaram como rotineiro e 81 %
relevante; 100% acham de fácil preenchimento o que e 94% acreditam que é importante
o seu preenchimento, levando a considera por parte de 81% como necessário. Foi
perguntada também qual a melhor maneira de realizar a evolução, 53% consideraram na
forma de check-list e os demais na forma de texto. O impresso da prescrição de
enfermagem foi avaliado tanto por enfermeiros quanto por técnicos de enfermagem. Na
visão das enfermeiras, o impresso é significativo para 69% destas; 59% consideram
como dificultador para a prática assistencial; o que levou a 64% a consideram como não
compatível com a prática e 71% como não realista; 88% apontaram como rotineiro e 62
% relevante; 57% consideram de fácil preenchimento e 92% acreditam que é importante
o seu preenchimento, no entanto 54% consideram como desnecessário. Os técnicos de
enfermagem consideram que o impresso é significativo para 91% destes; 89%
consideram como facilitador para a prática assistencial; 58% consideram como
compatível com a prática e 67% como realista; 77% apontaram como rotineiro e 89%
relevante; 85% consideram de fácil preenchimento e 97% acreditam que é importante o
seu preenchimento e 81% consideram como necessário. A checagem dos cuidados
prestados é realizara após a sua efetivação por 64% deles. Pode-se concluir que apesar
das divergências das respostas mais de 90% dos respondedores atribuem à SAE um
papel importante para o desenvolvimento do cuidado profissional de enfermagem e
consideram relevante o preenchimento dos impressos produzidos para este serviço.
Descritores: Processos de Enfermagem, Cuidados de Enfermagem, Unidade de Terapia
Intensiva.
Área Temática:
Gerenciamento e Registro dos cuidados de enfermagem
726
Trabalho 160 - 5/5
Referências
1. HORTA, W. A. Processo de Enfermagem. São Paulo: EPU; 1979.
2. ALFARO-LEFEVRE, R. Aplicação do processo de enfermagem: promoção do
cuidado colaborativo. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
3. CIANCIARULLO, T. I. et. al. Sistema de Assistência de Enfermagem: evolução e
tendências. 3 ed. São Paulo: Ícone Editora, 2001. 301p.
4. TANNURE, M. C. e GONÇALVES, A. M. P. SAE – Sistematização da Assistência
de Enfermagem: guia prático. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.
5. NÓBREGA, M. M. L. da e SILVA, K. L. Fundamentos do cuidar em enfermagem.
Belo Horizonte: Aben, 2008.
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