FUNDAÇÃO ESCOLA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA DE SÃO PAULO
III SEMINÁRIO DE PESQUISA DA FESPSP
A ÁREA INTERDISCIPLINAR DE SOCIAIS E HUMANIDADES DOS
CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU DA REGIÃO SUDESTE: UM
PANORAMA NECESSÁRIO
Fernanda Ferreira da Silva1
E-mail: [email protected]
Magda de Oliveira Guimarães2
E-mail: [email protected]
Resumo: Desde 1998 a Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior –
CAPES realiza avaliações com o objetivo certificar a qualidade dos cursos de Pósgraduação no país, nos seguintes níveis: Mestrado Profissional, Mestrado Acadêmico e
Doutorado. A partir dessas avaliações os cursos são reconhecidos e recomendados,
garantindo a qualidade do ensino. A avaliação é realizada em 48 áreas, por critério de
afinidade, e subdividida em dois níveis - Colégios e nas Grandes Áreas. Desde 2008 a Área
Interdisciplinar pertence a Grande Área Multidisciplinar, fazendo parte do Colégio de
Ciências Exatas, Tecnológicas e Multidisciplinar. A área interdisciplinar é subdividida em
quatro câmaras temáticas, com as seguintes nomenclaturas: Meio Ambiente e Agrárias,
Sociais e Humanidades, Engenharia, Tecnologia e Gestão e Saúde e Biológicas. O presente
estudo visa analisar a câmara temática “Sociais e Humanidades”, através das avaliações da
CAPES nos dois últimos trienais, 2007-2009 e 2010-2012 no nível de Mestrado Acadêmico
e Doutorado, isto é, somente serão avaliados os cursos que possuem as duas modalidades
concomitantemente, na região sudeste do Brasil. Esse recorte foi utilizado, pelo fato que, na
região sudeste encontra-se a maior quantidade de cursos de Pós-Graduação na área
Interdisciplinar autorizados e reconhecidos pela CAPES. Os dados levantados demonstram
disparidades entre as notas das instituições publicas e particulares, mostrando que existem
diferenças fundamentais. Sendo assim o objetivo desse trabalho é analisar essas diferenças
e apresenta-las como forma de sugerir maneiras para desenvolver os pontos positivos e
diminuir os negativos das instituições com notas inferiores a 5.
1
Graduada em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Universidade Federal de São Carlos.
Bolsista treinamento técnico pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo na
instituição ECA-USP.
2
Graduada em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e especialista em
Marketing. Atualmente é bibliotecária da Biblioteca e Centro de Documentação do Museu de Artes de
São Paulo Assis Chateaubriand e discente no programa de pós-graduação Interdisciplinar em
Educação, Arte e Historia da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Palavras-chave: Avaliação CAPES; Programa Interdisciplinar, Região Sudeste, Brasil
1 INTRODUÇÃO
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES foi
criada pelo Decreto nº 29.741/1951, com o objetivo de "assegurar a existência de pessoal
especializado em quantidade e qualidade suficientes para atender às necessidades dos
empreendimentos públicos e privados que visavam o desenvolvimento do país". No decorrer
dos anos, ela sofreu várias modificações, e hoje desempenha um papel fundamental na
expansão e consolidação da pós-graduação stricto sensu (Mestrado acadêmico e
profissional e Doutorado) em todos os estados brasileiros. Segundo Cadamuro (2011, p.24),
a CAPES atua em duas esferas dentro da pós-graduação brasileira. Na esfera institucional
apresenta os serviços de avaliação da pós-graduação stricto sensu, acesso e divulgação da
produção científica, investimento na formação de alto nível no país e exterior e na promoção
da cooperação científica internacional. Na esfera social, atua como agente facilitador na
divulgação e acesso da informação produzida na pós-graduação, e apresenta serviços como
o Banco de Teses, Plataforma Lattes, Portal de Periódicos, Plataforma Carlos Chagas, além
de vários programas de concessão de bolsas de estudos.
A CAPES realiza avaliações desde 1998, com o objetivo de certificar a qualidade
dos cursos de Pós-graduação no país, nos seguintes níveis: Mestrado Profissional,
Mestrado Acadêmico e Doutorado. Para CAPES (2014) essa avaliação é “essencial para
assegurar e manter a qualidade dos cursos de Mestrado e Doutorado no país”.
Atualmente a avaliação é realizada em 48 áreas, por critério de afinidade, e
subdividida em dois níveis - Colégios e nas Grandes Áreas. As áreas são distribuídas em
três Colégios e nove Grandes Áreas: Colégio de Ciências da Vida, com as grandes áreas:
Ciências Biológicas, Ciências da Saúde e Ciências Agrárias, Colégio de Humanidades, com
Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e Linguística, Letras e Artes, e Colégio de
Ciências Exatas, Tecnológicas e Multidisciplinar, dividida em: Ciências Exatas e da Terra,
Engenharias e Multidisciplinar.
Desde 2008 a Área Interdisciplinar pertence a Grande Área Multidisciplinar, essa
área é subdividida em quatro câmaras temáticas, com as seguintes nomenclaturas: Meio
Ambiente e Agrarias, Sociais e Humanidades, Engenharia, Tecnologia e Gestão e Saúde e
Biológicas.
O presente trabalho visa analisar a câmara temática “Sociais e Humanidades”,
através das avaliações da Capes nos dois últimos trienais, 2007-2009 e 2010-2012 no nível
de Mestrado Acadêmico e Doutorado, isto é, somente serão avaliados os cursos que
possuem as duas modalidades, na região sudeste do Brasil.
2 GRANDE ÁREA MULTIDISCIPLINAR
A Grande Área Multidisciplinar agrega diferentes campos do conhecimento em
torno de um ou mais temas, esses campos são: Biotecnologia, Ciências Ambientais, Ensino,
Interdisciplinar e Materiais, cada uma preserva sua metodologia e independência. Ela possui
uma grande relevância na atualidade, pois “representa um avanço no tratamento de um
dado problema de investigação complexo porque pressupõe sua abordagem sob várias
perspectivas teórico-metodológicas.” (RELATÓRIO, 2010, p.4)
É na grande Área Multidisciplinar que está a área Interdisciplinar e se subdivide em
quatro câmaras temáticas: Meio Ambiente e Agrárias; Sociais e Humanidades; Engenharia,
Tecnologia e Gestão e Saúde e Biológicas.
Na avaliação da CAPES, programas Interdisciplinares devem possuir uma proposta
que integre conhecimentos das diversas disciplinas com professores que busquem
perpassar e ampliar conhecimento, trazendo inovações e promovendo novos saberes,
formando profissionais com “perfil inovador”.
Segundo Pombo ([2003?], p.8)
A ciência surge hoje um conjunto de instituições cindidas, fragmentadas,
absolutamente enclausuradas cada qual na sua especialidade. [...] A ciência
é hoje uma enorme instituição, com diferentes comunidades competitivas
entre si, de costas voltadas umas para as outras, grupos rivais que lutam
para arranjar espaço para o seu trabalho, que competem por subsídios, que
estabelecem entre si um regime de concorrência completamente avesso
àquilo que era o ideal científico da comunicação universal.
Assim acredita-se que a interdisciplinaridade é importante por reaver o
conhecimento amplo amparado na pesquisa partilhada das disciplinas.
Os programas acadêmicos são avaliados em cinco quesitos pela CAPES: 1.Proposta
do Programa (peso 0%); 2. Corpo Docente (peso 20%); 3. Corpo discente, teses e
dissertações (peso 35%); 4. Produção Intelectual (peso 35%); 5. Inserção social (peso 10%).
Em cada um dos cinco quesitos há diversos itens que são avaliados como coerência,
consistência, abrangência e atualização das áreas de concentração, o perfil e dedicação do
corpo docente, desempenho dos discentes e sua inserção no mercado de trabalho,
quantidade de teses e dissertações defendidas, publicações qualificadas, inserção e
impacto regional e nacional do programa.
Em nossa proposta iremos verificar o item 4 da Produção intelectual. Este item
possui peso de 35% no total da nota atribuída pela CAPES, o item avaliado e detentor do
maior peso é o de “Publicações qualificadas do programa por docente permanente” que são
a produção científica publicadas em periódicos (avaliados pelo sistema QUALIS da área) e a
produção de livros e capítulos. Somente o peso desse item é o equivalente a 60% do
quesito em questão. Na somatória para fechar a pontuação os 40% restantes da avaliação
está no equilíbrio das publicações, ou seja pelo menos 50% dos docentes devem publicar
em periódicos qualificados pelo sistema QUALIS com notas de A1 a B5.
PONTUAÇÃO DOS ARTIGOS CORRESPONDENTE A NOTA QUALIS
QUALIS
A1
A2
B1
B2
B3
B4
B5
PONTOS
1,00
0,85
0,7
0,55
0,4
0,25
0,1
Tabela 1 : Pontuação QUALIS
Fonte: compilação autoras
O índice que calcula a nota é chamado de IndProd, esse multiplica os pontos
atribuídos a nota QUALIS de cada periódico pela quantidade de publicação e é dividido pelo
número de docentes permanentes vinculado ao programa. Os cursos podem pleitear nota 5
desde que atinjam no mínimo 1,2 pontos na média anual.
AVALIAÇÃO NOTA CAPES
Avaliação CAPES
NOTA 5
NOTA 4
Mínimo
Maior ou igual a 1,2
Maior ou igual a 0,8
Tabela 2 : Nota de avaliação da CAPES
NOTA 3
Maior ou igual a 0,5
Fonte: compilação autoras
Através da avaliação dos quesitos a CAPES registra uma nota de 3 a 7 para cada
programa de pós-graduação e por meio desse resultado os cursos obtém prestígio
acadêmico, além disso, os programas que com nota 4 ou superior, em instituições públicas
estaduais ou municipais, em seus cursos de pós-graduação; e nota 5 ou superior, em
instituições particulares, em seus cursos de Doutorado; passam a ter direito a acessar o
Portal da CAPES livremente, gerando a possibilidade de acesso a milhares de periódicos
científicos internacionais e nacionais de grande relevância ao desenvolvimento de pesquisa
em nosso país.
No trienal 2007-2009 foram avaliados 215 cursos na Área Interdisciplinar, dos
quais, 7% estão na Região Norte, 20% no Nordeste, 12% no Centro Oeste, 42% na Sudeste
e 19% no Sul. Já no trienal 2010-2012, foram avaliados 236 cursos, apesar do aumento de
quase 10%, apenas as regiões sudeste e norte tiveram um aumento do percentual de
cursos com 3% e 1% respectivamente, as regiões sul e nordeste tiveram um decréscimo de
1% e 3% respectivamente e o centro-oeste se manteve nos 12% percentuais.
Gráfico 1 : Área Interdisciplinar total (Brasil), triênios 2007-2009 e 2010-2012.
Fonte: compilação autoras
Como a Região Sudeste tem a maior fatia de cursos de Pós-Graduação da Área
Interdisciplinar, esse estudo teve como foco os cursos da câmara temática “Sociais e
Humanidades” no nível Mestrado Acadêmico e Doutorado dessa região, nas duas últimas
avaliações da CAPES.
Gráfico 2 : Cursos de Doutorado e Mestrado – Brasil 2012, na área Interdisciplinar.
Fonte: compilação autoras
3 CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO INTERDISCIPLINAR
Os programas de pós-graduação que constituem o corpus desse trabalho são os
que possuem Mestrado Acadêmico e Doutorado na Área Interdisciplinar na câmara temática
“Sociais e Humanidades”, através das avaliações da CAPES nos dois últimos trienais, 20072009 e 2010-2012. Enquadraram-se nesse critério onze programas no trienal 2007-2009 e
doze no trienal 2010-2012, apresentados na tabela abaixo. Destacam-se 10 programas de
instituições públicas - 3 programas de instituições estaduais, 7 federais e 2 instituições
particulares. Foram selecionadas 4 amostras : 2 programas entre as instituições públicas
estaduais e 2 programas de instituições particulares presentes na região sudeste.
Cursos de Pós-Graduação
Políticas Públicas e Formação
Humana
Política Científica e Tecnológica
Informação e Comunicação em
Saúde
Estudos do Lazer
Políticas Públicas, Estratégias e
Desenvolvimento
História da Ciência
Sociologia e Direito
História das Ciências e das
Técnicas e Epistemologia
Ciência, Tecnologia e Sociedade
Instituição
Nota 20072009
Nota 20102012
4
6
4
6
4
5
4
5
3
5
3
4
4
4
4
4
Universidade do Estado do Rio
de Janeiro
Universidade Estadual de
Campinas
Fundação Oswaldo Cruz
Universidade Federal de Minas
Gerais
Universidade Federal do Rio de
Janeiro
Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo
Universidade Federal
Fluminense
Universidade Federal do Rio de
Janeiro
Universidade Federal de São
Carlos
4
Memória Social
Educação, Arte e História da
Cultura
Humanidades, Direitos e Outras
Legitimidades
Universidade Federal do Estado
do Rio de Janeiro
6
4
4
4
Universidade Presbiteriana
Mackenzie
Universidade de São Paulo
4
4
Tabela 3 : Cursos de Pós-Graduação com Mestrado e Doutorado por triênio –Brasil, região sudeste
Fonte: compilação autoras
Observa-se um aumento de nota em 6 instituições o equivalente a 50%, 4
instituições (33%) mantiveram-sua nota e somente uma teve sua nota reduzida, o curso
“Ciência, Tecnologia e Sociedade” da Universidade Federal de São Carlos tem apenas uma
nota pois o programa de Doutorado iniciou em 2013.
Assim foram escolhidos 4 programas : Universidade do Estado do Rio de Janeiro UERJ, Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo - PUCSP e Universidade Presbiteriana Mackenzie – UPM.
3.1 PÓS-GRADUAÇÃO EM “POLÍTICAS PÚBLICAS E FORMAÇÃO HUMANA” DA
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – UERJ
Nota 2007-2009
4
Nota 2010-2012
6
O Programa de Pós-graduação em "Políticas Públicas e Formação Humana" foi
criado em 2005 no nível de Mestrado Acadêmico e Doutorado. Atualmente possui 21
docentes, dos quais, 15 são permanentes e seis são colaboradores, distribuídos em duas
linhas de pesquisa: “Estado e Políticas Públicas” e “Formação Humana e Cidadania”. Dos
docentes permanentes, cinco são bolsistas de produtividade do CNPq, sete têm bolsa do
Prociência UERJ/FAPERJ e dois docentes tiveram bolsa da CAPES para realização de
estágio pós-doutoral no exterior, em 2012.
Na avaliação do trienal 2010-2012, o programa teve 35 teses e 38 dissertações
defendidas, uma média de 3,47 orientandos por docente. No período analisado, foi
publicado 101 artigos em periódicos técnico-científicos, dos quais, 13 foram em periódicos
com QUALIS3 A1 e A2, demonstrados no gráfico abaixo.
3
QUALIS é o conjunto de procedimentos utilizados pela CAPES para estratificação da qualidade da
produção intelectual dos programas de pós-graduação.
Gráfico 3 : Número de artigos publicados pelo programa em Políticas Públicas e Formação Humana da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, RJ – Brasil (Trienal 2010-2012)
Fonte: compilação autoras
A partir dos dados apresentados no gráfico 3 percebe-se que a produção de artigos
foi concentrada em periódicos com QUALIS B1, B2, B3 e B4, além de artigos em A1 e A2,
que são os que fornecem mais pontos. A alta produção foi um dos pontos significativos para
a melhora na avaliação, que passou de 4 para 6.
3.2
PÓS-GRADUAÇÃO
EM
“POLÍTICA
CIENTÍFICA
E
TECNOLÓGICA”
DA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS – UNICAMP
Nota 2007-2009
4
Nota 2010-2012
6
O Programa de Pós-graduação em “Política Científica e Tecnológica” teve inicio em
1988 no nível de Mestrado Acadêmico e em 1995 foi criado o Doutorado. Atualmente possui
19 docentes, dos quais 14 são permanentes e 5 são colaboradores, distribuídos em cinco
linhas de pesquisa: “Ciência e Tecnologia no Processo de Desenvolvimento”, “Estratégias
de Ciência e Tecnologia e Atores Sociais”, “Gestão de Ciência, Tecnologia e Inovação”,
“História e Teorias da Ciência e da Tecnologia” e “Mudança Tecnológica; Transformações
Sociais e Meio Ambiente”.
Na avaliação do trienal 2010-2012, o programa apresentou 23 teses e 31
dissertações defendidas, uma média de 2,84 orientandos por docente, um número
adequado para a CAPES. No período analisado, foram publicados 107 artigos em periódicos
técnico-científicos, dos quais, 34 em periódicos com QUALIS A1 e A2, demonstrados no
gráfico abaixo.
Gráfico 4 : Número de artigos publicados pelo programa em Política Científica e Tecnológica da
Universidade Estadual de Campinas, SP – Brasil (Trienal 2010-2012)
Fonte: compilação autoras
A partir dos dados apresentados no gráfico 4 percebe-se que a produção foi
concentrada em periódicos com QUALIS A2, B1 e B3, além de artigos em A1, que são os
que fornecem mais pontos. A produção alta foi um dos pontos significativos para a melhora
na avaliação, que assim como na UERJ passou de 4 para 6.
3.3 PÓS-GRADUAÇÃO EM “HISTÓRIA DA CIÊNCIA” DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE
CATÓLICA DE SÃO PAULO – PUCSP
Nota 2007-2009
3
Nota 2010-2012
4
O Programa de Pós-graduação em “História da Ciência” iniciou em 1997 no nível de
Mestrado Acadêmico e em 2004 em Doutorado. Atualmente possui 9 docentes, dos quais, 7
são permanentes e 2 são colaboradores, distribuídos em duas linhas de pesquisa: “História,
Ciência e Cultura” e “História e Teoria da Ciência”.
Na avaliação do trienal 2010-2012, o programa teve 23 teses e 35 dissertações
defendidas, uma média de 6,44 orientandos por docente. No período analisado, foram
publicados 65 artigos em periódicos técnico-científicos, dos quais, 7 foram em periódicos
com QUALIS A1 e A2, demonstrados no gráfico abaixo.
Gráfico 5 : Número de artigos publicados pelo programa em História das Ciências e das Técnicas e
Epistemologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – Brasil 201X
Fonte: compilação autoras
A partir dos dados apresentados no gráfico 5 percebe-se que a produção docente e
discente é concentrada em periódicos com QUALIS B1, B2, B3 e B4, além de artigos em A1
e A2, com maior pontuação para realizar o cálculo. A alta produção foi um dos pontos
significativos para a melhora na avaliação, que passou de 3 para 4.
3.4 PÓS-GRADUAÇÃO EM “EDUCAÇÃO, ARTE E HISTÓRIA DA CULTURA” DA
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE – UPM
Nota 2007-2009
4
Nota 2010-2012
4
O programa de pós-graduação em “Educação, Arte e História da Cultura” da
Universidade Presbiteriana Mackenzie - UPM, teve seu curso de Mestrado Acadêmico
criado em 1999 e o de Doutorado somente em 2009. Possui 17 professores permanentes
distribuídos em 3 linhas de pesquisa: “Formação do Educador para a Interdisciplinaridade”,
“Culturas e Artes na Contemporaneidade” e “Linguagens e Tecnologias”.
O programa teve 9 teses e 98 dissertações defendidas, uma média de 6,29
orientandos por docente. No período analisado, foram publicados 83 artigos em periódicos
técnico-científicos, dos quais (gráfico 6) percebe-se que a produção foi concentrada em
periódicos com QUALIS B4 e B5, o que prejudicou sua qualificação junto a CAPES
mantendo-se com nota 4.
Gráfico 6: Número de artigos publicados pelo programa de Educação, Arte e História da Cultura da Universidade
Presbiteriana Mackenzie – Brasil (Trienal 2010-2012)
Fonte: compilação autoras
4 ANÁLISE CONCLUSIVA
Dos programas analisados verifica-se uma concentração das melhores notas e
consecutivamente a produção cientifica nas instituições públicas no último triênio de
avaliação. Os dois programas públicos analisados conseguiram uma evolução significativa
na avaliação e passaram de nota 4 para 6, demonstrando um nível elevado da produção
científica. Já os programas das instituições particulares tiveram desempenhos diferentes, a
UPM conseguiu manter a mesma nota do último trienal, mas a produção científica ficou
aquém, comparada com os outros programas analisados, mesmo com uma significativa
quantidade de dissertações defendidas o que superou em larga escala todos os outros
programas. Já a PUCSP teve um aumento significativo da sua produção, resultando na
melhora
de
sua
avaliação,
alcançando
nota
4.
ARTIGOS PUBLICADOS : COMPARATIVO
35
30
25
20
15
10
5
0
UERJ
UNICAMP
PUCSP
UPM
A1
5
12
1
2
A2
8
22
6
8
B1
17
26
13
6
B2
16
10
8
4
B3
17
14
10
4
B4
18
16
18
20
B5
11
6
5
31
C
9
1
4
8
Gráfico 7: Artigos publicados pelos programas analisados
Fonte: compilação autoras
Outro fator importante é a média de orientação por docentes, os programas das
instituições particulares foram o que obtiveram a média mais alta. A PUCSP lidera com uma
média de 6,44, em segundo está a UPM com 6,29 orientandos por docente, já nas
instituições públicas a média da UNICAMP foi de 2,84 orientandos por docente e da UERJ,
3,47. Para a CAPES, um numero recomendado de orientação por docente é de 3, dois para
Mestrado e um para Doutorado. Nesse quesito a PUCSP e UPM tem o dobro da média
recomendada pela CAPES, no caso da UPM essa média é alta por causa das defesas de
Mestrado que contabilizaram 98 no triênio analisado, uma média de 5,76 por docente, e
Doutorado de 0,52, essa média abaixo do recomendado porém devemos perceber que o
curso de Doutorado teve seu início em 2009 justificando essa média. Já a PUCSP, também
aumentou o número das defesas de dissertações e teses, com média de 3,88 e 2,55
respectivamente.
Com relação à média da produção científica dividida por docente, a PUCSP lidera
com uma média de 7,22, em seguida aparece a UNICAMP com 5,63, depois a UPM com
4,88 seguido da UERJ com 4,80. Ressalta-se que na análise da CAPES a qualidade da
produção científica é o principal componente e não a quantidade, por esse motivo o
programa da UERJ está em último comparado com os demais programas, porém na
avaliação qualitativa possuiu uma produção de alto nível.
5 CONCLUSÃO
Embora a produção científica entre as duas instituições particulares sejam similares
percebe-se a melhora da PUCSP o que elevou sua nota enquanto que a UPM manteve sua
última avaliação, por essa análise verificou-se que a importância da seleção prévia das
periódicos para a publicação da produção intelectual. A UPM não realizando essa seleção
prévia publicou seus artigos em periódicos com QUALIS que não acrescentaram nota,
perdendo diversos pontos que eram extremamente importantes na sua avaliação. Ainda
comparando os dois programas, a PUCSP tem outra vantagem, mesmo com apenas x
professores orientando no programa, conseguiu uma média de 7,22 artigos e 6,44 de teses
e dissertações defendidas no período, enquanto a UPM ficou com uma média de 4,88 de
artigos por docente e 6,29 defesas no nível Mestrado Acadêmico e Doutorado. Esses dados
demostram o crescimento significativo da PUCSP e o reconhecimento pela CAPES com a
elevação da nota.
Já as instituições públicas possuem um fator deveras importante o acesso ao portal
de periódicos da CAPES que favorece a pesquisa em obras de alto nível. e por esse motivo
já possuem uma estrutura superior quanto ao acesso à informação de conteúdo científico e
acadêmico, fornecido pelo acesso livre ao portal de periódicos da CAPES, sendo esse um
diferencial que possibilita a pesquisa a um vasto acervo de periódicos – muitos desses com
conteúdo completo, ou seja, artigos com texto completo disponibilizado, para acesso a
qualquer momento do dia para consulta e download. Assim, os dois cursos de pósgraduação particulares analisados nesse estudo não teriam 4acesso ao portal de periódicos
da CAPES, pois não atingiram a nota mínima (cinco) para obtê-lo. Sendo essa uma
limitação lamentável, pois desapropria o alcance ao conhecimento e desencadeia uma série
de problemas associados à falta dessas informações.
Esse estudo possibilitou um panorama sobre os cursos de pós-graduação
interdisciplinares na região sudeste do Brasil. Para manter-se com notas significativas ou
ainda galgar melhores notas as instituições devem empenhar-se para atender o que a
CAPES exige, como um bom desempenho de seu corpo docente e discente quanto as suas
publicações, as teses e dissertações, além da consistência do programa e inserção social
para que seu desempenho possa melhorar. Bem como o preparo dos artigos e a escolha
por periódicos que pontuem positivamente o programa, pois de nada adianta realizar um
grande número de publicações se o conteúdo não for publicado em periódicos com QUALIS
avaliado na área interdisciplinar.
4
Tanto a PUCSP como a UPM possuem outros programas com nota 5 e portanto possuem acesso
ao Portal de Periódicos da CAPES
REFERÊNCIAS
CADAMURO, L. História da Educação no Brasil: um estudo bibliométrico de teses e
dissertações. 2011. 118f. Dissertação (Mestrado)- Programa de Pós-Graduação em
Educação, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos.
CAPES.
Fichas
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Disponível
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http://www.avaliacaotrienal2013.capes.gov.br/. Acesso em: 20 jul. 2014
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<http://www.avaliacaotrienal2013.capes.gov.br/>. Acesso em: 20 jul. 2014
CAPES. Sobre a avaliação. Disponível em: < https://capes.gov.br/avaliacao/sobre-aavaliacao >. Acessado em: ago. 2014.
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http://estatico.cnpq.br/painelLattes/comparacao/ Acesso em: 30 jul 2014.
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http://www.capes.gov.br/images/stories/download/avaliacaotrienal/Docs_de_area/Interdiscipl
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Acesso em: 30 jul. 2014
POMBO,
Olga.
Epistemologia
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Disponível
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POMBO, Olga. Interdisciplinaridade e integração dos saberes. Liinc em Revista, v.1, n.1,
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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO - COORDENAÇÃO DE PÓS GRADUAÇÃO STRICTO
SENSU. QUALIS CAPES. Disponível em: http://www.cpgss.ucg.br/. Acesso em: 10 out.
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RELATÓRIO de avaliação 2007-2009: trienal 2010. Disponível em :
http://trienal.capes.gov.br/wp-content/uploads/2011/01/INTERDISCIPLINARRELAT%C3%93RIO-DE-AVALIA%C3%87%C3%83O-FINAL.pdf Acesso em: 20 jul. 2014
SANDER, Benno. Educação na América Latina: Identidade e globalização. Educação,
Porto Alegre, v. 31, n. 2, p. 157-165, maio/ago. 2008
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a área interdisciplinar de sociais e humanidades dos