ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ---------- ATA DA 3ª. REUNIÃO DA 7ª. SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DA ASSEMBLEIA ---------------------------- MUNICIPAL DE OEIRAS, REALIZADA A 22 DE JULHO DE 2014 ------------------------------------------------------------------------ ATA Nº. 20 / 2014 ------------------------------------------------------ ------------- Aos vinte e dois dias do mês de julho de dois mil e catorze, no Auditório Municipal, sito no Edifício da Biblioteca Municipal de Oeiras, reuniu a Assembleia Municipal de Oeiras sob a Presidência do Senhor Domingos Ferreira Pereira dos Santos, tendo como Primeira Secretária a Senhora Isabel Cristina Gomes dos Santos Silva Lourenço e como Segunda Secretária a Senhora Maria da Graça Rodrigues Tavares. -------------------------------------------------------------------------1. ABERTURA DA REUNIÃO ----------------------------------------------------------------------------------------- Pelas quinze horas e quarenta e cinco minutos, o Senhor Presidente declarou iniciada a Terceira Reunião da Sétima Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal de Oeiras, procedendo de imediato à chamada, tendo sido verificada a presença de trinta e oito Deputados Municipais (Carlos Jorge Santos de Sales Moreira, Fernando dos Santos Afonso, Jorge Manuel de Sousa de Vilhena, Nuno Emanuel Campilho Mourão Coelho, Domingos Ferreira Pereira dos Santos, Maria Carolina Candeias Tomé, Arlindo Pereira Barradas, Luís Filipe Pereira Santos, José Arménio Lopes Neno, Maria da Graça Rodrigues Tavares, Salvador António Martins Bastos Costeira, Isabel Cristina Gomes dos Santos Silva Lourenço, Abílio José da Fonseca Martins Fatela, Rui Pedro Gersão Lapa Miller, Maria da Graça Simões Madeira Ramos, António José da Luz Ramalhete, Dinis Penela Antunes, Joaquim dos Reis Marques, Pedro Miguel Ramos Almeida, Pedro Afonso Nóbrega Moita de Melo e Sá, Maria Hermenegilda Ferreira e Vasconcelos Guimarães, Rui Pedro Alves do Nascimento, Maria de Fátima Nabais Moiteiro Gargaté, Alda Maria Ferreira de Matos, Jorge Manuel Madeiras Silva Pracana, Valdemar Pedro Cabral da Câmara de Almeida, Maria de Fátima Santos Rodrigues, Augusto Teresa Pissarreira, 1 Joaquim António Henriques Ribeiro da Conceição, Andreia Vanessa Mota Alves, António Pedro da Fonseca Delicado, Carlos Alberto de Sousa Coutinho, Luís Mariano Neves Almeida, Joaquim Vieira Cotas, Aníbal José Gonçalves Guerreiro, Feliciano Teixeira Bernardo, Maria Isabel Pereira Fernandes da Costa Jorge de Sande e Castro e Ana Sílvia Rodrigues Paixão Ferreira Marques), desta Assembleia Municipal.----------------------------------------------------------------------------------Os Senhores Sónia Maria Antas de Barros Amado Gonçalves, João António Gomes Proença, Sílvia Maria Mota dos Santos Andrez, António de Jesus Seixas, Alda Maria Reis Gouveia Lima, Alexis Godinho Gonçalves e Catarina Tatiana Ferreira Lopes Antunes pediram a sua substituição para esta reunião, tendo sido substituídos pelos Senhores António José da Luz Ramalhete, Maria de Fátima Nabais Moiteiro Gargaté, Alda Maria Ferreira de Matos, Joaquim António Henriques Ribeiro da Conceição, Andreia Vanessa Mota Alves, António Pedro da Fonseca Delicado e Aníbal José Gonçalves Guerreiro. ----------------------------------------------------------------Representaram a Câmara Municipal de Oeiras o Senhor Presidente Paulo César Sanches Casinhas da Silva Vistas, o Senhor Vice-Presidente Carlos Alberto Ferreira Morgado e os Senhores Vereadores Marlene Braz Rodrigues, Ângelo Cipriano da Cunha Fialho e Pereira e Ricardo Lino Carvalho Rodrigues. --------------------------------------------------------------------------2. ORDEM DE TRABALHOS ------------------------------------------------------------------------------------------Foi estabelecida para a presente reunião a seguinte Ordem de Trabalhos: --------------1. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 319/2014 - GP - relativa ao Relatório de Gestão referente ao exercício de 2013 da OEINERGE - Agência Municipal de Energia de Oeiras; ------------------2. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 320/2014 - GP - relativa ao Relatório e Contas 2013 da AMEGA - Associação de Municípios para Estudos e Gestão da Água; -------------------------------3. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 322/2014 - GP - relativa ao Relatório de Atividades relativo ao exercício de 2013 da AITEC - Associação para a Internacionalização, Tecnologias, 2 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS Promoção e Desenvolvimento Empresarial de Oeiras; ---------------------------------------------------4. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 323/2014 - GP - relativa ao Relatório e Contas de 2013 da SATU - Oeiras - Sistema Automático de Transporte Urbano de Oeiras; ------------------------------5. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 416/2014 - GP - relativa às Prestações de Contas: 1º. Trimestre de 2014, da “SATU Oeiras - Sistema Automático de Transporte Urbano de Oeiras E.M., S.A.”; -----------------------------------------------------------------------------------------------------6. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 324/2014 - GP - relativa ao Relatório Trimestral de Execução Orçamental de 2013 - 4º. Trimestre da SATU - Oeiras - Sistema Automático de Transporte Urbano de Oeiras; --------------------------------------------------------------------------------7. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 346/2014 - GP - relativa ao Relatório e Contas do Exercício de 2013, da Tratolixo - Tratamento de Resíduos Sólidos, E.I.M.;--------------------------8. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 419/2014 - GP - relativa à retificação da Proposta de Deliberação 346/14 - Relatório e Contas do exercício de 2013, da Tratolixo - Tratamento de Resíduos Sólidos, E.I.M.; -------------------------------------------------------------------------------------9. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 367/2014 - GP - relativa ao Relatório e Contas do Exercício de 2013 - Cumprimento do dever de transferência financeira com vista ao equilíbrio de contas referente ao resultado do exercício de 2013 da Habitágua - Serviços Domiciliários e Técnicos Especializados, Ldª.; -------------------------------------------------------------------------------10. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 384/2014 - GP - relativa à Adaptação de Estatutos da Fundação Marquês de Pombal; ------------------------------------------------------------------------------11. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 385/2014 - GP - relativa ao Plano de Atividades e Orçamento para 2014 da Fundação Marquês de Pombal; ------------------------------------------------12. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 391/2014 - GP - relativa à Aprovação do sentido de voto 3 da CMO no projeto de reestruturação societária da E.I.A. - Ensino e Investigação e Administração, S.A., constante da convocatória para a Assembleia-Geral da Sociedade agendada para dia 20 de junho de 2014; --------------------------------------------------------------------------------13. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 417/2014 - GP - relativa ao Relatório Trimestral de Execução Orçamental (4º. Trimestre 2013) da “Municípia - Empresa de Cartografia e Sistemas de Informação, E.M., S.A.”;----------------------------------------------------------------------------------14. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 418/2014 - GP - relativa ao Relatório e Contas referente ao exercício de 2013, incluindo Parecer do Fiscal Único, da “Municípia - Empresa de Cartografia e Sistemas de Informação, E.M., S.A.”. -----------------------------------------------------3. O Senhor Presidente da A.M. iniciou a reunião, dizendo o seguinte: -------------------------------------------“Temos quórum, temos a Câmara, o Senhor Presidente e o Senhor Vice-Presidente, vamos dar início à Terceira Reunião da Sessão Extraordinária Número Sete de dois mil e catorze. ---- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Temos catorze pontos na nossa Ordem de Trabalhos, mas os pontos quatro, cinco e seis dizem respeito à mesma entidade, que é o SATU; os pontos sete e oito, dizem respeito à mesma entidade, que é a Tratolixo; os pontos dez e onze, dizem respeito à Fundação Marquês de Pombal e, finalmente, os pontos treze e catorze dizem respeito à Municípia. --------------------------------------À semelhança do que temos feito sempre, propunha aos Senhores Deputados que tratássemos as propostas que dizem respeito à mesma empresa, ou entidade, num mesmo ponto de discussão. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Alguém que se oponha a que façamos, concretamente, relativamente a estes pontos, o mesmo? Então, sendo assim, reduzimos os catorze para dez pontos. ------------------------------------------------Fazemos uma pausa por volta das cinco e retomamos, depois, a reunião, até por volta das oito.” -- -----------------------------------------------------------------------------------------------------4 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS 3.1. O Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) fez o seguinte Ponto de Ordem à Mesa: ---------------------- “Senhor Presidente, é apenas um pequeno Ponto de Ordem à Mesa. --------------------------------- Era fundamental, pelo menos, na perspetiva do Grupo do PSD, que não houvesse outra reunião já este mês, até por razões de férias. Isso significa, portanto, que era fundamental para nós, terminar hoje esta Ordem de Trabalhos e, assim sendo, sugeria à Mesa que, relativamente ao intervalo, fosse ponderada ou não a sua execução em função daquilo que fosse o andamento dos trabalhos, para evitar que realmente fiquemos com um ponto ou dois, que nos vai criar aqui um problema gravíssimo de gestão, pelo menos, da parte do meu Grupo.” ----------3.2. O Senhor Presidente da A.M. respondeu o seguinte: ----------------------------------------------------------- “Muito obrigado, acho que é pertinente. ------------------------------------------------------------------ Por volta das cinco, ponho à consideração dos líderes dos grupos políticos se devemos de interromper ou se, a partir daí, cada um poderá sair um bocadinho e depois voltar para terminarmos. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- Pedia aos grupos políticos que fizessem as suas intervenções dentro do seu tempo de uso da palavra, autorregulando-se de tal forma que deixassem tempo para os colegas que sabem que se querem inscrever, para não deixarem a Mesa depois a ter que tirar a palavra, dizendo aos grupos políticos que excederam o tempo de intervenção. ------------------------------------------------------------- E depois de dar a palavra ao Senhor Presidente da Câmara, só volto a dar a palavra para pedidos de esclarecimento ou esclarecimentos, que devem ser o mais breves possível, para ver se terminamos então a nossa agenda que é, de facto, longa. ----------------------------------------------------- Temos duas atas para aprovar e para não atrasarmos também a organização administrativa dos materiais e podermos disponibilizar estes documentos a quem precise deles, punha à votação a ata número catorze e, depois, a número quinze.” -----------------------------------5 4. PERÍODO ANTES DA ORDEM DO DIA -----------------------------------------------------------4.1. APROVAÇÃO DE ATAS -----------------------------------------------------------------------------4.1.1. Ata da Primeira Reunião da Terceira Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de Oeiras, realizada a dezassete de junho de dois mil e catorze - Ata número catorze, de dois mil e catorze.---------------------------------------------------------------------------------------------------4.1.1.1. VOTAÇÃO --------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Presidente submeteu à votação esta Ata, a qual foi aprovada, por maioria, com trinta e dois votos a favor, sendo treze do Grupo Político Municipal Isaltino Oeiras Mais à Frente (Carlos Jorge Santos de Sales Moreira, Fernando dos Santos Afonso, Jorge Manuel de Sousa de Vilhena, Domingos Ferreira Pereira dos Santos, Maria Carolina Candeias Tomé, Arlindo Pereira Barradas, Luís Filipe Pereira Santos, José Arménio Lopes Neno, Maria da Graça Rodrigues Tavares, Abílio José da Fonseca Martins Fatela, Rui Pedro Gersão Lapa Miller, Maria da Graça Simões Madeira Ramos e António José da Luz Ramalhete), sete do Partido Socialista (Dinis Penela Antunes, Joaquim dos Reis Marques, Pedro Afonso Nóbrega Moita de Melo e Sá, Maria Hermenegilda Ferreira e Vasconcelos Guimarães, Rui Pedro Alves do Nascimento, Maria de Fátima Nabais Moiteiro Gargaté e Alda Maria Ferreira de Matos), seis do Partido Social Democrata (Valdemar Pedro Cabral da Câmara de Almeida, Maria de Fátima Santos Rodrigues, Augusto Teresa Pissarreira, Joaquim António Henriques Ribeiro da Conceição, Andreia Vanessa Mota Alves e António Pedro da Fonseca Delicado), três da Coligação Democrática Unitária (Carlos Alberto de Sousa Coutinho, Luís Mariano Neves Almeida e Joaquim Vieira Cotas), um do Bloco de Esquerda (Feliciano Teixeira Bernardo), um do Centro Democrático Social - Partido Popular (Maria Isabel Pereira Fernandes da Costa Jorge de Sande e Castro) e um do Partido pelos Animais e pela Natureza (Ana Sílvia Rodrigues Paixão Ferreira Marques) e com uma abstenção da Coligação Democrática Unitária (Aníbal José Gonçalves Guerreiro). ----------------6 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- Os Senhores Deputados Nuno Emanuel Campilho Mourão Coelho, Salvador António Martins Bastos Costeira e Isabel Cristina Gomes dos Santos Silva Lourenço, do Grupo Político Municipal Isaltino Oeiras Mais à Frente, Pedro Miguel Ramos Almeida, do Partido Socialista e Jorge Manuel Madeiras Silva Pracana, do Partido Social Democrata, não estavam presentes na altura da votação. -----------------------------------------------------------------------------------------------4.1.2. Ata da Segunda Reunião da Terceira Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de Oeiras, realizada a vinte e quatro de junho de dois mil e catorze - Ata número quinze, de dois mil e catorze. ---------------------------------------------------------------------------------------------4.1.2.1. VOTAÇÃO -------------------------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente submeteu à votação esta Ata, a qual foi aprovada, por maioria, com trinta e dois votos a favor, sendo treze do Grupo Político Municipal Isaltino Oeiras Mais à Frente (Carlos Jorge Santos de Sales Moreira, Fernando dos Santos Afonso, Jorge Manuel de Sousa de Vilhena, Domingos Ferreira Pereira dos Santos, Maria Carolina Candeias Tomé, Arlindo Pereira Barradas, Luís Filipe Pereira Santos, José Arménio Lopes Neno, Maria da Graça Rodrigues Tavares, Abílio José da Fonseca Martins Fatela, Rui Pedro Gersão Lapa Miller, Maria da Graça Simões Madeira Ramos e António José da Luz Ramalhete), sete do Partido Socialista (Dinis Penela Antunes, Joaquim dos Reis Marques, Pedro Afonso Nóbrega Moita de Melo e Sá, Maria Hermenegilda Ferreira e Vasconcelos Guimarães, Rui Pedro Alves do Nascimento, Maria de Fátima Nabais Moiteiro Gargaté e Alda Maria Ferreira de Matos), seis do Partido Social Democrata (Valdemar Pedro Cabral da Câmara de Almeida, Maria de Fátima Santos Rodrigues, Augusto Teresa Pissarreira, Joaquim António Henriques Ribeiro da Conceição, Andreia Vanessa Mota Alves e António Pedro da Fonseca Delicado), três da Coligação Democrática Unitária (Carlos Alberto de Sousa Coutinho, Luís Mariano Neves Almeida e Joaquim Vieira Cotas), um 7 do Bloco de Esquerda (Feliciano Teixeira Bernardo), um do Centro Democrático Social - Partido Popular (Maria Isabel Pereira Fernandes da Costa Jorge de Sande e Castro) e um do Partido pelos Animais e pela Natureza (Ana Sílvia Rodrigues Paixão Ferreira Marques) e com uma abstenção da Coligação Democrática Unitária (Aníbal José Gonçalves Guerreiro). ------------------------------Os Senhores Deputados Nuno Emanuel Campilho Mourão Coelho, Salvador António Martins Bastos Costeira e Isabel Cristina Gomes dos Santos Silva Lourenço, do Grupo Político Municipal Isaltino Oeiras Mais à Frente, Pedro Miguel Ramos Almeida, do Partido Socialista e Jorge Manuel Madeiras Silva Pracana, do Partido Social Democrata, não estavam presentes na altura da votação. ----------------------------------------------------------------------------------------------5. PERÍODO DA ORDEM DO DIA ---------------------------------------------------------------------5.1. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 319/2014 - GP - relativa ao Relatório de Gestão referente ao exercício de 2013 da OEINERGE - Agência Municipal de Energia de Oeiras (os documentos relativos a esta Proposta ficam arquivados, como anexos, na pasta desta reunião) --- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Feliciano Bernardo (BE) fez a seguinte intervenção: ------------------------“Sobre a Oeinerge (a Senhora Vereadora Madalena Castro não está cá, talvez ela me pudesse dar alguma informação), parece-me que esta agência, ao longo do tempo, embora limitada nos meios, tem conseguido apresentar algum trabalho. -----------------------------------------------------Agora, há aqui uma questão que gostaria que me informassem. Como sabem, o nosso Município aderiu ao Pacto dos Autarcas. --------------------------------------------------------------------------------Irá ser feita uma avaliação em dois mil e quinze e, tanto quanto me apercebo, a Oeinerge queixava-se que os departamentos não tinham dado as informações que eles precisavam para fazer esse relatório. --------------------------------------------------------------------------------------Isto já foi há alguns meses e a pergunta era se, entretanto, os organismos a quem 8 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS pediram as informações já forneceram, porque, provavelmente, esta agência irá ser dissolvida e há um trabalho que tem que ser feito até dois mil e quinze, e o relatório. ------------------------------------------ Como sabem, o Pacto dos Autarcas é até dois mil e vinte, e depois alguém tem que continuar com esse trabalho, porque esta avaliação vai ser em dois mil e quinze e é uma avaliação intermédia. ------------------------------------------------------------------------------------------------------- A questão do Pacto dos Autarcas é importante para o Concelho, tem a ver com a questão energética, com o desperdício de energia, etc., e nós teremos de avaliar, em dois mil e quinze, que passos é que iriamos dar para ver se conseguíamos cumprir com os objetivos do Pacto dos Autarcas. --------------------------------------------------------------------------------------------------------- Portanto, era só isso, se havia alguma informação, quem é que iria prosseguir com este trabalho, quem é que iria fazer o relatório de dois mil e quinze e se já há alguma informação sobre o fornecimento dos dados.” ---------------------------------------------------------------------------------------- A Senhora Deputada Isabel Sande e Castro (CDS-PP) referiu o seguinte: ---------------------- “No ano passado, o CDS perguntou da impossibilidade de manutenção da Oeinerge, dada a sua dependência do contrato-programa com a Câmara Municipal. E já na altura se adivinhou, e nos últimos anos se adivinhava, este desfecho da Oeinerge. ------------------------------------------ Agora, percebe-se, até pela intervenção do Senhor Presidente na Câmara Municipal, o final da Oeinerge, que se vinha a empurrar com a barriga. --------------------------------------------------------- Mas, de qualquer maneira, gostaria de dizer uma coisa à parte da reflexão. Esta é mais uma situação que, afinal, não precisávamos da tal comissão para a análise do Setor Empresarial Local e, neste caso, para a Oeinerge, porque as decisões estão a ser tomadas pela Câmara Municipal, nomeadamente, pelo Executivo, sem nenhum contacto com esta comissão, ou então pergunto ao Senhor Presidente, ou ao Senhor Vice-Presidente, se foi tomada em conta a 9 comissão que está a trabalhar.----------------------------------------------------------------------------------------------Depois, dizer-lhe que, além disso, os parceiros que ajudavam nas contas e que, no fundo, faziam cerca de um quarto do valor do contrato-programa e, além disso, as quotizações dos associados também, deixaram de existir. Portanto, há aqui uma inviabilidade absoluta, neste momento, da Oeinerge. -----------------------------------------------------------------------------------------------------Mas a pergunta que se impõe, agora com este desfecho à vista, é, de facto, sendo a Oeinerge coordenadora do PAESO e havendo projetos bons, como o projeto “Família Oeiras Ecológica”, como é que isto vai transitar, como é que isto vai finalizar, se estes projetos são para se manter ou não e quem é que vai ficar, nomeadamente, com este projeto da “Família Ecológica” e a coordenação do PAESO na Câmara Municipal. ------------------------------------------------------Mais uma vez, como outras empresas e outras apostas, parece-nos aqui que há um desfecho triste desta agência de energia.” --------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Luís Santos (IOMAF) disse o seguinte: ----------------------------------------“Como já foi dito, a Oeinerge tem por objetivo uma intervenção junto do Município de Oeiras na área da energia e do ambiente. -----------------------------------------------------------------------------Visa, portanto, contribuir para a eficiência energética, um melhor aproveitamento dos recursos energéticos e uma melhor gestão ambiental. ------------------------------------------------------------------O presente relatório revela que, apesar das dificuldades do ano transato, a empresa conseguiu ter um funcionamento estável e manteve o cumprimento das atividades, acabando por apresentar até resultados minimamente satisfatórios, que lhe permitiram sobreviver até aqui. ------------------Contudo, o futuro desta empresa, como já foi dito, está amplamente posto em causa, isto porque não há possibilidade legal do Município continuar a financiar a Oeinerge, e a empresa depende, principalmente, da parceria contratual com a Câmara, e até também porque não há sócios para a financiar. -------------------------------------------------------------------------------10 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- Por exemplo, no último ano, saíram dois associados, a WS Energia e a Municípia e, assim, a Oeinerge deixa de se poder manter. Vai, por enquanto, consumindo os recursos que ainda tem, mas chegará a um ponto que não tem capacidade para se manter. ------------------------------------- Também nós esperamos que a Câmara encontre maneira destas atividades que a empresa desenvolvia, e desenvolve ainda, continuarem a ser postas em prática, no âmbito da eficiência energética e ambiente, nomeadamente, ao nível dos programas da sensibilização ambiental junto das famílias e das crianças, das escolas, o Pacto dos Autarcas, as auditorias energéticas, o projeto “Oeiras Ecológica”, etc., etc., portanto, tudo projetos muito importantes que, de facto, com certeza que a Câmara Municipal irá diligenciar para que não acabem quando acabar a Oeinerge.” --------------------------------------------------------------------------------------------------------- A Senhora Deputada Fátima Rodrigues (PSD) observou o seguinte: ----------------------------- “Relativamente à Oeinerge, gostávamos de focar aqui dois pontos que são fundamentais. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Estamos a falar de futuro, estamos a falar de eficiência energética, recursos energéticos endógenos, promover um desenvolvimento local sustentável. E isto são grandes parangonas que estão em qualquer compromisso, não só nacional, como internacional e global. -------------- O que nos parece relativamente à Oeinerge é que é uma agência com o futuro comprometido enquanto agência, o que não faz com que, dada a sua importância e dados os projetos que tem desenvolvido ao longo destes anos, não deva de ser, obrigatoriamente, integrada num outro projeto local. ---------------------------------------------------------------------------------------- Todas as atividades da Oeinerge são do conhecimento de todos? Não sei, o que sei é que aqui, à Assembleia Municipal, vem uma vez por ano um relatório de contas. -------------------------------- Tenho a dizer que existe uma belíssima tese de mestrado, que é um relatório de 11 atividade profissional num mestrado em tecnologia ambiental, feito por uma senhora chamada Engenheira Paula Alberto, que trabalha na Oeinerge desde dois mil e oito, e que nos dá conta de todo o trabalho que esta agência promoveu, não só para o desenvolvimento sustentável, mas também para o trabalho educativo que tem, qualquer um dos aspetos, que ser reforçado e vivido por esta agência. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------Pode morrer, mas todos estes projetos que foram desenvolvidos, os cidadãos de Oeiras, alguns conheciam, outros não, deviam começar a habituar-se que é importantíssimo defendermos aquilo que está a morrer, que é, exatamente, o ambiente.” --------------------------------------------O Senhor Deputado Joaquim Cotas (CDU) fez a seguinte intervenção: ---------------------------“Ora, esta é uma associação de direito privado sem fins lucrativos, portanto, não visa obter lucro. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------De qualquer modo, a vantagem disto seria a do ambiente e a eficiência energética que se apontava aqui, no estatuto da empresa. --------------------------------------------------------------------------A comparticipação da Câmara para esta agência, ou associação, ronda os duzentos mil euros por ano. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------E o que nós gostaríamos de saber é se o trabalho que esta associação tem desenvolvido é compensador do montante total que a Câmara lhe dá por ano - duzentos e um mil euros. ------ -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Já foi dito aqui, por várias pessoas, que, face ao futuro do Setor Empresarial Local, esta empresa estará com problemas para sobreviver e para continuar, até porque duzentos mil euros sempre são duzentos mil euros. ------------------------------------------------------------------------------------Portanto, o que nós gostaríamos de saber, e como foi dito há bocadinho que no ano passado saíram mais dois associados, quer dizer, em vez de estar a crescer, está a encolher, a comparticipação da Câmara é que não encolhe, mas, face à lei e face a essa comissão que agora 12 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS está a tratar do Setor Empresarial Local, das empresas municipais e das participadas, qual é, de facto, o ponto da situação concreto desta empresa. O que é que lhe vai acontecer? Acaba? Vai aparecer alguma coisa para compensar este trabalho? A atividade desta empresa face à eficiência energética do nosso Concelho e o benefício que isto trará para o meio ambiente municipal, vai aparecer outro setor que se encarregue deste trabalho? Vai aparecer outra associação, noutras condições? Como é que isto vai ficar. A empresa fica ou não fica? Vai-se embora ou não vai? E se o que ela tem estado a fazer vai passar a ser feito por outra empresa. ------------------------------------------- Era isto que nós gostaríamos de saber.” ------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da C.M.O. esclareceu o seguinte: ---------------------------------------------- “A nossa ideia é que com o encerramento da Oeinerge, até porque parte dos técnicos que compõem a Oeinerge também são técnicos da Câmara, não se perde “know-how”, nem informação, nem o histórico do trabalho que tem vindo a ser realizado no âmbito da Oeinerge, nem nós queremos, mas é claro que, eventualmente, pode haver, até num primeiro momento, alguma perda de eficácia, ou de eficiência. ----------------------------------------------------------------------------- Agora, o encerramento da Oeinerge é quase uma imposição. Só ainda não foi encerrada, porque a Senhora Vereadora optou por pedir um segundo parecer. E este é conclusivo, diz exatamente o que diz o primeiro. Há uma impossibilidade legal de transferir para a Oeinerge, no âmbito do contrato-programa, recursos para que esta possa subsistir. ------------------------------------------ Como nenhum dos outros parceiros, ou associados, quando foram questionados por mim, na Assembleia-Geral, se estariam disponíveis, disseram logo, imediatamente, que não, para contribuir para que a Oeinerge pudesse sobreviver, não há outro caminho. --------------------------------------- Agora, é claro que tudo faremos para não deixar cair os projetos que hoje existem no âmbito da Oeinerge, tudo faremos para prosseguir aqueles que são os objetivos do Pacto dos 13 Autarcas. -- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Penso que, se calhar, enquanto não há um ajustamento, enquanto não há também uma adaptação por parte dos nossos serviços às tarefas que irão transitar da Oeinerge para as unidades orgânicas da Câmara, pode haver, efetivamente, uma perda de eficiência e de eficácia, mas estou perfeitamente convencido que no futuro a Câmara irá conseguir dar resposta àquilo que são essas tarefas, de forma a prosseguir a questão da eficiência energética, a questão ambiental, a questão da sensibilização ambiental. ----------------------------------------------------------------------Dirão: “mas não haverá nada que não se perca?” Há, quer dizer, a Oeinerge tinha também como objetivo a elaboração de candidaturas ao antigo quadro comunitário, ao QREN, mas também nós ainda não temos uma noção exata daquilo que vai ser o próximo quadro comunitário e, possivelmente, essas candidaturas poderão ser instruídas e apresentadas por parte dos serviços camarários e, portanto, se assim for, a perca é muito diminuta, ou praticamente reduzida.--- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No entanto, a garantia que aqui posso deixar é que sem Oeinerge, porque é uma decisão praticamente irrevogável, não há como, com os dados que temos e que nos foram apresentados, manter a Oeinerge, mas, sem a Oeinerge, tudo faremos para que o trabalho, que é efetivamente muito positivo e que os vereadores da Câmara têm conhecimento, porque, regularmente, uma, duas vezes por ano, se bem me recordo, a Oeinerge fazia uma apresentação daquilo que foi o trabalho desenvolvido e aquilo que era a programação do trabalho a desenvolver e, portanto, nunca houve qualquer questão e, por isso, tudo faremos para que, dentro do âmbito da Câmara, possamos continuar a desenvolver tarefas prosseguindo esses objetivos de caráter energético, ambiental, de sensibilização e outros que competiam, ou que estavam debaixo da esfera, ou dentro da esfera da Oeinerge.” -----------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Pedro Sá (PS) fez o seguinte pedido de esclarecimento: -------14 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- “Na sequência da resposta do Senhor Presidente da Câmara, há uma questão, tendo em conta a situação e o futuro próximo da Oeinerge, ou a falta dele, que cumpre deixar aqui esclarecida no quadro da reorganização do Setor Empresarial Local, relativamente à qual continuamos a aguardar uma mais plena e completa discussão para podermos, de facto, discutir quais são os caminhos que se pretendem nesse sentido. -------------------------------------------------------------- E, evidentemente, a questão que se coloca neste ponto é: quais são as efetivas intenções da Câmara relativamente à Oeinerge. É enquadrá-la dentro do esquema do futuro Setor Empresarial Local, ou integrar as suas funções nos serviços gerais da Câmara Municipal? E quais serão as soluções a esse nível, nomeadamente, a nível dos trabalhadores e todas as situações conexas que se envolvem com a ainda empresa municipal?” -------------------------------------------- O Senhor Presidente da C.M.O. respondeu o seguinte:----------------------------------------------- “Não há dois caminhos. Pelos dados que temos, pela análise jurídica que nos foi apresentada, o único caminho é o encerramento, é a dissolução. ---------------------------------------------------- Agora, é claro que iremos recuperar tudo aquilo que são tarefas, projetos, iniciativas e a mim até me parece que com alguma facilidade, tanto mais que, como eu disse, parte do corpo técnico da Oeinerge também são técnicos da Câmara e, portanto, essa será uma transição fácil.--------------- Não quer dizer que num primeiro momento não possa haver alguns ajustamentos, alguma perda de eficácia e de eficiência, mas iremos manter, com certeza, dentro da Câmara, tudo aquilo que eram os projetos, tarefas e ações desenvolvidas pela Oeinerge. ---------------------------------- Mas não temos como manter a Oeinerge, quer dizer, hoje, a Oeinerge vai sobrevivendo, porque tem um saldo positivo em termos de tesouraria, mas não temos como transferir, via contrato-programa, receita para a mesma, nem existe capacidade por parte da Oeinerge de se financiar através de outro tipo de receitas, seja com serviços prestados aos seus 15 associados ou a outras entidades, porque, como podem verificar, no histórico da Oeinerge, diria mesmo, talvez, que a principal, se não mesmo a única fonte de receita, a par dos fundos comunitários, dos projetos financiados, é o contrato-programa com a Câmara Municipal de Oeiras. Não podendo continuar a existir um contrato-programa, não há outro caminho, pelo menos, eu não consigo vislumbrar outro caminho senão o encerramento e a passagem de tudo o que é o trabalho, tudo o que são as ações, tudo o que são as tarefas da Oeinerge para as unidades orgânicas da Câmara.” ------------------------------------------------------------------------------------------------------APRECIADA -----------------------------------------------------------------------------------5.2. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 320/2014 - GP - relativa ao Relatório e Contas 2013 da AMEGA - Associação de Municípios para Estudos e Gestão da Água (os documentos relativos a esta Proposta ficam arquivados, como anexos, na pasta desta reunião) --- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) referiu o seguinte: ---------------------------------------“Senhor Presidente, nós temos aqui um problema de fundo. -------------------------------------------A questão é esta: o ar-condicionado está distribuído nas paredes laterais. Isto significa que os deputados que estão encostados às paredes, num lado ou noutro, sofrem os efeitos nefastos deste excesso de frio, que os deputados que estão no centro, como é o caso do Senhor Deputado Pedro Sá (PS) que reclama que está sempre calor a mais, mas, naturalmente, porque, de facto, está no centro. -------------------------------------------------------------------------------------------Faria um convite se não fosse o caso das bancadas serem estáveis, que era fazermos aqui uma mudança. Agora, isto é uma situação que não pode manter-se. Tive que vestir o casaco, porque estou, rigorosamente, cheio de frio para não dizer, enfim, como diz a minha companheira, “gelado” e, portanto, não sei no futuro, mas tem que haver uma solução qualquer, porque, realmente, é difícil termos “sol na eira e chuva no nabal”. ----------------------------------------------16 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- Eventualmente, vou sugerir uma troca com o Senhor Deputado Pedro Sá (PS), mas tem que haver uma solução Senhor Presidente. ------------------------------------------------------------------------ Desculpe este ponto de ordem.” ---------------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da A.M. respondeu o seguinte: -------------------------------------------------- “É um problema. De facto, é mais um problema da distribuição de um bem essencial que é a temperatura. -------------------------------------------------------------------------------------------------------- Nós não temos capacidade de o resolver neste momento, a não ser desligando o arcondicionado. Não temos outra maneira. -------------------------------------------------------------------------------- Tanto quanto julgo saber, não está ainda dada a obra do ar-condicionado por terminada, acho que faltam peças, se não me engano e, portanto, ficou agendado, quando elas viessem, continuar e completar a obra. ---------------------------------------------------------------------------------- Espero que no mais curto espaço de tempo se resolva o problema e nós reencontremos as melhores condições possíveis para o nosso trabalho. É um direito que todos os trabalhadores têm, é trabalharem nas melhores condições possíveis. ----------------------------------------------- Hoje, pedia paciência aos Senhores Deputados e pedia ao apoio que desligasse o arcondicionado e, se a temperatura aquecer muito, se calhar, temos que voltar a ligar e vamos fazer um esforço por isso, porque Oeiras e os oeirenses merecem.” ------------------------------------------------------- O Senhor Deputado Joaquim Cotas (CDU) observou o seguinte: ---------------------------------- “Antes de começar com a proposta dois, queria dizer que também estou com frio, mas, como sou transmontano, estou acostumado a ele. Agora, tenha mais frio agora do que em dezembro, de maneira que é para reforçar também aquela tese de que “vamos resolver isto”. ----------------- Acerca desta proposta dois, da AMEGA, embora os argumentos sejam diferentes, é praticamente o seguimento da anterior. Só que a anterior, toda a nossa argumentação e a resposta 17 que o Senhor Presidente deu é de que, na verdade, a atividade que ela estava a desenvolver até tinha aspetos positivos, e esta, mesmo que venha de trás para a frente ou da frente para trás, ainda não encontrei cá positivos. ------------------------------------------------------------------------------------------Gostaria que o Senhor Presidente me dissesse onde é que estão, porque a mais-valia que a AMEGA traz para os oeirenses eu não encontro e questiono porque é que ainda existe isto. --------------Era isto que queria saber por parte do Senhor Presidente da Câmara.” -------------------------------O Senhor Deputado Joaquim dos Reis Marques (PS) disse o seguinte: ---------------------------“Nós estamos a apreciar uma proposta que, há coisa de um mês, nem isso, também apreciámos aqui um conjunto de empresas, de associações, de legalizar situações, e uma era esta, em que o Senhor Presidente disse que também queria sair desta associação, mas que, a pedido dos colegas presidentes de câmara que fazem parte desta associação, ficou com a prorrogativa de mais um ano e, no final, fazer o balanço.---------------------------------------------------------------------------------Portanto, naquela reunião já ficou tudo dito, ou quase tudo dito, a não ser os números que aqui vêm, qual é a posição da Câmara. ------------------------------------------------------------------------------A Câmara está numa fase de estudo e, daqui ao final do ano, traz-nos aqui uma posição, da Câmara, para a Assembleia Municipal deliberar. ---------------------------------------------------------E o Partido Socialista fica à espera dessa informação.” -------------------------------------------------O Senhor Deputado Augusto Pissarreira (PSD) disse o seguinte: ----------------------------------“Relativamente ao problema da AMEGA, a olhar pelos objetivos, quando foi aqui analisado o Plano Anual de Atividades, justifica-se, parece até muito salutar. -------------------------------------Pelo relatório, relativamente a receitas, em termos de consolidação, também parece que não é por aí o problema. -----------------------------------------------------------------------------------------------Depois, aparece ainda um outro fator positivo que, na ratificação da convenção de preços da água com a EPAL, foi conseguido, após a denúncia da EPAL da convenção anterior, 18 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS um aumento de um vírgula zero zero por cento contra um vírgula sessenta e cinco por cento proposto pela EPAL. No entanto a EPAL, em seguida, denuncia esta convenção. ------------------------------- A associação promoveu uma reunião com todos os associados e espera-se uma tomada de posição, ou daí terá saído uma tomada de posição. ------------------------------------------------------- No entanto, por aquilo que também já foi aqui dito e recordado da Assembleia em que debatemos, não só esta, como outras situações de empresas análogas ou associações, não se percebe muito bem se esta associação funciona, se não funciona, e o testemunho mais fundamental para esta posição é, nomeadamente, a tomada de posição que o Senhor Presidente da Câmara tomou em avaliar para depois decidir. --------------------------------------------------------------------- E parece-nos que, de facto, os resultados não são nada de surpreendente, nem de muito interessante, até porque parece que há alguém que, discricionariamente, toma decisões, resolvendo convenções sem ter em conta o respeito que essa convenção deveria merecer. --------------------- Por isso, somos de opinião que também deve ser avaliada a permanência nesta associação, de modo a que ela traga resultados positivos, se for o caso. Caso não os manifeste, deverá também cessar a nossa participação na associação, pelo menos, é o nosso entendimento.” ------------- O Senhor Deputado Feliciano Bernardo (BE) fez a seguinte intervenção: ----------------------- “Em relação a esta associação, já se falou aqui, e é claro na informação escrita que aqui está, qual é a opinião da Câmara em relação à permanência até ao fim do ano. ----------------------------- Da análise que vejo em relação à eficácia ou à influência que esta associação terá, penso que é extremamente limitada e, portanto, dá a sensação que isto é uma coisa que finge que anda, mas não anda e, portanto, até ao fim do ano tem que ser avaliada. ------------------------------------------- O prejuízo que temos é de quatro mil euros, ou de quatro mil e quatrocentos euros por ano. --- ------------------------------------------------------------------------------------------------------19 --------------É daquelas coisas que, se não valer mesmo a pena, é mesmo para cortar, nem que seja para gastar em sardinhas.” --------------------------------------------------------------------------------------------A Senhora Deputada Carolina Tomé (IOMAF) referiu o seguinte: --------------------------------“Relativamente a esta proposta da AMEGA, é um pouco diferente das empresas municipais, na medida em que se trata de uma associação de municípios, portanto, é composta por dezanove municípios, mas, na verdade, também me questiono, como, aliás, os outros deputados já o fizeram, sobre o porquê da existência desta associação, ou seja, o que é que ela faz, que atividades é que gera, qual é a utilidade desta associação, portanto, quais são os estudos que faz, para que serve, porque, no fundo, ela foi constituída para isso, para tratar das questões da domiciliação da água, da coleta e do tratamento de águas residuais, sabemos neste relatório de contas que, relativamente à EPAL, manteve uma posição de discordância com a proposta do aumento de tarifa de um vírgula setenta e cinco por cento, tendo sido depois aplicada a tarifa de apenas um por cento, mas continuamos com dúvidas em relação à razão de ser e em relação à atividade, ou à utilidade que tem esta associação, e também como o nosso Presidente da Câmara manifestou intenção de poder, eventualmente, sair da associação no prazo de um ano, gostaríamos de ouvir o que é que o Senhor Presidente tem a dizer atualmente sobre este assunto.” --------------O Senhor Presidente da C.M.O. prestou os seguintes esclarecimentos: ----------------------------“Já aqui foi dito que a Câmara decidiu, ou melhor, eu decidi não levar à Câmara uma proposta para sairmos da AMEGA. Estou totalmente de acordo convosco, e fi-lo porque o Senhor Presidente de Alenquer, o Senhor Vereador de Loures, ou seja, os atuais órgãos sociais da AMEGA vieram ao meu gabinete e solicitaram que a Câmara pudesse estar durante um ano, porque tinham uma intenção de reestruturar a AMEGA e, portanto, pediram um ano para dar provas da sua capacidade. --------------------------------------------------------------------------------------------------Eu disse que conhecia, até porque também tinha feito parte dos órgãos sociais da 20 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS AMEGA, aquilo que era o histórico da AMEGA. --------------------------------------------------------------------- Hoje, a AMEGA não se justifica, hoje a AMEGA não acrescenta valor rigorosamente nenhum. Mais: hoje a AMEGA faz uma reunião por ano com a Direção-Geral, nem sequer me recordo do nome, mas tudo aquilo que fica decidido, nada é acolhido. Poderia, eventualmente, fazer mais? Podia, mas a verdade é que com uma análise crítica dos relatórios dos últimos anos, dos relatórios de atividades e dos planos, chegamos rapidamente à conclusão que não acrescenta valor. -------------------------------------------------------------------------------------------------- Agora, também não quis pôr em causa a intenção dos atuais órgãos sociais e assumi o compromisso de a Câmara de Oeiras ficar mais um ano, mais um exercício e, no final desse exercício, olharmos para aquilo que, eventualmente, foi mudado, olharmos para aquilo que, eventualmente, tenha sido feito, realizado, e depois tomarmos uma decisão: de nos mantermos, ou a de sairmos. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Mas também não quis ser inflexível ao ponto de não dar o benefício da dúvida aos atuais órgãos sociais e, portanto, só por essa razão é que a Câmara de Oeiras não saiu desta associação de municípios, ainda.” -------------------------------------------------------------------------------------------- APRECIADA --------------------------------------------------------------------------------5.3. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 322/2014 - GP - relativa ao Relatório de Atividades relativo ao exercício de 2013 da AITEC - Associação para a Internacionalização, Tecnologias, Promoção e Desenvolvimento Empresarial de Oeiras (os documentos relativos a esta Proposta ficam arquivados, como anexos, na pasta desta reunião) ------------------------------------- O Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) observou o seguinte: ----------------------------------- “Uma vez mais, vem até esta Assembleia o relatório das atividades desta associação para a sua análise. ----------------------------------------------------------------------------------------------21 --------------Nós, em tempos idos, de facto, demonstrámos uma grande preocupação com esta associação e chegámos ao ponto de aqui defendermos a sua extinção ou, pelo menos, a sua completa reformulação, por forma a tornar eficaz aquilo que era os grandes desígnios e objetivos da mesma. - -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Infelizmente, nós olhamos para este relatório e contas e, pela sua análise (e depois iremos ver em relação ao que é o futuro), consideramos que isto continua a ser um verdadeiro flop em termos daquilo que se pretende, ou que deveria ser realmente uma associação com estas características. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------Oeiras, de facto, merece mais em termos daquilo que é a sua promoção e o apoio que deveria ser dado ao empreendedorismo, às empresas, aos desempregados, de acordo, aliás, até com aquilo que recentemente foi averbado nesta Assembleia, de um plano que analisou um conjunto de propostas. Agora, efetivamente, olho para isto com grande dificuldade em compreender a razão da existência desta associação.-------------------------------------------------------------------Começo, desde logo, por verificar a completa dessintonia que existe em termos numéricos, por exemplo, entre os corpos sociais e os trabalhadores. ------------------------------------------------Nós temos uma associação que tinha seis trabalhadores, passou para quatro e, neste momento, tem apenas três. Mas se olharem para os órgãos sociais, de facto, quase triplicam este número. E isto começa, desde logo, por criar alguma dificuldade de entendimento, como é que uma associação, com estes objetivos tão grandiosos, consegue, de facto, funcionar apenas com três trabalhadores.------------------------------------------------------------------------------------------------------------E se olharmos depois para aquilo que se propõem fazer, ou que foi feito, talvez percebamos a razão disso, porque, para além de um conjunto de eventos sociais onde esteve presente - conferências, participação em receções, fez um protocolo de geminação, mas, de facto, em termos concretos, temos alguma dificuldade em perceber, na prática, o que é que isto está a 22 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS fazer. E mais: e se, de facto, terceiros a quem a sua atividade se dirige, estão ou não estão permissivos a participar na mesma. E infelizmente a conclusão que tenho que tirar é que não estão, porque quando, a folhas dez, nos é dito que a REN e a “State Grid”, que estavam em vias de vir para cá, vão para Sacavém, portanto, a AITEC andou a fazer um conjunto de trabalhos no sentido de captar para o Concelho estas empresas, nada. ------------------------------------------------------------- Se olharmos para o projeto que foi a sua candidatura a uns fundos da Fundação de Macau, o resultado é exatamente o mesmo, ou seja, a candidatura nem sequer foi aceite pela instituição. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Depois, o que temos é associados a sair, eventualmente alguns a entrar também, pelo menos há dois deles que entraram, mas temos um associado com algum peso - a Infosaúde, que, de facto, faz depender a sua participação nesta assembleia do valor das quotas. ---------------------------------- E eu pergunto: quando é que os associados numa associação fazem depender a sua permanência do valor das quotas? O que elas deviam fazer depender era, de facto, daquilo que são, ou não, os objetivos preenchidos e concretizados por parte dessa associação. ------------------------------- Os associados, aparentemente, deixaram de acreditar na associação, como o relatório aqui parece demonstrar e, eventualmente, aceitando lá ficar se o valor das quotas for reduzido. --------------- E repare-se: se calhar, até se entende, e olhando para isto, esta associação parece estar transformada num cofre-forte, tipo Tio Patinhas. ---------------------------------------------------------------- Nós temos em caixa (e já faço uma pergunta, porque não está aqui muito claro) nesta associação, em depósitos bancários, folhas dezanove, dois milhões quarenta e quatro mil duzentos e sessenta e sete ponto setenta; em dois mil e doze tínhamos um milhão novecentos e vinte e cinco quinhentos e setenta e oito, ou seja, dá a sensação que esta associação recebe o valor das quotas dos seus associados e, em vez de, realmente, promover uma política de 23 investimento concreto, executando aquilo que são estas ideias mirabolantes que aqui estão, limita-se a entesourar e a ficar com estes fundos à guarda, à espera de melhores dias, que não sabemos quais são. A não ser que este dinheiro, este ativo que está em caixa e em depósitos bancários, dele faça parte, como resulta da própria deliberação uma informação do Senhor Presidente da Câmara, que existirá um fundo de um milhão duzentos e cinquenta mil que terá sido constituído por entradas de todos os associados e que, aliás, teria sido até uma das razões para não extinguir, na altura, esta associação, porque teria que haver uma devolução aos associados. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Não sei, e a pergunta fica aqui, se este fundo está ou não está contemplado nestes dois milhões.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Pergunto como é que é possível esta gestão, e esta administração de então, que não é a de hoje, e por isso é a razão pela qual nós vamos dar o benefício da dúvida a esta associação com esta nova equipa, porque, relativamente à equipa anterior, está tudo dito. Basta, de facto, olhar para este relatório. Na sua simplicidade, porque o é, manifesta claramente uma incapacidade, tendo dinheiro, de promover, adequadamente, aquilo que são os seus grandes objetivos. -- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------E depois pergunto: qual é o interesse (não consigo entender) de promover uma geminação e promover negócios com Marrocos? Bom, se calhar, eu gostaria de ver era uma geminação com uma associação alemã, sueca, inglesa, ou até espanhola, aqui ao lado. Não consigo entender. Será que ainda acabamos por fazer alguma geminação com a associação na Guiné Equatorial?” ----------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Pedro Sá (PS) disse o seguinte: --------------------------------------------------“Relativamente ao relatório de atividades de dois mil e treze da AITEC, o PS tem a observar, antes de tudo, que se trata de um relatório sem qualidade informativa suficiente para 24 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS merecer qualquer apreciação séria e consequente, se bem que, neste momento, em que se prepara uma alteração radical da missão e do modelo de negócio e de intervenção desta entidade, o importante será conhecer a sua nova estratégia, mais do que discutir este relatório. ----------------------------- Em todo o caso, não obstante o relatório não passar de uma listagem não estruturada de atividade, nunca se compreendendo em que linha estratégica se inserem e que resultados foram alcançados, entre receções, visitas e presenças em eventos diversos, sempre se tem a dizer o seguinte: fala-se de uma solidificação do novo ciclo, iniciado em dois mil e doze, sem nunca se dizer em que isso se concretiza em termos da missão ou de objetivos delineados, ou será que apenas tem a ver com a redução de custos inspirado numa, por sua vez, redução de pessoal ao mínimo de eficácia possível? ---------------------------------------------------------------------------------------------- Como se pode falar de um relatório de contas que nem sequer tem um capítulo que das contas trate? ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- De facto, apenas se reproduzem os habituais mapas económicos e financeiros, sem qualquer leitura dos mesmos. Na verdade, não se deveria explicar o que reflete a redução dos juros e rendimentos similares obtidos para cerca de metade, de dois mil e doze para dois mil e treze? Será pela falta de aplicação de meios líquidos, parqueados excessivamente em caixa e nos bancos? --- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Não se deveria explicar porque se reduzem para um terço os gastos de depreciação e amortização? Refletirá isso a redução para metade dos ativos intangíveis? Não se deveria explicar como se pode dizer que, apesar da dívida relativa à quota de dois mil e treze da Câmara Municipal, terminámos o ano com disponibilidades operacionais, demonstrando que, deste modo, é possível fazer melhor com menos recursos humanos e financeiros como se diz? ---------------------- Quanto aos humanos, quais as funções e competências que estão asseguradas pelo 25 quadro de pessoal, reduzido ao mínimo, que permita o cumprimento da sua missão, seja qual ela for? --------- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Quanto aos financeiros, como se pode falar do futuro, num quadro de debandada de associados por incapacidade de pagamento das quotas não referido no relatório, mas finalizado na ata da Assembleia-Geral nele anexa, onde se refere que outros associados estavam a ponderar sair da associação por não terem disponibilidade para manter os pagamentos efetuados à AITEC Oeiras, como, aliás, já aqui se referiu, isto tudo com uma proposta de se manterem as quotas. -----------------Qual a postura da Câmara Municipal neste contexto, aliás, devedora, para forçar alterações ao Conselho de Administração? Não se deveria também clarificar a questão, que foi colocada na Câmara Municipal pela Senhora Vereadora Alexandra Moura, sobre a regularização da quota da C.M.O., nada menos, nada mais do que uma verba da ordem dos trezentos e vinte e nove mil euros? --------------------------------------------------------------------------------------------------------------Já agora, como está a opção sobre o modelo de fiscalização de contas, cuja opção visa apenas a redução de custos, aparentemente em detrimento do rigor e da transparência das contas e até da própria gestão? Esta questão foi, aliás, também levantada pela Senhora Vereadora Alexandra Moura na Câmara Municipal, não tendo havido uma resposta definitiva, nem efetiva. --------------Recorda-se que esta opção não colhe a concordância do Conselho Fiscal, tal como é retratado na referida ata da Assembleia-Geral. --------------------------------------------------------------------------Como se pode pensar que pessoas conhecedoras na área (sic, nem se percebe que área) podem assegurar o mesmo rigor de um ROC devidamente credenciado?” ----------------------------------O Senhor Deputado Carlos Coutinho (CDU) fez a seguinte intervenção: -------------------------“Aproveitávamos a oportunidade e, no complemento, se é possível dizer assim, das intervenções do Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) e do Senhor Deputado Pedro Sá (PS), entendemos que a referência da AITEC está balizada por um enquadramento geral macro da 26 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS Câmara, que é a maré a vazar e, portanto, é muito mais difícil desinvestir do que investir, é mais complicado racionalizar as coisas e é muito mais difícil de aceitar as situações quando estamos numa situação de racionalização do que numa situação de expansão. ---------------------------------------------- De qualquer forma, por não ser referido no relatório, gostaríamos de questionar a Câmara qual é o papel estratégico que reserva para esta associação, o que é que pensa, dentro desta conjuntura e dentro deste quadro referência que nos apresenta, o que é que espera, num quadro de referência alongado, para esta associação.” ---------------------------------------------------------------- A Senhora Deputada Isabel Sande e Castro (CDS-PP) referiu o seguinte: ---------------------- “Já muito temos vindo a dizer sobre a AITEC, do ponto de vista da questão financeira e, muitas vezes, o Senhor Presidente da Câmara, quando fala sobre este assunto, e mesmo nós, os representantes das forças políticas, tivemos também uma reunião com o Presidente do Conselho Económico e Social que a AITEC criou e, de facto, esta pergunta, que também foi lançada anteriormente, impõe-se: qual é, de facto, a missão da AITEC, porque ela surge aqui com um fito da promoção e desenvolvimento empresarial de Oeiras, e isto não consegue atingir. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ De facto, Oeiras cresceu com uma série de polos empresariais, mas não se conseguiu dinamizar as empresas entre si numa relação profunda, com o que se fizesse uma certa comunhão entre estes polos empresariais, a população residente e uma lógica de um objetivo, ou de uma estratégia de desenvolvimento para Oeiras. ------------------------------------------------------------------- E era isso que nós gostávamos de ouvir hoje do Presidente: é que, dadas as alterações que agora se prometem realizar na AITEC, e parece-nos uma certa incerteza, para não dizer que parece que não se sabe muito bem, não há aqui uma grande coragem para perceber o que é que se quer realmente da AITEC, mas faz essas parangonas - a criação do Conselho Económico, 27 porque até o Conselho Económico já foi criado em dois mil e seis pelo anterior Presidente da Câmara, mas, no entanto, nada aconteceu, houve a tomada de posse do Conselho e, depois, nada aconteceu. - -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------E depois, a outra pergunta que também já foi colocada, que é óbvio: como é que três pessoas conseguem atingir os objetivos operacionais que a AITEC se compromete a realizar? -----------------Portanto, há aqui qualquer coisa que não funciona, que não está a desenvolver, não nos parece que seja apenas com trabalho voluntário do Conselho Económico e Social e de uma estrutura com três funcionários que vamos alcançar esses objetivos. ------------------------------------------------Portanto, faltam aqui explicações, porque, senão, antevemos, mais uma vez, que é outra estrutura que vai terminar no breve trecho e que, no seu passado, pouco deixou ao nosso Concelho.” -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Feliciano Bernardo (BE) observou o seguinte: -------------------------------“Já houve aqui referência a determinadas situações e a análise que fazemos é que estamos na presença de uma associação que nos parece balofa, “balofa” no sentido em que o que tem feito, tem feito uns eventos, tem feito umas coisitas, tem aparecido na comunicação social, etc., mas, efetivamente, não nos parece que esteja a funcionar. ------------------------------------------------------Inclusive, fez uma espécie de um inquérito às empresas e só teve dez por cento de respostas em relação ao material que foi enviado. ----------------------------------------------------------------------Portanto, está desfasada, não está integrada no meio empresarial e uma prova disso é, realmente, só haver dez por cento de respostas a esse inquérito que foi feito. --------------------------------------A questão que se põe, como já foi dito, será o que é que a Câmara pensa em relação a esta associação, a curto e a longo prazo, porque, na nossa opinião, realmente, parece um balão que facilmente se vai esvaziar.” -------------------------------------------------------------------------------------------A Senhora Deputada Carolina Tomé (IOMAF) referiu o seguinte: ------------------28 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- “Relativamente à AITEC, dois mil e treze foi um ano de novidades, um ano de novos estatutos, um ano, como se diz, de solidificação e concretização de alguns projetos deste novo ciclo da AITEC após tomada de posse do atual Presidente da Direção. -------------------------------------------- Tem as suas contas certificadas e de acordo com a fundamentação legal. A AITEC reduziu a sua estrutura de custos fixos, pois a Câmara Municipal não podia estar a sustentá-la, reduzindo a sua quota e isso fez com que, por exemplo, deixasse de haver um presidente remunerado e se procedesse à redução de funcionários, como já aqui foi dito que, atualmente, são três. --- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- É também referido no relatório que os seus capitais próprios são significativos, existe um conjunto de atividades relatadas que nos parecem ter interesse e queríamos destacar o Conselho Económico e Social, o inquérito empresarial de Oeiras, o vídeo promocional de Oeiras, assim como o fórum estratégico “Oeiras Valley”, cuja constituição teve como objetivo identificar sinergias entre instituições de investigação que se traduza, no futuro, em soluções comercializáveis. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Portanto, parece-nos que a AITEC terá que continuar a sua atividade com menos recursos para atingir os objetivos a que se propõe fazendo uma gestão de contenção e terá que restabelecer a rede de ligações entre os associados. ------------------------------------------------------------------- Tem um conjunto de projetos a desenvolver com bastante interesse, com bastante relevância para o Município de Oeiras e esperamos que esta nova direção e este novo rumo que se pretende dar à AITEC cheguem a bom porto.” ---------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da C.M.O. esclareceu o seguinte: ---------------------------------------------- “Concordo com aquilo que foi dito. ------------------------------------------------------------------------ A minha leitura, a minha análise da AITEC era, praticamente, a vossa, e por essa 29 razão é que ponderei seguir um de dois caminhos: ou extinguir, fechar, ou restruturar. E restruturar levou a que deixasse de se chamar AITEC. No fundo, o que nós queremos é uma agência de investimento, de ligação às empresas, de ligação aos investidores, de potenciação de uma rede constituída pelas empresas e pelas instituições académicas e de investigação. -------------------------Não estávamos disponíveis para pagar a quota, no montante, que acho que é um exagero, não tinha qualquer justificação. Entendi que o valor da quota das empresas e das instituições, daquelas que pagavam, porque há instituições que estão isentas, não fazia sentido nenhum. --- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Acho que a estrutura da Oeiras Invest tem que ser minimalista. Não é pelo facto de ter três funcionários, quer dizer, se calhar, até basta um ou, se calhar, eram precisos mais três. A Oeiras Invest é que tem que saber o que é que precisa. ----------------------------------------------------------------Agora, acho que a Oeiras Invest tem que ser uma estrutura minimalista, facilitadora, de contacto entre a realidade empresarial, entre a realidade académica, entre a realidade da investigação, entre a realidade da Autarquia e, acima de tudo, tem que procurar dar apoio a grupos de reflexão. O Conselho Económico e Social, no fundo, é um grupo de reflexão estratégica e, portanto, o que se pede a esse Conselho Económico e Social é que possa fazer uma reflexão séria, suprapartidária, de longo prazo, portanto, não é para este mandato, nem para o próximo, nem, se calhar, para o outro, estamos a falar num pensamento a dez, quinze, vinte anos, e é por isso que esse grupo tem pessoas dos vários quadrantes políticos, pessoas com reconhecida experiência profissional, académica, política, e acho que isso é incontestável. ---------------------Por outro lado, acho que o facto da Oeiras Invest também ter um fundo para o qual a Câmara contribuiu e algumas empresas também, esse fundo não se deve limitar a estar aplicado para obter algum rendimento financeiro. ---------------------------------------------------------------------------------Esse fundo tem que ter um objetivo, e um dos objetivos que concordo é potenciar a 30 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS atividade dos centros de investigação, das instituições sedeadas em Oeiras - os IGC, os ITQB, os IBET e, portanto, aquilo que era o programa de bolsas que nós tínhamos, e que temos, as bolsas denominadas Professor António Xavier, tínhamos duas, e aquilo que se solicitou nessa área à Oeiras Invest foi que, conjuntamente com os institutos de investigação, ou também as academias, pudessem elaborar um novo regulamento, ou ajustar o regulamento atual, de forma a que, em conjunto, pudessem gerir essas bolsas de investigação, para investigadores, para projetos, cá, no estrangeiro, mas que não fosse algo cheio de boa-fé, feito pela Oeiras Invest, colocado à disposição dos institutos, não, que fosse algo que fosse partilhado, ou seja, que o regulamento, que os objetivos fossem elaborados de forma partilhada para que todos se pudessem rever nesses regulamentos e nesses projetos de bolsa. -------------------------------------------------------------------------------- Por outro lado, eu próprio, quero-vos dizer, e acho que a Oeiras Invest é o local também para ficar sedeado o Conselho Científico e Tecnológico, pedi para elaborar um convite formal aos vários presidentes dos institutos - ITQB, IGC, IPIMAR, IST, INIAV, IBET, e poderei estar-me a esquecer de algum, por exemplo, eventualmente, à Faculdade de Motricidade Humana e à Escola Náutica não fará sentido, e tenho previsto endereçar esse convite para uma reunião, um almoço, logo em setembro, porque sei que há, de forma informal, uma reunião regular entre eles.-------- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Foi-lhes apresentada essa ideia até pelo Senhor Vereador Ângelo Pereira, que era tornar aquele grupo que já existe, de forma oficiosa, oficial e, portanto, denominá-lo de Conselho Científico e Tecnológico e podermos, em conjunto, no seio da Oeiras Invest, trabalhar um projeto que foi, no passado também, uma promessa nossa, um projeto que foi apresentado, que é o Projeto do Bioparque, ou seja, do “cluster” das ciências da vida. ------------------------------------------------- E hoje, Oeiras, pela concentração que tem de institutos, de laboratórios, de mão-de31 obra altamente qualificada e, infelizmente, desempregada, pelas “calls” que existem de empreendedorismo, portanto, de financiamento de ideias, que hoje conseguem-se transferir da área da investigação para o mercado, hoje Oeiras tem todas as condições para, efetivamente, com o que tem, ou seja, sem grande investimento, apenas cada uma dessas entidades disponibilizar o que tem, porque tem “know-how”, porque tem equipamento, porque tem laboratórios, porque tem espaços e, por isso, pode emprestar serviços a jovens empreendedores, ou a ideias empreendedoras e, portanto, Oeiras hoje tem, efetivamente, condições para instalar, reforçar o “cluster” das ciências da vida, ou o Bioparque, como no passado foi apelidado, ou o Biocenter e, portanto, é isso que se pede à Oeiras Invest: é que, no fundo, dê suporte a todas estas iniciativas, a todas estas ideias. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------Relativamente ao passado, estou de acordo convosco; relativamente ao presente e ao futuro, dou o benefício da dúvida. -----------------------------------------------------------------------------------------Acho que, daquilo que tenho avaliado, daquilo que tenho visto, daquilo que me é transmitido, a Oeiras Invest está num caminho diferente e, por outro lado, a Câmara passou, com os novos estatutos, a ter uma quota igual às empresas, e é uma quota perfeitamente aceitável, que nada tem a ver com os montantes que existiam no passado que, como aqui já foi dito e concordo, era perfeitamente disparatado, ou melhor, até o próprio valor das empresas, quanto mais o valor da quota da Câmara e, portanto, a partir da entrada em vigor dos novos estatutos, a Oeiras Invest passou a aplicar uma quota idêntica à Câmara como às restantes empresas, perfeitamente aceitável --- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Estamos a falar de montantes que não têm nada a ver com os montantes que eram praticados no passado, deixou de ter um presidente remunerado, porque não é uma questão de voluntariado, é uma questão que, para aquilo que se pretende, não há necessidade de ter um presidente remunerado. ---------------------------------------------------------------------------------------32 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- Tem, efetivamente, três funcionários, reduziu, mas não me compete a mim pronunciar-me se é muito, se é pouco, quer dizer, se efetivamente é pouco e se justificar no futuro, terão que recrutar mais. Se, porventura, são muitos, terão que emagrecer. Mas isso é um problema de gestão da própria Oeiras Invest, que tem que apresentar as razões pelas quais o seu quadro de pessoal é o adequado, ou não é. ------------------------------------------------------------------------------ Penso que há dias, ou há semanas, a Oeiras Invest reuniu com os diversos grupos da Assembleia Municipal, tiveram oportunidade de dar uma explicação sobre os propósitos da Oeiras Invest e do Conselho Económico e Social, e quero-vos dizer que espero também que em setembro possamos formalizar o Conselho Científico e Tecnológico e, através destes dois conselhos, reforçar aquilo que é a rede e o relacionamento entre empresas, institutos, academias e, em conjunto, possamos valer muito mais do que em separado, e que em conjunto possamos nos apoiar, partilhar recursos e acrescentar valor para ambos os lados. Isso é o mais importante. ------------- Acrescentar valor para os institutos, para as empresas, para a Autarquia, no fundo, fazer com que estar em Oeiras seja muito mais do que ter aqui uma sede, uma morada ou um endereço. Estar em Oeiras terá que representar, para todos eles, estar dentro de uma rede que pode potenciar aquilo que é a sua atividade, aquilo que é o seu negócio.” ----------------------------------------- O Senhor Deputado Joaquim Cotas (CDU) observou o seguinte: ---------------------------------- “A reunião que nós tivemos com o Presidente da AITEC e o coordenador…” --------------------- O Senhor Presidente da C.M.O. atalhou o seguinte: -------------------------------------------------- “Oeiras Invest.” ----------------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Deputado Joaquim Cotas (CDU) prosseguiu a sua intervenção dizendo o seguinte: -- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- “Do Oeiras Invest, mas parece-me que, oficialmente, ainda não é Oeiras Invest, ainda 33 é AITEC, mas pronto, é Oeiras Invest. -----------------------------------------------------------------------------------Mas a ideia que nós ficámos da reunião que tivemos, foi de alguma esperança de que aquele projeto traria mais-valias para o nosso Município. -------------------------------------------------------------O debate de hoje, já não é tão animador. Parece-me que aquilo que não é tão positivo como foi ali relatado pelo António Moita e pelo António Saraiva. ---------------------------------------------------A ideia com que nós ficámos daquela reunião e a ideia que ficamos com este debate, quer dizer, não bate bem uma coisa com a outra.” ----------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) disse o seguinte: -------------------------------------------“Registo sempre quando um político assume um erro cometido. --------------------------------------E a verdade é que a intervenção que o Senhor Presidente nos trouxe aqui, a propósito desta matéria, revela que, durante oito anos, o movimento político que dirige a Câmara Municipal andou equivocado, e esta já é a terceira tentativa em relação a uma abordagem de uma matéria que é essencial para a competitividade do Concelho. --------------------------------------------------------Valorizamos, como o Senhor Presidente da Câmara também referiu, a importância do trabalho em rede, e lamentamos que, durante oito anos, tenhamos ouvido aqui, quer o Senhor Deputado António Moita (IOMAF), como membro da Assembleia Municipal, quer o Senhor Vice-Presidente, na altura Paulo Vistas, agora Presidente da Câmara, a, no fundo, serem complacentes com a realidade da AITEC, como hoje foi assumido pelo próprio Presidente da Câmara, que era claramente insuficiente e inadequada para aquilo que eram os propósitos em causa. ------ -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Vemos, com expectativa, a refundação dessa abordagem, como dissemos, aliás, na reunião que tivemos a pedido dos novos dirigentes da Oeiras Invest que, aliás, é um nome ao qual o PS adere com facilidade, porque, ainda há menos de um ano atrás, propunha um pacote que tinha exatamente esse nome de atratividade fiscal, que era Oeiras Invest, portanto, aderimos 34 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS com facilidade a esse novo nome, mas, de qualquer modo, para dizer que, também nessa reunião, nós tivemos a oportunidade de dizer que vemos com bastante expectativa a refundação deste instrumento de ação no Município, sobretudo o aspeto que tem a ver com a criação de um Conselho Económico e Social, que se pretende abrangente das várias sensibilidades. Contudo, reafirmamos aqui uma preocupação que temos, que é uma espécie de desresponsabilização da Câmara relativamente ao seu papel, porque a Câmara, antes de haver qualquer AITEC ou Oeiras Invest, deve ser a Câmara a promotora das redes necessárias ao desenvolvimento do Concelho. -------------- E a Câmara não pode desresponsabilizar-se dessa função. --------------------------------------------- Esta nova entidade que é criada, tem de ser sempre complementar àquilo que é a função, a vocação da Câmara na promoção deste diálogo e desta rede de intervenção, quer ao nível das empresas do Concelho, quer ao nível das instituições de ensino e de investigação. ------------------- E aquilo que nós assistimos no concreto e daquilo que já foi apresentado, e aguardamos que a proposta venha aqui à Assembleia Municipal, assiná-la exatamente isto: é que parece que a Câmara vai deixar de ter um papel que, até aqui, foi predominante na gestão deste instrumento, e tememos que isso signifique uma gestão, por parte desta associação, mais virada para o interesse dos associados e do respetivo peso de cada associado na associação, e não para aquilo que é a prossecução irrepreensível do interesse do Município e, naturalmente, a sujeição, ou necessário escrutínio democrático, a que estaria sempre uma entidade em que a Câmara Municipal fosse dominante. ----------------------------------------------------------------------------------------------- E, portanto, assinalamos já aqui essa preocupação e aguardaremos pelo momento de agendamento da proposta, para podermos aprofundar estas nossas dúvidas, e também poder sugerir algumas propostas sobre isto.” ----------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da A.M. chamou a atenção para o seguinte: ---------------------35 --------------“Pedia aos Senhores Deputados, aos grupos políticos que, como combinámos e está no nosso Regimento, as intervenções depois da intervenção do Senhor Presidente da Câmara fossem rápidas, concisas e apenas e só para pedir esclarecimentos, ou dar esclarecimentos.” -------------------A Senhora Deputada Isabel Sande e Castro (CDS-PP) observou o seguinte: --------------------“É que, de facto, na sequência das intervenções acerca da reunião havida dos representantes, só para fazer o seguinte esclarecimento: o CDS faz a divisão perfeita entre duas questões. A primeira é a análise que se faz do passado sobre a AITEC e sobre o facto de não ter dado resultado. E este modelo tem uma responsabilidade que está no anterior Executivo e na política do movimento que suportou o Executivo, e essa é uma avaliação política que deve ser feita. -------- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Mas, por outro lado, existe a apresentação de um projeto que é de futuro e de uma promessa de menor participação da Câmara Municipal, mas, e ao contrário da leitura que o PS agora também apresentou, nós temos alguma esperança que essa menor participação da Câmara Municipal também possa ter a outra face correspondente, que é a maior responsabilização da associação Oeiras Invest e ter também uma contrapartida da independência, porque se nós vamos ter, por exemplo, um Conselho Económico e Social a fazer a reflexão de uma estratégia a quinze ou vinte anos, como ainda agora o Presidente da Câmara disse, significa que nós vamos ter um órgão, que é mais independente da Câmara, a fazê-lo. Isso permite uma leitura de uma estratégia de desenvolvimento que não está dependente de uma visão partidária ou de uma tática meramente estratégica dos anos eleitorais, e não posso deixar de sobrevalorizar isso, porque não temos no País, não temos no Município, e é preciso na política em Portugal que haja esta noção de estratégia de longo prazo de desenvolvimento, que não esteja apenas dependente de interesses táticos. ----- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Se isto permitir que o Concelho de Oeiras tenha, juntamente até com o Conselho 36 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS Científico e Tecnológico que o Presidente também agora falava, se conseguíssemos coser conhecimento, competências, “know-how” e pensamento científico, nós podíamos ter, de facto, uma coisa boa e positiva no Concelho de Oeiras. ---------------------------------------------------------------------- E essa foi a minha esperança e não deixo de verificar que, da reunião que tivemos com os representantes, havia, Senhor Deputado Joaquim Cotas (CDU), um capital de esperança, e friso, deve-se a isto. ------------------------------------------------------------------------------------------------------- Se se conseguir constituir no Concelho de Oeiras isto, nós temos qualquer coisa nova, do ponto de vista da política. Senão, estamos, mais uma vez, a fazer “mais do mesmo” que se faz em todos os municípios, e até se faz ao nível nacional. Peço desculpa agora o aparte, mas só para dizer isto. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Agora, do ponto de vista político, o que foi a AITEC no passado é, de facto, também mais um desaire com responsáveis políticos. --------------------------------------------------------------------------- São duas coisas distintas e nós temos que fazer a leitura distinguindo as coisas. Se há agora uma nova esperança e se houver esse capital de esperança, nós estamos aqui para o apoiar.” --- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da C.M.O. respondeu o seguinte:----------------------------------------------- “A Oeiras Invest não é apenas o Conselho Económico e Social, e o Conselho Económico e Social não é apenas a Oeiras Invest. --------------------------------------------------------------------- O Conselho Económico e Social é, no fundo, uma entidade que está na dependência, do ponto de vista operacional, da Oeiras Invest, mas tem autonomia na sua ação, na sua ação de reflexão, de propostas, de elaboração de planos estratégicos, setoriais ou mais globais, com essa independência que aqui foi dito pela Senhora Deputada, com independência, porque não se resume a um ciclo político, ou a dois, ou a três e, portanto, o seu trabalho tem que ser de forma 37 abrangente que permita aos futuros executivos, sejam eles da força política que for, prosseguir esse caminho, com os devidos ajustamentos. ----------------------------------------------------------------------------Reparem: se eu quisesse que fosse uma máquina, ou que tivesse um objetivo de propaganda, ou um objetivo eleitoralista, esse Conselho Económico e Social, pelas pessoas que o compõem, estaria sob a minha dependência. Mas não está. Está na Oeiras Invest, onde a Câmara é uma associada, onde estão as empresas que têm interesse nesse pensamento estratégico, onde estão as instituições de investigação e os institutos que têm interesse nesse pensamento estratégico, ou nessa reflexão estratégica. --------------------------------------------------------------------------------Agora, a Oeiras Invest é mais do que isso, e tem que ser mais do que isso. --------------------------Portanto, a Oeiras Invest também pode, e deve, é essa a minha vontade também, congregar um Conselho Económico-Científico, porque, realmente, Oeiras é um Concelho de ciência, de tecnologia, com o Técnico, com a Escola Náutica, com a Motricidade Humana, com o IGC, com o ITQB, quer dizer, estamos a falar dos principais institutos deste País a fazerem ciência, portanto, faz sentido que todos esses institutos, todas essas entidades também possam criar sinergias entre si e estarem juntos num Conselho Científico-Tecnológico e também pensarem conjuntamente o futuro da ciência, dos apoios à ciência, dos programas de ciência, da transferência da ciência para o mercado, da aplicação da ciência, ou da divulgação da ciência junto das escolas, com os dias abertos, com uma série de atividades que hoje já se fazem e que se pode reforçar. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------Mas, para além disso, a Oeiras Invest tem que promover o Concelho, tem que o divulgar, tem que estar disponível para ouvir as empresas, para estar junto delas e criar proximidade, tem que ter a capacidade de ser um elemento charneira, ou um interlocutor privilegiado entre a vontade e as necessidades das empresas e aquilo que é o Poder Local no que diz respeito às mais diversas áreas de responsabilidade social, de licenciamento, de projetos que 38 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS tenham. --- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Portanto, relativamente ao passado, estou de acordo convosco; relativamente ao futuro, tenho esperança. Agora, assumir o erro? Como costumo dizer que só não erra quem não faz. O Partido Socialista, quando foi Governo, também cometeu muitos erros, graças a Deus, não é? É porque tentou fazer alguma coisa, porque quem não tenta fazer nada, com certeza que não erra.-------- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- E, portanto, quero-lhe dizer Senhor Deputado, que não tenho qualquer tipo de complexo em assumir os erros. E mais: se porventura este projeto não alcançar os objetivos que todos nós pretendemos, também não há problema nenhum, segue-se outro caminho. --------------------------- Aquilo que hoje é o espírito dos órgãos sociais, dos colaboradores e da própria Câmara relativamente à Oeiras Invest é genuíno e é de construir e de acrescentar. ------------------------------- Não há um objetivo de utilizar do ponto de vista da instrumentalização, não há um objetivo de apenas criar lugares para, até porque como já foi dito, o número de funcionários até diminuiu em vez de aumentar, os órgãos sociais, não sei, foi aqui dito que aumentaram, penso que são os mesmos, mas não são remunerados, ou seja, também não é por aí que estamos, eventualmente, a causar prejuízo ao erário público. ------------------------------------------------------------------- Portanto, acho que vale a pena correr o risco. ------------------------------------------------------------ Se me perguntarem: “acredita que vai funcionar?” Eu acredito. Acredito piamente. Mas se não funcionar, muito bem, muda-se a estratégia, altera-se, extingue-se, quer dizer, estamos cá para resolver. --------------------------------------------------------------------------------------------------- Se a primeira tentativa não resultou, se eventualmente a segunda também não resultou, espero que seja à terceira. Se não for à terceira, meu caro, como digo, é preferível errar e fazer do que nada fazer com o intuito de não errar.” ---------------------------------------------------39 ----------------- APRECIADA ----------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Presidente da A.M. disse o seguinte: ---------------------------------------------------------“Temos agora três propostas relativas ao SATU. Duas relativas a prestação de contas do ano passado e outra do primeiro trimestre deste ano. ---------------------------------------------------------------Como são cinco e vinte e como nós combinámos, faltam-nos seis pontos com este para terminarmos a nossa agenda. -----------------------------------------------------------------------------------------Pergunto aos grupos políticos se querem fazer um intervalo de dez minutos ou se vamos continuar.”------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) referiu o seguinte: ---------------------------------------“A questão não é tanto o intervalo de dez minutos, porque nós sabemos que nunca são dez minutos e, portanto, sugiro, dado este contexto especial em que nos encontramos, no mês de julho, que não haja intervalo e que as pessoas, obviamente, enfim, na medida das suas possibilidades e mantendo o quórum da Assembleia, vão lá fora. ----------------------------------------------------É o nosso entendimento.” ------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Presidente da A.M. observou o seguinte: ----------------------------------------------------“Vamos ver se há concordância de todos os grupos políticos. ------------------------------------------O PS concorda. O IOMAF também. A CDU também e os outros partidos. Então, estão abertas as inscrições para apreciarmos, discutirmos e analisarmos as três propostas relativas ao SATU.” -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) informou o seguinte: ------------------------------------“Senhor Presidente, é apenas para dizer que, por razões já conhecidas da Assembleia, me vou ausentar.” ----------------------------------------------------------------------------------------------5.4. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 323/2014 - GP - relativa ao Relatório e Contas de 2013 da SATU - Oeiras - Sistema Automático de Transporte Urbano de Oeiras (os 40 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS documentos relativos a esta Proposta ficam arquivados, como anexos, na pasta desta reunião) -- ------------------------------------------------------------------------------------------------------5.5. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 416/2014 - GP - relativa às Prestações de Contas: 1º. Trimestre de 2014, da “SATU Oeiras - Sistema Automático de Transporte Urbano de Oeiras E.M., S.A.” (os documentos relativos a esta Proposta ficam arquivados, como anexos, na pasta desta reunião) ----------------------------------------------------------------------------5.6. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 324/2014 - GP - relativa ao Relatório Trimestral de Execução Orçamental de 2013 - 4º. Trimestre da SATU - Oeiras - Sistema Automático de Transporte Urbano de Oeiras (os documentos relativos a esta Proposta ficam arquivados, como anexos, na pasta desta reunião) --------------------------------------------------------------------------------- A Senhora Deputada Alda Matos (PS) fez a seguinte intervenção: -------------------------------- “Vou tentar ser breve relativamente ao relatório e contas do SATU de dois mil e treze, tecendo também algumas considerações relativamente ao primeiro trimestre de dois mil e catorze, que já está disponível. -------------------------------------------------------------------------------------------- Portanto, relativamente a este assunto, cabe-me dizer o seguinte: em primeiro lugar, que o resultado líquido do SATU continua negativo em dois mil e treze, na ordem de dois vírgula três milhões de euros de prejuízo e, se tivermos em conta o primeiro trimestre de dois mil e catorze, os prejuízos são da mesma ordem - seiscentos e trinta e cinco mil euros anualizando para quatro trimestres, dará, mais ou menos, a mesma ordem de grandeza. --------------------------------------- Portanto, dois mil e treze e o primeiro trimestre dois mil e catorze têm continuidade. ------------- Se nós nos debruçarmos sobre o que é que estes números representam por dia, teremos uma noção de seis mil duzentos e vinte e dois euros e trinta cêntimos de prejuízo ao dia. ------------- É evidente que nós temos sempre ouvido dizer que é um serviço público, que dá 41 prejuízos e etc., mas, atendendo a que, de vez em quando, surgem umas iniciativas de tentar revitalizar o projeto SATU, há algumas considerações que têm que ser feitas com alguma acuidade, designadamente, a venda de bilhetes em dois mil e treze, que representou somente cento e vinte e oito mil e oitenta e nove euros. É uma verba absolutamente irrisória. Mesmo que se diga que o número de passageiros é de cento e setenta mil/ano, equivalente a cerca de quinhentas pessoas por dia, o que tenho alguma dificuldade em acreditar, porque quando olho para o SATU está sempre vazio, mas pronto, admitamos que estes números são certos, mesmo assim, o preço médio ronda setenta e cinco cêntimos por pessoa. ----------------------------------------------------No entanto, este dado não seria assim tão espantoso se nós não olharmos para algumas rubricas da despesa, mas, se o fizermos, constatamos que este tipo de transporte não serve. E em que é que eu me fundamento para fazer esta afirmação? Fundamento-me no seguinte: se considerar os custos de energia que são apontados no relatório - cento e cinquenta e seis mil quinhentos e trinta e oito euros e trinta e quatro cêntimos, e a manutenção do ano de dois mil e treze, que ascende a um milhão quarenta e quatro mil novecentos e cinquenta e um euros e oitenta cêntimos, verifica-se que cada passagem, cada viagem de cada passageiro, custa seis euros e treze cêntimos de manutenção - só a energia e a manutenção para uma deslocação de um vírgula dois quilómetros. ---------------------------------------------------------------------------------------------------Se nós imaginarmos o que é este tipo de transporte estendido a uma distância maior, tem-se a noção que, de facto, este transporte não serve. É demasiado caro o custo de energia e manutenção por passageiro. Isto é só porque, às vezes, há aquelas ideias de que o SATU é algo de muito inovador. Olhemos para a despesa: não é exequível alargar/estender um transporte que tem estes custos de manutenção tão elevados. ---------------------------------------------------------------------------Além disso, nós sabemos que normalmente os capitais próprios medem a saúde financeira de uma empresa. Atualmente, os capitais próprios da empresa SATU são de dois 42 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS vírgula quatro milhões de euros. Dito de outra forma, se não houvesse uma contribuição dos dois acionistas - Câmara Municipal de Oeiras e Teixeira Duarte, para financiar os prejuízos do SATU…” - ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da C.M.O. interveio com o microfone desligado, pelo que não foi possível transcrever a sua intervenção. ------------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da A.M. atalhou o seguinte: ----------------------------------------------------- “Senhor Presidente, não vamos entrar em diálogo agora. Já dou a palavra ao Senhor Presidente. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Senhora Deputada, faz favor:” ------------------------------------------------------------------------------ A Senhora Deputada Alda Matos (PS) prosseguiu a sua intervenção dizendo o seguinte: -- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- “Então, estabeleço este raciocínio de outro modo: atendendo a que a legislação aprovada, a Lei número cinquenta, de dois mil e doze, ou treze, agora não tenho aqui, neste momento, mas é a número cinquenta, isso tenho a certeza, das empresas municipais, diz que os prejuízos das empresas municipais têm que ser suportados pelos acionistas. -------------------------------------- Como vê, Senhor Presidente, também consigo dar a volta ao texto. Admitindo que a Câmara Municipal de Oeiras e a empresa Teixeira Duarte cumprem a lei, os dois acionistas terão que suportar os prejuízos da empresa. Pronto, como vê, dei a volta. ------------------------------------------------ A não ser que a Câmara não cumpra a lei e, então, entramos no âmbito do não cumprimento da lei, que não é uma coisa a que nós estejamos habituados no Concelho de Oeiras. O Concelho, a Câmara cumpre a lei. Acho eu que deve cumprir a lei. Se as instituições não cumprem, quem é que vai cumprir? Estamos aonde? Em que concelho é que estamos? ------------------------- Mas voltando ao raciocínio que eu estava a seguir, se os acionistas não cumprirem a 43 lei, dois vírgula quatro milhões de euros dão para a empresa viver um ano, porque são “comidos” pelos prejuízos de dois mil e catorze. -------------------------------------------------------------------------------------Portanto, como veem, só estou a explicar porque é que a empresa, de facto, está cada vez mais debilitada e mais incapacitada de continuar a sua atividade.-----------------------------------------------Como se não chegasse, ainda posso dizer mais, eu não, diz o relatório, só me limito a ir buscar ao relatório os números que lá estão, designadamente, os prejuízos acumulados desde o início da atividade do SATU: vinte e seis vírgula quatro milhões de euros. Não são “peanuts”, isto é muito dinheiro de prejuízo para um volume de pessoas tão singelo que é transportado. ------------------Depois, há aqui uma ratoeira notória, que é o seguinte: a Teixeira Duarte foi financiando o SATU com prestações acessórias, que são empréstimos que o acionista faz à empresa e pelas quais cobra juros. De uma vez que vi, acho que era à volta de sete por cento ao ano, mas isso teria que ir agora ver outra vez se mantém os sete por cento. ----------------------------------------De qualquer modo, estas prestações acessórias querem dizer que, quando a empresa for dissolvida, os acionistas devem pagar as dívidas da empresa e as prestações acessórias também. Portanto, destes dezanove vírgula sete milhões, a Câmara não se pode furtar a também ter que contribuir. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------Relembro que num relatório anterior da Câmara, chegámos à conclusão que o limiar de endividamento da Câmara Municipal de Oeiras, mercê da nova legislação, é de doze vírgula nove milhões. Ora, metade de dezanove vírgula sete são quase dez. Como veem, o cerco apertase à Câmara Municipal de Oeiras, mercê das suas responsabilidades nas empresas municipais. ----------------Portanto, destes dezanove vírgula sete milhões, quando houver dissolução, a Câmara não se pode eximir a pagar uma boa tranche: eu diria, pelo menos, dez milhões. ---------------------------------Depois, face a estes números que apresentei, que são, cada um deles, pior que o anterior, ponho a questão de saber o seguinte: quando é que se fecha a sociedade SATU, de 44 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS modo a acabar com o desperdício financeiro, de modo a reservar estes múltiplos recursos que são gastos na resolução dos problemas de transporte do Concelho, de que se fala, praticamente, em todas as sessões desta Assembleia Municipal? ------------------------------------------------------------------------- A questão dos transportes: é preciso ver que o SATU é um sorvedor de dinheiro. Além disso, atendendo à lógica que mostrei há pouco, dos custos de manutenção e de energia deste tipo de transportes, não é uma solução para os transportes em Oeiras.” ------------------------------------- O Senhor Deputado Joaquim Cotas (CDU) disse o seguinte: --------------------------------------- “Este SATU já me faz lembrar as pilhas Duracell que duram, e duram, e ainda dura. ------------- Na verdade, já contámos aqui a história do SATU, por várias vezes, e repetimos apenas uma parte: em dois mil e um, em maio, quando o SATU foi aprovado aqui, a única Força Política que votou contra foi a CDU e na altura, passou um mau bocado, porque lhe caíram todas as Forças Políticas em cima. Portanto, fizemos uma declaração de voto que há treze anos mantém-se em vigor. ------------------------------------------------------------------------------------------------------- Por isso, sobre estas três propostas não vamos perder muito tempo, porque isto é chover no molhado. Já dissemos isto tantas vezes, que era repetir o que já dissemos acerca das propostas. - ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Agora, a única novidade que há e é essa que vamos referir, essa vale a pena referir, é que o Senhor Deputado Valdemar Almeida (PSD) fez um requerimento verbal há dias, em que dizia o seguinte: “solicito à Câmara para ser distribuído por todos os Deputados municipais o Contrato Parassocial efetuado entre a Câmara e a Teixeira Duarte, para acabar, de uma vez por todas, com a discussão dos prejuízos”. E a Câmara respondeu, respondeu e rápido, ao Senhor Deputado num requerimento que tem duzentas e oitenta e oito páginas. É obra, mas está cá tudo e é curioso que os Deputados do PSD, dois, ultimamente fizeram dois requerimentos que vieram 45 reforçar a CDU que tem vindo a combater e a discutir há muitos anos, que são as alcavalas do SMAS, que foi o Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) que fez esse requerimento, e, agora, o Senhor Deputado Valdemar Almeida (PSD) faz o requerimento que vem dar duzentas e oitenta e oito páginas de razão à CDU. ----------------------------------------------------------------------------------------------Isto é extraordinário, tudo o que a CDU tem aqui dito ao longo destes treze anos e contestado aquele projeto, votámos contra o SATU, fizemos uma declaração de voto que ainda hoje está atualizada. Está aqui tudo, duzentas e oito páginas de razão à CDU.-------------------------------------Tudo isto que está aqui é avalizar tudo o que a CDU tem dito ao longo destes anos todos e dirão: “mas, a CDU vai à bruxa ou convida o Zandinga para adivinhar estas coisas?”. Não faz nada disso, faz apenas análises políticas e as análises políticas conduzem a isto. -----------------------De maneira, que o resultado do SATU ainda dura e pergunto até quando, porque, como disse a Senhora Deputada Alda Matos (PS), aquilo é perder dinheiro, é chover no molhado. Aquilo não resolve e gasta muito dinheiro, mas isto vem a CDU a dizer há treze anos e quem há treze anos votou, favoravelmente, é claro que se costuma dizer que “só não muda quem não tem miolo”. Pronto, admito isso, porque o Senhor Presidente disse há bocadinho: “só não erra quem não faz nada” e nós trabalhamos, logo estamos sujeitos a isso. ------------------------------------------Mas, na verdade, aquele projeto do SATU já é tempo e estou convencido que o atual Executivo da Câmara vai tomar medidas sobre isto, porque conheço as pessoas todas que estão na Câmara e não vejo lá nenhum masoquista. Como não há lá nenhuns masoquistas, certamente, que vão resolver isto. --------------------------------------------------------------------------------------------------------Por que é que aquilo leva tempo? Pois leva, são muitos milhões. A Senhora Deputada anterior falou em dezanove milhões, mas já ultrapassou os trinta milhões de euros de prejuízo e quando vier o dia do juízo alguém tem que pagar e a Câmara tem cinquenta e um por cento do capital daquela empresa. Será que a Teixeira Duarte vai fazer de Pai Natal ou de Santa 46 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS Casa da Misericórdia? Não vai, com certeza. Vai exigir e vai pagar a parte que lhe compete, o resto vai pagar o Município ou vamos pagar todos nós.” ------------------------------------------------------------- O Senhor Deputado Valdemar Almeida (PSD) fez a seguinte intervenção: ---------------------- “Não vou falar aqui da Senhora Deputada do PS que falou de toda a parte da análise financeira do SATU. -------------------------------------------------------------------------------------------------------- Sabemos que o SATU, como está, não é viável, mas também sabemos que o SATU chegar ao Cacém, à estação do Cacém, e, agora, com o novo braço a São Marcos, passa a ser viável, vai ser viável de futuro. ------------------------------------------------------------------------------------------- Também vos posso informar, os Senhores Deputados de certeza que sabem, que a União Europeia aprovou as infraestruturas ferroviárias para Portugal, onde o SATU se inclui, por isso, acho que estamos num bom caminho. Quando a União Europeia aprovou os investimentos de infraestruturas ferroviárias para Portugal… Não, o SATU está incluído em infraestruturas ferroviárias, por isso, creio que estamos num bom caminho.” ------------------------------------------------------- Houve uma intervenção com o microfone desligado, o que tornou inaudível a mesma. --- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Deputado Valdemar Almeida (PSD) prosseguiu, dizendo o seguinte: ---------------- “Não sabemos, vamos ver. ---------------------------------------------------------------------------------- Concluindo, creio que se o SATU tiver os investimentos dos Fundos, creio que está num bom caminho e chegando à conclusão para o tal que se propôs, tem viabilidade. Óbvio que como está, ninguém é cego e o próprio Presidente já o assumiu, não é viável e não tem qualquer tipo de viabilidade financeira, nem de futuro. -------------------------------------------------------------------------- Mas, creio que com esta nova notícia da Comunidade Europeia, acho que o SATU vai ter viabilidade e vai chegar a bom porto. Creio que estamos num bom caminho.” --------------47 --------------O Senhor Deputado Feliciano Bernardo (BE) observou o seguinte: -------------------------------“Esta história do SATU é como o Senhor Deputado Joaquim Cotas (CDU) diz, não sei se isto é uma telenovela, mas parece a “Guerra e Paz” de Tolstói. -----------------------------------------------Em dois mil e sete, na altura em que cá estive, já a questão se punha, já tinha havido uma inspeção de finanças ao SATU e já se tinha visto que o SATU era inviável. ---------------------------------Agora, há uma coisa que se tem que cumprir, que é o número um do artigo quarenta da Lei Cinquenta de dois mil e doze, que tem a ver com o equilíbrio das contas e o que se passa é que, efetivamente, apenas o privado tem contribuído para o equilíbrio das contas e o Município ainda não tem cumprido esta Lei. -----------------------------------------------------------------------------------------O Município arrisca-se a ficar fora da Lei, efetivamente, pois o relatório de dois mil e treze é parecido com o de dois mil e doze e outros tais. Quer dizer, isto é muito simples: estamos a enterrar no pântano cerca de três metros por ano, o ano passado enterrámos dois metros e noventa e este ano parece que as pessoas ficaram muito contentes só de nos termos enterrado dois metros e vinte. É evidente que estes anos já passaram, dificilmente ou é impossível voltar à tona e ano após ano temos esta situação. ---------------------------------------------------------------------------------Agora, parece-me sensato, para todos, que a única solução é fazer como o urso, hibernar durante um período de tempo e chegar ao fim do ano, portanto, a partir de trinta de setembro parar com a circulação do SATU, o SATU ter uma manutenção mínima e até ao fim do ano e resolver a situação. ---------------------------------------------------------------------------------------------------Não acho que continuar com esta situação seja, minimamente, suportável pelo Município e pelos munícipes.”---------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Salvador Costeira (IOMAF) referiu o seguinte: ------------------------------“Meus amigos, estamos aqui, novamente, a discutir um assunto que é uma espécie de “pescadinha de rabo na boca”. -------------------------------------------------------------------------------48 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- O nosso amigo, o Senhor Deputado Joaquim Cotas (CDU), disse, e muito bem, que a CDU sempre se colocou contra este projeto, mas dentro do Regime Democrático em que vivemos, as votações determinaram que este projeto fosse aprovado e seguisse em frente, portanto, ficámos todos vinculados a eles, quer aqueles que na altura eram Deputados, como aqueles que hoje são e não eram. Portanto, estamos vinculados ao projeto. --------------------------------------- Depois, a separação das águas. O que estamos hoje aqui a fazer é, pura e simplesmente, apreciar os relatórios que a empresa nos apresenta, não é mais do que isso. São tecidas várias considerações, como sempre acontece, relativamente a este ponto em que se coloca o problema de “vamos implodir o SATU”, “vamos acabar com o SATU”, “vamos continuar com o SATU”. Meus amigos, tudo isso é válido e as considerações que aqui foram colocadas, todas elas têm a sua razão de ser, só que isso é uma outra discussão. ------------------------------------------------------ Se tem que haver um processo de discussão alargada, envolvendo a empresa para analisar se o projeto vai por diante ou não, se ficamos por aqui ou não, tem que ser de outra forma, com regras completamente diferentes daquelas que são apenas apreciar os relatórios e as contas da empresa. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- Portanto, se alguém quer dar o passo em frente através dos mecanismos que existem, de se abrir uma discussão alargada que envolva toda esta questão, no sentido de sabermos se ficamos aqui ou não, é preciso realmente tomar essa iniciativa. ----------------------------------------------------- O relatório diz aqui que não foi possível desenvolver, em dois mil e treze, o início da segunda fase do SATU, mas que se espera que em dois mil e catorze isso possa ocorrer. Não sei se temos elementos ou não para chegar a essa conclusão, mas qualquer que ela seja, continuo a dizer que estamos em fase de uma discussão política: uns dizem que o SATU não é rentável, não devia ter sido implementado, o processo não resolve o problema de transportes. Tudo bem, mas 49 essa discussão tem que ser feita com técnicos, com pessoas perfeitamente habilitadas, tem que ser analisada com toda a profundidade e não pode ser num ponto da Ordem de Trabalhos que é apenas, e só, apreciar os relatórios.----------------------------------------------------------------------------------------Continuo a fazer o desafio: se alguém quer dar o passo em frente, que veja como é que se pode dar, como é que essa discussão pode ser feita, como é que de uma forma alargada, participada e democrática podemos avançar, mas não pode ser nunca através da apreciação dos relatórios.” -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A Senhora Deputada Alda Matos (PS) expressou o seguinte: ---------------------------------------“Só queria dizer uma coisa ao meu colega Deputado, que é o seguinte: limitei-me a tecer considerações sobre os números que estão inscritos no relatório, não acrescentei, rigorosamente, mais nada. --------------------------------------------------------------------------------------------------Quer dizer, analisar um relatório é ver qual é o proveito, qual é o custo e quando olho zero vírgula setenta e cinco cêntimos e comparo com seis euros e trinta cêntimos de custos de manutenção, já não ponho todos os outros custos. Posso fazer um juízo de valor, que é: não há possibilidade de aguentar ano após ano, um projeto com este desequilíbrio entre custos e proveitos. -- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Foi só isso, não houve aqui uma questão política. É uma questão de números e isso cabe, perfeitamente, na análise do relatório.” ----------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) disse o seguinte: -------------------------------------------“Em relação à intervenção do Senhor Deputado Salvador Costeira (IOMAF), que nos antecedeu, dizer o seguinte: ------------------------------------------------------------------------------------------------Nós, aí, não vivemos numa democracia tecnocrata e julgo que ainda não vivemos numa democracia tecnocrata. Vivemos numa democracia de representantes do povo e devemos ouvir sim, os tecnocratas, os especialistas na área de transportes, os especialistas na área da 50 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS contabilidade, mas devemos ouvir, sobretudo, aquilo que é a população e o que a população nos diz, pois são esses que estamos aqui a representar. -------------------------------------------------------------------- E a verdade é que não só os analistas na área dos transportes, como também os analistas na área da contabilidade, os economistas, e acima de tudo, a população, nos diz que este projeto é um projeto falhado, que nasceu de uma boa intenção, mas que, neste momento, é um projeto falhado e não podemos, no momento em que discutimos a realidade da empresa, deixar de o referir, porque isto significa um prejuízo grave para o Município de Oeiras, um problema que continua a arrastar-se e ao qual esta Câmara Municipal não está a saber dar resposta e não vamos deixar de o dizer aqui. --------------------------------------------------------------------------------------------- Também estranhamos muito que o PSD venha aqui aparecer como o grande arauto deste projeto, quando todos sabemos, e até assumido já aqui várias vezes este ano pelo Senhor Presidente da Câmara, que o grande obstáculo a que este projeto possa avançar, como os seus defensores aqui vão sustentando, é exatamente o governo do PSD e do CDS, onde podia ter dado o seu apoio no plano estratégico dos transportes, que já foi apresentado, discutido em período de discussão pública e aprovado em Conselho de Ministros, não incluiu lá o SATU. ------------------------------- O Senhor Presidente da Câmara, já nos disse, claramente, que se depois dessa recusa por parte do Senhor Secretário de Estado dos Transportes houver uma nova recusa por parte de outras áreas governamentais em relação ao financiamento comunitário que o destino está traçado, é o fecho. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- E, portanto, o que se esperava de uma Força Política que tem, neste momento, responsabilidades políticas no Governo era que viesse dizer o que pensa sobre a atuação do seu Governo que, neste momento, é o obstáculo para aquilo que é um projeto que ainda defendem. -------------- Pelos vistos, parece que o Partido Socialista está melhor informado em relação àquilo 51 que o Governo PSD faz do que aquilo que os Deputados do PSD aqui dizem por negligência ou por conveniência. O que interessa é que possamos, rapidamente, resolver esta questão, abrindo o debate com certeza a técnicos, mas sabendo sempre que o que está aqui em causa é defender o interesse da população e ouvir o que a população nos transmite, que é que aquele serviço de transporte não serve, que é urgente outro serviço de transportes que seja exequível e que garanta a missão que alguns ainda querem atribuir ao SATU, mas que o SATU não consegue corresponder.” ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado António Delicado (PSD) fez a seguinte intervenção: -------------------------“Esta é a primeira vez que me dirijo a esta Assembleia, portanto, quero, em primeiro lugar, saudar todos os presentes, em especial o Senhor Presidente da Assembleia e os elementos da Vereação aqui presentes e dar nota que pretenderei, obviamente, contribuir dentro das minhas possibilidades e faculdades para melhor condução dos trabalhos e para a maior qualificação desta Assembleia tão digna. -------------------------------------------------------------------------------------------------------Enfim, uma palavra para os nossos colegas do Partido Socialista que aqui nos mencionaram a propósito da gestão do Governo do País. Relativamente a essa matéria, não vamos estar aqui a demorar esta Assembleia por causa disso, mas talvez convenha recordar por que razão é que nos encontramos na situação em que estamos, por que é que veio uma Troika, por que é que tivemos que fazer a gestão que estamos a fazer e, portanto, talvez fosse bom lembrar de que forma é que se foram arranjando todos esses cofres por preencher, despesas por pagar, contas escondidas dentro de armários, enfim, por aí fora. Todo um rol de questões que se… Foi o Senhor Deputado que se referiu a essa matéria, portanto, aproveitei a questão para lhe dar essa nota. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------Relativamente à questão que nos traz aqui e quanto a esse ponto é que me queria pronunciar, efetivamente. Esta matéria é obviamente uma grande preocupação para o PSD, 52 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS porque estamos aqui perante uma situação exemplar de uma problemática que carece, naturalmente, de uma adequada avaliação que vem sendo feita nesta Assembleia, na Câmara Municipal e vem demonstrando a necessidade de uma resolução urgente da mesma, nomeadamente pelo grande desequilíbrio, patente desequilíbrio que existe entre aquilo que são os custos e aquilo que são os benefícios existentes.-------------------------------------------------------------------- E, portanto, sobre este prisma gostaria de dar a nota, Senhor Deputado, Senhor Presidente, de que relativamente aqui às questões que se centram em matéria de SATU, talvez não fosse disparatado sugerir-se que se fizesse uma avaliação de custo/benefício mais ampla do que aquela que se vem fazendo, porque para além dos custos e benefícios que podemos aqui identificar nestes relatórios, podemos também ver outros importantes, como por exemplo, os custos ambientais e sociais que têm trazido este projeto para os moradores da zona, que obviamente podem ser comportados e podem ser mitigados caso haja efetivos benefícios palpáveis para as populações e caso o projeto surta os seus efeitos. ------------------------------------------------ E, portanto, se cumpre totalmente aquilo que o meu parceiro do PSD há pouco referenciou e as preocupações que aí foram expressas. --------------------------------------------------------------- E uma preocupação que aqui fica expressa e que se aplica tanto à Administração Local, como Central ou Regional, é a questão da sustentabilidade das políticas públicas. É esse o ponto que aqui está presente e que está por trás, também, desta nossa discussão. Isto também para dar nota e responder um pouco àquilo que o nosso colega, o Senhor Deputado Salvador Costeira (IOMAF), há pouco referenciava e também secundando aquilo que o Partido Socialista nesse aspeto referenciava. Nós não estamos aqui a trabalhar como tecnocratas, estamos numa discussão política e se temos relatórios e contas para aprovação ou para visionamento ou para conhecimento não nos vamos cingir à discussão sobre termos mais uma vírgula ou menos uma 53 vírgula, ou um parágrafo a mais ou um parágrafo a menos. -----------------------------------------------------------Portanto, queremos aqui discutir, politicamente, aquilo que interessa ao Concelho de Oeiras e é nessa medida que nos parece que se exige uma tomada de decisão pela Câmara e a adoção de medidas urgentes, naturalmente que já são urgentes há vários anos, nesta matéria.” -----------------O Senhor Deputado Pedro Sá (PS) observou o seguinte: ---------------------------------------------“O Partido Socialista toma a palavra para defesa da honra da bancada e de si próprio, do Partido Socialista, porque considera inaceitáveis as insinuações que foram feitas relativamente a contas escondidas e armários. São insinuações feitas em geral ao nosso Partido e ao anterior Governo do nosso Partido, não aceitamos. Se o Senhor Deputado tem conhecimento de algum facto, deve denunciá-lo nos locais próprios, não fazer insinuações gratuitas e não fundamentadas que repudiamos e que não aceitamos de qualquer forma. ------------------------------------------Já sabemos que o PSD usa o pretexto, usa a cassete da Troika e do Governo anterior sem qualquer tipo de fundamentação como pretexto para o programa ideológico, ultraconservador que está a pôr em prática à frente do País conjuntamente com o CDS. -------------------------Já agora, também para concluir e vem a propósito para além do repúdio que fazemos, não posso deixar de assinalar o que ficou nas entrelinhas do Senhor Deputado. É que partindo do que disse relativamente ao SATU e às despesas, ficou claramente, só não percebeu quem não quis, que o PSD num outro cenário das finanças públicas poria em prática, como aliás percebe-se perfeitamente pela gestão da dívida pública que tem sido feita, uma gestão despesista dos dinheiros públicos, pois está a dizer que se houvesse dinheiro já haveria para isto e para aquilo, pondo em causa uma rigorosa gestão dos dinheiros públicos que é isso que se pretende. ------------------------Agora, vamos ser muito claros. A prática da política do PSD no Governo, sabemos qual é, é de um despesismo, pelo menos, em certa medida, como se vê pela ascensão galopante da dívida pública durante estes três anos.” -----------------------------------------------------------------54 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- O Senhor Deputado António Delicado (PSD) esclareceu o seguinte: ------------------------------ “Mais uma vez, apenas para dar nota de que aquilo que referenciei foram somente factos conhecidos. Por exemplo, a propósito de faturas escondidas, veja, por favor, as audições parlamentares que decorreram a propósito daquilo que se passou na área do desporto. -------------------------- Enfim, tem audições parlamentares, são públicas, pode consultá-las naturalmente no Canal Parlamento. Fica a recomendação e a nota. --------------------------------------------------------------------- Relativamente a afirmações e imputações que nos foram feitas sobre o que faríamos ou o que não faríamos, fica à consideração do Senhor Deputado entender o que quiser.” ----------------------- O Senhor Deputado Salvador Costeira (IOMAF) fez a seguinte intervenção: ------------------- “Queria dizer à Senhora Deputada Alda Matos (PS) que nem sequer ponho em causa a análise que ela fez sobre as contas. Sabemos e também estamos preocupados com isso, que na situação atual, conforme se apresenta hoje, o SATU é um projeto falhado, não temos a mínima dúvida. A questão que está aqui, em cima da mesa, é outra. --------------------------------------------------------- De facto, o Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) colocou uma questão. Sou a favor de pareceres técnicos, bem formados, bem organizados e esclarecidos, mas não estou a dizer que os técnicos devem decidir o assunto, apenas devem formular as suas informações para que nós, na qualidade de poder político, possamos tomar decisões assentes em fundamentos mais sólidos. Foi apenas isso e só que eu disse. ----------------------------------------------------------------------------------------- A questão que temos aqui é aquela que já disse: o problema põe-se se o SATU indo até Sintra é viável ou não. Primeira questão. ---------------------------------------------------------------------------- O problema põe-se se o SATU, em relação à segunda fase, fica ou não fica em melhores condições económicas e financeiras de exploração para poder avançar. É uma outra questão. --- ------------------------------------------------------------------------------------------------------55 --------------Terceira questão. Há apoios financeiros, quer da Comunidade Europeia, do QREN ou de qualquer outro projeto, para que isto possa avançar ou não? É evidente que se a resposta for negativa, temos que enfrentar a situação com muita ponderação, com uma frieza que se impõe num caso destes e se o problema for encerrar, então, que se encerre. Não estou a dizer que não se deve encerrar, estou a dizer que isto deve ser analisado com outra situação e com mais documentação que hoje não temos. ---------------------------------------------------------------------------------------Quando tivermos a certeza que não há qualquer apoio para a continuação do projeto, é evidente que temos que tomar essa decisão.”--------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Dinis Antunes (J.F. Porto Salvo) expôs o seguinte:--------------------------“Queria aqui apenas deixar uma mensagem e fazer um pedido ao mesmo tempo. ------------------Estamos na Assembleia Municipal de Oeiras e é aqui que devem ser resolvidos e falados todos os problemas do Concelho de Oeiras. Tudo o restante, há sedes próprias e locais próprios para serem resolvidos, que, neste caso, é a Assembleia da República e nós estamos na Assembleia Municipal de Oeiras. -----------------------------------------------------------------------------------------Era isto que gostava de deixar ficar bem claro, porque o tempo urge, há muitos assuntos para resolver e “fazer flores” fazem-se noutro lado. Aqui, trabalha-se para o Concelho de Oeiras, na Assembleia Municipal de Oeiras.” -----------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Joaquim Cotas (CDU) mencionou o seguinte: --------------------------------“Era para acrescentar o seguinte e isto na sequência do que foi afirmado pelo Senhor Deputado Salvador Costeira (IOMAF). Afirmou que o que estava aqui em causa eram apenas as contas do SATU, os documentos que estão aqui. -----------------------------------------------------------------------Ora, não é nada disso. Esta Assembleia é um órgão eleito pelo povo de Oeiras e é para discutir aqui, tratar e resolver os problemas. O que está aqui em causa, hoje e sempre, é o problema das acessibilidades, da mobilidade e dos transportes do nosso Município e, 56 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS obviamente, que sempre que se fala do SATU é uma componente, uma partícula desta temática. ------------- Portanto, é claro que sei que não era esse o pensamento do Senhor Deputado Salvador Costeira (IOMAF), mas antigamente é que limitavam: “olha, não fales em política, porque isso é para os políticos. A nossa política é o trabalho”. Pois, eu vivi isso, mas já não me quero lembrar mais, porque estamos num tempo em que tudo é possível discutir dentro do nosso Regimento, dentro das Leis e dentro dos nossos princípios, portanto, não venham dizer que é só as contas. Não são só as contas, é um projeto que está a engolir dinheiro, está a levar dinheiro e não resolve, e a nossa luta, desde há treze anos, é para resolver aquilo, é para resolvermos o problema da mobilidade, é para resolvermos os problemas das acessibilidades. Já referimos aqui três projetos estruturantes de mobilidade do nosso Município que está no PDM em vigor, de há vinte anos. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Quer dizer, não andamos aqui propriamente a ver passar os comboios. Fomos eleitos pelo povo e enquanto cá estivermos é para trabalharmos em prol do povo e da melhoria da qualidade das pessoas e não é procurar limitar a discussão. ---------------------------------------------------------- Portanto, era isto que queria dizer. Sei que o Senhor Deputado Salvador Costeira (IOMAF) não queria atingir isto, mas o que está aqui em causa não são as contas, é o projeto que leva às contas.” -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- A Senhora Deputada Alda Matos (PS) interveio, dizendo o seguinte: ----------------------------- “Há só uma questão que embora não seja de análise hoje, queria aqui só relembrar e vou ser muito rápida. ------------------------------------------------------------------------------------------------------- Quando se fala de estudos para um horizonte mais longo, lembro que já foi visto aqui, nesta Assembleia, que naquele estudo previsional relativamente ao SATU até dois mil e vinte e quatro, mesmo nessa previsão, o SATU daria sempre prejuízo até esse ano, dois milhões 57 por ano e mesmo que haja financiamento… Agora não vou estar para aqui a chamar um estudo que não é para ser analisado hoje, relembro que o problema de financiamento do SATU colocase curtinho, com um quilómetro vírgula dois ou com o projeto final, e se tiverem dúvidas é só recapitular esse orçamento que já veio a esta Assembleia e que aponta exatamente para prejuízos até dois mil e vinte e quatro, mesmo com toda a previsão de alargamento de utentes do tal percurso que iria até Sintra. ------------------------------------------------------------------------------------------------Portanto, a génese do projeto é, em si, sempre idêntica, prejuízos até ao fim. Não é um projeto que seja muito suportável financeiramente, sobretudo, em tempos de crise.” ------------------------O Senhor Deputado Aníbal Guerreiro (CDU) referiu o seguinte: ----------------------------------“Já várias vezes tenho ouvido aqui falar no SATU e tiro a conclusão que o SATU, de facto, começou no sentido errado. -----------------------------------------------------------------------------------------Cada vez que se discute aqui o SATU falamos sempre que vai até ao Cacém, dá a entender que o milagre do SATU está no Cacém. Quer dizer, ainda continuamos a acreditar no Pai Natal, porque, na volta, sou daqueles que mora a cento e cinquenta metros do SATU e digo que este não serve, de facto, a população do Concelho de Oeiras. Nunca serviu e nem serve! Ainda podia haver um milagre, servir as pessoas que frequentam o Oeiras Parque, mas nem isso. --------------E continuamos à espera, como já ouvi várias vezes, que iria ser feito um estudo e estamos à espera dos estudos e continua o SATU a dar prejuízo. Também, como já ouvi o ex. Presidente da Câmara, Isaltino Morais, dizer que por vontade dele já tinha parado, então, por que é que não se pára?” ----------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Carlos Coutinho (CDU) observou o seguinte: --------------------------------“Nós não devemos ter medo do erro, porque estamos sempre disponíveis para emendá-lo e esta situação deve ser aplicada também à Câmara e à Assembleia, já que outros colegas de outras bancadas vieram reconhecer que embora tenham votado a favor, reconhecem 58 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS que hoje o projeto já faliu e é fácil de demonstrar, económica e financeiramente, que esta questão de levar o SATU até ao Cacém não passa de uma panaceia, de uma desculpa para não englobar um prejuízo de dezanove milhões na dívida da Câmara diretamente. Portanto, trata-se de empurrar com a barriga e criar umas contas da C.M.O. sem esses dezanove milhões pendurados na Câmara Municipal de Oeiras. ------------------------------------------------------------------------------------------ A questão que aqui coloco é a seguinte: não queremos dizer mais vezes que isto é um erro e que já devia ter sido implodido. Já disse isto diversas vezes com o outro Presidente de Câmara e ele concordava com isto. Não vale a pena, pronto, errámos. Na altura, tivemos uma posição que nos parecia consistente por aquilo que já aqui foi dito, porque falar em transportes não se deve falar à escala do Município, mas sim numa escala de articulação, pelo menos, a nível do Distrito. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Vivíamos num tempo de euforia que dava para criar projetos que podiam ser pioneiros. Dentro daquela perspetiva somos os primeiros a fazer qualquer coisa e aí a Câmara Municipal de Oeiras fez mal. ---------------------------------------------------------------------------------------------- Agora, compete-nos a nós, enquanto Deputados Municipais, dizer à Câmara e à atual presidência de que estamos de acordo quando, no dia e na hora, a Câmara tomar a posição política de mandar encerrar o SATU. Temos que absorver esse prejuízo, porque esse prejuízo vai ser sempre contemplado e absorvido por todos nós. Agora, quanto mais cedo, na nossa opinião, melhor, porque quanto mais tarde, mais o prejuízo se avoluma. ----------------------------------------------------- Agora, não vale a pena atirar pedras e já toda a gente percebeu o que está aqui em causa e no nosso ponto de vista não é dizendo que se isto for até ao Cacém se resolve, porque não se resolve, vai-se é cavar mais o buraco e isso pode-se fazer uma avaliação técnica sobre essa matéria, mas isso é cavar mais o buraco.” ------------------------------------------------------------59 --------------O Senhor Deputado Feliciano Bernardo (BE) interveio, dizendo o seguinte: ---------------------“Depois de algumas considerações, parece que a questão é extremamente simples e em relação ao Bloco de Esquerda já a tem posto desta forma muito simples. --------------------------------------Esta Assembleia tem de assumir as suas responsabilidades. Agora, a Câmara tem que pensar desta forma: vamos continuar com a sangria dos dinheiros públicos por mais um ano, por mais meio ano, seja o que for? Acho que não estará correto. Mesmo que consigamos parar o SATU, reduzir a manutenção ao mínimo, já iríamos ganhar algum dinheiro e até ao fim do ano isto seria uma proposta do Bloco - resolver a situação de uma forma muito clara, porque todos sabemos que a Câmara terá de pagar a consolidação orçamental de acordo como está na Lei Cinquenta.- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Portanto, a Câmara quer continuar a sangrar o erário público ou não quer? E quer reduzir estes custos? Esta é que é a questão fundamental, o resto se é um transporte de massas, se serve para alguma coisa, essa discussão podemos tê-la aqui, podemos discuti-la com técnicos e já falamos várias vezes nisso. -------------------------------------------------------------------------------------------------Neste momento é: continua a sangrar o erário público ou não?” ---------------------------------------O Senhor Deputado Salvador Costeira (IOMAF) esclareceu o seguinte: -------------------------“Só para clarificar uma coisa muito rapidamente. --------------------------------------------------------Eu não disse que se devem expender opiniões sobre esta matéria, não disse que não se deve tecer considerações sobre esta matéria. Podemos dizer tudo aquilo que entendermos correto sobre esta matéria e ninguém tapa a boca a ninguém. --------------------------------------------------------O que disse foi que nestes pontos da Ordem de Trabalhos, sejam quais forem as nossas considerações, não passamos da apreciação destes relatórios.” ----------------------------------------------O Senhor Deputado Arlindo Barradas (IOMAF) observou o seguinte: ---------------------------“Esta questão do SATU já está a dar dores de cabeça a mais. ----------------------------60 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- Já várias vezes intervim aqui para denunciar esta situação que é insustentável. De vez em quando, passo por lá e vejo o SATU a ir para cima e para baixo sem ninguém. Que utilidade é que tem? Reprovei isto desde a sua inauguração. -------------------------------------------------------------------- Na altura, a Doutora Teresa Zambujo era Presidente e, por acaso, estava lá o anterior Presidente da Câmara, que foi o iniciador deste projeto, e disse-lhe: “olhe, isto não vai resultar bem, porque é uma despesa que a Câmara vai assumir conjuntamente com outros parceiros, mas que vai resultar num prejuízo imenso”. ---------------------------------------------------------------------------------- Tenho passado e tenho visto o SATU a ir para cima e para baixo, mas sempre sem ninguém. Acho que é uma situação insustentável e a Câmara tem que pensar duas vezes se deve continuar com o SATU ou se o manda parar, porque assim esta questão nunca mais acaba. Morremos todos e o SATU continua a funcionar.” -------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da C.M.O. prestou os seguintes esclarecimentos: ---------------------------- “Sobre o SATU é uma discussão já recorrente, portanto, não vale a pena gastarmos mais tempo desta Assembleia. -------------------------------------------------------------------------------------------- Só queria dizer que não tenho qualquer tipo de problema em que o SATU pare, já o disse aqui várias vezes, já o transmiti ao parceiro. Agora, a decisão não é uma decisão unilateral e, portanto, o parceiro sabe que para nós a vontade, exista ou não exista financiamento, eu pessoalmente continuo a acreditar se houver financiamento é fundo perdido. O projeto terá valor, principalmente de forma indireta, porque também já disse que há vários sistemas de transporte, por exemplo, o metro a sul do Tejo e outros sistemas de transporte que financeiramente não são viáveis, mas não quer dizer que não continuem a prestar um serviço. ---------------------------------------------- E hoje, Oeiras, para conseguir manter os níveis de competitividade nos seus parques empresariais, prestar um serviço às pessoas e aos estudantes que diariamente se têm que deslocar 61 para esses parques empresariais, para as aulas, para o seu local de trabalho, portanto, para prestar esse serviço, Oeiras tem que encontrar uma solução e acredito que uma solução que possa fazer a ligação das duas linhas ferroviárias pesadas, linha de Cascais com a linha de Sintra, perpendicularmente, é um meio de transporte que vai resolver e que vai ajudar a resolver um problema que hoje temos de mobilidade. --------------------------------------------------------------------------------Agora, é claro que se não tivermos condições para investir nas fases que estão previstas, quer dizer, também concordo que o SATU terá que encerrar e terá que se encontrar uma solução para o SATU, não será uma solução fácil. E, portanto, enquanto isso não acontece nós também já transmitimos a nossa posição, quer a minha posição atualmente como Presidente de Câmara, quer no passado a posição do Doutor Isaltino enquanto Presidente de Câmara foi tal como está o SATU, não acrescenta valor nem do ponto de vista financeiro, nem do ponto de vista da mobilidade. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------Agora, é uma decisão que tem que ser tomada entre os dois parceiros e não é uma decisão que apenas esteja na mão da Câmara tomá-la. Portanto, acho que todos estamos cientes que pese embora a legislação, pese embora a obrigatoriedade do cumprimento da Lei, pese embora os novos diplomas, pese embora tudo isso, a verdade é que a Câmara não tem transferido um euro do erário público para o sistema do SATU. Tem sido o parceiro privado, através de prestações acessórias ou prestações suplementares, que tem feito a injeção de capital necessário para manter a operacionalidade daquele troço. --------------------------------------------------------------------------E quando se diz “a Câmara terá que pagar”, “a Câmara vai pagar” é sempre no condicional e não sei o que a Câmara terá que fazer, sei aquilo que a Câmara não tem feito, que é do seu orçamento transferido, verba para o SATU, e sei que a posição da Câmara já foi transmitida ao parceiro. Ou seja, para a Câmara o SATU podia parar, porque o troço que atualmente está em funcionamento não acrescenta valor, seja ele de mobilidade ou de 62 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS competitividade, seja ele até financeiro, não acrescenta valor. ------------------------------------------------------- E, portanto, aquilo que posso deixar aqui é a nossa vontade, de forma pragmática, sem qualquer tipo de vontade de manter uma posição apenas porque sim, mas também deverão compreender que se, porventura, a decisão de avançar com o SATU foi um erro, acho que devemos ponderar e devemos, também, ter a noção de como é que se vai resolver o problema do SATU, pois dizer: “pare-se o SATU!” e o problema está resolvido, não está.------------------------------------- Infelizmente, não está e também a Câmara, como devem compreender, não cabe apenas à Câmara a decisão de fazer isto ou de fazer aquilo e, por isso, tenho feito um esforço no sentido de articular um caminho para o SATU com aquele que é o parceiro atualmente.” ---------------------- O Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) mencionou o seguinte: ---------------------------------- “Senhor Presidente, uma interpelação à Mesa, que tem a ver com um documento que foi, aliás, mencionado em algumas intervenções, neste ponto, que é o acordo parassocial, que foi distribuído no mesmo dia em que foi solicitado pelo Senhor Deputado Valdemar Almeida (PSD) aqui na reunião este documento. Logo de seguida, o Partido Socialista solicitou também que fosse distribuído o resultado da auditoria promovida pela Inspeção-Geral de Finanças sobre a empresa SATU e, até agora, não foi distribuído o resultado dessa auditoria e, portanto, um requerimento que foi apresentado no mesmo dia. ---------------------------------------------------------------------- Se a Câmara porventura já informou a Mesa de alguma justificação para que não o tivesse feito da mesma forma que fez em relação ao acordo parassocial, a distribuição desse documento importante também para este debate.” --------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da A.M. informou o seguinte: --------------------------------------------------- “Vou responder e depois prosseguiremos. ---------------------------------------------------------------- A Câmara, naturalmente, não responde no mesmo dia, ou seja, não chega ao mesmo 63 dia a resposta aos requerimentos que saem no mesmo dia, pois eles são diferentes e passam por Departamentos diferentes. O que lhe posso garantir, Senhor Deputado, e a todos, é que tão pronto quanto chega a resposta aos requerimentos, a mesma é distribuída pelos Deputados, pelos Grupos e pelos requerentes e os serviços de apoio à Assembleia, sempre que passam trinta dias sem resposta, fazem sempre um pedido de reforço à Câmara, lembrando que está ainda sem resposta o requerimento em causa. ----------------------------------------------------------------------------------------E, portanto, podemos ver, o Senhor Deputado pode também, e os restantes Deputados que o entendam, juntos dos serviços de apoio ver nos dossiers respetivos quando é que foi feito o pedido, se já passaram trinta dias do reforço e ver como estão as coisas.” ------------------------APRECIADAS ----------------------------------------------------------------------------------5.7. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 346/2014 - GP - relativa ao Relatório e Contas do Exercício de 2013, da Tratolixo - Tratamento de Resíduos Sólidos, E.I.M. (os documentos relativos a esta Proposta ficam arquivados, como anexos, na pasta desta reunião) -----------5.8. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 419/2014 - GP - relativa à retificação da Proposta de Deliberação 346/14 - Relatório e Contas do exercício de 2013, da Tratolixo - Tratamento de Resíduos Sólidos, E.I.M. (os documentos relativos a esta Proposta ficam arquivados, como anexos, na pasta desta reunião) ----------------------------------------------------------------------------------O Senhor Presidente da A.M. comunicou o seguinte: -------------------------------------------------“O ponto de Trabalho seguinte diz respeito ao relatório e contas do exercício de dois mil e treze da Tratolixo, com uma retificação de um lapso que apareceu no valor de dois mil e treze, um sinal de menos a mais que transformava a verba de trinta e três mil euros e qualquer coisa em negativa, quando esta era positiva.” ---------------------------------------------------------------------------A Senhora Deputada Alda Matos (PS) fez a seguinte intervenção: ---------------------------------“Relativamente ao relatório da Tratolixo de dois mil e treze, os números também são 64 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS avassaladores e até diria que é o segundo buraco do nosso Município, com a diferença em que a Tratolixo não é um buraco só da Câmara de Oeiras, é também das outras três participantes nesta empresa: Mafra, Sintra, Cascais e Oeiras, claro. ----------------------------------------------------------------------- Então, o que é que acontece? Para que a empresa mantenha lucros é sempre ajustado, em cada ano, uma subida do preço a pagar por tonelada de lixo de modo a que o resultado, no fim, seja positivo. Portanto, o facto de a empresa ter trinta e três mil trezentos e setenta e nove euros e setenta e quatro cêntimos de lucro, só quer dizer que as contas foram feitas e que o preço por tonelada subiu até que não houvesse prejuízo. --------------------------------------------------------------------- Na página cento e dezanove do relatório, está dito que a subida de preços, por exemplo, da tonelada, foi de quarenta e oito vírgula oitenta e nove cêntimos em dois mil e doze para cinquenta e oito euros e cinquenta e oito cêntimos em dois mil e treze. A Valorsul cobra vinte euros por tonelada, o que quer dizer que nós aqui, em Oeiras, pagamos quase o triplo pela recolha do nosso lixo. Isto são dados que estão no relatório, não está lá a Valorsul, mas a Valorsul é ir ao site e ver estes dados que estão no relatório de dois mil e treze. --------------------------------- Além disso, esta empresa tem uma situação particularmente difícil, porque o financiamento foi concedido por um sindicato bancário, onde está, por exemplo, o CaixaBi que é o banco de investimento da Caixa Geral de Depósitos. Às vezes, até me tenho perguntado por que é que não se faz nada. Por que é que os bancos não fazem nada? Porque é uma situação complicada, porque a empresa intermunicipal é do Estado. Ora, os bancos irem contra o Estado, isto é complicado, por isso, é que se vai mantendo também esta questão de haver aqui uma certa flexibilidade, mas que não é, é alguma dificuldade jurídica até de resolver a questão. --------------------------- Portanto, o project finance permanece suspenso, o que faz com que a empresa tenha muito pouca liquidez e à frente, já no meu raciocínio, irei chamar, outra vez, este argumento e 65 direi porquê. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Agora, o total das dívidas da Tratolixo, em dois mil e treze, são cento e noventa e um milhões de euros, portanto, Oeiras participa na Tratolixo, ou na empresa que gere a Tratolixo, com vinte por cento. Portanto, destes cento e noventa e um milhões, cento e trinta e cinco vírgula nove são de dívida financeira, logo, há aqui um arrastar do problema com os bancos que não é resolvido. -- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Digamos que esta dificuldade também se coloca num noutro aspeto. É que por ser um project finance tem um swap associado e o swap, em dois mil e treze, teve um justo valor negativo de doze vírgula um milhões. O que é que isto quer dizer? Quer dizer que a taxa de juro subjacente ao swap deve rondar os quatro e meio ou cinco por cento e como as taxas de mercado estão, mais ou menos, um e meio por cento, este diferencial é suportado todos os anos pela empresa. É evidente que se a empresa tivesse um bom relacionamento com os bancos, provavelmente já teria renegociado este swap. --------------------------------------------------------------------------E, por que é que este prejuízo do swap é tão relevante e eu o chamei para aqui? Por uma razão simples: é que com o acréscimo do preço que pagamos por tonelada de lixo, a empresa foi buscar seis vírgula quatro milhões que cobrou a mais aos munícipes, que pagam o lixo. Ora, seis vírgula quatro milhões não dá nem para pagar metade do prejuízo que tem este swap. ------- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Portanto, as empresas além de… ----------------------------------------------------------------------------Sei que vão dizer que isto não é política e tal, que isto são números e é uma análise de números. De qualquer modo, o relatório são números e, de facto, uma empresa também tem a obrigação de olhar para os aspetos financeiros. -------------------------------------------------------------------------Interessa continuar a subir o custo do que os munícipes têm de pagar pelo tratamento do lixo e deixar desbaratar a componente financeira? Quer dizer, não acredito que ninguém veja 66 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS o “diabo” do preço a que está o swap e que não pensem que é preciso renegociar isto, porque se a taxa de juro continuar baixa para o ano, no relatório de dois mil e catorze teríamos, outra vez, doze milhões ou mais de prejuízo no swap. Quer dizer, podemos aumentar as tarifas a pagar pelos munícipes, mas o que é certo é que o dinheiro vai ser sempre absorvido por este tipo de gestão que é danosa, economicamente ou financeiramente considero danosa, no meu ponto de vista jurídico tem outras implicações. ------------------------------------------------------------------------------------ Mas, de qualquer modo, estar a subir preços para depois nem chegar para pagar metade do swap, parece-me assim um bocadinho exagerado. Além disso, a empresa também paga onze vírgula três milhões de euros de juros e nem sequer reconhece os juros de mora. Quanto mais tarde for a renegociação da dívida pior. Porquê? Porque os bancos vão considerar a empresa cada vez com mais em risco e vão aumentar cada vez mais o spread. Dito de uma forma mais simplista, a taxa de juro paga pela Tratolixo já é o dobro do que era quando o processo começou. - ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Portanto, se quiserem continuar nesta via não sei onde é que se vai pagar, pois os bancos vão, sucessivamente, honorando a dívida da empresa com maiores encargos em termos de juro. Isso era um dos aspetos e se tiverem dúvidas, estas questões que estive a dizer, por exemplo, do project finance estar suspenso, está na página noventa e nove, a dívida financeira está na página cento e quatro, os juros na página cento e sessenta e oito e digamos que a nãorenegociação da dívida com o sindicato bancário está na página cento e dezanove. ------------------------------ Além disso, há aqui outro aspeto que também é relevante. Atendendo às dificuldades que a empresa tem em pagar a fornecedores, porque nem todo o lixo é tratado na Tratolixo, muito dele é tratado na Valorsul - e isso também está na página cento e sessenta e um do relatório - o que é que a empresa fez? Estabeleceu acordos com os fornecedores e vai pagar seis 67 vírgula três milhões de euros a prazo de três e cinco anos a empresas onde a Tratolixo depõe resíduos e aos transportadores e serviços de triagem do lixo, ou seja, além deste panorama complicado, as dívidas que a empresa tem este ano serão pagas daqui a três anos, daqui a cinco anos, tanto que já estamos a empurrar as dívidas assim a três ou a cinco anos. ------------------------------------Ora, é evidente que aqui o que me parece, de facto, muito complicado é a empresa continuar sem tratar da questão de renegociar a dívida e tentar que estes encargos com juros, etc., sejam mais baixos, até porque a Tratolixo recebeu dinheiros comunitários para a instalação e a continuar assim, parte dos subsídios têm que ser devolvidos.---------------------------------------------------------Portanto, há aqui uma bola de neve que não se pode continuar a arrastar sem fim à vista. Podem dizer que esta análise não é política, mas digo-vos que é perfeitamente adequada a tudo o que está dito no relatório.” -----------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) disse o seguinte: -----------------------------------------“É usual dizer-se que se “tu deves mil, o problema é teu; se deves um milhão, o problema é do banco; e se deves dez milhões, o problema é do País”. ----------------------------------------------Ora, a questão aqui, de facto, que se coloca é resultado de uma situação financeira, que há muito começou de forma errada e começou de forma errada, fundamentalmente, porque os financiamentos foram sendo libertados pelo sindicato bancário, não para investimento como seria de esperar, mas para despesa corrente. E, portanto, o erro começa, por um lado, de quem libertou a verba e, por outro lado, de quem erradamente utilizou essas verbas numa solução que não deveria ter acontecido. -------------------------------------------------------------------------------------------------E o que temos, neste momento, é um problema de base, ou seja, temos uma empresa que todos consideramos importante, que munícipes, Câmaras (que não apenas a de Oeiras) consideram relevante e que, inclusive, os credores consideraram importante manter a sua capacidade de atuar e viabilizaram de acordo, aliás, com o que consta a folhas quatro e é uma 68 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS informação que reputo importante, visto que na última análise que fizemos, a Tratolixo estava em processo chamado PER (Processo Especial de Revitalização) e, efetivamente, o que aqui é dito é que “é disso exemplo o Processo Especial de Revitalização com o qual lidámos e que acabaria por ter resolução positiva e tranquila”. ------------------------------------------------------------------------ E isto, dito desta maneira, implica que, no fundo e em rigor, o plano apresentado foi aceite pelos credores, não sei em que termos, mas passou pela redução de dívida e isso consta do relatório por perdão de juros, por parte da banca. ---------------------------------------------------------------------- Frequentemente, estes planos têm uma particularidade de obrigar os credores que estão relutantes noutro contexto a celebrarem acordos em que abdicam de uma parte para não perderem tudo. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Mas, mais do que isso, é importante perceber também que quem aceitou um acordo em que os créditos diminuíram, foi porque acreditava na viabilidade desta empresa. Isto não significa, no entanto, que quem administra não tenha que ter uma especial preocupação como a realidade que é esta: é que aparentemente aquilo que, de facto, custa o preço de custo em relação à sua atividade é muito superior àquilo que os munícipes, nomeadamente em Oeiras, pagam. Nós, no fundo, estamos perante um preço político, não é? Ou seja, um preço subsidiado, porque de outra forma não pagaríamos três vezes mais do que a Valorsul, mas provavelmente poderíamos pagar cinco, seis ou sete vezes mais, porque não sei, não consegui aqui perceber qual é o custo por tonelada de recolha em relação a isto. ------------------------------------------------------------------- Mas, também é importante não esquecer que a Câmara de Oeiras, nesta matéria, pouco mais pode fazer se não de alguma maneira colocar aquilo que são as suas preocupações no âmbito ou entre os acionistas e pressionar o Conselho de Administração a criar uma solução, nomeadamente junto do sindicato bancário para que esta empresa tenha capacidade para se 69 desenvolver, porque continuamos a dizer que ela está subaproveitada. ---------------------------------------------Não podemos esquecer, portanto, que além de Oeiras, outros Municípios fazem parte desta estrutura, que terá que haver posição conjugada e pelo que vejo aqui, deste relatório, a Câmara de Oeiras tem cumprido, de facto, em relação à Tratolixo, aquilo que são as suas responsabilidades financeiras, mas parece que não é isso que acontece com outros Municípios, nomeadamente com o de Cascais, a relevar o que aí se encontra referido neste relatório. Ou seja, no fundo, olhamos este relatório, aliás um relatório que do ponto de vista técnico parece-nos bem elaborado, dá-nos um espelho de toda a atividade da Tratolixo, da sua responsabilidade, dos seus ativos, do seu passivo, mas não resolve o problema de fundo e o problema de fundo é o que vamos fazer com esta empresa. --------------------------------------------------------------------------------------------O que é que vamos fazer? É claro que esta resposta não pode ser uma resposta apenas do Município de Oeiras, mas, mais cedo ou mais tarde, terá que ser uma resposta encontrada por todos os acionistas e, provavelmente, também pelos novos parceiros que venham eventualmente adquirir a EGF, que todo o processo de privatização está em curso e que já foi constituída a comissão para avaliar eventuais propostas, por aquilo que foi público e que foi publicado nos jornais, as próprias providências cautelares intentadas por alguns Municípios afetados por essa privatização acabaram por ser rejeitadas. -----------------------------------------------------------E, portanto, temos aqui um dado adquirido, que é a privatização de uma EGF e consideramos que só num contexto global é que é possível resolver este grande problema e que a nós, oeirenses, nos afeta. E porquê? Porque, de facto, estamos a pagar mais do que pagam aqueles que são servidos pela Valorsul, mas, infelizmente, já nos habituámos a isso, porque também pagamos a água mais cara do que pagam, por exemplo, os munícipes em Lisboa. ---------------------Enfim, justificações poderão ser encontradas, elas são ditas, mas a realidade é, de facto, esta. - -----------------------------------------------------------------------------------------------------70 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- E, portanto, aqui a Câmara está um pouco, na nossa opinião, limitada na sua capacidade de interferir. Tem sim, é a capacidade de influenciar e de, eventualmente, junto dos outros Municípios e junto do Conselho de Administração encontrar uma solução que passa necessariamente… Porquê? Porque o sindicato bancário acaba o project finance para que esta empresa consiga acabar aquilo que se propôs e a partir daí, desenvolver a sua atividade. ----------------------- De outra maneira, continuamos a ter aqui um elefante que cada vez vai ficando mais branco, com um peso brutal para todos nós.” --------------------------------------------------------------------------- O Senhor Deputado Luís Mariano Almeida (CDU) fez a seguinte intervenção: ---------------- “Esta última intervenção do Senhor Deputado do PSD pareceu-me bastante interessante, tendo em conta que vê uma série de problemas que, efetivamente, existem e que correspondem, também, a muitas das nossas preocupações. --------------------------------------------------------- Há algumas questões que deveremos colocar. Um delas é que, se calhar, uma das soluções poderia eventualmente passar, porque temos aqui no Distrito duas empresas a trabalharem os resíduos e aquilo que acontece é que no passado, talvez alguma mesquinhes política, foi criada a Tratolixo, porque não se queriam juntar aos outros da Valorsul e por aí fora. ------------- Mas, pronto, hoje em dia temos essa situação e, se calhar, era bom pensarmos quais é que eram as melhores soluções para o Distrito todo e não podemos olhar só para o Concelho de Oeiras. Claro que é fundamental, mas temos que olhar isto numa perspetiva metropolitana, quer queiramos, quer não, estamos aqui numa zona metropolitana. O Concelho de Oeiras faz parte de uma zona metropolitana. --------------------------------------------------------------------------------------------------- E a situação a que chegou esta empresa é grave. Acontece que ela, de alguma forma, tem responsáveis políticos e de gestão administrativa passados e presentes, não podemos descartar isso, porque os Municípios que estão aqui juntos nós conhecemos as cores políticas, 71 que são tricolores, digamos assim, e é importante olhar para isto e ver que há responsabilidades e que deveriam ser vistas de forma a que as situações não se repitam, no mínimo. ---------------------------------Agora, aquilo que nos apraz dizer é algumas notícias que retirámos e que leva à tal situação, que já foi aqui exposta anteriormente. No Jornal de Negócios, de vinte e quatro de abril de dois mil e treze, a parangonas grandes dizia: “Tratolixo deve cento e oitenta milhões e também encaixa perdas nos swaps”. Isto é interessante, não é? Quer dizer, estamos a ver que as coisas se estão a enterrar cada vez mais e continuamos a meter lenha para nos queimarmos ainda mais e, claro, quem paga é o Município, é o povo que paga todas estas situações que vão sendo criadas e não vão sendo resolvidas. Provavelmente, há alguém aqui no meio disto tudo que está a ganhar com isto, porque há sempre dois pratos na balança: um que ganha e outro que perde. Se há aqui alguém que está a perder, há alguém que está a ganhar e, portanto, era bom olharmos também para isso. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------No Jornal i, de cinco de setembro de dois mil e treze, dizia que o tratamento dos custos é de tal ordem elevado, que a Tratolixo tem setenta euros por tonelada e a Valorsul custa apenas dezanove euros. Isto são números do Jornal i. É interessante que há aqui qualquer coisa que estamos a fazer os munícipes, destes quatro Concelhos, pagar que não faz sentido em relação aos outros. Depois, mais à frente, a dez de janeiro de dois mil e treze, diz que a empresa pediu ao Tribunal do Comércio de Lisboa que avançasse com um Plano Especial de Revitalização antes que algum credor pedisse a insolvência, portanto, andávamos aqui e estamos com uma situação cada vez mais difícil. --------------------------------------------------------------------------------------------------------A quatro de fevereiro deste ano, no Público, o Presidente do Conselho de Administração da Tratolixo pede a demissão, portanto, como se costuma dizer: “começam os ratos a fugir do navio”. Isto é uma situação que nos parece muito complicada, que tem que ser vista, tem que ser ponderada e, de alguma forma, tomar medidas no sentido de rapidamente 72 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS resolver isto, porque, como já foi aqui dito, está-se a imputar para resolver isto economicamente, os custos às tabelas de preços, mas isso não resolve absolutamente nada. É uma situação que nos parece deveras caricata. ---------------------------------------------------------------------------------------------------- Depois, na apreciação da empresa de auditoria, Veiga Pinha e Silva, a determinada altura fala aqui nos empréstimos e créditos que estão aqui intercalados, pois isto são milhões que até faz dó e temos que ver, também, os juros que estão incluídos. -------------------------------------------------- Portanto, o endividamento é de tal ordem exorbitante que mais à frente a PRICEWATERHOUSE, a própria refere que esta perspetiva, a continuidade das operações, contudo não sendo possível antecipar o desfecho deste processo de renegociação e considerando no contexto atual, a empresa não apresenta capacidade para liquidar os seus passivos financeiros, a continuidade das operações não se encontra assegurada, estando dependente do apoio financeiro que acionistas venham apostar ou outras soluções que venham a ser concordadas. ----------------- Há algo que está a funcionar mal, ou seja, está-se a dizer que ou vem dinheiro de empréstimo e o dinheiro de empréstimo custa dinheiro ou, então, o lixo começa a ficar à porta, que é uma situação que nos preocupa deveras. Temos uma empresa que em termos de gestão está a ser gerida um bocado à vista e foi sendo continuamente mal gerida, a verdade dos factos é essa. ------------- Depois, a questão que colocamos é: o que é que vai acontecer no dia em que os munícipes de Oeiras acordem e reparem que o lixo não foi recolhido? Porque a Tratolixo não está a funcionar ou porque, eventualmente, tudo isto ficou em dívida e, portanto, não é possível fazer a recolha e depois é “ai jesus que temos que resolver estes problemas todos atempadamente”. Naturalmente que isto nos preocupa e preocupa-nos, essencialmente, o dinheiro desbaratado que tem sido feito ao longo deste tempo todo.” ---------------------------------------------- A Senhora Deputada Alda Matos (PS) esclareceu o seguinte: -------------------------73 --------------“Só pretendia fazer dois esclarecimentos. -----------------------------------------------------------------Um deles é ao Senhor Deputado do PSD, que disse que a dívida financeira da Tratolixo tinha diminuído, o que não é verdade, porque na página cento e quatro está dito que em dois mil e treze, a dívida financeira foi de cento e trinta cinco vírgula nove milhões, praticamente cento e trinta e seis novecentos e oitenta e cinco mil e oitenta e oito euros, ou seja, mais quatro vírgula nove milhões que em dois mil e doze. Portanto, a dívida financeira aumentou em dois mil e treze. ----- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Além disso, reparei ali há bocadinho que o colega que me antecedeu disse que num artigo do Jornal i se afirmava que o valor por tonelada pago relativo à Tratolixo é da ordem dos setenta euros. Pois, é que para a Tratolixo continuar nesta senda que traçou, nós teremos o lixo, em dois anos, a cem euros a tonelada que é o que está plasmado num orçamento que já passou nesta Câmara e que já o li em tempos. Portanto, este aumento sucessivo do preço da tonelada de lixo recolhida pela Tratolixo é algo que se as pessoas olharem para outros documentos poderão constatar. Mais, se reparemos só o swap e os juros do componente dessas duas verbas são vinte e três milhões. É uma exorbitância que tenderá a aumentar. ------------------------------------------------------------Agora, se quiserem que as pessoas vejam os seus rendimentos a baixar e por uma megalomania as tarifas do lixo subirem até não sei onde para que a empresa tenha uns magros milhares de euros de lucro e não possa ser fechada, bom, se as pessoas não olham para isso, se a gestão não olha para isso, o que é que havemos de fazer com gente assim à frente dos nossos Municípios? -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Agora, há também um outro aspeto que era o PER. Claro que quando se tem um Plano de Restruturação, acontece que ele pode sempre continuar desde que se aumentem as tarifas o suficiente para que tenha sempre esta margem mínima de lucro. Portanto, isto pode continuar eternamente desde que os munícipes aceitem pagar o que quer que seja para não terem 74 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS o lixo à porta.” --------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Deputado Joaquim Cotas (CDU) observou o seguinte: ---------------------------------- “Depois do que foi dito aqui, principalmente pelo meu camarada, Senhor Deputado Luís Mariano Almeida (CDU), e pela Senhora Deputada Alda Matos (PS), pergunto que mal teria feito o povo de Oeiras para pagar isto tudo, para pagar estas asneiras e esta gestão, quer dizer, aquilo é uma bomba relógio que está ali. Como foi dito, qualquer dia acordamos com o lixo amontoado à porta. ---------------------------------------------------------------------------------------------------- Então, se aqui ao lado pagam vinte à tonelada e nós estamos a pagar setenta à tonelada, mas que mal é que o povo de Oeiras teria feito para estar castigado assim? --------------------------- Era isso que gostávamos que o Senhor Presidente nos esclarecesse.” -------------------------------- O Senhor Presidente da C.M.O. prestou os seguintes esclarecimentos: ---------------------------- “Olhe, Senhor Deputado Joaquim Cotas (CDU), eu também não sei. Gostava de saber, pois também sou povo de Oeiras, também pago e realmente gostava de saber. Mais, querolhe dizer que aqui ao lado a tarifa é de vinte, mas aguarde pela privatização. Aguarde e vai ver quanto é que os seus camaradas vão passar a pagar. ------------------------------------------------------------------- Agora, nós não pagamos setenta, pagamos cinquenta e oito ponto cinquenta e oito, sendo que não é a tarifa real. A tarifa real, estou convencido que, já vai nos oitenta. ---------------------------- É claro que é fácil dizermos “pessoas incompetentes”, mas pergunto: alguém tem uma solução? É que se tiverem agradeço. Confesso a minha incapacidade de resolver este assunto. Mais, confesso a minha incapacidade para consertar com os outros Presidentes de Câmara, porque ainda não percebi. --------------------------------------------------------------------------------------- Repare, afirmei perante os bancos, perante o sindicato bancário e perante os outros Presidentes o seguinte: eles também têm culpa, não é uma questão de ter bom relacionamento 75 com os bancos (qual relacionamento?), eles têm é que fazer um haircut e têm que o fazer porque eles também têm responsabilidades, porque libertaram verba, como disse aqui o Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD), para despesa corrente, quando todos nós sabemos que um project finance é para despesa de investimento. -------------------------------------------------------------------------Então, esse dinheiro de despesa corrente foi gasto onde? Como é que foi gasto? Então, como é que um banco…--------------------------------------------------------------------------------------------Repare, um banco deve libertar dinheiro quando tem a certeza de que o investimento para o qual o dinheiro foi contratado estar a ser executado. A obra não está concluída! O aterro ainda está por concluir, ainda faltam oito milhões. Mas qual negociar com o banco? É dizer ao banco: “meus amigos, os senhores estão obrigados a fazer um haircut, se não fiquem com aquilo para casamentos, batizados e outras coisas”. ----------------------------------------------------------------------------E para nós, o Governo tem que encontrar uma solução, que é deixe-nos pôr o lixo na Valorsul, também estou de acordo. Se nos deixassem pôr o lixo na Valorsul, o diferencial de tarifa que pagamos atualmente para aquele que iríamos pagar, ou seja, dos cinquenta e oito ponto cinquenta e oito para os vinte, esse diferencial, ao fim de dez anos, nós pagaríamos a nossa quota-parte da dívida dos cento e quarenta ou dos cento e trinta milhões, mas digamos que tínhamos uma solução a prazo, sabíamos que estávamos a caminhar para a resolução de um problema. Hoje, estamos a caminhar sem caminho, sem percurso, sem objetivo. ---------------------------------Agora, confesso que a Câmara de Oeiras sozinha… Ouça, não podem acusar a Câmara de Oeiras de não pagar. Se forem ver, nós, com todo o esforço, temos liquidado. Mais, quando se fala dos munícipes, os munícipes não estão a pagar esta tarifa. Deveriam pagar, mas não estão a pagar uma tarifa de cinquenta e oito ponto cinquenta e oito. -------------------------------------------O sistema da Valorsul é um sistema de queima e produção de energia. Também quem chama àquilo e principalmente os Senhores Deputados da CDU que têm um 76 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS relacionamento próximo com o Partido Os Verdes, poderão, com certeza, perguntar se queimar lixo é uma atitude, ambientalmente, sustentável e a queima do lixo é paga com tarifa verde, é por isso que a tarifa são vinte euros, convenhamos. Não conheço nenhum outro sítio, a não ser países do terceiro mundo, onde a queima do lixo é considerado tarifa verde. --------------------------------------------- Mas, é claro que há uma desigualdade e há uma injustiça, porque moradores, ou melhor, habitantes de uma mesma área metropolitana, uns pagam cinquenta e oito ponto cinquenta e oito e outros pagam vinte, mas isso acontece também no abastecimento de água. ----------------- Como sabemos, a EPAL vende em baixa, no cento de Lisboa, ao preço… Ou seja, o consumidor paga a água ao preço que a EPAL vende em alta aos outros Municípios. Ninguém fala nisso, quer dizer, é um assunto que não interessa, não percebo e por que é que é de uma injustiça enorme, mas são estas diferenças, são estas disparidades. ------------------------------------------------- Agora, que há culpados nisto? Há, há culpados, que possivelmente quatro Presidentes de Câmara nunca conseguiram chegar a uma solução que fosse uma solução que, pelo menos, concretizasse o investimento, porque, reparem, ao fim destes anos todos a Abrunheira não tem o investimento concluído. O aterro não está concluído, a ETAR não sei se está concluída, mas penso que não estava e, portanto, o lixiviado ainda tinha que ser encaminhado por entidades credenciadas para tal. Os biodigestores estavam a funcionar, já produziam alguma energia, mas a carga dos custos financeiros era de tal maneira que a tarifa real não é, efetivamente, cinquenta e oito ponto cinquenta e oito, é muito superior, se calhar, nos oitenta, quando do ponto de vista operacional a tarifa é capaz de estar nos quarenta, o que seria uma tarifa aceitável. -------------------------------------------------------------------------------------------------------- E, portanto, nós, Municípios, estamos a pagar para além do custo de tratamento do resíduo, estamos a pagar um serviço da dívida enorme e um serviço da dívida que a determinada 77 altura serviu para pagar os ditos custos de não-instalação, despesa corrente que não permitiu concretizar a totalidade do investimento, por isso, é que há dívidas a fornecedores, a empreiteiros que estiveram em obra e, por isso, é que depois se foi acumulando uma dívida deste montante e que hoje temos que pagar os custos financeiros do serviço. -----------------------------------------------------------Agora, os bancos não são inocentes, os sindicatos bancários aqui, neste caso, não são inocentes e, portanto, também tem que assumir a sua quota-parte de responsabilidade, na minha opinião, (mas eu sou um Presidente entre quatro, como devem calcular) e espero que concordem. Quer dizer, um sindicato bancário não pode ser inocente nisto tudo, o sindicato bancário tem responsabilidades com aquilo que contratualizou, portanto, defendo que o sindicato bancário tem que fazer um haircut, não é renegociar o spread, é cortar a dívida, caso contrário é insustentável. --------------Portanto, é entrar num novo PER, é entrar em insolvência, muito bem, depois executem as garantias, fiquem com a maquinaria, com os biodigestores que um banco tem vocação para gerir uma central de tratamento de resíduos, que eu acho que não tem. ----------------------------E, portanto, o Governo, o Ministério do Ambiente, as entidades responsáveis que arranjem uma solução para os resíduos destes quatro Municípios, que estamos a falar de duzentas mil toneladas por ano. Se observarmos com atenção, o volume de resíduos produzidos a nível nacional, facilmente percebemos da importância deste problema da Tratolixo, são duzentas mil toneladas por ano. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------Só queria dizer aqui outra coisa. A Tratolixo, hoje, ela encaminha cerca de duzentas mil toneladas, portanto, a dos quatro Municípios será superior às duzentas mil toneladas, porque as duzentas mil toneladas são encaminhadas da Tratolixo para a Valorsul. Hoje, a Valorsul recebe resíduos da Tratolixo e a Tratolixo paga vinte euros a tonelada, cobra cinquenta e oito ponto cinquenta e oito e com esses resíduos, a Valorsul vai produzir energia, que é a paga a tarifa verde. ------ -----------------------------------------------------------------------------------------------------78 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- Reparem, é quase o mesmo que chegarmos à bomba, o senhor da bomba abastecenos o carro e ainda nos paga, porque o resíduo da Tratolixo que é entregue na Valorsul é destinada à produção energética e é com essa produção energética que, depois, a Valorsul vai distribuir dividendos e consegue manter uma tarifa nos vinte e um ou vinte e dois euros a tonelada. -- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Eu, nas reuniões que tivemos com o Senhor Ministro do Ambiente, enquanto VicePresidente do Conselho Metropolitano, e com o Senhor Presidente do Conselho Metropolitano e mais com o Senhor Presidente da Câmara de Mafra, também ele Vice-Presidente do Conselho Metropolitano, defendi uma solução conjunta, ou seja, neste âmbito de restruturação da Valorsul, para venda, para alienação, que devia haver aqui uma integração, como no passado já foi defendido também pelo Presidente Doutor Isaltino e, portanto, era uma estratégia conjunta. O Presidente António Costa concordou, estou convencido, se bem me recordo, todos os Presidentes de Câmara ligados ao sistema da Valorsul concordaram. O Senhor Presidente da Câmara de Sintra não concordou e, como não concordou, o Senhor Presidente da Câmara de Cascais também não se sentiu confortável e a Valorsul caminhou sozinha e a Tratolixo mantém-se neste impasse que é, efetivamente, um dos grandes, se não mesmo o maior problema que este Município tem.” ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- APRECIADAS ----------------------------------------------------------------------------------5.9. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 367/2014 - GP - relativa ao Relatório e Contas do Exercício de 2013 - Cumprimento do dever de transferência financeira com vista ao equilíbrio de contas referente ao resultado do exercício de 2013 da Habitágua - Serviços Domiciliários e Técnicos Especializados, Ldª. (os documentos relativos a esta Proposta ficam arquivados, como anexos, na pasta desta reunião) --------------------------------------------79 --------------O Senhor Presidente da A.M. comunicou o seguinte: -------------------------------------------------“Vamos continuar, temos quatro pontos ainda. -----------------------------------------------------------São quase sete horas e pedia aos Senhores Deputados e aos Grupos Políticos que fossemos eficientes, eficazes e não nos repetíssemos nas análises que vamos fazer.” ----------------------------O Senhor Deputado Joaquim Cotas (CDU) disse o seguinte:----------------------------------------“A minha intervenção vai ser curta visto que gostaríamos de ser esclarecidos pelo Senhor Presidente acerca do futuro da Habitágua. ----------------------------------------------------------------------O que é que vai ser da Habitágua? Parece que está também assim um bocado a tremer. Que serviço é que faz? E como é que vai ser o serviço assegurado? ---------------------------------------Portanto, tudo isto se resume qual é o futuro ou quem é que vai assegurar este trabalho no futuro.” ----------------------------------------------------------------------------------------------------------A Senhora Deputada Alda Matos (PS) fez a seguinte intervenção: ---------------------------------“Relativamente à Habitágua, agora, torna-se um bocadinho cansativo analisar estas contas, porque é sempre mau, as coisas não estão bem, a Câmara tem que entrar com dinheiro e isto é algo que é recorrente em muitas das contas que são analisadas e a Habitágua não é exceção. --- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Acontece o quê? A Câmara tem que injetar mais duzentos e tal mil euros para complementar o prejuízo do ano passado. É evidente que este é um caso como os outros. Colocase a questão se as Juntas de Freguesia poderiam fazer parte do trabalho da Habitágua a custos mais baixos, se o SIMAS podia fazer outra parte também, provavelmente, a custos mais baixos. Enfim, mais uma empresa que urge resolver o que fazer com a Habitágua. ----------------------------------------Entretanto, enquanto se resolve e não resolve, é mais uma sangria, mas esta é limitada, duzentos e poucos mil euros não é comparável aos milhões que falámos do SATU e da Tratolixo. -- -----------------------------------------------------------------------------------------------------80 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- De qualquer modo, é mais uma empresa com dificuldades, mais uma empresa que ao fim de três anos diz lá a legislação número Cinquenta de dois mil e doze que vai ter que se fazer alguma coisa a esta empresa.” --------------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Deputado Feliciano Bernardo (BE) expressou o seguinte: ------------------------------ “Esta questão da Habitágua já tínhamos falado, nesta Assembleia, há uns tempos atrás.------- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Urge relembrar que, efetivamente, a Habitágua foi uma empresa criada esvaziando o SMAS, portanto, a atividade que era feita de obras, de colocação de contadores, de olhos de boi, etc., todo esse trabalho era feito pelo SMAS. Foi retirado essa atividade do SMAS para se ir constituir uma empresa com dinheiro da Câmara e dinheiro de uma empresa privada. -------------------------- Bom, isto deu para o torto. Lembro-me que na altura dessa transição houve uma série de situações de conflito entre os trabalhadores do SMAS e da nova atividade, isso provocou algum dano na celeridade em relação aos processos e às obras. ----------------------------------------------------- Agora, temos aqui um saldo negativo de dois sete sete que, de acordo com a Lei, não há que discutir muito. Isto faz parte da consolidação orçamental, de acordo com a Lei Cinquenta, artigo número um do artigo quarenta, portanto, a Câmara só tem que transferir o dinheirinho.” --------------- O Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) interveio, dizendo o seguinte: ------------------------ “A Habitágua não foi um projeto apenas da Câmara Municipal. Temos que nos lembrar que a Câmara tinha um parceiro privado, nesta empresa, e que em tempos recentes acabou por adquirir a quota da mesma do parceiro privado e assim ficou com em por cento capital social. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- A justificação que, na altura, foi dada, aliás essa proposta veio aqui à Assembleia Municipal e foi aprovada a aquisição das quotas do (penso que era a EDIFER) parceiro privado. 81 De alguma maneira, foi justificado pelo facto de assim estando o Município sozinho ou a Câmara sozinha nesta empresa, era-lhe mais fácil resolver o problema da mesma e não podíamos estar mais de acordo. Uma coisa é sermos detentores de cem por cento do capital e decidimos em conformidade. Outra coisa é termos um parceiro privado e quando se trata, então, de liquidação, extinção de uma empresa, a questão coloca-se de uma maneira que, naquele momento, nem sequer era possível, visto que a Câmara não tinha a maioria qualificada do capital que lhe permitisse essa solução ou impor essa solução ao parceiro privado. -------------------------------------------------E, portanto, em tese, diremos que a solução foi boa------------------------------------------------------A questão é que, de facto, com isso a Câmara deixou de ter uma obrigação de suportar custos na empresa de “x” e passou a ter uma obrigação de suportar custos de “y”, ou seja, correspondente a cem por cento e estamos aqui, perante uma realidade que é indiscutível, que é a necessidade de transferir para a Habitágua mais de duzentos e setenta mil euros. -----------------------Portanto, o problema não se põe tanto nessa transferência, ela resulta da Lei, é necessária. A questão coloca-se, de facto, é saber o que é que vamos fazer com a Habitágua e em relação a isso o PSD, neste momento, nada mais dirá. -----------------------------------------------------------------Está uma comissão a trabalhar no que respeita à restruturação do Setor Empresarial Local. Esta empresa é uma das que, necessariamente, se encontra nesse universo e teremos que aguardar a solução que seja proposta, no âmbito dessa comissão, e que depois de apreciada pela Câmara e vindo a esta Assembleia, poderemos apreciar o resultado. ------------------------------------------------Agora, não ponho em causa que a Habitágua possa, enquanto prestadora dos serviços como os presta, poder subsistir não sei em que moldes, não sei se fazendo parte de uma holding num sistema distinto poderá haver várias soluções para ela. Não parece é que se possa imputar ou à Câmara ou até ao SIMAS aquilo que esta empresa vai fazendo. -----------------------------------------------Mas em relação a este relatório e contas que nos e trazido, ele reflete a atividade da 82 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS empresa. A empresa procurou garantir no mercado externo, fora do contexto da Câmara e do SIMAS, a sua atividade. Tanto quanto sabemos, terá concorrido a alguns concursos que perdeu, mas isso faz parte do universo das empresas no que revela, portanto, é que ela tem apetência para ultrapassando a área do acionista totalitário possibilitar, de facto, algum enquadramento em termos de universo de clientes e de procura. ---------------------------------------------------------------------------- Nós vamos aguardar os resultados dessa comissão para depois avaliarmos esta empresa, que relativamente a algumas outras que nos pronunciámos pela sua extinção e algumas delas já tal aconteceu, como é o caso da LEMO. Em relação a esta, temos algumas dúvidas, deixaremos para as calendas uma apreciação mais profunda sobre esta matéria.” -------------------------------- O Senhor Deputado Joaquim dos Reis Marques (PS) disse o seguinte: -------------------------- “Falar da Habitágua é voltarmos ao ano de mil novecentos e noventa e três, ao mandato de mil novecentos e noventa e três/noventa e sete, é neste ano, neste mandato que nasce a Habitágua. E a Habitágua nasce entre o entendimento, entre a Câmara Municipal de Oeiras/SMAS e EPAL. São estes os acionistas que criam a Habitágua. Depois a EPAL sai e vende a sua cota à Edifer e ficou novamente com aquilo. Portanto, a EPAL desinteressou-se, não vale a pena falar porque é que ela existiu, porque é que ela foi criada, quem souber sabe, quem não souber, pode ser que um dia saiba. Portanto, ficou com uma parte dos serviços que eram feitos pelos SMAS que, dizia-se à época, era mais eficiente, via-se mais liberdade porque se entregava a fazer e que havia um condicionamento da reforma do trabalho, da divisão do trabalho e da gestão do trabalho, para fazer um conjunto de trabalhos, mas depois a Câmara acabou por ficar somente com a totalidade das cotas, comprou a parte à Edifer. E o que é que vamos fazer dela? Depois a Câmara também tirou à Habitágua um conjunto naquele acordo que havia com as freguesias, um protocolo, porque havia o entendimento que as freguesias faziam 83 melhor e chamou à Habitágua um conjunto de tarefas que eram feitas anteriormente. Não resolveu o problema da Habitágua. Que a Habitágua está como está, vamos ver. ---------------------------------Hoje foi feita a conferência sobre o anuário comercial das autarquias, do Poder Local e do Poder Central e ouvia-se, a meio do dia, que havia mais um conjunto de trinta e tal empresas municipais que tinham fechado. Espero que a Habitágua não figure neste conjunto. Agora, a Habitágua pode ter uma solução, penso que já é muito tarde mas teria uma solução. Há quem defenda, porque o conjunto das empresas municipais quando se criaram foi para libertar, havia muita burocracia e para libertar da tutela do Tribunal de Contas a execução mais rápida, aligeirar as questões. Hoje já não é assim, hoje já estamos outra vez debaixo da alçada do Tribunal de Contas e eu sou daqueles que concordo, há quem defenda e eu já ouvi alguns e até há gente no PSD que também defende isso, que é, nós temos no parque habitacional dos bairros municipais um conjunto de intervenções, que é sempre muito difícil intervir porque tem a sua morosidade, as suas regras e há quem defenda, que é discutível, que podia a Habitágua ficar com a capacidade de reparação dos bairros municipais, fazer a intervenção. Mas o problema aqui punha-se novamente, que é, se depois a Câmara tinha para com a Habitágua o comportamento que tem tido até agora com as empresas municipais, que é não transferir a verba dos serviços prestados para pagamento. Se não pagar a Habitágua vai continuar a afundar-se, portanto, temos todos que pensar. Eu penso que o grupo que está a fazer o estudo das empresas municipais de Oeiras há de apresentar o estudo e se a Vereação, o Senhor Presidente, achar que aquela é a solução com certeza levará a proposta, mas não quer dizer que aquele grupo seja ele a definir o que é que vai ser das empresas municipais, porque quem tem que decidir é o Senhor Presidente, fazer a proposta, levá-la e ver se concorda com as deliberações que lá estão, porque a grande maioria deles são todos ex-vereadores ou ex-autarcas que é para ser mais correto porque alguns não foram vereadores. ----------------------------------------------------------------------------------------------84 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- Portanto, a Habitágua é uma chatice, agora, a Habitágua entrega uma parte ao SIMAS e outras áreas a Câmara tem que absorvê-las e entregá-las, com certeza. Eu acho que aqui fazia bem, com o acordo de execução com as freguesias, entregar uma parte do trabalho que é hoje feito de proximidade às freguesias, que era forma de dar visibilidade e responder com eficiência e na hora aos anseios da população.” ------------------------------------------------------------------------ O Senhor Presidente da C.M.O. deu o seguinte esclarecimento: ------------------------------------ “É só para dizer sobre este tema da Habitágua, que o serviço que hoje é prestado obriga a um contrato que ao longo dos anos foi sendo renovado e já o anterior Executivo tinha chegado a essa conclusão, que era necessário abrir um procedimento concursal. E, portanto, o SIMAS vai abrir um procedimento concursal para a prestação daquele serviço de abertura e de fecho e de substituição de contadores e leituras, se não estou em erro, penso que é esse o âmbito, se a Habitágua tiver condições para ganhar esse concurso tem que ter condições para se manter enquanto empresa municipal, se não tiver ou se não ganhar eu penso que não terá condições. ----------------- O que aqui foi dito pelo Senhor Deputado Reis Marques (PS), nós já na última reunião de Executivo deliberámos uma contratação “in house” de serviços de reparação de fogos de habitação municipal. Podíamos estender esse serviço também aos mercados e às escolas eventualmente, mas não me parece que esse procedimento, porque obriga a um contrato programa, permita que a Habitágua não chegue ao fim de três exercícios com resultados negativos. Portanto, das duas uma, ou a Habitágua continua a prestar serviços ao SIMAS, eventualmente a preços competitivos, portanto, concorrencialmente como uma opção válida para o SIMAS e somar a isso com os recursos que tem, eventualmente, conseguir rentabilizá-los com o serviço de manutenção e de pequenas reparações no âmbito do parque de habitação municipal, caso isto não seja possível a Habitágua vai acumulando prejuízo. Eu não tenho a certeza se este é 85 o primeiro ano, se é o segundo, se, porventura, o procedimento concursal do SIMAS não for ganho pela Habitágua, a sobrevivência da Habitágua irá depender cem por cento da celeridade com que nós consigamos celebrar o contrato programa e o respetivo contrato “in house”, se assim não for tem que, de acordo com a Lei Cinquenta, pedir-se a dissolução da Sociedade e encontrar solução para aquilo que são os recursos materiais, humanos, que a Habitágua tem neste momento.” -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) fez dois Pedidos de Esclarecimento: -------------------“O Senhor Presidente referiu que na ponderação que foi feita pela Câmara Municipal em relação à contratação “in house”, nomeadamente, na prestação de serviços na área das escolas, que o Senhor Presidente tinha optado por não renovar essa contratação. Gostaria de saber por parte do Senhor Presidente se isso pressupõe alguma opção de retorno dessa competência às Juntas de Freguesia, já no âmbito dos acordos de execução. --------------------------------------Em segundo lugar, e tendo em conta as apreciações que o Senhor Presidente fez no final da sua intervenção, se não faria sentido e, aliás, nós já debatemos também na última reunião esta questão que é o prejuízo que pode estar a causar do ponto de vista daquilo que é a qualidade da nossa decisão em relação ao futuro Setor Empresarial Local, o arrastar desta falta de decisões e de conclusões do grupo de trabalho, se não seria importante por parte do Senhor Presidente impor um cronograma relativamente a objetivos que estivesse sintonizado com aquilo que são as necessidades de agenda que vão sendo colocadas por parte da Câmara. Porque, a verdade, é que já é o segundo caso que nos surge aqui, em que a decisão que se prevê ter de ser tomada no futuro em relação a uma empresa municipal já está altamente condicionada e, portanto, já está, face àquilo que é um cenário assumido pelo Senhor Presidente - isso aconteceu em relação à Oeinerge e acontece também em relação à Habitágua - como um cenário inevitável e com certeza que isso cria constrangimentos e condiciona muito aquilo que poderia ser uma análise de 86 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS viabilidade de diferentes cenários por parte do grupo de trabalho que foi constituído para o SEL.”------ ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da C.M.O. respondeu o seguinte:----------------------------------------------- “Esta minha posição já é fruto do trabalho e da análise crítica do grupo de trabalho, quer relativamente à Oeinerge, quer relativamente à Habitágua. Isto que eu vos acabei de dizer, é baseado naquilo que tem sido o trabalho do grupo de trabalho. Portanto, a única viabilidade da Habitágua é conseguir com a Câmara de Oeiras um contrato-programa para prestar serviços na área das reparações, quando eles têm “know-how”, das pequenas reparações, isto seria também de alguma forma para ganhar dimensão, ganhar volume, no que diz respeito às escolas, na eventualidade de algumas reparações que possam estar fora daquilo que será um futuro acordo com as Juntas de Freguesia. ----------------------------------------------------------------------------------------------- A Habitágua só durante um período, e depois não foi possível firmar, consumiu a verba do ajuste direto que teve nas escolas. Quem hoje faz, depois da saída das Juntas, a reparação das escolas é a Câmara. Houve um período que a Habitágua teve essa tarefa mas depois não se concretizou na celebração dum contrato-programa, portanto, foi-se apenas até ao montante do ajuste direto. Depois a Habitágua teve que parar de prestar esse serviço e a Câmara hoje é quem assegura. No futuro, se eventualmente as Juntas ficarem com essa tarefa, não quer dizer que não haja algumas intervenções de maior monta, eventualmente de maior complexidade, que a Habitágua possa e que deva prestar. Agora, a questão é esta, a habitação municipal será suficiente para manter a atual estrutura da Habitágua? Porque é esse o caminho que o grupo de trabalho refere, no caso de a Habitágua deixar de prestar serviço ao SIMAS, no caso da Habitágua não ganhar o concurso que será lançado de aberturas e de fechos e de cortes, o trabalho que atualmente a Habitágua faz para o SIMAS, ou seja, porque hoje a Habitágua 87 depende cem por cento do SIMAS, certo? Cem por cento. Se a Habitágua perder essa fonte de receita tem que se encontrar outra e, portanto, a dúvida é se nós iremos conseguir - nós Câmara que a Habitágua passe a prestar um outro serviço, porque tem que haver também um ajustamento, porque um canalizador não é um pedreiro, nem é um pintor, mas não quer dizer que alguém que tenha competências de construção civil não possa fazer pequenas reparações na área da pintura, na área das canalizações, da água e esgotos, na área do trabalho de pedreiro, mas aqui a questão que se põe é se será possível contratar com a Habitágua, se não for, não há outra solução que não seja a dissolução da empresa e tentar encontrar uma solução para os recursos da empresa.”-- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------APRECIADA -------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Presidente da A.M. disse o seguinte: ---------------------------------------------------------“Muito obrigado Senhor Presidente. Os dois pontos que se seguem, o décimo e o décimo primeiro dizem respeito à Fundação Marquês de Pombal. A Proposta trezentos e oitenta e quatro é relativa a uma mudança dos estatutos e a trezentos e oitenta e cinco é o Plano de Atividades e Orçamento para o ano de dois mil e catorze. ------------------------------------------------------------Para discutir e analisar estes dois documentos estão abertas as inscrições.” -----------5.10. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 384/2014 - GP - relativa à Adaptação de Estatutos da Fundação Marquês de Pombal (os documentos relativos a esta Proposta ficam arquivados, como anexos, na pasta desta reunião) ----------------------------------------------------5.11. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 385/2014 - GP - relativa ao Plano de Atividades e Orçamento para 2014 da Fundação Marquês de Pombal (os documentos relativos a esta Proposta ficam arquivados, como anexos, na pasta desta reunião) ---------------------------------------------A Senhora Deputada Fátima Rodrigues (PSD) interveio, dizendo o seguinte: -------------------“Nós não vamos dizer muito sobre os estatutos. Os estatutos configuram-se já com 88 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS uma certa modernidade, acresce que a única coisa que consideramos que começou a ter alguma sustentabilidade foi realmente a força que é dada a um pretenso Conselho de Curadores, que agora ele, sim, com poderes claros, bem instituído e bem formado, para remunerar tudo aquilo que não era remunerado, podendo até fixar remunerações. Claro está que isto fica sempre tudo em aberto, até porque, de acordo com aquilo que nós sabemos, muitos foram os indivíduos que trabalharam para a Fundação Marquês de Pombal sem ter registado alguma remuneração, mas este Conselho de Curadores deixa isso em aberto. --------------------------------------------------------------------- Relativamente aos estatutos penso que não temos muito mais a acrescer, porque o que é um facto é que aqueles que estavam em vigor, já tinham algum tempo e decerto que era preciso passar à revisão tendo em conta que estas coisas têm de ter alguma mobilidade. ----------------------- Agora, relativamente ao Plano Anual de Atividades temos aqui algumas coisas a considerar. Relativamente aos estatutos existem aqui dois pontos no artigo cinco que dizem que: “Para a prossecução dos seus fins, a Fundação desenvolverá as ações que os seus órgãos considerem adequadas, cumprindo-lhe, nomeadamente, realizar ou promover: projetos e ações na área social relativos ao apoio à infância, juventude e à proteção dos cidadãos na velhice, terceira idade e doença. Iniciativas de promoção e proteção da saúde, designadamente em relação aos mais desfavorecidos. Projetos de solidariedade e apoio às famílias e à sua integração social e comunitária.” Para uma Fundação que tem parcos recursos isto pressupõe, à partida, que tem de haver algum conforto em matéria financeira porque, por aquilo que nós podemos ver do Plano de Atividades, esta área foi um pouco descurada, nem sequer está bem referida, faz-se só referência ao banco alimentar. Também, relativamente ao Plano de Atividades temos oito folhas de intenções, que é um aglomerado de coisas que se pretendem fazer, plano este que o conselho de administração diz que preparou, apesar de condicionado pela falta de receitas. A todas estas 89 ações que não possam trazer qualquer custo para a Fundação mas que podem apoiar no desenvolvimento do Município de Oeiras, nas áreas artísticas, plásticas, ação social, cultura e desporto, este conjunto de intenções não pode ser uma coisa que nós tenhamos só de intenções. Porque se nós compararmos este plano de atividades com todos os planos de atividades das diferentes fundações deste País, eles têm de ser submetidos a regras específicas. Planifico para amanhã mas tenho de saber, quem, quando e como. E a única coisa que me aparece aqui é dizer, vão ser filósofos, escritores, cantores, vou dizer ao x y z para me fazer uma formação. Ora, como é que depois nós - não sei se é da nossa competência - vamos poder avaliar este plano de atividades? Porquê? Porque não havendo antecipação, nós também não sabemos quando é que as coisas vão acontecer, portanto, eu penso que isto é uma falha neste plano de atividades. Nós não podemos ter aqui um aglomerado de coisas que não estão localizadas no tempo e, segundo nos parece, penso que tanta exigência em tempo de contingência, não sei como é que a Fundação Marquês de Pombal vai conseguir levar estas coisas todas a bom porto. --------------------------------------------Acresce que também faz aqui a intenção do seu site, ora o site que está ali parou em dois mil e sete, da Fundação Marquês de Pombal, penso que ao fim de sete anos já devem saber o que é que vão lá pôr porque, até mesmo agora, nós estivemos aqui a tentar saber como é que estava e continua exatamente como há sete anos. Era urgente que a Fundação Marquês de Pombal fosse uma fundação viva, dinâmica e não um clube de poetas mortos, no mau sentido, que se reúne numa casa de mortos que está geralmente às escuras. Esta dinâmica que é preciso dar a esta Fundação é qualquer coisa que era bom, porque é a única que nós temos aqui, tem espaços com alguma dignidade e precisa de saber o que é que quer e mostrar aos oeirenses aquilo que vale.” - -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Luís Santos (IOMAF) interveio, dizendo o seguinte: ------------------------“Gostaria de dizer que esta alteração dos estatutos está sobretudo restrita à criação do 90 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS Conselho de Curadores que, de facto, fica com poderes claros, inclusivamente de remuneração, mas com uma Fundação sem dinheiro, não sei como é que poderá haver remuneração. Portanto, esse risco, para já, dos Curadores e Administradores, etc., serem remunerados, acaba por não existir. ----- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- A Fundação em si tem objetivos nobres e muito importantes para o Concelho, tendo por fim contribuído para o desenvolvimento nos domínios da ação social, nomeadamente, no apoio a crianças e jovens, às famílias, na promoção da cultura, da educação, da arte, da ciência e do desporto. E, realmente, no plano de atividades, que é como a Senhora Deputada anterior disse e muito bem, é mais um resumo de intenções do que propriamente um plano de atividades calendarizado de forma a saber, de facto, a maneira como é que ele irá ser concretizado. Mas, nesse plano de atividades a fazer fé nas intenções, ele é feito de maneira realista tendo em conta a falta de receitas e daí que o próprio plano chega à triste conclusão de que não lhe é possível implementar o prémio Fundação Marquês de Pombal, está suspenso também o concurso de fotografia e pintura, está suspensa a atribuição de bolsas de investigação científica, enfim, tudo o que requisite dinheiro o Conselho de Administração resolveu suspender, no entanto, as parcerias com as entidades circundantes, estou-me a lembrar da escola de música e outras, essas irão continuar. Também há aqui o propósito que gostávamos muito de ver implementado da criação do museu da rádio na casa cedida por Igrejas Caeiro. Enfim, propõe-se também, na medida do possível, manter a atividade editorial possível. Fazemos coro da opinião anterior também, é pena que não houvesse mais dinâmica e mais dinheiro para que esta Fundação pudesse cumprir melhor os novos desígnios que estão elencados nos seus objetivos.” ----------------------------------------------- O Senhor Deputado Rui Nascimento (PS) disse o seguinte: ----------------------------------------- “Sobre o tema em análise apraz-nos dizer que a Fundação apresenta, e juntamo-nos 91 ao que já foi dito anteriormente pelos colegas deputados, um relatório de atividades que é um elencar de ideias mas não é propriamente um relatório de atividades, que a apreciação deste relatório no mês sete de um ano, parece-nos que já vem um pouco tarde mas também não deixa de ser uma apreciação. Que não deixam de ser umas atividades e à razão do que a Fundação assume que não pode fazer, não deixa de ser um relatório que demonstra bem os tempos que estamos a passar e que exige alguma imaginação da parte da Fundação para poder retomar algumas das suas atividades, que neste momento têm suspensas devido à falta de recursos. Portanto, em relação ao relatório de atividades não temos muito mais a adiantar do que já foi dito aqui anteriormente. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------No que toca aos estatutos é de salientar o que também já foi referido anteriormente da criação de um Conselho de Curadores, que tudo decide no que toca a remunerações e que por enquanto e bem, a nosso ver, pelo que sabemos decidiu manter a não remuneração dos outros conselhos, do Conselho de Administração, do Conselho Fiscal e do Conselho Diretivo. Notamos que falta algo nos estatutos como, não há nada que garanta a incompatibilidade de funções achamos que é algo que falta aqui - não garante que não possa haver sobreposições. Claro que confiamos no bom senso do Conselho de Curadores mas não há nada que poderia estar aqui plasmado nos estatutos, algo que garantisse a incompatibilidade de funções e não há. Portanto, é o que nos apraz dizer sobre a questão.” ----------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Aníbal Guerreiro (CDU) disse o seguinte: ------------------------------------“Senhor Presidente, nós queríamos colocar aqui só três questões, nomeadamente no plano de atividades que aparece aqui para dois mil e catorze e é feita assim uma análise, gostaríamos de saber qual é a contribuição que a Câmara dá para esta atividade da Fundação Marquês de Pombal. Qual vai ser a sua atividade? E se a sua sustentação está garantida? Que não venhamos a ter, lá mais à frente, outro buraco, tendo em conta o património hoje existente acho 92 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS que devia dar-se um grande apoio a esta Fundação.” ------------------------------------------------------------------ O Senhor Presidente da C.M.O. disse o seguinte: ----------------------------------------------------- “Eu não tenho muito a acrescentar, acho que os estatutos estão alterados de acordo com aquilo que é as regras impostas pela atual legislação. ----------------------------------------------------------- O plano também reflete a diminuta capacidade que a Fundação tem de gerar receita, por outro lado, a questão de quanto é que a Câmara, a Câmara faz parte do Conselho de Fundadores, tem um voto como os outros Curadores. Esta Fundação não tem um domínio por parte da Câmara, porque se assim fosse, ela também teria que ter sido extinta e ela manteve-se como uma Fundação de direito privado, em que a predominância não é da Câmara e, portanto, há um conjunto de património, nomeadamente o edifício do Palácio dos Aciprestes, que é municipal e que está cedido à Fundação. --------------------------------------------------------------------------------------------- A Fundação também tem um espólio, tem um património, que inicialmente foi constituído com a entrada dos fundadores e dos beneméritos e o último espólio que recebeu foi do Senhor Igrejas Caeiro que por herança deixou parte do seu património à Fundação Marquês de Pombal e outra parte à Fundação Sarah Beirão. E, portanto, a Fundação vive apenas daquilo que resulta da gestão desse seu património e não há esse receio da Câmara ter no futuro, no presente, qualquer tipo de risco. ------------------------------------------------------------------------------------------ A Câmara tinha um contrato-programa com a Fundação para gestão da Ludoteca da Outurela, que era um projeto interessantíssimo do ponto de vista social mas que no futuro terá que ser a Câmara a assumir porque a lei não lhe permite fazer a transferência ou adquirir esses serviços à Fundação Marquês de Pombal. Portanto, mesmo esse projeto que a Câmara pagava para assegurar a gestão e a manutenção do projeto da Ludoteca - pagava à Fundação - esse projeto terá que regressar para a Câmara e a nossa intervenção nesta Fundação é idêntica à de 93 qualquer outro Curador, de qualquer outro Membro do Conselho de Beneméritos e Curadores.” --------------APRECIADAS ------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Presidente da A.M. disse o seguinte: ---------------------------------------------------------“No ponto doze da Ordem de Trabalhos temos a apreciação do sentido de voto da Câmara Municipal no projeto de restruturação da EIA, sentido de voto este, exercido na Assembleia-Geral da Sociedade, dia vinte de junho de dois mil e catorze.” ----------------------------------------A Senhora Deputada Fátima Rodrigues (PSD) interrompeu dizendo o seguinte: ----------------“Peço imensa desculpa, é uma coisinha muito pequenina que eu gostava de solicitar ao Senhor Presidente do Município, já que tem uma maior relação com a Fundação Marquês de Pombal. ---- -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Lamento que a Fundação Marquês de Pombal não tenha em consideração as parcerias e protocolos que podem fazer com as escolas. Grande parte das atividades que querem proporcionar aqui, de certeza que dentro dos agrupamentos de escolas que rodeiam a Fundação Marquês de Pombal, se vão buscar professores com formação, creditados com mestrados e doutoramentos capazes de fazerem, sem benefício absolutamente nenhum pecuniário, estas formações. Porque, por exemplo, eu estou a ver aqui uma ação sobre asperger de alunos com autismo, a escola de referência de autismo nesta escola está em Miraflores. Eu estou a ver aqui “n” ações, que se a Fundação Marquês de Pombal conseguisse ter uma relação de maior proximidade com as escolas, como já teve, seria extraordinariamente benéfico. ----------------------------------Solicito ao Senhor Presidente que, se puder, tenha isso em atenção. Muito obrigado.” 5.12. Apreciação da Proposta C.M.O. Nº. 391/2014 - GP - relativa à Aprovação do sentido de voto da CMO no projeto de reestruturação societária da E.I.A. - Ensino e Investigação e Administração, S.A., constante da convocatória para a Assembleia-Geral da Sociedade agendada para dia 20 de junho de 2014 (os documentos relativos a esta Proposta ficam 94 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS arquivados, como anexos, na pasta desta reunião) ----------------------------------------------------------------- O Senhor Deputado Joaquim dos Reis Marques (PS) interveio, dizendo o seguinte: -- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- “Neste ponto na discussão gostava de fazer duas perguntas ao Senhor Presidente de Câmara. --- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Na peça que temos em mão sobre a EIA encontramos um documento introduzido abusivamente. É um documento que nem foi aprovado ainda na EIA, não veio até dia trinta de abril, como determina a lei, à Câmara Municipal nem à Assembleia Municipal, são as contas da EIA. As contas da EIA não foram aprovadas, não foram à reunião de Câmara até trinta de abril, como têm que ir da lei, nem à Assembleia Municipal. Como é que fazem parte deste conjunto de documentos?” ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da C.M.O. deu a seguinte resposta: -------------------------------------------- “Senhor Deputado, não tenho memória se foram à Câmara, mas se o Senhor diz, se não foram à Câmara também acho estranho virem diretamente à Assembleia Municipal, mas está ali a Doutora Lurdes Vaz ela pode, se o Senhor Presidente permitir…”-------------------------------------------- A Senhora Doutora Lurdes Vaz interveio, mas dado que o fez com o microfone desligado a audição ficou inaudível. ------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da C.M.O. continuou, dizendo o seguinte: ------------------------------------ “Mas não faz sentido serem apreciadas, antes de serem apreciadas na Câmara.” ------------------- A Senhora Doutora Lurdes Vaz interveio, mas dado que o fez com o microfone desligado a audição ficou inaudível. ------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da C.M.O. continuou dizendo o seguinte:------------------------------------- “Mas porquê que estão inscritas nesta? -------------------------------------------------------95 --------------Senhores Deputados, as contas para apreciação ou para votação devem vir aqui depois de serem apreciadas na Câmara. ----------------------------------------------------------------------------------Mas, Senhor Deputado, o tema não tem aqui contas. O tema desta Proposta é apenas o sentido de voto no projeto de reestruturação societária da EIA, constante da convocatória para a Assembleia-Geral da Sociedade, que foi agendada para o dia vinte de junho de dois mil e catorze, portanto, não há qualquer interesse e acho que este é o tema que nos devemos concentrar na discussão nesta proposta. Agora, é claro que as contas não foram até trinta de abril, a responsabilidade também não é do Município, pois a EIA tinha uma administração, tinha um ROC, tinha um TOC, portanto, as contas virão a esta Assembleia Municipal depois de serem apreciadas na reunião de Câmara. Também não sei porquê que o Senhor Deputado mete o tema das contas, não sei. O pacote que lhe foi distribuído diz exatamente qual é o assunto e aquilo que se pretende que a Assembleia delibere. Agora, se porventura tem aqui as contas é apenas um documento de instrução mas o que se pretende, efetivamente, é que a Assembleia delibere sobre esta proposta de aprovação do sentido de voto da Câmara na reestruturação da EIA.” ---------------------------O Senhor Presidente da A.M. deu o seguinte esclarecimento: ----------------------------------------“A proposta não está para deliberação, ela veio ao abrigo da alínea d) do número dois do artigo vigésimo quinto da Lei setenta e cinco, que diz que é competência da Assembleia Municipal apreciar, com base na informação disponibilizada pela Câmara Municipal, os resultados da participação do Município nas empresas locais ou em quaisquer outras entidades. Portanto, o documento está aqui para nós apreciarmos, para a Assembleia apreciar e as contas não estão aprovadas, não foram discutidas mas vêm no enquadramento - é a leitura que a Mesa faz - da sustentação, da decisão e do sentido de voto.” ----------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Joaquim dos Reis Marques (PS) interveio, dizendo o seguinte: --- -----------------------------------------------------------------------------------------------------96 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- “Senhor Presidente, não vale a pena arranjarmos trocadilhos. Não vêm cá nessa função porque, como agora acabámos de ouvir, só vão à próxima reunião de Câmara, a partir daí é que vêm. Portanto, não vêm cá. Estes documentos foram os que serviram de suporte para o parceiro que a Câmara escolheu ou encontrou para a situação da EIA e foi-lhe fornecido este conjunto. Foi por isso é que eu levantei a questão.” ------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da C.M.O. respondeu o seguinte:----------------------------------------------- “Senhor Deputado, o Senhor levantou a questão para lançar confusão. Foi e eu voulhe explicar porquê. Porque é assim, o Senhor sabe, até melhor do que eu, que as contas não vieram aqui para aprovação. As contas vieram aqui como um elemento instrutório daquilo que se pretende, que é deliberar sobre o sentido de voto. Mas como o Senhor viu aqui as contas achou: “bem, deixa-me lá lançar a confusão” e lançou e fez bem, ou melhor, fez bem em lançar a confusão, agora, as contas serão aprovadas e serão apreciadas depois de virem da reunião de Câmara. Como deve calcular será fundamental para que a discussão sobre esta posição tenha como base aquilo que são as contas, porque se estamos a falar em redução de capital e aumento de capital temos que perceber, à data, qual é o passivo, quais são as dívidas, em que situação é que se encontra a EIA, porque essa informação é fundamental para a decisão que é tomada nessa Proposta.” ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente da A.M. disse o seguinte: -------------------------------------------------------- “Eu julgo que o Senhor Deputado Reis Marques (PS) estava no uso da palavra, fez só uma pergunta prévia. Já acabou? Então, dou a palavra ao Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) se faz favor.” ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) disse o seguinte: ---------------------------------------- “Senhor Presidente…” --------------------------------------------------------------------------97 -------------O Senhor Presidente da A.M. perguntou o seguinte:---------------------------------------------------“É um Ponto de Ordem? --------------------------------------------------------------------------------------Então, Senhor Deputado, peço desculpa. Faz favor.” ----------------------------------------------------O Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) fez o seguinte Ponto de Ordem à Mesa: ---------------“Senhor Presidente, eu peço desculpa mas nós não podemos aceitar que o Senhor Presidente se dirija da forma que se dirigiu à Bancada do PS, para lhe dizer o seguinte: a confusão não foi lançada pelo PS. A confusão está é instalada na Câmara Municipal porque, como é evidente, nenhum documento poderia vir aqui à Assembleia Municipal sem antes ter sido apreciado na Câmara Municipal e, sobretudo, um documento que é estruturante e é, digamos, fundador de uma decisão que foi tomada com as consequências irreversíveis que …” ---------------------------O Senhor Presidente da C.M.O. interrompeu dizendo o seguinte: -----------------------------------“Senhor Deputado no que diz respeito a confusão o Partido Socialista dá meças.” -----------------O Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) continuou dizendo o seguinte: --------------------------“Que fique claro, a confusão não foi lançada pelo Partido Socialista. A confusão está instalada na Câmara neste processo.” -------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Presidente da C.M.O. acrescentou o seguinte: ---------------------------------------------“Na Câmara e no Partido Socialista também.” ------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) continuou dizendo o seguinte: --------------------------“Não, não, nós estamos só a zelar por aquilo que é o rigor dos procedimentos no funcionamento deste Órgão Municipal. É isso que está aqui em causa e, portanto, não nos atire para cima uma responsabilidade que é inteira e exclusiva da Câmara Municipal.” --------------------------------O Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) interveio, dizendo o seguinte: -------------------------“Felizmente da confusão nasce a luz.-----------------------------------------------------------------------O Senhor Presidente da Câmara já disse e muito bem, o PSD está perfeitamente de 98 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS acordo com esta realidade. As contas aparecem aqui como um mero instrumento para que a Câmara que deliberou de uma determinada forma e a Assembleia que vai apreciar essa deliberação possa ter alguma sustentação sobre as razões, de facto, que justificaram uma iniciativa e uma deliberação com as consequências que todos nós sabemos. E se dúvidas existissem basta olhar para a folhas cinco na alínea b), para perceber que um dos fundamentos é a situação financeira da EIA e para sustentar aquilo que aí é referido, necessariamente, tinham que vir juntos os documentos. Grave seria se os documentos que fazem parte de um todo que é esta Proposta, não viessem até à Assembleia Municipal, porque aquilo que forem as nossas palavras relativamente a este documento, também elas terão a ver com a questão da situação financeira da Universidade. Porque necessariamente não terá sido de ânimo leve que a Câmara Municipal deliberou favoravelmente nesta saída de uma universidade que, no fundo, surgiu fundamentalmente por sua vontade e estas contas para nós hão de ser analisadas enquanto contas per si, neste momento o que estamos aqui a tentar começar a analisar é, de facto, esta Proposta trezentos e noventa e um que é muito clara, portanto, para o PSD não há quaisquer dúvidas e aguardamos que a Mesa dê prosseguimento aos trabalhos.” --------------------------------------------------------- A Senhora Deputada Fátima Rodrigues (PSD) interveio, dizendo o seguinte: ------------------ “Bom, com respeito àquilo que nos é solicitado, que é relativamente à posição do Presidente face à situação da EIA, a Bancada do PSD, tem duas posições. A primeira é o total acordo contra o desencargo desde que a cedência das instalações seja a coberto do interesse público local e ter de ser formalizado em pormenor. ------------------------------------------------------------------ Depois, temos mais três aspetos que gostávamos de pôr. Relativamente ao parecer jurídico que apareceu no dia vinte e seis de maio, pela mão do Senhor advogado David Correia, e que no próprio dia também teve parecer da Doutora Ana Cunha, temos em que noventa e cinco 99 por cento da Proposta está fundamentada e tem como base fundamental a cedência ou não cedência de um espaço. Não há em nenhum parecer uma única informação sobre a Carbures, S.A., que tem zero de experiência universitária, que é um grupo industrial tecnológico de Cádiz que fabrica peças em fibra de carbono. Não há nada sobre a história do grupo, experiência universitária, nem sobre as negociações que levaram ao interesse sobre a EIA, nem sobre o projeto universitário que tem, nem sobre a posição que o Ministério tem contra esta matéria, zero. Não há nada de compromisso estratégico do Ministério da Educação sobre o processo de interesse público municipal em matéria universitária, mas sabemos o que vamos fazer com o património municipal edifício usados pela EIA e a cedência com esse compromisso. ----------------------------Há uma coisa que nos inquieta. Primeiro temos de ter a necessidade de um estudo sobre o perfil do grupo comprador e do seu compromisso futuro com a Universidade, porquê? Porque o objeto estatutário, isto está lá bem escrito: a criação e exploração e desenvolvimento de atividades de escola, estabelecimentos e institutos de ensino particular de qualquer grau vírgula, bem como, e pode ser opção, a prestação de serviços à comunidade, designadamente no âmbito das consultadorias, do aperfeiçoamento e formação profissional e cultural e ainda a investigação e a difusão cientifica. A nós não nos preocupa qual vai ser o futuro, a nós preocupa-nos o que vai ser o futuro, principalmente daqueles alunos que lá estão. Há um compromisso efetivo do Senhor Presidente, mas o Senhor Presidente tem o compromisso mas quem tem de ter o compromisso é quem adquiriu e é a própria EIA que tem de ter esse compromisso de saber o que vai fazer com os alunos que lá estão, que ainda não completaram o seu curso e que vão ter de ver uma certificação do percurso que lá tiveram. E, como vocês sabem, há uma problemática que envolve a Universidade Atlântica quanto àquela coisa chamada “A3E´s” da certificação ou não de consideração da Universidade Atlântica enquanto universidade e o reconhecimento das cadeiras que os miúdos fazem lá dentro, se são reconhecidas ou não por outras instituições de ensino 100 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS superior. -- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Portanto, eu penso que o objeto fundamental, o desencargo, eu acho que isso foi ouro sobre azul, porque isto ia ser um barco ao fundo. É pior do que um daqueles jogos que nós jogamos que é a batalha naval. Era um barco de três canos ao fundo. Agora, penso que é preciso ver o que é que se vai fazer com os miúdos que lá estão, com os percursos que eles vão fazer, o que é que vai ser feito com a transferência para outras instituições de ensino e depois, realmente, gostávamos de saber se a Carbures, que é perita em materiais de carbono e até já deu duas cadeiras de rodas para a Federação Desportiva que está a ser implementada em Évora, se vai ou não implementar um Pólo Universitário aqui em Oeiras, ou se um dado dia achará que aqueles edifícios são bonitos demais para ser uma universidade e poderão ser um local de escritórios de uma grande empresa.” ------------------------------------------------------------------------------------------------------ O Senhor Deputado Carlos Coutinho (CDU) interveio, dizendo o seguinte: --------------------- “Em relação a esta matéria suscita-nos uma pequena pergunta com uma breve resposta - digo eu - que é, como é que ficou o capital social depois desta reestruturação?” --------------------- O Senhor Deputado Salvador Costeira (IOMAF) interveio, dizendo o seguinte: --------------- “De facto, como já foi explicado, o que a Câmara quer saber, é o que é que nós pensamos em relação ao sentido de voto que a Câmara adotou relativamente à reestruturação da EIA. ------- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- De facto, analisando os documentos e as contas também são importantes para percebermos bem isto, estejam ou não aprovadas - não vou entrar por aí - a Câmara analisou toda esta situação muito cuidadosamente e definiu uma estratégia. No nosso entendimento, a estratégia está bem concebida. Houve a preocupação da Câmara em tentar encontrar soluções que fossem as menos onerosas para o Município e, nesse sentido, nós estamos de acordo com o 101 sentido de voto que a Câmara adotou.” -----------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) interveio, dizendo o seguinte: ---------------------------“É curioso ouvir o Senhor Salvador Costeira (IOMAF), por quem tenho enorme respeito, Senhor Deputado, dizer que concorda com a estratégia e com o caminho que foi seguido mas não sustenta em que é que se baseia a estratégia, que cenários é que foram ponderados, que diligências é que foram tomadas e, na verdade, o que está aqui em causa é muito grave, é demasiado grave para nós colocarmos até em causa aquilo que são as intenções de alguns envolvidos no que se passou, enfim, no que temos aqui em apreciação. Porque, na verdade, nós sempre acarinhámos nesta Assembleia Municipal e neste Município um desenvolvimento deste projeto que é a Universidade Atlântica, como um foco dinamizador de uma determinada área do território mas também como um fator de diferenciação do nosso Município em relação aos restantes. E isso foi, de facto, ao longo dos anos uma marca que foi potenciadora da imagem e da marca Oeiras, que tanto falamos aqui, e que se revelou ao longo dos anos e é uma avaliação que nós podemos fazer que era um projeto com sustentabilidade. É verdade que, assim como sucede noutras instituições de ensino, nos últimos anos a Universidade foi perdendo competitividade e capacidade de captação de novos estudantes, mas temos de perceber que quando estamos a falar de uma universidade não estamos a falar propriamente de um restaurante ou de um café. Uma universidade vai sedimentando o seu prestígio naquilo que é a qualidade da sua classe docente, naquilo que é a própria experiência que os alunos e os estudantes vão tendo nas sucessivas licenciaturas, nos sucessivos anos de licenciatura, nas pósgraduações, isso demora tempo e vai-se ganhando e, portanto, este é um ativo que não pode ser desconsiderado quando se pondera o futuro de uma universidade como se ponderou. ----------------------------E aquilo que nós percebemos é que face a uma situação de desequilíbrio, que percebemos perfeitamente que pode ser conjuntural atendendo ao contexto de dificuldade e de 102 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS crise económica que estamos a viver, a Câmara Municipal o que faz é atirar o problema para fora da sua responsabilidade, é abandonar os estudantes, abandonar as famílias, os estudantes que estiveram, que passaram pela Universidade Atlântica, e os que estão neste momento na Universidade Atlântica, foi essa opção, abandonar a Universidade à sua sorte, entregando a um privado que, como já foi dito aqui, não tem qualquer tipo de experiência na área do ensino e na investigação universitária. Sabemos também que entrega a Universidade sem ter acautelado e estamos a falar de uma lei que já vem de dois mil e oito, Regime Jurídico de Instituições de Ensino Superior, que impunha um conjunto de requisitos que foram completamente desconsiderados nos últimos anos por responsabilidade também da Câmara Municipal que, como sabemos, é um acionista maioritário, do ponto de vista estritamente jurídico da lei, não se pode considerar um acionista dominante mas, de qualquer modo, claramente, a maior participação é da Câmara e, com certeza, que a partir dessa participação a Câmara tem uma grande influência sobre os destinos e sobre a gestão da Universidade. E aquilo que nós percebemos é que, perante aquilo que foi a incapacidade de responder aos desafios e aos constrangimentos do contexto atual de atualizar o projeto de universidade de forma a garantir viabilidade do futuro, o que a Câmara decidiu fazer foi, à primeira oportunidade e perante uma dificuldade financeira, entregá-la a um privado sem experiência e sem projeto educativo e pedagógico assumido para o futuro da Universidade. E não basta estar referido naquilo que foi já aqui considerado o contrato de utilização, de que a utilização será para um Campus Universitário. Não basta isso. A Câmara, para entregar e para permitir que esta operação fosse concretizada, tinha de ter outro tipo de garantias. E é bastante revelador e demonstrativo sobre aquilo que pensa a Câmara Municipal sobre o futuro da Universidade quando numa declaração de voto, o texto de declaração de voto que está em anexo e que vem na instrução deste processo, o próprio Presidente de Câmara 103 admite o cenário da Universidade não ter viabilidade no futuro. No fundo, solicitando aos restantes acionistas que pelo menos se garanta a transferência dos estudantes para outras universidades. Ora, isto nem sequer devia estar em cima da Mesa, esta possibilidade. Quando a Câmara teve as responsabilidades que teve no passado desta Universidade, investiu muito também nesta Universidade, não só em termos de recursos humanos mas também de recursos financeiros e aquilo que a Câmara está a permitir, e permitiu, porque a verdade é que o Senhor Deputado Salvador Costeira (IOMAF) falava aqui, o que importa agora é dizer à Câmara o que é que nós achamos sobre isto, bom nós podemos achar aquilo que quisermos, a verdade é que o facto já está consumado. E o que está aqui em causa é uma decisão tomada e assumida pelo Presidente da Câmara, no memorando de entendimento de fevereiro deste ano, e de fevereiro até julho nunca o Presidente da Câmara veio aqui perguntar-nos quando ainda tínhamos possibilidade de poder condicionar, propor, ou sugerir caminhos alternativos, nunca cá veio o Presidente da Câmara perguntar o que é que nós achávamos sobre isto, sobre este cenário. ---------------------Eu gostaria de saber, por parte do Senhor Presidente da Câmara, se porventura houve contactos com grupos privados do ensino superior? Se tinham interesse em poder associar-se como parceiros para dar viabilidade ao futuro? Se o fez, porquê que esses documentos e esses contactos não estão aqui devidamente referenciados na Proposta, tal como ela é apresentada? Nacionais e estrangeiros. Que caminhos foram equacionados, que alternativas foram equacionadas, que davam outras garantias relativamente ao futuro desta Universidade, aos professores, aos alunos, às famílias? --------------------------------------------------------------------------------------Aquilo que sabemos é que, neste momento, a Universidade vai fazer um caminho, no qual a Câmara Municipal deixou de ter qualquer tipo de capacidade de influência, porque passou a ter uma participação absolutamente irrisória do ponto de vista societário e, portanto, ficamos nas mãos de uma entidade privada, sem qualquer tipo de experiência na área do ensino 104 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS universitário e com isso naturalmente, com o inerente prejuízo naquilo que pode ser a imagem da Universidade, como, digamos, Universidade de prestígio e credível para potenciais candidatos a frequentarem cursos e que, no fundo, são o substrato da Universidade. Portanto, vemos com muito ceticismo, não só a forma como este processo foi construído mas também com muito ceticismo, aquilo que pode ser o futuro da Universidade. Deixando estas reservas e esta avaliação crítica do que se passou, esperamos naturalmente que as coisas possam correr bem, mas não vemos, nos elementos que nos foram fornecidos, informação que nos permita olhar com otimismo o futuro desta empresa e da Universidade.” ----------------------------------------------------------------- A Senhora Deputada Alda Matos (PS) interveio, dizendo o seguinte: ----------------------------- “Complementando o que foi dito pelo meu colega de Bancada havia dois comentários que eu gostaria de fazer, embora como o assunto já está resolvido ficam só em ata digamos, que é o seguinte: ------------------------------------------------------------------------------------------------- Primeiro, por vezes os cursos não correm bem e é preciso fechá-los. Por exemplo, a Universidade Católica de cada vez que fecha um curso tem a preocupação de ver noutras instituições quem é que vai acolher aqueles alunos, portanto, é um exemplo que existe no mercado - a Universidade Católica é privada - que poderia eventualmente ter sido acautelado. ---------------- Outro comentário que eu quero dizer é o seguinte: atendendo ao tipo de negócio que foi feito, o que é que acontece? É uma operação harmónio, ou seja, há uma diminuição do valor do capital social, a seguir entra o novo acionista e são alteradas todas as participações dos acionistas na nova sociedade. O que quer dizer que nesta nova sociedade a participação da Câmara é muito irrisória, ou seja, se não foi acautelado antes deste acordo não há muito mais possibilidade da Câmara interferir, porque é assim, nas Sociedades mandam os acionistas, os maioritários mandam mais e aqueles que ficam com participações ditas minoritárias, do tipo dois 105 e meio, cinco por cento, não mandam nada ou muito pouco e, portanto, o que não tiver sido acautelado já não será mais.”-----------------------------------------------------------------------------------------------A Senhora Deputada Fátima Rodrigues (PSD) interveio, dizendo o seguinte: -------------------“Eu só queria, em defesa do Senhor Presidente da Câmara, dizer dois apontamentos. --------------Eu penso que não está em causa sequer o não ter visto a possibilidade da Universidade Atlântica. A Universidade Atlântica era uma instituição sem fim, uma instituição morta. A Universidade Atlântica não tinha prestígio no mercado. A própria Universidade Católica, ou Universidade Lusófona, ou Universidade Lusíada, fecharam polos de cursos aqui na nossa zona. A Universidade Atlântica não tinha um corpo docente doutorado pertencente à própria casa. Na Universidade Atlântica poucos eram os professores com doutoramento. A Universidade Atlântica vivia de prestação de serviço de alguns professores e alguns indivíduos que iam para lá dar aulas. Não tinha credibilidade. A Universidade Atlântica tinha a média mais baixa para se lá entrar. A Universidade Atlântica tinha mais de sessenta por cento dos seus alunos sustentada por subsídios dados pela Câmara. Eu não estou a dizer, penso que, nenhuma mentira. A Universidade Atlântica não podia sobreviver mas podia ter tido outro rumo, podia ter ficado nossa, é a única diferença, porque a Carbure nós não sabemos quem é. Agora, que a Universidade Atlântica estava a morrer e a Universidade Atlântica nasceu de um sonho, há dezoito anos, Ana Benavente e do Professor, como é que ele se chamava? (o Senhor Deputado Reis Marques (PS) há bocado tinha-me dito) e durante estes dezoito anos foi sendo alimentada alternadamente PS/PSD, isto é uma zona de amamentação, só que estas zonas há dez anos atrás era tudo muito bom, porque as pessoas fortificavam e os cursos iam sendo sustentados e isso morreu. Morreu porque se nós tivermos a honestidade de ver quem eram os professores da Atlântica, estavam de todos os lados, isto foi um polo de acolhimento para todos os Partidos. Não vamos cá esconder as coisas. Agora, que não prestava, não prestava. Os últimos dez anos 106 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS foram decadentes e não foi a Câmara que fez o negócio, foi a EIA, porque não foi o Senhor Presidente Doutor Paulo Vistas que se lembrou de ir fazer o negócio e pegar em armas, porque realmente quem estava à frente da EIA e o seu Conselho de Administração e os seus reitores, sabiam perfeitamente o que é que se lidava. Só que, o que acontece aqui muitas vezes é que nós não falamos naquilo que é realmente importante e perdemo-nos com minudências, com jogos de poder, porque aquilo que é realmente importante nunca há cara para se dizer e nós temos de dizer aquilo que é verdade. A Universidade Atlântica estava a morrer, ninguém queria um filho seu posto na Universidade Atlântica. O meu não ia, nem os vossos. Porque um curso que tem como média de aceitação nove valores não é um curso com credibilidade em lado nenhum, foi no tempo do Professor Macedo. Mas eu não acredito sequer que o Doutor Paulo Vistas não tenha tido isso em linha de atenção. Claro que tem que ter isso em atenção mas agora temos de ver, se calhar vamos ter de encaminhar os jovens - ai, pois vamos ter - a Católica encaminha, pois encaminha, mas a Católica quando põe o miúdo no mercado, sabe que o miúdo fica logo aceite e a Atlântica, como é que é? Como é o currículo? Qual é a universidade que o reconhece? Porque não se esqueçam que aquilo é a Universidade Atlântica mas não tem estatuto de Universidade, isso foi bem expresso naquilo que está escrito e a gente às vezes esquece-se dessas linhas que são escritas.” -- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Deputado Luís Santos (IOMAF) interveio, dizendo o seguinte: ----------------------- “Era também para dizer que o Grupo IOMAF não partilhava, nem por sombras, com o que o Partido Socialista disse sobre esta solução. Ao contrário, queremos uma vez mais, porque já o fizemos na sessão anterior, relevar o empenho da Câmara em salvar a Universidade Atlântica porque se não fosse o que foi conseguido hoje estaríamos então aqui a falar na falência e na destruição de tudo o que a Universidade tinha para os alunos, para as famílias, para o 107 Município. Isso é que era a realidade, talvez aí, então, o Partido Socialista se sentisse mais confortável. Mas hoje não, hoje falamos num projeto que está assegurado, que temos a convicção de que vai resultar evidentemente. Mas, pelo menos, hoje temos a certeza de que não vamos falar que a Universidade acabou no Concelho de Oeiras e que a Universidade Atlântica faliu completamente. Ao contrário, temos um caminho, temos uma luz aberta, isso é que é importante relevar e era esta ideia que queríamos realçar bem no nosso Grupo.” -----------------------------------------------O Senhor Deputado Feliciano Bernardo (BE) disse o seguinte: ------------------------------------“O que me parece de toda esta informação é que, efetivamente, a Câmara em termos, de certa forma, pragmáticos, fez uma retirada estratégica no sentido de não onerar mais o património municipal, porque efetivamente a Universidade Atlântica, como disse ali a Deputada Fátima (PSD), não tinha qualquer credibilidade no mercado. E, portanto, nesta situação de empresas municipais, nesta confusão que se gerou agora com a saída das novas leis, etc., efetivamente, foi uma retirada estratégica e de certa forma minimizou os estragos que esta situação iria criar à Câmara. Portanto, sob o ponto de vista pragmático e das finanças da Câmara foi a saída possível. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------Sobre a questão do projeto futuro, quer dizer, isto agora é evidente que não sabemos muito bem o que é que irá acontecer, portanto, temos de aguardar. Mas, eu penso que de qualquer das maneiras seria impossível à Câmara neste momento fazer melhor dada a situação económica.”-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Presidente da C.M.O. deu os seguintes esclarecimentos: ---------------------------------“Em primeiro lugar quando se diz que a Câmara deveria ter feito assim ou assado, eu gostaria que concretizassem. O Partido Socialista tem que justificar o seu voto contra e tem que justificar a sua posição. No fundo, é uma posição contra os alunos, contra o futuro da Atlântica, contra o futuro da Universidade. Por uma razão, porque diz: “a Câmara devia ter encontrado 108 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS outras formas”. Que formas? A Câmara não tinha sequer como transferir dinheiro para a Atlântica. Neste momento, por força da Lei Cinquenta, a Câmara não tinha qualquer hipótese de transferir dinheiro para a Atlântica. A Atlântica estava a dar entre oitenta a noventa mil euros de prejuízo por mês. A Atlântica, se não fosse realizada esta Assembleia-Geral no mês de julho não tinha dinheiro para pagar vencimentos. No mês de julho, a Atlântica já não pagou o serviço da dívida respetiva para poder pagar as prestações sociais e os vencimentos, ou seja, se não tivesse havido esta “operação harmónio”, a Atlântica deixava de pagar salários e a Atlântica encerrava, pura e simplesmente. E não havia forma de encontrar soluções, porque como os Senhores sabem, se não sabem eu digo-vos, há cursos na Universidade Atlântica que não têm colocação noutras universidades. Haverá facilidade nos cursos de enfermagem, haverá facilidade nos cursos de gestão, não haverá noutros. ------------------------------------------------------------------------------------------------ Portanto, é pura demagogia por parte do Partido Socialista quando diz que a Câmara não acautelou. A Câmara não tinha outro caminho. Mais, a Câmara não podia sequer ter outra atitude, porque reparem, a redução do capital é uma obrigatoriedade legal por força dos prejuízos acumulados, portanto, tinha que reduzir capital. Depois o aumento de capital foi feito por parte dos outros parceiros com base nas prestações assessórias que lá estavam e a Câmara, porque não o pode fazer sem autorização do Tribunal de Contas, sem autorização das entidades, nomeadamente da DGAL, manteve lá as prestações acessórias e não foi aumento de capital porque isso configurava numa aquisição. E por força disso, porque não foi ao aumento de capital, ficou com dois por cento e a entidade Carbures, não foi escolhida pela Câmara, porque se fosse esta ou outra entidade qualquer que chegasse a uma Assembleia-Geral e que pusesse o dinheiro, como a Carbures pôs, para o aumento de capital não é a Câmara que diz: “não, não, o Senhor não tem projeto académico, portanto, faz favor de sair da Assembleia-Geral, não põe 109 cheque nenhum”. Mas, desculpem lá - graças a Deus que chegou a Carbures. Eu falei com todos os grupos que hoje gerem universidades privadas, está tudo à beira da falência, está tudo sem liquidez. Estava tudo disponível para fazer parcerias, mas não é de parcerias que a Universidade Atlântica precisava, era de dinheiro, era de liquidez imediata no curto prazo, e vêm-me dizer que eu não falei para parcerias? Eu falei com a Lusófona, eu falei com a Autónoma, eu falei com a Laureate, eu falei com entidades estrangeiras gestoras de universidades - ninguém estava interessado. Tudo estava interessado em fazer parcerias mas a parceria não representa dinheiro. --------------E, reparem, a Universidade Atlântica, repito, estava a ter um prejuízo mensal na ordem dos oitenta a noventa mil euros. -----------------------------------------------------------------------------------A Universidade Atlântica tinha um milhão de dívida de alunos. ---------------------------------------A Universidade Atlântica tinha um milhão de suprimentos. --------------------------------------------A Universidade Atlântica tinha um milhão de dívida a bancos e um milhão a fornecedores. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------Agora, dizer que a Câmara podia ter feito assim e que a Câmara perdeu agora o domínio, graças a Deus que perdeu o domínio. Porque a Carbures não tem “know-how” para gerir projetos universitários e as Câmaras têm? As Câmaras têm competência para gerir? Vê-se, basta analisar aquilo que foi a gestão ao longo das últimas décadas da Universidade Atlântica. ----------------Agora, dizer que a Universidade Atlântica não tem qualidade. Eu quero dizer, para que fique em ata, eu não concordo. ---------------------------------------------------------------------------------------A Universidade Atlântica que eu conheça não tem nenhum caso Relvas. ----------------------------A Universidade Atlântica não tem nenhum caso Sócrates. ----------------------------------------------Portanto, se houve universidades neste País que tiveram esses casos a Atlântica não teve, pelo menos que se conhecesse. A Universidade Atlântica formou quadros que hoje trabalham na Câmara de grande qualidade e de grande capacidade. Mais, a Universidade 110 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS Atlântica formou um Vereador desta casa, que tem toda a competência e que tem demonstrado toda a capacidade de trabalho e dos conhecimentos adquiridos. ----------------------------------------------------- A Universidade Atlântica formou profissionais que hoje estão a trabalhar em empresas, em organizações, quer no território nacional, quer no território internacional. Agora, dizer que a Universidade Atlântica, que também era os professores da Universidade Atlântica, quem sou eu para avaliar professores, Senhora Deputada. Eu parto do princípio que alguém que é professor tem capacidade, que alguém que é professor tem competência, seja de onde for, da universidade “a”, da universidade “b”, ligado ao grupo “a”, ao grupo “b”. Eu acho que alguém que é académico, por princípio, já foi avaliado. Alguém que é académico, por princípio, tem competências para ministrar cursos e, portanto, a Universidade Atlântica prestou nesse sentido um bom serviço. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O que estamos aqui a falar é da EIA e da gestão desta e aquilo que estamos aqui a falar e que eu reafirmo que é demagogia pura, populismo, dizer: “que a Câmara não acautelou, a Câmara podia ter ido por outro caminho”. Mas não dizem o caminho, sabem porquê? Porque não há. A Câmara não podia, não tinha possibilidade de pôr um euro na tesouraria da EIA. A Câmara não tinha capacidade para transferir, como fez no passado, milhões, nomeadamente, na reaquisição daquele edifício novo que lá está, foram cerca de três milhões que a Câmara pôs na EIA. E hoje, por força da lei, a Câmara não teve essa possibilidade. A única coisa que restava era alguém que viesse ao aumento do capital e que assumisse e que pusesse. Reparem, a Carbures pôs um milhão cento e cinquenta mil euros, não foi cento e cinquenta mil euros apenas, foi um milhão cento e cinquenta mil euros em cheque no dia da Assembleia-Geral. E foi esse dinheiro que permitiu a continuidade do pagamento de salários e das despesas de funcionamento da Universidade Atlântica. Eu não acredito que uma empresa se disponibilize a pôr um milhão 111 cento e cinquenta mil euros e que, pronto, não tem projeto académico, não percebe nada do assunto, não analisou, por capricho. Eu não acredito. ------------------------------------------------------------------Agora, mas com que direito é que eu, acionista, numa Assembleia-Geral? Eu não tenho capacidade, nem possibilidade de ir ao aumento de capital, mas se alguém vai ao aumento de capital não é a Câmara que diz: “não, o Senhor não, o Senhor faça favor não ponha o cheque porque o Senhor não tem capacidade para ir ao aumento de capital.” Mas porquê? A lei não me impede de ir ao aumento de capital e foi. E foi ao aumento de capital com a respetiva liquidez. A Câmara fica com dois por cento, por acaso tem assento e continua com assento no Conselho Geral e de Supervisão mas não tem assento na Administração. Ainda bem. ---------------------------------------Em minha opinião a Câmara de Oeiras não tem capacidade, não tem vocação, não tem competências, para gerir um projeto universitário. Pode e deve, sem dúvida, apoiar, acarinhar, gerir parcerias, agora, administrar, não creio.---------------------------------------------------------------Por outro lado, não sei onde os Senhores Deputados foram buscar a ideia do encerramento de cursos, porque ainda não encerrou curso nenhum, nem esta Administração anunciou que iria encerrar cursos. O que foi dito é que iriam desenvolver todos os procedimentos de creditação junto da “A3ES”, para dotar a Universidade dos doutoramentos, do corpo discente, porque é preciso haver no mínimo seis doutoramentos acreditados para se ser universidade, de novos cursos e, portanto, todo o projeto terá que ser introduzido nas plataformas respetivas, terá que ser analisado pela entidades competentes, porque também não é uma Câmara Municipal que tem capacidade para analisar um projeto universitário. Dizer: Câmara Municipal está aqui um projeto universitário faz favor de analisar, quer dizer, eu não conheço ninguém na nossa estrutura orgânica que saiba analisar um projeto académico, um projeto universitário. Mas poderia recorrer a outsourcing e ir buscar um consultor, há entidades que o devem e que o têm que fazer. São as entidades que vão acreditar, são as entidades que têm que fiscalizar, são as entidades 112 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS inspetivas da Secretaria de Estado e da Direção Geral do Ensino Superior e, portanto, eles irão fazer o seu trabalho e dizer: “Como é que a Câmara deixa?”. A Câmara deixa? A Câmara não tem que deixar. Ainda bem que apareceu alguém nesta altura e, quero-vos dizer, eu tive receio que à última da hora esta entidade, a Carbures, se arrependesse de pôr o cheque, porque no mês seguinte, como aqui foi dito, não estávamos a falar do futuro da Atlântica, nem da EIA, estávamos a falar da falência, do fecho. E porque é que os Senhores acham que todos os outros acionistas se disponibilizaram também para colocar os seus suprimentos, o dinheiro que lá tinham posto, e transformá-lo em capital? Porque é dinheiro que no curto prazo, nem no médio prazo, não o vão ver. O suprimento é um empréstimo e capital é capital, está lá, pode ou não um dia vir a ser remunerado. Porque é que acham? Porque todos preferiram ir por esse caminho do que pelo caminho da falência. Ter que pagar indemnizações. Ter que suportar também aquilo que é um custo que diz respeito ao encerramento de uma universidade, porque efetivamente uma universidade não é uma mercearia, como também aqui já foi dito. Acham que os privados, os acionistas privados que fazem parte da EIA, também não analisaram isso? Claro que analisaram e chegaram à conclusão que era o único caminho. E dizer: “bem a Câmara não acautelou, a Câmara podia ter ido por outro caminho”. Digam-me o caminho? Qual era o outro caminho? O outro caminho era estar encerrada a Universidade. O outro caminho era estar um conjunto de alunos sem curso, era estar um conjunto de alunos sem possibilidade de terminar os seus cursos, a sua formação, e era um caminho em que esse sim iria denegrir a imagem dos antigos e dos atuais alunos da Universidade Atlântica. -------------------------------------------------------------------------------- Portanto, eu espero, sinceramente espero, que haja capacidade por parte da atual Administração da EIA, de gerir bem aquela Universidade. De investir e ter a capacidade para investir dentro daquilo que é necessário para acreditar a Universidade Atlântica como 113 Universidade. E espero sinceramente que a Universidade continue a prestar um bom serviço, continue a formar bons profissionais, que continue a lançar no mercado pessoas que podem efetivamente em Portugal, ou no estrangeiro, conseguir colocação para terem uma carreira profissional dentro da sua área, ou dentro da área que escolheram. --------------------------------------------------Quero-vos dizer também o seguinte: -----------------------------------------------------------------------Não é um problema conjuntural, é um problema verdadeiramente estrutural, porque o ensino superior hoje em Portugal, e não é só com a Atlântica, tem um problema que é o problema da natalidade. -----------------------------------------------------------------------------------------------------Está ali um Senhor Deputado que sabe as dificuldades que passa uma escola pública, de qualidade, de grande qualidade reconhecida e comprovada, como é a Escola Náutica. Isto porquê? Porque a natalidade está a fazer, e vai continuar a fazer, que o número de alunos que chegam ao ensino superior seja um número mais diminuto. Portanto, todas as universidades privadas, à partida porque não têm a vantagem competitiva de uma universidade pública no que diz respeito também ao valor das propinas, estão pela rua da amargura. --------------------------------------------Quero-vos dizer, eu falei com os grupos que gerem a Universidade Autónoma, a Universidade Lusófona, a Laureate que agora é Universidade Europeia - era o ISLA e passou para Universidade Europeia - e, portanto, eu tomei consciência do que é hoje o negócio das universidades e as dificuldades pelas quais passam todos esses grupos que gerem negócios na área universitária. E esta opção, não sei se foi a melhor opção, mas foi a única opção possível. Primeiro, por força, como disse, dos resultados negativos a redução de capital, era obrigatória. E depois, com a presença da Carbures, o aumento de capital e a transformação das prestações acessórias em capital por parte dos já existentes acionistas. A Câmara não o pôde fazer e, portanto, ficou apenas com dois por cento do capital. Sendo que, os imóveis estão cedidos mediante uma avaliação e um valor que a EIA passou a pagar, que não pagava e que passou a 114 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS pagar, e que tem a obrigatoriedade de serem utilizados para aquele fim, para aquele uso. Portanto, não se põe aqui o risco de dizer: bem, agora vem a Carbures, vem um aumento de capital e no futuro deixam de ser utilizadas aquelas instalações para dar aulas, para a atividade académica e passa para a instalação de sede de empresas ou para atividade imobiliária. Portanto, isso não é possível e isso está salvaguardado. Por conseguinte, como devem calcular, a Câmara não tem qualquer interesse que a Universidade Atlântica saia daquele complexo da Fábrica da Pólvora, saia de Barcarena e aquilo que nós queremos, e acreditem que nos vamos empenhar mesmo só tendo dois por cento de capital, é que este projeto ande para a frente, possa continuar a ser uma realidade e possa continuar a conferir valor aos nossos jovens.” ------------------------------------------ O Senhor Presidente da A.M. disse o seguinte: -------------------------------------------------------- “Muito obrigado, Senhor Presidente. ---------------------------------------------------------------------- Senhor Deputado, o debate acabou, só para esclarecimentos e não devem ultrapassar três minutos, diz o nosso Regimento.” ----------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) disse o seguinte: ------------------------------------------ “Senhor Presidente, eu fui interpelado pelo Senhor Presidente da Câmara para mostrar o caminho alternativo. De qualquer modo Senhor Presidente e utilizando a figura da interpelação, perguntar ao Senhor Presidente da Câmara se não era caminho alternativo quando este País, a Europa, viu o paradigma do ensino superior mudar com a Convenção de Bolonha, que viu em Portugal em dois mil e oito um novo regime jurídico das instituições de ensino superior que apontava um caminho de maior rigor e exigência e interpelava as instituições de ensino superior a promoverem parcerias, que a Universidade Atlântica e os Administradores da EIA tivessem ido nesse caminho. ----------------------------------------------------------------------------------------- As pessoas que foram escolhidas por este movimento político que nunca nos seus 115 programas políticos disse que queria extinguir ou admitia privatizar ou entregar por inteiro a Universidade Atlântica a entidades privadas. Nunca o assumiu e, portanto, aquilo que está aqui em causa, também é a falta de escrúpulo democrático do Senhor Presidente de Câmara e do seu movimento político que nunca disse aqui que admitia que a Universidade Atlântica fosse gerida apenas por entidades privadas, que a Câmara sairia. -------------------------------------------------------------------O problema estrutural que aqui falou não é da natalidade é um problema de qualificação dos portugueses e esse vai durar infelizmente durante anos. E nós conseguimos, naqueles anos em que as contas estavam a funcionar melhor para a Universidade Atlântica e para outras universidades privadas, motivar os portugueses, nomeadamente em termos de educação ao longo da vida, voltarem à universidade para fazerem as suas pós-graduações e sabemos, que esses portugueses que foram vítimas de um corte brutal nos seus rendimentos, que saíram das universidades. Por isso é que eu digo que há também aqui problemas de contexto. -------------------------------Agora, Senhor Presidente, o caminho alternativo era ter feito as escolhas no momento certo por parte do seu movimento político, porque o Senhor Presidente não chegou agora ao Executivo Municipal. Não foi o PS que nomeou para a Administração da EIA pessoas sem experiência no ensino superior, pessoas que vinham do setor das águas ou que são Presidentes de Junta pelo seu movimento político e, portanto, se havia problemas e se havia falta de massa crítica na área do ensino superior teria tido tempo, porque já é Presidente de Câmara há mais de um ano, para escolher pessoas para a administração que tivessem acautelado o futuro da Universidade com uma presença forte e credível da Câmara Municipal de Oeiras na gestão da empresa e isso a Câmara Municipal não o fez e gostava que respondesse por isso. -------------------------------Agora, quero terminar esta interpelação dizendo o seguinte: há uma coisa em que estamos de acordo foi a mais-valia que esta Universidade significou para a vida de muita gente, professores e estudantes que hoje dão cartas em várias áreas profissionais, áreas que têm a ver e 116 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS que tiveram o seu sentido em termos de escolha de cursos e de estratégia da Universidade pelo menos há dez anos atrás e que, no fundo, acabou por ser a marca identitária da Universidade e, portanto, não vamos pelo mesmo caminho que o PSD, esse sim, demagogicamente e rasgando tudo aquilo que disse no passado ao longo de anos sobre a Universidade Atlântica, nós não vamos por esse caminho. Nós queremos que a Universidade Atlântica continue, que mantenha o prestígio que tem e que é muito inerente e decorre daquilo que é a participação e contributo que o Município deu ao longo dos anos para o seu futuro e para a sua presença no nosso Concelho e, portanto, Senhor Presidente, havia um caminho alternativo e era importante que o Senhor Presidente tivesse dito aqui por que é que não o seguiu, a tempo.” ------------------------------------------------- O Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) interveio, dizendo o seguinte: ------------------------ “O PSD foi interpelado e não se pode calar depois desta demagogia que o Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) já nos habitou. Nós estávamos aqui a discutir uma questão local, a EIA, e já estamos a discutir a questão nacional. ------------------------------------------------------------------------ Dizer ao Senhor Deputado do PS o seguinte: ------------------------------------------------------------- O Partido Social Democrata honra-se de tudo aquilo que fez, do mal e do bom, por que, como já foi hoje aqui dito muitas vezes e os Senhores reconheceram, é com os erros que se vai aprendendo. Nós aprendemos a caminhar caminhando. E o que se passa, de facto, e o que se passou nesta Universidade, não tem nada a ver com aquilo que o Senhor Deputado vem dizer, questões financeiras, questões económicas, não fala nas questões demográficas, portanto, o que se passa, de facto, aqui, se nós vamos falar em termos nacionais do que se passa neste Concelho, se calhar, estamos a voltar a ir lá mais atrás, por exemplo ao governo do seu predileto José Sócrates. Portanto, não vou falar aqui, porque não estou na Assembleia da República, deixemos para os Senhores Deputados na Assembleia da República. ----------------------------------------------117 --------------A questão é muito simples, se nós estamos como estamos e felizmente o povo português está a perceber, não é por acaso que vocês nunca foram governo neste Município e….” --------------O Senhor Presidente da A.M. interrompeu, dizendo o seguinte: -------------------------------------“Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) agradeço que não use da palavra sem a Mesa lha dar, porque senão, peço desculpa e pedia ao Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) que terminasse.” -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Jorge Pracana (PSD) continuou, dizendo o seguinte: ------------------------“Senhor Presidente, eu já parei porque senão daqui a uma hora ainda estou a falar e necessariamente são vinte e cinco para as nove, o que significa que aquela minha proposta de não haver intervalo se justificou perfeitamente e temos um jantar marcado que espero que seja ainda hoje. Eu já tinha terminado, muito obrigado Senhor Presidente.” ---------------------------------------------O Senhor Deputado Nuno Campilho (U.F. Oeiras e S. Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias) fez a seguinte intervenção: ----------------------------------------------------------------------------“Eu estava aqui sossegadinho, no meu canto, mas como não quero que o Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) julgue que há aqui algum processo de intenções pode pôr o nome, na pessoa das águas e no Presidente da Junta. Assumo todas as minhas responsabilidades enquanto administrador não executivo e volto a frisar “não executivo” da EIA, entidade instituidora da Universidade Atlântica. -----------------------------------------------------------------------------------Tive o grato prazer de lá estar num período áureo daquela Universidade e voltei, por pouco meses, curiosamente para substituir um administrador que ao que sei, não há qualquer tipo de processo de intenções da minha parte, terá sido indicado pelo Partido Socialista. Não farei qualquer referência quantitativa ou qualitativa à pessoa que substituí, que fique claro. Mas ao que sei, e corrijam-me se eu estiver errado, substitui por poucos meses já em fase descendente da Universidade Atlântica o administrador que tinha sido indicado pelo Partido Socialista. E, 118 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS portanto, para que não haja qualquer tipo de processo de intenções termino dizendo: o Senhor das Águas e o Presidente da Junta Nuno Campilho, presente.” ------------------------------------------------------ A Senhora Deputada Fátima Rodrigues (PSD) disse o seguinte: ---------------------------------- “Só queria dizer uma coisa relativamente àquilo que disse o Senhor Presidente, quanto aos professores da Universidade Atlântica. -------------------------------------------------------------------- Infelizmente os currículos dos professores da Universidade Atlântica estão espelhados no site. Basta ir clicar no nome de cada um dos docentes da Universidade Atlântica e eu estou a reportar-me a um período de tempo determinado, cinco anos, porque, tal como disse ali o Senhor Deputado Nuno Campilho (U.F. Oeiras e S. Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias), a Universidade Atlântica, reafirmo, teve um período áureo, realmente áureo e muito significativo. Agora, quanto às habilitações, elas estão todas espelhadas basta clicar nos muitos professores que tem a Universidade Atlântica para se ver qual é o percurso académico deles.” ---------------- O Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) referiu o seguinte: ---------------------------------------- “Senhor Presidente, só quero esclarecer para não ficarem dúvidas, eu não personalizei e não indiquei nomes porque a minha questão não tem a ver com a pessoa em concreto. Tem a ver é com a importância que teria nós termos, se calhar, escolhido pessoas para a administração quando percebemos que estava em causa um processo de degradação do projeto académico da Universidade que tivessem experiência nesse setor e que pudessem ser uma maisvalia. É isso só, não tem nada a ver com a pessoa. Gostava era de perceber porque é que o Senhor Presidente da Câmara não o fez, em tempo.” ------------------------------------------------------------------ O Senhor Presidente da A.M. disse o seguinte: -------------------------------------------------------- “Então, para terminarmos o debate e a apreciação hoje desta Proposta dou a palavra ao Senhor Presidente da Câmara.”---------------------------------------------------------------------------119 --------------O Senhor Presidente da C.M.O. deu o seguinte esclarecimento: ------------------------------------“Eu queria dizer que o fiz e se alguém que eu nomeei com competência para aquela administração foi o Doutor Nuno Campilho. E fi-lo com base naquilo que é o seu currículo, naquilo que é a sua formação e naquilo que foi as provas dadas por ele enquanto gestor. Não posso dizer o mesmo dos outros, não tive uma intervenção, mas o Partido Socialista teve e dois dos administradores que faziam parte do Conselho de Administração da EIA foram indicações do Partido Socialista. Mais, um deles, sabemos, até militante do Partido Socialista, mas eu acho que isso é lavar roupa suja. É a sua mentira, eu acho que o Senhor entrou por aí, foi o Senhor que entrou, quis entrar por aí. Eu fiquei à espera da alternativa áquilo que foi a opção para salvaguardar um projeto como o da EIA, da Universidade Atlântica. O Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) como todos assistiram, como todos ouviram, e que eu espero que o microfone tivesse ligado para ficar em ata, a alternativa foi zero, foi nenhuma, foi falar de dois mil e oito, foi falar das parcerias, foi falar daquelas coisas que, não são coisas, não são nada, é apenas a justificação ou a tentativa de justificar uma posição e uma votação que, de alguma forma, em nada defendem os interesses da EIA, em nada defendem os interesses dos alunos, dos professores e dos trabalhadores daquela Instituição. -------------------------------------------------------------------E, portanto, eu volto a reafirmar, entendo que todo o trabalho académico da Universidade Atlântica é louvável, acho que há professores, como em tudo, com mais qualidade, outros com menos qualidade mas no seu todo a Universidade Atlântica presta um bom serviço, presta uma boa formação, formou centenas de profissionais que hoje estão no mercado e como em todas as universidades, sejam elas públicas ou privadas, profissionais melhores, mais competentes, profissionais menos competentes, mas isso é assim em todo o lado. --------------------------------E, portanto, aquilo que eu desejo é que realmente a EIA possa prosseguir, possa levar para a frente o seu projeto Universidade Atlântica e que esta foi realmente uma opção, foi 120 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS realmente uma decisão e não uma não decisão, como o Partido Socialista queria. E foi uma decisão que em boa hora salvou a Universidade e que em boa hora, também, de alguma forma atribui a gestão a quem eventualmente tem que encontrar elementos com competência para essa gestão porque, não pondo em causa as pessoas, a verdade é que uma Câmara Municipal não tem competência, não tem vocação gerir um projeto académico. Fê-lo com mérito, lançou-o, ajudou ao seu nascimento, ajudou ao seu crescimento mas chegou a um ponto, também por força daquilo que eram as obrigações legais que é irreversível, a Câmara não poderia tomar outra decisão porque, reafirmo aqui, do ponto de vista legal nós não poderíamos injetar capital, mesmo que o quiséssemos fazer não podíamos injetar capital na EIA. E o problema da EIA era um problema de tesouraria, era um problema de liquidez, já não era um problema de estratégia, já não era um problema de parcerias, já não era um problema de qualquer coisa de dois mil e oito ou de dois mil e nove. E, quero-vos dizer que, quando eu cheguei à presidência da Câmara, fui confrontado pelo então Presidente do Conselho de Administração que a EIA não teria capacidade para pagar salários no final do ano. Já não teria capacidade para pagar salários e foi a partir desse momento que eu indiquei um administrador da minha confiança, porque mesmo dentro do Conselho de Administração, desde processos de intenção, desde processos-crime, intentados por um administrador para com outro administrador, eu senti a necessidade de pôr alguém da minha confiança que me fizesse um report da verdadeira saúde ou da verdadeira doença que padecia aquela instituição. E foi da minha única responsabilidade a nomeação do Doutor Nuno Campilho (U.F. Oeiras e S. Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias) e foi com base no trabalho dele e foi com base na informação que me prestou que eu cheguei à conclusão que aquele projeto estava moribundo e que aquele projeto ia morrer e que se não houvesse alguém que nesta operação harmónio, que nesta Assembleia-Geral colocasse cerca de um milhão de euros, um milhão cento 121 e cinquenta mil euros, nós hoje já não estaríamos aqui a discutir sequer o futuro da Universidade, estaríamos aqui a discutir qual o processo para encerrar a Universidade.” -----------------------------------------O Senhor Presidente da A.M. disse o seguinte: ---------------------------------------------------------“Eu pergunto na Assembleia se alguém quer usar da palavra? Não havendo e dado o adiantado da hora já …” ----------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Deputado Pedro Almeida (PS) interrompeu, dizendo o seguinte: -----------------------“Senhor Presidente para que conste em ata, não vou fazer arrastar o debate que foi vivo, foi interessante, foi frontal mas é só para dizer o seguinte e para que fique em ata em relação…eu não vou colocar em causa… --------------------------------------------------------------------------------Para que conste em ata em relação a um ponto que foi colocado aqui pelo Senhor Presidente de Câmara, o Partido Socialista desde outubro de dois mil e nove que deliberou nos seus Órgãos não assumir qualquer tipo de responsabilidade executiva, seja na Câmara, seja em empresas municipais. E que fique claro que desde essa altura ninguém está indicado pelo PS, ninguém tem a confiança do PS em nenhum lugar municipal.” ------------------------------------------------------O Senhor Presidente da A.M. disse o seguinte: ---------------------------------------------------------“Está feito o esclarecimento, Senhor Presidente faz favor.” --------------------------------------------O Senhor Presidente da C.M.O. prestou os seguintes esclarecimentos: ----------------------------“O problema da EIA, o problema da Universidade Atlântica, não vem de dois mil e nove para a frente. O problema da EIA, da Universidade Atlântica, vem muito de trás onde o Partido Socialista teve também responsabilidade.” ---------------------------------------------------------------------APRECIADA -----------------------------------------------------------------------------------6. INTERVENÇÃO DO PÚBLICO ------------------------------------------------------------------------------------Não houve intervenção do público. -----------------------------------------------------------7. O Senhor Presidente da A.M. concluiu dizendo o seguinte: ---------------------------------------122 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OEIRAS ------------- “Senhores Deputados faltam-nos dois pontos da Ordem de Trabalhos relativos à Municípia, ficarão para agendar pelo grupo de Líderes para a próxima reunião depois das férias. Vamos fazer uma pausa no mês de agosto no plenário. Amanhã há uma reunião da Comissão de Representantes. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Quero agradecer o empenho, a vivacidade, a emoção que foi colocada aqui hoje. Há projetos diferentes, entendimentos diferentes, mas eu acho que os Oeirenses podem ter orgulho e foram eles que nos escolheram para os representar, nos representantes que têm tanto nesta Assembleia como no Executivo Camarário. ---------------------------------------------------------------------------- Muito obrigado a todos, boas férias e temos agora um jantar para quem se inscreveu na Marina de Oeiras. Para os que vão, e julgo que são trinta, até já, para os que não vão até setembro e boas férias, para quem as têm.” ----------------------------------------------------------------8. ENCERRAMENTO DA REUNIÃO ------------------------------------------------------------------------------- O Senhor Presidente deu por encerrada a reunião às vinte horas e quarenta e cinco minutos. Para constar se lavrou a presente ata, que vai ser assinada pelo Senhor Presidente e pelas Secretárias da Mesa. ------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Presidente, -------------------------------------------------- ---------------------------------------------A Primeira Secretária, --------------------------------------------- ---------------------------------------------A Segunda Secretária, --------------------------------------------- 123