MAPEAMENTO DE USO DA TERRA EM ZONA COSTEIRA IMPACTADA PELO
COMPLEXO INDUSTRIAL PORTUÁRIO DO AÇU (CIPA) NO NORTE DO ESTADO
DO RIO DE JANEIRO-BRASIL, COM APOIO DE IMAGENS DE SATÉLITES GEOEYE
Gilberto Pessanha Ribeiro 1,2
Artur Willcox dos Santos 2
Filipe Quintanilha Pereira 1
Lais Ribeiro Baroni 1
Ubiratan de Souza Dias Junior 1
1
Universidade Federal Fluminense (UFF), Instituto de Geociências, Departamento de Análise
Geoambiental - Cursos de Geofísica e de Serviço Social – Av. Litorânea, s/nº - Sala 418 Boa Viagem – Campus Praia Vermelha - Niterói, RJ – CEP: 24.210-340 –
www.uff.br/analisegeoambiental
-
[email protected];
[email protected];
[email protected]; [email protected]; [email protected]
2
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Faculdade de Engenharia, Departamento
de Engenharia Cartográfica, Laboratório de Computação Aplicada à Cartografia (LCAC) –
www.labcartografia.uerj.br - Rua São Francisco Xavier, 524 – Sala 4006-B – Maracanã - Rio
de Janeiro, RJ – CEP: 20.550-900 - [email protected]
RESUMO: A intervenção proveniente do Complexo Industrial e Portuário do Açu (CIPA) na zona
costeira do município de São João da Barra, no nortefluminense, representa um passo importante em
busca do esperado desenvolvimento regional anunciado anos atrás pelo Governo do Estado do Rio de
Janeiro. Ao mesmo tempo este processo tem enfrentado embates junto à comunidade local do distrito
de Açu, principalmente. O meio físico na província costeira na planície costeira do rio Paraíba do Sul,
e também na biota marinha na plataforma continental, notadamente tem sido rapidamente alterado, em
função da franca execução das obras de engenharia de grande porte nessa zona costeira em curso.
Imagens LANDSAT históricas para as datas de 07/08/2000, 21/06/2006, 04/09/2010 e 21/07/2011
foram utilizadas para um mapeamento regional e geral desse município, onde em seu recorte do litoral
são observados os resultados dessa movimentação dessas obras. Portanto, houve interesse dos autores
em desenvolver pesquisa com imagens GeoEye (datas das passagens 08/08/2011, 07/09/2011 e
23/12/2011) que pudessem retratar em que medida as intervenções impactam os ambientes costeiros,
uma vez que há resultados de mapeamento realizado com imagens IKONOS já publicadas pela UERJ
em 2008. O propósito é comparar cenários e paisagens impactadas, e traçar comentários sobre
desdobramentos dessas grandes intervenções sobre o meio físico, no campo de Geomorfologia e de
Geografia, e as implicações nas áreas sociais.
Palavras-chave: Cartografia, CIPA, Geoprocessamento, Geografia, Sensoriamento Remoto.
1. INTRODUÇÃO
Historicamente a planície costeira do rio Paraíba do Sul tem sido alvo de pesquisas
aplicadas em áreas das Geociências. Mapeamentos já foram executados de parte do
município de São João da Barra (RJ) através de imagens de satélites IKONOS e apoiado
por dados GPS obtidos em campo (Pinheiro, 2008). Temas já pesquisados como
retrogradação e progradação marinhas, associados a condicionantes do meio físico
(astronômicos, meteorológicos, fluviais, atmosféricos e oceanográficos), já tem sido
explorados em pesquisas formais desde ao ano de 2003 pela UFF e pela UERJ (Ribeiro,
2005). Existem novidades relativas à dinâmica nos últimos anos nesse litoral e o
Complexo Industrial e Portuário do Açu (CIPA) é o principal agente de cunho antrópico
que hoje impacta os ambientes costeiros locais, a saber, manguezais, rios, canais, lagunas,
lagoas, vegetação de restinga e praias arenosas (Ribeiro, 2005) (Freitas, 2012). Com base
na observação acurada e posterior constatação de que há muito o que investigar, pesquisar
e conhecer sobre as alterações nos cenários e nas paisagens, este artigo se dedica a
apresentar resultados recentes consistentes do que pôde ser mapeado nos anos de 2012 e
de 2013 com mosaicos compostos por imagens de satélites de alta resolução espacial
GeoEye, adquiridas pelo sistema orbital nas datas de passagens 08/08/2011, 07/09/2011 e
23/12/2011.
O município de São João da Barra apresenta transformações em curso no campo de obras
de engenharia relacionadas ao CIPA (CIPA, 2009), e com infraestruturas urbana e rural
ainda muito precárias (Pires, 2009). Novas expressões de questões sociais surgem, e ao
mesmo tempo há a implantação deste grande empreendimento na sua parte sudeste, hoje
compreendendo em torno de 30% da área total do município, abrigando um conjunto
complexo de obras industriais (Coutinho, 2009). Plano urbano já se desenhou para
suportar as mudanças, que são impulsionadas pelo rápido crescimento populacional
(Magalhães et al., 2008).
A seguir é apresentado mapa de localização de São João da Barra (RJ), e, na sequência, é
apresentado mapa do Plano Diretor desse município, referente ao macrozoneamento
finalizado e publicado em 2006. O projeto de lei que sustenta este Plano não contemplou
atividades de monitoramento da costa, diante, por exemplo do processo erosivo marinho
agressivo sobre a praia de Atafona, que ganhou notoriedade a partir do ano de 2003,
quando a UFF e a UERJ dispararam, lideraram e executaram pesquisas acadêmicas com
resultados publicados em série de eventos científicos e em reuniões técnicas e eventos
locais, abertas ao público, além de organizadas e distribuídas em listas de discussão na
Internet e hospedadas nos sítios www.mapasdigitais.uerj.br e www.mapasdigitais.uff.br.
Resultados de artigos nas áreas de Cartografia, Geologia Marinha e Geomorfologia
Costeira e matérias jornalísticas podem ser acessados em www.atafona.uff.br, e também
em www.atafona.uerj.br.
Figura 1: Mapa de localização do município de São João da Barra (RJ).
Figura 2: Plano Diretor de São João da Barra (RJ) – Macrozoneamento (2006).
Recentemente a prefeitura local executou uma revisão em seu Plano Diretor, diante de
adaptações e ajustes muito baseados em estratégias de ações das obras em curso e
problemas a enfrentar, produzindo novo mapa indicativo do zoneamento urbano e rural a
presentado a seguir. A população local, que tem vivido tradicionalmente em função de
pesca artesanal, turismo regional e agricultura marcada por cultivo de abacaxi, quiabo,
coco e maxixe, principalmente no distrito diretamente afetado com as intervenções (Açu),
já se manifestou em protestos que tomaram destaque na imprensa (Pedlowski, 2013). Na
zona marinha adjacente à costa já houve alterações significativas na taxa de sedimentação
marinha na plataforma continental rasa.
Figura 3: Plano Diretor de São João da Barra (RJ) revisado – Macrozoneamento.
2. IMAGENS COMO FONTES DE EXTRAÇÃO DE MÉTRICAS DE FEIÇÕES
COSTEIRAS E MONITORAMENTO DE SUA DINÂMICA AMBIENTAL
Tradicionalmente a extração de objetos geográficos por meio de técnicas e métodos de
Processamento Digital de Imagens não é uma tarefa trivial (Blasschke, 2005). Fatores
diversos dificultam este processo, gerando problemas a serem enfrentados em tarefas
como, por exemplo: tratamento da complexidade na definição de contornos; aplicação de
correções geométricas sobre imagens distorcidas; e determinação e adoção de classes de
uso da Terra e cobertura vegetal em função da resolução espacial (Cruz, 2008) (França et
al., 2009). Pré-processamentos requerem também tempo dedicado a correções
atmosféricas, radiométricas e geométricas. Em mapeamentos cartográficos onde o rigor da
definição de contrastes e melhorias em realces sobre agregados de pixels homogêneos
indicativos de uma classe única, também representa um grande desafio (Gelelete, 2008)
(Pereira, 2008). A incerteza está presente e cabe os especialistas cartógrafos e
colaboradores resolverem em que medida soluções hoje alcançam os resultados que se
esperam na manipulação de algoritmos apoiados em tecnologias da informação como, por
exemplo, inteligência artificial. Avanços em sofisticações envolvendo base de
conhecimento e mineração de dados tem permitido melhores resultados, mas nem sempre
para todos os casos.
Também nesse processo, em Sensoriamento Remoto, devem ser analisados alguns
aspectos importantes e ordinários como: resolução espacial das imagens; área a ser
mapeada; escala; espectro de classes temáticas; e outras exigências técnicas como
requisitos das áreas de aplicação. Portanto não se trata de soluções nem sempre triviais e
imediatas. Requerem ensaios laboratoriais e testes exaustivos, mesmo em se tratando de
busca de soluções particulares (Neto, 2007) (Silva, 2009). A generalização e
especialização nesse caso não andam juntas, cada caso deve ser avaliado criteriosamente
em função das especificidades das ferramentas computacionais e contexto de seu uso
(Rosa et al., 2009).
Esforços têm sido despendidos para otimização de soluções computacionais envolvendo
processos de segmentação de imagens, etapa crucial para validação de resultados
consistentes no mapeamento temático de classes uso da Terra e cobertura vegetal
(Anderson, 1979) (Pinheiro, 2008) (Cruz, 2008) (Pereira, 2008).
A partir de imagens de satélites do sistema orbital LANDSAT, para as épocas de
07/08/2000, 21/06/2006, 04/09/2010 e 21/07/2011, foram geradas cartas tipo imagem
como a seguir apresentadas (Ferreira, 2012).
Figura 4: Carta imagem São João da Barra (RJ) – LANDSAT 07/08/2000, RGB543
(Ferreira, 2012).
Figura 5: Carta imagem São João da Barra (RJ) – LANDSAT 21/06/2006, RGB543
(Ferreira, 2012).
Figura 6: Carta imagem São João da Barra (RJ) – LANDSAT 04/09/2010, RGB543
(Ferreira, 2012).
Figura 7: Carta imagem São João da Barra (RJ) – LANDSAT 21/07/2011, RGB543
(Ferreira, 2012).
A seguir é apresentada Figura indicativa da área do projeto, onde imagens de satélites
GeoEye foram adquiridas, georreferenciadas e mosaicadas cobrindo os dois municípios no
extremo nortefluminense: São Francisco do Itabapoana (ao norte) e São João da Barra
(RJ) (ao sul), numa composição colorida RGB432. O limite entre esses municípios é em
grande parte o eixo da calha central do rio Paraíba do Sul.
Figura 8: Recorte de imagens GeoEye no nortefluminense (RGB432).
Destaque inicial no projeto, e objeto foco deste artigo, foi feito na área do CIPA ao sul do
município de São João da Barra (RJ), onde de imediato observa-se os impactos sobre os
ambientes costeiros na área de estudos.
Figura 9: Detalhe de zona costeira com marca das intervenções do CIPA (RGB432).
Figura 10: Detalhe 1 de zona costeira com marca das intervenções do CIPA (RGB432).
Figura 11: Detalhe 2 de zona costeira com marca das intervenções do CIPA (RGB432).
Figura 12: Detalhe 3 de zona costeira com marca das intervenções do CIPA (RGB432).
Figura 13: Detalhe 4 de zona costeira com marca das intervenções do CIPA (RGB432).
As obras de grande porte do CIPA estão sendo executadas e compreendem as seguintes
unidades on-shore e off-shore (Magalhães et al., 2008) (CIPA, 2009):

MMX Minas-Rio (5.000.000 m2);

Pátio Granéis Sólidos (512.000 m2);

Siderúrgica (7.000.000 m2);

Power Plant (5.000.000 m2);

Área Reservada para Coqueria (1.040.800 m2);

Cimenteira (485.000 m2);

Supply Boats (327.000 m2);

Containers/Produtos Suderúrgicos/Stones (712.000 m2);

Granéis Líqüidos (504.000 m2);

Unidades de Apoio e Portaria Alfandegada (339.000 m2);

Área Reservada Para Indústrias – Zona de Interesse de Proteção Ambiental (ZIPA)
- Sul (1.893.000 m2);

Área Reservada Para Indústrias – Zona de Interesse de Proteção Ambiental (ZIPA)
- Norte (2.383.000 m2);

Indústria Automobilística (2.000.000 m2);

Área Reservada Para Apoio – Zona de Interesse de Proteção Ambiental (ZIPA) Norte (127.000 m2);

Centro de Suporte à Implantação – Zona de Interesse de Proteção Ambiental
(ZIPA) - Sul (152.000 m2);

Centro de Suporte à Implantação – Zona de Interesse de Proteção Ambiental
(ZIPA) - Norte (205.000 m2);

Área Reservada Especial (80.000 m2);

Ponte de Acesso;

Terminal de Granéis Sólidos;

Pier de Supply-Boat;

Terminal de Granéis Líqüidos;

Terminal de Produtos Suderúrgicos; e

Terminal de Gás Natural Liqüefeito (GNL).
A Figura a seguir mostra a Matriz Tecnológica/Mercadológica (TEC/MEC) - Quadro de
Prioridades Setoriais do CIPA extraída do documento da Avaliação Ambiental Estratégica do
empreendimento (CIPA, 2009).
Figura 14: Quadro de Prioridades Setoriais do CIPA (CIPA, 2009).
Em seu estágio inicial, em 2010, as obras já se encontravam impactando os ambientes
costeiros, inclusive com dunas artificiais, como se observa nas duas Figuras a seguir.
Figura 15: Visão na perspectiva continental das obras em fase inicial de implantação do
CIPA (créditos: Victor Aquino, 2010).
Figura 16: Visão na perspectiva oceânica das obras em fase inicial de implantação do
CIPA (créditos: Victor Aquino, 2010).
Em função de escavações para remoção de material sedimentar para construção do pier,
surgiu já em 2010 um lago artificial formado pelo afloramento do lençol freático. Em
áreas outras é constatada a deposição seguida de empilhamento de sedimentos
provenientes da dragagem da plataforma continental adjacente.
Estudos e pesquisas científicas e aplicadas criteriosas de Martin (1997) e colaboradores já
apontaram que o delta do rio Paraíba do Sul encontra-se em franca formação. Sua planície
costeira tem nas últimas décadas sofrido influências expressivas da ocupação humana,
onde observa-se alterações e modificações no escoamento superficial de água de chuva,
em desenho de trajetória de rios e canais por conta de truncamentos e exploração
agressiva de recursos naturais (Nunes et al., 2012). Projetos de peso propostos pelo
Ministério do Meio Ambiente e pelo Ministério de Planejamento, Gestão e Orçamento
(MMA, 2004) (MMA, 2005) (MMA, 2006) direcionam questões teóricas e operacionais
para a gestão da costa brasileira. Trata-se de um válido e reconhecido esforço
governamental no sentido de orientar e ordenar a ocupação, que nos últimas décadas se
concentra cada vez mais no litoral. Muehe em 2006 organizou e lançou o "Atlas de Erosão
e Progradação do Litoral Brasileiro" onde há referências sobre o trecho aqui estudado no
norte fluminense e em sua obra em 2005 na Revista Mercator da UFC tem sido referência
para direcionamento sobre como conhecer os agentes que promovem processos costeiros
em planícies marcadas por cordões litorâneos. O IBGE em 2011 lançou o "Atlas
Geográfico das Zonas Costeiras e Oceânicas do Brasil" reforçando a necessidade de
mapeamento de trechos do litoral, despertando interesse em levantamentos geodésicos
para, por exemplo, amarração altimétrica em sistemas geodésicos unificados. Algumas
prefeituras municipais inclusive submetem propostas técnicas ao Ministério das Cidades
objetivando recursos para obras focadas em ações emergenciais locais e regionais, em
função deste processo de administração de problemas sociais acelerados enfrentados no
campo geográfico, habitacional e social. Mas iniciativas de sistematizar o mapeamento
profissional do litoral colaborará com a solução parcial de conflitos de uso da Terra.
Na zona marinha as obras do CIPA já impactam sua biota, por exemplo, a taxa de
sedimentação na plataforma adjacente à costa se modificou, promovendo em alguns
trechos do litoral um novo desenho alterado da linha de costa. Na área de organismos
marinhos com o processo de revolver sedimentos do fundo marinho, alterações
significativas ocorrem nos habitats e na cadeia alimentar.
3. ALGUNS ASPECTOS HISTÓRICOS, GEOGRÁFICOS E SOCIAIS
Publicação de referência dos autores Kenitiro Suguio, José M. L. Dominguez, Jean-Marie
Flexor e Louis Martin (1997) que de forma competente se dedicaram a análises geológicas
de formação da planície costeira do rio Paraíba do Sul, apoiadas por investidas de campo
onde mapas da região já publicados têm servido de apoio para a compreensão dos
processos atuais de formação desta planície.
Obra extensa do autor Arthur Soffiati (2009) descreve, retrata e promove reflexão sobre
aspectos da evolução histórica da ocupação humana no norte e noroeste fluminenses, com
constatações e afirmativas que permitem dizer que o meio físico impactado não é
novidade diante da história ambiental da zona do litoral, e por questões políticas não se
investe em conhecer como as feições costeiras reagem a ações predatórias e agressivas do
origem antrópica. A tímida gestão participativa local, motivada pelo município, não
acompanha um planejamento estratégico com a seriedade exigida diante da velocidade dos
impactos.
Na zona costeira de interesse imediato já houve mapeamento realizado por Pinheiro
(2008) a partir de imagens IKONOS, onde foi feito uso do sistema computacional
SPRING e executado levantamentos de campo geodésicos para configurar malha de
pontos de controle de campo, com auxílio de receptores GPS Promark2 (Monico, 2000).
A seguir são apresentadas nas próximas duas Figuras mapas de distribuição de pontos de
controle nos blocos de imagens IKONOS processados SJB3 e SJB4. Na primeira observase o contexto geral da área antes de implantação do CIPA (Faixa 1). E na segunda
observa-se, em sua porção sudeste, parte da lagoa do Salgado que está localizada na zona
de perturbações provocadas pelos impactos do empreendimento nos tempos atuais (Faixa
2).
Figura 17: Distribuição de pontos de controle GPS na Faixa 1 (zona litorânea do CIPA)
(Pinheiro, 2008).
Figura 18: Distribuição de pontos de controle GPS na Faixa 2 (Pinheiro, 2008).
Foram produzidos em 2008 por Pinheiro mapas temáticos de uso da Terra e cobertura
vegetal, com base em processos de segmentação de imagens e classificação semi
supervisionada, no contexto do SPRING, com similaridade 10 e região de 400 pixels. As
duas Figuras a seguir são exemplo desses resultados, com uso de imagens IKONOS
fusionadas (bandas multiespectrais e pancromática) com resolução espacial de 1m. Na
ocasião investiu-se em mapeamento profissional para descrição de feições costeiras de
interesse imediato, com suporte de apoio de campo envolvendo levantamentos GPS
(Gemael, 2004), registro fotográfico e reconhecimento de padrões de uso da Terra
(Monico, 2008).
Figura 19: Mapeamento executado por Pinheiro (2008) com imagens IKONOS.
Figura 20: Mapeamento executado por Pinheiro (2008) com imagens IKONOS.
Observa-se com nitidez na Figura 17 que há área ocupada, dita urbanizada na legenda, que
corresponde ao distrito do Açu.
Nessa área em 2006 e 2007 foi observada a ocorrência de praia em estado erosivo. A praia
do Açu possuía trecho com evidências de falésia (escarpa erosiva) proveniente da ação
mecânica de ondas marinhas. Nesse recorte do litoral foram produzidos dois mapas
vetoriais em maior escala, de zona tipicamente urbana (duas Figuras a seguir), com a
indicação da linha de falésia, a partir de levantamentos de campo com receptores GPS
Promark2, no modo relativo e cinemático (Gemael, 2004).
Figura 21: Linha de falésia medida em 12/11/2006 (Pinheiro, 2008).
Figura 22: Linha de falésia medida em 15/07/2007 (Pinheiro, 2008).
Aqui este assunto relativo a processo de dinâmica costeira se insere uma vez que em 2006
e em 2007 já se tinha em curso processo erosivo sobre a praia arenosa do Açu, a poucos
quilômetros ao sul da área de implantação do CIPA. Estudos devem ser motivados e
disparados no sentido de monitoramento da linha de costa nessa zona, uma vez que hoje,
com as intervenções das grandes obras, perturbações há na sedimentação marinha e
também na corrente litorânea que se destaca ainda por uma deriva local na direção ao
norte-sul, no sentido sul.
A partir de propostas de soluções apresentadas por Nordstrom (2010), em consonância
com a legislação ambiental vigente, é possível sustentar discussões que levem a
alternativas de projetos onde campo de dunas e praias arenosas sejam respeitadas. O
investimento em turismo científico e ecológico podem ser projetados.
Já Muehe (2006) em questões envolvendo processos costeiros (erosão e progradação),
sinaliza o monitoramento de zonas costeiras por meio de medições e investimento em
séries históricas de dados ambientais. Aspectos indicativos de erosão em praias arenosas
devem ser identificados e descritos para todo o litoral sanjoanense. Métodos e técnicas
para este propósito são criteriosamente propostos e recomendados por Souza e
colaboradores (2005).
4. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS
Diante do esforço do projeto de pesquisa de referência, de mapeamento digital na área de
interesse, resultados parciais estão disponíveis. Objetivando comparação de cenários e
paisagens foram geradas, de forma prioritária, imagens georreferenciadas em composições
coloridas na seqüência RGB321 e RGB432. Bandas multiespectrais do sistema GeoEye
foram trabalhadas no sentido de dar opções de análise visual com auxílio de algoritmos
disponíveis no sistema computacional SPRING. Desta forma, foi possível ter uma coleção
de imagens até então não geradas, e tornadas públicas, dessa área de estudos.
Figuras 23 e 24: Recorte espacial 1 de mosaico de imagens GeoEye (RGB321 e
RGB432).
Essas Figuras 23 e 24 apresentam feições como: praia atual, paleopraias, paleodunas,
cordões arenosos regressivos, canais, paleocanais, lagoas, paleolagoas, lagunas,
paleolagunas e manguezal. Vegetação de mangue foi descrita em trabalhos de campo e
confrontada sua classificação em literatura especializada (Hogarth, 2007) (Spalding et al.,
2010) (Tomlinson, 1986). A cor vermelha na Figura 24 indica ocorrência de vegetação de
restinga, de mangue e de alguns cultivos agrícolas, por conta da presença de banda na
faixa do infravermelho de espectro eletromagnético, utilizada na composição RGB.
Figuras 25 e 26: Recorte espacial 2 de mosaico de imagens GeoEye (RGB321 e
RGB432).
As Figuras 25 e 26 mostram com algum detalhe a área de intervenção direta das obras do
CIPA. Observa-se já uma linha indicativa do eixo central por onde será instalado o
mineroduto (MMX Minas-Rio).
Figuras 27 e 28: Recorte espacial 3 de mosaico de imagens GeoEye (RGB321 e
RGB432).
As Figuras 27 e 28 apresentam visão geral da área urbana do distrito do Açu, localizada
em sua porção sudeste, próximo à lagoa do Salgado e também da laguna do Açu onde há
manguezal, que já sofre há alguns anos pela pressão urbana. Nessa localidade se
concentrou trabalhos de campo interessantes executados pela UENF (Kury et al., 2010)
onde houve entrevistas junto à população local envolvendo questões do CIPA sobre a
rotina da comunidade deste distrito e do município como um todo.
Pesquisas crescem nas questões do arranjo que o CIPA oferece ao espaço geográfico nele
localizado. Aspectos de categorias lógicas deste espaço impõem direções em
investigações aprofundadas nos campos da localização, distribuição e extensão dos
problemas que já surgem, diante dos processo costeiros naturais. O dimensionamento dos
impactos devem ser claramente conhecido e medido. No campo de estudos de clima ainda
há muito a se pesquisar e associar eventos naturais regionais e locais a alterações
expressivas no clima global (Suguio, 2008). INCT (2009.2010) e Bridi (2012)
representam, respectivamente visões científicas e dos fatos que ocorrem ao planeta, como
temas de discussão ampla. Séries históricas de dados ambientais permitirão modelar o
clima de partes do planeta, e na seqüência afirmativas virão responder questões não claras
ainda sobre o comportamento do meio físico. Trigueiro (2005 e 2012) levanta questões,
nas perspectivas jornalística e científica sobre circulação atmosférica e oceânica que
alteram zonas costeiras e continentais, mas muito ainda há por pesquisar em suas
conseqüências no âmbito regional e global (Suguio, 2001).
Nas áreas de Ciências da Terra e Social questões surgem envolvendo habitações,
qualidade de água, contaminação do solo, condições de trabalho humano e geração de
renda. Soluções em planos urbanos eficientes tornam-se imprescindíveis. Com
participação popular e da sociedade organizada local. As buscas por estratégias de análise
dos problemas sociais reforçam a necessidade de conhecer os impactos do CIPA sobre o
ambiente físico e também na geração de trabalho e renda.
Estudos de caso devem ser explorados, em áreas diversas, contemplando conjunto de
facetas desses impactos. Qualidade de água, qualidade do ar, produtividade da pesca
artesanal, gestão do turismo regional, manejo florestal, refração de ondas marinhas,
sedimentação marinha, escoamento superficial de água pluvial, inundações, alagamentos,
representam exemplos distintos de áreas importantes nessas frentes de trabalho em
pesquisa a avançar.
5. COMENTÁRIOS E CONCLUSÕES
O mapeamento em curso tem proporcionado visualizar em que medida as obras do CIPA
já alteram paisagens e cenários. A população local do município, parte excluída do
esperado desenvolvimento regional fica refém das conseqüências dos impactos das obras.
Os documentos cartográficos que estão sendo gerados buscam dar conta de aspectos
espaciais da localização, extensão e distribuição dos agentes naturais e antropogênicos que
atuam nessa zona costeira, marcada por feições geográficas que caracterizam ambientes
com graus diferentes de reação às intervenções humanas.
Classicamente o processamento digital de imagens lida com incertezas no mapeamento
temático onde classes de uso da Terra e de vegetação representam desafios em gerar
mapas seguros para uso extensivo. Defendem os autores que este uso deva ser amplo, no
campo científico e na área educacional. Conhecer em que medida obras dessa natureza
promovem alterações na rotina local, e que suas influências vão além de onde os nossos
olhos vêem, por exemplo nos municípios vizinhos como Campos dos Goytacazes e São
Francisco do Itabapoana, é então uma questão de escala na visão dos problemas.
Aspectos sociais, ainda não explorados completamente, requerem atenção redobrada, pois
em zonas portuárias na costa brasileira surgem questões sociais que no CIPA ainda não se
vivencia. Outros são visíveis, como por exemplo, segurança pública, com aumento do
índice de violência urbana e rural. A revalorização dos imóveis na restinga continua,
propriedades são cobiçadas por empreendedores, e a localidade se transforma aos poucos
uma terra com "estrangeiros" no comando. Questões de planejamento estratégico devem
contemplar a comunidade local, que tradicionalmente tem a pesca e o turismo regional
como fontes de trabalho e renda.
Mapas, cartas e plantas podem ser construídos com a participação popular, com base em
critérios técnicos e também permeados com o saber local. O discurso do tipo "São João da
Barra é uma terra abençoada com a chegada do porto", que já se ouve nas visitações no
"Espaço da Ciência" mantido pela Prefeitura é preocupante, e replicado junto à população
local denota distorção no entendimento em que medida o CIPA transformará as vidas da
pessoas nativas. Revisão nisso já! Os documentos cartográficos gerados por meio de
imagens de satélites têm proporcionado conhecer parte importante, numa visão aérea e
com perspectiva espacial, das implicações que o empreendimento forçadamente impõe
sobre o meio físico e aqueles que nele habitam ou transitam.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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uso da Terra e do revestimento do solo para utilização com dados de sensores
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1979.
Blasschke, T. e Kux, H. Sensoriamento Remoto e SIG avançados, Oficina de Textos,
2005.
Bridi, S. Diário do clima. Efeitos do aquecimento global: um relato em cinco
continentes, Globo Livros, 2012.
CIPA AAE - Avaliação Ambiental Estratégica, Abordagem Metodológica da AAE,
ARCADIS Tetraplan/LLX, Volume I, 2009.
CIPA AAE - Avaliação Ambiental Estratégica, Quadro Referencial Estratégico,
ARCADIS Tetraplan/LLX, Volume II, 2009.
CIPA AAE - Avaliação Ambiental Estratégica, Cenário e Antevisão dos Impactos,
ARCADIS Tetraplan/LLX, Volume III, 2009.
Coutinho, R. R. Avaliação das transformações socioambientais oriundas da implantação
do complexo portuário industrial do Açu. (Dissertação de Mestrado) Campos
dos Goytacazes: IFF, 2009.
Cruz, Z. Q. Mapeamento digital regional do uso e cobertura da terra em unidade de
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Relatório Parcial 01