2012
Auto-Percepção Materna das Competências
no Cuidar do Recém-Nascido de Termo
Susana Cristina Gomes Ferreira
Auto-Percepção Materna das Competências no Cuidar do Recém-Nascido de Termo
Susana Cristina Gomes Ferreira
Outubro de 2012
Susana Cristina Gomes Ferreira
Auto-Percepção Materna das Competências
no Cuidar do Recém-Nascido de Termo
Tese de Mestrado
1º Curso de Mestrado em Enfermagem de SMOG
Trabalho efectuado sob a orientação de
Professora Emília Coutinho. Professor Doutor João Duarte.
Outubro de 2012
“Adoramos a perfeição, porque não a podemos
ter; repugná-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é
desumano, porque o humano é imperfeito.”
Fernando Pessoa
Dedicatória
Dedicamos este trabalho a todas as mães/famílias,
aos profissionais de saúde que cuidam deles e aos
docentes da Escola Superior de Saúde de Viseu que
tornaram possível este trabalho.
Agradecimentos
Gostaríamos de enaltecer o apoio dado por todos aqueles que directa ou indirectamente
contribuíram para a conclusão do presente trabalho.
Agradecemos à Professora Emília Coutinho e ao Professor Dr. João Duarte a orientação
recebida, sugestões e críticas para a concretização deste trabalho.
Agradecemos especialmente à colega e amiga Betty Arias por ter apoiado e ajudado nos
momentos mais difíceis e ter partilhado o seu conhecimento.
Agradecemos à minha família, colegas e amigos por sempre estarem presentes.
Finalmente agradecemos a todas as mães/pais que aceitaram fazer parte deste trabalho.
RESUMO ANALÍTICO
Enquadramento: Cuidar do recém-nascido (RN) no domicílio é uma experiência exigente que
envolve os pais, altura que enfrentam muitas dificuldades relacionadas com o desenvolvimento de
competências cuidativas.
Objectivos: Analisar o nível de competências maternas auto-percebidas (CMAP) das puérperas
no cuidar do RN de termo entre as 24 e as 72 horas pós-parto, quanto às dimensões cognitivo-motora
e cognitivo-afectiva. Avaliar o nível de conhecimento das puérperas relativamente ao transporte
seguro do RN de termo. Determinar a relação entre as variáveis sócio-demográficas e obstétricas e a
CMAP das puérperas no cuidar o RN de termo.
Métodos: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo, analítico-correlacional, de corte
transversal. A amostra é constituída por 212 puérperas internadas no serviço de Obstetrícia de um
Centro Hospitalar da região centro de Portugal. A colheita de dados foi realizada através da aplicação
de um questionário subdividido em três partes: dados sócio-demográficos e obstétricos, dados sobre
o transporte do RN e Escala de Auto-percepção Materna das Competências Cuidativas Neonatais de
Santos & Mendes (2004).
Resultados: A maior parte das puérperas (55,7%) apresenta um alto nível de competência
cuidativa, no entanto, 35,4% apresenta um baixo nível e 9% um nível moderado, sendo que a
dimensão cognitivo-motora apresenta uma média mais alta que a dimensão congnitivo-afectiva. Uma
alta percentagem de puérperas (34%) apresenta um baixo nível de conhecimento sobre o transporte
do RN. São as puérperas que têm algum conhecimento sobre a legislação relativa ao transporte do
bebé no automóvel que referem uma maior CMAP em relação à “higiene e conforto”, “manutenção da
temperatura corporal” e “ evitar os perigos”.
As variáveis gravidez planeada, gravidez desejada e aceitação da gravidez influenciam a CMAP.
Também, as mulheres imigrantes apresentam uma maior CMAP no que se refere à “alimentação”,
“evitar os perigos”, “sono e repouso” e “comunicação/estimulação”. São as mulheres com menos
habilitações literárias (até ao 9º ano) as que mostram uma maior CMAP na “alimentação” e na
“comunicação/estimulação”. Ainda, as puérperas que vivem com o companheiro/filhos e as que têm
mais filhos ostentam uma maior CMAP em todas as subescalas. De igual forma, a experiência prévia
com bebés relaciona-se positivamente com a CMAP em todas as subescalas. As mulheres que
vigiaram a gravidez numa instituição de carácter público, apresentam uma maior CMAP em cinco das
seis subescalas (“evitar os perigos”, “alimentação”, “manutenção da temperatura corporal”,
“sono/repouso” e “comunicação/estimulação”). Nestas quatro últimas subescalas são as mulheres
que vigiaram a gravidez no privado as que apresentam a menor CMAP. Inexplicavelmente as
mulheres que realizaram preparação para o parto mostram uma menor CMAP nas subescalas
“alimentação”, “sono/repouso” e “comunicação/estimulação” que aquelas que não a realizaram. As
variáveis em estudo, idade, estado civil, actividade laboral, tipo de parto actual, problema de saúde,
aleitamento materno e vigilância da gravidez, não influenciam a CMAP.
Conclusão: Neste estudo analisamos a auto-percepção das mães acerca do seu nível de
competência e os factores que nela interferem, permitindo posteriormente dirigir os ensinos
efectuados ao longo do internamento.
Palavras-chave: Auto-percepção Materna, Competências Cuidativas, Recém-nascido.
ABSTRACT
Placement: Taking care of the newborn (NB) is a demanding experience that involves parents at
home, when they face many difficulties related to the development of caring competencies.
Objectives: To analyse the level of Maternal Self-perceived Competencies (MSPC) of mothers in
caring of the term NB between the 24 and 72 hours postpartum, as for the cognitive-motor and
cognitive-affective dimensions. To assess the knowledge level of mothers regarding the safe transport
of term NB. To determine the relationship between socio-demographic and obstetric variables and
MSPC of the women caring of the term NB.
Methods: This is a quantitative, descriptive, analytic-correlational and cross-sectional study. The
sample consists of 212 women inmate in the Obstetrics service of a Central Hospital in the center
region of Portugal. Data collection was conducted through a questionnaire which consists of three
parts: socio-demographic and obstetric data, the NB transport and a Self-perception of Maternal
Neonatal Caring Competencies Scale (Santos & Mendes, 2004).
Results: The majority of the women (55.7%) have a high level of caring competencies; however,
35.4% has a low level and 9% a moderate level, also the cognitive-motor dimension presents a higher
average than the cognitive-affective dimension. A high percentage of women (34%) had a low level of
knowledge about the NB transport. There are the mothers who have some knowledge about car
transport legislation that have a greater MSPC concerning to the "health and comfort," "maintenance
of body temperature" and "avoid the dangers."
Variables as planned pregnancy, wanted pregnancy and pregnancy acceptance influence the
MSPC. Also, immigrant women have a higher MSPC concerning the "food", "avoid the dangers",
"sleep and rest" and "communication/stimulation" subscales. Are women with fewer qualifications (up
to 9th grade) who show the greater MSPC in "food" and "communication/stimulation" subscales.
Those mothers living with partner/child and those which have other children are the ones who carry a
greater MSPC in all subscales. Similarly, previous experiences with babies are positively related with
MSPC in all subscales. Women whose watched pregnancy in a public character institution, have a
higher MSPC in five of the six subscales ("avoid the dangers", "food", "maintaining body temperature",
"sleep/rest" and "communication/stimulation"). In those last four subscales are women who watched
pregnancy in a private institution who have the lowest MSPC. Inexplicably women who frequented
childbirth preparation show a lower MSPC in the "food", "sleep/rest" and "communication/stimulation"
subscales than those who did not accomplish that. The variables age, marital status, employment
activity, current type of birth, health problem, breastfeeding and surveillance of pregnancy, do not
influence the MSPC.
Conclusion: In this study we have analysed the mothers’ self-perception about their level of
competencies and the factors that affect it, which will allow us directing later, the teachings made
throughout the internment.
Keywords: Maternal Self-perception, Caring Competencies, Newborn.
ÍNDICE
p.
ÍNDICE DE TABELAS
ÍNDICE DE QUADROS
ÍNDICE DE FIGURAS
ÍNDICE DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ÍNDICE DE SÍMBOLOS
1 – INTRODUÇÃO..........................................................................................................
25
PARTE I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2 – AUTO-PERCEPÇÃO DAS COMPETÊNCIAS MATERNAS.....................................
2.1 – AVALIAÇÃO DA COMPETÊNCIA MATERNA AUTO-PERCEBIDA…….…………
31
34
3 – O RECÉM-NASCIDO DE TERMO……………………………………………………….
37
3.1 – NECESSIDADES DO RN DE TERMO………………………………………………..
40
3.1.1 – Alimentação…………………………………………………………………………...
40
3.1.2 – Higiene e conforto……………………………………………………………………
41
3.1.3 – Manutenção da temperatura corporal……………………………………………
44
3.1.4 – Evitar os perigos……………………………………………………………………..
44
3.1.5 – Sono e repouso………………………………………………………………………
45
3.1.6 – Comunicação/estimulação…………………………………………………………
46
4 – “ALTA SEGURA”: O ADEQUADO TRANSPORTE DO RN…………………………
49
4.1 – CRITÉRIOS NA ESCOLHA DO SISTEMA DE RETENÇÃO……………………….
50
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
5 – METODOLOGIA........................................................................................................... 57
5.1 – MÉTODOS................................................................................................................. 57
5.2 – PARTICIPANTES ...................................................................……………………..... 61
5.2.1 – Caracterização sócio-demográfica da amostra ...............…………………........ 61
5.3 – INSTRUMENTOS ..................................................................................................... 64
5.3.1 – Estudo psicométrico da EAPMCCN.........................................………………..... 68
5.4 – PROCEDIMENTOS .................................................................................................. 70
5.5 – ANÁLISE DE DADOS ............................................................................................... 70
6 – RESULTADOS ............................................................................................................ 73
6.1 – ANÁLISE DESCRITIVA ............................................................................................ 73
6.1.1 – Caracterização da amostra segundo a vigilância da gravidez………….…….. 73
6.1.2 – Caracterização da amostra segundo as variáveis obstétricas…….…..……… 75
6.1.3 – Transporte do RN……………………………………………………………………… 78
6.1.4 – Competência materna auto-percebida…………………………………………….. 81
6.2 – ANÁLISE INFERENCIAL .......................................................................................... 84
7 – DISCUSSÃO ............................................................................................................... 99
7.1 – DISCUSSÃO METODOLÓGICA .............................................................................. 99
7.2 – DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .......................................................................... 100
8 – CONCLUSÃO/SUGESTÕES DO ESTUDO ................................................................ 115
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 121
APÊNDICE I – Instrumento de colheita de dados …………………..……………………. 135
APÊNDICE II – Pedido de autorização ao Conselho de Administração do CHEDV –
Unidade de Santa Maria da Feira ……………………………….………….……………….. 141
APÊNDICE III – Autorização do CHEDV – Unidade de Santa Maria da Feira ……….. 143
APÊNDICE IV – Consentimento informado ……………………………...…..……………. 145
5.3.1 – Estudo psicométrico da EAPMCCN.........................................………………..... 68
5.4 – PROCEDIMENTOS .................................................................................................. 70
5.5 – ANÁLISE DE DADOS ............................................................................................... 70
6 – RESULTADOS ............................................................................................................ 73
6.1 – ANÁLISE DESCRITIVA ............................................................................................ 73
6.1.1 – Caracterização da amostra segundo a vigilância da gravidez………….…….. 73
6.1.2 – Caracterização da amostra segundo as variáveis obstétricas…….…..……… 75
6.1.3 – Transporte do RN……………………………………………………………………… 78
6.1.4 – Competência materna auto-percebida…………………………………………….. 81
6.2 – ANÁLISE INFERENCIAL .......................................................................................... 84
7 – DISCUSSÃO ............................................................................................................... 99
7.1 – DISCUSSÃO METODOLÓGICA .............................................................................. 99
7.2 – DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .......................................................................... 100
8 – CONCLUSÃO/SUGESTÕES DO ESTUDO ................................................................ 115
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 121
APÊNDICE I – Instrumento de colheita de dados …………………..……………………. 135
APÊNDICE II – Pedido de autorização ao Conselho de Administração do CHEDV –
Unidade de Santa Maria da Feira ……………………………….………….……………….. 141
APÊNDICE III – Autorização do CHEDV – Unidade de Santa Maria da Feira ……….. 143
APÊNDICE IV – Consentimento informado ……………………………...…..……………. 145
ÍNDICE DE TABELAS
p.
Tabela 1 − Distribuição da amostra segundo as variáveis sócio-demográficas.……….
63
Tabela 2 – Índice de conhecimento sobre o transporte do RN……………..……………..
65
Tabela 3 − Medidas descritivas do Índice de Conhecimento sobre o transporte do RN
66
Tabela 4 − Níveis do Índice de Conhecimento sobre o transporte adequado do RN…..
66
Tabela 5 – EAPMCCN: consistência interna (estudo dos itens)………….……………...
68
Tabela 6 − Distribuição da amostra segundo a vigilância da gravidez …………………..
74
Tabela 7 – Distribuição da amostra segundo as variáveis obstétricas…………………...
77
Tabela 8 – Distribuição da amostra segundo o transporte do RN………………..……….
80
Tabela 9 – Teste U de Mann-Whitney da APMCCN em função do conhecimento de
uma lei sobre o transporte seguro do bebé……..……………………………………….…..
81
Tabela 10 – Medidas descritivas da EAPMCCN……………………………………………
82
Tabela 11 − Nível de competência materna auto-percebida e grupos de corte………...
82
Tabela 12 – Medidas descritivas das subescalas da EAPMCCN…………………………
83
Tabela 13 – Medidas descritivas das dimensões da EAPMCCN………………………....
83
Tabela 14 – Teste U de Mann-Whitney da APMCCN em função da nacionalidade…....
85
Tabela 15 – Teste de Kruskal-Wallis entre a idade e a APMCCN……………………......
86
Tabela 16 − Teste U de Mann-Whitney entre o estado civil e a APMCCN………..........
86
Tabela 17 – Teste de Kruskal-Wallis da APMCCN em função das habilitações
literárias…………………………………………………………………………………………..
87
Tabela 18 − Teste U de Mann-Whitney da APMCCN em função da actividade laboral..
88
Tabela 19 − Teste de Kruskal-Wallis entre o agregado familiar e a APMCCN………….
89
Tabela 20 – Teste de Kruskal-Wallis entre o número de filhos e a APMCCN…………..
89
Tabela 21 – Teste de Kruskal-Wallis entre a gravidez planeada e a APMCCN…………
91
Tabela 22 – Teste de Kruskal-Wallis entre a gravidez desejada e a APMCCN…………
92
Tabela 23 – Teste U de Mann-Whitney entre a aceitação da gravidez e a APMCCN….
92
Tabela 24 – Teste U de Mann-Whitney entre a vigilância da gravidez e a APMCCN….
93
Tabela 25 – Teste de Kruskal-Wallis entre o local de vigilância da gravidez e a
APMCCN…………………………………………………………………………………………
94
Tabela 26 – Teste U de Mann-Whitney entre a preparação para o parto e a APMCCN.
95
Tabela 27 – Teste U de Mann-Whitney entre o parto actual e a APMCCN……………...
96
Tabela 28 – Teste t-student entre problema de saúde e APMCCN……………..………..
96
Tabela 29 – Teste U de Mann-Whitney entre a experiência anterior com bebés e a
APMCCN………………………….……………………………………………………………..
97
Tabela 30 – Teste U de Mann-Whitney entre o aleitamento materno exclusivo e a
APMCCN…………………………………………………………………………………………
98
ÍNDICE DE QUADROS
p.
Quadro 1 – Grupos de aprovação definidos pelas normas europeias…………………..
51
Quadro 2 – Identificação das dimensões, subescalas e itens da escala APMCCN……
67
Quadro 3 – Consistência interna das subescalas da EAPMCCN………………………..
69
Quadro 4 – Matriz de Correlação de Pearson entre subescalas, dimensões e a
APMCCN………………………………………………………………………………………...
70
ÍNDICE DE FIGURAS
p.
FIGURA 1 – Esquema da Investigação ............................................................................ 61
ÍNDICE DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AM – Aleitamento Materno
APMCCN – Auto-percepção Materna das Competências Cuidativas Neonatais
APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infanttil
ARS – Administração Regional de Saúde
Cf. – Conforme
CHEDV – Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga
CMAP – Competências Maternas Auto-percebidas
Consult. – Consultado
CTP – Cursos Técnicos Profissionais
CV – Coeficiente de Variação
DGS – Direcção Geral de Saúde
DP – Desvio Padrão
EAPMCCN – Escala de Auto-percepção Materna das Competências Cuidativas Neonatais
ed. – edição
EESMOG – Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Materna, Obstétrica e
Ginecológica
EPE – Entidade Pública Empresarial
et al. – entre outros
INE – Instituto Nacional de Estatística
K – Kurtosis (achatamento)
Kg. – Kilograma
KW – Kruskal-Wallis
M – Média
Ma – Máximo
Mi – Mínimo
N – número
OMS – Organização Mundial de Saúde
Ord. – Ordenação
p – probabilidade
p. – página
PASI – Plano de Acção para a Segurança Infantil
R – R de Pearson
REM – Rapid Eye Movement
Rev. – Revista
RN – Recém-nascido
SK – Enviesamento
SPSS – Statistical Package for the Social Science
SRC – Sistema de Retenção para Crianças
T – T-Student
U – U de Mann-Whitney
vs. – Versus
ÍNDICE DE SÍMBOLOS
=
Igual a
>
Maior que
<
Menor que
≥
Maior ou igual
≤
Menor ou igual
+
Mais
x
Multiplicado por
%
Percentagem
±
Mais ou menos
25
1 – INTRODUÇÃO
A gravidez é um período complexo de alterações físicas e psicológicas que a mulher
experimenta. Este conjunto de alterações junto com a necessidade de adaptação ao futuro
papel parental actuam como factores que geram ansiedade em relação ao decurso da
gravidez e à sua capacidade como futuras mães (Martins et al., 2007).
Depois do nascimento, a mulher tem que enfrentar uma série de tarefas, já que
imediatamente após o parto deve responsabilizar-se pelo seu filho. Ao mesmo tempo,
experimenta um conjunto de mudanças hormonais e biológicas que se relacionam com
fases de maior vulnerabilidade psicológica. Por outro lado, a mãe deve aprender a antepor
as necessidades do bebé, às próprias e aceitar as mudanças corporais que se produzem
(Farkas-Klein, 2008). Todo este processo de ajustamento a um novo papel de mãe e às
características do filho, traduzem-se no desenvolver de competências (Mendes, Cortesão,
Sousa, & Carvalho, 2011).
Por estes motivos, os cuidados prestados à puérpera são tão importantes quanto ao
atendimento proporcionado
durante o
período
pré-natal,
permitindo
o
adequado
restabelecimento da mulher, identificando possíveis alterações no pós-parto e adversidades
no cuidar do recém-nascido (RN) (Monteiro, Concret, Arcipreti, Silva, & Moreira, 2009).
Algumas das dificuldades identificadas durante o puerpério podem ser causadas pela pouca
preparação dos profissionais de saúde, à falta de informação, ou à incompreensão das
puérperas sobre as orientações recebidas durante o internamento (Monteiro, Concret,
Arcipreti, Silva, & Moreira, 2009). Muitas das mulheres apesar de receberem os
esclarecimentos necessários, estes são fornecidos numa altura em que se encontram
ansiosas por regressar a casa, situação que interfere na assimilação de tanta informação
(Monteiro, Concret, Arcipreti, Silva, & Moreira, 2009).
Durante a gravidez, possivelmente existe um maior interesse por parte da mulher em
adquirir informações sobre o desenvolvimento saudável do seu bebé, representando uma
oportunidade para estabelecer um comportamento preventivo adequado (Melo, Brandão,
Dutra, Iwazawa, & Albuquerque, 2007). Sendo assim, partilhamos da opinião de Monteiro,
Concret, Arcipreti, Silva, & Moreira (2009), quando afirmam que um puerpério saudável
começa na fase de gestação, devendo ser reforçado e fomentado logo após o nascimento.
É no puerpério que o enfermeiro, em especial o Enfermeiro Especialista em Saúde Materna,
Obstétrica e Ginecológica (EESMOG), deve identificar as necessidades de educação por
parte dos pais e fortalecer e incrementar os seus conhecimentos. Cabe a este profissional
26
ser o elemento facilitador na aquisição de competências parentais no cuidar do neonato.
Assim, os pais que se sentem mais competentes estão mais capacitados para enfrentar
problemas condutais e situacionais dos seus filhos (Farkas-Klein, 2008).
Afirma Ponce Capitán (2005) que a atenção no pós-parto deve ser realizada por um
enfermeiro especialista na área, já que é o profissional melhor qualificado para observar,
identificar e compreender as mudanças psicológicas de adaptação por parte da mulher e as
possíveis dificuldades apresentadas no cuidar do seu bebé, permitindo que se estabeleça
uma adequada relação emocional entre a mãe e o RN. Como refere Belo (2006, p. 136)
“uma intervenção educacional bem estruturada é imprescindível para diminuir a ansiedade e
a insegurança dos pais no cuidar do RN”. Neste sentido, todas as iniciativas voltadas em
prol da educação para a saúde podem marcar a diferença entre uma gravidez, parto e
puerpério bem-sucedidos (Belo, 2006).
Na literatura consultada, diversos estudos (Ponce Capitán, 2005; Melo, Brandão, Dutra,
Iwazawa, & Albuquerque, 2007; Calderón Candia, Requejo Morales, & Tam Phun, 2008;
Silva & Roldán, 2009; Pinho, 2009) demonstram a relevância e preocupação nesta temática.
O estudo realizado por Melo, Brandão, Dutra, Iwazawa, & Albuquerque (2007) tem por
objectivo identificar as informações adquiridas pelas mães durante o acompanhamento
multiprofissional do pré-natal em relação aos cuidados com o bebé e conhecer qual a fonte
destas informações. Já, a investigação desenvolvida por Ponce Capitán (2005) pretende
conhecer o grau de conhecimentos das puérperas sobre o seu autocuidado e cuidados ao
RN no momento da alta hospitalar depois do parto. Esta autora constatou a falta de
informação em relação ao autocuidado e cuidado familiar durante o puerpério, o aleitamento
materno (AM) e o planeamento familiar.
É neste contexto que surge o presente estudo intitulado “Auto-percepção Materna das
Competências no Cuidar do RN de Termo”, fruto da inquietação pessoal e profissional
gerada pelas dificuldades e dúvidas apresentadas pelas puérperas no cuidado ao RN,
juntamente com a necessidade de sessões de educação para a mãe/família, onde seja
fornecida informação bem estruturada e com uniformidade de critérios.
Face ao exposto questionamo-nos: ─ Qual é o nível de competência materna autopercebida (CMAP) das puérperas atendendidas no Centro Hospitalar de Entre Douro e
Vouga (CHEDV) – Unidade de Santa Mª da Feira? ─ Qual é o nível de conhecimento das
puérperas do CHEDV relativamente ao transporte seguro do RN de termo? ─ Que variáveis
sócio-demográficas como a nacionalidade, a idade, o estado civil, as habilitações literárias, a
actividade laboral, o agregado familiar e o número de filhos, influenciam a CMAP das
puérperas do CHEDV no cuidar do RN de termo entre as 24 e as 72 horas pós-parto? ─ Que
27
relação existe entre as variáveis obstétricas (gravidez planeada, gravidez desejada,
aceitação da gravidez, vigilância da gravidez, local de vigilância da gravidez, preparação
para o parto, problema de saúde, tipo de parto actual, experiência prévia com bebés, AM
exclusivo) e a CMAP das puérperas do CHEDV no cuidar do RN de termo entre as 24 e as
72 horas pós-parto?
Para facilitar a exequibilidade do estudo, e face às questões formuladas, definimos os
seguintes objectivos específicos:
Analisar o nível de CMAP das puérperas do CHEDV no cuidar do RN de termo entre
as 24 e as 72 horas pós-parto, quanto às dimensões cognitivo-motora e cognitivoafectiva.
Avaliar o nível de conhecimento das puérperas do CHEDV relativamente ao transporte
seguro do RN de termo.
Determinar a relação entre as variáveis sócio-demográficas (nacionalidade, idade,
estado civil, habilitações literárias, actividade laboral, agregado familiar e número de
filhos) e a CMAP das puérperas do CHEDV no cuidar do RN de termo entre as 24 e as
72 horas pós-parto.
Identificar a relação entre as variáveis obstétricas (gravidez planeada, gravidez
desejada, aceitação da gravidez, vigilância da gravidez, local de vigilância da gravidez,
preparação para o parto, problema de saúde, tipo de parto actual, experiência prévia
com bebés, AM exclusivo) e a CMAP das puérperas do CHEDV no cuidar do RN de
termo entre as 24 e as 72 horas pós-parto.
Estruturalmente o trabalho está dividido em duas partes. A primeira delas, corresponde à
fundamentação teórica, onde abordamos em primeiro lugar, a auto-percepção das
competências maternas, concretamente os conceitos percepção e competência, analisando
cada uma das dimensões que compõem as competências maternas. Também neste
capítulo faz-se referência aos diversos factores que influenciam as competências maternas
através duma revisão de estudos e finalizamos com os instrumentos utilizados para avaliar a
CMAP. No seguinte capítulo, apresentamos o RN de termo, as suas competências e
necessidades atendendo ao referencial teórico de Virgínia Henderson. Por último, refletimos
no adequado transporte do RN e como promover a sua alta segura.
Na segunda parte abordamos o estudo empírico realizado que se encontra subdividido
em quatro capítulos que reúnem os métodos utilizados no decorrer da investigação. Em
primeiro lugar, realizamos uma conceptualização do estudo tendo em consideração o tipo de
investigação e os seus objectivos. Neste primeiro capítulo, apresentamos também, os
participantes, a caracterização sociodemográfica da amostra e critérios de inclusão, os
28
instrumentos utilizados, os procedimentos realizados e a análise de dados prevista. No
segundo capítulo da investigação empírica mostramos a apresentação e análise dos
resultados, junto com a análise descritiva e a análise inferencial. Um outro capítulo aborda a
discussão da metodologia utilizada e a dos resultados. As conclusões e sugestões do
estudo são apresentadas no último capítulo.
PARTE I – Fundamentação Teórica
Capítulo 2 – Auto-percepção das
Competências Maternas
Capítulo 3 – O Recém-nascido de termo
Capítulo 4 – “Alta Segura”: O adequado
transporte do Recém-nascido
31
2 – AUTO-PERCEPÇÃO DAS COMPETÊNCIAS MATERNAS
A percepção é um processo sensorial e cognitivo que compreende processos e
mecanismos para elaborar e gerar juízos relativamente aos outros e a nós próprios. Trata-se
do processo de organizar e interpretar a informação sensorial para dar-lhe significado (LaraGarcia, Flores-Peña, Alatorre-Esquivel, Sosa-Briones, & Cerda-Flores, 2011). Tanto a
percepção sensorial e psicológica das pessoas representam um processo que resulta de
uma complexa interacção das experiências passadas e do contexto cultural onde se
desenvolvem, o que influencia a interpretação do compreendido (Lara-Garcia, Flores-Peña,
Alatorre-Esquivel, Sosa-Briones, & Cerda-Flores, 2011). Concretamente, o conceito de autopercepção parental, refere-se “à maneira como os pais se reconhecem no desempenho
desse papel parental” (Ribas, Moura, & Bornstein, 2007, p.105). De acordo com Lowdermilk
& Perry (2008), para os pais biológicos o papel parental inicia-se durante a gravidez e após
o nascimento aumenta e intensifica-se. Este período é caracterizado por uma enorme
aprendizagem e necessidade de educação, onde os pais têm a necessidade de se tornarem
eficazes no cuidado ao bebé (Lowdermilk & Perry, 2008).
As auto-percepções parentais podem ser compreendidas como auto-conceitos, isto é,
“crenças e atitudes que os indivíduos têm acerca de si mesmos” (Ribas, Moura, & Bornstein,
2007, p.106). Contudo, as auto-percepções parentais habitualmente estão relacionadas com
o conceito de auto-eficácia, sendo assim, “têm sido avaliadas como a forma pela qual os
pais percebem a própria eficácia no desempenho do seu papel parental” (Ribas, Moura, &
Bornstein, 2007).
A forma como uma pessoa percepciona a sua habilidade para desempenhar uma
determinada tarefa influenciará os resultados da mesma. Por este motivo, os pais que
acreditam nas suas próprias habilidades normalmente sentir-se-ão mais satisfeitos e com
capacidade para fazer o necessário para conseguir uma tarefa determinada, concretamente
aspectos e actividades relacionadas com o cuidar do seu filho (Farkas-Klein, 2008). “O
processo de cuidar […] tem como desafio o desenvolvimento de capacidades,
conhecimentos e recursos, ou seja, o desenvolvimento de competências” (Serrano, 2008;
Serrano, Costa, & Costa, 2011, p.16).
A competência é um conceito multidimensional que emerge nos mais diversos campos do
conhecimento e das profissões, sendo múltiplas as definições existentes na literatura
(Serrano, 2008). Este conceito, segundo Martins (2007) e Serrano (2008), tem vindo a
32
evoluir e tem-se estabilizado como sendo uma combinação do saber, o saber fazer e o
ser/conviver (conhecimentos, habilidades e atitudes). Autores como Spencer & Spencer em
1993, referidos por Serrano (2008), distinguem dois tipos de competências. As
competências visíveis que se relacionam com as habilidades e os conhecimentos, e as
competências invisíveis caracterizadas pelos valores, traços, motivações e auto-conceito,
que caracterizam a personalidade da pessoa. Posteriormente, Goleman em 2002, no âmbito
das competências invisíveis, introduz o termo de competências emocionais “inteligência
emocional”, isto é, a forma como nos conhecemos a nós próprios e nos relacionamos com
os outros (Serrano, 2008).
O ser competente implica que quem sabe fazer sabe porque o está a fazer desta maneira
e não de outra (Catafesta, 2008). “É preciso mobilizar o conhecimento, contextualizá-lo,
torná-lo útil, pô-lo em prática ao serviço de alguém” (Soares & Sadigursky, 2009, p.150).
Assim, pode-se definir a competência como a capacidade para mobilizar, integrar, articular e
transferir conhecimentos, valores e habilidades necessários para o desempenho eficiente e
eficaz de actividades (Catafesta, 2008). Ainda Soares & Sadigursky (2009) afirmam que a
competência pode trazer auto-realização e que a sua aquisição é processual. A construção
das competências é progressiva, onde a experiência e a diversidade cultural inerente à
pessoa assumem um papel determinante (Serrano, 2008).
No que se refere às competências maternas, existem duas componentes imprescindíveis
neste conceito e que são essenciais para o bem-estar do RN e para o seu futuro
desenvolvimento, as competências cognitivo-motoras e as competências cognitivo-afectivas
(Belo, 2005).
As competências cognitivas-motoras são actividades orientadas para satisfazer as
necessidades do bebé em relação à alimentação, à higiene e conforto, ao vestir, à
manutenção da temperatura corporal, ao evitamento dos perigos e à promoção da
mobilidade (Rodrigues, 2010). Incluem actividades relacionadas com o cuidar do RN que
não aparecem automaticamente como comportamentos cuidativos eficazes ao nascimento
do RN (Lowdermilk & Perry, 2008). Trata-se de um processo de aprendizagem, onde o
desejo de aprender dos pais junto com o apoio necessário dos profissionais de saúde e
familiares, os capacita para cuidar do RN. Estas competências são influenciadas pela
própria cultura dos pais e pela sua experiência pessoal prévia, mas ao mesmo tempo
afectam as competências cognitivas-afectivas, pois espelham-se nos aspectos práticos do
cuidar do RN e nas respostas emocionais deste a esse cuidar (Belo, 2005). Segundo
Rodrigues (2010), as competências cognitivo-afectivas abrangem a ternura, a atenção e o
interesse relativamente às necessidades e desejos do bebé, sendo a relação entre pais e
bebé mutuamente compensadora.
33
O desempenho do papel parental representa uma das experiências humanas mais
complicadas (Santos et al., 2012). Por este motivo, numerosos estudos avaliam a relevância
da eficácia parental, existindo evidências científicas que sugerem que a auto-eficácia é
mediadora dos efeitos de diversas variáveis relacionadas com os pais e com o filho,
regulando a qualidade da parentalidade. Constata-se na literatura que as mães que se
sentem carentes de habilidade para acalmar o seu bebé, quando este chora, realizam
menos tentativas para os acalmar e rendem-se mais facilmente se o RN não responde aos
seus esforços (Farkas-Klein, 2008).
Uma alta auto-percepção materna cuidativa traduz melhores cuidados ao RN e uma
melhor saúde mental materna. Em contrapartida, a auto-eficácia materna está inversamente
relacionada com a depressão pós-parto (Farkas-Klein, 2008). Por este motivo, estamos
perante uma importante ferramenta de promoção de bem-estar materno-infantil e que
permite a detenção de possíveis dificuldades no cuidado do RN. Ao poder identificar uma
baixa competência materna cuidativa podemos promover e implementar intervenções
adequadas para desenvolver as crenças de eficácia e melhorar as habilidades parentais.
Por outro lado, diversos factores são passíveis de influenciar a auto-percepção das
competências maternas. Por este motivo, é fundamental identificar aqueles factores que
influenciam de forma positiva as competências maternas cuidativas, para tentar potenciálos. Em contrapartida ao determinar aqueles factores que influenciam de forma negativa as
competências maternas no cuidar do RN de termo, podemos tentar minimizá-los. Como
refere Rodrigues (2010), a competência pode ser desenvolvida através da aprendizagem,
treino e reflexão. É neste âmbito que o EESMOG tem um enorme potencial a desenvolver,
estabelecendo uma relação de ajuda. Segundo Machado & Tavares (2006), o enfermeiro é o
elemento da equipa multidisciplinar que se encontra melhor preparado para promover a
interacção entre pais e filho, envolvendo-os nos cuidados e favorecendo o processo de
vinculação.
Atendendo aos factores que influenciam as CMAP, num estudo realizado por Rocha,
Bezerra, & Campos (2005), constatou-se como resultado o baixo défice de orientação das
primíparas adolescentes acerca de como cuidar o bebé, que esperam receber a ajuda dos
pais e familiares. Também, Mendes, Cortesão, Sousa, & Carvalho (2011), salientam existir
uma ligeira tendência para que a idade se correlaccione negativamente com a autopercepção materna das competências no cuidar do RN.
Segundo Figueiredo (2001) as mães de classe alta proporcionam ao RN um maior
número de oportunidades de estimulação, concretamente a estimulação verbal, quando
comparadas com as mães de classe social baixa.
Em relação à escolaridade, existe evidência de relação entre o nível de escolaridade e a
auto-percepção materna das competências no cuidar do RN (Mendes, Cortesão, Sousa, &
34
Carvalho, 2011). Ainda Mendes, Cortesão, Sousa, & Carvalho (2011), verificaram a
existência de correlação positiva estatisticamente significativa entre as variáveis autopercepção
materna
das
competências
no
cuidar
do
RN
e
as
características
comportamentais do RN. Similarmente, a percepção de apoio instrumental influencia a autopercepção materna das competências no cuidar do RN (Mendes, Cortesão, Sousa, &
Carvalho, 2011). Matos & Ferreira (2000) referem que o apoio instrumental engloba a ajuda
em relação à família ou ao trabalho e ajuda económica.
No estudo realizado por Belo (2005) concluiu-se que as mães com vinculação segura são
as que percepcionam maior competência nos cuidados ao RN. Igualmente, as mães com
experiência prévia com bebés, evidenciam uma percepção elevada das suas competências
cuidativas neonatais, quer na dimensão cognitivo-motora quer na dimensão cognitivoafectiva.
Desta forma, constata-se que a competência materna é um fenómeno multifacetado, com
evidente interesse para todos aqueles profissionais que contactam com a mãe, casal e RN,
por este motivo é importante contar com um instrumento apropriado que permita avaliar a
auto-percepção das competências maternas no cuidar do RN de termo. Esta temática será
abordada no seguinte subcapítulo desta investigação.
2.1 – AVALIAÇÃO DA COMPETÊNCIA MATERNA AUTO-PERCEBIDA
Dos instrumentos existentes para a avaliação da competência materna auto-percebida,
verificamos que inicialmente se limitavam quase exclusivamente ao cuidado e à saúde física
do RN. Exemplo desta realidade são o Infant Care Survey (1989) e o Parent Expectation
Survey (1992) que abordam temáticas como a dieta, a segurança ou os cuidados de saúde
ao bebé. Estes instrumentos não têm em consideração as condutas interactivas entre os
pais e o bebé. Já o Maternal Efficacy Questionaire (1991) pretende avaliar a auto-eficácia
materna, mas é de sublinhar que dos seus dez itens apenas um deles questiona pela
eficácia percebida no cuidado físico diário do RN, já os restantes nove itens referem-se a
tarefas a nível afectivo. Mais recentemente a Self-Efficacy in Infant Care Scale desenvolvida
em 2006, aborda com detalhe a eficácia percebida em tarefas de cuidados físicos diários ao
RN, mas focaliza-se em tarefas específicas, sem ter em atenção uma percepção geral da
mãe. Em contrapartida, a Parenting Sense of Competente Scale e a escala Being a Parent
(2001), avaliam a satisfação e a eficácia com a maternidade, num formato breve, de
aproximadamente dez itens, considerando tanto aspectos gerais como específicos (FarkasKlein, 2008).
35
Segundo Farkas-Klein (2008), várias destas escalas têm sido criticadas por terem sido
desenhadas em amostras homogéneas, com uma mínima validação e em ocasiões com
falta de clareza conceptual. Por outro lado, temos que ter em conta factores culturais no
momento de aplicar determinado instrumento, já que dependendo do país onde tenha sido
desenvolvido, podem incluir tarefas ou actividades que não são familiares para mães de
outros países ou inclusive os itens podem variar na sua significação social. Atendendo a
este facto, Farkas-Klein (2008) com o intuito de avaliar a auto-eficácia e satisfação materna
das mulheres chilenas construiu a Escala de Eficácia Parental que apresentou adequadas
propriedades psicométricas.
A nível nacional, constatamos que os estudos realizados não utilizam nenhum destes
instrumentos desenvolvidos a nível internacional, em contextos sócio-culturais diferentes
dos da nossa realidade. Assim, num estudo realizado por Marques & Sá, em 2004, intitulado
“Competências Maternas Auto-percebidas no Contexto da Prematuridade” desenvolveu-se a
Escala de Auto-percepção Materna das Competências Cuidativas Neonatais (EAPMCCN)
de 41 itens. Esta escala inicialmente utilizada para o estudo de RN prematuros, foi
posteriormente adaptada e utilizada por Santos & Mendes (2004) para a avaliação das
competências maternas auto-percebidas no cuidar do RN de termo, ficando reduzida a 36
itens. Um ano mais tarde, esta versão da escala foi utilizada por Belo (2006) com o intuito de
identificar os factores influenciadores das competências maternas auto-percebidas no cuidar
do RN de termo no período compreendido entre as 24 e as 72 horas pós-parto.
Recentemente, Mendes, Cortesão, Sousa, & Carvalho (2011), também utilizaram esta
escala num estudo cujos objectivos foram os de descrever as competências em que as
mães se percepcionam como mais ou menos competentes no cuidar do RN de termo e
analisar factores que influenciam a auto-percepção materna das competências no cuidar do
RN de termo, no final do período neonatal.
A EAPMCCN baseia-se nas duas dimensões da CMAP, a cognitivo-motora e a cognitivoafectiva, que já foram anteriormente objecto de análise no início deste capítulo, mas
atendendo a que o objecto de estudo desta escala são as competências maternas
cuidativas neonatais, de seguida, abordamos as características do RN de termo e as suas
necessidades.
Como é sabido, todo o RN necessita de cuidados especiais para que tenha um
crescimento e desenvolvimento saudáveis, razão pela qual a futura mãe necessita receber
orientações a respeito de como cuidar o seu bebé, conhecer a sua fisiologia, as mudanças
da pele, a linguagem do choro, entre outras. Estes assuntos serão o ponto de partida do
capítulo seguinte.
36
37
3 – O RECÉM-NASCIDO DE TERMO
A definição de RN de termo é atribuída a toda a criança desde o nascimento até aos vinte
e oito dias de vida, denominando-se período neonatal (Lowdermilk & Perry, 2008). O bebé
após o nascimento possui inúmeras capacidades para interagir com o exterior e estabelecer
uma relação humana, principalmente com os seus pais (Pinho, 2009). Os estudos sobre
estas capacidades do RN apontam para o inicio do seu desenvolvimento, conjuntamente
com as primeiras experiências sensoriais que também formam parte da vida intra-uterina
(Medeiros, 2007). As capacidades sensoriais do RN estão estreitamente ligadas com os
órgãos dos sentidos e representam algumas das competências do RN (Belo, 2005). A
melhor forma para estimular o seu desenvolvimento é através das suas capacidades
sensoriais (visão, audição, olfacto, paladar e tacto), já que são os meios que o RN utilizará
para explorar o mundo exterior (Pinho, 2009).
Visão
O bebé desde o nascimento revela capacidades de interacção com o rosto humano
usando a visão. De acordo com Brazelton & Cramer (2004), esta competência permite-lhe
uma forte capacidade de adaptação relativamente à ligação pais-filho, uma vez que ele
parece estar programado para reconhecer o rosto humano, sabendo distinguir entre o rosto
da mãe e o das outras pessoas, no primeiro mês de vida. Segundo Belo (2005) e Silva
(2006), os RN demonstram preferência por objectos que se encontrem num campo visual de
aproximadamente vinte centímetros, que corresponde à distância entre a face do bebé e da
mãe durante a amamentação.
Audição
Os órgãos auditivos tornam-se funcionais por volta da vigésima sexta semana de
gestação, pelo que o feto é capaz de reconhecer e distinguir os sons. Deste modo,
consegue demonstrar agrado ou descontentamento em relação a uma determinado
frequência sonora, mensurável através da variação da frequência cardíaca fetal e/ou dos
seus movimentos. Isto demonstra que na presença de estímulos auditivos o bebé apresenta
experiências sensoriais auditivas ainda no meio intra-uterino (Cordeiro, 2008).
A membrana timpânica e o nervo facial do RN são muito superficiais, porque ele tem um
canal externo pequeno e a parte óssea ainda não está aperfeiçoada, ainda que a região
média e interna do ouvido sejam grandes ao nascimento. Estas características anatómicas
são responsáveis pela fragilidade do RN perante sons demasiados altos, podendo
38
facilmente lesar a membrana timpânica (Whaley & Wong, 1999). Assim sendo, os sons
demasiado altos assustam o RN que reage com aumento do ritmo cardíaco e respiratório,
fica com a pele avermelhada e vira a cabeça. Na permanência do som, o RN começa a
chorar para controlar o susto. Em contrapartida, perante sons suaves, orienta a cabeça para
o estímulo e a sua frequência cardíaca diminui (Silva, 2006).
De acordo com Lowdermilk & Perry (2008), a acuidade auditiva do RN é similiar à do
adulto quando transita para a vida extra-uterina e na ausência de líquido amniótico, podendo
esta situação ocorrer durante o primeiro minuto de vida. Assim, desde o nascimento, o bebé
ouve, presta atenção e é capaz de localizar a origem do som, seguindo-o com os olhos e a
cabeça (Borges & Gouveia, 2001; Faure & Richardson, 2004). Também apresenta
sensibilidade ao som da voz humana (Brazelton & Cramer, 2004). Para Cordeiro (2008), o
falar com o bebé quando este se encontra mais activo para interagir, é um momento
fundamental na relação pais-filho, uma vez que ouvir a voz dos seus pais permite acalmá-lo
(Pinho, 2009). A resposta do RN quando se encontra em estado de vigilância; calmo e
atento a um estímulo sonoro, é movimentar os olhos e/ou cabeça em direcção à fonte
sonora. Já quando se encontra sonolento, perante um estímulo sonoro abre os olhos
(Lowdermilk & Perry, 2008). Por outro lado, Pinho (2009) refere que a audição do bebé é
determinante no desenvolvimento da linguagem.
Olfacto
O sentido do olfacto é uma forma de mãe e filho se conhecerem mutuamente (Silva,
2006). Já nas primeiras horas de vida, o RN quando sente necessidade de se alimentar,
procura encontrar o mamilo da mãe através do cheiro. Esta capacidade de reconhecimento
do cheiro da mãe é um factor importante e facilitador de interacção mãe-filho (Ferreira,
1996).
Brazelton (2000) afirma que o RN tem competências para diferenciar os cheiros
agradáveis dos desagradáveis por forma a adaptar-se ao meio extra-uterino. De acordo com
Klaus, Kennel & Klaus (2000), os RN são atraídos pelos odores doces (leite e soluções
açucaradas) e reagem com repulsa a odores fortes como o álcool ou o vinagre. Os odores
permitem despertar emoções com maior rapidez que qualquer outro sentido, já que o olfacto
possui conexões directas ao centro das emoções do cérebro (Pinho, 2009).
Paladar
O sentido do paladar já se encontra desenvolvido a partir do quarto mês de gestação,
motivo pelo qual as sensações gustativas são passíveis de avaliação ainda no meio intrauterino (Borges & Gouveia, 2001).
39
Os RN têm um sistema gustativo bem desenvolvido, com receptores de paladar
especializados, que permitem diferenciar ténues diferenças de paladar, por isto distintos
sabores podem provocar diferentes expressões faciais (Brazelton & Cramer, 2004;
Lowdermilk & Perry, 2008). Assim, alguns sabores doces desencadeiam uma sucção
vigorosa que acalma o RN, provocando uma expressão de agrado, em contrapartida, outros
sabores causam movimentos de repulsa (Ferreira, 1996; Faure & Richardson, 2004). De
forma similar, a ingestão de líquido amniótico pelo feto vária em função da presença ou não
de substâncias açucaradas introduzidas artificialmente (Ferreira, 1996). São os sabores
doces os preferidos pelo bebé e que o ajudam a permanecer no estado ideal de interacção
(Faure & Richardson, 2004).
Tacto
A pele é o órgão mais extenso do corpo humano que participa em diversas funções vitais
(Silva, 2006). Tem função física e sensorial, funcionando como uma barreira mecânica e de
protecção (Borges & Gouveia, 2001).
O bebé é sensível ao tacto em todas as zonas do seu corpo, em especial, na boca, nas
mãos e nas plantas dos pés; e pode aprender variadas sensações à superfície da pele, tais
como a pressão, a dor, o frio ou o calor (Lowdermilk & Perry, 2008; Faure & Richardson,
2004). No entanto, o toque pode também ser revelador de afecto, pelo que estas sensações
fazem parte do diálogo constante que o RN estabelece com o meio envolvente (Ferreira,
1996).
Atendendo a estas zonas mais sensíveis ao tacto do RN, estas são relacionadas com
diferentes reflexos manifestados por ele. Normalmente, a estimulação à volta da boca
desencadeia a sua abertura numa tentativa de agarrar e sugar, correspondendo ao reflexo
dos pontos cardeais e de rotação. No caso de ser tocada a sua mão, como resposta ele
fecha-a e agarra, o que corresponde ao reflexo de preensão palmar. Também os estímulos
sobre as variadas zonas dos pés podem implicar vários reflexos: preensão plantar,
babinsky, marcha automática, entre outros (Ferreira, 1996).
De facto, a zona do corpo tocada e a intensidade do toque são determinantes para a
reacção do RN. Um estímulo táctil lento pode acalmá-lo quando está agitado, enquanto um
estímulo forte e rápido pode levá-lo a ficar em estado de alerta (Ferreira, 1996). Isto já
acontece durante a vida intra-uterina, onde os movimentos suaves, como a massagem do
ventre materno provoca uma movimentação no feto. Em contrapartida, os movimentos
agressivos da parede abdominal levam o bebé a adoptar atitudes de defesa, como o
sobressalto e a recua.
40
O desenvolvimento emocional está intimamente ligado ao sentido do tacto (Silva, 2006).
É através dos cuidados proporcionados ao RN e das estimulações sensoriais despertadas
pela interacção entre os pais e o filho, que se organizam os laços de vinculação, onde o RN
estabelece as suas primeiras relações com o seu ambiente familiar e cultural,
desenvolvendo-se psicológica e culturalmente (Ramos, 2001). Desta forma, torna-se
importante para o seu desenvolvimento que os pais saibam regular o seu mundo táctil até
ele ser capaz de o fazer sozinho (Silva, 2006).
3.1 – NECESSIDADES DO RN DE TERMO
No estudo das necessidades do RN temos por base a teoria desenvolvida por Virgínia
Henderson, tendo em conta que a EAPMCCN utilizada nesta investigação para o estudo das
CMAP no cuidar do RN utiliza esta teoria como referencial teórico.
Virgínia Henderson descreve 14 necessidades humanas básicas, hierarquizadas, que
começam nas componentes físicas, progredindo para as psicossociais. Concretamente,
Vieira (2009) afirma que oito das necessidades básicas descritas por Virgínia Henderson se
referem a funções corporais e as restantes seis abordam a segurança e o sentido e o
propósito da vida. Segundo este referencial teórico, o papel do enfermeiro é ajudar a
satisfazer estas necessidades, capacitando a pessoa a funcionar em relação com os outros
e com o ambiente que a rodeia (Carvalho, 2010).
Atendendo à escala utilizada nesta investigação (EAPMCCN) desenvolvemos as seis
necessidades fundamentais do RN, nas suas dimensões: cognitiva-motora e cognitivaafectiva. No que se refere à primeira dimensão abordamos a alimentação, a higiene e o
conforto, a manutenção da temperatura corporal e como evitar os perigos. Já na dimensão
cognitiva-afectiva descrevemos o sono/ repouso e a comunicação/estimulação.
3.1.1 – Alimentação
O leite materno é o melhor alimento e a melhor bebida que se pode dar de forma
exclusiva às crianças até aos seis meses de vida e associado a outros alimentos até aos
dois anos de idade (Cardozo, 2008). É um alimento completo, produzido fisiologicamente
que possui vantagens nutricionais, imunológicas, económicas, sociais e psicológicas.
Existe suficiente evidência científica que demonstra os benefícios do AM para a saúde a
curto e longo prazo para as mães e para os RN (Britton, Mccormick, Renfrew, Wade, & King,
2006). Contudo, a decisão de amamentar é da inteira e soberana vontade da mãe, onde o
41
sucesso do AM depende dela, do RN e da intervenção dos profissionais de saúde no
acompanhamento e apoio ao AM. Cabe assim aos profissionais assumirem uma postura
segura e confiante, de apoio efectivo às dúvidas e dificuldades práticas da amamentação
(Sociedade Portuguesa de Pediatria, 2004). Qualquer que seja a opção tomada pela mãe,
esta deve ser respeitada, contudo, são os profissionais de saúde os responsáveis em zelar
para que essa decisão seja tomada de forma consciente e informada (Nelas, Ferreira, &
Duarte, 2008). Para Azeredo et al. (2008), os primeiros 14 dias após o nascimento são
cruciais para a amamentação bem-sucedida, tratando-se do período que implica intensa
aprendizagem quer para a mãe quer para o filho.
Partilhamos o pensamento de Pinto (2008) quando afirma que a estratégia mais eficaz
para a promoção, protecção e apoio ao AM na comunidade é a educação para a saúde que
combina a aquisição de conhecimentos, a criação de atitudes e a aprendizagem e treino de
capacidades para a prática do AM desde fases precoces da gravidez até depois da alta
hospitalar, já em casa.
3.1.2 – Higiene e conforto
A higiene do RN é um dos cuidados indispensáveis para manter a sua saúde óptima,
tendo em conta os cuidados da pele em geral, do nariz, dos ouvidos, dos genitais e do coto
umbilical. Em todas as actividades de higiene e manipulação do RN, é necessário realizar
previamente a lavagem das mãos e secar cuidadosamente para evitar a contaminação com
agentes microbianos (Cardozo, 2008).
A pele serve como isolamento e protecção contra infecções, permite a regulação da
temperatura corporal e a eliminação de substâncias. Deve manter-se limpa, evitando o
contacto com matérias que a irritem ou outros elementos que não permitam uma eficaz
excreção (Cardozo, 2008). Segundo Figueiredo, Costa, Marques, Pacheco, & Pais (2005),
durante a sua limpeza deve evitar-se a fricção e não deve ser retirado o vérnix caseoso, pois
actua como factor de protecção e de hidratação natural.
No que se refere ao coto umbilical é fundamental mantê-lo seco e realizar a sua limpeza
sempre aquando do banho, durante cada muda de fralda e até três dias após a sua queda
(Cardozo, 2008). A limpeza do mesmo tem que ser realizada com anti-sepsia com álcool a
70º desde a base para a extremidade, isto é, da região mais limpa para a mais contaminada,
sem esquecer de limpar a sua zona de inserção (Ma, 2010). O uso do álcool justifica-se pelo
facto de este desidratar o coto umbilical auxiliando na mumificação e na queda precoce (Ma,
2010). Ter em atenção, que ao colocar a fralda, esta deve ficar abaixo dele para evitar a
contaminação com fezes e/ou urina (Cardozo, 2008). Os cuidados ao mesmo têm por
42
objectivo prevenir e identificar precocemente qualquer hemorragia ou infecção (Lowdermilk
& Perry, 2008). É importante vigiar a presença de sangramento, secreções com ou sem odor
fétido e a pele avermelhada nessa zona (Cardozo, 2008).
Por outro lado, o banho do RN é uma das actividades mais importantes para manter a
higiene adequada e representa um excelente momento para que os enfermeiros envolvam
os pais nos cuidados do seu filho (Ma, 2010). Pode realizar-se desde os primeiros dias de
nascimento com água tépida, evitando o banho de imersão até à cicatrização do coto
umbilical (Cardozo, 2008). Recomenda-se o uso de sabão neutro sem perfumes nem
substâncias irritantes para a pele, apenas quando for necessária a remoção de crostas de
sangue e na limpeza da genitália suja com mecónio (Ma, 2010). Segundo Lowdermilk &
Perry (2008), o banho permite a lavagem completa, a observação da condição física, a
promoção do conforto do bebé e a socialização da criança com os pais e família. De acordo
com Cardozo (2008), o banho facilita o vínculo entre pais e filho, estimula o desenvolvimento
psicomotor, proporciona experiências sensitivas; estimula a circulação e os sentidos,
oferece relaxamento e produz sono. Um RN pode não necessitar de banho todos os dias, no
entanto as pregas do pescoço e dos braços, e a zona das fraldas já precisa de mais atenção
(Cardozo, 2008).
No momento do banho deve-se evitar a entrada de água para os ouvidos que apenas
devem ser limpos a nível do pavilhão auricular e na parte posterior da orelha. Não se deve
introduzir cotonetes dentro do canal auditivo para evitar possíveis lesões ou empurrar as
secreções para o seu interior (Lowdermilk & Perry, 2008; Ma, 2010).
De acordo com Ma (2010), outros cuidados na higiene do bebé incluem a higiene ocular.
Diariamente devem ser retiradas as secreções que se acumulam nos cantos dos olhos
utilizando uma bola de algodão, com água limpa e tépida, para cada olho. Tem que se ter
em atenção que se deve limpar o olho do canto externo para o interno, pois promove a
desobstrução da glândula lacrimal. Também a higiene do nariz é muito importante porque o
RN respira obrigatoriamente pelo nariz. Contudo não há necessidade de cuidados especiais,
porque ele espirra vigorosa e frequentemente para limpá-lo. Não se devem usar cotonetes
para o limpar por risco de lesão da mucosa nasal. Pelo contrário, o uso de algumas gotas de
soro fisiológico para limpar delicadamente as narinas está recomendado (Ma, 2010).
Atendendo à higiene da genitália e da região anal, estes cuidados devem ser prestados
tendo em conta o sexo. Realiza-se com um pano macio, água morna e sabão neutro para a
remoção de fezes e/ou urina. Deve-se limpar e secar bem todas as pregas cutâneas da pele
do RN. Concretamente, a higienização da genitália feminina deve ser realizada no sentido
ântero-posterior, separando os grandes lábios dos pequenos a fim de remover as secreções
43
que podem ficar acumuladas entre eles, em contrapartida, no sexo masculino, deve lavar-se
o pénis de cima para baixo e à volta dos testículos. O saco escrotal apresenta a maior
concentração de resíduos de fezes (Silva, 2006; Ma, 2010). Estes cuidados são realizados a
cada troca de fralda, mas ao mesmo tempo, são os profissionais de saúde os responsáveis
por informar os pais de outros aspectos importantes a considerar em cada muda da fralda,
tal como, a vigilância das dejecções e das micções.
Após o nascimento, as primeiras fezes são o mecónio, semelhante à graxa, de cor preta
e que dura de três a cinco dias. Ter em atenção que a ausência de evacuações num período
superior a 48 horas posteriores ao nascimento é sugestiva de obstrução intestinal. De
seguida, surgem as fezes de transição e finalmente as fezes definitivas (amarelo claro). Um
RN alimentado à mama tem entre quatro a seis dejecções por dia, apresenta fezes mais
moles e pegajosas, podendo muitas vezes serem confundidas com diarreia. As fezes, nesta
idade variam de acordo com o tipo de alimentação, assim bebés alimentados com leite
artificial costumam ter fezes mais consistentes e uma maior tendência para a obstipação,
por este motivo deve reforçar-se a ingestão de líquidos (Silva, 2006; Ma, 2010). Por outro
lado, temos a urina que costuma ser clara e transparente, de cor amarelo âmbar. Contudo, é
importante que os profissionais de saúde avisem os pais para a eventual saída de uratos
pela urina nos primeiros dias de vida, que se torna visível através da coloração avermelhada
na fralda (Silva, 2006), e que não é motivo de preocupação.
Outro aspecto importante da higiene e saúde do RN é o vestuário. Uma regra simples é
ensinar os pais a vestirem o seu filho como se vestem eles mesmos, pondo ou tirando roupa
e agasalhos conforme necessário (Lowdermilk & Perry, 2008). Deve usar-se roupa cómoda
e adequada ao clima, sem esquecer que a criança é sensível às temperaturas extremas. O
material da roupa deve ser preferivelmente de algodão para evitar alergias (Cardozo, 2008).
Os tecidos devem ser naturais (algodão, linho), já que as fibras artificiais não absorvem a
água, tendo maior probabilidade de deixar o corpo húmido. Também é importante que as
roupas sejam de fácil manuseamento, práticas e adaptadas ao seu bebé. A roupa muito
larga pode fazer com que o bebé asfixie e as roupas com elásticos interferem na liberdade
de movimentos (Lowdermilk & Perry, 2008).
No que se refere à lavagem da roupa, esta deve ser lavada separadamente da dos
adultos, com um detergente suave e água quente. Um segundo enxaguamento permite
habitualmente retirar qualquer tipo de resíduos (detergente, fezes ou urina). Por outro lado,
não se deve utilizar lixívia ou outros produtos que possam irritar a pele. Preferivelmente, a
roupa deve secar ao sol (Lowdermilk & Perry, 2008).
44
3.1.3 – Manutenção da temperatura corporal
O RN não controla facilmente a temperatura, por isso é necessário controlar todas as
formas externas de perda ou ganho de calor. As formas como o RN pode ganhar ou perder
calor são a conducção (perda de calor através do corpo em contacto com diferentes
temperaturas), a radiação (quando a criança é colocada perto de uma superfície fria como a
janela ou parede), a convecção (a perda de calor ocorre por um fluxo de ar, como um ar
refrigerado da sala) e a evaporação (perda de calor pelo gasto energético da passagem de
água líquida a vapor) (Ma, 2010). É importante que os pais conheçam estas formas e as
identifiquem na vida diária para assim as evitarem (Cardozo, 2008; Ma, 2010).
A temperatura do RN pode identificar-se pelo seu estado geral. Se está calmo, em
repouso, tranquilo, ou se mostra inquieto e chora, uns dos motivos pode ser o desequilíbrio
térmico. De acordo com Lowdermilk & Perry (2008), o RN para responder ao desconforto da
exposição a um ambiente térmico baixo pode tentar aumentar a temperatura corporal
chorando ou aumentando a actividade motora. É importante, comprovar a temperatura do
RN e vigiar sinais como a cor da pele, o suor ou as mãos frias (Cardozo, 2008). De acordo
com Oliveira (2005), a temperatura axilar é considerada normal quando oscila entre 36,4ºC e
37,2ºC. A sua medição realiza-se colocando o termómetro na axila do bebé durante cinco
minutos.
3.1.4 – Evitar os perigos
Nesta temática descrevemos orientações preventivas relativamente, ao posicionamento
do RN, da roupa da cama, o risco de quedas, de queimaduras e de uma forma mais
específica abordaremos o transporte no seguinte capítulo desta investigação.
A forma mais adequada de posicionar o bebé depois de comer é sobre o lado direito,
para permitir o esvaziamento gástrico do intestino delgado e a cabeça deve estar elevada a
30º em relação ao resto do corpo, para evitar uma aspiração de vómito (Lowdermilk & Perry,
2008). Quanto ao posicionamento ao deitar, a posição mais correcta é em decúbito dorsal
(Silva, 2006). Também ao deitar-se o bebé de lado, facilita-se a drenagem de muco
(Lowdermilk & Perry, 2008).
No que se refere à roupa, esta não deve ter botões que possam magoar ou que possam
ser facilmente puxados e engolidos (Silva, 2006; Lowdermilk & Perry, 2008). Por este
mesmo motivo, deve evitar-se o uso de objectos pequenos, anéis ou pulseiras, que o bebé
possa introduzir na boca (Cardozo, 2008). Igualmente, para evitar que o RN asfixie, a roupa
da cama deve ser leve e confortável e quando se deita o bebé numa cama de adulto, deve
colocar-se almofadas ao seu redor (Silva, 2006). Por outro lado, há que evitar a presença de
45
brinquedos ou outros objectos no berço, pelo risco de propagação de infecções, de alergias
ou outras doenças relacionadas (Rocha, Baptista, Baptista & Ribeiro, 2005).
Na prevenção de quedas é importante que os pais saibam como segurar no RN e
promover cuidados para nunca o deixar sozinho numa superfície alta sem vigilância. O bebé
deve ser pegado ao colo apoiando-lhe a cabeça, uma vez que ele é incapaz de manter a
cabeça direita por mais do que alguns momentos (Silva, 2006; Lowdermilk & Perry, 2008).
A prevenção do risco de queimaduras está inerente à temperatura da água do banho e
do leite aquecido. Há que verificar sempre a temperatura que deve estar agradavelmente
morna na zona interna do pulso. Também a exposição solar directa está desaconselhada
(Silva, 2006; Lowdermilk & Perry, 2008).
No momento do banho, ter em atenção algumas normas de segurança, como colocar na
banheira em primeiro lugar a água fria e depois juntar a quente, misturando bem. Nunca
acrescentar mais água quente depois do bebé já se encontrar dentro da banheira. Nem
colocá-lo debaixo da água corrente, pois a temperatura pode escaldar ou arrefecer
rapidamente. Não deixar o bebé sozinho na banheira e a água da banheira não deve
ultrapassar os 10 centímetros de profundidade (Rocha, Baptista, Baptista & Ribeiro, 2005).
3.1.5 – Sono e repouso
O bebé nasce com um padrão de vigília/sono polifásico (ultradiano), sendo que as
crianças com 32 semanas de gestação dormem a maior parte das 24 horas, já nos RN de
termo a quantidade total de sono desce para cerca de 16 a 18 horas por dia mantendo-se
razoavelmente estável até aos 4 meses (Duarte, 2008). De forma geral, os RN dormem a
maior parte do dia e despertam para comer ou quando se sentem incómodos (Cardozo,
2008). Segundo Duarte (2008), o RN de termo tem um ciclo dormir/acordar/alimentar-se
entre 2 a 4 horas, que funciona ao longo do dia (das 24 horas), por este motivo a duração do
sono à noite não é maior que a duração do sono durante o dia. Esta periodicidade muda
gradualmente e após a primeira ou segunda semana identificam o sono com a noite e o
estarem despertas com o dia, período durante o qual a criança se mantém mais acordado e
faz a maioria das suas refeições (Cardozo, 2008; Duarte, 2008). Os pais devem ajudá-las a
estabelecer uma rotina, como por exemplo, dar banho e brincar um pouco antes de a deitar,
junto com o cumprimento de horários (Silva, 2006).
O ciclo de sono é diferente em cada criança, por isso, é importante conhecer os
processos de comunicação de cada uma e o seu ritmo de sono e vigília (Cardozo, 2008). Os
pais devem aprender a conhecer as diferenças de comportamento e basearem os seus
cuidados no ciclo de sono (Rocha, Baptista, Baptista, & Ribeiro, 2005).
46
Os ciclos de sono e vigília podem variar desde o sono profundo ou letargia até estados
de intensa irritabilidade. Distinguimos de seguida seis tipos de estádios de consciência
caracterizados por Brazelton, dois deles representam os estádios do sono e quatro os
estádios de vigília. Entre os estádios de sono temos o sono profundo, tranquilo ou regular,
onde o RN está completamente adormecido com a face relaxada, as pálpebras fechadas e
imóveis; encontra-se em repouso total, quaisquer movimentos realizados são breves e
espasmódicos, as respirações são uniformes e regulares (Brazelton & Cramer, 2004). Em
contrapartida, no sono leve, activo ou irregular, os olhos estão geralmente fechados e
frequentemente vêem-se movimentos oculares rápidos (REM), a respiração é irregular e
ligeiramente mais rápida que no estado anterior, podem fazer caretas, sorrisos ou
movimentos de mastigação e/ou sucção, também se podem verificar tremores musculares
ocasionais (Rocha, Baptista, Baptista, & Ribeiro, 2005).
No que se refere aos estádios de vigília, no estado de sonolência, o RN tenta ficar
totalmente alerta, movimenta-se com mais frequência e abre os olhos periodicamente. As
respostas aos estímulos sensoriais são de modo lento. No estado de alerta, ele tem os olhos
totalmente abertos, olhando e acompanhando todos os estímulos externos, mas parece ser
paralisado por estes estímulos. Já no estado de actividade ou alerta activo, o neonato
responde aos estímulos externos com movimentos do corpo e dos olhos, podendo
apresentar períodos de agitação. Durante o estado de choro, o neonato responde aos
estímulos internos e externos, numa forma óbvia de tentar comunicar e ocorre quando ele
tem fome, dor, frio ou quando está desconfortável (Rocha, Baptista, Baptista, & Ribeiro,
2005).
O local onde o RN descansa deve ser tranquilo, contudo convém, que ele pouco a pouco
se adapte aos ruídos da casa. Tanto o berço como a roupa devem ser adequadas para
evitar situações de risco, como o ficar preso ou não poder respirar (Silva, 2006).
3.1.6 – Comunicação/estimulação
O neonato tem capacidade para receber estímulos e para expressar os seus desejos e
sentimentos (Belo, 2005). Contudo, nos primeiros meses de vida, os pais sentem dificuldade
em interpretar a forma de comunicação dos seus filhos e em estabelecer os ritmos
fisiológicos (alimentação, sono, padrões de despertar). Os profissionais de saúde devem
encorajar e apoiar os pais para a interacção, prestando especial atenção aos seus
movimentos, às suas reacções aos sons, ao significado do seu choro, à forma como se
estabelece o contacto visual e táctil (Silva, 2006). O bebé desde o seu nascimento possui
extraordinárias competências inatas, sensórias e comportamentais, que devem ser
47
desenvolvidas (Pinho, 2009). É fundamental estabelecer precocemente experiências
sensoriais e interacções positivas, repetidamente, para permitir o desenvolvimento e a
estabilidade emocional da criança (Armus, Duhalde, Oliver, & Woscoboinik, 2012).
Brazelton & Cramer (2004) identificam seis características específicas existentes na
interacção Pais-RN (sincronia, simetria, contingência, adesão, jogos e autonomia) que
promovem e auxiliam o estabelecimento precoce do vínculo afectivo. Uma destas
características e a sincronia que se estabelece quando os pais e o neonato começam a
ajustar o seu comportamento e horários ao ritmo uns dos outros, permitindo assim que os
pais se sintam competentes no seu papel e o neonato confiante e seguro por ser capaz de
obter respostas. Já quando os pais reconhecem quais as preferências do seu filho e a sua
capacidade de estar atento cria-se uma simetria nas interacções. Existe uma interacção de
contingência quando a mãe compreende quais são as interacções que provocam uma
resposta no RN, sendo que, quando ambos conhecem quais os comportamentos que vão
acarretar respostas por parte do outro, estabelece-se uma interacção de contingência
perfeita. Numa fase mais avançada desta interacção temos a adesão, onde os pais ou o
filho conseguem com os seus estímulos, controlar o grau de atenção ou de distracção do
outro interveniente nesta interacção. Através do jogo intensifica-se o conhecimento mútuo e
por último, com a autonomia, o neonato tem a capacidade de desligar-se dos estímulos dos
pais, procurando os seus próprios estímulos e interacções.
De acordo com Pinho (2009), quando os bebés são excessivamente estimulados mas ao
mesmo tempo privados de vários estímulos sensoriais, o seu desenvolvimento pode ser
afectado, correndo o risco de não terem capacidade para brincar autonomamente ou de
explorar o ambiente por si próprios e ao seu ritmo.
Em suma, partilhamos da opinião de Silva (2006) quando afirma que a partir do momento
em que os pais, tomam consciência de que o neonato é um ser activo e participante na
interacção, este processo passa a ser desenvolvido com maior sucesso para ambos os
intervenientes.
48
49
4 – “ALTA SEGURA”: O ADEQUADO TRANSPORTE DO RN
A preocupação com o transporte correcto do RN em automóvel tem aumentado ao longo
dos últimos anos, pelas nefastas estatísticas de acidentes rodoviários com bebés e crianças
e as suas graves consequências. Em Portugal, a utilização de sistemas de retenção para
crianças (SRC) em viagem aproxima-se dos 40% e a ocorrência de erros de utilização, que
podem reduzir a eficácia do dispositivo utilizado, atinge os 90% para os SRC mais
frequentes (SRC aprovados para utilização para crianças até aos 18kg) (Associação para a
Promoção da Segurança Infantil - APSI, 2007a). A obrigatoriedade do uso de cadeirinhas
traz muitos ganhos em saúde, já que contribui para a redução da gravidade dos acidentes,
que ainda constituem, em Portugal, a maior causa de morte e incapacidade definitiva em
crianças e jovens (Associação para a Promoção da Segurança Infantil, 2007). A utilização
de SRC reduzem, entre 90 a 95%, a ocorrência de morte ou ferimentos graves em crianças
(Direcção Geral da Saúde - DGS, 2010) e constituem a medida mais eficaz de protecção da
criança e de redução da morbimortalidade infantil, em caso de acidente de trânsito (Amann,
2012).
Portugal assumiu o seu compromisso com a segurança infantil quando o Ministério da
Saúde adoptou o desenvolvimento do Plano de Acção para a Segurança Infantil em Portugal
(PASI) e o integrou no Programa Nacional de Prevenção de Acidentes (Plano Nacional de
Saúde). O PASI está a ser desenvolvido em Portugal desde 2006, sob a coordenação da
APSI, e tem como objectivo criar estratégias para a prevenção dos acidentes nas crianças e
adolescentes dos 0 aos 18 anos. Até ao momento já foram definidas as prioridades e as
principais metas com a participação activa de mais de 54 instituições (Associação para a
Promoção da Segurança Infantil, 2007b).
A partir da implementação do supracitado programa, tem-se verificado nos últimos anos
uma redução do número de mortes e uma melhoria na área da segurança infantil, contudo o
Ministério da Saúde em 2009, afirma que apesar destes avanços, as lesões não intencionais
(acidentes) continuam a ser a maior causa de morte infantil e juvenil em Portugal e na
Europa. O relatório de avaliação da segurança infantil do ano 2009 em Portugal realça como
áreas de intervenção, em relação à segurança rodoviária, a promoção do transporte de
crianças voltadas para trás (idealmente até aos 4 anos), a sensibilização das famílias, a
formação de profissionais que intervêm no aconselhamento (agentes de autoridade,
vendedores, profissionais de saúde) e a fiscalização deste tipo de dispositivos (Associação
para a Promoção da Segurança Infantil, 2009).
50
A DGS recomenda que a segurança no automóvel se inicie antes do nascimento, ainda
na gravidez, quando a futura mãe usa adequadamente o cinto de segurança e é informada
de como deverá realizar o transporte do seu bebé num SRC. Logo à saída da maternidade,
o neonato deve viajar semi-sentado, usando um SRC homologado, de acordo com o
regulamento 44 ECE/UN, versão 03 ou 04, voltado para trás, e que se adeque a cada
criança pela sua estatura, peso e idade. Só assim a cabeça, o pescoço e a região dorsal
estarão devidamente protegidos em caso de acidente, pois são apoiados uniformemente
(Direcção Geral da Saúde, 2010). Em raras excepções, os bebés prematuros poderão não
viajar semi-sentados numa cadeirinha, mas sim deitados numa alcofa, tendo em
consideração as recomendações da Sociedade Portuguesa de Pediatria (2007). Essa alcofa
deverá ter cintos de segurança próprios para manter o bebé em segurança. Por outro lado,
não podemos esquecer que o colo é o lugar mais perigoso para o bebé numa viagem de
automóvel (Associação para a Promoção da Segurança Infantil, 2012).
O uso de SRC homologados é obrigatório no transporte em automóvel até aos 12 anos
de idade e 150 centímetros de altura, de acordo com o Código da Estrada vigente em
Portugal, no Artigo 55º, revisto em 7/2010. Em caso de incumprimento da lei, a multa pode
chegar aos 600 euros. Além disso, o condutor pode ser penalizado com inibição de
conduzir, já que o transporte de menores ou inimputáveis sem cinto de segurança e SRC
passa a ser considerado uma contra-ordenação grave (Artigo 145.º do Código da Estrada).
A infracção a qualquer das disposições referidas nos pontos anteriores é sancionada com
coima de 120 a 600 euros por cada criança transportada indevidamente (Autoridade
Nacional de Segurança Rodoviária, 2012).
4.1 – CRITÉRIOS NA ESCOLHA DO SISTEMA DE RETENÇÃO
Para oferecer segurança, o SRC tem que estar homologado pelas normas da União
Europeia, com selo ou certificado de qualidade que o atestam e assim possuir a etiqueta “E”,
com um número de aprovação que comece por 03 ou 04, presentemente com o
Regulamento 44/03 da ECE/ONU. A etiqueta indica também o tipo de cadeira, porém o
intervalo de pesos não pode ser tomado como único factor de escolha, há que ter também
em consideração o tamanho e a idade da criança (Autoridade Nacional de Segurança
Rodoviária, 2010). Este tipo de SRC pode ser adquirido em vendedores especializados nas
lojas de puericultura ou nos concessionários de automóveis.
Antes de comprar um SRC universal que se adapte a todos os automóveis, deve-se
experimentar no veículo, de forma a identificar possíveis dificuldades na sua instalação. O
dispositivo deve ajustar-se perfeitamente ao automóvel em que vai ser utilizado, verificandose que o cinto de segurança do banco traseiro tem comprimento suficiente para prender a
51
cadeira virada para trás e que pode instalar-se sem excessivas complicações. É importante
conferir se os cintos de segurança se encontram bem apertados e certificar-se que não há
folgas. No que se refere aos cintos arnês (cintos internos), estes devem adaptar-se à altura
dos ombros da criança, ficando apenas com a folga de um dedo de adulto entre o arnês e o
corpo da criança (Direcção Geral da Saúde, 2010).
Existem SRC que se fixam ao automóvel unicamente através do cinto de segurança do
próprio automóvel e outras que têm incorporado o sistema Isofix. Segundo os especialistas,
o Isofix é o mais seguro, desde que o automóvel possua o mesmo sistema. Trata-se de um
sistema de fixação ao carro através de encaixe, presente em veículos mais recentes. Exige
cadeiras específicas (com sistema isofix), que encaixam em dois pontos inferiores (na base
das costas do automóvel) e se fixam num terceiro ponto ou apoiam no chão do carro. A
existência de 3 pontos é essencial para evitar a rotação da cadeira em caso de acidente
(Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, 2010; Direcção Geral da Saúde, 2010).
Os SRC são classificados em 5 grupos de peso: 0, 0+, I, II e III, de acordo com o peso e
a idade da criança (Quadro 1).
Quadro 1 – Classificação dos SRC
Grupo
Peso
Idade (aproximada)
Posição da cadeira
0 – Alcofa
Só para casos especiais
0+
Até 13 Kg
Até 12 - 18 meses
Virada para trás
0+/ I ou I
Até 18 Kg
12 Meses – 3/4 anos
Virada para trás
0+/ I ou I
Até 18 Kg
18 Meses – 3/4 anos
Virada para a frente
II / III
15-36 Kg
4/6 Anos - 12 anos
Virada para a frente
III
22-36 Kg
8/9 -12 Anos
Virada para a frente
De lado
Fonte: Direcção Geral da Saúde (2010). Transporte de Crianças em Automóvel desde a alta
da
Maternidade.
Orientação
nº
001/2010
de
16-09-2010.
Disponível
em
http://www.dgs.pt/?cr=22262
Até aos 18 meses, o peso da cabeça dos bebés representa um quarto do seu peso
corporal e as estruturas ósseas e articulações são ainda pouco firmes o que implica que, em
caso de embate frontal, a grande fragilidade do pescoço possa originar situações graves. A
cadeira voltada para trás funciona como uma “carapaça”, que envolve a criança protegendoa. Por este motivo, as cadeirinhas nesta posição são as que protegem de forma mais eficaz,
em caso de acidente. É preferível a sua colocação no banco de trás do automóvel. Nunca
podem ser colocadas no banco da frente, se tiver airbag frontal activo. A criança não deve
52
viajar voltada para a frente antes de completar 18 meses, mesmo que tenha mais de 9 Kg
(Associação para a Promoção da Segurança Infantil, 2007a; Direcção Geral da Saúde,
2010).
As cadeirinhas do grupo 0+ (0-13 Kg) são as mais indicadas para RN e são sempre
instaladas voltadas para trás. São preferíveis em relação aos berços para automóvel, onde a
criança viaja deitada, pois nestes, a maioria dos embates é transformada em choques
laterais, que são mais perigosos. No que se refere às cadeirinhas catalogadas no grupo 0+/I
(0-18 Kg), a criança já viaja mais sentada, pelo que não são adequadas para os bebés com
menos de 8 a 9 meses. Perante a dúvida na escolha da cadeira, nomeadamente em optar
pela que dá até aos 10 Kg ou até aos 13 Kg, a APSI refere que é preferível escolher a
cadeirinha até aos 13 Kg e instalá-la no sentido contrário ao da marcha. Os SRC, aprovados
para transporte de crianças até aos 13 Kg, possuem um redutor interno que apoia a cabeça
durante os primeiros meses de vida, amparando-a para maior conforto. Já as crianças com
mais de 15 Kg podem usar um sistema de retenção, chamada cadeira de apoio ou banco
elevatório com costas, em que o cinto de segurança do próprio veículo passa à frente do
corpo e o prende em simultâneo com a cadeira (Associação para a Promoção da Segurança
Infantil, 2012).
Os restantes grupos de cadeirinhas apresentados previamente no quadro 1
(Classificação dos SRC), não serão descritos no recorrer deste enquadramento teórico pelo
facto de que não irão ser utlizadas no momento da alta hospitalar e uma vez que no nosso
estudo incidimos no cuidar do RN e como tal abordamos a importância do uso correcto da
sua primeira cadeirinha. Contudo, gostaríamos de realçar que após os 18 meses, diversos
estudos têm demonstrado que as crianças devem viajar voltadas de costas para o sentido
do trânsito, por isso a criança poderá continuar nessa posição até o mais tarde possível,
recomendavelmente até aos quatro anos (Associação para a Promoção da Segurança
Infantil, 2009). Contudo, esta recomendação não está contemplada na lei e por este motivo
uma criança a partir dos 18 meses pode viajar no automóvel voltada para a frente, sempre e
quando a almofada de ar frontal (airbag) no lugar do passageiro esteja desactivada. A partir
dos três anos e se o automóvel não dispuser de bancos ou cintos de segurança na
retaguarda, o transporte pode ser realizado no banco da frente, com este recuado ao
máximo e desde que se utilize um sistema de retenção virado para a retaguarda e a
almofada de ar frontal no lado do passageiro se encontre desactivado (Artigo 55.º do Código
da Estrada). Alguns automóveis trazem um interruptor que permite desligar o sistema de
airbag. No caso de o veículo não possuir este interruptor, o airbag poderá ser desligado
numa oficina, sendo contudo, necessária a autorização da Direcção Geral de Viação. Os
automóveis que não estejam equipados com cintos de segurança estão proibidos do
53
transporte de crianças com menos de três anos de idade (Autoridade Nacional de
Segurança Rodoviária, 2010, 2012).
PARTE II – Investigação Empírica
Capítulo 5 - Metodologia
Capítulo 6 - Resultados
Capítulo 7 - Discussão
Capítulo 8 - Conclusão/Sugestões
57
5 – METODOLOGIA
Pretende-se neste capítulo fazer uma descrição objectiva da forma e dos meios
utilizados no desenvolvimento do estudo, dando resposta à questão a investigar, atendendo
aos recursos temporais, humanos, económicos e materiais.
Apresentamos de seguida os métodos, os participantes, os instrumentos, os
procedimentos e a análise de dados realizados neste estudo.
5.1 – MÉTODOS
A interação com o RN em casa é uma experiência nova, envolvendo os pais de forma
muito exigente, e é nesta altura que se enfrentam com as inúmeras dificuldades
relacionadas com o desenvolvimento de competências cognitivo-motoras e cognitivoafectivas no cuidado ao RN (Pedrosa & Mendes, 2011). Perante as adversidades, alguns
pais pedem ajuda e instruções, outros tentam resolver sozinhos os obstáculos. Em qualquer
caso, a prestação de cuidados ao RN exige conhecimentos e confiança (Belo, 2006).
O enfermeiro, enquanto técnico de saúde que integra uma equipa multidisciplinar,
apresenta um papel muito importante no apoio e orientação dos pais, estimulando a
participação activa no cuidado ao bebé. Para tal, “é imprescindível identificar as
necessidades de informação e os factores que prejudiquem essa aprendizagem” (Belo,
2005, p. 16).
Por este motivo, o estudo da percepção das mães acerca do seu nível de competência e
dos factores que nela intervêm, permitirá posteriormente, dirigir os ensinos realizados no
internamento, adaptados às dificuldades das mães/pais, preparando-os para a prestação de
cuidados ao seu filho após a alta hospitalar. Uma intervenção educacional bem estruturada
é necessária para diminuir a insegurança dos pais (Belo, 2006). Por outro lado, o
aprofundamento nesta área também auxilia o enfermeiro a definir se é necessário
implementar estratégias que permitam aos pais percepcionarem um elevado nível de
competências para cuidarem do seu bebé após a alta (Marques & Sá, 2004).
Daí, a importância da implementação de “acções de educação para a saúde que podem
marcar a diferença entre uma gravidez, parto e puerpério bem sucedidos” (Belo, 2006,
p.131). Onde o enfermeiro, em concreto o EESMOG, tem um papel primordial na sua
abordagem nas consultas de Cuidados Primários e/ou das Maternidades, durante o
58
puerpério e futuramente, no apoio domiciliário.
Nos últimos anos, diversas investigações têm mostrado a relevância desta temática
(Belo, 2006; Pedrosa & Mendes, 2011). Contudo, o seu estudo tem sido mais exaustivo em
relação às competências maternas auto-percebidas no cuidado do RN prematuro. É neste
contexto, de inquietação pessoal que surge o presente estudo de investigação no âmbito do
Mestrado de Saúde Materna, Obstétrica e Ginecológica intitulado “Auto-percepção Materna
das Competências no cuidar do RN de termo”, onde são levantadas as várias questões de
investigação deste estudo.
Qual é o nível de CMAP das puérperas atendidas no CHEDV-Unidade de Santa
Maria da Feira no cuidar do RN de termo entre as 24 e as 72 horas pós-parto?
De acordo com a bibliografia consultada, constatou-se que a percepção que as puérperas
têm acerca das suas competências no cuidar do RN de termo no final do período neonatal é
na globalidade elevada (Pedrosa & Mendes, 2011). Também, Belo (2006) verificou em
termos globais que 62,8% das mães possuem uma boa percepção acerca das
competências cuidativas neonatais. Contudo, observa-se que os resultados são melhores na
dimensão cognitivo-motora que na cognitivo-afectiva.
Uma segunda questão procura saber:
Qual é o nível de conhecimento das puérperas do CHEDV-Unidade de Santa Maria
da Feira relativamente ao transporte seguro do RN de termo?
Da revisão da literatura efectuada, diversos estudos, entre eles a monitorização realizada
a nível nacional pela APSI, através de estudos de observação sobre o transporte de
crianças em veículos ligeiros, têm demonstrado que com o passar dos anos existe um
aumento da taxa de utilização de SRC. Contudo, somente metade das famílias que
transporta as suas crianças com SRC o faz adequadamente (Associação para a Promoção
da Segurança Infantil, 2007a). Segundo Flores (2009), a desinformação sobre a importância
dos dispositivos de retenção infantil é factor determinante no transporte inadequado.
Também nos questionamos:
Que variáveis sócio-demográficas (nacionalidade, idade, estado civil, habilitações
literárias, actividade laboral, agregado familiar e número de filhos) influenciam a
CMAP das puérperas do CHEDV-Unidade de Santa Maria da Feira no cuidar do RN
de termo entre as 24 e as 72 horas pós-parto?
59
Espera-se que a CMAP esteja relacionada com determinados factores de índole sóciodemográfica. No que se refere à idade, os resultados encontrados na bibliografia consultada
são contraditórios, por um lado, Mendes, Cortesão, Sousa, & Carvalho (2011), afirmam
existir uma ligeira tendência para que a idade se correlacione negativamente com a autopercepção materna das competências no cuidar do RN. Já para Belo (2006), as mães mais
velhas tendem a percepcionar maiores competências para cuidar de bebés no período
neonatal. Por outro lado, Lowdermilk & Perry (2008) referem que as competências maternas
tanto cognitivo-motoras como cognitivo-afectivas são influenciadas pela cultura e este
aspecto está intimamente ligado com a sua nacionalidade.
Tendo em conta as habilitações literárias na CMAP, diversos estudos revelam a
existência de evidência científica que estabelece uma relação entre o nível de escolaridade
e a auto-percepção materna das competências no cuidar do RN (Ribas, Moura, & Bornstein,
2007; Mendes, Cortesão, Sousa, & Carvalho, 2011; Pedrosa & Mendes, 2011).
Atendendo ao número de filhos das mulheres estudadas, Pedrosa & Mendes (2011),
verificou que as multíparas apresentam níveis de competência materna mais elevados do
que
as
primíparas
para
a
dimensão
cognitivo-motora,
não
havendo
diferenças
estatisticamente significativas quanto à dimensão cognitivo-afectiva.
Finalmente, interrogamo-nos:
Que relação existe entre as variáveis obstétricas (gravidez planeada, gravidez
desejada, aceitação da gravidez, vigilância da gravidez, local de vigilância da
gravidez, informação fornecida, preparação para o parto, problema de saúde, tipo de
parto actual, experiência prévia com bebés, aleitamento materno exclusivo) e a
CMAP das puérperas do CHEDV-Unidade de Santa Maria da Feira no cuidar do RN
de termo entre as 24 e as 72 horas pós-parto?
A construção desta questão tem por base o facto da percepção da mulher se tratar de
uma entidade multidimensional, que pode ser influenciada por múltiplos factores. Das
diversas variáveis referidas na literatura, a experiência prévia com bebés mostrou sempre
uma relação positiva com as competências maternas cuidativas auto-percebidas. Como
referem Lowdermilk & Perry (2008) as competências cognitivas maternas tanto motoras
como afectivas são influenciadas pela experiência pessoal prévia. Num estudo realizado por
Belo (2006) verificou-se que as mães com mais experiências prévias com bebés evidenciam
uma percepção muito mais elevada nas suas competências cuidativas neonatais.
Para dar resposta às questões elaboradas e à problemática que as envolve elaboramos
os seguintes objectivos:
60
Analisar o nível de CMAP das puérperas do CHEDV-Unidade de Santa Maria da
Feira no cuidar do RN de termo entre as 24 e as 72 horas pós-parto, quanto às
dimensões cognitivo-motora e cognitivo-afectiva.
Avaliar o nível de conhecimento das puérperas do CHEDV-Unidade de Santa Maria
da Feira relativamente ao transporte seguro do RN de termo.
Determinar a relação entre as variáveis sócio-demográficas e a CMAP das puérperas
do CHEDV-Unidade de Santa Maria da Feira no cuidar do RN de termo entre as 24 e
as 72 horas pós-parto.
Identificar a relação entre as variáveis obstétricas e a CMAP das puérperas do
CHEDV-Unidade de Santa Maria da Feira no cuidar do RN de termo entre as 24 e as
72 horas pós-parto.
Para a execução deste estudo, optamos por realizar um estudo quantitativo, descritivo,
analítico-correlacional, de corte transversal, onde os dados foram colhidos no período
compreendido entre 5 de Fevereiro e 31 de Março de 2011. Atendendo ao grau de controlo
das variáveis e à forma de selecção dos sujeitos, esta pesquisa define-se também como não
experimental.
O estudo desenvolveu-se segundo o seguinte esquema de investigação (figura 1) que
pretende representar a relação das variáveis independentes (sócio-demográficas e
obstétricas) com as dimensões da variável dependente CMAP: dimensão cognitivo-motora e
dimensão cognitivo-afectiva.
61
FIGURA 1 – Esquema de investigação
Variáveis Sócio-Demográficas
⁕ Nacionalidade
⁕ Idade
⁕ Estado Civil
⁕ Habilitações literárias
⁕ Actividade laboral
⁕ Agregado familiar
⁕ Número de filhos
COMPETÊNCIAS MATERNAS AUTO-PERCEBIDAS
DIMENSÂO COGNITIVO-MOTORA
Alimentação
Higiene e conforto
Manutenção da temperatura corporal
Evitar perigos
DIMENSÂO COGNITIVO-AFECTIVA
Comunicação / estimulação
Sono/repouso
Variáveis Obstétricas
⁕
⁕
⁕
⁕
Gravidez planeada
Gravidez desejada
Aceitação da gravidez
Tipo de parto actual
⁕
⁕
⁕
⁕
Vigilância da gravidez
Problema de saúde
Informação fornecida
Aleitamento materno exclusivo
⁕ Local de vigilância da gravidez
⁕ Preparação para o parto
⁕ Experiência prévia com bebés
5.2 – PARTICIPANTES
Para este estudo utilizamos uma amostra probabilística, por conveniência, constituída
por 212 puérperas internadas no serviço de Obstetrícia do CHEDV – Unidade de Santa
Maria da Feira e que estejam acessíveis nas semanas de aplicação do instrumento de
colheita de dados. Foram excluídas do estudo todas as puérperas que não tiveram RN de
termo ou cujos RN ficaram internados em cuidados intensivos neonatais.
5.2.1 – Caracterização sócio-demográfica da amostra
Nacionalidade
No que diz respeito à nacionalidade, como se verifica pela tabela 1, quase a totalidade
da amostra é de nacionalidade portuguesa (96,7%), apenas 3,3% são estrangeiras, sendo
que 1,4% são brasileiras, 0,9% francesas e com a mesma percentagem de puérperas
62
surgem a venezuelana e a bielorrussa (0,5% respectivamente).
Idade
Relativamente à idade, observamos que a média ronda os 30 anos de idade, com um
desvio padrão de 5,27. A idade mínima e máxima são, respectivamente, 14 e 41 anos. Ao
agrupar as idades em três grupos etários, tendo como critério a definição de Mendes da
Graça (2010) que considera como extremos da vida reprodutiva, as mulheres com idade
inferior a 18 anos e com idade superior a 34 anos. Verificamos, na tabela 1, que a maior
parte da amostra (84,9%) se encontra no escalão etário dos 18 aos 34 anos de idade. O
grupo etário de mulheres com mais de 34 anos representa 14,2% da amostra e apenas
0,9% tem idade inferior a 18 anos.
Estado civil
No que se refere ao estado civil, observamos na tabela 1 que a grande maioria das
puérperas está casada/união de facto (83%), havendo, no entanto, uma pequena minoria de
puérperas solteiras (13,2%). As outras opções (viúvas, divorciadas e outra) alcançaram
valores extremamente baixos. Assim, para a operacionalização desta variável consideramos
dois grupos, as mulheres casadas (83%) e as mulheres não casadas (viúvas, solteiras,
divorciadas ou outra) com 17%.
Religião
Em relação à religião (cf. tabela 1), da totalidade das inquiridas, verifica-se que a grande
maioria (85,8%) tem alguma crença. E, destas, 83.5% admite ser católica.
Habilitações literárias
Relativamente às habilitações literárias, os resultados são bastante dispersos. Assim,
para a operacionalização desta variável consideramos três grupos (cf. tabela 1), as
puérperas com o 10º-12º ano de escolaridade ou detentoras de cursos técnicos profissionais
(CTP), que representam a maior percentagem da amostra (40,9%), seguidas das puérperas
que têm até ao 9º ano de escolaridade (37,8%). Apenas 21,3% das puérperas têm o ensino
superior.
Se tivermos em conta a percentagem de mulheres que frequentaram o ensino superior
(21,3%), esta é muito inferior àquelas que não o frequentaram (78,7%).
Actividade laboral
Em relação à actividade laboral, mais de metade (68%) admite estar empregada ou
empregada com licença de maternidade (cf. tabela 1). Da percentagem de mulheres sem
63
actividade laboral (32%), o grupo mais representativo é o das puérperas desempregadas
(23,5%). Apenas 8,5% das puérperas são estudantes ou domésticas.
Agregado familiar
No que diz respeito ao agregado familiar das puérperas, como se constata pela tabela 1,
cerca de metade da amostra (51,9%) vive com o companheiro/marido e filhos. Uma
percentagem também significativa (39,6%) diz respeito àquelas que vivem apenas com o
companheiro/marido. Somente 8,5% das puérperas vive sem o companheiro, ou noutra
situação diferente às mencionadas anteriormente, mas sem especificar essa situação.
Número de filhos
Relativamente ao número de filhos, 51,4% possui apenas um. Contudo, 36,8% tem dois;
e com 3 filhos a percentagem é mais reduzida, estando consignada a 9,9%. Apenas 1,9%
da amostra tem mais de três filhos. Assim, decidimos categorizar esta variável em três
grupos, conforme consta na tabela 1.
Analisando os resultados, observamos que o grupo menos representativo corresponde
às mulheres que têm mais de dois filhos (11,8%), seguida das mulheres que têm dois filhos
(36,8%). Em contrapartida, a maior parte das mulheres têm apenas um filho (51,4%).
Tabela 1 – Distribuição da amostra segundo as variáveis sócio-demográficas
Variáveis sócio-demográficas
Nacionalidade
Idade
Estado Civil
Habilitações literárias
Actividade laboral
Agregado familiar
Número de filhos
N
%
Portuguesa
205
96,7
Estrangeira
7
3,3
≤ 17 Anos
2
0,9
18 – 34 Anos
180
84,9
≥ 35 Anos
30
14,2
Não casada
36
17
Casada
176
83
Até ao 9º ano
80
37,8
10º Ano – 12º ano / CTP
87
40,9
Ensino Superior
45
21,3
Empregada
144
68,0
Desempregada / Doméstica / Estudante
78
32,0
Só com o companheiro
84
39,6
Com o companheiro e filhos
110
51,9
Sem companheiro / Outra
18
8,5
Um filho
109
51,4
Dois filhos
78
36,8
≥ 3 filhos
25
11,8
64
Em síntese:
A idade das mulheres oscila entre os 14 e os 41 anos e o grupo etário dos 18 aos 34
anos é o mais representativo com 84,9%.
Quase a totalidade da amostra é de nacionalidade portuguesa (96,7%), tem alguma
crença (85,8%) e é maioritariamente católica (83.5%).
A maioria das puérperas é casada/união de facto (83%) e mais de metade vive com o
companheiro/marido e filhos (51,9%).
A maior parte tem uma actividade laboral (68%) e somente 21,3% tem o ensino superior.
Mais de metade da amostra (51,4%) possui um filho, seguida das mulheres que têm dois
filhos (36,8%). O grupo menos representativo corresponde às mulheres que têm mais de
dois filhos (11,8%).
5.3 – INSTRUMENTOS
A colheita de dados, como componente de um trabalho de investigação, é fundamental
para a elaboração e aplicação de um instrumento que nos permita obtê-los de acordo com
os objectivos do estudo e as características da população.
Foi elaborado um questionário (cf. apêndice 1) como instrumento de colheita de dados,
para a realização deste estudo. Este consta de três partes: Caracterização sóciodemográfica e obstétrica, o transporte do RN e a EAPMCCN.
Parte I – Caracterização sócio-demográfica e obstétrica
Esta parte consta de vinte e oito questões, subdividas em variáveis sócio-demográficas e
variáveis obstétricas. As primeiras nove perguntas têm como finalidade recolher informação
acerca da idade, do estado civil, das habilitações literárias, da actividade laboral, do
agregado familiar e do número de filhos. As restantes dezanove questões abordam as
variáveis obstétricas, gravidez planeada, gravidez desejada, aceitação da gravidez,
vigilância da gravidez, local de vigilância da gravidez, informação fornecida, preparação para
o parto, problema de saúde, experiência prévia com bebés e aleitamento praticado.
Parte II – Transporte do RN
Consta de doze perguntas, onze das quais fechadas que permitem identificar se a
mulher tem automóvel, como tenciona transportar o bebé, se tem alguma cadeira que
obedeça às normas de segurança rodoviária e em que lugar a pretende colocar, como
65
orientará essa cadeira no carro, como obteve a informação para transportar adequadamente
o seu bebé, se conhece alguma lei sobre o transporte do bebé e se considera que as
campanhas existentes são suficientes. A última pergunta é mista elaborada com o intuito de
saber se a mulher conhece alguma campanha/organismo de prevenção de acidentes
rodoviários e em caso afirmativo é-lhe solicitado que especifique.
Para analisar o conhecimento das puérperas do CHEDV-Unidade de Santa Maria da
Feira no cuidar do RN de termo, relativamente ao transporte seguro do RN, foi realizado um
estudo empírico e criado um índice de conhecimento que oscila de entre 0 a 12 pontos.
Temos que ter em atenção, que ao item 5 deste índice de conhecimento, só responde a esta
questão as pessoas que tenham respondido no item 4 “aplicação da cadeira no carro no
banco da frente”. A cotação e os itens que formam parte deste índice são apresentados na
seguinte tabela (tabela 2), sendo que quanto maior é a cotação, maior é o conhecimento das
puérperas relativamente ao transporte seguro do bebé.
Tabela 2 – Índice de Conhecimento sobre o transporte do RN
Itens
Cotação
1 – Transporte adequado
Não – 0
Sim – 1
2 – Possui cadeira que obedeça às normas de
segurança rodoviária
Não – 0
Sim – 1
3 – Transporte do RN
Ao colo – 0
Alcofa – 1
Alcofa + Cadeira – 2
Cadeira – 3
4 – Aplicação da cadeira no carro
Indiferente – 0
Banco da frente – 1
Banco traseiro – 2
5 – Desactivar o airbag no banco da frente
Não / Não sabe – 0
Sim – 1
6 – Orientação da cadeira
Virada para a frente – 0
Virada para trás – 1
7 – Conhecimento de alguma lei
Não – 0
Sim, mas não considera importante – 1
Sim, mas não tenho meios para comprar os acessórios – 2
Sim, e adquiri os acessórios adequados – 3
8 – Conhecimento de campanhas ou organismo
de prevenção de AR
Não – 0
Sim – 1
Para analisar o índice de conhecimento relativamente ao transporte do RN, tendo por
base as medidas descritivas (tabela 3), criamos grupos de corte atendendo à fórmula
preconizada por Pestana & Gageiro (2008), média ± 0,25 desvio padrão (DP).
66
Tabela 3 – Medidas descritivas do Índice de Conhecimento sobre o transporte do RN
N
M
Me
Mo
DP
Mi
Ma
Somatório
212
10,32
11
11
15,95
6
12
2187
Índice de Conhecimento
Do resultado da aplicação da fórmula supracitada é adoptada a seguinte classificação
(tabela 4). Assim, verificamos que 34% das puérperas apresenta um baixo nível de
conhecimento em relação ao transporte do RN. A maior percentagem de puérperas ostenta
um nível moderado de conhecimento (56,1%). Apenas 9,9% das puérperas mostra um alto
nível de conhecimento relativamente ao transporte adequado do RN.
Tabela 4 – Níveis do Índice de Conhecimento sobre o transporte adequado do RN
Grupos de corte
N
%
Nível
Índice de
≤ 10
72
34
Baixo
Conhecimento
11
119
56,1
Moderado
≥ 12
21
9,9
Alto
Parte III – Escala de Auto-percepção Materna das Competências Cuidativas Neonatais
(EAPMCCN)
A EAPMCCN foi criada por Marques & Sá (2004) com o intuito de avaliar as CMAP no
cuidar do RN prematuro. Neste estudo foi utilizada a versão adaptada por Santos & Mendes
(2004) que avalia as CMAP no cuidar do RN de termo.
A EAPMCCN consta de 34 afirmações perante as quais a puérpera se posiciona face ao
grau de concordância, numa escala de tipo Lickert com cinco posicionamentos: ”nunca”,
“raras vezes”, “muitas vezes”, “quase sempre”, “sempre”. As 34 afirmações distribuem-se
em duas dimensões atendendo ao referencial teórico de Steele & Polack referidos por
Williams (1999 cit in Belo, 2005). A dimensão cognitivo-motora é de natureza prática ou
mecânica, e está caracterizada por actividades orientadas a satisfazer as necessidades de
alimentação, higiene, vestir, assegurar a temperatura corporal, proteger do perigo e
promover a mobilidade do RN. Por outro lado, a dimensão cognitivo-afectiva é de natureza
emocional e envolve
competências maternas relacionadas com
a comunicação,
estimulação, sono e repouso do RN. Estas dimensões permitem identificar até que ponto a
mãe se sente segura para cuidar do seu filho e satisfazer as suas necessidades. Como
necessidades do RN temos por base o Modelo Teórico de Virgínia Henderson.
67
A medição da variável traduz a intensidade com que a mãe auto-percepciona a sua
competência para cuidar do RN. A intensidade da competência materna é avaliada através
de uma pontuação média obtida dividindo a soma das pontuações correspondentes às
alternativas de respostas assinaladas pelo número de itens seleccionados.
No quadro 2 representa-se cada uma das dimensões, componentes, indicadores e itens
que compõem a escala da auto-percepção materna das competências cuidativas neonatais
(APMCCN).
Quadro 2 – Identificação das dimensões, subescalas e itens da escala APMCCN
DIMENSÃO
COMPONENTE
Alimentação
Cognitivomotora
Higiene e
conforto
Manutenção da
temperatura
corporal
Evitar os perigos
Sono e repouso
Cognitivoafectiva
Comunicação /
Estimulação
INDICADOR
Definir o horário de dar de mamar
Diferenciar o vómito do bolçar
Dar conta quando está engasgado
Identificar os sinais de fome
Dar conta se está bem alimentado
Colocar a mamar
Pôr a arrotar
Realizar a higiene do bebé aquando da muda de fraldas
Dar conta das alterações da pele no bebé
Identificar as características da urina
Dar o banho
Vestir e despir o bebé
Fazer massagem abdominal quando está com cólicas
Realizar os cuidados ao coto umbilical
Perceber quando é preciso mudar as fraldas
Manter a pele do bebé cuidada
Aliviar as cólicas
Pegar no bebé durante o banho
Identificar as características das fezes
Seleccionar a roupa necessária de acordo com as condições do
tempo
Seleccionar a temperatura da água do banho
Fazer o que é preciso para desentupir o nariz
Transportar o bebé de forma segura
Fazer o que é preciso no caso de se engasgar
Reconhecer quando o bebé não está bem
Verificar se o bebé está a mamar sem engolir ar
Colocar o bebé a dormir na posição correcta
Identificar os diferentes tipos de sono
Perceber quando o bebé está irritado
Perceber quando está com cólicas
Perceber quando quer dormir
Identificar quando quer atenção e conversa
Acalmar quando está irritado
Identificar quando o bebé está cansado de me dar atenção
ITEM
1
2
8
10
13
23
25
4
9
12
14
17
19
20
21
26
29
30
32
6
28
7
11
22
31
33
34
5
3
15
16
18
24
27
68
5.3.1 – Estudo psicométrico da EAPMCCN
Para verificar a homogeneidade e consistência interna procedeu-se ao cálculo do
coeficiente de alpha de Cronbach para cada um dos itens e para a escala total (tabela 5). Os
coeficientes de alpha de Cronbach para cada um dos itens variam de 0,961 a 0,963, sendo
que para a escala total foi obtido um alpha de Cronbach de 0,963.
O valor do alpha de Cronbach para a escala total obtido na nossa investigação, é
superior ao obtido pelas autoras da escala, Santos & Mendes (2004), onde o resultado foi de
0,950.
Tabela 5 – EAPMCCN: consistência interna (estudo dos itens)
DIMENSÃO
COMPONENTE
Alimentação
Cognitivomotora
Higiene e
conforto
Manutenção da
temperatura
corporal
Evitar os perigos
Sono e repouso
Cognitivoafectiva
Comunicação /
Estimulação
INDICADOR
M
DP
R item total
(s/item)
Alpha de
Cronbach
(s/item)
Definir o horário de dar de mamar
Diferenciar o vómito do bolçar
Dar conta quando está engasgado
Identificar os sinais de fome
Dar conta se está bem alimentado
Colocar a mamar
Pôr a arrotar
Realizar a higiene do bebé aquando da muda de
fraldas
Dar conta das alterações da pele no bebé
Identificar as características da urina
Dar o banho
Vestir e despir o bebé
Fazer massagem abdominal quando está com
cólicas
Realizar os cuidados ao coto umbilical
Perceber quando é preciso mudar as fraldas
Manter a pele do bebé cuidada
Aliviar as cólicas
Pegar no bebé durante o banho
Identificar as características das fezes
Seleccionar a roupa necessária de acordo com
as condições do tempo
Seleccionar a temperatura da água do banho
Fazer o que é preciso para desentupir o nariz
Transportar o bebé de forma segura
Fazer o que é preciso no caso de se engasgar
Reconhecer quando o bebé não está bem
Verificar se o bebé está a mamar sem engolir ar
Colocar o bebé a dormir na posição correcta
Identificar os diferentes tipos de sono
Perceber quando o bebé está irritado
Perceber quando está com cólicas
Perceber quando quer dormir
Identificar quando quer atenção e conversa
Acalmar quando está irritado
Identificar quando o bebé está cansado de me
dar atenção
4,41
3,99
4,15
4,27
4,14
4,49
4,53
0,701
0,918
0,959
0,750
0,881
0,746
0,712
0,451
0,595
0,739
0,656
0,706
0,654
0,647
0,963
0,962
0,961
0,962
0,962
0,962
0,962
4,81
0,503
0,534
0,963
4,05
3,22
4,42
4,73
0,984
1,227
0,908
0,582
0,698
0,596
0,733
0,587
0,962
0,963
0,961
0,962
4,07
0,920
0,677
0,962
4,37
4,55
4,59
3,90
4,30
3,42
0,913
0,641
0,672
1,032
0,976
1,182
0,646
0,576
0,677
0,742
0,720
0,689
0,962
0,962
0,962
0,961
0,961
0,962
4,54
0,698
0,610
0,962
4,47
3,90
4,73
3,85
4,18
3,75
4,52
3,49
4,10
3,94
4,31
4,17
4,21
0,874
1,158
0,567
1,074
0,874
1,055
0,671
1,044
0,853
0,934
0,754
0,883
0,733
0,644
0,690
0,576
0,666
0,755
0,707
0,632
0,653
0,493
0,672
0,666
0,706
0,728
0,962
0,962
0,962
0,962
0,961
0,962
0,962
0,962
0,963
0,962
0,962
0,962
0,962
3,89
1,011
0,712
0,961
69
Por outro lado, calculamos os coeficientes de alpha de Cronbach para cada uma das
subescalas, os quais oscilam entre 0,851 e 0,516 (quadro 3). É de salientar que a subescala
que apresenta o coeficiente de alpha de Cronbach mais baixo (0,516) apenas consta de dois
itens. Atendendo à subescala sono/repouso não foi possível calcular o coeficiente de alpha
de Cronbach já que esta subescala só consta de um item.
Quadro 3 – Consistência interna das subescalas da EAPMCCN
Número de itens
M
DP
Alpha de Cronbach
Alimentação
7
29,99
4,108
0,846
Higiene e conforto
12
50,42
7,520
0,901
Manutenção da temperatura corporal
2
9,01
1,297
0,516
Evitar os perigos
6
24,93
4,074
0,829
Sono e repouso
1
3,49
1,044
Não aplicável
Comunicação / estimulação
6
24,63
3,937
0,851
SUBESCALAS
Efectuamos uma matriz de correlação de Pearson entre as subescalas, as dimensões e
o índice global da escala. De acordo com os resultados obtidos, que apresentamos no
quadro 4, verificamos que as correlações entre as seis subescalas, as duas dimensões e o
valor global da escala, são positivas e significativamente correlacionadas, oscilando entre
(r=0.461) (sono e repouso vs. manutenção da temperatura corporal) e (r=0.889) (higiene e
conforto vs. evitar os perigos).
No que se refere às correlações existentes entre cada uma das dimensões e as
subescalas que a compõem, na dimensão cognitivo-motora, constatamos a existência de
correlações altas e muito altas que oscilam entre (r=0.804) com a manutenção da
temperatura corporal e (r=0.973) com a higiene/conforto. Na dimensão cognitivo-afectiva,
também verificamos correlações altas e muito altas que oscilam entre (r=0.772) com o
sono/repouso e (r=0.986) com a comunicação/estimulação.
Atendendo às correlações existentes entre as diferentes subescalas e o valor global
notamos que estas são razoáveis e oscilam entre (r=0.681) com o sono/repouso e (r=0.965)
com a higiene e conforto. Já as correlações existentes entre as diferentes dimensões e a
escala global são muito altas, oscilando entre (r=0.992) com a dimensão cognitivo-motora e
(r=0.909) com a dimensão cognitivo-afectiva.
Perante estes resultados inferimos que o aumento ou diminuição numa das subescalas
se encontra associado a aumentos ou diminuições nas restantes subescalas e o mesmo
acontece com as dimensões.
70
Quadro 4 – Matriz de Correlação de Pearson entre subescalas, dimensões e a APMCCN
Subescalas
APMCCN
Alimentação
Higiene e conforto
Manutenção da tª
corporal
Evitar os perigos
Sono e repouso
Comunicação/
Estimulação
Dimensão
cognitivo-motora
Dimensão
cognitivo-afectiva
0,833**
--
0,729**
0,745**
--
0,810**
0,634**
0,889**
0,595**
0,720**
0,461**
-0,588**
--
0,785**
0,826**
0,655**
0,785**
0,654**
--
0,916**
0,973**
0,804**
0,941**
0,631**
0,845**
--
0,801**
0,826**
0,653**
0,791**
0,772**
0,986**
0,851**
--
GERAL
0,914**
0,965**
0,790**
0,932**
0,681**
0,901**
0,992**
0,909**
** p
Manutenção
tª corporal
Dimensões
Higiene
conforto
Evitar os Sono e Comunicação Cognitivo- Cognitivoperigos repouso Estimulação
motora
afectiva
0.001
5.4 – PROCEDIMENTOS
Relativamente aos procedimentos formais e éticos para a colheita de dados, deve ter-se
sempre em consideração a necessidade de consentimento institucional para aplicação do
instrumento de colheita de dados, motivo pelo qual foi solicitada a autorização ao Conselho
de Administração do CHEDV – Unidade de Santa Maria da Feira (cf. apêndice 2). No
referido pedido de autorização expôs-se o tema e a finalidade do estudo, ao mesmo tempo
que se garantia a disponibilidade dos resultados obtidos para o desenvolvimento de
investigações futuras.
Dada a respectiva autorização do CHEDV – Unidade de Santa Maria da Feira (cf.
apêndice 3), impôs-se a passagem ao campo onde iria ser feita a colheita. Foi pedida a
colaboração voluntária de cada participante explicando o objectivo do estudo, através do
consentimento informado (cf. apêndice 4). Para além disso, foi explicado os benefícios e a
garantia de confidencialidade, anonimato, bem como todos os princípios éticos e morais
inerentes aos dados colhidos. Os questionários foram entregues às puérperas pessoalmente
e colocados pelas mesmas em urnas acondicionadas para o efeito.
5.5 – ANÁLISE DE DADOS
A análise de dados é a essência da investigação e permite determinar a existência ou
não de associação entre variáveis. O tratamento estatístico será realizado informaticamente
71
através do programa SPSS 20.0 (Statistical Package for the Social Sciences), tendo-se
recorrido a métodos da estatística descritiva e inferencial. Para uma melhor interpretação e
análise, os dados serão apresentados em tabelas.
Relativamente à estatística descritiva, usamos como medidas estatísticas as
Frequências: Absolutas (n) e Percentuais (%); as Medidas de tendência central: a Média
(M), a Mediana (Me) e Moda (Mo); as Medidas de Dispersão: o Desvio Padrão (DP) e o
Coeficiente de Variação (CV %). Para o coeficiente de variação seleccionámos os graus de
dispersão de Pestana & Gageiro (2008), sendo que o CV≤15% corresponde a uma
dispersão fraca; quando 15% <CV≤30% tem uma dispersão média e quando CV> 30% a
dispersão é elevada.
Usamos Medidas de simetria (S-Skewness) e de achatamento (K-Kurtosis). Segundo
Pestana & Gageiro (2008) para p = 0,005 uma distribuição é simétrica quando Skewness/
stderro < 1,96, onde a mediana pertence ao intervalo de confiança a 95% ou está perto de
um dos limites desse intervalo. Pelo contrário, uma distribuição é assimétrica quando
Skewness/stderror > 1,96, a mediana não pertence ao intervalo de confiança nem está
perto de um dos extremos do intervalo, e as medidas de tendência central aproximam-se
mais do valor mínimo (assimetria positiva) ou do máximo (assimetria negativa). De igual
forma, uma distribuição pode ser Mesocúrtica quando
Kurtosis/stderror <1,96; Platicúrtica
quando Kurtosis/stderror < -1,96 e Leptocúrtica quando Kurtosis/stderror >1,96.
Em relação à estatística inferencial, utilizamos técnicas paramétricas e não paramétricas:
− Matriz de correlação de Pearson: prova paramétrica que avalia o grau de associação entre
duas variáveis não estabelecendo uma relação de causalidade. O seu valor varia entre -1 e
1, sendo que quanto mais próximo estiver destes maior será a associação linear entre as
variáveis. Para analisar os resultados obtidos, consideramos as definições de Pestana &
Gageiro (2008):
• R < 0.2 – associação linear muito baixa;
• 0.2 < R < 0.39 – associação linear baixa;
• 0.4 < R < 0.69 – associação linear moderada;
• 0.7 < R < 0.89 – associação linear alta;
• 0.9 < R < 1 – associação linear muito alta.
− Teste de Kruskal-Wallis: teste não paramétrico para comparação de médias em três ou
mais grupos diferentes de sujeitos. É a alternativa não paramétrica ao One-Way Anova e
permite generalizar o teste de Mann-Whitney a mais dois grupos.
− Teste U de Mann-Whitney (U de M-W): teste não paramétrico utilizado para comparar o
72
centro de localização das duas amostras, como forma de detectar diferenças entre as duas
populações correspondentes.
− Teste t para duas amostras independentes: permite inferir sobre a igualdade de médias de
dois grupos diferentes de sujeitos.
As hipóteses foram testadas com uma probabilidade de 95%, de onde resulta um nível de
significância de 5% (α=0,05). Este nível de significância permite-nos aceitar a probabilidade
de engano 5 vezes em cada 100 ao rejeitar a hipótese estatística.
Os critérios de decisão para os testes de hipóteses baseiam-se no estudo das
probabilidades, confirmando-se a hipótese se a probabilidade for inferior a 0,05 e rejeitandose se superior a esse valor. Foi utilizada a estatística inferencial com os seguintes níveis de
significância:
p > 0.05 – não significativo
p < 0.05 – significativo
p < 0.01 – bastante significativo
p < 0.001 – altamente significativo
Finalizada a descrição dos procedimentos estatísticos passaremos ao seguinte capítulo,
à apresentação e análise dos resultados.
73
6 – RESULTADOS
No presente capítulo damos a conhecer os resultados obtidos que serão apresentados
em forma de tabelas. Optamos por apresentar primeiro a análise descritiva dos dados
referentes às variáveis estudadas, após a qual apresentamos a análise inferencial dos
resultados.
6.1 – ANÁLISE DESCRITIVA
Neste subcapítulo vamos proceder à análise descritiva da caracterização da amostra
estudada tendo presente a vigilância da gravidez, as variáveis obstétricas, o transporte do
RN e as CMAP.
6.1.1 – Caracterização da amostra segundo a vigilância da gravidez
Vigilância da gravidez
Em relação às consultas de vigilância da gravidez, os resultados são clarividentes já que
a maioria da amostra (99,5%) afirma ter frequentado as consultas de vigilância. Esta variável
foi operacionalizada tendo em conta o número de consultas realizadas durante a gravidez
(cf. tabela 6). Assim foram criados dois grupos, tendo por base que a realização de menos
de seis consultas de vigilância se considera gravidez mal vigiada (Correia, 2010). Das
mulheres inquiridas verificamos que a maioria (93,9%) fez uma adequada vigilância da
gravidez e apenas 6,1% não a fez.
Local de vigilância da gravidez
Já no que se refere ao local onde as mesmas foram efectuadas, de acordo com a tabela
6, a maior parte das mulheres em estudo fez a vigilância da gravidez numa instituição de
carácter público (63.0%), seguindo-se as mulheres que a realizaram num centro privado
exclusivamente. (20,9%). As restantes 16,1% das mulheres fizeram a vigilância da gravidez
tanto num centro público como privado.
Número de consultas
Relativamente ao número de consultas efectuadas antes de engravidar, constatamos que
a maior percentagem (62,7%) de mulheres não realizou nenhuma consulta, 18,9% realizou
uma consulta, 10,4% duas e apenas 8,0% mais do que duas (cf. tabela 6).
74
No que diz respeito à realização da primeira consulta, a tabela 6 demonstra que 35,4%
da amostra foi antes de engravidar e 34,9% foi após a primeira falta menstrual. Já 16% foi
apenas um mês depois da primeira falta menstrual.
Presença do enfermeiro na consulta
Em relação à presença do enfermeiro nas consultas de vigilância, observamos na tabela
6 que 61,8% da amostra em estudo afirma que o enfermeiro esteve sempre presente. Para
20,7% esteve só às vezes e para 17% esteve sempre ausente das consultas de vigilância
da gravidez. Os restantes 0,5% correspondem a uma pessoa que não respondeu à questão.
Informação fornecida
No que diz respeito às informações prestadas nas consultas de vigilância de gravidez, de
acordo com a tabela 6, verifica-se que 67,5% das mulheres ficou satisfeita com a quantidade
de informação que recebeu, afirmando que não gostaria de receber mais, no entanto, 32,5%
gostaria de ter recebido mais informação.
Tabela 6 – Distribuição da amostra segundo a vigilância da gravidez
Variáveis obstétricas
Local de vigilância da gravidez
Consultas antes de engravidar
1ª Consulta
Vigilância da gravidez
Presença do enfermeiro na
consulta
Receber mais informação
N
%
Público
133
63,0
Privado
34
20,9
Ambos
44
16,1
Nenhuma
133
62,7
Uma
40
18,9
Duas
22
10,4
Mais que duas
17
8,0
Antes de engravidar
75
35,4
Após a 1ª falta menstrual
74
34,9
1 mês após a 1ª falta menstrual
34
16,0
≥ 2 meses após a 1ª falta menstrual
28
13,2
Não realizada
1
0,5
< 6 consultas
13
6,1
≥ 6 consultas
199
93,9
Nunca
36
17,0
Às vezes
44
20,7
Sempre
131
61,8
Não
143
67,5
Sim
69
32,5
75
Em síntese, em relação à vigilância da gravidez, verificamos que:
A maioria da amostra (99,5%) afirma ter frequentado as consultas de vigilância da
gravidez, no entanto 6,1% não o fez de forma adequada. Esta vigilância foi realizada
maioritariamente (63%) numa instituição de carácter público, seguindo-se o centro
privado (20,9%) e 16,1% em centros públicos e privados simultaneamente.
A maior percentagem (62,7%) de mulheres não realizou nenhuma consulta antes de
engravidar.
Das informações prestadas nas consultas de vigilância da gravidez, 32,5% da amostra
gostaria ter recebido mais informação.
O enfermeiro esteve presente em mais da metade das consultas de vigilância (61,8%).
Contudo 17% das mulheres afirmam que o enfermeiro esteve sempre ausente e 20,7%
referem ter estado presente às vezes.
6.1.2 – Caracterização da amostra segundo as variáveis obstétricas
Gravidez planeada
De seguida, dando lugar ao planeamento da gravidez, aquilo que se verifica é que, de
acordo com os resultados da tabela 7, a grande maioria das mulheres planeou a gravidez
(74,5%). Contudo, 12,7% da amostra não a planeou e a mesma percentagem (12,7%)
afirma que planeou a gravidez, mas não para esta altura.
Gravidez desejada
Já no desejo da concepção do filho, de acordo com os resultados da tabela 7, verifica-se
que na maioria dos casos (89,2%) foi uma opção do pai e da mãe. Todas as outras opções
comportam valores extremamente baixos, evidenciando que, neste caso, a influência desses
resultados é extremamente baixa.
Aceitação da gravidez
Relativamente à aceitação da gravidez por parte do pai e da família, quase a totalidade
da amostra respondeu afirmativamente (97,6%). Apenas 2,4% admite que não houve
aceitação (cf. tabela 7).
Preparação para o parto
Se fizermos a análise da tabela 7, em função da preparação para o parto, evidenciamos
que a maioria das mulheres (65,6%) não assistiu a nenhum tipo de curso de preparação
para o parto. Apenas 34,4% realizou um curso de preparação para o parto. Das mulheres
que assistiram à preparação para o parto, 71,2% admite ter ido sem ninguém da sua
76
referência. Já entre as que levaram alguém, o marido aparece como o principal
acompanhante (23,3%). Apenas 5,5% das puérperas foi acompanhada pela mãe à
preparação para o parto.
Problema de saúde
Atendendo à existência de algum problema de saúde antes de engravidar, de acordo com
a tabela 7, é possível verificar que a grande maioria (86,8%) não sofria de qualquer
problema. Relativamente aos 13,2% remanescentes, constatamos que os dois maiores
problemas dizem respeito à asma (27,6%) e à depressão (13,8%).
Subsequentemente, foi questionado se, durante a gravidez, tiveram algum problema de
saúde. Como se verifica pela tabela seguinte (cf. tabela 7), 60,4% admite não ter tido
qualquer complicação. Já cerca de 39,5% admite ter tido problema de saúde. E, desta
percentagem, relativamente ao problema específico em si, aquilo que se constata é que a
presença de diabetes (14%); de infecções urinárias (12,8%); de ameaça de parto prematuro
(10,5%); e de hipertensão (10%) são os problemas mais referenciados pelas puérperas.
Internamento
Em relação ao internamento durante a gravidez, aquilo que se verifica na tabela 7, é que
apenas 7,1% da amostra esteve internada. De entre as causas, destacam-se a ameaça de
parto prematuro (29,4%); a restrição do crescimento intra-uterino (17,6%); a intolerância
alimentar (11,8%) e a hipertensão arterial (11,8%).
Número de gestações
No que se refere ao número de vezes em que as puérperas estiveram grávidas, cerca de
metade (46,2%) admite ser a primeira vez (cf. tabela 7). Já para 31,6% esta é a segunda
vez, ao invés de que para 16,5% e 5,7% esta é, respectivamente, a terceira e quarta vez.
Semanas de gestação
Relativamente às semanas de gestação ao nascimento, foram criados três grupos (cf.
tabela 7). A maioria das mulheres (65,1%) apresenta entre 39 e 41 semanas no dia do parto,
27,8% apresenta entre 37 e 38 semanas de gestação e apenas 7,1% tem mais de 41
semanas.
Tipo de parto actual
Tendo em atenção o tipo de parto deste último filho, 61,3% afirma ter sido eutócico e os
restantes 38,7% distócicos, sendo que 26,4% cesariana e 9,9% ventosa (cf. tabela 7).
77
Somente 1,9% foi por fórceps e apenas 0,5% por fórceps + ventosa.
Experiência prévia com bebés
Ao analisar a tabela 7, também verificamos que 76,9% da amostra afirma que já teve
experiência prévia com bebés. Contudo, 23,1% nunca teve essa experiência.
Aleitamento materno exclusivo
No que se refere ao tipo de aleitamento (cf. tabela 7), a maioria (78,3%) é materno.
Existe, no entanto, cerca de 19,3% que admite que o tipo de aleitamento é misto. Só 2,4%
pratica aleitamento artificial.
Tabela 7 – Distribuição da amostra segundo as variáveis obstétricas
N
%
Não
Sim
Sim, mas não para esta altura
A mãe da criança
O pai da criança
Ambos
Nenhum
Outros
27
158
27
6
3
189
12
2
12,7
74,6
12,7
2,8
1,4
89,2
5,7
0,9
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Uma
Duas
Três
Mais de três
Eutócico
Cesariana
Ventosa
Fórceps
Ventosa + Fórceps
37 – 38 semanas
39 – 41 semanas
> 41 semanas
Não
Sim
Não
Sim
5
207
139
73
184
28
128
84
197
15
98
67
35
12
130
56
21
4
1
59
138
15
46
166
49
163
2,4
97,6
65,6
34,4
86,8
13,2
60,4
39,6
92,9
7,1
46,2
31,6
16,5
5,7
61,3
26,4
9,9
1,9
0,5
27,8
65,1
7,1
21,7
78,3
23,1
76,9
Variáveis obstétricas
Gravidez planeada
Gravidez desejada
Aceitação da gravidez
Preparação para o parto
Problemas de saúde antes de
engravidar
Problemas de saúde durante a
gravidez
Internada durante a gravidez
Número de gravidezes
Tipo de parto actual
Semanas de gestação
Aleitamento materno exclusivo
Experiência anterior com bebés
Em resumo, no que se refere às variáveis obstétricas, constatamos que:
78
A gravidez foi planeada pela maior parte da amostra (74,5%) e desejada pela mãe e pelo
pai na maioria dos casos (89,2%). Quase a totalidade da amostra (97,6%) afirma que a
gravidez foi aceite pelo pai e pela família.
A maioria das mulheres (65,6%) não assistiu a nenhum tipo de curso de preparação para
o parto. Das mulheres que assistiram (34,4%), 65,6% admite terem ido sozinhas.
A grande maioria (86,8%) da amostra não sofria de qualquer problema de saúde antes de
engravidar. Durante a gravidez, 60,4% admite não ter tido qualquer complicação e
apenas 7,1% da amostra precisou ficar internada durante a gravidez.
O intervalo entre as 39 e as 41 semanas de gestação é o mais predominante (65,1%) e
só 7,1% da amostra tem mais de 41 semanas.
A maior parte das mulheres é primigesta (46,2%), mas 76,9% da amostra afirma que já
teve experiência prévia com bebés.
O tipo de parto actual mais representativo é o eutócico (61,3%), seguido das mulheres
que foram submetidas a cesariana (26,4%).
O AM é praticado por 78,3% da amostra e apenas 2,4% pratica o aleitamento artificial. No
entanto, 19,3% afirma que o tipo de aleitamento é misto.
6.1.3 – Transporte do RN
Os resultados relativos ao transporte do RN são apresentados na tabela 8. No que se
refere ao transporte do bebé após a saída do hospital, 96,7% das mães afirma que este
realizar-se-á através de uma cadeira que obedeça às normas de segurança rodoviária. Os
restantes 2,8% referem realizar o transporte numa alcofa e 0,5% em ambos os dispositivos
(alcofa e cadeirinha).
Em relação à obtenção da cadeira, 70,8% compraram-na, enquanto que 13,7% têm-na
emprestada e 15,6% admitem que esta foi oferecida.
Questionadas se, porventura, o aluguer de uma cadeira deste tipo no hospital seria do
seu agrado, 84,9% das puérperas afirma que não.
Tendo em atenção o lugar de aplicação da cadeira no carro, a grande maioria admite
que o fará no banco de trás (83,5%). No entanto, 7,1% diz que a colocará no banco da
frente e 9,4% afirma ser indiferente. Caso a aplique no banco da frente, 82,9% afirma que
desactivará o airbag. No entanto, 14,3% admite não o conhecer e 2,8% não responde a esta
pergunta.
Relativamente à orientação da cadeira, a maioria (86,8%) afirma que a colocará voltada
79
para trás, no sentido oposto ao condutor. Os restantes 12,3% referem que a colocará virada
para a frente e 0,9% não respondeu a esta pergunta.
A informação obtida em relação ao transporte do bebé no automóvel, mostra que esta
adveio dos meios de comunicação/folhetos informativos (20,8%). Seguem-se os familiares e
amigos (10,3%) e o código nacional de trânsito (9,9%). Uma pequena percentagem (8,5%)
afirma não ter recebido informação de ninguém e apenas 6,6% obteve a informação através
de profissionais de saúde. Contudo a percentagem maior (43,9%) é representada por
outros, que corresponde à combinação de várias respostas.
Em relação às puérperas conhecerem alguma lei sobre transporte de bebés no
automóvel, de acordo com a tabela seguinte, verifica-se que a grande parte (80,7%) afirma
conhecer e ter comprado acessórios adequados como é recomendado pela lei. Em
contrapartida, 3,8% afirma conhecer a lei mas não dispor dos meios necessários para
adquirir os acessórios adequados. Contudo, 0,5% afirma conhecer alguma lei, mas não
considera este assunto importante. Por outro lado, 15,7% admite não conhecer nenhuma lei.
Além disso, no que se refere à possibilidade das campanhas publicitárias serem
suficientes, as percentagens são relativamente semelhantes: 52,4% afirma que sim; 47,6%
afirma que não.
Finalmente, na eventualidade das puérperas conhecerem alguma campanha/organismo
de prevenção de acidentes rodoviários, a grande maioria (85,4%) afirma que não. Apenas
14,2% admite conhecer campanhas e/ou organismos de prevenção de acidentes rodoviários
e 0,5% não responderam a esta questão.
Tabela 8 – Distribuição da amostra segundo o transporte do RN
80
N
%
Transporte do RN
Alcofa
Cadeira
Alcofa + Cadeira
6
205
1
2,8
96,7
0,5
Obtenção da cadeira
Comprada
Emprestada
Oferecida
150
29
33
70,8
13,7
15,5
Aluguer da cadeira no hospital
Não
Sim
180
32
84,9
15,1
Aplicação da cadeira no carro
Banco da frente
Banco traseiro
Indiferente
15
177
20
7,1
83,5
9,4
Desactivar o airbag no banco da
frente
Não
Sim
1
29
2,9
82,9
Orientação da cadeira
Virada para trás
Virada para a frente
184
26
86,8
12,3
Transporte adequado
Não
Sim
2
210
0,9
99,1
Obtenção da informação
Profissionais de Saúde
Familiares e amigos
Código Nacional de Trânsito
Meios de comunicação
Ninguém
Outros
14
22
21
44
18
93
6,6
10,3
9,9
20,8
8,5
43,9
Não
32
1
15,1
0,5
Variáveis do RN
Sim, mas não considera importante
Sim, mas não tenho meios para comprar
os acessórios
Sim, e adquiri os acessórios adequados
8
3,8
171
80,7
Campanhas publicitárias
suficientes
Não
Sim
101
111
47,6
52,4
Conhecimento de campanhas ou
organismo de prevenção de AR
Não
Sim
181
30
85,4
14,2
Conhecimento de alguma lei
Por outro lado, consideramos interessante nesta investigação analisar se o facto de
conhecer ou não alguma lei sobre o transporte do bebé no automóvel influencia a APMCCN,
para o qual, utilizamos um teste U de Mann-Whitney. Ao analisar, a tabela 9, constatamos
que existem diferenças estatísticas significativas em três subescalas da auto-percepção
materna: “higiene e conforto”, “manutenção da temperatura corporal” e “evitar os perigos”.
Sendo assim, são as mães que conhecem alguma lei sobre o transporte seguro do bebé as
que apresentam melhor APMCCN nas subescalas supracitadas. Em contrapartida, as mães
que não conhecem nenhuma lei mostram uma menor competência materna auto-percebida.
Contudo, também verificamos que nas subescalas onde não se verificam diferenças
estatisticamente
significativas
(“alimentação”,
“comunicação/estimulação”,
“sono
e
repouso”), novamente são as mães que conhecem alguma lei as que possuem uma melhor
81
competência materna cuidativa auto-percebida.
Atendendo às dimensões da APMCCN e a escala global, verificamos diferenças
significativas na dimensão cognitivo-motora e na escala em geral. Já na dimensão cognitivoafectiva não se encontram diferenças estatísticas significativas. Assim, constatamos que são
as puérperas que conhecem alguma lei sobre o transporte seguro do bebé as que
apresentam uma maior competência materna auto-percebida no cuidar do RN de termo na
dimensão cognitivo-motora e na escala global. Ainda que na escala cognitivo-afectiva não
exista significância estatística, também são as puérperas que conhecem alguma lei as que
apresentam as ordenações médias superiores.
Tabela 9 – Teste U de Mann-Whitney da APMCCN em função do conhecimento de uma
lei sobre o transporte seguro do bebé
Conhecer Lei
Não
Sim
Ordenação Média
Ordenação Média
Alimentação
91,14
Higiene e conforto
U
P
109,23
2388,50
0,123
84,73
110,37
2183,50
0,029
Manutenção da tª corporal
84,09
110,48
2163,00
0,015
Evitar os perigos
83,28
110,63
2137,00
0,020
Sono e repouso
88,98
109,61
2319,50
0,066
Comunicação / estimulação
93,95
108,73
2478,50
0,207
Dimensão cognitivo-motora
84,73
110,37
2183,50
0,029
Dimensão cognitivo-afectiva
92,41
109,01
2429,00
0,157
Escala global
85,59
110,22
2211,00
0,036
APMCCN
6.1.4 – Competência materna auto-percebida
No estudo da CMAP analisamos em primeiro lugar o nível de CMAP apresentado pelas
mães em relação a escala geral e a cada uma das suas dimensões. Posteriormente,
analisa-se a percepção da competência materna auto-percebida relativamente as suas
subescalas e dimensões. Também examinamos quais são os itens da escala APMCCN que
contribuem de forma positiva ou negativa a competência materna auto-percebida.
Com o intuito de analisar o nível de CMAP, atendendo as medidas descritivas da
EAPMCCN (tabela 10) e tendo em conta que o autor da escala não apresenta grupos de
corte, estes foram criados tendo por base a fórmula já referida de Pestana & Gageiro (2008),
média ± 0,25DP.
Tabela 10 – Medidas descritivas da EAPMCCN
82
Dimensão
N
M
DP
Mi
Ma
Sum
CV
Sk
K
Sk/erro
K/erro
I – Cognitivo motora
212
114,34
15,95
68
135
24241
13,94
-0,811
-0,149
0,167
0,333
II – Cognitivo afectiva
212
28,11
4,68
17
35
5960
16,64
-0,407
-0,683
0,167
0,333
Escala global
212
142,46
20,08
86
170
30201
14,09
-0,714
-0,288
0,167
0,333
Do resultado da aplicação da fórmula apresentada é adoptada a seguinte classificação
(tabela 11) para cada uma das dimensões e para a escala total. Tendo como referencia
estes grupos de corte, observamos que para a escala global a maior parte das mães
apresenta um alto nível de competência cuidativa (55,7%), no entanto, 35,4% apresenta
uma baixa CMAP e apenas 9% um nível moderado.
Relativamente à dimensão cognitivo-motora, atendendo aos grupos de corte criados,
verificamos que a maioria das mães (50,9%) mostra uma elevada competência materna
cuidativa, contudo 35,8% possuem uma baixa CMAP. A percentagem menor (13,3%)
apresenta uma competência materna cuidativa moderada.
Analisando a dimensão cognitivo-afectiva, observamos que a maior percentagem de
mulheres (43,4%) apresenta uma CMAP alta. Uma percentagem ligeiramente inferior
(41,5%) mostra uma auto-percepção de competência cuidativa neonatal baixa e só 15,1%
moderada.
Tabela 11 – Nível de competência materna auto-percebida e grupos de corte
Competência materna autopercebida
Grupos de corte
N
%
Nível
Dimensão Cognitivo-motora
≤ 110
111 – 117
≥ 118
76
28
108
35,8
13,3
50,9
Baixa CMAP
Moderada CMAP
Alta CMAP
Dimensão Cognitivo-afectiva
≤ 27
28 – 29
≥ 30
88
32
92
41,5
15,1
43,4
Baixa CMAP
Moderada CMAP
Alta CMAP
Escala Global
≤ 137
138 – 142
≥ 143
75
19
118
35,4
9
55,7
Baixa CMAP
Moderada CMAP
Alta CMAP
Pelo facto da intensidade da competência materna ser avaliada através de uma
pontuação média obtida dividindo a soma das pontuações correspondentes às alternativas
de respostas assinaladas pelo número de itens selecionados, como já foi referido na
metodologia deste trabalho. De seguida, teremos em consideração este aspecto para o
83
cálculo das medidas descritivas das subescalas e dimensões da APMCCN.
Relativamente às seis subescalas que compõem a escala APMCCN verificamos, na
tabela 12, que a subescala manutenção da temperatura corporal alcança a média mais
elevada com 4,51 valores, evidenciando uma óptima auto-percepção materna. Nas
restantes subescalas, quatro delas (alimentação, higiene e conforto, evitar os perigos,
comunicação e estimulação) apresentam uma média superior a 4, o que revela uma boa
percepção materna das suas competências cuidativas. Apenas a subescala sono e repouso
apresenta uma média inferior a 4, concretamente de 3,49, contudo a auto-percepção está
situada entre “muitas vezes” e “quase sempre”.
Tabela 12 – Medidas descritivas das subescalas da EAPMCCN
Subescalas
N
M
Me
Mo
DP
Mi
Ma
I – Alimentação
212
4,28
4,43
5,00
0,587
2,43
5,00
II – Higiene e Conforto
212
4,20
4,33
4,75
0,627
2,58
5,00
III – Manutenção da temperatura corporal
212
4,51
5,00
5,00
0,649
2,50
5,00
IV – Evitar os perigos
212
4,15
4,33
4,50
0,679
2,17
5,00
V – Sono e repouso
212
3,49
4,00
4,00
1,042
1,00
5,00
VI – Comunicação / estimulação
212
4,11
4,17
4,00
0,656
2.50
5,00
Em relação às dimensões da APMCCN, ao analisar a tabela 13, constatamos que a
dimensão cognitivo-motora alcançou valores superiores, com uma média de 4,24 no que diz
respeito à auto-percepção materna das competências cuidativas. Ao passo que a dimensão
congnitivo-afectiva teve uma média de 4,02.
Tabela 13 – Medidas descritivas das dimensões da EAPMCCN
Dimensão
N
M
Me
Mo
DP
Mi
Ma
I – Cognitivo motora
212
4,24
4,37
4,70
0,591
2,52
5,00
II – Cognitivo afectiva
212
4,02
4,00
4,00
0,669
2,43
5,00
Tendo em conta os itens da escala APMCCN, cf. a tabela 2, referida anteriormente,
constatamos que na dimensão cognitivo-motora, ao comparar os valores médios de cada
um dos itens, os que contribuíram para uma melhor percepção das competências cuidativas
84
neonatais foram “realizar a higiene do bebé aquando da muda de fraldas” (x=4,81), “vestir e
despir o bebé” (x=4,73), “transportar o bebé de forma segura” (x=4,73)”, “manter a pele do
bebé cuidada” (x=4,59), “perceber quando é preciso mudar as fraldas” (x=4,55), “seleccionar
a roupa necessária de acordo com as condições do tempo” (x=4,54), “pôr a arrotar” (x=4,53)
“colocar o bebé a dormir na posição correcta” (x=4,52), “colocar à mama” (x=4,49). Em
contrapartida, os itens que mostraram os resultados mais desfavoráveis foram “identificar as
características da urina” (x=3,22), “identificar as características das fezes” (x=3,42), “verificar
se o bebé está a mamar sem engolir ar” (x=3,75), “fazer o que é preciso no caso de se
engasgar” (x=3,85), “fazer o que é preciso para desentupir o nariz” (x=3,90), “aliviar as
cólicas” (x=3,90), “diferenciar o vómito de bolçar” ((x=3,99).
Atendendo à dimensão cognitivo-afectiva, os itens com maior pontuação foram “perceber
quando quer dormir” (x=4,31), “acalmar quando está irritado” (x=4,21) e “identificar quando
quer atenção e conversa” (x=4,17). Pelo contrário, “identificar os diferentes tipos de sono”
(x=3,49) e “perceber quando está com cólicas” (x=3,94), apresentaram os valores médios
mais baixos.
6.2 - ANÁLISE INFERÊNCIAL
Após a análise descritiva de dados, com o intuito de credibilizar o nosso estudo
apresentamos as questões de investigação formuladas e os testes paramétricos e não
paramétricos utilizados para dar resposta a tais questões.
Que variáveis sócio-demográficas (nacionalidade, idade, estado civil, habilitações
literárias, actividade laboral, agregado familiar e número de filhos) influenciam a
CMAP das puérperas do CHEDV-Unidade de Santa Maria da Feira no cuidar do RN de
termo entre as 24 e as 72 horas pós-parto?
Relação entre a nacionalidade e a APMCCN
Por forma a identificar se existe relação entre a APMCCN e a nacionalidade da mulher,
realizamos um teste U de Mann-Whitney (tabela 14), atendendo ao facto da mulher ser ou
não portuguesa. Constatamos que existem diferenças significativas nas subescalas da
APMCCN: “alimentação”, “evitar os perigos”, “sono e repouso” e “comunicação/estimulação”.
Também encontramos significância estatística na escala global e na dimensão cognitivo-
85
afectiva, nesta dimensão as diferenças estatísticas encontradas são bastante significativas.
Tanto nas subescalas supracitadas, como na dimensão cognitivo-afectiva e na escala
global, são as mulheres portuguesas as que apresentam uma menor competência materna
auto-percebida.
Na dimensão cognitivo-motora e nas subescalas “higiene e conforto” e “manutenção da
temperatura
corporal”,
ainda
que
não
se
verifiquem
diferenças
estatisticamente
significativas, também são as mulheres portuguesas as que mostram uma menor
competência materna auto-percebida.
Tabela 14 – Teste U de Mann-Whitney da APMCCN em função da nacionalidade
Portuguesa
Sim
Não
Ordenação Média
Ordenação Média
Alimentação
104,60
Higiene e conforto
U
P
162,21
327,50
0,014
105,48
136,43
508,00
0,189
Manutenção da tª corporal
105,10
147,64
429,50
0,051
Evitar os perigos
104,61
161,71
331,00
0,015
Sono e repouso
104,87
154,36
382,50
0,028
Comunicação / estimulação
104,53
164,29
313,00
0,011
Dimensão cognitivo-motora
105,01
150,21
411,00
0,055
Dimensão cognitivo-afectiva
104,48
165,71
303,50
0,009
Escala global
104,79
156,57
367,00
0,028
APMCCN
Relação entre a idade e a APMCCN
Procurou-se identificar se a idade da mulher influenciaria a APMCCN. Para isto foi
realizado um Teste de Kruskal-Wallis (tabela 15) entre os três grupos etários e as
subescalas: “alimentação”, “higiene e conforto”, “manutenção da temperatura corporal”,
“evitar os perigos”, “sono e repouso” e “comunicação/estimulação”. Pelo facto de não se
terem verificado diferenças estatisticamente significativas em todas as subescalas, podemos
afirmar que a idade da mulher não influencia a sua auto-percepção da competência
cuidativa neonatal. Contudo, podemos observar que as mulheres mais novas (≤18 anos)
apresentam ordenações médias superiores em todas as subescalas, dimensões e na escala
global, seguida das mulheres com mais de 34 anos.
Tabela 15 – Teste de Kruskal-Wallis entre a idade e a APMCCN
86
≤17
Ordenação Média
18-34
Ordenação Média
≥35
Ordenação Média
KW
P
Alimentação
198,50
103,79
116,62
5,713
0,057
Higiene e conforto
194,50
104,73
111,23
4,457
0,108
Manutenção da tª corporal
159,00
104,03
117,85
3,257
0,196
Evitar os perigos
188,25
104,40
113,65
4,204
0,122
Sono e repouso
196,00
104,13
114,75
5,583
0,061
Comunicação / estimulação
188,75
104,96
110,23
3,851
0,146
Dimensão cognitivo-motora
200,00
104,10
114,65
5,455
0,065
Dimensão cognitivo-afectiva
197,00
104,56
112,10
4,807
0,090
Escala global
202,50
104,28
113,43
5,520
0,063
Idade
APMCCN
Relação entre o estado civil e a APMCCN
Com o intuito de identificar se o estado civil da mulher influenciaria a sua competência
cuidativa neonatal, realizamos um teste U de Mann-Whitney (tabela 16), através do qual não
se encontram diferenças estatisticamente significativas entre as mulheres que são casadas
e aquelas que não, em nenhuma das subescalas (“alimentação”, “higiene e conforto”,
“manutenção da temperatura corporal”, “evitar os perigos”, “sono e repouso” e
“comunicação/estimulação”), nem nas dimensões e tão pouco na escala global. Logo,
aferimos que, independentemente do estado civil, a competência materna auto-percibida
tende a não ser alterada. No entanto, observamos que as mulheres casadas apresentam
uma maior APMCCN na subescala “manutenção da temperatura corporal”, em
contrapartida, nas restantes subescalas, dimensões e na escala global apresentam uma
menor auto-percepção da competência cuidativa neonatal.
Tabela 16 − Teste U de Mann-Whitney entre o estado civil e a APMCCN
Estado civil
Viúva/ Solteira/ Divorciada/ Outra
Ord. Média
Casada
Ord. Média
U
P
Alimentação
111,33
105,51
2994,00
0,602
Higiene e conforto
111,36
105,51
2993,00
0,601
Manutenção da tª corporal
99,68
107,89
2922,50
0,429
Evitar os perigos
114,86
104,79
2867,00
0,368
Sono e repouso
119,75
103,79
2691,50
0,135
Comunicação / estimulação
121,64
103,40
2623,00
0,103
Dimensão cognitivo-motora
111,57
105,46
2985,50
0,586
Dimensão cognitivo-afectiva
122,44
103,24
2594,00
0,086
Escala global
113,85
105,00
2903,50
0,430
APMCCN
Relação entre as habilitações literárias e a APMCCN
87
Para analisar a relação entre as habilitações literárias e a APMCCN realizamos um teste
de Kruskal-Wallis. Observamos, na tabela 17, a existência de diferenças estatisticamente
significativas nas subescalas “alimentação” e “comunicação/estimulação”, sem encontrar
diferenças estatisticamente significativas nas restantes subescalas (“higiene e conforto”,
“manutenção da temperatura corporal”, “evitar os perigos”, “sono e repouso”). No entanto,
na escala global e nas dimensões cognitivo-motora e cognitivo-afectiva, verificamos a
existência de diferenças estatísticas significantes. As mulheres que frequentaram a
escolaridade até ao 9º ano apresentam uma maior competência cuidativa neonatal em todas
as subescalas, dimensões e na escala global, porém, como já foi referido é nas subescalas
“alimentação” e “comunicação/estimulação”, na escala global e nas duas dimensões da
escala, onde as diferenças são estatisticamente significativas. Em contrapartida, são as
mulheres que frequentaram o ensino superior as que apresentam uma menor competência
cuidativa neonatal em todas as subescalas, dimensões e escala no geral.
Tabela 17 – Teste de Kruskal-Wallis da APMCCN em função das habilitações literárias
Habilitações
Até 9º ano
10º - 12º ano + CTP
Ensino Superior
Ordenação Média
Ordenação Média
Ordenação Média
Alimentação
125, 05
102,89
Higiene e conforto
117,41
Manutenção da tª corporal
KW
P
80,50
15,833
0,000
104,02
91,90
5,238
0,073
114,39
105,93
93,58
3,894
0,143
Evitar os perigos
114,58
103,67
97,61
2,536
0,281
Sono e repouso
117,72
102,32
94,63
5,247
0,073
Comunicação / estimulação
119,86
103,34
88,84
7,817
0,020
Dimensão cognitivo-motora
119,61
103,56
88,89
7,567
0,023
Dimensão cognitivo-afectiva
120,23
102,73
89,39
7,874
0,020
Escala global
119,79
103,42
88,82
7,717
0,021
literárias
APMCCN
Relação entre a actividade laboral e a APMCCN
Para determinar se existe relação entre a auto-percepção da competência cuidativa
neonatal das puérperas que têm uma actividade laboral e aquelas que não, realizamos um
teste U de Mann-Whitney (tabela 18). Constatamos que não existem diferenças
significativas na escala global, nem nas dimensões e em nenhuma das subescalas, assim
podemos afirmar que a actividade laboral não influencia a APMCCN. Contudo, observamos
que são as mulheres com actividade laboral as que referem uma menor competência
cuidativa neonatal nas subescalas “alimentação”, “higiene e conforto”, “manutenção da
88
temperatura corporal”, “evitar os perigos” e “comunicação/estimulação”; nas dimensões
cognitivo-motora e cognitivo-afectiva; e na escala global. Em contrapartida, as mulheres com
actividade laboral apresentam uma melhor APMCCN na subescala “sono e repouso”.
Tabela 18 – Teste U de Mann-Whitney da APMCCN em função da actividade laboral
Actividade laboral
Sim
Não
Ordenação Média
Ordenação Média
Alimentação
103,05
Higiene e conforto
U
P
113,80
4399,50
0,232
102,88
114,16
4375,00
0,211
Manutenção da tª corporal
103,63
112,59
4482,00
0,283
Evitar os perigos
103,90
112,01
4521,50
0,367
Sono e repouso
109,69
99,75
4437,00
0,248
Comunicação / estimulação
101,79
116,48
4217,50
0,102
Dimensão cognitivo-motora
103,01
113,90
4393,00
0,227
Dimensão cognitivo-afectiva
103,34
113,20
4440,50
0,273
Escala global
102,99
113,93
4391,00
0,226
APMCCN
Relação entre o agregado familiar e a APMCCN
Procuramos identificar desta vez se o agregado familiar influenciaria a APMCCN. Para tal
realizamos um teste de Kruskal-Wallis entre o agregado familiar e a auto-percepção da
competência materna, através do qual verificamos que existem diferenças altamente
significativas (p=0,000) em todas as subescalas: “alimentação”, “higiene e conforto”,
“manutenção da temperatura corporal”, “evitar os perigos”, “sono e repouso” e
“comunicação/estimulação”. Também as diferenças são altamente significativas na
dimensão cognitivo-motora, na dimensão cognitivo-afectiva e na escala global. Isto permitenos concluir que o tipo de agregado familiar influencia a APMCCN.
Ao observar a tabela 19 constatamos que são as mulheres que vivem com o
companheiro e filhos as que apresentam uma melhor auto-percepção da competência
cuidativa neonatal. Pelo contrário, são as mulheres que vivem só com o companheiro as que
demonstram uma menor APMCCN em todas as subescalas, dimensões e escala global.
Tabela 19 − Teste de Kruskal-Wallis entre o agregado familiar e a APMCCN
89
Agregado
Só com o
familiar companheiro
Ord. Média
APMCCN
Sem o
companheiro
Ord. Média
Com o companheiro
e filhos
Ord. Média
KW
P
Alimentação
77,14
117,44
127,13
32,521
0,000
Higiene e conforto
79,02
117,42
125,70
28,274
0,000
Manutenção da tª corporal
83,84
99,89
124,89
25,208
0,000
Evitar os perigos
80,08
119,92
124,48
26,091
0,000
Sono e repouso
84,61
107,22
123,10
20,662
0,000
Comunicação / estimulação
82,61
121,08
122,35
21,275
0,000
Dimensão cognitivo-motora
77,04
116,81
127,31
32,577
0,000
Dimensão cognitivo-afectiva
81,08
119,53
123,78
24,078
0,000
Escala global
77,42
117,94
126,84
31,612
0,000
Relação entre o número de filhos e a APMCCN
Procuramos determinar se o número de filhos influencia a APMCCN. Sendo assim,
realizamos um teste de Kruskal-Wallis (tabela 20) entre o número de filhos e a autopercepção da competência materna, através do qual constatamos a existência de diferenças
altamente
significativas
para
todas
as
subescalas
e
dimensões
da
APMCCN.
Consequentemente, na escala global verificamos diferenças estatísticas altamente
significativas. Isto leva-nos a concluir que o número de filhos influencia a auto-percepção da
competência materna, sendo que são as mulheres com mais filhos (≥ 3 filhos) as que
apresentam uma maior competência cuidativa neonatal. Em contrapartida, são as mulheres
com um único filho as que referem uma menor APMCCN em todas as subescalas
(“alimentação”, “higiene e conforto”, “manutenção da temperatura corporal”, “evitar os
perigos”, “sono e repouso” e “comunicação/estimulação”), nas duas dimensões (cognitivomotora e cognitivo-afectiva) e na escala global.
Tabela 20 − Teste de Kruskal-Wallis entre o número de filhos e a APMCCN
APMCCN
Número
Um filho
de filhos Ordenação Média
Dois filhos
≥ 3 filhos
Ordenação Média Ordenação Média
KW
P
Alimentação
84,44
125,25
144,16
31,060
0,000
Higiene e conforto
86,94
125,73
131,78
23,060
0,000
Manutenção da tª corporal
90,44
122,88
125,38
18,010
0,000
Evitar os perigos
88,79
123,68
130,10
19,049
0,000
Sono e repouso
89,69
120,11
137,32
20,194
0,000
Comunicação / estimulação
90,17
120,31
134,64
17,081
0,000
Dimensão cognitivo-motora
85,38
126,36
136,62
27,143
0,000
Dimensão cognitivo-afectiva
88,61
121,36
138,16
20,613
0,000
Escala global
85,88
125,33
137,64
26,122
0,000
90
Que relação existe entre as variáveis obstétricas (gravidez planeada, gravidez
desejada, aceitação da gravidez, vigilância da gravidez, local de vigilância da
gravidez, informação fornecida, preparação para o parto, problema de saúde, tipo de
parto actual, experiência prévia com bebés, aleitamento materno exclusivo) e a
competência materna auto-percebida das puérperas do CHEDV-Unidade de Santa
Maria da Feira no cuidar do RN de termo entre as 24 e as 72 horas pós-parto?
Relação entre a gravidez planeada e a APMCCN
Ao estudar a influência da gravidez planeada na APMCCN realizámos um teste de
Kruskal-Wallis (tabela 21), através da qual observamos a existência de significância
estatística. Assim, constatamos que as mulheres que não planearam a gravidez mostram
uma melhor APMCCN em relação à alimentação, à higiene, ao conforto e à
comunicação/estimulação. Nesta última subescala as diferenças estatísticas são bastante
significativas. Também verificamos diferenças significativas na subescala
“evitar os
perigos”, contudo são as mulheres que planearam a gravidez, mas que não para esta altura
as que apresentam uma maior auto-percepção das competências maternas. Pelo contrário,
uma menor APMCCN nas subescalas supracitadas (“alimentação”, “higiene e conforto”,
“evitar os perigos” e “comunicação/estimulação”) é apresentada pelas mulheres que
planearam a gravidez.
As subescalas “manutenção da temperatura corporal”, “sono e repouso”, onde não se
encontraram diferenças estatisticamente significativas, continuam a ser as mulheres que
planearam a gravidez as que mostram as ordenações médias mais baixas em relação à
competência materna auto-percebida.
Tendo em consideração as dimensões da APMCCN e a escala no geral, verificamos que
existem diferenças bastantes significativas na dimensão cognitivo-motora, na dimensão
cognitivo-afectiva e na escala global, sendo que são as mulheres que não planearam a
gravidez as que apresentam uma maior APMCCN e as que não a planearam as que
mostram a menor auto-percepção das competências cuidativas do RN de termo.
91
Tabela 21 – Teste de Kruskal-Wallis entre a gravidez planeada e a APMCCN
Gravidez
Planeada
Não
Ordenação Média
Sim
Ordenação Média
Sim, mas não para
esta altura
Ordenação Média
KW
P
Alimentação
128,57
99,23
126,96
8,793
0,012
Higiene e conforto
130,35
99,22
125,24
8,852
0,012
Manutenção da tª corporal
116,57
101,78
124,02
4,519
0,104
Evitar os perigos
124,17
99,86
127,70
7,376
0,025
Sono e repouso
117,81
102,06
121,19
3,630
0,163
Comunicação / estimulação
129,89
98,72
128,67
10,077
0,006
Dimensão cognitivo-motora
129,11
98,96
128,04
9,394
0,009
Dimensão cognitivo-afectiva
128,98
98,91
128,43
9,541
0,008
Escala global
130,39
98,62
128,74
10,258
0,006
APMCCN
Relação entre a gravidez desejada e a APMCCN
Para determinar se o facto de a gravidez ter sido desejada ou não influenciaria a
competência materna auto-percebida, realizamos um teste Kruskal-Wallis entre a gravidez
desejada e a APMCCN (tabela 22), através do qual se verificaram diferenças
estatisticamente significativas nas subescalas “alimentação” e “higiene e conforto”. Nestas
duas subescalas a gravidez não desejada relaciona-se com uma maior CMAP. Em
contrapartida, quando a gravidez é desejada somente pelo pai, a APMCCN é menor.
As subescalas “manutenção da temperatura corporal”, “evitar os perigos”, “sono e
repouso” e “comunicação/estimulação”, não mostraram diferenças significativas, porém,
mais uma vez constatamos que as ordenações médias são superiores na auto-percepção
materna das competências cuidativas do RN de termo quando a gravidez não é desejada
pelos pais.
Atendendo às dimensões e à escala global da APMCCN, constatamos diferenças
estatísticas significativas na dimensão congnitivo-motora e na escala geral, nas quais
observamos que existe uma maior CMAP quando os pais não desejam a gravidez. Pelo
contrário, quando a gravidez é desejada apenas pelo pai, a APMCCN é menor na dimensão
cognitivo-motora e na escala global.
92
Tabela 22 – Teste de Kruskal-Wallis entre a gravidez desejada e a APMCCN
Gravidez
desejada
A grávida
Ord. Média
O pai
Ord. Média
Ambos
Ord. Média
Nenhum
Ord. Média
KW
P
Alimentação
94,83
57,33
103,61
152,58
9,534
0,023
Higiene e conforto
100,08
68,83
103,15
154,38
9,211
0,027
Manutenção da tª corporal
87,67
63,83
104,96
133,33
5,214
0,157
Evitar os perigos
85,92
78,33
103,98
145,96
6,712
0,082
Sono e repouso
95,50
61,33
104,37
139,38
6,103
0,107
Comunicação / estimulação
111,17
103,17
102,85
145,04
4,544
0,136
Dimensão cognitivo-motora
94,17
62,83
103,38
155,25
9,969
0,019
Dimensão cognitivo-afectiva
106,75
92,17
103,04
147,00
6,084
0,108
Escala global
95,75
69,50
103,23
155,08
9,465
0,024
APMCCN
Relação entre a aceitação da gravidez pelo pai/família e a APMCCN
Procuramos identificar se a aceitação da gravidez pelo pai ou pela família influencia a
auto-percepção da competência materna, para tal, realizamos um teste U de Mann-Whitney
(tabela 23), através do qual se encontraram diferenças estatisticamente significativas na
subescala da “comunicação/estimulação”. Constatamos que as mulheres apresentam uma
maior APMCCN relacionada com a “comunicação/estimulação” quando a gravidez não é
aceite pelo pai ou pela família.
As restantes subescalas (“alimentação”, “higiene e conforto”, “manutenção da
temperatura corporal”, “evitar os perigos”, “sono e repouso”), as duas dimensões (dimensão
cognitivo-motora e cognitivo-afectiva) e a escala global não apresentaram significância
estatística, novamente, a não aceitação da gravidez por parte do pai ou da família
relacionou-se com uma maior auto-percepção materna cuidativa.
Tabela 23 – Teste U de Mann-Whitney entre a aceitação da gravidez e a APMCCN
APMCCN
Não
Aceitação da
gravidez Ordenação Média
Sim
Ordenação Média
U
P
Alimentação
132,70
105,87
386,500
0,332
Higiene e conforto
105,70
106,52
513,500
0,976
Manutenção da tª corporal
113,20
106,34
484,000
0,789
Evitar os perigos
115,10
106,29
474,500
0,750
Sono e repouso
132,90
105,86
385,500
0,307
Comunicação / estimulação
161,30
105,18
243,500
0,042
Dimensão cognitivo-motora
111,20
106,39
494,00
0,862
Dimensão cognitivo-afectiva
159,50
105,22
252,50
0,050
Escala global
122,90
106,10
435,50
0,545
93
Relação entre a vigilância da gravidez e a APMCCN
Para sabermos se a vigilância da gravidez influenciaria a competência materna autopercebida, utilizamos um teste U de Mann-Whitney entre o número de consultas realizadas
durante a gravidez e todas as subescalas, dimensões e a escala global da APMCCN, de
onde verificamos que não existem diferenças estatisticamente significativas (tabela 24).
Mediante isto constatamos que a vigilância da gravidez não influencia a competência
materna auto-percebida. Contudo, são as mulheres que realizaram uma vigilância
inadequada (<6 consultas) da gravidez as que apresentam uma maior ordenação média em
relação à auto-percepção da sua competência materna em todas as subescalas
(“alimentação”, “higiene e conforto”, “manutenção da temperatura corporal”, “evitar os
perigos”, “sono e repouso” e “comunicação/estimulação”), nas duas dimensões (dimensão
cognitivo-motora e dimensão cognitivo-afectiva) e na escala global.
Tabela 24 – Teste U de Mann-Whitney entre a vigilância da gravidez e a APMCCN
< 6 consultas
≥ 6 consultas
Ordenação Média
Ordenação Média
Alimentação
164,00
Higiene e conforto
Vigilância da
gravidez
U
P
105,95
95,000
0,181
177,75
105,82
67,500
0,098
Manutenção da tª corporal
159,00
106,00
105,000
0,188
Evitar os perigos
188,25
105,72
46,500
0,057
Sono e repouso
165,75
105,94
91,500
0,150
Comunicação / estimulação
188,75
105,72
45,500
0,056
Dimensão cognitivo-motora
183,00
105,77
57,000
0,076
Dimensão cognitivo-afectiva
189,75
105,71
43,500
0,053
Escala global
188,75
105,72
45,500
0,057
APMCCN
Relação entre o local de vigilância da gravidez e a APMCCN
Procurou-se identificar se o local de vigilância da gravidez influencia a competência
materna auto-percebida. Para verificar esta relação foi realizado um teste de Kruskal-Wallis
entre o local de vigilância da gravidez e a APMCCN. Mediante a observação da tabela 25,
constatamos a existência de diferenças estatisticamente significativas em cinco das seis
subescalas que compõem a APMCCN. A única subescala que não revelou significância
estatística é a relacionada com a higiene e o conforto. Contudo, as mulheres que vigiaram a
gravidez numa instituição de carácter público, apresentam uma maior ordenação média da
auto-percepção das suas competências maternas cuidativas em todas as subescalas.
94
Tendo em consideração apenas as subescalas (“alimentação”, “manutenção da
temperatura corporal”, “evitar os perigos”, “sono/repouso” e “comunicação/estimulação”)
onde se verificou significância estatística, constatamos diferenças bastante significativas nas
subescalas “alimentação”, “evitar os perigos” e “comunicação/estimulação”, onde são as
mulheres que vigiaram a gravidez num centro público as que apresentam uma maior
APMCCN. Em contrapartida, as mulheres que vigiaram a gravidez num centro privado
referem uma menor APMCCN nas subescalas “alimentação”, “manutenção da temperatura
corporal” e “comunicação/estimulação”. Não obstante, são as mulheres que vigiaram a
gravidez tanto em centros de carácter público como privado, as que apresentam uma menor
competência materna auto-percebida em relação a evitar os perigos, o sono e o repouso.
Se temos em consideração as dimensões e a escala global da APMCCN, verificamos que
existem diferenças estatísticas bastantes significativas na dimensão cognitivo-motora, na
dimensão cognitivo-afectiva e na escala global. As mulheres que vigiaram a gravidez num
centro público mostram uma maior APMCCN nas duas dimensões e na escala geral, pelo
contrário, as que vigiaram a gravidez num centro privado apresentam a menor autopercepção.
Tabela 25 – Teste de Kruskal-Wallis entre o local de vigilância da gravidez e a APMCCN
Público
Ord. Média
Privado
Ord. Média
Ambos
Ord. Média
KW
P
Alimentação
118,36
83,74
85,83
14,902
0,001
Higiene e conforto
113,83
91,43
93,58
5,965
0,051
Manutenção da tª corporal
112,76
82,51
103,73
7,845
0,020
Evitar os perigos
115,95
91,59
87,05
9,747
0,008
Sono e repouso
113,05
100,87
88,66
6,120
0,047
Comunicação / estimulação
116,71
80,13
93,63
12,100
0,002
Dimensão cognitivo-motora
115,86
88,25
89,90
9,413
0,009
Dimensão cognitivo-afectiva
116,35
83,56
92,05
10,770
0,005
Escala global
116,38
86,56
89,66
10,445
0,005
APMCCN
Local de
vigilância
Relação entre a preparação para o parto e a APMCCN
Para determinar se o ter frequentado algum curso de preparação para o parto influencia a
competência materna auto-percebida, utilizamos um teste U de Mann-Whitney (tabela 26).
Deparamo-nos com diferenças estatisticamente significativas, sendo que são as mulheres
que realizaram preparação para o parto as que apresentam uma menor auto-percepção das
suas competências maternas relacionadas com a “alimentação”, “sono/repouso” e
95
“comunicação / estimulação”. Ao contrário, as mulheres que não frequentaram algum curso
de preparação para o parto referem uma maior auto-percepção nestas subescalas, inclusive
naquelas onde não se verificaram diferenças estatísticas significantes (“higiene e conforto”,
“manutenção da temperatura corporal” e “evitar os perigos”).
Ao analisar as dimensões e a escala global da APMCCN constatamos diferenças
significativas, sendo que na dimensão cognitivo-afectiva, as diferenças encontradas são
altamente significativas. Tanto na dimensão cognitivo-motora, cognitivo-afectiva e na escala
no geral, são as mulheres que não frequentaram algum curso de preparação para o parto as
que apresentam uma maior auto-percepção.
Tabela 26 – Teste U de Mann-Whitney entre a preparação para o parto e a APMCCN
Sim
Não
Ordenação Média
Ordenação Média
Alimentação
85,49
Higiene e conforto
Preparação
Parto
U
P
117,54
3539,500
0,000
96,38
111,81
4335,000
0,081
Manutenção da tª corporal
99,14
110,36
4536,500
0,171
Evitar os perigos
96,39
111,81
4335,500
0,081
Sono e repouso
89,57
115,39
3837,500
0,002
Comunicação / estimulação
91,88
114,18
4006,000
0,012
Dimensão cognitivo-motora
92,90
113,64
4081,000
0,019
Dimensão cognitivo-afectiva
90,55
114,87
3909,500
0,006
Escala global
92,23
114,00
4031,500
0,014
APMCCN
Relação entre o tipo de parto actual e a APMCCN
Pretendemos com esta relação identificar se o tipo de parto actual influencia a APMCCN.
Para isso, realizamos um teste U de Mann-Whitney (tabela 27) entre o parto actual e todas
as subescalas da APMCCN, através do qual verificamos a inexistência de diferenças
estatisticamente significativas em todas as subescalas (“alimentação”, “higiene e conforto”,
“manutenção
da
temperatura
“comunicação/estimulação”),
corporal”,
“evitar
os
perigos”,
“sono/repouso”
e
nas dimensões (dimensão cognitivo-motora e dimensão
cognitivo-afectiva) e na escala global. Podemos inferir que o tipo de parto actual não
influencia a competência materna auto-percebida.
Atendendo a que não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas,
constatamos que as mulheres com parto eutócico mostram uma maior ordenação média na
auto-percepção das competências cuidativas.
96
Tabela 27 − Teste U de Mann-Whitney entre o parto actual e a APMCCN
Parto
actual
Parto eutócico
Parto distócico
Ordenação Média
Ordenação Média
Alimentação
110,86
Higiene e conforto
U
P
99,59
4763,000
0,191
110,42
100,29
4820,500
0,241
Manutenção da tª corporal
108,69
103,03
5045,500
0,479
Evitar os perigos
110,30
100,48
4836,500
0,255
Sono e repouso
107,65
104,68
5180,500
0,718
Comunicação / estimulação
109,98
100,99
4878,000
0,297
Dimensão cognitivo-motora
110,78
99,71
4773,500
0,201
Dimensão cognitivo-afectiva
109,64
101,52
4922,000
0,347
Escala global
110,80
99,68
4771,000
0,199
APMCCN
Relação entre problemas de saúde e a APMCCN
Atendendo aos problemas de saúde durante a gravidez, procuramos estudar se o facto
de ter ou não algum problema de saúde influencia a competência materna auto-percebida.
Assim, foi utilizado um teste t-student para amostras independentes. Mediante a observação
da tabela 28, constatamos que não existem diferenças estatisticamente significativas na
auto-percepção das competências maternas em função do problema de saúde durante a
gravidez. Podemos concluir que a existência de um problema de saúde não influencia a
APMCCN.
Ainda que não se tenham encontrado diferenças estatisticamente significativas,
observamos que as mulheres que não apresentam nenhum problema de saúde durante a
gravidez referem uma maior auto-percepção das suas competências cuidativas neonatais
em todas as subescalas, nas dimensões e na escala global.
Tabela 28 – Teste t-student entre problemas de saúde e APMCCN
Problema de
Saúde
Não
Sim
T
P
0,59
0.950
0,343
4,14
0,64
1,081
0,281
0,64
4,43
0,66
1,322
0,188
4,18
0,66
4,11
0,70
0,759
0,448
Sono e repouso
3,51
1,06
3,46
1,01
0,297
0,767
Comunicação / estimulação
4,15
0,63
4,04
0,69
1,228
0,221
Dimensão cognitivo-motora
4,27
0,58
4,18
0,61
1,056
0,292
Dimensão cognitivo-afectiva
4,06
0,65
3,96
0,69
1,103
0,271
4,27
0,58
4,14
0,61
1,096
0,274
APMCCN
Média
DP
Média
DP
Alimentação
4,31
0,58
4,24
Higiene e conforto
4,24
0,61
Manutenção da tª corporal
4,55
Evitar os perigos
Escala global
97
Relação entre a experiência anterior com bebés e a APMCCN
Para identificar se a experiência anterior com bebés influencia a APMCCN, realizamos um
teste U de Mann-Whitney (tabela 29), através do qual foram encontradas diferenças
estatisticamente significativas em todas as subescalas, dimensões e na escala global. Nas
dimensões “alimentação”, “higiene e conforto”, “manutenção da temperatura corporal”, e
“comunicação/estimulação” as diferenças encontradas são altamente significativas, já nas
subescalas
“evitar os perigos”, “sono/repouso” as diferenças estatísticas são bastantes
significativas. No que se refere à escala global e às duas dimensões que a compõem, a
significância estatística encontrada é altamente significativa.
Assim constatamos que a experiência prévia com bebés influencia a competência
materna auto-percebida de forma positiva. Isto é, são as mulheres que tiveram experiências
prévias com bebés, as que referem uma maior APMCCN em todas as subescalas,
dimensões e escala geral.
Tabela 29 − Teste U de Mann-Whitney entre a experiência anterior com bebés e a APMCCN
Não
Experiência c/bebés
APMCCN
Ordenação Média
Sim
Ordenação Média
U
P
Alimentação
75,48
115,83
2473,500
0,000
Higiene e conforto
70,95
117,19
2251,500
0,000
Manutenção da tª corporal
77,6+7
115,17
2581,000
0,000
Evitar os perigos
80,48
114,32
2718,500
0,001
Sono e repouso
84,82
113,02
2931,000
0,003
Comunicação / estimulação
74,90
116,00
2445,000
0,000
Dimensão cognitivo-motora
72,28
116,79
2316,50
0,000
Dimensão cognitivo-afectiva
75,36
115,86
2467,50
0,000
Escala global
72,00
116,87
2303,00
0,000
Relação entre o aleitamento materno exclusivo e a APMCCN
Para determinar se existe relação entre o aleitamento materno exclusivo e a APMCCM,
utilizamos um teste U de Mann-Whitney (tabela 30), donde se verificou que não existe
relação entre o aleitamento materno e a competência materna auto-percebida, uma vez que
não se encontraram diferenças estatisticamente significativas em nenhuma das subescalas
(“alimentação”, “higiene e conforto”, “manutenção da temperatura corporal”, “evitar os
perigos”,
“sono/repouso”
e
“comunicação/estimulação”),
nas
dimensões
(dimensão
cognitivo-motora e dimensão cognitivo-afectiva) e na escala geral da APMCCM. Isto levanos a afirmar que o aleitamento materno não influencia a auto-percepção das competências
98
cuidativas da mulher. Contudo, são as mulheres que amamentam o seu bebé as que
apresentam uma maior ordenação média da APMCCM.
Tabela 30 – Teste U de Mann-Whitney entre a APMCCN e o aleitamento materno exclusivo
AM exclusivo
Sim
Não
Ordenação Média
Ordenação Média
Alimentação
107,61
Higiene e conforto
Manutenção da tª corporal
U
P
102,51
3634,500
0,617
108,19
100,41
3538,000
0,446
107,58
102,62
3639,500
0,600
Evitar os perigos
107,90
101,46
3586,000
0,527
Sono e repouso
108,55
99,09
3477,000
0,331
Comunicação / estimulação
107,58
102,61
3639,000
0,625
Dimensão cognitivo-motora
107,94
101,29
3578,50
0,515
Dimensão cognitivo-afectiva
107,94
101,29
3578,59
0,514
Escala global
108,08
100,82
3556,50
0,477
APMCCN
99
7 – DISCUSSÃO
A discussão desempenha uma etapa fundamental na investigação, já que permite
salientar os resultados mais significativos revelados no decorrer do estudo e contrapô-los
com os de outros estudos existentes na área em análise. Inicialmente desenvolvemos uma
discussão metodológica e de seguida apresentamos a discussão dos resultados.
7.1 - DISCUSSÃO METODOLÓGICA
Nesta investigação optamos por utilizar uma metodologia quantitativa, de tipo
analítico/descritivo e de corte transversal, atendendo à temática do estudo e às variáveis
envolvidas. Consideramos que o ter usado uma metodologia quantitativa representa uma
limitação deste estudo, pois melhores resultados se obteriam desenvolvendo uma
metodologia com base na triangulação. O estudo de variáveis tão complexas, como a
APMCCN, seria mais completo com a combinação de métodos qualitativos.
Por outro lado, os resultados seriam mais amplos se o transformássemos num estudo
longitudinal, permitindo uma monitorização da auto-percepção materna ao longo do tempo.
Ainda cientes destas desvantagens, parece-nos que a nossa escolha foi adequada
atendendo aos condicionantes temporais e materiais para concluir a presente investigação.
Por estes motivos, utilizamos como instrumento de recolha de dados, um questionário, já
que proporcionou as informações necessárias no tempo adequado, obtidas de forma
rigorosa, com variáveis mensuráveis e diminuindo as eventuais interferências do
investigador. Também este tipo de instrumento permite-nos garantir o anonimato, assim
como a confidencialidade e livre expressão das puérperas inquiridas. Para ser factível esta
situação, foram colocadas urnas no serviço de Obstetrícia para que os questionários fossem
lá depositados pelas utentes. É importante ter em conta que as pesquisas com humanos
apresentam limitações inerentes às condições físicas e psicológicas dos inquiridos no
momento de realização do estudo, assim como a sua capacidade de percepção pode
influenciar as respostas dadas ao questionário.
Ao seleccionar o instrumento de colheita de dados, tivemos em atenção as
características da população e os objectivos do estudo. Pensamos que os objectivos
traçados foram concretizados, para tal, foi realizada uma vasta revisão bibliográfica que
permitiu elaborar a fundamentação teórica, tendo a preocupação de seleccionar o que nos
pareceu mais pertinente e actual.
100
Ao estudar as características psicométricas dos instrumentos utilizados, no que diz
respeito à fidelidade do instrumento observamos que em relação à consistência interna, a
EAPMCCN, apresenta coeficientes alpha de Cronbach para cada um dos itens que variam
de 0,961 a 0,963, sendo que para a escala total foi obtido um alpha de Cronbach de 0,963.
O valor por nós encontrado para o alpha de Cronbach é superior ao obtido pelas autoras da
escala, Santos & Mendes (2004), onde o resultado foi de 0,950. Contudo, um estudo mais
recente realizado por Belo (2005) verificou em termos globais um coeficiente de alpha de
Cronbach de 0,973, ligeiramente mais alto ao valor obtido na nossa investigação.
Consideramos que os resultados alcançados são muito bons, demonstrando que esta
escala apresenta uma elevada consistência interna. De acordo com Pestana & Gageiro
(2008), um valor de alfa igual ou superior a 0,8 é considerado bom, este procedimento é
considerado como a melhor estimativa da fidelidade de um teste.
No que se refere ao tipo de amostragem utilizada, não probabilística, intencional ou de
conveniência, representa uma fragilidade metodológica, já que a “amostragem não aleatória
compromete a inferência estatística dos resultados para a população devido ao forte viés de
selecção introduzido” (Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral, 2008, p. 53).
Relativamente aos procedimentos formais e éticos, foram cumpridos todos os princípios
éticos e morais inerentes a uma investigação científica. Em suma, somos da opinião que as
opções metodológicas foram as adequadas ao tipo de estudo, mas estamos conscientes
que não foram abordados factores, tais como a cultura, a genética e a personalidade das
puérperas, entre outros, pelo que sugerimos a sua análise em investigações posteriores.
7.2 - DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A amostra do nosso estudo é constituída por 212 puérperas internadas no serviço de
Obstetrícia do CHEDV – Unidade de Santa Maria da Feira, com idades compreendidas entre
os 14 e os 41 anos. As idades foram agrupadas em três grupos etários atendendo à
definição de Mendes da Graça (2010) que considera como extremos da vida reprodutiva, as
mulheres com menos de 18 anos e com mais de 34 anos. Sendo assim, observamos que a
maioria da amostra (84,9%) se encontra no escalão etário dos 18 aos 34 anos, considerada
uma faixa etária favorável à reprodução Lowdermilk & Perry (2008). As mulheres com idade
materna avançada (> 34 anos) constituem 14,2% da amostra e as adolescentes (<18 anos)
apenas 0,9%. Estes dados estatísticos vão de encontro aos apresentados pelo Instituto
Nacional de Estatística (2009), através dos quais observamos que o número de gravidezes
na adolescência está a diminuir, contudo, Portugal em 2010, é o país da comunidade
101
europeia com a maior taxa de nascimentos em adolescentes, a maior taxa de aborto em
adolescentes e a maior percentagem de mães adolescentes casadas (Ramoa & Leitão ,
2011). Em contrapartida, o número de nascimentos em mulheres com mais de 35 anos
continua a aumentar. Como refere Ramos et al. (2012), a gravidez tardia é uma realidade
actual e com incidência crescente a nível da população mundial, sendo a sociedade
portuguesa uma das afectadas. Esta problemática tem vindo a ser considerada um projecto
de risco obstétrico, inerente a complicações maternas associadas, podendo conduzir a
alterações do ajustamento materno (Ramos et al., 2012).
Por outro lado, observamos que a quase totalidade da amostra é de nacionalidade
portuguesa (96,7%), com crença religiosa (85,8%), sendo que a mesma é maioritariamente
católica (83.5%). Também, a maior parte das inquiridas tem uma actividade laboral (68%).
Similarmente, na investigação realizada por Belo (2006), verificou-se que a maioria das
mães estavam empregadas (67%). Estes resultados realçam a opinião manifestada por
Arias (2011), quando refere que actualmente a maioria das mães exerce uma actividade
laboral, reflexo do actual contexto sócio-económico da sociedade ocidental que se traduz
numa modificação do papel social da mulher. De acordo com Loureiro & Ferreira (2007), a
mulher tem de se adaptar á maternidade, buscando um equilíbrio entre o desenvolvimento
social e laboral com o seu novo papel de mãe e levando-a a acumular responsabilidades. O
planeamento da maternidade, é cada vez mais, condicionado pelas prioridades que a
mulher estabelece a nível profissional (Sousa, 2009).
Atendendo aos factores que poderiam influenciar a CMAP observamos que das variáveis
sócio-demográficas em estudo, a idade, o estado civil e a actividade laboral não influenciam
a APMCCN. No que se refere à idade, os resultados encontrados na bibliografia consultada
são contradictórios, por um lado, Mendes, Cortesão, Sousa, & Carvalho (2011) afirmam
existir uma ligeira tendência para que a idade se correlacione negativamente com a autopercepção materna das competências no cuidar do RN. Já para Belo (2006), as mães mais
velhas tendem a percepcionar maiores competências para cuidar de bebés no período
neonatal. Também, um estudo realizado por Ribas, Moura, & Bornstein (2007), a nível
internacional, concretamente no Brasil, constatou que as mães mais velhas apresentam
uma auto-percepção mais positiva no seu próprio desempenho do papel parental. Pelo
contrário, os resultados obtidos por Ramos et al. (2012) sugerem que as grávidas com idade
avançada apresentam alterações a nível do ajustamento materno, em que as atitudes
perante a gravidez e o bebé surgem como dimensões mais fragilizadas. Contudo, na nossa
investigação, a idade não se revelou como um factor que influencia a APMCCN.
Outra das variáveis em estudo que não influencia a APMCCN é a actividade laboral. De
igual forma, Belo (2006) verificou a inexistência de diferenças estatísticas significativas ao
102
comparar as mães empregadas e as mães sem emprego (desempregadas/estudantes/
domésticas) em função da sua CMAP. Segundo o referido autor, a APMCCN não é diferente
conforme a ocupação das mães (Belo, 2006).
De forma a identificar se a nacionalidade da mulher influencia a sua APMCCN foi
realizado um teste de Kruskal-Wallis. Tendo-se verificado que as mulheres imigrantes
apresentam uma maior CMAP no que se refere à “alimentação”, “evitar os perigos”, “sono e
repouso” e “comunicação/estimulação”. Na bibliografia consultada, não identificamos
nenhum estudo que abordasse especificamente as mulheres portuguesas, por este motivo,
foi difícil estabelecer uma análise e confrontação dos resultados. No entanto, Bornstein et
al., em 2006, referido por Ribas, Moura, & Bornstein (2007), conduziram um estudo com
mães de sete nacionalidades (argentinas, belgas, francesas, israelenses, italianas,
japonesas e norte-americanas) onde foram identificadas diferenças significativas no nível de
conhecimento do desenvolvimento infantil entre as mães das diferentes nacionalidades.
Mais tarde, Ribas, Moura, & Bornstein, em 2007, constataram que o conhecimento do
desenvolvimento infantil se mostrou positivamente correlacionado com duas medidas da
auto-percepção parental. Como referem Lowdermilk & Perry (2008), as competências
maternas tanto cognitivo-motoras como cognitivo-afectivas são influenciadas pela cultura e
este aspecto está intimamente ligado com a sua nacionalidade.
No que se refere às habilitações literárias, verificamos que 21,3% da amostra tem ensino
superior, enquanto 78,8% não o frequentaram. Contrastamos estes resultados com uma
investigação realizada por Arias (2011), que ao estudar 405 puérperas durante as primeiras
horas após o parto, constatou que uma percentagem superior (34,81%) das puérperas
detém um curso de ensino superior. Contudo, este estudo foi realizado em três hospitais das
regiões de Coimbra, Viseu e Aveiro. Concretamente o hospital pertencente à região de
Aveiro, é o mesmo que aquele por nós analisado nesta investigação, sendo que a
percentagem de puérperas (24,1%) com ensino superior é praticamente a mesma
observada em ambas as investigações. Já nas regiões de Coimbra e Viseu a percentagem
de mães com ensino superior foi mais elevada, 49,2% e 37,7%, respectivamente.
Para sabermos a influência das habilitações literárias na CMAP, realizámos um teste de
Kruskal-Wallis. Verificamos aqui diferenças estatísticas significativas nas subescalas
“alimentação” e “comunicação/estimulação”, sendo que são as mulheres com menos
habilitações literárias (até ao 9.º ano) as que mostram uma maior CMAP nestas subescalas.
Pelo contrário, são as mulheres detentoras de um curso superior as que revelam uma menor
competência materna auto-percebida relativamente às subescalas “alimentação” e
“comunicação/estimulação”. Também Mendes, Cortesão, Sousa, & Carvalho (2011) revelam
a existência de
evidência científica que estabelece uma relação entre o nível de
103
escolaridade e a auto-percepção materna das competências no cuidar do RN.
Contrariamente ao observado por Belo (2006) que afirma que a APMCCN não é diferente
conforme as habilitações literárias das mães, no entanto, enfatiza uma tendência, ainda sem
significância estatística, onde as mães com maior instrução apresentam pontuações mais
altas de auto-percepção, nas suas competências cuidativas neonatais. Já, nesta mesma
linha de pensamento, Ribas, Moura, & Bornstein (2007) constataram que as mães com mais
escolaridade apresentam uma auto-percepção mais positiva do seu próprio desempenho do
papel parental. Similarmente, Pedrosa & Mendes (2011) afirma que quanto mais elevadas
as habilitações literárias, maior a percepção materna das suas competências. Nas
investigações onde se verificou significância estatística entre as habilitações literárias e as
competências cuidativas maternas, a relação existente é positiva, isto é, quanto mais
habilitações literárias maior é a competência cuidativa neonatal demonstrada pela mãe, mas
nestes estudos a operacionalização desta variável foi realizada de forma diferente que da
nossa investigação.
Ao analisarmos o agregado familiar, observamos que quase a totalidade da amostra vive
com o companheiro (91,5%), sendo que mais de metade da amostra vive com o
companheiro/marido e filhos (51,9%). Contudo, 39,6% vive só com o companheiro/marido e
apenas 8,5% das puérperas vive sem o companheiro. Também verificamos que a maioria
das puérperas é casada/união de facto (83%). Estes resultados são ligeiramente inferiores
aos encontrados por Arias (2011) ao inquirir uma amostra de 405 puérperas, através da qual
se verificou que a maior parte das mulheres é casada ou em união de facto (86,7%) e vive
com o companheiro (95,3%). Procurou-se identificar se o agregado familiar influenciaria a
CMAP assim como a todas as subescalas que a compõe, tais como: “alimentação”, “higiene
e
conforto”,
“manutenção
da
temperatura
corporal”,
“evitar
os
perigos”,
“comunicação/estimulação”, “sono e repouso”. Realizamos um teste de Kruskal-Wallis, de
onde verificamos diferenças estatísticas significativas em todas as subescalas. Podemos
afirmar que o agregado familiar influencia a APMCCN, sendo que são as puérperas que
vivem com o companheiro e filhos as que evidenciam uma maior CMAP. Em contrapartida,
são as puérperas que vivem só com o companheiro as que apresentam uma menor CMAP
em todas as subescalas.
Num estudo realizado a nível nacional por Mendes, Cortesão, Sousa, & Carvalho (2011)
também se averiguou que a percepção do apoio instrumental influencia a auto-percepção
materna das competências no cuidar do RN. Pelo contrário, Belo (2006) refere que a autopercepção das competências cuidativas neonatais das mães que vivem com o
marido/companheiro
não
é
significativamente
diferente
da
auto-percepção
das
competências das mães que vivem com o marido/companheiro e outros familiares. Por este
104
motivo, a coabitação não influencia a APMCCN. Diferentemente dos resultados obtidos na
nossa investigação, Belo (2006) no seu estudo, não considerou na operacionalização da
variável coabitação, as mulheres que vivem só com o marido, que concretamente, foram as
que apresentaram a menor CMAP na nossa investigação. Contudo, apesar de não haver
valores estatisticamente significativos, Belo (2005) salienta que as pontuações mais
elevadas de auto-percepção nas competências cuidativas neonatais, são apresentadas
pelas mães que vivem com o companheiro e outros.
Tendo em conta o número de filhos das mulheres estudadas, deparamo-nos com o caso
de mais de metade da amostra (51,4%) possuir um filho, seguida das mulheres que têm dois
filhos (36,8%). O grupo menos representativo corresponde às mulheres que têm mais de
dois filhos (11,8%). Estes resultados são congruentes com a realidade nacional, onde se
verifica uma diminuição do número de filhos por família. O índice sintético de fecundidade
baixou para 1,37 filhos por mulher em 2010, situando-se bastante abaixo dos 2,1
necessários para a reposição das gerações (Pordata, 2010). Ao examinar se o número de
filhos influenciaria a APMCCN, verificamos através de um teste de Kruskal-Wallis que
novamente existem diferenças estatisticamente significativas em todas as subescalas da
CMAP em função do número de filhos. As puérperas com três ou mais filhos apresentam
uma maior APMCCN em todas as subescalas, pelo contrário, as mulheres com um filho
revelam uma CMAP menor na “alimentação”, “higiene e conforto”, “manutenção da
temperatura corporal”, “evitar os perigos”, “sono e repouso” e comunicação/estimulação”.
Resultados similares aos encontrados no nosso estudo foram encontrados na
investigação já mencionada, realizada por Pedrosa & Mendes (2011), onde se mostrou que
as multíparas apresentam níveis de competência materna mais elevados do que as
primíparas para a dimensão cognitivo-motora, não havendo diferenças estatisticamente
significativas quanto à dimensão cognitivo-afectiva. No entanto, na nossa investigação,
todas as subescalas e dimensões mostraram significância estatística, inclusive, as duas
subescalas
que
compõem
a
dimensão
cognitivo-afectiva,
“sono/repouso”
e
“comunicação/estimulação”, revelaram a existência de diferenças altamente significativas
(p=0,000). Nesta mesma linha de pensamento, Moro (2005) afirma que os profissionais de
saúde têm de estar habilitados para planear acções educativas para capacitar os pais na
adopção de estratégias de coping, sobretudo os pais de filhos únicos.
No que se refere aos factores obstétricos que podem influenciar a CMAP, observamos
que o tipo de parto actual (eutócico ou distócico), a existência ou não, de um problema de
saúde durante a gravidez, de AM exclusivo e de uma adequada vigilância da gravidez (≥6
consultas) não influencia a CMAP. Também Pedrosa & Mendes (2011), constatou que o tipo
de parto não influência as competências maternas no cuidar do RN de termo. Já a gravidez
105
planeada, a gravidez desejada, a aceitação da gravidez, o local de vigilância da gravidez, a
preparação para o parto e a experiência anterior com bebés influenciam a CMAP.
Em relação ao AM, este é praticado por 78,3% da amostra e apenas 2,4% pratica o
aleitamento artificial. No entanto, 19,3% afirma que o tipo de aleitamento usado é misto. A
nível nacional não existem estatísticas acerca da real incidência e prevalência do AM (Levy
& Bértolo, 2008). Segundo Brito, Alexandrino, Godinho, & Santos (2011), os estudos
nacionais apontam para uma alta incidência do AM à data da alta da maternidade, entre
67% a 100%. Contudo, comparativamente com o estudo realizado por Brito, Alexandrino,
Godinho, & Santos (2011) intitulado “A experiência do aleitamento materno” realizado no
Centro Hospitalar do Porto, Unidade Maternidade Júlio Dinis, os resultados da nossa
investigação reflectem uma percentagem mais baixa na prevalência do AM exclusivo à
saída do Hospital. A supracitada Maternidade apresenta uma prevalência de AM exclusivo
de 94,3% na altura da alta, que consideramos como resultado desta instituição estar
apreciada como Hospital Amigo dos bebés pela OMS/Unicef, tendo por objectivo o
cumprimento dos dez passos para o sucesso do AM.
No que se refere ao tipo de parto actual, o mais representativo é o eutócico (61,3%),
entre os partos distócicos (38,7%), a maior parte das mulheres foi submetida a cesariana
(26,4%). Após consultar as taxas de cesariana na instituição onde realizamos o estudo,
estes resultados demonstram uma diminuição no número de cesarianas relativamente aos
anos anteriores, que vão de encontro com as preocupações governamentais e medidas
propostas para reduzir a taxa de cesarianas durante o ano de 2010 (Administração Regional
de Saúde do Norte, 2010), no entanto, estes valores estão ainda acima dos recomendados
pela OMS.
Atendendo ao facto da gravidez ter sido planeada ou não, apuramos que foi planeada
pela maior parte da amostra (74,5%), não obstante, a maioria (62,7%) não realizou
nenhuma consulta antes de engravidar. Também verificamos que as mulheres que
planearam a gravidez apresentam uma menor auto-percepção da competência materna
cuidativa neonatal relacionada com “alimentação”, “higiene e conforto”, “evitar os perigos” e
“comunicação/estimulação”. O relevante destes resultados é a elevada percentagem de
mulheres que não realizou nenhuma consulta antes de engravidar, tendo em consideração
que já tinha inicialmente planeado a sua gravidez. Isto evidencia um défice em relação ao
planeamento familiar. A Direcção Geral da Saúde (DGS, 2008) no Programa Nacional de
Saúde Reprodutiva refere que as consultas de planeamento familiar constituem momentos
privilegiados para a prestação de cuidados pré-concepcionais, com vista a uma futura
gravidez, conforme é preconizado na Circular Normativa nº 2 da Administração Regional do
Norte de 16/01/06. Acrescenta ainda que todos/as utentes da consulta de planeamento
106
familiar devem estar informados sobre a importância da programação de uma gravidez.
Nenhuma mulher que pretenda engravidar, deve interromper o uso do método contraceptivo
que o casal utiliza, sem por exemplo, iniciar pelo menos dois meses antes da data de
interrupção do método contraceptivo a suplementação com ácido fólico (Direcção Geral da
Saúde, 2008). Segundo Cruz (2009), este problema referente ao baixo nível de participação
dos usuários no sistema de saúde está relacionado com o nível cultural da população e da
necessidade de investimentos na educação e na saúde. Uma população que não
desenvolva uma consciência crítica, torna-se impossibilitada de adquirir um entendimento da
realidade na qual está inserida, e perceber que são cidadãos de direitos e estes não estão a
ser garantidos. Contudo, a nível nacional, a DGS informa na sua página de internet que a
consulta de planeamento familiar é gratuita e existente nos Centros de Saúde e em alguns
Hospitais e Maternidades do país. Destina-se a apoiar e informar os indivíduos ou casais,
para
que
estes
possam
planear
uma
gravidez no
momento mais
apropriado,
proporcionando-lhes a possibilidade de viverem a sua sexualidade de forma saudável e
segura. Nesta consulta é feita a avaliação do estado de saúde da mulher ou do casal,
avaliando-se, se necessário, a eventual existência de riscos ou doenças para a mãe ou para
o futuro bebé (Direcção Geral da Saúde, 2012).
Em relação à gravidez desejada, observamos que na maioria dos casos (89,2%) a
gravidez foi desejada tanto pela mãe como pelo pai. Sendo assim, a percentagem de
mulheres que desejou a gravidez, é ligeiramente superior ao estudo já referido realizado por
Arias (2011), onde 87,4% das mulheres em estudo, desejou a sua gravidez. Procurou-se
identificar se a gravidez desejada influenciaria a APMCCN, assim como a todas as
subescalas que a compõe, tais como: “alimentação”, “higiene e conforto”, “manutenção da
temperatura corporal”, “evitar os perigos”, “sono e repouso” e comunicação/estimulação”.
Realizamos um teste de Kruskal-Wallis que nos permitiu verificar que a gravidez não
desejada se relaciona com uma maior CMAP nas subescalas “alimentação”, “higiene e
conforto”. O conceito de gravidez desejada ou não desejada é uma avaliação feita pela
mulher no momento da concepção, no entanto, todo o contexto afectivo relativo a esta
avaliação pode modificar-se ao longo da gravidez, pela influência de diversos factores ou
circunstâncias, acontecendo com muita frequência que crianças nascidas de gravidezes não
desejadas se tornaram desejadas na altura do nascimento.
Atendendo à variável aceitação da gravidez, a grande maioria da amostra (97,6%) afirma
que a gravidez foi aceite pelo pai e pela família. Para estudar a relação existente entre o
facto da gravidez ser aceita ou não e a APMCCN, realizamos um teste U de Mann-Whitney
entre a aceitação da gravidez e a CMAP. Constatamos que existem diferenças
estatisticamente significativas para a subescala “comunicação/estimulação”. As mulheres
107
apresentam uma maior CMAP em relação à “comunicação/estimulação” quando a gravidez
não é aceite pelo pai ou pela família. Não foram encontrados estudos na revisão
bibliográfica realizada que analisassem esta possível relação, contudo consideramos que o
facto da gravidez não ser aceite pelo pai, nem pela família, pode levar a mãe a relacionar-se
de forma mais intensa com o seu filho.
Ao analisar a vigilância da gravidez, observamos que a maioria da amostra (99,5%)
afirma ter frequentado as consultas de vigilância da gravidez, no entanto 6,1% não o fez de
forma adequada. Estes resultados vão de encontro com o estudo realizado por Arias (2011),
onde a maior parte das puérperas (97%) realizou mais de 6 consultas durante a gravidez,
enquanto 3% não a vigiou adequadamente. Segundo Cordeiro (2006), a gravidez não
vigiada é ainda uma realidade da prática obstétrica. Santos, Moura, Pinho, Almeida, & Maio
(2011) referem que existe uma menor percentagem de gravidezes não vigiadas,
demonstrando a melhoria da informação e do acesso aos cuidados de saúde. Contudo,
afirmam que há que continuar a implementar medidas para que 100% das gravidezes sejam
adequadamente vigiadas. Para estes autores, os programas de vigilância de gravidez têm
vindo a ser bem sucedidos, mas existem ainda falhas no seguimento obstétrico.
Das informações prestadas nas consultas de vigilância da gravidez, 32,5% da amostra
gostaria de ter recebido mais informação. Estes resultados são mais positivos que os
encontrados por Oliveira, Patel, & Fonseca (2004) que verificaram que a maioria das
puérperas estudadas (85%) realizou a vigilância pré-natal, contudo uma parte significativa
(35,3%), não recebeu qualquer tipo de orientação, afirmando a necessidade de rever as
praticas educacionais realizadas com as gestantes durante as consultas de vigilância. Na
investigação realizada por Ponce Capitán (2005), constatou-se que 82% das puérperas
afirmam que apesar de ter conhecimentos sobre o seu autocuidado e cuidados a ter com o
RN, gostaria de receber informação organizada antes da alta hospitalar. Estudos mais
recentes, como o realizado por Ma (2010), mostram resultados mais satisfatórios, onde
apenas 6% das puérperas afirma não ter recebido orientações suficientes sobre o
autocuidado, mas apresenta um conhecimento satisfatório. Para Ponce Capitán (2005), é
importante a implicação da EESMOG no apoio profissional oferecido às puérperas e a
necessidade de assegurar às mesmas o seguimento com a presença destes enfermeiros
nos cuidados continuados. Na nossa investigação constatamos que nas consultas de
vigilância da gravidez, 17% das mulheres afirmam que o enfermeiro esteve sempre ausente
nas consultas e 20,7% referem ter estado presente às vezes, estes resultados
desfavoráveis, são ainda mais preocupantes se temos em consideração que muitos dos
enfermeiros que formam parte das consultas de vigilância da gravidez não são enfermeiros
especialistas.
108
Em relação ao local de vigilância da gravidez, as mulheres que vigiaram a gravidez numa
instituição de carácter público, apresentam uma maior APMCCN em cinco das seis
subescalas, concretamente na “alimentação”, “manutenção da temperatura corporal”, “evitar
os perigos”, “sono e repouso” e “comunicação/estimulação”. Curiosamente, as puérperas
que vigiaram a gravidez numa instituição pública e privada, em simultâneo, apresentam uma
menor CMAP no que se refere a “evitar os perigos”, “sono e repouso”. Isto permite-nos
reflectir que o facto da mulher complementar a vigilância da sua gravidez em dois tipos de
instituições isso não oferece garantia de capacitação das mães em melhores competências
cuidativas neonatais. Nas subescalas “alimentação”, “manutenção da temperatura corporal”
e “comunicação/estimulação” são as mulheres que vigiaram a gravidez no privado as que
apresentam a menor APMCCN. No estudo realizado por Pedrosa & Mendes (2011),
contrariamente aos resultados obtidos na nossa investigação, verificou-se que as
competências maternas são independentes do local de vigilância da gravidez.
Voltando à nossa investigação verificamos que a vigilância da gravidez foi realizada
maioritariamente (63%) numa instituição de carácter público, seguindo-se o centro privado
(20,9%) e 16,1% em centros públicos e privados simultaneamente. De igual forma, Arias
(2011) verificou este facto, 24,4% das puérperas em estudo realizaram a vigilância da
gravidez num centro público e privado em simultâneo. Isto permite-nos pensar numa certa
insegurança ou desamparo por parte das grávidas que sentem necessidade de recorrer aos
dois serviços, apesar das dificuldades sócio-económicos em que se encontra o país. Mas
como já foi referido, esta dupla vigilância da gravidez não demonstra resultados favoráveis
na auto-percepção materna das suas competências cuidativas no cuidado ao RN de termo.
Quanto à preparação para o parto, a maioria das mulheres (65,6%) não assistiu a
nenhum tipo de curso de preparação para o parto. Das mulheres que assistiram (34,4%),
71,2% admite ter ido sem a companhia de alguém da sua referência. No estudo já referido,
realizado por Arias (2011), também nos deparamos com o facto da maioria das mulheres
(68,9%) do seu estudo não ter frequentado nenhum curso de preparação para o parto; e
daquelas que o realizaram, 78,5% frequentaram-nos sozinhas. Estes resultados estão muito
abaixo do esperado para as mulheres que têm na preparação para o parto, um direito
reconhecido pela legislação de Protecção à Maternidade e Paternidade e Assistência ao
Parto (Couto, 2006). Para Couto (2006, p.197), a preparação para o parto deve ser
entendida, socialmente, como “um momento privilegiado para a mulher grávida, para a sua
família, como estratégia política de educação para a saúde com resultados evidentes e
duradouros”. Por outro lado, Cunha (2008), afirma que o companheiro deve ser estimulado e
incentivado a participar activamente nestas aulas.
Com o intuito de conhecer se a preparação para o parto influenciaria a APMCCN, foi
109
aplicado um teste U de Mann-Whitney que nos permite afirmar que a preparação para o
parto
influencia
a
CMAP
em
relação
à
“alimentação”,
“sono/repouso”
e
“comunicação/estimulação”. As mulheres que não realizaram preparação para o parto
mostram uma maior CMAP nestas subescalas que aquelas que a realizaram. Contudo, não
podemos esquecer que estes resultados são contraditórios, já que a preparação para o
parto está cientificamente comprovada como benéfica para a mãe e para o filho, sendo um
direito contemplado na legislação para todas as grávidas do Sistema Nacional de Saúde
(Cunha, 2008). Segundo Santos (2007), a preparação para o parto nas suas várias
concepções, consiste essencialmente num método de educação física e psíquica, através
de informação sobre o processo gravídico, trabalho de parto, parto, pós-parto e os cuidados
ao RN, favorecendo o desempenho da mulher e preparando-a para o seu futuro papel de
mãe (Santos, 2007). Os benefícios das aulas de preparação para o parto não se limitam ao
trabalho de parto e parto, permitem também que os pais se sintam preparados para cuidar
melhor do seu filho, o que irá proporcionar um ambiente mais calmo e tranquilo (Pousa,
Madureira, & Lobo, 2010).
Consideramos que os resultados encontradas nesta investigação, podem-nos orientar
para algumas linhas de actuação, assim partilhando da opinião de Rodrigues & Miranda
(2009), que consideram necessário traçar algumas metas como aumentar a percentagem de
grávidas que frequentam os cursos de preparação para o parto e aumentar a percentagem
de grávidas que participam nestes cursos com pelo menos doze sessões. A partir da nossa
investigação não conseguimos conhecer em que condições foram realizados estes cursos
de preparação, quais os profissionais a leccionar estes cursos e durante quanto tempo, por
estes motivos, consideramos que estes factores podem afectar a qualidade proporcionada,
reflectindo-se nos resultados obtidos neste estudo. Ainda somos cientes que na instituição
onde foi realizada a nossa investigação, as grávidas podem realizar uma visita guiada à sala
de partos e duas sessões de esclarecimento no final da gravidez, que incorrectamente
algumas grávidas e profissionais de saúde denominam preparação para o parto. Este facto,
pode ter sido um dos factores que tenha condicionado estes resultados. Por outro lado,
Cunha (2008) afirma que os profissionais que ministram os cursos de preparação para o
parto devem ter competências pedagógicas que dêem resposta às necessidades do casal,
onde para além de manterem actualizados os conteúdos programáticos das aulas teóricas,
deverão ter em conta a uniformização de procedimentos não só no seu local de trabalho
mas também obtida através de uma boa articulação e cooperação com o hospital de
referência. Assim, a formação dos profissionais é uma mais valia para a qualidade da
assistência.
Para finalizar com as variáveis obstétricas abordamos a experiência anterior com bebés.
110
Ainda que a maior parte das mulheres deste estudo seja primigesta (46,2%), muitas das
puérperas (76,9%) afirma que já teve experiência prévia com bebés. Procuramos desta
forma identificar se a experiência prévia com bebés influenciaria a APMCCN. Para isso,
realizamos um teste U de Mann-Whitney de onde verificamos a existência de diferenças
estatisticamente significativas em todas as subescalas “alimentação”, “higiene e conforto”,
“manutenção da temperatura corporal”, “evitar os perigos”, “sono e repouso” e
“comunicação/estimulação”. Assim, podemos afirmar que a experiência prévia com bebés se
relaciona com a CMAP de forma directa, isto é, as mulheres que tiveram experiências
prévias com bebés manifestam uma maior APMCCN.
Resultados similares aos obtidos no nosso estudo foram encontrados na investigação já
mencionada, realizada por Belo (2006) que afirma que as mães com mais experiência prévia
com bebés evidenciam uma percepção muito mais elevada nas suas competências
cuidativas neonatais. Segundo Canavarro (2006), as experiências prévias proporcionam às
mães alguma perícia para lidar com o RN e diminuem ansiedades e/ou medos
características de situações desconhecidas. Como referem Lowdermilk & Perry (2008) as
competências cognitivas maternas tanto motoras como afectivas são influenciadas pela
experiência pessoal prévia.
Por outro lado, ao analisarmos o nível de competência materna auto-percebida, a maior
parte das puérperas apresenta um alto nível de competência cuidativa (55,7%), no entanto,
35,4% apresenta um baixo nível e apenas 9% um nível moderado. Na investigação já
referida, realizada por Pedrosa & Mendes (2011), constatou-se que a percepção que as
puérperas têm acerca das suas competências no cuidar do RN de termo no final do período
neonatal é na globalidade elevada. Também, Belo (2005), verificou em termos globais que
62,8% das mães possuem uma boa percepção acerca das competências cuidativas
neonatais.
Se tivermos em consideração, cada uma das dimensões da CMAP, constatamos que os
resultados são melhores na dimensão cognitivo-motora, com valores médios superiores aos
observados na dimensão cognitivo-afectiva. Estes resultados vão de encontro ao estudo
realizado por Belo (2005), onde os valores são mais baixos na dimensão cognitivo-afectiva.
Na dimensão cognitivo-motora verificamos que a maior parte das mães (50,9%)
apresenta uma alta competência materna cuidativa, ao passo que na dimensão cognitivoafectiva a percentagem (43,4%) de puérperas que apresenta uma CMAP alta é inferior. Uma
percentagem considerável (41,5%) de puérperas mostra uma auto-percepção de
competência cuidativa neonatal baixa na dimensão cognitivo-afectiva. Esta percentagem é
melhor ao analisar a dimensão cognitivo-motora, onde 35,8% das puérperas possui uma
111
baixa CMAP. As percentagens menos representativas, tanto na dimensão cognitivo-motora
como na cognitivo-afectiva, 13,3% e 15,1%, respectivamente, diz respeito às puérperas que
apresentam uma APMCCN moderada.
De salientar que os itens que contribuíram para uma melhor percepção das competências
cuidativas neonatais, na dimensão cognitivo-motora foram “realizar a higiene do bebé
aquando da muda de fraldas” (x=4,81), “vestir e despir o bebé” (x=4,73), “transportar o bebé
de forma segura” (x=4,73)”, “manter a pele do bebé cuidada” (x=4,59), “perceber quando é
preciso mudar as fraldas” (x=4,55), “seleccionar a roupa necessária de acordo com as
condições do tempo” (x=4,54), “pôr a arrotar” (x=4,53) “colocar o bebé a dormir na posição
correcta” (x=4,52), “colocar à mama” (x=4,49). Igualmente foram os itens que apresentaram
os melhores valores médios na supracitada investigação realizada por Belo (2005). Em
contrapartida, os itens que mostraram os resultados mais desfavoráveis foram “identificar as
características da urina” (x=3,22), “identificar as características das fezes” (x=3,42), “verificar
se o bebé está a mamar sem engolir ar” (x=3,75), “fazer o que é preciso no caso de se
engasgar” (x=3,85), “fazer o que é preciso para desentupir o nariz” (x=3,90), “aliviar as
cólicas” (x=3,90), “diferenciar o vómito de bolçar” (x=3,99). Novamente, são estes itens os
apresentados por Belo (2005) com os piores resultados. Consideramos estes aspectos
importantes, para serem tidos em conta no momento em que os profissionais de saúde
informam e apoiam as mães no cuidado ao RN.
Atendendo à dimensão cognitivo-afectiva, os itens com maior pontuação foram “perceber
quando quer dormir” (x=4,31), “acalmar quando está irritado” (x=4,21) e “identificar quando
quer atenção e conversa” (x=4,17). Pelo contrário, “identificar os diferentes tipos de sono”
(x=3,49) e “perceber quando está com cólicas” (x=3,94), apresentaram os valores médios
mais baixos. Tanto os itens mais vantajosos como os mais desfavoráveis na dimensão
cognitivo-afectiva, são os mesmos que os apresentados por Belo (2005).
No que se refere ao transporte do bebé após a saída do hospital, 96,7% das mães
afirma que este realizar-se-á através de uma cadeira que obedeça às normas de segurança
rodoviária, não obstante, 2,8% referem realizar o transporte numa alcofa. Das puérperas
inquiridas, 15,1% gostaria de ter a possibilidade de alugar a cadeira no hospital. A grande
maioria (83,5%) da amostra refere que a aplicará no banco de trás do carro, 7,1% diz que a
colocará no banco da frente e 9,4% afirma ser indiferente. Caso a aplique no banco da
frente, 14,3% admite não saber se é necessário desactivar o airbag. Também, a maioria
(86,8) das puérperas afirma que colocará a cadeira voltada para trás, no sentido oposto ao
condutor, contudo 12,3% refere que a colocará virada para a frente. Por outro lado, 47,6%
da amostra refere que as campanhas publicitárias existentes não são suficientes, sendo que
a grande maioria (85,4%) afirma não conhecer nenhuma campanha/organismo de
112
prevenção de acidentes rodoviários. Em contrapartida, a grande parte (80,7%) afirma
conhecer alguma lei sobre o transporte de bebés no automóvel, mas 15,7% admite não
conhecer.
Numa investigação realizada por Martins et al. (2007b) verificou-se que aquando da alta
hospitalar, 72,8% das mães tenciona utilizar a cadeira apropriada no transporte do RN no
automóvel, 18,5% a alcofa e 7,2% tenciona transportar o RN ao colo no percurso automóvel
até ao domicílio. Também se constatou que a proporção de mães que afirma ter
conhecimento da lei (76,8%) é superior à proporção de mães que foram consideradas bem
informadas (52,6%).
Ao comparar estes resultados com a nossa investigação observamos que as
percentagens obtidas por Martins et al. (2007b) são menos favoráveis, contudo este estudo
foi realizado há cinco anos atrás e somos conscientes que através da criação do Plano de
Acção para a Segurança Infantil a nível europeu, e coordenado pela APSI a nível nacional,
as estatísticas em relação ao transporte seguro do RN no automóvel tem melhorado ao
longo dos anos, mas ainda existe um longo caminho a percorrer. De acordo com a APSI
(2007), ainda que actualmente a maioria dos pais/cuidadores utilizem um SRC, este é
utilizado inadequadamente em metade dos casos. Como referem Monteiro, Concret,
Arcipreti, Silva, &, Moreira (2009), apesar das puérperas receberem orientações na alta
hospitalar, estas não apresentam o conhecimento necessário, é essencial que os
profissionais de saúde se envolvam na informação sobre o transporte do RN no automóvel
durante a gravidez e puerpério, e que as famílias grávidas tenham desde o início um
adequado aconselhamento sobre o transporte do bebé no automóvel. Actualmente, já
existem alguns hospitais que prestam apoio às famílias nesta área, na prática, por falta de
recursos e formação específica dos profissionais envolvidos, estas iniciativas ainda não
foram operacionalizadas e implementadas de forma generalizada e harmoniosa em todo o
país.
Durante esta investigação criamos um índice de conhecimento em relação ao transporte
do RN, por se tratar de um contributo desta investigação, não foi possível estabelecer
comparações com outras investigações. Através deste índice verificamos que 34% das
puérperas apresentam um baixo nível de conhecimento em relação ao transporte do RN. A
maior percentagem de puérperas ostenta um nível moderado de conhecimento (56,1%) e
apenas 9,9% das puérperas apresenta um alto nível de conhecimento relativamente ao
transporte adequado do RN. Na investigação já referida, realizada por Martins et al. (2007b)
constatou-se que apenas 52,6% das mulheres se encontram bem informadas sobre o
transporte automóvel seguro.
113
De igual modo, consideramos interessante analisar se o facto de conhecer ou não
alguma lei sobre o transporte do bebé no automóvel influencia a APMCCN. Esta análise foi
algo inovador neste estudo, já que na revisão da literatura realizada, não foi encontrada
nenhuma investigação que abordasse esta possível relação. Assim, através de um teste U
de Mann-Whitney, verificamos que são as puérperas que conhecem alguma lei as que
referem uma maior CMAP em relação à “higiene e conforto”, “manutenção da temperatura
corporal” e “ evitar os perigos”. Pelo contrário, são as mães que não conhecem nenhuma lei
sobre o transporte seguro de bebé as que referem uma menor competência materna
cuidativa auto-percebida.
Estes resultados parecem congruentes atendendo à opinião de autores como Flores
(2009) que afirma que a desinformação sobre a importância dos dispositivos de retenção
infantil é factor determinante no transporte inadequado.
114
115
8 − CONCLUSÃO E SUGESTÕES DO ESTUDO
O puerpério representa um processo de mudança, em que a mulher experimenta
sensações de conforto e confiança no seu papel como cuidadora, habilitando-a para o
desenvolvimento das competências necessárias à prestação do cuidado ao RN (Ramos,
Faria, Oliveira, & Silva, 2012). O estudo da auto-percepção das mães acerca do seu nível de
competência materna cuidativa e dos factores que nela intervêm, permitirá posteriormente,
dirigir os ensinos realizados durante o internamento.
É neste contexto que os profissionais de saúde têm um papel primordial, prestando apoio
aos progenitores na tomada de decisões no cuidar do seu filho, avaliando as aptidões de
aprendizagem e realizando acções de educação para a saúde que permitam proporcionar
os conhecimentos necessários (Ramos, Faria, Oliveira, & Silva, 2012). Consideramos que
todos os esforços realizados para superar estas adversidades, representam uma melhoria
na qualidade dos cuidados prestados.
Desta forma, pensamos que os resultados deste estudo nos auxilia para uma melhor
compreensão de alguns dos factores que influenciam a auto-percepção das competências
maternas no cuidar do RN de termo, contudo está longe de esgotar as investigações nesta
área, mas poderão servir de base para o planeamento de futuras investigações que
analisem outras variáveis que, eventualmente, contribuam para o entendimento desta
temática. Do conjunto de resultados obtidos destacamos aqueles que nos parecem mais
significativos, traduzindo-se em linhas de actuação e de compreensão da APMCCN.
Atendendo à caracterização da nossa amostra verificamos que:
A idade das mulheres oscila entre os 14 e os 41 anos, com uma média que ronda os 30
anos de idade e um desvio padrão de 5,27. O grupo etário dos 18 aos 34 anos é o mais
representativo com 84,9%. Nos extremos da vida reprodutiva, temos 14,2% das
puérperas com mais de 34 anos e apenas 0,9% tem menos de 18 anos.
A quase totalidade da amostra é de nacionalidade portuguesa (96,7%), tem alguma
crença (85,8%) e é maioritariamente católica (83.5%).
A maioria das puérperas é casada/união de facto (83%) e mais de metade vive com o
companheiro/marido
e
filhos
(51,9%).
Contudo,
39,6%
vivem
só
com
o
companheiro/marido e apenas 8,5% das puérperas vive sem o companheiro.
A maior parte tem uma actividade laboral (68%) e somente 21,3% tem o ensino superior.
Mais de metade da amostra (51,4%) possui um filho, seguida das mulheres que têm dois
116
filhos (36,8%). O grupo menos representativo corresponde às mulheres que têm mais de
dois filhos (11,8%).
A maioria da amostra (99,5%) afirma ter frequentado as consultas de vigilância da
gravidez, no entanto 6,1% não o fez de forma adequada. Esta vigilância foi realizada
maioritariamente (63%) numa instituição de carácter público, seguindo-se o centro
privado (20,9%) e 16,1% em centros públicos e privados simultaneamente.
Das informações prestadas nas consultas de vigilância da gravidez, 32,5% da amostra
gostaria de ter recebido mais informação.
O enfermeiro esteve presente em mais de metade das consulta de vigilância (61,8%).
Contudo 17% das mulheres afirma que o enfermeiro esteve sempre ausente e 20,7%
referem ter estado presente às vezes.
A gravidez foi planeada na maior parte da amostra (74,5%), não obstante, a maioria
(62,7%) não realizou nenhuma consulta antes de engravidar.
Na maioria dos casos (89,2%) a gravidez foi desejada tanto pela mãe como pelo pai e a
quase totalidade da amostra (97,6%) afirma que a gravidez foi aceite pelo pai e pela
família.
A maioria das mulheres (65,6%) não assistiu a nenhum tipo de curso de preparação para
o parto. Das mulheres que assistiram (34,4%), 65,6% admite ter ido sem ninguém da sua
referência.
A grande maioria (86,8%) da amostra não sofria de qualquer problema de saúde antes de
engravidar. Durante a gravidez, 60,4% admite não ter tido qualquer complicação e
apenas 7,1% da amostra precisou ficar internada durante a gravidez.
O intervalo entre as 39 e as 41 semanas de gestação é o mais predominante (65,1%) e
só 7,1% da amostra tem mais de 41 semanas.
A maior parte das mulheres é primigesta (46,2%), mas 76,9% da amostra afirma que já
teve experiência prévia com bebés.
O tipo de parto actual mais representativo é o eutócico (61,3%), entre os partos distócicos
(38,7%), a maior parte das mulheres foi submetidas a cesariana (26,4%).
O AM é praticado por 78,3% da amostra e apenas 2,4% o aleitamento artificial. No
entanto, 19,3% afirma que o tipo de aleitamento é misto.
À raiz destes resultados, é pertinente considerar algumas sugestões, como a
necessidade de investir a nível dos cuidados de saúde primários e na preparação para o
parto. Como acabamos de verificar, a percentagem de mulheres que frequentam os cursos
de preparação para o parto ainda é baixa ao contrário do que seria esperado. De igual
forma, a percentagem de cesarianas realizadas, ainda com valores mais favoráveis aos
117
existentes anteriormente, é superior aos preconizados a nível nacional ou pela OMS, e que
directamente se veriam favorecidos com um maior investimento na preparação das
mulheres, através de cursos que proporcionem expectativas mais realistas e os
conhecimentos necessários. A este respeito, 32,5% das mulheres deste estudo afirma que
gostaria de ter recebido mais informação nas consultas de vigilância da gravidez, o que
evidencia uma lacuna no seguimento das mesmas.
Por outro lado, a maior parte das mulheres planeou a sua gravidez mas realmente não de
uma forma adequada, já que a maioria não realizou nenhuma consulta antes de engravidar.
Isto demostra um foco de atenção a nível do planeamento familiar.
De volta aos resultados obtidos nesta investigação, da análise inferencial verificamos que
das variáveis sócio-demográficas, a idade, o estado civil e a actividade laboral não
influenciam a CMAP, já as mulheres imigrantes apresentam uma maior CMAP no que se
refere à “alimentação”, “evitar os perigos”, “sono e repouso” e “comunicação/estimulação”.
Também, são as mulheres com menos habilitações literárias (até ao 9º ano) as que mostram
uma maior auto-percepção materna da competência cuidativa neonatal na “alimentação” e
na “comunicação/estimulação”, onde as mulheres com ensino superior apresentam a menor
CMAP.
Para finalizar as variáveis sócio-demográficas constatamos que o agregado familiar e o
número de filhos influenciam a APMCCN em todas as subescalas, isto é, as puérperas que
vivem com o companheiro e filhos evidenciam uma maior CMAP na “alimentação”, “higiene
e conforto”, “manutenção da temperatura corporal”, “evitar os perigos”, “sono e repouso” e
comunicação/estimulação”. Em contrapartida, são as puérperas que vivem só com o
companheiro as que apresentam uma menor CMAP em todas as subescalas. De igual
modo, as puérperas com três ou mais filhos ostentam uma maior APMCCN em todas as
subescalas, pelo contrário, as mulheres com um filho mostram uma CMAP menor na
“alimentação”, “higiene e conforto”, “manutenção da temperatura corporal”, “evitar os
perigos”, “sono e repouso” e comunicação/estimulação”.
Tendo em conta os factores obstétricos que podem influenciar a CMAP, observamos que
o tipo de parto actual (eutócico ou distócico), a existência ou não, de um problema de saúde
durante a gravidez, de AM exclusivo e de uma adequada vigilância da gravidez (≥6
consultas) não influencia a CMAP. Já a gravidez planeada, a gravidez desejada, a aceitação
da gravidez, o local de vigilância da gravidez, a preparação para o parto e a experiência
anterior com bebés influenciam a CMAP. Concretamente, verificamos que são as mulheres
que planearam a gravidez as que apresentam uma menor auto-percepção da competência
materna cuidativa neonatal relacionada com “alimentação”, “higiene e conforto”, “evitar os
perigos” e “comunicação/estimulação”. Pelo contrário, as mulheres que planearam a
118
gravidez mas não para esta altura mostram uma maior CMAP em relação a “evitar os
perigos” e as mulheres que não planearam a gravidez têm uma maior APMCCN na
“alimentação”, “higiene e conforto e “comunicação/estimulação”.
Em relação à gravidez desejada verificamos que a gravidez não desejada se relaciona
com uma maior CMAP nas subescalas “alimentação”, “higiene e conforto”, pelo contrário, a
APMCCN é menor quando a gravidez é apenas desejada pelo pai.
Atendendo à variável aceitação da gravidez, constatamos que as mulheres apresentam
uma maior CMAP em relação â “comunicação/estimulação” quando a gravidez não é aceite
pelo pai ou pela família.
No que se refere ao local de vigilância da gravidez, as mulheres que vigiaram a gravidez
numa instituição de carácter público, apresentam uma maior APMCCN em cinco das seis
subescalas, concretamente na “alimentação”, “manutenção da temperatura corporal”, “evitar
os perigos”, “sono e repouso” e “comunicação/estimulação”.
Quanto à preparação para o parto, as mulheres que a realizaram mostram uma menor
CMAP nas subescalas “alimentação”, “sono/repouso” e “comunicação/estimulação” que
aquelas que não a realizaram.
Para finalizar com as variáveis obstétricas constatamos que a experiência anterior com
bebés influencia a APMCCN em todas as subescalas “alimentação”, “higiene e conforto”,
“manutenção da temperatura corporal”, “evitar os perigos”, “sono e repouso” e
“comunicação/estimulação”. Assim, podemos afirmar que as mulheres que tiveram
experiências prévias com bebés manifestam uma maior APMCCN.
No que se refere, ao nível de competência materna auto-percebida, a maior parte das
puérperas apresenta um alto nível de competência cuidativa (55,7%), no entanto, 35,4%
apresentam um baixo nível e apenas 9% um nível moderado. Se temos em consideração,
cada uma das dimensões da CMAP, na dimensão cognitivo-motora, verificamos que a
maioria das mães (50,9%) demonstra uma elevada competência materna cuidativa, contudo
35,8% possuem uma baixa CMAP e 13,3% moderada. Ao analisar a dimensão cognitivoafectiva, observamos que a maior percentagem de mulheres (43,4%) apresenta uma CMAP
alta, no entanto, uma percentagem considerável (41,5%) mostra uma auto-percepção de
competência cuidativa neonatal baixa e só 15,1% moderada.
Estes resultados apresentados permitem identificar onde as mães obtiveram maior ou
menor auto-percepção das suas competências cuidativas neonatais e conhecer que factores
influenciam de forma positiva ou negativa, permitindo assim, tentar potenciar os factores que
influenciam favoravelmente e dar maior ênfase aos aspectos onde se verificam níveis de
competência materna mais baixo, e consequentemente tentar minimiza-los. É de salientar
119
que para entender melhor esta realidade, será aconselhável a implementação de
investigações que apresentem uma tipologia longitudinal que permitam monitorizar a
evolução das competências maternas auto-percebidas ao longo do tempo, e não só realizar
este tipo de investigação a nível hospitalar, já que muitas dificuldades encontradas pelos
pais no cuidado do seu filho, são encontradas no domicílio. Daí, a importância de analisar
esta realidade após a alta hospitalar com o intuito de potenciar as competências cuidativas
maternas/paternas através de visitas domiciliárias. Da mesma forma, é importante que
exista uma boa coordenação entre o hospital/maternidade e os cuidados de saúde
primários, para referenciar aquelas situações caracterizadas como de risco.
No que se refere ao transporte adequado do bebé após a saída do hospital, verificamos
que 34% das puérperas apresentam um baixo nível de conhecimento em relação ao
transporte do RN. A maior percentagem de puérperas ostenta um nível moderado de
conhecimento (56,1%) e apenas 9,9% das puérperas mostra um alto nível de conhecimento
relativamente ao transporte adequado do RN.
Ao estudar se o facto de conhecer ou não alguma lei sobre o transporte do bebé no
automóvel influencia a APMCCN, verificamos que são as puérperas que conhecem alguma
lei as que referem uma maior CMAP em relação á “higiene e conforto”, “manutenção da
temperatura corporal” e “ evitar os perigos”. Pelo contrário, são as mães que não conhecem
nenhuma lei sobre o transporte seguro de bebé as que referem uma menor competência
materna cuidativa auto-percebida.
Perante estes resultados, consideramos interessante a implementação do projecto “Alta
segura” já instituído em algumas instituições de saúde a nível nacional, que permitiria
atenuar as dificuldades evidenciadas nos resultados encontrados nesta investigação.
Como já foi referido, os profissionais de saúde, em especial o EESMOG, são os
elementos privilegiados no apoio e comunicação com as famílias e é neles que depositam a
sua confiança, podendo contribuir significativamente para a promoção/conservação do
ajustamento materno e actuação a nível terapêutico, quando são manifestadas dificuldades
na adaptação ao papel parental. Assim, o EESMOG tem um papel (in)formativo, através do
aconselhamento e esclarecimento dos pais, e de encaminhamento para serviços de apoio
diferenciados (Associação para a Promoção da Segurança Infantil, 2009; Ramos, Faria,
Oliveira, & Silva, 2012). Por estes motivos, nas maternidades, o período de internamento
após o parto oferece inúmeras oportunidades educativas aos pais sobre diversas matérias,
incluindo a segurança do bebé após a alta hospitalar (Direcção Geral da Saúde, 2010).
Em suma, acreditamos que o estudo das competências maternas auto-percebidas no
cuidar do RN de termo é importante para reflectir sobre o cuidado de enfermagem prestado,
120
estimulando reflexões entre os profissionais envolvidos no cuidado e os gestores das
instituições de saúde. Os ensinos aos pais permitem colmatar a falta de conhecimentos na
hora de prestar cuidados ao seu filho, com o intuito de proporcionar-lhes as competências
necessárias no papel de cuidadores. Para tal, é necessário dispor dos recursos materiais e
humanos para que esta realidade seja possível.
121
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APÊNDICES
141
Apêndice II – Pedido de autorização ao Conselho de Administração do CHEDV
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Instituto Politécnico de Viseu
ESCOLA SUPERIOR DE SAÚDE DE VISEU
Rua D. João Crisóstomo Gomes de Almeida, nº102
Exmo. Senhor:
Presidente do Conselho de Administração do
CHEDV, E.P.E. - Unidade de Santa Mª da Feira
3500-843 VISEU
Rua Dr. Cândido de Pinho
4520-211 Santa Maria da Feira
Telf. 232 419 100
Telem. 961 011 800
VOSSA
Fax
232REFERÊNCIA
428 343
Oficio nº:
NOSSA REFERÊNCIA
Data:
Processo:
Assunto:
Oficio nº:
1152
Processo:
70
Data:
20/12/2010
PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO PARA EFECTUAR A COLHEITA DE DADOS
No âmbito da Unidade Curricular de Investigação em Saúde Materna e Obstétrica e Ginecológica, está a
Escola Superior de Saúde de Viseu e a aluna Susana Cristina Gomes Ferreira do 1º Curso de Mestrado em
Enfermagem de Saúde Materna, Obstetrícia e Ginecologia a desenvolver um estudo de mestrado subordinado
ao tema “ Auto-percepção Materna das Competências no Cuidar do Recém-nascido de Termo”.
Os objectivos deste estudo são:
─ Identificar o nível de competência materna auto-percebida pelas puérperas do CHEDV – Unidade de Santa
Maria da Feira, ao cuidar do recém-nascido de termo;
─ Analisar o nível de competência materna auto-percebida, considerando as dimensões cognitivo-motora e
cognitivo-afectiva;
─ Determinar se factores sócio-demográficos e obstétricos influenciam o nível de competência materna autopercebida;
─ Descrever o conhecimento das puérperas relativamente ao transporte seguro do recém-nascido.
Neste contexto, somos a solicitar a V. Ex.ª que se digne autorizar a realização da colheita de
dados/informação no serviço de Internamento de Puerpério, às puerperas internadas durante os meses de
Janeiro a Março. Em anexo, enviamos um exemplar do Instrumento de Colheita de Dados.
Os resultados obtidos com este estudo serão colocados à disposição de V. Ex.ª, caso se coadunem com
os interesses da Instituição a que preside. Mais informamos que a Professora Emília Coutinho é a responsável
pela orientação da investigação, estando disponível para prestar eventuais informações adicionais, através do
telefone da Escola 232419100 ou fax 232428343.
Agradecemos a sua resposta dentro da brevidade possível de forma a podermos cumprir os prazos
académicos. Sem mais, gratos pela disponibilidade e atenção que possam dispensar ao assunto, subscrevemonos com consideração.
Com os melhores cumprimentos.
O Presidente do Conselho Directivo
_____________________________
João Carvalho Duarte
(Prof. Coordenador)
Site: http://www.esenfviseu.pt
E-mail Geral: [email protected]
E-mail Secretaria: [email protected]
145
APÊNDICE IV – Consentimento informado
“AUTO-PERCEPÇÃO MATERNA DAS COMPETÊNCIAS NO CUIDAR
DO RECÉM-NASCIDO DE TERMO”
Assinatura da utente
Data: __/__/__
_______________________
Assinatura do investigador
________________________
………………………………………………………………………………………….….….………………………
Consentimento informado da utente para participar no estudo
Ao assinar este documento, dou o meu consentimento para participar no estudo a realizar no
âmbito do Mestrado em Enfermagem de Saúde Materna, Obstetrícia e Ginecologia; subordinado ao
tema “Auto-percepção Materna das Competências no Cuidar do Recém-nascido de termo”.
Compreendo que este questionário fará parte de um trabalho de Investigação, que tem como
objectivos: ─ Identificar o nível de competência materna auto-percebida pelas puérperas do CHEDV –
Unidade de Santa Maria da Feira, ao cuidar do recém-nascido de termo; ─ Analisar o nível de
competência materna auto-percebida, considerando as dimensões cognitivo-motora e cognitivoafectiva; ─ Determinar se factores sócio-demográficos e obstétricos influenciam o nível de competência
materna auto-percebida; ─ Descrever o conhecimento das puérperas relativamente ao transporte
seguro do recém-nascido.
Estou informada sobre os objectivos do estudo e:
1 – Responderei às questões durante o internamento neste hospital/maternidade
2 – As minhas respostas não serão reveladas a ninguém.
3 – A informação resultante deste estudo não me identificará em nenhuma circunstância.
4 – Participe ou não, ou se me recusar a responder a alguma questão não serão afectados os serviços
ou cuidados de que eu vier a necessitar dos profissionais de saúde.
5 – Compreendo que este estudo contribuirá para melhorar a assistência que recebo ou que poderei
receber no futuro.
6 – Não receberei nenhum benefício directo como resultado da minha participação.
7 – Os resultados da investigação ser-me-ão proporcionados, se os solicitar, e caso tenha alguma
pergunta acerca do estudo, devo contactar a investigadora pelo contacto:
Susana Cristina Gomes Ferreira – 963717921
Responderei livremente às questões. Fui informada que esta participação é totalmente voluntária.