UMA ABORDAGEM DAS TÉCNICAS DE MENSURAÇÃO DE ATIVOS TANGÍVEIS
A PARTIR DE UMA ANÁLISE ESTATÍSTICA
TEMA: CONTABILIDADE E CONTROLADORIA
AUTORES:
MÁRCIA JOSIENNE MONTEIRO CHACON
Mestre em Ciências Contábeis – Multiinstitucional UnB / UFPB / UFPE / UFRN
MAURÍCIO CORRÊA DA SILVA
Mestre em Ciências Contábeis – Multiinstitucional UnB / UFPB / UFPE / UFRN
JOSÉ FRANCISCO RIBEIRO FILHO
Prof. Dr – Universidade Federal de Pernambuco e do Programa Multiinstitucional de
Mestrado em Ciências Contábeis das UnB / UFPB / UFPE / UFRN
PUBLICAÇÃO/DIVULGAÇÃO:
In: X SEACON- Seminário Acadêmico de Contabilidade, 2005, Petrolina. X SEACON
-Seminário Acadêmico de Contabilidade, 2005.
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RESUMO
O artigo tem o objetivo de verificar a partir da utilização de análise estatística, elementos
sugestivos em torno dos métodos de mensuração de ativos para o processo decisório do
gestor. Destaca os sinônimos de avaliar e de mensurar e os conceitos de ativo. Revisa marcos
teóricos sobre os valores de mensuração de ativos a valores de entrada e de saída. Projeta
valores de entrada e de saída para um veículo de uma empresa, como base para o estudo.
Evidencia métodos de análise estatística de medidas de tendência central e de dispersão.
Conclui que os valores de saída apresentam menos objetividade na determinação dos diversos
custos que o compõem, haja vista a falta de materialidade na determinação de valores, que o
valor do custo histórico encontra-se mais próximo da média e da mediana nos valores de
entrada, que o valor do custo equivalente corrente de caixa está mais próximo da média e da
mediana nos valores de saída e que os valores de entrada estão menos dispersos (afastados) de
sua média em relação aos valores de saída.
Palavras-chave: Teoria, estatística, mensuração.
CHACON, M. J. M. ; SILVA, M. C. ; RIBEIRO FILHO, J. F. . Uma abordagem das técnicas de mensuração de ativos tangíveis
a partir de uma análise estatística.. In: X SEACON-Seminário Acadêmico de Contabilidade., 2005, Petrolina. X SEACONSeminário Acadêmico de Contabilidade., 2005.
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Title: AN APPROACH ON THE MEASUREMENT TECHNIQUES OF TANGIBLE
ASSETS BASED ON A STATISTICAL ANALYSIS.
ABSTRACT
This article intends to verify suggestive elements around the methods to measure the assets for
the manager's decision process based on the use of statistical analysis. It highlights the
synonyms of evaluating and of measuring the concepts of assets. It revises theoretical marks
on the values of assets measurement you considering the receipt and exit values. It projects
receipt and payment values for a vehicle of a company, as a base for the study. It evidences
methods of statistical analysis focusing measures of central and dispersion tendency. It
concludes that the exit values present less objectivity in the determination of the several costs
that compose it, taking in account the lack of materiality in the determination of the values. It
also evidences that the value of the historical cost is closer to the average and to the medium
of the receipt values and that the value of the equivalent current cost cash is closer to the
average and to the medium in the payment values. At last, I concludes that the receipt values
are less dispersed (distant) of its average in relation to the payment values.
Key word: Theory, statistics, measurement.
1 INTRODUÇÃO
Importantes avanços estão sendo constatados após o grande número de críticas pelas
quais a Contabilidade vem sendo vítima desde o início do século devido às informações que
são por ela propiciada, por não estarem de acordo com o que se deseja. A moderna gestão das
empresas descarta a postura convencional de informações centradas em demonstrar o passado.
O crescimento da competitividade dos mercados aponta para informações que vislumbrem o
presente e o futuro.
Muitos valores são utilizados para avaliação de ativos. Criar valor demanda estratégias
financeiras e novas formas de medir o sucesso empresarial. É preciso que os valores
patrimoniais sejam evidenciados expressando a utilidade de cada um dos itens que compõem
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a partir de uma análise estatística.. In: X SEACON-Seminário Acadêmico de Contabilidade., 2005, Petrolina. X SEACONSeminário Acadêmico de Contabilidade., 2005.
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o patrimônio das entidades, visando cobrir as necessidades de informações dos vários agentes
inseridos no processo de gestão empresarial. O estudo da teoria contábil tem cada vez mais se
destacado no meio acadêmico e dos pesquisadores. Nos currículos de graduação a teoria da
Contabilidade tornou-se disciplina obrigatória, visto a sua relevância para o ensino das
Ciências Contábeis. Na questão da mensuração e avaliação das contas patrimoniais, o ativo
tem sido ressaltado de grande importância e o imobilizado estudado de forma acurada no
sentido de que medidas de mensuração sejam utilizadas com a finalidade de que esse grupo
evidencie de forma correta a capacidade que possui de gerar fluxos futuros. Sob essa ótica
uma discussão sobre os efeitos da aplicação dos conceitos de mensuração do ativo sobre um
determinado bem do imobilizado, utilizando abordagem de métodos quantitativos pode
despertar curiosidades entre a Ciência Contábil e a Estatística.
Observa-se que existe um grau de dificuldade quanto a mensuração de ativos, assim,
não faz parte desse trabalho escolher a melhor forma de avaliação e sim elencar algumas
delas, enfocando conceitos de ativos e demonstrando interpretações sob o ângulo de métodos
quantitativos de um determinado bem, para que a partir daí novas escolhas possam ser feitas e
pesquisas possam ser desenvolvidas.
1.1 Definição do problema
O ativo pode ser mensurado a valores de entrada e de saída. Na literatura contábil os
valores de entrada são considerados mais objetivos do que os de saída por serem passíveis de
verificação, entretanto, os valores de saídas possuem representatividade por demonstrarem os
fluxos futuros, assim, aplicando os conceitos para mensurar um bem do ativo imobilizado,
obteremos valores diferentes. Se vários valores são considerados, a decisão da empresa pode
se tornar difícil. Dessa forma que elementos o gestor deverá considerar em suas análises em
torno dos vários valores possíveis, de acordo com as diferentes abordagens contábeis?
1.2 Objetivos do estudo
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O presente estudo tem como objetivo geral verificar, a partir da utilização de análise
estatística, elementos sugestivos em torno dos métodos de mensuração de ativos para o
processo decisório do gestor.
Como objetivos específicos:
a) destacar os sinônimos de avaliar e de mensurar;
b) revisar conceitos de ativo;
c) evidenciar os métodos de mensuração de ativos mediante aplicação da análise estatística.
1.3 Metodologia
Considerando as particularidades da Contabilidade, devemos enfocar tipologias de
pesquisas, quanto aos objetivos, aos procedimentos e quanto à abordagem do problema.
Segundo Beuren et al (2003), a pesquisa quanto aos objetivos pode ser exploratória,
que busca conhecer com maior profundidade o assunto; quanto aos procedimentos pode
bibliográfica para conhecer produções científicas existentes e estudo de caso, para
concentrar-se em um único caso; e na abordagem do problema, a pesquisa pode ser
quantitativa por utilizar métodos quantitativos.
A pesquisa abordará os valores de entrada e valores de saída com uma população de
oito formas diversas que são utilizadas em nossa literatura com a finalidade de mensurar um
ativo imobilizado (um veículo) de uma empresa.
A partir de um estudo de caso, são projetados valores, considerando cenários
econômicos, financeiros e também éticos, passíveis de questionamentos, pois existe um risco
para cenários preditivos, mas não excluem o crédito do estudo, de forma que se forem
projetados outros valores, poderá ser também utilizada a mesma abordagem da pesquisa.
1.4 Justificativa
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A Contabilidade deve fornecer aos usuários um conjunto de informações suficientes
para que seus usuários possam tomar decisões. Partindo deste objetivo, o estudo justifica-se
em evidenciar oito valores para um mesmo bem tangível do ativo imobilizado (veículo de uso
da empresa), segundo a mensuração de ativos a valores de entrada e de saída. Desse modo,
utilizaremos métodos quantitativos para análise dos valores encontrados.
2 REVISÃO DA LITERATURA
Destacaremos os principais conceitos, pesquisas e referenciais teóricos sobre o tema
em estudo.
2.1 Sinônimos de avaliar e mensurar
Segundo Bueno (1996) avaliar significa estimar, aquilatar, aferir, apreciar e mensurar
significa medir, avaliar.
Com relação aos imobilizados tangíveis, pode-se dizer que avaliar está diretamente
relacionado ao ato de se reconhecer a grandeza, a intensidade ou a força que o bem possui
através de sua capacidade de produzir rendimentos e fluxos futuros, enquanto que mensurar
determina a medida correta pela qual o bem deve ser avaliado.
2.2 Conceitos de ativo
Tantas definições possuem os ativos que podemos dizer que é de suma importância o
seu estudo e compreensão para a Teoria da Contabilidade. Sua definição e avaliação estão
implicitamente ligadas aos inúmeros relacionamentos contábeis envolvendo receitas e
despesas. Entender a verdadeira natureza dos ativos é tarefa difícil.
De acordo com as definições de Sprouse e Moonitz (1962 apud IUDÍCIBUS, 2000 p.
129) os “ativos representam benefícios futuros esperados, direitos que foram adquiridos pela
entidade como resultado de alguma transação corrente ou passada”. Nessa definição
observamos a ênfase dada ao processo produtivo dos quais o ativo detém a potencialidade
maior.
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Para D’Auria (apud IUDÍCIBUS, 2000, p. 129) o ativo é, finalmente, “o conjunto de
meios ou matéria posta à disposição do administrador para que este possa operar de modo a
conseguir os fins que a entidade entregue à sua direção tem em vista”.
Segundo Iudícibus (2000) o estudo do ativo é o capítulo fundamental da
Contabilidade, porque à sua definição e avaliação está ligada a multiplicidade de
relacionamentos contábeis que envolvem receitas e despesas (...) o ativo deve ser considerado
à luz de sua propriedade e/ou à luz de sua posse e controle, precisa estar incluído algum
direito específico a benefícios futuros e precisa ser exclusivo da entidade.
Dentro dos ativos, de modo geral, encontram-se os bens tangíveis que são os terrenos,
imóveis, veículos, etc., os quais possuem como característica principal a sua utilização no
processo produtivo da empresa e que sua vida deve estender-se por um pouco mais de tempo
do que a capacidade de produção a que estão destinados, ou seja, são bens de longa duração.
Hendriksen e Van Breda (1999) apresentam algumas características fundamentais para
se analisar um imobilizado tangível que esteja sujeito a algum tipo de depreciação, afirmando
que os bens tangíveis são mantidos dentro da empresa com a finalidade específica de produzir
outros bens ou serviços no curso das operações rotineiras, tendo vida limitada que pode
consistir em uma quantidade de anos já prevista de acordo com o seu desgaste, precisando ser
substituído em algum momento. O imobilizado tangível pode significar muito pouco em
algumas empresas, porém, em outras sua significância é considerável. Um dos grandes
problemas ligados ao imobilizado tangível é o seu tempo de vida útil, a forma de avaliação e
como será depreciado.
A Lei 6.404/76 em seu art. 179 define o Ativo Imobilizado como “direitos que tenham
por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa ou
exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial”,
classificando os bens em tangíveis e intangíveis.
Iudícibus et al (1995) observam que no permanente os ativos devem ser classificados
em contas distintas para que a depreciação seja diretamente relacionada a estes e apontam uma
importância maior para os bens em operação que são todos aqueles que estão em utilização
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na geração da atividade objeto da empresa. Com relação aos veículos, devem ser classificados
em contas separadas quando se referem aos utilizados na administração e os que possuem uso
direto na produção.
2.3 Mensuração de valor
A mensuração de acordo com Hendriksen e Van Breda (1999) é um processo onde
valores monetários são atribuídos de forma significativa a objetos ou eventos associados à
empresa, sendo obtidos de modo que possam permitir que tais valores sejam agregados ou
dispersos quando necessário. Antes que se inicie o processo de mensuração é preciso escolher
um atributo a ser medido, no grupo imobilizado, um veículo de uso da empresa, pode-se
incluir a capacidade que este possui de gerar receitas futuras, os valores que foram pagos com
a sua aquisição e ainda quanto precisaria dispor para a sua reposição no momento presente.
Quando se refere ao processo de mensurar, os valores são imaginados em termos monetários,
porém, outros dados como a capacidade de produção e números de pessoas relacionadas ao
processo produtivo pode ter muita relevância apesar dessa mensuração originar valores não
monetários.
Ainda conforme Hendriksen e Van Breda (1999) a base que se escolhe para a
mensuração de itens determinados é influenciada pelos objetivos da mensuração de ativos.
Como na contabilidade já existe uma forma de mensurar, na grande maioria, os objetivos da
mensuração são direcionados ao processo contábil. Esses objetivos enquadram-se nos níveis
sintáticos – preocupa-se com a síntese ou gramática na contabilidade; semânticos –
preocupa-se com o seu significado; e pragmáticos – preocupa-se com o seu emprego.
Para Mock e Grove (1979 apud CATELLI et al, 1999, p. 305) mensuração é “um
conjunto específico de procedimentos para atribuir números a objetos e eventos com o
objetivo de prover informações válida, confiável, relevante e econômica, para os tomadores de
decisão”.
2.4 Mensuração de valor no ativo
Observamos que independente de para quem seja a informação, todo ativo, seja um
imobilizado ou um direito a receber ou um gasto ativado para futura amortização como
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despesa, possui características gerais comuns e independem da especificação de seu tipo,
possuindo como atributo fundamental à capacidade de gerar benefícios futuros àquela
entidade que os controla de forma isolada ou em conjunto com outros ativos, representando
mediata ou imediatamente uma promessa futura de caixa. Dessa forma é importante
entendermos a conceituação de ativo para cada vez melhor avaliá-lo. Os Ativos são recursos
econômicos alocados a operacionalidade da entidade, dentro de suas finalidades específicas
em um intervalo de tempo determinado, onde a cada período novas agregações são alocadas
as potencialidades que esses ativos poderão gerar. Dessa forma, o problema está intimamente
relacionado em visualizar os potenciais que os ativos gerarão e transformar esses potenciais
em moeda equivalente. No geral existe uma concordância que a integralização dos ativos
sejam efetuadas pelo seu preço de aquisição (entradas) e que as baixas sejam pelo seu preço
de venda (saídas). O impasse está acerca de quais valores devem ser utilizados entre a entrada
e a saída.
Para Iudícibus (2000) os principais conceitos de avaliação para o ativo dividem-se em:
- Valores de saída: valores descontados das entradas líquidas de caixa futuras (representa
o fluxo de caixa futuro descontado a valor presente, levando em conta a taxa adequada de
juros e a probabilidade de receber os valores previstos); preços correntes de venda (valor
realizável líquido – valor que está sendo pago pelo comprador marginal); equivalentes
correntes de caixa (liquidação ordenada do ativo); e valores de liquidação (venda forçada –
hipótese de descontinuidade da empresa).
- Valores de entrada: custo histórico (valor na data da compra); custos correntes (de
reposição, na data), representa o somatório dos custos correntes dos insumos contidos em
bem igual ao originariamente adquirido menos a depreciação, ou seja, representa a avaliação
do mesmo ativo adquirido há mais tempo; custos históricos corrigidos (restauração dos
custos históricos pelas variações do poder aquisitivo médio geral da moeda); e custo corrente
corrigido pelas variações do poder aquisitivo da moeda (combina as vantagens do custo
corrente com as do custo histórico corrigido).
Sobre os valores de entrada Iudícibus (2000) afirma que são mais adequados que os
de saída como base para avaliação de ativos, pois podem representar o valor máximo para a
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empresa e são mais “objetivos” e não permitem o reconhecimento da receita antes de que seja
“realizada”. Com relação aos custos históricos enumera que sua utilização é tradicionalmente
baseada no custo, verificando-se, portanto, que uma das razões mais fortes é a condição de
expressar os potenciais de serviços futuros para a empresa no momento de sua aquisição.
Sobre custos correntes observa uma série de vantagens considerando que apesar de pontos
fortes e fracos o valor de reposição na data como base de avaliação para o ativo. O custo
corrente corrigido seja provavelmente o mais completo entre os métodos de avaliação de
ativos, combinando as vantagens do custo histórico com as vantagens do custo corrente.
Para Martins (2000), a estrutura conceitual da Contabilidade tem como um dos seus
pilares o Princípio do Custo como Base de Valor (ou o Princípio do Registro pelo Valor
Original). Esclarece que o alicerce fundamental desse conceito de custo histórico está no seu
vínculo ao fluxo de caixa das transações ocorridas, utilizando expressões como espetacular
porque amarra o lucro ao fluxo financeiro e útil porque mede o desempenho de uma gestão
pelas transações acontecidas que já afetaram ou que o afetarão. Quanto ao custo corrente
afirma que fere o princípio do custo histórico possuindo sua versão acoplada aos efeitos da
inflação, quando compara o preço de reposição aos valores históricos corrigidos.
E Hendriksen e Van Breda (1999) ilustram as bases de mensuração a valores de
entrada -que representam o volume de dinheiro que foi pago quando um ativo ingressou na
empresa: custos históricos, custos de reposição e custos esperados e a valores de saídas – que
representam o volume de caixa recebido quando um ativo deixa a empresa: preços de venda
passados, preços correntes de venda e valor realizável esperado.
2.5 Mensuração e avaliação de um bem do ativo imobilizado tangível - veículo
Essas inúmeras formas de avaliação são modos de se observar o mesmo objeto, o
patrimônio das empresas. Após o desenvolvimento de conceitos e citações sobre mensuração
de ativos que objetivou essa quantificação, caracteriza-se uma situação hipotética de que
formas de avaliação são diversas e diversos são os métodos existentes, não demonstrando
compreensão sobre uma única forma. Os critérios de mensuração dos elementos do ativo
imobilizado de acordo com a Lei 6.404/76 em seu art. 183 são definidos pelo custo de
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aquisição, deduzindo o valor correspondente à depreciação, devendo ser corrigidos com base
nos índices de inflação. Assim, a mensuração dos bens tangíveis está diretamente associada ao
custo histórico. Quanto a depreciação essa ocorre cada vez que existe diminuição do valor
dos bens sendo registrados periodicamente em contas distintas, tendo como base de cálculo o
custo corrigido, entendido como sendo o custo histórico ajustado pelo índice da inflação ou o
valor da reavaliação de bens realizadas no imobilizado.
Iudícibus (2000) considera que poderia expressar a depreciação apenas como a
diferença existente entre o valor de mercado no início e no fim dos períodos, mas observa que
isso seria consagrar os valores de mercado para a Contabilidade, o que não seria fora de
propósito, mas restaria verificar se utilizaríamos um valor de entrada ou de realização.
2.6 Métodos Quantitativos
Segundo Beuren et al (2003), a abordagem quantitativa, no tratamento de problemas
de pesquisa em Contabilidade, no Brasil, é relativamente recente e que nos Estados Unidos,
observam-se vários periódicos de Contabilidade com artigos publicados que usam estatísticas.
Para Guimarães e Chaves Neto (2002), o emprego de métodos científicos,
especialmente os quantitativos não é uma prática muito difundida no Brasil.
Freire, Crisóstomo e Botelho (2003) esclarecem que o método quantitativo para
avaliação da satisfação dos clientes constitui um avanço significativo na busca de
generalização do modelo venerável da contabilidade financeira no sentido de incorporar a
avaliação de intangíveis na empresa.
Stevenson (1981) diz que as medidas de tendência central são usadas para indicar um
valor que tende a tipificar, ou a representar melhor, um conjunto de números e as medidas de
dispersão indicam se os valores estão relativamente próximos uns dos outros, ou separados.
Spiegel (1977) define a média como o valor típico ou representativo de um conjunto
de dados e a mediana como o valor médio ou a média aritmética dos dois valores centrais de
um conjunto de números ordenados em ordem de grandeza.
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Conforme Paiva (1995) o desvio padrão assim como o desvio médio simples, medem
o quanto os elementos estão próximos ou afastados da média.
O coeficiente de correlação para Silva et al (1999) é uma medida de dispersão
relativa mais completa que a média de dispersão absoluta (ex. desvio padrão, amplitude total),
pois, leva em consideração a medida de dispersão absoluta e a média de uma série de números
e esclarecem que a amplitude total é a diferença entre o maior e menor valor da seqüência e
que o desvio médio simples correspondente ao afastamento de cada elemento da seqüência do
valor da média.
No presente estudo destacamos o uso da média, da mediana, do desvio padrão,
amplitude total, desvio médio simples e do coeficiente de variação.
3 ESTUDO DE CASO
Determinadas definições servem para demonstrar a tendência que se gera no campo da
pesquisa a que se refere à mensuração contábil, onde a importância se caracteriza pelo fato de
medir o valor dos ativos, dessa forma, sente-se a necessidade de apurar o mais correto
possível os valores relativos a estes, ou seja, o valor de seus fluxos futuros. Assim, para
maiores entendimentos apresentamos um caso onde a mensuração e avaliação de um veículo,
serão procedidas consoante aos conceitos de valores de entrada e saída.
Em uma determinada situação o gestor precisa decidir sobre a compra ou venda de um
bem, no caso, um veículo por R$ 150.000,00 que será utilizado na operacionalização da
empresa, surgindo dúvidas de como fazê-lo para que o negócio seja bem sucedido. Essas
dúvidas com relação às compras são oriundas dos seguintes questionamentos:
•
Esse é realmente o valor de um veículo?
•
Será que ele me dará o retorno que desejo?
•
Quanto será que esse veículo irá agregar ao meu patrimônio?
•
As necessidades da empresa serão satisfeitas com essa aquisição?
Com relação às vendas também existirão questionamentos:
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•
Quanto devo pedir por esse veículo?
•
Esse preço será que está de acordo com o mercado?
•
Conseguirei comprar outro veículo com esse valor?
•
Terei vantagens com a venda desse bem?
A seguir os dados necessários para o desenvolvimento do estudo:
Em 01 Jan 19X0 a Empresa comprou um veículo para uso no valor de R$ 150.000,00.
Em 31 Dez 19X0, o gestor deseja saber os valores de seu veículo a valores de entrada e de
saída.
Para elucidar os cálculos foram considerados: inflação anual de 15%, uma taxa de
retorno de 12% ao ano e uma estimativa de receita nos cinco anos seguintes abaixo projetada:
Tabela 1
Receita Projetada
Ano
19X0
19X1
19X2
19X3
19X4
Valores em R$
210.000,00
200.000,00
80.000,00
160.000,00
120.000,00
O veículo conforme registrado pelo valor original, deverá possuir as seguintes
características contábeis durante os cinco anos:
Tabela 2
Aquisição conforme NF 0283
Taxa de depreciação
R$ 150.000,00
aa
19x1
19x2
19x3
19x4
19x5
20% Depreciação
30.000,00
24.000,00
19.200,00
15.360,00
12.288,00
120.000,00
96.000,00
76.800,00
61.440,00
49.152,00
De acordo com os valores serão consideradas as funções correspondentes:
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Legenda: CH = Custo Histórico
CC = Custo Corrente
CHC = Custo Histórico Corrigido
CCC = Custo Corrente Corrigido
VDELF = Valores descontados das entradas líquidas futuras
PCV = Preços correntes de vendas
ECC = Equivalentes correntes de caixa
VL = Valores de liquidação
d = depreciação
i = inflação
VA = Valor de aquisição
RLE = Receitas líquidas esperadas
TRE = Taxa de retorno esperada
a a = ao ano
M = Mercado
3.1 VALORES DE ENTRADAS
Tabela 3
Função
CH
CC = CH – d
CHC = CH + i
CCC = CC + i
Custo Histórico
Custo Corrente
Custo Histórico Corrigido
Custo Corrente Corrigido
Valor
150.000,00
120.000,00
172.500,00
138.000,00
3.2 Aplicação de métodos quantitativos
Tabela 4
Média
Mediana
Desvio Padrão
Amplitude total
Desvio médio simples
Coeficiente de Variação
145.125,00
144.000,00
19.073,45
52.500,00
16.125,00
13,14%
CHACON, M. J. M. ; SILVA, M. C. ; RIBEIRO FILHO, J. F. . Uma abordagem das técnicas de mensuração de ativos tangíveis
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Figura 1
Valores de Entradas
200.000,00
150.000,00
100.000,00
50.000,00
0,00
0
1
2
3
4
5
3.3 Comentários
A média de vários valores é obtida pelo somatório dos mesmos, dividido pela sua
quantidade. O valor obtido representa o conjunto de valores. A média é sensível a todos os
valores do conjunto, alterando qualquer valor, a mesma será modificada. Desse modo,
estaticamente, o valor de R$ 145.125,00 representa o conjunto dos valores de entrada.
A mediana divide um conjunto ordenado de valores em dois grupos iguais, sendo que
a metade terá valores inferiores à mediana e a outra metade terá valores superiores à mediana.
O valor encontrado foi de R$ 144.000,00.
O desvio padrão verifica quanto os valores de um conjunto estão próximos ou
afastados em relação à média do conjunto, ou seja, o quanto estes valores estão dispersos.
Verificamos que os quatros valores de entrada em relação à média (R$ 145.125,00) estão
afastados no valor de R$ 19.073,45.
A amplitude total é o valor resultante da diferença entre o maior e o menor valor do
conjunto. Nos valores de entrada esta diferença corresponde a R$ 52.5000,00.
O desvio médio simples representa uma média dos desvios de cada elemento do
conjunto para a média do conjunto. O valor encontrado foi de R$ 16.125,00.
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O coeficiente de variação analisa a relação existente entre a medida de dispersão
absoluta ou simples e a média dos valores em termos de dispersão relativa. Quanto maior a
percentagem obtida, maior será a dispersão. Obtivemos a dispersão relativa de 13,14%.
Os diversos valores de entrada estão mais concentrados em torno da média, ou seja, o
desvio padrão e o desvio médio, combinados com o coeficiente de variação, ratificam tal
observação.
Os diferentes conceitos de avaliação a valores de entrada são complementares. O
alicerce contábil que prevalece no cenário atual tem como base o princípio do registro pelo
valor original. Dentro do conjunto de valores de entrada, o custo histórico representa
adequadamente essa avaliação quanto a sua aderência aos Princípios Fundamentais de
Contabilidade, observando ainda, que aquele princípio se constitui em informação material e
verificável. As demais formas de mensuração a valores de entrada são conseqüência do custo
histórico, reforçando sua característica qualitativa tanto em relação aos Princípios
Fundamentais de Contabilidade quanto ao referencial teórico base para a Contabilidade.
3.4 VALORES DE SAÍDAS
Tabela 5
Valores desc. das entradas liquidas futuras
Preços correntes de vendas
Equivalentes Correntes de Caixa
Função
VDELF=RLF/TRE
PCV=RLF-d
ECC = M
Valores de liquidação
VL=CH/2
Valor
187.500,00
180.000,00
100.000,00
75.000,00
3.5 Aplicação de métodos quantitativos
Tabela 6
Média
Mediana
135.625,00
140.000,00
Desvio Padrão
Amplitude total
49.001,75
112.500,00
Desvio médio simples
Coeficiente de Variação
48.125,00
36,19%
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a partir de uma análise estatística.. In: X SEACON-Seminário Acadêmico de Contabilidade., 2005, Petrolina. X SEACONSeminário Acadêmico de Contabilidade., 2005.
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Figura 2
Valo res d e S aíd as
200.000,00
150.000,00
100.000,00
50.000,00
0,00
0
1
2
3
4
5
3.6 Comentários
A média de vários valores de saída é R$ 135.625,00. Este valor representa o conjunto
desses valores.
O valor da mediana foi de R$ 140.000,00. Valor este que dividiu o conjunto de
valores de saída em dois grupos iguais.
Os quatros valores de saída em relação à média (R$ 135.625,00) estão afastados no
valor de R$ 49.001,75. Este valor representa o desvio padrão, desse conjunto.
A diferença entre o maior e o menor valor do conjunto, amplitude total, foi de R$
112.500,00.
O desvio médio simples foi de R$ 48.125,00.
A dispersão relativa, ou seja, o coeficiente de variação foi de 36,19%.
A existência de uma dispersão considerável nos valores de saída é conseqüência das
projeções efetuadas principalmente nos valores descontados de entradas líquidas futuras e
nos preços correntes de vendas. Esses valores sofrem influência dos vários ambientes ou
agentes, podendo ser ‘manipulados’ de acordo com a melhor situação.
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Dentro dos valores de saída os equivalentes correntes de caixa podem ser
justificados por existir um mercado de seguros que os suporta. Os valores de liquidação por
constituírem uma venda forçada supondo a descontinuidade representa o menor valor, mas
passível de verificação. Ambos, dentro do conjunto de valores de saída situam-se próximos a
média dos valores de entrada e ao custo histórico.
Constitui uma ficção contábil estabelecer valores futuros, para tanto, seria necessário
que os contadores possuíssem conhecimentos em métodos quantitativos, ciência econômica e
social, além de finanças internacionais e ética. A possibilidade de predição envolve riscos e
implica em considerar a probabilidade de realização dos valores projetados.
Os valores de saída por serem projetados constituem em um grande atrativo sob o
ponto de vista gerencial, o conjunto de valores torna-se bem mais significativo, porém, estão
formulados sobre cenários preditivos que a maioria das vezes são variáveis, inviabilizando a
utilização.
Para trazer fluxos futuros a valor presente é necessário utilizar uma taxa de juros para
o cálculo do desconto, difícil de se definir, nesse caso, é importante ressaltar que se dois ou
mais fluxos futuros forem iguais tanto em valor quanto na distribuição do tempo, não deverão
produzir o mesmo valor presente, considerando riscos diferentes no negócio, existindo fatores
que deverão ser considerados em longo prazo que poderão interferir como inflação e
mercados competitivos.
3.7 Comparando os valores de entrada e de saída
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a partir de uma análise estatística.. In: X SEACON-Seminário Acadêmico de Contabilidade., 2005, Petrolina. X SEACONSeminário Acadêmico de Contabilidade., 2005.
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Figura 3
200.000,00
150.000,00
Valores de Entradas
100.000,00
Valores de Saidas
50.000,00
0,00
1
2
3
4
O coeficiente de variação dos valores de saída apresentou um percentual quase três
vezes a mais que os valores de entrada. Estatisticamente, significa que os valores de saída
estão mais dispersos, mais afastados da média.
Outra inferência que podemos fazer ao calcularmos a média das médias dos valores de
entrada e de saída é que o valor obtido (R$ 140.375,00) se aproxima do custo histórico.
Pela análise global, podemos observar que os valores de entrada por possuírem
variações em torno da média e dispersão menor possuem maior representatividade
considerando que a essência sobre a forma, de acordo com os Princípios Fundamentais de
Contabilidade, deve prevalecer. O custo histórico resulta de um consenso entre os agentes e
em observância ao princípio da prudência que enfatiza o menor valor para os ativos, devendo
haver prudência sempre que existir incertezas quanto a valores, considerando, neste caso, que
o custo histórico, também representa o valor prudente a ser utilizado na avaliação.
Muitas são as cobranças com relação a contabilidade a custos históricos, mais por
parte ‘daqueles’ que se interessam apenas com o futuro sem se incomodarem com a
subjetividade e
riscos que esse cenário representa. Essa falta de objetividade e planos
fundamentados nas avaliações a valores de saída não significa necessariamente que não se
possa trabalhar com esses valores, ou a sua adoção, não deve implicar no abandono dos
valores de entrada, ao contrário, valores de saída na tomada de decisão podem e devem ser
considerados.
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4 CONCLUSÕES
O presente estudo discutiu questões relacionadas com mensuração de valor, conceitos
de ativo e mensuração de valor do ativo. Especificamente o estudo tratou de particularizar a
mensuração de um bem do ativo imobilizado (veículo de uso).
Os elementos sugestivos advindos na utilização de análise estatística em torno dos
métodos de mensuração de ativos a valores de entrada e saída para o processo decisório do
gestor são:
a) o valor do custo histórico encontra-se mais próximo da média e da mediana nos
valores de entrada;
b) o valor do custo equivalente corrente de caixa está mais próximo da média e da
mediana nos valores de saída;
c) os valores de entrada estão menos dispersos (afastados) de sua média em relação aos
valores de saída.
Os valores de saída apresentam menos objetividade na determinação dos diversos
custos que o compõem, haja vista a falta de materialidade na determinação de valores. Os
elementos possíveis que devem ser considerados de acordo com as várias abordagens
contábeis, observados quanto a decisão operacional, os valores de entrada são mais
apropriados devido a prudência como base dos princípios fundamentais de contabilidade e
teoria contábil. Sob a ótica gerencial, os valores de saída merecem considerações apesar de
não possuírem aderência física, pois a forma de trazer os valores projetados ao presente, nada
mais é que utilizar os valores históricos da data. Futuro e transações não ocorridas não terão
significado se considerações incertas como inflação e mercados não forem levados em conta.
Existe uma grande diferença em avaliar as transações ocorridas e aquelas que se espera
ocorrer. A perspectiva temporal é carregada de responsabilidades precisando ser definida a
quem atribuí-las. Além de todos esses valores (entrada e saída) é preciso considerar que todo
veículo ao ser adquirido (custo histórico) tem um custo de oportunidade, mas as considerações
de oportunidade foram deixadas como viés para pesquisas que poderão surgir, sem, contudo,
descartá-las no momento da decisão.
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Diante de tais considerações, o estudo atingiu seus objetivos ao enaltecer a relação das
disciplinas da Teoria da Contabilidade e a Estatística, especialmente em fornecer subsídios
conceituais para a reflexão no ensino de conteúdos de Contabilidade Introdutória e Análise
Contábil.
Não podemos deixar de ressaltar a complexidade existente em mensurar um ativo. Os valores
são sempre probabilísticos, não existe um processo ainda considerado inquestionável na
atribuição de valores. Desse modo, ficam as sugestões de estudo sobre o tema aqui abordado e
o desafio para os pesquisadores encontrarem um método mais adequado possível de mensurar
contas do ativo.
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