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N.º 235
Março 2012
Mensal
2,00 €
TempoLivre
www.inatel.pt
Entrevista com a pedagoga
Maria José Araújo
Deixem brincar
as crianças
Destacável
Viagens Primavera
Verão 2012
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Sumário
Na capa
Foto: Humberto Lopes
16
5
6
CARTAS E COLUNA
DO PROVEDOR
ENTREVISTA
Deixem Brincar as
Crianças
Maria José Araújo,
investigadora e doutorada
em Ciências da Educação
pela Universidade do Porto,
com obra publicada sobre
os chamados tempos livres
das crianças explica, em
entrevista à TL, como a
forma de ocupação dos
tempos livres das crianças
tem sido negativa para a
actividade de brincar, com
sério prejuízo para as
vivências infantis. Para
Maria José Araújo, assim
como para as crianças com
quem tem trabalhado,
"brincar é viver, brincar é
respirar".
22
EDITORIAL
8
14
NOTÍCIAS
CONCURSO
DE FOTOGRAFIA
40
MEMÓRIA
Zita Duarte
42
44
67
68
OLHO VIVO
A CASA NA ÁRVORE
O TEMPO E AS PALAVRAS
OS CONTOS
DO ZAMBUJAL
70
26
47
62
Viseu
Cidade central do planalto beirão,
Viseu alberga um centro histórico
merecedor de demorada visita.
Antigos Solares, a Sé Catedral e o
Museu Grão Vasco são ícones de uma
cidade de muita e privilegiada
história. Do seu ducado viseense,
retirou o Infante D. Henrique
importantes rendas para a gesta da
nossa Expansão. Boa e singular
gastronomia, aliada a uma estadia de
1ª classe no Inatel Palace (S.Pedro do
Sul), são bons motivos para rumar "a
caminho de Viseu…"
30
VIAGENS
CRÓNICA
Alice Vieira
DESTACÁVEL DE 12 PÁGINAS
O Senhor dos Pastéis
Há uma década que a Pastelaria
Garcia é uma referência em
Bruxelas. Os famosos pastéis de
nata e o pão regional português
garantem a frequência fiel da gente
lusitana radicada na capital belga. E
não só, já que a doçaria da casa se
tornou popular entre outras
comunidades.
TERRA NOSSA
Maria Alice Vila Fabião
Viagens Primavera/Verão 2012
DIÁSPORA
BOA VIDA
CLUBE TEMPO LIVRE
Passatempos e Novos
livros
Palma de Maiorca
Jóia mediterrânica, próxima da costa
ibérica, Palma de Maiorca tem os
ingredientes necessários - mar,
montanha, património e gastronomia
- para uma reconfortante estadia.
Viagens Inatel tem um atractivo e
acessível programa de sete dias, com
pensão completa, para Março e
Abril.
Revista Mensal e-mail: [email protected] | Propriedade da Fundação INATEL Presidente do Conselho de Administração: Vítor Ramalho Vice-Presidente: Carlos
Mamede Vogais: Cristina Baptista, José Moreira Marques e Rogério Fernandes Sede da Fundação: Calçada de Sant’Ana, 180, 1169-062 LISBOA, Tel. 210027000
Nº Pessoa Colectiva: 500122237 Director: Vítor Ramalho Editor: Eugénio Alves Grafismo: José Souto Fotografia: José Frade Coordenação: Glória Lambelho
Colaboradores: António Costa Santos, António Sérgio Azenha, Carlos Barbosa de Oliveira, Carlos Blanco, Gil Montalverne, Humberto Lopes, Joaquim
Diabinho, Joaquim Magalhães de Castro, José Jorge Letria, José Luís Jorge, Lurdes Féria, Manuela Garcia, Maria Augusta Drago, Maria João Duarte, Maria
Mesquita, Pedro Barrocas, Rodrigues Vaz, Sérgio Alves, Suzana Neves, Vítor Ribeiro. Cronistas: Alice Vieira, Álvaro Belo Marques, Artur Queirós, Baptista
Bastos, Fernando Dacosta, Joaquim Letria, Maria Alice Vila Fabião, Mário Zambujal. Redacção: Calçada de Sant’Ana, 180 – 1169-062 LISBOA,
Telef. 210027000 Publicidade: Direcção de Marketing (DMRI) Telef. 210027189; Impressão: Lisgráfica - Impressão e Artes Gráficas, SA - Rua
Consiglieri Pedroso, n.º 90, Casal de Sta. Leopoldina, 2730-053 Barcarena, Tel. 214345400 Dep. Legal: 41725/90. Registo de propriedade na
D.G.C.S. nº 114484. Registo de Empresas Jornalísticas na D.G.C.S. nº 214483. Preço: 2,00 euros Tiragem deste número: 150.908 exemplares
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Editorial
V í t o r Ra m a l h o
Pensar as crianças
A
vida prega-nos muitas vezes partidas.
Uma destas deixou-nos com o
coração apertado. Faleceu no passado
mês de Janeiro um homem bom, profissional de excelência, sempre solidário para
com os colegas e que colocava a defesa dos interesses da Fundação Inatel como se fossem os
seus próprios.
Refiro-me ao Dr. Castro Ferreira, director dos
Serviços Jurídicos da nossa Fundação e a quem
esta tanto deve. Não poderia deixar de o evocar
neste editorial, o primeiro que escrevo depois do
infausto acontecimento, reiterando os pêsames à
família enlutada, em nome de todos quantos trabalham na Inatel.
A vida porém continua. E porque é assim a
grande pedagoga Dra. Maria José Araújo fala-nos,
neste número, da importância do lazer para as
crianças, influenciando o tema da capa sob o
título "Deixem brincar as crianças", porque como
dizia o nosso grande Fernando Pessoa o melhor
do mundo são as crianças.
Para brincar, digo bem, tanto que para esse
efeito foi inaugurado recentemente no Parque de
Jogos 1º de Maio um espaço multidisciplinar
onde os familiares das crianças podem promover
festas de aniversário e outros eventos de mero
convívio, a preços acessíveis. Os adultos também poderão beneficiar da fruição deste espaço.
Nem sequer falta nele uma ampla cozinha, adequada a todo o tipo de iniciativas que nele se
podem realizar. A inauguração do espaço coincidiu com a valorização do campo principal de
jogos, que passa agora a beneficiar de um relvado sintético.
Os investimentos, avultados, realizados no
Parque de Jogos 1º de Maio destinam-se a servir
ainda mais e melhor os beneficiários. Esta lógica,
de reforçar a excelência, está aliás presente quer
na programação das viagens para a Primavera e
para o Verão do corrente ano quer no exemplo
que é a unidade termal de S. Pedro do Sul, da
Inatel, onde os nossos beneficiários poderão descansar, caso se sintam motivados pela reportagem que a revista apresenta sobre Viseu, face à
proximidade da Unidade Hoteleira com esta bela
cidade.
E
screver em 2012 é ter presente o Ano
Europeu do Envelhecimento Activo e
da Solidariedade Intergeracional, objectivo aliás prosseguido pela Inatel desde
a sua criação. Daí a escolha do perfil da Dra.
Graça Andrade, nossa associada, que aos 80 anos
continua a dar consultas no Centro de
Reabilitação e Paralisia Cerebral, que ajudou a
criar há cerca de 40 anos, tendo sido a primeira
mulher a especializar-se como médica nesta
área.
Falar dos portugueses, das viagens e da
Solidariedade Intergeracional, é porém insuficiente por não traduzir totalmente a alma do que
somos enquanto povo. E isto porque o que somos
é indissociável da nossa diáspora, espalhada
pelos quatro cantos do mundo. Temo-la por isso
também na pessoa de um nosso emigrante que
na capital da U.E., Bruxelas, é conhecido pelo
"Senhor dos Pastéis" - os de Belém, claro, que lá
fora continuam a adoçar-nos a alma. n
MAR 2012 |
TempoLivre 5
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Cartas
A correspondência
para estas secções
deve ser enviada
para a Redacção de
“Tempo Livre”,
Calçada de Sant’Ana,
nº. 180, 1169-062
Lisboa, ou por e-mail:
[email protected]
Acordo Ortográfico
Seja permitido a este associado aproveitar o
ensejo da publicação da crónica mais recente de
Maria Alice Vila Fabião, em que a autora se junta
com o seu grito de alma ao rol das centenas ou
milhares de tomadas de posição de pessoas
muito qualificadas que ao longo de largos anos
têm vindo a opor-se sem desfalecimentos à consumação dessa barbaridade insana - e perdoe-se
a veemência, filha da revolta - que dá pelo nome
de Acordo Ortográfico, para manifestar o seu
apreço por uma coluna de opinião que constitui
um autêntico hino de amor à nossa língua materna e à vida, afinal, isento dos laivos de chauvinismo ou exclusivismo que os defensores da tris-
te criatura perfidamente teimam em assacar a
todos quantos não alinham pela sua cartilha.
António Torres, Lisboa
Embaixador de Angola
No título e texto de abertura da entrevista com
o Embaixador de Angola em Portugal, na “TL”
de Fevereiro passado, o primeiro nome e parte
do apelido transcritos não correspondem
ao exacto nome do ilustre diplomata.
Apresentamos, pelo lamentável e involuntário
erro, as nossas desculpas ao Sr. Embaixador
José Marcos Barrica. EA
Coluna do Provedor
Permito-me repetir um texto que publiquei
Kalidás
Barreto
[email protected]
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TempoLivre
| MAR 2012
neste espaço há alguns anos. Como verificarão
os estimados associados, o tempo passou, mas a
realidade é a mesma e não sou bruxo nem adivinho. Tenham a paciência de reler:
"Há 2 dias falava-me um "jovem sénior associado, na alegria de ter "descoberto" o computador e
a dimensão de contactos, que através dele, lhe são
proporcionados. É uma nova forma de espaço de
comunicação, rápido e que abre novos horizontes,
novos conhecimentos, solidariedades. Este nosso
associado só lamentava que, ao mesmo tempo,
tenha verificado a quantidade de "palha" que lhe é
enviada, diariamente, desde a anedotária de toda
a espécie, a propaganda e propostas de toda a
natureza. Este é o lado mau do progresso - diz - e
observa que há mesmo os doentes do "mail", que
por tudo e por nada estão a enviar missivas, dando
ideia que nada mais tem que fazer; classifica-os de
mailistas compulsivos com desejos de afirmação.
São os custos do progresso e da globalização!
Mudando de assunto gostaria de realçar a
crescente preocupação dos seniores sobre o
futuro dos "velhos". A despeito de algumas políticas tendentes a resolver o problema que hoje
representa o envelhecimento populacional, chegam ecos de todo o lado, para a forma como funcionam alguns lares de terceira idade; as notícias na comunicação social alertam para o trata-
mento, algumas vezes pouco humano, nesses
lares. Isto de ser empregado num lar de "velhos"
não é só para se ganhar um ordenado; exige algo
mais: amor, carinho e compreensão.
E, se for possível, ouçam o testemunho de
quem se queixa dos filhos que maltratam os
pais; e dos que despejam os pais em lares e
pouco querem saber deles. Temos cada vez mais
velhos cujos filhos não os amam e são estorvo; e
lembra-nos a história do velho que ia para o
monte conforme a tradição, com a manta, para
morrer. E, quando chegado ao monte, transportado pelo filho, este ouviu do pai que lhe devolvia a manta: "Fica com ela porque um dia te será
precisa - filho és, pai serás; assim como fizeres,
assim acharás!" É tempo de refletir sobre esta
problemática. É que ela já nos diz respeito e nem
que seja por autodefesa, temos que preparar os
caminhos do futuro que já são presente e que
tem de ser humanizados! " "Filho és, pai serás...".
Hoje também parece termos acordado para a
violência em sociedade, deixando idosos abandonados nas suas residências, sem visitas, sem
carinho, sem palavras, sem nada: até morrerem!
E a forma como há medidas que estão a ser conduzidas sobre os velhos que necessitam do
Serviço Nacional de Saúde!
Estamos na Primavera; saudemo-la com o
renascer da vida e do humanismo! n
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Notícias
Espaço Multidisciplinar
no Parque de Jogos 1º de Maio
l Está
já disponível para os
associados beneficiários um conjunto
de novas instalações no Parque 1º de
Maio. O novo edifício, localizado nas
traseiras da bancada central do
estádio, apresenta-se como um
espaço versátil e jovem, onde várias
actividades se entrecruzam,
possibilitando múltiplas
aprendizagens e interacções.
Porque, actualmente, o tempo
escasseia e é reduzida a oferta de
serviços complementares à formação
dos jovens e à ocupação dos tempos
livres de indivíduos de diferentes
faixas etárias, a Inatel apresenta
soluções 'chave na mão' e a preços
que só a Fundação consegue praticar.
O novo Espaço no PJ 1º de Maio tem
como missão a disponibilização de
serviços de excelência na área da
Educação, Formação e do Lazer,
direccionados aos associados e não
associados da Fundação INATEL,
com especial ênfase no público
infanto-juvenil, mas também nos
adultos em idade activa e seniores.
Neste momento, o espaço oferece
vários produtos inovadores, como
festas de aniversário temáticas para
crianças, cedência de espaço para
reuniões e acções de formação,
ateliers educativos, atividades para
as férias escolares e muitas outras
que serão lançadas brevemente.
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TempoLivre
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Temáticas (Cooking, Top
Model e Disco).
Novo relvado
Estamos desde já em condições de
oferecer ao nosso publico Associado
e não associado (com preços
diferenciados) festas de aniversário
infantis com os seguintes Temas:
Festas Desportivas (actividades
aquáticas, Rugby e Futebol); Festas
Foi ainda concluída em
Fevereiro a instalação de um
relvado sintético de elevada
qualidade no PJ 1º de Maio.
O novo relvado vai permitir
a realização, em melhores
condições desportivas e financeiras,
de boa parte dos jogos do torneio de
Futebol da Inatel, designadamente
por parte das equipas da região de
Lisboa, e das festas desportivas no
âmbito do novo espaço
multidisciplinar agora ianugurado.
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Protocolo Inatel/Associação Salvador
l O funcionamento, no Parque de
Jogos 1º de Maio, de um espaço no
interior do actual ginásio para a
prática de actividades físicas para
pessoas com mobilidade reduzida é
um efeitos do protocolo assinado
pela Fundação Inatel com a
Associação Salvador e que prevê,
também, a criação de condições
para utilização dos recintos
desportivos exteriores por parte
dessas mesmas pessoas.
No âmbito deste projecto, a
Associação Salvador - representada
no acto de assinatura do acordo
pelos seus directores Salvador
Mendes de Almeida e Lourenço
Vieira Barbosa - dispõe de um
conjunto de equipamentos
adaptados à prática de
cardiofitness, musculação, ciclismo,
ténis e basquete, e cuja utilização é
cedida à Fundação Inatel durante a
vigência do protocolo.
O equipamento cedido pela
Associação Salvador pode, em
alguns casos, ser utilizado por
outros frequentadores do ginásio,
sendo que o acesso deverá ser
prioritário para pessoas com
mobilidade reduzida.
Para terem livre acesso ao ginásio,
"Vinte Rostos
Dois Mil Anos"
l Inaugurada
no passado
dia 9 de Fevereiro, na Galeria
do Palácio do Barrocal (sede
da Agência Inatel em Évora),
a exposição "Vinte Rostos
Dois Mil Anos", uma
colecção de fotografias de
Augusto Baptista, pode ser
vista até 21 de Maio
próximo.
durante a vigência do acordo, os
portadores do Cartão "Amigos da
Associação Salvador", com
mobilidade reduzida, terão de se
tornar a inscrever na INATEL,
adquirindo a qualidade de
equiparados aos seus beneficiários
associados e beneficiando do acesso
às outras actividades e iniciativas
da Fundação no âmbito do lazer e
cultura.
Os beneficiários da Fundação
ficarão, por sua vez, isentos de
pagar a mensalidade livre-trânsito
"Musculação". Está ainda prevista a
organização anual do "Dia dos
Desportos Adaptados" e a realização
de um ciclo de palestras sobre
desporto e nutrição que
exemplifiquem a importância da
actividade física.
As imagens expostas
retratam vinte pessoas
centenárias na viragem do
milénio. São vinte registos
do "tempo que passa e dois
mil anos de sabedoria", de
Augusto Baptista, um
jornalista que cruza várias
escritas: texto, fotografia e
desenho.
Após a exposição "Fundação
Inatel na génese do Turismo
Social em Portugal", que deu
a conhecer o novo espaço
no Palácio do Barrocal, esta
Galeria terá a partir de agora
programação regular, numa
colaboração estreita entre a
Direcção Cultural e a
Agência de Évora.
Árbitros Inatel
l Integrada
no projecto de formação dos agentes de
arbitragem para as diversas modalidades desportivas
praticadas na Inatel, teve lugar uma acção de formação para
árbitros de basquetebol, cujos certificados de participação
foram entregues pelo vogal da Administração da Fundação,
José Moreira Marques, no passado dia 20 de Fevereiro no
Parque de Jogos 1º de Maio. Os novos árbitros, de campo e de
mesa, Eticar Madeira, Jorge Furtado, Mário João Barros,
Ricardo Alves Marques e Telmo de Sousa, tiveram como
formadores o árbitro internacional Pedro Rola e o oficial de
mesa Eduardo Azevedo.
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TempoLivre 9
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Notícias
Exposição de fotografia na UL "
homenageia Orlando Ribeiro
l Deambulações
- diálogos
fotográficos com Orlando Ribeiro",
uma exposição realizada no âmbito
do Centenário de Orlando Ribeiro e
do Centenário da Universidade de
Lisboa pode ser vista até 9 de Março
no Átrio da Reitoria da UL.
Orlando Ribeiro, referência cimeira
da Geografia portuguesa e mundial,
professor durante várias décadas na
UL e fundador, em 1943, do Centro
de Estudos Geográficos, é um nome
sobejamente conhecido no seio da
comunidade científica, que não
apenas a geográfica. Ao longo do
último ano, levaram-se a cabo
numerosas e diversificadas
iniciativas de comemoração do
centenário do seu nascimento e é,
neste contexto, que tem lugar a
presente exposição.
A faceta de fotógrafo de Orlando
Ribeiro é também conhecida tanto na
Academia Portuguesa como entre
aqueles que se interessam pelas
questões da cultura e da arte. O seu
espólio fotográfico de cerca de 11 mil
fotografias, pertença do Centro de
Estudos
A Natureza cativou-o intensamente,
particularmente os vastos horizontes
paisagísticos, as formas de relevo
mais vigorosas. Nos anos 50,
acompanhou in loco as erupções dos
vulcões do Fogo (Cabo Verde) e dos
Capelinhos (Açores). O mundo rural
era porventura o território da sua
predilecção mas o tema do mar
mereceu, igualmente, alguma atenção
da sua parte, sobretudo as fainas da
pesca e de outras tradições associadas
às comunidades piscatórias.
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Pavilhão Inatel reabre em Guimarães
lO
pavilhão do Inatel em Guimarães reabriu ao público no
início do corrente mês, depois da realização de várias obras de
beneficiação. Jogos de andebol e voleibol com velhas guardas
do desporto vimaranense assinalaram a reabertura do
pavilhão, assim como exibições de dança, judo e patinagem
artística. Palco, há mais de quatro décadas, de memoráveis
jornadas desportivas
que integram a história
do desporto
vimaranense, o
pavilhão, situado junto
A ideia central da exposição, com um
total de 63 fotos (incluindo as de
alguns destacados fotógrafos
nacionais, amadores e profissionais),
é a de, fazendo jus ao engenho
fotográfico de Orlando Ribeiro,
procurar projectar o seu legado para
lá da Academia.
ao Estádio D. Afonso
Henriques, passou a ser
gerido pela Inatel, nos
termos do protocolo
celebrado entre a
autarquia e a Fundação
Inatel.
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Notícias
Inatel Santarém
l Instalada
numa praça central da
cidade, está já em funcionamento a
nova sede da Agência Inatel de
Santarém. Dotadas de modernos
equipamentos e com fácil acesso para
os associados beneficiários, as novas
instalações foram inauguradas em
Fevereiro último pelo Presidente da
Fundação, na presença de
representantes da autarquia e de
outras instituições locais.
ARTIS 12 na Galeria do Casino
l Encontra-se
patente ao público, até 27 do corrente, na
Galeria de Arte do Casino Estoril, a exposição ARTIS 12,
que integra trabalhos de duas dezenas de artistas. Estão
presentes nesta colectiva de pintura, escultura e gravura,
nomes consagrados como, os pintores, Manuel
Cargaleiro, Artur Bual, Maluda, António Joaquim, Eduardo
Alarcão, Branislav Mihajlovic, Ricardo Paula e Vítor
Pinhão, e os três mais importantes ilustradores dos livros
de Jorge Amado, Carybé, Floriano Teixeira e Calazans
Neto.
Estão ainda representados artistas jovens, já premiados,
como Gil Maia, Ana Pais Oliveira, Emanuel de Sousa,
Diogo Navarro, Flávio
Silvestre, Lara
Roseiro e Ricardo
Graça. A modalidade
de escultura está
representada por
Carlos Ramos,
Rogério Timóteo,
Jorge Pé-Curto,
Ricardo Gigante e
Gabriel Seixas.
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Clube de Oficiais da Marinha Mercante
lA
Fundação Inatel e o Clube de Oficiais da Marinha
Mercante (COMM) celebraram em Fevereiro último um
protocolo de cooperação nas vertentes de cultura, lazer e
desporto. Com base no acordo, os associados do Clube representado no acto de assinatura pelo seu presidente, Cmdt
Orlando Mota Duarte - terão o acesso às instalações
desportivas e culturais e aos programas de lazer da Inatel nas
condições dos
associados
beneficiários da
Fundação. O COMM
compromete-se, por
sua vez, a divulgar
entre os seus
associados as
actividades e
iniciativas da Inatel,
incentivando-os a
nelas participar.
“Largada das Naus”
l Chegou
já às livrarias "Largada das Naus - História de
Portugal - Volume III", do Prof. António Borges Coelho (Ed.
Caminho), apresentado em Fevereiro na Livraria Leya na
Buchholz, em Lisboa, pelo Prof. António Marques de Almeida.
O terceiro volume da História de Portugal de ABC narra a gesta
expansionista do pequeno país ibérico para quem "o mar deixa
de ser o limite (…) milhares de navegantes portugueses
sulcam o Atlântico nas armadas e nos navios de
comércio. Descobrem e cartografam; usam os
ventos e as correntes marítimas; aprendem a
situar pelas estrelas o lugar e a rota dos navios;
registam o valor das mercadorias; usam
intérpretes africanos; caçam e resgatam
escravos. Levam a cruz pintada nas velas, mas
podem cair sobre a presa como o albatroz.
Trocam gestos, cerimónias, roupas, vocábulos. Experimentam
as armas e os corpos. O barco é o veículo, a casa, a fortaleza, o
templo, a oficina, o armazém, o porta escravos, o porta navios,
o caixão…"
Natural de Murça, António Borges Coelho (1928), antigo
Professor Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, é
um dos mais prestigiados historiadores portugueses, autor
de uma vasta e riquíssima bibliografia (em que se inclui
também a poesia, o teatro e a ficção).
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Fotografia
XVI Concurso “Tempo Livre”
[1]
[2]
[ 1 ] José Cavalheiro,
Sra. da Hora
Sócio n.º 508922
[ 2 ] Maria Silva,
Cacém
Sócio n.º 493267
[ 3 ] Luis Martins,
Cova da Piedade
Sócio n.º 434018
[3]
14
TempoLivre
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14e15_Conc Fotog.qxp_sumario 154_novo.qxd 2/22/12 4:52 PM Page 15
Regulamento
1. Concurso Nacional de Fotografia da
revista Tempo Livre. Periodicidade
mensal. Podem participar todos os
associados da Fundação Inatel,
excluindo os seus funcionários e
colaboradores da revista Tempo Livre.
2. Enviar as fotos para: Revista Tempo
Livre - Concurso de Fotografia, Calçada
de Sant’Ana, 180 - 1169-062 Lisboa.
3. A data limite para a recepção dos
trabalhos é o dia 10 de cada mês.
4. O tema é livre e cada concorrente
pode enviar, mensalmente, um máximo
de 3 fotografias de formato mínimo de
10x15 cm e máximo de 18x24 cm., em
papel, cor ou preto e branco.
Menções honrosas
[ a ] Eduardo Ribeiro, Maia
Sócio n.º 103583
[ b ] João Vasconcelos, Caldas da Rainha
Sócio n.º 371353
[ c ] Rui Cid, Corroios
Sócio n.º 310651
[a]
5. Não são aceites diapositivos e as
fotos concorrentes não serão
devolvidas.
6. O concurso é limitado aos
associados da Inatel. Todas as fotos
devem ser assinaladas no verso com o
nome do autor, morada, telefone e
número de associado da Inatel.
[b]
7. A «TL» publicará, em cada mês, as
seis melhores fotos (três premiadas e
três menções honrosas),
seleccionadas entre as enviadas no
prazo previsto.
8. Não serão seleccionadas, no
mesmo ano, as fotos de um
concorrente premiado nesse ano
9. Prémios: cada uma das três fotos
seleccionadas terá como prémio duas
noites para duas pessoas numa das
unidades hoteleiras da Inatel, durante
a época baixa, em regime APA
(alojamento e pequeno almoço). O
prémio tem a validade de um ano. O
premiado(a) deve contactar a redacção
da «TL».
[c]
10. Grande Prémio Anual: uma
viagem a escolher na Brochura Inatel
Turismo Social até ao montante de
1750 Euros.
A este prémio, a publicar na «TL» de
Setembro de 2012, concorrem todas
as fotos premiadas e publicadas nos
meses em que decorre o concurso.
11. O júri será composto por dois
responsáveis da revista T. Livre e por
um fotógrafo de reconhecido prestígio.
MAR 2012 |
TempoLivre 15
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Entrevista
Maria José Araújo
Pedagoga
“Estamos a hipotecar o
presente das crianças”
Maria José Araújo é investigadora na área da educação e professora na
Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. Doutorada
em Ciências da Educação pela Universidade do Porto, tem desenvolvido
trabalho de investigação sobre os chamados tempos livres das crianças, de
que resultou a publicação de três livros – «Crianças: Sentadas! – Os
trabalhos de casa no ATL», «Crianças Ocupadas: como algumas opções
erradas estão a prejudicar os nossos filhos» e «O Quê… Os Adultos não
Sabem?» (em parceria com Catarina Mendes e várias crianças). A
investigadora tem participado em numerosos debates que têm contribuído
para a discussão pública sobre como a forma de ocupação dos tempos livres
das crianças tem sido negativa para a actividade de brincar, com sério
prejuízo para as vivências infantis. Para Maria José Araújo, assim como para
as crianças com quem tem trabalhado, “brincar é viver, brincar é respirar”.
Começando pelo que pode ser lido como um
ponto de partida do seu percurso. As preocupações que orientam o seu actual trabalho de
investigação têm um historial e são constituídas
a partir ou a par de outras experiências. A sua
anterior experiência como animadora foi determinante?
A preocupação com o descanso das crianças,
com o brincar, com o tempo livre, com o que elas
fazem diariamente, é uma preocupação que vem
do tempo em que eu era animadora em centros
de actividades de tempos livres. Há vinte anos
atrás, na animação que nós fazíamos com
crianças – sobretudo nos bairros sociais, porque
eu trabalhei sempre em bairros de habitação
social –, a preocupação era estar com os miúdos,
acompanhá-los, brincar com eles, fazer actividades, mostrar coisas a que não tinham tanto aces16
TempoLivre
| MAR 2012
so. Por exemplo, não tinham facilidade em ter
tintas, papéis de texturas variadas, não tinham
brinquedos ou não conseguiam construir os seus
próprios brinquedos porque não tinham materiais. E partia-se muito do trabalho que se fazia
na rua. O primeiro trabalho que eu fiz com
crianças de um bairro de habitação social foi a
construção de uma biblioteca na rua. O que nós
tínhamos era um carrinho de chá, andávamos
com o carrinho de chá de um lado para o outro e
os miúdos construíam as suas próprias histórias,
contavam histórias aos avós...
E essas experiências foram decisivas para a percepção das questões que hoje se levantam com o
brincar?
Foi fundamental na medida em que, com o
tempo, essas actividades foram sendo institucionalizadas. As actividades, que eram de ar livre,
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que eram actividades intergeracionais, actividades de descoberta, de experiências muito suscitadas pelos próprios miúdos, que vinham também
muito das suas próprias vivências, acabaram por
ser institucionalizadas. Com a institucionalização do tempo livre e com a abertura da escola
a tempo inteiro tudo foi institucionalizado; as
crianças passaram do ar livre para espaços fechados, as actividades passaram a ser organizadas
pelos adultos em vez de serem organizadas por
elas e com elas.
Era uma animação organizada no contacto com
a vida real, tanto quanto possível.
Sim, tanto quanto possível. E fui percebendo
duas coisas mais ou menos contraditórias; por
um lado, as actividades foram institucionalizadas, começaram a ser orientadas e estruturadas
em função da escola e da escolarização, e não em
função da vida das crianças, da experiência das
crianças. Em vez de ser uma actividade lúdica,
uma actividade co-construída com elas, passou a
ser mais uma actividade escolar. Por outro lado,
se a preocupação com o insucesso escolar leva a
que as crianças tenham mais actividades, também é verdade que há agora mais sensibilidade
para se falar no assunto do que havia há vinte
anos. E fui descobrindo que quando as crianças
eram deixadas em paz, as coisas corriam melhor.
Quando a preocupação com as crianças é muito
grande, elas têm uma vida menos fácil. Esta é que
é a contradição. As crianças estão no centro da
atenção, mas, na verdade, não estão.
E estas mudanças começam a acontecer quando?
Mais ou menos há 20 anos. Nos últimos seis ou
sete anos, com a escola a tempo inteiro, são ainda
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Entrevista
mais evidentes, e mais ainda quando olhamos
para o tempo das crianças na escola pública porque as instituições privadas sempre as tiveram muito tempo fechadas a estudar e a fazer trabalhos de casa. Os pais preocupam-se com os filhos em função daquilo que eles próprios querem. Preocupam-se pouco com os
filhos em função daquilo que são
os seus direitos.
...O Código Penal,
Havia diferenças substanciais
no artº 152º,
relativamente à situação actual
das crianças?
criminaliza o excesso
Havia. Nós tínhamos liberdade
de actividade das
enquanto animadoras, por exemcrianças…
plo, para levar os miúdos a passear até ao café mais próximo, ou ao
supermercado, e fazíamos livros
de histórias com eles a partir das coisas que eles
viam e liam no supermercado, saíamos muito dos
espaços fechados.
Essas experiências fazem lembrar de certa
maneira as objecções que Ilich fazia às formas
de aprendizagem escolar e as suas propostas de
alternativas à formação escolarizada…
Sim. Mas o meu trabalho é sobre o espaço que
fica fora da escolaridade obrigatória. Eu trabalho
sobretudo com crianças entre os seis e os dez ou
onze anos de idade. E sobre a questão dos tempos
livres e sobre as actividades que elas fazem
“
”
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durante o tempo livre, ou que deveriam fazer.
Eram actividades desenvolvidas com metodologias muito particulares…
Uma actividade vale pela relação que temos com
ela e não pela actividade em si. Se nós tivermos
uma relação que nos permita usufruir da actividade, ela pode ser sempre interessante. Não
podem ser sempre as mesmas, nem estruturadas
da mesma forma e em função da escola, nem
demasiado orientadas, não deixando para as
crianças nenhum espaço para a exploração.
De forma a que se possam identificar com o
brincar?
O brincar é para as crianças uma actividade em
que são elas que estruturam a actividade. Elas
descobrem o que querem fazer nesse tempo e
descobrem umas com as outras. Ora, a escola tem
cinco horas, depois todo o tempo que resta dessas cinco horas é tempo livre. E as crianças deveriam ter o direito de usufruir desse tempo livre…
A regulamentação foi feita tendo em conta a
idade das crianças. São cinco horas, não são
seis… Ora, tudo o que acrescentarmos a essas
cinco horas significa um desrespeito pelo tempo
das crianças, mesmo que a justificação seja que
“as actividades são muito boas”. A verdade é que
elas só ficam na escola porque os pais estão a trabalhar.
Podemos concluir daí que as crianças, apesar
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de todo o aparato legislativo e da retórica institucionalizada sobre a infância e sobre os direitos das crianças, elas enfrentam hoje mais dificuldades, e dificuldades diferentes, em ter o seu
lugar e os seus direitos reconhecidos pela
sociedade?
Claro, porque ninguém está preocupado com as
crianças. Ninguém está preocupado com a opinião delas, nem com os seus interesses, nem com
o seu direito a usufruir do tempo livre. Aliás, o
Código Penal, no artº 152º, criminaliza o excesso
de actividade das crianças. Os adultos que baterem nas crianças, as tratarem mal, as violentarem, as obrigarem a estar muito tempo a fazerem
a mesma coisa são punidos por lei. O Código
Penal prevê isso e nós continuamos a fazer de
conta que não é nada connosco. A legislação é
feita para ser cumprida pelos adultos (para os
pais e para a escola), é feita a pensar nesse tempo
que os adultos pensam que é prejudicial. A pensar que as crianças não têm outra hipótese a não
ser estarem ocupadas com o que os adultos
acham que é importante para elas.
Estamos perante uma institucionalização - no
sentido também em que são as próprias instituições agentes activos dessa exclusão - de práticas que excluem os interesses das crianças e o
ethos infantil das suas próprias vivências…
Completamente. As vivências das crianças
dependem daquilo que os adultos acham que
devem ser as suas vivências. Porque ninguém
está preocupado em avaliar se as actividades
organizadas para as crianças são benéficas para o
seu bem-estar.
Mesmo quando parece que as crianças estão
receptivas?
As crianças acabam por aceitar
tudo. E quando não aceitam,
Quase todos os
demonstram-no pelo comportaavós pensam que as
mento. De uma maneira geral,
crianças trabalham
elas gostam. E aqui é que está o
demais para a
paradoxo. Porque quando alguém
escola…
lhes diz que vão fazer uma actividade lúdica, ou vão para o ballet,
ou vão para a ginástica, as
crianças em princípio escolhem, porque elas gostam de escolher e escolhem – quando as deixam
escolher. Mas a escolha que se lhes dá é uma
escolha muito limitada. Na Escola a Tempo
Inteiro é, de facto, importante. Porque se não
houvesse Música, talvez muitas crianças não
tivessem acesso a educação musical. Mas depois
como é que é feita essa avaliação? Será que as
crianças tiveram acesso a educação musical? Ou
tiveram apenas lá alguém a entretê-las nessa
área? A avaliação que se faz raramente tem em
conta o interesse da criança. A avaliação é quase
sempre em função do desempenho do docente,
“
”
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Entrevista
ou do desempenho do animador, ou do currículo. Raramente é do usufruto da criança.
As crianças aí podem ser diplomáticas? Podem
dizer que gostaram sem ter gostado?
Claro. As crianças às vezes têm relações interessantes com essas pessoas. Mas o usufruto da
actividade por parte da criança é que pode não
acontecer. O que eu constatei é que aquilo que
era prioritário para mim quando eu comecei a
trabalhar com elas deixou de o ser quando eu
comecei a prestar mais atenção. Por exemplo,
quando eu perguntava o que gostavam de fazer
no tempo livre. Diziam: “Gosto de ir ao supermercado, gosto de ir tomar um pingo com a
minha avó…”. Eu tive um miúdo que me disse
que ia ao café. Eu perguntei-lhe: “Então tu ao
sábado vais ao café?”. E ele disse que não, que
não ia ao café. “Mas então tu disseste agora
mesmo que ias ao café com a tua avó”. Ele respondeu: “Não, a minha avó é que vai ao café, eu
só lá vou tomar o pingo”. A compreensão deles
vai muito mais longe do que a nossa neste
aspecto. Quem é que vai ao café? É a avó. Se a
avó não fosse ao café, ele não ia. Há imensas
coisas a que não prestamos
atenção.
Conversar é
Mas a natureza das actividades
talvez a actividade
também é importante, afinal...
mais interessante
As actividades que as crianças
para se ter com as
consideram como coisa delas
crianças, e a de que
estão fora das actividades de
as crianças mais
expressão que são fornecidas pela
gostam…
escola. Para elas isso é mais escola. Nós podemos dizer que “as
actividades são muito interessantes porque de outra maneira elas não teriam este
tipo de experiências”. Mas isso é o que nos preocupa? Então devíamos deixar que elas tenham
experiências em coisas que gostem. Se nós estivéssemos, de facto, preocupados com as experiências das crianças, então devíamos deixá-las
escolher. Uns gostariam de dança, outros de
música – e outras de estar no recreio a brincar.
A organização dos espaços é outro aspecto problemático nesse enquadramento constrangedor
das actividades das crianças…
Se os espaços onde as crianças são obrigadas a
estar durante a tarde, ou durante a manhã, quando os pais estão a trabalhar, fossem pensados em
função daquilo que são os interesses das
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crianças, da sua capacidade de estar parada ou de
correr, ou de pensar, etc., não tinham tanta mesa,
nem tanta cadeira, nem eram tão organizados e
decorados. Seriam espaços onde as crianças
poderiam circular também em função dos seus
interesses.
Um outro aspecto crítico reside na forma como
as crianças são, ou não, parceiras nas actividades.
Eu sou crítica quanto à forma como as actividades são organizadas, mas acho que é um benefício existir música, dança, ginástica na escola. O
que eu acho é que se são no tempo livre das
crianças e já não no tempo lectivo, as crianças
devem ter uma palavra a dizer e poder participar
na sua organização. Participar na organização é,
também, uma actividade.
Opõe-se o brincar ao estudar e liga-se o estudar
ao aprender. Não estão aqui, nestas formulações, as falácias fundamentais que legitimam
este estado de coisas?
Claro. Porque para as crianças estudar é brincar
e brincar é estudar. As crianças não precisam
dessas divisões. Nós é que as fazemos. Nós é
que criamos disciplinas, nós é que criamos conteúdos e temos necessidade de compartimentar.
Para elas, brincar é quase tudo. Estudar também
é brincar, comer também pode ser brincar.
Brincar é viver, brincar é respirar. As crianças
não brincam para aprender… aprendem porque
brincam. Para elas, estudar, brincar, correr é
tudo a mesma coisa. Elas não precisam dessas
arrumações, dessas categorizações. Para elas,
brincar é uma actividade natural. E não confundem as actividades que lhes são propostas
na escola com as actividades que elas gostam
de fazer. Mas o que interessa é a relação que se
tem com as actividades e o que condiciona isso
é o espaço ou são os adultos.
Que as crianças sejam impedidas de brincar
dentro do espaço e tempo da escola, entende-se,
tendo em conta os desígnios dos programas
escolares e seus autores, mas por que razão, por
exemplo, acontece os pais condicionarem ou
coibirem os tempos de brincar?
Deve haver factores e contextos muito diferentes.
Essa também foi uma discussão que eu tive
muito com os miúdos. Havia crianças que
diziam: “A minha casa”; outros referiam-se à
“casa da minha avó” ou à “casa dos meus pais”.
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Para alguns miúdos, a casa não é deles. A sala é
dos professores, a casa é dos pais, e eles não têm
espaço. E quando eles não têm um espaço próprio, vivem em “suspenso” e não se envolvem.
Aceitam com muita facilidade as ordens “não
podes fazer” ou “não podes desarrumar a sala”.
Os pais e os adultos controlam tudo, espaços e
tempos. Mas há pais diferentes, famílias diferentes e crianças diferentes. E o que eu tenho constatado no trabalho que vou fazendo com as
crianças é que é muito proveitoso conversar com
elas. Conversar é talvez a actividade mais interessante para se ter com as crianças, e a de que as
crianças mais gostam. E ninguém valoriza isso.
Conversar significa ouvir com atenção, e um dos
aspectos do meu trabalho com as crianças é respeitar uma coisa que a escola e a sociedade não
valorizam muito, que é a possibilidade de termos
em consideração o que eles dizem sobre as suas
vidas.
Os contextos familiares são, como disse, muito
variados…
Quando conversam uns com os outros, os miúdos começam a perceber as diferenças de funcionamento dos espaços. “Mas a casa é mesmo
tua?”. Há miúdos que dizem “o quarto é meu, a
minha mãe deixa-me fazer o que eu quiser no
meu quarto”; ou “a minha mãe deixa-me sempre
brincar um bocadinho antes de ir para a cama”.
Normalmente, os avós são mais permissivos e
compreensivos, relativizam mais, não estão tão
preocupados com o futuro, há aí uma relação
com a vida e com a infância diferente.
Os avós têm uma visão crítica das formas de
vivência da infância hoje?
Sim, há avós que dizem: “Quando eu era nova
brincava e hoje as crianças estão sempre fechadas em casa, não brincam nada”. Eu diria que
quase todos os avós pensam que as crianças trabalham demais para a escola. Mas eu refiro-me às
pessoas que vão aos debates em que tenho participado, e essas são as que já estão muito preocupadas com este assunto. Estão preocupadas com
uma certa histeria que os miúdos começam a ter
porque não têm sossego, porque andam a correr
de um lado para o outro, porque andam cansados, porque não têm espaços seus, porque não
têm nada de seu, a casa não é deles, o espaço não
é deles, o tempo livre não é deles. Pessoas preocupadas com esta obsessão de que as actividades
sejam pedagógicas e didácticas e em função da
escola.
Uma perspectiva utilitarista, afinal, na organização do tempo livre das crianças… A que atribui esta
Para as crianças,
pressão sobre o acto de brincar?
brincar é quase tudo.
O que sustenta esta lógica de
Estudar também é
apropriação abusiva dos tempos
brincar, comer
das crianças?
também pode ser
São preocupações com outras coibrincar. Brincar é
sas que não a vida das crianças.
viver, brincar é
Preocupações com o emprego,
respirar…
com a formação das crianças, com
a entrada no mercado de trabalho.
Os pais não pensam no presente
das crianças, pensam no futuro que eles podem
vir a ter.
Sacrifica-se o tempo da infância por um futuro
incerto...
Sim. Claro que a preocupação que os adultos têm
é uma preocupação legítima. Mas é uma preocupação excessiva e em função da matéria escolar.
Porque se pensa que a formação é uma coisa
externa aos interesses individuais de cada um
que vai resolver todos os problemas, o que não é
verdade. Estamos a hipotecar o presente das
crianças em função de um futuro cada vez mais
incerto. n
Humberto Lopes (texto e fotos)
“
”
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Diáspora
O senhor dos pastéis
Há uma década que a Pastelaria Garcia é uma referência em Bruxelas. Os
famosos pastéis de nata e o pão regional português garantem a frequência
fiel da gente lusitana radicada na capital belga. E não só, já que a doçaria da
casa se tornou popular entre outras comunidades.
ra a década de 80 e difíceis os tempos
em Portugal. Uma taxa de desemprego elevada, a economia à espera de
melhores dias, o fado a cantar eternos infortúnios. E a esperança, gata
de mil vidas, a (des)iludir-se, lusitanamente, com
os pequenos nadas que substituem resoluções
fecundas.
Era assim, nesse tal tempo. Mas não para um
jovem alentejano de vinte e dois anos, de Lavre,
uma aldeia do concelho de Estremoz: sem maior
bagagem do que a vontade férrea de deixar para
trás a cepa torta, Rui Garcia meteu-se à boleia
num camião, rumo a Bruxelas. Ia, como na prosa
de Irene Lisboa, com uma mão cheia de nada e
outra de coisa nenhuma.
Ao fim de um ano, Rui Garcia teve de voltar a
Portugal - "questões de papéis" impediam-no de
continuar a trabalhar por conta de outrem na
capital belga. Ao fim de muito pouco tempo
regressou a Bruxelas e contou, então, com a cooperação de um belga, colega de profissão, que o
ajudou a começar a trabalhar por conta própria
E
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TempoLivre
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na actividade que era a sua, a de padeiro. Duas
décadas depois, o esforço, o profissionalismo e o
empenho que o animaram a sair de Portugal acabaram recompensados: a Pastelaria Garcia é uma
referência da confeitaria portuguesa em Bruxelas
e é frequentada por portugueses, belgas, espanhóis e gentes de outras nacionalidades.
Os pastéis de nata são a estrela principal, certamente, mas no universo de especialidades da
casa brilham outros regalos da doçaria regional
portuguesa, como os pastéis de Tentúgal. Mesmo
ao lado, no espaço que acolheu antes uma padaria belga centenária, a Padaria Garcia produz
algumas das mais afamadas variedades de pão
tradicional português, o pão alentejano, o pão
saloio e a broa de milho.
Um cenário alentejano
A Pastelaria Garcia fica na Avenue de la
Couronne, na zona de Ixelles, e abriu as portas
em 2001. Paredes-meias, com ligação pelo interior, na esquina com uma ruela que vai em
direcção à Place Flagey, está a Padaria, a outra
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metade do empreendimento de Rui Garcia.
Em ambos os estabelecimentos o ambiente e a
decoração têm timbre português, com azulejaria
e outros elementos. Na padaria há, por exemplo,
um painel com uma representação de mulheres
amassando o pão, enquanto o padeiro o vai retirando, já cozido, dos fornos a lenha.
Mas é a Pastelaria que é verdadeiramente
emblemática no que toca à reconstituição de
cenários lusitanos. Na sala com soalho de madeira vê-se, de um lado, uma fonte alentejana, também com azulejos, e a sua música de água. No
lado oposto, a fachada de uma casa alentejana a
toda a largura da parede, uma porta azul com um
saco de pão pendurado na maçaneta, o nº 25 por
cima, um beiral com telha a sério e ninhos de
andorinha por baixo. "A inspiração foi a de eu
estar aqui e poder sentir que estou lá", confessa
Rui Garcia. "É a minha casa que está ali, aquela
porta foi a porta por onde eu passei durante vinte
e dois anos... quantas vezes eu puxei aquele atilho!". Recusou imitações: "Isso era o que os arquitectos queriam, mas eu preferia mesmo uma
porta verdadeira. O meu velhote tinha substituído a porta e esta estava lá para queimar... É uma
porta a sério". E em jeito de confidência: "Até os
ninhos de andorinha são alentejanos, vieram
mesmo de lá".
E o número por cima da porta? Também é
genuíno? "Foi a minha filha que escolheu. É a
soma de datas de nascimento da família, tudo
somado dá 25". Quanto ao fontanário – "os azulejos foram fabricados no Azeitão e a pia foi feita à
medida e veio de Portugal" –, o leão de pedra que
assobia um fio de água tem o seu simbolismo no
meio de outros elementos: "O leão é para os sportinguistas, o azul é para os portistas e o Benfica...
esse está aqui no coração!"
Sobre as mesas há frasquinhos de canela.
Mesmo os não lusitanos cedo aprendem que as
natas são multiculturais e combinam com a especiaria oriental. O odor da canela vai bem com as
guitarras portuguesas que soam, discretas, distantes. Rui Garcia descreve a atmosfera que acolhe habitualmente os clientes da Pastelaria: "Se
vierem aqui passam a tarde a ouvir a água a
correr, o passarinho a chilrear e a Amália a cantar ao fundo... um paraíso". Mas olha-se à volta e
falta qualquer coisa no cenário. A gaiola não está
no sítio dela. "O canário vai ter uma morada
A Pastelaria Garcia
abriu as portas em
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Diáspora
nova, moderna, são ideias do professor Carvalho
Rodrigues".
Dez mil pastéis de nata
O "pai" do satélite lusitano é um frequentador
habitual e já fez, aliás, o lançamento de um livro
seu na Pastelaria, e também a portuguesa Livraria
Orfeu ali tem promovido a apresentação de algumas das suas edições. A clientela é que não se
resume à gente lusitana radicada na capital belga.
Há belgas, gregos, espanhóis e italianos, uma
diversidade que acontece, sobretudo, ao fim de
semana. Durante a semana, que é quando aparece
por lá gente do Parlamento para degustar uma bifana ao almoço, muitos dos que se sentam à mesa
são belgas. "Até chineses já me apareceram aqui...
com um papelinho do hotel, a perguntar se é aqui
que há pastéis de nata. Deve haver um roteiro para
os turistas que inclui Pastelaria Garcia".
Os pastéis de nata da casa ganharam popularidade e podem, aliás, ser encontrados em vários
pontos da cidade, incluindo a cafetaria de uma das
mais importantes livrarias da capital belga, a
O Café Portugal de
Albano Figueiredo
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TempoLivre
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Filigranes, na Avenue de la Loi. A Pastelaria Garcia
produz cerca dez mil pastéis de nata por semana,
que são distribuídos sobretudo por cafés e restaurantes. O consumo da guloseima na sala da
Pastelaria Garcia é modesta se comparado com o
volume de encomendas que saem para outras pontos de venda. "Temos uma carrinha e a mais de
metade dos pastéis vão para fora. Mas o que estamos a fazer nesse caso é, sobretudo, divulgação.
Há coisas que temos em Portugal que são muito
boas e que temos que promover e defender".
O Café que é um (quase) estádio
Uma parte dos pastéis de nata que saem da
Pastelaria Garcia não vai para longe. Atravessa a
rua e fica no Café Portugal, um café restaurante
famoso por ser palco de reunião de adeptos dos
principais clubes de futebol portugueses.
Quando são os jogos da selecção nacional, há
enchentes e muitas bandeiras a agitar-se exterior.
E uma grande bandeira que ocupa quase toda a
fachada. É como se o Café Portugal se transformasse num estádio, tantos são os adeptos que
acorrem àquela esquina da Avenue da la
Couronne. Por ocasião do Euro 2008, "até a rua
foi cortada pela polícia para acolher os adeptos...", revela Albano Figueiredo, o actual proprietário.
O Café Portugal está nas mãos de Albano
Figueiredo desde 2000. Já estava, anteriormente,
em mãos portuguesas, com a designação de Le
Soleil du Nord. A troca de nome trouxe muitas
outras mudanças, designadamente a condição de
restaurante atento à gastronomia tradicional portuguesa. Diariamente, há dois pratos emblemáticos, e, ao domingo, a ementa reforça a identidade
com argumentos de peso: leitão à Bairrada, cabrito assado no forno e cozido à portuguesa.
Sentam-se muitos belgas à mesa, mas a maioria
dos comensais é mediterrânica: portugueses,
espanhóis, italianos e gregos.
Tal como muitos outros portugueses que se
radicaram na Bélgica, Albano Figueiredo não está
arrependido: "Uma das coisas boas que há aqui é
a saúde. Não precisamos de estar meia hora para
sermos atendidos no hospital. O modo de vida é
bom para quem quiser trabalhar. O país é bom,
não é preciso fazer sacrifícios para ter uma vida
razoável". n
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Terra Nossa
A caminho de Viseu
É muito antiga, não se sabe exactamente quanto. Certo é que sob
os romanos ganhou dimensão e importância. Disso dá conta um
troço de muralha, delimitativa da cidade no século IV, descoberto
na rua Formosa há não muitos anos e um acampamento militar
de grande dimensão, conhecido pelo equívoco nome de Cava de
Viriato. Por essa altura chamava-se Vissaium, que facilmente
identificamos como remota antecessora de Viseu.
e olharmos um mapa da região, Viseu
ocupa uma posição central num
vasto território planáltico, delimitado
ao longe por um anel de montanhas.
Como acontece com os lugares que
têm a sorte do centro geométrico, tornou-se,
naturalmente, desde a época romana, um entroncamento de estradas, uma rotunda da região. Isso
reforçou-lhe a relevância. Assim, Viseu, é um
íman que atrai e um centro que irradia.
Do centro da região, avancemos para o centro da
cidade, o Rossio, ou respeitando a toponímia oficial, Praça da República. Detenhamo-nos aqui.
Praça ampla com enormes tílias, demarcada de um
dos lados pelos Paços do Concelho, edifício da
segunda metade do século XIX, enquanto do lado
S
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oposto corre um extenso painel azulejar. Sob um
fundo branco perfila-se uma galeria de figuras, contidas, solenes, melancólicas, que em tempos cruzaram o largo. Obra de um realismo datado (1931),
olhar o painel é fazer uma viagem no tempo.
Virada para a Praça, noutra extremidade, a
igreja dos Terceiros de São Francisco, frontaria
branca enriquecida por graníticos ornamentos,
num jogo de curvas e contracurvas que dão ritmo
e alegria à fachada. Por detrás, o Parque Aquilino
Ribeiro, homenagem ao escritor que tantas vezes
levou para as páginas dos seus livros as paisagens
e gentes da sua querida Beira.
Alargando o raio de acção, seguindo em
direcção ao edifício dominante da cidade, a Sé
Catedral, temos toda a cidade nuclear. Até lá chegarmos - e podemos fazer uma
volta larga, ou tomar um caminho
rápido - vamos encontrar uma cidade transbordante de azáfama, nalgumas ruas, deserta e adormecida
noutras, pontuada por palacetes,
jardins e estátuas.
Comecemos pelos palacetes,
pela importância que têm no tecido
urbano. Quase todas com esplêndidas fachadas, onde o granito se destaca em elaboradas molduras de
janelas e em ombreiras de monumentais portas. Foram na origem
moradias de senhores possuidores
de título nobiliárquico, ou de avultados rendimentos, a maioria do
século XVIII. Solar dos condes de
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Prime, solar dos Treixedo, solar dos Mendes, solar
dos Peixotos, casa de São Miguel, casa da Calçada,
são alguns desses edifícios, singulares pelas
características cenográficas que transmitem à
cidade.
Ao encontro de Grão Vasco
Apontemos agora à sé catedral. São várias as ruas
que conduzem até lá. Se escolhermos ir pela rua
Formosa, a "mais comercial artéria de Viseu", no
final encontraremos o jardim de Santa Cristina,
onde o olhar cai de imediato na figura imponente de D. António Alves Martins, bispo e político.
Na coluna que sustenta a estátua está traçado o
seu perfil: "Devotado liberal, evangélico prelado e
austero estadista". Precisamente pelas ideias liberais que abraçava foi condenado à morte por fuzilamento, em 1834, não tendo sido executado por
nesse ano ter triunfado o liberalismo.
Próximo, sinalética indica o caminho até ao
quarteirão da antiga judiaria. Avançando nessa
direcção entra-se no perímetro que na época
medieval era abraçado pela muralha, de que subsistem pequenos trechos e duas das sete portas, a
Porta do Soar e a Porta dos Cavaleiros. Já estamos
no núcleo retorcido de ruas em volta da Praça de
Dom Duarte, onde belas janelas manuelinas ornamentam alguns prédios. Na Praça de Dom Duarte,
a estátua do rei, muito aprumado, envolto numa
discreta solidão. Nascido em Viseu a 31 de
Outubro de 1391, durante uma estada da Corte,
em memória desse acontecimento a cidade erigiu
a estátua ao autor do Leal Conselheiro e do Livro
da Ensinança de Bem Cavalgar a Toda a Sela.
A formidável massa granítica composta pela
Varanda dos Cónegos, Sé Catedral, igreja da
Misericórdia e Paço dos Três Escalões, não dista
mais que alguns passos, a que rapidamente se
chega.
A amplidão do Adro da Sé mostra o conjunto
em toda a sua grandeza: igreja da Misericórdia,
do século XVIII, o Passeio dos Cónegos, do
mesmo século, o Paço dos Três Escalões, iniciado
em finais de Quinhentos, e a Sé, um somatório de
elementos de diferentes épocas.
Por onde começar? Depende de cada um,
embora Sé e Museu estejam ligados pelos fios da
História. O Museu, instalado no Paço dos Três
Escalões, foi construído com o fim ser Paço
Episcopal e seminário, a catedral foi o destino
inicial das obras icónicas do Museu, as pinturas
de Grão Vasco.
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Terra Nossa
GUIA
poucos quilómetros de Viseu.
de restaurantes, tanto na zona
A unidade dispõe 77 quartos
histórica como nos novos
totalmente equipados, bar,
bairros.
INFORMAÇÕES
restaurante, sala de jogos,
O Cortiço: Rua Augusto
Posto de Turismo: Av.
espaço infantil, biblioteca, sala
Hilário, 43-47; Tel: 232 423 853
Gulbenkian, Tel: 232 420 950
de reuniões e WI-FI. Parque de
Tia Iva: Rua Silva Gaio, 16; Tel:
estacionamento privativo.
232 428 761
DORMIR
Pensão Rossio Parque
Inatel Palace S. Pedro do Sul,
COMER
/Restaurante: Rua Soar de
em S. Pedro do Sul, dista
A cidade tem uma boa oferta
Cima, 55; Tel:232 422 085
Comecemos catedral. Salta à vista a riqueza e
profusão de elementos distribuídos pelas três
naves, mas, facilmente, a abóbada, com a originalidade das ogivas decoradas por um esguio cordoamento atado em nós, ganha destaque. Se o
visitante tiver a sorte de entrar durante um concerto, ou durante um ensaio, de imediato chega à
conclusão que a igreja tem boa acústica.
Fora do alcance do primeiro olhar, mas acessível a quem quiser aprofundar o conhecimento
sobre a catedral, fica o coro alto, com elaborado
cadeiral, e o tesouro, parte integrante do Museu
de Arte Sacra.
Agora o claustro, uma referência do Renascimento em Portugal, espaço intimista a que não
falta ritmo e leveza geral, induzido pelas colunas
jónicas e pelo painel de azulejos, grande mancha
azul branca a decorar as paredes.
Seguindo o percurso da pintura de Grão Vasco,
a que foi executada para o retábulo da capela-mor
28
TempoLivre
| MAR 2012
da Sé, é curta a viagem até ao sítio onde
a podemos apreciar agora: o Paço dos
Três Escalões, casa que domicilia o
Museu Grão Vasco.
Um exterior despido, embora monumental, um interior acolhedor e organizado, a que não é alheio a intervenção
do arquitecto Souto Moura, entre 2001
e 2003. Pelas amplas salas distribui-se
cerâmica, ourivesaria, mobiliário, estatuária e pintura portuguesa dos séculos
XIX e XX. Mas é inevitável que o pensamento fuja para a obra de Vasco
Fernandes, aliás, Grão Vasco. É por via
das pinturas que executou para a Sé de
Viseu (e para outros recintos) que o pintor acabaria fixado na História.
A Grão Vasco é dispensada a
atenção devida aos Mestres: as suas pinturas, têm
espaços próprios. São Pedro, a mais icónica obra
do artista, onde se evidência a "poderosa caracterização do rosto" e a riqueza do panejamento,
brilha sozinha numa sala. Os 14 painéis, executados para o retábulo da Sé, (tudo indica tratar-se
de uma obra oficinal coletiva, sendo Grão Vasco
um dos intervenientes), recebem a mesma distinção. Na Adoração dos Magos, um dos painéis,
o rei Baltazar é representado como um índio brasileiro, um exercício de originalidade e arrojo por
parte do artista. Noutra sala, denominada Grão
Vasco e os Seus Colaboradores, estão reunidas
mais algumas pinturas que reforçam a narrativa
em volta do artista.
O interesse de Viseu não se esgota em Grão
Vasco, já o vimos, mas a cidade beneficia claramente por ter sido o abrigo do nome maior da
pintura portuguesa quinhentista. n
José Luís Jorge (texto e fotos)
26a35_sumario 154_novo.qxd 2/23/12 11:26 AM Page 30
Viagens
Palma
de Maiorca
Uma jóia
mediterrânica
Capital da Comunidade Autónoma das Baleares - arquipélago
constituído por quatro ilhas principais, Maiorca, Minorca,
Ibiza e Formentera, e numerosas ilhotas -, Palma de Maiorca é
uma singular 'jóia" ibero - mediterrânica, distante cerca de
uma centena de quilometros de Valência.
carácter mediterrânico desta Comunidade
Autónoma, de 700 mil habitantes tem em
Palma a sua mais forte expressão. História,
cultura, gastronomia e lazer são os elementos capitais duma formosa e populosa
cidade, que ao longo dos anos tem atraído multidões de viajantes dos vários continentes. Muitos deles, sobretudo
alemães e ingleses, acabaram por aí fixar residência, contribuindo para o aumento crescente da população local, cerca
de 380 mil habitantes.
O apreciador de largas caminhadas tem, na ilha Maiorca,
uma rara quantidade de quantidade de percursos e caminhos naturais bem assinalados, sobretudo o interior da
Serra de Tramontana. O percurso entre Palma e Soller, através de estrada montanhosa e com paisagens fascinantes, é
um dos mais concorridos. O percurso junto à costa é igualmente agradável quer pela proximidade do mar quer pela
descoberta de diferentes paisagens rurais e pequenas
aldeias típicas.
Um passeio a cavalo pela ilha é outras das atractivas possibilidades de Maiorca, com preços simpáticos e guias
sociáveis e competentes.
O
30
TempoLivre
| MAR 2012
26a35_sumario 154_novo.qxd 2/23/12 11:27 AM Page 31
Viagens Inatel
A Inatel Turismo tem programadas viagens para Palma
de Maiorca em Março e Abril com partidas de Lisboa,
Porto e Faro (a pedido) com preços desde 379,00 euros
por pessoa em quarto duplo, em pensão completa e
hotel de 4 estrelas, Incluindo:
7 (sete) noites de alojamento em pensão completa (com
bebidas); Voo Lisboa|Palma|Lisboa; Transferes do
aeroporto ao hotel e vice versa; Uma excursão de dia
inteiro.
PROGRAMA:
1º DIA - LISBOA ou PORTO ou FARO | PALMA DE
MAIORCA
Comparência no aeroporto 120 minutos antes da hora
da partida. Formalidades de embarque e partida com
destino à Ilha de Maiorca. Chegada e assistência.
Transfer para o hotel. Jantar e alojamento.
Destaque, ainda, na Ilha de Maiorca e nas pequenas ilhas
circundantes, para os parques naturais de Dargonera,
Mondragó, S'Albufera de Maiorca e para a Paisagem
Nacional e Marítima de Cabrera. O Aqualand, situado no
Arenal, é o principal Parque Aquático da Europa.
Os viajantes mais atentos ao património histórico-cultural não perderão a oportunidade de visitar a Catedral de
Palma, de estilo gótico, construída ao longo dos séculos XIII,
XIV e XV.
A oferta, obviamente mais procurada pelos visitantes mesmo fora da época estival - respeita às suas muitas, variadas e tranquilas praias de areia dourada e pequenas enseadas. Praias urbanas ou semi-urbanas, praias isoladas e
praias de nudistas, pequenas calas, praias virgens... tudo
isto perto da cosmopolita Palma, de noites animadas e
divertidas, proporcionadas pelos seus múltiplos bares e
pubs.
Os clubes e discotecas ficam, maioritariamente, no
Passeio Marítimo de Palma. Outros centros urbanos como
Pollença, Llucmajor, Magaluff e Alcudia têm também a sua
própria vida nocturna.
Originalmente, a cozinha de Maiorca tinha uma grande
componente rural, fruto da influência da colonização ibérica, e ainda a mantém, em parte, devido ao frequente uso da
banha de porco.
Nas ementas sobressaem o peixe e marisco de qualidade,
boa fruta e legumes, mas é obrigatório provar o tradicional
"asado de lechón" (leitão assado), fácil de encontrar nos restaurantes típicos de Palma. Deliciosas são, ainda, as sopas,
geralmente feitas à base de pão, cebola e legumes. n
2º DIA AO 7º DIA - PALMA DE MAIORCA
Estada em hotel de 4* estrelas, em regime de pensão
completa. Dias livres para actividades de carácter
pessoal. Inclui uma excursão de dia inteiro.
8º DIA - PALMA DE MAIORCA | LISBOA
Pequeno-almoço. Em hora a indicar localmente, transfer
para o aeroporto. Formalidades de embarque e partida
com destino ao aeroporto seleccionado. Chegada e fim
dos nossos serviços.
Itinerário da excursão:
A localidade de Inca situa-se na região de Es Raiguer,
no interior da ilha e encontra-se entre as primeiras
cidades da ilha com maior número de habitantes. Aqui
realiza-se todas as quintas-feiras, um dos mais
importantes mercados da ilha de Maiorca. Continuação
para visita panorâmica de Palma de Maiorca.
Informações Gerais: telef. 210072384.
Reservas: Agências Inatel www.inatel.pt
MAR 2012 |
TempoLivre 31
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Ano Internacional do Envelhecimento Activo
Graça Andrada
“Mirar limpio”
aos 80 anos
No Ano Internacional do Envelhecimento Activo e da Solidariedade Entre
Gerações, fomos conhecer Graça Andrada (n. 1932), pediatra, especialista em
reabilitação e neurodesenvolvimento.
os 80 anos, continua a trabalhar
como voluntária no Centro de
Reabilitação de Paralisia Cerebral
Fundação Calouste Gulbenkian
(Lisboa), que ajudou a fundar nos
anos 70 e transformou num símbolo de excelência do tratamento da paralisia cerebral infantil
[ver caixa] e da educação especial inclusiva.
Bolseira em Nova Iorque, em 1959 e 1960, quando era possível ver Laurence Oliver e Vivien
Leigh ao vivo, nos musicais da Broadway, a então
jovem pediatra portuguesa estudou num dos
mais conceituados institutos de reabilitação, fundado em 1948, por um médico veterano da IIª
Guerra Mundial, Dr. Howard A. Rusk.
Pioneira no desenvolvimento da reabilitação
pediátrica em Portugal, Graça Andrada reconhece nas "crianças com deficiência os seus grandes
mestres".
Numa fotografia, tirada em Nova Iorque,
Graça Andrada, na altura com 27 anos, pediatra
estagiária no "Rusk Institute of Rehabilitation
Medicine", aparece ao lado de uma menina muito
sorridente que andava de muletas. "Era brasileira,
tinha espinha bífida, um problema congénito que
pode provocar paralisia das pernas. Um dia,
disse-me: "eu corro! E como é que corres?, quis
saber. Ela respondeu: "Eu corro com o carrinho
de rodas". Nunca mais me esqueci." Sentada no
seu gabinete do Centro de Reabilitação da
Paralisia Cerebral Fundação Calouste Gulbenkian
(CRPC/FCG), ao Lumiar, "onde trabalha desde a
inauguração, em 1970", e foi nomeada "patrimó-
A
32
TempoLivre
| MAR 2012
nio do coração" por alguns dos que com ela
aprenderam a diagnosticar, reabilitar e incluir as
crianças e jovens deficientes na sociedade, a
nossa gentil interlocutora, com 80 anos, pioneira
na História da Paralisia Cerebral em Portugal,
confessa com grande humildade que "as crianças
com deficiência foram os seus grandes mestres".
Descobrir capacidades
na criança com deficiência
Partindo de uma atitude de profundo "respeito
pela criança", em vez de impôr uma técnica ou
limitar-se a prescrever receitas, a preocupação de
Graça Andrada (distinguida com o "Grau de
Grande Oficial da Ordem do Infante Dom
Henrique", em 1988) tem sido a de "descobrir
capacidades, ajudando os pais a não se fixarem
nas deficiências". Durante o período em que foi
bolseira ("Bolsa Pfizer"), em Nova Iorque, 1959 e
1960, aprendeu não só "a importância do trabalho multidisciplinar" na reabilitação da criança
com deficiência mas reforçou a convicção de ser
fundamental "o afecto".
Sem comunicação, sem empatia, sem "considerar cada criança como um caso particular",
sem brincar, é impossível fazer um diagnóstico e
encaminhá-la para as várias terapias necessárias
à melhoria da sua qualidade de vida: "a terapia da
fala, a fisioterapia e a terapia ocupacional".
"Lembro-me de uma criança, a quem dei uma
máquina de escrever para ela desenhar; ao fim de
algum tempo, excedeu por completo as minhas
expectativas: batendo uma tecla de cada vez, ou
SUSANA NEVES
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MAR 2012 |
TempoLivre 33
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Ano Internacional do Envelhecimento Activo
No "Rusk Institute of
Rehabilitation
Medicine", New York
University Medical
Center, com uma
menina brasileira, de
espinha bífida,
anomalia congénita
que provoca paralisia
das pernas.
Em Nova Iorque,
durante o período de
estágio no "Goldwater
Memorial Hospital",
hospital de doenças
crónicas e com
cuidados de
reabilitação. Tinha 24
anos.
repetindo a mesma tecla, fez um conjunto de
desenhos lindíssimos, com muitas tonalidades
de preto e vermelho. [João Pombeiro licenciou-se
em antropologia, alguns dos seus desenhos são
visíveis na "internet"].
No livro "Raios de Vida", publicado em 2003,
por ocasião das celebrações do "Ano Europeu da
Pessoa com Deficiência", e enquanto Presidente
da Direcção Nacional da Associação Portuguesa
de Paralisia Cerebral (DNAPPC), assinando o prefácio, Graça Andrada sublinha o valor das imagens poéticas e oníricas, concebidas por pessoas
com paralisia cerebral. A título de exemplo, citamos um excerto do poema de Nelson Moniz,
incluído nessa antologia: "Fico parado em frente
de mil carros...; os bolsos semi-vazios impedemme de ir a onde a mente quer.// Rua cheia de passos (de pessoas), as rodas da cadeira não passam
por entre a mente de quem nos ama".
"O caminho faz-se caminhando"
Dividindo-se, durante muitos anos, entre o trabalho de investigação, consulta e formação de
técnicos especializados no Serviço de Reabilitação Pedriátrica e Desenvolvimento do Centro
de Medicina de Reabilitação do Alcoitão
(C.M.R.A.), fundado em 1966, CRPC/FCG, ao
Lumiar, Graça Andrada empenhou-se em fomen34
TempoLivre
| MAR 2012
tar uma "mudança de mentalidade relativa à aceitação e inclusão do deficiente na sua própria
família, caso das crianças abandonadas em hospitais, na escola e na comunidade".
O seu lema de vida "o caminho faz-se caminhando", na linhagem do poeta andaluz António
Machado [não há caminho, faz-se caminho ao
andar], reforça-se no dia-a-dia, no diálogo e na
superação de dificuldades das crianças, as
pequenas grandes vitórias destes muitos "heróis",
que são todas as pessoas com deficiência, tentando autonomizar-se, aperfeiçoar-se dentro das
suas potencialidades, um princípio de vida que
Graça Andrada valoriza e reconhece "na filosofia
chinesa". E isto apesar de não ser muito voltada
para a filosofia, no sentido de não ser uma estudiosa ou teórica porque é, sobretudo, "uma mulher de acção, disponível para os outros".
Jubilada há uma década, continua a ir diariamente ao Centro de Reabilitação do Lumiar,
acompanha jovens desportistas com deficiência e
concilia ainda o trabalho de supervisão do
Registo de Paralisia Cerebral em Portugal com os
seus muitos interesses culturais, os cursos de
arte, os espectáculos, e claro, a natação e o taichi.
O facto de ter sido pioneira em Portugal não
lhe deu sobranceria. Um dos seus objectivos foi
"descentralizar", dividir tarefas, por isso é com
26a35_sumario 154_novo.qxd 2/23/12 11:27 AM Page 35
No "Rusk Institute of
Rehabilitation Medicine",
Nova Iorque, companhava
as crianças em
recuperação durante
algumas actividades
lúdicas.
Graça Andrada exemplifica
"como se avalia a
actividade espontânea do
bebé" numa criança sem
deficiência, de forma a
diagnosticar e intervir
precocemente num
diagnóstico de paralisia
cerebral.
Graça Andrada foi
fundadora do Serviço de
Reabilitação Pediátrica e
Desenvolvimento, do
Centro de Medicina de
Reabilitação do Alcoitão,
que começou a receber
crianças a partir de 14 de
Julho de 1966. A escultura
é de Martins Correia,
simboliza a libertação da
deficiência.
Durante a construção do
Centro de Reabilitação de
Paralisia Cerebral
Fundação Calouste
Gulbenkian, na Av. Rainha
Dona Amélia. De frente
para a fotografia, Graça
Andrada, acompanhada do
lado direito, pelo primeiro
Presidente da Associação,
Nuno Belmar da Costa e
do lado esquerdo, pelo
arquitecto Palma de Melo.
entusiasmo que fala do progressivo surgimento
de associações de apoio à paralisia cerebral por
todo o país, um movimento iniciado, sobretudo,
após o 25 de Abril de 1974. É também com entusiasmo que sublinha necessária "a cooperação da
equipa de terapeutas com os pais das crianças e
os professores", de forma a ajudar a criança a
desenvolver-se e autonomizar-se, de forma digna.
Paralisia Cerebral
“A Paralisia Cerebral é causada por uma lesão, anomalia ou
perturbação das estruturas cerebrais que afecta o cérebro em
período de desenvolvimento pré-natal, perinatal e pós-natal, ou seja,
nos primeiros anos de vida da criança. A deficiência motora é a
mais visível dos seus efeitos mas existem, por vezes, dificuldades na
fala e na aprendizagem”.
Para mais informações consultar o site da Federação das
Uma colmeia feliz
Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral (FAPPC):
Numa época em que a "guerra do dinheiro" gera
novos orfãos e crianças doentes na Grécia, berço
da civilização europeia, parece de novo pioneira
a defesa da integridade do ser humano, e em particular da pessoa com deficiência. Também a
arquitectura do CRPC/FCG, construído por
módulos em forma hexagonal, manifesta uma
modernidade surpreendente. Graça Andrada
recorda algumas das indicações fornecidas ao
arquitecto Palma de Melo (1922-2003): deveria
ser um espaço acolhedor, diferente de um hospital, onde não houvesse cortinas mas fosse preservada a privacidade da crianças em terapia, deveria ser um espaço de comunicação, com mobiliário adaptado mas discreto. Uma espécie de colmeia feliz, para "a mais feliz das crianças", que
segundo o professor Torrado da Silva, pediatra
estimado por Graça Andrada, também ele pionei-
www.fappc.pt ou contactar o Centro de Reabilitação de Paralisia
Cerebral Fundação C. Gulbenkian, Av. Rainha D. Amélia Lumiar?1600-676 - Lisboa. Tel: 21 754 06 92 / 21 754 06 93?Fax: 21 756
89 78?E-mail: [email protected]
ro na área do neurodesenvolvimento, deveria
"viver no século XXI".
Desagradada com a falta de formação humana
de muitos profissionais da saúde e a infantilização das pessoas nos hospitais e do deficiente,
"a quem se fazem festas na cabeça mesmo já adulto", Graça Andrada garante que "dá saúde ter prazer no que se faz" E ir ao médico?, pergunto-lhe.
"Evito", diz ela rindo e fazendo-nos rir prazeirosamente. Um amigo disse-lhe um dia que tinha
um "mirar limpio". Tinha toda a razão. n
Susana Neves
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Fundação INATEL
Calçada de Sant’Ana, 180
1169-062 LISBOA
t. 210 027 000 | f. 210 027 026
[email protected]
INATEL TURISMO, RNAVT n.º 2954
www.inatel.pt
INATEL TURISMO, RNAVT n.º 2954
VIAGENS
PRIMAVERA | VERÃO
VIAGENS NACIONAIS E INTERNACIONAIS
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2012
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VIAGENS NACIONAIS . INTERNACIONAIS
VIAGENS
NACIONAIS
E INTERNACIONAIS
O QUE PODEMOS FAZER POR SI
Viagens à sua medida
Espetáculos
Apresente-nos a sua ideia.
Nós construímos a melhor solução.
Criamos viagens especiais a pensar
em programas únicos e memoráveis.
Grupos e incentivos
Turismo ativo
Ideias originais a preços competitivos
nas nossas Unidades Hoteleiras.
Programas diferentes de animação turística:
team building, desporto, aventura.
Programação para Jovens e Seniores
Um conjunto de soluções desenhadas
de acordo com as necessidades e interesses
dos nossos clientes.
NOTAS
- Viagens recomendadas para famílias;
- Viagens com possibilidade de orçamento
para individuais (à medida);
- O valor das taxas de aviação ou marítimas está sujeito
a alteração à data de emissão da documentação;
- Nos preços mencionados não está incluído a taxa de
serviço (€10) por reserva e despesas de carácter pessoal;
- Viagens com partidas garantidas;
- O melhor preço;
- Os preços deste catálogo são válidos para associados.
Preços para não associados sob consulta;
- Os preços das viagens mencionados incluem
seguro de viagem, taxas e IVA;
2 VIAGENS INATEL | NACIONAIS E INTERNACIONAIS | PRIMAVERA - VERÃO 2012
- O presente catálogo poderá sofrer alterações de preço
e datas, pelo que não dispensa a leitura atenta do
programa detalhado da viagem bem como as condições
gerais do mesmo.
Consulte regularmente a sua Agência INATEL
para obter informações sobre novas viagens.
Esteja atento(a) à revista Tempo Livre e www.inatel.pt
viagens verão_Layout 1 24-02-2012 16:32 Page 4
PASSEIOS
DE 1 DIA
CRUZEIRO
PRIMAVERA NO TEJO
PASSEIO SALOIO
E FADOS EM SINTRA
10 JUNHO
PARTIDAS: CASTELO BRANCO | PORTALEGRE |
ÉVORA
Desde: €69
Inclui: autocarro; assistente acompanhante;
almoço c/ bebidas; seguro de viagem.
12 MAIO
CHALÉS E PALACETES
PARTIDAS: BEJA | ÉVORA | LISBOA
Desde: €76
DE CASCAIS
Inclui: autocarro; cruzeiro; assistente de viagem; 15 JUNHO
almoço; seguro de viagem.
PARTIDAS: COIMBRA | SANTARÉM | LISBOA
Desde: €71
ROMARIA A FÁTIMA
Inclui: autocarro; guia acompanhante; almoço;
lanche; seguro de viagem.
13 MAIO
PARTIDAS: SETÚBAL | LISBOA | SANTARÉM
Desde: €66
FESTEJAR O SOLSTÍCIO
Inclui: autocarro; assistente de viagem;
DE VERÃO EM SINTRA
almoço; seguro de viagem.
A RAINHA REFRESCA-SE
Aqueduto - Lisboa
26 MAIO
PARTIDAS: ÉVORA | SETÚBAL | LISBOA
Desde: €61
Inclui: autocarro; assistente de viagem;
almoço; seguro de viagem.
ROTA DO AZULEJO
EM LISBOA
Palácio Nacional da Vila - Quinta da
Regaleira - Cabo da Roca (pôr do sol)
20 JUNHO
PARTIDAS: LEIRIA | SANTARÉM | LISBOA
Desde: €59
Inclui: autocarro; guia acompanhante; visitas
indicadas; almoço; jantar; seguro de viagem.
CAMINHOS DA MAÇONARIA
EM LISBOA E SINTRA
Cemitério dos Prazeres - Museu
Maçónico - Cervejaria Trindade Quinta da Regaleira (Sintra)
02 JUNHO
PARTIDA: LISBOA
30 JULHO
Desde: €49
Inclui: autocarro; assistente de viagem; PARTIDAS: COIMBRA | LISBOA
Desde: €80
almoço; seguro de viagem.
Inclui: autocarro; almoço; visitas indicadas;
guia acompanhante; seguro de viagem.
MERCADO MEDIEVAL
EM TERRA DE SANTA
MARIA DA FEIRA
03 AGOSTO
PARTIDAS: LEIRIA | COIMBRA | AVEIRO
Desde: €41
Inclui: autocarro; assistente acompanhante;
almoço; seguro de viagem.
Não inclui: ingresso no mercado medieval.
CRUZEIRO
NOITE TROPICAL NO TEJO
03 AGOSTO
PARTIDAS: ÉVORA | SETÚBAL | LISBOA
Desde: €86
Inclui: autocarro; cruzeiro; assistente de viagem; jantar; seguro de viagem.
MERCADO MEDIEVAL ÓBIDOS
E CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DE ALJUBARROTA
05 AGOSTO
PARTIDAS: BEJA | LISBOA | SANTARÉM
Desde: €49
Inclui: autocarro; almoço; visita ao Centro de
Interpretação Batalha de Aljubarrota; guia
acompanhante; seguro de viagem.
Não inclui: ingresso no mercado medieval.
ROTA DOS GOLFINHOS
NO SADO
25 AGOSTO
PARTIDAS: COIMBRA | LEIRIA | SANTARÉM
Desde: €79
Inclui: autocarro; almoço; cruzeiro; assistente
de viagem; seguro de viagem.
VIAGENS INATEL | NACIONAIS E INTERNACIONAIS | PRIMAVERA - VERÃO 2012 3
VIAGENS NACIONAIS
VIAGENS
NACIONAIS
viagens verão_Layout 1 24-02-2012 16:32 Page 5
VIAGENS NACIONAIS
VIAGENS
NACIONAIS
PASSEIO VÍNICO E GASTRONÓMICO NO OESTE E VISITA
AO JARDIM BUDDHA EDEN
01 SETEMBRO
PARTIDAS: ÉVORA | SETÚBAL | LISBOA
Desde: €55
Inclui: autocarro; almoço; guia acompanhante;
seguro de viagem.
PARTIDAS: BRAGANÇA | VILA REAL | VISEU |
COIMBRA
Desde: €256
Inclui: alojamento; refeições; transfere com assistência; seguro de viagem.
FÉRIAS EM
PORTO SANTO
PARTIDA: LISBOA
27 MAIO A 03 JUNHO
CRUZEIRO NO ALQUEVA E
10 A 17 JUNHO
SABORES DO GRANDE LAGO 17 A 24 JUNHO
29 SETEMBRO
24 JUNHO A 01 JULHO
PARTIDAS: CASTELO BRANCO |
09 A 16 SETEMBRO
PORTALEGRE | ÉVORA
Desde: €488
Desde: €67
Inclui: alojamento; refeições; passagem aérea;
Inclui: autocarro; almoço; cruzeiro; guia acom- taxas de aviação; transferes; seguro de viagem.
panhante; seguro de viagem.
PRAIA EM ALBUFEIRA
PRAIAS
PRAIA EM ALBUFEIRA
INATEL Albufeira
21 A 27 MAIO
PARTIDAS: COVILHÃ | CASTELO BRANCO |
PORTALEGRE | BEJA
26 MAIO A 01 JUNHO
PARTIDAS: GUARDA | VISEU | COIMBRA
01 A 07 JUNHO
PARTIDAS: BRAGANÇA | VILA REAL |
SANTARÉM
10 A 15 JUNHO
PARTIDAS: LEIRIA | SETÚBAL | LISBOA |
ÉVORA
12 A 19 SETEMBRO
PARTIDAS: SANTARÉM | LISBOA | SETÚBAL
19 A 26 SETEMBRO
Hotel Vila Galé Atlântico
22 A 29 DE JULHO
PARTIDAS: VIANA CASTELO | BRAGA |
PORTO | AVEIRO
12 A 19 DE AGOSTO
PARTIDAS: COIMBRA | LEIRIA | LISBOA | BEJA
Desde: €366
Inclui: alojamento; refeições; transfere com assistência; seguro de viagem.
PRAIA EM TAVIRA
Hotel Vila Galé Atlântico
24 DE JUNHO A 01 DE JULHO
PARTIDAS: VILA REAL | VISEU | GUARDA |
COVILHÃ
Desde: €325
Inclui: alojamento; refeições; transfere com assistência; seguro de viagem.
4 VIAGENS INATEL | NACIONAIS E INTERNACIONAIS | PRIMAVERA - VERÃO 2012
CIRCUITOS
AS MAIS BELAS ESTAÇÕES
FERROVIÁRIAS - Pinhão - Porto
- Aveiro - Lisboa
01 A 03 JUNHO
PARTIDAS: SETÚBAL | LISBOA
Desde: €270
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
ROTA DA CORTIÇA - Algarve
04 A 06 JUNHO
PARTIDAS: LISBOA | SETÚBAL | ÉVORA | BEJA
Desde: €192
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
GIRO MAFRA E ERICEIRA
com famosa mariscada
15 A 17 JUNHO
PARTIDAS: COVILHÃ | GUARDA | VISEU
Desde: €299
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
O CANTE ALENTEJANO - Serpa
22 A 24 JUNHO
PARTIDAS: VIANA CASTELO | BRAGA |
PORTO | AVEIRO
Desde: €291
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
FÉRIAS EM CERVEIRA
Santiago de Compostela
- Guimarães
18 A 22 JUNHO
PARTIDAS: PORTO | BRAGA | VIANA CAS
TELO
02 A 06 JULHO
PARTIDAS: PORTALEGRE | LISBOA | LEIRIA |
AVEIRO
23 A 27 JULHO
PARTIDAS: FARO | BEJA | ÉVORA | SETÚBAL
06 A 10 AGOSTO
PARTIDAS: PORTALEGRE | LISBOA | LEIRIA |
COIMBRA
20 A 24 AGOSTO
PARTIDAS: BRAGANÇA | VILA REAL | VISEU
10 A 14 SETEMBRO
PARTIDAS: CASTELO BRANCO | COVILHÃ |
GUARDA | PORTO
17 A 21 SETEMBRO
PARTIDAS: SANTARÉM | LEIRIA | AVEIRO |
BRAGA
Desde: €285
Inclui: alojamento; refeições, autocarro; assistente acompanhante; seguro de viagem.
GUIMARÃES
Capital Europeia da Cultura
28 JUNHO A 01 JULHO
PARTIDAS: SETÚBAL | LISBOA | SANTARÉM |
COIMBRA
12 A 15 JULHO
PARTIDAS: ÉVORA | LISBOA | LEIRIA | AVEIRO
Desde: €399
Inclui: alojamento; refeições, autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
SEXTA-FEIRA 13 - Montalegre
HERÓIS MEDIEVAIS PORTUGUESES E VISITA À FEIRA
MEDIEVAL DE ÓBIDOS
Desde: €226
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
D. Afonso Henriques - Pedro Julião - ROTA DAS TABERNAS
D. Nuno Álvares Pereira (Coimbra ANTIGAS EM COIMBRA
Leiria - Aljubarrota)
14 A 15 SETEMBRO
20 A 22 JULHO
PARTIDAS: SETÚBAL | LISBOA | SANTARÉM
Desde: €224
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
Não inclui: ingresso na feira medieval.
ENTRE LENDAS E TRADIÇÕES
Vale do Sousa
27 A 29 JULHO
PARTIDAS: LISBOA | SANTARÉM | LEIRIA
Desde: €310
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
CORAÇÃO DO MINHO
31 JULHO A 02 AGOSTO
PARTIDAS: CASTELO BRANCO | COVILHÃ |
GUARDA | VISEU
Desde: €272
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
A RAINHA REFRESCA-SE
Aqueduto das Águas Livres - Lisboa
17 A 18 AGOSTO
PARTIDAS: VIANA CASTELO | BRAGA |
PORTO | AVEIRO
Desde: €189
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante e seguro de viagem.
13 A 15 JULHO
PARTIDAS: VIANA CASTELO | BRAGA |
ARRAIAL POPULAR NO MINHO
PORTO
25 A 26 AGOSTO
Desde: €268
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia PARTIDAS: SETÚBAL | LISBOA | SANTARÉM |
LEIRIA
acompanhante; seguro de viagem.
PARTIDA: LISBOA
Desde: €181
Inclui: alojamento; refeições, autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
PORTUGAL PATRIMÓNIO
DA HUMANIDADE
17 A 24 SETEMBRO
PARTIDAS: SETÚBAL | LISBOA
Desde: €699
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
PRÍNCIPES DO GRANDE SÉCULO
INFANTE D. HENRIQUE E D. JOÃO II
Évora - Lagos - Alvor - Sagres
21 A 23 SETEMBRO
PARTIDAS: VIANA CASTELO | BRAGA |
PORTO | AVEIRO
Desde: €229
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
DESFOLHADA
EM TRÁS-OS-MONTES
22 A 23 SETEMBRO
PARTIDAS: BEJA | ÉVORA | SETÚBAL |
LISBOA
12 A 19 DE AGOSTO
PARTIDAS: BEJA | LISBOA | LEIRIA |
COIMBRA
Desde: €221
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
VIAGENS INATEL | NACIONAIS E INTERNACIONAIS | PRIMAVERA - VERÃO 2012 5
VIAGENS NACIONAIS
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VIAGENS NACIONAIS
VIAGENS
NACIONAIS
PELOS TRILHOS DE SANTIAGO ENTRE O SAGRADO E O
ROMARIA DE NOSSA
Passeios pedestres de baixa
PROFANO - Corpus Christi Penafiel SENHORA D’AGONIA
intensidade - oferta de diploma
30 SETEMBRO A 06 OUTUBRO
PARTIDAS: LISBOA | LEIRIA | COIMBRA
Desde: €839
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
FESTAS
E ROMARIAS
FEIRA DOS GRELOS
EM CARAPELHOS
08 A 11 JUNHO
PARTIDAS: VIANA CASTELO | BRAGA |
PORTO
Desde: €359
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
Viana do Castelo
17 A 21 AGOSTO
PARTIDAS: LISBOA | AVEIRO | PORTO
Desde: €405
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
CRUZEIRO NO RIO DOURO
NOITE DE S. JOÃO
22 A 24 JUNHO
PARTIDAS: FARO | BEJA | ÉVORA | LISBOA
PARTIDAS: SETÚBAL | SANTARÉM | LEIRIA |
COIMBRA
Desde: €283
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; cruzeiro; guia acompanhante; seguro de viagem.
26 A 27 MAIO
PARTIDAS: LISBOA | SANTARÉM | LEIRIA
MERCADO MEDIEVAL
Desde: €149
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia ÓBIDOS E ALJUBARROTA
27 A 29 JULHO
acompanhante; seguro de viagem.
PARTIDAS: BRAGANÇA | VILA REAL | VISEU |
Não inclui: ingresso na Feira.
COIMBRA
Desde:
€213
FEIRA MEDIEVAL BELVER
Inclui: alojamento; refeições, autocarro; guia
Alamal
acompanhante; seguro de viagem.
08 A 09 JUNHO
Não inclui: ingresso no mercado medieval.
PARTIDAS: VISEU | COIMBRA | LEIRIA
Desde: €118
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia MERCADO MEDIEVAL
SANTA MARIA DA FEIRA
acompanhante; seguro de viagem.
10 A 12 AGOSTO
FESTA DA CEREJA NO FUNDÃO PARTIDAS: ÉVORA | SETÚBAL | LISBOA |
SANTARÉM
08 A 11 JUNHO
Desde:
€175
PARTIDAS: FARO | SETÚBAL | LISBOA
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
Desde: €315
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia acompanhante; seguro de viagem.
Não inclui: ingresso no mercado medieval.
acompanhante; seguro de viagem.
6 VIAGENS INATEL | NACIONAIS E INTERNACIONAIS | PRIMAVERA - VERÃO 2012
VINHOS
E SABORES
GASTRONOMIA &
VINHOS DO OESTE
Genuíno, Enigmático, Surpreendente
25 A 26 MAIO
PARTIDAS: VIANA CASTELO | BRAGA |
PORTO | AVEIRO
Desde: €213
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
GASTRONOMIA &
VINHOS DA BAIRRADA
Floral, Frutado, Balsâmico
01 A 02 JUNHO
PARTIDAS: PORTALEGRE | SETÚBAL |
LISBOA | LEIRIA
Desde: €205
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
viagens verão_Layout 1 24-02-2012 16:32 Page 8
GASTRONOMIA &
VINHOS DO ALENTEJO
Sabor, Intensidade, Paixão
13 A 14 JUNHO
PARTIDAS: PORTO | AVEIRO | LISBOA
Desde: €222
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
ROTA DO ALVARINHO
A FESTA DO VINHO DO DÃO
FLORES E GRACIOSA
01 A 03 SETEMBRO
PARTIDAS: VIANA CASTELO | BRAGA |
PORTO | AVEIRO
Desde: €315
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
acompanhante; seguro de viagem.
PARTIDA: LISBOA
26 A 30 JUNHO
10 A 14 SETEMBRO
PARTIDA: PORTO
13 A 17 AGOSTO
Desde: €615
Inclui: passagem aérea; alojamento; transferes;
refeições; seguro de viagem.
Não inclui: passeios.
CESTOS, CASTAS E CANTARES
Vindimando Vinho Verde
07 A 09 SETEMBRO
PARTIDAS: BEJA | ÉVORA | SETÚBAL | LISBOA FLORES
15 A 17 JUNHO
Desde: €319
PARTIDA: LISBOA
PARTIDAS: FARO | BEJA | ÉVORA | SETÚBAL Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
07 A 11 JUNHO
Desde: €328
acompanhante; seguro de viagem.
11 A 15 JULHO
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
05 A 09 SETEMBRO
acompanhante; seguro de viagem.
ROTEIROS GASTRONÓMICOS
PARTIDA: PORTO
15
A 20 JULHO
NO PORTO
GASTRONOMIA &
Desde:
€492
Francesinha - Tripas à moda do
Inclui: passagem aérea; alojamento; transferes;
VINHOS DO ALGARVE
Porto - Bacalhau à Gomes de Sá
refeições; seguro de viagem.
Alegria, Delicioso, Caloroso
21 A 23 SETEMBRO
Não inclui: passeios.
06 A 08 JULHO
PARTIDAS: ÉVORA | LISBOA | SANTARÉM
PARTIDAS: COIMBRA | LEIRIA | LISBOA
Desde: €248
Desde: €253
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia GRACIOSA
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia acompanhante; seguro de viagem.
PARTIDA: LISBOA
acompanhante; seguro de viagem.
18 A 22 JUNHO
23 A 27 JULHO
06 A 10 AGOSTO
ROTA DÃO E BAIRRADA
PARTIDA: PORTO
Vinhos, Gastronomia e Cultura
25 A 29 JUNHO
20 A 22 JULHO
10 A 14 SETEMBRO
PARTIDAS: FARO | BEJA | PORTALEGRE |
Desde: €492
CASTELO BRANCO
Inclui: passagem aérea; alojamento; transferes;
Desde: €310
refeições; seguro de viagem.
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia
Não inclui: passeios.
acompanhante; seguro de viagem.
AS 7 MARAVILHAS DA
GASTRONOMIA PORTUGUESA
ILHAS
SÃO MIGUEL
PARTIDA: LISBOA
23 A 27 JULHO
- arroz de marisco - queijo da serra - CIRCUITO FUNCHAL
13 A 17 AGOSTO
PARTIDA: LISBOA
caldo verde - alheira Mirandela
17 A 21 SETEMBRO
01 A 05 JULHO
- leitão Bairrada - sardinhas
PARTIDA: PORTO
22 A 26 AGOSTO
- pastéis de nata
16
A 20 JULHO
PARTIDA: PORTO
24 A 27 JULHO
06
A 10 AGOSTO
22 A 26 JULHO
PARTIDAS: SETÚBAL | LISBOA
Desde: €622
Desde: €674
Desde: €333
Inclui: passagem aérea; alojamento; transferes; Inclui: passagem aérea; alojamento; transferes;
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia passeios; guia acompanhante; refeições; se- 1 passeio de 1 dia à ilha; refeições; seguro de
acompanhante; seguro de viagem.
viagem.
guro de viagem.
ROTA DO “FIEL AMIGO”
Festival do Bacalhau em Ílhavo
FÉRIAS NO FUNCHAL
PARTIDA: LISBOA
17 A 19 AGOSTO
18 A 22 JUNHO
PARTIDAS: BEJA | ÉVORA | LISBOA
20 A 24 AGOSTO
Desde: €215
PARTIDA: PORTO
Inclui: alojamento; refeições; autocarro; guia 13 A 17 AGOSTO
acompanhante; seguro de viagem.
Desde: €460
Inclui: passagem aérea; alojamento; transferes;
refeições; seguro de viagem.
Não inclui: passeios.
CIRCUITO AÇORIANO
PARTIDA: LISBOA
22 A 29 JULHO
16 A 23 SETEMBRO
PARTIDA: PORTO
30 JULHO A 6 AGOSTO
10 A 17 SETEMBRO
Desde: €1100
Inclui: passagem aérea; alojamento; transferes;
passeios; refeições; seguro de viagem.
VIAGENS INATEL | NACIONAIS E INTERNACIONAIS | PRIMAVERA - VERÃO 2012 7
VIAGENS NACIONAIS
Frescos, Elegantes, Românticos
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VIAGENS INTERNACIONAIS
VIAGENS
INTERNACIONAIS
ESPANHA
ROTEIRO GALIZA E ASTÚRIAS
25 AGOSTO A 01 SETEMBRO
PARTIDAS: SETÚBAL | LISBOA | SANTARÉM |
LEIRIA | COIMBRA
Desde: €775
Inclui: circuito em autocarro; 7 noites de alojamento em hotéis 4* e unidades hoteleiras INATEL; 8 refeições; guias locais nas visitas; entradas
no museu da Catedral de Santiago, Mosteiro de
Samos, Sta. Maria Naranco e San Miguel de Lillo;
guia acompanhante e seguro de viagem.
Desde: €545
Inclui: Circuito em autocarro; 5 noites de alojamento em hotéis 4*; 7 refeições; bebidas às
refeições; entradas nas Cuevas de Altamira,
Catedral de Oviedo, Santuário de Covadonga
e no Museu de Altamira; guia acompanhante
e seguro de viagem.
refeições; c/bebidas incluídas; visitas guiadas
em Valladolid, Vitória, Burgos e Salamanca; visita
e almoço em La Bodega Palacio em La Guardia;
entradas no Museu do Vinho de Penafiel e Castillo, Catedral de Vitória e Burgos; guia acompanhante e seguro de viagem.
O LEGADO ANDALUZ
CIDADES PATRIMÓNIO
DA HUMANIDADE
01 A 06 SETEMBRO
PARTIDAS: LISBOA | SETÚBAL | FARO
Desde: €625
Salamanca - Ávila - Segóvia
Inclui: Circuito em autocarro; 5 noites de alo05 A 09 AGOSTO
jamento em hotéis 4*; 7 refeições (inclui jantar
PARTIDAS: LEIRIA | COIMBRA | AVEIRO
+ espetáculo Sevilhanas) c/bebidas incluídas;
Desde: €525
visitas guiadas em Sevilha, Granada e Córdoba;
Inclui: Circuito em autocarro; 4 noites em aloentradas na Catedral de Sevilha, Alhambra e
CANTÁBRIA
jamento e pequeno-almoço em hotéis de
Mesquita de Córdoba; guia acompanhante e
3*/4*; 5 refeições c/bebidas incluídas; visitas
19 A 25 AGOSTO
seguro de viagem.
PARTIDAS: LISBOA | LEIRIA | COIMBRA | VISEU guiadas a Salamanca, Ávila e Segóvia; guia
acompanhante e seguro de viagem.
Preço a informar oportunamente
ROTA DE D. QUIXOTE
Inclui: circuito em autocarro; 6 noites de alojaDE LA MANCHA
mento; 7 refeições; guias locais nas visitas San- CIDADES PATRIMÓNIO
10 A 14 JUNHO
tander e Santillana de Mar; entradas no Museu DA HUMANIDADE
PARTIDAS: COIMBRA | LEIRIA | LISBOA |
Altamira e Mosteiro de San Toribio de Liébana;
Toledo - Cuenca - Aranjuez
SETÚBAL
guia acompanhante e seguro de viagem.
01 A 05 JULHO
Desde: €465
PARTIDAS: SETÚBAL | LISBOA | AVEIRO |
Inclui: Circuito em autocarro; 4 noites de alojaPICOS DA EUROPA
VISEU | GUARDA
mento em hotéis de 3*/4*; visitas guiadas a Toledo
08 A 14 JULHO
Desde: €455
e Ciudad Real; entradas na Catedral de Toledo,
PARTIDAS: SETÚBAL | LISBOA | SANTARÉM | Inclui: Circuito em autocarro; 4 noites de aloMuseu Cervantes e Hospital Santuário da CariCASTELO BRANCO | COVILHÃ | GUARDA
jamento em hotéis 3*/4*; 6 refeições c/ bebidas dade; guia acompanhante e seguro de viagem.
Desde: €640
incluídas; visitas guiadas em Toledo, Cuenca e
Inclui: circuito em autocarro; 6 noites de aloja- Aranjuez; entrada no Palácio Real; guia acomEXPRESSO “DE LA ROBLA”
mento em hotéis 3*/4*; 10 refeições; guias lo- panhante e seguro de viagem.
06 A 12 JUNHO
cais nas visitas ; entradas Catedral de Burgos e
19 A 25 SETEMBRO
Catedral de Oviedo; guia acompanhante e se- DE RIBEIRA DEL DUERO A RIOJA
PARTIDA: LISBOA
guro de viagem.
01 A 06 OUTUBRO
Desde: €1045
PARTIDAS: LISBOA | SANTARÉM | COIMBRA | Inclui: circuito em autocarro; 3 noites de aloCANTÁBRIA E PICOS DA EUROPA VISEU | GUARDA
jamento em hotel 4*; 3 noites de alojamento
25 A 30 JUNHO
Desde: €565
no “Expresso de La Robla”; 13 refeições; entraPARTIDAS: VIANA CASTELO | BRAGA |
Inclui: Circuito em autocarro; 5 noites de aloja- das no Museu Guggenheim em Bilbao; guia
PORTO | VILA REAL | BRAGANÇA
mento e pequeno-almoço em hotéis 3*/4*; 6 acompanhante e seguro de viagem.
8 VIAGENS INATEL | NACIONAIS E INTERNACIONAIS | PRIMAVERA - VERÃO 2012
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OUTROS DESTINOS EUROPEUS
LAVANDA - A Provença Francesa
no seu Esplendor
15 A 22 JULHO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
Desde: €1075
Inclui: passagem aérea; circuito em autocarro; 7
noites de alojamento e pequeno-almoço; pensão completa, desde o jantar do 1º dia ao jantar
do 7º; guia acompanhante até Nice; guias locais
falando Português ou Espanhol para as visitas a
Nimes e Aix-en-Provence; entrada na Arena Romana de Nimes, Abadia de Sénanque, Museu da
Lavanda e Fábrica de Perfumes de Grasse; seguro
de viagem e taxas de aviação.
TOUR DE FRANÇA
14 A 22 JULHO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
Desde: €835
Inclui: circuito em autocarro de turismo; 8
noites de alojamento e pequeno-almoço;
pensão completa, desde o jantar do 1º dia ao
almoço do último; guia acompanhante; seguro de viagem e taxas de aviação.
Vitale, visita ao museu da Ferrari; 4 refeições; nos canais de Amesterdão; 8 refeições; guia
guia; transferes; seguro de viagem e taxas de acompanhante; seguro de viagem e taxas de
aviação.
aviação.
ITÁLIA CLÁSSICA - Museu
do Vaticano e Capela Sistina
Veneza - Pádua - Verona - Florença
- Siena - Assis - Roma - Vaticano
30 JUNHO A 07 JULHO
01 A 08 SETEMBRO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
Desde: €1220
Inclui: passagem aérea; assistência nas formalidades de embarque; circuito em autocarro;
guia; 7 noites de alojamento; todos os pequenos-almoços buffet; 5 refeições; guias locais em
Veneza, Florença, Roma e Vaticano; seguro de
viagem e taxas de aviação.
PÉROLAS DA EUROPA CENTRAL
Berlim - Dresden - Praga - Bratislava
- Viena - Budapeste
CÓRSEGA E SARDENHA
01 A 10 JUNHO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
Desde: €1445
Inclui: circuito de autocarro; travessias de ferryboat; passagem aérea no regresso desde
Nice; 15 refeições; guia; guias locais para visitas
a Alghero, Cagliari e Ajaccio; viagem de comboio em Corte; entradas na Catedral de Srª
Maria Cagliari, complexo Barumini Nuraghe,
Museu Fesch, Casa Bonaparte e Camara Municipal de Ajaccio; seguro de viagem e taxas de
aviação.
À DESCOBERTA DE MALTA
23 A 30 JUNHO
PARTIDA: LISBOA
Desde: €950
Inclui: passagem aérea; visitas em autocarro
de turismo com guias locais de língua espanhola; 7 noites de alojamento com pequenoalmoço; 3 refeições; transferes; seguro de
viagem e taxas de aviação.
20 A 27 JULHO
03 A 10 AGOSTO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
Desde: €1025
Inclui: passagem aérea; circuito em autocarro;
guia; 7 noites de alojamento em hotéis 4*; pe- CORES DA SICÍLIA
quenos-almoços buffet; 2 refeições; guias locais 07 A 14 JULHO
em Berlim, Praga, Bratislava e Viena; seguro de PARTIDA: LISBOA
viagem e taxas de aviação.
Desde: €1240
CÔTE D’AZUR, TIROL
Inclui: passagem aérea; circuito em autocarro
E GRANDES LAGOS
de turismo; guia acompanhante de língua espaESCÓCIA
E
INGLATERRA
Nice - St. Paul de Vence - Cannes - MoLiverpool - Cruzeiro no Lago Winder- nhola; 7 noites em regime de alojamento e penaco - Como - Lugano - Bellagio - St.
queno-almoço; 7 refeições; transferes; seguro de
mere - Glasgow - Edimburgo - Dur- viagem e taxas de aviação.
Moritz - Innsbruck - Verona - Milão
ham - York - Stratford-Upon-Avon 07 A 14 JULHO
04 A 11 AGOSTO
Oxford - Aylesbury - Londres
TOSCÂNIA
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
10 A 17 JUNHO
Vinho e Monumentalidade
Desde: €1130
01 A 08 JULHO
13 A 20 OUTUBRO
Inclui: passagem aérea; assistência nas forma- PARTIDAS: LISBOA | PORTO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
lidades de embarque; circuito em autocarro; Desde: €1355
Desde: €985
guia acompanhante; 7 noites alojamento em Inclui: passagem aérea; circuito em autocarro
Inclui: passagem aérea; circuito em autocarro;
hotéis 4*; todos os pequenos-almoços buffet; 4 de turismo; guia acompanhante; 7 noites de
alojamento e pequeno-almoço em hotel 3*; 7
refeições; guia local em Verona; travessia de alojamento; 4 refeições; guias locais em Edimrefeições; guia; guias locais falando Português
ferry de Cadennabia a Bellagio; cruzeiro de 2 burgo e Londres; restantes visitas orientadas
ou Espanhol para as visitas às principais cidades;
horas de Bellagio a Como; seguro de viagem e pelo guia acompanhante; seguro de viagem e
seguro de viagem e taxas de aviação.
taxas de aviação.
taxas de aviação.
ITÁLIA - PATRIMÓNIO CULTURAL BÉLGICA E HOLANDA
Bolonha - Ferrara - Modena Ravena - San Marino
04 A 08 JULHO
PARTIDA: LISBOA
Desde: €775
Inclui: passagem aérea; 4 noites de alojamento e pequeno-almoço; circuito em viatura
de turismo com guias locais em português ou
castelhano; entradas na Igreja de San Petronio,
no Mausoléu de Gala Placidia e Igreja de San
Parque Keukenhof
25 A 30 ABRIL
PARTIDA: LISBOA
Desde: €1480
Inclui: passagem aérea; transferes; circuito em
autocarro com guias locais; 5 noites de alojamento e pequeno-almoço em hotel 4*; visitas
com guia locais em Bruxelas, Brugges; Antuérpia
e Amesterdão; entradas nos Parques Madurodam e Keukenhof, e no Rijskmusuem; passeios
A ROTA DE BACH
07 A 10 JUNHO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
Desde: €640
Inclui: passagem aérea; circuito em autocarro; 3
noites de alojamento e pequeno-almoço; 3 jantares; guia acompanhante desde Frankfurt até
Leipzig; guia local falando Português ou Espanhol
durante a visita a Leipzig; entradas no Museu
Bachhaus em Eisenach e Palácio de Köthen; seguro de viagem e taxas de aviação.
VIAGENS INATEL | NACIONAIS E INTERNACIONAIS | PRIMAVERA - VERÃO 2012 9
VIAGENS INTERNACIONAIS
CIRCUITOS
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VIAGENS INTERNACIONAIS
VIAGENS
INTERNACIONAIS
ÁUSTRIA
INDIA – Triângulo Dourado
6 A 12 MAIO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
Desde: €1085
Inclui: passagem aérea; circuito em autocarro
de turismo; 6 noites de alojamento e pequenoalmoço em hotéis 3* e 4*; 6 refeições; guia;
guias locais nas visitas a Viena, Graz e Salzburgo;
seguro de viagem e taxas de aviação.
08 A 14 JULHO
PARTIDA: LISBOA
Desde: €1500
Inclui: passagem aérea; transferes; circuito
em autocarro de turismo; 5 noites de alojamento em meia-pensão em hotéis 4* e 5*; 1
almoço em restaurante; guia acompanhante;
seguro de viagem e taxas de aviação.
CIRCUITOS
CANADÁ E EUA
08 A 21 SETEMBRO
PARTIDA: LISBOA
OUTROS DESTINOS
Preço a informar oportunamente
Inclui: passagem aérea; circuito em autocarro
INTERNACIONAIS
de turismo; 13 noites de alojamento e peTURQUIA ESPECIAL - Istambul - queno-almoço em hotéis 3*; 23 refeições;
guia acompanhante; guias locais nas visitas;
Ankara - Capadócia - Konya - Antalya cruzeiro; seguro de viagem e taxas de aviação.
VÁRIAS DATAS DE PARTIDA DE 10 ABRIL A
14 JUNHO
O MELHOR CIRCUITO DE CUBA
PARTIDA: LISBOA
16 A 27 JUNHO
Desde: €595
Inclui: passagem aérea; 7 noites de alojamento PARTIDAS: LISBOA | PORTO
em hotéis 4* ou 5* em regime de meia-pensão; Desde: €2040
circuito em autocarro com guia a falar portu- Inclui: passagem aérea em classe económica
Porto ou Lisboa | Havana | Porto ou Lisboa; voo
guês; seguro de viagem e taxas de aviação.
interno entre Santiago de Cuba | Havana; circuito em autocarro de turismo; alojamento e
TURQUIA ETERNA - Circuito 5*
pequeno-almoço em hotéis de categoria turís07 A 14 JULHO
tica superior; 15 refeições (regime de Tudo In21 A 28 JULHO
cluído em Guardalavaca); guia acompanhante;
PARTIDA: LISBOA
guia local falando Português ou Espanhol duDesde: €1075
rante as visitas; entradas em monumentos; visto
Inclui: passagem aérea; transferes; circuito / tarjeta de turismo (€25); seguro de viagem e
em autocarro de turismo; 5 noites de aloja- taxas de aviação.
mento e pequeno-almoço em hotéis 4* e 5*;
1 almoço; guia acompanhante; seguro de viagem e taxas de aviação.
10 VIAGENS INATEL | NACIONAIS E INTERNACIONAIS | PRIMAVERA - VERÃO 2012
CITY BREAKS
PARIS
09 A 12 AGOSTO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
Desde: €680
Inclui: passagem aérea; circuito em autocarro
de turismo; 3 noites de alojamento e pequeno-almoço; 2 refeições; guia acompanhante em Paris; subida à Torre Eiffel; entrada
no Palácio de Versalhes; seguro de viagem e
taxas de aviação.
PRAIAS
COSTA BRAVA
08 | 15 MAIO  22 | 26 MAIO 
05 | 12 JUNHO  12 | 19 JUNHO
PARTIDA: LISBOA
Desde: €425
Inclui: passagem aérea; 7 noites de alojamento em hotel 4* sup. em Santa Susana; regime de pensão completa com água e vinhos
incluídos; transferes; excursão de dia inteiro a
Barcelona com almoço em bolsa; assistência
no local; seguro de viagem e taxas de aviação.
FÉRIAS EM MARBELHA
09 A 16 JUNHO
PARTIDA: SANTARÉM | LISBOA | SETÚBAL
07 A 14 JULHO
PARTIDA: VIANA DO CASTELO | BRAGA |
PORTO | AVEIRO
11 A 18 AGOSTO
PARTIDA: COIMBRA | LEIRIA | LISBOA
viagens verão_Layout 1 24-02-2012 16:33 Page 12
ESPANHA, TUNÍSIA, MALTA
E ITÁLIA
Tunis - La Valletta - Messina
- Civitavecchia (Roma) - Génova
22 A 29 JULHO | 29 JULHO A 05 AGOSTO |
05 A 12 AGOSTO | 12 A 19 AGOSTO | 19 A
26 AGOSTO | 26 AGOSTO A 02 SETEMBRO |
02 A 09 SETEMBRO
01 A 08 SETEMBRO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
PARTIDA: GUARDA | COVILHÃ | CASTELO
Desde: €1335
BRANCO
Inclui: passagem aérea; assistência nas forDesde: €520
malidades de embarque; guia acompaInclui: transporte em autocarro; 7 noites de alo- nhante; transferes em Barcelona; cruzeiro de
jamento em hotel 4*; 10 refeições; guia acom- 7 noites em regime de pensão completa a
panhante; guia local para visita de Málaga e bordo; visitas com guias locais em Tunis, e La
Ronda; seguro de viagem.
Valetta; nos restantes portos acompanhamento de guia aos locais de maior interesse;
IBIZA
transfere privativo em Roma, do Porto ao centro da cidade e regresso; taxas portuárias, de
20 A 27 JUNHO
aviação e seguro de viagem.
PARTIDA: LISBOA
Desde: €540
Inclui: passagem aérea; 7 noites de aloja- ITÁLIA, GRÉCIA, TURQUIA
mento em hotel 3* selecionado; transferes; 1
E CROÁCIA
excursão de meio dia à volta da ilha; assistência de guia no destino; seguro de viagem e Veneza - Bari - Katakolon - Izmir
- Istambul - Dubrovnik
taxas de aviação.
08 A 16 JUNHO | 13 A 21 JULHO |
20 A 28 JULHO | 27 JULHO A 04 AGOSTO |
ANTALYA
03 A 11 AGOSTO | 10 A 18 AGOSTO | 17 A
SAÍDAS AOS DOMINGOS
25 AGOSTO | 24 AGOSTO A 01 SETEMBRO
ENTRE 03 JUNHO E 09 SETEMBRO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
Desde: €1360
Desde: €951
Inclui: passagem aérea; assistência nas formaliInclui: passagem aérea; alojamento de 7 noites
dades de embarque; guia acompanhante; alojaem regime Tudo Incluído; oferta de tour panorâmento e pequeno-almoço de 1 noite em
mico pela cidade de Antalya (válida para as parVeneza; transferes; cruzeiro de 7 noites em retidas até 09 de Setembro inclusive); transferes;
gime de pensão completa; visitas guiadas em Veseguro de viagem e taxas de aviação.
neza; Izmir (visto de grupo incluído), Istambul e
Dubrovnik; nos restantes portos acompanhamento de guia aos locais de maior interesse;
taxas portuárias, de aviação e seguro de viagem.
CRUZEIROS
LISBOA, MARROCOS, ITÁLIA
E ESPANHA
Casablanca - Barcelona - Génova
- Málaga
13 A 21 ABRIL | 21 A 30 ABRIL |
28 SETEMBRO A 06 OUTUBRO |
ITÁLIA, GRÉCIA E CROÁCIA
Bari - Katakolon - Santorini
- Mykonos - Pireu (Atenas) - Corfú
- Dubrovnik
12 A 19 AGOSTO | 19 A 26 AGOSTO |
02 A 09 SETEMBRO
PARTIDAS: LISBOA
Desde: €1165
Inclui: passagem aérea; assistência nas formalidades de embarque; guia acompanhante;
transferes; cruzeiro de 7 noites em regime de
pensão completa; visitas guiadas em Santorini,
Atenas e Dubrovnik; transfere até ao centro de
Corfú e regresso; nos restantes portos acompanhamento de guia aos locais de maior interesse; taxas portuárias, de aviação e seguro de
viagem.
CRUZEIRO AOS FIORDES
DA NORUEGA, ALEMANHA
E DINAMARCA
Hamburgo - Kiel - Flam - Bergen
- Stavanger - Oslo - Copenhaga
23 JUNHO A 01 JULHO | 07 A 15 JULHO |
21 A 29 JULHO | 04 A 12 AGOSTO |
18 A 26 AGOSTO | 01 A 09 SETEMBRO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
Desde: €1650
Inclui: passagem aérea; assistência nas formalidades de embarque; guia acompanhante;
alojamento e pequeno-almoço de 1 noite em
Hamburgo; autocarro para percursos; transferes; cruzeiro de 7 noites em regime de pensão
completa; visitas guiadas em Hamburgo, Flam
(exceto na partida de 18 de agosto que a visita
é a Geirenger), Oslo e Copenhaga; visitas nos
restantes portos acompanhados de guia aos
locais de maior interesse; taxas portuárias, de
aviação e seguro de viagem.
CRUZEIRO NO BÁLTICO
Hamburgo - Kiel - Estocolmo - Tallin
- S. Petersburgo - Copenhaga
16 A 24 JUNHO | 30 JUNHO A 08 JULHO | 14
A 22 JULHO | 28 JULHO A 05 AGOSTO | 11 A
19 AGOSTO | 25 AGOSTO A 02 SETEMBRO
PARTIDAS: LISBOA | PORTO
Desde: €1590
Inclui: passagem aérea; assistência nas formalidades de embarque; guia acompanhante; alojamento e pequeno-almoço de 1
noite em Hamburgo; autocarro para percursos; transferes; cruzeiro de 7 noites em regime
de pensão completa; visitas guiadas em Hamburgo, Estocolmo, S. Petersburgo (visto de
grupo incluído) e Copenhaga; visitas nos restantes portos acompanhados de guia aos locais de maior interesse; taxas portuárias, de
aviação e seguro de viagem.
03 A 10 JUNHO | 22 A 29 JULHO | 29 JULHO
A 05 AGOSTO | 05 A 12 AGOSTO |
VIAGENS INATEL | NACIONAIS E INTERNACIONAIS | PRIMAVERA - VERÃO 2012 11
VIAGENS INTERNACIONAIS
06 A 14 OUTUBRO | 14 A 22 OUTUBRO
PARTIDA: LISBOA
Desde: €855
Inclui: assistência nas formalidades de embarque; guia acompanhante; cruzeiro de 8 noites
em regime de pensão completa a bordo (9 noites na partida de 21 abril); visitas com guias locais em Casablanca, Barcelona e Málaga; nos
restantes portos acompanhamento de guia aos
locais de maior interesse; taxas portuárias e seguro de viagem.
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Memória
Zita Duarte Apaixonada,
independente, solitária
Na Peça “À procura
de Alberto”,
apresentada na
Sociedade
Portuguesa de
Autores
40
TempoLivre
| MAR 2012
uando a actriz Zita Duarte morreu
em Janeiro de 2000, todos os
directores, realizadores, actores
que com ela trabalharam foram
unânimes. Zita Duarte era "uma
pessoa única, de uma rara delicadeza interior, de uma elegância e doçura extremas, e conseguia aliar isso a uma inteligência
concreta, com um humor refinado", palavras de
Luís Miguel Cintra que disse ainda "perante a
câmara de filmar, tornava-se uma actriz diferente, criava um momento único, uma coisa irrepetível. Ela entrava e a cena enchia-se"
E Carlos Avilez, com quem Zita ajudou a fundar o Teatro Experimental de Cascais e que foi
um grande amigo seu, disse na hora triste da sua
morte que ela era uma actriz extraordinária, uma
mulher diferente, uma lutadora que faz muita
Q
falta ao teatro e ao cinema. Zita Duarte tinha 55
anos
Um raríssimo animal de cinema
Foi o crítico de cinema, Jorge Leitão Ramos, quem
a classificou assim. "Um raríssimo animal de
cinema". E disse mais : "ela tem a chispa de erotismos profundos, coisas indizíveis, sempre que
um realizador lhe agarra o rosto, o corpo, com
justeza".
Zita Duarte nasceu em Cascais, a 17 de
Fevereiro de 1944, cursou o Conservatório e
depois de uma breve passagem por Paris, junta-se
a Carlos Avilez, Maria do Céu Guerra e João
Vasco para a fundação do TEC, onde foi intérprete de várias peças de êxito ("Esopaida", de
António José da Silva, "D. Quixote", de Yves
Jamiaque, "Ivone, princesa de Borgonha", de
40a45_M_OV_CA.qxp_sumario 154_novo.qxd 2/22/12 3:08 PM Page 53
Gombrowicz, entre outras). A actriz tentou ainda
o teatro de revista, embora soubesse que não
tinha nada a ver com o Parque Mayer. Passou pela
Cornucópia para interpretar Genet e Brecht, pelo
Nacional D.Maria II e por outros locais que ela
própria "inventou" para espectáculos que produziu e interpretou.
A câmara procurava por ela
Zita fez muito cinema. Os realizadores gostavam
daquele rosto espantoso, "magnífico", disse
Carlos Avilez, "o rosto da inocência", opinião de
Fernando Lopes, e, mais do que tudo, "Zita tinha
o dom de fazer a câmara procurar por ela", segundo Artur Semedo, que a dirigiu em "O Barão de
Altamira" e "O Rei das Berlengas". Com quem,
com que realizadores trabalhou Zita Duarte?
Com quase todos dos anos 60/70: António de
Macedo, Fernando Lopes, Matos Silva, Artur
Semedo, José Fonseca e Costa, Paulo Rocha,
António da Cunha Teles, Jorge Silva Melo, João
Botelho, António Pedro Vasconcelos. "Por uma
vez, todos os cineastas portugueses dos mais velhos aos mais novos sentiram que a Zita era um
ser belíssimo e por isso a iam buscar ao teatro
onde era uma grande actriz", uma vez mais é o
realizador Fernando Lopes a falar.
tro (Sociedade Portuguesa de Autores, Roller Bar,
Quarteto).
"Os becos têm sempre saída"
Lutando com as dificuldades de quem arriscou
trabalhar por conta própria, Zita Duarte adoptou
para si a frase "os becos têm sempre saída" nem
que seja a de saltar pelos telhados…
Em entrevista ao jornal "A Capital", disse a
Tito Lívio que no teatro como na vida fazia sobretudo aquilo de que gostava e, solitária por escolha, não punha de parte adoptar uma criança.
"Gosto muito de crianças e já pensei adoptar uma
quando tiver a vida mais organizada." Não teve
tempo de realizar o seu sonho e, segundo confessou nessa conversa, havia uma constante no seu
modo de viver a vida que se manteve sempre presente: a sua ligação à Natureza, sobretudo ao mar,
correr junto ao mar, olhar o mar. "Quem, como
eu, se encontra ligada à Natureza de uma forma
tão estreita jamais sentirá o peso da solidão." n
Maria João Duarte
Cena de “maria
Stuart” com Guida
Maria, em Setembro
de 1984, no Trindade
Actriz, encenadora, empresária
Zita Duarte, como se pode ver na sua biografia,
não recusava trabalho, fosse drama ou comédia
mas sempre com companheiros amigos e cúmplices. Considerava-se, apesar de tudo, uma
actriz de comédia com tendência para o musical.
Não se estranhe, por isso, vê-la a caminho da
Alemanha, com uma bolsa da Fundação
Gulbenkian, para estudar teatro musicado com
Peter Stein.
Regressada da Alemanha, produz e monta um
espectáculo de cabaret, "Meu nome é som e
fumo" e, mais tarde, "Cabaret" onde não dispensa
a colaboração de alguns dos seus amigos
(Fernanda Lapa, Carlos Avilez, Luisa Neto Jorge
entre outros).
Afastada dos grupos de teatro independente,
procurando peças e textos que lhe agradassem,
Zita Duarte sabia bem que dificuldades iria
encontrar mas, mesmo assim, arriscou e, pode
dizer-se, ganhou. O público não lhe faltou
mesmo em locais fora do circuito habitual do teaMAR 2012 |
TempoLivre 41
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Olho Vivo
A nova mosca
Beyoncé
Velhas pipocas
Os habitantes de Huaca Prieta, na costa norte do Peru, já comiam pipocas
há 6700 anos. É o que provam os microfósseis encontrados na região por
cientistas da Universidade Vanderbilt e da Academia Nacional de História
peruana. O milho, domesticado no México há cerca de 9 mil anos, era
consumido na América do Sul sobretudo como farinha, mas as novas
descobertas provam que outras formas de consumo foram exploradas mais
cedo do que se pensava.
Uma nova espécie de
mosca, descoberta no
nordeste da Austrália em
1981, foi batizada Scaptia
Plinthina Beyoncea, em
homenagem à cantora
Beyoncé. O abdómen
dourado do inseto recordou
aos cientistas a imagem da
artista no vídeo de
Bootylicious. Apesar de ter
um papel importante na
polinização de várias
plantas, a mosca Beyoncé é
considerada uma praga
pelos australianos. Na
Austrália, já existia o
caranguejo Agra
schwarzeneggeri, em honra
de Arnold Schwarzenegger,
e a rã Hyla stingi,
homenageando o vocalista
dos Police, Sting.
O ano mais
quente
Os fósseis de Darwin
Estavam num armário da instituição científica de Keyworth, a British
Geological Survey, os fósseis que Darwin recolheu na sua viagem com o
"Beagle", em 1834, e que não foram estudados ao longo de 160 anos porque
um paleobotânico da altura se esqueceu de os registar, no momento da
entrega. Um paleontólogo da Universidade de Londres descobriu umas
gavetas com o rótulo "plantas fósseis não registadas" e, curioso, abriu-as,
dando com centenas de lamelas para examinar ao microscópio,
identificadas como tendo sido entregues à instituição pelo autor da "Origem
das Espécies".
42
TempoLivre
| MAR 2012
A NASA informou que
2011 foi o nono ano mais
quente desde 1880,
mantendo uma tendência
segundo a qual nove dos
dez anos mais quentes nos
registos da meteorologia
moderna ocorreram desde
o início do milénio. Do
século XX, só 1998 está na
lista dos dez mais. O
primeiro lugar é ocupado
por 2010.
40a45_M_OV_CA.qxp_sumario 154_novo.qxd 2/22/12 3:09 PM Page 55
A n t ó n i o C o s t a S a n t o s ( t ex t o s ) A n d r é L e t r i a ( i l u s t r a ç õ e s )
É só
espécies
Nasceu uma ilha
A 19 de dezembro de 2011, um vulcão submarino lançou colunas de lava a 30
metros de altura sobre o Mar Vermelho, no arquipélago de Zubair, 60
quilómetros ao largo do Iémen. Grandes nuvens de cinza e vapor de enxofre
encheram as fotografias de satélite durante vários dias, até que a erupção
abrandou e a NASA publicou as primeiras imagens de uma nova ilha formada
por lava solidificada. Resta agora pintá-la nos mapas do Mar Vermelho.
Marte teve oceanos
É oficial: Marte teve pelo menos um
oceano, há muitos, muitos anos.
Cientistas de Grenoble, na Suíça, e
da Califórnia, Estados Unidos,
estudaram os dados fornecidos pelo
radar Marsis, datados de 2005, e
concluíram que são visíveis
sedimentos próprios de um leito
oceânico, bem como marcas das
margens de um oceano no planeta
vermelho. Os mares existiram no árido
planeta há uns 3 mil milhões de anos.
Vamos sair daqui
A Nasa recebeu 6372 inscrições para o curso de astronauta
que se inicia em 2013. Os candidatos são o dobro do
habitual, que ronda os 3 mil todos os anos, e este é o
segundo maior número da história da agência espacial,
depois de em 1978 se terem inscrito 8000 jovens
americanos desejosos de abandonar, nem que por
momentos, o planeta Terra.
O ano de 2009 foi
especial para a biologia:
em todo o mundo foram
descobertas 19232 novas
espécies de plantas e
animais. Mais de metade
são insetos, mas há
ainda quase 1500
aranhas, 41 mamíferos e
sete aves. As espécies
novas descritas em 2009
representam, só elas, o
dobro das que eram
conhecidas há 250 anos,
quando o botânico sueco
Lineu criou o sistema
moderno de
classificação, que hoje é
vulgar... de Lineu.
Macaco
escondido
Um pequeno macaco da
Indonésia, o langur
grisalho de Miller, ou
langur cinzento, que se
julgava extinto em 2004,
foi fotografado milhares
de vezes pelas câmaras
ocultas de cientistas que
estudavam os
orangotangos na floresta
de Wehea, na ilha de
Bornéu. Uma equipa de
biólogos tentou
encontrar a espécie, em
2008, mas sem êxito,
porque procurou o
grisalho a mil
quilómetros do local
onde agora foi
redescoberto.
MAR 2012 |
TempoLivre 43
40a45_M_OV_CA.qxp_sumario 154_novo.qxd 2/22/12 3:09 PM Page 56
A Casa na árvore
Susana Neves
A mesa de Horácio
Na lentidão forja-se a melhor asa e o
mais saboroso xarope de ácer.
T
odos os áceres "dão" açúcar, até mesmo
o comum Padreiro, também conhecido
por bordo, zelha ou Plátano Bastardo
(Acer Pseudoplatanus L.), frequente
nos nossos jardins públicos e arruamentos urbanos, espontâneo nas regiões altas, a Norte do rio
Tejo. Se ao menos os filmes de Western nos tivessem mostrado a cultura dos povos nativos da
América, em vez de, por vezes, enaltecerem o seu
genocídio, saberíamos agora, por certo, extrair
esse açúcar da seiva do ácer, mas nunca produzilo em larga escala como o permite a espécie Acer
44
TempoLivre
| MAR 2012
Saccharum, cuja folha ornamenta a bandeira do
Canadá.
Segundo uma lenda dos índios Abenaki ou
Albônak ("As verdadeiras pessoas") no princípio
dos tempos, a seiva açucarada, constituindo o
xarope de ácer, jorrava tão abundantemente do
tronco que para o beber bastava ficar deitado de
boca aberta. O consumo excessivo desta bebida
natural e o ócio que provocou teriam, porém, irritado o Criador, levando-o a delimitar o período
em que seiva é passível de ser colhida e a dificultar o processo da sua extracção.
Ao invés de ocorrer durante todo o ano e a
todo o instante, seria necessário esperar pela
"estação do açúcar", no final do Inverno e início
da Primavera, antes da neve derreter. Só nessa
altura, seria viável perfurar o tronco do ácer
para colher cerca de 10% da sua seiva num
recipiente, mais tarde fervê-la e por evaporação
da água obter finalmente as pedras de açúcar
escuro. A partir dai, se produziria o "xarope de
ácer original", cor de âmbar, reconhecido
actualmente como benéfico à fixação do cálcio
nos ossos.
Distantes das florestas de áceres dos Estados
Unidos e do Canadá, impossibilitados de facilmente partirmos à colheita do "açúcar do bosque"
podemos, no entanto, deleitarmo-nos com o aparecimento das primeiras folhas verdes do Acer
Pseudoplatanus ou do Acer Campestre, aguardar
os seus cachos de flores, apreciar os seus frutos/sementes aladas (dissâmaras) ou "helicópteros" que o pintor Manuel Zimbro (1944-2003) tão
bem soube desenhar em "A História Secreta da
Aviação" e o escritor Frédérik Kiesel evocou em
verso: "Para respirar durante todo o
Verão/Estende-nos o ácer as suas mãos verdes./
Os seus largos dedos trabalham o ar/Pois ele confia ao vento./As inumeráveis asas /Dos seus amores, e dos seus filhos."
Se o desenho das suas folhas e a metamorfose
das cores (do verde ao amarelo luminoso, por
vezes, ao rosa) não bastassem para satisfazer o
gosto do esteta e do pintor, a qualidade da madeira do Acer Pseudoplatanus aguçaria a cobiça do
fabricante de instrumentos de corda. É que esta
40a45_M_OV_CA.qxp_sumario 154_novo.qxd 2/22/12 3:09 PM Page 57
Fotos: Susana Neves
madeira é a preferida na construção dos violoncelos e violinos, havendo notícia de os célebres
Stradivarius em muito terem beneficiado das florestas de ácer do século XVI.
Apesar da evidente associação dos áceres à
História da Gula e da Arte (entre as espécies asiáticas, o Ácer-do-Japão ou Acer Palmatum fascinou igualmente os artistas de estampas japonesas
e os mestres de bonsai), um estigma remontando
à Antiguidade ocidental parece atingir estas árvores. De facto, segundo a mitologia grega, o ácer é
a árvore de Fobos, deus do Medo, filho de Ares,
deus da Guerra, que associando-se ao seu irmão
Deimos, deus do Terror, enfraquecia os combatentes levando-os à morte.
"Antes de tudo, a mesa de ácer, só depois
canta a glória", defendera Horário (65 a.C-8 a.C.)
mas nem o elogio do poeta romano salvou a árvore de uma conotação nefanda, associada à morte
em combate. Alguns autores fundamentam esta
negatividade na coloração vermelha que certas
espécies (sobretudo de origem norte-americana e
oriental) adquirem durante o Outono, memória
do sangue alastrando num campo de batalha,
onde as pontas das lanças romanas ou o mítico
Cavalo de Tróia poderiam ser de madeira de ácer
como mais tarde hão-de passar a ser as coronhas
de certas armas de fogo.
A origem latina da palavra ácer significando
simultaneamente duro, por referência à qualidade da madeira de algumas espécies, e aguçado,
devido à ponta das folhas, parece antecipar e
sublinhar um destino bélico. Nada
mais estranho à experiência de um
gourmet cosmopolita, um pintor colorista ou um artesão virtuoso.
Na realidade, o Acer Pseudoplatanus, descendente da nobre família das Sapindaceae, primo da Lichia
e do Castanheiro-da-Índia nada tem a
ver com os infernos dos homens.
Capaz de atingir 30 metros de altura,
cresce lentamente para viver até aos
300 anos. Dotado de uma sexualidade
complexa, com flores masculinas e
femininas amadurecendo em tempos diferentes,
garantia de uma polinização cruzada, o seu ritmo
nunca poderia ser rápido. Porque é na lentidão
que se cria a verticalidade e a leveza, essenciais
ao voo. n
Ácer no Jardim das
Amoreiras e, à direita,
Sâmaras (frutos) do
ácer
MAR 2012 |
TempoLivre 45
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57
CONSUMO Perante a crise financeira mundial, é imperioso garantir aos
consumidores o acesso a serviços financeiros seguros, justos e
transparentes. Pág. 48 l LIVRO ABERTO Em destaque, as reedições de "A
Imortalidade", de Milan Kundera, "A Caixa Negra", do israelita Amos Oz, e
"A Voz da Terra", de Miguel Real. Pág. 50 l ARTES A cerâmica como forma
de diálogo com Fernando Pessoa é o tema da exposição de Teresa Cortez na
Casa onde o poeta viveu, em Campo de Ourique (Lisboa). Pág. 52 l MÚSICAS
De Pablo Alborán, o "artista do ano", em 2011, o álbum "En Acústico", com
a participação de Carminho. Destaque ainda para "New Blood" do eterno
Peter Gabriel. Pág. 53 l NO PALCO No Trindade, até 8 de Abril, "O Libertino",
uma comédia "picante" e hilariante protagonizada por José Raposo e Maria
João Abreu. Pág. 54 l CINEMA EM CASA Histórias de amores e desamores,
vindas de França e dos EUA, integram a selecção
deste início da Primavera. Pág. 56 l GRANDE ECRÃ
"Extremamente alto, incrivelmente perto", fábula
moderna sobre os nossos medos e a força que é
preciso para os superar, confirma o talento de Stephen Daldry. Pág. 57 l
INFORMÁTICO São vários os serviços de teleassistência destinados
combater a solidão em que vivem pessoas de uma certa idade, caso do
"Arquitectura de Teleassistência". Pág. 58 l AO VOLANTE Já em
comercialização, o inovador e visionário Citroen DS5 apresenta-se como
uma nova etapa no desenvolvimento da linha DS. Pág. 59 l SAÚDE A
Ressonância Magnética é um exame imagiológico de grande relevância
para a medicina, permitindo diagnósticos muito precisos. Pág. 60 l
PALAVRAS DA LEI Um Acordão de 2011 do Tribunal Constitucional
defende as pessoas com dificuldades financeiras e mantém a possibilidade
do contraditório nos processos de Injunção. Pág. 61
l
BOAVIDA
MAR 2012 |
TempoLivre 47
47a61_BV235.qxp_sumario 154_novo.qxd 2/22/12 3:23 PM Page 60
Boavida|Consumo
Onde está o dinheiro?
Perante a crise financeira mundial, é imperioso garantir aos consumidores o acesso a serviços
financeiros seguros, justos e transparentes. No Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores, a
Carlos Barbosa de Oliveira
O
Banco Mundial estima em 150 milhões o
número de novos consumidores que, anualmente, entram no mercado dos serviços financeiros.
Muitos destes novos consumidores vivem em países
com baixos níveis de proteção, ficando com frequência
agarrados a contratos que os prejudicam, mas mesmo
naqueles onde os seus direitos estão melhor defendidos como é o caso da União Europeia- enfrentam sérias dificuldades para lidar com o mercado de serviços e produtos
financeiros.
A iliteracia financeira tem sido apontada como responsável por este relacionamento desigual entre consumidores
e prestadores de serviços, mas a verdade é que existem
muitos outros factores que condicionam uma sã convivência. Um dos mais perniciosos é a falta de concorrência,
pois em muitos países os serviços financeiros são controlados por um pequeno grupo de entidades, o que leva
muitos consumidores a ter a noção de que "são todos
iguais" e não vale a pena mudar, porque não existe opção.
Por outro lado, mesmo quando a concorrência é real, os
consumidores encontram alguns obstáculos que inquinam
a possibilidade de escolha:
- Falta de informação clara sobre as diferenças entre os
serviços e produtos das diversas instituições;
- Dificuldade em transferir os seus créditos e depósitos
para outra instituição;
- Morosidade do processo de transferência;
- Custos relacionados com o processo de transferência;
- Vinculação a contratos que exigem ao consumidor um
compromisso em relação a um produto ou serviço,
durante determinado período de tempo, sob pena de sofrer
penalizações.
Acresce que a complexidade de muitos dos serviços e
produtos financeiros disponibilizados aos consumidores é
tão intrincada, que torna quase impossível a sua compreensão.
Estas limitações talvez sejam suficientes para perceber
por que razão apenas 9% dos consumidores europeus
(7,5% em França, cujo sistema bancário é o mais fechado
dos países da União Europeia) mudou de instituição
bancária em 2008, enquanto um em cada quatro europeus
mudou de companhia de seguros e um em cada cinco
escolheu um novo provedor de Internet.
Fixe bem…
48
Obrigações de informação das
correctamente oferecidos.
conhecimento ao interessado das
instituições de crédito em Portugal
A informação deve permitir conhecer
respectivas condições.
Todas as instituições de crédito
taxas de juro, impostos, comissões,
Quando as instituições se
devem manter disponíveis, em
prémios de transferência, portes,
relacionarem com os consumidores
todos os balcões, em local e acesso
despesas de expediente e data-valor
fundamentalmente através de
directo e bem identificado, em
das operações.
contactos à distância, a informação
linguagem clara e de fácil
Se o consumidor tiver dificuldade
deve ser remetida para o domicílio
entendimento, informações
em interpretar a informação afixada,
do consumidor. A este propósito, as
permanentemente actualizadas das
o funcionário da entidade de crédito,
entidades que ofereçam produtos ou
condições gerais com efeitos
previamente à realização de
serviços que possam ser adquiridos
patrimoniais, ou seja, por exemplo,
qualquer operação ou à alteração
através da Internet devem
dos encargos a suportar pelo
das condições de uma operação já
possibilitar a consulta de toda a
consumidor para a realização das
efectuada que importe encargos
informação no seu "site" ou através
operações bancárias e dos serviços
para o cliente, deve dar
dele.
TempoLivre
| MAR 2012
ANDRÉ LETRIA
47a61_BV235.qxp_sumario 154_novo.qxd 2/22/12 3:23 PM Page 61
SERVIÇOS FINANCEIROS EM TEMPO DE CRISE
A crise financeira demonstrou que a fraca protecção dos
consumidores de serviços financeiros coloca em risco a
saúde das economias. Os governos europeus e a própria
Comissão têm por isso sentido necessidade de legislar, no
sentido de tornar os serviços financeiros mais seguros, justos e transparentes e permitir uma escolha mais consciente por parte dos consumidores.
Na sequência de uma análise realizada a 224 bancos
(81% do mercado da UE) a ComissãoEuropeia publicou
um Relatório sobre serviços financeiros de retalho, onde se
concluiu que as estruturas de preços das contas correntes
são muito opacas, tornando quase impossível aos consumidores saberem quanto pagam, ou compararem propostas diferentes.
Da leitura do relatório infere-se ainda que 34% dos bancos analisados prestam informação deficiente, e em 66%
dos casos a informação é pouco transparente ou de difícil
compreensão, obrigando a pedir informações e esclarecimentos adicionais.
Por outro lado, as comissões bancárias cobradas variam
consideravelmente nos 27 países da UE, sendo Portugal
um dos países onde as comissões bancárias são mais
baixas.
Finalmente, o relatório conclui que os consumidores
dos países com tarifas mais transparentes têm probabilidade de pagar preços mais baixos, mas têm dificuldade em
obter aconselhamento adequado em matéria de serviços
financeiros.
Também as associações de consumidores vêm pugnando por legislação que promova a segurança e
transparência dos serviços financeiros, tendo a diretorageral do BEUC - Bureau Européen des Unions de
Consommateurs- afirmado: "Temos todos necessidade
de serviços financeiros, quer se trate de uma conta
bancária ou de um seguro. As regras aplicáveis ao sistema financeiro, porém, servem na maior parte dos
casos exclusivamente os interesses da indústria financeira. Um elevado número de consumidores e a
sociedade no seu todo sofrem os efeitos da crise financeira. Os instrumentos destinados a prevenir crises
futuras ainda estão em discussão. Uma proteção adequada dos consumidores e uma supervisão apropriada estão
frequentemente ausentes dos debates. Há mesmo produtos de investimento que são incompreensíveis para os
empregados da banca que os vendem. Há práticas inaceitáveis por parte do sector financeiro que carecem de
correção urgente".
Estas palavras foram proferidas aquando da criação
da Finance Watch, uma organização que pretende contrabalançar o poder de lobbying das instituições financeiras e reforçar a capacidade da sociedade civil para se
fazer ouvir no debate sobre a regulamentação financeira.
Saliente-se que surgiu como resposta ao apelo dos
deputados do Parlamento Europeu encarregados de apreciar e propor regulamentação para os mercados financeiros e os bancos que, em Junho de 2010, desafiaram a
sociedade civil a criar uma organização não-governamental capaz de promover uma ação de lobbying no
tocante às actividades conduzidas nos mercados financeiros pelos principais operadores. Surge assim, em
Julho de 2011, a Finance Watch. Constituída por mais de
40 organizações da sociedade civil e do mundo universitário, (sindicatos, associações de consumidores, institutos de investigação e associações de aforristas) de 12
países, congrega ainda 17 especialistas em finanças e
professores universitários. n
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Boavida|Livro Aberto
Reflexão, História e Poesia
em tempo de vacas magras
Ainda em começo de ano, com o movimento editorial a ressentir-se fortemente da crise, devem os
destaques de leitura ir para obras que nos ajudam a pensar o presente, o passado e o futuro, sempre
numa perspectiva crítica que nos convoque para uma atitude de não-resignação.
José Jorge Letria
É
em épocas como esta que se tende a cair nos
extremos: por um lado, a linguagem demasiado
fechada e codificada e, por outro, a linguagem
"light" do descomprometimento e da escrita
entendida como mero entretenimento sem consequências.
Daí que, nesta crónica se destaque a publicação, com a
chancela da Campo da Comunicação, de "Elogio da
Política, da República e da Globalização" e "Nova Galeria
de Quase Retratos", ambos de António de Almeida Santos,
político, advogado, ex-governante e autor de reflexões profundas sobre este tempo sombrio e incerto. Nunca tendo
renunciado a escrever para melhor nos propor a meditação sobre o tempo por vir, António de Almeida Santos
edita, quase em simultâneo, dois livros que celebram os
valores da memória e do pensamento crítico sobre a
sociedade que construímos nas últimas décadas e que
ninguém sabe como irá evoluir nos próximos tempos. A
não perder.
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EM MATÉRIA DE FICÇÃO NARRATIVA, que o mercado
continua a acolher sempre com expectativa, ainda que
com menor número de títulos e menores tiragens, os
destaques vão para as oportunas reedições, pela Dom
Quixote, de "A Imortalidade",
do checo naturalizado
francês Milan Kundera, "A
Caixa Negra", do israelita
Amos Oz, e para a quarta
edição de "A Voz da Terra",
do português Miguel Real,
ficcionista de eleição e nome
de referência do pensamento português contemporâneo, que escreveu um romance histórico fundamental
sobre o terramoto de 1755 e o Marquês de Pombal.
Leituras a fazer ou a refazer. Destaque, igualmente, para
o conseguido romance histórico "Frescos de Pompeia"
(Editorial Presença), de Lívia Borges, nascida em 1971 e
com um confessado amor pela Antiguidade Clássica,
facto que este livro abundantemente comprova.
PARA OS JOVENS e, na realidade, para públicos de todas
as idades escreveu Hélia Correia "A Chegada de Tawny"
(Relógio d'Água), com ilustrações de Rachel Caiano.
Uma narrativa breve e muita bela de uma das grandes
escritoras portuguesas contemporâneas. A não perder,
como sempre.
COM A CHANCELA da Imprensa Nacional-Casa da
Moeda, com uma política editorial reformulada e
muito mais dinâmica que em épocas anteriores,
surgem no mercado "A Poesia Ensina, a Cair", colectânea de textos sobre poetas e poesia de Eduardo
Prado Coelho, inaugurando a biblioteca/colecção que
passou a ter o seu nome. Da mesma editora é o
pequeno, interessante e oportuno livro "Política da
Língua", de Paulo Feytor Pinto, que analisa o que
deveria ser a difusão e a defesa do nosso património
linguístico, num tempo em que, mais do que nunca,
importa assumi-lo como uma riqueza imaterial,
material e de civilização que se projecta no futuro e
pode ajudar a garantir a consolidar o nosso futuro. n
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Boavida|Artes
“Pessoa, o Bairro e o Barro”
Pessoa segundo Teresa Cortez
A cerâmica como forma de diálogo com Fernando Pessoa é o tema da exposição que a ceramista
Teresa Cortez mostra até final do corrente mês na Casa onde o poeta viveu e que leva o seu nome, no
Bairro de Campo de Ourique, em Lisboa.
Rodrigues Vaz
D
e vários modos "Pessoa,
o Bairro e o Barro",
assim se intitula a
exposição, é a homenagem merecida e possível ao
grande poeta da "Mensagem", que,
como lembra a artista, "fez das palavras
o "barro" com que consegue criar e
moldar universos poéticos, filosóficos,
intimistas estados de alma, com uma
singularidade literária e uma abrangência temática inigualada por qualquer
outro pensador, a nível mundial".
Razão tem Inês Pedrosa, que dirige o
espaço, para afirmar que "Na obra de
Teresa Cortez existe uma energia narrativa muito singular que nos envolve e
absorve desde o primeiro olhar", pois é
isto mesmo o que sentimos ao sentirmos evidente que nas suas composições há camadas sobrepostas de
amor e humor, ironia e ternura - e o
rigor da ciências que só os artífices
experientes possuem.
E tudo isto é igualmente visível
noutra exposição que Teresa Cortez tem patente até fim de
Maio próximo, no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa,
"Bicharada" de seu título, uma abordagem exaustiva à
obra cerâmica da artista, através da temática dos animais
que é transversal ao seu trabalho.
ARTISTAS BRASILEIRAS NA GULBENKIAN
Neste ano em que Portugal e Brasil trocam iniciativas para
dar a conhecer as suas culturas de um lado e do outro do
Atlântico, vale a pena lembrar que Fernando Pessoa é
igualmente objecto de uma curiosa exposição na Galeria
de Exposições Temporárias da Fundação Gulbenkian,
instituição que mostra, por outro lado, duas importantes
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TempoLivre
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exposições de artistas brasileiras,
Beatriz Milhazes (Até 13 de Maio) e
Rosângela Rennó (Até 6 de Maio).
Enquanto Beatriz Milhazes se
inspira no ambiente tropical, na
história e na cultura do Brasil para
criar motivos básicos das suas pinturas plenas de cor, o trabalho de
Rosângela Rennó tem por base a
fotografia, que recontextualiza, reenquadra, amplia e reimprime sob uma
perspectiva conceptual e politicamente
empenhada, expondo primordialmente
vítimas de actos de violência e de
exclusão social, desde presidiários a
simples anónimos, mas denuncia também a fotografia como acto de manipulação.
PAULO DAMIÃO EM LISBOA
Registo completamente diferente em
método e objectivos é o do jovem
artista Paulo Damião que na Galeria
MAC - Movimento Arte
Contemporânea, Lisboa, apresenta, até
24 do corrente, uma exposição intitulada "A Sombra dos Álamos", em que há
um nítido retorno à chamada grande pintura.
Diz o autor: "Esta exposição apresenta uma atitude
mais serena da forma como organizo e resolvo as minhas
inquietações. Expressa também a parte poética do comportamento das coisas, do efeito que as coisas simples
exercem sobre nós e como nos podem afectar enquanto
seres humanos, enquanto seres relacionais."
Servindo-se de uma técnica refinada que joga habilmente com cores quentes e gradações ténues de cambiantes que cintilam como que a procurar luz na sombra
das coisas esquecidas, consegue transmitir um sentimento
de desconforto tendo como resultado uma dicotomia entre
o belo e a inquietação do medo. n
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Boavida|Músicas
O novo Alborán
e o inesgotável Peter Gabriel
Aqui ao lado, em Espanha, o cantor e compositor Pablo Alborán foi considerado o "artista do ano", em
2011. A revelação ocorreu com o álbum "En Acústico" e contou com a ajuda de Carminho. No Reino
Unido, Peter Gabriel lançou o CD "New Blood", um caso de infindável criatividade.
Vítor Ribeiro
C
om cerca de 300 mil unidades
vendidas em Espanha e mais de
15 mil em Portugal, Pablo
Alborán, pouco mais de 22
anos, foi distinguido com três nomeações
para os Latin Grammy: Artista Revelação,
Melhor Álbum e Melhor Canção ("Solamente Tú"). Para
este tão rápido sucesso (passou agora um ano sobre a
chegada do cantor ao mercado), designadamente em
Portugal, contribuiu de forma decisiva o tema "Perdonáme",
interpretado por Alborán em dueto memorável com a portuguesa Carminho. Milhões de internautas, de resto, visionaram já o vídeo deste dueto disponível na internet.
Pablo Alborán compõe e interpreta um tipo de música
ligeira em que são perceptíveis algumas influências da
música tradicional espanhola, nomeadamente ao recorrer
a trinados vocais que nos remetem para o "cante jondo"
andaluz. O álbum "En Acústico" integra um CD com 15
temas, um DVD que segue à risca o alinhamento do CD e
um "making of" com aspectos da gravação.
tido comercial do termo. É que, felizmente,
Peter Gabriel pode já dar-se ao luxo de criar
apenas Música.
ÓPERA PARA CRIANÇAS NO CAMPO PEQUENO
E NO EUROPARQUE
"A Coragem e o Pessimismo- Uma grande
aventura que Camões relatou" é o título da
ópera para crianças, da autoria de Jorge Salgueiro (música) e Gonçalo M. Tavares (libreto), que subirá à cena no
dia 14 de Março, no Campo Pequeno, em Lisboa, pelas
10h30 e pelas 14h30 e no Europarque, em Santa Maria da
Feira, dia 21 de Março, pelas 09h30, 11h00 e 14h00.
LESLIE FEIST EM LISBOA E NO PORTO
A cantora canadiana Leslie Feist estará em Portugal para
efectuar dois concertos: dia 18 de Março, no Coliseu de
Lisboa e dia 19 de Março, no Coliseu do Porto. Em ambos
os casos a partir das 20h30. Este espectáculo tem por
objectivo a apresentação do mais recente trabalho
discográfico de Leslie, o álbum "Metals". n
O INFINDÁVEL PETER GABRIEL
Sem guitarra, sem viola baixo e sem bateria, o cantor e
compositor britânico Peter Gabriel editou o álbum "New
Blood". Gabriel fez-se acompanhar, "apenas", por uma
pequena orquestra sinfónica - New Blood Orchestra- sob a
direcção do maestro Ben Foster.
Músico fundador dos ex-Genesis, em 1967, Peter
Gabriel, 62 anos, continua na senda do habitualmente designado rock sinfónico e apresenta-nos um CD verdadeiramente notável. Com um talento inesgotável e uma maturidade criativa que só a experiência de muitos anos de trabalho possibilita, Peter Gabriel conseguiu colocar "New
Blood" no patamar da chamada grande música.
Os 14 temas que nos são propostos por Gabriel neste
álbum formam um todo, como se estivéssemos perante
uma sinfonia com os seus diversos andamentos. "New
Blood" não é uma obra "fácil", se tivermos em conta o sen-
Capa do novo
álbum de Peter
Gabriel
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Boavida|No Palco
“O Libertino” passeia pelo Trindade…
"O Libertino", uma comédia "picante" e hilariante protagonizada por José Raposo e Maria João Abreu
está em cena, até 8 de Abril, na Sala Principal do Teatro da Trindade.
Maria Mesquita
D
iderot, inveterado mulherengo,
mas casado e
feliz, decide afastar-se um pouco das suas
aventuras e, optar por um
possível retiro num castelo.
Madame Therbouche, uma
suposta retratista, também
em permanência na
habitação, quer desenhar
Diderot, desde que este esteja "como veio ao Mundo". É
o início de uma divertida relação, cheia de peripécias e
desenganos. A juntar à festa, Diderot tem ainda que lidar
com os constantes ciúmes da esposa, que sabe das suas
infidelidades, e com a aparente obsessão da sua filha por
engravidar de um homem mais velho. Por outro lado, a
tentação ressurge também sob a forma da filha do Barão,
jovem saudável e alegre e, muito menos ingénua do que
parece. Para culminar a todos estes jogos de gato e rato,
Diderot é convidado a escrever um artigo sobre "A Moral",
para publicação na grande "Enciclopédia". Como resistirá o
"libertino" a tantas provocações em seu redor?
O texto é do consagrado escritor Eric Emmanuel
Schmitt, conhecido do público português por êxitos apresentados no Teatro Nacional como: "Pequenos Crimes
Conjugais", também encenado por José Fonseca e Costa,
"Hotel dos Dois Mundos", encenado por Cucha
Carvalheiro ou "Óscar e a Senhora Cor-de-Rosa", encenado
por Marcia Haufrecht.
FICHA TÉCNICA:Autor: Eric Emmanuel-Schmitt; Encenação e
tradução: José Fonseca e Costa;Cenografia e figurinos: José
Manuel Costa Reis; Interpretação: José Raposo, Maria João
Abreu, Teresa Madruga, Filomena Cautela, Diana Costa e Silva
e o Tiago Aldeia
GIL VICENTE NO TNSJ
"Alma", em cena até dia 1 de Abril no Teatro Nacional de
São João (Porto), revela um outro Gil Vicente, o mestre da
dramaturgia nacional, definido por Teixeira de Pascoaes
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TempoLivre
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como "o mais Anjo e o
mais Demónio de todos os
poetas portugueses".
Nuno Carinhas tem feito
o incrível trabalho de trazer e elaborar para o palco
os grandes textos de
autores lusos. Depois de
"Breve Sumário da História
de Deus", regressa a Gil
Vicente no texto que foi
escrito entre dois dos Autos
mais conhecidos, "Barca do
Inferno" e "Barca do
Purgatório". Aqui se revela
a diferença, de um Gil Vicente distante da sátira, trazendo-nos a peregrinação que fazemos ao longo da Vida, a
provação, a mudança, a descoberta, as várias opções ou
caminhos que poderemos seguir. Contudo, não estamos
no contexto de pós-vida a que o autor nos habituou.
Estamos a falar, sim, da própria Vida, das almas, da nossa
Alma, considerando o passado e o futuro, o nosso destino
(escolhido pelo acaso, ou escolhido por nós).
O programa do TNSJ inclui ciclo de Conferências
"Estados d'Alma", dias 17 e 27 de Março, com a presença
de oradores convidados e do próprio encenador.
"AVENTURAS DE JOÃO SEM MEDO"
Escrito durante a Ditadura, o texto "As Aventuras de João
Sem Medo", de José Gomes Ferreira, retratam o imaginário
do homem, enquanto ser
humano frágil e medroso,
que, não obstante também tem de ser fértil em
ideias e resolução de
problemas. Com encenação de João Mota,
estará em cena na Sala
Garrett do teatro Nacional Dona Maria II ao longo de todo
o mês de Março.
FICHA TÉCNICA: Autor: José Gomes Ferreira; Versão cénica,
dramaturgia e encenação: João Mota; Interpretação:
Alexandre Lopes, Hugo Franco, Marco Paiva, Mia Farr, Miguel
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Sermão, Tânia Alves; Co-produção Comuna - Teatro de
Pesquisa, Teatro da Trindade - Fundação INATEL
DANÇA DE RODA
"Dança de Roda", de Arthur Schnitzler, peça proibida no
século XIX, e que foi argumento para um filme de Stanley
Kubrick, estará até 1 de Abril em cena, na Sala Principal
do Teatro de Almada.
"Dança de Roda" chocou, na época, a sociedade
vienense. O comportamento dos personagens, a história
sobre trocas de casais e comportamentos sexuais, foi o
bastante para a sua proibição. Já no século XX, a sua
primeira representação levou ao tribunal de Berlim o
próprio autor. Schnitzler, a partir de então, proibiu-a de
ser mais alguma vez levada aos palcos, enquanto fosse
vivo. Quase um século depois, as semelhanças com a realidade foram razão para que Stanley Kubrick realizasse o
filme "De Olhos Bem Fechados", onde os jogos sexuais, as
trocas de favores e o Poder, se misturam em clubes privados da alta sociedade norte-americana. Quando Schnitzler
a concebeu, pensava apenas e só nas consequências que
os comportamentos humanos poderiam causar, principalmente numa época em que a sífilis era a doença sexualmente transmissível… Nesta encenação de Rodrigo
Francisco, participam jovens actores formados pela Escola
Superior de Teatro e Cinema e da ACT - Escola de
Actores, e que tiveram como primeiro grande desafio a
peça "Santa Joana dos Matadouros", também no TMA
(2011), e encenada pelo grande mestre de teatro Bernard
Sobel.
"JURAMENTOS INDISCRETOS"
Nesta peça de Marivaux, "Juramentos Indiscretos", pode o
público ver até que ponto a influência dos outros, da
família, amigos, desconhecidos, modifica as nossas
decisões e a nossa vida pessoal. Em cena, no Teatro Carlos
Alberto no Porto, até 18 de Março.
Nesta peça, uma co-produção do Teatro dos Aloés e do
TNSJ, é-nos contada a história de dois jovens, que sabendo do contrato entre os pais de ambos, decidem, contra as
regras da época, encontrarem-se e discutirem os motivos
que os possam levar a rejeitar tal união. n
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Boavida|Cinema em Casa
Histórias de Amor
"Março amoroso faz o ano formoso", reza o provérbio. Razão certa para uma selecção que celebre o
melhor dos sentimentos. De França, o excelente musical "Os Bem-Amados" e, do outro lado do
Atlântico, três outras histórias de amores e desamores: "Amor Estúpido e Louco", com Steve Carrel e
Julianne Moore; "Amigos Coloridos", com Mila Kunis e Justin Timberlake; e "A Lista dos Ex", com Anna
Faris e Chris Evans. Sérgio Alves
OS BEM-AMADOS
AMOR, ESTÚPIDO E LOUCO
AMIGOS COLORIDOS
Justin Timberlake, Patricia
Paris, Anos 60. Madeleine
Cal é um homem feliz - tem
Jamie é uma jovem nova-
Clarkson, Jenna Elfman,
vive, - em plena afirmação da
um bom emprego, uma boa
iorquina, agente de talentos,
Woody Harrelson; EUA,
emancipação feminina e do
casa e filhos excelentes - até
que convence Dylan a deixar
109m, cor, 2011; Edição: Pris
amor livre - o grande amor da
ao dia em que a esposa,
Los Angeles e aceitar um
sua vida. Segue-
Emily, pede o divórcio. A sua
novo emprego em Nova
A LISTA DOS EX
o até Praga,
vida, perfeita e organizada,
Iorque. Com muito em
Ao ler um artigo numa revista
casam, mas a
desmorona-se num ápice e ele
comum, eles passam muito
que sustenta que as mulheres
'traição' do
começa a frequentar o mesmo
tempo juntos e tornam-se
com mais de 20 parceiros se-
namorado fá-la
bar todas as noites na ânsia
amigos inseparáveis até que a
xuais tendem a acabar sós,
regressar à
de esquecer a ex-mulher. Aí,
atracção física os leva a dar
Ally quase entra em
cidade natal.
conhece um jovem sedutor
um passo na relação: fartos de
depressão. Alarmada com a
Londres, anos 90. A paixão de
profissional, Jacob, que o vai
relações emocionais desgas-
situação, pois já teve 19
Vera por um músico sofre os
ajudar a conhecer outras mu-
tantes que nunca acabam
rapazes diferentes na sua
efeitos da era da ausência e
lheres e a recuperar o sucesso
bem, decidem
vida, resolve fazer uma lista
fuga ao compromisso. É a
no amor. Mas ele não é o
tornar-se "ami-
dos seus ex-namorados para
história de duas mulheres,
único à procura de amor no
gos coloridos".
descobrir qual deles pode ser
mãe e filha, das suas paixões,
sítio errado e, apesar da
Tudo parece cor-
o grande amor da sua vida.
ilusões e desenganos, mas
mudança, o coração vai levá-
rer bem, até ao
Agora, com uma
também, dos homens que
lo ao ponto de
momento em
longa lista de
amaram numa ode à condição
partida.
que ambos se apercebem o
nomes e apenas
feminina e ao Amor.
Premiado pela
quão difícil pode ser o sexo
um "bónus" para
O regresso de Christophe
crítica norte-
sem compromisso e a gestão
gastar, Ally pede
Honoré foi um dos aconteci-
americana, o
das emoções numa relação
ajuda a Colin, o
mentos do cinema francês de
filme dirigido
assim. "Amigos Coloridos"
seu vizinho e amigo, para a
2011 com este romance, de
pela dupla
reflecte a natureza transitória
acompanhar nesta viagem ao
drama, magia e sedução, va-
Glen Ficarra e John Requa,
das relações na sociedade
passado. Protagonizado pelas
lorizado por um naipe de
"Amor, Estúpido e Louco" é
contemporânea, em sintonia
jovens estrelas Anna Faris e
grandes actores, como
uma das boas surpresas de
com o ritmo e o pulsar da
Chris Evans, "A Lista dos Ex"
Catherine Deneuve e a sua
2011 pela abordagem irónica
vida moderna, duma forma
é uma divertida comédia
filha Chiara Mastroianni e a
mas inteligente da questão da
divertida e descontraída.
romântica realizada por Mark
participação de Milos Forman.
separação.
Assinala, por outro lado, o
Mylod, jovem realizador
TÍTULO ORIGINAL:
TÍTULO ORIGINAL:
regresso das comédias român-
vindo da televisão
TÍTULO ORIGINAL:
Les Bien-
Crazy,
Aimés; REALIZAÇÃO:
Stupid, Love; REALIZADOR:
ticas, na melhor tradição de
Christophe Honoré;
Glen Ficarra e John Requa;
Hollywood, com uma realiza-
Number; REALIZAÇÃO: Mark
COM:Catherine
COM:
ção segura e uma dupla em
Mylod; COM: Ana Faris, Chris
Deneuve,
Steve Carrel, Ryan
What´s Your
Chiara Mastroianni, Ludvine
Gosling, Julianne Moore,
grande forma: Mila Kunis e
Evans, Ari Graynor e Blythe
Sagnier, Louis Garrel e Milos
Emma Stone, Marisa Tomei;
Justin Timberlake.
Danner; EUA, 106m, cor,
Forman; França/GB/Repú-
EUA, 118m, Cor, 2011;
TÍTULO ORIGINAL:
2011; Edição: Pris
blica Checa, 139m, Cor, 2011;
EDIÇÃO:
Benefits; REALIZAÇÃO: Will
EDIÇÃO:
56
Clap Filmes
TempoLivre
| MAR 2012
Zon Lusomundo
Friends With
Gluck; COM: Mila Kunis,
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Boavida|Grande Ecrã
Ao gosto do grande público
Para uma maioria dos espectadores portugueses que apesar da crise se mantém
fiel às salas, o mês que ora se inicia vai ser bastante sumarento Ver para crer.
Joaquim Diabinho
F
ábula moderna sobre os nossos medos e a força
que é preciso para os superar e seguir em frente,
"Extremamente alto, incrivelmente perto"
(estreia, dia 1) vem, antes de tudo o mais, confirmar aquilo que os temas e modos narrativos de "Billy
Elliot", de "As Horas"e de "O Leitor"de algum modo já haviam enunciado: que Stephen Daldry, antigo director artístico de teatro, é um cineasta de talento a merecer continuada atenção.
Baseado num romance, com o mesmo título, de
Jonathan Safran Foer, o filme narra a história
extraordinária de Oskar Schell, um jovem precoce de 11
anos (afectado pelo síndrome de Asperger), bastante
inventivo e sensível, que perde o pai nos atentados às torres gémeas, na manhã de 11 de Setembro de 2001.Como
não poderia deixar de ser, Daldry revela-se exímio na criação de atmosferas e seguro a gerir com eficácia e coerência narrativa a odisseia desse rapazinho pelas ruas de New
York em busca de uma razão que o leve a entender - ou,
para sermos precisos, a aceitar - essa trágica e irreparável
perda. Na verdade, "Extremamente alto..." não é sobre o
fatídico "9/11". É sobre a catarse necessária para expurgar
esse trauma.
Excelentes são as interpretações, sobretudo de Max
von Sydow, Zoe Caldwell, Tom Hanks, Sandra Bullock e
do juvenilíssimo Thomas Horn, no protagonista.
Emocionante e comovente.
Adaptação de um enorme êxito da literatura brasileira
da autoria de Jorge Amado, escritor de renome mundial e
uma das personalidades cimeiras da língua portuguesa,
"Capitães de Areia" (em cartaz, dia 29) possui não poucos
motivos de interesse (p.ex., a vitalidade da interpretação
juvenil e a ambientação de época) mas o seu dramático
retrato de vida dos meninos de rua de Salvador da Baía
nos anos 30 do século passado não atinge, nem de perto
nem de longe, o fulgor e o recorte psicológico da obra
literária. Mesmo assim, o filme é cativante e merece,
como é óbvio, ser fruído por um vasto público. Uma
curiosidade: a realizadora, Cecília Amado, é neta do
escritor. n
MAR 2012 |
TempoLivre 57
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Boavida|Tempo Informático
Aproveite o que há de melhor
Use e abuse do que as novas tecnologias lhe oferecem desde que sejam de confiança. E isso significa
segurança. Segurança na Internet, segurança nos dispositivos que escolhe, segurança em tudo o que
pode melhorar a sua vida desde que tenha os meios necessários para o alcançar. Faça contas, informese e decida-se pelo que pode fazer sem prejuízo para a sua subsistência.
Gil Montalverne
[email protected]
S
ão vários os serviços de teleassistência destinados combater a solidão em que vivem pessoas
de uma certa idade. O mais recente
"Arquitectura de Teleassistência" tem a particularidade de permite apenas com toque num botão, comunicar com a exacta Instituição social de acompanhamento
numa qualquer emergência ou apenas para conversar.
Quem está do outro lado é alguém que o(a) acompanha no
Apoio Domiciliário, nas idas ao médico, etc. Tem botões
de pânico em pulseiras ou colares para que ao pressionar
se inicie uma chamada telefónica de emergência. A versão
familiar do sistema chegará ao mercado a 400 euros. Outro
serviço de emergência muito útil, numa parceria entre a
Vodafone e a Serviin, destina-se a auxiliar as pessoas que
usam apenas a comunicação gestual. Com telemóveis 3G
de videochamadas, basta marcar o nº 12742 e comunica-se
gestualmente com um intérprete que fará depois a respectiva tradução para qualquer serviço aderente ao Portal do
Surdo: chamar um táxi, solicitar algo do comércio local ou
emergência médica. A chamada custa 1 cêntimo por minuto. Pode informar-se em www.portaldocidadaosurdo.com
ALGO QUE PODE SER ÚTIL para poder ver na Internet e rua
onde mora e até o prédio que habita, escolher o ângulo
preferido e depois gravar e compartilhar a imagem. É um
serviço grátis que não requer registo. Basta escrever no seu
browser ou no google www.showmystreet.com. Aparece de
imediato uma indicação para escrever o nome da rua e o nº
58
TempoLivre
| MAR 2012
da porta, tal como fizemos na imagem que se apresenta
aqui para mostrar a sede da Fundação Inatel em Lisboa.
DELICIEM-SE TAMBÉM com o novo Disco Multimédia da
Western Digital. Disponível em versões de 1, 2 e 3
Terabytes (1TB=1000 GB), é um sistema de armazenamento único, uma vez que foi concebido de raiz para
poder ser partilhado numa rede doméstica e/ou ser acedido a partir do exterior, através da Internet. Equipado com
um CPU interno para rápido processamento da informação, o WD MyBook Live está optimizado para streaming de conteúdos multimédia. Suporta iTunes, acesso a
partir de apps de plataformas móveis, streaming directo
para televisores e consolas de jogos, ao mesmo tempo que
pode ser usado para realizar backups automáticos de
todos os computadores a que tenha acesso. n
47a61_BV235.qxp_sumario 154_novo.qxd 2/22/12 3:24 PM Page 71
Boavida|Ao Volante
Novo Citorn DS5
Já em comercialização, o Citroen DS5 apresenta-se como uma nova etapa no desenvolvimento da linha
DS. Inovador e visionário, o terceiro elemento encaixa-se em perfeita coerência com a assinatura
"Creative technologie" da marca, apresentando-se ainda mais assertivo em termos de estilo,
arquitectura, sensações e requinte.
Carlos Blanco
T
al como os seus dois antecessores, os modelos DS3 e
DS4, o novo DS5 destina-se a
clientes que procuram produtos simultaneamente radicais e
marcantes, que buscam uma perspectiva vincadamente moderna e "premium". Criação original, o modelo
traduz o prazer de condução num
automóvel de excepção, que surpreende e encanta pelo seu estilo,
pela sua concepção e pela tecnologia
que encerra.
Produzido em França, o terceiro
elemento da linha DS é, também, o primeiro modelo da
marca a adoptar a tecnologia diesel "full hybrid" HYbrid4,
oferecendo em simultâneo elevadas performances (200
cavalos em tracção integral), uma nova experiência de
condução (condução eléctrica em circuito urbano, com
aumento de aceleração), com redução das emissões para
99g/km de CO2.
No seu lançamento o novo DS5 conta com dois blocos
diesel sob a norma Euro V e equipados com filtros de
partículas: o H-Di 110 Airdream (com caixa de seis velocidades manual) com a mais recente geração da tecnologia
micro-híbrida Stop&Start, que reduz em 15% as emissões
de CO2; e o HDi 160 (com caixa de seis velocidades manual ou automática) dotado de um desempenho relevante,
para uma condução agradável e segura. No campo da
gasolina, conta com dois blocos turbo com injecção directa, igualmente Euro V, e desenvolvidos em colaboração
com a BMW: o THP 155 (com caixa de seis velocidades
automática) e o THP 200 (com caixa de seis velocidades
manual). Esta ultima versão oferece notáveis performances, graças à sua potência (200 cavalos) e binário máximos (275 Nm às 1770 rpm).
O DS5 permite uma condução simultaneamente
dinâmica e segura em todas as circunstâncias. Uma boa
relação com a estrada que nos dá a sensação de ter as
rodas nos extremos. Gerador do imaginário, o modelo
projecta os seus passageiros numa impressionante
experiência de condução, com um posto de condução
concebido dentro do espírito dum "cockpit" onde o
sonho e a realidade se confundem. A bordo, todos são
convidados a viver a sua própria história.
Em termos tecnológicos, implementa também o que de
melhor a marca do "double chevron" tem para oferecer,
como o controle de tracção inteligente, a segunda geração
do sistema de alerta de saída involuntária da faixa de
rodagem, a comunicação automática dos faróis em função
do tráfego circundante, a transmissão de informações a
cores no pára-brisas, ou a câmara traseira para estacionamento.
Esta e outras soluções de segurança – activa e passiva –
garantiram-lhe a conquista de 5 estrelas na avaliação a
Euro NCAP, análise onde obteve também um registo de
97% nos sistemas de assistência à condução.
Na sua concepção, estamos perante um automóvel que
rompe com as normas, oferecendo uma nova visão do segmento "premium", apresentando-se num formato compacto que preserva a habitabilidade. O Citroen DS5 ultrapassa todos os compromissos habituais em termos de
estética e prestações, combinando o prazer de condução
com o bem-estar a bordo. n
MAR 2012 |
TempoLivre 59
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Boavida|Saúde
Ressonância magnética:
alguns conselhos
Já várias vezes tive doentes que se referiram à Ressonância Magnética Nuclear (RMN) como um exame
de diagnóstico que não deixa boas recordações e que gostariam não ter de voltar a fazer.
M. Augusta Drago
A
medicofamí[email protected]
RMN é um exame imagiológico de grande
relevância para a medicina, porque permite
obter imagens de elevada definição e muito
esclarecedoras sobre o interior do corpo
humano, permitindo diagnósticos muito precisos.
Os doentes devem estar preparados para a sequência de
procedimentos técnicos de rotina usados pelos profissionais que realizam este exame, mas que os pode assustar.
O "aparelho" em que é feita a RMN é composto por
uma marquesa confortável, que desliza para dentro de um
tubo metálico largo, onde é gerado um poderoso campo
magnético. Este equipamento está num espaço especial,
protegido de radiações exteriores.
De uma maneira geral, não é necessário fazer qualquer
dieta, mas é recomendável que o doente coma previamente uma refeição ligeira, porque o exame pode
ser demorado.
Sendo necessário para "esclarecer"
alguma imagem, pode ser administrado
um contraste. Embora os efeitos
secundários (alergias, nomeadamente) dos contrastes tenham uma
incidência muito baixa, é pedido
ao doente que assine um termo de
responsabilidade para autorizar a
sua administração endovenosa.
O doente tem que se despojar
de todos os objectos metálicos que
traz consigo, tais como carteira e
moedas, anéis, ganchos do cabelo,
relógio, chaves, cartão de crédito e
outros cartões magnetizados,
piercings e próteses dentárias
metálicas, e veste uma bata para
impedir interferências dos objectos metálicos da roupa, como
fechos, molas, colchetes, etc.
A RMN é absolutamente contra60
TempoLivre
| MAR 2012
indicada em doentes que tenham próteses metálicas,
pacemakers, implantes ou chips metálicos, porque correm
o risco de o campo magnético gerado dentro do corpo
poder deslocar as estruturas metálicas.
Um aspecto importante da preparação do doente para
o exame é a informação sobre como reage a estar num
espaço fechado. Isto é, se sofre ou não de claustrofobia.
Caso haja o risco de entrar em pânico, é-lhe administrado
um tranquilizante.
O doente só está preparado para fazer o exame quando
soube como este funciona e que passos são dados. Assim,
os procedimentos dentro da sala de exame devem ser
acompanhados da sua explicação, de maneira a confortar
o doente.
O doente é deitado e imobilizado sobre a marquesa,
que se desloca para o introduzir no tubo metálico. O
exame pode durar de 20 a 90 minutos ou mais e, uma vez
dentro do tubo, o doente deve permanecer
imóvel e descontraído - qualquer movimento pode obrigar à repetição do
exame.
Não se deve assustar com os ruídos
que vai ouvir à sua volta. Esses estalidos correspondem ao funcionamento
normal do equipamento. Deve igualmente saber que não está sozinho o médico e o técnico encontramse fora da sala de exame, por
causa das interferências, mas
estão sempre atentos. O doente
leva, na mão, uma campainha,
que pode utilizar-se se sentir mal.
A RMN é utilizada para detectar alterações específicas do corpo,
tais como alterações nas articulações,
ossos, tumores, problemas a nível da
coluna, do coração, do cérebro e
doutros órgãos. Pela sua importância não
pode ser posta de lado só porque houve
uma experiência negativa. n
ANDRÉ LETRIA
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Boavida|Palavras da Lei
Falta de pagamento de taxa
de Justiça em oposição a Injunção
?
Fui parte em processo de Injunção que me foi movido.
Opus-me à mesma, mas não paguei a taxa de Justiça,
por desconhecimento da mesma.
Entretanto, como não a paguei, devolveram-me a oposição,
dizendo que não podia ser aceite por falta de pagamento.
Não deveria ter-me sido dada a oportunidade de pagar a taxa,
antes de a aceitarem ou não?
Sócio devidamente identificado - Porto
Pedro Baptista-Bastos
C
onsiderada a situação social e económica em
que vivemos, assistiu-se a um aumento de
Injunções apresentadas por quem é credor de
uma quantia.
E, de facto, era prática por força de Lei que, se houvesse uma oposição a Injunção onde não se tivesse pago a
taxa de Justiça, no momento da junção aos autos dessa
mesma oposição, havia o chamado "desentranhamento" da
peça processual, por falta do pagamento devido da taxa de
Justiça.
O nosso Código de Processo Civil, no seu artigo 486º-A,
que dispõe sobre as consequências processuais da falta de
documento comprovativo do pagamento de taxa de
Justiça, e que vale como norma geral aplicável a todos os
processos especiais, incluindo o processo de Injunção,
determina nos seus nºs 2 e 3, que se concede um prazo
especial de 10 dias para se efectuar o pagamento omitido,
com acréscimo de uma multa de igual montante, não inferior a uma unidade de conta nem superior a dez unidades
de conta.
Por outro lado, se a secretaria judicial ou Juiz do processo - sendo, ao caso, a Secretaria-Geral de Injunções verificar que, encerrada a fase de apresentação de peças
processuais não tiver sido feito o pagamento da taxa, ainda
assim concede outro prazo de 10 dias, com uma multa de
valor maior, no mínimo, dez unidades de conta, para que
se regularize o pagamento - a título informativo, o valor da
unidade de conta para 2012 é de 102,00 Euros.
O Tribunal Constitucional, no seu Acórdão nº
587/2011, de 30/11/2011, processo nº 324/2011, determinou que a norma do artigo 20º do regime anexo ao
Processo de Injunção qua tale é inconstitucional, isto é,
quando o processo de Injunção era distribuído e houvesse
notificação desse acto para que o processo fosse tramitado
como acção declarativa especial, sem que se pagasse a taxa
de Justiça e não fosse concedido ao oponente os prazos
acima referidos do artigo 486º-A do C.P.C., acarretando o
desentranhamento da peça, não poderia continuar a
subsistir, à luz do nosso Direito.
Esta decisão é vantajosa para quem, por exemplo, tenha
que se opor a uma Injunção, mas não tenha momentaneamente dinheiro para pagar a taxa, embora o possa ter dias
depois. Defende as pessoas com dificuldades financeiras e
mantém a possibilidade processual do contraditório nos
processos de Injunção.
Assim sendo, este nosso leitor deve, através de requerimento feito para o caso e elaborado por Advogado, expor
este Acórdão, que tem força imperativa legal, devendo a
Secretaria-Geral de Injunções tomar conhecimento e conceder-lhe prazo para pagamento da taxa de Justiça devida
com as necessárias cominações. n
MAR 2012 |
TempoLivre 61
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ClubeTempoLivre > Passatempos
Palavras Cruzadas | por José Lattas
1
HORIZONTAIS: 1-Pomba; Desertos. 2-Afagar; Substituição. 3-
1
Combinaram; Voz imitativa, de tiro de peça. 4-Beira; Imitara a
linguagem árabe. 5-Dídimo (s.q.); Balandrau; Suf. Que traduz a
ideia de ocupação, ofício ou emprego. 6-Fedor; Saia!; Escória.
7-Aloucados; Estima. 8-Quadra; Aquelas; Enleara. 9Trabalhador que vem de fora, para amanhar as vinhas; Escola
Prática de Infantaria (sigla). 10-Farto; Indígena. 11-Oculto;
Cálcio (s.q.); Acrescentar. 12-Embrião; Cozinhasses. 13Calejado; Mas; Achaque.
2
2
3
4
5
6
7
8
9 10 11 12 13 14 15
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
SOLUÇÕES
(horizontais): 1-PALOMA; PÁRAMOS. 2-I; ALISAR; MUDA; E. 3-C;
CASARAM; BUM; P. 4-ABA; ARABIZARA. 5-DI; OPA; OR; IR. 6-ACA;
ALA; ESCUMA. 7-AVARIADOS; AMA. 8-IDADE; ÁS; ATARA. 9-PALECOS; EPI; M. 10-O; RICO; NATIVO. 11-SUMIDO; CA; ADIR. 12-FETO;
COZESSES. 13-CALOSO; ORA; MAL.
VERTICAIS: 1-Ferroada; Árvores venenosas do arquipélago da
Malásia. 2-Calha; Interjeição que exprime admiração. 3-Resina
ou goma resinosa, obtida de muitas árvores do Oriente;
Garantia; Lisonja. 4-Olaria; Nome masculino. 5-Nota musical
(pl.); Análogos. 6-Alça; Advérbio; Caverna. 7-Altar; Em partes
iguais; Afastado. 8-Divino; Concede; Cobalto (s.q.). 9Abundância; Ósmio (s.q.); Ensejo. 10-Antes do meio-dia;
Existes; Prefixo de modo ou de lugar, quando a consoante é
diferente de "b", "p" ou "m"; Érbio (s.q.). 11-Piropo; Bolo chato
e circular de farinha de arroz e azeite de coco, usado na Ásia;
Sociedade anónima (sigla). 12-Traz; Bonitos. 13-Chucha;
Homogénea; Emprega-se para evitar repetição. 14-Concordar;
Aponta. 15-Aparta; Apego.
Ginástica mental| por Jorge Barata dos Santos
N.º 35
Preencha a grelha com os
algarismos de 1 a 9 sem
que nenhum deles se
repita em cada linha,
coluna ou quadrado
N.º 35
62
TempoLivre
| MAR 2012
SOLUÇÕES
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ClubeTempoLivre > Novos livros
BERTRAND EDITORA
MATÉRIA-PRIMA ED.
Vasconcelos,
mulher os
o autor
filhos que não
DINHEIRO DE SANGUE
apresenta
pôde ter com
OS 50 GRANDES
David Ignatius
No Paquistão, alguém anda a
paisagens
ela. Decidida a
ACONTECIMENTOS DA
rurais e
confrontá-lo
HISTÓRIA
matar os membros de uma
urbanas de
viaja para
Hugh Williams
Portugal do
unidade de
Montevedova, uma pequena
Personagens
inteligência da
séc. XX, enquanto refaz
aldeia da Toscana onde vive
e lugares que
CIA que tenta
percursos captados pela
a família que imagina ser
marcaram a
comprar a paz
objetiva do grande geógrafo.
feliz à sua custa. Mas a sua
história. De
decisão pode mudar não só
Jesus Cristo a
aos inimigos
da América.
EDITORIAL PRESENÇA
aldeia.
Sophie, uma
jovem agente, incumbida de
SCARPETTA
descobrir os culpados e as
Patricia Cornwell
Kay Scarpetta é chamada a
suas motivações, depara-se
a sua vida como a de toda a
momentos basilares para
ESTRELA POLAR
examinar um
ATALHOS DO AMOR
onde nada é o que parece.
indivíduo ferido
Maria José Costa Félix
O amor
na ala de
PRINCESA POPPY: BRINCA
NASCENTE
detenção
aparece
REIKI E A ENERGIA DE
psiquiátrica do
quando menos
CURA PELO AMOR
Hospital de
se espera. Ele
Carlos Campos
A obra revela como a
AO CARNAVAL
Bellevue. O paciente conta-
é o principal
Janey Louise Jones
lhe uma história bizarra,
motor da vida e
passagem de
indicando que as suas
aquilo que revela o que
energia através
feridas foram infligidas no
realmente somos… por vezes
de um canal de
decurso de um crime... que
só o conseguimos ver
amor pode
não cometeu.
quando estamos noutra
um Curador Espiritual do
DO LADO DE CÁ DO MAR
Crónicas de um americano
ajudar a
recuperar a saúde. O autor,
dobra do tempo.
FONTE DA PALAVRA
Amor, utiliza a imposição das
mãos para ajudar os seus
em Lisboa
Poppy partilha peripécias e
compreender a sociedade
atual.
com uma galeria de espelhos
BOOKSMILE
Ozymandias,
de Ford T à Internet são 50 os
Philip Graham
Uma viagem encantadora
BARCO ENCALHADO NA
pacientes.
AREIA
fantasias numa época de
pelos bairros,
costumes,
Manuel Dias Duarte
Pedro enche o peito de ar,
PERGAMINHO
carnaval, tempo de
brincadeira e muita
gastronomia e
olha a Ponte 25 de Abril ao
COMO NÃO ESCREVER UM
animação. Recomendado
outros atrativos
longe, numa derradeira
ROMANCE
pelo plano Nacional de
de Lisboa
tentativa para desencalhar as
Howard Mittelmark e Sandra
Leitura.
habilmente
palavras. Decisivamente
CIRCULO DE LEITORES
PORTUGAL LUZ E SOMBRA
descritos pelo autor, um
Leonor andava muito
Newman
Com humor e perspicácia
americano que escolheu o
estranha, de há uns tempos
revela-se o que não devemos
fazer quando queremos
nosso país para passar com
para cá. A
a família um ano.
morte do
escrever um
filho
romance
abalara-a.
elegante e
O país depois de Orlando
Ribeiro
DOLCI DI LOVE
Duarte Belo
Partindo do espólio de
Sarah-Kate Lynch
Uma executiva em
Orlando Ribeiro e na esteira
Manhattan descobre que o
contratações e contactos
de figuras como Leite de
marido tem com outra
com editoras.
64
TempoLivre
| MAR 2012
eloquente. Inclui
conselhos sobre
64e65_NL.qxp_sumario 154_novo.qxd 2/22/12 3:31 PM Page 77
VOGAIS
SETE LIÇÕES PARA
entre aquilo que
introdução à liturgia e à
LIDERAR EM TEMPOS DE
temos para fazer
catequese e pode ser usado
BELEZA ATORMENTADA
CRISE
e aquilo que
por acólitos em funções.
Cecilia Samartin
O romance
Bill George
fazemos
efetivamente. À
Um guia para
OS MÍSTICOS DAS
retrata o
empresários e
primeira vista a diferença
RELIGIÕES
sofrimento de
líderes que
parece óbvia, mas numa
Jamilet, uma
pretendem vencer
escrita finamente mordaz, o
José Luis Vázquez Borau
O livro aborda a temática do
os desafios
autor prova o contrário num
misticismo nas diferentes
jovem que vive
divertido exercício literário.
numa aldeia mexicana
económicos. São sete lições
atormentada pela marca
que através de experiências
horrível que tem no corpo.
reais ajudam a fazer da crise a
PAULUS
concretos de
Mas a morte da mãe e a
maior força das empresas.
MANUAL PARA ACÓLITOS
modelos de fé e
vida. Escrito de
VERBO
Diego Nicolás Pardo Motta
Um manual ilustrado para as
forma acessível e bem
crianças que desejam tornar-
ilustrado é uma excelente
recusa em viver com a avó
levam-na até aos EUA, onde
descobre a beleza do amor e
religiões, com
exemplos
da amizade ao conhecer Don
FAZER
se acólitos
base para qualquer curioso
Peregrino.
Paulo Morgado
O autor explica
(coroinhas).
ou estudioso do tema.
detalhadamente a diferença
temáticas, serve de
Apresenta todas as
Glória Lambelho
67a70_ZAMB235.qxp_sumario 154_novo.qxd 2/22/12 3:39 PM Page 79
O Tempo e as palavras
M a r i a A l i c e Vi l a Fa b i ã o
À margem da (des)necessidade de um (des)acordo ortográfico (2)
Uma Questão de Prestígio
'Stamos em pleno mar… Abrindo as velas / Ao quente arfar das virações marinhas, / Veleiro brigue corre à flor dos mares
/ Como roçam na vaga as andorinhas… / / Donde vem? Onde vai? Das naus errantes / Quem sabe o rumo se é tão grande
o espaço? […] Castro Alves, Navio Negreiro, Brasil, Abril de 1868.
O
meu primeiro contacto com a literatura brasileira foi com o poema "Navio Negreiro" de Castro
Alves, declamado, gesto largo e semblante terrível, em pleno largo da vila, num fim de tarde da
minha pré-adolescência, por um artista ambulante, de cabeleira revolta e lavallière negra enrolada no pescoço, onde o
branco de um colarinho primava pela ausência. Do mistério
daquela língua, em que os poucos vocábulos familiares se
alongavam em demorados erres guturais, como o marrr e a
florr, apenas as notas da sua "música secreta" ficaram a
vibrar no diapasão da memória. Até que um dia, alguém me
ofereceu o texto, letras negras em papel azul, e eu fiz minhas
todas aquelas palavras que tão estranhas me tinham soado.
Depois foi a leitura do E. Veríssimo, do Lins do Rego, da
Lygia F. Telles, e outros, e dos poetas do Brasil, leituras nossas, da nossa adolescência nacional, na mesma língua "doce
e viril" de "trovar ao sol e à lua" em que Mello Mourão escreveu a Invenção do Mar.
E jamais tropeçámos na ortografia, jamais sentimos falta
de consoantes mudas ou de um Acordo Ortográfico, como
também jamais sentimos que elas nos sobravam nos textos
dos autores pátrios, que é ciência de quem sabe ler ler como
correcta a palavra mesmo que erradamente grafada. Assim
se explica a nossa capacidade para lermos uma primeira
edição do Eça ou do Camilo, que a importância da ortografia é directamente proporcional ao grau de alfabetização dos
falantes. Vez por outra, é certo, afundávamo-nos no léxico,
que o português de Portugal não é o português do Brasil,
nem será jamais o português de qualquer outro país soberano, com direito a língua própria.
Justifica o texto da Nota Explicativa anexa ao AO a
necessidade de um acordo inter-nações pelo facto de "a
existência de duas ortografias oficiais da língua portuguesa,
a lusitana e a brasileira, ter sido considerada como largamente prejudicial para a unidade intercontinental do português e para o seu prestígio no mundo". (Sublinhado meu).
Crendo defender a língua em que escreveu Camões,
escreve Carlos Reis: "Se queremos que o português tenha
hipóteses […] de alguma concretização internacional em
confronto com outras línguas, não podemos continuar a
ignorar um cenário linguístico em que alegremente convivem duas ortografias […].
Vivi entre 1959 e 1965 nos Países Baixos, absolutamente
integrada num meio universitário, onde se estudava o português e o espanhol. O espanhol era por esse então língua
da moda, já que estudada pelo próprio marido e uma filha
da Rainha. Havia, ainda, em Haia a "Associação Holanda,
Portugal, Brasil", cujos sócios, pessoas de cultura, tinham
vivido no Brasil e falavam correntemente o português brasileiro.
Nas nossas frequentes conversas sobre a língua, nunca um
estudante ou um membro da Associação se queixou de dificuldades decorrentes das diferenças ortográficas. Queixavamse, sim, da dificuldade em compreenderem o português falado, que consideravam uma língua "fechada", não favorável à
comunicação oral, por ausência de vogais abertas. Daí, a falta
de prestígio implícita na apreciação de C. Reis.
Maria Helena Mateus faz notar que "no contexto da
União Europeia" o português é frequentemente desconhecido ou confundido com o espanhol. Eu sei. Nesse caso,
porém, a responsabilidade desse "desprestígio", dessa vergonha, cabe aos nossos eurocratas, sobretudo aos senhores
comissários, que nos fora internacionais exibem o seu melhor inglês ou francês, confundindo, por vezes, rapidez com
fluência, em vez de exigirem o respeito devido à sua própria
língua, impondo-a orgulhosamente, como fazem comissários de outros países com línguas minoritárias.
Uma coisa é certa: o prestígio do nosso português de
forma alguma depende de um AO, da existência ou eliminação de consoantes mudas, de hífenes, ou de acentos, mas
sim do prestígio dos nossos governantes, das nossas economias, do respeito de todos os que a falamos. n
MAR 2012 |
TempoLivre 67
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Os contos do
Cuidado com os
telemóveis
O
banco ao lado é um lugar propício a observar
quem conduz a viatura. Olha-se o perfil do condutor ou condutora, em regra imóvel na visão da
estrada. Não é situação vulgar em circunstâncias
diferentes.
Carol dava-se ao gosto de mirar o marido, Gonçalo, desse
ângulo em que se olha sem ser olhado, enquanto ele acelerava a caminho do Porto. Acelerava, talvez demasiado, pois tinham partido duas horas mais tarde que o previsto.
- Fui à oficina - justificou Gonçalo - ouvi uns barulhitos no
motor e todos os cuidados são poucos. Afinal, limitou-se a
uma afinação mas tive de esperar.
- Podias ter telefonado - protestou Carol em tom carinhoso.
- Não imaginei que demorasse tanto.
Enquanto contemplava o marido, Carol saboreava a felicidade que tinham reencontrado. Nunca a teria perdido se não
fosse a tendência para imaginar outras mulheres na vida de
Gonçalo. Com uma e primeira explicação no SMS que surpreendera no telemóvel dele. Má hora aquela em que pegou
no aparelho. Gonçalo demorava-se no duche e ela ouviu o
toque de alerta para mensagem. Por instinto foi ver e estremeceu quando viu: "Às quatro lá estarei. Bjs. Lígia."
Tombou no sofá, desorientada. Lígia? Ele tinha uma Lígia?
A voz saiu-lhe rouca e agreste quando o interrogou, surgia ele
de roupão:
- Quem é a Lígia?
Gonçalo encolheu os ombros e desenhou no rosto uma
careta de ignorância:
- Lígia? Não conheço nenhuma Lígia.
- Ah! Não? Então como te confirma ela um encontro para
as quatro? E adianta beijo!
O marido riu-se. Rir é boa atitude quando se é alvo de acusação sem sentido. Leu a mensagem que Carol lhe exibia diante do nariz e abanou a cabeça:
- É engano. Essa Lígia trocou os dedos.
Parecendo preocupado em confirmar, apossou-se do aparelho e riu-se:
68
TempoLivre
| MAR 2012
- Apaga-se já! Veremos se essa misteriosa Lígia volta a dar
sinais de vida. Mas não conte ela comigo às quatro - a essa
hora estarei eu na complicada reunião com um cliente que
não há meio de pagar as contas.
Gonçalo passeava-se pela sala, bem disposto, como é próprio de quem sente tranquila a consciência. Afagou a cabeça
de Carol e disse:
-Tonta.
Ela manteve-se em silêncio, um silêncio cheio de interrogações, mesmo quando Gonçalo a beijou nas faces, despedindo-se.
De então em diante permaneceria aquela angustiosa dúvida e, a cada movimento dele, saltariam desconfianças. Como
no dia em que Gonçalo informou que iria ao bar encontrar-se
com os amigos do costume. O sobressalto de Carol nasceu do
odor excessivo a água - de - colónia. Inquieta, não resistiu e
telefonou para o bar:
- Boa noite, pode informar-me se está por aí o doutor
Gonçalo Freitas?
- De momento, não, minha senhora. Quer deixar recado?
Ela ficou num silêncio embaraçado e por fim disse:
- Não. Peço-lhe mesmo que não o informe deste telefonema. Quero fazer-lhe uma surpresa.
Foi a vez dela deambular de um lado ao outro da sala. "De
momento, não?" Mas já tinha tempo de lá chegar. Ou seria
outro o rumo dele? A custo deixou passar mais meia hora até
nova ligação:
- Desculpe, o doutor Gonçalo Freitas está?
- Está, sim, minha senhora. Quer que o chame?
- Não, não. E peço-lhe que nada diga sobre este telefonema.
Talvez eu apareça aí e quero fazer-lhe surpresa.
Desligou. Bom, pelo menos dessa vez ele falara verdade,
não se raspara ao encontro da tal Lígia. Ou estaria com a Lígia
no bar? Calma, calma, evitaria tombar num poço de ciúme
sem justificação. Mais cresceu esta ideia quando viu Gonçalo
voltar cedo, descontraído, até risonho quando contou:
- Aconteceu algo de estranho. Duas vezes telefonou uma
mulher a perguntar por mim, pedindo ao barman que não me
informasse dos telefonemas. - Abriu uma pausa, esboçou um
ar de mistério e disse, antecipando uma gargalhada:
- Será a famosa Lígia que me anda a perseguir?
Divertia-se com a ciumeira dela mas, de facto, no cérebro
de Carol continuava a mover-se um medo chamado Lígia.
Aquele SMS - "Às quatro lá estarei. Bj. - Lígia" - poderia apagar-se do telemóvel do marido mas não das inquietações dela.
Atormentada, decidiu desabafar com Dina Luisa, amiga de
confiança e mulher de longa experiência. Conversaram a uma
mesa de esplanada e, depois de ouvir o relato, Dina Luisa
aconselhou:
- Mete-lhe um aparelho de escuta no telemóvel.
ANDRÉ LETRIA
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- Como?
O malandro do Pascoal fez isso comigo, a ver se me apanhava a falar com alguém que não devesse.
- Desculpa, Dina, não percebo.
- Eu também não percebia mas fiquei a saber. Trata-se de
uma pequenina peça que se mete no telemóvel do parceiro e
podemos ouvir no nosso todas as conversas dele.
- Que horror! -gritou Carol. - o que aconteceu?
- Um golpe de sorte. Por acaso estive dois dias sem falar ao
telefone com o Bruno, um namoradito que eu tenho. E preparava-me justamente para lhe ligar quando deixei cair o telemóvel nas pedras da calçada. Olha, querida, espalharam-se
peças pelo chão e valeu-me um senhor simpático e conhecedor do assunto para encaixar tudo nos lugares. Só que sobrava uma peçazinha e o homem olhou, olhou, riu-se, desvendou
o mistério. Andava a ser escutada - revelou ele.
- Mas isso é uma infâmia que não esperava do Pascoal!
Nem eu. Mas, coitado virou-se o feitiço contra o feiticeiro.
Não só deixou de escutar as minhas conversas como passei a
ouvir eu as dele.
- Como assim?
- Fácil. Dormia ele regaladamente quando lhe meti no telemóvel o presente que me dera a mim.
- Inacreditável! E agora ouves os telefonemas dele e para
ele?
- Todinho. E até me deixa decepcionada porque a tara do
malandro é ligar para esses números de chamadas eróticas e
ouvir uma chica-esperta a dizer que lhe fazia isto e fazia aquilo. Gasta um dinheirão, o imbecil! –Tomou um golo da cerveja e propôs:
- Não queres meter um brinquedo desses no telemóvel
do Gonçalo?
- Que disparate, Dina! Eu teria vergonha de cometer tal
acção! - Abanou repetidamente a cabeça, como que afastando ideia tão pérfida e acrescentou:
- Aliás, nem sei onde é que isso se compra e como é que
se faz...
Pressurosa, Dina Luisa deu todas as informações a que
juntou palavras de bem-querer:
- É só para ficares descansada.
Na noite seguinte, Gonçalo dormia na paz dos inocentes enquanto Carol se entregava à antipática tarefa de acrescentar o telemóvel dele com a sinistra e coscuvilheira peça.
Assim passaram semanas. A cada toque, agitava-se
Carol no receio de ouvir a voz da inesquecida Lígia desassossegando o seu homem. Mas nunca. Só conversas de trabalho, de amizade, brincadeiras e assuntos sérios.
Só então, Carol retomou a serenidade, culpando-se de
tantos pensamentos injustos. Olhava agora o perfil bem
desenhado de Gonçalo e sentiu a tentação de lhe confessar
que metera um ouvido dela no telemóvel dele. Seria ousado, poderia zangar-se e com razão. Numa outra noite acabaria com essa intromissão odiosa e só talvez quando fossem velhinhos contaria que, uma vez, quarenta anos atrás,
cometera essa maldade. Sorriu ao antever tão longínquo
momento.
De súbito, a quietude da viagem foi quebrada pelo som
chamativo de um telemóvel
- Mudaste a musiquinha? – admirou-se Carol.
- Não é o meu – disse Gonçalo. – Suponho que será o teu
telemóvel.
- De modo nenhum, conheço bem o toque do meu, é um
trecho de ópera. Não sabes?
- Claro que sei mas podes ter mudado. Então? Deve ter
saído da rádio, esse som. É engraçado quando um locutor
se esquece de desligar o telemóvel.
Carol rodou o botão do rádio e o som continuava, agudo
e persistente.
- Bruxedo - disse Gonçalo.
- Que raio de coisa - comentou Carol, rindo, enquanto
se debruçava e corria a mão por baixo do banco em que se
sentara. Acertou. Ali estava um telemóvel, igual a tantos
telemóveis, e continuava a chamar.
- Que é isto, Gonçalo? Tu tens um segundo telemóvel? perguntou sobressaltada.
- Eu? Basta-me um para não ter sossego - tranquilizou
Gonçalo, risonho.
Carol segurou no misterioso objecto, premiu a tecla
verde e ouviu uma voz feminina:
- Lígia? n
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Crónica
Homens e Deuses
Á l i c e Vi e i r a
P
or toda a parte se ouvem as mesmas
notícias. Nas rádios, nas televisões,
nos jornais.
Atenas a ferro e fogo.
Ouço palavras como "Syntagma" e "Omonia" e, de repente, estou sentada numa das suas esplanadas, bebo café, e os meus filhos, que ainda não
têm dez anos, bebem copos de leite e riem porque vieram acompanhados de enormes copos de
água, coisa que em Lisboa não acontece.
Acabámos de chegar de mais uma ida ao
Parthénon, estamos cansados.
Aterrámos em Atenas há uma semana, no
meio de um mês de Dezembro claríssimo e de
uma aragem quase morna.
Eles esmeram-se a dizer "kaliméra" quando
entram na sala do pequeno almoço do hotel, e
"kalispéra" no café onde lancham, embaralha-selhes um bocado a língua no "eukaristó", acham
divertido que à laranja se chame uma palavra tão
parecida com Portugal, e não param de rir quando ouvem dizer que "sim" é "ne", "uma coisa que
se está mesmo a ver que é não!"
É a sua primeira viagem de adultos. Nada de
Badajoz ou Mondariz, onde às vezes vão, de
carro, nas férias grandes.
Desta vez meteu avião, transbordo para outro
avião, e pisar uma terra de língua estranha, que
eles conhecem apenas das histórias que o pai
lhes conta.
Estamos em Atenas sem nenhum programa,
na época baixa, com raros turistas. Não nos integrámos em nenhuma excursão, ninguém orienta
os nossos passos nem gere o nosso tempo.
Por isso todos os dias subimos à Acrópole,
aquelas escadas todas, as oliveiras de um lado e
doutro, e eles a correrem por ali acima.
(Nem nos passa pela cabeça que um dia isso
venha a ser proibido, e os visitantes tenham de
ficar a olhar tudo de muito longe…)
Temos o privilégio de contar com a amizade
de Teresa, uma guia só para nós - que fala um
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espanhol que conseguimos entender, e que os
chama os dois pelo nome, assim que nos vê aparecer, depois de lhes ter explicado que têm ambos
nomes de origem grega.
Senta-se no meio deles e fala-lhes de Péricles,
e do que significa a palavra "democracia". E fala
dos heróis e dos deuses, e inventa histórias para
todas aquelas pedras.
Para cada dia tem sempre uma história diferente.
Subir e descer a Acrópole dá-nos um cansaço
bom, ao fim da tarde. E por isso nos sentamos na
esplanada, o Soldado Desconhecido lá ao longe,
a guarda nos seus trajos típicos.
Dentro de dias voltamos a casa, Dezembro vai
a meio e há que preparar o natal familiar.
As crianças acabam de beber o leite, olham
em volta, sabem que certamente não voltarão
aqui tão cedo.
Então oiço a voz do meu filho, a perguntar:
– Ó mãe, onde estão agora os deuses?
Lembro-me que me ri, que a irmã (possivelmente com vontade de fazer a mesma pergunta…) olhou para ele com aquele ar sobranceiro
que um ano a mais lhe permitia e resmungou "és
mesmo parvo!"
E, na sequência das histórias de Teresa, devo
ter inventado uma história qualquer num distante Olimpo, onde estariam todos a velar por nós,
porque era esse o trabalho que competia a um
deus. Sobretudo a um deus grego.
Mas agora, de repente, diante dos meus olhos
tenho as imagens de Atenas a ferro e fogo, as praças
Syntagma e Omonia transformadas em campos de
batalha, ruas incendiadas, lojas saqueadas, feridos,
a polícia a carregar em quem protesta.
E eu não sei por que de repente me lembrei
destes dias de paz em Atenas, há mais de trinta
anos, com um filho pequeno em cada mão.
Se calhar, apenas por que de repente também
me apeteceu perguntar:
– Onde estão agora os deuses? n
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Março - Inatel