QUALITTAS – INSTITUTO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA LOCALIDADE: CAMPO GRANDE OCORRÊNCIA DE BRUCELOSE, CISTICERCOSE E TUBERCULOSE, RELATADOS EM INDUSTRIAS FRIGORÍFICAS NO MUNICÍPIO DE NAVIRAÍ, MATO GROSSO DO SUL, NO PERÍODO DE 2003 A 2007 CAMPO GRANDE MS 2008 QUALITTAS – INSTITUTO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA LOCALIDADE: CAMPO GRANDE OCORRÊNCIA DE BRUCELOSE, CISTICERCOSE E TUBERCULOSE, RELATADOS EM INDUSTRIAS FRIGORÍFICAS NO MUNICÍPIO DE NAVIRAÍ, MATO GROSSO DO SUL, NO PERÍODO DE 2003 A 2007 Acadêmica: Pedro Gonçalves Ferreira Neto CAMPO GRANDE MS 2008 II QUALITTAS – INSTITUTO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA LOCALIDADE: CAMPO GRANDE OCORRÊNCIA DE BRUCELOSE, CISTICERCOSE E TUBERCULOSE, RELATADOS EM INDUSTRIAS FRIGORÍFICAS NO MUNICÍPIO DE NAVIRAÍ, MATO GROSSO DO SUL, NO PERÍODO DE 2003 A 2007 Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em ( colocar o nome do curso) apresentado ao Instituto Brasileiro de Pós-Graduação Qualitas - LTDA sob a orientação do Profº Drº Clayton Gitti, como parte dos requisitos para a obtenção do título de especialista em (colocar o nome do seu título) CAMPO GRANDE MS 2008 III Não existe nada tão comovente - nem mesmo atos de amor ou ódio - como a descoberta de que não se está sozinho" (Autor desconhecido) IV DEDICATÓRIA Dedico esta etapa da minha jornada aos meus familiares, amigos, professores e em especial a minha esposa Maria Regina pela compreensão, auxilio e dedicação. V AGRADECIMENTOS A Deus, por proporcionar-me a vida e saúde e uma bela família. Ao meu orientador pela dedicação e paciência. Aos meus companheiros de jornada Luiz Carlos e Valdinéia. E em especial ao IAGRO proporcionar a oportunidade de fazer esta especialização. VI Não é só bater na porta certa, mas bater até abrir." Guy Falks VII RESUMO O presente trabalho pretende discutir a questão de três zoonoses; brucelose, tuberculose e cisticercose no município de Naviraí. Foram analisados 55 municípios destes a burcelose está presente em 42, a tuberculose em 6 e a cisticercose em todos. Em Naviraí ocorrem as três zoonoes. São doenças que causam grandes prejuízos para os criadores de gado (pecuaristas) e também para a população que consome carne vermelha. Uma inspeção adequada; cuidados higiênicos, vacinação e medicamentos são algumas das maneiras de controlar as doenças. No caso da Brucelose e tuberculose existe um plano elaborado pelo Ministério da Agricultura para erradicação destas doenças no Brasil. A cisticercose é a mais prejudicial das zoonose porque pode levar a morte, é a de maior incidência no município. O controle desta zoonose depende de maneira simples é só mudar os hábitos higiênicos e uma inspeção bem minuciosa nos abatedouros com essas medidas o número de caso pode reduzir e até caminhar para erradicação desta parasitose. As pessoas que são responsáveis pela inspeção devem informar os órgãos federais, estaduais e municipais sobre os caso encontrados para que as providencias necessárias sejam tomadas. O estudo mostra que somente medidas preventivas e de controle são capazes de manter as doenças longe dos rebanhos e também do homem. Palavras Chaves: brucelose, tuberculose, cisticercose, Mato Grosso do Sul, Naviraí. VIII SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I REVISÃO DA LITERATURA 1.1 Brucelose bovina 14 15 15 1.2 Brucelose em humanos 19 1.3 Tuberculose Bovina 21 1.4 Tuberculose em humanos 23 1.5 Cisticercose 24 1.6 Cisticercose Humana 27 CAPÍTULO II HÍSTÓRICO E DISTRIBUÍÇÃO 2.1 ASPECTO HISTÓRICO 29 29 2.1.1 BRUCELOSE 29 2.1.2 TUBERCULOSE 31 2.1.3 CISTICERCOSE 32 2.2 DISTRIBUIÇÃO DAS DOENÇAS NO BRASIL 33 2.2.1 BRUCELOSE 33 2.2.2 TUBERCULOSE 35 2.2.3 CISTICERCOSE 37 CAPITLULO III - PREVALÊNCIA DAS DOENÇAS NO MATO GROSSO DO SUL 3.1 BRUCELOSE 42 42 3.2 TUBERCULOSE 43 3.3 CISTICERCOSE 47 4. MATERIAL E MÉTODO 51 5 RESULTADO E DISCUSSÃO 52 5.1 MUNICÍPIO DE NAVIRAÌ 52 5.2 BRUCELOSE 53 5.3 TUBERCULOSE 54 5.4 CISTICERCOSE 55 CONSIDERAÇÕES FINAIS 58 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 59 IX LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Aborto no terço final da gestação 16 Figura 2 - Orquite no touro infectado pela brucelose 17 Figura 3 - Alguns dos órgãos do corpo humano que são afetados pela Brucella 20 Figura 4 - Coração de bovino com cisticercose 25 Figura 5 – Língua com cisticercose 25 Figura 6 – A,B,C,D – Cidades com ocorrência de Tuberculose 44 Figura 7 – Ocorrência mundial de cisticercose 48 X LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Ocorrência de doenças nos achados de matadouros em alguns municípios de MatoGrosso do Sul. Gráfico 2- Casos de Brucelose em Naviraí no período de 2003 a 2007. Gráfico 3 - Ocorrência de Tuberculose bovina em Naviraí, no período de 2003 a 2007. 49 54 55 Gráfico 4 – Cisticercose em Naviraí registrados em matadouros com SIF no período de 2003 a 2007. 56 XI LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Número absoluto de animais abatidos em estabelecimentos com Serviço de Inspeção Federal (SIF), no Brasil, e positivos para 37 Cisticercose, com o respectivo percentual. Tabela 2 – Localização anatômica e ocorrência dos cisticercos identificados durante o abate dos bovinos no SIF 1710 – Julho a 38 Dezembro de 2000. Tabela 3 – Distribuição anatômica dos cistos encontrados conforme a sua classificação e número de animais positivos. 39 Tabela 4 - Prevalência de cisticercose bovina em animais abatidos de 38 municípios do Estado do Rio de Janeiro, sob o controle do SIF, no 40 período de 1997 a 2003 Tabela 5 - Número de bovinos abatidos em frigoríficos com inspeção federal no Estado de Mato Grosso e percentual de animais com lesões 40 macroscópicas de cisticercose. Tabela 6 - Testes de diagnóstico para M. bovis. 46 XII INTRODUÇÃO A atividade pecuária desenvolveu-se no Brasil na época da colonização surgindo como atividade secundária e de suporte à produção das outras culturas. A dinâmica da criação de gado localiza-se inicialmente no Nordeste; migrando posteriormente para a região Sul, para o Sudeste e, mais recentemente, para o Centro-Oeste brasileiro (SARANDIN, 2006). A pecuária nos últimos anos assumiu uma grande expressão no agro negócio brasileiro e segundo dados do USDA, em abril de 2007 o rebanho mundial de gado encerrou o ano de 2006 com um total de aproximadamente 1 bilhão de cabeças de gado, representando um crescimento de 0,6% em relação a 2005. Para 2007 espera-se a manutenção da taxa de crescimento verificada nos últimos anos. O Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo com 180,1 milhões de cabeças de gado em 2006, segundo o USDA. (MINERVA, 2008). A alimentação com carne vermelha é a mais utilizada principalmente pelos povos ocidentais e o bovino, desde os primórdios, faz parte da alimentação humana fornecendo a carne e o leite. Por isso, a importância do cuidado da saúde destes animais, pois algumas doenças podem ser transmitidas para o homem sendo muitas delas controladas através de sua detecção no momento do abate. As doenças presentes no gado podem ser causadas por bactérias, vírus, fungos e parasitos e a transmissão pode ocorrer pelo ar, pelo contato com animais silvestres e com pastagem contaminada. Dentre as doenças mais importantes podemos citar a brucelose, a tuberculose e a cisticercose. Das zoonoses que afetam o homem, a brucelose é uma das mais disseminadas. O número de infecções humanas que ocorrem em todo o mundo é da ordem de centenas de milhares. A brucelose pode ser transmitida direta ou indiretamente do animal ao homem e do ponto de vista da Saúde Pública deve ser considerada não só como causa de enfermidade, de incapacitação para o trabalho e de diminuição do rendimento, como também como fator nocivo para a produção de alimentos, principalmente de proteínas de origem animal que são indispensáveis para a saúde e bem estar. (SOUZA, 1977). A tuberculose bovina é XIII uma doença bacteriana infecto-contagiosa e de evolução crônica caracterizada por granulomas sugestivos denominados tubérculos, e afeta os animais doméstico e silvestre sendo o mesmo agente, o principal responsável pela transmissão da tuberculose dos animais ao homem (CORREA & CORREA, 1992). A cisticercose bovina é uma enfermidade de distribuição cosmopolita e caráter zoonótico, de grande importância em regiões onde a população apresenta baixo nível sócioeconômico (MONTEIRO, 2007). Os dados acima mostram a relevância do estudo das zoonoses, principalmente as que são transmitidas para o homem, visto que estas doenças causam grandes prejuízos tanto para os produtores de gado quanto para o Estado. Este estudo tem como objetivo mostrar a importância da identificação destas doenças, nas indústrias frigoríficas do município de Naviraí. REVISÃO DA LITERATURA XIV CAPÍTULO I Os abatedouros, matadouros ou frigoríficos são instalações industriais destinadas ao abate, processamento e armazenamento de produtos de origem animal. A localização, operação e os processos utilizados respondem a uma variedade de conceitos, como proximidade, logística, saúde pública e até preceitos religiosos. Mais recentemente, medidas de direitos dos animais levaram a alteração que diminuem a crueldade (DIAS 1994). Problemas de poluição por dejetos também devem ser evitados com planejamento e equipamentos adequados. Após chegar da propriedade onde foi produzido, o animal é alojado em currais de espera, onde normalmente passa a noite e recebe a primeira de uma série de inspeções sanitárias por órgãos credenciados por autoridade governamental. (NICOLETTI, 1978). Abaixo está relacionado ás doenças identificadas nos abatedouros que serão discutidos neste trabalho. 1.1 Brucelose bovina A brucelose bovina é causada pela bactéria Brucella abortus e, nos últimos anos, tem sido erradicada ou reduzida a baixa prevalência em muitos paises por meio de programas de erradicação nacional. Embora adquirida com maior freqüência por ingestão, pode ocasionalmente ocorrer infecção por contato venéreo, penetração através de lesões na pele, inalação ou transmissão transplacentária. Portanto os órgãos afetados são: baço, fígado, grupos ganglionares genitais e mamários. A brucelose pode provocar abortos (Figura 1) em rebanhos com altas percentagens de vacas prenhas suscetíveis e geralmente ocorrem após o 5º mês de gestação; as gestações subseqüentes normalmente são levadas a termo (QUINN, 2005). Em bezerras as infecções têm duração limitada, ao contrario de vacas, nas quais a infecção das glândulas mamárias e dos linfonodos associados persiste por XV muitos anos. As brucellas podem ser excretadas intermitentemente no leite por vários anos. Em touros, as estruturas alvo são vesículas seminais, ampolas, testículos e epidídimo. Em paises tropicais, higromas envolvendo as articulações dos membros são freqüentemente observados quando a doença é endêmica em rebanho (QUINN, 2005). As regiões onde existe uma maior prevalência desta doença são normalmente regiões onde o componente rural faz parte da vida da maioria das pessoas e, simultaneamente, onde a contaminação de animais não é ainda controlada ocorrendo, conseqüentemente, a transmissão e a infecção ao homem. (MAFRA, s/d). A conseqüência da brucelose em um rebanho é muito grave porque pode resultar em diminuição da fertilidade redução na produção de leite, aborto em animais de reposição suscetíveis e degeneração testicular em touros, a orquite é uma das infecções que a brucelose pode causar no touro (Figura 2). Esta zoonose pode causar problema sério de saúde publica porque a glândula mamária é um local de multiplicação das brucellas, o leite e o queijo tornam-se potencial fonte de contaminação uma vez que, além do risco de contagio que existe relativamente aos produtores, pode também chegar aos consumidores que se encontram longe das explorações (MAFRA s/d). Figura 1 - Aborto no terço final da gestação (Fonte www.limousin.com.br acesso 10/101/2008 23:08) XVI Figura 2 - Orquite no touro infectado pela brucelose (Fonte www.limousin.com.br acesso 10/101/2008 23:08) Segundo DIAS (1994), a contaminação das carnes ocorre com maior freqüência no momento do abate e evisceração dos animais, sobretudo durante os abates sanitários, altura em que o material contaminado como sangue, medula óssea ou fezes, pode sujar as carcaças se não houverem cuidados higiênicos acrescidos. A zona de abate e sangria dos animais constitui o local de maior risco de infecção para o Homem. Ainda segundo este autor, em virtude da contaminação das carcaças e das vísceras, a sua manipulação nas indústrias cárneas e nas cozinhas deve ser cuidada, atendendo às capacidades de sobrevivência da brucela às temperaturas de refrigeração e de congelação. O número de bactérias pode mesmo aumentar se as temperaturas de conservação das carnes não forem respeitadas durante o transporte das mesmas. O diagnóstico é complexo porque os sinais clínicos são inespecíficos, embora abortos em novilhas de primeira cria e em animais de reposição possam sugerir a presença da doença. Segundo MATHIAS (2001) o diagnóstico é um instrumento que serve de base para os programas de erradicação e é fundamental que se disponha de testes que possam fornecer um diagnóstico seguro da enfermidade. Por outro lado, a vacinação, é outra medida de combate à doença, quando feita com a amostra B 19 de Brucella abortus, induz o surgimento de títulos de anticorpos que podem dificultar o diagnóstico (RIBEIRO, 1997). XVII Testes usados para diagnósticos de brucelose bovina utilizando-se leite e soro estão disponíveis para identificação de animais infectados. A doença só é confirmada através de exames laboratoriais. Dos testes sorológicos convencionais, a reação de fixação de complemento geralmente apresenta maior capacidade de discriminação do que os testes de aglutinação (NICOLETTI, 1978). MATHIAS (2007) confirma a eficiência da reação de fixação de complemento, apesar de ser uma técnica laboriosa, apresenta as vantagens de ter um custo relativamente baixo e de usar reagentes de fácil acesso, mesmo por parte de laboratórios sem muitos recursos, e sem depender da importação de equipamentos e reagentes. Além disso, apresenta um relevante histórico de serviços prestados no combate à brucelose animal, uma vez que a maioria dos países desenvolvidos que conseguiram erradicar a brucelose atingiram esse êxito usando a reação de Fixação de Complemento como prova confirmatória. Algumas medidas são necessárias no controle e na prevenção da brucelose (GARIN-BASTUJI, 1993): a) higiene nos locais de produção e transformação; uma política de luta contra a brucelose; medidas sanitárias e/ou médicas. No entanto todas estas medidas não poderão ser realmente eficazes sem uma educação sanitária e uma formação e mobilização de profissionais preocupados com o assunto b) pasteurização obrigatória do leite; c) proteção dos grupos profissionais de risco numa exploração animal. As pessoas devem utilizar equipamento vestuário de proteção (luvas, botas, mascáras e batas) que deverão ser desinfectadas com soluções adequadas após o uso; d) os estabelecimentos ligados à produção de carne (matadouros, talhos etc.) devem respeitar as boas regras de higiene e desinfecção e estar providos de soluções desinfetantes, toalhas, calçado e vestuário especial. A vacinação é realizada em bezerras de 03 a 08 meses, como medida estratégica durante os primeiros anos dos esquemas de erradicação. A vacinação reduz a prevalência do aborto, mas o nível de infecção não é reduzido numa percentagem correspondente (BLOOD,1994). XVIII Segundo QUINN (2005), a imunidade predominante na brucelose é a mediada por anticorpos e é induzida pela aplicação de três tipos de vacina. - a vacina B-19 é ministrada para bezerras de três a oito meses de idade; a vacinação de animais maduros leva a título persistentes de anticorpos. - a bacterina 45/20, embora menos efetiva, tem sido usada em alguns esquemas nacionais de erradicação; mesmo quando administrada a animais adultos, essa vacina não induz títulos persistente de anticorpos; - a linhagem RB51 é uma mutante rugosa estável que induz boa proteção contra aborto e não resulta em resposta sorológica detectável nos testes usados pelos programas convencionais de vigilância para brucelose. 1.2 Brucelose em humanos A brucelose afeta a população humana em muitos países em desenvolvimento, como os do Oriente Médio e América Latina, onde ainda permanece endêmica. No Brasil há muitos anos há registro da doença em humanos e o primeiro caso de brucelose humana relatado no Brasil ocorreu em 1913 (POESTER, 2002). Entre 1930 e 1950, um grande número de publicações descreveu a doença em diversos estados do Brasil sendo que a maioria foi essencialmente decorrente de uma fatalidade ocupacional, ocorrendo primariamente entre trabalhadores de abatedouros e processadores de carne (POESTER, 2002). Os humanos são suscetíveis à infecção pela B. abortus e os outros quatro tipos de Brucella (B. melitensis; B.suis e raramente por B. canis). A transmissão para humanos ocorre por contato com secreções ou excreções de animais infectados. As rotas de entrada incluem lesões de pele, inalação e ingestão. As principais fontes de infecção devem-se ao contato com animais doentes como, por exemplo, no transporte de recém nascidos infectados que nasceram no campo, leite in natura e produtos feitos com leite não pasteurizado e acidentes laboratoriais. XIX Em humanos a brucelose é conhecida como febre ondulante, os sintomas são mal-estar, fadiga e dores musculares e articulares, os órgãos afetados são o fígado, baço, nódulos linfáticos, e medula óssea, como mostra a figura 3, a infecção em humanos não provoca aborto. Ao apresentar-se como doença infecciosa e facilmente transmissível ao homem, de caráter persistente, de muito difícil tratamento controle e erradicação, a Brucelose torna-se um problema grave de saúde pública. (MAFRA, s/d). Medula óssea Nódulo linfático Baço Fígado Figura 3 - Alguns dos órgãos do corpo humano que são afetados pela Brucella ( Fonte: MAFRA,s/d) 1.3 Tuberculose Bovina A tuberculose bovina é causada pela bactéria Mycobacterium bovis, ocorrendo no mundo todo causando prejuízo na produção advindo de sua natureza progressiva crônica e, programas de erradicação têm sido introduzidos em muitos países. (QUIINN, 2005). Embora a brucelose seja uma doença de notificação obrigatória, em muitos países, os dados oficiais não refletem totalmente o número de casos anuais, sendo XX a incidência verdadeira estimada entre 10 e 25 vezes maior do que os relatos indicam. O diagnóstico da brucelose humana baseado apenas no quadro clínico não é definitivo já que os sintomas mimetizam outras doenças e são inespecíficos. O isolamento do organismo em cultivo ou detecção por métodos moleculares é necessário para confirmar o diagnóstico clínico (NIMRI, 2003). É uma enfermidade conhecida desde a antiguidade. Aristóteles, que viveu entre 384-322 a.C, fez as primeiras descrições da tuberculose em animais, mas naquela época, as lesões encontradas em bovinos eram atribuídas a outras infecções. (FAPEMIG, 2004). O M. bovis pode sobreviver por vários meses no meio ambiente e a transmissão ocorre principalmente por aerossóis gerados por animais infectados. ROXO (1996) relata que o bacilo da tuberculose bovina é relativamente resistente ao calor, à dessecação e a diversos desinfetantes. Permanece viável por até 2 anos em estábulos, pastagem e dejetos. Sobrevive por 1 ano na água e por até 10 meses nos produtos de origem animal. Alguns agentes desinfetantes podem ser usados tais como os fenóis, o formol, o álcool e em especial o hipoclorito de sódio, são eficientes na destruição do bacilo. Segundo LAGE (1998) o hipoclorito de sódio, deve estar na concentração de 5% e o formaldeído a 3% para que, quando em contato com a superfície isenta de matéria orgânica, exerçam sua atividade de desinfetante eficaz sobre mico bactérias. A transmissão ocorre de um bovino infectado para outro ou para o homem mesmo antes de desenvolverem lesões tuberculosas, fazendo dos animais afetados a principal fonte de infecção. A principal via de eliminação do agente é através da respiração, mas pode dar-se também pelas secreções nasal e uterina, leite, fezes, urina e pelo semêm. A principal via de contaminação de animais adultos e através da via respiratória ou aerógena, enquanto que em jovens, a principal via de contaminação é a ingestão de leite cru contaminado. (MARTINS, 2004) O M. bovis já foi isolado da larva de insetos (Musca domestica, Calliphora vicina, Luculia sericata) que tiveram contato com tecido de bovino com lesões em abatedouro (MARTINS, 2004). Várias espécies podem ser hospedeiras de M. bovis como os animais silvestres, animais domésticos e outros bovídeos selvagens. XXI Os sinais clínicos da doença são evidentes somente no estágio avançados e bovinos com lesões extensas podem se mostrar em bom estado de saúde (QUINN,2005). Á medida que a doença progride a perda de condição física torna-se evidente, no estágio avançado de tuberculose pulmonar os animais eventualmente podem desenvolver pirexia intermitente e tosse. A mastite tubercular facilita a disseminação da infecção para bezerros sendo de grande importância em saúde publica. Quando a infecção envolve os tecidos mamários, pode resultar no endurecimento dos quartos afetados e é freqüentemente acompanhado pelo aumento de linfonados supramamários. Nos estágios iniciais da doença, as lesões podem ser difíceis de detectar ao exame post-mortem. Em lesões mais antigas a fibroplasia inicialmente produz formação de cápsula, e há necrose central, detectável de forma macroscópica como material caseoso amarelado (MARTINS, 2004). O diagnóstico presuntivo da tuberculose bovina é baseado na análise da resposta imune celular a antígenos mico bacterianos, teste como da tuberculina é o teste padrão ante - mortem para bovino. Outros ensaios com sangue desenvolvidos para uso em conjunto com o teste da tuberculina incluem o ensaio do interferongama; ELISA para detecção de anticorpos circulantes; transformação de linfócitos e ensaio relacionados. (ALMEIDA, 2006). Espécimes apropriados para exame laboratoriais incluem linfonodos, tecidos lesados, aspirados e leite. Sistemas automatizados, rápidos e comercialmente disponíveis podem ser usados para isolamento de mico bactérias patogênicas a partir de M.tuberculosis. (ALMEIDA, 2006). 1.4 Tuberculose em humanos A incidência de infecção humana por M. bovis tem sido reduzida a baixos níveis em países onde os programas de erradicação da tuberculose animal têm sido implementados. Segundo Souza (1999) a ingestão de leite cru, contaminado com micobactéria constitui uma das principais formas de infecção humana pelo bacilo da tuberculose bovina em crianças. XXII Por outro lado o risco de se adquirir o agente pela ingestão de produtos cárneos contaminados é considerado menor devido á baixa incidência do mesmo em tecidos musculares e com o hábito de não se consumir carne crua no Brasil. Porém, este risco não deve ser ignorado, devido ao grande número de abates clandestinos de animais ou ao descarte de animais provenientes de rebanhos positivos em matadouros onde a inspeção sanitária não é rigorosa. Portanto, a pasteurização do leite é uma maneira de eliminar a exposição humana à infecção viabilizada pela ingestão de produtos lácteos. Uma outra maneira de evitar o contágio da doença visto que é o mesmo agente causador é através da vacina. A única vacina atualmente disponível para tuberculose humana é o Bacilar Calmette Guerrilha (BCG). Contudo, a proteção contra a tuberculose conferida pela BCG é variável necessitando novas pesquisas (HOPE, 2007). 1.5 Cisticercose Outra doença que causa grande prejuízo na pecuária e é caso de saúde publica, a cisticercose é uma infecção causada por larvas de Taenia saginata, a partir da ingestão de ovos viáveis presentes no meio ambiente contaminado com fezes humanas (FALAVIGNA-GUILHERME, 2006). A Taenia solium também causa cisticercose pela presença na carne suína. É uma enfermidade de distribuição cosmopolita, de grande importância em regiões onde a população apresenta baixo nível socioeconômico (MONTEIRO, 2007). É uma zoonose que atinge vários órgãos e geralmente é descoberta somente em inspeção post mortem pode acometer diferentes órgãos e sistemas como coração, pulmão, fígado, tecido subcutâneo, musculatura esquelética, globo ocular e sistema nervoso central (CANELAS, 1962). O homem é o único hospedeiro definitivo da T. saginata. Entre os hospedeiros intermediários são citados bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos e renas. Todavia, XXIII Bos indicus, B. taurus e Bubalus bubalis são os que apresentam maiores índices de infecção (CABARET, 2002). Os ovos de tênia (oncosferas) quando ingeridos pelo hospedeiro intermediário liberta do ovo os embriões no intestino delgado pela ação dos sucos digestivos e bile. As oncosferas penetram rapidamente na parede intestinal que, em 24 a 72 horas, difundem-se no organismo através da circulação sangüínea ocorrendo então, formação de cisticercos nos músculos esqueléticos e cardíaco (Figuras 4 e 5) (CANELAS, 1962). Figura 4 - Coração de bovino com cisticercose (Fonte: www.canaltotuga.com.br) Figura 5 – Língua com cisticercose (Fonte: www.canaltotuga.com.br) A ação preventiva da teníase apóia-se em um conjunto de medidas que visa impedir a infecção do homem pela T. saginata e, com isto, interferir na propagação e bloquear o ciclo desse parasito na natureza. Atualmente, não se dispõe de recursos XXIV de comprovada eficiência para o controle de cisticercose in vivo. O recurso de maior expressão é a inspeção de carnes em exame post-mortem criterioso e a avaliação com saneamento adequado das carcaças parasitadas. (SOUZA, 2007). Carcaças infectadas com cisticercos são investigadas e seus destinos dependem do número de cisticercos encontrados, podendo ser congeladas a -10ºC por 15 dias. Porém, em casos de infecções com vários cistos, as carcaças são avaliadas e destinadas conforme a legislação (SOUZA, 2007). A identificação da infecção no animal depende de inspeção essa técnica identifica carcaça com infecção maciça e leve e serve como advertência precoce do grau de contaminação em uma propriedade ou comunidade. (SOUZA, 2007). O diagnóstico é tardio porque é realizada post mortem e depende da inspeção nos estabelecimento de abate. As críticas estão relacionadas ao fato de que a inspeção se baseia na detecção de cistos apenas em sítios específicos no animal; por isso, podem ocorrer resultados falso-negativos porque os bovinos podem apresentam cistos em outros locais da carcaça (MONTEIRO, 2007). Além disso, não se deve desconsiderar o fato de que cistos mortos ou calcificados (esbranquiçados) são mais fáceis de serem identificados em relação aos cistos vivos (rosa pálidos), que podem passar despercebidos durante a inspeção (ONYANGO-ABYE,1996). Assim, torna-se necessário desenvolver métodos mais eficazes e seguros, que aprimorem a eficiência do diagnóstico, como o apoio à detecção da cisticercose em matadouros (QUEIROZ, 2002). Por isso faz-se necessário uma técnica de elevada sensibilidade, devido ao alto grau de adaptação da larva de T. saginata ao hospedeiro, que resulta em uma baixa produção de anticorpos. Além disso, em condições naturais, a maioria dos bovinos exibe baixa taxa de infecção. MONTEIRO (2007) avaliou alguns parâmetros de padronização do ELISA para o diagnóstico da cisticercose bovina, utilizando antígenos de larva de T. solium, visando ao ajuste do ensaio para uma proposta de aplicação prática, e conclui que a combinação de critérios, segundo os parâmetros estudados, deve ser valorizada no diagnóstico da cisticercose bovina por meio do ELISA, utilizando antígenos de larvas de Taenia solium, seja em atividades de rotina seja como base para iniciar novas pesquisas de padronização do referido teste. XXV Existem algumas maneiras de evitar a dispersão da cisticercose e entre as recomendações estão: - Tratamento convencional da água como floculação, sedimentação e filtração (REIFF, 1994); - O congelamento da carne de suíno ou bovino por mais de 4 dias a temperaturas de -5°C pois destrói eficazmente os cisticercos; (BENENSON, 1992); - Higiene sanitária evitando a contaminação de pastagens. 1.6 Cisticercose Humana A cisticercose para a saúde publica é muito importante pelo fato do homem ser o hospedeiro definitivo e ainda poder se tornar hospedeiro intermediário e abrigar a fase larval. Ao ingerir carne contaminada crua ou mal cozida contendo cisticercos o homem adquire a tênia. Os cisticercos são liberados durante a digestão da carne e o escólex desenvagina sob ação da bile, fixando-se no intestino delgado (SILVA, 2007). As primeiras proglotes são eliminadas dentro de 60 a 70 dias. A tênia vive no intestino delgado do homem e, normalmente, o hospedeiro alberga apenas um parasito. Fatores econômicos, culturais, hábito alimentares e religiosos tendem a expor certos grupos de indivíduos em maior ou menor grau (PFUETZENREITER, 2000) A cisticercose também é conhecida como teníase (solitária) e após um a três dias da ingestão de ovos, ocorre a liberação dos embriões no duodeno e jejuno. As larvas alcançam a circulação sangüínea e se fixam nos diversos tecidos. A importância da localização do parasito pode ser em tecidos nobres como os do globo ocular e do sistema nervoso central (neurocisticercose) ou instalar-se em regiões menos importante, como a subcutânea, a muscular e a visceral. Porém, a presença de cistos nessas localizações poderia ser um indicador da presença de cistos nos tecidos mais nobres. Pode apresentar de forma assintomática, porém alguns pacientes manifestam alterações no apetite (anorexia ou apetite exagerado), XXVI náuseas, vômitos, dor abdominal, diarréia, emagrecimento, irritabilidade e fadiga (REY,1992). A cisticercose é a enfermidade parasitaria que com maior freqüência afeta o sistema nervoso central, sendo considerada a mais grave das infecções parasitaria do sistema nervoso humano, visto que acomete grande número de pessoas e produz algumas vezes sintomas graves. (PFUETZENREITER, 2000). O período de incubação é variável e o diagnóstico é realizado através de exames laboratoriais. O tratamento vai depender da localização do parasita e varia de medicação antiparasitária quando esta localizado em tecidos simples e até cirúrgicos no caso da neurocisticercose que depende do número, tamanho, localização e grau de atividades do cisto (REY, 2002). XXVII CAPÍTULO II – HÍSTÓRICO E DISTRIBUÍÇÃO 2.1 ASPECTO HISTÓRICO 2.1.1 BRUCELOSE Com a criação do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose em 11 de janeiro de 2001, foi realizada uma análise retrospectiva da brucelose no Brasil. O primeiro diagnóstico clínico da brucela foi feita por Danton Seixas em 1914 no Rio Grande do Sul. Três anos depois, Thomas Pompeu Sobrinho observou casos raros de abortamento bovino no Ceará. ( Boletim, ..1988). No Brasil os primeiros estudos sobre a brucelose foi feito por Tineciro Icibaci através pesquisa epidemiológica e exames microscópicas tecidos provenientes de fetos abortados este foco ocorreram em 1922 no Município de S. Carlos (SP). O microorganismo B. abortus foi isolado por Mello e Neiva, em 1928 do sangue de uma vaca que havia abortado. Em 1931, Silvio Torres verificou a existência de oito soropositivos para brucelose e 19 suspeita em um lote de 51 bovinos importados. Por esta razão Cezar Pinto propôs em 1933 a implementação do protocolo do teste em animais importados como forma de impedir a disseminação da doença no país. ( Boletim, ..1988). Em 1936 a brucelose bovina foi detectada através dd sorodiagnóstico pela 1ª vez, o teste foi realizado por Desidério Finamor no Rio Grande do Sul e propôs um plano para o seu combate (Boletim, ..1988). A disseminação da brucelose bovina foi relatada por Thiago de Mello em 1950 que apontou uma alta prevalência de 10 a 20 %, sendo que os índices mais altos estavam nas regiões leiteiras do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais (GARCIA – CARRÍLLO, 1987). Entre 1950 e 1974, vários estudos sorológicos foram conduzidos e relatados por, diversos autores em todo o país (BRASIL, 1988; GARCIA-CARRÍLIO, 1987). XXVIII Para combater a brucelose no Brasil foram propostos alguns planos baseados no programa americano criando alguns decretos, portarias e programas (PAULIN, 2002). A iniciativa foi a partir de 1944 onde foi criado o decreto de lei nº 6922 que estabelece a identificação de bovinos vacinados. Baseados no programa americano em 1954 Mário D’ Ápice propôs quatro planos. - Plano A: sorodiagnóstico, sacrifício dos reagentes e repetição do teste em 30 dias nos não reagentes; - Plano B: vacinação de bezerras e separação do rebanho em reagentes e não reagentes, sem sacrifício dos reagentes; - Plano C: vacinação de bezerras com idade entre três e oito meses; - Plano D: vacinação de adultos, se necessário. Ainda baseando-se no programa americano, VINHA em 1958 propôs uma campanha recomendando a formação de comissões envolvendo estados e municípios integrados com representantes de entidades agropecuárias, empresários rurais, comerciantes de carne e leite, associações médicas, secretarias de saúde e meios de comunicação em massa. Neste mesmo ano a Resolução nº 438 do Ministério da Agricultura, trouxe o Regulamento de Importação e Exportação de animais onde os animais importados para a reprodução deveriam vir acompanhados de certificados negativos para a doença, as provas deveriam ser repetidas na fronteira e os reatores sacrificados sem ressarcimento ao proprietário. O regulamento controle de trânsito interno de animais permite o movimento dos positivos somente para matadouros e animais que fosse apresentar-se em exposições e deveriam ser livres da doença. Em 1965, o Ministro da Agricultura elaborou outro plano que não foi colocado em prática e que se baseava na vacinação de bezerras. Em 1976 foi criada a Portaria nº 23 onde as normas contidas nesse documento estão em vigência até hoje. Nela contêm medidas que regulamentam a profilaxia da brucelose animal, prevendo a notificação de focos, a eliminação dos positivos e a vacinação de fêmeas entre três a oito meses de idade, esta portaria não institui a obrigatoriedade no combate á doença. XXIX Para completar as ações realizadas no combate e controle da brucelose em Janeiro de 2001, o então Ministério da Agricultura Pecuário e Abastecimento (MAPA) lançou o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT) para combater a ineficácia das medidas adotadas anteriormente. PAULIN & NETO (2002) concluíram que a brucelose bovina é endêmica em todo o território nacional e existe heterogeneidade entre as regiões quanto a sua freqüência. O histórico brasileiro mostra que as atividades de vacinação e sorodiagnóstico devem merecer especial atenção e devem ser implementados pelos estados. 2.1.2 TUBERCULOSE A história da tuberculose em bovino é muito antiga desde ocupação humana em regiões que atualmente corresponde a Europa. Há evidencia da contaminação em humanos por M. bovis desde 8000-4000 a.C em múmias na Alemanha, na África em algumas múmias dos Faraós da dinastia Ramsés, que reinaram há três mil anos antes da era cristã no Egito antigo. (SALAZAR, 2005). No século II, os rabinos proibiam o povo hebreu de utilizar carne de bovino cujos pulmões fossem encontrados lesões ulcerativas cuja informação está registrada no Talmud. Uma lei semelhante à do Talmud foi promulgada em Monique por volta de 1307 (SOUZA, 1999). Desde a era a.C até o século XVIII muitos estudos e evidências da doença já haviam sido relatados por estudiosos mas somente em 1810 ocorreu a compreensão da doença quando Charmichael, um cientista inglês, observou que havia relação entre tuberculose nodular ou escrófulas em crianças, e consumo de leite de vaca pelas mesmas. O microorganismo M. Bovis foi isolado em 1889 por Theobald Swit e a primeira prova definitiva da transmissão da tuberculose bovina ao homem foi em 1902 por Ravenel que identificou os bacilos presentes em gânglios mesentéricos de uma criança falecida de meningite tuberculosa (SOUZA, 1999). Mantoux em 1908 institui teste alérgico para diagnóstico e em 1931 Kanhaus verificou que a carne poderia transmitir a doença somente quando a tuberculose era XXX generalizada no animal, neste caso teria que ser condenado durante a inspeção nos matadouros. Mas alguns fabricantes usavam as regiões tuberculosas na fabricação de salsicha que, quando consumidas sem tratamento térmico prévio, oferecem risco à saúde humana. Na literatura médica nacional os primeiros autores que publicaram sobre o assunto foram Torres & Pacheco em 1938 que isolaram o bacilo bovino em lesões humanas (SOUZA, 1999). 2.1.3 CISTICERCOSE A cisticercose está entre as doenças parasitárias que merece grande destaque em nosso meio na atualidade, por ser de elevada prevalência e pelos grandes prejuízos sócio-econômicos que acarretam (SANTOS, 2004). A tênia adulta pode ser observada facilmente através das proglotes que são eliminadas nas fezes. Já com relação a natureza animal dos cisticercos, seu reconhecimento não ocorreu tão cedo como das tênias adultas, tendo sido objeto de discussão por muito tempo. Houve hipótese de que fossem “tumores hidáticos”, glândulas em degeneração, acúmulos de pus e soro, alterações vasculares, varizes linfáticas e degeneração de sacos mucosos (ALVES, 2000). De 1684 a 1691 diversos pesquisadores em várias partes do mundo vão percebendo, gradualmente, que os cisticercos são parasitas animais, ao observarem seus movimentos ondulatórios quando colocados em água morna. Em 1854, Küchenmeister consegue claramente, fazer a distinção entre as duas espécies de tênia em humano: T. Solium e T.saginata. (ALVES, 2000). O cisticerco localiza-se em lugares específicos no animal e uma adequada inspeção da carne é uma forma prática de detectar e diagnosticar o Cysticercus bovis (estágio larval) da Taenia saginata. Nesse exame, são realizadas incisões na musculatura esquelética e em órgãos onde os cisticercos são encontrados com maior freqüência e o diagnóstico é feito através da visualização macroscópica do mesmo. As técnicas de exame post-mortem de bovinos foram estabelecidas em 1971 pelo Ministério da Agricultura (FUKUDA, 1998). XXXI 2.2 DISTRIBUIÇÃO DAS DOENÇAS NO BRASIL 2.2.1 BRUCELOSE O Rio grande do Sul foi o primeiro estado a criar programas de combate a brucelose e em 1941 foram promulgados os decretos nº 276 e 276ª que regulamentavam a entrada de reprodutores importados no Estado e a admissão de animais em exposições e feiras. Em 1948 a seção de Defesa Sanitária incumbiu o Centro de Pesquisa Veterinária “ Desidério Finamor” de elaborar a vacina B19. De 1953 a 1965 vários programas e decretos foram criados para combater a brucelose. De 1972 a 1986 a produção média de vacinas foi de oitocentas mil doses anuais (Boletim, 1988). O Estado de Minas Gerais mostrou maior preocupação em relação ao combate da brucelose tornando obrigatória a vacinação de bezerras de 3 a 8 meses, a partir de 1994. (PAULIN & NETO, 2002). O último diagnóstico nacional da brucelose bovina foi realizado em 1975, tendo sido estimada 4,0% a porcentagem de animais soropositivos na Região Sul, 7,5% na Região Sudeste, 6,8% na Região Centro-Oeste, 2,5% na Região Nordeste e 4,1% na Região Norte. Posteriormente, outros levantamentos sorológicos por amostragem, realizados em alguns estados, revelaram pequenas alterações na prevalência de brucelose: no Rio Grande do Sul a prevalência passou de 2,0%, em 1975, para 0,3% em 1986; em Santa Catarina passou de 0,2%, em 1975, para 0,6% em 1996; no Mato Grosso do Sul a prevalência estimada em 1998 foi de 6,3%, idêntica ao valor encontrado em 1975 para o território Mato-grossense; em Minas Gerais passou de 7,6%, em 1975, para 6,7% em 1980. Em 2002 um novo levantamento da situação da brucelose em Minas Gerais revelou prevalência próxima a 1% de animais positivos, demonstrando a eficácia de um programa de vacinação bem conduzido. No Paraná, a prevalência estimada em 1975 foi de 9,6%, passando para 4,6% de bovinos positivos em 1989. Encontra-se em fase final estudo epidemiológico nacional da brucelose, com metodologia padronizada. Os XXXII dados de notificações oficiais indicam que a prevalência de animais positivos se manteve entre 4% e 5% no período de 1988 a 1998 (PNCEBT, 2006). Estudos recentes sobre o diagnóstico da brucelose mostram que no Estado de São Paulo em pesquisa realizada por Dias (2006) a incidência da doença foi 3,8% em estudo realizado com 150 rebanhos. No município de Andradina (SP), SANTOS (2002) realizou um levantamento onde 4.119 animais foram examinados e a incidência da doença foi de 5,0%. Tratando ainda da região sudeste a prevalência de foco da brucelose e de animais soropositivos no Estado do Espírito Santo foi de 9,0% e 3,53% respectivamente. (AZEVEDO, 2006). Na microrregião de Goiânia foi avaliada a prevalência da doença em 137 reprodutores de 60 propriedades e foi constatada a ausência de reprodutores sororeagente a B.abortus. (CAMPOS 2003) No Nordeste foram coletados dados do Município de Pedra no Estado de Pernambuco onde foi registrada a incidência de 10% de positivos em 100 bovinos examinados (GERRA s/d). Em Ilhéus (BA) Ribeiro (2003) constatou que a taxa de prevalência foi de 10,6% nas propriedades e 1,9% para animais foram estudados 85 propriedades e 916 animais. Em entrevista a Drª. Margareth Elide Genovez (2007) diz que das enfermidades reprodutivas, a Brucelose Bovina é a mais agravante, apesar do PNCBET estar em curso oficial desde março de 2004 aparecendo como a mais freqüente. Para se ter uma idéia, durante o período de 1985 a 2005 foi feitos estudos sobre os principais agentes causadores de abortamentos. Foram analisados 1.259 fetos bovinos vindos de rebanhos leiteiros e de corte dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Goiás e Pernambuco. Em 70 deles (5,5%) foi isolada a Brucella abortus. Parece pouco, mas se excluirmos as causas não bacterianas, este número sobe para 40%. A brucelose é uma doença que causa sérios prejuízos econômicos e que pode ser controlada através de vacinação. Os empresários rurais devem levar mais a sério os Programas de Erradicação da Brucelose vacinando as fêmeas no período correto e notificando as autoridades responsáveis. Regiões onde o programa foi seguido à risca, houve redução e até a erradicação da doença, o combate deve ser XXXIII continuo quanto maior á área livre da brucelose melhor para o comércio pois aumenta a exportação da industria cárnea (PNCEBT, 2008). 2.2.2 TUBERCULOSE Os dados de notificações oficiais de tuberculose bovina indicam prevalência média nacional de 1,3% de animais infectados, no período de 1989 a 1998. Levantamento realizado em 1999, no Triângulo Mineiro e nas regiões do centro e sul de Minas Gerais, envolvendo aproximadamente 1.600 propriedades e 23.000 animais, estimou a prevalência aparente de animais infectados em 0,8%. No mesmo estudo foram detectadas 5% propriedades com animais reagentes, sendo importante destacar que este valor subiu a 15% no universo de propriedades produtoras de leite com algum grau de mecanização da ordenha e de tecnificação da produção. (PNCEBT, 2006). A prevalência de animais infectados no Brasil, no período de 1989 a 1998, indicava um percentual de 1,3%. Em 1986, a ocorrência de tuberculose bovina no Brasil, com uma população estimada em 137 milhões de bovinos, estava entre 0,9 a 2,9%, com 6,2% a 26,3% dos rebanhos acometidos, sendo que neste mesmo ano, em matadouros, a taxa de identificação dos animais abatidos com lesões tuberculosas era de 0,14% (KANTOR & RITACCO, 1994). Foram encontrados poucos dados atuais sobre a prevalência da tuberculose no País. BAPTISTA (2004) fez um estudo em 11 abatedouros de Minas Gerais estes estabelecimentos recebem bovinos de 13 estados da união onde 75% é oriundo de Minas Gerais e 25% de Goiás. A tuberculose foi diagnosticada em bovinos provenientes de 90 municípios de Minas Gerais e 17 municípios de Goiás que correspondem a 16,8% e 12,7% dos municípios mineiros e goianos respectivamente. O diagnóstico da tuberculose bovina é uma das maneiras de combater a doença e a metodologia empregada usualmente no Brasil é ineficaz para distinguir o bacilo humano do bacilo bovino. Estudos realizados por RUGGIERO (2003) e sua equipe concluíram que apesar dos avanços alcançados, ainda não se tem XXXIV disponível, para rotina laboratorial um ensaio sensível, reprodutível e rápido para o diagnóstico da tuberculose em bovinos, sendo essencial o esforço e investimento em pesquisa para a solução desse dado critico. Apesar da pesquisa acima ter sido realizada há quatro anos atrás até o momento, este problema ainda não foi resolvido. Quando a doença é detectada em bovinos vivos no pasto atualmente existem 16 drogas conhecidas com ação efetiva sobre o bacilo da tuberculose, destas, seis são de uso preferencial no tratamento da tuberculose humana destas seis a isoniazida também foi testada em bovinos naturalmente infectados pelo M. bovis . Os pesquisadores MOTA et al (2004) trataram 240 bovinos com isoniazida, a cura alcançou o índice de 98,9%, testes realizados com M.bovis isolada antes e depois do tratamento não resultou no aparecimento de cepas resistentes. A adesão no programa PNCEBT é voluntária é necessária a participação mais efetiva dos pecuaristas quanto os criadores de gado de corte e de leite porque os prejuízos econômicos causados por esta enfermidade além da mortalidade causa redução de 10-20% na eficiência produtiva infertilidade e condenação da carcaça. Além disso, o leite e carne originário de países onde há casos tuberculose bovina não podem ser exportados para paises onde ela é controlada, causando prejuízos à economia nacional pela menor cotação do produto e perdas de mercado para exportações (PNCEBT, 2008). 2.2.3 CISTICERCOSE A notificação da ocorrência de cisticercose em bovinos é obrigatória e deveria ser realizada rotineiramente por veterinários e técnicos nos abates em estabelecimentos com inspeção, seja ela em nível estadual ou federal. Em nível municipal não é realizada notificação embora seja feita a inspeção. Nos abatedouros, a cisticercose pode ser observada sob duas formas: cisticerco vivo ou cisticerco já degenerado e calcificado (PEDROSO-de-PAIVA, 2008). XXXV Segundo PEDROSO-DE-PAIVA, (2008) a prevalência da doença vem aumentado e a maior preocupação é que o numero de cisticercos vivos aumentou em 2002 e não houve registro em 2004. A prevalência foi de 0,4035% em relação ao numero de animais abatidos que foi de 0,3462, este aumento pode ser atribuído a uma inspeção mais detalhada. Tabela 1 - Número absoluto de ANIMAIS abatidos em estabelecimentos com Serviço de Inspeção Federal (SIF), no Brasil, e positivos para Cisticercose, com o respectivo percentual. Ano 2002 2003 2004 Nº Nº % Nº Nº % Nº Nº % Abatido Positivo Abatido Positivo Abatido Positivo Cisticercose 3.618.437 10.933 0,3021513.347.310 62.633 0,4692617.847.377 61.795 0,3462 C. calcific. 3.384.483 10.412 0,3076413.932.625 115.862 0,8315919.187.194 179.242 0,9342 13.888.091 48.274 0,3475919.160.326 77.313 0,4035 C. viva Fonte: PEDROSO-de-PAIVA, 2008). Em 2004 os Estados de Minas Gerais e Paraná tiveram os maiores números de municípios notificados. No município de Sabaúdia (PR) no abatedouro municipal dos 389 bovinos abatidos 9,3% (36) estavam contaminados. O masseter foi o local mais parasitado seguido por coração, língua e fígado (FALVIGNA-GUILHERME, 2006). Como já citamos anteriormente uma inspeção eficiente depende do conhecimento da localização do cisticerco. Pensando nisto, SOUZA e colaboradores (2007) acompanharam o abate de 26.633 bovinos no município de São José dos Pinhais (PR) e, segundo a rotina de inspeção, observou-se a distribuição dos cisticercos na musculatura incisada com predominância para o músculo e cabeça (Tabela 2). Os cisticercos encontrados foram classificados em cisticercos viáveis (vivos) e cistos inviáveis (caseoso e calcificados) (Tabela 3). Dos cistos viáveis 81% deles estavam no músculo da cabeça e 17% nos do coração, já os cisticercos inviáveis 52, 11% deles se alojaram no músculo cardíaco e 47,88% no músculo da cabeça. XXXVI Tabela 2 – Localização anatômica e ocorrência dos cisticercos identificados durante o abate dos bovinos no SIF 1710 – Julho a Dezembro de 2000. Localização anatômica Número de cisticerco % Cabeça 628 57,8 Coração 431 39,6 Língua 12 1,10 Diafragma 15 1,37 Esôfago 1 0,09 Total 1.087 100 Fonte: Souza (2007). FUKUDA (1998) realizou uma pesquisa comparando as técnicas de inspeção do diafragma e conclui que a reinspeção mostrou vantagens uma vez que permitiu melhorar o índice de detecção de caso de cisticercose e sua implantação nos estabelecimento de abate sob fiscalização sanitária oficial contribuindo conseqüentemente para o aumento de casos de cisticercose detectados pelas equipes do Serviço de Inspeção Federal (SIF). Tabela 3 – Distribuição anatômica dos cistos encontrados conforme a sua classificação e número de animais positivos. Cisticerco Localização Vivo caseoso calcificada anatômica Nº de Nº de Nº de animais animais animais Cabeça 288 234 106 Coração 61 227 143 Língua 5 4 3 Diafragma 5 7 3 Esôfago 0 1 0 Total 359 473 255 Fonte: Souza (2007) O estado do Rio de Janeiro não apresenta uma economia tradicional voltada para a pecuária principalmente a de corte, mas seu rebanho vem apresentando um aumento considerável nesta última década. Por esta razão PEREIRA (2006) e colaboradores fizeram um levantamento da cisticercose em carcaças bovinas do XXXVII Estado do Rio de Janeiro, abatidos em matadouros-frigorificos submetidos ao SIF no período de 1999-2003. Os dados (Tabela 4) mostram que o número de caso aumentou em 2003 quando comparado com 1997 e a quantidade de animais abatidos nos dois períodos em questão. A contagem no matadouro foi realizada nos chamados “sítios de predileção” carcaça, cabeça, língua, coração, diafragma e esôfago. Estudos realizados em Cuiabá (MT) por SCHEIN (2004) sobre a prevalência da cisticercose em carcaça (Tabela 5) mostraram que no período de 1996 a 1999 ocorreu aumento do número de animais abatidos e redução do percentual de animais com lesões macroscópicas compatíveis com cisticercose. Contudo, no ano de 2000 ocorreu redução no número de animais abatidos e o aumento no percentual de animais com cisticercose em relação aos dados obtidos em 1999. Tabela 4 - Prevalência de cisticercose bovina em animais abatidos de 38 municípios do Estado do Rio de Janeiro, sob o controle do SIF, no período de 1997 a 2003. Ano 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 Total Animais abatidos 61.337 95.100 103.980 69.412 81.399 41.334 42.058 494.620 Cisticercose Nº de casos 972 1.277 1.662 1.842 1.911 1.110 882 9.656 % 1,58 1,34 1,59 2,65 2,34 2,68 2,09 1,95 Fonte: Pereira (2006). Tabela 5 - Número de bovinos abatidos em frigoríficos com inspeção federal no Estado de Mato Grosso e percentual de animais com lesões macroscópicas de cisticercose. Ano Bovinos Abatidos Total 1996 53.779 Números positivos 601 % 1,12% XXXVIII 1997 72.179 702 0,97% 1998 85.813 587 0,68% 1999 136.998 643 0,47% 2000 119.475 737 0,62% 3.270 0,69% Total 468.946 Fonte: SCHEIN (2004). A cisticercose pode ser reduzida quando são atribuídas melhorias tecnológicas nas propriedades como o uso de máquina na formação e manutenção de pastagens, onde anteriormente era utilizada mão-de-obra humana. Estes fatores possivelmente contribuem para a redução da contaminação das pastagens por fezes humanas (SCHEIN, 2004). Uma das maneiras de evitar a disseminação da cisticercose é através da inspeção que ocorre nos estabelecimento legais. Por outro lado os abatedouros clandestinos provocam sérios problemas na saúde do consumidor. Entre as principais zoonoses encontram-se a tuberculose, cisticercose, brucelose, botulismo, aftosa e raiva. A doença mais grave que pode ser transmitida pela carne bovina é a cisticercose porque uma fase intermediária da “solitária” se instala no cérebro das pessoas provocando cegueira, surdez, outros distúrbios neurológicos e pode levar o óbito. (ALENCAR, s/d). A conscientização e melhoria dos hábitos higiênicos da população, principalmente a do meio rural, o combate efetivo da teníase humana são medidas que contribuem eficientemente com o controle e redução do parasitismo e das fontes de infecção, o combate aos matadouros clandestinos uma inspeção sensível, a notificação dos casos encontrados são maneiras que contribuem no controle e disseminação da zoonose. A cisticercose bovina, em termos econômicos, não é uma doença de importância em nível de criação, pois os animais apresentam infecção moderada com ausência de sintomas. O prejuízo ocorre na fase final da exploração do corte após o abate representado principalmente pela condenação de carcaça cisticercótica, causando grandes perdas na exportação de carne bovina. XXXIX CAPITLULO III - PREVALÊNCIA DAS DOENÇAS NO MATO GROSSO DO SUL 3.1 BRUCELOSE A brucelose está bem distribuída no Mato Grosso do Sul, onde dos 55 municípios relacionados, apenas 12 (21,8%) não tem registro da doença. Das três zoonoses estudadas a brucelose é a segunda de maior ocorrência no estado. Até 2005 o estado era o principal consumidor da vacina contra brucelose, com uma demanda de 3,3 milhões de doses. Os dois dados oficiais sobre a brucelose foram registrados por PELLEGRIN (2006), o primeiro foi em 1975 antes da divisão do Estado e o último foi em 1998 com o mesmo resultado 6,3% este índice mostra que depois de 23 anos não houve alteração e/ou notificação da prevalência da doença no Estado. Uma pesquisa foi realizada por MONTEIRO et al (2006) em 22 municípios que compõem a região denominada Extrato 1 do Mato Grosso do Sul. A região amostrada constitui uma área de 70.219.1Km2 que representa 19,7% do Estado. O rebanho da região estudada é de aproximadamente 5,7 milhões de cabeças, correspondente a 23% do efetivo de 24,9 milhões de bovinos do Estado. A prevalência real foi estimada em 5,6% em animais e 37,3% em rebanhos. Com o objetivo de levantar a freqüência preliminar de bovinos de corte não vacinados do Pantanal, foram visitados, no período de 1994 a 1996, 16 rebanhos e 309 animais sorteados dentre as fazendas cadastradas na Embrapa Pantanal. Os resultados dos testes diagnósticos confirmatórios foram positivos, negativos ou inconclusivos e classificou-se como positiva a propriedade que apresentou pelo menos um animal positivo no teste confirmatório. A freqüência encontrada foi de 1,36% em animais e em sete (43,8%) das propriedades avaliadas, apesar dos rebanhos apresentarem poucos animais infectados, a brucelose está bem distribuída na região. (PELLEGRIN 2006). Resultado semelhante ao de Monteiro (2006) descrito anteriormente. XL Para realização dos testes efetuados por PELLEGRIN (2006) os soros foram triados pelo teste do antígeno acidificado tamponado (AAT) e confirmados pela prova do 2-mercaptoetanol (2ME), de acordo com o que hoje é preconizado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. (BRASIL, 2004). Apesar do avanço no combate à brucelose, a doença ainda requer atenção por parte do produtor brasileiro. Além dos problemas econômicos e da saúde, a enfermidade pode ser utilizada como barreira comercial às commodities brasileiras, como acontece com a febre aftosa . PELLEGRIN (2006). O Brasil precisa manter um sistema de defesa sanitária animal eficiente para que além de atuar em novos mercados, possa garantir sua atual posição de líder no comércio mundial de carnes. Assim, o cuidado com a sanidade do rebanho deve ser reforçado constantemente, com a intensificação das campanhas de vacinação, bem como o controle da produção da vacina garantindo a qualidade dos produtores. (BRASIL, 2004). A expectativa do MAPA é atingir uma cobertura vacinal de 75% da população das fêmeas adultas até 2010. Estima-se que a doença atinja, atualmente algo de 5 a 10% do rebanho brasileiro. Quando esta meta for atingida, a prevalência da brucelose deverá situar-se em níveis que permitam passar a fase de erradicação (BRASIL, 2004). 3.2 TUBERCULOSE A incidência da tuberculose no estado é baixa apenas seis dos 55 municípios relacionados apresentam foco desta zoonose: Angélica, Iguatemi, Naviraí, Vicentina e Bela Vista que ficam na região sul do estado e Camapuã fica ao norte, os mapas 1, 2, 3 e 4 indicam a localização dos municípios afetados. Isto significa que o foco está concentrado na região sul indicando assim, maior atenção no combate da doença nesta região. O controle evita que a doenças espalhe para outros municípios e que pode ser feito evitando a compra de gado das regiões afetadas e intensificando a vacinação das bezerras (JORGE 2001). XLI A B D C Figura 6 – A,B,C,D – Cidades com ocorrência de Tuberculose. Fonte: www.mato grosso do sul. mapas e plantas de cidades. Martins (2004) fez um estudo para verificar a ocorrência de bacilo álcool-ácido resistente (BAAR) em linfonodos de bovinos com lesões sugestivas de tuberculose observada durante inspeção sanitária em abatedouros-frigoríficos sob SIF, em Mato Grosso do Sul no período de maio a novembro de 2003. Foram colhidas 63 amostras que depois de fixadas foram destinadas á histopatologia que mostrou 74,6% dos casos evidenciaram lesões granulo matosas características de tuberculose ganglionar. As lesões macroscópicas estão distribuídas nas regiões do tórax (49,21%), carcaça (33,33%), da cabeça (11,11%) e do abdômen (6,35%). Para a detecção da tuberculose são realizados teste in vivo e in vitro. JORGE (2001) estudou aplicação de teste específico e presuntivo para o diagnóstico da tuberculose bovina no estado e concluiu que diferentes métodos foram capazes de XLII detectar casos de infecção por M. bovis. Foram realizadas análises laboratoriais, testes in vivo e exames post mortem. O diagnóstico post mortem evidenciou correlação parcial entre a inspeção sanitária de carcaças durante o abate e a presença de micobactéria em cortes histológicos, bem como seu isolamento depois do cultivado. A autora considerou que apesar da pequena amostra utilizada no tratamento a freqüência da tuberculose no estado pode ser considerada significativa, pois observou que 11,1% das amostras de linfonados analisadas foram positivas para micobactéria. Um dos métodos utilizados para a detecção da tuberculose é através do PCR, ARAÚJO (2005) cultivou 72 amostras condenadas pelo exame macroscópico na inspeção sanitária e observou a presença de BAAR em 17 (23,6%) destas. A espécie M.bovis foi confirmada através de PCR em 13 amostras e a autora concluiu que o gado de corte do Estado constitui um reservatório de M. bovis e devido à ausência de crescimento micobacteriano em lesões granulomatomas sugestivas de tuberculose há a necessidade da avaliação simultânea com outros recursos diagnósticos. Recentemente vários testes (Tabela 6) para o diagnóstico da infecção por M.bovis foram desenvolvidos. Tabela 6 - Testes de diagnóstico para M. bovis. TESTE REFERÊNCIA ANO Hipersensibilidade com ESAT-6 Pollock et al 2003 Linhagem de macrófago Ritelli at al 2003 Aglutinação em látex Koo et al 2004 Reação da polimerase em Zumarraga et al cadeia Imunodsorção enzimática - Dunn et al ELISA 2005 2005 Fonte: Almeida et al 2006. XLIII Entretanto, o que vem sendo mais avaliado é a detecção de IFN-γ bovino onde ALMEIDA (2006) avaliou 26 bovinos. O diagnóstico presuntivo da tuberculose bovina foi baseado na análise da resposta imune celular a antígeno micobacteriano e verificou que os animais desencadearam respostas de hipersensibilidade tardia contra os bacilos inativos, e que ambos os testes diagnósticos da tuberculose bovina foram eficientes na identificação dos animais sensibilizados com M. bovis e na discriminação das reações geradas pela inoculação dos bovinos com M. avium. Uma grande parte dos animais abatidos é proveniente de diversas propriedades e adquiridos pelos proprietários que os encaminham ao abate. Os produtores na verdade não conhecem bem a origem dos animais, visto que adquirem animais de outros municípios e às vezes de outros estados. Como é uma doença de detecção complexa é difícil fazer um certificado sanitário provando que o animal não esta infectado, empregando os atuais recursos disponíveis e considerando que métodos de cultivo e outros existentes não dão um rápido diagnóstico e muitas vezes não conseguem um grande número de isolamento mico bactérias nas amostras. Porém a inspeção sanitária ainda é o mais viável método de acordo com os objetivos econômicos e de proteção á saúde humana. (ARAÚJO 2005). 3.3 CISTICERCOSE Está presente em todos os 55 municípios relacionados nesta pesquisa. Outras regiões do centro-oeste também registram a presença desta zoonose como Goiânia já citada no capitulo II. PEDROSO-DE-PAIVA (2008), relata que no ano 2004 os 77 municípios de Mato Grosso do Sul notificaram a ocorrência da cisticercose e o número de animais positivos foi de 0,6723% número que é considerado elevado quando comparando à MT (0,0003%) no mesmo período. XLIV A cisticercose está relacionada à pobreza porque as comunidades rurais e periurbanas da maioria dos países da América Latina contribuem para acentuar o problema, a criação tradicional e doméstica sem apoio técnico nos matadouros, oficiais de inspeção sanitária pelas prefeituras e falta de controle do comprimento das normas legais no que se refere a criação e ao abate de bovinos. A Bolívia é um dos países do mundo onde se observa maior prevalência, juntamente com o Brasil, Equador, México e Peru. E o Mato Grosso do Sul pelos números apresentados é um grande contribuidor por estes índices elevados. (YANÊS, 2001). A cisticercose esta distribuída por muitos países segundo a Organização Mundial da Saúde (2003) o número de pessoas que apresenta a doença é muito elevado os dados referem-se a pessoas que ingerem carne de porco, mas a dieta alimentar dos países mais atingidos (Figura 5) também incluem a carne bovina que também pode contaminar o homem com o cisticerco. Como mostra o mapa abaixo (Figura 5). As diferentes colorações do mapa indicam as regiões com maiores ou menores índices da doença e regiões onde não foi realizado o levantamento. Figu ra 7 – Ocorrência mundial de cisticercose. (Fonte: OMS, 2003) XLV Segundo dados oficiais do Serviço de Inspeção de Produtos Agropecuários do estado do Mato Grosso do Sul, (SIPAG/DT/SFA/MS), de janeiro a agosto de 2007 foram abatidos 2.458.925 bovinos, com rendimento total de 570.591.339 Kg e rendimento médio mensal de 232,049 Kg. Os abates registrados nestes oito meses representam aumento da ordem de 3,1 % em relação ao número de bovino abatidos no mesmo período de 2006. No mês de Março de 2007, a Superintendência Federal de Agricultura do Mato Grosso do Sul (SFA/MS) registrou o melhor desempenho do primeiro semestre, em números de animais abatidos, atingindo 3.441.172 animais (BAEZ, 2008). Estes números indicam que se faz necessário uma melhor inspeção sobre os bovinos abatidos. Dos 78 municípios do estado, apenas 55 foram relacionados nesta pesquisa (Anexo 1) esses dados mostram que a cisticercose (53%) e a brucelose (41%) tem os maiores índices de prevalência no estado e a tuberculose com apenas 6%. (Gráfico 1). Gráfico 1 – Ocorrência de doenças nos achados de matadouros em alguns municípios de MatoGrosso do Sul. 6 Cisticercose 42 55 Brucelose Tuberculose Destes 55 municípios relacionados, cinco (Angélica, Bela Vista, Camapuã, Iguatemi e Naviraí) registraram a ocorrência das três zoonoses. Em sete municípios foram registrados somente a cisticercose: Angélica, Dois Irmãos do Buriti, XLVI Douradina, Jardim, Novo Horizonte do Sul, Porto Murtinho e Tacuru. A brucelose esta presente em 42 e a cisticercose em todos os municípios relacionados no levantamento realizado nesta pesquisa. Quanto a tuberculose, os dados sobre esta zoonose mostram que não esta disseminada no Estado porque o registro de caso foi baixo, mas faz-se necessário tomar providências para controle e erradicação desta zoonose (Próprio autor, 2008). Em relação a brucelose e a tuberculose existe medidas de prevenção e até planos de erradicação destas duas zoonoses. Mas a maior preocupação ainda é a cisticercose além de estar presente em todos os municípios, causa grandes males à saúde humana, mas a maneira de combater talvez seja a mais simples é mudar o sistema de criação e os hábitos higiênicos para evitar a transmissão do homem para o gado, e fazer uma inspeção sensível para a carne com cisticerco não chega até o homem (Próprio autor, 2008). Portanto medidas simples vacinação, manejo e hábitos higiênicos são necessários para que o Mato Grosso do Sul continue sendo um dos maiores exportadores de carne do mudo. XLVII 4. MATERIAL E MÉTODO Foram usados relatórios de matança das industrias frigorificas de Navirai, do Iagro e MAPA dos anos 2003 a 2007 e as informações reunidas foram transformadas em gráficos. XLVIII 5 RESULTADO E DISCUSSÃO 5.1 MUNICÍPIO DE NAVIRAÌ A cidade está localizada no Sudoeste do Mato Grosso do Sul, em ponto estratégico, sendo o mais privilegiado do Estado, com acesso às principais regiões do País. A principal Rodovia é a BR 163, totalmente pavimentada em ótimas condições de trafegabilidade, que liga Naviraí do Norte ao Sul do Brasil e Países do Mercosul por isso denominado “Corredor do Mercosul”. Outras Importantes Rodovias são a BR-487, que dá acesso a cidade de Umuarama e a Rodovia MS-141 que é portão de entrada para o estado de São Paulo via Presidente Prudente, daí o corredor para cidades do interior paulista como São José do Rio Preto, Lins, Ribeirão Preto, Ourinhos e Triângulo Mineiro. A área total do município é de 3.163.km², que equivale a 1,09% do total do estado. (WIKIPEDIA, 2008) A Economia do município está sustentada no setor produtivo. Naviraí possui várias empresas e cooperativas de grande porte tais como: Usinavi (Açúcar e Álcool) e a Copasul (Algodão, Soja, Milho); as industrias Frigoríficas do Grupo Bertin, Mercosul e Grupo Vima; Navimix Suplementos Minerais e a Fiação Copasul Mundialmente reconhecida pela qualidade de seu fio de Algodão e as Fecularias Naviraí e Salto Pilão. O destaque fica para malharias Kriswill e Lênix, a Fábrica de Bicicletas Colli Byke (Grupo Gazin), Café Naviraí, Erva Mate Campanário, Reciplast e Coalho Brasil (Única da região Centro-Oeste). A localização privilegiada facilita o comercio inclusive o da carne já que na região esta presente as indústrias frigoríficas do Grupo Bertin e Mecosul por outro lado possibilita a entrada de bovinos de varias regiões do país e também de paises vizinhos talvez isso justifique a ocorrência das três zoonoses estudas no município (WIKIPEDIA, 2008). XLIX 5.2 BRUCELOSE Dados notificados de 2003 a 2007 (gráfico 2) mostram que em 2006 ocorreu o maior índice e em 2007 o menor. Nos anos de 2004 e 2005 houve pouca alteração, mas registrou os segundos maiores índices de casos. E os números de casos de 2003 e 2007 foram os menores notificados da doença no município. No estado de São Paulo foi registrado um índice de 3,8% em Andradina (SP) 5,0% em Goiânia dos 137 reprodutores analisados não foi registrado nenhum caso da doença. No Mato Grosso do Sul, MONTEIRO (2006) e PELLEGRIN (2006) encontram resultados próximos numa prevalência de 5,6% em animais abatidos. Em Navirai foram registrados 305 casos de 2003 a 2007 uma média de 61 casos por ano, mas para sabermos se estes números estão elevados é necessário compararmos o número de animais abatidos com números de casos registrados e com estas informações é possível fazer um paralelo com os dados de outros estados e saber se os índices registrados em Naviraí estão altos ou a caminho da erradicação. Como não temos o número de animais abatidos a cada ano não foi possível fazer um diagnóstico preciso desta zoonose no município. A vacinação de bezerras é uma medida preventiva importante no controle da brucelose e o estado é um dos maiores consumidores da vacina, podendo ter condicionado a redução de casos da doença. Segundo GENOVEZ (2007), a brucelose é a doença mais freqüente nos país e em Naviraí aparece como a segunda com o maior número de casos estando presente em 41% dos municípios do estado confirmando a alta incidência desta zoonose. L Gráfico 2- Casos de Brucelose em Naviraí registrados em matadouros com SIFe 90 80 70 Ano 2003 60 Ano 2004 50 Ano 2005 40 Ano 2006 30 Ano 2007 20 10 0 Ano 2003 Ano 2004 Ano 2005 Ano 2006 Ano 2007 SIE no período de 2003 a 2007. 5.3 TUBERCULOSE O maior índice de tuberculose foi em 2003. Ocorreu redução drástica em 2004 e 2005 e aumentou levemente em 2006 e voltou a cair novamente em 2007 (gráfico 3). Os sintomas da tuberculose no gado são sutis, mas é possível de ser detectados antes do abate, confirmada com exames específicos. A redução dos casos no município pode estar relacionada à maior atenção dos produtores com o rebanho, reduzindo o prejuízo e aumentando a exportação. Esta zoonose registrou o menor índice de casos e de municípios com registro da doença. Em bovinos abatidos em abatedouros de Minas Gerais oriundos de 90 municípios do estado foi registrado um índice de 16,8% de casos de tuberculose. MARTINS (2004) analisou 63 amostras destas 74,6% evidenciaram lesões sugestivas da tuberculose, não foi encontrado nenhum dado atual e oficial sobre ao índice desta zoonose no Brasil e no estado. Em Naviraí foram registrados 41 casos em cinco anos (2003 a 2007) e uma média de 8,2% ao ano. No entanto não é possível fazer um paralelo com índice da doença registrado e número de animais abatidos nos períodos de 2003 a 2007 porque não temos conhecimento quantos animais foram abatidos em cada ano. Com esta informação poderíamos ter uma idéia do índice da doença no município e comparar estes dados com os de outros estados para confirmarmos os baixos índices registrados em Naviraí. LI Gráfico 3 - Ocorrência de Tuberculose bovina em Naviraí, registrados em matadouros com SIFe SIE no período de 2003 a 2007. 18 16 14 Ano 2003 12 Ano 2004 10 Ano 2005 8 Ano 2006 6 Ano 2007 4 2 0 Ano 2003 Ano 2004 Ano 2005 Ano 2006 Ano 2007 5.4 CISTICERCOSE Esta zoonose que apresentou os maiores índices não só no número de municípios (todos) mas também de casos notificados. O menor índice foi em 2003 e o maior em 2006 (gráfico 4), houve pouca variação destes números de 2003 a 2007. Os números apresentados nesta pesquisa são muito elevados mas como já citado anteriormente não temos o número de animais abatidos tornando impossível uma comparação com os dados de outros estados. Sabemos que em 2004 O Estado de Minas Gerais e Paraná tiveram o maior índice de notificação que uma zoonose que esta aumentando no Brasil (Tabela 1) como registra Pereira (2006) em pesquisa realizada no Rio de Janeiro porém, em Cuiabá, houve diminuição da prevalência da cisticercose como relata SCHEIN (2004). Em Naviraí não foi possível relatar como está o índice desta zoonose por motivos já citados anteriormente. Mas é sabido que se devem tomar providências sobre como controlar esta doença porque é uma questão de saúde pública além dos prejuízos financeiros que ela provoca. LII Os números registrados nesta pesquisa comprovam que esta zoonose esta disseminada no estado, necessitando de uma assistência por parte do ministério da agricultura e órgãos responsáveis pelo controle das zoonoses em orientar os produtores das regiões mais afetadas lançando campanhas, cartilhas, visitas e treinamentos nas propriedades. Nos abatedouros, fazer rastreamento do gado que apresentar cisticerco para saber a origem do animal notificando os proprietários e órgãos de inspeção sanitária da região que o animal foi criado em caso do bovino ser de outro estado. Leis mais severas criando barreiras nas regiões onde exista maior incidência de casos de bovino com cisticerco caso o proprietário seja notificados mais de uma vez e dar importância às medidas de prevenção da doença. Gráfico 4 – Cisticercose em Naviraí registrados em matadouros com SIFe SIE no período de 2003 a 2007. 20.000 Ano 2003 Ano 2004 15.000 Ano 2005 10.000 Ano 2006 Ano 2007 5.000 0 Ano 2003 Ano 2004 Ano 2005 Ano 2006 Ano 2007 Naviraí está entre os cinco municípios que apresentam as três zoonoses e precisa tomar as medidas necessárias para que os índices destas doenças reduzam melhorando a qualidade da carne deste município. O ano de 2006 registrou os maiores índices de cisticercose e brucelose e 2007 o menor para as três zoonoses isto mostra que algumas medidas já estão LIII sendo tomadas. O importante é não deixar de notificar os casos para mostrar que os números estão reduzindo, mas combater em rumo da erradicação e uma carne de boa qualidade de consumo. Infelizmente não foi possível fazer comparações com os números de casos com outros estados porque os dados fornecidos não mencionaram o número de animais abatidos a cada ano e o número de rebanho analizados. LIV CONSIDERAÇÕES FINAIS No abate das Industrias frigoríficas do município de Naviraí, ocorrem as três zoonoses pesquisadas onde o número de caso variou de uma doença para outra. Os dados estudados são de 2003 a 2007. Foram registrados neste período 305 casos de Brucelose, 41 de tuberculose e 66.164 de cisticercose, porém não foi possível comparar estes dados com os da literatura e também fazer uma análise com o número de casos e cabeças abatidas porque não foi fornecido o número de gado abatido a cada ano. Com este conjunto de informações poderiamos saber o índice real de manifestação de cada zoonose. Comparando o número de casos e animais abatidos é possível fazer um paralelo para saber se houve queda ou aumento da doença no periodo estudados. Com os dados fornecidos podemos considerar que a cisticercose atinge um número muito elevado de animais e a tuberculose e a brucelose tem indíce baixo de manifestação. LV REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA ALENCAR, N. Abatedouro de bovinos e suinos. Tecnologia e treinamento cesso 26/02 2008. ALMEIDA, R.F.C. de. Teste diagnóstico in vivo, in vitro e investigação epidemiológica da tuberculose bovina. Dissertação de Mestrado, Campo Grande, UFMS, 2006. ALMEIDA, R. F.C., MADRUGA, C. R. SOARES, C. O. et al. Resposta imune específica de bovinos experimentalmente sensibilizados com inóculos inativados de Mycobacterium bovis e Mycobacterium avium avium. Pesq. Vet. Bras. 26(4):195-200, out./dez. 2006. ALVES, L.A. Prevalência da cisticercose suína contatada em abatedouros da Região do Alto Vale Itajaí-SC, UDESC, Lajes, 2000. ANUALPEC, Anúario de Pecuária Bovina Brasileira. São Paulo: FNP Consultoria e Comércio, 2004 ARAÚJO, C.P. LEITE, C.Q.F.; PRINCE, K.A. de SANTO, K. 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