UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO VEZ DO MESTRE A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA A EDUCAÇÃO Por: Josué Amaral Teixeira Orientador Prof. Ms. Marco A. Larosa Rio de Janeiro, Fev./2003 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO VEZ DO MESTRE A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA A EDUCAÇÃO Apresentação de monografia ao Conjunto Universitário Cândido Mendes como condição prévia para a conclusão do Curso de PósGraduação “Lato Sensu” em Docência do Ensino Superior. Por: Josué Amaral Teixeira 3 AGRADECIMENTOS A José Cândido Fragoso, companheirismo e amizade. pelo 4 DEDICATÓRIA A minha mãe, Nair, por todo apoio em todos os momentos da minha vida, pelo carinho e paciência. A minha esposa, Sandra, pelo carinho, pela atenção, por compartilhar de forma tão completa minhas idéias e incansável apoio em todos os meus projetos de vida. Ao meu filho Diego, pela paciência e compreensão com a minha ausência. 5 RESUMO A Educação Física (EF), enquanto componente curricular, carece de melhor reconhecimento social. Tanto a vertente da aptidão física praticada há tempos quanto a das práticas esportivas privilegiadas atualmente demonstram pouco valor resolutivo. Outras abordagens devem ser propostas, como, por exemplo, a educação para a saúde. Desta forma, discutem-se as possíveis relações existentes entre a atividade física (AF) e a saúde, incluindo-se combate ao sedentarismo, assumido como importante fator de risco da doença coronária, a partir de crianças em idade escolar. Discutiu-se, também, o conteúdo e procedimentos metodológicos durante as aulas de EF, além de procedimentos que favoreçam a adoção da disciplina como um componente importante do currículo escolar. 6 METODOLOGIA A presente monografia foi realizada a partir de uma pesquisa bibliográfica sobre o tema em questão. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO................................................................................................. 08 CAPÍTULO I MOTIVAÇÃO E PRÁTICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ...................................... 10 CAPÍTULO II A EDUCAÇÃO FÍSICA E SEUS OBJETIVOS ................................................ 14 CAPÍTULO III EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE: UMA NOVA ABORDAGEM DA EDUCAÇÃO FÍSICA ............................................................................................................ 26 CAPÍTULO IV IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO .......................................................................................................... 35 CONCLUSÃO................................................................................................... 40 BIBLIOGRAFIA................................................................................................ 42 ÍNDICE............................................................................................................. 45 FOLHA DE AVALIAÇÃO.................................................................................. 46 ANEXOS.......................................................................................................... 47 8 INTRODUÇÃO No mundo atual observa-se a presença de uma realidade estimuladora da competitividade entre os homens e, infelizmente, a educação física também se enquadra neste contexto visto que hoje em dia parece assumir um caráter de treinamento ou adestramento do movimento corporal. Na instituição de ensino o ambiente não é diferente e por este motivo às aulas de educação física se transformaram em verdadeiros treinamentos desportivos que visam colocar os alunos como “máquinas de rendimento” as quais tem por fim atingir a capacidade de obtenção dos melhores resultados nas competições inter-escolares. Perante esta situação descrita acima a presente monografia parte do seguinte problema: será que podemos alterar a realidade da educação física escolar de modo a colocá-la como uma disciplina importante para a educação no sentido de demonstrar ao aluno a importância da prática esportiva e suas contribuições para uma melhoria da qualidade de vida? Ao longo deste texto tentaremos responder a esta pergunta e por conseqüência resolver tal problema, sendo que para isto elaboramos alguns objetivos a serem atingidas. Estes objetivos consistem em: 1) identificar quais são as verdadeiras finalidades e objetivos da educação física escolar; 2) analisar um modo de como chegar a atingir tais objetivos durante as aulas nas escolas; e 3) demonstrar a importância da educação física na formação educacional do aluno. 9 Se ao final deste estudo tais objetivos forem alcançadas acreditamos que o conteúdo aqui descrito será de fundamental importância para os educadores físicos, pois como profissionais da área é importante que tenhamos conhecimento do que na verdade a educação física escolar se propõe e de que maneira podemos atuar no sentido de fazer com que ela não se transforme em uma simples atividade onde o aluno acaba com aparência cansada, extenuada e incapaz de retomar o restante das atividades escolares, como acontece normalmente hoje em dia. 10 CAPÍTULO I MOTIVAÇÃO E PRÁTICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA Na relação ensino-aprendizagem, em qualquer ambiente, conteúdo ou momento, a motivação para esta tarefa constitui-se um dos elementos centrais para sua execução bem sucedida. Constantemente, indaga-se o que uma pessoa pretende, o que influencia sua decisão, o que será importante para ela naquele momento, naquela circunstância. Vários fatores motivam o ser humano, em seu dia-a-dia, tanto de forma interna como de forma externa. A força de cada motivo e seus padrões ocorrem, influenciam e são inferenciados pela maneira de perceber o mundo que cada indivíduo possui. Um dos principais fatores que interferem no comportamento de uma pessoa é, indubitavelmente, a motivação, que influi, com muita propriedade, em todos os tipos de comportamentos, permitindo um maior envolvimento ou uma simples participação em atividades que se relacionem com: aprendizagem, desempenho e atenção. No tocante à Educação Física, a situação parece semelhante, pois pode-se dizer que depende muito das aspirações dos alunos para que um determinado elemento motivacional tenha uma função positiva, ou seja, um aluno pode se sentir mais motivado ao praticar basquetebol, e outro pode sentir o mesmo com relação ao voleibol. Cabe também, uma observação ao educador, em qualquer que seja sua feição (técnico, professor, instrutor, dirigente, familiar, ...) sua personalidade, sua aparência, naturalidade, dinamismo, entusiasmo pelo trabalho, bom humor, cordialidade, disposição são importantes fatores motivacionais observados por quem os cerca. 11 Machado (1995) cita que muitos são os motivos responsáveis pelo bom desenvolvimento e desempenho na aquisição e manutenção de habilidades. Existem vários tipos de atividades e nem todas envolvem o movimento muscular (ouvir uma aula teórica é uma atividade diferente de participar de um debate, jogar futebol ou dramatizar um texto). Geralmente as atividades que requerem maior participação, com mais movimentos, concentram maior número de motivos dos participantes, despertando maior interesse e desafio, o que por si só é estimulante e motivador. Uma preparação psicológica bem programada e bem administrada em atividades de rotina, conseguirá trabalhar o nível motivacional, a aquisição de maior confiança, o equilíbrio emocional e, o indivíduo munido dessas qualidades poderá transpor as demais barreiras de desempenho, como os problemas com: adversários, ambiente, arbitragem, integração com o grupo, personalidade e preparo físico. Para Maggil (1984) a motivação é importante para a compreensão da aprendizagem e do desempenho de habilidades motoras, pois tem um papel importante na iniciação, manutenção e intensidade do comportamento. Sem a presença da motivação, os alunos em aulas de Educação Física, não exercerão as atividades ou então, farão mal o que for proposto. O professor de educação Física deseja "motivar" seus alunos para o esporte, e quando leva isto a sério, procura direcionar seus alunos para a prática de maneira que venham a praticá-la também fora das aulas obrigatórias. Também é preciso considerar que entre os objetivos relevantes do ensino moderno desta disciplina, está o preceito da Educação Física Permanente, isto é, como promoção e motivação da prática dos esportes para o resto da vida. Segundo Costa (1989) o interesse na atividade esportiva não deve acabar com término do período escolar, com acontece, ainda hoje, com muitos adolescentes. Ao contrário, o esporte deve constituir um campo de ação e de vivência interessante e atraente para o homem. A isto se pode acrescentar que o esporte não deve ser uma prática por mera obrigação, mas sim que tenha características prazerosas. 12 É função do professor de Educação Física, quando deseja motivar seus alunos para a prática permanente dos esportes, observar os seus objetivos, fazer o possível para criar valores de estímulos positivos e atraentes ao maior número de participantes ou até para todos os alunos. A motivação no esporte depende da estrutura da personalidade do atleta, sobretudo de como e em que medida se convertem algumas necessidades esportivas relevantes em alguma característica da estrutura deste indivíduo. O desenvolvimento intelectual é um forte aliado do desportista que busca o sucesso; nesta dimensão a visão da necessidade e utilidade da prática esportiva, relacionando o envolvimento do treinamento físico com questões de ordem geral, as funções socializadoras, as funções compensadoras no esporte. Considerando que o reforço intelectual da motivação no esporte requer um determinado nível intelectual, é compreensível que este esforço possua uma maior importância entre pesquisadores da Psicologia do Esporte do que propriamente entre os esportistas ou dirigentes. De Marco & Junqueira (1993) consideram que cabe observar que a motivação nos esportes é determinada, por um lado, pelas possibilidades específicas do esporte como campo de ação e de vivência, e por outro lado, pela influência dos aspectos motivacionais específicos da personalidade. Esses últimos ultrapassam de longe os limites do esporte. Continuam dizendo que: "as motivações dos atletas tem sido classificadas de diversas maneiras, incluindo desde as necessidades fisiológicas ou psicológicas básicas até a influência de fatores decorrentes da vida em sociedade. Além do mais, as motivações podem ser resultado da natureza intrínseca da tarefa ou do prêmio, tanto social como material. Muitas correntes novas na pesquisa da motivação trazem informações úteis para técnicos e atletas, tais como as tentativas de analisar a motivação no esporte e o estudo dos 13 processos cognitivos que formam as "estruturas" motivacionais nos indivíduos quando desempenham alguma atividade em situações que visam sucesso" (p. 89-90). O papel mais importante desempenhado pelo técnico é o de motivador. Fazendo com que um treinador sensível esteja consciente das necessidades de seus atletas, este mesmo treinador deve conhecer uma grande variedade de técnicas motivacionais e achar a combinação ideal para resultados produtivos. As atitudes do treinador devem se ajustar a cada pessoa, pois os conceitos de incentivo e desempenho ótimo são subjetivos e particulares. O gosto pelas atividades esportivas deve ser fixado nos alunos, pois, a Educação Física através do esporte transmite muitos valores interessantes à sociedade, como a obediência às normas/regras inquestionáveis e uma maior produtividade do homem, tendo a escola como preparadora de recursos humanos subalternos à ideologia dominante, em virtude da alienação causada pelo fazer inquestionável/inquestionado. Por isso é preciso pedagogizar o esporte, trata-lo como conteúdo educativo e não como mera atividade. 14 CAPÍTULO II A EDUCAÇÃO FÍSICA E SEUS OBJETIVOS Ao contrário do que muitos pensam a educação física não deve ser totalmente dissociada do esporte, já que um de seus objetivos consiste em promover a socialização e interação entre seus alunos, o que há de se reconhecer que o esporte proporciona. O grande questionamento que se faz a respeito do esporte na instituição de ensino é que ele muitas vezes transfere para o aluno uma carga de responsabilidade muito alta quanto à obtenção de resultados, o que afeta a criança psicologicamente de uma forma negativa (Barros Neto, 1997). Desta maneira, as atividades recreativas e rítmicas poderiam ser consideradas como meios mais eficazes para promover esta socialização dos alunos que a educação física tanto apregoa, uma vez que normalmente são realizadas em grupos os quais obedecem ao princípio da cooperação entre seus componentes, estimulando assim a criança em sua apreciação do comportamento social, domínio de si mesmo, autocontrole e respeito ao próximo. Outro objetivo da educação física consiste no estímulo a atividade criativa do aluno. Segundo Le Boulch (apud Barros e Barros, 1972) as crianças que estão na faixa etária entre 2 e 7 anos devem ser estimuladas ao máximo em sua capacidade de criação e por isso as aulas de educação física na escola devem basear-se no atendimento aos diversos aspectos naturais da vida ao ar livre e na liberdade de movimentos, ou seja, expansão de atividades espontâneas e criativas. 15 Assim, por exemplo, para fazer com que a criança desperte mais sua capacidade de imaginação o professor pode oferecer uma aula através de atividades rítmicas na qual peça a seus alunos para se movimentarem livremente de acordo com o som que estão ouvindo, ao invés de determinar quais movimentos cada aluno deve fazer a uma ordem sua. Também neste período entre 2 e 7 anos ocorre um fato muito importante para o estímulo à criação nas crianças, uma vez que é neste espaço de tempo que elas aprendem a ler e assim descobrir um novo mundo, repleto de atrações e de novas situações que contribuem para aumentar-lhes o poder imaginativo concorrendo, assim, para o desenvolvimento de sua capacidade criativa. Ainda neste contexto, Gonçalves (1997) nos fala da importância existente no fato de o professor proporcionar aos alunos movimentos portadores de um sentido para os mesmos, uma vez que movimentos mecânicos realizados abstratamente só contribuem para a inibição da criação e da participação dos alunos em aula e, por conseqüência, os torna indivíduos que deixam de interpretar o mundo por si próprios e passam a interpretá-lo pela visão dos outros. Mais um objetivo da educação física escolar consiste no desenvolvimento orgânico e funcional da criança, procurando, através de atividades físicas, melhorar os fatores de coordenação e execução de movimentos. Para atingir este objetivo, Barros e Barros (1972) nos fala que: (...) “as atividades de correr, saltar, arremessar (atletismo ligeiro), trepar, pendurar-se, equilibrar-se, levantar e transportar, puxar, empurrar, saltitar, girar, saltar corda permitem a descarga da agressividade, estimulam a autoexpressão, concorrem para a manutenção da saúde, favorecem o crescimento, previnem e corrigem os defeitos de atitude (boa postura)”(...) (p.16) 16 Assim, fica claro a importância que o professor tem em proporcionar aos alunos atividades cuja caracterização permitam aos mesmos uma movimentação constante e de exploração máxima do ambiente. É evidente que estas atividades devem ser adequadas ao estado de desenvolvimento de cada criança para assim fazer com que os movimentos sejam próprios ao seu grau de desenvolvimento morfofisiológico, o que contribui de maneira significativa para o avanço orgânico e funcional dos alunos em cada etapa de sua vida escolar. Por último destacaremos um objetivo da educação física escolar o qual consiste em desenvolver a aprendizagem de gestos e movimentos fundamentais das diferentes formas de atividades físicas e desportivas. Em torno deste tópico é que se situa a grande discussão que se faz a respeito da educação física na atualidade, uma vez que muitos o vêem como um estímulo ao simples desenvolvimento físico através de gestos e movimentos padronizados, tirando assim o caráter educacional pertencente a educação física que visa atuar sobre a formação do caráter humano e contribuir para um maior rendimento do trabalho intelectual. Sobre isto, De Marco (1995) nos mostra a educação física como sendo: (...) “ um espaço educativo privilegiado para promover as relações interpessoais, a auto-estima e a auto-confiança, valorizando-se aquilo que cada indivíduo é capaz de fazer em função de suas possibilidades e limitações pessoais” (...) (p. 77) Novamente o esporte será um fator prejudicial visto que em muitas vezes não respeita tais limitações pessoais em cada indivíduo e acaba por prejudicar o desenvolvimento orgânico e funcional do mesmo. 17 Outro autor que se manifesta contra o ensino de gestos e movimentos padronizados é João Batista Freire (1991) a quem atribui à educação física um papel de ensino de movimentos respeitando as individualidades da criança, o estímulo à liberdade e à criatividade individual. Neste contexto o professor assume um “personagem” o qual deve aplicar as atividades físicas por meio de exercícios de fácil execução, com graduação para cada idade e tendo em conta a evolução física e psíquica do aluno, dando-lhe liberdade para movimentar-se espontaneamente e da forma que desejar. Estes movimentos de caráter mais subjetivo e espontâneo caracterizam o que Kunz (1994) denomina de “mundo fenomenológico dos movimentos” o qual, em sua opinião, afastaria de vez uma provável limitação existente na “educação física mecanizada” e desta forma o proveito pedagógico que poderia se tirar do processo ensino-aprendizagem seria bem maior. 2.1 A visão dos Parâmetros Curriculares Nacionais na Educação Física Em 1999, o Ministério da Educação publicou os Parâmetros Curriculares Nacionais no segmento Ensino Médio que, acrescentado aos anteriores, Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental, contempla a Educação Básica. A última publicação prestigia o componente curricular educação física, inserindo-o na área maior de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. No entender dos consultores, a educação física, integrada às demais disciplinas, faz parte do universo dos conhecimentos humanos relativos à manifestação das intenções e da comunicação. 18 Por meio de vivências próprias, de observações e de pesquisa, podese constatar que, de forma geral, a educação física nesse nível de ensino limita-se à prática e à especialização das modalidades esportivas iniciadas no nível fundamental. Em sentido oposto, pensar uma educação física diferente e relevante às necessidades do cidadão foi tarefa primordial dos elaboradores. A nova proposta aborda as diversas manifestações da cultura corporal: jogo, atividades rítmicas, esportes, luta e ginástica, do ponto de vista do aprofundamento do conhecimento científico. Espera-se com o novo ensino que o educando acrescente conhecimentos úteis às suas ações cotidianas, aplicando-os e valorizando-os cada vez mais. Portanto, alternando momentos de estudos teóricos e práticos, com pesquisas e com a apresentação de trabalhos, pretende-se que a educação física adquira o mesmo grau de importância das demais disciplinas, deixando de lado a exclusividade de prática recreativa que até o presente tem caracterizado o seu fazer pedagógico. Cidadão é aquele que dispõe dos instrumentos básicos para atuar em sociedade, entre eles, ler e interpretar informações, utilizar novas tecnologias, agir conscientemente quanto ao meio ambiente e relacionar-se de forma ética com seus igual. Os Parâmetros Curriculares do Ensino Médio acrescentam à cidadania mais um fator: o monitoramento autônomo da atividade física. Dessa forma, entendemos como completa a formação um indivíduo apto a compreender a sua responsabilidade na adoção e na manutenção de um estilo de vida ativo, interpretando a cultura corporal de movimento como fator de crescimento da humanidade. Na mesma direção, espera-se que o homem e a mulher sejam capazes de participar de atividades coletivas, construindo as regras que mediam essas relações, compreendendo a participação deles nesse processo como agentes e não meros espectadores. 19 Com essa abordagem, espera-se que os Parâmetros Curriculares do Ensino Médio na especificidade da educação física desencadeiem um compromisso diferenciado do professor com o seu aluno e do aluno com o componente. Mais do que ensinar movimentos ou regras, o educador orientará a formação do ser humano, tendo por meta, sobretudo, a construção de conhecimentos. Em outras palavras, deseja-se que a ação e a reflexão constantes sobre as mais diversas atividades motoras terminem por valorizar e por ampliar os instrumentos de ação do homem sobre o mundo. 2.2 A prática docente Para refletir sobre o trabalho pedagógico desenvolvido na escola das séries iniciais do ensino fundamental, entende-se ser necessário compreender como se estruturam as escolas e suas práticas. Apoiando-se nas conclusões de Silva (1999: 59-60), considero que a escola infantil tem pautado suas ações na intenção, quase que exclusiva, de preparar criança para o ensino fundamental. Nesse sentido, utiliza como estratégia dominante a repetição de exercícios de prontidão, nos quais se emprega a brincadeira ora como recurso didático, ora como instrumento de sedução e controle. Entendo que essa estratégia não se compatibiliza com as características da atividade lúdica da criança, que requer liberdade para explorar sua criatividade. Nessa linha de raciocínio, pode-se afirmar que o brincar como prática social infantil não tem sido compatível com a função que a escola vem cumprindo. Nela, deixam de ser valorizadas as iniciativas tímidas das crianças, que refletem características de aleatoriedade e indeterminação, com as quais a escola não sabe trabalhar e nem lidar. A conseqüência é que o professor acaba mais controlando os passos e as respostas das crianças diante das tarefas (atividades) propostas do que as incentivando a produzirem algo interessante e de fato educativo. 20 Tal situação reitera a importância de se refletir sobre a prática docente na escola, de se adotar uma atitude investigativa em relação a essa prática e, ainda, de se pesquisar alternativas para aperfeiçoá-la. Segundo Schön (1997): “Quando um professor tenta ouvir os seus alunos e refletir-naação sobre o que aprende, entra inevitavelmente em conflito com a burocracia da escola. Nesta perspectiva, o desenvolvimento de uma prática reflexiva eficaz tem que integrar o contexto institucional. O professor tem de se tornar um navegador atento à burocracia. E os responsáveis escolares que queiram encorajar os professores a tornarem-se profissionais reflexivos devem tentar criar espaços de liberdade tranqüila onde a reflexão-na-ação seja possível. Estes dois lados da questão - aprender a ouvir os alunos e aprender a fazer da escola um lugar no qual seja possível ouvir os alunos devem ser olhados como inseparáveis.” (p. 87). Para Makiguti (1994), erra-se quando se deixa a cargo de determinados profissionais, que não têm formação em educação ou que estão fora das escolas e das salas de aula, as decisões relacionadas aos objetivos e às metas educacionais. O autor considera essencial que se redirecionem os estudos pedagógicos de modo a relacioná-los com situações reais de ensino. O processo de teorização deve se basear nisto. Em vez de permitir aos acadêmicos 'lá de cima' pronunciamentos sobre o que acontece 'embaixo', nas escolas, perturbando a estratosfera com esta ou aquela teoria, para depois modificála de acordo com as tendências do momento, os profissionais que atuam na educação, embasados em suas experiências diárias, devem abstrair indutivamente princípios e reaplicá-los em suas práticas na forma de melhorias concretas. Nessa mesma linha, argumenta que os objetivos devem ter origem nas necessidades e no dia-a-dia dos alunos. Os professores deveriam valorizar o que as crianças consideram importante, o que nelas desperta interesse durante o seu 21 processo de formação, ao invés de pensarem apenas nas necessidades dos adultos. Devem, assim, evitar sobrecarregar seus alunos com informações que sejam sem sentido para as suas vidas, ou que sejam exageradamente abstratas. Makiguti (1994) compara a apreensão de tais conteúdos a uma indigestão, propondo combatê-la da seguinte forma: “(...) Infelizmente, os efeitos da intoxicação psicológica nas crianças, causada pela aprendizagem forçada de conteúdos incompreensíveis, não são percebidos de imediato. Por isto, as conseqüências perniciosas desse processo ... não são reconhecidas. A situação é séria, mas, ao pesquisarmos as causas do problema, defrontamo-nos com um paradoxo: professores e pais acreditam estarem colaborando com o futuro bem-estar das crianças, apesar de as tornarem infelizes durante o processo. ... a escola que sacrifica a felicidade presente da criança e faz da felicidade futura seu objetivo violenta a personalidade infantil e o processo de aprendizagem propriamente ditos.” (p. 39). Considerando-se que é na escola que o licenciando estagia e trabalha quando formado, cabe desenvolver no mesmo a consciência da importância de uma postura investigativa em relação à sua prática. Tal postura deve envolver tanto os momentos de construção como de utilização de recursos pedagógicos. Tal postura deve incluir também a consciência da necessidade de valorização dos interesses e das necessidades da criança. O desenvolvimento dessa atitude durante o curso de formação é facilitado pela presença de um professor que atue como orientador e procure contribuir para a promoção de novas aprendizagens, para o aperfeiçoamento do desempenho, para o estabelecimento do diálogo e para a prática de uma avaliação continuada. Em síntese, defendo a importância de se buscar, durante o período de formação e de estágios do futuro professor, propiciar oportunidades de reflexão 22 sobre a prática desenvolvida junto com os alunos. Para isso, porém, o professor formador também precisa refletir continuamente sobre sua atuação profissional. 2.3 Do esporte Institucionalizado à Educação Física como disciplina Recorro a Tubino (1992) para discutir a influência do esporte na Educação Física escolar. O autor aponta como se modificaram as concepções referentes ao esporte. Considero que as dimensões propostas pelo autor também se aplicam à Educação Física escolar, que de certa forma sofre os reflexos e as influências do esporte e que, da mesma forma que este, vem sofrendo modificações no modo como é concebida. Tais mudanças possibilitam admitir, na Educação Física escolar, mudanças de conceito e de concepção quanto a suas relações sociais na escola, permitindo assim, que se pense em formas alternativas de desenvolvimento da disciplina, que a tornem menos formal e mais prazerosa para as crianças. Tubino (1992) refere-se a um “esporte da Antiguidade”, assim como destaca o surgimento do chamado “Esporte Moderno” no século passado, em uma perspectiva pedagógica, sem restringir os aspectos de disputas das competições. Entretanto, o ideário olímpico do esporte foi sendo abalado pela busca de profissionalismo no esporte, gerando com isso, conflito entre o amadorismo e o profissionalismo. Como não se admitia em hipótese alguma o profissionalismo nas competições, os casos identificados eram passíveis de severas punições. A perspectiva pedagógica inicial do esporte moderno desaparecia gradativamente e mantinha-se ainda o preconceito em relação à prática desportiva feminina, por muito tempo mantido. Busco refletir sobre a Educação Física escolar, considerando os aspectos negativos da supervalorização do esporte competitivo (Tubino, 1992), bem como as tendências e correntes da Educação Física brasileira (Ghiraldelli Jr., 1988), 23 em especial as tendências militarista (1930 -1945), pedagogicista (1945 - 1964) e Competitivista (1964 - 1985 aproximadamente). A intenção é estabelecer relações com a formação do professor de Educação Física e compreender as influências históricas nas características da Educação Física escolar. Para Ghiraldelli Jr., é necessário que a periodicidade das tendências seja entendida com cautela, já que as mesmas, embora só se explicitem em uma dada época, já estão latentes em épocas anteriores e, além disso, tendências que aparentemente desapareceram são incorporadas por outras. Ressalte-se ainda a distância entre a teoria e o que de fato ocorre na prática, ou seja, nas aulas. Para Ghiraldelli (1988): “O problema também é complexo quando desejamos entender a organização mental dos professores de Educação Física. Todas essas tendências são mais ou menos incorporadas, e estão vivas nas cabeças dos professores atuais. Eles são absorvidos em forma de amálgama e, não raro, levam a um ecletismo pouco produtivo.” (p.16) Não é fácil, então, compreender as influências no processo de formação dos professores de Educação Física. Nos anos 70 e 80, período da Tendência Competitivista, houve uma forte influência da prática do desporto escolar competitivo, marcado pela realização dos Jogos Escolares Brasileiros - JEBs, descaracterizando-se quase que totalmente a Educação Física escolar, tanto nas séries em que se recomendava a iniciação desportiva, ou seja, de 5ª a 8ª série do primeiro grau, como na prática do desporto nas séries do segundo grau. Secundarizou-se, então, o caráter formativo e pedagógico da Educação Física, praticamente restrito às primeiras séries do primeiro grau, cujo ensino, no entanto, foi deixado quase que totalmente a cargo de professores sem a devida qualificação, com formação apenas em magistério de segundo grau. Ainda que muitos sejam os autores que contestem os benefícios de um esporte voltado unicamente para os resultados, na escola, as aulas de Educação Física também instituíram os resultados de forma muito arraigada. Contudo, a 24 reação dos intelectuais da área não deixou de provocar uma revisão conceitual do esporte, influenciando também a revisão de conceitos e posturas na prática da Educação Física escolar. Tal perspectiva pode ser constatada, na década de oitenta e na virada da de noventa, por parte de muitos autores - professores e pesquisadores que se posicionaram em defesa da valorização de uma Educação Física mais humanista e mais educativa. A partir dos anos noventa, o esporte adquire importância social mais expressiva. O movimento esportivo mundial cresceu e expandiu-se, com o conseqüente aumento de sua relevância social. Valorizam-se, inevitavelmente, as práticas de atividades físicas, inclusive as escolares. O esporte é revisto nos ambientes escolares, admitindo-se, em meados da década, a idéia de se implantar um esporte participação. Essa iniciativa provocou forte reação por parte de muitos professores/treinadores de Educação Física, ou seja, dos que se tornaram muito mais técnicos do que professores/educadores de Educação Física. Tais profissionais continuam, especialmente quando se trata de competições, a defender regras duras e exigentes, buscando assegurar a seletividade necessária para se chegar à vitória. Tubino (1992) refere-se à Carta Internacional de Educação Física e Desportos (UNESCO, 1978) como um documento que veio consolidar a discussão internacional desenvolvida na época sobre o esporte e que apontou para um novo conceito do mesmo. Destaca, ainda, que se abre a perspectiva do direito à prática esportiva, aumentando-se significativamente a dimensão social de um esporte reconceituado. Na escola, esse direito pode ser interpretado como um direito à prática da atividade física de maneira geral, reivindicada para todos os níveis escolares. Após o redimensionamento conceitual, o esporte é considerado como problema humano e social. Seu significado social passou a abranger manifestações comprometidas com a educação, a participação e a performance, sendo visto por 25 Tubino como “um campo sociocultural de estruturas e conteúdos de grande complexidade, que se apresenta com grande fascínio para todos os atores ativos e passivos, propiciando oportunidades únicas para a convivência humana”. Aplicando essa concepção à escola e apoiando-me também em outros autores que defendem a prática de uma Educação Física escolar democratizada, considero como direito de toda a criança praticar Educação Física e ter acesso ao brinquedo e ao jogo na escola. Julgo ainda que atividades bem desenvolvidas, com materiais adequados, podem desenvolver fascínio nas crianças, integrando-as entre si, bem como com seus professores e com os alunos-mestres. Dessa forma recorrendo ainda a Tubino (1992) para sustentar minha defesa quanto à necessidade de tornar a Educação Física escolar, para crianças, mais agradável e participativa, destaco suas palavras: “O esporte, com o seu conceito compromissado com as suas perspectivas na educação, na participação das pessoas comuns e também no rendimento, em situações específicas, inclusive quanto às finalidades, e visto como direito de todos, passou a merecer novas abordagens e estudos para que sua dimensão social seja realmente entendida” (p. 13). Assim, tem-se que essa dimensão social ampliada da atividade física precisa nortear novas possibilidades para a prática da Educação Física nas instituições de ensino. Os objetivos como o desenvolvimento integral do indivíduo e a sociabilidade, onde aparecem a competição, a cooperação, lealdade e a resolução de problemas, características da vida em sociedade, devem ser ressaltados, uma vez que o conteúdo da educação não está constituído somente por aquilo que se ensina, incorpora a totalidade das condições que pertencem ao ato pedagógico. 26 CAPÍTULO III EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE: UMA NOVA ABORDAGEM DA EDUCAÇÃO FÍSICA Atualmente, a escola se constitui no ‘locus‘ ideal para o início da educação para a saúde. E neste sentido, a Educação Física (EF) emerge como condutora principal deste processo pedagógico. Estudos nesta área, como por exemplo, os desenvolvidos por Gerber (1992), Pate (1995), Maitino (1998) apontam que crianças em idade escolar apresentam vários indicadores de risco os quais, na idade adulta, são preditivos da DC, razão pela qual a prevenção primária da aterosclerose deve ser iniciada precocemente. Sugerem ainda que a escola se constitui em espaço de excelência para o início de procedimentos pedagógicos sobre Educação para a Saúde. De modo geral, o conteúdo das aulas de EF das escolas públicas de ensino básico privilegiam tipificações de algumas modalidades esportivas, como por exemplo, Futebol de Salão, Basquetebol, Voleibol e outras. A abordagem, ainda que em termos gerais, sobre conteúdo e metodologia da atividade física e suas interfaces com a saúde é rara, senão inexistente. A propósito, o conceito de atividade física regular relacionada à saúde deve ser comunicada com mais seriedade à criança em idade escolar. Admitem inúmeros pesquisadores da área, dentre os quais Armstrong, Sleap, Alderson, Crutchley, que a Educação Física tem importante papel a desempenhar neste desafio. Posto que o objeto de estudo da Educação Física é o homem em movimento, deduz-se que o movimento, entendido aqui enquanto atividade física, se constitua na variável de maior interesse deste processo. Ocorre, contudo, que na realidade brasileira, salvo melhor juízo, a Educação Física escolar não inclui, entre seus objetivos, a articulação da atividade física com a saúde. 27 Historicamente, conceitos básicos sobre atividade física, enquanto elemento de promoção da saúde, não são abordados. A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação Nacional (n° 9 394, de 20 de dezembro de 1996), no seu artigo 26, parágrafo 3º, estabelece que “a Educação Física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular da Educação Básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos”. Desta maneira, fica evidente que, enquanto componente curricular da Educação Básica, integrada à proposta curricular, a Educação Física está sendo levada para dentro da escola, incluindo-se nos fazeres escolares. Para tanto, deve oferecer proposta consistente, atualizada e particularmente articulada com algum interesse social que supere o ativismo inconseqüente do fazer por fazer. Esta nova situação se diferencia da anterior, na qual, o parecer 853/71 do Conselho Federal de Educação, enquanto desdobramento da Lei 5 692/71, discorria sobre a doutrina do currículo e fixava o núcleo-comum para os currículos do ensino de 1º e 2º graus. O artigo 7º da referida lei tratava da obrigatoriedade da inclusão de Educação Moral e Cívica, Educação Física, Educação Artística e Programas de Saúde nos currículos plenos do ensino de 1º e 2º graus. Estabelecia ainda que o currículo pleno de cada escola seria constituído por disciplinas, áreas de estudo e atividades. Para melhor entendimento destes componentes curriculares, parte-se do mais para o menos amplo e do menos para o mais específico. Desta forma, nas atividades, as aprendizagens deverão ocorrer antes sobre experiências colhidas em situações concretas do que pela apresentação sistemática dos conhecimentos; nas áreas de estudo - formadas pela integração de conteúdos afins, consoante a atendimento que já é tradicional - as situações de experiência tenderão a equilibrarse com os conhecimentos sistematizados; e nas disciplinas, sem dúvida as mais específicas, as aprendizagens se farão predominantemente sobre conhecimentos sistematizados. 28 Neste cotejo entre atividades, áreas de estudo e disciplinas, há que se considerar que “(...) assim como o conhecimento há de estar desde a atividade, sob pena de que o ensino a nada conduza, também não se dispensa alguma conexão com o real no estudo das disciplinas, sem o que se descambará para um intelectualismo vazio e inconsistente” (SE/CENP., p. 268). Neste contexto, localizava-se a EF, caracterizada como atividade. Isto não implicava que estivesse hierarquizada ou que a Lei em algum momento lhe atribuísse menor importância em cotejo com as disciplinas. Apenas particularizava um e outro componente curricular. Se, nas atividades, as práticas prevaleciam, de forma alguma excluía o conhecimento. De modo geral, o conhecimento e as práticas oferecidas nas aulas de EF carecem de melhor direcionamento. Sabidamente, a EF tal como se apresenta nos dias atuais não se sustentaria no âmbito escolar público, caso dependesse de reconhecimento social. Esta situação pode estar associada à excessiva ênfase dada às práticas esportivas, as quais, invariavelmente, não são entendidas enquanto meio educacional, senão como fim. Generalizou-se que aulas de EF sugerem bola, apito, quadra polivalente, formação de equipes, disputa, campeonato, premiação. Nada de mais se estes procedimentos estivessem articulados com a formação geral do aluno e se o produto não sobrepujasse o processo. Situações de desempenho, que objetivam resultados, são melhor ambientadas em clubes esportivos. De qualquer forma, seria oportuno oferecer aos alunos outras “roupagens” da EF, como por exemplo, a promoção da saúde com suas inúmeras implicações. Não se trata, entretanto, de estabelecer relação de causalidade entre a EF e estado satisfatório de saúde, senão proporcionar aos alunos, contato com um conhecimento que lhes possa ser útil. 29 A observação de Sleap (1990, p. 19) é bastante pontual. Comenta o autor que a EF tem sido freqüentemente vista como educação do ou através do físico mas a educação sobre (ou para) o físico também deve ser cogitada. Educação sobre como manter o corpo em boas condições para melhorar a qualidade e quantidade de vida deve ser considerada tão relevante quanto os ensinamentos de habilidades para um esporte coletivo, o qual pode não ser nunca mais jogado, uma vez terminados os dias escolares. De fato, o que está sendo proposto é que as crianças em idade escolar tenham acesso a um conjunto de informações teóricas e práticas a propósito da atividade física regular, sistemática e vinculada à aquisição e manutenção de níveis satisfatórios de aptidão física, além da adoção de estilo de vida saudável, na medida do possível, com aderência na fase adulta. Não se trata, necessariamente, de condicionar fisicamente as crianças, senão oferecer-lhes formação escolar – posto que a escola constitui-se no espaço onde aprende-se alguma coisa – sobre conteúdo e procedimentos metodológicos relacionados à atividade física e à saúde, o que, por certo, inclui o combate ao sedentarismo. Em nosso meio, iniciativas neste sentido são raras. Guedes & Guedes (1993, p. 18) por exemplo, apontam para a existência de fundamento lógico, racional, no sentido de atribuir-se à Educação Física escolar outro eixo de interesse, qual seja o da Educação para a promoção da saúde em superação ao desenvolvimento de habilidades atléticas e/ou recreacionais, até por que, na sociedade atual, número significativo de pessoas adultas contribuem fortemente com o aumento estatístico de doenças cardiovasculares, as quais, de alguma forma, estão associadas com o sedentarismo. Possivelmente, a razão mais convincente para a promoção de estilo de vida ativo na escola é dada por Bar-Or (1987, p. 306) ao enfatizar que a escola constitui-se realmente no único lugar no qual todas as crianças, sem restrições de educação, formação, sexo, raça e passado atlético têm a oportunidade de beneficiarem-se de tais experiências. 30 O crescente interesse pela atividade física pode ser discutido sob inúmeros aspectos. Um deles diz respeito às evidências estabelecidas entre a atividade física regular com a prevenção da DC. O atual nível e padrão de atividade física das crianças é causa de grave preocupação. Professores de EF de todos os níveis de escolaridade devem colaborar uns com os outros, com a comunidade e com a família, para enfrentar este desafio, no entendimento de Armstrong (1990, p. 1). Novas iniciativas estão sendo exploradas com crianças, resultando em elevado perfil de aptidão física relacionada à saúde, como uma característica básica da EF escolar (Sleap, 1990, p. 17). Armstrong (1990, p. 13) sugere que o primeiro objetivo da inclusão da AF relacionada à saúde nos currículos da EF deve ser no sentido de as crianças realizarem activity independence, ou seja, tornarem-se independentes quanto às suas atividades. Os professores devem ajudá-las e encorajá-las a internalizarem a motivação para serem ativas, de forma que, quando a motivação extrínseca dos professores for retirada, a criança continue com um estilo de vida ativo. Para conseguir esta independência, a criança deve entender os princípios sobre atividades que objetivam a saúde, além de saber como tomar decisões no sentido de implementar programas individuais, os quais devem ser periodicamente redirecionados e modificados com o passar dos anos. Não se tem dado muita atenção à promoção da saúde nesta faixa etária e neste nível de escolaridade. E é exatamente nestes anos iniciais que os estilos de vida começam a ser cristalizados. Bray (1987, p. 7) enfatiza alguns aspectos da escola primária que facilitam a promoção dos princípios da saúde nesta faixa etária. De modo geral, as crianças têm curiosidade sobre seus próprios corpos e são particularmente receptivas às informações sobre saúde; as professoras supervisionam todo o desenvolvimento da criança, razão pela qual é possível integrar vários elementos sobre comportamentos saudáveis como um todo, ao invés de áreas isoladas como usualmente acontece no ensino médio. 31 Finalmente, entende o autor que freqüentemente ocorre estreita ligação com o ambiente familiar, o que pode ser excelente mecanismo para influenciar os pais, se alterações significativas forem observadas no comportamento das crianças em relação às aulas de EF. Reconhecendo que as origens de muitas doenças crônicas (incluindose a Doença Coronária) estão relacionadas com padrões de comportamentos desenvolvidos durante a infância, The United States Departament of Health and Human Services estabeleceu em 1980 que um dos objetivos da saúde, para a nação, seria que, na década de 90, a proporção de crianças e adolescentes na faixa etária de 10 a 17 anos participando regularmente em programas apropriados de atividades físicas, notadamente naqueles que visem aptidão cardiorrespiratória, os quais tenham aderência na fase adulta, seja maior que 90,0%. 3.1 A instituição de ensino A escola primária se constitui em ambiente privilegiado para a promoção/instalação de estilo de vida ativo, em parceria com a família. A curiosidade natural das crianças pode ser utilizada no sentido de ajudá-las a entender como o seu organismo funciona, e a importância da atividade física (AF) deve ser enfatizada e relacionada com outros aspectos da educação. As crianças podem ser orientadas através de conteúdo teórico-prático de EF que inclua ginástica, habilidades em jogos, dança, natação, e outros. Com atrativo e balanceado programa de atividades as crianças podem desenvolver repertório de habilidades motoras condizentes com seu nível de maturidade e sentirem-se confiantes quanto às suas próprias possibilidades (Armstrong, 1990, p. 9). Propõe ainda, o mesmo autor, que programas de atividade física direcionadas para crianças podem ser implementados com algum sucesso se elas estiverem intrinsecamente motivadas para realizar estas atividades. Não porque tenham de participar, senão porque queiram participar. 32 Recente publicação do Sports Council sugere uma sessão diária de atividades vigorosas em cada escola primária como parte de programa de EF, ou como seu suplemento. Contudo, esta recomendação precisa ser entendida com algum cuidado em virtude da resistência que as crianças apresentam em participar de programas compulsórios e estruturados de atividades físicas vigorosas. Deve ser mais interessante proporcionar às crianças experiências motoras atraentes, prazerosas, objetivando favorecer a motivação para futura participação. As partes relevantes do programa de estudos devem ser interpretadas com ênfase na promoção de estilo de vida ativo que, espera-se, irá persistir na vida adulta. Deve ser demonstrado claramente às crianças que a atividade pode ser agradável e que a competição ou excelência atlética não é necessária para a promoção da saúde. As crianças devem ser expostas a grande variedade de atividades em duplas, ou em equipes e a ênfase deve ser dada ao desenvolvimento de bases saudáveis de habilidades motoras que podem contribuir para experiências bem sucedidas e agradáveis, tanto no presente, como no futuro. Desta forma, se faz necessário que os professores estejam atualizados com os atuais conceitos sobre exercício e ciências da saúde, além de ter bem claro o crescente corpo de conhecimento associado com a aderência ao exercício. Esta situação implica programas de educação inicial e continuada (Armstrong, 1990, p. 11). As aulas de Educação Física, pela sua própria natureza, constituem-se no espaço ideal para promover atividades físicas e em outras realidades sociais, os professores da área têm reagido positivamente para a emergente inclusão da aptidão física relacionada com a saúde, no currículo. O propósito imediato do professor pode ser o desempenho mas o seu objetivo final deve ser a educação. Um relatório desenvolvido Her Majesty's Inspectorate comentou que gastam-se centenas de horas ensinando as habilidades da maioria dos jogos de equipes, quando, de fato, considerável parcela dos jovens não prosseguirá com estas atividades, tão logo deixem a escola (Dowling, 1987, p. 46). 33 Pode-se admitir que a promoção da saúde se constitui, de fato, em objetivo central da EF na escola. Ela oferece a única contribuição que provavelmente não seja efetivamente oferecida em qualquer outro lugar. Facilita, outrossim, o crescimento físico e educa as crianças sobre os inúmeros atributos da saúde relacionados com a AF. Para alguns pesquisadores, como Sleap (1990, p. 21), por exemplo, o assunto assume tamanha seriedade ao afirmar que fica muito difícil visualizar quais outros objetivos podem ser justificados tão fortemente como a saúde. 3.2 As campanhas educativas Em países e regiões nas quais os agravos cardiovasculares, de modo geral e a doença coronária em especial, assumem aspectos epidêmicos, as campanhas preventivas procuram envolver grandes comunidades. O enfoque principal recai sobre a identificação e desejável controle dos fatores de risco. É evidente que os assim chamados fatores de risco não devem ser considerados isoladamente, de maneira que o tabagismo, a hipertensão arterial, a hipercolesterolemia, o sedentarismo e outros, são intercorrentes. Resulta daí que nenhuma ação profilática tem sentido se objetivar o controle de um ou dois fatores de risco isoladamente. Todos os esforços propõem mudança de comportamento, ou seja, a adoção de estilo de vida comprometido com a saúde, entendida aqui no seu sentido mais amplo. Os resultados dessas campanhas, em relação à população adulta, carecem de melhor consistência. De qualquer forma, todos os esforços devem ser dirigidos no sentido de socializar um tipo de conhecimento útil à sociedade. Em nosso meio, Chammé (1997, p. 72) argumenta que ações e programas de Saúde Pública carecem de melhor condição formativa ou educativa, posto que os existentes atualmente limitam-se ao plano informativo. 34 Convém salientar que o comportamento relacionado à saúde está, invariavelmente, atrelado ao estilo de vida geral da comunidade, o que por sua vez, envolve aspectos culturais, atitudes e valores, além da sua situação ambiental e sócio-econômica. A desejável operacionalização de medidas preventivas não depende apenas da ação de especialistas. No plano coletivo, ela depende, antes, das estruturas sócio-econômicas. (Rouquayrol, 1994, p.18). Sabidamente, é muito difícil persuadir pessoas adultas a alterar costumes estabelecidos durante longos anos, razão pela qual em inúmeros países medidas educativas vêm sendo operacionalizadas junto às crianças em idade escolar, notadamente durante as aulas de Educação Física, na tentativa de levar o conhecimento da escola para a família. Se campanhas educativas direcionadas para adultos não produzem o efeito desejável, não seria o caso de atingi-los através das crianças e dos adolescentes? Neste sentido a Educação Física torna-se um campo muito grande de ações, em que através das vivências em situações decorridas, o indivíduo desenvolve sua atitude e capacidade de ação, além é claro de perceber o seu mundo de movimentos, entender as implicações deste para a sua saúde e estética e também entender as questões éticas relacionadas ao esporte, pois surgem muitos problemas a serem resolvidos, não diferente da vida em sociedade. 35 CAPÍTULO IV IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO A prática pedagógica não deve ser entendida apenas como o momento em que a aula se dá. Ainda que a idéia comum que se tenha da prática seja a de um espaço que obedeça a certas normas e modelos que visam estabelecer o que, de forma geral, ocorre ou deveria ocorrer em aula (Perrenoud, 1997). A prática pedagógica inicia-se bem antes do momento propriamente dito da aula e não termina com o fim desta, mas vai além, no que poderíamos chamar de um processo contínuo que se complementa cotidianamente mas não se completa, pois não é finito e sim passível de reconstrução e re-elaboração. Assim, as atividades relativas ao planejamento, à preparação das aulas, à escolha dos materiais, à avaliação da aula, dos alunos e sua própria autoavaliação são alguns elementos que permeiam o trabalho pedagógico do professor, assim como a metodologia adotada, o conteúdo a ser ensinado, a especificidade de um componente curricular, elementos que não são unívocos e estáticos e que, por isso, apresentam-se de formas diferentes (tanto quanto ao locus como em relação ao tempo) no próprio trabalho pedagógico, bem como na representação que se tem deste. Desta forma, a prática pedagógica exige um processo de constante reflexão por parte do professor. Este processo que se dá antes e depois do momento da aula é fundamental para que as relações que se estabelecem em aula possam ser melhor compreendidas e desenvolvidas. Em sua atividade, o professor se envolve numa intensa e complexa rede relacional em que tem de tomar (num certo espaço de tempo) várias microdecisões. 36 É preciso ter claro que, no processo ensino-aprendizagem, vários fatores estão atuando, tais como a característica da atividade, a disposição do espírito, o estado de cansaço ou tensão sentidos pelos alunos e pelo professor (Perrenoud, 1997). Esse autor aponta que: "Seja qual for a variação de uma aula para outra, a prática pedagógica é constituída em classes muito ordenadas e controladas, por uma sucessão de micro-decisões das mais variadas naturezas" (Perrenoud, 1997, p. 37). Compreender como o professor se relaciona com estes elementos, procurando observar como opera e que importância atribui aos mesmos pode ser uma forma importante e interessante para melhor visualizar como vem se dando a prática pedagógica dos professores. Além disso, captar elementos do imaginário do professor de EF não significa adotar uma postura psicologista, mas reconhecer que este imaginário é construído no processo social e é carregado de conteúdos e sentidos ideológicos (Bakhtin, 1997, p. 95). Portanto, o discurso individual de cada professor manifesta o universo subjetivo que ele constrói a partir das suas vivências objetivas/sociais. Essa carga subjetiva também redimensiona e reconstrói, em certa medida, esta mesma realidade. Desta forma, para um projeto que pretende contribuir para mudanças na prática pedagógica do professor de EF, torna-se relevante apreender e compreender a representação que este professor tem acerca de seu trabalho, pois esta representação é constituída e constituidora da realidade social na qual ele se insere. É claro que alguns cuidados necessitam ser tomados. Como observa Bakhtin (1997, p. 32), "Um signo não existe apenas como parte de uma realidade; ele também reflete e refrata uma outra. Ele pode distorcer essa realidade, ser-lhe fiel, ou apreendê-lo de um ponto específico, etc. Todo signo está sujeito aos critérios de avaliação ideológica (isto é: se é verdadeiro, falso, correto, justificado, bom ...". 37 De fato, a visão estereotipada de que a Educação Física oferecida nas escolas era de má qualidade e o professor um profissional de segunda categoria era bastante comum e que ainda sofre resquícios atualmente desse estigma. Essa fama, aliada ao uso abusivo do esporte nas aulas, terminou por levar a disciplina a uma crise de identidade, já identificada na década de 70, em plena vigência da tendência competitivista da Educação Física. Segundo Dufour (citado por Ferreira, 1984, p. 19): “A Educação Física praticada nas escolas parece estar sofrendo uma crise de identidade. Esta crise se revela pela existência de conflitos entre o status da Educação Física em relação aos outros ramos de Educação e em relação ao desporto. O primeiro tipo de conflito aparece quando se situa a Educação Física no quadro geral da Educação. Os autores assumem posições contraditórias, ora caracterizando a Educação Física como “uma atividade natural, corporal, puramente instintiva, muitas vezes inconsciente, obedecendo às leis de uma mística do eugenismo” e ora como “uma atividade intelectual, que, embora partindo da praxis, dela se destaca, ultrapassa o concreto e conduz a ginásticas intelectuais muito complicadas, até mesmo sofisticadas”. O segundo tipo, da Educação Física identificada com o desporto “reduz-se e concretiza-se na competição, nos recordes, no ultrapassar-se a si próprio, o que implica uma entrega total do ser à conquista dos cumes”. O sentido de auto-competição e de auto-superação parece não ter sido incorporado pela escola. As qualidades lúdicas, tais como espontaneidade e capacidade de desenvolver satisfação pessoal com desempenho e iniciativa, características do esporte educativo, não estão sendo enfatizadas pelas atividades de Educação Física. Em contrapartida, estas atividades têm se caracterizado por uma prática essencialmente mecânica.” 38 Dois fatos marcantes parecem ter determinado, nessa ocasião, os rumos da Educação Física: a retomada da realização dos Jogos Olímpicos após a Segunda Guerra Mundial e a apresentação do “Projeto de Doutrina de Educação Física Desportiva” pelo Instituto Nacional de Esportes da França, em 1945, que deu origem à Educação Física Desportiva Generalizada, influenciando diretamente a prática da Educação Física na escola. Iniciou-se um movimento voltado para a formação de equipes desportivas, reproduzindo-se o modelo dos Jogos e de suas deformações, tais como: “cientificismo exagerado, propaganda política e supervalorização da tecnologia” (Lisboa, citado por Ferreira, 1984, p. 20). O fenômeno do esporte-espetáculo pode ter levado a escola a incorporar valores contrários aos ideais próprios à educação. As atividades físicas desempenhariam papel complementar nesse processo de educação geral. Para Ferreira (1984): “A identificação com o esporte-espetáculo a que parece estar submetida a Educação Física na instituição escolar constitui uma ameaça aos propósitos últimos da educação. Ela absorve e passa a utilizar, em seu processo de ensino uma concepção autoritária. O papel do professor apresenta-se apenas como disciplinador, servindo-se de metodologias que controlam a participação do aluno, impedindo-lhe o crescimento pessoal e social. A escola, como instituição, parece não ter absorvido a Educação Física e o esporte em seus objetivos de formação de um homem livre, que se conhece, se experimenta, se vence, se respeita o direito dos outros e se mantém consciente de seus deveres e responsabilidades. 39 A escola parece estar se prestando ao desenvolvimento de uma ideologia de reprodução, acrítica, identificando-se mais com a instituição desportiva cujos valores são: desempenho máximo, vitória a qualquer preço, glória, vantagens de ser campeão, submissão do homem, disciplina autoritária e possibilidade, no mais das vezes ilusória, de ascensão social. Parece que a escola, ... acredita no fato de um campeão ser necessário para estimular a prática do esporte por um grande número de pessoas.” (: 20-21) Assim, constata-se que a Educação Física vista apenas pelo plano da reprodução do movimento, de caráter seletivo, em que se valoriza o desempenho dos alunos bem dotados, ignorando-se os menos aptos, reduz sua abrangência e seu potencial, negando seus objetivos, somente alcançáveis se desenvolvidos de modo que o aluno tenha a oportunidade e a possibilidade de participação no processo educacional da Educação Física, cujas atividades apresentam um caráter global que não pode ser esquecido. A Educação Física é uma disciplina que possibilita, talvez mais do que as outras, espaços onde se pode dar início a mudanças significativas na maneira de se implementar o processo de ensino/aprendizagem, tendo em vista as diversas situações em que os dados do cotidiano associados à cultura de movimentos podem ser utilizados como objetos para reflexão. 40 CONCLUSÃO Perante a análise feita anteriormente, a conclusão mais importante a que podemos chegar desta pesquisa é que realmente existe uma necessidade de se alterar a maneira pela qual ela é exercida atualmente e, sim, é possível promover esta alteração pedagógica de modo a se tirar um maior proveito do processo ensinoaprendizagem, sendo que para isto não precisamos necessariamente abandonar os movimentos de caráter desportivo, mas adapta-los a uma realidade que não exerça sobre os alunos uma pressão constante na busca incessante de resultados. Desta forma podemos sugerir àqueles que militam na área escolar a realização de uma metodologia que estimule o aluno em todas as esferas de seu comportamento humano (motora, cognitiva, afetiva e social) e não somente a motora, como observa-se atualmente. Propõe-se, então, uma Educação Física de qualidade porque: - É um meio efetivo de inclusão social com o significado de promover em todas as crianças - qualquer que sejam suas capacidades/incapacidades, sexo, idade, cultura, etnia, religião ou nível social - com as habilidades, atitudes, valores, conhecimento e entendimento para a participação permanente em atividade física e esportes; - Ajuda a assegurar o desenvolvimento integrado e completo de mente, corpo e espírito; - É o único conteúdo escolar cujo foco principal está no corpo, atividade física, desenvolvimento físico e saúde; - Ajuda as crianças a desenvolver modelos e interesses em atividade física, que são essenciais para o desenvolvimento saudável e que é uma posição básica para adultos com estilos de vida saudáveis; 41 - Ajuda as crianças a desenvolver o respeito pelo seu corpo e pelo corpo dos outros; - Desenvolve o entendimento da função da atividade física na promoção da saúde; - Contribui para a autoconfiança e auto-estima das crianças; - Realça o desenvolvimento social preparando as crianças a lidar com a competição, vitória e derrota; e cooperação e colaboração; - Promovem as capacidades e conhecimentos para o trabalho futuro em esporte, atividade física, recreação e lazer, uma área crescente de empregos. Cabe agora aos educadores físicos, estudarmos e conhecermos o que cada aluno pode potencialmente realizar e em quais condições pode apresentar um nível de desenvolvimento que lhe permita realizar determinados movimentos ordenados pelo professor, para que assim possamos contribuir, dentro da educação física escolar, com o avanço do processo de desenvolvimento motor o qual ocorre em todos nós, seres humanos. 42 BIBLIOGRAFIA ARMSTRONG, N. Children's physical activity patterns: implicatons for Physical Education. In: ARMSTRONG, N. New Directions in Physical Education. v. 1. Rawdon, Leeds, England: Human Kinetics Publishers (UK) Ltda., 1990. p.1-15. BAR-OR, O. A commentary to children and fitness: A public health perspective. Research Quarterly for Exercise and Sport, Reston, VA. v.58, n.4, p.304-307, 1987. BARROS NETO, Turíbio Leite de. Início da criança no esporte In: Exercício saúde e desempenho físico. São Paulo: Atheneu, 1997. BARROS, Daisy; BARROS, Darcymires. 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São Paulo : IBRASA, 1984. 45 ÍNDICE AGRADECIMENTOS..................................................................................... 03 DEDICATÓRIA............................................................................................... 04 RESUMO........................................................................................................ 05 METODOLOGIA............................................................................................. 06 SUMÁRIO....................................................................................................... 07 INTRODUÇÃO............................................................................................... 08 CAPÍTULO I MOTIVAÇÃO E PRÁTICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ...................................... 10 CAPÍTULO II A EDUCAÇÃO FÍSICA E SEUS OBJETIVOS ................................................ 2.1 A visão dos Parâmetros Curriculares Nacionais na Educação Física.. 2.2 A prática docente ................................................................................. 2.3 Do esporte Institucionalizado à Educação Física como disciplina ....... 14 17 19 22 CAPÍTULO III EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE: UMA NOVA ABORDAGEM DA EDUCAÇÃO FÍSICA ............................................................................................................ 26 3.1 A instituição de ensino ......................................................................... 31 3.2 As campanhas educativas ................................................................... 33 CAPÍTULO IV IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO .......................................................................................................... 35 CONCLUSÃO................................................................................................. 40 BIBLIOGRAFIA................................................................................................ 42 ÍNDICE............................................................................................................. 45 46 FOLHA DE AVALIAÇÃO UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES Instituto de Pesquisa Sócio-Pedagógicas Pós-Graduação “Latu Sensu” Título da Monografia: A importância da educação física para a educação Data da entrega: _______________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Avaliado por:_______________________________Grau______________. Rio de Janeiro_____de_______________de 20___ 47 ANEXOS