UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS MESTRADO STRICTO SENSU EM ENGENHARIA AGRÍCOLA PERDAS DE PRODUÇÃO E DE QUALIDADE DE SEMENTES NA COLHEITA MECANIZADA DO ARROZ DE TERRAS ALTAS Greice Rezende Borges ANÁPOLIS - GO ABRIL - 2009 i PERDAS DE PRODUÇÃO E DE QUALIDADE DE SEMENTES NA COLHEITA MECANIZADA DO ARROZ DE TERRAS ALTAS GREICE REZENDE BORGES ORIENTADOR: Prof. Ds. José Geraldo da Silva CO-ORIENTADOR: Prof. Ds. Elton Fialho dos Reis Dissertação apresentada à Universidade Estadual de Goiás – UEG, Unidade Ciências como Exatas parte Programa Universitária de das e de Tecnológicas, exigências do Pós-Graduação em Engenharia Agrícola – Engenharia de Sistemas Agroindustriais, obtenção do título de MESTRE. ANÁPOLIS – GO ABRIL - 2009 para ii PERDAS DE PRODUÇÃO E DE QUALIDADE DE SEMENTES NA COLHEITA MECANIZADA DO ARROZ DE TERRAS ALTAS Por Greice Rezende Borges Dissertação apresentada como parte das exigências para obtenção do título de MESTRE EM ENGENHARIA AGRÍCOLA Aprovada em:_____ /____ /____ _____________________________________ Prof. Ds. José Geraldo da Silva (EMBRAPA) - UEG (Orientador) ___________________________________ Prof. Ds. Elton Fialho dos Reis UEG - (Co-orientador) ______________________________________ Ds. Jaison Pereira de Oliveira EMBRAPA - (Membro) __________________________________ Prof. Ds. Itamar Rosa Teixeira UEG - (Membro) Dedico especialmente este trabalho ao meu orientador José Geraldo da Silva e co-orientador Elton Fialho dos Reis, que se empenharam junto comigo para concluir este trabalho, por terem me ajudado a alcançar essa vitória. Dedico também à todas as pessoas que através de atos, palavras e orações tem colaborado em minha jornada profissional e pessoal. AGRADECIMENTOS Primeiramente quero agradecer a Deus, por ter me dado força, saúde, sabedoria e perseverança necessária para superar as barreiras e dificuldades impostas pela vida que abriu esta porta e me acompanhou no caminho me dando essa oportunidade de chegar ate aqui; Muitas são as pessoas que contribuíram de forma direta ou indiretamente para realização deste trabalho, e tenho certeza que “todos” foram peças essenciais para que eu pudesse concluir. A todos gostaria de expressar meus sinceros agradecimentos. Em especial: Aos meus grandes mestres orientadores, professor Dr. José Geraldo da Silva (CNPAF) que disponibilizou tempo, se dedicou e muito ajudou para que eu pudesse concluir e ao professor Dr. Elton Fialho dos Reis, pelo apoio, ensino, compreensão e incentivo nas horas mais difíceis, foi um pai e amigo. Agradeço a vocês por toda a ajuda para a execução deste trabalho; Aos professores Dr. Ivano Alessandro Devilla, Dr. Diego Palmiro Ramirez Ascheri, Dr. Itamar Rosa Teixeira e Dra. Suely Martins F. Alves, que muito contribuíram dando incentivo e transmitindo conhecimentos importantes para enriquecer este trabalho; A Universidade Estadual de Goiás- UNUCET, pela oportunidade de concluir o mestrado, aos professores do Curso de Mestrado em Engenharia Agrícola, agradeço pelos ensinamentos, amizade e incentivo na superação dos desafios. A todos os funcionários desta unidade que sempre estiveram dispostos e prestativos em todos os momentos que precisei. Aos alunos do mestrado em Engenharia Agrícola, em especial agradeço muito a Josué Delmont, Gracielly Alcantara, Dayana Calaça e Reginaldo, que disponibilizaram tempo, sabedoria, apoio e companheirismos para me ajudar. Aos alunos do curso de graduação em Engenharia Agrícola do 1o e 3o período, que foram em campo e muito contribuíram para coleta de dados. Agradeço de forma especial também ao Wellington, Polliana Gratão, à todos que foram em campo para me ajudar; À EMBRAPA Arroz e Feijão, em especial aos funcionários do laboratório de melhoramento de arroz, que disponibilizaram seu tempo e ajuda para realização de algumas análises; Ao Dr. Jaison Pereira de Oliveira, Embrapa Arroz e Feijão, pela dedicação que teve em ajudar, por contribuir transmitindo conhecimentos importantes para enriquecer este trabalho; Ao gerente da fazenda dona Rita, Sr. Elias Carlos da Silva, que autorizou a realização dos trabalhos de campo; Ao César Ferreira de Abreu, que sempre esteve pronto para me ajudar, que mesmo distante contribuiu para a realização deste trabalho; Aos meus pais, Antonio Francisco Borges e Idalina Rezende Borges por todo amor, carinho e apoio em todos os momentos da minha vida; As minhas irmãs Tays, Ronnya e Nayara, que me dão força sempre e me incentivam a continuar lutando, que tiveram paciência e palavras de apoio mesmo nos momentos mais difíceis. I RESUMO BORGES, Rezende Greice. MS, Universidade Estadual de Goiás, Abril 2009. Perdas de produção e de qualidade de sementes na colheita mecanizada do arroz de terras altas. Orientador: Ds. José Geraldo da Silva. Co-orientador: Ds. Elton Fialho dos Reis. No processo de colheita mecanizada do arroz, a regulagem inadequada da colhedora pode provocar perdas excessivas e danos às sementes, resultando em prejuízos durante a comercialização. Devido a esses fatores, esta pesquisa teve por objetivo quantificar as perdas ocorridas na colheita mecanizada do arroz de terras altas e analisar a qualidade física e fisiológica das sementes obtidas no processo. Foram avaliados os efeitos da velocidade de operação da colhedora e da velocidade de rotação do molinete da máquina sobre as perdas. Foi instalado um experimento, no ano de 2008 em Abadiânia, Goiás, seguindo o delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 4x4, sendo quatro velocidades de operação Vo1= 2,6 km h-1, Vo2= 3,3 km h-1, Vo3= 5,0 km h-1 e Vo4= 6,4 km h-1 e quatro velocidades do molinete, 9%,16%, 23% e 29% superior à velocidade da máquina, com três repetições. Foram determinadas as perdas da plataforma de corte, dos mecanismos internos da máquina e a total da colheita. As sementes foram colhidas com umidade de 18% b.u. Os resultados foram submetidos a análise de variância a 5% de probabilidade e explorados utilizando a análise por correspondência (AC). Foram também analisadas as influências das velocidades de operação da colhedora sobre a qualidade física (teor de impurezas e rendimento de grãos inteiros) e fisiológica das sementes (teste padrão de germinação e vigor: primeira contagem do TPG, envelhecimento acelerado e condutividade elétrica) e os resultados foram confrontados com os obtidos nas amostras colhida manualmente. Os dados obtidos foram analisados por meio da análise de variância de fator único e os resultados comparados pelo teste de Dunnett à 5% de probabilidade. A perda média de sementes de arroz na colheita foi próxima do limite aceitável; a interação entre a velocidade de deslocamento e a velocidade do molinete interferiu nas perdas na plataforma de corte e nas perdas totais; maiores velocidades na máquina aumentam à taxa de alimentação e os danos causados às sementes; a qualidade das sementes de arroz colhidas pela máquina difere da testemunha quando comparadas pelos testes de pureza, rendimento de grãos inteiros, germinação e condutividade elétrica. Palavras-chave: Oriza Sativa L.; velocidade de operação; velocidade do molinete; qualidade de semente; métodos de avaliação de perdas. II ABSTRACT BORGES, Rezende Greice. MS, Universidade Estadual de Goiás, April 2009. Losses of production of the qualities of seeds in the mechanical harvesting of upland rice. Advisor: Ds. José Geraldo da Silva. Co-supervisor: Ds. Elton Fialho dos Reis. In the process of mechanical harvest of the rice, the inadequate regulation of the harvester can cause excessive losses and damage to seeds, resulting in losses during the marketing. Due to those factors, this research aimed to quantify the losses in the harvest of upland rice and analyze the physical and physiological quality of seeds obtained in the process. The effects of speed of operation of the harvester and the speed of rotation of the reel on the machine losses. An experiment was performed, in the year of 2008, in the Abadiânia, Goiás, following a completely randomized design, factorial scheme 4x4, four-speed operation Vo1 = 2.6 km h-1, VO2 = 3.3 km h-1, Vo3 = 5.0 km h-1 and Vo4 = 6.4 km h-1 and four speeds of the reel, 9%, 16%, 23% and 29% higher than the speed of the machine, with three replications. Were determined to cut losses of the platform, internal mechanisms of the machine and total harvest. Seeds were harvested with moisture of 18% w.b. The results were submitted to analysis of variance at 5% probability and operated using the correspondence analysis (CA). We also analyzed the influences of speed of operation of the harvester on the physical quality (content of impurities and yield of whole grains) and physiological seed (standard germination test and vigor: first counting of TPG, accelerated aging and electrical conductivity) and the results were confronted with obtained in samples collected manually. The data were analyzed using analysis of variance for single factor and the results were compared by the Dunnett test at 5% probability. The medium loss of seeds of rice in the harvest was close of the acceptable limit, the interaction between the speed of displacement and speed of turnstile interfered in the platform of cutting losses and total losses, higher machine speeds increase in the rate of feed and damage to seeds, seed quality of rice harvested by machine differs from the control when compared by tests of purity, yield of whole grains, germination and electrical conductivity. Keywords: Oriza Sativa L; speed of operation; speed of the reel; seed quality; methods of assessment of losses. III SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS.............................................................................................................. V LISTA DE TABELAS........................................................................................................... VI 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................1 2 REVISÃO DE LITERATURA.............................................................................................3 2.1 IMPORTÂNCIA E CONSUMO...........................................................................................3 2.1.1 Normas para comercialização ..........................................................................................3 2.2 SISTEMAS DE CULTIVO...................................................................................................4 2.3 COLHEITA DO ARROZ .....................................................................................................5 2.3.1 Máquinas para a colheita..................................................................................................6 2.3.1.1. Ceifadoras......................................................................................................................6 2.3.1.2 Trilhadoras estacionárias ................................................................................................6 2.3.1.3 Colhedoras ......................................................................................................................7 2.4 PERDAS DE GRÃOS NO MOMENTO DA COLHEITA .................................................11 2.4.1 Momento de colheita .......................................................................................................13 2.4.2 Métodos de quantificação das perdas .............................................................................14 2.4.2.1 Método da contagem das sementes ..............................................................................14 2.4.2.2 Medidor de perdas da Embrapa ....................................................................................15 2.4.2.3 Método da pesagem das sementes ................................................................................15 2.5 QUALIDADE FÍSICA E FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE ARROZ ..........................15 2.5.1 Interferência da colheita mecânica na qualidade física das sementes ...........................16 2.5.2 Interferência da colheita mecânica na qualidade fisiológica das sementes ...................17 3 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................................21 3.1 INFORMAÇOES GERAIS ................................................................................................21 3.1.1 Cultivar BRSMG Curinga ...............................................................................................21 3.2 DESCRIÇÃO DOS DELINEAMENTOS E TRATAMENTOS.........................................22 3.3 DETERMINAÇÃO DAS PERDAS DE SEMENTES........................................................22 3.3.1 Determinação da produtividade......................................................................................23 3.3.2 Determinação das perdas naturais (Pn) .........................................................................23 3.3.3 Determinação das perdas na operação de colheita ........................................................23 3.3.4 Métodos para quantificação das perdas .........................................................................25 3.4 ANÁLISES FÍSICA E FISIOLÓGICA DAS SEMENTES ................................................27 IV 3.4.1 Análise da qualidade física .............................................................................................27 3.4.2 Análise fisiológica das sementes .....................................................................................28 3.5 ANÁLISES ESTATISTICA ...............................................................................................30 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................................31 4.1 PERDAS NA COLHEITA..................................................................................................31 4.1.1 Perdas na plataforma de corte ........................................................................................31 4.1.2 Perdas nos mecanismos internos.....................................................................................33 4.1.3 Perdas totais ....................................................................................................................35 4.2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE PERDAS ....................................................................37 4.3 QUALIDADE FÍSICA E FISIOLÓGICA ..........................................................................39 4.3.1 Germinação .....................................................................................................................40 4.3.2 Primeira contagem do TPG.............................................................................................42 4.3.3 Condutividade Elétrica....................................................................................................43 4.3.4 Envelhecimento acelerado...............................................................................................44 4.3.5 Rendimento de grãos inteiros ..........................................................................................45 4.3.6 Teor de impurezas ...........................................................................................................46 5 CONCLUSÕES....................................................................................................................49 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..............................................................................50 V LISTA DE FIGURAS Página FIGURA 1. Medidor de perdas utilizado na colheita do arroz........................................... 25 FIGURA 2. Mini-engenho, marca Suzuki, utilizado para determinação do rendimento de grãos inteiros.................................................................................................................. 28 FIGURA 3. Representação das velocidades de operação (Vo) e do molinete (Vm) utilizadas no ensaio, no plano bidimensional para as perdas ocorridas na plataforma de corte..................................................................................................................................... 33 FIGURA 4. Representação das velocidades de operação (Vo) utilizadas no ensaio, no plano bidimensional para as perdas totais........................................................................... 35 FIGURA 5. Representação das velocidades de operação (Vo) e do molinete (Vm) utilizadas no ensaio, no plano bidimensional para as perdas ocorridas nos mecanismos internos da colhedora.......................................................................................................... 37 FIGURA 6. Perda de sementes em kg ha-1, pelos métodos da pesagem (PESO), medidor de perdas da Embrapa (COPO) e contagem das sementes (CONT)................................... 39 FIGURA 7. Percentagem de germinação de sementes de arroz das amostras testemunha, colhidas manualmente, e das colhidas com colhedora automotriz, em diferentes velocidades de operação..................................................................................... 42 FIGURA 8. Percentagem de vigor obtido com o teste de primeira contagem do TPG para as sementes de arroz das amostras testemunha colhidas manualmente e das colhidas com colhedora automotriz em diferentes velocidades de operação...................... 43 FIGURA 9. Resultados obtidos com o teste de condutividade elétrica (µS.cm-1g-1) para as sementes de arroz das amostras testemunha colhidas manualmente e das colhidas com colhedora automotriz em diferentes velocidades de operação.................................... 44 FIGURA 10. Percentagem de germinação, obtida no teste de envelhecimento acelerado, das amostras testemunha colhidas manualmente e das colhidas com colhedora automotriz em diferentes velocidades de operação............................................................ 45 FIGURA 11. Percentagem de grãos inteiros de arroz, obtidos com o teste de rendimento de engenho, das amostras testemunha colhidas manualmente e das colhidas com colhedora automotriz em diferentes velocidades de operação............................................ 46 FIGURA 12. Percentagem de impurezas das sementes de arroz, das amostras testemunha colhidas manualmente e das colhidas com colhedora automotriz em diferentes velocidades de operação..................................................................................... 48 VI LISTA DE TABELAS Página TABELA 1 - Perdas mínima e máxima de arroz conforme o número de grãos por m2 encontrados na lavoura após a colheita1............................................................................... 26 TABELA 2 – Análise de variância das perdas de sementes, determinadas pelo método da pesagem, provocadas pela plataforma de corte (Ppc), mecanismos internos (Pmi) e totais (Pt), em função das velocidades de operação (Vo) e do molinete (Vm) da máquina........... 31 TABELA 3 – Perdas de sementes (Kg ha-1) ocorridas na plataforma de corte, em função de diferentes velocidades de operação e do molinete da colhedora1.................................... 33 TABELA 4 – Perdas de sementes (Kg ha-1) ocorridas nos mecanismos internos da colhedora, em função de diferentes velocidades de operação e do molinete da colhedora1.............................................................................................................................. 35 TABELA 5 – Perdas totais de sementes (kg ha-1), provocadas pela operação da colheita e pela degrana natural1............................................................................................................. 36 TABELA 6 – Análise de variância das perdas de sementes na plataforma de corte da colhedora, determinadas pelos métodos do peso (PESO), contagem (CONT) e medidor da Embrapa (COPO), em função das velocidades de operação (Vo) e do molinete (Vm) da máquina........................................................................................................................... 38 TABELA 7 – Análise de variância das perdas nos mecanismos internos, determinadas pelos métodos do peso (PESO), contagem (CONT) e medidor da Embrapa (Copo), em função das velocidades de operação (Vo) e do molinete (Vm) da máquina......................... 38 TABELA 8 – Análise de variância das perdas totais de sementes, determinadas pelos métodos do peso (PESO), contagem (CONT) e medidor da Embrapa (Copo), em função das velocidades de operação (Vo) e do molinete (Vm) da máquina..................................... 39 TABELA 9 - Análise de variância para germinação (Ger), primeira contagem do TPG (1a contagem), condutividade elétrica (CE), envelhecimento acelerado (EA), rendimento de grãos inteiros (RI), e impurezas (Imp), nas sementes de arroz colhidas manualmente e colhidas em diferentes velocidades de operação da colhedora............................................. 40 TABELA 10 - Resultados médios de germinação (Ger), primeira contagem do TPG (1a contagem), condutividade elétrica (CE), envelhecimento acelerado (EA), rendimento de grãos inteiros (RI) e impurezas (Imp) nas sementes de arroz colhidas manualmente e colhidas em diferentes velocidades de operação da colhedora............................................. 40 1 1 INTRODUÇÃO O arroz (Oryza sativa L.), um dos mais importantes cultivos cerealíferos do globo terrestre, sendo cultivado e consumido nos cinco continentes, tanto em regiões tropicais como temperadas, em mais de 100 países. Constitui a base da dieta diária de mais da metade da população mundial, sendo considerado um alimento básico e essencial para uma dieta saudável (NAVES e BASSINELLO, 2006). De acordo com Alonso et al. (2005), cerca de 150 milhões de hectares de arroz são cultivados anualmente no mundo, os quais produzem 590 milhões de toneladas, sendo que mais de 75% desta produção é oriunda do sistema de cultivo irrigado. O arroz, por ser um grão economicamente importante, é considerado o cultivo alimentar mais significativo em muitos países em desenvolvimento, principalmente na Ásia e Oceania, onde vivem 70% da população total dos países em desenvolvimento e cerca de dois terços da população subnutrida mundial. A América Latina ocupa o segundo lugar em produção e o terceiro em consumo. A produção de arroz no Brasil, segundo Freitas e Filho (2007), vem aumentando significativamente, com exceção das safras que ocorreram eventos climáticos desfavoráveis. A maior produção brasileira de arroz ocorreu na safra 2003/2004, com 12,7 milhões de toneladas o que permitiu o país a ocupar o décimo primeiro lugar como produtor mundial de arroz, e o maior produtor da América do Sul. A produção brasileira em 2008 foi estimada de 12 milhões de toneladas, dos quais 59% foram produzidos no Rio Grande do Sul, maior estado produtor do país (IBGE, 2008). A produção no Centro-Oeste foi de 1,03 milhão de tonelada e a área cultivada de 368,4 mil hectares. Em Goiás, a área cultivada com arroz foi de 94,3 mil hectares, e a produção de 190,12 mil toneladas (CONAB, 2008). A colheita é uma das etapas mais importantes do processo de produção e, quando mal conduzidas, acarreta perda de grãos, comprometendo os esforços e os investimentos dedicados a cultura. Segundo Fonseca e Silva (2003), existem três métodos de colheita do arroz sendo estes o manual, o semi-mecanizado e o mecanizado. A colheita mecanizada tem experimentado grande evolução tecnológica, sempre em busca da minimização das perdas (ZABANI et al., 2003). Para Mesquita et al. (2001), as perdas podem ser parcialmente evitadas, tomando-se alguns cuidados, tais como: monitoramento rigoroso das velocidades de trabalho da colhedora e aferição regular dos 2 mecanismos de trilha, limpeza e separação. Conforme Carvalho Filho et al. (2005), à medida que ocorre aumento da velocidade de colheita, as perdas aumentam. Segundo os autores, o tempo de uso das colhedoras também interfere nas perdas. Fonseca e Silva (1997), verificaram perda média de sementes de arroz no momento da colheita de 13% da produtividade. Esses valores podem não corresponder a realidade atual visto que foram introduzidos alterações nos procedimentos de colheita, nas cultivares utilizadas e no manejo dos cultivos de arroz. Conforme Jardine (2002), a perda é de cerca de 180 milhões de reais ao ano, em um total de 940, 84 milhões de hectares de área colhida. De acordo com Costa et al. (1979), a perda na colheita torna-se ainda mais grave quando ela associa-se à outras ocasionadas direta ou indiretamente por danos causados às sementes, que se manifestam imediatamente pela queda na qualidade fisiológica e também durante e após a armazenagem, pela deterioração e proliferação de doenças. Os autores relatam, que no decorrer da colheita as sementes recebem impactos que afetam a sua qualidade, e, em muitos casos, elas ficam sem condições de serem armazenadas por períodos superiores à seis meses. A redução das perdas de sementes na cadeia produtiva, desde o campo até a residência, beneficiará todos os envolvidos, com possibilidades reais de maximizar a renda dos produtores, minimizar os custos para os intermediários e consumidores, além de propiciar a manutenção da qualidade do produto até o consumidor (MARTINS e FARIAS, 2002). Houve melhoramento nas máquinas colhedoras que são mais eficientes nos seus mecanismos de recolhimento e processamento das plantas e também mudanças na arquitetura das plantas de arroz, em que as cultivares convencionalmente utilizada possui porte ereto, são cultivadas com menor espaçamento o que pode favorecer as operações de colheita mecanizada com colhedora automotriz. Desta forma este trabalho teve por objetivo estudar a relação de perdas de sementes em diferentes velocidades de operação da máquina e do molinete, analisando, ainda, a interferência do processo de colheita sobre a qualidade física e fisiológica de sementes de arroz de terras altas. 3 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 IMPORTÂNCIA E CONSUMO No Brasil, o arroz (Oriza sativa L.) é uma das mais importantes culturas anuais produzidas, significando cerca de 15 a 20% do total de grãos colhidos. Difundido largamente no país, o arroz é cultivado praticamente em todos os estados e consumidos em todas as classes sociais, principalmente de baixa renda (GOMES e MAGALHÃES JUNIOR, 2004). O consumo de arroz no Brasil limita-se a três tipos de produtos de mesa em função da forma de processamento após a colheita: o arroz integral, o arroz branco polido e o arroz parboilizado, mas as formas de preparo e consumo são razoavelmente homogêneas nas diferentes regiões brasileiras. O arroz também possui inúmeros subprodutos resultantes do beneficiamento, podendo ser utilizados na geração de energia, na alimentação animal, na indústria de cosméticos e na industrialização para alimentação humana (BASSINELLO et al., 2004). O cultivo do arroz de terras altas tem sido de grande importância para o Brasil pelo fato de atender a demanda nacional (FERREIRA et al., 2005). São distintos dois sistemas de cultivos: o irrigado e o de terras altas, os quais são responsáveis por 60% e 40% da produção nacional, respectivamente (LANNA et al., 2003). Os tipos de grãos mais consumidos no Brasil são o tipo 1, representando 70 à 80% do mercado de arroz polido branco. Os demais consumidos são o tipo 2 e o parboilizado (FREITAS e FILHO, 2007). O consumidor de arroz vem tornando-se cada vez mais atento e exigente em relação à qualidade do arroz disponível no mercado. Essa procura por qualidade tem sido igualmente acompanhada por uma crescente demanda por quantidade do produto. A adequação do produto aos requerimentos do mercado proporciona maior competitividade e rentabilidade à cultura, aliada à demanda por produtividade (VIEIRA e RABELO, 2006). 2.1.1 Normas para comercialização A comercialização e os preços dos produtos agrícolas são influenciados pelos critérios de padronização e classificação, que, por sua vez, são regulamentados pelo governo. Esses critérios não são aleatórios, tampouco permanentes e representam o resultado da interferência 4 de agentes sócio-econômicos com diferentes expectativas e exigências (FERREIRA et al., 2005). De acordo com Ferreira et al. (2005), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento-MAPA, por meio do Projeto de Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do Arroz, faz uma maior exigência em termos de qualidade e define as características de identidade, qualidade, embalagem, apresentação do arroz em casca natural e parboilizado. O rendimento total considerado nacionalmente é 68% sendo constituída de 40% de grãos inteiros e 28% de grãos quebrados e quirera. Isso representa numa importante variável para determinar o valor de comercialização. As dimensões consideradas dos grãos são comprimento, espessura e relação comprimento/largura. Estas determinam as classes, que podem ser: longo fino, longo, médio, curto e misturado. Para a valoração do arroz em casca, da classe longo fino, com renda do benefício e rendimento de grãos superior ou inferior ao básico estabelecido, é considerado obrigatoriamente, o percentual de sua constituição, mediante a aplicação dos coeficientes de valoração especificados (BRASIL, 1988). 2.2 SISTEMAS DE CULTIVO Segundo Guimarães et al. (2006), são considerados no Brasil dois grandes ecossistemas para a cultura do arroz, o de várzeas, irrigado por inundação controlada, e o de terras altas, englobando o de sequeiro e o com irrigação suplementar por aspersão. A maior parcela da produção de arroz no país é proveniente do ecossistema várzeas, considerado um estabilizador da safra nacional, uma vez que não é tão dependente das condições climáticas como os cultivos de terras altas. Por ser uma das poucas culturas compatíveis com esse sistema, o cultivo de arroz em várzeas é bastante promissor (BASTOS et al., 2003). A cultura do arroz nas várzeas pode ser encontrada sob cultivo em várzeas sistematizadas, com controle de lâmina de água, onde o agricultor coloca e retira água quando for conveniente a cultura, ou ainda em várzeas úmidas, não sistematizadas, irrigada pela água da chuva ou pela elevação do lençol freático. Por suas características especiais, esses sistemas de cultivo requerem solos planos e com pouca drenagem vertical, para assim garantir uma lâmina de água sobre a sua superfície durante todo ou parte do ciclo da cultura (GUIMARÃES et al., 2006). 5 O cultivo de terras altas é caracterizado pela condição aeróbica de desenvolvimento radicular da planta. Nesse ecossistema, o arroz pode ser cultivado com irrigação suplementar por aspersão ou sem irrigação, ou seja, a disponibilidade de água para a cultura é totalmente dependente da precipitação pluvial, como a condição básica desse sistema é a disponibilidade de água de chuva, o cultivo é feito no período de verão. A região Centro-Oeste é a mais importante no cultivo de terras altas. Nessa região, predominam Latossolos, que apresentam boas características físicas, mas de baixa fertilidade natural. Esse sistema caracteriza-se pela utilização de máquinas em todas as operações agrícolas (GUIMARÃES et al., 2006). No Centro-oeste predominam a produção do arroz de terras altas, sendo o estado do Mato Grosso o segundo maior produtor do país. As áreas arrozeiras alcançam cerca de 600 mil hectares, contribuindo aproximadamente com 15% da produção brasileira (LANNA et al., 2003). 2.3 COLHEITA DO ARROZ Existem três métodos de colheita para a cultura do arroz, sendo estes o manual, o semi-mecanizado e o mecanizado (FONSECA e SILVA, 1997). Na colheita manual o corte é feito com o auxilio de um cutelo, as outras operações, como o recolhimento e o trilhamento, são realizadas manualmente. À medida que as plantas vão sendo cortadas em pequenos feixes, são amontoadas transversalmente sobre os colmos decepados, de modo que as panículas não fiquem em contato com o solo e permaneçam expostas ao sol. O trilhamento é realizado em jirau de madeira, caixotes ou bancas, e consiste em golpear as panículas até o desprendimento dos grãos (SILVA e FONSECA, 2006). A colheita manual é mais difundida em pequenas lavouras, esta operação requer em torno de dez dias de trabalho de um homem para cortar 1 ha (FONSECA e SILVA, 1997). A operação de colheita manual, como os demais processos realizados manualmente, é de baixa capacidade operacional e, portanto, viável economicamente apenas em pequenas propriedades, onde a finalidade principal da produção é a subsistência do agricultor e sua família (BALASTREIRE, 1990). Na colheita semi-mecanizada, pelo menos uma das etapas do processo de colheita é feita manualmente, geralmente, o corte e o recolhimento das plantas são manuais e o trilhamento é realizado mecanicamente, com a utilização de trilhadoras estacionárias (SILVA e FONSECA, 2006). 6 A colheita mecanizada emprega-se diversos modelos e tipos de máquinas, desde as de pequeno porte, tracionadas por trator, até as colhedoras automotrizes. Essas máquinas realizam, em sequência, as operações de corte, trilhamento, separação, limpeza e armazenamento dos grãos a granel ou em sacaria. Para Queiroz et al. (2004), a colheita mecânica apresenta uma série de vantagens, em relação aos processos de colheita manual. Dentre essas vantagens, destaca-se o menor custo para realizar a operação, a redução no tempo de colheita bem como no esforço requerido dos trabalhadores rurais, uma vez que a colheita constitui uma das etapas mais árduas na cadeia de produção de grãos. 2.3.1 Máquinas para a colheita As máquinas utilizadas para a colheita de arroz no mercado brasileiro podem ser classificadas em diferentes tipos, como as ceifadoras, as trilhadoras e as colhedoras. 2.3.1.1. Ceifadoras São máquinas destinadas às pequenas lavouras de arroz, constituídas, basicamente, dos seguintes mecanismos: chassi com rabiça montado sobre duas rodas, barra de corte com movimentos alternativos, molinete para apoiar e conduzir as plantas durante o corte, e motor. Algumas ceifadoras possuem um depósito de plantas atrás da barra de corte, que são descarregados no campo de forma intermitente, enquanto outras possuem três molinetes em forma de estrela, que conduzem as plantas para um transportador de correia, e a descarrega no campo de forma continua, formando uma leira. Em experimentos realizados, a mesma apresentou capacidade na operação de cerca de 0,29 ha h-1. A velocidade de operação atingiu 2,9 km h-1 e a perda média nesta máquina correspondeu a 1,4% da produção (SILVA , 2004). 2.3.1.2 Trilhadoras estacionárias As trilhadoras têm a função de retirar os grãos das panículas de arroz e separá-los das demais partes da planta. As máquinas especiais para o arroz apresentam fluxo de plantas tangencial e cilindro degranador de dentes de impacto, que são mais adequados que as barras de fricção. Outros modelos para arroz possuem rotor com fluxo de plantas axial. Também são componentes das trilhadoras o côncavo, que possui uma estrutura fixa, de conformação circular ou semi-circular, com ou sem dentes, que, em ação com o cilindro ou com o rotor, 7 degranam as plantas de arroz; as peneiras e o secador, que separam os grãos da palhada; o saca-palhas e o ensacador de grãos (SILVA e FONSECA, 2006). As trilhadoras podem ser acionadas pela tomada de força do trator ou por motor estacionário. Silva et al. (2001), construíram e avaliaram o desempenho de três trilhadoras de arroz, a primeira com fluxo intermitente de plantas e acionamento por pedal, sendo provida de um cilindro degranador, de uma estrutura de suporte e de um mecanismo de transmissão de movimento ao cilindro. A segunda com fluxo intermitente de plantas e acionamento por motor, possui características semelhante à trilhadora à pedal, porém, modificada para receber um motor a gasolina, de 3,5 cv. A terceira com fluxo contínuo de plantas e acionadas por motor, esta máquina tem como componentes principais um cilindro degranador de dentes, com 710 mm de comprimento e 305 mm diâmetro, um côncavo, duas peneiras oscilantes, um ventilador e um motor com potência de 8,0 cv. Os autores concluíram que as trilhadoras de arroz com fluxo intermitente de plantas, acionadas a motor, apresentaram maior capacidade de trilhamento quando comparadas com as trilhadoras de fluxo intermitente de plantas acionadas a pedal e de fluxo contínuo de plantas, acionada a motor. Concluíram ainda que o percentual de impurezas nos grãos foi menor na operação da trilhadora de fluxo contínuo de plantas, acionada a motor. 2.3.1.3 Colhedoras A colheita de cereais envolve as etapas de corte, recolhimento e trilhamento, separação e limpeza dos grãos. As colhedoras podem ser automotrizes, montadas ou acionadas por trator. Quando uma única máquina realiza todas essas operações e também é autopropelida, ela é chamada de colhedora combinada ou simplesmente combinada (BALASTREIRE, 1990). Conforme Silva e Fonseca (2006), as colhedoras colhem e trilham as plantas numa única operação. As máquinas especiais para colheita em terrenos de baixa sustentação, como de lavouras irrigadas são equipadas com pneus arrozeiros ou com pneus duplados, de maior superfície de contato com o solo, ou com esteiras. As principais partes constituintes de uma colhedora automotriz são: A plataforma de corte, os mecanismos de alimentação, de trilhamento, de limpeza e separação. - Plataforma de corte - Os mecanismos de corte das colhedoras diferem caso o cereal a ser colhida seja milho, dos demais produtos como soja, trigo e arroz. Os elementos principais da plataforma são os separadores, molinete, barra de corte e condutor helicoidal 8 (BALASTREIRE, 1990). O sistema de colheita com plataforma recolhedora, acoplada à colhedora, foi introduzido no Brasil, por volta de 1990, com o objetivo de colher os grãos em função de sua alta eficiência; entretanto, vem sendo utilizado, também, na colheita de sementes (FRANCO et al., 1999). A plataforma possui separadores de fileiras de plantas que divide longitudinalmente a área da colheita dos restos da lavoura; molinete que recolhe as plantas puxando-as contra a barra ceifadora formada de navalhas serrilhadas; e condutor helicoidal ou caracol para transportar as plantas para o canal alimentador do sistema de trilha. Pelo fato de cortar os colmos abaixo das panículas e distante do solo a plataforma indicada para o arroz é do tipo rígida, sem movimento de flexão na barra de corte (TEIXEIRA et al., 2003). Conforme Fonseca e Silva (1997); Mesquita et al. (1980); Costa et al. (1979), as maiores perdas durante o processo da colheita mecanizada ocorrem na plataforma de corte. O impacto das plantas com a plataforma de corte da máquina no momento da colheita pode provocar perdas variáveis, que dependem da cultivar, da umidade dos grãos, da presença de plantas daninhas e da conservação e operação da colhedora. Quando à máquina está operando com velocidade excessiva e incompatível com a rotação do molinete ela provoca a degrana prematura dos grãos ou falhas de recolhimento, aumentando consequentemente as perdas (SILVA, 2004). Os fabricantes recomendam que a velocidade do molinete seja cerca de 20% superior à velocidade de operação da colhedora. A regulagem adequada entre a velocidade do molinete e a velocidade de operação da colhedora é importante para um desempenho adequado da máquina no momento da colheita. Se o molinete estiver muito rápido, ele bate na planta de maneira agressiva causando a debulha e a consequente perda de grãos na plataforma. Se a velocidade for muito lenta, ou seja, menor que a velocidade de operação da máquina, a colhedora atropela a planta, gerando acúmulo de material em frente ao caracol e consequentes problemas de alimentação da colhedora, visto que o produto acumulado será recolhido em montes, o que poderá comprometer a qualidade de trilha da máquina (MORELLO, 2009). - Mecanismos de alimentação - Os mecanismos de alimentação servem para transportar, até o interior da máquina o material que foi recolhido pela plataforma de corte, sendo constituída por um dispositivo de transporte do tipo correia ou corrente transportadora que leva o produto ate o mecanismo de trilha (BALASTREIRE, 1990; TEIXEIRA et al., 2003). À medida que ocorre um aumento da velocidade de deslocamento da colhedora, aumenta consequentemente, 9 à taxa de alimentação da máquina. Com isso, ocorre uma redução na eficiência de separação do côncavo da colhedora (QUEIROZ et al., 2004). - Mecanismos de trilha - Nesses mecanismos os grãos são removidos das plantas quando essas passam pelo cilindro dotado de garras que, ao bater no material, promove a sua retirada. O mecanismo de trilha está localizado no interior da colhedora e é formado basicamente de cilindro de trilha, cilindro batedor e côncavo. O cilindro de trilha é responsável pela separação dos grãos das plantas. Sua rotação influi na eficiência de trilha e na perda de grãos. As rotações elevadas do cilindro provocam danos excessivos aos grãos. O côncavo possui uma estrutura ajustável, localizada abaixo do cilindro de trilha, formado por chapas perfuradas curvas ou por barras que auxiliam a trilha dos produtos; o cilindro batedor é usado para deslocar a palha do cilindro de trilha, conduzindo-a até o saca-palhas (TEIXEIRA et al., 2003). Para Silva (2004), aproximadamente 90% dos grãos são separados das panículas e dos colmos no ato do trilhamento. O cilindro degranador e o côncavo são os componentes responsáveis pelo trilhamento, que para o arroz devem ser de dentes. A velocidade periférica do cilindro varia com o teor de umidade dos grãos, em geral deve ser de 20 a 25 m s-1, com uma velocidade de giro em torno de 600 rpm. Estudos realizados por Souza et al. (1998), avaliando o efeito da trilha mecânica na qualidade do milho-pipoca, utilizando três velocidades do cilindro trilhador e duas variedades do milho-pipoca, concluíram que a variedade Zélia apresentou menor perda para a rotação de 600 rpm e a CMS-43 para a de 700 rpm, sendo que esta foi a que apresentou menor perda, dentre as duas. As colhedoras podem apresentar sistema de trilha axial ou radial. Estudos realizados por Campos et al. (2005), mostram que, as que possuem sistema de trilha radial apresentaram maiores índices de perdas de grãos em relação ao sistema axial, visto que estas possibilitam que as palhas permaneçam por mais tempo dentro da máquina, melhorando a eficiência do sistema de trilha. Marcondes et al. (2005), estudando danos mecânicos e qualidade fisiológica de sementes de soja colhidas por máquinas providas de sistema convencional e axial de trilhamento, concluíram que ambas as colhedoras, desde que convenientemente reguladas na colheita quanto às especificações de regulagem, não provocam diferenças na qualidade fisiológica das sementes. 10 Queiroz et al. (2004), verificaram que a eficiência de separação aumenta com o aumento na velocidade periférica do cilindro trilhador e reduz à medida que a taxa de alimentação é aumentada. Com um aumento de 10% da velocidade periférica do cilindro trilhador ocorre um aumento de 0,5% na eficiência de separação do côncavo. No sistema convencional de trilha e separação, aumentando 10% na taxa de alimentação do côncavo e do saca-palhas diminui-se a eficiência de separação média de 1% e 20%, respectivamente. Os autores concluíram que o processo de trilha e separação no sistema convencional é mais fortemente influenciado pela taxa de alimentação que os demais parâmetros. - Mecanismos de limpeza - Os mecanismos de limpeza separam os grãos trilhados de impurezas como folhas, areia, pó e partes da planta. Basicamente, o mecanismo de limpeza é formado por um jogo de peneiras, um ventilador e um sistema de vibração (TEIXEIRA et al., 2003). De acordo com Balastreire (1990), os principais mecanismos de limpeza das colhedoras são: peneira superior, peneira inferior e ventilador. As principais regulagens do sistema de limpeza e separação são o tamanho das aberturas nas peneiras e o volume de ar movido pelo ventilador. Se o volume de ar é excessivo, têm-se um aumento das perdas de grãos, pois parte deles é soprada para fora da máquina juntamente com as impurezas. Se o tamanho da abertura do crivo for muito grande em relação ao fluxo de ar, aumenta-se a quantidade de impurezas e se for pequena os grãos poderão ser carregados para fora da máquina com o fluxo de palha. - Mecanismos de separação - Denominado também por saca-palhas é utilizado para separar os grãos debulhados das palhas ou aqueles grãos que não foram separados no côncavo durante o trilhamento. O saca-palhas é formado por peneiras do tipo escamas de peixe que, utilizando a vibração e o fluxo de ar proveniente do ventilador, transportam o produto ao mesmo tempo em que fazem a sua separação, até a saída da palha na parte traseira da máquina (TEIXEIRA et al., 2003). Conforme Queiroz et al. (2004), um fator importante para evitar perdas devido a variação da taxa de alimentação da colhedora é ter o fluxo de palhada no saca-palhas regulável, visto que o aumento no fluxo de palhada ocasiona diminuição no índice de perdas. Os mesmos autores relatam ainda que a eficiência de separação dos grãos em colhedora com fluxo axial é menos influenciada pela taxa de alimentação do que as colhedoras com sistema convencional de trilhamento. 11 2.4 PERDAS DE GRÃOS NO MOMENTO DA COLHEITA Jardine (2002), considera que a produtividade média do arroz têm sido cerca de 112,5 sacos ha-1 no estado do Rio Grande do Sul. Deste total, 10% é perdido no ato da colheita. Para evitar os desperdícios na produção agrícola, deve-se redobrar os cuidados na fase de colheita, a máquina utilizada deve ser higienizada, limpa, regulada e reparada para que haja uma perfeita harmonia no momento de executar essa prática. A redução de perdas na cadeia produtiva desde o campo até a residência beneficiará todos os envolvidos, com possibilidade de maximizar a renda dos produtores e minimizar os custos para os intermediários e consumidores, além de propiciar a manutenção da qualidade do produto (MARTINS e FARIAS, 2002). A colheita é uma das etapas mais importantes do processo de produção e, quando mal conduzidas, acarreta perda de grãos, comprometendo os esforços e os investimentos dedicados a cultura. As perdas de grãos, segundo Fonseca e Silva (1997), são verificadas em duas etapas: antes e durante a colheita. Antes, são devido à degrana natural, ao retardamento da colheita, ao acamamento, ao ataque de pássaros, e ao excesso de chuvas e ventos. Durante a colheita o impacto da unidade de apanha da máquina nas plantas provoca perdas variáveis, que dependem da umidade dos grãos, da limpeza da lavoura e da conservação e operação da colhedora e regulagem da máquina. Molinete com rotação incompatível com a movimentação da máquina trilha os grãos prematuramente ou deixa de recolhê-los, proporcionando aumentos consideráveis de perdas. Para Queiroz et al. (2004), um dos problemas associados à colheita de grãos está relacionado às perdas quantitativas e qualitativas as quais os produtos estão expostos. Cada mecanismo de uma colhedora tem uma capacidade de processamento que depende das suas características mecânicas e das condições do produto, que está sendo colhido. Sempre que a capacidade limite de um mecanismo é ultrapassada, tanto as perdas quantitativas quanto as qualitativas podem ser aumentadas, além do risco de ocorrer embuchamento da máquina. Relatam que dependendo das condições de colheita, as perdas de grãos podem superar 10% do total produzido. As perdas na colheita para uma cultura bem implantada, utilizando uma máquina adequadamente regulada, não devem ultrapassar 3% (QUEIROZ et al., 2004). A velocidade angular excessiva do molinete ocasiona perdas principalmente pelo impacto das pás sobre os órgãos das plantas que contem os grãos, pela aceleração transmitida às plantas e pelo atrito com as plantas vizinhas. Velocidades inferiores que as recomendadas para a cultura em questão, causam inclinação na direção do deslocamento da planta para a 12 máquina, fazendo com que elas sofram mais que um corte, aumentando com isso as perdas (BALASTREIRE, 1990). Para Costa et al. (1979), Mesquita et al. (1980) e Fonseca e Silva (1997), a plataforma de corte é responsável pelo maior percentual de perdas, em torno de 80% da perda total. Outra causa das perdas está relacionada com a velocidade excessiva de deslocamento da máquina e a rotação do molinete. Se houver a correção destas falhas, as perdas podem ser reduzidas em mais de 50% (MAURINA, 2008). A velocidade de deslocamento da colhedora influi diretamente na quantidade de material alimentado. Se a velocidade for excessiva, a quantidade de material a ser processado aumenta, e pode exceder a capacidade de processamento da máquina, aumentando assim a quantidade de grãos que sai junto com a palha na traseira da colhedora (BALASTREIRE, 1990). Fonseca e Silva (1990), quantificaram as perdas de grãos que ocorrem durante a colheita manual do arroz de terras altas. Eles realizaram levantamento de perdas em 14 lavouras de vários municípios goianos, os resultados mostraram que a perda média de grãos foi de 185,5 kg ha-1, sendo 52,1 kg ha-1 perdidos antes do trilhamento, e as demais perdas durante o trilhamento manual. Em outro levantamento realizado por Fonseca e Silva (1997), para avaliar as perdas de grãos na colheita mecanizada de arroz de terras altas nos municípios goianos de Jataí e Mineiros, foi constatado perda média de grãos de 13% da produtividade (238 kg ha-1), sendo que a plataforma de corte foi responsável por 73,2% das perdas, os mecanismos internos por 22,8% e as perdas antes da colheita por 4,0%. Resultados semelhantes foram encontrados por Costa et al. (1979), ao avaliarem as perdas e a qualidade de semente na colheita da soja. Eles observaram que do total da perda de sementes deixadas no solo, 84,8% foram causados pelos mecanismos da plataforma de corte, 12% pelos mecanismos internos de trilhamento e separação e limpeza, e 3,2% por causas naturais. Por outro lado, Ferreira et al. (2007), analisando as perdas quantitativas na colheita de soja, em função da velocidade de operação e regulagem do sistema de trilhamento, observaram que não ocorreram diferenças significativas para as perdas ocorridas pela plataforma de corte, em função da velocidade de colheita, embora tenha obtido menor perda na velocidade de 6 km h-1. Resultados semelhantes foram obtidos por Campos et al. (2005), analisando as perdas na colheita mecanizada da soja, onde a velocidade de operação avaliada, não influenciou significativamente nas perdas de grãos. Estudos realizados por Mesquita et al. 13 (2001), afirmam haver tendência de menores perdas quando as colhedoras operam em velocidades menores que 7 km h-1. Cunha e Zandbergen (2007), analisando as perdas na colheita mecanizada da soja, concluíram que não houve uma correlação da velocidade de operação com as perdas, indicando que esses não foram às principais causas de perdas. Sugerem, ainda, que os operadores trabalhem no limite superior da faixa recomendada de velocidade (7 km h-1), pois o incremento da velocidade permite o aumento da capacidade operacional das máquinas. Em adição, recomendam analisar outras circunstâncias relativas às causas ocorridas que possibilitaram as perdas de grãos, que ocorrem provavelmente em detrimento a fatores práticos de não realização de regulagens adequadas na colhedora. 2.4.1 Momento de colheita O ponto ótimo de colheita corresponde à fase da maturidade fisiológica do arroz em que se obtém maior rendimento de grãos inteiros no beneficiamento e menor perda de grãos no campo (SILVA e FONSECA, 2006). A combinação de baixa umidade das sementes e alta rotação do cilindro trilhador, assim como elevadas umidades, independente da rotação do cilindro, resultam em maior danificação mecânica nas sementes (HAMER e PESKE, 1997). A qualidade física e fisiológica da semente de arroz depende da cultivar, estágio de maturidade, conteúdo de umidade e danos mecânicos (impactos, abrasões e tensões), que podem ocorrer durante a colheita, secagem, beneficiamento e armazenamento (SMIDERLE et al., 2008). Ribeiro et al. (2004), estudando o efeito do atraso na colheita e do período de armazenamento sobre o rendimento de grãos inteiros de arroz de terras altas, concluiu que à medida que se afasta do ponto adequado da umidade de colheita (20 a 22%), ocorre uma queda acentuada no rendimento de grãos inteiros. Castro et al. (1999) e Silva e Fonseca (2006), recomendam determinar o ponto adequado de colheita, analisando o teor de umidade dos grãos, que para obtenção de maiores rendimentos de grãos inteiros deve estar na faixa de 18% e 22% b.u. De acordo com Fonseca e Silva (1997) e Castro et al. (1999), quando o arroz permanece no campo por muito tempo fica sujeito a reumidificação dos grãos, e quando a umidade cai abaixo de um limite critico, em torno de 15%, os grãos podem trincar, resultando em aparecimento de grãos quebrados no beneficiamento. Isso pode ocorrer devido ao orvalho, alta umidade relativa do ar e, principalmente devido a chuva. No entanto problemas podem 14 ocorrer se a colheita for realizada com alto teor de umidade, pois produtos com elevada umidade são mais difíceis de serem colhidos e processados, razão pela qual a capacidade de colheita de uma máquina é sensivelmente reduzida (QUEIROZ et al., 2004). O arroz atinge o ponto de maturidade adequada quando dois terços dos grãos da panícula estão maduros. Colher na época certa é de fundamental importância para se obter um produto de melhor qualidade e com maior rendimento de grãos inteiros. A colheita antecipada, com umidade elevada, aumenta a proporção de grãos malformados e gessados. O arroz colhido tardiamente, com umidade muito baixa, afeta a produtividade pela degrana natural, ocorrendo o trincamento dos grãos e a redução do rendimento de grãos inteiros no beneficiamento (FONSECA e SILVA, 1997; SMIDERLE e PEREIRA, 2008). 2.4.2 Métodos de quantificação das perdas Existem dois métodos para avaliar as perdas, o visual e o de quantificação. O método visual embora seja o mais utilizado não reflete com precisão o grau de perdas durante a operação da colheita, pois as sementes, por serem pequenas e de cor clara, confundem-se com a palha. O método da quantificação deve ser utilizado pelos produtores por ser preciso. A quantificação pode ser feita pelo método da contagem das sementes caídas em uma determinada área, pela utilização do copo medidor de perdas da Embrapa ou pela pesagem das sementes (FONSECA e SILVA, 1997). 2.4.2.1 Método da contagem das sementes As perdas são quantificadas em kg ha-1 com a utilização da tabela proposta por Fonseca e Silva (1997), em que os resultados das perdas dependem da massa de 100 sementes, da cultivar a ser avaliada, e da contagem das sementes colhidas dentro de uma armação com área de 1 m2 e com largura igual à da plataforma de corte da colhedora. Para determinação das perdas pelo método da contagem os autores consideram como massas de 100 sementes, mínima e máxima de 2,58 g e 3,56 g, respectivamente, valor este, variável em função da cultivar. 15 2.4.2.2 Medidor de perdas da Embrapa Consiste na utilização de um copo plástico transparente, contendo escala específica, que correlaciona volume com massa de sementes, permitindo a determinação direta dos valores de perdas e a produtividade da lavoura em sacos ha-1. As sementes são coletadas, após a passagem da colhedora, em áreas de 1 m2 e depositadas no copo. Possibilita identificar, momentaneamente, se os níveis de perdas de sementes estão dentro dos padrões aceitáveis, que para o arroz deve ser de até 1,5 sc ha-1 ou seja 90 kg ha-1 (FONSECA e SILVA, 1997). 2.4.2.3 Método da pesagem das sementes O método da pesagem é considerado como padrão de referência (CUNHA e ZANDBERGEN, 2007). Consiste em pesar as sementes recolhidas em área convencionada, de 1 m2 em uma balança de precisão , obtendo-se a massa de sementes perdidas em grama para depois transformá-lo em kg ha-1. 2.5 QUALIDADE FÍSICA E FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE ARROZ A boa qualidade das sementes é imprescindível para o estabelecimento adequado da população de plantas no campo, seu pleno desenvolvimento e produção. Entretanto na cultura do arroz, as sementes são consideradas pela maior parte dos produtores como subproduto devido ainda não ter conquistado credibilidade maior como as culturas da soja, do milho e do trigo, entre outras (SOUZA et al., 2007). Produzir sementes com qualidade significa obter um produto competitivo, adequado às preferências dos consumidores. O arroz de qualidade destaca-se por seu comportamento diferenciado no mercado, evidenciando maior elasticidade de aproveitamento tanto para consumo direto, quanto para transformação industrial. As preferências de consumo no Brasil são voltados para cultivares de grãos agulhinha (longo-fino), com aspecto translúcido, baixo índice de defeitos e de grãos quebrados (VIEIRA, 2004). A garantia de bons preços e a maior facilidade de venda são dois atrativos que os orizicultores precisam levar em conta em seu empreendimento agrícola e, certamente, só conseguirá permanecer no mercado quem conseguir produzir com qualidade (CASTRO et al., 1999). 16 2.5.1 Interferência da colheita mecânica na qualidade física das sementes As sementes colhidas mecanicamente sofrem golpes e impactos diversos, provenientes da ação do molinete, da plataforma de corte, do sistema de trilhamento e limpeza da máquina, o que provoca danos físicos, resultando em aumento nas percentagens de grãos quebrados, descascados e fissurados (FRANCO et al., 1999). Variações que ocorrem no rendimento de grãos inteiros no beneficiamento são mais frequentes no arroz de terras altas do que no arroz de várzea, uma vez que está mais sujeito aos efeitos das alterações climáticas, sobretudo, estresse hídrico (CASTRO et al., 1999; SOARES, 2001; VIEIRA, 2004). A colheita antecipada ou tardia afeta a produção de grãos e a qualidade do produto. O grão de arroz se quebra no beneficiamento em razão de várias causas e a principal delas devese ao fato de os grãos já saírem do campo com rachaduras, ocasionadas por reidratação devido à chuva, orvalho ou umidade relativa do ar muito elevada, e por contração, devido à desidratação nas horas mais quentes do dia (CASTRO et al., 1999; SOARES, 2001). Segundo Franco et al. (1999), em estudo de colheita manual (testemunha), colheita com plataforma de corte e colheita com plataforma recolhedora, sobre a qualidade de sementes do arroz, encontraram resultados que demonstraram que para a percentagem de impurezas não apresentaram diferença significativa para os três métodos de colheita, já para as percentagens de grãos quebrados verificaram que o sistema de colheita convencional e o de colheita com plataforma recolhedora, não apresentaram diferenças significativas entre os cultivares de arroz BR-IRGA 409 e BR-IRGA 410, entretanto, diferiram significativamente quando comparadas com o sistema de colheita manual. Salum et al. (2007), avaliando perdas qualitativas na colheita de sementes de soja, concluíram que colhedoras com menores velocidades de operação ocasionaram menores danos às sementes, proporcionando um maior rendimento de grãos inteiros. Queiroz et al. (2004), em estudo da simulação dos processos de trilha e separação em colhedoras de grãos, relataram que à medida que aumenta a velocidade de deslocamento da colhedora, aumenta, consequentemente, a taxa de alimentação da máquina e com isso ocorre uma redução na eficiência dos mecanismos internos da máquina. As danificações mecânicas são progressivas e acumulativas. As que ocorrem na colheita são somadas às que ocorrem no sistema de secagem, beneficiamento e semeadura, e por isso, necessitam ser minimizadas em cada uma destas etapas, para que o produto final não tenha sua qualidade comprometida (HAMER e PESKE, 1997). O arroz é um produto agrícola que tem seu valor de comercialização dependente da qualidade física dos grãos, verificada 17 após o beneficiamento. O percentual de inteiros é o parâmetro de maior importância para a indústria do arroz (MARCHEZAN, 1991). 2.5.2 Interferência da colheita mecânica na qualidade fisiológica das sementes O conhecimento da qualidade das sementes, logo após a colheita, é um fator importante a ser considerado. Essa informação rápida e segura torna-se indispensável para qualquer decisão a ser tomada em relação ao destino das sementes. A manutenção da qualidade das sementes constitui-se em um grande problema para a agricultura em todo o mundo, principalmente em regiões tropicais, onde as temperaturas e umidade relativa são elevadas durante os períodos de maturação e armazenamento das sementes (CORNÉLIO et al., 2004). A colheita mecanizada é fundamental no processo produtivo das grandes culturas e se não for realizada adequadamente, poderá resultar em danos mecânicos severos às sementes, acarretando, prejuízos significativos na colheita, particularmente devido à redução da qualidade (VIEIRA et al., 2006). Conforme Andrade et al. (1999), a colheita é uma das mais importantes fontes de injúria mecânica as sementes. No momento da colheita, as injúrias mecânicas às sementes ocorrem, principalmente no momento da debulha, ou seja, no momento em que forças consideráveis são aplicadas sobre a semente, com a finalidade de separá-las da estrutura que as contém. A qualidade fisiológica das sementes está relacionada com a capacidade que as mesmas possuem em desempenhar funções vitais, caracterizando-se pela germinação, vigor e longevidade, a qual influencia diretamente na população inicial das plantas e, consequentemente, no rendimento da cultura (PASQUALLI, 2005). Para Souza et al. (2005), o vigor das sementes é a soma de atributos que confere as sementes o potencial de germinar, emergir e resultar rapidamente em plântulas normais sob amplas diversidade de condições ambientais. A dormência em sementes de arroz tem sido atribuída ao complexo casca (glumas) e pericarpo, associados a fatores físicos e químicos. Roberts (1962), relatou que as estruturas de cobertura (casca e pericarpo) agem como barreira física e filtro químico à entrada de oxigênio, havendo assim necessidade de quebra de dormência antes da avaliação de qualidade fisiológica. As injúrias mecânicas, causadas por agentes físicos durante o manuseio das sementes, além de provocarem prejuízos diretos, dão abertura a agentes patogênicos altamente 18 deletérios. Essas injúrias mecânicas ocorrem por contatos das sementes com superfícies rígidas, o que provocam quebras, trincas e arranhões, ocasionando redução na germinação e no vigor, além de dificultar as operações de beneficiamento (ANDREWS, 1965 e DELOUCHE, 1967). As injúrias mecânicas que as sementes sofrem durante a colheita e beneficiamento, associadas aos fatores ambientais durante o desenvolvimento delas no campo e condições de armazenamento, provavelmente influenciam em uma maior ou menor deterioração das mesmas (COBB e JONES, 1965; MASHAURI et al., 1992). Para Copeland (1972), o dano mecânico ocorrido na colheita pode acarretar redução na germinação da ordem de 10% e o beneficiamento inadequado pode elevar esse índice para até 30%. Segundo Silva (1983); Rocha et al. (1984); Carvalho e Nakagawa (1988); Mantovani e Fontes (1989) os danos mecânicos podem destruir estruturas essenciais das sementes, aumentar a suscetibilidade a microrganismos e a sensibilidade a fungicidas, além de reduzir a germinação, vigor, potencial de armazenamento e o desempenho em campo. Carvalho e Nakagawa (1988), enfatizaram que a colheita mecânica e o beneficiamento são as principais fontes de danos mecânicos nas sementes, e que, no processo de colheita, a semente fica particularmente susceptível ao dano latente. Segundo Moore (1974), os efeitos latentes do dano mecânico, expressos por amassamento, produzem lesão que pode servir como meio de entrada para patógenos que afetariam a sanidade e a conservação durante o armazenamento. Bunch (1962), afirmou que, em virtude das injúrias interferirem na respiração e permitirem a entrada de microrganismos, impede que a semente seja adequadamente conservada até o momento da semeadura. Sementes colhidas mecanicamente evidenciam alta incidência de danos e estes, provavelmente ocasionam a diminuição de germinação, vigor e energia germinativa (COSTA et al., 1979). Franco et al. (1999), estudando plataformas de colheita e colheita manual com trilha mecânica sobre a qualidade de sementes de arroz, observaram que os efeitos dos danos mecânicos se tornaram mais evidentes ao analisar os resultados de porcentagem de vigor das sementes, obtidos pelos testes de envelhecimento precoce e de frio modificado. Verificaram ainda, que as sementes, colhidas manualmente, apresentaram qualidade superior quando comparadas com as sementes colhidas de forma mecânica. Vieira et al. (2006), estudando a qualidade física e fisiológica de semente de soja colhida com sistema de trilha axial sob diferentes velocidades de operação e rotações do cilindro trilhador, encontraram resultados que mostram que as combinações de velocidade de operação de (3,5; 4,5 e 5,5 km h-1) e rotações do cilindro de trilha de 400 e 500 rpm, não afetaram a velocidade de germinação. Salum et al. (2007), observaram uma interação 19 significativa em relação ao modelo e velocidade de operação da colhedora sobre a germinação e concluíram que colhedoras operando em menores velocidades, ocasionam menores danos às sementes. Herbek e Bitzer (1997), enfatizam que velocidades de operação na faixa de 4,0 a 5,0 km h-1 resultam em menores índices de perdas na colheita e, consequentemente, menores danos mecânicos e declínio no vigor. A viabilidade e o vigor das sementes são considerados as principais características utilizadas na avaliação da qualidade das sementes. A viabilidade é determinada pelo teste de germinação, que refere-se à capacidade das sementes originarem plântulas normais sob condições favoráveis, que garantem a expressão de seu potencial. Este teste por ser realizado em condições ideais no laboratório, não estima a emergência das plântulas em campo. Sendo assim, desenvolveu-se o conceito de vigor e, consequentemente, de novos testes que são muito úteis no monitoramento da qualidade das sementes (PASQUALI, 2005). O teste de condutividade elétrica, segundo Souza et al. (2005); Binotti et al. (2008), baseia-se no conceito de que, quando as sementes são imersas em água, as de baixo vigor liberam maiores quantidades de eletrólitos na solução, refletindo a perda de integridade das membranas celulares e consequentemente a perda de vigor. Binotti et al. (2008), afirmam que, o vigor das sementes será menor quanto maior o valor da condutividade elétrica das sementes, pois a maior quantidade de lixiviados no exsudato do teste de condutividade elétrica, ocorre em função das perdas da integridade das membranas celulares, células danificadas, membranas mal estruturadas, perda de constituintes celulares, com menor capacidade de reparação aos danos causados à semente, além de uma lentidão na reestruturação das membranas durante a embebição. De acordo com Andrade et al. (1999), avaliando danos mecânicos em sementes de feijão por meio da condutividade elétrica da solução contendo as sementes danificadas devido ao choque mecânico controlado, com velocidades angulares de 635, 839 e 1.064 rpm, concluíram que a percentagem de danos mecânicos, germinação e condutividade elétrica estão correlacionados em função da velocidade de impacto das sementes. Concluíram que o aumento da velocidade de impacto causou maior queda na qualidade das sementes de feijão. Verificaram, ainda, que as sementes que receberam impacto com a maior velocidade (1064 rpm) foram, também, as que apresentaram maior valor de condutividade elétrica, evidenciando o efeito do choque mecânico no comprometimento da integridade dos tecidos das sementes impactadas. 20 Vários pesquisadores, como Carvalho e Nakagawa (1988); Peterson et al. (1995) e Pacheco et al. (1996), estudando os efeitos das injúrias mecânicas sobre as sementes, verificaram que os danos das sementes, mesmo quando não afetam as estruturas essenciais (danos não visíveis a olho nu), proporcionaram um aumento do número de plântulas fracas e anormais e redução do potencial de armazenamento. Por causa dos efeitos cumulativos das injúrias mecânicas, a germinação, o vigor e o potencial de produtividade são irreversivelmente afetados. O vigor das sementes pode ser avaliado, também, através do teste de envelhecimento acelerado. Este teste tem como base o fato de que a taxa de deterioração das sementes é aumentada consideravelmente por meio de sua exposição a níveis adversos de temperatura e umidade relativa do ar, considerados os fatores ambientais mais relacionados à deterioração das sementes (BINOTTI et al., 2008). 21 3 MATERIAL E MÉTODOS 3.1 INFORMAÇOES GERAIS O experimento foi realizado na fazenda Dona Rita, localizada no município de Abadiânia, GO, com altitude de 1030 m, longitude 48°18’23”W e latitude 16°19’44”S, durante a colheita do arroz da safra 2007/2008. A área de aproximadamente 20 ha foi plantada com a cultivar BRSMG Curinga, no espaçamento de 0,45 m, entre fileiras. As amostras colhidas foram processadas no Laboratório de Propriedades Físicas de Produtos Vegetais do curso de Engenharia Agrícola da Unidade Universitária de Ciência e Tecnológia da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e no Laboratório de Melhoramento de Arroz da Embrapa Arroz e Feijão. 3.1.1 Cultivar BRSMG Curinga A BRSMG Curinga foi originada inicialmente de uma família selecionada na geração F3, pelo Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), na Colômbia. Foi introduzida no Brasil, em 1994, pela Embrapa Arroz e Feijão, a qual continuou o processo de melhoramento em Santo Antonio de Goiás. A BRS MG Curinga é uma cultivar de arroz recomendada para plantio em sistema de terras altas e várzea úmida ou drenada, possui arquitetura de plantas eretas, semelhantes a de arroz irrigado por submersão, tem boa resistência a seca e alto potencial de produção, mesmo no cultivo de terras altas. A cultivar Curinga apresenta cor das folhas verde, muito bom perfilhamento, floração média de 97 dias, ciclo da semeadura à maturidade de 132 dias, altura de planta em média 0,93 m e resistência ao acamamento. Possui alto potencial produtivo, grãos de excelente padrão comercial, apresenta rendimento de grãos inteiros de 54% e grãos quebrados 15%, peso de 1000 grãos de 26,8 g. Com relação às doenças, apresenta moderada resistência a brusone na folha e brusone de panícula e moderada susceptibilidade a mancha parda, mancha de grãos e escaldadura (EMBRAPA, 2006). 22 3.2 DESCRIÇÃO DOS DELINEAMENTOS E TRATAMENTOS Foi utilizado o delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial (4x4) com três repetições, para a coleta das amostras referente às perdas de sementes. Os tratamentos foram constituídos de quatro velocidades de operação da colhedora (Vo1= 2,6 km h-1, Vo2= 3,3 km h-1, Vo3= 5,0 km h-1 e Vo4= 6,4 km h-1) combinadas com quatro velocidades de avanço do molinete em relação à velocidade de operação, (Vm1 = 9%, Vm2 = 16%, Vm3 = 23% e Vm4 = 29%). A colheita foi realizada com uma colhedora SLC Master 7700 turbo, ano 1997. A rotação do cilindro trilhador no momento dos ensaios foi de 600 rpm. As velocidades de operação da colhedora foram determinadas no campo, cronometrando-se o tempo gasto para a máquina percorrer 50 m. Os resultados foram transformados em km h-1. A velocidade do molinete utilizada nos ensaios foi determinada em campo, usando uma marcação no molinete para fazer contagem das voltas no tempo de um minuto. As rotações foram verificadas para cada velocidade utilizada no ensaio. As velocidades médias obtidas no molinete foram superiores às velocidades de operação da colhedora em 9%, 16%, 23% e 29%. A colheita foi realizada quando os grãos apresentavam 18% b.u. Os valores de perdas apresentados neste trabalho são referente às perdas de sementes com o teor de umidade corrigida para 13% b.u. Para a análise da qualidade física e fisiológica foi montado um experimento inteiramente casualizado, com quatro velocidades de operação da colhedora e quatro repetições. A velocidade do molinete foi mantida constate, regulada a 23% superior a velocidade de operação da colhedora. As amostras colhidas foram comparadas com a testemunha, amostra colhida manualmente, também com quatro repetições. Antes da realização dos testes de qualidades físicas e fisiológicas, a determinação da umidade das sementes foi realizada em estufa a 105°C ± 3°C, até alcançar massa constante, em três repetições, conforme recomendações contidas nas Regras para Análise de Sementes modificada (BRASIL, 1992). 3.3 DETERMINAÇÃO DAS PERDAS DE SEMENTES As perdas foram determinadas durante a colheita do arroz, conforme metodologia descrita por Fonseca e Silva (1997), antes do início da colheita e após a passagem da 23 colhedora, as quais representaram as perdas naturais e as ocorridas no processo de colheita, respectivamente. As amostras foram levadas para o Laboratório de Propriedades Físicas de Produtos Vegetais, para serem limpas e pesadas. 3.3.1 Determinação da produtividade Foram colhidas manualmente, em cinco áreas representativa da lavoura, todas as plantas produzidas em 1 m2. No laboratório as amostras foram trilhadas de forma manual, pesadas e mensuradas em kg ha-1. A produtividade média da lavoura com a colheita realizada a 18% b.u. foi de 4.629 kg ha-1. 3.3.2 Determinação das perdas naturais (Pn) Para determinação das perdas naturais, foram demarcadas em glebas representativas da lavoura, áreas de 1 m2, utilizando uma armação feita com barbante e madeira. Todas as sementes caídas encontradas dentro da armação foram coletadas. Esta operação foi realizada cinco vezes na lavoura, os dados obtidos foram transformados em kg ha-1, empregando a equação 1: Pn = Ps *10 área (1) Em que: Pn = Perda natural, kg ha-1 Ps = Peso das sementes, g Área = Tamanho da área demarcada, m2 10 = Fator de correção, para transformar os resultados em kg ha-1. 3.3.3 Determinação das perdas na operação de colheita Para a determinação das perdas na colheita mecanizada foi utilizado uma armação de madeira e barbante, com área igual a 1 m2, e comprimento igual à largura da plataforma de corte da máquina utilizada no ensaio, tendo comprimento de 4,76 m e largura de 0,21 m. As perdas foram determinadas por meio da coleta manual de todas as sementes soltas caídas no 24 solo, cachos e sementes presas as panículas, que se encontravam dentro da armação. Foram determinadas as perdas totais, as na plataforma de corte e as provocadas pelos mecanismos internos da máquina. Para a realização das coletas das amostras, a colhedora foi parada depois de percorrer aproximadamente 50m, para que houvesse a funcionalidade adequada dos mecanismos da máquina. - Perdas totais (Pt) - As perdas totais foram determinadas após a passagem da máquina de forma aleatória, posicionando a armação de madeira e barbante de forma que ficasse posicionada no rastro das duas rodas. As sementes caídas dentro da armação foram coletadas, inclusive as presas nas ramificações da panícula, e em seguida armazenadas em sacos plásticos devidamente etiquetados e enumerados de acordo com a parcela. Posteriormente as sementes foram levadas para laboratório onde foram separadas, pesadas, contadas e mensurados em kg ha-1. - Perdas na plataforma de corte (Ppc) - As perdas na plataforma de corte da máquina, foram determinadas durante a operação de colheita, com a máquina em funcionamento. Para determinar as perdas provocadas pela plataforma da colhedora procedeu-se da seguinte maneira: na operação de colheita, em local representativo da lavoura, parava-se a colhedora desligando os seus mecanismos da unidade de corte e alimentação; em seguida, levantava a plataforma e recuava a máquina por uma distância equivalente ao comprimento total da colhedora. Posteriormente, posicionava-se a armação de 1 m2, fazia a coleta de todas as sementes soltas e, ou, presas as ramificações das panículas caídas ao solo, armazenando-as em sacos plásticos, devidamente etiquetados e enumerados de acordo com a parcela. Por fim, as sementes foram levadas para serem limpas, pesadas e mensuradas em kg ha-1. - Perdas nos mecanismos internos (Pmi) - As perdas devido aos mecanismos internos da colhedora foram quantificadas subtraindo-se da perda total, as perdas provocadas pela plataforma de corte e as ocorridas antes da colheita, ou seja, as perdas naturais, conforme a equação 2. Pmi = Pt – (Ppc + Pn) (2) 25 Em que: Pmi = Perdas nos mecanismos internos, Pt = Perdas total, Ppc= Perdas da plataforma de corte, Pn = Perdas Natural. 3.3.4 Métodos para quantificação das perdas As perdas foram quantificadas utilizando-se o medidor de perdas da EMBRAPA, a contagem das sementes e a pesagem em balança analítica. Todas as amostras foram submetidas aos três métodos de quantificação. Os valores de perdas, obtidos pelos três métodos, foram comparados entre si. - Medidor de perdas da EMBRAPA – Os dados de perdas foram obtidos com a utilização do copo medidor de perdas, desenvolvido pela EMBRAPA, que possui uma graduação especifica para o arroz (Figura 1). O mesmo associa o volume à quantidade de sementes perdidas, empregando-se uma escala graduada. As sementes perdidas foram recolhidas e colocadas no copo medidor, para se obter a leitura direta de perdas em saco ha-1, e em seguida esses valores foram transformados em kg ha-1. FIGURA 1. Medidor de perdas utilizado na colheita do arroz. 26 - Contagem das sementes - Foram contadas as sementes de todas as amostras e a partir daí as perdas foram quantificadas de acordo com a Tabela 1, proposta por Fonseca e Silva (1997), obtendo os resultados de perdas em kg ha-1. TABELA 1 - Perdas mínima e máxima de arroz conforme o número de sementes por m encontrados na lavoura após a colheita1. Sementes/ m2 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 Perda de arroz (kg ha-1) Mínima Máxima 12,9 17,8 25,8 35,6 38,7 53,4 51,6 71,2 64,5 89,0 77,4 106,8 90,3 124,6 103,2 142,4 116,1 160,2 129,0 178,0 Sementes/ m2 550 600 650 700 750 800 850 900 950 1000 2 Perda de arroz (kg ha-1) Mínima Máxima 141,9 195,8 154,8 213,6 167,7 231,4 180,6 249,2 193,5 267,0 206,4 284,8 219,3 302,6 232,2 320,4 245,1 338,2 258,0 356,0 Fonte: Adaptado de Fonseca e Silva, (1997). 1 Para 100 sementes de arroz, deve-se considerar como pesos mínimo e máximo, respectivamente, 2,58g e 3,56g. Os resultados dependeram da contagem das sementes e da cultivar, neste estudo foi analisada a BRSMG Curinga, que apresentou massa de 100 sementes igual a 2,68 gramas. No entanto as perdas foram determinadas utilizando a equação 3. Pcont = 2,68 x( N °sementes )x10 100 (3) Em que: Pcont = Perdas de sementes pelo método da contagem; 2,68 = Peso de 100 sementes (cultivar BRSMG Curinga); No sementes = Número de sementes contadas; 10 = Fator de correção, para transformar os resultados em kg ha-1. - Pesagem das sementes em balança analítica - O método da pesagem, considerado padrão, foi utilizado para fazer uma comparação entre os dois métodos citados anteriormente. 27 Consistiu em pesar as sementes perdidas depois de serem limpas. Foi utilizada para realização da pesagem das sementes uma balança eletrônica analítica com precisão de miligramas, da marca Gehaka. Os resultados foram obtidos em gramas e em seguida transformados para kg ha-1. 3.4 ANÁLISES FÍSICA E FISIOLÓGICA DAS SEMENTES Para análise da qualidade física e fisiológica das sementes, foram coletadas amostras de aproximadamente 1 kg no reservatório da colhedora, para as diferentes velocidades. As amostras foram retiradas após a aplicação de cada tratamento. Também, foram colhidas amostras manualmente para serem testemunhas. As amostras foram armazenadas em sacos de papel e levadas para avaliações realizadas em laboratórios, algumas realizadas no Laboratório de Propriedades Físicas de Produtos Vegetais da UEG e outras para o Laboratório de melhoramento de Arroz da Embrapa Arroz e Feijão. A qualidade das sementes foi analisada utilizando os testes de análise física e fisiológica: análise de pureza, rendimento de grãos inteiros, teste padrão de germinação - TPG e vigor: primeira contagem do TPG, envelhecimento acelerado e condutividade elétrica. 3.4.1 Análise da qualidade física Foi avaliada pelos testes de análise de pureza e rendimento de grãos inteiros. - Análise de pureza - As avaliações da percentagem de pureza foram realizadas conforme prescrição das regras para análise de sementes (BRASIL, 1992). Foi utilizada amostras de 100 gramas de sementes. De cada amostra foram separadas e pesadas todas as partículas presentes. As impurezas consideradas foram: sementes defeituosas, fragmentos, sementes de outras espécies, detritos vegetais e corpos estranhos de qualquer natureza, não oriundos da cultivar considerada. A porcentagem de pureza foi determinada pela relação entre a massa de sementes puras e massa inicial da amostra, conforme a equação 4: Msp Pf = 100 x Mi (4) 28 Em que: Pf = Pureza física de sementes, % Msp = Massa de sementes puras, g Mi = Massa inicial da amostra, g 100 = Para obter os resultados em percentual. - Rendimento de grãos inteiros - Foram determinados no Laboratório de Melhoramento de Sementes de Arroz, na Embrapa Arroz e Feijão. Foi realizada simulação do beneficiamento dos grãos, com amostras de 100 gramas, para obter a variação do índice de grãos quebrados, que podem ocorrer no momento da colheita. Para realização da simulação foi utilizado um cronômetro e o mini-engenho da marca Suzuki (Figura 2). As amostras foram beneficiadas durante 30 segundos, conforme (INFELD e SILVEIRA JÚNIOR, 1984; LAGO et al., 1991). FIGURA 2. Mini-engenho, marca Suzuki, utilizado para determinação do rendimento de grãos inteiros. 3.4.2 Análise fisiológica das sementes Foi realizado no Laboratório de Propriedades Físicas de Produtos Vegetais da UEG, por meios dos testes padrão de germinação (TPG), primeira contagem do TPG, envelhecimento acelerado e condutividade elétrica. Para a realização das análises fisiológica foi feita a quebra da dormência das sementes de arroz, segundo regras para análise de 29 sementes - RAS (BRASIL, 1992), sendo realizada uma pré-secagem à temperatura de 50°C, por 96 horas, em estufa com circulação de ar. - TPG e Primeira contagem - O teste de germinação foi realizado com quatro repetições, utilizando duas folhas de papel germitest na base e uma na cobertura, umedecidas com água destilada, em uma proporção equivalente a 2,5 vezes o peso original das folhas germitest. Foram utilizadas 100 sementes em cada repetição, enroladas e acondicionadas em germinador, sob a temperatura de 25ºC. A avaliação foi feita no décimo quarto (14º) dia após a implantação do teste, sendo computada a porcentagem de plântulas normais (BRASIL, 1992). Para o teste de primeira contagem do TPG, foi considerada a porcentagem de plântulas normais presentes no quinto dia após o início do TPG (BRASIL, 1992). - Envelhecimento Acelerado – Para o envelhecimento acelerado, foram distribuídas 400 sementes sobre a superfície de uma tela metálica fixada no interior de caixa plástica - gerbox, contendo 40 mL de água, mantida a 42ºC e 100% de umidade relativa, por 48 horas em um germinador (KRZYZANOWSKI et al., 1999). Decorrido esse período, as sementes foram submetidas ao TPG, anteriormente descrito, é determinada a porcentagem de plântulas normais no 5ª (quinto) dia após a montagem do teste. - Condutividade Elétrica - O teste de condutividade elétrica foi realizado no sistema de copos, conforme a metodologia recomendada por Krzyzanowski et al. (1999), sendo colocado 100 sementes/repetição, previamente pesadas, e colocadas em copos plásticos, contendo 75 mL de água deionizada, e em seguida foram levadas para um germinador com temperatura de 25ºC/24 horas. Decorrido este período os recipientes foram sendo retirados do germinador e suavemente agitados, efetuando-se a medição. Os valores da condutividade elétrica da solução de sementes foram obtidos, dividindo-se para cada repetição o valor da condutividade lida no condutivímetro (µS.cm-1), pela massa (g) de 100 sementes, sendo seu valor expresso em (µS.cm-1g-1). Para realização das análises foi utilizado um condutivímetro portátil da marca CG-220. O teste de condutividade elétrica baseia-se no conceito de que, quando as sementes são imersas em água, as de baixo vigor liberam maiores quantidades de eletrólitos na solução, refletindo a perda de integridade das membranas celulares e consequentemente a perda de vigor (SOUZA et al. 2005; BINOTTI et al. 2008). 30 3.5 ANÁLISES ESTATISTICA Os resultados das perdas foram submetidos à análise de variância a 5% de probabilidade. A análise de correspondência (AC) foi utilizada para explorar os resultados. A análise de correspondência (AC) foi utilizada para verificar o grau e direção da relação entre os fatores em estudo e também para uma melhor exploração dos resultados. Segundo Hair et al. (1998), a AC é uma técnica de análise exploratória de dados, adequada para analisar tabelas de dupla entrada ou tabelas de múltiplas entradas, levando em conta algumas medidas de correspondência entre linhas (aqui nesse estudo correspondendo a velocidade de operação da máquina) e colunas (nesse caso correspondendo a velocidade do molinete). A AC, basicamente, converte uma matriz de dados não negativos em um tipo particular de representação gráfica em que as linhas e colunas da matriz são simultaneamente representadas em dimensão reduzida, isto é, por pontos no gráfico. Este método permite estudar as relações e semelhanças existentes entre: a) as categorias de linhas e entre as categorias de colunas de uma tabela de contingência, b) o conjunto de categorias de linhas e o conjunto categorias de colunas. A AC mostra como as variáveis dispostas em linhas e colunas estão relacionadas e não somente se a relação existe. Embora seja considerada uma técnica descritiva e exploratória, a AC simplifica dados complexos e produz análises exaustivas de informações que suportam conclusões a respeito das mesmas. A AC possui diversos aspectos que a distingue de outras técnicas de análise de dados. A sua natureza multivariada permite revelar relações que não seriam detectadas em comparações aos pares das variáveis. É altamente flexível quanto a pressuposições sobre os dados: o único requisito é o de uma matriz retangular com entradas não negativas. Com a AC é possível transformar qualquer característica quantitativa em qualitativa, realizando-se uma partição de seu domínio de variação em classes. A concepção geral é semelhante à análise de componentes principais e à análise fatorial, diferenciando-se destas, entre outros aspectos, por permitir a inclusão de variáveis categóricas. Embora seja evidente sua utilidade nos estudos transversais em epidemiologia, especialmente na exploração inicial de dados discretos e/ou contínuos, a análise de correspondência é pouco usual na literatura do setor (Carvalho & Struchiner 1992). Para a comparação entre os métodos de verificação de perdas, utilizou-se o teste de Dunnett a 5% de probabilidade. A qualidade física e fisiológica das sementes, os dados colhidos foram submetidos à análise de variância de fator único e os resultados comparados pelo teste de Dunnett a 5% de probabilidade. 31 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 PERDAS NA COLHEITA A perda média de sementes no experimento, avaliada pelo método da pesagem, foi de 93,59 kg ha-1 (Tabela 2). Esse resultado foi menor que os obtidos por Fonseca e Silva (1990), que encontraram perda média na colheita com colhedoras de 185,5 kg ha-1. Os valores de perdas obtidos estão próximos da faixa de perda aceitável para a operação de colheita mecanizada, que segundo os mesmos autores deve ser menor que 90 kg ha-1. Uma das contribuições para que ocorresse essa perda, próximo da aceitável, foi à execução da operação no momento adequado, quando as sementes possuíam teor de umidade médio de 18%. Segundo Castro et al. (1999); Silva e Fonseca (2006), a colheita de arroz deve ser realizada quando as sementes possuírem teor de umidade entre 18% e 22% b.u. Outro ponto de contribuição foi que a cultivar BRSMG Curinga, usada na experimentação, possuía porte ereto, ausência de acamamento e baixa competitividade com plantas daninhas. TABELA 2 – Análise de variância das perdas de sementes, determinadas pelo método da pesagem, provocadas pela plataforma de corte (Ppc), mecanismos internos (Pmi) e totais (Pt), em função das velocidades de operação (Vo) e do molinete (Vm) da máquina. QUADRADO MÉDIO Fontes de variação Vo Vm Vo x Vm Error Perda média total (kg ha-1) Coeficiente de variação G.L 3 3 9 32 47 - Perdas pelo método da pesagem Ppc 224,93 104,17 549,89** 82,52 26,01 41,94 Pmi 2146,70** 117,4 699,3 319,9 54,33 41,00 Pt 1728,2** 192,2 1249,44** 269,6 93,59 24,95 **, Difere significativamente a 1% de probabilidade, pelo teste f. 4.1.1 Perdas na plataforma de corte Obeserva-se na Tabela 2, que não houve diferença significativa para as perdas na plataforma de corte em função das diferentes velocidades de operação e do molinete da colhedora. Por outro lado, a interação entre velocidades de operação e do molinete foi altamente significativa (p < 0,01). Resultados semelhantes foram obtidos por Ferreira et al., 32 (2007), que não encontraram diferenças significativas para as perdas na plataforma de corte em função da velocidade da colhedora e obtiveram coeficiente de variação igual a 33,9%. Estudos realizados por Campos et al. (2005), em determinação de perdas de grãos em função da velocidade de operação da colhedora, não encontraram diferenças significativas para as perdas em função da velocidade e obtiveram coeficiente de variação elevado igual a 49,36%. Verifica-se na Tabela 3 que a menor quantidade de perdas foi obtida nas velocidades Vo2 combinada com Vm2. Ainda, a análise de perda média, em função de cada velocidade do molinete, indica a Vm2 como a velocidade que provocou menor perda de sementes. Isso possivelmente ocorreu devido às velocidades de deslocamento da máquina e do molinete estarem reguladas de forma compatível, ou seja, Vm2 superior à Vo2 em 16%. Velocidade do molinete incompatível com a movimentação da máquina trilha as sementes no momento do recolhimento ou deixa de recolhê-las, proporcionando aumentos consideráveis de perdas (FONSECA e SILVA, 1997; SILVA, 2004). Na análise de correspondência (Figura 3), quanto mais próximas estiverem duas variáveis, maior influência uma tem sobre a outra e quanto mais distante menor é a influência. No caso do estudo em questão, ressalta-se que duas variáveis específicas (velocidades de operação e do molinete) próximas implicam em maior perda de sementes e quanto mais distantes duas variáveis específicas menores foram às perdas de sementes. Nesse sentido, observa-se a proximidade de Vo2 com a rotação Vm4. Esta aproximação mostra uma maior interferência na ocorrência das perdas, ou seja, quando a colhedora esta operando com velocidade de 3,3 km h-1 e a velocidade do molinete esta regulado à 29% superior a velocidade de operação da mesma. Os pontos mais próximos no plano bidimensional são representados por Vo3 com Vm1, que comprovam uma maior interferência na ocorrência de perdas com a máquina trabalhando nestas condições, neste ponto a perda foi de 52,15 kg ha-1, sendo esta a maior perda ocorrida na plataforma de corte. O distanciamento de Vo3 com Vm2 e Vm3 mostram menores quantidades de perdas ocorrida com a máquina operando nestas condições, ou seja, com a velocidade do molinete superior 16% e 23% respectivamente, à velocidade de operação da colhedora, concordando com Fonseca e Silva, (1997); Silva, (2004); Morello, (2009). Já as menores perdas são indicadas pela velocidade Vo2 na rotação Vm2 e Vm1, representando perdas iguais a 8,93 e 11,40 kg ha-1, consecutivamente, visto que estes pontos apresentaram um maior distanciamento, indicando uma menor interferência sobre as perdas. 33 TABELA 3 – Perdas de sementes (Kg ha-1) ocorridas na plataforma de corte, em função de diferentes velocidades de operação e do molinete da colhedora. VELOCIDADES DO MOLINETE2 VELOCIDADES DE OPERAÇÃO1 Vm1 27,12 11,40 52,15 20,01 27,67 Vo1 Vo2 Vo3 Vo4 Média Vm2 28,98 8,93 20,67 28,70 21,82 Vm3 18,32 37,23 21,40 27,62 26,14 Vm4 14,75 42,58 34,80 21,46 28,40 1 As velocidade de operação da colhedora ensaiadas foram Vo1 = 2,6; Vo2= 3,3; Vo3= 5,0 e Vo4= 6,4 km h-1. As velocidades do molinete foram Vm1= 9%, Vm2= 16%, Vm3= 23% e Vm4= 29% superior a velocidade de operação da colhedora. 2 FIGURA 3. Representação das velocidades de operação (Vo) e do molinete (Vm) utilizadas no ensaio, no plano bidimensional para as perdas ocorridas na plataforma de corte. 4.1.2 Perdas nos mecanismos internos As perdas nos mecanismos internos da colhedora foram influenciadas significativamente (p < 0,01) pelas velocidades de operação da colhedora (Tabela 2). As perdas variaram de 27,84 à 91,86 kg ha-1 A menor perda média foi verificada em Vo3 e maior em Vo2 (Tabela 4). Embora a velocidade de operação tenha sido uma variável significativa sobre as perdas de sementes, os resultados não apresentaram um padrão de correlação aceitável, indicando 34 que as velocidades de operação experimentadas de até 6,4 km h-1 não foram as causas principais dessas perdas. Ressalta-se que todas as velocidades ensaiadas estavam dentro da faixa de velocidade recomendada pelos fabricantes. Mesquita et al. (2001) e Cunha e Zandbergen (2007) verificaram haver tendência de menores perdas quando as colhedoras operavam em velocidades abaixo de 7 km h-1. A falta de relação direta ocorrida entre a velocidade de operação e as perdas na colheita pode ser explicada pelo alto valor do coeficiente de variação, encontrado na determinação de perdas em condições de campo, de 41%, realizados semelhantes são encontrados por Campos et al. (2005) em estudo de determinação de perdas de grãos em função da velocidade de operação da colhedora, não encontraram diferenças significativas para as perdas em função da velocidade e obtiveram coeficiente de variação igual à 49,36%. Conforme Cunha e Zandbergen (2007), deve-se analisar também outras circunstâncias relativas, que possivelmente provocaram as perdas. O estado de conservação da máquina, a taxa de utilização anual e a eficiência do operador são fatores que influenciam nas perdas no momento da colheita, conforme afirmam Alves Sobrinho e Hoogerheide, (1998). De acordo com Carvalho Filho et al. (2005), as perdas na colheita são influenciadas tanto por fatores inerentes à cultura, como por fatores relacionados à colhedora. A análise por correspondência, Figura 4, mostra a proximidade dos dois pontos representados por Vo2 e Vo4 ao eixo horizontal, ou seja, eixo primário, que comparado com a distância de Vo1 e Vo3 ao eixo vertical, considerado eixo secundário, indica que os eixos refletem um contraste entre (Vo1 e Vo3) e (Vo2 e Vo4), em outras palavras, existe uma heterogeneidade entre as categorias de velocidades, sendo Vo2 e Vo4 relativamente homogêneas, apresentando perdas maiores iguais à 68,46 e 62,72 kg ha-1, visto que aparecem mais próximos ao eixo. Enquanto Vo1 e Vo3 são homogêneas também, no entanto, representando um maior distanciamento do eixo, que indicam perdas menores, iguais à 45,58 e 40,56 kg ha-1 respectivamente. 35 TABELA 4 – Perdas de sementes (Kg ha-1) ocorridas nos mecanismos internos da colhedora, em função de diferentes velocidades de operação e do molinete da colhedora. VELOCIDADES DO MOLINETE2 VELOCIDADES DE OPERAÇÃO1 Vm1 Vm2 Vm3 Vm4 Vo1 36,68 55,24 49,63 40,75 45,58 Vo2 53,18 81,12 67,63 71,9 68,46 Vo3 36,78 41,44 27,84 56,12 40,55 Vo4 91,86 47,77 54,15 57,11 62,72 Média 1 As velocidade de operação da colhedora ensaiadas foram Vo1 = 2,6; Vo2= 3,3; Vo3= 5,0 e Vo4= 6,4 km h-1. As velocidades do molinete foram Vm1= 9%, Vm2= 16%, Vm3= 23% e Vm4= 29% superior a velocidade de operação da colhedora. 2 FIGURA 4. Representação das velocidades de operação (Vo) utilizadas no ensaio, no plano bidimensional para as perdas ocorridas nos mecanismos internos da colhedora. 4.1.3 Perdas totais As perdas totais de sementes de 93,59 kg ha-1, 27,8%, 58,1% e 14,1% foram devidas à plataforma de corte da colhedora, aos mecanismos internos da máquina e à degrana natural, respectivamente. Essas perdas foram influenciadas significativamente pela velocidade de operação e pela interação desta com a velocidade do molinete (Tabela 2). As perdas variaram de 62,49 à 127,74 kg ha-1 (Tabela 5). 36 Quando à máquina opera com velocidade excessiva e incompatível com a velocidade do molinete ela pode provocar a degrana prematura das sementes ou falhas de recolhimento, aumentando consequentemente as perdas na plataforma de corte da colhedora (SILVA, 2004). A utilização de velocidades no molinete, superiores à velocidade de operação da máquina em 23% (Vm3) ou 16% (Vm2), resultou em menores perdas totais de sementes na colheita. As maiores perdas totais foram devidas aos percentuais de acréscimo da velocidade do molinete em 29% (Vm4) e 9% (Vm1). Queiroz et al. (2004), relatam que a medida que ocorre um aumento da velocidade de operação da colhedora, aumenta-se, consequentemente, à taxa de alimentação da máquina. Com isso, ocorre uma redução na eficiência de separação do côncavo da colhedora, o que poderá ocasionar maior quantidade de perdas pelos mecanismos internos da máquina, que afetará consequentemente, as perdas totais. Esse fato não ficou evidenciado nessa pesquisa, pois, como foi mostrado na discussão do item anterior sobre perdas nos mecanismos internos, provavelmente outros fatores interferiram nesses resultados. Ressalta-se que todas as velocidades de operação analisadas estavam dentro da faixa recomendada pelos fabricantes. Diante disso, deve-se analisar outros fatores que possibilitaram as perdas. A análise por correspondência (Figura 5) mostra a aproximação de Vo4 com Vm1 indicando um maior percentual de perdas, já o distanciamento de Vo3 e Vm3 indicam menor ocorrência de perdas, ficando evidenciado a importância da regulagem da velocidade de operação da colhedora e do molinete, concordando com Fonseca e Silva, (1997); Silva, (2004); Morello, (2009). TABELA 5 – Perdas totais de sementes (kg ha-1) provocadas pela operação da colheita e pela degrana natural. VELOCIDADES DE OPERAÇÃO1 Vo1 Vo2 Vo3 Vo4 Média 1 VELOCIDADES DO MOLINETE2 Vm1 77,06 77,84 102,20 125,13 95,56 Vm2 97,48 103,31 75,37 89,73 91,47 Vm3 81,22 118,13 62,49 95,03 89,22 Vm4 68,76 127,74 104,18 91,83 98,13 Média 81,13 106,76 86,06 100,43 93,59 As velocidade de operação da colhedora ensaiadas foram Vo1 = 2,6; Vo2= 3,3; Vo3= 5,0 e Vo4= 6,4 km h-1. As velocidades do molinete foram Vm1= 9%, Vm2= 16%, Vm3= 23% e Vm4= 29% superior a velocidade de operação da colhedora. 2 37 FIGURA 5. Representação das velocidades de operação (Vo) e do molinete (Vm) utilizadas no ensaio, no plano bidimensional para as perdas totais. 4.2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE PERDAS As análises de variância, apresentadas nas Tabelas 6, 7 e 8 indicam comportamentos semelhantes para cada fonte de variação, independente do método de avaliação de perdas empregado, se baseado na pesagem, na contagem ou na utilização do medidor de perdas da Embrapa. A exceção ocorreu para a interação Vo x Vm, na análise das perdas ocorridas nos mecanismos internos avaliada pelo copo medidor da Embrapa, onde se obteve efeito significativo a 5% de probabilidade (Tabela 7). Tais resultados sugerem mesmo comportamento para os três métodos de avaliação. A análise de comparação dos métodos pelo teste de Dunnett confirma essa tendência de comportamento dos métodos, os quais são semelhantes estatisticamente, visto que não apresentaram diferença significativa a 5% de probabilidade, como pode ser observado na Figura 6. Conforme Cunha e Zandbergen (2007), o medidor da Embrapa proporciona uma estimativa de perda de sementes, em sacos ha-1, por meio de uma média geral do diâmetro das sementes. Esse método leva em consideração a quantidade de sementes atingida em uma escala, e possibilita a leitura, sem levar em consideração a cultivar, o teor de água das sementes, a quantidade de sementes quebradas e os diferentes diâmetros. Isso significa que 38 uma quantidade pequena de sementes, mas com maior diâmetro terá equivalência com uma grande quantidade de sementes, mas com menor diâmetro, na leitura volumétrica apresentado pelo copo medidor, ou seja, esse método pode apresentar distorções, visto que não apresentam também correção referente ao teor de água. Contudo, os autores afirmam que o método do medidor da Embrapa é prático, rápido e de fácil acesso pelos produtores, o que concorda com (SILVA, 2004). Os resultados de comparação entre os métodos de perdas mostram que tanto o método da contagem como o copo medidor da Embrapa, oferecem eficácia semelhante ao método da pesagem, são métodos possíveis de controlar e acompanhar o índice de perdas real ocorrido na lavoura, no entanto o copo da Embrapa possui vantagens de ser mais rápido e pratico que os demais. TABELA 6 – Análise de variância das perdas de sementes na plataforma de corte da colhedora, determinadas pelos métodos do peso (PESO), contagem (CONT) e medidor da Embrapa (COPO), em função das velocidades de operação (Vo) e do molinete (Vm) da máquina. QUADRADO MÉDIO Fontes de variação Vo Vm Vo x Vm Error Coeficiente de Variação Total G.L 3 3 9 32 47 PERDAS PLATAFORMA DE CORTE PESO CONT COPO 224,93 104,17 549,89** 82,52 41,94 - 133,09 93,01 609,35** 110,75 42,29 - 107,90 39,79 424,69** 77,61 39,46 - **: Significativo a 1% de probabilidade, pelo teste f. TABELA 7 – Análise de variância das perdas nos mecanismos internos, determinadas pelos métodos do peso (PESO), contagem (CONT) e medidor da Embrapa (Copo), em função das velocidades de operação (Vo) e do molinete (Vm) da máquina. QUADRADO MÉDIO Fontes de variação Vo Vm Vo x Vm Error Coeficiente de Variação Total G.L 3 3 9 32 47 PERDAS MECANISMOS INTERNOS PESO 2146,70** 117,40 699,30 319,90 41,00 - CONT 2170,30** 155,90 730,10 352,20 38,93 - **,*: Significativo a 1% e 5% de probabilidade respectivamente, pelo teste f. COPO 1395,10** 50,50 750,20* 324,70 42,02 - 39 TABELA 8 – Análise de variância das perdas totais de sementes, determinadas pelos métodos do peso (PESO), contagem (CONT) e medidor da Embrapa (Copo), em função das velocidades de operação (Vo) e do molinete (Vm) da máquina. QUADRADO MÉDIO Fontes de variação PERDAS TOTAIS G.L PESO Vo Vm Vo x Vm Error Coeficiente de variação Total 3 3 9 32 47 - 1728,20** 192,20 1249,40** 269,60 24,95 - CONT 1706,60** 128,00 1545,80** 306,10 24,37 - COPO 1145,50** 113,10 1350,90** 291,10 26,74 - **: Significativo a 1% de probabilidade, pelo teste f. FIGURA 6. Perda de sementes em kg ha-1, pelos métodos da pesagem (PESO), medidor de perdas da Embrapa (COPO) e contagem das sementes (CONT). 4.3 QUALIDADE FÍSICA E FISIOLÓGICA A Tabela 9 apresenta a análise de variância e a Tabela 10 as médias dos resultados das análises fisiológicas para germinação (Ger), primeira contagem do TPG (1a contagem), condutividade elétrica (CE) e envelhecimento acelerado (EA) e das análises físicas para rendimento de grãos inteiros (RI) e impurezas (Imp), do arroz de terras altas, da cultivar BRSMG Curinga, colhida mecanicamente. Não houve diferença significativa para vigor e envelhecimento acelerado, enquanto que as demais variáveis analisadas diferiram significativamente da testemunha, colhida de forma manual. 40 TABELA 9 - Análise de variância para germinação (Ger), primeira contagem do TPG (1a contagem), condutividade elétrica (CE), envelhecimento acelerado (EA), rendimento de grãos inteiros (RI), e impurezas (Imp), nas sementes de arroz colhidas manualmente e colhidas em diferentes velocidades de operação da colhedora. QUADRADO MÉDIO Fontes de Variação G.L. Ger 1a Contagem Tratamentos 4 218,37** 44,3 Erro 15 23,27 39,05 CE EA 6,48** 22,3 1,67 7,76 RI Imp 43,84** 21,05** 6,97 1,93 **,*: Significativo a 1% e 5%, respectivamente, pelo teste f. TABELA 10 - Resultados médios de germinação (Ger), primeira contagem do TPG (1a contagem), condutividade elétrica (CE), envelhecimento acelerado (EA), rendimento de grãos inteiros (RI) e impurezas (Imp) nas sementes de arroz colhidas manualmente e colhidas em diferentes velocidades de operação da colhedora. CE EA RI Imp Ger 1a Contagem Tratamentos -1 -1 (%) (µS.cm g ) (%) (%) (%) (%) Testemunha 97 37 23,5 89,5 62,40 4,11 Vo1 84* 30 23,6 84,0 54,10* 6,00 Vo2 91 38 23,5 84,0 55,40* 6,12 93 36 23,8* 84,5 55,10* 9,84* Vo3 Vo4 79* 32 25,9* 84,5 55,70* 8,70* *: Difere significativamente da testemunha, a 5% pelo teste de Dunnett. 4.3.1 Germinação Houve interferência da velocidade de operação da máquina sobre a qualidade fisiológica das sementes, pois o tratamento colhido manualmente apresentou um maior percentual de germinação, se comparado com as amostras colhidas de forma mecânica, nas velocidades Vo1 e Vo4 (Tabela 10). A percentagem de germinação das sementes colhidas de forma mecânica variou de 79% a 93,0%, enquanto a amostra colhida de forma manual apresentou um percentual de 96,8%, como pode ser visto na Figura 7. Isso indica a incidência de danos e injúrias mecânicas ocorridos no momento da colheita. Conforme, Carvalho e Nakagawa (1988), Peterson et al. (1995) e Pacheco et al. (1996), estudaram os efeitos das injúrias mecânicas sobre as sementes e verificaram que essas, mesmo não afetando as estruturas essenciais das sementes (danos não visíveis a olho nu), proporcionaram um aumento do número de plântulas fracas e anormais, porque os efeitos cumulativos à germinação e ao vigor são afetados irreversivelmente. 41 O menor percentual de germinação foi obtido nas amostras colhidas na velocidade Vo4 (Figura 7). Essa maior velocidade causou sérios danos às sementes, devido possivelmente ao aumento da taxa de alimentação da máquina. As amostras colhidas na Vo4 apresentaram percentual de germinação de 79%, abaixo do mínimo aceitável para sementes. Normalmente, nos estados brasileiros produtores de arroz, o limite mínimo de germinação para comercialização de sementes é de 80% (SOUZA et al., 2007). Resultados encontrados por Vieira et al. (2006), mostram que as combinações de velocidade de operação (3,5; 4,5 e 5,5 km h-1) e rotações do cilindro de trilha de 400 e 500 rpm, não afetaram o percentual de germinação das sementes de soja. Resultados semelhantes são também encontrados por Salum et al. (2007) que observaram uma interação significativa em relação ao modelo e a velocidade de operação da colhedora sobre a germinação e concluíram que colhedoras operando em menores velocidades ocasionam menores danos às sementes. O maior percentual de germinação foi obtido com a colheita manual (97%). Esses resultados concordam com Franco et al. (1999), em que, a percentagem de germinação de sementes de arroz, indicou que o sistema de colheita com plataforma de corte (convencional) e o de colheita com plataforma recolhedora não apresentaram diferenças significativas. Entretanto, diferiram do sistema de colheita manual, que apresentou percentual de germinação de 97% para a semente da cultivar BR-IRGA 409. Este comportamento da germinação das sementes de arroz era esperado, visto que durante a colheita mecanizada as sementes estão sujeitas a impactos e abrasões. FIGURA 7. Percentagem de germinação de sementes de arroz das amostras testemunha, colhidas manualmente, e das colhidas com colhedora automotriz, em diferentes velocidades de operação. 42 4.3.2 Primeira contagem do TPG Os resultados obtidos no teste de primeira contagem do TPG, podem ser visto na Tabela 9 e 10. Não foram encontradas diferença significativa a 5% de probabilidade, quando comparado o sistema de colheita manual com o mecanizado nas diferentes velocidades de operação estudadas, o que concorda com Franco et al. (1999), que não encontraram diferenças significativas entre os sistemas de colheita no teste de vigor, realizado após a colheita. Popinigis (1977), salienta que muitas vezes o efeito dos danos mecânicos às sementes não se apresenta após a colheita, mas sim depois de um determinado período de armazenamento e pode ser detectado não somente pelos testes de vigor, mas também pelo teste de germinação. De acordo com a Figura 8, as percentagens de vigor variaram de 30% a 38%, podendo ser considerada de baixo vigor. Ressalta-se, entretanto, que esses resultados comumente ocorrem em sementes de arroz recém colhidas devido especialmente ao fator dormência, conforme constatado em trabalhos de Smiderle et al. (2008), que encontraram um percentual de vigor variando de 28% a 44% logo após a colheita, sendo que depois de seis meses de armazenamento esses valores variaram de 31% a 52% e depois de doze meses de armazenamento para uma faixa de 32% a 77%, atribuído segundo os referidos autores, a quebra natural da dormência após um certo período de armazenamento. Estudos realizados por Costa et al. (2003), analisando as sementes produzidas no Sul do Paraná e no estado do Rio Grande do Sul, concluíram que as mesmas apresentam um melhor padrão de qualidade fisiológica em função de baixos índices de deterioração por umidade, visto que elevados índices de quebras, de ruptura do tegumento e de danos mecânicos das sementes são mais frequentes em outras regiões do país como Goiás, onde se produz o arroz de terras altas. 43 FIGURA 8. Percentagem de vigor obtida com o teste de primeira contagem do TPG para as sementes de arroz das amostras testemunha colhidas manualmente e das colhidas com colhedora automotriz em diferentes velocidades de operação. 4.3.3 Condutividade Elétrica De acordo com os resultados obtidos para a condutividade elétrica, visto na Tabela 10, os menores valores são encontrados nas menores velocidades da máquina. Estes resultados mostram a ocorrência de danos mecânicos nas sementes, com o aumento da velocidade de operação durante a colheita, ou seja, quando a colheita foi realizada com velocidades de 5,0 km h-1 (Vo3) e 6,4 km h-1 (Vo4), Esses resultados também se mostram na Figura 9. Isso possivelmente ocorreu devido ao aumento de material na plataforma de corte, que consequentemente, leva uma maior quantidade de material para ser trilhado, o que provoca uma maior incidência de danos às sementes. Resultados semelhantes foram encontrados por Andrade et al. (1999) ao avaliar danos mecânicos em sementes de feijão por meio da condutividade elétrica da solução, contendo as sementes danificadas pelo choque mecânico. Os autores concluíram que a condutividade elétrica está relacionada com a velocidade de impacto nas sementes e que o aumento da velocidade de impacto causa maior queda na qualidade das sementes de feijão. Verificaram, ainda, que as sementes que receberam impacto com a maior velocidade (1064 rpm) foram, também, as que apresentaram maior valor de condutividade elétrica, evidenciando o efeito do choque mecânico no comprometimento da integridade dos tecidos das sementes impactadas. 44 FIGURA 9. Resultados obtidos com o teste de condutividade elétrica (µS.cm-1g-1) para as sementes de arroz das amostras testemunha colhidas manualmente e das colhidas com colhedora automotriz em diferentes velocidades de operação. 4.3.4 Envelhecimento acelerado Os resultados de germinação obtidos com o teste do envelhecimento acelerado das sementes de arroz (Tabelas 9 e 10) mostram que as sementes colhidas com a colhedora, trabalhando sob quatro diferentes velocidades de operação, não apresentam diferenças significativas em relação à colheita realizada de forma manual, a 5% de probabilidade pelo teste de Dunnett. Apesar da sensibilidade das sementes de arroz às danificações mecânicas, não foi possível detectar diferenças fisiológicas com o teste de envelhecimento acelerado (Figura 10). Resultados semelhantes são encontrados por Marcondes et al. (2005), que estudaram a qualidade fisiológica das sementes de soja colhida pelo sistema convencional e axial e por Salum et al. (2007), que analisaram perdas qualitativas na colheita de soja em função do modelo e da velocidade de operação da colhedora, com a realização do teste de envelhecimento acelerado. Franco et al. (1999) estudando a cultivar de arroz BR-IRGA 410, também não obtiveram diferenças significativas, na germinação, pelo teste de envelhecimento acelerado ao comparar os sistemas de colheita manual, com colhedoras providas de plataforma de corte e de plataforma recolhedora. Resultados encontrados por Lago et al. (1997), estudando a época de colheita e a qualidade de duas cultivares de arroz, mostraram que as sementes das duas cultivares exibiram forte dormência até o quarto mês de armazenamento, decrescendo a níveis baixos 45 aos seis meses, tornando-se praticamente nula do oitavo mês em diante. Possivelmente o maior resultado obtido neste trabalho, com o teste de envelhecimento acelerado em relação ao teste de vigor, foi devido à redução da dormência das sementes quando submetidas pela segunda vez à temperaturas elevadas, ou seja, a segunda submissão das sementes à 42o por 48 horas, para execução do teste. FIGURA 10. Percentagem de germinação, obtida no teste de envelhecimento acelerado, das amostras testemunha colhidas manualmente e das colhidas com colhedora automotriz em diferentes velocidades de operação. 4.3.5 Rendimento de grãos inteiros Os resultados obtidos com a análise no rendimento de grãos inteiros, realizadas com o mini-engenho, mostram que não houve diferenças significativas entre os valores obtidos em função das velocidades de operação (Tabela 10). Entretanto diferiram significativamente da testemunha, colhida de forma manual (Tabelas 9 e 10). As sementes colhidas mecanicamente sofrem impactos, provenientes do molinete, da plataforma de corte e do sistema de trilha e limpeza da máquina, que provocam danos físicos às sementes, resultando em aumento nas percentagens de grãos quebrados. Estes resultados estão de acordo com Franco et al. (1999), que verificaram que o sistema de colheita convencional e o de colheita com plataforma recolhedora (“stripper”) não apresentaram diferenças significativas entre si, entretanto, diferiram significativamente quando comparadas com o sistema de colheita manual na colheita de arroz. Salum et al. (2007) concluíram que colhedoras operadas com menores velocidades de deslocamento ocasionam menores danos às sementes, proporcionando um 46 maior rendimento de grãos inteiros. Herbek e Bitzer (1997), enfatizam que velocidades de operação na faixa de 4,0 a 5,0 km h-1 resultaram em menores índices de perdas na colheita e, consequentemente, menores danos mecânicos e declínio no vigor. O rendimento de grãos inteiros é um dos mais relevantes fatores de qualidade do arroz para consumo. Observa-se na Tabela 10 que o porcentual de grãos inteiros obtidos no beneficiamento está dentro das normas utilizadas para comercialização do arroz, da portaria nº 269, do Ministério da Agricultura (BRASIL, 1988), pois verificou-se um porcentual dentro do limite estabelecido. O maior valor foi obtido para a amostra colhida manualmente, que diferiu significativamente das colhidas de forma mecânica (Figura 11). No entanto não houve diferença significativa nas diferentes velocidades utilizadas no ensaio. Resultados semelhantes foram encontrados por Vieira et al. (2006), onde o fator velocidade de deslocamento e a interação entre velocidade de operação e rotação do cilindro não afetaram a percentagem de sementes quebradas. FIGURA 11. Percentagem de grãos inteiros de arroz, obtidos com o teste de rendimento de engenho das amostras testemunha, colhidas manualmente e das colhidas com colhedora automotriz em diferentes velocidades de operação. 4.3.6 Teor de impurezas Os resultados da análise de variância mostram que o teor de impurezas das sementes depende da velocidade de operação da máquina (Tabela 9). Esses resultados foram significativos a 5% de probabilidade pelo teste de Dunnett, como pode ser visto na Tabela 10. 47 Houve um acréscimo do teor de impurezas ao aumentar as velocidades de operação para 5,0 e 6,4 km h-1, o que diferiu significativamente dos teores verificados nos tratamentos, testemunha e velocidade de 2,6 e 3,3 km h-1 (Figura 12). Esses resultados discordam de Franco et al. (1999), que não encontraram diferenças significativas para a variável percentagem de impurezas, nos três métodos de colheita avaliados (manual, colheita com plataforma de corte e colheita com plataforma recolhedora), em duas cultivares de arroz. Estudos realizados por Vieira et al. (2006), verificaram que as combinações de velocidade de operação (3,5; 4,5 e 5,5 km h-1) e rotações do cilindro de trilha (400 e 500 rpm) não afetaram a variável impureza das sementes. Salum et al. (2007), estudando perdas qualitativas na colheita da soja, analisando duas velocidades de colheita, encontraram diferenças significativas para a colheita realizada com velocidade de operação de 4 km h -1 e de 7 km h-1 e concluíram que a menor velocidade gera uma maior percentagem de sementes puras. Das amostras colhidas manualmente, às impurezas presentes em sua maioria foram representadas por grãos chochos, mal formados, sementes defeituosas, palhas e arroz vermelho, enquanto para as amostras colhidas mecanicamente ocorreram além dessas impurezas, fragmentos, sementes de outras espécies, detritos vegetais e corpos estranhos de outra natureza, não oriundos da cultivar. O aumento das impurezas nas maiores velocidades ocorreu provavelmente devido a maior quantidade de material no sistema de trilha e de separação e limpeza, visto que com maiores velocidades a colhedora poderá colher uma maior quantidade em um menor tempo, concordando com Queiroz et al. (2004). Os autores relatam que à medida que ocorre um aumento na velocidade de operação da colhedora, aumenta, consequentemente, a taxa de alimentação na plataforma de corte e com isso ocorre uma redução na eficiência dos mecanismos internos da máquina. 48 FIGURA 12. Percentagem de impurezas das sementes de arroz, das amostras testemunha colhidas manualmente e das colhidas com colhedora automotriz em diferentes velocidades de operação. 49 5 CONCLUSÕES Nas condições de realização deste trabalho, os resultados obtidos permitem as seguintes conclusões: A perda média de sementes de arroz, ocorrida na colheita com colhedora automotriz, é considerada próxima da perda aceitável para a operação de 90 kg ha-1; Os métodos de avaliação de perdas de sementes, que utilizam o medidor de perdas da Embrapa ou a contagem de grãos, apresentam eficácia semelhante ao método da pesagem, porém o medidor da Embrapa possui vantagens de ser mais prático e rápido que os demais métodos; A interação entre a velocidade de operação e a velocidade do molinete da colhedora interfere sobre as perdas provocadas pela plataforma de corte, indicando a necessidade de ajustar a rotação do molinete em relação à velocidade da colhedora; As perdas provocadas pelos mecanismos internos da colhedora automotriz não se correlacionam com as velocidades de operação avaliadas; Sementes de arroz de terra altas da cultivar BRSMG Curinga, colhidas sob diferentes velocidades de operação da colhedora, não apresentam diferenças da testemunha colhida de forma manual, ao serem comparadas pelos testes de primeira contagem do TPG e de envelhecimento acelerado; Sementes de arroz de terras altas BRSMG Curinga, colhidas sob diferentes velocidades de operação da colhedora, diferiram significativamente da testemunha quando comparadas pelos testes de germinação, condutividade elétrica, pureza e rendimento de grãos inteiros. O teste de condutividade elétrica mostra maior incidência de danos quando a colheita é realizada nas velocidades de 5 km h-1 e 6,4 km h-1; Os maiores teores de impurezas nas sementes de arroz foram encontrados nas velocidades de 5 km h-1 e 6,4 km h-1; A análise por correspondência permitiu analisar a relação entre a velocidade de operação e do molinete da colhedora, na determinação das perdas de sementes. 50 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALONSO, S. A.; SANTOS, A. B.; GOMES, A. S. Cultivo do arroz irrigado no Brasil. Pelotas RS: Embrapa Clima Temperado, 2005. Versão Eletrônica disponível em: <http://www.embrapa.cnpaf.br>. Acesso em: 7 Jul. 2008. ALVES SOBRINHO, T.; HOOGERHEIDE, H.C. Diagnóstico de colheita mecânica da cultura de soja no município de Dourados - MS. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA AGRÍCOLA, 27, 1998, Poços de Caldas. Anais... Lavras: Sociedade Brasileira de Engenharia Agrícola, 1998. p.52 - 4. ANDRADE, E. T.; CORRÊA, P. C.; MARTINS, J. H.; ALVARENGA, E. 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