2012 Centenário do nascimento José Ferreira Pinto Basto e o desenvolvimento das telecomunicações Um país não é tecnologicamente evoluído quando tem acesso aos produtos mais aperfeiçoados mas sim quando é capaz de os criar. J. F. Pinto Basto No âmbito das Comemorações do Dia Mundial das Telecomunica ções e da Sociedade da Informação, a Fundação Portuguesa das Comunicações presta uma homenagem ao Eng.º José Ferreira Pinto Basto, através da renovação do núcleo de Telecomunicações da Exposição Permanente, “Vencer a Distância – Cinco Séculos de Comunicações em Portugal”, no Museu das Comunicações. Esta renovação assinala o centésimo aniversário do nascimento de Pinto Basto, salientando o seu papel na inovação tecnológica do sector português das telecomunicações, a partir dos anos 30 do século XX. Uma cronologia, da história politica, social e económica de Portugal, serve de enquadramento à apresentação da capacidade inventiva deste engenheiro e ajuda a compreender a importância das soluções inovadoras que ele promoveu, no seio das equipas técnicas e de investigação da engenharia de telecomunicações, em Aveiro. A importância da sua contribuição, no desenvolvimento das telecomunicações, ultrapassa o período em que se verificou a sua ação direta, devendo ser apontada como um exemplo da criatividade portuguesa perdurável até aos nossos dias. Engenheiro eletrotécnico, pela Universidade do Porto, entrou para os CTT, em 2 de Março de 1939, onde se manteve durante mais de 40 anos, tendo terminado a sua carreira como Inspetor geral. Aposentou-se em 29 de Abril de 1982. Grande impulsionador da automatização do serviço telefónico, nas zonas rurais, e das comunicações interurbanas e internacionais, foi, ainda, o respon sável pela criação da indústria de telecomunicações em Portugal. A ATU-52, destinada a redes terminais, com órgãos de seleção (uni-seletores) com capacidade para 42 assinantes, permitiu o início da automatização da rede em zonas rurais, em conjunto com a LPCA-7, que ligava 7 assinantes através de uma linha telefónica (a alimentação de energia feita à distância permitia a sua instalação em locais sem energia elétrica). Instalaram-se 40 estações ATU-52 no país. A rápida evolução da ATU permitiu, em 1961, ligar 400 assinantes, tendo sido instaladas na rede telefónica nacional 250 estações. Em 1970 instalaram-se 140 estações ATC-80, com capacidade para 80 assinantes, que substituíram progressivamente as ATU-52, oferecendo melhores condições de tráfego por assinante e por junção. Continham órgãos comuns eletrónicos, tais como os geradores eletrónicos de impulsos para comando de sinais e contagem. No ano seguinte, o projeto da ATC-200, que permitia ligar até 800 assinantes, ajudou a implementar a automatização telefónica do país que só foi concretizada em 1985. A ELD – Estação Local Digital, a primeira central digital de fabrico nacional, implementada no final dos anos 80, foi um marco na modernização da rede telefónica. Esta central teve na sua génese num grupo de trabalho coordenado por Pinto Basto, e podemos considera-la como a ultimas das inovações tecnológicas ligadas a esta personalidade. As estações locais digitais ou ELD já possibilitaram uma configuração com três bastidores, correspondendo a 1.920 assinantes e a inserção em redes analógicas com MIC-30, como equipamento de interface. A ele se deveu, em grande medida, a criação, em 1950, do GECA – Grupo de Estudos de Comutação Automática, que deu origem ao CET – Centro de Estudos de Telecomunicações, em 1972, em Aveiro. A este centro sucedeu a PT Inovação, em 1999, âncora tecnológica do Grupo Portugal Telecom e polo de excelência no desenvolvimento e implementação de novos produtos e tecnolo gias de comunicações. Esta exposição vem enriquecer o núcleo do Museu das Comuni cações, dedicado às centrais automáticas, por um lado, com a explicação detalhada das virtualidades dos equipamentos produzidos pela engenharia portuguesa e, por outro lado, com uma melhor articulação do discurso expositivo sobre a relação entre a tecnologia e a sociedade. Para este segundo aspeto contribui a informação associada à cronologia e os elementos pessoais ligados ao homenageado. OS EQUIPAMENTOS DE COMUTAÇÃO AUTOMÁTICA SOB A COORDENAÇÃO DE PINTO BASTO A automatização do serviço telefónico significou o fim da co mutação manual e a substituição das telefonistas, quer para o estabelecimento das conversações, quer para a contagem dos períodos de tempo. A comutação automática foi implementada em Lisboa, nos anos 30, com um sistema da autoria do americano Almon Brown Strowger (1839-1902). Só a partir dos anos 50, graças às equipas de investi gadores e técnicos portugueses do GECA, é que a tecnologia nacional passou a integrar a rede, em paralelo com aquele sistema. Ficha Técnica da Exposição Coordenação Vítor Nunes Coordenação Histórico-Cientifica Maria Fernanda Rollo e Maria Inês Queiroz, Instituto de História Contemporânea, FCSH – UNL Colaboração José Gonçalo Areia Seleção do Património Histórico Isabel Manteigas, Fundação Portuguesa das Comunicações Investigação e Pesquisa Iconográfica Dina Grácio e Conceição Ribeiro, Fundação Portuguesa das Comuni cações Conservação e Restauro António Fonseca, Narciso da Eira, Daniel Tecelão Coordenação Pedagógica Cristina Weber, Fundação Portuguesa das Comunicações Serviço Educativo Teresa Beirão, Iria Zeferino, Américo Mascarenhas, Liliana Pina, Fundação Portuguesa das Comunicações Divulgação e Comunicação Isabel Santiago, Ana Paula Ferreira e Raquel Reis, Fundação Portuguesa das Comunicações Arquitetura Rui Órfão Design gráfico Arne Kaiser Montagem JC Sampaio