CARTA A UM FUTURO PSICÓLOGO
Edicléia Cristina Felipe
Floriza Saplak
Jéssica Daiane Pereira Alves
Valma Serrão1
Caro futuro psicólogo,
Primeiramente, queremos cumprimentá-lo pela escolha do curso. Como toda
escolha, imaginamos que tenha pensado bem a respeito da Psicologia, de como
podemos atuar e de como podemos ampliá-la, mas principalmente, o quanto você
pode cooperar com ela, por ser um agente de mudança.
Você deve se perguntar, por que queremos tanto falar com você? Pois bem,
na verdade passamos por oito semestres e nos sentimos confortáveis para contribuir
com pontos relevantes que talvez você não ouça falar na faculdade. É bem isso,
queremos dar a nossa opinião sem ser perguntados. E como tal, seguimos a
escrever.
Primeiro, o posicionamento perante a sociedade e instituição deverá mudar.
Além do compromisso que a instituição tem com a entrada dos futuros profissionais,
você é o autor principal da sua trajetória, portanto, deixe sua marca, envolva-se e
exija o melhor dos professores, as melhores instalações, estruturas, como
copiadora, cantina e o melhor acervo. Isso exigirá o melhor de você também.
Acredite, você poderá se deparar com profissionais que não lhe agradarão,
mas isso só depende de como você se portará, sendo o protagonista de sua
formação ou meramente um ouvinte em sala de aula, que fica satisfeito pela não
atualização da Psicologia. Quando nos referimos ao corpo docente de melhor
qualidade, referimo-nos a mestres bem preparados para atender, com competência,
suas reflexões e críticas, que o façam mergulhar na Psicologia atual, inovadora e
repleta de possibilidades, sem mascará-las. Pois sim, ela também tem problemas,
como as demais profissões e ciências, possui um início atormentado e fragmentado,
não permita que ela termine assim.
1
Acadêmicas do 8. período do Curso de Psicologia – Faculdade Dom Bosco.
Sua formação é sim, sua responsabilidade, não a terceirize. Portanto, colocar
toda a sua dedicação e paixão nas coisas que você faz é fundamental, todo movimento é válido. Faça de maneira ética, respeite a profissão, pois você faz parte dela,
desde já.
Recomendamos que você leia sempre, habitue-se a fazer isso não apenas
com assuntos referentes à Psicologia, como por exemplo, teóricos e linhas
psicológicas. O que dizemos é: leia de tudo, sobre Política, Economia, Meio
Ambiente, Direito, aumente seu conhecimento e alimente a Psicologia. Ela precisa
de novas mentes que a desvendem e que a inovem. Afinal, ter conhecimento só vai
ajudá-lo em qualquer área de sua vida.
Caro colega, para obter uma formação de excelência, você deverá dar um
passo à frente do que está sendo ofertado pela sua instituição. Para isso acontecer,
busque por cursos de extensão, simpósios, palestras e mesas redondas, tenha
curiosidade em conhecer o Conselho Regional de Psicologia (CRP), o Sindicato dos
Psicólogos (SINDYPSI). Falando nisso, você já os conhece? Já conheceu o Serviço
Escola da Faculdade? Ou, sabe como funciona um estágio?
É, meu caro, quem dera termos tido a sua oportunidade, de ouvir de algum
colega o quão importante é ter todas essas informações assim, desde o início e de
graça. Principalmente, sobre a busca pelo estágio, ponte direta que leva à
verdadeira prática, posicionamento e responsabilidade profissionais, que permite
ainda errar e sermos orientados por um supervisor, que mostra a ética e plenitude
de sermos psicólogos, atuantes na promoção da saúde e na qualidade de vida dos
sujeitos da sociedade.
Para pensar melhor, seguem as palavras de um grande pensador e filósofo
português do século XX: "O que impede de saber não são nem o tempo nem a
inteligência, mas somente a falta de curiosidade.” Agostinho Silva2.
Você terá uma formação como os demais colegas, tecnicista, generalista da
verdadeira Psicologia. Uma formação que lhe ensinará a aplicar o conhecimento,
sem reflexões com o cotidiano do homem moderno. Cabe a você, caro colega, atua-
2
George Agostinho Baptista da Silva ( 1906- 1994) foi um filósofo, poeta e ensaísta português. Citação sem data e
página, Retirada do Portal Agostinho Silva.
lizar-se, buscar a verdadeira ciência atrás de todos esses conteúdos despejados em
sala de aula.
Busque uma Psicologia que leve a pensar, elaborar e criar pesquisas, que o
torne um agente de mudança social, ativo, participativo e autor do conhecimento,
sem réplicas, nem recortes. Que você atue com inovação e seja empreendedor.
A Psicologia não é somente Sigmund Freud, Carl Gustav Jung, Burrhus Frederic Skinner, Jacques Lacan ou John B. Watson. Eles foram pioneiros, importantes
para a profissão. Mas, tenha interesse em outros que contribuíram e desenvolveram a Psicologia. Pense, você pode contribuir também.
Falando em outros, citaremos alguns nomes que podem despertar o seu
interesse: você poderá não ouvir esses nomes na Faculdade, como: William James
(1842 -1910), considerado por muitos como o pai da Psicologia americana; Jack
Kornfield (1945), professor de meditação de renome internacional e um dos líderes
na introdução da prática e da Psicologia Budista no Ocidente; Karen Horney (1885 1952) concluiu sua formação psicanalítica em 1919, em Berlim. Desde tal data
publicou numerosos artigos, principalmente, sobre a personalidade feminina;
Raymond Catei (1905-1998), pesquisador pioneiro na Psicologia e ficou conhecido
pelo conceito de Análise Multivariável e por sua teoria da Personalidade dos 16
Fatores; Alfred Binet (1857-1911), um psicólogo francês que criou o primeiro Teste
de Inteligência, utilizando em larga escala; Albert Bandura (1925), se salientou como
o precursor da Psicologia Cognitiva.
1
Não espere para ter interesse somente no 8º período, desenvolva uma
2
pesquisa, armazene suas ideias e as coloque em prática (exposição oral
formação).
Repense que Psicologia você quer e como será a Psicologia que você fará?
Pense desde já, torne-se crítico e atuante. É dessa atuação que a sociedade
precisa.
1.
As informações citados no parágrafo foram utilizadas e modificadas pelas acadêmicas, retiradas da Revista Ciência e Profissão. Disponível em: http://www.scielo.br/ Acesso em: 29 nov.
2014.
2.
Ideia utilizada pelo professor Eugênio Pereira em sala de aula, utilizada, modificada e aplicada
no texto pelas acadêmicas do 8º período.
Pensando nisso, uma de nossas colegas finalizou sua apresentação em sala
de aula com uma frase no mínimo intrigante. Gostaríamos de compartilhá-la com
você, pois dela se extrai um conteúdo único, singular e de um valor proveitoso para
sua formação. “A informação é para todos, mas a formação é para poucos”
(SAPLAK , 2013, exposição oral formação)
Sabendo que a grade curricular não é suficiente para atender ao mercado de
trabalho ou para o desenvolvimento no campo de atuação e, principalmente, para
formar um pensador, identificamos algumas disciplinas as quais consideramos
essenciais para seu aprofundamento, caro colega.
Desfrute dessa pequena amostra que disponibilizamos para o seu conhecimento e tenha sempre em mente que toda a dinâmica em obter novos saberes
auxiliará na sua atuação como profissional. Não se canse de buscá-los!
Iniciaremos falando da Psicologia Forense, a qual designa a aplicação da Psicologia, seus quadros teóricos e metodológicos, às questões judiciais. Isto é, a utilização de linhas explicativas existentes em Psicologia de modo a atingir a
compreensão do binómio Lei-Sujeito. O objeto da Psicologia Forense serão, portanto, todas as circunstâncias que ligam o Sujeito e a Lei, conforme Viaux (2003),
citado por Manita; Machado (2012). Sua origem remonta aos anos de1930, com as
atividades desenvolvidas pelo psicólogo polonês Waclaw Radecki (1887-1953), no
Laboratório de Psicologia da “Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro”, no Rio
de Janeiro, de acordo com Centofanti, (2003), citado por Manita; Machado (2012).
Essa é uma área em que você poderá mergulhar, tem mercado de trabalho amplo
no Brasil e está em pleno desenvolvimento. Por que não conhecê-la?.
Em seguida, uma das áreas em que você poderá trabalhar e desenvolver a
Psicologia: a Psicologia das Emergências e dos Desastres, segundo Molina, (1994),
citado por Melo; Santos ( 2011), é definida como área da Psicologia Geral que
estuda as diferentes mudanças e os fenômenos pessoais presentes em uma
catástrofe, seja natural ou provocada pelo homem, que resulta em grande número
de mortos ou feridos que tendem a sofrer sequelas por toda a vida.
3
Aluna Floriza Saplak, acadêmica de Psicologia. Frase por ela dita em exposição e contemplação a aula de
Psicologia das Emergências, conduzida pelo Professor Eugênio de Paula, da disciplina de Áreas Emergentes.
Faculdade Dom Bosco.
Outro campo de atuação de grandes oportunidades é Psicologia Política,
embora ainda seja pouco conhecida no Brasil.
De acordo com Almeida (2012), muito antes da constituição da Psicologia Política, o comportamento político já era investigado pela Psicologia. Há mais de um
século, em 1895, Gustave Le Bon abordava a temática das “massas eleitorais”
(foules électorales), em seu livro Psychologie des Foules. Mais tarde, em outra de
suas obras, Les Opinions et les Croyances (1919), dedicava todo um capítulo à
discussão da influência de livros e jornais na formação da opinião pública.
A Psicologia Política é uma disciplina acadêmica, fruto da especial
confluência entre a Psicologia e a Ciência Política, visto que outros estudos se
associam à sua produção. Ela se constitui no interstício das fronteiras disciplinares e
muitas vezes, se vê refém de sua própria identidade, mas, com possibilidades
efetivas de dar respostas a questões que a tradição disciplinar não consegue
responder. (ALMEIDA, 2012).
Falar de Psicologia do Esporte significa mostrar uma área de atuação que
está em construção e que se completa em duas áreas: a Psicologia e a Educação
Física. A Psicologia do Esporte atua em situações que envolvam motivação,
personalidade, agressão, violência, liderança, dinâmica de grupo, bem estar de atletas, caracterizando um enfoque social, educacional e clínico no qual se completam.
(RUBIO, 1999).
O surgimento e desenvolvimento da Psicologia do Esporte, por estar muito
próxima da atividade física e do lazer, é exclusividade do currículo do Curso de
Educação Física. É uma área emergente para psicólogos, pois existe uma demanda
que enfrenta dificuldades para intervir, pois na graduação em Psicologia, essa
prática não é ofertado aos estudantes. (RUBIO, 1999).
Recomendamos também que você procure obter mais informações sobre a
Psicologia Social, que aborda as relações entre os componentes de um grupo social,
entre a Psicologia e a Sociologia. Busca compreender como o homem se comporta
nas suas interações sociais, revelando os graus de conexão existentes entre o ser e
a sociedade à qual pertence. ( DOISE, 2002).
A Psicologia Social estuda o processo pelo qual uma resposta é provocada
por um estímulo, um objeto ou um contexto, distinta da réplica original que os mecanismos mentais conferem à esfera social humana, enquanto a vivência em
sociedade igualmente interfere nos padrões de pensamento do homem. Esse ramo
da Psicologia pesquisa, assim, as relações sociais, a dependência recíproca entre
as pessoas e o encontro social. Essas investigações teóricas tornaram-se mais
profundas ao longo da Segunda Guerra Mundial, com a contribuição de Kurt Lewin,
hoje concebido por muitos pesquisadores, como o criador da Psicologia Social.
(DOISE, 2002).
Caro colega, você conhece algum psicólogo ambientalista? Pois bem, essa é
uma área com um campo de atuação emergente no Brasil.
De acordo com Moser (1998), a Psicologia Ambiental estuda o indivíduo em
seu contexto, tendo como tema central as relações, não só entre a pessoa e o meio
ambiente físico e social, mas, uma reciprocidade entre pessoa e ambiente.
Então, a especificidade da Psicologia Ambiental é a de analisar como o
indivíduo avalia e percebe o ambiente e, ao mesmo tempo, como ele está sendo
influenciado por esse mesmo ambiente. É fato bastante conhecido que
determinadas especificidades ambientais tornam possíveis algumas condutas,
enquanto inviabilizam outras. ( MOSER, 1998).
Outra área que seria interessante você obter maior conhecimento é sobre a
Gestalt-Terapia que se fundamenta no Existencialismo que está muito próximo da
Fenomenologia, a qual considera importante o encontro existencial interpessoal.
A
Gestalt-Terapia
considera
todo
o
campo
biopsicosocial,
incluindo
organismo/ambiente, como importante. Seu maior precursor foi Perls Fritz.
(FIGUEIREDO, 1991).
Segundo Shultz (2009), o movimento da Gestalt influenciou muito o trabalho
a respeito da percepção, da aprendizagem, do pensamento, da personalidade, da
Psicologia Social e da motivação. Ao contrário do Behaviorismo, a Psicologia da
Gestalt manteve uma identidade separada, seus maiores princípios não foram
absorvidos pelo principal pensamento psicológico. Ela continua a promover o
interesse na experiência consciente, como um problema legítimo para a Psicologia
durante os anos em que o Behaviorismo dominava. Muitos aspectos da Psicologia
Cognitiva contemporânea também devem sua origem à Psicologia da Gestalt.
De acordo com Figueiredo (1991), os conceitos principais da Gestalt-Terapia
podem ser visto como: o organismo como um todo, a ênfase no aqui e agora e a
preponderância do Como sobre o porquê.
Uma das áreas emergentes é a Psicologia do Trânsito, afinal passamos nele
grande parte do dia, por que não estudá-lo usando a Psicologia?
Segundo Hoffmann (2005), a esfera de estudo da Psicologia do Trânsito é
constituído de três sistemas principais: o homem, a via e o veículo. Nesse contexto,
o homem é o subsistema mais complexo e, portanto, tem maior probabilidade de
desorganizar o sistema como um todo. A Psicologia do Trânsito estuda os
comportamentos humanos no trânsito e os fatores e processos internos e externos,
conscientes e inconscientes que os provocam ou os alteram, de modo que engloba
todos os usuários, como pedestres, ciclistas e motoristas.
A atuação do psicólogo do trânsito foi publicada na Resolução 267/2008, do
Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), que estabelece, após 15 de fevereiro
de 2013, que somente os profissionais com título de Especialista no Trânsito,
reconhecido pelo CFP poderão atuar na área. Assim, alguns cursos de
Especialização estão surgindo para atender tais demandas e trazer visibilidade a
essa área de atuação que começa a ganhar respeito na sociedade.
Análise de dados coletados em instrumentos de medidas psicológicas? O que
é isso? Isso faz parte das propriedades psicométricas. Psicometria é a a próxima
orientação de estudo para você.
Para uma prática bem fundamentada da testagem psicológica é necessário,
além do domínio das teorias psicológicas que fundamentam a construção dos testes
usados, conhecimentos técnicos relacionados aos princípios básicos da Psicometria,
que têm importância relevante na utilização, compreensão e avaliação dos testes.
(URBINA, 2007).
Por último e não menos importante, sugerimos o estudo da Teoria Sistêmica,
estudada na faculdade, porém seria relevante para sua melhor formação se
aprofundar para compreender toda a estrutura e dimensão da teoria, afinal
nascemos, vivemos e morremos envoltos pela família.
Para Relvas (1999), o modelo teórico sistêmico partiu de indagações aos
modelos tradicionais de abordagem do ser humano, dando ênfase às relações
sistêmicas, nos contextos: familiar, social, escolar e comunitário. Entre os mais
importantes autores no âmbito da terapia familiar e do seu desenvolvimento,
encontra-se Milton Erickson.
De acordo com Carneiro (1996), a terapia desenvolvida a partir do enfoque
familiar enfatiza a mudança no sistema familiar, sobretudo, pela reorganização da
comunicação entre os membros da família. Portanto, a ação terapêutica se desloca
de duas pessoas para três ou mais, à medida que a família é concebida como uma
organização e uma estrutura.
Toda essa informação que lhe é apresentada nesta carta, só terá resultados
se partir de você o interesse em ampliá-la. Pois, ela irá proporcionar a evolução do
saber, a partir dos conhecimentos adquiridos na instituição e principalmente, aquela
que você busca por iniciativa própria. Essas disciplinas são apenas uma pequena
amostra das áreas de atuações que estão disponíveis à exploração. Uma boa
formação trará enriquecimento pessoal e profissional, portanto, persista na busca
por uma formação de excelência.
Assim, caro colega, finalizamos a nossa escrita frisando o quanto é
importante uma formação de qualidade. Pense que o conhecimento adquirido nos
cinco anos na instituição não são o suficiente e procure sempre ampliá-lo. Busque
juntar o passado com o que há de novo para transformar, mas transformar em uma
Psicologia útil, com eficiência. Isso é necessário para fazer a ponte entre esse
conhecimento e a futura experiência profissional de forma eficiente, para contribuir
na formação do social, depende, acima de tudo, de você. Sem mais, agradecemos
sua atenção e o nosso, até breve.
Atenciosamente,
Colegas do 8º Período: Edicléia Cristina Felipe; Floriza Aplak; Jésssica Daiana
Pereira Alves; Valma Serrão.
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