ALEMANHA: TRADIÇÃO E MODERNIDADE EM PERFEITA HARMONIA
Ano XIII • nº 226
Março de 2014
R$ 5,90
em poucas palavras
J
á vai muito longe o tempo – ainda bem – em que o brasiliense precisava viajar para o Rio ou São Paulo só para
assistir a algum show de sua banda internacional favorita.
Hoje em dia, algumas delas já vêm prestigiar nossos palcos
pela segunda vez, ou até mais, como aconteceu recentemente
com Iron Maiden, Tears for Fear e Whitesnake, e como acontecerá agora, no dia 25, com o Guns n’Roses.
A capa desta edição não poderia deixar de registrar, portanto,
a agenda musical da cidade, que anda mais agitada do que
nunca. Só na primeira quinzena teve o tecnopop do Double
You, o metal épico do Sonata Artica, e ainda terá, na segunda
quinzena, Avenged Sevenfold, o multimídia Hugh Laurie e os
australianos do Jagwar Ma, para ficarmos apenas no som feito
fora daqui. No que se refere à produção local, nossos palcos
já abrigaram feras como Lenine e ainda vão receber O Rappa,
Capital Inicial, Racionais MCs e muito mais. Fique informado sobre os shows em Graves & Agudos, a partir da página 26.
Outro destaque desta edição está na editoria Diário de Viagem
(página 22), que traz dicas interessantes de nosso colunista
Cláudio Ferreira sobre sua recente visita à Alemanha. O país
mais populoso e mais rico da União Europeia, ele relata, tem
muito do que o brasileiro sonha hoje em dia no quesito qualidade de vida: conforto, organização e segurança. Igrejas, museus
e construções seculares convivem muito bem com a arquitetura moderna, em cidades onde tudo funciona muito bem, que
maravilha...
Vale a pena conferir também a programação da tradicional
Semana da Francofonia (página 34) e do 5º Festival Varilux
de Cinema Francês, que acontecerá simultaneamente em
45 cidades brasileiras e tem como meta atingir um público
de 100 mil espectadores (página 35).
Finalmente, em Verso & Prosa, trazemos todos os detalhes
da 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, que vai reunir em
Brasília, entre muitos outros nomes consagrados da literatura
mundial, o pernambucano Ariano Suassuna e o uruguaio
Eduardo Galeano. Eles vão conversar com seus leitores sob a
enorme tenda de 16 mil metros quadrados que será montada
em plena Esplanada dos Ministérios para abrigar um público
estimado em mais de 200 mil pessoas (página 18).
Boa leitura e até abril.
Maria Teresa Fernandes
Editora
22
diáriodeviagem
A deslumbrante Catedral de Colônia, de estilo gótico,
é uma das principais atrações turísticas da Alemanha.
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águanaboca
garfadas&goles
pão&vinho
doisespressoseaconta
dia&noite
galeriadearte
verso&prosa
brasiliensedecoração
graves&agudos
luzcâmeraação
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água na boca
Eta trem bão, sô!
Por Luana Brasil
Fotos Eduardo Oliveira
O
Núcleo Bandeirante, sabemos todos, é uma das mais antigas ocupações da época da construção
de Brasília. Foi planejado para durar apenas de 1956 a 1960, mas o local que foi
abrigo dos trabalhadores que ergueram a
nova capital se mantém até hoje. A Cidade
Livre, como era conhecida, conserva e
embaralha culturas, tradições e culinárias
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dos mais diferentes cantos do país. Foi lá
que encontramos O Brasileirinho, restaurante, cervejaria e casa de shows para
quem gosta da boa e simples comida brasileira. Fruto da sociedade entre Ubaldo
Vaz e Paulo Gontijo, foi inaugurado em
outubro passado.
O cardápio oferece alguns dos mais
tradicionais pratos das culinárias nordestina e mineira. O carro-chefe é a carne de
sol completa, acompanhada por arroz,
feijão de corda, mandioca, paçoca, queijo
coalho e manteiga de garrafa (R$ 71,90).
Muito bem servida, dá para até quatro
pessoas. Experimentamos a carne de sol
e aprovamos com muitos joinhas! As famosas panelinhas de arroz com bacalhau, arroz com camarão e baião de dois,
dentre outras, são oferecidas por R$ 48 e
servem duas pessoas.
Para quem quiser alternativas à comida nordestina, a casa oferece a deliciosa
galinha caipira, acompanhada por quiabo e polenta (R$ 84,90, também para
quatro pessoas). Outra boa aposta é o peixe frito: tilápia e tucunaré (R$ 54,90 e
R$ 59,90, respectivamente) são servidos
com arroz, fritas, vinagrete e farofa de
ovos. Quem está sozinho pode pedir o
prato-executivo com carne de sol (ou outra carne a escolher) e todos os seus acompanhamentos, por R$ 14,90, de terça a
quinta-feira, e R$18,90, de sexta a domingo. Entretanto, o que realmente nos
encantou foi petiscar o picadinho de filé
mignon ao molho gorgonzola, acompanhado de batata frita e pães (R$ 39,90).
Simples e gostoso. Não vamos comentar
a cervejinha, que é servida bem gelada,
porque não bebemos em serviço.
Na área externa, uma mesa e poltronas feitas de pneus por um artista plástico nordestino enfatizam o gosto pelo simples, rústico e singelo. Ideal para a happy
A evolução
do T-Bone
Por Vicente Sá
Fotos Gadelha Neto
O
hour. Dentro do restaurante, onde fica o
palco, o ambiente é amplo e arejado.
Ubaldo – ou, melhor dizendo, Zula,
como é reconhecido há mais de 40 anos
nas ruas do Núcleo Bandeirante – é um
simpático senhor, nascido em Patos de
Minas, de fala mansa, cordialidade e simpatia que fazem jus à sua origem. Ele nos
conta que às quartas, quintas, sextas e sábados, a partir das 21h, há música ao vivo. Os cantores sertanejos Bruno César
& Fabiano costumam fazer shows no restaurante. Aos domingos, só abrem para
o almoço, ao som de MPB.
Os dias de casa cheia – sextas e sábados à noite – comprovam que o mineiro
não é um principiante nos negócios.
Desde 1967 no ramo, Zula já foi dono de
muitos outros empreendimentos e bares
da região. “Tive uma lanchonete no Cine Brasília daqui, de 1967 a 1971, e depois disso nunca mais parei. Já recomendaram até que eu me candidatasse a deputado, mas a vida política não me atrai.
Gosto mesmo é do trabalho, ficar sem
trabalhar não é pra mim não!”, brinca.
Quem vai ao Núcleo Bandeirante não
deve deixar de se deliciar com o melhor
da culinária nordestina. Seja no almoço,
no jantar ou na happy hour, tanto faz, há
opções para todos os gostos. Sem contar
que todos os pratos têm um fundinho,
um temperinho mineiro que Seu Zula
trouxe de Patos de Minas.
Açougue Cultural T-Bone passou anos e anos sendo mais conhecido como um ponto de cultura do que como aquele local onde se
compra a carne de cada dia. Afinal, foram
mais de 16 anos produzindo shows, bienais de poesia, apresentações de orquestras internacionais e nacionais, como a de
Viena e a do Teatro Nacional Cláudio
Santoro, e de um leque de nomes consagrados da música brasileira, que acabaram fixando o seu lado mais cultural na
mente das pessoas. Mas agora, se depender de seu proprietário, Luís Amorim, o
lado menos espiritual e mais “carnal” do
açougue será também conhecido, pelo
menos dos moradores do Plano Piloto.
Desde dezembro do ano passado o
açougue está com um visual mais clean e
com a oferta de uma série serviços pouco
usuais nesse ramo de atividade, como comidas prontas e pratos pré-temperados
que o cliente só precisa levar ao forno,
molhos, farofas, temperos e a presença
de uma chef de cozinha à disposição dos
clientes, de segunda a sábado. Aí o leitor
vai perguntar: o que faz uma chef de cozinha num açougue? A resposta é simples: orienta os clientes que estão em dúvida ou não sabem como preparar a carne que acabaram de comprar. “Assim os
fregueses podem variar, adquirir outras
peças, apreender a preparar novos pratos, crescer culinariamente”, garante Vera Holz, sócia e uma das idealizadoras do
novo T-Bone. “Hoje os açougues sofrem
uma grande concorrência dos supermercados e precisam se recriar. Quem não
oferecer novos serviços, outros atrativos
para os clientes, vai sofrer para continuar
trabalhando”, acrescenta Luís Amorim.
O Brasileirinho
Área Especial 3, Quadra 2, Setor de Indústria
Bernardo Sayão (SIBS). De 3ª feira a
domingo, das 11h até o último cliente.
A chef Maria Ribeiro ensina aos clientes o preparo das carnes.
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água na boca
A chef de cozinha e colaboradora do
projeto do novo açougue é a mineira Maria Ribeiro. Formada pelo IESB, já trabalhou na Fundação de Empreendimentos
Científicos e Tecnológicos (Finatec) e
mora em Brasília há 28 anos, o que lhe
garante certo conhecimento do gosto
brasiliense. “Eu tenho ajudado na indicação do preparo dos pratos de uma forma criativa, mas simples, para não atrapalhar os donos e as donas de casa. E,
pelo retorno desses clientes, sinto que estamos no caminho certo”, afirma Maria
Ribeiro.
Entre os pratos temperados que o T-Bone está oferecendo, os mais procurados têm sido o enrolado de frango recheado com queijo, os rocamboles de carne
e frango, as bracholas de filé e as costelas
de boi e suína. “Esses pratos semi-prontos ajudam quem não tem tempo de cozinhar, mas não quer comer em restaurante. Fica mais fácil e é mais barato”,
explica Amorim.
A presença de Vera Holz e de uma
chef de cozinha dentro do açougue também tem contribuído para uma permanência mais desenvolta das mulheres na
hora das compras. “É muito agradável trabalhar aqui em contato com as clientes;
não fica só na orientação, acaba virando
uma troca de experiências”, conta a chef.
Vera concorda e diz que as duas deram
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um ar mais feminino ao açougue, o que
deixa todo mundo mais à vontade.
A baiana Neuma Borges, que há 17
anos mora na 116 Norte, é um típico
exemplo desse novo público. Cliente há
mais de 12 anos, garante que tanto vai aos
shows quanto às compras no açougue. Ela
experimentou a costelinha com barbecue,
em janeiro, e já repetiu a dose: “Essa nova
postura e os novos serviços estão aprovadíssimos. São novidades que estão facilitando muito minha vida. Ele só não pode
deixar a cultura de lado”, pede Neuma
(na foto abaixo, com Maria Ribeiro).
Amorim planeja investir ainda mais
em seu açougue com a implantação, nos
próximos meses, de um serviço de jantar
para até dez pessoas, em que o T-Bone
fornecerá o prato principal, já pronto, cabendo ao cliente providenciar o acompanhamento. Quanto a não esquecer a cultura em seu açougue, ele sorri e filosofa:
“A carne é o alimento do corpo e a arte o
alimento do espírito. E nós precisamos
dos dois para viver”.
Que assim seja, Amorim. Com tão
poucos espaços culturais funcionando na
cidade e tão pouco apoio, artistas e público esperam que pelo menos você resista.
Açougue Cultural T-Bone
312 Norte – Bloco B (3274.1665 / 3347.4906)
Guardiã do açaí
O
açaí, do tupi “fruta que chora”,
cultivado na região amazônica,
essencial na dieta dos nortistas,
principalmente dos ribeirinhos, ganhou
o gosto dos brasileiros, de norte a sul.
Também os brasilienses têm apreciado
cada vez mais essa fruta de sabor tão exótico e especial. E a cidade acaba de ganhar a terceira loja de uma empresa que
vende exclusivamente o produto: a Açaí
Amazônia, na 410 Sul.
Ambiente clean, mesinhas cinza escuro e cadeiras na cor verde, balcão e paredes combinando cinza, roxo e verde, e tome açaí: com morango, leite em pó, sorvete, nutella, mel, doce de leite, nozes,
amendoim, castanha, paçoca, queijo com
goiabada, tropical, maltine, puro, diet...
Diariamente, o consumidor encontra na
loja cerca de 40 combinações e pode escolher um dos dez complementos grátis.
“Nosso foco exclusivo é no açaí”, explica uma das proprietárias, Amanda
Barbosa Rossy, 26 anos, paraense de Belém, formada em Administração. De fato, as três lojas se mantêm sem vender
sanduíches, crepes ou quaisquer outros
produtos. A história da empresa começou em 2005, em Belém, onde o pai de
Amanda, Wady Dahás Rossy Filho, tem
uma pequena fábrica que vendia açaí para o comércio local, mas que hoje não
consegue suprir sequer as necessidades
das três lojas de Brasília, além das encomendas para aniversários, confraternizações, festas, e feiras – cerca de dez toneladas por mês.
Durante as férias em Belém, Amanda
vislumbrou o potencial do negócio e a
diferença na qualidade do produto daquela fábrica. Empreendedora, começou
a fornecer açaí para comerciantes de Brasília, depois montou a primeira loja, em
2008, na 311 Norte, a segunda no Conjunto Nacional e a terceira agora, na Asa
Sul. O próximo passo será a abertura de
franquias.
Fruta altamente energética, rica em
fibras, cálcio, ferro, proteínas e potássio,
o açaí auxilia a reduzir o colesterol ruim,
a prevenir doenças cardiovasculares, problemas de memória e fraqueza física.
Mas não é muito calórico? Amanda contesta: “Não. Calórico
é o que se adiciona”.
Ela assegura que a
empresa se preocupa
com qualidade e tem
rígidos padrões de segurança sanitária, sustentabilidade e respeito ao meio ambiente,
utilizando somente
matéria-prima de empresas certificadas.
O carro-chefe das
vendas diárias é o
Açaí do Dia, a R$ 6
(300 ml), R$ 10 (500 ml) e R$ 12 (700
ml). O tradicional, com banana e xarope
(a R$ 7,50, R$ 9,50 ou R$ 12,50), também é muito procurado. O mais caro é o
açaí especial do Pará, bem concentrado, a
R$ 19,90, R$ 24,90 ou R$ 29,90.
Quem gostou muito da nova loja foi
Gabriela Cristina Cavalcante Silva, pedagoga residente na Asa Sul. Ela, o filho Pedro, de dez anos, e o amigo George Henrique, de 11, adoraram o açaí com leite
em pó e leite condensado, em duas camadas, banana e xarope de guaraná. “Vamos
voltar muitas vezes”, promete Gabriela.
Açaí Amazônia
410 Sul – Bloco B (3272.8270)
311 Norte – Bloco B (3263.8270)
Conjunto Nacional – Térreo (3272.8270)
De 2ª feira a sábado, das 10 à 22h;
domingos e feriados, das 9 às 21h.
Fotos: Divulgação
Por Súsan Faria
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GARFADAS & GOLES
Luiz Recena
[email protected]
Os silêncios
e as comidinhas
Crescemos ouvindo falar nos silêncios e nos seus vários tipos. Crescemos? Bem crescemos aqueles que líamos livros e ouvíamos
com atenção a conversa dos mais velhos, que, às vezes, até pediam nossas opiniões. E as dávamos, quando tínhamos. Foi assim
com o silêncio: ele era dos inocentes, dos túmulos, dos caminhos ermos, das testemunhas juradas. Silêncios até ensurdecedores.
Enfim, diversas e metafóricas maneiras de negar ou ironizar o barulho, o ruído, o alarido, o som que tira os outros do descanso,
da meditação, da oração, dos improváveis diálogos com o divino. Agora temos um novo para acrescentar à vasta lista: o colunista
acaba de descobrir o silêncio de UTl baiana...
Cinco estrelas
Forçado pela natureza cruel e desigual que maltrata os
homens que comem farto e se hidratam generosos com os
produtos de Baco, o colunista deu uma de dona Redonda e
em plena véspera de Carnaval desintegrou-se em vários nacos
internos, sem no entanto perder jamais o chassis original...
Para não cansar-lhes a beleza nem embrulhar vossos delicados
estômagos, informo apenas que o cardápio recolheu registros
do aniversário, a começos de mês, até a estrelada noite
de Salvador, para mais de meados de fevereiro. O decano
filme Il mondo cane foi lembrado por um engraçado sem
graça. É a vida... Assim nos instalamos na UTI cinco estrelas
do hospital idem.
Nota dez
Atendimento, eficiência, atenção, carinho, conhecimento
de causa, equipamentos moderníssimos, com gente que sabia
usá-los, sempre a postos. Um show de bola, muito superior
ao que andamos vendo por aqui na capital da República
nos últimos tempos. Nota dissonante, só a própria palavra:
todos falando muito alto. Assustando o já assustado visitante
noturno, sem a menor ideia de onde estava e do que iria
acontecer depois. O que aconteceu foram cuidados, muitos
e eficientes. Mas sempre com barulho... Tudo bem,
era Carnaval e eu ali atrapalhando a noite. Nada disso,
profissionais, só trabalhavam bem e nem curtiam.
Mas falavam alto, isso sim.
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Cinco dias e uma alta
Com fino trato e tanto carinho, o quadro clínico evoluiu,
o paciente teve alta, foi mandado para casa e, rapidamente,
para Brasília. Não sem antes enfrentar verdadeiros debates
bizantinos. De um lado, meninos e meninas altamente
capacitados, chegando aos 40, mas com baixa experiência
alcoólica, aliada a certa arrogância dos jovens que, acham,
sabem tudo. Do outro lado, um velho lobo do mar, com
quase meio século de práticas etílicas, e igual ou mais
antiga arrogância, a discordar dos mais jovens. A contenda
terminou com debate de rara profundidade. Alguém disse:
uísque, vodka, conhaque, cachaça, vinho, cerveja, “é tudo a
mesma coisa, tudo igual”. Resposta do velho: ”não é, e você
não entende nada!”. E a moça “é sim!”; e o velho “é não!”.
E a turma do deixa disso acabou o tema e a moça foi embora
e o velho doente foi dormir.
E a comida? Zero!
Alguma coisa tinha de ser nem tão boa na UTI. Nem tão
boa porque sou bonzinho. A comida era ruim, muito ruim
mesmo. Sem gosto. Sem nada. Contrabandeei açúcar e sal,
escondi gelatina. Consegui azeite de oliva no mercado negro.
Tudo para diminuir o martírio. Com tantos bons chefs na
cidade, o Português bem que poderia melhorar o cardápio
e dar um grau na gororoba.
Recado final: obrigado a quantos me cuidaram. Valeu!
PÃO & VINHO
ALEXANDRE FRANCO
pao&[email protected]
A grande beleza
Vencedor do Oscar de melhor filme em língua
estrangeira de 2013, A grande beleza é uma ode a Roma
e à Itália. Em especial a seu modo de vida, e neste não
hão de faltar os vinhos, ainda que no filme sejam meros
coadjuvantes. Se cineasta fosse, realizaria A grande beleza
dos vinhos Italianos... Baco bem sabe que seria merecido.
Em uma ode aos vinhos italianos, todos iniciariam
pelos Brunellos, pelos Amarones e pelos Barolos. Mas
nem só desses famosos a dita ode se comporia, pois há
muito mais a apreciar. País que produz vinhos em todas
as suas regiões, a Itália vinifica uma infinidade de uvas
autóctones que são únicas em sua tipicidade, capazes,
pois, de representarem uma região ou uma denominação
de origem de forma inequívoca.
Da Umbria, região central da bota, mais
especificamente ao redor de Assis, surge o Montefalco
Sagrantino, uma verdadeira preciosidade desconhecida da
maioria dos brasileiros. Originalmente, a casta Sagrantino
era ali cultivada pelos monges franciscanos em “passito”,
com destinação aos ritos religiosos, daí o nome
Sagrantino, mas evoluiu para a produção de um vinho
seco de alta alcoolicidade e taninos poderosos, que
conseguem se harmonizar com uma boa acidez,
produzindo ao fim um vinho excelente e ”amoroso”,
apesar de potente. Consagrou-se definitivamente em
1992 com a criação da DOCG Montefalco Sagrantino,
com legislação forte a garantir a qualidade dos vinhos:
100% de uvas Sagrantino e 30 meses de envelhecimento,
com o mínimo de 12 meses em madeira.
Como objetivo geral, o Montefalco Sagrantino
deve apresentar cor rubi muito intensa, com eventuais
reflexos violáceos e tendência aos tons agranadados,
com o envelhecimento. Os aromas devem ser límpidos e
delicados, com nuances de amoras. Na boca, finalmente,
deve ser seco e harmonioso, trazendo de volta as amoras.
E assim o é.
Não bastasse a divindade desse néctar pelos seus
aromas e paladar, Baco ainda criou esta como a casta
italiana mais rica em polifenóis, dentre todas, o que a faz
um bálsamo para nosso coração, além, é claro, de já o ser
para nossa alma. Imaginem lá: não só alegra o espírito,
mas ainda tem ação antiinflamatória, anticancerígena,
e diminui os níveis de açúcar no sangue... AMÉM!!!
Das últimas décadas, ainda que tenhamos visto várias
ótimas safras desses Montefalco Sagrantinos, a melhor
foi a de 2004, e adivinhem qual a safra que degustei
recentemente... pois é, 2004, um Vigna del Sospiri
da Fongoli, trazida por mim diretamente da fonte.
Fantástica.
O top da vinícola, esse “del sospiri”, produzido
a partir de vinhedo localizado na parte mais alta da
propriedade, é considerado como o ”cru” de Montefalco.
De cor granada intensa, traz aromas elegantes de frutas
e acentuado toque de amoras. Palato muito estruturado,
mastigável, mas ao mesmo tempo cálido, quase sedoso,
equilibrando com perfeição seus potentes taninos, sua
alta alcoolicidade (14,5 graus) e sua perfeita acidez.
Longo, muito longo, quase eterno...
9
DOIS ESPRESSOS E A CONTA
cláudio ferreira
[email protected]
Variedade sem fim
Quem se dispuser a gastar o dia atrás de produtos
importados numa das feiras mais famosas de Brasília –
e que também atrai muitos turistas – não vai passar
aperto para comer. Depois de anos sem aparecer pela Feira
dos Importados, faço a constatação: há de tudo um pouco
para os que trocam, sem problema, uma hora de almoço
mais calma pela comida a jato entre as compras. Todos os
estabelecimentos têm aspecto bom, com aparência
de quem tem cuidado com a higiene e organização.
Há a comida rápida de grife: estão instalados,
nos corredores mais próximos aos quatro lados do
“quadradão”, muitos nomes conhecidos, como Giraffa’s,
Bob’s, Subway e Quiznos. Os cardápios são os mesmos
das lojas de rua, só o espaço é um pouco menor, seguindo
o padrão das barracas. Mas uma das entradas dá direto
na Pastelaria do Beto que, mesmo sem ser tão famosa,
tem cara de fast food de marca, com pastéis, grelhados
e sanduíches. E um espaço um pouco maior.
É nessas filas limítrofes da feira que está, aliás,
a maioria das lanchonetes. Espantosa é a variedade
de alimentos: coxinha, sorvete, pastel, açaí e até café
espresso. Alguns estabelecimentos se destacam pelo
nome criativo, como o Komida de Kombi, que vende de
vitaminas a sanduíches. Só não achei a Kombi. Outros
têm duplicidade de nomes – em um, a placa fala Rei do
Kibe e a fachada mostra o nome Fu Wa, com cardápio
variado de comida chinesa. Não vi nem sinal do kibe.
Em quase todas as lanchonetes, a ideia é conquistar
o cliente primeiro pelos olhos. Por isso, nas fachadas
há sempre fotografias dos pratos, sanduíches e sucos.
Estratégia para prender o consumidor carregado de
10
sacolas, que nem sempre para pra ler os cardápios.
Além de lanchonetes, há restaurantes de verdade. No
Panelinhas do Brasil, a atração é a comida em panelinhas,
mesmo. O Sabor Oriental tem comida chinesa e caracteres
típicos na fachada. Logo ao lado está o Sabor Brasileiro,
só para fazer o contraste – churrasco na brasa é o prato
forte do local.
Num prédio anexo, o conjunto E, o comprador tem um
conforto extra: foi montada uma praça de alimentação,
com dezenas de mesinhas e ambiente silencioso. Há
três self services, um restaurante com comida típica
do Nordeste e outro com cardápio especial de sexta a
domingo, que inclui feijoada (sexta), dobradinha (sábado)
e galinha caipira (domingo) entre as iguarias. Banheiros
próximos e muito espaço fazem a diferença ali.
Para quem gosta das barraquinhas de comida, o
entorno da feira está cheio delas. Vendem castanhas,
granola, tapioca, coco, pimenta, mel, açaí e outros
produtos. O problema é só o clima, pois com sol forte
ou chuva forte, parar ali para comer é difícil.
Já para quem quiser continuar dentro da feira e estiver
com muuuuuuita pressa, há barracas no meio das “ruas”
principais, com ofertas de castanha, biscoitos e balas
que enganam a fome. Ideais para quem não quer perder
tempo na procura das melhores promoções.
A última opção, um pouco mais saudável, depende da
sorte. Um carrinho circula pelas ruelas vendendo saladas
de frutas, que, durante minha visita, tinham aspecto muito
atraente. Mas é preciso encontrar a carrocinha naquele
mundaréu de produtos eletrônicos, roupas e utensílios
domésticos para fazer jus aos pedaços de frutas.
a partir de
R$180.000,00
apresenta
SIA Trecho 3
-
3345-889 9
w w w . k i t h o u s e . c o m . b r
S i t e
i t a l i a n o
-
w w w . p e d i n i . i t
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Divulgação
dia & noite
ctjhall
Vai ser inaugurado, no fim de abril, o novo espaço cultural da Casa Thomas
Jefferson da 706 Sul. Já batizado de CTJ Hall, o complexo inclui um teatro
de 204 lugares totalmente reformado, uma galeria de arte envidraçada com
pé direito de oito metros e um anfiteatro ao ar livre que vai abrigar shows
de rock e country music, com músicos da pesada nesses e também em outros
ritmos. De acordo com Luiz Carlos Costa, produtor cultural da escola, o
teatro foi redesenhado no sentido de proporcionar uma acústica perfeita para
sediar os recitais de música erudita que já se tornaram tradição dentro do
projeto Sextas Musicais, assim como para abrigar novo projetor que vai permitir a volta da programação de cinema, agora com poltronas
estofadas, ar condicionado novo e todo conforto de uma boa sala de exibição. A galeria de arte, em fase final de reforma, recebeu iluminação
especial para abrigar mostras que possam ser visitadas de noite e de dia, já que ela é toda envidraçada e recebe também luz natural. A artista
escolhida para inaugurar a nova galeria é a jovem goiana Alessandra Teles, com a mostra Nossas raízes, que, como o nome indica, busca
inspiração nas raízes brasileiras, sobretudo na região do Rio Araguaia. Um piano Steinway de cauda estará à disposição dos pianistas da
cidade para se apresentarem nos recitais do novo teatro. Todas as atrações do CTJ Hall terão entrada franca.
Divulgação
Divulgação
portugalerudito
Duarte Pereira Martins e Philippe Marques (piano), Daniel Bolito
e João Vieira de Andrade (violino), Amadeu Resendes (viola) e
Catarina Gonçalves (violoncelo) formam o grupo Ensemble Movimento
Patrimonial pela Música Portuguesa (MPMP), que faz no dia 20
sua segunda apresentação em Brasília (a primeira foi no dia 13).
O concerto será às 20h na Embaixada de Portugal, como parte do
projeto Música portuguesa em viagem digressão Brasil 2014, que seguirá
por mais cinco capitais brasileiras: Goiânia, Salvador, Belo Horizonte,
São Paulo e Rio de Janeiro. No programa estão Quarteto de cordas, do
compositor português Luiz de Freitas Branco, e peças de Almeida Mota,
compositor clássico de Lisboa, e de Eurico Carrapatoso, uma das vozes
mais ativas da música contemporânea. Entrada franca.
Telmo Ximenes
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construções
A artista plástica
Mari Lasta nasceu no
Paraná, mas mora em
Brasília há 11 anos.
Até 29 de março, seu
trabalho poderá ser
visto em exposição
montada na Casa Thomas Jefferson da 606 Norte. Ela utiliza
material da construção civil – cimento, areia, grafiato, massa
corrida e tijolos – na elaboração de suas telas, que, segundo
o também artista plástico Lourenço de Bem, “expressam toda
sua percepção cromática, talento, inspiração, expressividade
e potência pictórica em grandes formatos, com liberdade
gestual e contemporânea”. Integrante da Associação
Candanga de Artistas Visuais desde sua fundação,
já participou de exposições individuais em inúmeras
cidades e recebeu menções honrosas e medalhas em salões
e coletivas, no Brasil e no exterior. De segunda a sexta,
das 9 às 21h, e sábados, das 9 às 12h. Entrada franca.
360º
Com 40 metros de altura e iluminada com lâmpadas led nas cores da bandeira brasileira, acaba de ser
inaugurada a nova roda-gigante do parque de diversões Nicolândia. Tem capacidade para receber até
144 pessoas e, graças à sua altura, revela vistas inusitadas da cidade, como a área central, a Esplanada
dos Ministérios, o Lago Paranoá e a Ponte JK. Projetadas com seis lugares cada, as 24 cabines levam os
visitantes em passeios que duram cinco minutos. Um sistema computadorizado de entrada e saída dos
passageiros lê o peso de cada cabine, parando automaticamente se houver sobrecarga. Em casos de falta
de energia, um sistema de emergência com baterias de reserva permite movimentar a roda para retirar
as pessoas. Segundo o diretor-executivo do parque, Marcelo Souza, a sinalização com as cores da seleção
será um dos grandes destaques da capital, que se prepara para receber sete partidas da Copa do Mundo.
E o presidente da Associação das Empresas de Parques de Diversões do Brasil (Adibra), Francisco
Donatiello, garante que a roda-gigante tem sistemas redundantes de segurança que fazem dela um
brinquedo top de linha, com as mais avançadas tecnologias disponíveis no mundo. De quinta a
domingo, das 14 às 22h, e feriados nacionais, das 10 às 22h.
flamenconometrô
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Até 5 de abril, o grupo Capricho Espanhol utilizará as estações da
Rodoviária, Feira do Guará, Praça do Relógio e Ceilândia como palco
do projeto Flamenco en la calle. Com direção geral de Patrícia Weingrill
e artística de Danny de Souza, os bailarinos farão oito apresentações de
45 minutos, com duas sessões diárias, às 15 e às 18h. “Com a iniciativa,
pretendemos oferecer ao público brasiliense uma experiência única,
construída a partir do encantamento e do impacto da força artística do
f lamenco”, afirma Patrícia Weingrill. “É uma alteração da rotina, uma
vez que acrescenta experiências inesperadas às vidas dos frequentadores
das estações de metrô”, lembra Danny de Souza. O projeto é patrocinado
pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Entrada franca.
outrosmares
Em sua terceira edição, está no ar
o projeto TPMs – Temporada de
Palhaças no Mês da Mulher – com
programação especial que inclui
peças, recitais de poesias, shows e
exposição, em sua maioria gratuitos.
Aos sábados de março, às 15 horas,
a palhaça Ananica, interpretada por
Caísa Tibúrcio, estará encenando
o espetáculo Semente no Teatro
Eva Hertz, na Livraria Cultura do
Shopping Iguatemi. A entrada é
franca, mas os ingressos devem ser
retirados a partir de 12h, no dia do
espetáculo, no serviço de concièrge
do shopping. No dia 27, palhaças,
palhaços, malabaristas e drag queens
estarão no Cabaré Palhacísticas,
a ser apresentado no Balaio Café
(201 Norte), às 20h, também com
entrada franca.
Bossa jazz, jazz contemporâneo e fusion são os estilos
criados por Miles Davis no final dos anos 60 e adotados
por muitos, entre eles o compositor, produtor e baterista
Di Stéffano, atração do Sextas musicais da Casa Thomas
Jefferson (606 Norte) no dia 21, às 20h. No repertório
da apresentação, sucessos do álbum Outros mares,
realizado para comemorar seus 20 anos de carreira. Será
acompanhado por Jeferson Alves, nos teclados, David
Nery, no baixo acústico, e Carlos Cardenas, no sax
tenor e na f lauta. Di Stéffano já trabalhou e gravou
com grandes nomes da MPB e, em 2011, recebeu
a indicação para o Grammy Latino na categoria
instrumental. Entrada franca.
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paraelas
As comemorações do centenário de nascimento do Rei do Baião foram muito
além do 13 de dezembro de 2012. Há mais de um ano o musical Gonzagão –
A lenda vem emocionando plateias de todos os cantos do país com seu elenco
de oito atores e uma atriz que se revezam no palco para contar a trajetória de
Luiz Gonzaga e relembrar 40 sucessos de sua carreira. Dirigido por João Falcão,
o espetáculo opta por uma visão menos realista, sem didatismo e com mais
fantasia. Há personagens como Nazarena (o primeiro grande amor) e Odaléa
(a mãe de Gonzaguinha) e situações imaginárias como o encontro de Luiz
Gonzaga e Lampião, dois mitos nordestinos. Mostra também a relação de
Gonzagão com o pai, Januário, que lhe ensinou o gosto pela música. Até 30
de março, de sexta a domingo, no Teatro da Caixa. Ingressos a R$ 20 e R$ 10.
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A lenda
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dia & noite
curupira
Foi o padre José de Anchieta, no Século XVI, quem primeiro escreveu
sobre a existência do curupira, um demônio oriundo das matas
brasileiras muito temido pelos indígenas. A disseminação da lenda
deturpou suas características, transformando-o num Don Juan.
Dia 28, a escritora Anita Cimirro lança livro com pesquisa que
resgata as características originais do mito como protetor das
f lorestas. Em Curupira, ela descreve a rotina nas pequenas cidades
do interior, desprovidas de tecnologia e modernidade, e como
essa entidade justa e protetora do meio ambiente se apresenta em
sua forma e atuação mais imponentes. Demonstrando profundo
conhecimento antropológico e ecológico, Anita propõe debate e
ref lexão sobre a devastação do meio ambiente e suas consequências.
Das 17, às 21h, na Casa Thomas Jefferson da 606 Norte.
Alan Santos
recitaldepiano
Algumas das obras mais importantes de Franz Liszt serão apresentadas pelo pianista gaúcho
Artur Cimirro, que em 2008 foi o primeiro estrangeiro a ganhar, na Polônia, o V Konkurs
na Projekt Nagraniowy Zapomniana Muzyka Polska. Em recital a ser apresentado no dia
28, às 20h, na Casa Thomas Jefferson da 606 Norte, o pianista e pesquisador pretende
executar, além de peças de Liszt, sonatas de Sorabji, obras do barroco e de compositores
vivos. A crítica musical europeia o comparou aos maiores ícones da música virtuosística
para piano. Em 2010, recebeu o prêmio Bravo – Álvaro Godoy. Em 2011, gravou o CD
e DVD Cimirro plays Stuart & Sons in Terra Australis. Em 2013, o cineasta Walter Aiub
fez um documentário sobre sua vida e obra, mostrando que, além de ser um excepcional
intérprete, Cimirro também é pesquisador, compositor e arranjador. Entrada franca.
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Esse é o nome do novo stand-up de Diogo Portugal,
que se apresenta no Teatro dos Bancários (314/315
Sul) nos dias 22 e 23 de março. No espetáculo,
o comediante inova e testa piadas com o público, durante uma hora, sempre com suas sacadas bem humoradas do dia e fatos atuais. Ele transita
da chamada comédia de cara limpa, sem figurinos
ou personagens, às tradicionais esquetes, encarnando os tipos mais hilários e diferentes, além de criar, interpretar e dirigir seus espetáculos. Finalista do primeiro Prêmio Multishow do Bom Humor Brasileiro, ao lado da comediante Claudia R
odrigues, também participou do concurso de humoris-t
as do Fantástico em 2005. Sucesso na Internet, é um dos humoristas mais vistos na web, com mais de 20 milhões de acessos no YouTube. Sábado, às 21h, e domingo,
às 20h, com ingressos
a R$ 70 e R$ 35.
cartasderodez
Criada a partir de uma seleção
de cartas do dramaturgo francês
Antonin Artaud a seu psiquiatra,
a peça da companhia carioca Amok
Teatro será apresentada no sábado,
22, às 21h, no Teatro Oi Brasília.
Protagonizada pelo ator francês
Stéphane Brodt, é a terceira atração
do projeto EnCena, que realiza seis
espetáculos teatrais até o mês de
maio. Já foram apresentados os
espetáculos Adubo ou a sutil arte de
escoar pelo ralo, em janeiro, e
A descoberta das Américas, em fevereiro. Cartas de Rodez tem direção de Ana
Teixeira e parte de uma seleção de cartas de Artaud ao Doutor Ferdière, durante
o período em que esteve internado como louco no manicômio de Rodez, de 1943
a 1946. As cartas são um diálogo desesperado de Artaud com seu médico
e, através dele, com toda a sociedade. Trata-se da história de dois homens
pertencentes à mesma geração que romperam com seus predecessores e
fundaram o trabalho do ator sobre uma ciência precisa e rigorosa do corpo.
A peça estreou em 1998 no Instituto Philipe Pinel do Rio de Janeiro e recebeu
o prêmio Shell de Teatro de melhor direção para Ana Teixeira e melhor ator para
Stephane Brodt. Recebeu também o prêmio Mambembe de melhor espetáculo,
além da indicação de melhor direção para Ana Teixeira. Ingressos a R$ 30 e
R$ 15, à venda na bilheteria do teatro (3424.7121).
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partiuportugal
Eduardo Tavares
expotchê
Nenhum de Nós (foto) e Chimarruts são algumas das atrações da feira gaúcha que
este ano, em função da Copa do Mundo, veio mais cedo para Brasília. Instalada no
Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade entre 21 e 30 de março, a festa, em sua
22ª edição, apresenta estandes de 320 expositores, nove atrações musicais, quatro
grupos de dança folclórica, além de performances do grupo de teatro-circo Tholl.
Entre mates, vinhos e pães, os visitantes também poderão visitar estandes de roupa
(couro e lã trabalhados em peças vindas direto do Sul) e objetos gaúchos, além de
experimentar os salames e copas, doces, geleias e outras comidas típicas do Sul. Para
aproveitar a proximidade da Páscoa, a Expotchê trouxe a Chocolate Gramadense,
tradicional loja da Serra Gaúcha, com sua linha de chocolates em forma de ovos e
coelhos. A feira funcionará de segunda a sexta, das 16 às 23h, e sábado e domingo,
das 11 às 23h. Ingressos a R$ 15 e R$ 7,50, e entrada franca todos os dias para
quem chegar na primeira hora após o início da feira.
chrisdantas
osprofessores
Conhecida por sua técnica vocal e afinação
perfeita, a cantora de Anápolis que escolheu
Brasília para morar já participou de diversos
festivais e programas de televisão, entre eles
o quadro Mulheres que brilham, do Programa
Raul Gil, em 2012. Agora, ela se apresenta
no palco do Teatro Oi Brasília com o show
Chris Dantas canta Adele, em homenagem
à cantora britânica, no dia 23, às 20h. Ela
iniciou sua carreira musical aos três anos de idade. Formou-se em piano clássico, canto
popular, erudito, licenciatura e regência, respectivamente no Instituto de Música de
Brasília, na Escola de Música de Brasília e na UnB. Preparadora vocal e diretora de
musicais, dirige atualmente o Centro Artístico de Ensino Espaço Arte, onde dá aulas
e dirige espetáculos que mesclam teatro, dança e música, inclusive para crianças.
No show do dia 23 será acompanhada pelo quarteto Fusion, de Alexandre Moreno,
e também interpretará algumas canções ao piano. Ingressos a R$ 60 e R$ 30. Mais
informações: 3201.5104. Para conhecer um pouco do trabalho de Chris Dantas
assista ao vídeo em https://www.youtube.com/watch?v=EF1isG8G_7I.
circuladô
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Foi prorrogada para 23 de março
a exposição do artista e teórico
do cinema e de novas mídias
André Parente. No dia do
encerramento ocorrerá o
lançamento do catálogo, das 17
às 20h. A mostra acontece na
Galeria Fayga Ostrower da
Funarte e pode ser visitada de
segunda a domingo, das 9 às 21h,
com entrada franca. Circuladô é uma videoinstalação interativa e imersiva feita a partir
de imagens de arquivo. O espectador se coloca diante de um totem sobre o qual há um
controlador de multimídia (giroscópio) com o qual o espectador faz a imagem e o som
se moverem para frente ou para trás, ao mesmo tempo em que controla a velocidade
do giro dos personagens. As imagens são projetadas em círculo, de tal forma que
o espectador se sente como se estivesse dentro de um gigante Zoetrope, um dos
mais antigos dispositivos de imagem em movimento, inventando em 1834
por William Horner.
Até o dia 23, a Cia. Italiana de Teatro
Ladrão apresenta no Teatro Confins
Artísticos, na 711 Norte, uma comédia
que satiriza o nobre ofício de ensinar,
com direção de Ana Flávia Garcia e
elenco formado por Rômulo Augusto
e Hugo Leonardo. Num dos trechos de
Os professores, a encenação de uma crônica
de Rômulo Augusto mostra um momento
em que o mestre se apaixona pela moça do
telemarketing de uma firma de empréstimos.
Em outro quadro, os atores satirizam o
colégio do interior de São Paulo que,
durante uma gincana, incentivou danças
sensuais entre os estudantes e um professor,
fato que se tornou polêmico e ganhou
grande visibilidade nos noticiários.
O cenário é uma sala de aula, onde o
público estará livre para interagir, até
mesmo com brincadeiras clássicas de alunos,
como jogar bolinha de papel nos professores
em cena. Porque, segundo explica a diretora,
“a vocação que te enobrece é a mesma
que te lasca”... Sexta e sábado, às 21h,
e domingo, às 20h, com ingressos a
R$ 20 e R$ 10. Informações: 8139.2124.
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dia & noite
reconhecimentotardio
barrocobrasileiro
Para comemorar o bicentenário de nascimento de Aleijadinho, a Caixa Cultural apresenta a mostra Berço do
barroco brasileiro e seu apogeu com o Aleijadinho. Entre 18
de março e 11 de maio, o brasiliense poderá conhecer
obras do estilo artístico que foi introduzido no Século
XVII por missionários católicos como Frei Agostinho
de Jesus, mas se firmou como genuinamente brasileiro
ao longo do período colonial. Atingiu sua melhor
expressão com mestres como Antônio Francisco Lisboa,
o Aleijadinho. Para mostrar essa trajetória, o pesquisador
Marcelo Coimbra, de Itu, organizou uma coleção de
140 peças, entre esculturas, imagens sacras e objetos
do cotidiano fortemente inf luenciados pela religião, e
criou a mostra que vai incluir três esculturas jamais
apresentadas em público: uma de Nossa Senhora da
Expectação, de Frei Agostinho de Jesus; uma de Nossa
Senhora da Penha, de Mestre Ativo, provavelmente
discípulo de Frei Agostinho de Jesus;e outra de Nossa
Senhora do Rosário, da autoria de Aleijadinho. De
terça a domingo, das 9 às 21h, com entrada franca.
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sonhodejoão
Ele nasceu em Brasília e começou a carreira como DJ. Fez sucesso no
circuito alternativo e punk com a banda Tonton Macoute e lançou
quatro discos solos misturando MPB e ritmos eletrônicos. Depois,
percorreu o mundo e foi produtor de hip-hop no bairro negro do
Harlem, em Nova York, além de fazer trilhas sonoras para cinema
e TV. Em 2008, João MacDowell resolveu dar uma guinada em sua
carreira e se dedicar à nova ópera brasileira e à música sinfônica. É
nessa condição que o músico, compositor e líder de um movimento
que tem renovado a ópera em Nova York se apresenta em Brasília
no dia 18. Com a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio
Santoro, sob regência do maestro Cláudio Cohen, MacDowell interpretará Um sonho brasileiro, em estreia mundial. Segundo explicou,
trata-se “da jornada de um músico pelo mundo que se completa com
o regresso à cidade natal, onde terá sua primeira sinfonia tocada pela
mesma orquestra que o encantou quando ouviu os sons sinfônicos
ainda criança, no colo dos pais, conduzida pelo saudoso maestro
Cláudio Santoro”. No Teatro Pedro Calmon, do Setor Militar
Urbano, às 20h. Entrada franca.
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Foi o escritor Mário de Andrade quem, em 1920, primeiro registrou o descaso perante a obra do
compositor paulista Marcello Tupynambá (1889/1953), em artigo para a revista cultural Ariel
e também em seu livro Uma pequena história da música. O autor de Macunaíma queixava-se
de que, já naquela época, os músicos abandonavam as partituras do compositor como se suas
composições fossem moda passageira. Líder de uma geração de intelectuais comprometidos com
o desenvolvimento de uma verdadeira música nacional, Mário de Andrade disse: “O que exalta
a música de Marcello Tupynambá é a linha melódica, muito pura e variada; entre os nossos
melodistas de nome conhecido, o mais original e perfeito”. Pois, agora, esse descaso será
parcialmente resgatado com o trabalho de pesquisa contido no recém-inaugurado site
www.marcellotupybamba.com. Grande parte da obra do compositor, que já foi chamado de o
“Schubert brasileiro” e era admirado por músicos como Villa-Lobos e Ernesto Nazareth, foi
reunida por Marcello Tupynambá Leandro, bisneto do compositor, e pelo pianista e pesquisador
brasiliense Alexandre Dias. Estão lá 238 partituras de todas suas músicas já publicadas desde
o início do Século XX e brevemente estarão também as obras ainda em manuscritos que
completarão o acervo de mais de 300 composições. Nascido Fernando Álvares Lobo em Tietê, São Paulo, Marcello Tupynambá era filho de
músicos portugueses. Seu tio, Elias Álvares Lobo, foi autor da primeira ópera escrita em português no Brasil. Seu pai, Eduardo Lobo, foi
destacado no cenário musical de sua época para reger a orquestra que recepcionou D. Pedro II no interior paulista. Ao lado de Chiquinha
Gonzaga, Ernesto Nazareth e Pixinguinha, Tupynambá foi fundamental na criação de um estilo de composição verdadeiramente nacional.
galeria de arte
Visões de um gravurista
André Dusek
Obras de Milan Dusek são reunidas em catálogo e ganham exposição na UnB
Por Pedro Brandt
A
produção artística de Milan Dusek é vasta, compreende sete décadas dedicadas a esculturas, pinturas e gravuras. Foi nessa última modalidade que o artista plástico de 89 anos
realizou suas obras mais conhecidas.
Uma pequena amostra de suas gravuras
estará exposta até 28 de março no Memorial Darcy Ribeiro, o Beijódromo, na
Universidade de Brasília. No entanto,
toda a sua obra gravada pode ser conferida em um recém-lançado catálogo virtual, composto por 180 trabalhos realizados entre 1959 e 2006.
O catálogo está dividido nas seções
Paisagens urbanas, Flora e fauna, Medalhas
e protestos e Estudos diversos. Por suas páginas é possível perceber a identidade visual do artista e o impacto visual de sua
obra. Entre os vários temas está Brasília,
cidade na qual Milan Dusek está radicado desde a década de 1970. A vegetação
do cerrado, a arquitetura peculiar e o cotidiano do brasiliense inspiraram trabalhos marcantes, como Bsb in the sky with
diamonds. “Em 1972, vim para Brasília
por imposição do meu emprego. Os gran-
des espaços vazios e os amplos horizontes
do Planalto Central me agradaram muito, talvez por ser um antídoto para a angustiante falta de espaço vital das grandes
metrópoles”, comentou o artista, em depoimento presente no catálogo.
Em Brasília, Milan compartilhou
seus conhecimentos com dezenas de jovens gravadores (ou gravuristas, como ele
prefere). “A relevância da obra de Milan
se dá no encontro de sua atividade artística com a de educador. O exímio domínio técnico e estético do artista permitiu
que sua obra servisse de exemplo a seus
alunos e amantes da gravura em geral,
inspirando novos artistas e despertando
um maior apreço pela secular arte da gravura”, comenta Oto Dias, curador do
projeto Milan Dusek: 40 anos de Brasília
– resgate da obra de um mestre, que resultou no catálogo virtual e na exposição.
“O talento dele alimenta a nossa confiança na arte”, afirma a artista plástica
Aline de Castro, ex-aluna.
Sobre a produção do catálogo, Oto
Dias conta que o convívio com Milan foi
intenso. “Passei muitas tardes e noites
com ele examinando toda sua produção,
conversando sobre as gravuras uma a
uma. Revirei pastas, armários e gavetas,
encontrei obras que até mesmo o próprio Milan não se lembrava de ter impresso. Foi um trabalho minucioso, demorado, por vezes até mesmo invasivo,
mas que resultou nesse belo catálogo homenageando o mestre-gravador”.
Nascido na antiga Tchecoslováquia,
em 1924, Milan Dusek mudou-se com a
família para o Rio de Janeiro em 1939.
Na antiga capital brasileira tornou-se discípulo de vários mestres europeus, como
August Zamoyski, Johnny Friedlaender e
Edith Behring. Pintor, escultor e gravurista, ele vive em Brasília desde a década
de 1970. É pai do engenheiro Marcelo,
da professora Vera, do fotógrafo André e
do cantor Eduardo Dusek.
Milan Dusek – Obra gravada
Até 28/3, de 2ª a 6ª feira, das 8 às 18h, no
Memorial Darcy Ribeiro – Campus da UnB.
Acesso livre. Informações: 3107.0585.
Para conferir o catálogo, acesse: issuu.com/milandusek.obragravada/docs/milan_dusek_obra_gravada.
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Fotos: Divulgação
verso & prosa
Ariano Suassuna
Eduardo Galeano
O livro ganha
espaço na Esplanada
Por Alexandre Marino
E
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scritores de nome internacional,
incluindo alguns brasileiros, serão
os principais personagens da segunda edição da Bienal Brasil do Livro e
da Leitura, que o governo do DF vai realizar entre os dias 12 e 21 de abril. O uruguaio Eduardo Galeano e o pernambucano Ariano Suassuna serão os dois homenageados do evento, que acontecerá
numa área de 16 mil metros quadrados,
na Esplanada dos Ministérios, próxima à
Rodoviária do Plano Piloto. Durante dez
dias, a literatura ocupará o mais nobre
espaço da área central de Brasília, com
palestras, debates, lançamentos de livros,
seminários e mostras de cinema.
A exemplo do que aconteceu na primeira edição, em 2012, será montada
uma grande estrutura para acolher auditórios, estandes de livrarias e espaços gastronômicos sobre o gramado do canteiro
central da Esplanada. Mais um dos pavilhões improvisados que frequentemente
se levantam na extensa área vazia do pro-
jeto de Lúcio Costa, disputando o espaço com os monumentos nascidos na
prancheta de Oscar Niemeyer. Mas este,
pelo menos, é por uma boa causa, já que
a Bienal faz parte do Plano do Distrito
Federal do Livro e da Leitura.
“A intenção é colocar Brasília no lugar que foi pensado pelos grandes intelectuais”, anunciou o coordenador geral,
Nilson Rodrigues, durante o lançamento oficial do evento. O curador, Luiz Fernando Emediato, promete uma bienal
“mais rica e mais polêmica que a anterior”. Ele lembrou que o sucesso da primeira se deveu ao conteúdo, já que as palestras e debates garantiram espaços lotados. Outro mérito da Bienal do Livro e
da Leitura é a gratuidade da entrada, não
muito comum em eventos desse tipo.
“A política do livro deve ser não de
governo, mas de Estado”, afirma o secretário de Cultura, Hamilton Pereira, convocando os agentes do livro, da leitura e
da literatura – escritores, livreiros, editores, leitores – a “tirar o livro dos shopping
centers e trazer para a rua”. Nada mais
louvável. O diretor do Livro e Leitura da
Fundação Biblioteca Nacional, Fabiano
dos Santos, lembra que a Bienal se insere
numa política de governo que prevê tanto o incentivo aos escritores quanto a
promoção da economia do livro.
De acordo com números oficiais, a
Bienal de 2012 recebeu um público de
200 mil pessoas, que adquiriram 330
mil exemplares de 185 expositores, o
que gerou um movimento de R$ 9 milhões. Mas incluir um evento de tamanho porte num plano de estímulo ao livro e à leitura exige uma preparação prévia, de forma que os estudantes compareçam às palestras com o mínimo de conhecimento sobre a obra do autor que
ouvirão. Isso a Secretaria de Educação
ficou devendo na edição passada. Foi essa a causa do maior vexame da primeira
Bienal, quando um grupo de estudantes
de ensino médio, liderados por sua professora, deixou a escritora baiana Miriam Fraga literalmente falando sozinha.
O último aluno a sair só teve a educação
de pedir desculpas.
Este ano, a Bienal atravessará um período de recesso de quatro dias, de 18 a 21
de abril, quando a cidade costuma se esvaziar. Será mais um desafio. Mas escritores
como Eduardo Galeano, Naomi Wolf
(EUA), Kim Young-ha (Coreia do Sul),
Pola Oloixarac (Argentina) e Pierre Levy
(França), além dos brasileiros Ariano Suassuna, Vladimir Safatle, Antônio Prata,
Lília Schwarcz, Thiago de Mello, Carlos
Heitor Cony, João Ubaldo Ribeiro, Antonio Torres, Ruy Castro e muitos outros
de igual interesse deverão, ainda assim,
atrair grande público. Outros, embora
não conhecidos por aqui, pelo menos despertarão curiosidade, como Conceição
Lima, considerada a mais importante poetisa de São Tomé e Príncipe, e o norueguês Dag Oistein Endsjo, que participará
do seminário Krisis com uma palestra sobre religião, direitos humanos e cultura.
Entre as palestras e seminários previstos, haverá espaço para discussões sobre a
literatura no feminino, narrativas contemporâneas, literatura do oriente, internet, estética e mercado, além de vários de-
bates sobre a cultura de resistência à ditadura militar, cuja triste memória será
lembrada de forma especial, já que este
ano se completa meio século de seu início. E haverá ainda uma mostra de cinema, com filmes dedicados à discussão sobre a ditadura, sempre acompanhados de
debates abertos ao público. Dessa mostra
farão parte filmes como Jango, de Sílvio
Tendler, Pra frente Brasil, de Roberto Farias, O que é isso, companheiro?, de Bruno
Barreto, e Lamarca, de Sérgio Rezende,
entre outros.
Também a exemplo da primeira edição, esta Bienal promove o Prêmio Brasília de Literatura, que distribuirá R$ 320
mil para seus vencedores nas categorias
biografia, conto, crônica, infantil, juvenil, poesia, romance e reportagem. O regulamento do prêmio foi elaborado pela
equipe de governo responsável por editais de licitação, criando dificuldades inéditas para os eventuais candidatos, chegando a exigir certidões negativas de editoras junto à Receita Federal. Coisas da
criatividade da Secretaria de Cultura...
Os prêmios serão entregues no dia
17 de abril, durante a Bienal, o que dará
prazo de pouco mais de 30 dias para que
os jurados, cujos nomes não foram divulgados, escolham suas preferidas entre
o grande número de obras esperadas pela organização.
Além desse prêmio, de alcance nacional, para obras publicadas, a Bienal também promove o 2º Concurso Estudantil
Brasília de Literatura, dirigido a estudantes das escolas públicas e particulares do
DF. Haverá prêmios em dinheiro e tablets para os vencedores. E os professores da rede pública também deverão ser
contemplados, com a distribuição de cartões para a aquisição de livros. Criada pelo governo Agnelo Queiroz, espera-se
que a Bienal Brasil do Livro e da Leitura
ganhe continuidade nos próximos anos,
com eventuais aperfeiçoamentos, qualquer que seja o próximo governo.
2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura
De 12 a 21/4, na Esplanada dos Ministérios,
com entrada franca.
A ausência mais presente na inauguração de Brasília
Por Silvestre Gorgulho
A arquiteta Maria Elisa Costa acaba
de lançar um livro que é uma conversa
descontraída sobre seu pai, Lucio Costa, o inventor da nossa capital. O livro
traz muitos detalhes e histórias mostram como o arquiteto e urbanista ajudou a forjar a história da mais bela obra
de intervenção geopolítica do Brasil
moderno. Sim, a construção de Brasília,
além de plantar um novo sentido de urbanismo e de convivência urbana, interiorizou a economia, ocupou o Centro-Oeste e a Amazônia, ajudou a espalhar
melhor as benesses do desenvolvimento econômico pelo Brasil e assegurou
definitivamente a soberania sobre o
território nacional.
Entre as muitas histórias contadas
por Maria Elisa Costa em seu livro Lucio
Costa, o inventor de Brasília”, uma me
chama a atenção: por que o Dr. Lucio
não veio à inauguração de seu maior e
mais sublime invento.
Sim, ele não veio, mas colocou num
pequeno avião suas duas filhas, Maria Elisa
e Maria Helena, para serem suas representantes. Mas, antes, foi até a pista perguntar ao piloto:
– Esse aviãozinho é seguro?
Sua ausência teve várias interpretações.
Até a revista americana Time especulou a
respeito. Por isso, ele próprio fez um bilhete
para a Time, que foi publicado. E que bilhete! Coisas da sensibilidade e da grandeza
de Lucio Costa. Vejam o teor do bilhete:
“Acompanhei e aprovei o desenvolvimento do projeto de Brasília a partir
do escritório da Novacap no Rio, e penso que a realização da ideia original
revelou-se melhor do que o esperado.
Não fui por duas razões: primeiro, porque quero deixar todo o crédito pela
expressão arquitetônica e efetiva construção da cidade para [Oscar] Niemeyer
e [Israel] Pinheiro. Segundo, porque
minha mulher, Leleta, adoraria ter estado lá, e prefiro dividir com ela o impedimento”.
Leleta (Julieta Modesto Guimaraães), esposa de Lucio, entusiasta de
seu trabalho, havia morrido num desastre de carro dia 10 de março de
1954. Vejam o detalhe: Lucio Costa fez
questão de lembrar o 10 de março
quando assinou o projeto do Plano Piloto, em mais uma homenagem a Leleta. Datou o projeto: 10 de março de
1957. Pois o Dr. Lucio dividiu com Leleta sua ausência da inauguração da capital do Brasil.
A ausência mais presente que já vi!
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brasiliense de coração
Um incansável
rei da noite
Por Vicente Sá
Gadelha Neto
E
20
le é um dos músicos mais conhecidos da noite de Brasília. Conhecido e querido. Crioulo alto, bem apessoado, gosta de andar bem
vestido e está sempre numa boa com a vida. “Se melhorar eu não
aguento”, costuma dizer. Educado, sorri tranquilo e sereno quando fãs
mais exaltados se levantam e vão pedir ao seu ouvido para ele “tocar
aquela”. Bem recebido pelo sexo feminino, está sempre em boa
companhia, e garante que é fiel. Nos últimos anos vive um mar de
rosas com Ceiça. Aos 70 anos, é respeitado pelos músicos veteranos e admirado pelos mais novos. Basta falar seu nome e todo
mundo tem um comentário elogioso ou uma história engraçada para contar sobre ele. Mas o que pouca gente sabe desse
grande músico é que sua vida é marcada por guinadas inesperadas, mudanças de direção e dribles que ele aplica no destino.
Primeiro de dez filhos, nascido em 1944 em Madureira e
criado em Jacarepaguá, Daniel Jr. deveria ser filho de Daniel
pai, mas não é. Seu pai se chamava Agostinho e foi motorneiro nos bondes antigos do Rio de Janeiro. Na verdade, Júnior
Neto é sobrenome da família. Seu avó Anastácio, que trabalhou como segurança do presidente Getúlio Vargas no Palácio do Catete, foi quem deu início a essa linhagem.
Aos seis anos aprendeu sozinho a tocar um cavaquinho velho que encontrou na casa de um tio músico. A família assombrou-se um dia com
aquele menino caneludo seminu sentado no batente da porta e arranhando uma música de Pixinguinha no cansado cavaquinho. Seu tio
passou a orientá-lo e aos nove anos lhe deu um violão. Negro, carioca
e pobre, vai ser sambista, pensaram todos. Aí veio o primeiro drible: ele
se apaixonou por um tipo de música que estava nascendo, a Bossa Nova. Foi tocando, tocando, e aos 14 anos ganhou seu primeiro cachê como músico – e aí a alma já estava tomada, o seu rumo traçado.
Daniel começou a ficar conhecido no meio musical em Niterói
apresentando-se em várias casas noturnas. E quem achava que, por causa da Bossa Nova, ele iria ficar eternamente no violão, dando aquela batidinha estilo João Gilberto, enganou-se, porque lá veio outro drible.
Ele se entusiasmou por um instrumento que, na época, não era muito
querido no Brasil, a guitarra. Passou a tocar em bandas, em bailes, em
qualquer lugar que o chamasse e que pagasse. “Naquela época eu tocava
de segunda a segunda, só dormia quando o dia amanhecia. As noites de
Niterói eram muito movimentadas, tinha espaço para todo tipo de música e de músico”, lembra Daniel.
Mas, como vida de músico é cheia de altos e baixos, lá pelo final da
década de 60, começo dos anos 70, Daniel passou por uma fase difícil.
Problemas familiares, falta de grana e de espaço para tocar fizeram com
que ele acabasse por preencher uma vaga na gafieira Mimoso Manacá.
Só que nem o proprietário conhecia de música o suficiente para diferenciar um instrumento de outro nem Daniel sabia que a vaga era de contra-
Em 1974, Daniel Jr. (terceiro a partir da esquerda) toca com Paulo Moura (último à direita) e outros bambas.
No final dos anos 70, veio finalmente
para Brasília, pelo projeto Pixinguinha,
acompanhando Roberto Ribeiro e Dona
Ivone Lara. Foi a primeira vez que alguém colocou baixo elétrico no samba, e
ficou muito bom, mas o grupo montado
por Roberto entrou num clima de intriga
e agressões. “Estava impossível trabalhar
daquele jeito. Aí, eu já estava gostando de
Brasília, aproveitei e me separei do grupo, fui ficando por aqui e estou até hoje,
sem arrependimento”, garante. Aqui começou uma nova etapa de sua vida musical. Passou a se apresentar em diversas casas da cidade, inclusive participando da
gravação do primeiro sucesso popular de
Brasília, Um telefone é muito pouco, de Renato Matos. “O Daniel no baixo e o ZeGadelha Neto
baixista. No momento da primeira apresentação trouxeram um baixo elétrico
para ele tocar. Não dava mais tempo para nada e ele teve que se virar com meia
hora de ensaio. Mas não é que ele gostou
do instrumento e resolveu largar a guitarra? Assim, de uma hora para outra, por
mais um pequeno drible, aplicado dessa
vez pelo destino, começava a surgir no
cenário musical um dos grandes contrabaixistas do país.
E já foi como contrabaixista, em
1966, que Daniel fez a travessia, como se
dizia à época quando algum músico saia
de Niterói para tocar no Rio de Janeiro.
Nova fase boa e Daniel passou a tocar
com praticamente todo mundo, em todo
lugar, de Violinos do Rio a Eliana Pittman,
passando por Rosita Gonzales, Carlos Alberto, Miltinho, Elza Soares. Trabalhou
na TV Educativa e no programa Almoço
com as estrelas. Ficou super conhecido e
começou a receber, a toda hora, convites
para participar de discos e shows.
Mas, sem explicar muito bem por que
(uns dizem que foi por causa de mulher,
outros que foi para abrir novos caminhos), ele se mudou para São Paulo na
metade da década de 70. Lá, passou um
ano tocando quase todas as noites nas
melhores casas. Depois, de volta ao Rio,
começou a se apresentar, entre outros locais, no restaurante Hofmmans, onde conheceu um cozinheiro imenso de tamanho e de talento que depois ele reencontraria em Brasília: o saudoso Rosental,
que havia sido cozinheiro de JK quando
da construção de Brasília.
quinha Galvão na bateria fizeram a diferença naquele disco”, lembra Renato.
Depois de alguns anos, já tocando
piano (mais uma mudança de rumo em
sua carreira), com passagem pelo Mistura
Fina, onde promovia inesquecíveis sessões de jazz na madrugada, Daniel arrendou o Bar Otelo, na 107 Norte, e deu
início a uma nova fase, a de músico/empresário. No princípio o sucesso foi
enorme. O bar passou a ser referência
para músicos, jornalistas e até políticos
que davam suas canjas noite adentro.
Mas, como o arrendamento era meio a
meio, as ideias dele e do sócio acabaram
entrando em choque e ele deixou a casa.
Hoje, com a lei seca e a lei do silencia, a vida noturna da cidade ficou mais
difícil. Daniel continua tocando em alguns restaurantes, como o Coevo (214
Norte) e a Hostaria Dei Sapori (212 Sul),
e em festas. Seus amigos estão finalizando um CD só com músicas de sua autoria. Produzido por José Cabrera e Fernando Cortonesi, o disco terá a participação do pianista, compositor, arranjador e maestro carioca Gilson Peranzeta e
de vários músicos da cidade, entre eles
Nilson Lima, Salomão de Pádua, Leonel
Laterza, Sandra Duailibe e Caiê Milfont.
Ele garante que o CD está muito bom e
que deve tocar bem nas rádios, mas, enquanto o disco não sai, quem ainda não
conhece seu trabalho, ou quiser matar a
saudade, poderá assisti-lo no Clube do
Choro, em abril, participando de um
projeto em homenagem ao Bar Otelo e
às noites musicais brasilienses. É isso,
pois se melhorar ele não aguenta.
21
DIÁRIO DE VIAGEM
O Rio Neckar embeleza a cidade de Heidelberg
O antigo e o novo em
Texto e fotos Cláudio Ferreira
O
22
país mais populoso e mais rico
da União Europeia tem muito
do que o brasileiro sonha, hoje
em dia, como qualidade de vida: conforto, organização e segurança. Some-se a
isso uma diversidade de paisagens (cidades grandes, médias e pequenas e uma
área rural belíssima), além de um povo
que escapa ao nosso estereótipo – sim, os
alemães são bem humorados e, vencida
uma primeira barreira de individualidade, são muito solícitos. Opa, quase me
esqueci da cerveja e do salsichão! Pronto,
taí um destino turístico interessante.
São dezenas de cidades atraentes e é
preciso cuidado no roteiro para não passar voando por todas elas sem conhecer
algumas mais detalhadamente. Dá para
fazer as viagens internas de carro (fora do
inverno, para não correr o risco de enfrentar uma nevasca), trem ou avião. De
trem, é preciso mais atenção: os lugares
não são marcados (a não ser que se faça
uma reserva paga antes) e o veículo chega
minutos antes na estação – mal dá tempo de subir com a mala, procurar um lugar que não esteja reservado e sentar.
Toda grande cidade tem museus de arte com acervos riquíssimos, mas apreciar
todas as obras leva tempo e vale a pena se
planejar para dosar passeios turísticos e
culturais. Toda grande cidade tem casas
de óperas, que já valem uma passada só
pela arquitetura – mas é possível procurar
ingressos (há ofertas para vários bolsos) e
fazer um roteiro erudito que inclua canto
lírico e apresentações de orquestras.
O idioma cheio de consoantes pode
ser uma barreira, mas o inglês é uma ferramenta útil, com muitos cardápios bilíngues em restaurantes e informações nas
placas indicativas. Entretanto, ao menos
para mim, um mito caiu por terra: nem
todo mundo fala inglês, mesmo nos locais
mais turísticos. Mas eles não se apertam e,
educadamente, pedem um minuto enquanto vão chamar alguém que domine
melhor a língua de William Shakespeare.
Tesouros antigos
Se a preferência for por cidades históricas, uma das mais disputadas pelos turistas é Dresden, que fica na ex-Alemanha Oriental, uma pérola que merece pelo menos dois dias de muita disposição
para caminhar. O ponto central da visita
é o Zwinger, um palácio barroco deslumbrante com um pátio interno imenso. A
riqueza de detalhes externos (jardins, esculturas) faz o visitante perder horas ali,
mas nas alas internas ainda há uma exposição gigantesca de porcelana chinesa e
japonesa e uma mostra de instrumentos
científicos antigos.
A cidade, em si, é um imenso ponto
turístico. Cortada pelo Rio Elba, tem
prédios mais antigos de um lado e mais
modernos de outro e uma área de lazer
na beira-rio. Igrejas, um mercado movimentadíssimo, com uma ala só de antiguidades, um teatro e lojas de artesanato
compõem o roteiro em Dresden, que pode ser feito todo a pé, sem problemas.
Outro tesouro antigo fica bem ao
Frankfurt é o maior centro financeiro do país
perfeita harmonia
norte do país. Lübeck tem portões de entrada como as cidades medievais dos filmes e a diversão, lá, é andar pelas ruelas
sem rumo, admirando a arquitetura – especialmente as igrejas góticas. Uma das
atrações para os turistas é comprar marzipã, vendido em uma variedade impressionante de formas. A cidade é conhecida por produzir o melhor doce desse tipo no país.
Já na parte sul da Alemanha, Heidelberg é uma ótima opção para quem gosta
de tesouros históricos. O centro bem
preservado tem uma imensa rua de pedestres, onde se encontram de lojas de
departamentos a confecções artesanais e
pontos de venda de souvenires. A cidade
também é cortada por um rio, o Neckar,
que lhe confere mais beleza ainda.
Não deixe de conhecer o castelo de
Heidelberg, localizado numa das colinas
que circundam a parte antiga da cidade.
Dá para ir a pé ou de carro, mas há também um teleférico que faz a viagem em
poucos minutos e o preço inclui o ingres-
so para entrar no castelo. A construção é
imponente – no inverno as alas internas
não estavam abertas à visitação, com exceção de um interessantíssimo museu
com a história dos remédios.
Bem perto de Berlim – dá para ir de
metrô de superfície – fica Potsdam, uma
cidade pequena e charmosa. O destaque
é o parque Sans Souci (“sem preocupação”, em francês), residência de verão da
realeza, uma área imensa com várias
construções antigas, jardins bem cuidados e um clima de filme de época. A entrada do castelo, com um jardim entre
escadarias, é de tirar o fôlego.
Tesouros modernos
Igrejas, museus e construções de séculos atrás são apenas uma parte do que
a Alemanha pode oferecer ao turista. Há
também cidades grandes que misturam
arquitetura antiga e moderna, são cosmopolitas e têm um transporte público
de fazer inveja a qualquer brasileiro – o
que facilita muito a vida do turista, já
que, nelas, visitar tudo a pé é cansativo.
A capital, Berlim, é o sonho dourado
do turista. Para se ter uma ideia geral da
cidade, vale subir na Torre de TV que fica ao lado da Alexanderplatz, um ponto
famoso. É preciso ter paciência, pois a espera, na torre, pode chegar a três horas e
meia (não precisa ficar na fila, o ingresso
tem hora marcada). A vista, no entanto,
vale o sacrifício.
Pontos turísticos não faltam na cidade famosa também pelas baladas noturnas e vida cultural agitada. O Portão de
Brandemburgo e o Checkpoint Charlie
(uma guarita do antigo muro) são duas
atrações que lembram a Berlim dividida
entre oriental e ocidental no tempo da
Guerra Fria. Há pedaços mínimos do
muro para o turista fotografar, mas a história dos tempos de divisão é narrada em
vários lugares.
Quer se sentir como no filme Uma
linda mulher? A Kurfürstendamm é uma
avenida famosa pelas lojas de grifes e vitrines chiques. A loja de departamentos
23
mburgo, em Berlim
O histórico Portão de Brande
Tesouros históricos em Hei
delberg
nique
Marienplatz, em Mu
24
Palácio Zwinger, em Dresden
mais conhecida é a KaDeWe, com vários andares. Prefere uma tarde cultural? Escolha uma atração na “ilha dos museus”. Fora da ilha também
há opções interessantes: ao lado da Philharmonie (a sede da orquestra
filarmônica) fica um museu de instrumentos musicais; perto da Potsdamer Platz, no conjunto de prédios onde se realiza o Festival de Cinema
de Berlim, há um museu de cinema que vale só pela ambientação.
Hamburgo, pouco comentada pelos brasileiros, é uma grata surpresa.
Um dos portos mais importantes da Europa influencia o ritmo da cidade
– o bairro de St. Pauli respira boemia, com boates de strip-tease e cassinos,
além de teatros que exibem grandes musicais (O Rei Leão, O fantasma da
ópera etc). Na área do porto há um mercado de peixes ao ar livre aos domingos, mas é preciso chegar cedo, pois às 10 horas tudo já acabou.
A cidade tem rio e um lago – e muitos passeios de barco, mesmo no
inverno. Prefira os passeios no Rio Elba aos do Lago Alster. No centro,
o prédio da prefeitura (Rathaus) é o ponto turístico mais comentado,
pois é uma joia da arquitetura antiga. Como nas outras cidades, há
muitas igrejas bonitas, sempre com um ou dois órgãos de tubo que merecem pelo menos uma rápida audição.
Outra das “grandes” é a rainha do sul alemão. Munique tem as ruas
sempre cheias de pedestres e uma população estrangeira muito grande.
O centro antigo é congestionado de gente, em pontos como a Marienplatz e o calçadão de pedestres com lojas dos dois lados. Há um mercado de rua (o Rindmarket) com comidas e bebidas deliciosas, para levar
ou para comer na hora.
Um museu inusitado é a Gliptoteca, com um acervo só de esculturas, material da Grécia e da Roma antigas, que vale uma visita. O mesmo ingresso dá direito a visitar o museu em frente, que é a Galeria Nacional de Antiguidades, com informações complementares sobre a mitologia greco-romana.
Munique foi sede dos Jogos Olímpicos de 1972 e o parque olímpico ainda é uma atração turística, com equipamentos de fazer inveja a
quem ainda vai sediar os jogos (aqui também há uma torre de televisão
com mirante e restaurante). Mais uma dica, desta vez histórica: o Parque Nymphenburg, outra residência de verão da realeza, com prédios
antigos, laguinhos com cisnes e patos e até um eremitério (um lugar
construído pelo rei deprimido que não queria mais ver ninguém).
Justiça seja feita: jeito de metrópole, mesmo, quem tem é Frankfurt.
O polo financeiro do país (sede, por exemplo, do Banco Central Europeu) também tem sua parte histórica, mas o que sobressai são os arranha-céus que fazem a fama da cidade. A área comercial moderna tem
um calçadão infinito com shopping centers – logo atrás, uma rua mais
discreta com as grifes exclusivas.
Rios, pontes, igrejas, o roteiro parece o mesmo, mas é preciso atentar para os detalhes. Há dois prédios de ópera e a construção mais antiga repousa imponente em uma praça no início do calçadão comercial.
Tem a casa que pertenceu à família do escritor Goethe, transformada
em pequeno museu. Além dos museus de arte, dois acervos merecem
atenção: o do Museu de Arquitetura e o do Museu do Cinema, um ao
lado do outro, na margem do rio oposta ao centro da cidade.
Por falar em rio, o mais famoso do país é o Reno. Em suas margens
estão duas outras cidades atraentes para o turista: Bonn e Colônia.
Bonn, a antiga capital ocidental quando o país era dividido, transformou a margem do Reno em uma imensa área de lazer, com vista privilegiada. Tem bairros com casas chiques – as ex-embaixadas estrangeiras
da época da capital –, comércio diversificado e, escondida numa ruela
do centro, a casa onde morou Beethoven. Para os que gostam de ciência, outro museu tem uma peça que chama a atenção: o Rheinisches
Landesmuseum guarda o crânio do Homem de Neandertal.
DIÁRIO DE VIAGEM
Colônia é famosa pela animação do seu Carnaval – bastante diferente do nosso – e pela catedral gótica imensa, a maior atração turística da cidade. Quem tiver bons pulmões pode tentar a subida de 500
degraus até o topo da torre, porque a vista compensa. O interior da
catedral é tão bonito quanto o exterior, com detalhes de imagens sacras e imensas colunas que fazem da igreja um ponto constantemente
cheio de turistas.
Juro que não sabia que a água de colônia tinha a ver com Colônia,
mas tem. Na Casa Farina, um museu do perfume, fica-se sabendo de
todos os detalhes dessa história. Outro museu diferente é o do chocolate, às margens do Reno, que fala muito do cacau brasileiro e tem uma
mini fábrica dentro (patrocinada, é claro!).
Comes e bebes
Chocolate é apenas uma das atrações gastronômicas da Alemanha,
basta procurar. Os pratos típicos do país estão por todo lugar: chucrute, joelho de porco e salsicha (vi numa reportagem da TV alemã que
são cerca de 1.500 tipos). Em todas as cidades, barraquinhas vendem o
fast food alemão: um pão de sal sem molho, o freguês escolhe a salsicha
que, normalmente, não cabe no pão. Com um pouquinho de ketchup
fica menos seco.
Outro prato forte por lá é a batata, preparada de várias formas. Em
Hamburgo, por exemplo, uma dica é procurar, na área do porto, o restaurante Alt Helgeländer Fischerstube, que tem um prato chamado
Seemans Labskaus. Segundo o garçom, foi inventado por marinheiros
no Século XVI. É uma espécie de purê com batata, carne e beterraba.
Em cima, dois ovos fritos, parecendo dois olhos mirando o cliente.
Mesmo quem não bebe habitualmente deve experimentar a variedade de cervejas. Em cada região há marcas diferentes – o copo menor
é de 200 ml e o maior depende da criatividade do dono do estabelecimento. Há marcas boas em qualquer restaurante, mas em algumas cidades há restaurantes-cervejarias que se esmeram em recriar ambientes
históricos, com garçonetes vestidas a caráter e música regional. Há
opções criativas (como a Sofiekeller, em Dresden) a nem tão boas assim
(como a Löwenbrau, em Munique). A cerveja é sempre de qualidade,
mas a comida nem tanto.
Não é preciso, no entanto, ficar só na culinária típica alemã. Uma
boa opção é procurar restaurantes em algumas grandes lojas de departamentos. O último andar é reservado à alimentação. Na Alsterhaus,
em Hamburgo, por exemplo, o cliente tem uma infinidade de pratos
preparados na hora, sucos feitos minutos antes e sobremesas apetitosas
por preços bem razoáveis.
Principalmente nas cidades maiores, vale a pena aproveitar a vocação cosmopolita. Eu aproveitei: comi falafel na rua de pedestres em Colônia, um cuscuz marroquino com uma coxa de frango no restaurante
Pic Nic em Frankfurt, sorvete indiano (no Maháráni, em Munique), e
tomei limonada russa Wostok no restaurante Parque Gorki, em Berlim.
Quem sentir muitas saudades da comida brasileira pode procurar
restaurantes ou bares especializados. Em Bonn tem o Limão. Em Hamburgo (Pantera) e em Dresden (El Rodizio), a intenção é atrair o público para o rodízio de carne.
Em todos os restaurantes as porções são fartas, mas os garçons
acham estranhíssimo alguém dividir um prato – até a pizza, do tamanho da nossa média. Dá para comer razoavelmente bem gastando entre
25 e 35 euros para duas pessoas. A última dica para o passeio à Alemanha, aliás, é não comparar os preços em euro e real: primeiro, porque
o valor assusta e depois, porque lá, a gente paga por tudo – até para fazer xixi é preciso deixar algumas moedinhas.
Portão de entrada da cidade de Lubeck
Checkpoint Charlie: guarita do Muro de Berlim
Dresden: uma pérola na ex-Alemanha Oriental
25
Parque Nymphenburg, em Munique
Graves & Agudos
Brasília mais musical
do que nunca
Por Heitor Menezes
Inicial, Racionais MCs e a ilustre visita do ator/
cantor/pianista e bandleader Hugh Laurie, o
Temporada surpreendente de shows
na cidade. Artistas nacionais e atrações
Temos ainda, como o caro leitor poderá
internacionais parece que resolveram vir ao
verificar nas próximas páginas desta Roteiro,
mesmo tempo para o cerrado. É meio estranho
a segunda visita do Guns n’Roses e a alvissareira
porque há meses em que, com todo o respeito,
passagem dos australianos da Jagwar Ma
a gente fica olhando a programação de Rio,
(alguns diriam: “Finalmente uma banda nova
São Paulo e adjacências e pensa assim: “Brasília
dando as caras por aqui”). Em abril, o show
é mesmo um fazendão”. Ou, como dizia o
continua com as apresentações de Djavan e
Drummond: “Eita vida besta, meu Deus!”.
sua Rua dos amores e O Rappa, que volta
Só para refrescar a memória, na primeira
quinzena de março tivemos temporada de
Lenine, no Teatro da Caixa, o grindcore tex-mex
26
Dr. House do famoso seriado de mesmo nome.
a Brasília com as canções do novo álbum,
Nunca tem fim...
Sem falar no incansável Clube do Choro,
do Brujeria, o metal épico dos finlandeses do
com sua série João Donato – 80 anos, e na Caixa
Sonata Artica e o tecnopop do Double You.
Cultural, sempre com uma programação de
A segunda quinzena, que será aberta pelo
última hora capaz de seduzir os amantes da boa
metalcore do Avenged Sevenfold neste
música. Poxa, Brasília assim até que é bacana.
domingo, 16, nos reserva shows do Capital
Quando não tem nada, volta o Drummond.
Divulgação
Um ícone do hard rock
C
ontemos nos dedos as grandes
bandas que nos visitaram no mínimo duas vezes. Iron Maiden,
Tears for Fears e Whitesnake vêm à
memória. E, agora, Guns n’Roses. O que
quer que tenha sobrado da banda, desde
que o dono seja W. Axl Rose, e o guitarrista Slash seja mantido à distância, passa
novamente por Brasília, na terça-feira,
25, no aguenta tudo Ginásio Nilson Nelson, cercanias do Eixo Monumental.
Amigos, não podemos falar dos
Guns sem fazer a ressalva de que o tal do
Axl é terrivelmente temperamental. Evitemos a palavra babaca, pois esta é uma
revista lida pela família brasiliense. Na última vez em que aqui estiveram, em março de 2010, tudo até saiu nos conformes.
O Axl de então não era bem o Axl que
passava nos clips da MTV, mas tudo
bem. Valeu inclusive pela banda, com a
surpreendente presença do baixista
Tommy Stinson (no lugar de Duff McKagan), cara que tocava nos Replacements,
de Paul Westerberg, cujo som, por sinal,
não tem nada a ver com os arranjos grandiloquentes dos GNR.
A ressalva continua, pois o Axl pode
até estar meio domesticado agora (a idade é fogo), mas volta e meia rola um atrito com o público, nada agradável. Sempre tem um babaca que sabe que o Axl é
pavio curto e se atreve a jogar uma garrafa de água ou um troço qualquer no palco. O cara pode não ligar, mas pode ficar
bravo e parar o show, ameaçar ter um faniquito, um inferno. A época de ouro
dos Guns registra episódios lamentáveis.
Vamos pular essa parte.
Pois, abstraindo a baixaria rock’n’roll,
o Guns N’Roses que retorna é o que segue mundo afora refinando o som encontrado no não menos controverso álbum
Chinese democracy, lançado em 2008. Todo mundo fala mais dos inacreditáveis 13
milhões de dólares gastos em sua produção (o que torna o disco talvez o mais caro
já feito na história) do que propriamente
das “novas” canções do Axl.
Então, segurem a onda porque o
GNR versão 2014 despeja conteúdo sonoro que mescla as músicas gloriosas do
passado, tipo Sweet child of mine, com sua
inconfundível introdução guitarreira,
Paradise city, Welcome to the jungle, You
could be mine e outras que voltam reconfiguradas, ao lado das “atuais” Chinese democracy, Better e Street of dreams.
Obviamente, a maioria quer se sentir
como se estivesse em 1992 e, paradoxalmente, erguer o celular (essa peste) na hora das baladonas November rain e Patience.
Atentem que a banda, salvo engano, é a
mesma que roda o mundo desde 2008:
o mencionado Tommy Stinson (baixo),
DJ Ashba, Ron “Bumblefoot” Thal e
Richard Fortus (guitarras), Frank Ferrer
(bateria) e Dizzy Reed (teclados), único
remanescente da era 87-93, quando eram
feios, sujos e malvados.
Tomara que o bom humor impere,
igualmente o profissionalismo, pois o
GNR tem grandes músicas e continua
sendo um dos veneráveis nomes do hard
rock mundial. Agora, cá entre nós, o
Slash faz uma falta... Só não contem para
o Axl. (H.M.)
Guns n’Roses – Headlining multi-city tour
25/3, às 21h, no Ginásio Nilson Nelson. Ingressos
(meia): R$ 100 a R$ 250. Classificação indicativa:
18 anos. Informações: visionproducoes.com.
27
Divulgação
Graves & Agudos
Pérolas do
Mississipi
Por Heitor Menezes
E
28
stamos em 2014 e é capaz de St.
Louis blues, canção composta cem
anos atrás, em 1914, pelo “pai do
blues” W. C Handy, ecoar na tal da Arena Brasília (Shopping Iguatemi), no domingo, 23 de março. O responsável pela
façanha, o mais incrível, é o ator tornado
músico Hugh Laurie, inglês que o mundo conhece como o Dr. Gregory House,
o médico anti-herói do seriado televisivo
House, um indiscutível sucesso mundial.
Hugh Laurie traz a Brasília esse papel
de músico e, à frente da The Copper
Bottom Band, comanda um estranho espetáculo com repertório sobretudo de
pérolas clássicas da música norte-americana, principalmente essas coisas que
vêm lá dos cafundós do Mississipi.
Como disse, estamos em 2014 e Hugh Laurie viaja o mundo tocando coisas
que o mundo, inclusive os americanos,
parece ter esquecido, e que é a base dos
dois discos lançados pelo músico/ator,
condecorado Oficial da Ordem do Império Britânico. Em Let them talk (2011) e
no mais recente Didn’t it rain (2013), Laurie, na companhia de ótimos músicos, recria a atmosfera jazz e blues do sudeste
dos EUA, aquele climão New Orleans, de
onde a grande música jorra do chão e reverbera maliciosamente em cada esquina.
Pois a jambalaya que Hugh Laurie
nos serve vem com aquele típico molho
cajun-creole, isto é, que conjura num
único prato o caldeirão de influências
que formatou a cultura daquela região,
bem diferente do resto dos EUA, diga-se.
Ali tem sangue francês, espanhol, italiano, negro, diversidade que engendrou o
jazz e o blues sofrido, que tanto encantam o planeta como grandes expoentes
da cultura estadunidense.
Nas palavras que acompanham o encarte de Let them talk, Hugh Laurie ajuda
o ouvinte a entender como um ator reno-
mado atravessa a fronteira e se aventura
num mundo diferente. Lembra das aulas
de piano na infância e da paixão incondicional que passou a nutrir pelo universo
jazz/blues desde que ouviu no rádio I
can’t quit you baby, de Willie Dixon.
Foi só o início de uma aventura que
passou pela audição de guitarristas como Charley Patton, Leadbelly, Skip James, os Blind (Lemon Jefferson, Blake,
Willie Johnson, Willie McTell), Son
House, Lightnin’ Hopkins, Bo Diddley e
Muddy Waters. Daí para os pianistas,
numa lista que vai de Pete Johnson a
Dr. John, passando por figuras como
Jelly Roll Morton e Champion Jack Dupree. Sem falar no curso completo de
Ray Charles e Bessie Smith.
Em Didn’t it rain, Hugh Laurie conti-
nua essa viagem pelo coração da América. Além da mencionada St. Louis blues, o
disco apresenta versões de I hate a man
like you, de Jelly Roll Morton, e Wild honey, de Dr. John. Muito legal a incursão
pelo tango em Kiss of fire, apresentando
a cantora guatemalteca Gaby Moreno.
Se Hugh Laurie e a Copper Bottom
Band reproduzirem a classe demonstrada no vídeo Live on the Queen Mary, podemos ter a certeza de que o cara, além
de ser um baita ator, é também músico
de mão cheia que honra a tradição do
blues. Ali deve ter uma garrafa de bourbon escondida, não é possível.
Hugh Laurie
23/3, às 20h, na Arena Brasília (Shopping
Iguatemi, no Lago Norte). Ingressos: de R$ 125
a R$ 480. Classificação indicativa: 15 anos.
Para dançar e viajar
Divulgando o elogiado álbum Howlin, australianos
do Jagwar Ma passam por Brasília no final do mês
A
Austrália é um berço de boas novidades musicais e, vira e mexe,
revela para o mundo mais algum
talento. Em 2013, foi a vez da banda
Jagwar Ma, de Sydney, que, apoiada em
Howlin, seu álbum de estreia, colecionou
elogios na imprensa internacional. O
trio passa pelo Brasil em março, com datas em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Na capital federal, o show dos australianos faz parte da programação do Quitutes, evento cultural e gastronômico que
ocupará o gramado do CCBB no dia 29.
Ao longo das 11 faixas de Howlin, o
Jagwar Ma apresenta uma bem dosada alquimia entre melodias ensolaradas, com
ecos do rock psicodélico sessentista, e
programações eletrônicas, bem exemplificada em músicas como Come save me,
Uncertainty e Let her go. “Quando estáva-
mos escrevendo o artigo da banda para o
Wikipédia, optamos pelo termo ‘psychedelic dance’ porque ele nos dá liberdade
suficiente para fazermos tudo o que quisermos”, comentou o guitarrista e vocalista Gabriel Winterfield, em entrevista à
Roteiro.
O músico fundou a banda em 2011,
juntamente com o tecladista e programador Jono Ma, cujo nome serviu de inspiração para batizar o então recém-formado
projeto musical da dupla. O baixista Jack
Freeman se juntou a eles em 2012. O som
do Jagwar Ma, psicodélico e dançante,
tem rendido várias comparações com as
bandas inglesas que fizeram a fama de
Manchester na virada nos anos 1980 para
1990. O vocalista, no entanto, cita os conterrâneos The Avalanches como uma influência mais relevante para o som deles.
A graça no som do Jagwar Ma vem justamente do encontro das referências diver-
sas de Winterfield e Ma, com resultados
que soam ao mesmo tempo familiares e
surpreendentes. “Algumas vezes trabalhamos como dois artistas solo juntos na mesma banda; em outras, o processo é bastante colaborativo”, explica o vocalista.
Sobre os shows no Brasil, o músico
adianta que, ao vivo, curte se deixar levar
pelo inesperado. “Eu me sinto estimulado
pelo pensamento de que as coisas podem
dar errado. Caso contrário, não há chance para improvisos, que geram momentos
especiais que só poderiam acontecer naquele show. James Brown nunca fez o
mesmo show, nem o Nirvana ou o Fela
Kuti. Isso é uma inspiração para mim”.
Quitutes
29/3, das 13 às 22h, no gramado do
CCBB (SCES, Trecho 2). Discotecagem
com The Miguelitos, Sandro Biondo,
Julia Hormann e Vitão Milionário.
Show do Jagwar Ma às 19h. Acesso
livre. Classificação indicativa: livre.
Divulgação
Por Pedro Brandt
29
Gabriel Wickbold
Graves & Agudos
Diversão e consciência social
Por Heitor Menezes
C
30
aramba, já tem mais de vinte
anos que O Rappa está na batalha. Uma geração inteira no
meio do caminho de uma das mais bem
sucedidas bandas brasileiras dos últimos
tempos. Só para lembrar, o grupo foi formado em 1993, a partir do ajuntamento
de músicos que formavam a banda de
apoio do cantor granadino Papa Winnie, então em turnê pelo Brasil. O cantor Marcelo Falcão, talvez o cara mais conhecido da banda, entrou logo depois.
Pois é este O Rappa que retorna a
Brasília no sábado, 5 de abril, no Pavilhão
do Parque da Cidade, desta feita para
apresentar as músicas de seu mais recente
disco, Nunca tem fim... (2013), o sexto de
material inédito. Quer saber? É mais lenha
na fogueira de som e poesia cultivados des-
de o primeiro disco, de 1994, aquele que
tem Todo camburão tem um pouco de navio
negreiro e Brixton, Bronx ou Baixada.
Só um parêntesis: vinte anos de estrada ensinam muita coisa, ainda mais para
uma banda que sempre prezou pela integridade da palavra consciência, seja no
plano social ou no âmbito pessoal.
O Rappa não tem a mais as letras do
baterista Marcelo Yuka, mas em Nunca
tem fim... o mote diversão e consciência
social volta na forma de versos que bem
retratam o apartheid social brasileiro
(Doutor, sim senhor!), a tentação do crime
(Fronteira [D.U.C.A.]) e até a negligência
que causa acidentes aéreos (Cruz de tecido). A lírica Rappa também fala de temas
mais sutis, como a espiritualidade (O horizonte é logo ali), religião (Anjos [Pra quem
tem fé]) e amor (Boa noite Xangô).
Observando a trajetória do grupo e a
quantidade de músicas bacanas que marcaram essas duas décadas de atividades
(Pescador de ilusões, A feira, Minha alma –
A paz que eu não quero, Me deixa, Reza vela, Papo de surdo e mudo, O salto, dentre
tantas), certamente nos leva a concluir
que O Rappa tem trajetória ímpar e de
muita qualidade no pop/rock nacional.
Em tempo: a mistura de reggae, rock,
rap, hip hop, dub, soul, MPB e elementos experimentais presentes no som d’O
Rappa segue firme e forte nesse Nunca
tem Fim... Yes, ainda temos grandes bandas. Olha O Rappa!
O Rappa
5/4, às 21h, no Pavilhão do Parque da Cidade.
Ingressos (meia): de R$ 40 a R$ 120
(primeiro lote), à venda nas temakerias
Koni, lojas Zimbrus e bilheteriadigital.com.br
Classificação indicativa: 16 anos.
Mais informações: 3364.0000.
Solos variados
Alessandra Fratus
B
ossa nova ou música clássica. Por
que será que, sempre que o assunto é apresentação solo, o senso comum nos leva a pensar somente nessas
duas vertentes? O projeto Solo Música, em
cartaz a partir deste mês na Caixa Cultural, promete subverter essa limitação. Em
seu segundo ano na cidade, a série criada
em Curitiba por Álvaro Collaço vai promover até dezembro shows mensais de artistas e instrumentistas que vão da MPB à
música clássica, passando pelo punkblues
e pela música experimental. Os shows serão sempre às segundas-feiras, com ingressos a preços populares.
“Eu procuro convidar artistas que tenham o que contribuir não só para a história do projeto, mas para a própria plateia”, explica Collaço, que assina a curadoria. A temporada 2014 do Solo Música
terá sete convidados brasileiros e três internacionais. A programação começa
nesta segunda-feira, 17, com a cantora e
instrumentista mineira Ceumar, que fará um apanhado das músicas mais significativas de sua carreira, como Avesso,
que compôs em parceria com Alice Ruiz,
e Dindinha, de Zeca Baleiro.
Em abril, a série recebe o violonista
Marco Pereira, que promete um repertório totalmente original, com algumas composições próprias, feitas durante o período
em que viveu em Brasília, além de alguns
arranjos e adaptações de temas de Ary Barroso, Tom Jobim e Dorival Caymmi.
Em maio, a instrumentista alemã Friederike Heumann vai interpretar um recital raro, criado especialmente para o projeto, de lira viola, instrumento da mesma
família da viola da gamba, popular na Inglaterra dos séculos XVI e XVII. Em junho, a pianista Eudóxia de Barros interpreta um repertório dedicado, na primeira parte, à obra de seu marido, Osvaldo
Lacerda, e, na segunda, ao piano popular
de Ernesto Nazareth, de quem Eudóxia
foi uma das principais divulgadoras.
Abrindo o segundo semestre, Chucrobillyman provará em julho que é possível fazer sozinho o som de uma banda
inteira. O músico radicado em Curitiba
faz show de punk-blues, com composi-
ções próprias, no melhor estilo monobanda, cantando ao mesmo tempo em
que toca bateria, violão e sopros.
O convidado de agosto será Paulo
Sérgio Santos, referência nacional na clarineta. “Estou preparando todos os dias
o show que farei em Brasília. Devo tocar
uma partitura de Bach, Pixinguinha,
Abel Ferreira, Guinga e composições
próprias”, explicou o instrumentista, admitindo estar curioso para saber qual será a reação do público diante de um concerto no qual um instrumento melódico
será tocado sem acompanhamento.
Em setembro, o austríaco Matthias
Loibner mostra como a viela de roda pode ir além da música antiga em um concerto de repertório contemporâneo, aproximado do jazz, no qual esse instrumento
aparece eletrificado. A viola caipira de Roberto Correa será a atração de outubro,
seguida, em novembro, pela soprano argentina Maria Cristina Kiehr, em seu primeiro show solo em 30 anos de carreira.
A programação de 2014 do Solo Música termina em dezembro com a performance da cantora paulista radicada em
Pernambuco Renata Rosa. Estreando
também no formato solo, a artista vai
apresentar música popular de raiz, cantando e tocando rabeca e percussão. Haverá espaço ainda para alguns efeitos eletrônicos, como o uso do looping.
Solo Música
De março a dezembro de 2014 no Teatro da
Caixa Cultural. Abertura dia 17/3, às 20h, com
a cantora e instrumentista mineira Ceumar.
Ingressos: R$ 10 e R$ 5. Mais informações:
3206.6456 e www.caixa.gov.br/caixacultural.
31
R. Lugassy
Amandine Massiat: uma aposta na fusão de música pop e folk, com toques de clássica.
Mensagens de paz e tolerância na música do haitiano
Celebração da franc
Por Júlia Viegas
T
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erceira língua mais falada na internet. 220 milhões de francófonos espalhados pelos cinco continentes. 77 Estados e governos integrados. A francofonia é uma realidade que
se expressa em números. Para celebrar a
união de nações ligadas não só pelo idioma, mas também pelos ideais disseminados pela língua francesa, começa nesta
terça-feira, 18, a Semana da Francofonia,
que chega à sua 17ª edição em Brasília.
Até o dia 24, a cidade receberá shows
inéditos no Brasil (com os do haitiano
Beethova Obas e da francesa Maissiat),
programação de cinema francófono
(com dez produções recentes), teatro,
exposição, bazar e até o primeiro torneio
internacional no Brasil de um esporte
pouco conhecido aqui, o pétanque. A
Semana da Francofonia reúne esforços
de 40 embaixadas, que neste ano estão
sendo coordenadas pela Embaixada do
Haiti, e conta com a parceria do Centro
Cultural Banco do Brasil.
A iniciativa tem sido muito positiva
para a capital brasileira. A cada ano, cen-
tenas de espectadores têm a chance de
assistir ao que se produz de mais recente
no cinema de países como Tunísia, Marrocos, Canadá, Suíça e França. Shows
apresentam ao Brasil o som de talentos
inéditos no país (no ano passado, foi a
excelente Mademoiselle K; em 2012, o
consagrado músico congolês Baloji; em
2011, Berry, sensação da música francesa, e assim por diante).
Um aguardado bazar coloca à venda
pratos típicos e artesanato dos diversos
países e, de quebra, oferece informações
turísticas. E há ainda provas esportivas,
conferências, apresentações teatrais e exposição. Tudo em nome da divulgação
dos valores humanistas ligados à língua
francesa. O melhor de tudo: grande parte das atividades tem entrada franca.
Voilà! Levante a mão quem não conhece o lema da Revolução de 1789. Liberdade, igualdade, fraternidade, palavras que se tornaram hino para a derrubada de governos tiranos ao redor do
mundo até os dias atuais. Pois o que as
cerca de 40 embaixadas que integram o
Grupo da Francofonia querem é justamente promover o espírito de liberdade,
a solidariedade, a democracia, os direitos
individuais, a diversidade cultural e a pluralidade dos sotaques da língua francesa,
que é falada em todos os continentes.
Para isso, o Grupo da Francofonia
aposta nas atrações culturais. Logo na
abertura, um show que promete encantar a plateia com o som de Beethova
Obas, cantor, compositor e instrumentista haitiano cuja trajetória é marcada
pela divulgação de mensagens de paz e
tolerância (ele é filho de um músico
morto pela ditadura de Duvalier, em
1969, fato que influenciou toda sua carreira). Beethova (o nome é uma homenagem mesmo ao compositor Beethoven,
de quem o pai era admirador ferrenho)
já atuou como Embaixador pela Paz da
Organização dos Estados Americanos e
foi convidado de honra do Concerto Liège Ajuda Haiti, na Bélgica. Ele se apresentará dia 19, quarta-feira, às 19h30, no
Teatro do CCBB.
Outro grande nome a se apresentar é
um jovem talento que vem despontando
na Europa. Amandine Maissiat, ou simplesmente Maissiat, deixou o rock para
apostar na fusão de música pop e folk
luz câmera Ação
Divulgação Embaixada do Haiti
Um espelho do atual
cinema francês
O 5º Festival Varilux chega a 45 cidades com a
ambiciosa meta de atingir 100 mil espectadores
Por Sérgio Moriconi
C
om presença marcante no mercado brasileiro desde sempre,
mas especialmente nos últimos
anos, a cinematografia francesa busca
ainda mais, num momento em que o cinema sofre transformações profundas
tanto na estrutura de produção quanto
na forma de recepção dos espectadores.
O problema é mundial: as novas tecnologias digitais, as novas plataformas e serviços oferecidos aos consumidores em domicílio, são todas questões que não podem ser negligenciadas quando um produtor resolve enveredar na aventura cinematográfica. No caso específico do cinema francês, há ainda a concorrência
da televisão. Nas últimas duas décadas,
muitas das principais redes estatais – que
são também aquelas que financiam os filmes (um paradoxo, não é mesmo?) – resolveram investir pesado em mega produções próprias. O que fazer então?
Muitas das respostas podem ser en-
Beethova Obas.
com toques de clássica. O resultado comoveu a crítica pela sonoridade onírica e
que lembra um pouco o som da década
de 1970. Maissiat encerra a Semana da
Francofonia com um show na segundafeira, dia 23, às 16h, também no Teatro
do CCBB.
Além de música, há ainda exposição
de uma artista – a belga Nicole de Scherevel, que é também psicoterapeuta e trabalha suas obras visando a intimidade do ser
humano – na Aliança Francesa, e apresentação teatral do espetáculo À petites
pierres, que traz pela primeira vez ao Brasil
a obra de Gustave Akakpo, um jovem e já
consagrado dramaturgo do Togo.
A programação de cinema é um caso
à parte e sempre atrai centenas de pessoas. Este ano, a mostra exibirá dez títulos de países francófonos no Cinema do
CCBB, em vários horários, sempre com
entrada franca. On y va!
Divulgação
ofonia
contradas na programação do 5º Festival
Varilux de Cinema Francês, que será
realizado de 9 a 17 de abril em 45 cidades brasileiras. Filmes como L’amour est
um crime parfait (O amor é um crime perfeito), dirigido pelos irmãos Jean-Marie e
Arnaud Larrieu, L’extravagant voyage du
jeune et prodigieux T.S. Pivet (A estravagante viagem do jovem e prodigioso T.S. Pivet),
de Jean-Pierre Jeunet (o mesmo diretor
de O fabuloso destino de Amélie Poulain),
Le passé (O passado), do iraniano Asghar
Farhadi (realizador premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro pelo seu
magnífico A separação), Les garçons et
Guillaume à table (Os meninos e Guillhaume à mesa), de Guillaume Gallienne, e
ainda Neuf mois ferme (Nove sólidos meses), de Albert Dupontel. Estes dois últimos filmes fizeram enorme sucesso de
público na França, alcançando, cada um
deles, mais de dois milhões de espectadores. Juntamente com o Yves Saint Lorent
de Jalil Lespert, apresentado sob enorme
curiosidade mês passado no Festival de
17ª Semana da Francofonia
De 18 a 24/3 no CCBB (Setor de
Clubes Esportivos Sul, Trecho 2). Mais
informações: www.francofonia.org.br
e www.objetosim.com.br.
Os meninos e Guillhaume à mesa, de Guillaume Gallienne.
33
luz câmera Ação
Yves Saint Laurent, de Jalil Lespert.
prestigiosa “maison de haute couture”
fundada por Christian Dior. Ali encontrará Pierre Berger, com quem irá iniciar
uma longa relação amorosa. Como já demonstrado em filmes anteriores, o diretor procura passar toda uma atmosfera
de fascinação pelo universo da moda. Jovem diretor, Jalil Lespert começou sua
carreira como ator. É dele o papel protagonista em Recursos humanos, de Laurent
Cantet. Lespert está longe de ser o único
ator francês que experimenta a direção
de cinema. Na França a lista é grande, seja entre homens ou mulheres. Cito aqui
– apenas como uma pequena referência
– o caso de Agnès Jaoui. No Varilux deste ano temos alguns outros exemplos.
Albert Dupontel (Neuf mois ferme) é um
dos principais atores de Irreversível, de
Gaspar Noé, e conta com um longo currículo na profissão, assim como Guillaume Gallienne (Les garçons et Guillaume à
Fotos: Divulgação
Berlim, são obras que representam muito do espírito que a produtora Bonfilm e
seu diretor Christian Boudier querem
dar ao Varilux.
O festival quer ser um espelho do
que é o cinema francês hoje. Obras de
grande impacto comercial, assim como
realizações autorais que não desprezam a
comunicação com um público o mais
largo possível. Outra característica presente no Varilux é a abertura da cinematografia francesa para as co-produções
com os mais diferentes países do mundo,
principalmente com aqueles que não
possuem condições adequadas de produção e difusão. O passado, de Farhadi,
constitui-se num caso exemplar. Apenas
como informação, a França tem atualmente uma produção cinematográfica
que gira em torno dos 270 títulos. Desses, quase 40% são co-produções internacionais. A associação com um dos
mais festejados diretores do cinema iraniano do momento, vencedor (além do
Oscar acima mencionado) do Urso de
Ouro em Berlim em 2011, gerou uma
surpreendente polêmica recentemente:
ao filmar O passado na França (e em francês), estaria Farhadi empreendendo uma
entrada no circuito internacional e, como consequência, perdendo sua “iranienidade”? Muito bem, aqueles que já viram o filme garantem que O passado é
tão iraniano quanto A separação, pela especificidade de seu conflito, pela série de
mal-entendidos que constituem a estrutura dramática da obra, aspectos (todos
eles) reconhecidos atributos do cinema
iraniano independente e moderno.
Francesíssimo, Yves Saint Laurent relata o período em que o jovem e célebre
costureiro assume a direção artística da
table), que está (entre tantos outros filmes) em Astérix e Obélix e participa do
elenco de Yves Saint Laurent.
Guillaume Gallienne escolheu adaptar uma peça sua de grande sucesso para
fazer sua estreia na direção. Les garçons et
Guillaume à table é uma comédia sobre
um menino que pensa ser uma menina.
Sua mãe pensa o mesmo e reserva todo
um tratamento diferente a ele, em relação a seus outros filhos. O título dessa
curiosa obra tem inspiração autobiográfica. A frase era proferida pela mãe do diretor sempre que convocava os filhos à
mesa. A grande interrogação aqui é a seguinte: seria Guillaume um homossexual, um hetero, ou tudo não passa de
um mal entendido? Suspeitas estão também no centro da trama de Neuf mois ferme, um filme repleto de supense, construído já na primeira sequência, um baile de máscaras em que uma das personagens abusa do álcool, perde a memória e
se descobre grávida alguns meses depois.
Suspense e suspeitas estão também na
natureza mesma de L’amour est um crime
parfait, o filme dos irmãos Larrieu. A
narrativa parece sair das páginas de um
livro de Agatha Christie. As evocações
de desaparições e mortes do enredo vão
aos poucos deixando a impressão de que
o assunto principal do longa está na verdade em outro lugar. Os diretores escondem as pistas, nos fazem tatear às cegas,
num cativante exercício de adivinhação.
5º Festival Varilux de Cinema Francês
34
O passado, de Asghar Farhadi.
De 9 a 17/4, em 45 cidades brasileiras.
Em Brasília, no Espaço Itaú de Cinema
do CasaPark e no Cine Cultura Liberty.
Banco do Brasil apresenta
19 de fevereiro a 28 de abril
Curadoria: Frances Morris e Philip Larratt-Smith
CCBB Brasília – Entrada franca
Realização
SAC 0800 729 0722 • Ouvidoria BB 0800 729 5678 • Deficiente Auditivo ou de Fala 0800 729 0088
35
bb.com.br/cultura
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SCES Trecho 2 • Brasília/DF • Informações: (61) 3108-7600
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alemanha: tradição e modernidade em perfeita