Historia de Foz do Iguaçu Nivaldo Pereira da Silva DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a minha esposa Semilda, pela sua força e colaboração. Ás minhas queridas filhas Mayara Cristina e Marielly Rebeca, por ser o centro de atenção de minha vida e fonte de inspiração. 1 1.1 1.2 1.2.1 1.2.2 1.3 1.4 1.5 INTRODUÇÃO....................................................................................... DESCOBRIMENTO DA REGIÃO........................................................... PRINCIPAIS PRODUTOS DA ÉPOCA.................................................. Erva mate.............................................................................................. Madeira.................................................................................................. FUNDAÇÃO DA COLÔNIA MILITAR..................................................... LOCALIZAÇÃO DA CIDADE.................................................................. DESMEMBRAÇÃO DA COLÔNIA MILITAR DO IGUAÇU DA 06 08 13 13 14 14 17 1.6 COMISSÃO ESTRATÉGICA DO PARANÁ............................................ 18 EXTINÇÃO DA COLÔNIA MILITAR – CRIAÇÃO E INSTALAÇÃO DO 1.7 1.8 1.9 1.10 1.11 1.12 1.13 1.14 1.15 1.16 1.17 1.18 1.19 1.20 1.21 MUNICÍPIO............................................................................................. PRIMEIRO CLUBE DE FUTEBOL......................................................... SANTOS DUMONT E CATARATAS...................................................... RELIGIÃO............................................................................................... REVOLUÇÃO PAULISTA E A COMUNIDADE DE FOZ DO IGUAÇU... CONSTRUÇÃO DO HOSPITAL DE CARIDADE................................... FUNDAÇÃO DO 1º GRUPO ESCOLAR................................................. CRIAÇÃO DO 1º CLUBE SOCIAL DE FOZ DO IGUAÇU...................... INÍCIO DOS PREFEITOS NOMEADOS................................................ CAPITANIA DOS PORTOS DO RIO PARANÁ...................................... A CHEGADA DA COMPANHIA ISOLADA (EXÉRCITO)....................... INÍCIO DA AVIAÇÃO EM FOZ DO IGUAÇU.......................................... PREFEITOS NOMEADOS E ESTADO NOVO...................................... MARCO INICIAL DO POTENCIAL HIDROELÉTRICO.......................... TERRITÓRIO DO IGUAÇU.................................................................... BENEFÍCIOS TRAZIDOS PELA COMPANHIA ISOLADA 22 33 33 36 37 39 39 41 42 45 46 47 48 51 52 1.22 1.23 1.24 1.25 1.25.1 1.25.2 2. 3. 4. 4.1 4.1.1 4.1.2 4.1.2.1 4.1.2.2 (EXÉRCITO)........................................................................................... VOLTA AO REGIME CONSTITUCIONAL.............................................. ÁREA DE SEGURANÇA........................................................................ FOZ DO IGUAÇU................................................................................... ECONOMIA............................................................................................ Turismo................................................................................................. Comércio............................................................................................... CRONOLOGIA HISTÓRICA DO MUNICÍPIO........................................ LOCALIZAÇÃO..................................................................................... ATRAÇÕES TURÍSTICAS DE FOZ DO IGUAÇU................................. RECURSOS NATURAIS........................................................................ Cataratas do Iguaçu............................................................................. Parque Nacional do Iguaçu................................................................. Objetivos específicos da unidade de conservação.......................... Aspectos geográficos, culturais e históricos do Parque Nacional 54 54 56 57 59 59 60 60 73 73 74 76 77 77 4.1.3 do Iguaçu............................................................................................... 77 Salto do Macuco................................................................................... 80 4.1.4 4.1.5 4.1.6 4.1.7 4.2 4.2.1 4.2.2 4.2.3 4.2.4 4.2.5 4.2.6 4.2.7 4.2.8 4.2.9 4.2.10 4.2.11 4.2.12 4.2.13 Poço Preto............................................................................................. Cemitério Indígena............................................................................... Rio Iguaçu............................................................................................. Rio Paraná............................................................................................. RECURSOS ARTIFICIAIS..................................................................... Itaipu - A maior hidrelétrica do mundo............................................... Furnas - A maior subestação elétrica do mundo.............................. Lago de Itaipu....................................................................................... Museu do Parque Nacional do Iguaçu................................................ Ponte Internacional da Amizade......................................................... Ponte Presidente Tancredo Neves (Brasil – Argentina)................... Aeroporto Internacional e interligações Rodoviárias....................... GRESFI - Grêmio Esportivo e Social de Foz do Iguaçu.................... Marco das Três Fronteiras................................................................... Hotel Cassino Iguaçu........................................................................... Cataratas Iate Clube............................................................................. Templo Budista..................................................................................... Mesquita Árabe..................................................................................... 80 81 81 81 82 82 84 85 85 86 87 87 88 89 89 89 91 92 4.2.14 4.2.15 4.2.16 4.2.17 4.2.18 4.2.19 5. 5.1 5.2 5.2.1 6. 7. Espaço das Américas.......................................................................... Parque das Aves................................................................................... Terminal Turístico de Três Lagoas..................................................... Ecomuseu de Itaipu.............................................................................. Zoológico Bosque Guarani.................................................................. Enseada Rio Branco (Porto Canoas).................................................. FOLCLORE E LENDA........................................................................... FOLCLORE............................................................................................ LENDA.................................................................................................... Lenda das Cataratas do Iguaçu.......................................................... GASTRONOMIA.................................................................................... ARTESANATO....................................................................................... 92 93 94 94 95 95 95 95 96 96 98 99 6 1. INTRODUÇÃO Durante muito tempo as lembranças de acontecimentos, fatos e situações da história de uma Cidade, enfim os casos mais importantes que transformaram a vida de várias pessoas por séculos e séculos. O resgate dos períodos marcantes da vida das pessoas que fizeram e fazem a historia, e que são nomes importantes na historia nos registros com seus testemunhos de vivência, e as experiências a serem transmitidas as próximas gerações. O cenário selecionado é um dos mais adequados para se rememorar fatos marcantes da Historia da Cidade de Foz do Iguaçu, seu passado e comemorar os momentos tradicionais da Cidade. Para conhecermos as origens de uma cidade, o desenvolvimento de suas atividades políticas, econômicas, culturais e religiosas, demanda uma imersão na história da cidade que se deseja as informações. A frase utilizada por um autor desconhecido retrata a beleza e a imponência da cidade “A natureza fez em Foz tudo o que sabe”. Na Cidade de Foz do Iguaçu o homem também promoveu grandes maravilhas, tornando-a um imenso complexo turístico. Este complexo que tem por base a generosidade com que foi dotada pela natureza e pela ação do contingente humano, que no curto período de aproximadamente um século, fizeram do local um recanto de belezas naturais e artificiais, que se transformaram em um grande polo hoteleiro e um dos roteiros turísticos mais procurados do Brasil. Este livro procura resgatar a história, que por mais distante e remota esteja, carrega consigo uma riqueza que sob pretexto algum deve ser considerado indispensável para o conhecimento de futuras gerações. Foz do Iguaçu apresenta um espaço dinâmico e diacrônico em constantes transformações, em uma analise histórica foi possível entender a efetiva colonização da região e a ocupação das terras ao longo do rio Paraná, sendo assim, o passado é que nos proporciona compreender o presente e analisarmos o futuro. 7 Para atingir o objetivo deste trabalho foi efetuada pesquisa bibliográfica da literatura existente e também pesquisa de campo, relatando os fatos históricos desde chegada de espanhóis e dos portugueses em 1514, na região Oeste. E a importância de argentinos e paraguaios em Foz do Iguaçu, na época da formação da colônia militar, no século XIX. Em 1889 foi identificada uma população de 324 pessoas, em sua grande maioria “hirmanitos” que imigraram para a região de Foz do Iguaçu e não retornando aos seus países de origem. Com o passar dos tempos foram chegando a cidade imigrante de várias nações, alguns foram para passear e acabaram ficando na região, mas o principal fato para a miscigenação da cidade foi a construção da Hidrelétrica de Itaipu, onde pessoas de todos os lugares imigraram para Foz do Iguaçu. A evolução econômica e social no mundo transformou a atividade turística de Foz do Iguaçu em um grande responsável pela geração de eventos, turismo de negócios e lazer, tendo efeito multiplicador sobre a geração de empregos e renda para a população local, contando com uma das estruturas mais completas do país, e sendo a responsável direta pela base de sustentação da economia local. O turista que visita a cidade fica deslumbrado com as belezas naturais e a convivência pacífica do grande número de etnias que forma a base da população de Foz do Iguaçu. Hoje a cidade é o grande palco de amostra das transformações a que as pessoas podem passar, pois cada povo tem o seu costume e seu credo e vivem numa região que pode ser o exemplo para o mundo, e isso se chama Paz. Sua história mostra claramente que não é por acaso ou à toa, nem por exclusiva capacidade dos homens que Foz do Iguaçu ostenta uma grandeza que faz o orgulho e a felicidade dos que tem o privilégio de viver dentro de suas fronteiras. 8 1.1 DESCOBRIMENTO DA REGIÃO A destruição da memória afeta não apenas o passado, como também o futuro. Se a memória se dissolve, o homem se dissolve. Otavio Paz (Prêmio Nobel de Literatura, 1990) O Estado do Paraná foi desbravado no milênio passado pelos bandeirantes conquistadores. O espaço geográfico de Foz do Iguaçu, ou Colônia Militar do Iguaçu, ou Vila Iguaçu, passou pelas fases históricas de extrema penúria na formação do núcleo populacional. Pesquisas arqueológicas realizadas pela Universidade Federal do Paraná no espaço ocupado pelo reservatório de Itaipu, antes da formação do Lago de Itaipu, marca em 6.000 a.C. vestígios da presença humana na região. Porém, a colonização de Foz do Iguaçu formou-se por verdadeiros heróis aventureiros, que ali chegaram com suas etnias, culturas e costumes. Entre eles podemos considerar os alemães, italianos, paraguaios, argentinos e brasileiros de todos os recantos do País. Em 1541, Alvar Nuñez Cabeza de Vaca1 saiu da Espanha com 400 homens, em uma expedição colonizadora rumo ao sul do Brasil, em busca das novas terras que foram requeridas pela Coroa Espanhola. Aportou na Ilha de Santa Catarina e de lá se aventurou em direção à Bacia da Prata. Navegando pelo Rio Iguaçu procurando uma rota para o Paraguai, chegou no dia 11 de março de 1542, as Cataratas escapando de ser tragado pela enorme queda d`água, percebendo o estrondo das águas e as nuvens de neblina formada pelas quedas das águas. Batizou o fantástico fenômeno da natureza de cachoeira de Santa Maria e seguiu 1 Somente na primeira metade do século XX, os historiadores e pesquisadores Morris Bishop, Henry Miller e Fernández de Oviedo buscaram registros concretos a respeito dos feitos de Cabeza de Vaca. Ara'puka revela: "A menor margem de erro para definir o nascimento dele está entre março e junho de 1492, em Jerez de la Frontera e não em Sevilha, como defendem alguns estudiosos”70. Deve-se a Hipólito Sancho de Sopranis, por meio de laboriosas pesquisas no território de Andaluzia, a quase exatidão do nascimento de Álvar, um dos seis filhos de Francisco de Vera e Teresa Cabeza de Vaca, o sobrenome mais nobre. Seu avô paterno, Pedro de Vera, conquistou as Ilhas Canárias e foi um dos heróis da libertação de Granada. (...) Desde cedo os jovens ansiavam a aventura, uns esperando a riqueza, outros o conhecimento (Agência de noticias Front Informações). 9 viagem rumo a Assunção no Paraguai, Capital do Império Espanhol na América da época, para assumir o governo, nomeado pelo Rei Carlos V da Espanha, em substituição a Domingues Martinez de Irala, sem deixar rastro ou registro de qualquer ocupação da área, de Alvar Nuñez Cabeza de Vaca ficou apenas os fatos de que foi o "descobridor" das Cataratas. Em 1558, os espanhóis fundaram a Ciudad Real Del Guayrá2, está cidade é origem do povoado de Ontiveros, formado por 80 homens, a mando do Rei espanhol Luis Felipe III, em 1554, em resposta a fundação do povoado de São Paulo pelos portugueses. A ciudad Real Del Guayrá foi fundada as margens do rio Paraná, próximo a foz do rio Ivaí, local onde existia uma grande quantidade de indígenas. A Ciudad Real del Guayrá representava um papel importante e estratégico, na época, em função de sua ligação entre o rio Paraná e o litoral paranaense, através do rio Iguaçu. Os espanhóis fundaram outras cidades, além de Ciudad Real Del Guayrá, como a Vila Rica do Espírito Santo, fundada em 1579, pelo Capitão Ruy Dias Malgarejo, nas margens do rio Ivaí, próximo a foz do rio Corumbataí. As margens dos rios Paranapanema, Tibagi, Ivaí, Iguaçu e Paraná, foram fundadas as reduções jesuíticas. Na Segunda metade do século XIX, ainda eram os índios caingangues, os senhores das imensas florestas, cortadas por rios caudalosos, de águas límpidas e cristalinas. As maravilhosas e belas quedas de Santa Maria, no rio Iguaçu, soberbos e altaneiros, dominavam os caingangues, absolutos, vivendo da fertilidade dos terrenos, da exuberância de sua fauna e flora, os índios chamavam está região de “água grande” (em guarani, “I” = água e “guaçu” = grande)3. As tribos eram seminômades, isto é, moravam certo tempo em um lugar e depois migravam para outras terras. Quando fundamentados no tratado de Tordesilhas, os adelantados, conhecidos como conquistadores espanhóis atravessaram o rio Paraná, vindo de 2 A Ciudad Real Del Guayrá estava localizada nas proximidades do rio Piquiri, onde é hoje o Município de Terra Roxa do Oeste. 3 O nome do município é de origem guarani, podendo ser decomposto, na sua grafia primitiva – ü (água, rio) e wa'su (grande), portanto rio caudaloso. Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado (fonte: Agência de noticias Front Informações). 10 Assunção, aqui os encontraram os índios, e foram por eles recebidos como amigos, porém, os espanhóis quiseram torná-los escravos, porém reagiram com violência. Reunidos e comandados pelo bravo “GUAIRACÁ”, o grande herói indígena, estabeleceu-se a guerra épica contra a ocupação espanhola, que se estendia por todos os vales do Iguaçu, do Ivaí, do Tibagi, do Taquari e do Paranapanema, sendo este o primeiro passo para o sul do País, deslocam-se as fronteiras dos limites do meridiano de Tordesilhas. Permaneceram apenas as “reduções” administradas pelos Padres Jesuítas, pertencentes à Companhia de Jesus, desde a “Ciudad Real del Guayra” e outras reduções menores. A nova administração, porém, apesar de humanitária e justa, não mais atraia a totalidade dos indígenas que, afastaram-se do contato com os brancos, cujas “reduções” eram atacadas e destruídas em prejuízo para o trabalho de catequese e povoamento da região. Em 1600, o Governo Espanhol, de Assunção, elevou a Ciudad Real Del Guayrá à condição de sede da Província de Guairá, foi uma tentativa de manter a soberania na Região, frente a ameaça portuguesa. Mais tarde em 1619, constatando-se pertencerem estas terras a coroa Portuguesa e não aos reis da Espanha, e devido as lutas então travadas entre portugueses e espanhóis, os bandeirantes Manoel Preto e Antônio Raposo Tavares, após intensa batalha nos anos de 1629 e de 1632, em pleno sertão do Paraná, destruíram completamente os aldeamentos indígenas da Vila Rica do Espírito Santo e Ciudad Real del Guayrá. Terminou assim a primeira tentativa de colonização desta região. Os indígenas que conseguiram sobreviver debandaram pelo sertão ou atravessaram o Rio Paraná. Após a destruição das missões jesuíticas, uma parte das tribos que estavam aldeadas nas missões, miscigenaram-se com a população rural do Paraguai. Seus descendentes foram utilizados para penetrar cada vez mais em território brasileiro, pelo conhecimento da região, na extração da erva mate, para os comerciantes argentinos. A garantia de que este território seria português e integrado ao mapa do Brasil aconteceu com o Tratado de Madri, celebrado entre Portugal e Espanha em 1750. 11 Mas também não seria dessa vez que seria dado início à ocupação e colonização. Uma tentativa foi feita em 1765, quando foi sugerida a criação de um estabelecimento militar na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina para garantir o domínio português sobre a área. A proposta não se concretizou e a região continuou relegada e esquecida. Em 1777, Portugal assinava com a Espanha o Tratado de Santo Idelfonso. Neste Tratado, a Espanha reconhecia como fronteira portuguesa ocidental em território hoje paranaense, os rios Paraná e Iguaçu. O trecho do rio Paraná compreendia a margem esquerda do trajeto das Sete Quedas, até a foz do rio Iguaçu. Por sua vez, no rio Iguaçu a fronteira corria até o encontro com o rio Paraná. Desta forma, as fronteiras entre os territórios dessas duas potências Ibéricas, no trecho em questão, ficaram separadas pelos rios Iguaçu e Paraná, qualquer interpretação em contrário tornava-se praticamente impossível, devido a clareza do tratado no trecho da fronteira. Em 1853, a quinta comarca de São Paulo foi elevada a categoria de Província. Despertou nas autoridades paranaenses o interesse em manter o território anexado a Província do Paraná. A nova unidade da federação brasileira foi tirada justamente do nome do grande rio que banha o oeste, sendo o rio Paraná. A jovem Província não possuía na época potencial humano e financeiro, para sequer colonizar os seus sertões, como poderia colonizar também a região do Estado do Paraná, mesmo assim foi feito um esforço sobre humano e mantido a Província do Paraná. Dois acontecimentos internacionais envolveram o governo imperial brasileiro e o provincial do Paraná em relação a região oeste: • Guerra do Paraguai (1864 – 1869);4 • Contestado Brasil-Argentina (questão de Palmas).5 Só mais de um século depois, em 1876, a pedido do Imperador D. Pedro II, o Capitão Nestor Borba montou uma espécie de expedição para redescobrir a região, com a pretensão de incorporar ao território nacional uma província considerada 4 5 MENEZES, Alfredo da Mota. Guerra do Paraguai: Como construímos o conflito, 1998 Id. 12 perdida, porém esta tentativa foi apenas um ensaio de ocupação, que não se consumou. No ano de 1880, ainda antes da morte de Duque de Caxias, entre os oficiais do Exército mais aproximados ao Ministério da Guerra, já era um dos assuntos mais discutidos a descoberta da Foz do Rio Iguaçu, principalmente por ser um ponto estratégico, diziam alguns. Propunham-se a fundar uma Colônia militar e construir um forte com capacidade suficiente para opor obstáculos a nações estrangeiras que por ventura tentassem invadir o território brasileiro. E para evitar o ocorrido na Guerra da Tríplice Aliança, e impedir a expansão da Argentina, que na época tinha o domínio econômico da região. Existia a idéia do Governo Imperial, de inserir uma frota da Marinha Nacional, em águas brasileiras no Rio Paraná, com objetivo principal de tomar posse desta região. No entanto, o Brasil passava por distúrbios políticos que envolviam monarquistas e republicanos, sendo os militares os envolvidos na causa republicana no período de transição política, e o regime monárquico estava com seus dias contados, então o plano para a região foi adiado. Nesta época, viviam no oeste paranaense cercas de 300 pessoas, sendo que somente dez eram brasileiros, a maioria era estrangeiros funcionários das empresas concessionárias das terras. A colonização desta região começa por volta de 1881, com a fixação dos primeiros moradores em Foz do Iguaçu, entre eles podemos considerar Pedro Martins da Silva, brasileiro, que vivia no local chamado Itacorá, atualmente região inundada pelo lago de Itaipu, e o espanhol Manoel Gonzáles que provavelmente, subindo pelo Rio Paraná, vindos do Sul, aqui aportaram e se estabeleceram. Pouco tempo depois chegaram os irmãos Goyacachéa, os quais passaram a exportar erva mate em grande escala. Em 1882, o Governo Imperial Brasileiro tomou conhecimento de que os argentinos tinham iniciado a exploração de erva-mate no trecho entre a foz do rio Iguaçu e a margem esquerda do rio Paraná. Os argentinos tinham ultrapassado as fronteiras e iniciado a ocupação do território brasileiro. 13 Em 1887, aumentou a população do povoado nascente com a chegada de diversas famílias, oriundas das Missões Argentinas, devido aos desentendimentos políticos com o Governo. Com estes habitantes juntaram-se eventualmente trabalhadores dedicados a erva-mate e ao corte de madeira, para trabalharem nas companhias ervateiras e madeireiras como a Companhia Mate Laranjeiras que dominava toda região. O território de Foz do Iguaçu se estendia até onde é hoje a cidade de Laranjeiras do Sul. 1.2 PRINCIPAIS PRODUTOS DA ÉPOCA 1.2.1 Erva-mate A erva-mate não deu trabalho de plantio em nosso Estado pela abundância existente na região. As florestas de ervas acompanham os pinheiros nas regiões frias do Estado, crescendo adornadas pelas belas araucárias. Os índios extraiam as folhas das árvores, secavam e preparavam a erva mate (Ilex paraguaesis). Com a chegada dos jesuítas, teve inicio o processo de 14 plantio através da seleção das sementes, pois descobriram que os índios adquiriam resistência a fadiga com o uso da erva mate. 1.2.2 Madeira A madeira de lei “nobre” abundante na região como cedro, marfim e ipê, eram cortadas as margens do Rio Paraná, e transportada aos mercados de Buenos Aires, pelo processo de navegação fluvial. 1.3 FUNDAÇÃO DA COLÔNIA MILITAR No ano seguinte 1888, um dos primeiro ato do Ministro da Guerra Dr. Thomás José Coelho de Almeida, foi o de nomear uma comissão com encargos tão vastos como jamais houve. Tratava-se da formação de uma “Comissão Estratégica do Paraná”. A criação dessa comissão agradou muito aos idealistas da descoberta da região, que tinha sobre os ombros importantes encargos: os principais objetivos da comissão era fundar uma Colônia Militar e construir estradas estratégicas, instalações de linha telegráfica. A Comissão não foi muito longe com seus projetos, mas fundou a Colônia Militar na fronteira, marco do início da ocupação efetiva do lugar por brasileiros e do que viria a ser o município de Foz do Iguaçu. A mencionada comissão foi chefiada pelo então Engenheiro Militar Capitão Belarmindo Augusto Mendonça Lobo. Mais tarde tornou-se General do Exército Brasileiro, estabelecendo como centro de suas atividades e como sede da comissão a cidade de Guarapuava. Dentre os 14 oficiais que faziam parte da comissão, foi escolhido justamente o mais moço o 2º Tenente Engenheiro Militar José Joaquim Firmino, engenheiro que fazia parte da Comissão de Estradas Estratégicas do Paraná, e tinha como auxiliar o Sargento José Maria de Brito. Estes, partindo com destacamento organizado para 15 explorar o caminho da Foz do Rio Iguaçu, seguiram através da floresta virgem, transpondo cursos d’água e enfrentando a hostilidade dos silvícolas. Esta conquista foi uma epopeia digna de heróis. Apesar de todos os contratempos, a turma exploradora atingiu o seu objetivo, chegando a Foz do Iguaçu no dia 15 de julho de 1889, a população da região era constituída de 324 pessoas, sendo 188 paraguaios, 93 brasileiros, 33 argentinos, 5 franceses, 2 uruguaios, 2 espanhóis e 1 inglês, além dos índios. Do total de pessoas 220 do sexo masculino e 104 do sexo feminino. A comissão tomou posse para o Brasil de toda a região fronteiriça até as Sete Quedas no Rio Paraná. A expedição voltou a Guarapuava em agosto de 1889, para relatar a posse da região oeste do Paraná. Foi então formada nova expedição, que voltaria a Foz do Iguaçu para estabelecer definitivamente a Colônia Militar, sendo nomeado pelo Ministro da Guerra, o Primeiro Tenente Antônio Baptista da Costa Júnior, a expedição, formada por 34 soldados, 12 operários civis, 3 mulheres casadas com soldados e 4 tropeiros encarregados de conduzir a tropa de 34 cargueiros, partiu de Guarapuava a 13 de setembro de 1889. Após muitos dias de viagem, a expedição chegou a Foz do Iguaçu, em 22 de novembro de 1889. E no dia 23 de novembro de 1889, foi oficialmente instalada a Colônia Militar do Iguaçu. A atividade principal dos habitantes da região era a exploração da ervamate, denominada por Sain Hilaire de “Ilex paraguaesis”. As primeiras providências foram de mostrar a população Iguaçuense e as Repúblicas vizinhas, que em Foz do Iguaçu existia autoridade constituída para todos os efeitos legais. Nos portos Britânia, Sol de Maio e Santa Helena, localidade sediada no interior do Município e as margens do Rio Paraná, encontravam-se 500 descendentes de italianos e venezuelanos. As “Obrages”6 eram as frentes de trabalho, que viviam nas chamadas colônias e que mais tarde deram origem às 6 No oeste do Paraná, surgiram, no fim do século passado, e no início do século XX, gigantescas concessões por parte do governo paranaense para exploração de erva mate. Por extensão da terminologia adotada em território argentino, as mesmas propriedades ou concessões foram denominadas de obrages, significa originalmente local onde se trabalha manualmente. Seu proprietário ou dono da concessão era chamado de obragero. WACHOWICZ, Rui Christovam 16 cidades de Toledo, Marechal Candido Rondon, Palotina, e Porto Britânia. Todos que moravam nestas localidades trabalhavam na extração de madeira e erva-mate. Enormes jangadas eram construídas de madeiras nobres como cedro, marfim e ipê. Os troncos eram transportados em grandes carros-de-boi e levados até a margem, as toras eram amarradas, lançadas ao Rio Paraná e rebocadas em direção a Buenos Aires ou Montevidéu. Essa gente se ocupava livremente na extração clandestina da madeira e da erva-mate sem dar obediência às autoridades da província, não tendo com o Município nenhuma relação. A Colônia passou a obedecer as ordens da administração militar, desenvolveu-se rapidamente, tendo seus diretores, desde logo regularizados o corte da madeira e a extração da erva mate, principais atividades comerciais da região. Os empregados das colônias eram os “Mensus”7, indivíduo que tinha trabalho braçal nas “Obrages”, recebia no armazém com os gêneros de primeiras necessidades, iniciava-se uma conta interminável, para mais tarde ser descontada dos salários, e assim, aumentando o vinculo com os obrageiros, desta forma eram explorado pelos donos da “Obrages. A palavra “Mensus” deriva do espanhol Mensul, isto é mensalista. Os “Mensus” eram recrutados nas províncias argentinas da região de Missiones, Corrientes e em Foz do Iguaçu, os recrutadores eram chamados de “Comissionistas”8 . Para recrutar os trabalhadores prometiam bons salários. Após o contrato, os trabalhadores “Mensus” recebiam um “antecipo”9, equivalente a três meses de salário. Os trabalhadores de posse do dinheiro, o embarque era atrasado propositalmente em três dias durante este período, eram induzidos a beberem, 7 Era o nome atribuído ao indivíduo que se propunha a trabalhar braçalmente numa obrage. É equivalente a peão. Recebia por mês, ou pelo menos sua conta corrente era movimentada mensalmente. Vem do espanhol: Mensual, mensalista, WACHOWICZ, Rui Christovam. 8 No recrutamento da mão de obra para as obrages, quando a companhia possuía escritório na localidade de recrutamento, este ali era feito. Se não, a companhia encarregava um indivíduo de fazelo. Era comissionista. Geralmente recaia em uma autoridade local ou em um comerciante. WACHOWICZ, Rui Christovam. 9 Por ocasião do recrutamento de mão de obra em Posadas ou Corrientes, para as obrages, era costume um adiantamento de salário para o candidato. Era o antecipo. WACHOWICZ, Rui Christovam. 17 participar de bailes, e festa com as mulheres. As festas corriam com muita bebida e jogo, findo este tempo os “Mensus” estavam sem dinheiro e com dívida. As autoridades militares da colônia levantaram o perímetro, sendo medido e distribuído em lotes urbanos e rurais que eram concedidos a colonos e militares. 1.4 LOCALIZAÇÃO DA CIDADE O chefe da expedição, Tenente Antônio Baptista da Costa Júnior recebera ordens de fundar a Colônia Militar a 4 km, do ponto de encontro dos Rios Iguaçu e Paraná, a direção seria dada por uma linha reta que partisse do centro do ângulo formado pelos dois rios. Na época em que a expedição chegou à região atravessava uma grande estiagem e não havia água nas proximidades do local marcado para fundação da sede (perto do atual colégio Agrícola). Além do pessoal da expedição, havia ainda 40 muares para saciar a sede. E então ergueram novo acampamento provisório, instalando-se às margens do Arroio Monjolo. Após a mudança da comissão fundadora da Colônia para o novo acampamento, o Tenente Antônio Baptista da Costa Júnior sentiu-se doente: dores de cabeça, febre e comichão em uma das narinas, o que viria a ser um bicho de varja (berne). O Tenente Antônio Baptista, foi substituído pelo Tenente Frederico Luiz Roszani, que não cogitou do estabelecimento da colônia no quilometro quatro, e começou a edificar nessa localidade, sendo imitado pelos seus sucessores. Inicialmente, seguiu as determinações para o local de instalação, mas devido a falta de água, aliada a problemas de saúde, ocasionou uma mudança temporária de local, para as redondezas do rio M'Boicy, no atual bairro de mesmo nome. Só que os comandantes e seus comandados acabaram não retornando mais ao local anteriormente indicado. Com isso, o núcleo populacional que foi se sucedendo ao longo dos anos, foi se estabelecendo nas proximidades do rio M'Boicy e do arroio Monjolo. Este último 18 cortava a cidade desde o atual Parque do Monjolo, passando no subsolo da Avenida Brasil, onde se encontra canalizado. A Avenida Brasil localiza-se no Centro Comercial da cidade, sendo considerado o marco referencial mais importante. Uma vez instalada a colônia, a preocupação máxima foi abrir caminhos. A picada de Guarapuava foi modificada, ela chegava muito ao norte, cortando o rio Henrique Dias, afluente do Ocoí; para encurtar o caminho e a distância, foi feita nova picada, mais para o sul. Porém, uma chuva um pouco mais prolongada, tornava a picada (estrada) intransitável, o que era, sobretudo, ocasionado pelo alagamento rápido dos rios, impedindo a sua transposição. 1.5 DESMEMBRAÇÃO DA COLÔNIA MILITAR DO IGUAÇU DA COMISSÃO ESTRATÉGICA DO PARANÁ. Uma portaria do Ministério da Guerra, datada de 20 de outubro de 1892, desmembrou a Colônia Militar do Iguaçu da Comissão Estratégica do Paraná, e esta ficaria com a responsabilidade de construir a estrada até a colônia. Tudo ia muito bem, mas em 1893 uma horda de derrotados na Revolução Federalista deflagrada no Rio Grande do Sul, comandada por Juca Tigre passou pelo povoado saqueando, espalhando o terror e forçando a uma debandada geral da população, nem a Comissão Estratégica, também chamada de Comissão de Estradas, nem a Colônia Militar foram fatores de progresso duradouro para a região. O Governo Federal não aplicou os recursos necessários e passou Colônia Iguaçu para a jurisdição do Governo do Estadual. De qualquer forma, a presença militar na área teve os méritos de garantir a posse do território pelo Brasil, disciplinar a atividade econômica e dar segurança à população. Além de plantar essa base inicial, o fator mais importante foi à presença do Exército na fronteira. Em meio dos percalços da Colônia Militar, em 1897 foi instalada uma agência fiscal chefiada pelo capitão Lindolfo Siqueira Bastos, que encontrou a região abandonada, ou mais precisamente entregue à exploração predatória por 19 estrangeiros. Ele registrou a existência de apenas 13 casas cobertas de tabuinhas e alguns ranchos de palha. Em 1887, o Capitão Edmundo de Barros, efetuou estudos e levantou a planta dos Saltos do Iguaçu (Cataratas), organizando um plano diretor para a construção de um parque no lado brasileiro dos saltos. O Marco das Três Fronteiras inaugurado em 20 de julho de 1903 estabelece o limite territorial do Brasil com a Argentina e o Paraguai. Sua criação faz parte de um projeto juntamente com o marco argentino, através de uma comissão estratégica dos dois países. A comissão brasileira, sob o comando do general Dionísio Cerqueira, e a comissão Argentina, sob o comando do general Garmêndia. O Marco brasileiro está localizado a seis quilômetros do centro de Foz e a 23 quilômetros das Cataratas, na foz do Rio Iguaçu com o Rio Paraná. Trata-se de um raríssimo acidente geográfico, pois é o ponto de encontro estratégico onde se tem a visão total das fronteiras, ao Sul entre o Rio Iguaçu e a Argentina; e a Oeste entre o Rio Paraná e o Paraguai. O obelisco é construído em pedra e cimento, em forma de um triângulo equilátero e pintado com as cores nacionais. A área é historicamente importante pelo fato de que Foz do Iguaçu deveria se desenvolver demograficamente nesta região, conforme as determinações da antiga Colônia Militar. Em 1904, as empresas ervateiras e madeireiras argentinas Nuñes, Gibaja Martinez y Co., Juan B. Molla y Co., Domingos Barthé, Julio Tomáz Allica e outras empresas de menor porte, requerem terras junto ao governo paranaense, porém, ficaram descontente com as medições liberada, e pelo que esperavam a tanto tempo. A agência fiscal foi o embrião da Mesa de Rendas Federais, em 19 de Abril de 1905, quando foi instalada a repartição fiscal do Ministério da Fazenda (Mesa de Renda) pelo poeta e jornalista paranaense Silveira Neto (criada em 1904, pelo decreto 5292, e instalada em 1905). 20 • A direção da colônia cobrava elevada carga de impostos, ou seja, licença de casas comerciais, por quilo de erva mate, além de uma caução muito pesada no início dos trabalhos, para garantia dos trabalhos; • As medidas adotadas estavam afugentando o comércio e as explorações de mate e madeira; • A grande maioria da exportação da erva mate era contrabandeada, pois os ervais eram prodigiosos e as madeiras de excelente qualidade, a exportação era exclusivamente de cedro; • A região de Foz do Iguaçu estava praticamente abandonada como produtora de riquezas; • Não existia na sede uma única plantação de hortaliças ou árvores frutíferas, pois seria sinal de indolência; • População decrescente, pois se achando oprimida, estava mudando com as famílias, para o Paraguai. No ano de 1905, foi criada uma comissão pelo Governo Estadual, que ficou a cargo do Coronel Jorge Schimmelpfeng, para elaborar estudos e planos de povoamento e desenvolvimento para a região, o qual mais tarde viria a ser o prefeito de Foz do Iguaçu. Em 1906 havia em Foz do Iguaçu 4 estabelecimentos comerciais, as repartições do comando militar com Diretoria, uma secretaria, uma escola. Foi criado o Distrito Policial e instalado a linha telegráfica ligando Foz do Iguaçu à Guarapuava. A população era de aproximadamente duas mil pessoas, que viviam das pequenas indústrias de açúcar e aguardente, porém, a base econômica continuava a ser a exploração de madeira e erva mate. A finalidade primordial da fixação de colonos na colônia militar, era estimular o povoamento por brasileiros e proporcionar a produção de gêneros alimentícios. Mas, este objetivo não teve êxito, constatava-se que a agricultura apresentava pouco desenvolvimento, apesar da fertilidade da terra. Na agricultura, os produtos mais explorados eram o milho, feijão preto, mandioca e a cana de açúcar, não esquecendo o fumo. O arroz produzia muito bem, 21 mas não era plantado por dificuldade de se obter as sementes, o mesmo ocorrendo com outras espécies de cereais. Não havia plantação de forragem, a não ser nas propriedades particulares de apenas um só colono. Este plantava para consumo de suas tropas, empregada na exploração e transporte da erva-mate. Os colonos, desde o início, foram explorados pelos comerciantes, na comercialização da erva mate. Assinavam contrato de fornecimento sem, entretanto existir especificações dos prazos de vigência dos mesmos, as datas, eram posteriormente alteradas pelos comerciantes, explorando desta forma a ignorância dos colonos. No ano de 1910, foi criado o termo judiciário do Município, a Colônia Militar passou à condição de "Vila Iguassu", distrito do Município de Guarapuava, e neste mesmo ano o Capitão Antônio Rodrigues Portugal, faleceu e foi sepultado em Foz do Iguaçu. A administração da Colônia Militar passou a ser comandadas por seus Diretores. Estes Oficiais deram um grande impulso ao progresso da região, pelo clima de liberdade em que todos viviam e trabalhavam, em busca de prosperidade. Merece especial menção ao Capitão Edmundo de Barros pelas obras e estudos realizados por ele em Foz do Iguaçu, sendo de sua autoria o traçado da cidade que até hoje perdura. Diretores da Colônia Militar do Iguaçu: • Tenente José Joaquim Firmino; • Coronel Figueiredo Rocha; • Tenente Frederico Luiz Roszani; • Capitão Edmundo de Barros; • Capitão Alcebiades Plaisant; • Capitão Melo Nunes Pantaleão Queirós; • Capitão João Soares Neiva de Lima; • Capitão Antônio Rodrigues Portugal; • Tenente Belém Aloys scherer; • Tenente Antônio Pimenta. 22 A partir de 1911, começava a funcionar a estrada de ferro São Paulo-Rio Grande, com este acontecimento, abriu-se mais uma opção de comunicação com a região de foz do Iguaçu. O trajeto diminuía, substancialmente. Por está estrada de ferro, chegava-se até a cidade gaúcha de Uruguaiana, atravessava-se o Rio Uruguai até Passo de Los Libres, e desta cidade Argentina até Posadas, pela Ferro Carril Nordeste Argentino de 382 km. De Posadas até Foz do Iguaçu percorria-se 175 km pelo Rio Paraná. 1.6 EXTINÇÃO DA COLÔNIA MILITAR – CRIAÇÃO E INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO. Sobe a égide do controle militar, Foz do Iguaçu prosperou tanto que em 1912, o Ministério da Guerra achou dispensável a administração militar, passando-a a seus próprios cidadãos. Foi extinta a Colônia Militar e a região passou à jurisdição do Estado do Paraná, tornando-se parte do Município de Guarapuava, que ficou com a denominação de Colônia de Vila Iguaçu. O governo do Estado do Paraná enviaria o Coronel Luiz Daniel Cleve para pesquisar na sede da Colônia de Vila Iguaçu, as necessidades e condições da nova povoação e para instalar a Coletoria Estadual que foi criada em 27 de outubro de 1912. Dois anos após a extinção da Colônia Militar, a Lei Estadual no. 1383, de 14 de março de 1914, criava-se o “Município do Iguaçu”, cuja sede foi elevada a categoria de Vila com a denominação de “Vila Iguaçu”. Em 10 de junho de 1914 foi instalado o novo município, tomando posse a 14 de junho de 1914. A primeira Câmara Municipal foi composta dos seguintes vereadores Jorge de Oliveira Silveira, Fidelis Alves, Fulgêncio Pedroso de Almeida, Jorge Samwais, João Martins Boska e Ignácio de Sá Sotomaior, sendo também nessa ocasião, empossado o primeiro Prefeito Coronel Jorge Schimmelpfeng que administrou até 1920, (sendo reeleito em 06 de julho de 1920, administrou até 21 de setembro de 1924). 23 Jorge Schimmelpfeng de origem alemã saiu de Curitiba rumo a Foz do Iguaçu integrando uma comissão designada pelo governo Estadual para fazer estudos e planos de povoamento e desenvolvimento do extremo Oeste do Paraná. Apesar do ambiente inóspito e da pobreza existindo na região, decidiu plantar raízes em Foz do Iguaçu, onde se tornaria um líder de muito prestigio. Com a instalação da Vila Iguaçu, teve início a vida administrativa do futuro município. Adquirindo autonomia, a antiga Colônia Militar, sob a enérgica direção do Coronel Jorge Schimmelpfeng, conseguiu alcançar em poucos anos o progresso. Vencendo as enormes dificuldades devido à situação e o isolamento em que vivia o município, afastados centenas de quilômetros do centro de ação do Governo Estadual. Não havia gênero de primeiras necessidades, vinha tudo da Argentina, através dos navios da época: Cruz de Malta, Guairá, Iberá. Os navios chegavam 24 todas as semanas em Foz do Iguaçu, trazendo gêneros de primeiras necessidades, turistas e novos moradores. Em 1915, o Coronel Jorge Schimmelpfeng, primeiro prefeito da localidade, convidou Frederico Engel a vir para Foz do Iguaçu para explorar o turismo. Assim, no dia 15 de novembro do mesmo ano, junto com sua família, o patriarca conseguia inaugurar o Hotel Brasil, tornando-se o primeiro gerente hoteleiro da cidade. O prédio do estabelecimento era um casarão de madeira que permitia o alojamento de apenas 14 pessoas. Logo que chegou à Vila, Frederico Engel tomou conhecimento de que as terras onde se encontra o Salto de Santa Maria (descoberto por Alvar Nunes Cabeza de Vaca) pertencia a um particular, o uruguaio Jesus Val, 47 anos, casado, residente em Puerto Colán em Villa Concepción, Chaco Argentino. Recebeu da Colônia Militar um lote de 1.008 hectares para fins agrícolas. O lote do senhor Jesús Val ocupava a margem do rio Iguaçu, junto aos Saltos de Santa Maria. 25 Frederico Engel entrou em contato com o proprietário, conseguindo sua autorização para cuidar da área e explorá-la por tempo indeterminado. Alugou um sobrado velho e abandonado no local, construído no tempo da Colônia Militar, pertencente ao Sr. Leoncio Alvez, foi muito árduo o serviço de limpeza e reforma do hotel, do velho casarão. Porém, obstáculos surgiram na reforma, em primeiro lugar a falta de capital e em segundo, a aquisição do material, a madeira era toda serrada a mão e de difícil transporte. Melhorou o aspecto do velho e abandonado casarão nas proximidades das Cataratas, tornando-se o primeiro Hotel das Cataratas. Frederico Engel abriu uma picada de 18 km na mata virgem, até alcançar as Cataratas, trabalho árduo, feito a machado, foice e traçador. Tudo para facilitar o acesso dos visitantes até aquela atração turística. A condução era uma carroça de tolda, puxado por quatro animais (bois ou cavalos) e levava quatro horas quando o tempo estava bom, mas se chovia eram de seis a dez horas de viagem. Segue abaixo o relato da Senhora Elfrida E. N. Rios, publicada no Diário do Paraná, em 19 de fevereiro de 1974, de suma importância pelo seu teor histórico que este contém.10 Meu pai: Frederico Engel (brasileiro) estava estabelecido com um hotel em Posadas - Misiones, República Argentina. Os Brasileiros que por ali passavam para ir a qualquer ponto do Brasil, hospedavam-se ali para depois prosseguir a longa viagem. Naquele tempo dependíamos exclusivamente da navegação Argentina e Paraguaia. Os chamavam-se principais barcos que traziam passageiros, Iberá-Espanã-Tuizango-Salto-Eldelira-Adela Vila Franca e muitos outros traziam Víveres. O principal objetivo da navegação era trazer erva-mate, vinda de Mato Grosso, bem como de diversas firmas aqui de nossa costa que exportavam para Buenos Aires. Foi em fevereiro de 1915 que passou pelo nosso hotel o Coronel Jorge Schimmelpfeng e entusiasmou meu pai para se estabelecer com hotel na Vila Iguaçu, que era uma fonte de riqueza. Meu pai decidiu e veio sondar as possibilidades de se estabelecer. Ficou 10 Edição número 11 da revista Cabeza, julho de 2002 26 muito animado vendo um futuro brilhante, "que é hoje", e que ele não alcançou a ver, mas deu tudo de si para que o mundo conhecesse esta maravilha dos "Saltos de Santa Maria". Como grande organizador, achou que tinha de arrumar uns cômodos lá nos saltos considerando o cansativo transparente de 4 horas. Foi então informado que as cataratas eram propriedades do Sr. Jesús Val, de nacionalidade Uruguaia, residente em Puerto Colán em Villa Concepción, Chaco Argentino - Dirigiu-se a ele pedindo licença para explorar e zelar por este belo e imenso patrimônio, que hoje é o Parque do Iguaçu. Obtendo resposta imediata, dando todos os poderes a meu pai para cuidar e explorar por tempo indeterminado. Foi então que meu pai dedicou-se de corpo e alma ao serviço. Alugou um sobrado velho e abandonado, construído no tempo da Colônia Militar, pertencente ao Sr. Leoncio Alvez. Foi muito árduo o serviço de limpeza e reforma do hotel, do velho casarão. Em primeiro lugar a falta de capital e em segundo, a aquisição do material; a madeira era toda serrada a mão e de difícil transporte. Como tudo era moroso e difícil, meu pai resolveu ir abrindo caminho para as "Cataratas". Seguindo nove quilômetros pela estrada velha que conduzia a Guarapuava entrou à direita com seu pessoal na mata virgem. Abriu uma picada de dezoito quilômetros para chegar às deslumbrantes e belas "Cataratas" que jorravam dia e noite suas brancas e precipitadas águas. A três quilômetros de distância já se escutava o rumor dos saltos. Lá existia um barracão abandonado, por certo também construído no tempo da Colônia Militar. Com certeza fora habitado em algum tempo, porque tinha por perto plantações de laranjas, limoeiros, cidreiras, pessegueiros, tangenireiras, goiabeiras e bananeiras. Meu pai transformou o barracão em três cômodos para hospedar seis pessoas, uma salinha de jantar e cozinha. 27 Nunca chegou a lotar o hotel. Atacando todo o serviço logo, sentia a falta de finanças, tendo investido tudo o que possuía, sem ter lucro. Adquiriu um carro de quatro rodas puxado por quatro e até seis bois ou cavalos, para conduzir os passageiros que por uma eventualidade aparecessem. Meu pai teve de enfrentar uma verdadeira luta nesta região desconhecida e com a tremenda concorrência do hotel do Sr. Leandro Arechea, em Puerto Aguire (Argentina), que convencia a todos os passageiros que aqui não tinha hotel. Meu pai, na ânsia de vencer, começou a fazer propaganda pela desconhecida Companhia Spninter em Buenos Aires, A 15 de novembro de 1915 conseguiu inaugurar o hotel que dava comida para quatorze pessoas, deu o nome de "Hotel Brasil" e o mesmo nome ao barracão dos saltos. Os poucos passageiros que apareciam eram transportados no carro que levava quatro a seis horas para chegar às "Cataratas". Para o turista amante da natureza esse tempo passava ligeiro, contemplando a imensa riqueza da mata virgem, das aves e dos bichos. Bandos de papagaios, caterritos, tucanos, pombas, jacus, patos silvestres, araras, garças, andorinhas, passarinhos de toda espécie enchiam a mata de vida e de canto. Tinha lugares que milhares de borboletas formavam uma mancha no chão e com a passagem do carro revoavam, formando verdadeiras nuvens multicores. A fauna era rica, tinha bandos de macacos e saltitar de uma árvore para outra, quatis, iraras lagartos, lebres, veados que fugiam assustados ao ver a presença da gente. Também existiam muitas cobras, aranhas-caranguejeiras e até tigres que deixavam seu rasto marcado na lama de estrada. Afinal, não era só a vida da fauna que distraía o sacrificado "turista". Existiam maravilhosas parasitas, orquídeas em árvores frondosas de onde pediam imensos cipós. Os lindos e frondosos "Ipês", cobertores de flores amarelas e roxas. Havia um trecho só com samambaias e avencas a tremular suas folhas orvalhadas. Afinal, a picada era maravilhosa em vegetação e fauna viva. Perto das cataratas havia 28 uma extensão enorme de gigantes bambus que entrelaçavam suas pontas, formando um túnel verde. Tudo era tão lindo e atraente em dias de sol. Mas passar na mata com temporal é horrível, ouvindo cair árvores, que muitas vezes impediam a passagem, tendo de fazer desvios para caminhar, trabalho que levava horas, muitas vezes. Só quem participou como eu, dos árduos trabalhos de meu pai é que pode dar valor às dificuldades que enfrentou sem esmorecer, desejando o bem comum. Ele não era ganancioso e egoísta, o que desejava ardentemente como bom patriota, era que nossas cataratas, tão privilegiadas pela natureza, fossem conhecidas pelo mundo e visitadas pelo nosso lado. No entanto, o seu intuito estava custando concretizar-se. A conservação da estrada era indispensável, manter um guardião no hotel dos Saltos, tudo era dispendioso e dependia de muito capital e meu pai começou a sentir o peso das dificuldades da árdua luta que enfrentava. Mas ele não esmoreceu, manteve a firme esperança de um dia ver seu intuito realizado. Entretanto, o destino negou-lhe este ideal. Quem ler esta pequena biografia dos feitos do meu pai, compreenderá a seguir o motivo por que o fiz. E vamos chegando ao ponto principal da visita de nosso ilustre "Pai da Aviação". Quando o meu pai soube que ele estava hospedado do lado Argentino, foi imediatamente se entender com a autoridade máxima daquele tempo que era o coronel Jorge Schimmelpfeng, como chefe político e Prefeito Municipal. Fez ver a ele que era uma vergonha, para nós, saber tão ilustre personagem não fosse convidado para vir até à vila. Foi então organizada uma comissão, em que meu pai tomou parte e em nome da prefeitura foi convidado como hospede oficial. Aceitando o convite, Santos Dumont pisou o ermo solo brasileiro. Foi hospedado no quarto Nº 2 do nosso "Hotel Brasil". Ao meio dia de 24 de abril de 1916, foi lhe oferecida uma churrascada e logo seguiu a cavalo para as Cataratas, acompanhado pelo meu pai “Frederico Engel" e meu irmão Frederico Engel Filho. Voltando de lá, 29 dia 26 a tarde para assistir ao baile que lhe foi oferecido como uma demonstração de homenagem máxima daquele tempo. O baile foi animado pela bandinha composta de amadores e chamada “A Furiosa". Santos Dumont limitou-se a apreciar a animada sociedade que dançava em sua homenagem. Ele permaneceu a maior parte do tempo parado em uma porta perto do piano que se vê na foto do salão do hotel. Seu traje era um culote e uma simples túnica cáqui e polainas marrom, sem deixar seu clássico colarinho auto. Suportou delicadamente a festa até as quatro da madrugada do dia 27, quando se despediu cortesmente de todos e seguiu sua viagem até Guarapuava fez esta viagem sem medir sacrifício, setenta e quatro léguas, acompanhou a linha telegráfica, naquele tempo ainda não tínhamos estrada. Foi acompanhado pelo Fiscal da Prefeitura Sr. Izidro Pires (falecido) e Virgilio Mendes, soldado da Polícia, que ainda vive e mora nas proximidades de Bacacheri Curitiba. Minha narrativa estendeu-se muito para chegar ao ponto mais importante, e que talvez seja desconhecido, por nunca ter apresentado a oportunidade de um real esclarecimento. No primeiro passeio que Santos Dumont fez acompanhado por meu pai e os guias que com muita cautela levaram as pessoas mesmo através dos lugares mais perigosos, amarrados com cordas pela cintura (isto em tempos de enchente). Foi uma grande enchente que veio impulsionada pelas forças incríveis das águas uma enorme tora que ficou presa por cima do precipício do Salto Floreano. Foi pra lá que nosso hospede se dirigiu resolutamente e, ficando na ponta da tora, de braços cruzados, imóvel, extasiado contemplando a maravilhosa "Garganta do Diabo", sem medir conseqüências e nem se importando com o tempo, ali permaneceu. Meu pai conhecendo o imenso perigo, não ousava dizer uma só palavra com temor que ele se voltasse e escorregasse, caindo no precipício, pois a tora estava sempre úmida pela neblina das Cataratas. 30 É de se compreender o momento de angustia que meu pai se passou, medindo a responsabilidade que havia assumido com ele esforçando-se para trazer e vendo-o se expor a uma catástrofe. Ficou apavorado, impondo silencio aos guias, não menos assustados, por ver tão grande coragem. Pois, até aquela data, ninguém teve a coragem de subir na tora que depois desta arrojada façanha de Santos Dumont foi precipitada para o abismo, levando para o esquecimento este fato que ocorreu há 57 anos. Quando Santos Dumont voltou para a terra firme, meu pai expressou seu desespero pela imprudência que ele havia cometido, sem medir a trágica consequência. Ele bateu amigavelmente no ombro de meu pai, procurando acalma-lo disso: "As alturas não me perturbam, não se preocupe", e prosseguindo declarou: "posso dizer-lhe que está maravilha não pode continuar a um particular. Eu vou a Curitiba falar com o Presidente para providenciar imediatamente a expropriação das cataratas". Foi este o ponto principal que achei oportuno narrar. Santos Dumont sentiu-se imensamente feliz o tempo todo que lá esteve, não se cansando de contemplar as cataratas dia e noite com o luar. Como já disse ele seguiu para Curitiba com o firme propósito de lançar a ideia da expropriação. Por certo a sua ideia teve a repercussão desejada, porque logo o dono Sr. Jesús Val foi convidado a comparecer perante o Governo para tratar do assunto. Ele veio a 10 de outubro do mesmo ano. Passou aqui pela vila e entendeu-se com o meu pai. Prometeu que se recebesse a indenização daria uma gratificação ao meu pai pelas benfeitorias e conservação. Em carta de Curitiba, ele disse ao meu pai que já tinha gasto sete contos de hotel e que não podia esperar a decisão do Governo que estava muito demorada. Mas o prometido por ele seria comprido sempre, assim que ele recebesse. Até hoje não se soube mais nada concretamente, supomos que o Sr. Jesús Val tenha falecido, porque interrompeu a correspondência que mantinha com o meu pai. Ele já era um senhor idoso de grande personalidade e fina educação, mesmo revelando um caráter firme, era muito bondoso. Dessa época 31 em diante começaram a aparecer comissões do Governo e nasceram os grandes planos. O primeiro grande hotel de madeira não chegou a ser terminada, a 2 de maio de 1937 as chamas de um grande incêndio os devoraram. Acho propicio neste momento repetir as frases de Santos Dumont: "Na luta pelo progresso, só vale o sucesso". "Os contratempos e desastres, são qualidades negativas". Todos nós sabemos que ele foi dotado de uma grande coragem, durante o tempo de sua invenção, nunca esmoreceu nem se sentiu frustrado. No entanto, quando compreendeu que sua invenção estava mal empregada, na guerra, para destruição da humanidade, não teve mais vontade de viver... Mas o "Pai da Aviação" se perpetuará no coração dos brasileiros e sua invenção, através dos tempos e pelo mundo afora. Santos Dumont, interferindo na expropriação da vasta área de terra que hoje é o "Parque Nacional" merece toda admiração, não só como um inventor, mas como um homem de coração brasileiro. Sua idéia tornou-se uma realidade. Ele foi o pino da indústria sem chaminé, atraindo turistas do mundo inteiro que dão uma fonte de riqueza para o Estado e para o País. A Santos Dumont devemos este progresso, hoje, com estrada asfaltada, e hoje vai-se em vinte minutos às cataratas. As dificuldades de 1915 já ficaram nas páginas do passado. Se meu pai foi frustrado em seu ideal, não foi falta de visão, mas de recursos, pois nunca poderia competir com os planos do Governo. Fez questão absoluta de trazer Santos Dumont, e com certeza o destino já havia traçado as consequências que ele havia de passar. Santos Dumont realizou um justo ideal, meu pai abriu as clareiras para o futuro que é hoje. Não peço nada para meu pai a não ser o respeito na história do turismo da Foz do Paraná como pioneiro dos Hoteleiros com seu "Hotel Brasil". Já havia a ideia de um obelisco a Santos Dumont sobre o Salto Floriano, donde de braços cruzados contemplou serenamente as 32 Cataratas e nasceu a genial ideia da desapropriação. Agora sugiro a ideia de uma estátua de bronze, que resiste à intempérie e ao tempo, em tamanho natural de braços cruzados e seu típico chapéu, olhando para as quedas, aferrado naquele ponto, onde há 58 anos, estive vendo aquelas brancas águas precipitarem-se no abismo. Ao lado, sobre uma rocha, pode ser colocada uma placa de bronze com a legenda do intrépido brasileiro. Há quatro anos que venho me debatendo para realizar esta justa homenagem, até hoje sem repercussão. Como sou a única pessoa ligada diretamente a este fato histórico, sinto a voz da consciência me falar, em alto tom, para batalhar porque estou descendo a escada da vida e como uma sentinela aguarda a decisão da batalha que iniciei. Acho que esta estátua é uma justa homenagem ao corajoso "Pai da Aviação" que arriscando a vida subiu na tora sem se preocupar com o perigo. Tenho certeza que esta estátua será mais um atrativo para o turista, que pode sobrevoar de helicóptero e contemplá-la de perto. Tomei a liberdade de dar esta sugestão, baseada no valor que deram á minha revelação, amplamente documentada, da passagem do grande inventor pelo Paraná, publicada no Diário do Paraná, no dia 19 de Janeiro de 1974. Ao encerrar esta narrativa quero expressar minha gratidão ás Entidades Julgadoras. Premiação ao Dr. David Carneiro - Dr. Gilberto de Alves PiresGeneral - Aviador Haroldo Luiz da Costa. Todo meu reconhecimento e gratidão aos que proporcionaram tão solene festividade de encerramento do centenário de Santos Dumont, que deixou em mim um profundo sulco de saudades. Elfrida E. N. Rios Foz do Iguaçu, 19 de fevereiro de 1974. 33 1.7 PRIMEIRO CLUBE DE FUTEBOL No ano de 1915, é fundado o primeiro clube de futebol de Foz do Iguaçu, o ABC FOOT BALL CLUB, que existe até os dias atuais, cuja sede era na rua Marechal Deodoro, e hoje esta situado na Avenida Republica Argentina, com um lindo estádio. 1.8 SANTOS DUMONT E CATARATAS Assim teve inicio a historia do Parque Nacional que começa em 1916, com a passagem de Alberto Santos Dumont, o “Pai da Aviação”, o legitimo fundador. Após alguns dias em Vila Iguaçu, seguiu viagem a cavalo até Guarapuava, com destino à Curitiba, onde se encontrou com o governador, para solicitar-lhe a expropriação das terras próximas às Cataratas, a qual pertencia ao uruguaio Jesus Val. 34 Três meses após, os préstimos do percussor da Aviação, daria os primeiros resultados positivos. O Governador do Estado do Paraná Sr. Affonso Alves Camargo declara de utilidade pública, a área de 1008 hectares, às margem direita do Rio Iguaçu, junto aos Saltos de Santa Maria, através do decreto n. 653, de 28 de julho de 1916. O Prefeito Jorge Schimmelpfeng doou o terreno para construção da igreja matriz que recebeu o nome de São João Batista, em virtude da doação da imagem do Santo. No ano de 1917, foi elevado de “Termo Judiciário” para “Comarca” passando a sede, na categoria de “Cidade de Iguaçu”. Pela Lei Estadual n. 1783, foi mudado o nome de Município a Comarca de Foz do Iguaçu. Nas primeiras décadas de existência, os avanços do novo município foram penosos, lentos e pequenos, a região era pouco habitada. No Rio Paraná não havia navegação nacional, a cidade de Foz do Iguaçu era servida por um porto que não passava de uma simples rampa em local de difícil embarque e desembarque. A população só tinha contato com a civilização quando aportava algum navio, as pessoas que podiam saiam correndo em direção ao porto. Toda mercadoria consumida em Foz do Iguaçu, vinha da Argentina, através de navios vapores. Tudo entrava livremente na cidade, tanto alimentação, vestuário, móveis de casa. Eram nos vapores que a população fazia as suas encomendas, os proprietários dos navios, eram geralmente comerciantes argentinos. A tarefa da Comissão Estratégica, porém, se revelou acima da capacidade e dos recursos necessários, não foi além de aberturas de alguns trechos que não passavam de picadas. A tão sonhada e reivindicada Estrada Estratégica para ligar Foz do Iguaçu à Capital do Estado só tomou forma, ainda muito precária no ano 1920, graças ao empenho do então "presidente" do Paraná, Affonso Alves de Camargo. Mais que uma obra planejada e executada por máquinas, a estrada foi resultado de mutirões da própria população ao longo do trajeto e da ação dos viajantes que, para transpor obstáculos, foram, ao longo do tempo, abrindo e melhorando trechos do caminho. 35 Faltavam estradas e comunicação. A antiga estrada ligando Foz do Iguaçu a Ponta Grossa através de Catanduvas e Guarapuava era de trânsito dificílimo em época de estiagem e simplesmente impraticável em época de chuva. O transporte de passageiros era feito quase exclusivamente por barcos estrangeiros que trabalhavam com frete de erva-mate e madeira. Nesta época foi aberta a agência do correio brasileiro em Foz do Iguaçu, o estafeta deslocava-se a cavalo por aproximadamente duzentos e vinte quilômetros numa rota entre Foz do Iguaçu e Catanduvas, duas vezes por mês. As correspondências seguiam de Catanduvas para Laranjeiras do Sul e Guarapuava, para chegarem aos seus destinos. Entretanto, o isolamento em que vivia a localidade, facilitava o relacionamento entre os indivíduos das diversas classes sociais, as diversões mais populares eram os “bailaricos”11, ao som da sanfona, dançavam ricos e pobres, patrões e empregados. Outro tipo de diversão encontrado em Foz do Iguaçu, sob a influência paraguaia, eram os velórios. Por incrível que possa parecer a um indivíduo brasileiro, os peões paraguaios transformavam esse ato triste e lamentável para os brasileiros, em um baile. É o que eles chamavam de “fazer quarto a defuntos”. O velório consistia em jogo de baralho, comes e bebes e frequentemente baile. Este ocorria não exatamente por ocasião do velório e sim logo após o sepultamento, quando os parentes e conhecidos velavam a cruz, que seria depositada na sepultura. Ai então a “farra” era colossal. Estas cerimônias ou diversões reuniam tanta gente que, para realizá-las, era preciso até licença da autoridade policial. Em 1922, foi fundado em Foz do Iguaçu, o Centro Espírita Paz, Amor e Caridade, na Rua Quintino Bocaiúva, uma sociedade com caráter beneficente, baseado na doutrina de Alan Kardec, o primeiro presidente foi José Vicente Ferreira. 11 Bailes populares. WACHOWICZ, Rui Christovam. 36 1.9 RELIGIÃO As diferentes religiões têm amparo na zelosa ação sacerdotal, em templos suficientes, onde a fé se confirma e reanima. Este era o marco inicial da pregação cristã no Município de Foz do Iguaçu, o qual deve-se á presença esporádica de missionários argentinos, advindos de Posadas (Cidade Argentina), e que enfrentaram inúmeros obstáculos que as condições naturais lhes ofereciam, opondose a instituição do dogma cristão. A confirmação da doutrina cristã veio da Cidade de Guarapuava com a visita do Padre alemão Guilherme Munster no ano de 1918, atendendo a solicitação antiga dos moradores locais. Nos anos seguintes, vieram outros padres missionários, que em viagens penosas no lombo de animais, prestavam grandes ajuda e conforto espiritual aos moradores, os padres pernoitavam onde achavam hospitalidade, comiam o que lhes ofereciam, dormiam com roupas molhadas, rezavam missas em ranchos de bambu, batizavam crianças e legitimavam casamentos. Em 1922, o Padre Guilherme Maria Thiletzek, por ordem do Bispo de Curitiba, D. João Francisco Braga, fez uma viagem a Foz do Iguaçu, para estudar as possibilidades da criação de uma paróquia, ou um curato, para atender as necessidades especiais da comunidade. O Padre Guilherme entusiasmou o Governador do Estado do Paraná Sr. Caetano da Rocha, a fundar uma escola em Foz do Iguaçu, a qual seria dirigida por padres, e que tem até os dias atuais o nome do Padre (Colégio Monsenhor Guilherme). No dia 26 de setembro de 1923, foi nomeado o Padre Guilherme como encarregado da igreja de Foz do Iguaçu, que chegou acompanhado pelos Padres João Progzeba e do Irmão Bianchi. A pequena capela erguida nos primórdios da colonização, não era suficiente para atender ao grande número de religiosos que surgiu. Durante a Revolução Paulista, entre os anos de 1924 e 1925, que se iniciou em São Paulo e que terminou no Paraná, a vida do novo curato e de toda a região foi muito perturbada, sendo que muitos moradores perderam tudo. 37 Com o fim da revolução, durante a Semana Santa de 1925, a população organizou uma solene missa em ação de graças pela libertação e depois grandes festejos. Soltaram muitos foguetes e um deles caiu em cima do telhado da Capela Matriz, que em poucos minutos estava em chamas. Com a igreja destruída foi necessário solicitar subvenção para a construção de uma igreja maior e mais bela. E em 24 de junho de 1925, foi solenemente benta e colocada a pedra fundamental da nova matriz. Então iniciou-se a construção da Igreja São João batista, padroeiro da cidade, a mesma que existe ainda hoje e que é a catedral do bispado de Foz do Iguaçu, a construção dessa catedral foi uma tragédia, muita vagarosa, muitas vezes interrompida ficando inacabada durante anos e anos. Situada à Av. Jorge Schimmelpfeng, centro, a construção da Igreja Matriz teve três fases distintas: 1ª fase: Concluída em 1940 - Parte que caracteriza o Presbitério, sem a torre. 2ª fase: 1950-1952 - A nave principal com torre. 3ª fase: 1978 - Laterais atuais. Dados Históricos importantes da Catedral (Matriz): 14/12/1916 - Doação do terreno da Igreja pelo Prefeito Jorge Schimmelpfeng; 04/1925 - Chega de Curitiba a licença para construção da Igreja de alvenaria; 03/05/1925 - Incêndio da Igreja, devido à queda de um foguete no telhado; 24/06/1925 - Foi solenemente benta e colocada a pedra fundamental da nova Matriz; 25/12/1952 - Os sinos da Igreja soaram pela primeira vez pelo padre Dom Manoel Konner. 1.10 REVOLUÇÃO PAULISTA E A COMUNIDADE DE FOZ DO IGUAÇU A revolução paulista teve início em São Paulo, desencadeada pelos jovens oficiais do exército, conhecida como tenentismo, devido aos desmando imposto 38 pelos detentores do poder político, o qual tentou mudar o comportamento dos cidadãos através das armas. Os militares revolucionários exigiam a moralização da administração pública, principalmente após Artur Bernardes ser eleito presidente do Brasil em 1922, tido na época como símbolo da corrupção e da fraude. Em 21 de setembro de 1924, é eleito para Prefeito Municipal o Sr. Jorge Samways, e no dia 24 desse mesmo mês teve que abandonar a cidade, que foi tomada pela tropa revolucionária da Coluna de Luiz Carlos Prestes, e seus comandados, General Isidoro Dias Lopes, Tenente João Cabanas, Juarez Távora, que mais tarde tornou-se general do exército brasileiro e candidato a presidente da república em 1955, Coronel Estillac Leal, Felinto Mueller, Siqueira Campos e outros, vindos de Guairá pelo Rio Paraná. Transladaram-se as autoridades e grande parte da população para a vizinha Cidade de Puerto Aguirre (atual Puerto Iguaçu) República da Argentina, na outra margem do Rio Iguaçu. As autoridades argentinas receberam os foragidos, localizando-os na região onde hoje está o Marco Argentino, e nesta região os iguaçuenses construíram cerca de 50 cabanas, formando uma pequena aldeia. O revolucionário Tenente João Cabanas, na passagem da Coluna Prestes pela região, vendo as condições sub-humanas da gente de “Obrages” sendo um sistema de quase escravidão, mandou prender e fuzilar muitos dos capatazes e jagunços, incendiando e destruindo totalmente as áreas de exploração, não pegou os patrões porque estes avisados fugiram antes da chegada dos revolucionários. A cidade de Foz do Iguaçu era alvo principal dos militares, por sua posição estratégica no Oeste paranaense, os revolucionários foram embora mais deixaram saudades para a população que permaneceu na cidade, trazendo grandes benefícios para a cidade, a presença das tropas de revolucionários gaúchos e paulistas fez com que Foz do Iguaçu fosse integrada oficialmente ao mapa do Brasil. Oficialmente, a história dos rios que formam a tríplice fronteira é marcada por três grandes tragédias. A maior delas aconteceu em 1924, quando um navio a vapor explodiu no Rio Iguaçu, matando pelo menos 120 passageiros. 39 A população da cidade de Foz do Iguaçu ficou exilada durante a permanência das tropas da revolução paulista até abril de 1925, na Argentina, o Prefeito Jorge Samways, foi reempossado em 6 de maio de 1925, pelo Coronel João Baptista Pires de Almeida, legalista que a 19 de abril do mesmo ano tomara e ocupara a cidade. No final de 1925, Foz do Iguaçu recebia a visita do ilustre sertanista, o Marechal Mariano Cândido Rondon, que viaja por todo Brasil com a finalidade de demarcar o território brasileiro. Oficializou o Marco Brasileiro na região das três fronteiras, demarcando o território nacional junto a Paraguai e Argentina. 1.11 CONSTRUÇÃO DO HOSPITAL DE CARIDADE Em março de 1926 o Governo do Estado prometeu uma boa ajuda para a construção de um hospital de caridade em Foz do Iguaçu. Não se sabe se a ajuda foi concedida, mas em 24 de outubro de 1926 foi colocada a pedra fundamental do hospital, dedicado pelo padre Guilherme Thiletzek a São Rafael. A construção do hospital passou pelas maiores dificuldades, só anos depois foi concluída a obra, e que hoje é o atual Hospital Santa Casa Monsenhor Guilherme. 1.12 FUNDAÇÃO DO 1º GRUPO ESCOLAR O Grupo Escolar “Bartolomeu Mitre” foi criado em 1927 pelo Governador do Estado do Paraná Sr. Caetano Munhoz da Rocha, com a denominação de Grupo Escolar “Caetano Munhoz da Rocha”, sendo na época Prefeito do Município o Sr. Jorge Samways. Até 1952, o grupo funcionou em prédio próximo a Praça Getulio Vargas, após está data começou a funcionar em instalações própria na Av. Jorge Schimmelpfeng. Somente no Governo seguinte é que passou a denominar-se Grupo Escolar “Bartolomeu Mitre”, em homenagem ao bravo General argentino, pelo seu 40 desempenho nas lutas da “Tríplice Aliança” em 1865, que durante a guerra impediu que as tropas paraguaias cruzassem o território argentino para invadir o Brasil. O Grupo Escolar “Bartolomeu Mitre” foi instalado em 15 de novembro de 1927, tendo iniciado suas aulas no dia 15 de janeiro de 1928, com o seguinte Corpo Docente: • Diretor: Monsenhor Guilherme Maria Thiletzek; • Professores: Jorge Worth, José Winks, Aretuza Reis e Silva, Francisca Vesini, Ottília Schimmelpfeng, Iguassuina Ferreira e Mercedes Braga. • Serventes: Noemia de Oliveira e Catulinia Moreira • Primeiros formandos: Rui Ferreira, Valdemar Feiertag, Maria Dolores A. Padilha, Agripina Vera, Alberto Rangel Baptista, Rufino Lafuente e Antonio Ayres de Aguirra. O estabelecimento de ensino foi pioneiro na região em vários cursos: • 1951 – Curso Normal Regional – nível ginasial; • 1952 – Curso Ginasial – Ginásio Estadual Monsenhor Guilherme; 41 • 1957 – Abrigou o curso normal – Escola Normal Iguaçu; • 1969 – Foi criado o Ginásio Estadual Dom Manoel Konner com curso supletivo, que no ano seguinte passou para o estabelecimento do Grupo Escolar Bartolomeu Mitre; • 1977 – Foi extinto o Ginásio Estadual Dom Manoel Konner neste estabelecimento passando para a cidade de Santa Terezinha de Itaipu, e neste ano o Grupo Escolar Bartolomeu Mitre passou para Escola Bartolomeu Mitre com Ensino Regular e Supletivo de 1º Grau. • 1981 – Recebeu autorização para funcionar com classes especiais; • 1982 – As classes especiais passaram para o estabelecimento na Rua Marechal Floriano, na APASFI (Associação de Pais e Amigos dos Surdos de Foz do Iguaçu). • 2001 – A fachada foi revitalizada em uma ampla reforma, onde foi implantado a Praça das Nações, e ponto de encontro da comunidade, valorizando a arquitetura do Colégio Bartolomeu Mitre. 1.13 CRIAÇÃO DO 1º CLUBE SOCIAL DE FOZ DO IGUAÇU A ideia de criação de uma entidade sócio recreativo em Foz do Iguaçu nasceu na palavra do Engenheiro Lídio de Albuquerque. No decorrer do ano de 1928, a ideia logo se inflamou e deflagrou no seio daquela gente que sentia a necessidade de um centro recreativo para lazer e o bem estar de suas famílias. O nome “Oeste Paraná Clube” foi sugerido por um dos participantes do grupo o Sr. Rômulo Trevisan. A data de 10 de junho de 1928, aniversário do Município foi escolhida para a fundação oficial do Clube, e seu primeiro presidente, foi o Sr. João Evangelista Reis. Inicialmente a sede foi instalada em terreno pertencente à família Schimmelpfeng, na Avenida Jorge Schimmelpfeng, entre a Avenida Brasil e a Rua Almirante Barroso. O parque esportivo após algum tempo fora situado em terrenos cedidos por empréstimo pelo Sr. Adolf Klein. 42 Antes da fundação do clube, as reuniões sociais eram realizadas em casas de família, sendo chás, saraus, bailes e etc., também existiam os bailes populares realizados num espaço de chão batido, com o acompanhamento de um gaiteiro e um violeiro. Nesses bailes todos se divertiam até raiar o dia, sem distinção de classes.12 1.14 INÍCIO DOS PREFEITOS NOMEADOS Quando, por força de ato constitucional, os Prefeitos passaram a ser de nomeação. Ocuparam, a seguir, o cargo de Prefeito Municipal, os seguintes cidadãos: • Dr. Heleno Schimmelpfeng, assumiu em 21 de setembro de 1928, em vista de não ter sido nomeado Prefeito, e por ser o camarista mais votado, foi Prefeito até 21 de setembro de 1930. • Sr. Jorge Samways, assumiu em 21 de setembro de 1930 como substituto. • Sr. Júlio Passa, assumiu em 22 de dezembro de 1930, nomeado por decreto n. 629 de 02 de dezembro de 1930, do Senhor Interventor Estadual General Mário Tourinho. • Dr. Othon Maeder, assumiu em 09 de março de 1931, nomeado por decreto n. 380, de 05 de fevereiro de 1931. • Sr. José Werner, assumiu em 09 de novembro de 1931, como substituto. • Capitão Dr. Felippe de Souza Miranda, nomeado por decreto n. 450 de 24 de fevereiro de 1932, e assumiu em 07 de março de 1932. • Dr. Antônio de Souza Mello Júnior, assumiu interinamente, de 09 de setembro de 1932 à 05 de janeiro de 1933. • Sr. Otto Trompczynski, como substituto, assumiu em 05 de janeiro de 1933. 12 LIMA, Nelci Dal Bó 43 • Dr. Antônio de Souza Mello Júnior reassumiu em 31 de janeiro de 1933, nomeado por decreto n. 18 de 04 de janeiro de 1933. • Sr. Jorge Samways, nomeado por decreto 3535 de 18 de dezembro de 1933, assumiu em 28 de dezembro de 1933. Na revolução de 1930, o correio ficava até 24 horas por dia aberto para receber telegramas e guardar sigilo das notícias. O pessoal ficou apavorado quando soube que Quincas Nogueira havia desembarcado em Guaíra com 5.000 homens e logo em seguida marcharia para Foz do Iguaçu. E por isso muitos habitantes fugiram para a Argentina, mas retornaram poucos dias depois. A situação de Foz do Iguaçu experimentou alguma melhora a partir da Revolução de 1930, no sentido de sua maior inserção econômica, política e social no Paraná. Foi nomeado interventor Federal no Estado o General Mário Tourinho, que tomou medidas enérgicas para a nacionalização da fronteira, num movimento de "marcha para o oeste"13 incentivado pelo governo federal também em outras regiões do país. Tourinho tornou obrigatório o uso da língua portuguesa e da moeda nacional no comércio e nos serviços públicos, e nacionalizou latifúndios, e nomeou para o cargo de prefeito de Foz do Iguaçu, o Engenheiro Othon Maeder, e em seguida o Tenente Gregório Rezende, da Força Pública do Paraná, para nacionalizar a região de Guairá. As primeiras medidas administrativas tomadas pelo Prefeito Othon Maeder, para a cidade romper com o castelhano ou guarani, idioma falado na região, foram: • Toda correspondência oficial, requerimentos, abaixo-assinado, etc, dirigidos à prefeitura de Foz do Iguaçu, deveriam ser redigidos no idioma nacional, ou seja, português. • Todos os anúncios comerciais, listas de preços, avisos, tabuletas, escrito em idioma estrangeiro, precisaria o correspondente em português. • As listas de preços das casas comerciais de Foz do Iguaçu, deveriam constar os preços em moeda nacional. 13 WACHOWICZ, Rui Christovam. 44 • As taxas e impostos cobrados pela prefeitura teriam que ser pagos com a moeda brasileira. • Todo dinheiro estrangeiro no cofre da prefeitura de Foz do Iguaçu, (5.200 pesos argentinos), seria cambiado em moeda brasileira, em Posadas, Capital de Missiones na Argentina a 350 km, de Foz do Iguaçu, e depositado em um banco na capital do Estado do Paraná. • Todas as repartições públicas e entidades sociais receberiam gratuitamente jornais de Curitiba, para a população tomar conhecimento do que se passava nos meios políticos e sociais da Capital. Para desenvolver a região, interventor Federal no Estado o General Mário Tourinho propôs medidas como criar em Foz do Iguaçu uma Prefeitura Especial por dez anos, com direito a ficar com toda a arrecadação de impostos estaduais e federais. Pretendia, com empréstimo do Banco do Brasil, construir um centro turístico que seria também uma nova cidade. Queria sanear a região, nacionalizar a população e implantar o ensino público, porém não obteve êxito no plano de desenvolvimento da região. O General Mário Tourinho anulou as concessões de terras já efetuadas para as companhias colonizadoras do Rio Grande do Sul, passando a posse ao governo do Estado. As colonizadoras, porém, fizeram um "lobby" junto ao governo federal, pressionando para continuarem com carta-branca para colonizar o Oeste do Paraná com gaúchos e catarinenses. Isso valeu ao general Tourinho a exoneração do cargo de interventor federal no Estado. A partir da década de 30, foram chegando os primeiros agricultores do Rio Grande do Sul, dando início a um novo ciclo de ocupação com a instalação da agricultura na região do extremo-oeste paranaense e consequente expansão da fronteira. No início, a estrutura fundiária era baseada na pequena propriedade, e muitas vezes, era apenas de subsistência. Entre o final da década de 30 e o início da de 40, no governo de Getúlio Vargas, foi o primeiro mandatário que mostrou consciência com a importância da região oeste, a Estrada Estratégica ligando Guarapuava à Foz do Iguaçu recebeu 45 significativas melhorias e novo traçado, mas tudo continuou precário e exposto a deterioração por falta de conservação. A implantação do sistema viário, ainda que precário, permitiu a dinamização da agricultura, favorecendo a comercialização do excedente agrícola e incentivando o aumento da produção de culturas extensivas de grãos com vistas à exportação. Como reflexos destes fatos associados, temos um aumento na demanda por bens manufaturados com consequente crescimento no número de estabelecimento comerciais. Por volta de 1930, 15 anos após de terem recebido a visita do Pai da Aviação, Santos Dumont, os moradores do "fim-de-mundo" como eram chamados, tiveram a ideia de recorrer ao avião na luta contra as limitações impostas pela distância e falta de comunicação. Lideranças da pequena comunidade de então tomaram Foz do Iguaçu e Guairá nas rotas de vôo do Correio Aéreo Militar. A Companhia Mate Laranjeira usava o Rio Paraná apenas para exportar seus produtos para Argentina, cujos produtos vinham do Mato Grosso, estas firmas que tinham as famosas “Obrages” não tinham interesse em colonizar a região, apenas de explorar os recursos até a exaustão, quando estes recursos terminavam, mudavam-se para outra região, deixando um rastro de devastação. As autoridades brasileiras se submetiam, ou por pressão, ou por dinheiro, a essas poderosas companhias. A companhia Mate Laranjeira, possuía uma linha de estrada de trem ligando Guairá à Porto Mendes, não permitindo o uso de particular, essa companhia era tão poderosa que possuía o seu próprio dinheiro. 1.15 CAPITANIA DOS PORTOS DO RIO PARANÁ A Marinha do Brasil foi presença marcante no Oeste do Paraná, inicialmente instalando uma (assim chamada) Agência em Guairá, no ano 1930, ponto de intenso tráfego fluvial pelo rio Paraná, na parte norte dos saltos de Sete Quedas. Três anos depois (1933) foi instalada em Foz do Iguaçu a Delegacia da Capitania dos Portos do Estado do Paraná, que havia sido criada ainda em 1924 por Lei Federal. 46 Em 1940 passou a se chamar Capitania Fluvial dos Portos do Rio Paraná, e em 1978 perdeu a nomenclatura "Fluvial" e ficou sendo, ainda hoje, capitania dos portos do Rio Paraná, cuja sede ocupa uma área de 4.237,89m2, ou 95,50m2 x 44.375m2, perto da barraca do rio Paraná, entre a Rua Rio Branco, Praça Almirante Tamandaré, e Ruas José Bonifácio e 14 de Março. A Delegacia tinha como comandante a ocupar o cargo, o tenente da Marinha Nereu Chalréu Correa. Certamente muitos notáveis oficiais da Marinha passaram por Foz do Iguaçu no comando da Delegacia, depois da Capitania dos Portos, mas vale ressaltar a figura de Júlio de Sá Bierrenbah, que chefiou a unidade nos anos de 1956 e 1957, alcançando depois a patente de almirante, a mais alta hierarquia, e o posto de ministro de Superior Tribunal Militar, onde, nos últimos anos do regime militar que governou o Brasil de 1964 a 1985, se notabilizou pela liberdade, senso de justiça, espírito democrático e de respeito aos direitos humanos no julgamento de cidadãos processados com base na autoritária Lei de Segurança Nacional. Conforme portaria da Marinha baixada em 1978 conferiu à Capitania dos Portos do Rio Paraná jurisdição sobre área do Estado do Paraná compreendida entre o alinhamento estabelecido pelas cidades de Ribeira, Curitiba, Rio Negrinho e o rio Paraná. 1.16 A CHEGADA DA COMPANHIA ISOLADA (EXÉRCITO) A extinção da Colônia Militar, fez com que os mais eminentes cidadãos locais, manifestassem o desejo de que as forças Armadas estabelecessem uma de suas unidades em Foz do Iguaçu. Todavia, os apelos só puderam ser atendidos em 1932, com a criação da companhia isolada de Foz do Iguaçu. Em julho de 1932, numa tarde de inverno, desembarcavam em Foz do Iguaçu 125 homens que iriam constituir a companhia para ali destacada. O governo brasileiro voltou a ocupar-se da integridade territorial e da soberania nacional sobre o extremo Oeste do Paraná, dizem os registros do 47 Batalhão. Em 1932 cogitou-se, de novo, sediar tropa do exército nesta localidade, pois, com a extinção da Colônia Militar, e colonização desta região, já que era realizada por elementos alienígenas, não contou com elemento aglutinante, como o Exército Nacional, chegando ao ponto de a moeda corrente ser o peso argentino. Assim foi criada a 1ª Companhia Independente de Fronteira, em 13 de maio de 1932. A missão da Companhia Independente de Fronteira era a mesma da Colônia Militar, ocupar fisicamente a fronteira Oeste do Paraná. Para isso, distribuiu vários destacamentos ao longo do rio Paraná, até perto de Guairá, onde outro Batalhão foi instalado. (A unidade militar chamava-se Companhia Independente porque, na estrutura do Exército, uma companhia é normalmente subordinada a um batalhão, mas esse não era o caso de Foz do Iguaçu, que não integrava qualquer batalhão, e sim era subordinada diretamente à 5ª Divisão de Infantaria da época, hoje 5ª Região Militar) Foz do Iguaçu em particular e a região em geral têm uma fisionomia militar. Nasceu e cresceu à sua sombra. A companhia foi organizada pelo Tenente Erasmo Gonçalves Cordeiro. A 14 de julho de 1934, a companhia isolada licenciava a primeira turma de reservista. Em 14 de abril de 1936, passou a contar com um efetivo de seis oficiais e cento e sessenta praças, em 30 de agosto do mesmo ano instalou-se em novo quartel. 1.17 INÍCIO DA AVIAÇÃO EM FOZ DO IGUAÇU Em 1934, iniciaram-se os trâmites para aquisição de uma área de terra destinada ao campo de aviação de Foz do Iguaçu, com o objetivo de colocar em pratica o plano de estabelecer uma linha de Correio Aéreo Militar até Guairá. As condições topográficas do terreno de uma chácara de propriedade de Fulgêncio Pereira influíram na demarcação do local. Num momento inesperado, a 23 de março de 1935, aterrissou o Lindemberg, pilotado pelo Capitão Hortêncio, fazendo a linha Curitiba – Foz do Iguaçu era um 48 rudimentar aparelho Lindemberg, do Correio Aéreo Militar, que, com a criação do Ministério da Aeronáutica em 1941, passaria a se chamar Correio Aéreo Nacional. Segundo SHIMMELPFENG “ouviu-se um estranho ruído no ar, despertando a atenção de todos que, saindo à rua, viam extasiados um aviãozinho militar evolucionando no céu, qual uma ave desconhecida num vôo de reconhecimento migratório. Quanta gente correndo para ver o tal avião! Era preciso tocar, certificarse de que era algo real, palpável, descobrir o mistério daquele objeto pesado que voava tão leve como um pássaro". Começando com vôos semanais, foi tão importante aquela vitória sobre a distância que, já no ano seguinte, Foz do Iguaçu resolveu prestar uma homenagem aos aviadores com a Festa da Asa, prestigiada por uma esquadrilha de aviões vindos de Curitiba e Rio de Janeiro. Precursora da Esquadrilha da Fumaça, aquela formação brindou o povo com acrobacias que deixaram todos estupefatos. A Companhia Pan American Airways iniciou em 1938, a rota Rio-AssunçãoBuenos Aires uma vez por semana, com passagem por Foz do Iguaçu, através deste vôo a cidade recebeu turista ilustres como Walt Disney, Henry Ford e Grece Moore, sendo que mais tarde a Pan Am deixou de fazer a rota, substituída pela Pan Air. 1.18 PREFEITOS NOMEADOS E ESTADO NOVO Em 1935, pelo novo regime constitucional, foi eleito novamente o Sr Jorge Samways para Prefeito Municipal. Com o evento do Estado Novo em 1937, foi ele mantido no Governo de Município, permanecendo até 10 de junho de 1938. A partir de 1938 inicia-se a era dos prefeitos nomeados pelo Exército Brasileiro, devido a região de Foz do Iguaçu transformar-se em área de fronteira. • Tenente Manoel Diniz, Prefeito e Delegado, assumiu em 10 de junho de 1938. • Capitão Melquiades do Vale, Prefeito e Delegado, em 10 de julho de 1939. • Tenente Abílio Antunes Rodrigues, Prefeito e Delegado, assumiu em 09 de agosto de 1940. 49 • Capitão Miguel blasi, Prefeito e Delegado, assumiu em 18 de setembro de 1940. • Capitão Melquiades do Vale, Prefeito e Delegado, assumiu em 09 de março de 1941. • Major Artur Borges Maciel, Prefeito e Delegado, nomeado por decreto n. 955, de 20 de agosto de 1942, assumiu em 03 de setembro de 1942. • Tenente Nelson Nascimento Ribeiro, Prefeito e Delegado, assumiu em 08 de março de 1943. Mas, como sempre acontece, triunfou a coragem e a tenacidade daqueles que tinham em mente o verdadeiro desenvolvimento de Foz do Iguaçu, outros que tinham interesses opostos foram derrotados. E desse caldeirão de vontade e determinação, surgiu o primeiro comércio, pequeno, simplório, limitado, mais a base de troca, isto é, mercantilismo nato, que foi crescendo, ampliando-se e aumentando a variedade de artigos mercantis, até que surgiu o primeiro grande empório, de propriedade do Coronel Jorge Schimmelpfeng, já citado o primeiro Prefeito de Foz do Iguaçu. O comércio cresceu com a cidade, ambos desenvolveram-se simultaneamente, muitas vezes impedidos pelos fatores naturais, pois quando as chuvas chegavam, não vinham as mercadorias, sendo necessário apelar à navios argentinos, para suprir parte das verdadeiras necessidades da população, e o comércio não tinha como atender a demanda. Surgiu então, como um anjo de alerta e salvador, o correio aéreo nacional, o sublimado Correio Aéreo Militar, que trazia no bojo dos seus aviões, a princípio pequenos Beechs de Cabine, mais tarde os bojudos Fairchild, e logo depois os enormes Douglas DC-3, que supriam de mercadorias mais urgentes e de maior necessidade para a população aflita. E nesses momentos cruciais de luta e atitudes decisivas, destacou-se a plêiade mais valorosa de comerciantes de homens que amavam sua terra, tais como Holler, Wandscher, Messomo, Agostini, Ferreira, Rodinski, Risden, Bernardi, Basso, Rouwer, Singh, Santos, Maia, Comi, Araújo, Cogo, Otembra, Werner, Keller, Boiarski, Castelli, Carinzio, Geraldino, Walter, Sétimo, Padilha, Zambrzicki, 50 Domareski, Dona Elfrida, Gomes, até a velha companhia Mate Laranjeira e tantos outros. Os comerciantes estabelecidos na avenida Brasil, especificamente no caso de padaria, a massa era feita com cilindros manuais e a produção de pães era artesanal. O trigo vinha de Ponta Grossa e da Argentina. O estabelecimento vendia desde produtos alimentícios até querosene em litro, graxa para carro, soda cáustica, armarinhos, sapatos, roupas, acessórios como capas e chapéus. As mercadorias vinham de Ponta Grossa no caminhão do Sr. Fardoski, que eram encomendadas de caixeiros viajantes. Os armazéns vendiam de tudo, era comum vender querosene, por exemplo, e ter que ir correndo lavar as mãos para vender pão logo em seguida. Mais havia ainda um enorme hiato entre as verdadeiras necessidades de consumo e os artigos que os comerciantes poderiam vender, até mesmo entre estes havia flagrantes de desigualdades de interpretação. Nasce então no coração de um daqueles comerciantes, o desejo de uni-los para que em uníssono, pudessem coordenar seus anseios e expectativas, e assim poder organizar um “Pool” de atendimentos e reivindicações que satisfizessem realmente a população. Este comerciante foi Pedro Basso, mas talvez a idéia não fosse a primeira, mas foi, sem quaisquer dúvidas, a vez em que se concretizou aquela idéia. Em 19 de janeiro de 1939, foi criado o Parque Nacional pelo decreto do Presidente Getúlio Vargas, o Parque Nacional do Iguaçu, - "berço" das Cataratas do Iguaçu. O parque tem uma área de 156.235.77 hectares. Seus limites situam-se desde o rio Gonçalves Dias, com nascente em Santa Tereza de Itaipu até o rio São 51 João, além das Cataratas. É administrado pelo Ibama - Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis e do Meio Ambiente. 1.19 MARCO INICIAL DO POTENCIAL HIDROELÉTRICO Situada próxima ao Museu do Parque Nacional do Iguaçu, a Usina do Rio São João representa uma volta ao passado, uma pequena excursão pela história, quando a tecnologia utilizada na construção das usinas geradoras de energia era rústica, impossível de ser imaginada nos tempos atuais. Porém, foi um passo importante na história do município a construção da Usina do Rio São João, a qual se destaca pela tecnologia da época, utilizada no domínio da energia elétrica no Paraná, através do trabalho de centenas de homens há quase meio século. Assim, no início da fase de colonização, na década de 30 foi construída a primeira usina que gerava energia hidráulica em Foz do Iguaçu. Represada no pequeno Rio São João, fornecendo energia a cidade por um período de 11 anos. O carioca Ângelo Murgel, foi o responsável pelo projeto arquitetônico da usina e a execução ficou a cargo da empresa Dolabela e Portela, na época especializada em construção de hidrelétricas. Na construção da Usina, praticamente todo o material utilizado era recolhido na região, e os equipamentos foram importados da Suíça pelo Governo Federal. Considerados de grandes dimensões na época, os equipamentos desembarcavam no Porto de Santos, sendo transportados de trem até Presidente Epitácio, interior de São Paulo e pelo rio Paraná em barcas especiais até Guaíra. De Guaíra à Foz do Iguaçu eram transportados em carros com tração animal. O início da obra aconteceu em 1936 e foi inaugurada em 1942, operada pelo pessoal lotado no Parque Nacional, em funcionamento até os dias atuais (recuperada) e aberto a visitação. Ela é constituída de dois geradores Ateliers de fabricação Suíça produzida pela Derlikon de Zurique, de 380 volts e 320 ampères, 210kva e 1.000 RPM com freqüência de 50 ciclos cada um. Tal funcionamento foi 52 decorrente de um acordo firmado entre o Parque Nacional e o DAEE – (Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado do Paraná). Os quase sete anos de obras da Usina ocorreram sem registros de acidentes de trabalho. Depois de concluída a Usina serviu por vários anos como única fonte de energia para alimentar toda a estrutura do Parque Nacional do Iguaçu, além de parte de Foz do Iguaçu. Este abastecimento ocorreu até 1957, e a partir desse período passou a suprir apenas a necessidade do Parque. Contrato cancelado em 1954, quando foi construída a usina termoelétrica M’Boicy na cidade de Foz do Iguaçu, localizado na baixada do M’boicy, que posteriormente foi fechada em virtude da construção da Usina do Ocoí, hoje submersa pelo Lago de Itaipu. 1.20 TERRITÓRIO DO IGUAÇU No período de 1942, a cidade de Foz do Iguaçu foi decretada zona de guerra, existindo varias famílias alemãs e italianas, que foram transportadas para áreas especiais nas cidades de Guarapuava e Ponta Grossa. Os colonos alemães e italianos passam a ser controlados pela policia militar e civil, existindo o temor que estariam trabalhando como espiões para os nazistas e fascistas. O Território Federal do Iguaçu seria criado em 1943, em decorrência da Constituição de 1937, o qual estabeleceu que a faixa de terras de 150 km ao longo da fronteira não poderia ser comercializada nem receber estradas ou colonização sem autorização do Conselho Superior de Segurança Nacional. O decreto de criação do Território não definiu sua sede. Nos primeiros oito meses, a sede foi Foz do Iguaçu, mas o governador do Território resolveu mudá-la para Laranjeira do Sul, sob o argumento de que ficaria "mais próximo da civilização". Em 13 de setembro de 1943, foi criado o Território do Iguaçu, pelo decreto n. 5812, passando o Município a fazer parte do mesmo, cuja capital foi localizada em Laranjeiras do Sul que passou a denominar-se “Iguaçu”. Nesse período exerceram o cargo de Prefeito de foz do Iguaçu, por nomeação os seguintes Prefeitos: 53 • Sr. Ayrton Ramos, Prefeito nomeado assumiu em 03 de novembro de 1943; • Sr. Emilio Correia de Oliveira, Prefeito nomeado em 03 de outubro de 1944; • Sr. Acácio Pedroso, nomeado pelo Governador do Território do Iguaçu, assumiu em 05 de dezembro de 1944; • Sr. Ayrton Ramos, nomeado pelo Governador do Território do Iguaçu, assumiu em 08 de novembro de 1945; • Julio Pasa em 1947; • Francisco Guaraná de Menezes em 1951. Em 1944, Foz do Iguaçu recebe a solene visita do Presidente da República Getulio Dornelles Vargas, neste evento foi oferecido uma recepção de gala, com baile no salão do Oeste Paraná Clube, com toda elite da cidade se fazendo presente e todos os políticos da região. Nossos representantes fizeram belos discursos. Com o crescimento e desenvolvimento da região, o Banco do Brasil inicia suas atividades no ano de 1945, o que passa a ser a primeira agência bancária na cidade de Foz do Iguaçu, que funcionou em um cassarão de madeira, no mesmo local onde se encontra hoje. A transferência da capital para Laranjeiras do Sul fez a população de Foz do Iguaçu perder a esperança de desenvolvimento da Cidade e da região. Não seria por isso que o município ia empacar, pois o território do Iguaçu seria extinto três anos depois de sua criação. Graças a emenda apresentada por Bento Munhoz da Rocha Neto na elaboração da Constituição de 1946, o Território do Iguaçu foi reintegrada ao mapa do Paraná. Bento Munhoz qualificou de "absurdo monstruoso" a criação do Território e afirmou que sua extinção não prejudicou, e sim favoreceu o crescimento da região Oeste. 54 1.21 BENEFÍCIOS TRAZIDOS PELA COMPANHIA ISOLADA (EXÉRCITO) Esta companhia desencadeou uma campanha de alfabetização com o maior sucesso a ponto de atrair alunos argentinos e paraguaios. E também estenderam a população civil os benefícios de seu serviço de saúde. Os resultados foram tão proveitosos que os habitantes das margens paraguaias solicitaram do Comandante da Companhia idêntica assistência. 1.22 VOLTA AO REGIME CONSTITUCIONAL Com a promulgação da Constituição Federal, em 18 de setembro de 1946, Foz do Iguaçu voltou a integrar o território do Estado do Paraná. Procedidas as eleições, foi eleito para Prefeito Municipal, assumindo o cargo a 1º de dezembro de 1947 o Sr. Júlio Pasa que governou até 30 de novembro de 1951. E em 1º de dezembro de 1951, assumiu o Poder Executivo, por eleição, o Sr. Francisco Guaraná de Menezes, governando até 30 de novembro de 1955. Os sucessores do poder foram os seguintes: • Dr. Dirceu Lopes – 1º de dezembro de 1955; • Capitão Jacob Albrecht Beck – (substituto) 14 de fevereiro de 1959; • Emílio Henrique Gomes – 1º de dezembro de 1959; • Ozires Santos – 31 de janeiro de 1963. Em 29 de maio de 1956, os governos do Brasil e do Paraguai assinaram acordo para a construção de uma ponte sobre o rio Paraná, que seria batizada de Ponte da Amizade. Em 14 de novembro no mesmo ano foi formada uma comissão Especial encarregada da execução da obra, sob a chefia do engenheiro Almyr França. Definido o local, iniciaram-se os estudos e sondagens no fundo do rio, e já nessa tarefa aconteceria uma tragédia. Em fevereiro de 1957, o barco em que uma 55 equipe fazia sondagens no centro do leito do rio afundou e o engenheiro Tasso Costa Rodrigues morreu afogado, enquanto os outros componentes se salvaram milagrosamente. Para não prejudicar a navegação, a ponte deveria ter vão livre de no mínimo 18 metros acima do nível da água em momentos de maior cheia do rio Paraná. Informações colhidas em registros históricos e testemunhos vivos chegaram à conclusão de que a maior cheia havia acontecido em 1905, quando as águas subiram 30 metros acima do nível normal. Na década de 50, com a chegada de grandes colonizadoras, que formaram a maioria das cidades do Oeste Paranaense, inicia-se um processo de organização do comércio da cidade de Foz do Iguaçu, sendo que no distrito de Santa Terezinha havia madeireiras, moinhos, fabrica de palmito, de marca “CAIÇARA” conhecida no Brasil, fabrica de bebidas, sendo que o mais tradicional era o refrigerante de laranja da marca “BIDU”. A Fabrica de refrigerantes “TRÊS FRONTEIRAS LTDA” localizava-se no centro da cidade, na Travessa Cristiano Weirich, de propriedade de Herbert Barthel , distribuía na região o guaraná, a laranjada e a soda limão da marca “QUE TAL”, e outros comerciantes que se instalaram na cidade com restaurante, indústria de café, loja de móveis e etc14. Nesta época Foz do Iguaçu já tinha uma classe de fortes empresários, como Pedro Basso, Paulo Wandscheer, Roberto Holler, Erminio Messomo, Candido Ferreira, Pedro Rodinski, Marcelino Risden, Raphael Rouver, Lall singh, Augusto Araújo, os irmãos Otremba, Saldanha Gomes, Alfredo Keller, o Sétimo Moretti, Estanislau Boiarrski, Luis Castelli e Estanislau Zambrycki e tantos outros, uniram-se e fundaram no dia 19 de julho de 1951, a ACIFI – ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DE FOZ DO IGUAÇU, tendo como presidente o Sr. Pedro Basso. O Presidente do Brasil na época Juscelino Kubitscheck demonstrando interesse na região da tríplice fronteira e também com a construção da Ponte da Amizade na década 50, iniciou o asfaltamento da rodovia conhecida hoje como B-277 que corta o Paraná de Leste a Oeste, ligando Foz do Iguaçu ao Porto de 14 id. 56 Paranaguá. Mas a obra partiu do Leste para o Oeste e se arrastou por duas décadas. A construção da rodovia era de responsabilidade do Exército. Quando a construção atingiu Ponta Grossa as obras paralisaram, mais tarde continuou até Guarapuava e novamente a construção empacou. Mas as forças armadas tomaram o poder no país em 1964 e resolveram concluir a obra, pois consideravam a construção da rodovia ponto estratégico para o desenvolvimento da região, assim em 1969, os presidentes Costa e Silva e Alfredo Stroessner inauguraram a BR 277. Ao mesmo tempo, o Paraguai completava a ligação asfáltica de Assunção com o Brasil numa obra feita por brasileiros, e recebeu carta branca para transitar com seus produtos até o Porto de Paranaguá. Para Foz do Iguaçu e o Oeste do Paraná terminava o drama da "falta de respiração", e para o Paraguai terminava a asfixia que mantinha o país sem saída para o oceano Atlântico. 1.23 ÁREA DE SEGURANÇA Em 1968, Foz do Iguaçu passou a integrar a área de Segurança Nacional, como segue abaixo: • Coronel Júlio Werner Backadt – 1º de fevereiro de 1969; • Silvino Dal Bó – (substituto) 27 de março de 1970; • José Carlos Toledo – 27 de junho de 1970; • Balduino Wandscheer – (substituto) 19 de agosto de 1972; • Coronel Sabino Neves Vieira – 08 de novembro de 1972; • Tércio Alves Albuquerque – (substituto) 25 de abril de 1973; • Coronel Caetano Pinto Rocha – 08 de agosto de 1973; • Tércio Alves Albuquerque – (substituto) 11 de janeiro de 1974; • Coronel Caetano Pinto Rocha – 18 de fevereiro de 1974; • Tércio Alves Albuquerque – (substituto) 13 de abril de 1974; 57 • Omar de Oliveira – (substituto) 15 de maio de 1974; • Coronel Clóvis Cunha Viana – 08 de agosto de 1974; • Bel. Wádis Vitório Benvenutti –1984; • Sr. Perci Lima – 12 de junho de 1985. Em 1985, houve eleição direta para escolha do Prefeito de Foz do Iguaçu, eleição livre e democrática, segue a relação de Prefeito eleitos com o voto do povo iguaçuense de 1986 até os dias atuais: • 1986 - Dobrandino Gustavo da Silva • 1987 - Carlos Roberto Campana (substituto) • 1987 - Dobrandino Gustavo da Silva • 1989 - Álvaro Neumann • 1992 - Omar Tosi (substituto) • 1993 - Dobrandino Gustavo da Silva • 1997 - Harry Daijó • 2001 - Celso Sâmis da Silva • 2005 – Paulo Macdonald. 1.24 FOZ DO IGUAÇU Pólo turístico de grande porte no extremo oeste do Estado do Paraná, localizado entre três países na convivência pacífica de uma cidade sem fronteiras. Aqui o brasileiro, o argentino e o paraguaio convivem como irmãos sem prevenção de nacionalidade, raça, cor, política ou religião. O turismo funciona como elemento aglutinador, fazendo com que numa região de tríplice fronteira, as diferenças desapareçam em função de um objetivo comum. Detentora de um Parque Hoteleiro de grande porte e de uma infra-estrutura turística dotada de restaurante que atendem ao mais exigente paladar. 58 A construção da Hidroelétrica de Itaipu (Brasil-Paraguai), iniciada na década de 70, causou forte impacto em toda região, aumentando consideravelmente o contingente populacional de Foz do Iguaçu. • 1960 – 28.080 habitantes; • 1970 – 136.320 habitantes. Observa-se que em dez anos, Foz do Iguaçu registrou um crescimento populacional na ordem de 385%. Hoje, é a quinta maior cidade do Paraná, fazendo fronteira com o Paraguai e Argentina. A população de 266 mil habitantes (resultado preliminar do Censo de 2000) forma um dos mais significativos caldeirões étnicoculturais do Brasil, com povos de várias partes do mundo. Entre eles destacam-se a colônia árabe - a segunda maior do País, com cerca de 12 mil imigrantes e descendentes - e a forte presença chinesa, com cerca de 10 mil representantes. Emancipado em 10 de junho de 1914, Foz do Iguaçu tem no turismo a sua principal atividade econômica. O município conta com 116 estabelecimentos de ensino, dos quais 58 municipais - entre eles um laboratório de programas ambientais no Parque Nacional do Iguaçu - 24 estaduais e 34 particulares. A cidade possui quatro instituições de ensino superior: Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), Cesufoz, Três Fronteiras e União Dinâmica de Faculdades Cataratas (UDC). Na área de saúde, o município dispõe de 260 leitos hospitalares particulares e 128 pelo SUS, distribuídos em quatro estabelecimentos: a Santa Casa Monsenhor Guilherme e os hospitais Costa Cavalcanti, Internacional e São Tiago, além de seis leitos da Unimed. Os bairros contam com 14 postos de saúde e cinco núcleos de saúde, além de um Centro de Especialidades Médicas (CEM). No setor hoteleiro, a cidade possui 10.134 leitos, distribuídos em 34 estabelecimentos de uma a cinco estrelas, de acordo com a antiga classificação da Embratur. Além desses, existem outros 12.766 leitos distribuídos em 107 pequenos hotéis, 17 pousadas, três hospedarias, 16 motéis, dois albergues, dois camping e dois flats. 59 O acesso rodoviário é feito pela BR 369, pela BR 277, pela BR 280 e pelas PR 323/317, ainda há linhas regulares de empresa aéreas, uma vez que se trata de um dos grandes “portões de entrada” do turismo internacional no Brasil. Devido à falta de uma sede própria para a prefeitura, algumas secretarias e outras repartições públicas municipais estão localizadas no prédio da Praça Getúlio Vargas, 280, e outras na Rua Xavier da Silva. 1.25 ECONOMIA O município de Foz do Iguaçu tem sua economia fundamentada basicamente em dois setores: Turismo e comércio (interno e exportação). 1.25.1 Turismo O turismo traz anualmente cerca de 650 mil a 1,5 milhão de visitantes a Foz do Iguaçu, tendo um papel importante no contexto da economia, pois esta atividade é uma grande geradora de riquezas na região Oeste do Paraná. Neste tocante o Município possui uma infraestrutura excelente, com inúmeras opções de hotéis, alguns bastante luxuosos, pousadas, restaurantes e lazer. Recebendo muitos turistas estrangeiros por estar localizado entre fronteira. Dentro do parque há um hotel bastante confortável. Há ainda a possibilidade de hospedagem na Argentina ou no Paraguai, cujo atrativo são os hotéis com cassinos. Um aeroporto Internacional capacitado para receber aviões de grande porte e um sofisticado Centro de Convenção para recepcionar o turista nos eventos. O turismo é a atividade econômica que mais cresce no mundo contemporâneo. Sua taxa de crescimento anual é de 4%. De acordo com a OMT, (...) o turismo será a principal atividade de exportação, transferência de divisas e geração de empregos em todo o planeta.15 15 João Dória Junior, Brasilturis Jornal 9(213), agosto de 1990. 60 1.25.2 Comércio O comércio de Foz do Iguaçu é composto de estabelecimentos comerciais, indústrias e prestadores de serviços. O comércio é bastante dinâmico, pois além do mercado interno de Foz do Iguaçu, a cidade abastece o Paraguai e Argentina através das exportações. 2. CRONOLOGIA HISTÓRICA DO MUNICÍPIO Ano 1542 Descritivo Cronológico Don Alvar Nunes Cabeza de Vaca, a caminho de Assunção, vindo de Santa Catarina descobre as Cataratas do Iguaçu, que chamou de 1551 “Cachoeira Santa Maria”. Outro “adelantado”, ou seja, explorador que percorreu o mesmo caminho, 1557 sendo Diego de Zanabria. Espanhóis fundam a Ciudad Real de Guayrá, após tentativa frustrada de 1588 1600 Ontiveiros. Jesuítas iníciam catequese em Guayrá. Governo espanhol transforma Ciudad Real em sede da Província de Guayrá (o território de Guayrá se estendia entre os rios Paranapanema e 1609 Iguaçu, e do rio Paraná ao Tibagi). São enviadas Bandeiras conquistadoras e povoadas, que asseguram aos 1610 1628 1629 brasileiros o domínio da região oeste. Primeiros choques entre colonos espanhóis e bandeirantes portugueses. Espanha proíbe formalmente o ingresso de portugueses em seu território. Em 29 de janeiro, Antonio Raposo Tavares toma de assalto a Redução 1679 Jesuítica de Guayrá, destruindo seus murros e casas de barro. Em 20 de março, Espanhóis abandonam posição defendida no oeste 61 1700 paranaense, sendo perseguidos pelos bandeirantes paulista. Torna-se ótimo negócio vender erva-mate aos ricos mercados do 1765 Uruguai, Argentina e Paraguai. O Conde Oeyras Pombal solicita ao Capitão-General de São Paulo, ordens e instruções para fundar estabelecimento militar na fronteira com 1826 1853 o Paraguai, em território hoje paranaense. Erva mate desponta como principal produto paranaense. Em 20 de agosto – A Lei Imperial separa a Província de São Paulo do 1880 Paraná. Vivem no oeste paranaense umas 300 pessoas, sendo que somente dez brasileiros, a maior parte funcionários das empresas concessionárias das 1881 terras. A região é ocupada com a fixação dos primeiros moradores, Pedro 1888 Martins da Silva e Manoel Gonzales. Criação de uma Comissão Estratégica, nomeada pelo Ministério da Guerra e chefiada pelo então Capitão Bellarmino Augusto de Mendonça Lobo, Engenheiro Militar, tendo estabelecido sua sede na cidade de Guarapuava, ponto que mais se aproximava do centro e perímetro em que a mesma Comissão teria de operar seus trabalhos. Dentre os 14 oficiais que faziam parte da Comissão, foi escolhido para o cometimento da descoberta de Foz do Iguaçu o 2º Tenente José Joaquim Firmino, também engenheiro militar, tendo como principais encargos, construir estradas estratégicas descobrir a Foz do Iguaçu e fundar uma Colônia 1888 Militar. O historiador Romário Martins relaciona por nacionalidade a população da região de Foz do Iguaçu, encontrada em 1888; 188 paraguaios, 93 brasileiros, 33 argentinos, 05 franceses, 02 uruguaios, 02 orientais e 01 1889 inglês, perfazendo um total de 324 pessoas, além dos índios caigangues. A expedição voltou a Guarapuava em agosto e Joaquim José Firmino dividiu o território em dois distritos e nomeou 02 inspetores: Feliciano Araujo e Pedro Martins, sendo que quando a expedição retornou a Foz do Iguaçu, o Tenente Antônio Baptista, afixou editais avisando que naquela data iniciava-se os trabalhos de fundação da colônia, bem como tinha competência para conceder lotes de acordo com a lei para 62 1889 matricular como colonos. Com a Proclamação da República no dia 15 de novembro, a região do Iguaçu passa para o Estado do Paraná, e dia 16 de novembro toma 1892 posse o 1º Governador. A colônia Militar de Foz do Iguaçu desmembrou-se da comissão Estratégica do Paraná, que passou a ter apenas o encargo da construção 1897 de estradas até as respectivas colônias. Edmundo de Barros, militar e escritor goiano, levantou a planta dos Saltos das Cataratas, detalhada e organizou vasto plano de um parque a 1897 ser construído na margem brasileira, em frente à monumental cachoeira Instalação da Agência Fiscal, sendo chefiada pelo Capitão Lindolfo de 1903 Siqueira Bastos. 20 de julho: Inauguração do Marco Brasileiro e do Argentino na 1905 confluência dos rios Paraná e Iguaçu. Foi instalada a Mesa de Rendas, Repartição Fiscal do Ministério da 1906 Fazenda, pelo poeta e jornalista Silveira Netto. Foi criado o Distrito Policial e instalada a linha telegráfica ligando Foz do 1910 Iguaçu a Guarapuava. Pela Lei nº 971, de 09 de abril, a Colônia Militar passou à condição de 1912 Distrito do Município de Guarapuava, denominada Vila Iguaçu. A Colônia Militar foi extinta e a Vila Iguaçu emancipada do Ministério de Guerra. Transformou-se de praça de guerra em povoação civil, entregue 1914 aos cuidados dos seus próprios cidadãos. Pela Lei nº 1383, de 14 de março, é criado o Município de Vila Iguaçu, instalado em 10 de junho, tendo como primeiro Prefeito o Coronel Jorge 1915 Schimmelpfeng. 15 de novembro: Inauguração do primeiro hotel em Vila Iguassu, denominado Hotel Brasil, de propriedade do Sr. Frederico Engel, situado 1916 na Avenida Brasil, onde atualmente encontra-se o Banco HSBC. 24 de abril: Alberto Santos Dumont visita o Município de Vila Iguassu, fica 1916 hospedado no Hotel Brasil e conhece as Cataratas. 28 de julho: O Estado do Paraná, através do Decreto nº 653, declara a área de 1008 ha. ao lado dos Saltos de Santa Maria, na margem direita do rio Iguaçu, como de utilidade pública, para nele se instalarem uma 1916 povoação e um Parque. O Prefeito Jorge Schimmelpfeng doou o terreno para construção da igreja 63 matriz que recebeu o nome de São João Batista, em virtude da doação 1917 1918 1918 da imagem do Santo. O Município de Vila Iguassu é elevado a Comarca do Iguaçu. Foz do Iguaçu recebeu o primeiro padre que permaneceu na cidade Pela Lei Estadual nº 1783, de abril, o Município de Vila Iguaçu passou a 1918 denominar-se Município de Foz do Iguaçu. Iniciou-se a construção do Hotel das Cataratas que na época chamou-se 1918 1920 de hotel Cassino. Edição do primeiro Jornal, pelo Sr. Moisés Santiago Bertoni. Inauguração da estrada que ligava Foz do Iguaçu a Guarapuava, pelo 1928 1928 então Presidente do Estado do Paraná Afonso Alves de Camargo. Foi fundado o 1º clube social de Foz do Iguaçu, o Oeste Paraná Clube Inaugurado o primeiro grupo escolar do Município, Grupo Escolar 1931 Bartolomeu Mitre, sendo o diretor o Padre Monsenhor Guilherme. O Decreto nº 2153, ampliava a área reservada no Município de 1008 1933 1934 hectares para 33.519.040 metros quadrados. Foi criada a Delegacia da Capitânia dos Portos do rio Paraná. Chegada em Foz do Iguaçu do 1º médico civil, Dr. Dirceu Lopes, que 1935 atendia os pacientes numa sala cedida pela Prefeitura. Inauguração oficial do 1º campo de pouso de Foz do Iguaçu, que se localizava onde atualmente encontra-se o clube Gresfi e aterrizou o 1936 primeiro avião. Foi inaugurada uma linha do Correio Aéreo Nacional, para o oeste 1936 paranaense. Projetada a construção do Hotel Iguaçu, pelo Engenheiro Chefe da Seção Técnico do Departamento de Obras e Viação, Raul Mesquita. Sua construção foi executada de 1938 até 1939, pelo Cia. Nacional S/A do 1938 Rio Janeiro. Em terreno cedido pelo Município de Foz do Iguaçu, o governo Estadual entrega novo prédio ao governo da cidade (Prefeitura, onde atualmente funciona a sede, juntamente com a Câmara Municipal que exercia suas atividades no 2º pavimento), Serviço de Justiça (Fórum) e Arrecadação 1938 Estadual (Coletoria). 10 de junho, fundada 1939 1939 estabelecimento de saúde do Município. Criação do Parque Nacional do Iguaçu através do Dec. Federal n 1.03 Construção do Hotel das Cataratas. a Santa Casa Monsenhor Guilherme, 64 1942 Construída a primeira hidrelétrica do município, a Usina Rio São João, 1943 nas dependências do Parque Nacional. Pelo Decreto nº 5.812, de 13 de setembro, Foz do Iguaçu passa a fazer parte do Território Federal do Iguaçu, tendo como capital Laranjeiras do 1944 Sul, sendo o Governador o Senhor Major Frederico Trotta. O Presidente da República Getúlio Dornelles Vargas, visitou a cidade, onde foi oferecida uma solene recepção com baile no salão do Oeste 1944 Paraná Clube. 21 de dezembro, por meio do Decreto nº 282 criou o Grupo Escolar 1945 Bartolomeu Mitre. Entrou em atividade a Agência do Banco do Brasil, a 1ª agência bancária 1945 1946 do Município. A 1ª empresa de ônibus de Foz do Iguaçu, chamava-se Oeste Paraná. Pela Constituição de 18 de setembro, o território volta a integrar o Estado 1947 do Paraná As Irmãs da caridade de São Vicente de Paula, chegaram na cidade e 1951 construíram Instituto São José. Foi fundada a ACIFI- Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, sendo a sua primeira diretoria composta pelos Sr. Pedro Basso, 1953 Augusto Araújo, Eurides José da Silva e André Comi. Fundado o primeiro Jornal de Foz do Iguaçu, chamado Ä Notícia”, pelo Sr. João Lobato da Mota Machado com uma tiragem de 1000 1953 exemplares. A primeira Rádio da região passa a transmitir sua programação, chamada Rádio Cultura de Foz do Iguaçu e o primeiro locutor foi Manoel Orfanaki, conhecido como MANÚ, foi também o criador do Brasão do Município, 1956 hoje alterado pela Lei 2.394. Criada comissão especial para construção da Ponte Brasil/Paraguai, chefiada pelo engenheiro Almir França, através do Decreto nª 40350, do DNER, neste mesmo ano foi lançada a pedra fundamental da Ponte da 1962 1965 Amizade, pelos Presidentes Juscelino Kubitscheck e Alfredo Strorssner. O Município de São Miguel do Iguaçu se desmembra de Foz do Iguaçu. Inauguração da Ponte da Amizade sobre o rio Paraná, ligando o Brasil 1966 (Foz do Iguaçu) ao Paraguai (Cuidad del Este) É assinada a Ata do Iguaçu em 22 de junho pelos chanceleres do Brasil e do Paraguai, nascendo Itaipu, para utilização do potencial hidráulico do 65 rio Paraná, em condomínio dos dois países, incluindo o Salto Grande de 1967 Sete Quedas até Foz do Iguaçu. Em 12 de fevereiro é firmado o convênio entre Brasil e Paraguai para criação de uma comissão mista técnica, com finalidade de realizar estudo e levantamento das possibilidades econômicas do potencial hidráulico do 1968 rio Paraná. Foz do Iguaçu passa a integrar a área de Segurança Nacional, e seus prefeitos passam a ser nomeados pelo Governo do Estado com anuência 1969 do Presidente da República. 27 de março: Entregue ao tráfego comum a Br. 277, pelos Presidentes 1970 Costa e Silva, do Brasil e Alfredo Stroessner, do Paraguai. Inauguração do Aeroporto Internacional, situado na Avenida das 1970 Cataratas, chamada de “eras dos vôos dos grandes aviões”. Em 10 de abril, é firmado um Convênio de cooperação entre o Brasil e Paraguai para um estudo em conjunto que estabeleceria as condições 1971 para avaliação das possibilidades técnicas-econômicas do Projeto Itaipu. Em 30 de junho é assinada a Declaração de Assunção, sobre o 1971 aproveitamento internacional do Rio Paraná. Teve início a realização da pesca Internacional do Dourado, peixe 1973 encontrado no rio Paraná e Iguaçu. Em 26 de abril, é firmado pelos Presidentes Emílio Garrastazu Medici, do 1974 Brasil e Alfredo Stroessner, do Paraguai, Tratado de Itaipu. Em 17 de maio, em reunião solene na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, na presença dos Presidentes Ernesto Geisel e Alfredo Stroessner, é dada posse aos membros do Conselho de Administração 1974 da Itaipu Binacional. Pelo Decreto 5.772 de 26 de junho é nomeado pelo Governador do Estado do Paraná Emílio Gomes, para exercer o cargo de Prefeito 1976 Municipal de Foz do Iguaçu o Eng. Clóvis Cunha Viana. Em 25 de agosto, é criada a Companhia Melhoramento Cataratas do Iguaçu, responsável pela construção e administração do Centro de 1977 Convenção e Eventos de Foz do Iguaçu. Em 20 de abril, pela Lei Municipal nº 935, é criada a FUNEFI – Fundação 1977 Educacional de Foz do Iguaçu, para implantação do ensino superior. Em 17 de maio, é assinado na cidade de Presidente “Stroessner 66 (Paraguai), o contrato nº 270/77 de execução por empreitada da construção de obras civis relativas a barragem de concreto: casa de força 1977 e vertedouro da Hidrelétrica de Itaipu. Em 07 de setembro é inaugurada a sede própria da ACIFI Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, fundada em 09 de 1977 junho de 1951. Em comemoração ao aniversário do Município (10/06) deu-se início 1978 anualmente a Feira de Artesanato e Alimentos – FARTAL. Em 1º de fevereiro entrou em funcionamento a Central de Abastecimento de Foz do Iguaçu – CEASA. Com o objetivo de promover a modernização 1978 1978 do abastecimento na região de frutas e verduras. Em 26 de agosto, é criada a Cúria diocesana de Foz do Iguaçu. Em 20 de outubro, às 11:15 horas, na presença dos Presidentes Ernesto Geisel e Alfredo Stroessner, 56 toneladas de explosivos desmontaram os diques de montante e jusante, permitindo que o caudaloso rio Paraná, um 1979 dos maiores do mundo, fosse deslocado para o canal de desvio. No início desse exercício, brasileiros e argentinos criaram uma comissão Binacional pró-construção de uma ponte ligando o Brasil (Foz do Iguaçu) 1979 à Argentina (Puerto Iguazú). Em 31 de março, é inaugurada a COART – Cooperativa de Artesanato da Região oeste e Sudoeste do Paraná. Composta por 36 artesãos 1979 registrados, representando 9 municípios da região. Inauguração da FACISA – Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas, autorizada a funcionar com os cursos de Administração e Ciências Contábeis, através do Decreto 83.558 de 07/06/79, tendo como sua 1980 primeira Diretora a Professora Hildegard Ortrud Litzinger Ghisi. Através do Decreto nº 85.534, muda o 1º Batalhão da Fronteira para 34º 1980 Batalhão de Infantaria Motorizada. Inauguração, em 30 de maio, Centro Social Urbano Dr. Arnaldo Busato, conforme objetivo do Programa Estadual de Centros Sociais Urbanos, 1980 criado através do Decreto Estadual nº 83.558 de 07 de junho de 1979. Em 19 de novembro, pela Lei Municipal 1.081 é criada a Secretária 1980 Municipal de Turismo e Esportes. Em 22 de dezembro, é inaugurado o terminal de visitação turística ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica da Itaipu Binacional, pela margem 67 1981 brasileira. Em 12 de dezembro é assinado o Convênio de Cooperação técnicaEconômica entre a Empresa Brasileira de Turismo (EMBRATUR), Empresa Paranaense de Turismo (PARANATUR) e Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu para construção do Centro Internacional de 1982 Convenções de Foz do Iguaçu. Em 03 de maio, o distrito de Santa Terezinha de Itaipu é desmembrado 1982 de Foz do Iguaçu. Em 05 de novembro, às 11 horas, na presença dos presidentes do Brasil e do Paraguai, João Baptista Figueiredo e Alfredo Stroessner, foram 1982 abertas as comportas do vertedouro da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Em 05 de novembro, foi inaugurado o Ginásio Costa Cavalcante, com a 1982 presença do Governador do Estado, Sr. Hosken de Novaes. Em 06 de dezembro, com a presença dos Presidentes do Brasil, João Figueiredo e da Argentina Roberto Binhone, foi dado início à construção 1983 da Ponte Brasil/Argentina (Ponte Internacional Tancredo Neves). Em 05 de maio, foi acionada a primeira turbina da Usina Hidrelétrica de 1983 Itaipu, com geração de energia para o Paraguai. Lançada a pedra fundamental para construção da Mesquita, considerada 1983 como uma das mais bonitas do Brasil. 13 de janeiro: início da construção da Ponte Brasil – Argentina com a presença dos Presidentes João Baptista Figueiredo do Brasil e General 1983 Alberto Binhone da Argentina Em 05 de maio às 14:40 horas, iniciou-se oficialmente à operação da 1984 primeira unidade geradora de Usina Hidrelétrica de Itaipu. Em 08 de outubro, às 8:45 horas, teve início à transmissão de energia de 1984 Itaipu, em caráter experimental, para São Paulo. Em 25 de outubro, na presença dos Presidentes do Brasil e do Paraguai, João Batista Figueiredo e Alfredo Stroessner, foram inauguradas a 1985 Central Hidrelétrica de Itaipu e a Subestação de Furnas. Em 12 de junho, pela Lei Municipal nº 1.224, foi criada a Fundação Cultural de Foz do Iguaçu, com objetivo de estimular o desenvolvimento e 1985 formulando a política cultural do Município. Em 20 de setembro foi inaugurada a TV Naipi (Canal 12) emissora filiada 1985 ao Sistema Brasileiro de Televisão. Em 09 de outubro, na presença do Presidente da República, José Sarney 68 e do Ministro das Minas e Energia Aureliano Chaves, iniciou-se a construção da Linha de Transmissão Foz do Iguaçu – Ivaiporã, em 1985 corrente alternada – 750 KV. Em 29 de outubro, com presença do Presidente do Brasil José Sarney e do Presidente da Argentina Raul Alfonsin, foi inaugurada a ponte que liga o Brasil a Argentina, sobre o rio Iguaçu, a qual recebeu o nome de Ponte 1985 Internacional Tancredo Neves. Em 15 de novembro, Foz do Iguaçu realizou eleição direta para Prefeito, encerrando o ciclo dos interventores que se seguiu do regime militar 1986 implantado em 1964. No dia 1º de janeiro, depois de 20 anos com prefeitos nomeados, assume o Poder Executivo Municipal, o prefeito eleito pelo povo – Sr. Dobrandino 1986 Gustavo da Silva. 17 de novembro: Tombamento do Parque Nacional do Iguaçu, como Patrimônio Natural da Humanidade, pela UNESCO (Organização das 1986 Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). Em 03 de junho, a FACISA (Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Foz do Iguaçu), foi estadualizada, sendo mantida a partir desta data 1987 pela UNIOESTE (Fundação Universidade Estadual do Oeste do Paraná). Em 16 de outubro foi inaugurado o Ecomuseu de Itaipu, construído em 1988 uma área de 1.200m², sendo o primeiro da América Latina. Em 11 de março, pelo Decreto nº 6.251, foi instituído o Conselho Municipal da Condição Feminina, com a finalidade de assegurar melhores condições à mulher, visando o exercício pleno de seus direitos, seu participação e integração no desenvolvimento econômico, social, político 1989 e cultural. Em 26 de março, aconteceu a inauguração da primeira etapa do Centro de Convenções de Foz do Iguaçu, com a presença do governador do 1989 Estado do Paraná, Sr. Álvaro Dias. No dia 03 de maio aconteceu a inauguração das novas instalações do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, com uma área construída de 1989 17.000m². Em 1º de junho, foi inaugurada a TV Cataratas, emissora filiada à Rede 1989 Globo de Televisão. Inauguração do Teatro Barracão construído pelo Estado e repassado ao 69 Município através de um Contrato de Comodato, sua capacidade é de 1991 250 pessoas. Em 06 de maio foi inaugurada a da Usina Hidrelétrica de Itaipu, com o término da construção da 18ª turbina, pelos Presidentes Fernando Collor 1992 de Mello, do Brasil e André Rodrigues, do Paraguai. É criada pela iniciativa privada a Faculdade de Economia, Processamento de Dados, Administração, Ciências da Computação e 1993 Educação Física de Foz do Iguaçu – CESUFOZ É criada pela iniciativa privada a Sociedade Civil de Educação Três 1993 Fronteiras – Faculdade Unificada de Foz do Iguaçu – UNIFOZ No período de 15 a 19 de agosto Foz do Iguaçu sediou o 21º Congresso da ABAV – Associação Brasileira dos Agentes de Viagem, reunindo cerca de 9.000 participantes, adotando como tema “Turismo: Uma saída para a 1994 Retomada do Crescimento”. A Lei nº 1.889 instituiu o “Ipê Roxo” como árvore símbolo do Município, estabelecendo como data comemorativa o dia 21 de setembro (Dia da 1994 Árvore). Inaugurado o Centro de Atenção Integral a Criança e Adolescente de Foz 1995 do Iguaçu – CAIC, no bairro Morumbi I. Duplicação da BR. 277, trecho que liga Foz do Iguaçu a Santa Terezinha 1996 1996 de Itaipu. No dia 10 de junho é inaugurado o Zoológico Municipal Bosque Guarani. Eleito Prato Típico de Foz do Iguaçu, através de um concurso gastronômico, feito basicamente de carne de peixe Dourado e temperos 1996 regionais, denominado Pirá de Foz. Inauguração das novas instalações do Fórum de Justiça do Município de 1997 Foz do Iguaçu. Inauguração do Centro de Atenção Integral a Criança e Adolescente de 1997 Foz do Iguaçu - CAIC no bairro Porto Meira. Inauguração do “Espaço das Américas”, localizado no marco das Três Fronteiras, com vista panorâmica para o encontro dos rios Iguaçu e 1997 Paraná. Realizado os Jogos Mundiais da Natureza, o evento inédito no mundo aconteceu de 27 de setembro a 05 de outubro na Costa Oeste do Paraná, reunindo atletas dos cincos continentes, com 600 atletas 70 divididos entre 13 modalidades, onde o Brasil teve representantes em 1997 todas as modalidades. Inauguração do prédio destinado a Fundação Cultural, com área destinada a administração, espaço cultural, sala de exposições e 1998 biblioteca pública. Inauguração do viaduto, na Avenida JK com a Br 277, com acesso a 1998 Ponte da Amizade. Construção da passarela que liga as duas marginais paralelas a BR 277, com 190 metros de comprimento possuindo 02 rampas de acesso para 1998 pedestres e ciclista. Privatização dos serviços do Parque Nacional do Iguaçu, com o objetivo social a implantação, operação, administração, manutenção e exploração das áreas concedidas pelo IBAMA de acordo com os processos licita tórios, onde está previsto um investimento de 30 milhões de reais no projeto, vencido pela Holding Cataratas S/A, composta por um grupo de 5 1999 empresas. É criada pela iniciativa privada a Faculdade União Dinâmica de 1999 Faculdades Cataratas - UDC. O Parque é declarado Patrimônio Natural da Humanidade em perigo pela UNESCO, devido à reabertura de uma pista clandestina de 17,6 km, 2000 chamada estrada do Colono, que corta a mata selvagem. Construção do Ginásio de Esportes Ronaldo Schmidel Nunes, no bairro 2000 Morumbi II, com capacidade para 2.500 pessoas. Assinado o tratado para construção de mais duas turbinas na Usina Hidrelétrica de Itaipu, com a presença do Presidente da República Sr. 2000 Fernando Henrique Cardoso e um representante do Paraguai Sr. Macih. Inauguração dos Espaços Culturais nos bairros Três Lagoas e Porto 2001 Meira, com objetivo de levar cultura aos bairros. Inauguração da Praça das Nações, em frente ao Colégio Estadual Bartolomeu Mitre, no centro da cidade, na Avenida Jorge Schimmelpfeng 2001 2001 esquina com Almirante Barroso. Implantação do Espaço Cultural da Itaipu, Gramadão, localizado Vila “A”. Movimento da Paz – realizado no Espaço Cultural da Itaipu, com a presença de autoridades brasileiras, argentinas e paraguaias, Governador do Estado, Prefeitos de Foz do Iguaçu, de Puerto Iguazu e 71 Cuidad del Este e mais de 65 etnias, com a participação de 20.0000 2001 pessoas. É criada a pela iniciativa privada a Faculdade União das Américas - 2001 UNIAMÉRICA, localizada no Jardim Universitário. Restauração do mais antigo colégio público de Foz do Iguaçu, Colégio Estadual Bartolomeu Mitre, como da época de sua construção (1982), sendo seu estilo neocolonial baseadas nas raízes nacionais numa reação 2001 aos modelos estrangeiros. Inauguração da Câmara Municipal com uma área de 1.333,25m² com gabinete para cada vereador um plenário reservado ao público com 2002 capacidade para 134 pessoas. Inaugurado o Fórum Eleitoral da micro região Oeste do Paraná, que abrigará as quatro cartórios eleitorais, os juizados e o setor de 2002 atendimento ao público. Inaugurada a Praça da Bíblia em frente ao Teatro Otília Schimmelpfeng (Barracão) na Avenida República Argentina, contendo bancos, floreiras, 2002 lixeiras, iluminação a vapor e piso tipo paver. Inauguração da iluminação monumental da Itaipu, sendo a barragem toda iluminada com luzes, sincronizando uma trilha sonora, onde passará a 2002 receber os turistas a noite no Mirante Central. Revitalização do Ecomuseu e Refugio Biológico Bela Vista do complexo 2003 de Itaipu É criada pela iniciativa privada a Faculdade Anglo Americano, localizada 2003 na Vila “A” de Itaipu. Inaugurado o sistema Integrado de Transporte coletivo de Foz do Iguaçu em 23 de fevereiro, onde todos os ônibus do transporte coletivo passam 2003 pelo Terminal de Transporte Urbano. Instalada 21 estações de tubo no canteiro central das avenidas do corredor de transporte coletivo, na qual o usuário paga o valor de uma única passagem. 3. LOCALIZAÇÃO 72 O município de Foz do Iguaçu, situa-se no Oeste Paranaense, encravando-se em cunha entre as Republicas do Paraguai e da Argentina. A sede municipal está localizada a 6 km da confluência do Rio Paraná com Rio Iguaçu, donde surgiu o nome de Foz do Iguaçu. A área primitiva do município de Foz do Iguaçu era de 29.883 km/2. Com o desenvolvimento e criação dos municípios de Cascavel, Toledo e Guairá, pela lei 790, de 14 de novembro de 1951; de Medianeira e Matelândia pela lei 4245, de 25 de julho de 1960; de São Miguel do Iguaçu pela lei 4338, de 25 de janeiro de 1961; de Santa Terezinha de Itaipu sob a lei 7572, de 03 de maio de 1982; a área atual do município de Foz do Iguaçu é de 630,469 km/2. 4. ATRAÇÕES TURÍSTICAS DE FOZ DO IGUAÇU O turismo é um elemento natural ou artificial que proporciona uma apetência susceptível de motivar o deslocamento de pessoas para conhecê-los. As atrações são naturais quando a obra da própria natureza, ou artificiais quando criadas ou promovidas como um objeto comercial, bens de patrimônio histórico, cultural, artístico, e as manifestações: festivais, competições desportivas, centros de recreios e lazer, etc. 4.1 RECURSOS NATURAIS Oh!, natureza, tu és o degrau por onde a humanidade se aproxima do criador! Augusto Emílio Zaluar São elementos localizados no espaço físico-geográfico, ligados à natureza e que muitas vezes são valorizados através de infra-estrutura construída pelo homem, seja visando a proteção ambiental ou a visitação turística. 73 Os recursos naturais, hoje é um produto turístico de suma importância. Porém, existe uma preocupação com o uso irracional desses recursos pela atividade do turismo nos dias atuais. O ecoturismo pode ser definido como um segmento de atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentivando a sua conservação e buscando a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo assim o bem estar das populações envolvidas. 74 4.1.1 Cataratas do Iguaçu 75 Em 1542, Alvar Nunez Cabeza de Vaca descobriu as Cataratas do Iguaçu, e numa exclamação de fé disse: “Santa Maria”, nome oficial. As Cataratas do Iguaçu, formada aproximadamente à 150milhões de anos, estão localizadas no limite do Parque Nacional do Iguaçu, com cerca de 275 saltos, dependendo da vazão do Rio Iguaçu, o conjunto de quedas e a impressionante Garganta do Diabo formam a maior queda d’água do mundo em volume de m/3 segundo e pela suas dimensões e altura, uma das mais belas. O conjunto de quedas, que variam de 40 à 90 metros de altura formam um total de 150 a 275 saltos, numa extensão de mais de 3 km. Por sua beleza e harmonia é considerada a 8a. maravilha do mundo, impressionando a todos por sua grandiosidade natural, sendo que o ruído provocado pela queda é ouvido a quilômetros de distâncias. O conjunto de quedas formam uma figura horizontal de uma imensa ferradura ou ponto de interrogação, sendo três quartas partes desse enorme conjunto localizado em território argentino. Mas, é no território brasileiro que o grande espetáculo é visto panoramicamente, permitindo a visão de todos os saltos. O passeio junto às cataratas é possível em ambas as margens do Rio Iguaçu, através de passarelas e caminhos construídos junto as escarpas de basalto, do lado brasileiro existem diversos mirantes, para o turista admirar e registrar os saltos. Do lado brasileiro há elevador para transporte de turistas, da base das quedas ao nível superior do rio, além de acessos secundários para aqueles que preferem fazer todo o percurso em uma caminhada. Essa caminhada do lado brasileiro tem extensão de 1 km, enquanto que do lado argentino a distância é de 3 km. No final do passeio existe uma praça de alimentação, conhecida como “a vista mais saborosa das Cataratas” devido a localização estratégica, que proporciona ao turista uma visão da parte superior das Cataratas. 76 4.1.2 Parque Nacional do Iguaçu 4.1.2.1 Objetivos específicos da unidade de conservação Segundo o IBAMA o Parque Nacional do Iguaçu é uma garantia de representatividade dos ecossistemas regionais, proteção e valorização da biodiversidade da área protegida, fomento e desenvolvimento de pesquisas científicas, implementação de atividades de educação ambiental, divulgação de suas belezas cênicas e desenvolvimento de atividades de recreação e lazer em áreas destinadas ao uso público dentro da unidade. 4.1.2.2 Aspectos geográficos, culturais e históricos do Parque Nacional do Iguaçu “O turista de hoje não é mais somente contemplativo, ele quer participar, quer sentir o lugar”. Maximo Desiati. A região foi cenário das missões jesuítas para catequese dos índios TupiGuaranis, posteriormente os Bandeirantes paulistas expulsaram os jesuítas espanhóis, permanecendo assim sob o domínio de Portugal toda aquela região. A área abriga grande quantidade de sítios arqueológicos. Em 28 de julho de 1916, o lote de terras pertencentes ao Senhor Jesus Val, uruguaio, radicado no Chaco Argentino, era dono de um total de 1008 há., porém através do decreto nº 653, do Governo do Estado do Paraná, foi desapropriando e declarando como área de utilidade pública. A desapropriação aconteceu 3 meses após a estada de Santos Dumont em Foz do Iguaçu. O ato desapropriatório gerou uma demanda judicial, que demorou quase 3 anos, somente em 10 de julho de 77 1919, em decorrência do acordo de ambas as partes, foi lavrada a competente escritura no 2o. Tabelionato da Capital do Paraná. Conforme decreto nº 2153, de 20 de outubro de 1930, o Estado do Paraná ampliou para 170.086.76 hectares, a área desapropriada em 1916, com objetivo de estabelecer o futuro Parque Nacional. O Governo Federal baixou o decreto nº 1035, de 10 de janeiro de 1939, criando o Parque Nacional do Iguaçu, e tombado em 1986 pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade constituindo-se numa das maiores reservas florestais da América do Sul, e estabelecendo estratégia para conservação e proteção dos recursos naturais renováveis do Estado. O Parque localizado no extremo oeste do Estado do Paraná, abrangendo cerca de 170.086.76 hectares, limita-se com os Municípios de Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Medianeira, Matelândia, Céu Azul, Cascavel, Santa Tereza do Oeste, Serranópolis do Iguaçu, Capitão Leônidas Marques Lindoeste e Capanema, e fazendo fronteira com a República Argentina a partir da Foz do Rio Santo Antônio. O Parque Nacional do Iguaçu situa-se na bacia do Rio Iguaçu, a maior bacia hidrográfica do Estado do Paraná e representa um dos últimos locais de proteção dos recursos naturais do oeste do estado. O Parque Nacional do Iguaçu (Brasil) e a Reserva Iguazú (Argentina) formam uma área protegida de 225.000 hectares. O Parque Nacional do Iguaçu é dono de uma rica flora, com três diferentes formações vegetais: a floresta estacional semidecidual, a floresta de ombrófila e a vegetação que cresce ao longo dos cursos d`água, entre essa formação observa-se a presença de palmeiras, pinheiro do Paraná, imbuia, caviúna, erva-mate e etc. Comparando com a vegetação do Estado do Paraná que restam apenas 3,4% da floresta estacional semidecidual original, a área do parque representa mais da metade desse total. A fauna também é bastante diversificada, com muitas espécies, entre elas a onça-pintada, o veado mateiro, capivara, paca, anta, e mais de 200 espécies de aves que se distribuem na região do Parque, os mais significativos são os 78 papagaios, tucanos, gaviões, beija-flores, pintassilgos, jaburus, araras Canindé, gaviões, macuco e pato mergulhador, também foram identificados mais de 200 tipos de borboletas nessa área. Durante os passeios, não é difícil ver os simpáticos quatis perambulando para lá e para cá. Eis uma questão polêmica que ameaça o equilíbrio desse ecossistema tão importante. Em 1997, moradores dos municípios vizinhos invadiram o parque para reabrir ilegalmente a antiga estrada do Colono. Essa estrada, aberta em 1953, atravessa o parque por 18 km, ligando o município de Capanema à BR-135. Em 1986 ela foi fechada por ocasião da declaração do parque como Patrimônio Natural da Humanidade. Ecologistas afirmam que a estrada pode trazer muitos problemas, como atropelamento de animais, a presença de contrabandistas e caçadores, entre outros. Com a transferência do controle do Parque Nacional do Iguaçu, do IBAMA para a empresa Cataratas do Iguaçu S/A (privada), foi implantado varias mudança na estrutura do parque, a construção de um centro de visitantes, com informações sobre o Parque Nacional do Iguaçu. Do centro de visitantes os turistas vão de ônibus ao longo de todo passeio, com capacidade para 75 pessoas, o ônibus pintado com desenho que representa os animais nativos, como tucanos e quatis, e com essa medida limitando a circulação de veículos de passeio e evitando os frequentes atropelamentos de animais silvestres, reduzindo a emissão de poluentes, desta forma diminuindo o impacto ambiental negativo. O centro de visitantes fica na entrada do Parque Nacional do Iguaçu. Com toda infra-estrutura para atender o turista, desde sanitários, centro de informações, ambulatório, telefones, fraldário, loja de souvenir, posto bancário e estacionamento de veículos. Existem outras atrações incluídas no parque como esportes radicais. Entre elas o teleférico, que leva as pessoas para um passeio por cima das árvores (arvorismo) passando por obstáculos que variam de 4 metros à 8 metros de altura, abertura de novas trilhas, rafting e rapel. 79 4.1.3 Salto do Macuco Situado em pleno Parque Nacional do Iguaçu, o salto possui águas límpidas e cristalinas que deslizam de uma altura de 20 metros, caindo sobre as rochas milenares existentes às margens do Rio Iguaçu, formando um pequeno lago, em meio as mais vivas manifestações da fauna e da flora, possibilitando uma vista panorâmica da paisagem. O passeio até o local é dividido em três etapas, em completa integração com a natureza, a primeira de 7 km, percorrido em veículo especial e 500 m feitos a pé, através de verdadeiras picadas e pontes rústicas, até o ponto ideal de visão do gracioso Salto do Macuco. Na segunda etapa existe uma escadaria que dão acesso ao rio Iguaçu, onde há um quiosque rústico que lhe permite uma visão panorâmica de todo o Rio Iguaçu e da margem do lado argentino, local de partida dos barcos, para a terceira etapa do passeio em que os barcos navegam até à base do conjunto de saltos. 4.1.4 Poço Preto Existem duas versões sobre a origem do nome “Poço Preto”. A primeira que nas proximidades havia um buraco negro e a segunda de que as águas do Rio Iguaçu da trilha pareciam uma água de poço, devido ao fato de serem paradas e tranquilas. O acesso é feito por uma trilha ecológica de aproximadamente 12 km no meio da selva, passando por vários córregos, localizado no km 18 da BR 469, no interior do Parque Nacional do Iguaçu, entrada ao lado da residência de hóspedes do Parque, durante o acesso há uma grande quantidade de árvores da floresta subtropical semidecidual estacional e podendo-se visualizar tucanos, macacos e outros animais. 80 4.1.5 Cemitério Indígena Local de grande interesse turístico, um dos poucos vestígios arqueológicos do homem pré-colombiano que habitou a área do Parque Nacional do Iguaçu. O acesso é feito pela BR 469, lado esquerdo, através de um caminho com aproximadamente 600 metros de extensão. 4.1.6 Rio Iguaçu O rio Iguaçu nasce na região metropolitana de Curitiba, com o nome de Iraizinho, percorre 1320 km até a sua desembocadura na cidade de Foz do Iguaçu, o rio Iguaçu dentre os rios paranaenses é o que apresenta maior extensão territorial e a maior bacia hidrográfica. O nome Iguaçu, originário da língua Tupi, significa “água grande”. O rio Iguaçu corta praticamente o Estado do Paraná de leste a oeste, no seu leito foram construídas varias usinas hidrelétricas, que geram energia no sul do Brasil. O rio banha toda a região do Parque Nacional do Iguaçu, formando as magníficas Cataratas do Iguaçu, na divisa dos três países (Brasil, Argentina e Paraguai), desembocando no rio Paraná, onde proporciona um visual harmonioso. 4.1.7 Rio Paraná O Rio Paraná nasce na divisa dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso, a partir da confluência dos rios Paranaíba e Grande. O rio percorre inicialmente em território brasileiro, após Guairá, o rio Paraná passa a dividir fronteira entre os países Brasil e Paraguai, indo ao encontro com o rio Iguaçu na região da tríplice fronteira. O Rio Paraná é o maior rio do sistema hidrográfico da bacia do Prata, possuindo uma extensão de 4695 km, dos quais mais de 3000 km são navegáveis o 81 que o torna um rio com grande potencial turístico. Em tupi-guarani significa "Semelhante ao Mar". No Rio Paraná está instalado a Usina Hidrelétrica de Itaipu, devido ao seu elevado potencial hidráulico. O rio é incluído entre os sete maiores rios do mundo, devido a sua vazão e extensão. 4.2 RECURSOS ARTIFICIAIS São obras criadas pelo homem ou obras conjuntas do homem e da natureza, que foram incorporados a paisagem. Esses recursos são considerados como testemunho cultural, caracterizadas de modo genérico, como obras arquitetônicas ou outros legados de valor científico, histórico e estético. As instituições culturais de estudo, pesquisa e lazer, são responsáveis pela guarda de bens, imóveis fixo, pertencentes ou não a coleções ou acervos, que estejam em exposição permanente no mesmo local. O homem é um animal que constitui, através de sistema simbólicos, um ambiente artificial no qual vive e o qual está continuamente transformando. A cultura é, propriamente, esse movimento de criação, transmissão e reformulação desse ambiente artificial.16 4.2.1 Itaipu – A maior hidrelétrica do mundo Em 22 de junho de 1966, é assinada a Ata do Iguaçu pelos chanceleres do Brasil e do Paraguai, nascendo Itaipu, para utilização do potencial hidráulico do rio Paraná, em condomínio dos dois países. Em 12 de fevereiro de 1967 é firmado o convênio para criação de uma comissão mista técnica, com finalidade de realizar estudos e levantamento de viabilidades econômicas. 16 Eunice R. Durham, em Antonio A. Arantes, produzindo o passado, p. 26. 82 Através do tratado celebrado entre Brasil e o Paraguai, em 26 de abril de 1973, criou-se a empresa Itaipu Binacional, instalada oficialmente em 17 de maio de 1974. A Hidrelétrica de Itaipu com uma enorme capacidade de “Watts” instalada está situada no rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai, 15 km a montante da Ponte da Amizade, com custo estimado em 15 bilhões de dólares, a hidrelétrica de Itaipu foi um importante passo para o Brasil e Paraguai, na busca de opções energéticas. O primeiro contrato para início da construção foi assinado em 1975, em valor equivalente à US$ 300 milhões. Em 1977, lavrou-se o contrato referente ao segundo estágio das obras civis (concretagem) em valor equivalente à US$ 1,3 bilhões. Em outubro de 1978, a etapa mais importante dessa gigantesca obra foi executada, no prazo programado de 3 anos e com emprego de tecnologia exclusivamente nacional, foi realizado o desvio do rio Paraná (o maior volume de água em obras desse tipo em todo mundo), para um canal de 2000 metros de extensão, 150 metros de largura e 90 metros de profundidade. Em 30 de outubro de 1978, completou-se o fechamento do rio, que desde então corria exclusivamente através do canal de desvio, até a conclusão da barragem. A hidrelétrica de Itaipu teve seu ponto culminante em outubro de 1982; com o fechamento das comportas iniciou-se o enchimento do reservatório do lago de Itaipu no rio Paraná, o lago quando no seu nível máximo ocupa uma área de 1460 km/2, sendo 835 km/2 do lado brasileiro e 625 km/2 do lado paraguaio. As comportas foram abertas em 05 de novembro de 1982, liberando uma vazão do rio Paraná em torno de 8.200 m/3 por segundo. A barragem principal possui 1406 m de comprimento, com uma altura máxima de 185 m. Em 1983, foi instalada a primeira turbina, e no dia 05 de maio de 1984 a Central Hidrelétrica de Itaipu entrou em uma etapa mais importante, ao dar início em caráter experimental a primeira unidade geradora, do total de dezoito turbinas geradoras de 700.000 kw cada, fornecendo energia ao Paraguai. 83 Já no segundo semestre de 1984, Itaipu com duas unidades em funcionamento, produziu energia também para o mercado brasileiro. O caráter de bi-nacionalidade estabelecido na assinatura do tratado é evidenciado pela presença de mão-de-obra brasileira e paraguaia, que lado a lado trabalharam nesta obra. Dois povos irmãos na concretização de um objetivo comum. A hidrelétrica de Itaipu realiza show de luzes dois dias por semana, no período da noite, porém faz-se necessário a compra antecipada dos ingressos, para assistir o espetáculo de sincronia de luzes e trilha sonora, que o turismo noturno oferece. A Usina acha-se aberta à visitação pública através do setor de Relações Públicas, que oferece serviços de recepção e acompanhamento em visitas técnicas e turísticas, além de exposições e projeções de filmes. 4.2.2 Furnas – A maior subestação elétrica do mundo Furnas é uma importante obra da engenharia elétrica, responsável pela transmissão de energia elétrica gerada por Itaipu aos grandes centros consumidores como às regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. A subestação de Furnas localizada em Foz do Iguaçu é a maior do mundo, em potência de transmissão, construída em uma área de 2.200.000 m/2, sendo a única, na América Latina, a operar utilizando corrente contínua, uma tecnologia imprescindível para o Brasil do futuro, isto porque permite a transmissão de energia por grandes distâncias com a menor perda de potência que um sistema em corrente alternada. Formado por uma subestação conversora e por uma subestação elevadora, o complexo caracteriza-se por ser uma das maiores do mundo, fazendo jus às exigências do mercado de energia elétrica. A subestação de Foz do Iguaçu está localizada próximo à hidrelétrica de Itaipu, com acesso pelo km 05 da rodovia de Itaipu. Possui centro de recepção e 84 informação, sala de projeção de filmes, serviço de guias bilíngues e acompanhamento especializado para visita técnica. 4.2.3 Lago de Itaipu O lago de Itaipu foi formado em 1982. Com a construção da barragem da Usina Hidrelétrica de Itaipu devido ao fechamento das comportas do canal de desvio, criou-se um grande reservatório, que ocupa uma área de aproximadamente 1.460 km/2, sendo 835 km/2 na margem brasileira e 625 km/2 na margem paraguaia, com profundidade média de 22 metros, podendo alcançar 170 metros nas proximidades da barragem. O lago possui 66 pequenas ilhas, das quais 44 estão na margem brasileira e 22 na margem paraguaia. O lago construído com o objetivo principal de gerar energia apresenta hoje uma grande potencialidade econômica para os municípios da região da Costa Oeste do Paraná, com a instalação de áreas de lazer, ancoradouros, marinas e etc, atraindo turistas motivados pelas festas regionais, regatas de competição e encontros culturais. A formação do lago não mudou apenas o aspecto da região Oeste do Paraná, como também serviu de base para agricultura. Existe um programa de preservação da fauna e flora da região, sendo duas reservas e cinco refúgios biológicos, e áreas de reflorestamento com árvores nativas da região. 4.2.4 Museu do Parque Nacional do Iguaçu Localizado no interior do Parque Nacional do Iguaçu, o museu foi instalado em um casarão da década de 40, com um amplo mostruário, contendo inúmeros exemplares de animais empalhados, mostras minerais, peças taxidérmicas, espécimes vegetais, materiais etnográficos regionais, objetos indígenas, urnas 85 funerárias e artesanato pertencente à cultura Tupi-Guarani, além de amostra de árvores existente na região através de painéis fotográficos. Externamente, em frente ao museu tem uma escadaria com aproximadamente 1000 m de extensão que desce até a margem do rio Iguaçu. 4.2.5 Ponte Internacional da Amizade A Ponte da Amizade liga a cidade de Foz do Iguaçu, no Brasil, a Ciudad de Leste, no Paraguai, possibilitando o acesso rodoviário direto à Assunção, pela Ruta 01, distante 305 km da fronteira. Foi o primeiro grande passo para o fortalecimento da união dos povos na região da tríplice fronteira. Obra marcante da engenharia brasileira, a ponte se ergue no ponto extremo oeste, no final da BR 277. Para não prejudicar a navegação no rio Paraná na época das cheias, concluiu-se que a Ponte da Amizade deveria ter estas medidas, 78 metros acima das águas do rio Paraná, 552,40 metros de extensão e um vão livre de 303 metros, com uma largura de 13,50 metros. Nesta construção foram gastos 44.000 m/3 de concreto, e 2,300 tonelada de ferro. O acordo para execução da obra foi assinado em 29 de maio de 1956, entre os governos do Brasil e Paraguai. O estudo de viabilização e a fiscalização da construção ficaram a cargo de uma Comissão Especial criada no D.N.E.R. (Departamento Nacional de Estrada e Rodagem), por decreto presidencial de 14 de novembro de 1956. A construção da Ponte da Amizade foi executada pelo Consórcio SOTEGE (Sociedade de Terraplanagem e Grandes Estruturas) e a Construtora Rabelo S.A., o fornecimento de escoramento metálico e sua execução ficou a cargo da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), de Volta Redonda. A obra foi inaugurada em março de 1965, pelo então Presidente da República do Brasil Humberto de Alencar Castello Branco, e pelo Presidente do Paraguai Alfredo Stroessner. 86 4.2.6 Ponte Presidente Tancredo Neves (Brasil – Argentina) Inicialmente a Ponte foi batizada como Ponte da Fraternidade, devido a morte do Presidente Tancredo Neves em abril do ano da inauguração da obra, no entanto passou a ser chamada de Ponte Presidente Tancredo Neves. Ligando o Brasil à Argentina, a ponte está situada a aproximadamente 04 quilômetros a montante da Foz do rio Iguaçu, em um dos trechos de estreitamento do rio Iguaçu, após as Cataratas. A construção foi iniciada em janeiro de 1983, no governo dos Presidentes João Batista Figueiredo, do Brasil e General Leopoldo Galtieri, da Argentina. Após a formação da COMIX (Comissão Mista Brasileiro-Argentino), composta por engenheiros e advogados do Ministério dos Transportes e das Relações Exteriores dos dois países, teve início a construção da Ponte. A Ponte tem uma extensão total de 489 metros, com uma vão livre de 220 metros, e largura de 16.50 metros, com passeio para pedestre, duas pistas de tráfego e dois acostamentos. O consórcio SOBRENCO-SUPERCEMENTO foi responsável pela construção, que foi feita em aduelas moldadas “in loco”, pelo processo de balanços sucessivos. O valor da obra foi estimado em 34 milhões de dólares, por ser uma obra de alto padrão técnico e se constituir em um modelo da capacidade tecnológica da engenharia. O acesso direto pela BR 469 (Rodovia das Cataratas) no lado brasileiro, RN (Ruta Nacional) 12, do lado argentino. 4.2.7 Aeroporto Internacional e interligações Rodoviárias O aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu está localizado na Rodovia das Cataratas pela BR 469, à 15 km do centro da cidade. A Cidade recebe voos diários de linhas aéreas nacionais, ligando-a com o resto do Brasil e com o exterior. 87 No aeroporto o turista e o visitante podem dispor de serviços de locadoras de veículos, aviões, helicópteros e táxi aéreo, além de lojas, livraria, boutique, restaurantes, bar, banco e joalheria. Foz do Iguaçu está integrada ao anel viário do Estado através da BR 277, que liga Foz do Iguaçu – Curitiba – Paranaguá, e pela BR 469 que vai até as Cataratas do Iguaçu. A interligação com o Paraguai é feita através da Ponte da Amizade, que faz conexão entre a BR 277 e a Ruta 2, ligando Foz à Assunção, capital do Paraguai, tanto a BR 277 como a Ruta 2 integram a Rodovia Panamericana. A interligação com a Argentina é feita através da Ponte Presidente Tancredo Neves, que faz conexão entre a BR 469 (rodovia das Cataratas) e a RN (Ruta Nacional) 12, ligando Foz do Iguaçu com a Ciudad de Puerto Iguazu do lado argentino. 4.2.8 GRESFI – Grêmio Esportivo e Social de Foz do Iguaçu Por seu valor histórico e cultural, podemos considerar o antigo prédio em estilo colonial como uma atração turística a mais em Foz do Iguaçu, construído em 1933, para servir como um campo de aviação, atualmente é o GRESFI – Grêmio Esportivo e Social de Foz do Iguaçu. Em 1 de abril de 1935, Inauguração oficial do 1º campo de pouso de Foz do Iguaçu, na presença de populares, aterrissou o primeiro avião, um biplano, com dois lugares e totalmente descoberto. A PAN AM (Companhia Pan Americana) começou a fazer a linha RioAssunção-Buenos Aires uma vez por semana e passando em Foz do Iguaçu, desta forma a cidade começou a receber visitantes ilustres, como Henry Fonda e Grace Moore. Em 1941, o então Presidente da República Getúlio Vargas inaugurava o 1º Aeroporto do Parque Nacional do Iguaçu, sendo por muito tempo o aeroporto de Foz do Iguaçu, até ser desativado em 1974, devido a construção do novo aeroporto. 88 4.2.9 Marco das Três Fronteiras Uma pilastra de pedra e cimento na orla fluvial próximo a Foz do rio Iguaçu, com as cores nacionais, em ângulo de 90 graus de confluência deste rio com o rio Paraná, inaugurado em 20 de julho de 1903, marcando geograficamente a fronteira de Foz do Iguaçu. Do local onde se encontra o Marco brasileiro pode se avistar o Marco da Argentina (cores da bandeira Argentina) e o Marco do Paraguai (cores da bandeira Paraguaia), os três formam um triângulo equilátero que fixa o limite territorial e a soberania dos três países. O marco representa um símbolo de igualdade, complementaridade e respeito entre as três nações. O acesso ao local é possível de veiculo. O local apresenta infraestrutura para os visitantes como estacionamento, lanchonete, loja de artesanato, play-ground e mirante, de onde o turista pode apreciar a bela paisagem e o espetáculo impressionante do pôr-do-sol, o encontro do rio Iguaçu com rio Paraná, podendo observar a tríplice fronteira. 89 4.2.10 Hotel Cassino Iguaçu O hotel Cassino, muitas vezes confunde-se com a própria história de Foz do Iguaçu. O grande hotel foi projetado em 1936, pelo engenheiro Raul de Mesquita e construído logo depois de 1938 até 1939, pela Companhia Construtora Nacional S.A., do Rio de Janeiro. O hotel funcionou como Cassino até o Decreto Lei nº 9215 de 30 de abril de 1946, que proibiu o jogo no Brasil, no Governo Dutra, passando a ser utilizado na demanda hoteleira. Na década de 40, o hotel foi arrendado pelo Major José Acylino de Castro e Dona Rosa Cirilo de Castro, que levaram à frente o empreendimento até alguns anos atrás. Trabalharam no local por volta de 40 anos aproximadamente. Ao longo deste tempo muitas personalidades importantes hospedaram-se no hotel, entre eles Getúlio Vargas, Juscelino Kubitscheck, Moises Lupion e muitos outros. Em 1986, foi assinado um Termo de Comodato com a PARANATUR (Empresa Paranaense de Turismo), que cedeu o prédio ao SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) para ministrar cursos profissionalizantes. Hotel Cassino Iguaçu representa para a cidade “Palácio do Turismo”, e atualmente abriga varias entidades ligadas ao setor de turismo. 4.2.11 Cataratas Iate Clube Fundado em 1971, por um grupo de aficionados em pesca e motonaútica, o Cataratas Iate Clube localiza-se as margens do Rio Paraná, estrada do Porto Meira. Um dos maiores eventos nacionais é promovido pelo Cataratas Iate Clube, trata-se da Copa Desafio e da Prova Internacional de Pesca ao Dourado. São duas competições distintas, provando a habilidade e astúcia do pescador em pegar o bravo “Rei dos Rios” ou “Tigre do Paraná”. 90 Na Copa Desafio, é obrigatoriamente usar linha 0,30 mm., os competidores podem participar com equipe composta por um máximo de três pescadores e no mínimo de dois pescadores, com área demarcada e duração limitada. Cataratas Iate Clube possui em sua sede náutica, bar, restaurante, serviço de abastecimento de barcos, ancoradouro próprio, além de extensa área com bosque e churrasqueira. 4.2.12 Templo Budista A comunidade oriental de Foz do Iguaçu possui um templo para orações e meditações. O templo foi construído em arquitetura estilo oriental; na chegada do templo, na área externa existem 112 estátuas de 2 metros de altura, sendo 108 estátuas amarelas e 4 estátuas maiores. Estas estátuas significam boas vindas às pessoas que chegam ao templo, as estátuas com as mãos estendidas representam as mulheres. As estátuas externas foram feitas no próprio local, e as internas foram trazidas da China. A estátua maior representa “Buda”, com cerca de 7 metros de altura. O Templo Budista foi construído em arquitetura oriental; na porta existe a palavra “ORBI” que significa “Lugar do céu”. No andar superior, existem estátuas de Buda que representam a alegria, a sorte e a saúde, sendo que as estátuas tem um significado da vida espiritual. Do templo pode-se avistar o rio Paraná, a Ilha Acaray, a Ponte da Amizade, o Centro de Ciudad de Leste e um pouco da vista panorâmica de Foz do Iguaçu. 91 4.2.13 Mesquita Árabe A Mesquita da comunidade islâmica de Foz do Iguaçu é um templo soberbo, seu interior ricamente ornamentado, com a função de organizar espiritualmente e moralmente a vida do homem. “Islam”, palavra árabe que representa pureza, paz, entrega e submissão. A comunidade mulçumana iniciou a construção da Mesquita em 1981, sendo oficialmente inaugurada em 23 de março de 1983, com 600 m/2 de construção, a área reservada para oração, é oval e mede aproximadamente 400 m/2. Anexo encontra-se em funcionamento o Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz do Iguaçu. 4.2.14 Espaço das Américas O Espaço das Américas é um lugar destinado para uso do Centro de Educação Ambiental, construído pelo Governo do Estado do Paraná Sr. Jaime Lerner, inaugurado em 17 de janeiro de 1997, está localizado no Marco das Três Fronteiras, a 6 km do centro da cidade, na região do Porto Meira. 92 A área é utilizada como Centro de Educação Ambiental, e tem como objetivo principal promover a integração cultural das Américas portuguesa e espanhola. Com capacidade para 340 pessoas, a área é ocupada com realização de exposições, seminários e outros. Foi projetada pelo arquiteto Domingos Bongstabs, com uma arquitetura que mistura o rústico ao moderno. A região onde foi construída marca o centro geográfico da tríplice fronteira, encontro das águas dos rios Iguaçu e Paraná, e a união dos três países. 4.2.15 Parque das Aves Localiza-se na Rodovia das Cataratas, em frente ao Centro de Visitantes do Parque Nacional do Iguaçu. Possui 17 hectares de mata nativa dos quais apenas 4 hectares são destinados a viveiros e instalações e o restante destinado a área de proteção ambiental. Os visitantes seguem por passarelas sinalizadas, por 800 metros no meio da mata, passando por viveiros integrados nessa trilha, a floresta é enriquecida por cascatas, pontes e vegetação. Os viveiros denominados "floresta" e "pantanal" alcançam 630 m2 de área e 8 m de altura, representam o habitat de avifauna destes ecossistemas brasileiros. Em outros viveiros menores, encontram-se espécimes do sudoeste asiático, Oceania e África, aliando ecoturismo à conservação ambiental. O Parque das Aves foi criado em 1994, sendo um empreendimento privado. Existe atualmente mais de 500 aves de diversas espécies do Brasil e de outros continentes. Possui ainda programas de reprodução em cativeiro, de educação ambiental e visitas com orientação de biólogos, podendo fotografar e tocar em aves. O Parque dispõe de estacionamento, telefones público, sanitários e lanchonete, estando localizado a 17,5 km do centro de Foz do Iguaçu pela Estrada das Cataratas. 93 4.2.16 Terminal Turístico de Três Lagoas O Terminal está localizado na região do bairro de Três Lagoas, a 20 km do centro da cidade, é um espaço de lazer, possuindo em suas dependências área verde, lanchonetes, churrasqueiras cobertas, quiosques, play-ground, ciclovia, mirante e pedalinhos, também conhecida como “Prainha de Três lagoas”. O Terminal Turístico de Três Lagoas foi construído a margem do lago do Lago de Itaipu, aproveitando o potencial, oferece oportunidade de lazer para os turistas, como passeios de barco e regatas. 4.2.17 Ecomuseu de Itaipu Inaugurado em 16 de outubro de 1987, numa área construída de 1200 m2 representa simultaneamente alternativa de demonstração pedagógica voltada para educação ambiental e a ecologia da região. Seu objetivo é assegurar a pesquisa, preservação, conservação, interpretação cientifica do conjunto de elementos naturais e culturais representativo da região. Antes da formação do Lago de Itaipu foram encontrados nas escavações vestígios da presença humana na região com registro de 6.000 a.C. Os objetos encontrados estão expostos no Ecomuseu, marcando fatos importantes da historia regional. Espécies de peixes e animais existentes na região do reservatório estão em exposição. Possui ainda um arboreto de 525 m2 para os principais espécimes vegetais, do meio ambiente da área de influência do reservatório de Itaipu. O Ecomuseu de Itaipu realiza ações em conjunto com o município, entre eles podemos citar, como atendimento às escolas, oficinas de criação e conservação, biblioteca especializada, exposições itinerantes, participação e apoio aos eventos regionais de cunho cultural. Localiza-se na Avenida Tancredo Neves 94 4.2.18 Zoológico Bosque Guarani Uma área na região central da cidade foi transformada em espaço de lazer e turismo, construído em 10 de junho de 1996, chamado de Zoológico Bosque Guarani, este possui uma área de 40.000 m/2, totalmente arborizado. Percorrendo as trilhas o turista pode observar vários tipos de animais, como: onças, tucanos, macacos, papagaios, garças, cisne e outros, enriquecidos por cascatas, pinguelas (pontes) e vegetação. O Zoológico possui aproximadamente 683 animais de 49 espécies. Localizado próximo ao terminal central de ônibus. 4.2.19 Enseada Rio Branco (Porto Canoas) Localizado dentro da área do Parque Nacional do Iguaçu, à 1 Km das Cataratas, a Enseada Rio Branco é um local de lazer. Uma área com total infraestrutura para receber o turista, arborizada, com churrasqueira, bancos e mesas, e no local pode-se desfrutar de um vista panorâmica maravilhosa do Rio Iguaçu. 5. FOLCLORE E LENDA 5.1 FOLCLORE Conjunto de mitos e lendas que as pessoas passam de geração para geração. Palavra que significa sabedoria do povo. É o conjunto das tradições expressas em provérbios, cantos, canções e costume de um povo e região. Muitas destas histórias foram criadas para passar mensagens importantes ou apenas para assustar as pessoas. 95 5.2 LENDA Lenda é uma narrativa imaginosa, quase sempre fantástica que, representando a tradição de um povo, se transmite de geração para geração, procurando explicar de uma forma fantasiosa aspectos da vida e da natureza. As lendas são particularmente significativas pela riqueza de elementos que as compõe. Assinalam-se nas lendas aspectos de rios, serras, céus e noites, motivações para o sentimento da natureza. Lendas relacionadas com a flora e a fauna conferem a determinado animal e a determinada planta, formas correspondentes à realidade testemunhando o acerto da imaginação e convidando à reflexão. A Característica da lenda é ser oral, daí a razão porque há tantas controvérsias numa mesma lenda contada em regiões diferentes. Foz do Iguaçu, que possui em seu território uma das mais lindas atrações turísticas do País, que são as Cataratas do Iguaçu, detém dentro do folclore brasileiro uma lenda indígena correspondente em beleza, para explicar sua origem. 5.2.1 Lenda das Cataratas do Iguaçu A beleza grandiosa dos saltos de Santa Maria fez nascer uma das mais famosas lendas do Paraná, que é Naipi e Tarobá. Os índios caigangues, que habitavam às margens do rio Iguaçu acreditavam que o mundo era governado pelo Deus M’Boy, um Deus que tinha a forma de uma serpente e era filho de Tupã. O cacique desta tribo que se chamava Igobi, tinha uma filha, Naipi, tão bonita que as águas do rio paravam quando a jovem nelas se mirava. Devido a sua beleza, Naipi foi consagrada ao Deus M’Boy, passando a viver somente ao seu culto. Havia, porém, entre os caigangues um jovem guerreiro chamado Tarobá, que ao ver Naipi por ela se apaixonou. 96 No dia que foi anunciada a festa de consagração da bela índia, enquanto o Cacique e o Pajé bebiam cauim17 e os guerreiros dançavam, Tarobá roubou e fugiu com a linda Naipi, numa canoa que seguia rio abaixo pela correnteza. 17 Forma de preparo do cauim, as mulheres indígenas mascavam a mandioca, ou milho, ou ananás, batata-doce ou outras qualidades, esmagando-a com os molares e enrolando-a com a língua no céu da boca. É mastigando bem e com bastante saliva, cuspindo tudo num pote, até que fique cheio. E era serviço feito pelas virgens, porque as outras estragariam a bebida. O resultado, era uma bebida nutritiva e inebriante. 97 Quando M’Boy soube da fuga de Naipi e tarobá, ficou furioso, penetrou então nas entranhas da terra e retorcendo o corpo, produziu na mesma uma enorme fenda que formou uma cataratas gigantesca. Envolvida pela água dessa imensa cachoeira, a piroga (canoa) dos índios fugitivos caiu de uma grande altura, desaparecendo para sempre. Diz a lenda que Naipi foi transformada em uma das rochas centrais das cataratas, perpetuamente fustigada pelas águas revoltas, e Tarobá foi convertido em uma palmeira situada à beira do abismo e inclinada sobre a garganta do rio. Debaixo dessa árvore acha-se a entrada da gruta de onde o monstro vingativo vigia, eternamente, as suas duas vitimas. 6. GASTRONOMIA Foz do Iguaçu reserva surpresa na área de gastronomia aos turistas, apresenta uma grande diversidade culinária, até pelo fato de existir uma gama enorme de estabelecimentos, onde o turista pode provar os mais diversificados pratos da cozinha internacional, como os pratos típicos da comida alemã, árabe, chinesa, espanhola, italiana e japonesa. A culinária brasileira está presente em vários restaurantes e hotéis da região, onde se pode provar comida baiana, mineira, paulista e o delicioso churrasco gaúcho. Sendo uma região de tríplice fronteira e cortada pelos principais rios do Brasil, o prato típico da região só poderia ser feito a base da carne de peixe, em especial o dourado e surubim, espécie de peixe cobiçada e difícil de ser pescada. Foi escolhido em 1996, entre outros participantes como o prato típico da cidade, a base de peixe, o “Pira de Foz”18, feito por Dirceu Viera dos Santos, 18 Receita do prato “Pira de Foz” Ingredientes: 2 filés de peixe de 200g cada; ½ litro de água; ½ ramo de salsa; ½ cebola pequena. Cozinhar o peixe com os ingredientes e reservar. Primeira guarnição: 300g de mandioca; 2 colheres margarina; ½ copo de leite; sal a gosto. Cozinhar e moer a mandioca. Fazer um purê com leite e sal a gosto, reservar; Segunda guarnição: 100g de arroz; 1 colher de óleo; 1 maço de espinafre. 98 cozinheiro do Hotel Bourbon. Atualmente, o prato é preparado em quase todos os restaurantes e hotéis da cidade. Em Tupi-guarani “Pira” significa peixe, a receita é filé de peixe, principalmente o surubim, com salsa, cebola, mandioca, espinafre, arroz, cenoura, pimentão vermelho, gengibre, alho, orégano, pimenta, óleo de soja, maisena, leite e sal a gosto. E para dar aquele toque, uma dose de vinho. Além do “Pira de Foz”, outro prato tradicional muito servido nos restaurantes de Foz do Iguaçu e o “Dourado Assado”, peixe saboroso, de carne branca e macia, muito pescado na região. 7. ARTESANATO Artesanato é todo trabalho preponderantemente manual que se revela nitidamente, em cada produto apresentado, traços individuais de criatividade e destreza do artesão. O artesanato é uma manifestação da cultura material de um grupo. Em Foz do Iguaçu os artesões, em sua maioria, são filiados a COART (Cooperativa de Artesanato da Região Oeste e Sudoeste do Paraná), inaugurada em 31 de março de 1979. Ela concentra e distribui a produção artesanal de uma extensa faixa de fronteira, que vai desde a peça mais simples ao mais requintado estilo, atualmente é comercializado mais de 2.000 peças de artesanato ao mês. Cozinhar o arroz e reservar. Cozinhar o espinafre na água e sal, escorrer e picar. Colocar na frigideira com margarina e misturar com arroz cozido. Molho: 20g de cebola média cortada em fatias finas; 1 cenoura média em fatias finas; 1 pimentão vermelho sem pele e sem sementes cortado sem tiras finas; 20g de gengibre picado; 1 ramo de salsa; ½ taça de vinho branco; 1 colher (chá) rasa de orégano; 1 pitada de pimenta branca moída; 1 colher (sopa) de óleo de soja; 1 colher (sobremesa) de maisena; 200ml de caldo de peixe; sal a gosto. Modo de preparar: Fritar o alho no óleo. Juntar a cebola, a cenoura e o gengibre. Deixar refogar por três minutos. Colocar o caldo de peixe cozido o orégano, o pimentão, a pimenta e sal a gosto. Deixar ferver por cinco minutos e dissolver a maisena no vinho e colocar no molho até dar consistência. Montagem do prato: colocar o molho no prato e acrescentar o peixe. Colocar o arroz, o purê de mandioca e decorar com uma flor de cenoura. Servir quente. Fonte: AGABCO – Associação dos Gerentes de Alimentos e Bebidas da Costa Oeste. 99 Na COART está presente a cestaria, a cerâmica de influência indígena, as talhas e objetos de madeira que revelam o contato do homem com uma das grandes riquezas da região, a floresta. Mas não é apenas o primitivo e o ingênuo que marcam a cultura industrial, é bastante nítido, o aproveitamento dos resíduos “recicláveis” da chamada sociedade de consumo: copos, estojos, abajures feitos com garrafas e outras embalagens industriais, que atesta, não só a criatividade como o grau de envolvimento desses, com o fenômeno urbano atual. 100 Conclusão Considerando o resultado da pesquisa, podemos afirmar que a Cidade de Foz do Iguaçu apresenta um grande potencial turístico. Sob o ponto de vista histórico, foi possível descobrir as transformações pelas quais a Cidade passou, chegando a situação atual. A economia da região era basicamente voltada para extração da erva-mate e o corte da madeira, e que gradativamente foi substituída pela vocação turística. Existem pessoas que guardam em suas memórias as histórias e os causos, que ajudaram a escrever e registrar os fatos; todos fazem a história, muitos a contam, alguns são apenas expectadores. O resultado deste trabalho é uma resposta para preservar a memória, os fatos vividos, vistos ou ouvidos. Este livro é um auxilio, na forma de gravar as proezas, as dificuldades, que surgiram e que surgem no dia a dia. Pois, muitas histórias contidas neste livro foram buscadas, ouvidas; outras foram escritas por aqueles que a preservaram na memória. A história de Foz do Iguaçu é um verdadeiro mergulho histórico, cultural, ambiental e econômico, sendo assim a necessidade de preservá-lo, pois a história da Cidade é motivo de orgulho para os seus habitantes. 101 Referências _________. 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