Historia de Foz do Iguaçu
Nivaldo Pereira da Silva
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a minha esposa
Semilda, pela sua força e colaboração. Ás
minhas queridas filhas Mayara Cristina e
Marielly Rebeca, por ser o centro de
atenção de minha vida e fonte de
inspiração.
1
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1.2
1.2.1
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INTRODUÇÃO.......................................................................................
DESCOBRIMENTO DA REGIÃO...........................................................
PRINCIPAIS PRODUTOS DA ÉPOCA..................................................
Erva mate..............................................................................................
Madeira..................................................................................................
FUNDAÇÃO DA COLÔNIA MILITAR.....................................................
LOCALIZAÇÃO DA CIDADE..................................................................
DESMEMBRAÇÃO DA COLÔNIA MILITAR DO IGUAÇU DA
06
08
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13
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1.6
COMISSÃO ESTRATÉGICA DO PARANÁ............................................ 18
EXTINÇÃO DA COLÔNIA MILITAR – CRIAÇÃO E INSTALAÇÃO DO
1.7
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1.9
1.10
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1.18
1.19
1.20
1.21
MUNICÍPIO.............................................................................................
PRIMEIRO CLUBE DE FUTEBOL.........................................................
SANTOS DUMONT E CATARATAS......................................................
RELIGIÃO...............................................................................................
REVOLUÇÃO PAULISTA E A COMUNIDADE DE FOZ DO IGUAÇU...
CONSTRUÇÃO DO HOSPITAL DE CARIDADE...................................
FUNDAÇÃO DO 1º GRUPO ESCOLAR.................................................
CRIAÇÃO DO 1º CLUBE SOCIAL DE FOZ DO IGUAÇU......................
INÍCIO DOS PREFEITOS NOMEADOS................................................
CAPITANIA DOS PORTOS DO RIO PARANÁ......................................
A CHEGADA DA COMPANHIA ISOLADA (EXÉRCITO).......................
INÍCIO DA AVIAÇÃO EM FOZ DO IGUAÇU..........................................
PREFEITOS NOMEADOS E ESTADO NOVO......................................
MARCO INICIAL DO POTENCIAL HIDROELÉTRICO..........................
TERRITÓRIO DO IGUAÇU....................................................................
BENEFÍCIOS
TRAZIDOS
PELA
COMPANHIA
ISOLADA
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1.25.2
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3.
4.
4.1
4.1.1
4.1.2
4.1.2.1
4.1.2.2
(EXÉRCITO)...........................................................................................
VOLTA AO REGIME CONSTITUCIONAL..............................................
ÁREA DE SEGURANÇA........................................................................
FOZ DO IGUAÇU...................................................................................
ECONOMIA............................................................................................
Turismo.................................................................................................
Comércio...............................................................................................
CRONOLOGIA HISTÓRICA DO MUNICÍPIO........................................
LOCALIZAÇÃO.....................................................................................
ATRAÇÕES TURÍSTICAS DE FOZ DO IGUAÇU.................................
RECURSOS NATURAIS........................................................................
Cataratas do Iguaçu.............................................................................
Parque Nacional do Iguaçu.................................................................
Objetivos específicos da unidade de conservação..........................
Aspectos geográficos, culturais e históricos do Parque Nacional
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77
4.1.3
do Iguaçu............................................................................................... 77
Salto do Macuco................................................................................... 80
4.1.4
4.1.5
4.1.6
4.1.7
4.2
4.2.1
4.2.2
4.2.3
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4.2.5
4.2.6
4.2.7
4.2.8
4.2.9
4.2.10
4.2.11
4.2.12
4.2.13
Poço Preto.............................................................................................
Cemitério Indígena...............................................................................
Rio Iguaçu.............................................................................................
Rio Paraná.............................................................................................
RECURSOS ARTIFICIAIS.....................................................................
Itaipu - A maior hidrelétrica do mundo...............................................
Furnas - A maior subestação elétrica do mundo..............................
Lago de Itaipu.......................................................................................
Museu do Parque Nacional do Iguaçu................................................
Ponte Internacional da Amizade.........................................................
Ponte Presidente Tancredo Neves (Brasil – Argentina)...................
Aeroporto Internacional e interligações Rodoviárias.......................
GRESFI - Grêmio Esportivo e Social de Foz do Iguaçu....................
Marco das Três Fronteiras...................................................................
Hotel Cassino Iguaçu...........................................................................
Cataratas Iate Clube.............................................................................
Templo Budista.....................................................................................
Mesquita Árabe.....................................................................................
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5.
5.1
5.2
5.2.1
6.
7.
Espaço das Américas..........................................................................
Parque das Aves...................................................................................
Terminal Turístico de Três Lagoas.....................................................
Ecomuseu de Itaipu..............................................................................
Zoológico Bosque Guarani..................................................................
Enseada Rio Branco (Porto Canoas)..................................................
FOLCLORE E LENDA...........................................................................
FOLCLORE............................................................................................
LENDA....................................................................................................
Lenda das Cataratas do Iguaçu..........................................................
GASTRONOMIA....................................................................................
ARTESANATO.......................................................................................
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6
1. INTRODUÇÃO
Durante muito tempo as lembranças de acontecimentos, fatos e situações da
história de uma Cidade, enfim os casos mais importantes que transformaram a vida
de várias pessoas por séculos e séculos. O resgate dos períodos marcantes da vida
das pessoas que fizeram e fazem a historia, e que são nomes importantes na
historia nos registros com seus testemunhos de vivência, e as experiências a serem
transmitidas as próximas gerações.
O cenário selecionado é um dos mais adequados para se rememorar fatos
marcantes da Historia da Cidade de Foz do Iguaçu, seu passado e comemorar os
momentos tradicionais da Cidade.
Para conhecermos as origens de uma cidade, o desenvolvimento de suas
atividades políticas, econômicas, culturais e religiosas, demanda uma imersão na
história da cidade que se deseja as informações.
A frase utilizada por um autor desconhecido retrata a beleza e a imponência
da cidade “A natureza fez em Foz tudo o que sabe”. Na Cidade de Foz do Iguaçu o
homem também promoveu grandes maravilhas, tornando-a um imenso complexo
turístico. Este complexo que tem por base a generosidade com que foi dotada pela
natureza e pela ação do contingente humano, que no curto período de
aproximadamente um século, fizeram do local um recanto de belezas naturais e
artificiais, que se transformaram em um grande polo hoteleiro e um dos roteiros
turísticos mais procurados do Brasil.
Este livro procura resgatar a história, que por mais distante e remota esteja,
carrega consigo uma riqueza que sob pretexto algum deve ser considerado
indispensável para o conhecimento de futuras gerações.
Foz do Iguaçu apresenta um espaço dinâmico e diacrônico em constantes
transformações, em uma analise histórica foi possível entender a efetiva colonização
da região e a ocupação das terras ao longo do rio Paraná, sendo assim, o passado é
que nos proporciona compreender o presente e analisarmos o futuro.
7
Para atingir o objetivo deste trabalho foi efetuada pesquisa bibliográfica da
literatura existente e também pesquisa de campo, relatando os fatos históricos
desde chegada de espanhóis e dos portugueses em 1514, na região Oeste. E a
importância de argentinos e paraguaios em Foz do Iguaçu, na época da formação da
colônia militar, no século XIX.
Em 1889 foi identificada uma população de 324 pessoas, em sua grande
maioria “hirmanitos” que imigraram para a região de Foz do Iguaçu e não retornando
aos seus países de origem.
Com o passar dos tempos foram chegando a cidade imigrante de várias
nações, alguns foram para passear e acabaram ficando na região, mas o principal
fato para a miscigenação da cidade foi a construção da Hidrelétrica de Itaipu, onde
pessoas de todos os lugares imigraram para Foz do Iguaçu.
A evolução econômica e social no mundo transformou a atividade turística de
Foz do Iguaçu em um grande responsável pela geração de eventos, turismo de
negócios e lazer, tendo efeito multiplicador sobre a geração de empregos e renda
para a população local, contando com uma das estruturas mais completas do país, e
sendo a responsável direta pela base de sustentação da economia local.
O turista que visita a cidade fica deslumbrado com as belezas naturais e a
convivência pacífica do grande número de etnias que forma a base da população de
Foz do Iguaçu. Hoje a cidade é o grande palco de amostra das transformações a
que as pessoas podem passar, pois cada povo tem o seu costume e seu credo e
vivem numa região que pode ser o exemplo para o mundo, e isso se chama Paz.
Sua história mostra claramente que não é por acaso ou à toa, nem por
exclusiva capacidade dos homens que Foz do Iguaçu ostenta uma grandeza que faz
o orgulho e a felicidade dos que tem o privilégio de viver dentro de suas fronteiras.
8
1.1 DESCOBRIMENTO DA REGIÃO
A destruição da memória afeta não apenas o passado, como
também o futuro. Se a memória se dissolve, o homem se dissolve.
Otavio Paz (Prêmio Nobel de Literatura, 1990)
O Estado do Paraná foi desbravado no milênio passado pelos bandeirantes
conquistadores. O espaço geográfico de Foz do Iguaçu, ou Colônia Militar do
Iguaçu, ou Vila Iguaçu, passou pelas fases históricas de extrema penúria na
formação do núcleo populacional.
Pesquisas arqueológicas realizadas pela Universidade Federal do Paraná no
espaço ocupado pelo reservatório de Itaipu, antes da formação do Lago de Itaipu,
marca em 6.000 a.C. vestígios da presença humana na região.
Porém, a colonização de Foz do Iguaçu formou-se por verdadeiros heróis
aventureiros, que ali chegaram com suas etnias, culturas e costumes. Entre eles
podemos considerar os alemães, italianos, paraguaios, argentinos e brasileiros de
todos os recantos do País.
Em 1541, Alvar Nuñez Cabeza de Vaca1 saiu da Espanha com 400 homens,
em uma expedição colonizadora rumo ao sul do Brasil, em busca das novas terras
que foram requeridas pela Coroa Espanhola. Aportou na Ilha de Santa Catarina e de
lá se aventurou em direção à Bacia da Prata. Navegando pelo Rio Iguaçu
procurando uma rota para o Paraguai, chegou no dia 11 de março de 1542, as
Cataratas escapando de ser tragado pela enorme queda d`água, percebendo o
estrondo das águas e as nuvens de neblina formada pelas quedas das águas.
Batizou o fantástico fenômeno da natureza de cachoeira de Santa Maria e seguiu
1
Somente na primeira metade do século XX, os historiadores e pesquisadores Morris Bishop, Henry
Miller e Fernández de Oviedo buscaram registros concretos a respeito dos feitos de Cabeza de Vaca.
Ara'puka revela: "A menor margem de erro para definir o nascimento dele está entre março e junho
de 1492, em Jerez de la Frontera e não em Sevilha, como defendem alguns estudiosos”70.
Deve-se a Hipólito Sancho de Sopranis, por meio de laboriosas pesquisas no território de
Andaluzia, a quase exatidão do nascimento de Álvar, um dos seis filhos de Francisco de Vera e
Teresa Cabeza de Vaca, o sobrenome mais nobre. Seu avô paterno, Pedro de Vera, conquistou as
Ilhas Canárias e foi um dos heróis da libertação de Granada. (...) Desde cedo os jovens ansiavam a
aventura, uns esperando a riqueza, outros o conhecimento (Agência de noticias Front Informações).
9
viagem rumo a Assunção no Paraguai, Capital do Império Espanhol na América da
época, para assumir o governo, nomeado pelo Rei Carlos V da Espanha, em
substituição a Domingues Martinez de Irala, sem deixar rastro ou registro de
qualquer ocupação da área, de Alvar Nuñez Cabeza de Vaca ficou apenas os fatos
de que foi o "descobridor" das Cataratas.
Em 1558, os espanhóis fundaram a Ciudad Real Del Guayrá2, está cidade é
origem do povoado de Ontiveros, formado por 80 homens, a mando do Rei espanhol
Luis Felipe III, em 1554, em resposta a fundação do povoado de São Paulo pelos
portugueses. A ciudad Real Del Guayrá foi fundada as margens do rio Paraná,
próximo a foz do rio Ivaí, local onde existia uma grande quantidade de indígenas.
A Ciudad Real del Guayrá representava um papel importante e estratégico, na
época, em função de sua ligação entre o rio Paraná e o litoral paranaense, através
do rio Iguaçu.
Os espanhóis fundaram outras cidades, além de Ciudad Real Del Guayrá,
como a Vila Rica do Espírito Santo, fundada em 1579, pelo Capitão Ruy Dias
Malgarejo, nas margens do rio Ivaí, próximo a foz do rio Corumbataí. As margens
dos rios Paranapanema, Tibagi, Ivaí, Iguaçu e Paraná, foram fundadas as reduções
jesuíticas.
Na Segunda metade do século XIX, ainda eram os índios caingangues, os
senhores das imensas florestas, cortadas por rios caudalosos, de águas límpidas e
cristalinas. As maravilhosas e belas quedas de Santa Maria, no rio Iguaçu, soberbos
e altaneiros, dominavam os caingangues, absolutos, vivendo da fertilidade dos
terrenos, da exuberância de sua fauna e flora, os índios chamavam está região de
“água grande” (em guarani, “I” = água e “guaçu” = grande)3. As tribos eram
seminômades, isto é, moravam certo tempo em um lugar e depois migravam para
outras terras.
Quando fundamentados no tratado de Tordesilhas, os adelantados,
conhecidos como conquistadores espanhóis atravessaram o rio Paraná, vindo de
2
A Ciudad Real Del Guayrá estava localizada nas proximidades do rio Piquiri, onde é hoje o
Município de Terra Roxa do Oeste.
3
O nome do município é de origem guarani, podendo ser decomposto, na sua grafia primitiva – ü
(água, rio) e wa'su (grande), portanto rio caudaloso. Dicionário Onomástico Etimológico da Língua
Portuguesa, de José Pedro Machado (fonte: Agência de noticias Front Informações).
10
Assunção, aqui os encontraram os índios, e foram por eles recebidos como amigos,
porém, os espanhóis quiseram torná-los escravos, porém reagiram com violência.
Reunidos e comandados pelo bravo “GUAIRACÁ”, o grande herói indígena,
estabeleceu-se a guerra épica contra a ocupação espanhola, que se estendia por
todos os vales do Iguaçu, do Ivaí, do Tibagi, do Taquari e do Paranapanema, sendo
este o primeiro passo para o sul do País, deslocam-se as fronteiras dos limites do
meridiano de Tordesilhas.
Permaneceram apenas as “reduções” administradas pelos Padres Jesuítas,
pertencentes à Companhia de Jesus, desde a “Ciudad Real del Guayra” e outras
reduções menores. A nova administração, porém, apesar de humanitária e justa,
não mais atraia a totalidade dos indígenas que, afastaram-se do contato com os
brancos, cujas “reduções” eram atacadas e destruídas em prejuízo para o trabalho
de catequese e povoamento da região.
Em 1600, o Governo Espanhol, de Assunção, elevou a Ciudad Real Del
Guayrá à condição de sede da Província de Guairá, foi uma tentativa de manter a
soberania na Região, frente a ameaça portuguesa.
Mais tarde em 1619, constatando-se pertencerem estas terras a coroa
Portuguesa e não aos reis da Espanha, e devido as lutas então travadas entre
portugueses e espanhóis, os bandeirantes Manoel Preto e Antônio Raposo Tavares,
após intensa batalha nos anos de 1629 e de 1632, em pleno sertão do Paraná,
destruíram completamente os aldeamentos indígenas da Vila Rica do Espírito Santo
e Ciudad Real del Guayrá. Terminou assim a primeira tentativa de colonização desta
região. Os indígenas que conseguiram sobreviver debandaram pelo sertão ou
atravessaram o Rio Paraná.
Após a destruição das missões jesuíticas, uma parte das tribos que estavam
aldeadas nas missões, miscigenaram-se com a população rural do Paraguai. Seus
descendentes foram utilizados para penetrar cada vez mais em território brasileiro,
pelo conhecimento da região, na extração da erva mate, para os comerciantes
argentinos.
A garantia de que este território seria português e integrado ao mapa do Brasil
aconteceu com o Tratado de Madri, celebrado entre Portugal e Espanha em 1750.
11
Mas também não seria dessa vez que seria dado início à ocupação e colonização.
Uma tentativa foi feita em 1765, quando foi sugerida a criação de um
estabelecimento militar na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina para
garantir o domínio português sobre a área. A proposta não se concretizou e a região
continuou relegada e esquecida.
Em 1777, Portugal assinava com a Espanha o Tratado de Santo Idelfonso.
Neste Tratado, a Espanha reconhecia como fronteira portuguesa ocidental em
território hoje paranaense, os rios Paraná e Iguaçu. O trecho do rio Paraná
compreendia a margem esquerda do trajeto das Sete Quedas, até a foz do rio
Iguaçu. Por sua vez, no rio Iguaçu a fronteira corria até o encontro com o rio Paraná.
Desta forma, as fronteiras entre os territórios dessas duas potências Ibéricas,
no trecho em questão, ficaram separadas pelos rios Iguaçu e Paraná, qualquer
interpretação em contrário tornava-se praticamente impossível, devido a clareza do
tratado no trecho da fronteira.
Em 1853, a quinta comarca de São Paulo foi elevada a categoria de
Província. Despertou nas autoridades paranaenses o interesse em manter o
território anexado a Província do Paraná. A nova unidade da federação brasileira foi
tirada justamente do nome do grande rio que banha o oeste, sendo o rio Paraná. A
jovem Província não possuía na época potencial humano e financeiro, para sequer
colonizar os seus sertões, como poderia colonizar também a região do Estado do
Paraná, mesmo assim foi feito um esforço sobre humano e mantido a Província do
Paraná.
Dois acontecimentos internacionais envolveram o governo imperial brasileiro
e o provincial do Paraná em relação a região oeste:
•
Guerra do Paraguai (1864 – 1869);4
•
Contestado Brasil-Argentina (questão de Palmas).5
Só mais de um século depois, em 1876, a pedido do Imperador D. Pedro II, o
Capitão Nestor Borba montou uma espécie de expedição para redescobrir a região,
com a pretensão de incorporar ao território nacional uma província considerada
4
5
MENEZES, Alfredo da Mota. Guerra do Paraguai: Como construímos o conflito, 1998
Id.
12
perdida, porém esta tentativa foi apenas um ensaio de ocupação, que não se
consumou.
No ano de 1880, ainda antes da morte de Duque de Caxias, entre os oficiais
do Exército mais aproximados ao Ministério da Guerra, já era um dos assuntos mais
discutidos a descoberta da Foz do Rio Iguaçu, principalmente por ser um ponto
estratégico, diziam alguns. Propunham-se a fundar uma Colônia militar e construir
um forte com capacidade suficiente para opor obstáculos a nações estrangeiras que
por ventura tentassem invadir o território brasileiro. E para evitar o ocorrido na
Guerra da Tríplice Aliança, e impedir a expansão da Argentina, que na época tinha o
domínio econômico da região.
Existia a idéia do Governo Imperial, de inserir uma frota da Marinha Nacional,
em águas brasileiras no Rio Paraná, com objetivo principal de tomar posse desta
região.
No entanto, o Brasil passava por distúrbios políticos que envolviam
monarquistas e republicanos, sendo os militares os envolvidos na causa republicana
no período de transição política, e o regime monárquico estava com seus dias
contados, então o plano para a região foi adiado. Nesta época, viviam no oeste
paranaense cercas de 300 pessoas, sendo que somente dez eram brasileiros, a
maioria era estrangeiros funcionários das empresas concessionárias das terras.
A colonização desta região começa por volta de 1881, com a fixação dos
primeiros moradores em Foz do Iguaçu, entre eles podemos considerar Pedro
Martins da Silva, brasileiro, que vivia no local chamado Itacorá, atualmente região
inundada pelo lago de Itaipu, e o espanhol Manoel Gonzáles que provavelmente,
subindo pelo Rio Paraná, vindos do Sul, aqui aportaram e se estabeleceram. Pouco
tempo depois chegaram os irmãos Goyacachéa, os quais passaram a exportar erva
mate em grande escala.
Em 1882, o Governo Imperial Brasileiro tomou conhecimento de que os
argentinos tinham iniciado a exploração de erva-mate no trecho entre a foz do rio
Iguaçu e a margem esquerda do rio Paraná. Os argentinos tinham ultrapassado as
fronteiras e iniciado a ocupação do território brasileiro.
13
Em 1887, aumentou a população do povoado nascente com a chegada de
diversas famílias, oriundas das Missões Argentinas, devido aos desentendimentos
políticos com o Governo. Com estes habitantes juntaram-se eventualmente
trabalhadores dedicados a erva-mate e ao corte de madeira, para trabalharem nas
companhias ervateiras e madeireiras como a Companhia Mate Laranjeiras que
dominava toda região. O território de Foz do Iguaçu se estendia até onde é hoje a
cidade de Laranjeiras do Sul.
1.2 PRINCIPAIS PRODUTOS DA ÉPOCA
1.2.1 Erva-mate
A erva-mate não deu trabalho de plantio em nosso Estado pela abundância
existente na região. As florestas de ervas acompanham os pinheiros nas regiões
frias do Estado, crescendo adornadas pelas belas araucárias.
Os índios extraiam as folhas das árvores, secavam e preparavam a erva
mate (Ilex paraguaesis). Com a chegada dos jesuítas, teve inicio o processo de
14
plantio através da seleção das sementes, pois descobriram que os índios adquiriam
resistência a fadiga com o uso da erva mate.
1.2.2 Madeira
A madeira de lei “nobre” abundante na região como cedro, marfim e ipê,
eram cortadas as margens do Rio Paraná, e transportada aos mercados de Buenos
Aires, pelo processo de navegação fluvial.
1.3 FUNDAÇÃO DA COLÔNIA MILITAR
No ano seguinte 1888, um dos primeiro ato do Ministro da Guerra Dr.
Thomás José Coelho de Almeida, foi o de nomear uma comissão com encargos tão
vastos como jamais houve. Tratava-se da formação de uma “Comissão Estratégica
do Paraná”.
A criação dessa comissão agradou muito aos idealistas da descoberta da
região, que tinha sobre os ombros importantes encargos: os principais objetivos da
comissão era fundar uma Colônia Militar e construir estradas estratégicas,
instalações de linha telegráfica. A Comissão não foi muito longe com seus projetos,
mas fundou a Colônia Militar na fronteira, marco do início da ocupação efetiva do
lugar por brasileiros e do que viria a ser o município de Foz do Iguaçu.
A mencionada comissão foi chefiada pelo então Engenheiro Militar Capitão
Belarmindo Augusto Mendonça Lobo. Mais tarde tornou-se General do Exército
Brasileiro, estabelecendo como centro de suas atividades e como sede da comissão
a cidade de Guarapuava.
Dentre os 14 oficiais que faziam parte da comissão, foi escolhido justamente
o mais moço o 2º Tenente Engenheiro Militar José Joaquim Firmino, engenheiro que
fazia parte da Comissão de Estradas Estratégicas do Paraná, e tinha como auxiliar o
Sargento José Maria de Brito. Estes, partindo com destacamento organizado para
15
explorar o caminho da Foz do Rio Iguaçu, seguiram através da floresta virgem,
transpondo cursos d’água e enfrentando a hostilidade dos silvícolas. Esta conquista
foi uma epopeia digna de heróis.
Apesar de todos os contratempos, a turma exploradora atingiu o seu
objetivo, chegando a Foz do Iguaçu no dia 15 de julho de 1889, a população da
região era constituída de 324 pessoas, sendo 188 paraguaios, 93 brasileiros, 33
argentinos, 5 franceses, 2 uruguaios, 2 espanhóis e 1 inglês, além dos índios. Do
total de pessoas 220 do sexo masculino e 104 do sexo feminino.
A comissão tomou posse para o Brasil de toda a região fronteiriça até as
Sete Quedas no Rio Paraná. A expedição voltou a Guarapuava em agosto de 1889,
para relatar a posse da região oeste do Paraná.
Foi então formada nova expedição, que voltaria a Foz do Iguaçu para
estabelecer definitivamente a Colônia Militar, sendo nomeado pelo Ministro da
Guerra, o Primeiro Tenente Antônio Baptista da Costa Júnior, a expedição, formada
por 34 soldados, 12 operários civis, 3 mulheres casadas com soldados e 4 tropeiros
encarregados de conduzir a tropa de 34 cargueiros, partiu de Guarapuava a 13 de
setembro de 1889. Após muitos dias de viagem, a expedição chegou a Foz do
Iguaçu, em 22 de novembro de 1889.
E no dia 23 de novembro de 1889, foi oficialmente instalada a Colônia Militar
do Iguaçu. A atividade principal dos habitantes da região era a exploração da ervamate, denominada por Sain Hilaire de “Ilex paraguaesis”.
As primeiras providências foram de mostrar a população Iguaçuense e as
Repúblicas vizinhas, que em Foz do Iguaçu existia autoridade constituída para todos
os efeitos legais.
Nos portos Britânia, Sol de Maio e Santa Helena, localidade sediada no
interior do Município e as margens do Rio Paraná, encontravam-se 500
descendentes de italianos e venezuelanos. As “Obrages”6 eram as frentes de
trabalho, que viviam nas chamadas colônias e que mais tarde deram origem às
6
No oeste do Paraná, surgiram, no fim do século passado, e no início do século XX, gigantescas
concessões por parte do governo paranaense para exploração de erva mate. Por extensão da
terminologia adotada em território argentino, as mesmas propriedades ou concessões foram
denominadas de obrages, significa originalmente local onde se trabalha manualmente. Seu
proprietário ou dono da concessão era chamado de obragero. WACHOWICZ, Rui Christovam
16
cidades de Toledo, Marechal Candido Rondon, Palotina, e Porto Britânia. Todos que
moravam nestas localidades trabalhavam na extração de madeira e erva-mate.
Enormes jangadas eram construídas de madeiras nobres como cedro, marfim e ipê.
Os troncos eram transportados em grandes carros-de-boi e levados até a margem,
as toras eram amarradas, lançadas ao Rio Paraná e rebocadas em direção a
Buenos Aires ou Montevidéu.
Essa gente se ocupava livremente na extração clandestina da madeira e da
erva-mate sem dar obediência às autoridades da província, não tendo com o
Município nenhuma relação. A Colônia passou a obedecer as ordens da
administração militar, desenvolveu-se rapidamente, tendo seus diretores, desde logo
regularizados o corte da madeira e a extração da erva mate, principais atividades
comerciais da região.
Os empregados das colônias eram os “Mensus”7, indivíduo que tinha
trabalho braçal nas “Obrages”, recebia no armazém com os gêneros de primeiras
necessidades, iniciava-se uma conta interminável, para mais tarde ser descontada
dos salários, e assim, aumentando o vinculo com os obrageiros, desta forma eram
explorado pelos donos da “Obrages. A palavra “Mensus” deriva do espanhol Mensul,
isto é mensalista.
Os “Mensus” eram recrutados nas províncias argentinas da região de
Missiones, Corrientes e em Foz do Iguaçu, os recrutadores eram chamados de
“Comissionistas”8 . Para recrutar os trabalhadores prometiam bons salários. Após o
contrato, os trabalhadores “Mensus” recebiam um “antecipo”9, equivalente a três
meses de salário. Os trabalhadores de posse do dinheiro, o embarque era atrasado
propositalmente em três dias durante este período, eram induzidos a beberem,
7
Era o nome atribuído ao indivíduo que se propunha a trabalhar braçalmente numa obrage. É
equivalente a peão. Recebia por mês, ou pelo menos sua conta corrente era movimentada
mensalmente. Vem do espanhol: Mensual, mensalista, WACHOWICZ, Rui Christovam.
8
No recrutamento da mão de obra para as obrages, quando a companhia possuía escritório na
localidade de recrutamento, este ali era feito. Se não, a companhia encarregava um indivíduo de fazelo. Era comissionista. Geralmente recaia em uma autoridade local ou em um comerciante.
WACHOWICZ, Rui Christovam.
9
Por ocasião do recrutamento de mão de obra em Posadas ou Corrientes, para as obrages, era
costume um adiantamento de salário para o candidato. Era o antecipo. WACHOWICZ, Rui
Christovam.
17
participar de bailes, e festa com as mulheres. As festas corriam com muita bebida e
jogo, findo este tempo os “Mensus” estavam sem dinheiro e com dívida.
As autoridades militares da colônia levantaram o perímetro, sendo medido e
distribuído em lotes urbanos e rurais que eram concedidos a colonos e militares.
1.4 LOCALIZAÇÃO DA CIDADE
O chefe da expedição, Tenente Antônio Baptista da Costa Júnior recebera
ordens de fundar a Colônia Militar a 4 km, do ponto de encontro dos Rios Iguaçu e
Paraná, a direção seria dada por uma linha reta que partisse do centro do ângulo
formado pelos dois rios.
Na época em que a expedição chegou à região atravessava uma grande
estiagem e não havia água nas proximidades do local marcado para fundação da
sede (perto do atual colégio Agrícola). Além do pessoal da expedição, havia ainda
40 muares para saciar a sede. E então ergueram novo acampamento provisório,
instalando-se às margens do Arroio Monjolo.
Após a mudança da comissão fundadora da Colônia para o novo
acampamento, o Tenente Antônio Baptista da Costa Júnior sentiu-se doente: dores
de cabeça, febre e comichão em uma das narinas, o que viria a ser um bicho de
varja (berne).
O Tenente Antônio Baptista, foi substituído pelo Tenente Frederico Luiz
Roszani, que não cogitou do estabelecimento da colônia no quilometro quatro, e
começou a edificar nessa localidade, sendo imitado pelos seus sucessores.
Inicialmente, seguiu as determinações para o local de instalação, mas devido
a falta de água, aliada a problemas de saúde, ocasionou uma mudança temporária
de local, para as redondezas do rio M'Boicy, no atual bairro de mesmo nome. Só
que os comandantes e seus comandados acabaram não retornando mais ao local
anteriormente indicado.
Com isso, o núcleo populacional que foi se sucedendo ao longo dos anos, foi
se estabelecendo nas proximidades do rio M'Boicy e do arroio Monjolo. Este último
18
cortava a cidade desde o atual Parque do Monjolo, passando no subsolo da Avenida
Brasil, onde se encontra canalizado. A Avenida Brasil localiza-se no Centro
Comercial da cidade, sendo considerado o marco referencial mais importante.
Uma vez instalada a colônia, a preocupação máxima foi abrir caminhos. A
picada de Guarapuava foi modificada, ela chegava muito ao norte, cortando o rio
Henrique Dias, afluente do Ocoí; para encurtar o caminho e a distância, foi feita nova
picada, mais para o sul. Porém, uma chuva um pouco mais prolongada, tornava a
picada (estrada) intransitável, o que era, sobretudo, ocasionado pelo alagamento
rápido dos rios, impedindo a sua transposição.
1.5 DESMEMBRAÇÃO DA COLÔNIA MILITAR DO IGUAÇU DA COMISSÃO
ESTRATÉGICA DO PARANÁ.
Uma portaria do Ministério da Guerra, datada de 20 de outubro de 1892,
desmembrou a Colônia Militar do Iguaçu da Comissão Estratégica do Paraná, e esta
ficaria com a responsabilidade de construir a estrada até a colônia.
Tudo ia muito bem, mas em 1893 uma horda de derrotados na Revolução
Federalista deflagrada no Rio Grande do Sul, comandada por Juca Tigre passou
pelo povoado saqueando, espalhando o terror e forçando a uma debandada geral da
população, nem a Comissão Estratégica, também chamada de Comissão de
Estradas, nem a Colônia Militar foram fatores de progresso duradouro para a região.
O Governo Federal não aplicou os recursos necessários e passou Colônia
Iguaçu para a jurisdição do Governo do Estadual. De qualquer forma, a presença
militar na área teve os méritos de garantir a posse do território pelo Brasil, disciplinar
a atividade econômica e dar segurança à população. Além de plantar essa base
inicial, o fator mais importante foi à presença do Exército na fronteira.
Em meio dos percalços da Colônia Militar, em 1897 foi instalada uma
agência fiscal chefiada pelo capitão Lindolfo Siqueira Bastos, que encontrou a região
abandonada, ou mais precisamente entregue à exploração predatória por
19
estrangeiros. Ele registrou a existência de apenas 13 casas cobertas de tabuinhas e
alguns ranchos de palha.
Em 1887, o Capitão Edmundo de Barros, efetuou estudos e levantou a
planta dos Saltos do Iguaçu (Cataratas), organizando um plano diretor para a
construção de um parque no lado brasileiro dos saltos.
O Marco das Três Fronteiras inaugurado em 20 de julho de 1903 estabelece
o limite territorial do Brasil com a Argentina e o Paraguai. Sua criação faz parte de
um projeto juntamente com o marco argentino, através de uma comissão estratégica
dos dois países. A comissão brasileira, sob o comando do general Dionísio
Cerqueira, e a comissão Argentina, sob o comando do general Garmêndia.
O Marco brasileiro está localizado a seis quilômetros do centro de Foz e a 23
quilômetros das Cataratas, na foz do Rio Iguaçu com o Rio Paraná. Trata-se de um
raríssimo acidente geográfico, pois é o ponto de encontro estratégico onde se tem a
visão total das fronteiras, ao Sul entre o Rio Iguaçu e a Argentina; e a Oeste entre o
Rio Paraná e o Paraguai.
O obelisco é construído em pedra e cimento, em forma de um triângulo
equilátero e pintado com as cores nacionais. A área é historicamente importante
pelo fato de que Foz do Iguaçu deveria se desenvolver demograficamente nesta
região, conforme as determinações da antiga Colônia Militar.
Em 1904, as empresas ervateiras e madeireiras argentinas Nuñes, Gibaja
Martinez y Co., Juan B. Molla y Co., Domingos Barthé, Julio Tomáz Allica e outras
empresas de menor porte, requerem terras junto ao governo paranaense, porém,
ficaram descontente com as medições liberada, e pelo que esperavam a tanto
tempo.
A agência fiscal foi o embrião da Mesa de Rendas Federais, em 19 de Abril
de 1905, quando foi instalada a repartição fiscal do Ministério da Fazenda (Mesa de
Renda) pelo poeta e jornalista paranaense Silveira Neto (criada em 1904, pelo
decreto 5292, e instalada em 1905).
20
•
A direção da colônia cobrava elevada carga de impostos, ou seja, licença de
casas comerciais, por quilo de erva mate, além de uma caução muito pesada no
início dos trabalhos, para garantia dos trabalhos;
•
As medidas adotadas estavam afugentando o comércio e as explorações de
mate e madeira;
•
A grande maioria da exportação da erva mate era contrabandeada, pois os ervais
eram prodigiosos e as madeiras de excelente qualidade, a exportação era
exclusivamente de cedro;
•
A região de Foz do Iguaçu estava praticamente abandonada como produtora de
riquezas;
•
Não existia na sede uma única plantação de hortaliças ou árvores frutíferas, pois
seria sinal de indolência;
•
População decrescente, pois se achando oprimida, estava mudando com as
famílias, para o Paraguai.
No ano de 1905, foi criada uma comissão pelo Governo Estadual, que ficou a
cargo do Coronel Jorge Schimmelpfeng, para elaborar estudos e planos de
povoamento e desenvolvimento para a região, o qual mais tarde viria a ser o prefeito
de Foz do Iguaçu.
Em 1906 havia em Foz do Iguaçu 4 estabelecimentos comerciais, as
repartições do comando militar com Diretoria, uma secretaria, uma escola. Foi criado
o Distrito Policial e instalado a linha telegráfica ligando Foz do Iguaçu à Guarapuava.
A população era de aproximadamente duas mil pessoas, que viviam das pequenas
indústrias de açúcar e aguardente, porém, a base econômica continuava a ser a
exploração de madeira e erva mate.
A finalidade primordial da fixação de colonos na colônia militar, era estimular
o povoamento por brasileiros e proporcionar a produção de gêneros alimentícios.
Mas, este objetivo não teve êxito, constatava-se que a agricultura apresentava
pouco desenvolvimento, apesar da fertilidade da terra.
Na agricultura, os produtos mais explorados eram o milho, feijão preto,
mandioca e a cana de açúcar, não esquecendo o fumo. O arroz produzia muito bem,
21
mas não era plantado por dificuldade de se obter as sementes, o mesmo ocorrendo
com outras espécies de cereais. Não havia plantação de forragem, a não ser nas
propriedades particulares de apenas um só colono. Este plantava para consumo de
suas tropas, empregada na exploração e transporte da erva-mate.
Os colonos, desde o início, foram explorados pelos comerciantes, na
comercialização da erva mate. Assinavam contrato de fornecimento sem, entretanto
existir especificações dos prazos de vigência dos mesmos, as datas, eram
posteriormente alteradas pelos comerciantes, explorando desta forma a ignorância
dos colonos.
No ano de 1910, foi criado o termo judiciário do Município, a Colônia Militar
passou à condição de "Vila Iguassu", distrito do Município de Guarapuava, e neste
mesmo ano o Capitão Antônio Rodrigues Portugal, faleceu e foi sepultado em Foz
do Iguaçu.
A administração da Colônia Militar passou a ser comandadas por seus
Diretores. Estes Oficiais deram um grande impulso ao progresso da região, pelo
clima de liberdade em que todos viviam e trabalhavam, em busca de prosperidade.
Merece especial menção ao Capitão Edmundo de Barros pelas obras e estudos
realizados por ele em Foz do Iguaçu, sendo de sua autoria o traçado da cidade que
até hoje perdura.
Diretores da Colônia Militar do Iguaçu:
•
Tenente José Joaquim Firmino;
•
Coronel Figueiredo Rocha;
•
Tenente Frederico Luiz Roszani;
•
Capitão Edmundo de Barros;
•
Capitão Alcebiades Plaisant;
•
Capitão Melo Nunes Pantaleão Queirós;
•
Capitão João Soares Neiva de Lima;
•
Capitão Antônio Rodrigues Portugal;
•
Tenente Belém Aloys scherer;
•
Tenente Antônio Pimenta.
22
A partir de 1911, começava a funcionar a estrada de ferro São Paulo-Rio
Grande, com este acontecimento, abriu-se mais uma opção de comunicação com a
região de foz do Iguaçu. O trajeto diminuía, substancialmente.
Por está estrada de ferro, chegava-se até a cidade gaúcha de Uruguaiana,
atravessava-se o Rio Uruguai até Passo de Los Libres, e desta cidade Argentina até
Posadas, pela Ferro Carril Nordeste Argentino de 382 km. De Posadas até Foz do
Iguaçu percorria-se 175 km pelo Rio Paraná.
1.6 EXTINÇÃO DA COLÔNIA MILITAR – CRIAÇÃO E INSTALAÇÃO DO
MUNICÍPIO.
Sobe a égide do controle militar, Foz do Iguaçu prosperou tanto que em
1912, o Ministério da Guerra achou dispensável a administração militar, passando-a
a seus próprios cidadãos. Foi extinta a Colônia Militar e a região passou à jurisdição
do Estado do Paraná, tornando-se parte do Município de Guarapuava, que ficou com
a denominação de Colônia de Vila Iguaçu.
O governo do Estado do Paraná enviaria o Coronel Luiz Daniel Cleve para
pesquisar na sede da Colônia de Vila Iguaçu, as necessidades e condições da nova
povoação e para instalar a Coletoria Estadual que foi criada em 27 de outubro de
1912.
Dois anos após a extinção da Colônia Militar, a Lei Estadual no. 1383, de 14
de março de 1914, criava-se o “Município do Iguaçu”, cuja sede foi elevada a
categoria de Vila com a denominação de “Vila Iguaçu”. Em 10 de junho de 1914 foi
instalado o novo município, tomando posse a 14 de junho de 1914. A primeira
Câmara Municipal foi composta dos seguintes vereadores Jorge de Oliveira Silveira,
Fidelis Alves, Fulgêncio Pedroso de Almeida, Jorge Samwais, João Martins Boska e
Ignácio de Sá Sotomaior, sendo também nessa ocasião, empossado o primeiro
Prefeito Coronel Jorge Schimmelpfeng que administrou até 1920, (sendo reeleito em
06 de julho de 1920, administrou até 21 de setembro de 1924).
23
Jorge Schimmelpfeng de origem alemã saiu de Curitiba rumo a Foz do
Iguaçu integrando uma comissão designada pelo governo Estadual para fazer
estudos e planos de povoamento e desenvolvimento do extremo Oeste do Paraná.
Apesar do ambiente inóspito e da pobreza existindo na região, decidiu plantar raízes
em Foz do Iguaçu, onde se tornaria um líder de muito prestigio.
Com a instalação da Vila Iguaçu, teve início a vida administrativa do futuro
município. Adquirindo autonomia, a antiga Colônia Militar, sob a enérgica direção do
Coronel Jorge Schimmelpfeng, conseguiu alcançar em poucos anos o progresso.
Vencendo as enormes dificuldades devido à situação e o isolamento em que vivia o
município, afastados centenas de quilômetros do centro de ação do Governo
Estadual.
Não havia gênero de primeiras necessidades, vinha tudo da Argentina,
através dos navios da época: Cruz de Malta, Guairá, Iberá. Os navios chegavam
24
todas as semanas em Foz do Iguaçu, trazendo gêneros de primeiras necessidades,
turistas e novos moradores.
Em 1915, o Coronel Jorge Schimmelpfeng, primeiro prefeito da localidade,
convidou Frederico Engel a vir para Foz do Iguaçu para explorar o turismo. Assim,
no dia 15 de novembro do mesmo ano, junto com sua família, o patriarca conseguia
inaugurar o Hotel Brasil, tornando-se o primeiro gerente hoteleiro da cidade. O
prédio do estabelecimento era um casarão de madeira que permitia o alojamento de
apenas 14 pessoas.
Logo que chegou à Vila, Frederico Engel tomou conhecimento de que as
terras onde se encontra o Salto de Santa Maria (descoberto por Alvar Nunes Cabeza
de Vaca) pertencia a um particular, o uruguaio Jesus Val, 47 anos, casado, residente
em Puerto Colán em Villa Concepción, Chaco Argentino. Recebeu da Colônia Militar
um lote de 1.008 hectares para fins agrícolas. O lote do senhor Jesús Val ocupava a
margem do rio Iguaçu, junto aos Saltos de Santa Maria.
25
Frederico Engel entrou em contato com o proprietário, conseguindo sua
autorização para cuidar da área e explorá-la por tempo indeterminado. Alugou um
sobrado velho e abandonado no local, construído no tempo da Colônia Militar,
pertencente ao Sr. Leoncio Alvez, foi muito árduo o serviço de limpeza e reforma do
hotel, do velho casarão. Porém, obstáculos surgiram na reforma, em primeiro lugar a
falta de capital e em segundo, a aquisição do material, a madeira era toda serrada a
mão e de difícil transporte. Melhorou o aspecto do velho e abandonado casarão nas
proximidades das Cataratas, tornando-se o primeiro Hotel das Cataratas.
Frederico Engel abriu uma picada de 18 km na mata virgem, até alcançar as
Cataratas, trabalho árduo, feito a machado, foice e traçador. Tudo para facilitar o
acesso dos visitantes até aquela atração turística.
A condução era uma carroça de tolda, puxado por quatro animais (bois ou
cavalos) e levava quatro horas quando o tempo estava bom, mas se chovia eram de
seis a dez horas de viagem.
Segue abaixo o relato da Senhora Elfrida E. N. Rios, publicada no Diário do Paraná,
em 19 de fevereiro de 1974, de suma importância pelo seu teor histórico que este
contém.10
Meu pai: Frederico Engel (brasileiro) estava estabelecido com um
hotel em Posadas - Misiones, República Argentina. Os Brasileiros
que por ali passavam para ir a qualquer ponto do Brasil,
hospedavam-se ali para depois prosseguir a longa viagem. Naquele
tempo dependíamos exclusivamente da navegação Argentina e
Paraguaia.
Os
chamavam-se
principais
barcos
que
traziam
passageiros,
Iberá-Espanã-Tuizango-Salto-Eldelira-Adela
Vila
Franca e muitos outros traziam Víveres. O principal objetivo da
navegação era trazer erva-mate, vinda de Mato Grosso, bem como
de diversas firmas aqui de nossa costa que exportavam para Buenos
Aires.
Foi em fevereiro de 1915 que passou pelo nosso hotel o Coronel
Jorge Schimmelpfeng e entusiasmou meu pai para se estabelecer
com hotel na Vila Iguaçu, que era uma fonte de riqueza. Meu pai
decidiu e veio sondar as possibilidades de se estabelecer. Ficou
10
Edição número 11 da revista Cabeza, julho de 2002
26
muito animado vendo um futuro brilhante, "que é hoje", e que ele não
alcançou a ver, mas deu tudo de si para que o mundo conhecesse
esta
maravilha
dos
"Saltos
de
Santa
Maria". Como grande organizador, achou que tinha de arrumar uns
cômodos lá nos saltos considerando o cansativo transparente de 4
horas.
Foi então informado que as cataratas eram propriedades do Sr.
Jesús Val, de nacionalidade Uruguaia, residente em Puerto Colán
em Villa Concepción, Chaco Argentino - Dirigiu-se a ele pedindo
licença para explorar e zelar por este belo e imenso patrimônio, que
hoje é o Parque do Iguaçu. Obtendo resposta imediata, dando todos
os poderes a meu pai para cuidar e explorar por tempo
indeterminado. Foi então que meu pai dedicou-se de corpo e alma
ao serviço.
Alugou um sobrado velho e abandonado, construído no tempo da
Colônia Militar, pertencente ao Sr. Leoncio Alvez. Foi muito árduo o
serviço de limpeza e reforma do hotel, do velho casarão. Em primeiro
lugar a falta de capital e em segundo, a aquisição do material; a
madeira era toda serrada a mão e de difícil transporte. Como tudo
era moroso e difícil, meu pai resolveu ir abrindo caminho para as
"Cataratas". Seguindo nove quilômetros pela estrada velha que
conduzia a Guarapuava entrou à direita com seu pessoal na mata
virgem.
Abriu uma picada de dezoito quilômetros para chegar
às
deslumbrantes e belas "Cataratas" que jorravam dia e noite suas
brancas e precipitadas águas. A três quilômetros de distância já se
escutava o rumor dos saltos. Lá existia um barracão abandonado,
por certo também construído no tempo da Colônia Militar.
Com certeza fora habitado em algum tempo, porque tinha por perto
plantações
de
laranjas,
limoeiros,
cidreiras,
pessegueiros,
tangenireiras, goiabeiras e bananeiras. Meu pai transformou o
barracão em três cômodos para hospedar seis pessoas, uma salinha
de jantar e cozinha.
27
Nunca chegou a lotar o hotel. Atacando todo o serviço logo, sentia a
falta de finanças, tendo investido tudo o que possuía, sem ter lucro.
Adquiriu um carro de quatro rodas puxado por quatro e até seis bois
ou cavalos, para conduzir os passageiros que por uma eventualidade
aparecessem.
Meu pai teve de enfrentar uma verdadeira luta nesta região
desconhecida e com a tremenda concorrência do hotel do Sr.
Leandro Arechea, em Puerto Aguire (Argentina), que convencia a
todos os passageiros que aqui não tinha hotel.
Meu pai, na ânsia de vencer, começou a fazer propaganda pela
desconhecida Companhia Spninter em Buenos Aires, A 15 de
novembro de 1915 conseguiu inaugurar o hotel que dava comida
para quatorze pessoas, deu o nome de "Hotel Brasil" e o mesmo
nome ao barracão dos saltos. Os poucos passageiros que apareciam
eram transportados no carro que levava quatro a seis horas para
chegar às "Cataratas".
Para o turista amante da natureza esse tempo passava ligeiro,
contemplando a imensa riqueza da mata virgem, das aves e dos
bichos. Bandos de papagaios, caterritos, tucanos, pombas, jacus,
patos silvestres, araras, garças, andorinhas, passarinhos de toda
espécie enchiam a mata de vida e de canto. Tinha lugares que
milhares de borboletas formavam uma mancha no chão e com a
passagem do carro revoavam, formando verdadeiras nuvens
multicores. A fauna era rica, tinha bandos de macacos e saltitar de
uma árvore para outra, quatis, iraras lagartos, lebres, veados que
fugiam assustados ao ver a presença da gente.
Também existiam muitas cobras, aranhas-caranguejeiras e até tigres
que deixavam seu rasto marcado na lama de estrada. Afinal, não era
só a vida da fauna que distraía o sacrificado "turista". Existiam
maravilhosas parasitas, orquídeas em árvores frondosas de onde
pediam imensos cipós. Os lindos e frondosos "Ipês", cobertores de
flores amarelas e roxas. Havia um trecho só com samambaias e
avencas a tremular suas folhas orvalhadas. Afinal, a picada era
maravilhosa em vegetação e fauna viva. Perto das cataratas havia
28
uma extensão enorme de gigantes bambus que entrelaçavam suas
pontas, formando um túnel verde.
Tudo era tão lindo e atraente em dias de sol. Mas passar na mata
com temporal é horrível, ouvindo cair árvores, que muitas vezes
impediam a passagem, tendo de fazer desvios para caminhar,
trabalho que levava horas, muitas vezes. Só quem participou como
eu, dos árduos trabalhos de meu pai é que pode dar valor às
dificuldades que enfrentou sem esmorecer, desejando o bem
comum. Ele não era ganancioso e egoísta, o que desejava
ardentemente como bom patriota, era que nossas cataratas, tão
privilegiadas pela natureza, fossem conhecidas pelo mundo e
visitadas pelo nosso lado.
No entanto, o seu intuito estava custando concretizar-se. A
conservação da estrada era indispensável, manter um guardião no
hotel dos Saltos, tudo era dispendioso e dependia de muito capital e
meu pai começou a sentir o peso das dificuldades da árdua luta que
enfrentava. Mas ele não esmoreceu, manteve a firme esperança de
um dia ver seu intuito realizado. Entretanto, o destino negou-lhe este
ideal. Quem ler esta pequena biografia dos feitos do meu pai,
compreenderá a seguir o motivo por que o fiz. E vamos chegando ao
ponto principal da visita de nosso ilustre "Pai da Aviação".
Quando o meu pai soube que ele estava hospedado do lado
Argentino, foi imediatamente se entender com a autoridade máxima
daquele tempo que era o coronel Jorge Schimmelpfeng, como chefe
político e Prefeito Municipal. Fez ver a ele que era uma vergonha,
para nós, saber tão ilustre personagem não fosse convidado para vir
até à vila. Foi então organizada uma comissão, em que meu pai
tomou parte e em nome da prefeitura foi convidado como hospede
oficial. Aceitando o convite, Santos Dumont pisou o ermo solo
brasileiro.
Foi hospedado no quarto Nº 2 do nosso "Hotel Brasil". Ao meio dia
de 24 de abril de 1916, foi lhe oferecida uma churrascada e logo
seguiu a cavalo para as Cataratas, acompanhado pelo meu pai
“Frederico Engel" e meu irmão Frederico Engel Filho. Voltando de lá,
29
dia 26 a tarde para assistir ao baile que lhe foi oferecido como uma
demonstração de homenagem máxima daquele tempo. O baile foi
animado pela bandinha composta de amadores e chamada “A
Furiosa".
Santos Dumont limitou-se a apreciar a animada sociedade que
dançava em sua homenagem. Ele permaneceu a maior parte do
tempo parado em uma porta perto do piano que se vê na foto do
salão do hotel. Seu traje era um culote e uma simples túnica cáqui e
polainas marrom, sem deixar seu clássico colarinho auto. Suportou
delicadamente a festa até as quatro da madrugada do dia 27,
quando se despediu cortesmente de todos e seguiu sua viagem até
Guarapuava fez esta viagem sem medir sacrifício, setenta e quatro
léguas, acompanhou a linha telegráfica, naquele tempo ainda não
tínhamos estrada.
Foi acompanhado pelo Fiscal da Prefeitura Sr. Izidro Pires (falecido)
e Virgilio Mendes, soldado da Polícia, que ainda vive e mora nas
proximidades de Bacacheri Curitiba.
Minha narrativa estendeu-se muito para chegar ao ponto mais
importante, e que talvez seja desconhecido, por nunca ter
apresentado a oportunidade de um real esclarecimento. No primeiro
passeio que Santos Dumont fez acompanhado por meu pai e os
guias que com muita cautela levaram as pessoas mesmo através
dos lugares mais perigosos, amarrados com cordas pela cintura (isto
em tempos de enchente). Foi uma grande enchente que veio
impulsionada pelas forças incríveis das águas uma enorme tora que
ficou presa por cima do precipício do Salto Floreano.
Foi pra lá que nosso hospede se dirigiu resolutamente e, ficando na
ponta da tora, de braços cruzados, imóvel, extasiado contemplando
a maravilhosa "Garganta do Diabo", sem medir conseqüências e
nem se importando com o tempo, ali permaneceu. Meu pai
conhecendo o imenso perigo, não ousava dizer uma só palavra com
temor que ele se voltasse e escorregasse, caindo no precipício, pois
a tora estava sempre úmida pela neblina das Cataratas.
30
É de se compreender o momento de angustia que meu pai se
passou, medindo a responsabilidade que havia assumido com ele
esforçando-se para trazer e vendo-o se expor a uma catástrofe.
Ficou
apavorado,
impondo
silencio
aos
guias,
não
menos
assustados, por ver tão grande coragem. Pois, até aquela data,
ninguém teve a coragem de subir na tora que depois desta arrojada
façanha de Santos Dumont foi precipitada para o abismo, levando
para o esquecimento este fato que ocorreu há 57 anos.
Quando Santos Dumont voltou para a terra firme, meu pai expressou
seu desespero pela imprudência que ele havia cometido, sem medir
a trágica consequência. Ele bateu amigavelmente no ombro de meu
pai, procurando acalma-lo disso: "As alturas não me perturbam, não
se preocupe", e prosseguindo declarou: "posso dizer-lhe que está
maravilha não pode continuar a um particular. Eu vou a Curitiba falar
com o Presidente para providenciar imediatamente a expropriação
das cataratas". Foi este o ponto principal que achei oportuno narrar.
Santos Dumont sentiu-se imensamente feliz o tempo todo que lá
esteve, não se cansando de contemplar as cataratas dia e noite com
o luar. Como já disse ele seguiu para Curitiba com o firme propósito
de lançar a ideia da expropriação. Por certo a sua ideia teve a
repercussão desejada, porque logo o dono Sr. Jesús Val foi
convidado a comparecer perante o Governo para tratar do assunto.
Ele veio a 10 de outubro do mesmo ano. Passou aqui pela vila e
entendeu-se com o meu pai. Prometeu que se recebesse a
indenização daria uma gratificação ao meu pai pelas benfeitorias e
conservação.
Em carta de Curitiba, ele disse ao meu pai que já tinha gasto sete
contos de hotel e que não podia esperar a decisão do Governo que
estava muito demorada. Mas o prometido por ele seria comprido
sempre, assim que ele recebesse. Até hoje não se soube mais nada
concretamente, supomos que o Sr. Jesús Val tenha falecido, porque
interrompeu a correspondência que mantinha com o meu pai. Ele já
era um senhor idoso de grande personalidade e fina educação,
mesmo revelando um caráter firme, era muito bondoso. Dessa época
31
em diante começaram a aparecer comissões do Governo e
nasceram os grandes planos.
O primeiro grande hotel de madeira não chegou a ser terminada, a 2
de maio de 1937 as chamas de um grande incêndio os devoraram.
Acho propicio neste momento repetir as frases de Santos Dumont:
"Na luta pelo progresso, só vale o sucesso".
"Os contratempos e desastres, são qualidades negativas".
Todos nós sabemos que ele foi dotado de uma grande coragem,
durante o tempo de sua invenção, nunca esmoreceu nem se sentiu
frustrado. No entanto, quando compreendeu que sua invenção
estava mal empregada, na guerra, para destruição da humanidade,
não teve mais vontade de viver...
Mas o "Pai da Aviação" se perpetuará no coração dos brasileiros e
sua invenção, através dos tempos e pelo mundo afora.
Santos Dumont, interferindo na expropriação da vasta área de terra
que hoje é o "Parque Nacional" merece toda admiração, não só
como um inventor, mas como um homem de coração brasileiro. Sua
idéia tornou-se uma realidade. Ele foi o pino da indústria sem
chaminé, atraindo turistas do mundo inteiro que dão uma fonte de
riqueza para o Estado e para o País. A Santos Dumont devemos
este progresso, hoje, com estrada asfaltada, e hoje vai-se em vinte
minutos às cataratas.
As dificuldades de 1915 já ficaram nas páginas do passado. Se meu
pai foi frustrado em seu ideal, não foi falta de visão, mas de recursos,
pois nunca poderia competir com os planos do Governo. Fez
questão absoluta de trazer Santos Dumont, e com certeza o destino
já havia traçado as consequências que ele havia de passar. Santos
Dumont realizou um justo ideal, meu pai abriu as clareiras para o
futuro que é hoje.
Não peço nada para meu pai a não ser o respeito na história do
turismo da Foz do Paraná como pioneiro dos Hoteleiros com seu
"Hotel Brasil".
Já havia a ideia de um obelisco a Santos Dumont sobre o Salto
Floriano, donde de braços cruzados contemplou serenamente as
32
Cataratas e nasceu a genial ideia da desapropriação. Agora sugiro a
ideia de uma estátua de bronze, que resiste à intempérie e ao tempo,
em tamanho natural de braços cruzados e seu típico chapéu,
olhando para as quedas, aferrado naquele ponto, onde há 58 anos,
estive vendo aquelas brancas águas precipitarem-se no abismo. Ao
lado, sobre uma rocha, pode ser colocada uma placa de bronze com
a legenda do intrépido brasileiro.
Há quatro anos que venho me debatendo para realizar esta justa
homenagem, até hoje sem repercussão. Como sou a única pessoa
ligada diretamente a este fato histórico, sinto a voz da consciência
me falar, em alto tom, para batalhar porque estou descendo a
escada da vida e como uma sentinela aguarda a decisão da batalha
que iniciei.
Acho que esta estátua é uma justa homenagem ao corajoso "Pai da
Aviação" que arriscando a vida subiu na tora sem se preocupar com
o perigo. Tenho certeza que esta estátua será mais um atrativo para
o turista, que pode sobrevoar de helicóptero e contemplá-la de perto.
Tomei a liberdade de dar esta sugestão, baseada no valor que
deram á minha revelação, amplamente documentada, da passagem
do grande inventor pelo Paraná, publicada no Diário do Paraná, no
dia 19 de Janeiro de 1974.
Ao encerrar esta narrativa quero expressar minha gratidão ás
Entidades Julgadoras.
Premiação ao Dr. David Carneiro - Dr. Gilberto de Alves PiresGeneral - Aviador Haroldo Luiz da Costa.
Todo meu reconhecimento e gratidão aos que proporcionaram tão
solene festividade de encerramento do centenário de Santos
Dumont, que deixou em mim um profundo sulco de saudades.
Elfrida E. N. Rios Foz do Iguaçu, 19 de fevereiro de 1974.
33
1.7 PRIMEIRO CLUBE DE FUTEBOL
No ano de 1915, é fundado o primeiro clube de futebol de Foz do Iguaçu, o
ABC FOOT BALL CLUB, que existe até os dias atuais, cuja sede era na rua Marechal
Deodoro, e hoje esta situado na Avenida Republica Argentina, com um lindo estádio.
1.8 SANTOS DUMONT E CATARATAS
Assim teve inicio a historia do Parque Nacional que começa em 1916, com
a passagem de Alberto Santos Dumont, o “Pai da Aviação”, o legitimo fundador.
Após alguns dias em Vila Iguaçu, seguiu viagem a cavalo até Guarapuava,
com destino à Curitiba, onde se encontrou com o governador, para solicitar-lhe a
expropriação das terras próximas às Cataratas, a qual pertencia ao uruguaio Jesus
Val.
34
Três meses após, os préstimos do percussor da Aviação, daria os primeiros
resultados positivos. O Governador do Estado do Paraná Sr. Affonso Alves Camargo
declara de utilidade pública, a área de 1008 hectares, às margem direita do Rio
Iguaçu, junto aos Saltos de Santa Maria, através do decreto n. 653, de 28 de julho
de 1916.
O Prefeito Jorge Schimmelpfeng doou o terreno para construção da igreja
matriz que recebeu o nome de São João Batista, em virtude da doação da imagem
do Santo.
No ano de 1917, foi elevado de “Termo Judiciário” para “Comarca” passando
a sede, na categoria de “Cidade de Iguaçu”. Pela Lei Estadual n. 1783, foi mudado o
nome de Município a Comarca de Foz do Iguaçu.
Nas primeiras décadas de existência, os avanços do novo município foram
penosos, lentos e pequenos, a região era pouco habitada. No Rio Paraná não havia
navegação nacional, a cidade de Foz do Iguaçu era servida por um porto que não
passava de uma simples rampa em local de difícil embarque e desembarque. A
população só tinha contato com a civilização quando aportava algum navio, as
pessoas que podiam saiam correndo em direção ao porto.
Toda mercadoria consumida em Foz do Iguaçu, vinha da Argentina, através
de navios vapores. Tudo entrava livremente na cidade, tanto alimentação, vestuário,
móveis de casa. Eram nos vapores que a população fazia as suas encomendas, os
proprietários dos navios, eram geralmente comerciantes argentinos.
A tarefa da Comissão Estratégica, porém, se revelou acima da capacidade e
dos recursos necessários, não foi além de aberturas de alguns trechos que não
passavam de picadas.
A tão sonhada e reivindicada Estrada Estratégica para ligar Foz do Iguaçu à
Capital do Estado só tomou forma, ainda muito precária no ano 1920, graças ao
empenho do então "presidente" do Paraná, Affonso Alves de Camargo. Mais que
uma obra planejada e executada por máquinas, a estrada foi resultado de mutirões
da própria população ao longo do trajeto e da ação dos viajantes que, para transpor
obstáculos, foram, ao longo do tempo, abrindo e melhorando trechos do caminho.
35
Faltavam estradas e comunicação. A antiga estrada ligando Foz do Iguaçu a
Ponta Grossa através de Catanduvas e Guarapuava era de trânsito dificílimo em
época de estiagem e simplesmente impraticável em época de chuva. O transporte
de passageiros era feito quase exclusivamente por barcos estrangeiros que
trabalhavam com frete de erva-mate e madeira.
Nesta época foi aberta a agência do correio brasileiro em Foz do Iguaçu, o
estafeta deslocava-se a cavalo por aproximadamente duzentos e vinte quilômetros
numa rota entre Foz do Iguaçu e Catanduvas, duas vezes por mês. As
correspondências seguiam de Catanduvas para Laranjeiras do Sul e Guarapuava,
para chegarem aos seus destinos.
Entretanto, o isolamento em que vivia a localidade, facilitava o relacionamento
entre os indivíduos das diversas classes sociais, as diversões mais populares eram
os “bailaricos”11, ao som da sanfona, dançavam ricos e pobres, patrões e
empregados.
Outro tipo de diversão encontrado em Foz do Iguaçu, sob a influência
paraguaia, eram os velórios. Por incrível que possa parecer a um indivíduo
brasileiro, os peões paraguaios transformavam esse ato triste e lamentável para os
brasileiros, em um baile. É o que eles chamavam de “fazer quarto a defuntos”. O
velório consistia em jogo de baralho, comes e bebes e frequentemente baile. Este
ocorria não exatamente por ocasião do velório e sim logo após o sepultamento,
quando os parentes e conhecidos velavam a cruz, que seria depositada na
sepultura. Ai então a “farra” era colossal. Estas cerimônias ou diversões reuniam
tanta gente que, para realizá-las, era preciso até licença da autoridade policial.
Em 1922, foi fundado em Foz do Iguaçu, o Centro Espírita Paz, Amor e
Caridade, na Rua Quintino Bocaiúva, uma sociedade com caráter beneficente,
baseado na doutrina de Alan Kardec, o primeiro presidente foi José Vicente Ferreira.
11
Bailes populares. WACHOWICZ, Rui Christovam.
36
1.9 RELIGIÃO
As diferentes religiões têm amparo na zelosa ação sacerdotal, em templos
suficientes, onde a fé se confirma e reanima. Este era o marco inicial da pregação
cristã no Município de Foz do Iguaçu, o qual deve-se á presença esporádica de
missionários argentinos, advindos de Posadas (Cidade Argentina), e que
enfrentaram inúmeros obstáculos que as condições naturais lhes ofereciam, opondose a instituição do dogma cristão.
A confirmação da doutrina cristã veio da Cidade de Guarapuava com a visita
do Padre alemão Guilherme Munster no ano de 1918, atendendo a solicitação antiga
dos moradores locais. Nos anos seguintes, vieram outros padres missionários, que
em viagens penosas no lombo de animais, prestavam grandes ajuda e conforto
espiritual aos moradores, os padres pernoitavam onde achavam hospitalidade,
comiam o que lhes ofereciam, dormiam com roupas molhadas, rezavam missas em
ranchos de bambu, batizavam crianças e legitimavam casamentos.
Em 1922, o Padre Guilherme Maria Thiletzek, por ordem do Bispo de Curitiba,
D. João Francisco Braga, fez uma viagem a Foz do Iguaçu, para estudar as
possibilidades da criação de uma paróquia, ou um curato, para atender as
necessidades especiais da comunidade.
O Padre Guilherme entusiasmou o Governador do Estado do Paraná Sr.
Caetano da Rocha, a fundar uma escola em Foz do Iguaçu, a qual seria dirigida por
padres, e que tem até os dias atuais o nome do Padre (Colégio Monsenhor
Guilherme).
No dia 26 de setembro de 1923, foi nomeado o Padre Guilherme como
encarregado da igreja de Foz do Iguaçu, que chegou acompanhado pelos Padres
João Progzeba e do Irmão Bianchi.
A pequena capela erguida nos primórdios da colonização, não era suficiente
para atender ao grande número de religiosos que surgiu.
Durante a Revolução Paulista, entre os anos de 1924 e 1925, que se iniciou
em São Paulo e que terminou no Paraná, a vida do novo curato e de toda a região
foi muito perturbada, sendo que muitos moradores perderam tudo.
37
Com o fim da revolução, durante a Semana Santa de 1925, a população
organizou uma solene missa em ação de graças pela libertação e depois grandes
festejos. Soltaram muitos foguetes e um deles caiu em cima do telhado da Capela
Matriz, que em poucos minutos estava em chamas. Com a igreja destruída foi
necessário solicitar subvenção para a construção de uma igreja maior e mais bela. E
em 24 de junho de 1925, foi solenemente benta e colocada a pedra fundamental da
nova matriz.
Então iniciou-se a construção da Igreja São João batista, padroeiro da cidade,
a mesma que existe ainda hoje e que é a catedral do bispado de Foz do Iguaçu, a
construção dessa catedral foi uma tragédia, muita vagarosa, muitas vezes
interrompida ficando inacabada durante anos e anos.
Situada à Av. Jorge Schimmelpfeng, centro, a construção da Igreja Matriz teve
três fases distintas:
1ª fase: Concluída em 1940 - Parte que caracteriza o Presbitério, sem a torre.
2ª fase: 1950-1952 - A nave principal com torre.
3ª fase: 1978 - Laterais atuais.
Dados Históricos importantes da Catedral (Matriz):
14/12/1916 - Doação do terreno da Igreja pelo Prefeito Jorge Schimmelpfeng;
04/1925 - Chega de Curitiba a licença para construção da Igreja de alvenaria;
03/05/1925 - Incêndio da Igreja, devido à queda de um foguete no telhado;
24/06/1925 - Foi solenemente benta e colocada a pedra fundamental da nova Matriz;
25/12/1952 - Os sinos da Igreja soaram pela primeira vez pelo padre Dom Manoel
Konner.
1.10
REVOLUÇÃO PAULISTA E A COMUNIDADE DE FOZ DO IGUAÇU
A revolução paulista teve início em São Paulo, desencadeada pelos jovens
oficiais do exército, conhecida como tenentismo, devido aos desmando imposto
38
pelos detentores do poder político, o qual tentou mudar o comportamento dos
cidadãos através das armas.
Os militares revolucionários exigiam a moralização da administração pública,
principalmente após Artur Bernardes ser eleito presidente do Brasil em 1922, tido na
época como símbolo da corrupção e da fraude.
Em 21 de setembro de 1924, é eleito para Prefeito Municipal o Sr. Jorge
Samways, e no dia 24 desse mesmo mês teve que abandonar a cidade, que foi
tomada pela tropa revolucionária da Coluna de Luiz Carlos Prestes, e seus
comandados, General Isidoro Dias Lopes, Tenente João Cabanas, Juarez Távora,
que mais tarde tornou-se general do exército brasileiro e candidato a presidente da
república em 1955, Coronel Estillac Leal, Felinto Mueller, Siqueira Campos e outros,
vindos de Guairá pelo Rio Paraná. Transladaram-se as autoridades e grande parte
da população para a vizinha Cidade de Puerto Aguirre (atual Puerto Iguaçu)
República da Argentina, na outra margem do Rio Iguaçu. As autoridades argentinas
receberam os foragidos, localizando-os na região onde hoje está o Marco Argentino,
e nesta região os iguaçuenses construíram cerca de 50 cabanas, formando uma
pequena aldeia.
O revolucionário Tenente João Cabanas, na passagem da Coluna Prestes
pela região, vendo as condições sub-humanas da gente de “Obrages” sendo um
sistema de quase escravidão, mandou prender e fuzilar muitos dos capatazes e
jagunços, incendiando e destruindo totalmente as áreas de exploração, não pegou
os patrões porque estes avisados fugiram antes da chegada dos revolucionários.
A cidade de Foz do Iguaçu era alvo principal dos militares, por sua posição
estratégica no Oeste paranaense, os revolucionários foram embora mais deixaram
saudades para a população que permaneceu na cidade, trazendo grandes
benefícios para a cidade, a presença das tropas de revolucionários gaúchos e
paulistas fez com que Foz do Iguaçu fosse integrada oficialmente ao mapa do Brasil.
Oficialmente, a história dos rios que formam a tríplice fronteira é marcada por
três grandes tragédias. A maior delas aconteceu em 1924, quando um navio a vapor
explodiu no Rio Iguaçu, matando pelo menos 120 passageiros.
39
A população da cidade de Foz do Iguaçu ficou exilada durante a permanência
das tropas da revolução paulista até abril de 1925, na Argentina, o Prefeito Jorge
Samways, foi reempossado em 6 de maio de 1925, pelo Coronel João Baptista Pires
de Almeida, legalista que a 19 de abril do mesmo ano tomara e ocupara a cidade.
No final de 1925, Foz do Iguaçu recebia a visita do ilustre sertanista, o
Marechal Mariano Cândido Rondon, que viaja por todo Brasil com a finalidade de
demarcar o território brasileiro. Oficializou o Marco Brasileiro na região das três
fronteiras, demarcando o território nacional junto a Paraguai e Argentina.
1.11
CONSTRUÇÃO DO HOSPITAL DE CARIDADE
Em março de 1926 o Governo do Estado prometeu uma boa ajuda para a
construção de um hospital de caridade em Foz do Iguaçu. Não se sabe se a ajuda
foi concedida, mas em 24 de outubro de 1926 foi colocada a pedra fundamental do
hospital, dedicado pelo padre Guilherme Thiletzek a São Rafael.
A construção do hospital passou pelas maiores dificuldades, só anos depois
foi concluída a obra, e que hoje é o atual Hospital Santa Casa Monsenhor
Guilherme.
1.12
FUNDAÇÃO DO 1º GRUPO ESCOLAR
O Grupo Escolar “Bartolomeu Mitre” foi criado em 1927 pelo Governador do
Estado do Paraná Sr. Caetano Munhoz da Rocha, com a denominação de Grupo
Escolar “Caetano Munhoz da Rocha”, sendo na época Prefeito do Município o Sr.
Jorge Samways.
Até 1952, o grupo funcionou em prédio próximo a Praça Getulio Vargas, após
está data começou a funcionar em instalações própria na Av. Jorge Schimmelpfeng.
Somente no Governo seguinte é que passou a denominar-se Grupo Escolar
“Bartolomeu Mitre”, em homenagem ao bravo General argentino, pelo seu
40
desempenho nas lutas da “Tríplice Aliança” em 1865, que durante a guerra impediu
que as tropas paraguaias cruzassem o território argentino para invadir o Brasil.
O Grupo Escolar “Bartolomeu Mitre” foi instalado em 15 de novembro de 1927,
tendo iniciado suas aulas no dia 15 de janeiro de 1928, com o seguinte Corpo
Docente:
•
Diretor: Monsenhor Guilherme Maria Thiletzek;
•
Professores: Jorge Worth, José Winks, Aretuza Reis e Silva, Francisca Vesini,
Ottília Schimmelpfeng, Iguassuina Ferreira e Mercedes Braga.
•
Serventes: Noemia de Oliveira e Catulinia Moreira
•
Primeiros formandos: Rui Ferreira, Valdemar Feiertag, Maria Dolores A.
Padilha, Agripina Vera, Alberto Rangel Baptista, Rufino Lafuente e Antonio
Ayres de Aguirra.
O estabelecimento de ensino foi pioneiro na região em vários cursos:
• 1951 – Curso Normal Regional – nível ginasial;
• 1952 – Curso Ginasial – Ginásio Estadual Monsenhor Guilherme;
41
• 1957 – Abrigou o curso normal – Escola Normal Iguaçu;
• 1969 – Foi criado o Ginásio Estadual Dom Manoel Konner com curso
supletivo, que no ano seguinte passou para o estabelecimento do Grupo
Escolar Bartolomeu Mitre;
• 1977 – Foi extinto o Ginásio Estadual Dom Manoel Konner neste
estabelecimento passando para a cidade de Santa Terezinha de Itaipu, e
neste ano o Grupo Escolar Bartolomeu Mitre passou para Escola Bartolomeu
Mitre com Ensino Regular e Supletivo de 1º Grau.
• 1981 – Recebeu autorização para funcionar com classes especiais;
• 1982 – As classes especiais passaram para o estabelecimento na Rua
Marechal Floriano, na APASFI (Associação de Pais e Amigos dos Surdos de
Foz do Iguaçu).
•
2001 – A fachada foi revitalizada em uma ampla reforma, onde foi implantado
a Praça das Nações, e ponto de encontro da comunidade, valorizando a
arquitetura do Colégio Bartolomeu Mitre.
1.13
CRIAÇÃO DO 1º CLUBE SOCIAL DE FOZ DO IGUAÇU
A ideia de criação de uma entidade sócio recreativo em Foz do Iguaçu nasceu
na palavra do Engenheiro Lídio de Albuquerque.
No decorrer do ano de 1928, a ideia logo se inflamou e deflagrou no seio
daquela gente que sentia a necessidade de um centro recreativo para lazer e o bem
estar de suas famílias. O nome “Oeste Paraná Clube” foi sugerido por um dos
participantes do grupo o Sr. Rômulo Trevisan.
A data de 10 de junho de 1928, aniversário do Município foi escolhida para a
fundação oficial do Clube, e seu primeiro presidente, foi o Sr. João Evangelista Reis.
Inicialmente a sede foi instalada em terreno pertencente à família Schimmelpfeng,
na Avenida Jorge Schimmelpfeng, entre a Avenida Brasil e a Rua Almirante Barroso.
O parque esportivo após algum tempo fora situado em terrenos cedidos por
empréstimo pelo Sr. Adolf Klein.
42
Antes da fundação do clube, as reuniões sociais eram realizadas em casas de
família, sendo chás, saraus, bailes e etc., também existiam os bailes populares
realizados num espaço de chão batido, com o acompanhamento de um gaiteiro e
um violeiro. Nesses bailes todos se divertiam até raiar o dia, sem distinção de
classes.12
1.14 INÍCIO DOS PREFEITOS NOMEADOS
Quando, por força de ato constitucional, os Prefeitos passaram a ser de
nomeação. Ocuparam, a seguir, o cargo de Prefeito Municipal, os seguintes
cidadãos:
• Dr. Heleno Schimmelpfeng, assumiu em 21 de setembro de 1928, em vista de
não ter sido nomeado Prefeito, e por ser o camarista mais votado, foi Prefeito
até 21 de setembro de 1930.
• Sr. Jorge Samways, assumiu em 21 de setembro de 1930 como substituto.
• Sr. Júlio Passa, assumiu em 22 de dezembro de 1930, nomeado por decreto
n. 629 de 02 de dezembro de 1930, do Senhor Interventor Estadual General
Mário Tourinho.
• Dr. Othon Maeder, assumiu em 09 de março de 1931, nomeado por decreto
n. 380, de 05 de fevereiro de 1931.
• Sr. José Werner, assumiu em 09 de novembro de 1931, como substituto.
• Capitão Dr. Felippe de Souza Miranda, nomeado por decreto n. 450 de 24 de
fevereiro de 1932, e assumiu em 07 de março de 1932.
• Dr. Antônio de Souza Mello Júnior, assumiu interinamente, de 09 de setembro
de 1932 à 05 de janeiro de 1933.
• Sr. Otto Trompczynski, como substituto, assumiu em 05 de janeiro de 1933.
12
LIMA, Nelci Dal Bó
43
• Dr. Antônio de Souza Mello Júnior reassumiu em 31 de janeiro de 1933,
nomeado por decreto n. 18 de 04 de janeiro de 1933.
• Sr. Jorge Samways, nomeado por decreto 3535 de 18 de dezembro de 1933,
assumiu em 28 de dezembro de 1933.
Na revolução de 1930, o correio ficava até 24 horas por dia aberto para
receber telegramas e guardar sigilo das notícias. O pessoal ficou apavorado quando
soube que Quincas Nogueira havia desembarcado em Guaíra com 5.000 homens e
logo em seguida marcharia para Foz do Iguaçu. E por isso muitos habitantes fugiram
para a Argentina, mas retornaram poucos dias depois.
A situação de Foz do Iguaçu experimentou alguma melhora a partir da
Revolução de 1930, no sentido de sua maior inserção econômica, política e social
no Paraná. Foi nomeado interventor Federal no Estado o General Mário Tourinho,
que tomou medidas enérgicas para a nacionalização da fronteira, num movimento
de "marcha para o oeste"13 incentivado pelo governo federal também em outras
regiões do país. Tourinho tornou obrigatório o uso da língua portuguesa e da moeda
nacional no comércio e nos serviços públicos, e nacionalizou latifúndios, e nomeou
para o cargo de prefeito de Foz do Iguaçu, o Engenheiro Othon Maeder, e em
seguida o Tenente Gregório Rezende, da Força Pública do Paraná, para
nacionalizar a região de Guairá.
As primeiras medidas administrativas tomadas pelo Prefeito Othon Maeder,
para a cidade romper com o castelhano ou guarani, idioma falado na região, foram:
•
Toda correspondência oficial, requerimentos, abaixo-assinado, etc, dirigidos à
prefeitura de Foz do Iguaçu, deveriam ser redigidos no idioma nacional, ou seja,
português.
•
Todos os anúncios comerciais, listas de preços, avisos, tabuletas, escrito em
idioma estrangeiro, precisaria o correspondente em português.
•
As listas de preços das casas comerciais de Foz do Iguaçu, deveriam constar os
preços em moeda nacional.
13
WACHOWICZ, Rui Christovam.
44
•
As taxas e impostos cobrados pela prefeitura teriam que ser pagos com a moeda
brasileira.
•
Todo dinheiro estrangeiro no cofre da prefeitura de Foz do Iguaçu, (5.200 pesos
argentinos), seria cambiado em moeda brasileira, em Posadas, Capital de
Missiones na Argentina a 350 km, de Foz do Iguaçu, e depositado em um banco
na capital do Estado do Paraná.
•
Todas as repartições públicas e entidades sociais receberiam gratuitamente
jornais de Curitiba, para a população tomar conhecimento do que se passava
nos meios políticos e sociais da Capital.
Para desenvolver a região, interventor Federal no Estado o General Mário
Tourinho propôs medidas como criar em Foz do Iguaçu uma Prefeitura Especial por
dez anos, com direito a ficar com toda a arrecadação de impostos estaduais e
federais. Pretendia, com empréstimo do Banco do Brasil, construir um centro
turístico que seria também uma nova cidade. Queria sanear a região, nacionalizar a
população e implantar o ensino público, porém não obteve êxito no plano de
desenvolvimento da região.
O General Mário Tourinho anulou as concessões de terras já efetuadas para
as companhias colonizadoras do Rio Grande do Sul, passando a posse ao governo
do Estado. As colonizadoras, porém, fizeram um "lobby" junto ao governo federal,
pressionando para continuarem com carta-branca para colonizar o Oeste do Paraná
com gaúchos e catarinenses. Isso valeu ao general Tourinho a exoneração do cargo
de interventor federal no Estado.
A partir da década de 30, foram chegando os primeiros agricultores do Rio
Grande do Sul, dando início a um novo ciclo de ocupação com a instalação da
agricultura na região do extremo-oeste paranaense e consequente expansão da
fronteira. No início, a estrutura fundiária era baseada na pequena propriedade, e
muitas vezes, era apenas de subsistência.
Entre o final da década de 30 e o início da de 40, no governo de Getúlio
Vargas, foi o primeiro mandatário que mostrou consciência com a importância da
região oeste, a Estrada Estratégica ligando Guarapuava à Foz do Iguaçu recebeu
45
significativas melhorias e novo traçado, mas tudo continuou precário e exposto a
deterioração por falta de conservação.
A implantação do sistema viário, ainda que precário, permitiu a dinamização
da agricultura, favorecendo a comercialização do excedente agrícola e incentivando
o aumento da produção de culturas extensivas de grãos com vistas à exportação.
Como reflexos destes fatos associados, temos um aumento na demanda por bens
manufaturados com consequente crescimento no número de estabelecimento
comerciais.
Por volta de 1930, 15 anos após de terem recebido a visita do Pai da Aviação,
Santos Dumont, os moradores do "fim-de-mundo" como eram chamados, tiveram a
ideia de recorrer ao avião na luta contra as limitações impostas pela distância e falta
de comunicação. Lideranças da pequena comunidade de então tomaram Foz do
Iguaçu e Guairá nas rotas de vôo do Correio Aéreo Militar.
A Companhia Mate Laranjeira usava o Rio Paraná apenas para exportar seus
produtos para Argentina, cujos produtos vinham do Mato Grosso, estas firmas que
tinham as famosas “Obrages” não tinham interesse em colonizar a região, apenas
de explorar os recursos até a exaustão, quando estes recursos terminavam,
mudavam-se para outra região, deixando um rastro de devastação.
As autoridades brasileiras se submetiam, ou por pressão, ou por dinheiro, a
essas poderosas companhias. A companhia Mate Laranjeira, possuía uma linha de
estrada de trem ligando Guairá à Porto Mendes, não permitindo o uso de particular,
essa companhia era tão poderosa que possuía o seu próprio dinheiro.
1.15 CAPITANIA DOS PORTOS DO RIO PARANÁ
A Marinha do Brasil foi presença marcante no Oeste do Paraná, inicialmente
instalando uma (assim chamada) Agência em Guairá, no ano 1930, ponto de intenso
tráfego fluvial pelo rio Paraná, na parte norte dos saltos de Sete Quedas. Três anos
depois (1933) foi instalada em Foz do Iguaçu a Delegacia da Capitania dos Portos
do Estado do Paraná, que havia sido criada ainda em 1924 por Lei Federal.
46
Em 1940 passou a se chamar Capitania Fluvial dos Portos do Rio Paraná, e
em 1978 perdeu a nomenclatura "Fluvial" e ficou sendo, ainda hoje, capitania dos
portos do Rio Paraná, cuja sede ocupa uma área de 4.237,89m2, ou 95,50m2 x
44.375m2, perto da barraca do rio Paraná, entre a Rua Rio Branco, Praça Almirante
Tamandaré, e Ruas José Bonifácio e 14 de Março.
A Delegacia tinha como comandante a ocupar o cargo, o tenente da Marinha
Nereu Chalréu Correa. Certamente muitos notáveis oficiais da Marinha passaram
por Foz do Iguaçu no comando da Delegacia, depois da Capitania dos Portos, mas
vale ressaltar a figura de Júlio de Sá Bierrenbah, que chefiou a unidade nos anos de
1956 e 1957, alcançando depois a patente de almirante, a mais alta hierarquia, e o
posto de ministro de Superior Tribunal Militar, onde, nos últimos anos do regime
militar que governou o Brasil de 1964 a 1985, se notabilizou pela liberdade, senso de
justiça, espírito democrático e de respeito aos direitos humanos no julgamento de
cidadãos processados com base na autoritária Lei de Segurança Nacional.
Conforme portaria da Marinha baixada em 1978 conferiu à Capitania dos
Portos do Rio Paraná jurisdição sobre área do Estado do Paraná compreendida
entre o alinhamento estabelecido pelas cidades de Ribeira, Curitiba, Rio Negrinho e
o rio Paraná.
1.16 A CHEGADA DA COMPANHIA ISOLADA (EXÉRCITO)
A extinção da Colônia Militar, fez com que os mais eminentes cidadãos locais,
manifestassem o desejo de que as forças Armadas estabelecessem uma de suas
unidades em Foz do Iguaçu.
Todavia, os apelos só puderam ser atendidos em 1932, com a criação da
companhia isolada de Foz do Iguaçu. Em julho de 1932, numa tarde de inverno,
desembarcavam em Foz do Iguaçu 125 homens que iriam constituir a companhia
para ali destacada.
O governo brasileiro voltou a ocupar-se da integridade territorial e da
soberania nacional sobre o extremo Oeste do Paraná, dizem os registros do
47
Batalhão. Em 1932 cogitou-se, de novo, sediar tropa do exército nesta localidade,
pois, com a extinção da Colônia Militar, e colonização desta região, já que era
realizada por elementos alienígenas, não contou com elemento aglutinante, como o
Exército Nacional, chegando ao ponto de a moeda corrente ser o peso argentino.
Assim foi criada a 1ª Companhia Independente de Fronteira, em 13 de maio de
1932.
A missão da Companhia Independente de Fronteira era a mesma da Colônia
Militar, ocupar fisicamente a fronteira Oeste do Paraná. Para isso, distribuiu vários
destacamentos ao longo do rio Paraná, até perto de Guairá, onde outro Batalhão foi
instalado. (A unidade militar chamava-se Companhia Independente porque, na
estrutura do Exército, uma companhia é normalmente subordinada a um batalhão,
mas esse não era o caso de Foz do Iguaçu, que não integrava qualquer batalhão, e
sim era subordinada diretamente à 5ª Divisão de Infantaria da época, hoje 5ª Região
Militar) Foz do Iguaçu em particular e a região em geral têm uma fisionomia militar.
Nasceu e cresceu à sua sombra.
A companhia foi organizada pelo Tenente Erasmo Gonçalves Cordeiro. A 14
de julho de 1934, a companhia isolada licenciava a primeira turma de reservista. Em
14 de abril de 1936, passou a contar com um efetivo de seis oficiais e cento e
sessenta praças, em 30 de agosto do mesmo ano instalou-se em novo quartel.
1.17 INÍCIO DA AVIAÇÃO EM FOZ DO IGUAÇU
Em 1934, iniciaram-se os trâmites para aquisição de uma área de terra
destinada ao campo de aviação de Foz do Iguaçu, com o objetivo de colocar em
pratica o plano de estabelecer uma linha de Correio Aéreo Militar até Guairá. As
condições topográficas do terreno de uma chácara de propriedade de Fulgêncio
Pereira influíram na demarcação do local.
Num momento inesperado, a 23 de março de 1935, aterrissou o Lindemberg,
pilotado pelo Capitão Hortêncio, fazendo a linha Curitiba – Foz do Iguaçu era um
48
rudimentar aparelho Lindemberg, do Correio Aéreo Militar, que, com a criação do
Ministério da Aeronáutica em 1941, passaria a se chamar Correio Aéreo Nacional.
Segundo SHIMMELPFENG “ouviu-se um estranho ruído no ar, despertando a
atenção de todos que, saindo à rua, viam extasiados um aviãozinho militar
evolucionando no céu, qual uma ave desconhecida num vôo de reconhecimento
migratório. Quanta gente correndo para ver o tal avião! Era preciso tocar, certificarse de que era algo real, palpável, descobrir o mistério daquele objeto pesado que
voava tão leve como um pássaro".
Começando com vôos semanais, foi tão importante aquela vitória sobre a
distância que, já no ano seguinte, Foz do Iguaçu resolveu prestar uma homenagem
aos aviadores com a Festa da Asa, prestigiada por uma esquadrilha de aviões
vindos de Curitiba e Rio de Janeiro. Precursora da Esquadrilha da Fumaça, aquela
formação brindou o povo com acrobacias que deixaram todos estupefatos.
A Companhia Pan American Airways iniciou em 1938, a rota Rio-AssunçãoBuenos Aires uma vez por semana, com passagem por Foz do Iguaçu, através
deste vôo a cidade recebeu turista ilustres como Walt Disney, Henry Ford e Grece
Moore, sendo que mais tarde a Pan Am deixou de fazer a rota, substituída pela Pan
Air.
1.18 PREFEITOS NOMEADOS E ESTADO NOVO
Em 1935, pelo novo regime constitucional, foi eleito novamente o Sr Jorge
Samways para Prefeito Municipal. Com o evento do Estado Novo em 1937, foi ele
mantido no Governo de Município, permanecendo até 10 de junho de 1938.
A partir de 1938 inicia-se a era dos prefeitos nomeados pelo Exército
Brasileiro, devido a região de Foz do Iguaçu transformar-se em área de fronteira.
•
Tenente Manoel Diniz, Prefeito e Delegado, assumiu em 10 de junho de 1938.
•
Capitão Melquiades do Vale, Prefeito e Delegado, em 10 de julho de 1939.
•
Tenente Abílio Antunes Rodrigues, Prefeito e Delegado, assumiu em 09 de
agosto de 1940.
49
•
Capitão Miguel blasi, Prefeito e Delegado, assumiu em 18 de setembro de 1940.
•
Capitão Melquiades do Vale, Prefeito e Delegado, assumiu em 09 de março de
1941.
•
Major Artur Borges Maciel, Prefeito e Delegado, nomeado por decreto n. 955, de
20 de agosto de 1942, assumiu em 03 de setembro de 1942.
•
Tenente Nelson Nascimento Ribeiro, Prefeito e Delegado, assumiu em 08 de
março de 1943.
Mas, como sempre acontece, triunfou a coragem e a tenacidade daqueles
que tinham em mente o verdadeiro desenvolvimento de Foz do Iguaçu, outros que
tinham interesses opostos foram derrotados. E desse caldeirão de vontade e
determinação, surgiu o primeiro comércio, pequeno, simplório, limitado, mais a base
de troca, isto é, mercantilismo nato, que foi crescendo, ampliando-se e aumentando
a variedade de artigos mercantis, até que surgiu o primeiro grande empório, de
propriedade do Coronel Jorge Schimmelpfeng, já citado o primeiro Prefeito de Foz
do Iguaçu.
O
comércio
cresceu
com
a
cidade,
ambos
desenvolveram-se
simultaneamente, muitas vezes impedidos pelos fatores naturais, pois quando as
chuvas chegavam, não vinham as mercadorias, sendo necessário apelar à navios
argentinos, para suprir parte das verdadeiras necessidades da população, e o
comércio não tinha como atender a demanda. Surgiu então, como um anjo de alerta
e salvador, o correio aéreo nacional, o sublimado Correio Aéreo Militar, que trazia no
bojo dos seus aviões, a princípio pequenos Beechs de Cabine, mais tarde os
bojudos Fairchild, e logo depois os enormes Douglas DC-3, que supriam de
mercadorias mais urgentes e de maior necessidade para a população aflita. E
nesses momentos cruciais de luta e atitudes decisivas, destacou-se a plêiade mais
valorosa de comerciantes de homens que amavam sua terra, tais como Holler,
Wandscher, Messomo, Agostini, Ferreira, Rodinski, Risden, Bernardi, Basso,
Rouwer, Singh, Santos, Maia, Comi, Araújo, Cogo, Otembra, Werner, Keller,
Boiarski, Castelli, Carinzio, Geraldino, Walter, Sétimo, Padilha, Zambrzicki,
50
Domareski, Dona Elfrida, Gomes, até a velha companhia Mate Laranjeira e tantos
outros.
Os comerciantes estabelecidos na avenida Brasil, especificamente no caso de
padaria, a massa era feita com cilindros manuais e a produção de pães era
artesanal. O trigo vinha de Ponta Grossa e da Argentina. O estabelecimento vendia
desde produtos alimentícios até querosene em litro, graxa para carro, soda cáustica,
armarinhos, sapatos, roupas, acessórios como capas e chapéus.
As mercadorias vinham de Ponta Grossa no caminhão do Sr. Fardoski, que
eram encomendadas de caixeiros viajantes. Os armazéns vendiam de tudo, era
comum vender querosene, por exemplo, e ter que ir correndo lavar as mãos para
vender pão logo em seguida.
Mais havia ainda um enorme hiato entre as verdadeiras necessidades de
consumo e os artigos que os comerciantes poderiam vender, até mesmo entre estes
havia flagrantes de desigualdades de interpretação. Nasce então no coração de um
daqueles comerciantes, o desejo de uni-los para que em uníssono, pudessem
coordenar seus anseios e expectativas, e assim poder organizar um “Pool” de
atendimentos e reivindicações que satisfizessem realmente a população. Este
comerciante foi Pedro Basso, mas talvez a idéia não fosse a primeira, mas foi, sem
quaisquer dúvidas, a vez em que se concretizou aquela idéia.
Em 19 de janeiro de 1939, foi criado o Parque Nacional pelo decreto do
Presidente Getúlio Vargas, o Parque Nacional do Iguaçu, - "berço" das Cataratas do
Iguaçu. O parque tem uma área de 156.235.77 hectares. Seus limites situam-se
desde o rio Gonçalves Dias, com nascente em Santa Tereza de Itaipu até o rio São
51
João, além das Cataratas. É administrado pelo Ibama - Instituto Brasileiro dos
Recursos Naturais Renováveis e do Meio Ambiente.
1.19 MARCO INICIAL DO POTENCIAL HIDROELÉTRICO
Situada próxima ao Museu do Parque Nacional do Iguaçu, a Usina do Rio São
João representa uma volta ao passado, uma pequena excursão pela história,
quando a tecnologia utilizada na construção das usinas geradoras de energia era
rústica, impossível de ser imaginada nos tempos atuais.
Porém, foi um passo importante na história do município a construção da
Usina do Rio São João, a qual se destaca pela tecnologia da época, utilizada no
domínio da energia elétrica no Paraná, através do trabalho de centenas de homens
há quase meio século.
Assim, no início da fase de colonização, na década de 30 foi construída a
primeira usina que gerava energia hidráulica em Foz do Iguaçu. Represada no
pequeno Rio São João, fornecendo energia a cidade por um período de 11 anos.
O carioca Ângelo Murgel, foi o responsável pelo projeto arquitetônico da usina
e a execução ficou a cargo da empresa Dolabela e Portela, na época especializada
em construção de hidrelétricas.
Na construção da Usina, praticamente todo o material utilizado era recolhido
na região, e os equipamentos foram importados da Suíça pelo Governo Federal.
Considerados de grandes dimensões na época, os equipamentos desembarcavam
no Porto de Santos, sendo transportados de trem até Presidente Epitácio, interior de
São Paulo e pelo rio Paraná em barcas especiais até Guaíra. De Guaíra à Foz do
Iguaçu eram transportados em carros com tração animal.
O início da obra aconteceu em 1936 e foi inaugurada em 1942, operada pelo
pessoal lotado no Parque Nacional, em funcionamento até os dias atuais
(recuperada) e aberto a visitação. Ela é constituída de dois geradores Ateliers de
fabricação Suíça produzida pela Derlikon de Zurique, de 380 volts e 320 ampères,
210kva e 1.000 RPM com freqüência de 50 ciclos cada um. Tal funcionamento foi
52
decorrente de um acordo firmado entre o Parque Nacional e o DAEE –
(Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado do Paraná).
Os quase sete anos de obras da Usina ocorreram sem registros de acidentes
de trabalho. Depois de concluída a Usina serviu por vários anos como única fonte de
energia para alimentar toda a estrutura do Parque Nacional do Iguaçu, além de parte
de Foz do Iguaçu. Este abastecimento ocorreu até 1957, e a partir desse período
passou a suprir apenas a necessidade do Parque.
Contrato cancelado em 1954, quando foi construída a usina termoelétrica
M’Boicy na cidade de Foz do Iguaçu, localizado na baixada do M’boicy, que
posteriormente foi fechada em virtude da construção da Usina do Ocoí, hoje
submersa pelo Lago de Itaipu.
1.20 TERRITÓRIO DO IGUAÇU
No período de 1942, a cidade de Foz do Iguaçu foi decretada zona de guerra,
existindo varias famílias alemãs e italianas, que foram transportadas para áreas
especiais nas cidades de Guarapuava e Ponta Grossa. Os colonos alemães e
italianos passam a ser controlados pela policia militar e civil, existindo o temor que
estariam trabalhando como espiões para os nazistas e fascistas.
O Território Federal do Iguaçu seria criado em 1943, em decorrência da
Constituição de 1937, o qual estabeleceu que a faixa de terras de 150 km ao longo
da fronteira não poderia ser comercializada nem receber estradas ou colonização
sem autorização do Conselho Superior de Segurança Nacional.
O decreto de criação do Território não definiu sua sede. Nos primeiros oito
meses, a sede foi Foz do Iguaçu, mas o governador do Território resolveu mudá-la
para Laranjeira do Sul, sob o argumento de que ficaria "mais próximo da civilização".
Em 13 de setembro de 1943, foi criado o Território do Iguaçu, pelo decreto n.
5812, passando o Município a fazer parte do mesmo, cuja capital foi localizada em
Laranjeiras do Sul que passou a denominar-se “Iguaçu”. Nesse período exerceram o
cargo de Prefeito de foz do Iguaçu, por nomeação os seguintes Prefeitos:
53
•
Sr. Ayrton Ramos, Prefeito nomeado assumiu em 03 de novembro de 1943;
•
Sr. Emilio Correia de Oliveira, Prefeito nomeado em 03 de outubro de 1944;
•
Sr. Acácio Pedroso, nomeado pelo Governador do Território do Iguaçu, assumiu
em 05 de dezembro de 1944;
•
Sr. Ayrton Ramos, nomeado pelo Governador do Território do Iguaçu, assumiu
em 08 de novembro de 1945;
•
Julio Pasa em 1947;
•
Francisco Guaraná de Menezes em 1951.
Em 1944, Foz do Iguaçu recebe a solene visita do Presidente da República
Getulio Dornelles Vargas, neste evento foi oferecido uma recepção de gala, com
baile no salão do Oeste Paraná Clube, com toda elite da cidade se fazendo presente
e todos os políticos da região. Nossos representantes fizeram belos discursos.
Com o crescimento e desenvolvimento da região, o Banco do Brasil inicia
suas atividades no ano de 1945, o que passa a ser a primeira agência bancária na
cidade de Foz do Iguaçu, que funcionou em um cassarão de madeira, no mesmo
local onde se encontra hoje.
A transferência da capital para Laranjeiras do Sul fez a população de Foz do
Iguaçu perder a esperança de desenvolvimento da Cidade e da região. Não seria
por isso que o município ia empacar, pois o território do Iguaçu seria extinto três
anos depois de sua criação. Graças a emenda apresentada por Bento Munhoz da
Rocha Neto na elaboração da Constituição de 1946, o Território do Iguaçu foi
reintegrada ao mapa do Paraná. Bento Munhoz qualificou de "absurdo monstruoso"
a criação do Território e afirmou que sua extinção não prejudicou, e sim favoreceu o
crescimento da região Oeste.
54
1.21 BENEFÍCIOS TRAZIDOS PELA COMPANHIA ISOLADA (EXÉRCITO)
Esta companhia desencadeou uma campanha de alfabetização com o maior
sucesso a ponto de atrair alunos argentinos e paraguaios. E também estenderam a
população civil os benefícios de seu serviço de saúde. Os resultados foram tão
proveitosos que os habitantes das margens paraguaias solicitaram do Comandante
da Companhia idêntica assistência.
1.22 VOLTA AO REGIME CONSTITUCIONAL
Com a promulgação da Constituição Federal, em 18 de setembro de 1946,
Foz do Iguaçu voltou a integrar o território do Estado do Paraná. Procedidas as
eleições, foi eleito para Prefeito Municipal, assumindo o cargo a 1º de dezembro de
1947 o Sr. Júlio Pasa que governou até 30 de novembro de 1951.
E em 1º de dezembro de 1951, assumiu o Poder Executivo, por eleição, o Sr.
Francisco Guaraná de Menezes, governando até 30 de novembro de 1955. Os
sucessores do poder foram os seguintes:
•
Dr. Dirceu Lopes – 1º de dezembro de 1955;
•
Capitão Jacob Albrecht Beck – (substituto) 14 de fevereiro de 1959;
•
Emílio Henrique Gomes – 1º de dezembro de 1959;
•
Ozires Santos – 31 de janeiro de 1963.
Em 29 de maio de 1956, os governos do Brasil e do Paraguai assinaram
acordo para a construção de uma ponte sobre o rio Paraná, que seria batizada de
Ponte da Amizade. Em 14 de novembro no mesmo ano foi formada uma comissão
Especial encarregada da execução da obra, sob a chefia do engenheiro Almyr
França.
Definido o local, iniciaram-se os estudos e sondagens no fundo do rio, e já
nessa tarefa aconteceria uma tragédia. Em fevereiro de 1957, o barco em que uma
55
equipe fazia sondagens no centro do leito do rio afundou e o engenheiro Tasso
Costa Rodrigues morreu afogado, enquanto os outros componentes se salvaram
milagrosamente.
Para não prejudicar a navegação, a ponte deveria ter vão livre de no mínimo
18 metros acima do nível da água em momentos de maior cheia do rio Paraná.
Informações colhidas em registros históricos e testemunhos vivos chegaram à
conclusão de que a maior cheia havia acontecido em 1905, quando as águas
subiram 30 metros acima do nível normal.
Na década de 50, com a chegada de grandes colonizadoras, que formaram a
maioria das cidades do Oeste Paranaense, inicia-se um processo de organização do
comércio da cidade de Foz do Iguaçu, sendo que no distrito de Santa Terezinha
havia madeireiras, moinhos, fabrica de palmito, de marca “CAIÇARA” conhecida no
Brasil, fabrica de bebidas, sendo que o mais tradicional era o refrigerante de laranja
da marca “BIDU”.
A Fabrica de refrigerantes “TRÊS FRONTEIRAS LTDA” localizava-se no
centro da cidade, na Travessa Cristiano Weirich, de propriedade de Herbert Barthel ,
distribuía na região o guaraná, a laranjada e a soda limão da marca “QUE TAL”, e
outros comerciantes que se instalaram na cidade com restaurante, indústria de café,
loja de móveis e etc14.
Nesta época Foz do Iguaçu já tinha uma classe de fortes empresários, como
Pedro Basso, Paulo Wandscheer, Roberto Holler, Erminio Messomo, Candido
Ferreira, Pedro Rodinski, Marcelino Risden, Raphael Rouver, Lall singh, Augusto
Araújo, os irmãos Otremba, Saldanha Gomes, Alfredo Keller, o Sétimo Moretti,
Estanislau Boiarrski, Luis Castelli e Estanislau Zambrycki e tantos outros, uniram-se
e fundaram no dia 19 de julho de 1951, a ACIFI – ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E
INDUSTRIAL DE FOZ DO IGUAÇU, tendo como presidente o Sr. Pedro Basso.
O Presidente do Brasil na época Juscelino Kubitscheck demonstrando
interesse na região da tríplice fronteira e também com a construção da Ponte da
Amizade na década 50, iniciou o asfaltamento da rodovia conhecida hoje como
B-277 que corta o Paraná de Leste a Oeste, ligando Foz do Iguaçu ao Porto de
14
id.
56
Paranaguá. Mas a obra partiu do Leste para o Oeste e se arrastou por duas
décadas. A construção da rodovia era de responsabilidade do Exército.
Quando a construção atingiu Ponta Grossa as obras paralisaram, mais tarde
continuou até Guarapuava e novamente a construção empacou. Mas as forças
armadas tomaram o poder no país em 1964 e resolveram concluir a obra, pois
consideravam a construção da rodovia ponto estratégico para o desenvolvimento da
região, assim em 1969, os presidentes Costa e Silva e Alfredo Stroessner
inauguraram a BR 277.
Ao mesmo tempo, o Paraguai completava a ligação asfáltica de Assunção
com o Brasil numa obra feita por brasileiros, e recebeu carta branca para transitar
com seus produtos até o Porto de Paranaguá.
Para Foz do Iguaçu e o Oeste do Paraná terminava o drama da "falta de
respiração", e para o Paraguai terminava a asfixia que mantinha o país sem saída
para o oceano Atlântico.
1.23 ÁREA DE SEGURANÇA
Em 1968, Foz do Iguaçu passou a integrar a área de Segurança Nacional,
como segue abaixo:
•
Coronel Júlio Werner Backadt – 1º de fevereiro de 1969;
•
Silvino Dal Bó – (substituto) 27 de março de 1970;
•
José Carlos Toledo – 27 de junho de 1970;
•
Balduino Wandscheer – (substituto) 19 de agosto de 1972;
•
Coronel Sabino Neves Vieira – 08 de novembro de 1972;
•
Tércio Alves Albuquerque – (substituto) 25 de abril de 1973;
•
Coronel Caetano Pinto Rocha – 08 de agosto de 1973;
•
Tércio Alves Albuquerque – (substituto) 11 de janeiro de 1974;
•
Coronel Caetano Pinto Rocha – 18 de fevereiro de 1974;
•
Tércio Alves Albuquerque – (substituto) 13 de abril de 1974;
57
•
Omar de Oliveira – (substituto) 15 de maio de 1974;
•
Coronel Clóvis Cunha Viana – 08 de agosto de 1974;
•
Bel. Wádis Vitório Benvenutti –1984;
•
Sr. Perci Lima – 12 de junho de 1985.
Em 1985, houve eleição direta para escolha do Prefeito de Foz do Iguaçu,
eleição livre e democrática, segue a relação de Prefeito eleitos com o voto do povo
iguaçuense de 1986 até os dias atuais:
•
1986 - Dobrandino Gustavo da Silva
•
1987 - Carlos Roberto Campana (substituto)
•
1987 - Dobrandino Gustavo da Silva
•
1989 - Álvaro Neumann
•
1992 - Omar Tosi (substituto)
•
1993 - Dobrandino Gustavo da Silva
•
1997 - Harry Daijó
•
2001 - Celso Sâmis da Silva
•
2005 – Paulo Macdonald.
1.24 FOZ DO IGUAÇU
Pólo turístico de grande porte no extremo oeste do Estado do Paraná,
localizado entre três países na convivência pacífica de uma cidade sem fronteiras.
Aqui o brasileiro, o argentino e o paraguaio convivem como irmãos sem prevenção
de nacionalidade, raça, cor, política ou religião.
O turismo funciona como elemento aglutinador, fazendo com que numa região
de tríplice fronteira, as diferenças desapareçam em função de um objetivo comum.
Detentora de um Parque Hoteleiro de grande porte e de uma infra-estrutura
turística dotada de restaurante que atendem ao mais exigente paladar.
58
A construção da Hidroelétrica de Itaipu (Brasil-Paraguai), iniciada na década
de 70, causou forte impacto em toda região, aumentando consideravelmente o
contingente populacional de Foz do Iguaçu.
•
1960 – 28.080 habitantes;
•
1970 – 136.320 habitantes.
Observa-se que em dez anos, Foz do Iguaçu registrou um crescimento
populacional na ordem de 385%. Hoje, é a quinta maior cidade do Paraná, fazendo
fronteira com o Paraguai e Argentina. A população de 266 mil habitantes (resultado
preliminar do Censo de 2000) forma um dos mais significativos caldeirões étnicoculturais do Brasil, com povos de várias partes do mundo. Entre eles destacam-se a
colônia árabe - a segunda maior do País, com cerca de 12 mil imigrantes
e
descendentes - e a forte presença chinesa, com cerca de 10 mil representantes.
Emancipado em 10 de junho de 1914, Foz do Iguaçu tem no turismo a sua
principal atividade econômica. O município conta com 116 estabelecimentos de
ensino, dos quais 58 municipais - entre eles um laboratório de programas ambientais
no Parque Nacional do Iguaçu - 24 estaduais e 34 particulares. A cidade possui
quatro instituições de ensino superior: Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do
Paraná), Cesufoz, Três Fronteiras e União Dinâmica de Faculdades Cataratas
(UDC).
Na área de saúde, o município dispõe de 260 leitos hospitalares particulares e
128 pelo SUS, distribuídos em quatro estabelecimentos: a Santa Casa Monsenhor
Guilherme e os hospitais Costa Cavalcanti, Internacional e São Tiago, além de seis
leitos da Unimed. Os bairros contam com 14 postos de saúde e cinco núcleos de
saúde, além de um Centro de Especialidades Médicas (CEM).
No setor hoteleiro, a cidade possui 10.134 leitos, distribuídos em 34
estabelecimentos de uma a cinco estrelas, de acordo com a antiga classificação da
Embratur. Além desses, existem outros 12.766 leitos distribuídos em 107 pequenos
hotéis, 17 pousadas, três hospedarias, 16 motéis, dois albergues, dois camping e
dois flats.
59
O acesso rodoviário é feito pela BR 369, pela BR 277, pela BR 280 e pelas
PR 323/317, ainda há linhas regulares de empresa aéreas, uma vez que se trata de
um dos grandes “portões de entrada” do turismo internacional no Brasil.
Devido à falta de uma sede própria para a prefeitura, algumas secretarias e
outras repartições públicas municipais estão localizadas no prédio da Praça Getúlio
Vargas, 280, e outras na Rua Xavier da Silva.
1.25 ECONOMIA
O município de Foz do Iguaçu tem sua economia fundamentada basicamente
em dois setores: Turismo e comércio (interno e exportação).
1.25.1 Turismo
O turismo traz anualmente cerca de 650 mil a 1,5 milhão de visitantes a Foz
do Iguaçu, tendo um papel importante no contexto da economia, pois esta atividade
é uma grande geradora de riquezas na região Oeste do Paraná. Neste tocante o
Município possui uma infraestrutura excelente, com inúmeras opções de hotéis,
alguns bastante luxuosos, pousadas, restaurantes e lazer. Recebendo muitos
turistas estrangeiros por estar localizado entre fronteira.
Dentro do parque há um hotel bastante confortável. Há ainda a possibilidade
de hospedagem na Argentina ou no Paraguai, cujo atrativo são os hotéis com
cassinos.
Um aeroporto Internacional capacitado para receber aviões de grande porte e
um sofisticado Centro de Convenção para recepcionar o turista nos eventos.
O turismo é a atividade econômica que mais cresce no mundo
contemporâneo. Sua taxa de crescimento anual é de 4%. De acordo
com a OMT, (...) o turismo será a principal atividade de exportação,
transferência de divisas e geração de empregos em todo o planeta.15
15
João Dória Junior, Brasilturis Jornal 9(213), agosto de 1990.
60
1.25.2 Comércio
O comércio de Foz do Iguaçu é composto de estabelecimentos comerciais,
indústrias e prestadores de serviços.
O comércio é bastante dinâmico, pois além do mercado interno de Foz do
Iguaçu, a cidade abastece o Paraguai e Argentina através das exportações.
2. CRONOLOGIA HISTÓRICA DO MUNICÍPIO
Ano
1542
Descritivo Cronológico
Don Alvar Nunes Cabeza de Vaca, a caminho de Assunção, vindo de
Santa Catarina descobre as Cataratas do Iguaçu, que chamou de
1551
“Cachoeira Santa Maria”.
Outro “adelantado”, ou seja, explorador que percorreu o mesmo caminho,
1557
sendo Diego de Zanabria.
Espanhóis fundam a Ciudad Real de Guayrá, após tentativa frustrada de
1588
1600
Ontiveiros.
Jesuítas iníciam catequese em Guayrá.
Governo espanhol transforma Ciudad Real em sede da Província de
Guayrá (o território de Guayrá se estendia entre os rios Paranapanema e
1609
Iguaçu, e do rio Paraná ao Tibagi).
São enviadas Bandeiras conquistadoras e povoadas, que asseguram aos
1610
1628
1629
brasileiros o domínio da região oeste.
Primeiros choques entre colonos espanhóis e bandeirantes portugueses.
Espanha proíbe formalmente o ingresso de portugueses em seu território.
Em 29 de janeiro, Antonio Raposo Tavares toma de assalto a Redução
1679
Jesuítica de Guayrá, destruindo seus murros e casas de barro.
Em 20 de março, Espanhóis abandonam posição defendida no oeste
61
1700
paranaense, sendo perseguidos pelos bandeirantes paulista.
Torna-se ótimo negócio vender erva-mate aos ricos mercados do
1765
Uruguai, Argentina e Paraguai.
O Conde Oeyras Pombal solicita ao Capitão-General de São Paulo,
ordens e instruções para fundar estabelecimento militar na fronteira com
1826
1853
o Paraguai, em território hoje paranaense.
Erva mate desponta como principal produto paranaense.
Em 20 de agosto – A Lei Imperial separa a Província de São Paulo do
1880
Paraná.
Vivem no oeste paranaense umas 300 pessoas, sendo que somente dez
brasileiros, a maior parte funcionários das empresas concessionárias das
1881
terras.
A região é ocupada com a fixação dos primeiros moradores, Pedro
1888
Martins da Silva e Manoel Gonzales.
Criação de uma Comissão Estratégica, nomeada pelo Ministério da
Guerra e chefiada pelo então Capitão Bellarmino Augusto de Mendonça
Lobo, Engenheiro Militar, tendo estabelecido sua sede na cidade de
Guarapuava, ponto que mais se aproximava do centro e perímetro em
que a mesma Comissão teria de operar seus trabalhos. Dentre os 14
oficiais que faziam parte da Comissão, foi escolhido para o cometimento
da descoberta de Foz do Iguaçu o 2º Tenente José Joaquim Firmino,
também engenheiro militar, tendo como principais encargos, construir
estradas estratégicas descobrir a Foz do Iguaçu e fundar uma Colônia
1888
Militar.
O historiador Romário Martins relaciona por nacionalidade a população
da região de Foz do Iguaçu, encontrada em 1888; 188 paraguaios, 93
brasileiros, 33 argentinos, 05 franceses, 02 uruguaios, 02 orientais e 01
1889
inglês, perfazendo um total de 324 pessoas, além dos índios caigangues.
A expedição voltou a Guarapuava em agosto e Joaquim José Firmino
dividiu o território em dois distritos e nomeou 02 inspetores: Feliciano
Araujo e Pedro Martins, sendo que quando a expedição retornou a Foz
do Iguaçu, o Tenente Antônio Baptista, afixou editais avisando que
naquela data iniciava-se os trabalhos de fundação da colônia, bem como
tinha competência para conceder lotes de acordo com a lei para
62
1889
matricular como colonos.
Com a Proclamação da República no dia 15 de novembro, a região do
Iguaçu passa para o Estado do Paraná, e dia 16 de novembro toma
1892
posse o 1º Governador.
A colônia Militar de Foz do Iguaçu desmembrou-se da comissão
Estratégica do Paraná, que passou a ter apenas o encargo da construção
1897
de estradas até as respectivas colônias.
Edmundo de Barros, militar e escritor goiano, levantou a planta dos
Saltos das Cataratas, detalhada e organizou vasto plano de um parque a
1897
ser construído na margem brasileira, em frente à monumental cachoeira
Instalação da Agência Fiscal, sendo chefiada pelo Capitão Lindolfo de
1903
Siqueira Bastos.
20 de julho: Inauguração do Marco Brasileiro e do Argentino na
1905
confluência dos rios Paraná e Iguaçu.
Foi instalada a Mesa de Rendas, Repartição Fiscal do Ministério da
1906
Fazenda, pelo poeta e jornalista Silveira Netto.
Foi criado o Distrito Policial e instalada a linha telegráfica ligando Foz do
1910
Iguaçu a Guarapuava.
Pela Lei nº 971, de 09 de abril, a Colônia Militar passou à condição de
1912
Distrito do Município de Guarapuava, denominada Vila Iguaçu.
A Colônia Militar foi extinta e a Vila Iguaçu emancipada do Ministério de
Guerra. Transformou-se de praça de guerra em povoação civil, entregue
1914
aos cuidados dos seus próprios cidadãos.
Pela Lei nº 1383, de 14 de março, é criado o Município de Vila Iguaçu,
instalado em 10 de junho, tendo como primeiro Prefeito o Coronel Jorge
1915
Schimmelpfeng.
15 de novembro: Inauguração do primeiro hotel em Vila Iguassu,
denominado Hotel Brasil, de propriedade do Sr. Frederico Engel, situado
1916
na Avenida Brasil, onde atualmente encontra-se o Banco HSBC.
24 de abril: Alberto Santos Dumont visita o Município de Vila Iguassu, fica
1916
hospedado no Hotel Brasil e conhece as Cataratas.
28 de julho: O Estado do Paraná, através do Decreto nº 653, declara a
área de 1008 ha. ao lado dos Saltos de Santa Maria, na margem direita
do rio Iguaçu, como de utilidade pública, para nele se instalarem uma
1916
povoação e um Parque.
O Prefeito Jorge Schimmelpfeng doou o terreno para construção da igreja
63
matriz que recebeu o nome de São João Batista, em virtude da doação
1917
1918
1918
da imagem do Santo.
O Município de Vila Iguassu é elevado a Comarca do Iguaçu.
Foz do Iguaçu recebeu o primeiro padre que permaneceu na cidade
Pela Lei Estadual nº 1783, de abril, o Município de Vila Iguaçu passou a
1918
denominar-se Município de Foz do Iguaçu.
Iniciou-se a construção do Hotel das Cataratas que na época chamou-se
1918
1920
de hotel Cassino.
Edição do primeiro Jornal, pelo Sr. Moisés Santiago Bertoni.
Inauguração da estrada que ligava Foz do Iguaçu a Guarapuava, pelo
1928
1928
então Presidente do Estado do Paraná Afonso Alves de Camargo.
Foi fundado o 1º clube social de Foz do Iguaçu, o Oeste Paraná Clube
Inaugurado o primeiro grupo escolar do Município, Grupo Escolar
1931
Bartolomeu Mitre, sendo o diretor o Padre Monsenhor Guilherme.
O Decreto nº 2153, ampliava a área reservada no Município de 1008
1933
1934
hectares para 33.519.040 metros quadrados.
Foi criada a Delegacia da Capitânia dos Portos do rio Paraná.
Chegada em Foz do Iguaçu do 1º médico civil, Dr. Dirceu Lopes, que
1935
atendia os pacientes numa sala cedida pela Prefeitura.
Inauguração oficial do 1º campo de pouso de Foz do Iguaçu, que se
localizava onde atualmente encontra-se o clube Gresfi e aterrizou o
1936
primeiro avião.
Foi inaugurada uma linha do Correio Aéreo Nacional, para o oeste
1936
paranaense.
Projetada a construção do Hotel Iguaçu, pelo Engenheiro Chefe da Seção
Técnico do Departamento de Obras e Viação, Raul Mesquita. Sua
construção foi executada de 1938 até 1939, pelo Cia. Nacional S/A do
1938
Rio Janeiro.
Em terreno cedido pelo Município de Foz do Iguaçu, o governo Estadual
entrega novo prédio ao governo da cidade (Prefeitura, onde atualmente
funciona a sede, juntamente com a Câmara Municipal que exercia suas
atividades no 2º pavimento), Serviço de Justiça (Fórum) e Arrecadação
1938
Estadual (Coletoria).
10 de junho, fundada
1939
1939
estabelecimento de saúde do Município.
Criação do Parque Nacional do Iguaçu através do Dec. Federal n 1.03
Construção do Hotel das Cataratas.
a
Santa
Casa
Monsenhor
Guilherme,
64
1942
Construída a primeira hidrelétrica do município, a Usina Rio São João,
1943
nas dependências do Parque Nacional.
Pelo Decreto nº 5.812, de 13 de setembro, Foz do Iguaçu passa a fazer
parte do Território Federal do Iguaçu, tendo como capital Laranjeiras do
1944
Sul, sendo o Governador o Senhor Major Frederico Trotta.
O Presidente da República Getúlio Dornelles Vargas, visitou a cidade,
onde foi oferecida uma solene recepção com baile no salão do Oeste
1944
Paraná Clube.
21 de dezembro, por meio do Decreto nº 282 criou o Grupo Escolar
1945
Bartolomeu Mitre.
Entrou em atividade a Agência do Banco do Brasil, a 1ª agência bancária
1945
1946
do Município.
A 1ª empresa de ônibus de Foz do Iguaçu, chamava-se Oeste Paraná.
Pela Constituição de 18 de setembro, o território volta a integrar o Estado
1947
do Paraná
As Irmãs da caridade de São Vicente de Paula, chegaram na cidade e
1951
construíram Instituto São José.
Foi fundada a ACIFI- Associação Comercial e Industrial de Foz do
Iguaçu, sendo a sua primeira diretoria composta pelos Sr. Pedro Basso,
1953
Augusto Araújo, Eurides José da Silva e André Comi.
Fundado o primeiro Jornal de Foz do Iguaçu, chamado Ä Notícia”, pelo
Sr. João Lobato da Mota Machado com uma tiragem de 1000
1953
exemplares.
A primeira Rádio da região passa a transmitir sua programação, chamada
Rádio Cultura de Foz do Iguaçu e o primeiro locutor foi Manoel Orfanaki,
conhecido como MANÚ, foi também o criador do Brasão do Município,
1956
hoje alterado pela Lei 2.394.
Criada comissão especial para construção da Ponte Brasil/Paraguai,
chefiada pelo engenheiro Almir França, através do Decreto nª 40350, do
DNER, neste mesmo ano foi lançada a pedra fundamental da Ponte da
1962
1965
Amizade, pelos Presidentes Juscelino Kubitscheck e Alfredo Strorssner.
O Município de São Miguel do Iguaçu se desmembra de Foz do Iguaçu.
Inauguração da Ponte da Amizade sobre o rio Paraná, ligando o Brasil
1966
(Foz do Iguaçu) ao Paraguai (Cuidad del Este)
É assinada a Ata do Iguaçu em 22 de junho pelos chanceleres do Brasil e
do Paraguai, nascendo Itaipu, para utilização do potencial hidráulico do
65
rio Paraná, em condomínio dos dois países, incluindo o Salto Grande de
1967
Sete Quedas até Foz do Iguaçu.
Em 12 de fevereiro é firmado o convênio entre Brasil e Paraguai para
criação de uma comissão mista técnica, com finalidade de realizar estudo
e levantamento das possibilidades econômicas do potencial hidráulico do
1968
rio Paraná.
Foz do Iguaçu passa a integrar a área de Segurança Nacional, e seus
prefeitos passam a ser nomeados pelo Governo do Estado com anuência
1969
do Presidente da República.
27 de março: Entregue ao tráfego comum a Br. 277, pelos Presidentes
1970
Costa e Silva, do Brasil e Alfredo Stroessner, do Paraguai.
Inauguração do Aeroporto Internacional, situado na Avenida das
1970
Cataratas, chamada de “eras dos vôos dos grandes aviões”.
Em 10 de abril, é firmado um Convênio de cooperação entre o Brasil e
Paraguai para um estudo em conjunto que estabeleceria as condições
1971
para avaliação das possibilidades técnicas-econômicas do Projeto Itaipu.
Em 30 de junho é assinada a Declaração de Assunção, sobre o
1971
aproveitamento internacional do Rio Paraná.
Teve início a realização da pesca Internacional do Dourado, peixe
1973
encontrado no rio Paraná e Iguaçu.
Em 26 de abril, é firmado pelos Presidentes Emílio Garrastazu Medici, do
1974
Brasil e Alfredo Stroessner, do Paraguai, Tratado de Itaipu.
Em 17 de maio, em reunião solene na fronteira entre o Brasil e o
Paraguai, na presença dos Presidentes Ernesto Geisel e Alfredo
Stroessner, é dada posse aos membros do Conselho de Administração
1974
da Itaipu Binacional.
Pelo Decreto 5.772 de 26 de junho é nomeado pelo Governador do
Estado do Paraná Emílio Gomes, para exercer o cargo de Prefeito
1976
Municipal de Foz do Iguaçu o Eng. Clóvis Cunha Viana.
Em 25 de agosto, é criada a Companhia Melhoramento Cataratas do
Iguaçu, responsável pela construção e administração do Centro de
1977
Convenção e Eventos de Foz do Iguaçu.
Em 20 de abril, pela Lei Municipal nº 935, é criada a FUNEFI – Fundação
1977
Educacional de Foz do Iguaçu, para implantação do ensino superior.
Em 17 de maio, é assinado na cidade de Presidente “Stroessner
66
(Paraguai), o contrato nº 270/77 de execução por empreitada da
construção de obras civis relativas a barragem de concreto: casa de força
1977
e vertedouro da Hidrelétrica de Itaipu.
Em 07 de setembro é inaugurada a sede própria da ACIFI Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, fundada em 09 de
1977
junho de 1951.
Em comemoração ao aniversário do Município (10/06) deu-se início
1978
anualmente a Feira de Artesanato e Alimentos – FARTAL.
Em 1º de fevereiro entrou em funcionamento a Central de Abastecimento
de Foz do Iguaçu – CEASA. Com o objetivo de promover a modernização
1978
1978
do abastecimento na região de frutas e verduras.
Em 26 de agosto, é criada a Cúria diocesana de Foz do Iguaçu.
Em 20 de outubro, às 11:15 horas, na presença dos Presidentes Ernesto
Geisel e Alfredo Stroessner, 56 toneladas de explosivos desmontaram os
diques de montante e jusante, permitindo que o caudaloso rio Paraná, um
1979
dos maiores do mundo, fosse deslocado para o canal de desvio.
No início desse exercício, brasileiros e argentinos criaram uma comissão
Binacional pró-construção de uma ponte ligando o Brasil (Foz do Iguaçu)
1979
à Argentina (Puerto Iguazú).
Em 31 de março, é inaugurada a COART – Cooperativa de Artesanato da
Região oeste e Sudoeste do Paraná. Composta por 36 artesãos
1979
registrados, representando 9 municípios da região.
Inauguração da FACISA – Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas,
autorizada a funcionar com os cursos de Administração e Ciências
Contábeis, através do Decreto 83.558 de 07/06/79, tendo como sua
1980
primeira Diretora a Professora Hildegard Ortrud Litzinger Ghisi.
Através do Decreto nº 85.534, muda o 1º Batalhão da Fronteira para 34º
1980
Batalhão de Infantaria Motorizada.
Inauguração, em 30 de maio, Centro Social Urbano Dr. Arnaldo Busato,
conforme objetivo do Programa Estadual de Centros Sociais Urbanos,
1980
criado através do Decreto Estadual nº 83.558 de 07 de junho de 1979.
Em 19 de novembro, pela Lei Municipal 1.081 é criada a Secretária
1980
Municipal de Turismo e Esportes.
Em 22 de dezembro, é inaugurado o terminal de visitação turística ao
canteiro de obras da Usina Hidrelétrica da Itaipu Binacional, pela margem
67
1981
brasileira.
Em 12 de dezembro é assinado o Convênio de Cooperação técnicaEconômica entre a Empresa Brasileira de Turismo (EMBRATUR),
Empresa Paranaense de Turismo (PARANATUR) e Prefeitura Municipal
de Foz do Iguaçu para construção do Centro Internacional de
1982
Convenções de Foz do Iguaçu.
Em 03 de maio, o distrito de Santa Terezinha de Itaipu é desmembrado
1982
de Foz do Iguaçu.
Em 05 de novembro, às 11 horas, na presença dos presidentes do Brasil
e do Paraguai, João Baptista Figueiredo e Alfredo Stroessner, foram
1982
abertas as comportas do vertedouro da Usina Hidrelétrica de Itaipu.
Em 05 de novembro, foi inaugurado o Ginásio Costa Cavalcante, com a
1982
presença do Governador do Estado, Sr. Hosken de Novaes.
Em 06 de dezembro, com a presença dos Presidentes do Brasil, João
Figueiredo e da Argentina Roberto Binhone, foi dado início à construção
1983
da Ponte Brasil/Argentina (Ponte Internacional Tancredo Neves).
Em 05 de maio, foi acionada a primeira turbina da Usina Hidrelétrica de
1983
Itaipu, com geração de energia para o Paraguai.
Lançada a pedra fundamental para construção da Mesquita, considerada
1983
como uma das mais bonitas do Brasil.
13 de janeiro: início da construção da Ponte Brasil – Argentina com a
presença dos Presidentes João Baptista Figueiredo do Brasil e General
1983
Alberto Binhone da Argentina
Em 05 de maio às 14:40 horas, iniciou-se oficialmente à operação da
1984
primeira unidade geradora de Usina Hidrelétrica de Itaipu.
Em 08 de outubro, às 8:45 horas, teve início à transmissão de energia de
1984
Itaipu, em caráter experimental, para São Paulo.
Em 25 de outubro, na presença dos Presidentes do Brasil e do Paraguai,
João Batista Figueiredo e Alfredo Stroessner, foram inauguradas a
1985
Central Hidrelétrica de Itaipu e a Subestação de Furnas.
Em 12 de junho, pela Lei Municipal nº 1.224, foi criada a Fundação
Cultural de Foz do Iguaçu, com objetivo de estimular o desenvolvimento e
1985
formulando a política cultural do Município.
Em 20 de setembro foi inaugurada a TV Naipi (Canal 12) emissora filiada
1985
ao Sistema Brasileiro de Televisão.
Em 09 de outubro, na presença do Presidente da República, José Sarney
68
e do Ministro das Minas e Energia Aureliano Chaves, iniciou-se a
construção da Linha de Transmissão Foz do Iguaçu – Ivaiporã, em
1985
corrente alternada – 750 KV.
Em 29 de outubro, com presença do Presidente do Brasil José Sarney e
do Presidente da Argentina Raul Alfonsin, foi inaugurada a ponte que liga
o Brasil a Argentina, sobre o rio Iguaçu, a qual recebeu o nome de Ponte
1985
Internacional Tancredo Neves.
Em 15 de novembro, Foz do Iguaçu realizou eleição direta para Prefeito,
encerrando o ciclo dos interventores que se seguiu do regime militar
1986
implantado em 1964.
No dia 1º de janeiro, depois de 20 anos com prefeitos nomeados, assume
o Poder Executivo Municipal, o prefeito eleito pelo povo – Sr. Dobrandino
1986
Gustavo da Silva.
17 de novembro: Tombamento do Parque Nacional do Iguaçu, como
Patrimônio Natural da Humanidade, pela UNESCO (Organização das
1986
Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
Em 03 de junho, a FACISA (Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas
de Foz do Iguaçu), foi estadualizada, sendo mantida a partir desta data
1987
pela UNIOESTE (Fundação Universidade Estadual do Oeste do Paraná).
Em 16 de outubro foi inaugurado o Ecomuseu de Itaipu, construído em
1988
uma área de 1.200m², sendo o primeiro da América Latina.
Em 11 de março, pelo Decreto nº 6.251, foi instituído o Conselho
Municipal da Condição Feminina, com a finalidade de assegurar melhores
condições à mulher, visando o exercício pleno de seus direitos, seu
participação e integração no desenvolvimento econômico, social, político
1989
e cultural.
Em 26 de março, aconteceu a inauguração da primeira etapa do Centro
de Convenções de Foz do Iguaçu, com a presença do governador do
1989
Estado do Paraná, Sr. Álvaro Dias.
No dia 03 de maio aconteceu a inauguração das novas instalações do
Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, com uma área construída de
1989
17.000m².
Em 1º de junho, foi inaugurada a TV Cataratas, emissora filiada à Rede
1989
Globo de Televisão.
Inauguração do Teatro Barracão construído pelo Estado e repassado ao
69
Município através de um Contrato de Comodato, sua capacidade é de
1991
250 pessoas.
Em 06 de maio foi inaugurada a da Usina Hidrelétrica de Itaipu, com o
término da construção da 18ª turbina, pelos Presidentes Fernando Collor
1992
de Mello, do Brasil e André Rodrigues, do Paraguai.
É criada pela iniciativa privada a Faculdade
de
Economia,
Processamento de Dados, Administração, Ciências da Computação e
1993
Educação Física de Foz do Iguaçu – CESUFOZ
É criada pela iniciativa privada a Sociedade Civil de Educação Três
1993
Fronteiras – Faculdade Unificada de Foz do Iguaçu – UNIFOZ
No período de 15 a 19 de agosto Foz do Iguaçu sediou o 21º Congresso
da ABAV – Associação Brasileira dos Agentes de Viagem, reunindo cerca
de 9.000 participantes, adotando como tema “Turismo: Uma saída para a
1994
Retomada do Crescimento”.
A Lei nº 1.889 instituiu o “Ipê Roxo” como árvore símbolo do Município,
estabelecendo como data comemorativa o dia 21 de setembro (Dia da
1994
Árvore).
Inaugurado o Centro de Atenção Integral a Criança e Adolescente de Foz
1995
do Iguaçu – CAIC, no bairro Morumbi I.
Duplicação da BR. 277, trecho que liga Foz do Iguaçu a Santa Terezinha
1996
1996
de Itaipu.
No dia 10 de junho é inaugurado o Zoológico Municipal Bosque Guarani.
Eleito Prato Típico de Foz do Iguaçu, através de um concurso
gastronômico, feito basicamente de carne de peixe Dourado e temperos
1996
regionais, denominado Pirá de Foz.
Inauguração das novas instalações do Fórum de Justiça do Município de
1997
Foz do Iguaçu.
Inauguração do Centro de Atenção Integral a Criança e Adolescente de
1997
Foz do Iguaçu - CAIC no bairro Porto Meira.
Inauguração do “Espaço das Américas”, localizado no marco das Três
Fronteiras, com vista panorâmica para o encontro dos rios Iguaçu e
1997
Paraná.
Realizado os Jogos Mundiais da Natureza, o evento inédito no mundo
aconteceu de 27 de setembro a 05 de outubro na Costa Oeste do
Paraná, reunindo atletas dos cincos continentes, com 600 atletas
70
divididos entre 13 modalidades, onde o Brasil teve representantes em
1997
todas as modalidades.
Inauguração do prédio destinado a Fundação Cultural, com área
destinada a administração, espaço cultural, sala de exposições e
1998
biblioteca pública.
Inauguração do viaduto, na Avenida JK com a Br 277, com acesso a
1998
Ponte da Amizade.
Construção da passarela que liga as duas marginais paralelas a BR 277,
com 190 metros de comprimento possuindo 02 rampas de acesso para
1998
pedestres e ciclista.
Privatização dos serviços do Parque Nacional do Iguaçu, com o objetivo
social a implantação, operação, administração, manutenção e exploração
das áreas concedidas pelo IBAMA de acordo com os processos licita
tórios, onde está previsto um investimento de 30 milhões de reais no
projeto, vencido pela Holding Cataratas S/A, composta por um grupo de 5
1999
empresas.
É criada pela iniciativa privada a Faculdade União Dinâmica de
1999
Faculdades Cataratas - UDC.
O Parque é declarado Patrimônio Natural da Humanidade em perigo pela
UNESCO, devido à reabertura de uma pista clandestina de 17,6 km,
2000
chamada estrada do Colono, que corta a mata selvagem.
Construção do Ginásio de Esportes Ronaldo Schmidel Nunes, no bairro
2000
Morumbi II, com capacidade para 2.500 pessoas.
Assinado o tratado para construção de mais duas turbinas na Usina
Hidrelétrica de Itaipu, com a presença do Presidente da República Sr.
2000
Fernando Henrique Cardoso e um representante do Paraguai Sr. Macih.
Inauguração dos Espaços Culturais nos bairros Três Lagoas e Porto
2001
Meira, com objetivo de levar cultura aos bairros.
Inauguração da Praça das Nações, em frente ao Colégio Estadual
Bartolomeu Mitre, no centro da cidade, na Avenida Jorge Schimmelpfeng
2001
2001
esquina com Almirante Barroso.
Implantação do Espaço Cultural da Itaipu, Gramadão, localizado Vila “A”.
Movimento da Paz – realizado no Espaço Cultural da Itaipu, com a
presença
de
autoridades
brasileiras,
argentinas
e
paraguaias,
Governador do Estado, Prefeitos de Foz do Iguaçu, de Puerto Iguazu e
71
Cuidad del Este e mais de 65 etnias, com a participação de 20.0000
2001
pessoas.
É criada a pela iniciativa privada a Faculdade União das Américas -
2001
UNIAMÉRICA, localizada no Jardim Universitário.
Restauração do mais antigo colégio público de Foz do Iguaçu, Colégio
Estadual Bartolomeu Mitre, como da época de sua construção (1982),
sendo seu estilo neocolonial baseadas nas raízes nacionais numa reação
2001
aos modelos estrangeiros.
Inauguração da Câmara Municipal com uma área de 1.333,25m² com
gabinete para cada vereador um plenário reservado ao público com
2002
capacidade para 134 pessoas.
Inaugurado o Fórum Eleitoral da micro região Oeste do Paraná, que
abrigará as quatro cartórios eleitorais, os juizados e o setor de
2002
atendimento ao público.
Inaugurada a Praça da Bíblia em frente ao Teatro Otília Schimmelpfeng
(Barracão) na Avenida República Argentina, contendo bancos, floreiras,
2002
lixeiras, iluminação a vapor e piso tipo paver.
Inauguração da iluminação monumental da Itaipu, sendo a barragem toda
iluminada com luzes, sincronizando uma trilha sonora, onde passará a
2002
receber os turistas a noite no Mirante Central.
Revitalização do Ecomuseu e Refugio Biológico Bela Vista do complexo
2003
de Itaipu
É criada pela iniciativa privada a Faculdade Anglo Americano, localizada
2003
na Vila “A” de Itaipu.
Inaugurado o sistema Integrado de Transporte coletivo de Foz do Iguaçu
em 23 de fevereiro, onde todos os ônibus do transporte coletivo passam
2003
pelo Terminal de Transporte Urbano.
Instalada 21 estações de tubo no canteiro central das avenidas do
corredor de transporte coletivo, na qual o usuário paga o valor de uma
única passagem.
3. LOCALIZAÇÃO
72
O município de Foz do Iguaçu, situa-se no Oeste Paranaense, encravando-se
em cunha entre as Republicas do Paraguai e da Argentina.
A sede municipal está localizada a 6 km da confluência do Rio Paraná com
Rio Iguaçu, donde surgiu o nome de Foz do Iguaçu.
A área primitiva do município de Foz do Iguaçu era de 29.883 km/2. Com o
desenvolvimento e criação dos municípios de Cascavel, Toledo e Guairá, pela lei
790, de 14 de novembro de 1951; de Medianeira e Matelândia pela lei 4245, de 25
de julho de 1960; de São Miguel do Iguaçu pela lei 4338, de 25 de janeiro de 1961;
de Santa Terezinha de Itaipu sob a lei 7572, de 03 de maio de 1982; a área atual do
município de Foz do Iguaçu é de 630,469 km/2.
4. ATRAÇÕES TURÍSTICAS DE FOZ DO IGUAÇU
O turismo é um elemento natural ou artificial que proporciona uma apetência
susceptível de motivar o deslocamento de pessoas para conhecê-los. As atrações
são naturais quando a obra da própria natureza, ou artificiais quando criadas ou
promovidas como um objeto comercial, bens de patrimônio histórico, cultural,
artístico, e as manifestações: festivais, competições desportivas, centros de recreios
e lazer, etc.
4.1 RECURSOS NATURAIS
Oh!, natureza, tu és o degrau por onde a humanidade se aproxima
do criador!
Augusto Emílio Zaluar
São elementos localizados no espaço físico-geográfico, ligados à natureza e
que muitas vezes são valorizados através de infra-estrutura construída pelo homem,
seja visando a proteção ambiental ou a visitação turística.
73
Os recursos naturais, hoje é um produto turístico de suma importância.
Porém, existe uma preocupação com o uso irracional desses recursos pela atividade
do turismo nos dias atuais.
O ecoturismo pode ser definido como um segmento de atividade turística que
utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentivando a sua
conservação e buscando a formação de uma consciência ambientalista através da
interpretação do ambiente, promovendo assim o bem estar das populações
envolvidas.
74
4.1.1 Cataratas do Iguaçu
75
Em 1542, Alvar Nunez Cabeza de Vaca descobriu as Cataratas do Iguaçu, e
numa exclamação de fé disse: “Santa Maria”, nome oficial.
As Cataratas do Iguaçu, formada aproximadamente à 150milhões de anos,
estão localizadas no limite do Parque Nacional do Iguaçu, com cerca de 275 saltos,
dependendo da vazão do Rio Iguaçu, o conjunto de quedas e a impressionante
Garganta do Diabo formam a maior queda d’água do mundo em volume de m/3
segundo e pela suas dimensões e altura, uma das mais belas.
O conjunto de quedas, que variam de 40 à 90 metros de altura formam um
total de 150 a 275 saltos, numa extensão de mais de 3 km. Por sua beleza e
harmonia é considerada a 8a. maravilha do mundo, impressionando a todos por sua
grandiosidade natural, sendo que o ruído provocado pela queda é ouvido a
quilômetros de distâncias.
O conjunto de quedas formam uma figura horizontal de uma imensa ferradura
ou ponto de interrogação, sendo três quartas partes desse enorme conjunto
localizado em território argentino. Mas, é no território brasileiro que o grande
espetáculo é visto panoramicamente, permitindo a visão de todos os saltos.
O passeio junto às cataratas é possível em ambas as margens do Rio Iguaçu,
através de passarelas e caminhos construídos junto as escarpas de basalto, do lado
brasileiro existem diversos mirantes, para o turista admirar e registrar os saltos.
Do lado brasileiro há elevador para transporte de turistas, da base das quedas
ao nível superior do rio, além de acessos secundários para aqueles que preferem
fazer todo o percurso em uma caminhada. Essa caminhada do lado brasileiro tem
extensão de 1 km, enquanto que do lado argentino a distância é de 3 km.
No final do passeio existe uma praça de alimentação, conhecida como “a vista
mais saborosa das Cataratas” devido a localização estratégica, que proporciona ao
turista uma visão da parte superior das Cataratas.
76
4.1.2 Parque Nacional do Iguaçu
4.1.2.1 Objetivos específicos da unidade de conservação
Segundo o IBAMA o Parque Nacional do Iguaçu é uma garantia de
representatividade dos ecossistemas regionais, proteção e valorização da
biodiversidade da área protegida, fomento e desenvolvimento de pesquisas
científicas, implementação de atividades de educação ambiental, divulgação de suas
belezas cênicas e desenvolvimento de atividades de recreação e lazer em áreas
destinadas ao uso público dentro da unidade.
4.1.2.2 Aspectos geográficos, culturais e históricos do Parque Nacional do
Iguaçu
“O turista de hoje não é mais somente contemplativo, ele quer
participar, quer sentir o lugar”. Maximo Desiati.
A região foi cenário das missões jesuítas para catequese dos índios TupiGuaranis, posteriormente os Bandeirantes paulistas expulsaram os jesuítas
espanhóis, permanecendo assim sob o domínio de Portugal toda aquela região. A
área abriga grande quantidade de sítios arqueológicos.
Em 28 de julho de 1916, o lote de terras pertencentes ao Senhor Jesus Val,
uruguaio, radicado no Chaco Argentino, era dono de um total de 1008 há., porém
através do decreto nº 653, do Governo do Estado do Paraná, foi desapropriando e
declarando como área de utilidade pública. A desapropriação aconteceu 3 meses
após a estada de Santos Dumont em Foz do Iguaçu. O ato desapropriatório gerou
uma demanda judicial, que demorou quase 3 anos, somente em 10 de julho de
77
1919, em decorrência do acordo de ambas as partes, foi lavrada a competente
escritura no 2o. Tabelionato da Capital do Paraná.
Conforme decreto nº 2153, de 20 de outubro de 1930, o Estado do Paraná
ampliou para 170.086.76 hectares, a área desapropriada em 1916, com objetivo de
estabelecer o futuro Parque Nacional.
O Governo Federal baixou o decreto nº 1035, de 10 de janeiro de 1939,
criando o Parque Nacional do Iguaçu, e tombado em 1986 pela UNESCO como
Patrimônio Natural da Humanidade constituindo-se numa das maiores reservas
florestais da América do Sul, e estabelecendo estratégia para conservação e
proteção dos recursos naturais renováveis do Estado.
O Parque localizado no extremo oeste do Estado do Paraná, abrangendo
cerca de 170.086.76 hectares, limita-se com os Municípios de Foz do Iguaçu, Santa
Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Medianeira, Matelândia, Céu Azul,
Cascavel, Santa Tereza do Oeste, Serranópolis do Iguaçu, Capitão Leônidas
Marques Lindoeste e Capanema, e fazendo fronteira com a República Argentina a
partir da Foz do Rio Santo Antônio.
O Parque Nacional do Iguaçu situa-se na bacia do Rio Iguaçu, a maior bacia
hidrográfica do Estado do Paraná e representa um dos últimos locais de proteção
dos recursos naturais do oeste do estado.
O Parque Nacional do Iguaçu (Brasil) e a Reserva Iguazú (Argentina) formam
uma área protegida de 225.000 hectares.
O Parque Nacional do Iguaçu é dono de uma rica flora, com três diferentes
formações vegetais: a floresta estacional semidecidual, a floresta de ombrófila e a
vegetação que cresce ao longo dos cursos d`água, entre essa formação observa-se
a presença de palmeiras, pinheiro do Paraná, imbuia, caviúna, erva-mate e etc.
Comparando com a vegetação do Estado do Paraná que restam apenas 3,4% da
floresta estacional semidecidual original, a área do parque representa mais da
metade desse total.
A fauna também é bastante diversificada, com muitas espécies, entre elas a
onça-pintada, o veado mateiro, capivara, paca, anta, e mais de 200 espécies de
aves que se distribuem na região do Parque, os mais significativos são os
78
papagaios, tucanos, gaviões, beija-flores, pintassilgos, jaburus, araras Canindé,
gaviões, macuco e pato mergulhador, também foram identificados mais de 200 tipos
de borboletas nessa área. Durante os passeios, não é difícil ver os simpáticos quatis
perambulando para lá e para cá.
Eis uma questão polêmica que ameaça o equilíbrio desse ecossistema tão
importante. Em 1997, moradores dos municípios vizinhos invadiram o parque para
reabrir ilegalmente a antiga estrada do Colono. Essa estrada, aberta em 1953,
atravessa o parque por 18 km, ligando o município de Capanema à BR-135. Em
1986 ela foi fechada por ocasião da declaração do parque como Patrimônio Natural
da Humanidade. Ecologistas afirmam que a estrada pode trazer muitos problemas,
como atropelamento de animais, a presença de contrabandistas e caçadores, entre
outros.
Com a transferência do controle do Parque Nacional do Iguaçu, do IBAMA
para a empresa Cataratas do Iguaçu S/A (privada), foi implantado varias mudança
na estrutura do parque, a construção de um centro de visitantes, com informações
sobre o Parque Nacional do Iguaçu.
Do centro de visitantes os turistas vão de ônibus ao longo de todo passeio,
com capacidade para 75 pessoas, o ônibus pintado com desenho que representa os
animais nativos, como tucanos e quatis, e com essa medida limitando a circulação
de veículos de passeio e evitando os frequentes atropelamentos de animais
silvestres, reduzindo a emissão de poluentes, desta forma diminuindo o impacto
ambiental negativo.
O centro de visitantes fica na entrada do Parque Nacional do Iguaçu. Com
toda infra-estrutura para atender o turista, desde sanitários, centro de informações,
ambulatório, telefones, fraldário, loja de souvenir, posto bancário e estacionamento
de veículos. Existem outras atrações incluídas no parque como esportes radicais.
Entre elas o teleférico, que leva as pessoas para um passeio por cima das árvores
(arvorismo) passando por obstáculos que variam de 4 metros à 8 metros de altura,
abertura de novas trilhas, rafting e rapel.
79
4.1.3 Salto do Macuco
Situado em pleno Parque Nacional do Iguaçu, o salto possui águas límpidas e
cristalinas que deslizam de uma altura de 20 metros, caindo sobre as rochas
milenares existentes às margens do Rio Iguaçu, formando um pequeno lago, em
meio as mais vivas manifestações da fauna e da flora, possibilitando uma vista
panorâmica da paisagem.
O passeio até o local é dividido em três etapas, em completa integração com
a natureza, a primeira de 7 km, percorrido em veículo especial e 500 m feitos a pé,
através de verdadeiras picadas e pontes rústicas, até o ponto ideal de visão do
gracioso Salto do Macuco. Na segunda etapa existe uma escadaria que dão acesso
ao rio Iguaçu, onde há um quiosque rústico que lhe permite uma visão panorâmica
de todo o Rio Iguaçu e da margem do lado argentino, local de partida dos barcos,
para a terceira etapa do passeio em que os barcos navegam até à base do conjunto
de saltos.
4.1.4 Poço Preto
Existem duas versões sobre a origem do nome “Poço Preto”. A primeira que
nas proximidades havia um buraco negro e a segunda de que as águas do Rio
Iguaçu da trilha pareciam uma água de poço, devido ao fato de serem paradas e
tranquilas.
O acesso é feito por uma trilha ecológica de aproximadamente 12 km no meio
da selva, passando por vários córregos, localizado no km 18 da BR 469, no interior
do Parque Nacional do Iguaçu, entrada ao lado da residência de hóspedes do
Parque, durante o acesso há uma grande quantidade de árvores da floresta
subtropical semidecidual estacional e podendo-se visualizar tucanos, macacos e
outros animais.
80
4.1.5 Cemitério Indígena
Local de grande interesse turístico, um dos poucos vestígios arqueológicos do
homem pré-colombiano que habitou a área do Parque Nacional do Iguaçu.
O acesso é feito pela BR 469, lado esquerdo, através de um caminho com
aproximadamente 600 metros de extensão.
4.1.6 Rio Iguaçu
O rio Iguaçu nasce na região metropolitana de Curitiba, com o nome de
Iraizinho, percorre 1320 km até a sua desembocadura na cidade de Foz do Iguaçu, o
rio Iguaçu dentre os rios paranaenses é o que apresenta maior extensão territorial e
a maior bacia hidrográfica.
O nome Iguaçu, originário da língua Tupi, significa “água grande”.
O rio Iguaçu corta praticamente o Estado do Paraná de leste a oeste, no seu
leito foram construídas varias usinas hidrelétricas, que geram energia no sul do
Brasil.
O rio banha toda a região do Parque Nacional do Iguaçu, formando as
magníficas Cataratas do Iguaçu, na divisa dos três países (Brasil, Argentina e
Paraguai), desembocando no rio Paraná, onde proporciona um visual harmonioso.
4.1.7 Rio Paraná
O Rio Paraná nasce na divisa dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e
Mato Grosso, a partir da confluência dos rios Paranaíba e Grande.
O rio percorre inicialmente em território brasileiro, após Guairá, o rio Paraná
passa a dividir fronteira entre os países Brasil e Paraguai, indo ao encontro com o rio
Iguaçu na região da tríplice fronteira.
O Rio Paraná é o maior rio do sistema hidrográfico da bacia do Prata,
possuindo uma extensão de 4695 km, dos quais mais de 3000 km são navegáveis o
81
que o torna um rio com grande potencial turístico. Em tupi-guarani significa
"Semelhante ao Mar".
No Rio Paraná está instalado a Usina Hidrelétrica de Itaipu, devido ao seu
elevado potencial hidráulico. O rio é incluído entre os sete maiores rios do mundo,
devido a sua vazão e extensão.
4.2 RECURSOS ARTIFICIAIS
São obras criadas pelo homem ou obras conjuntas do homem e da natureza,
que foram incorporados a paisagem. Esses recursos são considerados como
testemunho cultural, caracterizadas de modo genérico, como obras arquitetônicas ou
outros legados de valor científico, histórico e estético. As instituições culturais de
estudo, pesquisa e lazer, são responsáveis pela guarda de bens, imóveis fixo,
pertencentes ou não a coleções ou acervos, que estejam em exposição permanente
no mesmo local.
O homem é um animal que constitui, através de sistema simbólicos,
um ambiente artificial no qual vive e o qual está continuamente
transformando. A cultura é, propriamente, esse movimento de
criação, transmissão e reformulação desse ambiente artificial.16
4.2.1 Itaipu – A maior hidrelétrica do mundo
Em 22 de junho de 1966, é assinada a Ata do Iguaçu pelos chanceleres do
Brasil e do Paraguai, nascendo Itaipu, para utilização do potencial hidráulico do rio
Paraná, em condomínio dos dois países. Em 12 de fevereiro de 1967 é firmado o
convênio para criação de uma comissão mista técnica, com finalidade de realizar
estudos e levantamento de viabilidades econômicas.
16
Eunice R. Durham, em Antonio A. Arantes, produzindo o passado, p. 26.
82
Através do tratado celebrado entre Brasil e o Paraguai, em 26 de abril de
1973, criou-se a empresa Itaipu Binacional, instalada oficialmente em 17 de maio de
1974.
A Hidrelétrica de Itaipu com uma enorme capacidade de “Watts” instalada
está situada no rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai, 15 km a montante da Ponte
da Amizade, com custo estimado em 15 bilhões de dólares, a hidrelétrica de Itaipu
foi um importante passo para o Brasil e Paraguai, na busca de opções energéticas.
O primeiro contrato para início da construção foi assinado em 1975, em valor
equivalente à US$ 300 milhões.
Em 1977, lavrou-se o contrato referente ao segundo estágio das obras civis
(concretagem) em valor equivalente à US$ 1,3 bilhões. Em outubro de 1978, a etapa
mais importante dessa gigantesca obra foi executada, no prazo programado de 3
anos e com emprego de tecnologia exclusivamente nacional, foi realizado o desvio
do rio Paraná (o maior volume de água em obras desse tipo em todo mundo), para
um canal de 2000 metros de extensão, 150 metros de largura e 90 metros de
profundidade.
Em 30 de outubro de 1978, completou-se o fechamento do rio, que desde
então corria exclusivamente através do canal de desvio, até a conclusão da
barragem.
A hidrelétrica de Itaipu teve seu ponto culminante em outubro de 1982; com o
fechamento das comportas iniciou-se o enchimento do reservatório do lago de Itaipu
no rio Paraná, o lago quando no seu nível máximo ocupa uma área de 1460 km/2,
sendo 835 km/2 do lado brasileiro e 625 km/2 do lado paraguaio.
As comportas foram abertas em 05 de novembro de 1982, liberando uma
vazão do rio Paraná em torno de 8.200 m/3 por segundo. A barragem principal
possui 1406 m de comprimento, com uma altura máxima de 185 m.
Em 1983, foi instalada a primeira turbina, e no dia 05 de maio de 1984 a
Central Hidrelétrica de Itaipu entrou em uma etapa mais importante, ao dar início em
caráter experimental a primeira unidade geradora, do total de dezoito turbinas
geradoras de 700.000 kw cada, fornecendo energia ao Paraguai.
83
Já no segundo semestre de 1984, Itaipu com duas unidades em
funcionamento, produziu energia também para o mercado brasileiro.
O caráter de bi-nacionalidade estabelecido na assinatura do tratado é
evidenciado pela presença de mão-de-obra brasileira e paraguaia, que lado a lado
trabalharam nesta obra. Dois povos irmãos na concretização de um objetivo comum.
A hidrelétrica de Itaipu realiza show de luzes dois dias por semana, no
período da noite, porém faz-se necessário a compra antecipada dos ingressos, para
assistir o espetáculo de sincronia de luzes e trilha sonora, que o turismo noturno
oferece.
A Usina acha-se aberta à visitação pública através do setor de Relações
Públicas, que oferece serviços de recepção e acompanhamento em visitas técnicas
e turísticas, além de exposições e projeções de filmes.
4.2.2 Furnas – A maior subestação elétrica do mundo
Furnas é uma importante obra da engenharia elétrica, responsável pela
transmissão de energia elétrica gerada por Itaipu aos grandes centros consumidores
como às regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.
A subestação de Furnas localizada em Foz do Iguaçu é a maior do mundo,
em potência de transmissão, construída em uma área de 2.200.000 m/2, sendo a
única, na América Latina, a operar utilizando corrente contínua, uma tecnologia
imprescindível para o Brasil do futuro, isto porque permite a transmissão de energia
por grandes distâncias com a menor perda de potência que um sistema em corrente
alternada.
Formado por uma subestação conversora e por uma subestação elevadora, o
complexo caracteriza-se por ser uma das maiores do mundo, fazendo jus às
exigências do mercado de energia elétrica.
A subestação de Foz do Iguaçu está localizada próximo à hidrelétrica de
Itaipu, com acesso pelo km 05 da rodovia de Itaipu. Possui centro de recepção e
84
informação,
sala
de
projeção
de
filmes,
serviço
de
guias
bilíngues
e
acompanhamento especializado para visita técnica.
4.2.3 Lago de Itaipu
O lago de Itaipu foi formado em 1982. Com a construção da barragem da
Usina Hidrelétrica de Itaipu devido ao fechamento das comportas do canal de
desvio, criou-se um grande reservatório, que ocupa uma área de aproximadamente
1.460 km/2, sendo 835 km/2 na margem brasileira e 625 km/2 na margem
paraguaia, com profundidade média de 22 metros, podendo alcançar 170 metros
nas proximidades da barragem. O lago possui 66 pequenas ilhas, das quais 44
estão na margem brasileira e 22 na margem paraguaia.
O lago construído com o objetivo principal de gerar energia apresenta hoje
uma grande potencialidade econômica para os municípios da região da Costa Oeste
do Paraná, com a instalação de áreas de lazer, ancoradouros, marinas e etc,
atraindo turistas motivados pelas festas regionais, regatas de competição e
encontros culturais.
A formação do lago não mudou apenas o aspecto da região Oeste do Paraná,
como também serviu de base para agricultura.
Existe um programa de preservação da fauna e flora da região, sendo duas
reservas e cinco refúgios biológicos, e áreas de reflorestamento com árvores nativas
da região.
4.2.4 Museu do Parque Nacional do Iguaçu
Localizado no interior do Parque Nacional do Iguaçu, o museu foi instalado
em um casarão da década de 40, com um amplo mostruário, contendo inúmeros
exemplares de animais empalhados, mostras minerais, peças taxidérmicas,
espécimes vegetais, materiais etnográficos regionais, objetos indígenas, urnas
85
funerárias e artesanato pertencente à cultura Tupi-Guarani, além de amostra de
árvores existente na região através de painéis fotográficos. Externamente, em frente
ao museu tem uma escadaria com aproximadamente 1000 m de extensão que
desce até a margem do rio Iguaçu.
4.2.5 Ponte Internacional da Amizade
A Ponte da Amizade liga a cidade de Foz do Iguaçu, no Brasil, a Ciudad de
Leste, no Paraguai, possibilitando o acesso rodoviário direto à Assunção, pela Ruta
01, distante 305 km da fronteira. Foi o primeiro grande passo para o fortalecimento
da união dos povos na região da tríplice fronteira.
Obra marcante da engenharia brasileira, a ponte se ergue no ponto extremo
oeste, no final da BR 277. Para não prejudicar a navegação no rio Paraná na época
das cheias, concluiu-se que a Ponte da Amizade deveria ter estas medidas, 78
metros acima das águas do rio Paraná, 552,40 metros de extensão e um vão livre de
303 metros, com uma largura de 13,50 metros. Nesta construção foram gastos
44.000 m/3 de concreto, e 2,300 tonelada de ferro.
O acordo para execução da obra foi assinado em 29 de maio de 1956, entre
os governos do Brasil e Paraguai.
O estudo de viabilização e a fiscalização da construção ficaram a cargo de
uma Comissão Especial criada no D.N.E.R. (Departamento Nacional de Estrada e
Rodagem), por decreto presidencial de 14 de novembro de 1956.
A construção da Ponte da Amizade foi executada pelo Consórcio SOTEGE
(Sociedade de Terraplanagem e Grandes Estruturas) e a Construtora Rabelo S.A., o
fornecimento de escoramento metálico e sua execução ficou a cargo da CSN
(Companhia Siderúrgica Nacional), de Volta Redonda.
A obra foi inaugurada em março de 1965, pelo então Presidente da República
do Brasil Humberto de Alencar Castello Branco, e pelo Presidente do Paraguai
Alfredo Stroessner.
86
4.2.6 Ponte Presidente Tancredo Neves (Brasil – Argentina)
Inicialmente a Ponte foi batizada como Ponte da Fraternidade, devido a morte
do Presidente Tancredo Neves em abril do ano da inauguração da obra, no entanto
passou a ser chamada de Ponte Presidente Tancredo Neves.
Ligando o Brasil à Argentina, a ponte está situada a aproximadamente 04
quilômetros a montante da Foz do rio Iguaçu, em um dos trechos de estreitamento
do rio Iguaçu, após as Cataratas.
A construção foi iniciada em janeiro de 1983, no governo dos Presidentes
João Batista Figueiredo, do Brasil e General Leopoldo Galtieri, da Argentina. Após a
formação da COMIX (Comissão Mista Brasileiro-Argentino), composta por
engenheiros e advogados do Ministério dos Transportes e das Relações Exteriores
dos dois países, teve início a construção da Ponte.
A Ponte tem uma extensão total de 489 metros, com uma vão livre de 220
metros, e largura de 16.50 metros, com passeio para pedestre, duas pistas de
tráfego e dois acostamentos.
O consórcio SOBRENCO-SUPERCEMENTO foi responsável pela construção,
que foi feita em aduelas moldadas “in loco”, pelo processo de balanços sucessivos.
O valor da obra foi estimado em 34 milhões de dólares, por ser uma obra de
alto padrão técnico e se constituir em um modelo da capacidade tecnológica da
engenharia.
O acesso direto pela BR 469 (Rodovia das Cataratas) no lado brasileiro, RN
(Ruta Nacional) 12, do lado argentino.
4.2.7 Aeroporto Internacional e interligações Rodoviárias
O aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu está localizado na Rodovia das
Cataratas pela BR 469, à 15 km do centro da cidade. A Cidade recebe voos diários
de linhas aéreas nacionais, ligando-a com o resto do Brasil e com o exterior.
87
No aeroporto o turista e o visitante podem dispor de serviços de locadoras de
veículos, aviões, helicópteros e táxi aéreo, além de lojas, livraria, boutique,
restaurantes, bar, banco e joalheria.
Foz do Iguaçu está integrada ao anel viário do Estado através da BR 277, que
liga Foz do Iguaçu – Curitiba – Paranaguá, e pela BR 469 que vai até as Cataratas
do Iguaçu.
A interligação com o Paraguai é feita através da Ponte da Amizade, que faz
conexão entre a BR 277 e a Ruta 2, ligando Foz à Assunção, capital do Paraguai,
tanto a BR 277 como a Ruta 2 integram a Rodovia Panamericana.
A interligação com a Argentina é feita através da Ponte Presidente Tancredo
Neves, que faz conexão entre a BR 469 (rodovia das Cataratas) e a RN (Ruta
Nacional) 12, ligando Foz do Iguaçu com a Ciudad de Puerto Iguazu do lado
argentino.
4.2.8 GRESFI – Grêmio Esportivo e Social de Foz do Iguaçu
Por seu valor histórico e cultural, podemos considerar o antigo prédio em
estilo colonial como uma atração turística a mais em Foz do Iguaçu, construído em
1933, para servir como um campo de aviação, atualmente é o GRESFI – Grêmio
Esportivo e Social de Foz do Iguaçu.
Em 1 de abril de 1935, Inauguração oficial do 1º campo de pouso de Foz do
Iguaçu, na presença de populares, aterrissou o primeiro avião, um biplano, com dois
lugares e totalmente descoberto.
A PAN AM (Companhia Pan Americana) começou a fazer a linha RioAssunção-Buenos Aires uma vez por semana e passando em Foz do Iguaçu, desta
forma a cidade começou a receber visitantes ilustres, como Henry Fonda e Grace
Moore.
Em 1941, o então Presidente da República Getúlio Vargas inaugurava o 1º
Aeroporto do Parque Nacional do Iguaçu, sendo por muito tempo o aeroporto de Foz
do Iguaçu, até ser desativado em 1974, devido a construção do novo aeroporto.
88
4.2.9 Marco das Três Fronteiras
Uma pilastra de pedra e cimento na orla fluvial próximo a Foz do rio Iguaçu,
com as cores nacionais, em ângulo de 90 graus de confluência deste rio com o rio
Paraná, inaugurado em 20 de julho de 1903, marcando geograficamente a fronteira
de Foz do Iguaçu.
Do local onde se encontra o Marco brasileiro pode se avistar o Marco da
Argentina (cores da bandeira Argentina) e o Marco do Paraguai (cores da bandeira
Paraguaia), os três formam um triângulo equilátero que fixa o limite territorial e a
soberania dos três países. O marco representa um símbolo de igualdade,
complementaridade e respeito entre as três nações.
O acesso ao local é possível de veiculo. O local apresenta infraestrutura para
os visitantes como estacionamento, lanchonete, loja de artesanato, play-ground e
mirante, de onde o turista pode apreciar a bela paisagem e o espetáculo
impressionante do pôr-do-sol, o encontro do rio Iguaçu com rio Paraná, podendo
observar a tríplice fronteira.
89
4.2.10 Hotel Cassino Iguaçu
O hotel Cassino, muitas vezes confunde-se com a própria história de Foz do
Iguaçu. O grande hotel foi projetado em 1936, pelo engenheiro Raul de Mesquita e
construído logo depois de 1938 até 1939, pela Companhia Construtora Nacional
S.A., do Rio de Janeiro.
O hotel funcionou como Cassino até o Decreto Lei nº 9215 de 30 de abril de
1946, que proibiu o jogo no Brasil, no Governo Dutra, passando a ser utilizado na
demanda hoteleira.
Na década de 40, o hotel foi arrendado pelo Major José Acylino de Castro e
Dona Rosa Cirilo de Castro, que levaram à frente o empreendimento até alguns
anos atrás. Trabalharam no local por volta de 40 anos aproximadamente. Ao longo
deste tempo muitas personalidades importantes hospedaram-se no hotel, entre eles
Getúlio Vargas, Juscelino Kubitscheck, Moises Lupion e muitos outros.
Em 1986, foi assinado um Termo de Comodato com a PARANATUR
(Empresa Paranaense de Turismo), que cedeu o prédio ao SENAC (Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial) para ministrar cursos profissionalizantes.
Hotel Cassino Iguaçu representa para a cidade “Palácio do Turismo”, e
atualmente abriga varias entidades ligadas ao setor de turismo.
4.2.11 Cataratas Iate Clube
Fundado em 1971, por um grupo de aficionados em pesca e motonaútica, o
Cataratas Iate Clube localiza-se as margens do Rio Paraná, estrada do Porto Meira.
Um dos maiores eventos nacionais é promovido pelo Cataratas Iate Clube,
trata-se da Copa Desafio e da Prova Internacional de Pesca ao Dourado. São duas
competições distintas, provando a habilidade e astúcia do pescador em pegar o
bravo “Rei dos Rios” ou “Tigre do Paraná”.
90
Na Copa Desafio, é obrigatoriamente usar linha 0,30 mm., os competidores
podem participar com equipe composta por um máximo de três pescadores e no
mínimo de dois pescadores, com área demarcada e duração limitada.
Cataratas Iate Clube possui em sua sede náutica, bar, restaurante, serviço de
abastecimento de barcos, ancoradouro próprio, além de extensa área com bosque e
churrasqueira.
4.2.12 Templo Budista
A comunidade oriental de Foz do Iguaçu possui um templo para orações e
meditações. O templo foi construído em arquitetura estilo oriental; na chegada do
templo, na área externa existem 112 estátuas de 2 metros de altura, sendo 108
estátuas amarelas e 4 estátuas maiores. Estas estátuas significam boas vindas às
pessoas que chegam ao templo, as estátuas com as mãos estendidas representam
as mulheres.
As estátuas externas foram feitas no próprio local, e as internas foram
trazidas da China. A estátua maior representa “Buda”, com cerca de 7 metros de
altura.
O Templo Budista foi construído em arquitetura oriental; na porta existe a
palavra “ORBI” que significa “Lugar do céu”. No andar superior, existem estátuas de
Buda que representam a alegria, a sorte e a saúde, sendo que as estátuas tem um
significado da vida espiritual.
Do templo pode-se avistar o rio Paraná, a Ilha Acaray, a Ponte da Amizade, o
Centro de Ciudad de Leste e um pouco da vista panorâmica de Foz do Iguaçu.
91
4.2.13 Mesquita Árabe
A Mesquita da comunidade islâmica de Foz do Iguaçu é um templo soberbo,
seu interior ricamente ornamentado, com a função de organizar espiritualmente e
moralmente a vida do homem. “Islam”, palavra árabe que representa pureza, paz,
entrega e submissão.
A comunidade mulçumana iniciou a construção da Mesquita em 1981, sendo
oficialmente inaugurada em 23 de março de 1983, com 600 m/2 de construção, a
área reservada para oração, é oval e mede aproximadamente 400 m/2.
Anexo encontra-se em funcionamento o Centro Cultural Beneficente Islâmico
de Foz do Iguaçu.
4.2.14 Espaço das Américas
O Espaço das Américas é um lugar destinado para uso do Centro de
Educação Ambiental, construído pelo Governo do Estado do Paraná Sr. Jaime
Lerner, inaugurado em 17 de janeiro de 1997, está localizado no Marco das Três
Fronteiras, a 6 km do centro da cidade, na região do Porto Meira.
92
A área é utilizada como Centro de Educação Ambiental, e tem como objetivo
principal promover a integração cultural das Américas portuguesa e espanhola. Com
capacidade para 340 pessoas, a área é ocupada com realização de exposições,
seminários e outros.
Foi projetada pelo arquiteto Domingos Bongstabs, com uma arquitetura que
mistura o rústico ao moderno.
A região onde foi construída marca o centro geográfico da tríplice fronteira,
encontro das águas dos rios Iguaçu e Paraná, e a união dos três países.
4.2.15 Parque das Aves
Localiza-se na Rodovia das Cataratas, em frente ao Centro de Visitantes do
Parque Nacional do Iguaçu. Possui 17 hectares de mata nativa dos quais apenas 4
hectares são destinados a viveiros e instalações e o restante destinado a área de
proteção ambiental. Os visitantes seguem por passarelas sinalizadas, por 800
metros no meio da mata, passando por viveiros integrados nessa trilha, a floresta é
enriquecida por cascatas, pontes e vegetação.
Os viveiros denominados "floresta" e "pantanal" alcançam 630 m2 de área e 8
m de altura, representam o habitat de avifauna destes ecossistemas brasileiros. Em
outros viveiros menores, encontram-se espécimes do sudoeste asiático, Oceania e
África, aliando ecoturismo à conservação ambiental.
O Parque das Aves foi criado em 1994, sendo um empreendimento privado.
Existe atualmente mais de 500 aves de diversas espécies do Brasil e de outros
continentes. Possui ainda programas de reprodução em cativeiro, de educação
ambiental e visitas com orientação de biólogos, podendo fotografar e tocar em aves.
O Parque dispõe de estacionamento, telefones público, sanitários e
lanchonete, estando localizado a 17,5 km do centro de Foz do Iguaçu pela Estrada
das Cataratas.
93
4.2.16 Terminal Turístico de Três Lagoas
O Terminal está localizado na região do bairro de Três Lagoas, a 20 km do
centro da cidade, é um espaço de lazer, possuindo em suas dependências área
verde, lanchonetes, churrasqueiras cobertas, quiosques, play-ground, ciclovia,
mirante e pedalinhos, também conhecida como “Prainha de Três lagoas”.
O Terminal Turístico de Três Lagoas foi construído a margem do lago do Lago
de Itaipu, aproveitando o potencial, oferece oportunidade de lazer para os turistas,
como passeios de barco e regatas.
4.2.17 Ecomuseu de Itaipu
Inaugurado em 16 de outubro de 1987, numa área construída de 1200 m2
representa simultaneamente alternativa de demonstração pedagógica voltada para
educação ambiental e a ecologia da região.
Seu
objetivo
é
assegurar
a
pesquisa,
preservação,
conservação,
interpretação cientifica do conjunto de elementos naturais e culturais representativo
da região.
Antes da formação do Lago de Itaipu foram encontrados nas escavações
vestígios da presença humana na região com registro de 6.000 a.C. Os objetos
encontrados estão expostos no Ecomuseu, marcando fatos importantes da historia
regional.
Espécies de peixes e animais existentes na região do reservatório estão em
exposição. Possui ainda um arboreto de 525 m2 para os principais espécimes
vegetais, do meio ambiente da área de influência do reservatório de Itaipu.
O Ecomuseu de Itaipu realiza ações em conjunto com o município, entre eles
podemos citar, como atendimento às escolas, oficinas de criação e conservação,
biblioteca especializada, exposições itinerantes, participação e apoio aos eventos
regionais de cunho cultural. Localiza-se na Avenida Tancredo Neves
94
4.2.18 Zoológico Bosque Guarani
Uma área na região central da cidade foi transformada em espaço de lazer e
turismo, construído em 10 de junho de 1996, chamado de Zoológico Bosque
Guarani, este possui uma área de 40.000 m/2, totalmente arborizado.
Percorrendo as trilhas o turista pode observar vários tipos de animais, como:
onças, tucanos, macacos, papagaios, garças, cisne e outros, enriquecidos por
cascatas, pinguelas (pontes) e vegetação.
O Zoológico possui aproximadamente 683 animais de 49 espécies.
Localizado próximo ao terminal central de ônibus.
4.2.19 Enseada Rio Branco (Porto Canoas)
Localizado dentro da área do Parque Nacional do Iguaçu, à 1 Km das
Cataratas, a Enseada Rio Branco é um local de lazer. Uma área com total infraestrutura para receber o turista, arborizada, com churrasqueira, bancos e mesas, e
no local pode-se desfrutar de um vista panorâmica maravilhosa do Rio Iguaçu.
5. FOLCLORE E LENDA
5.1 FOLCLORE
Conjunto de mitos e lendas que as pessoas passam de geração para
geração. Palavra que significa sabedoria do povo. É o conjunto das tradições
expressas em provérbios, cantos, canções e costume de um povo e região.
Muitas destas histórias foram criadas para passar mensagens importantes ou
apenas para assustar as pessoas.
95
5.2 LENDA
Lenda
é
uma
narrativa
imaginosa,
quase
sempre
fantástica
que,
representando a tradição de um povo, se transmite de geração para geração,
procurando explicar de uma forma fantasiosa aspectos da vida e da natureza.
As lendas são particularmente significativas pela riqueza de elementos que as
compõe. Assinalam-se nas lendas aspectos de rios, serras, céus e noites,
motivações para o sentimento da natureza. Lendas relacionadas com a flora e a
fauna
conferem
a
determinado
animal
e
a
determinada
planta,
formas
correspondentes à realidade testemunhando o acerto da imaginação e convidando à
reflexão.
A Característica da lenda é ser oral, daí a razão porque há tantas
controvérsias numa mesma lenda contada em regiões diferentes.
Foz do Iguaçu, que possui em seu território uma das mais lindas atrações
turísticas do País, que são as Cataratas do Iguaçu, detém dentro do folclore
brasileiro uma lenda indígena correspondente em beleza, para explicar sua origem.
5.2.1 Lenda das Cataratas do Iguaçu
A beleza grandiosa dos saltos de Santa Maria fez nascer uma das mais
famosas lendas do Paraná, que é Naipi e Tarobá.
Os índios caigangues, que habitavam às margens do rio Iguaçu acreditavam
que o mundo era governado pelo Deus M’Boy, um Deus que tinha a forma de uma
serpente e era filho de Tupã. O cacique desta tribo que se chamava Igobi, tinha uma
filha, Naipi, tão bonita que as águas do rio paravam quando a jovem nelas se
mirava.
Devido a sua beleza, Naipi foi consagrada ao Deus M’Boy, passando a viver
somente ao seu culto. Havia, porém, entre os caigangues um jovem guerreiro
chamado Tarobá, que ao ver Naipi por ela se apaixonou.
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No dia que foi anunciada a festa de consagração da bela índia, enquanto o
Cacique e o Pajé bebiam cauim17 e os guerreiros dançavam, Tarobá roubou e fugiu
com a linda Naipi, numa canoa que seguia rio abaixo pela correnteza.
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Forma de preparo do cauim, as mulheres indígenas mascavam a mandioca, ou milho, ou ananás,
batata-doce ou outras qualidades, esmagando-a com os molares e enrolando-a com a língua no céu
da boca. É mastigando bem e com bastante saliva, cuspindo tudo num pote, até que fique cheio. E
era serviço feito pelas virgens, porque as outras estragariam a bebida. O resultado, era uma bebida
nutritiva e inebriante.
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Quando M’Boy soube da fuga de Naipi e tarobá, ficou furioso, penetrou então
nas entranhas da terra e retorcendo o corpo, produziu na mesma uma enorme fenda
que formou uma cataratas gigantesca. Envolvida pela água dessa imensa cachoeira,
a piroga (canoa) dos índios fugitivos caiu de uma grande altura, desaparecendo para
sempre.
Diz a lenda que Naipi foi transformada em uma das rochas centrais das
cataratas, perpetuamente fustigada pelas águas revoltas, e Tarobá foi convertido em
uma palmeira situada à beira do abismo e inclinada sobre a garganta do rio.
Debaixo dessa árvore acha-se a entrada da gruta de onde o monstro
vingativo vigia, eternamente, as suas duas vitimas.
6. GASTRONOMIA
Foz do Iguaçu reserva surpresa na área de gastronomia aos turistas,
apresenta uma grande diversidade culinária, até pelo fato de existir uma gama
enorme de estabelecimentos, onde o turista pode provar os mais diversificados
pratos da cozinha internacional, como os pratos típicos da comida alemã, árabe,
chinesa, espanhola, italiana e japonesa.
A culinária brasileira está presente em vários restaurantes e hotéis da região,
onde se pode provar comida baiana, mineira, paulista e o delicioso churrasco
gaúcho.
Sendo uma região de tríplice fronteira e cortada pelos principais rios do Brasil,
o prato típico da região só poderia ser feito a base da carne de peixe, em especial o
dourado e surubim, espécie de peixe cobiçada e difícil de ser pescada.
Foi escolhido em 1996, entre outros participantes como o prato típico da
cidade, a base de peixe, o “Pira de Foz”18, feito por Dirceu Viera dos Santos,
18
Receita do prato “Pira de Foz”
Ingredientes: 2 filés de peixe de 200g cada; ½ litro de água; ½ ramo de salsa; ½ cebola
pequena.
Cozinhar o peixe com os ingredientes e reservar.
Primeira guarnição: 300g de mandioca;
2 colheres margarina; ½ copo de leite; sal a gosto.
Cozinhar e moer a mandioca. Fazer um purê com leite e sal a gosto, reservar;
Segunda guarnição: 100g de arroz; 1 colher de óleo; 1 maço de espinafre.
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cozinheiro do Hotel Bourbon. Atualmente, o prato é preparado em quase todos os
restaurantes e hotéis da cidade.
Em Tupi-guarani “Pira” significa peixe, a receita é filé de peixe, principalmente
o surubim, com salsa, cebola, mandioca, espinafre, arroz, cenoura, pimentão
vermelho, gengibre, alho, orégano, pimenta, óleo de soja, maisena, leite e sal a
gosto. E para dar aquele toque, uma dose de vinho.
Além do “Pira de Foz”, outro prato tradicional muito servido nos restaurantes
de Foz do Iguaçu e o “Dourado Assado”, peixe saboroso, de carne branca e macia,
muito pescado na região.
7. ARTESANATO
Artesanato é todo trabalho preponderantemente manual que se revela
nitidamente, em cada produto apresentado, traços individuais de criatividade e
destreza do artesão. O artesanato é uma manifestação da cultura material de um
grupo.
Em Foz do Iguaçu os artesões, em sua maioria, são filiados a COART
(Cooperativa de Artesanato da Região Oeste e Sudoeste do Paraná), inaugurada
em 31 de março de 1979. Ela concentra e distribui a produção artesanal de uma
extensa faixa de fronteira, que vai desde a peça mais simples ao mais requintado
estilo, atualmente é comercializado mais de 2.000 peças de artesanato ao mês.
Cozinhar o arroz e reservar. Cozinhar o espinafre na água e sal, escorrer e picar. Colocar na
frigideira com margarina e misturar com arroz cozido.
Molho: 20g de cebola média cortada em fatias finas; 1 cenoura média em fatias finas; 1
pimentão vermelho sem pele e sem sementes cortado sem tiras finas; 20g de gengibre picado; 1
ramo de salsa; ½ taça de vinho branco; 1 colher (chá) rasa de orégano; 1 pitada de pimenta branca
moída; 1 colher (sopa) de óleo de soja; 1 colher (sobremesa) de maisena; 200ml de caldo de peixe;
sal a gosto.
Modo de preparar: Fritar o alho no óleo. Juntar a cebola, a cenoura e o gengibre. Deixar
refogar por três minutos. Colocar o caldo de peixe cozido o orégano, o pimentão, a pimenta e sal a
gosto. Deixar ferver por cinco minutos e dissolver a maisena no vinho e colocar no molho até dar
consistência.
Montagem do prato: colocar o molho no prato e acrescentar o peixe. Colocar o arroz, o purê
de mandioca e decorar com uma flor de cenoura. Servir quente.
Fonte: AGABCO – Associação dos Gerentes de Alimentos e Bebidas da Costa Oeste.
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Na COART está presente a cestaria, a cerâmica de influência indígena, as
talhas e objetos de madeira que revelam o contato do homem com uma das grandes
riquezas da região, a floresta.
Mas não é apenas o primitivo e o ingênuo que marcam a cultura industrial, é
bastante nítido, o aproveitamento dos resíduos “recicláveis” da chamada sociedade
de consumo: copos, estojos, abajures feitos com garrafas e outras embalagens
industriais, que atesta, não só a criatividade como o grau de envolvimento desses,
com o fenômeno urbano atual.
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Conclusão
Considerando o resultado da pesquisa, podemos afirmar que a Cidade de Foz
do Iguaçu apresenta um grande potencial turístico. Sob o ponto de vista histórico, foi
possível descobrir as transformações pelas quais a Cidade passou, chegando a
situação atual. A economia da região era basicamente voltada para extração da
erva-mate e o corte da madeira, e que gradativamente foi substituída pela vocação
turística.
Existem pessoas que guardam em suas memórias as histórias e os causos,
que ajudaram a escrever e registrar os fatos; todos fazem a história, muitos a
contam, alguns são apenas expectadores.
O resultado deste trabalho é uma resposta para preservar a memória, os fatos
vividos, vistos ou ouvidos. Este livro é um auxilio, na forma de gravar as proezas, as
dificuldades, que surgiram e que surgem no dia a dia. Pois, muitas histórias contidas
neste livro foram buscadas, ouvidas; outras foram escritas por aqueles que a
preservaram na memória.
A história de Foz do Iguaçu é um verdadeiro mergulho histórico, cultural,
ambiental e econômico, sendo assim a necessidade de preservá-lo, pois a história
da Cidade é motivo de orgulho para os seus habitantes.
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