Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia CONTECC’ 2015 Centro de Eventos do Ceará - Fortaleza - CE 15 a 18 de setembro de 2015 POLUIÇÃO SONORA E DIÓXIDO DE CARBONO NOS TERMINAIS RODOVIÁRIOS, UFCG E CENTRO DE CAMPINA GRANDE DERMEVAL ARAÚJO FURTADO1, LADYANNE RAIA RODRIGUES2, SILVIA NOELLY RAMOS DE ARAÚJO3, FELIPE LIRA FURTADO4* 1 Dr. Professor Engenharia Agrícola, UFCG,Campina Grande-PB; Fone:(83) 21011055, [email protected] Doutoranda em Engenharia Agrícola, UFCG,Campina Grande-PB; Fone:(83) 88655619, [email protected] 3 Mestranda em Engenharia Agrícola, UFCG, Campina Grande-PB; Fone: (83) 99113591, [email protected] 4 Graduado em Engenharia Elétrica, Campina Grande-PB; Fone (83) 3333 2949, [email protected] 2 Apresentado no Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia – CONTECC’ 2015 15 a 18 de setembro de 2015 - Fortaleza-CE, Brasil RESUMO: Objetivou-se avaliar os níveis de poluição sonora e dióxido de carbono (CO 2) em terminais rodoviários, universidade Federal de Campina Grande e no centro da cidade do município em locais onde o fluxo de pessoas e automóveis são maiores e existe maior exposição de poluente e fontes sonoras. Adotou-se metodologia baseada na NBR 10.151, da Associação Brasileira de Normas Técnicas e do Decreto Estadual 15.357 de 15 de junho de 1993, que fixam as condições exigíveis para avaliação da aceitabilidade do ruído em comunidades. O local que apresentou a situação mais crítica quanto à poluição sonora foi o Terminal de Integração de Passageiros, sendo obtido um nível médio de 75,17 dB, no entanto, este local possui maior fluxo de veículos dentre todos os analisados. O que apresentou situação mais confortável quanto a pressão sonora foi no interior da Universidade Federal de Campina Grande, corroborando com a legislação vigente NBR 10151/00 e o Decreto Estadual 15357. As concentrações de CO2 não apresentaram valores prejudiciais à saúde humana, bem como, ao meio ambiente em todos os locais analisados. PALAVRAS–CHAVE: Níveis de ruído, poluição ambiental, centros urbanos. NOISE AND CARBON DIOXIDE IN ROAD TERMINALS, UFCG AND GREAT PLAIN CENTER ABSTRACT: The objective was to assess the levels of noise pollution and carbon dioxide (CO2) in bus terminals, Federal University of Campina Grande and the center of the county town in places where the flow of people and cars are larger and there is a greater pollutant exposure and sound sources. It adopted methodology based on NBR 10151 of the Brazilian Association of Technical Standards and State Decree 15,357 of June 15, 1993, which set the requirements for assessing the acceptability of noise on communities. The site that presented the most critical situation regarding the noise pollution was the Passenger Terminal Integration, being obtained an average level of 75.17 dB, however, this place has greater flow of vehicles from all analyzed. What had more comfortable situation as the sound pressure was within the Federal University of Campina Grande, supporting the current law NBR 10151/00 and State Decree 15357. The CO2 concentrations did not present values harmful to human health as well, the environment at all sites analyzed. KEYWORDS: Noise levels, environmental pollution, urban centers INTRODUÇÃO A poluição sonora e a emissão de poluentes atmosféricos vêm recebendo uma atenção maior por parte da administração publica, devido os impactos causados sobre o seu entorno, que interferem diretamente na vida e dinâmica de uma cidade. De acordo com a Norma Técnica NBR 10.151, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2000), e o Decreto Estadual 15.357 de 15 de junho de 1993, que fixam as condições exigíveis para avaliação da aceitabilidade do ruído em áreas habitadas, os níveis permitidos para área mista, com vocação comercial e administrativa durante o período diurno devem estar limitados entre 60 e 65 dB. O dióxido de carbono (CO2) é normalmente encontrado na atmosfera e, segundo (PROCHNOW, 2003), concentrações que vão de 300 a 600ppm, não possuem efeitos a saúde, sendo o gás que regula a nossa taxa de respiração instintiva. A administração pública da cidade de Campina Grande/PB, por meio da Lei Orgânica de Campina Grande (PMCG, 2006) e do Código Municipal de Defesa do Meio Ambiente (PMCG, 2009), estabeleceu as instruções e critérios técnicos básicos assegurando o direito à saudável qualidade de vida e à proteção do meio ambiente. Nos centros urbanos, o tráfego de veículos é o principal contribuinte para a poluição sonora, em especial o sistema de transporte coletivo por ônibus, devido à potência de seus motores e de suas distintas condições, sobretudo em horários de pico (COSTA, 2014). A falta de manutenção dos ônibus, fluxo com aceleração e frenagem, buzinas e a má qualidade da pavimentação são fatores que podem colaborar para uma situação de insalubridade constante para os usuários do transporte, as pessoas expostas e essa condição na área do entorno, e aos trabalhadores dos terminais e motoristas de ônibus (PINTO et al., 2013). Diante do exposto, objetivou-se com a pesquisa avaliar os níveis de poluição sonora e dióxido de carbono (CO2) em terminais rodoviários, universidade Federal de Campina Grande e no centro da cidade do município em locais onde o fluxo de pessoas e automóveis são maiores e existe maior exposição de poluente e fontes sonoras. MATERIAL E MÉTODOS A coleta de dados foi realizada no município de Campina Grande-PB, localizado na Mesorregião do Agreste Paraibano e no planalto da Borborema. Os locais escolhidos foram o Parque da Criança, Terminal de Integração, Terminal Rodoviário Cristiano Lauritzen, Universidade Federal de Campina Grande e Rua Maciel Pinheiro onde o fluxo de pessoas e automóveis são maiores e existe maior exposição de poluente e fontes sonoras as pessoas e ao meio ambiente. Optou-se utilizar o aparelho em pontos com maior concentração de ônibus e pessoas, no período de 21 a 25 de setembro de 2014, entre os horários de 10 às 11h30min. Considerou-se fazer as medições durante cinco dias (domingo – quinta-feira), sendo considerado um dia para cada local de estudo, onde as mesmas foram inicializadas no parque da criança (domingo), por ser considerado o dia da semana com maior volume de pessoas naquele ambiente. Esse horário foi escolhido por coincidir com o maior fluxo de pessoas e de ônibus, uma vez que corresponde ao horário de saída de trabalho, intervalo de almoço, bem como o início de muitas atividades, obtendo-se assim o quadro de pior situação de poluição sonora e ambiental nos terminais e centro da cidade. O registro das medições acústicas e poluentes emitidos foi coletado em intervalos de 5 min. Foram realizadas as seguintes medições: pressão sonora realizada através de aparelho de Decibelímetro digital modelo SL- 4001 (Marca Lutron - 30 a 130 dB) e concentração de Dióxido de Carbono (CO2) Marca Texto 535, com capacidade de leitura entre 0 a 9.999 ppm de CO 2. Todas as medições de poluição sonora foram realizadas seguindo as orientações da Norma Técnica NBR 10.151, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2000), e do Decreto Estadual 15.357 de 15 de junho de 1993, que fixam as condições exigíveis para avaliação da aceitabilidade do ruído em comunidades e recomenda posicionar o aparelho de medição a uma distância mínima de 1,20m do pavimento e distante pelo menos 2,0 m de qualquer superfície refletora (paredes ou muros). O Nível de Pressão Sonora (NPS) foi medido em dB e os resultados finais foram gerados pela média das parciais a cada intervalo. RESULTADOS E DISCUSSÃO O maior pico de pressão sonora ocorreu às 11h30min, registrando 80,05 dB (Figura 1), observando-se, também, que apenas 27% das medições realizadas estavam dentro do limite permitido pela legislação vigente, em se tratando dos níveis médios. Segundo dados da NBR 10151/00, no nível de critério para ambientes externos, as áreas mista, com vocação comercial e administrativa, durante o período diurno devem estar limitadas a níveis de ruído entre 60 e 65 dB. O local que apresentou a situação mais crítica foi o Terminal de Integração, isto em razão deste terminal possui o maior fluxo de veículos dentre todos os analisados, sendo obtido um nível médio de 75,17 dB; esse fato pode ser explicado por ser o momento em que há maior circulação de pessoas, correspondendo ao intervalo do almoço, juntamente com os estudantes que estão saindo ou chegando para os colégios localizados no centro da cidade. Outro agravante é a proximidade das plataformas de embarque, o barulho das frenagens dos veículos e a concentração de veículos nos horários de pico, o que possibilita um risco à saúde dos usuários, como também dos profissionais que trabalham no local, corroborando com (COSTA, 2014), que avaliando os níveis de ruído nos terminais de transporte de Campina Grande, cita que o alto número de plataformas também contribui para o aumento do ruído, permitindo que um número maior de ônibus esteja funcionando simultaneamente no terminal, ou seja, quanto maior o número de plataformas, mais fontes sonoras podem estar funcionando simultaneamente. Trabalhos de (SILVEIRA & JUNIOR, 2007), com foco no ruído em terminais de transporte coletivo no município de Fortaleza, e de (RODRIGUES, 2006), com análise de ruído em terminais de transporte coletivo das cidades de Belo Horizonte e Uberlândia, também apresentaram níveis de ruído acima dos valores disposto na legislação vigente, confirmando assim, a insalubridade destes locais em comparação não só aos níveis de ruído nos terminais rodoviários de Campina Grande, mas em várias cidades do Brasil. Figura 1. Níveis de poluição sonora no Parque da Criança, Terminal Rodoviário Cristiano Lauritzen, Rua Maciel Pinheiro, Terminal de Integração e Universidade Federal de Campina Grande. O local que apresentou situação mais confortável quanto à poluição sonora, foi no interior da Universidade Federal de Campina Grande, mesmo destacando que no horário das 10h ás 11h30min a movimentação de estudantes e veículos são intensas, tanto no interior da UFCG com em seu entorno, mas a arborização existente no interior do Campus e o comportamento da comunidade universitária contribuem para que o nível de ruídos seja baixo. As concentrações de dióxido de carbono (CO2) apresentaram as maiores médias no terminal Cristiano Lauritzen (Figura 2), com concentração de 537,5 ppm. Este valor mais elevado deve- se ao maior fluxo de veículos neste local, como também, ao aspecto construtivo, uma vez que o mesmo está localizado em pleno centro da cidade, onde existem muitos prédios e lojas que indiretamente dificultam a circulação do ar. Outro agravante é a falta de arborização para facilitar a circulação de ar no local. Figura 2. Concentração de CO2 no Parque da Criança, Terminal Rodoviário Cristiano Lauritzen, Rua Maciel Pinheiro, Terminal de Integração e Universidade Federal de Campina Grande. Já, a menor média (400 ppm) foi registrada na Universidade Federal de Campina Grande, no entanto, todos os valores encontrados estão abaixo dos limites permitidos para exposição desse gás, podendo os ambientes ser considerados como salubre, ou seja, não causa prejuízos nem ao ser humano nem ao meio ambiente. Segundo (PROCHNOW, 2003), o dióxido de carbono é normalmente encontrado na atmosfera em concentrações que vão de 300 a 600ppm sendo o gás que regula a nossa taxa de respiração instintiva. CONCLUSÕES Na maioria dos locais analisados os níveis de poluição sonora ficaram acima do recomendado pela NBR 10151 e do Decreto Estadual 15357, sendo considerados como ambientes desconfortáveis quanto aos níveis de poluição sonora, exceto na Universidade Federal de Campina Grande. As concentrações de dióxido de carbono não apresentaram valores prejudiciais à saúde humana, bem como ao meio ambiente, em todos os locais analisados. REFERÊNCIAS ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2000,. NBR 10.151: Acútica - Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade – Procedimento, Rio de Janeiro. Código Municipal de Defesa do Meio Ambiente, Lei complementar 042 (PMCG, 2009). Costa, I. T. F. Avaliação do ruído em terminais de transporte coletivo da cidade de Campina Grande. Campina Grande: UEPB, 2014. 80f. Trabalho de Conclusão de curso. Pinto, D. N.; Araújo, V. M. D.; Araújo, B. C.D.; Gomes, R. N. Impacto do ruído de tráfego: estudo de caso no bairro de Lagoa Nova, Natal – RN. Revista Eletrônica de Engenharia Civil, v.6, n.2, p. 22-37, 2013. Plano Diretor do Município, Lei complementar 003 (PMCG, 2006). Prochnow, M. A. Monitoramento de gases – estudo comparativo das principais tecnologias de sensores e aspectos relacionados. Porto Alegre: UFRS, 2003. 141f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica). Rodrigues, F. Análise de Ruído em Terminais de Transporte Coletivo Urbano: Desenvolvimento de Modelos de Previsão. Uberlândia: UFU, 2006. 136f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil). Silveira, R. & Júnior, J. A. Metodologia de Análise do Impacto Ambiental do Ruído de Tráfego em Terminais de Transporte Coletivo Urbano no Município de Fortaleza. In: Anais do XXI Anpet. Rio de Janeiro: ANPET, 2007. CD ROM.